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MEIO AMBIENTE E

SOCIEDADE
MEIO AMBIENTE E
SOCIEDADE
Patricia Carla Barbosa Pimentel
IMES
Instituto Mantenedor de Ensino Superior Metropolitano S/C Ltda.
William Oliveira
Presidente

Reinaldo Borba
Diretor de Novos Negócios

Jussiara Gonzaga
Gerente Técnica do NEaD

MATERIAL DIDÁTICO

Israel Dantas
Coord. de Produção de Material Didático

Produção Acadêmica Produção Técnica


Patricia Carla Barbosa Pimentel| Autor(a) Priscila Almeida | Revisão de Texto

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2016
Direitos exclusivos cedidos ao Instituto Mantenedor de Ensino Superior da Bahia S/C Ltda.
SUMÁRIO

1 CONTEXTUALIZANDO A QUESTÃO AMBIENTAL .........................................................................9


1.1 TEMA 1. HISTÓRICO DA PROBLEMÁTICA AMBIENTAL ...................................................................11
1.1.1 CONTEÚDO 1. Contextualizando a questão ambiental ...........................................................14
1.1.2 CONTEÚDO 2. Grandes desastres ambientais..........................................................................17
1.1.3 CONTEÚDO 3. Conferências internacionais e nacionais: de Estocolmo a Rio + 20 .................21
1.1.4 CONTEÚDO 4. Causas e consequências da degradação ambiental .........................................24
ATIVIDADE COMPLEMENTAR .................................................................................................................37
EXERCÍCIOS PROPOSTOS ........................................................................................................................38
1.2 TEMA 2. POLÍTICAS E LEGISLAÇÃO AMBIENTAL .............................................................................43
1.2.1 CONTEÚDO 1. Políticas públicas ambientais............................................................................43
1.2.2 CONTEÚDO 2. Política nacional de meio ambiente e sua importância para legislação
ambiental no Brasil ................................................................................................................................47
1.2.3 CONTEÚDO 3. Constituição federal de 1988 e o meio ambiente ............................................53
1.2.4 CONTEÚDO 4. Política nacional de resíduos sólidos ................................................................56
ATIVIDADE COMPLEMENTAR .................................................................................................................63
EXERCÍCIOS PROPOSTOS ........................................................................................................................65

2 EDUCAÇÃO E GESTÃO AMBIENTAL .........................................................................................69


2.1 TEMA 3. EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA SUSTENTABILIDADE ........................................................71
2.1.1 CONTEÚDO 1. Marcos históricos da educação ambiental .......................................................71
2.1.2 CONTEÚDO 2. Conceito(ação) e política nacional de meio ambiente ....................................75
2.1.3 CONTEÚDO 3. Programa nacional de educação ambiental .....................................................76
2.1.4 CONTEÚDO 4. Consumo, sustentabilidade e qualidade de vida .............................................77
ATIVIDADE COMPLEMENTAR .................................................................................................................95
EXERCÍCIOS PROPOSTOS ........................................................................................................................95
2.2 TEMA 4. GESTÃO AMBIENTAL E AS MUDANÇAS DO CLIMA.........................................................98
2.2.1 CONTEÚDO 1. Causas e consequências do aquecimento global e mudanças climáticas .......98
2.2.2 CONTEÚDO 2. Convenção sobre mudanças climáticas e protocolo de Kyoto ......................106
2.2.3 CONTEÚDO 3. Política nacional sobre mudança do clima .....................................................111
2.2.4 CONTEÚDO 4. Oportunidades empresariais e desenvolvimento sustentável ......................113
ATIVIDADE COMPLEMENTAR ...............................................................................................................119
EXERCÍCIOS PROPOSTOS ......................................................................................................................119

REFERÊNCIAS ............................................................................................................................ 124


APRESENTAÇÃO

Caros (as) estudantes, desde os primórdios da humanidade já havia interferências nos


sistemas naturais pelo homem. Entretanto estas interferências se intensificaram cada vez mais
e de maneira mais predatória, gerando as consequências que observamos nos dias atuais. A
contaminação das águas – rios, lagos, lagoas, a poluição atmosférica, o desflorestamento, a
caça e a pesca predatória e a fragmentação ou mesmo destruição total de habitats, têm levado
o homem a uma situação quase irreversível de problemas ambientais.
Dessa forma, a educação ambiental se constitui em uma maneira de sensibilizar as po-
pulações humanas sobre a crise ambiental e da humanidade, visando imprimir nos cidadãos
uma consciência crítica sobre as questões ambientais, através de um processo no qual o ser
humano é parte integrante e transformadora dos ambientes.
Diante desse contexto, é imprescindível a mudança de comportamentos e atitudes do
homem e das organizações em relação ao seu ambiente, no sentido de promover um modelo
de desenvolvimento mais sustentável, que permita a utilização dos recursos naturais pelas
gerações presentes, sem comprometer as futuras gerações de satisfazerem as suas necessida-
des.
Profª Patricia Carla Barbosa Pimentel
BLOCO
1
TEMÁTICO
CONTEXTUALIZANDO A QUESTÃO
AMBIENTAL
CONTEXTUALIZANDO A QUESTÃO
AMBIENTAL

1.1
TEMA 1.
HISTÓRICO DA PROBLEMÁTICA AMBIENTAL
A degradação ambiental e a história da humanidade caminham juntas. A percepção da
humanidade para a problemática ambiental vem ganhando destaque nas últimas décadas, com
as consequências decorridas dos desequilíbrios causados ao meio ambiente.
Mesmo antes da Revolução Industrial, que é um marco para início da era da degradação
ambiental, é observada a utilização de recursos naturais pelo homem, o que, em princípio,
ocorria de maneira menos impactante ao ambiente natural.

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MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
A seguir, está a representação segundo Dansereau (apud Vieira & Ribeiro 2000), na fi-
gura 1, da relação da espécie humana com o ambiente desde a Pré-História até a atualidade.

9. prospectiva, ele vislumbra a fuga


exobiológica ou transmigração, pre-
nunciada pelas pioneiras viagens espa-
ciais e que daria início à era cosmozóica
da evolução humana.

8. a do controle climático.

7. transição entre as fases da urbaniza-


ção, e;

6. a Revolução Industrial ocorrida no


século XVIII de nossa era intensificou
os impactos da ação humana sobre a
natureza;

5. a domesticação dos vegetais, na revo-


lução agrícola;

4. o pastoreio, com a domesticação de


espécies animais;

3. a caça e a pesca;

2. a fase da coleta de frutos;

1. as terras virgens, antes da existência


humana;

Figura 1: representação, segundo Dansereau, da evolução do homem e uso dos recursos naturais. Fonte: Pierre Dansereau Apud, Vieira,
p. F & Ribeiro, m. A. 2000.

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SÉRGIO TADEU DE OLIVEIRA SANTO
Sem dúvida alguma, a segunda Revolução Industrial foi o grande marco para aumento
do impacto da ação humana sobre o meio ambiente (figura 03). Em meados do Século XVIII
(1750), uma série de mudanças no modo de produção foi intensificada, sendo observada uma
substituição do artesanato e da manufatura para um maquinário mais elaborado, como má-
quinas de fiar - tear mecânico -, gerando uma significativa transformação nos processos pro-
dutivos. Na medida em que se aumentava a possibilidade de produção, aumentava também a
utilização de recursos naturais. Além do crescimento econômico, a Revolução Industrial ge-
rou perspectivas de maior geração de riqueza que, por sua vez, traria prosperidade e melhor
qualidade de vida. (DIAS, 2006, p. 05).

Figura 3: tempos modernos e a representação da revolução industrial. Fonte:


http://sociedadedofastfood.blogspot.com/2011/04/tempos-modernos.html.

Com o crescimento econômico nos centros urbanos um processo de aglomeração de


pessoas se constituiu, gerando a formação das grandes cidades originadas a partir da Revolu-
ção Industrial. No entanto, este processo se deu sem nenhum tipo de planejamento e/ou or-
denamento urbano, ocasionando diversos problemas ambientais enfrentados no Século XX e
que observamos nos dias atuais, como, por exemplo, a ausência de saneamento básico com o
crescente acúmulo e dificuldade de destinação adequada dos resíduos urbanos. (ANDRADE,
2001, p. 17-18).
Essa mudança na forma de produção e consumo acarretou uma revolução na sociedade
daquela época, o que, em pouco tempo, trouxe sérias consequências ambientais que são ob-
servadas até os dias atuais.

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MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
1.1.1
CONTEÚDO 1.
CONTEXTUALIZANDO A QUESTÃO AMBIENTAL
Vamos iniciar nossa jornada com uma breve, mas necessária, apresentação de alguns
conceitos básicos ligados à ecologia e ao meio ambiente. Isso porque, para compreensão de
alguns fenômenos e problemas ambientais será necessário recorrer a conhecimentos adquiri-
dos durante a educação básica (fundamental e médio), mas que farão parte do nosso dia a dia,
tanto nessa disciplina, quanto na nossa vida quotidiana para além do ensino superior.
Dessa forma, a ecologia se ocupa especialmente da biologia de grupos de organismos e
de processos funcionais na terra, no mar e na água doce, sendo definida como o estudo da
estrutura e do funcionamento da natureza, considerando que a humanidade é uma parte dela
(figura 1).

Genes Células Órgãos


Organismos Populações Comunidades

Matéria Energia

Sistemas Genéticos Sistemas Celulares


Sistemas de Órgãos Sistemas de Orga-
nismos Sistemas de Populações Ecossiste-

Figura 1: modelo representando a complexidade dos sistemas naturais, desde a mais simples até a mais complexa das escalas de organi-
zação. Fonte: autoria própria, adaptado de conceito de Odum, 2004, p. 6.

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Habitat de um organismo é o local onde este vive ou onde este deve ser procurado. O
nicho ecológico representa não apenas o espaço físico ocupado por um organismo, mas tam-
bém o seu papel funcional na comunidade, como por exemplo, a sua posição trófica e a sua
localização nos gradientes ambientais de temperatura, umidade, pH, solo e outras condições
de existência (ODUM, 2004, p. 375).
Comunidade biótica é qualquer conjunto de populações que vivem em uma área deter-
minada ou habitat físico; é uma unidade organizada, na medida em que tem características
adicionais às das suas componentes, indivíduos e populações e funciona como uma unidade
mediante transformações metabólicas associadas (ODUM, 2004, p. 221).
População é o conjunto de organismos da mesma espécie (ou outros grupos no seio dos
quais os indivíduos podem trocar informação genética), ocupando um dado espaço e que tem
várias características que embora melhor expressas como funções estatísticas, fazem parte uni-
camente do grupo e não são características dos indivíduos que o compõem, como por exem-
plo, a densidade, a natalidade, a mortalidade, a distribuição de idades, a dispersão e as formas
de crescimento (ODUM, 2004, p. 257).
Entende-se por ecossistema a unidade que inclui a totalidade dos organismos de uma
área determinada, interagindo com o ambiente físico de forma que uma corrente de energia
conduz a uma estrutura trófica, a uma diversidade biótica e a ciclos de materiais (isto é, trocas
de materiais entre as partes vivas e não vivas) claramente definidos dentro do sistema ecológi-
co ou ecossistema (ODUM, 2004. p. 11).
Por ser mais complexo, podemos definir Meio Ambiente a partir de diversos conceitos.
Pode-se dizer que Meio Ambiente ou Ambiente é a realidade física e orgânica de um determi-
nado espaço, que pode compreender tanto um ecossistema como toda a biosfera, ou como o
conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que
permite, abriga e rege a vida em todas suas formas (Lei n. 6.938/91). É possível definir Meio
Ambiente como “um conjunto de fatores naturais, sociais e culturais que envolvem um indi-
víduo e com os quais ele interage, influenciando e sendo influenciado por eles” (LIMA-E-
SILVA apud TRIGUEIRO, 2005, p. 77). Vale destacar, que a compreensão de meio ambiente
vai muito além de aspectos ecológicos, pois abrange todas as interações existentes entre o ho-
mem e o seu meio.
Um conceito importante que deve ser considerado é o de Recursos Naturais. Tudo aqui-
lo que é necessário ao homem, que se encontra na natureza e que pode ser dotado de valor
econômico (embora estudos mais recentes sobre economia dos recursos naturais indiquem
que alguns recursos naturais e serviços ambientais – como, por exemplo, a ciclagem do solo,
do carbono e o ciclo da água não tenha preço!). Dentre os inúmeros recursos naturais pode-
mos citar: o solo, a água, o oxigênio, a energia oriunda do Sol, as florestas, os animais e outros.
Nesse contexto, é importante estabelecer que há Recursos Naturais Não-renováveis, que são
utilizados, em sua grande maioria, nas atividades antrópicas e que não têm capacidade de re-
novação (em se tratando de tempo geológico). Assim, podemos citar o alumínio, o ferro, o
petróleo, o ouro, o estanho, o níquel e muitos outros minerais como recursos naturais não
renováveis. Isso significa dizer, quanto mais se extrai, mais as reservas mundiais desses miné-

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MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
rios diminuem. Diante desse fato, é importante que medidas de consumo sustentável e novas
alternativas ao uso desses minérios sejam estudadas, poupando e propondo novas formas de
uso desses recursos para o futuro.
Quando falamos em Recursos Naturais Renováveis, podemos imaginar todos aqueles
que possuem a capacidade de renovação após serem utilizados pelo homem em suas ativida-
des produtivas. Temos como recursos naturais renováveis a energia solar e dos ventos, a flora,
a fauna, o solo e a água, por exemplo. Entretanto, é importante mencionar que embora os re-
cursos naturais renováveis tenham a possibilidade de se renovarem (lembre-se, em termos de
tempos geológicos, ou seja, milhões e milhões de anos!), a frequência e a intensidade com que
a degradação desses recursos tem ocorrido pode dificultar ou mesmo impossibilitar a essa
capacidade de renovação. Vejamos o exemplo da água. Embora seja um bem renovável, a água
não deixa de ser limitado. Isso porque seu volume no planeta apresenta-se de forma constante
e a sua capacidade de renovação tem sido comprometida devido a diversas degradações do-
mésticas, industrial e agrícola e por desequilíbrios ambientais causados por desmatamento e
uso indevido do solo, além do consumo crescente e indiscriminado. Diante desses cenários,
alguns autores preferem adotar como categorias, recursos naturais não renováveis petróleo e
minerais, pois podem se esgotar após o uso, recursos naturais renováveis que não se esgotarão
após o uso, como a energia solar e a dos ventos e os recursos potencialmente renováveis como
a água, o solo, as florestas, pois estão tendo sua capacidade de renovação limitada devido ao
mau uso pelo homem.
Poluição é a introdução pelo homem, direta ou indiretamente, de substâncias ou energia
no ambiente, provocando um efeito negativo no seu equilíbrio, causando, assim, danos à saú-
de humana, aos seres vivos e ao ecossistema.
As ações naturais ou provocadas pelo homem (antrópica) produzem alterações sobre o
meio ambiente ou em parte dele – sendo os resultados dessas ações chamadas de Impacto
Ambiental. Para se mensurar a amplitude desses efeitos, para algumas atividades exigi-se a
elaboração de Estudo de Impacto Ambiental e o respectivo Relatório de Impacto Ambiental
(EIA/RIMA). Mas esses assuntos iremos abordar mais adiante.
Espero que com estes conceitos básicos consigamos avançar e aprofundar nossos conhe-
cimentos na área ambiental. Caso tenha persistam dúvidas ou outros conceitos apareçam nos
seus estudos não hesite em tirar dúvidas, com o seu professor-tutor da disciplina ou ainda,
você mesmo pode pesquisar na bibliografia especializada sobre o tema.

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SÉRGIO TADEU DE OLIVEIRA SANTO
1.1.2
CONTEÚDO 2.
GRANDES DESASTRES AMBIENTAIS
Uma série de desastres ambientais tem ocorrido ao longo da história contemporânea,
demonstrado os efeitos dos impactos da ação do homem sobre o meio ambiente. Em muitos
desses eventos desastrosos, não havia associação entre o desastre e um problema ambiental.
Somente em anos mais recentes é tais desastres foram “classificados” como problemas com
sérias consequências ambientais. Citaremos a seguir alguns desses desastres:
O lançamento de bombas nucleares em Hiroshima e Nagasáki em 1945, ficou conhecido
como pesadelo atômico, pois mataram entre 150 mil e 220 mil japoneses. As estimativas não
são precisas porque os documentos militares da época foram destruídos. No entanto, registra-
se que em um quilômetro do centro da explosão, quase todos os animais e plantas morreram
com as ondas de choque e calor. Em 58 anos, a radiação aumentou em 51% a ocorrência de
leucemia nesses locais (RATIER,[201-?]). Apontamos esse evento como um dos desastres am-
bientais da humanidade, pois a partir daí inúmeros outros eventos desastrosos com energia
nuclear ocorreram e dizimaram a fauna, a floras e centenas e milhares de vidas humanas.
Em 1952, eventos ligados à poluição do ar decorrente do processo de industrialização
em Londres - Inglaterra provocou a morte de cerca de 1.600 pessoas por problemas respirató-
rios. Entre a década de 1930 – 1950, mais de 3 mil pessoas adoeceram e centenas morreram,
vítimas de uma doença conhecida como “mal de Minamata” (figura 04). A doença provocava
convulsões, problemas neurológicos e deformações físicas no corpo, sendo a causa da doença
o mercúrio derramado ao longo de 40 anos por uma empresa de fertilizantes (FERREIRA, 20-
?]. Somente em 1997, o processo de descontaminação dessa baía foi concluído.

Figura 04: indivíduos com paralisias causadas, pelo que ficou conhecido como mal de Minamata. Fonte:
http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quais-foram-os-maiores-desastres-ecologicos-do-mundo.

Um dos mais conhecidos eventos foi a morte de aves provocada pelos efeitos secundá-
rios imprevistos do DDT e outros pesticidas e a introdução destas substâncias na cadeia ali-

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MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
mentar, destacada na publicação da bióloga Rachel Carson, autora do Livro Primavera Silen-
ciosa, publicado em 1962. Este livro foi um dos grandes marcos para o movimento ambienta-
lista moderno, pois a partir daí, iniciou-se uma grande mobilização mundial acerca da temáti-
ca ambiental.
Houve em Bhopal, Índia, em 1984, um caso de omissão que ocasionou a morte de 2500
pessoas. 45 toneladas de gases tóxicos vazaram de um tanque da fábrica de agrotóxicos da
Union Carbide. A omissão se deu porque a empresa, depois do acidente, abandonou o local e
além dos mortos, deixou outras 150 mil pessoas sofrerem com queimaduras nos olhos e pul-
mões. Até recentemente há protestos pela limpeza da área. O solo e a água nesse local possu-
em altos níveis de metais pesados e derivados de cloro cancerígenos (RATIER,[201-?]).
Considerado o pior acidente radioativo do mundo. A radiação emitida no acidente em
Chernobyl na Ucrânia (uma ex-república soviética), foi 100 vezes maior que as da bomba de
Hiroshima e Nagazaki, ocorreu em 1986, e foi ocasionado por uma explosão após uma série
de falhas humanas em uma usina. O incêndio foi controlado nove dias depois, mas a nuvem
radionativa já tinha se espalhado, chegando a ultrapassar fronteiras entre países. Nesse aciden-
te houve 31 mortes, porém as consequências mais graves desse desastre vieram a longo prazo:
estima-se que mais de 300 mil pessoa ficaram doentes e até anos recentes havia nascimentos
de crianças com graves mutações em função da radiação (RATIER,[201-?]).
Um dos mais conhecidos desastres ambientais da atualidade foi o derramamento de
óleo causado pelo petroleiro Exxon Valdez que colidiu com rochas submersas na costa do
Alasca, provocando um grave desastre ecológico em 1989. Cerca de 100 mil aves morreram e 2
mil quilômetros de praias ficaram contaminadas. Isso foi apenas uma parte do estrago causa-
do por 40 milhões de litros de óleo lançados ao mar (Figura 05). O problema se agravou por-
que, com o frio, o óleo demorou a se tornar solúvel e ser consumido por microorganismos
marítimos, agravando ainda mais o problema. Apesar da limpeza, que mobilizou mais de 10
mil pessoas, cerca de 800 mil litros do petróleo continuam poluindo a costa da região até hoje
(FERREIRA, [20-?]).

Figura 05: aves contaminadas com óleo. Fonte: http://www.duniverso.com.br/desastres-ecologicos-para-nao-esquecer/.

Em 1987, em Goiânia, o dono de um ferro velho, encontrou em um aparelho antigo de


radioterapia, uma cápsula com 19g de um pó branco com luz azulada. Acreditando que esse

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tal pó era valioso, mostrou para toda a família e amigos, o que ele não sabia era que o pó era
cloreto de césio (césio 137), que causou horas mais tardes, vômitos e tonturas e 4 mortes (Fi-
gura 06). Aproximadamente 120 pessoas foram contaminadas e 1000 são monitoradas até
hoje. Esse acidente é considerado o maior do Brasil e o maior do mundo, considerando-se que
ocorreu fora de usinas nucleares.

Figura 06: ilustração do césio 137. Fonte: http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quais-foram-os-maiores-desastres-ecologicos-do-


mundo.

Mais recentemente, em abril de 2010, em virtude da explosão e do incêndio da plata-


forma petrolífera Deepwater Horizon licenciada no Golfo do México da British Petroleum –
BP foram derramados 4,9 milhões estimados de petróleo no mar, indo parar no golfo do Mé-
xico durante os 87 dias de vazamento (Figura 07). Especialistas afirmam que 3,9 milhões de
barris de petróleo permaneceram no frágil ecossistema. Este talvez tenha sido o maior desastre
ambiental da atualidade com efeitos ambientais e econômicos na costa de quatro estados ame-
ricanos.

Figura 07: derramamento de óleo no golfo do México. Fonte: http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quais-foram-os-maiores-


desastres-ecologicos-do-mundo.

Estes são apenas alguns dos diversos desastres ambientais da atualidade. Todos estes
eventos possuem efeitos diretos ou indiretos para a natureza, para a economia e para a socie-
dade como um todo, reflita sobre isso.

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MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
O CASO DE CUBATÃO

Considerado como o “vale da morte” (the new york times), o polo petroquímico paulista
gerava tanta poluição que chegou a produzir bebês sem cérebro, chocando a opinião pública
em todo o mundo. Em 1980, as indústrias do polo cuspiam cerca de mil toneladas de gases
tóxicos por dia, alimentando uma névoa venenosa que afetava o sistema respiratório e gera-
va bebês com deformidades físicas, contaminando também a água e o solo da região. Chuvas
ácidas e deslizamentos na serra do mar eram uma constante. Após as denúncias, as autori-
dades exigiram o controle da poluição industrial, melhorando a situação, mas não resolveu
totalmente o proble-
ma.

Figura 08: foto da cidade de Cubatão na década de 1980. Fonte: http://www.duniverso.com.br/desastres-ecologicos-para-nao-esquecer.

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1.1.3
CONTEÚDO 3.
CONFERÊNCIAS INTERNACIONAIS E NACIONAIS: DE ESTOCOLMO A RIO +
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Na década de 60, a relação da degradação ambiental com estilo de crescimento econô-
mico da época já era objeto de estudo e preocupação internacional, sobretudo após a publica-
ção do livro Primavera Silenciosa, em 1962, pela bióloga americana Rachel Carson. Conforme
comentado anteriormente, este livro tornou-se um clássico do movimento ambientalista mo-
derno, pois tratava de questões como a diminuição da qualidade de vida devido ao uso exces-
sivo de inseticidas, pesticidas e outros produtos químicos na produção agrícola e os efeitos
destas substâncias sobre o meio ambiente e a saúde humana.
Na onda ambientalista, em 1970, a revista Britânica “The Ecologist” elabora o “Manifes-
to para Sobrevivência”, no qual pesquisadores insistiam que um aumento indefinido de de-
manda não poderia ser sustentado por recursos finitos. Essa assertiva foi ratificada pela publi-
cação do livro “Limites do Crescimento”, em 1972, - no qual foram divulgados os resultados
de estudos realizados pelo Clube de Roma1 -, onde se discutia a crise e os dilemas atuais e
futuros da humanidade naquela época. Neste livro, foram expostos temas como a preocupa-
ção mundial com a pobreza e a abundância, a deterioração do meio ambiente, o crescimento
urbano acelerado, entre outros temas. (ANDRADE, 2001, p. 29). Nada muito diferente do que
se discute hoje, não acha?
A Conferência da Organização das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, realizada
em Estocolmo - Suécia, em 1972, foi, e ainda é considerada, um grande marco histórico pois
chamou a atenção do mundo para a gravidade da situação na área ambiental. Esta conferência
obteve resultados importantes como a evolução do pensamento ambientalista, trazendo uma
percepção de que o uso dos recursos estava inadequado, necessitando de gestão apropriada. A
determinação de prioridades e necessidades ambientais, antes definidas somente pelos países
desenvolvidos, foi estendida para os países em desenvolvimento e foi criado o Programa das
Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA. Durante a Conferência de Estocolmo, sur-
giu pela primeira vez o termo “Ecodesenvolvimento”, que tem como critérios, a justiça social,
a prudência ecológica e a eficiência econômica, pilares do Desenvolvimento Sustentável. Para
o Brasil, como reflexo da discussão realizada em Estocolmo, foi elaborado o decreto que insti-
tuiu em 1973, a Secretaria Especial do Meio Ambiente, no âmbito do Ministério do Interior, e
que, posteriormente, deu origem ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis - IBAMA. Nessa década, iniciou-se uma revolução na sociedade que pas-
sou a criticar não só o modelo de produção existente, como também, o modo de vida dele de-
corrente (ANDRADE, 2001, p. 29).

1 O Clube de Roma é um grupo de pessoas ilustres que se reúnem para debater um vasto conjunto de assuntos
relacionados a política, economia internacional e, sobretudo, ao meio ambiente e o desenvolvimento sustentá-
vel (Wikipedia, 2010 – on line).

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MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
Diante da necessidade de mudança de modelos de desenvolvimento e ações efetivas para
minimizar os impactos sobre o meio ambiente (Figura 09), foi realizada, em 1977, a I Confe-
rência Intergovernamental sobre Educação Ambiental, na cidade de Tbilizi, Georgia (antiga
União Soviética).

Figura 09: ilustrações de ambientes naturais e poluição. Fonte: http://www.baixaki.com.br/papel-de-parede/11946-lagoa.htm. Fonte:


http://blogs.estadao.com.br/marcos-guterman/os-dissidentes-do-aquecimento-global/. Fonte:
http://www.flickr.com/photos/rafaelmcoutinho/4050731467/in/photostream. Fonte: http://cheiaseideias.wordpress.com/e-possivel-
prever-uma-cheia/.

Uma das declarações aprovadas nesta conferência enfatizava que a Educação Ambiental
deveria,

Preparar o indivíduo mediante a compreensão dos principais problemas do


mundo contemporâneo, possibilitando-lhe conhecimentos técnicos e as qua-
lidades necessárias para desempenhar uma função produtiva, com vistas a
melhorar a vida e proteger o meio ambiente, considerando os valores éticos2.

Nessa conferência foi destacada a importância da educação ambiental para a compreen-


são de tais problemas, recomendando-se a adoção de alguns critérios que contribuiriam na
orientação dos esforços para a implementação da educação ambiental em âmbito regional,
nacional e internacional.
Com o acelerado processo de degradação ambiental era necessário estabelecer novos
mecanismos para encarar e solucionar os problemas ambientais. Em 1983, a Assembleia Geral
da Organização das Nações Unidas (ONU), deliberou pela criação da Comissão Mundial so-
bre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD), que foi presidida pela Primeira Ministra
da Noruega, Gro Harlem Brundtland. Esta Comissão tinha como objetivo elaborar uma
“agenda global para mudança”. Dessa forma, em 1987, foi publicado o relatório "Nosso Futuro
Comum” ou “Relatório de Brundtland”, que demonstrava a necessidade de um novo tipo de
desenvolvimento capaz de manter o progresso em todo o planeta. Neste relatório, a pobreza
foi apontada como uma das principais causas dos problemas ambientais do mundo e o mode-
lo de desenvolvimento incorporado pelos países desenvolvidos foi duramente criticado, por

2 Trecho extraído do documento de Educação ambiental e desenvolvimento: documentos oficiais,


Secretaria do Meio Ambiente, Coordenadoria de Educação Ambiental, São Paulo, 1994, Série Docu-
mentos, ISSN 0103-264X.

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SÉRGIO TADEU DE OLIVEIRA SANTO
ser considerado insustentável. O argumento de que tal modelo não deveria ser copiado pelos
países em desenvolvimento sob pena de esgotamento dos recursos naturais foi ressaltado, en-
tretanto, isso não tem sido praticado. De acordo com o Relatório de Brundtland, o conceito de
“Desenvolvimento Sustentável” está relacionado ao modelo de desenvolvimento que visa ao
“atendimento das necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações
futuras atenderem as suas próprias necessidades".
No início da década 90, o meio ambiente passou a ocupar um patamar privilegiado na
agenda global, se tornando assunto quase obrigatório nos encontros internacionais. Em 1992,
foi realizada na cidade do Rio de Janeiro a “Conferência das Nações Unidas sobre o Meio
Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD)”. Na Rio-92 ou Eco-92, como ficou conhecida,
discutiu-se que o meio ambiente e o desenvolvimento são duas faces de uma mesma moeda
com um nome próprio: Desenvolvimento Sustentável. Daí, partiram as principais iniciativas
para a implementação de um modelo de desenvolvimento mais sustentável. Como resultados
dessa conferência, foram assinados cinco documentos que direcionariam as discussões sobre o
meio ambiente nos anos seguintes, são eles:

(1) Agenda 21
(2) Convenção sobre Diversidade Biológica
(3) Convenção sobre Mudanças Climáticas
(4) Princípios para a Gestão Sustentável das Florestas
(5) Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento

O programa de implementação da Agenda 21 e os compromissos assumidos com a carta


de princípios do Rio, foram fortemente reafirmados durante a Cúpula de Joanesburgo ou Rio
+ 10, que ocorreu em setembro de 2002. O objetivo da conferência Rio + 10 foi avaliar a situa-
ção do meio ambiente global em função das medidas adotadas na CNUMAD-92, sendo cons-
tatado que estes objetivos não foram alcançados em sua totalidade.
Mais recentemente, em 2012, ocorreu na cidade do Rio de Janeiro a Conferência das
Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20 ficando assim conhecida porque
marcou os vinte anos de realização da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento (Rio-92) e contribuiu para definir a agenda do desenvolvimento sustentável
para as próximas décadas. O objetivo dessa Conferência foi a renovação dos compromissos
políticos assumidos com relação ao desenvolvimento sustentável e a avaliação do progresso e
das lacunas na implementação das decisões adotadas pelas principais cúpulas sobre o assunto,
além de temas novos e emergentes. Os principais temas abordados durante a Rio+20 foi a
economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza; e a
estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável. A partir dessa conferência, Esta-
dos-membros, representantes da sociedade civil e organizações internacionais puderam enviar

23
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
propostas e contribuições que seriam incorporadas ao texto-base que serviram como referên-
cia para o documento oficial produzido.

Para acesso ao documento completo produzido na conferência Rio+20, acesse:


http://www.rio20.gov.br/sobre_a_rio_mais_20.html.

1.1.4
CONTEÚDO 4.
CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS DA DEGRADAÇÃO AMBIENTAL
As causas da degradação do meio ambiente e da crise nas relações sociedade-natureza
não emergem apenas de fatores conjunturais ou do instinto perverso da humanidade. As im-
plicações de tal degradação não são consequências apenas do uso indevido dos recursos natu-
rais, mas sim de um conjunto de variáveis interconexas (Figura 10).

Figura 10: variáveis da sociedade contemporânea e a relação com o meio ambiente. Fonte: autoria própria.

Dessa forma, podemos afirmar que as consequências da degradação ambiental residem,


principalmente, nos padrões de produção e consumo estabelecidos pela sociedade moderna,
nos modelos de desenvolvimento que utilizam cada vez mais e de maneira inadequada, os

24
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
SÉRGIO TADEU DE OLIVEIRA SANTO
recursos naturais e a matriz energética estabelecida para proporcionar este desenvolvimento,
que é, como já mencionado anteriormente, insustentável.

PARA REFLEXÃO
“... a principal causa da contínua deterioração do meio ambiente global são os padrões insus-
tentáveis de produção e consumo...” (Capítulo 4 da AGENDA 21).

A seguir, iremos conhecer algumas consequências da degradação ambiental e os impac-


tos diretos e indiretos para o ambiente e para a saúde humana.
EROSÃO
A erosão é um processo que está continuamente sendo realizado pela natureza. A chuva
ao atingir o solo, normalmente em grande quantidade, pode provocar deslizamentos, infiltra-
ções e mudanças na consistência do terreno, o que pode ocasionar o deslocamento de terra. A
ação dos ventos e as mudanças de temperatura, erupções vulcânicas e mudanças na composi-
ção química do solo também são fatores que podem contribuir para a erosão. É importante
mencionar que os processos erosivos têm se intensificado devido a ações antrópicas, tais co-
mo; retirada da cobertura vegetal do solo - desmatamentos, atividades de mineração de forma
desordenada, formas de cultivo inadequadas também podem provocar erosão.
No Brasil, a erosão carrega anualmente 500 milhões de toneladas de solo, o que corres-
ponde a uma camada de solo de 15 centímetros numa área de 280.000 ha. Esse material arras-
tado pela erosão irá se depositar nas baixadas e nos rios, riachos e lagoas, causando uma eleva-
ção de seus leitos e possibilitando grandes enchentes. Daí, a importância da presença de
cobertura florestal para manutenção do solo e controle de processos erosivos.
O acúmulo de sedimentos trazidos pela erosão do solo, aos cursos d'água provoca asso-
reamentos dos mesmos e pode causar ainda um processo denominado eutrofização3 em al-
guns reservatórios.
Um dos principais fatores que contribui para a erosão é a remoção de parte de terras e
da vegetação para construção de edificações, sejam estas, habitações, estradas e outras. Nor-
malmente, estas construções são realizadas nas margens dos cursos d’água, destruindo a mata
ciliar, ocupando suas nascentes e outras áreas sensíveis do ponto de vista da estabilidade dos
solos.
Como observado em diversas regiões do País, devido às chuvas intensas, a erosão tem
provocado uma série de problemas para o homem. Podemos citar como prejuízos ao homem,
os deslizamentos de terras em locais habitados, sobretudo em regiões carentes de infraestrutu-
ra, provocando o soterramento de casas e mortes de pessoas (Figuras 11 e 12). Outros prejuí-

3 É o fenômeno causado pelo excesso de nutrientes (compostos químicos ricos em fósforo ou nitrogênio) numa
massa de água, provocando um aumento excessivo de algas. Disponível em:
<http://pt.wikipedia.org/wiki/Eutrofiza%C3%A7%C3%A3o>.

25
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
zos econômicos também são computados a partir da erosão, pois provocam fechamento de
rodovias, ferrovias e outros meios transportes.
Existem diversas formas de evitar ou pelo menos minimizar os impactos das erosões,
são elas: não retirar a cobertura vegetal dos solos, principalmente de regiões montanhosas ou
em locais com morros; elaborar obras-civis com o devido planejamento (rodovias, prédios,
hidrelétricas, túneis etc) para que não ocorra o deslocamento de terra; monitorar as mudanças
que ocorrem no solo; realizar o reflorestamento de áreas devastadas, principalmente em regi-
ões de encosta.

Figura 11 e 12: fotos de processos erosivos. Fonte: http://www.acordacidade.com.br/fotos/p/78428-3.jpg. Fonte:


http://www.presenteparahomem.com.br/ecologia-o-problema-da-erosao-do-solo/.

Desmatamento
O desmatamento é um grave problema ambiental, pois altera as composições originais
do solo, destrói a vegetação e provoca a mortalidade de animais, sendo uma das principais
causas da perda da biodiversidade (Figura 13). Associado às queimadas, o desmatamento é
um dos principais emissores de gases do efeito estufa.

Figura 13: toras de madeira oriundas de desmatamentos. Fonte: http://oskaras.com/mais-desmatamento-na-amazonia/.

Registros históricos revelam que o desmatamento, também chamado de desflorestamen-


to, começou nas florestas brasileiras no instante da chegada dos portugueses ao Brasil, em
1500. Inicialmente, tinha como objetivo o uso da madeira para confecção de móveis e, princi-

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PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
SÉRGIO TADEU DE OLIVEIRA SANTO
palmente, para utilização do corante avermelhado do pau-brasil. A partir dessa época, a flora e
a fauna brasileira vêm sendo utilizadas em um rimo sem precedentes.

Dados publicados pela wwf no ano de 2000, revelaram que o desmatamento na amazônia já
atinge 13% da cobertura original. O caso da mata atlântica é ainda mais trágico, pois apenas
9% da mata sobrevivem à cobertura original de 1500.

O desmatamento é um grave problema ambiental e ocorre em todos os biomas brasilei-


ros. Atualmente, podemos inferir que um dos principais motivos da redução de áreas verdes é
o crescimento das cidades. O crescimento populacional e o desenvolvimento das indústrias
demandam áreas para sua implantação nos arredores das cidades. Estas áreas de matas são
derrubadas para a construção de condomínios residenciais, polos industriais e rodovias. Além
disso, não se pode deixar de citar o desmatamento ilegal para retirada de madeira, cujas finali-
dades são diversas – produção de carvão, uso de madeira de lei para construção civil, entre
outras atividades. As queimadas florestais provocadas por fazendeiros para ampliar as áreas
para a criação de gado ou para o cultivo é outro sério problema ambiental ligado ao desmata-
mento. Pelo que podemos observar, parece que o reflexo do crescimento econômico está na
contramão da conservação do meio ambiente natural!!!
Há uma mobilização social muito grande em função da conservação da vegetação nati-
va ainda existente no país. Tem-se observado nos últimos anos uma significativa redução dos
desmatamentos na Amazônia. Isso porque as organizações não governamentais, a sociedade
civil e os gestores governamentais têm se empenhando em reverter este quadro.

Veja por que a preservação da vegetação é importante para você!


(1) o fato de que a vegetação é resultado de um processo evolutivo longo que gerou o ambi-
ente natural que conhecemos.
(2) influencia significativamente a constituição do clima local, regional e global, por meio de
captação, assimilação e radiação da energia solar.
(3) possibilita trocas gasosas através da fotossíntese.
(4) mantém o suprimento permanente de água doce, protegendo o solo, as margens dos rios
e lagos de problemas causados pelas flutuações do nível de água dos rios.

27
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
Desertificação
A desertificação é definida como um processo de degradação ambiental causada pelo
manejo inadequado dos recursos naturais nos espaços áridos, semiáridos e subúmidos secos,
que compromete os sistemas produtivos das áreas susceptíveis, os serviços ambientais e a con-
servação da biodiversidade (MMA, 2015). A desertificação é uma das principais consequên-
cias dos desmatamentos e das práticas agrícolas inadequadas. As práticas agrícolas comumen-
te utilizadas têm provocado alterações de caráter físico (como a erosão, as queimadas, a
impermeabilizações para construção de estradas e represas, os aterros e as escavações, as ara-
gens, o gradeamento e a compactação), e químico (como a contaminação por agrotóxicos,
salinização, disposição de resíduos sólidos e líquidos). É um processo que está diretamente
associado às atividades humanas, embora fenômenos naturais possam contribuir para o agra-
vamento da desertificação. Estudos realizados pelo MMA em parceria com os governos dos 11
Estados brasileiros demonstram que as áreas suscetíveis a desertificação representam 16% do
território brasileiro e 27% do total de municípios envolvendo uma população de 31.663.671
habitantes, onde se concentra 85% da pobreza do país. Logo, representa um contexto que de-
manda políticas públicas específicas importantes para o combate à pobreza e a melhoria das
condições de vida de parte significativa da população brasileira (Figura 14).

Figura 14: fotos de desertificação. Fonte: http://www.suapesquisa.com/o_que_e/desertificacao.jpg.

Como impactos provocados pela desertificação em relação aos ecossistemas, podemos


citar a perda da biodiversidade e a diminuição dos recursos hídricos devido ao assoreamento
dos rios e os reservatórios e às perdas físicas e químicas do solo. Estudos realizados pelo Mi-
nistério do Meio Ambiente revelam que as perdas econômicas do Brasil, devido à desertifica-
ção, poderão chegar aos U$300 milhões por ano, enquanto os custos para recuperar as áreas
mais afetadas alcançariam U$1,7 bilhão para um período de 20 anos (MMA, 2005).
Ressalta-se que as consequências da desertificação refletirão não somente em problemas
ambientais, mas também em problemas econômicos e sociais. Tais consequências causam
sérios prejuízos aos seres humanos tais como a formação de áreas áridas, o aumento da tem-
peratura e o nível de umidade do ar que diminui, dificultando a vida do homem nestas regi-
ões. Além disso, com o solo infértil o desenvolvimento da agricultura também é prejudicado,
diminuindo a produção de alimentos e aumentando a fome e a pobreza.

28
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
SÉRGIO TADEU DE OLIVEIRA SANTO
Em junho de 1994, o Brasil junto com outros 192 países, ratificou a Convenção das Na-
ções Unidas para o Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos das Secas - UNCCD
(sigla em Inglês). Os compromissos assumidos nessa convenção consistem no estabelecimento
de soluções qualitativas que atendam às demandas socioambientais nos espaços áridos, semiá-
ridos e subúmidos secos, o que ocorre particularmente onde residem as populações mais po-
bres do planeta. Essa convenção é reconhecida como o instrumento fundamental para erradi-
cação da pobreza e promoção do desenvolvimento sustentável nas áreas rurais das terras
secas, tendo um significado estratégico, por ser reflexo do novo enfoque de qualificação do
uso sustentável dos recursos naturais como elemento transformador da relação sociedade e
meio ambiente (MMA, 2015).

Práticas Agrícolas

A monocultura era considerada até a descoberta da América, como o único modelo de


plantio executável. Tal modelo gera porções de terras descobertas, que sofrem intensamente a
ação dos ventos e da chuva, o que causa um empobrecimento das características que constitu-
em a fertilidade do solo. Por isso, de tempos em tempos, novas terras são desmatadas para o
plantio. A monocultura (cultivos isolados de café, cacau, milho, algodão, eucalipto, soja), é
uma prática amplamente utilizada na atualidade e parte de uma falsa premissa da inesgotabi-
lidade dos recursos naturais, especificamente da qualidade do solo (Figura 15).

Figura 15: plantação de eucalipto. Fonte: http://www.ciflorestas.com.br/arquivos/n_suzano_nordeste_16451.jpg.

Neste modelo, há redução da diversidade genética, pois tanto para produção de alimen-
tos quanto para produção de fibras e fármacos, é eleito um número cada vez menor de vege-
tais para cultivo. Com isso, há também redução da diversidade biológica, o que expõe os culti-
vos à ocorrência de problemas causados pelo aumento da especificidade dos agentes causais e
hospedeiros (as chamadas pragas agrícolas). Para sanar este problema, uma maior quantidade
de insumos, tais como fertilizantes de síntese química e agrotóxicos, é utilizada.

29
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
Tais práticas podem causar a exposição direta do solo à água da chuva e ao vento, o que
também pode gerar como consequência a erosão, com o arraste uniforme da camada mais
superficial do solo.

Poluição/ Contaminação do Solo

A poluição do solo está relacionada às atividades que o homem desenvolve sobre o solo,
alterando suas características naturais. São as principais fontes de poluição do solo (MMA,
2005):
• Aplicação de agentes químicos (agrotóxicos).
• Despejos de resíduos sólidos (lixo em áreas impróprias e a céu aberto).
• Lançamento de resíduos líquidos (esgotos domésticos e industriais).
• Atividades que resultam na erosão do solo.

A poluição do solo, da água e do ar pode causar uma série de problemas de saúde públi-
ca. Por esse motivo, a poluição deve ser tratada como uma questão primordial pelas secretari-
as de saúde de estados e municípios (Figura 16).

Figura 16: aterro. Fonte: http://meioambiente.culturamix.com/blog/wp_content/uploads/2011/03/aterro.jpg>.

30
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
SÉRGIO TADEU DE OLIVEIRA SANTO
Poluição/ Contaminação da Água

Figura 17: lançamento de esgoto em rio. Fonte: http://pueras.blogspot.com/2008/11/terra-planeta-gua-at-quando.html.

Existe um processo crescente de poluição/ contaminação da água, especificamente da


água doce. A ausência ou deficiência no tratamento dos esgotos industriais e domésticos, o
lançamento de resíduos agrícolas, a percolação de substâncias que atingem os lençóis freáti-
cos, além dos aterramentos, barramentos e drenagens têm causado um significativo impacto
sobre a água doce do planeta (Figura 17).
As águas dos lençóis freáticos estão cada vez menos potáveis, devido à percolação dos
resíduos agrícolas, do chorume dos lixões e vazamentos de produtos químicos no solo que
penetram e atingem estes mananciais de águas.
O abastecimento insuficiente de água e a falta de tratamento adequado são algumas das
principais causas de disseminação de doenças como diarreia, disenteria, amebíase e outros
parasitas intestinais e intoxicação alimentar. Além disso, podem provocar doenças de pele,
infecções no ouvido e olhos, piolhos e pulgas. Grande parte dos problemas de saúde das popu-
lações suburbanas está associada à reduzida disponibilidade de água, às dificuldades de acesso
e à sua baixa qualidade.
A água própria para o consumo humano tem se tornado cada vez mais escassa e a possi-
bilidade de uma crise mundial é iminente, como já podemos comprovar em nossas cidades.
Além do comprometimento desse recurso para o consumo humano, a poluição dos rios tem
causado a perda da diversidade biológica, pois peixes e outros organismos aquáticos não resis-
tem à poluição.

31
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
Poluição do Ar

Figura 18: emissão de poluente por indústrias. Fonte: http://blogs.estadao.com.br/marcos-guterman/os-dissidentes-do-aquecimento-


global/

A poluição do ar decorre da presença na atmosfera de substâncias naturais ou lança-


mentos antrópicos, pelas grandes indústrias que causam prejuízos ao ambiente natural à saúde
dos seres vivos e, ainda, provocam danos materiais (Figura 18).
É importante destacar que as fontes poluidoras podem ser naturais ou antrópicas. A po-
luição causada por fontes naturais ocorre devido às erupções vulcânicas e pelo metano deriva-
do da decomposição anaeróbia de matéria orgânica (fezes de animais).
As fontes antrópicas são oriundas da utilização dos combustíveis fósseis (petróleo e seus
derivados) para a produção de energia, seja das indústrias, seja dos sistemas de transporte ro-
doviário e aéreo, entre outros, e ainda das queimadas das florestas e detritos.
A poluição do ar pode causar sérios problemas tanto para a saúde humana quanto para
a “saúde” do planeta, tais como:
• Doenças do aparelho respiratório (bronquites, asma, rinites, câncer etc.).
• Danos à vegetação e aos animais.
• Alterações climáticas.

Podem ser citados como impactos globais em decorrência da poluição do ar:


• Chuvas ácidas: a utilização em larga escala de combustíveis fósseis e de minerais
com enxofre, que emanam quantidades consideráveis de óxidos de enxofre e de
nitrogênio que, na atmosfera, provocam a formação de ácido sulfúrico e nítrico.
Estas chuvas podem causar sérios prejuízos aos ecossistemas e ao patrimônio
histórico, artístico e cultural.
• Efeito estufa: é um fenômeno natural, em que diferentes gases acumulados na
atmosfera, como dióxido de carbono (CO²) e metano (CH4), por exemplo, con-
tribuem para a estabilidade climática, mas que têm seu efeito potencializado pe-

32
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
SÉRGIO TADEU DE OLIVEIRA SANTO
las emanações gasosas resultantes de ações antrópicas. Este efeito causa a eleva-
ção da temperatura, a elevação do nível do mar e a alteração das precipitações
pluviométricas (chuvas) e tem provocado mudanças climáticas no mundo intei-
ro.

Outros tipos de poluição, como a acústica e visual, devem ser levadas em consideração
nas grandes cidades, pois estas podem ter consequências ao o homem e ao ambiente.

Para entender um pouco mais sobre os efeitos da poluição sonora e visual assista ao vídeo:
https://www.youtube.com/watch?v=9d3quz4r228

Biodiversidade
No panorama atual, a Diversidade Biológica é uma das prioridades fundamentais do
meio ambiente, sendo um dos componentes básicos para manutenção da qualidade ambiental,
ou seja, a perda da biodiversidade em qualquer nível – ecossistema, espécies ou populações –
comprometerá a qualidade dos ambientes (DIAS, 2001).
Segundo a WWF – Brasil, não se sabe ao certo quantas espécies existem no mundo. No
entanto, especialistas estimam que a variabilidade de espécies (animais, vegetais e todas as
formas de vida existentes) possa chegar entre 10 e 50 milhões. O fato, é que até agora, os cien-
tistas identificaram e classificaram apenas 1,5 milhão de espécies. O Brasil é considerado um
país megadiverso, pois possui cerca de 20% das espécies conhecidas no mundo (MMA, 2015).
Os danos causados com a perda da biodiversidade normalmente são considerados irre-
versíveis. O uso dos recursos naturais, assim como a conservação da biodiversidade, está na
origem dos conflitos de interesses das sociedades que é preciso gerenciar. Nessas condições, o
futuro da biodiversidade dependerá dos modos de desenvolvimento que serão privilegiados
pelos países, em especial, os em desenvolvimento e da evolução dos circuitos econômicos
(LÉVEQUÊ, 1999).

a. Conceitos
O conceito de biodiversidade procura referir e integrar toda a variedade que encontra-
mos em organismos vivos, nos mais diferentes níveis e ambientes. Portanto, este conceito tor-
na-se abrangente e, muitas vezes, de difícil compreensão. Dessa forma, iremos agora buscar
alguns conceitos para definição da biodiversidade ou diversidade biológica:

33
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
"A soma de todos os diferentes tipos de organismos que habitam uma região tal como o
planeta inteiro, o continente africano, a Bacia Amazônica, ou nossos quintais" (Andy Dob-
son).
"A totalidade de gens, espécies e ecossistemas de uma região e do mundo" (Estratégia
Global de Biodiversidade).
"A variedade total de vida na Terra. Inclui todos os genes, espécies e ecossistemas, e os
processos ecológicos de que são parte" (ICBP - Conselho Internacional para a Proteção das
Aves).
É importante ressaltar que a biodiversidade não é apenas uma coleção, uma quantifica-
ção das espécies existentes em uma determinada região ou localidade, é também a maneira
como estes organismos estão organizados e como eles interagem e desempenham suas ativi-
dades em um ecossistema.
Assim, entende-se por biodiversidade - ou diversidade biológica -, a variabilidade de or-
ganismos vivos de todas as origens, compreendendo, dentre outros, os ecossistemas terrestres,
marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos de que fazem parte;
compreendendo ainda, a diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas
(Convenção da Diversidade Biológica - CDB, Artigo 2). Talvez esta seja a mais completa defi-
nição para biodiversidade.

b. Impactos à biodiversidade
De acordo com Dias (2001), a diversidade biológica representa um recurso de real ou
potencial utilidade ou valor para o ser humano, pois fornece produtos para exploração e con-
sumo da humanidade, presta serviços ambientais de uso indireto essenciais à manutenção dos
diferentes sistemas econômicos de uso da terra. Assim, não é só o valor econômico que im-
porta, mas a preocupação com a conservação da biodiversidade se justifica por que esta é uma
das propriedades fundamentais da natureza, responsável pelo equilíbrio e estabilidade dos
ecossistemas.
Os principais fatores que impactam diretamente na biodiversidade, comprometendo sua
estabilidade são:
1. Perda e fragmentação dos habitats;

2. Introdução de espécies e doenças exóticas;

3. Exploração excessiva de espécies de plantas e animais;

4. Uso de híbridos e monoculturas na agroindústria e nos programas de

reflorestamento;

5. Contaminação do solo, água e atmosfera por poluentes;

6. Mudanças climáticas globais.

34
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
SÉRGIO TADEU DE OLIVEIRA SANTO
Indiretamente, também estão relacionados à perda da biodiversidade, o crescimento
acelerado das populações humanas que leva ao aumento do desmatamento, o comércio de
espécies ameaçadas de extinção, à distribuição desigual da propriedade, da geração e fluxo dos
benefícios advindos da utilização e conservação dos recursos biológicos. Tudo isso impacta
com o aumento da pobreza e da fome, dos sistemas e políticas econômicas que não atribuem o
devido valor ao meio ambiente e aos recursos naturais, sistemas jurídicos e institucionais que
promovem a exploração não sustentável dos recursos naturais e insuficiências de conhecimen-
to e falhas em sua aplicação4.

c. A Convenção da Diversidade Biológica


A Convenção da Diversidade Biológica (CDB) foi um compromisso firmado pela maio-
ria das nações do mundo durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e
Desenvolvimento (Rio ou Eco 92). É considerada uma das principais ferramentas para a con-
servação da diversidade biológica, a utilização sustentável de seus componentes e a repartição
justa e equitativa dos benefícios derivados da utilização dos recursos genéticos (Artigo 1). A
CDB foi incorporada à legislação ambiental brasileira pelo Decreto 2.519 de 1998, que pro-
mulgou a execução da Convenção no Brasil.
A CDB tornou-se um dos mais importantes instrumentos internacionais relacionados
ao meio-ambiente, pois funciona como um guarda-chuva legal/político para diversas conven-
ções e acordos ambientais, tais como: o Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança, que es-
tabelece as regras para a movimentação transfronteiriça de organismos geneticamente modifi-
cados (OGMs) vivos; o Tratado Internacional sobre Recursos Fitogenéticos para
a Alimentação e a Agricultura, que estabelece no âmbito da FAO, as regras para o acesso aos
recursos genéticos vegetais e para a repartição de benefícios; as Diretrizes de Bonn,
que orientam o estabelecimento das legislações nacionais para regular o acesso aos recursos
genéticos e a repartição dos benefícios resultantes da utilização desses recursos (combate à
biopirataria); as Diretrizes para o Turismo Sustentável e a Biodiversidade; os Princípios de
Addis Abeba para a Utilização Sustentável da Biodiversidade; as Diretrizes para a Prevenção,
Controle e Erradicação das Espécies Exóticas Invasoras; e os Princípios e Diretrizes da Abor-
dagem Ecossistêmica para a Gestão da Biodiversidade (MMA, 2015).
É importante destacar que no âmbito da CDB, foi iniciada a negociação de um Regime
Internacional sobre Acesso aos Recursos Genéticos e Repartição dos Benefícios resultantes
desse acesso.
No Brasil, esta regulamentação se deu através da Medida Provisória 2.186 – 16, de 23 de
agosto de 2001, que regulamentou o inciso II do § 1o e o § 4o do art. 225 da Constituição, os
Arts. 1o, 8o, alínea "j", 10, alínea "c", 15 e 16, alíneas 3 e 4 da Convenção sobre Diversidade

4
Fonte: WRI, IUCN, PNUMA (1993). A Estratégia Global da Biodiversidade, apud Garay e Dias (2001).

35
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
Biológica, e que dispõe sobre o acesso ao patrimônio genético, a proteção e o acesso ao conhe-
cimento tradicional associado, a repartição de benefícios e o acesso à tecnologia e transferên-
cia de tecnologia para sua conservação e utilização.

d. Perda da biodiversidade
Podemos considerar que a perda de biodiversidade está relacionada ao conjunto de in-
terferências antrópicas sobre o meio ambiente. O continente europeu foi o primeiro a sofrer
as consequências da perda da biodiversidade, no entanto a mesma situação se repete com o
continente norte americano e demais países considerados desenvolvidos.
Os danos causados com a perda da biodiversidade normalmente são considerados irre-
versíveis. O uso dos recursos naturais, assim como a conservação da biodiversidade está na
origem dos conflitos de interesses das sociedades que é preciso gerenciar. Nessas condições, o
futuro da biodiversidade dependerá dos modos de desenvolvimento que serão privilegiados
pelos países, em especial, os em desenvolvimento e da evolução dos circuitos econômicos.
As causas da perda da biodiversidade residem no desenvolvimento das atividades hu-
manas, consumidoras de espaços e de recursos, é, portanto, exatamente no contexto das rela-
ções homem-natureza, que é preciso situar as preocupações atuais e buscar as soluções even-
tuais para os problemas da humanidade. (LÉVÊQUE, 1999, p. 22).

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ATIVIDADE COMPLEMENTAR
ESTUDO DE CASO
Tudo no meio ambiente tem uma função saiba o ser humano ou não. O Ministério da
Saúde registrou 501 ataques de abelhas em 2012 no estado da Bahia. O desequilíbrio ecológico
foi apontado como a principal causa do aparecimento dos insetos na capital baiana. Diante
dos casos de morte por infecção e a infestação em domicílio, questionados especialistas expli-
caram que a diminuição da cobertura vegetal, fez com que as abelhas, por não encontrarem
árvores, procurassem abrigo para fazer a proteção do ninho. Elas preferem locais com tempe-
ratura mais baixa e com sombra. Biólogos defendem que as abelhas só atacam quando são
ameaçadas. Diante desta problemática você é líder de uma associação de bairro e tem recebido
muitas reclamações de moradores, sobre o que fazer, que órgão procurar. Conhecedor dos
conceitos de ecologia, você domina alguns princípios e sabe o porquê do desequilibro ecológi-
co. Elabore estratégias que contribuam para que a sua comunidade compreenda a importância
de se manter a harmonia da cadeia alimentar. Se matarem essas abelhas alguém vai ficar sem
comida no reino animal certo? O que você faria para ajudar a prevenir os ataques? Para aguçar
o seu pensar crítico: O que falta ao ser humano para que respeite a cadeia alimentar e contri-
bua para o equilíbrio dela?

37
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
EXERCÍCIOS PROPOSTOS

QUESTÕES ENADE

QUESTÃO 01
A Ecologia proporciona ao ser humano um estudo da nossa casa terra, para prever e
prover soluções em tempo hábil de reverter e ou amenizar danos.

A charge apresenta a ecologia simbolizada na árvore e do outro lado da ampulheta faz uma
crítica ao:

a) Desenvolvimento industrial que ignora os limites de recursos naturais;


b) Comportamento humano que tira tudo que a terra tem a oferecer e não repõe em
igual ou equivalente proporção;
c) Desequilíbrio da relação do homem com o meio ambiente;
d) Tempo que a humanidade está perdendo gastando desenfreadamente enquanto deve-
ria semear boas práticas para futuras gerações;

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PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
SÉRGIO TADEU DE OLIVEIRA SANTO
QUESTÃO 02
Meio Ambiente e Sociedade, dois aspectos de um único todo.

Com base nos estudos e no que a figura nos remete a compreensão, qual das alternativas
a seguir, define a ideal relação consciente do ser humano e o meio em que vive?
a) o ser humano é egoísta, só pensa no que a natureza pode proporcionar ao bolso;
b) a economia pode ser sustentável desde que não interfira o interesse das grandes em-
presas;
c) A sociedade vencerá o ego quando se ver dentro da ecologia, como parte a ser estuda-
da também, a fim de que melhor determine o que necessita do que acha que precisa;
d) o desequilíbrio ecológico é uma realidade devido às ações antropogênicas. Quando a
ecologia for prioridade dos debates internacionais, deixa de existir o ego;
e) Sair do ego e ir para o eco, requer apoio do governo que ainda não demonstrou ter sa-
ído com consciência desse processo;

QUESTÃO 03
(ENADE 2013) A Organização Mundial de Saúde (OMS) menciona o saneamento bási-
co precário como uma grave ameaça à saúde humana. Apesar de disseminada no mundo, a
falta de saneamento básico ainda é muito associada à pobreza, afetando, principalmente, a
população de baixa renda, que é mais vulnerável devido à subnutrição e, muitas vezes, à higie-
ne precária. Doenças relacionadas a sistemas de água e esgoto inadequados e a deficiências na
higiene causam a morte de milhões de pessoas todos os anos, com prevalência nos países de
baixa renda (PIB per capita inferior a US$ 825,00).
Dados da OMS (2009) apontam que 88% das mortes por diarreia no mundo são causa-
das pela falta de saneamento básico. Dessas mortes, aproximadamente 84% são de crianças.
Estima-se que 1,5 milhão de crianças morra a cada ano, sobretudo em países em desenvolvi-
mento, em decorrência de doenças diarreicas.

39
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
No Brasil, as doenças de transmissão feco-oral, especialmente as diarreias, representam,
em média, mais de 80% das doenças relacionadas ao saneamento ambiental inadequado
(IBGE, 2012). Disponível em: <http://www.tratabrasil.org.br>. Acesso em: 26 jul. 2013 (adap-
tado).

Com base nas informações e nos dados apresentados, redija um texto dissertativo acerca
da abrangência, no Brasil e em sua cidade, dos serviços de saneamento básico e seus impactos
na saúde da população. Em seu texto, mencione as políticas públicas já implementadas e apre-
sente uma proposta para a solução do problema apresentado no texto acima.

QUESTÃO 04
(ENADE 2013) Os gráficos abaixo indicam a evolução das empresas brasileiras na im-
plementação de práticas ambientais do ano de 2007 a 2012. Para a obtenção dos dados, mais
de 800 empresas foram pesquisadas, evidenciando-se um aumento do peso da questão ambi-
ental na estratégia de negócio das companhias.

Anuário de Gestão Ambiental 2012/2013.

Com base nos gráficos apresentados e nas normas vigentes, é correto concluir que

a) o aumento de 21% de empresas que usam fontes de energia renováveis pode ser ex-
plicado pela Lei Federal de Energias Renováveis, publicada em 2008, que obriga to-
das as empresas a utilizarem produtos renováveis como fonte de energia no processo
de produção.

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PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
SÉRGIO TADEU DE OLIVEIRA SANTO
b) as empresas que fazem o reúso da água (61%, em 2012) podem utilizar a água resi-
duária em processos, atividades e operações industriais e para consumo humano
dentro da própria indústria, conforme estabelecido pelo Conselho Nacional do Meio
Ambiente (CONAMA).
c) o aumento do número de empresas que adotam políticas para mudanças climáticas
pode estar relacionado com a publicação, em 2009, da Política Nacional de Mudan-
ças Climáticas, que prevê linhas de crédito para desenvolver atividades voltadas para
a redução de emissões de gases do efeito estufa.
d) as empresas estão preocupadas com o meio ambiente, pois se observa redução de
15% da poluição ambiental, devido ao aumento do número de companhias que
usam energia eólica como alternativa na maneira de se produzir e de se consumir no
Brasil.
e) as emissões atmosféricas do processo produtivo industrial são de inteira responsabi-
lidade do órgão ambiental que fornece a Licença de Operação do empreendimento,
o que explica o fato de a maioria das empresas (77% em 2012) possuir monitora-
mento de emissões.

QUESTÃO 05
(ENADE 2010) Analise a imagem.

Disponível em:<http://charges.uol.com.br> acesso em: 31 ago. 2010.

A charge acima visa:


a) alerta para a necessidade de ações mais eficazes de controle da poluição ambiental.
b) apontar para possíveis ações estratégicas de conservação e de uso sustentável de re-
cursos naturais.
c) mostrar a quantidade de partículas em suspensão na atmosfera cuja concentração
representa transtorno ambiental.

41
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
d) apresentar um desequilíbrio irreversível causado no ecossistema pela ação predató-
ria do ser humano.
e) demonstrar a urgência de serem criadas leis mais severas de proteção ambiental e de
exploração de recursos hídricos.

INFORM@ÇÃO

WALL-E (2008) - Se você gosta de desenho animado, vai se apaixonar por este. Vale a
pena sentar com seu(s) filho(s) e assistir. Este filme vai ampliar sua visão, fazer você rir, se
entristecer com a atitude humana e se emocionar com o personagem principal que é o título
da animação. Uma produção audiovisual da Walt Disney/Pixar que conseguiu retratar um
futuro apocalíptico, em que a Terra se transformou num gigantesco lixão sem vida, exceto por
uma graciosa barata. Apesar do estúdio ter minimizado a mensagem ambiental nas propagan-
das do filme, Wall-e - o último robô no planeta, apesar de mudo, tem uma mensagem muito
importante para passar para sua família.

AMAZÔNIA ETERNA – Um documentário de 88 minutos que apresenta algumas mu-


danças que tem dado certo na Amazônia - uma floresta que gera esperança, oportunidades e
futuro. Considerada a maior floresta tropical do planeta, a obra apresenta ao telespectador
iniciativas que aliam com sucesso ecologia e economia. A Amazônia é colocada como a prota-
gonista de mudanças que podem interferir positivamente o nosso futuro.

42
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
SÉRGIO TADEU DE OLIVEIRA SANTO
1.2
TEMA 2.
POLÍTICAS E LEGISLAÇÃO AMBIENTAL
Chegamos a um assunto que nos remete a nossa história. Os principais movimentos em
defesa do Meio Ambiente tiveram início logo após os movimentos hippies e pacifistas da dé-
cada de 1960, nos Estados Unidos, que posteriormente criou o superfund. Em seguida espa-
lhou-se para a Europa Ocidental, Japão e Austrália. A partir da década de 1970, a preocupação
ambiental surgiu como movimento social.

1.2.1
CONTEÚDO 1.
POLÍTICAS PÚBLICAS AMBIENTAIS
Na medida em que surgiam os problemas ambientais e, principalmente, o homem se
dava conta do esgotamento de recursos naturais iniciaram-se as preocupações com a gestão
ambiental pelos governos e organizações. A partir da Revolução Industrial sinais de degrada-
ção ambiental, como a poluição, começaram a ser tratados de modo mais sistemático. Os pri-
meiros registros de manifestações sobre gestão ambiental buscavam soluções dos problemas
de poluição/degradação e escassez de recursos, ou seja, com caráter corretivo. Tais situações
permanecem ainda nos dias de hoje. A partir da década de 70, em vários países, começaram a
surgir políticas governamentais que procuram tratar as questões ambientais de modo integra-
do e introduzindo uma abordagem mais preventiva. Essas medidas surgiram em função dos
debates da Conferência de Estocolmo de 1972 (Capítulo I) e demais discussões acerca da te-
mática ambiental no mundo (BARBIERE, 2007, p. 71).
A gestão ambiental pública é a ação do poder público conduzida segundo uma política
pública ambiental. Sendo o conjunto de objetivos, diretrizes, instrumentos de ação que o po-
der público dispõe para produzir efeitos desejáveis sobre o meio ambiente. A partir da mobili-
zação do Estado, inicia-se o surgimento de instrumentos de políticas públicas ambientais de
que o poder público pode se valer para evitar novos problemas ambientais, bem como elimi-
nar ou minimizar os já existentes. (BARBIERE, 2007, p. 71).

43
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
Os principais grupos de instrumentos de políticas públicas ambientais estão apresenta-
dos na Figura 19.

Gênero Tipo

Padrão de emissão

Padrão de qualidade

Padrão de desempenho

Padrões tecnológicos

Proibições e restrições sobre poluição,


Comando e Controle
comercialização e uso de produtos e

processos

Licenciamento ambiental

Zoneamento ambiental

Estudo prévio de Impacto Ambiental

Tributação sobre poluição

Tributação sobre uso de recursos natu-

rais

Incentivos fiscais para reduzir emissões e

conservar recursos

Remuneração pela conservação de servi-

Econômico ços ambientais

Financiamentos em condições especiais

Criação e sustentação de mercados de

produtos ambientalmente saudáveis

Permissões negociáveis

Sistema de depósito-retorno

Poder de compra do Estado

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PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
SÉRGIO TADEU DE OLIVEIRA SANTO
Apoio ao desenvolvimento científico e

tecnológico

Outros Educação ambiental

Unidades de Conservação

Informações ao público

Figura 19: instrumentos de política pública ambiental.


Fonte: Adaptado de Barbiere, 2007, p. 73.

Os instrumentos de comando e controle, também conhecidos como de regulação direta,


limitam ou condicionam o uso de bens, a realização de atividades e o exercício de liberdades
individuais, como exemplo temos os Padrões de qualidade ambiental que estão condicionados
pelas quantidades e características das emissões de gases e fumaça em veículos automotores
(limite máximo de emissão de monóxido de carbono de veículo automotores: 24g/km); ou os
Padrões de emissão que referem-se aos lançamentos de poluentes individualizados por fonte,
seja ela fixa ou estacionária. Estes estabelecem os níveis máximos aceitáveis de cada tipo de
poluente por fonte poluidora (0,5mg/l de chumbo) ou uma quantidade máxima por unidade
de tempo (ex. tonelada de CO² por dia, mês ou ano).
No caso dos instrumentos econômicos, procura-se influenciar o comportamento das
pessoas e das organizações em relação ao meio ambiente utilizando-se medidas que represen-
tem benefícios ou custos adicionais para elas, como por exemplo, a tributação sobre a polui-
ção, incentivos fiscais para reduzir emissões e conservar recursos. (BARBIERI, 2007, p. 75).
Há ainda instrumentos públicos de mercado, que surgiram nos EUA, em 1970, e são aqueles
em que são possibilitadas as permissões de emissões transferíveis ou o mercado de permissões
negociáveis, ou seja, a empresa que gera menos emissões poderá negociar seus excedentes aos
que necessitam.

Princípio do Poluidor-pagador
Assim como estabelecido na legislação ambiental brasileira, o princípio do poluidor pa-
gador foi adotado pela Conferência do Rio de Janeiro em 1992, nos seus princípios n.º 7 e 16
(TAKEDA, 2010):

Os Estados deverão cooperar com o espírito de solidariedade mundial para


conservar, proteger e restabelecer a saúde e a integridade do ecossistema da
Terra. Tendo em vista que tenham contribuído notadamente para a degrada-
ção do ambiente mundial, os Estados têm responsabilidades comuns, mas di-
ferenciadas. Os países desenvolvidos reconhecem a responsabilidade que lhes
cabe na busca internacional do desenvolvimento sustentável, em vista das

45
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
pressões que suas sociedades exercem sobre o meio ambiente mundial e das
tecnologias e dos recursos financeiros de que dispõem (TAKEDA, 2010).

Esse princípio tem como premissa que a cobrança de tributos ambientais objetiva inter-
nalizar os custos ambientais produzidos pelos particulares ou empresas para que estes não
recaiam sobre a sociedade (custos externos ou sociais). Para exemplificar tal princípio, utili-
zemos a seguinte explicação – a poluição de um rio causada por um processo produtivo repre-
senta custos reais desse processo, porém é a sociedade que paga por eles, constituindo-se, des-
sa forma, em custos externos à empresa poluidora (BARBIERE, 2007, p. 78). Ou seja, a
população faz uso do rio e de seus recursos de maneira menos impactante do que a empresa,
por isso não deve pagar a mesma conta que a empresa pelo impacto causado ao rio.
Atualmente, empresas de todo mundo buscam o desenvolvimento sustentável dos seus
negócios, o que se dará por meio da eficiência econômica, equidade social e proteção do meio
ambiente. Dessa forma, os governos e instituições dos mais variados setores da sociedade de-
vem promover “Uma política pública ambiental deve contemplar a educação ambiental como
um de seus instrumentos, pois deve preparar o ser humano para viver em harmonia com o
meio ambiente”.

Para enriquecer seus conhecimentos pesquise um pouco mais sobre os princípios do polui-
dor pagador e usuário pagador.
pagador.

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PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
SÉRGIO TADEU DE OLIVEIRA SANTO
1.2.2
CONTEÚDO 2.
POLÍTICA NACIONAL DE MEIO AMBIENTE E SUA IMPORTÂNCIA PARA
LEGISLAÇÃO AMBIENTAL NO BRASIL
Antes de falar da Política Nacional de Meio Ambiente é preciso expor o conceito de Le-
gislação Ambiental que é o conjunto de normas jurídicas que tem como objetivo disciplinar a
atividade humana, para torná-la compatível com a proteção do meio ambiente e utilização
racional dos recursos naturais, assim como apresentar o histórico e as origens da legislação
que contribuiu para o atual arcabouço de leis ambientais brasileiras.
Assim, as primeiras formulações legislativas disciplinadoras do meio ambiente, são en-
contradas na legislação portuguesa que vigorou no Brasil até o advento do Código Civil, em
1916, e que listou várias normas de caráter ecológico. Em seguida, começa a florescer a legisla-
ção tutelar do meio ambiente no Brasil, com o aparecimento dos primeiros diplomas legais
permeados por algumas regras específicas pertinentes aos fatores ambientais, como por exem-
plo, (MILARÉ, 2001, p. 94):
• Decreto 16.300, de 31/12/1923: Regulamento de Saúde Pública;
• Decreto 23.793, de 23/01/1934: Código Florestal (substituído pela Lei
4.771/1965);
• Decreto 24.114, de 12/04/1934: Regulamento de Defesa Sanitária Vegetal;
• Decreto 24.643, de 10/07/1934: Código das Águas;
• Decreto – Lei 25, de 30/11/1937: Patrimônio Cultural (organiza a proteção do
patrimônio histórico e artístico nacional);
• Decreto-Lei 794, de 19/10/1938: Código de Pesca (Substituído pelo Decreto
221/1967).
Na década de 1960, com a emergência do movimento ecológico, novos instrumentos le-
gais, com normas mais diretamente dirigidas à prevenção e ao controle da degradação ambi-
ental surgiram no Brasil, como o Novo Código Florestal (Lei 4.771/1965), a Lei de Proteção à
Fauna (Lei 5197/1967), o Código de Pesca (Decreto – Lei 221/1967), a criação do Conselho
Nacional de Controle da Poluição Ambiental (Decreto-Lei 303/1967), entre outras. (MILARÉ,
2001, p. 97).
A partir da década de 1980, a legislação sobre a matéria passou a desenvolver-se com
maior consistência e agilidade. A legislação existente até o início desta década não se preocu-
pava em proteger o meio ambiente de maneira específica e sistêmica, apenas cuidava dos re-
cursos de maneira limitada e eventual objetivando sua utilização e evitando o esgotamento.
(MILARÉ, 2001, p. 98).
No Brasil, como em outros países, a legislação ambiental emergiu como resultado do
movimento ambientalista que se estabeleceu no cenário internacional no final dos anos 60,
principalmente a partir da Conferência das Nações Unidas em Estocolmo, em 1972. A partir
desta conferência uma nova compreensão das questões ambientais passou a nortear os legisla-

47
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
dores brasileiros que voltaram as suas atenções para a proteção do patrimônio ambiental do
país sob uma ótica mais integral e sistêmica.
Dentre as leis ambientais vigentes no país daremos destaque a algumas, consideradas re-
levantes para o seu conhecimento, pois como a Legislação Ambiental Brasileira é uma das
mais ricas do mundo, é difícil trata-la em poucas páginas de um capítulo.

Lei n° 6.938/81 - Política Nacional de Meio Ambiente

A Lei n° 6.938/81 que instituiu a Política Nacional de Meio Ambiente, é um dos princi-
pais documentos legais do país, pois além de estabelecer princípios, objetivos e instrumentos a
serem cumpridos, criou o Sistema Nacional de Meio Ambiente – SISNAMA.
Pode-se afirmar que todos os princípios da Política Nacional de Meio Ambiente mere-
cem destaque, uma vez que indicam uma maior preocupação com a proteção dos recursos
ambientais e a proposição de utilização “sustentável” destes recursos, são eles:
• Ação governamental na manutenção do equilíbrio ecológico, considerando o
meio ambiente como um patrimônio público a ser necessariamente assegurado e
protegido, tendo em vista o uso coletivo.
• Racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar.
• Planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambientais.
• Proteção dos ecossistemas, com a preservação de áreas representativas.
• Controle e zoneamento das atividades potenciais ou efetivamente poluidoras.
• Incentivos ao estudo e à pesquisa de tecnologias orientadas para o uso racional e
a proteção dos recursos ambientais.
• Acompanhamento do estado da qualidade ambiental.
• Recuperação de áreas degradadas.
• Proteção de áreas ameaçadas de degradação.
• Educação ambiental em todos os níveis do ensino, inclusive a educação da co-
munidade, objetivando capacitá-la para participação ativa na defesa do meio
ambiente.
É observado dentre os objetivos da Política Nacional do Meio Ambiente, que existia
uma preocupação em promover a utilização racional dos recursos naturais, com vistas à dis-
ponibilidade permanente destes recursos. Assim, destacamos como objetivos mais marcantes
desta lei:
• A compatibilização do desenvolvimento econômico social com a preservação da
qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico.

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PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
SÉRGIO TADEU DE OLIVEIRA SANTO
• O estabelecimento de critérios e padrões da qualidade ambiental e de normas relati-
vas ao uso e ao manejo de recursos ambientais, incentivo ao desenvolvimento de
pesquisas e de tecnologias nacionais orientadas para o uso racional de recursos am-
bientais.
• A preservação e restauração dos recursos ambientais com vistas à sua utilização ra-
cional e disponibilidade permanente, concorrendo para a manutenção do equilíbrio
ecológico propício à vida.

Além dos objetivos acima citados, a referida lei consagrou a responsabilidade objetiva,
impondo ao poluidor e ao predador, a obrigação de recuperar e/ou indenizar os danos causa-
dos ao meio ambiente independentemente de sua culpa. Determina ainda que os usuários
devam contribuir pela utilização de recursos ambientais com fins econômicos.
• Os instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente são importantes ele-
mentos para a implementação da gestão ambiental no país. Podemos citar alguns
exemplos dessas ferramentas de gestão regulamentadas por legislações específi-
cas tais como:
• Estabelecimento de padrões de qualidade ambiental, o que, em geral, são regu-
lamentadas a partir de Resoluções do CONAMA como padrões de qualidade da
água (Resolução CONAMA n°357/2005, bem como outras resoluções que alte-
ram e complementam), padrão de qualidade do ar (Resolução CONAMA
n°03/1990), padrão que estabelece limites máximos de ruídos dos veículos auto-
motores em uso (Resolução CONAMA n°252/1999), entre outras.
• Zoneamento ambiental, também conhecido como Zoneamento Econômico Eco-
lógico, visa o planejamento integrado, surgindo como “solução” para o ordena-
mento do uso racional dos recursos, manutenção da biodiversidade, e de proces-
sos naturais e serviços ambientais ecossistêmicos, frente à rápida expansão
urbana e exploração imobiliária, as fronteiras agrícolas e a industrialização
(IBAMA, 2015). O artigo 9º, inciso II, da Lei n°6.938/81, apresenta o zoneamen-
to ambiental como um dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambien-
te, sendo que na maioria das vezes estes zoneamentos são estabelecidos pelo Pla-
no Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) nas grandes cidades.
• A avaliação de impactos e o licenciamento ambiental, a revisão de atividades efe-
tivas ou potencialmente poluidoras, é um dos principais instrumentos de contro-
le ambiental vigentes no país. A implantação de obras ou atividades potencial-
mente poluidoras deve ser avaliada pelos órgãos ambientais em suas diferentes
esferas, atribuições e competências (definidas por resoluções específicas), em su-
as diferentes fases: seja no estudo da viabilidade ambiental do empreendimento,
seja durante a instalação/ implantação, seja durante a fase de operação. Esses es-
tudos, regulamentados pelas Resoluções CONAMA n°001/1986 (Avaliação de
Impacto Ambiental) e 237/97 (Licenciamento Ambiental) permitem avaliar por
meio de estudos técnicos (e matrizes de Avaliação de /Impacto) os aspectos e

49
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
impactos ambientais ligados à obras, atividades ou empreendimentos a serem
implantados. É importante ressaltar que estas Resoluções são apenas marcos
norteadores. Existe uma enorme especificidade de Resoluções Conama aplicáveis
aos mais variados tipos de obras, atividades e empreendimentos.

Para saber mais sobre o licenciamento ambiental acesse a cartilha do ministério do meio
ambiente no link:
http://www.mma.gov.br/estruturas/sqa_pnla/_arquivos/cartilha.de.licenciamento.ambiental
.segunda.edicao.pdf

• A criação de espaços territoriais especialmente protegidos pelo Poder Público


federal, estadual e municipal é também um importante instrumento de gestão
ambiental pois, permite “guardar” remanescentes de florestas, espécies animais e
vegetais ameaçados e ainda garantir a manutenção de serviços ecossistêmicos5
para as gerações presentes e futuras. Essa ferramenta foi instituída pelo Sistema
Nacional de Unidades de Conservação, o SNUC (Lei n°9985/2000), e regulamen-
tada pelo Decreto n°4.340/2002.
A definição de serviços ambientais ou serviços ecossistêmicos é
simples: trata-se dos benefícios que as pessoas obtêm da nature-
za direta ou indiretamente, através dos ecossistemas, a fim de
5 sustentar a vida no planeta. A Avaliação Ecossistêmica do Mi-
lênio da ONU, publicada em 2005, criou uma classificação para
os serviços ambientais, dividindo-os da seguinte forma: (1)
Serviços de Provisão: os produtos obtidos dos ecossistemas.
Exemplos: alimentos, água doce, fibras, produtos químicos,
madeira. (2) Serviços de Regulação: benefícios obtidos a partir
de processos naturais que regulam as condições ambientais.
Exemplos: absorção de CO² pela fotossíntese das florestas; con-
trole do clima, polinização de plantas, controle de doenças e
pragas. (3) Serviços Culturais: São os benefícios intangíveis
obtidos, de natureza recreativa, educacional, religiosa ou estéti-
co-paisagística. (4) Serviços de Suporte: Contribuem para a
produção de outros serviços ecossistêmicos: Ciclagem de nutri-
entes, formação do solo, dispersão de sementes. A preservação
dos ecossistemas e, consequentemente, dos serviços ambientais
Disponível em: http://www.diadecampo.com.br/arquivos/ por eles prestados é fundamental à existência humana. No en-
image_bank/especiais/MEI_Sangha_Novembro_Grafico_
tanto, economicamente, a preservação por muito tempo não foi
201111882631.jpg> Acesso em 15 jun 2015.
vista como atraente. Em curto prazo, outras atividades, como a
pecuária e a produção de grãos, são mais lucrativas, porém
degradam o ambiente. Disponível em:
http://www.oeco.org.br/dicionario-ambiental/28158-o-que-sao-
servicos-ambientais>. Acesso em 15 de jun 05.

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PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
SÉRGIO TADEU DE OLIVEIRA SANTO
• Dentre os instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente, podemos ainda
destacar, as penalidades disciplinares ou compensatórias aplicadas pelo não
cumprimento das medidas necessárias à preservação ou à correção da degrada-
ção ambiental.
A Política Nacional do Meio Ambiente criou o Sistema Nacional de Meio Ambiente -
SISNAMA, formado pelos órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos
Municípios e pelas Fundações instituídas pelo Poder Público, responsáveis pela proteção e
melhoria da qualidade ambiental (MILARÉ, 2001, p. 295). Dessa forma, surge um sistema de
gestão dos recursos ambientais baseado na cooperação entre os entes federados, cuja estrutura
é composta por:
1. Órgão Superior (Conselho de Governo): tem como função assessorar o Presidente da
República na formulação da política nacional e nas diretrizes governamentais para o meio
ambiente e os recursos ambientais.
2. Órgão Consultivo e Deliberativo (Conselho Nacional do Meio Ambiente –
CONAMA): tem como finalidade assessorar, estudar e propor ao Conselho de Governo, dire-
trizes de políticas governamentais para o meio ambiente e os recursos naturais e deliberar, no
âmbito de sua competência, sobre normas e padrões compatíveis com o meio ambiente ecolo-
gicamente equilibrado e essencial à sadia qualidade de vida.
3. Órgão Central (Ministério do Meio Ambiente – MMA): com a finalidade de planejar,
coordenar, supervisionar e controlar, como órgão federal, a política nacional e as diretrizes
governamentais fixadas para o meio ambiente.
4. Órgão Executor (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Re-
nováveis – IBAMA): tem a finalidade de executar e fazer executar, como órgão federal, a polí-
tica e diretrizes governamentais fixadas para o meio ambiente.
5. Órgãos Seccionais: os órgãos ou entidades estaduais responsáveis pela execução de
programas, projetos e pelo controle e fiscalização de atividades capazes de provocar a degra-
dação ambiental.
6. Órgãos Locais: os órgãos ou entidades municipais, responsáveis pelo controle e fisca-
lização dessas atividades, nas suas respectivas jurisdições.
Para finalizar os instrumentos de gestão ambiental e as formas de controle e fiscalização
estabelecidos pela Política Nacional de Meio Ambiente citaremos a seguir a Lei dos Crimes
Ambientais, pois essa legislação também é considerada um importante marco regulatório para
a proteção ambiental no Brasil.

Lei n°9.605, de 12 de fevereiro de 1998, Lei dos Crimes Ambientais


A Lei n°9.605, de 12 de fevereiro de 1998, também conhecida como a Lei dos Crimes
Ambientais, ou ainda Lei da Vida, dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas
de condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente.

51
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
De acordo com a Lei dos Crimes, a pessoa jurídica (representante legal ou contratual no
interesse ou benefício da sua entidade), assim como a pessoa física, pode ser responsabilizada
administrativa, civil e penalmente.
Para a imposição e gradação da pena, são observadas a gravidade do dano ambiental, os
antecedentes do infrator e a sua situação econômica. Além disso, são citadas nos artigos 14 e
15 respectivamente, as circunstâncias que atenuam e agravam a pena. Como exemplos de cir-
cunstâncias que atenuam a pena, podemos citar:
(1) O baixo grau de instrução ou escolaridade do agente.
(2) O arrependimento do infrator, manifestado pela espontânea reparação do dano, ou
limitação significativa da degradação ambiental causada.
(3) A comunicação prévia pelo agente do perigo iminente de degradação ambiental.
(4) A colaboração com os agentes encarregados da vigilância e do controle ambiental.

São circunstâncias que agravam a pena, a reincidência nos crimes de natureza ambien-
tal, as situações que afetem ou exponham ao perigo a saúde pública ou o meio ambiente, que
causem danos às áreas de unidades de conservação, em período de defesa à fauna, aos domin-
gos ou feriados, à noite, o abuso do direito de licença, permissão ou autorização ambiental
entre outros.
As penalidades atribuídas aos crimes ambientais podem ser aplicadas isolada, cumulati-
va ou alternativamente.
• O decreto nº6.514/2008, regulamentou a Lei dos Crimes Ambientais e dispõe sobre
as infrações e sanções administrativas ao meio ambiente, estabelece o processo ad-
ministrativo federal para apuração destas infrações e dá outras providências. Os ar-
tigos 72 da Lei 9.605/98 e 3º do Decreto nº6.514/08 apresentam as penas aplicáveis
aos crimes cometidos contra o meio ambiente. São elas:
• Advertência.
• Multa simples.
• Multa diária.
• Apreensão dos animais, produtos e subprodutos da fauna e flora e demais produtos
e subprodutos objeto da infração, instrumentos, petrechos, equipamentos ou veícu-
los de qualquer natureza utilizados na infração; (Redação dada pelo Decreto nº
6.686, de 2008).
• Destruição ou inutilização do produto.
• Suspensão de venda e fabricação do produto.
• Embargo de obra ou atividade e suas respectivas áreas.
• Demolição de obra.
• Suspensão parcial ou total das atividades.
• Restritiva de direitos.
• Reparação dos danos causados.

52
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
SÉRGIO TADEU DE OLIVEIRA SANTO
A partir do Capítulo V da Lei n° 9.605/98, constam as seções que descrevem (tipificam)
especificamente os crimes contra a Fauna, a Flora, o Ordenamento Urbano e o Patrimônio
Cultural e a Administração Ambiental.

Para saber mais sobre os crimes ambientais consulte a cartilha no link:


http://www.ibama.gov.br/phocadownload/cnia/2-lei-crimes-ambientais.pdf.
/cnia/2-lei-crimes-ambientais.pdf.

1.2.3
CONTEÚDO 3.
CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 E O MEIO AMBIENTE
Para consagrar a Política Nacional de Meio Ambiente a proteção do meio ambiente foi
elevada a nível constitucional, sendo a Constituição da Republica Federativa do Brasil de 1988,
reconhecida como a 1ª Constituição Verde do Brasil.
No Capítulo VI do Título VIII, dirigido à Ordem Social, foram tratados temas específi-
cos sobre a questão ambiental, embora esta seja observada em outros capítulos devido ao seu
conteúdo multidisciplinar.
No Título III, que trata da Organização do Estado, está definido como bem da união, “os
recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva”. Neste título, es-
tão definidas como competências comuns da União, dos Estados do Distrito Federal e dos
Municípios (art. 23), a proteção dos documentos, das obras e de outros bens de valor históri-
co, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológi-
cos, a proteção do meio ambiente e o combate à poluição em qualquer de suas formas e a pre-
servação das florestas, da fauna e da flora.
No que se refere à competência para formulação de leis, a União, os Estados e o Distrito
Federal podem legislar concorrentemente sobre florestas, caça, pesca, fauna, conservação da
natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da po-
luição, proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico; responsa-
bilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, aos bens e aos direitos de valor artístico,
estético, histórico, turístico e paisagístico.
O Título VII da CF/88, que trata da Ordem Econômica e Financeira, traz em seu art.
170, como princípio da ordem econômica brasileira, a defesa do meio ambiente. É observado

53
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
que a Constituição Federal apresenta uma nova dimensão da temática ambiental, revelando
no seu conteúdo a necessidade de integração das questões de ordem social, econômica e ambi-
ental.
A Constituição Federal/1988 trouxe um capítulo próprio para o Meio Ambiente, no
qual institucionalizou o direito ao meio ambiente sadio como direito fundamental do indiví-
duo (MILARÉ, 2001, p. 233).
Vejamos o artigo 225 na íntegra:

Capítulo VI

Do Meio Ambiente

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso co-
mum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coleti-
vidade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

§ 1º - Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao poder público:

I - Preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das


espécies e ecossistemas.

II - Preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as


entidades dedicadas à pesquisa e à manipulação de material genético.

III - Definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a


serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através
de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifi-
quem sua proteção.

IV - Exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora


de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se
dará publicidade.

V - Controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias


que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente.

VI - Promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização públi-


ca para a preservação do meio ambiente.

54
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
SÉRGIO TADEU DE OLIVEIRA SANTO
VII - Proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco
sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais à cruelda-
de.

§ 2º - Aquele que explorar recursos minerais ficará obrigado a recuperar o meio ambiente
degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma
da lei.

§ 3º - As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infrato-


res, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da
obrigação de reparar os danos causados.

§ 4º - A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-


Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da
lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao
uso dos recursos naturais.

§ 5º - São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações discri-
minatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais.

§ 6º - As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei
federal, sem o que, não poderão ser instaladas.

O meio ambiente foi expressamente reconhecido como um “bem de uso comum do po-
vo e essencial à sadia qualidade de vida”, sendo imposta a corresponsabilidade ao cidadão e ao
Poder Público pela sua defesa e proteção.
• De acordo com a Constituição Federal/1988, para assegurar a efetividade do direito
ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, foi incumbido ao Poder Público:
• Preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico
das espécies e ecossistemas.
• Preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as
entidades dedicadas à pesquisa e à manipulação de material genético.
• Definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes
a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas so-
mente através de lei, proibida qualquer utilização que comprometa a integridade
dos atributos que justifiquem sua proteção.

55
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
• Exigir para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significati-
va degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará
publicidade.
• Controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e subs-
tâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente.
• Promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização
pública para a preservação do meio ambiente.
• Proteger a fauna e a flora, sendo proibidas as práticas que coloquem em risco sua
função ecológica ou provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a
crueldade.

A Constituição Federal/1988 adotou alguns dos princípios, objetivos e instrumentos da


Política Nacional de Meio Ambiente (Lei 6.938/81), ressaltando questões fundamentais para a
gestão ambiental, como a preservação dos processos ecológicos e utilização racional dos recur-
sos naturais, a criação de áreas protegidas, a realização de estudo prévio sobre o impacto am-
biental e a promoção da educação ambiental.
Na Constituição Federal/1988, as condutas e atividades consideradas lesivas ao meio
ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrati-
vas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados. Isso significa que, além
das penalidades aplicadas aos crimes cometidos contra o meio ambiente, o infrator deve recu-
perar os danos causados. Destacamos a responsabilidade objetiva prevista na Lei 6.938/81, que
foi totalmente recepcionada pela nova ordem constitucional.

1.2.4
CONTEÚDO 4.
POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS
Temos acompanhado uma tendência mundial de aumento de consumo e consequente-
mente de resíduos gerados, principalmente a partir da globalização e do rompimento de fron-
teiras de compras frenéticas pela internet (afinal quem nunca comprou pela internet produtos
Xingling?!). No Brasil essa tendência não é diferente. A população brasileira aumentou 9,65%,
enquanto que, no mesmo período, o volume de lixo cresceu mais do que o dobro disso, 21%,
sendo o mais grave dos problemas a ausência de descarte adequado desses resíduos. De acordo
com dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais
(Abrelpe), só em 2012, dos 64 milhões de toneladas de resíduos produzidos pela população, 24
milhões (37,5%) foram enviados para destinos inadequados (OECO, 2015).
Com vistas a promover o descarte adequado do lixo que é não só prejudicial ao meio
ambiente, mas também pode também gerar sérias consequências para a saúde da população,
se instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Após muitos anos de tramitação entre
ministérios, congresso e senado federal, finalmente em 2010 ela foi sancionada e os prazos

56
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
SÉRGIO TADEU DE OLIVEIRA SANTO
para sua regulamentação de alguns de seus temas, estabelecido até o ano de 2015. Veremos
uma linha do tempo com apresentação de eventos ligados a regulamentação dessa lei (Figura
20).

Figura 20: histórico da política nacional de resíduos sólidos. Fonte: autoria própria adaptado de ministério do meio ambiente
(http://www.mma.gov.br/cidades-sustentaveis/residuos-solidos/politica-nacional-de-residuos-solidos/linha-do-tempo).

A Lei nº 12.305/10 que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e foi
regulamentada pelo Decreto 7.404/10, propõe a prática de hábitos de consumo sustentável e
contém instrumentos variados para propiciar o aumento da reciclagem e da reutilização dos
resíduos sólidos (aquilo que tem valor econômico e pode ser reciclado ou reaproveitado) e a
destinação ambientalmente adequada dos rejeitos (aquilo que não pode ser reciclado ou reuti-
lizado). Por ser bastante atual, esses instrumentos permitem o avanço necessário ao País no
enfrentamento de problemas ambientais, sociais e econômicos decorrentes do manejo inade-
quado dos resíduos sólidos, além de contribuir para o cumprimento de metas ligadas a Políti-
ca Nacional de Mudanças do Clima que é de alcançar o índice de reciclagem de resíduos de
20% em 2015.

57
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
A Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos congregou conceitos modernos da gestão
de resíduos sólidos e trouxe novidades à legislação ambiental brasileira. São alguns pontos
relevantes dessa Lei:
• Responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos: conjunto de atri-
buições dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, dos consumi-
dores e dos titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e manejo dos resíduos
sólidos pela minimização do volume de resíduos sólidos e rejeitos gerados, bem co-
mo pela redução dos impactos causados à saúde humana e à qualidade ambiental
decorrentes do ciclo de vida dos produtos, nos termos desta Lei;
• Acordo Setorial: ato de natureza contratual firmado entre o poder público e fabri-
cantes, importadores, distribuidores ou comerciantes, tendo em vista a implantação
da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto;
• Logística Reversa: instrumento de desenvolvimento econômico e social, caracteriza-
do por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta
e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em
seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente
adequada;
• Coleta seletiva: coleta de resíduos sólidos previamente segregados conforme sua
constituição ou composição;
• Ciclo de Vida do Produto: série de etapas que envolvem o desenvolvimento do pro-
duto, a obtenção de matérias-primas e insumos, o processo produtivo, o consumo e
a disposição final;
• Sistema de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos - SINIR: tem co-
mo objetivo armazenar, tratar e fornecer informações que apoiem as funções ou
processos de uma organização. Essencialmente é composto de um sub-sistema for-
mado por pessoas, processos, informações e documentos, e um outro composto por
equipamentos e seu meios de comunicação;
• Catadores de materiais recicláveis: diversos artigos abordam o tema, com o incenti-
vo a mecanismos que fortaleçam a atuação de associações ou cooperativas, o que é
fundamental na gestão dos resíduos sólidos;
• Planos de Resíduos Sólidos: O Plano Nacional de Resíduos Sólidos a ser elaborado
com ampla participação social, contendo metas e estratégias nacionais sobre o tema,
como por exemplo a eliminação dos lixões até o ano de 2014, e também estão pre-
vistos planos estaduais, microrregionais, de regiões metropolitanas, planos inter-
municipais, municipais de gestão integrada de resíduos sólidos e os planos de ge-
renciamento de resíduos sólidos.

É importante destacar que lixo que produzimos é uma questão ambiental e consequen-
temente não pode ser compartimentada a só uma entidade ou pessoa, sendo, dessa forma,
responsabilidade de todos já que o ambiente ecologicamente equilibrado e essencial a sadia
qualidade de vida é prioritário para o uso comum de todos os brasileiros. Vamos compreen-

58
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
SÉRGIO TADEU DE OLIVEIRA SANTO
der a partir da lei a classificação dos resíduos sólidos? De acordo com o Art. 13 da PNRS, os
resíduos sólidos têm a seguinte classificação (tabela 1):
a) resíduos domiciliares: os ori-
ginários de atividades domésticas em
residências urbanas;
b) resíduos de limpeza urbana:
os originários da varrição, limpeza de
logradouros e vias públicas e outros
serviços de limpeza urbana;
c) resíduos sólidos urbanos: os
englobados nas alíneas “a” e “b”;
d) resíduos de estabelecimentos
comerciais e prestadores de serviços:
os gerados nessas atividades, excetua-
dos os referidos nas alíneas “b”, “e”,
“g”, “h” e “j”;
e) resíduos dos serviços públi-
cos de saneamento básico: os gerados
nessas atividades, excetuados os refe-
ridos na alínea “c”;
I - quanto à origem:
f) resíduos industriais: os gera-
dos nos processos produtivos e insta-
lações industriais;
g) resíduos de serviços de saú-
de: os gerados nos serviços de saúde,
conforme definido em regulamento
ou em normas estabelecidas pelos
órgãos do Sisnama e do SNVS;
h) resíduos da construção civil:
os gerados nas construções, reformas,
reparos e demolições de obras de
construção civil, incluídos os resul-
tantes da preparação e escavação de
terrenos para obras civis;
i) resíduos agrossilvopastoris:
os gerados nas atividades agropecuá-
rias e silviculturais, incluídos os rela-
cionados a insumos utilizados nessas
atividades;

59
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
j) resíduos de serviços de trans-
portes: os originários de portos, aero-
portos, terminais alfandegários, ro-
doviários e ferroviários e passagens
de fronteira;
k) resíduos de mineração: os
gerados na atividade de pesquisa,
extração ou beneficiamento de miné-
rios;
a) resíduos perigosos: aqueles
que, em razão de suas características
de inflamabilidade, corrosividade,
reatividade, toxicidade, patogenicida-
de, carcinogenicidade, teratogenici-
dade e mutagenicidade, apresentam
significativo risco à saúde pública ou
à qualidade ambiental, de acordo com
lei, regulamento ou norma técnica;
II - quanto à periculosi- b) resíduos não perigosos:
dade: aqueles não enquadrados na alínea
“a”.
Parágrafo único. Respeitado o
disposto no art. 20, os resíduos refe-
ridos na alínea “d” do inciso I
do caput, se caracterizados como não
perigosos, podem, em razão de sua
natureza, composição ou volume, ser
equiparados aos resíduos domiciliares
pelo poder público municipal.
Tabela 1: Classificação dos resíduos, segundo a PNRS.
Fonte: Adaptado da Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Podemos citar como princípios da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Art. 6°), I - a
prevenção e a precaução; II - o poluidor-pagador e o protetor-recebedor; III - a visão sistêmi-
ca, na gestão dos resíduos sólidos, que considere as variáveis ambiental, social, cultural, eco-
nômica, tecnológica e de saúde pública; IV - o desenvolvimento sustentável; V - a ecoeficiên-
cia, mediante a compatibilização entre o fornecimento, a preços competitivos, de bens e
serviços qualificados que satisfaçam as necessidades humanas e tragam qualidade de vida e a
redução do impacto ambiental e do consumo de recursos naturais a um nível, no mínimo,

60
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
SÉRGIO TADEU DE OLIVEIRA SANTO
equivalente à capacidade de sustentação estimada do planeta; VI - a cooperação entre as dife-
rentes esferas do poder público, o setor empresarial e demais segmentos da sociedade; VII - a
responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos; VIII - o reconhecimento do
resíduo sólido reutilizável e reciclável como um bem econômico e de valor social, gerador de
trabalho e renda e promotor de cidadania; IX - o respeito às diversidades locais e regionais; X -
o direito da sociedade à informação e ao controle social; XI - a razoabilidade e a proporciona-
lidade.
Dentre os objetivos da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Art. 7°), temos :
I - proteção da saúde pública e da qualidade ambiental;
II - não geração, redução, reutilização, reciclagem e tratamento dos resíduos sólidos,
bem como disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos;
III - estímulo à adoção de padrões sustentáveis de produção e consumo de bens e servi-
ços;
IV - adoção, desenvolvimento e aprimoramento de tecnologias limpas como forma de
minimizar impactos ambientais;
V - redução do volume e da periculosidade dos resíduos perigosos;
VI - incentivo à indústria da reciclagem, tendo em vista fomentar o uso de matérias-
primas e insumos derivados de materiais recicláveis e reciclados;
VII - gestão integrada de resíduos sólidos;
VIII - articulação entre as diferentes esferas do poder público, e destas com o setor em-
presarial, com vistas à cooperação técnica e financeira para a gestão integrada de resíduos só-
lidos;
IX - capacitação técnica continuada na área de resíduos sólidos;
X - regularidade, continuidade, funcionalidade e universalização da prestação dos servi-
ços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos, com adoção de mecanismos
gerenciais e econômicos que assegurem a recuperação dos custos dos serviços prestados, como
forma de garantir sua sustentabilidade operacional e financeira, observada a Lei nº 11.445, de
2007;
XI - prioridade, nas aquisições e contratações governamentais, para:
a) produtos reciclados e recicláveis;
b) bens, serviços e obras que considerem critérios compatíveis com padrões de consumo
social e ambientalmente sustentáveis;
XII - integração dos catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis nas ações que en-
volvam a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos;
XIII - estímulo à implementação da avaliação do ciclo de vida do produto;
XIV - incentivo ao desenvolvimento de sistemas de gestão ambiental e empresarial vol-
tados para a melhoria dos processos produtivos e ao reaproveitamento dos resíduos sólidos,
incluídos a recuperação e o aproveitamento energético;

61
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
XV - estímulo à rotulagem ambiental e ao consumo sustentável.
Como já comentado anteriormente, os instrumentos (Art. 8°)da Política Nacional de
Resíduos Sólidos são:
I - os planos de resíduos sólidos;
II - os inventários e o sistema declaratório anual de resíduos sólidos;
III - a coleta seletiva, os sistemas de logística reversa e outras ferramentas relacionadas à
implementação da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos;
IV - o incentivo à criação e ao desenvolvimento de cooperativas ou de outras formas de
associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis;
V - o monitoramento e a fiscalização ambiental, sanitária e agropecuária;
VI - a cooperação técnica e financeira entre os setores público e privado para o desen-
volvimento de pesquisas de novos produtos, métodos, processos e tecnologias de gestão, reci-
clagem, reutilização, tratamento de resíduos e disposição final ambientalmente adequada de
rejeitos;
VII - a pesquisa científica e tecnológica;
VIII - a educação ambiental;
IX - os incentivos fiscais, financeiros e creditícios;
X - o Fundo Nacional do Meio Ambiente e o Fundo Nacional de Desenvolvimento Ci-
entífico e Tecnológico;
XI - o Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (Sinir);
XII - o Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa);
XIII - os conselhos de meio ambiente e, no que couber, os de saúde;
XIV - os órgãos colegiados municipais destinados ao controle social dos serviços de re-
síduos sólidos urbanos;
XV - o Cadastro Nacional de Operadores de Resíduos Perigosos;
XVI - os acordos setoriais;
XVII - no que couber, os instrumentos da Política Nacional de Meio Ambiente, entre
eles:
a) os padrões de qualidade ambiental;
b) o Cadastro Técnico Federal de Atividades Potencialmente Poluidoras ou Utilizadoras
de Recursos Ambientais;
c) o Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumentos de Defesa Ambiental;
d) a Avaliação de impactos ambientais;
e) o Sistema Nacional de Informação sobre Meio Ambiente (Sinima);
f) o Licenciamento e a revisão de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras;

62
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
SÉRGIO TADEU DE OLIVEIRA SANTO
XVIII - os termos de compromisso e os termos de ajustamento de conduta; XIX - o in-
centivo à adoção de consórcios ou de outras formas de cooperação entre os entes federados,
com vistas à elevação das escalas de aproveitamento e à redução dos custos envolvidos.
Conforme destacado acima, alguns dos instrumentos a Política Nacional de Meio Am-
biente se fizeram presentes na Política Nacional de Resíduos Sólidos corroborando a impor-
tâncias desses instrumentos para a efetividades da Gestão ambiental do País.

Considerações sobre a Legislação Ambiental Brasileira


O Brasil possui uma das mais modernas legislações ambientais do mundo. Nos últimos
30 anos, foram criadas normas que regulamentaram a questão do petróleo e gás, energia, re-
cursos hídricos, biodiversidade, unidades de conservação e florestas, poluição atmosférica etc,
garantindo ordenamento jurídico para controle e proteção ambiental de quase todos os temas
ligados a área ambiental. Apesar de haverem lacunas existentes na legislação brasileira, um
dos maiores problemas observados é a não aplicação das normas legais vigentes, seja devido à
carência de pessoal para atuar nas áreas de fiscalização e/ou pela ausência de aparelhamento
dos órgãos ambientais em termos de recursos financeiros e materiais para operacionalizar as
suas ações. Isso não impede que a proteção seja feita e que a população se mobilize exigindo
do poder público uma atuação mais comprometida com o meio ambiente.

ATIVIDADE COMPLEMENTAR
ESTUDO DE CASO
Nestas duas décadas que sucederam o surgimento da agenda 21, que visa traduzir em
ações o conceito de desenvolvimento sustentável. Até que ponto este documento trouxe mu-
danças significativas para a proteção do meio ambiente? Quais aspectos dentro dos 40 capítu-
los você considera mais relevantes na sua cidade, levante uma problemática que a Agenda 21
auxiliaria com soluções sustentáveis. A disciplina propõe no título ‘Meio Ambiente e socieda-
de’, como este plano de ação pode atuar de forma mais eficaz?

1. Sobre a Agenda 21, podemos dizer que:


a) É um documento assinado por 189 países participantes da Conferência;
b) Estabeleceu a importância de cada país a se comprometer com a reflexão global e lo-
cal sobre a mudança de tábua de marés;
c) Governos, empresas, organizações não governamentais e todos os setores da socieda-
de passariam a cooperar no estudo de soluções para os problemas socioambientais.
d) Foi um dos principais resultados da conferência Eco-92 ou Rio-92, que se realizou na
cidade do no Rio de Janeiro, Brasil, em Junho de 1993.

63
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
2. Sobre o desenvolvimento da Agenda 21, podemos afirmar que:
a) No Brasil as discussões são coordenadas pela Comissão de Políticas de Desenvolvi-
mento Nacional Habitacional (CPDS);
b) Cada país desenvolve a sua Agenda 21;
c) Todos os países desobedecem ao acordo proposto em 1993;
d) Há um engajamento dentro de cada país para que a Agenda seja destituída.

3. As ações prioritárias da Agenda 21 brasileira são:


I. A sustentabilidade urbana e rural;
II. A não preservação dos recursos naturais e minerais;
III. Os programas de inclusão social (com o acesso de toda a população à educação, saú-
de e distribuição de renda);
IV. A ética política para o planejamento rumo ao desenvolvimento sustentável. Sobre as
afirmações feitas, podemos dizer que:
a) As proposições I, III, IV e V estão certas;
b) As afirmações I, III, IV e V estão erradas;
c) As proposições I, IV e V estão erradas;
d) as afirmações II, III estão certas.

4. Apesar das ações prioritárias, a agenda 21 considera a mais importante delas:


a) É o planejamento de sistemas de produção e consumo sustentáveis contra a cultura
do desperdício;
b) Elaborar planos de judicialização de crimes ambientais;
c) Permitir o acesso controlado de exploradores na Amazônia;
d) A presente contribuição acadêmica ao programa de erradicação da Caatinga.

5. Na Seção 2 da Agenda 21, sobre a Conservação e gestão dos recursos para o desenvol-
vimento, assinale o item que não estiver na lista:
a) Luta contra o desmatamento
b) Proteção da atmosfera
c) Enfoque integrado do planejamento e da ordenação dos recursos das terras
d) Acordos institucionais internacionais.

64
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
SÉRGIO TADEU DE OLIVEIRA SANTO
EXERCÍCIOS PROPOSTOS
QUESTÕES ENADE

QUESTÃO 01
(ENADE 2010)O Código de Aguas, estabelecido pelo Decreto Federal n.o 24.643, de
1934, constitui um marco legal na gestão dos recursos hídricos no Brasil. O código foi institu-
ído em
um momento de transição, em que o Brasil deixava de ser uma economia agraria para se
tornar uma economia urbano-industrial.
Considerando o Código de Águas, avalie as informações que se seguem.
I. A necessidade de preservação das condições da água pelo usuário de jusante perante
os usuários de montante regulamenta o aproveitamento das águas comuns.
II. O regime de outorga define que as águas públicas não podem ser derivadas para apli-
cação na agricultura, da indústria e da higiene sem a existência de concessão administrativa.
III. A definição do uso prioritário da água para o abastecimento público estabelece a
preferência da derivação para o abastecimento das populações.
a) I.
b) II.
c) III.
d) I e II.
e) II e III.

65
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
QUESTÃO 02
(ENADE 2010). A figura a seguir representa o ciclo hidrológico ou ciclo da água, fenô-
meno mantido pela energia solar e pela gravidade.

Por ser de circulação fechada, a quantidade total de água da Terra permanece constante.
Estima-se que o volume de água do planeta seja de aproximadamente 1,4 bilhão de quilôme-
tros cúbicos, distribuídos conforme apresentado no gráfico.

Com base nas informações do texto, da figura e do gráfico apresentados, avalie as afir-
mações abaixo.
Da quantidade total de água doce da Terra,87% encontram-se nos lagos.

66
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
SÉRGIO TADEU DE OLIVEIRA SANTO
II. No ciclo hidrológico, existem quatro locais onde ocorre o armazenamento de água,
sendo que cerca de um terço do volume total está no subsolo.
O volume de água doce retira nas camadas de gelo e geleiras é maior do que 25 milhões
de quilômetros cúbicos.
Os rios representam 0,00018% do volume total de água do planeta.
São corretas apenas as afirmações:
a) I e II.
b) I e III.
c) II e III.
d) II e IV.
e) III e IV.

INFORM@ÇÃO
Série Contagem Regressiva ‘Mega construções Itaipu’ – este é um documentário de
aproximadamente 47 minutos sobre a engenharia da Usina Hidrelétrica de Itaipu. Está dispo-
nível no youtube. A produção audiovisual mostra a megaestrutura que Itaipu exige para sua
produção e as interferências na vida de milhares de pessoas. A Usina Hidrelétrica de Itaipu é
uma usina hidrelétrica binacional localizada no Rio Paraná, na fronteira entre o Brasil e o Pa-
raguai. Itaipu é hoje a maior usina geradora de energia do mundo. Um clássico exemplo de
que temos convenções por todo o mundo mas, que a conscientização precisa chegar aos diver-
sos graus do poder tão cobiçado pelas nações.

Série Agenda 21, a utopia concreta: Parte I, II e III - A série aborda a história do desper-
tar da consciência ecológica e da eclosão do movimento ambientalista. Dá especial destaque à
Agenda 21 - documento de referência da Rio-92, realizada no Rio de Janeiro em 1992 - , na
qual os governos dos países participantes se comprometeram a trabalhar com a questão do
meio ambiente.

67
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
68
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
SÉRGIO TADEU DE OLIVEIRA SANTO
BLOCO
TEMÁTICO2
EDUCAÇÃO E GESTÃO AMBIENTAL
2.1
TEMA 3.
EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA SUSTENTABILIDADE

2.1.1
CONTEÚDO 1.
MARCOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL

A educação ambiental não é algo assim tão novo, efetivou-se como uma preocupação
no âmbito da educação há mais ou menos quatro décadas. A emergência da crise ambiental
como uma preocupação específica da educação foi precedida de certa “ecologização das socie-
dades”. Essa ecologização começou no momento em que o meio ambiente deixou de ser um
assunto exclusivo de amantes da natureza e se tornou um assunto da sociedade civil de manei-
ra mais ampla (GRUN, 1996, p.15).
O surgimento da educação ambiental, segundo Worster 1992 (apud Grun 1996), se deu
no ano de 1945, no Deserto de Los Alamos, Novo México, Estados Unidos, quando a equipe
científica liderada pelo físico R. Oppenheimer explodia experimentalmente a primeira bomba
atômica. De acordo com o autor, o Homo sapiens sapiens havia conquistado o poder de des-
truição total de si próprio e de todas as demais espécies sobre a face da terra. Os seres huma-
nos adquiriram a autoconsciência da possibilidade de destruição completa do Planeta. Segun-
do esse autor, a bomba atômica plantava as primeiras sementes do ambientalismo
contemporâneo.

A Onda Ambientalista
O movimento ambientalista nasce, de acordo com Cascino (2000, p.31), na década de
60, período em que ocorreram grandes movimentos, como dos hippies, a explosão do femi-
nismo, o movimento negro – Black Power –, o pacifismo, a liberação sexual e a pílula, as dro-
gas, o rock and roll, as manifestações antiguerra fria e a corrida armamentista e anti-Vietnã.
Esse surgimento em meio a uma fase de transformação social permitiu que o movimento am-
bientalista ganhasse força e se consolidasse com a devida importância na sociedade moderna.
Segundo McCormick 1992, apud Cascino 2000 p 35,

O movimento ambientalista foi um produto de forças tanto internas quanto


externas a seus objetivos imediatos. Os elementos de mudança já vinham
emergindo muito antes dos anos 60; quando finalmente se entrecruzam uns
com os outros e com fatores sociopolíticos mais amplos, o resultado foi uma
nova força em prol da mudança social e política. Seis fatores em particular

71
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
parecem ter desempenhado um papel na mudança: os efeitos da afluência, a
era dos testes atômicos, o livro Silent Spring6 (Primavera silenciosa), uma sé-
rie de desastres ambientais bastantes divulgados, avanços nos conhecimentos
científicos e a influência de outros movimentos sociais (MCCORMICK,
1992, apud CASCINO 2000, p. 35).

A expressão educação ambiental foi utilizada pela primeira vez na “Conferência de Edu-
cação” da Universidade de Keele, Grã-Bretanha, em 1965 (MMA, 2007). Em 1968, nasceu no
Reino Unido, o Conselho para Educação Ambiental. Neste mesmo ano, surgiu o Clube de
Roma, que, em 1972, publicou o relatório “Os Limites do Crescimento Econômico” no qual
definiu ações para se obter no mundo um equilíbrio global, tendo em vista as prioridades so-
ciais.
Em 1972, a Conferência das Nações sobre o Ambiente Humano, em Estocolmo, chamou
a atenção mundial para os problemas ambientais, sendo um marco histórico internacional
para a educação ambiental. Esta firmou as bases para um novo entendimento a respeito das
relações entre o ambiente, o homem e o desenvolvimento. Nessa mesma conferência, foi enfa-
tizada a necessidade de se criar novos instrumentos para tratar os problemas ambientais, e,
entre estes, a educação ambiental que passou a receber atenção especial em praticamente to-
dos os fóruns relacionados à temática do desenvolvimento e meio ambiente. A Resolução 96,
da Conferência de Estocolmo, recomendou a educação ambiental de caráter interdisciplinar,
com o objetivo de preparar o ser humano para viver em harmonia com o meio ambiente
(BARBIERE, 2007, p. 89).
Em resposta às recomendações da Conferência de Estocolmo (1972), a UNESCO e o
PNUMA promoveram em Belgrado (Iugoslávia), um Encontro Internacional sobre Educação
Ambiental em 1975, no qual criou o Programa Internacional de Educação Ambiental (PIEA) e
formulou os seguintes princípios orientadores: a Educação Ambiental deve ser continuada,
multidisciplinar, integrada às diferenças regionais e voltada para os interesses nacionais. A
Carta de Belgrado é ainda considerada como um dos documentos mais lúcidos e importantes
gerados nesta década, pois trata de temas que falam que a erradicação das causas básicas da
pobreza, o analfabetismo, a poluição, a exploração e a dominação, além da necessidade de
uma ética global. Finalizava com a proposta para um programa mundial de Educação Ambi-
ental, trazendo como objetivos:

1. Conscientização: contribuir para que indivíduos e grupos adquiram consciência e


sensibilidade em relação ao meio ambiente como um todo e quanto aos problemas relaciona-
dos com ele.

6
Publicação do Livro Primavera Silenciosa, da Bióloga Raquel Carson, que apresentava os efeitos danosos do DDT, no meio
ambiente e para saúde humana, comentada no Conteúdo I,.

72
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
2. Conhecimento: propiciar uma compreensão básica sobre o meio ambiente, princi-
palmente quanto às influências do ser humano e de suas atividades.
3. Atitudes: propiciar a aquisição de valores e motivação para induzir uma participação
ativa na proteção ao meio ambiente e na resolução dos problemas ambientais.
4. Habilidades: proporcionar condições para que os indivíduos e grupos sociais adqui-
ram as habilidades necessárias a essa participação ativa.
5. Capacidade de avaliação: estimular a avaliação das providências efetivamente tomadas
em relação ao meio ambiente e aos programas de educação ambiental.
6. Participação: contribuir para que os indivíduos e grupos desenvolvam o senso de res-
ponsabilidade e de urgência com respeito às questões ambientais.

Em 1977, foi realizada a Conferência Intergovernamental de Educação Ambiental em


Tbilisi, Geórgia (ex-URSS), organizada pela UNESCO com a colaboração do PNUMA. Os
objetivos e diretrizes mencionados em Belgrado foram ratificados, e com base nestes, foram
enunciados 41 recomendações sobre educação ambiental. Definiram-se os objetivos, as carac-
terísticas da educação ambiental, assim como as estratégias pertinentes no plano nacional e
internacional.
A Política Nacional de Meio Ambiente, Lei 6.938/81, trouxe como princípio a necessi-
dade de inclusão da educação ambiental em todos os níveis de ensino.
Já em 1987, dez anos depois de Tbilisi, as suas proposições foram referendadas na Con-
ferência Internacional sobre Educação e Formação Ambiental realizada em Moscou. Nesta,
foram discutidas questões de natureza pedagógica com vistas à proposição de uma estratégia
internacional para a década de 90, envolvendo questões como a importância da formação de
recursos humanos nas áreas formais e não formais da educação ambiental e a inclusão da di-
mensão ambiental nos currículos de todos os níveis.
A Constituição da República Federativa do Brasil 1988, no capítulo dedicado ao Meio
Ambiente (Art. 225, Inciso VI), determina ao Poder Público, a promoção da educação ambi-
ental em todos os níveis de ensino, reforçando a legislação ambiental anterior que trata do
tema.
Durante a Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a RIO-92, o
MEC promoveu em Jacarepaguá, um workshop com o objetivo de socializar os resultados das
experiências nacionais e internacionais de educação ambiental, discutindo metodologias e
currículos, sendo resultado deste encontro a Carta Brasileira para a Educação Ambiental.
Também durante a Rio-92, foi elaborado o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades
Sustentáveis e Responsabilidade Global, no qual a Educação Ambiental foi entendida como
um processo de aprendizado permanente, baseado no respeito a todas as formas de vida e na
contribuição para a formação de uma sociedade justa e ecologicamente equilibrada. São prin-

73
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
cípios deste tratado: a educação ambiental deve basear-se num pensamento crítico e inovador;
ter como propósito formar cidadãos com consciência local e planetária; ser um ato político,
baseado em valores para a transformação social; envolver uma perspectiva holística, enfocan-
do a relação entre o ser humano, a natureza e o universo de forma interdisciplinar e deve es-
timular a solidariedade, o respeito aos direitos humanos e a equidade.
A educação ambiental está presente em diversas áreas dos programas propostos na
Agenda 21, além do Capítulo 36, dedicado à promoção do ensino, da conscientização pública
e do treinamento, cujos princípios básicos são as recomendações da Conferência de Tbilisi de
1977. O capítulo 36 destaca que deve ser dada uma nova orientação do ensino para o desen-
volvimento sustentável, tanto no ensino formal, quanto no informal, essa reorientação é in-
dispensável para modificar a atitude das pessoas e para conferir consciência ambiental, ética,
valores, técnicas e comportamentos em consonância com as exigências de um novo padrão de
responsabilidade socioambiental (BARBIERE, 2007, p. 88-89).
Em 1995, foi criada a Câmara Técnica temporária de Educação Ambiental no Conselho
Nacional de Meio Ambiente - CONAMA, determinante para o fortalecimento da Educação
Ambiental. Em 1996, o Plano Plurianual do Governo 1996/1999, definiu como principais ob-
jetivos da área de Meio Ambiente a “promoção da Educação Ambiental, por meio da divulga-
ção e uso de conhecimentos sobre tecnologias de gestão sustentável dos recursos naturais”,
procurando garantir a implementação do Programa Nacional de Educação Ambiental.
A Conferência Internacional sobre Meio Ambiente e Sociedade: Educação e Consciên-
cia Pública para a Sustentabilidade – Thessaloniki (1997) reconheceu que passados cinco anos
da Conferência Rio-92, o desenvolvimento da educação ambiental foi insuficiente. Essa afir-
mação pode ser trazida para os dias atuais. Embora os esforços para implantação da educação
ambiental em todos os níveis de ensino, nas organizações e para a sociedade civil como um
todo, as iniciativas ainda são insuficientes diante da necessidade de mudanças rápidas e efica-
zes no modelo atual de desenvolvimento e nos padrões de produção e consumo.
O Brasil apresentou o documento “Declaração de Brasília para a Educação Ambiental”,
consolidado após a I Conferência Nacional de Educação Ambiental – CNIA. Nesta Conferên-
cia, foi reconhecido que a visão de educação e consciência pública foi enriquecida e reforçada
pelas conferências internacionais e que os planos de ação dessas conferências devem ser im-
plementados pelos governos nacionais, sociedade civil (incluindo ONGs, empresas e a comu-
nidade educacional), a ONU e outras organizações internacionais. Também em 1997, foram
elaborados os Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs com o tema “Convívio Social, Ética
e Meio Ambiente”, nos quais a dimensão ambiental é inserida como um tema transversal

74
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
2.1.2
CONTEÚDO 2.
CONCEITO(AÇÃO) E POLÍTICA NACIONAL DE MEIO AMBIENTE

São muitos os conceitos relacionados à educação ambiental, entretanto todos se baseiam


em ações, atitudes e práticas que visam promover a sensibilização do ser humano.
A educação ambiental é a ação educativa permanente pela qual a comunidade educativa
tem a tomada de consciência de sua realidade global, do tipo de relações que os homens esta-
belecem entre si e com a natureza, dos problemas derivados de ditas relações e suas causas
profundas. Ela desenvolve, mediante uma prática que vincula o educando com a comunidade,
valores e atitudes que promovem um comportamento dirigido à transformação superadora
dessa realidade, tanto em seus aspectos naturais como sociais, desenvolvendo no educando as
habilidades e atitudes necessárias para a transformação (Ministério do Meio Ambiente, 2011,
on-line).
A educação ambiental tem como objetivo despertar no homem a consciência de que ele
é parte integrante do meio ambiente. A Conferência Sub-Regional de Educação Ambiental
para a Educação Secundária no Chosica, Peru, em 1976, define que,

A educação ambiental é um processo de reconhecimento de valores e clarifi-


cações de conceitos, objetivando o desenvolvimento das habilidades e modi-
ficando as atitudes em relação ao meio, para entender e apreciar as inter-
relações entre os seres humanos, suas culturas e seus meios biofísicos. A edu-
cação ambiental também está relacionada com a prática das tomadas de deci-
sões e a ética que conduzem para a melhora da qualidade de vida.

Na Conferência Intergovernamental de Tbilisi (1977), a educação Ambiental foi defini-


da como:

Processo em que se busca despertar a preocupação individual e coletiva para


a questão ambiental, garantindo o acesso à informação em linguagem ade-
quada, contribuindo para o desenvolvimento de uma consciência crítica e es-
timulando o enfrentamento das questões ambientais e sociais. Desenvolve-se
num contexto de complexidade, procurando trabalhar não apenas a mudan-
ça cultural, mas também a transformação social, assumindo a crise ambiental
como uma questão ética e política.

Já no art. 1o da Política Nacional de Educação Ambiental (Lei n. 9.795/99), a educação


ambiental é definida como:

Entende-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indi-
víduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades,
atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem

75
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabi-
lidade.

Todos estes conceitos deixam claro que a educação ambiental é proposição para uma
mudança individual e coletiva de atitudes com relação ao meio ambiente.
Em 1999, é promulgada a Lei nº 9.795 de 27 de abril de 1999, que institui a Política Na-
cional de Educação Ambiental. Esta lei dispõe sobre a educação ambiental, estabelecendo co-
mo princípios básicos da educação ambiental, o enfoque humanista, holístico, democrático e
participativo, a concepção do meio ambiente em sua totalidade, considerando a interdepen-
dência entre o meio natural, o socioeconômico e o cultural, sob o enfoque da sustentabilidade;
o pluralismo de ideias e concepções pedagógicas, na perspectiva da inter, multi e transdisci-
plinaridade; a vinculação entre a ética, a educação, o trabalho e as práticas sociais; a garantia
de continuidade e permanência do processo educativo; a permanente avaliação crítica do pro-
cesso educativo; a abordagem articulada das questões ambientais locais, regionais, nacionais e
globais; o reconhecimento e o respeito à pluralidade e à diversidade individual e cultural. A
Política Nacional de Educação Ambiental envolve além dos órgãos e entidades integrantes do
SISNAMA (Sistema Nacional do Meio Ambiente), instituições educacionais públicas e priva-
das dos sistemas de ensino, os órgãos públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios e organizações não-governamentais com atuação em educação ambiental.
Além dos princípios, esta lei traz, também, os objetivos, ações e práticas educativas voltadas à
sensibilização da coletividade sobre questões ambientais.

2.1.3
CONTEÚDO 3.
PROGRAMA NACIONAL DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL

No campo da Política Nacional de Educação Ambiental está o Programa Nacional de


Educação Ambiental, coordenadas pelo mesmo órgão gestor. As ações destinam-se a assegu-
rar, no âmbito educativo, a integração das diferentes dimensões da sustentabilidade - ambien-
tal, social, ética, cultural, econômica, espacial e política, ao tempo em que promovem o desen-
volvimento do País, resultando em melhor qualidade de vida para toda a população brasileira
(MMA, 2015, on-line).
Além de ser uma constante exercício de Transversalidade, o ProNEA cria espaços de in-
terlocução bilateral e múltipla para internalizar a educação ambiental no conjunto do gover-
no, contribuindo assim para a agenda transversal, que busca o diálogo entre as políticas seto-
riais ambientais, educativas, econômicas, sociais e de infra-estrutura, de modo a participar das
decisões de investimentos desses setores e a monitorar e avaliar, sob a ótica educacional e da
sustentabilidade, o impacto de tais políticas. Assim com a regulamentação da Política Nacio-
nal de Educação Ambiental, o ProNEA compartilha a missão de Fortalecimento do Sistema

76
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
Nacional de Meio Ambiente (Sisnama), bem como desempenha um importante papel na ori-
entação de agentes públicos e privados para a reflexão e construção de alternativas que alme-
jem a Sustentabilidade. Dentre as estratégias e ações do ProNEA, a geração e disponibilização
de informações que permitem a participação social na discussão, na formulação, implementa-
ção, fiscalização e avaliação das políticas ambientais voltadas à construção de valores culturais
comprometidos com a qualidade ambiental e a justiça social; e apoio à sociedade na busca de
um modelo socioeconômico sustentável (MMA, 2015, on-line).
As linhas de ação estão focadas na gestão e planejamento da Educação Ambiental no Pa-
ís e na formação de educadores ambientais e na comunicação para educação ambiental. Para
tanto, uma das ferramentas utilizadas é o Sistema Brasileiro de Informação sobre Educação
Ambiental (SIbea) desenvolvido em uma parceria entre o governo e a sociedade. É nesse con-
texto de formação de novas parceiras que o Departamento de Educação Ambiental pretende
estimular a ampliação e o aprofundamento da educação ambiental em todos os municípios e
setores do país, contribuindo para a construção de territórios sustentáveis e pessoas atuantes e
felizes.

2.1.4
CONTEÚDO 4.
CONSUMO, SUSTENTABILIDADE E QUALIDADE DE VIDA

Consumismo
Os bens de consumo, continuamente produzidos pelo sistema industrial, são considera-
dos um símbolo do sucesso das economias capitalistas modernas. No entanto, esta abundância
passou a receber uma conotação negativa, sendo objeto de críticas que consideram o consu-
mismo um dos principais problemas das sociedades industriais contemporâneas.
Com a expansão da sociedade de consumo que foi amplamente influenciada pelo estilo
de vida norte-americano, o consumo se transformou em uma compulsão estimulada pelas
forças do mercado da moda e do marketing. A sociedade de consumo produz carências e de-
sejos (materiais e simbólicos) incessantemente e os indivíduos passam a ser reconhecidos,
avaliados e julgados por aquilo que consomem, e não mais, por aquilo que são.
Até mesmo a felicidade e a qualidade de vida estão sendo associadas e reduzidas às con-
quistas materiais. Isto acaba levando a um ciclo vicioso, em que o indivíduo trabalha para
manter e ostentar um nível de consumo, reduzindo o tempo dedicado ao lazer, a outras ativi-
dades sociais, bem como as relações com a sociedade.

77
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
O consumo é o lugar no qual os conflitos entre as classes, originados pela participação
desigual na estrutura produtiva, ganham continuidade, através da desigualdade na distribui-
ção e apropriação dos bens. O termo sociedade de consumo é uma das inúmeras tentativas de
compreensão das mudanças que vêm ocorrendo nas sociedades contemporâneas. Refere-se à
importância que o consumo tem ganhado na formação e fortalecimento das nossas identida-
des e na construção das relações sociais. Podemos chamar de consumismo a expansão da cul-
tura do “ter” em detrimento da cultura do “ser”.
A partir do movimento ambientalista, surgem novos argumentos contra os hábitos os-
tensivos, perdulários e consumistas, deixando evidente que o padrão de consumo das socieda-
des ocidentais modernas, além de ser socialmente injusto e moralmente indefensável, é ambi-
entalmente insustentável.
Até mesmo a Agenda 21 destaca a preocupação com o impacto ambiental de diferentes
estilos de vida e padrões de consumo:

Enquanto a pobreza tem como resultado determinados tipos de pressão am-


biental, as principais causas da deterioração ininterrupta do meio ambiente
mundial são os padrões insustentáveis de consumo e produção, especialmen-
te nos países industrializados. Motivo de séria preocupação, tais padrões de
consumo e produção provocam o agravamento da pobreza e dos desequilí-
brios (AGENDA 21, Cap 4).

A partir da percepção de que os atuais padrões de consumo estão na raiz da crise ambi-
ental, a crítica ao consumismo passou a ser vista como uma contribuição para a construção de
uma sociedade mais sustentável. Como o consumo faz parte do relacionamento entre as pes-
soas e promove a sua integração nos grupos sociais, a mudança nos seus padrões torna-se
muito difícil. Por isso, este tema tem feito parte dos programas de educação ambiental e mui-
tos conceitos importantes vêm ganhando destaque nos últimos anos, tais como:

Consumo verde
É aquele em que o consumidor, além de buscar melhor qualidade e preço, inclui em seu
poder de escolha, a variável ambiental, dando preferência a produtos e serviços que não agri-
dam o meio ambiente, tanto na produção, quanto na distribuição, no consumo e no descarte
final.
Consumo ético, consumo responsável e consumo consciente.
• São expressões que surgiram como forma de incluir a preocupação com aspectos so-
ciais e não só ecológicos, nas atividades de consumo. São características essenciais
que devem fazer parte de qualquer estratégia de consumo sustentável:
• Deve ser parte de um estilo de vida sustentável em uma sociedade sustentável.
• Deve contribuir para nossa capacidade de aprimoramento, enquanto indivíduo e
sociedade.

78
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
• Requer justiça no acesso ao capital natural, econômico e social para as presentes e
futuras gerações.
• O consumo material deve se tornar cada vez menos importante em relação a outros
componentes da felicidade e da qualidade de vida.
• Deve ser consistente com a conservação e melhoria do ambiente natural.
• Deve acarretar um processo de aprendizagem, criatividade e adaptação.

Consumo sustentável
O conceito de consumo sustentável é mais amplo que os anteriores, pois além das ino-
vações tecnológicas e das mudanças nas escolhas individuais de consumo, enfatiza ações cole-
tivas e mudanças políticas, econômicas e institucionais, para fazer com que os padrões e os
níveis de consumo se tornem mais sustentáveis.
Os consumidores devem exigir permanentemente uma postura ética e responsável de
empresas, governos e de outros consumidores. Estas estratégias trazem benefícios importan-
tes, como o fato de os cidadãos comuns sentirem, na prática, que podem ajudar a reduzir os
problemas ambientais.
A educação Ambiental consiste em práticas para mudarmos a realidade dos problemas
ambientais atuais, minimizando os impactos futuros em toda a sociedade. A partir de agora,
vamos apresentar ações voltadas para a redução do desperdício, controle da poluição e boas
práticas para melhoramos a qualidade e a relação do homem com o meio ambiente7!

Sustentabilidade
Embora o tema sustentabilidade seja pauta das mais diversas reuniões, acordos, nacio-
nais e internacionais e de programas de governos e de empresas, observamos que na prática
depende de mudanças que partem do comportamento individual com reflexos no coletivo.
Essas mudanças individuais se dão por meio de atitudes e comportamentos com relação ao
meio ambiente, e de ações coletivas adotadas pelas organizações governamentais e não gover-
namentais que visam minimizar os impactos sobre o meio ambiente. Esse talvez seja o cami-
nho para alcançar as metas do tão desejado “desenvolvimento sustentável”.
Veremos a seguir algumas medidas práticas que podem ser adotadas em nosso dia a dia
para redução do desperdício e economia de nossos recursos naturais.

7
As informações apresentadas a seguir foram retirada do Livro Consumo Sustentável: manual de educação.
Brasília: Consumers Internacional/MMA/IDEC, 2005. 144p.

79
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
Água
Estas são ações voltadas para a redução do desperdício e para o controle da poluição da
água.
1 - Para reduzir o desperdício de água:

• Diminuir o desperdício de água na produção agrícola e industrial, a partir do con-


trole dos volumes de água utilizados nos processos industriais, da introdução de
técnicas de reuso de água e da utilização de equipamentos e métodos de irrigação
poupadores de água.
• Reduzir o consumo doméstico de água a partir da incorporação do conceito de con-
sumo sustentável de água no nosso dia a dia. Para tanto, é necessário que cada um
de nós promova mudanças de hábitos (bastante arraigados e bastante conhecidos
por todos), envolvendo, por exemplo, o tempo necessário para tomar banho, o cos-
tume de escovar os dentes com a torneira aberta, o uso de mangueira para lavar ca-
sas e carros etc.
• Reduzir o desperdício de água tratada nos sistemas de abastecimento de água, recu-
perando os sistemas antigos e introduzindo medidas de manejo que tornem os sis-
temas mais eficientes.

2. Para reduzir a poluição decorrente das atividades agrícolas:

• Reduzir o uso de agrotóxicos e fertilizantes na agricultura.


• Implantar medidas de controle de erosão de solos e de redução dos processos de as-
soreamento de corpos de água, tanto em nível urbano como rural.

3 . Para reduzir a poluição das águas:

• Apoiar iniciativas que visem à implantação de sistemas de tratamento de esgotos,


como forma de reduzir a contaminação da água.
• Exigir que o município faça o tratamento adequado dos resíduos. Propor, por
exemplo, a instalação de sistemas de coleta seletiva e reciclagem de resíduos sólidos;
aterros sanitários, estações de recebimento de produtos tóxicos agrícolas e domicili-
ares, tais como restos de tinta, solventes, petróleo, embalagem de agrotóxicos, entre
outros.
• Organizar-se. Os consumidores organizados podem pressionar as empresas para
que produzam detergentes, produtos de limpeza, embalagens etc. que causem me-
nos impactos ambientais.

80
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
Quantidade
Consumo de Água por atividade
(em litros)

01 descarga no WC 10 a 16

01 minuto no chuveiro 15

01 tanque com água 150

01 lavagem de mãos 3a5

01 lavagem com máquina de lavar 150

01 lavagem com lava-louça 20 a 25

Escovar os dentes com água corrente 11

Lavagem do automóvel com mangueira 100

Tabela 2: Consumo de água por atividades do dia a dia.


Fonte: Adaptado do manual educação e consumo sustentável (2005).

Alimentos
A adoção destas práticas de cultivo minimiza o uso de insumos químicos:

• Usar as partes não aproveitadas das plantas como adubo orgânico.


• Consorciar a criação de animais e o cultivo de plantas, utilizando o excremento dos
primeiros na compostagem.
• Fazer igualmente a compostagem a partir de resíduos agrícolas e domiciliares, para
que sejam aproveitados como fertilizantes.
• Aplicar sistema de rotação dos cultivos, a fim de não empobrecer a terra e aumentar
a incidência de pragas e doenças.
• Diversificar o sistema produtivo, introduzindo espécies consorciáveis a partir de
princípios de alelopatia (estudo que estabelece que plantas se adaptem à presença de
outras).
• Preservar a biodiversidade, as fontes de água, as áreas de preservação permanentes e
reservas legais da propriedade.
• Associar o cultivo de árvores e alimentos.

81
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
• Contribuir com a geração de empregos, renda e educação para a população

rural, especialmente os mais jovens.

• Estimular o associativismo e o cooperativismo, de maneira a facilitar a conver-

são coletiva dos produtores de uma região para a agricultura sustentável.

E como consumidor:

• Informar-se sobre a importância da agricultura sustentável e seus benefícios para a


produção de alimentos, inclusive em relação à saúde dos indivíduos e ambientes.
• Apoiar propostas de produção regional, especialmente à familiar e associada, com o
objetivo de fortalecer a segurança alimentar local e reduzir o desperdício de energia
no transporte.
• Exigir que os produtores respeitem as leis ambientais, assim como a legislação tra-
balhista e que utilizem métodos menos impactantes ao meio ambiente, adquirindo
produtos elaborados com esse diferencial.
• Demandar que os vendedores de alimentos estimulem a produção ecológica, inclu-
sive solicitando a certificação dos produtores por um organismo independente, para
que se possa ter certeza de que estes cumprem todas as exigências ambientais.
• Organizar-se em cooperativas de consumo que estimulem a produção sustentável
local e regional.

Biodiversidade
Ações voltadas para a preservação da biodiversidade:
• Procure se informar sobre as questões ambientais, sobre o funcionamento da vida e
a importância das florestas. Informe-se sobre a legislação que regula seu uso e con-
servação nos sites www.mma.gov.br ou www.ibama.gov.br.
• Procure conhecer e apoiar as instituições que trabalham com as questões ambientais
e a valorização das florestas.
• Aproveite as oportunidades de viagens para conhecer os ecossistemas brasileiros e
suas populações tradicionais e indígenas.
• Em visita às áreas protegidas, siga as dicas da Campanha para uma Conduta Consci-
ente em Ambientes Naturais, desenvolvida pelo Programa Nacional de Áreas Prote-
gidas/Ministério do Meio Ambiente. Acesse o site:
www.mma.gov.br/port/sbf/dap/index.cfm.
• Procure conhecer e consumir os produtos da floresta – alimentos, cosméticos e al-
ternativas de medicamentos produzidos de forma sustentável –, pois o sucesso de
sua comercialização pode evitar a derrubada de florestas.

82
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
• Economize papel, pois o papel quando não é reciclado, é fabricado a partir da celu-
lose, extraída da madeira das árvores.
• Economize energia elétrica porque a maior parte da energia que consumimos é pro-
duzida pelas usinas hidrelétricas, cuja construção implica a inundação de extensas
áreas de mata que abrigam inúmeras espécies de animais e plantas.
• Não compre orquídeas e bromélias à beira das estradas, pois essas plantas são extra-
ídas das florestas, geralmente de forma predatória, com o corte das árvores que as
sustentam. Prefira as plantas vendidas em supermercados e floriculturas, cultivadas
por produtores legalizados.
• Quando comprar palmito em conserva, verifique se no rótulo consta o número do
registro no IBAMA. Se não tiver, não compre, pois a produção não foi autorizada.
• Para o cultivo de plantas ornamentais, procure alternativas de vasos, placas e palitos
de suporte feitos com fibra de coco, que já existem no mercado. Jamais compre o
xaxim (samambaiaçu-imperial), pois ele é oriundo de extrativismo ilegal e está ame-
açado de extinção.
• Ao comprar móveis de madeira, dê preferência para os que são certificados ou ori-
ginários de florestas que tenham os seus planos de manejo aprovados por órgão
competente. As madeiras nobres como mogno, imbuia, cerejeira, pau-marfim e
muitas outras, correm o risco de ser extintas, devido ao comércio abusivo.
• Ao utilizar madeiras, verifique se sua origem é legal e se o comerciante possui os do-
cumentos exigidos em lei para sua comercialização. No site do Conselho Brasileiro
de Manejo Florestal FCS Brasil, você pode encontrar a relação das florestas certifi-
cadas e das empresas que têm cadeia de custódia no Brasil.
• Promova a manutenção adequada dos móveis para garantir que durem por muitos
anos.
• Nunca compre animais silvestres vendidos sem nota fiscal. O comércio ilegal é uma
atividade criminosa. Busque mais informações sobre o assunto e conheça o trabalho
da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres
(www.renctas.org.br), uma instituição sem fins lucrativos que combate o tráfico de
animais.
• Denuncie atos criminosos praticados contra a nossa fauna aos órgãos ambientais
competentes. Acione o IBAMA por meio da Linha Verde 0800-61-80 (a ligação é
gratuita) ou e-mail: linhaverde.sede@ibama.gov.br.
• Quando for adquirir carne ou outro produto derivado da fauna silvestre, verifique
se a origem é legal. A carne deverá conter na embalagem uma etiqueta indicando a
procedência e o número do registro no IBAMA. Em caso de dúvida, pergunte ao ge-
rente do estabelecimento.
• Em épocas de defeso (restrição ou proibição de pesca) não compre espécies ameaça-
das ou sobre-exploradas do mar, como camarões, piramutabas, sardinha, pargo, ca-
ranguejo-uçá.

83
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
• Em visitas turísticas aos locais florestados, procure deixar tudo exatamente como
encontrou. Não leve mudas de plantas para casa, não corte galhos, nem escreva nas
árvores e lembre-se de carregar consigo, de volta, todo o lixo que produzir. Jamais
pense em fazer fogueiras, pois o fogo pode se alastrar repentinamente.
• Nunca solte balões, eles podem provocar incêndios.

Transportes
Ações para diminuir as emissões provenientes de veículos motorizados:

1. Reduzir as emissões de gases dos escapamentos dos veículos

• Os motores dos automóveis têm sido modificados de forma a tornar a combustão


mais eficaz, reduzindo o consumo de combustível e, consequentemente, as emissões
contaminantes. Os catalisadores, aparelhos colocados nos escapamentos dos veícu-
los que transformam alguns gases tóxicos em não tóxicos, também têm contribuído
para reduzir a emissão de vários poluentes, com exceção do dióxido de carbono.
• Também houve melhora da qualidade dos combustíveis, que se tornaram menos tó-
xicos. Atualmente, produz-se gasolina sem chumbo, o que reduziu as emissões desse
metal nocivo. O Japão e o Brasil foram os primeiros países a retirar o chumbo de su-
as gasolinas automotivas. Outra boa medida foi a substituição da gasolina pura por
uma mistura de álcool anidro e gasolina, na proporção de aproximadamente um pa-
ra três. Com isso, o consumo de gasolina no País tornou-se menos impactante.
• O Brasil também vem testando o uso de combustíveis alternativos, como álcool, gás
natural ou biogás, provenientes dos vegetais. A substituição dos combustíveis fósseis
por etanol, evita a emissão de quase 10 milhões de toneladas de dióxido de carbono
por ano. O que sobra da cana, o bagaço, tem um alto valor energético e pode ser
usado em usinas termelétricas, para produzir eletricidade.
• Existem ainda os veículos automotores de emissão zero, que funcionam com eletri-
cidade. Há duas opções de tecnologia: usar energia armazenada em baterias ou gerar
eletricidade no próprio veículo, por exemplo, em células que usem hidrogênio como
combustível e produzam somente água como resíduo.
• Os veículos que usam bateria estão limitados ainda por sua própria tecnologia que
não permite longas viagens. Apesar dessas tecnologias apresentarem emissão nula
para a produção da eletricidade ou do hidrogênio, é necessário o consumo de algu-
ma outra fonte de energia, o que sempre implicará algum tipo de impacto ambien-
tal.
• Outra tecnologia importante diz respeito aos veículos que funcionam com propor-
ções não fixas de combustíveis Flex Fuel. A escolha da quantidade de álcool e gaso-
lina fica a critério do consumidor.

84
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
• O Brasil já tem produzido carros com esse tipo de tecnologia e o mercado tende a
crescer ainda mais nos próximos anos.

2. Diminuir o tráfego de veículos automotores

• Para reduzir o número de veículos circulando pelas ruas, é preciso que as pessoas
deixem de usar seu automóvel ou façam uso dele com menor frequência. No entan-
to, para que as pessoas abram mão dessa comodidade, é preciso que elas tenham
uma alternativa viável: um transporte coletivo de boa qualidade.
• Portanto, a redução das emissões depende muito de uma ação efetiva dos municí-
pios para melhorar o transporte coletivo. Um transporte coletivo eficiente requer
uma frota compatível com o número de passageiros, horários preestabelecidos e iti-
nerários convenientes, além de conforto e segurança para os passageiros.
• Outro ponto importante é reduzir os congestionamentos para que os automóveis fi-
quem o menor tempo possível com o motor ligado. Isso pode ser feito com medidas
para melhorar as condições de tráfego, por exemplo, investindo na construção de
vias públicas que desviem o fluxo de automóveis dos locais mais congestionados e
incentivando escalonamento de horários de funcionamento de bancos e repartições
públicas para aliviar o trânsito nos horários de pico.
• Além dessas medidas, é fundamental investir em outras opções de transporte menos
poluidoras, como o metrô, trens e bondes elétricos, barcos e balsas – sabe-se que o
transporte ferroviário polui oito vezes mais que o transporte hidroviário ou aquavi-
ário, enquanto o rodoviário polui 27 vezes mais, e o aeroviário 667 vezes mais. Para
alguns tipos de mercadoria, pode-se usar também o transporte por meio de dutos,
como os oleodutos e gasodutos.
• Para os especialistas, no entanto a opção de transporte não pode se ater a uma regra
rígida, afinal, cada meio de transporte tem sua importância e seu emprego ótimo. O
importante é procurar racionalizar ao máximo o uso de todos eles.

O que mais você pode fazer:


Todos podem contribuir para melhorar a qualidade do ar em nossa cidade, basta adotar
as dicas a seguir:
Evite usar o carro nos horários e locais de maior congestionamento.
Evite usar o automóvel para trajetos curtos – dê preferência ao transporte coletivo, vá a
pé ou de bicicleta.
Procure sempre que possível compartilhar o carro com outras pessoas.

85
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
Abasteça o carro somente à noite ou no início da manhã. Isso evita que os vapores ema-
nados do tanque se transformem em ozônio pela ação dos raios do sol.
Previna-se contra incêndios. Não queime lixo nem solte balões.
Se você estiver no estado de São Paulo, denuncie os veículos que emitem fumaça preta,
ligando para o disque Meio Ambiente, tel. 0800113560. Se você estiver em outros estados, exi-
ja do governo a disponibilidade de um atendimento como este, para denúncias.
Dê preferência aos transportes coletivos que não emitam gases tóxicos, como o trem e o
metrô.

Procure atuar junto ao poder público e às empresas, no sentido de exigir a implantação


de medidas para o controle da poluição, como:
- Melhorar o transporte coletivo.
- Construir ciclovias.
- Conservar as áreas verdes.
- Implantar sistemas de controle e fiscalização para reduzir as emissões de gases dos
veículos e chaminés das indústrias.
- Substituir o uso de combustíveis fósseis por outros de fontes renováveis.
- Estimular e viabilizar o uso de meios de transporte menos poluidores, como o hidro-
viário.
- Desenvolver novas tecnologias para geração de energia limpa etc.

• Quando o uso do automóvel for inevitável, o motorista poderá dar sua parcela de
contribuição fazendo com que o seu carro polua menos. Seguindo as dicas abaixo,
além de melhorar a qualidade do ar e evitar acidentes, o motorista vai economizar
cerca de 10% de combustível, velas e pneus.
• Troque de marcha na rotação correta.
• Evite reduções constantes de marcha, acelerações bruscas e freadas em excesso.
• Evite paradas prolongadas com o motor funcionando.
• Use o afogador somente no momento da partida, sem esquecer-se de desativá-lo.
• Tente manter a velocidade constante, tirando o pé do acelerador quando o semáforo
fechar ou quando o trânsito parar à frente.
• Oriente os seus passageiros para que não joguem lixo, pontas de cigarro, latas etc.
pelas janelas.
• Faça as manutenções e revisões recomendadas pelo fabricante, principalmente no
que tange ao catalisador do escapamento.
• Observe a vida útil dos componentes importantes no controle da poluição, como fil-
tro de ar e de óleo.
• Abasteça o veículo com combustível de boa qualidade.

86
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
• Rode com os pneus bem calibrados.
• Não sobrecarregue o veículo.
• Desligue o ar-condicionado nas subidas muito íngremes.
• Mantenha o sistema de arrefecimento do motor revisado e no nível adequado de
funcionamento.

Em muitos países a bicicleta é um importante meio de transporte, tanto de pessoas como de pe-
quenas mercadorias. Na capital da Dinamarca, Copenhagem, vivem 1,3 milhões de pessoas. Um terço
delas usa a bicicleta para ir e voltar do trabalho. Há alguns anos, foi implantado no centro da cidade um
sistema de estacionamento chamado “bicicletas grátis”: deposita-se uma moeda na entrada e, ao retirar a
bicicleta do estacionamento, o dinheiro é devolvido. O uso de bicicletas como meio de transporte no
Brasil é uma boa alternativa para cidades planas e para pequenas distâncias. Além de não poluir, andar
de bicicleta é um ótimo exercício físico!

Figura 21: andar de bicicleta tornou-se uma atividade saudável e ambientalmente correta. Fonte:
http://batalhavips.blogspot.com/2011/04/ciclista-morre-ao-ser-atropelado-por.html

No seu dia a dia, o consumidor doméstico pode adotar uma série de medidas simples,
mas que no final do mês pode se converter numa boa economia de energia.

Chuveiro
• O chuveiro elétrico é um dos aparelhos que mais consome energia. O ideal é evitar
seu uso em horários de maior consumo (entre 18 h e 20 h; no horário de verão, en-
tre 19 h e 20h30).
• Quando o tempo não estiver frio, procure usar o chuveiro com a chave na posição
verão (morno). O consumo é 30% menor do que na posição inverno.

87
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
• Tente limitar seus banhos em aproximadamente cinco minutos. Feche o chuveiro
enquanto se ensaboa.
• Máquina de Lavar e Ferro Elétrico
• Se usar máquinas de lavar louças e roupas, ligue-as somente com toda a sua capaci-
dade preenchida.
• Habitue-se a juntar a maior quantidade possível de roupas para passá-las de uma só
vez.
• Se o ferro for automático, regule sua temperatura. Passe primeiro as roupas delica-
das, que precisam de menos calor. No final, depois de desligá-lo, você ainda pode
aproveitar o calor para passar algumas roupas leves.

Geladeira e Freezer

• De forma geral, esses equipamentos são responsáveis por cerca de 30% do consumo
de uma residência. Na hora de comprar, leve em conta a eficiência energética certi-
ficada pelo selo Procel (Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica) e
dê preferência aos que utilizam gases inofensivos à camada de ozônio (livres de
CFC’s);
• Evite a proximidade com o fogão, aquecedores ou áreas expostas ao sol; no caso de
instalação entre armários e paredes, deixe um espaço mínimo de 15 cm dos lados,
acima e no fundo do aparelho;
• Evite abrir a porta da geladeira em demasia ou por tempo prolongado.
• Deixe espaço entre os alimentos e guarde-os de forma que você possa encontrá-los
rápida e facilmente.
• Não guarde alimentos e/ou líquidos quentes, nem recipientes sem tampa na geladei-
ra.
• Não forre as prateleiras com vidros ou plásticos, pois isso dificulta a circulação in-
terna de ar.
• Faça o descongelamento do freezer periodicamente, conforme as instruções do ma-
nual, para evitar que se forme uma camada com mais de meio centímetro de espes-
sura.
• No inverno, a temperatura interna do refrigerador não precisa ser tão baixa como
no verão.
• Regule o termostato.
• Conserve limpas as serpentinas (as grades) que se encontram na parte de trás do
aparelho e não as utilize para secar panos, roupas etc.
• Quando você se ausentar de casa por tempo prolongado, esvazie o freezer e a gela-
deira e deixe-os desligados.

88
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
Lâmpadas

• Na hora de comprar, dê preferência a lâmpadas fluorescentes, compactas ou circula-


res, para a cozinha, área de serviço, garagem e qualquer outro lugar da casa que fi-
que com as luzes acesas por mais de quatro horas por dia. Além de consumir menos
energia, essas lâmpadas duram mais que as comuns. Não se esqueça, porém de que
essas lâmpadas contêm substâncias químicas que podem ser prejudiciais à saúde se
não forem descartadas adequadamente. O melhor é entregar nos locais de venda,
quando possível.
• Evite acender lâmpadas durante o dia. Aproveite melhor a iluminação natural
abrindo bem as janelas, cortinas e persianas. Apague as lâmpadas dos ambientes que
estiverem desocupados.
• Uma boa dica para quem vai pintar a casa é usar cores claras nos tetos e paredes –
elas refletem melhor a luz, reduzindo a necessidade de luz artificial.
• Periodicamente, faça a manutenção das instalações elétricas. Fios mal encapados,
desencapados e mal isolados, causam fuga de corrente.

Televisão
• Quando ninguém estiver assistindo, desligue o aparelho.
• Não durma com a televisão ligada. Mas se você se acostumou com isso, uma opção é
recorrer ao timer (temporizador) para que o aparelho desligue automaticamente.

Ar condicionado
• Na hora da compra, escolha um modelo adequado ao tamanho do ambiente em que
será utilizado.
• Prefira os aparelhos com controle automático de temperatura e dê preferência às
marcas de maior eficiência (selo Procel).
• Na instalação, procure proteger a parte externa da incidência do sol (mas sem blo-
quear as grades de ventilação).
• Quando o aparelho esteja funcionando, mantenha as janelas e as portas fechadas.
• Desligue-o quando o ambiente estiver desocupado.
• Evite o frio excessivo, regulando o termostato.
• Mantenha limpos os filtros do aparelho, para não prejudicar a circulação e a quali-
dade do ar.

89
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
Veja quanta energia você pode economizar se usar:

80
Lâmpadas fluorescentes compactas
%

45 a
Lava-roupas de baixo consumo
80%

100
Varal em vez de secadora
%

Papel reciclado 50%

Alumínio reciclado 90%

Compartilhar carro com quatro pessoas 75%

Usar ônibus em vez de automóvel 80%

100
Andar a pé ou de bicicleta em vez de automóvel
%

16 a
Carro de baixo consumo
25%

Carro pequeno em vez de grande 44%

Tampar panelas e ajustar o tamanho da chama 20%

Manter ventilado o radiador da geladeira 15%

Subir em 1 grau o termostato da geladeira 5%

65 a
Tostador de pão em vez de forno
75%

Aquecedor de água a gás em vez de elétrico 60%

Ventilador de teto em vez de ar-condicionado 98%

Pneus calibrados 10%

Tabela 3: Percentuais de quanto se pode economizar de economia de energia.

Fonte: Manual de educação e consumo sustentável, 2005.

90
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
Lixo
Todos nós podemos contribuir para minimizar os problemas causados pelo lixo com
pequenas ações no dia a dia. Vejamos algumas dicas:

• Pensar se realmente precisa de determinados produtos.


• Comprar somente o necessário para o consumo, evitando o desperdício.
• Planejar a compra de alimentos para não haver desperdício, dimensionando a com-
pra de produtos perecíveis com as reais necessidades da família e com as possibili-
dades de uso.
• Comprar produtos duráveis e resistentes, evitando comprar produtos descartáveis.
• Reduzir a quantidade de pacotes e embalagens (evitar comprar frutas, verduras e le-
gumes embalados).
• Dar preferência para produtos vendidos a granel - você pode levar de casa a embala-
gem para esses produtos.
• Comprar produtos concentrados que possam ser diluídos antes do uso.
• Comprar produtos em embalagens econômicas que possuem menos embalagem por
unidade de produto.
• Comprar produtos que tenham refil.
• Levar sacolas ou carrinho de feira para carregar as compras, em substituição às saco-
las oferecidas nas lojas e supermercados.
• Colocar o máximo de produtos numa mesma sacola, evitando o uso de duas sacolas
sobrepostas.
• Evitar a compra de sacos de lixo, utilizando as sacolas plásticas que embalam as
compras.
• Comprar produtos cujas embalagens são reutilizáveis e/ou recicláveis.
• Comprar produtos reciclados e/ou que a embalagem seja feita de um material reci-
clado.
• Escolher produtos de empresas certificadas (ISO 9000 e 14000), que desenvolvem
programas socioambientais e/ou que sejam responsáveis pelos produtos pós-
consumo.
• Evitar a compra de produtos que possuem elementos tóxicos ou perigosos.
• Emprestar ou alugar equipamentos que não são usados com frequência, ao invés de
comprá-los.
• Consertar produtos em vez de descartá-los e substituí-los por novos.
• Doar produtos que possam servir a outras pessoas.
• Reutilizar materiais e embalagens.
• Separar os materiais recicláveis e encaminhá-los para artesãos, catadores, entidades
ou empresas que reutilizarão ou reciclarão os materiais.
• Fazer sua própria compostagem, quando for possível.

91
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
• Organizar-se em seu trabalho/escola/bairro/comunidade/igreja e iniciar um projeto
piloto de separação de materiais recicláveis.
• Organizar-se junto a outros consumidores para exigir produtos sem embalagens
desnecessárias, como também vasilhames reutilizáveis ou recicláveis.
• Evitar gastos de papel e outros materiais desnecessários ao embrulhar presentes.
• Evitar a queima de qualquer tipo de lixo; se não houver coleta no seu bairro, enterre
o lixo em vez de queimá-lo.
• Evitar a compra de cadernos e papéis que usam cloro no processo de branqueamen-
to.
• Não descartar remédios no lixo; o mesmo vale para material usado em injeções e cu-
rativos feitos em casa. Procure com o seu farmacêutico ou nos postos de saúde uma
alternativa de descarte mais adequada.
• Ler os rótulos dos produtos para conhecer as suas recomendações ou informações
ambientais;
• Usar detergentes e produtos de limpeza biodegradáveis.
• Utilizar pilhas recarregáveis ou alcalinas.
• Deixar a bateria usada do seu carro no local onde adquiriu a nova e certificando-se
que existe um sistema de retorno ao fabricante.
• Deixar os pneus velhos nas oficinas de troca, pois elas são responsáveis pelo destino
final adequado;
• Colecionar dicas ambientais sobre consumo sustentável e compartilhá-las com seus
amigos.

Qualidade de Vida
Dos temas tratados foi possível encontrar alguma correlação: Consumismo X Sustenta-
bilidade e a Qualidade de Vida onde entra nessa discussão. Nessa incessante corrida para do
“ter” ao invés de “ser” e da busca por uma sociedade mais ambientalmente equilibrada e mais
sustentável, todos os indivíduos buscam uma melhoria na qualidade de vida. Bem mas esta-
mos a falar de qualidade de vida sob quais aspectos??? De maneira geral a compreensão de
qualidade de vida encontra-se alicerçada nos elementos indicados na figura abaixo (figura 22):

92
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
Figura 22: elementos que compõem qualidade de vida.

Quer no ambiente urbano, quer no meio rural, para garantia da qualidade de vida é ne-
cessário o estabelecimento de indicadores. Tais indicadores são elementos básicos como defi-
nidos pelos seres humanos para possuir bem-estar físico e mental, a harmonia, o equilíbrio
nas relações familiares dentro da sua comunidade e do ambiente de trabalho, além de condi-
ções mínimas necessárias à sobrevivência tais como, acesso à saúde, à educação, ao emprego e
á segurança pública.
O conceito de qualidade ambiental urbana está diretamente relacionado ao de qualidade
de vida urbana. Esta se refere à capacidade e às condições do meio urbano em atender às ne-
cessidades de seus habitantes. Dentre estas condições, podemos citar as questões ligadas à es-
trutura e à infraestrutura dos equipamentos e serviços urbanos como: saneamento básico,
saúde, educação, transporte, emprego, qualidade ambiental, entre outros. Tais indicadores
acabam por tornar-se não só ferramentas de orientação das políticas públicas para melhoria
da qualidade ambiental, mas também de avaliação e monitoramento destes indicadores.
A avaliação da qualidade ambiental das cidades recai no estabelecimento de indicadores
ambientais. Para alguns autores, os indicadores podem estar relacionados à disponibilidade
de recursos naturais, à forma de uso dos mesmos e aos resíduos gerados no seu consumo, para
outros, a referência para a avaliação da qualidade ambiental consiste nas características físico-
naturais, urbano-arquitetônicos e socioculturais.

93
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
Portanto, o problema da avaliação da qualidade ambiental urbana coloca-se como uma
questão complexa e que implica tanto na análise dos diversos componentes do ecossistema
urbano, através de um sistema de indicadores, quanto nas metodologias de quantificação e
sistematização desses indicadores em índices que sintetizem o grau de comprometimento am-
biental da cidade, de forma a oferecer parâmetros confiáveis para a tomada de decisão nas
políticas ambientais urbanas (Qualidade Ambiental Urbana, 2009, on-line).
Na realidade, os problemas decorrentes do crescimento das cidades, do aumento da po-
pulação, das desigualdades sociais, além dos problemas ambientais que se estabeleceram têm
intensificado a sensação de desconforto no ambiente urbano. É possível que a tão sonhada
qualidade de vida, que deveria estar intimamente relacionada à qualidade ambiental, está sen-
do substituída pelo conforto e bem-estar proporcionado pelos padrões de consumo.
A vida no campo é sem dúvida muito diferente da vida nas grandes cidades. Não há cor-
reria, poluição, barulho de buzinas de automóveis, violência e o estresse do dia a dia que tem
comprometido cada vez mais a saúde e a qualidade de vida da população urbana. Especial-
mente, sobre os aspectos físicos e psicológicos a qualidade de vida no ambiente rural é incom-
paravelmente melhor do que nas grandes cidades. No entanto, se os parâmetros de avaliação
for saneamento básico, educação e saúde este quadro pode ser bastante diferente. O ambiente
rural, em geral, é pouco assistido no que se refere aos itens mencionados. Estes elementos po-
dem comprometer a qualidade de vida das populações rurais. Vale ressaltar, no entanto, que
as necessidade e demandas da população rural são diferenciadas, as exigências são bem menos
expressivas do que a população dos ambientes urbanos. Com isso, podemos afirmar que a
qualidade de vida, tanto no ambiente urbano, quanto no ambiente rural, irão depender dos
parâmetros, dos indicadores utilizados para esta avaliação. O que irá definir a qualidade de
vida será os indicadores que você estabelecer para sua comparação.
As questões ligadas à qualidade de vida e a saúde estão cada vez mais presentes na socie-
dade contemporânea. Prova disso, é que até mesmo no ambiente de trabalhão há uma preo-
cupação crescente com a qualidade de vida dos empregados no ambiente de trabalho. Práticas
inadequadas no ambiente de trabalho geram impacto negativo à saúde física e emocional dos
empregados, tais como; baixa motivação, falta de atenção, diminuição de produtividade e alta
rotatividade criam uma energia negativa que repercute na família, na sociedade e no sistema
médico. Os objetivos de se promover a qualidade de vida no ambiente de trabalho é encorajar
e apoiar hábitos e estilos de vida que promovam a saúde e o bem-estar dos funcionários e de
seus familiares durante a sua vida profissional. Muitas empresas têm adotado práticas de me-
lhoria da qualidade de vida no ambiente laboral e esta tem se tornado uma vantagem competi-
tiva para estas organizações.
As pessoas do meio urbano e do meio rural possuem o direito a um padrão de vida ade-
quado, que lhe assegure, assim como à sua família, a saúde e o bem-estar, a alimentação, o
vestuário, a habitação, a assistência médica e os serviços sociais essenciais.

94
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
ATIVIDADE COMPLEMENTAR

ESTUDO DE CASO

Em contribuição com o meio ambiente uma grande empresa alimentícia tomou a deci-
são de passar a usar embalagens de papel, em substituição às de iso-
por e, posteriormente para reduzir ainda mais o lixo sólido diminu-
iu a espessura de seus canudinhos e embalagens.
Se você fosse um cliente fiel, como se sentiria? A empresa está
de fato preocupada com o meio ambiente? Promoveu mudanças
visando lucro e reduções de custo? Pensando a longo prazo e em
grande escala, a atitude deste empresário pode ou não contribuir com o meio ambiente? Com
base no conteúdo que trabalhamos, fundamente seu ponto de vista.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

QUESTÕES DO ENADE

QUESTÃO 01
(ENADE, 2013) A discussão nacional sobre a resolução das complexas questões sociais
brasileiras e sobre o desenvolvimento em bases sustentáveis tem destacado a noção de corres-
ponsabilidade e a de complementaridade entre as ações dos diversos setores e atores que atu-
am no campo social. A interação entre esses agentes propicia a troca de conhecimento das
distintas experiências, proporciona mais racionalidade, qualidade e eficácia às ações desenvol-
vidas e evita superposições de recursos e competências. De uma forma geral, esses desafios
moldam hoje o quadro de atuação das organizações da sociedade civil do terceiro setor. No
Brasil, o movimento relativo a mais exigências de desenvolvimento institucional dessas orga-
nizações, inclusive das fundações empresariais, é recente e foi intensificado a partir da década
de 90.
BNDES. Terceiro Setor e Desenvolvimento Social. Relato Setorial nº 3 AS/GESET. Disponível em: <www.bndes.gov.br> Acesso
em: 02 ago. 2013 (adaptado).
De acordo com o texto, o terceiro setor:

a) É responsável pelas ações governamentais na área social e ambiental.


b) Promove o desenvolvimento social e contribui para aumentar o capital social.

95
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
c) Gerencia o desenvolvimento da esfera estatal, com especial ênfase na responsabi-
lidade social.
d) Controla as demandas governamentais por serviços, de modo a garantir a parti-
cipação do setor privado.
e) É responsável pelo desenvolvimento social das empresas e pela dinamização do
mercado de trabalho.

QUESTÃO 02
(ENADE, 2013) Uma sociedade sustentável é aquela em que o desenvolvimento está in-
tegrado à natureza, com respeito à diversidade biológica e sociocultural, exercício responsável
e consequente da cidadania, com a distribuição equitativa das riquezas e em condições dignas
de desenvolvimento. Em linhas gerais, o projeto de uma sociedade sustentável aponta para
uma justiça com equidade, distribuição das riquezas, eliminando-se as desigualdades sociais;
para o fim da exploração dos seres humanos; para a eliminação das discriminações de gênero,
raça, geração ou de qualquer outra; para garantir a todos e a todas os direitos à vida e à felici-
dade, à saúde, à educação, à moradia, à cultura, ao emprego e a envelhecer com dignidade;
para o fim da exclusão social; para a democracia plena. TAVARES, E. M. F.
Disponível em: <http://www2.ifrn.edu.br>. Acesso em: 25 jul. 2013 (adaptado).

Nesse contexto, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas.

I - Os princípios que fundamentam uma sociedade sustentável exigem a adoção de polí-


ticas públicas que entram em choque com velhos pressupostos capitalistas.

PORQUE

II - O crescimento econômico e a industrialização, na visão tradicional, são entendidos


como sinônimos de desenvolvimento, desconsiderando-se o caráter finito dos recursos natu-
rais e privilegiando-se a exploração da força de trabalho na acumulação de capital.
A respeito dessas asserções, assinale a opção correta:
a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta
da I.
b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa
correta da I.
c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
e) E As asserções I e II são proposições falsas.

96
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
QUESTÃO 03

(ENEM, 2012) Leia o texto.


O uso da água aumenta de acordo com as necessidades da população no mundo. Porém,
diferentemente do que se possa imaginar, o aumento do consumo de água superou em duas
vezes o crescimento populacional durante o século XX. TEIXEIRA, W. et al. Decifrando a
Terra. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 2009.

Uma estratégia sócia espacial que pode contribuir para alterar a lógica de uso da água
apresentada no texto é a .

a) adoção de técnicas tradicionais de produção.


b) ampliação de sistemas de reutilização hídrica.
c) expansão da irrigação por aspersão das lavouras.
d) intensificação do controle do desmatamento de florestas.
e) criação de incentivos fiscais para o cultivo de produtos orgânicos

QUESTÃO 04
Leia o texto.
Para diminuir o acúmulo de lixo e o desperdício de materiais de valor econômico e, as-
sim, reduzir a exploração de recursos naturais, adotou-se, em escala internacional, a política
dos três erres: Redução, Reutilização e Reciclagem.

Um exemplo de reutilização pode ser vista no(s) item(ns):


II. Garrafas de vidro retornáveis para cerveja ou refrigerante.
II. Sacos plásticos de supermercado como acondicionantes de lixo caseiro.
III. Garrafas PET recortadas em tiras para a fabricação de cerdas de vassouras.
IV. Latas de alumínio como material para fabricação de lingotes.

Assinale a alternativa que apresenta a proposição correta.


a) I e II.
b) I e III
c) II e III.
d) I, II e III
e) Apenas II.

97
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
INFORM@ÇÃO

INSTITUTO AKATU. Sempre que puder visite o site do Instituto Akatu. Nesse site
são disponibilizados artigos muito interessantes sobre os mais diversos temas da área ambi-
ental.

2.2
TEMA 4.
GESTÃO AMBIENTAL E AS MUDANÇAS DO CLIMA

2.2.1
CONTEÚDO 1.
CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS DO AQUECIMENTO GLOBAL E MUDANÇAS
CLIMÁTICAS

O aumento na temperatura da Terra tem sido observado a partir da Revolução Industri-


al. O ser humano passou a utilizar intensivamente o carbono estocado durante milhões de
anos em forma de carvão mineral, petróleo e gás natural, para geração de energia para os mais
diversos setores da sociedade contemporânea. As florestas, grandes depósitos de carbono, co-
meçaram a ser destruídas e queimadas cada vez mais rápido, assim grandes quantidades gases
começaram a ser lançadas na atmosfera, tornando a camada que retém o calor mais espessa.
No último século, a temperatura da Terra aumentou aproximadamente 0,6ºC. Embora
este número pareça insignificante, este aquecimento já está alterando o clima em todo o pla-
neta. Como exemplo desse aumento de temperatura, tem-se o derretimento das calotas pola-
res, o que tem elevado o nível médio do mar, ameaçando ilhas oceânicas (como as Maldivas) e
as zonas costeiras de muitos países. Além disso, enchentes, secas, furacões, tufões e ciclones
ficam cada vez mais intensos e destrutivos, colocando em perigo a vida no planeta Terra.
Quando o aquecimento global foi detectado, alguns cientistas ainda acreditavam que o
fenômeno poderia ser causado apenas por eventos naturais, como erupções vulcânicas, au-
mento ou diminuição da atividade solar e movimento dos continentes. Entretanto com o
avanço da ciência, ficou comprovado que as atividades humanas são as principais responsá-
veis pela potencialização das mudanças climáticas que já vem deixando vítimas por todo o
planeta, não restando dúvidas de que o homem é o principal responsável pelas mudanças cli-
máticas.

98
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
Para uma melhor compreensão das causas e consequências desses eventos climáticos, é
necessário entender como se deu a formação do buraco na camada de ozônio, o efeito estufa, e
consequentemente, o aquecimento global.

O buraco na camada de ozônio e os efeitos da radiação solar nos seres vivos


Em 1977, cientistas britânicos detectaram pela primeira vez a existência de um buraco
na camada de ozônio sobre a Antártida. Desde então, têm se acumulado registros de que essa
camada está se tornando mais fina em várias partes do mundo, especialmente nas regiões pró-
ximas do Polo Sul e Norte. Na década de 1980 outros buracos de menor proporção foram en-
contrados em vários pontos da estratosfera. Com o passar do tempo, estes buracos foram cres-
cendo (principalmente o que fica sobre a Antártica), sendo que em setembro de 1992 chegou a
totalizar 24,9 milhões de quilômetros quadrados.
A redução da camada de ozônio aumenta a exposição aos raios ultravioletas e estes po-
dem trazer sérias consequências ao homem, já que a camada composta por gás ozônio (O3),
serve como um filtro a favor da vida, protegendo animais, plantas e seres humanos, dos raios
ultravioletas emitidos pelo Sol. Por isso, a partir dos anos 80, foi dado um alerta por várias
organizações e acadêmicos no mundo inteiro sobre o perigo representado ao planeta devido à
elevação da temperatura global como consequência do efeito estufa. (DIAS, 2006, p. 117). Em
recente relatório divulgado esta semana pela ONU e chancelado por mais de 300 cientistas de
todo o mundo confirma que a expansão do buraco na camada de ozônio está contida (figura
23), devido aos esforços empreendidos a partir da assinatura do Protocolo de Montreal
(APOLLO 11, 2010).

Figura 23: ilustração da nasa sobre buraco da camada de ozônio. Fonte:


http://www.apolo11.com/mudancas_climaticas.php?posic=dat_20100920-084328.inc.

99
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
Estudos científicos revelaram que substâncias químicas fabricadas pelo homem, ao rea-
girem com o ozônio, poderiam destruir esta camada de proteção. A lista dos produtos danosos
à camada de ozônio inclui os óxidos nítricos e nitrosos expelidos pelos exaustores dos veículos
e o CO² produzido pela queima de combustíveis fósseis, como o carvão e o petróleo. Mas, em
termos de efeitos destrutivos sobre a camada de ozônio, nada se compara ao grupo de gases
chamados clorofluorcarbonos, os CFC. Em 1987, cientistas identificaram que o cloro presente
nos compostos de clorofluorcarbono, como um dos principais poluentes responsáveis pela
redução da camada de ozônio. O CFC é usado como propelente em vários tipos de sprays, em
motores de aviões, circuitos de refrigeração, espuma de plástico, fôrmas e bandejas de plástico
poroso, chips de computadores e solventes utilizados pela indústria eletrônica. Com uma vida
útil de 75 anos, combina-se com o oxigênio, decompõe as moléculas de ozônio e forma o gás
cloro. Os maiores produtores e consumidores de CFC vivem no hemisfério norte. Os países
desenvolvidos fabricam, em média, 1 kg de CFC por pessoa ao ano. (WWF, 2015).
A camada de ozônio absorve a maior parte da radiação ultravioleta, uma pequena por-
ção atinge a superfície da Terra. É essa radiação que acaba provocando doenças ao homem,
como, por exemplo, o câncer de pele que mata milhares de pessoas por ano em todo o mundo.
A radiação ultravioleta afeta também o sistema imunológico, enfraquecendo a resistência hu-
mana, causando doenças como herpes. Além do homem, outros organismos são atingidos
pelos raios ultravioletas.
Acredita-se que níveis mais altos da radiação podem diminuir a produção agrícola, o
que reduziria a oferta de alimentos. A vida marinha também pode ser ameaçada, especialmen-
te o plâncton (plantas e animais microscópicos), que vivem na superfície do mar. Esses orga-
nismos minúsculos estão na base da cadeia alimentar marinha e absorvem mais da metade das
emissões de dióxido de carbono (CO²) do planeta.
Vários aspectos climáticos fazem da estratosfera sobre a Antártida uma região especial-
mente sensível à destruição do ozônio. Os cientistas observam que o buraco vem crescendo e
que seus efeitos têm se tornado mais evidentes nesta região. Países do Hemisfério Norte como
Estados Unidos, Europa, norte da China e do Japão vêm sendo atingidos com as consequên-
cias do buraco na camada de ozônio. O PNUMA calcula que cada 1% de perda da camada de
ozônio cause 50 mil novos casos de câncer de pele e 100 mil novos casos de cegueira, causados
por catarata, em todo o mundo.

Protocolo de Montreal
Em 1987, representantes de 57 países reuniram-se no Canadá e assinaram o Protocolo
de Montreal sobre as substâncias que deterioram a Camada de Ozônio. Nesta convenção, me-
didas apropriadas deveriam ser adotadas para proteger a saúde do homem e do ambiente con-
tra os efeitos nefastos que resultam ou poderiam resultar das atividades humanas que, direta
ou indiretamente, modificam a camada de ozônio. Em junho de 1990, o acordo foi ratificado
pela ONU e mais de 90 nações aderiram, inclusive, o Brasil. Neste protocolo, ficou determina-

100
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
do que até o ano de 2010, a produção do CFC iria gradativamente acabar. A ONU declarou a
data de 16 de setembro como o Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio.
Devido à grande adesão mundial, Kofi Annan (Ex-Secretário Geral da ONU) declarou que o
Protocolo de Montreal “seria o mais bem sucedido acordo internacional de todos os tem-
pos...".

O efeito estufa e o aquecimento global


É um fenômeno ocasionado pela concentração de gases (como dióxido de carbono, óxi-
do nitroso, metano e os clorofluorcarbonos - estes últimos resíduos de produtos industrializa-
dos) na atmosfera, formando uma camada que permite a passagem dos raios solares e que
absorve grande parte do calor emitido pela superfície da Terra (Figura 24).

Figura 24: efeito estufa. Fonte: http://static.publico.clix.pt/fichas/0imagens/efeitoestufa.gif.

Alguns gases da atmosfera, principalmente o dióxido de carbono (CO²), funcionam co-


mo uma capa protetora que impede que o calor absorvido pela irradiação solar escape para o
espaço exterior, mantendo uma situação de equilíbrio térmico sobre o planeta, tanto durante
o dia como durante a noite. Sem o carbono na atmosfera, a superfície da Terra seria coberta de
gelo.
O efeito estufa na Terra é garantido pela presença do dióxido de carbono, vapor d’água e
outros gases raros. Esses gases são chamados raros porque constituem uma parcela muito pe-

101
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
quena na composição atmosférica, formada em sua maior parte por nitrogênio (75%) e oxigê-
nio (23%).

• Observe alguns gases que contribuem para o aumento do efeito estufa:


• Dióxido de carbono (CO2) - resultante da queima de combustíveis fósseis. É utili-
zado como base para classificar o poder de aquecimento dos demais gases causado-
res do efeito estufa.
• Metano (CH4) - produzido pela decomposição da matéria orgânica, aterros sanitá-
rios e lixões. O poder de aquecimento é 21 vezes maior do que o CO2.
• Óxido Nitroso (N2O) - produzido a partir de compostos agrícolas, pela atividade
das bactérias no solo. Aquece 310 vezes mais do que o CO2.
• Hidro Flúor Carbono (HFC) - utilizado como substituto do CFC é 11.700 vezes
mais potente do que o CO2.
• Per Flúor Carbono (PFC) - produzido pelas indústrias de alumínio primário. Aque-
ce 9.200 mais que o CO2.
• Hexa Fluoreto de Enxofre (SF6) – gás com maior poder de aquecimento global. É
23.900 vezes mais ativo no efeito estufa do que o CO2.

O problema é que ao lançar gases de efeito estufa (GEE’s) na atmosfera, esse efeito é po-
tencializado, contribuindo para desestabilidade climática, causando a elevação da temperatu-
ra, elevação do nível do mar e alteração das precipitações pluviométricas (chuvas).
O aquecimento global é resultado do lançamento excessivo de GEE’s, sobretudo o dió-
xido de carbono (CO²) na atmosfera. Esses gases formam uma espécie de cobertor cada dia
mais espesso que torna o planeta cada vez mais quente e não permite a saída de radiação solar.
É nesse contexto, que ocorrem as mudanças climáticas, já que o equilíbrio existente é quebra-
do com a potencialização do efeito estufa. Esse desequilíbrio é causado porque são lançados
mais gases de efeito estufa do que as florestas e os oceanos são capazes de absorver.
A ação antrópica na natureza tem feito aumentar a quantidade de dióxido de carbono
na atmosfera. Além da queima de combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e gás natural, o
desmatamento e as queimadas tem sido responsável por grandes emissões de GEE’s (figura
25).

102
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
Figura 25. Desmatamentos e queimadas, principais causadores de efeito estufa no Brasil. Fonte:
http://plantebonito.blogspot.com/2010/08/chega-de-queimadas-brasil-campeao.html

Após o desmatamento, normalmente as pessoas queimam a madeira que não tem valor
comercial. O gás carbônico (CO²) contido na fumaça oriunda dessa queima vai para a atmos-
fera e se acumula, aumentando ainda mais o efeito estufa. Também, uma menor quantidade
de árvores significa menos dióxido de carbono sendo absorvido. Estudos revelam que no Bra-
sil, os desmatamentos e as queimadas são os principais responsáveis pelas emissões de gases
de efeito estufa.
Algumas das consequências do aquecimento global já estão sendo percebidas em dife-
rentes partes do planeta. Eventos climáticos fora dos padrões habitualmente conhecidos, co-
mo furacões, tempestades tropicais, inundações, ondas de calor, seca ou deslizamentos de ter-
ra, são consequências desse aquecimento global. Concomitantemente a estes eventos, já se
observa o aumento significativo do nível do mar por causa do derretimento das calotas pola-
res e o aumento da temperatura média do planeta em 0,7ºC de acordo com dados WWF –
Brasil desde a Revolução Industrial.
Com o derretimento do gelo das calotas polares, o nível do mar tem se elevado, provo-
cando a inundação de terras mais baixas e a submersão de países no Oceano Pacífico (Figura
26). Países como Bangladesh e Egito podem perder até um décimo de seus territórios, o que
obrigaria o deslocamento de 16 milhões de pessoas – os chamados “refugiados ambientais”.

Figura 26: derretimento das calotas polares. Fonte: http://www.turismoacre.com/2008_06_01_archive.html Fonte: http://amanda-
ecobrasil.blogspot.com/2011/05/geleiras.html

Alterações bruscas na composição da atmosfera estão desencadeando mudanças no cli-


ma, o que resulta em grandes variações na temperatura e no ritmo de chuvas. Furacões, tor-
mentas e enchentes de um lado, secas graves de outro, poderão se tornar cada vez mais fre-
quentes, conforme estamos constatando.
Os cientistas acreditam que os desertos poderão crescer e que as condições de tempo nas
regiões semi-áridas, como no Nordeste do Brasil, serão ainda mais críticas. Isso poderá reper-

103
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
cutir negativamente na produção de alimentos, já que diversas áreas cultiváveis serão afetadas.
As alterações climáticas incomuns podem reduzir a população ou mesmo levar à extinção de
muitas espécies que não seriam capazes de se adaptar às novas condições ambientais, afetando
o equilíbrio de diversos ecossistemas.
As soluções para combater o aumento do efeito estufa e do aquecimento global, residem
principalmente na mudança de comportamentos e atitudes do homem com relação ao meio
ambiente, conforme falamos no capítulo sobre educação
ambiental. A diminuição de emissões dos gases de efeito
estufa, a minimização dos desmatamentos, o incentivo ao
uso de energias renováveis não-convencionais, a busca pela
eficiência energética, a reciclagem de materiais e a melho-
ria do transporte público nas grandes cidades, podem con-
tribuir bastante para reduzir tais impactos.

Os fenômenos “El Niño” e “La Niña” são mudanças na temperatura da água que influenci-
am a intensidade dos ventos alísios. As variações de intensidade destes ventos influenciam a
pressão atmosférica no oceano, afetando vários fenômenos climáticos em todo o mundo.
Fonte: http://1.bp.blogspot.com/_nuQKH7UyBxc/TS5sDCQs
OXI/AAAAAAAAHn8/k7PLAZsMVeQ/s
1600/el-nino-la-nina.jpg.

Impactos das mudanças climáticas

Os impactos das mudanças climáticas sobre o planeta e consequentemente sobre a hu-


manidade, já podem ser claramente notados. As drásticas alterações metereológicas observa-
das em alguns países e até mesmo no Brasil são frutos desta mudança.
No que se refere aos impactos das mudanças climáticas na saúde da população, foi
constatado que houve um aumento de doenças que ocorrem por veiculação hídrica. Doenças
infecciosas como malária, cólera, dengue, leptospirose e diarreia aumentaram após extremos
climáticos (El Niño e furacão Mitch).
Houve aumento da mortalidade de forma direta, da ordem de dezenas de milhares, em
função dos eventos climáticos extremos, como no caso do furacão Mitch, na América Central
e das chuvas torrenciais na Venezuela, em 1999. Outros agravos relacionados ao El Niño fo-
ram o aumento da temperatura em cidades costeiras do Peru que afetaram, principalmente,
crianças e idosos, bem como chuvas, causando danos à infraestrutura de saúde (hospitais e

104
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
centros de saúde). As secas prolongadas têm o poder de afetar a saúde humana em face dos
efeitos da exposição prolongada à fumaça de queimadas, especialmente na região amazônica.
Haverá também alterações na agricultura, já que esta é uma atividade amplamente de-
pendente de fatores climáticos, cujas alterações podem afetar a produtividade e o manejo das
culturas, além de fatores sociais, econômicos e políticos. Segundo as previsões de longo prazo,
as regiões tropicais e subtropicais seriam as mais afetadas pela mudança do clima, como tam-
bém os países em desenvolvimento devido à baixa capitalização de suas economias, à deficiên-
cia de mercados, à predominância de atividades agrícolas entre outros fatores. Os impactos
das mudanças climáticas nas florestas também serão percebidos, como por exemplo, alteração
nas taxas de crescimento que dependem de um grande número de fatores, incluindo o clima.
Em alguns casos, elas podem aumentar e em outros diminuir, dependendo de quanto o clima
atual é ou não um fator limitante a este crescimento; pode haver problemas com a regeneração
de algumas espécies; o regime de queima de biomassa pode se alterar; os incêndios devem
aumentar em frequência e extensão. Espera-se que as alterações nas espécies de insetos e do-
enças provocarão perdas florestais e degradação. Uma maior incidência de eventos extremos
(tais como secas, incêndios florestais ou doenças epidêmicas), assim como o aumento na ocor-
rência, persistência e intensidade de eventos relacionados à variabilidade climática, como por
exemplo, o El Niño, poderá exacerbar os danos nas florestas de regiões afetadas por secas cau-
sadas por este fenômeno, como o norte e leste da Floresta Amazônica. Há evidências que su-
gerem que já está havendo uma resposta da população de insetos às mudanças climáticas. É
estimado que a ocorrência de pragas seja mais comum e longa, reduzindo a produtividade das
florestas e seu estoque de carbono.

Figura 27: eventos climáticos causados pelo el niño. Fonte: http://www.brasilpost.com.br/2014/01/27/el-nino-efeito-


estufa_n_4672753.html.

A biodiversidade pode e já está sendo seriamente comprometida devido ao aumento da


frequência de eventos intensos de precipitação que resultam em aumentos do transporte de
sedimentos aos rios, cursos d’água, lagos e estuários, o que pode alterar dramaticamente a
composição dos ecossistemas aquáticos e, por conseguinte, a importante cadeia alimentar de
diversos animais (figura 27). As precipitações extremas podem danificar ou até romper barra-

105
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
gens de reservatórios hidrelétricos, o que pode acarretar na mortalidade de diversas espécies,
inclusive a humana.
.

2.2.2
CONTEÚDO 2.
CONVENÇÃO SOBRE MUDANÇAS CLIMÁTICAS E PROTOCOLO DE KYOTO

A Convenção do Clima é uma reunião anual da ONU, na qual os países membros discu-
tem as questões mais importantes sobre mudanças climáticas. Surgiu em resposta às ameaças
das mudanças climáticas para o desenvolvimento sustentável, a segurança alimentar e os ecos-
sistemas do planeta, como um tratado internacional de caráter essencialmente universal – foi
firmada e ratificada por praticamente todos os países. Em 1992, no Rio de Janeiro, a primeira
convenção mundial ocorreu com o nome oficial Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre
Mudanças do Clima. Essa convenção enuncia o objetivo de alcançar “a estabilização das con-
centrações de GEE na atmosfera em um nível que impeça uma interferência antrópica perigo-
sa no sistema do clima. Este nível deverá ser alcançado em um prazo suficiente que permita
aos ecossistemas adaptarem-se naturalmente à mudança do clima, assegurando que a produ-
ção de alimentos não seja ameaçada e que permita o desenvolvimento econômico prosseguir
de maneira sustentável” (art. 2º). Os princípios que fundamentam os artigos da Convenção
Quadro sobre Mudanças do Clima são: (i) princípio de precaução, que não condiciona medi-
das para prever, evitar ou minimizar as causas da mudança climática a uma definitiva clareza
científica sobre o assunto, e (ii) princípio de responsabilidade comum, porém diferenciado,
quanto aos compromissos de redução de emissões globais. Com base neste segundo princípio,
foram estabelecidos dois grupos de países (partes) e suas respectivas responsabilidades. Os
países do Anexo-I que são países industrializados membros da OCDE (Organização para a
Cooperação e Desenvolvimento Econômico), da Comunidade Europeia e países industrializa-
dos da ex-União Soviética e do Leste Europeu. Os Países não-Anexo-I são todos aqueles que
ratificaram a convenção, mas não estão listados no Anexo-I.
Nesta convenção, todos concordaram que as atividades humanas estavam afetando nos-
so clima e alterando o modo com que ele se transforma, sendo, dessa forma, necessária a im-
plementação de políticas nacionais e internacionais para combater as mudanças climáticas.
O Protocolo de Kyoto representa o principal avanço obtido na convenção, pois estabele-
ce limites para a emissão de GEE pelas nações que, em seu conjunto, deverão no período
2008-2012 reduzi-la em 5,2% do total emitido por eles em 1990. Negociado em 1997, assinado
por praticamente todos os países e ratificado por cerca de 170, o Tratado de Kyoto entrou em
vigor em 16 de fevereiro de 2005. Países como Estados Unidos e Austrália decidiram não rati-
ficar o acordo. Embora estes países tenham declarado que limitarão as suas emissões. Para os
países em desenvolvimento e, sobretudo, para as maiores economias em desenvolvimento
como China, Índia e Brasil, que devem, ao mesmo tempo, inserir-se na moderna economia

106
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
globalizada e superar seu passivo social e econômico, o Protocolo de Kyoto é um dos itens
prioritários na agenda ambiental. A importância do instrumento se dá, principalmente, por
dois motivos: do ponto de vista político, o fato de os países do Anexo I terem metas, e os paí-
ses em desenvolvimento não as terem, representou o claro fortalecimento do princípio das
responsabilidades comuns, porém diferenciadas, um dos pilares da posição dos países em de-
senvolvimento nas negociações internacionais sobre mudança do clima. Do ponto de vista
econômico, o fato de os países fora do Anexo I não terem metas, assegura flexibilidade para
seus projetos de desenvolvimento (MUD CLIM, 2005).
Aos países do Anexo-I, em função de suas responsabilidades históricas, coube assumir
compromissos de redução das emissões. Os países do não-Anexo-I, incluindo o Brasil, foram
chamados a adotar medidas para que o crescimento necessário de suas emissões seja limitado
pela introdução de medidas apropriadas, contando para isso com recursos financeiros e acesso
à tecnologia dos países industrializados. O Protocolo estabelece três mecanismos para aumen-
tar a flexibilidade e reduzir os custos totais de redução de emissão, conforme descritos abaixo
(CLIMA, 2000):

Implementação Conjunta - Joint Implementation: possibilidade de um país do Anexo-I


receber unidades de emissão reduzida (UER) quando ajuda a desenvolver projetos que provo-
quem redução de emissão líquida em outros países do Anexo-I, de forma suplementar as
ações domésticas (artigo 6 do Protocolo).

Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) - Clean Development Mechanism:


mecanismo que permite aos países industrializados financiar projetos de emissão evitada em
países em desenvolvimento e receber créditos por assim fazerem, como forma de cumprir
parte de seus compromissos (artigo 12 do Protocolo).

Comércio de Emissões - Emission Trading: possibilidade de que países do Anexo-I,


com compromissos de redução de emissão, possam comercializar as unidades de emissão evi-
tada com outras partes, com o objetivo de incrementar a eficiência econômica na redução de
emissões (artigo 17 do Protocolo).

O compromisso conjunto de redução das emissões de gases de efeito estufa soma 5%.
Cada país tem uma meta diferente dentro da meta global. Participantes podem reduzir as
emissões nacionalmente e/ou podem usar as vantagens dos chamados "mecanismos de flexibi-
lização" (Comércio de Emissões, Mecanismo de Desenvolvimento Limpo e Implementação
Conjunta), como também usar o carbono absorvido nos chamados "sumidouros", como flo-
restas e terras agrícolas, para compensar suas necessidades de redução. Punições serão aplica-
das aos países que não cumprirem suas metas (WWF, 2007).

107
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas

O IPCC – Intergovernmental Pannel on Climate Change ou Painel Intergovernamental


de Mudanças Climáticas é formado por cientistas de todo o mundo, tendo sido estabelecido,
em 1988, pela OMM e o PNUMA. Seu objetivo maior é pesquisar, avaliar e divulgar as infor-
mações disponíveis a respeito das mudanças climáticas. O IPCC desenvolve suas pesquisas em
três Grupos de Trabalho:

Grupo de Trabalho I – Aspectos científicos do sistema climático.


Grupo de Trabalho II – Impactos, vulnerabilidade e Adaptação.
Grupo de Trabalho III – Mitigação (intervenções humanas destinadas a reduzir as
emissões de GEE).

Em 2007, o IPCC publicou seu quarto relatório no qual afirma com 90% de certeza que
as atividades humanas são as principais causadoras do aumento da temperatura da terra e,
consequentemente, das mudanças climáticas.

Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL)


Os mecanismos de desenvolvimento limpo têm como objetivos:
(1) Ajudar os países do Anexo-I a cumprirem suas metas de redução de emissão.
(2) Promover desenvolvimento sustentável nos países anfitriões do Não-Anexo I.

Os MDL contribuem para o cumprimento do último objetivo da Convenção, isto é, pre-


venir mudanças climáticas. O MDL irá gerar unidades de RCE (redução certificada de emis-
sões), originadas em projetos nos países em desenvolvimento, com as quais os países industri-
alizados poderão contar para o cumprimento de seus compromissos de redução de emissão.
As reduções de emissões promovidas por tais projetos devem ser certificadas por entidades
operacionais a serem designadas pela Conferência das Partes (COP) e estão condicionadas:

• À participação voluntária das Partes envolvidas.


• Aos benefícios de longo prazo reais, mensuráveis e relativos à mitigação de mudan-
ça climática.
• Às reduções de emissão que são adicionais àquelas que ocorreriam na ausência de
tal projeto certificado (adicionalidade).

108
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
A COP deve elaborar modalidades e procedimentos que objetivem garantir transparên-
cia, eficiência e responsabilidade, através de auditoria e verificação independente destes proje-
tos. A COP deve também garantir que parte destes certificados seja usada para cobrir custos
administrativos, assim como ajudar países em desenvolvimento, particularmente vulneráveis
aos efeitos adversos da mudança do clima, a cobrir os custos de adaptação.
A COP-1 foi realizada em Berlim, em 1995. Nesta conferência, foram definidos com-
promissos legais de redução de emissões que foram inseridos no Protocolo de Kyoto
(REBOUÇAS, 2009). As últimas conferências entre as parte (COP 15 e 16) não trouxeram
muitos avanços nas negociações internacionais. A COP-15 foi realizada em Copenhague (Di-
namarca). Em 2009, foi esperada com enorme expectativa por diversos governos, ONGs, em-
presas e pessoas interessadas em saber como o mundo vai resolver a ameaça do aquecimento
global à sobrevivência da civilização humana. No entanto, tal conferência não conseguiu uni-
ficar os objetivos ambientais aos econômicos entre países pobres e ricos e não gerou um do-
cumento legal de compromisso entre as nações. Esta conferência deixou uma imagem de de-
sastre e frustração em virtude da incapacidade dos países ricos de assumirem compromissos
sobre redução das emissões, principalmente por parte dos EUA e China.
A COP 16 que ocorreu em Cancún, México, em 2010, alcançou alguns resultados positi-
vos, após o fiasco da COP 15. Foi definido um Fundo Verde para adaptação e mitigação nos
países em desenvolvimento e a aprovação de um mecanismo de Redução de Emissões por
Desmatamento e Degradação de (REDD), com algumas salvaguardas que visam garantir que
esses projetos respeitem os direitos de povos indígenas e comunidades locais, bem como a
biodiversidade.

Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REED) é um mecanismo de


compensação financeira para os países em desenvolvimento ou para comunidades desses
países, pela preservação de suas florestas. O REDD é visto como uma forma fundamental de
redução da quantidade de CO2 lançada na atmosfera por conta do desmatamento em todo o
mundo, causando do aquecimento global. Nos últimos anos, o REDD se tornou ponto cen-
tral das negociações de um novo acordo sobre o clima. Estima-se que o desmatamento seja
responsável por quase 20% do total das emissões anuais globais dos gases causadores do efei-
to estufa. Para a maioria dos especialistas, o volume das emissões deste tipo é comparável às
emissões de todos os países da União Europeia, e supera o total emitido globalmente pelo
setor de transporte (incluindo todos os carros, caminhões, aviões, navios e trens em todo o
mundo). Para alguns especialistas, o REDD representa a maior oportunidade isolada de re-
dução imediata e de maior custo efetivo, da emissão de GEE. Eles argumentam que outras

109
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
opções mais tecnológicas, como a captura e armazenamento de carbono, são muito mais
caras e poderiam levar muitos anos para serem implementadas em larga escala.

Disponível em: http://oglobo.globo.com/ciencia/mat/2009/12/02/entenda-redd-reducao-das-emissoes-por-desmatamento-degradacao-


915015505.asp

O MDL é um instrumento criado pelo Protocolo de Kyoto para reduzir as emissões de


gases causadores do efeito estufa. Além de cortar localmente suas emissões, os países desen-
volvidos podem também comprar uma parcela de suas metas em créditos de carbono gerados
em projetos em outros países. A Implementação conjunta garante créditos obtidos de países
desenvolvidos e o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, permitindo que estes créditos ve-
nham de países em desenvolvimento, como o Brasil. Por esse motivo, criou-se uma grande
expectativa com os benefícios que poderão ser trazidos para o Brasil. Por um lado, os projetos
a serem realizados no âmbito do MDL representam uma fonte de recursos financeiros para
projetos de desenvolvimento sustentável, por outro, deverão incentivar o maior conhecimento
científico e a adoção de inovações tecnológicas.
Além dos mecanismos de desenvolvimento limpo, a eficiência energética é outra opção
para minimizar os impactos das mudanças climáticas globais. Esta nada mais é, do que apro-
veitar melhor a energia sem desperdiçá-la. As indústrias devem investir em eficiência energé-
tica e buscar novas tecnologias para tal. Pode-se citar como exemplo uma lâmpada é dita efici-
ente, quando proporciona a mesma iluminação que as outras, entretanto consome menos
energia, ou seja, mesma iluminação, com menos gasto de energia (WWF, 2007).
As energias renováveis não-convencionais são aquelas não originadas de combustíveis
fósseis (como petróleo e gás natural) também não inclui a hidroeletricidade. Estas podem
substituir as convencionais com a mesma eficiência energética. São exemplos bastante conhe-
cidos de energias renováveis não-convencionais, a energia solar, das quais se aproveita a luz e
o calor do sol para gerar energia, a biomassa (oriunda mais comumente do bagaço da cana-de-
açúcar) e a eólica, dos ventos.

Disponível em: http://blogdochimarrao.blogspot.com/2011/02/conheca-cinco-paises-que-mais-investem.html Fonte:


http://mundowebanimal.blogspot.com/2010/11/energia-eolica.html

110
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
2.2.3
CONTEÚDO 3.
POLÍTICA NACIONAL SOBRE MUDANÇA DO CLIMA

Em 2009 foi instituída no Brasil a Política Nacional sobre a Mudança do Clima


(PNMC), Lei nº 12.187. Essa política oficializou o compromisso voluntário do Brasil junto à
Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima de redução de emissões de gases de
efeito estufa entre 36,1% e 38,9% das emissões projetadas até 2020. O Decreto nº 7.390/2010
que regulamentou a Política Nacional sobre Mudança do Clima, tem como a linha de base de
emissões de gases de efeito estufa para 2020 foi estimada em 3,236 GtCO2-eq. Assim, a redu-
ção absoluta correspondente ficou estabelecida entre 1, 168 GtCO2-eq e 1,259 GtCO2-eq,
36,1% e 38,9% de redução de emissões, respectivamente. Os instrumentos para execução da
PNMC são, entre outros: o Plano Nacional sobre Mudança do Clima, o Fundo Nacional sobre
Mudança do Clima e a Comunicação do Brasil à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre
Mudança do Clima (MMA, 2015).

Plano Nacional sobre Mudança do Clima

O Plano Nacional sobre Mudança do Clima visa a incentivar o desenvolvimento e apri-


moramento de ações de mitigação no Brasil, colaborando com o esforço mundial de redução
das emissões de gases de efeito estufa, bem como objetiva a criação de condições internas para
lidar com os impactos das mudanças climáticas globais (MMA, 2015). O Plano estrutura-se
em quatro eixos: oportunidades de mitigação; impactos, vulnerabilidades e adaptação; pesqui-
sa e desenvolvimento; e educação, capacitação e comunicação.
Dentre seus objetivos estão:
1) Identificar, planejar e coordenar as ações para mitigar as emissões de gases de efeito
estufa geradas no Brasil, bem como àquelas necessárias à adaptação da sociedade aos impactos
que ocorram devido à mudança do clima;
2) Fomentar aumentos de eficiência no desempenho dos setores da economia na busca
constante do alcance das melhores práticas;
3) Buscar manter elevada a participação de energia renovável na matriz elétrica, preser-
vando posição de destaque que o Brasil sempre ocupou no cenário internacional;
4) Fomentar o aumento sustentável da participação de biocombustíveis na matriz de
transportes nacional e, ainda, atuar com vistas à estruturação de um mercado internacional de
biocombustíveis sustentáveis;

111
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
5) Buscar a redução sustentada das taxas de desmatamento, em sua média quinquenal,
em todos os biomas brasileiros, até que se atinja o desmatamento ilegal zero;
6) Eliminar a perda líquida da área de cobertura florestal no Brasil, até 2015;
7) Fortalecer ações intersetoriais voltadas para redução das vulnerabilidades das popula-
ções;
8) Procurar identificar os impactos ambientais decorrentes da mudança do clima e fo-
mentar o desenvolvimento de pesquisas científicas para que se possa traçar uma estratégia que
minimize os custos sócio-econômicos de adaptação do País.

O Plano Nacional sobre Mudança do Clima apresenta também algumas metas, que se
reverterão na redução de emissões de gases de efeito estufa, além de outros ganhos ambientais
e benefícios socioeconômicos (MMA, 2015).
- reduzir o índice de desmatamento anual da Amazônia (redução de 80% até 2020

de acordo com o Decreto nº 7390/2010);

- ampliar em 11% ao ano nos próximos dez anos o consumo interno de etanol;

- dobrar a área de florestas plantadas, para 11 milhões de hectares em 2020, sendo 2 mi-

lhões de ha com uso de espécies nativas;

- troca de 1 milhão de geladeiras antigas por ano, em 10 anos;

- aumento da reciclagem de resíduos sólidos urbanos em 20% até 2015;

- aumento da oferta de energia elétrica de co-geração, principalmente a bagaço de cana-

de-açúcar, para 11,4% da oferta total de eletricidade no país, em 2030;

- redução das perdas não-técnicas na distribuição de energia elétrica à taxa de 1.000

GWh por ano, nos próximos 10 anos.

O Plano Nacional sobre Mudança do Clima possui caráter dinâmico e passará por revi-
sões regulares, bem como avaliações de seus resultados para que possa ser implementado em
consonância com os desejos e desígnios da sociedade brasileira.

112
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
2.2.4
CONTEÚDO 4.
OPORTUNIDADES EMPRESARIAIS E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Inúmeras oportunidades empresariais poderão surgir a partir do mercado de créditos de
carbono, como os compromissos assumidos a partir da Política Nacional de Mudança do
Clima e até mesmo da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Nessa sessão faremos uma breve
apresentação de alternativas com vistas ao desenvolvimento sustentável.

Mercado de Créditos de Carbono


Os créditos de carbono são certificados de redução de emissões de poluentes lançados,
negociados no âmbito do MDL, um instrumento do Protocolo de Kyoto para auxiliar a redu-
ção de gases poluentes na atmosfera.
O crédito de carbono trata de atividades e projetos, que sejam de participação voluntá-
ria, redução adicional (que não sejam práticas usuais ou normas legais) dos gases do efeito
estufa. O projeto deve atingir o desenvolvimento sustentável e comprometer-se por períodos
determinados em 03 períodos de 07 anos ou um único de 10 anos, passar por um órgão certi-
ficador, no qual estes projetos necessitam buscar uma metodologia aprovada.
O mercado de crédito de carbono movimentou US$ 30 bilhões em 2006, o triplo do ano
anterior, segundo um relatório do Banco Mundial. Cerca de 80% desse valor (quase US$ 25
bilhões) foi originado de programas implantados na União Europeia, e US$ 5 bilhões vieram
de países em desenvolvimento. Em 2007, o mercado de crédito carbono teve um potencial em
todo o mundo, de $ 30 bilhões e o Brasil respondeu por 20% desse total, com um potencial de
ganho extra de cerca de $ 6 bilhões. Atualmente, o comércio de crédito de carbono está mo-
vimentando a economia de grandes países. O Brasil, que já ocupou o primeiro lugar no ran-
king dos principais produtores de projetos, acabou perdendo o lugar para a China e a Índia.
Esses dois países em conjunto com a Austrália, Coréia do Sul e Japão, produzem quase metade
dos gases causadores do aquecimento global (Instituto Carbono Brasil, 2009).
A suinocultura pode render créditos no mercado do sequestro de carbono. Esta ativida-
de é de grande participação na redução do gás metano, que é produzido a partir da decompo-
sição da matéria orgânica dos dejetos de suínos. Um sistema já conhecido há milhares de
anos, o sistema de biodigestores, está voltando para a participação do processo que possibilita
a formação e captação do gás metano. No biodigestor, o processo dos microorganismos na
oxidação da matéria produz gases, esses gases podem ser usados na queima, produzindo ener-
gia. Desta forma, o metano não será emitido para a atmosfera (figura 29).

113
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
Figura 29: esquema de biodigestores. Fonte: http://www.revistaea.org/img/biogestores40_files/image002.jpg>.

Também os projetos de reflorestamentos são eficientes “sequestradores de carbono”, já


que a vegetação nas fases iniciais de desenvolvimento necessita de CO² (Figura 30). A preser-
vação de florestas, entre outras práticas, permite a geração de créditos no mercado de carbono.
Estudos promovidos pelo Governo Federal revelam que poupar energia elétrica pode gerar
créditos de carbono.

Figura 30: foto de uma estufa. Plantas nas fases iniciais de crescimento são importantes sequestradores de carbono. Fonte:
http://meioambiente.culturamix.com/blog/wp-content/uploads/2012/08/projeto-reflorestamento-2.jpg.>.

Devido à necessidade de incremento de mecanismos de desenvolvimento limpo, abriu-


se uma enorme oportunidade empresarial nesta área. Diversas instituições nacionais e inter-
nacionais estão financiando programas específicos para projetos de redução de GEE´s, com
obtenção de crédito de carbono. São apresentados a seguir alguns desses fundos:

• Japan Greenhouse Gas Reduction Fund foi o primeiro fundo de carbono do Japão,
estabelecido em 2004, por mais de 33 entidades, destinado ao desenvolvimento de

114
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
projetos de redução das emissões de gases do efeito estufa, e a compra CERs e ERUs
para o primeiro período de compromisso do Protocolo de Kyoto. Direcionado à
compra de créditos derivados de projetos de eficiência energética, energia renovável,
troca de combustível, gerenciamento de resíduos, indústrias químicas, gases fugiti-
vos etc. Oferece apoio financeiro para as fases de desenvolvimento de projetos, co-
mo elaboração do PDD, validação etc.

• Biocarbon Fund este fundo é uma parceria público/privada que fornece financia-
mentos para a redução das emissões de gases do efeito estufa, criado com o objetivo
de abrir o mercado de carbono para atividades florestais e agrícolas. Associar bene-
fícios sociais e econômicos com uso do solo, mudança de uso do solo e florestamen-
to (LULUCF) em muitas comunidades rurais ao redor do mundo, o fundo pretende
agregar benefícios climáticos globais e créditos de redução das emissões aos seus
participantes.

• Prototype Carbon Fund é uma parceria entre 17 companhias e 06 governos, geren-


ciada pelo Banco Mundial, operacional desde abril de 2002. Como primeiro fundo
de carbono, sua missão é ser pioneiro no mercado de redução das emissões de gases
do efeito estufa, enquanto promove o desenvolvimento sustentável. O fundo possui
um capital de $180 milhões.

• The Netherlands CDM Facility o Banco Mundial anunciou, em maio de 2002, um


acordo com os Países Baixos, para o estabelecimento de recursos para adquirir cré-
ditos de emissões reduzidas. A iniciativa, que possui capital de $ 264.7 milhões,
apoia projetos em países em desenvolvimento que gerem potenciais créditos sob o
MDL, estabelecido pelo Protocolo de Kyoto.

• Danish Carbon Fund foi estabelecido em janeiro de 2005. O fundo que considera
projetos de MDL e JI. Tem preferência para projetos em áreas como: energia eólica,
cogeração, hidrelétrica, biomassa e aterros sanitários.

• Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) possui envolvimento indireto


com o mercado de carbono, financiando projetos.

115
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
• MGM International esta empresa trabalha com financiamento, desenvolvimento e
comercialização de projetos créditos de carbono.

• Econergy é uma empresa de energias limpas. Trabalha com financiamento, desen-


volvimento e negociação de projetos para geração e venda de créditos de carbono.

• Banco Real/ABN AMRO possui linhas de financiamento socioambientais e para


projetos de créditos de carbono. Presta assessoria no desenvolvimento do projeto.

• Austrian JI/CDM Programme organizado pelo Ministério de Agricultura e Flores-


tamento, Meio Ambiente e Gerenciamento Hídrico da Áustria. Adquire créditos de
emissões reduzidas provenientes dos mecanismos de flexibilização do Protocolo de
Kyoto, Mecanismo de Desenvolvimento Limpo e Implementação Conjunta (JI -
Joint Implementation). Financia alguns serviços em particular, como estudos de li-
nha de base, PDD e outros necessários ao desenvolvimento de tais projetos. A quar-
ta chamada para projetos está aberta desde 05 de abril de 2007. Não se interessa por
projetos de sumidouros de carbono (carbon sinks, reflorestamento e florestamento).

• Climate Change Capital seu grupo de carbon finance desenvolve e gerencia fundos
que investem em campanhas e projetos envolvidos na redução das emissões de gases
do efeito estufa. Sua experiência inclui desde grandes bancos de investimentos até
pequenas empresas. Com dois fundos e gerenciando mais de $ 750 milhões. Investe
em projeto de reduções em mercados emergentes.

• Climate Trust é uma organização sem fins lucrativos que oferece reduções de emis-
sões de gases do efeito estufa provenientes de projetos de alta qualidade.

• FINEP - o Fundo de Financiamentos de Estudos de Projetos e Programas, uma em-


presa pública vinculada ao MCT, tem como objetivo promover e financiar a inova-
ção e a pesquisa científica e tecnológica em instituições públicas e privadas.

• FAPESC - a Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica do Estado de


Santa Catarina tem como objetivo o fomento à pesquisa, promovendo o desenvol-
vimento científico e tecnológico daquele estado.

116
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
• BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) oferece uma li-
nha de crédito para "estudos de viabilidade, custos de elaboração do projeto, PDD e
demais custos relativos ao processo de validação e registro"
(http://www.bndes.gov.br/ambiente/meio_ambiente.asp), além do Programa
BNDES Desenvolvimento Limpo, que é um programa para a seleção de Gestores de
Fundos de Investimento, com foco direcionado para empresas/projetos com poten-
cial de gerar Reduções Certificadas de Emissão (RCEs) no âmbito do MDL.

• Caixa Econômica Federal conta com uma linha de crédito para financiamento inte-
gral de atividades de projetos no âmbito do MDL em áreas como saneamento, bom-
beamento de água e pequenas hidrelétricas, por exemplo.

Em dezembro de 2003, 14 empresas, que juntas são responsáveis por metade da emissão
anual do Reino Unido, fundaram a Bolsa do Clima de Chicago (CCX), na tentativa de criar
um mercado de carbono próprio e alternativo ao Protocolo de Kyoto. O maior poluidor do
mundo, apesar de estar fora do principal acordo multilateral para reduzir as emissões de gases
do efeito estufa, é o primeiro a criar uma bolsa de venda de créditos de carbono. Na primeira
fase, até 2006, a CCX apenas organizou a comercialização de redução de emissões de gases do
efeito estufa nos Estados Unidos, México, Canadá, e de um primeiro projeto de compensação
brasileira – da Indústria de Papel e Celulose Klabin. A empresa mantém um projeto de reflo-
restamento em uma área de 10 mil hectares. Para as empresas que se associam à Bolsa do Cli-
ma de Chicago, as vantagens são muitas. A principal delas é o aumento do valor do título em
bolsas “Uma ação como a da Ford, por exemplo, que vale tanto na Bolsa de NY pode ter crité-
rios de sustentabilidade que a façam subir de preço (Carbono Brasil, 2007 – esse site deixou de
existir o que fazer com a citação???).
As bolsas de valores como Dow Jones Sustainability Index; ISE – Índice de Sustentabili-
dade Empresarial da Bovespa estão criando índices de sustentabilidade corporativa, que levam
em consideração aspectos sociais e ambientais além dos aspectos econômicos na valoração das
empresas.

Desenvolvimento Sustentável
Embora o termo desenvolvimento sustentável já tivesse sido usado anteriormente, ficou
amplamente conhecido nos círculos políticos após a divulgação do Relatório de Brundtland.
Os pontos centrais do conceito de desenvolvimento sustentável contidos na publicação Nosso
Futuro Comum de 1991, tornaram-se o ponto-chave para elaboração da Agenda 21 como já
mencionado anteriormente: “A Agenda 21 é a agenda para o desenvolvimento traduzida em
ações!”.

117
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
De acordo com esse relatório, os pilares que compõem o conceito de desenvolvimento
sustentável são (Figura 31):

Figura 31: esquema dos pilares do desenvolvimento sustentável. Fonte: autoria equipe material didático.

Autores como SACHS (2004), apontam para outras dimensões no conceito de desen-
volvimento sustentável, considerando cinco dimensões principais, quais sejam:
a) Social: fundamental por motivos tanto intrínsecos quanto instrumentais, por causa da
perspectiva de disrupção social que paira de forma ameaçadora sobre muitos lugares proble-
máticos do nosso planeta;
b) Ambiental: com suas dimensões (os sistemas de sustentação da vida como provedores
de recurso e com “recipientes” para a disposição de resíduos);
c) Territorial: relacionado à distribuição espacial dos recursos, das populações e das ati-
vidades;
d) Econômico: sendo a viabilidade econômica a condição necessária para que as coisas
aconteçam;
e) Político: a governança democrática é um valor fundador e um instrumento necessário
pra fazer as coisas acontecerem, a liberdade faz toda a diferença.
O desenvolvimento sustentável é um processo de transformação da sociedade que ne-
cessariamente requer mudança nos padrões de desenvolvimento, objetivando conciliar de
maneira harmoniosa as necessidades presentes sem comprometer a possibilidade das gerações
futuras satisfazerem as suas próprias necessidades.
O desafio atual é a implementação desse novo modelo de desenvolvimento, traduzindo-
o em ações efetivas, como mudança nos padrões de produção, consumo e desenvolvimento,
associados à utilização racional dos recursos naturais. Por esse motivo, as oportunidades em-
presariais que surgiram e surgirão em função de compromissos nacionais e internacionais
oriundos de Políticas tão relevantes para o Brasil, devem ser concebidas como grandes opor-

118
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
tunidades para a implementação de projetos com as premissas propostas por esse novo mode-
lo de desenvolvimento, sob bases sustentáveis.

ATIVIDADE COMPLEMENTAR
ESTUDO DE CASO

Diversas são as variáveis para o problema econômico socioambiental e inúmero os pa-


radigmas e teorias cientificas que surgem na tentativa de melhorar a construção da sustentabi-
lidade e a gestão ambiental. Dona Tereza é professora, mãe de 3 filhos e mora em um bairro
popular. Decidiu que precisa fazer a diferença, cuidar do meio ambiente com a ajuda da famí-
lia e da sociedade e, sabe que ensinar as crianças a cuidar do meio ambiente é uma medida
importante para a manutenção de um futuro sustentável. Comente e dê exemplos, a partir do
que foi estudado até o momento de ações sustentáveis que eles podem desenvolver e, sua im-
portância para o meio ambiente.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

QUESTÕES DO ENADE

QUESTÃO 01
(ENADE, 2011) O aquecimento global é um fenômeno natural de manutenção da tem-
peratura do planeta causado pela retenção, na atmosfera, pelos gases de efeito estufa, de parte
da energia refletida pela superfície terrestre. Com o aumento rápido das emissões desses gases,
gerados pela aceleração das atividades antropogênicas, esse fenômeno passou a se intensificar,
determinando um aumento mais rápido na temperatura da Terra.
Para enfrentar esse problema, o Brasil instituiu, em 29 de dezembro de 2009, a Política
Nacional sobre Mudança do Clima, por meio da Lei n.º 12.187, regulamentada, posteriormen-
te, pelo Decreto n.º 7.390, de 9 de dezembro de 2010. Essa lei prevê que “todos têm o dever de
atuar, em benefício das presentes e das futuras gerações, para a redução dos impactos decor-
rentes das interferências antrópicas sobre o sistema climático” e “a promoção da disseminação
de informações, a educação, a capacitação e a conscientização pública sobre mudança do cli-
ma”. Além disso, essa lei instituiu “as medidas de divulgação, educação e conscientização”
como um dos instrumentos da Política Nacional sobre Mudança do Clima.
Nesse contexto, as campanhas de educação sanitária e ambiental voltadas para as mu-
danças climáticas devem abordar a necessidade de

119
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
a) reduzir os índices anuais de desmatamento na Amazônia Legal e no Cerrado.
b) desestimular o aumento na oferta de biocombustíveis, como o etanol.
c) incrementar a geração de energia proveniente de usinas termelétricas movidas a car-
vão mineral.
d) aumentar o rebanho bovino e suíno do país, por meio da destinação de maior núme-
ro de áreas para a pecuária.
e) investir na exploração do petróleo descoberto nas extensas jazidas do pré-sal.

QUESTÃO 02
(ENADE, 2011) A definição de desenvolvimento sustentável mais usualmente utilizada
é a que procura atender às necessidades atuais sem comprometer a capacidade das gerações
futuras. O mundo assiste a um questionamento crescente de paradigmas estabelecidos na eco-
nomia e também na cultura política. A crise ambiental no planeta, quando traduzida na mu-
dança climática, é uma ameaça real ao pleno desenvolvimento das potencialidades dos países.
O Brasil está em uma posição privilegiada para enfrentar os enormes desafios que se
acumulam. Abriga elementos fundamentais para o desenvolvimento: parte significativa da
biodiversidade e da água doce existentes no planeta; grande extensão de terras cultiváveis;
diversidade étnica e cultural e rica variedade de reservas naturais.
O campo do desenvolvimento sustentável pode ser conceitualmente dividido em três
componentes: sustentabilidade ambiental, sustentabilidade econômica e sustentabilidade so-
ciopolítica.

Nesse contexto, o desenvolvimento sustentável pressupõe

a) a preservação do equilíbrio global e do valor das reservas de capital natural, o que não
justifica a desaceleração do desenvolvimento econômico e político de uma sociedade.
b) a redefinição de critérios e instrumentos de avaliação de custo-benefício que reflitam
os efeitos socioeconômicos e os valores reais do consumo e da preservação.
c) o reconhecimento de que, apesar de os recursos naturais serem ilimitados, deve ser
traçado um novo modelo de desenvolvimento econômico para a humanidade.
d) a redução do consumo das reservas naturais com a consequente estagnação do desen-
volvimento econômico e tecnológico.
e) a distribuição homogênea das reservas naturais entre as nações e as regiões em nível
global e regional.

120
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
QUESTÃO 03
(ENADE, 2010) Nosso planeta recebe anualmente do Sol energia suficiente para suprir
nossas necessidades energéticas. Perto de 55% da radiação solar é refletida ou usada em pro-
cessos naturais. A sobra de 45% é convertida em movimento térmico (calor), do qual parte
escapa como infravermelho. O calor retido na atmosfera por certos gases aquece a Terra, pro-
vocando o chamado efeito estufa.

ATKINS, P.; JONES, L. Princípios de Química: questionando a vida moderna e o meio ambiente. São
Paulo: Bookman, 2001, p. 746 (adaptado).

Acerca do efeito estufa, avalie as afirmativas a seguir.

I. O efeito estufa é um fenômeno natural e imprescindível para a vida na Terra, pois,


sem ele, a temperatura média na superfície do planeta ficaria abaixo do ponto de congelamen-
to da água.
II. São exemplos de gases-estufa o dióxido de carbono, o metano, o azônio e certos clo-
rofluorcarbonos.
III. Aquecimento global e efeito estufa são expressões sinônimas que significam aumen-
to da temperatura do planeta.
IV. As atividades humanas, principalmente a partir da Revolução Industrial, são respon-
sáveis pelo aumento da concentração dos gases estufa na atmosfera, o que causa desequilíbrio
nas trocas de calor do planeta e alteração do efeito estufa.

é correto apenas o que se afirma em:

a) I e II.
b) I e III.
c) II e III.
d) I, II e IV.
e) II, III e IV.

121
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
QUESTÃO 04

(ENADE, 2013) O estado do Rio de Janeiro vai ser palco do plantio de 34 milhões de ár-
vores até 2016, com a geração de 5 000 empregos verdes. O plantio dessas mudas será suficien-
te para o poder público cumprir suas obrigações de plantio de árvores para compensar as
emissões de gases-estufa que deverão ser liberadas durante a realização da Copa do Mundo,
em 2014, e dos Jogos Olímpicos, em 2016.

Disponível em: <http://www.rj.gov.br>


Acesso em: 10 jul. 2013 (adaptado).
A respeito do aquecimento global e do plantio de árvores para a compensação de emis-
sões de gases causadores do efeito estufa, avalie as afirmações a seguir.

I. Replantios realizados por órgãos governamentais e setores produtivos com objetivo de


aumentar a absorção de dióxido de carbono, aliados à substituição de combustíveis fósseis por
combustíveis renováveis, contribuem para a redução do aquecimento global.
II. No licenciamento ambiental, o replantio da vegetação arbórea como ação corretiva
pode ser convertido em créditos de carbono.
III. Replantios realizados com objetivo de aumentar a absorção de dióxido de carbono
em áreas urbanas cercadas por florestas naturais maduras, como é o caso da cidade do Rio de
Janeiro, têm impacto mínimo porque essas florestas são as principais sequestradoras de car-
bono.

É correto o que se afirma em

a) I, apenas.
b) III, apenas.
c) I e II, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, II e III.

QUESTÃO 05
(ENADE, 2011) Recentes relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Cli-
máticas (IPCC, na sigla em inglês) voltaram a defender que a ação antrópica tem contribuído
significativamente para o aumento dos níveis de carbono na atmosfera terrestre. A conse-
quência mais conhecida desse aumento é o aquecimento global, originado pela intensificação
do efeito estufa. Todavia, há um assim chamado irmão gêmeo do mal do aquecimento global,
que é pouco conhecido. Trata-se do processo de acidificação dos oceanos, que já ocorreu antes

122
PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL
na história da Terra, no limite Permo-Triássico, há, aproximadamente, 250 milhões de anos.
Correlacionando a importância dos oceanos na manutenção da vida na Terra com as possíveis
causas do colapso ambiental observado pelo processo de acidificação dos oceanos ocorrido no
limite Permo-Triássico, e ainda, com as consequências para a biodiversidade atual, analise as
afirmações abaixo.

I. A acidificação dos oceanos resulta da dissolução de CO2 na água, produzindo íons de


hidrogênio, reduzindo o pH.
II. O processo de acidificação dos oceanos inferido para o limite Permo-Triássico, cau-
sado pelos altos níveis de CO2 atmosféricos registrados, foi um dos responsáveis pela extinção
em massa registrada naquele momento.
III. Atualmente, a acidificação dos oceanos geraria índices de extinção semelhantes aos
observados no limite Permo-Triássico devido à desestabilização de sistemas costeiros.
IV. A redução dos níveis de O2 atmosférico advinda da acidificação dos oceanos afetaria
não somente a biodiversidade marinha, mas, também, a biodiversidade terrícola.

É correto apenas o que se afirma em

a) I e II.
b) II e III.
c) III e IV.
d) I, II e IV.
e) I, III e IV.

INFORM@ÇÃO

UMA VERDADE INCONVENIENTE E AL GORE – Esse documentário traz uma re-


flexão super interessante sobre a questão climática, o IPCC e os postura de países interessados
ou não nos acordos climáticos.

123
MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
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MEIO AMBIENTE E SOCIEDADE
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PATRICIA CARLA BARBOSA PIMENTEL