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Psico-USF, v. 15, n. 3, p. 311-320, set./dez.

2010 311

Inserção em grupos formais e qualidade de vida entre adolescentes

Cheila de Oliveira Bueno¹ – Universidade Luterana do Brasil, Canoas, Brasil


Miriam Raquel Wachholz Strelhow – Universidade Luterana do Brasil, Canoas, Brasil
Sheila Gonçalves Câmara – Universidade Luterana do Brasil, Canoas, Brasil

Resumo
Este estudo avalia a relação entre afiliação a grupos formais e sexo e autoestima, satisfação com a vida e propósito de
vida, conjuntamente, enquanto componentes da qualidade de vida de adolescentes. Trata-se de um estudo transversal,
com uma amostra de 748 estudantes do 1º ano do ensino médio, com idades entre 13 e 22 anos, alunos de escolas
públicas estaduais de um município da grande Porto Alegre. Os instrumentos utilizados para coleta de dados foram: Pil
Test, Brief Life Satisfaction Scale e Escala de Auto-Estima de Rosenberg. Os resultados apontam que as três dimensões
avaliadas, conjuntamente, foram significativamente afetadas pela pertença a grupos (F(3, 698)=2,88, p<0,05), mas não
por sexo. A qualidade de vida adolescente é melhor entre os jovens que participam de grupos formais. O estudo aponta
para a participação em grupos formais como um indicativo de saúde positiva e um aspecto relevante para a promoção da
saúde.
Palavras-Chave: Adolescência, Pertença a grupos formais, Qualidade de vida.

Insertion in formal groups and quality of life among adolescents

Abstract
This present study evaluates the relation between affiliation to formal groups and gender and self-esteem, life satisfaction
and purpose of life, altogether, as components of the quality of life of adolescents. This is a transversal study, with a
sample of 748 teenager students from the first year of high school, ages between 13 and 22 years-old, of state public
schools of a city in the metropolitan area of Porto Alegre. The instruments used to collect the data were: Pil Test, Brief
Life Satisfaction Scale and Rosenberg’s Self-Esteem Scale. The results indicate that the three aspects evaluated, altogether,
were significantly affected by the affiliation to groups (F(3, 698)= 2,88, p<0,05), but not by gender. The adolescent quality
of life is better among youngsters who take part in formal groups. The study points out to the participation in formal
groups as an indicative of positive health and a relevant aspect for health promotion.
Keywords: Adolescence, Affiliation to formal groups, Quality of life.

A Organização1 Mundial de Saúde (OMS) define melhor denominar essa população, que ultrapassa uma
a adolescência como o período compreendido entre os definição cronológica, no presente estudo são
10 e 19 anos. Porém, estudos indicam que a puberdade utilizados ambos os termos – adolescente e jovem, pois
tem início cada vez mais cedo, e o ingresso na vida se entende que ambas as nominações conseguem
adulta tem sido adiado por diversos fatores sociais, definir a população estudada.
como o aumento do período de formação escolar, a A influência dos aspectos sociais mais
alta competitividade do mercado de trabalho, poucas abrangentes manifesta-se nas relações mais próximas
ofertas de empregos e a dificuldade em tornar-se estabelecidas pelo adolescente com as pessoas que lhe
independente financeiramente (Kell, 2004; Heilborn, são importantes. Os grupos sociais revelam-se como
2006). Em face disso, autores como Klosinski (2006) preponderantes nessa etapa da vida em termos da
defendem a extensão do período da adolescência, definição de normas e valores que contribuem para a
definindo-o de 10 aos 25 anos. construção da identidade pessoal. Isso envolve os
O termo juventude refere-se a uma categoria processos de identificação e diferenciação em relação
sociocultural e historicamente construída a partir de ao grupo (Bulgacov, Ribeiro, Cobalchini, Souza &
critérios múltiplos, que englobam as dimensões bio- Diório, 2001).
psicológica, cronológica e social. Não deve ser Há uma busca pela separação gradual da família
concebida, portanto, como um conjunto de fenômenos e direcionamento para o grupo de pares. Surgem
universais, pois as transformações pelas quais passam relações interpessoais cada vez mais aprofundadas fora
os jovens também resultam de processos inerentes aos do contexto exclusivamente familiar, mediante a
contextos sociais – históricos, políticos e econômicos – aproximação com iguais ou mesmo outros adultos
nos quais os indivíduos estão inseridos (Ferreira, significativos (Montemayor, 1994; Romanelli & Prieto,
Alvinir, Teixeira & Veloso, 2007). Como forma de 2002). Assim, a formação dos grupos de pares torna-se
mais preponderante nessa fase, e adquire um papel
1Endereço para correspondência: transitório entre o distanciamento da família de origem
Rua Alberto Pasqualine, n° 915 – Bairro Sumaré – Alvorada/RS e a formação de novo grupo familiar (Heilborn, 2006).
E-mail: cheobueno@yahoo.com.br
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A tendência dos adolescentes a agrupar-se estar ou de satisfação com a vida está ligada à forma
proporciona novas experiências e pode dar origem a como o indivíduo é capaz de lidar e absorver os
grupos de cunho cultural, religioso e esportivo, bem episódios de sua vida (Silva & colaboradores, 2007).
como às tribos urbanas (Pavía, Gerlero & Apendino, Costa e Bigras (2007) afirmam que as questões
1995). Esses grupos formam subculturas, identificadas de saúde e bem-estar na adolescência e na infância
com diferentes estilos, muitas vezes impulsionadas por devem ter um enfoque diferenciado em relação à
preferências estéticas e musicais, mas também população adulta, considerando os determinantes
fortemente relacionadas à realidade social que as sociais (sistemas de saúde, educação, trabalho,
circunda (Feixa, 1988). Atualmente, com o desenvolvimento social, direitos necessários à
estabelecimento definitivo da internet e a ampliação do integração social das famílias), espaços de convivência,
acesso, esta tornou-se o meio de comunicação formação e intervenção; bem como os determinantes
preferido dos adolescentes. Eles podem desempenhar familiares influenciados pelo ambiente sociocultural.
diferentes papéis, protegidos, muitas vezes, pelo Na adolescência, a satisfação com a vida está
anonimato, bem como estabelecer relações com relacionada a aspectos comunitários e econômicos,
pessoas que partilham as mesmas escolhas, trocando relações familiares, experiências escolares e relações
informações e impressões sobre temas de seu interesse com pares (Barros, Gropo, Petribú & Colares, 2008).
(Abrantes, 2002). Isso amplia em muito a possibilidade Como um período de reestruturação identitária,
de inserção em grupos, que até o advento da internet, a adolescência permite o resgate da história de vida até
eram apenas os grupos reais e concretos. o momento e abre-se na perspectiva de escolhas para a
Podem-se definir os grupos sociais dos quais os vida futura, que se configuram como um propósito de
adolescentes participam em dois tipos: grupos formais vida. As perspectivas quanto ao tempo futuro
e informais. No primeiro estão os grupos oficiais, com consistem no estabelecimento de metas de vida,
patentes (formalmente estabelecidos), objetivos também denominadas de tarefas de vida ou projetos.
definidos e encontros regulares, aptos a propiciar mais Na busca da realização dessa exigência pessoal e
estrutura, com normas fortes e maiores expectativas de psicossocial, os adolescentes recebem influências de
seus membros, como, por exemplo, grupos de seus grupos de referência, que podem representar tanto
escoteiros, companhias de dança, ou grupos de jovens contribuições positivas como fatores de maior
vinculados a instituições religiosas. Os grupos indecisão (Locatelli, Bzuneck & Guimarães, 2007).
informais são menos bem definidos, baseados na O estabelecimento de um projeto é uma tarefa
amizade, organização de estudo ou hobbies/ interesses determinada socioculturalmente, determinada pelas
casuais. Assim, os membros de grupos formais tendem contingências de vida do indivíduo. Espera-se que, no
a sentir menos autonomia pessoal em seus grupos, mas final da adolescência, como ingrediente da formação de
também maior clareza acerca de seu grupo comparado sua identidade pessoal, as pessoas tenham um
a outros (Sheldon & Bettencourt, 2002). direcionamento quanto ao seu futuro. Estudos sobre
Fatores sociais, como classe, religião, raça e projetos de vida de adolescentes demonstram que a
outros, referentes ao prestígio da pessoa no grupo educação, o trabalho e a constituição de família
determinam, em grande parte, os valores acerca de si representam os organizadores centrais das
mesmo que, por sua vez, exercem influência sobre a representações sociais do futuro presentes em suas
autoestima (Rosenberg, 1986). A autoestima relaciona- metas vitais (Nascimento, 2006; Paredes & Pecora,
se a qualquer valor a que o grupo no qual o indivíduo 2004).
está inserido atribua importância (Sarriera, Schwarcz & Estudos sobre a adolescência apontam para
Câmara, 1996). diferenças significativas entre os meninos e as meninas
Para Sánchez e Escribano (1999), a no que tange a papéis sociais, projetos de vida e fatores
representação social que o adolescente tem de si relacionados ao bem-estar (Garaigordobil, 2009;
mesmo está embasada tanto no autoconceito quanto na Goldbeck, Schmitz, Besier, Herschbach & Henrich,
autoestima. São atribuições individuais aperfeiçoadas 2007; Schoen-Ferreira, Aznar-Farias & Silvares, 2009).
nas relações cotidianas desde a infância e que agem Bassen e Lamb (2006) avaliaram diferenças entre os
como fatores decisivos na relação do indivíduo consigo sexos e as mudanças ocorridas no desenvolvimento na
mesmo e com os outros. autopercepção de adolescentes acerca de sua afiliação,
Tais relações melhor configuram o bem-estar, afiliação negativa e assertividade. Os resultados
que pode favorecer a maneira como as pessoas veem a apontaram que as meninas se sentiam com mais
si e aos outros, resultando em maior prazer na vivência afiliação e menos afiliação negativa em seus papéis que
das situações do dia a dia e no relacionamento com os os meninos, enquanto as diferenças na assertividade
pares (Passareli & Silva, 2007). A sensação de bem- não foram significativas. Os autores apontam pequenas

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diferenças entre os sexos nas habilidades cognitivas e afiliação grupal (participação e frequência), ambos
psicossociais, estas tendo diminuído no decorrer das desenvolvidos especificamente para este estudo com
últimas décadas, e que as diferenças crescem em alguns base na literatura sobre o tema (Bulgacov &
contextos e situações, mas não em outros. colaboradores, 2001; Sheldon & Bettencourt, 2002).
Em todas as etapas da vida, mas especialmente Dessa forma, a questão sobre a participação em grupos
na adolescência, a rede de apoio social é aquela que dá constava de oito categorias (não participo de nenhum
suporte para o enfrentamento das mudanças grupo, grupo de dança, grupo de música, grupo de
decorrentes do ciclo vital ou outros estressores, ajuda a escoteiros, grupo de jovens – religioso, grupo político-
estruturar a interpretação dos fenômenos presentes no partidário, grupo de prática de esporte formal, outro.
contexto de vida da pessoa e possibilita o Qual?). As respostas à categoria outros puderam ser
direcionamento para o futuro. Em face disso, o inseridas dentro das categorias previamente
presente estudo visa: a) avaliar a relação existente entre estabelecidas.
afiliação a grupos formais e as dimensões de auto- Para avaliar o propósito de vida foi utilizado o
estima, de satisfação com a vida e de propósito de vida; PIL – test (Purpose in Life). Este, desenvolvido
e b) avaliar a relação existente entre o sexo e as originalmente por Crumbaugh (Baiocchi & Magalhães,
dimensões de autoestima, de satisfação com a vida e de 2004), tem como base a Psicologia Existencial de
propósito de vida entre adolescentes escolares. Frankl (1987). Para este estudo foi utilizada a versão
revisada feita por Harlow, Newbomb e Bentler (1987),
Método o PIL-R. O instrumento é composto de 20 itens
referentes à capacidade de encontrar sentido e
O presente estudo observacional, analítico de motivação para a vida. As respostas são assinaladas
corte transversal foi realizado com estudantes de numa escala tipo Likert de sete pontos, indicando graus
primeiro ano do ensino médio da rede pública estadual diferentes de concordância com as afirmações. No
de Alvorada/RS. Alvorada é um município da Região Brasil, o instrumento foi utilizado em estudo como os
Metropolitana de Porto Alegre, com cerca de 214 mil de Baiocchi e Magalhães (2004) com profissionais
habitantes, cujas principais atividades econômicas são graduados (alfa=0,90), e Aquino e colaboradores
comércio e serviços (IBGE, 2009). De acordo com os (2010) com universitários (alfa=0,81). No presente
dados da Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul estudo, a escala obteve um alfa de 0,78.
(SEC/RS, 2009), em 2008, havia 1.286 alunos Para a avaliação da satisfação com a vida foi
matriculados no primeiro ano do ensino médio, no utilizada a Brief Multidimensional Students’ Life Satisfaction
turno diurno. Foi selecionado esse turno de estudo por Scale (BMSLSS: Huebner, Suldo, Valois, Darne &
nele haver um perfil de adolescentes com maior Zullig, 2004). A BMSLSS é uma versão breve da
disponibilidade para participar de grupos formais, o Multidimensional Students’ Life Satisfaction Scale (MSLSS:
que se diferencia do perfil dos estudantes noturnos, Huebner, Laughlin, Ash & Gilman, 1998). A BMSLSS
que têm faixa etária mais elevada e, geralmente, foi desenvolvida para ser uma escala autoaplicável
trabalham. Nesse sentido, a faixa etária prevista era dos breve. Consiste em uma medida de cinco itens
13 aos 18 anos. No entanto, 11 jovens (1,6%) tinham (satisfação com a família, amigos, experiência como
idade entre 19 e 22 anos. Optou-se por mantê-los no estudante, consigo mesmo e com o lugar onde vive),
estudo em razão de sua inserção em grupos formais. acrescida de um item sobre a satisfação com a vida em
Utilizou-se o programa Epi-Info para os geral, a serem respondidos em escala Likert de 11
cálculos de tamanho de amostra, considerando-se o pontos, com opções que variam de “péssima” a
total de escolares matriculados, uma prevalência “excelente”. A soma dos resultados dos sujeitos nos
esperada do desfecho de 50% e um erro máximo seis itens fornece um escore de satisfação geral com a
tolerado de + 3%. Com isso, a amostra inicialmente vida. Para o presente estudo, a BMSLSS foi traduzida
calculada foi de 583 jovens. Considerando-se um diretamente da versão original em inglês, que é bastante
possível efeito de delineamento de 1,2, essa amostra foi simples (todos os itens apresentam a mesma estrutura:
ampliada em 116 sujeitos, acrescidos de mais 15% para “descreveria minha satisfação com... como...”. Os
suportar uma perda estimada de 15%. Com isso, o domínios família, amigos/as, experiência como
tamanho da amostra foi estimado em 786 jovens. A estudante, comigo mesmo/a, lugar onde vivo e minha
amostra final constituiu-se de 748 adolescentes vida em geral dão o sentido a cada item). A versão
estudantes de seis escolas. obtida foi submetida à análise semântica mediante a
Como instrumentos, foram utilizados: um aplicação do instrumento a seis adolescentes com
questionário de dados sociodemográficos (sexo, idade, idades entre 13 e 15 anos, não tendo sido necessária
grau de escolaridade dos pais) e um questionário sobre nenhuma reformulação dos itens. Em estudo piloto

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com 188 adolescentes estudantes de sétima e oitava Os dados foram analisados por meio de
séries de escolas estaduais do município de estatística univariada (frequências e porcentagens,
Cachoeirinha/RS, a escala obteve um índice alfa de médias e desvio padrão) para a descrição dos sujeitos e
Cronbach de 0,92 com os seis itens e 0,90 com os seu envolvimento em grupos; estatística bivariada, pelo
cinco itens referentes a domínios específicos. No teste Qui-Quadrado para avaliar as diferenças entre os
presente estudo a escala com seis itens obteve um alfa sexos e faixas etárias quanto à participação em grupos
de 0,82 e com cinco itens 0,75. formais; bem como o teste t de Student para avaliar as
A autoestima dos jovens foi avaliada através da diferenças entre os grupos conforme as variáveis sexo,
Escala de Autoestima de Rosenberg (1986). Esta foi faixa etária e participação em grupos formais em
desenvolvida originalmente para medir sentimentos relação às variáveis autoestima, propósito de vida e
globais de adolescentes em relação a autovalor ou auto- satisfação geral. Foi realizada análise multivariada de
aceitação e é geralmente considerada a medida padrão variância (MANOVA) entre sujeitos para avaliar o
em comparação a outras medidas de autoestima. A efeito da interação dos fatores em estudo pertença a
escala inclui 10 itens que são pontuados utilizando um grupos formais (não e sim) e sexo (feminino e
agrupamento de respostas de quatro pontos que vão de masculino) com o conjunto das variáveis dependentes
discordo fortemente a concordo fortemente (Adler & (propósito de vida, autoestima e satisfação com a vida).
Stewart, 2004). A versão utilizada no estudo foi a
proposta por Assis e colaboradores (2003) que, em Resultados
estudo com 1685 estudantes de São Gonçalo/RJ
encontraram, no pré-teste do instrumento um alfa de Dentre os jovens que responderam aos
Cronbach de 0,68. Neste estudo o instrumento instrumentos, foram excluídos 43, dos quais 38 por
apresentou um alfa de 0,65. respostas omissas em itens dos instrumentos que
Para a coleta de dados verificou-se, junto à avaliavam propósito de vida, autoestima e satisfação
Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul (SEC- com a vida e cinco na variável sexo. Dos 705 sujeitos
RS, 2009), que havia 11 escolas estaduais com ensino restantes, 383 (54,3%) eram do sexo feminino e a idade
médio regular no município de Alvorada/RS. Destas, variou de 13 a 22 anos (M=15,30, DP=1,22).
seis foram sorteadas aleatoriamente e contatadas a fim Quanto ao nível de estudos dos pais,
de que fornecessem sua autorização para participar do considerando os sujeitos que responderam a esta
estudo. Realizada essa etapa, os alunos de primeiro ano questão, no que tange às mães, 34,6% tinham ensino
do ensino médio foram convidados a participar da fundamental completo, 27,9% ensino médio completo,
pesquisa, com a devida explicação dos objetivos da 16,8% ensino fundamental incompleto, 12,8% ensino
mesma. Os participantes responderam ao instrumento médio incompleto, 6,3% curso superior e 1,5% não
de pesquisa mediante sua autorização prévia (assinatura tinha estudos. Dentre os pais, 31,7% tinham ensino
do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – fundamental incompleto, 26,6% ensino médio
TCLE), no caso dos maiores de idade, ou de seus pais completo, 15,7% ensino médio incompleto, 14,5%
ou responsáveis, para os menores de idade, em ensino fundamental completo, 8,6% curso superior e
conformidade com a Resolução 196 do Conselho 2,8% não tinham estudos.
Nacional de Saúde (CNS), no que diz respeito à Em relação à pertença a grupos formais, 43,4%
pesquisa com seres humanos (Ministério da Saúde, pertenciam a algum grupo formal. Destes, 50,3%
1997). Como medida para evitar as perdas com relação participam de grupos de prática de esporte, 27,1% de
ao consentimento dos pais, houve comunicação prévia grupos de jovens (religioso), 17% de grupos de dança,
das escolas sobre a pesquisa em reuniões de pais. Além 15,7% de grupos de música, 2,6% de grupos de
disso, a entrega dos TCLE era feita no dia anterior à escoteiros e 2,3% de grupos políticos. Sobre o tempo
aplicação dos instrumentos. Em cada escola, as que os jovens participam dos referidos grupos, verifica-
pesquisadoras voltaram até três vezes para realizar se a predominância de participação por um ano ou
aplicação entre os que não haviam trazido o TCLE mais: 61% nos grupos esportivos, 70,1% nos grupos de
assinado, sempre com nova entrega dos termos no dia jovens, 60% nos grupos de dança, 65,3% nos grupos
anterior às aplicações. Aqueles jovens que após as três musicais, 87,5% nos grupos de escoteiros e 50% nos
tentativas não trouxeram o TCLE assinado foram grupos políticos. A frequência de participação que
considerados como perdas. O instrumento foi aplicado predomina é de uma a mais vezes por semana (68,7%:
de forma grupal pelas pesquisadoras nas salas de aula grupos esportivos, 81,6%: grupos de jovens, 77,7%:
(primeira aplicação) ou em sala específica na segunda e grupos de dança, 57,2%: grupos musicais, 87,5%:
terceira aplicações), com um tempo médio de 30 grupos de escoteiros e 50%: grupos políticos). Quanto
minutos. à motivação para a participação nos grupos, o desejo

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pessoal (escolha do jovem) aparece como prioritário sujeitos com idade até 18 anos e os de 19 a 22 anos,
(85,2%: grupos esportivos, 85%: grupos de jovens, embora tenha sido possível verificar uma maior
56,7%: grupos de dança, 90,8%: grupos musicais, participação dos jovens com idades entre 19 e 22 anos
100%: grupos de escoteiros e 100%: grupos políticos). em grupos formais de práticas de esportes (45,5% dos
Ao avaliar a distribuição dos sexos por jovens desta faixa etária).
inserção em grupos formais, verificou-se que houve Em relação aos sexos, não houve diferença
diferença significativa na participação de grupos de significativa em nenhuma das três variáveis psicológicas
dança (X2=15,59; p<0,01) com 78,3% de participação em estudo, da mesma forma que à faixa etária. Quanto
das meninas, grupos de jovens (X2=7,60; p<0,05) com à participação em grupos formais em relação a suas
67,8% com participação das meninas e grupos de médias nas variáveis autoestima, propósito de vida e
prática de esporte (X2=50,07; p<0,01), com 70,1% de satisfação com a vida, os resultados demonstram que
participação dos meninos. houve diferenças estatisticamente significativas entre os
Considerando a divisão do grupo em duas grupos nas três variáveis avaliadas, apresentando, os
faixas etárias (de 13 a 18 anos e de 19 a 22 anos) em adolescentes que pertencem a grupos formais, maior
relação à participação em grupos formais, verificou-se autoestima, propósito de vida e satisfação com a vida
que não houve diferenças significativas entre os (Tabela 1).

Tabela 1 – Diferença nas médias entre grupos por sexo, faixa etária e participação em grupos nas variáveis
psicológicas
Variáveis psicológicas M DP T p
Sexo
Autoestima Feminino 2,34 0,67 1,01 0,311
Masculino 2,29 0,60
Propósito de vida Feminino 5,21 0,89 -0,25 0,801
Masculino 5,23 0,81
Satisfação geral Feminino 7,54 1,60 -1,60 0,110
Masculino 7,74 1,77
Idade
Autoestima 13-18 anos 2,31 0,63 -0,73 0,87
19-22 anos 2,34 0,64
Propósito de vida 13-18 anos 5,21 0,85 -1,08 0,48
19-22 anos 5,35 0,62
Satisfação geral 13-18 anos 7,62 1,67 -0,16 0,30
19-22 anos 8,07 1,36
Pertença a grupos
Autoestima Sim 2,24 0,57 -2,41 0,016
Não 2,36 0,67
Propósito de vida Sim 5,30 0,84 2,33 0,020
Não 5,15 0,85
Satisfação geral Sim 7,82 1,63 2,68 0,007
Não 7,49 1,70

O teste de MANOVA revelou que as variáveis de grupos formais apresentando médias mais elevadas,
dependentes (propósito de vida, autoestima e satisfação o que indica maior clareza de propósito de vida
com a vida), em conjunto, foram significativamente [F(1,700)=6,47, p<0,05], maior autoestima [F(1,
afetadas pela pertença a grupos formais [F(3, 700)=4,44, p<0,05] e maior satisfação com a vida
698)=2,88, p<0,05]. Foram encontradas diferenças [F(1,700) = 5,50, p<0,05]. O teste de MANOVA não
univariadas significativas nas três variáveis revelou efeito global significativo de sexo, nem de
dependentes, em todas elas os jovens que participavam interação entre sexo e pertença a grupos (Tabela 2).

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Tabela 2 – Médias e desvios padrão das três variáveis independentes por pertença a grupos e sexo (Alvorada/RS,
2009) (n=748)
Pertença a grupos formais
Sim Não
(n= 306) (n= 399)
Medidas M DP M DP F df p
Propósito de vida 5,31 0,85 5,15 0,86 6,47 1 0,01
Autoestima 3,90 0,69 3,78 0,78 4,44 1 0,03
Satisfação com a vida 7,81 1,65 7,50 1,69 5,50 1 0,01
F=2,88; DF=3, 698; p=0,03
Sexo
Masculino Feminino
(n= 322) (n= 383)
Medidas M DP M DP F df p
Propósito de vida 5,23 0,81 5,21 0,89 0,09 1 0,76
Autoestima 3,86 0,71 3,80 0,77 0,92 1 0,33
Satisfação com a vida 7,75 1,77 7,53 1,60 2,47 1 0,11
F=0,91; DF=3, 698; p=0,43

Discussão interrelação entre os construtos estudados como uma


dimensão positiva da vida.
Os resultados apontam uma participação de A ideia de integração de construtos positivos
43,4% dos jovens em grupos formais, em que destes os também foi sugerida por Ryff (1989), que propôs, a
que têm maior participação são os grupos de prática de partir de uma análise da literatura, um modelo teórico
esportes (50,3%) e os grupos de jovens – religiosos de bem-estar psicológico formado por seis dimensões:
(27,1%). Quando questionados sobre a motivação para autoaceitação, relações positivas com os outros,
participarem nos grupos, os jovens afirmam como autonomia, domínio do ambiente, propósito de vida e
prioritário o desejo próprio e indicam uma participação crescimento pessoal. A autora sugeriu que, dentre as
de uma vez por semana ou mais, indo ao encontro da dimensões avaliadas, um componente crítico da saúde
literatura que aponta para a necessidade dos jovens mental é a crença que dá ao indivíduo o sentimento de
estarem envolvidos com grupos de pares e, no caso que há um propósito e um significado para a vida, e
deste estudo, grupos formais, especificamente quem tem atitudes positivas tem metas, intenções e um
(Heilborn, 2006; Romanelli & Prieto, 2002). senso de direção, o que contribui para o sentimento de
Ao avaliar a distribuição dos sexos por que a vida tem um sentido pleno. Dessa forma, um alto
inserção em grupos formais, verificou-se maior escore de propósito de vida contribui para o
participação das meninas em grupos de dança e nos estabelecimento de objetivos e o sentimento de que a
grupos de jovens, enquanto os meninos têm maior vida tem um sentido pleno. Esse construto faz
participação nos de prática de esporte. Porém não referência aos processos básicos de motivação
houve diferença significativa em relação às faixas inerentes à vida humana, estando na busca por um
etárias, o que aponta que, mesmo após os 18 anos, os sentido para a vida, que se torna importante
jovens continuam participando de grupos formais, especialmente em momentos de adversidade (Baiochhi
ainda que a literatura demonstre que há uma & Magalhães, 2004).
diminuição da necessidade dos jovens de estarem com No presente estudo, a participação dos
seus pares à medida em que se aproximam da idade adolescentes em grupos associou-se à qualidade de
adulta (Heilborn, 2006; Romanelli & Prieto, 2002). vida, sendo o propósito de vida um dos fatores mais
Este artigo se propôs a avaliar a relação entre a relevantes para sua formação. Corroborando este
participação dos adolescentes em grupos formais com resultado, Yalom (1984) propôs que um sentido
propósito de vida, autoestima e satisfação com a vida. positivo de vida está ligado fortemente a crenças
Constatou-se que todos os aspectos estudados, em religiosas, dedicação a uma causa e metas claras, e
interação, relacionaram-se positivamente à participação participação em grupo. Adler (1997) aponta a
em grupos. Considerando-se os pressupostos da importância do propósito de vida relacionado à saúde,
Psicologia Positiva, os resultados, além de revelarem a descrevendo estudos em que o propósito de vida
importância dos grupos estruturados para uma melhor correlacionou-se negativamente com relatos de
qualidade de vida dos jovens, demonstram a sofrimento e com sintomas psicológicos negativos;

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mediou a relação entre estresse incontrolável e uso de adolescentes com menor autoestima têm maior
substâncias, e teve efeitos consistentes e diretos no dificuldade com a integração grupal e desenvolvem
bem-estar. mecanismos que provavelmente distorcem a
É possível afirmar que os grupos formais comunicação de seus pensamentos e sentimentos,
funcionam para os jovens pesquisados como fonte de dificultando essa integração.
suporte social que, segundo Danielsen, Samdal,
Hetland e Wold (2009), pode ser definido como Considerações Finais
processos de troca social que contribuem para o
desenvolvimento de padrões de comportamento, Outros estudos (Antunes & colaboradores,
cognições sociais e valores. Para os autores existem 2006; Baiocchi & Magalhães, 2004; Barros &
consideráveis evidências de que o suporte social da colaboradores, 2008; Borges & Argolo, 2002; Passareli
família, de professores e pares está associado com a & Silva, 2007) já foram realizados apontando para a
satisfação de vida percebida. interação das dimensões satisfação com a vida,
Em relação à satisfação com a vida em geral, o propósito de vida e autoestima entre si e de sua
presente estudo aponta para melhores índices nos correlação com fatores sociodemográficos (idade, sexo,
jovens que participam de grupos formais. Barros e escolaridade, profissão), não tendo sido encontrados
colaboradores (2008) afirmaram que em 19% dos estudos que relacionassem diretamente tais construtos
estudos encontrados na literatura, a qualidade de vida é à participação em grupos formais.
definida como satisfação com a vida e consigo mesmo. Este estudo avaliou tal relação, identificando
Os demais estudos incluem medidas de qualidade de que as três dimensões positivas avaliadas indicam que,
vida como felicidade, bem-estar, desempenho, para esta população, a participação em grupos formais
funcionamento, realização de metas, necessidade de é um fator positivo para a saúde psicológica e,
satisfação e saúde. Nesse sentido, os resultados consequentemente, para a saúde geral. O fato de que as
encontrados no presente estudo revelam que a dimensões avaliadas identificam diferenças entre os
participação em grupos formais representa um jovens que participam ou não de grupos formais, e não
importante fator de qualidade de vida entre diferenciam por sexo, nem na interação entre sexo e
adolescentes. pertença a grupo, demonstra a importância de incluir
Não foram identificadas diferenças no trabalho de promoção e prevenção à saúde
significativas na relação entre sexo e os construtos de adolescente os grupos formais como fatores
autoestima, satisfação com a vida e propósito de vida, protetores.
diferente do estudo de Goldbeck e colaboradores As limitações deste estudo se referem à
(2007), que analisaram os efeitos do sexo na satisfação dificuldade em encontrar estudos anteriores que
com a vida de 1.274 adolescentes, com idades entre 11 abordassem a temática da participação dos adolescentes
e 16 anos. Os resultados apontaram que as meninas em grupos formais, especialmente para a comparação
relataram índices significativamente mais baixos de dos dados encontrados. Da mesma forma,
satisfação com a vida em geral e relacionada à encontraram-se poucos estudos utilizando o Pil-Test
saúde. Em ambos os sexos e em quase todos os no Brasil, dificultando comparações de resultados. A
domínios da vida, houve uma significativa diminuição amostra limitou-se a um município da Região
da satisfação com a vida em geral. Metropolitana de Porto Alegre, não podendo ser
Ao avaliar a relação de pertença a grupos e generalizada, porém podendo-se pensar que os
autoestima, identificou-se que os adolescentes que resultados seriam semelhantes em populações da
pertencem a grupos formais apresentam melhor auto- mesma faixa etária. Sugere-se que novos estudos sejam
estima que os demais. Quanto ao sexo, não houve realizados, no sentido de ampliar a amostra e
diferença significativa, diferenciando-se do estudo de aprofundar a questão da importância dos grupos
Antunes e colaboradores (2006), que encontraram formais para a saúde adolescente.
diferenças significativas entre os sexos. Para os autores
há uma tendência de que meninos apresentem Referências
melhores médias de autoestima do que as meninas.
A autoestima apresentou-se como um Abrantes, J. C. (Coord.) (2002). Os jovens e a internet:
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320 Bueno, C. O., Strelhow, M. R. W., Câmara, S. G. Grupos e qualidade de vida na adolescência

Sobre as autoras:

Cheila de Oliveira Bueno é psicóloga, graduada pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA/Canoas) e bolsista
de iniciação científica IC/CNPQ (2008–julho/2010).

Miriam Raquel Wachholz Strelhow é graduanda em Psicologia (ULBRA/Canoas) e bolsista IC/CNPQ.

Sheila Gonçalves Câmara é doutora em Psicologia e mestre em Psicologia Social e da Personalidade pela
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul; professora da graduação no Curso de Psicologia da
Universidade Luterana do Brasil/Campus Canoas e do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva/ULBRA,
professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre
(UFCSPA) e bolsista produtividade do CNPq.

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