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Prof. __________________________

Organização dos Espaços


Educativos

Evandro Moraes
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1) Leia o seguinte trecho e comente sobre as atividades institucionais e burocráticas que um


educador deve realizar em seu cotidiano.

"As pesquisas tem demonstrado que a maior parte da energia dos profissionais da educação, em
função diretiva, é consumida na execução de operações de rotina e na manutenção das relações
no interior do sistema. Dessa forma, a energia que sobra para investir no diagnóstico, planejamento,
introdução de inovações, mudança pontual e desenvolvimento é bastante reduzida." (Iannone,
2006, 13).

A experiência nas organizações escolares tem mostrado que o papel do gestor educacional vem
sofrendo, no âmbito das organizações, as consequências das lacunas na sua formação básica e
da falta de uma formação contínua.
Trata-se, portanto, de trazer para a gestão e aos gestores uma perspectiva pragmática, capaz de
acompanhar a velocidade, a simultaneidade dos eventos e avanços atuais, contemplando, ainda,
as contradições e rupturas próprias de cenários em mudança. Assim, as atividades institucionais e
burocráticas, tanto para os gestores escolares quanto para o corpo docente auxiliam para que a
escola cumpra o seu papel de ser um sistema aberto, criadora de oportunidades para o estudo de
dinâmicas Inter organizacionais e redes e estabelecimento, estabelecendo o vínculo aluno-
sociedade. A seguir, eis as atividades institucionais e burocráticas:

O PPP - É importante pensar num Projeto Político Pedagógico que tenha uma visão bastante
realista do contexto onde a instituição está inserida e onde o curso será ofertado e isso pode variar
muito de local para local. Penso que numa escola o Projeto Político Pedagógico é o local onde se
estabelece características específicas da identidade da unidade, tendo como base a missão e a
visão e os anseios pensados pela comunidade escolar. Numa gestão democrática e participativa,
toda a comunidade escolar participa da elaboração do PPP. Se a escola fosse o corpo humano, o
PPP seria a coluna vertebral.

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O PTD - O Plano de Trabalho Docente - PTD é a forma de o professor se organizar para ministrar
suas aulas. É um documento que registra o que se pensa fazer, como fazer, quando fazer, com
que fazer e com quem fazer. O plano de trabalho docente:
• Implica no registro escrito e sistematizado do planejamento do professor;
• Antecipa a ação do professor, organizando o tempo e o material de forma adequada;
• É um instrumento político e pedagógico que permite a dimensão transformadora do conteúdo;
• Permite uma avaliação do processo de ensino e aprendizagem;
• Possibilita compreender a concepção de ensino e aprendizagem e avaliação do professor;
• Orienta /direciona o trabalho do professor;
• Requer conhecimento prévio da Proposta Pedagógica Curricular;
• Pressupõe a reflexão sistemática da prática educativa.
O Plano de Aula - O planejamento de aula é de fundamental importância para que se atinja êxito
no processo de ensino-aprendizagem. A sua ausência pode ter como consequência, aulas
monótonas e desorganizadas, desencadeando o desinteresse dos alunos pelo conteúdo e tornando
as aulas desestimulantes.

Porém, apesar da grande importância do planejamento de aula, muitos professores optam por aulas
improvisadas, o que é extremamente prejudicial no ambiente de sala de aula, pois muitas vezes as
atividades são desenvolvidas de forma desorganizada, não havendo assim, compatibilidade com o
tempo disponível.

Entre os elementos que devem compor um plano de aula estão:

 Clareza e objetividade;
 Atualização do plano periodicamente;
 Conhecimento dos recursos disponíveis da escola;
 Noção do conhecimento que os alunos já possuem sobre o conteúdo abordado;
 Articulação entre a teoria e a prática;
 Utilização de metodologias diversificadas, inovadoras e que auxiliem no processo de
ensino-aprendizagem;
 Sistematização das atividades com o tempo;
 Flexibilidade frente a situações imprevistas;
 Realização de pesquisas buscando diferentes referências, como revistas, jornais, filmes
entre outros;
 Elaboração de aulas de acordo com a realidade sociocultural dos estudantes.

Portanto, o bom planejamento das aulas aliado à utilização de novas metodologias (filmes, mapas,
poesias, músicas, computador, jogos, aulas práticas, atividades dinâmicas, etc.) contribui para a
realização de aulas satisfatórias em que os estudantes e professores se sintam estimulados,
tornando o conteúdo mais agradável com vistas a facilitar a compreensão.

2) Em contraponto à burocracia existente em nossas escolas, surge a proposta de democratização


do espaço educativo. A realização coletiva do Projeto Político Pedagógico é exemplo desta
iniciativa democratizante. Pode-se afirmar que a democratização tenderá a agilizar os processos
de tomadas de decisão ou é possível pensar que os deixará ainda mais lentos, uma vez que
estabelecerá consultas à comunidade escolar e permitirá a participação de todos os envolvidos?
Desenvolva sua posição.

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Uma boa gestão educacional requer a formação de parceria entre escola e comunidade para que
aquela seja de fato inclusiva e democrática. Parindo desse pressuposto, a figura do gestor deve
ser pautada na construção de relacionamentos em que ações do tipo: ouvir pessoas, aceitar
sugestões, articular com a equipe as decisões e saber “lidar” com pessoas diversas e adversas
ganhem um dinamismo de seriedade, assiduidade e compromisso. A gestão democrática se
efetivará na elaboração de um projeto político-pedagógico coletivo, o qual norteará ações de cunho
democrático. As novas tendências sociais, econômicas e tecnológicas exigem da escola novas
atribuições. Sendo assim, o papel do gestor escolar, em uma visão democrática de gestão está
diretamente ligado ao conhecimento da comunidade na qual a escola está inserida; convidando-a
para participar do processo educativo, já que a própria sociedade, embora muitas vezes não tenha
bem claro de que tipo de educação seus jovens necessitam, não está mais indiferente ao que
ocorre nos estabelecimentos de ensino. Ao incorporar a democracia, a escola traz à tona os valores
de inclusão, justiça, participação e diálogo, essenciais à democracia; democracia esta que
reconhece a diversidade dos seus membros, os incluem e abre as portas para participação;
procurando fazer com que as pessoas se integrem ao processo educativo. A participação não se
decreta, nem se impõem, ela se constrói no coletivo com a tomada de decisões partilhadas. De
acordo com tais afirmações, é possível pensar que os processos de tomada de decisão não ficarão
mais lentos por envolver mais pessoas, desde que seja feito com eficiência, estipulando prazos
para consulta pública, por exemplo. A transparência nos processos também pode ser essencial e
estimulante para agilizar processos.

3) Dentro da busca por agilidade na tomada de decisões no interior dos espaços educativos viceja
ainda a proposta de uma vivência autoritária no seio das relações de trabalho destes espaços. O
fato de muitos docentes aceitarem esta solução discricionária e hierarquizada pode ser visto como
um sinal de que grande parte da classe docente não deseja ou não sente que haja condições para
uma vivência democrática da escola? Desenvolva sua posição.

A partir do golpe de 64, o país passa por um intenso processo de centralização do trabalho
pedagógico docente, nos diferentes níveis do sistema público de ensino.
Os conteúdos vinham programados pelo governo, era a chamada tecnocratização da educação.
Na concepção tecnicista a direção é centralizada numa pessoa, as decisões vêm de cima para
baixo, bastando cumprir um plano previamente elaborado, sem participação dos envolvidos. Os
discursos acerca da gestão democrática estão muito presentes no meio educacional. O grande
problema é romper os modelos do conceito de gestão que sobrevive há décadas. A mudança de
paradigma nem sempre é ágil e muito menos fácil. Muitos docentes que estão em sala de aula ou
na gestão escolar na atualidade são frutos desse passado centralizador, submissivo, discricionário
e hierarquizado ao extremo. Isso não é sinal de que a classe docente não deseja uma vivência
democrática na escola, apenas que ainda não se adaptaram à essa nova cultura, por mais que
queiram.

4) Sobre Lima (2001), diz Iannone:

"O autor traça um panorama em que inscreve as organizações escolares como regidas por uma
ordem burocrática de conexão e uma ordem anárquica de desconexão e que, portanto, comportam,
simultaneamente, um modo de funcionamento conjuntivo e disjuntivo, chamado por ele de
funcionamento díptico." (Iannone, 2006, 14). Comente este trecho.

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Esse dualismo se dá por conta das polarizações entre a rigidez do planejamento e controle e os
avanços calcados em decisões mais impulsivas, quanto à introdução de inovações; ou seja, um
extremismo onde há excesso de organização e controle (burocracia) de um lado em se tratando de
planejamento e controle e falta do mesmo (anarquia) no que se refere à introdução de inovações .
Esse modo de funcionamento esclarece, em grande parte, os avanços e retrocessos nos processos
de introdução de inovações, a fragmentação e a incoerência de alguns cenários da escola e a
concomitância da coesão e coerência em outros.

5) Saviani realiza uma evidente ligação entre o Pensamento Pedagógico Brasileiro e a História,
mostrando como os desenvolvimentos políticos, econômicos e sociais interferem na Educação. Seu
texto vai desde os tempos da Colônia até a década de 1980, deixando de lado os últimos anos.
Continue o raciocínio do autor, mostrando como, na atualidade, os aspectos políticos, econômicos
e sociais interferem no modo como a Educação é realizada. Para tanto, dê exemplos práticos de
realidades educativas que são frutos dessas influências.

Não encontrei no texto esta citação de Saviani, mas de acordo com pesquisas realizadas, cheguei
à seguinte conclusão: Embora existam posições conflitantes sobre o que é educação, o educador
deve ter clara as noções que a influência que as relações políticas, socioeconômicas e culturais
exercem no processo educativo. A educação escolar está condicionada a ideologias e interesses
de grupos ou classes sociais.

Com a redemocratização do Brasil pós ditadura, novos referenciais teóricos produzidos por atores
sociais comprometidos com a ampliação dos direitos sociais e políticos surgiram, facilitando o
acesso a educação, porém com um ensino tradicional que com pouco ou nenhum efeito qualitativo
relevante. O Papel da escola, conteúdo de ensino, relacionamento professor-aluno, pressupostos
de atividade e manifestações da prática escolar variam conforme as tendências\tipos de
abordagem. Qual é a mais correta? A que melhor corresponde as executivas do aluno e da
sociedade e apresenta o melhor produto. A retórica da mudança veio-se fortificando com o advento
da reforma de 1996 (LEI 9.394/96). Um dos refrãos, sem dúvida, foi e está sendo o da formação
continuada dos educadores, incluindo-se os gestores e as equipes diretivas, numa tentativa de
alinhamento aos novos padrões de profissionalidade exigidos pela organização escolar e pelo
contexto social. Considerando esse contexto, o Conselho Nacional de Secretários de Educação
lançou, em 2001, o Programa Pro-gestão – Programa de Capacitação a Distância para Gestores
Escolares. Um dos objetivos do Pro-gestão é a formação de lideranças escolares comprometidas
com a construção de um projeto de gestão democrática da escola pública.

Quanto as tendências da educação, a partir de então, temos: “educação como redenção”;


“educação como reprodução”; e “educação como um meio de transformação da sociedade”. Esta
última tem por perspectiva compreender a educação como mediação de um projeto social. A
“educação como transformação da sociedade” pode ser uma das instâncias na luta pela
transformação do ambiente social, visando a sua democratização efetiva e concreta, tanto nos
aspectos políticos como sociais e econômicos. Essa tendência é “crítica”, pois não é otimista como
a tendência redentora, a qual pretende “curar” a sociedade de suas mazelas, adaptando os
indivíduos ao modelo ideal de sociedade. Tampouco é pessimista como a tendência reprodutivista,
que considera a educação apenas como instância de reprodução dos interesses dominantes. A
tendência transformadora propõe compreender a educação dentro de seus condicionantes e agir
estrategicamente para a transformação da realidade. Propõe desvendar e utilizar as próprias
contradições da sociedade para trabalhar realística e criticamente por sua mudança. O currículo de
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Educação deve se orientar em torno do produto, dos resultados esperados da aprendizagem, e não
do processo, das teorias e métodos. Novos desafios para uma educação inclusiva dos verdadeiros
atores sociais participativos em consonância com a atual realidade cuja reconstrução de saberes
se faz necessária. Nesta perspectiva, eis a aprendizagem contínua, que prioriza os seguintes
aspectos:

 Aprender a conhecer
 Aprender a fazer
 Aprender a viver juntos
 Aprender a ser