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Álgebra linear

Engenharia Informática

UJES-ESPB

16 de Agosto de 2017
ii
Sistematizado por Pascoal Canhanga e-mail: pascoalkanhanga@hotmail.com
Capı́tulo 1

Álgebra matricial

Álgebra matricial. Generalidades. Operações com


matrizes, propriedades. Determinantes.
Generalidades
Definição:
Começamos pela definição de matriz. Uma matriz é uma lista de elementos, aij ,
que pertencem a um dado corpo K. O elemento (ou coefeiciente) aij ∈ K está na
linha i e na coluna j da matriz. Neste conjunto de apontamentos, o corpo K será,
na maioria das vezes, o corpo dos números reais, R, ou, mais raramente, o corpo
dos números complexos, C. Uma matriz de m linhas e n colunas tem uma dimensão
associada que é dada pelo produto do número de linhas pelo número de colunas.

Definição 1.0.1 Sejam m, n ∈ N , chama-se matriz do tipo m × n, sobre K, a


qualquer aplicação de {1, ..., m} × {1, ..., n} em K.

Considerando que K ∈ {R, C} e nos seus elementos (reais ou complexos) chamamos


escalares.
Como cada uma dessas apliacações fica perfeitamente determinada se conhecer-
mos o elemento, único, de K correspondente a cada par (i, j), com i = 1, ..., m e
j = 1, ..., n, é usual indicar tais imagens num quadro com m filas horizontais, a que
chamamos linhas, e n filas verticais, a que chamamos colunas, em que a imagem
do par (i, j) é o elemento de K que se encontra na linha i e na coluna j. Nestas
condições, surge como habitualmente a seguinte definição de matriz.

Definição 1.0.2 Sejam m, n ∈ N , chama-se matriz do tipo m × n, sobre K, a


qualquer quadro que se obtenha dispondo mn elementos de K segundo m linhas e n
colunas, isto é, a qualquer quadro da forma.

" A11 A12 ··· A1n #


A21 A22 ··· A2n
A= .. .. . . .. , com Aij ∈ K, i = 1, ..., m, j = 1, ..., n.
. . . .
Am1 Am2 ··· Amn

1
CAPÍTULO 1. ÁLGEBRA MATRICIAL

Os escalares Aij , i = 1, ..., m, j = 1, ..., n, dizem - se os elementos ou entradas


da matriz A.
Para cada i, i = 1, ..., m e para cada j, j = 1, ..., n, dizemos que Aij é o elemento
ou entrada (i, j) de A.
Chamamos linha i de A, com i ∈ {1, ..., m}, ao elemento de Kn , isto é, ao n -
uplo (Ai1 , ..., Ain . Chamamos coluna j de A, com j ∈ {1, ..., n}, ao elemento de Km ,
isto é, ao m - uplo (A1j , ..., Amj ).
A matriz A ∈ Mm×n (K) da definição pode ser apresentada abreviadamente na
forma A = [Aij ]m×n , ou simplesmente, A = [Aij ] se o tipo da matriz for óbvio pelo
contexto ou não for importante para a questão em estudo.
O conjunto das matrizes do tipo m×n, sobre K, será representado por Mm×n (K).
Se m = n também se utiliza a notação Mn (K).
Em geral, denotaremos as matrizes por letras do maiúsculas do alfabeto latino
e as respectivas entradas pela mesma letra, maiúscula ou minúscula, com ı́ndices
indicando a respectiva posição na matriz.
Exemplo 1.0.1 Seja

 1 i 2+3i

A= −1 0 3 , Tem - se A ∈ M2×3 (C), alinha 2 de A é (−1, 0, 3) e a coluna 3 de A é (2 + 3i, 3).

Definição 1.0.3 Dizemos que as matrizes A, B ∈ Mm×n (K) são iguais, e escreve-
mos A = B, se Aij = Bij , para i = 1, ..., m, j = 1, ..., n

Só podem ser iguais as matrizes que sejam do mesmo tipo, ou seja, que tenham o
mesmo número de linhas e o mesmo número de colunas. E serão iguais se, além disso
os elementos que ocupam a mesma posição em ambas a matrizes, a que chamamos
elementos homólogos, forem iguais.

Definição 1.0.4 Seja A ∈ Mm×n (K).


A diz -se uma matriz linha se m = 1
A diz - se uma matriz coluna se n = 1
A diz - se uma matriz quadrada se m = n. Neste caso, diz - se que A é quadrada
de ordem n ou simplesmente, que A é uma matriz de ordem n.

Definição 1.0.5 Seja A = [Aij ] uma matriz de ordem n, isto é, uma matriz da
forma

" A11 A12 ··· A1n #


A21 A22 ··· A2n
A= .. .. . . .. .
. . . .
An1 An2 ··· Ann

Aos elementos A11 , A22 , ..., Ann chamamos os elementos diagonais de A. Cha-
mamos diagonal principal de A ao n - uplo (A11 , A22 , ..., Ann e diagonal se-
cundária de A ao n- uplo (A1n , A2n−1 , ..., An1 ).
Dizemos que A é triangular superior se

Aij = 0 para i > j

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CAPÍTULO 1. ÁLGEBRA MATRICIAL

ou seja, se i > j implica Aij = 0, ou o equivalente, se A tem a forma

" A11 A12 ··· A1n #


0 A22 ··· A2n
A= .. .. . . .. .
. . . .
0 0 ··· Ann

Dizemos que A é triangular inferior se


Aij = 0 para i < j,
Ou quando a matriz A apresenta - se na forma

" A11 0 ··· 0 #


A21 A22 ··· 0
A= .. .. . . .. .
. . . .
An1 An2 ··· Ann

Portanto, dizemos que A é triangular se A é triangular superior ou triangualr


ineferior.
Dizemos que A é uma matriz diagonal se
Aij = 0 para i 6= j,
ou apresentar a forma equivalente a

" A11 0 ··· 0 #


0 A22 ··· 0
.. .. . . .. .
. . . .
0 0 ··· Ann

que pode ser representada abreviadamente por diag(A11 , A22 , ..., Ann ).
Uma matriz diagonal em que todos os elementos diagonais são iguais diz - se
uma matriz escalar. Uma matriz escalar é, pois uma matriz da forma

0 ··· 0
"α #
0 α ··· 0
A= .. .. . . .. .
. . . .
0 0 ··· α

A matriz escalar de ordem n cujos elementos diagonais são todos iguais a 1


chamamos de matriz identidade de ordem n e representamos por In .

Operações com matrizes


Álgebra das matrizes
Definição 1.0.6 Sejam A, B ∈ Mm×n (K). Define - se como matriz matriz soma
que resulta da soma dos elementos homólogos das matrizes A e B. Isto é
A + B = [aij + bij ]
para todos i = 1, ..., m, j = 1, ..., n.

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CAPÍTULO 1. ÁLGEBRA MATRICIAL

Exemplo 1.0.2 Considere as matrizes A, B ∈ M3×4 (R) abaixo e calcule a sua


soma. h −1 0 3 2 i h 3 −2 7 5 i
A = 3 1 7 1 , B = 3 11 −17 −1
2 1 15 13 21 35 −2 0

A matriz soma A + B é obtida somando todos os elementos homólogos das duas


matrizes.

Definição 1.0.7 Sejam λ ∈ K um escalar e A ∈ Mm×n (K) uma matriz. o produto


λA é obtido multiplicando todos os elementos de A pelo escalar λ.

λA = λ[aij ]

para todos i = 1, ..., m, j = 1, ..., n.

Exemplo 1.0.3 Sejam λ = 3 e A ∈ M4×3 (R) dada por


 1 −2 5 
A = 01 −16 9
0
2 13 2

Calcule o produto 3A.

Definição 1.0.8 Sejam A ∈ Mm×n (K e B ∈ Mm×q (K. O produto, AB é uma


matriz de dimensão m × q onde
Pn
AB = [ j=1 aij bij ]i,j

para todos i = 1, ..., m, l = 1, ..., q.

O produto de duas matrizes A e B só está definido quando o número de colunas da


matriz A for igual ao número de linhas da matriz B.
A matriz produto tem o mesmo número de linhas da matriz A e o mesmo número
de colunas da matriz B.

Definição 1.0.9 Sejam A ∈ Mm×n e B ∈ Mn×m duas matrizes. Se AB = BA


então A e B dizem - se comutáveis ( ou permutáveis).

O teorema que se segue, estabelece algumas relações que existem entre operações
definidas em matrizes.

Teorema 1.0.1 Sejam A, A0 ∈ Mm×n (K), B, B 0 ∈ Mn×p (K) e C ∈ Mp×q (K) ma-
trizes e λ ∈ K um escalar. Então são válidas as igualdades seguintes:

a) (A B) C = A (B C);

b) A (B + B 0 ) = A B + A B 0

c) λ(A B) = (λA) B = A (λB);

d) Im A = A = AIn .

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CAPÍTULO 1. ÁLGEBRA MATRICIAL

Transposição e conjugação
Definição 1.0.10 Seja A ∈ Mm×n (K). Considere a matriz que resulta de A tro-
cando as linhas de A pelas suas colunas. A nova matriz assim obtida representa -
se por AT (T de transposta) e tem dimensão n × m.

AT = [aij]

para todos j = 1, ...n, i = 1, ...m.

A matriz transposta de AT de uma matriz A ∈ Mm×n (K) tem dimensão n×m porque
foi obtida a partir da matriz A, trocando as linhas desta última pelas suas colunas.
Assim, o número de linhas/colunas de AT passou a ser o número de colunas/linhas
de A.

Definição 1.0.11 Seja A ∈ Mn×m (K) tal que aij = aji , ∀i, j = 1, ..., n. Então A é
uma matriz simétrica.

Exemplo 1.0.4 Seja A ∈ M3×3 (R) dada por:


h 1 −2 3 i
A = −2 5 1
3 5 1

Como a12 = a21 = −2, a13 = a31 = 3, a23 = a32 = 1, então A é uma matriz
simétrica de dimensão 3 × 3.
Seja A ∈ Mn×m (R) uma matriz simétrica. Então AT = A.

Definição 1.0.12 Seja A ∈ Mn×m (K). Se AT = −A, então A é uma matriz anti -
simétrica.

Exemplo 1.0.5 Seja A ∈ M5×5 (K) dada por:


" 0 −2 −3 −4 −5
#
2 0 7 11 1
A= 3 −7 0 3 6
4 −11 −3 0 13
5 −1 −6 −13 0

Calcule a matriz transposta da matriz A. Como se designa A?


" 0 2 3 4 5 #
−2 0 −7 −11 −1
A= −3 7 0 −3 −6
−4 11 3 0 −13
−5 1 6 13 0

A matriz A designa - se de matriz anti - simétrica, porque AT = −A.

Definição 1.0.13 Seja A ∈ Mm×n (C). A matriz conjugada de A é a matriz


definida por:
Ā = [āij ]
para todos i = 1, ..., m, j = 1, ..., n.

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CAPÍTULO 1. ÁLGEBRA MATRICIAL

Matriz invertı́vel
Definição 1.0.14 Seja A ∈ M n × m(K) uma matriz. A, diz - se invertı́vel (não
singular ou regula) se existir A0 ∈ Mn×m tal que:

AA0 = A0 A = In

Teorema 1.0.2 Seja A ∈ Mn×m (K) uma matriz invertı́vel. Então a sua inversa é
única.

De salientar que, nem todas as matrizes quadradas A ∈ Mn×m (K) têm inversa. Por
exemplo, a matriz
1 0
A = [ −1 0]

não tem inversa.

Definição 1.0.15 Seja A ∈ Mn×m (K) uma matriz quadrada não invertı́vel. Então
A é uma matriz singular.

Nota: Sejam A ∈ Mn×n (K) uma matriz invertı́vel e A−1 ∈ Mn×n (K) a sua inversa.
Então AA−1 = A−1 A = In .

Definição 1.0.16 Seja A ∈ Mn×n (K). Então A é uma matriz ortogonal se AAT =
AT A = In .

Exercı́cios
1 Calcule, quando possı́vel, o resultado das seguintes operações com matrizes.
h i h 1 5 i
1 3
a) 2 4 + 3 −7 .
5 7 −5 30
h 4
i
b) [ 2 −1 5 ] 10
−12
h1 2 0
i
c) [ 2 −2 3 ] 2 5 −8
0 4 3

 10 −7 5  h 1 2 3
i
d) 13 −2 0 1 −1 −2
0 5 6
h 10 −7 5 i h 1 2 3
i
e) 13 −2 0 1 −1 −2
1 −3 9 0 5 6
h i h 1 −1 0 i
0 1 0
f) 0 0 1 2 −7 4
1 0 0 1 0 1
h 1 −1 3 −1 i
g) 6 2 7 3 53
1 0 2 1
h 0 1 −1 3 i h 2 3 2 4
i
h) 7 3 −3 6 − 3 −8 9 1
1 1 2 3 10 −4 21 2

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CAPÍTULO 1. ÁLGEBRA MATRICIAL

1 −1
h 2 4 1 0
ih i
i) −1 2 3 1 2 0 [ 11 −3 1
0 1]
2 5 −1 2 −3 2

1 5
 1 −1 
2 Mostre que AB 6= BA onde A = [ −2 7] e B = 4 −3

3 Considere a seguinte matriz quadrada:


h0 x yi
A= 00z
0 0 0
2 3
Mostre que A 6= 0 mas A = 0
4 Considere as matrizes dadas por:
h 1 2i  1 −1 
A = −1 3 , B = −1 4 1 7

Mostre que C = ABAT é simétrica.


5 Sejam A, B ∈ Mn×m (K). Mostre que:
a) (AT )T = A
b) (A + B)T = AT + B T .
c) (AB)T = B T AT .
6 Considere as matrizes
h 1 −1 i h 1 1 −1 i h 2 3 0i h 1 2i h 1
2 0 1 1 −1 3
A = 2 3 , B = [ −1 3 −2 ] , C = 2 1 3 , D = −3 2 1 , E = [ 2 1 2 ] , F = 1 1
−1 3
, G = 2
0 4 0 3 4 −1 1 1 −1

Calcule, se possı́vel:
i) AT , B T , H T .
ii) A + 3F − I.
iii) E T + 5A.
iv) (GI)T + EF .
v) DF
vi) C 2 + 2D + G
vii) Determine a matriz X ∈ M2×3 (R) que satisfaz B + 3E = X + F T .
7 Seja matriz
A = [ 11 01 ]
Calcule a sua matriz inversa.
8 Seja a matriz  a −b 
B= b a
com a, b ∈ R e a2 +b2 = 1. Mostre que A é uma matriz ortogonal. Lembrar que,
para mostrar que A é uma matriz ortogonal, mostra - se que AAT = AT A = I.

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