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Portugal: Crise e Queda da Monarquia

em Portugal e a Revolução Republicana.


A I República
O clima de crise: o descontentamento das classes médias e do operariado

 Nos finais do século XIX, Portugal continuava a ser um país predominantemente


agrícola. As importações continuavam a aumentar em relação às exportações
(balança comercial deficitária) pois a produção industrial nacional não se tornou
competitiva em termos de qualidade e quantidade. Para contrariar esta situação
económica, o Estado recorria ao aumento dos impostos ou pedia novos
empréstimos para pagar os anteriores.

 Na década de 1890, uma grave crise económica e financeira atingiu a Europa,


atingindo Portugal com intensidade, levando bancos e empresas à falência. As
dificuldades económicas originaram um crescente descontentamento social:
 a classe média (pequena e média burguesia) confrontava-se com o aumento dos
impostos, a inflação e a ameaça de desemprego pois as suas pequenas e médias
empresas enfrentavam graves dificuldades;
 o operariado, além de problemas semelhantes, lidava com os baixos salários e
com horas excessivas de trabalho.

 Junto com estes motivos aparecia o ultimato inglês o que fazia crescer o
descontentamento da população face à monarquia.

A difusão das doutrinas socialista e republicanas

 Portugal era uma Monarquia Constitucional em que os dois partidos


monárquicos (Regenerador e Progressista) se alternavam no poder de acordo com
os resultados eleitorais – rotatividade.

 Em 1875, foi fundado o Partido Socialista dirigido pela classe operária. Em


1876, surgiu o Partido Republicano Português que tinha como objectivo o
derrube da Monarquia e a implantação da República.

 Os republicanos usaram a imprensa, os comícios e as comemorações do


tricentenário da morte de Camões e do centenário da morte do Marquês do Pombal
para criticar severamente as instituições monárquicas, influenciando a opinião
pública. As classes médias e o operariado, extremamente descontentes e críticos
vão constituir a base de apoio destes novos partidos.

Os antecedentes da Revolução Republicana

 O ultimato inglês foi decisivo na ascensão do Partido Republicano. Os


republicanos procuravam reerguer o orgulho nacional – patriotismo –,
incentivando a esperança e a confiança num futuro melhor, para contrariar o
pessimismo e o derrotismo provocados pelas cedências do governo aos interesses
ingleses.

 A 31 de Janeiro de 1891, foi organizado no Porto, uma tentativa de


implantação da República, mas a revolta acabou por ser dominada pelas forças
da guarda municipal.

 Devido aos desentendimentos entre os diversos partidos monárquicos e à agitação


no Parlamento (Assembleia Legislativa) o rei D. Carlos entregou a chefia do
Ministério (governo) a João Franco, do Partido Regenerador Liberal, em Maio
de 1906. João Franco passou a dirigir o País de forma ditatorial, o que provocou
forte oposição por parte dos republicanos e dos restantes partidos monárquicos.
A 10 de Maio de 1907, o Parlamento foi encerrado, o que reforçou a ditadura de
João Franco, apoiada pelo rei D. Carlos.

O fim da Monarquia

 Com a oposição ao regime monárquico e à ditadura de João Franco, no dia 1 de


Fevereiro de 1908, o rei D. Carlos e o príncipe herdeiro D. Luís Filipe foram
assassinados no Terreiro do Paço (Lisboa) por membros republicanos actuando
individualmente. Este acontecimento ficou conhecido por Regicídio.

 O trono foi ocupado pelo segundo filho do rei, D. Manuel II, que demitiu João
Franco (acusado de ter fomentado revoltas com as suas acções), formou um
governo com representantes de todos os partidos monárquicos e actuou de forma
tolerante e branda.

 Os escândalos políticos, muitas vezes exagerados pela imprensa, tornaram


inevitável a queda da Monarquia, por isso a 4 de Outubro de 1910 iniciou-se a
revolução. A revolução seguiu um plano pré-estabelecido e contou com a ajuda
de militares e civis pertencentes à classe média, à pequena burguesia e ao
operariado e com o apoio do Partido Republicano, da Maçonaria (sociedade
inspirada pelo Movimento das Luzes) e da Carbonária (sociedade secreta que
apoiava a luta contra a Monarquia).

 Na manhã seguinte, dia 5 de Outubro de 1910 foi proclamada a República, na


varanda da Câmara Municipal de Lisboa. D. Manuel II e sua mãe, D. Amélia,
embarcaram, na Ericeira, rumo ao exílio.

A Constituição Republicana

 Depois da proclamação da República, foi constituído um Governo Provisório,


chefiado por Teófilo Braga, que tinha como função realizar uma nova
constituição e chefiar o país até esta ser aprovada.

 A 21 de Agosto de 1911, a Constituição Republicana foi aprovada. Esta


adoptava o sistema liberal de divisão e independência dos três poderes
(executivo, legislativo, judicial) e estabelecia um regime democrático
parlamentar (o poder legislativo era superior ao poder executivo).

 Das medidas tomadas pelo Governo Provisório destacam-se as que marcaram a


diferença entre o velho e o novo regime: uma nova bandeira, um novo hino (A
Portuguesa) e uma nova moeda (o Escudo).

Outras medidas republicanas

 Entre 1910 e 1926, ao longo da I República foram tomadas medidas que


marcaram a acção dos governos republicanos:

ACÇÕES
- lei da separação da Igreja do
Estado (o estado passa a ser neutro
em matéria religiosa);
- expulsão das ordens religiosas;
- nacionalização dos bens da Igreja;
- proibição do ensino religioso nas
LAICIZAÇÃO
escolas oficiais;
DO ESTADO
- legalização do divórcio;
- criação de um registo civil
obrigatório de nascimentos,
casamentos, óbitos (tarefa feita
apenas pela Igreja e agora apenas da
responsabilidade do Estado).
- foram feitas diversas tentativas
para pôr fim ao défice das contas
públicas, sem grandes resultados.
Só em 1913, Afonso Costa
consegui que as contas públicas
FINANCEIRAS
apresentassem um saldo positivo,
graças a um conjunto de medidas
das quais se destacou uma forte
restrição nas despesas.
- publicaram-se leis que
contemplavam a igualdade de
direitos dos cônjuges e entre filhos
legítimos e ilegítimos;
- institui-se o divórcio;
- foram reconhecidos o direito à
greve (legislação publicada ainda
SOCIAIS
em 1910) e à protecção na doença e
na velhice;
- o horário de trabalho semanal foi
fixado em 48 horas para a maioria
dos trabalhos e em 42 horas para os
empregados de escritório e
bancários.
- estabelecimento da escolaridade
obrigatória entre os 7 e os 10 anos;
- criação de jardins-escola e
aumento do número de escolas
primárias;
- reforma do ensino técnico (nas
EDUCATIVAS
áreas da agricultura, comércio e
indústria);
- criação das Universidades de
Lisboa e Porto.

 Apesar das medidas tomadas face ao horário de trabalho semanal, o governo


revelou-se incapaz para obrigar os industriais a cumprir muitas destas medidas.
As medidas tomadas na área da educação procuravam fazer face à elevada taxa de
analfabetismo (cerca de 70%) e melhorar os restantes níveis de ensino.

 Apesar da contestação, nomeadamente por parte da Igreja Católica, os


republicanos procuravam pôr, assim, em prática os seus ideais de igualdade e
liberdade.
A crise e a queda da monarquia
Nos finais do século XI existia uma grande crise económica, política e social muito
preocupante.
Em 1180 comemorou-se o tricentenário da morte de Luís de Camiões e os adeptos das
ideias republicanas aproveitaram essa data para a publicação das suas ideias e provocar
um alvoroço popular.
No tempo da monarquia, o país estava em crise, o povo estava descontente com os preços
dos produtos comerciais e em geral com as fracas condições de vida.
As principais fábricas do país situavam-se no Porto e em Lisboa, onde trabalhavam
operários, de modo a que o resto da população trabalhava no campo com difíceis
condições de vida.
Portugal estava a atravessar uma fase difícil e com muitas dívidas. Por isso teve que pedir
dinheiro emprestado ao estrangeiro. Para pagar os juros, o rei aumentou os impostos.

Como o rei não diminuiu os impostos, os ingleses estavam com o com o comércio muito
avançado e produzido. Enquanto que Portugal estava numa crise económica, e o Ultimato
Inglês em 1890 veio piorar a situação de Portugal. Esse Ultimato exigia que o governo
português tirasse os seus exércitos das suas terras conquistadas; se essa ordem não fosse
executada o governo inglês declararia guerra a Portugal, era o ultimatum.

A família real vinha de uma viagem de Vila Viçosa.


No dia 1 de Fevereiro de 1908,o rei D. Carlos e o seu filho D. Luís Filipe foram
assassinados no Terreiro de Paço. Os autores do crime foram Costa e Buiça. O sucessor
do trono seria D. Manuel que tinha ficado sozinho nas mãos do seu governo embora fosse
muito inexperiente.
Era o regicídio.