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SUMÁRIO

1 CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR ................................................ 3

2 DIREITOS BÁSICOS DO CONSUMIDOR .................................................. 5

3 PRÁTICAS E CLÁUSULAS ABUSIVAS .................................................... 8

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1 CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR
O Código de Defesa do Consumidor foi criado pela Lei nº 8.078, de 11 de
setembro de 1990? Pois é, há mais de 20 anos essa lei está vigorando e tem atingido
seu objetivo.
O Direito do consumidor é um ramo relativamente novo do direito,
principalmente no Direito Brasileiro. Somente a partir dos anos cinquenta, após a
segunda guerra mundial, quando surge a sociedade de massa com contratos e
produtos padronizados, é que se iniciou uma construção mais sólida no sentido de
harmonizar as relações de consumo. Os consumidores passaram a ganhar proteção
contra os abusos sofridos, tornando-se uma preocupação social, criando-se então
alguns Órgãos de defesa do consumidor.
No antigo Código de Hamurabi haviam certas regras que, mesmo
indiretamente, visavam proteger o consumidor?
Assim, por exemplo, o arquiteto que viesse a construir uma casa cujas paredes
se revelassem deficientes teria a obrigação de reconstruí-las ou consolidá-las.
As consequências para desabamentos com vítimas fatais eram ainda mais
severas; o empreiteiro , além de ser obrigado a reparar totalmente os danos causados
ao dono da moradia, poderia ser condenado à morte se o acidente vitimasse o chefe
de família.
No caso de falecimento do filho do empreendedor da obra a pena de morte se
aplicaria a algum parente do responsável técnico pela obra, e assim por diante.
Na Índia, no século XIII a.C., o sagrado código de Manu previa multa e
punição, além de ressarcimento dos danos àqueles que adulterassem gêneros ou
entregassem coisa de espécie inferior àquela acertada, ou vendessem bens de igual
natureza por preços diferentes.
Portanto, com o avanço da sociedade viu-se a necessidade da criação de
normas para preservarem os interesses e direitos do consumidor.
Sendo assim, o Código de Defesa do Consumidor é um conjunto de leis que
estabelece direitos e obrigações para consumidores e fornecedores para evitar que os
consumidores sofram qualquer tipo de prejuízo. A intenção da criação dessa lei foi
justamente proteger a parte mais fraca de uma relação de consumo.
O CDC trata o consumidor como parte mais fraca porque quem vende é
especialista naquilo que faz, e por isso, possui informações e conhecimentos que
quem compra nem sempre tem.
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Por exemplo, antes de propor um contrato, o fornecedor já teve tempo de
consultar especialistas e de preparar um contrato que atenda ás suas expectativas e
interesses. Por outro lado, o consumidor nem sempre entende o que está escrito no
dito contrato e quando não entende não tem os mesmos conhecimentos do fornecedor
para poder discutir e acaba assumindo obrigações que não gostaria de ter feito.
Nestas condições, o consumidor é sempre a parte mais frágil. Para esta
relação ser mais justa é que foi criado o Código de Defesa do Consumidor.
Entretanto, cuidado para não ter ideias precipitadas sobre o CDC, já que a
legislação consumerista não visa prejudicar os fornecedores, mas sim equipará-los
aos consumidores.
Concluindo, a intenção da criação do Código de Defesa do Consumidor foi
regulamentar alguns direitos e resguardar os interesses do consumidor, ditando
normas a serem seguidas pelos fornecedores, já que o consumidor é considerado a
parte hipossuficiente da relação de consumo.
Você sabe qual o conceito de CONSUMIDOR para o CDC (Código de Defesa
do Consumidor)?
Pois bem, a Lei 8078/90 em seu artigo 2º nos traz o conceito de consumidor,
veja abaixo;
“ART. 2º – Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza
produto ou serviço como destinatário final.
Parágrafo único – Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda
que indetermináveis que haja intervindo nas relações de consumo.”
O conceito de Consumidor foi exclusivamente de caráter econômico, levando-
se em consideração somente o personagem (pessoa física ou jurídica/empresas) que
no mercado de consumo adquire bens ou então contrata a prestação de serviços
como destinatário final, ou seja, age por necessidade própria e não visando o
desenvolvimento de outra atividade negocial.
Exemplificando;
Se uma empresa compra um espelho para colocar nos banheiros visando o
bem estar de seus funcionários, estaremos diante da empresa como consumidora.
Entretanto, se tal empresa compra espelhos para estocar e revendê-los a seus
clientes não se enquadraria em tal conceito.
E o consumidor considerado como uma coletividade de pessoas?
Esses consumidores retratados no parágrafo único do artigo 2º do CDC
analisados coletivamente, dizem respeito a questões envolvendo campanhas

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publicitárias enganosas e abusivas e ou consumo de produtos e serviços perigosos ou
nocivos á saúde e segurança das pessoas.
Exemplificando;
Consumidores que contratam determinado plano de saúde que ofertavam
vantagens mentirosas utilizando-se de campanhas publicitárias enganosas e
envolventes, causando atrativo ás pessoas.
Relação de consumo como a relação existente entre o consumidor (aquele que
adquire um produto ou serviço) e o fornecedor (aquele que fornece um produto ou
serviço ao mercado de consumo).
Para se caracterizar uma relação de consumo devem sempre estar envolvidas
duas partes; de um lado a pessoa que adquire um produto ou contrato um serviço
(consumidor) e de outro lado, o fornecedor, a pessoa que vende um produto ou presta
um serviço (fornecedor).
Dessa forma, tal relação de consumo destina-se á satisfação de uma
necessidade privada do consumidor e este, arrisca-se a submeter-se ao poder e
condições dos produtores dos produtos desses bens e serviços.
Assim, podemos concluir que o Código de Defesa do Consumidor será
aplicado em todas as relações de consumo ou quando na elaboração de um contrato,
por exemplo, não forem observadas as normas nele contidas.

2 DIREITOS BÁSICOS DO CONSUMIDOR


Os direitos básicos do consumidor foram relacionados justamente para
proteção dos mais fracos contra os mais poderosos, do leigo contra o melhor
informado e diante disso os contratantes deverão se curvar ao Código de Defesa do
Consumidor, adequando cada contrato firmado junto aos seus clientes ás normas nele
descritas.
Os direitos básicos do consumidor são aqueles interesses mínimos,
relacionados a direitos fundamentais universalmente consagrados que, diante de sua
relevância social e econômica, pretendeu o Código de Defesa do Consumidor tutelar.
Na verdade, hoje tudo é considerado direito do consumidor, o direito à saúde e
à segurança, o direito de defender-se da publicidade enganosa e mentirosa, o direito
de exigir as quantidades e qualidades prometidas e pactuadas, o direito de informação
sobre os produtos e sua utilização, o conteúdo dos contratos, o direito de não se
submeter às cláusulas abusivas, o direito de reclamar judicialmente pelo
descumprimento ou cumprimento parcial ou defeituoso das avenças, o direito de
associar-se para a proteção de seus interesses, o direito a voz e representação com
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todos os organismos cujas decisões afetem diretamente seus interesses e até mesmo
a proteção do meio ambiente.
Diante disso, vamos conhecer alguns direitos do consumidor?
Os direitos básicos do consumidor estão descritos no artigo 6º do Código de
Defesa do Consumidor (Lei nº 8078/90) que relaciona tais direitos da forma abaixo
descrita;
“ART. 6º – São direitos básicos do consumidor:
I – a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por
práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos;
II – a educação e divulgação sobre o consumo adequado dos produtos e
serviços, asseguradas a liberdade de escolha e a igualdade nas contratações;
III – a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços,
com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade,
tributos incidentes e preço, bem como sobre os riscos que apresentem;
IV – a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais
coercitivos ou desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas
no fornecimento de produtos e serviços;
V– a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações
desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem
excessivamente onerosas;
VI – a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais,
individuais, coletivos e difusos;
VII – o acesso aos órgãos judiciários e administrativos, com vistas à prevenção
ou reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos ou difusos,
assegurada a proteção jurídica, administrativa e técnica aos necessitados;
VIII – a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão
do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for
verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias
de experiências;
IX – (VETADO).
X – a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em geral.”
Portanto, (nome do aluno) é imprescindível conhecer esses direitos para atrair
a confiança de seus clientes, bem como proporcionar ao mesmo segurança na hora de
firmar determinado contrato.
Existem sanções tanto na esfera administrativa quanto na esfera judicial.

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As sanções administrativas ou penas estão descritas no artigo 56 do CDC –
Código de Defesa do Consumidor,são elas:
multa;
apreensão do produto;
inutilização do produto;
cassação do registro do produto junto ao órgão competente;
proibição de fabricação do produto;
suspensão de fornecimento de produtos e serviços;
suspensão temporária da atividade;
revogação de concessão ou permissão de uso;
cassação de licença do estabelecimento ou da atividade;
interdição total ou parcial. de estabelecimento. de obra ou de atividade:
intervenção administrativa;
imposição de contrapropaganda.
A aplicação das sanções ou penas administrativas são fiscalizadas pelos
órgãos que fazem parte do SNDC (Sistema Nacional de Defesa do Consumidor),
como por exemplo, PROCONS.
Além das sanções administrativas que poderão ser aplicadas
cumulativamente, como por exemplo, multa e suspensão do fornecimento de produto e
serviços, poderá ainda acarretar em ação judicial tanto na esfera penal quanto na
esfera cível.
Portanto, o desrespeito aos direitos básicos do consumidor poderá
acarretar prejuízos de grande monta ao fornecedor de produtos ou serviços.
Exemplificando;
Assim, um fornecedor que vender um produto comestível estragado, poderá vir
a sofrer uma multa, ver apreendido o seu produto, vê-lo inutilizado, e ter o seu
estabelecimento interditado, tudo cumulativamente, sem que se considere duplamente
punido por isso. E isto apenas administrativamente, sem falar nas sanções cíveis e
criminais a que estará sujeito.
Veja bem, existem modalidades diferenciadas para as penas/sanções. Vamos
conhecê-las?
O Código distingue, basicamente, três modalidades de sanções
administrativas:
a) Sanções Pecuniárias: representadas pelas multas aplicadas em razão do
inadimplemento dos deveres de consumo;

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b) Sanções Objetivas: são aquelas que envolvem bens ou serviços colocados
no mercado de consumo e compreendem a apreensão, inutilização, cassação do
registro, proibição de fabricação ou suspensão do fornecimento de produtos e
serviços;
c) Sanções Subjetivas: referidas à atividade empresarial ou estatal dos
fornecedores de bens ou serviços, compreendem a suspensão temporária da
atividade, revogação de concessão ou permissão de uso, cassação de licença do
estabelecimento ou de atividade, interdição total ou parcial de estabelecimento, obra
ou atividade, intervenção administrativa, inclusive a imposição de contrapropaganda.
Analisando as informações já disponibilizadas, podemos afirmar que quando
você conhece os direitos do consumidor o seu trabalho é desempenhado com
excelência além de você conseguir evitar consequências inesperadas.

3 PRÁTICAS E CLÁUSULAS ABUSIVAS


CONTRATO corresponde ao vínculo obrigacional existente entre duas partes,
em que uma deve prestação à outra, e esta em contrapartida, deve á primeira uma
contraprestação, ou seja, O CONTRATO É UM ACORDO DE VONTADES.
Somente a título de esclarecimento o seguro é firmado entre seguradora e
segurado através de um contrato, onde a pessoa se resguarda ou resguarda um bem
de sua propriedade de eventuais danos futuros, mediante um pagamento por tal
serviço prestado por uma seguradora. Na hipótese de ocorrer o sinistro (dano) caberá
á seguradora pagar o prêmio (valor da avaliação do bem ou valor contratado).
Da mesma forma os financiamentos em geral somente são concedidos após a
análise criteriosa de uma ficha cadastral, com posterior aprovação e em seguida
assinatura do contrato de financiamento.
Portanto, o contrato nada mais é do que a formalização da vontade das partes
em um documento.
Ocorre que as cláusulas contidas em tal contrato devem estar de acordo com a
lei em geral, respeitando alguns requisitos básicos (Ex: as partes devem ser maiores e
capazes, o objeto da negociação deve ser lícito), bem como devem estar de acordo
com o Código de Defesa do Consumidor, sob pena de tais cláusulas serem anuladas
por decisão judicial, sujeitando ainda as penas previstas na legislação pertinente.
CONTRATO DE ADESÃO são aqueles contratos onde os fornecedores de
produtos ou serviços estipulam de forma prévia e unilateral as cláusulas contratuais e,
aos consumidores cabe apenas aceitá-las. Não cabe aos consumidores a

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oportunidade de discutir ou modificar o conteúdo das cláusulas, pois os contratos já
lhe são apresentados prontos.
Exemplificando; Os contratos de plano de saúde e os contratos de telefonia
celular são considerados contratos de adesão.
Portanto, contrato de adesão é aquele contrato pronto, já preparado pela outra
parte, sem possibilidade de discussão ou alteração de suas cláusulas. Geralmente,
esse tipo de contrato já se encontra impresso, com somente alguns espaços em
branco para serem preenchidos pela outra parte, como p.ex. seus dados e sua
assinatura. Nada mais.
Lembrando que uma das características primordiais dos contratos é a livre
estipulação das cláusulas pelas partes, já que é considerado como um acordo de
vontades. Por isso o Código de Defesa do Consumidor achou por bem regular o
contrato de adesão de forma detalhada e trazendo algumas observações a ser
observadas.
O Contrato de Adesão tem previsão no Código de Defesa do Consumidor em
seu art. 54 (Lei 8.078/1990).
“ Art. 54. Contrato de adesão é aquele cujas cláusulas tenham sido aprovadas
pela autoridade competente ou estabelecidas unilateralmente pelo fornecedor de
produtos ou serviços, sem que o consumidor possa discutir ou modificar
substancialmente seu conteúdo.
§ 1° A inserção de cláusula no formulário não desfigura a natureza de adesão
do contrato.
Ou seja, adicionar alguma cláusula na hora da contratação por interesse do
fornecedor ou até mesmo a pedido do consumidor não desconfigura o contrato de
adesão.
§ 2° Nos contratos de adesão admite-se cláusula resolutória, desde que a
alternativa, cabendo à escolha ao consumidor, ressalvando-se o disposto no § 2° do
artigo anterior.
No contrato poderá constar cláusula resolutória, ou seja, caberá ao consumidor
manter o contrato ou proceder sua resolução, cabendo ao fornecedor de bens ou
serviços a devolução das quantias pagas, monetariamente atualizadas, descontadas
as vantagens auferidas pelo consumidor.
Exemplificando, no contrato de consórcio para aquisição de algum bem, o
consumidor poderá desistir de continuar aderido nesse contrato, entretanto, terá direito
de receber de volta as quantias já pagas, descontadas algumas taxas que lhe
trouxeram algum beneficio naquele período em que ficou vinculado naquela avença.

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§ 3o Os contratos de adesão escritos serão redigidos em termos claros e com
caracteres ostensivos e legíveis, cujo tamanho da fonte não será inferior ao corpo
doze, de modo a facilitar sua compreensão pelo consumidor.
Quantas vezes você se deparou com contratos com letras minúsculas,
impossíveis de ler a olho nu, constando termos que desconhece?
§ 4° As cláusulas que implicarem limitação de direito do consumidor deverão
ser redigidas com destaque, permitindo sua imediata e fácil compreensão.”
Ocorre que, infelizmente, há diversos abusos neste tipo de contratação, porém
saiba que o Código de Defesa do Consumidor traz proteção para este tipo de contrato.
A seguir vamos conhecer algumas proibições legais que devem ser evitadas ao
elaborar um contrato.
Sendo assim, vejamos alguns cuidados neste tipo de contratação:
Letras pequeninas, quase ilegíveis, são proibidas no Contrato de Adesão. O
tamanho mínimo da letra para este contrato é o tamanho “12”.
Cláusulas que impõe alguma limitação ao consumidor devem ser destacadas
das demais. Por exemplo, numa letra maior, grifada ou até em outra cor.
Exemplo: cláusula de plano de saúde que não cubra algum tipo de material
importado. Deverá estar em destaque no contrato de adesão;
Outras proibições;
A redação do contrato deverá estar em termos claros e de fácil compreensão.
Ainda mais se falamos em contratações de massa ou do povo em geral, o qual,
infelizmente, conta com pouca educação e instrução.
Além disso, se constar no contrato menção a algum artigo de lei, deverá
também incluir o texto integral do artigo e para trazer maior clareza ao contrato,
deverá explicar o que aquele artigo quer dizer, evitando desconhecimento por
parte do consumidor.
No ato da elaboração do contrato de adesão, deverá o fornecedor de bens ou
serviços evitar colocar cláusulas obscuras ou que sugerem dupla interpretação.
Lembre-se as cláusulas contratuais deverão ser interpretadas da maneira mais
favorável ao consumidor.
Para evitar qualquer nulidade do contrato, é necessário que o “homem comum”
possa ler e entender o que significam as cláusulas contratuais, quais as obrigações e
os direitos que está aceitando. Isso porque, quanto a esses contratos, deve-se sempre
questionar se o consumidor ao aderir conhecia o conteúdo ou a extensão da cláusula
que lhe é prejudicial ou mesmo sabendo que era, não teve sua vontade reduzida pela
necessidade de contratar.

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Deve-se sempre atentar para o fato de que a relação que se forma entre o
fornecedor e o consumidor não serve somente às vantagens do primeiro, mas também
a que o outro atinja o fim previsto no contrato que resultou de um prévio encontro entre
os dois.
O contrato deverá trazer direitos e deveres para ambas as partes.
Sendo assim, ao apresentar ao consumidor um contrato de adesão esclareça
todos os pontos que possa gerar dúvidas ao mesmo.
Pois bem, vamos passar agora a analisar o que seria considerado perante o
Código de Defesa do Consumidor como PRÁTICAS e CLÁUSULAS ABUSIVAS.
Com o CDC foram introduzidas normas que proíbem expressamente as
cláusulas abusivas nos contratos, garantindo, assim, uma maior proteção ao
consumidor, bem como o controle judicial das cláusulas contratuais, limitando a
autonomia da vontade das partes.
Ou seja, o contrato poderá ser firmado, mas terá que obedecer alguns critérios
mínimos, visando o equilíbrio contratual das partes.
Em toda relação jurídica deve prevalecer o princípio da boa-fé. Como
consequência, toda cláusula que infringir este princípio é considerada, por lei, como
abusiva.
Então o que seria considerada cláusula abusiva?
Cláusula abusiva é aquela desfavorável à parte mais fraca na relação
contratual, que, na relação de consumo é o consumidor. A existência de cláusula
abusiva no contrato de consumo torna inválida a relação contratual pela quebra do
equilíbrio entre as partes.
É importante considerar que, havendo cláusula considerada abusiva pelo CDC,
é irrelevante tratar-se de contrato de adesão ou "contrato de comum acordo": é
suficiente que seja relação jurídica de consumo para que o negócio jurídico receba
proteção contra as cláusulas abusivas.
O Código de Defesa do Consumidor em seu artigo 51 da Lei nº
8.078/90, apresenta uma lista exemplificativa das chamadas CLÁUSULAS ABUSIVAS,
vamos conhecê-las?
“Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais
relativas ao fornecimento de produtos e serviços que:
I - impossibilitem, exonerem ou atenuem a responsabilidade do fornecedor por
vícios de qualquer natureza dos produtos e serviços ou impliquem renúncia ou
disposição de direitos. Nas relações de consumo entre o fornecedor e o consumidor
pessoa jurídica, a indenização poderá ser limitada, em situações justificáveis;

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Ora, se o produto vendido ao consumidor apresenta algum problema, o
fornecedor é obrigado a sanar tal problema, quer trocando o produto, quer oferecendo
outro de interesse do consumidor ou ainda devolvendo ao mesmo o valor pago
atualizado monetariamente.
II - subtraiam ao consumidor a opção de reembolso da quantia já paga, nos
casos previstos neste código;
III - transfiram responsabilidades a terceiros;
É comum nos depararmos com situações onde os consumidores compram
determinado produto na loja, como por exemplo, uma TV de última geração e a
mesma apresentando problema a loja quer transferir totalmente a responsabilidade
para a fabricante. Ora, ambos são responsáveis e devem sanar o prejuízo causado ao
consumidor.
IV - estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o
consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa-fé ou a
equidade;
Essas cláusulas são aquelas notoriamente desfavoráveis à parte mais fraca na
relação contratual de consumo, ou seja, ao consumidor. São as cláusulas opressivas,
onerosas, vexatórias ou, ainda, excessivas.
V - (Vetado);
Também são nulas de pleno direito as cláusulas contratuais que ;
VI - estabeleçam inversão do ônus da prova em prejuízo do consumidor;
O consumidor estará isento de apresentar provas que justifiquem sua
alegação, exigindo que o fornecedor prove que a alegação do consumidor não condiz
com a verdade. VII - determinem a utilização compulsória de arbitragem;
Escolha de um terceiro estranho ao consumidor e ao fornecedor para resolver
os problemas relacionados á relação de consumo, um exemplo são as câmaras de
conciliação existentes nas ACIAS (Associações Comerciais dos lojistas). A proibição
seria quando esse terceiro não é de confiança do consumidor e é imposto pelo
fornecedor de bens e serviços.
VIII - imponham representante para concluir ou realizar outro negócio jurídico
pelo consumidor;
É comum em contratos bancários ou de cartão de crédito constar uma cláusula
onde o devedor/consumidor nomeia um procurador indicado pelo credor/banco para
que assuma em nome dele algumas obrigações. Ora, tal cláusula será considerada
nula e abusiva por estar representando de forma implícita os interesses do
credor/banco.

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IX - deixem ao fornecedor a opção de concluir ou não o contrato, embora
obrigando o consumidor;
Ora, tal conduta fere claramente o equilíbrio entre as partes.
X - permitam ao fornecedor, direta ou indiretamente, variação do preço de
maneira unilateral;
O consumidor por ser parte do contrato também tem direito de ditar regras e
defender seus interesses. Vamos continuar a exemplificação das demais cláusulas
contratuais?
Também são nulas de pleno direito as cláusulas contratuais que ;
XI - autorizem o fornecedor a cancelar o contrato unilateralmente, sem que
igual direito seja conferido ao consumidor;
Todas as cláusulas contratuais devem conferir direitos iguais tanto ao
consumidor quanto ao fornecedor.
XII – obrigem o consumidor a ressarcir os custos de cobrança de sua
obrigação, sem que igual direito lhe seja conferido contra o fornecedor;
O Código de Defesa do Consumidor permite a estipulação contratual de que
esses encargos sejam de responsabilidade do consumidor quando este não cumprir
com sua obrigação necessitando de cobrança por parte do fornecedor, se igual direito
for assegurado a este se precisar acionar o fornecedor para cumprir o acordado na
relação de consumo.
XIII - autorizem o fornecedor a modificar unilateralmente o conteúdo ou a
qualidade do contrato, após sua celebração;
Toda alteração contratual posterior a conclusão do contrato de consumo
deverá ser discutida entre fornecedor e consumidor e aceita por ambos.
XIV - infrinjam ou possibilitem a violação de normas ambientais;
É dever da coletividade proteger o meio ambiente, portanto todas as cláusulas
contratuais deverão respeitar a legislação ambiental.
XV - estejam em desacordo com o sistema de proteção ao consumidor;
Toda cláusula contratual deverá está de acordo com as normas do Código de
Defesa do Consumidor, sob pena de nulidade.
XVI - possibilitem a renúncia do direito de indenização por benfeitorias
necessárias.
Benfeitorias necessárias são obras realizadas pelo homem para evitar a
deterioração do bem, portanto, caso o consumidor seja obrigada a fazê-la, sob pena
de afetar a utilização ou o uso do bem, o fornecedor será obrigado a fazer o
ressarcimento, independente de prévia autorização.

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Exemplo; obras de reparo na parede de sustentação de uma garagem, reparos
na rede elétrica que apresenta constante curto circuito.
Sabemos que apesar das várias proibições existentes no Código de Defesa do
Consumidor, vários contratos ainda são redigidos ferindo completamente os direitos
básicos do consumidor e inserindo cláusulas abusivas que causam um desequilíbrio
na relação contratual consumerista.
Mas o Código de Defesa do Consumidor vai mais além, prevê ainda em
seu artigo 51, algumas cláusulas que são consideradas exageradas, vejamos;
“Artigo 51.
§ 1º Presume-se exagerada, entre outros casos, a vantagem que:
I - ofende os princípios fundamentais do sistema jurídico a que pertence;
Aqui estão enquadradas cláusulas que ofendam o ordenamento jurídico em
geral.
II - restringe direitos ou obrigações fundamentais inerentes à natureza do
contrato, de tal modo a ameaçar seu objeto ou equilíbrio contratual;
Exemplo seriam as cláusulas que estabeleça vantagens excessivas ao
fornecedor.
III - se mostra excessivamente onerosa para o consumidor, considerando-se a
natureza e conteúdo do contrato, o interesse das partes e outras circunstâncias
peculiares ao caso.
Exemplo seriam as cláusulas que causam prejuízo enorme ao consumidor e
enriquecimento por parte do fornecedor.
O artigo 51§ 2°do CDC assim dispõe; " A nulidade de uma cláusula contratual
abusiva não invalida o contrato, exceto quando de sua ausência, apesar dos esforços
de integração, decorrer ônus excessivo a qualquer das partes.
Quando os requisitos gerais do contrato estiverem de acordo com a lei,
somente as cláusulas consideradas abusivas serão consideradas nulas e serão
afastadas como se não estivessem inseridas no contrato, as demais cláusulas serão
consideradas válidas.
§ 3° (Vetado).
§ 4° É facultado a qualquer consumidor ou entidade que o represente requerer
ao Ministério Público que ajuíze a competente ação para ser declarada a nulidade de
cláusula contratual que contrarie o disposto neste código ou de qualquer forma não
assegure o justo equilíbrio entre direitos e obrigações das partes.
Percebe-se que os direitos do consumidor, bem como a fiscalização pelo
cumprimento Código de Defesa do Consumidor é coisa séria, sendo essencial o

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conhecimento do assunto, já que o ofensor poderá inclusive ser surpreendido com
penas administrativas e até mesmo judiciais, bastando simples reclamação do
ofendido diretamente aos órgãos de proteção tal como os PROCONS que poderão
oficiar o Ministério Público (Promotoria de Justiça) ou buscar através de um advogado
diretamente ao juiz o cumprimento dos direitos regulamentados.
Sendo assim, melhor trabalharmos dentro da legalidade para evitarmos
dissabores e conquistarmos cada vez mais a confiança de novos clientes.
Quanto aos contratos de empréstimos ou concessão de crédito o Código de
Defesa do Consumidor ainda faz mais algumas exigências.
O artigo 52 do Código de Defesa do Consumidor assim menciona;
“Art. 52. No fornecimento de produtos ou serviços que envolva outorga de
crédito ou concessão de financiamento ao consumidor, o fornecedor deverá, entre
outros requisitos, informá-lo prévia e adequadamente sobre:
I - preço do produto ou serviço em moeda corrente nacional;
II - montante dos juros de mora e da taxa efetiva anual de juros;
III - acréscimos legalmente previstos;
IV - número e periodicidade das prestações;
V - soma total a pagar, com e sem financiamento.
§ 1° As multas de mora decorrentes do inadimplemento de obrigações no seu
termo não poderão ser superiores a dois por cento do valor da prestação”
Portanto, seja transparente em suas negociações.
Logicamente tais exigências visam que o consumidor somente assuma um
compromisso que consiga cumprir e que não seja surpreendido com valores que não
condizem com sua situação financeira ou não esteja em seu orçamento. No ato da
contratação o consumidor tem que estar por dentro das cláusulas constantes no
contrato que pretende firmar.
Lembre-se daquele provérbio; “ O QUE É COMBINADO NÃO É CARO”.
E mais, o Código de Defesa do Consumidor ainda proporciona ao consumidor
o direito de antecipar o pagamento das prestações assumidas de forma total ou
parcial, podendo o mesmo exigir a redução dos juros e eventuais acréscimos. Tal
afirmativa está descrita no artigo 52 §2º; “ É assegurado ao consumidor a liquidação
antecipada do débito, total ou parcialmente, mediante redução proporcional dos juros e
demais acréscimos.”
Exemplificando; Se o consumidor adquire um veículo em 36 parcelas e
posteriormente a assinatura do contrato, resolve pagar de uma só vez 12 prestações

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antes do vencimento terá direito de que seja descontado dessas prestações eventuais
juros e demais correções ali incidentes.
O artigo 52 do Código de Defesa do Consumidor, reza pelo PRINCÍPIO DA
TRANSPARÊNCIA, ou seja, significa que deverá ser repassada ao consumidor
informação clara e correta sobre o produto a ser vendido, sobre o contrato a ser
firmado, significa lealdade e respeito nas relações entre fornecedor e consumidor,
mesmo na fase pré-contratual, isto é, na fase negocial dos contratos de consumo.
Ficou claro as proibições constantes no Código de Defesa do Consumidor?
Já é possível analisar as cláusulas de um contrato?
Lembre-se que ao elaborar um contrato os direitos e deveres das partes
envolvidas na relação de consumo devem ser equilibrados, evitando onerosidade
excessiva para uma das partes e vantagem exorbitante para a outra.
O Código de Defesa do Consumidor também se preocupou com algumas
práticas consideradas também abusivas.
Você sabe o que é considerado PRÁTICA ABUSIVA pelo CDC?
PRÁTICA ABUSIVA é uma expressão genérica que visa a proteção do
consumidor, evitando abuso por parte do fornecedor de bens ou serviços. Portanto,
são comportamentos ilícitos e nem há a necessidade do consumidor ser lesado.
Um exemplo claro e bastante corriqueiro de prática abusiva é quando mesmo
sem o cliente pedir, tenha recebido o cartão de crédito internacional, ainda que seja da
maior operadora de crédito do mundo.
O Código de Defesa do Consumidor descreve tais práticas abusivas nos
artigos 39, 40 e 41.
A proteção contra a prática abusiva constitui um direito básico do consumidor,
protegidos pelo artigo 6º, IV do Código de Defesa do Consumidor.
“Art. 6º São direitos básicos do consumidor:
IV - a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais
coercitivos ou desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas
no fornecimento de produtos e serviços;”
Vamos conhecer algumas práticas consideradas como abusivas pelo Código
de Defesa do Consumidor?

Artigo 39 - É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras


práticas abusivas:
I - condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento de
outro produto ou serviço, bem como, sem justa causa, a limites quantitativos;

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Aqui está presente a tão conhecida e proibida VENDA CASADA.
São duas as ações que traduzem a venda casada:
1) condicionar a venda de um produto ou serviço a outro produto ou serviço;
Significa obrigar o consumidor a levar um produto que não queira para que
tenha direito à compra de um que queira. O mesmo se dá para a contratação de
serviços.
São exemplos de venda casada;
exigência de valores de assinatura de TV a cabo quando da contratação
exclusiva de serviços de internet banda larga;
na abertura de conta corrente, a exigência do banco que o consumidor faça um
seguro de vida; etc..
2) condicionar a venda de um produto ou serviço a uma certa quantidade.”
Significa obrigar o consumidor a comprar em quantidade diversa da que
pretendia comprar.
Também não poderá o fornecedor;
II - recusar atendimento às demandas dos consumidores, na exata medida de
suas disponibilidades de estoque, e, ainda, de conformidade com os usos e costumes;
III - enviar ou entregar ao consumidor, sem solicitação prévia, qualquer
produto, ou fornecer qualquer serviço;
Aqui podemos exemplificar o recebimento de cartões de crédito em nossas
residências sem que tenha havido tal solicitação.
IV - prevalecer-se da fraqueza ou ignorância do consumidor, tendo em vista
sua idade, saúde, conhecimento ou condição social, para impingir-lhe seus produtos
ou serviços;
Fato bastante questionado atualmente são os empréstimos com facilidade
oferecidos aos idosos aposentados ou pensionistas, que acabam contraindo
obrigações superiores a possibilidade financeira dos mesmos, comprometendo
inclusive suas necessidades básicas e diárias como a compra de medicamentos,
comida, serviços essenciais como água e luz, por exemplo.
Também não poderá o fornecedor;
V - exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva;
Toda exigência que trouxer vantagem ao fornecedor, de cujo teor ofenda os
princípios estabelecidos no CDC, ameace o equilíbrio contratual ou traga onerosidade
excessiva é considerada vantagem excessiva.

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VI - executar serviços sem a prévia elaboração de orçamento e autorização
expressa do consumidor, ressalvadas as decorrentes de práticas anteriores entre as
partes;
A prestação de serviços depende de prévio orçamento e autorização expressa
do consumidor. Caso a prestação de serviço seja executada sem a autorização do
consumidor será considerado como amostra grátis, ou seja mera liberalidade do
fornecedor.
VII - repassar informação depreciativa, referente a ato praticado pelo
consumidor no exercício de seus direitos;
O fornecedor não poderá repassar informações para outros fornecedores de
que aquele determinado consumidor gosta de questionar seus direitos junto aos
Procons ou que já tenha ingressado com alguma ação judicial. Tal conduta é
considerada abusiva por se tratar de exercício regular do direito do consumidor.
É vedado ao fornecedor;
VIII - colocar, no mercado de consumo, qualquer produto ou serviço em
desacordo com as normas expedidas pelos órgãos oficiais competentes ou, se normas
específicas não existirem, pela Associação Brasileira de Normas Técnicas ou outra
entidade credenciada pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e
Qualidade Industrial (Conmetro);
Aqui podemos exemplificar o fato do recolhimento das bonecas POLY por
apresentar peças muito pequenas não condizentes com a idade constante nas
caixinhas de tal produto.
Também é proibido ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras
práticas abusivas:
IX - recusar a venda de bens ou a prestação de serviços, diretamente a quem
se disponha a adquiri-los mediante pronto pagamento, ressalvados os casos de
intermediação regulados em leis especiais;
Se o consumidor pretende adquirir tal produto, tem como efetuar o pagamento
de pronto e o fornecedor tem o mesmo em estoque não há motivo para não se efetivar
a venda.
X - elevar sem justa causa o preço de produtos ou serviços;
A intenção do legislador não foi estabelecer o controle ou tabelamento de
preços. Entretanto, o fornecedor pode aumentar o preço de um produto ou serviço
apenas se houver uma razão justificada para o aumento.
XI - transformado em inciso XIII, quando da conversão na Lei nº 9.870, de
23.11.1999.

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XII - deixar de estipular prazo para o cumprimento de sua obrigação ou deixar a
fixação de seu termo inicial a seu exclusivo critério.
Aqui teríamos como exemplo um contrato onde constasse cláusula do valor a
ser pago pelo consumidor, prazo para o acerto e não ficasse estipulada a data para
entrega do produto ou prazo máximo para conclusão da prestação de serviços. Tal
prática é abusiva porque logicamente deixaria o consumidor nas mãos do fornecedor.
XIII - aplicar fórmula ou índice de reajuste diverso do legal ou contratualmente
estabelecido.
Logicamente o fornecedor deverá obedecer a critérios mínimos ao exigir o
cumprimento do acordo firmado junto ao consumidor, sendo proibido aplicar juros,
multas e correções abusivas e contrárias à lei.
Parágrafo único. Os serviços prestados e os produtos remetidos ou entregues
ao consumidor, na hipótese prevista no inciso III, equiparam-se às amostras grátis,
inexistindo obrigação de pagamento.”
Ainda faltam algumas considerações a serem feitas. Vamos entender o que o
artigo 40 do CDC regulamenta?
“Artigo 40 - O fornecedor de serviço será obrigado a entregar ao consumidor
orçamento prévio discriminando o valor da mão-de-obra, dos materiais e
equipamentos a serem empregados, as condições de pagamento, bem como as datas
de início e término dos serviços.
§ 1º Salvo estipulação em contrário, o valor orçado terá validade pelo prazo de
dez dias, contado de seu recebimento pelo consumidor.
§ 2° Uma vez aprovado pelo consumidor, o orçamento obriga os contraentes e
somente pode ser alterado mediante livre negociação das partes.
Necessário se faz esclarecer que se para execução da prestação de serviço for
necessário a contratação de serviços de terceiro, como por exemplo, um marceneiro
especialista em acabamento dos móveis, se não constar do contrato o valor de tal
serviço de forma discriminada, bem como a responsabilidade pelo pagamento desse
terceiro, a obrigação será do fornecedor.
O artigo 40, § 3° do CDC assim dispõe; " O consumidor não responde por
quaisquer ônus ou acréscimos decorrentes da contratação de serviços de terceiros
não previstos no orçamento prévio.”
Tal exigência se faz necessária justamente para evitar eventuais
questionamentos futuros por parte do consumidor colocando o fornecedor de bens ou
serviços em situação bastante complicada. Portanto, o ideal é constar no orçamento
todos os serviços a serem executados, o preço para execução dos serviços, a forma

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do pagamento e o prazo para início e conclusão dos serviços, solicitando a
autorização do consumidor, se possível, no próprio documento que representa o
orçamento apresentado.
Seja transparente com seu cliente, com certeza ele ficará satisfeito e trará
maior segurança para concretização do acordo firmado.
Ocorre que o Código de Defesa do Consumidor vai mais além e estabelece
outra norma constante no artigo 41, vamos conhecê-la?
“Art. 41. No caso de fornecimento de produtos ou de serviços sujeitos ao
regime de controle ou de tabelamento de preços, os fornecedores deverão respeitar os
limites oficiais sob pena de não o fazendo, responderem pela restituição da quantia
recebida em excesso, monetariamente atualizada, podendo o consumidor exigir à sua
escolha, o desfazimento do negócio, sem prejuízo de outras sanções cabíveis.”
Esse artigo dá ao consumidor duas opções;
* o pedido de restituição da quantia paga em excesso;
* o desfazimento do negócio contratado.
Caso o consumidor opte pelo desfazimento do contrato, caberá a restituição da
quantia já paga, atualizada monetariamente, isso tudo sem prejuízo de sanções de
outra natureza, sejam administrativas, sejam criminais, incluindo até mesmo multa e
eventual indenização por dano moral e material.
Tenho certeza que a partir de agora desempenhará seu trabalho com
excelência, conquistando cada vez mais o mercado de trabalho e a confiança de seus
clientes.

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