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4.4.

1 Coleta

O paciente deve colher as fezes logo depois de emitidas, em quantidade


aproximada de 30g em recipiente limpo e seco, de preferência de boca larga, ou ainda, na
proporção de uma parte de fezes para três do conservador, quando este já está
acondicionado no recipiente para a conservação do material. Lembrando que é preciso
evitar contaminação por urina.
Quando se trata de pesquisa das formas vegetativas dos protozoários,
particularmente da ameba histolítica, o exame deve ser realizado imediatamente após a
dejeção. Quando forem pesquisados os cistos dos protozoários e os ovos dos vermes, a
análise pode ser realizada muitas horas depois da emissão do material, e alguns deles até
mesmo dias depois.
Em geral, o exame é feito no máximo dentro de uma semana, de maneira que, após
o recebimento das fezes, elas são coadas em gaze, centrifugadas e ressuspendidas em éter,
para separação dos detritos, colocadas em lâmina, coradas com lugol, recobertas com
lamínula.
Dependendo da consistência das fezes, recomendam-se duas medidas:
1. Fezes diarréicas, com muco e sangue. Fazer microscopia direta.
2. Fezes formadas. Procede-se o exame imediato usando a centrifugo-
sedimentação em formol-éter, da seguinte maneira:
a. Mistura-se as fezes em solução salina contendo formol a 10%, de modo a dar um
volume de 10 a 12 mL da suspensão, côa-se em duas camadas de gaze unida, para
um tubo de centrifugação.
b. Centrifuga-se a 2.500 r.p.m., um minuto; rejeita-se o sobrenadante, acrescenta-se
2 a 3 mL de solução salina, ressuspendendo-se o sedimento; depois, completa-se
o volume com esta e centrifuga-se novamente, por 1 minuto.
c. Repete-se a operação anterior, ressuspende-se o sedimento em 2 a 3 mL de formol
a 4%, completa-se o volume para 10mL com solução salina.
d. Depois de 5 minutos, adiciona-se 2 a 3 mL de éter sulfúrico, agita-se
energeticamente, centrifuga-se a 1.500-2.000 r.p.m., por 2 minutos.
e. Depois de desprezar o sobrenadante e limpar a superfície interna do tubo com
algodão, examina-se o sedimento corado pelo lugol.

4.4.2 Exame macroscópico


Este não deve ser omitido, pois, além de permitir eventualmente a verificação de
tênias, áscaris, oxiúros e necátor, é o método que orienta quanto à escolha da parte mais
suspeita para ser submetida ao exame microscópico.

4.4.3 Exame microscópico

4.4.3.1 Método direto

Em primeiro lugar faz-se o exame direto, a fresco e que consiste na diluição de


pequena porção da matéria fecal com solução fisiológica, e em seguida o exame ao
microscópio.
A seguir, examina-se as lâminas preparadas como anteriormente, usando-se, em
vez de solução salina, o lugol forte. Este tem a vantagem de corar os cistos dos
protozoários, em particular seus núcleos e outras estruturas internas, permitindo a
identificação e consequentemente, torna-se mais fácil distinguir os cistos.
Pelo método direto compreende-se facilmente, que a sensibilidade do exame
depende da quantidade de cistos e ovos presentes nas fezes eliminadas. Se houver poucos,
passarão desapercebidos, porque examina-se uma porção muito pequena de material.

4.4.3.2 Métodos de concentração de fezes

Estes métodos facilitam encontrar parasitas diminuindo a quantidade de materiais


fecais na preparação a ser observada ao microscópio, concentrando os parasitos baseando-
se nas diferenças de densidade existente entre as formas dos parasitas e o material fecal
ou fazendo com que certas larvas migrem para fora do material fecal e sejam concentradas
no fundo de um funil (MOURA et al., 2006). Desta forma, a concentração de ovos e cistos
das fezes visa encontrá-los de modo mais rápido nas infecções, mesmo ligeiras, quando
ocorre o exame direto é negativo. Os seguintes métodos são vantajosos, simples e
eficientes (LIMA et al., 2001).
4.4.3.2.1 Método de concentração por sedimentação (Hoffman, Pons e Janer -HPJ)

Indicado principalmente para a pesquisa de ovos de Schistosoma mansoni, serve


também para a de ovos e larvas de outros vermes. É de fácil execução e baixo custo, é o
mais usado nos laboratórios clínicos.

Procedimento:
1. Dissolver a amostra de fezes em água destilada, em um frasco pequeno;
2. Filtrar em tamis coberto com uma gaze, utilizando um cálice de sedimentação;
3. Lavar o frasco da amostra, despejando a água na gaze;
4. Completar o cálice com água;
5. Deixar em repouso de 2 a 24 horas.
6. Desprezar o excesso de água, deixando apenas o sedimento e repetir este processo
de lavagem até a água utilizada ficar com aspecto de limpa;
7. Com uma pipeta ou canudinho, retirar uma amostra do fundo do cálice;
8. Colocar uma gota da amostra na lâmina e cobrir com a lamínula, adicionando uma
gota de solução de lugol se necessário;
9. Examinar ao microscópio.

4.4.3.3 Métodos de concentração por flutuação

Os métodos de flutuação utilizam a centrifugação para a lavagem do material


fecal, seguida da suspensão desse material em líquido de densidade maior que dos
achados que se pretende pesquisar.

4.4.3.3.1 Método de Ritchie

Procedimento:
1. Dissolver a amostra de fezes em água e filtrar em tamis coberto com gaze;
2. Depositar o material em tubo cônico de centrífuga e centrifugar a 1500 rpm por 2
minutos;
3. Desprezar o sobrenadante e ressuspender novamente em água;
4. Repetir os passos 2 e 3 até que o sobrenadante apresente-se claro;
5. Adicionar cerca de 8 ml de formol a 10%, homogenizar e descansar por 10
minutos;
6. Adicionar cerca de 2 ml de éter, agitar vigorosamente, liberando o gás formado, e
centrifugar a 1500 rpm por 2 minutos;
7. Desprezar o sobrenadante e examinar o sedimento ao microscópio adicionando
uma gota da solução de lugol, se necessário.

4.4.3.3.2 Método de Faust – (Centrífugo-Flutuação)

Procedimento:
1. Dissolver a amostra de fezes em água e filtrar em tamis coberto com uma gaze;
2. Depositar o material em tubo cônico de centrífuga e centrifugar a 1500 rpm por 2
minutos;
3. Desprezar o sobrenadante e ressuspender novamente em água;
4. Repetir os passos 2 e 3 até que o sobrenadante apresente-se claro;
5. Adicionar 10 ml de sulfato de zinco (ZnSO2) 33 %, densidade 1.180,
homogenizar e centrifugar a 1500 r.p.m. por 2 minutos;
6. Recolher com alça de platina a película superficial, adicionar uma gota da solução
de lugol e observar ao microscópio. Pode-se também completar a solução até
formar uma membrana superficial e colocar uma lamínula sobre o tubo cônico
para que os cistos e ovos grudem na lamínula.

4.4.3.3.3 Métodos de Willis


(Para ovos)

Procedimento:
1. Emulsionar bem cerca de 2g de fezes em solução satura de cloreto de sódio (32%),
dentro de um recipiente apropriado.
2. Obtida a emulsão, encher o recipiente com a mesma solução saturada de cloreto
de sódio até que superfície líquida coincida perfeitamente com a borda do vaso.
3. Deitar sobre a boca do recipiente uma lâmina, que deverá ficar em contato como
líquido. Deixar a lâmina permanecer por pelo menos cinco minutos, para que os
ovos subam à superfície e adiram à lâmina.
4. Retirar com cuidado a lâmina, virando-a sem espalhar o líquido aderente que
encerra os ovos e outros objetos leves.
5. Observar em microscópio.

4.4.3.4 Métodos de concentração por migração

As larvas de Strongyloides stercoralis têm grande afinidade à água morna e


migram através do material fecal até chegar à água, não tendo sustentação através desta,
as larvas sedimentam-se no fundo do recipiente.

4.4.3.4.1. Método de Baerman-Moraes


(Para isolamento de larvas de estrongilóides)

As larvas, em água aquecida, sedimentam espontaneamente.


1. Tomar cerca de 10g de fezes e espalhá-las, com o auxílio de um bastão de metal,
sobre a tela metálica de uma superfície aplanada circular de aproximadamente 5
a 6 cm de diâmetro.
2. Colocar tela no funil.
3. Colocar água a 45C no funil, até que cubra parcialmente as fezes contidas na
tela.
4. Depois de uma hora, abrir a pinça que fecha o tubo de borracha, deixando escoar
5 a 7 mL de líquido para um vidro relógio.
5. Examinar com microscópio.

4.4.3.4.2 Método de Rugai, Mattos & Brisola


(larvas de S. Stercoralis e de ancilostomídeos)

Procedimento:
1. Encher, com aproximadamente 70 a 100 ml de água corrente aquecida a 40-45°C,
um copo cônico de sedimentação (capacidade de 125ml);
2. Estender um pedaço de gaze, dobrada em quatro partes, sobre a abertura de um
recipiente pequeno contendo fezes, e repuxar as extremidades para trás;
3. Transferir o recipiente com as fezes para o interior do copo cônico de
sedimentação, de modo que o líquido alcance toda a extensão da abertura do
recipiente;
4. Deixar em repouso durante 60 minutos;
5. Colher o sedimento, no fundo do copo cônico, com pipeta capilar longa e colocá-
lo na lâmina e cobrir com a lamínula;
Obs: alguns autores recomendam retirar o recipiente do copo Cônico antes da colheita do
sedimento. Entretanto, outros preferem manter o recipiente, para evitar o revolvimento
do líquido.

4.4.3.5 Métodos de contagem de ovos nas fezes

A contagem pode ser útil na determinação do papel da infecção na doença (como


por exemplo, a anemia) e na verificação do sucesso ou não do tratamento.
4.4.3.5.1 Método de Kato - Katz
Utilização do Kit (quantitativo - OPG).

Procedimento:
1. Depositar uma pequena quantidade de fezes sobre uma folha de papel higiênico
colocando a tela por cima e pressionando com a paleta;
2. Colocar sobre uma lâmina de vidro a placa de plástico e depositar no centro do
orifício as fezes que ultrapassaram as malhas da tela (40 - 60 mg);
3. Comprimir as fezes no orifício da placa até completá-lo;
4. Sobrepor a lamínula de celofane (embebida em verde malaquita) e inverter a
preparação realizando pressão com o polegar sobre a lâmina até obter uma
uniformidade do material;
5. Deixar em repouso por cerca de 60 minutos a temperatura ambiente;
6. Contar todos os ovos encontrados e multiplicar o total por 24, resultando em
ovos/grama de fezes.

4.4.3.6 Preparações perianais

Às vezes são necessários outros métodos para se colher o material. É o caso, por
exemplo, de quando se averigua a presença de oxiúros, cujos ovos raramente se
encontram nas fezes, porque a maioria deles adere à parede do reto e margem do ânus,
em razão mesmo da biologia do verme.

4.4.3.6.1 Método da fita adesiva ou Métodos de Graham

Recomenda-se a utilização da fita adesiva Scotch (transparente), da qual, aplica-


se um pedaço na região perianal, retira-se e coloca-se sobre a lâmina. Os ovos se
prendem na parte colante e a própria fita serve de lamínula

4.4.4 Exames parasitológicos do sangue

Em geral são colhidas amostras de sangue periférico, sem anticoagulantes, por


punção polpa digital ou do lobo da orelha. Pode ser usado sangue com anticoagulante se
as preparações forem feitas dentro de 1 hora após a colheita, mas as colorações de
preparações feitas com sangue sem anticoagulantes se coram melhor.

4.4.4.1 Esfregaço Delgado ou gota espessa

Para se detectar parasitos no sangue como Trypanossoma e Plasmodium.


Procedimentos:
1. Colocar uma gota de sangue na extremidade direita da lâmina;
2. Encostar uma lâmina extensora na gota com uma inclinação de 45 graus;
3. Deixar a gota se espalhar na superfície de contato das duas lâminas;
4. Arrastar a gota espalhada até o final da lâmina;
5. Deixar a lâmina secar;
6. Fixar a lâmina em metanol e corar pelo Giemsa.

4.4.5 Sangue oculto nas fezes

É um exame químico das fezes e tem sua importância, que fundamentalmente é a


pesquisa correta de sangue nas fezes, porque tanto o resultado positivo como o negativo
têm significação clínica (LIMA et al., 2001).
Seu princípio está fundamentado na determinação de sangue em amostras
biológicas com a observação de efeitos catalíticos dos compostos do heme sobre a
oxidação de substâncias orgânicas como a benzidina. É importante lembrar dois fatos:
1. Pequena atividade fecal de peroxidase pese originar-se da carne da dieta ou,
mais raro, de substâncias vegetais.
2. Pequenas quantidades de sangue podem não ter significado clínico.
Disso resulta que as reações para pesquisa nas fezes precisam ter sensibilidade
apropriada.
A pesquisa de sangue oculto nas fezes deve ser precedida de dieta rigorosa por
quatro dias, da qual se excluem as carnes, os vegetais verdes (clorofila) e os
medicamentos à base de ferro (LIMA et al., 2001).

4.4.5.1 Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes

Procedimento:
1. Espalhar pequena quantidade de fezes sobre o papel de filtro limpo e colocar duas
gotas de água oxigenada sobre o esfregaço;
2. Adicionar duas gotas de solução de benzidina;
3. Observar imediatamente a presença ou não de cor.
Leitura:
- Nenhuma mudança de cor: Negativo
- Cor esverdeada: Traços
- Cor verde claro: +
- Cor vede escuro: ++
- Cor verde azulado: +++
- Azul intenso: ++++
Obs: Existem kits para a realização do exame de sangue oculto nas fezes. Estes já
possuem os reagentes necessários para detectar a presença de sangue, sendo necessário
apenas adicionar a amostra de fezes ao kit e seguir o procedimento e as informações do
fabricante.