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1) Suponha que um técnico, portando duas canetas


dosimétricas devidamente zeradas, uma com leitura máxima
de 0,1 mSv e outra de 2 mSv, realize uma tarefa de 4 horas e
meia de duração num campo de radiação gama com taxa de
dose média de 2Sv/ min. Meia hora após o início da tarefa,
ele fez uma leitura, primeiramente na caneta com fundo de
escala de 0,1 mSv, e depois na caneta com leitura máxima
de 2 mSv. No final do trabalho ele novamente fez uma
leitura nesta mesma ordem. em nenhum momento, após o
início do serviço, as canetas foram zeradas. Os valores das
leituras, nas duas oportunidades em que estas foram
realizadas, na mesma ordem em que as canetas foram lidas
pelo técnico são:

a) zero e zero; leitura alta (escala estourada) e leitura alta


(escala estourada)
b) 0,06 mSv e 0,06 mSv; 0,54 mSv e 0,54 mSv
c) 1 Sv e 1 Sv; 9 Sv e 9 Sv
d) 0,06 mSv e leitura baixa (< 0,2 mSv); leitura alta (escala
estourada) e 0,54 mSv
e) 0,06 mSv e 0,06 mSv; 0,1 mSv e 0,2 mSv

Serviço de Radioproteção 1
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RESPOSTA
Os dosímetros eletrônicos e de bolso são dosímetros
suplementares que proporcionam uma indicação da dose
em tempo real e ajuda o indivíduo a manter suas doses
menores que os níveis de controle administrativo.
Devem ser fornecidos dosímetros suplementares para o
pessoal
• que freqüenta áreas com alto nível de radiação;
• quando uma pessoa pode exceder a 10% do nível de
controle administrativo em um dia de trabalho; ou
• quando exigido na permissão de trabalho em áreas
radiológicas.
Os dosímetros de bolso devem ser selecionados com o
menor intervalo aplicável, tipicamente de 0 a 2 mSv, para
poder alertar ao pessoal quanto as doses que estão
recebendo. Os dosímetros suplementares devem ser
portados simultaneamente com o dosímetro principal e
localizado numa área no tronco, ou entre a cintura e o
pescoço.
Os dosímetros suplementares devem ser lidos
periodicamente quando em uso e não deve ser permitido
exceder a 75% do fundo de escala.

Serviço de Radioproteção 2
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H (30 minutos) = 2 Sv/min . 30 min = 60 Sv = 0,06 mSv


H (4:30 h) = 2 Sv/min . 270 min = 540 Sv = 0,54 mSv

Objetivo: associar leituras em instrumentos de detecção


com múltiplas escalas.

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Associando o tema resolva as seguintes questões:


Um detector Geiger-Müller (GM) foi utilizado para realizar
medidas em sistemas montados em uma linha produtiva que
empregam fontes de Estrôncio-90 (90Sr) emissor beta e
Amerício-241 (241Am) emissor alfa-gama. Foi realizado um
esfregaço no porta-fonte da fonte de 90Sr e a leitura
observada no mostrador do contador GM indica o valor
apresentado na Figura-1, potenciômetro de seleção de escala
x 10. Foi feito um levantamento radiométrico ao redor da
fonte de 241Am e a leitura observada no mostrador do
contador GM indica o valor apresentado na Figura-2,
potenciômetro de seleção de escala x 0,1.

Lembre-se a leitura do medidor deve ser multiplicada


pelo intervalo marcado na posição escolhida da chave
seletora, por exemplo, x 0,1, x 1, x 10, etc.

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103

FIGURA -1

103

FIGURA-2

a) Figura 1: leitura 12x103 cpm; Figura 2: leitura 12x103 cpm.


b) Figura 1: leitura 0,1 mR/h; Figura 2: leitura 0,1 mR/h
c) Figura 1: leitura 1,2x104 cpm; Figura 2: leitura 0,1 mR/h
d) Figura 1: leitura 10 mR/h; Figura 2: leitura 0,1 mR/h
e) Figura 1: leitura 10 mR/h; Figura 2: leitura 120 cpm

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2) Muitos monitores de radiação possuem 2 tubos a gás do


tipo Geiger-Müller para registrar, em termos de
contagem ou de corrente, a intensidade do campo de
radiação. Um dos tubos tem um volume de cerca de 1
cm3 e o outro 15 cm3. O de menor volume é para medir
doses ou taxas de dose elevadas, porque:

a) Se fosse de maior volume haveria o empilhamento de


pulsos, com um registro muito subestimado da taxa de dose
ou até sem registro algum, devido ao tempo de formação do
pulso e à velocidade de processamento do detector
b) O campo é tão intenso que causaria defeito no material do
detector e, sendo pequeno, o defeito seria menor, não
afetando tanto a medição
c) A contagem ou a corrente seria muito elevada, e superaria
a faixa de registro do microamperímetro ou do contador do
aparelho
d) A velocidade com que seria registrada a contagem ou a
corrente, não permitiria uma exatidão ou precisão do
aparelho suficientes para a medição
e) Se fosse do mesmo volume ou de valor próximo não
haveria como distinguir as leituras, no processamento
automático do detector

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RESPOSTA

Tamanho do Detector
A probabilidade de uma interação ocorrer entre a radiação
incidente e um átomo do gás aumenta quando o número de
átomos presente aumenta. Um detector de grande volume
oferece mais alvos para a radiação incidente, resultando
num maior número de pares de íons. Uma vez que, cada
radiação possui uma ionização especifica em termos de pares
de íons por centímetro, aumentando o tamanho do detector
também aumentamos o comprimento da trajetória que a
radiação percorrerá pelo detector. Quanto maior a
trajetória, maior o número de pares de íons.

O efeito de tempos de resolução grandes num contador GM


é a redução da habilidade do detector medir altas taxas de
dose precisamente. Por exemplo, com um tempo de
resolução de 200 microsegundos, uma taxa de contagem de
10000 cpm será medida como 9700 cpm, com um erro de
3%. Em 100000 cpm, a taxa de contagem medida será 75000
cpm, um erro de 25%.

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Existe um outro efeito no detector GM que está relacionado


com o tempo de resolução. Se os eventos de radiação
incidentes ocorrerem numa taxa extremamente alta, ocorrerá
uma grande quantidade de pulsos pequenos. Estes pulsos
evitam que o detector GM atinja a recuperação completa.
Uma vez que o pulso de tamanho completo não pode ocorrer,
o circuito eletrônico não indicará a presença da radiação.

Para os eventos ionizantes que ocorrem em taxas muito


elevadas, os pulsos de saída gerados por estes eventos
poderiam se solaparem, e como tal não poderiam ser
contados como pulsos individuais.

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No uso do dia a dia, o tempo de resolução, geralmente, é


chamado de tempo morto uma vez que para todos os
propósitos práticos, o detector encontra-se paralisado até
que um pulso de tamanho suficiente seja criado para
reacionar o circuito eletrônico.
Quanto maior for a dose menor deve ser o detector, pois
menor será o tempo morto, ocorrerá menos empilhamento
de pulsos.

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03) Um monitor individual que utiliza filme dosimétrico


possui 2 a 5 filtros metálicos de cobre, alumínio e
estanho para determinar a energia efetiva dos fótons e,
com isso, determinar a dose absorvida. Assim, por meio
de relações entre as leituras das densidades óticas nas
regiões sob os filtros e da região sem filtro, determina-se
a energia efetiva dos fótons, utilizando:

a) O fato de metais diferentes permitirem causar sombras


diferentes nos filmes
b) O fato dos coeficientes de atenuação total dos materiais
dependerem da energia dos fótons e a atenuação depender
da espessura do filtro
c) A diferença de interação química dos metais com a
emulsão fotográfica, sob a ação catalizadora da radiação
ionizante, com interface de plástico
d) A diferença do contato químico de metais diferentes com o
brometo de prata da emulsão depender da energia dos
fótons, resultando em densidades óticas diferentes para a
mesma radiação
e) Os filtros metálicos de elevado número atômico e
adequada espessura absorvem mais efetivamente a energia
dos fótons, sensibilizando menos a emulsão

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RESPOSTA
Este tipo de estojo possui uma área de janela aberta para
medir a dose beta e outros diferentes tipos de filtros tais
como alumínio, cobre ou estanho, cádmio e chumbo. A
leitura do filme emprega algoritmos relativamente
elaborados baseados na densidade ou enegrecimento do
filme sob cada um dos elementos filtrantes. Por exemplo, a
dose beta é determinada pela razão da densidade do filme na
janela aberta por aquela atrás dos filtros. Se existir somente
beta, o enegrecimento do filme irá ocorrer somente atrás da
janela aberta. Os filtros de alumínio e cobre auxiliam a
diferenciar e quantificar as energias de radiação X de baixa
energia. O filtro de cobre absorve mais o feixe de radiação X
que o filtro de alumínio, assim o filme sob o filtro de cobre
será menos exposto se a origem da exposição for somente
decorrente da radiação X.

O filme proporciona um registro permanente da exposição


que pode ser reavaliado se surgir qualquer questionamento.
A imagem obtida no filme pelos filtros e outros objetos no
estojo proporciona um registro visual das condições da
exposição e permite à radioproteção determinar se o
portador do dosímetro recebeu realmente a dose avaliada.

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Camadas nítidas indicam condições de exposições estáticas


nas quais a geometria permanece invariável durante a
exposição ( por exemplo, deixar o filme na sala de raio X ).
Geralmente, a imagem do filme é uma névoa causada pelo
movimento do usuário durante a exposição. A contaminação
radioativa do filme aparece como pequenas manchas.

Os filtros metálicos são utilizados para fazer a correção da


resposta para energias abaixo de 300 keV.
Para um dosímetro contendo vários filtros, o resultado
observado atrás dos filtros refletem o caráter da radiação
transmitida o que permite conhecer a energia da radiação. O
filtro serve para providenciar equilíbrio eletrônico e isto
dependerá do coeficiente de absorção de energia do material.

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O filme dosimétrico emprega um ou mais placas de filme


fotográfico de tamanho dental colocadas em um estojo
apropriado. Envelopes com dois filmes, geralmente um
filme com emulsão sensível e outro com emulsão
relativamente insensível. Estes envelopes proporcionam
intervalos de dose para exposição a radiação gama de
aproximadamente 100 Sv a 18 Sv.

O filme também é sensível a partículas beta de alta energia


cuja energia máxima excede a aproximadamente 400 keV (
isto é, Emax = 400 keV). Com um tipo apropriado de filme,
a exposição a nêutrons térmicos e rápidos também pode ser
medida.

A exposição a radiação enegrece o filme. O grau de


enegrecimento ou densidade está relacionado com a
exposição. Porém, o filme é extremamente dependente da
energia do fóton. Na região de energia entre 15 e 50 keV o
filme pode apresentar uma resposta intensificada por um
fator 20 quando comparada com a exposição a energias
superiores a 100 keV. Para compensar este problema e para
medir as doses beta, o envelope do filme é usado com um
estojo projetado especificamente para acomodar o filme.

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04) Comparando com a técnica de dosimetria fotográfica,


a técnica de dosimetria termoluminescente (DTL)
apresenta, para a aplicação em monitoração
individual, a seguinte desvantagem:

a) A dosimetria TL é um método relativo


b) O detetor TL é muito pequeno
c) A dosimetria TL é facilmente automatizável
d) Na dosimetria TL a informação é destruída na leitura
e) A resposta do detetor TL é influenciada pelas condições
climáticas

05) O filme dosimétrico, as canetas dosimétricas e os


dosímetros termoluminescentes indicam a:

a) dose instantânea
b) dose crítica
c) dose admissível
d) taxa de dose
e) dose acumulada

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TIPOS DE DOSIMETRIA

Como resultado de uma irradiação, algumas substâncias


sólidas sofrem alterações em parte de suas propriedades
físicas. Estas alterações são provocadas pela quantidade de
energia armazenada proveniente da radiação. Uma vez que
a energia encontra-se armazenada, estes materiais podem
ser usados como dosímetros. As características que tem que
ser estudas incluem:

Alterações na densidade óptica – as alterações na densidade


óptica envolve uma mudança na cor de alguns tipos de
plásticos e vidros. Em vidros, o intervalo de dose varia desde
10 a 104 Gy. O intervalo para plásticos é 104 a 107 Gy.

Radiofotoluminescência – a radiofotoluminescência é a
propriedade que certos vidros, vidros fosfatados ativados
com prata, possuem para armazenar a energia da radiação
até que o vidro seja exposto a luz ultravioleta, neste
momento a energia é liberada na forma de luz laranja. Um
fluorímetro é usado para medir a luz de saída. A resposta de
dose com este método é muito boa, mas estes tipos de
dosímetros não possui grande aceitação.

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Alterações na condutividade – muito pouco tem sido feito


com o uso de semicondutores para aplicações dosimétricas.
Uma razão para isto é a baixa sensibilidade de
aproximadamente 100 mGy.

Termoluminescência – a propriedade de alguns materiais


emitir termoluminescência é o principal método usado para
dosimetria pessoal.

VANTAGENS E DESVANTAGENS DO DTL


VANTAGENS
Principalmente quando comparada com os dosímetros
fotográficos.
•Capaz de medir um intervalo maior de doses.
•As doses podem ser facilmente obtidas.
•Podem ser lidos no local ao invés de ser revelado.
•Leitura rápida.
•Reutilizável.

DESVANTAGEM
•O processo de leitura conduz o DTL eficientemente ao
nível zero, só que o registro original é perdido.

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Os QFEs são sensíveis a choques mecânicos, vibração,


temperatura, contaminação ambiental e outros fatores que
podem afetar a taxa com que a carga é dissipada para
produzir indicações errôneas da dose recebida. Porém, são
relativamente baratos e fornecem aproximações imediatas das
doses para trabalhadores em situações de emergência.

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06) Quando efetuamos uma leitura com um medidor de


radiação do tipo Geiger-Müller estamos na verdade
obtendo:

a) A atividade da fonte radioativa


b) A energia característica da fonte radioativa
c) A taxa de exposição observada no local, se o mesmo for
calibrado adequadamente
d) A dose total recebida pelo operador que está efetuando a
leitura
e) O valor da dose equivalente efetiva

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RESPOSTA

Os contadores Geiger-Müller são fabricados em escala num


amplo espectro de formas, tamanhos, sensibilidades e
geometrias de detecção. O detector necessita somente de
uma fonte de alimentação moderadamente estável, um
amplificador simples e outros componentes baratos que
inclui um contador de taxa (C), para que seja construído
um instrumento bastante útil.
O pulso de saída do contador Geiger, frequentemente, é
apresentado para indicar um sinal audível da taxa de
contagem detectada. Estes instrumentos respondem
rapidamente à variação da taxa de dose. Os contadores
Geiger menos sofisticados podem ser saturados por uma
alta taxa de dose excepcional. Nesta situação de perigo
potencial, estes instrumentos ficam paralisados e deixam de
funcionar. Circuitos especiais podem assegurar que a leitura
de fundo de escala seja mantida nestas circunstâncias.
Os contadores Geiger-Müller são os instrumentos mais
comumente usados comercialmente para medida da taxa de
dose, dose e contaminação de superfície.

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O contador Geiger possui uma alta sensibilidade, porém, é


muito dependente da energia da radiação fotônica. O gráfico
ilustra a resposta relativa ( R) de um contador Geiger típico
em relação à energia do fóton (E). Em aproximadamente 60
keV a resposta, indicada pela linha cheia no desenho, atinge
um máximo que pode ser trinta vezes maior que a resposta
do detector para outras energias de radiação.

De modo a tornar as medidas de taxa de dose mais precisas, é


necessária uma resposta normalizada em 1,0 que é
representada pela linha tracejada. A resposta energética
pobre para o detector pode ser corrigida pela adição de uma
capa de compensação. Camadas delgadas de metais são
construídas ao redor do tubo Geiger para atenuar os fótons
de baixa energia, onde a fluência por unidade de taxa de dose
é alta, em um grau maior que aquele para energias maiores.
A resposta modificada ou compensada, apresentada como
uma linha tracejada no gráfico, pode ser independente da
energia da ordem de ± 20% num intervalo entre 50 keV e
1,25 MeV. As capas de compensação também influenciam a
resposta direcional do instrumento e evita que as radiações
beta e fótons de baixa energia alcancem o tubo Geiger.

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Os contadores Geiger-Müller podem ser compensados para


proporcionar uma resposta uniforme como medidor de taxa
de dose.

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Os detectores Compensados , normalmente são empregados


para medir radiação gama e X e consiste de um tubo GM
com uma parede moderadamente delgada (~ 30 mg/cm2)
envolvido por uma capa de parede espessa (~ 200 mg/cm2) .
A detecção ocorre porque o fóton interage com a camada
espessa e arranca elétrons energéticos que então penetra a
camada de 30 mg/cm2 para produzir ionização secundária
no tubo GM e um pulso.

Este tipo de tubo geralmente é calibrado para medir taxa de


exposição e detectará, mas não quantificará, as partículas
beta de alta energia (Emax > 300 keV). Para detectar as
partículas beta a capa geralmente é rotacionada para expor
uma pequena seção do tubo detector equivalente a 30
mg/cm2. As partículas beta de alta energia (Emax > 300
keV) possuem energia suficiente para penetrar a parede e
produzir ionizações.

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Os detectores janela fina são tanto tubos panqueca como


janela na ponta. A janela, geralmente, é muito fina, por
exemplo 1,5 - 4 mg/cm2, constituída por mica ou papel
aluminizado que permite a penetração da radiação
particulada alfa e beta.

Um detector apresentando janela delgada pode detectar


partículas beta com energias maiores que 100 keV.

Geralmente, a sonda panqueca é um pouco mais sensível


que a sonda janela na ponta, especialmente para radiação
de baixa energia. Isto deve-se porque nos detectores de
janela na ponta, normalmente existe um pequeno espaço
morto atrás da janela onde o campo elétrico local do fio
central é muito pequeno para atrair os elétrons e os pares
de íons se recombinam. A sonda panqueca possui vários
eletrodos circulares de tal forma que o campo elétrico é
relativamente uniforme em toda a face do tubo.

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Em energias médias o tubo irá ler corretamente uma vez


que a probabilidade de interação Compton é independente
de Z. Os contadores GM utilizados para medir campos de
fótons de baixa energia, por exemplo 125I e 241Am,
necessitam ser calibrados especificamente para esta energia.

Em resumo, os medidores GM para monitoramento são


detectores de radiação usados para detectar a radiação ou
para monitorar a contaminação radioativa. Os detectores
GM geralmente possuem uma janela na ponta ou na lateral
do detector para permitir a passagem das partículas alfa e
beta. Estes detectores podem possuir uma variedade de
espessura de janelas, porém, se a radiação não puder
penetrar a janela não será detectada.

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Dependendo da espessura de janela, os sistemas GM


podem detectar radiação X, gama, beta e alfa.
Os medidores GM geralmente apresentam a leitura em
unidades de contagem por minuto (cpm) quando
utilizados para medida de radiação particulada.

Vantagens de um Detector GM
•Os detectores GM são relativamente independentes dos
efeitos da pressão e temperatura que afetam o detector
câmara de ionização. Isto ocorre devido ao tamanho do
pulso de saída.
•Os detectores GM exigem fonte de alimentação menos
estabilizada. Isto ocorre porque é medida a taxa de repetição
de pulso e não a altura de pulso.
•Os detectores GM geralmente são mais sensíveis a baixas
energias e baixas intensidade de radiação que os detectores
proporcionais ou câmaras de ionização. Existe exceções.
•Os detectores GM podem ser usados com circuitos
eletrônicos simples. A sensibilidade de entrada de um
instrumento de monitoração GM típico é 300 a 800 milivolt,
enquanto que a sensibilidade de entrada de um instrumento
de monitoração proporcional típico é 2 milivolt.

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Desvantagens do Detector GM

•A resposta do detector GM não está relacionada com a


energia depositada; portanto o detector GM não pode ser
usado diretamente para medidas reais da dose, como pode
ser feito com um instrumento câmara de ionização.
•Os detectores GM possuem um tempo de recuperação
tipicamente grande. Isto limita o seu uso em campos de
radiação extremamente altos. O tempo morto num detector
GM pode ser reduzido diminuindo-se o tamanho do detector.
Porém, os detectores pequenos apresentam baixa
sensibilidade. Por esta razão, os instrumentos de
monitoração GM para intervalo alto, tal como os
telescópicos, comumente possuem dois detectores GM, um
para baixas doses, e o outro para altas doses.
•Os detectores GM não discriminam os vários tipos de
radiação, nem as energias de radiação. Isto ocorre porque o
tamanho da avalancha do GM é independente da ionização
primária que a originou.

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Aplicações Típicas

Os detectores GM são muito utilizados como


instrumentos de monitoração portátil devido a sua
robustez e circuito eletrônico simples associado. Os
detectores GM também são usados para monitoração
individual da contaminação, para monitoração de
processos, e para monitoração de área. Além disso, os
detectores GM são usados freqüentemente para
contagem em laboratórios quando deseja-se saber a
contagem total.

Comparação entre os Vários Detectores de Radiação

Quando comparamos os vários detectores de radiação,


devemos ter em mente que existem exceções, por
exemplo, uma grande câmara de ionização
pressurizada pode ser mais sensível que um detector
GM, mesmo que, um clássico detector GM seja mais
sensível que uma câmara de ionização

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07) A eficiência intrínseca de um detector expressa a:

a) Probabilidade que uma contagem seja registrada se a


radiação entrar no volume sensível
b) A habilidade que um instrumento tem para realizar
contagens de diferentes energias
c) O percentual de energia da radiação gama para
produzir um par de íons
d) A contagem total observada no detector menos a
radiação de fundo natural
e) A contagem total para radiação beta – gama observada
com um detector tecido equivalente.

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EFICIÊNCIA DO SISTEMA DETECTOR


Nem todas as radiações que incidem no detector fornecem
um sinal na saída, e vários fatores influenciam nisso.

Eficiência Intrínseca

Os fatores que influenciam a eficiência intrínseca do detector


diferem para cada tipo. Entre eles estão o número atômico do
elemento sensível do detector, estado físico do material, tensão
de operação (para detectores que usam campo elétrico),
sensibilidade da emulsão fotográfica (para filmes), e outros
parâmetros que são ligados às características físico-químicas
dos seus materiais constituintes.

Probabilidade que uma contagem seja registrada se a


radiação entrar no volume sensível.

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Eficiência absoluta de um detector

A eficiência absoluta está relacionada não só com as suas


características de construção, mas também com a fonte de
radiação que está sendo medida, com o meio e com a
geometria de medição. Pode ser escrita como:

Entre os fatores que influem na eficiência absoluta estão a


distância do emissor, o tipo do feixe emitido (radial,
colimado), o meio entre o detector e a fonte emissora,
além daqueles que influenciam na eficiência intrínseca do
detector.

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Um detector com eficiência absoluta alta é aquele que:

a) detecta uma grande fração de todas as radiações emitidas


pela fonte
b) detecta uma grande fração de todas as radiações emitidas
na direção do detector
c) possui um baixo ruído em relação ao volume
d) usa pouca potência por unidade de volume
e) apresenta a maior altura de pulso.

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08) Um dos objetivos principais de um programa de


monitoração de contaminação em superfícies dos locais
de trabalho é:

a) Evitar a disseminação da contaminação


b) Manter os níveis de contaminação superficial abaixo dos
limites estabelecidos para incorporação de radionuclídeos
c) Obter dados para o planejamento de monitoração externa
e interna de trabalhadores
d) Manter um registro atualizado dos níveis de radiação
ambiental dos locais de trabalho
e) Nenhuma das respostas

Uma vez que o material radioativo possui um risco potencial


oferecido aos trabalhadores a longo prazo, especialmente se
for depositado no corpo em função de uma contaminação,
todas as pessoas que trabalham com material radioativo
devem ser informadas sobre como utilizar os vários tipos de
detectores de radiação para verificar se sua área de trabalho
continua livre de contaminação.
Para detectar e medir a radiação, um trabalhador deve
primeiramente saber como funciona um detector e como
utilizá-lo no local de trabalho.

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O procedimento para realização do monitoramento consiste


em:

•Uma vez que a contaminação radioativa pode ser observada


em roupa de trabalho, luvas para manipulação e óculos de
segurança, identifique as áreas onde é usado ou armazenado
material radioativo.
•Documente estes locais numa planilha de trabalho que
deverá incluir um desenho da sala.
•Siga os procedimentos operacionais estabelecidos para o
uso do equipamento de medida.
•Circule a janela da sonda dentro de uma superfície de 1 cm
do local ou equipamento sendo monitorado.
•Preste bastante atenção em maçanetas de portas, telefones,
livros de registros, instrumentos manuais e teclados de
computadores.

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•Registre as seguintes informações pertinentes ao


monitoramento:
•Data e número da sala sendo monitorada.
•Taxa de contagem da radiação de fundo natural.
•Nome da pessoa que esta realizando o
monitoramento.
•Informações relativas ao medidor, fabricante,
modelo, tipo e número de série.

•Mova lentamente o detector sobre cada um dos pontos


monitorados.
•Com o alto falante ligado, movimente o detector a uma
velocidade média de 5 cm/s, observando a variação na taxa
de acordo com o ruído apresentado pelo alto falante.
•Se o medidor não possuir um alto falante, movimente o
detector a uma velocidade média de 3 cm/s, observando a
variação apresentada na leitura pelo deslocamento do
ponteiro.

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A extensão da contaminação de superfície presente em


qualquer instalação reflete tanto o grau de
contaminação como a eficácia dos controles por
procedimentos e pelo comprometimento gerencial
associado com segurança aplicada à prática.

Os objetivos principais de um programa de monitoração


para a contaminação de superfície podem ser
resumidos do seguinte modo:

• ajudar na prevenção da dispersão da


contaminação;
• detectar falhas de contenção ou afastamento dos
bons procedimentos de operação; e
• fornecer informação para o planejamento de
programas de avaliação individual de exposição
interna e para definir os procedimentos e
instalações operacionais.

O foco da monitoração de contaminação de superfície está na


identificação das operações e localizações onde origina a
contaminação e na determinação das áreas afetadas.

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Objetiva avaliar a quantidade de material radioativo


depositado em superfícies.

• Pode ser realizado por métodos diretos ou indiretos.


• A contaminação de superfície é medida em termos de
atividade por unidade de área (Bq/cm2).
• Tem caráter preventivo.

Manter um registro atualizado dos níveis de radiação


ambiental dos locais de trabalho

Serviço de Radioproteção 38
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09) O dosímetro individual normalmente utilizado por


trabalhadores ocupacionalmente expostos é um
monitor de fótons utilizado no tórax. Entretanto, em
algumas atividades são necessários dosímetros
individuais adicionais. Em qual das situações abaixo o
monitor individual adicional especificado não é
adequado para a atividade?

a) manipulação de objetos em feixes de raios X – dosímetro


de extremidade para fótons
b) manipulação de fontes de estrôncio-90 – dosímetro de
extremidade para fótons
c) utilização de fontes de nêutrons – monitor individual
específico para nêutrons
d) manipulação de fontes de cobalto-60 – dosímetro de
extremidades para fótons
e) utilização de irradiadores gama – nenhum monitor
individual adicional

Serviço de Radioproteção 39
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Estrôncio-90
DADOS FÍSICOS
Emissões Principais:
Beta – 546 keV (100%);
{90Y – 2484 keV (~100%), 523 keV (<1%)}
Energia Beta – Média : 196 keV;
935 keV (90Y)

Taxa de Dose no Ar = 9,65 mSv/h por GBq a 1 metro


Dose na Pele = 1632 Gy/h por kBq por cm2 de pele

Alcance Máximo Beta


Ar: 1062 cm
Água: 1,1 cm
Plástico: 1,1 cm
Alumínio: 5,2 mm
Meia Vida:Física [T½] : 28,6 anos

Na manipulação requer dosímetro de extremidades – anel


para medida da radiação beta.

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TLDs PARA MEDIDA DA DOSE DE EXTREMIDADE

Alguns trabalhos podem expor as extremidades ou outras


partes do corpo a radiações mais significativamente que
aquela recebida pelo corpo inteiro. Alguns exemplos
incluem: a manipulação de fontes de energia de curto
alcance; situações em que a blindagem das extremidades
torna-se impraticável; e trabalhos que envolvem partes do
corpo próximas a feixes de radiação colimados.

A interpretação do registro da dose de extremidade pode


exigir o conhecimento da energia da radiação se a
exposição for devido a radiação beta pouco penetrante
(menor que 500 keV) ou fótons (menores que 20 keV).

Os dosímetros albedo são projetados para registrarem as


doses provocadas por nêutrons fazendo uso do corpo como
moderador para reduzir as energias de nêutrons
intermediários e rápidos para térmicas. Doses da ordem
de 100 Sv (micro) podem ser medidas usando TLDs LiF
feitos com lítio natural ou enriquecido em 6Li.

Serviço de Radioproteção 41
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Um dosímetro individual eletrônico (EPD) que incorpora


vários detectores de estado sólido compensado para energia
foi desenvolvido para medir Hp(10) e Hp(0,07) para a
precisão exigida dos dosímetros passivos. Estes dispositivos
medem taxas de doses instantâneas e registram os picos de
taxas de doses, dose equivalente e detalhes cronológicos.
Um eletrômetro de fibra de quartzo (QFE, QF Eletroscópio,
QF dosímetro ou dosímetro tipo condensador) é projetado
para fornecer uma leitura direta da exposição acumulada.

Os dosímetros individuais são projetados para medir a dose


no tecido mole numa profundidade definida abaixo de um
ponto específico definido no corpo. A grandeza equivalente
de dose pessoal Hp(d), normalmente, é determinada em
duas profundidades, d = 0,07 e 10 mm, como medidas da
exposição a radiações pouco e muito penetrantes,
respectivamente. A primeira é representativa da dose em
pele e a última representa a dose para os órgãos formadores
de sangue. Se for considerada a possibilidade de exposição
dos olhos a profundidade de 3 mm representa o cristalino
dos olhos.

Serviço de Radioproteção 42
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O equivalente de dose pessoal para a profundidade de 10


mm Hp(10), é usado para proporcionar uma estimativa da
dose efetiva para comparação com os limites de dose
apropriados. Como a Hp(0,07) é usada para estimar a dose
equivalente na pele, deve ser usada na monitoração de
extremidades, onde a dose na pele é a grandeza limitante.

É praticamente impossível acompanhar cada trabalhador


com um medidor para levantamento da radiação, o que
se faz é medir os campos de exposição a radiação os
quais são freqüentados por eles. A impossibilidade de
acompanhar cada trabalhador individualmente com
um medidor para levantamento deve-se: muito
provavelmente as taxas de dose variarão
consideravelmente com o decorrer do tempo
dependendo dos procedimentos sendo realizados; os
trabalhadores, geralmente, irão mover-se de um ponto
a outro com valores diferentes de exposição durante o
transcorrer das atividades.

Serviço de Radioproteção 43
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Para solucionar estes problemas a radioproteção monitora


um trabalhador quanto a exposição externa a radiação com
um dosímetro individual. Estes dispositivos, essencialmente,
armazenam a energia da radiação durante o período em que
é utilizado e em seguida é enviado para um laboratório de
processamento para leitura da exposição e informação dos
resultados.

Existem vários tipos de dosímetros de radiação em uso,


porém os mais comuns são os filmes dosimétricos e
dosímetros termoluminescente.

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Raio X – Fótons. Quando elétrons, acelerados por um


campo elétrico intenso, colidem com um alvo metálico, eles
reduzem sua energia cinética, mudam de direção e, alguns
deles, emitem a diferença de energia sob a forma de ondas
eletromagnéticas, os raios X. Os elétrons sofrem
espalhamento e redução da velocidade devido à atração da
carga do núcleo e à repulsão dos elétrons dos átomos do
material alvo. Por isso, esse tipo de radiação é também
denominado de radiação de freamento (bremsstrahlung).

Emissor beta. Na maior parte dos casos, a emissão beta


ocorre deixando um excesso de energia no núcleo, que
então, emite radiação gama para descartar o excesso de
energia. Em alguns casos a transição beta é suficiente para
o núcleo alcançar o estado de energia fundamental. Nesses
casos ocorre somente a emissão beta e o nuclídeo emissor é
denominado de emissor beta puro.

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PRINCIPAIS EMISSORES BETA

Condições Operacionais (Norma CNEN NN 6.04)


(g) Todos os trabalhadores devem portar medidor individual
de leitura direta;
(h) Os trabalhadores que operam equipamento de radiografia
gama devem portar monitor individual.

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10) Assinale a alternativa incorreta:

a) o detector Geiger-Müller só funciona como medidor de


taxa de exposição na região onde prevalece o efeito
compton
b) a carga coletada numa câmara de ionização independe
da diferença de potencial aplicada entre seus eletrodos
c) no detector proporcional o número de pares de íons
produzidos não é proporcional a energia de radiação
ionizante
d) os detectores Geiger-Müller não distinguem partículas
nem energias
e) os detectores de cintilação apresentam maior eficiência
para medir raios gama que os detectores Geiger-Müller.

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Detector Câmara de Ionização


Quando a tensão num detector é aumentada, alcança-se um
ponto em que essencialmente todos os íons são coletados
antes que eles se recombinem. Não ocorre nenhuma
ionização secundária nem amplificação no gás. Neste ponto,
a corrente de saída do detector obterá um valor máximo
para uma certa intensidade de radiação e será proporcional
àquela intensidade de radiação incidente. Também, a
corrente de saída será relativamente independente de
pequenas flutuações na fonte de alimentação.

A saída de um detector a gás quando 100% dos pares de íons


primários são coletados é chamada de corrente de saturação.

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Vantagens

• a corrente de saída é independente da tensão de operação


do detector.
• observa-se uma região plana na região da câmara de
ionização; como resultado exige-se menos regulagens e,
portanto,
• é menos dispendiosa
• pode ser usada como instrumento portátil,
• oferece uma resposta razoavelmente precisa.

• uma vez que o número de pares de íons primários é função


da energia depositada no detector pela radiação incidente, a
resposta da câmara de ionização é diretamente proporcional
à taxa de dose.

• uma vez que a exposição (X) é definida em termos da


ionização do ar por fótons, uma câmara de ionização a ar,
quando usada para radiação fotônica, proporciona a
verdadeira taxa de exposição.

Serviço de Radioproteção 49
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Desvantagens
• uma vez que somente os pares de íons primários gerados
por cada evento de radiação são coletados, a corrente de
saída é pequena. Pulsos de corrente independentes
suficientemente grandes para ser medido não são formados
por cada evento ionizante. Ao invés disso, a corrente de saída
total gerada por muitos eventos ionizantes é medida.
Portanto, a sensibilidade de uma pequena câmara de
ionização é muito pobre por causa dos poucos eventos
ionizantes por minuto não gerar corrente suficiente para ser
medida. Uma câmara de ionização portátil comercial possui
um detector que produz uma corrente de aproximadamente
2.10-14 ampères por mR/h.
• uma outra conseqüência da corrente de saída pequena é o
efeito da umidade que pode ter a resposta do instrumento. A
eletrônica associada com o detector deve ter uma alta
impedância, aproximadamente 1.1015 ohms, para medir
correntes pequenas. O instrumento incorpora isolantes
projetados para manter esta alta impedância. Condições de
alta umidade podem causar a formação de condensação
nestes isoladores. A resistência da água relativamente pura é
aproximadamente 1.107 ohms por centímetro. Esta
condensação cria rotas de fuga que causa resposta errônea
no instrumento.

Serviço de Radioproteção 50
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Desvantagens

• uma vez que qualquer coisa que altera a densidade do gás


afeta a resposta, alterações na pressão barométrica, ou
altitude, e temperatura ambiente pode afetar a resposta do
instrumento em alguns casos. Este é o caso particularmente
das câmaras de parede fina, câmaras ventiladas, ou
câmaras com janelas. Por exemplo, a resposta de um
instrumento câmara de ionização portátil comercial típica
diminui de 2% para cada 10 graus de aumento na
temperatura, ou diminui de 2,3% para cada polegada de
mercúrio diminuída na pressão barométrica, 4,6% por
psig.

Aplicações Típicas

Os instrumentos de medida portáteis usados para medir


taxas de dose são tipicamente instrumentos câmaras de
ionização. As câmaras de ionização também podem ser
usadas em vários sistemas monitores instalados tais como
sistemas de monitoração da radiação de área (SMRA) e os
vários monitores de radiação de processo (MRP)

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Detectores Proporcionais
Quando é aumentada a tensão no detector acima da região
da câmara de ionização, os íons gerados pela ionização
primária são acelerados pelo campo elétrico na direção dos
eletrodos. Similar ao que acontece na região da câmara de
ionização, porém, os íons primários ganham energia
suficiente na aceleração para produzir pares de ionização
secundários. Estes novos íons secundários formados
também são acelerados, causando ionizações adicionais. O
grande número de eventos, conhecido como uma avalancha,
da origem a um pulso elétrico suficientemente grande.
Num detector proporcional, a saída do detector é
proporcional à ionização total produzida no detector. Para
uma tensão constante, a razão entre as ionizações primárias
e o número total de íons produzido é constante e é
conhecida como fator de amplificação do gás. Um fator de
amplificação do gás para detectores proporcionais típicos
varia de poucas centenas a cerca de um milhão. Devemos
comparar este fator de amplificação do gás com aquele da
câmara de ionização que é somente 1.
Uma vez que a amplificação no gás em um detector
proporcional é muito grande, os pulsos de saída são
suficientemente grandes para serem medidos diretamente e
individualmente.

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Vantagens do Contador Proporcional

Um contador proporcional pode ser usado para discriminar


os diferentes tipos de radiação;

O sinal de saída num contador proporcional é bastante


grande e portanto um único evento ionizante pode ser
registrado, boa sensibilidade;

Quando medimos a corrente de saída, um detector


proporcional é empregado para taxas de dose uma vez que o
sinal de saída é proporcional à energia depositada pela
ionização e, portanto, proporcional à taxa de dose.

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Desvantagens do Contador Proporcional

Um contador proporcional é sensível a variações na alta


tensão por causa do efeito do fator de amplificação do gás.
Como resultado, são necessárias fontes de alimentação
consideravelmente regulada para os contadores
proporcionais.

Aplicações Típicas

São aplicados em várias atividades em centrais nucleares.


Os contadores fluxo de gás são comumente usados para
medida da radiação alfa e beta em laboratórios. Os
contadores proporcionais são comumente usados para
monitoração de radiação neutrônica, em monitores
portáteis para monitoração e instrumentos para controlar o
fluxo neutrônico em reatores nucleares.

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Detector Geiger-Müller (GM)

O tamanho do pulso de saída é uma função da amplificação


que ocorre no gás. Em um tubo GM a amplificação no gás
pode alcançar valores acima de 1.108. Uma vez que o número
de íons eventualmente produzidos e coletados não possuem
relação com o evento ionizante incidente inicial, o tamanho
do pulso é independente da energia da radiação ou da
ionização específica, uma radiação gama de 0,1 MeV da
origem a um pulso de mesmo tamanho que para uma
radiação gama de 0,5 MeV. Por esta razão os tubos GM não
podem fazer discriminação entre os diferentes tipos de
radiação e energias de radiação.
Qualquer evento de radiação com energia suficiente para
gerar o primeiro par de íons pode dar origem a um pulso
grande. Por esta razão o detector GM é mais sensível que a
câmara de ionização ou o contador proporcional.

Um detector GM também pode produzir uma avalancha por


pequenas quantidades de energia liberadas por um íon
positivo quando este encontra-se neutralizado no cátodo.
Para evitar esta ocorrência indesejável, é adicionado um gás
interruptor ao gás de contagem. Portanto, ao invés de causar
ionização, este excesso de energia é gasto na disassociação
das moléculas do gás interruptor.

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Vantagens de um Detector GM

Os detectores GM são relativamente independentes dos


efeitos da pressão e temperatura que afetam o detector
câmara de ionização. Isto ocorre devido ao tamanho do
pulso de saída.

Os detectores GM exigem fonte de alimentação menos


estabilizada. Isto ocorre porque é medida a taxa de
repetição de pulso e não a altura de pulso.

Os detectores GM geralmente são mais sensíveis a baixas


energias e baixas intensidade de radiação que os detectores
proporcionais ou câmaras de ionização. Existem exceções.

Os detectores GM podem ser usados com circuitos


eletrônicos simples. A sensibilidade de entrada de um
instrumento de monitoração GM típico é 300 a 800
milivolt, enquanto que a sensibilidade de entrada de um
instrumento de monitoração proporcional típico é 2
milivolt.

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Desvantagens do Detector GM

A resposta do detector GM não está relacionada com a


energia depositada; portanto o detector GM não pode ser
usado diretamente para medidas reais da dose, como pode
ser feito com um instrumento câmara de ionização.

Os detectores GM possuem um tempo de recuperação


tipicamente grande. Isto limita o seu uso em campos de
radiação extremamente altos. O tempo morto num detector
GM pode ser reduzido diminuindo-se o tamanho do
detector. Porém, os detectores pequenos apresentam baixa
sensibilidade. Por esta razão, os instrumentos de
monitoração GM para intervalo alto, tal como os
telescópicos, comumente possuem dois detectores GM, um
para baixas doses, e o outro para altas doses.

Os detectores GM não discriminam os vários tipos de


radiação, nem as energias de radiação. Isto ocorre porque
o tamanho da avalancha do GM é independente da
ionização primária que a originou.

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Aplicações Típicas

Os detectores GM são muito utilizados como instrumentos


de monitoração portátil devido a sua robustez e circuito
eletrônico simples associado. Os detectores GM também
são usados para monitoração individual da contaminação,
para monitoração de processos, e para monitoração de
área. Além disso, os detectores GM são usados
freqüentemente para contagem em laboratórios quando
deseja-se saber a contagem total.

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DETECTORES CINTILADORES

Os detectores cintiladores medem a radiação pela análise


dos efeitos da excitação do material do detector pela
radiação incidente. Cintilação é o processo pelo qual um
material emite luz quando excitado. Num detector
cintilador, esta luz emitida é coletada e medida para
fornecer uma indicação da quantidade de radiação
incidente. Vários materiais produzem cintilação,
líquidos, sólidos e gases. Um exemplo comum é o tubo de
imagens da televisão. A cobertura da tela é excitada pelo
feixe de elétrons e emite luz. Um material que produz
cintilações é comumente chamado de fósforo ou flúor. As
cintilações são comumente detectadas por um tubo
fotomultiplicador (TFM).

Aplicação dos Detectores Cintiladores


Cristais Inorgânicos – NaI(Tl)

Os detectores cintiladores NaI(Tl) são comumente


usados em aplicações onde é desejada uma alta
sensibilidade a radiação gama e alta resolução de
energia.

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Vantagens dos Detectores Cintiladores

Habilidade para realizar discriminação entre radiação alfa,


beta e gama, e entre diferentes energias de radiação com uma
resolução moderada.

NaI(Tl) – sensibilidade a radiação gama de alta energia.

Líquido – responde a energias extremamente baixas.

ZnS(Ag) – o mais vantajoso detector para radiação alfa.

Desvantagens

NaI(Tl) – nenhuma resposta à radiação alfa e beta, resposta


muito pobre para radiação gama de baixa energia.

Líquido – relativamente incomodo. A solução apresenta um


tempo de uso.

Exige uma fonte de alimentação estável para análise da altura


de pulso.

NaI(Tl) e ZnS(Ag) – o detector não é um dispositivo de estado


sólido, necessita ser manuseado com cuidado.

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11) Leia as afirmações abaixo e responda:


(i) Calibração é o conjunto de operações destinadas a
fazer com que as indicações de um instrumento
correspondam a valores pré-estabelecidos das
grandezas a medir
(ii) Câmara de ionização é o instrumento destinado a
medir a quantidade de radiação ionizante em termos
de carga de eletricidade associada com os íons
produzidos em volume definido
(iii) Aferição é o conjunto de operações a serem efetuadas
para verificar se o instrumento está funcionando
corretamente para os fins a que é destinado.

a) somente a afirmativa (i) está incorreta


b) somente a afirmativa (iii) está incorreta
c) as afirmativas (i), (ii) e (iii) estão corretas
d) as afirmativas (i), (ii) e (iii) estão incorretas
e) somente a afirmativa (ii) está incorreta

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Sistema de Calibração

Um sistema de calibração é um conjunto de detectores e unidades


de processamento que permite medir uma grandeza radiológica de
modo absoluto ou relativo e deve cumprir as seguintes exigências:
- fator de calibração rastreado aos sistemas absolutos e ao BIPM;
- aprovação em testes de qualidade (comparações
interlaboratoriais, protocolos e sistemas já consagrados
internacionalmente);
- incertezas bem estabelecidas e pequenas;
- resultados, rastreados ao BIPM, e acompanhados de certificados
registrados;
- fatores de influência sob controle;
- fatores de interferência conhecidos;
- integrar os sistemas de um laboratório de calibração.
Dentre os sistemas de calibração mais conhecidos em metrologia
de radionuclídeos destacam-se: o sistema de coincidência 4, o
sistema de ângulo sólido definido, o de cintilação líquida e os
sistemas relativos, tipo câmara de ionização tipo poço e
espectrometria gama. Na dosimetria de feixes de radiação, existem
os arranjos experimentais padronizados para calibrar aparelhos
usados em radioproteção, radiodiagnóstico e radioterapia. Os
sistemas para calibração em dose absorvida no ar, kerma no ar e
dose equivalente na água, compõem as facilidades dos laboratórios
nacionais de metrologia das radiações ionizantes.

Serviço de Radioproteção 62
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A calibração de um instrumento significa a determinação de
sua resposta a uma exposição de radiação (ou dose absorvida)
envolvendo sempre o uso de pelo menos um instrumento
padrão ou de referência. O termo "calibração" é usado
algumas vezes para a determinação da taxa de exposição ou
taxa de dose absorvida num ponto de referência de um feixe de
radiação sob condições específicas.
A calibração pode ser diferenciada em quatro níveis distintos:
Testes de desempenho : determinação das características de um
tipo ou modelo de instrumento com relação à radiação no
intervalo completo de energias, angulo de incidência, exposição
ou taxa de exposição (ou dose absorvida ou taxa de dose
absorvida) e tipo de radiação, geralmente sob condições
ambientais variadas.
Testes de aceitação : testes realizados no instrumento antes do
seu primeiro uso e tem por objetivo confirmar suas
especificações determinadas pelo fabricante.
Testes de rotina : comparação entre as respostas presentes do
instrumento com outras obtidas em ocasiões precedentes e
subseqüentes.
Recalibração : toda calibração após uma calibração inicial
chama-se recalibração. Pode ser : calibração periódica regular;
calibração após conserto; e calibração feita a pedido do usuário

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INTERCOMPARAÇÃO : é a medida realizada entre


instrumentos da mesma classificação para comparação de
comportamentos.

Os principais objetivos de um sistema de calibração são:


•Garantir que o instrumento esteja funcionando devidamente;
•No caso de instrumento sem ajuste para calibração, garantir
que sejam revelados os erros nas suas medidas;
•Submeter o instrumento a testes, como resposta à energia e
direção da radiação, efeitos ambientais, etc.;
•Fornecer informações aos usuários quanto às características
mais importantes dos instrumentos;
•Fornecer padrões de radiação para testes de novos detectores.

Técnicas de Calibração
Uso de campos de radiação com propriedades bem
conhecidas
Técnica da substituição

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AFERIÇÃO

As aferições referem-se a procedimentos de avaliação e


controle de desempenho e da qualidade realizados
internamente pelo usuário do instrumento.

As aferições realizadas rotineiramente pelos usuários devem


ser tais que a exatidão da determinação dos valores das
grandezas de interesse seja inferior a 20%.

CALIBRAÇÃO

As calibrações referem-se a procedimentos de avaliação e


controle do desempenho e da qualidade realizados pelos
laboratórios devidamente credenciados pela CNEN para
esse fim.

Calibração de um instrumento significa determinar sua


resposta a uma exposição de radiação conhecida envolvendo
sempre o uso de pelo menos um instrumento de referência
ou padrão.

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12) Munido de um detector Geiger-Müller devidamente


calibrado, de eficiência 80%, você se aproxima de uma fonte
de Ir-192 de 37 GBq ( =0,13mSv.m2/GBq.h). A 10 metros de
distância o equipamento acusará:

a) 0,048 mSv/h
b) 0,048 Sv/h
c) 0,038 mSv/h
d) 0,004 Sv/h
e) 0,038 Sv/h

Serviço de Radioproteção 66
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RESPOSTA
O fato de estar devidamente calibrado implica em
considerar que a eficiência de detecção já tenha sido
considerada no ajuste de calibração do instrumento, isto é, a
leitura na unidade de processamento já está corrigida para a
eficiência (equipamento com ajuste de calibração).

Dados:
Atividade A = 37 GBq
Distância d = 10 m
Constante Gama  = 0,13 mSv.m2/GBq.h

2
0,13 mSv.m .37GBq
o
. A h.GBq
H  2 
d (10) 2 m 2

o 4,81 mSv  0,0481mSv


H h
100 h

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13) A alternativa que contém uma característica falsa do


dosímetro termoluminescente (TLD), empregado na
monitoração individual, é a :

a) TLD possui dimensões reduzidas, que facilitam o uso, o


transporte e a avaliação em laboratório.
b) TLD é um detector passivo, isto é, guarda a informação
latente relativa à dose absorvida até o momento da avaliação
em laboratório.
c) A avaliação em laboratório da quantidade de luz
armazenada no mesmo é feita na leitora de TLD’s.
d) TLD pode ser reutilizado após a avaliação em laboratório.
e) TLD é descartável após a avaliação em laboratório.

Serviço de Radioproteção 68
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O instrumento utilizado para avaliar a dose em função da luz
emitida é denominado leitor (ou leitora) TLD. É composto de um
sistema que faz um aquecimento controlado, de uma válvula foto-
multiplicadora, que transforma o sinal luminoso em um sinal
elétrico amplificado, e de um sistema de processamento e
apresentação (display) do sinal.
As principais substâncias utilizadas como materiais
termoluminescentes para dosimetria são o CaSO4:Dy (sulfato
de cálcio dopado com disprósio), o CaSO4:Mn ( dopado com
manganês); o LiF(fluoreto de lítio) e a CaF2 (fluorita). No
Brasil, o CaSO4:Dy (produzido no IPEN/CNEN-SP) e o LiF,
são os mais utilizados.
Após a leitura ser completada, o DTL é recozido numa alta
temperatura. Este processo essencialmente põe o material
TL no nível zero pela liberação de todos os elétrons
aprisionados. O DTL está pronto para ser reutilizado.
O processo de leitura é rápido, por exemplo,
aproximadamente 20 segundos por dosímetro, e pode ser
automatizado. Enquanto a reutilização do DTL é uma de sua
maior vantagem, o processo de recozimento destrói qualquer
informação armazenada no dosímetro e, portanto, provoca a
perda de qualquer registro existente anteriormente no
dosímetro, isto não permite nova interpretação.

Serviço de Radioproteção 69
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Os TLDs medem doses, porém, diferente dos filmes não são


discriminadores.
Os TLDs são menos facilmente danificados que os filmes e
podem ser usadas por maior tempo.
Pequenos TLDs são ideais para dosímetros de extremidades.

Um material DTL muito comum usado no monitoramento


individual é o fluoreto de lítio (LiF) por que :
• exibe uma resposta aproximadamente plana por unidade de
dose em todo intervalo de energias de fótons. A resposta em 30
keV é somente 125% maior que em 1,25 MeV;
• a luz emitida apresenta pouco desvanecimento (somente
10% a 15% em 3 semanas após a irradiação ) com
armazenamento na temperatura da sala;
• a resposta em função da dose é linear desde 100 Gy até
aproximadamente 7 Gy.

Serviço de Radioproteção 70
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Pelo uso dos parâmetros determinados pela calibração do


DTL, é possível determinar a dose real recebida pelo usuário e
em alguns casos, o tipo e a energia da radiação também pode
ser determinado, dosímetro passivo.

Uma vantagem dos DTL é o seu pequeno tamanho, somente


alguns miligramas de material TL. Isto o torna muito útil
como dosímetro para extremidades, quando alguma parte do
corpo é mais exposta que outras. Uma outra vantagem dos
DTL é a sua habilidade para ser reutilizado.

O instrumento para leitura dos DTL consiste de um método de


aquecimento do material TL, um dispositivo para converter o
sinal de luz para um pulso elétrico e outros componentes
eletrônicos associados. O processo de aquecimento pode
consistir de uma bandeja ou sonda aquecedora elétrica, um gás
para aquecimento ou um aquecedor por radiação de
radiofreqüência. Para reduzir os efeitos sobre o material TL
induzidos pela radiação não ionizante, os dosímetros são
aquecidos num gás inerte durante o processo de leitura.

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A principal desvantagem do DTL é que a informação sobre a


dose, geralmente, é obtida somente uma vez durante o processo
de aquecimento e não pode ser repetida por aquecimentos
subseqüentes.

Também estão sujeitos a perda de informação, isto é, perda de


informação sobre a dose devido a efeitos causados pela
temperatura ou luz. O aquecimento provocado após a
irradiação como parte do ciclo de leitura pode reduzir a perda
de informação térmica e o acondicionamento do DTL num
recipiente a prova de luz pode reduzir os efeitos causados pela
luz. Porém, a perda de informação pode ser limitada ao
período de avaliação e ao intervalo de armazenamento antes
da leitura.

Serviço de Radioproteção 72
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14) Os principais parâmetros que devem ser levados em


consideração para a seleção de câmaras de ionização
são:
I) Faixa de energia de utilização e sua curva de resposta
com relação à energia.
II) Faixa de utilização (“range”).
III) Tempo de resposta.
IV) Condições climáticas de utilização, isto é, variação da
resposta quanto à estes fatores.
V) Dependência direcional.
VI) Precisão e exatidão.

a) Somente a IV está errada.


b) Estão certas as I, II, III e V.
c) Somente a V está errada.
d) Todas estão certas.
e) Somente a II está errada.

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Quando for fazer a seleção de um dispositivo apropriado


para monitoração para um levantamento radiométrico
específico, devem ser considerados os seguintes itens:
• O tipo de inspeção a ser realizada, por exemplo, taxa de
dose ou verificação da contaminação.
• O tipo de radiação a ser detectada, por exemplo, radiação
alfa, beta, gama, X ou nêutron.
• A energia da radiação a ser detectada, por exemplo, keV
ou MeV.
• A sensibilidade exigida para o instrumento de detecção,
por exemplo, Sv h-1, mSv h-1 ou Sv h-1, o número máximo
de cps ou Bq cm-2.

Uma vez considerado estes itens é possível fazer a seleção do


dispositivo de monitoração.

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Os detectores necessitam obedecer a certos requisitos, para serem


padronizados para o uso em Proteção Radiológica e em
Metrologia das radiações ionizantes.

Monitor de radiação

É um detector construído e adaptado para radiações e finalidades


específicas e deve apresentar as seguintes propriedades, regidas
por normas da IEC 731 ou ISO 4037-1:
- limite de detecção adequado;
- precisão e exatidão;
- reprodutibilidade e repetitividade;
- linearidade;
- estabilidade a curto e longo prazo;
- baixa dependência energética;
- baixa dependência direcional, rotacional;
- baixa dependência dos fatores ambientais;
- baixa dependência com a taxa de exposição.

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15) Os detectores do tipo Geiger-Müller possuem uma


propriedade denominada de “ tempo-morto”, que é definido
como:

a) Intervalo de tempo necessário para que a amplitude do


pulso produzido por uma segunda interação seja a mesma do
primeiro pulso.
b) Intervalo de tempo necessário para que se possa mudar a
escala do equipamento.
c) Intervalo de tempo mínimo entre duas interações para que o
instrumento seja capaz de distingui-las.
d) Intervalo de tempo necessário entre a primeira e a última
interação do equipamento.
e) Intervalo de tempo necessário para que o equipamento
possa contar todas as interações necessárias para medir a
exposição.

Serviço de Radioproteção 76
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A produção, coleção e neutralização dos pares de íons
necessita de um tempo. Este período de tempo é denominado
de tempo de resolução do instrumento, e é o tempo necessário
para atingir o campo iônico e coletá-lo.

Durante este período o GM é incapaz de responder


plenamente a uma segunda interação da radiação. Este tempo
de resolução é a soma de dois outros elementos temporais:
Tempo morto, tempo necessário para que os íons positivos
gerados pela avalancha Townsend movimentem-se para o
ânodo para serem neutralizados, e
Tempo de recuperação, intervalo de tempo entre o tempo
morto e o tempo de recuperação total.

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Nos detectores GM, o tempo de resolução apresenta maior


impacto na resposta do detector. O tempo de resolução é o
tempo considerado desde a medida do pulso inicial até que um
outro pulso possa ser medido pelo circuito eletrônico. O tempo
de resolução é controlado pelo circuito eletrônico.

O tempo morto é o tempo considerado desde o pulso inicial


até a produção de um outro pulso pelo detector.

O tempo de recuperação é o tempo considerado desde a


formação de um pulso inicial completo até a produção pelo
detector de um novo pulso com tamanho completo.

O tempo de recuperação inclui um pequeno intervalo de


tempo conhecido com tempo morto.

Durante o tempo morto, o detector não pode responder a um


outro evento ionizante. O tempo morto ocorre por causa do
efeito que o grande número de íons positivos causa sobre a
tensão potencial aplicada através do detector.

No tempo de recuperação, o detector pode responder, mas


devido ao reduzido fator de amplificação do gás, os pulsos de
saída são tão pequenos que não podem ser medidos.

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Um problema crucial dos sistemas GM está relacionado com


tempo de resolução e está relacionado com a saturação que pode
ocorrer quando um tubo GM é exposto a um campo de radiação
intenso. Em tais campos, os eventos ionizantes estão interagindo
no gás do tubo GM com uma separação média num tempo
muito menor que o tempo morto do medidor, isto é, muitos
eventos ionizantes. Se ocorrer um novo evento ionizante no
volume sensível quando o tubo ainda não esteja completamente
recuperado, será produzido um pulso muito menor que o
normal, ou até mesmo nenhum pulso. Na saturação o
instrumento apresentará um estouro de escala momentâneo
seguido de um valor muito próximo de zero. Portanto, o
medidor pode estar indicando a ausência de radiação quando o
operador encontra-se num campo de radiação extremamente
perigoso.

Serviço de Radioproteção 79
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Na prática, os termos tempo morto e tempo de resolução são usados


intercambiáveis. Qual seja o termo usado, o valor aplicável é
considerado como sendo uma medida da habilidade do instrumento
distinguir dois eventos separados que ocorrem muito próximos um
do outro em relação ao tempo. Freqüentemente, as especificações
do fabricante usam o tempo morto para descrever o comportamento
combinado do sistema de contagem e detector.

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Perguntas Relacionadas

Quanto maior é o tempo morto de um detector:

a) mais se aproxima do modelo paralisado


b) mais se aproxima do modelo não paralisado
c) torna-se menos adequado para medida de atividades
elevadas
d) torna-se mais adequado para medidas de tempos de vôo
e) pode ser alcançada maior resolução em espectrometria.

Um contador paralizado com tempo morto T:

a) não determina a taxa de eventos n claramente


b) possui uma taxa de contagem que se aproxima do valor
1/T para n grande
c) possui uma taxa de contagem maior que um contador
não paralizado com o mesmo T, para todos n
d) a , b e c estão corretas
e) nenhuma das respostas

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Perguntas Relacionadas

Um tempo morto pequeno num detector é equivalente a:

a) um par de pulso de boa resolução


b) um bom tempo de resolução
c) uma boa resolução de energia
d) um baixo ruído
e) nenhuma das anteriores

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16) Após a realização da técnica do esfregaço no teste de fuga


para uma fonte de 137Cs, qual é o detector mais sensível para se
avaliar uma possível contaminação no material absorvente
empregado no teste?

a) Geiger-Müller
b) Câmara de ionização
c) Proporcional
d) Cintilador
e) Dosímetro termoluminescente

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Os detectores cintiladores NaI(Tl) são comumente usados em


aplicações onde é desejada uma alta sensibilidade a radiação
gama e alta resolução de energia.
A natureza do cristal sólido oferece mais alvos para um fóton
que um detector GM. Por esta razão, os cintiladores para
radiação gama tipicamente possuem maior rendimento que
detectores GM de tamanho equivalente.
A saída de luz do cristal é função da energia do fóton
incidente. O sinal de saída do TFM é função da luz de entrada
e, portanto, é proporcional à energia da radiação incidente.
Esta característica permite que o cintilador seja usado para
realizar análise de altura de pulso para energia da radiação.
O cintilador NaI(Tl) possui uma resolução energética maior
que um contador proporcional, possibilitando a determinação
de energias com maior precisão. A resolução é a característica
de um detector ser capaz de diferenciar entre duas energias de
radiação muito próximas. Quanto maior a resolução, as
energias de radiação mais próximas podem ser diferenciadas
umas das outras. Deve-se observar que recentes avanços com
detectores semicondutores proporcionaram detectores com
resoluções melhores que o NaI(Tl).

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17) São fatores que devem ser levados em consideração na


escolha de um instrumento medidor de radiação as
alternativas abaixo exceto:

a) O tipo de radiação a ser medido.


b) Indicam acuradamente a taxa de exposição em mR/h
para pessoas que estão próximas a pacientes com
implantes de 137Cs.
c) Uma leitura zero indica que nenhuma radiação está
presente. (maneira incorreta para formular a pergunta)
d) Detectam e indicam eventos ionizantes por unidade de
tempo.
e) Nenhuma das alternativas anteriores
O item (c) está associado com a saturação em detectores
GM (campo intenso, portanto tem radiação presente), ou
manutenção inadequada em outros detectores, ausência de
sinal (campo de radiação não registrado, porém presente) –
considerando este aspecto o item (c) deve ser observado.
Os itens (a), (b) e (d) são fatores associados aos detectores –
(a) tipo de radiação; (b) precisão, exatidão e resolução;
(d) tipo de informação desejado ou intervalo de tempo de
interesse.
Seguindo este raciocínio a resposta seria (e).

Serviço de Radioproteção 85
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Os quatro aspectos de uma monitoração de radiação que
devem ser considerados antes da escolha de um dispositivo de
monitoração apropriado são:
• O tipo de monitoração a ser realizada;
• O tipo de radiação a ser detectado;
• A energia da radiação a ser detectada;
• A sensibilidade exigida para o instrumento de detecção.
Exemplos de considerações sobre o projeto que devem ser
observadas quando da seleção de um instrumento de
monitoração. Qualquer um dos:
• a facilidade do uso do instrumento;
• a adequacidade do detector para as condições
ambientais em que as medidas estão sendo realizadas;
• a localização do detector dentro do instrumento;
• o tamanho físico do detector para medir as taxas de dose
com eficácia em feixes estreitos;
• o tempo de resposta para campos de radiação de alta
intensidade ou de curta duração;
• a resposta direcional do monitor;
• a resistência ao bloqueio em campos de radiação de alta
intensidade, contadores GM;
• a presença de um auto-falante para ajudar na
identificação de alterações provocadas nos níveis de
radiação;
• uma escala iluminada para permitir o trabalho em áreas
escuras.

Serviço de Radioproteção 86
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Fatores que definem a escolha de detectores


Tipo da radiação
Intervalo de tempo de interesse - medidor de taxa de
exposição ou de dose, ou um do tipo integrador; detectores de
leitura direta, ou ativos; detectores passivos.
Precisão, exatidão, resolução
Condições de trabalho do detector - condições de robustez,
portabilidade e autonomia
Tipo de informação desejada - número de contagens, ou
energia da radiação detectada; relação com a dose absorvida,
tempo vivo de medição, distribuição em energia
Características operacionais e custo - facilidade de operação,
facilidade e disponibilidade de manutenção
- limite de detecção adequado;
- precisão e exatidão;
- reprodutibilidade e repetitividade;
- linearidade;
- estabilidade a curto e longo prazo;
- baixa dependência energética;
- baixa dependência direcional, rotacional;
- baixa dependência dos fatores ambientais;
- baixa dependência com a taxa de exposição

Serviço de Radioproteção 87
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18) Identifique as afirmativas Verdadeiras (V) e Falsas (F):


I. Os fabricantes nacionais de detectores de radiação
possuem laboratórios de calibração e os certificados
emitidos são aceitos pela CNEN.
II. Como controle da sensibilidade dos detectores de
radiação de área recomenda-se que os mesmos sejam
testados periodicamente com utilização de fontes de
controle de baixa atividade.
III. Os equipamentos detectores de radiação importados
não precisam ser calibrados nos laboratórios nacionais
se já possuírem certificado de calibração emitido pelo
fabricante.
IV. A intercomparação é a medida feita entre instrumentos
de mesma classificação para comparação de
comportamento.

a) I (V), II (F), III (F), IV(V)


b) I (F), II (V), III (F), IV(V)
c) I (V), II (V), III (F), IV(V)
d) I (F), II (F), III (F), IV(F)
e) I (V), II (V), III (V), IV(V)

Serviço de Radioproteção 88
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Verificação da Calibração
Antes de fazer uso de um instrumento é importante confirmar
se o mesmo está calibrado e se a calibração continua válida.
Esta informação é obtida no certificado de calibração emitido
para o instrumento. As exigências quanto a freqüência de
calibração variam de acordo com os regulamento locais,
porém, normalmente é recomendada pelo menos uma
calibração por ano para cada instrumento. Se um instrumento
não apresentar calibração válida ou se sofreu manutenção por
qualquer outra razão, o mesmo deve ser recalibrado antes de
ser utilizado novamente.

Fonte de Verificação
O desempenho do instrumento pode variar dependendo do
ambiente e freqüência de uso. Por esta razão, deve ser feita a
verificação com uma fonte de teste antes de utilizar o
instrumento para detectar e monitorar qualquer alteração
na qualidade de desempenho.

INTERCOMPARAÇÃO : é a medida realizada entre


instrumentos da mesma classificação para comparação de
comportamentos.

Serviço de Radioproteção 89
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19) A probabilidade de interação da radiação com o gás de
um detector, resultando na formação de pares de íons, varia
com o campo elétrico aplicado (ou diferença de potencial
aplicada) ao gás dentro do volume sensível. Considerando o
gráfico abaixo como representativo da variação do número
de pares de íons em relação à variação do campo elétrico,
para duas radiações de mesmo tipo e energias diferentes,
identifique as regiões de operação para detectores à gás.

1 2 3 4 5

Serviço de Radioproteção 90
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Região 1 Região 2 Região 3 Região 4 Região 5

a) Saturação Região Geiger Região Região Descarga


iônica Muller proporcional proporcional contínua
limitada
b) Região Saturação iônica Região Região Geiger Descarga
proporcional proporcional Muller contínua
limitada
c) Região Descarga Região Região Geiger Saturação
proporcional contínua proporcional Muller iônica
limitada

d) Saturação Região Região Região Geiger Descarga


iônica proporcional proporcional Muller contínua
limitada
e) Descarga Região Região Região Geiger Saturação
contínua proporcional proporcional Muller iônica
limitada

Serviço de Radioproteção 91
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Região 0
Nessa região, os pares de íons são formados, mas como o
campo elétrico é muito fraco, ocorre um processo de
recombinação dos íons e somente parte das cargas geradas são
coletadas. À medida que a diferença de potencial cresce, os
íons são atraídos para os pólos elétricos e não têm condições
de se recombinar. Nessa região é gerada uma carga, mas a
amplitude do pulso pode variar sem proporcionalidade com
quantidade ou energia da radiação incidente. Essa região não é
conveniente para a operação de detectores.

Região 1 Região de saturação de íons


Após um determinado valor do campo elétrico todos os íons
formados são coletados, e o sinal é então proporcional a
energia da radiação incidente. O valor do sinal permanece o
mesmo para um intervalo de variação do campo elétrico, em
que a coleta das cargas não traz nenhum processo adicional.
Nessa região de campo elétrico é que operam os detectores
tipo câmara de ionização.

Serviço de Radioproteção 92
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Região II Região proporcional
Com o aumento do campo elétrico, os elétrons acelerados têm
energia suficiente para arrancar elétrons de outros átomos e, dessa
forma, criar novos pares de íons. Ocorre então uma multiplicação,
que é linearmente proporcional ao número de pares de íons
gerados pela radiação primária. Essa região é também chamada de
região de proporcionalidade verdadeira, pois é onde operam os
detectores proporcionais. O sinal inicial é multiplicado por um
fator de 102 a 104 vezes, dependendo do gás e da tensão aplicada.
O sinal coletado na maioria das vezes precisa ser pouco
amplificado, o que facilita seu processamento.

Região III Região de proporcionalidade limitada


Continuando a aumentar o campo elétrico, a multiplicação do gás
passa a sofrer efeitos não-lineares, não guardando mais a relação
de proporcionalidade com o número de pares de íons gerados
inicialmente. Os elétrons criados pela multiplicação são
rapidamente coletados no anodo, enquanto que os íons positivos se
movem mais lentamente para o catodo. A concentração dessa
nuvem de íons positivos tem como efeito criar uma carga espacial
próxima ao catodo, alterando a forma do campo elétrico no
detector. Como as multiplicações subseqüentes dependem do valor
do campo elétrico, surgem as não-linearidades que afetam a
proporcionalidade. Nessa região os detectores não operam.

Serviço de Radioproteção 93
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Região IV Região Geiger-Müller


Se a voltagem aplicada for suficientemente alta, a carga espacial
criada pelos íons positivos passa a ser tão grande que a perturbação
que cria no campo elétrico interrompe o processo de multiplicação.
Nesse caso o número de pares de íons criados passará a ser sempre
da mesma ordem, independentemente do número de pares criados
originalmente e portanto o sinal será independente da energia da
radiação.

Região V Região de descarga contínua


Um aumento ainda maior no valor do campo elétrico irá ocasionar o
surgimento de centelhas, não havendo mais relação com o número
de íons formados. Nessa região não operam os detectores e, se
operados nessa região, podem ser danificados.

Serviço de Radioproteção 94
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As partículas beta do 32P proporcionam uma única altura de pulso


num contador geiger muller, porque:

a) as partículas beta são monoenergéticas


b) as partículas beta são totalmente freadas dentro do detector
c) a altura de pulso num contador geiger é independente da
energia da radiação
d) a altura de pulso num contador geiger é dependente do tipo
de radiação
e) todas a respostas anteriores

A recombinação numa câmara de ionização ocorrerá mais


provavelmente com o aumento da:

a) TEL
b) Taxa de Dose
c) Tensão de polarização
d) Espaço entre eletrodos
e) É válido para (a), (b) e (d)

Serviço de Radioproteção 95
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Qual o dispositivo que requer uma fonte de tensão mais estável


para reproduzir o mesmo sinal durante sua operação?

a) termopar
b) célula fotovoltaica
c) contador proporcional
d) câmara de ionização
e) contador Geiger-Muller

Serviço de Radioproteção 96
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Os detectores a gás operam utilizando o processo de ionização


do gás produzida pela passagem da radiação.
Tipicamente, esses detectores consistem de 2 eletrodos
submetidos a uma certa diferença de potencial elétrico. O
processo de ionização gera pares elétron-íon (cargas). A
relação entre a quantidade de cargas produzidas e
coletadas com a tensão aplicada gera uma região chamada
de ionização (saturação), quando:

a) para uma baixa tensão aplicada existe uma


recombinação dos pares
b) a coleta da carga permanece constante com o aumento
da tensão
c) a coleta de carga aumenta porque os elétrons produzem
ionizações secundárias
d) o campo elétrico é tão forte que um simples par elétron-
íon gera uma avalancha de novos pares
e) uma simples produção de par inicia uma descarga
contínua no gás

Serviço de Radioproteção 97
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20) Em um processo de medida de radiação Gama ou X onde


se faz necessária a identificação da energia da radiação,
o detector mais apropriado é do tipo:

a) Geiger-Muller
b) Proporcional
c) Barreira de superfície
d) Câmara de Ionização
e) Cintilador

Embora o detector de NaI(Tl) seja um dos detectores sólidos


mais "antigos", e apresente uma resolução em energia
limitada, tem a seu favor vários atrativos. É um detector
relativamente barato, de manutenção fácil, é robusto e fácil
de usar. Sendo um detector compacto e relativamente denso,
apresenta também uma eficiência superior à maioria dos
outros detectores de radiação gama, sendo por isso indicado
para trabalhar com fontes radioativas não muito intensas
em processos de espectrometria.

Serviço de Radioproteção 98
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Cristais Inorgânicos – NaI(Tl)

Os detectores cintiladores NaI(Tl) são comumente usados em


aplicações onde é desejada uma alta sensibilidade a radiação
gama e alta resolução de energia.

Vantagens dos Detectores Cintiladores

Habilidade para realizar discriminação entre radiação alfa,


beta e gama, e entre diferentes energias de radiação com uma
resolução moderada.
NaI(Tl) – sensibilidade a radiação gama de alta energia.
Líquido – responde a energias extremamente baixas.
ZnS(Ag) – o mais vantajoso detector para radiação alfa.

O cintilador NaI(Tl) possui uma resolução energética maior


que um contador proporcional, possibilitando a
determinação de energias com maior precisão. A resolução é
a característica de um detector ser capaz de diferenciar entre
duas energias de radiação muito próximas. Quanto maior a
resolução, as energias de radiação mais próximas podem ser
diferenciadas umas das outras. Deve-se observar que recentes
avanços com detectores semicondutores proporcionaram
detectores com resoluções melhores que o NaI(Tl).

Serviço de Radioproteção 99
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Perguntas Relacionadas

Para a radiação eletromagnética, os detectores de estado


sólido em relação aos de ionização gasosa:

a) são mais eficientes devido ao seu menor tamanho


b) são independentes da temperatura de trabalho
c) são mais eficientes devido a sua maior densidade
d) produzem um sinal mais baixo devido à alta energia de
ionização do Si e Ge
e) necessitam grandes volumes para serem eficientes.

Os níveis excitados cuja desexcitação dá origem à cintilação


em substâncias empregadas como detectores de radiação
devem ser tais que:

a) a desexcitação ocorre num tempo muito curto


b) a desexcitação ocorre em tempos grandes, sendo
preferencialmente os estados metaestáveis os preferidos
para o fenômeno de cintilação
c) estejam dentro do domínio infravermelho para
favorecer a detecção da luminescência
d) estejam exclusivamente dentro do intervalo da luz
visível
e) não alcancem o intervalo de energias de vibração.

Serviço de Radioproteção 100


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21) A eficiência de um detector depende fortemente:

a) do tipo e energia da radiação


b) da geometria da fonte
c) do tipo de encapsulamento da fonte
d) da distância entre a fonte e detector
e) da blindagem do detector

Todos os itens interferem na eficiência. A pergunta


deveria ser mais clara.

Serviço de Radioproteção 101


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Eficiência, capacidade de converter em sinais de medição os


estímulos recebidos.

Eficiência de um detector

A eficiência de um detector está associada normalmente ao tipo


e à energia da radiação e é basicamente a capacidade do
detector de registrá-la. A eficiência de um detector pode ser
definida de duas formas: eficiência intrínseca e eficiência
absoluta. O registro de cada radiação no detector representa um
sinal, que pode ser um pulso, um buraco, um sinal de luz, ou
outro sinal qualquer, dependente da forma pela qual a radiação
interage com o detector e dos subprodutos mensuráveis gerados.

Fatores que Influenciam a Eficiência


• tipo e a energia de radiação (eficiência intrínseca).
• número atômico do elemento sensível do detector, estado
físico do material, tensão de operação, sensibilidade,
características físico-químicas dos seus materiais constituintes
(eficiência intrínseca e absoluta).
• características de construção, fonte de radiação que está sendo
medida, meio e geometria de medição; distância do emissor, o
tipo do feixe emitido (radial, colimado), o meio entre o detector
e a fonte emissora (eficiência absoluta).

Serviço de Radioproteção 102


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22) Um sistema de detecção com multicanais e detector HPGe


(Germânio de Alta Pureza), relaciona a energia de 661,66
keV do 137Cs ao canal 950 e a energia de 1332,50 keV do
60Co ao canal 1820. Sabe-se que a largura à meia altura do

pico de 1332,50 keV é de 4 canais. Pergunta-se, qual é a


resolução em energia deste sistema na energia de 1332,50
keV.

a) 1,5 keV
b) 2,3 keV
c) 4,0 keV
d) 3,1 keV
e) 3,7 keV

Serviço de Radioproteção 103


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A resolução do sistema é uma grandeza que dá a indicação do


poder de separação entre dois picos próximos e que pode ser
definida a partir da razão entre a largura a meia altura e o
centróide do pico.

Serviço de Radioproteção 104


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Serviço de Radioproteção 105


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 canais  1820  950  870


 Energia  1332,50  661,66  670,84 keV
 Energia 670,84
Energia por Canal    0,771 keV
 canal 870 canal

FWHM  4canais  4.0,771  3,084 keV


FWHM 3,084
R%  .100  .100  0,23%
Eo 1332,50

Serviço de Radioproteção 106


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Indicar que tipo de detector não permite conduzir uma análise


de altura de pulso para raios X:

a) Geiger Muller
b) Contador proporcional
c) NaI (Tl)
d) Germânio intrínseco
e) Câmara de ionização

Assinale como NÃO se melhora o poder de resolução


energética de um detector semicondutor HPGe utilizado
em espectrometria:

a) operando a temperaturas baixas


b) reduzindo a corrente de fuga
c) aumentando a resistividade do material
d) controlando as fontes de ruído eletrônico
e) aumentando a condutividade mediante impurezas
doadoras de elétrons.

Serviço de Radioproteção 107


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Ao comparar o detector de Ge(Li) com o detector de NaI(Tl)
foram efetuadas as seguintes afirmações, qual delas NÃO
é certa?
a) a resolução em energia do detector de Ge(Li) é melhor que
a do NaI(Tl)
b) para a análise de espectros complexos de raios gama é
preferível o detector NaI(Tl)
c) a energia média necessária para a formação de um par
elétron-lacuna é maior no detector de NaI(Tl)
d) o fator Fano é menor para o Ge(Li) que para o detector
de NaI(Tl)
e) o NaI apresenta uma maior eficiência de pico intrínseca.

O detector de cintilação tem como propriedade a produção de


cintilações dentro do cristal devido à interação da
radiação com o mesmo. Essas cintilações são detectadas
por um tubo fotomultiplicador que produz um pulso
elétrico, cuja altura está relacionada com a energia da
radiação incidente. Um dos materiais cintiladores
conhecido é:
a) BF3
b) Si (Li)
c) CsI (Tl)
d) Ge (Li)
e) CdTe

Serviço de Radioproteção 108


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A vantagem de um detector semicondutor sobre as câmaras de


ionização é:

a) melhor resolução de energia


b) maior densidade
c) melhor tempo de resolução
d) todas as respostas anteriores
e) nenhuma das respostas

Serviço de Radioproteção 109


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23) Assinale a alternativa correta para a seguinte afirmação:


Na detecção de radiação ionizante, a função de uma válvula
fotomultiplicadora é:

a) transformar os sinais luminosos produzidos no


cintilador pela radiação em sinais elétricos.
b) transformar os sinais fotográficos produzidos no
cintilador pela radiação em sinais luminosos.
c) transformar os sinais luminosos produzidos no
Geiger Müller pela radiação em sinais elétricos.
d) transformar os sinais luminosos produzidos no
contador proporcional pela radiação em sinais
elétricos.
e) transformar os sinais luminosos produzidos no
cintilador produzido pelo Geiger-Müller em sinais
elétricos.

Serviço de Radioproteção 110


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Tubo Fotomultiplicador (TFM)


O propósito do TFM é detectar as cintilações e proporcionar
um sinal de saída proporcional à quantidade de cintilações. Ao
fazer isto, o TFM pode proporcionar amplificação de 1.106 ou
até maior.

Construção
Os detalhes de construção variam de projeto para projeto,
porém, todos os TFM possuem componentes típicos. Estes
componentes comuns são:
• o fotocatodo
• a montagem dos dinodos
• um ânodo
• a rede divisora de tensão, e
• o invólucro

Serviço de Radioproteção 111


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24) Sobre as características principais de um dosímetro


termoluminescente, pode-se afirmar que:

a) Um dos materiais mais utilizados em dosimetria pessoal é o


LiF.
b) Como serão aquecidos durante a leitura, os materiais
utilizados na dosimetria termoluminescentes não
necessitam apresentar estabilidade quando armazenados
a temperatura ambiente.
c) Após a irradiação, o cristal termoluminescente não pode
retornar à sua condição inicial, não sendo reutilizável.
d) Em termos de dosimetria, é conveniente utilizar-se um
material cuja resposta apresente uma grande variação
com a energia da radiação, facilitando assim a
identificação da radiação a que foi exposto o dosímetro.
e) Todas as afirmações anteriores são falsas.

Para obtenção de dados quantitativos e qualitativos é


necessário atender o item (d), mesmo não sendo o ideal.
O item (a) trata-se de um material dosimétrico e não de
uma característica.

Serviço de Radioproteção 112


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Para ser útil como dosímetro, um material TL deve possuir


uma saída de luz relativamente intensa e ser capaz de reter o
elétron armadilhado por períodos de tempo razoavelmente
grande nas temperaturas encontradas no ambiente.
Os detectores termoluminescente freqüentemente utilizam
cristais que são propositadamente dopados pela adição de
pequenas quantidades de uma impureza considerada como
ativador.
Alguns detectores termoluminescente não requerem a adição
de um ativador mas em contrapartida conta com impurezas
inerentes e defeitos no cristal natural.

Existem diferentes tipos de cristais DTL em uso de acordo


com aplicação desejada. Um material DTL muito comum
usado no monitoramento individual é o fluoreto de lítio (LiF)
por que : exibe uma resposta aproximadamente plana por
unidade de dose em todo intervalo de energias de fótons. A
resposta em 30 keV é somente 125% maior que em 1,25
MeV; a luz emitida apresenta pouco desvanecimento
(somente 10% a 15% em 3 semanas após a irradiação ) com
armazenamento na temperatura da sala; a resposta em
função da dose é linear desde 100 Gy até aproximadamente
7 Gy.

Serviço de Radioproteção 113


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O DTL de fluoreto de lítio pode ser apresentado em diferentes
composições:
TLD-100 - 7.5% 6Li e 92.5% 7Li;
TLD-600 - 99.993% 6Li;
TLD-700 - 4.38% 6Li e 95.62% 7Li.
Portanto, pode-se medir campos de nêutrons-gama usando
TLD-600 porque o 6Li possui uma afinidade muito grande para
nêutrons térmicos enquanto que o TLD-700 que não possui
resposta para nêutrons térmicos possui uma resposta para
radiação gama similar à do TLD-600.

O LiF é apenas um dos vários tipos de materiais TL. Vários


compostos de cálcio, por exemplo CaF2:Mn, CaF2:Dy,
CaSO4:Mn, são utilizados no monitoramento ambiental onde as
doses muito pequenas, da ordem de 10 a 20 Gy, podem ser
detectadas. Alguns sistemas DTL utilizam tanto o Li como o Ca
como material sensor.
A monitoração individual é usada para verificar a eficácia do
controle radiológico sobre as práticas exercido nos locais de
trabalho. Também é usada para detectar alterações promovidas
nos locais de trabalho, confirmar ou complementar a
monitoração estática do local de trabalho, identificar as
práticas de trabalho que minimizam as doses e proporcionar
informações no evento de ocorrência de uma exposição
acidental.

Serviço de Radioproteção 114


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Os dosímetros individuais são projetados para medir a dose no


tecido mole numa profundidade definida abaixo de um ponto
específico definido no corpo. A grandeza equivalente de dose
pessoal Hp(d), normalmente, é determinada em duas
profundidades, d = 0,07 e 10 mm, como medidas da exposição
a radiações pouco e muito penetrantes, respectivamente. A
primeira é representativa da dose em pele e a última
representa a dose para os órgãos formadores de sangue. Se for
considerada a possibilidade de exposição dos olhos a
profundidade de 3 mm representa o cristalino dos olhos.

Muitos materiais que exibem variações mensuráveis


relacionadas com as radiações são utilizados como dosímetros.
As variações podem ocorrer somente em resposta a um tipo
específico de radiação. Alguns dispositivos apresentam
variações de cores em doses ou taxas de doses muito altas.

Estes incluem: cloreto de polivinil sólido e alguns vidros;


soluções de sulfato ferroso e clorofórmio; e os gases de
acetileno e óxido nitroso.

Serviço de Radioproteção 115


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Materiais que são indicadores adequados de doses muito baixas
sofrem variações que podem ser somente medidas após
processamento apropriado num laboratório (detectores
passivos).
Emulsões fotográficas (filmes) são extensivamente utilizadas
como dosímetros passivos. Materiais termoluminescentes (TL) e
radiofotoluminescentes (RPL) também são importantes para a
dosimetria individual. Após exposição a radiação ionizante, os
dosímetros termoluminescentes (TLDs) e os vidros RPL emitem
luz sob a influência de calor e radiação ultravioleta,
respectivamente.

Alguns dosímetros possuem vários componentes para ampliar


a sua resposta para mais de um tipo ou intervalo de energia.
Os dosímetros usados devem ser capazes de medir as radiações
as quais os usuários estão expostos. Pode ser necessário o uso
de mais de um dosímetro.

A intensidade das doses potenciais e o tipo de dosímetro


influenciam o período de uso, que determina a freqüência que
o dosímetro deve ser trocado.

Serviço de Radioproteção 116


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É um monitor que mede uma grandeza radiológica ou


operacional, mas com resultados relacionados ao corpo inteiro,
órgão ou tecido humano. Além das propriedades de um monitor
ele deve ter:
- resultados em dose absorvida ou dose equivalente (ou taxa);
- ser construído com material tecido-equivalente;
- possuir fator de calibração bem estabelecido;
- suas leituras e calibrações são rastreadas a um laboratório
nacional e à rede do BIPM;
- incertezas bem estabelecidas e adequadas para sua aplicação;
- modelo adequado para cada aplicação;
- modelo adequado para cada tipo e intensidade de feixe.

Serviço de Radioproteção 117


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25) A constante de multiplicação de um detector


proporcional é mais sensível a qual fator:

a) geometria de construção
b) composição de gases da mistura
c) teor de impureza dos gases da mistura gasosa
d) intensidade do campo elétrico aplicado
e) parede do detector

Serviço de Radioproteção 118


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Detectores Proporcionais
Quando é aumentada a tensão no detector acima da região
da câmara de ionização, os íons gerados pela ionização
primária são acelerados pelo campo elétrico na direção dos
eletrodos. Similar ao que acontece na região da câmara de
ionização, porém, os íons primários ganham energia
suficiente na aceleração para produzir pares de ionização
secundários. Estes novos íons secundários formados também
são acelerados, causando ionizações adicionais. O grande
número de eventos, conhecido como uma avalancha, da
origem a um pulso elétrico suficientemente grande.

Num detector proporcional, a saída do detector é


proporcional à ionização total produzida no detector. Para
uma tensão constante, a razão entre as ionizações primárias
e o número total de íons produzido é constante e é conhecida
como fator de amplificação do gás. Um fatos de amplificação
do gás para detectores proporcionais típicos varia de poucas
centenas a cerca de um milhão.

Serviço de Radioproteção 119


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Como no detector câmara de ionização, o aumento da energia


de radiação, ou radiações de ionização específica alta,
resultará em pulsos maiores. Uma vez que podemos medir o
pulso individualmente, é possível analisar tanto a taxa de
incidência como a energia ou tipo de radiação com um
contador proporcional. Isto permite fazer a discriminação dos
diferentes tipos de radiação ou diferentes energias da radiação
pela variação da alta tensão, a qual afeta o fator de
amplificação do gás.

Serviço de Radioproteção 120


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26) Após tempo morto e ainda no período de recuperação de


um detector Geiger-Müller, tem-se:

a) não ocorrência de interações da radiação no detector


b) ocorrência de interações radioativas, porém há registros
de informações
c) ocorrência de interações radioativas com amplitude de
sinal máximo
d) ocorrência de interações radioativas porém com
amplitude e sinal menor
e) grande probabilidade de empilhamento (pile up).

No tempo de recuperação, o detector pode responder, mas


devido ao reduzido fator de amplificação do gás, os pulsos
de saída são tão pequenos que não podem ser medidos.
Existe um outro efeito no detector GM que está
relacionado com o tempo de resolução. Se os eventos de
radiação incidente ocorrerem numa taxa extremamente
alta, ocorrerá uma grande quantidade de pulsos pequenos.
Estes pulsos evita que o detector GM atinja a recuperação
completa. Uma vez que o pulso de tamanho completo não
pode ocorrer, o circuito eletrônico não indicará a presença
da radiação.

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27) Em um detector proporcional de 10BF3 utilizado para a


detecção de nêutrons térmicos, a ionização do gás
contador é causada devido:

a) a interação dos raios gama da radiação de fundo com gás


contador
b) a partícula alfa resultante da reação nuclear 10B(n, alfa)
7Li

c) a moderação dos nêutrons rápidos no detector


d) ao fato do nêutron ser uma partícula sem carga
e) nenhuma das anteriores.

A detecção de radiação está ligada à interação da radiação


com o detector. A detecção de nêutrons é realizada
através do seguinte mecanismo:
a) partículas carregadas produzidas nos mecanismos de
sua interação com o detector
b) processos direto de ionização e excitação
c) somente por ionização direta
d) somente por excitação direta
e) por perda de massa

Serviço de Radioproteção 122


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A reação neutrônica mais comum utilizada para a detecção de
nêutrons térmicos é 10B(n, ) 7Li. O boro -10 possui uma seção
de choque para captura de nêutrons térmicos de 3840 b para
esta reação. A partícula alfa emitida nesta reação causa a
ionização que por sua vez pode ser detectada. Tipos de
detectores que empregam o boro como meio de detecção são: a
câmara de ionização recoberta com uma camada delgada de
boro e o contador proporcional enchido com gás trifluoreto de
boro (BF3).
Um contador BF3 pode ser usado para nêutrons rápidos se for
envolvido por parafina, polietileno ou um outro moderador
com poder de termalização dos nêutrons para que os mesmos
possam ser capturados pelo 10B.
O boro pode ser usado tanto como uma cobertura ou como um
gás, na forma de BF3. O boro quando absorve um nêutron,
emite uma partícula alfa de acordo com a seguinte reação:
10
B1n7Li  
A partícula alfa causa a ionização e a amplificação do gás
proporciona um sinal elétrico detectável. Esta reação ocorre
somente para nêutrons térmicos. Nêutrons rápidos e
intermediários devem ser convertidos em nêutrons térmicos
antes que eles possam ser detectados usando boro. Materiais
típicos para obter a termalização são a parafina e o polietileno.

Serviço de Radioproteção 123


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28) Qual o grau de descontaminação obtido em uma superfície


contaminada, após sua limpeza, sabendo-se que o teste de
esfregaço apresentou 10000 contagens antes e 100
contagens após a limpeza, e que a contagem para radiação
de fundo resultou em 80 contagens:

a) 76,5%
b) 85,3%
c) 53,7%
d) 64,2%
e) 99,8%

CBG = 80 contagens
CA = 10000 contagens – 80 contagens = 9920 contagens
CD = 100 contagens – 80 contagens = 20 contagens

20 x100
GD  100   99,8%
9920

Serviço de Radioproteção 124


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29) Sobre as características principais de um bom dosímetro


pode-se afirmar:

a) a resposta do dosímetro a exposições iguais deve


depender da energia da radiação;
b) o intervalo de medida de exposição a ser coberto pelo
dosímetro deve ser bem restrito, da ordem de no máximo
10 C/kg;
c) hoje já é possível adquirir no mercado dosímetros que
preencham todos os requisitos de modo ideal;
d) são quatro os tipos principais de dosímetros,
fotográfico, termoluminescente, radiofotoluminescente e
câmara de ionização de bolso (caneta dosimétrica);
e) nenhuma das respostas anteriores.

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O sulfato de cálcio e o fluoreto de cálcio são detectores


muito sensíveis, porém, não são tecido equivalentes. Assim
como o filme, eles necessitam filtros para combinar a sua
resposta energética com aquela para o tecido.
O fluoreto de lítio (LiF) possui uma resposta linear entre
100 Sv (micro) e 5 Sv, porém, é utilizado até 1kSv.
Comparado com o LiF, o borato de lítio possui uma
resposta energética amplamente mais uniforme, porém, é
mais sensível a nêutrons térmicos. Tanto o LiF como o
barato de lítio são aproximadamente tecido equivalente e
são usados em dosímetros que não requer sistemas de filtros
complexos.
Uma vantagem dos dosímetros passivos é que eles podem
registrar a informação sobre a dose de maneira estável de
tal modo que não seja perdida facilmente. Uma outra
vantagem é que os valores da dose equivalente individual de
Hp(10) (corpo inteiro), Hp(0.07) (pele) e Hp(3) (cristalino
dos olhos) podem ser medidos com dosímetros passivos
enquanto que com os dosímetros ativos geralmente só é
medida a Hp(10).

Serviço de Radioproteção 126


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Os filmes dosimétricos,conhecidos como dosímetro


fotográfico consistem de uma película fotográfica colocada
em um estojo. O estojo é montado com uma série de filtros
que permite fazer a distinção entre as radiações beta, X,
gama e nêutrons térmicos e também permite a determinação
da dose equivalente individual para Hp(10), Hp(0,07) e
Hp(3).
Os porta filmes, particularmente, são utilizados para medida
das doses individuais quando tanto a informação sobre o tipo
ou energia da radiação recebida pode ser determinada.
Os dosímetros termoluminescentes (DTL) baseados em lítio
são os preferidos para a dosimetria individual por causa de
sua equivalência ao tecido. Os DTL baseados em cálcio são
mais utilizados na monitoração ambiental por causa de sua
alta sensibilidade.

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30) Sobre a calibração dos instrumentos utilizados na


monitoração da radiação, pode-se afirmar que:

a) os fabricantes destes instrumentos possuem arranjos


experimentais capazes de calibrar os detectores em todas
as suas escalas de taxa de exposição e em todo o intervalo
de energia;
b) esse procedimento pode ser feito seguindo as
especificações dadas pelo fabricante, não necessitando de
instrumentos de referência padrão;
c) quando utilizamos os melhores detectores as medidas
fornecem resultados que são avaliações exatas da dose;
d) no caso da radiação eletromagnética, mesmo que o
instrumento meça exposição com grande precisão, o fator
de conversão para se obter a dose em um órgão pode
variar muito com a energia da radiação em com a sua
direção de incidência;
e) nenhuma das respostas anteriores.

Serviço de Radioproteção 128


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Como deve ser o campo de radiação ideal para a calibração?

O campo de radiação ideal para a calibração de instrumentos é o


da radiação com energia discreta e com taxa de exposição
bem conhecida. Deseja-se ter um feixe monoenergético, pois
a sensibilidade da maioria dos detectores varia muito com a
energia dos fótons.

Se as paredes de uma câmara de ionização a ar não for de ar


equivalente, ou o detector consistir de elementos muito
diferentes, tem que ser aplicado um fator de conversão para
dependência energética. A direção também é um fator
importante.

Serviço de Radioproteção 129


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Mesmo utilizando-se alguns dos melhores detectores, as


medidas, no máximo, fornecem apenas resultados que são
aproximações da dose. No caso da radiação
eletromagnética, mesmo que um instrumento meça
exposição com grande precisão, o fator de conversão para
se obter a dose num órgão pode variar muito com a
energia da radiação e a sua direção de incidência.

Os principais objetivos de um sistema de calibração são:


• Garantir que o instrumento esteja funcionando
devidamente;
• No caso de instrumento sem ajuste para calibração,
garantir que sejam revelados os erros nas suas medidas;
• Submeter o instrumento a testes, como resposta à
energia e direção da radiação, efeitos ambientais, etc.;
• Fornecer informações aos usuários quanto às
características mais importantes dos instrumentos;
• Fornecer padrões de radiação para testes de novos
detectores.

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31) Sobre o programa de monitoração pode-se afirmar que:

a) o tipo, a freqüência e a extensão da área avaliada devem


ser revistos periodicamente para assegurar a otimização
do programa;
b) no planejamento das monitorações é fundamental
utilizar-se o bom senso, não necessitando de estudos
anteriores;
c) este procedimento normalmente engloba os mesmos
métodos de monitoração, não variando com a natureza
da radiação;
d) as avaliações devem ser feitas somente no local de
trabalho e não por meio de medidas tomadas junto ao
próprio indivíduo;
e) nenhuma das respostas anteriores.

Serviço de Radioproteção 131


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A monitoração inclui as medidas relacionadas com o sistema


de proteção radiológica e também a interpretação destas
medidas na avaliação e controle das exposições externas e
internas.
A principal justificativa para a monitoração deve ser extraída
de como ela auxiliará na obtenção e demonstração de um
grau adequado de proteção.
O programa de monitoração deve ser projetado em base a uma
avaliação radiológica prévia, em função de exigências
regulatórias.
Os objetivos e o projeto de um programa de monitoração
devem ser claramente definidos e registrados. O projeto
deve incluir as bases estabelecidas para a interpretação
dos resultados em relação aos objetivos da proteção.
Todos estes aspectos devem ser periodicamente revisados, nos
intervalos determinados pelo gerente, ou logo após
qualquer alteração promovida nas condições operacionais
da instalação ou nas exigências regulatórias.

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Tipos de Monitoração

Monitoração de Rotina está associada com as operações


contínuas e é idealizada para demonstrar que as condições de
trabalho, inclusive os valores de doses individuais,
permanecem satisfatórias, e para atender as exigências
regulatórias.

Monitoração relacionada com a tarefa aplicada a uma


operação específica.

Monitoração especial é de natureza investigatória e


tipicamente envolve uma situação no local de trabalho onde as
informações são insuficientes para demonstrar um controle
adequado.

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Técnicas de Monitoração

Monitoração do Local de Trabalho, que envolve as


medidas feitas no ambiente de trabalho.

Monitoração Individual, que é implementada para


obter as medidas por um equipamento portado
pelo trabalhador, ou medidas de quantidades de
materiais radioativos presentes no ou sobre seu
corpo e a interpretação destas medidas.

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A seqüência lógica num processo de monitoramento da


radiação ionizante é:

a) Estabelecer um modelo, efetuar a medida, encontrar o


resultado, interpretar a medida.
b) Estabelecer um modelo, efetuar a medida, encontrar o
resultado e interpretá-lo.
c) Efetuar a medida, estabelecer um modelo, encontrar
um resultado e interpretar a medida.
d) Efetuar a medida, estabelecer um modelo, encontrar o
resultado e interpretá-lo.
e) Efetuar a medida, encontrar o resultado, estabelecer
um modelo para interpretar o resultado.

As funções do monitoramento da radiação ionizante são:

a) Avaliar os controles das exposições à radiação


ionizante.
b) Estimar o controle das exposições à radiação ionizante.
c) Obter e manter condições de trabalho aceitavelmente
seguras e satisfatórias.
d) Comprovar que as condições de trabalho continuam
adequadas com o transcorrer do tempo.
e) Controladora, operacional e interferente.

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32) Um detector de NaI (Tl) absorve 1 MeV de energia da


radiação gama que incide sobre ele e emite 4x104 fótons
com energia média de 3 eV cada. A eficiência do processo
de cintilação é igual a:

a) 3x10-4 %
b) 4%
c) 40%
d) 12%
e) 88%

Eabs = 1 MeV = 1x106 eV


Efoton = 3 eV/fotons
Nfotons = 4x104 fotons
ERegistrada= 3 eV/fotons x 4x104 fotons = 1,2x105 eV

ERe gistradax100 1,2 x105 eVx100


E%   6
 12%
E Absorvida 1,0 x10 eV

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