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Esta nova coletânea traz como novidade a apresentação

2004 O Projeto Desenvolvendo Casos de Sucesso no Sebrae


dos casos por área temática, visando facilitar a consulta teve sua origem em 2002 com o objetivo de disseminar
e melhor entendimento do conteúdo. 2004 as melhores práticas vivenciadas por empreendedores
e empresários de diversos segmentos e setores,
O primeiro volume da nova edição descreve casos participantes dos programas e projetos do Sebrae
vinculados aos temas de artesanato, turismo e cultura, em vários Estados do Brasil.
empreendedorismo social e cidadania. O segundo relata
histórias sobre agronegócios e extrativismo, indústria, A primeira fase do projeto, estruturada para escrever estudos
comércio e serviços. E o terceiro aborda exclusivamente de caso sobre empreendedorismo coletivo, publicou em
casos com foco em inovação tecnológica. 2003 a coletânea Histórias de Sucesso – Experiências

Os resultados obtidos com o projeto Desenvolvendo


Histórias de Sucesso Empreendedoras, em três livros integrados de 1.200
páginas, que contou 80 casos desenvolvidos em
Casos de Sucesso, desde sua concepção e implantação, Experiências Empreendedoras diferentes localidades e vários setores, abrangendo as
têm estimulado a elaboração de novos estudos sobre cinco regiões: Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Norte e
histórias de empreendedorismo coletivo e individual, e, Nordeste. Participaram 90 escritores, provenientes do
conseqüentemente, têm fortalecido o processo de Gestão quadro técnico interno ou externo do Sebrae.

Histórias de Sucesso
do Conhecimento Institucional. Contribui-se assim, de forma
significativa, para levar ao meio acadêmico e empresarial Esta segunda edição da coletânea Histórias de Sucesso –
o conhecimento acerca de pequenos negócios bem- Experiências Empreendedoras – 2004, composta de três
sucedidos, visando potencializar novas experiências volumes que totalizam cerca de 1.100 páginas, contou com
que possam ser adotadas e implementadas no Brasil. a participação de 89 escritores e vários profissionais de
todos os Estados brasileiros, que escreveram os 76 casos.
Para ampliar o acesso dos leitores interessados em utilizar
os estudos de caso, o Sebrae desenvolveu em seu portal A continuidade do projeto reitera a importância da
(www.sebrae.com.br) o site Casos de Sucesso, onde o disseminação das melhores práticas observadas no âmbito
usuário pode acessar na íntegra todos os 156 estudos de atuação do Sistema Sebrae e de sua multiplicação para
das duas coletâneas por tema, região ou projeto, bem o público interno, rede de parceiros, consultores, professores
como fotos, vídeos e reportagens. e meio empresarial.

Todos os casos do projeto foram desenvolvidos sob a orientação


de professores tutores, atuantes no meio acadêmico e em
diversas instituições brasileiras, que auxiliaram os autores
a pesquisar dados, entrevistar pessoas e escrever os casos,
de acordo com a metodologia elaborada pelo Sebrae.

Foto do site do Sebrae. Casos de Sucesso.

Esperamos que essas histórias de sucesso possam


produzir novos conhecimentos e contribuir para fortalecer
os pequenos negócios e demonstrar sua importância
econômica no País.
Série Histórias
Boa leitura e aprendizado! de Sucesso.
Primeira edição 2003.
COPYRIGHT © 2004, SEBRAE – SERVIÇO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS – É permitida a reprodução total ou parcial, de qualquer


forma ou por qualquer meio, desde que divulgadas as fontes.

SEBRAE – Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas


Presidente do Conselho Deliberativo Nacional
Armando Monteiro Neto
Diretor-Presidente
Silvano Gianni
Diretor de Administração e Finanças
Paulo Tarciso Okamotto
Diretor Técnico
Luiz Carlos Barboza
Gerente da Unidade de Estratégias e Diretrizes
Gustavo Henrique de Faria Morelli
Coordenação do Projeto Desenvolvendo Casos de Sucesso
Renata Barbosa de Araújo Duarte
Comitê Gestor do Projeto Desenvolvendo Casos de Sucesso
Cezar Kirszenblatt, SEBRAE/RJ; Daniela Almeida Teixeira, SEBRAE/MG; Mara Regina Veit, SEBRAE/MG;
Renata Maurício Macedo Cabral, SEBRAE/RJ; Rosana Carla de Figueiredo Lima, SEBRAE Nacional
Orientação Metodológica
Daniela Abrantes Serpa – M.Sc., Sandra Regina H. Mariano – D.Sc., Verônica Feder Mayer – M.Sc.
Diagramação
Adesign
Produção Editorial
Buscato Informação Corporativa

D812h Histórias de sucesso: experiências empreendedoras / Organizado


por Renata Barbosa de Araújo Duarte – Brasília: Sebrae, 2004.

392 p. : il. – (Casos de Sucesso, v.1)

Publicação originada do projeto Desenvolvendo Casos de


Sucesso do Sistema Sebrae.
ISBN 85-7333-385-5
1. Empreendedorismo 2. Estudo de caso 3. Artesanato
4. Turismo 5. Cultura I. Duarte, Renata Barbosa de Araújo II. Série
CDU 65.016:001.87

BRASÍLIA
SEPN – Quadra 515, Bloco C, Loja 32 – Asa Norte
70.770-900 – Brasília
Tel.: (61) 348-7100 – Fax: (61) 347-4120
www.sebrae.com.br
PROJETO DESENVOLVENDO CASOS DE SUCESSO

OBJETIVO
O Projeto Desenvolvendo Casos de Sucesso foi concebido em 2002 a partir das prioridades
estratégicas do Sistema SEBRAE com a finalidade de disseminar na própria organização, nas
instituições de ensino e na sociedade as melhores práticas de empreendedorismo individual e
coletivo observadas no âmbito de atuação do SEBRAE e de seus parceiros, estimulando sua
multiplicação e fortalecendo a Gestão do Conhecimento do SEBRAE.

METODOLOGIA “DESENVOLVENDO CASOS DE SUCESSO”


A metodologia adotada pelo projeto é uma adaptação do consagrado método de estudos
de caso aplicado em Babson College e Harvard Business School, que se baseia na história
real de um protagonista, que, em dado contexto, se encontra diante de um problema ou de
um dilema que precisa ser solucionado. Esse método estimula o empreendedor, o aluno ou a
instituição parceira a vivenciar uma situação real, convidando-o a assumir a perspectiva do
protagonista.

O LIVRO HISTÓRIAS DE SUCESSO – Edição 2004


Esse trabalho é o resultado de uma das ações do projeto Desenvolvendo Casos de Su-
cesso, elaborado por colaboradores do Sistema SEBRAE, consultores e professores de ins-
tituições de ensino parceiras. Esta edição é composta por três volumes, em que se
descrevem 76 estudos de casos de empreendedorismo, divididos por área temática:
• Volume 1 – Artesanato, Turismo e Cultura, Empreendedorismo Social e Cidadania.
• Volume 2 – Agronegócios e Extrativismo, Indústria, Comércio e Serviço.
• Volume 3 – Difusão Tecnológica, Soluções Tecnológicas, Inovação, Empreendedorismo e
Inovação.

DISSEMINAÇÃO DOS CASOS DE SUCESSO DO SEBRAE


O site Casos de Sucesso do SEBRAE (www.casosdesucesso.sebrae.com.br) visa divulgar as
experiências geradas a partir das diversas situações apresentadas nos casos, bem como suas
soluções, tornando-as ao alcance dos meios empresariais e acadêmicos.
O site apresenta todos os estudos de caso das edições 2003 e 2004, organizados por área de
conhecimento, região, municípios, palavras-chave e contém, ainda, vídeos, fotos, artigos de
jornal, que ajudam a compreender o cenário onde os casos se passam. Oferece também um
manual com orientações para instrutores, professores e alunos de como utilizar o estudo de caso
na sala de aula.
As experiências relatadas ilustram iniciativas criativas e empreendedoras no enfrentamento
de problemas tipicamente brasileiros, podendo inspirar a disseminação e aplicação dessas
soluções em contextos similares. Esses estudos estão em sintonia com a crescente importância
que os pequenos negócios vêm adquirindo como promotores do desenvolvimento e da geração
de emprego e renda no Brasil.
Boa leitura e aprendizado!

Gustavo Morelli
Gerente da Unidade de Estratégias e Diretrizes
Renata Barbosa de Araújo Duarte
Coordenadora do Projeto Desenvolvendo Casos de Sucesso

HISTÓRIAS DE SUCESSO – EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS EDIÇÃO 2004


POUSADA COSTA BRANCA: ECOTURISMO
E AVENTURA NA PONTA DO MEL
RIO GRANDE DO NORTE
MUNICÍPIO: AREIA BRANCA

INTRODUÇÃO

N o início da década de 1990, um jovem casal resolveu transformar


um sonho em realidade, buscando uma vida mais saudável em
meio à natureza. Saturados de morar na cidade, considerada por eles
já bastante rotineira e conturbada, passaram a pesquisar, no Estado do
Rio Grande do Norte, um local onde pudessem implementar um negó-
cio. Joane e Carito – na época, namorados – (ela, estudante do curso
de Geografia e bolsista do Conselho Nacional de Pesquisa – CNPq, ele,
arquiteto e funcionário da Universidade Federal do Rio Grande do Nor-
te), realizaram viagens de pesquisas durante mais de sete anos por
todo o litoral do Estado. O distrito de Ponta do Mel destacou-se por
sua beleza e sua geografia diferenciada, reunindo serra, sertão e litoral,
localizado numa zona de fronteira em constante crescimento turístico
entre os Estados do Rio Grande do Norte e Ceará, apresentava quali-
dades para beneficiar a necessária e urgente descentralização do turis-
mo potiguar.
Na época, o irmão mais velho de Carito o convidou para montar um
negócio. E, como tudo conspirava a favor, descobriram que estavam pen-
sando no mesmo negócio: o ócio como negócio – o negÓCIO criativo por
meio do Ecoturismo, numa região que, além de propícia ao projeto, era
também carente de investimento.
O espírito empreendedor do irmão tomou conta do jovem e possí-
vel empresário. A paixão por Ponta do Mel, somada a uma visão em-
preendedora, anunciou: a magia da bela praia parecia pedir uma
pousada de charme, um projeto com preocupações ecológicas, sociais
e culturais. No encontro do sertão com o mar, a região mais fascinan-
te e inexplorada do Estado elevou o ânimo do casal. Dados oficiais de
levantamentos turísticos feitos pelo governo estadual atestavam que
mais de 30% do litoral do Rio Grande do Norte estava sem nenhuma in-

Sergina Fernandes Dantas Santos, analista do SEBRAE/RN e gestora do Programa SEBRAE de Turismo,
elaborou o estudo de caso, sob a orientação do professor Espedito Cardoso de Araújo, da Universidade
Potiguar, e da professora Maria do Socorro de Azevedo Borba, da Universidade Federal do Rio Grande
do Norte, integrando as atividades do Projeto Desenvolvendo Casos de Sucesso do SEBRAE.

HISTÓRIAS DE SUCESSO – EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS EDIÇÃO 2004 1


Carlos Estevam Dantas Cavalcanti Carlos Estevam Dantas Cavalcanti

DUNAS DE PONTA DO MEL


PISCINAS DA POUSADA COSTA BRANCA
POUSADA COSTA BRANCA: ECOTURISMO E AVENTURA NA PONTA DO MEL -– SEBRAE/RN

fra-estrutura significativa ou planejada. Diante disso, decidiram, então, fa-


zer tudo da maneira mais profissional possível, com a participação e o en-
volvimento da comunidade, de forma sustentável e ambientalmente
correta. Partindo deste dado oficial, procurou-se trabalhar com a seguinte
premissa: como projetar e construir um equipamento turístico e funcional,
respeitando as características ecológicas bem como empregando e trei-
nando os moradores ou nativos da comunidade de Ponta do Mel?
Assim, surgiu, em 1994, o projeto da Pousada Costa Branca – cujo
nome homenageia toda a região da costa do sal. Uma pequena empresa
com um grande sonho e muita natureza ao redor.

PONTA DO MEL ANTES DO PROJETO

O distrito de Ponta do Mel era um povoado sem muito incentivo da admi-


nistração pública, carente de infra-estrutura, distante da cidade de Areia
Branca, com sérios problemas de comunicação. O seu acesso era através de
estrada de barro, perfazendo três horas de viagem. Esse percurso era dificul-
tado no período de chuvas, quando era transformado em rios de lama.
Por sua localização geográfica caracterizada por falésias, Ponta do Mel era
discriminada pela população da redondeza, como sendo “um buraco”. Além
de todos esses problemas, não havia consciência coletiva da comunidade
diante dos valores existentes, ocorrendo baixa estima generalizada.
Esse quadro negativo não desestimulou os jovens empreendedores, mui-
to pelo contrário, serviu como desafio. Foram ao SEBRAE à procura de cur-
sos que pudessem dar a eles uma visão mais concreta de empreendedorismo,
ou seja, como montar uma empresa com todos os trâmites legais, bem como
adentrar no mundo dos negócios. Eles estavam imbuídos do desejo de trans-
formar um belo local natural em atrativo turístico, sem agredir a natureza.
A infra-estrutura local era precária, com problemas na rede elétrica, tornan-
do-se comum o povoado ficar sem energia elétrica durante três dias. O abas-
tecimento de água era comprometido e a qualidade péssima, com muita
salubridade, acarretando danos à saúde da população. Outro problema gra-
ve era com o lixo, não havia coleta, o que causava transtorno à comunidade.
A população economicamente ativa era empregada nas salinas da re-
gião. No entanto, entre 1970 e 1974 quando foi implantada a mecaniza-
ção no parque salineiro, houve desemprego em massa, que provocou o
êxodo rural, principalmente para a cidade de Santos/SP, onde os trabalha-

HISTÓRIAS DE SUCESSO – EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS EDIÇÃO 2004 3


TURISMO E CULTURA

dores se tornaram estivadores no porto. A sobrevivência das pessoas de


Ponta do Mel constituía-se basicamente da pesca, pecuária e agricultura
de subsistência. Não havia geração de emprego nem de renda.
Os responsáveis pelo projeto da pousada encontraram dificuldades
em coletar dados do Distrito, pois só havia registro até 1970. Parecia
até que o Distrito tinha sido eliminado do mapa. Foi iniciada, então,
uma pesquisa com a comunidade local, em que foram levantados da-
dos como: população, escolaridade, emprego.

UMA VISÃO DA REGIÃO DA COSTA BRANCA:


SAL, SOL, PETRÓLEO E PRAIAS BELAS

A chamada região da Costa Branca localiza-se no extremo litoral norte


do Rio Grande do Norte, na zona oeste do Estado, abrangendo prin-
cipalmente as costas de Galinhos, Guamaré, Macau, Porto do Mangue,
Areia Branca, Grossos e Tibau, em uma zona de fronteira entre o Rio
Grande do Norte e o Ceará.
A região tem esse nome devido às dunas brancas e às montanhas de
sal, características do lugar e que, somadas às suas imensas praias virgens,
passam a impressão de deserto chegando ao mar.
Na região da Costa Branca, podemos dizer que o sertão chega ao mar,
com a paisagem marcada por vegetações típicas da caatinga, jegues e ca-
bras espalhados ao longo de grandes enseadas de praias abertas e ainda
selvagens, repletas de fazendas e sítios à beira-mar. Trata-se, portanto, de
uma zona rural à beira-mar, estruturada economicamente pela produção
de sal e petróleo, e pela agricultura de subsistência e pesca – a lagosta e
o camarão são comuns na região. Mangues, rios, falésias e carnaubais so-
mam-se às dunas e a pequenos oásis de coqueiros, pintando a paisagem
de contrastes marcantes, onde o branco das dunas e do sal se mistura
ao vermelho das falésias e ao azul forte do céu, que se confunde com
o imenso mar.
Ponta do Mel, pertencente ao município de Areia Branca, é uma das
principais praias dessa região, onde o sol se põe de forma majestosa.
Para homenagear o lugar e torná-lo ponto de apoio diferenciado para
o turismo na região – principalmente o chamado turismo ecológico e o
turismo aventura – surgiu, na bela praia de Ponta do Mel, o projeto da
Pousada Costa Branca.

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POUSADA COSTA BRANCA: ECOTURISMO E AVENTURA NA PONTA DO MEL -– SEBRAE/RN

O SONHO TORNOU-SE REALIDADE

C om a finalidade de implementar o projeto, uma grande equipe foi


montada na fase da construção física e outra na construção do con-
ceito. No desenvolvimento do conceito, a participação do SEBRAE/RN
foi relevante. Foram contratados dois consultores: Ana Maria Mack Mia-
ni, nutricionista, responsável pela consultoria na projeção da cozinha e
restaurante e na capacitação dos colaboradores desses setores; e Moi-
sés Anderson dos Santos1, administrador hoteleiro, responsável pela
consultoria na projeção das áreas da pousada e na capacitação dos co-
laboradores dos diversos setores: recepcionista, telefonista e garçom. O
projeto foi estruturado em três etapas, Etapa I: a) definição do quadro
de funcionários e do plano de cargos e salários; b) elaboração da des-
crição dos cargos; c) política de incentivos; d) avaliação de desempe-
nho de funcionários; e) formulários de hospedagem, lavanderia,
controladoria e de pessoal; f) definição da troca de roupas; g) definição
dos indicadores de desempenho do empreendedorismo. A Etapa II foi
a entrega do projeto aos contratantes; a Etapa III, a fase de treinamen-
to dos recursos humanos envolvidos.
A mão-de-obra utilizada não possuía conhecimento nas competências
descritas. Os colaboradores tiveram a oportunidade do primeiro empre-
go. Todos foram treinados e qualificados pelo SEBRAE e estão em cons-
tante processo de reciclagem.
A pioneira Pousada Costa Branca iniciou seu funcionamento como
um ponto de apoio diferenciado para o crescimento do turismo na re-
gião, contribuindo para o desenvolvimento saudável do turismo potiguar
– como mais um agente catalisador do processo de descentralização do
turismo norte-riograndense.
A Pousada Costa Branca possui uma infra-estrutura totalmente
diferenciada, cuja qualidade das instalações físicas foi concebida em
total harmonia com a exuberante paisagem da região da Costa Branca
– dunas, falésias, carnaubais, mangues, sal e petróleo.
O diferencial natural da região soma-se ao diferencial do equipamento
hoteleiro. Arquitetura de charme, meio ambiente e serviços estão em to-
tal comunhão. A pousada é voltada para o turismo ecológico, em que a
exclusividade de uma praia selvagem, de geografia diferenciada, e a

1
In memoriam.

HISTÓRIAS DE SUCESSO – EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS EDIÇÃO 2004 5


TURISMO E CULTURA

qualidade dos produtos e serviços são referenciais para os visitantes


que procuram descanso, beleza natural e aventura.
Mais de um milheiro de plantas, árvores e fruteiras foram plantadas
na pousada com o objetivo de reflorestar a área construída e embele-
zar o equipamento turístico. Toda a fiação de energia foi implantada
por debaixo da terra, sem causar poluição visual. Os apartamentos são
bem projetados e distribuídos espaçosamente em blocos de chalés, ao
longo de um imenso terreno privilegiado, no alto e à beira-mar, com
uma magnífica vista panorâmica.
O “batismo” dos chalés foi uma forma de homenagear às praias da
ainda inexplorada Costa Branca. Possuem total conforto dentro de um
clima rústico diferenciado – são todos padrões luxo. Dos 16 chalés,
dois foram adaptados para portadores especiais de necessidade de lo-
comoção, de acordo com a NBR 9050 – Norma Brasileira da Associa-
ção Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Destacam-se ainda vários
microambientes espalhados pela imensa fazenda à beira-mar: praci-
nhas, bancos para contemplação da paisagem, mirantes, trilhas para
dunas, poço de petróleo e coqueiral. Mensagens, poemas e frases de
efeito estão espalhados ao longo da propriedade.

TURISMO MELHOR: PROGRAMA PIONEIRO SEBRAE/RN

E m 2003, a Pousada Costa Branca e outras quatro empresas – Visual


Praia Hotel, Restaurante Mangue, Restaurante Paçoca de Pilão e Ma-
rina Badauê – foram convidadas a participar como projeto piloto do
programa Turismo Melhor do SEBRAE/RN. Após aceitaram o convite e o
desafio de implementar o Turismo Melhor, as empresas foram acom-
panhadas pelo SEBRAE durante seis meses.
O Turismo Melhor – Programa SEBRAE de Qualidade em Serviços Tu-
rísticos no Rio Grande do Norte – tem como finalidade principal elevar a
qualidade dos serviços prestados pelas empresas que atuam no turismo no
Estado do Rio Grande do Norte. Trata-se de um processo voluntário, sele-
tivo, não-classificatório, no qual as empresas se submetem a avaliações téc-
nicas e a um sistema de melhoria, envolvendo avaliações, consultorias e
treinamentos. A partir dos resultados obtidos nessas etapas, a empresa can-
didata pode receber e utilizar publicamente a marca Turismo Melhor, que
atesta seu bom nível de qualidade (veja Anexo 1, sobre o programa).

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POUSADA COSTA BRANCA: ECOTURISMO E AVENTURA NA PONTA DO MEL -– SEBRAE/RN

Os potenciais benefícios do Turismo Melhor atingem todas as partes


envolvidas. Segundo documento do SEBRAE:
• Aos Empresários: Dispor de um modelo para auto-avaliação da ges-
tão, oportunizando a reavaliação constante de suas práticas; perce-
ber resultados que, em alguns casos, não eram medidos
anteriormente; receber indicações de oportunidades de melhoria da
gestão organizacional, de pessoas, processos e áreas distintas da em-
presa; ser reconhecida publicamente pelo desempenho de sua gestão
e qualidade nos produtos e serviços oferecidos; obter informações so-
bre as oportunidades de melhoria em sua empresa (por meio de rela-
tório de avaliação) e indicações das soluções a serem implementadas
(durante as consultorias e treinamentos); aumentar o nível de desem-
penho de sua empresa; maximizar resultados pela otimização de pro-
cessos e controles administrativos; aumentar a visibilidade da
empresa, criando um diferencial de mercado a partir da divulgação
das empresas agraciadas pelo Turismo Melhor; incentivar a obtenção
de outros níveis de gestão, por exemplo, através de modelos como a
ISO-9001 e o Prêmio SEBRAE de Excelência Empresarial do RN.
• Aos Empregados: Melhoria nas condições de trabalho; treinamentos;
aumento na competência, elevando a empregabilidade.
• Aos Clientes: Melhoria na decisão de compra, a partir da divulgação do
Programa Turismo Melhor; elevação da qualidade dos serviços presta-
dos e dos produtos ofertados.
• Aos Fornecedores: Melhoria nas relações comerciais.

A Pousada Costa Branca implantou o Turismo Melhor com o objeti-


vo de elevar a qualidade nos serviços oferecidos. Nesse programa, fo-
ram implementadas, ao longo de cinco meses de trabalho, diversas
melhorias organizacionais e na área de segurança alimentar, como:
Programa de Eficiência Energética, Programa Alimentos Seguros (PAS);
Boas Práticas de Fabricação (BPF); capacitação e reciclagem da mão-
de-obra; e adesão ao Código de Conduta Contra a Exploração Sexual
Infanto-Juvenil, concebido e executado pela ONG Resposta2.
Ao final do processo, a Pousada Branca foi premiada por oferecer
serviços e produtos de excelência.

2
Responsável pelas ações do Código de Conduta do Turismo contra a exploração sexual infan-
to-juvenil.

HISTÓRIAS DE SUCESSO – EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS EDIÇÃO 2004 7


TURISMO E CULTURA

CONCLUSÃO

U ma pequena empresa com um grande sonho e uma bela e grande


natureza ao redor. Depois de mais de sete anos de sonhos, lutas, or-
ganização, estudo, pesquisa, terreno, mais sonho, construção, inaugura-
ção, sonho novamente, realidade, continuidade, em 2001 foi inaugurada
a Pousada Costa Branca.
Com a inauguração da Pousada e o envolvimento dos empreendedores
com a comunidade, iniciou-se uma valorização por parte do poder público
constituído não só do município de Areia Branca, como de toda a região
abrangida e do próprio governo estadual. Constatou-se que houve ganhos
relevantes para a população do povoado de Ponta de Mel, tais como: o re-
torno de famílias que haviam ido embora para outras cidades em busca de
sobrevivência com o advento da mecanização das salinas, não só de anti-
gos moradores bem como de filhos da localidade com famílias constituídas
em outros Estados; o incentivo à produção de gêneros de primeira neces-
sidade para suprir o consumo da Pousada, tais como legumes, hortaliças,
frutos de mar. O compromisso social de Carito e Joane em priorizar a aqui-
sição do material de que necessitam para o funcionamento da Pousada no
próprio povoado de Ponta de Mel tem incentivado a população local a pro-
duzir o que pode.
Outro avanço importante foi em relação ao acesso – a comunicação fi-
cou mais fácil com a construção de estradas asfaltadas, reduzindo o tempo
de deslocamento de três horas para 20 minutos, entre a cidade de Areia
Branca e Ponta de Mel.
Houve a incrementação na construção civil, ainda em fase de expansão,
procurou-se priorizar a mão-de-obra local, iniciando a geração de empre-
gos diretos e indiretos, injetando dinheiro na cidade, o que proporcionou
reformas e novas edificações.
Os 24 funcionários da Pousada tiveram oportunidade de terem o seu pri-
meiro emprego e, concomitantemente, o treinamento para desenvolver,
com qualidade, seus cargos e acesso a toda assistência social. Pode-se citar
o caso de uma funcionária grávida, cuja licença-maternidade causou admi-
ração a todos, pois isso não era comum entre eles.
Outro dado a destacar se refere ao acesso a uma tecnologia desconhe-
cida na comunidade, ou seja, todos os funcionários da Pousada recebem
seus salários pela rede bancária e, conseqüentemente, têm cartão magné-
tico, o que os faz sentir-se mais cidadãos. Esse é um dos vários benefícios

8 EDIÇÃO 2004 HISTÓRIAS DE SUCESSO – EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS


POUSADA COSTA BRANCA: ECOTURISMO E AVENTURA NA PONTA DO MEL -– SEBRAE/RN

introduzidos na comunidade, o que os tem incentivado, inclusive, a retor-


nar aos estudos.
Outro aspecto relevante: na época de fazer a seleção de pessoal, havia
a preocupação dos donos da Pousada de priorizar, em caso de empate, os
indivíduos que tinham o hábito ou gosto pela leitura, com o intuito de des-
mistificar piadas de mau gosto de determinadas pessoas da comunidade,
em taxar os amantes da leitura como seres inferiores e doentes. Com este
pequeno diferencial, as pessoas puderam perceber que só teriam oportu-
nidade neste novo “mundo” pelo estudo, pela leitura. Possivelmente, essa
simples ação poderá proporcionar uma demanda nas escolas locais.
A partir de junho de 2004, implantou-se um vôo direto entre São Pau-
lo e Mossoró. A Pousada, por se encontrar em programas do setor turísti-
co do SEBRAE, foi beneficiada com essa implantação. Nesse vôo, há uma
demanda cujo destino final é a Costa Branca que dista 68 quilômetros do
aeroporto. O translado e os passeios turísticos são feitos por meio de
transporte alternativo da comunidade local, gerando emprego e renda.
Os gestores da Pousada constataram uma elevação da auto-estima da
população. Houve também o resgate de cidadania. Em um folheto de cor-
del, de Carito, ele expressa bem o “depois” da Pousada. Esse folheto é
distribuído como souvenir da Pousada.

A volta da Produtora Diler


Para filmar na Costa Branca novamente
Só vem confirmar nosso potencial Turístico
E a importância de Nossa Gente
Ajudando o Turismo Ecológico e artístico
E valorizando o que é belo e diferente

Um cinema onde Deus e a Natureza


São as estrelas principais
Elevando a Auto-Estima
De falésias, dunas e manguezais

O cinema deu um novo norte


Mostrando que a nossa Costa é especial
E para a nossa grande sorte
Pra lá de espacial!

HISTÓRIAS DE SUCESSO – EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS EDIÇÃO 2004 9


TURISMO E CULTURA

Temos nossa própria África


Potiguar e cinematográfica
Figurantes locais
Viram atores importantes
Amam o seu lugar cada vez mais
E sentem-se cidadãos participantes [...]
Carlos Carito Cavalcanti

Pode-se perceber que a Pousada Costa Branca, neste pouco tempo


de funcionamento, consolidou sua missão a partir dos eventos de que
participou, do trabalho de divulgação que foi realizado nos órgãos ofi-
ciais de turismo e do aumento da interiorização da atividade turística no
Rio Grande do Norte. Mostrou o potencial turístico da região da Costa
Branca, cujo diferencial é proporcionado pelas instalações da Pousada,
cuja qualidade privilegiou a participação da localidade e da população
local em dois filmes brasileiros de sucesso, documentários e reporta-
gens nacionais e internacionais, valorizando o turismo ecológico, que
se encontra em pleno desenvolvimento no mundo.

“No final dos anos 90, quando resolvemos constituir uma empresa,
uma empresa de turismo, mais especificamente uma pousada,
na aparentemente longínqua e então desconhecida praia de
Ponta do Mel, a quatro horas de Natal, procuramos o SEBRAE
para receber uma orientação profissional desde os primeiros
passos legais: abertura da empresa, CNPJ, inscrição estadual,
INPI, etc. Fizemos cursos, reuniões, antes mesmo da construção
do empreendimento. O SEBRAE faz parte da nossa história
desde o começo.” 3
Carlos Estevam Dantas Cavalcanti – Carito

3
Trecho do discurso proferido por Carlos Estevam Dantas Cavalcanti (Carito) na ocasião da Soleni-
dade de Outorga às empresas participantes do primeiro ciclo do Programa Turismo Melhor.

10 EDIÇÃO 2004 HISTÓRIAS DE SUCESSO – EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS


POUSADA COSTA BRANCA: ECOTURISMO E AVENTURA NA PONTA DO MEL -– SEBRAE/RN

QUESTÕES PARA DISCUSSÃO

• O que se poderia fazer para garantir a sustentabilidade socioeconômi-


ca do Programa Turismo Melhor na empresa, considerando a preocupa-
ção em manter o processo de melhoria contínua?

• Sendo o mercado turístico tão concorrido, quais seriam as possibilida-


des de expansão, por meio da divulgação do produto e do destino e na
captação de novos visitantes?

AGRADECIMENTOS

Diretoria Executiva do SEBRAE/RN: Horácio Barreto de Paiva Cavalcante Neto, José Ferreira de
Melo Neto, Murilo Diniz.

Coordenação Técnica: Daniela Bezerra Tinoco.

Colaboração: João Bosco Cabral Freire, consultor e gerente da Unidade de Educação e Tecnologia.

HISTÓRIAS DE SUCESSO – EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS EDIÇÃO 2004 11


TURISMO E CULTURA

ANEXOS

ANEXO 1

REGRAS DO PROGRAMA TURISMO MELHOR


O Processo de implementação do Programa SEBRAE de Qualidade em Ser-
viços Turísticos no Rio Grande do Norte – TURISMO MELHOR – foi dividido
em cinco etapas. A outorga do Programa SEBRAE de Qualidade em Serviços
Turísticos no Rio Grande do Norte – TURISMO MELHOR – é concedida às
empresas que obtiverem, na avaliação final, um resultado de no mínimo
80% (oitenta por cento) dos itens avaliados e atendidos satisfatoriamente,
mediante apreciação e validação do Comitê Gestor. Também é condição
obrigatória para a obtenção do Turismo Melhor que nenhum dos itens
críticos da Lista de Verificação deixem de estar implementados antes da
avaliação final.
Para participar do processo de reconhecimento do Programa Turismo
Melhor, as empresas legalmente constituídas têm de atender, cumulativa-
mente, às seguintes condições: – atuar nos segmentos de Hotelaria e/ou Ali-
mentos & Bebidas; – ser considerada empresa de pequeno e médio portes
com número máximo de 80 funcionários; – atuar no Estado do Rio Gran-
de do Norte, com pelo menos um ano de funcionamento.
A concessão do Turismo Melhor à empresa agraciada poderá, a critério do
Grupo Gestor, ser suspensa ou retirada, antes do término da validade, se for
constatada a ocorrência de situações críticas, como: interdição da Vigilân-
cia Sanitária, denúncias graves por parte dos clientes, uso indevido da logo-
marca, prática do turismo sexual, dentre outras.
O uso da logomarca e de demais símbolos alusivos ao Programa SEBRAE de
Qualidade em Serviços Turísticos no Rio Grande do Norte está condicionado
à aceitação das seguintes condições: a logomarca é de propriedade do
SEBRAE/RN, e as empresas agraciadas com o Turismo Melhor poderão utili-
zá-lo somente enquanto o certificado estiver válido. O uso da logomarca,
após o prazo de validade ou que tenha sido suspensa ou retirada, de acordo
com o Regulamento do Programa SEBRAE de Qualidade em Serviços Turísti-
cos no Rio Grande do Norte – Turismo Melhor, caracterizará a prática de pro-
paganda enganosa, mencionada na Lei nº 8.078/90 (Código de Defesa do
Consumidor). A logomarca não deve ser modificada de nenhuma forma,
sem o consentimento, por escrito, da Coordenação do Programa SEBRAE de
Qualidade em Serviços Turísticos no Rio Grande do Norte – Turismo Melhor.

12 EDIÇÃO 2004 HISTÓRIAS DE SUCESSO – EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS


POUSADA COSTA BRANCA: ECOTURISMO E AVENTURA NA PONTA DO MEL -– SEBRAE/RN

A logomarca pode ser reproduzida em qualquer tamanho, desde que per-


mita sua total legibilidade e que seja mantida a proporcionalidade entre
as medidas do desenho original. A empresa agraciada com o Turismo
Melhor deverá obrigatoriamente afixar a logomarca na fachada principal
do estabelecimento, junto à porta de entrada e em ambiente interno, em
local de máxima visibilidade para os clientes. A logomarca poderá ser uti-
lizada em qualquer material promocional: papéis timbrados, cartões de
visita, fôlderes, brindes, etc.

BIBLIOGRAFIA

CAVALCANTI, Carlos Carito. A volta dos irmãos de cinema e irmãos de fé


na Costa Branca Potiguar. Mossoró: Queima-bucha, jun. 2004. (Literatura
de Cordel).

POUSADA Costa Branca. Empreendimento Turísticos Ltda.: informações


gerais. Ponta do Mel, RN, mar. 2001. (Folheto informativo).

SEBRAE/RN. Pousada Costa Branca. Natal, RN, jun. 2001. (Projeto de


Consultoria de Moisés Anderson dos Santos).

___________. Programa Turismo Melhor: o turismo precisa desta marca.


Natal, RN, 2004. (Folheto divulgação).

www.sebraern.com.br

www.pousadacostabranca.com.br

HISTÓRIAS DE SUCESSO – EXPERIÊNCIAS EMPREENDEDORAS EDIÇÃO 2004 13