O Begriffsschrift de Frege

Fernando Raul Neto

A Lógica sofreu uma mudança radical em sua estrutura ao longo do século XIX. Mudou em quantidade - o que ela abarca ao final do século é salientemente maior que o encerrado pela chamada Lógica clássica, aquela sistematizada e legada por Aristóteles - e mudou em qualidade - suas técnicas e sua simbolização são essencialmente diferentes. Uma primeira idéia da radicalidade dessas alterações no corpo da disciplina no século XIX pode ser obtida por duas avaliações da Lógica aristotélica, uma feita por Kant ao final do século XVIII, a outra por Russel no início do século XX. Para Kant a Lógica clássica era um exemplo de disciplina que havia seguido, usando sua própria expressão, "o percurso certo da ciência"; esta conclusão depreende-se do fato de a Lógica, escreve ele no prefácio da edição de 1787 da sua Crítica da razão pura, "não ter podido desde Aristóteles dar nenhum passo atrás", uma vez que, ainda segundo Kant, não se deve considerar melhorias a supressão de algumas sutilezas dispensáveis ou a determinação mais clara do exposto, "coisas pertencentes mais à elegância do que à segurança da ciência". Kant observou ainda que a Lógica não precisou até então "dar um passo adiante, parecendo, portanto, ao que tudo indica, completa e acabada." 1 Russel, por seu turno, tendo a vantagem sobre Kant de todo o século XIX atrás de si, valoriza a lógica Aristotélica de forma bem antagônica. Reconhecendo que a "influência de Aristóteles, que foi muito grande em campos diversos, foi maior ainda no campo da lógica", Russel estranha e lamenta que em sua época muitos professores de filosofia ainda rejeitem, obstinadamente, os descobrimentos da lógica moderna, "aderindo com estranha tenacidade, a um sistema que é positivamente tão antiquado quanto a astronomia de Ptolomeu." 2 Russel parece estar certo, porque a Lógica, diferentemente do que Kant achava, resolveu dar um passo adiante e cuidar de si própria. Gottlob Frege (18481925) não foi o único a contribuir para o avanço da Lógica no século XIX, os ingleses de Morgan, Hamilton e, principalmente, Boole contribuíram para a mudança da feição da disciplina. Porém, é unânime entre os estudiosos a constatação de que foi Frege o responsável pelas alterações seminais no corpo da Lógica clássica, das quais emergiram o que hoje se chama, quase indistintamente, de Lógica moderna, Lógica simbólica, Lógica formal ou Lógica matemática. O texto seminal, o primeiro livro de Frege, é o Begriffsschrift, eine der arithmetischen nachgebildete Formelsprache des reinen Denkens, publicada em 1879 em Halle, na Alemanha 3 . É deste texto que nos ocuparemos neste artigo e do qual intencionamos dar uma visão geral ao leitor de sua introdução e da parte I. O que propõe Frege no seu livro? Comecemos pelo título: não há, até agora, uma tradução brasileira para o livro Begriffsschrift, mas uma possível tradução para o título seria Ideografia, uma linguagem por fórmulas do pensamento puro modelada sobre a da Aritmética. 4 Não podemos dizer, no entanto, que Ideografia seja o termo

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Cf. Kant 1983, p. 9. Cf. Russel 1969, Cap. XXII, "A Lógica de Aristóteles", p. 227. Republicada em Frege (1998). Proposta por Paulo Alcoforado em sua Introdução a Frege 1978.

A primeira questão Frege descarta de sua análise. de início. 15. A expressão Begriffsschrift. de qual maneira ela poderia. Métodos de cálculo que se baseiam em uma ampliação do conceito de grandeza. E fundamentar em bases lógicas. Assim o Begriffsschrift refere-se ao texto. ao longo de sua vida. III).é o objetivo específico de Frege nesta obra . Jena. a Begriffsschrift refere-se à notação conceitual. porque "possivelmente necessita ser respondida diferentemente pelas diferentes pessoas" (p. A segunda é mais definitiva. ao criá-la. temos como alternativa Conceitografia 5 . as que podem ser provadas por meios puramente lógicos e as que necessitam ser fundamentadas em fatos empíricos. alude a esse seu projeto. Frege acredita . Cf. direta ou indiretamente. precisando mais.que as verdades da Aritmética são do primeiro tipo. VIII). não determinado (pelo menos potencialmente) de uma estrutura e de uma descrição rigorosa". Peirce . a segunda. Rechnungsmethoden.Frege 1980. a qual. "foi o ponto de partida dos pensamentos que me conduziram a minha Begriffsschrift" (p. De fato. nas dezenas de recensões de livros ou artigos. possuiu um único e grande projeto: fundamentar a aritmética.estabelecido no Brasil para Begriffsschrift. elementar. a notação conceitual que Frege introduz. da maneira mais firme. Sobre uma representação geométrica das formas imaginárias no plano. Já no prefácio do Begriffsschrift ele explicita o leitmotiv deste seu primeiro livro e de todas as suas demais obras. que Frege. explica ou defende o seu projeto fundacionista. é concebida exatamente para dar conta de seu projeto logicista. anuncia. mas com a convenção de distinguir o texto da notação conceitual pelos artigos "o" e "a". 1873. porque para Frege a "prova mais firme é obviamente a estritamente lógica. "Aritmética". Fundamentar a Aritmética. nas suas conferências publicadas como artigos em jornais e revistas que Frege. do ponto de partida de Frege. saber por qual trajetória uma determinada proposição é gradualmente conseguida. die sich auf eine Erweiterung des Größenbegriffes gründen. ou outros termos designativos do masculino e feminino. São na sua Dissertation 8 e no seu Habilitationsschrift 9 . etc. tomada ao pé da letra. prescindindo de todas as particularidades das coisas. Jena. p. III). baseia-se exclusivamente nas leis que suportam todo o conhecimento" (p. Mas por que e para que criar uma tal linguagem? Por que. como "seu". Frege divide assim todas as verdades que necessitam de justificação em dois tipos. 1874. Isto porque Frege acredita que o reconhecimento de uma "verdade científica passa geralmente através de vários estágios de certeza" (p. Daí ele formular duas perguntas: a primeira. porque ao tentar conduzi-lo da 5 6 7 8 9 Utilizada por Luiz Henrique Lopes dos Santos em sua tradução brasileira do artigo de Frege Über die wissenschaftliche Berechtigung einer Begriffsschrift como Sobre a justificação científica de uma conceitografia. e também para referir-se ao livro ou ao seu conteúdo 6 . Frege inicia seu texto procurando caracterizar o tipo de verdade que é veiculada pelos juízos aritméticos. A Begriffsschrift. . Frege utiliza o termo Begriffsschrift tanto para referir-se a "um sistema simbólico e artificial. escreve Frege. ser finalmente estabelecida. diríamos. Para tal ele separa o processo epistemológico pelo qual as verdades científicas são obtidas do processo pela qual elas podem depois ser justificadas. significaria algo como escrita conceitual ou notação conceitual. Toda a sua produção escrita. Ueber eine geometrische Darstellung der imaginären Gebilde in der Ebene. imitar a linguagem utilizada na aritmética? Notemos. Paulo Alcoforado in Frege 1978. Cf. III). "sua".a sua famosa tese logicista . o qual ele anuncia no título: o livro trata . Manteremos (acompanhando Beaney 1997) o termo alemão sem tradução.da criação de uma Begriffsschrift 7 . que seria uma linguagem por fórmulas construída ou modelada por imitação da linguagem utilizada na Aritmética. enquanto matemático.

) A minha linguagem por fórmulas aproxima-se diretamente da linguagem da Aritmética na forma de utilização de letras. ele próprio. 2. mostrando como várias proposições podem ser formuladas e deduzidas dentro do cálculo. na parte final Frege examina o princípio da indução matemática. Grundlagen der Arithmetik (1884). II. Representação e dedução de alguns juízos do pensamento puro e III. cinco anos depois. 3. embora sua execução ainda vá exigir de Frege muitos anos de sua vida. mostrar a superioridade de sua lógica em relação a de Boole (veja mais abaixo) e. mas qual seria a relação dela com a linguagem natural? Frege responde oferecendo uma analogia com a relação entre o microscópio e o . defender filosoficamente o projeto e esboçar a fundamentação lógica do conceito de número. Acompanhemos mais de perto agora o texto de Frege. ele encontra o obstáculo da "inadequação da linguagem" (p. na Parte II utiliza-a na construção de uma axiomatização para o hoje chamado cálculo de predicados através de nove axiomas. Alguns elementos de uma teoria geral das séries. Explicar as suas novidades conceituais. de modo que a sua origem possa ser investigada". desenvolver e concluir tecnicamente o projeto. (p. Grundgesetze der Arithmetik (Vol. não contém apenas a notação conceitual exigida por Frege. mas o que de fato sucedeu é que o Begriffsschrift passou ao largo da comunidade científica e os poucos que a leram foram bem críticos. que faça com que uma cadeia de inferência seja livre de lacunas. "refere-se mais às idéias básicas do que aos detalhes. ao final do prefácio do Begriffsschrift. vejamos como ele mesmo vê a sua Begriffsschrift. o mais importante. eine der arithmetischen nachgebildete Formelsprache des reinen Denkens (1879). encontramos nele in nuce todo o projeto logicista intencionado por Frege. na realidade. refinar as suas idéias. IV) A utilização da Aritmética como modelo. levadas a cabo em 1884 nos Grundlagen der Arithmetik. O Grundlagen. digamos.. para usar a expressão de Lakatos. a validade de uma cadeia de inferência e para revelar todos os pressupostos que possam passar despercebidos. nos dois volumes do Grundgesetze. Ela é assim pensado para servir primordialmente para testar. estava delineado. no Grundlagen. na Parte I explica seu simbolismo. No prefácio Frege expõe os objetivos gerais de seu programa e de sua obra. didática. Um programa de pesquisa. Begriffsschrift. Da necessidade de transpor este obstáculo "surgiu a idéia da presente Begriffsschrift. O essencial para um projeto de fundamentação lógica da aritmética estava apresentado. a defesa para um grande público e a sua efetiva execução será conduzida em sua trilogia: 1. A linguagem necessária e a concepção. Já vimos como Frege pensa a sua modelação pela linguagem da aritmética. Vejamos o que Frege apresenta no Begriffsschrift observando de início a sua estrutura. IV). (.." (p.forma a mais rígida possível. adverte Frege. retomar. Ele dividiu seu livro em um Prefácio e três partes: I. II 1903) Relevando uma série de detalhes a trilogia de Frege pode ser assim apreciada: no Begriffsschrift criar uma linguagem precisa que não permita em uma dedução a intromissão de nada intuitivo. sua Begriffsschrift. anuncia as suas investigações subsequentes acerca do conceito de número e grandeza. Explanação dos símbolos. é a resposta acabada para esse viés didático de seu projeto. O próprio Frege. Vol. da maneira a mais confiável. IV) O Begriffsschrift. com o objetivo de definir logicamente a seqüência dos números naturais. Isto conduziu Frege a uma atitude defensiva e. I 1893. A história poderia ter sido outra (logicamente a história sempre pode ser outra).

e daí entendê-la também como ferramenta para os filósofos: "Se a tarefa da filosofia é quebrar o poder das palavras sobre a mente humana. mas exprimir um conteúdo mediante sinais escritos de maneira mais precisa e mais clara do que seria possível através de palavras. desvelando as ilusões que. através do uso da linguagem. então minha Begriffsschrift. O microscópio é perfeito para tais fins. geométricos e químicos podem ser considerados como realizações do projeto leibniziano em campos particulares. VII) 10 Frege 1978. "de fato colocada no meio delas. 142. VI) Frege parece assim entender a sua Begriffsschrift como anterior às demais disciplinas. onde se exige precisão. mas exatamente porque é inútil para os outros.olho." (p. pode tornar-se uma ferramenta útil para os filósofos. na direção de Boole." (p. ampliada para estes objetivos. O olho tem uma grande superioridade sobre o microscópio por conta. A sua defesa é que a sua idéia básica não é a construção de mais um cálculo lógico. "Mas mesmo que esse grande objetivo não possa ser atingido em uma primeira tentativa". Para os objetivos científicos. . do campo de suas aplicações e da sua flexibilidade. talvez se deva ao fato de eu ter permitido que. Com efeito. na direção de Leibniz: "Não era meu desejo apresentar uma lógica abstrata através de fórmulas. reunindo todas. reconheço porém que um cálculo dedutivo é uma parte necessária de uma ideografia. VI) Frege acredita que os símbolos aritméticos. se eles não são afastados pelas primeiras impressões de não familiaridade. Da mesma forma Frege entende a sua Begriffsschrift como uma ajuda para determinados objetivos científicos e que "não deveria ser condenada porque não seria adequada para outros fins. e refere-se a Bacon para corroborar seu ponto de vista da importância metodológica de seu trabalho. escreve Frege. V). V) Se a Begriffsschrift atende esses objetivos." 10 Que Frege não entende sua Begriffsschrift apenas como calculus raciocinator. "Espero que os lógicos. passo a passo. que passam despercebidas devido à sua íntima conexão com a vida mental. no desenvolvimento de meu projeto. A sua Begriffsschrift seria mais uma contribuição particular. segundo Frege. o aspecto lógico abstrato ocupasse demasiadamente o primeiro plano. De fato. quase sempre inevitavelmente surgem quando se relaciona os conceitos. p. podem ser relevadas. mas da criação de uma linguagem simbólica. para tal realização. "não se deve desesperar por conta de uma aproximação vagarosa." (p. com a qual o olho é capaz de se adaptar às mais diversas circunstâncias." (p. desejava produzir. Se isto foi mal compreendido." (p. Frege entende a característica universal de Leibniz como um calculus philosophicus ou ratiocinator. e acredita que a grandiosidade dessa concepção não a fez avançar além das preparações iniciais. V-VI). Mas como instrumento óptico o olho revela claramente muitas imperfeições. VI) Frege também utiliza a referência a Leibniz para defender-se da identificação de seu trabalho com o de Boole. não repudiarão as inovações para as quais fui compelido por uma necessidade inerente à própria matéria." (p. então a falta de novas verdades em seu texto. Frege compara a sua Begriffsschrift com as idéias leibnizianas de criação de uma espécie de característica universal. Essa referência a Leibniz é essencial para se compreender o modo como Frege pensa a sua Begriffsschrift. o olho torna-se inadequado. não um mero 'calculus raciocinator'. como um simples cálculo lógico. mas uma 'lingua characteristica' no sentido leibniziano. se revela também quando ele afirma que a própria invenção da Begriffsschrift contribui para o avanço da lógica. desculpa-se Frege. Em seguida (p. Mas "eu me consolo com isto ao saber que um desenvolvimento no método também avança a ciência.

Erklärung der Bezeichnung (Explanação dos símbolos). Nos parágrafos seguintes ele aborda os temas Juízo (§§ 2-4).. Por isso eu divido todos os símbolos que uso entre aqueles pelos quais pode-se representar diferentes coisas e aqueles que tem um sentido bem determinado.. 2) Frege exemplifica: se A significa o julgamento "Pólos magnéticos opostos atraem-se mutuamente". Negação (§ 7). "então o juízo é transformado em um mero complexo de idéias. à expressão das relações que são independentes da particularidade das coisas.. a concordância predomina. ou isto não ocorre. explica Frege no § 2. fui assim também capaz de usar a expressão 'linguagem por fórmulas do pensamento puro'. Frege chama de conteúdo conceitual (begrifflicher Inhalt) tudo o que em um juízo deve ser levado em conta para a inferência lógica. só importa a Frege o que possui significação para a inferência lógica. como vimos." (p." (p.. Identidade de conteúdo (§ 8). A função (§§ 9-10) e Generalidade (§§ 11-12). 3) O ponto para Frege é que nenhuma distinção é necessária entre juízos que tem o mesmo conteúdo conceitual." (p. Os dois juízos 'Em Plataea os gregos venceram os persas' e 'Em Plataea os persas foram vencidos pelos gregos' diferem da primeira maneira. mas deve meramente despertar no leitor a idéia de atração mútua dos pólos magnéticos opostos. [. e daí a escolha do título de seu livro como Begriffsschrift. em primeiro lugar. Se a pequena barra vertical à esquerda da horizontal é omitida. será expresso pelo símbolo que colocado à esquerda de um símbolo ou complexo de símbolos fornece o conteúdo do juízo." (p. o conteúdo conceitual do juízo.] a fim de torná-los em geral aplicáveis ao domínio mais amplo do pensamento puro. e daí ser irrelevante logicamente a distinção produzida pelo par sujeito x predicado. e qualquer coisa que seja irrelevante para a inferência lógica (Schlussfolge) deve ser descartada. então A não expressará este juízo. Para Frege se a sua linguagem por fórmulas é para ser entendida corretamente este ponto deve ser sempre lembrado..A Parte I do Begriffsschrift. Mas Frege não trata aqui apenas de representação simbólica. Com um exemplo Frege mostra porque o par sujeito x predicado não capta o essencial para a inferência lógica: "[. IV) Mas o que é este conteúdo conceitual de um juízo? Para explicá-lo Frege providencia um primeiro grande distanciamento da lógica aristotélica: "A distinção entre sujeito e predicado não encontra lugar em minha representação de um juízo. Mesmo se uma leve diferença de sentido pode ser discernida. 2) Isto porque. Seu interesse é caracterizar o que é importante em uma cadeia dedutiva. do qual o autor não afirma se ele reconhece sua verdade ou não. "Desde que me restringi. 1) Frege refere-se aqui as variáveis de sua notação e aos conectivos lógicos que ele introduz. Condicionalidade (§§ 5-6).] noto que os conteúdos de dois juízos podem diferir de duas maneiras: ou as conclusões que podem ser obtidas de um deles quando combinados com outros também sempre seguem do segundo quando combinados com os mesmos juízos. Um juízo. Frege divide em 12 parágrafos: no primeiro ele apresenta o que chama de idéia fundamental de qualquer simbolização: "[. "A significação lingüística da . ou seja.] distinguir duas espécies de símbolos.." (p.

hipotéticos e disjuntivos parece-me ter apenas significação gramatical. A B significa agora o juízo de que a terceira dessas possibilidades não ocorre. A significa 'A não se obtém'. possuem o mesmo conteúdo conceitual? Frege. então existe as quatro seguintes possibilidades: (1) A é afirmado e B é afirmado. Este último ele introduz no início do (§ 7). por ~(B → ~A). 'um juízo com conteúdo particular. em linguagem moderna. teríamos A ∨ B definido como ~B → A. então pretende expressar a circunstância de que o conteúdo não é obtido. A Begriffsschrift de Frege utiliza apenas dois conectivos. mas sim uma das outras três. no § 8. Mas como dizer que duas expressões simbólicas. em notação moderna. "Se A e B são conteúdos afirmáveis (§ 2). se P → Q e Q → P.O restante do parágrafo Frege utiliza para exemplos e para introduzir as demais funções proposicionais em função da condicional e da negação. deve expressar esta noção. Vejamos." (§ 7). de modo que A pode ser sempre substituído por B." (p." (§ 3) Nos parágrafos seguintes. "Se uma pequena barra vertical é colocada no lado inferior da barra de conteúdo. Frege distingue agora entre juízos universal e particular. apenas o que é relevante na inferência lógica. 5 e 6. Assim." (§ 5) Esta definição estabelece simplesmente. (4) A é negado e B é negado. por exemplo. oferecendo vários exemplos elucidativos. se a . isto é.posição do sujeito na ordem das palavras repousa na marcação do lugar onde se deseja particularmente chamar a atenção do ouvinte. (3) A é negado e B é afirmado. 3) Pela explicação de Frege poderíamos inferir que P e Q tem o mesmo conteúdo conceitual se P e Q são logicamente equivalentes. dá uma primeira resposta através de uma notação: (A ≡ B) significa "o símbolo A e o símbolo B possuem o mesmo conteúdo conceitual. Frege introduz o conectivo → da implicação material e a regra de inferência modus ponens. A ∨ B (no sentido exclusivo) por ~ [(~B → A) → ~ (B → ~A)] e A ∧ B.' (§ 3) Em seguida descarta a distinção kantiana dos juízos: "A distinção entre juízos categóricos. a equivalência lógica entre B → A e ~ (~ A ∧ B). Vimos a importância que Frege empresta à sua noção de conteúdo conceitual. o da condicional e o da negação. Assim. 15) Mas Frege sabe das dificuldades aqui envolvidas porque. como é apresentado a implicação B → A. com sua própria notação. isto é. chamando a atenção do leitor que a distinção aplica-se aos conteúdos dos juízos: "Dever-se-ia dizer: 'um juízo com conteúdo universal'." (p. como ele alertou. poder-se-ia argumentar. (2) A é afirmado e B é negado. digamos A e B. o símbolo ——A. Chamo esta pequena barra vertical de barra de negação. e vice-versa.

.. mas que por conta das diferenças lógico ." (p. falar de igualdade? Acompanhemos. Mas já aqui. como se precisa também dizer que os conteúdos são iguais. como ele mesmo afirma nas primeiras linhas do artigo referido. 14) Frege. 64. B B B B A Em uma circunferência marca-se um ponto A em torno do qual fazemos girar linhas retas no sentido horário. posso. uma vez que a justificação para tal somente surge por esta resposta.igualdade diz respeito apenas à expressão e não ao pensamento. ora representando a si próprio. então "a introdução de um sinal para a igualdade de conteúdo provoca uma bifurcação no significado de qualquer símbolo. eles representam a si próprios.)2 + 5 (. já havia comentado sobre a importância.. o exemplo que Frege apresenta para justificar tal necessidade. Frege então pergunta: "Que ponto é produzido quando a reta torna-se perpendicular ao diâmetro?" A resposta é o ponto A. Nos parágrafos 9 e 10 ele explica como se deve proceder com a troca. De fato. e foi por ele exaustivamente tratada no artigo citado. 13) Mais ainda. 72 + 5 x 7 + 6. A idéia é que em uma expressão matemática.. de forma que ela pode ser entendida como constituída de uma parte constante (. fica justificada a necessidade de dois nomes: "O nome B tem assim neste caso o mesmo conteúdo que o nome A. . segundo Frege. que representa a totalidade das 11 Frege não traz figura alguma em seu texto. mas não será aqui no Begriffsschrift que Frege apresentará um tratamento exaustivo do problema. mais tarde em 1892.filosóficas que Frege. imaginar o número 8. por exemplo. da necessidade da distinção. Mas é necessário." (p. a função. entraram para o rol daqueles conceitos filosóficos que produzem consensos entre os estudiosos na mesma proporção que produzem dissensões. ele precisa de dois novos conceitos para tratá-lo. em seu famoso artigo Über Sinn und Bedeutung (Sobre o sentido e o significado)." (p. e um único nome não poderia ter sido utilizado desde o início. Agora.) + 6. Tomamos a figura de Beaney 1997. Chame de B o ponto variável da circunferência obtido pela intercessão da linha reta móvel com a circunferência. no § 8 do Begriffsschrift. com a figura abaixo 11 . 14) Este diagnóstico do problema está correto. p. ou qualquer outro. 14) A idéia de Frege é que se os símbolos A e B surgem assim isolados em proposições eles representam conteúdos. embora sem muita clareza ainda. Frege apresenta uma primeira reflexão sobre o tema. da troca do par sujeito x predicado por função x argumento. A distinção fregeana entre Sinn e Bedeutung é assim pensada para fornecer um tratamento adequado da igualdade. ora ele representando seu conteúdo. no prefácio. de título Igualdade de conteúdo (Die Inhaltsgleichheit). Os novos termos ele tomou emprestado da matemática. Sinn e Bedeutung são duas palavras do cotidiano de qualquer alemão (da mesma forma que sentido e significado são para o de um brasileiro). como vimos. Frege inicia o parágrafo afirmando que a igualdade de conteúdo "difere da condicionalidade e negação por relacionar nomes e não conteúdos. não haveria necessidade de usar diferentes símbolos para o mesmo conteúdo e consequentemente de um símbolo para a igualdade (p. mas quando surge A ≡ B. realmente. no lugar do 7. imputou aos termos. na análise de uma expressão.

surge com esta idéia funcional e com a notação quantificacional que Frege introduz no § 11. 18) Esta idéia de usar funções amplia de forma considerável o universo de expressões passíveis de análise lógica." (p. Estas três funções são todas diferentes. se para todo número ε positivo. tópico obrigatório nos cursos de lógica oferecidos nas universidades. oferece uma axiomatização para o cálculo proposicional. e é hoje uma ferramenta inalienável da lógica. 16) No início do § 10 Frege apresenta a sua notação funcional: "Para exprimir uma função indeterminada do argumento A. onde. É o caso das chamadas proposições de múltipla generalidade. Frege necessitou explicar sua Begriffsschrift e mostrar sua diferença essencial da lógica de classes de Boole.B) e Ψ(B. freqüentes na matemática e na linguagem corrente. mas. do próprio Frege. em geral. respondendo às críticas de Schröder. Aplicações da ideografia e Sobre a finalidade da ideografia por Paulo Alcoforado em Frege 1978. De Frege pode ser lido: Anwendungen der Begriffsschrift (1879). O cálculo de predicados. O exemplo não é de Frege. Até então a lógica dividia-se em uma teoria silogística (o legado aristotélico) e em um cálculo proposicional. existe um número δ. como. e o símbolo 7. que não são determinados. quando x tende para xo. se apenas forças internas atuam no sistema solar'. Por isto. Aqui 'sistema solar' ocorre duas vezes. ambos admitindo uma simbolização como interpretações distintas da álgebra de Boole. no último caso.A) são diferentes. A ambigüidade é clara: trata-se do mesmo lógico que todos os filósofos admiram ou cada filósofo tem o seu lógico preferido? No primeiro caso: (∃y) (Ly ∧ (∀x) (Px → Axy)) No segundo caso: (∀x) (Fx → (∃y) (Ly ∧ Axy)) 12 13 A comparação entre as lógicas de Boole e Frege é essencial para entender o avanço de Frege. na segunda ou em ambas (mas. 12 A versatilidade de sua lógica Frege procura demonstrar em seu texto abordando exemplos que fogem a um tratamento simbólico pela lógica clássica. o argumento. Vejamos um exemplo. cujas ambigüidades podem ser discernidas na simbologia de Frege. independente se elas ocorrem uma vez ou várias. que pode ser substituído por outros e que denota o objeto que entra na relação. Aqui as ocorrências de A e B nos parênteses representam as ocorrências de A e B na função. isto não estava claro. em sua época. A nova lógica de Frege além de prover um tratamento unificado das duas teorias. pelo mesmo argumento nas duas ocorrências). dependendo se consideramos 'sistema solar' como substituível na primeira ocorrência. o exemplo famoso de múltipla generalidade é a definição de limite.B) significa uma função dos dois argumentos A e B.relações que podem ser imaginadas." (p. que tem atormentado bastante os estudantes da disciplina: dizemos que o limite da função f(x) é L. tal que ⏐x . Über den Zweck der Begriffschrift (1883). Traduções brasileiras. A superioridade do tratamento fregeano é ponto estabelecido na literatura.L⏐ < ε. Φ(A) Da mesma forma Ψ(A. Ψ(A. compara seu trabalho com o de Boole. também positivo. . onde ele oferece aplicações de sua Begriffsschrift. incluímos A entre parênteses seguindo uma letra. Podemos assim tomar a expressão como uma função do argumento 'sistema solar' de diferentes maneiras.xo ⏐ < δ implica ⏐f(x) . no qual ele comenta as diversas possibilidades de se encarar uma expressão funcionalmente: "considere 'a circunstância de que o centro de massa do sistema solar não possui aceleração. como o já clássico Todo filósofo admira um lógico 13 . Na matemática.

contém ainda o símbolo da negação. É a parte mais extensa do livro. Por exemplo. não sendo assim proposições contrárias. e em uma. e ele não utiliza simbolização nenhuma para o quantificador existencial.. 2 e 8." (p. É o que ele faz na parte II de título Representação e dedução de alguns juízos do pensamento puro (Darstellung und Ableitung einiger Urtheile des reinen Denkens). Como vimos Frege apresentou o seu sistema notacional e cumpre agora mostrar o seu funcionamento. 4. Escapa a Frege a observação de que as conhecidas relações entre as proposições não são válidas no seu sistema. as fórmulas 52 e 54. as fórmulas. as proposições A e E podem ser ambas verdadeiras. 2.] três exigem.. 3. vejamos agora o que Frege apresenta no restante do texto. 25 a 58). as fórmulas 1. duas. emprega-se o de concavidade da barra de conteúdo. excetuando as letras. Frege explica a divisão de seus axiomas: "[. (1) (2) (8) (28) (31) a → (b → a) (c → (b → a)) → ((c → b) → (c →a)) (c → (b → a)) → ((b → (c → a)) (b → a) → (~ a → ~b) ~~a→a . como estabelece a sua definição. exprimindo-o em função do quantificador universal. o da igualdade de conteúdos. 28. O leitor moderno resume em poucas palavras esta segunda parte: trata-se da exposição axiomática da lógica de predicados através de 9 axiomas incluindo algumas deduções como exercícios. 5. três. para a sua expressão. 26) São os seguintes os axiomas de Frege.O símbolo para o quantificador universal de Frege é diferente. A S u a l t e r n a ç ã o a ∪ C o n t r á r i a s E a ∪ P(a) X(a) P(a) S X(a) u a l t e r n a ç ã o Contradição a ∪ P(a) X(a) a ∪ P(a) X(a) O I S u b c o n t r á r i a s De forma bem mais resumida. apenas o símbolo da condicional. expressos em notação moderna e preservando a sua numeração: 1. 31 e 41. são 10 parágrafos (§§ 13 a 22) distribuídos em 34 páginas (pp. fórmula 58. A expressão moderna ∀x F(x) Frege escreveria como: x ∪ F(x) Frege conclui a primeira parte do Begriffsschrift com o clássico quadrado de oposições lógicas.

a proposição 8 é uma axioma. continua ainda no espírito de apontar as linhas gerais da solução. A parte III do Begriffsschrift. 494. 14 Observemos que o axioma 52 é uma versão do princípio da indiscernibilidade dos idênticos de Leibniz. e isto de fato sucedeu. o Grundlagen der Arithmetik (1884). 8. e sabendo que é possível deduzir todas as proposições da Aritmética da série dos números naturais. e com eles Frege deduz as proposições 3 a 7.começava a mostrar os seus limites com a descoberta das geometrias não-euclidianas. A história nos conta desses esforços no cálculo. etc. incluindo os 9 axiomas. Está clara a idéia de Frege: desejando mostrar . na qual aparecem 68 proposições. de erigir o seu edifício dedutivo em bases sólidas. com o nono axioma desenvolve-se o cálculo de predicados. p. p. e com o sétimo e o oitavo axiomas o cálculo de predicados com identidade. na realidade. na geometria. reduzir dedutivamente as diversas disciplinas matemáticas à aritmética. Os seis primeiros axiomas são necessários para desenvolver o chamado cálculo proposicional. Ele escreve: "O caminho que segui foi primeiro procurar reduzir o conceito de ordenação em uma série ao de conseqüência lógica. 7. que colocava em cheque o caráter apodítico dos axiomas. Frege. então basta mostrar que estes últimos tem um caráter lógico. Em seu próximo livro. e com os três axiomas até então apresentados Frege deduz as proposições 9 a 27.6. . Somente nos dois volumes do Grundgesetze der Arithmetik (1892/1903) é que Frege de fato desenvolve tecnicamente o seu programa. obra destinada mais a um grande público. A expressão aritmetização da matemática engloba assim todos os programas que procuravam. De modo a que nada intuitivo possa ser aqui introduzido indesejadamente. explícita ou implicitamente. 179-180. No século XIX havia na matemática um esforço de torná-la rigorosa. O esquema é o seguinte: as proposições 1 e 2 são axiomas. numerando as linhas." (p. Kneale & Kneale. Como vimos o grande projeto de Frege é o de fundamentação da aritmética e é aqui ao final de seu Begriffsschrift que ele apresenta o primeiro esboço de sua solução. (41) (52) (54) (58) a → ~ ~a (a = b) → (f(a) → f(b)) a=a (∀ x) f (x) → f (a) Uma observação atenta desses 9 axiomas de Frege mostra de forma clara o quanto ele avançou em relação aos seus antecessores. faz uma única grande dedução. Frege não apresenta de início todos os seus axiomas (daí que os seus axiomas não estão numerados de 1 a 9). Diferente do que se faz hoje nos manuais de lógica. O modelo euclidiano de organização axiomático-dedutiva montado na prescrição aristotélica de que os axiomas seriam verdades intuitivas e evidentes . Frege ainda não completa tecnicamente seu projeto de fundamentação. e assim por diante. na análise matemática em geral. mas tentar reproduzir as idéias básicas que moveram Frege em sua solução. É natural então pensar a aritmética como solução para a questão fundacional da matemática. (Alguns elementos de uma teoria geral das séries) é a mais técnica do livro. 9.a sua famosa tese logicista que as verdades da Aritmética tem todas um caráter lógico. 14 Cf. a fim então de progredir para o conceito de número. Não vamos aqui acompanhar os detalhes técnicos desta terceira parte. tudo tem de depender da cadeia de inferência livre de lacunas. IV) Olhemos mais de perto o que significa fundamentar a aritmética.

precisa-se do conceito de conjunto infinito. É preciso dizê-lo logicamente! Isto porque.. primeiro." Os esforços de Frege se concentram exatamente em trabalhar logicamente essa passagem de n para n + 1. como evidentes.) Frege não foi o único. O segundo problema é que para fazer matemática. que ele tenta resolver ao longo de sua trilogia. Cantor. As soluções 0. para tentar captar logicamente a essência do que se afigura na indução matemática. 1. é claro. este é o ponto. como não-problemáticos e tentar trazê-los para uma base mais segura.. 12 = 11 + 1. O outro caminho é não aceitar os naturais como dados. o resto é obra humana. O Begriffsschrift foi publicado em 1879 e. 2 = 1 + 1.. Na seqüência dos descendentes de um certo pai (supondo. 2. digamos. Tecnicamente essas coisas são equivalentes ao princípio da indução matemática (PIM). Um exemplo e um contra-exemplo do próprio Frege nos dão uma primeira idéia da direção de seu enfoque.. e assim por diante ou 0. Este foi o caminho escolhido por Frege. sem abdicar dos importantes resultados até então conseguidos. 11 = 10 + 1. 1.. porque a questão precisa é dizer o que significa o etc. poder-se-ia alcançar o objetivo reducionista almejado. definir logicamente o primeiro deles e a idéia de somar 1. A analogia com um dominó de infinitas pedras alinhadas uma atrás da outra dá uma boa idéia do PIM. e aí havia consenso que pode ser feito por recorrência 17 ... ii) que uma qualquer caindo. 3.. que cada descendente vá gerar filhos) a propriedade ser um ser humano é hereditária. Basta então apresentar este último de forma lógica. 1. Mas é preciso. Peano e Dedekind devem ser contados. alles andere ist Menschenwerk. entre outros.2 = 1 + 1). afirmava em 1886 "O bom Deus criou os números. 2 . O segundo volume do Grundgetze estava pronto na editora para ser publicado quando Frege recebe em 1902 a hoje famosa carta de Russel apontando uma contradição lógica no Axioma V 15 16 17 Kronecker. Tomar os naturais como dados 15 e avançar para os números reais e daí para o restante da matemática. 1. Como definir a série 0. um programa para a fundamentação lógica da aritmética havia sido delineado. . 3. 2. Quais condições devem ser preenchidas para que se tenha certeza que ao derrubar a primeira pedra da fileira de dominós todas as infinitas pedras caiam? São duas: i) que a primeira pedra caia e derrube a segunda. como vimos. Estes são os problemas técnicos de Frege.. Cf. Frege introduz. por exemplo. 16 A base sólida por ele escolhida foi a lógica. É isto que os matemáticos fazem em seu cotidiano. que ela é verdadeira para n = 1 e. A propriedade do primeiro grão deixar uma pilha de feijões atrás de si após ser retirado não é hereditária. 461. a que lhe segue também caia. 4. 2. Como contra-exemplo considere um pilha de feijões e a seqüência tirar feijão da pilha de um em um." (Die ganzen Zahlen hat die liebe Gott gemacht. Frege iria dedicar então os seus esforços científicos na execução técnica desse programa.. é preciso saber dizer todos eles. 0.+ n = n (n + 1) / 2 é verdadeira para qualquer n natural ele usa o PIM. através de conceitos lógicos? Dois problemas devem ser distinguidos: o primeiro é definir cada número. etc. etc. neste artigo. mostrando. os detalhes. Kneale & Kneale. Não vamos acompanhar. a implicação "se a fórmula valer para n então ela vale para n +1. 1. Para mostrar. por exemplo. depois. que a fórmula 1 + 2 + 3 + . mesmo que saibamos dizer o que é o 0 e o 1 e como dizer cada número particular por recorrência aos anteriores (por exemplo. o e assim por diante o . . p.Relevando todos os detalhes o consenso é que com a seqüência dos naturais 0. 2. Uma direção e dois sentidos opostos (mas não excludentes) foram perseguidos. . Entre outros. não servem. os conceitos de propriedade hereditária e de ancestral próprio. 3 = 2 + 1.. etc.

5a reimpressão da 2a edição (1964). Frege. 1981. Frege. 1995. Coleção Os Pensadores. M. Husserl e H. Carl. (Ed. Cambridge. Editado e introduzido por Günther Patzig. Beaney. Lisboa. ele pautou a discussão lógica subsequente. Acredito que existam coisas aqui que serão um dia bem mais apreciadas do que são hoje. Mass. p. Tome conta de que nada se perca. 16.: O desenvolvimento da lógica.. Kreiser. 9. 1966. 1983. Wittgenstein. M. Além da renovação e ampliação da lógica.: A Crítica da Razão Pura. Gottlob: Logische Untersuchungen. 8. Georg Olms Verlag. na filosofia da linguagem e na filosofia analítica. Vandenhoeck & Ruprecht. Göttingen. W. trad. 15. London: Blackwell. Escreveu para o filho e herdeiro testamentário (traduzindo livremente): "Não jogue fora o que escrevi. Abril Cultural. 1981. na matemática. Jean van (Ed. 13. 1980. 7. 11. 18 19 Citado de Beaney 1997. Abril. Ele sabia o que havia feito. Gottlob: Funktion. (ed. 12. Cambridge University Press. 1980. 3a edição. 2. . 9. Fünf logische Studien. A Source Book in Mathematical Logic. com uma introdução de Luiz Henrique Lopes dos Santos in Peirce-Frege: Coleção Os Pensadores. Berka.: Frege: Making Sense. São Paulo. com uma introdução de Paulo Alcoforado Cultrix/Edusp. 3. Cambridge. existe ouro nele. Vandenhoeck & Ruprecht. Gottlob: Os fundamentos da aritmética. 10. Berlin. São Paulo. Its Origin and Scope. Lothar: Logik-Texte. 1998. ToExcel. Frege. Wolfgang: Frege's Theory of Sense and Reference. 1997.): Frege's Philosophy of Mathematics. Gottlob: Lógica e Filosofia da Linguagem. Gottlob: Sobre a justificação científica de uma conceitografia. Editado e introduzido por Günther Patzig. com uma introdução de Luiz Henrique Lopes dos Santos in Peirce-Frege: Coleção Os Pensadores. Patzig. Dummett. Günther: Sprache und Logik. Gottlob: Begriffsschrift und andere Aufsätze.): From Frege to Gödel. 1967. 1986. 1996. Göttingen. Abril Cultural. Fundação Calouste Gulbenkian. Valério Rohden e Udo Baldur Moosburger. A morte matemática do programa estava provada! Mas o grande mérito de Frege não estava aí localizado. 4. Hilbert.): The Frege: Reader. Kneale. Agradecemos aos professores John Fossa e Leonardo Cysneiros pela leitura do texto e pelas sugestões oferecidas. Heijenoort. 1971. W. 1978. Akademie-Verlag. Kneale. Russel. Frege. Harvard. incontestáveis. Scholz. 1991. M." 18 19 1. Frege. 14. Kommentierte Auswahl zur Geschichte der modernen Logik.de seu sistema. Begriff. London: Duckworth. 1994. Mesmo que tudo não seja ouro. Reimpressão 2000 Kant. Reimpressào 1995. 5. Bibliografia Beaney. entre outros vão partir de Frege. Göttingen. Kripke. MA: Harvard University Press. Quine. Bedeutung. Demopoulos. M. Editado por Ignacio Angelelli.. 1879-1931. Frege. Karel. Com as observações de E. Hildesheim. discussão presente na própria disciplina. Vandenhoeck & Ruprecht. I. 6.: The Interpretation of Frege's Philosophy. São Paulo.

Breno Silveira. 3a ed. 1999. 1969. Companhia Editora Nacional/CODIL. . Joan: Frege.17. Russel. Weiner. Cap. Bertrand: A Lógica de Aristóteles in História da filosofia ocidental.. trad. 18. São Paulo. Livro primeiro. Oxford University Press. XXII.

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