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Solução Global e Decaimento Exponencial para uma EDP

Não-Linear da Mecânica Quântica.

Sebastião M.S. Cordeiro∗, Jorge Ferreira†,


CCEN - PPGME - UFPA
66075-110, Campus-Guamá, 01 - Belém, PA
E-mail: smscordeiro@bol.com.br,
jf@ufpa.br

João dos Santos Protázio Carlos A. Raposo da Cunha


ESMAC/UFPA - Campus do Guama, Belém
Rua Augusto Corrêa s/no
66075-110, Belém, Pa
Depto de Matemática, UFSJ-São João Del Rei
E-mail: protazio@ufpa.br, raposo@ufsj.edu.br

1 Introdução 3 Resultado principal


O objetivo deste trabalho é estudar a existência de TEOREMA 1
solução Global fraca bem como o decaimento expo- Suponhamos que as funções M e M1 obe-
nencial para uma equação de Klein-Gordon do tipo decem as condições estabelecidas em (2), se
Kirchhoff-Carrier,a qual denotaremos por (P ): u0 ∈ H01 (Ω) ∩ H 2 (Ω) e u1 ∈ H01 (Ω) e f ≡ 0. Então
 00 existe uma função vetorial u : [0, T ] −→ L2 (Ω), tal
u − M ( Ω |∇u|2 ds)∆u + M1 ( Ω |u|2 dx)u
R R
que:

−∆u0 = 0


(P )
u = 0, em Σ = ∂Ω × (0, T )
1) u ∈ L2 ([0, ∞); H01 (Ω) ∩ H 2 (Ω));

u(0) = u0 , u0 (0) = u1 , em Ω.

Onde Ω denota um aberto limitado do IRn , n ≥ 1, 2) u0 ∈ L2 ([0, ∞); H01 (Ω));


com fronteira ∂Ω = Γ suave. Para cada número real
fixo, porém arbitrário T > 0, Q denota o cilindro 3) u00 ∈ L2 ([0, ∞); L2 (Ω));
Q = Ω×]0, T [ com fronteira lateral Σ = Γ×]0, T [.
E ainda, −∆ é o operador auto-adjunto não lim- 4) d 0 2
dt (u (t), v) + M (ku(t)k )((u(t), v)) +
itado definido pela terna {H01 (Ω), L2 (Ω), a(u, v)}, M (|u(t)|)(u(t), 0
v) − (∆u (t), v) = 0
n Z 1
X ∂u ∂v
onde a(u, v) = dx.
j=1 Ω
∂xj ∂xj ∀ v ∈ H01 (Ω), no sentido de D0 (0, ∞);
Este tipo de equação aparece na mecânica quântica.
5) u(0) = u0 e u0 (0) = u1 .
2 Notações e Hipóteses Demonstração:
No que se segue, denotaremos por: ((, )), k.k, (, ), |.| A existência da solução será demonstradada pelo
1 2
produto interno e norma em H0 (Ω) e L (Ω), res- Método de Faedo-Galerkim.
pectivamente.
Sendo que estamos considerando o espaço H01 (Ω) 1a Etapa: Soluções Aproximadas.
munido da ”norma do gradiente”, isto é, se u(t) ∈
H01 (Ω), então ku(t)k = |∇u(t)|. Sejam (ων ), ν = 1, 2, ..., um sistema ortonormal
Assumiremos as seguintes hipóteses sobre M e M1 : completo de L2 (Ω) constituido de vetores pro-
prios do operador −∆ e {λν } a correspondente
H.1) M, M1 ∈ C 1 ([0, ∞), IR) sequência de valores proprios. Para cada m = 1,2,...
H.2) M (s) ≥ m0 > 0, ∀s ∈ [0, ∞) seja Vm = [w1 , w2 , ..., wm ] o subespaço gerado por
H.3) M1 (s) ≥ 0, ∀s ∈ [0, ∞) w1 , w2 , ..., wm . O Problema aproximado associado a
∗ Aluno do PPGME/UFPA (P ) consiste em encontrar uma solução sob a forma:
† Orientador de dissertação de mestrado
m
X Convergências dos Termos lineares.
um (t) = gνm (t)ων ∈ Vm , onde os gνm são de
ν=1
classe C 2 , determinados de modo que satisfaça o Usando o fato de que
seguinte problema aproximado: L∞ (0, ∞; X) ,→ L2 (0, ∞; X) segue que de (3):

(∆um , ω) * (∆u, ω)
 0 f raco, ∀ ω ∈ L2 (0, ∞; L2 (Ω)). (7)
 (um (t), v) − M (||um (t)||2 )(∆um (t), v)+
2

 M1 (|u


 m (t)| )(um (t), v)− Da convergência (5) deduzimos que:
0
(∆um (t), v) = 0
f orte
 um (0) = u0m → u0 emH01 (Ω) H 2 (Ω) ,
 T
(∆u0m , ω) * (∆u0 , ω)



 0 f orte
um (0) = u1m → u1 emH01 (Ω)
f raco, ∀ ω ∈ L2 (0, ∞; L2 (Ω)). (8)
(1)

onde u0m e u1m são as aproximações de u0 e u1


respectivamente. Convergencias nos termos não-lineares

2a Etapa: Estimativas Apriori. Usando o Lema de Compacidade de Aubin-


Lions, com B0 = H01 (Ω) ∩ H 2 (Ω),B = H01 (Ω) e
Para as estimativas I, II e III, consideramos na B1 = L2 (Ω) das convergencias obtidas anterior-
equação (1) v = u0m (t),v = −∆um (t) e v = u00m (t), mente, podemos extrair uma subsequência de (um ),
respectivamente, e obtemos as seguintes limitações: que continuaremos denotando por (um ), tal que:

um → u f orte, em L2 (0, ∞; H01 (Ω)). (9)

(um ) é limitada e portanto


em L∞ (0, ∞; H01 (Ω) ∩ H 2 (Ω));
kum k → kuk f orte, em L2 (0, ∞).
(u0m ) é limitada
em L∞ (0, ∞; L2 (Ω) ∩ L2 (0, ∞; H01 (Ω)); e passando a uma subsequência de (um ), podemos
(u00m ) é limitada supor que: kum (t)k2 → ku(t)k2 , q.s em [0, ∞[, e
sendo M contı́nua, obtemos
em L2 (0, ∞; L2 (Ω)).
M (kum (t)k2 ) → M (ku(t)k2 ) q.s. em [0, ∞]. (10)
3a Etapa: Passagem ao Limite.
Usando (7) e (10), concluı́mos a convergência de um
Tendo como base as limitações das estimativas termo não linear, isto é,
apriori (2a Etapa) e usando o teorema de Banach-
Alouglu-Borbaki, podemos obter uma subsequência M (kum k2 )((um (t), v)) * M (ku(t)k2 )((u(t), v))
de (um ),que continuaremos denotando por (um ), em L2 (0, ∞; L2 (Ω)). (11)
tal que:
Para a convergência do outro termo não linear,
basta notar que H01 (Ω) ,→ L2 (Ω). Assim,
um * u em L∞ (0, ∞; H01 (Ω) ∩ H 2 (Ω)),
f raco estrela (2) M (|um |2 )(um (t), v) * M (|u(t)|2 )(u(t), v)
em L2 (0, ∞; L2 (Ω)). (12)
2
um * u em L (0, ∞; H01 (Ω) 2
∩ H (Ω)),
Para a passagem ao lmite, tomamos w = θv com
f raco; (3) θ(t) ∈ L2 (0, ∞) e v(x) ∈ V e integrando a equação
m
aproximada (1) de 0 a T , obtemos
u0m * u0 em L∞ (0, ∞; L2 (Ω)), Z T
f raco estrela; (4) (u00m (t), v)θ(t)dt
0
Z T
u0m * u0 em L2 (0, ∞; H01 (Ω)), − M (kum (t)k2 )(∆um (t), v)θ(t)dt +
0
f raco; (5) Z T
M1 (|um (t)|2 )(um (t), v)θ(t)dt −
0
u00m * u00 em L2 (0, ∞; L2 (Ω)), Z T

f raco. (6) − (∆u0m (t), v)θ(t)dt = 0. (13)


0
Tomando o limite em (13), com m → ∞ e usando Mas sabemos de (4) que,
as convergencias nos termos lineares e não lineares,
obtemos: um * uf raco estrela em L∞ (0, ∞; H01 (Ω) ∩ H 2 (Ω)).
Z T Logo temos que:
(u00 (t), v)θ(t)dt Z
T Z T
|0 {z } ((um (t), v))ϕ(t)dt → ((u(t), v))ϕ(t)dt
I 0 0
Z T
2 ∀v ∈ H01 (Ω)∀ϕ ∈ L1 (0, T ).
− M (ku(t)k )(∆u(t), v)θ(t)dt+
0
Z T Z T
Daı́ segue que:
2 0
M1 (|u(t)| )(u(t), v)θ(t)dt − (∆u (t), v)θ(t)dt = 0, ((um (0), v)) → ((u(0), v)) (16)
0 0
2
∀θ ∈ L (0, T ) e v ∈ Vm . mas,

um = uom → u em H01 (Ω) ∩ H 2 (Ω) ,→ H01 (Ω)


Fazendo a integração por partes em I, usando o fato
que (Vm ) é denso em H01 (Ω), e escrevendo na forma de então,
distribuição, obtemos: ((um (0), v)) → ((u(0), v)) ∀v ∈ H01 (Ω) (17)
d
h (u0 (t), v), θ(t)i − hM (ku(t)k2 )(∆u(t), v), θ(t)i + de (17) e (18), obtemos:
dt
hM1 (|u(t)|2 )(u(t), v), θ(t)i −
h(∆u0 (t), θ(t))i = 0 ((um (0), v)) = ((u(0), v)) ∀v ∈ H01 (Ω).
em D0 (0, ∞), Portanto,
u(0) = u0 . Para provarmos que u0 (0) = u1 , usaremos
ou seja, a covergência (3) e (7) e procedendo de forma similar,
d 0 conclui-se que:
h (u (t), v), θ(t) − M (ku(t)k2 )(∆u(t), v), θ(t) + ((u0 (0), v)) = ((u, v)) para todo v ∈ L2 (Ω) e
dt
M1 (|u(t)|2 )(u(t), v), θ(t) − (∆u0 (t), θ(t))i = 0 Portanto
u0 (0) = u1 .
em D0 (0, ∞)∀, v ∈ H01 (Ω). cqd.
4a. Etapa: Condições iniciais

Notemos inicialmente que faz sentido calcular u(0) e


4 Estabilidade Exponencial
u (0), pois sendo u ∈ L2 (0, ∞; H01 (Ω) ∩ H 2 (Ω)), u0 ∈
0
TEOREMA 2 T
L2 (0, ∞; H01 (Ω)) e usando resultados de regularidades, Dado u0 ∈ H01 (Ω) H 2 (Ω), u1 ∈ H01 (Ω), e f = 0. Seja
conclui-se que:
E(t) = 12 [|u0 |2 + M
b (kuk)2 + M
c1 (|u|)2 ] é a energia associ-
u ∈ C 0 ([0, ∞); H01 (Ω)). ada ao problema (P ) se u é solução global de (P ),então

E(t) ≤ α1 eα2 t ,
Consideremos θ ∈ C([0, T ]) com θ(0) = 1, t ≥ 0, e α1 , α2 são constantes positivas.
θ(t) = 0 e v ∈ H01 (Ω), como Demonstração:
Para provarmos o teorema-2, usaremos o lema de Nakao,
u0m → u0 em L2 (0, T ; H01 (Ω)) segue que: a saber:
LEMA
((u0m (t), ω)) → ((u0 (t), ω)) Seja ϕ uma função limitada (ϕ ≥ 0) em R+ , satis-
∀ ω ∈ L2 (0, T ; H01 (Ω)). fazendo:

Tome w(t) = θ(t)v com θ(t) ∈ L2 (0, T ) e v ∈ H01 (Ω), maxϕ(s) ≤ c0 [ϕ(t) − ϕ(t + 1)]
temos que:
para todo t ≥ 0, onde c0 é uma constante positiva.
Então
Z T Z T
d
((u0m (t), v))θ(t)dt → ((u0 (t), v))θ(t)dt . (14) ϕ(t) ≤ ce−αt , para todo t ≥ 0.
0 | {z } 0
dt
| {z }
I
II onde α e c são constantes positivas.
Usando a integração por partes em ambas as inte- Demonstração:
grais, resulta Ver [8].
Considere a equação aproximada (1), fazendo v = u0 (t),
obtemos:
Z T
−((um (0), v)) − ((um (t), v))θ0 (t)dt → −((u(0), v))
0 1 d 0
T
[|u (t)|2 + M
b (|∇u(t)|2 ) + M
c1 (|u(t)|2 )] +
2 dt
Z
− ((u(t), v))θ0 (t)dt. (15) |∇u0 (t)|2 = 0 (18)
0
Referências Bibliográficas
logo,
1. BRÉZIS, H., Análisis Funcional. Teoria y Aplica-
ciones. Alianza Editorial. Madrid, Paris, 1984.
1 d
E(t) = −|∇u0 (t)|2 2. CASTRO, N. Sobre um Problema Não-Linear de
2 dt
Evolução: Existência, comportamento assintótico
e soluções periódicas. Tese de Doutorado. rio de
ou seja, E(t) é decrescente. Janeiro, 1995.
Agora, integrando (19) de 0 até t, temos,
3. CARRIER, G.F. On the vibration problem of elas-
Z t tic string. Q.J. Appl. Math 3,pp 151-165, 1945.
E(t) + |∇u0 (s)|2 ds = E(0) (19)
0 4. LIONS, J.L. Quelques méthodes de résolutions des
prolémes aux limites non linéaris. Dunod, Paris,
logo, 1969.
5. MATOS, M.P. Mathematical Analysis of the Non-
|u0 (t)|2 + m0 (|∇u(t)|2 ) + m1 (|u(t)|2 ) ≤ c (20)
linear Model for the Virations of a string. Non-
linear Analyis. Theory, Methods & Applications.
integrando (19) de t1 até t2 , onde 0 < t1 < t2 , obtemos: Vol. 17, no. 12, pp 1125-1137, 1991.
Z t2
6. MATOS, M.P., PEREIRA, D.C. On a Hiper-
E(t2 ) + |∇u0 (s)|2 ds = E(t1 ), (21) bolic Equations with Strong Damping. Funkcialay
t1 Ekavacioj. Vol. 34, no. 2, pp 303-311, 1991.

∀t > 0, temos: 7. MEDEIROS L.A., MIRANDA, M.M. Introdução


aos Esaços de Sobolev e às Equações Diferenciais
Parciais. Texto de Métodos Matemáticos. no. 25,
Z t+2
IM-UFRJ, 1993.
E(t + 1) + |∇u0 (s)|2 ds = E(t),
t1 8. NAKAO, M., NARAZAKI, T.,Existence end De-
cay of Solutions of Some Nonlinear Wave equatins
ou melhor: in Noncilindrical Domain. Math. Rep., XI-2, pp
117-125,
Z t+1
9. PATCHEU,S.K.,On a Global Solution and Asymp-
|u0 (s)|2 ds = E(t) − E(t + 1) ≡ F (t)2 . (22)
t
totic Behavior for the Generalized Damped Exten-
sible Beam Equations. JDE, V 135, pp 299-314,
Portanto podemos escolher dois pontos t1 ∈ [t, t + 41 ] e 1997.
t2 ∈ [t + 34 , t + 1], e usando o teorema do Valor Mádio
para Integrais, em (23) obtemos:

|u0 (ti )| ≤ 2F (t), i = 1, 2. (23)

Agora fazendo v = u(t) na equação aproximada (3)


temos:
d 0
(u (t), u(t)) − |u0 (t)|2 + M (|∇u(t)|2 |∇u(t)|2 +
dt
M1 (|u(t)|2 )|u(t)|2 + (u0 (t), u(t)) = 0.

Agora, integrando de t1 até t2 ,usando a desegualdade de


Cauchy-Schwarz,desigualdades elementares e a hipótese
sobre M e M1 , obtemos:

Sup esst≤s≤t+1 E(s) ≤ c4 F (t)2 = c4 [E(t) − E(t + 1)]

com
c3 c3 c3 δ1 m1
c4 = 1
= δ1 m1 −1
= >0
1− δ1 m1 δ1 m1
δ1 m1 − 1

E pelo lema de Nakao segue o resultado.


Observação:
Estamos em fase final de um trabalho abstrato em que
o problema (P ) será um caso particular.