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EVOLUÇÃO DAS PATENTES NOS PAÍSES MEMBROS DO MERCOSUL:

ANÁLISE COMPARATIVA

Resumo

Em mundo globalizado, inovação tecnológica e mercado internacional são determinantes para


economias competitivas. Os países com o intuito de se fortalecer econômica e politicamente
unem-se para alcançar mercados, verticalizar a sua participação e influência comercial no
mundo. A criação de blocos econômicos e de grupos políticos estreita as relações econômicas,
financeiras e comerciais entre os países. Foram realizadas inúmeras reflexões acerca da
constituição do Mercosul e de sua efetividade como bloco econômico, notavelmente com foco
nas relações comerciais e aduaneiras, onde dos estudos realizados se inferiu haver poucos
avanços por conta de dificuldades, conflitos e limitações presentes nas negociações e nos
acordos firmados entre os países integrantes do agrupamento. Dentro deste contexto, o estudo
exploratório compara os pedidos de patentes dos países membros do Mercosul e os EUA,
como parâmetro de economia avançada, ligando-os com indicadores associados ao
crescimento econômico, essencialmente o PIB. Trata-se de identificar possíveis associações
entre indicadores de patentes e desenvolvimento econômico nos países do bloco e contribuir
com informações que permitam a adoção de políticas públicas, especialmente no Brasil.
Dados foram levantados do INPI/Brasil, USPTO/EUA OMPI e Banco Mundial. Os resultados
mostram aumento contínuo e constante dos gastos com ciência, tecnologia e inovação (CT&I)
no Brasil, comparativamente com outros países do bloco, sendo ainda o Paraguai o país com
necessidade de mudanças mais radicais no seu esforço de patenteamento. Quanto aos pedidos
de patentes depositados nos EUA pelos países membros do Mercosul, o estudo mostrou que a
Brasil, e em menor proporção a Argentina, cresceram muito mais que os outros países do
agrupamento, ficando Paraguai sem quaisquer mudanças relevantes. Conclui-se que o
desenvolvimento econômico do Brasil no cenário mundial dependerá da capacidade de
inovação das empresas que virá através de incentivos à CT&I e com o fortalecimento na
formação de recursos humanos de alto nível.

Palavras-chave: Patentes, Mercosul, Análise Comparativa.


1. Introdução

Após várias tentativas de associações entre países da América do Sul com intuito
maior de fortalecimento e crescimento de suas economias, finalmente em 1991 foi criado o
Mercosul – Mercado Comum do Sul. Brasil e Argentina, e logo após, Paraguai e Uruguai se
aliaram. Somente em 2012, a Venezuela foi incorporada ao grupo.
Conforme Guimarães (2012, p.13), “em 1991, era hegemônico o pensamento
neoliberal, em um cenário econômico de grande otimismo. Era a Nova Ordem Mundial,
anunciada pelo presidente G. H. Bush, a era da globalização, do fim das fronteiras, do fim da
História, do progresso ilimitado para todos os Estados e para todos os indivíduos. Era o
mundo unipolar, pacífico e próspero”.
Após reflexões e pesquisas acerca do tema, sabe-se que as principais características
para o desenvolvimento econômico de um país passam pelo pioneirismo, o ineditismo, a
inovação, e as devidas proteções e comercialização. Os Estados Unidos da América (EUA),
maior potência econômica, investem valor significativo em ciência, tecnologia e inovação,
gerando assim fortalecimento e crescimento. Ao Mercosul cujos participantes estão em busca
deste perfil de desenvolvimento resta conferir os padrões verificados nos países
desenvolvidos, e neles próprios, e adaptá-los à sua realidade.
A propriedade intelectual, e mais propriamente a industrial, é o último estágio antes da
aplicação e da comercialização dos produtos ou processos gerados. Neste momento há a
consolidação do processo que começa com a educação em todos os seus níveis, incluindo a
ampliação do conhecimento, daí surgem ideias e pensamentos publicados, que originam as
ações e aplicações do conhecimento mais rebuscado e inovador que por fim permite o
aumento da renda, cria oportunidades e proporciona o bem-estar. Mas, antes, para assegurar a
propriedade, há que se registrar a patente. Mesmo considerando haver diversos indicadores de
inovação tecnológica, optou-se por analisar somente depósitos e concessões de patentes, pois
neste momento se configura o registro e a proteção da inovação e, portanto, tem-se o resultado
final, enquanto os demais são processos anteriores cuja finalidade é o de gerar inovação. Em
outros termos, ao se referir em patentes, o produto ou o processo inovador já foi criado,
cabendo aguardar o depósito e a concessão.
Dentro do contexto da perspectiva do bloco de tornar seus países integrantes
desenvolvidos economicamente, o presente estudo analisa a evolução de indicadores de
patentes dos países integrantes do Mercosul comparando-os com dados econômicos
associados, e de forma sintética, confrontando os números com os apurados nos EUA para
fins de parâmetro como país de economia avançada. Com o estudo, identificam-se a posição e
a evolução dos países do Mercosul em termos de patenteamento, no cenário mundial, além de
verificar as diferenças e semelhanças entre os participantes do bloco. As comparações com os
Estados visam a análise dos avanços, dos gargalos e das perspectivas, sobretudo em relação
ao Brasil.
Neste estudo foram coletados dados de depósitos e concessões de patentes, do Produto
Interno Bruto (PIB) por país e de % do PIB de gastos com pesquisa e desenvolvimento em
cada país. De forma geral, os dados foram provenientes dos sítios do INPI – Instituto
Nacional de Propriedade Industrial do Brasil, do USPTO – United States Patent and Trade
Office e do International Bank for Reconstruction and Development (BIRD/Banco Mundial,
2014a, 2014b, 2014c). Foram consultados também artigos, dissertações de mestrado e teses de
doutorado, livros, legislações, e outros sites para melhor refletir em relação aos dados
coletados. Analisaram-se os dados extraídos atentando para o posicionamento do Brasil diante
os outros países formadores do bloco Mercosul, e destes em relação aos EUA.

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2. Conceitos de Propriedade Intelectual, Propriedade Industrial e Patente

A Convenção da OMPI - Organização Mundial da Propriedade Intelectual (WIPO,


2014) define como Propriedade Intelectual, a soma dos direitos relativos às obras literárias,
artísticas e científicas, às interpretações dos artistas intérpretes e às execuções de
radiodifusão, às invenções em todos os domínios da atividade humana, às descobertas
científicas, aos desenhos e modelos industriais, às marcas industriais, comerciais e de serviço,
bem como às firmas comerciais e denominações comerciais, à proteção contra a concorrência
desleal e de todos os outros direitos inerentes à atividade intelectual nos domínios industrial,
científico, literário e artístico. Segundo Tachinardi (1993, p. 74 apud ROSENBERG et al.
2013, p. 121), os direitos de propriedade intelectual são justificados no conceito de justiça,
onde se fundamente que o inventor e inovador possuem o direito de propriedade sobre suas
ideias que não podem ser apropriadas por outros. Os autores têm o direito pelo Estado de
receber uma recompensa por seus serviços prestados à sociedade. Este reconhece esses
direitos e aceita a obrigação de compensar os autores por suas obras concedendo o privilégio
exclusivo para produzir, usar ou vender bens e serviços. Este direito de propriedade difere dos
demais porque o seu objeto assume uma forma intangível, pois se trata de uma criação do
intelecto humano em suas formas artísticas, intelectual ou cientifica, que se expressa em
coisas materiais.
Conforme o INPI (2014), em seu sítio oficial, as patentes, que constituem um dos
indicadores de inovação, são títulos de propriedade temporária sobre uma invenção ou modelo
de utilidade, outorgado pelo Estado aos inventores ou autores ou outras pessoas físicas ou
jurídicas detentoras de direitos sobre a criação. Define patente de invenção como produtos ou
processos que atendam aos requisitos de atividade inventiva, novidade e aplicação industrial.
E modelo de utilidade é o objeto de uso prático, ou parte deste, suscetível de aplicação
industrial, que apresente nova forma ou disposição, envolvendo ato inventivo, que resulte em
melhoria funcional no seu uso ou em sua fabricação.
Para a Ordem dos Advogados do Brasil-Rio de Janeiro (OAB-RJ, 2006), define-se
patente como o título legal que documenta e legitima o direito de propriedade do autor de uma
invenção protegida. E afirma que este documento, expedido pelo Instituto Nacional da
Propriedade Industrial (INPI), garante ao inventor a propriedade de sua invenção e todos os
direitos dela decorrentes. Também destaca que a patente confere proteção a uma criação
tecnológica que atenda aos requisitos de novidade, atividade inventiva e aplicação industrial.
Conforme a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (WIPO, 2014), o Instrumento de
Proteção de soluções técnicas em questão subdivide-se entre: patentes, modelos de utilidades
e desenhos (topografias) de circuitos integrados. O sistema de Proteção da Propriedade
Industrial brasileiro confere a carta-patente em duas modalidades: (1) patente de invenção,
concedida àquela invenção que atenda aos requisitos de novidade, atividade inventiva e
aplicação industrial; e (2) patente de modelo de utilidade, concedida aos objetos que visem
melhorar o uso ou utilidade dos produtos, dotando-os de maior eficiência ou comodidade na
sua utilização, por meio de nova configuração, não necessitando que se obtenha uma nova
concepção (SILVEIRA, 1998). Dentre as vantagens oferecidas pelas patentes pode-se citar,
além dos incentivos ao desenvolvimento tecnológico, o encorajamento à pesquisa científica, à
disseminação do conhecimento prático e econômico, à criação de novos mercados e à
satisfação das necessidades latentes dos consumidores. Como ponto negativo, o uso do direito
de patente significa, para estes últimos, preços mais elevados do que seria concebido sob um
regime de concorrência perfeita (FERREIRA et al., 2009, p. 212).
Tendo o instituto da patente o objetivo de prover os inventores do direito de
propriedade industrial sobre suas invenções e correspondendo ele à “outorga de direito
exclusivo para uso de um processo específico ou para produção de um produto específico,

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durante um determinado período de tempo” (GWARTNEY et al., 1995, apud FERREIRA et
al, 2009, p. 212), o assim chamado “Monopólio de Patente representa um benefício
estratégico que as empresas inovadoras devem gerir e transformar em efetiva vantagem
competitiva” (FERREIRA et al., 2009, p. 212). Segundo Barbosa (2010, p. 549-551), o valor
da patente é a capacidade de aumento, aquisição de mercado ou manutenção no mercado dado
por aquele ativo da propriedade intelectual. E é neste contexto que se vai falar do valor de
uma patente. A patente não tem o valor neste contexto em que estamos. É o valor da sua
solução técnica. Ela não tem o valor do seu conhecimento em face do conhecimento
preexistente. Não é a comparação entre a atividade inventiva em si que determina o valor da
patente, a não ser indiretamente, mas, sim, a capacidade primária de adquirir um mercado
para o usuário da patente, de manter-se no mercado em face de uma competição aguerrida ou
evitar com que se perca o mercado [...] o valor da patente, entre outros métodos de conseguir
a vantagem competitiva, é incentivo à dinâmica, à velocidade e à diversidade da pesquisa.
Conforme Lima (2006, p. 6), o impulso fundamental que inicia e mantém o
funcionamento da estrutura capitalista decorre das inovações, em concomitância ao avanço
cientifico e tecnológico, elementos do bojo do que se entende, hoje por capital intelectual e,
notadamente, protegido pelos direitos de Propriedade Intelectual, sobretudo através das
patentes. Na teoria do desenvolvimento econômico, muitos economistas vêm estudando o
liame entre propriedade intelectual e desenvolvimento econômico, notavelmente Schumpeter
cujos estudos realizados em 1911 destacaram a importância da tecnologia e do conhecimento
para o desenvolvimento. O mesmo melhor conseguiu explicar a lógica da dinâmica capitalista
ao decretar que inovação é a principal força propulsora do desenvolvimento econômico e
industrial. Numa visão schumpeteriana, desenvolvimento pode ser entendido como mudanças
na vida econômica que não lhe são impostas de fora, mas que surgem de dentro, por sua
própria iniciativa. O desenvolvimento, no sentido em que é frequentemente tomado é um
fenômeno distinto, inteiramente estranho ao que pode ser observado no fluxo circular ou na
tendência para o equilíbrio, que altera e desloca para sempre o estado de equilíbrio
previamente existente, (SCHUMPETER, 1997, p. 75).
O sistema de patentes e a propriedade intelectual, como um todo, exercem papel
importante na composição de ações que visem ao desenvolvimento socioeconômico de uma
região, inclusive porque, ao possibilitar a divulgação de novas invenções em publicações
oficiais, permite o acompanhamento atualizado do desenvolvimento industrial e científico,
(FURTADO, 1996, p. 41). “Logo, a proteção para as atividades criativas na área industrial
assumiu papel de suma importância para o desenvolvimento dos processos econômicos,
sobretudo com o fenômeno da globalização. Ou seja, a globalização vem dar um novo
impulso à questão da propriedade industrial, sobretudo por ter acentuado o fenômeno da
concorrência industrial, pois, com a abertura das economias nacionais, novos mercados de
consumo se abrem para a atuação desses conglomerados empresariais” (BOTELHO, 2002).

3. Metodologia do estudo

Essa pesquisa é interdisciplinar (VASCONCELOS, 2002) e de caráter exploratório,


uma vez que visa familiarizar-se com o fenômeno em estudo (a partir dos indicadores de
patentes) e obter compreensão sobre. O caráter exploratório é relevante (VERGARA, 2000),
pois embora estudos em política e gestão estratégica de ciência, tecnologia e inovação (CT&I)
sejam numerosos, entretanto, há ainda no Brasil poucas pesquisas que abordem o tema
aplicado ao Mercosul, notavelmente no que diz respeito mais especificamente à política e
gestão de patentes. É também descritiva, pela caracterização dos públicos-alvo do
desenvolvimento de patentes, relações entre seus indicadores, já que tem o propósito de
observar fenômenos procurando descrevê-los, classificá-los e interpretá-los (GIL, 1999, p. 44).

4
É igualmente aplicada, pela necessidade de oferecer dados para que órgãos oficiais possam
elaborar políticas públicas para CT&I no Brasil tomando em comparação os demais países do
Mercosul.
Segundo a classificação de Richardson (1999), o método de pesquisa utilizado neste
estudo foi abordagem essencialmente qualitativa, tanto na coleta de dados (quantitativos ou
mesmo qualitativos) como no tratamento da informação. O meio de investigação envolveu: (i)
pesquisa bibliográfica; (ii) busca documental de órgãos oficiais do Brasil e exterior
(INPI/Brasil, OMPI, USPTO/EUA e Banco Mundial) a partir de seus sítios na internet.
Inicialmente, foram identificados os principais indicadores de patentes
disponibilizados por órgãos governamentais, colocando em evidência diferentes categorias de
indicadores, dados econômicos e pedidos de patentes. Posteriormente, comparações e análises
foram efetuadas entre os países membros do Mersocul, Mercosul versus EUA, notavelmente
examinando evoluções, em períodos recentes, de 1990 a 2013 em relação ao crescimento
econômico representado pelo PIB versus o indicador de patentes depositadas de cada País.
No processo de levantamento de dados relevantes, o estudo considerou seguinte
classificação: (1) fontes de dados secundários; e (ii) fontes de dados terciários (COOPER e
SCHINDLER, 2003, p. 223). Quando adequadamente tratados, esses dados constituem uma
importante fonte de informação, dados esse que podem apresentar características diferentes
em sua apresentação relacionadas à sua consolidação, agregação, sumarização e normalização.
No que se refere ao método de análise e de interpretação dos dados, foram efetuadas
análises quantitativas simples e análises qualitativas pertinentes. De fato, na análise
exploratória e interpretação dos dados, algumas técnicas foram usadas (COOPER e
SCHINDLER, 2003, p. 367): estatística descritiva usando gráficos, tabulações, indicadores,
índices, taxas e médias.
Não se procurou neste estudo efetuar um ensaio teórico, distante da realidade e da
praticidade, e sim uma análise que possa ser aplicável, daí a preocupação de ressaltar as
realidades e potencialidades de cinco países membros do Mercosul no campo do
desenvolvimento de patentes, em que as diversas facetas do tema possam ser exploradas.

4. Mercosul – História, PIB e Perspectivas

4.1. História

A ideia de constituição de um mercado econômico regional para a América Latina


vem desde o tratado que criou a Associação Latino-Americana de Livre Comércio (ALALC),
nos anos 60. Já na década de 80, a Associação Latino-Americana de Integração (ALADI)
sucedeu a anterior. Em contraste ao tratado originário, conforme Amorim e Pimentel (1991, p.
8 OLIVEIRA 2003, p. 59), a ALADI adotou “como meta o estabelecimento gradual e
progressivo de um mercado comum latino-americano, não mais a partir da criação de uma
zona de livre comércio[...], mas por meio do estimulo e arranjos bilaterais que não se
estenderiam automaticamente aos demais países membros”. Em 1985, a Argentina e o Brasil
assinaram a Declaração do Iguaçu que estabelecia uma comissão bilateral e daí seguiram-se
diversos acordos comerciais, dentre eles, o Tratado de Integração, Cooperação e
Desenvolvimento, assinado em 1988, que trouxe a meta de um mercado comum, ao qual
outros países latino-americanos poderiam aderir. Conforme Oliveira (2003, p. 62):

“Em suma, todas essas iniciativas supunham a formulação de


uma alternativa de desenvolvimento conjunto, por meio de um
amplo programa de integração econômica entre os dois países
na perspectiva do fortalecimento das economias nacionais, por
meio da ampliação do mercado interno e da possível associação
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entre empresas dos dois países, elevando assim suas
capacidades de produzir em escalas maiores, o que num
segundo momento facilitaria a abertura comercial ao mundo
externo e para a competitividade global, preservando ainda uma
certa fronteira regional em relação ao espaço econômico
mundial”.

Então, surgiu o Mercosul – Mercado Comum do Sul – que é uma união aduaneira
(política comercial e livre comércio comuns) composta por Argentina, Brasil, Paraguai e
Uruguai, a partir do Tratado de Assunção, em 1991. Em 31 de julho de 2012, houve a adesão
da Venezuela como membro do bloco. Segundo Guimarães (2012, p. 13-14):

“Em 1991, a situação política internacional estava marcada pela


desintegração da União Soviética, pelo fim dos regimes
socialistas da Europa Oriental, pelo desprestígio do socialismo
como sistema político e econômico, pela expansão (voluntária
ou “estimulada”) de regimes democráticos, pelo fim aparente
dos conflitos regionais, pela “ressurreição” das Nações Unidas
e, finalmente, pela hegemonia dos Estados Unidos. Apesar das
naturais diferenças entre as situações em que se encontravam
Estados e sociedades naquele momento e do grau de
radicalismo com que foram implementadas, essas políticas
todas tinham como principal objetivo reduzir o Estado a seu
mínimo, através de programas de privatização, de
desregulamentação e de abertura externa para bens e capitais,
muitas vezes adotados de forma unilateral, sem negociação,
como “contribuição voluntária” ao progresso de globalização”.

O agrupamento visava movimentar a economia e força de trabalho regional. No início,


buscou-se uma zona de livre comércio (sem tributação ou restrição à importação),
transformando-se mais tarde, especificamente em 1995, em uma união aduaneira (com tarifa
externa comum). Conforme Vaz (2002, p. 9-10), “diferenças de estruturas produtivas e de
competitividade industrial entre o Brasil e a Argentina afetaram, sobretudo o comércio”. O
autor explica que “o dilema que se estabeleceu durante a fase de transição colocou face a face
um Brasil disposto a preservar e fortalecer setores produtivos e uma Argentina disposta a
abrir, sem limites, sua economia no contexto do neoliberalismo”. Segue afirmando que:

“embora concessões tenham sido feitas por ambas as partes[...]


essa discrepância quanto ao modo de conduzir o comércio intra
e extrabloco[...] não foi administrada a contento numa
perspectiva de longo prazo [...] abriu espaço para exceções
setoriais, casuísmos e outras medidas tendentes a minar a
solidez do processo como um todo”.

Para Neiva (1995, apud Furtado, 2011, p. 373) a “não decisão” de inclusão da temática
fronteiriça na agenda política, como meio de evitar que as pressões por mudanças na ordem
estabelecida entrem na arena política, é questão que vem sendo superada. Para dificultar o
processo de integração, crises conjunturais ocorreram no Brasil em 1999 e na Argentina em
2001. Outrossim, em virtude das regulares desavenças entre os Estados partes não dirimidas
pelas inovações trazidas pelo mecanismo de solução de controvérsia imposto pelo Protocolo
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de Brasília em 1991, o Tribunal Permanente de Revisão do Mercosul (Protocolo de Olivos -
2002) seria instituído com o objetivo de promover a segurança jurídica intra-bloco (AGUIAR
2014, p. 29). Em 1996, Bolívia e Chile obtiveram o status de associados. Peru, Colômbia e
Equador, entre 2003 e 2004, também adquiriram o referido status. Nenhum deles são
membros permanentes do grupo e, portanto não foram considerados para este trabalho.
Proposto pela Venezuela, o Banco do Sul foi criado em 2005 com a finalidade de emprestar
dinheiro às nações da América Latina para o desenvolvimento de programas sociais e de
infraestrutura, sendo assim um fundo monetário e de empréstimos.
“Em 2012, a economia mundial se caracteriza pelo aumento da distância entre países
desenvolvidos e subdesenvolvidos, pela expansão da globalização e das mega empresas
multinacionais e, de outro lado, passa pela sua mais profunda crise desde 1929, a qual se
originou em uma tendência à superprodução, à extensão excessiva do crédito e, finalmente,
em um enorme movimento especulativo, desencadeado por bancos, fundos de investimento,
auditoras e corretoras, permitido pela globalização e pela profunda desregulamentação
nacional e internacional dos sistemas financeiros. A crise eclodiu nos Estados Unidos e se
espraiou pelos sistemas financeiros dos demais países desenvolvidos, enquanto se atribuiu aos
países emergentes, de forma indistinta, a capacidade de manter algum crescimento positivo da
economia mundial. Enquanto os países ocidentais desenvolvidos se encontram mergulhados
em suas crises, que já afetam a unidade européia, a China surge como a segunda maior
potência econômica do mundo”. (GUIMARÃES, 2012, p. 14)
“O atual momento de crise capitalista, no entanto, traz novos desafios aos países do
Cone Sul. Vinte anos de integração comercial não contribuíram significativamente para a
diminuição das assimetrias, seja no plano interno de cada país, seja no próprio Bloco
econômico. Recentemente, com a criação do cargo de Alto Representante Geral do Mercosul,
tentou-se uma alteração de foco nos rumos do Bloco visando uma integração socialmente
orientada e preocupada com o efetivo desenvolvimento econômico, para transformar o
Mercosul, de simples união aduaneira e área de livre comércio imperfeitas, em um modelo de
desenvolvimento regional equilibrado e harmonioso, passando pela eliminação das
assimetrias”. (PRONER e RAMINA, 2012)

4.2. Comparação do Produto Interno Bruto dos Países - PIB

Os Gráficos 1 e 2 nos permitem observar o crescimento do PIB do Mercosul em


relação aos Estados Unidos. No ano de 1990, um ano antes da proposição do agrupamento, o
Mercosul representava 11,1% do PIB norte-americano. Já em 2013, percebe-se uma pequena
melhora, sendo o Mercosul responsáveis por PIB correspondente a 20,1% do produto interno
bruto americano.

Gráfico 1: PIB – Mercosul versus EUA no ano de 1990 (incluindo a Venezuela)


10%

EUA
Mercosul

90%
Fonte: Adaptado de Banco Mundial (BIRD, 2015a).

7
Gráfico 2: PIB – Mercosul versus EUA no ano de 2013 (incluindo a Venezuela)
17%

EUA
Mercosul

83%

Fonte: Adaptado de Banco Mundial (BIRD, 2015a).

O Gráfico 3, mostra a participação do Brasil e da Argentina no PIB do Mercosul, em


comparação com os outros países integrantes no conjunto.

Gráfico 3: PIB – Brasil versus Argentina e Outros Integrantes do Mercosul entre 1990 e
2013 (incluindo a Venezuela)
2,500,000,000,000.00

2,000,000,000,000.00

1,500,000,000,000.00
Brasil
Argentina
1,000,000,000,000.00
Outros

500,000,000,000.00

-
1990 1994 1998 2002 2006 2010 2013
Fonte: Adaptado do Banco Mundial (BIRD, 2015b).

A partir do Gráfico 3, nota-se grande disparidade entre Brasil e Argentina em relação


aos outros países do agrupamento. Brasil tem mais de 66% do PIB do Mercosul em 2013 (era
de 69% a sua participação em 1990). Já a Argentina tem cerca de 18% e o restante juntos
ficam com apenas 15%.
O Gráfico 4 expõe a evolução do PIB per capita do Mercosul e dos EUA, entre os
anos de 1990 e 2013.
Percebe-se que a Venezuela, seguido do Uruguai, foram os países que mais
aumentaram em termos percentuais, acumulando 217% e 201%, respectivamente, para o seu
PIB por pessoa. Argentina e Brasil obtiveram 167% e 165%, respectivamente. E o Paraguai
ficou com o menor crescimento, registrando 140%. Entretanto, Estados Unidos ainda tiveram
um avanço percentual inferior, com 81% de expansão. Embora, continue muito acima dos
demais em números absolutos, fica provado que EUA cresce em ritmo menos veloz que todos
os países membros do Mercosul, em termos percentuais.

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Gráfico 4: PIB per capita – Mercosul versus EUA entre 1990 e 2013
60,000.00

50,000.00
EUA
40,000.00
Brasil
30,000.00 Argentina
Uruguai
20,000.00
Paraguai
10,000.00 Venezuela

-
1990 1993 1996 1999 2002 2005 2008 2011 2013
Fonte: Adaptado do Banco Mundial (BIRD, 2015b).

Sendo o PIB per capita, o Produto Interno Bruto dividido pelo número de habitantes
de uma região (no caso, país), aquele tem como função registrar o possível benefício a cada
cidadão considerando a divisão da riqueza do Estado. Ressalva-se que este indicador
desconsidera o nível de desigualdade de renda na sociedade. Ou seja, PIB per capita, muito
menos o PIB “total”, não significam necessariamente que o povo se beneficie da riqueza do
país, podendo haver concentração da renda para uma minoria. Cabem pesquisas específicas
quanto a essa questão.

4.3. Perspectivas para o Mercosul

Segundo Barbosa (2014), “o Mercosul continua paralisado e sem qualquer estratégia.


Politizado pela ação do Brasil, da Argentina e da Venezuela, o bloco está em situação de
quase total isolamento. O processo de adesão da Bolívia está paralisado no Brasil e no
Paraguai. E o novo governo uruguaio fala em reconsiderar a relação com o Mercosul para
possibilitar aos pequenos países negociarem acordos com países de fora da região”.
Seguem, abaixo, exposição principais avanços conseguidos do Mercosul nos últimos
anos:
(1) o principal exportador de produtos para a Argentina eram os Estados Unidos, em
1991, sendo atualmente o Brasil;
(2) conforme verificado no Gráfico 3, cerca de 66% do PIB do Mercosul pertence ao
Brasil, seguidos pelos 18% do PIB da Argentina, em 2013. Isso mais o fato de que o país
apresenta quase a metade da população do bloco, faz com que a economia brasileira apresente
o maior e mais potente mercado consumidor dentre os países do cone sul. Além disso, a
economia brasileira é a que apresenta o maior índice de investimentos, industrialização,
emprego e renda, deflagrando uma problemática existente no bloco econômico: os
desequilíbrios econômicos. Daí, infere-se a necessidade de se dinamizar as economias locais,
incentivando as indústrias nacionais, proporcionando melhorias sociais de distribuição de
renda e investindo em ciência e tecnologia (foco principal da pesquisa);
(3) os países integrantes do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e
Venezuela) terão um modelo único de placas para os veículos. O novo sistema de
identificação foi aprovado em uma reunião entre representantes das nações, em Buenos Aires,

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e passará a ser obrigatório a partir de 2016 para veículos de transporte de mercadorias e de
passageiros e em 2018 para automóveis de passeio.
Averbug (2002, p. 90) havia proposto uma redefinição dos objetivos tendo em vista o
papel do Mercosul como promotor do desenvolvimento da região. Entre as mudanças
sugeridas, destacou os temas de política industrial, de competitividade, de reforma do Estado
e de setor de infra-estrutura.
Um modo de dinamizar as economias é a realização de mais investimentos no
FOCEM (Fundo para Convergência Estrutural do Mercosul), cujo objetivo é fortalecer
estruturalmente os países-membros a fim de proporcionar uma maior e melhor integração
entre eles. No Quadro 1 está resumido os principais desafios e perspectivas para o Mercosul
para os próximos anos.

Quadro 1: Desafios e Perspectivas para o Mercosul


Desafios Perspectiva
Ampliação das relações comerciais A perspectiva da Venezuela poder abrir oportuniddes
entre os países membros estratégicas para o campo energético, haja vista que
esse país é o quinto maior exportador de petróleo.
Liberalização de serviços nos países Estabelecer a liberação para que profissionais liberais
e livre circulação das pessoas possam trabalhar em qualquer um dos demais países-
membros, sendo reconhecida a profissão.
Formação realmente de um Mercado Existe a perspectiva de construir, de fato, um
Comum mercado comum, ou seja, uma total integração e
(Comentário: o Mercosul apesar de circulação livre de bens, capitais e serviços.
ter a expressão “mercado comum” (Comentário: Esta proposta é uma missão muito
em sua denominação é na verdade complicada, pois exige uma maior integração das
uma União Aduaneira, que é uma diferentes economias e um maior equilíbrio nas
área de livre comércio com uma condições sociais dos países, a fim de se evitar fluxos
TEC (tarifa externa comum) e que migratórios muito intensos e outros problemas de
apresenta redução nos tributos ordem estrutural.)
alfandegários.)
Atenuar as disparidades econômicas Manifesta-se a necessidade de se dinamizar as
dos países economias locais, incentivando as indústrias
nacionais, proporcionando melhorias sociais de
distribuição de renda e investindo em ciência e
tecnologia.
Adoção de uma moeda única para o A ideia da criação de uma moeda única (e de um
bloco Banco Central Sul-americano) é a de tornar as
economias dos países menos reféns das constantes
variações do dólar, proporcionando uma melhor
dinamização nas trocas econômicas e assegurando
uma maior estabilidade financeira.
Legislação comum em diversos Espera-se mais acordos legais para contemplar
setores, como o fiscal, econômico, objetivos de aproximação e cooperação nas mais
comercial e político variadas áreas, como: comércio, meio-ambiente,
transportes, ciência e tecnologia e outros.
Fonte: Adaptado de Pena, F. A. Rodolfo. Perspectivas para o Mercosul no século XXI.
(2015). Disponível em: <http://www.mundoeducacao.com/geografia/perspectivas-para-
mercosul-no-seculo-xxi.htm>. Acesso em: 20 jun. 2015.

10
Furtado (2011, p. 372) diz que “dimensões sociais e políticas também começaram a
ser objeto de debate e reflexão, uma vez que integrar economias é aproximar povos e
governos, cada um com uma trajetória histórica própria. Dessa forma, o crescimento
econômico estaria intimamente relacionado ao desenvolvimento social e ao fortalecimento
político dos atores envolvidos”.

5. Mercosul - Nível de Investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento

Neste tópico apresentam-se dados coletados diretamente do sítio do Banco Mundial


(BIRD) referentes ao percentual do Produto Interno Bruto correspondente aos gastos com
pesquisa e desenvolvimento.
O Gráfico 5 mostra a evolução deste percentual referido, em relação aos países
membros do Mercosul e aos EUA. Constata-se que houve crescimento do percentual (%) do
PIB em todos os países constantes no Gráfico 5, exceção do Paraguai que ficou estagnado.
O maior aumento percentual foi do Uruguai, que passou de 0,21% em 2000 para
0,43% em 2011, perfazendo um crescimento de mais de 200%. Brasil, em valores absolutos
(percentual dos gastos) foi o segundo que mais se desenvolveu, saindo de 1,02% em 2000 e
chegando a 1,21% em 2011.
Argentina obteve avanço, de 0,44% para 0,65%. EUA investiu significativos 2,76%
em 2011, após os 2,62% gastos em 2000.
Cabe informar que os países da análise possuíam dados disponíveis no sitio do Banco
Mundial, somente a partir de 2000, sendo os últimos dados disponíveis para todos os países,
até 2011.
Adicionalmente, ressalta-se que em determinados anos não foram identificados dados
de alguns países, não constando dados da Venezuela, em particular, para nenhum dos anos
analisados, conforme retratado no Gráfico 5.

Gráfico 5: Evolução do Percentual do PIB referente aos investimentos em pesquisa e


desenvolvimento – Mercosul e EUA no período de 2000 a 2011
3.00

2.50

2.00 EUA
Brasil
1.50
Argentina
1.00 Uruguai
Paraguai
0.50

-
2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011
Fonte: Adaptado do Banco Mundial (BIRD, 2015c).

6. Pedidos de Patentes no Brasil (INPI) e nos EUA (USPTO)

11
Neste tópico, apontam-se os indicadores de depósito de patentes no Brasil e nos EUA.
São analisados os números observados sob a ótica de situações econômicas à época e
confronta-se a posição do Brasil diante outros países membros do Mercosul. No que diz
respeito ao número de patentes depositadas no país (Brasil), identifica-se crescimento
proveniente, sobretudo dos depósitos de não residentes, conforme demonstrado no Gráfico 6.
No último período, apurou-se que aproximadamente apenas 23% são de patentes depositadas
por residentes do país. Verifica-se que nos anos de 2005, 2006, 2009 e 2010 houve
decréscimos de depósitos dos residentes em relação ao ano antecedente. E no caso dos não
residentes, a queda se deu em 2002, 2003 e 2009. Nos anos restantes, houve sempre aumento
relativo ao ano anterior. Tendo por base que os “não residentes” são compostos em grande
parte pelos EUA, é possível atribuir em parte estas reduções à crise financeira dos
“subprimes” em 2008. Esta crise surgiu a partir de 2006 com a quebra de instituições de
crédito nos EUA arrastando vários bancos para uma insolvência e repercutindo fortemente
sobre as bolsas de valores no mundo inteiro. No Brasil, mais especificamente, houve entre
2004 e 2005, déficit proveniente dos pagamentos dos empréstimos recebidos do Fundo
Monetário Internacional (FMI) entre 2001 e 2003. Por sua vez, houve entre 2008 e 2009, a
crise da Bolsa de Valores, entre outros acontecimentos, quase sempre atingidos pelas crises
internacionais globalizadas.
Os fatos explicativos enumerados contribuíram em parte, nestes períodos, para a
menor produção industrial e consequentemente para uma menor produção tecnológica.
Entretanto, cabe um estudo aprofundado e específico para corroborar esta análise inicial. No
Brasil, o INPI é responsável por receber os pedidos, examinar e conceder, ou não, o direito de
patente. Entre 2003 e 2013 foram concedidas 34.189 patentes. Em média, 3.108 por ano. O
tempo médio de espera por uma resposta do INPI quase dobrou no mesmo período. Em 2003,
no caso de invenção, a demora era de pouco mais de seis anos. Em 2008, subiu para nove
anos. Em 2013 alcançou 11 anos (ABPI, 2014, p. 16). A demora na concessão de patentes é
apontada como um entrave à inovação no país, pois gera incerteza para os investidores e
permite que exploradores se aproveitem indevidamente de inventos e ideias que aguardam o
registro. Para Roberto Castelo Branco Coelho de Souza, consultor e ex-diretor geral adjunto
da OMPI, a demora é danosa para a economia do país (GOUVEIA, 2007).

Gráfico 6: Evolução na quantidade de patentes depositadas anualmente, por residente e


não residente no período de 2000 a 2012
30000

25000

20000

15000 Residente
10000 Não-residente

5000

Fonte: Adaptado do INPI (2015a).

12
Analisando o Gráfico 7, pode-se observar a queda no ano de 2009, especificamente,
para quase todos os países. Como já analisado, a influência direta da crise dos subprimes deve
ser considerada acrescentando-se a crise econômica europeia em mesmo período.

Gráfico 7: Patentes de Invenção depositadas segundo os principais países de origem do


depositante no período de 2000 a 2012

Outros Países
Brasil
China
Reino Unido
Holanda
Suíça
França
Japão
Alemanha
Estados Unidos
0 10000 20000 30000 40000 50000 60000 70000 80000
Fonte: INPI (2015b).

No Gráfico 8, comparam-se as patentes depositadas pela USPTO, para os países que


compõem o Mercosul. Nota-se o aumento significativo de depósitos de patentes originados do
Brasil. De 2000 a 2013, passou de 240 depósitos para 683, correspondendo a 285% de
aumento. A Argentina não cresceu tão significativamente se comparado ao Brasil, tendo
passado de 138 para 167 solicitações de patenteamento. A Venezuela obteve o mesmo
percentual de avanço da Argentina, ou seja, 121%. Em termos percentuais, muito por conta da
quase inexistência de depósitos em 2000 - apenas 2 – Uruguai foi o país de maior
crescimento com 1150%, tendo depositado 23 patentes. Paraguai permaneceu estável e quase
sem nenhum depósito durante todo esse período analisado.
Claramente, percebe-se que o Brasil tem desempenho muito superior aos demais
países do bloco, sendo seguido pela Argentina, Uruguai e Paraguai.

Gráfico 8: Evolução dos Pedidos de Patentes no USPTO – do Mercosul no período 2000-


2013

13
800
700 2000
600 2001
500
2002
400
300 2003
200 2004
100 2005
0
2006
2007
2008

Fonte: Adaptado de USPTO (2015).


Os pedidos de registro de patentes são importantes para determinar o interesse de
desenvolver-se no avanço tecnológico, porém, a concessão obtida demonstra o que realmente
seria inovador. Por isso, realizamos a pesquisa também das patentes concedidas pela USPTO.
Cruz (2010) entende que a quantidade de patentes obtidas é importante medidor da
capacidade das empresas de um determinado país de criar conhecimentos e incorporá-los
efetivamente a seus produtos e processos. Para o autor, a inferioridade na capacidade
tecnológica das empresas no Brasil sinaliza um dos maiores desafios para o País nos próximos
anos: criar condições para que as empresas no país possam intensificar suas atividades de
pesquisa e desenvolvimento (P&D) internas e ganharem competitividade tecnológica global.
O último relatório anual da OMPI, vinculada à Organização das Nações Unidas
(ONU), mostra que o número de patentes válidas no Brasil está muito atrás de países
considerados referência em inovação. O levantamento, feito entre os 20 maiores escritórios de
concessão de patentes no mundo, traz dados de 2012 e aponta os EUA em primeiro lugar,
com 2,2 milhões de patentes, seguido do Japão, que tem 1,6 milhão de patentes. Depois vem
China (875 mil), Coréia do Sul (738 mil), Alemanha (549 mil). O Brasil está na décima nona
posição, com 41.453 patentes válidas.
De acordo com a WIPO, o número de pedidos de patentes no conjunto de 20 países
analisados cresceu 9,2% em 2012 – um recorde nos últimos 18 anos. Nos 16 países em que
houve crescimento, os maiores destaques foram China, Nova Zelândia, México, EUA e
Rússia, respectivamente com 24%, 14,3%, 9%, 7,8% e 6,8%. No Brasil, o aumento foi de
5,1%.

7. Publicações dos Países do Mercosul comparado com EUA

8. Considerações Finais

O presente estudo analisou comparativamente os países do bloco Mercosul no que


tange ao pedido de patentes, indicador relevante de inovação tecnológica. Isto, com o objetivo
de contribuir para futuras análises de gargalos e perspectivas para que haja um maior

14
desenvolvimento tecnológico no Brasil para competitividade no cenário mundial. Os
depósitos de patentes no País, comparado aos outros países do Mercosul, é relativamente alto.
No entanto, é baixo em relação aos EUA. Sendo o alcance pretendido a competitividade das
empresas, perde-se por poucos investimentos em P&D nas empresas brasileiras. Neste ponto,
há necessidade de aumento e capacitação de recursos humanos para acelerar o processo de
desenvolvimento tecnológico principalmente visando à produção de patentes no País. Além
disso, caberiam marketing e divulgação da importância daqueles ativos intangíveis destacando
o alcance por parte da empresa de maior retorno econômico através da preservação do direito
de propriedade. Também caberiam medidas de incentivo aos empresários por parte dos
governos nas esferas Federal, Estadual e Municipal. Quanto aos pedidos de patentes
depositados nos EUA pelos países membros do Mercosul, o estudo mostrou que a Argentina
e, sobretudo o Brasil, cresceram muito mais que os outros países do agrupamento. Assim,
sugere-se o estudo mais aprofundado do próprio desenvolvimento brasileiro, aplicando
procedimentos político-econômico-social-ambiental-cultural que forem interpretados como
espécies de “molas propulsoras” no que tange ao desenvolvimento de patentes.
O PIB total dos países membros do Mercosul está em crescimento leve quando
comparado aos Estados Unidos, ainda maior potência do mundo. Considerando o PIB per
capita de cada país, observou-se uma notável subida do Uruguai, mas também em menor
intensidade a Argentina, ficando o Brasil com menor de alavancagem. No que diz respeito ao
percentual gasto com pesquisa e desenvolvimento, constata-se investimento superior do Brasil
em relação aos demais países do bloco. Paraguai, mais uma vez, registrou o menor aumento.
Ao comparar-se a análise referente aos indicadores de patentes com os de situação
econômica pode-se inferir que o Brasil continua se destacando num cenário onde à medida
que crescem os incentivos para inovação, aumenta-se também o número de patenteamento e
em consequência se melhora o seu PIB, não necessariamente transformando-se em renda bem
distribuída. Paraguai, de forma inversa, investe pouco em ciência e tecnologia, e como
consequência, avança pouco em relação ao PIB e quanto aos patenteamentos. Na Argentina,
com gastos apenas medianos em inovação tecnológica, conseguiu-se brando percentual de
patenteamento, no entanto, contribuindo possivelmente com o bom PIB per capita alcançado.
O Uruguai também não cresceu tanto quanto aos investimentos em P&D, e nem se observou
avanço expressivo na evolução dos depósitos de patentes, porém, foi verificado crescimento
no PIB per capita. Já a Venezuela demonstrou obter registros de patente em quantidade média
e tem bom PIB per capita.
Conclui-se que o desenvolvimento econômico do Brasil no cenário mundial dependerá
da capacidade de inovação das empresas que virá através de incentivos à CT&I, com o
fortalecimento na formação de recursos humanos de alto nível. Para o atingimento deste
cenário, incentivos governamentais são necessários e também uma postura mais agressiva dos
empresários no que tange aos registros de patentes e ao desenvolvimento tecnológico. Assim,
sugere-se maior cooperação público-privada visando alavancar o desenvolvimento
tecnológico das empresas, cada um exercendo o seu papel, com o pleno conhecimento dos
obstáculos para superá-los, uma eficaz aprendizagem tecnológica adaptada às condições do
País.
Em relação ao bloco, infere-se que precisa de estímulo e novas concepções de livre
mercado para desenvolvimento pleno. O Mercosul não prosperou da forma como era
esperado, deixando os países em patamares similares aos de quando iniciou-se a associação.
Com a entrada recente da Venezuela, com a crise financeira mundial em andamento, e com o
domínio chinês, espera-se ampliação de novos mercados, negociação política, parcerias com
outros países, e estruturação de um verdadeiro mercado comum, em vez de simples união
aduaneira que imperou até o presente momento.

15
Referências

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