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O CENÁRIO POLÍTICO MARANHENSE NO SÉCULO XX

Leonôra Domingues Moraes

O novo século foi recebido com grandes expectativas, as cidades com


aspectos modernos, a população aspirava por dias melhores, onde todos pudessem
compartilhar os frutos de uma nova áurea que iniciava.

O Brasil era movido por grandes acontecimentos, governado pelo então


presidente da república Rodrigues Alves (1902-1905), sucessor de Campos Sales
(1898-1902) que tentava restituir a paz e a tranqüilidade ao povo brasileiro.

A sociedade maranhense ainda era tida como uma das principais do


novo Brasil republicano pela sua cultura, seus costumes e pela representação
política e intelectual, haja visto ter no seio dessa sociedade homens ilustres e
de destaque no cenário político.

O Maranhão tinha como governador do Estado o então João Gualberto


Torreão da Costa (1900), verifica-se uma atuação administrativa eficiente no seu
O cenário político Maranhense no século XX

governo: Criação da Imprensa Oficial do Estado e subsídios para o


desenvolvimento da navegação fluvial nos rios Itapecuru, Mearim e Pindaré e
ETC.

Nas eleições de 1902 é eleito um médico bastante conceituado na


sociedade maranhense, Manoel Lopes da Cunha político dinâmico, desenvolveu
importante trabalho, no campo da educação, como a Escola Modelo Benedito
Leite. A situação financeira do Estado era precária e desta forma o Governo
ficava impossibilitado de fazer investimento no Estado.

A seqüência dos anos da primeira década do século XX demonstrava


claramente ser a mesma na história maranhense preenchida no campo político
pela presença e liderança de Benedito Pereira Leite (1906-1908), neste Governo
as dificuldades financeiras ainda eram bastante visíveis, mas o então Governador
buscava com sua astúcia superar a crise com trabalhos relevantes, com destaque
a industria espalhada em São Luis, Caxias e Codó. Em seu Governo o Maranhão
recebeu a visita do Presidente da Republica Afonso Augusto de Moreira Pena,
muito proveitosa para o Estado pois a partir daí a Estrada de Ferro de São Luis a
Caxias e os trabalhos concluídos da Estrada de Caxias a Rosário.

No decorrer do ano de 1908 aumentavam as lutas políticas não só na


Capital onde a Imprensa noticiava contra o Governo e os problemas decorrentes
da situação financeira. Juiciava-se o ano de 1909 o Governador achava-se
doente ausentou-se para tratar de saúde. Vindo a falecer na França a 6/ 3/. Uma
perda muito grande para o Estado deixando uma lacuna no quadro político vindo
ser preenchido por sucessivos Governadores entre eles Artur Quadros Colares
Moreira, Mariano Martins Lisboa Neto e Américo Vespúcio dos Reis. De acordo
esse processo resultaria na candidatura de Luis Antônio Domingues da Silva para
o quadriênio de 1910 a 1914. Em seu governo foi priorizado os meios de
transporte, restabelecendo linhas de navegação fluvial e incentivando as
estradas de ferro. O Governo Estadual exercia com mais intensidades as suas
atividades. Realizou-se o recenseamento em todo o Estado.

Encerrava Luis Domingues com honras e glórias e seu mandato


governamental com justiça e intelectualidade.

O Maranhão em 1914 conheceu novo líder político Herculano Nina Parga


que conduziria com determinação o Governo do Estado até 1918, restabelecendo
as finanças e equilibrando o orçamento com arrecadações acima das previsões
processando uma reforma administrativa conduzida com serenidade o Estado. Em
seu Governo em 1914 algumas leis alteraram a vida das cidades e dos municípios,

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entre as quais a lei nº 654, de 6 de abril que eleva à categoria de cidade com
mesmo a atual Vila de Rosário entre centros. Foram organizadas as comarcas do
Estado, em número de 14.

Nesse período enquanto o maranhão crescia politicamente, o mundo era


abalado pela primeira Guerra Mundial, fato que repercutiu no Brasil inteiro.
Paralelo a este acontecimento uma grande seca em 1915 assola o nordeste
maranhense provocando uma imigração de retirantes de Mearim para a capital
ludovissence em 1916 são eleitos prefeitos e vice-prefeitos.

Prefeitos cito Claudionor Cardoso e João Vital de Matos. Herculano


governou com estilo simples.

O governo do Maranhão sendo bastante disputado desta vez tem como


chefe político Urbano Santos de Araújo, então Vice-Presidente da República
pessoa de grande prestígio no cenário federal com condições de fazer grandes
realizações em sua administração. Estabeleceu o Serviço de Estatística do
Maranhão, concluiu a mais importante estrada de ferro maranhense em 1919,
facilitando o escoamento de produtos da capital para o interior do Estado. Em
1920, com o então Governador foi criado Guimarães, Cururupu entre outros.

Em 1921 na sua administração, atuando sobretudo no setor da saúde


pública com o serviço de profilaxia urbana e rural e no combate às endemias que
sempre atingiam as principais regiões do Estado a partir de um grande projeto de
instruções primárias elaboradas por uma comissão de ilustres professores:
Godofredo Mendes Vianna, Dr. Cesário Veras, Joaquim de Oliveira Santos e
Osório Anchieta.

O ano de 1922 prenunciava-se como sendo de grandes acontecimentos


na vida sócio-política do Estado. O Governador Urbano Santos era apresentado
como candidato a Vice-Presidente da República na chapa de Artur Bernardes da
Silva. Uniam-se assim duas figuras de grandes prestígios político da chamada
República Urbano Santos ao Rio de Janeiro para concorrer as novas eleições
presidenciais, mas em maio do mesmo ano faleceu. Talvez no presente e no
passado tenha sido o maior político da história do Maranhão até.

Um novo ciclo na vida sócio-político do Maranhão é aberto com a morte


de Urbano Santos. Para ocupar o cargo de Governador aparece no cenário político
maranhense, vindo do Senado para fazer uma administração correta, séria e de
grandes resultados para o Maranhão com suas qualidades pessoais e pelas
circunstâncias do momento.

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O cenário político Maranhense no século XX

“O Maranhão necessita de um impulso vigoroso que o coloque de direito


lhe compete na Federação. Para isso se faz mister Se lhe dêem os elementos
necessários à consecução dos seus gloriosos destinos e só uma política de
realizações práticas, de visão serena e imparcial, pode guia-lo seguro nessa rota”.
(Dr. Godofredo Mendes Viana 1923)

Com estas palavras, inicia os trabalhos administrativos frente ao


governo do Estado tendo logo que enfrentar de inicio uma Reforma Constitucional
a Lei Orgânica dos municípios sendo considerada para época modelo de Técnica
Jurídica-Política, e a Lei de Organização Judiciária todas em 1923.

Organizada a administração Estadual, novas leis são feitas e novos


municípios são elevados a categoria de cidade: Cajapió, Urbano Santos, Primeira
Cruz, Carutapera, Imperatriz, Icatu entre outras. Com o advento dos carros de
motor de explosão à gasolina o governo começa a se preocupar com as estradas
de rodagem e estabelecer planos para a conservação das mesmas.

Tudo corria bem, mas com o inverno rigoroso, a cheia nos rios
maranhenses interrompendo a construção dos mesmos, em conseqüência das
cheias houve perda de safra e diminuição na arrecadação, ocasionando
desequilíbrios orçamentários.

Mediante as dificuldades o Governador não se intimidou, contraiu


empréstimos estrangeiros, prosseguindo com suas obras e inaugurando em 1925 o
Serviço de Água da Capital, um dos melhores do Brasil.

A política no Maranhão até então era rígida por dois grandes partidos
o da Situação ao qual todos os governantes do estado eram militares, o partido
Republicano e a oposição.

No ano de 1926 o governo anunciava o Instituto Cururupuense, que se


tornaria sob a direção do Professor Silvestre Fernandes um dos grandes
centros educacionais de Estado no interior, principalmente para a zona de
Cururupu, pois se tornaria numa escola de formação e de desenvolvimento
cultural.

Apesar de inúmeros trabalhos que o governo do Estado realizou era


grande o descontentamento da população sertaneja, ambos achavam-se
esquecidas pois não recebiam beneficiamento por parte do mesmo.

Foi assim, nesse contexto de insatisfação e abandono que os


integrantes da Coluna Prestes encontraram a maior parte das comunidades

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visitadas. Foi em 1925 que o Maranhão foi ocupado pela Coluna Prestes, forças
revolucionárias dispostas e bem municiadas comandadas pelo General Miguel
Costa.

Em breve relato, a Coluna Prestes ocupou vinte e seis dos municípios


existentes no Maranhão, com violentos episódios; como assaltos desnecessários à
propriedade privada, o recolhimento dos saldos das coletorias dos telégrafos e
dos correios, mas deixou também lições de civismo na mensagem de ideais novos
numa transformação dos costumes políticos existentes no Estado. O comando
Revolucionário oriundo do Rio Grande do Sul e às surdirias mantinha contato com
articuladores favorável a seus ideais, aqui no Maranhão. Entre os articuladores
cito Manoel Bernardino, Tarquínio Lopes, camponeses da Mata do Nascimento
(atual D. Pedro). É notório que o Governo resistiu a todos os acontecimentos
envolvidos com a Coluna Prestes, em fevereiro de 1926 despedia-se do Governo
convicto de que tinha feito o melhor pelo Estado, e ao mesmo tempo descrevia o
quadro em que o Estado se encontrava a ocupação da Coluna Prestes em quase
toda a sua totalidade.

A para d todos os acontecimentos assume o Governo do Estado


Magalhães de Almeida. Com algumas divergências já existindo no seio do seu
partido, procurou contornar a situação a partir d contratos com políticos
experientes dos municípios, adquirindo prestígios e admiração por parte do
demais.

Na parte administrativa através de decretos regulamentou órgãos do


governo, interessa-se pelas vidas nas comunidades, especialmente de São Luis
sob os cuidados do prefeito Jaime Tavares a Reforma da Constituição Política do
Estado do Maranhão foi promulgada em 9 de Março de 1927 e em 8 de Abril
através do decreto 1.141 Regulamenta o Ensino. O governador com grandes
esforços concretizava seu plano de governo onde incluía um grande programa
rodoviário, pioneiro, ligando a Capital ao extremo Sul, uma obra importante para
o Estado. Pois permitiria aproximação com comunidades do interior, o então
Presidente do Estado como eram chamados os governadores da época, tivesse
contado mais de perto com as populações mais distantes, aumentando
politicamente seu laço de amizade em todo o interior do Estado. Um dos muitos
trabalhos do Governo Magalhães de Almeida foi a abertura de estradas de
Rosário ao Campo de Perizes-14km; de Codó a Mata do Nascimento (D. Pedro),
entre outros. O Governador empenhava-se para fazer jus ao cargo que exercia, e
por isso era exaltado nas rodas de políticos dentro e fora do Estado do
Maranhão. Fez várias excursões em 1928, para inauguração de novas rodovias
sertanejas viabilizando o acesso do progresso nessas regiões.

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O cenário político Maranhense no século XX

Com as especializações e trabalhos realizados em 1929 organizou o


Banco do Estado lei nº 1357 de abril, criou o Departamento Agro-Pecuário e
regulamentou a demarcação de terras devolutas do Estado.

Neste ano o Governo foi acometido com as façanhas de Lampião e seu


Bando que dominou o Nordeste, digo Bahia, Ceará, Pernambuco e com
perspectivas de chegar ao Maranhão o que deixou o Governador bastante
apreensivo. Magalhães de Almeida já na reta final de seu mandato 1930, fez um
balanço geral das industrias, espalhadas em São Luis, Caxias e Codó, de
comércios com tradicionais firmas: Martins, Irmãos & Cia, e muitas outras que
faziam a Grandeza Econômica do Maranhão na primeira fase Republicana.

No decorrer do período Magalhães de Almeida a representação


estadual j´se compunha de alguns nomes que iriam participar ativamente na vida
política estadual como Alarico Nunes Pacheco Saturnino Belo, Sebastião Archer
entre outros.

Embora com as divergências políticas e pessoais que combatiam o


governo através do jornal “Pacotilha” e “Folha do Povo”, Magalhães de Almeida
deixa um saldo de grandes realizações em todos os setores.

O Maranhão, como todo Brasil, entrava em novo período, decorrente do


clima revolucionário que já tomava conta do País e traria profundas modificações
na vida social, política e jurídica de toda Nação.

Os precedentes ao triunfo da Revolução de Trinta no Maranhão eram


sentidos e manifestados pela Aliança Liberal já em plena propaganda desde o
inicio do ano. A caravana liberal encontrava o povo, por seus discursos cheios de
idéias e propostas que contagiavam a todos que os assistiam.

O ano de 1930 foi bastante movimentado, politicamente o Presidente


da Republica Washington Luis Pereira de Sousa, foi deposto. O governo do
Estado do Maranhão foi entregue a uma junta governamentiva, da qual faziam
parte o Major Celso Freitas Reis Perdigão e Capitão José Ribamar Campos para
logo depois passar ao Major Luso Torres, que seria o primeiro interventor, isto é,
assumiria o governo provisoriamente com respaldo do Presidente da Republica.
Seu mandato durou pouco e logo foi substituído em janeiro de 1931 pelo Padre
Astoufo Serra, Inteligente e orador de grande estilo, sua presença no Governo
causou impacto com a Igreja. Tem sentido reformista o Governo de Astolfo
Serra e procurou realizar o seu plano de trabalho por decretos, determinava
normas para os serviços públicos, reestruturou a vida municipal, reduzindo o

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número de municípios, incorporou São José de Ribamar e Passo do Lumiar a São


Luís, Bequimão a Alcântara, não era um governo bem visto, era criticado, sofria
pressões pelos próprios companheiros revolucionários, e pelos antigos
adversários partidários da velha republica, que pediam a sua substituição no
Governo. E em 13 de agosto o fato se consumou sendo nomeado outro
interventor, o Capitão Lourival Serra da Mata, empossado no dia 08 de setembro
do mesmo ano.

O novo interventor procurou seguir seu método próprio de administrar


percorrendo todo interior do Estado, conhecendo e sentindo de perto os
problemas e necessidades de cada município.

Demonstrava interesse pela educação e estimulou a abertura de novas


escolas. Mas entrou em choque com os comerciários, que resultou na vinda do
Major Juarez Távora, então delegado da revolução no norte do País ao norte do
Maranhão, para solucionar os problemas entre Governo e comerciantes.

O Maranhão sofreu em 1932 mais uma intervenção que durou dois


meses, em seguida assumiu o Governo o Capitão Antônio Martins de Almeida que
assumiu sob o impacto do movimento Constitucionalista, já iniciado em São Paulo,
repercutindo em todo o Brasil com intuito de implantar a Democracia como nova
Ordem Social em toda Federação Brasileira.

O Brasil anseia por definições na vida política vigente, politicamente


precisava ser reconstruído, e tudo caminhava para consumação desse fato pois o
cerco das lideranças políticas contra o Governo se intensificava, as revoltas em
alguns estados eram constantes a população principalmente no Maranhão ansiava
por uma definição política com urgência, estes eram os mais prejudicados com a
atuação dos interventores do Governo, não correspondia as aspirações do povo
maranhense.

Poucas foram as conquistas do Maranhão, com a atuação dos


interventores que prosseguiu até 1935. Paralelo a isso Getúlio Vargas em 24 de
Fevereiro do mesmo ano cria o código eleitoral. Possibilitando participação a
intensificação da mulher na política e principalmente o direito de votar, porque
até então era proibido. Somente homens acima de 18 anos podiam votar, com o
código eleitoral, todas as pessoas com essa idade passaram a votar, ai o século
XX representa o ápice de uma nova caminhada, em que a mulher conquista cada
vez o seu espaço repartindo com os homens a responsabilidade pela condução da
história contra a inferiorização da mulher na sociedade.

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O cenário político Maranhense no século XX

O presente que hoje vivemos, foi outrora fruto que mulher como
Carmelita Barcelos Abroim, primeira mulher a exercer o direito do voto no
Estado co Ceará, Drª. Carlota Pereira de Queiroz, primeira mulher a ser eleita
para câmara dos deputados, Roseana Sarney da qual falaremos mais neste
trabalho como Governadora do Estado do Maranhão reportando-se nas nossas
escritas finalmente o Decreto nº. 21.042, de 15 de maio, fixava para o ano
seguinte o pleito para a assembléia constituinte. O Maranhão continuava com
interventor e este, era alvo de criticas, porém apoiado pelo par central
confirmado pela visita do presidente Getúlio Vargas, o Ministro Tavola e o
General Góis Monteiro. O Maranhão vivia agitado durante o momento político,
chegava o Tenente Vitorino de Brito Freire, a São Luis, era o inicio de uma
caminhada política de muitos anos em nossa terra, as Eleições Gerais pra a
Assembléia constituinte se aproximava deixando os candidatos exaustos e
ansiosos por disputarem lugares na representatividade na Estadual e Municipal.
Formaram-se partidos políticos a Aliança Liberal, a união republicana
Maranhense, o partido Socialista a Liga Eleitoral Católica. Foram eleitos, Lino
Rodrigues Machado, José Maria Magalhães de Almeida, Francisco Costa
Fernandes, Godofredo Mendes Viana, entre outros. Formada com trinta
deputados estava a Assembléia Estadual onde se faziam presentes duas
mulheres, Rosa Castro e Zeleide Bogéa, duas notáveis educadoras.

A política maranhense é acrescida de novas correntes, novos líderes


políticos e também manifestações comunistas. Finalmente a Assembléia
Constitucional do Maranhão que por votação indireta realiza para Governador
Constitucional do Maranhão sendo eleito em 1935 Aquiles de Farias Lisboa, durou
pouco a paz política pois em decorrência de desentendimentos partidários e de
sua pouca habilidade em conduzir os negócios do Estado por “Impeachement”,
com a saída do Governador, é nomeado o Major do Exército Humberto Carneiro
de Mendonça mais um interventor na política do Estado. Ato condenado pelo
Parlamento Nacional que julgava ante democrático fase do regime vigente no
País. No intuito de regularizar o processo intervencionismo, no Maranhão o
Governo Federal designou o Bacharel Paulo Martins de Sousa Ramos para assumir
a direção administrativa do nosso Estado nos anos de 1936 a 1937, político
atuante com relevantes serviços prestados ao Ministério da Fazenda. Governava
com autonomia e determinação quando em novembro de seu último mandato surge
o chamado Estado Novo eliminando a antiga Federação Brasileira, retirando a
autonomia dos Estados continuando uma nova visão política e administrativa o
então interventos sentia-se todo poderoso pois a sua maneira reorganizava e
reordenava o poder público. Encerrava-se assim na história política do Maranhão
o período do tenentismo, interventores e constitucional social de Democracia, de

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poucos anos de vida, sem grandes realizações para a vida maranhense, embora
com muitas administrações cada um impondo sua personalidade, dissociadas de
nossa gente e nossa vida.

Tudo parecia transcorrer bem, mas algo de novo surgiu na política


brasileira atingindo o interior do Maranhão. O Governador foi avisado pelo
Ministro da Justiça, Dr. Francisco Campos que a nova Constituição tinha sido
promulgado, dissolvendo a Câmara e o Senado. O país, conhecia um novo regime
nos quais todos os interesses da nação estavam assegurados, era um fato inédito
e importante tanto para o povo brasileiro como para o povo maranhense, e
portanto precisava do apoio do Governador. A administração do Dr. Paulo Ramos
era aprovada pelos demais políticos, vários foram os trabalhos realizados por ele
em prol dos maranhenses.

Entre eles: a organização dos municípios com a organização tributaria,


a variação de impostos, forma de cobrança, etc.

O Maranhão entrava em nova época, o interventor, isto é, o Governador


controlava toda a administração do Estado, com determinação, sendo elogiado
pela Imprensa.

Não permitindo intolerância e divergências em seu Governo, a tal ponto


de prática arbitrariedade tais como, a demissão do professor Geronimo José de
Viveiros, do Cargo de Professor Catedrático de História do Liceu Maranhense,
sua prisão e perseguição policial. Alguns acontecimentos desse tipo, próprios de
regime forte, não atrapalhavam a administração, nem o esforço do Interventor
que prosseguia com seu plano de governo. No ano de 1838 a 1939 a Maranhão foi
beneficiado com a instalação de linhas aéreas, a rádio difusora do Maranhão
entre outros. No ano de 1940 o Maranhão recebeu uma visita muito importante a
do General Eurico Gaspar Dutra um ilustre político que merecia o respeito não só
de todos os brasileiros mas dos maranhenses também.

Cada vez mais as idéia do Estado Novo se difundiam e não faltavam


aplausos não só ao Getúlio Vargas enquanto Presidente como ao Governador Dr.
Paulo Ramos, não só pelo prestígio conquistado mais também pela autoridade, às
vezes excessivas e aplicadas com seu rigor e ira aos poderosos que tentavam
desarticular politicamente o seu Governo. Se tudo transcorria dentro dos limites
no Maranhão, o mundo se agitava com uma possível II Guerra Mundial, no dia 28
de janeiro de 1942, o Brasil rompia as eleições diplomáticas com a Alemanha,
Itália e Japão, fato que não passou desapercebido pelo interventor do Maranhão,
que procurava conscientizar a população sobre tudo da Capital da necessidade da

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participação de todos os brasileiros, quer maranhense ou não na guerra, e foi


nesse contexto que um contingente do 24º - Batalhão Caçadores, compostos de
Sub-Tenente, Sargentos, Cabos, Soldados, General enfim homens que vivos ou
mortos elevaram o nome do Maranhão com coragem e civismo, dignos de
homenagens e admiração. Em 1944 começavam a declinar a força do regime
ditatorial instalado a 10 de Novembro de 1937. O povo brasileiro precisava
exercer seus direitos cívicos e para isso o intervencionismo teria que ser
superado, muito embora tinha sido oito anos de estabilidade em todos os setores
o Maranhão não poderia ficar à imagem dos acontecimentos e no inicio do ano de
1945 Paulo Martins de Sousa Ramos deixa o governo e ainda se elege Depurado
Federal. No Maranhão a sucessiva política continuou após 1945 com
redemocratização, um anseio do povo que sonhava a anos usufruir de um sistema
democrático onde pudessem exercer sua cidadania. Finalmente deu-se a
convocação do povo para Presidente da República e da Assembléia Nacional
Constituinte no mesmo ano em que todos puderam exercer o direito de votar. Os
partidos políticos passaram a ter conotação Nacional, a divisão partidária deu
lugar a partidos fortes e diversificados entre eles: Partido Social Democrático
(PSD), Partido Republicano (PR) União Democrática Nacional (UDN) e Partido
Proletário Brasileiro (PPB) este último encabeçado por Vitorino Freire, que aliado
a Sebastião Archer iniciaram um novo ciclo político no Maranhão que recebeu o
nome de “Vitorinismo”. Por ter sido este um político de âmbito nacional,
prestando um relevante serviço no Maranhão por mais de 20 anos.

Após as eleições de 1947 o Maranhão passa a ter a sua nova


Constituição de Estado autônomo da Federação, constituído pelos três poderes:
Executivo, exercido pelo Governador; o Legislativo formado pela Assembléia e o
Judiciário pelo Tribunal de Justiça, Juízes de Direito. O estado conheceu a
prática política de homens que a sua frente procuravam administrar e colaborar
com prosperidade com todos os setores entre eles cabe destaque também a
Clodomir Cardoso, o Desembargador Eliezer Soares Campos, Saturnino de Belo, e
a partir de 1951 com Sebastião Archer da Silva desenvolveu um grande programa
de governo que constava da Urbanização da Capital, no âmbito da Saúde e da
Educação e Cultura político carismática e respeitado revelava-se amigo de nossa
memória, inaugurou praças com bustos de pessoas ilustres no Maranhão,
construção da Biblioteca Pública. Tanto era o prestígio do Governador que em
1948 o Maranhão recebeu a visita do Presidente da República, General Eurico
Gaspar Dutra, visita esta que trouxe ótimos resultados para o Estado. Com a
atuação do Governo Sebastião Archer crescia o Vitorinismo na administração e
na política, tanto na Capital quanto no interior, paralelo crescia também o
descontentamento de políticos adversários que pouco aceitavam a atuação do

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Vitorinismo no Maranhão, e procuravam por meio da Imprensa desarticula-lo. Não


se sentindo importunado o Governador prosseguia com seu trabalho, desta vez
apoiando e prestigiando a intelectualidade de nossa terra, doando a sede onde
hoje situa-se a Academia Maranhense de Letras, contribuindo com o
florescimento de novos intelectos entre tantos cito o escritor Josué Montello
conferencista da época em Paris, Roma, Madri e Lisboa designado pela Unesco,
elevando com isso o nome do Maranhão. Foram muitos e significantes os
trabalhos do Governador, mas não impediu de uma nova sucessão pacífica, pois
para concorrer ao pleito criaram uma coligação de partidos chamada de
Oposições Coligadas tendo como líder Saturnino Belo.

A situação ficou tensa para o Candidato Eugênio de Barros, houve


verdadeira batalha eleitoral, resultando na anulação de inúmeros votos. A
Oposição frustrada se inquietava e protestava, inconformada com o resultado
das eleições. A 28 de fevereiro de 1951 o candidato da ala Vitorinista é apossado
no cargo de novo Governador do Estado Eugênio de Barros, a posse foi marcada
com depredações, correrias, violências e até morte. Registra-se a partir de então
até o mês de Setembro movimentos, que muitos foram designados de revoltas,
rebeliões e mesmo de greve por terem paralisado todas as atividades de São
Luis, a greve resultou da capacidade de manipulação política dos setores
oligárquicos oposicionistas do Estado sobre as classes populares da capital, que
tentaram por meio de greve, conquistar o governo com apoio e o envolvimento dos
setores populares pela via da rebelião, pois sozinhos não tinham condições
políticas para desfechar um golpe e ocupar o governo, não obtiveram resultado
satisfatório segundo balança da época, haja vista o movimento ter se limitado
apenas à capital maranhense, pois não ocorreu a articulação do movimento no
interior do Estado por parte dos líderes. Greve ou pequena revolução, foram dias
difíceis para a população de São Luís que, direta ou indiretamente, sofria os
efeitos do movimento. Movimento este, que tinha como objetivo apenas a
conquista, para si do controle do Aparelho Estatal. Isto é, depor o então
Governador eleito pela facção Vitorinista e Coaxar no poder um membro da
Oposição Coligada. A tentativa de golpe fracassou o Vitorinismo continuou com
seu candidato à frente da administração do Estado, Eugênio de Barros com
firmeza e serenidade governa de 1951 a 1956 período suficiente para deixar
registros de seu mandato como chefe político no Maranhão, embora com
rupturas, tendo assumido em seu lugar no governo César Aloud, mas por pouco
tempo, pois a 3 de outubro de 1951 a Corte Eleitoral reempossava o governador
eleito, novamente com protestos e críticas pelos líderes e advogados da
coligação, agora definitivamente derrotada.

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O cenário político Maranhense no século XX

Nova crise surge para segunda posse de Eugênio de Barros, mas


apoiado não só pelo Senador Vitorino Freire como também pelo Presidente da
República, procurava trabalhar para recuperar o tempo perdido, a retomada de
seus trabalhos teve efeito, principalmente no interior, pois quis fortificar os
laços do governo Vitorinista aos demais grupos políticos existentes por todo o
Maranhão, a todos era dado solidariamente à ajuda necessária de que precisavam.
E foi esse propósito que trabalhou não só na capital mas também no interior,
criando, ampliando e inaugurando Escolas, incentivando o Ensino Médio que até
então não vinha tendo atenção por parte dos governos anteriores. A atuação do
governo era notada e admirada por todos, pois fazia grandes empreendimentos
com o dinheiro público. Enquanto o governo trabalhava para honrar o nome do
Maranhão, acontecia articulações dos partidos políticos e também a L E C, (Liga
Eleitoral Católica) a situação liderada por Vitorino Freire; o Partido Social
Progressista com Neiva Moreira e José Neiva e Paulo Ramos pelo Partido
Trabalhista Brasileiro e outros. O Vitorinismo continuava sua ascensão, ditando
as regras da política no Maranhão, Vitorino Freire foi reeleito Senador apoiado
pelos eleitores maranhenses. Paralelo a esse acontecimento, tinha início as
campanhas políticas para o próximo pleito. Os candidatos começavam a disputar
espaços para conquistar o voto do eleitorado, luta acirrada, comícios, promessas
dos candidatos da situação a Governador e Vice-Governador. O médico José de
Matos Carvalho e o Engenheiro Alexandre Alves Costa, cunhado do Governador
Eugênio de Barros, e pela Oposição Coligadas, o Brigadeiro Hugo da Cunha
Machado e o Coronel Alexandre Colares Moreira, finalmente o pleito, a apuração
com impugnação de urnas, anulações e, eleições complementares suplementares
batalhas judiciárias coisa corriqueira, comum na política maranhense, os políticos
já estavam acostumados, sendo que nesse ano de 1955 foi mais longo, pois
ultrapassou o tempo do mandato do Governador Eugênio de Barros, e assim no dia
31 de Janeiro de 1956 assumia o Governo o Deputado Alderico Novas Machado,
na qualidade Vice-Presidente da Assembléia Legislativa, seu mandato pouco durou
e em seu lugar assume o Governo o Deputado Estadual Eurico Bartolomeu Ribeiro,
com o estado em crise, procurava solução para mesma, porém tinha pouco tempo
de mandato, precisamente 1 ano e 4 meses, mesmo com dificuldades contornou a
situação da política administrativa, manteve os serviços de educação e cultura
como prioridade em seu governo, ampliou a rede escolar, principalmente no setor
de Ensino Secundário. Com Eurico Bartolomeu Ribeiro o maranhão integrou-se no
plano de governo federal instalado pelo Presidente Juscelino Kubistecheck.

Tal qual o ano de 1951 o Maranhão, viveu outro momento difícil de uma
história, novas revoltas lideradas pelo Capitão Antonio Alves Godim e alguns
Companheiros da Polícia Militar do Estado exaltados queriam tomar o Palácio do

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Governo pois acreditavam que com isso mudariam os rumos da política no


Maranhão, o plano fracassou e tudo continuou como antes, o governo realizando
conforme suas possibilidades e recursos disponíveis, para administrar o Estado.

Eurico Ribeiro, soube cumprir o seu dever, e em 1957 entrega o poder


para o então José Matos Carvalho eleito governador e Alexandre Alves Costa
Vice-Governador. Com este plano organizaram o quadro de funcionários,
elaboraram leis orgânicas para o ensino, através da Fundação Paulo Ramos.

Construiu mais Escolas na Capital e no interior, incentivou o


desenvolvimento de grupos folclóricos, Bumba-Meu-Boi, Tambor de Crioula,
Divino Espírito Santo entre outros símbolos de nossas raízes culturais. O
Presidente JK em 1958 vetou o Maranhão para deliberar a construção da Estrada
de Belém-Brasília, cuja a obra era importante para o escoamento e circulação de
mercadorias para outros Estados, propiciando o desenvolvimento do Maranhão.
Por ser político nato conquistava seus adversários, com isso podia conquistar com
isso podia governar com tranqüilidade e por em evidência seu plano de trabalho,
realizou trabalho em todos os setores. Ao sair foi substituído por Newton de
Barros Belo este sem grandes problemas, prosseguiu com as obras que já
estavam em andamento no Maranhão, foi recebido por seus aliados e com receios
pelos opositores. A medida que a política se consolidava no Maranhão, novos
partidos e uniões surgiam, para apoiar candidatos que se sentissem aptos a
governar o Estado, entre eles o PIB, PL e a UDN, apoiando o trabalho do governo,
que tinha como meta, o fortalecimento da economia, ampliar as finanças,
transporte, educação, saúde. Queria elevar cada vez mais o nome do Maranhão, e
para isso contava com o apoio do Presidente da Republica Jânio da Silva Quadros,
tinham sido eleitos na mesma eleição de 1961. Newton Belo criou novos
municípios, ampliando o Mapa Geográfico do Maranhão e inaugurou o Banco de
Estado.

Pelo plano de governo apresentado pelo Governador, acredita-se que


muito teria feito, mas seus planos foram interrompidos pela renuncia pré-matura
do Presidente Jânio e posse de João Goulart à Presidente da Republica. Falando
um pouco do Brasil na pessoa do Presidente, este considerado polêmico e
reformista. Para os que apoiavam as reformas eram necessárias e tinham como
objetivo a democratização da sociedade brasileira, na visão dos adversários uma
brecha ao comunismo. Tempo de agitação, divergência, discórdia, discussão,
greves, passeatas a inflação disparava estimulando as lutas de classes. Ninguém
se entendia, falavam línguas diferentes e com tantos acontecimentos o resultado
não foi satisfatório e no dia 31 de março de 1964 o estopim estourou.
Caracterizado de “golpe Militar de 64”. O Maranhão não ficou a margem dos

203
O cenário político Maranhense no século XX

acontecimentos, muito embora seguindo pesquisas bibliográficas o Governo tinha


sido imparcial aos fatos, mas o que observou-se foi um retrocesso no
desenvolvimento do Maranhão na questão administrativa e alguns presos por se
mostrarem adeptos ao movimento. Muito embora o Governador se achasse
imponente e poderoso e o Governador cumprindo o seu plano de trabalho, que
para ele, era honra chegar até o fim, com ou sem apoio do Governo Federal, pura
demagogia pois o Maranhão continuava apadrinhado pelo Vitorinismo que até
então estava enraizado na Sociedade maranhense, embora permanecesse por
poucos anos, já que nas rodas políticas já se cogitavam novas sucessões tanto de
governo quanto de ideologia, isso se efetivou com a decadência do Vitorinismo. A
história política do Maranhão tem sido recheada de políticos que contribuíram
para o desenvolvimento do Estado, embora saiba que este nada mais é que suas
obrigações, pois os políticos são eleitos para tal, trabalhar e honrar o voto de
cada cidadão, dos quais recebeu. Foram anos difíceis não nos resta dúvidas, mas
tudo acontecia dentro de sua temporalidade próprio da época vivida. A história
registrou também 20 anos de Democracia oligárquica onde poucos controlavam o
poder, poucas cabeças pensantes detentoras de privilégios, embora tivessem em
evidência os governadores, mas estes serviam apenas como pano de fundo,
mascarando e representando os verdadeiros manda chuvas do Maranhão nestas
últimas duas décadas Vitorino Freire. O povo pouco fazia para mudar essa
situação, pois apesar de ser a maioria, politicamente eram fracos. Passados estes
anos de abstinência política partidário da população, eis que surge como
candidato se dizendo defensor das causas em evidência, nas eleições de 1966
para Governar o Maranhão, assume José Sarney, este centrado a administração
do Estado em suas mãos, governado por quatro anos o Maranhão, mas na verdade
pendura até os dias atuais, tal qual o Vitorinismo o Sarneismo no Brasil e no
Maranhão, é vigente, contraditório como o sistema passado, há aqueles que são
adeptos como os que rejeitam, não resta duvida de que como político desenvolveu
e vem desenvolvendo relevantes trabalhos à frente do governo, entre eles:
desenvolveu um plano urbanístico em São Luis, criou uma rede de Ginásios
Bandeirantes, Faculdades que mais tarde formariam a UEMA, introduziu o
sistema de TV no ensino, etc. Sarney não terminou seu mandato. Em 1970
renunciou-se ao cargo para candidatar-se ao Senado, em seu lugar assumiu o
médico Antônio Jorge Dino. A partir daí implantou-se uma nova política, em que a
centralização do poder abalaria o andamento de obras, pois o Estado ficou a
mercê de empréstimos, aumentando cada vez mais a dívida pública do Estado.
Sem autonomia financeira e administrativa o Maranhão passou a ter governos
indicados pelo Presidente da República, entre eles, Pedro Neiva de Santana. Foi
um período difícil pois a inflação galopante, fazia parte do dia-a-dia do povo

204
Leonôra Domingues Moraes

maranhense. O Estado entrava em crise, as tentativas de restauração surtiam


pouco efeito.

Sucedem os governos anteriores, cada um impondo sua ideologia,


querendo superar antecessores, não se importavam com a coletividade, o que
estava em jogo era o seu próprio bem estar social, poucos foram os políticos
maranhenses que não acenderam politicamente, ultrapassando barreiras
ideológicas da população, prevalecendo suas vontades para atingir seus objetivos.
O quadro da política partidária sempre segue a mesma linguagem, desde de que o
primeiro governante sentiu o poder, de poder mandar e não de ser, andado. Haja
vista a trajetória de homens públicos mandantes serem da classe média, ou alta,
composta quase sempre de doutores e médicos. Foi nessa linha que assume o
Governo de Estado Oswaldo da Costa Nunes Freire de 1975 a 1979. Enquanto o
Governador construiu estradas de rodagem, matadouro modelo, o parque
industrial de laticínios, afastou rodovias, deu sua parcela de contribuição ao
realizar obras necessárias no Estado. A sucessão governamental continuou e
desta vez assumiu João Castelo Ribeiro Gonçalves, político da antiga ARENA, com
novo governo segundo pesquisas, formou-se um complexo de obras pela cidade,
concedeu empregos e ocupação para muitos, mas não resolveu por completo o
índice de desemprego que crescia assustadoramente no Estado. Construiu a
Estrada de Ferro Carajás, Porto do Itaqui, Ponta da Madeira, Alumar, etc.

João pouco tempo esteve como Governador renunciou para candidatar-


se e eleger-se Senador, em seu lugar assume o então Deputado Estadual Ivar
Figueredo Saldanha, novo Governador e com ele fato novo na política nacional
deu-se a abertura democrática, concedendo anistia aos brasileiros presos por
crimes políticos, a eleição direta para Governadores dos Estados, o Presidente da
Republica João Figueiredo que a partir de então estava assegurado a todos os
brasileiros a tão sonhada democracia. O Brasil pode viver seu sonho de liberdade
pelo menos politicamente, principalmente exercitar o seu direito de escolher e
poder eleger por vias diretas os governadores, já que estes até então eram
indicados, acabava-se a fase dos governadores. Delegados, terminava os vinte
anos de governo revolucionários, um novo período na vida política na Maranhão se
iniciava. E com este esperam os maranhenses poder usufruir dos frutos da
democracia, não só com exercício do voto, mas com ações e palavras, poder
exercer sua cidadania. Ivar Saldanha à frente do Governo do Maranhão com
apenas dez meses de mandato, quis propiciar ao povo maranhense um período de
tranqüilidade para isso trabalhou como qualquer cidadão que tivesse compromisso
com o poder publico. Na sua gestão viabilizou a instalação Tecnológico-Cientifico
de Alcântara, inaugurou o Solar da Amizade na Praia Grande hoje Projeto

205
O cenário político Maranhense no século XX

Reviver, construiu o Mercado do Produtor em vários municípios do interior do


Estado, Hortosupermercado no Maiobão, corsário beneficiando toda a região do
Munim, concluiu hospitais na Capital e no Interior, ampliou a de bancária,
preocupou-se com o funcionário publico principalmente os professores. “O
Governo vai contribuir para a definição das aspirações e potencialidades do
Estado, sem o que, em termos racionais, não será possível o desenvolvimento de
nossa terra”. Ivar Saldanha: O Governo da Simplicidade pg 43. Ao deixar o
Governo Ivar Saldanha passa a faixa em 1983 para Luiz Alves Coelho Rocha
integrante do PDS, eleito pelo voto direto, encontrou um Estado autônomo, deu
atenção a diversos setores entre eles: Saúde, Educação, etc...

Em 1985 é marcante a presença do Sarneismo, na política não só do


Maranhão mas no Brasil, pois a frente do partido PMDB sai candidato a Vice-
Presidência da Republica junto com Tancredo Neves, que vem a falecer a 21 de
abril de 1985. Assume portanto, José Sarney a Presidente da República
prolongando-se na política como liderança nacional. O Maranhão teria muito a
ganhar se não houvesse uma radical centralização de poderes, impedindo o
desenvolvimento integral do mesmo. Já não se concebe pacificamente a
permanência de pessoas não tão comprometidas com os problemas de um lugar
por tanto tempo. A oligarquia Sarney por circunstâncias diversas fortifica-se
cada vez mais, pois no governo brasileiro e maranhense de 1971 nos dias de hoje,
começou com o pai e continua com os filhos. Seria bom para todos se, o que
pregam ideologicamente fosse colocados em prática, o nosso Estado estaria no
mais alto patamar de desenvolvimento, não teria crises como: desemprego, baixos
salários, caos na saúde, na educação, não nos faltava saneamento básico, moradia
e nem alimentação para o povo brasileiro, não se admite uma oligarquia perpétua
sem perspectivas de tempos melhores em uma sociedade com tantos homens
públicos em ascensão no nosso Estado. O mandato do go Governador Luís Rocha
terminou em 1987, embora tenha tido oportunidade párea fazer um bom trabalho
administrativo, deparou-se com alguns problemas os quais não soube contornar.
Em seu governo a incompatibilidade de ideologias se chocavam, pois em
determinados assuntos não tinha diplomacia para trata-los. Entre o governo e os
professores em especial jamais houve acordos ambos viviam em pé-de-guerra, já
que não havia lema poli´tico condizente com a categoria, que infelizmente pouca
atenção vem recebendo por parte dos governos com o Governador Luís Rocha pior
ainda. Além desse problema existiam outros que ficaram sem solução,
perpassando para o próximo Governador Epitácio Cafeteira que seria eleito em
1987 para governar os próximos 4 anos. “Sempre se ouvirão vozes em
discordância expressando oposições sem alternativas, descobrindo o errado e

206
Leonôra Domingues Moraes

nunca o certo, encontrando escuridão em toda parte e procurando exercer


influências sem aceitar responsabilidades”. J.F. Kennedy.

Epitácio Cafeteira e o governo de fé, novo slogan na administração do


Estado, é grande a expectativa do povo maranhense, homem simples de boa
aparência, boas lábias, conquista a todos, administra com êxito, tem um bom
desempenho enquanto Governador, procura satisfazer a gregos e troianos, na
cidade e nos interiores é visível a marca de sua administração, são canteiros de
obras por toda parte, constrói escolas, inaugura pontes inclusive a ponte do Rio
Itapecuru em Rosário que o liga a região do Munim. Esta teve início na
administração de Ex-Governador Ivar Saldanha, entre outros trabalhos.

Os servidores públicos estaduais tratamento vip, pois a cada dois


meses tinham reajustes salariais, não resta dúvida de que este foi o governo que
mais aumento concedeu ao funcionalismo, propiciando a todos ou a quase todos
período estável, poucas reclamações, todos os setores tinham o tratamento que
mereciam, enfim foi um governo que visando uma ascensão política fez conforme
lhe davam condições. Cafeteira governo de Fé, governo do povo, governo que fez,
por seus mistérios? Não, simplesmente teve o apoio de José Sarney, Presidente
da República, continuava o Sarneismo na política do Maranhão, plantando para
colher, pois já eram notáveis pretensões políticas por parte de seus filhos, à
frente do Governo do Maranhão.

Mil novecentos e noventa uma década para o ano 2000, o povo


maranhense volta às urnas, desta vez elege-se como Governador João Alberto de
Sousa dando continuidade ao Sarneismo, pois estes com pretensões políticas
desde a Revolução de 64, aliou-se a José Sarney Governador do Maranhão na
época. Ocupou o cargo de chefe do Departamento das Receita da Fazenda, com
propósitos de combater a corrupção instalada na mesma segundo o Governador
Sarney. À frente desta secretaria, determinado em suas decisões se fez
respeitado, combateu a corrupção, reorganizou as finanças do Estado, em fim fez
um trabalho do qual foi chamado de Carcará (bicho ruim).

Pelo bom trabalho que prestou ao Estado enquanto Secretário, nas


eleições de 1990 foi eleito Governador, apoiado pelo José Sarney.

Na sua administração João Alberto, manteve a mesma postura e com


mais rigidez. Conservados, controlava tudo e a todos, pouco fez pelo Estado, as
finanças estavam abaladas pela inflação, a moeda sofria transição de cruzado
para cruzeiro, contas eram bloqueadas poupanças ou contas correntes, atingindo
pessoas de todas as classes sociais. Eram medidas adotadas pelo Presidente

207
O cenário político Maranhense no século XX

eleito Fernando Collor de Melo era tentativa de baixar em apenas um ano a


inflação que até então era altíssima. Os reflexos destas decisões vinham de
encontro com o discurso do Governador que com a tese de Moralização da
Máquina Administrativa, pressionava cada vez mais o funcionalismo com seu
autoritarismo em pleno regime democrático. Indo para o Senado assumi em seu
lugar Edson Lobão. Do ponto de vista político tanto o Presidente quanto ao
Governador enfrentavam dificuldade. Em vez de retornar o crescimento,
instalava-se recessão, desemprego, instabilidade do funcionalismo, a imprensa e a
opinião pública em geral já começava a exigir mudanças, a situação política fica
insustentável. Em 1992 o Congresso cria CPI, instala-se o IMPEACHMENT, nas
ruas do País as caras pintadas realizam grandes manifestações políticas, pedindo
ao Congresso Nacional o afastamento do Presidente Collor de Melo, fato
consumado em setembro de do mesmo ano. O Maranhão não fica às margens dos
acontecimentos, pois as manifestações ocorreram em todas as grandes cidades
brasileiras na mesma época. Com isso impedia o Governador a realizar com êxito
seu plano de governo, ficando restrito a ampliações de escolas, estradas etc.

Figura 17.1 – “Caras pintadas”

Segue a sucessão Governamental e Presidencial novas expectativas,


para o povo brasileiro e principalmente maranhense que busca soluções para os
problemas que agravam-se cada vez mais, fazendo o Maranhão estagnar em todos
os setores, já não se fala em investimento e nem em aumentos salariais, busca-se
um salvador e não da Pátria, mas que conduza o Estado ao cúmulo do progresso e
do desenvolvimento.

A crescente presença das mulheres no cenário político, elas não são


melhores ou piores que os homens só querem ocupar os eu espaço na sociedade.
Dentro de uma nova concepção da realidade social, avançando no tempo, nas

208
Leonôra Domingues Moraes

conquistas e no espaço candidata-se ao Governo do Estado em 1995, Roseana


Sarney como mulher torna-s a primeira Governadora brasileira, em um Estado
cuja a sociedade é conservadora.

À frente do Poder Executivo Maranhense está Roseana Sarney apoiada


pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso, este apoiado pela classe
empresarial, forma uma dupla de governantes elitistas, ele governa por decretos
infringindo leis constitucionais, ela respaldasse nas leis do Presidente. Ambos
estão no governo a 6 anos tem em comum a mesma ideologia de “acabar com a
pobreza”, e estão conseguindo, pois, graças ao Plano Real base de sustentação de
ambos no poder, o arrocho salarial, demissões, privatizações entre outros fazem
parte do quadro político administrativo no Brasil e no Maranhão. Roseana no
governo, continuísmo do Sarneismo no Estado. Persiste a oligarquia na nossa
política, antes do vitorinismo suprido pelo Sarneismo.

Figura 17.2 – Roseana Sarney

Lideranças políticas enraizadas no nosso Estado, que precisam ser


superadas. O Maranhão não pode continuar com essa oligarquia, um Estado tão
diversificado politicamente, vamos exercer na prática a democracia,
descentralizar o poder que para que o maranhão supere esse continuísmo político
que já poucas contribuições dão ao Estado.

Enquanto as mudanças não acontecem, percebemos e reconhecemos a


luta insana de algumas mulheres nessas últimas décadas, Luiza Erundina Prefeita
de São Paulo, Bendita da Silva Deputada, Senadora e Vice-Governadora do Rio de
Janeiro. Roseana Sarney Governadora do Maranhão, prestando relevantes
trabalhos, na área educacional e na saúde, principalmente em São Luís, onde
grandes obras marcam seu Governo.

209
O cenário político Maranhense no século XX

É a mulher superando obstáculos, tomando decisões, visando garantir a


igualdade, se firmando no cenário político, dando demonstrações de força,
sabedoria e inteligência.

O quadro político do Maranhão no século XX contou com grandes idéias


e homens que na tentativa de prestar bons serviços, doaram-se para construção
do mesmo. Muitas lutas, divergências, intrigas e mortes na disputa do poder.
Foram épocas difíceis mas de superação, o Maranhão já se deleita e até pode
sorrir com o que disseram e fizeram os políticos nos bastidores do universo
político de nosso Estado.

Quem nos revela é o escritor Benedito Buzar em seu livro Política,


Politiquice, Politicalha, Politicagem e politiqueiros do Maranhão, do qual retirei
alguns trechos para rechear de humor este trabalho. (Buzar, Benedito).

COMEMORAÇÃO LITÚRGICA

O Governador Pedro Neiva de Santana não gostava de comemorar seu


aniversário no Palácio dos Leões. Avesso a esse tipo de festa convidava no
máximo seus auxiliares imediatos para um jantar intimo na casa de Veraneio,
Praia de São Marcos.

No último ano de governo, um prefeito telefonou para seu secretário


particular, Oséas Martins, querendo saber se ia haver alguma festividade no
Palácio em comemoração ao aniversário de Pedro Neiva.

Consultado sobre pó assunto, o Governador mandou este aviso ao


prefeito.

“– Só vai ter hóstia e vinho de missa.


E se quiser participar da solenidade
que trate o quanto antes de se confessar.”

ONÇA COMEDEIRA

Embora tenha disputado a eleição para a Câmara Federal, em 1966,


pela Arena o Deputado Lister Caldas não conseguiu se reeleger, depois de ser
exercido, ali, vários mandatos legislativos. Sem ficar magoado com Sarney, que já
era Governador, achou que não se reelegeu por falta de maior apoio da máquina
do governo à sua candidatura.

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Leonôra Domingues Moraes

Sem mandato parlamentar, Lister foi assistir, na praça João Lisboa, ao


desfile Militar em homenagem ao Dia da Independência, onde estava, com garbo,
o Governador José Sarney. Ao vê-lo naquela posição, Lister comentou com seu
amigo Prefeito de Morros, Tomás Costa:

Ali está a onça que comeu meu gado.

ORELHAS EM BRASAS

Sempre que o Deputado Henrique de La Roque Almeida chegava a São


Luís costumava oferecer, a políticos e jornalistas, deliciosos jantares, durante os
quais havia, além da boa conversa troca de informações sobre o momento político
Nacional e Estadual.

O presidente José Sarney era uma das figuras importantes nesses


jantares. Por motivos alheios à sua vontade, um dia chegou atrasado ao jantar. O
advogado Michel Nazar, Presidente do Senado da Praça João Lisboa, ao
cumprimentá-lo, disse:

- Já falamos bastante no seu nome e do seu Governo. Não deu para


sentir a orelha quente?
Sarney revidou no mesmo instante:
- Eu já nem sinto mais esquentar, pois desde de que assume o Governo
elas vivem em brasa.

TIMIDEZ DISFARÇADA

Numa reunião de João Castelo com a Bancada Federal maranhense, no


Congresso, o Governador reclamou ao Deputado José Machado sobre a timidez
do Prefeito de Codó, José Anselmo, que poucas reivindicações fazia ao Governo.

José Machado, por telefone, transmitiu a José Anselmo o pensamento


do Governador com relação a sua modesta capacidade de reivindicar. Espantado
com a declaração, o Prefeito de Codó lançou um apelo ao Deputado José
Machado:

Já que o Governador falou isso, peça a ele apenas uma coisa: receber-
me no Palácio dos Leões, pois desde que assumiu o Governo luto por uma audiência
mas não consigo falar com ele.

211
O cenário político Maranhense no século XX

VACINADO CONTRA TUDO

Mesmo depois de deixar a política, o ex Senador Vitorino Freire nunca


deixou de vir ao Maranhão para votar.

Sua presença em São Luís, na residência do médico Alfredo Duailibe,


causava muita movimentação, principalmente nos meios jornalísticos, pois a
imprensa o procurava para especular sobre os acontecimentos políticos.

Na última eleição de que participou, ao chegar ao Aeroporto do


Tirirical, foi logo anunciado à imprensa:

Não estou aqui para ter qualquer participação no processo político


maranhense. Vim apenas votar, mas quero afirmar aos meus inimigos que, antes
de sair do Rio de Janeiro, vacinei-me contra gripe, fuxico, ar poluído e praga de
urubu.

VELHICE E TRABALHO

Não se reelegendo para a Câmara Municipal de São Luís, Mundinho


Guterres pediu a palavra para fazer um discurso de despedida. Ao final, dedurou
enfaticamente que duas pessoas saíram envelhecidas do governo, pelo trabalho
que desenvolveram em favor do povo: ele e o Governador José Sarney.

O vereador Fernando Belfort pediu uma parte para fazer uma curiosa
observação:

Sarney envelheceu pelo trabalho que realizou no governo.

Vossa excelência envelheceu pelo trabalho que deu ao governo.

ÁGUAS DE MARÇO

Antes de o presidente João Goulart ser deposto pelos militares, o


Deputado Ivar Saldanha que, com outros parlamentares maranhenses, havia
abandonado o PSD e passado para o PTB, fez um pronunciamento em nome dos
seus colegas de bancada, na TV Difusora, apoiando as reformas de base
prometidas pelo Presidente da República. Alguns dias depois, João Goulart foi
derrubado do governo pelos militares.

Preocupado coma repercussão do pronunciamento nos meios militares e


temendo ver seu nome na relação dos Cassados.

212
Leonôra Domingues Moraes

Ivar Saldanha não hesitou: foi ao estúdio da TV Difusora, pegou a


gravação e rumo em direção a Rosário. Na ponte dos mosquitos pegou a fita e a
arremessou com toda força, para o fundo do canal. Ao chegar em casa,
confidenciou para a mulher, Amália.

Para eu ser cassado, só outra Revolução...

ABUNDÂNCIA

O coronel Eurípedes Bezerra ficou tão eufórico com a indicação do


Deputado João Castelo para Governador do Maranhão que no dia da posse
compareceu à solenidade, no Palácio dos Leões, distribuiu panfletos, onde estava
registrado uma quadrinha de sua autoria:

“Um João na presidência


Outro João na governança
Vamos ter em abundância
Dinheiro, mulher e criança”.
BAIXA E ALTA

Quando o Senador Vitorino Freire abandonou a militância partidária,


em 1970, jamais se imaginaria que ele voltaria a ter influência ou poder de
decisão na política maranhense.

O prefeito de São Luis, Haroldo Tavares, participava de uma reunião


em que se discutiria a sucessão de seu cunhado, o Governador Pedro Neiva de
Santana na qual Vitorino atuava dessassombromente. Dele partiu a explicação
mais arguta sobre o retorno triunfal de Vitorino Freire à política maranhense.

Quando os militares estavam em baixa, Vitorino investiu neles. Agora,


que estão em alta, colhe juros, dividendos e correção monetária.

CERCA VELHA

Na eleição de 1966, o Deputado José Dominice não conseguiu repetir o


êxito do pleito anterior, quando se elegeu, por larga margem de votos, para a
Assembléia Legislativa ao não se reeleger, todas as oposições políticas que
mantinham nos municípios de sua influência – São Vicente de Ferreira São João
Batista – passaram automaticamente para o domínio do tradicional opositor,
Deputado Francisco Figueiredo.

O delegado de polícia de São João Batista, ao se ver demitido, foi se


lamentar com Dominice, que consolou seu correligionário político:

213
O cenário político Maranhense no século XX

- Político é como cerca velha, quando cai derruba todo mundo.

COMUNHÃO DUPLA

Na missa de Ação de Graças pelo cinqüentenário de nascimento do


Senador José Sarney, em Pinheiro, causou surpresa a atitude dos Deputados
Federais João Alberto e Vitor Trovão, que espontaneamente receberão
comunhão.

Não escapou ao Deputado Josélio Carvalho Branco uma observação


sobre o comportamento religioso dos dois parlamentares:

- João Alberto comungou para fazer demagogia e Vitor Trovão porque


estava com fome.

CRISE ETERNA

Como de costume quando chegava a São Luís, o Deputado Vítor Trovão


vai à Sede da Federação das Indústrias do Maranhão para conversar sobre o
resumo dos acontecimentos políticos.

O país vivia uma violenta crise pela decretação do Estado de


Emergência.

Os empresários maranhenses queriam saber qual a citação política e


quais as condições para que a crise terminasse o mais rapidamente possível.

Vitor Trovão, imperturbavelmente, elucidou a questão:

- Não estou preocupado com o que está acontecendo em Brasília. Desde


de que nasci ouço dizer que o país está em crise.

CILADA BRIGADEIRISTA

Na eleição de 1964, para Presidente da República, em pleno processo


de redemocratização do país, eram candidatos o General Eurico Gaspar, pelo
PSD, e o Brigadeiro Eduardo Gomes, pela UND. A campanha eleitoral no
Maranhão estava violenta entre os vitorinistas e oposicionistas.

Em Codó, num grande baile popular, promovido pelos correligionários do


PSD, em que estaria presente o Coronel Sebastião Archer da Silva, os
Brigadeiros armaram uma cilada aos vitorinistas e contrataram um sanfoneiro
para executá-la.

214
Leonôra Domingues Moraes

No momento que os vitorinistas entraram no salão de festas, o


sanfoneiro começou a executar a música “Com Dinheiro ou Sem Dinheiro”, mas
com a seguinte letra:

Com dinheiro ou sem dinheiro


Eu vou votar no Brigadeiro
Eu não sou filha da puta
Para votar no Gaspar Dutra.

O baile terminou em pancadaria entre os adeptos de Dutra e do


Brigadeiro.

MUY AMIGO

Ao demitir o engenheiro Mauro Fecury da Prefeitura de São Luis, o


Governador João Castelo convidou imediatamente o economista Roberto Macieira
para ocupar o cargo.

Depois de mostrar as dificuldades financeiras pelas quais estavam


atravessando a Prefeitura da Capital, o governador arrematou:

- Roberto, estou acreditando na sua capacidade e sou seu amigo.


Roberto agradeceu o convite de forma muito sincera:
- Muy amigo, muy amigo.

MURO DAS LAMENTAÇÕES

Logo que vi a superfície dos desentendimentos entre João Castelo e o


Deputado Edson Vidigal, este foi ao gabinete do Senador José Sarney, para se
queixar do Governador maranhense.

Nem bem Vidigal começou a derramar as suas mágoas e ressentimento,


lamentando o tratamento que estava recebendo de Castelo, Sarney cortou a
conversa em tom partenalista:

- Vidigal, pode falar a vontade, pois no governo de Castelo sou apenas o


Muro das Lamentações.

A partir destes pronunciamentos e depoimentos compreende-se fatos


e episódios que aconteceram no Maranhão que retratam o comportamento, a

215
O cenário político Maranhense no século XX

astúcia, a perspicácia, o maquiavelismo dos homens ou de alguns homens que


comandaram ou ainda comandam a nossa política.

O maranhão com um quadro muito vasto de políticos cada um com sua


ideologia, militando em partidos opostos, não poderei ser diferente. O
importante é que contribuíram à sua maneira com o governo maranhense.

O trabalho deste até se conheceu e se conhece, frutos bons e ruins


foram colhidos, espera-se a partir deste poder o Maranhão contar com grandes
políticos para poder em breve exaltá-lo.

BIBLIOGRAFIA PESQUISADA

BUZAR, Benedito. A greve de 1951: Lithograf, São Luis 1983.

BUZAR, Benedito. O Vitorinismo: Lutas Políticas no Maranhão. São Luis:

Lithograf, 1998.

BUZAR, Benedito. Política, politiquice, politicalha, politicagem e politiqueiros

do Maranhão. SIOGE: São Luis 1989.

COSTA, Alexandre. Problemas políticos do Maranhão: Discursos. Brasília 1974.

COUTINHO, Nilson. Sarney apontamentos para a vida e obra do chefe

liberal. 1975.

NETTO, Eloy Coelho. Geo História do Maranhão. SIOGE: São Luis 1985.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

CASTELO, João. Um governo de coragem e otimismo. São Luis: SIOGE, 1982.

PILLETI, Nelson e Cláudio. Brasil da independência aos dias de hoje. São

Paulo: Ática, 1996.

SALDANHA, Ivar Figueiredo: O governo da simplicidade. São Luis: SIOGE.

SANTOS, Joel Rufino dos. História do Brasil. 2o G. São Paulo: FTD.

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