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ANOMALIA DA ARTÉRIA CIRCUNFLEXA CORONÁRIA COM RISCO DE MORTE

SÚBITA EM ATLETAS: PREVENÇÃO POR ANGIOTOMOGRAFIA DAS ARTÉRIAS


CORONÁRIAS

1 Introdução

As artérias coronárias podem apresentar uma série de anomalias e


malformações que estão associadas a um maior risco de morte súbita.

Da mesma forma, as anomalias coronarianas têm sido implicadas como


causa de dor torácica, morte súbita, insuficiência cardíaca, síncope, dispnéia,
fibrilação ventricular e infarto do miocárdio (BATISTA et al, 2011).

De uma forma geral, as anomalias coronarianas incluem diversos grupos de


malformações, algumas apresentando-se como assintomáticas e com curso benigno
enquanto outras estão relacionadas a sintomas característicos (NEVES et al, 2015).

Aquele paciente que apresenta um quadro de anomalia de coronária pode


se manter assintomático por muitos anos, entretanto, em determinadas situações,
pode apresentar de forma súbita e, às vezes, dramática, eventos como infarto do
miocárdio, arritmias graves e morte súbita (PFEIFFER, 2013).

As anomalias de artérias coronárias são a segunda maior causa de morte


súbita em jovens atletas, durante ou imediatamente após exercício físico extenuante,
e, embora raro, esse evento fatal afeta de forma contundente a população geral,
pois atletas treinados são considerados exemplos de saúde para a sociedade
(PFEIFFER, 2013).

O objetivo deste estudo é destacar a anomalia da artéria circunflexa


coronária em atletas, e as contribuições da angiotomografia na prevenção dos casos
de morte súbita nestas situações.

Especificamente no caso da artéria circunflexa, esta é classificada como


sendo um ramo pequeno, mas pode ser largo, em 10% dos casos, quando dela se
origina a artéria descendente posterior (sistema esquerdo dominante); desce abaixo
do apêndice atrial esquerdo e ao longo da válvula atrioventricular esquerda; dela, em
50% dos casos, se origina a artéria do nó sinusal; ramos marginais saem da
circunflexa e vão suprir áreas da parede lateral do ventrículo esquerdo (PFEIFFER,
2013).

A metodologia empregada será a revisão de literatura, por meio da consulta


a artigos de relevância científica, publicadas em bases de dados conceituadas,
como Lilacs, Bireme e Scielo, desenvolvidas nos últimos 10 anos.

2 Revisão de literatura

Pfeiffer (2013) afirma que a incidência de anomalias coronarianas na


população geral é de aproximadamente 1%, baseada em exames de coronariografia
para investigação diagnóstica. Estudos de necropsia mostram uma incidência
menor, de 0,3%. Apesar disto, estudos encontraram uma incidência de 5,6% de
anomalias das artérias coronárias em exames de cineangiocoronariografia, diferença
devida, provavelmente, à metodologia utilizada na pesquisa.

Também, segundo Neves et al (2015), as anomalias das artérias coronárias


podem ser encontradas em 0,3% a 5,6% da população. Mesmo sendo menos
freqüentes em relação às doenças coronárias adquiridas, as alterações congênitas
estão relacionadas a morbidade e mortalidade prematura em adultos jovens. Os
relatos de morte súbita ocorrem, em sua maioria, durante ou pouco após atividade
física extenuante. Estima-se que seja a segunda causa mais freqüente de morte
súbita de origem cardiovascular em atletas, ocorrendo entre 12,2% e 17,2% na
Europa e nos Estados Unidos.

Para Nunes et al (2014), a principal razão para identificar e classificar as


anomalias coronárias em geral é determinar sua propensão ao desenvolvimento de
isquemia miocárdica e morte súbita. Algumas podem produzir isquemia persistente
(coronária esquerda anômala originada no tronco da artéria pulmonar; atresia ostial
coronariana; ou estenose crítica, devido à angulação do vaso e ao curso intramural)
ou dinâmica (origem anômala de uma coronária a partir do seio coronário
contralateral; fístulas coronárias; ou pontes miocárdicas).
Para Pfeiffer (2013), o paciente suspeito deve ser submetido, inicialmente, à
avaliação e exame clínico, realizar eletrocardiograma (ECG) de repouso para
pesquisar arritmias e sobrecargas, e ecocardiograma para exclusão de outras
malformações cardíacas, como também cardiomiopatia hipertrófica, que é
considerada causadora de arritmias e morte súbita. Entretanto, alterações
isquêmicas são raramente detectadas no ECG basal. Deve-se observar a anatomia
coronariana, no que for possível, ao ecocardiograma transtorácico e transesofágico,
sendo bastante accessível a visualização da origem e sentido de fluxo das artérias
coronárias. Nestes casos, o método considerado padrão ouro é o cateterismo
cardíaco e, qualquer paciente com sintomas de dor torácica e síncope deve ser
submetido ao estudo da circulação coronária. Entretanto, esse exame deve ser
realizado por profissional familiarizado com as peculiaridades das anomalias
congênitas em geral.

Sasdelli Neto et al (2013) destacaram que o papel do exame de


angiotomografia computadorizada (angioTC) de coronárias foi estabelecido nas
últimas diretrizes do American College of Cardiology/American Heart Association
(ACC/AHA) como um método de imagem não invasivo para avaliação da doença
arterial coronariana e de algumas doenças cardiovasculares.

Martins et al (2010) citaram que a angiotomografia coronária com múltiplos


detectores é um método com grandes vantagens na detecção diagnóstica da
doença arterial coronária.

Sasdelli Neto et al (2013) afirmaram que cada indicação da angiotomografia


de coronárias demanda um protocolo específico de angiotomografia
computadorizada, que pode ter a dose de radiação bastante aumentada. Por
exemplo, os protocolos criados para avaliar pacientes submetidos à
revascularização miocárdica e a angiotomografia “para descarte triplo na
emergência” com frequência exigem doses mais altas do que na angioTC de
coronárias convencional.

Segundo Martins et al (2010), as Diretrizes da Sociedade Brasileira de


Cardiologia consideram a indicação dessa técnica no diagnóstico das anomalias
coronárias como classe 1 e classe 2 para avaliação de estenose nessas artérias em
pacientes com baixa probabilidade de doença arterial coronária e testes não-
invasivos inconclusivos. Outras indicações, como estudo das pontes de safena, de
stents ou de pacientes com média ou mesmo alta probabilidade de estenose grave
de artérias coronárias, encontram- se em fase de validação.

Sasdelli Neto et al (2013) apontaram que a maioria dos pacientes


encaminhados à instituição de seu estudo, com o objetivo da realização da
angiotomografia de coronárias apresentou como principal indicação exames
cardiovasculares pregressos com resultados conflitantes, como teste ergométrico de
esforço e tomografia computadorizada por emissão de fóton único (SPECT). Outras
indicações da angioTC de coronárias relacionadas aos respectivos escores de
critérios apropriados em diretrizes internacionais são exibidos na tabela 1.

Tabela 1 – Indicações da angiotomografia computadorizada de coronárias

Fonte: Sasdelli Neto et al., 2013, p. 401.

3 Discussão

4 Conclusão
5 Referências

BATISTA, A.V.S.; PORTO, E.A.; PEREIRA, G. Estudo da anatomia da artéria


coronária esquerda e suas variações: perspectivas de nova classificação. Revista
Saúde & Ciência, 2(1):55-66, 2011.

MARTINS, J.; YORDI, L.M.; QUADROS, A.S.; SARMENTO-LEITE, R.;


GOTTSCHALL, C.; FELDMAN, C.J. Padrões de Indicação da Angiotomografia
Coronária de Múltiplos Detectores na Prática Clínica: Experiência de um Centro de
Referência. Rev Bras Cardiol Invasiva; 18(1):50-4, 2010.

NEVES, P.O.; ANDRADE, J.; MONÇÃO, H. Artérias coronárias anômalas: o que o


radiologista precisa saber. Radiol Bras.;48(4):233–241, 2015.

NUNES, M.B.G.; DUARTE, S.I.; MORENO, R.A.M.; CASTRO FILHO, A.; LAMAS,
E.S.; BRAGA, S.N. Artéria Coronária Direita Originada da Artéria Descendente
Anterior: Uma Rara Anomalia Coronariana. Rev Bras Cardiol Invasiva.;22(3):300-2,
2014.

PFEIFFER, M.E.T. Anomalia congênita de coronária - Relevância Clínica, Exercício


e Morte Súbita. Rev DERC.;19(4):114-118, 2013.

SASDELLI NETO, R.; NOMURA, C.H.; MACEDO, A.C.; BIANCO, D.P.; KAY, F.U. et
al. Angiotomografia computadorizada de coronárias com tomógrafo computadorizado
com 320 fileiras de detectores. Einstein, 11(3):400-4, 2013.