Você está na página 1de 3

Arquidiocese de Maputo

Paróquia de São João Evangelista da Malhangalene


Sector da catequese

Formação dos catequistas pela ocasião da Quaresma – 14-02-2018

Quaresma é um tempo especial porque nos coloca em contacto com o centro, o coração, a
essência da fé cristã. “Deus amou tanto o mundo a ponto de dar o seu Filho
Unigénito” (Jo3,15).

1. Como surgiu a Quaresma?

Do início das primeiras comunidades cristãs não havia nem a festa de Natal nem as festas de
Nossa Senhora, nem qualquer outra festa. Há via a celebração semanal da ressurreição do
Senhor e mais nada. Celebração que não se fazia no sábado como os judeus em função da
libertação da escravidão do Egipto, mas sim no dia seguinte (Act20,6-12; 1Cor16,6), passando
assim o dia a ser chamado de «Dia do Senhor», Dominus = Domingo.

Passados alguns decénios, sentiu-se a necessidade de se celebrar de maneira mais especial este
acontecimento central de fé (Ressurreição do Senhor). Foi então que os cristãos julgaram
importante instituir a primeira das suas festas, a Páscoa, considerada «o domingo dos
domingos» a «festa das festas».

Como se sabe que nenhuma festa pode ser bem sucedida se não for preparada com dedicação,
cerca de 200 anos a.C., os cristãos desejosos de saborear plenamente os frutos espirituais da
Páscoa, introduziram o costume de a fazer preceder de três dias dedicados a oração, à
reflexão e ao jejum em sinal de luto pela morte de Cristo. Por volta do ano 350 a.C., os
cristãos, percebendo que três dias eram muito poucos, aumentaram para os 40. Nascia assim a
Quaresma

2. Porque exactamente quarenta dias?

No nosso quotidiano, quando falamos de 6 ou 7, queremos dizer precisamente de 6 e 7, nem


mais nem menos. No entanto, quando estamos diante de alguns números Bíblicos devemos
prestar atenção já que, muitas vezes, tem um significado simbólico. Por isso, quando aparece
40 não quer dizer exactamente de 40, como se fosse meticais. Indica um tempo simbólico que
pode ser curto ou longo. Os números bíblicos não descrevem uma contagem numérica, mas
dizem algo do plano salvífico de Deus para com os homens (Ex: 3= plenitude).

Portanto, entre os muitos significados dados ao número 40, há um interesse de modo


particular: o de um período de preparação (mais ou menos longo) para um grande
acontecimento. Exemplo: 40 dias do Dilúvio – preparação da nova humanidade; 40 anos de
Israel no deserto – preparação para entrada da terra prometida; 40 dias de penitência dos
ninivitas – para o perdão de Deus; 40 dias de jejum de Moisés e de Jesus - para prepararem a
sua missão. Por isso, para preparar a maior de todas as festas, a Rainha das festas cristas
seriam necessários 40 dias.

Seminarista Sérgio Francisco Vacheque Formação dos catequistas da Paroquia de São João
(Não por mérito, mas por graça de Deus) Evangelista pela ocasião do inicio do tempo Quaresmal.
3. O que fazer na quaresma?

Desde os tempos antigos considerou-se a Quaresma como um período de renovação da


própria vida que tinha como práticas: oração – para pedir a Deus a forca para se converter e
para acreditar no Evangelho; a luta contra o mal – para dominar as paixões e o egoísmo; jejum
– privação das próprias vontades ou próprios interesses em benefício ou para o bem do irmão.
Portanto, não é o jejum como tal que é bom (privação), o que agrada a Deus é que, com o
alimento que se consegue poupar no jejum, seja aliviado, pelo menos um dia, a fome dum
irmão. Como dizia papa LEÃO MAGNO: “Nós vos prescrevemos o jejum para vos lembrar
não só da abstinência, mas também das obras de misericórdia…”.

4. Quaresma, tempo de reconciliação

Nos primeiros séculos da Igreja, quando os cristãos cometiam pecados muito graves e
públicos, eram excomungados, ou seja, eram expulsos da comunidade. E se mais tarde se
arrependessem e manifestassem o desejo de se reconciliar com Deus e com a Igreja, tinham
que fazer primeiro uma penitência pública. Esta penitência era bastante prolongada no tempo.
Portanto, quando a Quaresma foi instituída, foi também aproveitada como tempo de
preparação para a reconciliação. Na quinta-feira Santa, durante a missa presidida pelo bispo,
os excomungados com um hábito penitencial (vestidos de saco) e com a cabeça coberta de
cinza (símbolo penitencial), apresentava-se à comunidade e declaravam o seu arrependimento
e a sua vontade de se converter. O bispo ia ao seu encontro e abraçava-os um a um.

Portanto, apesar de passar essa praxis, ficou a Quaresma como tempo de preparação em que
todos os cristãos são convidados a aproximar-se do sacramento da Reconciliação, como que
se a pessoa se purifica-se para a grande Solenidade da Pascoa.

5. Quaresma e os catecúmenos

Por volta do ano 350, a Igreja começou a organizar uma preparação muito cuidadosa para o
baptismo em particular e os demais sacramentos em geral. Portanto, servia-se especialmente o
tempo quaresmal para tal efeito para os catecúmenos os quais os catequistas são confiados (no
período antigo eram os bispos quem os examinava). Os catecúmenos deviam frequentar
fielmente a catequese; deviam comprometer-se a levar uma vida recta para demonstrar que o
seu desejo de serem cristão era sincero; eram transmitidos e assimilados as verdades
fundamentais da fé (Credo e Pai Nosso) que são como a síntese de toda a doutrina cristã.

6. Quaresma e os catequistas

É a catequese que nos faz perceber mais profundamente quem somos nós, quem é Deus, o que
é o pecado e a liberdade, o que é fé e salvação. Tudo isso está consignado na confissão de fé
do centurião romano: “Este homem era realmente o Filho de Deus.” (Mc 15,39). E como Dom
Orlando Brandes, arcebispo de Londrina dizia: “Toda a vida de Jesus foi uma confissão de fé
no amor do Pai, uma obediência filiar, um cumprimento das Escrituras, uma realização da
vontade de Deus. Jesus é o caminho que encontramos através da porta da fé. Uma quaresma
vivida na fé é um caminho que nos leva longe, muda rotas, abre horizontes, recria vidas.
Portanto, é o catequista responsável de muito disso, pois confiado pela Igreja, é guia e
responsável para que as almas dos catequizandos tenham a vida em Cristo.

Seminarista Sérgio Francisco Vacheque Formação dos catequistas da Paroquia de São João
(Não por mérito, mas por graça de Deus) Evangelista pela ocasião do inicio do tempo Quaresmal.
O catequista deve suscitar no catequizando o desejo de saber sobre a sua vida no plano da
salvação de Deus: Deus que formou o homem; o pecado que o deformou; Jesus Cristo que
reformou o homem e o Espírito Santo que conformou o homem a imagem de Cristo.

Uma vez que o centro é a Ressurreição de Cristo, a nossa, a Quaresma como preparação, o
catequista deve falar, dar fundamentos do valor da Cruz de Cristo para as vidas dos
catequizandos. Não se limitar em falar da catequese como se fosse um ensino ou aula, não
como se ela tivesse os sacramentos como o centro, mas sim a vida dos em Cristo em que os
sacramentos sejam sinais sensíveis da mesma vida.

Seminarista Sérgio Francisco Vacheque Formação dos catequistas da Paroquia de São João
(Não por mérito, mas por graça de Deus) Evangelista pela ocasião do inicio do tempo Quaresmal.