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ICEX- Instituto de Ciências Exatas

Departamento de Química

6º Relatório de Química Geral


Experimento 7

Alunas: Carolina Garcia Furst


Danielle Cristine Silva Catarino
Gabriela Medina de Paula
Turma: F2
Sala: 1005
Professor: Luiz Otávio
Data de Realização: 14/05/2013

Belo Horizonte
Maio/2013
Introdução
As reações de corrosão são reações de oxirredução espontâneas nas quais um metal é
atacado por alguma substância em seu ambiente e é convertido em um composto não
desejado. A corrosão é um processo eletroquímico, portanto a série eletroquímica indica o
porquê a corrosão ocorre e como ela pode ser prevenida.
A principal causa da corrosão é a água com oxigênio dissolvido e o ar úmido. O ferro
é um metal que se oxida facilmente, pois, normalmente fica em contato com o ar úmido ou
com a água com oxigênio dissolvido.
Durante a oxidação do ferro, os elétrons movem-se pelo ferro de uma região onde
ocorre oxidação para outra onde há redução. Dessa forma, uma parte do Fe pode servir como
ânodo, na qual ocorre a oxidação do Fe a Fe2+ e, a outra parte, serve como cátodo, no qual o
O2 é reduzido.

Ânodo: 2 Fe(s) → 2Fe2+ + 4e-

Cátodo: O2 + 2 H2O + 4e- → 4 OH-

Reação global: 2 Fe + O2 + 2 H2O → 2 Fe (OH)2

O ferro é oxidado formando Fe(OH)2 que posteriormente também é oxidado formando


Fe(OH)3 , a ferrugem.
Várias técnicas para evitar ou mesmo minimizar os efeitos indesejáveis da corrosão
são utilizadas. A proteção catódica, também conhecida como galvanização, é uma delas; nela
o ferro é revestido por zinco já que este é um redutor mais forte que o mesmo. Deste modo, o
Zn tende a se oxidar no lugar do Fe, sendo chamado de “metal de sacrifício”. Outro método é
recobrir a superfície do metal com uma tinta protetora para evitar o contato com o agente
corrosivo.

Objetivo
Compreender o fenômeno da corrosão por meio de experimentos envolvendo a
corrosão do ferro.

Procedimentos
Os procedimentos foram realizados de acordo com o descrito nas páginas 52 a 54 da
apostila de Química Geral.
Resultados e Discussões
Corrosão do Ferro na atmosfera
Após a montagem do procedimento e, subsequente a isso, aguardado o período de uma
semana observa-se que o volume de ar no tubo diminuiu de 8,88 mL para 7,40 mL e
consequentemente o volume de água no mesmo aumentou 1,48 mL quando comparado ao
volume inicial.
Além destes fatos, nota-se que a palha de aço adquiriu elevado aspecto de oxidação,
apresentando uma coloração escura e, também, há a presença de uma coloração alaranjada em
menor quantidade. A primeira evidência comprava a formação de ferro II e a segunda a
formação de ferro III.
A razão deste acontecimento se deve ao ferro apresentar maior potencial de redução
quando comparado ao oxigênio em meio úmido. Deste modo, o ferro oxida-se de a acordo
com a reação 1 e o oxigênio reduz-se segundo a reação 2.
2+
Reação 1: 𝐹𝑒(𝑠) → 𝐹𝑒(𝑎𝑞) + 2𝑒 − ɛº = + 0,44 V

Reação 2: 𝐻2 𝑂(𝑙) + 12𝑂2(𝑎𝑞) + 2𝑒 − → 2𝑂𝐻(𝑎𝑞) ɛº = +0,415 V
Assim, obtêm-se a seguinte reação global do processo (Reação 3):
Reação 3: 𝐹𝑒(𝑠) + 12𝑂2(𝑎𝑞) + 𝐻2 𝑂(𝑙) → 𝐹𝑒(𝑂𝐻)2(𝑎𝑞) ɛº = +0,855 V
A ocorrência deste processo resulta na diminuição do volume de gás no tubo diminui
também a pressão interna do sistema. Logo, o volume de água sobe para que a pressão se
mantenha a mesma ao decorrer do procedimento.
Levando-se em consideração que, para a oxidação do Fe(s) a Fe3+ ou de Fe2+ a Fe3+, é
necessário um maior tempo para ocorrer devido ao potencial para o procedimento (-0,02 V
para o primeiro e -0,77 V para o segundo) a formação do cátion ferro III no sistema é mínima
quando comparada a formação de ferro II.

Corrosão Úmida do Ferro


Após a montagem e o tempo necessário para que o fenômeno da corrosão ocorresse
nota-se que no tubo que contém o prego inserido em água de torneira há a formação de um
precipitado preto e a superfície do prego que esta inserida na água encontra-se escurecida;
além de pouca formação de uma solução alaranjada.
A parte do metal que não esta submersa não apresentou nenhuma alteração assim
como o tudo que continha apenas o prego, o que comprova que a oxidação do metal só ocorre
em ambientes que contém água e oxigênio gasoso. A superfície escurecida demonstra a
oxidação do ferro de acordo com a reação 1 e a menor parcela alaranjada demonstra que o
grande tempo de exposição do metal no sistema resultou na formação do cátion Fe3+; a
consequência disso é a formação do óxido Fe3O4 em forma de precitado no tubo.
Quando trabalhado no tubo que contém uma solução 5% de NaCl apresentou um
estado de oxidação do metal maior quando comparado ao tubo anterior. Os componentes que
sofrem as reações de oxirredução neste meio são os mesmos do tubo anterior; mas a presença
dos íons Na+ e Cl- em solução compensam o excesso de cátions Fe2+ e OH- que são formados
no procedimento propiciando que o sistema funcione como uma pilha e a corrosão ocorra por
mais tempo que o tubo precedente.
Entretanto, o tubo montado com HCl 3,0 mol/L e tubo contendo o mesmo composto
na concentração 6,0 mol/L apresentou elevada oxidação do metal, sendo esta mais evidente no
prego inserido na solução mais concentrada. Além disso, observa-se que a ponta dos pregos
foi a parte mais “atacada” pelo metal já que a área de contato do metal com a solução é maior
neste ponto e é local onde há os maiores defeitos de fabricação e, com isso, propicia maior
desgaste.
Neste caso, o escurecimento do prego demonstra a oxidação do ferro a ferro II e os
íons hidrônio sofre redução formando gás hidrogênio. De acordo com os resultados obtidos
pode-se comprovar que quanto maior for a concentração da solução de HCl utilizada maior
será a corrosão do metal devido a maior quantidade de reagentes para que o processo ocorra.
Já o prego na presença de uma solução de NaOH 0,1 mol/L não é corroído já que o pH
básico da solução diminui o potencial de redução do oxigênio. Esse fenômeno é explicado
devido ao fato de que o potencial de redução é obtido através de um sistema em equilíbrio.
Deste modo, o meio básico aumenta a concentração dos produtos da reação 2; logo o
equilíbrio desta reação de oxirredução é deslocado no sentido dos reagentes, ou seja,
favorecendo o oxigênio na forma de gás. Como consequência disto, o potencial de redução do
oxigênio diminui e o prego não é corroído.
No tubo contendo acido sulfúrico 3,5 mol/L o prego apresentou elevada corrosão e a
formação de sulfato cristalizado aderido a ponta do metal. Neste caso, o ferro torna a oxidar e
os íons hidrônio a reduzir; assim a grande concentração de anions sulfato em solução resulta
na cristalização do mesmo na ponta do prego.
Entretanto, a montagem o prego submerso em uma solução altamente concentrada de
acido sulfúrico ocorre os mesmos processos de oxirredução do tubo anterior. Além disso,
verifica-se a passivação do ferro devido a formação de sulfato de ferro II no inicio do
processo de corrosão de acordo com a reação 4.
2+ 2−
Reação 4: 𝐹𝑒(𝑎𝑞) + 𝑆𝑂4(𝑎𝑞) → 𝐹𝑒𝑆𝑂4(𝑠)
Este composto sólido e de cor verde adere a superfície do prego evitando que este seja
ainda mais corroído. Com isso, pode-se observar que as maiores concentrações de H2SO4
permitem um menor desgaste do metal, já as grandes concentrações de HCl provocam um
maior desgaste do metal quando comparadas a concentrações menores.

Corrosão na Linha D’água


Após a montagem e o tempo esperado para que o processo ocorresse observa-se que as
partes acima e adjacentes à linha d’água são mais aeradas (maior concentração de oxigênio
nestas áreas), deste modo a reação de redução do processo ocorre, em maior quantidade na
área adjacente a linha d’água e, na parte imersa, apresenta em maior quantidade a oxidação do
ferro devido a menor concentração de O2.
Na montagem contendo apenas água a corrosão do ferro ocorreu em menor quantidade
quando comparado a montagem com NaCl 5% devido ao eletrólito compensar o excesso de
cátions e anions gerados no procedimento. Entretanto, os componentes do sistema que
participam da oxirredução são os mesmo em ambos os tubos.

Verificação das áreas Anódicas e Catódicas


Após alguns minutos subsequentes a adição de três gotas do indicador de Fe2+ na placa
de ferro decapada com HCl observou-se que a solução passou de amarelo para azul na região
central da gota contida na placa. Deste modo, pode-se inferir que o ferro da placa oxidou na
presença de ar e a água presente na solução.
Depois de poucos minutos após isso, notou-se inicialmente nas extremidades da gota o
surgimento da coloração rosa o que evidencia o pH básico gerado a partir da redução do
oxigênio gasoso.
Além disso, é válido perceber que a coloração azul surge, primeiramente, no centro da
gota já que neste local a concentração de O2 é menor, o que facilita a oxidação do ferro. Já nas
extremidades a concentração do gás é maior, portanto, a redução do mesmo ao íon hidroxila
apresenta maior chance de iniciar-se na localidade referida.

Corrosão sob Tensão


Após o tempo necessário para que o processo ocorresse na montagem referida nota-se
que a ponta do prego apresentou maiores sinais de corrosão em ambos os tubos. Este fato se
deve a ideia de que nesta região há maiores defeitos de fabricação do prego, como falhas na
superfície da ponta e irregularidades na forma da mesma; assim facilita a corrosão e propicia
maiores danos na área.
Corrosão Galvânica
Após a montagem de ambos os processos observa-se que nas peças de ferro e cobre, o
ferro oxidou o que é evidenciado pela coloração azul que surge em solução devido a presença
do indicador de Fe2+ de acordo com a reação 1. Somado a este fato pode-se inferir que o
oxigênio reduziu de acordo com a reação 2, o que comprova esta verdade é o surgimento da
coloração rósea próximo a placa de cobre. A reação global do processo é a mesma
representada pela reação 3.
Por fim, a montagem com as placas de zinco e ferro apresentam a oxidação do zinco já
que este apresenta menor potencial de redução (-0,76 V) quando comparado ao ferro (-0,44
V). Com isso, o oxigênio reduziu de acordo com a reação 2 o que também é evidenciado pelo
surgimento da coloração rósea, desta vez próxima a placa de ferro. Deste modo a reação
global do processo esta representada pela reação 5.
Reação 5: 𝑍𝑛(𝑠) + 12𝑂2(𝑎𝑞) + 𝐻2 𝑂(𝑙) → 𝑍𝑛(𝑂𝐻)2(𝑎𝑞) ɛº = + 1,175 V

Conclusão

Referências
PERUZZO, Francisco. Química: Na abordagem do cotidiano, volume único / Francisco
Miragaia Peruzzo (TITO), Eduardo Leite do Canto – 3 ed. – São Paulo: Moderna 2007.

FOGAÇA, Jennifer. Corrosão dos Metais. Disponível em:< www.brasilescola.com/quimica/c


orrosao-dos-metais.htm>. Acessado em 02 de junho de 2013.