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UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA

FACULDADE DE TECNOLOGIA

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E AMBIENTAL

ANÁLISE DO COMPORTAMENTO DE ABERTURAS

CIRCULARES EM MACIÇOS ROCHOSOS UTILIZANDO

DIFERENTES SISTEMAS DE SUPORTE

FREDDY ERNESTO MACKAY ESPINDOLA

ORIENTADOR: ANDRÉ PACHECO DE ASSIS, PhD

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO EM GEOTECNIA

PUBLICAÇÃO: G.DM–124A/04

BRASÍLIA / DF: NOVEMBRO DE 2004


UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
FACULDADE DE TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E AMBIENTAL

ANÁLISE DO COMPORTAMENTO DE ABERTURAS


CIRCULARES EM MACIÇOS ROCHOSOS UTILIZANDO
DIFERENTES SISTEMAS DE SUPORTE

FREDDY ERNESTO MACKAY ESPINDOLA

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO SUBMETIDA AO DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E


AMBIENTAL DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA COMO PARTE DOS REQUISITOS
NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE.

APROVADA POR:

_________________________________________
ANDRÉ PACHECO DE ASSIS, PhD, UnB
(ORIENTADOR)

_________________________________________
NORIS COSTA DINIZ, DSc, UnB
(EXAMINADOR INTERNO)

_________________________________________
Prof. CARLOS ALBERTO LAURO VARGAS, DSc, UFG
(EXAMINADOR EXTERNO)

DATA: BRASÍLIA/DF, 24 de NOVEMBRO de 2004.

ii
FICHA CATALOGRÁFICA
MACKAY, FREDDY ERNESTO ESPINDOLA
Análise do comportamento de aberturas circulares em maciços
rochosos utilizando diferentes sistemas de suporte. [Distrito Federal] 2004
xix, 161p., 297 mm (ENC/FT/UnB, Mestre, Geotecnia, 2004)
Dissertação de Mestrado - Universidade de Brasília. Faculdade de Tecnologia.
Departamento de Engenharia Civil e Ambiental
1. Obras subterrâneas 2. Mecânica das rochas
3. Métodos numéricos 4. Sistemas de suporte
I. ENC/FT/UnB II. Título (série)

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
MACKAY, F.E. (2004). Análise do Comportamento de Aberturas Circulares em
Maciços Rochosos Utilizando Diferentes Sistemas de Suporte. Dissertação de
Mestrado, Publicação G.DM-124A/04, Departamento de Engenharia Civil e
Ambiental, Universidade de Brasília, Brasília, DF, 161p.

CESSÃO DE DIREITOS
NOME DO AUTOR: Freddy Ernesto Mackay Espíndola
TÍTULO DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO: Análise do comportamento de
aberturas circulares em maciços rochosos utilizando diferentes sistemas de suporte.
GRAU / ANO: Mestre / 2004

É concedida à Universidade de Brasília a permissão para reproduzir cópias desta


dissertação de mestrado e para emprestar ou vender tais cópias somente para
propósitos acadêmicos e científicos. O autor reserva outros direitos de publicação e
nenhuma parte desta dissertação de mestrado pode ser reproduzida sem a
autorização por escrito do autor.

_____________________________
Freddy Ernesto Mackay Espíndola
EQN 410/411 Quadra 1 Bloco A Sala 49
70865-000 - Brasilia/DF - Brasil

iii
DEDICATÓRIA

À minha família

iv
AGRADECIMENTOS

Agradeço ao professor André Pacheco de Assis pela orientação e amizade.

A todos os componentes do Programa de Pós-Graduação em Geotecnia da


Universidade de Brasília.

Um agradecimento especial aos meus amigos geotécnicos pela amizade dedicada.

Ao CNPq pelo apoio financeiro, transformado em bolsa de estudo.

v
RESUMO
ANÁLISE DO COMPORTAMENTO DE ABERTURAS CIRCULARES EM MACIÇOS
ROCHOSOS UTILIZANDO DIFERENTES SISTEMAS DE SUPORTE

Nos trabalhos de contenção de túneis e estruturas subterrâneas em rocha, os


sistemas de suporte têm desempenhado um papel fundamental no controle das
deformações do maciço e na sustentação do teto e das paredes das escavações. Na
atualidade estes sistemas são representados em sua maioria por tirantes e concreto
projetado. Esta dissertação apresenta simulações numéricas de um túnel hipotético,
com diâmetro de 5 m, dependendo da obra a profundidade pode variar de 20 m a
1200 m utilizando sistemas de suporte, quando necessários, por meio de
classificações geomecânicas e soluções de suporte. As simulações foram
executadas por cinco maneiras, sendo a primeira de um túnel sem suporte e as
outras quatro segundo as soluções propostas em função das classificações
geomecânicas de RSR, RMR, Q e RMi. Estas simulações foram executados em
diferentes condições de maciço rochoso que vão de excelente a ruim,
correspondentes a cinco casos de estudo. Sendo estes, casos reais de obras de
engenharia civil, realizadas em maciços rochosos, em distintas localizações do
mundo. Com ajuda de bibliografia e pesquisas destas obras, se obteve os
parâmetros do maciço para simular a construção hipotética do túnel. O objetivo
deste trabalho é avaliar o comportamento de diferentes sistemas de suporte para
vários tipos de maciços rochosos. A simulação numérica foi feita por elementos
finitos em três dimensões por meio do uso do programa Plaxis 3D Tunnel. Por fim as
seguintes conclusões foram obtidas: Analisando o comportamento das soluções de
projeto para os casos-estudo, apenas quanto ao fator de segurança, as soluções de
Wickham et al. (1972) apresentaram, em média, os maiores valores de fator de
segurança e as de Grimstad e Barton (1993) os menores; em geral, para todos os
casos, os valores mais altos de deslocamentos ocorreram nas paredes dos túneis,
devido ao coeficiente Ko = 1,5 adotado em todos eles; a análise em três dimensões
permitiu observar que os deslocamentos no eixo z, não são significativos, mas é
importante ponderar que eles existem; analisando apenas a quantidade de material
de suporte, a solução de Grimstad e Barton (1993) fornece valor menor em relação
ao volume de concreto projetado por metro longitudinal de túnel e a solução de
Wickham et al. (1972) apresenta o menor comprimento de tirantes por metro de
túnel.

vi
ABSTRACT
BEHAVIOUR OF CIRCULAR OPENINGS IN ROCK MASS BY USING DIFFERENT
SUPPORT DESIGNS

In works of contention in tunneling and underground rock structures, support systems


have been playing a fundamental role in the control of deformations of rock masses
and in the support of roof and walls in tunnels. At the present time these systems are
represented in their great majority by rockbolts and jet grouting. This dissertation
presents numeric simulations of a 5 m diameter hypothetical tunnel, using support
systems when necessary, by using geomechanical classifications and their support
solutions. The simulations were executed by five methods, the first one without
support and the other four according to the solutions proposed by geomechanical
classifications (RSR, RMR, Q and RMi). These simulations were executed in different
rock mass conditions. These are from excellent to bad conditions. These conditions
correspond to five real cases of works in civil engineering, accomplished in rock
masses, in different world locations. With the help of bibliography and research,
parameters of the rock mass to simulate the hypothetical construction of the tunnel,
were obtained. The objective of this work is to evaluate the behavior of different
support systems for several types of rock masses. The numeric simulation was made
by finite elements in three dimensions with the help of the Plaxis 3D Tunnel software.
Finally the following conclusions were obtained: Analyzing the behavior of the factor
of safety for the different cases, the solutions of Wickham et al. (1972) showed an
average major value while Grimstad and Barton (1993) showed an average low
value; for all of the study-cases, the highest values of displacements happened in the
walls of the tunnels, due to the coefficient Ko = 1,5, adopted in all of them; the 3D
analysis showed that displacements in the z axis, are not significant, but as matter a
fact, it is important to consider that they exist; only analyzing the amount of material
needed for the support of the tunnel, the solution of Grimstad and Barton (1993)
shows the smallest value in jet grouting volume by longitudinal tunnel meter while
Wickham et al. (1972) does the same for rockbolts.

vii
RESUMEN
ANÁLISIS DEL COMPORTAMIENTO DE ABERTURAS CIRCULARES EN
MACIZOS ROCOSOS UTILIZANDO DIFERENTES SISTEMAS DE SOPORTE

En los trabajos de contención de túneles y estructuras subterráneas en roca, los


sistemas de soporte han jugado un papel fundamental en el control de las
deformaciones del macizo y en el sostenimiento del techo y paredes de los túneles.
En la actualidad estos sistemas son representados en su gran mayoría por tirantes y
concreto proyectado. Esta disertación muestra simulaciones numéricas de un túnel
hipotético de 5 metros de diámetro, utilizando sistemas de soporte (cuando son
necesarios). Estos fueron proyectados por medio de clasificaciones geomecánicas y
sus respectivas soluciones de soporte. Las simulaciones fueron ejecutadas de cinco
maneras distintas; la primera fue sin soporte y las otras cuatro de acuerdo a las
soluciones en función a las clasificaciones geomecánicas (RSR, RMR, Q y RMi).
Estas simulaciones fueron ejecutadas en diferentes condiciones del macizo rocoso
expresadas de excelentes a pésimas. A su vez estos corresponden a cinco casos de
estudio de obras reales de ingeniería civil realizados en macizos rocosos en distintos
lugares del mundo. Con ayuda de bibliografía e investigaciones de cada caso se
obtuvo los distintos parámetros del macizo rocoso para simular la construcción
hipotética de un túnel. El objetivo de este trabajo es la evaluación del
comportamiento de los diferentes sistemas de soporte para varios tipos de macizos
rocosos. La simulación numérica fue hecha por elementos finitos en tres
dimensiones por medio del uso del programa “Plaxis 3D Tunnel”. Por último fueron
sacadas las siguientes conclusiones: Analizando el comportamiento de las
soluciones de proyecto para los casos de estudio, considerando solamente el factor
de seguridad, las soluciones de Wickham et al. (1972) presentaron en promedio los
mayores valores de factor de seguridad, por otro lado la solución de Grimstad e
Barton (1993) mostró el menor promedio; en general, para todos los casos, los
valores mas altos de desplazamiento ocurrieron en las paredes de los túneles,
debido al coeficiente de empuje pasivo Ko = 1,5; el análisis en tres dimensiones
permitió observar que los desplazamientos en el eje horizontal (eje z), no son
significativos; pero es importante realzar que estos si existen; respecto al análisis de
la cantidad de material requerido para la construcción del soporte, la solución de
Grimstad e Barton (1993) dio la menor cantidad de concreto proyectado por metro
lineal de túnel excavado y a su vez la solución de Wickham et al. (1972) dio la menor
longitud de tirantes por metro lineal de túnel excavado.

viii
ÍNDICE
Capítulo Página

1. INTRODUÇÃO ................................................................................................... 1
1.1 OBJETIVO........................................................................................................ 2
1.2 DESCRIÇÃO DOS CAPÍTULOS ...................................................................... 3

2. ELEMENTOS DE PROJETO EM TÚNEIS ........................................................ 4


2.1 AVALIAÇÃO DOS DADOS GEOLÓGICOS...................................................... 5
2.2 TENSÕES “IN SITU” ........................................................................................ 6
2.3 TENSÕES INDUZIDAS .................................................................................... 8
2.4 RESISTÊNCIA DA ROCHA.............................................................................. 9
2.5 RUPTURA DO MACIÇO ROCHOSO ............................................................... 13
2.6 ANÁLISE DA INTERAÇÃO DO SUPORTE ...................................................... 15
2.6.1 DEFINIÇÃO DO CRITÉRIO DE RUPTURA .................................................. 15
2.6.2 ANÁLISE DO COMPORTAMENTO DO TÚNEL ........................................... 16
2.6.3 DEFORMAÇÃO DE UM TÚNEL SEM SUPORTE......................................... 18
2.6.4 CARACTERÍSTICA DA DEFORMAÇÃO DO SUPORTE .............................. 20
2.7 FATOR DE SEGURANÇA................................................................................ 22
2.8 EVOLUÇÃO DO USO DE TIRANTES EM ESCAVAÇÕES SUBTERRÂNEAS 24

3. CASOS DE ESTUDO ......................................................................................... 34


3.1 CASO MINA EL TENIENTE ............................................................................. 35
3.2 CASO RIO GRANDE........................................................................................ 36
3.3 CASO HIMACHEL PRADESH.......................................................................... 37
3.4 CASO METRÔ ATENAS .................................................................................. 38
3.5 CASO YACAMBÚ QUIBOR.............................................................................. 39

4. COMPORTAMENTO DE TÚNEIS UTILIZANDO DIFERENTES SOLUÇÕES


DE SISTEMAS DE SUPORTE ............................................................................... 41
4.1 MÉTODOS NUMÉRICOS PARA ANÁLISE DAS DEFORMAÇÕES ................ 41
4.2 CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DO PROGRAMA PLAXIS 3D TUNNEL .... 42
4.3 EXPLICAÇÃO GERAL DO PROCEDIMENTO DE SIMULAÇÃO NUMÉRICA . 43
4.4 CASO MINA EL TENIENTE ............................................................................. 52
4.4.1 DESLOCAMENTO DO TÚNEL SEM SUPORTE .......................................... 53
4.4.2 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO WICKHAM ET AL. (1972) .................. 54
4.4.3 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO BIENIAWSKI (1989) .......................... 55
4.4.4 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO GRIMSTAD & BARTON (1993) ......... 57
4.4.5 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO PALMSTROM (1996)......................... 57
4.5 CASO RIO GRANDE........................................................................................ 58
4.5.1 DESLOCAMENTO DO TUNEL SEM SUPORTE .......................................... 59
4.5.2 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO WICKHAM ET AL. (1972) .................. 60
4.5.3 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO BIENIAWSKI (1989) .......................... 61
4.5.4 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO GRIMSTAD & BARTON (1993) ......... 63
4.5.5 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO PALMSTROM (1996)......................... 63
4.6 CASO HIMACHEL PRADESH.......................................................................... 64
4.6.1 DESLOCAMENTO DO TUNEL SEM SUPORTE .......................................... 65
4.6.2 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO WICKHAM ET AL. (1972) .................. 66
4.6.3 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO BIENIAWSKI (1989) .......................... 68

ix
4.6.4 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO GRIMSTAD & BARTON (1993) ......... 70
4.6.5 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO PALMSTROM (1996)......................... 71
4.7 CASO METRÔ ATENAS .................................................................................. 73
4.7.1 DESLOCAMENTO DO TUNEL SEM SUPORTE .......................................... 74
4.7.2 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO WICKHAM ET AL. (1972) .................. 75
4.7.3 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO BIENIAWSKI (1989) .......................... 77
4.7.4 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO GRIMSTAD & BARTON (1993) ......... 79
4.7.5 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO PALMSTROM (1996)......................... 81
4.8 CASO YACAMBÚ QUIBOR.............................................................................. 83
4.8.1 DESLOCAMENTO DO TUNEL SEM SUPORTE .......................................... 85
4.8.2 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO WICKHAM ET AL. (1972) .................. 86
4.8.3 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO BIENIAWSKI (1989) .......................... 88
4.8.4 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO GRIMSTAD & BARTON (1993) ......... 90
4.8.5 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO PALMSTROM (1996)......................... 92
4.9 ANÁLISE DO FATOR DE SEGURANÇA ......................................................... 94
4.10 DESLOCAMENTOS DO MACIÇO ................................................................. 98
4.11 DISCUSSÕES DESTE CAPÍTULO ................................................................ 109

5. CONCLUSÕES .................................................................................................. 113


5.1. CONCLUSÕES DESTA DISSERTAÇÃO ........................................................ 113
5.2. SUGESTOES PARA FUTURAS PESQUISAS ................................................ 116

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................... 117

A. CLASSIFICAÇÃO DO MACIÇO ROCHOSO ..................................................... 119


A.1 HISTÓRIA DA CLASSIFICAÇÃO DO MACIÇO ROCHOSO............................ 119
A.1.1 CLASSIFICAÇÕES QUE LEVAM EM CONTA O TEMPO DE AUTO-
SUSTENTAÇÃO..................................................................................................... 120
A.1.2 RQD .............................................................................................................. 120
A.1.3 RSR............................................................................................................... 122
A.2 CLASSIFICAÇÃO GEOMECÂNICA................................................................. 125
A.3 SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO GEOMECÂNICA Q ...................................... 129
A.4 SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO RMI .............................................................. 134

B. METÓDOS DE PROJETO DO SISTEMA DE SUPORTE .................................. 139


B.1 MÉTODO PELO SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO RSR .................................. 139
B.2 MÉTODO PELO SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO RMR.................................. 140
B.3 MÉTODO PELO SISTEMA DE QUALIDADE Q............................................... 143
B.4 MÉTODO PELO SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO RMi ................................... 146
B.4.1 SUPORTE PARA MACIÇOS CONTÍNUOS .................................................. 147
B.4.2 SUPORTE PARA MACIÇOS DESCONTÍNUOS........................................... 148

C. GEOLOGICAL STRENGTH INDEX (GSI) ......................................................... 153

D. QUANTITATIVO DE CONCRETO PROJETADO E TIRANTES PARA AS


SOLUÇÕES DE PROJETO.................................................................................... 156

x
LISTA DE TABELAS
Tabela Página

2.1. Sumário das características do maciço rochoso, métodos de ensaio e


considerações teóricas (modificado - Hoek et al., 1995) ........................................ 10
2.2. Tipos de ruptura que ocorrem em diferentes tipos de maciço rochoso sob
efeito de tensões baixas e elevadas, (modificado - Hoek et al., 1995)................... 14

3.1. Parâmetros intrínsecos do caso da Mina “El Teniente”, Chile. ........................ 36


3.2. Parâmetros intrínsecos do caso Rio Grande, Argentina.................................. 36
3.3. Parâmetros intrínsecos do AHE Nathpa Jhakri, Índia...................................... 38
3.4. Parâmetros intrínsecos do metrô Atenas, Grécia ............................................ 39
3.5. Parâmetros intrínsecos do túnel “Yacambú Quibor”, Venezuela. .................... 39

4.1. Propriedades dos tirantes................................................................................ 47


4.2 Propriedades do concreto projetado................................................................. 48
4.3 Concreto projetado reforçado com fibras de aço e aditivo de sílica,
projetado a seco ..................................................................................................... 48
4.4. Parâmetros dos materiais usados na simulação numérica para o Caso
Mina El Teniente..................................................................................................... 52
4.5. Critério de projeto Wickham et al. (1972) para o Caso Mina El Teniente ........ 54
4.6. Critério de projeto Grimstad & Barton (1993) para o Caso Mina El Teniente .. 57
4.7. Critério de projeto Palmstrom (1996) para o Caso Mina El Teniente .............. 57
4.8. Parâmetros dos materiais usados na simulação numérica para o Caso Rio
Grande ................................................................................................................... 58
4.9. Critério de projeto Wickham et al. (1972) para o Caso Rio Grande................. 60
4.10. Critério de projeto Grimstad & Barton (1993) para o Caso Rio Grande......... 63
4.11. Critério de projeto Palmstrom (1996) para o Caso Rio Grande ..................... 63
4.12. Parâmetros dos materiais usados na simulação numérica para o Caso
Himachel Pradesh .................................................................................................. 64
4.13. Critério de projeto Wickham et al. (1972) par o Caso Himachel Pradesh...... 67
4.14. Critério de projeto Grimstad & Barton (1993) para o Caso Himachel
Pradesh .................................................................................................................. 71
4.15. Critério de projeto Palmstrom (1996) para o Caso Himachel Pradesh .......... 71
4.16. Parâmetros dos materiais usados na simulação numérica para o Caso
Metrô Atenas .......................................................................................................... 73
4.17. Critério de projeto Wickham et al. (1972) para o Caso Metrô Atenas............ 76
4.18. Critério de projeto Grimstad & Barton (1993) para o Caso Metrô Atenas...... 80
4.19. Critério de projeto Palmstrom (1996) para o Caso Metrô Atenas .................. 82
4.20. Parâmetros dos materiais usados na simulação numérica para o Caso
Yacambú Quibor..................................................................................................... 83
4.21. Critério de projeto Wickham et al. (1972) para o Caso Yacambú Quibor ...... 87
4.22. Critério de projeto Grimstad & Barton (1993) para o Caso Yacambú
Quibor..................................................................................................................... 91
4.23. Critério de projeto Palmstrom (1996) para o Caso Yacambú Quibor ............ 93
4.24. Deslocamentos e fatores de segurança máximos nos casos-estudo ............ 107
4.25. Quantitativo de material para os diferentes casos de estudo ........................ 108

xi
A.1. Qualidade do maciço rochoso de acordo ao RQD (modificado-Deere et al,
1969) ...................................................................................................................... 121
A.2. Índice Estrutural da Rocha. Parâmetro A: Área Geral de Geologia ................ 122
A.3. Índice Estrutural da Rocha. Parâmetro B: Padrão da junta, direção de
perfuração .............................................................................................................. 123
A.4. Índice Estrutural da Rocha. Parâmetro C: Água subterrânea, condição de
junta........................................................................................................................ 124
A.5. Parâmetros para o cálculo de RMR 1989 (modificado - Bieniawski, 1989)..... 126
A.6. Classificação de parâmetros individuais usados no sistema de
classificação Q (modificado - Hoek, 1998) ............................................................. 129
A.7. Categorias do maciço rochoso de acordo ao valor do índice Q
(modificado-Barton et al., 1974) ............................................................................. 134
A.8. Valores aproximados de SRF em função das razões σc/σ1 e σθ/σc
(modificado - Grimstad & Barton, 1993) ................................................................. 134
A.9. Valores do fator de rugosidade (JR) do RMi (modificado-Palmström,
1996a) .................................................................................................................... 136
A.10. Fator de tamanho e continuidade (JL) do RMi (modificado-Palmström,
1996a) .................................................................................................................... 137
A.11. Fator de alteração da descontinuidade (JA) do RMi (modificado-
Palmström, 1996a) ................................................................................................. 137
A.12. Classificação do RMi (modificado-Palmström, 1996a) .................................. 138

B.1. Guia para escavação e suporte para túneis com 10 m de largura de


acordo com o sistema RMR (modificado – Bieniawski, 1989) ................................ 141
B.2. Índice de suporte de escavação (ESR) apropriado para vários tipos de
escavações subterrâneas. (modificado - Barton 1974) .......................................... 144
B.3. Tensões tangenciais no entorno de uma escavação subterrânea em
função da sua forma e das tensões naturais (modificado – Hoek & Brown,
1980a) .................................................................................................................... 148
B.4. Valores do fator do nível de tensões (SL) (modificado - Palmström, 1995a) .. 150
B.5. Fator de orientação para descontinuidades e falhas (modificado -
Palmström, 1996b) ................................................................................................. 151

D.1. Quantitativo de material para a solução de Wickham et al. (1972) ................. 157
D.2. Quantitativo de material para a solução de Bieniawski (1989)........................ 158
D.3. Quantitativo de material para a solução de Grimstad e Barton (1993) ........... 159
D.4. Quantitativo de material para a solução de Palmstrom (1996) ....................... 160

xii
LISTA DE FIGURAS
Figura Página

2.1. Contornos da tensão principal máxima e da tensão principal mínima, ao


redor de uma perfuração horizontal em rocha, submetida a uma tensão vertical
“in situ” de σv e uma tensão horizontal “in situ” de 3σv, (modificado – Hoek et
al., 1995)................................................................................................................. 9
2.2. Análise do comportamento de uma abertura circular, (modificado - Hoek et
al., 1995)................................................................................................................. 16
2.3. Representação gráfica da relação entre a Pressão de Suporte e o
deslocamento radial interno, definido pelas equações 2.8 e 2.10, (modificado –
Hoek et al., 1995) ................................................................................................... 18
2.4. Modelo de deformação no teto e no piso de uma escavação de túnel,
(modificado – Hoek et al., 1995)............................................................................. 19
2.5. Curvas de deslocamento para o teto do túnel para condições de
estabilidade diferente, no maciço rochoso, (modificado - Hoek et al., 1995).......... 20
2.6. Resposta do sistema de suporte ao deslocamento da parede até alcançar
o equilíbrio (modificado - Hoek et al., 1995) ........................................................... 21
2.7. Diferença entre uso de tirantes e uso de vigas de apoio segundo a
proposta de Stephan, Frölich e Klüpfel em 1913, (modificado – Kovari, 2002) ...... 25
2.8. Método antigo de escavação em túneis. Túnel de Lötschberg 1908- 1913,
(modificado – Kovari, 2002).................................................................................... 25
2.9. Túnel East- Delaware – Weiss 1952. Uso de Tirantes no teto, (modificado
– Kovari, 2002) ....................................................................................................... 28
2.10. Central elétrica Kemano ................................................................................ 29
2.11. Formação de Tirantes em arco, modelo J. T. Talobre 1957, (modificado –
Kovari, 2002) .......................................................................................................... 30
2.12. Mont Blanc, França ....................................................................................... 31
2.13. Esquema do desenho da caverna Tumut I, do esquema hidroelétrico
Snowy Mountain, (modificado – Kovari, 2002) ....................................................... 32
2.14. Complexo energético “Snowy Mountain”, Austrália ....................................... 33

3.1. Caso da Mina de El Teniente, Chile ................................................................ 35


3.2. Túnel de fuga do caso Rio Grande, Argentina (modificado - Hoek, 1998)....... 36
3.3. Escavação da casa de força do AHE Nathpa Jhakri em Himachel Pradesh,
Índia. (modificado - Hoek, 1998)............................................................................ 37
3.4. Aspectos construtivos do caso do Metrô de Atenas, Grécia............................ 38
3.5. Caso do Túnel Yacambú Quibor, Venezuela. (modificado - www.yacambu-
quibor.com, 2004)................................................................................................... 40

4.1. Malha de elementos finitos para o Caso Metrô Atenas para o projeto de
suporte segundo Grimstad & Barton (1993) ........................................................... 49
4.2. Malha de elementos finitos em 3D para o Caso Metrô Atenas para o
projeto de suporte segundo Grimstad & Barton (1993) .......................................... 50
4.3. Deslocamento do maciço rochoso na fase de escavação, para o Caso
Metrô Atenas, sem suporte..................................................................................... 51
4.4. Deslocamento do concreto projetado para o Caso Metrô Atenas, para o
critério de projeto de suporte segundo Palmstrom (1996) ...................................... 51
4.5. Efeito escala para o Caso Mina El Teniente.................................................... 53

xiii
4.6. Vista em 3D do deslocamento do túnel sem suporte para o Caso Mina El
Teniente.................................................................................................................. 54
4.7. Seção Transversal Bieniawski (1989) para o Caso Mina El Teniente ............. 56
4.8. Vista em 3D do deslocamento do túnel pelo sistema de suporte de
Bieniawski (1989) para o Caso Mina El Teniente ................................................... 56
4.9. Efeito escala para o Caso Rio Grande ............................................................ 59
4.10. Vista em 3D do deslocamento do túnel sem suporte para o Caso Rio
Grande. .................................................................................................................. 60
4.11. Seção Transversal Bieniawski (1989) para o caso Rio Grande..................... 62
4.12. Vista em 3D do deslocamento do túnel pelo sistema de suporte de
Bieniawski (1989) para o Caso Rio Grande............................................................ 62
4.13. Efeito escala para o Caso Himachel Pradesh ............................................... 65
4.14. Vista em 3D do deslocamento do túnel sem suporte para o Caso
Himachel Pradesh .................................................................................................. 66
4.15. Seção Transversal Wickham et al. (1972) para o Caso Himachel Pradesh .. 67
4.16. Vista em 3D do deslocamento do túnel pelo sistema de suporte de
Wickham et al. (1972) para o Caso Himachel Pradesh .......................................... 68
4.17. Seção Transversal Bieniawski (1989) para o Caso Himachel Pradesh ......... 69
4.18. Vista em 3D do deslocamento do túnel pelo sistema de suporte de
Bieniawski (1989) para o Caso Himachel Pradesh................................................. 70
4.19. Seção Transversal Palmstrom (1996) para o Caso Himachel Pradesh......... 72
4.20. Vista em 3D do deslocamento do túnel pelo sistema de suporte de
Palmstrom (1996) para o Caso Himachel Pradesh ................................................ 72
4.21. Efeito escala para o Caso Metrô Atenas ....................................................... 74
4.22. Vista em 3D do deslocamento do túnel sem suporte para o Caso Metrô
Atenas .................................................................................................................... 75
4.23. Seção Transversal Wickham et al. (1972) para o Caso Metrô Atenas .......... 76
4.24. Vista em 3D do deslocamento do túnel pelo sistema de suporte de
Wickham et al. (1972) para o Caso Metrô Atenas .................................................. 77
4.25. Seção Transversal Bieniawski (1989) para o Caso Metrô Atenas................. 78
4.26. Vista em 3D do deslocamento do túnel pelo método de projeto de
Bieniawski (1989) para o Caso Metrô Atenas......................................................... 79
4.27. Seção Transversal Grimstad & Barton (1993) para o Caso Metrô Atenas .... 80
4.28. Vista em 3D do deslocamento do túnel pelo sistema de suporte de
Grimstad & Barton (1993) para o Caso Metrô Atenas ............................................ 81
4.29. Seção Transversal Palmstrom (1996) para o Caso Metrô Atenas................. 82
4.30. Vista em 3D do deslocamento do túnel pelo sistema de suporte de
Palmstrom (1996) para o Caso Metrô Atenas ........................................................ 83
4.31. Efeito escala para o Caso Yacambú Quibor.................................................. 85
4.32. Vista em 3D do deslocamento do túnel sem suporte para o Caso
Yacambú Quibor..................................................................................................... 86
4.33. Seção Transversal Wickham et al. (1972) para o Caso Yacambú Quibor..... 87
4.34. Vista em 3D do deslocamento do túnel pelo sistema de suporte de
Wickham et al. (1972) para o Caso Yacambú Quibor ............................................ 88
4.35. Seção Transversal Bieniawski (1989) para o Caso Yacambú Quibor ........... 89
4.36. Vista em 3D do deslocamento do túnel pelo sistema de suporte de
Bieniawski (1989) para o Caso Yacambú Quibor ................................................... 90
4.37. Seção Transversal Grimstad & Barton (1993) para o Caso Yacambú
Quibor..................................................................................................................... 91

xiv
4.38. Vista em 3D do deslocamento do túnel pelo sistema de suporte de
Grimstad & Barton (1993) para o Caso Yacambú Quibor ...................................... 92
4.39. Seção Transversal Palmstrom (1996) para o Caso Yacambú Quibor ........... 93
4.40. Vista em 3D do deslocamento do túnel pelo sistema de suporte de
Palmstrom (1996) para o caso Yacambú Quibor.................................................... 94
4.41. Fator de segurança o Caso Mina El Teniente ............................................... 95
4.42. Fator de segurança o Caso Rio Grande ........................................................ 96
4.43. Fator de segurança o Caso Himachel Pradesh ............................................. 96
4.44. Fator de segurança o Caso Metrô Atenas ..................................................... 97
4.45. Fator de segurança o Caso Yacambú Quibor ............................................... 97
4.46. Fator de segurança segundo o GSI de cada caso-estudo............................. 98
4.47. Deslocamento do maciço rochoso para o Caso Mina El Teniente ................ 102
4.48. Deslocamento do maciço rochoso para o Caso Rio Grande ......................... 103
4.49. Deslocamento do maciço rochoso para o Caso Himachel Pradesh .............. 104
4.50. Deslocamento do maciço rochoso para o Caso Metrô Atenas ...................... 105
4.51. Deslocamento do maciço rochoso para o Caso Yacambú Quibor ................ 106

A.1. Processo para medir e calcular o RQD (modificado – Bieniawski, 1989)........ 121

B.1. Estimativa de suporte pelo Sistema RSR. Notar que os tirantes e o


concreto projetado são usados juntos. Wickham et al 1972. (modificado –
Hoek, 1998) ............................................................................................................ 140
B.2. Sistema Q para classificação dos maciços rochosos e escolha do tipo de
suporte (modificado - Grimstad & Barton, 1993) .................................................... 145
B.3. Diagramas para estimativa de suporte pelo sistema RMi (modificado -
Palmström, 1996b) ................................................................................................. 152

C.1. Guia para estimativa do valor de GSI a partir das características do


maciço rochoso e das superfícies das descontinuidades (RocScience, 2001)....... 155

xv
LISTA DE SÍMBOLOS, NOMENCLATURA E
ABREVIAÇÕES

a Constante do critério de ruptura de Hoek & Brown.


aj Abertura inicial da descontinuidade.
A Área.
A Parâmetro A: Área geral de geologia, da classificação RSR.
AHE Aproveitamento Hidroelétrico.
b Comprimento da seção do material.
B Parâmetro B: Padrão da junta, direção de perfuração, da classificação
RSR.
B Vão da escavação subterrânea.
c Coesão.
c’ Coesão efetiva.
cref Coesão.
creduzido Parâmetro de resistência reduzido o bastante e suficiente para manter o
equilíbrio.
C Resistência ou força resistente.
C Fator de ajuste.
C Parâmetro C: Água subterrânea, condição de junta, da classificação RSR.
Co Fator de orientação.
Cg Fator de competência do maciço.
CAD Desenho com o Auxílio do Computador (Computer Aided Design).
CF Fator de continuidade.
CRFA Concreto projetado reforçado com fibras de aço.
d Diâmetro do corpo de prova ensaiado.
D Diâmetro do bloco de prova para RMi.
D Diâmetro do túnel circular.
D Tensão ou força imposta.
Db Diâmetro do bloco.
De Dimensão equivalente de uma escavação subterrânea.
Dt Diâmetro do túnel.
e Espessura do concreto projetado.
E Módulo de elasticidade ou módulo de Young.
Ec Módulo de elasticidade secante do concreto (MPa).
Eh Módulo de deformabilidade da rocha medido na direção horizontal.
Em Módulo de deformabilidade do maciço rochoso.
Eoed Módulo oedometrico.
Eref Modulo de elasticidade.
ESR Índice de Suporte da Escavação (Excavation Suport Ratio).
f’c Resistência à compressão especificada aos 28 dias (MPa).
F Fator de segurança.
Fmax Capacidade de carga.
FS Fator de segurança.
G Módulo cisalhante do maciço rochoso.
Gc Fator de condição do maciço rochoso altamente fraturado.
GN Giganewton.
Gref Módulo cisalhante do maciço rochoso.

xvi
GSI Índice de resistência do maciço rochoso (Geological Stress Index).
GPa Gigapascal.
H Profundidade do túnel.
I Momento de Inércia.
Is Índice de resistência puntiforme.
i Ângulo de inclinação da rugosidade.
ISRM Associação Internacional de Mecânica das Rochas (International Society
for Rock Mechanics).
Jv Número total de descontinuidades por metro cúbico.
Jn Índice de influência do número de famílias de descontinuidades.
Jr Índice de influência da rugosidade da descontinuidade.
Ja Índice de influência de alteração das descontinuidades.
Jw Índice de influência de água nas descontinuidades.
JP Parâmetro de descontinuidade.
JC Fator de condição da descontinuidade.
JL Fator do comprimento e persistência da descontinuidade.
JR Fator de rugosidade da descontinuidade.
JA Fator de alteração da descontinuidade.
k Coeficiente de empuxo em repouso.
kf Rigidez flexional.
kn Rigidez normal ou rigidez axial.
ko Coeficiente de empuxo em repouso.
kN Quilonewton.
kPa Quilopascal.
L Comprimento dos tirantes.
Li Fragmentos de testemunho de sondagem de comprimento maior a 100
mm.
Lr Cumprimento da rocha.
LT Comprimento total do testemunho.
Lw Cumprimento da cunha.
m Constante do critério de ruptura de Hoek & Brown.
m Metro.
m2 Metro quadrado.
3
m Metro cúbico.
mi Constante do critério de ruptura de Hoek & Brown para a rocha intacta.
mb Constante do critério de ruptura de Hoek & Brown para o maciço rochoso.
mm Milímetro.
MEF Método dos elementos finitos.
MN Meganewton.
MPa Megapascal.
nD n representa um número arábico e D representa o diâmetro do túnel de 5
m.
Nj Fator que representa o número de famílias de descontinuidades.
NATM Novo método austríaco de construção de túneis (New Austrian Tunnelling
Method).
pi Pressão interna devida ao suporte (MPa).
P Pressão sobre o suporte no ponto médio do teto (kPa).
P Carga puntiforme de ruptura.
Pcr Pressão de suporte crítico.
Pi* Pressão interna crítica.

xvii
Po Tensão virgem num estado hidrostático de tensões (K0=1,0).
Proof Pressão permanente de suporte no teto.
psm Carga limite do sistema de suporte.
Q Índice de qualidade do maciço rochoso (Rock Quality Index).
Q’ Valor de Q modificado, no qual se considera que a relação entre SRF e Jw
é 1.
r Raio do túnel circular.
ro Raio do túnel (m).
rp Raio da zona plástica.
R Raio de plastificação.
Rp Raio da zona plástica.
Rs Raio da zona de ruptura.
RMi Índice do maciço rochoso (Rock Mass Index).
RMR Qualidade do maciço rochoso (Rock Mass Rating).
RMR’76 RMR na versão 1976 calculado considerando o maciço completamente
seco e com orientação das descontinuidades muito favorável.
RMR89 RMR na versão 1989.
RQD Índice de qualidade da rocha.
RSR Índice estrutural da rocha (Rock Structure Rating).
S Constante do critério de ruptura de Hoek & Brown.
Sr Índice de condições de escavação.
SL Fator do nível de tensões.
SRF Índice de redução de tensões.
uie Deslocamento elástico radial interno da parede do túnel.
uip Deslocamento plástico radial interno da parede do túnel.
usm Deslocamento elástico máximo do sistema de suporte.
uso Deslocamento inicial total.
u Deslocamento total (mm).
Vd Volume do bloco de rocha.
W Peso.
z Profundidade.
2D Duas dimensões.
3D Três dimensões.
α Direção do mergulho.
β Mergulho.
δn Deslocamento normal da descontinuidade.
δs Deslocamento cisalhante da descontinuidade.
φ Ângulo de atrito interno.
φ’ Ângulo de atrito efetivo.
φreduzido Parâmetro de resistência reduzido o bastante e suficiente para manter o
equilibrio.
γ Peso especifico natural.
γ Peso unitário da rocha sobrejacente.
γnão saturado Peso especifico não saturado.
σ Tensão normal.
σc Resistência à compressão uniaxial.
σci Resistência à compressão uniaxial da rocha intacta.
σcd Resistência à compressão uniaxial do corpo de prova com diâmetro d.
σcm Resistência à compressão uniaxial do maciço rochoso.

xviii
σh Tensão geostática horizontal.
σtm Resistência à tração da rocha.
σv Tensão geostática vertical.
σ1 Tensão principal maior na ruptura.
σ3 Tensão principal menor na ruptura.
σ′ Tensão normal efetiva quando ocorre o deslizamento.
σ´1 Tensão principal maior efetiva na ruptura.
σ´3 Tensão principal menor efetiva na ruptura.
σ∗c Resistência à compressão uniaxial residual do maciço rochoso (MPa).
σo Tensão virgem.
σθ Tensão tangencial na parede do túnel.
Δσ3 Incremento de tensão de confinamento.
τ Tensão cisalhante.
τ Tensão cisalhante ao longo da descontinuidade.
τj Tensão cisalhante na descontinuidade.
ν Coeficiente de Poisson.

xix
CAPÍTULO
1

INTRODUÇÃO

Tem sido cada vez mais crescente a utilização do espaço subterrâneo, em especial
os túneis de transporte e adução e as cavernas em rocha. No passado, as quedas
de blocos de rochas foram a principal causa de acidentes em obras subterrâneas.
Ao introduzir o concreto projetado e os tirantes, na substituição das estruturas
frágeis de madeira, a freqüência destes acidentes diminuiu notoriamente através do
tempo, mesmo considerando novas dificuldades impostas por seções maiores e
condições geológicas mais complicadas. Ambos os componentes permitem um
sistema de suporte quase que imediato, provendo uma rápida estabilização do
maciço rochoso. Literalmente milhões de tirantes são instalados no mundo inteiro a
cada ano, e daí que surge a necessidade de estudar estes elementos de suporte.
Nesta dissertação serão estudados o suporte externo ativo e o suporte interno ativo,
em outras palavras será estudado o uso combinado de tirantes e concreto projetado.

Sistema de suporte em rocha é um termo utilizado para descrever os processos e


materiais utilizados para melhorar a estabilidade e manter a capacidade de
sustentação do maciço rochoso próximo à superfície de escavação segundo Brady &
Brown em 1985 citado por Assis (2003). Os sistemas de suporte podem ser
classificados em suporte ativo ou passivo. Suporte ativo é aquele que pode ser
representado pela aplicação de uma força distribuída ou de compressão contrária à
deformação ou deslocamento do maciço (p.ex., cambotas metálicas, concreto
projetado, concreto moldado in-loco, tirante protendido etc.). Já o suporte passivo é
aquele que atua de forma mais complexa, como o caso de cabos injetados que
aplicam uma força axial e mais uma força distribuída cisalhante ao longo de seu
comprimento, assim que deslocamentos vão ocorrendo.

Outra classificação comum para os sistemas de suporte considera que estes podem
ser suportes internos ou externos à superfície da escavação subterrânea.
Combinando estas duas classificações, tem-se que:

1
• Suporte Externo Ativo: Sistema de suporte que controla a instabilidade do
maciço na superfície da escavação. São suportes que atuam contra a solicitação de
instabilidade do maciço, ou seja, gerando tensões de equilíbrio aos deslocamentos
do maciço, aportando um incremento na tensão de confinamento (Δσ3) do maciço
circundante, mudando assim a trajetória e o nível de tensões. Este tipo de suporte
pode ser representado por uma força distribuída na superfície de escavação do
maciço. Neste tipo de suporte pode-se citar os seguintes: concreto projetado,
concreto moldado in-loco, segmentos de concreto pré-moldado, segmentos de placa
metálica e cambotas metálicas.
• Suporte Interno Passivo: Sistema de suporte que melhora a capacidade de auto
sustentação do maciço rochoso, normalmente linear, que ao longo de seu
comprimento está coeso ao maciço. É mobilizado com as deformações internas do
maciço, gerando tensão cisalhante ponto a ponto ao longo de seu comprimento. Não
oferece tensão de compressão alguma. Este tipo de suporte é considerado um
reforço ao maciço já que sua função pode ser representada como um acréscimo na
coesão da envoltória de ruptura do maciço ao redor do reforço, ou seja, ele melhora
a capacidade de resistência do maciço. Fazendo uma distribuição homogênea deste
reforço pode-se conseguir a melhoria de resistência do maciço ao redor da
escavação. Neste tipo de suporte tem-se os chumbadores que podem ser de barras
ou cabos, de aço ou resina, injetados com calda de cimento ou resinas.
• Suporte Interno Ativo: Sistema de suporte que controla a instabilidade da
escavação no interior do maciço. Suporte linear interno ao maciço, que está
ancorado em dois extremos pontuais, oferecendo ao maciço uma tensão de
compressão entre os dois pontos ancorados. Esta tensão é maior que o estado de
equilíbrio, com o objetivo de melhorar a qualidade de engastamento da zona a
compressão, oferecendo um confinamento também ao maciço. Neste tipo pode-se
citar os tirantes ancorados de forma mecânica, tirantes injetados com calda de
cimento ou resina, e cabos, mas todos protendidos.

1.1 OBJETIVO
Muitas aproximações teóricas foram formuladas e testes de laboratório executados,
para se ter um maior entendimento do comportamento dos tirantes. Porém variações
naturais, em geral devido a condições geológicas e de tensões no campo, não

2
podem ser totalmente simuladas em laboratório, nem em modelos numéricos (Stjern
1995).

O objetivo deste trabalho é avaliar o comportamento de diferentes projetos de


sistemas de suporte para vários tipos de maciços rochosos, encontrados em cinco
diferentes obras. Esta avaliação é feita por meio de simulação numérica por
elementos finitos em três dimensões no programa Plaxis 3D Tunnel (Brinkgreve &
Vermeer 2001).

1.2 DESCRIÇÃO DOS CAPÍTULOS


Esta dissertação está organizada com a seguinte estrutura:

• Capítulo 1: Expõe-se a importância e relevância do tema proposto, e o objetivo


da pesquisa.
• Capítulo 2: Apresenta-se um breve histórico de trabalhos realizados nesta linha
de pesquisa, se descreve as fases de um projeto de escavações subterrâneas.
Também é explicado o critério de fator de segurança utilizado e finalmente se faz
referência à evolução do uso de tirantes.
• Capítulo 3: São descritas, as características principais de cinco casos de obras
de engenharia civil em rocha. Cada um destes é chamado como caso de estudo.
A partir dos parâmetros do critério de ruptura de Mohr-Coulomb de cada um
destes casos, se fará à simulação numérica das deformações do túnel
hipotético, que posteriormente terão seus resultados avaliados.
• Capitulo 4: São descritos os métodos numéricos mais usuais na simulação de
escavações subterrâneas e as características do programa utilizado.
Apresentam-se também a metodologia empregada para classificar o maciço
rochoso e o modo de cálculo do sistema de suporte, para cada um dos cinco
casos de estudo. Finalmente são mostrados a análise do fator de segurança e
os deslocamentos dos diferentes casos-estudo. Os deslocamentos do túnel de
cada um destes casos foram avaliados inicialmente sem suporte e
posteriormente simulando a aplicação de quatro diferentes sistemas de suporte.
• Capítulo 5: São apresentadas as conclusões finais e as recomendações para
futuros estudos.

3
CAPÍTULO
2

ELEMENTOS DE
PROJETO EM TÚNEIS

Estudos prévios na linha de pesquisa em obras subterrâneas, mecânica das rochas,


métodos numéricos e sistemas de suporte, deduziram as seguintes conclusões:

Lauro (1997) fez a análise da interação maciço suporte para o caso de túneis
escavados em rocha, usando suporte externo ativo e suporte interno passivo. Onde
concluiu que os esforços atuantes no suporte externo ativo são influenciados pela
rigidez deste suporte com relação ao sistema maciço-suporte. No caso do sistema
de suporte interno passivo a forma geométrica da escavação assim como a
distribuição do suporte são fatores importantes para conseguir a eficiência do
desempenho do sistema.

Hidalgo (2002) avaliou o comportamento, do ponto de vista de estabilidade e de


deformabilidade, das estruturas subterrâneas em rocha do Aproveitamento
Hidroelétrico (AHE) Queimado, projetadas a partir de sistemas de classificação
geomecânica, considerando o maciço rochoso como um meio contínuo elástico não-
linear cujo critério de ruptura é do tipo não linear de Hoek & Brown. Hidalgo (2002)
constatou que é razoável assumir o maciço rochoso como um meio contínuo sendo
que apenas em casos isolados deve-se considerar a estabilidade de cunhas mais
críticas. Concluiu, também, que os sistemas de suporte recomendados pelas
classificações geomecânicas são efetivos no controle de instabilidades de cunhas
que potencialmente podem se formar. Segundo Hidalgo (2002), parâmetros de
resistência e deformabilidade de maciços rochosos obtidos por meio de métodos
indiretos, a partir dos sistemas de classificação geomecânica, mais especificamente
do GSI, mostraram reproduzir bem a ruptura uniaxial de um corpo de prova
cilíndrico. Os valores de resistência uniaxial, obtidos na simulação numérica, variam
entre 90 e 97% dos valores de resistência obtidos indiretamente, resultados estes

4
acordes com verificações experimentais reportadas por Palmstrom & Singh em
2001, citado por Hidalgo (2002).

Fialho (2003) avaliou o desempenho de vários sistemas de suporte compostos por


tirantes e concreto projetado, na estabilização de estruturas subterrâneas escavadas
em maciços rochosos fraturados considerados como meios contínuos equivalentes,
utilizando simulações numéricas baseadas no métodos dos elementos finitos (MEF),
e buscando avaliar o fator de segurança global e o tamanho da zona de
plastificação para os sistemas de suporte.

Seguindo esta linha de pesquisa serão desenvolvidos os pontos fundamentais desta


dissertação. Este capítulo visa apresentar conceitos importantes para se entender o
comportamento do maciço rochoso antes e depois da escavação, tais como a
descrição completa da geologia, conhecimento das tensões in situ e induzidas,
resistência e deformabilidade do maciço rochoso, deformabilidade natural da
escavação e a influência do suporte. Também se apresenta o estudo do fator de
segurança e uma breve história dos tirantes.

2.1 AVALIAÇÃO DOS DADOS GEOLÓGICOS

O maciço rochoso é raramente contínuo, homogêneo e isotrópico. Normalmente é


interceptado por uma variedade de descontinuidades tais como falhas, juntas,
fraturas, planos de acamamento etc. Também têm que se levar em consideração os
diferentes graus de alteração ou intemperismo aos quais as rochas foram
submetidas ao longo de sua história geológica. O comportamento do maciço
rochoso, quando submetido a uma escavação, depende das características do
material intacto da rocha e de suas descontinuidades.

Uma descrição completa da geologia do maciço rochoso deve conter detalhes do


material da rocha intacta e das descontinuidades. Propriedades índice são
requeridas para caracterizar a maciço rochoso, tais como intemperismo / alteração,
estrutura, cor, granulometria, resistência à compressão da rocha intacta e tipo de
rocha, além de parâmetros das descontinuidades, tais como orientação,
persistência, espaçamento, rugosidade, abertura ou espessura, percolação e tipo de

5
preenchimento. O maciço rochoso resultante pode ser descrito pela forma e
tamanho do bloco e pela condição da descontinuidade. Uma avaliação da influência
da água subterrânea e do número de famílias de descontinuidades que podem
afetar a estabilidade da escavação completa a descrição.

O mapeamento estrutural da geologia é um componente essencial do projeto de


escavações subterrâneas. Planos estruturais estão dispostos pelo maciço rochoso e
podem dividir o maciço rochoso em blocos de rocha, que podem cair ou deslizar no
limite da escavação, quando eles não são adequadamente suportados ou quando as
condições de tensão são favoráveis para a ruptura da estrutura. As informações
coletadas do mapeamento destas estruturas são usadas para determinar a
orientação da maior parte das descontinuidades e para avaliar os possíveis modos
de ruptura.

O mapeamento da estrutura geológica consiste em medir a orientação dos planos


das descontinuidades (juntas, foliações, fraturas, planos de falha) que passam pelo
maciço rochoso. Outras características destes planos, tais como a rugosidade da
superfície, persistência, espaçamento e intemperismo, também são medidas e
incorporadas em esquemas de classificação do maciço rochoso.

A orientação e inclinação de qualquer plano são definidas por duas medidas que
podem ser expressas como ângulo de mergulho e azimute (rumo do mergulho). Um
dos meios fáceis para definir o ângulo de mergulho e o azimute é imaginar uma
esfera livremente rolando sobre o plano. A esfera se deslocará seguindo a linha de
maior inclinação e é esta linha que define tanto o ângulo de mergulho como o
azimute. O ângulo vertical da linha de inclinação máxima, em relação ao plano
horizontal, é definido como o ângulo de mergulho. A orientação da projeção
horizontal da linha de inclinação máxima, medida em sentido horário, em relação ao
norte, é o rumo de mergulho.

2.2 TENSÕES “IN SITU”


A rocha em profundidade é submetida a tensões resultantes do peso dos estratos
sobrejacentes e de tensões de origem tectônica, conhecidas como tensões in situ.

6
Quando uma abertura é escavada na rocha, o campo de tensões in situ é perturbado
e um novo tensor de tensões é induzido na rocha circundante à abertura. Um
conhecimento das magnitudes e das direções das tensões in situ e
conseqüentemente das tensões induzidas é um componente essencial do projeto de
uma escavação subterrânea, para verificar se a resistência da rocha não será
excedida, resultando na instabilidade da abertura.

A tensão vertical sobre um elemento de rocha numa profundidade qualquer é


normalmente assumida como resultante do peso geostático sobre este elemento e
dada por:

σv = γ ⋅ z (2.1)

Onde:
σV: Tensão vertical.
γ: Peso unitário da rocha sobrejacente.
z: Profundidade abaixo da superfície.

As medidas da tensão vertical em várias obras de mineração e obras de engenharia


civil ao redor do mundo confirmam que esta expressão é válida para a grande
maioria dos casos (Hoek 1998).

As tensões horizontais agindo num elemento de rocha a uma profundidade z são


muito mais complicadas de estimar que a tensão vertical. Normalmente, a relação
entre a tensão horizontal média e a tensão vertical é dada por:

σ h = ko ⋅ σ v = ko ⋅ γ ⋅ z (2.2)

Onde:
σh: Tensão horizontal.
σv: Tensão vertical.
γ: Peso unitário da rocha sobrejacente.
z: Profundidade abaixo da superfície.

7
ko: Coeficiente de empuxo em repouso.

Terzaghi & Richart em 1952 citado por Hoek et al. (1995) sugeriram que para uma
massa de rocha sedimentar em que nenhuma deformação lateral foi permitida
durante a formação dos estratos sobrejacentes, e sem ser submetida a nenhum
processo de soerguimento posterior, o valor de k é independente da profundidade e
é dado por:

ν
ko = (2.3)
1 −ν

Onde:
ν: Coeficiente de Poisson para o maciço rochoso.
ko: Coeficiente de empuxo em repouso.

Esta expressão, muito usada nos primórdios da mecânica das rochas, provou ser de
pouca aplicabilidade e é raramente utilizada hoje. As medidas de tensões horizontais
em obras civis e de mineração ao redor do mundo mostram que o valor de k tende a
ser alto na superfície e diminui com a profundidade, tendendo a 1 para obras muito
profundas segundo Brown & Hoek em 1978 e Herget em 1988, citado por Hoek et al.
(1995).

2.3 TENSÕES INDUZIDAS

Quando uma abertura subterrânea é escavada num maciço rochoso tencionado, as


tensões vizinhas da nova abertura se redistribuem. A convenção usada em
mecânica das rochas é aquela que tensões de compressão são sempre positivas e
que as três tensões principais são numeradas tal que σ1 seja a maior e que σ3 seja a
menor algebricamente das três. Os contornos das magnitudes da tensão principal
máxima σ1 e da tensão principal mínima σ3, para o caso em que a tensão horizontal
é 3σv, são dados na Figura 2.1:

8
Figura 2.1. Contornos da tensão principal máxima e da tensão principal mínima, ao
redor de uma perfuração horizontal em rocha, submetida a uma tensão vertical “in
situ” de σv e uma tensão horizontal “in situ” de 3σv, (modificado – Hoek et al., 1995).

Esta figura mostra que a redistribuição de tensões é concentrada na rocha muito


próxima a perfuração. Numa distância de três vezes o raio do centro da perfuração,
a perturbação ao campo de tensões “in situ” é insignificante. Kirsch em 1898, citado
por Hoek et al. (1995) publicou uma solução analítica para a distribuição de tensões
num plano elástico tencionado contendo um buraco circular e este formou a base
para muitos estudos prévios de comportamento da rocha ao redor de túneis e shafts.

2.4 RESISTÊNCIA DA ROCHA

Um dos problemas mais importantes em projetos de escavações subterrâneas é a


estimativa da resistência e da deformabilidade do maciço rochoso. No caso de um
maciço rochoso fraturado, uma avaliação destas propriedades apresenta problemas
do tipo experimental e teórico. Entretanto, como esta questão é de importância
fundamental em quase todos os projetos importantes envolvendo escavações em
rocha, é essencial que as tentativas de avaliar as propriedades de resistência e
deformabilidade sejam tão realistas quanto possível.

9
A Tabela 2.1 ilustra o alcance de problemas a serem considerados. O entendimento
do comportamento do maciço rochoso fraturado requer um estudo da rocha intacta e
das descontinuidades individuais que vão compor o maciço. Depende do número, da
orientação e da natureza das descontinuidades, e dos blocos de rocha intacta que
se trasladam, giram ou esmagam em resposta a tensão imposta sobre o maciço
rochoso. Como um grande número de possíveis combinações de formas e tamanhos
de blocos existentes, é obviamente necessário achar quaisquer tendências que
sejam comuns a todas estas combinações.

Tabela 2.1. Sumário das características do maciço rochoso, métodos de ensaio e


considerações teóricas (modificado - Hoek et al., 1995).
Característica da Critérios de
Descrição Teórico
Resistência ensaio
Ensaio triaxial
Quebradiço, dos testemunhos Comporta-
elástico e de sondagem mento de
Rocha Intacta. geralmente relativamente rocha é
comportamento simples, baratos elástico,
isotrópico. e com resultados isotrópico.
confiáveis.
Comporta-
Ensaio triaxial mento da
Altamente
difícil e caro. descontinui-
anisotrópico,
Rocha Intacta Preferir testes de dade é
dependendo da
com uma cisalhamento adequada-
resistência ao
descontinui- direto. Deve-se mente
cisalhamento e da
dade. tomar cuidado entendida
inclinação da
na interpretação para a
descontinuidade.
dos resultados. maioria das
aplicações.

10
Tabela 2.1. Sumário das características do maciço rochoso, métodos de ensaio e
considerações teóricas (modificado - Hoek et al., 1995) (continuação).
Característica da Critérios de
Descrição Teórico
Resistência ensaio
Anisotrópico, Ensaio de Comportam
Rocha dependendo do laboratório muito ento muito
compacta com número, da difícil devido a complexo
poucas orientação e da perturbação da da
descontinuidad resistência ao amostra e as interação
es. cisalhamento das limitações de entre os
descontinuidades. equipamento. blocos.
Razoavelmente
isotrópico,
Comportam
altamente
Ensaio triaxial ento das
Rocha com dilatante em níveis
extremamente extremidad
muitas de tensão baixa
difícil devido a es
descontinuidad com partículas
perturbação da angulares
es. que podem
amostra. não
quebrar em níveis
entendido.
de tensão
elevada.
Comportam
ento
Razoavelmente razoavelme
Enrocamento Ensaio triaxial
isotrópico, menos nte
compactado simples, mas
dilatante e entendido
ou caro devido a
resistência menor de
conglomerado grande escala
que “in situ” mecânica
s fracos do equipamento
devido a destroços dos solos
cimentados. necessário.
da estrutura. em
materiais
granulares.

11
Tabela 2.1. Sumário das características do maciço rochoso, métodos de ensaio e
considerações teóricas (modificado - Hoek et al., 1995) (continuação).
Característica da Critérios de
Descrição Teórico
Resistência ensaio
Comportam
ento da
Compactação Ensaio triaxial e rocha
pobre, movimento de cisalhamento residual e
Rocha solta gradual das direto simples, pedregulho,
residual ou partículas mas caro devido adequadam
pedregulho. resultando em a grande escala ente
mobilidade e do equipamento entendido
pouca resistência. necessário. para a
maioria das
aplicações.

Antes de iniciar o estudo dos componentes individuais e do maciço como um todo,


são necessárias algumas definições básicas:

• Rocha intacta: refere-se ao bloco não fraturado que ocorre entre uma
descontinuidade estrutural de um maciço rochoso. Estes pedaços podem variar
de alguns milímetros a vários metros e seu comportamento é geralmente
elástico e isotrópico. Para a maioria das rochas ígneas duras e rochas
metamórficas, a ruptura pode ser classificada como frágil (quebradiça), que
implica numa redução repentina da resistência pós-pico. Rochas sedimentárias
(arenitos silicificados) fracas podem apresentar ruptura de uma maneira mais
dúctil, em que há pouco ou nenhuma redução da resistência pós-pico. O
comportamento do tipo visco-elástico ou o comportamento dependente do tempo
normalmente não é considerado significativo, a menos que se esteja lidando
com evaporitos (rocha sal). As propriedades mecânicas dos materiais visco-
elásticos não serão expostas neste capitulo.
• Descontinuidades: é um termo generalizado usado em mecânica das rochas
para todos os tipos de fraquezas estruturais presentes no maciço rochoso.

12
• Resistência: refere ao nível máximo de tensões que pode ser suportado por um
meio ou material. A apresentação dos dados da resistência da rocha e sua
incorporação a um critério de ruptura dependem da preferência do indivíduo e do
fim a qual se pretenda. Quando se lida com problemas de queda de cunha, onde
métodos de equilíbrio limite de análise são usados, o melhor critério de ruptura é
aquele que expressa a resistência ao cisalhamento em termos de tensão normal
efetiva, agindo sobre um plano de descontinuidade. Por outro lado, quando se
analisa a estabilidade das escavações subterrâneas, a resposta da rocha às
tensões principais agindo sobre cada elemento é de interesse superior. Portanto,
uma base de dados de ensaio triaxial, com a ruptura em termos da tensão
principal maior versus tensão principal menor, é a forma mais útil para definir o
critério de ruptura.

2.5 RUPTURA DO MACIÇO ROCHOSO

A ruptura do maciço rochoso ao redor da abertura do maciço rochoso depende das


tensões “in situ”, da geometria da abertura (forma e tamanho) e das características
do maciço rochoso. A Tabela 2.2 dá uma descrição simplificada dos vários tipos de
rupturas que comumente são observados em escavações subterrâneas.

A coluna do lado direito da Tabela 2.2 mostra tipos de ruptura ao redor da abertura
da escavação em maciço rochoso altamente tencionado que vai de fragmentação
frágil, formação e queda de placas, no caso de rochas compactas com poucas
juntas, a uma ruptura mais dúctil para rochas muito fraturadas. No último caso, a
presença de muitas descontinuidades fornece liberdade considerável para blocos
individuais de rocha deslizar ou girar dentro do maciço rochoso. A presença de
superfícies de descontinuidades lisas promove o enfraquecimento do maciço
rochoso e contribui para a ruptura dúctil de tais maciços rochosos. No caso
intermediário, a estrutura e a ruptura da rocha intacta combinam para criar uma série
complexa de mecanismos de ruptura. Em situações com distinta resistência
anisotrópica, tal como em camadas finas, rocha dobrada ou laminada, os processos
de ruptura como flambagem ou arqueamento pode ocorrer.

13
Tabela 2.2. Tipos de ruptura que ocorrem em diferentes tipos de maciço rochoso sob
efeito de tensões baixas e elevadas, (modificado - Hoek et al., 1995).
Tensões Baixas In Situ Tensões Altas In Situ

Rocha Fragmentação, desplacamentos,


Intacta formação e queda de fragmentos
Resposta linear elástica com
relativamente finos (lascas), e início
pequena ou nenhuma
de trituramento em concentração de
ruptura.
tensões em pontos do contorno que
se propaga ao redor da rocha.

Rocha
Blocos ou cunhas, criadas Ruptura que ocorre como resultado
Fraturada
pela interseção de do deslizamento em superfícies
descontinuidades, queda ou descontínuas e também por

deslizamento devido a trituramento ou quebra de blocos de


gravidade. rocha.

Rocha A abertura da escavação O maciço rochoso ao redor da


Altamente rompe como resultado da abertura rompe por deslizamento das
Fraturada desagregação de pequenos descontinuidades e trituramento dos
blocos imbricados e de pedaços de rocha. Levantamento do
cunhas. A ruptura pode se chão e fechamento das paredes são
propagar ao redor do maciço típicos neste tipo de ruptura.
rochoso.

14
Discutindo o sistema de suporte para rocha sobretencionada, é aconselhável
começar com o quadro inferior direito da figura para considerar como um maciço
rochoso muito fraturado rompe, e como o suporte instalado reage aos
deslocamentos induzidos por esta ruptura.

2.6 ANÁLISE DA INTERAÇÃO DO SUPORTE

Para apresentar os conceitos da interação do suporte com o maciço rochoso de uma


forma que poderá ser entendido, um modelo analítico muito simples será utilizado.
Este modelo envolve um túnel circular submetido a um campo de tensão hidrostático
em que a tensão horizontal e tensão vertical são iguais. O maciço rochoso ao redor
é assumido como um elemento elástico, perfeitamente plástico.

Para uma ruptura, envolvendo deslizamento ao longo das interseções das


descontinuidades em um maciço rochoso muito fraturado, supõe-se a ocorrência de
deformação plástica sem alteração do volume, segundo Duncan Fama em 1993
citado por Hoek et al. (1995). O suporte é modelado como uma pressão interna
equivalente, assim, o reforço fornecido por tirantes ou cabos não podem ser levados
em conta neste modelo simples.

2.6.1 DEFINIÇÃO DO CRITÉRIO DE RUPTURA

O princípio de ruptura plástica, para valores diferentes da tensão confinante σ3 é


definido pelo critério de Mohr-Coulomb, dado por:

σ 1 = σ cm + k ⋅ σ 3 (2.4)

A resistência à compressão uniaxial do maciço rochoso σcm é definido por:

2 ⋅ c ⋅ cos φ
σ cm = (2.5)
1 − senφ

O valor k é a inclinação da curva σ1 versus σ3, e é dado por:

15
1 + senφ
k= (2.6)
1 − senφ

Onde:
σ1: Tensão axial no momento da ruptura.
σ3: Tensão confinante.
c: Coesão.
φ: Ângulo de atrito do maciço rochoso.

2.6.2 ANÁLISE DO COMPORTAMENTO DO TÚNEL

Suponha que um túnel circular de raio ro é submetido a tensões hidrostáticas PO e


por uma pressão uniforme interna de suporte pi como se mostra na Figura 2.2.

Figura 2.2. Análise do comportamento de uma abertura circular, (modificado - Hoek


et al., 1995).

A ruptura do maciço rochoso circundante ao túnel ocorre quando a pressão interna


fornecida pelo suporte interno é menor que a pressão de suporte crítica pcr, que é
definido por:

2 ⋅ Po − σ cm
Pcr = (2.7)
1+ k

16
Se a pressão de suporte interno pi é maior que a pressão critica do suporte pcr,
nenhuma ruptura ocorre e o comportamento do maciço rochoso ao redor do túnel é
elástico.

O deslocamento radial interno da parede de túnel é dado por:

ro (1 + ν )
uie = ( po − pi ) (2.8)
E

Onde:
E: Modulo de Young ou modulo de deformação.
ν: Modulo de Poisson.

Quando a pressão de suporte interna pi é menor que a pressão crítica de suporte pcr,
a ruptura ocorre e o raio rp da zona plástica ao redor do túnel é dado por:

1
⎡ 2( po (k − 1) + σ cm ) ⎤ k −1
rp = ro ⎢ ⎥ (2.9)
⎣ (1 + k )((k − 1) ⋅ pi + σ cm ) ⎦

O deslocamento radial interno total das paredes do túnel é dado por:

ro (1 + ν ) ⎡ ⎛ rp ⎞
2

uip = ⎢2(1 − ν )( po − pcr )⎜⎜ ⎟⎟ − (1 − 2 ⋅ν )( po − pi )⎥ (2.10)
E ⎢⎣ ⎝ ro ⎠ ⎥⎦

Uma situação típica dos deslocamentos previstos pelas Equações 2.8 e 2.10 é dada
na Figura 2.3.

A Figura 2.3 mostra que o deslocamento é zero quando a pressão de suporte é


igual a tensão hidrostática (pi = po), também mostra que o deslocamento elástico é
dado quando po > pi > pcr, finalmente é apresentado que o deslocamento plástico
acontece quando pi < pcr e o deslocamento máximo quando a pressão de suporte é
igual a zero.

17
Figura 2.3. Representação gráfica da relação entre a Pressão de Suporte e o
deslocamento radial interno, definido pelas equações 2.8 e 2.10, (modificado – Hoek
et al., 1995).

2.6.3 DEFORMAÇÃO DE UM TÚNEL SEM SUPORTE

Para entender como a pressão do suporte opera, vale analisar a Figura 2.4 que
mostra a resposta do maciço rochoso ao redor da abertura da escavação.

Considere a resposta de um ponto instalado adiante do avanço do túnel. Suponha


que nenhum tirante, nenhum revestimento de concreto projetado ou cambotas
metálicas sejam instalados e que o único apoio fornecido é pela própria rocha
adiante do avanço da face de escavação.

18
Figura 2.4. Modelo de deformação no teto e no piso de uma escavação de túnel sem
suporte, (modificado – Hoek et al., 1995).

Os deslocamentos medidos no maciço rochoso começam numa distância de


aproximadamente uma metade do diâmetro de túnel adiante da face de escavação.
O deslocamento aumenta gradualmente e, quando a face do túnel é coincidente com
o ponto medido, o deslocamento radial é aproximadamente 1/3 do valor máximo. O
deslocamento alcança um máximo quando a face de escavação progrediu
aproximadamente em um e meio do diâmetro do túnel além do ponto medido e
quando o suporte fornecido na face de escavação não é mais eficiente.

Quando o maciço rochoso é suficientemente forte para resistir à ruptura, isto é,


quando σcm > 2po para pi = 0 (Equação 2.5), os deslocamentos são elásticos e
seguem a linha tracejada da Figura 2.3. Quando a ruptura acontece, os
deslocamentos são plásticos e seguem a curva sólida indicada na Figura 2.3.

19
Note que a existência de uma ruptura plástica do maciço rochoso circundante ao
túnel, não necessariamente provocará o colapso do túnel. O material já plastificado
ainda tem uma resistência considerável e, sendo a espessura da zona plástica
pequena comparada ao raio do túnel, a única evidência de ruptura são algumas
pequenas rachaduras e uma quantia menor de desagregação ou fragmentação. Por
outro lado, quando uma zona plástica grande é formada e quando os deslocamentos
excessivos ocorrem, a ruptura do maciço rochoso levará à fragmentação e
desagregação e a um colapso semelhante a um túnel sem suporte.

A função primária do suporte é controlar o deslocamento interno das paredes e


prevenir a desagregação, que pode levar ao colapso do túnel. A instalação dos
tirantes, do concreto projetado ou de cambotas metálicas não pode prevenir a
ruptura da rocha ao redor do túnel submetido a uma tensão significativa; mas estes
tipos de suporte têm um papel importante na deformação controlada. Um resumo
gráfico deste conceito é apresentado na Figura 2.5.

Figura 2.5. Curvas de deslocamento para o teto do túnel para condições de


estabilidade diferente, no maciço rochoso, (modificado - Hoek et al., 1995).

2.6.4 CARACTERÍSTICA DA DEFORMAÇÃO DO SUPORTE

Como ilustrado nas Figuras 2.4 e 2.5, uma certa quantidade de deformação ocorre
adiante da face de escavação do túnel. Na face, aproximadamente 1/3 da
deformação total já ocorreu e esta deformação não poderá ser recuperada. Além do
mais, há quase sempre uma etapa do ciclo de escavação em que há uma lacuna
entre a face da escavação e o elemento de suporte instalado. Assim, deformação

20
ocorre antes do suporte tornar-se eficiente. Este deslocamento inicial total será
chamado uso e é mostrado na Figura 2.6.

Figura 2.6. Resposta do sistema de suporte ao deslocamento da parede até


alcançar o equilíbrio (modificado - Hoek et al., 1995).

Uma vez que o suporte seja instalado e esteja em pleno contato com o maciço, o
suporte começa a se deformar como mostrado na Figura 2.6. O deslocamento
elástico máximo que pode ser acomodado pelo sistema de suporte é usm e a carga
limite do sistema de suporte psm é definida pela deformação do sistema de suporte.

Dependendo das características do sistema de suporte, do maciço rochoso ao redor


do túnel e do nível de tensões “in situ”, o sistema se deformará elasticamente em
resposta ao fechamento do túnel, enquanto a face de escavação avança longe do
ponto em apreciação. O equilíbrio é alcançado, se a curva de confinamento do
suporte intercepta a curva de reação do maciço rochoso. Se o suporte é instalado
tarde demais (uso é grande na Figura 2.6), o maciço rochoso já pode ter deformado

21
ao ponto de que a desagregação do material colapsado seja irreversível. Por outro
lado, se a capacidade do suporte é inadequada (Psm é baixo na Figura 2.6), então a
carga limite do suporte pode ocorrer antes que a curva de reação do maciço rochoso
seja interceptada. Em qualquer um destes casos o sistema de suporte será ineficaz,
já que a condição de equilíbrio, não terá sido alcançada.

Como vários fatores são envolvidos na definição das curvas ilustradas na Figura 2.6,
é muito difícil dar diretrizes gerais na escolha do tipo de suporte para cada situação,
mesmo para casos muito simples, como este de um túnel circular num campo de
tensões hidrostáticas.

2.7 FATOR DE SEGURANÇA

A aproximação clássica usada para projetar estruturas de engenharia é considerar a


relação entre a capacidade C (tensão ou esforço resistente) do elemento ou meio e
a demanda D (tensão ou esforço solicitante) imposta pela estrutura. O fator de
segurança usado para projetar estruturas de engenharia é definido por:

C
F= (2.11)
D

Onde:
F: fator de segurança.
C: resistência ou força resistente.
D: tensão ou força imposta.

A ruptura é assumida quando F é menor que 1. O valor do fator de segurança, que é


considerado aceitável para um projeto, normalmente é estabelecido pela experiência
prévia de projetos bem sucedidos, considerando as conseqüências da ruptura e o
tempo de atuação daquela solicitação na estrutura. Em geral um fator de segurança
de 1,3 seria considerado adequado para uma escavação temporária enquanto um
valor de 1,5 a 2,0 seria necessário para uma escavação permanente.

22
Numa análise mais detalhada se deve levar em consideração a dificuldade de
calcular o verdadeiro valor do fator de segurança, devido a fatores que não podem
ser incluídos nos cálculos de projeto ou numa simulação numérica. No caso de
sistemas de suporte de escavações subterrâneas, na prática as principais
dificuldades são a incorreta seleção de sistema de ancoragem, a precisão do
alinhamento de perfuração do furo para o tirante, o comprimento do furo para o
tirante, ora muito longo ou curto (o que é crítico para ancoragem por meio de resina),
a inadequada colocação de calda de cimento, inadequada dosagem da calda de
cimento, resina expirada, instalação incorreta de tirante com resina (tempo de
mistura), etc. Porém neste trabalho para avaliar o fator de segurança se levou em
conta apenas parâmetros estritamente técnicos.

A análise do fator de segurança foi realizada através do programa Plaxis 3D Tunnel,


pelo método da redução da resistência. No projeto de túneis é importante não só
considerar a estabilidade final, mas também a estabilidade durante construção.
Como alternativa à formulação da Equação 2.11 para o cálculo de fator de
segurança, pode-se utilizar o seguinte critério:

τ disponivel
Fator de Segurança = (2.12)
τ mínimo necessário para o equilibrio

Onde:
τ: Resistência ao cisalhamento.

A relação entre a resistência disponível e a resistência mínima computada requerida


para manter o equilíbrio é o fator de segurança que é convencionalmente usado em
mecânicas das rochas. Ao usar o critério de Mohr-Coulomb, o fator de segurança é o
seguinte:

c + σ ntgϕ
Fator de Segurança = (2.13)
creduzido + σ ntgϕ reduzido

23
Onde:
c e φ: Parâmetros de resistência.
σn: Componente de tensão normal.
creduzido, e φreduzido: Parâmetros de resistência reduzidos, o bastante e suficiente para
manter o equilíbrio.

O princípio descrito acima é a base do método de redução dos parâmetros de


resistência que é usado no programa PLAXIS 3D Tunnel para calcular o fator de
segurança global. Nesta aproximação a coesão e a tangente do ângulo de atrito são
reduzidos na mesma proporção:

c tgϕ
= = ∑ Msf (2.14)
c reduzido tgϕ reduzido

A redução de parâmetros de resistência é controlada pelo multiplicador total ΣMsf.


Este parâmetro é aumentado dentro de um procedimento passo a passo até a
ruptura ocorrer. O fator de segurança então é definido como o valor de ΣMsf na
ruptura, obtido a partir de vários passos de cálculo sucessivos. Em resumo, no
método da redução os parâmetros de resistência (tg φ e c) são sucessivamente
reduzidos até a ruptura ocorrer.

2.8 EVOLUÇÃO DO USO DE TIRANTES EM ESCAVAÇÕES


SUBTERRÂNEAS

O estudo da evolução do uso dos tirantes na historia da engenharia foi amplamente


difundido por Kovari (2002), e a seguir se apresenta um resumo deste estudo. A
história dos sistemas de ancoragem começou com a patente No. 302909 obtida por
Stephan, Frölich e Klüpfel em 1913 (Figura 2.7), com o nome: "Método para o apoio
do teto e paredes em trabalhos de mineração sem apoio de abaixo". A invenção
apontou a criar um apoio, o ponto fixo seria colocado no interior do maciço. Isto
substitui o apoio tradicional através de vigas (Figura 2.8), onde o ponto fixo estava
na base da escavação.

24
Figura 2.7. Diferença entre uso de tirantes e uso de vigas de apoio segundo a
proposta de Stephan, Frölich e Klüpfel em 1913, (modificado – Kovari, 2002).

Figura 2.8. Método antigo de escavação em túneis. Túnel de Lötschberg 1908- 1913,
(modificado – Kovari, 2002).

25
Para alcançar esta meta, perfurações de profundidade suficiente na rocha deveriam
ser feitas, nos quais varas, tubos ou cabos feitos de materiais resistentes, por
exemplo aço, seriam inseridos e fixados ao fim da perfuração de maneira adequada
e poderiam ainda ser cimentados ao longo do comprimento inteiro.

Na literatura alemã, uma publicação de 1919, discorre sobre o sistema de suporte de


um túnel de mina com ancoragens de ferro, em substituição a utilização de vigas,
para resistir a pressão do maciço. Os tirantes foram colocados no teto e nas paredes
para proteção contra deformações típicas em obras subterrâneas e também no
estreitamento da seção transversal. As cabeças das ancoragens foram unidas com
cabos e perfis em U, ou seja, cambotas metálicas. Esta invenção revolucionária
infelizmente não achou sua verdadeira prática geral, porque não foi difundida.

A próxima publicação sobre ancoragens foi escrita por Weigel em 1943, nos Estados
Unidos. Foram relatados ensaios na mina Leadwood (Missouri) realizados nos anos
de 1936 e 1937. O novo sistema consiste em apoiar o maciço debaixo da linha de
arco natural e atiranta-lo no maciço intacto, em especial na região dos pilares, isto
feito antes que a rocha ficasse solta (zona plástica). A seqüência de camadas finas
se torna equivalente a uma só camada grosa, convertida numa viga com inércia
suficiente para transferir a carga até os pilares.

Numa publicação de 1945, o engenheiro alemão Beyl relatou ensaios realizados


com êxito em ancoragens, na Inglaterra, nos anos 1942 e 1943. Com ajuda de
medidas de convergência, foi estudada a influência das ancoragens em
deformações do maciço. Observou-se também uma ação de pré-tensão, indicando
que era necessário inserir as ancoragens o mais cedo possível depois da
escavação. Embora não tivesse êxito imediato na Europa, os trabalhos de Beyl
ajudaram a promover o uso de ancoragens a partir dos anos 50. No período de 1943
a 1950, o uso dos tirantes na indústria mineira americana, especialmente em minas
de carvão, e desde 1952 na Europa, experimentou um crescimento rápido. Este
desenvolvimento começou depois das publicações de C.C. Conway (Consolidated
Coal Company, Illinois) e E. Thomas em 1948. Conway dedicou um capítulo especial
para a teoria dos tirantes, depois é claro de muitas criticas na literatura, de como o

26
teto de uma escavação poderia se apoiar a si mesmo, ao invés de ser apoiado
através de vigas que era o convencional.

O sucesso das ancoragens nos Estados Unidos num espaço muito curto de tempo
pode ser medido por algumas estatísticas. Nos anos 1948-1950, um total de 1400
km de túnel em 350 minas foi sustentado com tirantes. A produção de toneladas
escavadas por turno de trabalho foi dobrada. Em 1949 as minas de carvão atingiram
o melhor desempenho de segurança de todos os tempos, isso atribuído às
ancoragens de teto. Ainda para exemplificar a expansão do uso de tirantes nos
Estados Unidos na década de 50, em 1953, foi instalado 0,5 milhão de tirantes por
mês e em 1957, este total sobe para 3,0 milhões. O uso crescente de tirantes na
Inglaterra, França e Alemanha começou a partir dos anos 50, conduzindo a um
sucesso semelhante, com número significativo de publicações relativas a trabalhos
em laboratórios e pesquisas de campo, como também livros de ensino e a primeira
padronização técnica de tirantes. As ancoragens foram usadas por muito tempo só
em obras de mineração.

A construção de túneis foi afetada por este desenvolvimento rápido. Uma das
primeiras aplicações de tirantes num túnel foi em aproximadamente 250 m do túnel
de adução na barragem “Keyhole” (Wyomming), nos Estados Unidos em 1950.
Depois de fazer a escavação a fogo, o contratante recorreu à colocação de tirantes
no teto, comumente utilizados para prevenir a sobreescavação em minas de carvão
e para segurar blocos de rocha, que caso contrário, poderiam deslizar ou cair. A
seção transversal em ferradura de 3,5 x 4,0 m2 do túnel foi apoiada através de
tirantes dispostos em um semicírculo, de acordo com um critério profissional,
baseado na experiência do construtor. Aprendeu-se neste túnel que um sistema caro
de cambotas metálicas ou suporte de vigas de madeira para proteger os
trabalhadores numa rocha muito fraturada, poderia se ineficiente, e melhor se
trocado por tirantes.

Uma verdadeira inovação no uso de tirantes em obras de túneis é o caso do


aqueduto de “Delaware” (Figura 2.9), com 42 km de extensão em Nova Iorque.
Devido à escassez de aço, a contratante solicitou ao cliente permissão para usar
tirantes no teto em vez do tradicional uso de cambotas de aço. Tal permissão foi

27
concedida caso se obedecesse a condições estritas, entre elas a aplicação de aço
amarrado no teto (canais aderidos a rocha) e a colocação de gunita (concreto
projetado) na rocha o mais rápido possível, depois que os tirantes fossem
instalados. Foi concluído que nenhuma viga de madeira seria necessária com este
método, e a vantagem em relação a cambotas metálicas foi uma redução de 85% na
quantidade de aço utilizada para apoiar o teto. Em um relatório adicional de Pierce
em 1953 é mencionado que neste esquema mais de 19,5 km de teto foram
ancorados, sem nenhuma fatalidade ou acidente devido a quedas de teto. Uma das
razões para este sucesso de segurança é que os tirantes podem ser aplicados mais
próximos da face de escavação do que as tradicionais cambotas metálicas. Sobre o
mecanismo de suporte, é mencionado que enquanto as vigas de madeira podem
chegar ao colapso, tirantes de teto ajudam a gerar uma força de resistência no
maciço segundo Miller em 1952.

Figura 2.9. Túnel East- Delaware – Weiss 1952. Uso de Tirantes no teto, (modificado
– Kovari, 2002).

28
Os altos índices de avanço, o registro de segurança excelente e o sucesso
econômico alcançado neste grande projeto tiveram uma influência enorme no
mundo da construção de túneis. Isto foi facilitado pelo nível técnico alto das
publicações. Assim esta obra do túnel de adução de água de Nova Iorque, junto com
a experiência adquirida na indústria mineira, encorajou o mundo a empregar tirantes,
com ou sem concreto projetado, em projetos ainda em execução do mesmo porte ou
maior ainda.

A cronologia aproximadamente é a seguinte: a central elétrica Kemano no Canadá


(1952-53) com 50 m de altura, 36 m largura e 210 m de comprimento (Figura 2.10).
Com rocha granítica, tirantes de até 4,5 m de comprimento foram usados para fixar
lajes e estabilizar as paredes até que o concreto poderia ser utilizado como suporte
permanente.

Figura 2.10. Central elétrica Kemano.

A central elétrica Harspranget na Suécia (1952-53), cuja caverna de 18 m de


comprimento foi sustentada com tirantes dispostos em forma radial e gunita no teto,
foi a primeira que utilizou tirantes com calda de cimento, depois conhecido como
método sueco segundo Heggstad em 1953. Estes tirantes completamente
cimentados deram origem a uma nova tecnologia na historia dos tirantes (Patente

29
No. 1462256). Rabcewicz escreveu em 1957 que sem dúvida foram alcançados os
maiores avanços desta tecnologia na Suécia, devido ao grande número de usinas
hidroelétricas, com circuito hidráulico subterrâneo. De modo similar ocorre na
Noruega, onde Heggstad em 1956, mencionou que a introdução do método de
tirantes no teto conduziu a simplificações consideráveis nas operações de
escavação de centrais elétricas. Tirantes cimentados e também arcos reforçados de
gunita com espessura de 10 a 12 cm foram usados.

Outra aplicação notável se dá na barragem Randen na França, com um túnel de


adução de água de 11,7 km de comprimento, 7,6 m de seção transversal e
sobrecarga máxima de 2000 m. A escavação começou em 1949, ocorrendo grandes
dificuldades por causa do fenômeno de ruptura violenta do maciço rochoso ou
“rockburst”. O uso sistemático de tirantes trouxe a solução em 1951. Graças ao uso
de tirantes, escavações da face plena poderiam ser aplicadas, o que permitia dobrar
o ritmo de avanço ou triplicar comparado com o uso de vigas. O engenheiro francês,
J. T. Talobre em 1957, propôs um modelo (Figura 2.11) para explicar o efeito da
disposição radial dos tirantes em rocha branda assumindo um arco de maciço ao
redor da abertura. Talobre introduziu nos anos 40 o termo mecânica das rochas e
ele é considerado como um dos fundadores desta disciplina.

Figura 2.11. Formação de Tirantes em arco, modelo J. T. Talobre 1957, (modificado


– Kovari, 2002).

30
O Túnel “Mt. Blanc” (Figura 2.12) de 11,6 km de duas pistas de estrada, com uma
sobrecarga de máxima de mais de 2200 m, entre a França e a Itália foi construído
entre 1958 e 1962. A área da seção transversal é variável (75 - 90 m2), dependendo
do tamanho dos dutos de ventilação. Os fenômenos de apertamento (“squeezing”) e
explosão violenta (“rockburst”) da rocha puderam ser controlados com o uso
sistemático de tirantes. Graças a esta técnica, a escavação de face plena foi
aplicada até mesmo debaixo de condições geológicas difíceis, onde a face foi
também suportada com até 50 tirantes. É informado que um total 72000 tirantes
foram usados num período de dois anos. Baseado na experiência excelente do túnel
de adução da barragem de Randen, o uso de tirantes foi decidido já em 1954 na
fase de projeto.

Figura 2.12. Mont Blanc, França.

31
O Aproveitamento Hidroelétrico “Snowy Mountain” é considerado como um dos
projetos de engenharia civil de maior importância do último século. Sua construção
envolveu um comprimento total de 145 km de túnel, com uma largura aproximada de
6 m, e cavernas para a casa de força. A proposta inicial de 1949 já incluía nas
especificações de contrato o uso predominante de tirantes do tipo fenda e cunha
(“slot” e “swedge”), e de cambotas metálicas somente em casos excepcionais, como
por exemplo, o apertamento ("squeezing") do maciço. A construção do túnel
começou em 1955. O uso sistemático de tirantes também foi adotado para a grande
casa de força, de 23 m em largura e 33 m em altura. O uso de tirantes foi requerido
tanto para o uso temporário como para apoio permanente (Figura 2.13).

Figura 2.13. Esquema do desenho da caverna Tumut I, do esquema hidroelétrico


Snowy Mountain, (modificado – Kovari, 2002).

Houve uma necessidade evidente por uma melhor compreensão científica da


mecânica dos tirantes e uma necessidade para explicar os princípios e práticas para
os trabalhadores da construção, de cujas vidas dependiam dos suportes que eram
os tirantes na escavação subterrânea. Lang iniciou uma série de estudos dirigida a
esses propósitos, culminando com o mais conhecido deles que é a teoria e prática
do uso de tirantes. Lang destaca no trabalho dele o papel importante da indústria
mineira dos Estados Unidos pela iniciação e desenvolvendo de uso dos tirantes.

32
Figura 2.14. Complexo energético “Snowy Mountain”, Austrália.

33
CAPÍTULO
3

CASOS DE ESTUDO

Neste capítulo são apresentados cinco casos reais de obras de engenharia civil,
realizadas em maciços rochosos, em distintas localizações do mundo. Estes casos
serão utilizados como casos de estudos para comparar diferentes sistemas de
classificação geomecânica e seus respectivos sistemas de suporte propostos. Para
cada caso será feita a classificação geomecânica, verificando o suporte sugerido e
simulando numericamente a escavação com este suporte, para calcular o fator de
segurança. Para cada caso estudo, objetiva-se conhecer as principais
características tais como tipo de rocha e qualidade do maciço rochoso,
apresentando os parâmetros geomecânicos e do critério de ruptura de Hoek-Brown
ou Mohr–Coulomb.. Para simular o maciço rochoso no programa Plaxis 3D Tunnel,
utiliza-se os dados de coesão (C), ângulo de atrito interno (φ) e módulo de
deformabilidade do maciço rochoso (Em). Com a ajuda da bibliografia e de pesquisas
destas obras, os dados de profundidade, peso específico (γ) e tipo de rocha foram
deduzidos e outras vezes idealizados, sempre tomando o cuidado de respeitar as
características principais de cada obra. O parâmetro mais importante nestas
deduções foi o índice de resistência geológica do maciço rochoso (GSI). Este dado
foi apresentado por Hoek (1998) para os cinco casos de estudo, e serviu como base
para retrocalcular os índices das classificações geomecânicas de Bieniawski (1989)
e Barton et al. (1974), bem como também para as classificações geomecânicas de
Wickham et al. (1972) e Palmstrom (1996). Os dados destas obras de engenharia
foram aproveitados para a simulação de uma construção hipotética de um túnel de 5
m de diâmetro, em cada um destes locais. Todos estes dados em conjunto podem
ser encontrados no Capítulo 4. A relevância destes casos-estudo é oferecer cinco
qualidades de rocha distintas, que vão de excelente a péssima. Cada caso adquiriu
um codinome, este relativo à obra de engenharia exposta neste capitulo.

34
3.1 CASO MINA EL TENIENTE

Hoek (1998) apresenta um estudo de Karzulovic & Diaz em 1994 descrevendo os


resultados de um programa de ensaios triaxiais em uma brecha cimentada
conhecida como Brecha Braden da mina “El Teniente” no Chile (Figura 3.1). Para
projetar as escavações subterrâneas neste maciço rochoso, foram feitas muitas
tentativas para classificar o maciço rochoso conforme o sistema RMR de Bieniawski
(1989). Porém, este maciço rochoso tem muito poucas descontinuidades e é muito
difícil atribuir valores às condições que dependem do espaçamento e condições
gerais das descontinuidades. Assim, foi decidido tratar o maciço rochoso como mais
homogêneo e quase intacto, e determinar suas propriedades por meio de ensaios
triaxiais. Uma série de ensaios triaxiais foi executada em corpos de prova de 100
mm de diâmetro. Por retroanálise do comportamento das escavações subterrâneas
se obteve o valor in situ de GSI de 75, bem como outros parâmetros geomecânicos
(Tabela 3.1).

Figura 3.1. Caso da Mina de El Teniente, Chile.

35
Tabela 3.1. Parâmetros intrínsecos do caso da Mina “El Teniente”, Chile.
σci mi GSI s φ´ c´ Em
51 MPa 16,3 75 0,062 42° 4,3 MPa 30 GPa

3.2 CASO RIO GRANDE

O projeto de bombeamento Rio Grande na Argentina (Figura 3.2) inclui uma casa de
força subterrânea de grandes dimensões, um complexo para o controle de ondas e
um túnel de descarga de 6 km de comprimento. O maciço rochoso que cerca estas
escavações é um gnaisse com muito poucas descontinuidades, cujas características
típicas estão apresentadas na Tabela 3.2.

Figura 3.2. Túnel de fuga do caso Rio Grande, Argentina (modificado - Hoek, 1998).

Tabela 3.2. Parâmetros intrínsecos do caso Rio Grande, Argentina.


σci mi GSI mb s a φ´ c´ σcm Em σtm
110 9,4 42 -0,94
17,7 75 7,25 0,062 0,5 43° 43 MPa
MPa MPa GPa MPa

A Figura 3.2 ilustra a galeria superior do túnel de fuga de 8 m de altura e 12 m de


largura. A altura final do túnel é de 18 m e foi alcançada dinamitando mais duas
bancadas de 5 m. A galeria superior foi escavada a fogo, em face plena, mas por
causa da excelente qualidade do maciço rochoso e o controle sistemático do fogo
com dinamite, a maioria da galeria superior não necessitou de suporte.

36
3.3 CASO HIMACHEL PRADESH

A escavação parcial da casa de força do aproveitamento hidroelétrico (AHE) Nathpa


Jhakri na Índia é ilustrada na Figura 3.3. A rocha é um xisto de mica e quartzo o qual
foi avaliado pelo Centro Geológico de Índia. Um GSI médio de 65 foi usado para
calcular as propriedades do maciço rochoso e projetar o sistema de suportes da
caverna. No entanto, suportes adicionais foram colocados em zonas mais fracas do
maciço rochoso.

Figura 3.3. Escavação da casa de força do AHE Nathpa Jhakri em Himachel


Pradesh, Índia (modificado - Hoek, 1998).

No túnel de adução, se encontraram algumas zonas de cisalhamento de quartzo


micaxisto e estes resultaram em grandes deslocamentos. Este é um problema
comum em túneis de rocha dura onde a seqüência de escavação e o sistema de
suporte foram projetadas para condições normais de maciço rochoso. A menos que
sejam feitas mudanças rápidas no plano de fogo e no sistema de suporte quando
condições geológicas adversas ocorrem, por exemplo uma falha, problemas com o
controle da deformação do túnel podem surgir. Os parâmetros deste projeto estão
na Tabela 3.3.

37
Tabela 3.3. Parâmetros intrínsecos do AHE Nathpa Jhakri, India.
σci mi GSI mb s a φ´ c´ σcm Em σtm
30 2,0 8,2 13 -0,14
15,6 65 4,5 0,02 0,5 40°
MPa MPa MPa GPa MPa

3.4 CASO METRÔ ATENAS

Kavvadas et al. em 1996, citado por Hoek (1998) descreveram alguns dos aspectos
geotécnicos associados com a construção de 18 km de túneis e 21 estações
subterrâneas do Metrô de Atenas (Figura 3.4). Estas escavações são todas rasas
com profundidades médias até o teto (cobertura) entre 15 e 20 m. O problema
principal é a bacia de recalques da superfície e não a ruptura do maciço rochoso ao
redor da escavação.

Figura 3.4. Aspectos construtivos do caso do Metrô de Atenas, Grécia.

38
O maciço rochoso é localmente conhecido como xisto ateniense que é o termo
usado para descrever uma sucessão de sedimentos cretáceos, tipo flische,
apresentando também camadas finas de argila, arenito calcário, siltito, ardósia, xisto
argiloso e pedras calcárias. As formações do xisto ateniense foram também sujeitas
a intensos dobramentos e empuxos. Depois processos de falhamento provocaram
fraturas, desgaste e alteração dos depósitos. As propriedades do maciço rochoso do
xisto completamente decomposto estão listadas na Tabela 3.4.

Tabela 3.4. Parâmetros intrínsecos do metrô Atenas, Grécia.


σci mi GSI mb s a φ´ c´ σcm Em
7
9,6 20 0,55 0 0,55 22,4° 90 kPa 0,4 MPa 400 MPa
MPa

3.5 CASO YACAMBÚ QUIBOR

O túnel “Yacambú Quibor” na Venezuela (Figura 3.5) é considerado um dos túneis


de mais difícil escavação no mundo. Este túnel de adução de água de 26 km de
comprimento, passa pelo Andes e está sendo escavado em arenitos e filitos a
profundidades de até 1200 m. O filito grafitoso é uma rocha de qualidade muito
pobre e dá origem a problemas sérios, que sem um suporte adequado, resulta em
um fechamento completo do túnel. Uma tuneladora foi completamente destruída em
1979 quando ficou presa por apertamento ("squeezing") do maciço. As propriedades
do maciço rochoso estão apresentadas na Tabela 3.5.

Tabela 3.5. Parâmetros intrínsecos do túnel “Yacambú Quibor”, Venezuela.


σci mi GSI mb s a φ´ c´ σcm Em
15 0,34 1 870
10 24 0,66 0 0,53 24°
MPa MPa MPa MPa

39
Figura 3.5. Caso do Túnel Yacambú Quibor, Venezuela. (modificado -
www.yacambu-quibor.com, 2004)

40
CAPÍTULO
4

COMPORTAMENTO DE TÚNEIS
UTILIZANDO DIFERENTES
SOLUÇÕES DE SISTEMAS DE
SUPORTE

Neste capítulo analisar-se-á a parte prática da dissertação. Inicialmente apresenta-


se um breve resumo dos métodos numéricos mais usados na simulação de
escavações subterrâneas, uma explicação das principais características do
programa Plaxis 3D Tunnel, uma explicação detalhada dos dados de entrada para a
simulação e dos dados de saída, um resumo dos sistemas de projeto em cada um
dos casos de estudo com seus respectivos resultados, e finalmente a análise dos
resultados, o fator de segurança e os deslocamentos do túnel para cada uma das
metodologias de sistemas de projeto.

4.1 MÉTODOS NUMÉRICOS PARA ANÁLISE DAS


DEFORMAÇÕES

Os métodos numéricos para a análise de tensões geradas por escavações em


mecânica das rochas podem ser divididos em duas classes. Os métodos de
contorno, em que só o limite da escavação é dividido em elementos e o interior do
maciço rochoso é representado matematicamente como uma série infinita. Já os
métodos de domínio dividem o interior do maciço rochoso em elementos
geometricamente simples, cada um com suas respectivas propriedades. O
comportamento coletivo e a interação destes elementos simplificados modelam o
comportamento total mais complexo do maciço rochoso. Elementos finitos e
diferenças finitas são técnicas de domínio que tratam o maciço rochoso como um
meio contínuo. O método dos elementos distintos é também um método de domínio
que modela cada bloco individual de rocha como um elemento único.

41
Estas duas classes de análise podem ser combinadas na forma de modelos híbridos
para aumentar ao máximo as vantagens e reduzir as desvantagens de cada método.
É possível fazer algumas observações gerais sobre os dois tipos de aproximações
discutidos acima. Nos métodos de domínio, uma quantia significativa de esforços é
requerida para criar o arquivo de dados (pré-processamento), inclusive gerar a
malha que é usada para dividir o maciço rochoso em elementos. No caso de
modelos complexos, como aqueles que exigem muitas aberturas, a geração da
malha pode se tornar complicada. A disponibilidade de programas de pré-
processamento e geradores de malha otimizados faz esta tarefa muito mais simples
do que quando a entrada de dados e a geração de malha eram simplesmente
manual. Em contraste, os métodos de contorno requerem que somente o limite de
escavação seja discretizado e o maciço rochoso circundante seja tratado como um
meio contínuo infinito. Estes métodos são bem mais limitados em termos de modelos
constitutivos disponíveis para definir o comportamento do maciço rochoso.

4.2 CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DO PROGRAMA


PLAXIS 3D TUNNEL
A informação a seguir foi resumida do manual do programa Plaxis 3D Tunnel,
Brinkgreve & Vermeer (2001). O programa Plaxis 3D Tunnel é um programa de
elementos finitos especificamente desenvolvido para análises tridimensionais de
deformação e estabilidade de túneis. A seguir apresentam-se as principais
características do programa:

• Modelos gráficos de seção transversal - A entrada de dados das camadas do

maciço, estruturas, fases de construção, cargas e condições de limite está


baseada na tecnologia CAD. Deste modelo de seção transversal é gerada uma
malha de elementos finitos tridimensional (3D).
• Geração da malha automática - O programa Plaxis 3D Tunnel permite uma

geração automática não estruturada de uma malha de elementos finitos


bidimensional (2D), com opções para refinamento global e local da malha. Desta
malha em 2D, uma malha em 3D é gerada por uma extensão linear
tridimensional.

42
• Elementos volumétricos - elementos tipo cunha de 15 nós são disponíveis para

modelar as deformações e tensões do problema.


• Elementos de placas - estes elementos especiais são usados para modelar as

características do concreto projetado ou estruturas de suporte.


• Interfaces - estes elementos são utilizados na representação da interação

maciço-estrutura.
• Tirantes - são elementos de mola utilizados na modelagem deste tipo de suporte.

• Túneis - esta opção oferece um modo de criação conveniente para túneis com

geometrias não-circulares compostas por arcos e linhas.


• Modelo Mohr-Coulomb - suas características não-lineares, robustas e simples

estão baseadas em parâmetros conhecidos na maioria das situações práticas.


Além disso, este modelo pode ser utilizado na determinação das tensões
bastantes realistas na face de escavação. Também pode ser usado para calcular
o fator de segurança.
• Outros modelos - é disponível um modelo geral de segunda-ordem, do tipo

hiperbólico elastoplástico conhecido como Hardening Soil. Para analisar


satisfatoriamente o comportamento dos solos moles normalmente consolidados
se tem o modelo Soft Soil Creep. Além destes modelos, se tem o modelo Jointed
Rock para a análise do comportamento anisotrópico de maciços fraturados.
• Carregamento automático por etapas - O programa pode ser rodado em etapas

que possuem tempo e tamanhos controlados automaticamente. Isto evita a


necessidade de selecionar incrementos de carga para as etapas de cálculo, ao
mesmo tempo, garantindo um processo de cálculo bastante eficiente.
• Apresentação dos resultados - O pós-processador do Plaxis 3D Tunnel possui

características eficientes para exibir os resultados. Valores dos deslocamentos,


tensões, deformações e forças estruturais são definidos das tabelas de saída.

4.3 EXPLICAÇÃO GERAL DO PROCEDIMENTO DE


SIMULAÇÃO NUMÉRICA

Inicialmente apresenta-se o procedimento padrão realizado na simulação numérica,


para que posteriormente se possa compreender os cinco casos de estudo
detalhados nos seguintes subitens. Esta explicação é dividida em duas partes: uma
referente aos dados de entrada e outra aos dados de saída.

43
Quanto aos dados de entrada, é importante indicar que a memória de cálculo
começa com a primeira fase de um projeto e construção de uma obra subterrânea.
Esta fase compreende o conhecimento da geologia local e das investigações
geológicas realizadas (Hoek 1998). Com a informação disponível dos casos de
estudo (Capítulo 3) e deduções lógicas foi possível determinar o tipo de rocha e a
profundidade da obra em questão. Assumindo que foram feitos ensaios de
laboratório e campo, ou através de classificações geomecânicas, tem-se as
propriedades e parâmetros do maciço como: módulo de elasticidade (Eref), ângulo de
atrito (φ) e coesão (cref). Já na modelagem numérica do maciço rochoso, em
concordância com a rocha, se adotou o coeficiente de Poisson (ν) e o peso
especifico natural (γ). O modelo usado para o maciço rochoso foi o de Mohr-
Coulomb, não poroso (meramente para não lidar com o dado de entrada de peso
especifico saturado, já que foi assumido que o maciço não possui presença de
água). Com estes dados o Programa Plaxis 3D Tunnel calcula automaticamente os
parâmetros alternativos de rigidez, que também podem ser inseridos de modo
opcional. Estes são: o módulo cisalhante (Gref) e o módulo oedometrico (Eoed). A
seguir se apresenta as formulações:

E ref
Gref = (4.1)
2(1 + ν )

(1 − ν )E ref
E oed = (4.2)
(1 − 2ν )(1 + ν )

Onde:
Gref: Módulo cisalhante.
ν: Coeficiente de Poisson.
Eref: Módulo de Elasticidade.
Eoed: Módulo oedométrico.

Foi adotada interface rígida porque permite modelar mais realisticamente a interação
entre as estruturas de concreto projetado e tirantes, com o maciço rochoso, de forma
áspera e não lisa.

44
Depois de terem sido avaliadas as propriedades básicas do maciço rochoso,
procedeu-se com a classificação dos maciços utilizando os sistemas RSR, RMR, Q e
RMi (Apêndice A).

Para a classificação RSR de Wickham et al. (1972), foram idealizados alguns


atributos, sempre respeitando as características principais do maciço rochoso de
cada caso de estudo. Foi usado o critério de classificação exposto no Item A.1.3.

Por não ter informações detalhadas do maciço rochoso foi escolhido o critério de
equivalência de GSI (Hoek 1995) para a determinação do valor de RMR e de Q. A
seguir se apresentam as formulações respectivas.

GSI = RMR89 − 5 ⇒ RMR89 = GSI + 5 (4.3)

GSI − 44

GSI = 9 * ln Q'+44 ⇒ Q' = e 9


(4.4)

⎛ RQD ⎞⎛ J r ⎞
Q' = ⎜⎜ ⎟⎟⎜⎜ ⎟⎟ (4.5)
⎝ J n ⎠⎝ J a ⎠

Onde:
GSI: Índice de resistência do maciço rochoso.
RMR89: Classificação do maciço rochoso segundo Bieniawski (1989), para um
maciço rochoso sem presença de água e sem efeito negativo da orientação
das descontinuidades em relação à obra.
Q’: Classificação do maciço rochoso segundo Barton et al. (1974), para um
maciço rochoso sem presença de água e sujeito a condições de tensões
médias.
RQD: Índice de qualidade da rocha.
Jn: Índice de influência do número de famílias de descontinuidades.
Jr: Índice de influência da rugosidade da descontinuidade.
Ja: Índice de influência de alteração da descontinuidade.

45
Também idealizando alguns atributos, mas sempre respeitando as características
principais do maciço rochoso de cada caso de estudo, este foi classificado segundo
o critério RMi de Palmstrom (1996), exposto no Item A.4.

Depois de terem sido obtidas as estimativas de cada um dos métodos de


classificação, se procede a fase de escolha do tipo de suporte. Esta escolha esta
baseada na relação direta do sistema de classificação e da solução de projeto
(Apêndice B).

Para o primeiro sistema de classificação foi utilizado o gráfico da Figura B.1 do


sistema de suporte de Wickham et al. (1972). O modo de uso é simples, entra-se
com o valor de RSR e ao interceptar com as curvas de tirante e concreto projetado,
traça-se uma reta perpendicular ao eixo das abscissas, obtendo-se assim o valor do
espaçamento entre os tirantes e da espessura do concreto projetado.

Para o segundo sistema de suporte foi utilizado o critério de Bieniawski (1989), que
é uma série de guias de escolha do suporte para túneis em rocha, conforme o valor
de RMR, encontradas no Item B.2.

Para usar o método pelo sistema de qualidade Q, deve-se definir primeiro a


dimensão equivalente (De), regida pela seguinte formulação:

Dimensão da escavação, diâmetro ou altura (m)


De = (4.6)
ESR

Onde:
ESR: Índice de Suporte que depende do tipo de escavação.

Neste caso o diâmetro é de 5 m e o ESR adotado é igual a 1, equivalente ao tipo “E”


(Tabela B.2), o que faz a dimensão equivalente (De) ser de 5. Com os valores de De
e Q já calculados, se entra na Figura B.2 para obter o comprimento do tirante e a
espessura do concreto projetado.

46
Para o sistema de suporte pelo método RMi, tem-se as tabelas e a figura do Item
B.4. Primeiro deve-se definir o fator de continuidade (CF), para tal se assumiu o
diâmetro do túnel (Dt) de 5 m, e o diâmetro do bloco (Db) foi adotado em função de
cada tipo de maciço. Neste sistema existem duas divisões, quando CF for inferior a
5 entra-se na categoria de maciço contínuo e quando CF for superior a 100 entra-se
na categoria de maciço altamente fraturado. Para o caso de maciço contínuo,
determina-se o fator de competência do maciço (Cg), que é a divisão do valor de
RMi e da tensão tangencial na parede (σθ), e com a ajuda da Figura B.3, se
determina a espessura do concreto projetado e o espaçamento dos tirantes. Para o
caso de um maciço altamente fraturado se calculou o fator de condição do maciço
(Gc) e o Índice de Dimensão, para se conhecer as características do suporte.

Uma vez conhecidas as solicitações do suporte, para cada tipo de projeto, se


procedeu o cálculo dos parâmetros a serem inseridos no programa Plaxis 3D
Tunnel.

Para a modelagem dos tirantes foram usados os parâmetros obtidos em testes


realizados por Stjern (1995). O tirante em questão é manufaturado pela Ørsta
Stålindustri e Galvanostans, da Noruega, com barra do tipo sólida e sistema de
ancoragem mecânica e rosca. Para uma correta simulação no Plaxis 3D Tunnel foi
usado o elemento do tipo "fixed end anchor", que reproduz adequadamente as
características do tirante. As características deste tirante estão apresentadas na
Tabela 4.1.

Tabela 4.1. Propriedades dos tirantes.


Diâmetro D 20 mm
π
Área A= d2 3,14 cm2
4
Módulo de Elasticidade E 42 GPa
Rigidez Normal kn = EA 13 MN
Capacidade de Carga Fmax 121 kN

Para o concreto projetado foi usado o elemento placa do Plaxis 3D Tunnel, cujos
parâmetros estão na Tabela 4.2.

47
Tabela 4.2. Propriedades do concreto projetado.
Espessura do concreto projetado e e m
Comprimento da seção do material b 1 m
Área A = e⋅b A m2
Modulo de Elasticidade E 25 GPa
Rigidez Normal kn = EA kn kN
b ⋅ e3
Momento de Inércia I= I m4
12
Rigidez Flexional kf = EI kn kN·m2
Peso especifico * γ 21,7 kN/m3
Coeficiente de Poisson ν 0,15 -
* Ver Tabela 4.3

O peso especifico (γ) de um concreto projetado padrão é detalhado na Tabela 4.3


(modificado - Hoek et al., 1995).

Tabela 4.3. Concreto projetado reforçado com fibras de aço e aditivo de sílica,
projetado a seco.
Mistura a seco
Componentes
kg/m3 % materiais seco
Cimento 420 19,0
Aditivo Sílica 50 2,2
Agregado misturado 1670 75,5
Fibras metálicas 60 2,7
Acelerador 13 0,6
Água Controlado no bico da mangueira
Total 2213 100

O peso por área do concreto projetado w é calculado pela seguinte expressão:

w =γ ⋅e (4.7)

Onde e é a espessura de concreto projetado.

48
Uma vez determinados os parâmetros dos materiais se procede a construção da
geometria em 2D no Plaxis 3D Tunnel. Para o desenho da geometria deve-se levar
em conta a definição do domínio e das condições de contorno. A discretização do
domínio é semi-automático, devendo-se afinar a malha nas regiões de maior
interesse. Um exemplo de malha 2D está apresentado na Figura 4.1.

Figura 4.1. Malha de elementos finitos para o Caso Metrô Atenas para o projeto de
suporte segundo Grimstad & Barton (1993).

Com a malha 2D construída procede-se a construção da malha em 3D. Para


construção desta malha foi considerada uma distância de 35 m após a face de
escavação, 15 m antes da face de escavação, totalizando 50 m (equivalente a dez
diâmetros). No caso em que foi necessário suporte, cada linha transversal de
tirantes foi colocada a cada 2,5 m ao longo do eixo longitudinal do túnel. Um
exemplo de malha 3D está apresentado na Figura 4.2. Nesta figura devido a um
problema apresentado na geração da imagem em 3D, pelo Plaxis 3D Tunnel, não
foram mostrados todos os tirantes.

A simulação da escavação e da implementação do concreto projetado e dos tirantes,


foi feita no Plaxis 3D Tunnel, por meio de seções planas e fatias. Para cada caso-
estudo primeiro foi simulada a escavação sem suporte, representando o
comportamento natural do túnel. Depois, outros quatro casos de sistemas de suporte
foram simulados com a colocação de concreto projetado e tirantes, de acordo com

49
as diferentes classificações geomecânicas. A distância da colocação entre linhas de
tirante foi sempre de 2,5 m ao longo do eixo longitudinal do túnel, a partir da face de
escavação.

Figura 4.2. Malha de elementos finitos em 3D para o Caso Metrô Atenas para o
projeto de suporte segundo Grimstad & Barton (1993).

As etapas de montagem das matrizes e vetores, resolução do sistema de equações


e o cálculo das variáveis secundárias e do fator de segurança são realizados pelo
próprio programa.

Quanto aos dados de saída, as variáveis secundárias (deformações, deslocamentos


e tensões) podem ser apresentadas numa ampla variedade de gráficos. Isto é, para
o maciço rochoso tem-se deslocamentos em x, y e z, deslocamentos totais,
deformações em x, y e z, deformações angulares, deformações totais, tensões
normais e cisalhantes, e zonas de ruptura. Para o concreto projetado pode-se
apresentar deslocamentos em x, y e z, forças axiais, cisalhantes, momentos de
flexão e torsão. Finalmente no caso dos tirantes obtem-se a força axial última e a
rigidez axial ao longo do tirante. As Figuras 4.3 e 4.4 apresentam resultados típicos
de deslocamentos da face e do concreto projetado.

50
Figura 4.3. Deslocamento do maciço rochoso na fase de escavação, para o Caso
Metrô Atenas, sem suporte.

Figura 4.4. Deslocamento do concreto projetado para o Caso Metrô Atenas, para o
critério de projeto de suporte segundo Palmstrom (1996).

Em resumo o Plaxis 3D Tunnel fornece muitos dados de saída. O desafio é


administra-los. Nesta dissertação são apresentados os deslocamentos do túnel, ou
seja, os deslocamentos em x, y e z. As avaliações foram feitas nas paredes, no teto
e na base da escavação. Também avaliou-se os deslocamentos no interior do
maciço rochoso. Para melhor apresentar estes deslocamentos, os dados de cada nó
componente do túnel, foram transformados em desenhos 3D através do programa

51
Autocad 2005. Como os deslocamentos eram insignificantes em comparação ao raio
do túnel foram necessários aumentar as magnitudes destes, através de um efeito
escala. Este efeito escala foi realizado para cada caso de estudo. Finalmente é
apresentada uma figura que mostra em três dimensões os deslocamentos do túnel
levando em consideração o efeito escala. Em detalhe são mostrados os
deslocamentos do túnel depois da face de escavação.

4.4 CASO MINA EL TENIENTE


Os parâmetros dos materiais usados na simulação numérica do Plaxis 3D Tunnel
foram calculados pelos critérios expostos no Item 4.3. A Tabela 4.4 resume os
parâmetros de entrada.

Tabela 4.4. Parâmetros dos materiais usados na simulação numérica para o Caso
Mina El Teniente.

Rocha
Modelo do Mohr-Coulomb Gref 12,5 GPa
material
Tipo de material Não poroso Eoed 33,3 GPa
γnão saturado 27 kN/m3 cref 4,32 MPa
Eref 30,0 GPa φ 42°
ν 0,20 Interface Rígida
Tipo de rocha Braden Brecha (Rocha Ígnea, Profundidade 300 m
Extrusiva Pyroclástica)
Ko 1,5 GSI 75
Tirante
Tipo de material Elastoplástico Fmax 121 kN
Diâmetro 0,02 m E 42 GPa
2
Área 0,000314 m EA 13,1 MN
Concreto Projetado
Tipo de material Elástico EA 1,25 GN/m
Identificação Placa1 EI 260,42 kPa/m
W 1,08 kN/m2 ν 0,150

52
Para este caso-estudo, os deslocamentos das cinco análises, uma sem suporte e
quatro com os suportes dados pelas classificações geomecânicas, foram plotados
com um fator de escala, conforme a Figura 4.5.

Figura 4.5. Efeito escala para o Caso Mina El Teniente.

4.4.1 DESLOCAMENTO DO TÚNEL SEM SUPORTE

A Figura 4.6 apresenta os resultados do túnel sem suporte para o Caso Mina El
Teniente. Os deslocamentos máximos foram de 0,28 mm no teto e 0,74 mm na
lateral do túnel, e o fator de segurança foi de 4,55.

53
Figura 4.6. Vista em 3D do deslocamento do túnel sem suporte para o Caso Mina El
Teniente.

4.4.2 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO WICKHAM ET AL.


(1972)

Esta solução de projeto está baseada na solução de Wickham et al. (1972),


conforme os Apêndice A e B. A Tabela 4.5 detalha a utilização deste método de
classificação geomecânica para a obtenção da solução de projeto. Conclui-se que
não seria necessário suporte, portanto o comportamento do túnel é o mesmo dado
pela Figura 4.6.

Tabela 4.5. Critério de projeto Wickham et al. (1972) para o Caso Mina El Teniente.

Parâmetro Valor Descrição


A 24 Tipo de rocha = 3, estrutura geológica compacta.

54
Tabela 4.5. Critério de projeto Wickham et al. (1972) para o Caso Mina El Teniente
(continuação).

Parâmetro Valor Descrição


Espaçamento das juntas: Compacta > 1,2 m, Direção da
camada geológica paralela ao eixo, Direção de perfuração,
B 40
Quaisquer direção, Mergulho de juntas representativas:
Achatado.
C 25 Suma A+B = 24+40 = 64, Condição de junta: boa.
O maciço rochoso não precisaria de suporte e o
A+B+C 89 comportamento do túnel vai ser o mesmo que aquele para
o túnel sem suporte.

4.4.3 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO BIENIAWSKI


(1989)

A solução de projeto baseada na solução de Bieniawski (1989) está descrita nos


Apêndices A e B. A partir do valor do GSI, dado por Hoek (1998), se pode obter o
valor de RMR89 (Hoek et al. 1995):

RMR´89 = GSI + 5 = 75 + 5 = 80.

A solução de Bieniawski indica a Classe II de maciço rochoso (RMR: 61-80),


resultando em tirantes (diâmetro de 20 mm, com calda de concreto), de 3 m de
comprimento, localizados no teto e espaçados de 2,5 m ao longo da linha
transversal, tela de aço opcional, e concreto projetado com espessura de 50 mm no
teto, onde necessitar. Para determinar o suporte foi usada a Tabela B.1. O esquema
deste sistema de suporte está mostrado na Figura 4.7. Os resultados da simulação
estão na Figura 4.8, que indicam deslocamentos máximos de 0,34 mm no teto e
0,94 mm na lateral, e fator de segurança de 7,07.

55
Figura 4.7. Seção Transversal Bieniawski (1989) para o Caso Mina El Teniente.

Figura 4.8. Vista em 3D do deslocamento do túnel pelo sistema de suporte de


Bieniawski (1989) para o Caso Mina El Teniente.

56
4.4.4 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO GRIMSTAD &
BARTON (1993)

Esta solução de projeto está baseada no método de Grimstad & Barton (1993),
descrito nos Apêndices A e B. A partir do valor de GSI para este maciço rochoso
reportado por Hoek (1998), pode-se calcular o valor de Q' (Hoek et al. 1995) usando
a Equação 4.4.

A Tabela 4.6 apresenta o resumo da aplicação deste método, concluindo que este
maciço rochoso não necessitaria de sistema de suporte, cujo comportamento do
túnel seria o já apresentado na Figura 4.6.

Tabela 4.6. Critério de projeto Grimstad & Barton (1993) para o Caso Mina El
Teniente.

Q´ 31
ESR 1

4.4.5 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO PALMSTROM


(1996)

Esta solução de projeto está baseada no método de Palmstrom (1996), descrito nos
Apêndices A e B. A Tabela 4.7 resume a aplicação deste método para o caso da
Mina El Teniente, concluindo não ser necessário nenhum sistema de suporte.

Tabela 4.7. Critério de projeto Palmstrom (1996) para o Caso Mina El Teniente.

Rugosidade a pequena escala: ligeiramente, rugosidade


JR 1,5
de grande escala: planar
Comprimento de descontinuidade: >30. Termo: muito
JL 0,5
comprida, descontinuidade não persistente
JA 0,75 Descontinuidades fechadas ou soldadas

57
Tabela 4.7. Critério de projeto Palmstrom (1996) para o Caso Mina El Teniente
(continuação).

JC 1 D 0,37 Vd 900 m3
JP 2,48 σc 51 MPa RMi 126,4
CF 0,17 Maciço Contínuo
σv 8,1 MPa σθ 12,96 Cg 9,75

4.5 CASO RIO GRANDE


Os parâmetros dos materiais usados na simulação numérica do Plaxis 3D Tunnel,
foram calculados pelos critérios expostos no Item 4.3. A Tabela 4.8 resume os
parâmetros de entrada.

Tabela 4.8. Parâmetros dos materiais usados na simulação numérica para o Caso
Rio Grande.

Rocha
Modelo do Mohr-Coulomb Gref 17,5 GPa
material
Tipo de material Não poroso Eoed 46,7 GPa
3
γnão saturado 28,67 kN/m cref 9,4 MPa
Eref 42 GPa φ 43°
ν 0,20 Interface Rígida
Tipo de rocha Gnaisse (Metamórfica,foliada) Profundidade 300 m
Ko 1,5 GSI 75
Tirante
Tipo de material Elastoplástico Fmax 121 kN
Diâmetro 0,02 m E 42 GPa
Área 0,000314 m2 EA 13,1 MN
Concreto Projetado
Tipo de material Elástico EA 1,25 GN/m
Identificação Placa1 EI 260,42 kPa/m
W 1,08 kN/m2 ν 0,150

58
Para este caso-estudo, os deslocamentos das cinco análises, uma sem suporte e
quatro com os suportes dados pelas classificações geomecânicas, foram plotados
com um fator de escala, conforme a Figura 4.9.

Figura 4.9. Efeito escala para o Caso Rio Grande.

4.5.1 DESLOCAMENTO DO TUNEL SEM SUPORTE

A Figura 4.10 apresenta os resultados do túnel sem suporte para o Caso Rio
Grande. Os deslocamentos máximos foram de 0,28 mm no teto e 0,62 mm na lateral
do túnel, e o fator de segurança foi de 8,45.

59
Figura 4.10. Vista em 3D do deslocamento do túnel sem suporte para o Caso Rio
Grande.

4.5.2 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO WICKHAM ET AL.


(1972)

Esta solução de projeto está baseada na solução de Wickham et al. (1972),


conforme os Apêndice A e B. A Tabela 4.9 detalha a utilização deste método de
classificação geomecânica para a obtenção da solução de projeto. Conclui-se que
não seria necessário suporte, portanto o comportamento do túnel é o mesmo dado
pela Figura 4.10.

Tabela 4.9. Critério de projeto Wickham et al. (1972) para o Caso Rio Grande.

Parâmetro Valor Descrição


Tipo de rocha = 1, duro metamórfico, estrutura geológica:
A 30
compacta

60
Tabela 4.9. Critério de projeto Wickham et al. (1972) o Caso Rio Grande
(continuação).
Parâmetro Valor Descrição
Espaçamento das juntas: Compacta >1,2 m, Direção da
camada geológica paralela ao eixo, Direção de perfuração,
B 40
Quaisquer direção, Mergulho de juntas
representativas:Achatado
C 25 Suma A+B = 30+40 = 70, Condição de junta: boa
O maciço rochoso não precisaria de suporte e a
A+B+C 95 deformação do túnel vai ser a mesma que aquela que é
sem o uso de suporte.

4.5.3 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO BIENIAWSKI


(1989)

A solução de projeto baseada na solução de Bieniawski (1989) está descrita nos


Apêndices A e B. A partir do valor do GSI, dado por Hoek (1998), se pode obter o
valor de RMR89 (Hoek et al. 1995):

RMR´89 = GSI + 5 = 75 + 5 = 80.

A solução de Bieniawski indica a Classe II de maciço rochoso (RMR: 61-80),


resultando em tirantes (diâmetro de 20 mm, com calda de concreto), de 3 m de
comprimento, localizados no teto e espaçados de 2,5 m ao longo da linha
transversal, tela de aço opcional, e concreto projetado com espessura de 50 mm no
teto, onde necessitar. Para determinar o suporte foi usada a Tabela B.1. O esquema
deste sistema de suporte está mostrado na Figura 4.11. Os resultados da simulação
estão na Figura 4.12, que indicam deslocamentos máximos de 0,26 mm no teto e
0,71 mm na lateral, e fator de segurança de 9,36.

61
Figura 4.11. Seção Transversal Bieniawski (1989) para o caso Rio Grande.

Figura 4.12. Vista em 3D do deslocamento do túnel pelo sistema de suporte de


Bieniawski (1989) para o Caso Rio Grande.

62
4.5.4 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO GRIMSTAD &
BARTON (1993)

Esta solução de projeto está baseada no método de Grimstad & Barton (1993),
descrito nos Apêndices A e B. A partir do valor de GSI para este maciço rochoso
reportado por Hoek (1998), pode-se calcular o valor de Q' (Hoek et al. 1995) usando
a Equação 4.4.

A Tabela 4.10 apresenta o resumo da aplicação deste método, concluindo que este
maciço rochoso não necessitaria de sistema de suporte, cujo comportamento do
túnel seria o já apresentado na Figura 4.10.

Tabela 4.10. Critério de projeto Grimstad & Barton (1993) para o Caso Rio Grande.

Q´ 31
ESR 1

4.5.5 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO PALMSTROM


(1996)

Esta solução de projeto está baseada no método de Palmstrom (1996), descrito nos
Apêndices A e B. A Tabela 4.11 resume a aplicação deste método, concluindo não
ser necessário nenhum sistema de suporte.

Tabela 4.11. Critério de projeto Palmstrom (1996) para o Caso Rio Grande.
Rugosidade a pequena escala: rugosa, rugosidade de
JR 4
grande escala: fortemente
Comprimento de descontinuidade: 10-30, Termo: longa /
JL 0,75
comprida, descontinuidade não persistente
JA 0,75 Descontinuidades fechadas ou soldadas
JC 4 D 0,28 Vd 27 m3
JP 0,8 σc 110 MPa RMi 88
CF 1,67 Maciço Continuo
σv 8,6 MPa σθ 13,76 Cg 6,4

63
4.6 CASO HIMACHEL PRADESH

Os parâmetros dos materiais usados na simulação numérica do Plaxis 3D Tunnel


foram calculados pelos critérios expostos no Item 4.3. A Tabela 4.12 resume os
parâmetros de entrada.

Tabela 4.12. Parâmetros dos materiais usados na simulação numérica para o Caso
Himachel Pradesh.

Rocha
Modelo do Mohr-Coulomb Gref 5,3 GPa
material
Tipo de Não poroso Eoed 14,8 GPa
material
γnão saturado 26,5 kN/m3 cref 2,0 MPa
Eref 13,0 GPa φ 40,0 °
ν 0,22 Interface Rígida
Tipo de Rocha Metamórfica foliada Profundidade 300 m
rocha Quartzo mica schisto com juntas
Ko 1,5 GSI 65
Tirante
Tipo de Elastoplástico Fmax 121 kN
material
Diâmetro 0,02 m E 42 GPa
Área 0,000314 m2 EA 13,1 MN
Concreto Projetado
Tipo de Elástico EA 1,25 GN/m
material
Identificação Placa1 EI 260,420 kPa/m
W 1,08 kN/m2 ν 0,150

64
Para este caso-estudo, os deslocamentos das cinco análises, uma sem suporte e
quatro com os suportes dados pelas classificações geomecânicas, foram plotados
com um fator de escala, conforme a Figura 4.13.

Figura 4.13. Efeito escala para o Caso Himachel Pradesh.

4.6.1 DESLOCAMENTO DO TUNEL SEM SUPORTE

A Figura 4.14 apresenta os resultados do túnel sem suporte para o Caso Himachel
Pradesh. Os deslocamentos máximos foram de 0,85 mm no teto e 1,83 mm na
lateral do túnel, e o fator de segurança foi de 2,58.

65
Figura 4.14. Vista em 3D do deslocamento do túnel sem suporte para o Caso
Himachel Pradesh.

4.6.2 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO WICKHAM ET AL.


(1972)

Esta solução de projeto está baseada na solução de Wickham et al. (1972),


conforme os Apêndices A e B. A Tabela 4.13 detalha a utilização deste método de
classificação geomecânica para a obtenção da solução de projeto. Conclui-se que é
necessário suporte, portanto precisaria de concreto projetado de 50 mm e tirantes de
1 m espaçados a 60 cm ao longo da linha transversal. O esquema deste sistema de
suporte está mostrado na Figura 4.15. Os resultados da simulação estão na Figura
4.16, que indicam deslocamentos máximos de 1,44 mm no teto e 1,73 mm na lateral,
e fator de segurança de 4,08.

66
Tabela 4.13. Critério de projeto Wickham et al. (1972) para o Caso Himachel
Pradesh.

Parâmetro Valor Descrição


Tipo de rocha = 2, metamórfico médio, estrutura geológica:
A 13
moderadamente dobrado ou fraturado.
Espaçamento das juntas : Juntas moderadas de 15 a 30
cm, Direção da camada geológica paralela ao eixo, Direção
B 23
de perfuração, Quaisquer direção, Mergulho de juntas
representativas:Achatado.
C 22 Suma A+B = 13+23 = 36, Condição de junta: boa.
50 mm de concreto projetado, e de tirante espaçado a 60
A+B+C 58
cm.

Figura 4.15. Seção Transversal Wickham et al. (1972) para o Caso Himachel
Pradesh.

67
Figura 4.16. Vista em 3D do deslocamento do túnel pelo sistema de suporte de
Wickham et al. (1972) para o Caso Himachel Pradesh.

4.6.3 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO BIENIAWSKI


(1989)

A solução de projeto baseada na solução de Bieniawski (1989) está descrita nos


Apêndices A e B.

A partir do valor do GSI, dado por Hoek (1998), se pode obter o valor de RMR89
(Hoek et al. 1995):

RMR´89 = GSI + 5 = 65 + 5 = 70.

A solução de Bieniawski indica a Classe II de maciço rochoso (RMR: 61-80).

68
Porem, resultando em tirantes (diâmetro de 20 mm, com calda de concreto), de 3 m
de comprimento, localizados no teto e espaçados de 2,5 m ao longo da linha
transversal, tela de aço opcional, e concreto projetado com espessura de 50 mm no
teto, onde necessitar.

Para determinar o suporte foi usada a Tabela B.1. O esquema deste sistema de
suporte está mostrado na Figura 4.17.

Os resultados da simulação estão na Figura 4.18, que indicam deslocamentos


máximos de 0,78 mm no teto e 2,12 mm na lateral, e fator de segurança de 4,57.

Figura 4.17. Seção Transversal Bieniawski (1989) para o Caso Himachel Pradesh.

69
Figura 4.18. Vista em 3D do deslocamento do túnel pelo sistema de suporte de
Bieniawski (1989) para o Caso Himachel Pradesh.

4.6.4 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO GRIMSTAD &


BARTON (1993)

Esta solução de projeto está baseada no método de Grimstad & Barton (1993),
descrito nos Apêndices A e B. A partir do valor de GSI para este maciço rochoso
reportado por Hoek (1998), pode-se calcular o valor de Q' (Hoek et al. 1995) usando
a Equação 4.4.

A Tabela 4.14 apresenta o resumo da aplicação deste método, concluindo que este
maciço rochoso não necessitaria de sistema de suporte, cujo comportamento do
túnel seria o já apresentado na Figura 4.14.

70
Tabela 4.14. Critério de projeto Grimstad & Barton (1993) para o Caso Himachel
Pradesh.

Q´ 10
ESR 1

4.6.5 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO PALMSTROM


(1996)

Esta solução de projeto está baseada no método de Palmstrom (1996), descrito nos
Apêndices A e B. A Tabela 4.15 resume a aplicação deste método, concluindo que
precisa de um sistema de suporte, resultando em tirantes de 2 m de comprimento,
espaçados de 2 m ao longo da linha transversal, e concreto projetado com
espessura de 50 mm. O esquema deste sistema de suporte está mostrado na Figura
4.19. Os resultados da simulação estão na Figura 4.20, que indicam deslocamentos
máximos de 1,14 mm no teto e 2,09 mm na lateral, e fator de segurança de 4,37.

Tabela 4.15. Critério de projeto Palmstrom (1996) para o Caso Himachel Pradesh.

Rugosidade a pequena escala: ligeiramente, rugosidade


JR 2
de grande escala: ligeiramente ondulada
Comprimento de descontinuidade: 1-10 m, Termo:
JL 1
mediana, descontinuidade não persistente
B. descontinuidades preenchidas, contato parcial ou sem
JA 8 contato, preenchimento de materiais granulares sem
argila, nulo preenchimento espessor > 5 mm
JC 0,25 D 0,49 Vd 1 m3
JP 0,13 σc 30 MPa RMi 3,9
CF 5 Maciço Continuo
σv 7,95 MPa σθ 12,72 MPa Cg 0,31

71
Figura 4.19. Seção Transversal Palmstrom (1996) para o Caso Himachel Pradesh.

Figura 4.20. Vista em 3D do deslocamento do túnel pelo sistema de suporte de


Palmstrom (1996) para o Caso Himachel Pradesh.

72
4.7 CASO METRÔ ATENAS

Os parâmetros dos materiais usados na simulação numérica do Plaxis 3D Tunnel


foram calculados pelos critérios expostos no Item 4.3. A Tabela 4.16 resume os
parâmetros de entrada.

Tabela 4.16. Parâmetros dos materiais usados na simulação numérica para o Caso
Metrô Atenas.

Rocha
Modelo do material Mohr-Coulomb Gref 160 MPa
Tipo de material Não poroso Eoed 480 MPa
γnão saturado 27,1 kN/m3 cref 90,0 kPa
Eref 398 MPa φ 22,4°
ν 0,25 Interface Rígida
Tipo de rocha Schisto Ateniano, Profundidade 20 m
Metamórfico foliado
Ko 1,5 GSI 20
Tirante
Tipo de material Elastoplástico Fmax 121 kN
Diâmetro 0,02 m E 42 GPa
Área 0,000314 m2 EA 13,1 MN
Concreto Projetado
Tipo de material Elástico EA 2,5 GN/m
Identificação Placa2 EI 2,08 MPa/m
W 2,17 kN/m2 ν 0,15
Tipo de material Elástico EA 3,7 GN/m
Identificação Placa3 EI 7,03 MPa/m
W 3,25 kN/m2 ν 0,15
Tipo de material Elástico EA 5,0 GN/m
Identificação Placa4 EI 16,7 MPa/m
2
W 4,34 kN/m ν 0,15

73
Para este caso-estudo, os deslocamentos das cinco análises, uma sem suporte e
quatro com os suportes dados pelas classificações geomecânicas, foram plotados
com um fator de escala, conforme a Figura 4.21.

Figura 4.21. Efeito escala para o Caso Metrô Atenas.

4.7.1 DESLOCAMENTO DO TUNEL SEM SUPORTE

A Figura 4.22 apresenta os resultados do túnel sem suporte para o Caso Metrô
Atenas. Os deslocamentos máximos foram de 14 mm no teto e 16 mm na lateral do
túnel, e o fator de segurança foi de 1,35.

74
Figura 4.22. Vista em 3D do deslocamento do túnel sem suporte para o Caso Metrô
Atenas.

4.7.2 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO WICKHAM ET AL.


(1972)
Esta solução de projeto está baseada na solução de Wickham et al. (1972),
conforme os Apêndices A e B. A Tabela 4.17 detalha a utilização deste método de
classificação geomecânica para a obtenção da solução de projeto. Conclui-se que é
necessário suporte, portanto precisaria de concreto projetado de 150 mm e tirantes
de 1 m espaçados a 70 cm ao longo da linha transversal. O esquema deste sistema
de suporte está mostrado na Figura 4.23. Os resultados da simulação estão na
Figura 4.24, que indicam deslocamentos máximos de 1,59 mm no teto e 2,77 mm na
lateral, e fator de segurança de 2,37.

75
Tabela 4.17. Critério de projeto Wickham et al. (1972) para o Caso Metrô Atenas.

Parâmetro Valor Descrição


Tipo de rocha = 4, decomposto metamórfico, estrutura
A 6
geológica: intensivamente dobrado ou fraturado.
Espaçamento das juntas : Juntas muito próximas < 5 cm,
Direção da camada geológica paralela ao eixo, Direção de
B 9
perfuração, Quaisquer direção, Mergulho de juntas
representativas:Achatado.
C 12 Suma A+B = 6+9 = 15, Condição de junta: pobre.
Tirantes espaçados a 70 cm, e concreto projetado de 150
A+B+C 27
mm.

Figura 4.23. Seção Transversal Wickham et al. (1972) para o Caso Metrô Atenas.

76
Figura 4.24. Vista em 3D do deslocamento do túnel pelo sistema de suporte de
Wickham et al. (1972) para o Caso Metrô Atenas.

4.7.3 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO BIENIAWSKI


(1989)

A solução de projeto baseada na solução de Bieniawski (1989) está descrita nos


Apêndices A e B.

A partir do valor do GSI, dado por Hoek (1998), se pode obter o valor de RMR89
(Hoek et al. 1995):

RMR´89 = GSI + 5 = 20 + 5 = 25.

A solução de Bieniawski indica a Classe IV de maciço rochoso (RMR: 21-41).

77
Resultando em tirantes (diâmetro de 20 mm, com calda de concreto), de 5 m de
comprimento, localizados no teto e paredes espaçados de 1,5 m ao longo da linha
transversal, tela de aço opcional, e concreto projetado com espessura de 100 mm.
Para determinar o suporte foi usada a Tabela B.1.

O esquema deste sistema de suporte está mostrado na Figura 4.25.

Os resultados da simulação estão na Figura 4.26, que indicam deslocamentos


máximos de 0,6 mm no teto e 9,9 mm na lateral, e fator de segurança de 1,62.

Figura 4.25. Seção Transversal Bieniawski (1989) para o Caso Metrô Atenas.

78
Figura 4.26. Vista em 3D do deslocamento do túnel pelo sistema de suporte de
Bieniawski (1989) para o Caso Metrô Atenas.

4.7.4 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO GRIMSTAD &


BARTON (1993)
Esta solução de projeto está baseada no método de Grimstad & Barton (1993),
descrito nos Apêndices A e B. A partir do valor de GSI para este maciço rochoso
reportado por Hoek (1998), pode-se calcular o valor de Q' (Hoek et al. 1995) usando
a Equação 4.4.

A Tabela 4.18 apresenta o resumo da aplicação deste método, concluindo que este
maciço rochoso necessitaria sistema de suporte, resultando em tirantes de 2,4 m de
comprimento, espaçados de 2 m ao longo da linha transversal, e concreto projetado
com espessura de 150 mm. O esquema deste sistema de suporte está mostrado na
Figura 4.27. Os resultados da simulação estão na Figura 4.28, que indicam

79
deslocamentos máximos de 1,59 mm no teto e 2,76 mm na lateral, e fator de
segurança de 2,37.

Tabela 4.18. Critério de projeto Grimstad & Barton (1993) para o Caso Metrô Atenas.

Q´ 0,0695
ESR 1

Figura 4.27. Seção Transversal Grimstad & Barton (1993) para o Caso Metrô
Atenas.

80
Figura 4.28. Vista em 3D do deslocamento do túnel pelo sistema de suporte de
Grimstad & Barton (1993) para o Caso Metrô Atenas.

4.7.5 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO PALMSTROM


(1996)

Esta solução de projeto está baseada no método de Palmstrom (1996), descrito nos
Apêndices A e B. A Tabela 4.19 resume a aplicação deste método, concluindo que
precisa de um sistema de suporte, resultando em tirantes de 1 m de comprimento,
espaçados de 1 m ao longo da linha transversal, e concreto projetado com
espessura de 200 mm. O esquema deste sistema de suporte está mostrado na
Figura 4.29. Os resultados da simulação estão na Figura 4.30, que indicam
deslocamentos máximos de 1,75 mm no teto e 2,50 mm na lateral, e fator de
segurança de 3,80.

81
Tabela 4.19. Critério de projeto Palmstrom (1996) para o Caso Metrô Atenas.

Rugosidade a pequena escala: polida, rugosidade de


JR 0.75
grande escala: planar
Comprimento de descontinuidade: < 0.5 m, Termo: muito
JL 6
curta, descontinuidade persistente
Descontinuidades preenchidas, contato parcial ou sem
JA 12
contato, materiais argilosos moles, nulo
JC 0,38 D 0,49 Vd 0,008 m3
JP 0,0136 σc 5 MPa RMi 0,068
CF 25 Maciço descontinuo
SL 0,25 C 1 Gc 0,017
Nj 0,54 Co 1 Sr 46,3

Figura 4.29. Seção Transversal Palmstrom (1996) para o Caso Metrô Atenas.

82
Figura 4.30. Vista em 3D do deslocamento do túnel pelo sistema de suporte de
Palmstrom (1996) para o Caso Metrô Atenas.

4.8 CASO YACAMBÚ QUIBOR


Os parâmetros dos materiais usados na simulação numérica do Plaxis 3D Tunnel
foram calculados pelos critérios expostos no Item 4.3. A Tabela 4.20 resume os
parâmetros de entrada.

Tabela 4.20. Parâmetros dos materiais usados na simulação numérica para o Caso
Yacambú Quibor

Rocha
Modelo do Mohr-Coulomb Gref 348 MPa
material
Tipo de material Não poroso Eoed 1,04 GPa
γnão saturado 26,0 kN/m3 cref 340,0 kN/m2
Eref 870 MPa φ 24°

83
Tabela 4.20. Parâmetros dos materiais usados na simulação numérica para o Caso
Yacambú Quibor (continuação).
Rocha
ν 0,25 Interface Rígida
Tipo de rocha Filito grafitoso, Rocha Profundidade 1200 m
Metamórfica foliada
Ko 1,5 GSI 24
Tirante
Tipo de material Elastoplástico Fmax 121 kN
Diâmetro 0,02 m E 42 GPa
Área 0,000314 m2 EA 13,1 MN
Concreto Projetado
Tipo de material Elástico EA 1,25 GN/m
Identificação Placa1 EI 260,42 kPa/m
W 1,085 kN/m2 ν 0,15
Tipo de material Elástico EA 2,5 GN/m
Identificação Placa2 EI 2,08 MPa/m
W 2,170 kN/m2 ν 0,15
Tipo de material Elástico EA 3,75 GN/m
Identificação Placa3 EI 7,03 MPa/m
W 3,255 kN/m2 ν 0,15
Tipo de material Elástico EA 6,25 GN/m
Identificação Placa5 EI 32,5 MPa/m
W 5,420 kN/m2 ν 0,15

Para este caso-estudo, os deslocamentos das cinco análises, uma sem suporte e
quatro com os suportes dados pelas classificações geomecânicas, foram plotados
com um fator de escala, conforme a Figura 4.31.

84
Figura 4.31. Efeito escala para o Caso Yacambú Quibor.

4.8.1 DESLOCAMENTO DO TUNEL SEM SUPORTE

A Figura 4.32 apresenta os resultados do túnel sem suporte para o Caso Yacambú
Quibor. Os deslocamentos máximos foram de 27 mm no teto e 60 mm na lateral do
túnel, e o fator de segurança foi de 1,20.

85
Figura 4.32. Vista em 3D do deslocamento do túnel sem suporte para o Caso
Yacambú Quibor.

4.8.2 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO WICKHAM ET AL.


(1972)

Esta solução de projeto está baseada na solução de Wickham et al. (1972),


conforme os Apêndices A e B. A Tabela 4.21 detalha a utilização deste método de
classificação geomecânica para a obtenção da solução de projeto. Conclui-se que é
necessário suporte, portanto precisaria de concreto projetado de 50 mm e tirantes de
1 m espaçados a 60 cm ao longo da linha transversal. O esquema deste sistema de
suporte está mostrado na Figura 4.33. Os resultados da simulação estão na Figura
4.34, que indicam deslocamentos máximos de 16 mm no teto e 39 mm na lateral, e
fator de segurança de 1,42.

86
Tabela 4.21. Critério de projeto Wickham et al. (1972) para o Caso Yacambú Quibor.

Parâmetro Valor Descrição


Tipo de rocha = 2, médio metamórfico, estrutura geológica:
A 13
moderadamente dobrado ou fraturado.
Espaçamento das juntas : Juntas moderadas, 15-30 cm,
Direção da camada geológica paralela ao eixo, Direção de
B 23
perfuração, Quaisquer direção, Mergulho de juntas
representativas:Achatado.
C 22 Suma A+B = 13+23 = 36, Condição de junta: bom.
Tirantes espaçados a 60 cm, e concreto projetado de 50
A+B+C 58
mm.

Figura 4.33. Seção Transversal Wickham et al. (1972) para o Caso Yacambú Quibor.

87
Figura 4.34. Vista em 3D do deslocamento do túnel pelo sistema de suporte de
Wickham et al. (1972) para o Caso Yacambú Quibor.

4.8.3 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO BIENIAWSKI


(1989)

A solução de projeto baseada na solução de Bieniawski (1989) está descrita nos


Apêndices A e B.

A partir do valor do GSI, dado por Hoek (1998), se pode obter o valor de RMR89
(Hoek et al. 1995):

RMR´89 = GSI + 5 = 24 + 5 = 29.

A solução de Bieniawski indica a Classe IV de maciço rochoso (RMR: 21-41).

88
Resultando em tirantes (diâmetro de 20 mm, com calda de concreto), de 5 m de
comprimento, localizados no teto e paredes espaçados de 1,5 m ao longo da linha
transversal, tela de aço opcional, e concreto projetado com espessura de 100 mm.

Para determinar o suporte foi usada a Tabela B.1.

O esquema deste sistema de suporte está mostrado na Figura 4.35.

Os resultados da simulação estão na Figura 4.36, que indicam deslocamentos


máximos de 10 mm no teto e 68 mm na lateral, e fator de segurança de 1,22.

Figura 4.35. Seção Transversal Bieniawski (1989) para o Caso Yacambú Quibor.

89
Figura 4.36. Vista em 3D do deslocamento do túnel pelo sistema de suporte de
Bieniawski (1989) para o Caso Yacambú Quibor.

4.8.4 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO GRIMSTAD &


BARTON (1993)

Esta solução de projeto está baseada no método de Grimstad & Barton (1993),
descrito nos Apêndices A e B. A partir do valor de GSI para este maciço rochoso
reportado por Hoek (1998), pode-se calcular o valor de Q' (Hoek et al. 1995) usando
a Equação 4.4.

A Tabela 4.22 apresenta o resumo da aplicação deste método, concluindo que este
maciço rochoso necessitaria sistema de suporte, resultando em tirantes de 2,4 m de
comprimento, espaçados de 2 m ao longo da linha transversal, e concreto projetado
com espessura de 150 mm. O esquema deste sistema de suporte está mostrado na
Figura 4.37. Os resultados da simulação estão na Figura 4.38, que indicam

90
deslocamentos máximos de 15 mm no teto e 60 mm na lateral, e fator de segurança
de 1,17.

Tabela 4.22. Critério de projeto Grimstad & Barton (1993) para o Caso Yacambú
Quibor.

Q´ 0,11
ESR 1

Figura 4.37. Seção Transversal Grimstad & Barton (1993) para o Caso Yacambú
Quibor.

91
Figura 4.38. Vista em 3D do deslocamento do túnel pelo sistema de suporte de
Grimstad & Barton (1993) para o Caso Yacambú Quibor.

4.8.5 SISTEMA DE SUPORTE SEGUNDO PALMSTROM


(1996)

Esta solução de projeto está baseada no método de Palmstrom (1996), descrito nos
Apêndices A e B. A Tabela 4.23 resume a aplicação deste método, concluindo que
precisa de um sistema de suporte, resultando em tirantes de 1 m de comprimento,
espaçados de 1 m ao longo da linha transversal, e concreto projetado com
espessura de 250 mm. O esquema deste sistema de suporte está mostrado na
Figura 4.39. Os resultados da simulação estão na Figura 4.40, que indicam
deslocamentos máximos de 14 mm no teto e 59 mm na lateral, e fator de segurança
de 1,22.

92
Tabela 4.23. Critério de projeto Palmstrom (1996) para o Caso Yacambú Quibor.

Rugosidade a pequena escala: polida, rugosidade de


JR 0.75
grande escala: planar
Comprimento de descontinuidade: < 0.5 m, Termo: muito
JL 3
curta, descontinuidade não persistente
Descontinuidades preenchidas, contato parcial ou sem
JA 12
contato, materiais argilosos moles, nulo
JC 0,19 D 0,52 Vd 0,001 m3
JP 0,0032 σc 5 MPa RMi 0,048
CF 50 Maciço descontinuo
SL 2 C 1 Gc 0,096
Nj 0,67 Co 1 Sr 74,6

Figura 4.39. Seção Transversal Palmstrom (1996) para o Caso Yacambú Quibor.

93
Figura 4.40. Vista em 3D do deslocamento do túnel pelo sistema de suporte de
Palmstrom (1996) para o caso Yacambú Quibor.

4.9 ANÁLISE DO FATOR DE SEGURANÇA


As Figuras 4.41 a 4.45 apresentam os fatores de segurança (FS) finais para os cinco
casos estudados, mostrando para cada um deles, os valores de FS para o túnel sem
suporte e para as soluções de projeto dadas pelas quatro classificações
geomecânicas em questão. Também são mostradas nas figuras, as faixas de
valores de FS normalmente aceitas para estruturas em ruptura (FS < 1), em
carregamento temporário (FS = 1,3) e em carregamento permanente (FS = 1,5 a
2,0).

Para o Caso Mina El Teniente (Figura 4.41) e Caso Rio Grande (Figura 4.42), os
fatores de segurança estão bem acima das faixas de projeto, e iguais para todas as
classificações, já que para todas elas, exceto Bieniawski (1989), não houve
necessidade de suporte, convergindo para a solução de túnel sem suporte.

94
Para o Caso Himachel Pradesh (Figura 4.43), todas as classificações indicaram o
uso de suporte, exceto Grimstad e Barton (1993), levando a valores de FS
conservadores. É notável o aumento de FS nas classificações que solicitaram
sistema de suporte, como é o caso da classificação de Bieniawski (1989), que
duplicou o valor de FS com respeito aquele sem suporte.

No Caso Metrô Atenas (Figura 4.44), o FS sem suporte (FS = 1,35) é adequado o
suficiente para a construção, mas não atende a faixa de carregamento permanente
(FS = 1,5 a 2,0), sendo necessário o uso de sistema de suporte. Todas as
classificações requereram sistemas de suporte, e assim elevaram o FS. A solução
de Bieniawski (1989), pela primeira vez, mostra um FS mais baixo do que as demais,
e a de Palmstrom (1996) foi muito conservadora. No Caso Yacambú Quibor (Figura
4.45), todas classificações requereram sistemas de suporte, mas as simulações
numéricas não indicaram melhora significativa nos valores de fator de segurança em
relação ao caso de túnel sem suporte. O valor de FS para a solução segundo
Grimstad e Barton (1993) mostra-se menor que o caso sem suporte, porém pela
proximidade de valores encontrados nos dois casos pode-se considerá-lo igual a
solução sem suporte. Esta incoerência pode ter sido gerada devido ao processo de
iteração numérica.

Figura 4.41. Fator de segurança para o Caso Mina El Teniente.

95
Figura 4.42. Fator de segurança para o Caso Rio Grande.

Figura 4.43. Fator de segurança para o Caso Himachel Pradesh.

96
Figura 4.44. Fator de segurança para o Caso Metrô Atenas.

Figura 4.45. Fator de segurança para o Caso Yacambú Quibor.

97
A Figura 4.46 apresenta os fatores de segurança calculados pelo programa Plaxis
3D Tunnel, que são comparados com os valores de GSI de cada um dos casos de
estudo. O maior valor do fator de segurança foi registrado para o caso Rio Grande e
o menor valor registrado foi para o caso Yacambú Quibor. É interessante observar
que o valor de fator de segurança do caso Mina El Teniente é menor que o do caso
Rio Grande, sendo que ambos possuem o mesmo valor de GSI (75) e a mesma
profundidade de escavação (300 m). Este fato pode ter acontecido devido ao menor
valor de módulo de elasticidade e coesão do caso Mina El Teniente.

Figura 4.46. Fator de segurança segundo o GSI de cada caso-estudo

4.10 DESLOCAMENTOS DO MACIÇO

As Figuras 4.47 a 4.51 apresentam os deslocamentos do teto e da parede do túnel


para os cinco casos estudados. Estes deslocamentos são plotados desde a frente
da escavação, ou seja dentro do maciço rochoso a 15 m ou equivalente a três vezes
o diâmetro (3D) da face de escavação, até 35 m ou sete vezes o diâmetro (7D) atrás
da face de escavação. Só são apresentados os deslocamentos das classificações
que requereram suporte, pois aquelas que não, resultam em valores iguais a
aqueles sem suporte. Em todos os casos-estudo mostra-se o deslocamento do túnel
segundo o critério de Hoek et al. (1995), descrito no Item 2.6.3.

98
Em todos os casos os maiores deslocamentos se registraram nas paredes do túnel,
já que o coeficiente Ko = 1,5 foi adotado para todos os casos.

Também em todos os casos os deslocamentos começaram a 3 vezes o diâmetro


(3D = 15 m) adiante da face de escavação e se estabilizaram a 7 vezes o diâmetro
(7D = 35 m) atrás da face de escavação.

Para todos os casos o critério de deslocamento de Hoek et al. (1995) mostra-se


confiável, já que o deslocamento final ocorre até 1,5D após a escavação da face.

No Caso Mina El Teniente (Figura 4.47) os deslocamentos no teto e nas paredes


registrados para a solução de Bieniawski (1989) foram maiores que a sem suporte.

Este comportamento é curioso, porque o uso de sistema de suporte deveria diminuir


os deslocamentos em relação a aqueles registrados sem suporte. No entanto o valor
de FS (Figura 4.41) é maior que o sem suporte.

No Caso Rio Grande (Figura 4.48) o deslocamento no teto pelo sistema de suporte
de Bieniawski (1989) é menor que aquele sem suporte, o que é coerente.

No entanto o deslocamento na parede segundo Bieniawski (1989) é maior que


aquele sem suporte.

No Caso Himachel Pradesh (Figura 4.49) se utilizou três sistemas de suporte dos
quais o de Wickham et al. (1972) mostrou o menor valor de deslocamento na
parede, mas foi o pior para o deslocamento no teto, já que foi o maior registrado.

O de melhor desempenho no teto foi o de Bieniawski (1989).

No Caso Metrô Atenas (Figura 4.50) foram analisados todos os sistemas de suporte.
Aqui sim todos os sistema de suporte apresentaram menores deslocamentos que o
sem suporte.

99
Isto mostra um comportamento aceitável dos sistemas de suporte porque
acompanha a relação direta de comportamento de fator de segurança.

O de melhor desempenho em termos médios foi o de Bieniawski (1989).

No Caso Yacambú Quibor (Figura 4.51) foram analisados todos os sistemas de


suporte e na grande maioria acompanham o comportamento do FS.

Isto quer dizer que o deslocamento utilizando sistemas de suporte é menor que o
deslocamento sem suporte. Neste caso acontece um fenômeno peculiar de
concavidade nas curvas de deslocamento quando utilizado sistemas de suporte, o
que não ocorre nos deslocamentos sem suporte.

Este comportamento é devido à presença do concreto projetado nas proximidades


da face, que devido a sua rigidez, causa uma redistribuição de tensões não
uniforme.

Os deslocamentos máximos e os fatores de segurança máximos registrados para


todos os casos-estudo são mostrados na Tabela 4.24.

Pode-se observar que considerando a escavação sem utilização de suporte, os


maiores deslocamentos no teto e na parede da construção hipotética do túnel foram
registrados no Caso Yacambú Quibor, no entanto no Caso Rio Grande se
registraram os menores deslocamentos.

Para os casos Himachel Pradesh, Metrô Atenas e Yacambú Quibor observou-se a


diminuição dos deslocamentos no teto e na parede após o uso do sistema de
suporte.

Já para os casos Mina El Teniente e Rio Grande o comportamento foi diferente,


registrando os maiores deslocamentos após o uso do sistema de suporte.

100
Pode-se observar também que as diferenças entre os deslocamentos sem suporte e
os deslocamentos com suporte nestes dois casos-estudo são insignificantes
podendo-se considerar que estes valores são iguais.
Na Tabela 4.25 pode-se observar o resumo do material requerido para cada solução
de projeto de sistema de suporte, ou seja a quantidade de tirantes e de concreto
projetado.

A quantidade de concreto projetado foi calculada em volume de concreto projetado


por metro longitudinal de escavação (m3/m) e o número de tirantes foi calculado
como comprimento de tirantes por metro longitudinal de túnel (m/m).

Para os casos Mina El Teniente e Rio Grande o material de suporte só foi


necessário para a solução de Bieniawski (1989).

No Caso Himachel Pradesh a solução mais econômica é a de Bieniawski (1989) e a


solução menos favorável é a de Wickham et al. (1972).

No Caso Metrô Atenas as soluções de Bieniawski (1989) e de Palmstrom (1996)


foram as mais econômicas em relação à necessidade de tirantes e concreto
projetado, respectivamente.

No Caso Yacambú Quibor a solução de Wickham et al. (1972) foi a melhor quanto a
economia de tirantes e de concreto projetado.

Para todos os casos, fazendo uma média na quantidade de material obtida para
cada solução, a mais econômica para concreto projetado é a de Wickham et al.
(1972) e a menos econômica é a de Palmstrom (1996) e, para tirantes a solução
mais econômica é a de Grimstad e Barton (1993) e a menos econômica é a de
Wickham et al. (1972).

No Apêndice D, pode-se observar com maior detalhe o cálculo realizado para obter
as quantidades de material necessárias para cada solução de suporte.

101
Figura 4.47. Deslocamento do maciço rochoso para o Caso Mina El Teniente.

102
Figura 4.48. Deslocamento do maciço rochoso para o Caso Rio Grande.

103
Figura 4.49. Deslocamento do maciço rochoso para o Caso Himachel Pradesh.

104
Figura 4.50. Deslocamento do maciço rochoso para o Caso Metrô Atenas.

105
Figura 4.51. Deslocamento do maciço rochoso para o Caso Yacambú Quibor.

106
Tabela 4.24. Deslocamentos e fatores de segurança máximos nos casos-estudo.
Uy Ux
Uy
Ux(max)- sem sem
(max)- FS
Caso Solução {parede} Solução FS(max) Solução suporte suporte
{teto} sem suporte
(mm) {teto} {parede}
(mm)
(mm) (mm)
Caso Mina Bieniawski Bieniawski Bieniawski
0,34 0,94 7,07 4,55 0,28 0,74
El Teniente (1989) (1989) (1989)
Caso Rio Bieniawski Bieniawski Bieniawski
0,26 0,71 9,36 8,45 0,28 0,62
Grande (1989) (1989) (1989)
Caso Wickham
Bieniawski Bieniawski
Himachel 1,44 et al. 2,12 4,57 2,58 0,85 1,85
(1989) (1989)
Pradesh (1972)
Caso Metrô Palmstrom Bieniawski Palmstrom
1,75 9,90 3,80 1,35 13,77 16,29
Atenas (1996) (1989) (1996)
Caso Wickham
Bieniawski Wickham et
Yacambú 16,01 et al. 67,68 1,42 1,20 27,18 59,78
(1989) al. (1972)
Quibor (1972)

107
Tabela 4.25. Quantitativo de material para os diferentes casos de estudo.
Solução Caso 1 Caso 2 Caso 3 Caso 4 Caso 5 Total

Sem
FS 4,55 8,45 2,58 1,35 1,20 -
suporte

FS - - 4,08 2,37 1,42 -


Wickham Volume de concreto projetado
- - 0,39 1,16 0,39 1,94
et al. por metro longitudinal (m3/m)
(1972) Comprimento de tirantes por
- - 10,40 18,00 10,40 38,80
metro longitudinal (m/m)
FS 7,07 9,36 4,57 1,62 1,22 -
Volume de concreto projetado
0,13 0,13 0,13 0,78 0,78 1,95
por metro longitudinal (m3/m)
Bieniawski
Comprimento de tirantes por
(1989) 2,40 2,40 2,40 14,00 14,00 35,20
metro longitudinal (m/m)
FS - - - 2,37 1,17 -
Volume de concreto projetado
- - - 1,16 1,16 2,32
por metro longitudinal (m3/m)
Grimstad
Comprimento de tirantes por
& Barton - - - 15,36 15,36 30,72
(1993) metro longitudinal (m/m)
FS - - 4,37 3,80 1,22 -
Volume de concreto projetado
Palmstrom - - 0,39 1,54 1,91 3,84
por metro longitudinal (m3/m)
(1996)
Comprimento de tirantes por
- - 3,20 12,80 12,80 28,80
metro longitudinal (m/m)

108
4.11 DISCUSSÕES DESTE CAPÍTULO
Este item visa apresentar as principais discussões relativas ao processo de cálculo e
à análise de resultados. No processo de cálculo se citam as vantagens e
desvantagens do Programa Plaxis 3D Tunnel. Nas vantagens pode-se dizer que o
programa é de fácil aprendizagem, as barras de ferramentas estão bem localizadas,
com a divisão do programa em 4 módulos (entrada de dados, cálculo, saída de
dados e geração de curvas), tem uma lógica de procedimento coerente e é um
programa especializado para escavações subterrâneas. Dentro das desvantagens
pode-se dizer que a geração da geometria é tediosa, porque não permite desenhar
em três dimensões diretamente, devendo-se desenhar em duas dimensões para que
depois no módulo de cálculo estas se habilitem mediante um processo de extrusão.
Outro problema ou desvantagem é o tempo de cálculo excessivo para malhas de
maior refinamento. Também os gráficos de saída não representam de uma maneira
objetiva os resultados. Por fim, é importante que o usuário tenha uma certa
experiência com programas desta natureza para entender e resolver os erros, na
face de cálculo. Como experiência com o programa deve-se citar que cada uma das
simulações teve um tempo de cálculo de 12 a 14 h em média.

O Plaxis 3D Tunnel não permite uma geração adequada dos gráficos dos resultados
(deslocamentos), então estes foram desenhados em três dimensões no programa
Autocad 2005, utilizando os deslocamentos obtidos em cada nó da abertura de
escavação. O programa também calcula o fator de segurança, segundo o método da
redução da resistência, que é uma alternativa de cálculo acertada.

Na interpretação de resultados foram analisados os cinco casos de estudo, cada um


deles com diferentes parâmetros do maciço circundante à escavação. As análises
contemplaram deslocamentos para túneis sem suporte e para aqueles com uso de
suporte. A análise do sistema de suporte foi ditada por quatro classificações
geomecânicas com suas respectivas soluções de projeto. Todas estas análises de
uso de sistema de suporte mostraram diversidade quanto à aplicação de espessura
de concreto projetado como também ao número e espaçamento transversal dos
tirantes.

109
Para o caso Mina El Teniente se precisou de suporte somente segundo a
classificação de Bieniawski (1989). Também no caso Rio Grande, só o projeto
segundo Bieniawski (1989) exigiu o uso de suporte. Neste caso foram alcançados os
maiores valores de fatores de segurança em relação aos outros casos, devido à boa
qualidade do maciço rochoso. No caso Yacambú Quibor foi impossível conseguir um
sistema de suporte que levasse a um fator de segurança de 1,5. O maior FS foi
obtido pelo sistema de suporte definido segundo Wickham et al. (1972), com um FS
= 1,42, mas estranhamente este mesmo caso registrou os maiores deslocamentos.
Porém, é aconselhável projetar um sistema de suporte que atenda estas
características de maciço, para melhorar o FS. Talvez seja necessário reduzir os
espaçamentos longitudinais entre linhas de tirantes, aproximar a primeira linha de
tirante da face de escavação, ou até mesmo parcializar a seção de escavação.

Analisando o comportamento das soluções de projeto para todos os casos-estudo,


apenas quanto ao fator de segurança, as soluções de Wickham et al. (1972)
apresentaram, em média, os maiores valores de FS e as de Grimstad & Barton
(1993) os menores. Também analisando apenas a quantidade de material de
suporte, a solução de Grimstad & Barton (1993) fornece valor menor em relação ao
volume de concreto projetado por metro longitudinal de túnel e a solução de
Wickham et al. (1972) apresenta o menor de comprimento de tirantes por metro de
túnel.

Em geral para todos os casos, os valores mais altos de deslocamentos ocorreram


nas paredes dos túneis, devido ao coeficiente Ko = 1,5 adotado igual para todos os
casos. Também em todos os casos, os deslocamentos começaram a três vezes o
diâmetro (3D = 15 m) adiante da face de escavação. Nos casos Mina El Teniente,
Rio Grande e Himachel Pradesh os deslocamentos se estabilizaram a 1,5 vezes o
diâmetro (1,5D = 7,5 m) atrás da face de escavação, no caso Metrô Atenas estes se
estabilizam a três vezes o diâmetro (3D = 15 m) e no caso Yacambú Quibor se
estabilizaram a cinco vezes o diâmetro (5D = 25 m).

Para todos os casos, o critério de deslocamento de Hoek et al. (1995) mostrou-se


confiável, já que o deslocamento final ocorreu até 1,5D após a escavação da face,

110
mas no começo do deslocamento radial do túnel de 0,5D adiante da face de
escavação não foi correto.

No Caso Mina El Teniente, os deslocamentos registrados para a solução de


Bieniawski (1989) foram maiores em 21% no teto e 27% na lateral, que a sem
suporte. Este comportamento é curioso e incoerente, porque o uso de sistema de
suporte deveria diminuir os deslocamentos em relação a aqueles registrados sem
suporte. O valor de FS foi maior para o caso com sistema de suporte do que sem
suporte. No Caso Rio Grande, o deslocamento no teto pelo sistema de suporte de
Bieniawski (1989) foi menor em 7 %, que aquele sem suporte, o que é coerente. No
entanto o deslocamento na parede segundo Bieniawski (1989) foi maior em 14 %,
que aquele sem suporte. No Caso Himachel Pradesh, três sistemas de suporte
foram requeridos, dos quais o de Wickham et al. (1972) apresentou o menor valor de
deslocamento na parede, isto é 5% menor que o sem suporte, mas o maior
deslocamento no teto, em 69% em relação ao sem suporte. O melhor desempenho
no teto foi o de Bieniawski (1989) de 8% menor que o sem suporte. No Caso Metrô
Atenas, as quatro classificações geomecânicas requereram sistemas de suporte.
Neste caso, todos os sistemas de suporte apresentaram menores deslocamentos
que o sem suporte. Isto mostra um comportamento aceitável dos sistemas de
suporte porque acompanha a relação direta de comportamento com relação ao fator
de segurança. O melhor desempenho em termos médios foi o de Bieniawski (1989)
que apresentou 4% do deslocamento sem suporte no teto e 38 % menor que o sem
suporte na lateral.

No Caso Yacambú Quibor, no cálculo dos deslocamentos do maciço, aconteceu um


efeito diferente aos observados em outros casos. A trajetória de deslocamento ao
longo da parede e do teto adquire o maior valor de deformação a 2,5 m na frente da
face de escavação (dentro do maciço rochoso), e depois reduz este valor até se
estabilizar aos 7,5 m, atrás da face de escavação, mostrando concavidade nas
curvas de deslocamento quando é utilizado sistema de suporte. Este fenômeno é
devido à presença do concreto projetado nas proximidades da face, que devido a
sua rigidez, causa uma redistribuição de tensões não uniforme e também porque as
tensões são elevadas.

111
Analisando o quantitativo de material observou-se uma relação inversamente
proporcional, em que o menor valor de fator de segurança apresentou um maior
gasto no sistema de suporte.

112
CAPÍTULO
5

CONCLUSÕES

5.1. CONCLUSÕES DESTA DISSERTAÇÃO

É necessário entender que ao realizar uma análise em 3D surgem novos desafios: a


modelagem, o aumento no tempo de cálculo por requerer uma malha mais refinada,
a dificuldade no entendimento do programa no momento dos erros, a correta
interpretação dos resultados, a melhor forma de apresentar os resultados, e outros
ainda próprios de um trabalho de pesquisa.

O Plaxis 3D Tunnel é um programa que de alguma forma satisfaz as expectativas do


usuário, no entanto sua função de geração da geometria precisa melhorar, pois suas
alternativas de representação gráfica são limitadas. A geração da geometria em 3D
é um tanto limitada, pois ela parte necessariamente da geometria em 2D, ou seja,
tudo o que será representado ao longo do terceiro eixo deve ser desenhado em 2D e
posteriormente ativado nas fases de cálculo.

O uso do Fator de Segurança segundo o método da redução da resistência é uma


alternativa de cálculo acertada. Este critério é válido e usado não somente no Plaxis
3D Tunnel, mas também em programas como o FLAC, Versão 4.0 (Itasca Consulting
Group 2002).

Nesta dissertação, foram analisados cinco casos de estudo, cada um deles com
diferentes parâmetros do maciço circundante à escavação. Em geral pode-se dizer
que foram analisados maciços rochosos, que quanto a qualidade, de muito bons a
muito fraturados. As análises contemplaram deslocamentos para túneis sem suporte
e para aqueles com uso de suporte. A análise do sistema de suporte foi ditada por
quatro classificações geomecânicas com suas respectivas soluções de projeto.
Todas estas análises de uso de sistema de suporte mostraram diversidade quanto à

113
aplicação de espessura de concreto projetado como também ao número e
espaçamento transversal dos tirantes.

Para o caso Mina El Teniente se precisou de suporte somente segundo a


classificação de Bieniawski (1989) e não para as outras, isto devido a uma unidade
no valor do RMR (RMR = 80). Ou seja, se o RMR fosse 81 ao invés de 80, não seria
preciso o suporte, já que seria um maciço rochoso classe 1, característico de rocha
muito boa (Tabela B.1).

Também no caso Rio Grande, só o projeto segundo Bieniawski (1989) exigiu o uso
de suporte. Neste caso foram alcançados os maiores valores de fatores de
segurança em relação aos outros casos, devido à boa qualidade do maciço rochoso.

No caso Yacambú Quibor foi impossível conseguir um sistema de suporte que


levasse a um fator de segurança de 1,5. O maior FS foi obtido pelo sistema de
suporte definido segundo Wickham et al (1972), com um FS = 1,42, mas
estranhamente este mesmo caso registrou os maiores deslocamentos. Porém, é
aconselhável projetar um sistema de suporte que atenda estas características de
maciço, para melhorar o FS. Talvez seja necessário reduzir os espaçamentos
longitudinais entre linhas de tirantes, aproximar a primeira linha de tirante da face de
escavação, ou até mesmo parcializar a seção de escavação.

Analisando o comportamento das soluções de projeto para todos os casos-estudo,


apenas quanto ao fator de segurança, as soluções de Wickham et al. (1972)
apresentaram, em média, os maiores valores de FS e as de Grimstad e Barton
(1993) os menores. Também analisando apenas a quantidade de material de
suporte, a solução de Grimstad e Barton (1993) fornece valor menor em relação ao
volume de concreto projetado por metro longitudinal de túnel e a solução de
Wickham et al. (1972) apresenta o menor de comprimento de tirantes por metro de
túnel.

Em geral para todos os casos, os valores mais altos de deslocamentos ocorreram


nas paredes dos túneis, devido ao coeficiente Ko = 1,5 adotado igual para todos os
casos. Também em todos os casos, os deslocamentos começaram a três vezes o

114
diâmetro (3D = 15 m) adiante da face de escavação. Nos casos Mina El Teniente,
Rio Grande e Himachel Pradesh os deslocamentos se estabilizaram a 1,5 vezes o
diâmetro (1,5D = 7,5 m) atrás da face de escavação, no caso Metrô Atenas estes se
estabilizam a três vezes o diâmetro (3D = 15 m) e no caso Yacambú Quibor se
estabilizaram a cinco vezes o diâmetro (5D = 25 m). Para todos os casos, o critério
de deslocamento de Hoek et al. (1995) mostrou-se confiável, já que o deslocamento
final ocorreu até 1,5D após a escavação da face, mas no começo do deslocamento
radial do túnel de 0,5D adiante da face de escavação não foi correto.

No Caso Mina El Teniente, os deslocamentos registrados para a solução de


Bieniawski (1989) foram maiores, em 21 % no teto e 27 % na lateral, que a sem
suporte. Este comportamento é curioso e incoerente, porque o uso de sistema de
suporte deveria diminuir os deslocamentos em relação a aqueles registrados sem
suporte. O valor de FS foi maior para o caso com sistema de suporte do que sem
suporte.

No Caso Rio Grande, o deslocamento no teto pelo sistema de suporte de Bieniawski


(1989) foi menor, em 7 %, que aquele sem suporte, o que é coerente. No entanto o
deslocamento na parede segundo Bieniawski (1989) foi maior, em 14 %, que aquele
sem suporte.

No Caso Himachel Pradesh, três sistemas de suporte foram requeridos, dos quais o
de Wickham et al. (1972) mostrou o menor valor de deslocamento na parede, isto é
5% menor que o sem suporte, mas o maior deslocamento no teto, em 69 % em
relação ao sem suporte. O melhor desempenho no teto foi o de Bieniawski (1989) de
8% menor que o sem suporte.

No Caso Metrô Atenas, as quatro classificações geomecânicas requereram sistemas


de suporte. Neste caso, todos os sistemas de suporte apresentaram menores
deslocamentos que o sem suporte. Isto mostra um comportamento aceitável dos
sistemas de suporte porque acompanha a relação direta de comportamento com
relação ao fator de segurança. O melhor desempenho em termos médios foi o de
Bieniawski (1989) que apresentou 4% do deslocamento sem suporte no teto e 38 %
menor que o sem suporte na lateral.

115
No Caso Yacambú Quibor, no cálculo dos deslocamentos do maciço, aconteceu um
efeito diferente aos observados em outros casos. A trajetória de deslocamento ao
longo da parede e do teto adquire o maior valor de deformação a 2,5 m na frente da
face de escavação (dentro do maciço rochoso), e depois reduz este valor até se
estabilizar aos 7,5 m, atrás da face de escavação, mostrando concavidade nas
curvas de deslocamento quando é utilizado sistema de suporte. Este fenômeno é
devido à presença do concreto projetado nas proximidades da face, que devido a
sua rigidez, causa uma redistribuição de tensões não uniforme e também porque as
tensões são elevadas.

A análise em 3D permitiu observar que os deslocamentos no eixo z (Uz), não são


significativos, mas é importante ponderar que eles existem. Tal é o Caso Yacambú
Quibor onde estes foram significativos, já que na maioria das cinco análises se
mostraram iguais aos deslocamentos do teto (Uy) na seção transversal localizada a
uma vez o diâmetro (1D = 5 m) na frente da face de escavação.

Analisando o quantitativo de material observou-se uma relação inversamente


proporcional, em que o menor valor de fator de segurança apresentou um maior
gasto no sistema de suporte.

5.2. SUGESTOES PARA FUTURAS PESQUISAS

Aperfeiçoar o uso do pré-processador do programa Plaxis 3D Tunnel ou utilizar outro


programa enquanto a geração de malha em 3D de uma forma mais flexível.

Continuar explorando as soluções de projeto para as diferentes classificações


geomecânicas, considerando geometrias mais complexas tais como ferradura ou
ovóides e para maciços heterogêneos.

Realizar uma análise mais detalhada em termos de tensões e deslocamentos.

Mudar o coeficiente de empuxo em repouso (ko), em outras simulações numéricas.

116
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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118
APÊNDICE
A

CLASSIFICAÇÃO DO MACIÇO
ROCHOSO

Durante as etapas preliminares do projeto, quando não se tem informação detalhada


do maciço rochoso, das tensões atuantes e das características hidrológicas, o uso
da classificação do maciço rochoso pode ser de grande ajuda. Mais de uma
classificação do maciço rochoso pode ser usada para se ter uma idéia mais
completa das características do maciço rochoso, para fornecer estimativas iniciais
dos sistemas de suporte necessários, e fornecer estimativas da resistência e do
comportamento das deformações do maciço rochoso. O texto a seguir foi extraído
das dissertações de Hidalgo (2002) e Fialho (2003).

A.1 HISTÓRIA DA CLASSIFICAÇÃO DO MACIÇO


ROCHOSO

Os sistemas de classificação do maciço rochoso têm sido desenvolvidos a mais de


100 anos. O primeiro conhecido foi Ritter em 1879 que tentou realizar uma
aproximação empírica para o projeto do túnel, em particular para determinar o tipo
de suporte necessário. Como os esquemas de classificação são apropriados para
sua aplicação original, ou seja, para os limites do caso histórico em que eles foram
desenvolvidos, se deve ter cautela em aplicar classificações do maciço rochoso para
outros tipos de problemas de engenharia de túneis.

A maioria das classificações que levam em consideração vários parâmetros


(Wickham et al. 1972, Bieniawski 1973, 1989, e Barton et al. 1974) foi desenvolvida
de casos históricos de projetos da engenharia civil em que todos os componentes da
geologia do maciço rochoso foram incluídos. Em obras subterrâneas de rocha dura,
especialmente em níveis profundos, a influência do intemperismo e da água
normalmente não são significativas e podem ser ignoradas. Os diferentes tipos de

119
classificação colocam ênfase diferente nos vários parâmetros e é recomendado que
pelo menos dois métodos sejam usados em qualquer local durante as etapas
prévias de um projeto.

A primeira referência do uso de uma classificação de maciço rochoso para o projeto


de suporte de túneis está num artigo feito por Terzaghi em 1946, em que a carga da
rocha, sustentada por cambotas metálicas, é calculada com base em uma
classificação descritiva. Nessa descrição ele divide o maciço rochoso em: rocha
intacta, rocha estratificada, rocha moderadamente com juntas, rocha com pequenos
blocos, rocha triturada, rocha sujeita a apertadamento ("squeezing") e rocha sujeita a
inchamento ("swelling").

A.1.1 CLASSIFICAÇÕES QUE LEVAM EM CONTA O TEMPO


DE AUTO-SUSTENTAÇÃO

Lauffer (1958) propôs que o tempo de auto-sustentação para um vão sem suporte
está diretamente relacionado com a qualidade do maciço rochoso em que o vão foi
escavado. Num túnel, o vão sem suporte é definido como o vão do túnel ou a
distância entre a face de escavação e o suporte mais próximo, se este é maior que o
vão do túnel. A classificação original do Lauffer tem sido modificada por um sem
número de autores, alguns como Pacher et al. em 1974, e agora forma parte do
conceito geral de escavações subterrâneas conhecido como o Novo Método
Austríaco de Túneis (NATM).

A.1.2 RQD

O índice de Designação de Qualidade da Rocha (RQD) foi desenvolvido por Deere


et al. em 1967, para fornecer uma estimativa quantitativa da qualidade do maciço
rochoso a partir de testemunhos obtidos de sondagens rotativas. O índice RQD é
definido como a porcentagem de pedaços íntegros do testemunho maiores que 100
mm (4 polegadas) em relação ao comprimento total do testemunho. O diâmetro do
testemunho deve ser pelo menos do tamanho NX (54,7 mm ou 2,15 polegadas do
diâmetro), conforme normatizado pela ISRM em 1981. O RQD representa uma

120
medição indireta do número de descontinuidades do maciço. Na Figura A.1. ilustra-
se a forma de obter o RQD, que é calculado pela seguinte expressão:

RQD =
∑ L × 100
i

LT (A.1)

Onde:
RQD: Índice de qualidade da rocha (%).
Li: Fragmentos de testemunho de sondagem com comprimento Li ≥ 10 cm.
LT: Comprimento total do testemunho (cm).

Comprimento total corpo de prova cilindrico = 200

L = 38 cm Σ comprimento de partes do corpo de prova > 10


RQD = Comprimento total do testemunho x 100%

L = 17 cm
38 +17 + 20 +35
RQD = x 100% = 55%
200
L=0
nenhuma parte > 10 cm.

L = 20 cm

L = 35 cm
Quebra pela amostragem

L=0
não recuperado

Figura A.1. Processo para medir e calcular o RQD (modificado-Bieniawski 1989).

Deere (1969) propôs a classificação do maciço rochoso segundo o RQD em cinco


grupos conforme a Tabela A.1.

Tabela A.1. Qualidade do maciço rochoso de acordo ao RQD (modificado-Deere et


al, 1969).
RQD Qualidade do maciço
%
0-25 Muito ruim

121
Tabela A.1. Qualidade do maciço rochoso de acordo ao RQD (modificado-Deere et
al., 1969) (continuação).
RQD
Qualidade do maciço
%
25-50 Ruim
50-75 Regular
75-90 Bom
90-100 Excelente

A.1.3 RSR

Wickham et al. (1972) descreveram um método quantitativo para descrever a


qualidade do maciço rochoso e conseqüente escolha do suporte apropriado com
base no seu Índice Estrutural da Rocha RSR (Rock Structural Rating). A maioria dos
casos históricos usados no desenvolvimento deste sistema era para túneis
relativamente pequenos apoiados por meio de cambotas metálicas, embora
historicamente este sistema foi o primeiro fazer referência ao suporte por concreto
projetado. As tabelas seguintes mostram a determinação do critério RSR. E é
calculado pela seguinte expressão:

RSR = A + B + C (A.2)

Onde:
A: Parâmetro A: Área Geral de Geologia.
B: Parâmetro B: Padrão da junta, direção de perfuração.
C: Parâmetro C: Água subterrânea, condição de junta.

Tabela A.2. Índice Estrutural da Rocha. Parâmetro A: Área Geral de Geologia.


Tipo de Rocha Básico
Duro Médio Mole Decomposto
Ígneo 1 2 3 4
Metamórfico 1 2 3 4
Sedimentar 2 3 4 4

122
Tabela A.2. Índice Estrutural da Rocha. Parâmetro A: Área Geral de Geologia
(continuação).
Estrutura Geológica
Compacto Ligeiramente Moderadamente Intensivamente
dobrado dobrado dobrado
ou fraturado ou fraturado ou fraturado
Tipo 1 30 22 15 9
Tipo 2 27 20 13 8
Tipo 3 24 18 12 7
Tipo 4 19 15 10 6

Tabela A.3. Índice Estrutural da Rocha. Parâmetro B: Padrão da junta, direção de


perfuração.
Direção da camada geológica perpendicular ao Direção da camada geológica
eixo paralela ao eixo
Direção de perfuração Direção de perfuração
Espaça-
Em contra do
mento das Ambos Com o mergulho Quaisquer direção
mergulho
juntas
Mergulho de juntas
Mergulho de juntas representativasa
representativas
Achatado Imersão Vertical Imersão Vertical Achatado Imersão Vertical
1. Juntas
muito
próximas, 9 11 13 10 12 9 9 7
<2
polegadas
2. Junta
apertada,
13 16 19 15 17 14 14 11
2-6
polegadas
3. Juntas
moderada
23 24 28 19 22 23 23 19
s, 6-12
polegadas

123
Tabela A.3. Índice Estrutural da Rocha. Parâmetro B: Padrão da junta, direção de
perfuração (continuação).
Direção da camada geológica perpendicular ao Direção da camada geológica
eixo paralela ao eixo
Direção de perfuração Direção de perfuração
Espaça-
Contra do
mento das Ambos Com o mergulho Quaisquer direção
mergulho
juntas
Mergulho de juntas
Mergulho de juntas representativasa
representativas
Achatado Imersão Vertical Imersão Vertical Achatado Imersão Vertical
4. De
moderada
30 32 36 25 28 30 28 24
a maciça,
1-2 pés
5. De
maciça a
36 38 40 33 35 36 24 28
compacta,
2-4 pés
6.
Compacta 40 43 45 37 40 40 38 34
>4 pés

Tabela A.4. Índice Estrutural da Rocha. Parâmetro C: Água subterrânea, condição


de junta.
Vazão afluente antecipada Suma dos parâmetros A + B
gpm /1000 pés de túnel 13 – 44 45 – 75
Condição de juntab
Bom Justo Pobre Bom Justo Pobre
Nenhum 22 18 12 25 22 18
Ligeiro, < 200 gpm 19 15 9 23 19 14
Moderado, 200 -1000 gpm 15 22 7 21 16 12
Pesado > 1000 gpm 10 8 6 18 14 10
a
Mergulho: achatado: 0-20°; imersão: 20-50°; e vertical: 50-90°.
b
Condição da junta: bom = justo ou cimentada; justo: ligeiramente decomposta ou
alterada; pobre = intensamente decomposta, alterada ou aberta.

124
A.2 CLASSIFICAÇÃO GEOMECÂNICA

Bieniawski, em 1974, propôs o sistema empírico de classificação geomecânica


RMR, derivado principalmente para a aplicação em projetos de túneis. No decorrer
do tempo, maiores registros de dados foram adicionados à classificação, originando
significativas mudanças nos pesos dos diferentes parâmetros de classificação e sua
expansão para aplicações em obras de superfície como fundações e taludes. A
última versão do sistema foi apresentada por Bieniawski (1989). O sistema RMR
utiliza seis parâmetros para classificar o maciço rochoso:

* Resistência uniaxial do material de rocha.


* Índice de qualidade da rocha (RQD).
* Espaçamento das descontinuidades
* Padrão das descontinuidades.
* Ação da água subterrânea.
* Orientação das descontinuidades.

A formulação é simples, resulta da somatória de pontos atribuídos aos índices


anteriores de acordo com os pesos estabelecidos na tabela seguinte:

125
Tabela A.5. Parâmetros para o cálculo de RMR 1989 (modificado - Bieniawski, 1989).

A. PARÂMETROS DE CLASSIFICAÇÃO E SEUS PESOS


1 Resistê Índice de carga >10 4-10 2-4 1-2 Para este baixo
ncia da puntiforme (MPa) nível é preferível σc
rocha Resistência à >250 100-250 50-100 25-50 5-25 1-5 <1
intacta compressão uniaxial
(MPa)
Peso 15 12 7 4 2 1 0
2 RQD (%) 90-100 75-90 50-75 25-50 <25
Peso 20 17 13 8 3
3 Espaçamento das >2 m 0,6-2 m 200-600 mm 60-200 mm <60 mm
descontinuidades
Peso 20 15 10 8 5
4 Condição das descontinuidades Superfície muito Superfície Superfície Superfície polida Preenchimento
(ver E) rugosa, ligeiramente ligeiramente ou mole com
descontinua, sem rugosa, separação rugosa, preenchimento espessura>5 mm
separação, rocha <1mm, paredes separação com espessura Separação>5 mm
das paredes ligeiramente <1mm, paredes <5 mm ou contínua.
inalteradas. alteradas. altamente separação 1-5
alteradas mm, contínua
Peso 30 25 20 10 0
Fluxo por 10 em 10 m de
Nenhum <10 10-25 25-125 >125
Água comprimento de túnel (l/min)
5 subterrâne Razão da pressão da água
a na descontinuidade e a 0 <0,1 0,1-0,2 0,2-0,5 >0,5
tensão principal maior

126
Tabela A.5. Parâmetros para o cálculo de RMR 1989 (modificado - Bieniawski, 1989) (continuação).

Completamente
Condições gerais Úmido molhado Gotejante Fluxo
5 seco
Peso 15 10 7 4 0
B. AJUSTE DOS PESOS POR ORIENTAÇÃO DAS DESCONTINUIDADES
Direção e orientação do mergulho Muito favorável favorável regular desfavorável Muito
desfavorável
Peso Túneis e minas 0 -2 -5 -10 -12
Fundações 0 -2 -7 -15 -25
Taludes 0 -5 -25 -50 -60
C. CLASSES DE MACIÇO ROCHOSO DETERMINADO DO RMR
RMR 100-81 80-61 60-41 40-21 <20
Número da classe I II III IV V
Descrição do maciço rochoso Muito bom Bom regular ruim Muito ruim
D. SIGNIFICADO DA CLASSE DE MACIÇO ROCHOSO
Número da classe I II III IV V
Tempo médio de 20 anos para um 1 ano para um vão Uma semana para 10 horas para um 30 min para um vão
autosustentação vão de 15 m de 10 m um vão de 5 m vão de 2,5 m de 1 m
Coesão do maciço rochoso >400 300-400 200-300 100-200 <100
(kPa)
Ângulo de atrito do maciço >45 35-45 25-35 15-25 <15
rochoso ( °)

127
Tabela A.5. Parâmetros para o cálculo de RMR 1989 (modificado - Bieniawski, 1989) (continuação).

E. GUIA PARA CLASSIFICAÇÃO DAS CONDIÇÕES DAS DESCONTINUIDADES


Persistência da <1 m 1-3 m 3-10 m 10-20 m >20 m
descontinuidade
Peso 6 4 2 1 0
Separação Nenhum <0,1 mm 0,1-1,0 mm mm >5 mm
Peso 6 5 4 1 0
Rugosidade Muito rugosa Rugoso Ligeiramente rugosa lisa Polida
Peso 6 5 3 1 0
Preenchimento Nenhum Preenchimento Preenchimento duro>5 Preenchimento Preenchimento
duro<5 mm mm mole<5 mm mole>5 mm
Peso 6 4 2 2 0
Alteração Não alterada Ligeiramente Moderadamente Altamente alterada Decomposta
alterada alterada
Peso 6 5 3 1 0
F. EFEITO DA ORIENTAÇÃO E MERGULHO DA DESCONTINUIDADE EM TÚNEIS
Direção perpendicular ao eixo do túnel Direção paralela ao eixo do túnel
Mergulho na direção da inclinação Mergulho na direção da inclinação Mergulho 45-90° Mergulho 20-45°
do túnel 45-90° do túnel 20-45°

Muito favorável Favorável Muito favorável Regular

Mergulho na direção oposta da Mergulho na direção oposta da Mergulho 0-20° independentemente da direção
inclinação do túnel 45-90° inclinação do túnel 20-45°
Regular Desfavorável Regular

128
A.3 SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO GEOMECÂNICA Q

Com base em uma avaliação de um grande número de casos históricos de


escavações subterrâneas, Barton et al. em 1974 do lnstituto Norueguês de
Geotecnia (NGI) propuseram um Índice de Qualidade Q (Tunnelling Quality Index)
para a determinação das características do maciço rochoso e o suporte de túnel
requerido. O valor numérico do índice Q varia numa escala logarítmica de 0,001 a
um máximo de 1,000 e é definido por:

RQD Jr Jw
Q= * * (A.3)
Jn Ja SRF

Onde:
RQD: Índice de qualidade do maciço rochoso em túneis.
Jn: Índice de influencia do numero de famílias das descontinuidades.
Jr: Índice de influencia da rugosidade das paredes das descontinuidades.
Ja: Índice de influencia da alteração das paredes das descontinuidades.
Jw: Índice de influencia da ação da água subterrânea.
SRF: Índice de influencia do estado de tensões no maciço rochoso.

Tabela A.6. Classificação de parâmetros individuais usados no sistema de


classificação Q (modificado - Hoek, 1998).
Descrição Valor Notas
1. Índice de qualidade da rocha RQD Onde RQD é reportado ou medido
muito ruim 0-25 ≤10 (incluído 0) um valor nominal
ruim 25-50 de 10 será usado para avaliar Q.
regular 50-75 Intervalos de RQD de 5, são
bom 75-90 considerados suficientemente
excelente 90-100 precisos (isto é 100, 95, 90).

129
Tabela A.6. Classificação de parâmetros individuais usados no sistema de
classificação Q (modificado - Hoek, 1998) (continuação).
Descrição Valor Notas
2. Número de famílias de descontinuidades Jn
A. Massivo, famílias esparsas ou inexistentes 0,5-1,0
B. uma família de descontinuidades 2
C. uma família mais descontinuidades aleatórias 3
D. duas famílias de descontinuidades 4
E. duas famílias mais descontinuidades aleatórias 6
F. três famílias de descontinuidades 9 1. para interseções usar (3,0xJn)
G. três famílias mas descontinuidades aleatórias 12
H. quatro ou mais famílias, aleatórias, altamente 15 2. para emboques usar (2,0xJn)
fraturado, cubos de açúcar, etc
J. extremamente fraturado (triturada) 20
3. Índice de rugosidade das descontinuidades Jr
a) paredes da rocha em contacto ou paredes da
rocha em contacto com deslocamentos de 10 cm
quando cisalhadas 4
A. descontinuidades não persistentes 3
B. paredes rugosas e irregulares, onduladas 2
C. descontinuidades lisas e onduladas 1,5 1. adicionar 1,0 se o espaçamento
D. descontinuidades polidas e onduladas 1,5 médio da descontinuidade
E. descontinuidades rugosas ou irregulares, planas 1,0 representativa for maior que 3 m
F. descontinuidades lisas e planas 0,5 2. Jr=0,5 pode ser usado no caso
G. descontinuidades polidas e planas de descontinuidades polidas e
b) sem contacto entre as paredes da planas orientadas na direção da
descontinuidade quando cisalhadas 1,0 resistência mínima
H. preenchimento de material argiloso com (Nominal)
espessura suficiente para prevenir o contacto das
paredes
J. preenchimento de material granular com 1,0
espessura suficiente para prevenir o contacto (nominal)

4. Condições de alteração das paredes Ja φr(o)


a) paredes em contato
A. paredes duras, compactas, com preenchimento 0,75
de materiais impermeáveis
B. paredes sem alteração, pigmentação superficial 1,0 25-35
incipiente

130
Tabela A.6. Classificação de parâmetros individuais usados no sistema de
classificação Q (modificado - Hoek, 1998) (continuação).
Descrição Valor Notas
C. paredes levemente alteradas sem 2,0 25-30 1. os valore de
películas de material mole; φr,
preenchimento de materiais arenosos ou ângulo de atrito
rocha desintegrada e livres de argila 3,0 20-25 residual, são
D. paredes com películas de material entendidos como
siltoso, não mole; pequena fração de 4,0 8-16 um indicativo
argila das
E. paredes com películas descontínuas (1-2 propriedades
mm ou menores) de materiais de baixo mineralógicas
atrito (caolinita, mica, talco, gesso, dos produtos de
grafite, clorita) e pequenas quantidades alteração
de argilas expansivas
b) paredes com contacto depois de
cisalhadas 10 cm 4,0 25-30
F. partículas arenosas, rocha desintegrada,
livre de argila 6,0 16-24
G. preenchimento de argila fortemente
sobre adensadas e minerais argilosos
não moles, contínuos com espessura ≤5 8,0 12-16
mm
H. preenchimento de argilas pouco ou
medianamente sobre-adensados ou
minerais argilosos moles, contínuos com
espessura ≤5 mm
J. preenchimentos de argilas expansivas, 8,0- 6-12
valores variáveis com a porcentagem dos 12,0
argilo minerais expansivos presentes e
com a ação conjugada da água
intersticial, contínuos espessura ≤5 mm
c) descontinuidades sem contacto das
paredes quando cisalhadas
K. zonas ou faixas de preenchimento de 6,0-8,0 6-24
rocha desintegrada ou triturada e argila ou
(ver G, H e J para descrição das 8,0-
condições de argila) 12,0
L. zonas ou faixas de silte ou areia com 5,0
pouca argila (não mole)
M. zonas ou faixas de pouca espessura de 10,0-
argila (ver G, H, J para descrição das 13,0
condições das argilas) ou
6,0-
24,0

131
Tabela A.6. Classificação de parâmetros individuais usados no sistema de
classificação Q (modificado - Hoek, 1998) (continuação).
Descrição Valor Notas
5. Condições de afluência de água Jw Pressão apróx.
KPa
<100
A. escavação a seco ou com pequena 1,0
afluência de água 100-250
B. afluência media de água com eventual 0,66
carregamento do preenchimento 250-1000
C. afluência elevada de água ou alta 0,5
pressão em rocha competente com
descontinuidades não preenchidas 250-1000
D. afluência elevada de água ou alta 0,33
pressão com significativo carregamento >1000
do preenchimento 0,2-0,1
E. afluência de água excepcional (ou jatos >1000
de água) diminuindo com o tempo 0,1-
F. afluência de água excepcional (ou jatos 0,05
de água), sem notável diminuição com o
tempo
Condição das tensões do maciço SRF 1. Reduzir estes valores de SRF de 25 a
a) zonas de baixa resistência intersectando 50% no caso de ocorrência de zonas de
a baixa resistência relevantes, mas não
escavação. 10,0 interceptando a escavação.
A. múltiplas ocorrências de zonas contendo
material argiloso ou rocha quimicamente
decomposta, rocha muito desagregada
(qualquer profundidade)
B. zonas isoladas contendo argila ou rocha 5,0
decomposta quimicamente (profundidade
≤ 50 m)
C. zonas isoladas contendo argila ou rocha 2,5
decomposta quimicamente (profundidade
> 50 m)
D. múltiplas zonas de cisalhamento em 7,5
rocha competente, rocha desagregada
(qualquer profundidade)
E. zonas de cisalhamento isoladas, em 5,0
rocha competente (livre de argila)
(profundidade ≤ 50 m).
F. zonas de cisalhamento isoladas, em 2,5
rocha competente (livre de argila)
(profundidade > 50 m). 5
G. ocorrência de descontinuidades abertas,
intensamente fraturados (qualquer
profundidade)

132
Tabela A.6. Classificação de parâmetros individuais usados no sistema de
classificação Q (modificado - Hoek, 1998) (continuação).
Descrição Valor Notas
b) rochas competentes, problemas de tensões σc/σ1 σt/σ1
na rocha
H. tensões baixas, subsuperficiais. >200 13
I. tensões médias.
J. K.tensões altas em maciço com 200-10 13-0,66
descontinuidades fechadas, usualmente
favorável à estabilidade, pode ser 10-5 0,66-0,16
desfavorável para estabilidade das paredes
σc/σ1 σt/σ1 SRF
K. rocha massiva com possíveis e moderadas 5-2,5 0,33- 5-10
explosões de rocha “rock burst” 0,16

L. rocha massiva com muitas explosões de <2,5 <0,16 10- 2. para campos de
rocha. 20 tensões altamente
c) rochas compressíveis; incompetentes ou de anisotrópicos (se
medidos): quando
comportamento plástico sob altas pressões.
5 ≤ σ1
M. Pressão de compressão moderada σ 3 ≤ 10 , reduzir
N. Pressão de compressão σc e σt para 0,8σc e
alta
0,8σt; quando
σ1
d) rochas expansivas (atividade química de σ 3 >10
expansão dependente da presença de água) 5-10 reduzir σ e σ para 0,6σ
c t c

O. moderada pressão de expansão e 0,6σt (onde σc é a


P. alta pressão de expansão 10- resistência a
20 compressão uniaxial, σt
resistência a tração
(ensaio puntiforme), σ1 e
σ3 tensões principais
maior e menor
respectivamente)
5-10

10-
15

133
Tabela A.7. Categorias do maciço rochoso de acordo ao valor do índice Q
(modificado-Barton et al., 1974).

Categoria do maciço Q
Excepcionalmente ruim 0,001-0,01
Extremamente ruim 0,01-0,1
Muito ruim 0,1-1
Ruim 1-4
Regular 4-10
Bom 10-40
Muito bom 40-100
Extremamente bom 100-400
Excepcionalmente bom 400-1000

Tabela A.8. Valores aproximados de SRF em função das razões σc/σ1 e σθ/σc
(modificado - Grimstad & Barton, 1993).
SRF SRF
Nível de tensão σ1/σc σθ/σc
Original Novo
Baixas tensões. Sub-superficial. Descontinuidades abertas >200 <0,01 2,5 2,5
Tensão média. Condição de tensão favorável. 200-10 0,01-0,3 1 1
Altas tensões, estrutura fechada. Usualmente favorável à
estabilidade, pode ser desfavorável a estabilidade das 10-5 0,3-0,4 0,5-2 0,5-2
paredes.
Desplacamento moderado. Mais de uma 1 hr depois em
5-3 0,5-0,65 5-9 5-50
rochas maciças
Desplacamento e explosão de rocha. Depois de poucos 50-
3-2 0,65-1,0 9-15
minutos em rocha maciça. 200
Muita explosão de rocha (Deformação-exploção) e 200-
<2 >1,0 15-20
deformação dinâmica imediata em rocha maciça. 400

A.4 SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO RMI


O sistema RMi (Palmström, 1996a) foi desenvolvido para caracterizar a resistência
de maciços rochosos para propósitos construtivos e foi desenvolvido a partir de
parâmetros cuja determinação é feita por métodos reconhecidos. O RMi se
diferencia dos sistemas RMR e Q por determinar parâmetros do maciço sem
importar ou considerar o tipo de obra. O índice do maciço rochoso RMi é definido
como:

134
RMi = σ c JP (A.4)

Onde:
RMi: Índice do maciço rochoso.
σc: Resistência a compressão uniaxial da rocha intacta.

JP: Parâmetro de descontinuidade, que é composto do volume do bloco e três


características (rugosidade, alteração e tamanho) das descontinuidades, variando
entre 0 para rochas muito fraturadas e 1 para rocha intacta.

A influência do parâmetro de descontinuidade (JP) na resistência do maciço rochoso


foi obtida da calibração de resultados de oito ensaios de compressão uniaxial de
grande escala e uma retroanálise, encontrado-se a seguinte expressão para JP:

JP = 0,23 JCVd
D
(A.5)

Onde:
JC: Fator de condição da descontinuidade.
Vd: Volume do bloco (m3).
D: Diâmetro do bloco de prova (m). O valor D está relacionado com JC pela fórmula:

D = 0,37 JC −0, 2 (A.6)

O fator de condição da descontinuidade (JC) depende do comprimento, da


rugosidade e da alteração das descontinuidades e é definido como:

⎛ JR ⎞
JC = JL⎜ ⎟
⎝ JA ⎠ (A.7)

Onde:
JL: Fator do comprimento e persistência da descontinuidade.
JR: Fator de rugosidade da descontinuidade.
JA: Fator de alteração da descontinuidade.

135
Os parâmetros JL, JR e JA podem ser obtidos das Tabelas A.9 a A.11,
respectivamente. Vale notar que os fatores JR e JA são similares aos índices Jr e Ja
do sistema Q. O fator de condição da descontinuidade varia entre 1 e 2 podendo
0 , 37 0 , 32
então o valor de JP variar entre 0,2Vd e 0,28Vd . Assim, considerando um valor

de JC=1,75, o JP pode ser dado simplesmente pela expressão:

JP = 0,25Vd
0 , 37
(A.8)

O valor de RMi varia entre 0,001 e 100 e os intervalos e classes definidas para este
sistema de classificação são apresentados na Tabela A.12.

Embora o sistema de classificação RMi não seja muito difundido nem utilizado, vale
ressaltar sua simplicidade e bom desempenho para reproduzir resultados de
determinações em laboratório (Palmström & Singh, 2001), bem como dos vários
problemas aos quais tem sido aplicado. Palmström (1996b) determinou a partir de
RMi: os parâmetros da envoltória do critério de ruptura de Hoek-Brown (1980a), fez
avaliações da estabilidade do suporte de obras subterrâneas e quantificou a
classificação descritiva aplicada no NATM. Mais recentemente Palmström (2000)
apresentou um método para o projeto de suporte de túneis a partir de RMi.

Tabela A.9. Valores do fator de rugosidade (JR) do RMi (modificado-Palmström,


1996a).

Rugosidade a Rugosidade de grande escala


pequena escala Planar Ligeiramente Fortemente Com degraus Embricados
Muito rugosa 3 d 4l d d 6l d 7,5 9
Rugosa 2 3 4 5 6
Ligeiramente 1,5 2 3 4 4,5
Lisa 1 1,5 2 2,5 3
Polida 0,75 1 1,5 2 2,5
Espelhada* 0,6-1,5 1-2 1,5-3 2-4 2,5-5
Para descontinuidades preenchidas: JR=1. Para descontinuidades irregulares é sugerido JR=5
*Para descontinuidades espelhadas o valor de JR depende da ocorrência das situações, os maiores valores são
usados para superfícies com marcado estriamento.

136
Tabela A.10. Fator de tamanho e continuidade (JL) do RMi (modificado-Palmström,
1996a)
Comprimento JL
descontinuidad Tipo Descontinuida
Termo Descontinuidade
e de persistente
não persistente.**
(m) **
<0,5 Muito curta Acamamento ou foliação 3 6
0,1-1,0 Curta/pequena Descontinuidade 2 4
1-10 Mediana Descontinuidade 1 2
Longa/comprid
10-30 Descontinuidade 0,75 1,5
a
Descontinuidade
>30 Muito comprida preenchida, 0,5 1
cisalhamento*.
*As vezes ocorre como uma descontinuidade única, e nesses casos deve ser tratado separadamente. **
descontinuidades não persistentes em rochas maciças.

Tabela A.11. Fator de alteração da descontinuidade (JA) do RMi (modificado-


Palmström, 1996a)
A. CONTATO ENTRE AS DUAS PAREDES DA DESCONTINUIDADE
Termo Descrição JA
Descontinuidades limpas
Descontinuidades
fechadas ou Preenchimento mole e impermeável (quartzo, epidotito, etc) 0,75
soldadas
Paredes de rocha Sem recobrimento ou preenchimento da superfície da 1
fresca descontinuidade, exceto por degradação (staining).
Alteração das
paredes
A superfície da descontinuidade exibe alteração maior que a rocha. 2
1 escala mais Superfície da descontinuidade com dois tipos de alteração maior que 4
alterada a rocha
Cobertura ou preenchimento fino
Areia, silte, calcita etc. Cobertura de material granular sem argila 3
Argila, clorita, talco etc. Cobertura de minerais moles e coesivos 4
B. DESCONTINUIDADES PREENCHIDAS, CONTATO PARCIAL OU SEM CONTATO.

Tipo de material do Nulo
Descrição Parcial Preenchiment
preenchimento Preenchiment o espesso >5
o fino <5 mm* mm
Areia, silte, calcita Preenchimento de materiais granulares 4 8
etc sem argila

Matériais argilosos Preenchimento de materiais argilosos 6 10


compactos duros
Materiais argilosos Preenchimento de argila com média ou 8 12
moles baixa relação de pré-adensamento

Materiais argilosos Material de preenchimento com claras 8-12 12-20


expansivos propriedades expansivas

*Baseado na divisão de espessuras do sistema RMR (Bieniawski, 1974)

137
Tabela A.12. Classificação do RMi (modificado-Palmström, 1996a).
Termo
Relacionado à resistência do maciço
Para RMi Valor de RMi
rochoso
Extremamente Extremamente fraco <0,001
b i baixo
Muito Muito fraco 0,001-0,01
Baixo Fraco 0,01-0,1
Moderado Médio 0,1-1,0
Alto Resistente 1,0-10
Muito alto Muito resistente 10-100
Extremamente alto Extremamente resistente >100

138
APÊNDICE
B

METÓDOS DE PROJETO DO
SISTEMA DE SUPORTE

Os métodos de projeto do sistema de suporte podem ser divididos em três tipos:


empíricos, analíticos e numéricos. Neste serão enfocados os métodos empíricos,
com suas aplicações e limitações. Estes métodos são caracterizados por depender
fortemente da experiência onde foram calibrados e da concordância do projeto atual
com os casos registrados. Alguns métodos empíricos também têm um componente
teórico ou físico, que tentam relacionar as leis de comportamento do maciço com os
dados da experiência. Assim como a Apêndice A esta informação foi extraída das
dissertações de Hidalgo (2002) e Fialho (2003).

B.1 MÉTODO PELO SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO RSR


Depois de se avaliar corretamente o tipo de rocha segundo o sistema de
classificação RSR, pode-se projetar o suporte de um túnel de 7,3 metros de
diâmetro em concordância ao seguinte gráfico elaborado por Wickham et al., em
1972, num artigo publicado.

139
Figura B.1. Estimativa de suporte pelo Sistema RSR. Notar que os tirantes e o
concreto projetado são usados juntos. Wickham et al 1972. (modificado – Hoek,
1998).

B.2 MÉTODO PELO SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO RMR

Bieniawski (1989) publicou na sua classificação uma série de guias de escolha do


suporte para túneis em rocha conforme o valor de RMR (Tabela B.1), a qual foi
desenvolvida para túneis cuja geometria era em forma de ferradura, escavados a
fogo, num maciço sujeito a tensão vertical maior que 25 MPa (profundidade
aproximada de 900 m).

Como exemplo, para um caso de RMR = 59, tem-se, segundo a Tabela B.1, que o
túnel deve ser escavado em frentes parciais de escavação, com avanço de 1,5 a 3
m na calota. O suporte deve ser colocado após cada ciclo de escavação a fogo e
instalado até uma distância máxima de 10 m da frente de escavação. Tirantes de 4
m de comprimento, 20 mm de diâmetro, totalmente protegidos com calda de cimento

140
e espaçados de 1,5 a 2,0 m, são recomendados no teto e paredes. Também é
recomendada uma camada de concreto projetado, reforçado com malha de aço,
com espessura de 50 a 100 mm no teto e 30 mm nas paredes.

Recomenda-se considerar a variação dos resultados para poder instalar suportes


mais econômicos em caso que o maciço apresente bom desempenho no trajeto da
escavação ou para casos de suporte temporário. É prudente levar em conta a
mudança drástica das tensões no maciço ao redor da escavação, induzidas por
escavações futuras, próximas à área de interesse (Hoek et al., 1995). A Tabela B.1
não considera a aplicação de concreto projetado reforçado com fibra de aço, que na
atualidade é muito usado.

Tabela B.1. Guia para escavação e suporte para túneis com 10 m de largura de
acordo com o sistema RMR (modificado – Bieniawski, 1989).
Tipo de Maciço Método de Tirantes Concreto Cambotas
Rochoso escavação (diâmetro de 20 projetado metálicas
mm, com calda
de concreto)
I Rocha muito Face completa Geralmente não precisa suporte exceto tirantes
boa Avanço de 3 m localizados curtos
RMR: 81-100
II Rocha boa Face completa Tirantes Espessura de 50 Nulo
RMR: 61-80 Avanço de 1 a localizados no mm no teto, onde
1,5 m suporte teto de 3 m de necessitar
pronto a 20 m da comprimento e
face espaçados 2,5 m,
malha de aço
opcional

141
Tabela B.1. Guia para escavação e suporte para túneis com 10 m de largura de
acordo com o sistema RMR (modificado – Bieniawski, 1989) (continuação).
Tipo de Maciço Método de Tirantes Concreto Cambotas
(diâmetro de 20
Rochoso escavação projetado metálicas
mm, com calda
de concreto)
III Rocha média Frente de Tirantes Espessura de 50 Nulo
RMR: 41-60 escavação em espaçados 1,5 a a 100 mm no teto
bancadas 2 m, de 4 m de e 30 mm nas
(berma) comprimento, no paredes
1,5 a 3 m de teto e paredes,
avanço na calota. com malha de
Instalação do aço no teto
suporte após
cada escavação
a fogo
Suporte pronto a
10 m da face
IV Maciço Frente de Tirantes Espessura de Cambotas
fraturado escavações em espaçados 1 a 100 a 150 mm no metálicas leves a
RMR: 21-41 camadas 1,5 m, de 4 a 5 m teto e 100 mm médias,
Avanço da calota de comprimento, nas paredes. espaçadas de 1,5
de 1 a 1,5 m. teto e paredes, m, onde precisar.
Instalação do com malha de
suporte paralelo aço
com a
escavação, a 10
m da frente.

142
Tabela B.1. Guia para escavação e suporte para túneis com 10 m de largura de
acordo com o sistema RMR (modificado – Bieniawski, 1989) (continuação).
Tipo de Maciço Método de Tirantes Concreto Cambotas
Rochoso escavação (diâmetro de 20 projetado metálicas
mm, com calda
de concreto)
V Maciço muito Múltiplas frentes Tirantes Espessura de Cambotas
fraturado Avanço da calota espaçados 1 a 150 a 200 mm no metálicas médias
RMR: < 20 de 0,5 a 1,5 m. 1,5 m, de 5 a 6 m teto e 150 mm a pesadas,
Instalação do de comprimento nas paredes, e espaçadas de
suporte paralelo em teto e 50 mm na face. 0,75 m, com
com a paredes com aduelas de aço.
escavação. malha de aço, Arco invertido.
Concreto atirantado
projetado logo invertido.
que possível
após a
escavação a
fogo.

B.3 MÉTODO PELO SISTEMA DE QUALIDADE Q

Com o objetivo de encontrar uma relação entre o índice Q, a estabilidade e o


sistema de suporte requerido, Barton et al. (1974) definiu um parâmetro adicional
que chamou de "Dimensão Equivalente" (De) da escavação. Este valor é calculado
dividindo a dimensão da escavação, (o diâmetro ou a altura das paredes da
escavação) pelo ESR, que significa Índice de Suporte do tipo de Escavação (ESR
Excavation Suport Ratio):

Dimensao da escavaçao, diametro ou altura (m)


De = (B.1)
ESR

O valor de ESR está relacionado com o uso da escavação e o grau de segurança


necessário no sistema de suporte para manter a estabilidade. Barton (1974) sugeriu
os seguintes valores de ESR, conforme mostrados na Tabela B.2.

143
Tabela B.2. Índice de suporte de escavação (ESR) apropriado para vários tipos de
escavações subterrâneas. (modificado - Barton 1974).
TIPO DE ESCAVAÇÃO ESR Casos
A Escavações em minas temporárias 3-5 2
B Túneis verticais (poços):
seção circular 2,5
seção retangular ou quadrada 2,0
C Escavações em minas permanentes, Túneis com fluxo de 1,6 83
água (excluindo Túneis de adução a alta pressão), Túneis
piloto, Túneis de ligação de poços e frentes de avanço de
grande porte.
D Cavernas de estocagem, plantas de tratamento de água, 1,31 25
pequenas auto-estrada e linhas ferroviárias subterrâneas,
acesso a cavernas confinadas, Túneis de acesso em geral
E Usinas hidrelétricas, grandes auto pistas e linhas ferroviárias 1,0 73
subterrâneas, cavernas de segurança, portais, interseções.
F Estações nucleares subterrâneas, estações ferroviárias 0,8 2
subterrâneas, fábricas.

A dimensão equivalente, De, plotada junto com o valor de Q, é utilizada para


determinar o número das categorias de suporte necessárias (Barton et al., 1974), o
que foi ultimamente atualizado por Grimstad e Barton em 1993 (Barton, 1995), que
reflete o uso crescente do reforço de fibra de aço em concreto projetado como
suporte para escavações subterrâneas. A Figura B.2 mostra esta relação. Como
pode ser visto, para um valor de De de 9,4 m e um índice Q de 4,5 tem-se uma
categoria da escavação de 4, que requer um sistema de tirantes espaçados em 2,3
m e concreto projetado com espessura de 40 a 50 mm.

O comprimento L do tirante pode ser estimado pelo vão da escavação B e o Índice


de Suporte da Escavação (ESR), como proposto por Barton et al. (1974):

2 + 0.15* B
L= (B.2)
ESR

144
O máximo vão auto-sustentável é estimado por = 2ESRQ0.4 Baseados em casos
registrados, Grimstad & Barton (1993), sugerem uma relação entre o valor de Q e a
pressão permanente de suporte no teto (Proof ) como:

2 JnQ −1 3
Proof = (B.3)
3Jr

CATEGORIAS DE SUPORTE
Concreto projetado reforçado com fibra de
(1) Sem suporte (6)
aço, de espessura de 90-120 mm, e com
(2) Tirantes curtos localizados
tirantes
(3) Sistema de tirantes (7) Concreto projetado reforçado com fibra de
(4) Sistema de tirantes com concreto aço, de espessura de 120-150 mm, e com
projetado de 40-100 mm tirantes
(8) Concreto projetado reforçado com fibra de

(5) Concreto projetado reforçado com aço, de espessura de > 150 mm, reforçado

fibra de aço, de espessura de 50-90 com arcos de concreto e tirantes

mm, e com tirantes


(9) Estrutura de concreto

Figura B.2. Sistema Q para classificação dos maciços rochosos e escolha do tipo de
suporte (modificado - Grimstad & Barton, 1993).

145
B.4 MÉTODO PELO SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO RMi
Palmström (1996b) enumera as várias aplicações da classificação RMi na mecânica
das rochas e engenharia geotécnica. Estas aplicações são listadas a seguir:
Fornecer dados para o critério de ruptura de Hoek-Brown para maciços rochosos,
fornecer parâmetros para modelos numéricos, permitir uma estimativa da taxa de
penetração de TBMs à face plena, quantificar a classificação aplicada no NATM
(New Austrian Tunneling Method), estimar a estabilidade e o suporte em escavações
subterrâneas.

A estimativa da necessidade de suporte em escavações subterrâneas em rocha por


meio da classificação RMi não é tão direta quanto as feitas utilizando os sistemas
RMR e Q. Os parâmetros selecionados para a análise da estabilidade de
escavações e necessidade de suporte podem ser separados em dois grupos:
parâmetros que afetam a continuidade do meio (maciço), parâmetros que afetam a
condição (qualidade) do meio.

A continuidade do meio refere-se a que um maciço em torno de uma escavação


pode ou não ser considerado contínuo. Esta condição, além de caracterizar o
maciço, determinará o método apropriado de análise de estabilidade. A continuidade
dependerá da relação entre o tamanho dos blocos e o tamanho da escavação.
Baseado nas considerações de Deere (1969), Palmström (1996b) utilizou o fator de
continuidade (CF) para enquadrar os maciços rochosos em torno de uma escavação
como contínuos ou descontínuos:

Dt
CF =
Db (B.4)
Onde:
Dt : Diâmetro do túnel.
Db : Diâmetro do bloco.

Assim, um maciço rochoso pode ser classificado como contínuo se o valor de CF for
inferior a 5, o que caracteriza um maciço levemente fraturado, ou superior a 100,

146
caracterizando um maciço altamente fraturado. Para valores intermediários têm-se a
ocorrência de maciços rochosos descontínuos.

A qualidade do maciço é expressa pelo fator de competência, para maciços


contínuos, e pelo fator de condição do maciço, para maciços descontínuos e zonas
fracas. Estes dois fatores englobam parâmetros inerentes ao maciço rochoso e ao
tipo de tensão a que este está submetido, e características que têm grande
influência na estabilidade de escavação em maciços rochosos.

Assim, a estimativa do sistema de suporte de escavações subterrâneas pela


classificação RMi é feita considerando fatores e parâmetros diferentes para maciços
contínuos e descontínuos.

B.4.1 SUPORTE PARA MACIÇOS CONTÍNUOS


Para maciços contínuos, faz-se necessária a determinação do fator de competência
do maciço (Cg), a partir da seguinte expressão:

RMi
Cg =
σθ (B.5)
Onde:
σθ: Tensão tangencial na parede de uma escavação subterrânea, que pode ser
obtida utilizando o método prático proposto por Hoek & Brown (1980), em função da
forma da escavação e das tensões vertical e horizontal (Tabela B.3).

Com o valor de Cg pode-se obter uma estimativa do suporte necessário para a


estabilização do maciço rochoso no entorno de uma escavação a partir da Figura
B.3, utilizando o quadro da parte superior desta. O quadro é valido para escavações
com vãos ou diâmetros menores que 15,0 m.

147
Tabela B.3. Tensões tangenciais no entorno de uma escavação subterrânea em
função da sua forma e das tensões naturais (modificado – Hoek & Brown, 1980a).
Método prático para a estimativa da tensão tangencial (σθ)
VALORES DAS CONSTANTES A E B
da
escavação
Forma

A 5,0 4,0 3,9 3,2 3,1 3,0 2,0 1,9 1,8

B 2,0 1,5 1,8 2,3 2,7 3,1 5,0 1,9 3,9

• Tensão tangencial no teto:

σθ = ( A ⋅ k − 1) ⋅ σ v

• Tensão tangencial na parede:

σθ = ( B − k ) ⋅ σ v

Onde:

AeB são os fatores para várias formas de túneis;

σh
k= σv e σh são as tensões vertical e horizontal naturais.
σv

B.4.2 SUPORTE PARA MACIÇOS DESCONTÍNUOS


Para maciços descontínuos a utilização da Figura B.3 requer a definição do fator de
condição do maciço (Gc) e do índice de dimensão (Sr). O fator Gc é calculado pela
seguinte expressão:

Gc = SL ⋅ RMi ⋅ C (B.6)

148
Onde:
SL: Fator do nível de tensão.
C: Fator de ajuste para a posição da parede.

O fator SL expressa a contribuição das forças externas que atuam através das
descontinuidades do maciço rochoso no entorno da escavação. Um nível alto de
tensão pode favorecer a estabilidade ao aumentar a resistência ao cisalhamento ao
longo das descontinuidades em túneis profundos. Um nível baixo de tensão pode,
por outro lado, favorecer quedas de blocos e desagregação do maciço. Valores para
SL são obtidos da Tabela B.3.

C é um fator para ajustar a maior estabilidade de uma parede vertical em relação a


uma horizontal, sendo obtido pela equação seguinte:

C = 5 − 4 ⋅ cos ϕ (B.7)

Onde:
φ é o ângulo da superfície da parede com a horizontal, onde para paredes
horizontais (φ = 0°) C =1 e para verticais (φ = 90°) C = 5.

O índice Sr é composto pelas dimensões dos blocos e da escavação subterrânea e


uma representação das condições geométricas do lugar específico. É expresso na
forma:
Dt Co
Sr = ⋅
Db N j
(B.8)

Onde:
Dt : Diâmetro (vão ou altura da parede) do túnel.
Db : Diâmetro do bloco representado pela menor dimensão do bloco.
Co : Fator de orientação, que representa a influência da orientação das
descontinuidades no diâmetro do bloco (Tabela B.4).
Nj : Fator que representa o número de famílias de descontinuidades.

149
O fator Nj é dado pela expressão abaixo:

3
Nj =
nj
(B.9)

Onde:
nj é o número de famílias de descontinuidades, sendo nj = 1 para uma família, nj =
1,5 para uma família mais descontinuidades aleatórias, nj = 2 para duas famílias, nj
= 2,5 para duas famílias mais descontinuidades aleatórias etc.

Com os valores dos fatores Sr e Gc faz-se a entrada no diagrama inferior da Figura


B.4.

A estimativa de suporte pela classificação RMi prevê o uso de ancoragem, estrutura


de concreto armado, concreto projetado, concreto projetado reforçado com fibra e as
combinações entre todos, dando uma estimativa de comprimento de ancoragem e
espessura das camadas de concreto.

Tabela B.4. Valores do fator do nível de tensões (SL) (modificado - Palmström,


1995a).
Tensão Sobrecarga Fator do Nível de Tensões
Descrição
Máxima σ1 aproximada (k = 1) (SL)*
média

Nível de tensões muito


< 0,25 MPa < 10 m 0 – 0,25 0,1
baixo (emboques)

Nível de tensões baixo 0,25 – 1 MPa 10 – 35 m 0,25 – 0,75 0,5

Nível de tensões
1 – 10 MPa 35 – 350 m 0,75 – 1,25 1,0
moderado

Nível de tensões elevado 1 MPa> 10


> 350 m 1,25** – 2,0 1,5**
MPa

150
Tabela B.5. Fator de orientação para descontinuidades e falhas (modificado -
Palmström, 1996b).
NA PAREDE NO TETO Fator de
Mergulho do Túnel Mergulho do túnel Qualquer mergulho DESCRIÇÃO orientação
> 30° < 30° do túnel (C0)

Mergulho < 20° Mergulho < 20° Mergulho > 45° Favorável 1

20° < mergulho < 20° < mergulho <


20° < mergulho < 45° Moderado 1,5
45° 45°

Mergulho > 45° - Mergulho < 20° Desfavorável 2

Muito
- Mergulho > 45° - 3
favorável

* Em casos onde a pressão da água subterrânea tem relativa importância na estabilidade é


sugerido:
- dividir SL por 2,5 para influência moderada
- dividir SL por 5 para influência grande

**Nível de tensões elevado pode ser desfavorável para a estabilidade de paredes altas, sugere-se
SL = 0,5 – 0,75

151
Concreto Projetado Concreto
Projetado Rocha Intacta: sem suporte

Rochas Inatctas
Reforçado

Maciços Muito
Reforçado

Fraturados e
100 - 250 mm
+ 50 - 150 mm

Dúcteis
Tirantes + Maciços Rochosos Muito Fraturados:
e = 0,5 - 1,5 m Tirantes diagrama de suporte para meios descontínuos
e = 1,5 - 3 m

Colapsividade
sem isntabilidade induzida por tensão
Muito Alta Alta Moder. Fraca

0,35 0,5 0,7 1

Concreto Projetado RASPAGEM

Rochas Intactas
50 - 100 mm TIRANTES +
+ TIRANTES Sem Suporte
e = 1,5 - 3 m

Rúpteis
Tirantes ESPORÁDICOS
e = 0,5 - 2 m

Rockburst nivel alto de sem isntabilidade


tensões induzida por
Muito Alto Alto Moderado
tensão
sujeito à altas tensões (incompetente)
0,1 0,2 0,5 1 2,5 10
Fator de Copetencia Cg = RMi

1x
1
600

o σθ

Es Tir
ad

1,2
400
et m

pa an 50 x
j ial Co

5
o

ça tes
nc
Pr mu ec

x1
r.
p Re

me
o
et Co Es for

,25
cr eto o mum ç ad

nt (m)
200 n r a d o
Co nc

oe
o

1,
jet o C
Co ro cret

nt
Nj
Wt ou H . Co

re
n m
to o

1,5
m
re ou C

1,5
c 2 00

0
100 n
Co m
0m

2x
80
15

2
2,0
60 m
0m
Db

10

3x
40

3
3,0
15

m
0-2

m
60
50
Es
Índice de Dimensão =

pe

20 mm
10
ss

50
0-1
ur
aC

50

40 mm
on
70

10
-10 j. (m
c.
Pr
0

8
-70
o

50 Somente Tirantes
6
-50
m)

40
4
1,5

1,5
Es

x1
pa

s
,5
ça

ic o
2,0

ád
m.

2
2 x ntes

por
Tir

s
2

E
es
a

nt
3,0
3x

a
Tir
3

1
0,01 0,02 0,04 0,06 0,1 0,2 0,4 0,6 1 2 4 6 10 20 40 60 100 200 400

Fator de Condição do Maciço Gc = SL . RMi . C


Srz = Tz . Coz/Dbz para zonas onde Srz < Sr e Tz < Wt ou Tz < Ht além de Srz = Sr
Gcz = SL . RMim . C onde RMim = (10Tz2 . RMiz + RMiz) / (10 Tz2 + 1)

Figura B.3. Diagramas para estimativa de suporte pelo sistema RMi (modificado -
Palmström, 1996b).

152
APÊNDICE
C

GEOLOGICAL STRENGTH INDEX


(GSI)

O seguinte texto foi extraído da dissertação de Fialho (2003).

O índice GSI foi introduzido por Hoek (1994) e Hoek et al. (1995) como um meio de
relacionar as condições geológicas observadas no campo, a partir do mapeamento,
com o critério de ruptura de Hoek-Brown e a metodologia para a obtenção dos
parâmetros geotécnicos deste. Os valores de GSI variam entre 10, para maciços
rochosos extremamente pobres, e 100 para rocha intacta.

De 1980 a 1994 eram utilizados os sistemas de classificação geomecânicas RMR e


Q na estimativa das constantes m e s para maciços rochosos do critério de ruptura
de Hoek-Brown, pois estes eram os sistemas mais utilizados para a classificação de
maciços rochosos e para o projeto de suporte de escavações nestes maciços. Estas
classificações continuam sendo as mais difundidas, porém foram constatados
problemas potenciais na utilização destes sistemas de classificação.

Um exemplo é o de um túnel escavado em um maciço rochosos muito fraturado e


submetido a um determinado campo de tensões in situ. Se utilizado o sistema de
classificação Q para estimar a qualidade do maciço, o campo de tensões in situ será
considerado na forma do fator SRF, que terá grande influência no sistema de
suporte indicado pela classificação. Outra possibilidade é uma análise numérica das
tensões induzidas no entorno e estimar, por exemplo, a extensão da zona de
plastificação. Utilizando o valor do índice Q na determinação dos parâmetros m, s e
a, ou c e φ, que serão utilizados na análise numérica, o nível de tensões in situ será
duplamente considerando. Considerações similares se aplicam ao fator Jw e, para a
classificação RMR, aos termos da ação da água subterrânea e orientação das
descontinuidades.

153
Assim, com o objetivo de minimizar os riscos da dupla consideração de
determinadas condições em análises numéricas, foi introduzido o índice GSI. A
estimativa do valor de GSI pode ser feita por meio da Figura C.1 a partir da
observação visual das características do maciço rochoso e das superfícies das
descontinuidades.

Os índices Q e RMR também podem ser utilizados para a obtenção do valor do GSI.
No emprego do sistema RMR podem ser utilizadas as versões de 1976 e 1989,
porém considerando o maciço sob condições totalmente secas e com orientação das
descontinuidades muito favorável. Com estas considerações o valor de GSI pode ser
obtido a partir dos valores modificados de RMR da seguinte forma:

GSI = RMR '76 (C.1)

Onde:

RMR’76: Valor da classificação RMR na sua versão 1976 modificada.

GSI = RMR 89
'
−5 (C.2)
Onde:

RMR’89: Valor modificado da versão 1989 da classificação RMR.


Estas relações não devem ser utilizadas maciços rochosos muito fracos, com
valores de RMR’76 < 18 ou RMR’89 < 23. Neste caso aconselha-se o uso da
classificação Q.

Para o uso da classificação Q devem ser utilizados os fatores RQD, Jn, Jr e Ja. Os
fatores SRF e Jw devem ser considerados unitários, representando uma situação de
maciço rochoso seco sujeito a condições de tensões médias. Desta forma obter-se-á
o índice Q modificado (Q’):

⎛ RQD ⎞ ⎛ J r ⎞
Q ' = ⎜⎜ ⎟⎟ ⋅ ⎜⎜ ⎟⎟ (C.3)
⎝ Jn ⎠ ⎝ Ja ⎠

154
O valor do índice Q’ pode ser usado para a obtenção do valor de GSI da seguinte
forma:

GSI = 9 ⋅ ln Q '+ 44 (C.4)

Figura C.1.Guia para estimativa do valor de GSI a partir das características do


maciço rochoso e das superfícies das descontinuidades (RocScience, 2001).

155
APÊNDICE
D

QUANTITATIVO DE CONCRETO
PROJETADO E TIRANTES PARA AS
SOLUÇÕES DE PROJETO

Apresentam-se quatro tabelas contendo volumes necessários de concreto projetado


em metros cúbicos e comprimento de tirante por metro longitudinal, para tal efeito
foram calculados a área de concreto transversalmente para depois serem calculadas
longitudinalmente. O mesmo procedimento foi adotado para os tirantes. Nas Tabelas
D.1, D.2, D.3 e D.4 apresenta-se a solução de Wickham et al. (1972), Bieniawski
(1989), Grimstad e Barton (1993) e Palmstrom (1996), respectivamente.

156
Tabela D.1. Quantitativo de material para a solução de Wickham et al. (1972).

Solução de
Sistema Wickham et al. (1972)
de Suporte
Caso 1 -
Caso 2 -
FS Caso 3 4,08
Caso 4 2,37
Caso 5 1,42
Propriedades D e e d Ângulo Atotal Vtotal
Volume de geométricas (m) (mm) (m) (m) (rad) (m2) m3/m
concreto Caso 1 - - - - - - -
projetado Caso 2 - - - - - - -
por metro Caso 3 5 50 0,05 4,95 6,28 0,390724 0,39
(m3/m) Caso 4 5 150 0,15 4,85 6,28 1,160391 1,16
Caso 5 5 50 0,05 4,95 6,28 0,390724 0,39
Propriedades C Ct Lt
Nt
geométricas (m) (m) (m/m)
Longitude
Caso 1 - - - -
de tirantes
Caso 2 - - - -
por metro
Caso 3 1 26 26 10,4
(m/m)
Caso 4 1 45 45 18
Caso 5 1 26 26 10,4

157
Tabela D.2. Quantitativo de material para a solução de Bieniawski (1989).

Solução de
Sistema Bieniawski (1989)
de Suporte
Caso 1 7,07
Caso 2 9,36
FS Caso 3 4,57
Caso 4 1,62
Caso 5 1,22
Propriedades D e e d Ângulo Atotal Vtotal
Volume de geométricas (m) (mm) (m) (m) (rad) (m2) m3/m
concreto Caso 1 5 50 0,05 4,95 2,094 0,130220 0,13
projetado Caso 2 5 50 0,05 4,95 2,094 0,130220 0,13
por metro Caso 3 5 50 0,05 4,95 2,094 0,130220 0,13
(m3/m) Caso 4 5 100 0,1 4,9 6,283 0,777521 0,78
Caso 5 5 100 0,1 4,9 6,283 0,777521 0,78
Propriedades C Ct Lt
Nt
geométricas (m) (m) (m/m)
Longitude
Caso 1 3 2 6 2,4
de tirantes
Caso 2 3 2 6 2,4
por metro
Caso 3 3 2 6 2,4
(m/m)
Caso 4 5 7 35 14
Caso 5 5 7 35 14

158
Tabela D.3. Quantitativo de material para a solução de Grimstad & Barton (1993).

Solução de
Sistema Grimstad & Barton (1993)
de Suporte
Caso 1 -
Caso 2 -
FS Caso 3 2,58
Caso 4 2,37
Caso 5 1,17
Propriedades D e e d Ângulo Atotal Vtotal
Volume de geométricas (m) (mm) (m) (m) (rad) (m2) m3/m
concreto Caso 1 - - - - - - -
projetado Caso 2 - - - - - - -
por metro Caso 3 - - - - - - -
(m3/m) Caso 4 5 150 0,15 4,85 6,283 1,160391 1,16
Caso 5 5 150 0,15 4,85 6,283 1,160391 1,16
Propriedades C Ct Lt
Nt
geométricas (m) (m) (m/m)
Longitude
Caso 1 - - - -
de tirantes
Caso 2 - - - -
por metro
Caso 3 - - - -
(m/m)
Caso 4 2,4 16 38,4 15,36
Caso 5 2,4 16 38,4 15,36

159
Tabela D.4. Quantitativo de material para a solução de Palmstrom (1996).

Solução de
Sistema Palmstrom (1996)
de Suporte
Caso 1 -
Caso 2 -
FS Caso 3 4,37
Caso 4 3,80
Caso 5 1,22
Propriedades D e e d Ângulo Atotal Vtotal
Volume de geométricas (m) (mm) (m) (m) (rad) (m2) m3/m
concreto Caso 1 - - - - - - -
projetado Caso 2 - - - - - - -
por metro Caso 3 5 50 0,05 4,95 6,283 0,390724 0,39
(m3/m) Caso 4 5 200 0,2 4,8 6,283 1,539335 1,54
Caso 5 5 250 0,25 4,75 6,283 1,914351 1,91
Propriedades C Ct Lt
Nt
geométricas (m) (m) (m/m)
Longitude
Caso 1 - - - -
de tirantes
Caso 2 - - - -
por metro
Caso 3 2 4 8 3,2
(m/m)
Caso 4 1 32 32 12,8
Caso 5 1 32 32 12,8

160
Onde:
Caso 1: Caso Mina El Teniente.
Caso 2: Caso Rio Grande.
Caso 3: Caso Himachel Pradesh.
Caso 4: Caso Metrô Atenas.
Caso 5: Caso Yacambú Quibor.
D: Diâmetro do túnel.
e: Espessura do concreto projetado.
d: D – e.
Atotal: Área de concreto projetado na seção transversal.
Vtotal: Volume de concreto projetado por metro longitudinal.
C: Comprimento do tirante usado por seção.
Nt: Número de tirantes.
Ct: Comprimento total de tirantes usados numa seção.
Lt: Longitude total de tirantes usados por metro longitudinal.

161