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AS MIGRAÇÕES EM PORTUGAL DESDE FINAIS DO SÉCULO XIX ATÉ À ATUALIDADE

Portugal é desde há séculos um país de emigrantes. Os portugueses


encontram-se espalhado por uma boa parte do mundo desde há
séculos...

No final do século XX e início deste século, Portugal recebeu muitos


milhares de imigrantes...

Esta nova crise económica, está a gerar uma nova vaga de emigração só
comparável aos anos 60 do século passado, com uma média de 100 000
pessoas a abandonar o país por ano...
AS MIGRAÇÕES EM PORTUGAL DESDE FINAIS DO SÉCULO XIX ATÉ À ATUALIDADE

Evolução da emigração portuguesa entre 1900 e 2005 (Fases)

FASE
FASE I FASE III
II
AS MIGRAÇÕES EM PORTUGAL DESDE FINAIS DO SÉCULO XIX ATÉ À ATUALIDADE

Evolução da emigração portuguesa desde finais do séc. XIX (Fases)

Saldo migratório Espaço Tempo


Negativo Intercontinentais Definitivas
FASE I
Aumento da população
Finais séc. XIX – atenuado pela Grande
meados séc. XX Guerra e emigração.
Negativo Intracontinentais Incremento
FASE II Diminuição da temporárias
1960-1973 população

FASE III Positivo Intracontinentais e Aumento temporárias


Aumento da população intercontinentais
Após 1973
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Fases da emigração portuguesa

FASE I (até meados do séc. XX)

Vaga migratória
transoceânica

Destinos:
Sobretudo Brasil
e Estados Unidos

Destinos da emigração portuguesa


nesta fase
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Fases da emigração portuguesa

FASE I (até meados do séc. XX)

Esta vaga migratória para destinos não europeus é causada pelos seguintes fatores:

Portugal atravessa no 1.º quarto do século XX uma crise económica


profunda que durava desde o século XIX.

Instabilidade política e social que é uma constante durante a


1.ª república.

Taxa de desemprego muito elevada.

Primeira Guerra Mundial desvia os emigrantes de destinos europeus.

Abolição da escravatura no Brasil.


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Fases da emigração portuguesa

FASE II (1960 - 1973)

PRINCIPAIS DESTINOS
FASE I – ENTRE 1960-1973

• Maior período de emigração da


população portuguesa;
• Emigração sobretudo intra-
continental;
• A Venezuela é destino dos
madeirenses e os E.U.A. e
Canadá são destinos de
açoreanos.
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Fases da emigração portuguesa

FASE II (1960 - 1973)

É UM PERÍODO MARCADO PELO AUMENTO DA EMIGRAÇÃO ILEGAL.


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Fases da emigração portuguesa

FASE II (1960 - 1973)

É um período marcado pelo aumento da emigração ilegal devido a:

Morosidade na organização dos processos.

Restrições impostas pelos países recetores.

Degradação acelerada das condições de vida em Portugal.

Guerra colonial em África,

Intensificação das perseguições políticas em Portugal.


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Fases da emigração portuguesa

FASE II (1960 - 1973)


CAUSAS DO FLUXO MIGRATÓRIO 1960 – 1973
Em Portugal:

Falta de recursos e de emprego.

Baixo nível de vida e baixos salários.

Falta de estruturas de apoio às famílias a às atividades


socioculturais.
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Fases da emigração portuguesa

FASE II (1960 - 1973)


CAUSAS DO FLUXO MIGRATÓRIO 1960 – 1973
Em Portugal:

Regime político (ditadura de Salazar).

Guerra colonial nas ex-províncias africanas.

O desenvolvimento dos transportes e comunicações


internacionais.
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Fases da emigração portuguesa

FASE II (1960 - 1973)


CAUSAS DO FLUXO MIGRATÓRIO 1960 – 1973
Nos países de destino:

O grande desenvolvimento económico da Europa Ocidental


após a II Guerra Mundial.

Necessidade de reconstrução das estruturas produtivas –


necessidade de mão de obra barata para a indústria,
construção civil e serviços pouco qualificados.
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Fases da emigração portuguesa

FASE II (1960 - 1973)


CONSEQUÊNCIAS DO FLUXO MIGRATÓRIO 1960 – 1973
Para Portugal:

Diminuição da população ativa, que levou, nas áreas rurais,


ao abandono dos campos e ao esforço de mecanização dos
campos agrícolas.

Aumento da taxa de analfabetismo (que era inferior na


população que emigrou, cerca de 17%, contra 30% na
população do país).
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Fases da emigração portuguesa

FASE II (1960 - 1973)


CONSEQUÊNCIAS DO FLUXO MIGRATÓRIO 1960 – 1973
Para Portugal:

Subida dos salários e o investimento em nova tecnologia na


indústria, sobretudo a de capital estrangeiro.

Envelhecimento demográfico.

Entrada de divisas (dinheiro enviado pelos emigrantes)


estrangeiras.
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Fases da emigração portuguesa

FASE III (a partir de 1973)

Após 1973, a população portuguesa aumentou, o saldo migratório passou a ser positivo, apesar de
decrescer na década de 1980 e de registar um abrandamento nos últimos anos.

FORTE DIMINUIÇÃO DA EMIGRAÇÃO PORTUGUESA


1973 – Crise Petrolífera (subida vertiginosa dos preços do petróleo que levou a graves consequências
económicas).

Grande AUMENTO DO DESEMPREGO nos países da Europa Ocidental

- Os países da Europa ocidental impuseram restrições à imigração, com o objetivo de diminuir o


desemprego da sua população.
- Incentivaram o regresso de alguns imigrantes aos seus países de origem, dando indemnizações.
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Fases da emigração portuguesa

FASE III (a partir de 1973)

CRISE ECONÓMICA INTERNACIONAL DE 1973


- Decréscimo da
emigração portuguesa

- Regresso de muitos
emigrantes a Portugal
25 de Abril de 1974 - Melhoria da situação
económica portuguesa:
- Fim da Guerra Colonial;
- Democratização da sociedade portuguesa;
- Entrada de Portugal na CEE (actual UE) em
1986;
- Melhoria do nível de vida da população;
- Melhoria da qualidade de vida.
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Fases da emigração portuguesa

FASE III (a partir de 1973)


NA DÉCADA DE 1970...

Nesta década, temos um aumento da imigração em Portugal,


em resultado...

- Do regresso dos emigrantes,


sobretudo os que se encontravam
- Da descolonização e do retorno
numa situação de impedimento,
dos portugueses da ex-colónias;
antes do 25 de abril, de voltarem a
Portugal.
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Fases da emigração portuguesa

FASE III (a partir de 1973)


NA DÉCADA DE 1980...
Nesta década, assistimos a um aumento da emigração, um incremento e
predomínio da emigração temporária, em consequência, por exemplo:

Do fim dos condicionalismos administrativos que restringiam a


saída do país.

Da assinatura dos acordos de Schengen, que estabelecem a livre


circulação de pessoas nos países signatários.

Do desenvolvimento das infraestruturas e dos meios de transporte.

Da globalização da economia.
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Fases da emigração portuguesa

FASE III (a partir de 1973)


NA DÉCADA DE 1980...
Nesta década, assistimos a um aumento da emigração, um incremento e
predomínio da emigração temporária, em consequência, por exemplo:

Um incremento da imigração, originária dos países africanos de


expressão portuguesa (PALOP), especialmente de Cabo Verde.

Um aumento do regresso da população emigrante a Portugal


devido à melhoria do nível de vida em Portugal.
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Fases da emigração portuguesa

FASE III (a partir de 1973)


NA DÉCADA DE 1990...

A partir desta década, Portugal passa também a ser um país de


imigrantes, que representam já 3,7% do total da população em 2011.

Os imigrantes não são só de países de expressão portuguesa (com


destaque para Brasil e Cabo Verde) mas também:
- da Europa de Leste (Ucrânia, Romênia, entre outros);
- da Europa Ociental (como o Reino Unido);
- da Ásia (como a China).
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Fases da emigração portuguesa

FASE III (a partir de 1973)


NA DÉCADA DE 1990...
ORIGEM DA POPULAÇÃO ESTRANGEIRA RESIDENTE EM PORTUGAL (2001 E 2011)
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Fases da emigração portuguesa

FASE III (a partir de 1973)


NA DÉCADA DE 1990...
Apesar de desde esta altura, também sermos um país de imigrantes,
Portugal continua a ser um país de emigrantes mas com destinos e um
perfil diferenciados dos encontrados na década de sessenta:

- A par da emigração intracontinental, os destinos intercontinentais


regressam, como Angola, Moçambique e Brasil;
- A emigração temporária predomina;
- Surge o aumento da emigração de jovens qualificados;
- A emigração de caráter individual substitui a familiar;
- A emigração feminina aumenta, apesar de predominar a masculina.
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EM SUMA...
Com a taxa de fecundidade dos
O aumento da população em 2%
portugueses a diminuir, a
entre 2001 e 2011 foi
substituição das gerações em
consequência da imigração
Portugal teve o contributo dos
compensando o decréscimo da
imigrantes.
natalidade.
AS MIGRAÇÕES E A
EVOLUÇÃO DA
POPULAÇÃO
PORTUGUESA
Num futuro próximo,
perspetiva-se uma baixa mais A nova vaga emigratória de
acentuada da Taxa de portugueses recupera antigos
Crescimento Efetivo, já que o destinos dentro da Europa e
saldo migratório será negativo. países de expressão portuguesa.
.