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A bela e o Bad Boy

Série Bad Boy


Livro 01
By Scarlett Dupree
Equipe Pégasus Lançamentos
Disponibilização: Soryu
Tradução: Lele Iunes
2— Tradução – Nathy PL
Revisão Inicial: Ully, Joana, Lukita, Thaty,
Renata Pereira, Simone Titiry
2ª Revisão Inicial: Chris Fernandes
Revisão Final: Silviali
Leitura Final e Formatação: Luisinha Almeida
Verificação: Gladys Maris
Sinopse
Um jovem mau, motoqueiro de uma gangue. Nascido em uma
gangue. Nascido para matar!

Uma linda jovem da sociedade. Nascida para ser livre.


Nascida para amar!

Lados opostos, mas uma coisa os uniu: um trágico passado.

Jake jurou nunca voltar a amar depois que sua namorada


foi brutalmente assassinada, nunca se perdoou por sua morte.
Enquanto para Dakota, sua felicidade foi assassinada por uma
perda tão profunda que ela tinha deixado de viver. Depois de
anos dormindo com tietes de motoqueiros, a reputação de garoto
mau de Jake é destroçada assim que a Bela entra em sua vida.

Enquanto que para Dakota, o garoto mau forte, tatuado e


musculoso, a força a viver novamente. Sua própria vida depende
disso.

Esta história conta a transição da Bela ao mundo de


violência do garoto mau, cheio de traição e morte. Um mundo
dominado por homens que vivem sob um restrito código, aonde o
amor e a beleza entram em segundo lugar.

Jake precisava de uma mulher de pulso para ficar ao seu


lado. Mas Dakota não é uma mulher comum. Ela pode lutar, pode
atirar, e tem uma boca super suja. Seu passado dramático forçou
Dakota a ser teimosa, rejeitando a necessidade de Jake protegê-
la. Mas Dakota deve entender realmente, que de vez em quando,
precisa de um homem para apoiá-la, especialmente se a ideia de
amor desse homem é dar a vida por ela.
Dizem que quando se está na merda sua alma se perde. Mas
o que se passa quando o destino unem duas almas perdidas? E eles
decidiriam arriscar sua última esperança para estarem juntos?

A Bela e o Bad Boy é a história sobre duas almas perdidas


que fizeram uma escolha. E as consequências do seu ato. Mas,
podem seus instintos salvar o amor ou será sua perdição afinal?
Capítulo 1

Jake

Estava apertando um parafuso debaixo de um carro,


quando ouvi um estrondo que parou o meu coração,
aproximando-se da área do estacionamento, apesar da minha
visão estar bloqueada sabia pelo barulho das rodas que era
uma belezinha. Deslizei fora da carretilha e olhei. Sim, tinha
razão como sempre.

Mustang 68, negro reluzente, um verdadeiro carro, e


caralho... Em perfeitas condições, levantei fui para frente do
estacionamento secando as mãos em um pano, observei
enquanto o carro se aproximava e parou perto.

E então ela saiu.

Tinha passado muito tempo desde que notei uma


garota. Tina tinha sido a última, e já haviam se passado
alguns anos que tinha sido assassinada. Apaixonamo—nos
quando tínhamos apenas dezoito anos e ela foi assassinada
três anos mais tarde.

Não tinha gasto nem um segundo pensamento a


respeito de me apaixonar de novo, não notei nenhuma
mulher, apenas jogava com elas, uma grande quantidade
delas. Tinha estado muito certo de que essa parte de mim, a
parte que sentia verdadeira emoção estava na terra com a
garota que tinha amado e que ainda amava.

Com cada ano que tinha se passado, meu coração se


esvaziava. Ao que parecia, era a única forma em que podia
sobreviver à vida que o destino tinha escolhido para mim.
Mas estava notando a jovem que se deslizava do lado do
condutor e se levantava, não podia ter mais que dezoito anos,
talvez dezenove. Enquanto fechava a porta e se dirigia para
mim, tomei um tempo e a olhei.

A primeira vista, era perfeita, era alta, não tão alta


como eu é obvio, inclusive com os saltos de suas botas negras,
mas sem dúvida mais alta que a maioria das mulheres. Tinha
uma figura deliciosamente curvilínea, diferente da maioria
das garotas que pensavam que o mundo se acabaria se não
se encaixassem no tamanho PP de roupa.

Usava um Jeans que se ajustava perfeitamente como


uma segunda pele. A prova disso é se que podia notar que
suas pernas eram tonificadas e viçosas, mas não tão justas
que se tornavam vulgar, como as chupadoras de pau, mais
conhecidas como as tietes de motoqueiros usavam.

Seu atrevido cabelo castanho escuro era abundante,


comprido, solto, destacava contra sua jaqueta rosa, e
emoldurava um elegante rosto jovem e bonito. Usava uns
óculos de sol, toda sua aparência era de pura classe.
Maldição!
Definitivamente não era uma chupadora de pau e com
certeza não era do gueto. Tinha que ser das Heights, uma
coisa estava clara, era apenas outra menina mimada, rica,
uma realmente quente, em um carro quente.

Registrei tudo isso no segundo ou dois que levou para


se aproximar. Parou de caminhar um pouco longe de mim,
fazendo uma pausa simplesmente olhando, percebeu que
estava no lugar errado? Estava perdida?

Não podia ter uma razão para que alguém como ela
estivesse caminhando em um lugar como este, quando digo
alguém, refiro-me a alguém que não conhece a palavra
"dificuldades". Não tinha conhecido ninguém, que crescendo
no gueto não tivesse sofrido de uma ou outra forma,
provavelmente tinha tomado a saída errada na autoestrada...

Garotas como ela nunca entravam em meu mundo, e


se o fizessem não sobreviveriam. E, ao que parece, ela não era
mais capaz de caminhar, ainda não havia se mexido. Dirigi-
me a ela.

— Posso te ajudar em algo? Está presa? Perdida? —


perguntei. Eu estava sorrindo mais do que queria.

Finalmente moveu os óculos de sol para acima, sobre


sua cabeça, capturando seu cabelo para trás expondo seus
olhos de um verde escuro. Porra!

— Olá... eu... hum... — Ela estava nervosa.


— Não há necessidade de ficar nervosa, boneca. —
Sorri.

Sua expressão mudou imediatamente.

— Não estou nervosa, e não sou uma boneca — disse


com aspereza. Sem dúvida tinha um pouco de valor. Isso fez
que eu gostasse dela imediatamente, ainda assim eu não
gostava das meninas ricas malcriadas. Mas não há nada de
mal em se divertir, não é?

— Oh, eu entendo... Erro meu, é toda uma mulher.

— Foda-se! — Sorriu de novo. Maldição, realmente era


uma lutadora e isso me acendia. Seus olhos vagavam de cima
abaixo em meu corpo, acredito que estava flertando comigo.

— Não no primeiro encontro — respondi.

— Encontro? Pensei que era do tipo que não tinha


encontros. — Seu sorriso se alargou, tinha o sorriso mais
sexy que já vi na vida.

— Talvez seja, talvez não seja. Parece que precisa de


diversão, assim pode ser que eu faça uma exceção, e eu
pensava que as de seu tipo não dirigiam. Não deveria ter um
chofer ou algo assim? — Ela revirou os olhos.

Merda! Acredito que a ofendi, mas por que diabo me


importava se ofendi uma patricinha rica?

— Bastardo arrogante. — Estava rindo de mim, e a


forma em que disse "arrogante" bom, definitivamente estava
paquerando comigo. Paquerando com um menino de gangue,
né? Provavelmente era sua maneira de procurar emoção,
realizar fantasias rebeldes e se vingar de um pai rigoroso. Não
tinha nem ideia de quão perigoso eu era.

— Menina rica malcriada. – Uh! Oh! Parecia realmente


zangada comigo. Para salvar a mim mesmo, dei meu melhor
olhar de “não podia...resistir...a...mim”. Nenhuma garota
podia resistir, acredito que funcionou, pois tossiu
nervosamente. Vá, até sua tosse era sexy.

— De qualquer forma, acredito que Indie pr...

— Espera o que? Indie? — perguntei.

— Sim, esse é seu nome. — Assinalou o Mustang. –


Indie, por Indiana Jones, você sabe...

—... Nomeou o seu carro com o nome de um


personagem de filme? — Fiz uma careta. Este carro estava
sendo desperdiçado com ela.

— Sim, Por quê? Tem algum problema com o nome do


meu carro? —Estava ofendida.

— Em primeiro lugar, quem colocou nome em seu


carro? Em segundo lugar, todo mundo sabe que os carros são
mulheres.

— Em primeiro lugar, eu coloquei, e é macho. Em


segundo lugar, não percebi que os carros tinham bocetas.

Engoli em seco tentando respirar, sua pequena voz


elegante pronunciando a palavra "boceta" me fez suar. O que
estava acontecendo? Ela era apenas uma garota, quer dizer,
usei palavras muito piores para nomear a mesma coisa.

— Não têm como já sabe, mas é a tradição. – Sorri,


trazendo-a de volta para o meu jogo.

— A tradição no mundo dos homens, não? — disse,


levantando as sobrancelhas e inclinando um pouco a cabeça.
Era obviamente uma dessas afetadas, do tipo feminista,
odiava às desse tipo.

— Tradição é tradição, neném.

— Não me chame de neném — disse em um tom sério.

— Não deveria estar usando couro se forem dizer coisas


como essas? —Deus, o pensamento dela em seu couro estava
fazendo que inchasse um pouco.

Ruborizou e desviou o olhar durante alguns segundos


antes de continuar. Era raro encontrar uma garota que fosse
sexy e graciosa ao mesmo tempo. Cravou as mãos para baixo,
talvez uma noite quente ajudasse com sua rebeldia, não era
uma má ideia, afinal.

— Assim... Acredito que está saindo a corrente de


distribuição do Indie, e pensei que você poderia dar uma
olhada.

Puta merda! Estava um pouco impressionado, ao que


parecia evidentemente uma adolescente rica, que sabia um
pouco sobre carros. Estava bastante certo de que seu rico pai
tinha lhe dado o carro, assim, por que seu querido papai não
estava cuidando dele, levando-o a uma oficina esnobe?

Só havia uma explicação, minha reputação de Deus do


Sexo tinha viajado para as Heights e ela queria um pedaço de
mim. As moças elegantes amavam um pouco de aspereza, ela
obviamente tinha planejado isto antes de vir aqui, lendo
sobre a manutenção de carro para impressionar o conhecido
mecânico Bad Boy do gueto, estava mais que feliz em ajudá-
la.

Dirigi-me ao carro e ela me seguiu.

— É um prazer — disse, aprofundando minha voz mais


do que o normal e me assegurando de que entendia a última
palavra. — Embora ouvi você dirigir, e o motor soava muito
doce, a corrente de distribuição faria muito barulho.

Ela estava radiante, seu sorriso estava cheio e


brilhante, mas parecia estar em profunda reflexão.
Provavelmente não era tão hábil, e estava tentando lembrar o
que tinha lido sobre isso antes de vir aqui, era tão fácil de ler.

— Instinto... — diz em seu atordoamento.

— O quê? — perguntei confuso. — Está drogada? Isso


explicaria muitas coisas.

— Uh... Sinto muito, é um ditado... "O instinto nos


salva afinal". Aprendi-o em meus estudos... Instinto. Só sei
que vir aqui, agora, era o correto a fazer.

— Aposto que sim, boneca.


— Estou escutando um pouco de estalo contínuo
quando o coloco em marcha, e não quero esperar até que o
carro pife. Nunca se sabe o que pode acontecer.

Inteligente, sabe tudo, hein? Bom, se pensa que vou


deixar todo o resto e colocá-la direto no topo da lista de
espera, está muito enganada.

— Parece bem. Não há problema. Mas, tenho que


terminar esse caminhão — fiz um gesto para a área do
estacionamento—, antes que possa trabalhar nele, umas
duas horas mais ou menos e está ficando tarde, assim se
estiver de acordo, será amanhã. — Provavelmente pensa que
porque é rica terá prioridade, não aqui, querida pode esperar.

— Está ótimo. Vou procurar alguém que me deixe em


casa esta noite, e posso trabalhar amanhã o dia todo em casa.
— Não esperava essa resposta. Esperava que fosse fazer um
escândalo de malcriação. Suponho que estava tentando me
seduzir.

— Está bem, apenas terei que conseguir um pouco de


informação. —Caminhei para o lado do carro, inclinei e olhei
para o interior. — É um grande carro, seu papai o comprou
restaurado?

— Vai se foder – Ela riu. — Tudo é original. — Toda


essa beleza e graça, e essa boca deliciosa ... Estava
completamente encantado.

Virei-me para ela ante o palavrão, e estou bastante


certo de tê-la apanhado olhando minha bunda. Dei um
grande sorriso demonstrando que não me importava. Quero
dizer, quem poderia culpá-la?

— Você gosta do que vê?

Ruborizou ligeiramente.

— Eu... O quê? Sinto muito, isso foi inapropriado. Às


vezes me esqueço de minhas maneiras. Hum... Enfim... Meu
pai o comprou novo. Passou a ser meu quando ele morreu.

Merda! Senti uma pontada de culpa quando mencionou


que seu pai havia falecido. A perda de um pai era algo que
conhecia muito bem. Meu julgamento imediato sobre uma
vida fácil tinha estado errado, ela tinha perdido algo.

— Este é o último lugar que precisa se preocupar por


dizer "vai se foder". — Ri tentando fazer com que se sentisse
mais a vontade. — E você está fazendo seu papai orgulhoso
com o carro. — Olhei sua boca enquanto sorria. Era cheia e
úmida, e... Limpei minha garganta. — Vamos ao escritório
para que eu possa pegar seus dados.

Tirou o telefone de seu bolso.

— Só vou ligar para que me deem uma carona e entro.

Assenti e fui ao escritório para iniciar os trâmites.


Olhava-a falando pelo telefone me assegurando de que não
me visse, uma das luzes da garagem brilhava atrás dela,
tinha o aspecto de um anjo, me senti desorientado por um
segundo. Esta não era minha forma de pensar.
Dirigiu-se para mim e observou as áreas de
estacionamento enquanto entrava.

— É uma moto genial essa que está trabalhando ali. É


uma Panhead, não? Como do '64 mais ou menos? — Agora
sim fiquei pasmo. Que porra de garota era esta? Talvez os
meninos estivessem pregando uma peça em mim.

—... '65. Conhece Harley's? — perguntei, com claro


assombro. Tinha pirado por completo a maioria de minhas
ideias errôneas sobre ela.

Começou a rir plenamente ante minha surpresa.

— Sim, um pouco. O gosto e conhecimento em carros é


um traço hereditário. E meu marido andava de Harley
sozinho, não em uma gangue nem nada. — Fez um gesto a
seu redor, indicando a mescla. — Mas tinha uma genial
Shovelhead '66.

A força de minha reação negativa para a palavra


"marido" me deu o que pensar e foi difícil ocultar. Mas
também percebi outra coisa, ela usou o tempo passado,
Talvez fosse divorciada? Era muito jovem para ter casada e
divorciada. Dei uma olhada em sua mão esquerda, havia um
anel ali, mas claramente não era um anel de casamento.
Tomei um folheto, fazendo o que parecia ser a pergunta mais
segura.

— Já não anda mais? – Clareei minha garganta.


Lamentei perguntar isto logo que disse, seu sorriso
angelical se desvaneceu imediatamente.

— Não. Ele morreu faz quase dois anos — disse. Por


um momento, um sentimento intenso disparou através de
mim e me uniu a ela. Ambos tínhamos perdido nossos pais e
aos que amávamos... Isto era irreal.

— Sinto muito — murmurei. Pude ver o sofrimento real


em seus bonitos olhos. Matou-me ver angústia em tanta
beleza, queria abraçá-la, não entendia a necessidade já que
acabara de conhecê-la. E ela há alguns instantes atrás era a...
Rica, rebelde, talvez uma garota rica drogada. Mas agora
queria envolver meus braços ao redor dela e mantê-la a salvo
de mais dor, isto era um desastre. Não tenho nada em
comum com uma maldita garota rica... Ou eu pensava que
não.

Entre a confusão repentina, a única coisa que eu sabia


que era verdadeira, era a dor que reconhecia em seus olhos.
Lembrei-me de Tina, caída na rua alagada em seu próprio
sangue e miolos, e me senti duplamente culpado.

Havia mais nesta garota de classe alta do que podia ter


imaginado, e me atraía para ela como um ímã.

A culpa devia estar estampada em meu rosto, porque


me olhava com verdadeira preocupação e compaixão, embora
não podia saber realmente a profundidade de meu remorso.

— Ouça, está tudo bem, realmente. Foi uma pergunta


inocente, não é sua culpa, estou bem, de verdade. — agachou
um pouco para se encontrar com meus olhos baixos e sorriu.
Apanhado de novo em seu encanto devolvi o sorriso.

Entreguei a prancheta com sua papelada. Ela


preencheu com seu nome, número de telefone, e endereço e
me devolve. Dakota Demonte, até seu nome era bonito.
Terminou de tirar as chaves do Mustang do chaveiro e me
entregou. Eu as enlacei através de um clipe e as pendurei na
prancheta.

Justo nesse momento, um táxi parou no


estacionamento e tocou a buzina, Dakota se virou e saudou
com a mão, logo se voltou para mim. Sua carona estava aqui,
não queria que fosse embora queria que ficasse, não por uma
fantasia sexual de rebelde como um motoqueiro. Não, só
queria falar com ela um pouco mais.

— Muito bem senhorita Demonte, ligarei mais tarde


com o orçamento.

Sorriu de novo.

— Me chame de Dakota. E, obrigada! — estendeu a


mão

Tomei na minha e a sustentei por alguns batimentos


extras, sustentando também seu olhar.

— De nada, Dakota. Sou Jake, Jake Rider.

Seus olhos não se separavam de mim enquanto seus


magros dedos apertavam suavemente minha mão, muito
maior.
— É muito bom conhecer você, Jake. — Foi a leve
curva de sua boca sexy o que me acelerou o pulso.

Jesus, ela irradiava tanta confiança, era tão


malditamente sexy.

— Isso é o que todas as mulheres me dizem. — Sorri


antes de dar uma piscada.

Tossiu enquanto arrastava seus pés e esfregava a parte


de trás de sua cabeça. Imediatamente, fez um beicinho com
seus lábios, endireitando os ombros.

— Que seja — disse com cara seja. Seu semblante


brincalhão foi embora, empurrou seus óculos de sol até os
olhos sedutores e fez uma careta de novo. Deus, seus rosados
lábios brilhantes eram tão sensuais que tinha que me
controlar totalmente para não beijá-los. Deu a volta e se
dirigiu para o táxi.

Minha atenção era completa enquanto a via se afastar,


sabia que estava fora de minha liga, a liga do gueto, mas...
Maldição. Sua bunda era firme e bem formada,
definitivamente muito trabalhada. Seu balançar era justo,
com confiança, não como se vendesse. Tive uma imagem
vívida envolvendo minhas mãos ao redor de seus quadris e
apertando essa bunda perfeita com força contra mim, Merda!
Estremeci quando meu pau inchou ainda mais.

Parou junto ao táxi. Ficou ali durante uns poucos


minutos parada no mesmo lugar que antes, me perguntei se
havia alguma cola derramada no chão.
Mas logo deu a volta e dirigiu-se de novo para meu
escritório. Puta merda. Estava agradecido de que a parte de
cima de meu macacão estava pendurada ao redor de minha
cintura, e cobria mais do que o fabricante provavelmente
tinha querido. Deteve seus passos na porta.

— Sentiu saudades? — disse, levantando uma


sobrancelha.

— Hum... Isto pode parecer um pedido estranho, mas


não toquei na moto desde que meu marido faleceu. Está
estacionada lá, escondida debaixo de uma coberta em minha
garagem, estou certa de que ao menos preciso substituir os
pneus. Você acha que em algum momento você poderia ir e
dar uma olhada, ver o que precisa arrumar o suficiente para
estar apta para andar outra vez? Sinto-me muito culpada por
ter descuidado — disse de uma só vez.

Foi uma loucura o quanto o pedido me agradou, tentei


não deixar que transparecesse. Mas fiquei contente que logo
tivéssemos que passar mais tempo juntos.

— É obvio que farei. Assim me avisa quando quer que


dê uma olhada. — Tirei um cartão de visitas do AutoFire do
suporte de plástico na mesa e escrevi meu nome e o número
do meu celular na parte de trás. — Me ligue a qualquer hora.

Dei um passo à frente e entreguei o cartão, saboreando


a emoção rápida de seus dedos tocando os meus de novo,
eram mais suaves que uma nuvem. Merda! Nunca tinha
pensado dessa maneira, que diabo estava acontecendo
comigo?

— Obrigada, Jake. Falarei com você logo.

Estava certo, esta beleza acabava de parar em meu


caminho.

Minhas lembranças do passado eram e sempre seriam


o suficientemente vivas para ser minha perdição se fossem
compartilhadas. Enquanto a via se afastar, outra vez, podia
sentir como me desvinculava...
Capítulo 2

Dakota
Tentava corrigir as provas, mas minha mente se
preocupava muito com o celular que não tocava logo.

Fiquei refletindo sobre Jake, o mecânico sexy,


magnífico e bronzeado que trabalhava no Indie, desde que
tinha deixado o carro no dia anterior.

Jake... Que nome tão perfeito para um perfeito, Deus


do Sexo.

Estava pensando em como diabos tinha conseguido


pedir ao cara novo, se gostaria de vir e dar uma olhada na
moto do meu falecido marido. Maldição! O que tinha bebido
nesse dia?

Apesar de ser uma mulher que podia me cuidar


sozinha, tive um pouco de medo de dirigir nas partes mais
perigosas da cidade. Nunca tinha cruzado o interior que se
denominava gueto. Tinha ouvido algumas coisas muitos ruins
nos últimos anos relacionadas com a atividade de gangues e
a violência.

Mas não tinha outra opção. Conhecia a reputação dos


Fire Birds, um bando de motoqueiros, os meninos que eram
donos da oficina AutoFire. Não se podia viver na cidade de
Shadow Beach e não conhecê-la. Mas não me incomodava, já
nada me perturbava... E, tinha chegado ao ponto de não
julgar as pessoas por sua "reputação". No que me dizia
respeito à "reputação" não era mais que intrigas disfarçadas.

Não foi uma decisão fácil de tomar, ir até lá, mas não
podia deixar que a única coisa que ficou do meu pai
desmoronasse porque era fraca e estava assustada. Meu
mecânico se aposentou, e era o único ao redor com
conhecimentos em carros clássicos, nessa classe de
reputação podia confiar.

Se soubesse o que me esperava na oficina, não sei se


teria ido. A quem estou enganando? Teria ido, mas teria
levado um pouco de dureza e uma câmera de alta definição
comigo. Quando tinha parado na oficina, tinha tido a
esperança de que o mecânico o revisasse rapidamente, para ir
logo que fosse possível. Recordo que pensei, “não mostre
nenhum sinal de debilidade, Dakota. O interior das oficinas é
um mundo de homens, mantenha-se em pé”, isso é o que
papai estava acostumado a me dizer.

Minha atração pelo Jake realmente me cegou.


Aproximou e só ficou ali, limpando as mãos, quando eu parei.
Antes inclusive de sair, tinha-o olhado de uma forma como
não tinha olhado a ninguém em anos. No instante em que
meus olhos se cravaram nele, sabia que era um Bad Boy. As
únicas palavras passeando através de minha mente foram:
Oh mau... Mau... Oh garoto... Sexy... Oh, Deus.
Havia esperado alguns motoqueiros barbudos de meia
idade com uma enorme pança de cerveja, já que tinha
tentado acreditar que alguns velhos motoqueiros de uma
gangue dirigiam a oficina. Não tinha esperado que a oficina
fosse dirigida por um deus grego.

O que estava fazendo ali? Não deveria estar sua


chamativa figura em um pedestal em algum lugar nos céus?

Chamá-lo de gato, era pouco. Ele era muito alto, com


ombros largos, cabelos curtos, escuro, do tipo “leve-me-para-
cama”. O corte ressaltava a linha forte de sua mandíbula, e
estava bem barbeado, meu calcanhar de Aquiles.

E, caralho, usava um apertado colete preto, e seus


braços fortemente tatuados estavam dotados com músculos
sarados. Maldição! Maldição! Maldição! Se o resto de seu
corpo era tão definido como aqueles braços... Maldição! Um
verdadeiro garoto bonito, com um aspecto rude.
Provavelmente por causa dos músculos definidos e tatuagens.

Recordei que tinha feito ridículo quando não me dei


conta que tinha deixado de caminhar, acredito que babei um
pouco também. Tentei me mover, mas às vezes o inesperado
faz você emanar coisas tolas. Quando começou a caminhar
para mim, caminhava de tal modo, que soube que estava
acostumado a fazer o que queria, e quando queria. Soube
nesse segundo, que estava com problemas. Mas estava tão
bem, com um F maiúsculo... FODA!
À medida que se aproximava de mim, pude ver seus
lábios incrivelmente sexys, seu corpo de perto era digno de
adoração, e logo pude ver os olhos azuis mais belos que tinha
visto em toda minha vida, deviam pertencer a um dragão
mágico em algum lugar... Tinha que lhe pertencer. E ele tinha
sido o guerreiro que matava o malvado dragão. Deus tinha
que me recompor e rápido. Mas a imagem de seu físico
impressionante estava derretendo minhas vísceras. Nunca
tinha visto algo tão perigosamente bonito e perfeitamente
formado em minha vida.

Imediatamente tinha me arrependido da minha roupa,


tinha passado horas pensando no que vestir, queria ter a
aparência de “não-mexa-comigo” para assumir a testosterona
que é um requisito prévio para as oficinas das gangues de
motoqueiros, mas realmente não possuo nada que não seja
muito feminino ou lindo. Entretanto, encontrei uns óculos de
sol que se viam como parte da garota de um motoqueiro.

Agora, estava desejando ter ido comprar uma calça


justa de couro preta e um top decotado. Maldição, o que
estava errado em mim? Não tinha sido assim em... Nunca
tinha sido assim! No instante que ele falou, sabia que era
uma mulher morta, sua voz sonora era como um veludo
sedoso lambendo meus tímpanos. Era tão profunda, que
podia sentir um formigamento em lugares que nem sequer
sabia que existiam.

Mas então tinha sido um bastardo arrogante, e meu


primeiro pensamento foi: genial, era um desses tipos, que
supõe que só porque é quente, em seu caso, super quente,
todas as garotas estariam automaticamente interessadas.
Deve pensar que é um presente de Deus para as mulheres.
Mas, por que mesmo assim estava tão atraída por ele? Talvez
não fosse um guerreiro. Não, era um maldito feiticeiro, um
maldito mago do sexo, jogando em mim seus poderes sexuais.
Deus, o pensamento de algo sexual estava fazendo minhas
pernas tremerem.

Nesse momento, tinha deixar claro que não era tão fácil
me derrubar ante seus divinos pés. Mas pensar em seus pés
me fez pensar nas pernas, o que me fez pensar a respeito de
suas viris coxas e acredito que percebeu que estava olhando...
Maldição, entretanto, apostava que suas coxas eram de
morrer.

E estava tão irritada comigo porque estava interessada


nele. Mais que interessada. Por que suas observações não me
deixavam louca? Pelo geral, teria desligado por completo, mas
apenas me fez querer mais, mas tinha me mantido firme, não
ia deixá-lo saber que o achava super quente. Provavelmente
tinha um caminhão cheio de garotas que o esperavam, não ia
mexer nesse rebanho e ser pisoteada.

Mas então seus olhos de dragão brilharam para mim, e


então... Covinhas apareceram em seu rosto imaculado, sexy,
para lamber, com covinhas. É obvio que tem covinhas...

Decidida a proteger minhas vontades do poder de suas


covinhas, decidi que quanto antes terminasse comigo, quero
dizer, com o carro, mais cedo poderia ir, chegar a casa, tomar
um banho de água fria e logo marcar uma hora no hospital
para examinar meu cérebro.

As coisas estavam indo bem, os homens sempre


parecem desmoronar quando escutam a palavra "boceta". É a
arma secreta de uma mulher, fechou a boca arrogante por
um curto tempo, estava domando o maldito, mago deus
sexual. Mas então tentou usar seu espetacular sorriso para
ganhar seu argumento, isso quase funcionou.

Sabe esses momentos que é melhor nos aguentarmos, e


esperar um momento no qual realmente tenha algo
inteligente para dizer? Bom, não fiz caso a essa regra. Não me
chame de neném... Em algum momento pode ser um bom
instrumento... Soava um pouco impressionado porque
diagnostiquei corretamente o problema do Indie tão cedo.

Os homens simplesmente não podiam aceitar a ideia de


que uma garota soubesse de carros, em absoluto. Geralmente,
isso me incomodava, mas pensei que era muito agradável a
surpresa do Jake. Por um lado, ele era muito mais relaxado
sobre isso que a maioria, surpreso, mas disposto a acreditar,
por outro lado, bom, era muito, muito sexy.

Senti que estava tomando o controle de minha


determinação nesse ponto, não durou muito tempo, resultou
que, o maldito, mago deus do sexo tinha uma arma secreta.
Enquanto se dirigia para o Indie, suas amadurecidas nádegas
me chamavam, eram tão altas, que podia me alimentar nisso,
eram tão redondas e firmes, que tive que lutar contra o desejo
de não assediá-lo com minhas mãos. É uma dessas coisas
que se vê na vida real e não se pode afastar a vista disso,
porque não se acredita que possa existir no mundo real.

Meus colegas tinham me advertido sobre a violência no


gueto, mas ninguém me tinha advertido dos perigos de me
converter em uma delinquente sexual. Já tinha estado
adiando ir ali por duas semanas porque não estava certa de
minha segurança, mas não tinha dado conta de que seria eu
que cometeria o ato criminoso.

Não podia deixar de sorrir desse ponto de vista, o


instinto dizia que o beijasse, o instinto dizia que lambesse
cada centímetro de suas tatuagens, o instinto dizia que
mordiscasse cada pedacinho do seu corpo. Instinto...
Instinto... Sim, havia dito isso em voz alta, mas rapidamente
me salvei. O maldito mago do sexo não deixaria esquecer tão
facilmente.

Mas logo se inclinou para comprovar o interior do Indie.


Não olhe! Não olhe... Muito tarde. Olhei!

Deu a volta muito rapidamente e por sua expressão


arrogante, sabia que havia estado observando suas incríveis
nádegas. Minhas bochechas coraram tão violentamente, que
parecia que eu estava queimando.

Sua confiança presunçosa e arrogante tinha me


incomodado, mas logo aconteceu o inesperado. Foi estranho
quando disse que tinha herdado o Indie quando meu pai
faleceu. Por um momento, pareceu baixar a fachada
presunçosa comigo, seus olhos se tornaram tão...
Compassivos e gentis, apesar de sua óbvia, dura fachada de
Bad Boy. E então mencionei o meu marido, não sei por que,
escapou, não era minha intenção não queria, acredito que foi
a culpa. Como se estivesse traindo o meu falecido marido
porque o mecânico me fazia pensar em sexo em lugares ruins.

Doía falar de Jon, trouxe de volta toda a dor, quis sair


da oficina então, já não era divertido ou interessante. Senti-
me estúpida por alguma razão. Mas logo se desculpou e a
ternura que captei em seus olhos me fez sentir que tinha
sofrido a mesma dor, senti por um momento fugaz que
tínhamos uma conexão. Seu olhar tinha caído para longe de
mim... Talvez não fosse tão ofensivo e desagradável como
pensava... Talvez houvesse algo mais nele do que aparentava.

Não sei por que, mas sentia saudades de ver essas


covinhas sexys que apenas tinham estado ausentes por um
curto tempo. Assim, sorri disposta a fazer com que elas
retornassem. E, justo assim, voltaram. Pensar nisso agora,
me deixava toda arrepiada. Essa conexão que tínhamos...
Fazia-me sentir... Bem outra vez, no interior.

Quando nossas mãos se tocaram pela primeira vez em


seu escritório, todas as terminações nervosas que estavam
adormecidas acordaram simultaneamente. Meu corpo sentia
como se saíssem milhares de fogos de artifício. Enquanto
nossas mãos ficaram ali durante o que pareceu uma
eternidade, simplesmente me sentia... Bem.

"Isso é o que todas as mulheres me dizem..." recordou


que estava muito seguro de si mesmo, e que o mais provável
era um grande jogador em seu mundo. O deus do sexo o
tinha deixado com o conhecimento de que seu encanto não
funcionaria em mim. Tinha abaixado meus óculos, porque me
faziam ter boa imagem, e me dirigi para o táxi. Entraria nele e
tomaria uma ducha de água fria em casa, lavando qualquer
loucura que ficasse em meu sistema. Nunca mais pensaria no
Jake, no malvado sexy mago. Bom plano... Mas...

Quando me afastava dele, algo me incomodava. Não


posso explicar, mas não queria que estivesse fora de minha
vida com tanta rapidez. Entristecia-me nunca mais voltar a
vê-lo. Ele foi o primeiro homem que captava minha atenção.
Era emocionante. Fazia-me sentir... Viva. Precisava dele em
minha vida. Não sei por que. Era só... Instinto.

Não tinha paquerado ninguém desde que Jon morreu.


Não é que fosse uma viúva mártir, não era isso.
Simplesmente não havia realmente considerado ou inclusive
pensado em outros homens. Talvez fosse porque ainda vivia
na casa que tinha compartilhado com meu marido. Talvez
fosse pelo que aconteceu... Bem, havia um montão de talvez.
Mas ainda me sentia casada, e imaginei que era a forma que
ia ser, a qual estava bem para mim. Ou tinha estado.

Embora fosse certo que estava um pouco enferrujada,


era óbvio que tinha tido alguma paquera, ou ao menos algum
interesse passando entre nós. Tinha passado muito tempo
desde que tive desejo sexual por um homem. Jon tinha
estado doente durante uns anos e nosso casamento não tinha
sido físico durante um tempo. Tinha dezesseis anos quando
me casei com o Jon. Por alguns momentos sentia que tinha
crescido muito rápido. Só queria me sentir viva. Viver.
Realmente viver. Experimentar algo travesso, emocionante e
perigoso era o que queria. Era o que eu precisava. O
momento era perfeito.

Jake cumpria todas as minhas fantasias. Sempre tinha


tido uma fraqueza pelos rapazes maus e motoqueiros. John
Stam no Born To Ride tinha sido uma de minhas fantasias
secretas. Ele tinha sido meu primeiro amor. Também era um
mecânico. Talvez fosse uma maneira para mim de tentar
voltar no tempo antes de atingir o fundo do poço.

Amava meus carros rápidos. Amava um homem viril.


Tê-los juntos colocava a tremer cada centímetro de meu corpo
e pensava em Jake me levando em sua moto enquanto o
motor rugia embaixo de mim. Meu coração tinha pulsado a
um ritmo acelerado, quando dei a volta para me afastar do
táxi. Retornei de novo tentando com todas as minhas forças
mostrar confiança, mas minhas pernas tremiam com cada
passo. Surpreendeu-me que não torcessem.

Nesse momento, soube que tinha perdido. Finalmente,


os anos de merda tinham chegado a um ponto de ruptura. Ali
mesmo. Nesse exato momento. No gueto. Na oficina. Este era
meu final: o mecânico com seus poderes de deus do sexo
matou Dakota Demonte na oficina.

Agora me sentia muito preocupada por ter pedido que


desse uma olhada na Shovelhead do Jon até ao ponto de
quase me arrepender. Parecia lamentável em retrospectiva. A
versão motorizada de convidar alguém para "ver as gravuras"
ou o que fosse. Realmente queria que revisasse a moto, mas
tinha que ser honesta, ao menos para mim, tinha segundas
intenções também. Sabia que estava entrando em um
território perigoso, mas não estava pensando. Estava farta de
ser a garota boa. Estava me divertindo pelo menos uma vez. A
vida me devia isso ao menos.

Ele não havia dito nada a respeito da Shovelhead


quando me chamou ontem à noite para dizer que sim,
realmente, a corrente de distribuição do Indie estava
comprometida e teria que ficar com o carro durante a noite
antes que pudesse trabalhar nisso.

Assim agora estou esperando que chame quando Indie


estiver pronto e estou tentando trabalhar e não pensar no
mecânico motorizado magro musculoso com o cabelo precioso
e firmes músculos. E também tentando não bater
mentalmente, sangrentamente em mim mesma, por me
comportar como uma colegial muito excitada. Empurrei a
cadeira de meu escritório e me dirigi à cozinha. Precisava de
uma cerveja gelada.

Estava de pé na bancada da cozinha tomando um


longo gole da cerveja quando tocou meu telefone. Era ele.
Meu coração se acelerou imediatamente.

—Olá?

—Dakota? Sou Jake da AutoFire. —Eu não gostei que


adicionasse a última parte, se pensava que tinha que
esclarecer a forma em que nos conhecíamos, provavelmente
significava que não tinha feito o mesmo tipo de impressão
nele. Doía mais do que eu queria.

—Sim. Olá, Jake. Indie está pronto?

—Ela está. —Deus, não deixaria ir isso. Obstinado


bastardo. Substituí a corrente de distribuição. Parece que é
uma garota que ama uma boa lavagem e cera, assim pedi aos
meninos que dessem um pouco de atenção depois. Espero
que tudo bem.

Minhas pernas tremeram ligeiramente ante sua


brincadeira e senti um pouco mais quente do que estava.

—Você me conhece tão bem... Mas obrigada, Jake.


Passarei logo que possa dispor de uma carona.

Houve uma larga pausa em seu extremo. Estava


começando a pensar que a chamada caiu, maldita recepção
de Shadow Beach, quando disse:

—Bom, se conseguir um táxi é um incômodo, eu


poderia pegar você... Se, né, não se importasse em montar
atrás de mim, para retornar à oficina.

Não tinha estado em uma moto desde que Jon ficou


muito doente para viajar. Estava encantada. Tinha sentido
saudades. Mas tudo era parte de minhas lembranças de Jon.
E, entretanto, percebi de quanto atordoada estava com Jake
quando minha cabeça começou a girar por cenários de
fantasia. A ideia de ir montada sobre sua moto, sentindo-o
aninhado entre minhas pernas e braços, o motor zumbindo
profundamente debaixo de mim... Senti um espasmo no
fundo e fechei os olhos.

Se tranquilize, mulher. Que demônios?

—Venha, não me importo absolutamente. Seria de


grande ajuda, na verdade. Tem certeza de que sua moto pode
me levar? —Não podia evitar. Vi a boca do leão e não havia
ninguém que me impedisse de entrar. Inclusive se era só uma
noite quente, fumegante, sem amarras, queria experimentar
minha fantasia. Queria ele.

—Tenho certeza que minha moto e eu poderemos levar


você, bonita. Não há problema. Posso pegar você por volta das
cinco, se for bom para você. —Houve outra pausa—. Se
quiser, posso dar uma olhada na Shovelhead enquanto estou
ai.

—Oh, Jake, obrigada. Isso seria genial. Tem meu


endereço, não?

—Sim, está em seus documentos. Está bem. Nos


vemos muito em breve, Dakota.

—Adeus, Jake. E obrigada de novo, de verdade. —


Enquanto me dirigia diretamente a meu armário, me
arrependia de não ter feito um doutorado do livro "Kama
Sutra". Desta vez colocaria a roupa perfeita. Ele não seria
capaz de resistir.
Capítulo 3

Jake
Passei o resto da tarde brincando com a panhead* e
olhando o relógio. A AutoFire estava muito tranquila, em
todos os lados. A maior parte dos empregados estava fazendo
serviços fora ou o que quer que fosse. Poderia ter pegado a
Dakota em qualquer momento, propus às 17h, porque, bom,
por que demônio tinha proposto?

Embora não entendia completamente o que estava


fazendo no momento, afinal percebi que o havia proposto
porque ela tinha me afetado como nenhuma outra garota.
Era... Era simplesmente doce e suave. Eu era muito simples,
escuro e pesado, totalmente o oposto. Era como uma fruta
proibida, mas isso me fez querer fodê-la mais do que o
normal.

Sempre fui dominante quando estava com garotas. As


groupies eram risadinhas, cerveja e sexo. Com ela... Minha
influência parecia escapar sem que o dissesse. Estava
atuando como um maldito adolescente.

Entre estar com Tina e logo estar sem ela, passaram—


se muitos anos desde que tinha algo profundo com alguém.
Tinha sido o tipo de menino de uma só mulher quando
conheci Tina, não importava onde, em casa, na estrada, em
qualquer lugar.

Ela tinha morrido durante um ataque de uma gangue


rival no próprio terreno dos Fire Birds e me culpei por sua
morte. *Panhead – modelo de uma Harley Davison

Portanto, afundei-me em sexo de só uma noite com


garotas que estavam mais que dispostas. Sem provocação,
sem conexão, sem compromisso. Tinha a garantia que não
tinha perdas, não tinha dor. As groupies sabiam no que
estavam se metendo. As garotas como Tina e Dakota, não
sabiam.

Com uma mulher como Dakota, que não tinha sido


tocada pelo fogo do inferno que vem com a vida de uma
gangue de motoqueiros, sabia que não podia realizar minhas
fantasias com ela. Era super quente e muito diferente de
qualquer garota com que tinha estado. Infernos, ela sabia o
suficiente quando se tratava dos carros clássicos e motos,
minha paixão. E a agonia que vi em seus olhos, me conectava
com ela como uma traça à chama. Ela como eu, tinha sofrido
a mesma perda.

Também pensava que senti certo interesse vindo de


Dakota. Não tinha nem ideia do que pensava ou esperava que
acontecesse quando chegasse a sua casa. Nem sequer estava
certo do que queria que acontecesse, de verdade, exceto que
queria estar perto dela. Não entendia por que estava agindo
desta maneira. Nem sequer conhecia a garota.

De algum jeito, sentia como se a conhecesse.

Fiquei de pé e olhei o relógio de novo, 16h17min. Está


bem. Recolhi minhas ferramentas e acenei para meus colegas
mecânicos, que ficariam até fechar. Atravessei o terreno para
o clube. Quando cheguei ao apartamento, o pequeno quarto
miserável onde estou morando nos últimos tempos, tomei um
banho rápido e coloquei uma calça jeans limpa. Coloquei
minhas botas e deslizei uma camiseta preta justa por cima de
minha cabeça. Meu cabelo ainda estava molhado, assim em
vez de usar a gorro de lã que geralmente usava, deixei
desordenado na parte de cima. Comecei a recolher meus
anéis de uma prateleira, considerando por um curto tempo
antes de deixá-los de novo.

Não queria chegar muito rápido, assim pensei que


ainda tinha um par de minutos. Chamei a mãe de Tina e pedi
para falar com minha filha. Sim, tinha uma menina, mas a
tinha enviado ao Sul da Califórnia para viver com sua avó
uns meses depois da Tina morrer. Depois que Tina tinha
morrido de maneira tão brutal... Sabia que tinha que levar a
minha filha tão longe desta vida quanto pudesse.

Logo fui preso um ano depois... Não era um bom pai,


não é autocompaixão, é só um fato. Amo minha filha
profundamente, mas tinha perdido tantos anos dela, e não
tinha sido capaz de me conectar com ela desde que saí há um
ano.
Sem Tina, e comigo de volta ao Fire Birds, apesar de
que as gangues foram a razão pela qual minha mulher foi
assassinada, a distância entre minha filha e eu era um
abismo que não podia cruzar. Não havia nenhum lugar
seguro em minha vida para crianças, queria ela fora de toda a
escuridão. Longe de... mim.

Mas mesmo assim ligava algumas vezes na semana, e


esta noite tinha muita vontade de falar com ela, tinha seis
anos agora, mas não queria falar comigo, entretanto, depois
de uma chamada forçada de dez minutos, disse que a amava
e desliguei.

Durante um longo tempo só me sentei no extremo da


cama sem fazer nada e refleti sobre as coisas. O que
acreditava que estava fazendo, esperando jogar com Dakota?
Obviamente, ela não fazia parte deste mundo, o fato de que
podia reconhecer uma velha Harley não significava nada. O
negócio era como tinha, inclusive, considerado trazer para
minha vida alguém como ela? De maneira nenhuma. Estava
sendo um imbecil egoísta. De maneira nenhuma. Buscaria e
a traria de volta à oficina para pegar seu carro.

Então diria adeus. Fim. Qualquer desejo sexual que


tinha pela proibida garota rica seria eliminado na intimidade
do meu quarto. Sozinho.

Resolvido, deste modo dirigi a minha moto, não havia


uma rua de Shadow Beach que não conhecesse, inclusive nos
Heights, assim conduzi diretamente à casa de Dakota sem
pensar duas vezes. Vivia em uma pequena rua ordenada em
um dos bairros mais tranquilos.

Percorri a rua pavimentada que dava para a casa de


Dakota e parei em sua garagem, bem longe da rua. Girei,
parei perto da varanda, e desliguei o motor. Permaneci
parado durante alguns segundos depois que tirei o capacete e
assimilei a impressão familiar de sua casa. Queria, mesmo
com minha decisão de não a perseguir, ter a imagem dela
completa em minha mente.

Tinha um sentido visual forte e apreciei a harmonia de


uma casa e jardim bem cuidados.

A casa de Dakota era grande e bem cuidada. Ela, ou


alguém, tinha o entendimento da melhor arquitetura.

As paredes de tijolo cor de nata e o teto de telhas


vermelhas se acentuavam com toques de cores vivas, as
molduras ao redor das janelas com vitrais estavam pintadas
de cor violeta. A pesada armação da porta da entrada em
forma de arco era de uma cor violeta escura. O quintal era
bem paisagista e simples, o trabalho feito por alguém com um
dom para isso.

Tinha um pequeno banco rústico na varanda rodeado


de vasos de barro grandes e brilhantes cheios de exuberantes
flores em uma explosão de cor. Uma grande peça decorativa
de ferro pendurava na parede junto à porta. O efeito era
elegante e doce. Exatamente como ela.
De novo percebi quanto somos diferentes, Não havia
nenhum lugar em minha vida onde houvesse um espaço que
fosse tranquilo e sereno. Mas algo dentro de mim o pedia.

Desci da moto e caminhei até a porta principal,


procurei a campainha, mas não encontrei nenhuma.

Fazendo uma pausa por um momento, bati na porta.


Quando a porta abriu uns segundos mais tarde, ela estava
parada sorrindo para mim. Estava perdido na pressa da
respiração que acabava de tomar, e sentia minha decisão
vacilar sob o peso considerável da minha luxúria.

O que ela tinha vestido no dia anterior tinha escondido


muito. Hoje, seu cabelo escuro estava levantado e preso na
parte detrás de sua cabeça. Várias mechas suaves escapavam
e emolduravam seu impecável e limpo rosto.

Vestia um top apertado de cor turquesa com um decote


muito baixo. Mostrava sua clavícula graciosa e nua. Eu gosto
de clavículas, e me imaginei inclinando e pressionando minha
boca sobre a dela.

O Top estava metido em uma calça jeans skinny, mas


não muita justa, de cintura baixa, seus quadris apertado por
um largo cinto de couro negro com uma fivela de prata lisa. O
top era suficientemente transparente para fazer alusão ao seu
sutiã. Tudo funcionava para mostrar sua figura quente em
sua melhor condição, estava matando minha decisão. Seus
peitos eram generosos, mas não enormes, seus braços eram
magros e firmes, sua cintura era esbelta, seu ventre plano,
seus quadris se alargavam apenas o justo e suas longas
pernas estavam me chamando para acariciá-las. Sexy como o
inferno. Tinha a figura de uma mulher adulta. Uma que
obviamente trabalhava e se cuidava.

Estava descalça, seus pés eram magros, com as unhas


pintadas. Tinha esquecido quão alta era ainda me elevava
sobre ela, mas não tanto como estava acostumado.

— Você é um vampiro? — riu.

— Como? — Arrumei isso para falar.

— Preciso convidar você antes que realmente seja


capaz de dar um passo para entrar?

Percebi que só tinha estado olhando–a descaradamente,


e levantei minha cabeça até seu rosto. No caminho, percebi o
que parecia ser o final de uma parte de uma tatuagem logo
que enroscava ao redor da parte traseira de seu pescoço.
Cristo. Tatuada, também. Estava fodido.

— Bom... — Minha voz em realidade soava rouca. Porra.


— Quem pode dizer que você não é alguma rainha sexy do
reino dos vampiros e só estou me assegurando de que vale a
pena meu tempo? — pisquei os olhos, não podia evitar, era
tão natural paquerá-la. Estava tomando toda minha energia
para parar e não tomá-la justo ali contra o batente da porta.

Ela deu um passo para trás e suas bochechas se


avermelharam.
— Obrigada por isso. Entra. Posso trazer para você
uma cerveja? – a segui para dentro de sua casa.

— Uau, super quente e uma leitora de mentes... Sim,


isso é genial. — Quando deu a volta e se dirigiu para a parte
de trás da casa, à cozinha, supus. Vi que o decote continuava
na parte detrás, mostrando várias polegadas do que parecia
ser uma elaborada tatuagem botânica, tinha visto a ponta
encaracolada de uma trepadeira na parte traseira de seu
pescoço. Pude ver um vestígio do resto debaixo do seu top,
seguia toda sua coluna vertebral. E não era a única tatuagem
em suas costas. Parei no saguão para me acalmar, fechando
os olhos e tomando uma respiração profunda.

Quando os abri de novo, olhei ao redor, o assoalho era


de parquet escuro, as paredes, surpreendentemente brancas.
Havia uma parede coberta com fotos emolduradas à minha
direita, à minha esquerda uma ampla abertura arqueada que
levava ao que provavelmente era uma sala de estar e de
jantar juntas, embora acredite que o tinha mais como uma
sala de estar e escritório. Curioso, dei um passo, e logo gritei:

— Seu lugar é realmente genial, importa se eu der uma


olhada por ai?

Houve uma pausa, e logo a ouvi gritar em resposta.

— Pode ir! Vá em frente. Mas não fareje a gaveta de


roupa intima.

— Deixei de usar renda faz muito tempo, neném.


Irritavam muito. —Escutei sua risada enquanto caminhava
adiante. Era uma sala grande, e havia livros por toda parte,
as paredes estavam totalmente alinhadas, do piso ao teto,
com estantes. Os únicos espaços eram as janelas com vitrais
com entrada em forma de arco, e a grande chaminé de estilo
gótico. Um televisor de tela plana muito grande ocupava o
centro de uma estante, mas o resto, as prateleiras estavam
cheias de livros. E ainda havia montões de livros no chão em
vários pontos, especialmente em torno de uma grande e
antiga mesa de madeira contra uma parede no fundo da sala.

Havia um tapete escuro no chão na parte da frente da


sala, perto da chaminé, um grande sofá de couro e um par de
cadeiras luxuosas para se sentar sobre elas. Uma mesa,
baixa e pesada entre elas, com livros amontoados. Havia uma
cadeira de couro curvada e uma turca que combinava com
um abajur de pé em um canto no outro lado da sala. Era
uma sala quente e confortável com um ambiente eclético. Eu
adorei. Eu adorava ler, e queria estar nesta sala por um longo
tempo.

Dakota voltou com duas cervejas, justo enquanto me


dirigia de novo para olhar a parede de fotos. Deu-me uma
cerveja com uma rodela de limão na borda.

— Espero que uma Brooklyn esteja bem. Tenho outras,


mas nada mais está frio, tenho bebidas mais fortes, se
preferir.

Olhando as fotos, fiquei distraído, agarrei a cerveja sem


realmente olhá-la e disse:
— Não, isto é perfeito, querida. Obrigado. – Coloquei a
garrafa em minha boca e choquei com o limão. Olhei para
baixo, apertei o limão na garrafa e tomei vários goles
profundos.

As fotos me distraíram. Havia dúzias delas, mostrando


uma Dakota radiante e bonita, e um homem que era
presumivelmente seu falecido marido. Era diferente do que eu
esperava, grande e corpulento, mas limpo. Um pouco
aborrecido, talvez.

Havia uma quantidade de fotos artísticas de uma


Dakota um pouco mais jovem. Algumas se destacavam mais
que o resto.

Dakota em uma praia fazendo uma pose complicada de


ioga. Dakota e seu falecido marido em uma montanha russa.
Percebi que Dakota ria, não gritava. E, então vi Dakota
amamentando a um recém—nascido... Oh... Talvez, por isso
se casou tão jovem, mas onde estava seu filho? Eu me virei e
a olhei. Encontrou meu olhar e se manteve em silêncio. A dor
que sabia que existia nela retornou, mas desta vez pude ver
que era mais profunda que nunca. Passou um longo
momento antes de falar.

Mesmo assim, sustentou meu olhar.

— Esse é meu marido, Jon. Morreu de câncer faz dois


anos e meio. E esse é nosso filho, Joshua. Morreu faz quatro
anos. Escalou muito alto no parquinho do recreio na creche,
caiu e rompeu o crânio.
— Jesus, Dakota. Porra...

Começou a rir bruscamente.

— Sim. Jesus não tem malditamente nada a ver com


isso.

— Sinto muito. — Bebi o resto de minha cerveja. Do


momento em que a vi, tinha julgado como uma garota rica,
um pouco boba, que parecia se rebelar contra sua vida fácil e
perfeita. Mas meu julgamento estava longe da verdade.
Estava tão longe da verdade, que me aproximei dela como
nunca esperei.

Tinha estado a pouco de falar sobre a Tina, mas parei,


entendendo que este não era o momento para comparar
notas sobre perdas trágicas. Mas tinha outra noção aí de que
talvez tivéssemos mais em comum do que pensávamos. Essa
realidade incrementou algo dentro de mim. A simpatia e a
empatia tinham esfriado minha luxúria no momento, mas
intensificaram meu desejo de forma exponencial.

Limpou a garganta e deixou escapar uma risadinha


suave.

— Não, está tudo bem. Normalmente não tenho


convidados, assim esqueço a minha parede de mistério aqui
mesmo, ante a porta principal. Para mim é só minha família,
a quem digo adeus quando saio de casa e os saúdo quando
volto para casa. Não é tão solitário, acredito, ou algo assim.
— Suspirou e encolheu os ombros. — Enfim...
Senti um nó na garganta que crescia e tentei tossir
para tirá-lo. Era tão jovem, tão angelical, mas pude ver em
seus olhos que era muito mais velha e escura no interior. Não
havia nada que eu pudesse dizer aqui, assim não fiz. Ao inces
disso perguntei.

— Poderia dar uma olhada na Shovelhead?

Dakota sorriu.

— Obrigada por colocar fim a esse momento incômodo.


Não é só uma cara bonita, né? — disse alegremente. — Mas
sim, isso seria genial. Siga-me até a parte detrás. A garagem
está lá. — deu a volta e retornou à cozinha. Desta vez a segui.
Na cozinha, virou e agarrou minha garrafa vazia. — Quer
outra enquanto passeamos? Ou prefere ter algo mais, talvez?

— Outra cerveja, obrigado. — Enquanto estava se


livrando das garrafas vazias, olhei ao redor da cozinha. De
novo, seu gosto me pareceu exatamente correto. A cozinha
estava, pensei, em sua maioria original e em muito boa forma
apesar de sua idade. Inclusive os eletrodomésticos eram
velhos, ou talvez fossem novos e apenas de estilo retro. Fosse
o que fossem, tinham estilo.

Baixei o olhar e vi que se inclinava na geladeira para


tirar a cerveja. Obtive uma imagem da sua incrível bunda, e a
vontade de me aproximar e agarrar seus quadris quase me
afligiu. Apertei os punhos ao meu lado. Estava dividido entre
a vontade de abraçá-la e foder com ela. Não sabia que diabo
estava se passando comigo, mas esta merda de homem das
cavernas que sentia ao seu redor estava contra tudo o que
havia dito a mim mesmo que não faria. Merecia algo melhor.

Deu-me outra Brooklyn. Segundos mais tarde, deu um


sorriso de lado.

— Notou o limão? A cerveja fica melhor se pressionar o


limão na garrafa primeiro.

Ri nervosamente percebendo que tinha estado muito


concentrado em meus pensamentos sujos para notar algo que
estava bebendo.

— Sim... Obrigado...

— Por que não tira uma foto? Durará mais tempo. —


Sorriu.

— Sim, acredito que o farei — respondi enquanto tirava


meu telefone, brincando.

Apressou-se a dizer:

— Ouça! Estava brincando! — Ela tentou lutar para me


tirar o telefone da mão. Quando nossos corpos se enredaram,
ambos ficamos quietos por um momento antes de nos afastar
um do outro. — hum... vamos à garagem, de acordo? — Abriu
a porta do quintal e entrou no jardim.

Segui até o quintal antes de parar de novo.

— Caralho, Dakota! Isto é incrível!

O quintal era de concreto e tipicamente mobiliado:


mesa redonda com guarda-sol e cadeiras fazendo jogo, e uma
churrasqueira a gás. Mas o jardim tinha sido tirado de uma
história de fantasia. Era verde e exuberante e cheio de todo
tipo de flores. As borboletas voavam por toda parte. Pude ver
o começo de um caminho de pedra em zigue—zague longe do
quintal, através de um arco coberto de rosas a vários metros
no jardim. Não podia ver além disso. Mas ouvia o barulho de
uma fonte em algum lugar, estava assombrado e fiquei ali,
literalmente boquiaberto.

— Obrigada, asseguro que tudo é real — disse em voz


baixa atrás de mim. — Não há nada artificial, exceto os
esquilos de pedra em miniatura.

Olhei por cima de meu ombro. Sorria com verdadeiro


prazer.

— É onde passo a maior parte de meu tempo quando


não estou trabalhando. Estar sozinha aqui parece certo,
sinto-me muito bem aqui.

Tinha pensando em me mover do quintal e seguir o


caminho de pedra encurvado, mas algo em sua voz e em suas
palavras, disse que ir através do arco seria uma violação.
Este paraíso era só para ela. Entendia muito bem essa
necessidade. Assim disse:

— Bom, é incrível. De verdade.

Assentiu com um pequeno gesto de agradecimento e fez


um gesto com a cerveja para a porta lateral, que conduzia à
entrada da garagem. Moveu-se nessa direção e outra vez a
segui.
Levantou a porta da garagem, que era antiga, de uma
só peça do tipo viga para o teto, e se inclinou de lado para
acender a luz do teto. Era uma garagem espaçosa para três
carros, e era óbvio que não era como a maioria dos
californianos que viviam em suas casas sem porão. Utilizava
a garagem para seu carro, não para armazenamento.

O grande espaço estava principalmente vazio, já que


seu carro se encontrava na AutoFire. Uma das paredes estava
coberta de estantes sustentando diversas coisas de garagem
desordenadas. Contra a parede do fundo, sob uma lona
equipada, se encontrava aparentemente a Shovelhead.
Caminhamos de novo juntos. Ela vacilou quando chegamos à
moto.

— Hum... Isto é um pouco mais difícil do que pensei


que seria. De verdade não toco essa lona desde antes de Jon
morrer. Eu não sei se tenho coragem... Para...

— "A coragem é a graça sob pressão". E pelo que vi,


tem um montão de graça.

Ela parecia atordoada. Depois de uns segundos,


finalmente falou.

— Você leu Hemingway?

— Sim, Pops, meu tio, me impulsionou a ler. É minha


maneira de escapar... das coisas.

— Bem, não teria pensado que você...

— Não teria pensado que alguém do gueto podia ler?


— Não, sinto muito. Não quis dizer isso... —disse com
um olhar tímido—. É só...

—... É apenas que sou tão quente que não precisaria


ler? — percebi que ela se sentiu realmente mal. Precisava
mudar isso rapidamente. — Sim, tem razão, minha aparência
me levou a todos os lugares. Sei.

Sua vergonha desapareceu e o brilho descarado em


seus olhos voltou.

— Não fique se achando, metido! Já vi melhores.

— Oh, de verdade, você fez? — Ri. — Bom, só pode


haver um mecânico quente neste mundo, assim me diga onde,
e me encarregarei dele.

Rimos entre nós antes que ela dissesse:

— Mas, na realidade, estou... Impressionada.

— Há muitas coisas que não sabe sobre mim. — O


silêncio encheu o espaço por muito tempo até que perguntei:
— Quer que eu faça? Ou, já sabe, não temos que fazer
absolutamente. — Podia sentir sua ansiedade rodando sobre
mim. Tinha medo de me olhar, também. Estava
sobrecarregado de empatia. Esse realmente não era meu
problema. E, fiquei assustado o quanto estava fora de minha
zona de conforto.

— Não, estou sendo boba. Não é como se o fantasma de


Jon fosse saltar sobre nós.
Tinha minhas dúvidas na realidade. Estava sentindo a
presença do falecido marido de Dakota muito fortemente.

— Se estiver em mau estado, é porque eu descuidei...


Bom, você pode consertar, assim...— Tomou vários goles
longos, terminou sua cerveja, e deixou a garrafa em uma
prateleira vazia. — Está bem.

Ela se agachou e desabotoou a parte de baixo da lona,


e logo começou a puxar ao longo da moto. Coloquei minha
própria garrafa vazia no chão e me aproximei para sustentar
o outro lado da lona. O revestimento de vinil envelhecido
estalou audivelmente e Dakota estremeceu. Olhei e vi que
seus olhos estavam brilhando com lágrimas sem cair. Senti-
me atraído por ela como nunca antes. O impulso de abraçá-la
estava sem dúvida dominando meus sentidos agora.

A lona caiu em uma nuvem de pó, e ali se localizava


uma Harley Davidson Shovelhead 66', parecia pronta para
montar direto para o entardecer. Era linda. Estava como nova,
intacta.

— Puta merda — uivei. Meus olhos foram para Dakota


que se encontrava de pé em silêncio, com seus braços
envoltos ao redor de sua cintura. Algumas lágrimas rolaram,
mas não estava soluçando. Estava tranquila e silenciosa. Não
sabia o que fazer, sentia-me como um intruso em dizer algo
ou seguir olhando, assim que agachei para dar uma olhada
mais de perto na moto.
Depois de um minuto ou dois, ouvi que ela tomou uma
respiração profunda muito necessária, inalando e exalando.

— Bom – disse, — Parece em bom estado, não é?

Levantei e limpei minhas mãos.

— Parece magnífica. Quer dizer você não quer dar uma


volta de moto até que as juntas tenham sido substituídas. Se
ligar agora, muito provavelmente, é provável que tenha
combustível e óleo pulverizado por todas as direções, quando
as juntas se ressecam como fez a lona. E os pneus deverão
ser substituídos pela mesma razão. Tinha razão que a
borracha necessitaria de uma renovação. E os fluidos terão
que ser mudados. Mas de resto, na medida do que posso
dizer neste momento, está perfeita.

Ela se virou, sorriu pra mim, e percebi que seu


momento melancólico tinha passado.

— Isso é um alivio. Não tem ideia de como me alivia.


Se tivesse deixado esta moto apodrecer porque estava sendo
uma bebezona a respeito disso... Bom, nunca me perdoaria.
Não estou certa do que quero fazer com ela, entretanto. Não
acredito que possa vendê-la.

— Não anda? — perguntei.

Dakota olhou a moto, e logo a mim.

— Eu... Bom, poderia. Mas, bom... — Vacilou, e logo


encolheu de ombros. — Nunca desfrutei envolver minha mão
ao redor do acelerador tanto como amava envolver meus
braços ao redor do meu menino.

Foda–se, era perfeita. Eu estava lutando com meu


homem da caverna interior de novo, assim levou um tempo
para responder.

— Não acredito que isso faz você menos forte, se por


acaso serve de algo. É uma boa sensação, essa proximidade.

Enquanto estávamos nos olhando um ao outro, senti


um extraordinário estalo entre nós. Dei um passo para ela,
eu ia beijá-la.

Dakota rompeu o momento.

— Ouça... Suponho que, não quer ficar e comer algo?


Ou tem que voltar para garagem antes de fechar?

Tomei uma pausa. Bom, demasiadamente curta.


Provavelmente não era uma boa idéia, de todos os modos.
Quero dizer, ainda estávamos de pé em frente da moto de seu
falecido marido, provavelmente com seu fantasma ciumento
escarranchado.

— A garagem fecha as cinco, mas isso não é um


problema. Podemos retornar em qualquer momento. Tenho
muita fome, mas a verdade é que não tem que cozinhar para
mim.

— Não, eu adoro cozinhar. Sou um quarto asiática. É


uma coisa que fazemos. Assim não me importaria, eu gostaria
de cozinhar para você. Ou é estranho? Provavelmente é
estranho... — separou o olhar, obviamente nervosa. Algo que
eu gostava, gostava de pensar que eu significava algo. Pegou
a lona e começou a dobrá-la, bom, rompeu, em realidade?
Vou precisar de uma nova destas, suponho.

Agarrei uma ponta e a ajudei.

— Não é nada estranho, Dakota. Eu gostaria disso. Eu


gostaria muito.

— Bem. Fui ao mercado ontem e tenho um par de files


na geladeira que poderíamos cozinhar na churrasqueira. Soa
bem para você?

Pensei na última vez que tive uma refeição calma, feita


em casa. Tina tinha feito. Empurrei o pensamento para trás
com uma desculpa silenciosa à minha esposa morta.

— Justo o que precisava.


Capítulo 4

Dakota
O jantar havia terminado e Jake estava limpando a
mesa enquanto eu carregava a lava—louça. Tinha sido
realmente agradável cozinhar para alguém de novo. Cozinhar
para ele, na realidade cozinhar com ele. Ele tinha assado os
filés enquanto eu fazia um pouco de macarrão fettuchini e
mesclava uma salada fresca com coisas do meu jardim.

Tínhamos comido no quintal e compartilhávamos uma


garrafa de vinho tinto de bom sabor enquanto conversávamos.
Depois da intensidade da minha parede de fotos de família e
da oficina, ficamos com temas mais fáceis, filmes, motos e
outros interesses.

Perguntou-me bastante a respeito da casa e do meu


jardim, do qual adorava falar. Em troca, perguntei a respeito
de sua vida, mas logo se fez evidente que não ia compartilhar
muito disso. Considerando todas as coisas depois de hoje,
pensei que isso era um pouco injusto. Mas tudo bem. Sem
me intrometer. Sem pisar em nenhuma mina terrestre hoje,
de todos os modos. Eu mesma não tinha planejado revelar
todos meus esqueletos. Mas não tinha esperado o
intercâmbio na minha sala. Tinha estado muito envolvida em
planejar minha fantasia que não percebi que ele notaria as
fotos e faria perguntas.

Era uma parte muito importante desta casa, tão parte


de mim que nem sequer pensava nelas como algo que outras
pessoas poderiam ou deveriam ver, e terminei falando muito
mais de minha vida do que alguma vez o fiz. Eu não gostava
que alguém tivesse esse tipo de conhecimento a respeito de
mim, outorgava muito poder, fazia me sentir fraca. Fiz outra
vez, na garagem. E, Deus... Tinha chorado. Merda. Não
entendia. E por um segundo ali no final, pensei que ia me
beijar e me assustei. O que me incomodou, porque na
verdade queria beijá-lo. Mas se quase beijar Jake Rider
poderia ser tão alucinante, tinha certeza de que derreteria se
o fizesse.

Passar mais tempo com ele esta noite, apenas me fazia


querê-lo mais. Ainda queria cumprir meu desejo de dormir
com um bad boy motoqueiro. Nada desta noite havia apagado
meu desejo. Mas simplesmente me sentia mal, parada frente
à moto de Jon, depois de toda essa cena emocional.

É por isso que lhe ofereci um jantar. A chave para o


coração de um homem é a comida, depois de tudo. Mas
estava perto das oito e trinta e provavelmente estava
começando a sentir como um refém. Saí de meu devaneio e
percebi que Jake estava de pé junto à porta do quintal,
olhando-me com uma expressão um pouco estranha e
vacilante.

Fechei a torneira e perguntei:


— Está tudo bem?

Começou a falar, parou, e começou de novo.

— Estava, hum, perguntando-me se... — parou de novo


e limpou a garganta. — Você gostaria de dar um passeio
comigo? Um passeio real, antes de retornar à oficina?
Conheço um lugar um pouco afastado da cidade que é
realmente bonito à noite.

Só o olhei durante uns segundos, deixando que as


implicações de seu convite fossem absorvidas em minha
cabeça. Sabia que queria. Embora fosse só uma noite, e uma
foda, sabia que ele me daria o que precisava neste momento
da minha vida. Sabia que ele me faria alucinar. Eu assumi
que era colossalmente estúpido dar um passeio pelo campo, à
noite, com um homem que acabava de conhecer. Um tipo que
provavelmente era um idiota completo. Embora isso não fosse
me deter, a vibração que ele emanava era o contrário de
ameaçador. Mesmo assim, disse a mim mesma que estava
sendo.

— Eu gostaria muito. Deixe-me pegar minha jaqueta e


minhas botas. – me viu caminhar para o quarto, mas não me
seguiu. Graças a Deus. Não estava pronta para isso. Não
ainda. Peguei um par de meias na gaveta e coloquei um par
de botas negras de salto baixo, e peguei minha jaqueta de
camurça na parte detrás do sofá ao lado do meu armário.

Quando voltei, ele estava parado exatamente no mesmo


lugar, parecendo um pouco bloqueado. Um pouco
preocupado. Passei ao seu redor e coloquei a trava na porta
do quintal.

— Preparado? — perguntei. Esperava que não tivesse


mudado de opinião.

— Vamos lá. — Saímos pela frente e fechei a porta.

Jake se dirigiu à sua moto e tirou uma jaqueta de


couro da mochila e a colocou. Quando cheguei à moto,
entregou-me um capacete extra. Sua mão pairou no ar por
um segundo, como se estivesse decidindo algo, e logo o levou
à minha cabeça. Encolhi ligeiramente e ele parou, com sua
mão ainda pairando. Levantou um pouco as sobrancelhas
pedindo permissão. Respirei uma pequena baforada de ar,
dizendo a mim mesma que me acalmasse. Dei um pequeno e
envergonhado sorriso quando estirou sua mão para trás e
tirou a fivela do meu cabelo.

Quando este caiu em suaves ondas além de meus


ombros, disse:

— Não acredito que isto seria muito cômodo sob o


capacete. – me entregou a fivela e balançou sua perna por
cima do banco. Seus gestos eram malditamente sexys.

Ri timidamente.

— Tem razão. Obrigada.

Deslizei a fivela no meu bolso, logo me inclinei um


pouco para trás para sacudir meu cabelo fora do meu rosto e
coloquei o capacete. Quando levantei a vista de novo,
encontrei-me com seus olhos. O que vi neles enviou centenas
de calafrios pela minha espinha. Inclusive na penumbra,
podia ver fogo neles. Os olhos de um dragão, de fato... Logo
colocou seus óculos escuros e colocou seu próprio capacete
enquanto eu subia atrás dele.

Acomodei-me e coloquei minhas mãos em meus joelhos.


Não estava pronta para assumir nada ainda, apesar dos
sinais que estava enviando. Apesar de querer nada mais que
tê-lo tão perto de meu corpo como fosse possível. Mas me
agarrou com uma mão agora enluvada e envolveu meu braço
direito ao redor de sua cintura, sustentando-o perto e
apertando minha mão por um momento.

Com muito gosto entendi a indireta e envolvi meu outro


braço ao redor dele também, unindo minhas mãos. Oh, meu
Deus! Sentia-me tão sensual. Sentia-me tão sexy. Mas era
mais que isso. Sentia-me conectada a ele. Havia algo na
forma que seus olhos tinham influenciado os meus.
Fizeram—me sentir como se me entendessem. Assustou-me
um pouco, na verdade, mas decidi pensar nisso mais tarde.
Neste momento, sentia como algo que precisava. Estava
vivendo o momento.

Sentou-se aí por um segundo ou dois, com sua cabeça


ligeiramente inclinada. Parecia estar hesitante sobre algo.
Não tinha certeza do por que. Quero dizer, seu arrogante
temperamento deu a entender que frequentemente montava
com muitas garotas. Por que eu seria diferente? Finalmente
ligou o motor e deu vida ao acelerador. Fechei meus olhos
enquanto as vibrações viajavam através de meu corpo e
golpeavam cada terminação nervosa sexual.

Uma das coisas a respeito de montar uma Harley com


alguém é que não há muita conversa em que possa participar.
Assim aproveitei o passeio. Queria saborear cada parte desta
noite rebelde.

Quanto a montar uma genial moto, tinha sentido


saudades mais do que havia me dado conta. Era uma típica
noite fria da Califórnia, início de outono, e o vento no meu
rosto era revigorante. Apreciei já que tinha passado quase
toda a noite tentando não suar diante de Jake. Ele parecia ter
um controle remoto que trabalhava com os níveis de calor no
meu corpo.

Os largos ombros de Jake bloqueavam a maior parte do


vento, assim era refrescante ao invés de frio. Amei a sensação
de estar estendida amplamente atrás de um homem forte.
Desfrutei do rufar e do ronco do motor. Amei a sensação de
seu duro abdômen sob minhas mãos. Amei tudo.

Sem pensar na intimidade implícita no gesto, voltei a


cabeça para um lado e apoiei a bochecha em suas costas.
Depois de um segundo, senti sua mão agarrar ligeiramente as
minhas e apertá-las. Senti como se estivéssemos fazendo isto
juntos durante anos.

Andamos cerca de quarenta minutos, mas parecia


como se fosse a metade desse tempo. Tínhamos viajado até o
campo. Saiu da estrada e dirigiu a moto um pouco mais
acima para um caminho de terra elegante, diminuindo a
velocidade.

Enquanto se detinha e desligava o motor, disse:

— Aqui está. É isso, neném.

Soltei e desci. Desceu o suporte em um chute e me


seguiu. Tiramos os capacetes e Jake os pendurou no guidão.
Guardou os óculos de montar no bolso interior de sua
jaqueta. Agarrou minha mão, e o toque enviou faíscas que
correram pelas minhas costas enquanto me guiava a uma
colina baixa. Meu coração estava correndo. Meus glóbulos
sanguíneos estavam fervendo a fogo lento ante a ideia do que
estava a ponto de fazer. No topo, fez um gesto para o exterior
e sorriu. Levantei o olhar.

— Uau... — sussurrei.

Não tinha percebido que estávamos subindo enquanto


avançávamos, mas devíamos ter feito, porque daqui pensei
que podia ver tudo o que havia até o mar. As luzes de
centenas de sonolentas casas brilhavam debaixo de nós por
todos os lados. As luzes de trilhões de estrelas brilhavam
acima de nós. Tinha me levado ao céu.

— Uau... — sussurrei de novo.

Senti se aproximar, estava atrás de mim. Meu sangue


estava além de ferver a fogo lento. Fechei os olhos quando
envolveu seus braços ao redor de mim. Eu queria me perder
dentro dele. Recostei contra ele, cedendo a sensação de ser
sustentada por um homem forte. Cheirava a ar fresco e vigor.
Cheirava a sexo.

— Dakota — sussurrou com sua voz profunda e calma.

— Shhh — respondi. Não queria falar. Tinha falado a


maior parte de minha vida. Falei quando minha madrasta
morreu. Falei quando meu pai morreu. Falei quando fiquei
grávida. Falei a respeito de me casar para dar ao meu bebê
segurança. Falei de mim até a morte e até minha terapia.
Falei quando voltei a dar aulas. Não tenho feito outra coisa
senão falar. Já era hora de simplesmente... Fazer.

Beijou o lado de meu pescoço, justo atrás de minha


orelha direita. Estrelas fugazes de prazer atravessaram cada
centímetro do meu corpo, enquanto me estremecia pelo
contato de seus lábios úmidos. Isso era tudo. Esta era a noite
em que ia ter sexo selvagem com o menino mau mais sexy
que alguma vez tinha visto.

Permanecemos assim durante vários minutos.


Perguntei-me por que estava hesitante. Eu queria que me
dobrasse. Em lugar disso, Jake deu um passo atrás e me
virou para ele. Com suas mãos sustentando meus braços,
olhou-me fixamente. Seus olhos eram muito suaves. Então
soube que havia algo mais para ele.

— Tenho que dizer a você algumas coisas sobre mim.


Coisas reais. —Sentei-me suavemente no chão junto com ele.
Estávamos rodeados por todos os lados, pelo céu.

E me disse algumas coisas.


Disse que ser um Fire Bird significava violência e muito
dela. Disse que tinha sido preso em várias ocasiões e que
tinha estado na prisão. Disse que tinha uma filha que vivia
com sua avó longe dele e que tinha planejado, por sua filha,
se manter afastado. E me falou de sua namorada Tina, a
quem tinha sido sequestrada por uma gangue rival. Tinha
sido estuprada, espancada até a morte e logo a jogaram de
uma caminhonete no gueto nas instalações onde vivia Jake.
Ele disse que segurou o corpo destroçado e sangrento de Tina
no meio da rua. Quando tinha terminado, me olhou
fixamente.

— A violência me persegue em todas as partes, Dakota.


Persegue-me malditamente em todas as partes. A única
maneira que posso manter a salvo alguém que me importa, é
enviando para longe de mim. Precisa saber isso. Sinto... Porra,
você é tão fascinante... Sinto que algo acontece aqui... — Fez
um movimento com a mão entre nós. — E você precisa saber
isso. Não merece nada menos.

Fiquei de pé e caminhei a uns metros de distância,


olhando a luzes cintilantes abaixo. Durante muito tempo, não
disse nada, e Jake ficou sentado onde estava e me deixou
tranquila.

Fiquei surpresa. Ele confiava em mim. Tinha sido...


Honesto. Não era nada como o que pensava que seria: um
simples bad boy motoqueiro em busca de uma foda rápida.

Eu fui surpreendida. Estava assustada. Estava triste.


Ambos tínhamos sofrido perdas muito precocemente, não era
apenas um menino mau, era como eu. Já estava me
apaixonando rapidamente por ele.

Assim fiquei lá por um momento e deixei que todas


essas emoções se assentassem enquanto tentava entender o
que queria, o que precisava fazer. A razão, minha mente,
insistia em que dissesse que me levasse para pegar a Indie
imediatamente, e nunca voltasse a vê-lo, e retornasse à
minha vida tranquila, simples e mundana que tinha ontem.
Que este desejo de ter um encontro sexual com um menino
mau era apenas um momento de loucura que acumulei
durante os difíceis e desafiantes anos.

Entretanto, meu coração estava dizendo que estava


profundamente comovida por sua confissão. Isso mostrava
seu genuíno interesse por meu bem—estar. Nossa conexão
com a dilaceradora dor insistiu que o abraçasse e que o
amasse e juntasse nossas almas quebradas e estaríamos
completos de novo.

O desejo o queria mais que nunca. Ele era mais


profundo e mais real para mim, agora que me tinha dado algo
importante de si mesmo, da forma em que eu tinha dado algo
para que soubesse de mim. O que tinha sido um capricho se
transformou em algo extraordinário. Uma intensa sensação
de intimidade fez—se por todo o meu corpo. Tinha perdido
bastante tempo sendo a viúva boa. As mulheres poderosas
não fechavam seus corações. Levavam ao campo de batalha.

Uma vez que percebi o que queria fazer, tomei outros


minutos e trabalhei em como dizer. Então limpei a garganta e
me virei para ele. Ficou de pé e caminhou para mim, sua
expressão curiosa e ansiosa. Foi refrescante ver que não era
arrogante, sua vulnerabilidade o fazia ainda mais lindo.

Encontrei seus olhos e comecei a falar.

— Acredito em tudo o que me disse, não levo nada


levianamente. E isso me assusta, você não tem ideia como. –
afastou a vista de mim, mas tomei sua quadrada mandíbula
para fazê-lo me enfrentar de novo. — Não me importa o que
faça nos Fire Birds. Não pensei que estivesse tendo festas de
chá com ursinhos de pelúcia. Realmente não me preocupo
com o que é legal ou não. As pessoas fazem merdas horríveis
uns aos outros que é perfeitamente legal, assim como a
maioria das leis só parece uma tolice arbitrária para mim, de
todos os modos.

— Mas sim me importa que você possa se machucar, e


me importa que possa desaparecer. E eu acho que me
importo que possa ser machucada, também. — Tentou se
afastar de novo, mas agarrei seu queixo com a sua adorável
barba por fazer. Esta é coisa, menino mau.

— Estou completamente só neste mundo, não tenho


irmãos. Meus pais estão mortos. Meu filho está morto. Meu
marido está morto. A maioria das vezes eu não gosto do
pessoal com quem trabalho. Acredito que a maioria das
pessoas são egoístas, cretinos e pouco confiáveis, por isso
não tenho nenhum amigo de verdade. Eu. Estou. Sozinha.
— E estive bem com isso... Fiquei bem com isso, de fato,
por anos. Até ontem. Conheci você e de repente já não quero
estar sozinha. Essa é, talvez, a parte mais aterradora de tudo
isto. Mas se quiser não estar mais sozinho comigo, eu
gostaria muito disso. Se a violência persegue você, e se algo
acontecer com um ou a ambos de nós, ao menos vai parar
com a gente. E por certo, sou muito mais resistente do que
poderia pensar de uma garota das Heights de vinte e um anos.

Meu corpo tremia enquanto sustentávamos o olhar um


do outro. Então Jake emoldurou meu rosto em suas duas
fortes e musculosas mãos e me atraiu para ele. A princípio
resisti um pouco contra ele, contra a sensação que estava
sentindo, procurando um hesitante ritmo que tinha bastante
pouco que ver com a fricção e muito mais com a forma em
que estava me olhando, com a forma em que seus olhos
estavam atravessados com escuridão e luz dentro da esfera
de azul.

Finalmente, me beijou. Seus lábios eram firmes e


quentes, e sua pele estava muito quente contra meu rosto. O
beijo foi tenro e longo. Inclinei para ele e deslizei minhas
mãos por baixo de sua jaqueta e ao redor de sua dura cintura.

Podia sentir que estava no limite tanto como eu,


morrendo de vontade de se inclinar sobre mim, para trás e se
perder comigo. Podia cheirá-lo. Podia prová-lo enquanto
saboreava sua boca, quando empurrou seus lábios contra
mim em um feroz e impressionante beijo.
Abri a boca e ligeiramente rocei minha língua contra
seu lábio inferior. Jake gemeu e agarrou meu rosto com força
enquanto intensificava o beijo, empurrando sua língua dentro
da minha boca para se entrelaçar com minha língua.

Tirei sua camisa da cintura de seus jeans. Sem romper


nosso beijo, ele abriu o zíper de sua jaqueta para me dar
melhor acesso, e logo retornou suas mãos para embalar meu
rosto. Deslizei minhas mãos por baixo de sua camisa e as
pressionei contra a quente pele de suas firmes e musculosas
costas. Grunhiu contra minha boca, e suas mãos se
deslizaram para minha nuca, alcançando meu pescoço e
tirando a jaqueta de meus ombros.

Sua boca abandonou a minha e gemi pela perda. Senti


seus lábios propagar ligeiros beijos ao longo de minha
mandíbula e na base da minha garganta. Parou quando
chegou ao arredondado extremo da minha clavícula esquerda
e apertou seus lábios contra ela com firmeza, sugando.

O gesto era intensamente erótico, eu me ouvi dar um


ofegante grito. Precisava estar mais perto dele. Apertei todo
meu corpo contra o seu e deslizei minhas mãos por suas
costas para me enganchar nos seus ombros.

Jake voltou a grunhir e inclinou seus quadris para


pressionar sua forte ereção contra meu abdômen. A força da
luxúria deste impressionante homem fez minha cabeça
flutuar várias horas extras.
— Dakota. Cristo... — sussurrou seus lábios em minha
pele. Lentamente deslizou sua língua ao longo de minha
clavícula, até meu ombro e voltando para a clavícula, dando
pequenas e gentis mordidas no trajeto.

Sem fôlego e tremendo, aferrei em seus ombros e


arqueei minhas costas.

— Jake. — A palavra foi apenas um ofego. Beijou


minha boca, com força, sua língua profunda e demandante, e
suas mãos se moveram para baixo para agarrar minha bunda
e apertar, levantando-me até que quase estava fora de meus
pés e me pressionando com tanta força contra seu pau que
podia sentir palpitar debaixo de seus jeans. Retirei um pouco
minha cabeça e tentei obrigar meu cérebro a funcionar. Ele
inclinou-se para chupar meu pescoço de novo, e não pude
impedir que um gemido saísse de meus lábios.

Estávamos a ponto de nos deitar e ficarmos sujos aqui


mesmo nesta colina. Tinha sido o que queria antes que
começasse esta noite. Mas as coisas eram diferentes agora.
Ele era diferente para mim agora. Não queria começar esta
coisa entre nós com uma foda no mato. Isso tinha seu
encanto também, mas não agora. Não para nossa primeira
vez. Nos dois merecíamos algo melhor.

— Jake. — Agarrei sua cabeça com ambas as mãos e o


obriguei a parar e me olhar. A intensidade de sua expressão
era quase violenta. Estava ofegando. Assim como eu. — Jake.
— Vi quando conseguiu se conter a si mesmo de novo e a
urgência animal deixar seus olhos. Agora vi preocupação e
decepção espreitando seus olhos. Percebi que tinha medo de
que tivesse mudado de opinião. E tinha razão. Mais ou menos.

— Podemos voltar para minha casa, e recolher Indie


amanhã pela manhã? — Por um segundo, pareceu confuso.
Logo sorriu e deslizou uma mão debaixo de meu cabelo e ao
redor de minha nuca. Inclinou e me beijou profundamente.

— Vamos sair rápido daqui, neném. — Tomou minha


mão e desceu a colina, voltando para sua moto.

Dirigimo—nos de novo a Shadow Beach e deixamos o


céu para trás.

Quando parou na entrada, levantei tão perto de seu


ouvido como pude e disse por cima do zumbido do motor:

— Desce, coloque—a na garagem durante a noite. —


Ele assentiu com a cabeça e parou na porta para que eu
pudesse descer e abri-la para ele.

Enquanto ele entrava na garagem, tomei o capacete e


caminhei para ele, com a intenção de devolver, mas me
agarrou pela cintura e me levantou por cima de meus pés.
Deus, ele era tão forte, me fazia sentir leve como uma pluma.
Atraiu meu rosto e minha boca ao nível da sua. Naturalmente,
envolvi meus braços ao redor de seu pescoço e o beijei, o
capacete pendurado em meus dedos pela correia.

Quando chegamos à frente da garagem, levantei o olhar,


estiquei minha mão livre e agarrei a maçaneta da porta e
deixei cair tudo enquanto Jake tinha seu rosto afundado no
oco de meu ombro.

Certamente ele gostava das minhas clavículas. Eu


adorava.

Ele nos conduziu até a porta principal dessa maneira,


então me deixou deslizar por seu corpo até que meus pés
tocassem o chão, assim poderia voltar e abrir a porta.
Caminhamos juntos, as mãos do Jake ainda em meus
quadris.

Empurrei a porta, fechando, joguei o capacete no sofá,


tomei a mão de Jake, e o conduzi pelo corredor até o meu
quarto. Sem querer a luz deslumbrante por cima da cabeça,
mas desejando ver cada gloriosa polegada dele, entrei no
quarto escuro e acendi o abajur colocado em minha
penteadeira. A luz era cálida e dourada. Amo seu magnífico
bronzeado. A vontade de lambê-lo por toda parte estava se
intensificando.

Tirei minha jaqueta e a joguei na poltrona. Tirando


minhas botas e meias, voltei para encará-lo. Ele tirou a
jaqueta e a jogou por um lado para que aterrissasse na
cadeira próxima.

Comecei a levantar meu top, mas ele deu um passo


para mim e tomou minhas mãos, levantando-as por cima de
minha cabeça.

— Eu. — Foi tudo o que disse. A palavra me tinha feito


tremer.
Ele tomou meu top com seus dedos, tirou—o de meus
jeans e o levantou por cima de minha cabeça. Jogou—o em
um lado. Baixei meus braços para enlaçá-los ao redor de seu
palpitante pescoço e coloquei os dedos de uma mão em seu
cabelo. Atirei minha boca contra a sua.

O beijo era quente e profundo. Tomei seu lábio inferior


entre meus dentes e mordi. Ele gemeu e envolveu seus braços
ao redor de meu torso nu me aproximando. Logo deu um
passo atrás e me apartou. Soltei seu cabelo e deixei cair
minhas mãos em seus ombros. Baixou o olhar em suas mãos
na minha cintura, eu o fiz também, e ambos observamos
enquanto ele as deslizou pela cintura das minhas calças
jeans baixas, por cima de meu estômago e por cima da crista
de minha caixa torácica até meus seios, ainda sustentados
pelo sutiã branco de cetim.

Era a primeira vez que tinha tido suas mãos em meus


seios, e arqueei minhas costas e contive um comprido suspiro
de prazer. Ele tomou ambos os montes em suas mãos e
deslizou seus polegares para frente e para trás sobre meus
mamilos. Instintivamente agarrei seus ombros, e minhas
unhas se afundaram.

Ele estirou a mão para trás então e desabotoou o fecho,


jogando as alças por meus ombros e baixando-o por meus
braços. Deixei-o cair no chão. Ele tomou o peso de cada seio
em suas mãos e apertou suas palmas contra meus mamilos
inchados.
— É tão bonita, Dakota. Jesus! Dói meu coração. —
deixou cair de joelhos e inclinou a cabeça para tomar um
peito em sua boca e sugá-los, suas mãos em minha cintura
de novo.

Inclinei-me ligeiramente pela cintura para me


aproximar mais de sua boca, apoiando minhas mãos sobre
seus ombros.

Sua língua lambeu meu mamilo. Meus joelhos se


dobraram e gritei. Moveu-se para dar atenção ao outro seio, e
comecei a tremer. Tinha passado tanto tempo, tanto tempo.
Podia sentir meu órgão sexual palpitando e abrindo-se
ligeiramente. Estava sobressaltada pela sensação. Precisava
de um segundo para recuperar meu fôlego.

— Jake, preciso... — comecei... — Preciso... — Não


pude terminar.

Ele largou meus seios e encheu meu corpo de beijos,


até o umbigo.

— Eu sei neném — sussurrou contra mim, sua barba


fazendo cócegas em meu estômago, fazendo-o contrair. — Eu
também.

Brincou com sua língua em meu estomago durante


um tempo, logo continuou abaixando até a parte de cima de
meus jeans. Eu tinha quase certeza de que ele não falava da
mesma necessidade que eu tinha estado tentando expressar,
mas já não me importava.
Ainda de joelhos ante a mim, desabotoou meu cinto,
meu botão e zíper. Colocou as mãos dentro da minha calça
jeans e a deslizou por meus quadris e para baixo até o chão.
Saí deles e fiquei usando nada mais que minha tanga
púrpura acetinada, enquanto que ele ainda estava
completamente vestido. Ainda estava usando suas malditas
botas. Me senti, pela primeira vez, consciente de mim mesma
e, sem pensar realmente nisso, comecei a me cobrir com
minhas mãos. Ele as apanhou com as suas e as separou.

— Não faça isso. Quero ver você.

Respondi:

— Quero ver você, também. — Ele sorriu. Suas


covinhas fazendo que cada nervo levantasse em atenção pelo
prazer. Ficou de pé e tirou sua camiseta sobre sua cabeça.

Já tinha imaginado que ficaria impressionada tão perto


dele esta noite, que o que estava me esperando debaixo de
sua camisa era um corpo duro e musculoso. Mas mesmo
assim a visão de seu torso nu era emocionante, mais ainda,
para mim, já que grande parte dele estava coberta de
tatuagens. Através de seu peito largo, por seus lados, ao
redor de seus ombros e por seus braços. Não estava contando,
mas tinha um montão de tatuagens. Isso o fazia perigoso e
emocionante. Queria explorá-lo todo.

Apoiei contra ele, deixando que minhas mãos e boca


perambulassem por toda sua pele nua. Pressionei meus
lábios contra seu mamilo e o chupei com suavidade em
minha boca. Seu gosto era magnífico. Sua cabeça caiu para
trás, e o ouvi fazer um ruído retumbante, senti, também,
contra meus lábios. Lambi e beijei através de seu peito para
sugar seu outro mamilo, saboreando a contração de seus
sólidos quadris contra meu ventre. Suas mãos estavam em
minha cabeça, emaranhadas em meu cabelo e me
pressionando mais forte contra seu peito. Dei-lhe uma
mordida.

— Dakota, merda! — ofegou, e levantou minha cabeça


de seu peito. Inclinou e me beijou com uma nova ferocidade,
agarrando minhas nádegas em suas mãos. Dobrou os joelhos
um pouco enquanto deslizava suas mãos até minhas coxas e
me levantava do chão. Envolvi minhas pernas ao redor de sua
cintura e apertei, desejando o rude prazer de seu pau, ainda
coberto com jeans, pressionada com força contra meu centro.
Caminhou até o final de minha cama, inclinou, e me abaixou.
Logo ficou de pé.

Deslizei para trás até a cabeceira e me apoiei nos


cotovelos. Deixei uma perna estirada e dobrei o outro pelo
joelho, com a sola do meu pé sobre a cama. Sorri de lado
para ele e pondo para fora a perna dobrada, expondo-me a ele.

Olhou, fechou os olhos, tomou uma respiração


profunda e a deixou sair lentamente. Podia sentir—me
ficando muito molhada. Ele tirou as botas e meias, mas não
se moveu para tirar a calça jeans. Pôs um joelho no extremo
da cama e se arrastou até aparecer por cima de meu corpo.
Seus olhos perfuraram os meus, enquanto se
iluminavam e queimavam com ferocidade, advertindo-me de
seu desejo. Apanhou minha boca na sua e me beijou
profundamente. Utilizou seu corpo para forçar meus braços
para baixo, assim estava totalmente embaixo dele na cama.

Envolvi meus braços ao redor de suas costas e me


empurrei ainda mais profundo no beijo. Meus lábios
provavelmente estariam roxos pela manhã. Não me importava.
Ele estava apoiado sobre seus cotovelos, com os braços a
cada lado de minha cabeça. Suas mãos se entreteciam em
meu cabelo, sustentando minha cabeça. Todo seu corpo
estava pressionado ao meu contra o colchão, nossos peitos
nus estavam incrivelmente fundidos.

A fivela de seu cinto afundou na pele sensível de meu


abdômen. Ainda não sentia o suficientemente perto. Queria
mais. Levantei minhas pernas e as envolvi ao redor de sua
cintura. Ele gemeu e flexionou seus quadris para empurrar
com força contra meu corpo suado. Deixou cair a cabeça para
meu ombro, ofegando.

Ele levantou sua cabeça e beijou minha bochecha, logo


se separou e deslizou por meu corpo. Rapidamente senti frio
quando sua pele quente deixou a minha, e gemi em sinal de
protesto. Riu em voz baixa.

— Não vou a nenhuma parte, neném. Relaxe. — Era a


enésima vez que tinha me chamado de "neném". Mas agora
eu mais gostava que implicava.
Parou na metade do caminho e pressionou um beijo
estremecedor contra o triângulo de cetim no ápice de minhas
coxas. Fiquei sem fôlego e empurrei contra sua boca. Ele
enganchou os polegares através das tiras da minha tanga e
tirou com suavidade. Levantei meus quadris, e deslizou até o
final da cama com minha tanga entre seus dedos. Ficou de pé
de novo e tirou a pequena parte de cetim e encaixe por meus
pés. Levou ao seu rosto por um segundo, e logo o deixou cair
no chão. Então, finalmente, desabotoou o cinto, desabotoou
seus jeans e os empurrou para o chão.

Foda.... Me....

Nada se interpunha entre ele e suas calças. Sua


metade inferior era tão incrível como sua metade superior.

O título "Deus do Sexo" não o fazia justiça. Suas


pernas eram largas e fortemente musculosas. Tinha
tatuagens em ambos os quadris. E na união dos dois
músculos incrivelmente sensuais do quadril estava seu pau,
grosso, longo e de aço duro. Doce Cristo. Podia sentir meus
mamilos ganhando mais sensibilidade enquanto minhas
dobras se abriam ainda mais. Nunca tinha estado tão
molhada em minha vida. Lambi meus lábios e comecei a me
deslizar para ele.

Ajoelhou na cama entre minhas pernas e me empurrou


para trás.

— Eu — disse de novo. Queria tocá-lo, saboreá-lo, mas


sua insistência em tomar o controle era muito excitante justo
agora. Assim que me recostei sobre os travesseiros e observei
alegremente.

Colocou suas mãos lentamente pelo interior de minhas


coxas até que seus polegares tocaram meu núcleo dolorido.
Contive o fôlego. Riscou a longitude de minhas dobras e
parou justo antes de chegar ao meu clitóris.

— Ah, Dakota. Está tão molhada, neném — disse com


voz áspera. Enganchou minhas pernas sobre seus ombros.
Pôs suas mãos por baixo de minhas nádegas doloridas e me
atraiu para ele. Inclinou, pressionou seus lábios contra meu
clitóris, e o chupou.

Caralho! Quase explodi para fora de minha pele.


Arqueei completamente sobre a cama, apenas minha cabeça
ainda fazendo contato. Ouvi-me fazendo ruídos estridentes,
mas não podia parar. Ele me conhecia.

— Deus, Jake! Não posso... — Ele deixou de chupar e


soprou suavemente sobre o meu botão inchado até que tomei
uma respiração e me acomodei na cama.

Levantou a vista para mim.

— Isto é bom?

— Deus, sim. Deus, sim. Apenas parece tão... muito.

Ele riu entre dentes.

— Desfruta. Deus você tem um gosto magnífico... —


Pressionou sua língua plana contra meu clitóris e lambeu.
Meu orgasmo estava justo aí. Aferrei em seus cabelos e
prendi as pernas à sua cabeça. Senti-o deslizar seus dedos e
bombeá-los profundo dentro de mim, enquanto sua língua
me consumia. Estava ficando mais e mais úmida. Levantei
contra sua boca, sua mão, e gritei. Ele seguiu, e gritei de
novo.

E outra vez. Todo meu corpo retrocedeu ao redor dele.

Eventualmente terminou, e relaxei sobre os


travesseiros, aturdida. Tirou seus dedos e subiu de modo que
nossas cabeças estavam no mesmo nível. Ele se estirou entre
minhas pernas, apoiado nos cotovelos. A dura longitude de
seu pau estava pressionada entre nós. Desejei que estivesse
dentro de mim. Queria muito sentir cada centímetro de seu
pau.

Ainda ofegante e tremendo, embalei seu rosto em


minhas mãos e o beijei profundamente. Provei a mim mesma
em sua boca; seu queixo estava empapado de mim. Rompi o
beijo e pressionei meus lábios contra sua orelha.

— Quero você dentro de mim agora. Quero sentir você


dentro de mim.

Ele fez um som na parte de trás de sua garganta, e se


inclinou sobre um cotovelo. Passou a mão pelo cabelo antes
de corrê-la desde minha clavícula, por cima de meu peito,
estômago, quadril e finalmente até minha perna. Puxou
suavemente minha coxa. Recebi a mensagem alta e clara, e
dobrei ambas as pernas sobre seus quadris. Colocou entre
minhas coxas e logo entrou.

Tentei empurrar contra ele, trazê-lo mais profundo,


mas manteve meus quadris baixos.

— Calma neném.

Porra, estava me matando o desgraçado. Agarrou meu


tornozelo e puxou para trás dele. Ordenou que envolvesse
minhas pernas ao redor de sua cintura. Assim o fiz.

Era tão difícil ficar quieta, queria-o profundo em meu


interior. Mas estava deixando-o dirigir este espetáculo, e até o
momento estava funcionando muito bem. Fechei os olhos,
esperando. A paciência não era realmente minha natureza
neste tipo de situações. Ele levantou seu outro braço e o
deslizou debaixo de meu ombro, de modo que ele estava
apoiado de novo em ambos os cotovelos. Acariciou minha
bochecha e sussurrou:

— Hey, preciosa. Abre seus olhos para mim. — Fiz o


que pediu, e o vi me olhando.

Voltou a olhar para cima e sussurrei:

— Está perdido também, menino mau?

— Estava até que você chegou Bela. — Seus olhos


nunca deixaram o meu quando finalmente ele se empurrou
até o fundo, com um longo, movimento lento. Era tão largo e
grosso que o estiramento foi um pouco incômodo. Vá. Ele
ficou quieto, observando-me com um olhar que apenas podia
pensar que era de curiosa preocupação. Fiquei imóvel,
também, ajustando-me.

Tinha dado a luz, assim não estava preocupada. Mas já


fazia muito tempo, e certamente ele não era do tamanho
médio. Em qualquer forma concebível. Flexionei meus
quadris um pouco para suavizar uma espetada aguda, ele
fechou os olhos e deixou escapar um suspiro longo e
tremente. Não sabia que tinha estado se contendo.

Saber o quanto estava se esforçando para manter o


controle, e me dar tempo para me adaptar, de algum jeito era
a coisa mais quente a respeito desta noite estimulante.
Esperei até que abriu seus olhos de novo para poder olhá-lo,
também. Então envolvi meus braços ao redor de suas costas,
enganchei minhas mãos sobre seus ombros, e flexionei as
pernas para empurrar meus quadris para cima com força e
rapidez contra os seus, aprofundando forçadamente a
penetração ainda mais.

— Jesus Cristo! — disse ele em uma rajada repentina


de fôlego contido e logo começou a se mover dentro de mim.
Acompanhei seu tempo e me movi contra ele ritmicamente,
intensificando nossa conexão. Nossas bocas se juntaram,
nossas línguas se moveram no mesmo ritmo. Podia sentir
outro orgasmo construindo, e inclinei meus quadris para
levá-lo ainda mais profundo. Jake rompeu nosso beijo com
um grunhido e deixou cair a cabeça para meu ombro.

Estava aproximando de novo e me ouvi vagamente


fazendo uma espécie de som de lamento uma e outra vez. De
repente, sem romper nossa conexão ou inclusive nosso tempo,
Jake se ergueu sobre suas mãos, apoiou-se na mão esquerda
e trouxe sua direita para pressionar a parte de trás da minha
coxa esquerda. Deixou de empurra enquanto estava
profundamente no interior, e me manteve imóvel enquanto
punha seus joelhos um pouco debaixo dele e levou sua mão
esquerda à parte trás de minha coxa direita.

Tinha-me aberta, meus joelhos levantados além de


meus ombros. Graças a Deus pela ioga. Ele também tinha
tomado o controle de novo; não podia me mover. Nem sequer
podia realmente conseguir por minhas mãos sobre ele, assim
estirei minhas mãos para trás e agarrei as barras da minha
cabeceira. Quando começou a se mover de novo, bombeou em
mim lentamente duas vezes, e logo acelerou o ritmo com cada
investida até que estava golpeando contra mim, cada
investida parecendo mais profunda que a anterior.

Meu orgasmo estava crescendo enormemente, e não


pude guardar silêncio por mais tempo.

— Porra! OH, meu Deus! Mais forte, Jake. Quero sentir


você gozando dentro de mim.

— Isso, neném. Isso. Jesus! — Podia ouvir a tensão em


sua voz. Ele apenas estava se contendo.

À merda com isto, tinha que me mover. Usei toda a


considerável força de minhas pernas para empurrar suas
mãos atrás e trazer minhas pernas para baixo. Suas mãos
golpearam o colchão, e me envolvi em torno dele de novo.
Liberada finalmente e quase pendurada nele, me
arremeti contra suas investidas, tão forte e rápido como pude
até que gozei com tanta força que pude ver diminutos pontos
negros enquanto tremia todo o corpo.

Meus estremecimentos o impulsionaram, também.


Soltou um grito incoerente e agarrou minha bunda com uma
mão para golpear em mim, com vários impulsos finais e
profundos. Senti uma explosão de calor desde meu interior
enquanto me enchia dele. Quando terminou, deixou cair todo
seu peso e apoiou sua frente na minha. Ficamos ali muito
tempo, ainda conectados e suados, tremendo. Respirando
com dificuldade juntos. Eu adorei a sensação de todo seu
peso me pressionando, ele era muito pesado, mas
eventualmente ia precisar conseguir ao menos uma baforada
de ar. Apenas me retorci ligeiramente, com a esperança que
fosse tudo o que teria que fazer. Foi. Suspirou, beijou a ponta
de meu nariz, e rodou de um lado, seu pau ainda duro
deslizando fora de mim.

Onde estava meu coração, não sabia, ou sabia, e estava


me negando a reconhecer. Mas podia sentir esta palpitante
pulsação, batida a batida mantendo-se ao mesmo tempo com
o seu, como uma espécie de dança entre corações. Este
mantinha o ritmo com a sensação de ebulição mais fusão
enquanto eu ofegava e ele me devorava contra ele enquanto
estava sobre suas costas, me embalando contra seu lado com
seu braço cobrindo ligeiramente meu ombro, e respirando em
sincronia. Ele beijou a parte de cima da minha cabeça.
— Assim, isso foi...

— Surpreendente. — Terminei e beijei seu peito liso e


duro.

— Me sinto tão bem... Merda. — Ele riu e me apertou


mais perto.

— Isto foi tanto que estou preocupada. — Suspirei


contente e risquei padrões com meus dedos sobre seu
abdômen esculpido.

— Vou ter que comprar um andador para trabalhar


amanhã, é obvio, mas não poderia me importar menos, justo
agora. — Guardou silêncio por um minuto ou dois depois que
riu. Pensei que talvez fosse dormir, assim fechei os olhos.
Mas então falou. — Dakota... O que é que você faz realmente?

Escutei a pergunta, mas realmente não queria


responder a ela, assim só murmurei:

— Vou por aí às oficinas para foder com mecânicos.

Ele começou a rir enquanto continuava:

— Para trabalhar, carinho. O que faz para trabalhar?

Suspirei e me apoiei em um cotovelo para poder ver seu


impressionante rosto.

— Sou professora.

— Na universidade?

Bom, isso foi estranho. Um tanto inquietante.


— Como você sabe disso?

— Vi o seu passe de estacionamento pendurando em


seu retrovisor. É um passe para docente e funcionário. O que
ensina?

Não queria que soubesse. Desviei o olhar.

— Arqueologia e Egito Antigo.

Ele não disse nada durante um momento.

— É professora universitária?

Aqui vamos nós...

— Ainda não, mas serei em algum momento em um


futuro próximo.

— Então, o que... Tem um doutorado? É a doutora


Demonte?

— Um dia, sim.

— Isso é impressionante. Estou impressionado. Por que


se envergonha disso?

Sentei.

— Não me envergonho disso. Absolutamente. Trabalho


muito. É difícil. Estou orgulhosa disto. Mas eu não gosto que
as pessoas com as quais não trabalho saibam.

Jake sentou também, e se apoiou contra a cabeceira.

— Por que demônios não?


Como poderia explicar isto?

— Devido ao que já está fazendo. Ficou todo


impressionado. Isto sempre muda a forma em que as pessoas,
alheias ao meu trabalho, comportam—se ao meu redor. Agora
vai pensar que sou mais inteligente que você, mas não sou,
apenas tenho uma educação e um conjunto de habilidades.
Ou que estou em segredo julgando a maneira em que você
pensa ou fala. Se estivesse, não ia querer estar perto de você.
—Olhei nos seus olhos. — Não quero que se comporte de
maneira diferente perto de mim. Não quero que pense de
forma diferente sobre mim, porque agora sabe que o que faço
me faz uma "intelectual". — Fiz aspas no ar. Realmente era
uma ferramenta às vezes.

— Eu não. — Ele me atraiu contra si e me sustentou


perto. — Não tome isto mal, mas realmente não parece o tipo
professora. Ou fala como uma. Não da forma em que penso
neles, de todos os modos. Amaldiçoa muito. — Ele começou a
rir.

— Bom, a maioria deles são cretinos, aborrecidos e


idiotas pretensiosos. É por isso que eu não gosto.

— Por certo, suas habilidades são evidentes, mas não


tenho certeza de que seja mais inteligente que eu. E não é tão
especial, de todos os modos. Dixon, o segundo no comando
dos Fire Bird, meu melhor amigo, sua namorada está se
formando cirurgiã. Sabe, uma médica de verdade. Assim não
seja presunçosa.
Ri disso.

— Bem. Não serei. — Não tinha perdido como ele tinha


acentuado a palavra "sua".
Capítulo 5

Jake
Apoiado na cabeceira de Dakota, com seu bonito corpo
nu dobrado contra mim, sentia-me completamente espremido.
Não tínhamos estado juntos nem por um dia, entretanto,
senti como se nós tivéssemos nos conhecido há anos. Pensei
em onde tinha estado até recentemente, sentado em minha
cama na sede do clube, e decidido a não permitir que Dakota
fosse arrastada para dentro do inferno que é minha vida. À
medida que minhas resoluções passavam, provavelmente
essa foi a que teve o período de vida mais curto. Ela teria
batido na minha bunda outra vez, isso é certo.

Não era só o sexo, que tinha sido malditamente


fantástico. E não era porque ela era impressionante, mas
caralho era uma rainha ardente. Era tudo o que fazia, tudo o
que dizia. Surpreendeu-me complemente a maneira
espontânea que parecia exatamente o correta. E, como eu, ela
não precisava estar sempre falando. Não inventou histórias, e
não se incomodou em explicar por que não ia oferecer
detalhes. Disse às partes que acreditava que eram
necessárias e deixou assim. Justo como eu. Quando havia
dito a verdade sobre minha vida, ou ao menos, a versão mais
fiel que poderia dizer a alguém que só tinha conhecido por
um dia, e lhe dei a oportunidade de uma saída que não podia
tomar eu mesmo, a resposta que me deu eram ambas,
pragmática e esperançosa. Também compartilhamos a dura
experiência da perda. Perda trágica. Fez me sentir como se
ainda houvesse uma oportunidade de encontrar um pouco de
paz em minha vida. Pensei que talvez ela fosse essa paz.

E merda, o sexo. Tina e eu sempre tínhamos tido uma


vida sexual decente. Tina tinha estado disposta a fazer muito.
Mas nunca, jamais, fiz sexo com o tipo de calor animal que
acabava de compartilhar com Dakota. Os sons que fez... Era
enérgica e atlética, e tão sensível que tinha passado todo o
tempo a beira do orgasmo.

Tive que dominá-la por completo e obrigá-la a ficar


quieta, várias vezes, para que não gozasse em cima dela. Não
havia maneira que pudesse ter me contido se tivesse colocado
suas mãos em mim, ou merda, sua boca ao redor do meu pau.
Graças a Deus que era mais forte que ela. Mas, caralho, ela
era forte. Pensar na sensação de suas pernas flexionadas
contra minha cabeça ou meus quadris e sua doce bunda
apertada em minhas mãos fez que meu pau se contraísse,
inclusive agora, quando estava totalmente esgotado.

Baixei a vista para ela. Tinha estado recostada em


silêncio enquanto eu refletia. Perguntei-me se tinha
adormecido, porque estava desejando desesperadamente que
não estivesse.

— Ouça. Está dormindo? — murmurei se acaso


estivesse.
Ela cantarolou:

— Mmmm... Não. Só pensando. — Deslizei para baixo e


me movi de lado para que meu rosto estivesse mais perto de
seu belo e proporcionado rosto.

— Ainda se recuperando da minha grandeza? — Sorri.

— Bastardo presunçoso. — eu adorava sua boca suja.

— Está bem?

Ela sorriu.

— É obvio. Simplesmente tentando entender o que


aconteceu esta noite. Parece...

— Muito.

— Sim. — Sorriu, parecendo mais à vontade.

— Estava pensando o mesmo. Obteve uma resposta? —


Ela começou a rir.

— Bons movimentos, menino mau. Planejou isso para


que tivesse que me colocar em uma confusão primeiro.
Parabéns!

— Sim. Mais inteligente que você acredita. Só me


chame Professor de Coisas Quentes.

Golpeou meu ombro.

— Está bem, está bem. Que demônios. A vida é um


risco, não? Ficou em silêncio. Ela estava deitada no
travesseiro em frente a mim. Estava desarrumada e um
pouco torcida. Minha barba tinha maltratado um pouco suas
bochechas. Mas ainda era perfeita. Era minha, perfeita.
Finalmente, voltou a falar como um gemido.

— Sei que isto é uma loucura. Só estive com um


homem. Desde o Jon... Desde... Deus, não sei... É que... Não
estive com ninguém depois dele. O que aconteceu esta noite,
para mim, é que... É que comecei a me apaixonar por você. —
Meu coração se encolheu. Falava a sério quando disse que ela
fazia que doesse.

— Dakota. — Minha voz era baixa e rouca. Envolvi


minha mão ao redor do seu pescoço e puxei-a para um longo,
lento e doce beijo.

Ela se separou.

— Uh, uh, amigo. Estou a par de suas ardilosas


artimanhas. Sem distrações. O que aconteceu esta noite? —
Minha resposta era muito similar, mas parecia mais
complicado para eu explicar. Não sabia por onde começar,
assim comecei com o dia de ontem.

— Quando me pediu que viesse para dar uma olhada


na moto, estava empolgado. Mais que emocionado por algo
em muito tempo. Não notei nenhuma garota desde que Tina
morreu, mas quando vi você ontem, não sei... Algo se abriu
de novo dentro de mim. Passei todo o dia pensando em você...

Mas logo comecei a pensar em minha vida. A respeito


do que tenho feito. A respeito do que faço. O que farei. O que
se passou com Tina... Por minha culpa. Tive que enviar
minha filha para longe de mim, para que pudesse estar a
salvo...

Decidi que não tinha nenhum direito em tentar colocar


você em tudo isso. Cheguei à sua casa com a intenção de ser
estritamente profissional. Talvez alguma paquera, porque
sabe, tenho minha má imagem de menino do gueto para
manter. — Ambos rimos.

— Oh, um menino muito mau... — O olhar que me deu


nesse momento, me deu vontade de repetir a noite uma e
outra vez, mas continuei. — Estava parada ali, e é tão bonita.
E sua casa é tão, não sei, boa. E me falou sobre Jon e Joshua.
E o que disse a respeito de ser passageiro. E falar com você
durante o jantar que me fez. Tudo o que vi, tudo o que disse,
tudo era perfeito. Podia sentir você de algum jeito. — Senti
como que estava divagando, assim parei — Não sei se estou
explicando bem. — Dakota não se moveu nem fez nenhum
ruído. Seguia me olhando nos olhos, e não me interrompeu,
assim continuei. — E logo deu um passeio comigo. Queria
você mais que tudo. Não podia deixar que entrasse em minha
vida só para sair dela, assim sabia que tinha que dar a você
uma opção. Precisava me conhecer. Não fugiu quando contei
a respeito da maneira em que vivo. E me fez acreditar que
talvez pudesse viver ali comigo. — Fiz uma pausa por um
longo tempo, tentando encontrar as palavras adequadas. Isto
era muito importante para simplesmente fodê-la. Dakota só
esperou. Isso a fez mais bonita para mim.
— Então, o que aconteceu esta noite, para mim, é que
me senti como se pudesse ter algo bom em minha vida. E
comecei a me apaixonar pela garota que me mostrou isso.

Atraí—a mais perto e coloquei sua cabeça debaixo de


meu queixo. Ela envolveu seu braço ao redor de minha
cintura e a apertou. Apesar da intensidade emocional do
momento, ou talvez por causa dela, estava outra vez duro
como uma rocha. Dakota estava tão perto quanto podia estar,
e a sensação de sua pele firme e suave apertada contra mim,
seu cabelo comprido e sedoso contra meu peito, tinha meu
homem das cavernas interior todo louco. Não queria
simplesmente saltar sobre ela. Precisava conseguir o maldito
controle sobre mim mesmo. Nas últimas vinte e quatro horas
havia perdido grande parte dele com ela. Apoiei-me em meu
cotovelo e beijei seu ombro. E o que tive, pela primeira vez,
entretanto, foi uma visão de suas costas nua. Quase tinha
esquecido suas tatuagens, nenhuma das quais era visível da
parte da frente.

— Ouça, querida. Posso dar uma olhada em suas


tatuagens? —Precisava de uma distração.

Virou a cabeça para me olhar. Parecia indecisa a


princípio, logo sorriu e ficou de barriga para baixo. Agora
tinha uma vista completa de suas impressionantes e
entoadas costas, o suave fluxo perfeito de sua bunda, e o
dorso de suas largas e fortes pernas. Voltei a pensar em quão
fantasticamente impressionante era. Tinha uma covinha em
cada lado da parte baixa de suas costas, justo por cima de
cada nádega.

Não era uma grande distração absolutamente.

Tinha quatro tatuagens em suas costas, tudo em negro


e cinza: uma mariposa bem desenhada atrás de seu ombro
esquerdo, três símbolos do zodíaco, um menor que os outros,
agrupados sob a mariposa, e logo, literalmente, a peça central,
uma peça elaborada a partir da base da coluna e terminando
seu caminho justo por cima do ombro. Uma planta de rosa
trepadeira. Complicadas trepadeiras por todo o caminho para
cima. Em vários pontos, começando perto da base até justo
abaixo das omoplatas, uma rosa crescia. As quatro ou cinco
polegadas superiores não eram mais uma trepadeira. Havia
quatro rosas totalmente florescidas e um botão, tudo feito em
negro e cinza com grande detalhe. Sob cada rosa um longo e
afiado espinho se sobressaía. Uma só gota vermelha, a única
nota de cor em suas costas, pendurava do extremo de cada
espinho. Uma linha de texto riscava o contorno da videira no
lado esquerdo, na base em letras góticas precisas e pequenas
dizia: "A rosa e o espinho, a tristeza e a felicidade estão
unidas entre si".

Passei meus dedos ao longo de sua coluna. Ela se


sobressaltou um pouco e me olhou por cima do ombro.

— São preciosas. Especialmente esta. — Percorri-o com


o dorso dos dedos até sua cintura. — Pode falar a respeito
delas?
— A mariposa foi minha primeira tatuagem. Fiz quando
tinha quinze anos, antes de ficar grávida. Estava em uma
espécie de rebeldia depois que meu pai faleceu. Queria algo
que refletisse a mudança que senti em meu interior. Tenho
meu símbolo do zodíaco e o de Jon entrelaçados com o de
Joshua. Jon tinha igual. — Ela parou e colocou sua cabeça
para baixo.

— E as rosas? — Não perguntaria de novo. Entendia


quando uma história não era para compartilhar. Passaria
muito tempo, antes que pudesse dizer a história da maioria
de minhas tatuagens, se dissesse.

— Isso é um trabalho em progresso, suponho, cada


rosa representa alguém que amo e que faleceu: minha mãe,
que morreu me dando à luz, meu pai, minha avó, que
virtualmente me criou, Jon, e... Joshua, Joshua é o botão...
Ele não teve a oportunidade de florescer...

Jesus... me matou que tivesse sofrido tantas perdas em


sua vida.

— Por que diz que é um trabalho em progresso? —


Pensei que sabia a resposta, e isso atravessou meu coração.
Levantou apoiando-se em seus cotovelos e voltou a cabeça
mais para mim para poder me olhar nos olhos
completamente.

— Deixei o espaço na parte de cima no caso de que


precise acrescentar outra rosa. — Deus, era tão única. Uma
verdadeira beleza. Sustentei o olhar durante alguns segundos,
e logo me inclinei para dar um beijo em cada rosa e ao longo
da videira, trabalhando meu caminho até seu pescoço. Seu
corpo palpitante foi adormecendo meu cérebro, esquentando
meu sangue, pondo-o em chamas. Podia cheirar sua pele,
queria saborear sua carne. Acariciando seu ombro, senti sua
mão chegar às minhas costas para agarrar meu quadril
enquanto se empurrava contra mim. Minha ereção se cravou
na fatia de sua bunda, e gemi. Porra.

Surpreendeu-me empurrando mais forte até que me


obrigou a rodar sobre minhas costas. Moveu-se rápido para
estar escancarada sobre mim. Estava quente, úmida e se
sentia muito condenadamente bem descansando sobre meu
pau.

Queria incliná-la e sustentá-la pela cintura e tomá-la


até que se rompesse, mas sorriu com um brilho nos olhos.

— Eu — disse. Queria rugir em voz alta quando disse


isso. Fez—me sentir muito primitivo. Tomou meu rosto entre
suas mãos e se inclinou para me beijar com ferocidade.
Coloquei minhas mãos sobre suas coxas, mas ela rompeu o
beijo e tomou minhas mãos entre as suas. Empurrou—as
sobre minha cabeça.

— Eu — repetiu com mais força. Moveu-se para baixo


para se assentar entre minhas pernas. Agarrei-me à
cabeceira. Tomou meu pau em sua mão, e soube
imediatamente que ia lutar para manter minha integridade.
Quando se inclinou para lamber e sugar suavemente minhas
bolas, a luta estava quase terminada. Desesperado para não
atuar como um virgem adolescente, fechei os olhos e comecei
a pensar em peças de moto. Deslizou sua mão por minha
longitude em um vai e vem várias vezes, logo se moveu para
cima e me levou à sua boca. Sustentou a base de meu eixo
com uma mão, apertando suavemente e de maneira
constante, e cravou minhas bolas uma com a outra,
passando seu polegar uma e outra vez através da carne
sensível. Quando a senti tomando mais de mim, e logo ainda
mais, e logo tudo de mim, em sua boca, tive que olhar. Cristo!
Deslizou-me fora quase até a ponta e me olhou, ainda comigo
em sua boca. Quando me viu olhando, sorriu e formou
redemoinhos, sua língua ao redor de minha ponta. Gemi e
flexionei os quadris para cima. Retirou-se de mim por
completo. Porra! E pouco a pouco passou as duas mãos por
minha longitude, apertando só um pouco enquanto o fazia.
Então me pôs em sua boca de novo e me chupou até que
chegou à parte debaixo. Quando teve tudo de mim em sua
boca, em sua garganta, ela gemeu. Merda. Merda. Jesus.
Fudeu.

Levantei minhas mãos e agarrei seus braços.

— Dakota! Neném, para. Por favor, para. Merda. Por


favor. —Ela me soltou e levantou a vista, preocupada, suas
bochechas avermelhando.

— Fiz algo errado?

— Não! Está gostoso para caralho. Mas quero terminar


dentro de você, e não vou ser capaz se não parar agora
mesmo.
Sorriu e se moveu para cima. Levantou-se sobre seus
joelhos e me tomou em sua mão. Estremeci.

Sentou escarranchada sobre mim de novo. Sustentou-


me enquanto se deslizava centímetro a centímetro para baixo
em mim. Agarrei seus quadris e a sujeitei abaixo.

— Só... só vamos ficar quietos um minuto, de acordo?


—colocou seu peito sobre mim e me beijou no pescoço.
Mordiscou minha orelha e gemeu.

— Fico tão quente sabendo que está tão perto de gozar.


— Ela flexionou seus quadris. Contive o fôlego e comecei a
enumerar os fabricantes de motos em ordem alfabética em
minha cabeça.

Quando ela se empurrou para cima, liberei seus


quadris e tomei seus seios perfeitos um em cada mão,
esfregando seus mamilos duros com meus polegares.
Belisquei, jogou a cabeça para trás e gemeu. Seus quadris se
flexionaram novamente. Cada músculo de meu corpo esticou
com o esforço para me conter. Tive uma ideia.

— Não se mova ainda. — Olhou e assentiu, com a boca


aberta. Movi uma mão por entre as coxas e encontrei seu
clitóris molhado beliscando seu mamilo com uma mão, e
massageando seu clitóris com a outra, disse — Está bem, se
mova da forma que desejar.

Não fez a princípio. Simplesmente fechou os olhos,


fazendo soar pequenos gemidos. Senti a contração de seus
músculos internos ao redor de mim. Então ela agarrou seu
outro seio com sua própria mão e retorceu seu mamilo. Tive
que fechar os olhos por um segundo, isso era incrivelmente
quente.

Sua respiração começou a vir em rajadas duras.


Belisquei um pouco mais forte e esfreguei um pouco mais
rápido, e começou a se mover sobre mim, rodando, dando
voltas e flexionando os quadris. Podia sentir meu orgasmo se
aproximando de novo, não tinha estado distante. Mantive
meus próprios quadris quietos e deixei que se movesse até
que ela abriu os olhos e se inclinou sobre mim, suas mãos
agarrando meu peito. Agarrei seus quadris. Ela estava
cravando com força e rápido em mim, com os olhos fixos nos
meus, e não pude aguentar mais. Sujeitei-a com força
enquanto me empurrei para cima dentro dela. Gozamos com
um rugido e um grito, e Dakota se derrubou sobre meu peito.
Ainda podia sentir seus espasmos ao redor de mim, cada vez
que o fazia, meu pau se sacudia em seu interior. Queria esse
mesmo momento marcado em minha mente para sempre,
depois o para sempre terminaria e a antecipação me comeria
vivo e também consumiria a ela. Ela era meu desejo e meu
sonho.

Fez um ruído, uma espécie de ronronar e me beijou no


peito. Envolvi meus braços ao redor dela, e ficamos
simplesmente quietos. Depois de um tempo, Dakota levantou
a cabeça e me beijou docemente na bochecha e rodou
separando-se de mim. Bocejou e sentou, parecendo confusa.
Deu a volta a meu lado e a atraí de novo para mim. Com suas
costas contra minha frente, aninhamos como conchinha.
Beijei seu ombro e sua têmpora, acomodei meu braço ao
redor de sua cintura. Ela entrelaçou os dedos com os meus.

Encontrei-me contando os cabelos pálidos na parte de


trás de seu pescoço, e acariciando-a até a parte debaixo de
sua coluna. Podia sentir meu coração pulsando com força
contra ela. Havia tanta serenidade nela, tal confiança que me
acalmou muito facilmente. Senti-me melhor. Para mim, ela
era melhor. Adormecemos juntos sem dizer uma palavra a
mais.

Despertei com um sobressalto, plenamente consciente


que estava na cama de Dakota. Também entendi
imediatamente que estava sozinho. Por um segundo, estava
preocupado que tivesse estado sonhando. Levantei a cabeça
justo quando meu telefone soou. Tinha a vaga sensação do
que tinha estado ocorrendo já há algum tempo e isso era o
que tinha me despertado. Arrastei-me fora da cama, estava
esgotado da noite anterior, e encontrei minha calça jeans em
um monte no chão ao final da cama. Tirei meu telefone do
bolso e o olhei. Dixon. Merda. Enquanto abria a tampa de
meu telefone, percebi que podia ouvir e cheirar o café da
manhã delicioso sendo preparado na cozinha. Sorri e
respondi ao telefone.

— Sim, irmão?

— Jake. Onde está, irmão? Está bem?


Separei o telefone de meu ouvido para olhar a hora.
Merda. Mais de nove. Nunca dormia até tarde.

— Estou bem. Uh, há algum problema? — Houve uma


breve pausa.

— Não, cara! Simplesmente me surpreendeu que não


estivesse aqui. Certeza que tudo está bem?

— Sim, Dixon. Estou bem. Estarei ai em uma hora


mais ou menos. Que sejam duas.

— Está bem. – Percebi que Dixon estava curioso, no


mínimo. — Não se esqueça do Lock hoje.

— Certo. Irei logo, irmão. Não se preocupe. — Desliguei.


Cheirei o café fresco enquanto colocava meus jeans. Saí do
quarto deixando-os desabotoados, meu cinto frouxo, e me
dirigi à porta. Dakota estava de pé na cozinha fazendo ovos
mexidos. Seu cabelo comprido estava preso pra cima, e vestia
uma pequena camiseta branca e um par de calças de pijama
descendo em seus quadris. A parte de cima e de baixo não
eram um conjunto, e estava paralisado pelo par de
centímetros expostos de seu plano estômago e curvado
quadril. Olhou-me, jogou-me uma olhada, sustentando o
olhar em meus botões desabotoados, o que era justo, pensei,
e sorri.

— Ouça, meu conselho seriamente que não olhe. É a


única maneira em que vai sobreviver hoje, Bela. — Ela rodou
os olhos enquanto sorria.
— Acredito que é você quem tem que tomar esse
conselho. Meu cabelo de recém—acordada é como estivesse
rogando por mim. —Seu humor era tão condenadamente sexy.
— Há café na cafeteira atrás de mim. Não sei como você gosta
dos ovos, mas pensei que mexido era algo seguro. Vou
preparar as torradas.

— Claro. Soa muito bem. Mas tenho que atender


primeiro as minha necessidades. — Ela assentiu com a
cabeça.

— Começarei a preparar o café. Como você gosta?

— Preto. Obrigado. — depois de terminar meu assunto


no banheiro, fechei minha calca e subi o zíper. Arrumei meu
cinto quando saí. Percebi, enquanto estava dando uma
mijada, que havia algo importante que tínhamos esquecido
ontem à noite, e que precisávamos conversar. Mas quando saí,
Dakota estava sentada na ilha com seu café da manhã, no
lugar a seu lado pôs uma caneca de café fumegante e um
prato de ovos mexidos e pão torrado. Havia geleia, mel e uma
jarra de suco. A vista caseira fez que meu coração doesse. A
conversa poderia esperar uns minutos. Aproximei e lhe beijei
a testa, com a mão na parte posterior de sua cabeça. Logo
sentei ao seu lado e comecei a comer. Olhei para cima
enquanto levava os ovos à boca e a vi me observando.
Sentindo-me um pouco consciente de mim mesmo, terminei
de mastigar e engoli.

— O que?
Ela começou a rir.

— Sinto muito. Estava dando uma olhada em você. É


um bastardo arrogante seriamente quente, sabe.

— Sorri e tomei um gole de café. Estava quente, forte e


excelente.

— Oh, não sei, carinho! Mmm... o café está perfeito.

Terminei meu café da manhã, clareei a garganta,


empurrei meu prato alguns centímetros e voltei para olhá-la.

— Dakota temos que falar sobre algo. Sobre ontem à


noite.

— Seu sorriso era... Enigmático.

— Se for o que acredito que é, o cavalo já está fora, mas


não há necessidade de se preocupar. Ou acredito que só
posso dizer com certeza que não há necessidade de que se
preocupe. Não posso ficar grávida. E não tenho nenhuma
doença. Diria que estou "limpa", mas dizer dessa maneira me
incomoda. Assim a menos que me diga que tem alguma
doença terrível, estamos bem.

— Não, estou... — Quase digo a palavra "limpo". Mas


estava longe de ser limpo, saudável. — Deveria ter sido
estranho que ambos só confiássemos um no outro a respeito
disto, mas não foi assim. Queria fazer a pergunta óbvia, mas
duvidei por um curto tempo antes de perguntar. — Posso
perguntar por que não pode ficar grávida?

Encolheu os ombros.
— Estar grávida de Joshua foi difícil, tive problemas,
teria havido mais problemas se fizesse de novo. Assim liguei
minhas trompas depois de seu nascimento. – O olhei
seriamente. — Isso é um problema?

Uma coisa que sabia com certeza era que não queria
mais filhos. Nunca.

— Não é um problema absolutamente. Apenas queria


saber. Levantou-se, recolheu os pratos, colocou na pia, logo
deu a volta e se apoiou no balcão.

— Realmente odeio pôr fim à felicidade doméstica que


estamos tendo esta manhã, mas tenho que dar aula ao meio
dia, assim tenho que estar em meu carro e na estrada perto
das onze. — Tomei o resto de meu café, que realmente era o
melhor que tinha tomado, e me levantei.

— Está bem. Preciso chegar à oficina de qualquer modo.


Vamos lá sexy. — Levei minha xícara à pia e parei em frente a
ela, envolvendo minhas mãos ao redor de seus quadris.
Puxei-a contra mim e olhei para baixo em seu bonito e
ardente rosto. Ela pôs seus braços ao redor de meu pescoço.

— Provavelmente deveríamos tomar banho primeiro...—


Agachei e rocei meus lábios contra os seus.

— Sim, provavelmente deveríamos fazer. Você


definitivamente deve fazê-lo, garota suja. — Senti sua mão
pressionar contra a parte de trás de minha cabeça, e deslizei
minha língua em sua boca. Não podia manter minhas mãos e
minha língua fora dela. Depois de uns segundos, ela se
separou o suficiente para falar. – Mmmm... a ducha é por
esse caminho. — Mordi seu lábio inferior antes de levantar a
cabeça.

— Mostre-me o caminho, suja. — Mas não me deixou ir


imediatamente. Tinha um pequeno sorriso torcido em seu
rosto.

— O que é? — perguntei-lhe.

— Como você gosta de seus ovos, Jake? — começou a


rir.

— À inglesa. Eu gosto de meus ovos à inglesa.

Ela soltou uma risada.

— O que? —perguntei-lhe de novo.

— Você gosta do café preto e seus ovos à inglesa.


Amargo e cru. Parece uma metáfora. — Agarrou meu pescoço
e deu em meu queixo uma pequena sacudida. Não era a
primeira vez que tinha feito isso. Era um gesto de íntima
doçura e eu adorei. Sorri e lhe dei um tapa na bunda.

— Vamos, Dra. Professora. Seja o que for, vamos tomar


banho. — A ducha na verdade foi profunda, por isso eram
perto de 11h00 da manhã quando finalmente nos
estacionamos no estacionamento do AutoFire. Estacionei, e
desci da minha moto. Dakota me entregou seu capacete.
Agachei e lhe dei um beijo na bochecha suave como a seda,
tomando sua mão.
— Suas chaves estão no escritório. — Olhei para a sede
do clube e vi o Lenny e o Mickey sentados em cima de uma
das mesas de picnic perto da porta. Estavam observando com
interesse. Merda. Nunca me importou se os outros meninos
olhassem as garotas com que tinha estado desde Tina, mas
Dakota era diferente. Importava-me. Importava-me muito. E
sabia exatamente o que estavam admirando, boquiabertos.

Dakota usava botas de couro negro de salto baixo, uma


calça negra ajustada que estava pensando que era sua
favorita, apertada, de cós baixo. Um maldito bom ajuste.
Usava o cabelo solto. Estava sem me surpreender, incrível.
Por sorte, levava uma jaqueta negra e tinha uma bolsa de
mensageiro grande pendurada através dela, porque sua blusa
p era uma coisa trançada, de cor vermelha Borgonha, que
envolvia de algum jeito o seu redor, fazendo um profundo V
no pescoço. Pessoalmente me pareceu que era muito aberto
para estar ensinando com isso. Não é que houvesse dito nada
a ela e não é que não desfrutasse da vista por mim mesmo.
Mas, os meninos estariam desfrutando muito.

Decidi ignorar. Levei-a ao escritório, mantendo meus


olhos diretamente à frente. Aproximei da parede atrás da
mesa e agarrei as chaves no porta chaves. Quando dei a volta,
Dakota tinha sua carteira fora.

— Que demônios está fazendo? — perguntei surpreso.

— O que quer dizer?


— Sei que pareço com um prostituto de alta classe com
estas olhadas que me deu, mas ontem à noite foi grátis,
neném. —Ela rodou os olhos, de novo. Tinha a sensação que
estaria fazendo isso muito comigo.

— Sabichão. Vou pagar pelo conserto. — Por alguma


razão, feriu meus sentimentos.

— Uma merda que vai. — Ela só me olhou, podia vê-la


tratando com isso em sua mente brilhante.

— Mas fez uma Nota Fiscal. Não arruinará os livros


contábeis se eu não pagar?

— Deixa que eu me preocupo com isso, Dakota. Por


favor. O trabalho era meu. As peças não eram nada do outro
mundo. Essa corrente da distribuição fraca foi o melhor que
me aconteceu em muito tempo. Talvez em toda minha vida.
Não quero que pague por isso.

Guardou sua carteira e fechou a distância entre nós.


Deslizou seus braços ao redor de minha cintura.

— Está bem. Sinto muito. Não estou acostumada a


isto... E obrigada. — Tomei seu rosto entre minhas mãos e a
beijei.

Seu rosto estava um pouco ruborizado quando ela


voltou para trás.

— Maldito seja. Realmente preciso ir. — me senti


estranhamente preocupado com sua partida. Não queria
deixá-la ir. O que queria era ficar na cama, com ela, todos os
dias. Entreguei as chaves.

— Levarei você até seu carro. — Quando entramos de


novo no estacionamento, percebi algo pelo canto do olho e me
voltei para a sede do clube. Ali, alinhados como se estivessem
esperando por um desfile, estavam todos os Fire Birds. Todos
tinham sorrisos de idiotas, e estavam observando enquanto
eu levava Dakota ao estacionamento. Só o chefe, Weston,
estava ausente.

Temos plateia — disse. Ela jogou uma olhada, começou


a rir, e deu a todos uma pequena saudação. Com alguns
gritos e um "Inferno sim!” ficaram em posição e lhe
devolveram o gesto.

O lado do condutor de seu carro estava em frente à


sede do clube. Enquanto me esticava para alcançar a
maçaneta da porta, Dakota me agarrou a mão, sorriu com
malicia, e me perguntou — Quer dar um pequeno espetáculo?
— começando a rir. Sim. Sim, eu queria. Empurrei para trás
contra o lado de seu carro, deslizei minha perna entre as
suas, apoiei minhas mãos no teto, e me inclinei para ela. Dei
um beijo com força e profundo, e ela me devolveu isso de
maneira generosa, envolvendo seus braços ao redor de minha
cintura e serpenteando sua perna ao redor da minha.
Agarrou minha bunda com as duas mãos e me apertou
contra ela. Assim simples, já não estávamos simulando um
espetáculo. Estávamos isolados do mundo exterior. Movi para
acariciar seu pescoço. As vibrações de seus gemidos me
faziam cócegas na língua. Empurrou seus quadris contra
mim, e me empurrei para trás. Chega. Isto tinha que parar,
ou ia tomar ela agora, contra seu carro, justo em frente de
toda a maldita gangue. Joguei-me para trás para olhá-la.
Parecia aturdida e completamente fodível.

— Neném. Não tem que ir?

Ela sacudiu sua cabeça um pouco e se reorientou.

— Certo. — Respirou profundamente, dirigiu-me um


olhar estranho e me perguntou timidamente. — Vou vê-lo
novamente logo? – Logo, oh, sim. Quanto antes, melhor.

— Demônios, sim. Mas parece que provavelmente vou


ter algo para fazer esta noite, mas eu gostaria de ver você
depois. Poderia passar? Pode ser que seja muito tarde,
entretanto. Ela sorriu e ficou nas pontas dos pés para gemer
em meu ouvido — Deixarei a luz acesa para você. Venha a
qualquer momento. Acorde-me se for preciso.

Puxei-a contra mim e murmurei:

— Mmm... Eu pretendo. Tenha um grande dia, neném.


— Abri a porta para ela e sentou. Arrancou o motor e
acelerou um pouco, para que os meninos se dessem conta,
saudou-me com a mão, e se foi.

Parei no estacionamento e a observei até que se perdeu


de vista. Então dei a volta para olhar os meninos, que tinham
começado a aplaudir e assobiar como idiotas, logo que ela se
afastou. Entrei na briga.
— Muito bem, idiotas. Tirem de seu sistema. Única
oportunidade.

— Amigo! Bem feito!

— Maldito seja, Jake. Aí é onde estava? Por que está de


volta?

— Essas pernas percorrem todo o caminho para cima,


irmão.

— Sabe que está muito fora de sua liga, não?

Senti-me bem e tomei a brincadeira com bom humor.


Um dos empregados, gritou:

— Esse deve ter sido um inferno de aula, estou certo,


Jake? — Todo mundo ficou em silêncio. Dei a volta e o
coloquei no chão com um murro justo em seu rosto.

— Cuida de sua maldita boca suja, Lackey — cuspi.


Voltei e me dirigi à sede do clube. O resto da gangue me
seguiu, ignorando o idiota que estava no chão cuspindo
sangue.
Capítulo 6

Dakota
Foi um esforço constante me concentrar em minhas
aulas nesse dia. Eu adoro meu trabalho, em sua maior parte.
Adoro meus alunos, à maioria deles, mas o único lugar aonde
queria estar nesse momento era em qualquer lugar onde Jake
estivesse. Logo que coloquei alguma distância física dele, todo
nosso tempo juntos começou a desvanecer em minha cabeça.
Tinha me sentido em sintonia com ele enquanto esteve
comigo. Mas agora, preocupava-me que tivesse inventado
essa conexão. Tinha acabado de fazer um papel de ridícula
monumental? Minha súbita excitação tinha me levado a ver
mais entre nós do que realmente estava ali? Senti-me exposta
ao ar brutal, sentia-me fora de controle. Tinha construído
uma vida e um modo de pensar para mim mesma em que me
sentir exposta e fora de controle era quase impossível.
Ninguém tinha tido nenhum poder verdadeiro para afetar
meu sentido de felicidade desde que Jon morreu. Já tinha
tido o suficiente de agitação e trauma. Além disso, tinha
trabalhado arduamente para aprender a deixar que a vida
fosse o que fosse sem ficar louca por nada disso. Como
permiti que isto acontecesse? Nunca ficava ansiosa. Já não.
Queria que ontem não tivesse acontecido. Mais que isso,
entretanto, queria voltar para Jake e fazer que acontecesse de
novo. Nem sequer me reconhecia. Quando me concentrei em
recordar com claridade os detalhes da noite e da manhã, o
que ele disse e o que fizemos, como foi, senti-me mais
tranquila. A menos que tivesse alucinado completamente todo
o tempo, e logo teria problemas maiores para estar
preocupada, o que realmente recordava a respeito de nosso
tempo juntos era bom, mágico. Ele tinha sido claramente tão
afetado comigo assim como eu com ele. Ele não era o malvado
mago do sexo.

Nem sequer era um guerreiro. Era um dragão mágico.

E, oh Deus! O sexo! Sempre tinha sido entusiasta e


aventureira na cama, mas inclusive com Jon não tinha tido a
intensidade cega que tinha experimentado com Jake.

Com qualquer outra pessoa, inclusive com Jon, tinha


tido sexo romântico sedoso ou sexo obsceno escandaloso.
Com Jake era tudo isso às vezes, e muito mais. Tínhamos
estado completamente expostos um com o outro.

Está bem. Senti-me melhor quando repassei tudo de


novo, de fato senti-me realmente muito bem, muito bem para
estar sentada em uma reunião de professores, isso é seguro.
Quando tinha que ensinar, entretanto, e de forma ativa
pensar em outra coisa, então Jake retrocederia para a
fantasia, e o pânico se levantava. Precisava atravessar o dia e
voltar para ele. Estava decepcionada comigo mesma por toda
esta revoada mental. Não era como eu, era uma fraca imbecil,
era o que era. A ideia de me sentar e esperar por um homem
me deixava furiosa e doente, absolutamente não me
permitiria deixar levar por tal comportamento idiota. Então,
depois de que minha última aula terminou essa noite, em
lugar de correr para casa e esperar na porta por ele, decidi
ver se Scott estava ao redor. Algumas horas com ele sempre
me deixam melhor.

Voltei para Shadow Beach, estacionando na Rua


Canary, tirei minha bolsa do porta-malas e me dirigi ao
interior. Enquanto me dirigia ao vestiário, vi o Scott no chão
trabalhando nos pesos com um homem corpulento que não
tinha visto antes, saudei-o e fui para cima.

— Como está, Dakota?

— Bem, Scott. Talvez queira treinar esta noite?

— Hum, claro. David aqui é meu último cliente, assim...


Que tal em uma hora?

— Muito bem. Farei um circuito primeiro. Obrigada –


disse, e logo me dirigi ao vestiário.

Passei todo o circuito pensando em Jake. Quando tinha


passado uma hora, Scott me fez um gesto para o ringue,
estava bem e aquecida, e havia resolvido a maior parte de
minha ansiedade e ódio para comigo mesma, toda a terapia
que precisava. Passar os seguintes três quartos de hora mais
ou menos fazendo Krav Maga e dando a Scott uma surra
amistosa era apenas recreação. Depois, tomei banho e dirigi
para casa, sentindo-me forte, fresca e agradavelmente
cansada.
Eram quase 22h00 quando cheguei a casa. Tina
certeza do que Jake tinha querido dizer com "mais tarde",
mas tinha uma ideia de que se referia a algo mais tarde que a
hora de dormir de um aposentado. Limpei a cozinha, não
tinha tido que lavar tantos pratos em anos, e troquei os
lençóis de minha cama. Meu quarto cheirava a sexo, e
embora primeiro passasse vários minutos só desfrutando das
lembranças que senti, a cama estava seriamente destroçada e,
definitivamente, um pouco asquerosa. Assim coloquei lençóis
limpos e em geral arrumei o quarto. Logo vesti um colete
limpo e calças de pijama e fui à cozinha para me servir uma
taça de vinho. Não tinha trabalho esta noite.

Acendi a luz da varanda da frente e um abajur perto do


sofá da sala, e logo me enrolei com meu vinho e uma dos
livros que estava lendo por prazer. Justo depois de 2h00 da
manhã, escutei um estrondo que fez meu pulso acelerar. Sua
moto entrou no caminho de entrada da minha casa, tinha
tomado algumas taças de vinho e tinha estado dormindo
comodamente contra o lado do sofá. Levantei-me, estirei, e
saí à varanda ao mesmo tempo em que ele vinha por meu
caminho. Vinha vestido como sempre, com calça jeans e sua
sexy jaqueta de couro, mas esta noite trazia um gorro negro
sobre seu cabelo. Vi no brilho da luz da varanda que levava
grandes anéis em ambas as mãos. Isso, também, era novo,
para mim, de todos os modos. Parecia sério, exausto e muito
perturbado a princípio, mas quando me viu, sorriu.
— Olá neném. — por que não me incomodava que me
chamasse de "neném"? Tinha muitos argumentos nos últimos
anos a respeito da subjugação patriarcal e infantil das
mulheres implicadas por tais apelidos ternos. Sempre tinha
sido uma palavra de briga para mim. Mas quando Jake me
chamava de "neném" meu estômago subia e descia, apreciava
isso.

Subiu até a varanda e me tomou em seus braços, ao


estar perto dele agora, pude ver que seu olho esquerdo estava
começando a ficar arroxeado e tinha vários cortes em toda a
ponte de seu nariz e de suas bochechas. Devia ter estado
apanhando em uma briga. Ele se inclinou e me sustentou,
com sua testa em meu ombro, cheirava a gasolina, fumaça e
à pólvora.

Está bem, estava certo a respeito de que não era do


tipo de festas de chá com ursinhos, dobrei meus braços ao
redor de seu pescoço e cravei meu rosto contra sua bochecha.

— Jake. Está tudo bem?

Ele me respondeu sem levantar a cabeça.

— Estou agora.

— Passei todo o dia com a esperança de não ter ficado


louca e ter imaginado um motoqueiro, assim estou muito
contente de que esteja aqui. — Ele riu e me apertou com mais
força.
— Entra, farei uma bebida, quer algo para comer?
Posso pedir pizza.

— Não, não tenho fome, uma bebida seria incrível,


entretanto. — Ele acariciou meu pescoço e respirou fundo. —
Deus, eu adoro a forma que cheira.

Meu estômago saltou e baixou de novo, girei minha


cabeça e o beijei na bochecha.

— Vamos entrar. – Peguei sua mão e o levei pela porta


e para o sofá, sabia que algo estava terrivelmente mal.
Apenas sabia. Ele ficou ali, sem se mover, assim o empurrei
suavemente para que se sentasse. Ele gemeu, não podia vê-lo,
mas era óbvio que estava machucado por toda parte.

— O que quer? Cerveja, vinho, uísque? Tequila?

— Uísque seria genial, Puro. — Ele apoiou sua cabeça


no sofá e fechou os olhos, parecia perdido, queria lavar toda
sua dor. Servi a ambos três dedos de uísque e voltei para a
sala. Sentei ao seu lado, com uma perna dobrada embaixo, e
lhe entreguei o copo quando levantou o olhar. Olhou—o
durante um longo momento, logo o bebeu de um gole e
deixou o copo sobre a mesa baixa na frente dele. Ele estava
carregando uma pesada sensação: preocupação, irritação ou
medo. Não podia lê-lo, mas estava definitivamente quebrado e
distraído. Não me havia dito muito a respeito das gangues,
mas sabia o suficiente para saber que o que tinha passado
esta noite provavelmente tinha sido intenso e obscuro. Não
sabia o que perguntar nem de como atuar. Assim, como era
meu costume, segui meu instinto. Terminei minha bebida e
baixei meu copo. Importava-me o que tinha passado esta
noite e queria saber, mas sabia depois de ter perdido Joshua,
que falar com todo mundo era a última coisa que queria.

— Jake. Não sei se quer que falemos do que aconteceu


esta noite, ou se pode me dizer. Não espero que sinta que
pode me dizer tudo. Não quero que pense que tem que me
dizer algo. Não quero que sinta como se tivesse que mentir ou
se evadir.

— Assim não farei a você nenhuma pergunta, ao menos


não ainda, não esta noite. Espero que chegue um momento
em que queira me dizer e o que ajudaria a você enfrentar as
coisas com as quais têm que lutar. Poderá chegar um
momento em que precise de algumas respostas. Mas neste
momento, apenas quero que sinta um pouco de paz aqui...
Comigo.

Ele estava completamente imóvel, seus olhos estavam


fixos sobre os meus. A princípio tinham o aspecto de um
cachorrinho perdido, mas rapidamente se converteram na
expressão de um leão sobre sua presa. Imediatamente senti
calafrios, ele deslizou uma mão sob meu cabelo e ao redor da
parte de trás do meu pescoço e me puxou bruscamente para
ele para um beijo profundo e desesperado. Depois de um
minuto ou dois, movi-me para me pôr escarranchada sobre
ele, mas ele me conteve.
— Eu... Eu... Estaria tudo bem em tomar um banho?
— Soou como um pedido, não como um convite, e isso estava
bem.

— É obvio. Vamos, deixarei você utilizar minha toalha


mais macia.

Puxei-o e o conduzi pelo corredor. Acomodei-o no


banheiro e o deixei sozinho, fui apagar a luz da varanda e
recolher os copos vazios da sala de estar. Em meu caminho à
cozinha, vi que tinha deixado à porta do banheiro aberta.
Levei os copos na pia e voltei para olhar ele se despir. Senti
um pouco de tensão na parte baixa enquanto ele tirava seu
gorro e seu cabelo alvoroçado se soltava, entrando na ducha.
Durante vários minutos, ficou sob o jato de água quente, de
costas para mim, suas mãos contra a parede e a cabeça
encurvada. Tinha várias contusões nas costas.

Nessa posição, com os músculos de suas costas e


ombros juntos e as pernas abertas, estava especialmente
grande e potente e parecia encher minha ducha extra grande.

Fiquei maravilhada com sua tatuagem que cobria


totalmente suas costas e era exatamente uma réplica do
emblema em sua jaqueta. Ele estava, literalmente, marcado
por toda vida. Estava realmente assinando por uma vida
aonde meu homem chegaria a casa com aroma de fogo e
pólvora? Sim, estava. Tinha feito. Simplesmente não podia me
manter afastada dele. Aproximei da porta do banheiro e me
apoiei no batente.
— Oi, quer companhia? — Ele não se moveu durante
um minuto. Finalmente, olhou por cima de seu ombro, e logo
se voltou para mim e se apoiou contra a parede. Sua
expressão era plana, e notei que seu pênis estava duro.
Soube imediatamente o que precisava. Tirei o pijama e dei
um passo para dentro. Ele me levou com ele sob a ducha.
Quando inclinei minha cabeça para trás para deixar que meu
cabelo molhasse, ele pressionou seu rosto sem barbear
contra meu pescoço e me mordeu não o suficiente para
romper minha pele, mas não suavemente, tampouco.
Estremeci e dei um grito afogado, mas em lugar de moderar,
ele chupou com força no mesmo lugar. Parou então, e
agarrou meu rosto entre suas mãos cheias de anéis. Com
uma ferocidade que me assustou e me emocionou em igual
medida, empurrou sua boca contra a minha e me obrigou a
tomar sua língua. Empurrou-me com força contra a parede
da ducha e se pressionou contra mim.

Com o joelho, separou minhas pernas com um golpe.


Empurrou seu pênis entre minhas pernas, deslizando-o
contra meu núcleo. Ainda estava me beijando, sua boca era
exigente.

Tinha certeza de que poderia me liberar se quisesse ou


o necessitasse, assim estava mais preocupada do por que
estava sendo tão difícil. Não o conhecia o suficiente para
saber do que se tratava. Estava em guarda, também estava
completamente excitada. Todo o assunto estava fodido.
Recordei a mim mesma de ir ao hospital a semana seguinte
para um exame mental. Empurrei contra seu rosto até que
consegui que tirasse sua boca da minha e me deixasse
respirar.

— Jake! — Ele ficou imóvel e me olhou, ofegando com


força.

Em seus olhos, vi paixão, dor e desespero, e algo assim


como arrependimento também, e de repente compreendi o
que estava acontecendo, o que realmente precisava. Tirei o
cabelo molhado dos olhos e o estudei. A queda da água sobre
seu quente, bronzeada, estava fazendo que cada célula dentro
de mim ficasse em erupção com luxúria.

Coloquei minhas mãos sobre seus largos ombros e o


devorei empurrando a mim mesma para cima, envolvendo
minhas pernas ao redor de sua cintura. Ele agarrou minha
bunda para me sustentar. Inclinei-me para baixo e o beijei.

— Me possua Jake. Sou sua. – Então mordi com força


o seu lábio inferior.

Ele grunhiu e moveu uma mão ao redor para se


posicionar. Meteu com força e rápido, encostando-se à parede.
Gritei. Ele apertou seu rosto contra o oco de meu ombro e
golpeou em mim até que gozei, gritando. Sustentou-me
contra a parede, sua respiração era forte e áspera, com o
rosto ainda pressionado em meu pescoço e seu pênis duro
dentro de mim enquanto me estremecia. De repente se retirou
de mim, me atirou ao chão e me fez girar. Empurrou meus
ombros para baixo até que estava quase dobrada e tive que
me equilibrar com minhas mãos contra a parede. Agarrou
minhas nádegas com ambas as mãos e me tomou por trás,
golpeando contra mim, com as mãos envoltas ao redor de
meus quadris e com seus dedos me agarrando com força.
Gemi. Doeu. Era muito grande para ser tão rude, ia ter que
detê-lo. Era muito... e logo não era muito absolutamente.
Então foi incrível. Comecei a igualar suas investidas com as
minhas. Dessa vez quando gozei, ele se uniu a mim com um
rugido terroso. Enquanto ainda estávamos conectados,
envolveu seus braços ao redor de mim e me devorou até me
pôr na vertical. Recostei-me contra ele, com a cabeça apoiada
em seu peito. Ele beijou minha cabeça com paixão. Ficamos
nessa posição, com a corrente quente da ducha golpeando as
costas de Jake e orvalhando ao seu redor, até que nossa
respiração voltasse ao normal. Seu corpo nunca deixava de
me surpreender, senti uma pontada quando se retirou de
mim, e uivei em exalação. Ele ficou paralisado.

— Jesus, Dakota. Está machucada? Oh, Jesus, sinto


muito. Sinto muito.

— Estou bem, Jake. Está tudo bem. Eu adorei. Talvez


tenha percebido. — Voltei-me e uni minhas mãos ao redor de
seu pescoço. — Não estou dizendo que sempre vou estar
pronta para isto, mas eu gosto de sexo selvagem também,
igual a você o acolho com satisfação. Não fez nada com o que
eu não estivesse de acordo. Senão, não teria permitido isso.

Não parecia menos culpado, mas assentiu e me beijou


suavemente.
— Não mereço você. — Ficamos assim durante uns
minutos até que começou a me levar para fora da ducha.

— Eu gostaria de tomar um segundo aqui e realmente


utilizar um pouco de sabão antes que saiamos, entretanto. —
Tomei o sabão.

— Quer que deixe você sozinha? — perguntou.

Absolutamente não.

— Absolutamente não. – Ensaboei as mãos e ensaboei


seu peito. Estava vivendo tantas fantasias com ele. Uma, e
outra vez.

Nós lavamos um ao outro com ternura pura, Jake foi


especialmente suave e atento. Quando terminamos e nos
secamos, o levei ao meu quarto, deixando nossa roupa onde
se encontrava no piso do banheiro.

Coloquei-o na cama e deslizei ao seu lado,


aconcheguei-me sob os lençóis na cálida curva de seu corpo,
ele deslizou um forte braço sob minha cabeça e me
aproximou com a outra.

— Acredito que vou me apaixonar profundamente e


rápido por você, Dakota — sussurrou.

Conhecíamo—nos há menos de três dias. Era uma


loucura rápida, mas acreditava que era verdade. Acreditava,
porque era verdade para mim também. Fechei os olhos e
pensei no Jon e no Joshua, e o espaço vazio na parte
superior de minhas costas. Entrelacei meus dedos com os
dele e lhe beijei a mão.

— Eu também. — Por uma segunda noite, nós


dormindo juntos, nossos corpos entrelaçados.

Tirei um par de caixas do meu porta-malas, empilhei-


as, e me dirigi para a sede do clube. Dava-me conta de que a
linha habitual de motos estacionadas era bastante escassa
esta manhã. Encontrei os meninos rondando no bar.

— Olá, preciosa — disse Fry, que me viu primeiro e


sorriu amplamente.

Os três meses que Jake e eu tínhamos sido um casal


tinham sido intensos, fantásticos e davam medo. Tínhamos
tido alguns inconvenientes, mas nosso vínculo, e a conexão
que havíamos sentido antes, apenas tinham se aprofundado.

E através de Jake tinha conhecido gente que realmente


eu gostava: os Fire Birds.

Mickey e Danny saltaram de seus bancos


imediatamente. Mickey, que sempre estava um pouco nervoso
ao meu redor, olhou para baixo e disse:

— Olá, senhorita. — Era claramente óbvio para


qualquer um que tinha um par de admiradores nos Fire Birds.
Para grande consternação de Jake.

— Olá, meninos. Poderia conseguir alguma ajuda para


tirar as coisas de meu carro? Obrigada. — Mickey e Danny
saíram comigo para descarregar o carro. Enquanto levava
minha última carga ao interior, Fry chegou ao redor da barra
e tomou as caixas de mim.

— Então, o que é tudo isto?

— Só decorações e coisas que a Tiffany me pediu que


trouxesse para a festa de Natal desta noite. Também talvez
algumas surpresas para todos meus bons pequenos meninos
maus. — pisquei um olho, e Fry me lançou um beijo.

Os meninos chegaram com o resto das caixas e


pararam no meio da sala. Fry assentiu para a barra.

— Vamos empilhar ali até que as senhoritas estejam


prontas para decorar.

— Obrigada, Fry. É meu herói. Especialmente por ter


cuidado do presente de Jake. Muito ardiloso. É como um
motoqueiro ninja.

Riu e disse com acento japonês:

— Muito obrigado.

— Ouça, falando do Jake, percebi que ele e o resto dos


meninos estão fora. Espera que voltem logo?

— Em um par de horas, talvez. Passará o momento


conosco e esperará? Dar um ar de classe ao conjunto?

— Nada poderia aumentar a classe deste conjunto, Fry.


No que classe consente este conjunto é uma causa totalmente
perdida. Algum dia vamos escrever canções a respeito da
ruína moral e cultural que é este conjunto. E não, tenho que
fazer algumas coisas. Apenas tinha a esperança de conseguir
primeiro um pouco de açúcar. — Fry riu e negou.

— Assegurarei de dizer o que perdeu, então. — Dou—


lhe um beijo na bochecha.

— Isso! Vejo você depois. – Caminhei para o meu carro.

A gangue era um montão de testosterona


sobrecarregada. Áspera, estranha, violenta e casualmente
machista como o inferno, mas eram francos, divertidos e
ferozmente leais. Era quem eram e o que eram, eram puros. E,
apesar de ter tido que me acostumar a ser conhecida como o
“Pau do Jake" e que era chamada com todo o léxico de
palavras carinhosas de gênero como "boneca" e "carinho",
estes homens me tratavam com um cuidado e com um
respeito real que não tinha experimentado com nenhum
outro homem, além de Jon e do meu pai, incluindo todos os
homens que supostamente eram "iluminados" acadêmicos
que conhecia, nenhum dos quais me chamavam "boneca". O
que precisava e queria e o que Jake, e por extensão os Fire
Birds, precisavam e queriam em nossa relação estava às
vezes em desacordo, entretanto. A ideia de que a gangue
sequer tivesse participação no que se tratava em nossa
relação, por exemplo, era algo que me era difícil de aceitar. Ia,
a contra gosto, reconhecer que tinham algum raciocínio
válido para seu interesse. Mas me irritava. Ia ter um pouco de
trabalho para que Jake entendesse que não ia tolerar um cão
guardião. Ou dez. O primeiro par de vezes que não respondi
sua ligaçãi, nem devolvi a ligação, tinha-o enviado uma busca
louca. Isso não funcionaria. Entendia por que estava
preocupado, sentia que tinha falhado em manter Tina segura,
e não queria que algo me acontecesse porque não estava
prestando atenção. Mas tinha que ter minha independência.
Não me reportava a ninguém. Não lhe permitiria me vigiar,
sabia que minha teimosia neste ponto o deixava louco. Era a
única coisa que realmente brigávamos. Arrumamos isso para
resolvê-lo, entretanto, Jake tinha acalmado a respeito de
minha segurança, ou ao menos, tinha conseguido controlar
seu reflexo de preocupação imediata. Fazia todo o possível
para manter meu telefone perto quando podia. Tinha chegado
a amar a alguns dos Fire Birds e pensava neles como uma
família. O Pops, especialmente, Pops tinha sido o líder dos
Fire Birds quando adotou o Jake, seu sobrinho, antes de se
aposentar.

A mãe de Jake, irmã de Pops, foi embora logo que Jake


nasceu deixando apenas uma nota que dizia: "Sinto muito".
Seu pai tinha morrido em um incidente relacionado com
gangues quando Jake só tinha três anos. Eu gostava da
doçura áspera de Pops, recordava meu próprio pai, e ele tinha
começado rapidamente a me tratar como a uma filha.

Weston, o chefe da gangue, era ok, mas havia algo nele


que eu não gostava, e inclusive, não me passava confiança.
Meu instinto me dizia que tomasse cuidado. Jake havia dito
que pensava que era melhor se não dissesse a ninguém que
era dos Heights, especialmente ao Weston. Confiava nele,
assim o escutei. Jake estava vigilante quando se tratava de
Weston e absolutamente não se entretinha respondendo a
qualquer pergunta que dizia respeito a mim, assim procedeu
com a evidência que tinha a minha disposição. Weston estava
bem comigo, assim que eu estava bem com ele. As mulheres
eram uma história de algum jeito diferente. A maioria das
mulheres eram, bom, eram groupies. Os meninos as
chamavam “chupadoras de pau”. Era ofensivo, mas era
também, por desgraça, a verdade. Algumas das mulheres
eram fortes e justas, mas outras realmente eram apenas
groupies, e lamentava de que parecessem ter mais
autoestima que respeito por si mesmas. Havia um pouco de
ciúmes, também, para as mulheres que não eram groupies, a
não ser as namoradas a longo prazo, e especialmente das que
tinham alcançado a cobiçada posição: Birdy.

Quando um Fire Bird se comprometia com uma mulher,


era um assunto sério. Teriam uma cerimônia especial onde a
mulher se converteria na Birdy de seu homem. E uma Birdy
se convertia em um membro permanente da gangue. Por ser
a namorada de Jake, as groupies me deram espaço e respeito,
gostassem ou não. Entendia a dinâmica de poder que
intervinha, mas a atitude ambivalente de inveja e o respeito
da maioria das mulheres me faziam sentir incômoda. Eu
gostava muito mais quando não estavam ao redor. E isso me
fazia sentir um pouco culpada. Além disso, não queria saber
ou pensar nas garotas que tinham estado com Jake nos
últimos anos. Havia algumas coisas de um homem que uma
garota não precisa saber. As dinâmicas de gênero das
gangues eram fascinantes para mim sendo acadêmica. Ainda
me surpreendia às vezes que me colocasse no meio deles.

Pensei que na realidade poderia ter encontrado uma


verdadeira amiga na Birdy de Dixon, Tiffany, que era tão
pouco como as demais “pau de motoqueiro" como eu.
Tínhamos formado um laço muito forte nos últimos meses.
Tiffany tinha tido as mesmas reservas que eu quando
conheceu o Dixon, mas ambas concordamos que era difícil
resistir ao encanto de um atraente motoqueiro. Ainda não
sabia muito o que os Fire Birds faziam longe da sede do clube.

Jake era resistente a me dizer algo que me pudesse


arriscar mais que simplesmente estar com ele já o tinha feito,
e não ia pressionar para me dizer mais do que estava
disposto a me dizer. E, honestamente, estava bem com a não
confirmação das coisas que suspeitava. Quando depois de
uma noite ruim ele tinha explicado o ditado "Viver pelo
Mayhem" que levava na jaqueta, senti como se tivesse um
sentido suficientemente geral a respeito das coisas que
passavam quando o clube estava ganhando. Que tivesse
matado não mudava o que sentia por ele ou a vida que
estávamos fazendo, nem sequer me surpreendia, mas não
sentia a necessidade de cimentar nenhuma imagem em
particular, que pudesse alimentar a ansiedade que já sentia
quando ele estava ausente com os Fire Birds. Assim,
tínhamos nos instalado em um ritmo. Estávamos
completamente em sincronia quando estávamos juntos, mas
nossas vidas separadas eram, bem, separadas. Não
falávamos muito de nada disso. Nenhum dos dois era
faladores por natureza. Não era que não o fizéssemos ou não
pudéssemos nos comunicar. Apenas que tacitamente
tínhamos decidido que havia algumas coisas das quais não
valia a pena falar. Às vezes, ele chegava machucado,
ensanguentado e maltratado. O desesperado, áspero sexo
acontecia de vez em quando, e imaginava que esses
momentos correspondiam a momentos de intenso caos com
os Fire Birds. Atendia da forma que precisava, e me sentia
mais perto dele por isso. Mas Jake era uma alma gentil, e
essas noites eram pouco frequentes. Qualquer rudeza era
pelo geral só inteiramente recreativa, e minha ideia. Muito
frequentemente, entretanto, apenas estávamos um com o
outro, e a vida parecia incomum apenas pela intensidade de
nosso prazer juntos. Minha vida independente não era nada
como a sua, mas Jake ainda não perguntava muito sobre
meu dia no campus ou o que outra coisa fazia quando estava
longe dele, e nunca havia dito nada a respeito da maioria dos
diferentes tipos de treinamento físico que fazia quase todos os
dias. Sabia que me exercitava muito. Sabia que praticava ioga.
Não tinha expressado curiosidade, assim simplesmente não
dizia nada. Tinha certeza de que tinha uma ideia em sua
cabeça a respeito de exercícios de garotas ou do chocalho ou
de algo do estilo. Isso estava bem para mim. A princípio,
pensei muito em dizer e então apenas não pensei mais nisso.
Na realidade, era faixa marrom de Krav Maga e atiradora
perita com pistola, rifle e arco. Tinha sido filha única de um
militar de carreira, de um boina verde. Que foi assassinado
no dever. Que tinha posto uma arma em minha mão antes
que eu pudesse dirigir um veículo de duas rodas. Podia me
cuidar muito, muito bem. Para falar a verdade, eu gostava
que Jake não soubesse.

Não havia razão alguma para mantê-lo em segredo,


exceto, que depois de anos vivendo uma vida completamente
privada, era uma das poucas coisas que ainda era apenas
minha. E, de todos os modos, ele sabia sobre o arco e flecha,
porque uma das surpresas de meu jardim secreto era um
pequeno campo de arqueria. Ele ficou muito impressionado,
tinha ficado totalmente excitado por isso e me havia fodido no
jardim mesmo, mas meu arco comprido provavelmente não ia
me salvar do tipo de merda que Jake imaginava quando
estava preocupado comigo. Cada um de nós tínhamos nossos
mistérios, e cada um respeitava e apreciava o espaço disso.
Era emocionante, funcionava. Quando retornei à sede do
clube essa tarde, os meninos ao que parece ainda estavam
fora, e agora a moto do Fry tampouco estava aqui. Tiffany
junto com algumas das Birds, empregados e groupies
estavam trabalhando na decoração. O lugar estava impecável
e não me arrependi ter perdido a parte de lavar o espaço. A
mesa de bilhar estava coberta e preparada para servir como
uma enorme mesa de bufê. Os sofás e poltronas tinham sido
colocados na parede, e uma dúzia de mesas para jogar cartas,
cada uma com quatro cadeiras, estavam organizadas ao redor
do salão e preparadas com toalhas para o jantar. Fiquei
surpreendida pela transformação, o clube era em geral uma
bagunça. Mickey e Danny estavam brigando para conseguir
pôr direito o grande pinheiro em seu lugar, uma Bird estava
em uma escada amarrando luzes perto do teto, e Tiffany
estava classificando os enfeites. Senti o cheiro do peru, as
Birds estavam caprichando. Não havia tido um Natal assim
em anos. Na realidade, nunca tinha tido um Natal como este.

Tiffany me viu primeiro.

— Olá, Dakota. Pode me dar uma mão aqui, neném? –


Coloquei minha bolsa de mensageira e minha sacola
esportiva no bar e tirei a justa jaqueta de couro que Jake me
deu.

— Claro Tif. — Agarrei o maço de luzes que me


entregou e comecei a desenrolar e a amarrar as correntes que
pendiam para ela.

— Fizeram um grande progresso. Tudo está fantástico.


—Mickey e Danny finalmente conseguiram deixar direito e
estável o pinheiro, e as luzes foram penduradas ao redor do
salão e ao redor da árvore. As mulheres se alternavam para
verificar os petiscos na cozinha enquanto enfeitavam a árvore.
Em algum momento, alguém tinha posto canções de natal no
som e todo mundo estava cantando. Tudo e todos se sentiam
festivos e extremamente natalinos. Maravilha.
As pessoas começavam a chegar, incluindo os Fire
Birds. Os meninos trabalharam em pôr as caixas de
armazenamento fora da vista.

Alguns de nós estavam na cozinha, mas três


cozinheiras, eram realmente muitas pessoas para esse espaço,
assim tomei a oportunidade, agarrei minhas coisas no bar, e
fui à parte de atrás para o apartamento onde Jake vive desde
quando o conheci. Era um verdadeiro lixão, embora me
parecesse que ele estava fazendo um pouco de esforço pelo
menos em ter lençóis limpos já que eu passava um par de
noites ali. Hoje, a cama estava inclusive feita. Ainda assim
era um lixão. Mas era privado, e eu precisava me trocar.
Queria uma primeira noite de natal mágica juntos, e
planejava enfeitiçar Jake a sério. Sabia exatamente como
transtorná-lo. Desempacotei minha bolsa e comecei a me
trocar. Sapatilhas de couro preto com correias até o tornozelo.
Meias pretas 7x8 com renda. Tanga fio dental preta.
Minissaia de couro preto, mas não tão curta que mostrasse a
lingerie, isso era para o Jake, mais tarde, mas
suficientemente curta para mostrar minhas pernas. Top de
tecido vermelho, com mangas largas ajustadas, decotada com
uma joia à frente, basicamente sem costas, então sem sutiã.
Escovei meu cabelo e puxei-o em um penteado alto,
envolvendo uma mecha de cabelo ao redor do elástico e
jogando o rabo—de—cavalo por cima de meu ombro.
Raramente usava muitas joias, mas esta noite coloquei os
brincos de diamantes de minha mãe, coloquei um pouco de
maquiagem em meu rosto. De cima a baixo, era um visual
que Jake nunca tinha visto em mim. Não tinha visto nada
parecido em mim mesma em anos. Pensar a respeito de usar
isto para o Jake mais tarde, esta noite, estava me fazendo
ficar um pouco molhada. Estava funcionando.

Enquanto caminhava pelo corredor para a sala


principal, ouvi risadas e alegria geral. Caminhei através da
porta e vi Dixon abraçando Tiffany. Jake estava... Sobre o bar,
tomando uma taça com o Fry, Lenny e alguns outros meninos.
Enquanto me aproximava, viu-me e sorriu com seu habitual
aliviado e feliz sorriso, mas se congelou depois de um
segundo. Quase podia ouvir seu zumbido cerebral enquanto
processava minha nova aparência. Olhou minhas pernas.
Notou minha falta de sutiã. Percebeu a forma em que o
decote de meu top passava roçando minha clavícula.
Caminhei até ele, o encarei, e beijei sua bochecha. Ele notou
tudo.

— Olá, você. Senti saudades — sussurrei ao ouvido.

— Cristo, Dakota. Você está incrível.

— Obrigada. Feliz Natal, menino mau. — Ele sorriu.

— Feliz Natal, Bela. — Logo, enquanto levantava sua


taça para tomar um gole, olhou além de mim com uma
expressão estranhamente agressiva. Me virei e, finalmente,
percebi que o resto dos meninos no bar estava me olhando
boquiabertos como uma manada de cães mudos. E então
ouvi Jake se engasgando com sua tequila.
Ao ver minhas costas nuas, as costas nuas que
inadvertidamente primeiro apresentei aos meninos. Era mais
ou menos o resultado que tinha esperando, embora não era o
cenário que tinha planejado. Virei-me de novo para o Jake,
sorrindo timidamente.

— Um... Você gosta? — Ele ainda estava tossindo,


acredito que a tequila queimava a garganta mais do que o
normal, mas conseguiu esboçar um sorriso. Quando se
recuperou o suficiente para falar, disse:

— Eu adoro. Embora não estou emocionado por estes


idiotas... — deu ao grupo um olhar afiado, e ouvi pigarros
atrás de mim — mas esse é meu problema, não o seu. Está
bonita. É linda. — Pôs sua mão em minhas costas nuas e me
aproximou para dar um beijo.

Justo nesse momento, Tiffany me chamou para que a


ajudasse na cozinha. Dei um rápido apertão em Jake e me
dirigi à cozinha. Depois de um par de passos, ouvi vários
meninos limpando a garganta uma vez mais, e Jake
murmurou:

— Oh, santa merda. — Tinha visto as costuras de


minhas meias. Sorri e segui caminhando sem olhar atrás.
Tiffany me deu um descarado sorriso.

— Bom, Dakota neném, asseguro que sabe como deixar


ele de boca aberta.

— Tem que conhecer seu homem, não?


— Muito bem.

Com a ajuda das groupies, colocamos uma farta mesa


para todos. Com a possível exceção do segundo Natal de
Joshua, quando era suficientemente grandinho para ficar
realmente entusiasmado com todo assunto natalino, este era
meu favorito. Não podia acreditar que tivesse passado a
véspera de Natal em uma muito feliz, celebração legal. O
jantar tinha sido delicioso, deveria ter sido, tínhamos
planejado e assado e cozinhado por dias, e todo mundo tinha
sido civilizado. Tinha herdado um monte de dinheiro de meu
pai e de meu marido, e, portanto não precisava trabalhar
para ter dinheiro. Jake insistiu em que mantivesse esse fato
em silêncio e afastado dos Fire Birds. Mas não pude resistir a
um esbanjamento, e tinha mandado fazer modelos
personalizadas para cada Fire Bird de sua moto principal.
Tinham saído muito bem, mas pensava que Jake tinha
conseguido sua cota de abraços e beijos apaixonados em
agradecimento. Jake e eu tínhamos decidido trocar presentes
na manhã de Natal, em casa e sozinhos. A experiência de
comprar os presentes havia sensibilizado Jake
profundamente, e estava satisfeita de ver que meus
destinatários pareciam estar tocados por igual. Tinha-o feito
tudo completamente independente de Jake. Várias vezes,
enquanto abriam os presentes, via-o me dando um olhar
reflexivo e, quando Pops abriu o jornal de guerra, o último de
todos, Jake se aproximou por trás de mim e me envolveu com
força em seus braços.
—Ah, neném, você é incrível.

Não me interessavam os presentes para mim, mas


consegui um par de excelentes livros de primeira edição de
Dixon e Tiffany. Pensei que talvez o alto e moreno motoqueiro
deve ter rondando a minha coleção em busca de pistas.
Deram algumas peças de joias, também. Tinha-me sentido
gratamente suspresa. Pouco depois dos presentes, os mais
velhos e os de famílias maiores se foram, e a festa começou a
se tornar uma farra. A música foi posta alta, as groupies se
embebedaram, e os Fire Birds se embebedaram e se
drogaram. Perto da meia—noite, alguém tinha caído bêbado
contra a árvore e a tinha atirado ao chão. Isso foi quando
Jake me levou a um lado e em seus braços. Puxou
suavemente a faixa do meu cabelo e passou os dedos através
dele. Tinha estado bebendo, mas não estava bêbado.

— Não posso aguentar muito mais, neném. Estive


pensando em baixar essas meias com os dentes durante toda
a noite. Vamos para o meu quarto.

— Hmm... não. — Tinha algo mais em mente, agarrei


seu queixo.

— Iremos para casa ao invés.

Não vivemos juntos exatamente, mas passávamos a


maioria das noites em minha casa, e ambos tínhamos
assumido chamá-la de "casa" com bastante rapidez. A única
outra casa de Jake era a sede do clube, ele tinha vendido sua
casa para pôr o dinheiro em um fundo para sua filha.
— Não subirá em minha moto vestida assim.

Tudo isto era parte de meu plano.

— Iremos no meu carro, então. Você poderá conduzir, e


podemos voltar para pegar sua moto amanhã. — Sabia que
odiava estar sem sua moto, por isso me inclinei e apertei
minha perna no meio de suas pernas. Ele gemeu. Tomei sua
mão e a deslizei debaixo de minha saia, apenas o suficiente
para que pudesse sentir as ligas. Gemeu. Deslizei minhas
mãos em seu cabelo e puxei sua cabeça para baixo junto à
minha. Sua respiração se deteve. Rodeei com minha língua
ao redor de sua orelha e mordi seu lóbulo. Ele me agarrou,
com as mãos planas sobre minhas costas nuas. Sussurrei-lhe:

— Prometo que você não se arrependerá.

— Vamos. Agora.

Sempre mantenho minhas promessas, eu chupei ele no


caminho de casa.

Jake foi até o final do caminho da entrada e me abaixei


para abrir a porta da garagem. Tinha a esperança de que Fry
tivesse posto as coisas da maneira que o tínhamos planejado.
Não tinha estado em casa de manhã. Puxei a porta e ali,
iluminada por faróis do Indie e localizada no meio da garagem,
recarregada, reequipada, polida até um brilho reluzente, e
rematada com um grande laço negro, púrpura e branca
estava a Shovelhead. Ouvi desligar o motor da Indie e Jake
sair.
— Dakota, o que...?

—... Amo você, Jake. — Era a primeira vez que tinha


dito que o amava.

Ele não disse nada durante um minuto. Fui ficar ao


lado dele. Logo começou:

— Dakota, isto é demais... não posso...

— Amigo, se estiver a ponto de rechaçar este presente,


vou dar uns golpes na sua bunda e você vai parar no
caminho até a lua.

Ele riu e levantou as mãos.

— Está bem, está bem. — ficou sério de novo. — Mas


preciso saber algo. Sei que moto é esta. Sei o que significa
para você. Tem certeza? Está completamente certa de que é
isto é que quer fazer? – me movi para estar de pé diante dele
e sustentei seu rosto entre minhas mãos.

— Jake. Amo você. Eu sou surpreendida a cada dia


pela quantidade de amor por você. Estar com você mudou
minha vida, me mudou, de uma maneira que não acredito
que se dê conta, de uma maneira que não acredito que nem
sequer eu esteja dando conta totalmente. Tenho uma vida e
um coração que é mais completo do que era. Tenho uma
família de uma forma em que nunca tive. — Tinha praticado
essa parte. Mas, maldito seja o choro não era parte do plano.

— Amei Jon. Uma parte de mim que mantenho perto


em minha memória sempre o amará. Sempre sentirei
saudades da pequena família que fizemos com Joshua. Mas
perdê-los me esvaziou. Eu era muito jovem quando conheci
Jon. Fiquei grávida aos quinze anos e ele era realmentee um
verdadeiro cavalheiro que me pediu que me casasse com ele.
Era muito jovem, acabara de perder meu pai... não sei...
amava-o, mas não acredito que estivesse apaixonada por ele.
Você, Jake, enche meu coração por completo.

Aspirei e me recompus, limpando as lágrimas.

— Jon teria gostado. Ele teria odiado que a moto se


deteriorasse, mas teria odiado mais a ideia de algum chato a
levando, se ele tivesse que fazer uma escolha neste momento,
você seria sua escolha. Em conclusão: Toma a maldita moto,
imbecil.

Ele riu alto, me levantou do chão para que meu rosto


se igualasse ao seu, e me beijou.

— Estou tão apaixonado por você. — Beijou-me de


novo por um tempo muito longo. Finalmente, tomamos ar.

— Isto é realmente incrível. Como conseguiu isto? É


este o porquê continuou adiando quando queria trabalhar
nela?

— Sim. Fry me ajudou, bom, basicamente fez tudo. –


Sorri.

— Deveria cuidar dele. Acredito que é um ninja. — me


colocou de volta no chão e foi olhar sua nova moto.
Aproximei-me por detrás e coloquei meus braços ao redor de
sua cintura.

— Quer dar um passeio? — deu a volta em meus


braços e pôs suas mãos em meus quadris.

— Ainda não vai subir na moto vestida assim. Terá que


se trocar. — agachou-se para acariciar meu pescoço.

— Poderia ajudar você com isso. Com meus dentes. —


Chiei quando me tomou nos braços e me levou para casa.
Quando entramos no corredor, abaixou-me, e logo me
empurrou para cima contra a parede e me beijou com força.
Sua ereção se apertou contra mim, e pressionei em resposta e
rodei meus quadris. Ele grunhiu e me beijou com mais força.
Suas mãos se moveram por todo meu corpo, empurrando
para cima meu top para despir meus peitos, acariciando e
beliscando meus mamilos, deslizando-se por meus lados até
minhas coxas para levantar a saia por cima de minhas
nádegas, e logo deixá-la cair de novo até as ligas de minha
cinta liga. Cada parte de meu corpo estava gritando com fogo
por seu prazer. Ele passou os dedos debaixo das ligas.

— Jesus Cristo, estas são tão incrivelmente quentes. —


Começou a me pôr de joelhos, mas o impedi.

— Vem, deixe que ajudo você. — Agachei-me com


ambas as mãos e soltei os laços que sustentava minha tanga.
Tirei isso e a mostrei, pendurando-a em frente a mim —
Deixarei as meias. Tente tirá-las mais tarde. Agora mesmo,
aqui mesmo, só me foda. Por favor.
— Deus, sim! – desabotoou os jeans e soltou seu pau
completamente inchado. Separou minhas pernas com um
empurrão e se meteu em mim com um grunhido. Estava
suficientemente alta em meus saltos para uma penetração
profunda, mas ele tomou um de meus joelhos e o levantou
contra seu quadril e meteu ainda mais profundo.

Meteu dentro de mim com vigor, uma e outra vez.

Senti meu orgasmo vir rápido e agarrei sua cabeça.

— Porra! Deus... Jake!

Ele seguiu golpeando e meu orgasmo seguiu seu


caminho, até que de repente se empurrou dentro de mim
tanto como pôde e arqueou para trás com um uivo. Enquanto
gozamos, nos beijamos lenta e profundamente. Jake pôs
minha perna para baixo e se inclinou para mim,
empurrando-me contra a parede, seu pênis duro ainda
dentro de mim. Apertou os lábios contra minha têmpora.

— Oh, Deus, Dakota, amo você — murmurou. Enredei


meus dedos por seu cabelo e o sustentei perto. Depois de um
momento, deslizou fora de mim e dobrou os joelhos. Levantou
meus pés do chão e me levou para o quarto.

Fiquei de pé perto da cama e suavemente reorganizou


meu top e saia. Depois me soltou para que me sentasse na
cama. Fechou todos os botões menos o primeiro botão da
braguilha.
Então, Oh meu doce Jesus, Oh meu Deus! Ficou com
um joelho no chão a meus pés. Meu coração se acelerou
enquanto colocava a mão em seu bolso. Tirou, sim, um anel.
A bonita ametista ovalada de ouro branco, delicadamente
trabalhada. Parecia antiga. Oh. Meu. Deus. Quando Jake
começou a falar, não me atrevi a interrompê-lo.

— Este era da minha avó. Meu avô e ela foram


felizmente casados durante sessenta e dois anos, até o dia em
que morreu. Sempre pensei que este anel era bonito, e é
único. A pedra é uma ametista, é minha pedra de nascimento,
e é a sua, também. Assim, simplesmente parecia o anel
correto. Mas se disser que sim e quiser um anel diferente,
poderá escolher o que quiser. Dakota, o que disse esta noite
na garagem é exatamente como me sinto, também. Estive me
sentindo culpado por amar você como o faço, porque nunca
amei a Tina assim. Amava-a muito, e passei anos sentindo
saudades a cada dia, mas não acredito que alguma vez
tivesse me entendido, e nunca aceitou a vida que trazia
comigo. Amou-me, sei que fez, mas a decepcionava todos os
dias. Você não me faz sentir dessa maneira. Dá meu espaço,
me traz paz. Sei que estou pedindo muito quando te peço que
una sua vida à minha. Que seja minha. Mas quero passar o
resto da minha vida na paz que sinto com você. Quero que
seja minha Birdy. Este anel é uma promessa de que no futuro
nos casaremos e estaremos juntos para sempre... Dakota
aceitaria este anel e a promessa de ser minha para sempre?
Capítulo 7

Jake
Logo que as palavras saíram de minha boca, me senti
enjoado, ela estava chorando.

Isso era bom?

— Jake. É lindo... É bonito... É perfeito, o anel é


perfeito, e você é o homem perfeito, usarei e cuidarei pelo
resto de minha vida. Cuidarei de você por toda a eternidade.

— Isso soou como um sim, mas... Estou me sentindo


um pouco idiota agora, neném, por isso seria de grande ajuda
se respondesse com um claro "sim" ou "não".

Ela começou a rir.

— Bom, é algo bom que esteja com você apenas por sua
aparência, Jake, e não por seu cérebro, sabe disso né. – De
brincadeira golpeou a minha mão.

— Dakota! Por favor. Está me matando aqui.

— Sim! Sim! Tolo, lindo, malditamente quente, homem


dragão.

Dragão? Às vezes, Dakota era um pouco estranha, mas


Deus... isso me fazia amá-la ainda mais. Deslizei o anel em
seu dedo. Então fomos para a cama e fizemos amor, depois
de ter tirado suas meias com meus dentes, é obvio.

Meu telefone tocou algumas horas mais tarde.


Despertei e saltei para agarrá-lo no bolso de minha calça
jeans jogadas antes que pudesse despertar a Dakota. Estava
simplesmente linda, enquanto dormia. Minha Birdy.

Minha Bela.

Olhei o relógio. Era Lenny às 04h47min da madrugada,


Dakota se agitou mais não despertou completamente.

Respondi ao telefone.

— Sim, Lenny.

— Nos reuniremos no Lock em trinta minutos, amigo.

— Merda.

— Sim.

— Está bem. — Pendurei o telefone e coloquei a calça


jeans com a maior rapidez possível. Não perguntávamos os
detalhes, não por telefone. Uma chamada tão cedo na manhã
de Natal anunciava muitas más notícias. Esse era o único
detalhe que precisava.

Olhei de novo Dakota, dormindo docemente, com o


cabelo escuro revolto sobre seu rosto.

Sua mão esquerda, que levava o anel que acabava de


dar, descansava no travesseiro em que tinha estado deitado.
Um nó cresceu em minha garganta. Ajoelhei-me ao lado da
cama e movi o cabelo para trás.

— Dakota, neném. Preciso que acorde. — Ela


murmurou e se moveu para mim. Beijei-a suavemente nos
lábios. — Dakota, acorda, neném.

— Jake, por favor, sei que é insaciável, mas apenas me


dê tempo para me recuperar e então poderá me ter outra vez.
— Não podia evitar de rir um pouco interiormente por isso.

Normalmente, eu a teria levado à lua e de volta, mas


algo estava muito ruim no clube.

Ela abriu os olhos, em um segundo, a consciência por


fim caiu nela e enrugou o cenho e se sentou. Estava nua e
linda, e, merda, eu estava preocupado.

— Recebi uma chamada. Tenho que ir, agora mesmo.

— Jake, Meu Deus. É manhã de Natal, tem que ser


ruim.

— Sim, é. — Vi a preocupação obscurecer seus


adoráveis olhos cor esmeralda. Mas o que disse foi: — Está
bem. Levará a Shovelhead? —Nenhuma só queixa, nenhuma
palavra de desafio. Não podia amá-la mais ou estar mais
agradecido nesse momento. Ela era uma verdadeira Birdy.

— Não. Quero que meu primeiro passeio nela seja com


você. Poderia me levar de volta ao clube? — Ela desceu da
cama e enrolou seus braços ao meu redor. Abraçamo—nos
durante uns segundos, e logo foi ao seu armário para se
vestir.

Ela entrou no estacionamento, mas não estacionou.


Dakota era muito independente e eu adorava que fosse uma
lutadora.

Mas, às vezes ela realmente precisava me deixar entrar.


— Eu gostaria que mudasse de opinião. Fique aqui, ao menos
até que saiba o que está acontecendo. Preciso de você a salvo.
Por favor, Dakota. — Ela suspirou, e nessa exalação de fôlego
pude escutar que estava inclinando-se além da frustração e
para a ira.

— Jake, esse não é o problema. Sabe que não me


escondo. Não me escondo. Não viverei em um buraco. –
Estava me zangando também, e golpeei com força o painel do
carro com o lado de meu punho. — Não estou pedindo para
você viver em um maldito buraco! Estou pedindo que passe
um momento em algum lugar onde eu saiba que está a salvo
enquanto há uma ameaça!

Ela olhou fixamente o lugar no painel que tinha


golpeado antes de se voltar para mim, sua mandíbula estava
rígida e seus olhos entrecerrados. Ela não gritou, nunca a
tinha ouvido gritar na verdade, mas foi dura em suas
palavras.

— Sempre há um maldito perigo, Jake. Você mesmo


disse isso: A violência me segue em todas as partes. Está bem.
Entrei nessa de todos os modos, com os olhos abertos. Não
me dissuadiu a amar você, de querer passar o resto de minha
vida com você. Não se pode escolher por quem nos
apaixonamos.

— Não me dissuadirá de viver minha maldita vida como


quero fazer. Estar comprometida com você não muda isso.
Esse é o fim do negócio, eu tendo que assistir, você ir
procurar esta merda, e também tem permitido que um grupo
de malditos neandertais entre em nossos assuntos pessoais.
— Queria sacudi-la. Quase estava tremendo de ira e
ansiedade. Tinha, tinha que fazer, manter ela segura.
Deixar—me—ia louco pensar nela desprotegida. Mas também
sabia que esta era uma briga que não podia ganhar. Esta era
a compensação pela forma em que tomou a notícia quando
despertei. Ela me deu espaço, tinha que dar o seu. Ela
considerava isso como não negociável.

Fechei os olhos para me recuperar. Tomei uma


respiração longa e exalei lentamente.

— Está bem. Mas Dakota, por favor, mantenha seu


telefone perto hoje. E seria genial se pelo menos ficasse perto
de casa. — Senti que ela relaxava. Deu-me um sorriso triste.

— É Natal. Sei que me ruborizo muito com você, mas


não sou Rudolph. Não tenho que viajar pelo mundo dando
presentes... Aonde vou, bad boy?

Inclinei-me enquanto ria, e coloquei minhas mãos em


seu cabelo para aproximá-la de mim.
— Preocupo-me porque amo você, maldição.

— Eu também amo você. Preocupo-me com você, sabe.


Cada minuto que está ausente como agora estará. Mas não
impedirei você de fazer o que tem que ser feito. — Apertou
sua boca contra a minha. — Assim me dê o mesmo respeito.

Assenti vacilante.

— Ligarei logo, tudo bem? — Enquanto desci, ela


esticou e me apertou a mão. Apertei-a em resposta. Fechei a
porta, e ela saiu do estacionamento e fora da minha vista.

Chamei-a pela tarde, e seu telefone foi de novo para


caixa postal. Era a terceira vez que tinha tentado chamá-la
na última hora, e senti que o medo interno que estava tendo
era completo e perfeitamente legítimo. Tinha falado com ela
no começo do dia, mas agora nada. Não havia me falado a
respeito de nenhum plano, e como havia dito, era Natal, pelo
amor de Cristo. Se não tinha ido ao clube, onde Tiffany e as
outras Birdy estavam, onde mais estaria? E em qualquer
lugar que estivesse, por que não estava respondendo ao
maldito telefone?

A casa de Fry se queimou até os alicerces no meio da


noite, junto com sua mãe, irmã, sobrinho e sobrinhas, toda
sua família, de visita pelas festas, dormindo em seu interior.
Todos estavam mortos. A única razão que ele estava vivo era
devido a ter ficado com duas groupies na festa. Não sabíamos
ainda se foi um horrível acidente estranho de Deus, ou algum
tipo de guerra pelo território, mas a menos que fosse um
acidente, tinha sido dirigido a nós e nossas famílias. O lugar
tinha sido um inferno, o que provavelmente significava um
incêndio provocado.

A gangue tinha pedido às famílias para vir ao clube faz


uma hora. Dakota era a única que estava longe.

A gangue estava dispersa em pequenos grupos,


assegurando às famílias, ajudando Fry, e tentando localizar
algum tipo de pista do fogo. Havia, junto com Dixon e Lenny,
feito uma viagem ao clube dos East Riders, aliados leais do
nosso clube desde os dias em que Pops estava no cargo, para
ver se tinham alguma informação sobre o ataque. Nada tinha
saído dessa excursão.

Agora nos dirigimos de volta a Shadow Beach, e parecia


cada vez mais que os suspeitos de sempre que não tinham
nada a ver com isto. Nenhum de nossos inimigos estava
liderando o ataque, o que significava que ou estavam
mentindo, o que não parecia provável, ou algum novo jogador
estava na área.

Más notícias em qualquer caso, e para piorar as coisas,


não podia localizar Dakota. Tínhamos parado em um posto de
gasolina para que Dixon pudesse verificar a Tiffany de volta
na sede do clube e que eu pudesse tentar contatar Dakota
pela terceira vez. Sem êxito.

Onde diabos ela estava?! Segui tendo imagens de Tina,


atirada na rua. Então veria Dakota ali. Queimada. Golpeada.
Minha imaginação estava esmurrando com terríveis
possibilidades. Era tudo o que podia fazer para não perder
minha merda.

— Dixon, ainda não posso definitivamente localizá-la.


Tenho que chegar a casa.

— Sim, homem. Vamos. — Quando chegamos ali, olhei


a garagem, o Mustang estava ali. Agora senti pânico, por que
porra não teria atendido se estava em casa? — Seu carro está
aqui! — Os meninos tiraram as pistolas e ficaram em alerta.
Onde diabos ela pode estar? A porta do quintal não estava
fechada com chave. Isto era ruim. Ela não estava na casa.
Não estava no jardim.

Nada estava fora do lugar, mas ela não estava ali.


Chamei de novo. Ainda não houve resposta, mas não o tinha
ouvido tocar seu telefone assim onde quer que estivesse,
tinha seu telefone. Olhei o Dixon e deixei aparecer meu
pânico.

— Dixon...

— Não, Jake. De maneira nenhuma. Ela está bem.


Aguenta.

Dixon pegou seu telefone.

— Mickey. Pode rastrear o GPS do telefone de Dakota


para obter seu paradeiro? — Dixon me olhou e assentiu. –
Bem, chame-me quando souber. — Desligou. — Disse que
pode rastrear em poucos minutos. Então saberemos onde
está.

— Não. Então saberemos onde está seu telefone. —


Golpeei a parede da cozinha o suficientemente forte para
fazer com que os pratos nos armários soassem. Meus anéis
tiraram o gesso. Dakota ia receber uma surra mais tarde.
Deus, isso a esperava.

— Calma, irmão — disse Lenny, pondo a mão sobre


meu ombro. Encolhi meus ombros apartando-a e golpeei a
parede outra vez, duas vezes. Fazia um bom buraco na
parede. Desta vez, a dor em meu punho me tirou um pouco
de minha mente. Suspirei e me apoiei no balcão, sacudindo
minha mão dolorida.

— Pedi que fosse minha Birdy ontem à noite... Disse


que sim. Dei o anel de minha avó... — Dixon e Lenny me
deram uma palmada nas costas.

— Felicidades, irmão. Isso é excelente — disse Dixon,


cujo telefone soou nesse momento.

— Sim, Mickey. Onde? Está segura? Está bem.


Obrigado, homem. —Desligou e me olhou. — Não vai
acreditar nisto, homem. Ela está no Storm. — Isso nem
sequer tinha sentido.

Seu carro estava aqui. Era Natal. Mas por que alguém
a levaria contra sua vontade ao Storm? Não importava.
— Está bem, então, é pra onde irei. — Dixon se dirigiu
à porta.

— É para onde todos nós iremos, Jake. Ninguém está


por sua conta hoje, assim vamos procurar a sua garota.

Estacionamos na rua e entramos rapidamente no


Storm, eu primeiro, com as mãos nos punhos de nossas
armas, o sinal de "Aberto" estava balançando na porta
enquanto se fechava atrás de nós.

Ouvi Dakota grunhir, e tirei a pistola e dei a volta pela


esquina na parte principal da sala quase vazia. E ali estava
ela. No ringue. Estava treinando com um cara que eu não
conhecia. Estava usando um pequeno shorts vermelho
abraçando seu corpo e um top negro que era pouco mais que
um sutiã. Estava descalça. Seu cabelo estava trançado e
enrolado na parte detrás de sua cabeça.

O cara estava sem camisa. Estava sem camisa e


usando um shorts apertado. Estavam muito concentrados na
luta para prestar atenção em nós, com armas na mão, de pé
a uns três metros de distância.

Primeiro, estava tão aliviado que me senti enjoado.


Deslizei minha pistola em sua capa. Ela estava bem.

Estava bem.

Então, vendo-a lutar, estava mais que impressionado.


Durante um tempo, fiquei ali e a vi passear enquanto dava
golpes, murros, girava, saltava, agachava-se, rodava. Recebeu
alguns golpes, mas fugiu da maioria, e desferiu mais. Estava
chutando a bunda do cara. Não sabia o que estava fazendo
exatamente, mas era realmente boa nisso, fosse o que fosse.
Também se parecia bem o fazendo. Sua pele brilhava pelo
suor, e os músculos de suas pernas, braços, costas e
abdômen, o que tinha posto deixava uma grande quantidade
exposta, ondulando magnificamente.

Ouvi o Lenny atrás de mim.

— Jesus. Não acredito que tenhamos que nos


preocupar com ela, irmão. — Tinha esquecido por um
momento que Dixon e Lenny estavam ali comigo, observando.
Então o ciúme fez estragos através de minhas veias. O
bastardo sem camisa chegou por trás e envolveu seus braços
ao redor de minha mulher. Ela o jogou por cima do ombro e o
levou até o chão, lançando o punho para a cara dele. Então
ofereceu seu braço, e ele tomou e se ergueu. Havia muito
contato corporal passando entre os dois. Não me importava
se ela estava chutando sua bunda.

Finalmente, uma fúria vermelha me fez reagir. Quase


havia me tornado louco pela preocupação. Tinha estado
convencido de que estava morta ou machucada. Tinha
imaginado coisas horríveis. Tinha pedido que ficasse na
maldita sede do clube esta manhã. Tinha pedido que ficasse
em casa. Tinha pedido que mantivesse perto seu telefone. Em
troca, estava rodando no chão com algum maldito idiota
anônimo sem camisa e de shorts apertado. Minhas mãos
dobradas em punhos e apertadas em meus lados.
Justo nesse momento, o filho da puta levantou a mão
de uma forma que fez com que Dakota desse um passo para
trás.

Ofegavam muito forte. Deram um golpe de punho e um


rápido abraço. Deram a volta para deslizar entre as cordas
para fora do ringue. Ela me viu quando se virou e sorriu.

— Jake? O que está fazendo aqui? — Saltou ao piso, e


estive sobre ela antes que seu sorriso pudesse se desvanecer.
Agarrei-a e a empurrei contra a parede mais próxima. Ouvi-a
ofegar enquanto o impacto a deixava sem fôlego. Também
ouvi vagamente Dixon me advertir atrás: — Jake... — Pela
extremidade do olho, vi o cara do shorts apertado fazer um
movimento para mim, mas parece que, os dois motoqueiros
armados atrás de mim dissuadiram o sem camisa, que parou
de imediato.

Sustentei-a contra a parede pelos braços. Não sei o que


me dominou. Só sentia raiva.

— Que merda, Dakota! Estive ligando para você


durante duas malditas horas! Estava malditamente
aterrorizado! Poderia estar machucada! — Estava gritando,
meu rosto a centímetros do dela. Sabia que precisava me
acalmar. Simplesmente não podia. Perdi a razão com ela.

Em seus olhos, vi sua própria fúria aumentar. Sua voz


era calma, mas com grande nitidez.

— Como agora, quer dizer? — Vacilei e me congelei.


Porra, o que eu estava fazendo? Com dois movimentos
rápidos e fluídos, ela separou minhas mãos e me pegou com
tanta força no peito com a palma de sua mão que cambaleei
para trás vários passos, sem fôlego. Ela me espreitou —
Talvez esteja confundindo, Jake. Talvez porque eu gosto de
rudeza quando fodemos... — Bateu no meu peito de novo,
desta vez com as duas mãos, mas com menos força, para
enfatizar essa palavra — ...está começando a pensar que pode
me tratar com dureza quando desejar. Não. Acredito.

O estúpido sem camisa elevou a voz.

— Dakota, precisa que faça algo aqui, ou que chame


alguém?

Dixon advertiu:

— Má ideia, homem.

Sem separar o olhar de mim, Dakota disse:

— Não, Scott. Deveria ir. Agora. Dixon. Lenny. Vocês


também. Saiam imediatamente.

— Estaremos lá fora — disse Dixon.

Os três se foram, me deixando a sós com ela. Ela ainda


não tinha tirado os olhos de cima ou suavizado sua expressão
absolutamente. Eu, pelo contrário, tinha perdido toda minha
raiva e em troca estava devorando a mim mesmo pesado, por
ter ido contra ela como fiz. Não tinha merecido.

— Meu Deus, sinto muito, neném. Realmente sinto. —


Estiquei uma mão para seu rosto. Ela a golpeou. Estava
começando a sentir uma nova espécie de pânico geral.
— Guarde seu maldito "sinto muito". Não quero. Se
alguma vez me tocar assim sem meu consentimento de novo,
terminamos, de verdade e para sempre. — Colocou as mãos
em seus quadris e deu um suspiro tremente. — Preciso que
se afaste de mim agora. — Estava assustado, arrependido e
derrotado.

Mas não podia dar o que precisava.

— Não posso, Dakota. — Não pude deixar sair mais que


um gemido.

Ela suspirou, acalmando-se um pouco.

— Jake, estamos bem. Amo você. Nada mudou, nada


realmente. Mas estou ferozmente zangada com você, e preciso
que me dê um pouco de tempo para me tranquilizar.

— Sei, mas não posso. Sinto muito. Mas preciso que


volte para o clube comigo.

Ela ficou me olhando.

— Jesus Cristo. Fala sério agora?

O fazia.

— Sim. — Tomei sua mão, mas ela a tirou. Por favor,


Deus, não deixe que arruíne isto. — Sei o quanto eu fodi tudo
agora. Seja o quer que você queira ou não, sinto muito. Tem
que saber que neste momento não há maneira em que a
pressionaria a menos que fosse realmente importante, então
por favor, só me escute. As coisas estão ruins. Levamos todas
as famílias para o clube. A casa do Fry foi queimada ontem à
noite com sua família completa nela. Todos estão mortos.

— Oh, meu Deus! Fry?

— Ainda estava na festa quando aconteceu. Não


sabemos o que aconteceu, mas tudo aponta que poderia estar
relacionado com o clube, e se for isso, alguém poderia estar
com às famílias dos membros na mira. Todos estão a salvo,
juntos agora. Por favor, por favor, não brigue comigo nisto.
Por favor, Dakota. Eu imploro.

—Está bem. — Ela colocou seus braços ao redor de


mim. Abracei-a com força. Tentei não chorar.

Dakota me disse que tinha ido correr para queimar sua


própria ansiedade a respeito da minha segurança. Tinha
encontrado o ginásio aberto e tinha entrado por um capricho,
assim só estava com uma jaqueta, os sapatos, e seu telefone,
por todo o bem que nos tinha feito estava no vibrar, com ela.

Com Dixon e Lenny, levei-a, em minha moto, apesar de


suas muito nuas pernas, retornamos para casa para pegar
um pouco de roupa. Ela tinha mantido suas mãos sobre suas
próprias pernas toda a viagem de volta a casa. Quando
chegamos a casa, empacotou tudo numa bolsa. Insistiu em
levar seu carro ao clube, e não tive espírito para brigar a
respeito, por isso os meninos e eu a escoltamos. Podia sentir
uma distância intensa entre nós que estava me matando por
dentro.

Estávamos noivos a menos de um dia.


O ambiente na sede do clube era sociável, apesar da
razão pela qual todo mundo estava ali. Uma grande
quantidade de pessoas estava ali, sobretudo mulheres e
crianças, e havia muito a fazer, assim o lugar era ativo. Mas
não era belicoso.

Tiffany se aproximou de Dakota, deu um abraço, e lhe


disse algo em tom baixo no seu ouvido.

Dakota riu suavemente e assentiu.

Lenny se inclinou sobre o bar e disse em voz baixa para


mim:

— Weston nos quer no Luca assim que eu e Ron


voltarmos. — Assenti.

Dakota assentiu para alguém do outro lado da sala e


gritou:

— O que eu posso fazer?

Uma das garotas do Winston respondeu.

— Nada neste momento. Teremos que conseguir


comida em breve, entretanto. — Dakota me olhou. — Vou à
parte detrás no seu quarto. Tenho que tomar um banho e
colocar uma roupa real. — Passou por mim, atravessou a
sala, e foi pelo corredor. Passou quase um minuto e decidi
segui-la.

Abri a porta do meu quarto. Ela tinha tirado a jaqueta,


os tênis e soltou o cabelo. Olhou-me mas não disse nada.
— Neném. Todo este dia foi um equívoco. Podemos tirar
um minuto e conversar?

Olhou-me fixamente durante uns segundos. Logo


deixou escapar um longo suspiro e sentou em um lado de
minha cama.

Sentei ao seu lado, minha perna pressionada ao longo


da sua. Tomei sua mão esquerda, a que levava o anel que
tinha dado apenas umas poucas horas antes. Ela baixou o
olhar para nossos dedos entrelaçados. Vi seu bonito rosto de
perfil enquanto falava. A luz exterior atravessava a pequena
janela e entrava no quarto. Pondo em relevo sua figura. Era
realmente encantadora. Não podia perdê-la.

Nunca me perguntou o que faço na gangue, como


entrei. Significa muito para mim que entenda que não é algo
que queira falar muito, ou inclusive, algo que em todo caso
possa falar. Sei que é muito inteligente para ter uma ideia.
Mas acredito que o momento dos segredos entre nós
terminou. Acredito que se de verdade conhecesse os Fire
Birds, poderia entender por que me preocupo tanto.

— Nunca poderei desculpar a maneira com que tratei


você hoje, e juro que cortarei minha própria garganta antes
de fazê-lo de novo, mas eu gostaria de tentar explicar por que
estava tão irritado. —Fiz uma pausa. A parte seguinte era
difícil.

— Talvez realmente saber seja muito. Talvez saber seja


o fim para nós. Se isso significar uma oportunidade para
manter você a salvo, de uma maneira ou de outra, tomarei
esse risco.

— Assim, eu gostaria de contar a você a respeito da


gangue. Depois responderei a qualquer pergunta que me faça.
Confio em você para que não nos machuque. Também sei que
somos sua família agora. Sem importar o que, sei que não o
fará. — Contei tudo. Falei das drogas, das armas e das outras
gangues. Contei tudo.

Falei das pessoas que tinha matado. Disse que tinha


assassinado o homem que tinha matado Tina. Contei tudo.

Ela nunca me interrompeu, mas pouco a pouco se


moveu para estar mais perto de mim, e quando terminei,
estávamos deitados na cama, com sua cabeça apoiada em
meu peito.

Não me perguntou nada, inclinou-se sobre meu peito e


me olhou nos olhos. Disse somente:

— Sinto muito. — E me beijou. Nesse momento, a


distância que havia se levantado entre nós retrocedeu. Meu
coração se inchou enquanto o medo de perdê-la se afastava,
soltei um suspiro que foi quase um soluço.

Senti-me aflito por minha necessidade dela. Tomei seu


rosto entre minhas mãos e sussurrei:

— Não mereço você, mas não posso viver sem você. —


Beijei-a de novo, desta vez aprofundando o beijo, empurrando
minha língua entre seus lábios suaves para procurar sua
boca. Dei a volta e a movi debaixo de mim, com meu peito no
dela, suas pernas se enredaram com as minhas. Pressionei
minha boca em sua clavícula e empurrei seu top para cima,
deixando descobertos seus bonitos seios.

Dakota retorceu e ofegou debaixo de mim enquanto me


movia para sugar um, e logo o outro. Ela tinha sabor de suor
salgado e doce. Senti suas mãos em minha cabeça, em meu
cabelo, sustentando-me perto. Chupei com força o mamilo
que tinha apanhado entre meus dentes, e ela gemeu e se
levantou contra mim. Deslizei minha mão debaixo da cintura
de suas calças curtas e para baixo entre suas pernas.

Ela estava quente e úmida e empurrando contra minha


mão, inclusive antes que tivesse me acomodado.

Ainda mamando seu peito, deslizei os quatro dedos


nela e empurrei a base de minha palma contra seu clitóris.
Nem sequer precisei mover minha mão, ela estava dando
sacudidas e estava tão molhada que já podia sentir o roçar de
seus fluidos em mim.

Dobrei meus dedos para cima um pouco para esfregar


o ponto extrassensível de sua parede interior, e ela gritou e se
sacudiu com mais força, mais rápido. Tinha os dedos
enredados em meu cabelo. Ela estava ofegando e ofegando.
Sabia que estava perto.

Houve um golpe na porta. Nós congelamos, embora


todo o corpo de Dakota seguisse tremendo. Soltei seu peito e
tomei um curto momento para me serenar.
— Sim? — Ouvi a impaciência em minha voz.

Era Lenny, limpando a garganta.

— Sinto muito, Jake. Weston está de volta. Estamos no


Lock.

Merda.

— Certo. Já vou. — Esperei enquanto contava até cinco


e voltei minha atenção de novo à tensa e trêmula beleza em
meus braços.

— Goza para mim, Dakota, antes de eu ir — murmurei.


Tomei seu peito em minha boca de novo e comecei a mover a
mão, com força, rápido e profundamente. Depois de apenas
um minuto, ela gritou e se disparou para cima. Deixei que
montasse minha mão, logo tirei os dedos dela e os esfreguei
em círculos em seu clitóris até que gritou de novo e estalou
suas pernas, juntando-as, apertando minha mão entre elas
para mantê-la quieta.

Abracei-a, pressionando beijos suaves sobre seu rosto


até que seus espasmos terminaram e relaxou em meus
braços.

— Retornarei logo que puder. Amo você, Dakota. — Ela


estava tombada desajeitada e ainda ofegante quando beijei
sua testa de sabor doce e fui me encontrar com os Fire Birds.
Fui em busca de Dakota logo que voltei para a sede do
clube. Não estava na sala principal. Revisei a cozinha, onde
encontrei Tiffany.

— Olá, Tiff.

— Olá, tudo bem lá fora hoje?

— Parece tranquilo, sim. Viu Dakota? — Tiffany fincou


as mãos nos quadris.

— Não se preocupe, Jake. Seu malvado encanto ainda


está trabalhando. Ainda está aqui. Acredito que esteja lá
atrás em seu quarto. Trabalhando, disse. Pensei que estava
em um intervalo. Se pudesse ver se poderia fazer algum
trabalho aqui, seria genial.

Ri.

— Verei o que posso fazer. Mas quando Dakota está em


algo, nem sequer eu posso convencê-la. – Dei-lhe um beijo na
bochecha. Tiffany tinha se tornado como uma irmã para mim
durante esses anos.

Dakota estava sentada de lado na velha poltrona numa


extremidade do meu quarto, suas pernas caindo pelo lado,
seu computador portátil em seu estômago. Havia uma pilha
de livros como uma tenda no chão. Usava o cabelo preso em
um rabo de cavalo. Estava descalça. Usava jeans e uma de
minhas camisas, com apenas os suficientes botões abotoados
para cumprir com o mínimo nível de decoro. Pude ver que
não estava usando sutiã. Estava, entretanto, usando óculos.
Pensei que este aspecto, era bastante típico nela, na realidade,
era sem dúvida o mais sexy, e isso era dizer muito.

Estava escrevendo constantemente e completamente


absorta. Fechei a porta e fui para ela. Ela sorriu sem levantar
a vista à medida que me coloquei de joelhos diante da cadeira.
Apoiei a cabeça em seu braço, e ela inclinou a cabeça para
descansar na minha.

— O que está fazendo, neném?

— Mmmm. Trabalhando em coisas para a aula. Estou


sentindo falta de alguns dos livros que preciso, entretanto.

— Não há problema. Posso fazer outra viagem, deixe-


me saber quais e Dixon e eu iremos pegá-los para você.

— Isso é genial, Jake, mas não vai funcionar durante


muito tempo. Já se passaram cinco dias. Tenho que poder
trabalhar em meu escritório em casa. Preciso de todos os
meus livros. Menino mau, logo terei que ir ao campus. Temos
que descobrir um plano logo, que não inclua ficar no clube
para sempre.

Suspirei. Aprendi faz muito tempo que Dakota era uma


mariposa e odiava que minha vida estivesse enjaulando-a.
Mas tinha que fazê-lo. Meus irmãos do East Rider tinham
descoberto recentemente que o incêndio do Fry tinha sido um
ataque dos Loucos. Os Loucos eram uma pequena gangue
mas os rumores recentemente diziam que estavam
conectados ao Pôster Drago, o Pôster era a mais brutal e mais
temida gangue da Califórnia.
Mas isto não tinha nenhum sentido. Nunca tínhamos
tido desentendimentos com os Loucos ou metido um só pé
dentro de seu território. Dixon e eu tínhamos nossas
suspeitas de que alguém na gangue tinha irritado os Loucos,
mas não sabíamos quem, como ou por que. Ninguém admitiu
nada no Lock essa noite. Só sabia que não era seguro sair, ou
estar com um Fire Bird na Shadow Beach nesse momento.

Fry queria sua maldita vingança e estava furioso de


que tirássemos esse direito dele. Weston e ele quase tinham
chegado às vias de fato antes que tivesse ido levar os corpos
de sua família pra casa para ser enterrados.

O problema era que se os Loucos se aliavam com o


Pôster Drago, o Pôster podia nos esmagar com apenas um
murmúrio. Se Weston dizia que não, era não. A represália da
gangue era impossível. Weston nos havia dito que se
encarregaria disso, com inteligência. Mas não entrou em
detalhes.

Não podia acreditar que a constituição original dos Fire


Birds se converteu a um líder fraco. Com os anos, a recessão
tinha atingido fortemente a gangue. Possuíamos vários bares
e oficinas que foram afetados com força durante a crise
financeira e isso estava destroçando o clube.

Weston, que havia sido o vice-presidente de Pops, tinha


obrigado Pops a uma aposentadoria antecipada como o líder
do clube.
Weston queria expandir e fazer dos Fire Bird uma
muito mais potente e temida gangue na Califórnia. Queria
que o clube se envolvesse mais em crimes graves porque
assim faríamos uma quantidade considerável de dinheiro. E
com o dinheiro, vinha o poder.

Mas muitos de nós queríamos manter a gangue como


um pequeno e muito unido clube, mantendo-o afastado da
frente do crime organizado. A coisa é que Weston tinha
permitido que uma grande quantidade de suspeitos,
personagens brutais, entrasse no clube nos últimos anos,
dizendo que traziam dinheiro e vários negócios que estavam
no interesse de salvar o clube, e o fizeram.

Mas esses novos membros, finalmente anularam a


maioria. E isso tinha mudado drasticamente o clube.
Tínhamos sido apanhados em um montão de porcaria com
algumas pessoas muito ruins contra Pops e alguns outros,
incluído eu, com o melhor julgamento.

Quando me soltaram da prisão comecei a sentir que a


gangue era uma mera sombra do que costumava ser, do que
estava acostumada a estar de pé: a irmandade e os passeios
em estrada aberta. Esses não eram os Fire Birds que Pops
tinha dirigido em seus dias, onde eu tinha crescido. Esses
não eram os Fire Birds que uma vez eu havia amado.

Desde que Weston assumiu o cargo, vários membros


dos Fire Birds tinham sido assassinados ou encarcerados,
inclusive eu. Mas não podia deixar os Fire Birds. Tinha
nascido na gangue e era minha família. Não podia deixar que
meus irmãos apodrecessem no inferno.

Tanto Dixon como eu queríamos provar e tornar os Fire


Birds de volta ao que eram, mas tínhamos conseguido nos
colocar mais profundo no que Weston tinha conseguido
converter o clube. E agora os Loucos nos atacavam, mas, por
quê?

Só sabia que os Fire Birds seguiam sendo meu clube, e


que estava protegendo a minha gente agora.

Verdade seja dita, de certo modo eu gostava de não


podermos sair, inclusive com a ameaça constante.

Todos tínhamos estado juntos durante dias, e


havíamos nos sentido mais como uma família do que há
muito tempo. Weston, Dixon e eu cada um tínhamos o luxo
do espaço privado.

Todos os outros estavam juntos por toda a sede do


clube, e havia camas e sacos de dormir que tinham que tirar
e guardar todos os dias. Era um bufê de chupadoras de paus
para o resto dos meninos.

Dakota tinha se estabelecido de forma rápida, apesar


de sua resistência, e tinha sido completamente
condescendente desde nosso bate—papo no Natal. Eu
adorava quão cômoda estava na sede do clube. Nada disso a
intimidava. Nada disso a surpreendia.
Participava das conversas com brincadeiras e a crua
conversa e não deixava que seus sentimentos se
machucassem. Mantinha seu modo áspero.

Tinha pensado quando a conheci que era muito


elegante para ser parte do meu mundo. E era a mais elegante
e bela mulher que tinha conhecido na vida. Mas também era
das que não se afetava e aceitava, assim que nos aceitou
como somos e esperava só o mesmo em troca.

Amava a maioria de nós, eu sabia. E nós a amávamos.


Podia ver na forma que os outros a olhavam, a forma com que
os outros falavam com ela. Não me surpreenderia se alguns
deles estivessem um pouco apaixonados por ela. O
pensamento não me deixava ciumento, mas sim contente, ela
era minha. Podia compartilhar um pouco de sua luz com
meus irmãos.

Além disso, tão elegante como era, ela era bem atrevida.
E não me surpreenderia se nenhum dos meninos pudesse a
ganhar em uma briga. Além de artes marciais que havia visto
e observado, quando ia com os Fire Birds as práticas de tiro,
era uma excelente atiradora com rifles e pistolas, mais o arco,
que eu já sabia. Tinha descoberto que minha garota era uma
séria grande merda. Nada disso seria provavelmente
suficiente se os Loucos realmente fossem atrás dela, mas era
definitivamente sexy.

— Está bem, neném. Levarei isso aos meninos. Esteve


tranqüilo desde o Natal, então talvez seja o momento de
terminar a festa.
— Sabe que quando tiver que ir, não me importa se
seus moços votam ou não por isso, não é? — Sorri e a beijei.

— Oh, sim. Tenho uma noção bem clara disso. — Ela


fechou o computador portátil e o deixou de lado, tirou os
óculos, e colocou suas mãos ao redor de meu rosto.

— Bem. Enquanto esteja claro. Seu rosto bonito só


pode te levar a um limite. — Mordiscou meu lábio inferior. —
Bom, interrompeu minha concentração agora, e não poderei
trabalhar. Acredito que me deve por isso.

Agarrei suas pernas e as puxei ao meu redor, movendo-


me para ficar entre elas.

— Jake Rider, a seu serviço. Deixe-me ver se posso


compensar você. —Beijei seu ventre nu, onde sua camisa se
estendia aberta. Deslizei minhas mãos sob sua camisa e até
seus seios.

Ela tirou meu gorro e entrelaçou suas mãos por meu


cabelo. Belisquei e rodei os mamilos entre meus polegares tão
forte como pude. Ela conteve o fôlego e se arqueou em
minhas mãos ante meu tato. Ainda estava me acostumando à
sua preferência por um toque pesado. Inteirei-me que Dakota
gostava de um pouco de maus tratos. Não queria ser
golpeada ou machucada, certamente que não, porque não
podia me imaginar fazendo algo desse estilo, mas gostava de
ser ativa, e preferia um agarre firme a um toque suave.
Era intensa e apaixonada e gostava muito de sexo. Era
incrivelmente quente, e me dava oportunidade de não me
conter. Mas me preocupava em cruzar a linha e a machucar.

É certo que às vezes não me preocupava com essa


linha tanto como gostaria de fazer.

Apesar de que nunca tinha sido assim antes, havia


momentos em que era rude com Dakota sem pensar nisso,
como se fosse uma espécie de compulsão.

A primeira vez tinha sido só em nossa segunda noite


juntos, depois que Dixon e eu tínhamos sido enviados pelo
Weston para entregar um pacote a um de nossos clientes
habituais. Mas durante a reunião, várias caminhonetes
negras estacionaram e atacaram meus dois homens e nossos
aliados. Fomos golpeados, três de meus irmãos tinham sido
assassinados, vários de nossos aliados, meus amigos, tinham
sido assassinados, e Dixon e eu tínhamos sido banhados com
gasolina... quase fomos queimados vivos.

Agora estava suspeitando fortemente que tinha algo a


ver com os Loucos e alguém da gangue estava estimulando
problemas, apenas não sabia quem. Depois do Lock, Dixon e
eu tínhamos conversado sozinhos. Ele tinha sugerido que
Weston estava envolvido, mas, nenhum de nós podia ver o
Weston indo contra o Pôster. O clube seria instantaneamente
esmagado, incluindo ele. Não, não podia ser ele.

Mas essa noite que fomos atacados, acreditei que era o


final do jogo para mim nesse momento, e minha raiva ante a
amarga ironia de finalmente encontrar uma garota como
Dakota só para ser assassinado horas depois estava em
minha cabeça. Depois que tínhamos sido resgatados pelos
reforços de nossos amigos, estava desesperado para voltar
para ela e recuperar a alegria que tinha sentido com ela em
meus braços.

Havia encontrado, entretanto, a calma era difícil de


alcançar, e tinha sentado na sala de estar de sua casa essa
noite com meus nervos como um enxame. Havia pedido
permissão para tomar um banho para tentar relaxar, e então
tinha pedido para se unir a mim. Ainda lutando com a raiva e
o medo do dia, e meu controle não tinha sido muito bom.

Quando me olhou nos olhos e me disse que "tomasse o


que precisasse", percebi que já a amava por completo. Tinha
colocado sua confiança em mim exatamente em um momento
em que eu não merecia. Como podia soube que não iria muito
longe? Diabos, nem eu sequer sabia. Mas tinha acreditado
em mim de todo modo.

Tinha me ajudado. Tinha me acalmado. Tinha


desfrutado ela mesma. E continuava me ajudando dessa
forma quando eu precisava. Não tinha certeza de que tipo de
homem eu era em ter que ser duro com a mulher que amava,
a fim de estar bem com as coisas que passavam em minha
vida. Não um bom homem, isso é certo. Tinha sorte de ter
Dakota, que aceitou sem questionar, e cujas próprias
preferências coincidiam com o que eu precisava.
E agora ela estava gemendo e retorcendo atrativamente
sob meu firme toque. Ainda beliscando e retorcendo seus
mamilos, desabotoei os jeans com os dentes, e ela ofegou e
levantou seus quadris. Peguei o zíper e o puxei para baixo,
fazendo uma pausa para acariciar seu suave montículo.
Levantei a cabeça e sorri. Ela sempre tinha uma maneira de
me excitar.

— Sem roupa intima?

Ela deu um sorriso ardiloso.

— Senti que era um dia do tipo “au naturel”...

— Bom, é quente como o inferno. — Belisquei, e ela se


arqueou.

Ofegando um pouco agora, disse:

— Confie em mim. Eu adoro quando não usa nada. —


Liberando seus peitos, agarrei seu jeans e o baixei até seus
tornozelos.

Ela os chutou liberando-se deles e separou suas pernas,


dando-me uma vista fantástica do pequeno triângulo de
cabelo escuro bem recortado e tudo logo a baixo. Deslizei
minhas mãos por baixo de sua bunda e a aproximei para me
inclinar e lambe—la. Enfiei minha língua dentro dela e ela
conteve o fôlego agudo. – Porra Jake. —Lambi e saboreei seu
clitóris, minha língua plana e firme sobre ela. Deus, eu
adorava a sensação dela, seu sabor. Ela agarrou minha
cabeça apertada a ela enquanto a lambia, logo puxou meu
cabelo. A contra gosto, olhei para cima. — Quero você dentro
de mim — respirou.

— O que quiser. – puxei-a para meus braços e me


levantei. Ela envolveu as pernas ao redor de minha cintura
enquanto a levava para cama e a deitava. Vestindo só minha
camisa, que mal estava abotoada, estava malditamente sexy,
olhou eu deslizar minha jaqueta e tirar minha camiseta por
cima de minha cabeça. Logo se sentou e se moveu para a
beira da cama. Desabotoou o cinto e desabotoou minha calça
jeans. Sorriu enquanto me liberava do meu jeans.

Colocou sua boca ao redor de mim e me deu uma


sólida chupada que fez com que meu corpo inteiro tremesse.
Arqueei minhas costas e gemi. Empurrei-a para trás, e ela
deixou que deslizasse para fora de sua boca. Tirei as botas e
as meias, antes de deixar que minhas calças jeans caíssem
ao chão e desse um passo fora delas. Inclinei e tomei um par
de travesseiros da cabeceira.

Agarrei suas duas pernas debaixo de seus joelhos e


levantei sua bunda, dobrando os travesseiros e empurrando
para baixo, apoiando sua parte inferior sobre eles. Ela se
recostou enquanto me movia entre suas pernas. Ela estava
colocada de maneira que seus quadris estavam altos sobre a
cama e inclinados para cima no ângulo perfeito para tomar
onde estava. Empurrei-me lentamente nela, e logo que entrei
totalmente dentro, ela envolveu suas pernas ao redor de
meus quadris. Agarrei suas coxas em minhas mãos e comecei
a me mover. Ela tomou seus peitos com suas próprias mãos e
retorceu os mamilos. Eu adorava quando ela tocava a si
mesma.

Como se lesse minha mente, moveu uma mão para


baixo para esfregar seu clitóris. Bombeei com mais força à
medida que ela começava a fazer gemidos entrecortados com
cada exalação. Seus quadris se moviam contra minhas
investidas, aprofundando cada penetração. Os músculos de
seu abdômen ondularam enquanto se retorcia contra sua
mão e meu pau.

— Jesus, Dakota. Eu adoro te ver. — Tomei meu ritmo,


e ela me seguiu. Estávamos nos golpeando sem piedade ao
nos unir. Enquanto se aproximava, sua mão foi em um
movimento rápido entre suas pernas, e começou a gemer, —
Oh, mais forte, Jake. Estou quase lá. — E logo sua sexy
falação se converteu em grunhidos mais sexys.

Inclinei-me para frente, deixando cair minhas mãos na


cama em cada lado dela. A mudança de ângulo a empurrou
para o orgasmo, e agarrou meus braços, suas unhas se
cravaram em meu tríceps, e arqueou suas costas. Não gritou,
mas todo seu corpo estava tenso pelo esforço de se conter.
Umas poucas mais profundas estocadas, e gozei, também,
com um gemido, empurrando com força nela.

Fiquei sobre ela durante vários segundos, recuperando


o fôlego. Então me deslizei suavemente saindo dela, levantei
suas pernas para liberar os travesseiros, e me deixei cair na
cama ao seu lado. Ela tomou minha mão entre as suas e
disse sem fôlego:
— Isso foi muito mais divertido que escrever um plano
de estudos. —Ri entre os dentes.

Deitamos juntos, acariciando—nos e conversando sem


rumo fixo. Pensei que talvez fosse o mais feliz em momentos
como este, depois do sexo, quando estávamos totalmente
relaxados e em sincronia. Sentia como se o mundo estivesse a
mil quilômetros de distância. Estas eram as únicas vezes que
minha cabeça estava calma, cheia com nada mais que meu
amor por Dakota. Apoiei a cabeça no oco de seu ombro e lhe
dei um beijo em meu lugar favorito.

Então Tiffany chamou do outro lado da porta.

— Jake se já terminou de dar boas-vindas, seria bom a


ajuda de Dakota na cozinha! — Bateu duas vezes na porta.

Rimos dissimuladamente, Dakota rodou os olhos.

— Tem uma maneira tão encantadora de usar as


palavras.

Logo suspirou, apertou a mão, e se levantou. Foi


procurar sua calça jeans.

Senti-me abandonado Apoiei-me nos cotovelos.

— Aonde diabos acredita que vai, neném?

— Bom, não estou certa do por que, mas de repente


pensei que deveria ir ajudar com o jantar. — Sorri ante a isso.

— Oh, já vejo seu jogo. Ame e me deixe, né? Só me


usou por meu corpo quente?
— Não, é obvio que não. Só por seu pau. O que mais há
na vida, exceto seu grande pau?

Sentei rindo e puxei ela entre minhas pernas. Abracei-a,


com minha cabeça em seu peito.

— Fique aqui comigo. Não estou preparado para que vá.


— Agarrei a mão que tinha tido entre suas pernas e chupei
um dedo com minha boca, saboreando-a.

Meu pau palpitou e endureceu contra sua perna.

Ela gemeu suavemente e girou esse dedo ao redor de


minha língua, e logo o tirou de minha boca.

— Sério, menino mau, estamos a uma curta distância


neste momento de enfrentar as garotas em modo cadela. E
logo, retornarão aqui e vão golpear a porta de novo. Por que
não continuamos isto mais tarde, quando realmente
pudermos nos concentrar?

— Minha concentração está bem neste momento. Não


se preocupe pelas garotas.

Dakota se inclinou e me beijou.

— Direi algo — disse, acariciando meu queixo com o


nariz, — irei cozinhar agora, e preparar uma boa comida,
para conseguir forças. Logo, mais tarde, de novo aqui,
poderemos ter uma sobremesa muito pecaminosa, por que
não pensa nisso por um tempo?

Ela agarrou meu queixo.


— Agora, realmente irei me lavar e me vestir, assim
poderei ir ajudar. Vai me deixar ir?

Apertei-a com força.

— Nunca vou deixar que vá, neném. Nunca. Mas está


bem. Deixarei agora. De todos os modos, estou com fome. Vá
arrumar algo para jantar, mulher. — Ela arqueou as
sobrancelhas e agitou seu punho para mim. Tomei em
minhas mãos, rindo. — É brincadeira! É brincadeira! Não me
atreveria.

Sentei nu na cama por um tempo depois que Dakota se


foi. Estava feliz. Estava completamente em paz. Era uma
sensação fugaz, sabia que provavelmente retrocederia logo
que deixasse o quarto, mas a tinha. E tinha tido esses
momentos de calma e felicidade bastante freqüentemente nos
últimos meses. Antes de Dakota, tinha sido anos sem me
sentir assim. Muitos anos em deitar com garotas que não
significavam nada para mim. Então fiquei ali e tentei senti-lo
todo o tempo que pudesse.

Ainda não podia acreditar que tinha encontrado Dakota,


e que me amava, apesar de tudo. E que ia casar comigo um
dia. Nesse momento, deitado na cama ao lado do ponto
quente, com o aroma de nosso amor ainda forte e ao redor de
mim, quase me convenceu de que nossa vida juntos seria
para sempre em meio da felicidade protegida.

Uh. Uma vida longa e feliz... Envelhecer com Dakota.


Não seria interessante?
Não havia crianças nessa imagem, entretanto. Tinha
certeza de que Dakota seria uma mãe incrível. Tinha ficado
surpreso ao descobrir quanto sentia que não pudéssemos ter
filhos juntos. O pensamento enviou um calafrio através de
mim. Amava-a tanto que às vezes me doía por tudo que
passou. Deitei na cama em meu pequeno quarto de merda e
me imaginei segurando um bebê que fosse o melhor da
Dakota e de mim. Meu coração se encolheu.

Era o melhor, entretanto. Minha vida, e, agora, graças


a mim, a vida de Dakota, era muito escura e violenta para
crianças. Não passava um dia sem algum tipo de
derramamento de sangue ou de perigo. Era muito risco e
instabilidade para crianças. Esse é o motivo de Ellie estar
longe. Tina e eu tivemos a nossa filha quando eu era muito
ingênuo para compreender, quando ainda pensava que a vida
na gangue e ser criado como eu tinha sido, era algo bom.
Agora entendia melhor. A gangue era corrupta e estava
apodrecendo há algum tempo.

Uma vida longa e feliz era uma possibilidade remota.


Pensando pelo lado positivo. E assim terminou meu momento
de paz, enquanto as portas do inferno se abriam em minha
mente e minhas preocupações aumentavam. Suspirei e fui
tomar uma ducha.
Capítulo 8

Dakota
Embora o cárcere privado estivesse seriamente
começando a me desgastar, tinha que admitir que havia
desfrutado de passar momentos com Tiffany e os outros. A
parte do dia era o mais difícil, e era quando me sentia
especialmente inquieta. Os Fire Birds estavam
frequentemente fora em grupos fazendo o que fosse que
fizessem. Os que ficaram ao redor estavam de guarda. Para
sair, para ir ao mercado ou conseguir coisas de casa que
qualquer um de nós precisasse, praticamente requeria uma
maldita reunião de planejamento. Passei a maior parte de
meus dias irritada, mas Tiffany tinha uma maneira de fazer
meu humor melhor e me fazia sorrir.

As noites eram realmente divertidas. Fazíamos um


grande jantar cada noite, e depois jogávamos bilhar, cartas,
ou vídeo games, ou simplesmente nos sentávamos falando
tolices. Esta era a parte de ter os Fire Birds como minha
família que desfrutava. E apesar de o quarto de Jake ser
pequeno e úmido, algo sobre estar com ele neste lugar em
particular me fazia sentir ainda mais próxima a ele. Não
podia explicar, mas era um fio de esperança.
Só necessitava de poucas horas presa para eu ficar
farta de estar sede do clube durante o dia. Então comecei a
procurar coisas para fazer. Saí para práticas de tiro com os
meninos um par de vezes. Só Lenny era melhor atirador que
eu. Comecei há passar muito tempo no ginásio, onde os
meninos em sua maioria me deixaram sozinha.

Mas minha força física e pontaria se converteram em


um tema de conversa, e depois do jantar de Ano Novo,
quando estávamos todos deitados nos sofás, bebendo e
fazendo estupidez, Dixon e Lenny disseram aos Fire Birds o
que tinham me visto fazer no Storm. O resto deles ficaram
surpresos, o que me incomodou.

— Competirei com qualquer um de vocês no ringue


agora mesmo — disse.

Lenny e Dixon recusaram com respeito, tendo uma


ideia do que eu podia fazer. O resto assobiou e riu, mas todos
voltaram atrás com várias desculpas a respeito de não querer
lutar com uma mulher. Eu repliquei:

— Está bem. Simplesmente não querem uma mulher


chutando suas bundas a torto e a direito.

Lenny riu e interveio.

— Não sei. Acredito que Rum amaria isso.

Rum respondeu com uma cara séria.

— Sim. Sim, eu realmente amaria.

— Está bem, Rum, bebê. Quer ir?


Jake nos interrompeu antes disso.

— De maneira nenhuma, Dakota. — Eu estava sentada


em seus joelhos, seus braços ao redor de minha cintura.

Girei e o olhei.

— É sério? Você não me conhece? O que supostamente


isso significa?

— Significa que não quero me sentar aqui e ver Rum


golpear você. Ou inclusive tocar em você.

Dei uma palmada no peito e olhei para Rum.

— Não se preocupe, ele não terá a oportunidade. — Os


meninos trocaram olhares, desfrutando de minha brincadeira,
mas também atentos a tensão de Jake.

Fiquei de pé, tive que lutar um pouco contra a restrição


dos braços do Jake, e me aproximei de Rum.

— Vamos, Ronny, vamos ter alguns rounds. — Com


um olhar para trás, desafiei Jake a ficar em meu caminho.
Ele soprou e fez um gesto insidioso de "em frente". Deu a
Rum um olhar assassino e cruzou os braços.

— Golpes no corpo unicamente, idiota. E se o contato


de corpo durar mais de um segundo, vou contar, então vai
brigar comigo. Entendeu?

Pude ver claramente o desgosto de Jake, mas, depois


de passar tantos dias encerrados, sentia-me sufocada por sua
extrema proteção. Decidi que não me importava tanto se ele
estava aborrecido. Olhei Rum.

— Não se preocupe, não machucarei seu rosto de


menino bonito.

Percebi que Rum estava seriamente repensando a


situação. Olhou para Jake e logo para mim.

— Dakota, não sei. Está certa de que quer fazer isto,


boneca?

— Amigo, não tem nem ideia. Se não entrar no ringue


comigo, simplesmente derrubarei você justo aqui. Estou
totalmente farta da intoxicação por testosterona. Precisam
aprender que as mulheres são mais que bocetas e tetas.
Vamos. — Finalmente sorriu e tirou seus anéis.

— Está bem. Quer trocar de roupa ou algo?

Estava descalça, vestida com calças de ioga e uma


camiseta justa.

— Não... Estou bem. Você?

— Nah. Vamos fazer isso. — tirou sua jaqueta.

— As botas também, imbecil. — Esse foi Jake.

Agora os meninos eram livres de entrar nisso, e nós


estávamos apostando e falando merda e curtindo o momento.

O público foi para o ringue. Jake ficou bastante atrás,


apoiado na parede com os braços cruzados. Tinha o aspecto
de um bebê mal humorado. Pude ver que estava preocupado
e zangado, mas estava muito entusiasmada para me
preocupar. Este era o meu momento.

Soltei meu rabo—de—cavalo e o arrumei de novo,


prendi meu cabelo no elástico para estar totalmente fora do
caminho e fora do alcance, no caso de que Rum fosse alguém
que puxasse cabelo. Ele era um vigarista, assim puxar cabelo
era uma clara possibilidade. Subi ao ringue e pulei para cima
e para abaixo, esperando Rum.

Subiu e disse:

— Sabe que não posso ferir você, Dakota. Não porque


não bato em mulheres, porque não faço, mas sim pelo fodido
cão raivoso ali que vai me rasgar em pedaços se sequer
arranhar você.

Ri.

— Sei Ronny. Sei que não pode. Mas quero que tente.
— o público ama isso.

Encolheu os ombros, e fomos para lados opostos.


Dixon disse:

— Três rounds. Round um. — Logo soou o sino, e


avançamos. Dançamos um ao redor do outro, procurando a
entrada. Rum deu o primeiro golpe, e o esquivei facilmente.
Pensei que ele se atiraria. De maneira nenhuma, amigo.
Assim dei o primeiro golpe, aterrissando um golpe no peito de
Rum.
Isso o empurrou para trás fazendo-o retroceder com
um "latido!". Gritei por dentro ante o olhar de surpresa em
seu rosto. Chegou com um golpe em meu estômago, esquivei,
e foi levado adiante com o impulso de seu golpe fracassado.
Agora ele ia por isso. Bom. Girei e varri sua perna por
debaixo dele. Caiu na lona, e a multidão ficou louca. Quando
se levantou parecia um pouco irritado. Ele. Finalmente. Tinha.
Bolas.

Como todos os Fire Birds, Rum era um bagunceiro, e


não me alcançar, esquivei e me separei dele e logo usei suas
falhas contra ele. Entreguei suas bolas em uma bandeja,
aterrissando vários golpes em cada round. Rum fez contato
exatamente uma vez. No segundo round, pôs um golpe com
toda sua força em meu estômago, que me golpeou para trás e
me enviou ao chão, me deixando sem fôlego. Levei um
segundo para encher meus pulmões, e vi Jake chegando
rápido ao ringue, então saltei de volta a meus pés. O
movimento surpreendeu completamente os meninos, se a
reação deles fosse uma indicação. Então fiz Rum pagar pelo
golpe.

Quando Dixon soou o sino indicando o final do terceiro


round, Rum chegou a mim e elevo meu braço. A multidão
aclamou. Me deu um grande abraço e sussurrou em meu
ouvido:

— É uma máquina do caralho, boneca. Essa foi a surra


mais divertida que já levei. — Pude sentir sua leve ereção, e
puxei meus quadris para trás um pouco, mas o abracei sobre
os ombros.

— É um retorcido, tarado filho de puta, Ronny. — Jake


estava no ringue então e separou Rum de um puxão. — Saia
de cima dela, irmão.

Jake me levou para fora do ringue. Ainda estava


sentindo a adrenalina bombeando por minhas veias e o deixei
me levar para dentro da sede do clube, tocando várias mãos
no caminho. Me levou através da sala comum em direção ao
corredor, e então me joguei para trás.

— Que demônios, Jake?

— Precisamos conversar.

— Não irei com você ali agora. Não depois disso. É


como se estivesse me levando lá rás para gritar comigo.

— Esse é o maldito plano.

— Oh, Jesus. De maneira nenhuma, machão. — tirei


minha mão da sua e fui ao bar. Ele ficou imóvel no corredor
durante uns segundos, e logo me seguiu.

Fiquei na sala comum com os meninos por um


momento, bebendo e brincando. O respeito deles por mim
tinha uma nova dimensão, isso era um fato. Jake ficou
também, mas não pareceu relaxar.

Está bem, supus que íamos conversar. Agora que


estava me sentindo bem e entusiasmada, não estava tão de
saco cheio assim, que diabos.
Bebi meu último gole de tequila. Na realidade estava
muito bêbada, não me arrastando e babando nem nada, mas
me sentindo muito bem. Olhei para Jake, que estava me
estudando discretamente. Uau! Ele parecia muito quente
quando estava de mau humor. Talvez pudesse mudar a
conversa.

Sorri, logo disse aos meninos no bar:

— Tudo bem, meninos. Preciso de uma ducha. Foi um


prazer educá-los esta tarde. — Dei a Rum um beijo na
bochecha. — Você talvez queira tomar uma aspirina antes de
ir para cama, querido. É provável que esteja bastante
dolorido pela manhã pelos golpes que recebeu hoje.

— Pode me golpear quando quiser, boneca. — Fiz


minha saída entre um coro de gritos e aplausos.

Jake estava justo atrás de mim. Quando fomos para


seu quarto, fechou a porta e se inclinou sobre ela, com os
braços cruzados. Decidi que havia várias coisas que preferia
fazer neste momento em vez de brigar. A briga estragaria o
saboroso manjar que estava diante de mim. Coloquei minhas
mãos em seus braços e olhei com uma careta.

— Vamos, menino mau. Não vamos brigar. Nem sequer


tem uma razão para estar furioso. — Ele saiu da porta e veio
por um lado. Caminhou no quarto e se voltou para mim.

— Está equivocada. Tenho um punhado de boas razões.


Primeiro, poderia ter se ferido mortalmente, e por quê? Por
alguns golpes? Segundo, que merda estava pensando que
faria a estes meninos saber que poderiam ser derrotados por
uma mulher?

— Jesus, Jake. A coisa de "o homem" é uma verdadeira


irritação, sabe? Primeiro: Talvez pudesse ter saído
machucada. Mas foi minha escolha, porra. Não é seu
trabalho me proteger.

— Sim é! É! — Ignorei sua interrupção e continue.

— Segundo: A maior razão do porque fiz isso foi por


saber o que faria a eles saber que posso derrubá-los. Eles e
você precisam de um choque de realidade. Tem sentido você
precisar me proteger das gangues más e coisas do tipo. Está
bem. Isso é razoável, e olhe, estive na sede do clube por uma
semana porque entendo. Mas não quero que insista para que
me esconda atrás de você durante toda minha maldita vida.
Não pode me proteger de tudo. Preciso proteger a mim mesma,
também. Sou a filha de um boina verde. Está em meu sangue
brigar por mim mesma. Não sou uma fraca, muda, groupie de
motoqueiro. Sim, tenho peitos, mas os meninos gordinhos
daqui também têm. Se preciso de um pau para que você e os
outros possam me dar o respeito que mereço, então que
assim seja. Vou sair e conseguir um. Eles podem fazer isso
agora, sabe. Conseguir um maldito pau.

Jake teria rido normalmente de meu humor, mas desta


vez não fez. Jake ignorou minha sugestão de um pau, franziu
as sobrancelhas ainda mais profundamente, e recuperou sua
frase onde a deixou.
— Sabe como me afeta ver alguém, especialmente
alguém em uma maldita gangue, tentando ferir você? Isso me
quebra. Você ao menos se importa? Tina... Foi golpeada e
estuprada durante horas antes que disparassem nos miolos
dela e você só me fez ver um cara desgraçado atacando você.
Sinto-me doente. — Empalideci. Não tinha pensado. Jesus
Cristo. Tinha estado tão envolta em minha própria
necessidade de demonstrar algo que não tinha pensado em
sua agonia.

Seu rosto mostrava uma expressão de desespero


extremo. Aproximei dele e separei seus braços para poder me
aproximar e envolver minhas mãos ao redor de sua cintura.
Apoiou suas mãos em meus quadris. Levantei o olhar.

— Oh, meu Deus, Jake. Nem sequer pensei... Não fiz


essa conexão. Sinto muito, querido. Estou tão, tão
arrependida. — Beijou a parte superior de minha cabeça.

— Sei. Está bem. Nunca poderia odiar você por nada.

Fomos para um abraço durante um minuto, e logo me


inclinei para trás e o olhei.

— Sinto-me muito mal porque não fiz a associação


entre Tina e a luta. Sinto muito por ter feito acontecer isso. E
sinto por fazer você se preocupar tanto, bebê. É obvio que me
importo. Amo você, Jake. Completamente. Não quero causar
dor a você. — Jake tomou meu rosto em suas mãos,
passando seu polegar sobre minha bochecha.

Apanhei sua mão com a minha e continuei:


— Mas tenho que perguntar. Não vê que sua
preocupação é pouco razoável? Enquanto estava parado ali
vendo, não viu que ele não podia me fazer dano? Estava
gotejando suor aos montes, sabe. Foi um pouco nojento
quando me abraçou. — Jake me olhou durante um longo
momento. Então agarrou a barra da minha camiseta e puxou
ela para cima. Sorri e levantei os braços. — Bom. — — Vamos
passar à diversão. — Mas ele não sorriu ante minhas
palavras. Jogou a camisa para o lado. Separou-se, deu um
longo olhar em meu ventre, e fez uma careta.

Deus, estava tão malditamente sexy quando estava


pensativo. Curiosa, baixei o olhar. Uma grande contusão de
aspecto repugnante florescia justo debaixo de minhas
costelas, o único golpe que Rum acertou tinha sido ruim.
Tinha esquecido.

Jake roçou os dedos de uma mão ligeiramente através


da contusão. Estremeci-me um pouco, era muito carinhoso.

— Parece que ele machucou você. — Tomei a pequena


barba que tinha crescido em seu queixo durante nossa
reclusão e puxei seu rosto para que pudesse olhá-lo nos
olhos. Sorri.

— Deveria ver o outro cara. — Ele grunhiu de


frustração.

— Dakota...

Coloquei meus dedos sobre sua boca carnuda.


—... Não, Jake. Já basta. Não é grande coisa.
Realmente não estou machucada. E eu, literalmente, busquei
isso. — Parei, ao perceber que poderia ter uma maneira de
fazer ele me entender. — Quando me pede que permita que
você se coloque entre o mundo e eu, está pedindo que eu seja
fraca. Está me pedindo que seja impotente. Pode entender por
que não quero isso? Isso não é o que sou, você adora o que
sou, não é verdade? — Ele colocou uma mão em meu rosto.

— Sabe que sim, neném. Deus. Amo você tanto que me


assusta completamente. Assusta-me a ideia de que algo
possa acontecer a você, me revolve o estômago. Traz uma
raiva que não sei se posso controlar... — Voltei meu rosto em
sua mão e beijei a palma.

— Então, o fato de ser capaz de cuidar de mim mesma


é uma coisa boa, não? Não pode estar comigo a cada minuto.
Certo? — Ele me olhou. Tomei isto como um sinal que tinha o
deixado sem fala, e passei a atividades mais românticas.
Estava bastante bêbada, inclusive depois de todo esse drama,
estava realmente brincalhona.

Uma briga, que acabou com ele me dizendo quanto me


ama, adiciona à sensualidade excepcional que gotejava dele
quando está melancólico, e não fazia nada para esfriar minha
luxúria que agora fervia dentro do meu corpo. Queria ser
fodida até não agüentar mais.

Alcancei e tirei o seu gorro. Penteei seu cabelo com


meus dedos, trazendo-o para frente para emoldurar seu rosto.
Tomei em minhas mãos e puxei sua cabeça para a minha.
— Se me ama, Jake, então me ame. — Pressionei
minha boca contra a sua. Senti sua mão se flexionar ao redor
de minha mandíbula enquanto aprofundava o beijo,
empurrando sua língua firmemente em minha boca ofegante.

Tomei sua língua entre meus dentes, mordendo


suavemente, mas se surpreendeu, e estremeceu. Sorriu e deu
um passo atrás. Vagamente percebi que esta era a primeira
vez que tinha estado bêbada ao seu redor. Eu era uma
bêbada brincalhona muito suja. E justo agora, me sentia
como um tipo dura. Dei um sorriso descarado.

— O que quer fazer?

Jake me olhou confuso.

— O que quer dizer? — Coloquei minhas mãos em seu


peito esculpido e o fiz retroceder até que suas pernas
golpearam a beira da cama. Dei um pequeno empurrão, e se
sentou. Ele desabotoou meu sutiã e o deixou cair ao chão.

— Tome o que quiser. Qualquer coisa. O que é meu é


seu... O que quiser. — Sai da minha calça de ioga e fiquei
nua na frente dele. Tomei meus peitos em minhas mãos e
girei meus mamilos.

Tragou audivelmente.

— Deus, Dakota. Eu não... Não sei. Já fazemos tudo o


que quero. O que você quer fazer? — Ele poderia ser um
menino mau, mas era muito bom comigo.
Belisquei-o nos ombros de sua camiseta negra justa, e
a tirei. Agachei-me e lambi seu pescoço, mordiscando seu
queixo e avançando por sua mandíbula até seu ouvido.
Chupei o lóbulo em minha boca e mordi. Senti suas mãos em
minha cintura. Fiquei de pé de novo e empurrei seu peito,
animando a deslizar mais atrás na cama. Ele tirou as botas e
as meias e se moveu de novo até que pôde pôr sua cabeça no
travesseiro.

Arrastei-me para a cama com ele e desabotoei seu cinto


que saiu voando. Levantou seus quadris para que pudesse
tirar sua calça jeans. Logo lambi e mordisquei meu caminho
para cima desde sua panturrilha, fazendo uma pausa na
metade do caminho. Tomei sua dura ereção em minha mão e
a chupei até minha garganta. Deu um grande suspiro e
levantou seus quadris. Soltei e segui para cima até seu
pescoço.

Senti seus braços ao meu redor e tentou me puxar para


baixo sobre ele, mas resisti.

— Dakota, neném. Só quero estar dentro de você.

— Oh, estará. — Dei a volta e me sentei aberta sobre


sua cabeça.

Ouvi sussurrar:

— Doce Jesus — Enquanto seus braços se envolviam


ao redor de minhas coxas. Agachei, meus peitos roçando
contra seu ventre, e o levei à minha boca. Seus braços se
apertaram ao redor de minhas pernas, e suas mãos se
deslizaram para cima para agarrar minhas nádegas. Separou
as coxas e apertou seu rosto entre minhas dobras. O intenso
prazer de sua boca contra meu centro me distraiu por um
segundo.

Tirei de minha boca, minha mão envolta ao redor dele,


e me flexionei contra seu rosto. Ele empurrou seus quadris
para cima, e comecei a trabalhar nele. Cada vez que o
chupava profundamente em minha boca, sentia seu gemido
vibrando em mim.

Sua língua estava por todos os lados, dentro de mim,


em meu clitóris, de um lado para outro, dura e suave, estava
ficando louca. Suas mãos estavam envoltas ao redor de
minha bunda, seus dedos sobre a pele sensível de minha
fenda. Quando me apertei mais contra ele, seus dedos
roçaram meu ânus, e gemi. Ante minha reação, puxou seu
rosto um pouco para trás, e senti seus dedos com cuidado me
acariciando ali, provocando minha resposta. Gemi de novo e
me pressionei contra ele. Estava tendo problemas para me
concentrar nele.

Uma de suas mãos deixou minhas nádegas. Soltei seu


pau e olhei para baixo entre nós. Colocou seu polegar em sua
boca. Fechei os olhos e deixei cair minha cabeça para a parte
de cima de sua coxa enquanto envolvia seus braços ao redor
de minhas pernas de novo, e então senti seu dedo polegar
pressionando suavemente contra o apertado anel.
Flexionei e gemi, e ele mexeu meus quadris para baixo
contra o seu. Ele chupou meus clitóris, e ao mesmo tempo,
senti seu polegar empurrando em mim, indo mais profundo.

— Jake... Oh... Jake... — gozei imediatamente,


retrocedendo, sacudindo-me com força contra sua mão e sua
boca, procurando mais pressão, mais penetração. Gozei ccom
tanta força que me fez chorar. Ele grunhiu em voz alta e se
sentou debaixo de mim. Rodou sobre seus joelhos e me
empurrou para frente, pressionando-me para ficar de barriga
para baixo na cama. Seguia me contraindo quando se
afundou em meu núcleo.

Deixou seu polegar onde estava a princípio, logo com


cuidado tirou e me agarrou os quadris com ambas as mãos.
Bateu em mim, grunhindo com força com cada investida
profunda. Meu orgasmo minguante retomou de onde estava e
se opôs contra ele, minha respiração entrecortada e agitada.
Rodeou meus quadris com seu braço e puxou, trazendo-me
para cima sobre meus joelhos. Agarrou meu rabo-de-cavalo e
puxou com força contra seu peito, deslizando sua outra mão
pela barriga para esfregar pequenos círculos em meu clitóris.

Gritei e arqueei minhas costas, todo meu corpo rígido


enquanto outro grande orgasmo surgia. Ao mesmo tempo,
Jake soltou meu cabelo e envolveu seu braço ao redor de
meus quadris de novo, empurrando profundamente em mim
e me sustentando, apertando-me com força contra ele quando
gozou.
Caímos juntos na cama, exaustos, e Jake se retirou de
mim. Rodou para o lado e me olhou enquanto estava de
barriga para baixo.

— Merda, Dakota — disse com voz entrecortada. Eu


estava muito aturdida para responder, mas logo vi a
preocupação sulcando sua frente. Levou uma mão a meu
rosto. — Querida, está bem? Machuquei você?

— O que? Não! Isso foi incrível, Jake. Uma agarrada


incrível.

— Está chorando. — Roçou minha bochecha com as


costas dos dedos, e podia sentir o frio úmido de minhas
lágrimas.

Sorri e tomei sua mão na minha.

— Foi muito intenso, isso é tudo. De uma maneira


quente para caralho. Fez me sentir tão malditamente viva.
Deus... — Ele aproximou mais e me beijou no ombro.

— Não sabia que você gostava disso. — Só havia um


elemento novo, assim sabia o que queria dizer.

— Às vezes, sim, gosto. – Dei a volta para o lado para


olhá-lo.

— Fico um pouco fetichista quando estou bêbada. Mas


há limites. E acredito que é provavelmente muito grande para
isso, assim não tenha ilusões, se isso for algo que está
pensando. Não estaria contra tentar, mas sem dúvida teria
que haver álcool envolvido. Talvez drogas, também. — Sorri.
— E uma palavra de segurança ou algo assim.

— Você sempre encontra uma maneira de me


surpreender quase todos os dias, querida. É uma mulher
incrível.

Sorri.

— Sim, eu sei. — Então bocejei. O dia tinha sido longo


e, além disso, complicado. — Vou tomar um banho rápido e
após eu gostaria de me aconchegar e dormir em seus braços
viris. Isso soa bom para você? – Olhou-me fixamente durante
uns segundos antes de dizer:

— Caralho, é preciosa... Soa perfeito para mim, Dakota.


Não quero fazer nada mais.
Capítulo 9

Jake
O perigo imediato passou depois de que Weston nos
disse que os homens que tinham matado a família de Fry
tinham sido "manipulados". Não nos disse como, mas ele era
o chefe. Tínhamos que confiar nele. Weston enviou todos para
casa um dia depois do Ano Novo. Ainda estava extra vigilante,
mas a nova e melhorada aceitação da Dakota com respeito à
minha necessidade de protegê-la, embora fosse limitada, e
sua demonstração de capacidade para proteger a si mesma,
ajudou a me sentir menos desesperado. Assim que a reclusão
terminou e a vida voltou a estar bem.

Uma manhã, algumas semanas mais tarde, enquanto


Dakota ia para a faculdade, conduzi à casa de Pops. Pops
estava ressentido e inquieto com a forma que Weston dirigia o
clube. Ele possivelmente odiava mais que ninguém o lugar
para onde Weston havia levado os Fire Birds e então ele
partiu, passando mais e mais tempo a sós no floresta,
acompanhado de tequila. Tinha se negado a permanecer
recluso conosco. Era um velho bastardo teimoso e acredito
que por isso Dakota e ele se entendiam tão bem.

Estávamos sentados na varanda da frente. Tinha


informado ao Pops sobre os acontecimentos recentes. Pops
estava, como era de esperar, furioso. Falei sobre todas as
barbaridades durante muito tempo, mas nada do que disse
era novo para ele, de fato, estava de acordo com a maior parte.
Mas Pops acreditava que o tempo do Weston como chefe
tinha passado. Muitos de nossos irmãos tinham morrido e
agora uma parte da gangue se agitava contra Weston. Pops
acreditava que Dixon devia se encarregar e coordenar a
gangue.

Estive de acordo a princípio. Nunca tinha sido capaz de


confiar plenamente em Weston desde que soube do
assassinato de Tina. Weston tinha deixado zangada uma
pequena gangue que por sua vez se vingou fazendo isso. Dois
de meus irmãos foram assassinados. Tina foi estuprada...
Torturada e assassinada.

Mas minha lealdade à gangue, à minha família, era


forte. Não podia ir. Não via Weston se demitindo até que seus
velhos ossos cedessem por completo, e uma mudança de
regime antes dessa data poderia romper a gangue.

Havia muita pressão nas devido aos recentes


acontecimentos. Não acreditava que os Fire Birds pudessem
sobreviver a um golpe de estado neste momento. Afinal,
Weston fez bem em nos proteger e "manipular" os bastardos
Loucos que mataram a família do Fry.

Conversei com o Pops por um tempo e logo ficamos em


silêncio. Pensava em Weston e Tina, na família do Fry, na
reclusão e em Dakota. Imediatamente, outros pensamentos
povoaram minha cabeça. Disse em voz baixa:
— Grande parte de nossa merda vem de família. Tina
tinha razão em odiar isso. Se Dakota for machucada por
minha culpa... Não posso nem sequer imaginar o que faria e
muito menos se sobreviverei... —Duvidei, odiando a pergunta
que ia fazer. — Foi um erro dar o anel para ela?

Pops olhou para o bosque.

— Sabe que gostava de Tina, filho. Era uma boa mãe.


Era forte. Mas tem razão. Não estava pronta para nossa vida.
Nunca gostou do clube. Não são muitos que o fazem. Deus
benza sua alma, Tina nunca foi uma Bird. — Pude escutar a
letra em maiúscula na forma em que disse a palavra.

Pops esvaziou seu copo e colocou no chão da varanda.

— Os Fire Birds não é um clube que começamos, mas


inclusive nos dias de hoje, usar a jaqueta é algo de peso.
Pedimos muito de nossas famílias. Sabe que sua mãe não
pode suportar. Precisa um certo tipo de homem para fazer o
que fazemos e ainda ter honra e um pouco de bondade em
seu coração. Precisa de um certo tipo de mulher para ver a
honra, a bondade e confiar nele. Requer uma classe especial
de mulher para nos dar essa confiança e logo ser capaz de
aceitar os riscos dessa vida.

— Esse é o tipo de mulher que Dakota é. Precisa de


uma mulher em sua vida que dê força e permita a você ser o
homem que sei que é, filho. Merece isso. Precisa da Dakota.
Acredito que ela também precisa de você. Assim, não
estrague tudo, menino.
Interrompi-o.

— Pops, sei que Dakota é boa para mim. É tudo o que


diz. Mas não me importa o que eu preciso. Importa-me o que
a Dakota precisa. Estar comigo a coloca em perigo. Como
pode isso estar bem?

Pops me olhou aborrecido e se inclinou.

— Às vezes é um idiota, Jake. Esta é a mesma merda


que fez com sua filha. Abandonou Ellie porque acredita que
está melhor sem você. Deveria se envergonhar de você mesmo
e sei que faz. Mas também entendo. Quando crianças estão
envolvidas temos que tomar as decisões por eles, talvez uma
vida diferente seja o melhor. Mas Dakota não é sua filha. Ela
toma suas próprias decisões. Acredita que sabe o que é bom
ou ruim na sua vida? Se ela vive ou morre? Isso é uma merda
arrogante. Merdas ruins acontecem cada maldito dia. Claro,
gastamos mais tempo no centro da mesma, mas estar longe
disso não é garantia de uma boa vida. Ou uma longa. Porra,
Dakota entende melhor que você! Vejo a forma que é com
você. Faz por ela o que ela faz por você. É óbvio o quanto que
ela ama você. Ela merece algo melhor de você que uma ideia
idiota sobre salvá-la de sair machucada. Pode romper seu
coração e deixá-la viver uma vida normal que nem sequer
quer, ou pode deixar de se preocupar e ver o sortudo que é. O
que vocês têm, não é muita gente que consegue. Sejam felizes
enquanto podem. Jesus! Idiota! — Acabando com seu sermão,
Pops se recostou com um bufo.
Nunca havia sentido tão agradecido de ser chamado de
idiota em minha vida.

Mais tarde nesse dia, Lenny e eu estávamos


caminhando pelo campo universitário, procurando Dakota.

Encontraríamos com um novo fornecedor mais tarde


para recolher um pacote. Era a primeira operação desde o
incêndio e o clube decidiu que todos permanecessem na sede
do clube até que a transação se completasse, só por
precaução. Estava a ponto de provar o novo acordo de Dakota
em me deixar protegê-la.

Nunca antes tinha estado em seu campus e não tinha


ideia de onde dava aula, mas Mickey tinha rastreado sua sala
e seu horário. Estava dando aula neste momento, assim
fomos em direção a sua sala.

A porta estava fechada, mas havia uma pequena janela


na mesma. Olhei por ela. Era uma sala grande, com fileiras
de assentos ascendentes da parte da frente. Havia
aproximadamente uma centena de estudantes, Dakota estava
de pé na parte da frente, parecendo preciosa. Imaginava a
maioria dos estudantes do sexo masculino caindo de amores
por ela.

Estava com o cabelo preso num longo rabo de cavalo.


Usando uma blusa de seda roxa escura sobre uma saia curta
preta, meias pretas e seus sapatos elegantes ao estilo Dakota.
Eu adorava esses sapatos. Parecia muito arrumada e bonita
para ser professora.

Só olhei um pouco. Podia ouvir sua voz, mas não


distingui suas palavras. Ela sorria e estava animada,
gesticulando enquanto falava, escutando os comentários dos
estudantes, rindo, caminhando para trás e para frente, seu
rabo de cavalo balançava. Ela disse algo e toda a classe
começou a rir com força. Tinha um grande senso de humor.
Ainda sem saber o que estava dizendo, percebi que ela estava
em seu elemento. Era como se fosse a dona da sala. Enchia-
me de orgulho. Essa era minha Birdy.

E estava a ponto de deixá-la zangada. Zangar Dakota


nunca era uma coisa fácil. Preparei-me e abri a porta.

Ela estava falando.

— Oooh, bom ponto, Wil... — Ela voltou para a porta.


—... Liam. —Ela me olhou, surpreendida. — Um... Perdoem—
me um segundo, meninos...

Aproximou-se de mim, com dúvidas em seu rosto.


Coloquei uma mão em sua cintura e me inclinei perto de seu
ouvido.

— Sinto muito, querida. Posso falar com você lá fora?

Ela inclinou a cabeça um pouco e logo assentiu.


Voltou-se para seus estudantes.
— Vou sair por um momento. Lamento por isto, mas
estou certa de que podem se manter ocupados. Isso sim,
nada de festas sem mim.

— Um coro de risadas encheu a sala.

Saiu para o corredor e viu Lenny.

— Uh... Espero que isto seja, porque Lenny quer voltar


a estudar... — Olhou para o Lenny e logo para mim. — Está
bem. O que aconteceu? — Sem dar detalhes, enquanto
ficávamos ali em público, expliquei a situação.

— Estamos levando todos à sede do clube. Eu gostaria


que viesse comigo...

—...Tenho outra aula depois desta...

—... Esperava que dissesse algo assim, por isso tenho


uma proposta. Tenho que sair, mas Lenny vai ficar com você
até conseguir retornar a Shadow Beach quando tiver
terminado.

— Um guarda—costas? No campus? Cristo, Jake. Aqui?


Sério?

— Dakota....

— Está bem, está bem. Sinto muito. É que... Merda.


Bem. — Ela suspirou e olhou para Lenny. — O que vai fazer,
apenas ficar aqui no corredor?

Lenny sorriu e assentiu.

— Acertou. — Não há problema.


— Talvez assista a minha aula e aprenda algo, grande
homem. — Era evidente que não estava muito emocionada,
mas não resistiu. Voltou-se para mim. — Vai sair para fazer
esta coisa que me faz precisar de um guarda—costas, não? —
Assenti, e ela suspirou de novo. — Está bem, então. — Ela
deu um passo para mim. Puxando um pouco o meu gorro.
Agarrou-me pelo pescoço. Colocou minhas mãos em seus
quadris. — Amo você. Por favor, tome cuidado. Preciso de
você — disse ela, em voz baixa. Beijou-me com ternura.
Apertei com força contra mim e aprofundei o condenado beijo
naquele corredor público.

— Voltarei esta noite. Amo você – disse em voz baixa.


Beijei sua testa.

Enquanto girava de novo para sua sala de aula deu


uma olhada para Lenny.

— Há três portas nessa sala. Se for ser um cão


guardião poderia entrar e se sentar. — Ela assinalou.

— E comporte—se, cara. Não há estudantes do


primeiro ano para você. — Lenny começou a rir e lhe deu
uma pequena saudação. — Sim, senhora. Estarei dentro em
um segundo então.

Quando abriu a porta, vi um grande grupo de


estudantes correndo de volta a seus assentos. Parece que
tínhamos tido plateia. Perguntava-me o que fizeram ao ver
sua professora beijando um motoqueiro no corredor. Sorri
ante a ideia.
Olhei para o Lenny.

— Mantenha-se perto dela.

— Sabe que farei, Jake. Morrerei antes que alguém


toque sequer um fio de cabelo dela. — Dei uma palmada nas
costas. Lenny, entrou na sala de Dakota, e me dirigi para fora,
longe dela.

Rum, Mickey e eu nos encontrávamos quase em fila


vários metros detrás de Dixon e Weston, que estavam fazendo
a negociação. Dois homens grandes e musculosos também
estavam de pé na parte detrás, enfrentando—nos. Era tenso,
mas estes negócios sempre eram. Pelo tipo de transação até
que estava tranqüilo. Parecia que a precaução de levar as
famílias ao clube era desnecessária.

Weston e Dixon deram as mãos para os membros da


outra gangue. Weston assentiu e eu e os outros demos um
passo adiante para carregar a caminhonete. Agora que as
negociações tinham terminado, todo mundo relaxou um
pouco e minha mente vagou, perguntando se Dakota tinha
dado trabalho ao Lenny hoje no campus. Tinha realmente
dúvida? Sorri ante a ideia. Essa era minha garota.

Sem deixar de sorrir girei e vi Dixon e Weston em uma


intensa discussão com um dos membros da gangue com a
que estávamos tratando. Dixon se voltou bruscamente e
abriu seu telefone. Seu rosto estava cheio de medo. Um
calafrio percorreu minha espinha dorsal.
— Fry, vamos ter problemas, ponha-se em alerta,
estaremos aí o mais rápido possivel. — Fry tinha estado a
cargo da sede do clube. A sede do clube onde estavam as
famílias por segurança. Se Fry ia ter problemas...

— Dixon! O que está passando? — Perguntei com


ansiedade. Justo nesse momento, uma caminhonete preta
acelerou dentro de nosso campo de visão, levantando pó no
caminho de terra. Dixon tirou sua pistola e gritou: — Loucos,
escória! — E ficou na cobertura. A caminhonete parou e
saíram dela meia dúzia de valentões Loucos, empunhando
suas armas antes que seus pés tocassem o chão.
Capítulo 10

Dakota
Tiffany e eu estávamos jogando na piscina quando Fry
chamou:

— Lenny! Danny! Aiden! — Escutamos a urgência em


sua voz e nós olhamos uma à outra, ambas
instantaneamente preocupadas. Fiquei de pé. — Irei ver.

Lenny estava falando em voz baixa e com concentração


quando me aproximei. Fez uma pausa, olhando-me, e eu
simplesmente o olhei em resposta, elevando as sobrancelhas
em sinal de desafio. Ele assentiu com a cabeça e continuou.

— Os malditos Loucos estão vindo para atacar o clube.


Estamos por nossa conta no momento. Temos que mantê-los
fora.

— Estou dentro. Quero uma nove mm e uma AK. E


esse rifle de franco-atirador que Jake me deu na semana
passada.

Lenny me olhou.

— Sabe que isso não vai acontecer, Dakota.

— Vai à merda, Lenny. Precisa de mim. Sou melhor


atiradora do que qualquer um de vocês quatro, e não quero
que nosso melhor amparo seja a escória dos Loucos
tropeçando sobre seu corpo inchado para entrar. — Fiquei
olhando o Lenny em desafio, e ele levantou as mãos em sinal
de rendição. Bem. Então não fiquem de babaquice. — Fiz um
gesto às pessoas atrás de mim. – Lhes direi o que está se
passando.

Lenny assentiu, e logo perguntou:

— Temos que cobrir a parte externa. Sugestões?

Fry pigarreou.

— O que acha das mesas de piquenique? São grossas e


pesadas. Poderíamos colocá-las de lado.

Lenny voltou a assentir.

— Isso. Faça, agora mesmo. Danny vai com ele. Aiden,


vamos carregar.

Tiffany estava caminhando para mim quando dei a


volta para a zona principal da sala.

— O que aconteceu?

— Temos problemas a caminho daqui, soa mal. Vou


sair com os meninos.

— Dakota!

Ignorei-a.

— Tiffany, pode ser que precisemos de um médico,


assim se prepare. E deve ter uma arma em caso de que
precise aqui. Agora, entretanto, temos que conseguir que os
meninos e todos se afastem da porta, e que fiquem no
corredor atrás seria o melhor, acredito. — Tiffany assentiu e
foi falar com as outras mulheres. Um êxodo para o corredor
começou.

Quando Tiffany chegou uns minutos mais tarde, os


meninos e eu estávamos nos armando. Entregaram—me duas
pistolas carregadas.

— Mantenha ambas com você. E fique atrás.

Coloquei uma nove mm na cintura, pendurei uma AK—


45 nas costas e embalei a M25, que recentemente tinha
disparado com o Jake. À exceção da M25, os meninos
estavam armados de maneira similar. Era uma grande
quantidade de poder de fogo para esperarmos um montão de
bastardos Loucos.

Houve um estrondo exterior e o chiado de pneus.


Tinham investido contra a porta do galpão. Tinha começado.
Não senti nenhum temor, não que reconhecesse de todo o
modo. Sentia-me eufórica. Sentia-me poderosa. Teria que
pensar que o diabo estava mal comigo depois. Uma vez mais,
fazendo uma nota mental a respeito de uma lobotomia.

Mas neste momento, minha vida não tinha importância.


Proteger os meninos atrás de mim era a única coisa que
importava.

Ainda vestida com a roupa que tinham me dado antes,


segui os homens e fomos para fora, nos organizamos atrás
das mesas de picnic justo quando dois carros personalizados
e duas caminhonetes pretas entravam em nosso campo de
visão. Oh, merda. Os Loucos tiraram suas armas e fizeram
uma linha mais ou menos reta diante de suas caminhonetes.
Um imbecil, com seu rosto deformado por uma recente surra,
situou-se no centro, com uma AK na mão.

— Por que se escondem ? Não querem brigar, covardes?

Lenny ficou de pé, sua própria AK apontando direto a


quem falava. —Quer voltar para esses carros de merda e
conduzir essa maldita coisa direto de volta de onde vocês
vieram. Não há nada para vocês aqui.

— Oh, estou pensando que há suficiente para nós aqui.


Cocaína, armas, dinheiro, algumas bocetas branquinhas. Sim
o suficiente. Só não parece haver o suficiente de idiotas Fire,
entretanto.

Fry, Mickey e Danny ficaram de pé, com suas armas


apontando. O homem começou a rir.

— Olá meninos. Pensei que íamos ter uma briga esta


noite! Parece que estaremos tirando o lixo Fire de seu lugar!

Fiquei de pé, a M25 apontando para o líder dos Loucos.

— Não tem nem ideia do tipo de briga que está


esperando você, babaca, se não colocar sua bunda fraca de
volta na caminhonete e partir imediatamente. Não vai chegar
perto desta porta.

Ouvi Lenny do meu lado esquerdo dizer:


— Dakota, caralho. No chão!

— É isso! Agora os idiotas do Fire têm bundas reais?


De verdade, chica? Será melhor que escute o menino bonito
aí. Espere-me, entretanto. Quando tiver terminado com o lixo,
voltarei por você. Teremos um muito bom tempo. Talvez
utilize essa grande arma que tem.

Mantive-me firme.

— Só vou dizer isto uma vez. Porei uma bala em seu


olho se der um passo à frente.

Ele abriu completamente os braços, sua AK em uma


mão. Sorriu. E deu um passo para frente. Não hesitei. Ele
caiu, faltando-lhe o olho esquerdo e a maior parte posterior
de sua cabeça. A ideia de que fizesse mal aos meninos que
tinha aprendido a amar em minha nova família, não me deu
tempo para duvidar sobre minhas ações. E, por sorte, não me
deu tempo de pensar no fato de que tinha acabado de tomar
a vida de um homem.

E por um momento, desatou-se o inferno. Os


motociclistas dos Loucos começaram a disparar enquanto
corríamos para nos cobrir. Os Fire Birds se lançaram atrás
das barreiras que tínhamos erguido. Lenny me levou para
baixo com ele.

Ainda estávamos em inferioridade numérica, e os


outros meninos tinham duas grandes caminhonetes para
cobrir. De vez em quando, Lenny ou alguém dispararia para
as beiradas das caminhonetes, mantendo o bando rival em
sua própria cobertura. Não pareciam inclinados a tentar
escapar. Este era um ponto morto, pelo menos até que a
munição se esgotasse de um lado ou do outro.

Depois de quinze minutos, talvez mais, era difícil sabê-


lo, ouvi motos rugindo. O resto dos Fire Birds traziam sua
própria caminhonete, e o bando dos Loucos começou a
disparar contra eles. Dixon, Weston, e Jake abandonaram
suas motos e dispararam em resposta, mas só tinham suas
armas de mão. Mickey abriu a porta do condutor da
caminhonete e disparou através da janela. Não se via Rum.
Isso era mau.

Com os Loucos agora focados nos Fire Birds recém—


chegados, Lenny fez um gesto ao Fry para flanquear e rodeá-
los. Os meninos ficaram de pé. Deixei o rifle de franco-
atirador, girei a AK para frente, e me levantei. Lenny me
despediu com a mão. Mostrei o dedo médio e continuei.

Fry, Aiden e Danny se deslizaram ao redor da


caminhonete mais próxima, dirigi-me com Lenny ao redor da
mais longínqua. Estava saindo detrás da cena completa.
Disparar aos Loucos significava disparar para os Fire Birds.
Assim inclinei a AK ligeiramente para baixo e disparei. Acertei
às pernas de três Loucos em uma só passada, e logo me
coloquei de novo ao redor da caminhonete.

Depois disso, o tiroteio havia terminado em uns breves


minutos, toda a escória dos Loucos morreu. Então Dixon
gritou:
— Traz Tiffany! Rum está ferido! — Voltei correndo à
sede do clube. Tiffany me recebeu com sua arma na mão, e
logo a levantou quando se deu conta de que era só eu. —
Acabou. Dixon está bem. Mas Rum está ferido, Tiffany. Já
estão trazendo ele.

Dirigimos de novo para fora, mas os meninos entraram


pela porta levando Rum inconsciente e sangrando. Jake
estava à frente, sustentando seus ombros. Meu coração caiu.
A cabeça de Jake, os ombros e o peito estavam
absolutamente cheios de sangue.

— Jesus, Jake! Está ferido?

Empurrou-me para passar, sua primeira prioridade era


conseguir um pouco de ajuda para Rum.

— Não é meu, querida. Estou bem.

Dei um passo atrás e saí do caminho. Depois de uns


minutos, Jake, Dixon, e Mickey saíram. Pareciam terríveis,
mas, aparentemente, não estavam feridos. Corri para o
abraço de Jake. Ele era um caos de sangue, mas não poderia
me importar menos. Abraçamo—nos bem apertados durante
um longo e silencioso momento.

Jake nos separou e me estudou. Usei minhas mãos


para limpar o sangue de seu rosto, assegurando-me de que
na realidade não era dele. Parte era dele. Tinha um corte na
sobrancelha, mas pelo resto parecia ileso. Agarrou minhas
mãos e as sustentou contra seu peito.
— O que foi isso, Dakota? O que estava fazendo lá fora?

Lenny se aproximou por trás.

— Dakota estava chutando umas bundas, Jake.


Acabou com o líder.

Jake se voltou para ele.

— Dakota o quê? Ela o liquidou? Colocá-la na frente é


sua maldita ideia de protegê-la?

— Não, é minha ideia de proteger a mim mesma. —


Minha voz era baixa, mas firme, Jake se voltou de novo para
mim. Estava de verdade cansada desta merda machista. —
Quantas vezes temos de falar disto, Jake?

— Vamos, Dakota. Pessoas estavam atirando, não


posso estar terrivelmente irritado por isso?

Tinha muita adrenalina correndo por minhas veias


para deixar que a verdade, que tinha tomado conhecimento
hoje, afundasse realmente.

— Alguém atira em você pelo menos uma vez por


semana! Supõe que tenho que estar de acordo com isso?

Tomei uma pausa. Estava muito aliviada de que estava


bem, muita esgotada, e muita aturdida pelos acontecimentos
da noite para querer esta briga de novo.

— Olha, Jake. Chegaram ao clube. Aqui está cheio de


mulheres e crianças que precisam ser protegidas. Precisavam
de todos os atiradores que tínhamos. Tudo o que fiz foi ajudar
a protegê-los e a mim mesma da forma em que meu pai me
treinou. E, alias, esta noite atravessei com uma bala o globo
ocular e pela parte detrás de uma cabeça de um homem,
assim estou em meu modo meu máximo de enlouquecer
neste momento. Quer ser todo machista e protetor, isso virá
bem a calhar mais tarde, porque tenho certeza que isso vai
me pertubar pelo resto da minha vida.

Jake envolveu sua mão ao redor da parte detrás de


meu pescoço e me beijou na frente de todos antes de me
puxar para seu peito. Fazia-me sentir muito segura no meio
de todo esse inferno.

— Deus. Sinto muito, neném.

Odiava a mim mesma por isso, mas comecei a chorar


de todo o jeito.

Rum tinha recebido um tiro no peito, mas tinha evitado


milagrosamente as coisas importantes, e Tiffany tinha sido
capaz de tirar a bala, costurá-lo, e deixá-lo mais ou menos de
novo em pé. Ajudei-a o melhor que pude. Tinha perdido
muito sangue, mas uma vez que recuperou a consciência
estava firme em que não seria levado para o hospital. No
hospital fariam perguntas, assim ninguém, nem sequer
Tiffany, lutou muito contra ele. Uma vez que estava enfaixado,
foi levado a uma das poltronas e atendido.

O clube faria, cuidaria dele, sob a supervisão de Tiffany,


com a condição de que ele estaria em uma cama de hospital
no primeiro sinal de infecção ou choque. Então Tiffany
costurou a sobrancelha de Jake.

Blaine, um aliado da gangue que tinha conexões dentro


do departamento de polícia, veio, enquanto Tiffany e eu
estávamos trabalhando em Rum. Weston e Dixon falaram
com ele lá fora por um longo tempo.

Não importa o que falaram, o resultado foi que não


haveria sequer uma investigação. Não entendia
completamente como Shadow Beach era capaz de ignorar ou
evitar grande parte disso, mas não me importava muito,
tampouco. A corrupção desbocava na cidade. Não era
ignorante ao fato.

Os meninos estavam juntando os corpos dos Loucos e


empilhando em suas caminhonetes. Enquanto a limpeza
estava em marcha, os principais membros dos Fire Birds
estavam no Lock.

Jake me disse depois que foram tentar encontrar a


razão do ataque. Mas tinham destruído por completo a
gangue dos Loucos, literalmente, matando cada membro, e,
portanto não podiam ver de onde viria qualquer represália.

Inclusive se o ataque tinha sido parte do Pôster Drago,


que neste momento era só um rumor ainda não confirmado,
não era o hábito de o Pôster tomar represálias em nome de
um jogador menor, a menos que fosse parte dos termos
negociados.
Assim, passava da meia—noite, quase todo mundo
voltou para casa. Dixon e Tiffany iam ficar para cuidar de
Rum. Jake e eu estávamos pondo as coisas em ordem no
clube. Mesmo após tentarmos nos limpar, nós dois estávamos
ainda estávamos mais ou menos, cheios de sangue. Jake
sobre tudo com o de Rum e o do cara do Loucos que tinha
atirado no rosto. Eu estava empapada no que tinha recolhido
de Jake, assim como um pouco de Rum por ajudar a Tiffany.

Estava pegajosa e exausta e dolorida em cada átomo.


Estava sentada, só no bar, depois de terminar meu muito
necessário quarto copo de tequila, com minha cabeça em
meus braços.

Jake ficou atrás de mim e me envolveu em seus braços.


Endireitei para que pudesse me rodear de forma mais
completa e apoiei nas costas contra ele. Beijou um lado de
minha cabeça e me sussurrou:

— Vamos, neném. Vamos para meu quarto — Assenti.


Tomou a mão e me levou de volta.

Assim que fechou a porta, de novo ficou atrás de mim e


me envolveu em seus braços. Inclinou-se e apertou seu rosto
no oco de meu ombro. Dei a volta e me aconcheguei contra
ele, meus punhos agarrando sua camisa, minha frente contra
seu peito. Sustentou-me por um tempo, e logo senti seu beijo
em minha cabeça, no meu ouvido, na minha bochecha.

Inclinei minha cabeça para cima e ele pressionou sua


boca contra a minha, com suavidade. Movi minhas mãos
para cima e atrás de sua cabeça, debaixo do gorro de lã, em
seu cabelo, e o apertei com mais força para mim. Ele gemeu,
e deslizei minha língua em sua boca. O sabor metálico do
sangue era forte. Pude provar em nosso beijo.

Pegou-me e me levou ao banheiro. Ligou a ducha com


água quente, e despimos um ao outro. Nenhum de nós ainda
havia dito nenhuma só palavra. Tomamos banho juntos,
lavando o sangue e a sujeira da noite. A água formava
redemoinhos espessos e vermelhos pelo sangue.

A ducha era pequena e Jake era grande, assim


estávamos enredados muito juntos. Inclinei minha cabeça
para trás para enxaguar o xampu no cabelo e de meu rosto
cansado, permanecendo sob o calmante jato, meus peitos
pressionados contra o peito duro de Jake.

A sensação escorregadia quente de pele contra pele fez


com que meus mamilos sentissem cócegas. Ouvi cantarolar
profundamente e senti uma mão em minha bunda,
apertando-me mais completamente contra ele, e sua outra
mão sobre meu peito, sobre minha clavícula, seus dedos se
fecharam ao redor de meu pescoço. Seu pau estava duro
entre nós.

Levantei de novo minha cabeça. Seus olhos azuis


estavam como uma névoa, sua boca estava ligeiramente
aberta, sua respiração era pesada. Agarrei seu rosto úmido e
bem barbeado e puxei sua boca para a minha. Deslizou sua
mão em meu cabelo e me beijou, com força e profundamente.
Colocou a mão atrás de mim para fechar a água e logo nos
levou, ambos ainda gotejando, à cama.

Colocou-me na cama. Enquanto estava ao meu lado,


dei a volta sobre meu estômago e girei minha cabeça para ele.
Levantei meus quadris da cama um par de centímetros,
empurrando minhas nádegas molhadas para cima, e meneei
meus quadris só um pouco antes de descansar de novo na
cama.

Vi-o assimilar a glória presente, e logo senti sua mão


em meu ombro. Moveu-se para deixar seu lado contra mim,
apoiado em um cotovelo, e lentamente moveu sua mão ao
longo de minhas costas, sobre a curva de uma nádega,
permanecendo ali por um segundo, e por minha perna.
Agarrou minha coxa e a devorou, estendendo minhas pernas.

Rodou e se moveu para ficar de joelhos entre minhas


pernas. Inclinou para frente, com as mãos na cama junto aos
meus quadris, e podia sentir as pontas úmidas de seu cabelo
e queixo deixando, atalhos espinhosos e frescos ao longo de
minha pele enquanto beijava seu caminho através e para
baixo de minhas costas. Senti sua língua girando ao redor
das covinhas nas costas embaixo. E logo suas mãos estavam
amassando minhas nádegas e coxas, com os polegares cada
vez mais e mais perto de meu núcleo pulsante.

Fiquei de joelhos, e ele deslizou uma mão entre minhas


pernas para tocar meu clitóris e logo empurrar seus dedos
dentro de mim. Senti seu contato direto através de minha
coluna vertebral, fiquei sem fôlego e resisti. Seus dedos
estavam molhados, e deslizou para trás ao longo de minha
fenda, rodeando as pregas do meu ânus. Deslizou um dedo
dentro, e gemi e me impulsionei para trás, para ele.

Olhei pra ele por cima do ombro.

— Podemos tentar.

Jake gemeu e girou seu dedo dentro de mim.

— Tem certeza, neném?

O que estava fazendo era incrível.

— Mmmm. Sim. Por favor. Mas lento. — Apertei ao seu


redor.

Ele gemeu de novo. Deslizou seu dedo para fora e


acrescentou outro, estirando-me mais. A pressão era forte e
doce, e meu clitóris palpitava. Ele moveu suavemente os
dedos várias vezes e logo os abriu como uma tesoura dentro
de mim. Estava ofegando e tão molhada que podia sentir a
excitação gotejando ao longo de minhas dobras.

Sem retirar os dedos, Jake empurrou em meu interior,


usando minha excitação como lubrificante.

— Oh, neném, está tão molhada — murmurou. Tirou e


se moveu suavemente ficando de joelhos.

Logo deslizou seus dedos fora de mim e se colocou em


posição, empurrando primeiro suavemente contra a apertada
abertura. Deixei cair meu peito até o colchão, abrindo-me
mais para ele. Empurrou com mais força, entrando em mim e
parando uns centímetros dentro. Eu ofegava e gemia. A
pressão era intensa.

— Caralho, Dakota — disse com voz entrecortada. —


Está tão quente e apertada. Está bem?

— Sim, continua. Jake...

Deslizou para trás até que só sua ponta estava em mim,


e logo empurrou mais dentro. Gemi.

— Não deixe que machuque você, neném. Por favor,


diga-me isso antes que machuque você — sussurrou.

Estava ofegando e cambaleando, era difícil falar.

— Está bem. Mais.

Uma vez mais foi para trás e empurrou mais. Tinha


tomado quase tudo dele agora. Gemi e me dobrei.

Ficou sem fôlego quando me movi, e ele apertou os


dedos ao redor de meus quadris.

— Oh, Jake. Sinto-me tão malditamente bem. —


Apertei todos os músculos que importavam, e ele grunhiu
asperamente.

Tão rápido que quase tinha que ser um reflexo, foi para
trás e logo entrou completamente em mim antes que eu
soubesse muito bem o que estava acontecendo. Gritei. Forçou
para frente que me fez perder o equilíbrio e quase me
esmagou na cama. Ele passou um braço ao redor de minha
cintura e me levantou. As mudanças bruscas de ângulo e
penetração eram incrivelmente intensas, e gritei de novo.

Jake se sentou sobre os calcanhares e me levou ao seu


colo, avermelhada contra seu peito. Apertou a boca contra
meu ombro, podia sentir sua respiração pesada contra minha
pele. Ele levantou seus lábios ligeiramente e perguntou:

— Isto é bom, neném?

Estava completamente dentro de mim, mas me


mantendo quieta, deixando que adaptasse ao seu tamanho. A
pressão de seu pau me enchendo dessa maneira era
arrebatadora. Sentia-me estirada e completa e tão excitada
que não podia pensar.

— É tão bom. Você?

— Isto é mais que incrível. – Mordeu meu ombro.

Aferrei suas pernas entre as minhas e flexionei os


quadris, fazendo-o gemer. Tomou minhas mãos e as levantou
para que as colocasse atrás de sua cabeça, e logo riscou
lentamente seus dedos ao longo de meus braços até que
encontraram meu peito. Apoiei a cabeça em seu ombro.

Tomou meus peitos em suas mãos, movendo seus


polegares por meus mamilos eretos. Todas minhas
terminações nervosas sentiram—se eletrificadas, e a sensação
de suas mãos e seus dedos em meus peitos era quase muito
para suportar. Comecei a flexionar os quadris contra ele, por
isso a pressão dentro de mim pulsou. Ele começou a beliscar
e retorcer meus mamilos. Minha respiração era pesada, em
suspiros e gemidos. Agarrei um punhado de seu cabelo
molhado.

Deixou cair sua frente em meu ombro, ofegando.


Começou a oscilar suavemente um tempo comigo. Estávamos
nos movendo juntos. Nosso ritmo cada vez mais rápido. Eu
estava perto, percebi que ele também estava. Senti que uma
de suas mãos deixou meu seio e passava por meu abdômen
para ficar entre minhas pernas, e fazer círculos apertados e
firmes em meu clitóris.

Então sua mão se deslizou mais para baixo, e senti


seus dedos deslizando-se em mim.

— Foda, Jake, sinto-me tão bem... — Tinha minha


pélvis em um apertão, seus dedos dentro de mim, com a
palma da mão contra meu clitóris. Sua outra mão seguia
amassando e beliscando meu peito. Ele estava me
estimulando em todas as formas imagináveis. Tanto física
como mentalmente.

Minha necessidade era enorme e estava se construindo.


E então lá estava. Inclinei-me para frente, minhas mãos
baixando para segurar em seus joelhos, e resisti com
urgência contra suas investidas, sentindo que o estiramento
era muito, gritando quando finalmente alcancei o ponto
máximo. Com um rugido, Jake levantou os calcanhares e me
empurrou para baixo sobre a cama, com as mãos em meus
quadris, empurrando dentro de mim até que explodiu dentro
de mim.
Desabou sobre mim, pressionando-me contra o colchão
por um momento, antes de recordar a si mesmo. Tremendo,
saiu com cautela, pouco a pouco de mim. Doeu, mas me
detive mesmo antes de fazer o menor ruído. Deslizou ao meu
lado, uma de suas grandes pernas envolta sobre a minha,
seu enorme braço ao redor de minha cintura.

Nós dois estávamos ofegando. Senti-me completamente


exausta e esgotada. Jake tirou o cabelo de meu rosto.

— Neném? Dakota? Está bem?

Estava, mas também estava atordoada e dolorida.

— Estou bem. Isso foi bom. Muito, muito bom. Não é


uma coisa cotidiana de acordo?

— Estou de acordo. Jesus Cristo, isso foi intenso. Tem


certeza de que está bem?

Sorri e estiquei minha mão passando meus dedos por


sua bochecha.

— Eu estou bem, menino mau. Acredito que vou querer


outro banho, entretanto. Quer se unir a mim?

Jake pressionou minha mão em seu rosto.

— É obvio. — Comecei a me afastar e me endireitar,


mas me sustentou contra ele.

— Desejaria que soubesse fazer você entender quanto


eu amo você.
— Faz. De muitas maneiras. — Dei a volta para
enfrentá-lo e acabei em seu abraço. Sim, estava
definitivamente dolorida. Esqueci-me disso enquanto nos
beijávamos, um lento e doce beijo explorando suavemente.
Quando terminou, dei a volta, com cuidado, e sentei em um
lado da cama, lentamente. Não queria que Jake notasse que
estava dolorida, sabia que ia entender mal. Não tínhamos
feito nada que não queria fazer. Demônios, eu tinha
começado, e o prazer tinha sido indescritível. Mas ele era
grande, e estava sentindo isso agora.

Fiquei de pé e lentamente me dirigi ao banheiro. Jake


não demorou em chegar ao redor da cama e me agarrar pelo
cotovelo.

— Dakota. Você não está bem. — Abri a boca para


dizer, uma vez mais, que estava bem, mas me interrompeu.
— Por favor, apenas me diga.

Droga! Olhei-o, pesando minhas opções. Queria manter


estas festividades no cardápio, mas sabia que ele sabia que
estava sentindo alguns efeitos colaterais. Suspirei.

— Estou um pouco dolorida, sim. Estou bem, só


dolorida. Não quero assustar você. No que se refere a mim
valeu a pena, mas é por isso que não quero que isto seja algo
cotidiano. Mas tampouco não quero nunca voltar a fazer.

A preocupação era evidente em seu rosto, mas me


beijou na frente.
— Obrigado por ser honesta. Vamos falar em outro
momento sobre se faremos de novo.

Logo me levantou suavemente em seus braços e me


levou para o banho, onde me lavou com ternura. Depois, me
levou de volta à cama, me aconcheguei ao seu lado.

Quando a luz do amanhecer estava começando a


superar a noite, despertei excitada. Jake estava deitado em
frente a mim, acariciando-me, passando suas mãos
ligeiramente para cima e para baixo ao longo de meu braço,
minha perna, por minhas costas, sobre a curva da minha
bunda.

Abri os olhos para vê-lo apoiado em um cotovelo e me


olhando. Quando viu que estava acordada, inclinou-se e
tocou sua frente com a minha.

— Deixe-me entrar, Dakota. Quero amar você


calmamente.

Ainda com névoa de sono, rodei sobre minhas costas.


Deu a volta comigo e se instalou na parte de cima, suas
pernas entre as minhas. Estava apoiado em seus antebraços,
com as mãos em meu cabelo. Inclinou e me beijou
suavemente, seus lábios movendo suavemente sobre os meus.
Devolvi o beijo, mas não tentei aprofundar, suave soava
bastante bom agora.

Durante muito tempo ficamos assim, nos beijando


suavemente, com as mãos de Jake atadas em meu cabelo,
com meus braços ao redor de suas costas, seu pau entre nós,
duro mas quieto. Finalmente, não pude suportar mais. Minha
boceta estava úmida e palpitante. O queria em mim. Apertei
minhas mãos contra suas costas empurrando-o mais para
perto de mim, e deslizei minha língua em sua boca. Grunhiu
e aprofundou o beijo comigo, mas não se moveu.

Levei as minhas pernas acima para envolvê-lo, e virei


bruscamente quando meu corpo recordou a respeito da noite
anterior. Jake se levantou imediatamente, olhando-me
preocupado.

— Oh, merda, Dakota. Está realmente machucada.


Puta que pariu. –levantou para longe de mim como quisesse
se afastar. Sustentei-o muito perto de mim. — Não quero
parar, quero que me ame agora. Suave, como disse. Por favor.

Não tinha sentido dizer que estava bem. Estava, de


verdade, mas também estava um pouco machucada.

Olhou inseguro. Envolvi minhas pernas ao redor dele,


agora que já estávamos ao lado de seus quadris, não doeu, e
apertei. Soltou um comprido suspiro e me beijou de novo, sua
língua sondando minha boca. Logo se inclinou para um lado
e moveu sua mão para baixo para se posicionar em minha
entrada. Deslizou em mim lentamente. A dor que sentia
embaixo aumentou minha sensibilidade, ofeguei e fechei os
olhos.

Jake parou. Abri os olhos para ver que me observava


com atenção, preocupado.
— Não, Jake. Está bem. É muito bom. — Flexionei
meus quadris um pouco, e ele fechou os olhos e empurrou o
resto do caminho. Moveu lentamente, seu ritmo constante.
Beijou-me de novo e não parou. Ele nunca tinha sido tão
suave. Relaxei no prazer, flutuava sobre ele. Virei-me para
poder envolver meus braços ao redor de seu pescoço e passar
meus dedos por seu glorioso cabelo.

Ficamos assim, conectados, ele movendo dentro de


mim, levando—nos para algo longínquo, por um longo tempo.
Então, finalmente, algo em meu prazer mudou e precisava de
mais. Gemi e me flexionei. Senti um pouco de dor, mas não
me importava. Tentei levar Jake mais profundo.

Ele estava respirando pesadamente, e sabia que estava


sentindo o que eu estava sentindo, mas mesmo assim resistia
aos meus intentos de escalar.

Não empurraria mais forte, não se moveria mais rápido.


Levantou seus lábios dos meus.

— Shhh, neném. Calma. Relaxe e deixa que chegue.

Gemi de frustração, mas retrocedi e tentei relaxar,


fechando meus olhos. Podia senti-lo tremendo, tentando se
conter, mas mesmo assim ficou estável, me beijando,
empurrando profundamente mas com suavidade dentro de
mim, seu ritmo inalterável. Continuamos assim durante o
que pareceu uma eternidade, meu prazer expandindo tão
sutilmente que me surpreendeu quando percebi que estava a
ponto de gozar.
Meus olhos se abriram de repente. Estava justo aí, com
os olhos azuis como o mar me olhando fixamente, os sinais
de seu esforço escritos em todo seu rosto. Estava ofegando e
gemendo e de repente tão perto.

— Jake... Jake — ofeguei.

— Agora. Preciso me mover.

Ele assentiu com a cabeça. Flexionei minhas pernas e


meus quadris. Apenas percebi uma pontada de dor. Gemi. Ao
mesmo tempo, Jake gemeu:

— Oh, neném, vou a... — e empurrou dentro de mim


tão longe como podia tomá-lo e se manteve aí.

Abraçamos—nos muito apertados dessa maneira,


pulsando, até que gozei. Uns segundos mais tarde pude
sentir a erupção cálida dentro de mim, enchendo-me com seu
amor.

Então Jake saiu suavemente de mim e se moveu ao


meu lado, aconchegando-me com ele. Virei-me para trás para
me acomodar em seu abraço. Enlaçamos os dedos, e Jake me
acariciou o pescoço.

— Amo você — sussurrei.

— Dakota, eu amo você mais — respondeu.

E dormimos outra vez. Nossos sonhos nos reunindo de


novo em um mundo perfeito, livre de derramamento de
sangue e dos pecados de nosso passado.
Capítulo 11

Jake
Aproximei-me por trás de Dakota e passei um braço ao
redor da sua pequena cintura. Com a outra mão, movi a
grossa cortina de seu cabelo escuro para o lado e dei um beijo
no oco de seu ombro e pescoço. Respirei fundo e saboreei seu
perfume.

— Você está pronta bela? – Ela se aninhou entre meus


braços por um segundo, esticou sua mão e passou os dedos
pelo meu cabelo. Depois fechou o zíper da sua mochila.

— Sim. Você quer que eu chame Tiffany e verifique se


estão prontos para ir?

— Não. Vou ligar para Dixon. — Nós estávamos indo


para o sul. Dixon e eu tivemos que atender um contato em
Winterhaven, que deveria ser de baixo risco, como eram as
nossas merdas agora, e Dakota estava dando uma palestra
ou algo assim em uma conferência em San Diego, durante
suas férias de primavera. Então decidimos combinar os dois,
levar Tiffany e tirar umas férias.

Dakota me convenceu a fazer uma parada em Riverside


para que pudesse conhecer minha filha. Isso me deixou
nervoso, mas ela tinha razão. Eu não podia me comprometer
completamente com ela sem que conhecesse minha filha.

Dakota tinha reservado para nós quartos conjugados


no hotel da conferência, na praia. Iríamos de moto, e
alugaríamos um carro para ver Ellie. Estaríamos fora cinco
dias. Com dois dias viajando, de ida e volta, e um dia para
nossos diversos trabalhos, e se tudo corresse bem vamos ter
um ou dois dias para descansar.

Seria malditamente bom se tudo corresse bem, pelo


menos uma vez.

A viagem foi boa, uma maravilha. Tínhamos saído cedo


e fizemos um bom tempo, paramos só uma vez, para colocar
gasolina e um rápido almoço, para que pudéssemos chegar a
San Diego antes que escurecesse.

Eu adorava viajar na Shovelhead com Dakota. Era uma


moto grande, com um excelente avanço. Apesar de ela ter me
dado de presente, eu pensava nela como nossa moto, e nunca
a montei sem ela. O assento era do tipo em que nos
sentávamos quase no mesmo nível, Dakota ficava mais alta
na minha Dyna, e eu amei a sensação de tê-la completamente
atrás de mim. Para dizer a verdade, eu amei demais, tomou-
me um grande esforço manter a concentração na estrada,
quando podia sentir suas coxas ao longo das minhas, seus
seios contra minhas costas e seus braços ao redor de minha
cintura.
Fiquei impressionado que Dakota e Tiffany trouxeram
só uma mochila. Uma das muitas vantagens de amar uma
garota que sabe ficar feliz com pouco. Tudo o que nós quatro
precisávamos para a semana estava em nossas mochilas,
inclusive as coisas que Dakota precisava trazer para o
trabalho. Além disso, eu sabia com certeza que algumas de
suas roupas não ocupavam muito espaço, seu traje de banho,
por exemplo. Eu estava realmente esperando que houvesse
uma oportunidade para ela colocar essa pequena coisa.

Era final de março. O tempo que nós havíamos deixado


para trás em Shadow Beach estava nublado e frio, mas
oitocentos quilômetros ao sul estava claro e com um calor
insuportável, especialmente no período da tarde quando
chegamos ao hotel. Era o mais bonito que eu já fiquei. Dakota
estava pagando a conta para todos nós. Eu fico incomodado
quando ela gasta muito seu dinheiro, não porque tinha um
problema sobre ela ter mais dinheiro que eu, mas sim porque
não queria que a gangue escutasse por aí sobre seu dinheiro.

Especialmente Weston que veria isso como a conta


poupança privada dos Fire Bird.

Não gostava de mentir, mas tive que inventar uma


história, de que a universidade cobria o custo do nosso
quarto e que tinha pontos de associação do hotel para cobrir
o quarto do Dixon e Tiffany.

Era um hotel suficientemente agradável para que o


pessoal se deixasse intimidar por uns motoqueiros tatuados,
com nosso couro e carteiras com correntes, mas também era
suficientemente agradável para que fossem muito
profissionais e não fossem muito óbvios a respeito de seu
desagrado. Só o suficiente para se certificar de que nós o
sentíssemos.

Afastando—nos da recepção depois que nos


registramos, Dixon e eu trocamos um olhar irritado, mas
Dakota deixou livre seu perverso senso de humor. Deixou cair
sua mochila, saltou nos meus braços e me agarrou, bem no
meio do saguão. Logo me deu um longo beijo, fiquei surpreso,
mas, agarrei a sua bunda e a beijei.

Quando terminou, se afastou de mim, pegou sua


mochila, voltou e sorriu para a perplexa atendente, e
caminhou para os elevadores, com as fivelas nas laterais de
suas botas tinindo.

Eu ri com o pensamento de que a minha descarada


garota era uma das oradoras de uma conferência milionária,
e que estava aqui para dar o seu discurso. Eu me perguntava
o que a esnobe atendente da recepção pensaria sobre isso.

Nossos quartos eram perto, mas mantivemos as portas


de comunicação fechadas, concordamos em ficar algum
tempo sozinhos e depois sair para comer um pouco. Era um
quarto muito bonito, não extravagante, tinha uma cama
king—size e uma pequena sacada com vista para o oceano.
Dakota abriu a porta da sacada e saiu. Ela inclinou sobre o
corrimão e observou as ondas baterem contra a areia.
Eu apenas olhava sua bunda. Nada ali fora era tão
bonito como a bunda da Dakota.

Eu me aproximei dela por trás, agarrei seus quadris e a


puxei para mim. Esse não tinha sido o primeiro pensamento
sexual que tinha tido a respeito dela, e ainda parecia como
uma fantasia cada vez que fazia. Eu já estava duro desde a
viagem, desde o maldito beijo quente lá embaixo, e ainda
mais vendo ela inclinada sobre o corrimão.

Meu pau estava latejando. Quando Dakota moveu seus


quadris esfregando-o de lado a lado contra mim, rosnei e a
apertei mais firme.

Ela se virou, esfregando-se contra mim o tempo todo.


Deslizei minhas mãos ao redor de seus quadris e pelas costas,
até sua cabeça, apertando-a contra mim enquanto enroscava
meus dedos em seu sedoso cabelo. Eu me abaixei, e ela
enrolou seus braços apertados ao redor do meu pescoço.
Cobri sua boca com a minha e gemi quando nossas línguas
se encontraram.

Fiquei de pé, com as costas retas enquanto nos


beijávamos, puxando-a, até ela ficar na ponta dos pés. Senti
suas mãos debaixo do meu gorro, em meu cabelo, puxando
minha cabeça em sua direção. Deslizei minhas mãos por
suas suaves costas e por cima da sua bunda até agarrar
suas coxas, então a levantei do chão. Quando ela envolveu
suas pernas ao meu redor, dei a volta e nos levei de volta ao
quarto.
A cama estava coberta de coisas, nossas mochilas, sua
jaqueta, minha jaqueta, e eu não queria deixar de tocá-la
para abrir espaço. Então fomos para o chão. Ela tirou meu
gorro. Levantei minhas mãos e a olhei. Ela estava ofegante e
ruborizada, seus lábios já vermelhos estavam ainda mais, por
causa do nosso beijo. Jesus, ela é a personificação da beleza.

Ela puxou a barra da minha camisa, e eu a passei por


cima da minha cabeça e a joguei para o lado. Fechei meus
olhos com um gemido quando ela arrastou suas unhas sobre
meu peito. Eu me sentei sobre meus calcanhares e suas
pernas caíram ao meu lado. Pouco a pouco soltei os pequenos
botões de pérolas da sua camisa branca de algodão, puxando
a barra das suas calças jeans. Seu sutiã abria na parte da
frente; Dakota arqueou as costas quando soltei o fecho com
uma só mão. Inclinei-me sobre ela e coloquei os lábios sobre
um precioso mamilo e logo no outro. Dakota gemeu e apertou
suas mãos em meu cabelo, puxando-me para mais perto, eu
a chupei até que ela ficou ofegante se contorcendo embaixo
de mim.

Ela gemeu e disse — Por favor, Jake! – eu me afastei, e


ela gemeu, flexionando os quadris para mim, eu a empurrei
de volta para o tapete com uma mão, avançando lentamente
para baixo, para descansar a palma da mão contra o
montículo entre suas pernas. Pude sentir seu calor através
das suas calças jeans. Fechei os olhos outra vez e lutei para
me controlar.
Passei minha outra mão por sua bota, desde seu joelho
até o tornozelo, sentindo cada fivela raspar ligeiramente
minha palma. Tirei uma e logo fiz o mesmo com a outra. Ao
mesmo tempo, Dakota tirou o cinto e desabotoou o jeans.
Joguei sua segunda bota para o lado e levantei suas pernas,
colocando-as sobre meus ombros. Agarrei a cintura da sua
calça e tirei sua calça jeans e calcinha em um só movimento,
jogando-os atrás de mim. Olhei para baixo, para as suas
longas coxas até o ponto onde se uniam. Ela brilhava pela
umidade.

— Jesus, Dakota.

Ela rolou seus quadris e gemeu.

— Vamos logo, menino mau. Estou esperando. —


coloquei suas pernas para baixo, uma a cada lado de mim, e
desabotoei os jeans antes de ficar em cima dela. Ela levantou
suas pernas, em seguida usou seus calcanhares para
empurrar minhas calças jeans para fora da minha bunda.
Esticou sua mão entre nós e agarrou meu pau, grunhi
enquanto ela apertava e puxava suavemente, guiando-me
para ela. Eu a beijei, enquanto entrava totalmente nela em
um longo e forte movimento. Ela afastou sua boca,
arqueando as costas ofegando.

— Eu me sinto incrível... — disse. Na viagem, eu fiquei


pensado em um sexo lento, doce e suave em um bom hotel,
mas aqui estávamos, no chão, e qualquer ideia de lento ou
calmo fugiu da minha mente enquanto seus músculos
apertavam ao redor de meu pau e ela empurrava seus
quadris para cima com força.

Dakota não estava acostumada a ter paciência para


sexo doce, e agora mesmo eu não tinha a paciência para
acalmá-la. Eu ri, mas saiu mais como um gemido.

— Ok tigre, vamos – ela disse. Tirei quase tudo dela e


empurrei de novo. Ela gritou e senti suas unhas cravando em
meus braços.

Logo ela empurrou meus ombros. Sabia o que isso


significava. Dei a volta, colocando-a por cima.

Ela subiu em mim, e agarrei seus quadris enquanto ela


levantava sobre mim, suas unhas penetrando meu peito. Vi
seu rosto enquanto ela se mexia, e segurei meu olhar com o
dela. Então ela fechou os olhos, seus quadris movendo-se
com mais força e rapidez, inclinei minhas pernas meu quadril
batendo contra o dela. Arqueando suas costas ela gritou,
suas unhas afiadas desenharam linhas para baixo em meu
peito. Sentei e fui com meu próprio ritmo, gozando com um
longo grunhido rouco.

Ofegando, eu relaxei de novo no chão, e a arrastei


comigo até meu peito. Envolvi meus braços ao redor dela e a
abracei.

— Bem vindo a San Diego — disse contra minha pele.

***
Quando acordei na manhã seguinte, percebi
imediatamente que estava sozinho no quarto. Levantei a
cabeça e olhei ao redor. Ainda não eram sequer 07h00min
horas. Havia um bilhete sobre o travesseiro de Dakota, "na
praia". Meus lábios se curvaram para cima, ela desenhou um
coração no cantinho do papel de carta do hotel ,
espreguiçando eu sentei e passei as mãos pelo meu cabelo.

Caminhando para o banheiro, peguei minhas calças


jeans do chão perto da porta, sorrindo com a lembrança de
trazer uma Dakota feliz e bêbada de volta ao hotel, logo
depois da nossa noite com Tiffany e Dixon em um passeio à
beira mar. Se fosse por ela eu teria perdido essas calças jeans
no elevador, enquanto Dixon e Tiffany olhavam.

Surpreendeu-me que ela estivesse acordada e fora tão


cedo, por outro lado, nunca a vi de ressaca.

Ela não se embebedava frequentemente, mas quando


fazia nunca parecia sentir nenhum efeito negativo, não pela
bebida de qualquer maneira.

Saindo do banheiro eu caminhei até a sacada. O ar da


manhã estava um pouco frio no meu peito nu, mas mais
quente do que eu esperava. A praia do hotel era privada e
estava quase vazia, exceto por um casal de corredores, e
Dakota.
Ela estava a uns dez metros mais ou menos das ondas,
na areia, a uns cinquenta metros de mim, de pé no que
parecia uma toalha do hotel, vestida em uma calça branca
apertada e uma camiseta roxa folgada.

Ela estava fazendo ioga. Olhei em transe, quando seu


corpo ágil e bonito se movia com fluidez, em uma longa série
de posições complicadas. Eu nunca a tinha visto fazer ioga
antes. Eu gostaria de estar mais perto, mas também gostei de
observa—la em um momento particular.

Ao ver seu corpo se dobrar e ficar em equilíbrio, eu


entendi por que não havia uma posição sexual que
tentássemos que ela não conseguisse fazer, ela podia fazer
seu corpo fazer o que ela quisesse. Olhei quando ela arqueou
as costas dobrando-as profundamente, e mantendo-se assim.
Logo mudou outra vez, e acabou aberta. Jesus. Ela inclinou
em seus braços e puxou as pernas de alguma maneira que
seu peito ficou sobre o chão, com as pernas completamente
estendidas a cada lado, eu comecei a desejar que ela voltasse
para o nosso quarto.

Mudando de novo, ela cruzou as pernas e apoiou as


mãos em seus joelhos, suas costas eretas, ficando ali sentada,
completamente imóvel, por um longo tempo. Estava
meditando. Eu acho que provavelmente eu deveria deixar de
olhar, mas me encontrei obcecado com a visão de Dakota em
frente ao mar, com a brisa do mar da manhã balançando seu
rabo de cavalo sobre suas fortes e eretas costas.
Depois de vários minutos em que fiquei tão imóvel
quanto ela, ela desdobrou suas pernas e levantou, e se
inclinou pela cintura, o rosto contra as pernas, levantando
ela sacudiu seus braços e pernas depois agarrou a toalha e
começou a caminhar de volta ao hotel. Na metade do
caminho, levantou a vista para o edifício, como se estivesse
me buscando. Viu-me e sorriu amplamente, lancei um beijo e
ela apressou seu passo, correndo sobre os montes de areia de
volta ao hotel.

Ouvi meu telefone tocando na mesa, então voltei para o


quarto e o peguei. Dixon.

— Sim, cara — respondi.

— Deveríamos estar a caminho, para nove horas


realizar essa reunião. São uns setenta quilômetros de
distância, mas Tiffany quer café da manhã. — Olhei para o
relógio perto da cama: 07h30.

Dakota não estava acostumada a tomar café da manhã,


e eu tampouco. Tomar café no quarto seria suficiente para
nós.

— Tudo bem. Dakota tem sua coisa essa manhã. Ela


esteve se exercitando, então não vai estar pronta para comer.
Vão em frente e tomem o café da manhã. Nós nos vemos
depois. Só batam primeiro na porta.

— Claro irmão. Até logo.

Dakota entrou quando desliguei o celular.


— Oi querida. Como foi seu exercício?

— Realmente excelente. Como eu esperava que fosse.


Eu amo o oceano. Estava me olhando? – Aproximei-me e a
puxei para meus braços.

— Estava. Espero que esteja tudo bem. Não queria


interromper você. — Sorri. — Mas asseguro que eu gostei de
olhar para você. — Inclinei e a beijei suavemente, passando
minha língua pelo contorno de seus lábios carnudos e doces.
Ela gemeu suavemente.

—Eu gosto que tenha visto – ela gemeu.

Agarrei sua bunda e a puxei contra mim, o que


aumentou o calor em nosso beijo. Correspondeu por uns
breves segundos, mas logo se separou.

— Desculpa menino malvado, mas vamos ter que


deixar isso para mais tarde. Tenho que tomar banho e me
arrumar para o meu discurso.

— Eu poderia ajudar você no banho... — Ela riu e


passou as mãos por meus braços.

— Ajudar—me? Humm. Bom, eu tenho esses lugares


que são de difícil acesso.

Peguei-a nos braços e a levei para o banheiro.

Mais tarde, eu estava nu na cama, apoiado contra a


cabeceira, e observei se arrumar para a conferência. Nunca
tinha visto ela se vestir dessa maneira antes, era estranho.
Inclusive quando dava aulas ainda se vestia como Dakota,
mas agora estava toda uniformizada.

Com uma saia negra justa, que abraçava a sua bunda


perfeitamente, um blazer negro, a blusa que tinha usado na
primeira vez que fui a sua casa, sapatos negros baixos, e
óculos. Ela ajeitou seu cabelo em uma trança complexa.
Ainda estava bonita, como poderia não estar? Mas também
parecia ser uma vendedora de imóveis.

— Porque está vestida assim, baby? Esse não é o seu


verdadeiro estilo, certo?

— Não há ninguém mais convencido que um


arqueólogo, e essa conferência vai estar cheia deles. Já tenho
suficientes problemas escutando que eu além de ser mulher
sou muito jovem para saber algo, e para eles me respeitarem.
Minha investigação é de máxima qualidade e muito eficiente,
então eles sempre procuram qualquer falha para me atacar.
Se eu colocar as botas, despedem—me antes mesmo de eu
abrir a boca.

Nas conferências menores nós até podemos ser mais


suaves, vestindo—nos como nós mesmos. Mas essa é uma
grande conferência internacional, e todos os idiotas vêm para
ela. Por isso estou tão formal. Quando você andar hoje pelo
hotel, verá que todas as mulheres se vestem igual.

— Espera, atacar você? O que isso quer dizer?

Ela começou a rir.


— Não é o que está pensando. Embora a ideia de todos
esses velhos chatos se jogando para mim é hilariante. Não, eu
quero dizer verbalmente. Estou preparada para que um
montão de velhos, e também alguns mais jovens, falem
merda sobre meu trabalho essa manhã. Talvez até sobre mim
pessoalmente. Quando realmente nós formos debater, quem
sabe.

Sentei-me na cama, erguendo-me a seguir.

— Mas que diabos? — Ela sentou na beira da cama e


me empurrou contra a cabeceira.

— Não venha todo "super macho" comigo menino mau.


É parte do meu mundo. Estou acostumada a eles. Estou
preparada para isso. Dou o melhor que posso dar. Vou calar
a todos, não se preocupe. E logo que a minha parte tenha
terminado, vou sair da conferência e jogar com meu homem
favorito. Então vou ficar bem. – Ela inclinou e me beijou. —
Mas tenho que ir. Vou ver você quando voltar, certo? Só se
certifique de estar bem sexy para mim Jake.

— Está bem, boa sorte. Amo você.

— Amo você, se cuida. – ela começou a rir.

— Você também, aparentemente. – Ela me lançou um


beijo e desapareceu da minha linha de visão.

***
Correu tudo bem na reunião. Obrigado porra! As
poucas coisas que tinham que ver com a gangue nesses dias
saíram como o planejado. Eu estava muito mais preocupado
com isso do que demonstrava para Dakota. Depois de meses
de distribuir drogas para pequenas gangues, eu tinha
aprendido a sempre esperar sangue, inclusive em pequenos
trabalhos.

Entretanto não houve sangue nessa ocasião. Ótimo


trabalho em poucas horas. Dixon chamou Weston e
compartilhou as boas novas. Então nós voltamos para San
Diego para nossas garotas.

Estava ficando tarde e com um calorão de verão


quando voltamos para o hotel. Seus quartos estavam vazios,
mas a nota que Dakota deixou pela manhã estava jogada na
cama feita, agora com um coração extra. Chamei Dixon
através da porta que conectava os quartos.

— Acho que estão na praia.

— Sim, é o que parece. – Fui em minha habitual calça


jeans e minha camiseta preta, nem Dixon nem eu somos o
tipo de homens de praia, especialmente em um território
desconhecido.

Encontramos Dakota e Tiffany deitadas nas


espreguiçadeiras do hotel. Bebidas misturadas com fruta
estavam em cima de uma mesa entre elas. Estavam deitadas
em silêncio, talvez tirando um cochilo. Agarrei o braço de
Dixon, nós dois paramos a alguns passos de distância e
admiramos a vista.

Minha atenção estava em Dakota. Usava esse biquíni


que tinha guardado. Tinha uma estampa de borboletas
vermelhas azuis e brancas. Era praticamente inexistente,
principalmente as tiras, e um par de triângulos estratégicos.
Uma parte de mim odiava que ela estivesse usando em
público, ainda mais quando eu não estava, mas essa parte de
mim foi silenciada pelo resto de meu corpo, que estava
realmente desfrutando da vista.

— Só vão ficar aí nos olhando com olhos arregalados?


— Essa foi Tiffany.

Dakota abriu os olhos e os protegeu com a mão.

— Tiff, eu posso ver a baba no meu menino —. Ambas


riram de mim. — Oi, meninos, como foi? —Levantei suas
pernas, sentei em sua espreguiçadeira, e coloquei suas
pernas sobre meu colo. Passei minhas duas mãos para cima
e para baixo de suas longas e elegantes coxas. Ela esticou e
flexionou me fazendo pensar em desatar essas pequenas tiras
aqui. Gemi um pouco e cobri com um pigarro.

— Muito bem. – E quanto a você? Como você está?

—Chutei bundas. Mudei opiniões. O de sempre. —


Sorri. Ela se sentou e apoiou a cabeça em meu ombro. —
Senti saudades. — Coloquei meu braço ao redor dela e beijei
seu cabelo.
— Eu também senti saudades querida. — Falei e olhei
sobre ela para o mar. O sol já estava descendo no horizonte.
A brisa saindo da água era fresca e salgada. Dakota estava
em meus braços. Por um minuto me deixei sentir quão boa
era a vida nesse momento.

Olhei para Dixon e Tiffany, que estavam se beijando


fortemente. Não durou muito tempo.

— Então nós temos o resto do dia certo? Querem sair?


— perguntei. Olharam—me, ambos um pouco ruborizados e
começaram a rir. — Ou talvez não? — Tiffany sorriu.

— Não, nós deveríamos sair, conhecer a cidade,


procurar um pouco de comida.

— Comer soa perfeito — disse Dakota.

Voltamos para hotel, para nos prepararmos. Dakota e


eu tomamos banho juntos, mas foi tudo com intenção de nos
limparmos, bem, na maior parte. Depois que estava vestido
com uma calça jeans limpa e uma camisa de abotoar preta,
sentei em uma cadeira próxima à sacada e olhei Dakota se
preparar. Comi com os olhos a sua bunda que estava
envolvida por uma toalha, enquanto ela se inclinava, secando
o cabelo com o secador do hotel. Quando estava seco, jogou a
cabeça para trás e o seu cabelo escuro brilhante caiu em uma
cascata pelas suas costas. Inclinou um pouco para trás e
sacudiu a cabeça para deixar que seu cabelo caísse
naturalmente, eu sempre pensei que esse movimento era
incrivelmente sexy.
De repente, eu estava desejando que nós ficássemos
por aqui.

Vê-la colocar sua roupa era quase tão fascinante como


tirá-la. Ela sabia que tinha um público, e estava jogando para
o meu benefício. Subiu uma tanga de cetim azul escuro por
suas longas pernas, balançando sua bunda para mim
enquanto a colocava em seu lugar. Porra. Depois colocou um
sutiã combinando. Olhou por cima de seu ombro e piscou um
olho para mim. Arqueei minhas sobrancelhas em resposta.
Pegou uma calça jeans de sua mochila e a vestiu. É a minha
favorita: de cintura baixa, desgastada e naturalmente
descolorida, e tão suave como algodão, que se encaixava
como uma luva, colocou essas botas completamente sexys e
alisou a parte baixa de seus jeans sobre elas.

Colocou um top de cor cáqui com um profundo V que


abraçava as curvas de seus peitos. Vagamente podia ver a cor
e a forma de seu sutiã por baixo, colocou uma blusa e um
grosso cinto dourado em seus jeans.

Usava pouca maquiagem. Quase nunca usava muito,


nunca precisava. Sem joias, exceto o anel que eu tinha dado
e um bracelete de couro com tachinhas de cristais que Tiffany
tinha dado. Eu usava mais joias que ela. Eu gostava dela não
ter mais enfeites, especialmente ao redor do seu pescoço. Ela
por sua parte, amava meus anéis, couro e correntes.

— Está pronto para ir menino mau? – Ela pegou sua


jaqueta e eu agarrei a minha.
— Sim. Mas baby você acha que vai sentir muito frio
com isso?

— Se eu precisar ficarei perto de você.

Beijei sua testa.

— Eu gosto muito desse plano. Vamos, quanto mais


cedo formos, mais rápido poderemos voltar. Onde
seguramente é mais quente.

***

Acordei antes de amanhecer, pensando na minha filha.


Uma vez que percebi que o sono tinha acabado para mim,
sentei na cama e refleti. Dakota estava dormindo ao meu lado,
aconchegada, com a costa contra mim. Ela se moveu
suavemente e emitiu um pequeno gemido doce quando me
movi, e logo voltou a cair no sono. Coloquei minha mão em
seu lado e a observei durante uns minutos, aproveitando um
pouco da paz do seu sono.

Hoje íamos alugar um carro e dirigir para Riverside


para Dakota conhecer minha filha. Não tinha visto Ellie há
mais de um ano. Ainda ligava a cada semana, e às vezes
tínhamos boas conversas, mas era tenso e desajeitado. Eu
não estava ansioso para o dia, não tinha certeza do por que,
mas me sentia ressentido porque Dakota havia me
pressionado muito para conhecê-la.
Nunca se incomodava pelas coisas que fazia na minha
vida, assim só o fato de ter pressionado por isso significava
que era importante. E sabia que ela tinha razão. Ellie era
minha filha. Seria sua madrasta um dia. É obvio que deveria
conhecer Ellie. Não é que tivesse deixado de ser seu pai,
apesar de que não estar criando a menina.

Pensei nisso por um tempo. Tinha deixado de ser seu


pai? Tinha sido realmente seu pai alguma vez? Eu tinha
estado perto durante vários anos, e longe sendo um foragido
pelo resto do tempo. Na realidade Ellie era filha de Tina.

Ela a tinha criado, e agora sua mãe a criava. Por isso


me sentia desta maneira? O que significava se Dakota seria
sua madrasta? Significa algo realmente? O que viria desse
encontro? O que aconteceria se Ellie não gostasse de Dakota?
E se ela gostar? Mudaria algo? Mudaria tudo? Foda-se.
Conhecer minha filha mudaria os sentimentos de Dakota por
mim? Julgar—me—ia mais? Amar—me—ia menos? Mudaria
nossos planos? Ela era uma mãe natural. Dava para ver pelo
jeito que interagia com os filhos dos caras da gangue.
Também podia ver como sentia falta de ser mãe. Demônios,
eu inclusive lamentava que não pudéssemos ter um bebê
juntos. E se ela quisesse que Ellie morasse conosco? Não
podia permitir isso. Ellie estava segura longe de mim. Foda-se!
Já não conseguia ficar quieto. Levantei da cama, tentando
não incomodar Dakota, e puxei minha calça jeans. Eu fui
para a sacada. A brisa do mar era penetrante como um
calafrio, mas não me importei. Fiquei olhando o oceano,
pálido e luminescente em uma noite minguante. Tentei
limpar a minha mente, mas estava muito cheia.

Ver minha filha hoje era um erro. Estava zangado com


Dakota por ter me pressionado tanto. Que direito que ela
tinha? Quando me dei conta do que estava pensando, soube
que esses pensamentos eram mesquinhos e desleais.
Empurrei-os de volta. Ela tinha direito. Ela é o meu futuro,
minha noiva. É obvio que tinha direito. Mais que isso, era
apenas... o certo. Mas na verdade foi isso que me incomodou.
Ver minha filha significava trazer de volta um montão de
merda que eu tinha mantido em segundo plano. Eu não
queria enfrentar qualquer coisa. Só estava fazendo isto por
Dakota.

Uma luz foi acesa atrás de mim, e ouvi a porta abrir.


Os braços de Dakota serpentearam ao redor da minha
cintura.

E eu a senti pressionar sua bochecha contra minhas


costas.

— Ei você está bem? – Eu puxei uma respiração,


tentando controlar a raiva que sentia.

— Estou bem, não conseguia dormir. — Ela estremeceu


e me apertou suavemente.

— Não está com frio?


— Não. — Ela levantou a cabeça, mas não disse nada,
e se aproximou de mim. Usava a camisa preta que eu usei na
noite anterior.

— Jake o que está acontecendo? Sei que tem algo


errado. — Olhei por cima de sua cabeça, fechei os olhos e
tomei uma profunda respiração. Quando olhei para ela, eu vi
a preocupação em seus olhos. Beijei sua testa.

— Estou bem, querida. Só pensando na minha filha e


esperando que tudo corra bem hoje. Você deveria voltar para
a cama, é muito cedo para que você esteja acordada.

— Não sem você. — Isso me deixou impaciente e podia


sentir meu temperamento flamejar, mas me contive, antes de
dizer algo brusco. Então simplesmente disse:

— Está bem — e deixei me levar para dentro. Deitamos


na cama, a cabeça de Dakota apoiada no meu peito. Passou
seus dedos suavemente sobre meu peito e abdômen até cair
no sono com a mão sobre meu coração.

Fiquei ali, olhando para o teto, esperando o amanhecer


empurrar a escuridão.
Capítulo 12

Dakota
Jake parou a caminhonete alugada e a estacionou em
frente a uma pequena casa de um só andar. Parecia bem
cuidada mas era muito simples. Havia uma cerca de arame
ao redor do jardim da frente, e um velho Ford LTD com
painéis de imitação de madeira, estacionado na garagem.
Esta era a casa da mãe de Tina, eu imaginei.

Eu só podia imaginar, porque Jake mal tinha falado


uma frase completa em toda a manhã. Tinha tentado falar no
começo, mas estava claro que ele não estava com humor,
então o deixei quieto. Sabia que ver sua filha de novo ia ser
duro. Ele não havia falado muito sobre isso, mesmo antes
dessa manhã, mas acho que a culpa e a tristeza sobre Tina,
estavam superando qualquer alegria que pudesse sentir a
respeito de ver Ellie de novo.

Eu sabia que o pressionei muito para concordar com


isso, assim não estava pressionando-o para falar sobre isso.

Desligou o motor, mas apenas ficou sentado ali,


olhando para fora através do para—brisa, com as mãos ao
volante. Eu esperei.

Finalmente, puxou uma respiração profunda e disse:


— Marie, a mãe de Tina, não me suporta. Não
concordou sobre vir hoje. Não sei como vai agir. Poderia ser
difícil e desagradável, até mesmo na frente de Ellie. Não tem
que vir comigo até a porta se não quiser.

Eu coloquei minha mão sobre a dele.

— Não levarei como algo pessoal, mas o que quer que


eu faça?

— Não me importa.

Isso feriu meus sentimentos, mas não acreditava que


quisesse dizer isso. Tinha estado desse jeito toda a manhã,
distante e triste, mas tirei minha mão da sua.

— Então irei com você até a porta.

— Vamos — Desceu da caminhonete.

Fiquei alguns passos atrás enquanto ele tocava a


campainha. Quando Jake tocou o botão da campainha um
cachorro começou a latir furiosamente.

Uma mulher baixa, pálida e robusta com cabelo curto


abriu a porta principal e nos olhou através da porta metálica
de segurança. Um pequeno cão preto e gordo estava latindo a
seus pés.

— Jake — disse a mulher amargamente.

— Marie, Ellie está pronta?


— Não sei de onde saiu, mas agora vem querer se
meter em nossas vidas depois de mais de um ano. Sou eu a
que tem que cuidar com ela quando fica trsite.

— Ela é minha filha Marie, eu só quero um dia. Nós já


passamos por isso.

— Um dia para mostrar a substituta de sua mamãe?


Muito agradável mesmo. É ela? Eu acho que sim.

Dei um passo para frente.

— Meu nome é Dakota, é um prazer...

—... Sabe que esse idiota fará com que matem você,
como conseguiu que assassinassem a minha menina, certo?
Que tipo de mulher quer essa vida? Eu vou falar que tipo:
morta, estúpida e morta.

Dava para ver o quão tenso Jake estava. Seus punhos


estavam apertados e ele estava tremendo. Dei outro passo
para frente, ficando entre ele e a porta.

— Bom acho que todos nós já sabemos quais são seus


sentimentos. Você sabia que vínhamos. Sabe que não pode
manter Ellie longe de Jake. Então essa sua agressividade é
apenas um espetáculo. Por que não chama Ellie para que
possa passar o dia com seu pai? Então sairemos da sua vista.

— Cadela.

— Obrigada.

Marie bufou, mas, virou e gritou:


— Ellie! Seu pai está aqui! Ela virou para Jake e cuspiu.
— Não a traga de volta triste seu idiota.

Jake não disse nada. Dei um passo para trás, saindo


da varanda.

Quando Ellie apareceu, pude ver que usava um lindo


vestido amarelo e branco. Marie deu a ela um rápido abraço.

— Bem Ellie, seja boazinha, vou ver você à noite. —


Abriu a porta e a segurou para que Ellie passasse.

— Eu a quero de volta em casa às seis para o jantar. –


Fechou com força e bloqueou as duas portas com a chave.

Ellie ficou na varanda parecendo desconfortável.


Primeiro Jake apenas olhou para ela. Não falou, não se
moveu. Justo quando eu pensei que teria que intervir, ele se
agachou e disse:

— Oi Ellie, eu senti saudades. — Esticou seus braços.


Ellie hesitou durante uns segundos, mas depois foi para os
braços do pai. Caminhei para a rua, tentando dar mais
privacidade a eles.

Jake segurou sua filha até se acalmar, depois se


levantou e limpou seus olhos, virou para mim e me chamou
com uma mão. Enquanto caminhava para eles, Jake disse:

— Ellie, essa é Dakota, eu falei para você sobre ela.


Vamos nos casar e queria que você a conhecesse primeiro.

Estendendo a mão eu disse:


— Estou muito feliz em conhecer você. Seu vestido é
muito bonito. — Ela me deu a mão com timidez e sorriu.

Jake clareou a garganta.

— Nós pensamos em ir ver um filme e depois comer


uma pizza, que tal isso?

Ellie assentiu.

— Bom, então vamos. — Jake nos conduziu para a


caminhonete.

Jake e eu tínhamos feito um pouco de pesquisa


enquanto planejávamos a viagem, então sabíamos onde havia
uma pizzaria e um lugar de jogos eletrônicos perto do cinema
local e já tínhamos visto antes qual filme íamos assistir.

Tendo em conta a profunda falta de conversas que


estava ocorrendo agora, essa pesquisa foi maravilhosa.
Possivelmente ver o filme não era a melhor oportunidade para
uni-los, mas era bom para quebrar o gelo e nos dar algo para
comentar depois.

De qualquer jeito esse era o plano. Mas entre a


distância de Jake e o desajeitado desapego de Ellie, eu acho
que é pouco provável que houvesse muito do que falar em
qualquer momento desse encontro.

O filme foi muito bem e Ellie pareceu gostar. Jake nos


deixou pedir o que queríamos e pelo menos estávamos
animadas fazendo nossas escolhas. Tentei participar sem me
intrometer entre Jake e sua filha.
Estacionamos na pizzaria. Pedimos uma pizza grande,
e Ellie pediu um milkshake. Ela começou a responder com
mais de uma palavra as perguntas de Jake e as minhas que
às vezes fazia, parecia que ela estava mais à vontade conosco.

Enquanto comíamos a pizza, Ellie perguntou se íamos


jogar os vídeos games. Jake respondeu que sim, e passamos
as seguintes três horas jogando vídeo game. O gelo pareceu
quebrar, pelo menos entre Jake e sua filha.

Entretanto ele continuava sendo bastante frio comigo.


Não tanto para que Ellie notasse, mas eu com certeza sim.

Caminhamos com Ellie até a porta de Marie, antes das


seis. Jake se agachou para abraçá-la.

— Amo você, Ellie, se comporte bem com sua avó, certo?


Vou ligar logo – e a beijou na bochecha.

Ellie o agarrou com força e resistiu quando Jake tentou


afrouxar seu aperto.

— Papai, não vai! – exclamou ela.

Eu pisquei segurando as minhas lágrimas. Jake a


abraçou mais forte por um minuto. Escutei sua voz quebrar
quando disse:

— Eu sinto muito, Ellie, mas não posso ficar. — Ela


ainda não soltava, e Jake teve que empurrá-la um pouco para
ela liberar os braços. — Vamos princesinha, você tem que
entrar. Sua avó está esperando você.
Ela finalmente deu um passo para trás soluçando.
Começou a caminhar para a porta, mas logo parou e se
aproximou de mim. Estendeu sua pequena mão, eu peguei e
nós sacudimos.

— Adeus Dakota, você é linda. — Ela correu para a


varanda. Marie abriu a porta nesse momento e Ellie entrou,
voltou para olhar seu pai enquanto Marie fechava a porta.
Ouvi quando colocava o ferrolho.

Jake virou sobre seus calcanhares e caminhou para a


caminhonete. Tive que correr para acompanhar seu ritmo.
Ligou o motor e começou a dirigir antes mesmo que eu
tivesse colocado o cinto de segurança. Dirigiu todo o caminho
de volta para o hotel, quase 10 quilômetros, sem dizer
nenhuma palavra, suas mãos ao redor do volante estavam
apertadas deixando seus dedos brancos. Fique em silêncio
esperando Jake me deixar entrar.

Também pensei no que poderia ter sido com Joshua.

***

Jake entregou a caminhonete ao manobrista do hotel e


caminhamos para o nosso quarto.

A viagem no elevador foi com o mesmo denso silêncio


que tinha sido na caminhonete. Jake caminhou direto através
do quarto para a sacada. Fechou a porta atrás dele, sentou
em uma das duas cadeiras de praia e olhou na direção da
praia. Fique em pé no meio do quarto tentando imaginar o
que eu tinha feito. E o que eu deveria fazer.

Sabia que ele queria espaço, estava mostrando


claramente, e meu instinto me dizia para que desse esse
espaço. Mas isto era muito grande para deixá-lo em paz. Eu
acredito que vai acontecer algo de uma maneira ou outra, e
preferiria que não acontecesse quando eu não esperava. Meu
instinto gritava para que não fizesse, mas não sentia que
tivesse realmente uma escolha. Assim que me acalmei
mentalmente fui e abri a porta para a sacada.

— Jake, fale comigo, precisamos conversar.

— Não, não precisamos conversar.

Parei em frente a ele, tampando a sua vista do oceano.

— Você sabe que as coisas entre nós estão estranhas o


dia todo. Tem algo acontecendo. Posso tentar adivinhar, mas
seria melhor que você me falasse, certo?

Jake olhou para mim e falou através de sua mandíbula


apertada.

— Não quero falar, e não sei se posso controlar o que


vou dizer.

— A implicação disso é que você pensa que vai falar


algo doloroso se conversamos agora. E a conclusão disso é
que você está zangado comigo. Mas não sei por que estaria,
então nós precisamos conversar.
— Não sabe? Sério?

— Sério Jake, eu posso pensar em muitas razões pelas


quais você estaria se sentindo mal neste momento, e quero
estar aqui para você. Agora mais que nunca. — Pensar no
Joshua hoje estava trazendo uma tonelada de dor a meu
mundo e precisava de Jake tanto quanto ele precisava de
mim — Mas se hoje fiz algo para deixar você irritado eu
realmente não sei.

Ficou em pé, elevando-se sobre mim, e me olhando.

— Todas as razões que me fazem mal nesse momento


são por você. Você me fez fazer isso hoje. Forçou-me a fazer
essa maldita confusão. Fiz mal para a minha menina e isso
me faz sentir um merda. Então sim, estou com raiva.

Jesus! Eu não ia deixar isso passar.

— Bem, isso é um monte de porcaria. Isso é baixo Jake.


Jogar sua merda sobre mim. Como se atreve? — Ele agarrou
meu braço com força suficiente para me deixar furiosa e me
olhou fixamente. Estava tremendo. Também olhei fixamente e
em resposta disse em voz baixa, mas, com força. — Você está
perto de um maldito ponto sem volta, Jake. Tira suas mãos
de cima de mim. Se me obrigar a tirar eu mesma eu vou
embora deixando você e seu anel para trás.

Ele deixou cair suas mãos.

— Merda! Eu falei que não queria falar sobre isso,


porra! — Estava realmente gritando no meu rosto.
Dixon apareceu entrando na sacada ao lado.

— Pessoal? Tudo bem aí?

Jake respondeu sem se virar.

— Não é da sua conta irmão.

Dixon olhou para mim. Levantando sua sobrancelha


em uma pergunta. Eu respondi:

— Tudo bem Dixon. Estamos bem. Obrigada.

Ficou parado lá por alguns segundos, não muito


convencido, então depois entrou, mas deixou a porta da
sacada aberta.

Jake olhou sobre seu ombro para a sacada ao lado, e


depois se voltou para mim.

— Se ainda quer falar disso tudo bem. Mas vamos para


dentro. — Fiz um gesto de "depois de você" para a porta.
Agora já estava bastante zangada.

De volta para dentro, sentei na cama, enquanto Jake


andava de um lado para o outro.

— Bem, Jake é a hora de dizer a verdade, porque acho


que toda essa sua atitude de hoje, uma merda. Diz que tudo
isso é minha culpa. Por quê? Por que pensei que devia
conhecer a coisa mais importante para você nesse mundo por
Deus, antes de ser sua por toda a eternidade? Vai à merda.

— Não pedi que mudasse nenhuma das decisões que


tomou sobre Ellie. Nem sequer ofereci a você minha opinião
sobre as decisões que tomou. Não estou tentando ficar entre
você e ela. Não peço a você absolutamente nada, exceto fazer
uma visita à sua filha para que me apresentasse. Como você
acha que eu me sentiria se tivesse casado sem me apresentar
a ela?

— Ia se sentir mal, eu me pergunto se é por que você


acha que abandonou sua filha — Jake gritou para mim, e
então parou. Raiva distorcendo seu rosto, mas me mantive
firme. — Jake, juro por Deus, você tem que se acalmar porra.

— Não pode dizer coisas assim e depois me mandar ter


calma! – Ao que parece ele ia substituir o volume por
violência. Bem pelo menos é uma melhora.

Entretanto gritar não era meu estilo. Por isso mantive


meu nível de voz.

— Claro que sim. Queria ter uma conversa com você


sem ter que me preocupar se você vai me machucar. E com
certeza, eu não disse que você abandonou a sua filha,
perguntei se você se sentia como se tivesse feito. Olhou,
piscando, como se processasse a diferença. Pude ver quando
um pouco de fogo passou. Continuei: — Olha, Jake. Não
acredito que tenha abandonado Ellie. Na realidade não tenho
ideia se fez certo a enviando para viver lá. Ela não é minha
filha, e eu não presumiria pensar o que é o certo para ela.
Certamente sei que a vida que leva não é a certa para estar
perto de uma menina que precisa de atenção.
— Mas não vou deixar você fora disso. Eu acho que a
enviou para longe tanto para se proteger como para protegê-
la. Queria mantê-la salva, sim queria, mas também não
queria ter uma constante preocupação. Talvez seja por isso
que está tão irritado. Mas, pelas razões certas ou erradas,
você tomou a decisão de enviar a sua filha para longe não eu.

Jake rosnou. Deu a volta e esticou seu braço sobre a


mesa jogando todas as coisas de cima no chão com um
grande estrondo.

Dixon estava batendo na porta em questão de


segundos.

— Jake o que está acontecendo? Deixa-me entrar!


Agora. Ou vou entrar à força! — Rapidamente eu me levantei
da cama e abri a porta. Dixon abriu passou através de porta e
ficou entre Jake e eu. Tiffany estava ali também. — Dakota
você está bem? — Perguntou Dixon.

— Estou bem. De verdade. Agradeço a preocupação —


olhei fixamente para Jake, que respirava com dificuldade e
olhava nós três, — mas estávamos apenas tendo uma intensa
discussão. Sem socos voando e ninguém fará isso, eu
prometo.

Dixon olhou para Jake.

— Irmão, não sei o que está acontecendo com você,


mas tem que parar e pensar nesse momento. Não foda isso,
— Jake não respondeu.
— Está bem Dixon. Podem ir — disse. Com outro olhar
de preocupação para mim, Dixon a contra gosto foi embora
com Tiffany para o outro quarto e fechou a porta. Mas não
com a chave.

Aproximei-me de Jake, mas não o toquei, ainda não.

— Sinto muito que a visita agitou tudo para você e


talvez para Ellie também. Sinto muito que você está mal. Sei
que a ama mais que sua vida e que quer o melhor para ela.
Talvez lhe devesse isso. Não sei. De qualquer maneira, isso
não muda o que sinto por você. É um homem maravilhoso
Jake. Ama-a profundamente. Não questiono sua decisão.
Apoio. Nunca vou pedir a você que a visite de novo, e nunca
me colocarei no seu caminho se quiser vê-la. – Toquei-o
colocando uma mão em seu peito, sobre seu coração.

No começo apenas ficou ali olhando para o chão, ainda


respirando com dificuldade. Depois levantou olhando para os
meus olhos. Tinha os olhos avermelhados e com lágrimas.
Agarrou-me pela cintura e me puxou contra ele.

Agarrou minha cabeça com a outra mão e se inclinou


para me beijar com força. Deslizei meus braços ao redor do
seu pescoço. Agora este era um território familiar, para
trabalhar a dor.

Ele rasgou minha blusa, puxando-a da minha calça


jeans e a tirou sobre meus peitos. Empurrou meu sutiã para
cima, puxou meu cinto e abriu minhas calças jeans
abaixando-as. Levantando-me pela cintura, colocou-me sobre
a mesa que acabava de limpar.

Era familiar, sim, mas comecei a perceber que era


muito diferente do que normalmente fazíamos. Senti-me
ameaçada e ansiosa. Quando ele precisava ser rude depois de
um confronto violento de gangue, eu entendia sua
necessidade, e sabia que estávamos do mesmo lado. Estava
tudo bem, era bom. Mas o que estava acontecendo agora,
tínhamos discutido. Sua raiva estava dirigida para mim.

O que fosse que ele queria agora, não estávamos do


mesmo lado. Sua dureza parecia um ataque.

Empurrei seu ombro.

— Jake... —Mas ele era muito forte. Empurrou minhas


mãos e me agarrou mais forte, sua mão apertando meu peito.

E então eu senti medo. Sentada à mesa com meu jeans


ao redor de meus joelhos, estava muito vulnerável. Depois ele
afastou um pouco para abrir suas próprias calças e utilizei a
oportunidade para levantar minhas pernas presas. Peguei um
impulso forte com minhas mãos e o chutei com minhas
pernas fazendo-o retroceder.

— Jake! Para! Porra para!

Congelou. Parecia confuso.

— O que aconteceu?

Tremendo eu desci da mesa e coloquei minha roupa.


— Não quero isso. Uma coisa é rudeza e outra é raiva, e
eu não quero. — Cruzei meus braços sobre meu peito,
minhas mãos sobre meus ombros. — Você me assustou.

Como se recebesse uma bofetada, ele estremeceu muito


forte.

— Eu... Eu não... Não... Dakota! — Parecia confuso e


ferido no começo e depois, como se estivesse reproduzindo os
últimos minutos em sua cabeça, sua expressão mudou para
algo parecido com vergonha. Levantou a mão para mim, mas
depois a deixou cair. — Maldição. Sinto muito. Sinto muito
mesmo — sussurrou. Com lágrimas caindo de seus olhos.

Havia muito na minha cabeça nesse momento, que só


consegui grunhir. Não sabia o que fazer com suas desculpas,
mas pude ver claramente sua angústia. Eu estava assustada
e confusa sobre o que tinha acontecido essa noite, mas não
tinha mais energia para resolver isso. Então só coloquei meus
braços a seu redor e simplesmente disse:

— Tudo bem.

Envolveu-me com seus braços, apertando-me e beijou


minha cabeça.

— Amo você, eu sinto muito por ter assustado você.

Outra vez eu disse:

— Tudo bem.
Então fomos para a cama e nos aconchegamos juntos,
embora fosse cedo, nós dois estávamos contentes por fechar
essa página de hoje.

Jake adormeceu quase que imediatamente, estava


esgotado pela emoção e o estresse do dia. Eu ao contrário,
permaneci acordada durante muito tempo e quando
finalmente consegui dormir foi apenas um pouco. Jake era do
tipo complicado. Era um bad boy e perigoso. Cada vez que
acreditava que realmente o entendia, ele colocava outra
camada e então havia um novo quebra—cabeça para resolver.

Eu estava esperando que a visita à sua filha fosse difícil,


mas nada sobre a forma em que ele tinha falado de Ellie
antes, nada no caminho quando discutimos sobre a visita,
nem sua relutância, alertou-me sobre o conflito interno que
ele tinha. Na verdade sua louca necessidade de me proteger
fazia com que essa agressão comigo me deixasse mais
confusa. Então eu fiquei acordada e processando a nova
informação que tinha do homem que eu amava.

Apesar de quase não ter dormido, não muito depois do


amanhecer eu me sentei na cama, com a intenção de ir correr.
Isso limparia minha cabeça e sacudiria o mal—estar da noite
anterior. Olhei Jake. Estava dormindo de costas, seus braços
curvados sobre sua cabeça. Tinha chutado as cobertas para
longe, mas essa noite ele tinha dormido de cueca. Olhei para
ele admirando a ampla extensão do seu peito musculoso e
tatuado, o tanquinho do seu abdômen, as curvas dos seus
bíceps contra seu rosto. Era bonito para caralho.
Seu rosto estava relaxado, parecia calmo. Não pela
primeira vez eu pensei o quão raro era seu rosto ficar
relaxado e calmo quando estava acordado. Parecia vários
anos mais jovem quando estava dormindo. Dormir permitia
uma pausa de suas preocupações. Queria ser a fonte dessa
pausa quando estava acordado. Não queria adicionar nada às
suas preocupações. Mas sabia que fazia, apenas estando aqui
e amando-o, aumentava as suas preocupações. Eu queria
poder resolver esse enigma, mas o nosso amor estava
causando isso.

A rosa e o espinho.

Eu me incline e dei um rápido beijo em sua bochecha


com barba por fazer. Depois afastei o lençol e deslizei
cuidadosamente para fora da cama.

***

Corri descalça na praia durante uma meia hora, logo


dei a volta e corri de volta. Estava quente, solta e revigorada
quando parei, mas não estava nem perto de conseguir passar
essa confusão em minha cabeça. Caminhei alguns passos na
água e fiquei olhando em volta da imensidão vazia do mar, as
ondas batendo ao redor dos meus tornozelos, a areia sob
meus pés deslocando-se suavemente.
Eu amo Jake. Minha vida sem ele parecia vazia. Sabia
o quanto me amava. Mas estávamos nos deparando com
problemas que já não podíamos ignorar. Coisas que tínhamos
deixado enterradas e agora estavam ameaçando ficar entre
nós. E isso estava nos rasgando.

Uma parte dele queria me ferir ontem à noite. Isso não


estava bem. E eu não podia deixar que estivesse bem. Era
uma linha que não deixaria ultrapassar.

Mas o que significava isso? Estávamos terminando?


Não tinha cruzado a linha ontem à noite. Quase tinha
passado, tinha estado muito perto e eu tinha ficado
assustada, mas ele não tinha cruzado. Quando eu disse para
parar ele parou. Bom, então isso significava que eu estava
disposta a tolerar a ameaça, desde que ele não a executasse?

Isso não me fazia bem. Não queria estar em uma


relação em que poderia chegar a uma briga violenta. Não
deveria ter que estar em alerta e defensiva por dizer o que
penso para a pessoa que amo e que confio acima de todos os
outros. Já dançamos várias vezes ao redor dessa área
cinzenta.

Cada vez que chegava em casa irritado por alguma


coisa da gangue e precisava de sexo selvagem, dançávamos
no cinza. Ficava feliz em deixá-lo ter o que precisava. Mas
precisava de um limite muito claro, e parece que eu não tinha
estabelecido um, ontem à noite isso foi claramente
demonstrado.
Compreendi também que Jake lutava com seus punhos
em quase todas as coisas relacionadas à sua vida. Qualquer
conflito no Fire Bird, grande ou pequeno, resolvia com algum
tipo de violência.

Esperar que controlasse isso quando brigava comigo


significava esperar que construísse uma nova resposta inteira
só para mim. Sobre tudo porque nossas lutas vinham desses
lugares sombrios.

Percebi que não fazia ideia se alguma vez bateu em


Tina. Até ontem à noite poderia dizer com absoluta confiança
que ele nunca fez isso. Ainda estava quase certa de que não
tinha feito. Sabia pouco a respeito de Tina, ela era parte do
passado sobre qual ele não falava voluntariamente e não me
intrometi, mas não podia ver o homem amável e sensível que
conhecia batendo na mulher que amava.

Então eu tinha realmente corrido algum risco ontem à


noite? E se ele conseguiu controlar a si mesmo, inclusive sem
a minha promessa pendurada na sua cabeça de que o
deixaria?

E como o homem amável e sensível que conhecia


coincide com o fora da lei que é? Passava quase todos os dias
repletos da violência real. Como a violência dos filmes de ação.
Tinha matado. Em várias ocasiões. Para salvar seus irmãos
ou seus entes queridos, ou ele mesmo, tinha matado sem
pensar duas vezes. Realmente estava de acordo com isso?
Sim. Realmente estava. Diabos desde o ataque dos
Loucos, eu era uma assassina também, não conseguia falar
muito sobre isso. Não era fácil viver com o conhecimento de
que eu tomei uma vida, mas não tinha outra escolha e faria
de novo se isso significava proteger os meninos. Essa foi a
única pergunta que tive uma resposta preparada.

O que ele fazia como um Fire Bird na realidade não


mudava absolutamente em nada os meus sentimentos por ele
ou o meu desejo de me unir a ele. Nunca foi. E ele era gentil e
sensível. Era compassivo e compreensivo.

Não há dúvida. O homem que eu amava era uma


criatura linda e amável.

Enquanto desvendava os fios dos meus pensamentos


compreendi que o problema era que o bandido e a bonita
criatura não coincidiam. Ele engolia toda a culpa e o conflito
que sentia pelas coisas que tinha que fazer como Fire Bird, e
as coisas que tinham acontecido por causa dos Fire Birds, ele
deixava que isso o comesse de dentro para fora. Ele levava
isso para casa. E me trazia isso. E é por isso que o estado de
ânimo escuro e as noites ásperas aconteciam. Era por isso
que estava tão ansioso, tão protetor, e sempre se sentia tão
condenadamente culpado por tudo. Era por isso que seu
amor por mim causava dor e medo.
Poderia tal amor ser uma boa coisa? Poderia o que nós
tínhamos não ser algo bom?

Eu estava imóvel, mas a maré aumentou, e agora


estava a poucos metros da beira da água. Ouvi o familiar
barulho de sua corrente e olhei por cima do meu ombro
enquanto ele vinha por trás de mim e me envolvia com seus
pesados braços, segurei neles e ele deu um beijo em um lado
da minha cabeça.

— Por favor, não me deixe — sussurrou.

Não consegui segurar, deixei minha cabeça cair e


comecei a chorar.

— Dakota? — Escutei o pânico crescer em sua voz.


Estava chorando muito forte para falar, apenas sacudi minha
cabeça.

Ele me virou e pôs suas mãos sobre meu rosto. Tentou


levantar meu rosto para que o olhasse, mas eu resisti.

— Oh, meu Deus, Dakota. Não... Desculpa. Por favor,


eu amo você. Por favor, não desista de mim. – Agora ele
estava chorando também.

Coloquei minha cabeça contra seu peito e chorei. Até


que comecei a chorar não tinha percebido do quão perto
estava de terminar. Mas a certeza disso caiu sobre nós dois.
Senti seu desespero na forma em que suas mãos me
acariciavam. Senti seu peito tremer por causa de seus
próprios soluços.
— Por favor, por favor, por favor — sussurrou, uma e
outra vez. Eu o amava. Maldição o amava muito. Não queria
uma vida sem ele. Apenas não queria. Não queria a vida que
tinha antes de conhecê-lo. A vida onde não vivia. Queria a
vida que ele me oferecia, a vida que já tinha me dado. Queria
a agitação e a paixão. Queria a alegria e o medo. Meu amor
por ele me completava. Ele amava romper leis e era uma alma
velha. Ele era a razão pela qual eu estava vivendo outra vez.
Vivia por ele.

Talvez não combinássemos, mas somos metades


inseparáveis de um ser completo. Ele merecia minha
confiança, a confiança de que não me faria mal, e a confiança
de que conhecia bem seu amor.

Sem deixar de chorar, deslizei meus braços para cima e


ao redor de seu pescoço e o puxei para perto.

— Amo você. Eu amo você. Nunca vou desistir de você.


Eu amo você, Jake Rider.

Ofegando, puxou-me firmemente contra ele,


levantando-me do chão. Beijou o meu pescoço, minha
bochecha, meus lábios. Seus joelhos se dobraram, e fomos
juntos para a areia. Ficou em cima de mim e me beijou
profundamente. Pude provar suas lágrimas. Deslizei minhas
mãos atrás de seu pescoço, e devolvi o beijo.

Ele afastou e olhou nos meus olhos.

— Vou compensar a noite anterior. Eu prometo


Dakota... — afastou seu olhar do meu. — Você merece...
Enterrei meus dedos em seu cabelo, e o fiz ver meu
olhar firme. Meu pulso se agitava apenas por seus olhos
encontrarem os meus. Eram de um quente azul cristalino,
irradiando vida e amor enquanto os meus mostravam o
mesmo. Não pude resistir a um breve beijo, um pequeno
toque da minha boca na sua, o que o fez gemer e agarrar
minha cintura.

— Eu quero você — murmurei. — Tudo. Cada parte da


sua alma.

— Como acha que me sinto? — disse com um grunhido.


— Não tem ideia do que me faz, do que eu sinto. Não faz ideia.

— E o que é isso?

Estava perto o suficientemente para me beijar, mas não


fez. Seus lábios se moviam contra os meus enquanto falava,
enviando ondas de excitação através do meu corpo.

— É o meu tudo Dakota.

Coloquei meus dedos sobre sua boca.

— Silêncio, só me abraça. — Sentou de novo sobre seus


joelhos e me puxou para cima.

Depois sentou na areia molhada e me puxou para me


sentar entre suas pernas. Envolveu seus braços ao meu redor
outra vez. Cruzei os braços sobre os seus e encostei-me em
seu abraço. Sentamos em silêncio, em frente ao mar, com sua
cabeça apoiada contra a minha, por muito tempo.
Por mais difícil que era esquecer uma noite e uma
manhã como a que tivemos, sabia que Dixon e Tiffany
estavam nos esperando no hotel. Hoje era nosso único dia de
férias verdadeiras. Então eu me movi no abraço de Jake e me
voltei um pouco para olhá-lo.

— Deveríamos voltar. Dixon e Tiffany vão nos procurar.

Jake enrolou meu rabo—de—cavalo ao redor da sua


mão.

— Ainda quer sair com eles hoje?

— Se você quiser. Acho que seria divertido, isso é o que


nós precisamos. O que você acha?

Ele me estudou atentamente.

— Estamos bem?

Passei minha mão por seu cabelo, afastando-o do seu


rosto.

— Precisamos conversar. Há algumas coisas que


precisam ser resolvidas. Mas acho que sim. Estamos bem. –
ele abaixou sua cabeça para que nossas testas se
encontrassem. — E precisamos de um dia de diversão. Não
acha?

— Acho. Nunca vou deixar de amar você, Dakota. – E


me beijou suavemente. — Nunca esqueça isso. —fiquei em pé
e estendi minha mão para ele. Ele pegou e ficou em pé.
Caminhamos de mãos dadas de volta para o hotel.
***

Foi um grande dia. Pegamos a balsa para a ilha


Catalina e passamos o dia todo ali. Caminhamos ao redor da
ilha. Tiffany e eu convencemos os rapazes a ir explorar
algumas das lojas. Comemos. Bebemos. Rimos. Jogamos.
Jake foi atencioso e prestativo durante todo o dia, raramente
deixando meu lado, com as mãos sobre mim quase que
constantemente.

Quando o anoitecer apareceu, pegamos a balsa de volta.


Ficamos de pé na proa de embarcação, Tiffany e eu no
corrimão, nossos homens atrás, nos rodeando. A água e o
vento soprando forte ao nosso redor, mas eu não me
importava com o frio.

Apertada contra Jake eu me sentia calma e protegida.


Eu quase podia dizer que guardei minhas preocupações
dessa amanhã. Mas sabia que ainda tínhamos que conversar.
Mas neste momento, tudo estava bem com o mundo.

Já era tarde quando chegamos ao hotel. O plano era de


estarmos prontos e na estrada pela manhã. Nós dissemos
adeus e voltamos aos nossos respectivos quartos.

Logo que fechei a porta, Jake me virou e me apertou


contra ele. Inclinando-se ele me beijou, sua insistente língua
em minha boca. Tirei seu gorro e agarrei um punhado de seu
cabelo, sustentando sua cabeça em minha direção. Envolveu
suas mãos ao redor da minha cintura e me levantou,
deslizando-me para cima contra a porta, até que meu rosto
estava na altura do dele. Envolvi minhas pernas ao redor dele.

Ficamos assim, beijando—nos apaixonadamente,


durante um longo tempo. Então Jake se separou e
suavemente desembrulhou minhas pernas, colocando-me no
chão. Gemi e abri os olhos. Tentei iniciar o nosso beijo de
novo, mas ele me deteve. Respirava com dificuldade, mas seu
rosto estava resoluto.

— Quero conversa agora baby, vamos esclarecer tudo.


— A contra gosto eu assenti.

Jake pegou minha mão entre as suas e me levou para a


cama. Sentamos nela, um de frente ao outro. Durante um
tempo, nenhum dos dois falou. Não sabia por onde começar,
ou se devia ser eu a começar. Já não estava tão segura do
que dizer. Nesse momento, a ideia que quase o deixei parecia
absurda.

Finalmente, Jake clareou a garganta e disse:

— Por que diabos você me ama Dakota?

— O que? — A pergunta me surpreendeu. Sabia que ele


sabia... tinha que saber. O que ele pretendia?

— Como pode alguém como você amar alguém tão


fodido como eu? Que bem eu faço a você? O que há em mim
que possa amar?
Fui mais para frente e coloquei minha mão em sua
bochecha.

— Jake...

Tirou minha mão de seu rosto e a segurou.

— Estou falando sério. Não estou querendo elogios.


Realmente não entendo. Não trago nada mais que sangue e
dor à sua vida. Sempre há algo pelo que tenho que pedir
desculpas. O que poderia amar?

Sério que ele não sabia? O pensamento quebrou meu


coração, e meus olhos se encheram de lágrimas. Estive em
silêncio durante um minuto, segurando as lágrimas,
enquanto pensava em como responder para que ele
acreditasse em mim.

— Você me dá muito, Jake. Deus, você me faz tão feliz.


O que há em você para amar? Por onde começo? Eu amo seu
coração. É grande e verdadeiro. Entretanto ele foi maltratado,
mais você ainda ama tanto. Sinto seu amor por mim em seu
olhar, suas carícias, suas palavras.

Afastou seu olhar de mim, talvez estivesse pensando


sobre a noite anterior, agarrei sua mandíbula quadrada e
puxei para que me olhasse.

— Amo sua coragem e força. Não desiste. Faz o que


precisa fazer. Sem pensar duas vezes colocaria a si mesmo
em frente a qualquer perigo para proteger a sua família. Faz
isso todo o tempo. Amo sua mente. Sempre está pensando,
sempre está vendo e dando sentido às coisas. Ajuda-me a ver
as coisas que poderia ter perdido. Eu adoro que você gosta de
ler. Eu adoro seu senso de humor. É relaxado e irônico e não
exige muita atenção. E você gosta das minhas piadas e ri
comigo. E Deus, eu adoro seu sorriso, suas covinhas e sua
risada. Amo a sua calma, sua profundidade. Eu adoro que
podemos estar em silêncio juntos sem sentir que temos que
preencher a cada segundo só para que fique completo. E eu
adoro seu corpo e seu poder. Suas mãos em mim, seu corpo
contra o meu, a maneira como você se sente sob minhas
mãos, entre as minhas coxas, dentro de mim... Só de pensar
em você faz meus olhos rolarem para trás. — Ele se inclinou
e me beijou.

Estávamos tendo uma boa conversa, então bem que


poderia dizer tudo.

Sussurrei contra seus lábios. — Há algumas coisas que


eu odeio em você também, Jake. – Ele se afastou com o cenho
franzido. — Eu não gosto da sua dor. O ódio que você pensa
que tem que sentir sozinho. Odeio seu medo e a forma como
se impede de ver quando as coisas são boas. Odeio sua culpa
e a forma como alimenta seu medo. E realmente odeio que
nosso amor não alivia essa carga. Uma vez me disse que
trazia paz a você. Mas não parece isso. — Ele se aproximou
de novo e me beijou na testa.

—Ele faz Dakota. Ele faz. A única vez que eu me sinto


bem é quando eu estou com você. Há tanta coisa... não sei...
confusão... na minha cabeça o tempo todo... Mas quando
estou com você, tudo fica em silêncio. Sei por que amo você,
amar você é fácil. Tudo em você é bonito. Trouxe muitas
coisas boas para mim. Aceita-me e à minha vida. Não pede
quase nada de mim. Mas eu peço muito de você. E então eu
dou a volta e assusto você. Tudo o que quero em toda minha
vida é amar você e proteger você, e duas vezes... duas
malditas vezes... fui violento com você. Não sei como
aconteceu. Não é o que sou, ou não é o que eu era... Não
entendo mesmo. Não sei o que fazer... Tenho vergonha...
Tenho medo...

Ele entrelaçou seus dedos com os meus e olhou para o


meu colo enquanto disse a seguinte parte em voz baixa,
quase sussurrando.

— Eu sei por que você ia me deixar. A ideia de perder


você... — tragou saliva, — mas eu deixarei você ir, se for isso
o que quer. Eu estava assustado e sendo egoísta essa manhã.

As lágrimas rolavam por minhas bochechas, e agarrei


suas mãos.

— Não é o que quero. Estava pensando nisso essa


manhã. Estava tentando pensar em tudo o que aconteceu
ontem à noite. E estava prestes a deixar você. — Suas mãos
se apertaram ao redor das minhas. — Mas não posso. Não
quero perder você. Amo você... Amo muito. Não quero estar
sem você. Não vou deixar você, Jake. Eu não quero me perder
tanto no amor, até o ponto de virar alguém que suporta tudo
o que jogarem. Sei que não deveria ter empurrado você para
conversar ontem à noite quando não queria. Eu queria que
não houvesse feito isso, e realmente sinto muito. Mas não
quero ser alguém que não pode falar por medo que possa
provocar você. Sei que posso me defender, mas não deveria
ter que pensar a respeito disso com você. Estava tentando
decidir essa manhã se poderia viver com a ameaça de que
poderia ter me machucado, quando na realidade não fez.
Minha resposta é não. Não quero viver assim. Mas sei que
nunca me faria mal, porque é você. Somos você e eu. Dakota
e Jake. Entendo que seu mundo é escuro e que você cai
muito fundo, mas eu também estive ali. Não quero viver sem
você. Não quero voltar lá, sozinha. – Eu tive que parar de
falar, estava tornando difícil formar palavras.

Nós dois ficamos em silêncio por um longo tempo.


Finalmente Jake disse:

— Não sei o que fazer Dakota. Não posso pedir a você


que confie em mim. Mas por favor, tem que saber que nunca,
nunca gostaria de machucar você. A ideia de alguém
machucando você faz com que meu interior se enrole de raiva.
A ideia de que poderia ser eu? Merda! Nunca conseguiria
viver comigo mesmo.

Levantou minha cabeça e enxugou minhas lágrimas


com seus dedos.

— Então o que fazemos agora, baby?

Agarrei sua mandíbula de novo.


— Não vou a lugar nenhum. Amo você. Quero você.
Quero estar em sua vida. Quero ser sua para sempre. Confio
em você.

— Não mereço isso.

— Não tem escolha, menino mau. — Aproximou-se de


mim e me beijou. Depois de um momento, ele aprofundou o
beijo e se inclinou para frente, me empurrando para baixo na
cama. Enrolei meus dedos em seu cabelo e o puxei contra
mim enquanto nossas línguas dançavam.

Jake puxou para trás depois de uns minutos e me


olhou. Apenas me olhou, sem dizer nada, com seus olhos
azuis sérios e profundos. Finalmente, eu disse:

— Pode falar Jake.

Ele acariciou minha bochecha.

— Eu amo você demais Dakota. Quero dar a você uma


vida melhor. Quero cuidar de você. Quero fazer você feliz.
Quero ser o tipo de homem que você merece.

Acariciei seu rosto, passando meus dedos sobre as


curvas de suas bochechas, sobre a pouca barba em sua
mandíbula, seu lábio inferior, seu nariz, e o cabelo na sua
testa. Então eu disse:

— Uma vida com você é a melhor vida que posso ter.


Você cuida de mim. — Sorri. — Às vezes com mais cuidado
do que eu quero, de fato. Amar você me faz feliz. E é o único
homem que quero, e é o homem que mereço.
Agarrei seu queixo e olhei seus olhos.

— Confie em mim o suficiente para saber que isso é o


certo. Confie no meu amor, Jake. Deixa-me amar você. Deixa-
me ser forte por você. Deixa-me ser a mulher que você merece.

— Dakota... — Deixou a cabeça cair, descansando em


silêncio por um momento, no oco do meu ombro. Envolvi-o
com meus braços cruzando suas costas e o segurei. Então
senti seus lábios contra minha clavícula, beijando e
chupando. Beijou até o final do meu ombro e costas, e depois
meu pescoço, através da minha mandíbula, meus lábios.
Parou e me olhou de novo, e em seus olhos pude ver.

Estávamos do mesmo lado, de novo, aonde


pertencíamos, com a sensação de que tudo estava certo de
novo. Não precisava ouvir uma palavra dele para saber que
estava comigo agora, eu mordi meu lábio quando seus dedos
quentes deslizaram tortuosamente pela parte de trás do meu
pescoço e para baixo ao longo do meu corpo, fazendo meu
corpo apertar e esquentar.

Mais tarde nessa noite, nós dois facilmente caímos em


nossos sonhos, unindo—nos nas promessas um do outro.
Capítulo 13

Jake
Limpei meu rosto com a camiseta que tinha tirado e
me sentei. Precisava de um descanso. Era apenas final de
abril e nem sequer meio—dia, mas o clima já estava quente.
Estávamos trabalhando no jardim de Dakota.

Havia decidido que queria criar um pequeno jardim


novo atrás e tinha me oferecido como voluntário para pôr as
pedras no caminho. Fazia calor, o trabalho era exaustivo,
mas estávamos juntos e eu adorava a intimidade de trabalhar
no jardim com ela, trabalhar no que se converteu em nosso
lar, apesar de que ainda não havia me mudado oficialmente.

Não pensava que o jardim seria alguma vez realmente


nosso, mas isso estava bem. Parecia mais obviamente uma
extensão de Dakota como nenhum outro espaço. Ainda
estava impressionado pelo que tinha feito aqui. O quintal era
grande, muito mais longo que largo, mas inclusive assim
parecia impossível que tanto pudesse estar ali.

Tinha um pomar para ervas e vegetais de bom tamanho.


Um lugar de tiro ao alvo. Um pequeno mirante construído
para dois. Uma fonte. E um caminho que serpenteava vários
pequenos lugares privados, cada um com um banco ou
cadeira. Tudo estava rodeado, cheio ou coberto com flores.
Aqui atrás, era possível esquecer que havia um mundo além
destas fronteiras de folhas. Era impressionante.

Dakota dizia que sentia algo mágico. Estava de acordo.


Nunca deixaria que os meninos soubessem que podia me
sentir assim por algo. Bateriam em mim.

Estava sentado em um banco de pedra e meus olhos


seguiam Dakota enquanto trabalhava. Estava derrubando
terra para um novo canteiro de flores. Usava para trabalhar
no quintal roupa de trabalho, calças esfarrapadas
descoloridas puídas e uma quase transparente camiseta
velha sem manga, mas as arrumou para estar muito sexy.
Tinha trabalhado até suar. Seu cabelo preso em um nó
complicado na parte de trás da sua cabeça e um montão de
fios soltos caindo em seu rosto e pescoço. Os músculos dos
braços, ombros e pernas brilhavam, sua camisa se agarrava a
ela. Suas calças eram realmente curtas e podia ver a curva de
sua bunda cada vez que apoiava na pá.

As coisas entre nós estavam realmente bem, talvez


melhor que nunca, desde San Diego. Depois que havíamos
voltado para casa, tinha me aberto muito a respeito de Ellie.
Era a primeira vez que tinha falado de forma detalhada com
alguém sobre minha decisão de mandar Ellie para longe, e
falar com Dakota me permitiu chegar a entender mais de
mim mesmo. Ainda tinha certeza de que a decisão que tinha
tomado era a correta. Havia muito risco e agitação em minha
vida e queria o melhor para minha filha.
Mas falar com Dakota me fez compreender que estava
vivendo em uma espécie de limbo parental desde que nós
fomos visitá-la, sentindo-me culpado, embora me pareça que
era a decisão correta, com medo inclusive de pensar muito
em minha filha e ter que lutar com a culpa.

Dakota tinha razão. De muitas maneiras era melhor,


também, porque não tinha que me preocupar que Ellie
pudesse ser apanhada em um fogo cruzado. Com Marie, Ellie
tinha uma consistência que eu nunca poderia ter—lhe
proporcionado. E Marie amava Ellie. Ela me odiava, mas
amava Ellie. Com ela estava em mãos amorosas.

E honestamente, não sabia como ser pai. Não tive a


oportunidade de aprender. Finalmente enfrentar tudo isto me
deu uma oportunidade de chegar a um acordo com isso.

Apesar de que foi uma das primeiras coisas que eu


adorei dela, pensava que talvez a reticência de Dakota para
bisbilhotar, sua vontade de deixar meus segredos, não foi
sempre grande coisa. Aceitou e respeitou minha vida privada
e só assumiu que diria o que precisava saber. Mas meu
costume era a introspecção. Realmente não sabia como ou o
que ou quando revelar algo. Assim tínhamos um padrão, um
enorme obstáculo que enfrentamos antes que fosse capaz de
falar do meu passado. Era preocupante.

Dakota era muito similar. Não percebi a me conhecia


tampouco, exceto sob coação. Mas não tinha os monstros no
armário que eu tinha. Seus segredos não se escondiam em
cantos escuros, à espreita esperando por ela como os meus.
Deixava-me doente pensar na forma em que havia a
ameaçado. Mais de uma vez.

Desde San Diego, entretanto, parecia que todos os


grandes monstros se afugentaram. Tina, minha menina,
minha vida com os Fire Birds, tudo estava descoberto agora.
Ajudou-me muito ter alguém ao meu lado e apenas ao meu
lado, para falar de tudo, alguém que pudesse dirigir o que
dizia. Ajudou ainda mais saber que ela não me julgava nem
me temia, que me amava exatamente por quem eu era. Nunca
tinha conhecido o amor incondicional de verdade. Aprender a
confiar, esse era um longo caminho.

— Ouça, brincalhão. Pensei que fosse me ajudar aqui.

Despertei de minhas reflexões para encontrar Dakota


ao meu lado, sorrindo, apoiando-se em sua pá, coloquei um
dedo em uma das presilhas de sua calça e a puxei entre
minhas pernas. Ela deixou cair a pá.

— A culpa é sua. Não deveria ser tão condenadamente


sexy.

— Passei minhas mãos sobre seus quadris e as abaixei


até seus shorts para cavar sua bunda e apertar.

— Estava a milhares de quilômetros daqui. Tudo bem?

Levantei sua camisa e a beije em seu firme e plano


ventre. Tinha sabor de terra, suor e o sabor doce almiscarado
que era apenas dela. Passei minha língua por sua tenra pele,
saboreando-a totalmente.
— Tudo está bem, baby. — Desabotoei seus shorts.

Ela começou a rir, baixo, sexy e moveu seus quadris


para que os shorts esfarrapados caíssem no chão. Sem roupa
intima. Abri meu jeans com uma só mão e me liberei. Dakota
tirou os sapatos de jardim, tirou as luvas de trabalho e
colocou suas mãos sobre meus ombros, equilibrando
enquanto se sentava escarranchada sobre mim, com as
pernas sobre o respaldo do banco. Mantive-me firme
enquanto se acomodava, deslizando-se sobre meu eixo.

Estremeceu um pouco e fechou seus olhos quando


estava totalmente sentada.

Flexionou seus quadris e gemi.

— Oh, baby. — Passei minhas mãos por suas coxas e


ao redor de sua bunda, apertando-a mais perto. Inclinei-me e
chupei sua clavícula, saboreando seu sabor salgado. Ela
passou seus dedos por meu cabelo. Então começou a se
mover.

Passou um momento antes que voltássemos para o


trabalho.

Dirigimo—nos à sede do clube pela tarde. Os meninos


estavam jogando pôquer, o que significava que esperavam
que as mulheres cozinhassem. Sabia que em teoria, Dakota
se importava com a espera, mas também sabia que ela
gostava de cozinhar, gostava do agradecimento caloroso
desses meninos por sua comida e gostava de passar um
momento aqui. Em geral, fazia um pouco de ruído, só para se
mostrar e logo se permitia desfrutar.

Também gostava de jogar pôquer, mas de novo, estava


disposta a admitir que havia demonstrado o suficiente a
esses meninos em seu terreno. Veio e se sentou no meu colo
por um momento cuidadoso, cada tempo certo, mas não
perguntou se podia jogar. Dakota e eu jogávamos pôquer
juntos, sozinhos. Frequentemente envolvia tirar a roupa.

Senti as mãos do Dakota sobre meus ombros.

— Está bem, rapazes. Preparados para comer depois


dessa rodada?

Antes que terminasse a frase, Mickey que estava no bar


e via tudo o que acontecia nos monitores de segurança, gritou:

— Weston! — Todos escutamos o chiado dos pneus


enquanto uma caminhonete virava bruscamente no
estacionamento.

Saltamos da mesa de pôquer justo quando uma


tormenta de tiros de armas automáticas metralhava a sede do
clube.

Dakota! Dei a volta, agarrei-a e a atirei no chão,


cobrindo-a com meu corpo, sujeitando-a. Os disparos
seguiam, metralhando de um lado para o outro, rompendo as
janelas e destroçando a sala. Tirei minha pistola da capa.
— Fique aqui, baby. Por favor, fique abaixada. Não se
faça de valente justo agora.

Fiquei de joelhos e me arrastei para a porta, balas e


vidros choviam ao meu redor. Ouvi Dakota gritar:

— Jake, não! — Mas segui adiante.

Arrastei-me até o Dixon e ficamos de cócoras juntos


quando os disparos se acalmaram. Ficamos de pé e corremos
à porta. Dixon abriu a porta e saltamos fora justo quando a
caminhonete estava dando a volta e afastando com um
chiado.

Uma linha de nós disparou na caminhonete. Enquanto


fazia um giro brusco fora do recinto, um corpo caiu pela porta
lateral aberta. Imediatamente todos corremos para o corpo e
o empurramos para o recinto. Tiramos a camisa para ver
suas tatuagens. O clã Heros... Que merda?

Maldito Pôster de merda. Atirando em nossos entes


queridos. Mais uma vez. O clã Heros era o arqui—inimigo do
clã Drago. Mas, como os Fire Birds estavam envolvidos?
Primeiro os Loucos e agora o clã Heros. Que diabo estava
acontecendo? Dei a volta para olhar Weston. Havia algo que
estava escondendo. Sentia em minhas vísceras, mas não tive
tempo de pensar mais nisso. Sirenes. Porra.

Voltei correndo à sede do clube para verificar Dakota.


Estava já ajudando com a limpeza. Não parecia machucada.
Felizmente, apesar da destruição, parecia que ninguém tinha
saído ferido, embora Tiffany estivesse circulando para
comprovar todo mundo. Então Dakota deu a volta, e vi que
sua manga estava empapada de sangue.

Corri a ela.

— Dakota! — Peguei suavemente seu braço. — Está


machucada. Deixe-me ver. Jesus, que merda, acertaram—na!

Ela puxou seu braço.

— Não, Jake. Estou bem. Acabo de me cortar com


alguns cristais quebrados. Tiffany vai arrumar tudo. Você
está bem?

Beijei-a.

— Estou bem. Nem um arranhão.

— Cristo, isto foi uma merda arrepiante.

— Sim querida. Sinto muito. — Envolvi-a em meus


braços, tomando cuidado com seu machucado e a sustentei
com força. Ela me envolveu em um abraço com seu braço
bom. Tiffany fez um gesto para que eu levasse Dakota. —
Tiffany está esperando por você.

Levei-a.

Tiffany a sentou em uma mesa e levantou seu braço.

— Preciso que tire a camisa para poder chegar ao


machucado.

Olhei ao redor para todos os meninos e neguei com a


cabeça. Dakota sorriu e disse:
— Apenas corte a manga, Tiffany. A camisa em todo
caso está arruinada.

Dixon chamou.

— Jake! Eles querem saber como está a situação. Ela


está bem?

Não ia até que Dakota fosse examinada.

— Sim. Estarei aí em um minuto — Dixon assentiu e


voltou a sair.

Tiffany arrancou a manga de Dakota. Tinha um


machucado que sangrava na parte de cima do braço. Meu
coração se acelerou. Sabia que não era mau, estaria bem, ela
estava bem, mas mesmo assim, tinha sido machucada em
minha presença.

Tiffany entregou um acolchoado grosso de gaze.

— Tenho que limpar o machucado, assegurar—me de


que não haja fragmentos de vidro. Então mantém em seu
braço, bem embaixo do machucado. – Fiz, Tiffany usou uma
seringa grande e empurro algum tipo de líquido no corte.
Borbulhou no machucado aberto. Dakota assobiou, mas
ficou quieta.

— Porra. Isto é desagradável.

A gaze que tinha estava empapada de sangue. Tomei


uma respiração profunda. O sangue não me incomodava, o
qual era uma coisa boa considerando minha vida. Mas tive
um monte de problemas vendo Dakota sangrar.
Tiffany empurrou uma pinça longa cuidadosamente no
machucado. Os olhos de Dakota estavam fechados, e percebi
pela fina linha de seus lábios que isto era doloroso, mas
estava quieta e estoica.

Tiffany tirou a pinça.

— Bem, está limpo e não está tão mal, na realidade.


Não é profundo. Entretanto, quero suturar assim não ficará
com uma cicatriz muito visível.

— Tudo bem — Dakota me olhou. — Jake, você está


um pouco pálido. Vá e fale com os policiais. Estou em boas
mãos.

Parei indeciso por um momento, até que Dakota


levantou uma sobrancelha e me indicou a porta.

— Pode ir — disse. Sorri um pouco, joguei a gaze


ensanguentada que ainda sustentava na pilha de resíduos
médicos de Tiffany, beijei Dakota na testa e fui pra fora.

Dar uma declaração não tomou muito tempo quando


não se tem a intenção de dizer algo aos policiais, mas fiquei
com o resto dos meninos depois falando vagamente do que
tinha acontecido. Não estava acostumado a falar com
claridade ou especificamente até depois de que tudo estivesse
claro. E isso seria em algumas horas, assim Weston propôs
uma reunião matinal.

Quando entrei, Tiffany estava pondo um curativo no


braço do Dakota.
— Se você se cuidar bem e for com calma em suas
tarefas, podemos tirar na próxima semana e é de esperar que
não fique cicatriz em momento algum. – Olhou-me. — Cuida
dela, Jake. Não deixe que faça algo estúpido e abra as
suturas.

Comecei a rir.

— Acha que tenho algum controle sobre a


exterminadora, Tiffany. Sabe melhor que isso.

Dakota tossiu. — Estou sentada aqui mesmo, gente. —


Ela saltou da mesa. — Podemos ir para casa agora?

— Sim. Vamos embora. – Parei. — Está bem para


montar comigo?

— Contanto que não baixe sua moto e arraste meu


braço sobre o asfalto, vou ficar bem. Vamos.

Agarrou-se em mim com seu braço bom, assim segui a


viagem com calma. Cheguei a casa e a levei para dentro.

Percebi que estava perdendo a paciência com meus


cuidados, mas também percebi que seu braço doía assim não
me importei muito com sua impaciência.

Foi trocar sua roupa ensanguentada e se lavar.


Comecei a segui-la, mas deu a volta e me dirigiu um olhar
mordaz, assim parei e deixei que fizesse por sua conta. Gritei
da cozinha.

— Quer ver televisão ou um filme ou algo assim?


— Soa bem. O que quiser. Prepara para mim uma
bebida, entretanto? Tequila?

— Absolutamente. — Servi alguns copos profundos


para ambos e fui esperar na sala de estar.

Tínhamos mudado um pouco a sala, assim havia uma


clara linha de visão do sofá para a televisão. Dakota tinha
organizado tudo para uma só pessoa, portanto havia uma só
cadeira, que agora sei que devia ser a cadeira de James, com
uma boa linha de visão. Não víamos muita televisão, mas era
uma de minhas coisas favoritas.

Uma tarde tranquila com Dakota aconchegada comigo


no sofá, algumas taças e a chaminé ligada quando o tempo
estava frio. Não importava como fossem as coisas fora de casa,
sempre podia encontrar algum alivio em seu interior,
especialmente quando estamos normais bem como agora.

Ela entrou na sala, vestida com uma de minhas


camisetas. Por isso pude ver que isso era tudo. Sentou ao
meu lado no sofá, com as pernas dobradas debaixo. Dei sua
bebida e coloquei meu braço ao redor dela. Apoiou-se em meu
lado. Acomodamos para a noite. Podia sentir meu corpo
relaxar, como se meus reguladores de voltagem estivessem
sendo apagados por todo meu corpo.

Ao redor de uma hora depois, percebi que Dakota


estava um pouco inquieta, movendo seu braço ferido com
cautela. Fiz uma pausa no filme que estávamos vendo.

— Está bem, baby?


— Sim. A novocaína ou o que seja que Tiffany me
injetou está perdendo efeito, suponho. Não é o corte que me
dói, mas, os pequenos buracos da sutura. Estou bem,
entretanto. Apenas estou um pouco cansada.

— Posso fazer algo?

— Não. Apenas fique comigo. É tudo o que preciso e


possivelmente um pouco mais de tequila. – Beijei-a na
bochecha e fui preencher nossas taças.

Quando começamos outro filme, Dakota tinha


terminado sua segunda taça de tequila e estava com sua
cabeça em meu colo. Aos quinze minutos do filme, olhei para
baixo e a encontrei dormindo. Baixei o volume e fiquei ali,
para não incomodá-la. Na realidade não vi mais o filme,
entretanto. Olhei-a dormir e pensei em diversas coisas.

Aqui na calma da sala de estar, com Dakota em meu


colo, podia pensar no que tinha acontecido. Obriguei-me a
retroceder a tensão e o pânico que tinha sentido ao tê-la em
meio de outro ataque de gangue contra nós. Mas estava
dormindo agora e eu estava relaxado e precisava pensar.

Só não sabia como mantê-la segura. A sede do clube


supunha-se que era segura. Infernos, Shadow Beach se
supunha que era seguro. Os entes queridos e inocentes
sempre estiveram fora dos limites nos diversos
enfrentamentos e guerras territoriais que tínhamos tido com
outras gangues. A merda do Pôster inesperadamente tinha
arruinado todo nosso mundo mudando todas as regras.
Sabia como ela se sentia sobre minha necessidade de
protegê-la, mas não sabia como não fazer. Amava-a. Queria
uma vida com ela. Minha vida era violenta. Queria protegê-la
disso. Não podia. Não havia um lugar nesta equação em que
ela estivesse segura e eu tranquilo. Era exaustivo.

Pensei no que Pops havia me dito no começo do ano.


Que estando ou não em sua vida, não podia controlar sua
segurança. Sabia que estava certo. Também sabia que era
como Dakota se sentia. Apenas não sabia como fazer para
que eu mesmo acreditasse. Vê-la sangrar hoje, por minha
culpa, pela maldita gangue, era difícil. Graças a Deus não
estava machucada gravemente. Não sabia o que faria se
alguma vez estivesse, ou Deus, se algo pior acontecesse.

Não estava resolvendo nada, apenas estava ficando


mais nervoso. Tinha que parar. Fechei os olhos e tomei
algumas longas e lentas respirações. Olhei para baixo para o
bonito rosto de Dakota dormindo. Passei meus dedos por seu
sedoso cabelo. Gemeu em voz baixa em seu sono e
aconchegou-se mais em meu colo. Não podia perdê-la
inclusive para mantê-la a salvo. Possivelmente era egoísta.
Ou possivelmente Dakota e Pops tinham razão e não
importava. Mas a amava. Precisava dela. Ela importava.

Desliguei a televisão, então saí de debaixo dela e parei.


Levantei-a do sofá e a embalei em meus braços. Apenas se
mexeu.
Despertei com a luz do dia. Dakota seguia dormindo,
com as costas pregadas contra meu peito. Acredito que
nenhum dos dois se moveu por toda a noite. De fato, meu
braço, que ela se recostou, estava totalmente intumescido.
Cuidadosamente estirei e flexione minha mão, tentando
trazer um pouco de vida, sem incomodá-la.

Ela se agitou e se apertou contra mim. Bom, algumas


partes de minha anatomia se sentiam totalmente vivas.
Atraí—a mais perto, tomando cuidado com seu braço ferido.
Beije a parte de trás de seu pescoço e deslize minha mão por
baixo da camiseta que usava. Isso era tudo o que estava
usando e era enorme, assim tinha fácil acesso a todo seu
corpo.

Passei minha mão livre por todo seu corpo, acariciando


suas pernas, suas costas, sua bunda e seu ventre. Começou
a despertar, emergindo de seu sono profundo. Cavei todo seu
peito em minha mão e belisque seu mamilo.

Ela abriu a boca e sabia que estava finalmente


acordada.

— Bom dia, preciosa. Como está o braço? — Deslizei


minha mão entre suas pernas. Estava molhada.

— Mmm. Que braço? Oh! Bem. Que seja. Não importa.


Para de falar e prossiga nisso, menino mau. — Moveu suas
pernas, dando-me um melhor acesso.

— Oh, farei, bela. — Deslizei meus dedos dentro dela.


Rodou para trás contra mim, liberando meu braço
intumescido para rodeá-la. Sacudi minha mão e quando se
movia bem tomei seu peito com ela. Ficou sem fôlego ante o
dobro da estimulação e levantou seu braço para agarrar
minha cabeça. Gritou quando os pontos da sutura se
estiraram em seus bíceps flexionados. — Eu – gemeu —
baixei seu braço. Deixe-me tomar conta disso.

Sob o braço levantou sua perna, enrolando-a ao redor


da minha, abrindo-se para mim. Mordi seu ombro enquanto
minhas mãos beliscavam seus peitos e esfregavam círculos
apertados sobre seu clitóris. Eu adorava a sensação dela
enquanto se retorcia. Era apenas uma questão de minutos
antes que gemesse, balançando seus quadris contra minha
mão, sua bunda esfregando contra meu pau. Estava ficando
louco. Logo gozou, agarrei a coxa, dobrando sua perna para
cima contra seu ventre. Empurrei dentro dela e gritou,
arqueando suas costas. Moveu sua perna sobre meu quadril
e a flexionou.

Jesus, estava tão malditamente bem. Tinha estado


centenas de vezes dentro dela, agora podia contar com
minhas mãos o número de dias que não tínhamos tido
relações sexuais ao menos uma vez. Tínhamos tido de todas
as formas possíveis. E mesmo assim a sensação de me
deslizar dentro dela era tão intensa e extremamente
prazerosa como a primeira vez.

Tive que fazer uma pausa, sustentando-a com força


contra mim para mantê-la quieta, enquanto tomava controle
de mim mesmo. Ela flexionou seus quadris de todos os
modos e apertou seus músculos sobre mim. Merda. Dei um
grito afogado e comecei a me mover, sustentando minha mão
com firmeza contra seu ventre, tentando freá-la. Queria ir
lento e com calma. Queria amá-la, não fodê-la, mas ela
estava brigando comigo, tentando se mover e procurando
aumentar o ritmo. Era tão selvagem.

Beijei seu pescoço e gemi em seu ouvido.

— Dakota. Relaxe, baby. Quero tomar algum tempo —


suspirou e tranquilizou-se. Essa é minha garota. Deixe-me
sentir você por um tempo. — Deslizei lentamente para trás e
logo entrei lentamente. Ela gemeu. Mantive um ritmo
constante, movendo-me lentamente e empurrando profundo,
durante muito tempo, até que ela estava ofegando e gemendo
e a pressão na base de meu pau era quase insuportável.
Mordisque sua orelha e perguntei. – Pronta, baby?

— Sim! Já era hora, por favor, Jake. — Deslizei minha


mão entre suas pernas outra vez e esfreguei com força seu
clitóris e dobrei, não, tripliquei o ritmo, empurrando com
força e rápido agora. Caiu contra mim, empurrão atrás de
empurrão. Gozamos juntos com um grito e uivo.

Depois de uns minutos para recuperar o fôlego, Dakota


me beijou a mão.

— Maldito seja, é bom nisso.

Ri entre dentes.

— Não sou o único. Seu braço está bem?


— Já me esqueci dele. — Moveu. Provando. — Sim, um
pouco rígido. Mas não está mal. Obrigada.

— Por quê?

— Por não ficar louco ontem. Estava muito preocupado


com todo o assunto. Isso foi quente.

Não havia nenhum modo de dizer o que tinha passado


por minha mente na noite anterior. Beijei o lado de sua
cabeça.

— Estou tentando, de todos os modos.

— Agradeço isso. Amo você.

— Amo você mais, bela. — Abracei-a com força e mordi


a língua.
Capítulo 14

Dakota
Deitei-me de barriga para baixo em meu jardim,
apoiada em meus cotovelos. Uma velha manta esparramada
debaixo de mim. Estava usando um biquíni vermelho e
desfrutando do sol. Estava muito quente o sol da Califórnia
era radiante e a flora e a fauna me rodeavam. Tinha um bom
livro. Sentia-me malditamente bem.

Os últimos seis meses tinham sido como uma viagem


em uma montanha russa bizarra e perigosa. Mas passadas as
semanas, do último ataque, as coisas se acalmaram um
pouco. Jake havia me dito que a forma em que as coisas
estavam em um dia calmo como agora, era até intenso
comparado com a forma em que as coisas estavam antes.

Weston os tinha envolvido em merda má. Mas dessa


forma, era tudo o que tinha conhecido com os Fire Birds,
assim parecia o suficientemente calmo para mim agora.

Jake e eu íamos ter nossa cerimônia Birdy


aproximadamente em um mês e meio. Não estávamos
planejando uma festa elaborada, uma coisa simples era
perfeita para nós. Apenas íamos à cabana junto ao lago, com
todos os Fire Birds e os sócios de várias gangues, havia um
surpreendente número de motociclistas que ficariam
ofendidos se não fossem convidados.

Haveria um bolo e uma festa. É obvio, com essa


multidão, o final da noite seria um alvoroço como o inferno,
mas mesmo assim Tiffany e eu tínhamos passado vários fins
de semana encantados no centro comercial procurando
vestidos e alguns adornos para diferenciar esta festa das
usuais festas de bêbados dos Fire Birds. Além disso, queria
estar muito bonita para o Jake.

Assim estou deitada no chão de meu jardim, o


murmúrio da pequena fonte detrás de mim fazendo
companhia, pensando sobre o vestido e minha família e o a
mudança difícil da minha vida desde que conheci Jake. Na
realidade não estava lendo, dei-me conta. Fechei meu livro e
o deslizei longe, recostando minha cabeça na manta e
fechando meus olhos.

Estava cochilando ligeiramente, o som da água, das


abelhas e aves me embalando pacificamente, o sol e a brisa
fresca em minhas costas, quando escutei a Dyne do Jake
vindo pelo caminho. Ele só montava a Shovelhead quando eu
estava com ele, havia dito que se sentia vazio quando não
estava nela. Montaríamos esta noite.

Quando o escutei abrindo a porta de correr, apoiei-me


em meus cotovelos e gritei:

— Ouça coisa quente! Estou aqui atrás. — Veio através


da pracinha e sorriu quando me viu olhando-o sobre meu
ombro. Quando chegou à beira da minha manta, deixou-se
cair em seus pés e mãos e me olhou.

— Olá, baby. Parece que está tendo um bom dia. —


Mordeu meu ombro e logo beijou o mesmo ponto. Moveu-se e
se deitou ao meu lado na manta.

— Mmmmm. Estou. É incrível aqui fora. Estou


relaxada. E realmente estou ansiosa por esta noite. — Íamos
com Tiffany e Dixon a um show em Sacramento. Depois disso,
planejávamos parar no Pin Stockton para jogar bilhar,
comida e blues. Necessitávamos uma noite longe da gangue.
Conseguir que os meninos concordassem tomou um pouco de
esforço, mas sabia que Jake agora estava ansiosa também,
embora só fora porque eu estava emocionada e feliz por isso.

Sem o conhecimento de Jake e nem Dixon, Tiffany e eu


tínhamos mudado nossos guarda—roupas. Decidimos
realmente interpretar o ângulo da "garota motociclista", e eu
estava procurando "provocar" um pouquinho.

Senti Jake arrastando seus dedos ao longo de meus


braços, riscando a fraca e magra cicatriz do último ataque.
Baixou sua mão sobre meu ombro logo passando a parte de
atrás de seus dedos pelos contornos de minhas costas. Saí de
meus pensamentos. Cruzei meus braços debaixo de minha
cabeça e caí de barriga para baixo sobre a manta, com minha
cabeça virada para ele. Estava focado em seus dedos, os
quais estavam riscando as linhas de minhas tatuagens.
Deslizou-se contra mim e se inclinou para beijar minha
omoplata.
Amava o sentimento de seu corpo vestido pressionado
contra o meu quase nu, o tecido de seu jeans e o couro
quente áspero em minha pele. Senti seus dedos deslizarem
debaixo do sedoso material da parte inferior de meu biquíni e
acariciar o ponto correto na parte superior de minha covinha,
logo ligeiramente levantou a borda de meu biquíni no meu
quadril, enganchando seu dedo através do anel de prata no
flanco. Retorci e gemi em voz baixa. Vi-o lamber seus lábios e
logo desatou a corda através de minhas costas.

Rodei para ficar sobre minhas costas e meu agora solto


top se separou de meus peitos. Tirei-o, logo estirei meus
braços sobre minha cabeça, e arqueei minhas costas,
estirando meu corpo e levando meus peitos sutilmente para
ele.

Gemeu, desceu em meu peito e descansou suas mãos


ligeiramente sobre meu coração. Sussurrou:

— Vendo você assim, tão perto de mim, o sol brilhando


em seu bonito corpo... Deus, Dakota. É tão preciosa para
mim. — Deslizou sua mão ao redor de meu pescoço e se
inclinou para me beijar.

O amor que fizemos essa tarde no sol foi lento, doce e


tranquilo.

Depois do concerto, Jake e Dixon estavam conduzindo


lado a lado, Tiffany e eu envoltas ao redor de nossos homens,
dirigindo—nos ao Stockton. Era tarde o suficiente assim a
estrada estava limpa. Estávamos indo a uns noventa km, o
rugido dos motores pesados no ar.

Estava um pouco bêbada e me sentindo realmente bem.


Foi um grandioso dia. Envolvi a mim mesma mais apertada
ao redor de Jake e logo devagar, sutilmente deslizei uma mão
no meio de suas pernas. Nunca tinha feito isto antes, era
bastante perigoso, considerando que estávamos nos
balançando em uma máquina de quatrocentos quilos que
Jake estava operando com suas mãos.

De fato, ele estremeceu quando pressionei minha mão


sobre ele, e a Shovelhead tremeu. Já estava meio duro. Sabia
que montar com ele sempre me deixava úmida.

Girou a cabeça alguns graus para mim. Mas não


moveu minha mão. Apertei-o e o senti endurecer. Apertei de
novo e movi minha mão ao longo de sua longitude. Empurrou
um pouco o acelerador e o motor ronronou. Então capturou
minha mão na sua, levando aos seus lábios para beijá-la e a
colocou firmemente em seu abdômen com um tapinha. Dei
uma olhada e no brilho intermitente das luzes da estrada, vi
Dixon e Tiffany rindo de nós. Sorri e encolhi meus ombros.

Quando descemos de nossas motos no Pin, Jake se


balançou ao redor e tomou meu rosto em suas mãos,
beijando-me com força, sua língua profundamente em minha
boca, antes que sequer nós tivéssemos tirado nossos
capacetes. Tomei seu cinto e o devorei como estava fazendo.

Dixon pigarreou.
— Querem que esperemos por vocês lá dentro ou vão
apresentar um espetáculo para nós?

Jake riu contra minha boca.

— Nah, já vamos. Apenas tinha que liberar um pouco.


—Deu um pequeno apertão em minha bunda.

Tirei meu capacete e sacudi meu cabelo. Sabia que


Jake gostava especialmente desse movimento e, de fato, tinha
sua total atenção. Enquanto tirei a minha jaqueta e coloquei
em sua mochila, seus olhos percorreram meu corpo de cima
abaixo, sacudiu sua cabeça com pesar e sussurrou.

— Sim. Vamos estar em público. Isso soa grandioso.

A aparência de "garota de motociclista" tinha ficado


realmente boa. Estava um pouco desconcertada pela força de
sua reação, na realidade, já que não era uma aparência que
alguma vez seria rotineira para mim. Ainda que, era divertido
tê-la. Com Jake tão confuso. Estava usando umas botas altas
negras de salto sobre umas calças jeans justas e uma camisa
sem mangas negra com lantejoulas negras pulverizadas e
com um profundo decote.

O cós de minha calça jeans era muito baixo, então


quando elevava meus braços, mostrava algumas polegadas do
meu abdômen, tinha esperança, qualquer esperança, de ter
Jake na pista de dança para fazer uso deste acessório.
Embora geralmente não uso muitas joias, esta noite coloquei
uns brincos de prata, um colar negro de couro, e um
bracelete de couro em cada punho.
Além disso, tinha colocado uma maquiagem bastante
intensa, delineando meus olhos com lápis preto fora da linha
nas laterais. Minha auto-avaliação era que tinha conseguido
um aspecto exótico, mas tinha parado bem do lado correto da
linha entre o “com classe” e o “barato”. Jake ficou com a boca
aberta estupidamente a princípio e logo quase tinha
arruinado meu trabalho, empurrando-me contra a parede da
cozinha e me beijado com força.

Tiffany estava usando uma calça jeans apertada e


botas altas, também. Estava usando um top apertado de
encaixe branco com um amplo decote e manga longa, apenas
outra maneira suficiente para seu sutiã vermelho e torso nu
se mostrarem. Além disso, estava usando um montão de joias
e maquiagem. Estávamos quentes.

Os meninos estavam como sempre: com calças jeans, e


camisetas negras justas, Jake com suas botas. Não havia
queixa, essa era a aparência que preferíamos em nossos
homens. Jake tinha deixado seu gorro em casa e estava com
o cabelo arrumado, sabendo que era meu estilo favorito.

Pin era um lugar enorme: uma parte salão de bilhar,


uma parte pista de dança, uma parte bar e churrasqueira.
Tínhamos a intenção de passar por todas essas partes esta
noite. Comemos bons hambúrgueres e compartilhamos
batatas fritas. Bebemos cerveja. Tiffany e eu pegamos um
pouco mais pesado que os meninos, que não conduziam
bêbados. Jogamos bilhar e nós duas fizemos a melhor
inclinação na mesa em frente de nossos homens.
Rimos, brincamos e jogamos. E ninguém mencionou os
Fire Birds. Foi um grande momento. Não tinha me sentido
tão relaxada em anos. Estava um pouco enjoada. Eu gostava.
Era feliz. Realmente feliz.

A banda blues se apresentou ao vivo, nos acomodamos


em uma mesa perto da pista de dança e pedimos bebidas.
Tiffany e eu pedimos copos de tequila. Fizemos um pequeno
ritual, sal, tequila, limão e pedimos outra rodada. Vi os
meninos compartilharem um olhar.

— O que? — perguntei.

Jake me deu um olhar mesurado.

— Sabe que amo quando está bêbada, baby. — Elevei


minhas sobrancelhas, sorri com malícia para ele e me sorriu
em resposta.

— Mas se estiver muito bêbada para equilibrar você na


moto, teremos um problema. Então apenas freia um pouco,
sim? — Olhei para Tiffany. Voltamos para os meninos e em
uníssono, mostramos o dedo do meio. Mas quando chegou a
seguinte rodada de bebida, deixamos em seu lugar.

Tiffany e eu dançamos em nossas cadeiras durante as


primeiras canções e logo me recostei no colo de Jake e sorri.

— Dança comigo. — Acariciei com meus dedos seu


musculoso pescoço.

Agachou e me beijou.
— Sabe que não danço, baby. — Jake não dançava.
Nem sequer na sala de estar. Pegou minha mão e me parou.
Vejo Dixon negando com a cabeça para Tiffany.
Aparentemente uma negativa aí, também. Machos, pura
merda de motoqueiros. Bom, bem. Eles perdem. Sorri para
Tiffany e movi minhas sobrancelhas. — Quer dançar Tiffany?

Tiffany sorriu, piscou os olhos, ficou de pé, estendendo-


me a mão. Caminhamos de mãos dadas para a pista de
dança.
Capítulo 15

Jake
Dixon e eu observamos a nossas garotas partir juntas.
Dixon riu entre dentes.

— Maldição, irmão. São incontroláveis. Bastante


difíceis de administrar separadas. Duplamente perigosas ao
estarem juntas.

Assenti.

— Sem dúvida, mas não deixe que Dakota ouça você


dizer isso, chutaria sua maldita bunda.

Dixon riu.

— Sério. É como a mulher maravilha. — Chocamos


nossas cervejas e logo ficamos em silêncio enquanto
observávamos as nossas garotas dançar.

E o faziam. Estavam realmente dançando juntas, não


só lado a lado. Estavam de mãos dadas, movendo-se juntas,
apartando-se, girando e dando voltas. Sustentando uma à
outra, perto. Tocando-se. Porra. Traguei.

Estudei o corpo de Dakota, a maneira em que sua


incrível, maravilhosa e perfeita bunda balançava e se
inclinava, a maneira que flexionava seus quadris. Assim era
como se movia quando estava sobre mim. Traguei de novo e
senti uma obstrução em minha garganta. Sem tirar meus
olhos dela, tomei um gole de minha cerveja.

Ela olhou para a mesa, e nossos olhos se encontraram.


Enviou-me um sorriso descarado. Pela extremidade de meu
olho, notei a Tiffany sorrindo para o Dixon. Estavam
representando um espetáculo para nós.

Moveram—se juntas outra vez, com os braços a uma ao


redor da outra e vi as mãos de Tiffany na bunda de Dakota
por um momento. Então Dakota de maneira lenta e sensual
baixou até o chão pelo corpo do Tiffany e subiu movendo-se
de lado a lado. Fodido Jesus.

Tiffany fez uma dança ao redor de Dakota, arrastando


uma mão ao redor de seu torso. Estava a ponto de perder a
consciência. Duvidava que houvesse sangue em nenhuma
outra parte de meu corpo que não fosse em meu pau.

Dixon assobiou comprido e baixo.

— Fo.da.me.

Mas eu tinha minha atenção toda em Dakota e não


respondi. Ela levantou os braços por cima de sua cabeça com
graça, apanhando seu cabelo em suas mãos, enquanto se
movia, seus quadris contornando-se de lado a lado e seu
plano, firme e comestível ventre descoberto e iluminado de
vermelho pelas luzes da pista de dança.
Girou em um círculo lento e com graça, seus braços
ainda para alto e vi os músculos tonificados de suas costas
flexionarem, suas tatuagens ondulando e os poucos
centímetros de pele exposta por cima da cintura baixa dessas
sexys e quentes calças. A luz a apanhou nesse momento,
criando sombras nas fendas por cima de seu bunda.

Fodido Jesus Cristo. Tive que fechar os olhos. Era


como olhar ao maldito sol.

— Jake. — A voz de Dixon foi surpreendentemente


mordaz e me fez abrir os olhos.

Dois malditos caipiras estavam tentando se aproximar


dançando junto a elas e tentando separá-las. Dixon e eu nos
colocamos de pé, em alerta. Fomos rapidamente à pista de
dança, mas, sem intervir ainda. Olhamos um ao outro um
momento, estivemos de acordo e nos focamos apenas em
nossas mulheres. Estava tendo um momento difícil,
mantendo-me na raia, mas sabia como se sentiria Dakota se
fosse ao seu resgate muito rápido e começasse uma cena.
Tiffany pensava da mesma maneira e devido a isso também
podia sentir a tensão de Dixon.

Com esforço, ficamos parados e observamos enquanto


pela primeira vez as garotas tentaram ignorá-los, depois
declinaram amavelmente e logo rechaçaram com firmeza.
Estes imbecis eram obstinados e queriam intervir. Estava
realmente desejando que não tivéssemos deixado nossas
malditas armas guardadas em nossas motos.
Então um dos malditos caipiras pôs sua mão na
cintura de Dakota. Ela a tirou de um tapa com fúria e lhe
agarrou o braço e tirou bruscamente. O outro bastardo
agarrou a Tiffany.

Não tinham nem ideia do perigo com os quais se


estavam colocando. Estavam a ponto de saber.
Capítulo 16

Dakota
Pôr suas mãos em Tiffany e em mim foi um péssimo
engano. Rodei meu braço e girei, retorcendo dolorosamente o
braço do cara que me agarrou. Logo dirigi meu punho à sua
garganta. Caiu balbuciando e ofegando. Tiffany tinha chutado
o cara que a tinha, com força nas bolas com sua bota de cano
fino, estava caído, também. Quase todos na pista de dança
haviam aberto espaço. Uh. Multidão escandalosa.

Tudo passou tão rápido que ambos os fanfarrões


estavam no chão antes que Dixon e Jake chegassem até nós.
Tudo o que restava era removê-los. Assim Jake tomou o
bastardo que tinha me atacado pela garganta, ouvi o
bastardo grasnar, e Dixon levantou o que atacou Tiffany da
mesma maneira. Tiraram—nos da pista de dança.

Tiffany e eu os seguimos.

Estava me sentindo bastante bem. Não tinha me


assustado, apenas incomodado, Tiffany e eu tínhamos
despachado o problema imediatamente. Mas a escura ira que
vi no rosto de Jake me deu razões para estar preocupada.
Estava vibrando visivelmente. Dixon tampouco parecia calmo.
Estes fanfarrões dos já que nós tínhamos ocupado estavam a
ponto de ser severamente golpeados por nossos enfurecidos
homens “pertenço-a—uma—gangue”, e sabiam. Estavam
ferrados... e então vi um grupo de fanfarrões similares que
pareciam como se estivessem tentando entender o que tinha
acontecido a seus amigos. Coloquei minha mão nas costas do
Jake.

— Jake. Está para começar uma briga. Pensa.

Vi como a razão brigava com a ira e ganhava.

— Saia daqui porra. — Jake cuspiu cada palavra


através de seus dentes apertados, e logo deixou cair o
fanfarrão. Dixon também deixou cair seu fanfarrão. E os dois
se afastaram rapidamente.

Ficamos e terminamos a rodada que tínhamos pedido,


mas Jake e Dixon estavam distraídos e zangados. Jake seguia
olhando ao redor do bar e não tirava sua mão de cima de
mim. Deixava a mão em minhas costas, meu joelho.
Sustentou minha mão. Envolvia seu braço ao meu redor.
Estava em um alerta extremamente possessivo protetor.
Dixon estava igualmente mau.

Finalmente, Tiffany disse:

— Bem. Alguém mais sente que nosso grande encontro


terminou faz um momento? Preparados para retornar? —
Todos estiveram de acordo, partimos. Jake deixou sua mão
firmemente ao meu redor. Suspirei mas deixei fazer sua coisa
de macho.
Justo antes que chegássemos em nossas motos, duas
caminhonetes aceleraram, rodeando—nos, fazendo que o
cascalho do estacionamento se levantasse. As caminhonetes
derraparam detendo-se cada um de nossos lados, e cerca de
dez tipos zangados saíram de repente. Jake tratou de me
empurrar, já que estava perto de uma das caminhonetes,
atrás dele, mas fui separada de um puxão. Escutei-o vociferar
meu nome enquanto eu girava para me soltar e brigar.

Senti um brilhante estalo de dor no lado de minha


cabeça. Logo tudo em meu mundo ficou escuro.
Capítulo 17

Jake
O clã Heros...

— Dakota! Dakota! — Merda! Antes que me pudesse


pôr entre estes filhos de puta e Dakota, um deles a agarrou e
a apartou com força. Ao mesmo tempo, dois caras diferentes
me agarraram e me contiveram. Então... ele a golpeou no lado
da cabeça com uma maldita corrente enorme. Jesus! Porra!

Dakota! Ela caiu como uma pedra.

Recebi um golpe de outro filho da puta em meu ventre


e me dobrei. Tinha que chegar a ela. Ela era tudo o que
importava. Relaxei em seu domínio até que o senti afrouxar
um pouco. Resisti, usando toda a força da que era capaz para
estirar meus braços para frente, arrastando os dois meninos
que me sustentavam. Impulsionado por uma fúria e pânico
quase muito grande para senti-los, lutei, tentando abrir
espaço para Dakota.

Derrubei um de meus assaltantes em seguida com


duas monstruosas combinações de direita para sua cabeça, e
logo o pisoteei em sua cabeça para mantê-lo abaixo. O cara
que tinha Dakota a tinha jogado na parte traseira da
caminhonete e subiu ali com ela.
Ia rasgar a cada um destes filhos de puta em
pedacinhos e alimentar as suas mães com eles. Quem tinha
Dakota ia comer seu próprio pau esfolado primeiro.

Atrás do ruído branco ensurdecedor que encheu meu


cérebro, pude escutar Dixon. Não sabia o que tinha ocorrido
a Tiffany. Não podia me preocupar com isso. Não podia me
preocupar com Dixon. Só podia pensar em Dakota.

Senti que algo me golpeou na parte de atrás da cabeça.


Minha cabeça se sacudiu com força pelo impacto, mas
apenas o senti. Girei e agarrei a tabela de 2x4 em uma mão, e
logo a empurrei com força ao longo da cara. O homem caiu, e
dirigi a tabela direto para baixo, para seu ventre.

Dei a volta e dirigi a pernadas para o caminhão onde


estava Dakota. Golpearam—me ao redor de minhas pernas, e
caí. Senti um forte golpe em minhas costas. Girei e agarrei o
pé, enquanto retornava para um segundo impacto. Sustentei
e o torci até que escutei que se rompia. Logo o arrojei e ao
corpo que estava amarrado a ele longe, e voltei a ficar de pé.

Justo quando fazia, vi Dakota de pé no caminhão.


Podia vê-la claramente o resplendor das luzes do
estacionamento. Do lado de sua cabeça que foi golpeado,
estava escorrendo sangue. A parte de cima de sua roupa
estava rasgada. Gritei em silêncio. Não via o cara que a tinha
machucado. Quando finalmente, por fim, alcancei o
caminhão e saltei dentro, vi que estava convertendo o filho da
puta em sopa. Estava gritando com voz rouca e pisando forte
com o salto alto e magro de sua bota no meio de suas pernas
uma e outra vez. Ele era uma sangrenta confusão de gritos.
Não pensei que houvesse algum pau que ficasse por esfolar.

Agarrei Dakota e a abracei, pressionando-a com força


contra meu peito. Lutou comigo a princípio, colocando um
golpe muito sólido com seu braço em minha mandíbula.
Quando me reconheceu, desabou contra mim, soluçando,
com suas mãos agarrando minha camisa. Tentei suavemente
dar uma olhada na sua cabeça, mas vaiou e separou.

Ouvi as sirenes. Olhei por cima de sua cabeça a cena.


Dixon estava sentado no chão contra um pneu da outra
caminhonete, sustentando uma Tiffany chorosa. Ambos
estavam sangrando. Cada um dos filhos da puta que nos
tinha atacado se encontrava incapacitado ou inconsciente.
Toda a cena estava rodeada por uma multidão. Nenhum deles
se intrometeu na briga.

A multidão tinha sido boa para uma coisa: havia


suficientes testemunhas para dizer o que havia se passado
que nem sequer seríamos levados para ser interrogados. A
polícia de Stockton e os paramédicos estavam sendo muito
atentos com Dakota e Tiffany, e inclusive comigo e Dixon. Os
membros de gangues de motoqueiros não costumam receber
muito amor por parte da lei, mas as histórias de como
brigamos por nossas mulheres pareciam ter sensibilizado
todos eles. Para não falar da história de como Dakota tinha
lutado por ela mesma.

Nenhum dos filhos da puta estava morto... ainda.


Dakota tinha estado perto de estripar o cara que a machucou.
Seu pacote não era nada mais que carne picada, e tinha feito
um dano sério aos seus órgãos, também. Inclusive com tudo
isso, não falaram que a surra que deu não foi justificada. E
tinha os machucados de batalha para prová-lo. Um
machucado no lado de sua cabeça, uma contusão, e um
montão de hematomas, hematomas em lugares que me deu
vontade de ir ao hospital e terminar de estripar o filho da
puta.

Isso estava ainda na ordem do dia. Se sobreviver à


vingança de Dakota, maldita certeza que não sobreviveria à
minha. Isto não tinha terminado.

Dixon tinha feito mal ao assaltante de Tiffany. Também


ela tinha sido nocauteada com um frio golpe na frente e no
momento em que voltou em si, Dixon o tinha tirado de cima.
Não sabia o que o filho da puta fez à Tiffany além de abrir um
corte em sua fronte e nocauteá-la, e não era meu lugar para
perguntar. Mas Dixon tinha golpeado muito seu rosto. A
maioria de seus ossos se fizeram pedacinhos. Tinham tido
que fazer uma traqueotomia no cara. Estava vivo, mas pensei
que, de um modo ou de outro, não estaria respirando muito
mais tempo, através de qualquer orifício. Dixon tinha
trabalho para fazer, também.

Os outros atacantes tinham ossos quebrados e


contusões cerebrais, afinal. Todos já tinham sido levados ao
hospital. Em um furgão policial. Também receberiam parte da
vingança.
Dixon e eu... bom, tínhamos estado em uma ou duas
brigas ruins antes. Doía minha cabeça como uma filha da pu-
ta, mas o golpe que recebi nem sequer me rompeu a pele. Do-
íam minhas costas e senti que tinha talvez uma costela ma-
chucada. Meu joelho estava um pouco luxado ao conseguir
ser derrubado, mas podia dizer que não era mais que uma
torção e não me manteria fora de minha moto. E minha man-
díbula estava um pouco dolorida pelo golpe de Dakota. Dixon
tinha um grande olho roxo, um lábio partido, e provavelmente
algumas costelas machucadas. Nossos nós dos dedos esta-
vam inchados e sangrando, sobretudo os do Dixon. Nada no-
vo.
Dakota e eu estávamos sentados juntos na parte de
trás da ambulância. Tinha agarrado sua jaqueta de minha
mochila para que pudesse se cobrir. Ela estava sustentando
uma compressa de um lado de sua cabeça. Dixon e Tiffany
estavam sentados na parte de trás da outra. Os paramédicos
estavam discutindo com força a respeito que, ao menos as
mulheres, deviam ser examinadas na sala de emergências.
Dixon e eu estivemos de acordo, ambas precisavam de
pontos de sutura, mas Dakota não deu seu consentimento, e
Tiffany não iria sem ela.

Podia ver que Dakota estava quase em seu limite de


que a curvassem. Estava pálida e desgastada e parecia
surpreendentemente frágil para mim. Mas ainda odiava que a
gente tentasse obrigar a fazer coisas que não queria fazer, e
pude ver que o fogo se levantava em seus olhos. Alegrei-me
disso, estava introvertida e muito dócil desde que terminou a
briga.

Saltou da ambulância e jogou a manta obrigatória de


seus ombros.
— É o suficiente. Estou bem...

Desabou no chão. Agarrando-a, uma vez mais, gritei


seu nome.

Dakota estava em cirurgia para aliviar o sangramento e


o inchaço em seu cérebro, e eu me encontrava caminhando
de um lado para outro na sala de espera. De vez em quando
passava minhas mãos por meu cabelo e deixava sair um
assobio curto, quando golpeava o vulto na parte de atrás de
minha cabeça.

Dixon e Tiffany estavam sentados juntos em um sofá


próximo. O machucado na frente de Tiffany foi suturado, e se
encontrava sustentando uma bolsa de gelo em seu cotovelo.
Dixon tinha uma em seu olho e outra em seus nódulos. Havia
uma caixa de bolsas de gelo que se ativavam por pressão em
uma mesa próxima. Uma enfermeira havia nos trazido para
cada um uma bolsa, deu—nos um bom e longo olhar, e então
voltou por toda a caixa.

A polícia de Stockton tinha ido ao hospital para fazer


mais perguntas. Desculparam e explicaram que estavam
tentando terminar o mais rápido conosco, para que não
tivéssemos que ser incomodados de novo mais tarde, mas
simplesmente não podia. Não podia pensar. Não podia falar.
Não podia deixar de dar uma surra em qualquer um entre a
Dakota e eu. Literalmente tinha gritado na cara de um
policial. O cara tinha desabotoado a capa de sua pistola em
resposta. Dixon tinha me contido e tinha levado os policiais
para o lado oposto da sala para que falassem com ele e
Tiffany. Logo tinham ido, expressando seus bons desejos para
Dakota.

O resto da gangue chegou cerca de meia hora mais


tarde. Logo que vi Ron, levei-o a um lado. Tinha tomado
algumas decisões. Queria o filho de puta que tinha feito isto a
Dakota, morto, mas não queria nenhuma réplica pra Dakota,
o que significava que em mim, tampouco. Irritava-me mandar
outro, mas Dakota era minha única preocupação, assim
precisava de Ron para fazer isto. Expliquei o que precisava, e
Ron estava de acordo. Não tinha nem ideia de quem era o
filho de uma puta, mas sabia que tinha que estar no hospital,
e sabia que Mickey poderia resolvê-lo. Mickey e Ron saíram
da sala de espera, e Dixon e eu fizemos contato visual.
Mantivemos o olhar durante vários segundos, e logo Dixon
assentiu uma vez. Voltei a caminhar de um lado para o outro.

Weston se aproximou de mim. Transladei até perto de


seu rosto e murmurei:

— Por que demônios o clã Heros está nos atacando?

— Não sei filho. — Respondeu Weston, sacudindo sua


cabeça. Não acreditei. Mas agora não era o momento. Dakota
era tudo o que importava. Weston pôs uma mão em meu
ombro, mas me encolhi ante a este gesto. Estava contente de
que minha família, a futura família de Dakota, estivesse aqui,
mas não queria saber nada de pesar. Queria minha raiva e
minha preocupação.
Passei minhas mãos por meu cabelo e golpeei o
hematoma de novo. Grunhi, e Tiffany se levantou e trouxe
uma bolsa de gelo para mim. Golpeou—a e a levantou para
sujeitá-la em minha cabeça. Encolhi me afastando. Era muito
mais alto que ela, assim que minha cabeça estava fora de seu
alcance, mas ficou ali, com uma mão em meu braço, a outra
sustentando o pacote o mais perto possível da minha cabeça,
esperando pacientemente. Ela só me olhou, não disse uma
palavra.

Finalmente, tomei o pacote e o apertei com cautela


contra o hematoma. Deixei que levasse a me sentar com
Dixon. Logo beijou a parte superior de minha cabeça. Isso foi
tudo. Deixei cair minha cabeça em minha mão livre e chorei
em silêncio. Tiffany se sentou ao meu lado e pôs seus braços
ao redor de mim.

Passaram várias horas antes que o cirurgião finalmente


saísse à sala de espera. Sentou comigo e me explicou que
foram capazes de entrar e deter o sangramento e extrair o
sangue que se acumulou em seu cérebro, e o inchaço
diminuiu o suficiente para que não acreditassem que teriam
que eliminar qualquer parte de seu crânio.

Mas ela estava em coma e, provavelmente, estaria por


um dia ou dois, pelo menos até que o inchaço tivesse baixado.
Até que estivesse consciente, não seriam capazes de estar
seguros de que não haveria nenhum dano a longo prazo.

A laceração da corrente requereu vinte pontos de


sutura para fechá-la.
— Está bem, então. Se não tem mais perguntas,
deixarei com sua família. Uma enfermeira te informará saber
quando esteja fora, na recuperação. — Olhou ao redor da sala
cheia de motoqueiros. — Só familiares próximos esta noite. É
tarde, e estará inconsciente. — Assenti.

O cirurgião se foi, e Tiffany se sentou comigo para me


explicar com mais detalhe o que ele havia dito. Explicou as
partes duras que os médicos frequentemente deixam de lado.
Era importante que Dakota despertasse rapidamente, quanto
mais tempo se encontrasse em estado de coma, menos
probabilidade de que se recuperasse por completo. Ou em
absoluto.

Saltei de meu assento e me afastei. A ideia de que


podia estar morrendo neste momento, a ideia de que não ia
ver seus bonitos olhos ou seu brilhante sorriso... coloquei
minhas mãos contra a parede e deixei cair minha cabeça
entre meus braços. Gritei e golpeei a parede, deixando uma
mancha de sangue atrás.

A enfermeira entrou com a informação sobre a cama de


Dakota na UTI. Tiffany, Dixon e eu fomos e os outros ficaram
esperando.

Parei em seco quando a vi. Gemi e me dobrei, minhas


mãos sobre meus joelhos. Estava enjoado. Senti a mão de
Dixon em minhas costas. Tomei várias respirações e fiquei de
pé.
Estava tão pálida, tão pequena. Sua enorme força de
vida parecia... que tinha ido. Sua cabeça estava envolta em
um turbante de ataduras, seu cabelo recolhido para um lado.
Estava com um tubo respirador. Tinha hematomas escuros
sob seus olhos. Havia tubos, cabos e máquinas com assobios
por toda parte. Há apenas algumas horas que tinha estado
envolta ao redor de mim em minha moto, apalpando-me na
estrada aberta, a noventa milhas por hora.

— Tiffany... o que... Tiffany, por favor, o que... — Nem


sequer sabia o que estava perguntando.

Senti a mão de Tiffany em meu braço, e deixei que me


guiasse. Levou-me a uma cadeira junto à cama de Dakota e
sob o corrimão do lado da cama para que pudesse me
aproximar. Então ficou agachada junto a mim.

— Ninguém fica lindo depois de uma cirurgia. A gente


fica como uma merda, inclusive depois de uma cirurgia
menor, e está não foi. Está pálida porque tudo se desacelera
na sala de cirurgia.

— Os olhos negros são em sua maioria por sua palidez


e em parte pelo trauma. Foi golpeada com uma corrente
pesada e teve uma hemorragia em seu cérebro. Isso é um
trauma. Recorda que, na cena, seus olhos se tornaram de cor
vermelha e suas pupilas estavam dilatadas. Tudo isso é pela
hemorragia e pela inflamação.

Não disse nada durante um momento, mas logo tomou


uma de minhas mãos entre as suas.
— O que me causa maior preocupação é o respirador.
Isto significa que não está respirando por sua conta. — Meu
estômago se rendeu sobre si mesmo, e gemi. — Ela estava
respirando quando a trouxemos. Vou falar com o cirurgião e
obter mais algumas informações sobre o que aconteceu na
sala de cirurgia. – Deu um beijo na bochecha, um beijo na
Dakota em sua frente, e saiu, levando Dixon com ela.

A sós com meu neném, sentei-me e fiquei olhando seu


peito, vendo-o subir e descer em sincronia com um dos
ruídos no quarto. Sua mão estava sobre a manta, agarrei-a e
deixei escapar um soluço desde meu peito.

Sua doce mão estava tão fria, tão frágil. Sentia como
que poderia se esmiuçar até ficar em pó ante meu áspero
agarre.

— Deus, Dakota, por favor, neném, por favor, Deus. Oh


Deus, que volte para mim. —Apoiei minha cabeça na cama
junto ao seu ombro e chorei.

Por quase dois dias, não deixei o lado de Dakota. Não


saía do quarto, nem quando ela foi examinada, e não permitia
que me obrigassem a sair. Não comia. Só bebia porque
Tiffany seguia empurrando a água por minha garganta,
ameaçando-me colocar uma via intravenosa.

Cada hora que passava e Dakota não despertava


aumentava minha ansiedade em cem por cento. Entendi que
tinha morrido uma vez, sofreu uma parada cardíaca na mesa
de operações. Não respirava por sua conta após isso. O medo
estava me corroendo de dentro para fora.

A gangue tinha estado fazendo rondas para estar


comigo. Não os queria ali. Eles, nós, fomos a razão que ela
poderia estar morrendo em primeiro lugar. Mas sabia que
amavam a Dakota, também, assim simplesmente os ignorei.
Ron chegou no princípio da primeira manhã. Parou no final
de sua cama e disse simplesmente:

— Feito, irmão. — Olhei-o e assenti, e logo girei para


Dakota. Não sentia nenhuma satisfação. Queria pôr minhas
mãos nas vísceras desse filho de puta e fazê-lo olhar
enquanto tirava suas vísceras centímetro a centímetro.

Tiffany se sentou comigo. Mais do que qualquer coisa


ela realmente impediu-me que perdesse a cabeça. Sabia
quando precisava que falasse, para me explicar o que os
médicos e as enfermeiras estavam fazendo quando chegavam
a empurrar e picar Dakota. Sabia quando eu tinha que falar.
Permitiu-me expressar minha auto culpa e lamento, sem
tentar me fazer melhor, entendendo que precisava culpar a
mim mesmo. E sabia quando ser silenciosa e só se sentar
comigo.

Ela estava ali à tarde do segundo dia, quando acreditei


notar uma mudança em alguns dos sons na sala, um tom
mais firme do que tinha estado escutando, e quando pensei
que a cor de Dakota se via melhor, a máquina comprovou, o
monitor do coração, e me disse que sim, que seu coração
estava mais forte e sim, também pensava que sua cor estava
melhorando. Esses eram dois bons sinais de que Dakota
poderia despertar logo. Assim que tinha passado as seguintes
cinco horas olhando seu rosto, desejando que abrisse seus
olhos verdes diamante e me olhasse.

E então ela fez. Abriu seus olhos e, ao mesmo tempo


tentou respirar. Mas o respirador estava em seu caminho e
estava se afogando e com náuseas, e logo suas mãos estavam
em cima dele e estava tirando-o. Golpeei o botão vermelho na
parede sobre sua cama e gritei por ajuda. Três enfermeiras,
Tiffany e Dixon chegaram voando.

Estava desorientada e brigando, mas foram capazes de


conseguir acalmá-la o suficiente para ajudá-la a tirar o tubo
de sua garganta. Saiu sangue, mas uma vez que estava
respirando sem ajuda, relaxou lentamente e olhou ao seu
redor. Viu-me e sorriu fracamente. Agarrei sua mão, e me
devolveu o apertão. Podia sentir as lágrimas correndo
livremente por meu rosto, mas não me importava. Pela
primeira vez não me importava com minha reputação de
gangue. Só me importava Dakota.

— Oh, querida. Graças a Deus. Amo você tanto. Graças


a Deus. — Inclinei e a beijei com suavidade e gozei ao sentir
que me devolveu o beijo.

Tentou falar, mas não pôde conseguir emitir nenhum


som. Agarrou sua garganta e fez uma careta.

Tiffany se aproximou.
— Dakota, carinho, não tente falar ainda. Por causa do
tubo que estava em sua garganta vai fazer que doa e seja
difícil falar por um tempo. Tiraram faz um momento, o que
faz mais difícil que o habitual, e provavelmente esteja em
carne viva. Pode machucar você mais se tentar falar. Vou
conseguir uma caderneta e um lápis até que se sinta melhor,
de acordo?

Um residente do turno da noite entrou e fez algum tipo


de provas de seus reflexos e olhou seus olhos com uma luz,
obviamente, muito brilhante para ela. Pude ver que o idiota
estava causando dor, e foi só a mão de Tiffany em meu braço
que me impediu que o tirasse. O sangue está desaparecendo
dos olhos de Dakota. O direito, que tinha sido golpeado,
ainda se via bastante mal, mas o esquerdo quase havia
voltado ao normal.

Dakota se desvaneceu no sono, e a olhei respirar


durante o resto da noite.

Quando seu neurocirurgião veio muito cedo na manhã


seguinte, despertou Dakota para checá-la. Deus! Odiava
hospitais. Fez as mesmas provas que tinha visto os outros
fazerem, incluindo pedir para Dakota escrever palavras e
desenhar formas em sequência.

Pediu que escrevesse o que tinha acontecido. Ela


desenhou um sinal de interrogação. Pediu que escrevesse a
última coisa que lembrava. Escreveu: "dançar".
E logo me sorriu. Pediu que estimasse quanto tempo
tinha passado. Ela pensou que provavelmente menos de uma
hora. Pediu que escrevesse um número entre um e dez para
descrever sua dor. Escreveu oito. Deixou de fazer perguntas a
seguir, e apertou o botão para chamar a enfermeira. Dakota
se recostou contra os travesseiros, evidentemente esgotada.

Quando terminou, sentei no canto da sua cama.

— Bom, quero programar alguns exames para os


próximos dias, e quero que seja capaz de falar antes de tomar
uma decisão final, mas até o momento, está passando nas
provas com muito êxito. Apoiados no que sabemos até agora,
parece que, além de um pouco de perda de cor induzida pelo
trauma, o qual não é nada estranho, sua função cerebral é
normal. Uma vez mais, quero ver alguns exames e conseguir
que fale primeiro, mas isto é só sobre o melhor dos casos,
Dakota.

Uma enfermeira entrou e injetou algo em sua


intravenosa. O médico se foi, e abracei Dakota tão forte como
sentia que podia, sem rompê-la, o qual não era apertado o
suficiente. Coloquei-a de novo sobre os travesseiros, e
adormeceu quase imediatamente.

Despertou umas horas mais tarde. Estava dormindo


com minha cabeça em sua cama perto de seu lado, mas
despertei logo que ela se moveu. Sorri.

— Oi, bela. — Passou seus dedos por meu cabelo.


Durante o resto do dia só sustentei a mão de Dakota e
a vigiei enquanto saía e entrava do sonho.

Despertava com um sobressalto de vez em quando,


mas relaxava quando se dava conta de que eu estava ali com
ela, abraçando-a. Pela tarde, entretanto, esteve mais
acordada e alerta. Inclusive comeu um pouco de caldo e
gelatina que a enfermeira trouxe, embora claramente doesse
ao engolir.

Depois, agarrou sua caderneta e escreveu: "O que


aconteceu?"

Não sabia o que dizer. Estava tão frágil. Quase a tinha


perdido. Não recordava nada disso. Neste momento, não
possuía essa horrível lembrança. Descrever o que tinha
acontecido parecia muito aterrorizante neste momento. Mas
não podia mentir. Assim disse:

— Agora não, querida. É necessário que se concentre


em melhorar.

Endureceu sua mandíbula, e seus olhos se iluminaram.


Estava zangada. Agarrou a caderneta e sublinhou sua
pergunta três vezes, empurrando a caneta através do papel.
Sorri porque estava muito feliz de ver minha ardente noiva de
volta. Levantou suas sobrancelhas para mim, e pude ler o
olhar, "que caralho é tão engraçado, imbecil?" Colocou cara
séria. Isto era realmente grave, mas cacete, alegrava-me tê-la
de volta.

— Posso ter a opinião médica da Tiffany primeiro?


Atirou a caderneta para mim. Recolhi-a e a devolvi.

— Não quer perder isto. Tenho certeza de que precisará


gritar comigo um pouco mais. — Mostrou o dedo médio, e eu
ri. Depois de um momento, devolveu o sorriso. Meu coração
se inchou.

Por sorte, Tiffany entrou justo nesse momento. Olhei


Dakota, suas sobrancelhas arqueadas, "posso?" agitou seu
desdenhosamente, "o que seja".

Girei para Tiffany.

— Dakota não recorda nada da outra noite depois da


dança. Quer que lhe diga o que aconteceu. Disse que talvez
deveríamos esperar até que esteja mais forte.

Tiffany olhou Dakota.

— É ruim, D. Tem certeza?

Dakota parecia sombria, mas assentiu com severidade.

— Está bem — disse. — conte.

Assim que disse tudo o que sabia. Tiffany preencheu


alguns detalhes que me tinha perdido ou não sabia.

Quando terminamos, Dakota estava aflita . Havia


lágrimas contidas em seus olhos. Agarrou a mão de Tiffany.
Então tomou a caderneta e escreveu: "Não me lembro, sinto
muito".
A princípio não entendi muito bem. Então Tiffany
começou a chorar, e Dakota a abraçou, e pensei que chorava
também.
Capítulo 18

Dakota
Aparentemente, quando se passa dois dias em coma
induzido devido a um trauma, não lhe deixam simplesmente
ir para casa quando quer. Depois que despertei me fizeram
ficar uma semana no hospital, apesar de que o inchaço tinha
baixado rapidamente e, a menos de três dias de ter saído do
coma, todos meus exames e tomografias estavam normais. Já
estava no final da minha paciência no momento em que me
deram alta.

Não tinha lembranças do ataque. Jake, Tiffany e Dixon


me haviam dito tudo o que sabiam, mas me sentia como se
tivesse acontecido a outra pessoa. Estava mais irritada pela
história de Tiffany que pela minha. E ninguém sabia o que
aconteceu no caminhão, quer dizer, como tinha vencido o
homem que estava me machucando, com nenhum detalhe, o
que me tinha feito, além de quase me matar, quero dizer.

Haviam me dito o que lhe fiz, mas isso, também, sentia


algo mais. Sabia que estava morto, como o atacante de
Tiffany, e sabia como e por que. Jake havia me dito isso
quando estávamos sozinhos. Ainda não tinha sido capaz de
falar e quando tinha terminado, tinha escrito: OK.
Sabia que não tinha sido Jake, pois não havia deixado
o hospital durante toda minha estadia. Quando me moveram
da UTI1 para um quarto regular, haviam trazido uma cadeira
para dormir, tendo compreendido, que ninguém podia lhe
fazer entender o conceito de "horário de visita". Estava em
modo super protetor, e, em realidade, não podia culpá-lo.

Não tinha lembranças do que tinha passado, mas podia


ver cada momento gravado em seu rosto. Doía-me o coração
ao ver sua dor. Ele se culpava, sabia. Quase tinha morrido,
quase tinha me perdido, e tinha assistido o que aconteceu.
Precisava me cuidar, e o amava muito para resistir aos seus
cuidados. Possivelmente era o trauma cerebral, mas eu
gostava de sua mimosa atenção. Por agora, de todos os
modos.

Dixon e Tiffanny nos visitavam por longos períodos


todos os dias e nos traziam artigos pessoais. Também
entravam com contrabando de comida decente. Os Fire Birds
vieram duas ou três vezes para me incomodar afetuosamente.
Traziam flores em cada visita, e no final de minha estadia,
meu quarto estava cheio de cores e aromas.

Finalmente me deram alta um dia depois que tiraram


meus pontos. Estava falando e caminhando e já não usava
ataduras. Tinha uma dentada e marcada cicatriz de sete
centímetros que começava na frente da minha orelha direita e
se estendia para trás, sobre a parte superior da orelha. Essa
era da corrente. Tinha outra cicatriz, muito menor, acima e à

1
UTI: Unidade de Tratamentos Intensivos.
direita da base do meu crânio, da incisão que tinham feito
para drenar o sangue de meu cérebro.

Cada cicatriz tinha uma auréola de pele calva, bem, de


cabelo nascendo, ao seu redor. Estava tentando me
convencer de que essas costuras de cor vermelha em minha
cabeça pareciam duras, mas até agora apenas pensava que
pareciam aterradoras e grotescas.

Meu cabelo cobria completamente a menor e como


cobria um pouco a outra, assim não havia problema.

Também tinha grandes hematomas por todo meu torso


e braços. Tinha hematoma em forma de dedos em meus
braços, minha garganta, e um peito profundamente
machucado, outro muito grande e escuro em meu abdômen,
justo em cima do meu osso púbico, estendendo-se até a parte
interna de minha coxa. Estava feliz de que não podia recordar
como tinha obtido, e estava feliz de vê-los desaparecendo.

Considerando todas as coisas, sentia-me bastante bem.


Tinha uma ligeira vertigem e algumas dores de cabeça muito
ruins. Tinha começado a ter sonhos perturbadores, violentos
e espantosos, e não tinha sido capaz de lhes dar sentido.
Meus pensamentos sentiam um pouco mais lentos do que
estava acostumada. Mas estava profundamente doente de
estar quieta, e inclusive mais doente de ser mimada e ficar
cravada na cama. Queria ir para casa, e o queria agora.
Queria minha vida de volta. Queria estar para sempre com
Jake. Queria que Jake fosse... Meu.
Capítulo 19

Jake
Durante as semanas depois que a levei para casa,
fiquei com Dakota. Quando tinha que ir, chamava Tiffany.
Não podia suportar a ideia de que algo pudesse acontecer e
que estaria sozinha, especialmente quando ainda estava fraca.

Depois de aproximadamente um mês, um montão de


escândalos a que se negou a tolerar o que ela chamava uma
"babá" tinha retornado à minha rotina normal, mas inclusive
seis semanas depois de que tinha sido machucada, quando
parecia forte outra vez e com minha Dakota, não podia me
manter relaxado. Nunca.

Não era como tinha sido antes. As dores de cabeça se


foram, mas tinha pesadelos todas as noites e se sacudia até
despertar. Ela não deu importância quando tentei consolá-la,
e não falaria disso, mas estava preocupado. Que eu saiba,
nunca tinha tido pesadelos antes. Perguntei se estava tendo
lembranças em seus sonhos. Não queria que tivesse essas
lembranças de volta. Não queria contar os sonhos ao seu
médico, e certamente não me permitiria fazê-lo.

Eu estava surpreso e um pouco desconcertado de que


ainda preferia prender seu cabelo em um rabo de cavalo, com
esse estilo expunha plenamente suas cicatrizes. Embora
sempre tivesse gostado de seu cabelo preso assim, a forma
em que sua longa cascata de cabelo se balançava contra suas
costas, a imagem que evocava para mim de envolvê-la ao
redor de minha mão atraindo-a contra mim, estava
começando a odiá-lo.

Não me importava absolutamente que tivesse cicatrizes,


ela nunca poderia ser menos que perfeita para mim, mas
quando as olhava, sobre tudo a que estava acima de sua
orelha, a única coisa que via era a corrente, sua
vulnerabilidade, e meu fracasso para salvá-la.

Alguém a tinha golpeado com uma maldita corrente e


quase a matou. E eu tinha estado ali. Não tinha sido capaz de
detê-lo. Não sabia como deixar isso ir embora. Despertava
com isso. Passava o dia com isso. Adormecia com isso.

Uma manhã, vestiu sua roupa de ioga, tirou sua bolsa


de ioga do armário e agarrou suas chaves.

Eu estava sentado na ilha com uma xícara de café, e


ela se aproximou de mim e me beijou na fronte, como se o
que estava passando aqui fosse totalmente normal.

— Nos vemos mais tarde, ok? — voltou-se para a porta


do pátio.

Fiquei de pé e me coloquei entre ela e a porta.

— Uh, Dakota, aonde vai, neném?

— Vou a uma aula de ioga esta manhã. Mova-se.


Não fui enganado por sua atitude alegre. Ela sabia
muito bem que não ia estar de acordo com isto. Apoiei-me na
porta de cristal.

— Não acha que deveríamos falar disto?

Ela tinha estava preparada para isso. Não a punha


menos zangada, entretanto, podia dizê-lo.

— Hum, não. Absolutamente não acredito que


deveríamos conversar sobre isto. Acredito que deveria mover
sua bunda fora do meu caminho. — Cruzei meus braços e
continue bloqueando a porta. Seus olhos se estreitaram. —
Simplesmente posso dar a volta pela frente, sabe.

— E estarei em seu carro antes de você. Precisamos


conversar.

— Jake! — Ela me lançou as chaves, agarrei-as em


uma mão. Deixou-se cair em um banquinho na ilha e me
olhou.— Estou. Indo. À. Aula. De. Ioga. Já falei. Desfrutou
disto tanto como eu?

Sentei-me junto a ela e coloquei minha mão em sua


perna. Ela a deixou ficar aí.

—Sei que está zangada, e sei por que. E sabe por que
estou preocupado. Podemos pelo menos falar disto?

Suspirou.

— Jake. Tivemos minha liberação da sexta semana


ontem. Escutou—os dizer que já estou pronta para as
atividades normais. Posso dirigir. Posso me exercitar. — Ela
levantou as sobrancelhas para mim. — Posso ter sexo, o qual
também pretendo fazer hoje, com certeza. Então vá tomar
banho e aceite. Podemos ter nossa cerimônia Birdy, que
supostamente íamos ter amanhã. — Tinha proposto adiar as
bodas até que ela tivesse melhorado.

— Posso voltar para minha vida. Por favor, não se meta


em meu caminho. Vou ficar louca.

— Quero que tenha todas essas coisas. Quero que volte


para sua vida. Mas não acredito que seu médico tenha em
mente esse tipo de exercício quando pensou na atividade
normal. Não acredito que Krav Maga seja uma atividade
normal.

— É minha atividade normal. De todas as maneiras,


não vou fazer Krav Maga hoje. Vou fazer ioga. Resistência.
Flexibilidade. Balanço. Todas as coisas que não tenho tanto
desde que fui ferida.

— Está bem. Isso é razoável. Quando volta o Krav Maga


ao seu calendário? Não estou muito emocionado com a ideia
do Sr. Sem Camisa chutando ou lançando golpes em sua
cabeça inclusive se só está treinando.

— Seu nome é Scott. Scott. Conheceu—o, lembra-se?


Tenho certeza que lembra. —Ela guardou silêncio durante
um minuto, pensando. — Não me sinto pronta para o Krav
Maga ainda. Tenho que ter certeza de que estou
completamente firme sobre minhas pernas primeiro. Vou
voltar, entretanto. Quero conseguir minha faixa preta. Sinto a
necessidade de manter essas habilidades ainda mais agora.
Acredito que foi provavelmente essa formação que me salvou
de não sair mais gravemente ferida. Talvez se tivesse sido
mais bem treinada, teria sido capaz de reagir com suficiente
rapidez para não sair machucada...

Apertei sua coxa.

— Merda. Lamento deixar que machucassem você. Me


mata que não pude manter você a salvo, porra!

Ela pôs sua mão sobre a minha. — Não faça isso Jake.
— Suspirou. — Que tal isso? Que tal se eu prometer a você
falar quando estiver pronta para retomar de novo. Não pedirei
sua permissão, obviamente. Apenas darei a você um aviso. É
a melhor oferta que estará conseguindo aqui. Deveria tomar.

— Está bem. É um bom trato. — Entreguei as chaves.


Ela me beijou firmemente nos lábios e saiu pela porta,
sorrindo.

Fechei os olhos e desejei que minha ansiedade


desaparecesse.

Mais tarde essa noite, aconchegamos no sofá vendo


televisão. A cabeça de Dakota estava em meu colo, e eu
passava meus dedos por seu cabelo. Em algum momento,
distraidamente risquei com um dedo a cicatriz sobre sua
orelha. Voltou-se para me olhar. Percebi o que tinha feito e
apartei minha mão. Ela tomou minha mão e a pôs ali de novo,
usando sua mão para me guiar com o passar do atalho
rosado escuro da cicatriz. Senti as lágrimas ferroando em
meus olhos, e olhei para cima antes que pudessem cair sobre
ela.

Levantou-se e se sentou escarranchada sobre mim.


Ainda lutando com as lágrimas, virei meu rosto longe,
agarrou minha mandíbula e me voltou para ela.

— Jake! Jake, está tudo bem. — Inclinou para cima e


suavemente passou sua língua por meus lábios antes de me
beijar. Beijei-a em resposta, mas não aprofundei o beijo, de
fato, afastei-me um pouco quando ela tentou. Ela falou com
seus lábios contra os meus, beijando-me suavemente cada
palavra. — Jake... estou... bem... estou aqui... com você... —
Ela deslizou sua língua em minha boca para encontrar a
minha.

Fiz um gemido e solucei e levantei minhas mãos para


emoldurar seu rosto e manter sua boca sobre a minha.
Minhas lágrimas tinham deslizado por minhas bochechas,
deixei-as sair. Beijei-a mais forte do que o fiz nas últimas
semanas, minha língua inundando-se em sua boca, rodando
sobre sua língua. Senti seus braços deslizando-se por meu
pescoço. Deixei cair minhas mãos e meus braços ao redor de
sua cintura, puxando ela com força contra meu peito. Ela
estava gemendo em minha boca.

Abruptamente, ela retrocedeu. Tirou sua camiseta sem


mangas puxando pela cabeça, deixando descobertos seus
seios para mim. Deixou—a cair no chão atrás dela. Colocou
suas mãos em meus ombros e se inclinou para beijar minhas
bochechas úmidas, logo retrocedeu de novo. Estudei seu
peito. Ela estava completamente curada e livre de contusões,
mas, com suavidade coloquei uma mão sob o peito que tinha
sido tão gravemente ferido e beijei os lugares onde recordava
que lhe tinham produzido as marcas dos dedos do homem
que a tinha machucado. Não tinha me sentindo assim desde
o dia do ataque.

Arqueou suas costas e se pressionou mais firmemente


contra minha mão. Podia sentir seu centro em minha ereção,
quente e úmido através de minhas calças jeans e minha
boxer de algodão que ela tinha posto. Fechei os olhos por uns
segundos, ela gemeu e logo me incline e tomei seu peito em
minha boca. Gemeu e apertou seus quadris contra mim.
Empurrei-me contra ela, tremendo. Ela puxou minha camisa
e a ajudei a tirá-la. Então ela estendeu seu braço para
desabotoar minha braguilha.

Afastei-me, ela estava me olhando com os olhos


semicerrados.

— Dakota. Deveríamos ir mais devagar.

Terminou com minha braguilha e deslizou suas mãos


dentro para envolvê-las ao redor do meu pau. Deu-me um
apertão e tomei uma respiração profunda. Tirou-me de meus
jeans e passou a mão por minha longitude. Inclinei minha
cabeça para trás e impulsionei contra sua mão.

Liberando-me, ficou de pé e deixou cair seu calção.


— Não, menino mau. – Murmurou. — Não quero fazer
nada devagar. Estive semanas sem você, e preciso que me
foda agora mesmo. Com força. Preciso que me faça gritar.

Oh, Jesus. Sentou-se escarranchada sobre mim outra


vez. Deslizei meus dedos entre suas pernas, mas ela
retrocedeu e me agarrou a mão, pondo minha mão sobre seu
quadril em seu lugar. Tomo meu pau em sua mão e
pressionou contra sua entrada. Não pude evitar. Senti-me tão
malditamente bem. Ela estava tão úmida e quente. Levantei
meus quadris e ela baixou os seus sobre mim. Fechou os
olhos quando deslizou sobre meus quadris, penetrando
completamente. Jesus! A princípio ficou completamente
imóvel, com seus olhos fechados, tanto tempo que comecei a
me perguntar se algo estava errado. Mas logo começou a se
mover, gemendo e me montando com força.

Porra! Era intenso. Tinha perdido tempo demais.

Empurrei-me dentro dela, encontrando no ritmo de


seus quadris me montando. Tomei seu peito em minha mão e
o levei à minha boca para sugar seu mamilo. Jogou a cabeça
para trás e gemeu fortemente, agarrando minha cabeça e
mantendo-a contra ela, agarrando um punhado do meu
cabelo.

— Dakota, caralho! Porra! — Precisava me mover mais.


Agarrei sua bunda em minhas mãos e me levantei, dei a volta
e, sem perder nossa união, recostei-a sobre o sofá, meus
joelhos entre suas pernas. Empurrei tão dentro dela como
pude, e se agarrou a mim, com um grito afogado. Agarrei a
parte externa de seu joelho e a puxei, entendeu o que queria
e envolveu suas pernas ao redor de mim.

Assim é como eu gostava mais dela, envolta ao redor de


mim, tão perto de mim como podia conseguir estar. Ainda
usava minha calça jeans. Queria senti-la contra minha pele,
mas não estava disposto a sair dela agora.

Estava dentro dela profundamente, sem me mover.


Beijei-a suavemente, deixando um atalho de beijos por seu
pescoço e através de sua clavícula. Ela estava gemendo e
retorcendo-se debaixo de mim.

— Jake, por favor! Sinto-me tão malditamente bem!

Observei-a atentamente, querendo saber exatamente se


as coisas se tornassem muito para ela. Não queria lhe
machucar. Mas ela queria um sexo selvagem. Retrocedi e me
empurrei com força dentro dela. Ela gritou.

— Jake! — Fiz outra vez. E outra vez. Encontramos


nosso ritmo e ela empurrava seus quadris para cima,
levando-me mais profundo com cada uma de minhas
investidas.

Nesse momento já não era cuidadoso. Estava nos


conduzindo ao topo do êxtase. Deslizei minhas mãos por
baixo dela para me apoderar mais da sua bunda enquanto
me empurrava com força dentro dela. Ela gritava com cada
investida. Eu grunhia como uma espécie de animal. De
repente, senti suas unhas se cravarem profundamente em
minhas costas e ela levantou as costas e os ombros do sofá,
gritando:

— Jake! — Disse outra vez. A sensação da contração de


seus músculos ao meu redor me fez atingir meu limite. Sentei
sobre meus calcanhares, puxando ela contra meu peito, e
gozei com mais uma profunda investida e um grunhido.

Ofegantes e suados, abraçamos—nos durante um longo


momento. Logo me retirei, e movi minhas pernas para nos
recostar no sofá, estendendo ela sobre mim. Ela suspirou e
relaxou sobre mim, com a cabeça colocada embaixo de meu
queixo.

— Dakota. Está bem, neném?

Ela se aconchegou contra meu peito.

— Na verdade é um malvado feiticeiro do sexo...

Ri e perguntei:

— Feiticeiro?

— Não pergunte. — Respondeu ela enquanto envolvia


meus braços com mais força ao seu redor. Depois de um
momento, carreguei-a até a cama.

Em algum momento da noite, Dakota se levantou com


um grito afogado e estive imediatamente acordado e alerta
com ela. Estava sentada em posição vertical, logo que
percebeu que tinha estado sonhando. Sentei-me e coloquei
minha mão sobre suas costas.
Ela deu um salto.

— Dakota.

— Estou bem, Jake. Lamento ter despertado você. Volte


a dormir.

— Não. —Tinha deixado passar tempo suficiente. Mas o


passar do tempo não estava melhorando.

Ela se voltou completamente para mim.

— O que?

— Os pesadelos estão ocorrendo há semanas. Quero


falar sobre eles.

— Bom, má noticia. Eu não, e são meus sonhos. — Ela


olhou para baixo. — Além disso, não há nada do que falar.
Não me lembro.

Tirei seu cabelo escuro de seu ombro, enroscando as


pontas entre meus dedos.

— Não acredito.

Deu a volta para mim bruscamente, e inclusive a débil


luz da metade da lua e a das luzes da rua entrando pelas
janelas, pude ver toda a sua ira.

— Que se foda! — Deitou-se de costas para mim, mais


na beirada da cama como pôde.
Não ia render—me tão facilmente. Sabia o que ela
precisava. Levantei da cama e caminhei para o lado que ela
estava se equilibrando. Agachei-me, e a enfrentei.

— Não vou deixar acontecer isto. Algo está ruim. Quero


ajudar você, Dakota. —Coloquei minha mão sobre seu ombro.

Ela tirou, chutou as mantas para um lado, e se


levantou de um salto da cama. Saiu do quarto, batendo a
porta atrás dela. Agarrei minha calça jeans do chão e a segui.

Ela estava no jardim. Tinha deixado a porta do quintal


aberta completamente, mas de todas as formas sabia que
devia procurá-la ali. Era seu lugar privado, inclusive agora.
Era bem—vindo, normalmente, mas sempre tinha sido um
convidado mais à frente do arco da entrada. Os pequenos
abajures revestidos marcavam a beira do jardim, assim
caminhei com facilidade. Encontrei-a sentada no banco de
pedra no novo lugar que fizemos na primavera, olhando
fixamente o chão, entre seus pés. Sentei ao seu lado, ela não
se moveu. Fazia frio, e ela usava só uma pequena camiseta
sem mangas e minha boxer com a cintura enrolada. Podia ver
a pele arrepiada, ainda com a pouca luz. Embora não a
tivesse tocado, ela já se afastou duas vezes quando o fiz.

— Dakota. Não pode fugir de mim tanto como não pode


fugir da verdade. Neném, por favor. Sou eu.

Voltou à cabeça para mim. Durante uns segundos,


apenas me olhou friamente. Então ela disse:

— Por que não pode simplesmente deixar como está?


— Porque é você. E está acontecendo a cada noite,
principalmente mais de uma vez por noite. Neném, não é
normal, eu estou preocupado. Talvez se falasse sobre, isso
pare.

— Ou possivelmente se falar disso, tornem—se mais


reais!

Ficou de pé e se afastou uns passos.

— Dakota... — comecei.

Soltou um sopro de frustração. Depois de um minuto,


voltou a se sentar, mas não disse mais nada.

— Está recordando o que aconteceu?

— Não. Pelo menos... Não acredito. Não sei. Não sinto


como lembranças. Sinto como pesadelos. Mas são os mesmos
todo o tempo.

— Dakota, o que são? —Tentei pegar sua mão, mas


ficou de pé e se afastou uns passos outra vez. Detestava essa
distância entre nós. E sabia que a gangue, minha família era
a razão, e me estava destroçando até as malditas entranhas.

Não foi muito longe, apenas uns passos. Abraçou-se


com seus próprios braços, apenas para conseguir calor ou
como amparo, não sabia. Manteve—se de costas para mim.

— Há... sensações. Imagens. Vívidas, mas desconexas.


Realmente não sei o que são. Mas doem.
Queria que me descrevesse isso, pensava que precisava
fazê-lo, mas tinha medo de pressionar muito. Queria
sustentá-la, mas ela não queria isso. Assim apenas esperei.

Tomou um tempo, mas eventualmente se voltou para


me dar a cara e começar a falar outra vez.

— Tenho medo de que possivelmente sejam lembranças,


apesar de que se desvanecem com o dia, como fazem os
sonhos. Estou bem até que durmo. Mas não quero que sejam
reais.

Apertou mais forte os braços ao redor dela, e tomou


uma respiração profunda.

— Principalmente o que vejo é sozinho... Brilhante.


Brilhos de luz, sombras. Assustam—me, mas não sou capaz
de dizer a você por quê. A pior parte é o que posso sentir. —
Parou de novo, e desta vez se voltou e caminhou um ou dois
passos mais longe. —Sinto... — Sua voz se quebrou, e meu
estômago se encolheu. — Dói. Mãos sobre mim. Em... mim.

Levantei sem pensar, e ela se estremeceu e se voltou


para me enfrentar. Queria abraçá-la muito. Esta coisa não a
deixaria. Está coisa que deixei que acontecesse.

— Deus, sinto tanto. — Dei um passo para ela,


retrocedeu a mesma distância. —Dakota, neném, posso
abraçar você?

— São lembranças? Esse filho da puta pôs suas mãos


dentro de mim?
Dei um passo, não retrocedeu. Dei outro. Ficou.
Alcancei-a. Antes de tentar tocá-la, disse:

— Não. — Dei um suspiro tremente, recordando sua


roupa rasgada. Suas contusões. Tratei de manter minha voz
calma.— Não. — Minha voz tremeu de todas as formas.

Ela se voltou e vomitou em um arbusto. Coloquei


minha mão em suas costas, sustentando para o alto seu
cabelo. Ela se afastou uma vez mais, mas desta vez me
mantive firme. Tinha seu cabelo. Teria a deixado ir se
quisesse se afastar, mas não lutou. Sustentei-a enquanto
vomitava.

Quando terminou, limpou a boca e ficou de pé,


respirando com dificuldade. Seu rosto estava molhado com
lágrimas, suficiente. Puxei-a para meus braços. A princípio
todo seu corpo estava rígido, mas logo se relaxou, e senti
suas mãos me rodear. Sustentei forte e dei um beijo na
cabeça.

— Oh, neném. Oh, neném. Amo você tanto. Sinto muito.

Deixou-me sustentá-la. Já não estava chorando.


Estava tremendo, mas pelo resto estava quieta, em meus
braços. Depois de um momento, afastei um pouco e levantou
seu rosto para poder vê-la nos olhos.

— Viria para dentro comigo? Está tão fria. — Assentiu,


coloquei meu braço ao redor de seu ombro e a levei para
dentro.
Levei-a até a sala, agarrando uma manta de uma das
grandes selas e a envolvendo ao redor de seus ombros
enquanto a sentava no sofá. Sentei-me ao lado dela e a
aproximei de mim. Descanso sua cabeça em meu ombro.
Penteie com meus dedos seu cabelo.

— Tem certeza de que não... — sussurrou.

— Não! Não, Dakota. Não! — Sabia que isso era certo,


embora a ideia de que quase tinha acontecido, que poderia
ter acontecido, se Dakota não tivesse sido tão forte e capaz,
que eu provavelmente não tivesse sido capaz de evitá-lo, isso
ainda me mantinha acordado à noite.

— Como sabe? — Sua voz era muito baixa.

Movi-me no sofá para poder olhá-la diretamente.

— Quando cheguei à caminhonete, estava acordada e


sobre seus pés, golpeando-o até o cansaço. Você já tinha feito
bastante dano. Você... — Tive que forçar as seguintes
palavras para que saíssem. — Suas calças estavam abertas,
mas ainda estavam no lugar. Apenas não houve tempo para
que fizesse algo mais. Estou certo disso. — Podia sentir o nó
em minha garganta, as lágrimas atrás de meus olhos. – Deus,
Dakota! Eu, maldito seja, lamento tanto não ter sido capaz de
mantê-lo longe de você. Cheguei a você tão rápido quanto
pude. Fiz. Fiz... — Minha voz se quebrou.

Agarrou meu rosto.


— Jake, sei. Não é sua culpa. Sabe que não culpo você
de nada, verdade!

Tomei sua mão com a minha e beije sua palma.

— Sei. Não sei por que não, mas sei que não. Eu
apenas... — parei e sacudi minha cabeça.— ...não importa.

— Diga-me.

De novo, sacudi minha cabeça.

— Não quero fazer que isto seja sobre mim. Quero estar
aqui para você. Apenas você.

Deu um pequeno e torcido sorriso.

— Sei, sou fantástica, mas não quero falar mais de


mim. Assim pode me ajudar mudando de assunto.

Ri com tristeza, e deixei sair um muito necessitado e


longo suspiro. Logo a olhei nos olhos e sustentei seu olhar.

— O mais importante para mim no mundo é manter a


minha família a salvo. E meu Deus, não posso fazer. Nunca
fui capaz de fazer isso.

— Lutou contra o que, cinco caras para chegar a mim?


É isso certo? — Duvidei e logo assenti.— Por Deus, Jake, isso
é como Hulk. Claro que fez tudo o que pôde. Fez muito mais
do que qualquer pessoa poderia fazer. — Ela se aconchegou
contra meu peito nu.— O mundo está fodido, Jake. Sabe.
Coisas más acontecem sem importar o que. Por isso sei, a
única maneira de encontrar a paz é só deixá-las passar e
tratar de viver ao seu redor. Isso foi o que fiz, o que aprendi
depois de perder o Joshua e o Jon.

Apertei-a mais perto. Não entendia como ela podia ser


tão forte, tão equilibrada, apesar de tudo o que tinha passado
em sua vida. Depois que perdi a Tina, sabia que havia estado
meio doido e no limite da dor que podia enfrentar.

Precisei criar uma grande parede para me sustentar.


Amar Dakota não estava nos planos. Amar desta maneira,
um completo e consumidor amor que ia além de tudo o que
conhecia, definitivamente não estava nos planos. Assustava-
me completamente.

Não sabia como simplesmente aceitar que o mundo era


uma merda e que tudo podia desaparecer em um instante.

Não sabia como deixá-la sair desse mundo e nunca ter


certeza de voltar para ver, e só estar bem com isso.

— Não posso perder você Dakota. Apenas não posso.

Sentou-se e me encarou. Com os dedos de uma mão,


riscou a tatuagem na parte superior de meu peito: "O centro
não se pode sustentar. A anarquia é a única esperança".

— Jake, fez que tatuassem isto em seu corpo. Acredita?

Tomei sua mão com a minha.

— Sim. Mas Tina estava viva nessa época. Não tinha


vivido tanto. Nada realmente mal tinha me acontecido. Agora
não sei no que é que acredito.
— Bom! Muitas coisas ruins aconteceram, e acredito
completamente. E é mais que apenas minha própria vida o
que me faz acreditar. Criei uma carreira estudando as
maneiras em que a vida sempre se burla das pessoas
tentando dar forma ao seu gosto.

— Dakota suspirou e me apertou a mão. — Está bem, é


hora de uma lição. Escuta, a professora tem algo a dizer.

— Isto é o que acredito. A única coisa que podemos


fazer é dar o melhor, em nossas próprias vidas, e o resto do
mundo tem que ficar em ordem sozinho. A moral, o direito,
toda essa merda de sociedade é apenas gente tentando dar
significado a coisas sem significado. O mundo não pode ser
outra coisa além de caos, não importa o quanto a gente tente
restringi-lo. Não importa que o façamos para que tenha
sentido e ordem, todas as coisas tendem à desordem.

Baixei o olhar, onde estavam unidas nossas mãos. Tal


panorama tão sombrio era estranho com a mulher alegre que
amava.

— Isso é bastante desalentador, bela.

Puxou meu queixo para que me encontrasse de novo


com seus olhos.

— Não é o que pensa. Não acredito que seja nada


desalentador. Para mim, é libertador. Se o controle for
impossível, então não há necessidade de brigar por ele.
Temos que ser fiéis à nossa verdade, temos que amar a quem
amamos, tanto quanto podemos. Fazer o melhor. Deixar que
o resto resolva por si só.

— Logo temos que aceitar que nada disso significa algo


para alguém mais que nós. Temos que aceitar que tudo pode
ir à merda em um segundo, não importa que tão forte
tentamos estar cômodos e seguros. Temos que aceitar que
podemos, que perderemos o que amamos, que de outra
maneira nos obcecaríamos tentando proteger em vez de
realmente amar.

Levantei o olhar ante a isso, soava como se estivesse


destinado a mim.

— Dakota. Não a faço se sentir amada?

— Não, Jake, não me refiro a isso. Sei que me ama


como eu amo você. Sinto todos os dias, disse isso a você. Mas
acredito que não se permite desfrutar do fato de me amar.
Deixa que a ansiedade afogue a felicidade muitas vezes.
Passa muito do seu tempo tentando me manter a salvo e
repreendendo a si mesmo por não fazer o que você acredita
que é o melhor trabalho. Há muita culpa em seu amor.

Isso doeu, mas sabia que era verdade, assim não disse
nada. Ela continuou.

— Tinha uma vida "segura" antes de conhecer você.


Nessa vida "segura", minha mãe morreu me dando à luz. Logo
no quinto ano cheguei um dia em casa para encontrar a
minha madrasta na banheira, nua e morta. Sangue em cada
maldito lugar, seus pulsos estavam abertos ao longo, para
assegurar que o tinha obtido. O que é realmente doentio disto
é que sabia que ia ser eu a primeira a encontrá-la. Uma
menina de nove anos, sabia, seu presente de despedida para
mim era me deixar encontrar seu cadáver e logo estar sozinha
na casa com ele, esperando alguém para me ajudar.

—Meu pai foi assassinado em serviço... Fiquei grávida e


meu bonito menino — sua voz se rompeu e começou a chorar,
— foi afastado de mim... Logo tive que ver meu marido se
destruir de dentro para fora por suas próprias células
cancerígenas. Jon era o único que ficou para dizer adeus,
mas ele não sabia quem era eu então. Essa era minha vida
"segura". Nada do que você e os Fire Birds trouxeram para
minha vida se compara com o inferno que já vivi. Nada.

Fiquei petrificado. Era muito mais do que tinha


revelado antes sobre as pessoas que tinha perdido, os que
eram as rosas e os espinhos em suas costas. Sobreviver a
tudo isso e seguir sendo uma mulher espetacular que era?

Jesus...

Ficou calada por um pequeno momento, mas sua lição


não tinha terminado.

— Por certo, a menos que esteja ocultando algo, o que


aconteceu com Tiffany e a mim no Pin não tem
absolutamente nada que ver com a gangue. Isso pode
acontecer com qualquer um, em qualquer lugar. Exceto que
não há forma alguma de que dois tipos normais desarmados
pudessem contra tantos atacantes. Como são você e Dixon,
com o que sabem, o que experimentaram, é por isso que nem
Tiffany nem eu fomos estupradas, sem vocês isso teria
acontecido.

— E ambos sabemos que não teria sido apenas um


menino, ou só uma vez. —Lágrimas caíam por seu rosto
agora em abundância. Tudo o que podia fazer era segurar
suas mãos, o pensamento do que ela estava sugerindo me
paralisou com raiva e dor. — O melhor que todos esses
idiotas fazem é se por em linha para apanhar. Fui capaz de
me defender de um cara, mas estava obviamente muito
machucada. Sem você, o que eu fui capaz de fazer não teria
sido suficiente. Assim sim me salvou. Muito. Obrigada. —
Senti a espetada das lágrimas de novo e traguei o nó em
minha garganta. Nunca tinha pensado dessa maneira.

— É a melhor pessoa que conheço, Jake. É um bandido.


Um assassino. — Fiz uma careta ante isso, e ela sustentou
meu rosto com suas mãos — E tem o melhor e maior coração
que qualquer pessoa que tenha conhecido. Você define sua
tatuagem para mim. O amor que sinto por você é enorme.
Amar você me faz feliz. Acalma-me. Se morrer justo neste
segundo, morreria feliz, porque conheci você, porque conheço
este grande e incrível amor.

— Minha vida está completa agora. Se você morrer


neste segundo, doeria imensamente. Minha dor seria tão
grande como meu amor. Mas me sentiria contente do tempo
que passei com você. O amor que nós temos já está protegido
pelo passado. Nada pode fazê-lo ser um fracasso. Nenhum
idiota em uma caminhonete pode me fazer esquecer o que eu
sinto por amar você.

Tomou algumas respirações longas e profundas para


serenar, secar os olhos com o dorso da mão.

— Quero que deixemos de falar tanto de culpa e medo


que apenas sejamos felizes por termos um ao outro. Pode se
permitir ser feliz porque estamos juntos agora e deixar o
amanhã para decifrar sua própria merda?

Trespassei meus dedos em seu cabelo e tomei seu rosto


com as palmas de minhas mãos.

— Por você, tudo. — Inclinei para beijá-la, mas me


empurrou.

— Um, espera, menino mau. Tenho gosto de vômito.

Comecei a rir, contente por sua maneira de apagar


nossas tensas emoções.

— Não me importa.

Inclinei de novo, mas ela se manteve firme.

— Mas eu sim, bastardo doente.

— Ouça, estávamos tendo um momento você arruinou.

Ela sorriu alegremente.

— Oh, bom. Por que não vai para cama, e eu estarei lá


em um segundo, e podemos ter outro momento. – Ficou de pé,
deixando cair a manta, e foi para o banheiro. Sentindo-me
muito mais leve do que me senti em semanas, dirigi-me ao
quarto, tirei a calça, e me meti na cama. Acomodei-me na
cabeceira e esperei.

Dakota entrou limpa e se exibindo um pouco, com


aspecto fresco. Apoiou-se contra o marco da porta e me
sorriu, logo caminhou a um lado da cama. Fez todo um
espetáculo tirando sua camiseta por cima de sua cabeça
lentamente, logo rebolando até ficar fora de minha boxer. Pôs
um joelho sobre a cama e engatinhou para mim. Sentou
escarranchada em cima de mim. Colocou minhas mãos em
seus quadris. Inclinou e regou pequenos beijos por toda a
tatuagem que tinha mencionado tão proeminentemente em
seu sermão.

Gemi, e tomei seu queixo em minha mão para lhe


levantar o rosto.

— Posso beijar você agora?

Sorriu e apertou seus lábios sobre os meus.

Empurrei minha língua contra seus lábios e abriu a


boca para tomá-la. Tinha um gosto fresco e mentolado.
Agarrando seu rosto entre minhas mãos e beijando-a
profundamente, demos a volta para assim eu ficar em cima
dela com suas pernas ao redor de meus quadris. Meu pau
duro estava pressionado contra seu ventre, flexionou seus
quadris e me pressionou ainda mais perto.

Gemi e tracei beijos ao longo de sua mandíbula para


sua garganta, fazendo uma pausa para chupar sua doce
clavícula. Empurrei-me com minhas mãos e comecei a me
mover para baixo entre suas pernas. Devorou meu cabelo
para me deter. Levantei a vista e me surpreendeu ver um
olhar sério em seu rosto.

— Neném?

— Espera. Espera. — Esperei, minha curiosidade se


converteu em preocupação. Tomou uma pausa. — Sua mão.
Usa sua mão primeiro.

Cristo. Compreendi imediatamente o que estava


tentando fazer, mas o pensamento de que meu toque poderia
incomodá-la...

— Dakota...

— Por favor, Jake. Quero sentir sua mão em mim. A


sua. Por favor.

Que outra coisa podia fazer? Subi de novo, ainda meu


rosto no dela, e a beijei suavemente.

— Amo você, neném. Diga-me se precisar que pare. —


Apoiei em um cotovelo e acariciei seu rosto com minha mão
livre. Passei meus dedos por seu cabelo. Arrastei meu polegar
por seu pescoço, passando-o ao longo de sua clavícula.
Curvei minha mão ao redor da bola de seu ombro,
deslizando-a por seu braço e de novo para cima. Pressionei a
palma de minha mão sobre seu ombro, no oco de seu pescoço.
Seu pulso era rápido, sua respiração instável. Deslizei minha
mão lentamente para seu peito, apertando ligeiramente,
passando meu polegar sobre seu mamilo. Emitiu um pequeno
e quase inaudível gemido.

Estava a observando cuidadosamente. Seus olhos


estavam fechados, estava concentrada. Continuei para baixo,
deslizando minha mão sobre as cristas de suas costelas e
para baixo. Seu ventre estava retorcendo nervosamente.
Entretive-me aí, massageando suavemente, tentando acalmá-
la.

Merda, odiava isto. Odiava o que tinha acontecido.


Odiava sua ansiedade agora. Por que demônios tinha que
recordar isto? Por que tinha que recordar algo absolutamente?
Talvez não deveria ter empurrado para falar de seus sonhos.
Minha ereção se foi. Só queria abraçá-la, estava realmente
preocupado de que não estivesse preparada para ser tocada
assim. Devia ter deixado usar minha maldita boca agora.
Devia ter mantido minha puta boca fechada antes.

Curvei minha mão sobre o osso de seu quadril e a


deslizei para trás para embalar seu bunda. Movi-me para a
parte de trás de sua coxa, ao redor de seu joelho. Estava
ficando sem espaço para atrasar isto. Sem deixar de olhar
seu rosto, deslizei minha mão por sua coxa e, finalmente,
sobre seu suave montículo. Gentilmente empurrei meus
dedos entre suas pernas.

Estava completamente seca. E então vi uma lágrima


escapar entre seus cílios para sua têmpora, retirei minha
mão como se tivesse queimado.
— Jesus, Dakota. Não posso. Não posso. — Então ela
começou a chorar de verdade, tomei em meus braços. —
Sinto muito, querida. Cristo!

Afogou suas lágrimas rapidamente.

— Jake, preciso que suas mãos não sejam as últimas a


estar sobre mim. Sei que nada aconteceu, mas, posso sentir
suas malditas mãos dentro de mim. Tenho que deixar de
sonhar com isso. Preciso. Preciso de você. Por favor.

Eu a tinha feito falar, e tinha aberto as portas que


estavam mantendo as lembranças à raia quando estava
acordada. Tinha transformado em realidade. Tinha feito pior,
tinha que tentar corrigir isto. Queria encontrar a tumba
desse filho da puta e matá-lo de novo. Não podia negar, mas
Cristo, o que estava me pedindo que fizesse. Havia tantas
coisas ruins aqui, e se não funcionasse? E se tudo o que
estava fazendo era associar meu próprio contato com o
ataque? Jesus. Mas não podia dizer não.

Talvez tivesse ido pelo caminho errado...

Limpei as lágrimas de suas bochechas e a beijei


suavemente. Deslizei minhas mãos por seu cabelo. Quando
me devolveu o beijo, empurrei minha língua dentro de sua
boca. Só a beijei assim, profunda e suavemente, mordiscando
seus lábios, enredando-me com sua língua por um longo
momento, até que ela estava sem fôlego, mas não pelos
nervos. Então deixei seus lábios e risquei beijos ao longo de
sua mandíbula, mordiscando ao redor de sua orelha,
lambendo sua garganta, sugando meu lugar favorito na base
de sua garganta. Tomei meu tempo.

Quando pude sentir seu corpo começar a se mover


debaixo de mim na forma em que sabia que mostrava sua
excitação, deslizei uma mão fora de seu cabelo e a desci por
suas costas, cavando seu bunda e devorando sua perna ao
redor de meu quadril. Enrolou sua perna atrás de minhas
costas, e deslizei minha mão de volta em sua bunda e a
pressionei contra mim. Ela gemeu com um som sensual,
sussurrado e sem preocupações, meu pau se inchou. Inclinei
e tomei seu peito em minha boca, sugando profundamente,
logo brincando com seu mamilo suavemente com meus
dentes.

Arqueou suas costas e puxou minha cabeça para ela.


Quando começou a retorcer contra mim, levei minha mão ao
redor de seu quadril e a deslizei entre suas pernas. Agora
estava molhada. Minha boca seguia em seu peito, coloquei
dois dedos dentro dela. Ficou rígida e devorou meu cabelo,
apertando-me. Levantei a cabeça. Parei minha mão, mas, não
a tirei. Seus olhos estavam fechados.

— Abre seus olhos, neném. Não pense no pesadelo. Só


me olhe. — Abriu seus olhos e me olhou diretamente. Inclinei
e a beijei, movendo meus dedos ao mesmo tempo. Ofegou.
Levantei um pouco minha cabeça, por isso meus lábios
estavam apenas roçando os seus. — Amo você, Dakota. Amo
você. — Sussurrei. – Sinta-me. Só a mim. — Esfreguei meu
polegar sobre seu clitóris enquanto aprofundava o beijo,
colocando minha língua em sua boca. Flexionou seus quadris,
apertando-se contra minha mão.

Beijei com força e bombeei meus dedos dentro dela.


Choramingou. Não estava seguro se isso era bom ou não.
Tirei meus dedos dela e acariciei suas dobras delicadamente,
passando meus dedos de acima abaixo, sobre seu montículo
e de volta, deslizando dois dedos e logo um terceiro dentro
dela. Ofegou, e seus quadris saíram do colchão.

Inclinei-me e coloquei seu peito em minha boca


enquanto bombeava com meus dedos nela, meu polegar
sobre seu clitóris. Ofegou e arqueou as costas, cravando suas
unhas em meus ombros. Gozou em silêncio. Quando
terminou, tirei meus dedos dela suavemente, acariciando-a
enquanto se relaxava. Quando fui beijá-la de novo, vi novas
lágrimas. Merda!

— Oh, neném. — Foi tudo o que disse.

Ela sorriu.

— Não, Jake. Deus, Jake. Sinto-me tão bem. Cada


centímetro de você. Estas são lágrimas de felicidade. —
Soluçou uma vez, logo tomou meu rosto entre suas mãos. —
Amo você.

Sorri e lutei contra minhas próprias lágrimas de alívio.


Logo a beijei. Dormimos o resto da noite enrolados um contra
o outro, sem sonhos.
Parei na borda do lago, debaixo de uma pracinha
esculpida e enrolada com rosas. O suave aroma delas estava
em todas as partes. Dakota havia me dito que simbolizava
que eu era sua nova rosa. O sol estava baixo no outro lado do
lago. Dixon estava parado ao meu lado. Estávamos vestidos
com jeans negros, e camisas brancas abotoadas até em cima.
Tinha meu cabelo fixo. A gangue e suas famílias, amigos
próximos estavam dispersos na grama diante de nós.
Finalmente a cerimônia Birdy estava ocorrendo, um pouco
mais tarde que o originalmente previsto.

Ouvi o dedilhar de um violão e levantei o olhar. Fry


estava tocando uma canção que tinha pedido que aprendesse
para Dakota. Enquanto Fry começava a cantar, Tiffany
desceu na varanda da cabana, vestida com um vestido
púrpura azulado. Levava um pequeno buquê de flores
brancas. Sorriu. Sorri em resposta.

Então Dakota saiu da cabana e desceu na varanda.


Meu coração parecia correr e parou ao mesmo tempo. Estava
usando um vestido de cetim branco prata. Era sem mangas
com um decote baixo. A saia tinha várias capas de tule e fluía
desde seus quadris, suavemente caindo justo por debaixo de
seus joelhos. Levava sandálias cor nata com cintas envoltas
ao redor de seus tornozelos para completar o efeito. Seu
cabelo estava solto, suas longas e soltas ondas caíam em
cascata sobre seus ombros e pelas costas. Levava uma
pequena coroa de rosas brancas e vermelhas ao redor de sua
cabeça e trazia um ramo de rosas vermelhas em suas mãos.
Estava mais bonita do que podia suportar. Caminhava
para mim, sorrindo, vindo para mim, porque era minha.
Agora sempre seria minha.

Quando havia percorrido metade da distância entre a


cabana e eu, parou, estirou seus braços de par em par, e
girou várias vezes, sua saia flutuava suavemente. Parou e me
deu um imensamente brilhante e feliz sorriso. Suas
irresistíveis covinhas fizeram ato de presença. Eu não podia
esperar. Caminhei para ela, tomei seu bonito rosto em
minhas mãos, e a beijei com todo o amor que tinha para ela.
Envolveu seus braços ao redor de mim, igualando minha
paixão com a sua. Movi minhas mãos à sua cintura e a
levantei por cima de minha cabeça.

Sorriu com seus verdes claros olhos brilhando. Podia


escutar todos animados e gritando ao nosso redor. Abaixei-a
com cuidado até que seus pés tocaram o chão, desci sobre
suas pernas, então levantei seus pés e a carreguei o resto do
caminho pelo atalho.

Havia um montão de boa comida na recepção, e a


bebida fluía livremente. Havia um bolo com muitos andares,
com glacê branco e contornos pretos. Lenny e Mickey se
encarregaram do bolo, não tinha certeza de como aconteceu
isso. Os bonecos eram um ceifeiro escarranchado sobre uma
moto com o cadáver da noiva em seu colo. Eu tinha me
incomodado com eles porque tinham ido muito longe. Dakota,
em troca, tinha pensado que era hilariante, riu e tinha
beijado a ambos. Ainda me surpreendia cada dia.

Embora realmente não dançasse, esta noite queria


dançar a primeira dança com minha prometida. Minha
prometida. Os meninos tinham construído uma pista de
dança e, enquanto a cerimônia se convertia em uma festa, as
filas de assentos se convertiam em grupos de mesas que
tínhamos armado junto à pracinha à beira do lago.

Quando a banda começou a tocar, fiquei de pé com os


braços envoltos ao redor de Dakota, apenas nesse ritmo,
beijando-a profundamente e balançando-a suavemente.
Depois dessa dança, a pista encheu, e os meninos
começaram a pedir uma dança, assim que a beijei e fui me
sentar e observar.

Dançou com Fry, logo com Dixon, depois com Lenny.


Os meninos seguiam vindo. Estava feliz e doce, rindo e
conversando enquanto dançava e cada menino que se
afastava parecendo aturdido.

Inclusive Pops subiu e tomou sua vez, abraçando-a e


beijando sua bochecha com ternura quando a canção
terminou e Mickey o interrompeu. Enquanto isso, percebi que
a dinâmica entre a gangue era ainda mais tensa do que tinha
sido.

Weston estava sentado um pouco afastado do grupo, à


margem inclusa de suas garotas, e seguia intercambiando
olhadas carregadas e furiosas com Pops. Dixon e Pops
pareciam estar envoltos em uma intensa conversa. Que
demônio estava acontecendo?

Fry se inclinou para mim e assinalou para a pista de


dança, onde um pesado Ron estava sendo muito carinhoso
com Dakota. Ela estava tomando com firme elegância, mas
estava tendo alguns problemas para tirar da pista de dança
sem, bom, golpeá-lo.

Fry e eu fomos juntos. Fry agarrou Ron, e eu guiei


Dakota de volta a dançar comigo durante outra canção.

Dakota riu e envolveu seus braços sobre meu pescoço.

— Uau! Se soubesse que isso teria conseguido trazer


você aqui de novo, teria tido Ron me agarrando a bunda
antes!

— Sabe que terei que chutar a bunda dele por isso, ok?

— Ouça. Ron está bêbado, e estou malditamente


quente agora. Hoje, escolho pensar nisso como um completo.
É por isso que eu não chutei a bunda dele eu mesma. —
Inclinei para capturar sua boca com a minha.

Senti uma mão em minhas costas e dei a volta para ver


Weston de pé ali.

— Importa se dançar uma vez?

Só o olhei durante alguns segundos, logo olhei Dakota,


que sorriu e deu de ombros.
— É obvio — disse ela. Dei um passo atrás e deixei
Weston tomá-la em seus braços. Sentei e observei, sentindo-
me cauteloso. Havia algo importante acontecendo na gangue
que eu não sabia, e tinha que averiguar.

Weston e Dakota falaram durante toda sua dança.


Pareciam absortos. Quando a canção terminou, levantei,
tirei-a de Weston, e a tirei da pista. Sentei e a levei para o
meu colo.

— Acredito que oficialmente passou por todos os Fire


Birds agora, assim quero você de volta... Posso perguntar a
respeito do que estava falando com Weston?

Passou os dedos por meu cabelo.

— Foi um pouco estranho, suponho. Fez um montão de


perguntas a respeito do que faço e sobre o que tenho feito.
Não disse do meu dinheiro, Jake, mas logo perguntou por
Tiffany. Não sabia as respostas à maioria das perguntas. Não
sei, entretanto... Parecia como se estivesse tentando
averiguar algo. — Olhou nos meus olhos. – Fez—me sentir
incômoda.

Olhei Weston.

— Sim. Ele sabe que seu tempo como líder está a ponto
de terminar, acredito que isso esteja fazendo-o se desesperar.
Há algo mais em jogo com ele e Pops, e talvez com Dixon,
também. Não posso pôr minhas mãos ao redor disso.

— Dixon não disse nada?


— Não. Me preocupa mais que tudo. Dixon ocultando
segredos de mim... Se está escondendo algo, é ruim.

O que estava fazendo falando sobre merda de gangues


neste dia bonito? Sacudi minha cabeça e tomei uma pausa.
— Que se fodam. Hoje quero apenas pensar a respeito de nós
e esta noite. — Puxei seu rosto para o meu e a beije
profundamente. — Está pronta para ir?

— Estou.

Acariciei seu pescoço.

— Exceto, não vai subir em minha moto vestida assim.


— Deslizei minha mão debaixo de seu vestido, indo para cima
pela parte interior de sua coxa.

Ela sorriu e raspou seus lábios, levando seus dentes


lentamente sobre seu lábio inferior. — Quer me ajudar a me
trocar, então, menino mau? – Tomei-a em meus braços,
levantei e a levei para dentro da cabana. Dakota soprou
beijos à multidão rindo e animando atrás de nós.

Tiffany e Dixon tinham amarrado um grande laço


branco com um coração vermelho no centro da parte traseira
da moto, assim Dakota e eu recebemos um bom número de
buzinadas e saudações enquanto viajávamos tarde essa noite
para o hotel. Na manhã, dirigiríamos para uma escapada
romântica ao Grand Tetons.
Registramo—nos e dirigimos ao nosso quarto. Dakota
me empurrou contra a parede do elevador e abriu em um
puxão minha camisa, arrancando quase todos os botões.
Deslizei minhas mãos por seus braços enquanto se inclinava
e beijava meu mamilo, mordiscando e movendo sua língua ao
redor dele, e logo o outro. Grunhi e golpeie minha cabeça
contra a parede. O elevador parou, justo então um casal
idoso entrou. Dakota sorriu docemente e se girou, apoiando-
se contra mim. Eu estava quase nu, meu peito tatuado se
mostrando e meu pau rígido.

Ela estirou sua mão para trás entre nós, e me sujeitou


através da minha calça. Gemi, e a mulher me olhou
severamente. Encolhi meus ombros. A mulher soprou e se
virou, mas seu marido me deu uma piscada exagerada.

O elevador chegou a nosso piso, e saímos. Enquanto as


portas se fechavam, Dakota sorriu e moveu seus dedos em
uma saudação para a mulher ofendida.

Agarrei-a e a lancei sobre meu ombro. Ela chiou.


Coloquei de volta sobre seus pés quando estávamos em nosso
quarto, e ela me empurrou contra a parede de novo e
desabotoou os poucos botões que ficavam de minha camisa.
Relaxei minhas mãos em seus ombros, e ela se inclinou para
meu peito e beijou, mordeu, e lambeu minha garganta, meus
ombros, meu peito. Fechei meus olhos e descansei minha
cabeça contra a parede, desfrutando da sensação de sua
quente, úmida, suave boca e língua em minha pele.
Logo serpenteou com sua língua em um caminho para
baixo ao centro de meu peito, sobre meu esterno, e abaixo
sobre meu abdômen, e ainda mais baixo, através da linha de
pelos apenas visíveis fazendo caminho dentro de minha calça.
Estava quase fora do alcance de minhas mãos. Abri meus
olhos e olhei para baixo. Ela estava de joelhos frente a mim.

— Oh, Jesus Cristo. — Respirei.

Elevou seu olhar para mim e sorriu com malícia. Sem


tirar seu olhar do meu, desabotoou meu cinto e desabotoou
minha calça. Abriu meu zíper e me liberou. Ainda
sustentando meu olhar, lambeu a ponta de meu pau como
um sorvete. Rompi o contato visual então, porque meus olhos
rodaram para trás.

Inclinei minha cabeça para trás e fechei meus olhos,


sentindo suas mãos e boca sobre mim enquanto me sugava e
deslizava fora, uma e outra vez, sua língua movendo-se sobre
mim, suas mãos em minha base e em minhas bolas. Tirou-
me de sua boca e roçou minha ponta muito suavemente com
seus dentes. Meus quadris se sacudiram com força, e meus
joelhos paralisaram.

Contive-me e imobilizei meus joelhos. Enquanto me


sugava outra vez, mais forte, entrelacei minhas mãos em seu
cabelo e a sustentei perto. Colocou suas mãos em meus
quadris e me sugou inclusive mais profundo. Estava tão
dentro que podia sentir os músculos em sua garganta
flexionando e relaxando ao redor de mim. Estava tremendo
com tensão, resistindo à poderosa urgência de empurrar
contra ela.

Deslizou fora de novo e girou sua língua ao redor da


ponta antes de me sugar com força de novo completamente
dentro.

— Oh, merda. Dakota! Neném, precisa... Vou a... —


Nunca tinha gozado em sua boca. Amava sua boca em mim,
mas preferia me conter até que estivesse dentro dela,
normalmente.

Colocou ambas as mãos ao redor de minha longitude e


me tirou completamente de sua boca, passando suas mãos
suavemente para cima e para baixo. Estremeci. Elevou o
olhar para mim.

— Quero que faça. Quero provar você. Nunca fiz isso.

Fodido Jesus... Sugou apenas os primeiros centímetros


e me tirou, ainda sugando. Apertei meus punhos em seu
cabelo. Fez de novo. E outra vez. Sentia que estava
desmoronando.

O som de minha pesada respiração parecia encher o


quarto. Então, energicamente, sugou completamente. Gritei e
não pude evitar pressionar sua cabeça contra mim enquanto
empurrava para frente e me mantinha aí, pulsando, enquanto
gozava. A sensação dela tragando ao redor de mim estendeu
meu orgasmo até que era um desastre incoerente, gemendo e
me retorcendo.
Quando terminou, gentilmente me liberou. Deslizei
para baixo pela parede para paralisar no chão. Afetadamente
limpou seus lábios e girou para sentar junto a mim,
levantando meu braço e colocando-o sobre seu ombro para
poder se aconchegar contra mim. Girei minha cabeça e
pressionei um beijo em sua têmpora.

— Amo você muito, Dakota.

— Mmm. E eu amo você, menino mau.

Quando senti que minhas pernas podiam me sustentar


de novo, despimo—nos e subimos à cama.

Muito depois, Dakota adormeceu envolta contra meu


lado, sua cabeça em meu peito, e sua mão esquerda em meu
estômago. Minha Birdy.

Fiquei acordado por muito tempo, com um braço ao


redor dela, minha outra mão sustentando a dela, tocando
com os dedos os anéis que tinha dado, deixando que o amor e
a alegria e a paz me preenchessem.

Despertei com a luz do sol filtrando-se através da


janela do hotel e Dakota sentada escarranchada em meus
quadris, nua e sorrindo.

— Bom dia! Já pedi o serviço de quarto! E soube que o


banheiro tem uma banheira para dois, tenho grandes planos
para essa coisa antes de ir! Menino sujo!
Sorri e sujeitei seus quadris. Sustentei-a contra mim
enquanto me sentava, então envolvi minhas mãos ao redor
dela e a beijei. Estava duro, e ela se sentia incrível sobre mim,
com apenas um lençol entre nós.

— Mmmm. Eu gosto de despertar com minha Birdy.

Deslizei minhas mãos por suas costas e sobre sua


bunda, meus dedos deslizando abaixo pela separação de suas
nádegas e acariciando. Ela se retorceu em meu pau, e gemi.

— Quanto tempo temos antes que o serviço de quarto


chegue aqui?

Olhou o relógio que tinha deixado na mesa à noite.


Suspirou.

— Dez minutos.

— Piedade. — Acariciei sua clavícula. — O que quero


fazer demanda mais tempo.

Retorceu sobre mim um pouco mais e gemeu.

— Poderíamos nos beijar um pouco, entretanto.

Rodei—nos para que ela estivesse sobre suas costas e


eu apoiado em cima dela.

— Poderíamos fazer isso. — Inclinei-me e a beijei.

Quando o serviço de quarto tocou vários minutos


depois, estávamos ruborizados e ofegando e tivemos que
correr, pegar o robe do hotel, para poder deixar entrar o
menino.
O café da manhã era a última coisa em minha mente,
mas então vi o banquete: waffles e panquecas e ovos, bacon e
salsichas, café e suco. Morangos e rodelas de laranja.
Bolachas.

— Pegou tudo no cardápio?

— Umm... Mais ou menos. Quase. Não sei... Tudo


parecia tão bom! — Não acreditava havê-la visto tão
desavergonhadamente animada antes. Amava-a tanto.

Sentamo—nos nus na cama e comemos, com Dakota


sentada entre minhas pernas, provando um pouco de tudo,
alimentando—nos um ao outro. Beijando—nos. Enquanto nos
enchíamos e relaxávamos, disse:

— Vamos ter que nos pôr no caminho muito em breve.

Moveu as bandejas ao final da cama e se sentou


escarranchada sobre mim de novo. Inclinou-se e chupou meu
lóbulo da orelha, e logo arrastou sua língua pelo lado de meu
pescoço, mordiscando minha mandíbula. Podia sentir seus
peitos roçarem contra meu peito.

— É certo. Sim. Mas essa banheira... e você, meu


bonito sexy homem, está tão sujo, acredito que é meu dever
limpar você. Não acredita?

Tomei seu rosto em minhas mãos e a beijei. — Sei que


me sinto bastante sujo.

Abaixou-se e foi abrir a torneira da água para a


banheira. Enquanto enchia, voltamos a empacotar nossas
mochilas. Dakota revisou suas mensagens. Tinha uma de
Tiffany. Colocou no alto—falante. Tiffany informou que os
meninos tinham ajudado a levar nossos presentes para casa,
e estavam empilhados na sala de estar, esperando para
quando chegássemos a casa. Tiffany terminou a mensagem
com: Agora, desliga seu telefone, D!

Ri.

— Estou de acordo. Vamos deixar toda essa merda


atrás por uns dias — disse. Considerou—o por um segundo, e
logo desligou seu telefone.

Colocou o telefone em sua mochila e foi ao banheiro.


Escutei o grifo fechar e a água salpicando suavemente.

— Ouça, Dragão. A água está boa — disse em voz alta


para mim.

Entrei. Estava sentada no meio da banheira, seus


braços envoltos ao redor de suas pernas. Seu cabelo enrolado
pelas costas como uma manta molhada, inundou-se quando
entrei. Estava me olhando. Entrei atrás dela e me sentei,
estirando as pernas a cada lado dela. A banheira era
realmente profunda e grande. Se me apoiava contra a parte
traseira, podia estirar minhas pernas completamente. Dobrei
minhas pernas e me deslizei para frente, empurrando-a
comigo, e coloquei minha cabeça para baixo. Saí e me deslizei
outra vez, levando a Dakota comigo.

Envolvi seu cabelo ao redor de minha mão, puxando-a


para que se recostasse contra mim. Apoiou sua cabeça em
meu peito. Por muito tempo, apenas ficamos juntos na água
fumegante, nossos dedos entrelaçados e brincando. Depois
peguei o sabão e comecei a ensaboar minhas mãos. Passando
sabão sobre seus ombros e braços, sobre seu ventre e até
seus seios.

Movi minhas mãos ensaboadas sobre seus seios até


que seus mamilos estavam duros contra minha palma e se
retorcia contra mim, gemendo. Lavei minhas mãos na
banheira e alcancei uma toalha. Empapei-a e espremi sobre
seu corpo, enxaguando o sabão. Suavemente a esfreguei com
a toalha, parando em seus seios. Arqueou suas costas e levou
seus braços para trás para unir suas mãos atrás do meu
pescoço.

Deixei cair a toalha na água e envolvi minhas mãos ao


redor dela para levantá-la e colocá-la sobre minhas coxas.
Sua bunda estava justo em minha ereção, e ela moveu seus
quadris o suficiente para me fazer esticar e gemer. Colocou
seus pés no piso da banheira, fora de minhas pernas, e se
levantou. Esticou sua mão entre suas pernas para me manter
quieto, e deslizar em mim. Fez um pequeno gemido sexy e
rodou seus quadris ao se acomodar em minhas coxas. Meus
dedos se curvaram.

Estava completamente embainhado nela, e flexionei


meus quadris para frente e para trás fazendo-a ofegar. Puxei-
a contra mim, arqueou suas costas. Levantei seus braços
atrás dela para enlaçá-los ao redor de meu pescoço. Envolvi
um braço ao redor dela, colocando minha mão em seu peito.
Deslizei minha outra mão entre suas pernas e joguei com seu
clitóris.

Seus músculos se estreitaram para mim ao redor tão


fortemente que tive que conter meu fôlego. E então estava se
movendo sobre mim, movendo-se para frente e para trás,
usando suas fortes pernas como alavanca. Alcançou um
ritmo, e tudo o que podia fazer era tentar mantê-lo. Tentei
manter minhas mãos nela e emparelhar o ritmo de meus
dedos com o ritmo de seu corpo.

Estava gemendo, movendo-se mais e mais rápido. A


água estava salpicando pelos lados da banheira. Tinha seus
dedos em meu cabelo e estava puxando-o. Sua cabeça estava
em meu ombro, girei para pressionar meus lábios na cicatriz
ao lado de sua cabeça.

— Merda, neném, que gostoso, caralho. — Trabalhei


seu seio e seu clitóris. Não estava certo que ia ser capaz de
esperá-la. Tentei pensar em algo mais, algo que me distraísse,
mas a sensação de seu corpo molhado movendo-se em cima
do meu consumia cada pensamento.

E logo estava gozando, gritando, explorando em mim.


Instantaneamente se sentou e se inclinou para frente. Minhas
mãos caíram em seus quadris e a sujeitaram. Gritou e se
moveu com mais força e rápido. Gozei, grunhindo,
empurrando e puxando seus quadris, finalmente me
sentando para me envolver sobre suas costas. Mordi seu
ombro. Céus.
Cansado, caí contra a banheira, levando-a comigo.
Envolvi meus braços ao redor dela. Ficamos aí juntos até que
a água esfriasse, então saímos, terminamos de empacotar, e
nos dirigimos fora para nossa romântica e tórrida viagem.
Capítulo 20

Dakota
Passamos dois dias com suas noites magníficas em
uma cabana em Tetons 2 , mas a verdadeira atração foi a
viagem em si. Levamos dois dias para viajar até lá e dois dias
para retornar. Ir sentado em uma moto durante seis a oito
horas em um dia tem suas dificuldades, mas eu adorei cada
segundo.

Só quando estava realmente dentro de mim eu me


sentia tão perto de Jake como quando ia atrás dele, com
meus braços envoltos ao seu redor, seu quadril ancorado com
o meu, meu peito apertado contra suas costas. Eu adorava a
percepção de seus músculos movendo enquanto manobrava a
moto. Adorava a sensação de estar protegida por suas largas
costas.

Passei todo o caminho quente como o inferno. Não fui a


única. Na verdade, Jake parou duas vezes em zonas isoladas
no primeiro dia e outra vez no segundo dia, e nós fizemos no
chão, fora da vista da estrada. A viagem de volta foi a mesma
coisa.

A melhor viagem da minha vida.


2
Teton: É uma cordilheira dos Estados Unidos, um dos contrafortes
orientais das montanhas Rochosas localizada, em sua maior parte no
extremo noroeste ocidental do estado de Wyoming.
Mas tinha que terminar. O verão estava quase
terminado, e eu tinha o novo semestre. Jake estava
começando a se estressar por não ter contato com a gangue.
Nossa vida no Shadow Beach estava esperando por nós.

No caminho de volta, paramos em uma parada de


caminhões ao oeste de Reno, e falamos levianamente durante
o almoço sobre nossos planos para quando voltássemos.

— O que você acha de chamar ao Dixon e a Tiffany esta


noite ou amanhã para abrirem os presentes conosco? – ele
perguntou antes de dar uma mordida em seu hambúrguer.

— Parece genial. Mas amanhã. Esta noite quero estar


em casa com você.

Apertei sua mão. Depois de mais algumas mordidas de


seu hambúrguer, disse: — Vou ter que falar com Pops logo.
Esteve muito sozinho ultimamente. Está se comportando
mais estranho que de costume.

— Você acha que são coisas da gangue?

— Sim. Mas seja o que for, não fui informado. O que


malditamente me irrita. — Soprou uma risada irritada. —
Devemos ficar perto de casa. Toda esta merda está voltando
para nós.

Suspirei e tirei meu telefone do bolso.

— Suponho que é o momento de acertar isto, então.

Tinha várias mensagens de Dixon e Tiffany. Coloquei o


telefone em minha orelha e escutei o primeiro deles. Deixei
que Jake o repetisse, e logo ele pegou seu próprio telefone e
revisou suas mensagens. No momento em que tínhamos
ouvido a todos, Jake e eu tínhamos pago nossa conta e íamos
com toda pressa para a moto.

Alguém tinha atacado Tiffany.

***

A mão de Tiffany estava engessada. Tinha sido


gravemente machucada. Estava no hospital. Olhei e corri
para abraçar a minha amiga. — Oh meu Deus, Tiff.

Dixon puxou Jake do quarto. Eu me sentei com Tiffany


durante mais de uma hora antes de Dixon voltar. Ele beijou
Tiffany na testa.

— Onde está Jake? — perguntei a Dixon.

Dixon parecia sério e muito zangado.

— Saiu para fazer algo. Vou ter que ir também, bebê.

Tiffany assentiu. Era estranho que Jake não tenha me


dito isso, e Dixon definitivamente estava ocultando algo muito
importante. Mas minha atenção estava em Tiffany, e
realmente não me ocorreu em me preocupar se por acaso
havia algo mais que pudesse estar ruim.

Mas algo estava definitivamente errado. Um dia depois,


Tiffany anunciou que ela e Dixon deixaram os Fire Birds.
Passaram por Shadow Beach e Jake estava zangado e eles
desesperadamente feridos.

Nos dias seguintes, ele me manteve à distância.


Principalmente ficou longe da minha casa. Dormi sozinha por
duas noites. Chegou tarde em casa e foi para cama na
primeira noite, mas não me tocou. Na manhã seguinte foi
embora cedo. A segunda noite não voltou para casa.

Tentei fazê-lo falar nessa primeira noite, mas me fez


afrontou e não insisti. Eu sentia que tinha que pressioná-lo,
mas me lembrei de San Diego e não o fiz. Disse que me falaria
quando estivesse preparado. Então disse a mim mesma que
voltaria para casa e para mim quando estivesse preparado
para fazê-lo.

Quando Tiffany recebeu alta do hospital, deixei uma


mensagem para Jake dizendo que ia ajudar Tiffany. Na
verdade, eu não o via ha mais de um dia. Sabia que estava
bem, porque vi Dixon no hospital, e ele tinha visto Jake.

No dia da alta de Tiffany já era noite e ainda não


tinham assinado os papéis, fui procurar alguém para assinar
a papelada. Quando voltei, Weston saía do quarto de Tiffany.
Ele assentiu brevemente para mim e se afastou. Seu rosto
estava arranhado e machucado. Fiquei de pé no corredor e o
vi partir. Que diabos aconteceu enquanto estivemos longe?

Tiffany estava tensa e muito perturbada. Estava


chorando e tremendo, tentando empacotar suas coisas com
uma só mão. Ajudei-a.
— Está tudo bem, Tiff?

— Não! Claro que não, droga. – Ela olhou para mim e,


imediatamente pude ver que se arrependeu de sua explosão.
— Sinto muito, D... eu... tenho que ir embora deste lugar...

Coloquei minha mão no braço bom de Tiffany.

— Pode me explicar o que está acontecendo?

Tiffany negou com a cabeça.

— Eu... — Dixon entrou logo em seguida e beijou


Tiffany na bochecha. Deu-me um abraço.

— Olá, Dakota.

— Olá. Jake está com você?

— Ainda não ligou para você? Maldito seja! Sinto muito,


Dakota... Ele foi até a cabana para ver o Pops. Você está bem?

— Sim. Uma semana complicada.

— Sim, uma semana difícil... Dakota, me deixe levar


você para casa. Apenas espere Jake retornar para casa. Deixa
que ele explique a você o que está acontecendo. De acordo?

— De acordo. — suspirei. Sabia que nem Dixon nem


Tiffany podiam me dizer o que estava acontecendo. Eu era a
Bird de Jake. Tinha que ser Jake a falar. Assim eram as
coisas com os Fire Birds, e tinha que respeitar esse princípio.
Afinal agora era um deles.
***

Quase fiquei louca em casa esperando Jake. Não


tinha nem ideia do que estava acontecendo e não sabia o que
Jake estava fazendo. Aproximava-se da meia—noite e não
sabia onde estava. Não podia localizá-lo.

Queria ir à cabana de Pops. Era o último lugar onde


sabia que tinha estado. Mas tinha medo de sair, queria estar
segura em casa quando ele voltasse.

Enquanto caminhava por toda a casa, seguia passando


pelo montão de presentes embrulhados. Parecia que fazia
uma eternidade que a cerimônia tinha sido realizada.
Finalmente, o sono me venceu enquanto estava no sofá, mas
fui acordada por um telefonema.

Era Weston.

Queria que fosse para cabana de Pops. Ele havia me


dito que se tratava de Jake e que era urgente. Meu Deus, por
que Jake não tinha me ligado? Ele estava ferido? Eu não
podia perdê-lo. Ele era minha vida. Fazia-me sentir completa
de novo.

Tomei meu Indie e me dirigi para a cabana, mas rápido


que pude. A viagem tinha sido uma completa tortura mental,
pensado em todas as coisas ruins que possivelmente
poderiam ter acontecido com Jake.
Uma vez que cheguei ali, estacionei fora da cabana e
saí antes de observar os arredores. Estava muito escuro para
ver muito, mas podia ver uma luz na cabana. Podia ver
vagamente os contornos das silhuetas das motos de Jake e
Weston estacionadas fora. Jake...

Meu coração estava acelerado e não pararia até que


visse Jake vivo e bem. Não tinha nem ideia do que Weston
estava fazendo aqui, ou por que precisava de mim aqui. Tinha
sido muito vago por telefone, desligando imediatamente antes
que tivesse a oportunidade de pedir mais informação sobre o
estado de Jake.

Eu estava petrificada. Estava mais apavorada do que


quando estive com as balas voando para mim. Não sabia por
que, mas senti perigo real.

A porta estava ligeiramente entreaberta, rangendo com


o vento que passava. Coloquei minha mão na madeira e
empurrei devagar.

Podia ver Jake. Estava vivo. Graças a Deus! Mas...


Jake não estava se movendo. Estava amarrado a algo diante
dele.

A luz do fogo da lareira destacava o semblante de Jake.


Seu rosto se mostrava intenso com mais raiva, mais fúria do
que alguma vez tinha visto nele... ou em qualquer um.
Imediatamente, irrompi dentro. Não estava pensando nesse
momento. Ignorei essa intuição feminina que me dizia que
estivesse alerta. No momento em que vi a aflição em Jake,
quis sustentá-lo em meus braços. Sentia-me segura entre
seus braços.

— Jake! Você está... — E então entendi a angústia de


Jake e por que estava fervendo de ira.

Uma espingarda de caça lhe apontando para a cabeça


pode fazer isso a um homem.

— Seja uma boa pequena Birdy e mantenha a calma.


Ninguém mais tem por que sair ferido.

— Que diabos você pensa que está fazendo? — vociferei.

Era Weston. A forma que pronunciou suas palavras me


fez sentir náuseas imediatamente. Ninguém mais? Não
conseguia entender o que estava acontecendo e por que
diabos Weston estava apontando uma arma para cabeça de
Jake.

— Seu filho da puta! — Jake gritou.

— Jake menino, não quer que este estúpido atire nos


miolos dela, também, não é?

— Pelo amor de Deus, Weston! Que diabos está fazendo?


— perguntei. Espere, o que quer dizer com "também"? Porra...
Não... Deus, não! Ao longe em um canto, vislumbrei um corpo
flácido.

Era Pops. Estava deitado em uma poça de sangue.


Tinha um disparo em sua cabeça. Imediatamente me senti
gelada, afligida com uma profunda tristeza. Mas isso só
durou um segundo. Amava Pops como um pai. Vê-lo aí,
afogando-se em seu próprio sangue fez com que meu sangue
fervesse.

Voltei-me para Weston.

— O que você quer de mim? — perguntei com os dentes


cerrados. Tinha perdido e visto muitos de meus entes
queridos mortos, por isso fui capaz de me tranquilizar. Sabia
que entre todo o caos, apenas a lógica poderia salvar Jake e a
mim.

— Seu dinheiro, querida. Tiffany me contou seu


segredo. Seu podre de rico marido e seu pai deixou uma
imensa fortuna. E, eu a quero.

Tiffany... Nunca o faria... Não se...

— Você? Foi você quem feriu Tiffany...?

Agora as coisas estavam esclarecendo-se. Explicava os


cortes e arranhões de seu rosto. Explicava um pouco do por
que Tiffany e Dixon se foram da cidade e da gangue, e por
que Weston tinha me interrogado na minha cerimônia Birdy.

Mas por que diabos Weston estava atacando sua


própria gente?

— O bastardo nos vendeu ao cartel Drago — gritou


Jake, vendo a confusão em meus olhos.

Weston riu. Sua risada me gelou até os ossos.

— Ele vem planejando unir a gangue ao maldito cartel


Drago. Pode acreditar nisso? É por isso que os malditos
Damned Fools e os bastardos do clã Heros estiveram nos
atacando. Para evitar que uníssemos ao seu maldito inimigo.
É dele a culpa que fomos atacados quase até a morte!

— Oh, Jake, tão melodramático. Se não fosse por mim,


nós seríamos malditos covardes na terra agora. Seríamos
uma grande piada para todas as gangues da Califórnia. Pops
era velho para caralho, não entendeu que os tempos estavam
mudando. Não mais pequenos negócios de merda. Não há
mais vida em uma sede de clube de merda. Estou levando a
gangue a um novo mundo. Com o montão de dinheiro que
tem esta cadela rica, o cartel Drago vai me deixa entrar em
seu círculo. E nós... você... deve sua vida a eles.

— De que diabos está falando? — Jake perguntou.

— Quem você acha que lidou com os Loucos quando


estava preso?

Jake franziu suas sobrancelhas ainda mais, baixou seu


olhar ao chão antes de olhar rapidamente de volta para
Weston. Ele estava respirando mais intensamente agora.

— Você acha que qualquer dos nossos malditos aliados


poderia ter cuidado disso tão rapidamente? Sendo parte do
cartel Drago vai nos fazer uma gangue temida e respeitada.

— Não! Não dou a mínima para a gangue. Nos unir ao


cartel Drago significa que estaríamos chateando todos os
nossos amigos que foram como irmãos para nossa família.
Foda-se... Você é um bastardo ambicioso! — Jake gritou. —
Quer dinheiro e poder. Não dá uma merda por nós ou à
irmandade. Somos apenas um tíquete de comida. Dano
colateral. Foda-se. Deveria ter escutado Pops.

Jake se voltou para me enfrentar. Seus olhos passaram


da ira à absoluta tristeza no segundo que caíram sobre mim.

— Dakota, bebê, sinto muito. Desculpe-me por ter


arrastado você para este miserável inferno, querida. Eu amo
você. Lembra-se sempre disso. — Voltou a olhar para Weston.
Os olhos de Jake estavam agora furiosos com o fogo do
inferno. — Não se atreva malditamente a fazer nenhum dano!
Leve-me. Tome o dinheiro. Mas. Deixa que... ela... vá.

Weston apenas zombou de Jake, e me olhou.

— Se você me der seu dinheiro, querida, eu vou deixar


vocês dois irem. —Weston sorriu. – Eu prometo. Se não fizer,
não só o matarei. Torturarei. E poderá observar.

O olhar de horror nos olhos de Jake me disse


imediatamente o que tinha que fazer. O medo de Jake não era
por si mesmo. Era por mim. Weston conseguiria que
transferisse meu dinheiro para sua conta e logo dispararia
em Jake e em mim. Faria isso. Não tinha mais alternativa.
Weston não podia permitir que os Fire Birds averiguassem
quem tinha matado Pops. Eles o matariam. Matar um dos
seus seria seu final. Jake havia me dito este decreto dos Fire
Birds faz muito tempo.

Fechei meus olhos durante alguns segundos, deixando


escapar um suspiro longo e controlado. O tempo parou para
mim nesse momento. E, durante esse tempo, abracei-me à
bonita calma ante ao caos.

Tinha percorrido o mundo sozinha, com uma vida


ignorando minha existência desde que podia recordar, desde
que Joshua morreu. O único pensamento que passava pela
minha cabeça parecia ser quanta raiva estava no meu próprio
coração por seguir pulsando. A culpa que deveria ter sido eu.

Podia sentir meus pés afundarem na terra debaixo de


mim, entrando como areias movediças. Sem capacidade para
me mover, podia sentir logo completamente derrotada por
uma força que me esmagava. Então tudo ficou em branco.

Nada além da escuridão. Só podia distinguir uma


figura. Meus olhos se centraram em como as paredes ao meu
redor se derrubavam.

Era Jake.

É o instinto que nos salva afinal... tinha lido isto faz


muito tempo, mas só agora compreendia o que significava
realmente.

Jake tinha me salvado.

Podia ver isso agora ao enfrentar a morte. Tinha


perdido tudo antes que ele entrasse em minha vida. Amava
Jake mais que a mim mesma, mas nunca amaria a alguém
tanto como tinha amado a meu filho.

Não há nenhuma tortura na terra que possa aproximar


alguma vez à dor que uma mulher sofre ao perder um filho.
Tinha morrido nesse dia. No dia que Joshua se foi do meu
mundo.

Mas Jake tinha me dado uma nova oportunidade de


vida. Era como se estivesse enterrada em meu próprio caixão
vivendo cheia de nada mais que escuridão e terra. Jake tinha
me desenterrado, permitindo que a luz do dia voltasse a
brilhar de novo em mim. Ele era excitante e perigoso no início
e isso era o que precisava para despertar de minha morte
para vida, para me dar uma razão para me levantar e sair do
meu caixão feito por mim mesma.

Ele só ia ser uma aventura de uma noite para cumprir


minha fantasia com um menino mau. Mas aconteceu algo
inesperado.

Surpreendeu com seu doce coração e sua alma gentil.


E me apaixonei forte e rapidamente por ele.

Tinha visto a culpa de Jake ao longo de nossa relação.


A culpa por me arrastar a merda que vinha com sua vida na
gangue de motoqueiros. Mas não percebeu que ele valia a
pena. Não percebeu que ele era o melhor que tinha entrado
em minha vida em um longo tempo.

Agora, era minha oportunidade para salvá-lo.

Tinha que fazer. Não havia nenhuma outra opção para


mim. Isto, para mim, era o instinto.

Olhei para Jake e sussurrei:

— Eu amo você. Lembre—se sempre disso.


Então fiquei em frente da arma.

— Nãooooo! — Jake gritou.

O som perfurou o ar antes que a arma disparasse. Um


corpo entrou em colapso, e o chão tremeu sob uma poça de
sangue derramando lentamente e manchando a madeira
velha com sangue.

— Dakota...
Capítulo 21

Jake
Já era dia quando despertei na garagem. Estava
aconchegado ao meu lado, agarrando o cardigan de Dakota, o
rosa que ela usava pela primeira vez quando entrou em
minha abandonada vida. Foi difícil dormir no chão, mas a
verdadeira dor estava em meu coração.

Tinha tomado um segundo ou dois, mas logo a


realidade tinha descido sobre mim com velocidade e peso, e
tinha sentado ali, atordoado. Não podia acreditar o que tinha
acontecido.

Tinha passado um dia do derramamento de sangue na


cabana. Toda minha vida parecia pronta para se romper em
milhares de pedaços irregulares. Dakota tinha sido a única
que me tinha mantido unido.

Pops estava morto.

E, Dakota... se foi.

A Bela se foi de minha vida.

Tudo aconteceu tão rápido, que tinha tomado um


tempo para perceber o que Dakota tinha feito. O que ela tinha
feito por mim.
Ela tinha escolhido minha vida sobre a sua. Mas ela
não merecia. Era minha culpa. Dakota tinha sido uma bonita
flor e eu a tinha tirado da terra, sem um só pensamento por
ela, simplesmente jogando-a ao fogo. Deus, o que eu fiz?

Fiquei de pé, orientando-me, assegurando-me que


minhas pernas poderiam me sustentar. Tentei me concentrar
nos eventos recentes. Precisava que minha cabeça e meu
corpo deixassem de tremer. Precisava lembrar. Tinha que
lembrar como a tinha perdido. Minha memória era instável, e
um montão dela era vaga, como se estivesse recordando
momentos de outra pessoa.

Recordei a raiva quando Pops tinha me contado sobre


as atividades secretas de Weston. Que Weston tinha estado
por trás de todos os ataques e que tinha sido a razão de que
Dakota tivesse sido golpeada quase até a morte. Recordei
Weston irrompendo na cabana e disparando em Pops justo
na minha frente e sem advertência. Lembrei da arma
apontando para minha cabeça e a exigência de Weston de
que me ajoelhasse ou do contrário me mataria e iria atrás de
Dakota. Lembrei da raiva enchendo cada célula do meu corpo.

Lembrei de Dakota entrando. Lembrei, com clareza,


saber de repente, sem sombra de dúvida, que ia perder ela
também. Lembrei de estar aterrorizado e, também com
clareza, o que tinha dito: "Eu amo você. Lembre—se sempre".

Os Fire Birds eram minha vida. Isso era minha vida.


Eu não tinha percebido até agora que quando Dakota entrou
na minha garagem, em minha vida, ela seria minha vida.
Separar—me da vida de gangue, dos irmãos com os quais
cresci não era uma coisa fácil. Tinha sido como arrancar meu
próprio braço. Precisava deles... pensava que precisava deles.
Quando você tem algo por tanto tempo, quando nasce em
algo, não pode nunca imaginar escolher deixá-lo para atrás.

Mas eu tinha encontrado alguém, algo mais. Mais


bonito, e mais forte para segurar: o amor.

Ela tinha sido muito forte apesar da pesada carga que


levava. Uma e outra vez, tinha me mostrado a alma tão feroz
que realmente era. Ela tinha um velho espírito dos Fire Birds
que eu respeitava antes de ser envolvido pela corrupção e
pela ganância. Dakota tinha me ensinado a respeito da
adversidade através dos tempos mais escuros. A gangue só
tinha me ensinado a respeito dos tempos escuros.

Ela nunca me controlava. A gangue era minha família


mas eles me controlavam. Ela me permitiu ser livre quando
estava ao seu redor.

Mas eu tolamente tinha escolhido a gangue ao invés


dela e a tinha perdido devido a essa necessidade egoísta.
Porque era fraco... porque eu... merda. Merda. Merda. Estava
equivocado...

Tinha dado tudo à gangue, e a gangue tinha tomado e


exigido mais. Tinha passado dois anos exaustivos de minha
vida na prisão por eles. Tina. Minha filha. Pops. E agora
Dakota.
A bonita, brilhante, forte Dakota, que não tinha pedido
nada de mim que eu não oferecesse livremente, que me tinha
dado tudo de si mesma em todos os sentidos em que
precisava, e que me tinha amado totalmente e sem condições.

Minha noiva. Meu amor. Minha paz.

Curvei minhas mãos em punhos e gritei em silêncio.


Então, recostei-me. Em meio da agonia caótica em minha
mente e coração, tinha encontrado um pouco de clareza.

Havia apenas uma coisa para dar aos Fire Birds.

Sabia o que tinha que fazer. Chamei Dixon


imediatamente e pedi para me encontrar em um lugar
privado no deserto. No trajeto para lá, tornou-se cada vez
mais claro o que tinha que fazer.

Depois que tinha terminado de falar com Dixon, dirigi-


me à casa de Dakota, nossa casa. Entrei logo depois de tomar
uma longa e profunda pausa.

Caminhei de um cômodo ao outro, procurando.


Lembranças ditosas de nosso tempo juntos chegaram
alagando minha mente. As lágrimas ardiam em meus olhos.

Não pude encontrar o que estava procurando. Tentei no


jardim. Nada. Meu estômago se afundou e senti náuseas.
Enquanto caminhava de volta à casa, girei no canto da
cozinha e percebi que havia um lugar em que não tinha
procurado ainda.

O quarto de Joshua.
Nunca tinha estado em seu interior. Eu queria entrar
ali com Dakota, para conseguir que se abrisse comigo a
respeito de Joshua. Queria que ela viesse para mim primeiro.
Mas nunca tive a oportunidade.

Coloquei minha mão na maçaneta. Sentia fria e intacta.


Tomei uma respiração profunda e desejei como nunca antes
encontrar o que estava procurando.

E, assim foi.

O quarto estava escuro, mas podia ver o suficiente para


saber que ela estava ali. Estava no chão, feita um novelo, com
uma manta azul com carros, trens e aviões impressos em
seus braços. Sentei no chão ao lado dela, observando-a
dormir. Sentei ali durante quase uma hora antes de que ela
despertasse. Enquanto dormia, refleti sobre o que Dakota
fazia por mim.

Quando ela entrou na cabana essa noite, minha vida


inteira entrou com ela. Eu me odiava mesmo por não ser
capaz de ficar em pé e protegê-la. Odiava mesmo por não
golpear Weston até a morte por matar Pops e ameaçar Dakota.

Nunca tinha sofrido tanta tortura como quando Dakota


ficou entre a pistola e eu. Ela tinha escolhido minha vida
sobre a sua. Tinha me protegido, quando deveria ter sido eu
quem a protegesse. Pensando agora, tinha estado muito
zangado com ela nessa fração de segundo em que ficou diante
de mim.

Mas lembrei agora que me fez amá-la mais.


Aconteceu muito rapidamente, a próxima coisa que vi
foi Dakota sustentando a arma e disparando em Weston. Ele
caiu no chão imediatamente. Havia uma grande confusão,
com sangue brotando de um buraco onde antes tinha estado
seu peito.

Dakota tinha olhado, seus olhos estavam muito abertos


e injetados de sangue. Estava respirando tão forte e rápido
que parecia que estava tendo um ataque do coração. Eu tinha
levantado e lentamente caminhado para ela. Pedi que me
desse a arma, mas ela a tinha sustentado com muita força e
negou-se a deixá-la como se ainda estivesse em perigo.
Depois de um minuto ou dois, relaxou seu aperto e fui capaz
de tirar a arma, desarmá-la e colocá-la no chão.

Coloquei a mão suavemente em seu rosto. Pude ver os


fogos turbulentos da dor e a raiva em seus olhos. Vi lágrimas
deslizando por seu rosto.

— Oh, Dakota. Neném. Tudo vai ficar bem. Estou aqui,


querida.

Ela começou a tremer. Tentei tomá-la em meus braços,


mas resistiu. E empurrou-me para trás caminhou para a
lareira. Ficou olhando o fogo durante um longo tempo.

Aproximei-me por trás de Dakota e envolvi meus


braços ao redor dela, colocando meu rosto em suas costas.

Ela inclinou a cabeça.

— Sinto muito — sussurrei.


Ela virou-se em meus braços, e agora seu rosto estava
devastado pela dor.

— Jake...

Empurrei sua cabeça para meu ombro e envolvi meus


braços ao seu redor de novo. Ela estava rígida durante uns
segundos e logo senti seus próprios braços se envolver ao
redor de minha cintura e a senti relaxar contra mim,
soluçando.

— Jake... eu... pensei que ia perder você... Pops... —


Suas pernas se dobraram e nós dois caímos no chão, ainda
fortemente unidos.

Dakota não disse nada. Eu a abracei. Acariciei seu


cabelo. Beijei-a na cabeça, as bochechas e os lábios. Nossas
lágrimas se mesclavam durante nosso beijo. Abracei-a tão
forte que me doeram as costelas onde Weston tinha me
golpeado.

Eu não reclamei. Dei a Dakota o que precisava.

Não sabia o que fazer para mantê-la conectada com o


que tínhamos, como ajudá-la a usar nosso amor para
encontrar algum pedaço de paz nestas horas tão escuras.
Assim fiquei ali, com ela, com o peso de nossa tristeza sobre
os dois.

Sentamos assim durante muito tempo, no chão da


cabana, o fogo consumindo-se, enquanto a luz desaparecia
da sala. Os soluços de Dakota decaíram e com o tempo ela
estava completamente imóvel em meus braços. Nunca quis
deixá-la ir.

Quase a tinha perdido. Quase a tinha visto morrer


pelas mãos de minha própria família. Tinha estado
aterrorizado. Não sabia o que fazer. Mas sabia que Dakota
agora estava em perigo. E sabia que ela teria que fugir da
cidade e começar uma nova vida longe da gangue, longe do
cartel.

Olhamos a dança do fogo, sem falar, sem dormir, sem


parecer respirar enquanto as chamas se afundavam do
vermelho ao laranja, logo o amarelo em seguida para o negro.

Eventualmente chamei Dixon, lhe dizendo que viesse à


cabana. Sozinho. Dixon havia dito que já sabia. Dakota já
não estava a salvo. Se alguém descobrisse que ela tinha
matado o líder dos Fire Birds, que ainda tinha um montão de
membros leais à sua causa, eles viriam atrás dela para exigir
sua vingança e não se deteriam até que estivesse morta.

Nós não sabíamos quão profunda era a conexão de


Weston no cartel Drago... não ia correr esse risco com ela.

Mas daí vinha o problema.

Tinha que decidir entre a gangue e Dakota. Havia dito


que não sabia se podia deixá-los.

Eles eram minha família. Não podia deixar meus


irmãos leais para trás ou deixar que Dixon arrumasse está
merda por sua conta.
Ela tinha estado muito irritada comigo, e com razão. O
olhar que me deu me cortou até a medula. Levei-a até seu
carro de volta para sua casa, conduzindo atrás dela. Uma vez
que chegamos à sua casa, ela não disse nenhuma só palavra
antes que entrasse na casa e fechasse de repente a porta na
minha cara.

Eu a tinha feito miserável com a minha vida de


violência e crime. Ela quase morreu várias vezes por causa de
minha vida na gangue, mas tinha ficado comigo. Quase a
tinha machucado e assustado, mas ela ficou comigo. Tinha
arriscado sua vida para salvar a minha. E o que fiz para
recompensá-la? Tinha deixado ela totalmente sozinha. Tinha-
a deixado para ir de sua casa, a casa que tinha construído
com Joshua e Jon e onde todas as lembranças deles estavam
guardadas. Tinha-a deixado para ir... sozinha. Porra, tinha
sido um bastardo com ela.

Enquanto tentei reconstruir o que tinha passado, ela


tinha endireitado, ainda sustentando a manta como um
talismã. Não estava seguro de por que, foi um impulso, mas
tinha estendido a mão para tocá-la, tomando a borda
enfeitada com cetim entre meus dedos. Ela tinha arrancado
isso com um puxão. Tinha odiado a expressão de seu rosto.

Tristeza. Decepção.

Eu merecia isso. Tinha feito mal. Tinha escolhido à


gangue sobre ela. Mas, Cristo, odiava seu distanciamento.
Estava perdendo-a.
Quando tinha pedido para conversar no jardim, levei
muito tempo para responder, e nesse espaço vazio senti os
pedaços de minha vida se separando. Mas então havia dito
que o faria.

Levantei e estiquei minha mão para ela. Ela ficou de pé


sem tomá-la. Dobrou a pequena manta e a colocou no berço.
Ela saiu. Segui-a, fechando a porta do quarto de Joshua
atrás de mim.

Ela se sentou em uma das cadeiras individuais em


lugar dos bancos, assim não pude me sentar ao seu lado.
Sentou-se ali, com as pernas dobradas debaixo dela, com a
cabeça baixa. Fiquei de pé junto à cadeira, sem ter certeza
do que fazer. Finalmente, sentei no chão em frente a ela.
Coloquei minhas mãos sobre seus joelhos, a centímetros de
suas mãos, que estavam relaxadas em seu colo.

— Dakota. Por favor, fale comigo.

Ela respirou fundo e levantou o olhar.

— Preciso de um minuto, Jake. Tenho que centrar


minha própria cabeça antes que possa ajudar você com a sua.

— Realmente machuquei você, certo?

Ela olhou nos meus olhos e assentiu.

— Sim. Realmente o fez.

Não poderia me odiar mais do que fiz nesse momento.

— Sinto muito. Não sei por que não escolhi você.


— Quer me afastar?

— Não! Não quero! Preciso de você, Dakota. Mas os Fire


Birds são minha família. São minha vida. São tudo o que
conheço. Por favor, bebê. Entenda.

Ela suspirou e tomou minhas mãos entre as suas. Com


esse pequeno gesto reconfortante, relaxei-me um pouco.

Olhando para nossas mãos unidas, ela disse:

— Olha, Jake. Eu sei como se sente mal agora. Sei


como é horrível perder alguém que você ama... e em tais
circunstâncias desesperadoras. — Dakota fez uma pausa.

— Pops... era como um pai para mim, também...


entendo que não está pensando com clareza, e que está triste
e zangado. E me sinto muito mal por ter que dizer isto justo
agora, porque sei que sua cabeça está cheia e o
suficientemente carregada já com a merda que está passando
com o clube. Tento ser forte para você e dar a você o que
precisa quando sua vida chega a ser muito. Mas não acredito
que seja o suficientemente forte para fazer isto sozinho. Amo
você, e entendo quão escura e fodida é sua vida, mas... não
posso seguir com isto. É...

Senti as peças recortadas se separar, e o ruído em


minha cabeça estava voltando-se insuportável. Era muito
tarde? Tinha-a perdido?

— Dakota, eu amo você. Não posso perder você. Mas


não é fácil deixar a gangue. Precisam de mim. Dixon precisa
de mim... eu nasci nesta vida. Eles são minha família, meus
amigos, minha identidade, minha própria vida. — Isto é mais
difícil do que imaginava. — Dizer em voz alta estava
destroçando.

Seus olhos eram uma mistura de confusão, esperança


e dor.

— Jake, basta ir... ir...

—...me deixe terminar, por favor, Dakota. Estou


tentando dizer a você por que é difícil tomar esta decisão. É
importante que entenda. Deixar a gangue agora, quando mais
precisam de mim é insuportável...

—...Eu entendo, realmente, mas...

—...Dakota, por favor, deixe-me terminar. — Dakota


estava preocupada, mas assentiu com a cabeça ante minha
petição. – Encontrei-me com Dixon esta manhã. Ele e Tiffany
não vão para Shadow Beach. Queimamos o corpo de Weston
e ninguém saberá nunca o que aconteceu com ele. Dixon é o
vice—presidente e ascenderá como líder imediatamente. Ele
vai tratar de levar a gangue de volta ao que era antes.
Deveríamos ter feito isso há muito tempo. Deveríamos ter
escutado Pops e nunca me perdoarei por sua morte...

Eu tinha tentando manter minhas emoções sob


controle durante todo este tempo, mas não podia mais.
Minha voz vacilou, e logo se rompeu. As lágrimas saíram
rapidamente. Dakota tomou minha mão e seu simples toque
me deu a força para continuar. — Quando despertei esta
manhã, percebi que tinha uma última coisa para dar aos Fire
Birds. Entreguei a Dixon minha jaqueta dos Fire Birds.

— Você o que?

— Dakota, eu quero você. E se estar com você significa


que tenho que deixar a gangue, então que assim seja. Você é
minha família, minha amiga, minha identidade, minha vida,
tudo envolto em uma bonita, magnífica e oh meu doce Jesus,
malditamente sexy mulher. — Tomei uma respiração muito
necessária. Minhas mãos estavam tremendo.

Dakota permaneceu em silêncio durante um momento.


Limpou as lágrimas que corriam por suas bochechas.

— Não diga isso senão fala sério, Jake. Juro isso, não...
— Ela soltou a minha mão e suavemente me golpeou nos
ombros várias vezes com as duas mãos.

— Eu amo você pra caramba que me assusta


completamente. Você precisa de mim agora mais que nunca.
É minha culpa que tenha que abandonar sua casa... a casa
que compartilhou com Joshua e Jon. É minha culpa que
esteja deixando um trabalho que adora, minha culpa que...

Dakota me agarrou pelo pescoço e me beijou com tanta


força contra meus lábios. Cada parte de dor, angústia e amor
vertido dentro desse beijo. Ela inclinou-se para trás e me
olhou diretamente nos olhos.
— É sua culpa, que me apaixonei tão profundo e
loucamente por você, Jake. Essa é a única culpa que aceito
de você.

Sorri. Ela sempre arrumava facilmente para me fazer


sentir melhor.

— Eu pertenço a você. Você, e ninguém mais. Amo


meus irmãos como disse a Dixon esta manhã. Mas ele
entende que você é minha família agora e que tem que vir em
primeiro lugar. Dixon nasceu para liderar os Fire Birds por
uma razão. Ele é um filho da puta. Sei que vai fazer o correto
por eles. É o que Pops queria...

— Se formos fazer isto juntos, Jake, então temos que


sair deste carrossel de espetáculo monstruoso, dando voltas e
voltas passando os mesmos problemas. Temos que prometer
conversar um com o outro, e não só quando as coisas ficam
mal entre nós. Temos que confiar no outro o suficiente para
pedir ajuda quando estamos machucados. Temos que
prometer não enterrar nossa merda em alguma parte onde
pode levantar e chutar nossas bundas.

Ela respirou fundo e olhou nos meus olhos novamente.

— Estávamos acostumados a dizer que estávamos


falando das coisas importantes. Bem, nós não estávamos
fazendo. Conectamos muito rápido e nós dois no
apaixonamos um pelo outro, e é como se de algum jeito
tivéssemos decidido que não havia nada importante que falar.
Temos que corrigir isso.
Por um breve momento, estava quase feliz, apesar de
tudo, quando percebi que eu não a tinha afugentado. Sabia
que não merecia sua paciência, mas estava malditamente
feliz de tê-la. Deixei cair minha cabeça durante um minuto
para me recompor. Quando olhei de novo para cima, disse:

— Tem razão, querida. E prometo. Precisarei de um


pouco de ajuda para romper o hábito, e acredito que você
também precisará, mas prometo. Eu gostaria de começar
agora.

Endireitei-me em meus joelhos e me inclinei, tomando


seu rosto entre minhas mãos.

—Eu amo você. — Ela me deu um pequeno sorriso, e


pressionei meus lábios contra os seus. Então. Fiquei de pé e
estendi a mão. Ela tomou, e a levei para sentar no balanço
comigo.

Falei. Falei a respeito da vida de Pops e como era ter


sido criado por ele. Falei da minha mamãe me abandonando.
Falei de minha história com a gangue com detalhe e
profundidade que nunca antes tinha compartilhado. Falei de
como tinha idolatrado a gangue quando era um menino, e
como tinha amado e admirado Weston.

Falei de minha amizade com Dixon, crescendo juntos


na gangue, sendo amigos de infância, e realmente nos unindo
para toda a vida, quando restauramos a moto, do velho de
Dixon, juntos. Falei sobre conseguir nossas insígnias juntos.
Falei até que estava rouco e minha mandíbula estava dolorida,
e Dakota escutou.

Deixei de falar durante um momento enquanto tentava


controlar minhas precipitadas emoções. Dakota, paciente
como sempre, deixou o silêncio permanecer. Ela só agarrou a
minha mão e esperou até que estava preparado para seguir
em frente. Apertei sua mão e imaginei que realmente podia
senti-la transferindo algumas de suas forças para mim
através de seu contato.

— Cristo, Dakota. Estou vendo agora que as mentiras e


os esquemas e a cobiça estiveram ocorrendo durante anos.
Tina, que não tinha quase nada a ver com nenhuma parte da
vida das gangues e só queria uma vida normal para nossa
filha... mas a vida de gangue a levou. Ela não merecia
morrer...

Uma vez mais tive que parar, e quando voltei a falar, só


pude gemer, olhando para baixo ao meu colo.

— Dakota, não sei como ser outra coisa mais que um


Fire Bird. A gangue é tudo o que conheço. É tudo o que
sempre quis conhecer. Nem sequer sei se poderia me manter
em pé sem minha jaqueta em minhas costas. Mas, você é
minha. E eu sou seu. Para a eternidade. Onde você vai, eu
vou.

Ela agarrou meu queixo e puxou minha cabeça para


cima para encontrar seu olhar.
— Jake, você é forte e valente. É de bom coração e
autêntico. Sei que pode encontrar a força. Estou aqui para
dar a você qualquer ajuda que queira de mim. Sei que pode
encontrar um caminho para uma boa vida sem isto. Podemos
fazê-lo juntos. Podemos ir a qualquer lugar que queiramos
para um novo começo. E Ellie será uma grande parte dessa
vida. Vamos pensar em algo.

— Mas, Dakota, seu trabalho, esta casa, seu jardim,


sua vida aqui... sinto muito.

— Eu amo meu trabalho. Eu amo esta casa. Eu adoro


meu jardim. É verdade. Será doloroso ir, não negarei isso.
Mas há outros postos de trabalho. Tenho o luxo de poder
tomar meu tempo para encontrar o certo. Há outras casas.
Posso plantar um jardim em qualquer lugar. Essas coisas
podem ser substituídas. Você não pode.

Coloquei minhas mãos ao redor de seu rosto e só a


olhei. Jesus, tinha algo afinal que ela não estaria disposta a
fazer por mim? Com seu amor para me apoiar, me senti como
se realmente pudesse fazer algo.

Inclinei e a beijei profundamente. Ela envolveu seus


braços ao redor do meu pescoço e me puxou para ela. Apoiei
minha cabeça em seu ombro e relaxei em seu abraço.
Sussurrei:

— Obrigado, querida. Por me amar. Por lidar com


minha merda. Ajudar—me. Não sei o que faria sem você.
Obrigado por... me salvar.
Ela beijou minha bochecha.

— Você me salvou.

Depois de vários minutos em silêncio, sentei de novo.

— Posso pedir que me fale de Jon e Joshua? Realmente


nunca tinha me disse muito a respeito deles. Quero dizer, só
sei que o sobrenome do Jon era Holmes porque está no título
da moto. Se tudo estiver muito cru depois do que passou a
outra noite...

Ela parecia desconfortável e receosa no início, mas não


retratei o pedido. Fizemos uma promessa. Esperei sua
resposta.

E ela começou a falar.

— O sobrenome de Joshua era Holmes, também.


Joshua Jacob Holmes. Decidimos quando estava grávida que
daríamos a todos nossos meninos seu sobrenome e a todas
nossas meninas meu sobrenome. Pensamos que teríamos
uma grande família, pelo menos quatro. Sendo filha única,
cresci sozinha, assim queria uma casa cheia. — Soprou um
triste sorriso. — O mundo ri das pessoas que fazem seus
planos insignificantes.

Da mesma forma, percebi o pouco que tínhamos


compartilhado de nossa história. Eu senti que a conhecia tão
bem, sim a conhecia muito bem, e ainda assim, não sabia
quase nada de sua vida antes de mim, como se tivesse sido
nova e totalmente formada no mundo só para ser minha.
Ela também falou durante muito tempo. Compartilhou
lembranças de sua vida junto a Jon e Joshua, e me deu uma
nova visão de sua profunda devoção para a família que tinha
perdido. Ela falou de seu amor por eles.

Ela chorou, especialmente recordando seu breve, muito


breve, tempo como a mamãe de Joshua.

E logo falou como o perdeu.

— A creche me chamou e me disse que Joshua tinha


caído e tinha sido levado ao hospital. Já tinha falecido
quando cheguei lá, e não queriam me deixar entrar para vê-lo.
Eu gritava e gritava, no entanto, deixaram—me entrar. Todo o
lado de sua cabeça estava esmagado. Ele tinha subido até um
inofensivo brinquedo no jardim de plástico, a menos de dois
metros de altura. Caiu do topo e caiu "perfeitamente", assim é
como disseram, "perfeitamente", em um caminhão de
brinquedo de metal no chão.

Tomei sua mão e a sustentei.

— Você processou a creche?

Dakota negou.

— Por que? Nada poderia trazer ele de volta. O engano


do ajudante de fato é um que cada pessoa que cuida de um
menino tem feito inúmeras vezes. Provavelmente fazia todos
os dias. Ela estava olhando em outra direção durante uns
segundos. Uns poucos segundos. Isso é tudo o que precisava
para que sua vida se tornasse uma merda. Não tinha sentido
derrubá-la comigo. De todos os modos, foi realmente minha
culpa.

Eu estava confuso e a olhei com uma careta, mas


mordi a língua.

— Aqui está. Joshua não tinha por que estar na creche


naquele dia. Estava trabalhando arduamente para escrever
as aplicações à universidade então, é por isso que o
inscrevemos na creche. Mas nem sequer tinha intenção de
levá-lo naquele dia. Jon estava doente em casa depois da
quimioterapia, e levei Joshua à creche para mantê-lo fora de
meu caminho enquanto cuidava de Jon. Não o queria sob
meu pé. E ele nunca esteve de novo.

— Jesus, Dakota. Não pode se culpar por isso!

Ela sorriu com ironia para mim.

— Realmente você está sentado aí me dizendo que não


posso me sentir culpada por algo? Sério? Será culpa do
professor?

Ri um pouco.

— Está bem, tem razão. Mas mesmo assim....

Ela me interrompeu.

— Cheguei a um acordo com isso. Deixa comigo. Sem o


benefício da dúvida, temos que tomar as melhores decisões
que podemos com a informação que temos. Um monte de
coisas poderia ter mudado um pouco, e Joshua teria estado a
salvo. Ou eu poderia tê-lo mantido em casa e eu poderia ter
estado distraída ajudando Jon, e Joshua poderia ter saído
ferido em casa. O mundo ri.

— Mas sei que você entende que é muito difícil viver


com o conhecimento de que uma escolha que fez e pos
movimentos como esses em marcha, inclusive se souber que
fez a melhor escolha que podia.

— Jon não me culpou. Acredito que culpou a si mesmo,


só no caso. Por estar doente. Nunca nos recuperamos da
perda de Joshua. Jon nunca se recuperou de verdade. Nunca
teve um resultado encorajador depois. Deixou de trabalhar.
Deixou de lutar para melhorar. Apenas lentamente se
consumiu, o câncer se transformou até que acredito que
tinha mais células cancerosas que sãs. Ele era um homem
bastante grande, um homem saudável. Cuidava-se, como eu.
Nós nos conhecemos em uma maratona, na verdade. Quando
morreu, era um casca de ovo. Um casca de ovo que tinha
esquecido toda sua vida. Suponho que há um pouco de paz
em não recordar que tinha enterrado seu filho de dois anos
de idade...

— De qualquer forma, então estava sozinha. Sentei-me


nesta casa durante semanas consumida por uma fúria
impotente. E então decidi que precisava, ou seja me matar ou
procurar uma vida para mim. De maneira nenhuma ia tomar
o caminho de covarde da minha madrasta, assim construí
uma vida.

Ela parou e me deu um tímido olhar de lado.


— Então, essa é minha história.

Coloquei-a em meus braços e me limitei a abraçá-la. As


palavras não eram necessárias. Realmente não eram.

Eu percebi que pessoas normais teriam sabido tudo


isso um do outro antes de se comprometerem para a
eternidade, mas não é assim que Dakota e eu funcionávamos.
Ou, ao menos, não tinha sido.

Mas ela tinha razão, precisamos de um novo plano.


Nosso amor era poderoso, mas não era imune.

— Quero passar o resto da minha vida com você,


Dakota. Sei o que é estar sem você, e não quero voltar a
sentir de novo. – Eu a puxei contra mim e a beijei
suavemente. Sua boca estava cheia, suave e quente. Igual a
ela. Afastei-me, só para morder ligeiramente seu lábio inferior.

Ela ofegou, e eu ri.

— Você acha que vamos ficar bem, Jake? — perguntou


ela depois de recuperar o fôlego pelo beijo.

— Sim. — Sustentei seu olhar firme.

— Como sabe?

Apesar de não entender o que tinha acontecido com


minha antiga vida, a gangue, Pops... sentia-me mais com
controle de meus pensamentos e de mim mesmo agora. Falar
com Dakota tinha me ajudado a compreender por que a
gangue era tão importante para mim, apesar de tudo. Pensei
que, com Dakota ao meu lado, era suficientemente forte para
deixá-la atrás. Com Dakota, podia fazer algo.

— Instinto, bebê. — Deixei um rastro de pequenos e


tenros beijos ao longo de seu esbelto pescoço. Fui guiado por
seus pequenos gemidos entrecortados enquanto levava sua
cabeça para trás, permitindo-me mais pele para explorar. Não
tinha dado conta do quanto sentia falta disto. Só estar com
ela, no sentido mais básico da palavra.

— Então, menino mau... onde... vamos? — perguntou


enquanto mordiscava sua clavícula.

— Não sei bela. — Beijei-a na bochecha, e logo nos


lábios. — Bem, primeiro vou fazer amor de maneira quente e
úmida como nunca antes. Vai estar tremendo por dias. Tenho
alguns movimentos novos que quero provar. Vai estar
rogando que faça de novo.

— Oh, estarei, garanhão? – disse ela, pressionando


seus dedos para cima por minhas coxas internas. — Será
melhor que não me decepcione então. Acabará me deixando
louca se não conseguir me excitar para nada. E não vai
querer me deixar louca. — Seus dedos pressionavam
ligeiramente minha virilha.

— Realmente não quero deixá-la louca. — Acariciei a


parte de trás de seu pescoço, tocando com meus lábios sua
têmpora, provando tanto sal como doce. Beijei a linha escura
de uma sobrancelha, a suave curva de uma bochecha,
explorando por toda parte, até que já não era o frio da brisa
que a fez tremer. — Prometo, bebê... Nunca... decepcionarei...
você...

— Oh, sei que não o fará, menino mau... mas sério,


Jake... onde vamos... dirigir? – Eu me inclinei para trás para
que pudesse olhar em seus bonitos olhos enquanto
desabotoava seu top.

— Vamos nos dirigir à estrada aberta. Estou preparado


para montar em direção ao horizonte com você. — Recostei-a
no banco, colocando minha mão sobre seu coração,
pressionando pequenos beijos entre seus seios flexíveis antes
de dar um beijo firme nos lábios, e não foi nem o primeiro
muito menos o último, esse foi comprido e cheio de
promessas. Então lhe sussurrei ao ouvido enquanto ofegava
em busca de ar. — Temos todo mundo para descobrir.
Sempre lembre isso, Bela.

Fim.

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