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ENCARTE

BÔNUS
REVISTA DA
ESCOLA D O M IN ICA L T E S E S DE
LUTERO
Lições Bíblicas para culto dom éstico, devocíonai e pequenos grupos

PROFESSOR

reforma protestante

to d o s po d em pregar

rr-
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CRISTÃ CONTINUADA

m a t r iz C u r r ic u l a r
B Á S I C O DE T E O L O G I A

M B A
AREAS DE ■ □1 t
ESTUDO PRÁTICA ESTUDOS DESENVOLVIMENTO EVANGELIZAÇÃO
M INISTERIAL BÍBLIC OS ESPIRITUAL EMISSÕES

ACONSELHAMENTO NOVO O ES PIR ITO


E ÉTICA CRISTÃ TESTAMENTO SANTO

AÇÀO. FRUTO.
I oANO VENCENDO AS CRJSE5
HA VIDA
REINO, TÜDER
E GLORIA BATISMO í DONS

CRESCIM ENTO
LID ER AN ÇA ANTIGO MISSÕES
SERVIÇO DO
INSPÍRADORA TESTAMENTO NACIONAIS E
CRISTÃO
2oANO S P 1’ ESSOAS TAREFAS E ALVOS A BIBLIA QJJL IESUS LIA MATURIDADE E
M O RDO M IA
ES T RA N G EIRAS

H I S T Ó R J A DA ES C A L O LO G IA C id a d a n ia e
FA M ÍL IA
AS SEM BLE IA BÍBLICA RESPONSABILIDADE
f o r t a l e c e n d o a f a m íl ia
DE DEUS SOCIAL DA IGREJA
REVELAÇÃO DO FUTURO

CRESCIM EN TO E
É Je su s ROMANOS S A N T I F 1C A Ç Ã O ORGANIZAÇÃO DA
IGREJA
5oANO

Central de Atendimento: (91) 3110-2400. www.educacaocristacontinuada.com.br


R E V IS T A D A

ESCOLA DOMINICAL
ESTUDOS BÍBLICOS TAMBÉM PARA CULTO DOMÉSTICO, DEVOCIONAL E PEQUENOS GRUPOS

DATA

.../.__ /_____ LIÇÃO 1 500 ANOS DA REFORMA PROTESTANTE....................... 5

__ /____/.____ LIÇÃO 2 TODOS PODEM PREGAR..................................................... 11

__ __________ LIÇÃO 3 AGORA É A MINHA VEZ..........................................................17

__ /____/.____ LIÇÃO 4 HOMILÉTICA, A ARTE DE PREGAR E ENSINAR.............23

__ __________ LIÇÃO 5 REFORMA PROTESTANTE: ENSINO E LEGADO................. 29

__ /____ /____ LIÇÃO 6 ORGANIZANDO AS IDEIAS................................................. 35

/____ /,____ LIÇÃO 7 TIPOS DE SERMÃO...............................................................41

/____ /____ LIÇÃO 8 PODER DE DEUS NA MENSAGEM.....................................47

__ / _ / ._____ LIÇÃO 9 PREGAÇÃO E SEUS DESAFIOS ATUAIS............................53

__ /.... _______ LIÇÃO 10 SINAL VERMELHO NO PÚLPITO...................................... 59

__ /____/.____ LIÇÃO 11 ENSINO EDISCIPULADO QUE FUNCIONAM................. 65

__ /.— /....... LIÇÃO 12 O ALUNO, O PROFESSOR EA AULA..................................71

— ------- LIÇÃO 13 0 PREGADOR PENTECOSTAL........................................... 77

Philips Câmara é Bacharel em Teologia e Ministério Pastoraf e Bacharel em Administração. É Pastor da Assembleia de
Deus em São José dos Campos-SP. Casado com Luana, tem dois filhos: Sarah e Samuel Neto.
EXPEDIENTE
^ 500 ANOS DA REFORMA^
Conselho Editorial
Ao celebrarmos os 500 anos da Samuel Câmara. Oton Alencar, Jonatas Câmara,
Reforma Protestante, incluímos duas Rui Raiol, Celso Brasil, Philipe Câmara.
Benjamin de Souza.
lições comemorativas nesta revista e
percebemos que um dos grandes lega­ Editor
Samuel Câm ara
dos da Reforma é a afirmação de que
a Igreja como uma comunidade, per­ Editor A ssistente
tence a todos os membros, e não só a Benjamin de Souza

uma classe exclusiva de sacerdotes. O C oordenador Editorial


sacerdócio é de todos. Eliéri Bogo
A Reforma Protestante foi um gran­ Equipe Editorial
de avivamento orquestrado pelo Espírito Antonio de Pádua Rodrigues, Gerson Araújo.
João Pedro Gonçalves, Marcos Jorge Novaes.
de Deus trazendo refrigério para a igreja Marcos José de Oliveira, Marcos Ribeiro Pires,
com um novo modelo de culto, no idio­ Rodolfo Nascimento Silva. Tiago Sampaio
ma comum do povo, com a Bíblia na mão Espíndola. Valdez José de Souza Barbosa

do povo e hinos cantados peio povo. Foi Supervisão Pedagógica


uma reforma essencialmente herme­ Faculdade Boas Novas (FBN) e Sem inário
Teológico da Assem bleia de Deus (SETAD)
nêutica e homilética; isto é, uma reforma
quanto à interpretação da Bíblia e à for­ Repertório Musical
ma de proclamação da mensagem divina Rebekah Câm ara

por todos os cristãos para todo o mundo. Revisores


Tudo a ver com estas lições de homilética Jailson M elo e Auristela Brasileiro
que estudaremos. Distribuição e Com ercial
Lutero ensinou que a pregação Jadiel Gom es
deve alcançar o homem atual, ser Editoração e Projeto G ráfico
apresentada de maneira simples para Neí Neves, M aely Freire e Tank Ferreira
o povo comum assimilar, sem exibicio­
Conteúdo Digital e Im agens
nismos ou arrogância teológica. Jeiel Lopes
Festejando os 500 anos da Retor-
Versão bíblica: Alm eida Revista e A tualizada,
ma, mãos à obra, o sacerdócio é de to­ salvo qu ando indicada outra versão.
dos, você pode sim, pregar.
© 2 0 1 7 . D ireitos reservados. É proibida a
reprodução parcial ou total desta obra, por
qualquer m eio, sem autorização por escrito
da A ssem bleia de Deus em Belém do Pará e
do autor oos com entários e adaptações.
Program a de Educação Cristã Continuada.
Avenida Governador José Malcher, 1571, Nazaré.
) CEP: 66060-230. Belém - Pará - Brasil. Fone: (91)
^ 3110-2400. E-mail: comercial@adbelem.org.br.

LIVROS PARA LEITURA COMPLEMENTAR


[LÉTICA & REFORMA PROTESTANTE
Esta revista usa c o m o b a se os livros "H o m ilé tic a : M in is tra n d o a Pa­
la v ra d e D eus", d e Ernest Pettry, p u b lic a d o p e io Instituto C ristã o
In te rn a c io n a l (ICIJ. C a m p in a s (SP), 2008 e R e fo rm a P ro te sta n te :
História, ensino e le g a d o , d e G ilm a r V ieira C h a v e s , p u b lic a d o
p e la e d ito ra C e n tra l G o sp e l, Rio d e Ja n e iro , 2017,

Pedidos: (91)3110*2400

4
LIÇAO 1
1 500 ANOS DA REFORMA
PROTESTANTE
SUPLEMENTO EXCLUSIVO DO PROFESSOR

ORIENTAÇAO OBJETIVOS
PEDAGÓGICA
•Assim ilar os fatos que favore­
Amado Professor, chegamos
ceram a Reforma Protestante.
a mais uma série de iições tendo
a oportunidade única de ceiebrar •Com preender o nosso tempo
com nossos alunos os 500 Anos da e as necessidades da Igreja atual.
Reforma Protestante, ao mesmo •Entender como a Reforma al­
tempo em que será um momento
terou a história.
propício para o Espírito Santo fa­
zer arder a chama da Pregação no
coração deles.
Aproveite para se especiali­
PARA COMEÇAR A AULA
zar um pouco mais sobre a Idade
Média e a história da Igreja nesse Traga para a sala de aula al­
período, a fim de contextualizar a gumas cópias das 95 Teses, dis­
Reforma Protestante.
tribua entre os alunos ou fixe-as
Destaque a importância da Re­
forma Protestante que, além de em um quadro para que possam
trazer uma nova forma de inter­ ter contato com o documento.
pretar a Bíblia, nos deu uma nova Dê cinco minutos para que
forma de proclamação da mensa­
possam escolh er uma das te ­
gem divina.
Enfatize que a partir desse ses, e ao final da aula peça que
momento a Bíblia passou a ser alguns deles com entem com ple­
considerada como a única fonte m entando com o que aprende­
legítima de norteamento da fé e da
ram na lição.
prática cristãs. Ela que é a nossa
espada em meio às lutas da vida.

RESPOSTAS DA PAGINA 10

PALAVRAS-CHAVE 1) Fragmentação política e enfraquecimento do

Reforma * Contexto Histórico autoritarismo da Igreja Católica.


2) John Wycliffe, John Huss e Girolamo Savonarola.
Precursores
3) A Bíblia como sua intérprete e única fonte de revelação.

I
Liçõo 1 5 0 0 Anos da Reform a Protestante
-

LEITURA COMPLEMENTAR

A Reforma Protestante foi um dos eventos mais marcantes na história


recente da humanidade. Não é exagero afirmar que, para compreender
o tempo presente, faz-se necessário conhecer o Movimento Reformador.
Seus desdobramentos alcançaram a massa populacional europeia
(onde o fenômeno teve início) e abalaram os pilares de todo mundo me­
dieval. O Movimento não foi apenas religioso, mas envolveu aspectos po­
líticos, econômicos, sociais, culturais e filosóficos da Europa.
A Reforma também gerou as igrejas chamadas evangélicas aqui no
Brasil. Logo, para construir sua identidade de fé e saber de onde veio e
para onde vai, o cristão protestante precisa estudar sua história, refletir
sobre seus tratados doutrinários e aplicar seus princípios à vida(,„).
Desde a Antiguidade até o século 16, a Igreja sofreu grandes e drás­
ticas transformações no campo doutrinário. No processo histórico, além
de se adaptarem aos paradigmas religiosos dos povos circunvizinhos, os
cristãos — na ânsia de encher os templos — acabaram renunciando aos
princípios bíblicos, para incorporar práticas pagãs em seus cultos(...).
Digno de nota foi o famigerado pagamento de indulgências. Lute-
ro combateu veementemente este ensino, que foi um dos motivos para
redação de suas 95 Teses. Naquela época, o clero romano estava empe­
nhado na reconstrução da Basílica de São Pedro em Roma. Os fiéis foram
induzidos a fazer suas doações, e, quando suas ofertas eram colocadas
no gazofilácio, o ofertante, automaticamente, era declarado perdoado dos
seus pecados. Os valores doados eram proporcionais à gravidade da falta
cometida(...).
Para piorar a questão, a missa deixou de ser conduzida na linguagem
do povo. 0 latim, antigo idioma romano, cristalizou-se como linguagem
cúltica e sagrada — havia, inclusive, aqueles que diziam ser o latim a lín­
gua dos anjos, falada nos céus. A Bíblia e os tratados teológicos produzi­
dos à época, ainda que raros, eram escritos nessa língua. Logo, quase a to­
talidade da população europeia, que já não sabia ler ou escrever, também
não tinha acesso à Bíblia em seu idioma — e muito menos entendia o que
se passava durante o culto.

Livro: “Reforma Protestante: História, ensino e legado“ (Central Gospel, Rio de Janeiro,
2017, pgs. 15,18,19)

v _____________________________________________________________________________________

[[
Estudada e m ___ /___ /

DEVOCIONAL DIÁRIO
Segunda - lTm 2.5
Jesus é o nosso único mediador
500 ANOS DA Terça-At 4.11
Cristo é a pedra fundamental da Igreja
REFORMA Quarta -1 Jo 1.9
Deus é fiel e justo para perdoar pecados
PROTESTANTE Quinta - Mt 10.8
A graça de Deus não tem preço
Sexta - Hb 4.15#16
Acesso à graça por meio de Cristo
Texto á u r eo Sábado - At 15.8-11
'Visto que a justiça de Deus se revela Salvos pela graça de Jesus
no evangelho, de fé em fé, como está
escrito: O justo viverá por fé."
Rm 1.17
LEITURA BÍBLICA
-JÎïiiU'
Romanos 1.16-20
16 Pois não me envergonho do evan­
gelho, porque é o poder de Deus para
VERDADE PRÁTICA a salvação de todo aquele que crê, pri­
Conhecer a história da Reforma
meiro do judeu e também do grego;
nos ajuda a com preender m elhor 17 visto que a justiça de Deus se revela
a igreja no presente. no evangelho, de fé em fé, como está
escrito: O justo viverá por fé.
18 A ira de Deus se revela do céu contra
toda impiedade e perversão dos homens
que detêm a verdade pela injustiça;
19 porquanto o que de Deus se pode
conhecer é manifesto entre eles, por­
que Deus lhes manifestou.
20 Porque os atributos invisíveis de
Deus, assim o seu eterno poder, como
também a sua própria divindade, cla­
ramente se reconhecem, desde o prin­
cípio do mundo, sendo percebidos por
meio das coisas que foram criadas. Tais
homens são, por isso, indesculpáveis;
Hinos da Harpa: 581 - 330 - 15

5
Lição 1 - 500A nos da Reform a Protestante

( > INTRODUÇÃO
5 0 0 ANOS DA REFORMA
PROTESTANTE No início do Século XVI, o mundo
estava no limiar de grandes mudan­
ças, especialmente as concernentes
INTRODUÇÃO à vida religiosa, as quais alterariam
para sempre a forma de vermos a
L ANTECEDENTES DA REFORMA vida e o mundo ao nosso redor. A
1. Antecedente Político Reforma Protestante foi uma das
principais, sendo ela mesma o re­
2. Antecedente Geográfico sultado de uma série de fatores.
3. Antecedente Religioso A data histórica da Reforma Pro­
testante, protagonizada por Mar-
II. PRECURSORES DA REFORMA tinho Lutero é 31 de outubro de
1517, portanto, em 2017, grandes
1 Jo h n Wycliffe (1 3 2 4 -1 3 8 4 ) eventos ocorrem em todo o mundo
2. John Huss (1 3 6 9 -1 4 1 5 ) celebrando os 500 anos da Reforma.
Nós também fazemos nossa home­
3. Girolamo Savonarola (1452-1498)
nagem incluindo nesta revista duas
lições especiais sobre o terna.
III. A REFORMA
1, Romanos 1,17 I. ANTECEDENTES DA
REFORMA
2, As 95 Teses

3. Efeito das Teses A Idade Média, chamada de


Idade das Trevas, na realidade, foi
APLICAÇÃO PESSOAL o período de gestação e amadure­
cimento da grande civilização cris­
tã que surgiu a partir da Reforma.

1. Antecedente Político, As
mudanças ocorrem com o surgi­
mento das nações-estados, quando
a Europa começa a se fragmentar
em países politicamente indepen­
dentes uns dos outros (por exem­
plo: Inglaterra, França, Espanha,
Portugal etc.), livres e soberanos,
não mais subordinados a um poder
central e dominador, anteriormen­
te representado pelo papado.

6
Lição 1 5 0 0 Anos da Reform a Protestante
-

A despeito disso, o poder dos Nesse ambiente vicejou uma


soberanos precisava da legitimação indefectível reforma religiosa,
da Igreja, que conferia um caráter cujo escopo tinha a finalidade de
de "ordenação divina" às monar­ levar as pessoas a se aproximarem
quias europeias. Isso tudo ocorria de Deus "sem outros intermediá­
em meio a grande corrupção. rios" e tão somente através de um
relacionamento íntimo com Ele
2. Antecedente Geográfico. através da fé em Jesus Cristo: esse
As grandes navegações realizadas foi o âmago da Reforma!
por Portugal e Espanha, que logo
se tornaram duas superpotências, II. PRECURSORES DA
desencadearam as grandes des­ REFORMA
cobertas de novas terras, fazendo
com que o mundo não se limitasse O Papa se considerava o único
mais à Europa. intérprete legal da revelação divina,
0 "novo mundo" trouxe no­ A população era mantida na igno­
vos horizontes de conquista e ex­ rância e alimentada com todo tipo
pansão, com seus desafios e pro­ de crendices, superstições, medo do
blemas, mas também com suas inferno, e também na "compra” de
enormes riquezas, e com isso, o um lugar no céu através das Indul­
favorecimento da troca de ideias gências. Nesse cenário surgem mui­
que desencadearam novos proces­ tos personagens combatendo estes
sos de entendimento da vida nos erros, dentre os quais:
aspectos sócio-políticos, econômi­
cos e religiosos. 1, John Wydiffe (1 3 2 4 -1 3 8 4 ).
John Wydiffe nasceu na Inglaterra
3, A ntecedente Religioso. As em 1324. Ele foi aluno e profes­
mudanças políticas e geográficas sor da Universidade de Oxford e é
forneceram as bases para a mu­ considerado um dos precursores
dança religiosa, em contraposição da Reforma Protestante. Wydiffe
ao autoritarismo da Igreja Católica deixou dezenas de obras escritas,
Romana, que se tornou insusten­ além da primeira tradução da Bí­
tável. De certa forma, ficou paten­ blia para o inglês. Seu intuito era
te que o Catolicismo Romano não oferecer ao povo uma Bíblia isenta
mais preenchia os anseios espiri­ da manipulação católica, que in­
tuais do povo - que se sentia opri­ cluía os livros apócrifos.
mido e buscava uma religião mais Ensinou de forma enfática o sa­
prática e satisfatória tampouco cerdócio universal dos crentes, que
respondia às suas indagações e preconizava que qualquer pessoa
expectativas quanto ao futuro e a pode comunicar-se com Deus, sem
eternidade. a mediação da Igreja (lT m 2.5).

7
Lição 1 5 0 0 Anos da Reform a Protestante
-

Combateu as distorções do catoli­ mia, significa ganso), mas cem anos


cismo, condenando o pagamento depois apareceria um cisne, e esse,
de indulgências e a corrupção geral ninguém poderia segurar. Muitos
do Clero. Ele pregava a moralização referem essa profecia à figura do
da igreja e o afastamento das lide­ Reformador Martinho Lutero.
ranças comprometidas com práti­
cas sabidamente pecaminosas. 3. Girolamo Savonarola
Era um teólogo extraordinário (1 4 5 2 -1 4 9 8 ). Savonarola nasceu
que pregava a autoridade supre­ em Ferrara, Itália, em setembro de
ma das escrituras na vida cristã, 1452. Desistiu da Medicina para
contestando a posição tradicional dedicar-se à vida religiosa, basean­
da Igreja Católica. do suas ações em Florença. Savo­
Combatia terminantemente a narola atacou o mau-caráter e os
condição do Papa como substitu­ desmandos do Papa Alexandre VI.
to de Pedro e cabeça da igreja (Mt Ficou conhecido por conside­
16.18}, reafirmando que o cabeça rar-se um profeta e por ter queima­
da igreja é Cristo (Ef 1.22,23). do um grande volume de obras de
artee íívros, por entender serem de
2. John Huss (1 3 6 9 -1 4 1 5 ) . natureza imoral. Ele não se opunha
Huss nasceu na cidade de Husinec, a todas as criações artísticas, mas
a 75Km de Praga, na República reprovava aquelas que promoviam
Tcheca. Estudou na Universidade imoralidade ou retratasse de modo
de Praga, onde foi também pro­ impróprio as figuras bíblicas.
fessor e reitor; foi um grande pen­ 0 Vaticano passou a conside­
sador cristão, além de importante rá-lo um inimigo, excomungou-o
precursor da Reforma. e em 23 de maio de 1498, Savo­
Os escritos de )ohn Wycliffe cau­ narola foi condenado à morte por
saram profunda impressão em John enforcamento em praça pública
Huss, que combateu o pagamento de na cidade de Florença, tendo o seu
indulgências — prática que conside­ corpo queimado posteriormente.
rava sem valor algum para o perdão
divino — e a corrupção do clero ca­ III. A REFORMA
tólico. Em 6 de julho de 1415, na ci­
dade de Constança, foi condenado e A Reforma Protestante atingiu
queimado vivo em praça pública, o âmago do poder da Igreja, motivo
Enquanto chamas consumiam pelo qual foi tão ferozmente perse­
seu corpo, ele entoava hinos de guida. O ponto central da Reforma
adoração ao Senhor. Dizem que, an­ de Lutero foi não mais reconhecer
tes de morrer, Huss vaticinou que a Igreja Católica como a intérprete
aqueles homens estavam queiman­ exclusiva das Escrituras, propondo
do um ganso ( hus, na língua boê- a Bíblia como a única fonte de Re-

8
Lição 1 - 500Anos da Reform a Protestante

velação e a melhor intérprete de si fideísmo no que a igreja lhes impu­


mesma. Este é, sem dúvida, o ponto nha, a qual era também dedentora
mais importante para a história da da Bíblia unicamente no Latim.
civilização ocidental.
2. As 95 Teses. Um obscuro mon­
1. Romanos 1 .1 7 . 0 entendi­ ge chamado Martinho Lutero, em 31
mento de Romanos 1.17, por Lute- de outubro de 1517, afixou um do­
ro, foi decisivo para a Reforma. A cumento composto de 95 Teses na
expressão "justiça de Deus" trazia porta da Catedral de Wittemberg,
grande tormenta à sua alma, pois na Alemanha, no qual conclamava a
o fazia pensar que ninguém pode­ Igreja a voltar à obediência da Pala­
ria justificar-se diante de Deus, ou vra de Deus e às práticas evangélicas
seja, ele estava condenado ao in­ da Igreja Primitiva, conforme cons­
ferno, como se ensinava na época. tam nas Sagradas Escrituras.
Foi então que, meditando sobre Esse evento simples, normal­
o texto, entendeu que a justiça de mente utilizado por aqueles que
Deus não se referia ao castigo divi­ queriam discutir pubiicamente al­
no, mas sim ao fato de a justiça do guma proposta acadêmica de cunho
justo não ser obra dele próprio, mas bíblico ou teológico, tomou um vo­
sim de Deus. A fé e a justificação do lume descomunal, até que desenca­
pecador são dons gratuitos de Deus. deou o que conhecemos historica­
Em decorrência dessa conclusão, mente como a Reforma Protestante.
Lutero disse: "Senti que havia nascido O documento com as 95 Teses
de novo e que as portas do Paraíso me afixado por Lutero na porta da Ca­
haviam sido abertas, Todas as Escri­ tedral de Wittemberg trazia o se­
turas tinham novo sentido. A partir de guinte enunciado:
então, a frase "a justiça de Deus" não "Por amor à verdade e movido
me encheu mais de medo e ódio, mas pelo zelo de elucidá-la, será dis­
se tomou indizivelmente doce em vir­ cutido em Wittemberg, sob a pre­
tude de um grande amor" sidência do Rev. Padre Martinho
Por mais de mil anos a igreja Lutero, mestre das Artes Livres e
Católica disseminou o ensino de professor catedrático da santa Teo­
que a salvação era alcançada por logia ali mesmo, o que se segue. Pe­
fé e obras, bem como por meio de-se, que aqueles que não pude­
da participação de 7 sacramentos rem estar presentes para tratarem
administrados pelos sacerdotes. do assunto verbalmente conosco,
Dessa forma, a nova descoberta de o façam por escrito. Em nome do
Lutero era algo absolutamente dis­ nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.”
tante da consciência das pessoas,
que em sua grande maioria, nem 3. Efeito das Teses. O efeito
sabiam ler e apenas aceitavam por destas teses (a serem estudas na

9
Lição 1 5 0 0 Anos do Reform a Protestante
-

Lição 5) foi tão inesperado, que não blia e interpretá-la. O sacerdócio é de


ficou só entre os letrados, em pou­ todos os cristãos, Todos devem ter
cas semanas as mesmas se espa­ em suas mãos a Bíblia, todos podem
lharam por toda a Alemanha e para conhecer e pregar a Palavra.
outras partes da Europa, chegando Na lição 5 voltaremos aos 500
ao conhecimento do povo em geral. anos da Reforma, com mais detalhes.
Foi então que o povo passou a
sentir que nestas teses se anunciava r : a
uma libertação do jugo de um siste­ APLICAÇAO PESSOAL
ma clerical que, em vez de servir, do­
minava as almas de todos os fieis. Isso Entender os antecedentes da
desencadeou a Reforma Protestante. Reforma pode nos ajudar a com­
já faz 500 anos. As teses de Lu- preender o nosso tempo e as gran­
tero eram curtas mas profundas,.Os des necessidades da Igreja atual,
efeitos da Reforma revolucionaram para que a nossa geração também
a Igreja, principalmente por ter com­ possa avançar na Reforma ou fa­
batido a ideia de que só o Papa e seus zer uma nova, se necessário.
sacerdotes podiam terem mãos a Bí­ v _________________________________

---------------------------------------------------------------------------------------- ---- \

RESPONDA
1) Q u a is fa to re s deram b a se à R e fo rm a P ro te sta n te na E u ro p a ?

2) C ite o nom e dos principais pre cu rso re s da R eform a P rotestante.

3) Qual foi o ponto central da Reforma de Lutero7

VOCABULÁRIO:
* Indefectível: que não se pode destruir, que sempre existirá; eterno, imutável, indestrutível, imperecível,
• V ic e ja r: ter viço ou dar viço a; desenvolver oom força; m anifestar-se com força e copiosam ente.

AS 95 TESES DE LUTERO
C o n fira a ín te g ra do d o c u m e n to no e n c a rte d e sta revista.

10
SUPLEMENTO EXCLUSIVO DO PROFESSOR
Afora o suplemento do professor, todo o conteúdo de cada lição
é igual para alunos e mestres, inclusive o número da página.

ORIENTAÇÃO OBJETIVOS
PEDAGÓGICA
•Entender que todos podem e
Professor, que bom encon­ devem pregar.
trá-lo em mais um trim estre da •C om preender o ouvinte
Escola Dominical, tendo a opor­ como destinatário da mensagem.
tunidade de ensinar sobre a Ho- •Saber da importância da
miiética de uma forma mais aces­ mensagem pregada.
sível aos seus alunos. Este é um
assunto relevante para a Igreja. PARA COMEÇARA AULA
Iniciar o estudo das 13 lições
com o tema Reforma Protestan­ inicie a aula dando as boas-vin­
te 500 Anos; Todos Podem Pregar das aos seus alunos, em seguida
facilitará a aproximação com o leia com eles o Sumário, apresen­
tema geral desta revista, ajudan­ tando cada üção.
do na compreensão de seus alu­ Antes de começar a exposição
nos sobre a pertinência do assun­ pergunte quais deles se sentem voca­
to para a prática crista, mesmo cionados para pregar a Palavra para
que alguns digam não serem cha­ um público maior. E para uma pessoa
mados para pregar. ou pequeno grupo. Depois, pergun­
Faça com que entendam que te quantos desses têm se preparado
não precisam subir no púlpito para isso e, por último, quantos têm
da igreja, mas que haverá situ a­ exercido na prática o seu chamado.
ções em que terão que "m anu­ Note que o levantar das mãos
sear bem a PalavraJJ, pois todos vai diminuindo conforme vão se
fomos com issionados a pregar o dando as perguntas. Conscíentize-
Evangelho. -os sobre a importância do chama­
do que receberam e que a todos foi
dada a Grande Comissão.

PALAVRAS-CHAVE RESPOSTAS DA PAGINA 16


Pregação • Vocação • Mensagem 1) A p re g a çã o da P alavra
2) Preparar-se e colocar em prática o seu chamado.
3J S e r a lca n ça d o e tra n s fo rm a d o .

I
Lição 2 Todos Podem Pregar
-

LEITURA COMPLEMENTAR

De todos os temas da pregação bíblica, nenhum é mais importante do


*
que comunicar as boas novas da salvação. E básico, porque sem a mensa­
gem da salvação, não há razão de ser para outras mensagens. Jesus orde­
nou Seus seguidores: "Portanto ide, ensinai todas as nações", proclaman­
do a mensagem de salvação como testemunho a toda a humanidade (Mt
28.19; 24.14). Além disto, Jesus tornou clara a questão em jogo: "Quem
crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado" (Mc
16.16; Jo 3.15-21, 36). Nada menos do que a vida eterna versus a morte
eterna está em jogo quando a mensagem da salvação é pregada.
Ao apresentar a mensagem da salvação, duas coisas devem ser enfa­
tizadas:
1) que todas as pessoas são pecadoras, e
2) que Cristo é o Seu Salvador

Muitas pessoas, no entanto, não compreendem seu problema nem


aquilo que pode transformar a sua situação. Devemos mostrar-lhes que o
problema é que todos pecaram.
0 pecado de Adão atingiu a todas as pessoas, porque Adão foi a cabe­
ça que representou a totalidade da raça humana. Quando ele caiu, a raça
caiu, e todas as pessoas herdaram uma natureza pecaminosa. A natureza
pecaminosa é a causa da teimosia das pessoas, da sua rebeldia, e da sua
desobediência para com a lei de Deus (G1 5.19-21). A natureza pecamino­
sa, pois, leva as pessoas a cometerem atos pecaminosos.
0 resultado do pecado das pessoas é a separação de Deus e entre si
mutuamente. Por causa da sua natureza pecaminosa, as pessoas são cor­
ruptas. Cada parte da sua natureza humana - as emoções, o intelecto e a
vontade - tem sido afetada. São totalmente indefesas e incapazes de sal­
var a si mesmas. Suas mentes ficaram tão corrompidas pelo pecado que
não podem compreender nem apreciar as coisas espirituais (ICo 2.14).
Para elas, as coisas espirituais são estultas, não são razoáveis. Sem o en­
tendimento espiritual, não podem captar as coisas de Deus.

Livro: “Homilética: Ministrando a Palavra de Deus” (ICl, São Paulo, 2007, págs. 107,108).

___________________________________________________________________ :_______ /

li
Estudada e m ___ /___ /____

( ^
LIÇÃO 2 DEVOCIONAL DIÁRIO
Segunda - Mc 16.15
Pregação, uma ordem divina
TO D O S PODEM Terça - Jo 15.16
Pregador, uma escolha divina
PREGAR Quarta - 2Tm 1.9
Pregar, uma vocação divina
Quinta - ls 52.7
Pregando as boas novas
Sexta - ICo 2.4
Pregando com poder
Sábado - Rm 10.14
T exto á u r e o Pregar, uma necessidade
''Vós sois testem unhas destas
coisas" Lc 24.48
LEITURA BÍBLICA
Lucas 2 4 .4 5 -4 9
4 5 Então, lhes abriu o entendi­
mento para compreenderem as
Escrituras;
4 6 e lhes disse: Assim está escri­
to que o Cristo havia de padecere
ressuscitar dentre os mortos no
terceiro dia
4 7 que em seu nome se pregasse
arrependimento para remissão
de pecados a todas as nações, co­
meçando de Jerusalém.
4 8 Vós sois testemunhas destas
coisas.
4 9 Eis que envio sobre vós a pro­
messa de meu Pai; permanecei,
pois, na cidade, até que do alto
sejais revestidos de poder.

Hinos da Harpa: 93 - 115 - 167


v _________________________________ j

ii
Lição 2 - Todos Podem Pregar

r " " ^ INTRODUÇÃO


TODOS PODEM PREGAR
Queremos, através destas li­
ções, mostrar que você, homem
ou mulher, pode e deve pregar o
INTRODUÇÃO Evangelho. Pregar a Palavra de
Deus, além de um privilégio, é
L O PREGADOR uma ordem do maior pregador
da História, Jesus Cristo: 'Ide por
1. Chamada gera! e específica Mc 16.15
todo 0 mundo e pregai 0 Evange­
2. Preparo 2Tm2.i5 lho a toda criatura"' (Mc 16.15).
A pregação é 0 instrumento
3. Prática 2Tm22
que Deus mais usou, continua
usando e sempre usará para tra­
IL A PREGAÇÃO zer homens à Salvação.
Esta missão não é exclusivi­
1. Pregação e exemplo 2Tm2lS
dade de pastores e mestres. Todo
2. Importante missào Mt28.20 filho de Deus recebeu poder para
esse intento, daí a importância de
3. Mensagem inspirada 1Co2A
estudar a Homiiética,

IIL O OUVINTE L O PREGADOR


1. Precisando de Deus Lc24.47
O pregador precisa tomar a
2. Alcançado pela Palavra Rm1.16 verdade de Deus e torná-la parte
3. Transformado pela Palavra At2.37-41 de sua experiência própria a fim
de, quando falar, seja Deus quem
fale através dele.
APLICAÇÃO PESSOAL

1. Chamada geral e especí­


fica. Embora reconheçamos que
haja um chamamento especial de
Deus para determinadas pessoas
se tornarem pregadores, também
sabemos que esta tarefa não é
uma exclusividade de pastores e
mestres. Todo filho de Deus re­
cebeu 0 sagrado privilégio de mi­
nistrar a Paiavra de Salvação aos
pecadores. Pregar não é simples­
mente uma escolha; é uma voca­

12
Lição 2 Todos Podem Pregar
-

ção divina e#portanto, irrevogável


(ICo 9.16). Nâo é para trazer fama
ou ganhar dinheiro; é para trazer Nada deveria ser o
vidas ao genuíno conhecimento alvo do pregador a não
das verdades de Deus. ser a glória de Deus
Aquele que ministra deve ter através da pregação
consciência que sua vida nesta do Evangelho da
terra tem um propósito. Quando salvação"
essa chama arde em seu coração, (C. H. Spurgeon)
ele sabe que se não cumprir seu
chamado haverá um vazio em seu
coração. É notório que quando grande cientista Albert Einstein:
alguém é vocacionado, sua men­ "Minhas grandes descobertas pos­
te, suas emoções, seus sonhos e suem um segredo: 10% são inspi­
seus desejos são o de alcançar vi­ ração, e 9 0% transpiração". Tra­
das para o reino de Deus. Oramos balho, e trabalho árduo, é a razão
para que isto aconteça com você das grandes conquistas. Deus faz
(Mc 16.15; Jo 15.16). o chamado e espera que o homem
corresponda a esse chamado, e as­
2. Preparo. Deus vocaciona sim prepare-se para o mesmo.
e chama, porém cabe ao homem
preparar-se. Paulo foi chamado 3. Prática. Uma vez que Deus
por Jesus para anunciar o Evange­ chama, e o homem se prepara, o
lho, porém passou quatorze anos que vem a seguir? Chegou a hora
preparando-se para isso (G1 2.1). de colocar em prática. A prática
Aquele que é chamado para anun­ nada mais é do que agir e transmi­
ciar a Palavra deve ter consciência tir aos ouvintes (2Tm 2.2). A prega­
que milhares de pessoas precisam ção visa alcançar todas as pessoas.
ouvir o que virá de seus lábios, por­ O pregador não é um mero
tanto, não é de qualquer jeito. Deve transm issor de ideias, mas um
ter toda uma preparação física, exemplo vivo do poder de Deus
emocional e espiritual (2Tm 2.15). para a salvação. Aquele que vai
0 chamado pode ser feito do transm itir a mensagem deve sa-
dia para a noite, em um momen­ ber que é o canal de Deus para
to específico, porém a preparação trazer pessoas ao conhecimento
não; é algo constante, para ser fei­ das verdades sagradas (Tg 1.22).
to no dia a dia. Sem uma prepara­ Sua boca falará do que o coração
ção adequada ninguém irá muito está cheio, e as experiências vivi­
longe. A preparação é muito mais das serão realidade para quem as
que embasamento teórico. Eia é ouvir, tendo o anseio de cumprir
prática, como um dia declarou o o que foi ministrado.

13
Lição 2 Todos Podem Pregar
-

II. A PREGAÇÃO

É um sublime privilégio saber Quando você prega


que Deus escolheu você para a a Palavra, Deus dá
maior responsabilidade do Univer­ os resultados. Ele os
so: trazer a mensagem do próprio garante."
Deus para a humanidade: "Não fos­
tes vós que me escolhestes a mim;
pelo contrário, eu vos escolhi a vós de e com o testemunho cristão,
outros e vos designei para que va­ correspondente.
des e deis fruto, e o vosso fruto per­
maneça" (Jo 15.16)- 2. im p ortan te m issão. 0
mais elevado de todos os cha­
1. Pregação e exemplo. 0 mados é o chamado para pregar
viver cristão é prática indispen- o Evangelho de )esus Cristo (Mc
sável para a boa pregação. Nosso 16.15), A Bíblia diz que Jesus pas­
Senhor Jesus Cristo, ao convocar sou a noite em oração no monte, e
homens simples e humildes para depois escolheu os Seus discípu­
serem Seus discípulos, e instruí- los (Lc 6.12-13).
-los através de ensinamentos prá­ A maior vocação do homem é
ticos a como procederem como ser chamado por Deus para realizar
pregadores do Evangelho, deu-nos a Sua obra; e a maior missão do ho­
um exemplo da importância de se mem de Deus é levar a mensagem
aliar a exposição da Palavra às de salvação aos outros homens,
práticas de uma vida cristã genuí­ coisa que anjos não puderam fazer.
na. 0 pregador do Evangelho é um Inclusive quando Cornélio estava
arauto das boas novas. há vários dias orando e jejuando,
0 Apóstolo Paulo, comentando apareceu um anjo e mandou cha­
acerca da importância dessa pro­ mar a Pedro para anunciar-lhe o
clamação, afirma: "aprouve a Deus Evangelho (At 10).
salvar os que creem pela loucura Os discípulos, após terem sido
da pregação” (ICo 1.21). E tam­ chamados por Cristo, foram capa­
bém recomenda que aquele que se citados pelo Espírito Santo para
dispõe a pregar o Evangelho deve anunciar com ousadia a Palavra
portar-se de forma irrepreensível: de Deus (At 4.31).
"...que não tem de que se envergo­
nhar..." (2Tm 2.15). 3. Mensagem inspirada. 0
Assim, a Bíblia nos revela que, que é mais admirável acerca do
desde os primórdios, o amor de ministério é Deus usar um pobre
Deus sempre foi exposto por ser­ homem e lhe confiar o tesouro
vos comprometidos com a verda- precioso da Sua mensagem (ICo

14
Lição 2 - Todos Podem Pregar

2.4). Quando Deus chamou os 1. P recisa n d o de Deus. ln-


profetas do Antigo Testamento, os felizm ente, vivemos em tempos
reis, sábios, pescadores, doutores, de afastam ento da Palavra de
publicanos, os capacitou com Seu Deus e, consequ entem ente, es­
Espírito, concedendo a eles a ins­ friam ento da fé (Mt 2 4 .1 2 ). To­
piração da Sua palavra: "porque das as vezes em que a Palavra
nunca jamais qualquer profecia foi de Deus é negligenciada, a Igre­
dada por vontade humana; entre­ ja e o mundo sofrem consequ ên ­
tanto, homens [santos] falaram da cias danosas em todas as áreas
parte de Deus, movidos pelo Espí­ e, principalm ente, no âmbito
rito Santo.” (2Pe 1.21). moral. Há uma natural aqu ies­
Quando o Senhor se revelou a cência do pecador ao desvio da
Ananias para ir até à Rua cham a­ Palavra, pois ele sem pre quer
da Direita, perguntando na casa adiar o confronto inevitável com
de Judas por um homem cha­ a retidão de Deus.
mado Saulo de Tarso, ele não foi Talvez isso explique a facili­
sem uma mensagem. Deus deu dade e, até mesmo, o fascínio que
a ele a mensagem inspirada (At muitos têm por pregações superfi­
9 .1 0 -1 8 ). A Bíblia é a maior m en­ ciais e com um alto teor apelativo
sagem revelada por Deus aos ho­ emocional. Há uma necessidade
mens, mostrando a fonte da ver­ urgente da pregação da Palavra de
dade que o povo de Deus precisa Deus, pois só ela pode trazer um
conhecer e anunciar. avivamento genuíno e verdadeiro
à Igreja (Lc 24.47).
III. O OUVINTE
2. A lcançado pela Palavra.
Somente uma genuína pala­ Tudo foi criado por Deus com um
vra vinda da parte de Deus pode objetivo, um propósito, desde
mudar o curso da história hu­ a menor célula ao maior ser do
mana. A mensagem é como uma Universo. A mensagem que Deus
flecha, que é lançada rumo a um deu ao homem possui o propó­
alvo. O principal alvo da m ensa­ sito maior de revelar a vontade
gem é o coração daqueles que a de Deus ao homem (E f 1.9 -1 1 ).
receberão. Isto deve estar bem Toda a Bíblia possui uma só men­
definido na mente do pregador e sagem central: a salvação do ho­
bem claro aos ouvintes no fim da mem através de Jesus Cristo (Rm
mensagem. Uma das formas pela 1.16). A mensagem deve tocar os
qual podemos saber se alcança­ corações e as m entes de quem a
mos o alvo é observando como ouve. Uma mensagem com pro­
aqueles que ouviram a Palavra pósito alcançado é aquela que
responderam ao apelo final. muda as vidas.

15
Lição 2 Todos Podem Pregar
-

Quando vidas são impactadas ( I a


peta mensagem ministrada po­ APLICAÇÃO PESSOAL
demos afirmar que alcançamos o
que havia sido proposto, Ao longo dos séculos, milha­
res de pessoas têm sido transfor­
3. T ran sform ad o pela P a ­ madas por pregações inspiradas
lavra. Uma mensagem eficaz é pelo Espírito Santo. 0 pregador
aquela que alcança os seus o b je­ é apenas um canal que Deus usa
tivos. Um belo serm ão que recebe para m ostrar Sua vontade por
aplausos e elogios, mas não leva meio da mensagem ministrada.
ao convencimento, não alcançou
seu principal objetivo. Levar o
ouvinte a uma decisão é tarefa
séria e cuidadosa, que deve ser
trabalhada durante toda a prega­
ção (Js 2 4 .1 5 ; Mt 11.28).
Quando o objetivo da mensa­
gem é alcançado, vidas são trans­
formadas. Pedro pregou uma men­
sagem simples e objetiva e cerca
de três mil pessoas entregaram
suas vidas a Jesus (At 2.38-41). V ____ J

RESPONDA
1} Q ual é o in stru m e n to q u e D eus m a is tem u sa d o para tra z e r os h o m e n s à sa lv a ç ã o ?

2) D e us vo ca cio n a o p re g a d o r m as o qu e ca b e ao hom em fa ze r?

3) O q u e d e ve a c o n te c e r com a pe ssoa q u e o u ve a m e n sa g e m ?

L J

16
LIÇÃO 3

AGORAÉ A MIN HA VEZ


Ä '*
Il SUPLEMENTO EXCLUSIVO DO PROFESSOR
-7'' Afora o suplemento do professor, todo o conteúdo de cada lição
■'-:A. é igual para alunos e mestres, inclusive o número da página.

ORIENTAÇÃO OBJETIVOS
PEDAGÓGICA
•E star preparado para falar
Professor, esteja preparado sobre Jesus nas oportunidades
para falar de uma das principais que surgirem.
dificuldades que quase todo cris­ •Entend er que a timidez é
tão enfrenta: a falta de coragem, ou uma barreira para a pregação do
timidez para anunciar o Evangelho. Evangelho.
Talvez seja por isso que mui­ •Com preender que Jesus não
tos crentes "de banco" prefiram nos teria dado a Grande Comissão
deixar para o Pastor, para o Evan­ se ela não fosse possível.
gelista e Missionários a missão de
levar a Palavra a todos.
Pesquise sobre medo, timidez, PARA COMEÇAR A AU LA
coragem e fé. Isso lhe dará supor­
te para falar desses assuntos na Pergunte aos seus alunos o que
sala de aula. os impediria de pregar o Evange­
Procure exemplos de pessoas lho. Peça que escrevam a resposta
da atualidade que superaram o em um pedaço de papel.
medo e a timidez, sendo vitoriosas Peça que leiam e escrevam no
ao enfrentar as adversidades. quadro uma palavra que sinteti­
Ao final da aula seus alunos de­ ze cada resposta. Conte quantas
verão sair motivados a cumprir o vezes a palavra timidez/medo foi
IDE. Ore com eles para que o Espí­ mencionada. Pronto. Inicie a aula
rito Santo lhes dê unção e ousadia a partir daqui.
(2Tm 1,7). Ao findar a lição pergunte se
algum deles mudaria a resposta
dada no início da aula. Aproveite
para orar com eles.

RESPOSTAS DA PÁGINA 22
PALAVRAS-CHAVE 1) Saudação, Testemunho, Palavra e Sermão.
Timidez • Coragem • Oportunidades
2) O medo.

1 3) 2 Timóteo 1.7.
Lição 3 Agora é a M inha Vez
-

LEITURA COMPLEMENTAR

"Ainda sinto a vergonha e o fracasso. Eu fiz o melhor que pude, mas


ninguém ficou comovido pela minha pregação. Quando os crentes vieram
para orar, ajoelhei-me num canto e chorei incontrolavelmente: o sermão...
a pregação... foi um fracasso total... e o pior de tudo é que ninguém veio
para frente para receber a salvação! Deus Se enganara? Não, eu comete­
ra o engano. Era isto... Deus não me chamara. Eu não fora chamado para
pregar... Nunca mais pregaria... Enquanto estava encolhido ali na minha
miséria, uma mão tocou o meu ombro. "Irmão, quer ajudar-nos a orar
com aqueles que vieram à frente?". Não podia crer no que viam os meus
olhos! Onze pessoas tinham chegado à frente para receber a salvação"
0 escritor destas palavras veio a ser um pastor bem-sucedido e um
pregador de destaque, mas escreveu aquelas palavras quando estava
apenas começando a pregar. Sua experiência demonstra que uma pes­
soa que ama as almas dos homens pode pregar o Evangelho e ganhá-los
para o Senhor.

Livro: “Homilética: Ministrando a Palavra de Deus” (ICI, São Paulo, 2007, pág. 15).

V - _______________________________________________________________________

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EI
Estudada e m ___ /___ ./

r \
DEVOCIONAL DIÁRIO
Segunda - Êx 4.12
Deus usa a boca do profeta
Terça - Jr 1.4-6
O poder se manifesta na fraqueza
Quarta - Js 1.9
Deus chama à coragem
Quinta - 2Tm 1.7
Poder, amor e moderação vêm de Deus
Sexta - Rm 10.14
O Evangelho deve ser anunciado
T e x to a u r e o Sábado - Lc 5.29
"Vai, pois, agora, e eu serei com a Aproveitando as oportunidades
tua boca e te ensinarei o que hás
de falar." Êx 4.12
LEITURA BÍBLICA
■■'WS.Sf- *ViV•:
1f:)
C]i "■ Êxodo 4.10-13
10 Então, disse Moisés ao SE­
Verdade Prática NHOR: Ah! Senhor! Eu nunca fui
eloquente, nem outrora, nem de­
A tim idez p od e im pedir a
con cretização dos propósitos d e pois que falaste a teu servo; pois
sou pesado de boca e pesado de
Deus em nossa vida e de outros.
língua.
11 Respondeu-lhe o SENHOR:
Quem fez a boca do homem? Ou
quem faz o mudo, ou o surdo, ou
o que vê, ou o cego? Não sou eu, o
SENHOR?
12 Vai, pois, agora, e eu serei com
a tua boca e te ensinarei o que hás
de falar.
13 Ele, porém, respondeu: Ah! Se­
nhor! Envia aquele que hás de en­
viar, menos a mim.

Hinos da Harpa: 46 - 132 - 220


Á ______________________________ - J

11
Lição 3 - Agora ê a M inha Vez

INTRODUÇÃO

Nesta lição observaremos a im­


portância de obter ousadia da par­
te do Senhor para anunciarmos o
Evangelho, vencendo a timidez
que nos impede de concretizar
os propósitos de Deus em nossas
vidas e na de outros. Trataremos,
inicialmente, sobre a diferença
entre Saudação, Testemunho, Pa­
lavra, Mensagem ou Pregação, en­
sejando que cada uma representa
uma oportunidade.

I. APROVEITE AS
OPORTUNIDADES

Convém aproveitar as oportu­


nidades, principalmente quando
temos algo a dizer da parte de
Deus,

1. Saudação (3 m inu tos). A


saudação é algo extrem am ente
comum na maioria das igrejas.
Acontece quando você é convida­
do a trazer uma saudação como
ato de distinção e gratidão pela
sua presença. Saudação quer di­
zer cum prim entar com cortesia
(Rm 16.22). Normalmente acon­
tece na primeira metade do cul­
to, intercalado com hinos e até
outras saudações.
Recomenda-se que a saudação
dure até 3 minutos. Embora 3 mi­
nutos pareça pouco tempo, quando
se limita ao escopo do que se deve
falar numa saudação, você vai des­
cobrir que 3 minutos é mais que

18
Lição 3 -Agora é a M inha Vez

suficiente. Na saudação cabe até


a citação de um versículo bíblico,
desde que seja extremamente bre­
ve, se possível, memorizado, tudo O que me preocupa
de forma leve sucinta e direta. não é o grito dos
maus, mas o silêncio
2. Testemunho (5 minutos). dos bons"
Testemunho é anunciar o que (Martin Luther King)
aconteceu com você, o que você
viu, ouviu. Uma experiência de vida
que Deus lhe proporcionou. 0 ato de uma pregação ou mensagem,
de testemunhar pode ser uma das como leitura bíblica, introdução,
melhores maneiras de comparti­ desenvolvimento e conclusão,
lhar, pelo exemplo, o poder de Deus mas sem o apelo e oração ao final.
através da nossa história de vida. É como se fosse um intermediário
0 objetivo é apresentar algo ge­ entre a saudação e a mensagem.
nuíno e real, oferecendo ao ouvinte Recomenda-se que a palavra te ­
a chance de se identificar com a sua nha até 10 minutos.
história e constatar, em uma reali­ Devemos nos lembrar que Je­
dade próxima e pessoal, o que Deus sus, em muitas ocasiões, se utili­
também pode fazer por ele. zou do expediente de pregar men­
Quando o testemunho é dado sagens curtas, geralmente com
como um dos elementos do culto parábolas curtas, a fim de conse­
deve-se respeitar o limite máximo guir um melhor entendimento dos
de tempo de 5 minutos. É impor­ seus ouvintes (Mc 4.33).
tante lembrar que o melhor am­
biente para se compartilhar seu 4. Mensagem (Até 4 5 minutos).
testemunho não é apenas o culto Tudo que se faz num culto de louvor
na igreja, e sim, pessoalmente com e adoração é extremamente impor­
outras pessoas de seu círculo de tante, mas a mensagem é essencial
influência ( ljo 1.3). a um culto de celebração. Ela amarra
e dá equilíbrio a todos os elementos
3. Palavra (Até 10 m inutos). do culto porque conta com o maior
A palavra pode ser comparada a engajamento de atenção dos presen­
uma "pequena pregação". Trata- tes, pois todos focam sua atenção em
-se de uma breve reflexão bíblica um ponto, a mensagem.
para a edificação dos presentes, Agora, para que a mensagem
se possível, seguindo a tem áti­ seja transmitida de maneira rele­
ca do culto em questão. A pala­ vante é importante lem brar de al­
vra pode trazer, embora não seja guns pontos. De tudo o que ouvi­
obrigatório, todos os elementos mos em uma hora, guardamos no

19
Lição 3 Agora é a M inha Vez
-

máximo 15 minutos, e isso quan­ em público. É algo extremamente


do se é atencioso e de boa memó­ normal. Falar em público, é uma
ria. Quem não acompanhar com habilidade que se desenvolve ao
atenção a mensagem irá lembrar- longo da vida. As pessoas que con­
-se apenas de pequenos trechos. seguem se expressar bem em pú­
Com isto em mente, é aconse­ blico, tiveram que trabalhar, polir
lhável que a mensagem dure em esta habilidade ao longo dos anos.
torno de 30 a 45 minutos. Em E um processo interminável, pois
alguns casos, poderá se estender sempre há espaço para aprimorar
por mais tempo, mas estes casos a forma de se comunicar com o
são exceções. 0 sermão pode ser próximo, até porque os públicos,
classificado de várias formas. Em culturas, lugares e ideais variam
lição futura, olharemos com mais de lugar para lugar.
detalhes as classificações: tem áti­
ca, textual e expositiva. 3. Exemplos da Bíblia. A pró­
pria Bíblia ilustra as histórias de
II- O VALOR DOS TÍMIDOS grandes líderes que tiveram de
vencer a inibição e a timidez;
Muitos se sentem intimidados a) Moisés (Êx 4.10).
em compartilhar as boas novas do b) Jerem ias (Jr 1.4-6).
Evangelho, ensinar na escola do­ c) Gideão (Jz 6.15).
minical e evangelizar por várias d) Saul (ISm 10.20-24).
razões: e) Josu é (Js 1.9).
Estes são apenas alguns exem­
1. Timidez, medo de falar em plos reais de homens que marca­
público; receio de não fazer da ram seus nomes na história e na
maneira certa e não alcançar seu Bíblia e que tiveram de enfrentar
objetivo; medo do que o próximo a sua própria timidez.
vai pensar. Fique tranquilo, em­
bora possa parecer difícil, com al­ III- VENCENDO A TIMIDEZ
guns conselhos práticos, a missão
fica muito mais simples. 1. Como vencer. Para vencer
Tímido é alguém assustado, me­ a inibição e a timidez de falar em
droso, receoso, sem coragem. A timi­ público, seja no púlpito da igreja,
dez está enraizada no medo, neste ensinando a classe de Escola Do­
caso se refletindo em receio de fa­ minical, e até no evangelismo pes­
lar em público. 0 tímido faz de tudo soal, é imprescindível considerar
para não ser percebido (Êx 4.10). o seguinte:
a) Deus nos vê corajosos. Em
2. Timidez é norm al. A maio­ muitas ocasiões, nossa opinião a
ria das pessoas tem medo de falar respeito de nós mesmos é muito

20
Lição 3 Agora é a Minha Vez
-

diferente da opinião que Deus sário, e o resultado foi alcançado.


tem. Assim aconteceu na vida dc Mantenha o foco em Jesus e avan­
todos os personagens bíblicos ce! Jesus jamais nos daria a Grande
citados ao longo desta lição. Fica Comissão se ela fosse impossível.
nítido na vida de Moisés, quan­
do se declara incapaz de aceitar 2. Razões para vencer. Temos
o desafio colocado perante ele, as razões certas para vencer:
A
e Deus lhe responde em Exodo a) Deus nos garante um espírito
4 .1 1 -1 2 : "Vai, pois, agora, e eu de coragem. Em 2 Timóteo 1.7, o
serei com a tua boca e te ensina­ Apóstolo Paulo nos ensina: "Pois
rei o que hás de falar". Deus não nos deu um espírito de
b) Evitar comparações. Quando timidez, mas de fortaleza, de amor
alguém acredita que pode ser usa­ e de sabedoria”. Logo, a Bíblia nos
do por Deus e percebe como é vis­ garante um espírito de coragem
to por Ele, então tudo muda. Você para anunciar a salvação.
descobre e descansa no fato de que b ; É necessário ouvir para crer.
cada pessoa é única, singular, “suí Anunciar o Evangelho verbalmen­
generis", e que veio à Terra para te, ainda continua sendo a forma
cumprir um chamado que é exclu­ mais eficaz de compartilhar a nos­
sivo, unicamente dele; que se Deus sa fé. Em Marcos 16.15, Jesus dis­
quisesse escolher outra pessoa Ele se: "Ide por todo o mundo e pre­
faria, mas se Ele está chamando gai o Evangelho a toda criatura”
você, é porque sabe que, mesmo 0 Apóstolo Paulo corrobora com
com suas particularidades, você este princípio quando nos ensina:
será capaz de cumprir a missão. "Como, porém, invocarão aque­
Geralmente nos achamos in­ le em quem não creram? E como
capazes, comparando-nos com crerão naquele de quem nada ou­
outras pessoas e esquecemos que viram? E como ouvirão, se não há
Deus criou cada ser humano dife­ quem pregue?” (Rm 10.14). Para
rente e com aptidões específicas. ser salva basta crer em Jesus, mas
c) Olhe para Deus. A timidez para que isto aconteça alguém tem
quase sempre é fruto de nosso que lhe apresentar Jesus.
olhar fixo em nossas limitações, c) A f é cristã é social . O Evange­
fracassos e frustrações, apesar lho é comunicado em nosso meio
das garantias e provas incontestá­ social, entre nossos amigos e pa­
veis do poder de Deus em nossas rentes, quando nos reunimos em
vidas. Cada um pode testificar de comunidade. Jesus nunca abriu
momentos nos quais, pelo agir de mão do contato social, antes Ele
Deus, foi capaz de realizar coisas estava sempre cercado de pes­
muito além da sua capacidade, pois soas e buscando oportunidades
Deus completou o que era neces­ de compartilhar Sua missão, como

21
Lição 3 -A gora é a M inha Vez

nestes exemplos: gem certa, para as pessoas certas


• Mulher Samaritana (Jo 4.7]. que o Senhor coloca em seu cami­
• Casamento em Caná da Gali- nho (Jo 6.44). E então, seguindo
leia (Jo 2.1-11). a verdade em amor, não somente
• Banquete na casa de Levi (Lc vencerá a timidez, mas também
5.29). conhecerá em sua própria vida a
• Visita à casa de Simão Mc certeza de que tudo pode naquele
1.29-30). que o fortalece (Fp 4.13).
Jesus aproveitava qualquer
oportunidade possível para alcan­ \
çar alguém. APLICAÇÃO PESSOAL
3. Aproveite toda op ortu n i­ Creia no propósito de Deus para
dade. Devemos nos esforçar em sua vida, fale de Jesus com ousadia
crescer nagraça e no conhecim en­ e seja sábio quanto aos diferentes
to do Senhor Jesus Cristo (2Pe tipos de oportunidades e ao tempo
3.18). E quanto mais crescimento a ser usado. Lembre que o Espírito
espiritual o crente experimentar, Santo pode realizar através de você
tão mais conhecerá a segurança o mesmo que fez com os exemplos
pessoal de que está servindo na bíblicos que estudamos.
causa certa, pregando a mensa­ V______________________ J

f A
RESPONDA
1) C ite as q u a tro o p o rtu n id a d e s no cu lto qu e d e ve m o s ap roveitar.

2) Q ual a p rin cip a l ca u sa da tim id ez?

3) Q ual te xto bíb lico no s in cen tiva à co ra g e m ?

V _________ J

22
LIÇÃO 4
HOM ILÉTICA, A ARTE DE
PREGAR E ENSINAR
SUPLEMENTO EXCLUSIVO DO PROFESSOR
Afora o suplemento do professor, todo o conteúdo de cada lição
é igual para alunos e mestres, inclusive o número da página.

ORIENTAÇÃO OBJETIVOS
PEDAGÓGICA
•A presentara Homilética como
Caro professor, Homilética é disciplina da exposição bíblica.
uma disciplina que assusta a mui­ •E sclarecer que a observação
tos cristãos. Imaginar-se assumin­ e a interpretação se completam na
do o púlpito diante de uma igreja, transmissão.
tornar-se a 'Voz de Deus”, aiém • D em onstrar que todo cristão
da óbvia comparação com outros deve estar pronto para dar razão
pregadores, tudo isso contribui da sua esperança (IP e 3.15).
para a intimidação.
Mas a intenção desta revista é PARA COMEÇAR A AULA
justamente acalmar os corações,
e demonstrar que o ministério da Escolha um aluno e lhe passe
Palavra não se restringe apenas uma história qualquer por escrito.
aos pregadores, mas vai do mais Peça que a leia em silêncio, e depois,
experiente à criança que já se conte para os demais, mas sem usar
expressa oralmente; vai do mais palavras. A intenção é demonstrar
douto teólogo ao mais simples ir­ que, por mais que alguém conheça
mão em Cristo. alguma história em seus detalhes,
Ganhe seus alunos para a pro­ se não se expressar pela palavra, a
pagação da Palavra de Deus; seja transmissão não será satisfatória.
através de um sermão, estudo, 0 testemunho comportamental
aula ou testemunho. é importante, mas não substitui a
Todos são aptos a testemunhar pregação. Não adianta apenas agir
as coisas de Deus devido ao seu de forma honesta e cristã para a
Santo Espírito que habita em nós. propagação do Evangelho; devo fa­
Não despreze esse dom. lar e pregar em palavras a respeito
da minha fé. Leia Romanos 10.17.

RESPOSTAS DA PÁGINA 28

PALAVRAS-CHAVE 1) Todo cristão, com a autoridade da Palavra.


Homilética • Capacitação • Disposição 2) Não. Devo proclamá-lo também com palavras.
• Pregação
3) Resposta pessoal.

1
Lição 4 Hom ilética, a A rte de Pregar e En sin ar
-

O Que é a Pregação?
0 dicionário diz que pregar é "proclamar publicamente, conclamar à
aceitação ou rejeição de uma ideia ou tipo de ação; entregar um sermão"
(que é uma expressão extensiva de pensamento sobre um assunto). Esta
definição envolveu-se do conceito neotestamentário da pregação, que
consideraremos mais tarde. Na base desta definição, veremos que a pre­
gação é a entrega pública e formal de um sermão pelo ministro à congre­
gação. Normalmente, não há interrupções no decurso de um sermão. A
mensagem da pregação para evangelizar os perdidos é ao arrependimen­
to, à fé e à consagração. A pregação é também o meio pelo qual os cristãos
recebem nutrição na fé e são capacitados a amadurecer na fé. 0 manda­
mento para pregar foi dado pelo Senhor quando disse: "ide por todo o
mundo, pregai o Evangelho a toda a criatura" (Mc 16.15).
Paulo em duas ocasiões conclamou Timóteo a pregar: "Que pregues
a palavra, instes a tempo e fora de tempo..." (2Tm 4.2). Noutro lugar dis­
se: "Faze a obra dum evangelista, cumpre o teu ministério" (2Tm 4.5). A
pregação é um dos métodos importantes que Deus escolheu para levar o
Evangelho a toda a humanidade.

O Ministério do Ensino
0 Senhor deu o mandamento para ensinar quando disse: "Portanto
ide, ensinai todas as nações... Ensinando-as a guardar todas as coisas que
eu vos tenho mandado" (Mt 28.19-20). Paulo disse a Timóteo: "... redar­
guas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina" (2Tm
4.2). Na descrição que Paulo faz de um bom servo de Jesus Cristo (lT m
4.4-16) dá a seguinte instrução: "Manda estas coisas e ensina-as" (v. 11).
O ensino é outro método principal que Deus tem escolhido para levar o
Evangelho a todos os povos em todos os lugares.

Livro: “Homilética: Ministrando a Palavra de Deus”- (JCI, São Paulo, 2007, págs.
^ 33,34)
J

II
Estudada e m ___ /___ /____

- 'i
LIÇÃO 4 DEVOCIONAL DIÁRIO
Segunda - Rm 10.9-13
HOMILÉTICA A Salvação para quem confessa
Terça - Rm 10.14-17
Só confessa quem conhece a Palavra
ARTE DE PREGAR Quarta - 2Tm 3.14-17
Habilitado através da Palavra
E ENSINAR Quinta - 2Tm 4.1-5
Pregar em todo tempo
Sexta - IPe 3.13-17
Praticar o bem através da Palavra
T e xto Á u r e o Sábado-A t 18.24-28
“E, assim , a f é vem p ela Apoio, exemplo de pregador
p reg a çã o , e a p reg a çã o , p ela
p alav ra de Cristo.” Rm 10.17
LEITURA BÍBLICA
Romanos 10.14-17
14 Como, porém, invocarão aquele
em quem não creram? E como cre­
rão naquele de quem nada ouviram?
E como ouvirão, se não há quem
pregue?
15 E como pregarão, se não forem
enviados? Como está escrito: Quão
formosos são os pés dos que anun­
ciam coisas boas!
16 Mas nem todos obedeceram ao
Evangelho; pois Isaías diz: Senhor,
quem acreditou na nossa pregação?
17 E, assim, a fé vem pela pregação,
e a pregação, pela palavra de Cristo.

Hinos da Harpa: 259 - 355 - 505


\_________________________ J
23
Lição 4 - Hom ilética, a A rte de Pregar e En sin ar

í - > INTRODUÇÃO
HOMILÉTICA, A ARTE DE
PREGAR E ENSINAR Embora reconheçamos que
haja um chamamento especial de
INTRODUÇÃO Deus para determinadas pessoas
se tornarem pregadores, também
I. O QUE É HOMILÉTICA sabemos que esta tarefa não é
uma exclusividade de pastores e
1. Definição
mestres. Todo filho de Deus rece­
2. Alvo beu o sagrado privilégio de minis­
trar a Palavra de Salvação aos pe­
3. Pregação
cadores. E a Homilética, em ambos
os casos, pode ser uma ferramente
II. HOMILÉTICA É IMPORTANTE extremamente útil para ajudar a
todos nesse mister.
1. Exemplo e Palavra Rm 10.17

2. O poder da Palavra is 55.11 I. O QUE É HOMILÉTICA


3* Proclame o Evangelho Êx4.i2
Não se assuste com a palavra
Homilética.
III. HOMILÉTICA PARA TODOS

1. Exemplos atuais 1. Definição. Homilética é a


ciência da preparação e exposição
2. Exemplos Bíblicos êx4.10 de sermões. É a disciplina teológi­
ca que estuda a técnica de estru­
3. Jesus, o exemplo Mt4.16-18
turar e entregar a mensagem do
evangelho, via pregação, sermão.
APLICAÇÃO PESSOAL
De forma simplificada é a arte de
L________________________ J pregar homilética é técnica de co­
municar o evangelho através da
pregação.

2. Alvo. Qual o alvo de tanto es­


forço na preparação, estruturação,
meditação e, finalmente, pregação
do sermão? 0 alvo da homilética é
auxiliar na elaboração e pregação
de mensagens da Palavra de Deus,
com tal eficiência que os ouvintes
compreendam a mensagem e to­
mem a decisão praticá-la.

24
Lição 4 Hom iiética, a A rte de Pregar e Ensinar
-

0 primeiro alvo de toda men­


sagem bíblica é a salvação de pe­
cadores perdidos (Rm 1.16). "Em
toda pregação, Deus procura pri­ Um sermão é uma ponte
mariamente, mediante Seu men­ que ajuda a levar as
sageiro, trazer o homem para a pessoas de onde estão
comunhão Consigo”. para onde precisam
0 Segundo alvo da pregação estar. Um plano bom e
evangélica é que o cristão envol­ matéria em suficiência
va-se no serviço de Deus. Nas di­ ajudarão você a edificar
versas possibilidades ministeriais, aquela ponte *
sociais e diaconais (At 20.28; IPe
5.2; 4.10; Rm 12.4-8).
jamais deixar de anunciar "todo com portam ento para pregar a
o desígnio de Deus” (At 20.27). Palavra de Deus. Francisco de
Assis disse: "Pregue sem pre o
3. P regação. Em qualquer Evangelho, Se n ecessário, use
circunstância mas principalmen- palavras". Essa se transform ou
te no culto comunitário, com pu­ na desculpa universal de muitas
blico maior, a pregação é o ápice igrejas para fugir da resp onsa­
da Revelação Especial. Não só bilidade de pregar a Palavra de
por ser a exposição da Bíblia, Deus oraim ente. Fato é que "a
mas pelo momento em que se fé vem pela pregação, e a prega­
consegue que a congregação fi­ ção, pela palavra de Cristo.” (Rm
que atenta para ouvir a Palavra 1 0 .1 7 ).
de Deus através do pregador. Não há como o homem ser
Não há outro momento na vida apto para a boa obra se não lhe
eclesiástica no qual se consiga for transm itido o conteúdo das
tamanha atenção para a m ensa­ Escrituras. Nossas ações nunca
gem da Bíblia. serão suficientes para revelar a
A Homiiética prepara o mensa­ Salvação em Cristo Jesus. Já a Pa­
geiro para este momento especial. lavra de Deus, a Bíblia, tem esse
poder. O viver cristão é prática
II. HOMILÉTICA É indispensável para a boa prega­
IMPORTANTE ção. Nosso Senhor Jesus Cristo,
ao convocar homens simples e
1. Exem plo e P alavra. Nin­ humildes para serem Seus dis­
guém se engane: o exemplo não cípulos, e instruí-los através de
substitui a Palavra. Muitos en­ ensinam entos práticos a como
tendem que basta ser uma pes­ procederem como pregadores do
soa boa, honesta, com um bom Evangelho, deu-nos um exemplo

25
Lição 4 Hom iiéticü, a A rte de Pregar e En sin ar
-

da importância de se aliar a ex­


posição da Palavra as práticas de A Bíblia é a fonte
uma vida cristã genuína. prim ária de m aterial
para a pregação e
2. O p oder da Palavra. Ora, para o ensino."
insistiremos na ideia da prega­
ção e ensino da Palavra de Deus,
pois há poder na Escritura pro­ para a formação de Cristo em
clamada. No final das contas, a uma pessoa a um parto. Realmen­
exposição bíblica cumpre todos te, o ensino da Palavra de Deus
os seus objetivos espirituais, nao através da pregação, da aula e do
por causa das habilidades do pre­ discipulado é trabalhoso, mas o
gador, mas por causa do poder da resultado, assim como o do parto,
Escritura proclamada. é maravilhoso (SI 126.6).
A Palavra proclamada primei­
ro persuade, pois ela é como fogo III- HOMILÉTICA PARA
purificador e martelo que esmiuça TODOS
a penha (jr 23.28-29); não volta
vazia, cumprindo todos os propó­ Mas, não se engane. A Homi-
sitos divinos [Is 55.10-11); anula lética nao é apenas para os pasto­
as segundas intenções humanas, res e mestres, como já dito ante­
pois quer por pretexto, quer por riormente. Todo momento é uma
verdade, a Palavra segue adiante oportunidade para a pregação da
(Fp 1.18). Palavra de Deus (2Tm 4.2).

3. Proclam e o Evangelho. De­ 1. Exemplos atuais. A histó­


pois de já ter estudado o Antigo ria da pregação está repleta de
e o Novo Testamento em outras pessoas que enfrentaram grandes
lições, os princípios de interpre­ problemas e limitações, mas, na
tação da hermenêutica, e as dou­ força do Senhor, venceram. Um
trinas básicas da fé cristã, agora jovem americano chamado D. L.
chegou a vez de estudarmos como Moody quase não foi aceito para
apresentar todo este conteúdo ser batizado, por não saber res­
para outras pessoas (Êx 4.12). ponder a algumas perguntas so­
O conhecimento que se adquire bre doutrina e fé. Mas cresceu es­
através da observação e da inter­ piritualmente e acabou abalando
pretação é morto se não for aplica­ dois continentes com sua prega­
do na vida cristã pessoal e comu­ ção, e tornou-se um dos mais co­
nitária, O Evangelho não é para se nhecidos pregadores da história.
reter, mas para se proclamar. Billy Graham, com um sermão
Paulo, em Gálatas 4.19, com- simples, conquistou milhares

26
Lição 4 Hom ilética, a A rte de Pregar e Ensinar
-

de almas, que no apelo finai en­ tigo por onde quer que andares"
tregavam suas vidas a Jesus. Foi Os 1.9).
considerado o maior ganhador c) Apoio foi um jovem que in­
de almas do século. Mas você dirá fluenciou sua geração através de
que está distante do conhecimen­ palavras poderosas, pregando
to bíblico desses homens, fugindo em primeiro lugar o batismo de
assim da responsabilidade bíblica João, mas depois pregando a Je­
de proclamar as boas novas. sus Cristo. Em Atos 18.24 (e ver­
&
E só acessar a Internet e obser­ sos seguintes) observamos este
var vários exemplos de crianças pregador, não tão conhecido ou
que pregam a Palavra de Deus. famoso, mas que gerou seguido­
Não existem grandes pregadores, res dentro da própria Igreja de
e sim, grandes mensagens, trans­ Corinto (ICo 1.10-17).
mitidas através de vasos de barro. d) A escrava de Naamã. A ida­
de não impede a autoridade das
2. Exem plos Bíblicos. Veja­ Escrituras. Essa garota, escrava
mos os seguintes exem plos b í­ de Naamã, teve a coragem de se
blicos. manifestar diante da esposa do
a) Moisés dizendo para Deus General, apontando-lhe o cami­
que não poderia cumprir Seu nho para o profeta (2Rs 5.1-4).
chamado por não ser homem f) Pedro . Lembre-se que o
eloquente, não saber falar bem próprio Apóstolo Pedro não era
e ser pesado de boca e de língua versado em letras, pelo contrário,
(Êx 4.10). era um pescador, profissão que
b) Jerem ias argumentando na época estava distante do aca-
com Deus que não saberia o que demicismo. Mas, em seu primeiro
falar, pois era apenas uma criança sermão, em Atos, cerca de 3 mil
(}r 1.4-6). foram batizados (At 2.41).
c) Gideão comentando que não 3. Jesus, o exemplo. Jesus é o
poderia ser o libertador de Israel por maior exemplo de pregador. Não
ser de uma tribo pequena (Jz 6.15). perdia uma oportunidade para ex­
d) Saul, quando foi escolhido plicar e aplicar princípios bíblicos
por Deus, por intermédio do pro- em Sua vida, e na vida das pessoas
feta Samuel, se esconde em ra­ à Sua volta (Mt 4.16-18).
zão de não se achar apto à tarefa Veremos nesta revista vários
(ISm 10.20-24). recursos usados por Jesus, como
e) Josué recebe um comando ilustração, aplicação, parábolas,
direto de Deus à coragem: "Não testemunhos, repreensão de de­
to mandei eu? Sê forte e corajoso; mônios, vida piedosa etc.
não temas, nem te espantes, por­ Mas, perceba que Ele pre­
que o SENHOR, teu Deus, é con­ gava para multidões, como no

27
Lição 4 - Hornilética, a A rte de Pregar e Ensinar

Serm ão do Monte; e para uma


I --------------------------A
pessoa só, como a mulher sama- APLICAÇÃO PESSOAL
ritana (jo 4 .1 -3 0 ).
Pregue você também a Pala­ Homilética ajuda todo cristão
vra em tempo e fora de tempo, a se preparar para falar a Palavra
quer seja oportuno, quer não. de Deus. Lembrando que a Pala­
Pessoas estão morrendo sem co­ vra de Deus não volta vazia (Is
nhecer a Cristo devido ao nosso 55.11). Ele quer nos ajudar a pre-
silêncio, Não guarde o am or de gá-la (Js 1.9).
Cristo só para você, com partilhe
com outros.
v___________ J
RESPONDA
1) Quem pode pregar a Palavra e com que autoridade o faz?

2) Posso proclamar a Jesus apenas com minhas ações? Como devo fazê-lo?

3) É melhor se preparar para pregar e ensinar ou fazer de improviso?

. 2 ... - «M Livro para leitura complementar


W «OMILETÍCA i
h o m i l é t ic a
. (Jt/iM tra n c/ó a L d rr/a o m cfc Q ie u&
R e c o m e n d a m o s a professores e alunos a leitura deste
livro, no q ual os tem a s d esta revista são a b o rd a d o s
c o m mais am p litu d e e p ro fu n d id a d e .

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28
LIÇAO 5
REFORMA PROTESTANTE
ENSINO E LEGADO

Afora o suplemento do professor, todo o conteúdo de cada lição


ê igual para alunos e mestres, inclusive o número da página.
mmmmm

ORIENTAÇÃO OBJETIVOS
PEDAGÓGICA
•Compreender os ensinos dos
reformadores.
Amado Professor, a Reforma •Entender a essência bíblica
Protestante completa 500 anos e da Reforma.
•Considerar o legado da Re­
está tão viva hoje como à sua épo­ forma para a Igreja hoje.
ca. Por meio dela a igreja redesco-
briu o Evangelho. E cada um de nós
se redescobre quando recebe esse
PARA COM EÇARA AU LA
Evangelho. A transformação que
ela causou no mundo à época nos Prepare cartazes com frases
inspira até hoje quando lemos as que celebrem os 500 anos da
Reforma Protestante e que ma­
95 Teses. E seria interessante que
nifestem a nova forma de viver
seus alunos percebessem isso! dos cristãos. Deixe expostos na
Você falará mais detidamente sala de aula e reserve um mo­
sobre Lutero, as 95 Teses, a exten­ mento para conversarem sobre
a mudança de vida de seus alu­
são da Reforma, os princípios que a
nos, aplicando o conhecim ento
nortearam e seu amplo legado. adquirido na aula.
Estimule seus alunos e faça Fale sobre o hino 581, caste­
lo forte, Lutero é o autor e retra­
uma ótima aula.
ta bem a reforma. Ele recebeu
inspiração enquanto lia o salmo
46. Este hino é um clássico da
música sacra.

RESPOSTAS DA PAGINA 34
PALAVRAS-CHAVE 1) A venda de indulgências.
Reforma •Teses •Legado 2) Romanos 1.17.
3) A igreja pertence aos seus membros, não a uma
classe de sacerdotes, O sacerdócio é de todos.
L a
Lição 5 - Reform a Protestante: Ensino e Legado

LEITURA COMPLEMENTAR

A Reforma marcou não apenas o mundo religioso, mas alcançou todas


as esferas da sociedade. Aquele foi um evento tão significativo, que tem
sido chamado de revolução protestante por especialistas no assunto. Isso
porque o movimento excedeu à esfera eclesiástica, alterando a cosmo-
visão europeia e promovendo mudanças notáveis na política, economia,
sociedade e cultura dos povos.
Como movimento cristão, ela cumpriu um importantíssimo papel
junto à sociedade, pois promoveu a justiça social, o desenvolvimento e
a verdade, trazendo, assim, vida às palavras do profeta Miqueias: "Ele te
declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão
que pratiques a justiça, e ames a beneficência, e andes humíldemente com
o teu Deus "(Mq 6.8)?
Depois da Reforma, o mundo jamais foi o mesmo. A partir desse even­
to, a humanidade passou por um processo evolutivo radical em todas as
áreas(...),
A Reforma devolveu a Bíblia ao povo europeu e, consequentemente,
ao mundo. As pessoas passaram a ter acesso à Palavra, sem qualquer in­
termediação; e isso trouxe para a Igreja — além da correção doutrinária
— renovo espiritual, valorização do ser humano e um genuíno interesse
pela busca da presença de Deus. Por outro lado, o movimento reformador
também devolveu a igreja ao povo. Como dito anteriormente (p. 134), no
romanismo, os principais sacerdotes — como papas, cardeais, arcebispos
e bispos — mandavam na Igreja. Muitos deles, aliás, eram ricos e pode­
rosos senhores feudais, que manipulavam a instituição da forma como
queriam. Os reformadores, todavia, retomaram o padrão neotestamen-
tário, defendendo a presença de uma Igreja em que cada cristão tivesse
o direito de decidir sobre sua vida e seu destino; uma Igreja democrática
que englobasse a participação e valorização de todos os indivíduos.

Livro: “Reforma Protestante: História, ensino e legado1’ (Central Gospel, Rio de Janeiro,
2017, pgs. 145,147)

\______________________ J

II
Estudada em__ /__ /___

r x
LIÇÃO 5 m DEVOCIONAL DIÁRIO
■f
r;-v

Segunda - Rm 1.17
REFORMA Somente pela Fé
Terça -Ef 2.8
PROTESTANTE: Somente pela Graça
Quarta - 2Tm 3.16-17
ENSINO E LEGAEX) Somente as Escrituras
Quinta - At 4.12
* -V

Somente Cristo
Sexta-SI 115.1
TEXTO ÁUREO Glória somente a Deus
"Vós, porém, sois roça eleita , Sábado - IPe 2.9
sacerdócio real nação santa , povo Todos podem anunciar o Evangelho
tfó propriedade exclusiva de Deus,
a fim de proclamardes as virtudes
daquele que vos chamou das trevas
L E IT U R A B ÍB L IC A
para a sua maravilhosa luz"IP e 2,9
IPe 2.7-10
7 Para vós outros, portanto, os que cre­
des, é a preciosidade; mas, para os des­
crentes, A pedra que os construtores
rejeitaram, essa veio a ser a principal
pedra, angular
8 e: Pedra de tropeço e rocha de ofen­
sa. São estes os que tropeçam na pala­
vra, sendo desobedientes, para o que
também foram postos.
9 Vós, porém, sois raça eleita, sacer­
dócio real, nação santa, povo de pro­
priedade exclusiva de Deus, a fim de
proclamardes as virtudes daquele que
vos chamou das trevas para a sua ma­
ravilhosa luz;
10 vós, sim, que, antes, não éreis povo,-
mas, agora, sois povo de Deus, que não
tínheis alcançado misericórdia, mas,
agora, alcançastes misericórdia.

Hinos da Harpa: 581 - 340 -167


^________ __ ________ J

29
Lição 5 ■ Reform a Protestante: e Legado

f A INTRODUÇÃO
REFORMA PROTESTANTE:
ENSINO E LEGADO O dia 31 de Outubro de 1517 é
uma data importante para os cris­
INTRODUÇÃO tãos de todo o mundo porque, há
exatos 500 anos, iniciou-se a Re­
L A REFORMA forma Protestante, que deixou um
enorme legado.
1. As 95 Teses
2. Movido por Deus I. A REFORMA
3. Expansão da Reforma
Nesse dia, o monge agostinia-
no Martinho Lutero afixou 95 Te­
II. SEU ENSINO
ses na porta da Catedral de Wit-
1. Somente a Fé Rm 1.17 temberg, na qual conclamava os
eruditos e o povo a repensarem,
2. Somente a Graça E/2.8
a partir de então, o modo como se
3. Somente as Escrituras 2Tm 3.16,17 vivia a vida cristã.
4. Somente Cristo At4.12
1. As 95 Teses. Das teses afixa­
5. Glória somente a Deus Mt 4.10 das por Lutero, destacamos os prin­
cipais assuntos abordados, a seguir;
III. SEU LEGADO a) Lutero defendia que Jesus Cris­
to queria que "toda a vida dos fiéis
1* Sacerdócio de todos iPe2.9
fosse uma vida de arrependimen­
2. O culto é de todos Jo 15.27 to"; e também que "o papa nao pode
perdoar uma única culpa de pecado,
3. Todos podem pregar Rm 1.16
senão declarar e confirmar que a cul­
pa já foi perdoada por Deus". Indicou
APLICAÇÃO PESSOAL
que "serão eternamente condena­
dos, juntamente com seus mestres,
aqueles que julgam obter certeza de
sua salvação mediante indulgências”
Para ele, "todo e qualquer cristão
verdadeiramente compungido tem
pleno perdão da pena e da culpa, o
qual lhe pertence mesmo sem a in­
dulgência".
b) Lutero indicou o dever de
se ensinar aos cristãos que "quem
dá aos pobres ou empresta aos ne­

30
Lição 5 - Reform a Protestante: Ensino e Legado

cessitados procede melhor do que o alemão e a colocou nas mãos do


quando compra indulgências". E povo comum, fato que resultou em
assim, devia-se ensinar aos cristãos inflamar o coração de seus irmãos
que "aquele que vê um necessitado, a buscarem sinceramente por
e a despeito disto gasta o dinheiro Deus e a se voltarem ao autêntico
com indulgência, não recebe as in­ Evangelho da graça de Cristo.
dulgências do papa, mas atrai sobre
si a indignação de Deus” 3. Expansão da Reforma. Por
c) Lutero afirmou que "são ini­ causa disso, Lutero sofreu a exco­
migos da cruz de Cristo todos que, munhão através de uma bula edi­
por causa das indulgências, man­ tada pelo Papa Leão X, em 1521, a
dam silenciar completamente a Pa­ qual Lutero queimou em praça pú­
lavra de Deus nas demais igrejas"; e blica, rompendo de vez o elo com a
que "o verdadeiro tesouro da Igreja Igreja Católica.
é o santíssimo Evangelho da glória Em pouco tempo, mesmo so­
e da graça de Deus". Declarou que frendo severa perseguição da
a afirmação dos sacerdotes de que Igreja oficial, a Reforma se espa­
"o símbolo com a cruz de indulgên­ lhou: na Suíça, através da coragem
cias e adornado com as armas do e intelectualidade de João Calvi-
papa tem tanto valor como a pró­ no e Zwinglio; na Escócia, através
pria cruz de Cristo, é blasfêmia". do vigor e ação piedosa de John
d) Por fim, sua tese 95 diz: "E Knox; e também para vários ou­
assim, esperem mais entrar no tros países, através da constância
Reino dos céus através de muitas de homens que levaram adiante a
tribulações do que mediante con­ "redescoberta" do Evangelho, che­
solações infundadas e este com ér­ gando até nossos dias,
cio vil com o que é sagrado".
II. SEU ENSINO
2. Movido por Deus. Em uma
época na qual o povo comum era A essência da Reforma foi ex­
privado da leitura das Escrituras e pressa nos cinco princípios que a
o papa liderava a cristandade com nortearam, conhecidos como "as
mãos de ferro, Lutero foi levanta­ cinco sotas", cuja palavra latina sola
do por Deus para dar início a uma significa "somente". As cinco solas
completa revolução espiritual na são: sola fide, sola gra tia , sola Scrip-
Alemanha e no mundo, em comba­ tura, solus Chhstus e soli Deogloria.
ter os muitos desvios doutrinários Somente a fé, somente a Graça, so­
praticados pela Igreja Católica Ro­ mente a Escritura, somente Cristo
mana, inclusive condenando com e somente a Deus a glória.
veemência a venda de indulgências, Esses princípios sintetizam a
Lutero traduziu a Bíblia para identidade do povo evangélico; e

31
Lição 5 - Refonna Protestante: Ensino e Legado

todos os que professam essa fé de­ Assim, ninguém pode ser salvo
vem conhecê-los, compreendê-los por mérito próprio, seja através de
e divulgá-los. obras, sacrifícios, penitências ou
compra de indulgências. A única
1. Somente a Fé (Sola Fide). causa eficaz da salvação é a graça de
Após meditar no texto: "0 jus­ Deus sobre o pecador, como está es­
to viverá da fé”, Martinho Lutero crito: 'Porque pela graça sois salvos,
percebeu que a justiça de Deus é mediante a fé; e isto não vem de vós;
a justiça que o homem pecador re­ é dom de Deus; não de obras, para
cebe do próprio Deus, como uma que ninguém se glorie” (Ef 2.8,9).
dádiva imerecida, mas somente
através da fé. 3. Somente
as Escrituras
Os reformadores então con­ (Sola Scriptura). Para os refor­
cluíram que nada (nem penitên­ madores, somente as Escrituras
cias, sacrifícios ou compra de são a regra de fé e prática para o
indulgências) poderá livrar o ho­ crente. Nem as tradições, as bulas
mem da condenação eterna no ou os escritos papais têm o sta-
inferno e das garras de Satanás, a tus de instrumento de fé e prática
não ser pela salvação através da fé para o rebanho de Cristo.
em Cristo (Ef 2.8). Essa foi a pri­ As Escrituras Sagradas são ins­
meira e grande redescoberta da piradas por Deus, sendo a Bíblia
Reforma e que abalou o mundo o único instrumento autorizado
cristão para sempre. A salvação de revelação da vontade de Deus
pela fé é um dom de Deus, por isso para nossa vida, como está escrito:
ninguém deve gioriar-se. "Toda a Escritura é inspirada por
Deus e útil para o ensino, para a
2. Somente a Graça (Sola Gra- repreensão, para a correção, para
tia). Os reformadores entendiam a educação na justiça, a fim de que
que nenhuma obra, por mais justa o homem de Deus seja perfeito e
e santa que pudesse parecer, po­ perfeitamente habilitado para toda
deria dar ao homem livre acesso boa obra” (2Tm 3.16-17). Ao lê-la
ao perdão dos pecados e à salva­ e meditar nos seus ensinos somos
ção eterna no reino dos céus, e que iluminados pelo Espírito Santo para
isto só poderia ocorrer mediante a entender e viver sua mensagem.
graça de Deus. Graça somente, por
meio da qual o homem é escolhido, 4. Somente Cristo (Solus Ch-
regenerado, justificado, santifica­ ristus). Mostra a suficiência e ex­
do, glorificado, recebe o dom da clusividade da pessoa de Cristo no
vida eterna e talentos para o servi­ processo de salvação. Desde an­
ço cristão, tornando-se participan­ tes da fundação do mundo, Deus
te de todas as bênçãos de Deus. promoveu a aliança da redenção,

32
Lição 5 Reform a Protestante: Ensino e Legado
-

onde o beneficiário seria o ho­ sericórdia e da glória de Deus) e


mem, e o executor, seu Filho Uni­ que devemos dar “glória somente
génito Jesus, o Messias (Ungido, a Deus" (Mt 4.10}.
Cristo} prometido.
Desse modo, nada poderá fazer III. SEU LEGADO
o homem para sua própria salva­
ção, pois Jesus Cristo realizou a Com a Reforma, uma grande
obra da redenção pelo sacrifício transformação influenciou todos
vicário na cruz do Calvário, ver­ os aspectos da vida humana: po­
tendo o seu sangue por nossos lítica, econômica, religiosa, moral,
pecados. Portanto, somente Jesus filosófica, literária e também nas
Cristo é o instrumento de nossa instituições. Nos deteremos no le­
salvação, como está escrito: “E não gado do sacerdócio de todos.
há salvação em nenhum outro:
porque abaixo do céu não existe 1. Sacerdócio de todos (IP e
nenhum outro nome, dentre os 2 .9 ). Uma das concepções e dou­
homens, pelo qual importa que se­ trinas mais importantes que a Re­
jamos salvos" (At 4.12}. forma legou ao cristianismo mun­
0 sentido do sola Christus des­ dial foi sua forma de conceber a
tituiu qualquer outro mediador en­ Igreja como uma comunidade per­
tre o homem e Deus e dá somente a tencente aos seus membros, aos
Jesus Cristo o poder de intercessão crentes, e não a uma classe sepa­
e salvação. rada de sacerdotes.
Lutero ensinava que a verda­
5. Glória somente a Deus (Soli deira igreja é espiritual e invisí­
Deo Gloria). A Igreja Católica ensi­ vel, sendo composta pelo corpo
nava e exigia uma devoção ao clero dos salvos em Cristo, de todas as
e aos homens santos, os quais po­ épocas. Logo, ela não tem lugar
deriam interferir diante de Deus pré-determinado, no tempo ou no
para perdão de pecados e obtenção espaço, também não está presa a
de bênçãos para os homens. Quan­ um país ou cidade, tampouco en­
do na presença do Papa e dos car­ contra-se subjugada a um homem
deais, a reverência beirava a adora­ (papa, cardeais ou bispos}. A Igre­
ção, com a demonstração de uma ja de Cristo, conforme defendeu
total submissão. Lutero, é eterna, atemporal e está
Fundamentados em muitos sujeita, apenas, ao Senhor Jesus.
textos nas Escrituras, os reforma­
dores concluíram que não pode­ 2. O culto é de todos Qo
mos dispensar glórias a homens 1 5 .2 7 ). A Reforma Protestante
(pois não passam de míseros pe­ devolveu a Igreja ao povo. O gran­
cadores e também carecem da mi­ de avivamento orquestrado pelo

33
Lição 5 Refonna Protestante: Ensino e Legado
-

Espírito de Deus trouxe, em defi­


C ~ - ^
nitivo, para a Igreja um tempo de APLICAÇAO PESSOAL
liberdade e um novo modelo de
culto, no idioma comum do povo, A Reforma Protestante, sem
com a Bíblia na mão do povo e hi­ sombra de dúvidas, foi um singu­
nos cantados pelo povo. lar despertamento espiritual que
trouxe a Igreja de volta aos pa­
3. Todos podem pregar (Rm drões da Palavra de Deus,
1 .1 6 ). Lutero devolveu a prega­ A reforma deve ser uma cons­
ção à Igreja, colocando-a em seu tante nos dias atuais, evitando que
devido lugar, Para ele, a pregação a Igreja assuma padrões contrários
deveria alcançar o homem dentro à vontade de Deus e sua Palavra.
do seu tempo e deveria ser apre­

IA
sentada de maneira simples, para
assimilação do grande público. Lu­
tero aconselhava os jovens a pre­
garem para o povo comum, sem
exibicionismos ou arrogância teo­
lógica. Assim, a mensagem estrita­
mente bíblica da Igreja Reformada
espalhou-se por todo o mundo.
Podemos afirmar que os pente-
costais se apropriaram vividamen-
te desse legado.

----------------------------------------------------------------------------------------------------- \

RESPONDA
1) Que prática da Igreja Romana foi combatida por Lutero por disseminar a Salvação por obras?

2) Que passagem das Escrituras inspiraram os reformadores a declamar o principio "So­


mente pela fé”?

3} Cite um dos principais legados da Reforma Protestante para a Igreja de hoje.

34
r ÿ « . '.V

LIÇÃO 6 II■”W
i

ORGANIZANDO AS IDEIAS

SUPLEMENTO EXCLUSIVO DO PROFESSOR


Afora o suplemento do professor todo o conteúdo de cada lição
é igual para alunos e mestres, inclusive o número da página.

ORIENTAÇÃO OB) ETIVOS


P E D A G Ó G IC A
•Com preender que um bom
Nesta lição, considerando que al­ sermão precisa ser organizado.
guns de seus alunos muito provavel­ •Identificar de modo claro as
mente são "craques” em separar a es­ várias partes de um sermão.
trutura de um sermão, identificando •Auxiliar na pregação e ensino
bem cada um deles, por tantas vezes das verdades do Evangelho.
assistirem às pregações, é possível
que você não tenha muita dificuldade
em repassar o assunto e ainda conte PARA C O M E Ç A R A AULA
com a ajuda deles para isso.
Assim como um bom pregador Peça aos alunos que lembrem
da Palavra, você terá que aplicar à de um serm ão que ouviram e
sua aula de hoje a mesma estru­ que parece não ter chegado a lu­
tura de tópicos que apresentará gar nenhum.
durante a aula: introdução, corpo Explique que a Homilética
ou desenvolvimento, e conclusão. sozinha não é garantia de mi­
Talvez isso o ajude bastante du­ nistério eficiente. Ela ajuda o
rante a ministração. pregador (torna mais fácil a
Mostre aos seus alunos que a or­ pregação do serm ão) e ajuda o
ganização é um passo muito impor­ auditório (um serm ão bem pre­
tante para todo aquele que almeja parado é mais assim ilável).
ser entendido. Um discurso bem Muitos serm ões falham por
preparado pode fazer com que ideias serem absolutam ente sem o r­
sejam reavaliadas ou até mesmo mu­ dem. As ideias são confusas e
dar radicalmente a vida daqueles a pregação perde totalm ente o
que o ouvem, mudando as intenções sentido.
que estavam em seus corações.

RESPOSTAS DA PÁGINA 40

PALAVRAS-CHAVE 1) Introdução, corpo ou desenvolvimento e conclusão.


Planejamento • Preparação * 2) Não ficar se desculpando.
Organização »Aplicação
3) Recapitulação, aplicação e apelo.

I
Lição 6 Organizando as Ideias
-

LEITURA COMPLEMENTAR

Não som ente o planejam ento é im portante para seu m inistério


global de pregação, como tam bém é im portante para o preparo e en ­
trega de cada mensagem que você prega. É impossível plantar, re­
gar e ceifar um serm ão bom em cima da hora. isto porque edificar
um serm ão é um processo que toca todos os aspectos da vida de um
'"pregador". Como tal, é um processo que se desenvolve durante a
vida inteira.
Um serm ão é uma ponte que ajuda a levar as pessoas de onde
estão para onde precisam estar. Um plano bom e m atéria em sufi­
ciência ajudarão você a edificar aquela ponte. Um plano ordeiro para
a pregação, que olha para a frente o capacitará a ajudar as pessoas a
crescerem e se desenvolverem espiritualm ente. Além disso, enquan­
to você pregar, os grandes tem as da Bíblia o desafiarão com cada
mensagem que você pregar, porque todos os serm ões podem e de­
vem ter a vitalidade e a novidade que vêm quando o Espírito San­
to nos leva cada vez mais profundam ente em nosso conhecim ento
de Deus. E o Espírito nos ajudará a aplicar a verdade da Palavra às
nossas vidas. Um plano ordeiro para a pregação, que sem pre avan­
ça, também ajudará você a pregar m ensagens que são interessantes,
fáceis de serem com preendidas, e fáceis de serem lem bradas. 0 seu
povo pode m editar em tais verdades muito tempo depois do eco da
sua voz ter sumido. (...)
Enquanto você se prepara para pregar a mensagem, lembre-se que a
verdade central é como o eixo de uma roda. As várias divisões do corpo do
sermão são os raios da roda. Assim como os raios partem do cubo e para
ele voltam, assim também a autoridade para a verdade de cada divisão
parte da verdade central. E a verdade de cada divisão apela para a verda­
de central como sua prova. Cada divisão do corpo do sermão deve ser um
desenvolvimento da passagem das Escrituras em que é baseada.

Livro: “Homilética: Ministrandoa Palavra de Deus” (ICi, São Paulo, 2007, pág. 139,145).

L________________________________ ___________J

n
Estudada e m ___ /___ /

DEVOCIONAL DIÁRIO
Segunda - 2Tm 2.15
ORGANIZANDO Quem prega precisa conhecer a Palavra
Terça - At 1.8
AS IDEIAS Quem prega precisa ter unção
Quarta - Rm 1.16
Quem prega deve fazê-lo com fé
Quinta - At 16.13
Quem prega precisa orar
Sexta - At 8.26
TEXTO ÁUREO Quem prega precisa obedecer
"Chegou a Éfeso um judeu, Sábado - At 8.38
natural de Alexandria, cham ado Quem prega verá os frutos
Apoio, hom em eloquente e
p od eroso nas Escrituras "
At 1 8 2 4
LEITURA BÍBLICA
Atos 18.24-26,28
24 Nesse meio tempo, chegou a Éfeso
um judeu, natural de Alexandria, cha­
mado Apoio, homem eloquente e po­
deroso nas Escrituras.
25 Era ele instruído no caminho do
Senhor; e, sendo fervoroso de espírito,
falava e ensinava com precisão a res­
peito de Jesus, conhecendo apenas o
batismo de João.
26 Ele, pois, começou a falar ousada­
mente na sinagoga. Ouvindo-o, porém,
Priscila e Áqüila, tomaram-no consigo
r
Hi ‘V-
ií5S e, com mais exatidão, lhe expuseram o
caminho de Deus.
28 porque, com grande poder, conven­
cia publicamente os judeus, provando,
. -J por meio das Escrituras, que o Cristo e
Jesus.

Hinos da Harpa: 5 6 - 6 5 - 127

35
Lição 6 - Oryanizando as Ideias

( "\ INTRODUÇÃO
ORGANIZANDO AS IDEIAS
Todo sermão, quer seja tem á­
tico, textual, ou expositivo (vere­
INTRODUÇÃO mos isso mais à frente), precisa
ser pregado de forma lógica e
L INTRODUÇÃO DA PREGAÇÃO organizada. Este é o segredo para
que os ouvintes entendam clara-
1 . Tema
mente a pregação. Portanto, é im­
2. Texto-base prescindível que o pregador tome
muito cuidado com a estrutura do
3. Introdução
seu sermão.
Sabemos que tudo precisa ter
II. DESENVOLVIMENTO início, meio e fim. Com o sermão
1. Tópicos e sub-tópicos não á diferente. Independente do
tipo de sermão, ele deve ser es­
2. Fundamento bíblico truturado com pelo menos três
3. Transições seções distintas: introdução, de­
senvolvimento e conclusão.
Não se deve m enosprezar a
III. CONCLUSÃO
im portância de nenhuma des­
1. Recapitulação tas três partes. É o que veremos
nesta lição.
2. Aplicação pessoal

3. Apelo I. INTRODUÇÃO DA
PREGAÇÃO
APLICAÇÃO PESSOAL
1. Tema. É o assunto a ser tra­
tado. Deve ser interessante, claro
e breve, para auxiliar a congrega­
ção a entender o que o pregador
quer dizer, evitando divagações.
Pode ser interrogativo ("De
onde virá a nossa salvação?), ou
ainda, afirmativo ("Jesus é o úni­
co que pode salvar!").
Acima de tudo, o tema precisa
ser relevante aos nossos dias.
Fontes para o tema do sermão:
a) As Escrituras - Aproveite o
seu devocional pessoal e selecio-

36
Lição 6 O iyanizando as Ideias
-

ne textos que possam servir de 3. Introdução da Mensagem.


base para temas. 0 ideal é que a introdução seja algo
b) Problemas humanos con­ que prenda logo a atenção dos ou­
cretos (medo, desemprego, de­ vintes, despertando o interesse
pressão, entre outros). para o restante da mensagem.
c) Datas especiais, da denomi­ Pode começar com uma ilus­
nação, do país (Dia das Mães, Pás­ tração, um relato interessante,
coa, Natal etc.). sempre ligado ao tema do ser­
mão.
2. Texto-base. Texto é a pas­ Um outro recurso muito bom
sagem bíblica que serve de base é com eçar com uma pergunta
F
para o sermão. E uma parte es­ para o auditório, cuja resposta
pecífica das Escrituras que de­ será dada pelo pregador duran­
sejam os transm itir aos nossos te a mensagem. Se for uma per­
ouvintes. gunta interessante, a atenção do
0 texto bem escolhido é aque­ povo está garantida até o final do
le que apresenta a ideia central sermão.
do sermão em uma sentença cla­ Não é aconselhável ultrapas­
ra e definida. sar os cinco minutos.
F

E o uso do texto bíblico que Assim como a decolagem é es­


dá autoridade ao pregador, dei­ sencial para um voo bem sucedi­
xando claro que aquilo que se do, da mesma forma toda a aten­
diz vem das Escrituras Sagra­ ção precisa ser dada à introdução
das. Leve em consideração estas de um sermão:
orientações: a) Características da boa in­
trodução:
a) Escolha textos claros e que • Desperta a atenção.
você conheça bem. Cuidado com • Está ligada ao tema.
textos obscuros ou controverti­ • É clara e simples.
F

dos. Lembre-se, acima de tudo, a • E breve e direta.


sua função é facilitar.
b) Delimite o texto de tal for­ b) Cuidados a tomar na intro­
ma que contenha uma unidade dução:
completa de pensamento. • Não ficar se desculpando.
c) Lembre-se que todo texto • Não prometer uma grande
tem um contexto. Analisá-lo an­ mensagem.
tes é imprescindível. • Não tentar impressionar
d) Estude o texto, se possível, com palavras difíceis,
em várias traduções. É aconse­ • Não sobrecarregar a intro­
lhável, na hora da m inistraçâo dução com muitas informa­
utilizar, apenas uma. ções.

37
Lição 6 - Organizando as Ideias

II. DESENVOLVIMENTO c) Demonstram zelo e organi­


zação por parte do pregador.
.>
E a mensagem a ser transmiti­ A experiência mostra que
da. Aqui será interpretado o texto serm ões organizados e criterio-
e abordado o tema da mensagem. sam ente divididos em tópicos e
0 desenvolvimento do sermão sub-tópicos são mais facilmente
exige uma atenção especial, pois lembrados. Todos nós conhece­
a introdução foi um preparo para mos aquela situação em que as
este momento, e o que virá após pessoas que se dizem abençoa­
fechará o assunto. das pelo sermão, quando per­
guntadas pelo teor da mensagem
1. Tópicos e sub-tópicos. São já não se lembram, ou se recor­
as divisões, ou seções, do desen­ dam apenas vagamente. Pode até
volvimento de um sermão bem ser falha de memória, no entan­
ordenado. Quer sejam enuncia­ to, na maioria dos casos, foi falta
das durante a ministração, quer de didática do pregador.
não, um sermão corretamente
planejado será dividido em par­ 2. Fundamento bíblico. Isso
tes distintas que contribuirão significa "provar" seus argumen­
para sua unidade. tos com versículos pertinentes
Os tópicos e sub-tópicos de­ ao assunto, porém sem exagero.
vem ser claros e simples. Procu­ Um bom sermão não é necessa­
re seguir um padrão uniforme. riamente aquele que usa muitos
Exemplo: Se a primeira divisão foi textos bíblicos. Lembre-se, nova­
apresentada em forma de pergun­ mente, que o objetivo é sempre
ta, recomenda-se que os demais esclarecer
pontos sigam o mesmo padrão. jesus Cristo usou a Palavra de
Não exagere na quantidade de Deus (a Bíblia de que dispunha,
tópicos e sub-tópicos. Essas divi­ o Antigo Testamento) para com­
sões devem ser elaboradas har- bater a Satanás. Também a usa­
monicamente. Em alguns casos, va quando pregava. A Palavra de
o próprio texto bíblico já tem sua Deus é a primeira fonte do pre­
própria divisão, que usaremos gador. Um pregador sem conhe­
para formar os tópicos. cimento da Bíblia não chegará a
Empregue o menor número lugar algum.
possível de divisões principais.
Vantagens das divisões: 3. T ransições. As transições
a) Ajudam a esclarecer os pon­ são responsáveis por conectar
tos do sermão. todos os tópicos de um sermão,
b) Ajudam a recordar os prin­ fazendo com que o tema flua na­
cipais aspectos do sermão. turalmente. Na transição de um

38
Lição 6 - O iyanizando as Ideias

tópico para outro utilize pergun­ térias ou ideias novas apenas re­
tas sobre o que foi falado, para sumidamente mostrar por aonde
o ouvinte refletir sobre o tópico se andou.
em sua vida pessoal e, em se­
guida à pergunta, faça uma 'afir­ 2. Aplicação pessoal. Uma
mação do tópico', por exemplo: boa conclusão, além de clara, tam­
'Você tem fé?'; 'Creia, pois tudo é bém deve ser direta e pessoal, ou
possível ao que crê!'. Certamente seja, pessoaliza-se o sermão aqui.
você ouvirá muitos 'améns' após Cada ouvinte deve saber que está
esta parte e estará pronto para o se falando especialmente para ele,
próximo tópico. É o momento de persuadir amoro­
Não demore muito em um tó­ samente os ouvintes a praticarem
pico pois seu tempo ficará com­ o que se ouviu. Deve ser dirigida
prometido nos tópicos seguintes. a todos, com muito entusiasmo
A duração de um serm ão deve apelando à consciência e aos sen­
ser de trinta a quarenta e cinco timentos de cada um.
minutos. Já um estudo bíblico,
pode durar uma hora, aproxima­ 3. Apelo. Após a "amarração"
damente. É claro que o Espírito final, chega-se ao apelo. 0 assun­
Santo pode quebrar esses limi­ to está encerrado e pode-se fazer
tes, mas precisam os ter certeza o apelo. Todo pregador que deseja
de que é Ele mesmo quem está alcançar êxito em ganhar almas
fazendo isso. não o alcançará a menos que cada
vez que pregue, ao finalizar o as­
IIL CONCLUSÃO sunto, faça um fervoroso apelo.
Exemplos bíblicos:
É um resumo do sermão, uma a) "Escolhei, hoje, a quem sir­
recapitulação e reafirmação dos vais" (Js 24,15).
argumentos apresentados. É uma b) "Quem é do SENHOR venha
espécie de sobremesa após o pra­ até mim" (Êx 32.26).
to principal, Uma boa conclusão c) "Vinde a mim" (Mt 11.28).
normalmente contém os seguin­ d) "Eis que estou à porta e
tes elementos: Recapitulação, bato" (Ap 3.20).
Aplicação e Apelo.1 É muito importante que o
apelo leve a uma manifestação
1. Recapitulação. É a reafirma­ pública, seja ela: levantar a mão;
ção dos argumentos apresentados. ficar em pé; vir à frente; ajoe-
Aqui devemos ser extremamente lhar-se para oração; preencher
cuidadosos, pois é o momento de um cartão.
dizer onde chegamos. Apele com confiança, e não
Não se deve acrescentar ma­ desista logo. Muitos demorarão a

39
Lição 6 Organizando as Ideias
-

C EXEMPLO DE ESBOÇO
tomar uma decisão, por isso você
deve dar-lhes tempo.
Acima de tudo, e principal­
( ----------------------------------------------------------------------------------> mente, lembre-se de que é o Es­
FAMÍLIA, ALIANÇA DE pírito Santo quem convence o
AMOR E VIDA (Ef 5.25-6.2) homem do pecado, da justiça e do
INTRODUÇÃO juízo (Jo 16.8).

L A FAMÍLIA NA BÍBLIA
r : -------------------------- \
1. Origem da família Gn 1.26-28
APL1CAÇAO PESSOAL
2. Queda da família Gn 3.6
3. Propósito imutável Gn 1.28 Cada crente é"filho(a) de Deus",
É. RESTAURAÇÃO DA FAMÍLIA literal mente; sua vida é como uma
1, Corrupção da família Tg 1.15 "carta" de Cristo, conhecida e "lida"
2, Compromisso de Deus At 16.31 por todos. Que a mensagem de
3, Salvação da família Gn 7.1 nossa vida seja abençoada e aben-
çoadora, de tal modo que muitos
III. OS MEMBROS DA FAMÍLIA encontrem o Caminho através do
1. Esposo Ef 5.25
2. Esposa Ef 5.22
3. Pais Ef 6.4
4. Filhos Ef 6.1,2

CONCLUSÃO
j

( A
RESPONDA
1) Quais as três seções distintas de um sermão?

2) Cite um dos cuidados que se deve tomar na introdução de um sermão.

3) Quais elementos devem ser considerados na conclusão da mensagem?


V.

40
LIÇAO 7

TIPOS DE SERMÃO

SUPLEMENTO EXCLUSIVO DO PROFESSOR


Afora o suplemento do professor, todo o conteúdo de cada lição
é igual para alunos e mestres, inclusive o número da página.

ORIENTAÇÃO OBJ ET1VOS


PEDAGÓGICA
•Conhecer as três categorias
Avalie aonde está o enten­ do sermão apresentadas; temático,
dimento de seus alunos sobre a textual e expositivo.
Homilética, se ainda possuem dú­ • Elaborar um esboço de ser­
vidas ou se estão em franco pro­ mão temático
gresso. Isso é importante para que • Preparar e pregar sermões
compreendam a forma de traba­ com eficácia.
lhar com cada tipo de Sermão.
Incentive-os a criar seus pró­ PARA COMEÇAR A AULA
prios sermões, mesmo que não
tenham pretensões maiores, pois Em uma folha de cartolina es­
isso os ajudará a expor a Palavra creva a palavra SALVAÇÃO. Peça
com mais confiança, aos alunos que acrescentem outras
Você mesmo deve se preparar palavras abaixo. Depois peça que
para esta aula. Pesquise temas e as correlacionem à palavra princi­
textos bíblicos para trabalhar seus pal e busquem um versículo bíblico
próprios sermões. A prática o aju­ que tenha a mesma relação.
dará a ministrar a aula com mais Em outra cartolina, escreva um
confiança e habilidade. versículo bíblico e peça para que
Observe que para um bom en­ escrevam palavras de sua experiên­
tendimento da mensagem é preciso cia diária que se apliquem a ele. Por
que o ouvinte saiba como aplicá-la último, solicite que reflitam de que
em sua vida diária, daí a importân­ forma as palavras e versículos se
cia de buscar, a cada momento da aplicam ao seu cotidiano.Após ouvir
elaboração do Sermão, a presença dois alunos, aproveite para começar
do Espírito Santo, pois é Ele quem a expor a lição. Boa aula.
ministrará a verdade aos corações.

RESPOSTAS DA PÁGINA 34

PALAVRAS-CHAVE 1) Determinar o alvo, coletar e organizar a matéria.


Sermão * Tema * Divisões 2) Temático, textual e expositivo.

3) Aplicação e apelo.

[
Lição 7 -Tipos de Serm ão

LEITURA COMPLEMENTAR
•%
A medida que você aprende a preparar e pregar sermões, lembre-se
que o poder da salvação não está na pessoa que prega nem no método que
emprega. O Evangelho de Jesus Cristo é o poder da salvação. 0 Apóstolo
Paulo colocou esta verdade em perspectiva para nós: "Porque não me en­
vergonho do Evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de
todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego" (Rm 1.16).
Nunca precisa envergonhar-se do Evangelho! É a mensagem de Deus,
apoiada pelo Seu poder e com resultados garantidos. Pregue com con­
fiança, e veja o que Deus pode fazer! (...)
0 planejamento é necessário para a boa pregação. Uma ou duas vezes
por ano você deve olhar para trás, para onde você já esteve, e olhar para
frente, para onde você vai na sua pregação. Evite pregar textos, assun­
tos, e mensagens idênticos ou semelhantes. Como Paulo, pregue todo o
propósito de Deus (At 20.26-27). Estude cuidadosamente seus padrões e
pregação para ver se você não está negligenciando as grandes verdades e
os grandes textos das Escrituras.

Livro: “Homilética: Ministrando a Palavra de Deus”- (1CI, São Paulo, 2007, págs.
139,140).

_________________________ J

II
Estudada e m ___ /___ /

DEVOCIONAL DIÁRIO
Segunda - Mt 16.18
A Igreja está firmada na Rocha
T e rç a -2 P e 1.20,21
A vontade de Deus registrada
Quarta - Êx 4.12
Promessa de inspiração
Quinta - ICo 2.13
0 Espírito Santo ensina
Sexta - Mt 10.19
Palavras certas na hora certa
TEXTO ÁUREO
Sábado - IPe 1.11
"Porque não nos pregam os a nós
Testemunhos sobre a salvação
mesmos, m as a Cristo Jesus com o
Senhor e a nós m esm os com o
vossos servos , por am or de Jesus ” LEITURA BÍBLICA
2Co 4.5
2 Coríntios 4.3-5
<■ií
3 Mas, se o nosso evangelho ain­
da está encoberto, é para os que
Verdade Pratica
0 serm ão deve ter b ase bíblica se perdem que está encoberto,
e o fo c o em g lo rific a r a 4 nos quais o deus deste século
Jesus Cristo. cegou o entendimento dos incré­
dulos, para que lhes não resplan­
deça a luz do evangelho da glória
de Cristo, o qual é a imagem de
Deus.
5 Porque não nos pregamos a nós
mesmos, mas a Cristo Jesus como
Senhor e a nós mesmos como vos­
sos servos, por amor de Jesus.

Hinos da Harpa: 166-171 - 291

41
Lição 7 *Tipos de Serm ão

INTRODUÇÃO
TIPOS DE SERMÃO
Há muitos tipos de sermão
e vários meios de classificá-los.
INTRODUÇÃO Estudaremos,* nesta lição, os mé-
todos mais utilizados. De acor­
I. SERMÃO TEMÃTICO do com a Homilética, um sermão
é geralmente classificado como
JL Conceito temático, textual ou expositivo.
2. Como Preparar Lembrando que a fonte inspirado-
ra, para a construção de um ser­
3. Exemplo Mt6.9 mão, sempre deve ser as Sagradas
Escrituras.
II. SERMÃO TEXTUAL
I. SERMÃO TEMÁTICO
1. Conceito
1 .Conceito. O sermão tem áti­
2. Como Preparar
co é aquele cujo desenvolvimen­
3. Exemplo jo 102728 to é baseado em um tema central.
Suas principais ideias e divisões
giram em torno do mesmo, inde­
III. SERMÃO EXPOSITIVO
pendente do texto bíblico utili­
1. Conceito zado. Ele é fácil de ser preparado
e não requer muita exegese ou
2. Como Preparar interpretação do texto sagrado,
além do fato de o ouvinte ter
3. Exemplo Sli.i-6
mais facilidade de gravar e assi­
milar a mensagem ouvida.
APLICAÇÃO PESSOAL Um dos grandes serm ões
tem áticos foi o de Jonathan Ed-
w ards, sob o título: Pecadores
nas mãos de um Deus irado,
pregado em 8 de Julho de 17 4 1 .
Você talvez nunca tenha lido ou
ouvido este serm ão, mas é bem
provável que já tenha ouvido
falar de seu tema. Após esco ­
lher o tema de sua mensagem, o
pregador deve bu scar textos b í­
blicos que o apoiem no assunto
escolhido.

42
Lição 7 Tipos de Serm ão

2. Como Prep arar, A fim de princípio, derivando da ideia cen­


compreendermos com maior tral. Entretanto, é necessário que
clareza o conceito de um sermão os subtópicos estejam subordina­
temático, veremos como se pre­ das ao tema principal.
para um.
a) Escolha do tema. O primeiro 3. Exemplo.
ponto deve ser a escolha de um ---------------------------------------------
tema, que pode ou não requerer CONHECENDO OS
um versículo bíblico como base. FILHOS DE DEUS (Mt 6.9)
Isso nao quer dizer que a men­
Introdução: Vamos descobrir, na Bíblia,
sagem não seja bíblica. Embora
quem são os Verdadeiros filhos de Deus.
o sermão temático não se baseie
diretamente em um versículo, o í. OS QUE O RECEBERAM Jo 1.12
ponto de partida do quai sua ideia
II. OS QUE SÃO GUIADOS PELO
central se desenvolve geralmente
SEU ESPÍRITO R m 8 .1 4
é um versículo bíblico.
b) Em busca de versículos. III. OS QUE SÃO DISCIPLINADOS
Após a escolha do tema, ire­ PELO SENHOR H b 12.5-11
mos em busca de versículos que
Conclusão: Você já é filho de Deus? Você
apoiem a ideia central do tema
quer ter o direito de ser filho de Deus?
escolhido. Neste ponto, a ajuda
de uma Concordância Bíblica é de
_______________________________________________________ J
grande utilidade.
II. SERMÃO TEXTUAL
c) Os tópicos principais. Os tó­
picos são as divisões que o prega­
1. Conceito. O sermão textual
dor usará para expor o tema cen­
é aquele baseado em um peque­
tral do sermão. Elas devem ser
no texto ou versículo bíblico. Os
organizadas numa ordem lógica,
tópicos principais sao derivados
ou cronológica, que demonstre o
do mesmo, podendo cada frase
desenvolvimento natural da te­
do texto constituir um ponto a ser
mática, tendo como base um ou
pregado.
mais versículos bíblicos. O ser­
No sermão textual o pregador
mão deve possuir divisões, pois
traz seu ouvinte para dentro do
permite um melhor aproveita­
texto bíblico e usa o texto como
mento do tema, levando os ouvin­
linha de raciocínio para o sermão.
tes a compreender gradualmente
A maioria dos pregadores em evi­
o assunto abordado.
dência no cenário brasileiro prega
d ) Os sub tópicos. Os sub tópi­
ou sermões temáticos ou textuais,
cos têm a finalidade de desen­
e raramente se detém no sermão
volver a ideia contida no tópico
expositivo.
principal, e seguem o mesmo

43
Lição 7 -Tipos de Serm ão

2 . Como P rep arar. Ü prega­ 3. Exemplo.


dor que se dedica ao estudo das \
Escrituras não encontrará difi­ “AS OVELHAS DO
BOM PASTOR” (Jo 10.27,28)
culdades em preparar um ser­
mão textual. Introdução: Quais são as característi­
cas das ovelhas de Cristo?
a) O Texto escolhido. Na pre­
paração do sermão textual, o pri­ L OUVEM A VOZ DO PASTOR v27
meiro ponto deve ser a escolha de 1. “As Minhas ovelhas”
2. “Ouvem a minha voz51
um texto como base, que pode ser
constituído apenas por uma linha IL SÃO CONHECIDAS PELO PASTOR v27
do versículo bíblico, um versículo 1. “Eu as conheço”

todo ou mais versículos. 2. Conhece tudo que se passa

b) 0 Tema. 0 sermão textual VII. SEGUEM OS PASSOS DO PASTOR


inicia com um texto-base que nos 1. “Elas me seguem”
mostrará a ideia central da men­ 2. Segurança no caminho

sagem. Diferentemente do ser­ IV. RECEBEM VIDA ETERNA v28


mão temático, no sermão textual o 1. “Eu lhes dou vida eterna”
próprio texto escolhido oferece o 2. “Não perecerão”
3. “Ninguém as arrebatará de
tema para o sermão.
minhas mãos"
c) Os tópicos principais. Os tó­
picos principais neste tipo de ser­ Conclusão: O privilégio de ser ovelha
do bom Pastor é presente, permanen­
mão devem, obrigatoriamente, ser
te e eterno.
originadas de verdades ou princí­
pios oriundos do próprio texto es­ v______________________ J
colhido. Para isto, devem ser em-
III. SERMÃO EXPOSITIVO
basadas em versículos ou partes
do texto que expressem verdades 1. Conceito. 0 sermão expositi-
relevantes. vo é aquele cuja função é explicar o
d) Os sub tópicos. Os subtópi- texto das Escrituras, interpretando
e expondo detalhadamente o as­
cos são o desenvolvimento das
sunto abordado. Essa interpretação
ideias contidas nos respectivos
pode basear-se em vários versículos
tópicos principais, e podem ser de uma mesma passagem bíblica.
retiradas do texto base, ou de ou­ Pode ser um parágrafo, um capítulo,
tros textos, desde que tenham al­ ou até um livro inteiro da Bíblia.
guma relação com a ideia central Essencialmente, o que o distingue
contida no texto. do sermão textual é a extensão do

44
Lição 7 -Tipos de Serm ão

texto bíblico utilizado. 0 sermão ex- quer ensinar e como ela pode ser
positivo não é apenas um comentário aplicada em nossa vida.
bíblico, e sim uma análise minuciosa,
detalhada e lógica da Bíblia, devendo 3. Exemplo.
fazer uma conexão entre o texto e os c A
ouvintes. 0 próprio Jesus utilizava-se “O HOMEM BEM-AVENTURADO
de sermões expositivos ao contar e, E O ÍMPIO” (S11.1-6)
em seguida, interpretar uma pará­ Introdução: Vamos descobrir quem é
bola, aplicando ao cotidiano de Seus 0 homem bem-aventurado.
seguidores, mostrando assim que a
1 O HOMEM BEM-AVENTURADO
pregação expositiva é um excelente
NÃO FAZ v1
método de ensino das Escrituras.
1. Ele não anda “segundo o
conselho dos ímpios"
2. Como Preparar.
2. Ele não perde seu tempo “no
a] Escolha da passagem bíblica. caminho dos pecadores”
0 primeiro passo é selecionar a 3. Ele não se satisfaz nos prazeres
passagem bíblica que será a base "dos escamecedores”
do sermão, pois no sermão expo-
sitivo o tema é extraído de vários II O HOMEM BEM-AVENTURADO FAZ v.2
1 Ele tem prazer “na lei do Senhor"
versículos. Deste modo, é neces­
sário ler e reler o texto, meditar 2. Ele se alimenta da Palavra "dia e noite”

com afinco, a fim de entender qual III O HOMEM BEM-AVENTURADO É v.3


é a ênfase principal da Palavra de 1. Como uma árvore plantada
Deus nessa passagem escolhida. junto a ribeiros de águas
b) Tópicos e subtópicos. No 2. Uma árvore que não deixa
sermão expositivo, todos os tó­ de produzir fruto
picos principais, assim como os 3. Uma árvore que nunca envelhece:
“as suas folhas não cairão”
subtópicos, desenvolvem-se a
4. “tudo que fizer prosperará”
partir do texto bíblico escolhido.
Em suma, esse sermão consiste IV HOMEM ÍMPIO v 4,5
na exposição da passagem bíbli­ t. É o oposto do homem
ca. Assim, para uma melhor com­ bem-aventurado
preensão, é necessário pesquisar 2. “como a moinha que o vento espalha”
e entender questões como: 3. “Não prevalecerá no Juízo vindouro”
a) O contexto histórico e geo­ 4. Nem pecadores na
gráfico da época congregação dos justos
b) 0 ambiente literário que o Conclusão: “O SENHOR conhece o
autor bíblico viveu. caminho dos justos, mas o caminho
c) pensamento religioso da época. dos ímpios perecerá.” (v.6). Qual des­
tes dois você deseja ser?
Isso servirá para compreen­
der e esclarecer o que a passagem V________________ )
45
Liçao 7-Tipos de Sermão

Por fim, o mensageiro deve levar


em conta que, embora ele crie o ser­ APLICAÇÃO PESSOAL
mão e capriche na elaboração do es­
boço, a mensagem vem de Deus. Ele Faça seu esboço, mas ore a Deus
proclama e explica a mensagem que pedindo a Ele graça para ministrar
recebeu; mas sua mensagem não é um bom sermão, para tocar pro­
original, ela lhe é dada (2Co 5.19). fundamente o ouvinte. 0 primeiro
0 sermão que flui das páginas das a ser tocado pelo sermão é quem o
Escrituras Sagradas, por mais bem está preparando.
elaborado que seja, não é a palavra
do pregador, é a Palavra de Deus.

... .... .

RESPONDA
1) Q uais cuida do s devem se r tom a do s na pre p a ra çã o da m en sag em ?

2) Q uais são os trê s tip o s de serm ã o a p re se n ta d o s na lição?

3) Q u a is e le m e n to s de ve m s e r co n sid era do s na co n clu sã o da m en sag em ?

46
SH H LIÇÃO 8

PODER DE DEUS NA MENSAGEM

SUPLEMENTO EXCLUSIVO DO PROFESSOR


Afora o suplemento do professor, todo o conteúdo de cada lição
é igual para alunos e mestres, inclusive o número da página.

ORIENTAÇÃO OBJETIVOS
PEDAGÓGICA
•Compreender que não há po­
Professor, como líder que é, der e unção sem vida inspirada.
você sabe que deve ser exemplo • Entender que o Espírito San­
em tudo para seus alunos. Neste to nos auxilia na missão de pregar
momento não será diferente, pois a Palavra.
•Saber que o Espírito Santo traba­
o ensino também requer inspira­
lha em todas as etapas da mensagem.
ção divina. Quantas vezes você já
se encontrou desqualificado, mas
na sua iniciativa em aprender PARA COMEÇARA AU LA
mais para fazer o melhor, o Espí­
Leve para a sala de aula três
rito Santo interveio e fez além do
copos ou vasos pequenos de mate­
que você pensava. riais diferentes (aço, gesso e plás­
Agora chegou o momento de tico, que possam ser descartáveis)
compartilhar a sua experiência e uma garrafa com água. Converse
com os alunos e, através da lição, com seus alunos sobre as caracte­
demonstrar o quanto é importan­ rísticas de cada material que torna
te depender do Espírito Santo. o copo resistente ou não.
Temos autoridade para falar da­ Aplique-as à vida espiritual, ten­
quilo que já experienciamos e, neste do como foco principal o pregador,
momento, ela será necessária. mas não somente ele, pois tende­
Converse com irmãos que ha­ mos a apontar defeitos e a escon­
bitualmente pregam a Palavra, der as mãos. Suas vidas também
faça-lhes perguntas pertinentes à precisam ser avaliadas. Se quiser,
lição e anote as respostas. Anali­ encha-os com água e lance-os ao
se-as e tire conclusões. Use como chão, demonstrando que, quando
exemplos durante a aula. confrontados, alguns não resistirão.

PALAVRAS-CHAVE RESPOSTAS DA PÁGINA 52


1) Mensagem e vida pessoal inspiradas,
Vida Pessoal * Preparação * Ação *
2) Quando nos recusamos a pregar a Palavra,
Espirito Santo * Mensagem
3) Antes, durante e depois.

i
Lição 8 - Poder de Deus na Mensagem

LEITURA COMPLEMENTAR

Lembre-se que o estudo das Escrituras é um pouco diferente do es­


tudo de livros comuns. Seu objetivo principal é saber o que a Bíblia diz
e compreender o que significa. A maior fonte de ajuda que você tem é o
Espírito Santo, jesus disse: 'Quando vier aquele Espírito de verdade, ele
vos guiará em toda a verdade” (|o 16.13).
As Escrituras são a revelação divina. Por esta razão, devemos depen­
der do ministério de ensino do Espírito Santo para no$ guiar em toda a
verdade. Há duas razões por que devemos ser ensinados pelo Espírito.
Em primeiro lugar, somente o Espírito sabe tudo a respeito de Deus. Em
segundo lugar, somente o Espírito Santo pode revelar as coisas de Deus.
Existem ajudas para o estudo a serem usadas sempre que temos opor­
tunidade. Ao mesmo tempo, recebemos ajuda especial do Espírito dentro
de nós. Verifique Mateus 16.13-17 e leia como Pedro entendeu que jesus
era o Cristo. Você perceberá que esta verdade lhe veio mediante a revela­
ção do Pai e não pela compreensão ou experiência humana. (...)

0 amor de Cristo deve ser a força governante em todas as pessoas que


ministram... (2Co 5.14,15). Nenhum motivo para o ministério é suficien­
temente bom nem suficientemente forte sem o amor de Cristo para lhe
dar relevância e poder. Um advogado, ou médico, ou comerciante, podem
servir aos homens por motivos dignos, mas o ministro deve ser constran­
gido pelo amor de Cristo.
Certo jovem pregador disse, um dia: "Eu amo pregar!" Um ministro
mais velho respondeu: "Sim, mas você ama as pessoas?" "0 amor de Deus
está derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado"
(Rm 5.5). Como Paulo, você, também, pode ser dominado pelo amor.

Livro: “Homilética: Ministrando a Palavra de Deus” (ICI, São Paulo, 2007, págs.
29,30).

v _______________________________________________________________________ J

TI
Estudada em__ /__ /

LIÇÃO 8 DEVOCIONAL DIÁRIO


Segunda - GJ 5.16
0 Espírito Santo dirige a nossa vida
PO DER DE DEUS Terça - Jo 16.13
Ele nos ensina a vontade de Deus
NA MENSAGEM Quarta ■lTs 5.19
Não atrapalhe a ação do Espírito Santo
Quinta - Rm 5.5
0 Espírito nos enche de amor
Sexta - At 1.14
Texto áureo 0 Espírito derramado em meio a oração
“A minha palavra e a minha Sábado - At 1.8
preg ação não consistiram Ele nos capacita para testemunhar
em linguagem persuasiva de
sabed oria , m as em dem onstração
do Espirito e de poder." ICo 2.4 LEITURA BÍBLICA

1 Coríntios 2.4-7
4 A minha palavra e a minha pregação
não consistiram em linguagem persua­
siva de sabedoria, mas em demonstra­
ção do Espírito e de poder,
5 para que a vossa fé não se apoiasse
em sabedoria humana, e sim no poder
de Deus.
6 Entretanto, expomos sabedoria en­
tre os experimentados; não, porém, a
sabedoria deste século, nem a dos po­
derosos desta época, que se reduzem
a nada;
7 mas falamos a sabedoria de Deus em
mistério, outrora oculta, a qual Deus
preordenou desde a eternidade para a
nossa glória;

Hinos da Harpa: 358 - 387 - 491


v_________ ___________ J

47
Lição 8 - Poder de Deus na Mensagem

r \ INTRODUÇÃO
PODER DE DEUS NA
MENSAGEM Nos tempos de Jeremias, levan­
taram-se falsos profetas, ensinan­
INTRODUÇÃO do falsas doutrinas, de acordo com
os seus pensamentos, e Deus diz a
I. AÇÃO DO ESPÍRITO SANTO Jeremias: ,fMas, se tivessem esta­
do no meu conselho, então, teriam
1. Não entristecer o Espírito E/4.30 feito ouvir as minhas palavras ao
meu povo.." [Jr 23.22]. Ou seja, se
2. Não apagar o Espírito iTsS.19
estivessem com Deus, teriam aju­
3. Ser cheio do Espírito EfS.18 dado o povo a ouvir a Deus e não
atrapalhado, proclamando ensina­
U. AÇÃO NA PREPARAÇÃO mentos humanos.

1. Na preparação 2Tm2A5 L AÇÃO DO ESPÍRITO


SANTO
2. Na escolha da mensagem iCo3.2

3. Exemplos iCo32 Devemos depender do Espí­


rito, nos esforçando sempre para
III. AÇÃO NA PREGAÇÃO não entristecer ou apagar o Espí­
rito Santo que habita em nós,:
1. Antes da mensagem At 10.30-33
1. Não en tristecer o Espírito.
2. Durante a mensagem iCo2A
Em Efésios 4.30, o apóstolo Paulo
3. Depois da mensagem J0 I 6. 7-11 nos exorta a não entristecer o Es­
pírito Santo. Mas o que significa
APLICAÇÃO PESSOAL isto? Significa não conviver com
o pecado, seja ele por pensamen­
to ou ação. Se um pai diz a seu
filho para não fazer algo, e este
filho não lhe dá ouvidos, e faz de
qualquer forma, isto entristece o
coração do pai. Da mesma forma,
entristecemos o Espírito Santo
quando pecamos. Quando o Espí­
rito nos "incomoda" sobre deter­
minado pecado, precisamos pedir
perdão e renunciarão pecado pelo
poder de Deus que em nós opera
pela sua graça (Pv 28.13].

48
A pregação que cumpre a sua
missão é aquela que está equi­
librada em dois princípios: a Quando você ministra,
mensagem á inspirada, e a vida nem o talento, nem o
do pregador, também. Como sa­ treinamento, podem
bemos a Bíblia é inspirada por substituir o poder
Deus, quando pregamos a Bíblia, espiritual na sua vida/'
cumprimos parte da missão;
agora, resta avaliar a nossa parte
e analisar a vida pessoal, porque dizemos NÃO ao Espírito, apaga­
é impossível dissociar a m ensa­ mos sua presença ou operação.
gem pregada da vida de quem a Uma das maneiras que apa­
prega. gamos o Espírito é não comparti­
0 pregador que vai vencer lhando nossa fé através do evan-
o teste do tempo, que será con­ gelismo pessoal. De acordo com
sistente e perm anente em sua pesquisas realizadas em vários
missão, que não apenas pregará países, cerca de 90% dos evangé­
por empolgação, é aquele que licos não evangeliza. Apenas 5%
decide deixar o Espírito tomar dos evangélicos estão discipulan-
conta de sua vida e tratar o seu do um novo convertido e acom ­
caráter. Ele entende que sua vida panhando seu crescimento na fé.
com o Espírito Santo não se resu­ Quando nos recusamos a falar do
me apenas ao púlpito. Identifica amor de Jesus, apagamos o Espí­
posturas, atitudes e pensam en­ rito.
tos que entristecem o Espírito
Santo, os confessa e alcança o 3. Ser cheio do Espírito. Je­
perdão ( l jo 1.9}. sus prometeu a vinda do Conso­
lador assim que subisse ao Pai (jo
2. Não ap agar o Espírito. Não 14.16,17). Ele ordenou aos discí­
devemos apagar a chama do Espí­ pulos que não se ausentassem de
rito. 0 Apóstolo Paulo nos ensina Jerusalém até que fossem revesti­
em 1 Tessalonicenses 5.19 - "Não dos de poder (Lc 24.49). Antes de
apagueis" ou "não extingais o Es­ subir ao céu, reforçou novamente
pírito." Extinguir significa: fazer a promessa (At 1.8), Revestidos de
que cesse de queimar e brilhar, poder, apesar de suas fraquezas,
acalmar, exterminar, deixar de os discípulos revolucionaram o
existir. Quando abafamos o que o mundo da sua época (At 2.1-4; Cl
Espírito quer realizar, extingui­ 1.23; Mc 16.20). Ser revestido do
mos e apagamos a Sua presença, poder do Espírito não é uma op­
Quando dizemos SIM ao pecado, ção, é uma ordem. Não basta ape­
entristecemos o Espírito; quando nas não intristecer ou apagar, pre-

49
liçã o 8 - Poder de Deus na Mensagem

cisamos, urgentemente, ser cheios


do Espírito (Ef 5.18).
Quem não prevalece
II. AÇÃO NA PREPARAÇÃO com Deus em oração,
não pode prevalecer
0 Espírito Santo age na vida com os homens na
de quem prega e na mensagem pregação."
compartilhada. Ele deseja arden­ (Oswald Smith)
temente nos auxiliar na missão
de compartilhar o Evangelho.
Em João 14, a palavra Consolador gadores preguiçosos. Paulo nos
também quer dizer: auxiliador, exorta: 'Procura apresentar-te
ajudador. a Deus aprovado, como obreiro
que não tem de que se envergo­
1. Na preparação. A prepara­ nhar, que maneja bem a palavra
ção é uma constante na vida de da verdade" (2Tm 2,15).
todo pregador bem sucedido. Mui­
tos enforcam a preparação, justifi­ 2. Na escolha da m ensagem
cando que o próprio Espírito San­ ce rta . Uma das principais habi­
to vai de última hora revelar o que lidades que uma vida dependen­
deve ser falado. Usam este pretex­ te e cheia do Espírito Santo nos
to para apresentar uma confiança confere é a sensibilidade espiri­
*
e intimidade com Deus. E verdade tual, principalmente para discer­
que Deus pode de última hora mu­ nir as pessoas que nos escutam.
dar a direção do que seria dito, to­ Sem a ação do Espírito Santo não
davia isto é a exceção. Geralmente podemos conhecer o que a igreja
Ele fala e revela a Sua vontade na necessita ouvir.
hora da preparação. No livro de Apocalipse cartas
Para justificar esta falta de são escritas às sete igrejas da Asia,
preparo, alguns citam Marcos indicando que cada uma destas
13.11: "Quando, pois, vos leva­ igrejas tinha uma necessidade es­
rem e vos entregarem, não vos piritual específica. |oão não escre­
preocupeis com o que haveis de veu para Filadélfia aquilo que era
dizer, mas o que vos for concedi­ necessidade específica de Laodi-
do naquela hora, isso falai; por­ céia. O Espírito continua falando
que não sois vós os que falais, hoje da mesma forma, e nós somos
mas o Espírito Santo". A questão os mensageiros que precisam ser
é que, neste texto, o autor esta sensíveis ao que Ele deseja comu­
escrevendo a cristãos enfrentan­ nicar à igreja: a mensagem certa,
do a morte iminente pela perse­ para a pessoa certa, na hora certa.
guição, e não a um grupo de pre-

50
Lição 8 Poder de Deus na Mensagem
-

3. Exemplos. Em 2 Timóteo 16.7-10). Ele cumpre Sua missão


4.2, Paulo doutrina o jovem Ti­ de apontar para Cristo e conven­
móteo dizendo: "Prega a Palavra!". cer o mundo do pecado. É como
Mas que Palavra é esta? Timóteo se fosse uma engrenagem, na qual
teria que ser sensível à condição nós somos uma peça, cujo papel é
espiritual da igreja que estava pas­ anunciar o melhor que podemos;
toreando, às pessoas que estavam e o Espírito completa o trabalho
lhe ouvindo. Por exemplo, Paulo que já vinha fazendo para cumprir
também diz ao povo de Corinto: o Seu propósito.
"Leite vos dei a beber, não vos dei Em Atos 10, Deus manda Pedro
alimento sólido; porque ainda não levar a Palavra de salvação para a
podíeis suportá-lo. Nem ainda casa de Cornélio em Jope. Quando
agora podeis, porque ainda sois Pedro finalmente chega e começa
carnais" (ICo 3.2). Paulo era ex­ a falar, o Espírito Santo imediata­
tremamente atento ao que aquela mente desceu sobre todos que lá
igreja estava pronta para receber. estavam (At 10.44).
Na prática, se uma igreja está
morna e prestes a ser vomitada da 2. Durante a m ensagem . Por
boca do Senhor, talvez pregar so­ melhor que seja o esboço e o con­
bre prosperidade, embora bíblica, teúdo da mensagem, quando você
não seja o aconselhável (Ap 3.16). prega é o Espírito Santo quem
individualiza a mensagem para
III. AÇÃO NA PREGAÇÃO a necessidade específica de cada
coração. Ele amolecerá o coração,
A ação do Espírito Santo vai tocará o espírito e a alma, desper­
além da vida de quem transmite. tará o desejo de uma nova vida.
Envolve todo o processo, incluin­ 0 interessante é que muitas
do a mensagem compartilhada e vezes a nossa mensagem é im­
a vida de quem recebe. Quando perfeita e incompleta, mas o Es­
se entende que o Espírito Santo ja pírito Santo preenche as imper­
está trabalhando antes da mensa­ feições para que o Seu propósito
gem, irá trabalhar durante a mi- se cumpra (ICo 2.4). Mesmo que
nistração e seguirá trabalhando fosse completa, do ponto de vista
depois no coração de quem rece­ da estrutura homilética, mesmo
be, entendemos como a ministra- assim, seria incompleta sem o
ção é vazia sem o Seu agir.1 agir do Espírito. Lembre-se: "a le­
tra mata, mas o espírito vivifica"
1. Antes da mensagem. 0 Es­ (2Co 3.6).
pírito Santo já está trabalhando na Por último, temos que enten­
vida do ouvinte, muito antes de der que o ouvinte pode resistir ao
alguém compartilhar a Palavra (Jo agir do Espírito (At 7.51). O Espí-

51
Lição 8 Poder de Deus na Mensagem
-

rito Santo não força ninguém a fa­ nistério, milhares foram salvos,
zer nada. Muitos se desencorajam mas muitos também rejeitaram
quando compartilham a mensa­ a Sua mensagem. Mesmo assim,
gem, e ninguém se entrega a Cris­ Ele pregava. Fazia isto porque a
to, entenda que por mais que Deus semente poderia florescer mais
queira salvar a todos, cada indi­ tarde, e pregou para que o Espíri­
víduo tem de escolher por si pró­ to Santo pudesse lem brar os Seus
prio. Não estão negando a você, discípulos e seguidores de tudo o
mas a mensagem e ao propósito que dissera.
de Deus para suas próprias vidas.

3. Depois da m ensagem . APLICAÇÃO PESSOAL


Quando você acaba a mensagem,
o Espírito continua falando. Jesus, Somos agentes de Deus e não
quando prometeu o Espírito San­ lutamos sozinhos. Somos coo-
to, disse que Ele nos faria lembra peradores de Deus e Deus coo­
de tudo que Ele (Jesus) nos havia pera conosco. 0 Espírito Santo
dito (Jo 16,7-11). 0 que chama a é o nosso Ajudador e aliado na
atenção no ministério de Jesus sagrada missão de m inistrar a
é que Ele não perdia nenhuma Palavra de Deus com unção e
oportunidade de compartilhar poder do Alto.
a salvação. Ao longo do Seu mi­ V_______ __________ J

\
RESPONDA
1) Quais os dois princípios que levam a mensagem a cumprir a sua missão?

2) Em que situação apagamos a presença do Espírito?

3) Em quais momentos da mensagem o Espírito está trabalhando?

52
LIÇÃO 9
PREGAÇAO E SEUS DESAFIOS
ATUAI S
SUPLEMENTO EXCLUSIVO DO PROFESSOR
Afora o suplemento do professor, todo o conteúdo de cada lição
é igual para alunos e mestres, inclusive o número da página.

ORIENTAÇÃO OBJETIVOS
PEDAGÓGICA
•Perceber a necessidade de co­
Nesta lição, demonstraremos nhecer o público-ouvinte.
aos alunos que a mensagem deve •Distinguir o público ouvinte
estar em uma linguagem com­ moderno.
preensível ao público ouvinte. Não •Atentar ao público não crente
adianta usar o "evangeliquês" para [evangelizar) e ao público crente
ouvintes não-crentes, por exemplo. [edificar).
Também, mostrar que as apli­
cações têm que ser relevantes aos
ouvintes. Falar sobre educação de PARA COMEÇARA AU LA
filhos a um público infantil não
tem conexão com a realidade do Faça duas colunas em uma car­
público-alvo. tolina ou quadro branco e escreva
Conhecer as necessidades de acima da primeira coluna: "Socie­
cada público é essencial para que dade de 20 anos atrás"; na outra:
o objetivo da mensagem seja cum­ "Sociedade de hoje". Peça aos alunos
prido. Desconsiderar isso pode que falem quais características lem­
ser frustrante tanto para o prega­ bram da sociedade de 20 anos atrás,
e coloque na primeira coluna. Na se­
dor quanto para os que o ouvem.
gunda, coloque as características da
Deixe claro para os alunos que
sociedade cie hoje. A ideia é mostrar
esta "adaptação" ao público ou­
as diferenças entre as mesmas.
vinte não é, de forma alguma, de­
Em um ponto da aula vamos ob­
turpação da Palavra de Deus. Pelo
servar algumas características da
contrário, é demonstrar que a Bí­
sociedade atual e você poderá com­
blia é um livro atual e relevante, e
parar com o que foi colocado nas
não velho e retrógrado.
duas colunas iniciais.

RESPOSTAS DA PÁGINA 58
PALAVRAS-CHAVE 1} É a visão que temos de todas as cosas (cosmos).
Contextualização • Cosmovisão
2) A verdade é relativa; desvalorização da igreja.
* Edificação • Salvação
3) O corpo visíveí de Cristo na Terra.

[
Lição 9 - Pregação e Seus Desafios Atuais

LEITURA COMPLEMENTAR

A mensagem neotestamentária da pregação consiste em dois tópicos


principais: 1) Jesus Cristo como Senhor e Salvador, cumprindo as pro­
fecias do Antigo Testamento, e 2) um apelo ao arrependimento, à fé e à
confissão do senhorio de Jesus. Este padrão de proclamação e apelo pode
ser visto em vários lugares no Novo Testamento, inclusive na Parábola da
Grande Ceia (Lc 14.16-24).
Aqueles que ministravam nos tempos do Novo Testamento davam
mensagens de fé baseadas nos escritos do Antigo Testamento e nos en­
sinos de Jesus. Em seguida, apelavam aos ouvintes no sentido de agirem
à altura da mensagem que tinham ouvido. Todos quantos creram foram
salvos, e o poder do Evangelho foi assim demonstrado (Rm 1.16,17). (...)
Outro aspecto da mensagem da salvação é o da reconciliação. Recon­
ciliar é restaurar à comunhão ou fazer as pazes. As pessoas entre as quais
vivemos e trabalhamos são pecadoras e, portanto, inimigas de Deus (Rm
5.10,11), Conforme já vimos, o relacionamento rompido entre Deus e as
pessoas foi causado pelo pecado das pessoas (Gn 3.8-10; Is 59.2).
Mas Cristo morreu para remover esses pecados que foram a causa
dessa hostilidade e dessa separação. Ao restaurar a comunhão entre Deus
e as pessoas, Deus deu o primeiro passo para corrigir o problema: "Cristo
morreu por nós, sendo nós ainda pecadores" (Rm 5.8). Além disso: "Deus
estava em Cristo reconciliando consigo o mundo" (2Co 5.19). A mensa­
gem da reconciliação, portanto, diz respeito ao ajustamento das diferen­
ças entre Deus e as pessoas. Retifica as coisas. Mediante Jesus Cristo, as
pessoas redimidas podem voltar a andar com Deus.
A Igreja, portanto, tem uma mensagem e um ministério de reconcilia­
ção. Como crente, você fez as pazes com Deus. Agora, você que ministra às
pessoas alienadas e perturbadas, recebeu um ministério de pacificação.
Você deve agir em prol de Deus para persuadi-las a se reconciliarem com
Ele (2Co 5.18-21).
Depois de uma pessoa ser reconciliada com Deus, torna-se responsá­
vel pelo ministério de reconciliar os pecadores com Deus (2Co 5.18). As­
sim como Deus estava fazendo paz no mundo mediante Cristo, assim tam­
bém nós que somos crentes somos desafiados a sermos embaixadores
por Cristo. E Deus está fazendo Seu apelo à humanidade através de nós.

Livro: “Homilética: Ministrando a Palavra de Deus” (ICI, São Paulo, 2007, págs. 112,114).

V__________________________________________________ J
II
Estudada em J ___ /

L IÇ Ã O 9 DEVOCIONAL DIÁRIO

PREGAÇÃO E Segunda - lTs 2.3-8


Caráter e conduta do pregador
SEUS DESAFIOS T erça-2T m 2.22-24
Instruir com paciência
ATUAIS Quarta - 2Co 6.3-4
0 Senhor pode multiplicar
Quinta - Tt 2.7-8
integridade e linguagem sadia
Sexta - 2Co 6.3-4
TE)CrO ÁUREO Não ser motivo de escândalo
"Fiz-me fr a c o para com os fracos, Sábado - ICo 9.19-23
com o fim de g an h ar os fracos. Todos precisam ouvir
Fiz-me tudo p ara com todos, com o
fim de, p or todos os modos, salvar
alguns/' 1 Co 9.22
LEITURA BÍBLICA
lCoríntios 9.19-22
19 Porque, sendo livre de todos, fiz-
-me escravo de todos, a fim de ganhar
o maior número possível.
20 Procedi, para com os judeus,
como judeu, a fim de ganhar os ju­
deus; para os que vivem sob o regi­
me da lei, como se eu mesmo assim
vivesse, para ganhar os que vivem
debaixo da lei, embora não esteja eu
debaixo da lei,
21 Aos sem lei, como se eu mesmo o
fosse, não estando sem lei para com
Deus, mas debaixo da lei de Cristo,
para ganhar os que vivem fora do re­
gime da lei.
22 Fiz-me fraco para com os fracos,
com o fim de ganhar os fracos. Fiz-me
tudo para com todos, com o fim de,
por todos os modos, salvar alguns.
Hinos da Harpa: 210 - 227 - 545

53
Lição 9 - Pregação e Seus Desafios Atuais

INTRODUÇÃO
PREGAÇÃO E SEUS
DESAFIOS ATUAIS Imagine uma criança de qua­
tro anos perguntando: "Por que
INTRODUÇÃO temos de ficar de olho fechado
durante a oração?”. A resposta
L COSMOVISÃO DA ATUALIDADE pode ser simples como: "Para que
1. A verdade é relativa Rm 1.21
as pessoas se concentrem unica­
mente em Deus”.
2. Nao há autoridade T t3.1,2
0 questionamento é: a crian­
3. A busca do prazer Rm 1.26 ça entendeu a explicação? Prova­
velmente não, pois a resposta foi
4. Desvalorização da Igreja Hb 10.25
muito objetiva e conceituai para
a idade. Mais fácil, para a crian­
IL MENSAGEM DE SALVAÇÃO
ça, seria se explicássemos com
1. A mais importante }o3.ie um exemplo: "Se você fica de olho
2. Jesus Cristo é a solução jo 8.36 aberto vai ficar olhando para o
amiguinho, para o desenho na pa­
3. Reconciliação com Deus Rm 5.1
rede, para a roupa colorida da tia e
vai acabar se esquecendo que está
III. PALAVRA DE EDIFICAÇÃO conversando com Deus”
1. A verdade não é relativa Jo 14.6 Este é um exemplo simples,
mas que retrata uma realidade:
2. Há autoridade 2 T m 3 .i6 ,i7
uma explicação deve ser em uma
3. Busca pelo que é certo Fp 4.8,9 linguagem acessível para quem a
4. Importância da Igreja iT m 3 .l5 ouve.
Nesta lição, iremos aprendera
APLICAÇÃO PESSOAL observar as características do pú­
blico ouvinte para aplicar, de for­
ma relevante, as verdades bíblicas,

I. COSMOVISÃO DA
ATUALIDADE

Cosmovisão é a visão que te­


mos do cosmos (do grego, palavra
que designa o universo em sua to­
talidade}. É a visão que temos de
todas as coisas, do mundo em que
vivemos.
A cosmovisão é construída

54
Lição 9 - Pregação eSeus Desafios Atuais

através da educação e de informa­


ções que recebemos e interpreta­
mos desde a infância. A bendita esperança
Há um provérbio judeu que da vinda do Senhor
afirma: "Nós não vemos as coisas é um dos m aiores
como elas são, e sim como nós so­ motivos do crente
mos” Portanto, para entender como para viver uma vida
as pessoas enxergam a vida, a fé, a pura e produtiva"
religião etc, precisamos conhecer e
compreender quem elas são.
Conhecendo as pessoas, teremos 3. A busca do prazer. Ora, se
condição de aplicar melhor os prin­ não há valores absolutos, e se não
cípios bíblicos na vida do ouvinte. há a quem obedecer, a pessoa vai es­
Para alcançar esta geração colher o que lhe dá mais prazer. Por
com uma mensagem relevante, que sofrer por algo que não se acre­
pertinente e coerente, precisamos dita? isso é hedonismo (Rm 1.26).
conhecer as principais caracterís­ Se a pessoa entende que a fa­
ticas da cosmovisao da atualidade, mília não é um valor a ser pre­
conforme listamos abaixo: servado, quando acontecer algum
problema, na cabeça dela, o me­
1. A verdade é relativa. Cada lhor é se separar do que lutar pela
pessoa escolhe a sua própria ver­ manutenção do casamento.
dade. As pessoas não têm mais
uma fonte comum de valores. 4. Desvalorização da Igreja.
Cada um acredita no que quer e no A sociedade atual busca a espi­
que lhe convém (Rm 1.21). ritualidade, o algo a mais, o so­
Na Igreja não deve ser assim, brenatural, mas não quer mais se
pois temos a Bíblia como fonte co­ envolver com a instituição igreja.
mum, nossa regra de fé e prática. Não quer mais ficar presa a um
grupo formal de fiéis. Prova disso
2. Não há autoridade. Nin­ é a grande rotatividade que ve­
guém tem autoridade sobre nin­ mos nas igrejas, cujo número de
guém. A geração atual entende assistentes, em muitos casos, tem
que a orientação dos pais, pro­ se tornado maior que sua própria
fessores e pastores, assim como membresia.
da Bíblia, é mera opinião pessoal, "Não gostei da música dessa
que deve ser respeitada, mas não igreja” ou "Não gostei do sermão"
imposta. Ninguém manda em nin­ são motivos suficientes para a pes­
guém. Cada um cuida da sua vida soa mudar de igreja e deixar de se
e decide o que é aceitável para si comprometer com a edificação do
próprio (2Tm 3.1-5; Tt 3.1,2). Corpo de Cristo local (Hb 10.25).

55
Lição 9 Pregação e Seus Desafios Acuais
-

II. MENSAGEM DE te eterna está em jogo quando a


SALVAÇÃO mensagem da salvação é pregada.

A mensagem de salvação visa 2. Jesus Cristo é a solução. 0


a alcançar o coração de todos os tema da salvação reside no fato de
pecadores, pois "todos pecaram e que somente Jesus Cristo é a solu­
carecem da glória de Deus” (Rm ção para o problema do pecado (Jo
3.23). Ela não pode ficar retida ao 8.36). Visto que o pecado resulta
ambiente do púlpito, nem exclusiva na morte espiritual, uma pessoa
aos pregadores profissionais. Antes, deve renascer espiritualmente.
ela deve ser pregada por todos os Lembre-se sempre que, quando
salvos em Cristo, por todos os meios você prega a respeito do problema
e em todos os lugares possíveis. do pecado, sempre deverá incluir
0 pregador deve entender os a mensagem da esperança ofere­
desafios e a cosmovisão da atua­ cida pelo Salvador. Assim como as
lidade para tornar a mensagem o pessoas nascem nas suas respec­
mais relevante possível à vida dos tivas famílias, devem nascer tam­
ouvintes, de modo que desejem bém na família de Deus.
seguir a fesus e saibam que isto 0 nascimento espiritual requer
lhes trará vida feliz e eterna.1 que as pessoas se arrependam dos
seus pecados e voltem-se comple­
1. A mais im portante. De to­ tamente contra eles (At 2.37-39).
dos os temas da pregação bíblica, Devem, além disto, confiar em Je­
nenhum é mais importante do sus para o perdão dos pecados e
que comunicar as boas novas da confessar que Ele é o Senhor da sua
salvação. É básico, porque sem vida (At 16.30-31; Rm 10.9,10).
uma resposta à mensagem da Quando as pessoas aceitam as
salvação, não haveria razão de provisões da salvação, nascem de
ser para outras mensagens. Je­ novo pelo Espírito de Deus (2Co
sus ordenou a Seus seguidores: 5.17). Quando o Espírito toma o
“Ide, portanto, fazei discípulos de controle das suas vidas, ficam es­
todas as nações”, proclamando a piritualmente vivificadas e cons­
mensagem de salvação como tes­ cientes do seu relacionamento
temunho a toda a humanidade com Deus, como Seus filhos ama­
(Mt 28.19; 24.14). dos (Rm 8.10-16).
Além disso, Jesus tornou clara
a questão em jogo: "Quem crer e 3. Reconciliação com Deus.
for batizado será salvo; quem, po­ Outro aspecto da mensagem da
rém, não crer será condenado” (Mc salvação é o da reconciliação. Re­
16.16; Jo 3.15-21, 36). Nada menos conciliar é restaurar a comunhão
do que a vida eterna versus a mor­ ou fazer as pazes. As pessoas entre

56
Lição 9 Pregação e Seus Desafios Atuais
-

as quais vivemos e trabalhamos as características da cosmovi-


são pecadoras e, portanto, inimi­ são prevalente no mundo hoje,
gas de Deus (Rm 5.10,11). O rela­ devemos contextualizar a nossa
cionamento rompido entre Deus e mensagem para trazer relevância
as pessoas foi causado pelo peca­ à vida dos fiéis e fortalecer a sua
do (Gn 3.8-10; Is 59.2). Mas Cristo esperança eterna.
morreu para remover os pecados
que causaram essa hostilidade e 1. A verdade não é relativa.
essa separação. Sabemos que a verdade não é re­
Ao restaurar a comunhão en­ lativa e sim absoluta; ela se apli­
tre Deus e as pessoas, Deus deu ca de forma universal, a todas as
o primeiro passo para corrigir o pessoas. A Bíblia não é apenas útil,
problema: "pelo fato de ter Cris­ mas inspirada pelo nosso Deus
to morrido por nós, sendo nós para nos orientar (2Tm 3.16,17).
ainda pecadores" (Rm 5.8). Além Aliás, a própria Bíblia afirma que
disso: "Deus estava em Cristo Jesus é a Verdade e que esta Ver­
reconciliando consigo o mundo" dade nos liberta (Jo 8.32; 14.6).
(2Co 5.19). A mensagem da re­ Como dizer que a verdade é relati­
conciliação, portanto, diz respei­ va? De forma alguma; para o cris­
to ao ajustamento das diferenças tão, a verdade é absoluta.
entre Deus e as pessoas. Retifica
as coisas. Mediante Jesus Cristo, 2. Há autoridade. A autorida­
as pessoas redimidas podem vol­ de emana das Escrituras. Até uma
tar a andar com Deus (Rm 5.1). criança terá autoridade, se usar a
A Igreja, portanto, tem uma Bíblia, para ensinar ou admoestar
mensagem e um ministério de re­ (Lc 18.17; 2Tm 3.16-17).
conciliação. Como crente, você já
fez as pazes com Deus. Agora, você 3. Busca pelo que é certo. A
deve ministrar às pessoas cheias geração moderna busca o prazer
de conflitos e sem esperança, pois pelo prazer; o cristão, não. O cren­
recebeu um ministério de pacifi­ te tem uma verdade absoluta e a
cação. Você deve agir em prol de autoridade que vem da Palavra de
Deus para persuadi-las a se recon­ Deus. A igreja tem valores pelos
ciliarem com Ele (2Co 5.18-21). quais sofre, persevera e permane­
ce (Fp 4.8,9).
III. PALAVRA DE
EDIFICAÇÃO 4. Importância da Igreja.
Existe a igreja invisível, mas existe
A palavra de edificação visa a igreja visível, ou local. Uma não
alcançar o coração do ouvinte vive sem a outra.
que já é crente. Tendo em mente A instituição igreja é necessá-

57
Lição 9 Pregação eSeus Desafios Atuais
-

ria para se tornar o Corpo de Cris­


to visível aqui na terra (lTm 3.15). APLICAÇÃO PESSOAL
Não podemos ficar trocando de
igreja segundo a nossa vontade ou Os desafios modernos da vida
prazer. Deus quer nos usar como nos impõem adequar a linguagem
corpo de Cristo, como a igreja lo­ mantendo a mensagem que todos
cal, para alcançar outras pessoas são pecadores e só Jesus salva.
para Cristo (Hb 10.25). v ___________ ____________ )

RESPONDA
1) O que é cosmovisão?

2) Cite duas características da geração moderna.

3) O que a instituição Igreja representa no mundo de hoje?

C __________________________________________________

boos
novos

^Cooÿkpby

o a s n o v a s tv

58
LIÇÃO 10

SINAL VERMELHO NO PÚLPITO

SUPLEMENTO EXCLUSIVO DO PROFESSOR


Afora o supíemento do professor, todo o conteúdo de cada íição
é igual para alunos e mestres, inclusive o número da página.

ORIENTAÇÀO OB) ETIVOS


PEDAGÓGICA
•Reconhecer o púlpito como
Nesta lição, em que trataremos lugar sagrado de onde emana a
da conduta adequada de quem as­ voz de Deus.
sume o púlpito. Ressalte a impor­ •Compreender que a língua deve
tância do cuidado com a vida espi­ ser usada para edificação da Igreja.
ritual, o caráter e o comportamento •Entender que há assuntos que
do pregador e de todo cristão autên­ só competem ao pastor da igreja
tico. Belos sermões podem passar
desapercebidos se uma dessas três PARA COM EÇAR A AU LA
coisas for negligenciada.
Ensine conselhos práticos para Antes da aula, combine com um de
os que almejam o episcopado. Você seus alunos, que durante a introdução
mesmo deve ser um exemplo a ser da lição, ele deve participar mantendo
seguido. Na sala de aula, evite hábi­ um comportamento estranho e tentar
tos como mexericos, conversas tor­ iniciar conversas, reprimindo algu­
pes, cuide de sua aparência e com­ mas atitudes do professor. Neste mo­
portamento. Lembre-se que seus mento, pode ser que algum aluno o re­
alunos falarão de você em algum prove e até tente defender o professor.
momento, e é bom que falem bem. Aproveite para acalmar os ânimos
Leia com eles o texto áureo e e revelar a encenação combinada para
faça uma breve reflexão. Mostre que demonstrar que assuntos dessa natu­
eles também estão sendo observa­ reza devem ser conversados neserva-
dos por outras pessoas e, estejam damente, e não na sala de aula ou no
onde estiverem, devem ter compor­ púlpito da igreja. Ressalte também que
tamento exemplar, e, se falharem, isso pode causar dissensões, pois nem
que saibam pedir perdão e retomar todos concordarão com o que está sen­
o caminho (Ap 2.5). do faiado e do modo como foi exposto.

RESPOSTAS DA PÁGINA 64
PALAVRAS-CHAVE 1) A sua conduta adequada.
Pós-moderno • Ansiedade • Qualidade V
2) Aparência pessoal

V 3) Ao pastor da igreja.

I
Lição 10 - Sin a l Vermelho no Púlpito

LEITURA COMPLEMENTAR

Paulo começa a lista de qualificações para aqueles que m inistram ,


dizendo que devem ser irrepreensíveis. Isto não significa que serão
perfeitos. Mas significa que devem esforçar-se para m erecer bom
testem unho dos de fora, não tendo contra eles nenhuma acusação
de imoralidade ou de falsa doutrina. Quem m inistra deve ser notável
pela sua honestidade, pureza e retidão. Estas virtudes são parte im­
portante do bom caráter cristão. Este requisito é repetido duas vezes
em Tito 1.6-7. Eeia-o em sua Bíblia.
A prim eira carta de Paulo a Timóteo faz umas exigências esp ecí­
ficas no tocante à vida fam iliar de quem serve na Igreja. A fim de sa­
tisfazer estes requisitos o homem deve ser marido de uma só mulher
e deve governar bem a sua própria casa. A pessoa que m inistra deve
sem pre ser um bom exemplo de moralidade cristã na sua família.
Deve governar a sua família com tamanha retidão e am or que seu
respeito por ele a leve a honrar a sua liderança. O Apóstolo dem ons­
tra uma sem elhança entre a vida da Igreja e a sua família. Se um ho­
mem não sabe governar a sua própria casa, não pode cuidar da igreja
de Deus. jesu s ensinou este princípio nas seguintes palavras: "Sobre
o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei" (Mt 2 5 .2 1 ).
0 m inistro cristão deve ter domínio próprio, ser sóbrio e ordeiro.
São estas as características de um homem bem com portado, de um
cavalheiro. Não deve haver nada de grosseiro nem impróprio na con­
versa nem na conduta de um m inistro. Tanto nas suas m aneiras como
na sua aparência ele deve rep resentar bem o Evangelho que prega.
No que diz respeito ao ministério propriamente dito, Paulo diz três
coisas na sua carta a Timóteo. Em primeiro lugar, quem ministra deve
dar as boas-vindas aos estranhos, (...) Em segundo lugar, Paulo diz que
aquele que ministra deve ser apto para ensinar. Visto que uma responsa­
bilidade principal daqueles que ministram é ensinar as Escrituras para
outras pessoas, o ministro deve ser um ensinador capaz. (...) Kinalmen-
te, Paulo desencoraja os que são novos na fé de entrarem no ministério.
0 novo convertido é como a semente recém-plantada. Precisa de tempo
para crescer, para desenvolver-se, para frutificar.

Livro: “Hom ilética: M inistrando a Palavra de D e u s” (ICI, São Paulo, 2007, págs. 21 -23).

V_________________________________________________ J
tl
Estudada e m ___ /___ /

Á i
( ^
L1ÇÀO 10 DEVOCIONAL DIÁRIO
Segunda - Pv 9.9
Sabedoria e prudência contínuas
SINAL Terça - ITm 5.1,2
Trato com os mais velhos e o sexo oposto
VERMELHO NO Quarta - Ef 6:10-17
Postura íntegra
PÚLPITO Quinta - 2Tm 1.13-14
Esforço para ser um modelo
Sexta - Pv 15.4; 16.24
Texto aureo Palavras sensatas produzem vida
"Tem cuidado de ti mesmo e da Sábado-2Co 10.13-15
doutrina. Continua nestes deveres; Obedecer aos limites
porque, fazendo assim, salvarás
tanto a ti mesmo como aos teus
ouvintes." 1 Tm 4.16
LEITURA BÍBLICA
1 Timóteo 4.12-16
12 Ninguém despreze a tua mocida­
de; pelo contrário, torna-te padrão
dos fiéis, na palavra, no procedi­
mento, no amor, na fé, na pureza.
13 Até à minha chegada, aplica-te à
leitura, à exortação, ao ensino.
14 Não te faças negligente para com
o dom que há em ti, o qual te foi
concedido mediante profecia, com a
imposição das mãos do presbitério.
15 Medita estas coisas e nelas sê di­
ligente, para que o teu progresso a
todos seja manifesto.
16 Tem cuidado de ti mesmo e da
doutrina. Continua nestes deveres;
porque, fazendo assim, salvarás tanto
a ti mesmo como aos teus ouvintes.

Hinos da Harpa: 18 - 225 - 515


v ____________ _______________

59
Lição 1 0 -Sin a l Vermelho no Púlpito

( INTRODUÇÃO
SINAL VERMELHO NO
PÚLPITO 0 pregador precisa considerar
como ponto de fundamentai im­
portância a sua conduta adequada
INTRODUÇÃO em público, quer seja no púlpito,
ou em pequenos grupos. Por isso,
L ÉTICA precisará pensar também em ou­
1. Vida e Pregação iT m 4.12 tras áreas do seu preparo, tais
como: aparência pessoal, compor­
2. Amar os ouvintes Jo 21.15-17
tamento ético, linguagem apro­
3. Ser honesto P v 2 l.8 priada etc. (lTm 4.16).

II. APARÊNCIA PESSOAL I. ÉTICA


1. Higiene Pessoal 1Co3.16
2. Traje Adequado 1 Tm 2.8,9
0 pregador precisa estar aten­
to para não incorrer em falta de
3. Expressão Iradal e Gestos Pv 15.13
ética quando falar em público.

UI. LINGUAGEM APROPRIADA


1. Vida e Pregação. 0 pregador
1. Linguagem a evitar 2 T m 2 .l6 deve viver o que prega e pregar o
2. Considerar a ocasião P v 3 .2 i que vive, pois pregação e modo de
vida formam um binômio ético in­
3. Porta-voz do Senhor iC o 4 .i
separável (lTm 4.12). Quando o
IV. OUTROS CUIDADOS pregador profere sua mensagem,
os ouvintes atentam não somente
1, Uso do tempo E f 5.16-17
em suas palavras, mas principal­
2, Humor iPe4.io mente em como ele vive. Caso não
3, Motivação errada Jo3.30 haja uma completa coerência entre
o discurso e o seu modo de vida, seu
APLICAÇÃO PESSOAL sermão cairá no descrédito ou fica­
rá limitado no seu alcance, não im­
porta a eloquência do pregador ou a
profundidade bíblica da mensagem,
Jesus censurou os intérpretes
da lei porque pregavam ortodoxa­
mente, mas viviam levianamente;
ou seja, não praticavam seus pró­
prios ensinamentos (Lc 11.46). 0
pregador é um vaso de barro, por­
tanto, não é perfeito. Ele deve es-

60
Lição 10 - Sin al Vermelho no Púlpito

tar consciente de que carrega um c) Usar ilustrações da expe­


tesouro precioso que procede de riência pessoal de outras pessoas
Deus (2Co 4.7). Do contrário, po­ como se fossem suas.
derá ser dito a seu respeito: "0 que d) Forjar dados estatísticos
vives fala tão alto que não consigo para embasarsua pregação.
ouvir o que pregas" e) Usar sua posição ou a men­
sagem divina como pretexto para
2. Amar os ouvintes. Se o pre­ alcançar impiedosamente seus in­
gador não ama os ouvintes, não po­ teresses pessoais.
derá pregar o amor A exigência bá­ f) Apresentar um padrão de
sica de Jesus a Pedro, para que este vida no púlpito e outro no cotidiano,
se levantasse de modo relevante desafiando seus ouvintes a viverem
na vida e se tornasse um autênti­ princípios que ele próprio não vive.
co "pescador de homens" foi que o E importante mostrar equilí­
amor que este sentia pelo Senhor brio e fugir dos extremos, a saber:
fosse expresso em cuidado amoro­ a) Apedrejar os preteridos,
so pelas ovelhas (Jo 21.15-17), Há nem lisonjear os preferidos; ja­
pregadores que adoram multidões, mais usando sua mensagem para
mas detestam pessoas; adoram ser promover alguns e abater outros,
louvados pelas massas, mas não b) Mencionar experiências ne­
suportam gastar tempo em ajudar gativas, citando os nomes dos pro­
gente de carne e osso. tagonistas.
Como alguém poderia pregar c) Mencionar as limitações fí­
sem amor a mensagem do incomen­ sicas das pessoas sob quaisquer
surável amor de Deus? Jesus nos pretextos espúrios, principalmen­
mandou amar até mesmo os nossos te de gracejos ou preconceitos.
inimigos, em fazendo o bem a eles, d) Julgamentos sobre o destino
não a gostar das coisas erradas que eterno de pessoas da comunidade
eles praticam (Lc 6.27). Portanto, que já morreram (quem foi para o
uma mensagem eticamente correta céu ou para o inferno).
precisa refletir o amor em atitudes e e) Tratar os mais velhos com
ações concretas de nossa parte (Rm cortesia e bondade; o sexo oposto
5.5; Ijo 4.20). com toda a pureza (lTm 5.1,2).

3. Ser honesto. Muitas coisas II. APARÊNCIA PESSOAL


relativas à falta de honestidade
podem servir como pedras de tro­ 0 pregador deve ter atenção ao
peço para os pregadores (Pv 21.8): modo com que se apresenta, mas
a) Não honrar suas dívidas. resistir à vaidade de destacar-se
b) Plagiar sermão de outro exageradamente pela aparência
pregador. física.

61
Lição 10 - Sin al Vermelho no Púlpito

1. Higiene PessoaL 0 cuidado te com a mensagem. Assim como


com a higiene pessoal é determi­ o rosto expressa o que se sente, a
nante para uma boa aparência. 0 mensagem deve ser ilustrada com
nosso corpo, como templo do Es­ o semblante. Uma expressão triste
pírito, deve ser mantido limpo e não combina com uma mensagem
bem apresentável (ICo 3.16]. Isso alegre, e vice-versa. Um rosto ira­
tem a ver com a higiene corporal, do ou mal humorado não condiz
o asseio diário, a escovação dos com a mensagem de salvação pela
dentes, o uso de desodorante etc. graça nem com a alegria de seguir
Pode ser extremamente desagra­ a Cristo (Fp 4.4; Pv 15.13).
dável ter de ouvir uma mensagem 0 pregador deve saber mes­
de alguém próximo com mau háli­ clar a comunicação da mensagem
to ou malcheiroso. verbal com expressões gestuais.
Mas precisa ter cuidado com
3. Traje Adequado. 0 modo gestos que denotem ofensas ou
como nos vestimos é importan­ provocações (lT s 5.22). Deve evi­
te na medida em que funciona tar também: esmurrar o púlpito,
como um cartão de apresentação apontar para as pessoas, tiques
de quem somos (lT m 2.8,9]. Uma nervosos etc.
primeira impressão negativa do
mensageiro pode frustrar a recep­ III. LINGUAGEM
ção de sua mensagem. Não impor­ APROPRIADA
ta se os trajes sejam novos, mas
que estejam limpos e bem apre­ O pregador do Evangelho deve
sentáveis. Do contrário, mostrará sempre manter uma linguagem
apenas desleixo e falta de higiene, adequada. Isto porque a mensa­
e isso não recomenda bem. gem do Evangelho é divina, sendo
Uma boa aparência confere a mais preciosa e mensagem que o
dignidade e credibilidade iniciais mundo pode ouvir.
a quem comunica uma mensagem
importante, principahnente em X. Linguagem a evitar. Dentre
se tratando da pregação do Evan­ a linguagem que deve ser evitada
gelho. 0 pregador deve ater-se ao pelo pregador (2Tm 2.16), desta­
traje que pede a ocasião, se for­ camos:
mal ou informal, para não destoar a) Gírias, jargões e expressões
com o costume da comunidade de sentido dúbio, ou palavreado
onde está a ministrar. chulo (Cl 4.6).
b) Ilustrações vulgares ou de
2. Expressão Facial e Gestos. autenticidade duvidosa.
Ao anunciar as boas novas, a ex­ c) Palavras duras, críticas áci­
pressão facial tem de ser condizen­ das, ameaças, ser ferino em sua

62
Lição 10 -Sin a l Veim elho no Púlpito

mensagem, prindpalmente se for IV. OUTROS CUIDADOS


um visitante (2Tm 2.24].
d) Usar a oportunidade para 1. Uso do tempo. É necessário
revanchismo, dar indireta ou apli­ considerar o fator tempo como im­
cai’ "corretivos" direcionados a al­ portante aos ouvintes e à boa or­
gum desafeto. dem do culto (Ef 5.15-17). Não são
e) Ilustrar sua mensagem com poucos os exemplos de pregadores
alguma confidência ouvida em que passam demasiadamente do
segredo no reservado do aconse­ horário e, como resultado, ficam a
lhamento. pregar para auditórios quase va­
f) Tratar qualquer assunto de zios. Mesmo inspirado pelo Espí­
modo preconceituoso ou desres­ rito, deve levar em conta o tempo.
peitosamente.
2. Humor, Existe uma linha
2. Considerar a ocasião. O tênue entre uma mensagem bem
pregador deve agir com sabedo­ humorada e a falta de reverência,
ria e bom senso, consideraran- portanto é preciso bom senso ao
do a ocasião e o motivo do culto, usar essa ferramenta. 0 objetivo
para que sua mensagem não des­ do humor deve ser o de clarear o
toe nem cause constrangimentos sentido da mensagem, tornando-a
desnecessários (Pv 3.21]. Deve mais atraente, jamais o de fazer
evitar assuntos doutrinários, que graça para divertir uma plateia.
cabem ao pastor da igreja, exceto O humor jamais deve ser usado
quando autorizado por este. Em para preencher o vazio da falta de
ocasiões onde se reúnem crentes conteúdo da mensagem, mas para
de várias denominações, evitar ampliar o alcance da mesma. De­
abordagem de pontos doutriná­ vem-se evitar quaisquer brinca­
rios divergentes, antes tratar de deiras baseadas em preconceitos
pontos comuns da fé, do amor e raciais ou religiosos, assim como
do serviço. as que apontam para defeitos fí­
sicos ou limitações das pessoas
3. Porta-voz do Senhor. Todo (IP e 4.10).
pregador do Evangelho é um por­
ta-voz do Senhor Jesus, pois seu 3. Motivação errada. Reconhe­
discurso é embasado na Palavra cido como o Príncipe dos Pregado­
de Deus. Portanto, uma vez que res em seu tempo, Charles H. Spur-
os ouvintes esperam receber uma geon indicou que as motivações
explanação bíblica, o pregador erradas do pregador podem causar
deve sempre agir como arauto do grande insucesso na sua pregação.
Senhor, "como despenseiros dos Em seu texto Como pregar para não
mistérios de Deus" [ICo 4.1). convertera ninguém, eles listou:

63
Lição 10- Sinai Vermelho no Púlpito

• Deixe que seu motivo predo­ Deus é tão bom com todos, não en­
minante seja assegurar sua pró­ viará ninguém para o inferno,
pria popularidade. • Pregue sobre o amor de Deus,
• Preocupe-se mais em agra­ mas não fale nada a respeito da
dar do que converter aos seus santidade do seu amor
ouvintes. • Evite dar ênfase na doutrina
• Procure assegurar sua repu­ da completa depravação moral do
tação como sendo um pregador homem para não vir a ofender o
famoso e diferente dos outros - moralista (lT m 6.3,4).
para que todos o idolatrem e não
prestem atenção na mensagem C “ ^
Qo3.30). APLICAÇÃO PESSOAL
• Fale com um estilo florido,
enfeitado e inteiramente fora do O pregador da excelente Pala­
alcance da compreensão da maio­ vra de Deus deve ter igualmente
ria das pessoas. um comportamento excelente,
• Seja superficial nas suas con­ devendo se apresentar "aprovado,
siderações para que seus sermões como obreiro que não tem de que
não contenham verdades suficien­ se envergonhar, que maneja bem a
tes para converter alguém. palavra da verdade".
• Deixe a impressão de que se Ç ___________ )

------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ ---

RESPONDA
1) Q ual o ponto de fu n d a m e n ta l im p o rtâ n cia em relaçã o ao seu co m p o rta m e n to público?

2) Higiene pessoal, expressão facial e traje adequado são quesitos de que área do preparo pessoal?

3) A quem co m p e te tratar so b re a ssu nto s d o utrin ários na igreja?

64
LIÇÃO 11
j ENSINO E DISCIPULADO QUE
FUNCIONAM
SUPLEMENTO EXCLUSIVO DO PROFESSOR
Afora o suplemento do professor, todo o conteúdo de cada lição
ê igual para alunos e mestres, inclusive o número da página.

ORIENTAÇÃO OBjETIVOS
PEDAGÓGICA
• Explicara importância do ensino.
Ninguém poderá ser bem su­ •Compreender as razões do
cedido em qualquer área, se não ministério de ensino.
for corretam ente instruído sobre • Entender que o ministério de
o que é certo ou errado. Embora ensino garante a consistência da
no mundo moderno, certo e er­ doutrina e proteção do rebanho
rado tenham um valor relativo, quanto às ameaças à fé cristã.
em função de fatos históricos,
padrões sociais ou certas circuns­
tâncias que validam uma posição PARA COMEÇAR A AU LA
ou outra. Do ponto de vista espi­
ritual, certo é certo, errado é er­ No início de sua aula, estimule
rado! Isto é um princípio divino e os alunos a citarem exemplos de
Deus não muda! (Tg 1.17) experiências de ensino mal suce­
Para se alcançar um status de didas ou de cursos realizados que
grande profissional em qualquer não os prepararam adequadamen­
carreira, é necessário formação te para uma prova ou outros desa­
adequada, transmitida por bons fios da vida profissional.
educadores e instituições de ensino Pergunte sobre o que conside­
sérias, que primam pela ministra- ram necessário para se tornar um
ção de conteúdos científicos valida­ bom profissional? Procure desta­
dos por exaustivas pesquisas. car a importância de se receber
Do mesmo modo, o cristão uma formação adequada associa­
verdadeiro precisa ser ensinado da a práticas em situações reais.
sobre o padrão de conduta de vida E para ser um cristão? Somos
esperado de todos aqueles que ad­ visíveis para o mundo e para Deus
quiriram a nova vida em Cristo. (Mt 5.14-16).

RESPOSTAS DA PÁGINA 70
PALAVRAS-CHAVE 1) Orientação para a vida espiritual e consolidação da fé.
Correlação • Intempéries * Negligenciar •
2) Corpo doutrinário de regras de fé e práticas.
Contundente
3) Ao manejarmos de forma adequada a Bíblia.

I
Lição 11 Ensino e Discipulado que Funcionam
-

LEITURA COMPLEMENTAR

0 ministério do ensino é de fundamental importância para consolidação


da fé de todos aqueles que foram alcançados pela pregação da Palavra. A mis­
são não estará completa, se formos apenas bons pescadores, porém péssimos
cuidadores de almas. É preciso considerar o desafio de transformar recém-
-convertidos em discípulos! Pois todos aqueles que iniciam a jornada crista,
através do reconhecimento e arrependimento pelos seus pecados e aceitam
o perdão de Deus e a Cristo como seu Salvador pessoal, adquirem uma nova
vida, tornando-se novas criaturas e, como tal, precisam aprender qual é o
padrão de conduta individual e comunitária que devem adotar doravante.
0 ensino, portanto, é indispensável para conservar os resultados do evan-
gelismo. É mediante o ensino que os novos crentes são instruídos sobre o que
se espera deles, quais os meios disponíveis ao seu alcance para crescerem
espiritualmente e amadurecerem, tornando-se homens e mulheres fortes na
fé, capazes de resistir aos primeiros testes da infância espiritual e, mais tarde,
à astúcia enganadora do inimigo (Ef 4,14).
Quando combinamos o ministério da pregação da palavra com um mi­
nistério de ensino eficaz, não obtemos apenas resultados quantitativos mais
qualitativos também, pois proporcionamos aos novos convertidos condições
para viverem uma vida cristã como discípulos do Senhor Jesus.
Ensinar é causar mudança, tanto das atitudes quanto das ações. Este é
o alvo do ensino bíblico. Por meio do ensino dos mandamentos de Jesus, as
atitudes e as ideias são mudadas. Como consequência, o decurso da vida é
mudado. 0 crescimento e a maturidade devem seguir-se, então. Os discípu­
los no Novo Testamento eram aprendizes e seguidores. Aprendiam a men­
sagem do Mestre, e seguiam Seu exemplo, também. Este foi o objetivo que
Jesus colocou diante dos Seus discípulos quando os comissionou a ensinar
(Mt 28.19.20).
O ensino bíblico é muito mais do que transmitir fatos e interpretar as Es­
crituras. As coisas aprendidas devem ser aplicadas à vida todos os dias. Jesus
expressou assim esta verdade: "Se vós permanecerdes na minha palavra, ver­
dadeiramente sereis os meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verda­
de vos libertará" (Jo 8.31-32). Desta maneira a verdade, que é conhecida e
praticada, traz a liberdade.

Adaptação do texto contido no Livro: “Homilética: Ministrando a Palavra de Deus”


(ICI, São Paulo, 2007, págs. 159 e 166,167).

V____________________________________________ J
[J
Estudada e m ___ /___ /

DEVOCIONAL DIÁRIO
Segunda - Pv 22.6
ENSINO E Ensino para uma vida correta
Terça - Mt 7.28
DISCIPULADO Ensino que impacta outros
Q uarta-A t 13.12
QUE FUNCIONAM Ensino que produz mudança de vida
Quinta - jo 7.16
A fonte do ensino de Jesus
Sexta - Rm 12.7
Ensino com dedicação
J l X T O ÁUREO Sábado - Ml 2.8-9
'Ele respondeu: Como poderei As consequências do ensino errôneo
entender, se alguém não me
explicar?0At 8.31
LEITURA BÍBLICA
m
■f. . tfc S
Atos 8.31-35
31 Ele respondeu: Como poderei en­
V e r d a d e Pr a t ic a tender, se alguém não me explicar? E
A m inistração da sã doutrina, convidou Filipe a subir e a sentar-se
provoca mudança de atitude e junto a ele.
com portam ento nos ouvintes. 32 Ora, a passagem da Escritura que
estava lendo era esta: Foi levado como
ovelha ao matadouro; e, como um cor­
deiro mudo perante o seu tosquiador,
assim ele não abriu a boca.
33 Na sua humilhação, lhe negaram justi­
ça; quem lhe poderá descrevera geração?
Porque da terra a sua vida é tirada.
34 Então, o eunuco disse a Filipe: Pe-
ío
ço-te que me expliques a quem se re­
fere o profeta. Fala de si mesmo ou de
algum outro?
35 Então, Filipe explicou; e, começan­
do por esta passagem da Escritura,
anunciou-lhe a Jesus.

Hinos da Harpa: 151 - 306 - 394

65
Lição 11 - Ensino e D isdpulado que Funcionam

INTRODUÇÃO
ENSINO E DISCIPULADO
QUE FUNCIONAM Assim como estudado sobre o
ministério da pregação, o ministé­
rio do ensino também é um meio
INTRODUÇÃO
de comunicação das verdades es­
pirituais, porém com foco mais
I. DEFINIÇÃO DE ENSINO aprofundado, pois, através deste
ministério, busca-se fornecer uma
1. Conhecimento
edificação espiritual sólida da fé
2. Compreensão de todos aqueles que foram alcan­
çados pela graça de nosso Senhor
3. Prática Jesus Cristo.

II. DISCIPULADO I. DEFINIÇÃO DE ENSINO


1. Mandamento M t 28.18-20
0 ensino pode ser definido
2. Disdpulado At 1125,26 como a arte ou ação de transmitir
conhecimentos, no sentido de as­
3. Discípulo Aft 1624,25 segurar o comportamento correto
da pessoa em relação a determi­
IIL PROTEÇÃO AO REBANHO nadas regras, princípios, ideias ou
preceitos,
1. Sã Doutrina T t2.l-lo
Este processo implica a inte­
2. Falsas Doutrinas 2 P e 2 .i ração de três elementos: 1) Quem
ensina: pai, mãe, professor, mestre
3. Correção de desvios 2Tm 223-26 ou instrutor; 2) Quem aprende:
filho, aluno, estudante, discípulo
APLICAÇÃO PESSOAL etc; 3) Conteúdo do Ensino: dou­
trinas, regras, preceitos etc. Neste
tópico da lição, abordaremos três
estágios deste processo.

1, Conhecimento. É impossí­
vel iniciar qualquer processo de
ensino sem antes transmitirmos
os conhecimentos básicos ou ru­
dimentares sobre uma nova disci­
plina, princípios, regras de condu­
tas sociais ou religiosas. Vejamos
como Deus se fez conhecido ao Seu

66
Lição 11 Ensino e Discipulado que Funcionam
-

povo Israel de forma que pudes­ ção e questionamento quanto ao


sem identificá-lo e diferenciá-lo em sentido do que fora escrito na Lei
relação aos deuses do Egito: e pelos Profetas: Padrão de cum­
a) Revelação da Identidade. Pri­ primento da Lei (Mt 5.17-20); Ira
me iramente a Moisés, através da (Mt 5.21); Perdão ou Reconcilia­
sarça ardente e, posteriormente, ção (Mt 5.23-26); Vingança e o
ao povo no monte Sinai (Êx 3.1-6; Amor (Mt 5.38-48); Adultério e
Êx 19.9;16-19). Divórcio (Mt 5.27-31); Juramentos
b) Revelação do Poder Maravi­ (Mt 5.33-37); Esmolas (Mt 6.2-4);
lhas no Egito, capacidade de pro­ Modo de Orar (Mt 6.5-8); Quem
teção, superação de desafios ins- era o Próximo (Lc 10.29-37). Um
transponíveis ou insolúveis: Mar ensino que maravilhava a todos
Vermelho, falta de água e comida (Mt 7.28-29).
(Êx 7-17). Uma compreensão clara dos
c) Revelação da Proteção Contí­ ensinos bíblicos nos livra de ideias
nua. intempéries, riscos noturnos, errôneas sobre a Palavra de Deus.
patrimônios individuais e coleti­ Consideremos dois exemplos
vo, ação contra os inimigos. bíblicos:
Este mesmo processo, foi ado­ a) Discípulos no caminho de
tado por jesus para se revelar ao Emaús (Lc 24.13-34).
Seu povo e, posteriormente, à b) Filipe e o Etíope no deserto
Igreja (Jo 2.1-11], de Gaza (At 8.26-38).
Na compilação das Escrituras Todo erro doutrinário decorre
Sagradas, de igual forma, Deus da má interpretação das Sagradas
inspirou homens santos para o Escrituras, tendo como consequên­
registro, de forma didática e pro­ cia o surgimento de dissensões, he­
gressiva, do conhecimento sobre resias e apostasias (Mt 22.29).
quem Ele é, o que Ele fez e faz, Seu
Plano para a humanidade e povo 3. P rática. Após conhecer­
quem Ele escolheu para consecu­ mos, compreendermos e a inter­
ção dos Seus propósitos. pretarmos os fatos, é preciso pôr
em prática o que aprendemos.
2, Compreensão. Jesus, em Jesus, ao concluir o Sermão do
Seu ministério terreno, procurou Monte, alertou claramente a to­
não só transmitir conhecimentos, dos os Seus seguidores: Ouvir
mas preocupava-se também quan­ sem praticar é insensatez (Mt
to à compreensão do que estava 7.24-27). As críticas mais delibe­
sendo ensinado. Um dos métodos radas foram dirigidas aos escri­
utilizados para certificar-se de bas e fariseus, homens de sólidos
que haviam entendido o conteúdo conhecimentos e aos intérpretes
do ensino era através da explica­ da lei, que religiosamente obser-

67
Lição 11 Ensino e Discipulado que Funcionam
-

vavam o ritual e a tradição, mas


negligenciavam a prática do espí­
rito da Lei (pureza interior). Ensinar é causar
mudanças, tanto das
II. DISCIPULADO ideias quanto das
atitudes/'
Sem ensino, certamente não há
perpetuação e garantia da origina­
lidade da mensagem do Evangelho é bastante enfática; "Toda a au­
e de toda a Escritura Sagrada. Por toridade me foi dada no céu e na
isso, tanto o Antigo Testamento terra" (Mt 2 8 .1 8 -2 0 ).
quanto o Novo Testamento trazem
recomendações divinas expressas 2. Discipulado. No manda­
quanto à necessidade imperiosa mento dado por Jesus a todos os
do ensino contínuo da Palavra de cristãos, vemos que o esforço e
Deus. A responsabilidade desta objetivo primário da evangeliza­
missão recai sobre os pais (Dt 6.6- ção não é aum entar o número de
9); os líderes (Sacerdotes, Reis membros de uma igreja local; a
e Profetas); Jesus (Is 61.1-2; Lc missão principal é: fazer discí­
4.18-19); Espírito Santo (Jo 16,13- pulos! Atribui-se a John Wesley
15); os Apóstolos (At 2.42) e sobre o seguinte com entário: “A igreja
todos aqueles que se tornam dis­ não muda o mundo quando gera
cípulos de Cristo (2Tm 2.2). É um convertidos, mas quando gera
mandamento!1 discípulos
Discípulos não são conquis­
1. Mandamento. Um manda­ tados, são gerados (At 11.25,26).
mento é uma ordem escrita ou Este resultado não se obtém num
verbal dada a terceiros, por al­ passe de mágica, é preciso esforço
guém que tem autoridade e poder pessoal, dedicação, preparação,
para exigir o seu cumprimento, adequação do conteúdo, de lingua­
bem como punir pelo descumpri- gem, cultura, idiomas, estágios de
mento ou cumprimento da ordem conhecimento e entendimento de
sem os padrões exigidos. cada indivíduo ou mesmo povos,
Quando aplicamos este con­ e respeito à individualidade, além
ceito ao m inistério do ensino, de materiais apropriados. Novos
deveríamos considerar o risco convertidos, em termos espiri­
que assumimos quando não rea­ tuais, precisam dos mesmos cui­
lizamos a contento ou descum- dados dispensados a uma criança
primos o mandamento que nos recém-nascida. Os rudimentos da
foi dado. A declaração de Jesus fé cristã devem ser ministrados na
que precede este mandamento dosagem certa.

68
Lição 1 1 Ensino e D iscipulado que Funcionam
-

3. Discípulo. Ninguém se tor­ guiar todas as nossas ações na vida


nará um discípulo fiei de Jesus presente, de forma a alcançarmos
se, ao passar por um processo de o padrão de santificação requeri­
discipulado, não compreender do por Deus e inspirar outros na
plenamente que a vida cristã não mesma direção (At 2.42-43).
se resume a ser um membro de Paulo, em sua carta pastoral
uma igreja local, mas é uma deci­ a Tito, exorta-o a falar de acordo
são que envolve mudança radical com a sã doutrina, em especial, no
de vida com renúncia pessoal, as­ que diz respeito ao ensino. Desta­
sumindo todos os riscos e custos ca o que é esperado de todos os
da missão (Mt 16.24-25). Esta é a membros da igreja: servos, jovens,
razão pela qual o apóstolo Paulo filhos, mulheres recém-casadas,
declarou o seu grande esforço es­ mulheres e homens idosos, assim
piritual pelos irmãos da Galácia como dele próprio (Tt 2.1-10).
(G1 4.19). 0 discípulo é muito se­
melhante ao Mestre (Mt 26.73). 2. Falsas Doutrinas. São mui­
tos os riscos que podem afetar a
III. PROTEÇÃO AO vida espiritual dos membros do
REBANHO corpo de Cristo. Estes riscos que
estavam presentes na Igreja Pri­
Paulo conclamou os presbí- mitiva, mantiveram-se presen­
teros em Efeso a olharem para si tes em toda a história da Igreja e,
próprios e pelo rebanho que Deus com maior sutileza, nos tempos
lhes confiara. Muita coisa está en­ modernos, nos quais aparente­
volvida nesse ministério e a lide­ mente o pecado não faz mais um
rança precisa ter uma consciência contraste tão marcante com o
clara sobre isto. Como líder, o en­ padrão de santidade requerido à
sinador deve ser espiritualmente Igreja. Parece que vivemos tem­
sensível, devotado e habilitado na pos similares aos de Jeremias
ministração do ensino bíblico (Rm (Jr 6.13-14).
12.7). Capacitado para tomar deci­ Sabemos que há uma ação
sões certas (2Tm 4.1-2;5 e Tt 1.9) maligna orquestrada, e com alvos
e de motivar o povo a prosseguir bem definidos, para a destruição
a caminhada cristã de forma segu­ da confiança em Deus e da fé cris­
ra e condizente com a Sã Doutrina tã. Sobre algumas dessas ações,
(Tt 2.7,8).1 Moisés, os Profetas, Jesus e os
apóstolos, deixaram-nos adver­
1. Sã Doutrina. A sã doutrina tências contundentes: Sonhador
constitui o corpo doutrinário de de sonhos (Dt 13.1-4); Impostores
regras de fé e prática, contidas nas (ís 8.19-20); Falsos Profetas e Fal­
Sagradas Escrituras, que devem sos Cristos (Mt 2 4 .4 - 5 ;ll) ; Lobos

69
Lição 11 - Ensino e Discipuiado que Funcionam

vorazes (Mt 7.15; At 20.28-30); envolvia importantes lideranças


Falsos Mestres (2Pe 2.1). religiosas (Mt 23.1-36) e, em es­
pecial, o lugar de adoração (Mt
3. Correção de desvios. Essa é 21.12-13). Todo cuidado é pouco
uma área que exige determinação (2Tm 3.1-5).
e cuidado especial de qualquer lí­
der da Igreja de Cristo. O Apóstolo r--------- : s
Paulo adotava a regra de "tolerân­ APL1CAÇAO PESSOAL
cia zero" em relação a todo des­
vio de conduta na vida espiritual. 0 ensino da Palavra de Deus,
Exortava a liderança a agir com requer de cada cristão domínio e
amor (2Tm 2.23-26), mas também com petência no manuseio da es­
com rigor, quando o fato assim o pada do Espírito, para com bater
exigisse (ICo 5,1-5;11-12). Jesus os erros doutrinários que am ea­
nunca fez concessões a qualquer çam a fé cristã.
erro doutrinário, mesmo quando

RESPONDA
1) Indique duas razões sobre a importância do ministério de ensino para a Igreja de Cristo.

2) O que é Sâ Doutrina?

3) Como podemos corrigir erros doutrinários ou desvios de conduta na vida espiritual?

70
LIÇÃO 12

O ALUNO. O PROFESSOR E A AULA

SUPLEMENTO EXCLUSIVO D O PROFESSOR


Afora o suplemento do professor, todo o conteúdo de cada lição
é igual para alunos e mestres, inclusive o número da página.

ORIENTAÇÃO OBJETIVOS
PEDAGÓGICA
• Entender a necessidade de
Nesta lição, consideraremos al­ sepreparar com antecedência
guns conselhos práticos que irão para uma aula.
ajudar o professor a desenvolver • Aplicar princípios didáticosque
melhor suas aulas. Os conselhos ora gerem uma aula mais produtiva.
citados visam a facilitar a ministra- •Distinguir o significado entre
ção da aula, e nada mais são do que atenção e interesse do aluno.
instrumentos práticos que ajudarão
na operacionalização dos métodos,
que por sua vez são procedimentos PARA COMEÇAR A AU LA
didáticos que se prestam para aju­ Comece sua aula perguntando
dar no trabalho do professor. aos seus alunos se eles conseguem
Nas próximas páginas, iremos perceber a diferença entre uma boa
discorrer como se aplicam princí­ e uma má aula. Em seguida, pergun­
pios que visem a tornar as aulas te qual é o fator (ou ator) que deter­
mais interessantes, dinâmicas e mina o nível qualitativo de uma aula.
eficazes do ponto de vista da apren­ Assuma a discussão que foi ge­
dizagem e da interação entre o mes­ rada e pergunte aos seus alunos
tre e seus alunos (processo ensino- se eles se lembram dos nomes de
-aprendizagem). professores que foram referência
Aqui, o professor, tanto o ini­ para a vida deles, se eles se lem­
ciante quanto o veterano, encon­ bram de "como" esses professores
trará material apropriado que vai davam suas aulas e, principalmen-
capacitá-lo a desempenhar seu pa­ te, o porquê esses mesmos profes­
pel no Reino de Deus de forma mais sores marcaram suas vidas.
eficiente e didática.

RESPOSTAS DA PÁGINA 76

PALAVRAS-CHAVE 1) Cristo.
Conselho • Prática • Influência 2) Reserva de conhecimento.

3) A atenção.

I
Lição 12 0 Aluno, o Professor e a Aula
-

LEITURA COMPLEMENTAR

Ensinar é causar mudança, tanto das atitudes quanto das ações. Este
é o alvo do ensino bíblico. Por meio do ensino dos mandamentos de
Jesus, as atitudes e as ideias são mudadas. Como consequência, o decur­
so da vida é mudado. O crescim ento e a maturidade devem seguir-se,
então. Os discípulos no Novo Testamento eram aprendizes e seguidores.
Aprendiam a mensagem do Mestre, e seguiam Seu exemplo, também.
Este toi o objetivo que Jesus colocou diante dos Seus discípulos quando
os comissionou a ensinar O ensino bíblico é muito mais do que trans­
mitir fatos e interpretar as Escrituras. As coisas aprendidas devem ser
aplicadas à vida todos os dias. Jesus expressou assim esta verdade: "Se
vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis os meus
discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (Jo 8.31-
32). Desta maneira a verdade, que é conhecida e praticada, traz a liberda­
de (Mt 28.19.20).
A mera observância externa de regras aprendidas (ou fazer o que a
Lei manda), porém, não basta. As críticas mais deliberadas de Jesus eram
dirigidas contra os fariseus que religiosamente observavam o ritual e
a tradição, mas que negligenciavam a pureza interior. Ele condenava a
ausência da vida espiritual no interior. Ensinava que as pessoas deviam
observar aquilo que é certo a fim de agradar a Deus, não a fim de impres­
sionar os outros. Preocupa-Se primeiramente com nosso ser (aquilo que
somos) e depois com o nosso fazer (nosso comportamento que é o resul­
tado da mudança interior e espiritual).
Certa ocasião, quando Jesus acabara de ensinar, concluiu Sua aula com
uma observação acerca da importância de praticar aquilo que foi ouvido.
Ele disse que aqueles que ouvem a Palavra e não a aplicam, estão cons­
truindo na areia. Aqueles que ouvem a Palavra, e cujas ações são transfor­
madas como resultado, são comparados com um homem que edifica a sua
casa na rocha. Somente aqueles que ouvem, e cujas ações refletem esta
mudança interior, podem, segundo disse Jesus, sobreviver (Mt 7.24-27).

Livro: “Homilética: Ministrando a Palavra de Deus” (ICI, São Paulo, 2007, pág. 169,170).

V.

LI
Estudada e m ___ /___ /

r ^ r \
LIÇÃO 12 DEVOCIONAL DIÁRIO
Segunda - SI 119.12
Deus ensina Seus decretos
O ALUNO, O Terça - SI 34.11
Deus ensina sobre temor
PROFESSOR E Quarta - Ex 4.12
Deus ensina intimamente
A AULA Quinta - Dt 4.10
Deus nos manda ensinar nossos filhos
Sexta - Dt 4.36
Deus ensina com poder
TEXTO ÁUREO Sábado - Jz 13.8
'Torque Deus é quem efetua Deus usa Seus servos para ensinar
em vós tanto o querer com o
o realizar, segundo a sua boa
v on tad e” Fp 2.13
LEITURA BÍBLICA
if H IB r ■m

Filipenses 2.12-15
12 Assim, pois, amados meus, como
sempre obedecestes, não só na mi­
nha presença, porém, muito mais
agora, na minha ausência, desen­
volvei a vossa salvação com temor e
tremor;
13 porque Deus é quem efetua em
vós tanto o querer como o realizar,
segundo a sua boa vontade.
14 Fazei tudo sem murmurações
nem contendas,
15 para que vos torneis irrepreen­
síveis e sinceros, filhos de Deus in­
culpáveis no meio de uma geração
pervertida e corrupta, na qual res­
plandeceis como luzeiros no mundo,

Hinos da Harpa: 56 -111 - 242


v___ ____________ _ J
71
liç ã o 12 - 0 Aluno, o Professor e a Aula

r ~ \ INTRODUÇÃO
0 ALUNO, O PROFESSOR E
A AULA Nâo importa quanto conheci­
mento o professor possua, falhará
INTRODUÇÃO se não possuir também domínio da
arte de ensinar. Nesta lição, vamos
I, O ALUNO ATENTO estudar alguns conselhos práticos
que visam a despertar a atenção
1. Sua atençao Lc 5.1-3 e estimular o interesse, tanto do
aluno, quanto do professor Nos
2. Seu interesse }o 4.7 -is
três pontos a seguir, iremos propor
3. Seu ponto de vista Lc 10.36,3 7 alguns princípios e regras que vão
ajudar bastante a tornar sua aula
II, PROFESSOR MOTIVADO mais interessante e motivadora.

1. Seu entusiasmo Lc 24.32 I. O ALUNO ATENTO


2. Sua vigilância ml 6.24-28
1. Sua atenção (Lc 5 .1 -3 ). A
3. Seu amor iC o 13.1-2 atenção é o direcionamento da ati­
vidade mental para um fato, uma
III, O DOMÍNIO DO ASSUNTO emoção, ou um objetivo determi­
nado. Um aluno atento é aquele
1. Prepare a si mesmo Hm 12.7
que focaliza sua atenção de forma
2. Prepare a aula em oração Ef 6.18 integral ao que o professor diz ou
faz. Diz-se que "um aluno pode
3. Seja claro e relevante Mc 10.25-28 olhar sem ver e escutar sem ou­
vir". Ou seja: ele pode estar numa
APLICAÇÃO PESSOAL atitude de aparente atenção, en­
quanto sua mente pode estar a mil
quilômetros de distância.
Há dois tipos de atenção: a vo­
luntária e a espontânea. A volun*
tária é quando o aluno se obriga
a prestar atenção à matéria; já na
atenção espontânea, o mesmo se
mantém atento espontaneamen­
te, sem esforço consciente de sua
parte. Diante disso, chegamos à
conclusão que a atenção espontâ­
nea é a melhor, por ser inspirada
pelo interesse verdadeiro.

72
Lição 12 O Aluno, o Professor e a Aula
-

Se o professor não consegue que


sua lição seja interessante, o aluno
irá se dispersar A razão é simpies:
a mente não se concentra por mui­
As verdades bíblicas
to tempo em algo monótono. Dizer
podem ser faladas
que a classe não está prestando
com plena autoridade
atenção é o mesmo que dizer que
porque são a Palavra
ela não está aprendendo nada e de Deus."
que você está falando em vão. Para
que isso não aconteça, percorra sua
lição com graça, domínio e autori­ de interessá-los no que é certo e
dade, mostrando seus diferentes as­ verdadeiro, ou seja, nos valores cio
pectos a fim de despertar a atenção Reino de Deus.
dos seus alunos. Para exemplificar, podemos
observar o caso da mulher sama-
2. Seu interesse (Jo 4 .7 -1 5 ). ritana, em João 4.5-30. Vemos ali a
Certo pedagogo disse uma vez que turma de alunos do Mestre e uma
o interesse não é um meio, mas o mulher que apareceu para retirar
objetivo da educação. 0 aluno tal­ água. Naquele dia fazia calor, ela
vez se esqueça de fatos que lhe fo­ estava sedenta. Jesus ofereceu a
ram ensinados, mas se o professor ela a água que mataria a sua sede
lhe ensinou de modo tal que fez para a vida inteira, ou seja, Ele
o aluno entender que a Bíblia é o atendeu seu interesse pessoal e
livro mais maravilhoso do mundo, matou sua sede espiritual.
e que a vida cristã é a vida mais
elevada para o ser humano, então 3. Seu ponto de vista (Lc
atingiu seu o propósito. 1 0 .3 6 , 3 7 ). 0 ensino que interes­
0 atuno está cheio de ideias, sa é o que apeia às próprias ideias
desejos e impulsos, que se podem do aluno, é quando se dá a ele a
classificar como interesses, e estes oportunidade de expressar o que
podern estar voltados para Deus pensa a respeito daquele assunto,
ou para o mundo. A tarefa do pro­ Os propósitos são simples:
fessor é provocar um forte interes­
se peias coisas de Deus.As aulas a) Sua realidade. Faça-os com­
devem "ter vida", caso contrário, preender a verdade. Apresente a
se houver uma falação inanimada lição aos alunos em termos que
do Evangelho, o aluno terá a im­ reflitam as experiências deíes
pressão que ser cristão é algo cha­ mesmos. 0 professor deve "se
to e desmotivante. Por isso, o pro­ pôr no lugar de seus alunos" le­
fessor tem de fazer mais do que vando em consideração o modo
ganhar a atenção dos alunos, tem de verem e sentirem as coisas.

73
Lição 12 - 0 Aluno, o Professor e a Aula

Tenha em mente a seguinte per­


gunta: "Que conhecim ento tem
o aluno acerca do que explicarei Algumas pessoas têm
hoje que o ajude a com preender que dizer alguma
seu significado?" coisa; outras têm
alguma coisa para
b) Sua necessidade. Faça os dizer."
seus alunos aceitarem a verdade,
aplicando-a às necessidades deles.
Preste atenção na seguinte refle­ 2. Sua v ig ilân cia (Mt 6 .2 4 -
xão: "A mente e o coração do aluno 2 8 ) . Certa vez, um grande p ro­
são o campo em que o semeador fesso r estava ensinando sobre a
rega a semente plantada". 0 agri­ lei de M oisés. De uma hora para
cultor que não conhece a quali­ outra ele mudou o teo r da aula.
dade da terra de sua propriedade Passou a fazer uma narração
terá uma colheita escassa. com ovedora e em otiva acerca
da dificuldade do povo de Is­
II. PROFESSOR MOTIVADO rael em cruzar o d eserto. Ele
falou da areia escald ante, do
1. Seu entusiasm o (Lc 2 4 .3 2 ). suor do rosto das crian ças, da
0 professor deve manter o contro­ dificuldade dos idosos, da falta
le da classe. Se o professor for apá­ de recu rsos, enfim, ele levou a
tico, eles ficam apáticos; se for re­ classe às lágrim as! Por que ele
servado, eles ficam reservados. 0 fez isso? Ora, sendo um m estre
professor deve dar uma aula com exp erien te, ele observou que
fervor, com sentimento, esponta­ estava perdendo a atenção de
neidade, animação e convicção. seus alunos.
Não uma eloquência de palavras Se você perceber que está
suaves e bajuladoras, mas sim perdendo a atenção da sua cla s­
uma eloquência efusiva, sincera e se, se perceber olhos contem ­
vinda do coração. plativos e sem blantes ab o rre­
As aulas devem ser tiradas cidos, faça algo depressa para
do íntimo do seu ser, devem ser recuperar a atenção dos alunos.
ossos dos seus ossos, carne da Mude o teor da mensagem, con­
sua carne, o produto do seu tra ­ te uma estória, faça uma ilus­
balho mental, a potência nascida tração, lance uma pergunta que
de sua própria energia criativa. provoque seu pensam ento, seja
São aulas que vivem, se movem, com ovente, mude a m etodologia
voam pela sala, convencendo, da aula; enfim, se esforce para
deleitando, impressionando e não perder o "brilho do olhar"
louvando a Deus! de seus alunos!

74
Lição 12 - 0 Aluno, o Professor e o Aula

3. Seu am or (ICo 1 3 .1 -2 ). De dá força a seu ensino. 0 que ele é


todas as verdades, a mais sólida é influi com mais força sobre a classe
a de amar ao próximo. Logo, o pro­ do que o que ele diz. 0 que o arco
fessor deve levar e estimular esse é para a flecha, o professor é para
amor para dentro da sala de aula. seus alunos!
De todas as forças e influências Se o professor estiver bem
que ligam o professor ao aluno, a preparado, então "o eixo estará
maior de todas, a mais motivadora bem lubrificado e o rolamento de
do ensino é o amor. esferas girará bem". Estude mais
Os alunos reconhecem e rea­ material do que você acha que vai
gem bem diante do interesse amo­ precisar. Isso se chama reserva de
roso do professor. Os alunos são conhecimento, pois só quem co­
rápidos para descobrir se uma nhece a fundo a matéria pode ins­
palavra vem da mente ou do cora­ pirar confiança. Por exemplo, se a
ção. Sem o amor que liga coração a lição trata de um acontecimento
coração, o ensino é como o metal na vida de Josias, estude todos os
que soa, ou como o sino que tine. capítulos nos livros de Reis e de
0 professor deve orar pelos seus Crônicas que falam de seu reinado.
alunos, pedir a Deus sabedoria e
inteligência para eles; e, sobretu­ 2. Prepare a aula em oração
do, o professor deve saber o nome (Ef 6 .1 8 ). O ensino bíblico não é
de seus alunos, pois quando o pro­ apenas de ordem intelectual, mas
fessor chama seu aluno pelo nome, também de ordem espiritual, pois
ele concretiza, de forma atenciosa, nela se edifica o caráter cristão. A
esse vínculo de amor influência do professor em suas
aulas deve ser sempre dirigi­
III.O DOMÍNIO DO da para Cristo! É necessário que
ASSUNTO1 você ore em favor de seus alunos,
apresentando sua aula ao Espírito
1. Prepare a si mesmo (Rm Santo, solicitando ao mesmo que
12.7). 0 professor é mais importan­ tome a direção daquele momento.
te que a própria aula, assim como o Sendo o professor um guerrei­
trabalhador é mais importante que ro do Senhor, a espada do Espírito,
seu trabalho. Um grande pedagogo que é a Palavra de Deus, foi
disse: "Deixe-me escolher o profes­ posta nas suas mãos e o Senhor
sor, e não importa quem escolha a lhe pede que desfira golpes (suas
matéria". 0 professor deve pensar aulas) contra o inimigo do Reino
assim: "Sou um exemplo da verda­ de Deus. Cada vez que você se reú­
de que tento inculcar em meus alu­ ne com sua classe, trava-se uma
nos? Procuro ensinar-lhes a orar? batalha espiritual, pois a Verdade,
Eu oro?" A vida do professor é que que liberta, está sendo ensinada.

75
Lição 12 0 Aluno, o Pm fessor e a Aula
-

3. Seja claro e relevante (Mt a ponte entre seu conhecimento e


1 0 .2 5 -2 8 ). Os cinco sentidos sâo a necessidade do aluno. Sendo as­
maneiras diferentes de transmi-* sim, utilize uma linguagem fácil de
tir informações para o aluno, E ser aprendida, use palavras sim­
por meio deles que o professor ples! Reduza ideias difíceis a uma
apresenta a matéria de mais de explicação simples. Comece com
uma maneira, visando a facilitar o que é conhecido e familiar, e de­
a compreensão e assimilação da pois, vá avançando para assuntos
mesma, jesus ensinava utilizando mais complexos.
ilustrações que as pessoas podiam
'Ver'1: um casamento, um semea­
dor, uma criancinha etc. Planeje
: PESSOAL a
C APL1CAÇAO
sua aula de forma a utilizar recur­
sos tais como: gráficos, mapas, es­ O mais importante para uma
tatísticas, pôsteres etc. Imagine a boa aula é estar bem preparado^
eficácia de uma aula quando o alu­ para conduzir os alunos com amor
no pode ver, ouvir e tocar objetos à verdade do Evangelho. Isto é pos­
reais que ensinam sobre a verdade sível conhecendo bem a matéria e
ministrada, A linguagem de Jesus utilizando bons métodos de ensino.
era clara e simples! A linguagem é V ______________J

r -------------- ^
RESPONDA
1 ) D u ra n te a sua aula, a in flu ê n cia do p ro fe sso r d e ve se r sem p re dirig ida a q u e m ?

2) Como se chama o estudar muito mais material do que acha quev ai precisar para ministrar a aula?

3) O que é o direcionam ento da atividade menta! para um fato, emoção, ou objetivo determ inado?

v_

76
LIÇÃO 13

'•s O PREGADOR PENTECOSTAL

SUPLEMENTO EXCLUSIVO DO PROFESSOR


Afora o suplemento do professor, todo o conteúdo de cada lição
é igual para alunos e mestres, inclusive o número da página.

ORIENTAÇÃO OBJETIVOS
PEDAGÓGICA
•Reconhecer que o pregador pen­
Professor, quantos ensinamen­ tecostal não dispensa a homilética.
tos você aprendeu e repassou aos • Com preender que a mensa­
seus alunos neste Trimestre. Ago­ gem pentecostal requer experiên­
ra chegou a hora de avaliar o ensi­ cia com a pessoa do Espírito Santo.
no e o aprendizado. • Entender que conhecimento
Faça você mesmo uma avalia­ e poder de Deus andam juntos.
ção de sua dedicação ao estudo,
exposição das aulas e sua postura
de professor em sala de aula. Seja PARA COMEÇAR A AU LA
sincero com você mesmo. Se qui­
ser, pode consultar alguns alunos Tente fazer uma aula diferente,
sobre a exposição das aulas. com a participação mais ativa de
Quanto ao aprendizado, aproveite seus alunos. Faça três grupos de
esta última lição para contar com a aju­ até quatro pessoas e distribua en­
da de seus alunos, pedindo que partici­ tre eles cartolinas. Dê a cada gru­
pem ativamente da exposição da aula. po um tópico do esboço, peça que
Nesta última lição, discorrere­ discutam com base nas aulas an­
mos sobre o Pregador Pentecostal, teriores e que escrevam os pontos
essa figura à qual estamos tão bem que acharem mais importantes.
acostumados. Pense em seus alu­ Perceba em cada grupo o alu­
nos, não como futuros pregadores, no que mais se destaca. Ministre a
mas como pregadores iniciantes. aula e, como incentivo, você tam­
Portanto, procure ensiná-los da bém pode aproveitar para presen­
tear esses alunos que mais se des­
melhor maneira possível.
tacaram no Trimestre.
Que grande vitória é chegar ao
final de mais um assunto ministrado.

RESPOSTAS DA PÁGiNA 82
PALAVRAS-CHAVE 1) Salvação de vidas.
Pentecostal • Espírito Santo * Fruto
2) A sair do templo ao encontro dos que necessitam.

3) Daniel Berg e Gunnar Vingren.

I
Lição 13 - 0 Pregador Pentecostnl

LEITURA COMPLEMENTAR

Você precisa ter tanto poder espiritual quando entendimento espiri­


tual para ser um ministro eficaz. A vida espiritual que você recebeu quan­
do foi salvo deve ser cuidadosa como uma planta nova e tenra. A leitura
bíblica diária e a oração são necessárias para alimentar e amadurecer
aquela nova vida. Quando você assume o lugar no ministério, o seu ser­
viço é primariamente a ministraçâo das coisas espirituais à necessidade
espiritual. Paulo nos diz que Deus deu o Espírito a fim de que saibamos
tudo quanto Ele tem provido à Igreja (ICo 2.9-12).
Quando as coisas específicas que Deus tem provido são compreendi­
das, podem ser ministradas no poder do Espírito. Os discípulos sabiam
os fatos físicos do nascimento, da vida, da morte e da ressurreição de Je­
sus; mesmo assim, Ele lhes ordenou a esperarem em Jerusalém até se­
rem cheios do Espírito antes de começarem a testemunhar aos outros.
Ele prometeu poder para aqueles que esperassem a vinda do Espírito (At
1.4-8). Ousamos fazer menos que eles para preparar-nos para ministrar
aos outros?
Você talvez descubra que outras qualificações são necessárias para o
ministério. Algumas podem ser bíblicas, outras tradicionais, ou culturais,
e outras cívicas. Todas as exigências bíblicas devem ser satisfeitas. As leis
civis devem ser obedecidas a não ser que especificamente se oponham
a algum princípio ou mandamento das Escrituras. Até que ponto você
deve se submeter às exigências da tradição e da cultura é questão que
você deve resolver na sua própria mente. A oração, o estudo da Bíblia, e
a orientação do Espírito Santo ajudarão você a formar suas crenças pes­
soais no tocante a estas coisas. Tudo isto crescerá e se desenvolverá à me­
dida que você continua no ministério que Deus tem preparado para você.

Livro: “H o m ilé tica : M in istran d o a P a la v ra de D e u s ” (ICf, São Paulo, 2007, pág. 31).

_______________________________________________________ J

II
Estudada e m ___ /___ /

r
LIÇÃO 13 DEVOCIONAL DIÁRIO
Segunda - At 16.31
O PREGADOR Pregando a salvação
Terça - Hc 3.2
Pregando o avivamento
Quarta - Mc 1-8
Pregando o batismo com Espírito Santo
Quinta - At 8.6
Pregando com manifestação de sinais
Sexta - At 2.38
texto áureo Pregando o arrependimento
"Respondeu-lhes Pedro: Arrependei- Sábado - lTs 4.16
vos; e cada um de vós seja batizado em Pregando a volta de Cristo
nome deJesus Cristo para remissão
dos vossos pecados, e recebereis o dom
do Espírito Santo”At 2 3 8 LEITURA BÍBLICA
m
v i " ■írt'
»'Sí f
Atos 2.38-42
38 Respondeu-lhes Pedro: Arrepen­
VERDADE PRATICA dei-vos, e cada um de vós seja batizado
A P regação P entecostal é em nome de (esus Cristo para remis­
sim ples e poderosa. são dos vossos pecados, e recebereis o
dom do Espírito Santo.
39 Pois para vós outros é a promessa,
para vossos filhos e para todos os que
ainda estão longe, isto é, para quantos o
Senhor, nosso Deus, chamar.
40 Com muitas outras palavras deu tes­
temunho e exortava-os, dizendo: Salvai-
-vos desta geração perversa.
41 Então, os que lhe aceitaram a pa­
*«■'/ ■■w lavra foram batizados, havendo um
acréscimo naquele dia de quase três
mil pessoas.
42 E perseveravam na doutrina dos
apóstolos e na comunhão, no partir do
pão e nas orações.

Hinos da Harpa: 24 -100 -155


v__________ _ _ ___________ j
77
Lição 1 3 - 0 Pregador Pentecostal

INTRODUÇÃO
O PREGADOR PENTECOSTAL
Uma lição específica sobre este
tema não significa que a pregação
INTRODUÇÃO pentecostal seja mais importante,
ou um estilo à parte e superior,
I. O PREGADOR PENTECOSTAL que segue sua própria agenda.
1. Seu perfil E f 5.18-21 A pregação pentecostal segue
todos os parâmetros da Homilé-
2 . 0 exemplo de Pedro At 2.38-41 tica, conforme estudamos ao lon­
3. O Culto Pentecostal A t4.33 go desta revista. Todavia, realça a
confiança de que o Espírito Santo
II. A MENSAGEM PENTECOSTAL agirá e se manifestará com resul­
tados visíveis e práticos durante a
1. Mensagem com sinais At8.5-8
pregação.
2. Mensagem evangelística A t2.38 A pregação pentecostal pode
3. Mensagem missionária At8A ser identificada por enfatizar o
ministério e trabalho do Espíri­
III. O MOVIMENTO PENTECOSTAL to Santo no meio da igreja, não
apenas na vida particular de cada
1. O nascimento da Igreja At2.44
pessoa.
2. Rua Azusa A t2.39
3. Daniel Berg e Gunnar L O PREGADOR
Vingren At 1.8
PENTECOSTAL

Os discípulos estavam sendo


APLICAÇÃO PESSOAL
perseguidos e taxados como im­
postores, por falar da ressurreição
de Jesus, porém no dia de Pente­
costes, o Espírito Santo veio so­
bre eles, os encheu e mudou suas
histórias, de modo que aí nasceu a
mensagem pentecostal (At 2)
Após isso, vidas foram muda­
das, nações foram impactadas, ho­
mens simples sacudiram gerações
pelo poder do Espírito. 0 pregador
pentecostal tem uma mensagem
viva, uma palavra de autoridade e
uma existência de milagres.

78
Lição 13 0 Pregador Pentecostal
-

1. Seu perfil. 0 pregador


Pentecostal é alguém com um
chamado especial, pois sua pre­ Quando você m inistra,
gação não consiste só em pa­ nem o talento, nem o
lavras, mas em dem onstrações treinam ento, podem
do poder de Deus em forma de substitu ir o poder
dons, sinais, maravilhas e m ila­ espiritual na sua vida."
gres (ICo 2.4). Os resultados vi­
síveis da m inistração costumam
acontecer na hora da mensagem, 2. O exem plo de Pedro. Pe­
como a salvação de vidas, que é o dro foi um dos discípulos que
maior milagre que pode ocorrer, mais deu trabalho para Jesus.
seguido de outros movimentos Pescador, com um temperamento
espirituais, como por exemplo, explosivo, um homem sanguíneo
batism os com Espírito Santo e por natureza, agia por impulsos
avivamento (At 10. 4 4 -4 5 ). (Lc 5.4-8). Foi repreendido por
Seu modo de pregação é dife­ Jesus (Mt 16.22-23). Afundou por
renciado. Como acredita que as falta de fé (Mt 1 4 ,30-31). Cortou
evidências dos dons espirituais a orelha de um homem (Jo 18.10-
são para hoje, suas ministrações 11). Negou Jesus por três vezes
são marcadas por uma autoridade (Lc 22.54-62). Quando soube que
incomum, sempre enfatizando a Jesus havia morrido, se trancou
necessidade de um mover de Deus com medo dos judeus o prende­
durante e após suas mensagens. rem também (Jo 20,19). E depois,
O pregador pentecostal deve voitou a pescar, coisa de que Jesus
ter uma vida de oração constante já o havia tirado há mais de três
e de meditação na Palavra, sendo anos (Jo 2 1 .1 -3 ).
primordial ser cheio do Espírito Ainda assim, quando o Espí­
Santo e depender completamente rito Santo veio sobre Pedro, este
da unção divina para transmitir mudou completamente; e toma­
mensagens poderosas (Ef 5.18- do de uma autoridade sem igual,
21). Ele deve passar por uma pro­ ministrou um sermão em meio a
funda experiência com Deus, que uma grande multidão de varias
gere mudança em seu ser, pois nações. E nesse dia, sem microfo­
suas palavras irão demonstrar o ne ou qualquer outro apoio, mi­
que já experimentou: o poder do nistrou uma palavra simples e ob­
Espírito Santo em sua vida! Não jetiva, e mais de três mil pessoas
tem como ser um pregador pen­ entregaram suas vidas a Jesus (At
tecostal, sem antes ter uma expe­ 2,38-41). Sejam quais forem os
riência com a pessoa do Espírito problemas que Pedro tenha en­
Santo. frentado como discípulo, depois

79
Lição 13 - 0 Pregador Pentecostnl

do Pentecostes, tornou-se o pri­


meiro pregador pentecostal, e nos
doze primeiros capítulos do livro S o m e n te à m ed id a que
de Atos, ele é, indiscutivelmente, v o cê n u trir su a p ró p ria
o personagem principal da Igreja. vid a e sp iritu a l é que
A bela história ocorrida na v o cê te rá a cap acid ad e
casa de Cornélio, ilustra muito de fo rta le c e r as p e sso a s
bem a pregação Pentecostal, assim ao m in istra r a elas".
descrita:" Ainda Pedro falava estas
coisas quando caiu o Espírito San­
to sobre todos os que ouviam a mum no meio pentecostal. Isto
palavra. E os fiéis que eram da cir­ pode servir para enfatizar uma
cuncisão, que vieram com Pedro, ideia, e não deve ser confundida
admiraram-se, porque também como um modo para que o auditó­
sobre os gentios foi derramado o rio sinta a presença de Deus, que
dom do Espírito Santo; pois os ou­ é sentida pelo toque do Espírito
viam falando em línguas e engran­ Santo e pela unção que há na vida
decendo a Deus (At 10.44-46). do pregador ( ljo 2.27). Não se
deve acreditar que o movimento
3. O Culto Pentecostal. Um gere o avivamento, mas sim que o
culto pentecostal genuíno é uma avivamento gere o movimento.
reunião diferente, cheia do Espí­
rito Santo (At 4.33). Desde o lou­ II. A MENSAGEM
vor inicial até a oração final, por PENTECOSTAL
mais que a programação esteja
muito bem dividida e organizada, A pregação pentecostal geral­
a liturgia bem elaborada, porém mente, não obrigatoriamente, esta
tudo fica debaixo da direção final associada a um tom de voz com
do Espírito de Deus. volume mais elevado, fala mais rá­
As pregações pentecostaís são pida de quem ministra e, por par­
o que comumente chamamos de te dos ouvintes, um envolvimento
ministrações avivadas, são mar­ com resposta simultânea e acom­
cadas pelo mover do Espírito San­ panhamento com expressões au­
to, comoção, lágrimas, aplausos, díveis de louvores. Tudo isto faz
louvores em voz alta, palavras de parte, mas este não é o coração da
exaltação a Deus, são muito co­ mensagem pentecostal. Esta men­
muns em um culto pentecostal. sagem não está voltada ao homem
O pregador pentecostal não ou à forma que ele entrega o ser­
deve confundir autoridade com mão, mas na dependência e ênfase
grito, aumentar o tom de voz no na ação do Espírito Santo enquan­
meio de uma mensagem, algo co- to se ministra.

80
Lição 13 - 0 Pregador Pentecostal

1. Mensagem com sinais. O missionária é aquela que inflama o


pregador pentecostal deve pregar nosso coração com o desejo de tes­
aos ouvidos e aos olhos de seus ou­ temunhar das maravilhas de Deus.
vintes, ele precisa de sinais. Deus fez
grandes coisas por meio de Filipe III. O MOVIMENTO
em Samaria. Filipe pregou aos ouvi­ PENTECOSTAL
dos e também aos olhos. 0 povo nao
apenas ouviu, mas também viu as A mensagem ministrada no dia
maravilhas que Deus realizara por de Pentecostes foi uma semente
intermédio dele [At 8,5-8]. Esses lançada em solo fértil e regada pelas
sinais chamavam a atenção do povo fontes do Espírito Santo, cujos frutos
para a sua mensagem. permanecem até aos dias de hoje.

2. Uma mensagem evangelís- 1. O Nascimento da Igreja.


tica. 0 alvo da pregação pentecostal Não há duvidas de que o maior fru­
é diferente de qualquer outro dis­ to Do dia de Pentecostes, no cená­
curso público, pois essa mensagem culo foi o nascimento da Igreja Pri­
tem objetivos mais profundos, e um mitiva. Após a descida do Espírito
deles é a evangelização. Pedro, após Santo em Jerusalém, a Igreja for­
ter esclarecido as verdades bíblicas mava uma espécie de comunida­
em sua pregação, no dia de Pente­ de estritamente unida, os cristãos
costes, concluiu seu sermão, fazen­ repartiam seus bens (At 2.44-45).
do o convite evangelístico, quando Muitos vendiam suas proprieda­
disse: Arrependei-vos (At 2.38). des e davam à Igreja o produto de
Naquele dia quase três mil homens sua venda, a qual distribuía esses
foram alcançados através de sua recursos entre os irmãos (At 4.34-
mensagem evangelística. 35). Partiam o pão de casa em casa
e tinham tudo em comum (At 2.47).
3. Uma mensagem missioná­
ria. A Igreja do capítulo 1- de Atos, 2. Rua Azusa. Em 1906, em Los
era uma congregação de portas Angeles, na Rua Azusa, 312, acon­
fechadas; lá só havia oração, comu­ teceu um dos maiores movimentos
nhão, estudo da Palavra e adoração. pentecostais já vistos. Um pastor
No entanto, quando o Espírito San­ chamado William Joseph Seymour
to desceu no dia de Pentecostes, ministrava em um pequeno prédio
as portas foram abertas e ela saiu alugado e em mau estado de con­
para evangelizar o mundo. Mensa­ servação, uma mensagem sobre
gem missionária é aquela que nos um poderoso avivamento (At 2.39).
exorta a sair do templo e ir ao en­ Este avivamento continuou es­
contro daqueles que estão neces­ sencialmente vinte e quatro horas
sitando de salvação. A mensagem por dia, sete dias por semana, com

81
Lição 13 - 0 Pregador Pentecostal

a participação de pessoas do mun­ ros. Essa chama que foi acesa em


do todo, que vinham para receber 1911 continua inflamando cora­
seu "Pentecostes", muitos sendo ções e impactando vidas em todo o
tocados espiritualmente antes de Brasil, e por muitos outros países
chegarem ao prédio. (At 1.8). Esse fogo pentecostal que
foi aceso em Belém, no estado do
3, Daniel Berg e Gunnar Pará, jamais se apagará, pois foi o
Vingren. Daniel Berg e Gunnar próprio Deus quem o acendeu. "O
Vingren foram impactados com o fogo arderá continuamente sobre
Avivamento que varreu a América o altar; não se apagará" (Lv 6.13).
e, por direção divina, em 1910 vie­
ram à cidade de Belém, no estado
r : ^
do Pará, onde começou o maior APLICAÇAO PESSOAL
movimento Pentecostal no Brasil,
em 1911, com a fundação da As­ Você é fruto da Mensagem
sembleia de Deus. Eles pregavam Pentecostal que continua à dis­
uma mensagem simples, podero­ posição daqueles que buscam a
sa e completa: Jesus é bom, Jesus Deus. Só depende de sua atitude
salva, Jesus cura, Jesus batiza com de buscar a presença do Espírito
Espírito Santo e Jesus voltará. Santo e fazer parte do Avivamen­
Esta tornou-se a marca princi­ to Missionário.
pal da mensagem daqueles pionei- ^_________________________ J

r ------------------------------------------- -—
RESPONDA
------------- 'n

1) Q ual o m aior m ilag re que pode a co n te ce r d e c o rre n te da m in istra çã o da m e n sa g e m pelo


p re g a d o r pe n te co sta l?

2) A que ação n o s leva a m e n sa g e m m issio n á ria ?

3) Q uem são os p io n e iro s do m a io r M ovim en to P entecostal no B rasil, in icia do em B elém do


Pará em 1911?

i _ _ __________________________________________________________________ )

82
AS 95 TESES
DE LUT ERO
Debate para oesclarecimento dovalor das indulgências
pelo Dr. Martin Luther, 1517

Por am or à verdade e no em penho de elucidá-la, discutir-se-á o seguinte em W ittenberg, sob a presidência do reverendo padre
M ortin ho Lutero, m estre de Artes e de Santa Teologia e professor catedrático desta ú ltim a , naquela localidade. Poresta razão, elesolicita
que osque não puderem estar presentes e debater conosco oralm ente o façam p o r escrito, mesmo que ausentes. Em nom e do nosso
Senhor Jesus Cristo. Am ém

1 Ao dizer: "Fazei penitência" etc. [M t 4.17], o nosso isenção das mesmas.


Senhor e Mestre Jesus Cristo quis que toda a vida dos fiéis 1 4 Saúde ou amor imperfeito no moribundo necessa­
fosse penitência. riamente traz consigo grande temor, e tanto mais, quanto
2 Esta penitência não pode ser entendida como peni­ menor foro amor.
tência sacramental (isto é, da confissão e satisfaçaojcele- 15 Este temor e horror por si sós já bastam (para não
brada pelo ministério dos sacerdotes). la la r de outras coisas) para produzir a pena do purgatório,
3 No entanto, eia não se refere a p e n s a uma peni­ uma vez que estão próximos do horror do desespero.
tência interior; sim, a penitência interior seria nula, se, 1 6 Inferno, purgatório e céu parecem diferir da mesma
externamente, não produzisse toda sorte de m ortifica­ forma que o desespero, o semidesespero e a segurança.
ção da carne. 1 7 Parece desnecessário, para as almas no-purgatório,
4 Porconseqüência, a pena perdura enquanto persiste que o horror diminua na medida em que cresce o amor.
o ódio de si mesmo (isto é a verdadeira penitência inte­ 1 8 Parece não ter sido provado, nem por meio de argu­
rior), ou seja, até a entrada do reino dos céus. mentos racionais nem da Escritura, que elas se encontram
5 0 papa não quer nem pode dispensar de quaisquer fora do estado de mérito ou de crescimento no amor.
penas senão daquelas que impôs por decisão própria ou 1 9 Também parece não ter sido provado que as almas
dos cânones. no purgatório estejam certas de sua bem-aventurança, ao
6 0 papa não pode remitir culpa alguma senão decla­ menos não todas, mesmo que nós, de nossa parte, tenha­
rando e confirmando que ela foi percfoada por Deus, ou, mos plena certeza.
sem dúvida, remitindo-a nos casos reservados para si; se 2 0 Portanto, sob remissão plena de todas as penas, o
estes forem desprezados, a culpa permanecerá por inteira. papa não entende simplesmente todas, mas somente
7 Deus não perdoa a culpa de qualquer pessoa sem, ao aquelas que ele mesmo impôs.
mesmo tempo, sujeitá-la, em tudo humilhada, ao sacerdo­ 2 1 Erram, portanto, os pregadores de indulgências que
te, seu vigário, afirmam que a pessoa é absolvida de toda pena e salva
8 Os cânones penitenda is são impostos apenas aos vivos; pelas indulgências do papa.
segundo os mesmos cânones, nada deve ser imposto aos m o­ 2 2 Com efeito, ele não dispensa as almas no purgatório
ribundos. de uma única pena que, segundo os cânones, elas deve-
9 Por isso, o Espírito Santo nos beneficia através do ria m M ç a g o nesta vida.
papa quando este, em seus decretos, sempreexclui a c i K 2 3 Se e que se pode dar algum perdão de todas as penas
cunstância da morte e da necessidade. \ a alguém, ele, certamente, só é dado aos mais perfeitos,
1 0 Agem mal e sem conhecimento de causa aqueles isto é, pouquíssimos.
sacerdotes que reservam aos moribundos penitências 24 Por isso, a maior parte do povo está sendo necessa­
canônicas para o purgatório. riam ente ludibriada por essa magnífica e indistinta pro­
11 Essa erva daninha de transformar a pena canônica messa de absolvição da pena.
em pena do purgatório parece ter sido semeada enquanto 25 0 mesmo poder que o papa tem sobre o purgatório
os bispos certamente dorrrftBWí-' de modo geral, qualquer bispo e cura tem em sua diocese
1 2 Antigamente se impunham as j^nas-caqgnicas não e paróquia em particular.
depois, mas antes da absolvição, como verificação da verda­ 26 0 papa faz m uito bem ao dar remissão às almas
deira contrição. não pefo.poder das chaves (que ele não tem ), mas por
1 3 Através da morte, os moribundos pagam tudo e já meio de intercessão.
estão mortos para as leis canônicas, tendo, por direito, 27 Pregam doutrina humana os que dizem que, tão
m
v
logo tilintar a moeda lançada na caixa, a alma sairá voan­ para si não as indulgências do papa, mas a ira de Deus.
do [do purgatório para o céu], 4 6 Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem
2 8 Certo é que, ao tilin ta r a moeda na caixa, podem au­ bens em abundância, devem conservar o que é necessá­
mentar o lucro e a cobiça; a intercessão da Igreja, porém, rio para sua casa e de form a alguma desperdiçar dinhei­
depende apenas da vontade de Deus. ro com indulgência.
2 9 E quem é que sabe se todas as almas no purgatório 4 7 Deve-se ensinar aos cristãos que a compra de indul­
querem ser resgatadas? Dizem que este não foi o caso com gências é íivre e não constitui obrigação.
S. Severino e S. PascoaL 4 8 Deve-se ensinar aos cristãos que, ao conceder indul­
3 0 Ninguém tem certeza da veracidade de sua contri­ gências, o papa, assim como mais necessita, da mesma
ção, m uito menos de haver conseguido plena remissão. forma mais deseja uma oração devota a seu favor do que o
3 1 lao raro como quem é penitente de verdade é quem dinheiro que se está pronto a pagar.
adquire autenticamente as indulgências, ou seja, é raríssima 4 9 Deve-se ensinar aos cristãos que as indulgências
3 2 Serão condenados em eternidade, juntam ente com do papa são úteis se não depositam sua confiança nelas,
seus mestres, aqueles que se julgam seguros de sua salva­ porém, extremamente prejudiciais se perdem o tem or
ção através de carta de indulgência, de Deus por causa delas, >
3 3 Deve-se ter muita cautela com aqueles que dizem 5 0 Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa soubesse
serem as indulgências do papa aquela inestimável dádiva das exações dos pregadores de indulgências, preferiria re­
de Deus através da qual a pessoa é reconciliada com Deus. duzir a cinzas a Basílica de S. Pedro a edificá-la com a pele,
3 4 Pois aquelas graças das indulgências se referem so­ a carne e os ossos de suas ovelhas.
mente às penas de satisfação sacramentai, determinadas 5 1 Deve-se ensinar aos cristãos que o papa estaria dis­
por seres humanos, posto^ como e seu dever - a dar do seu dinheiro aqueles
3 5 Não pregam cristãmente os que ensinam não ser muitos de quem alguns pregadores de indulgências
necessária a contrição àqueies que querem resgatar ou extraem ardilosamente o dinheiro, mesmo que para istQ
adquirir breves confessionais. fosse necessário vender a Basílica de S. Pedro,
3 6 Qualquer cristão verdadeiramente arrependido tem 5 2 Vã é a confiança na salvação por meio cie cartas de
direito à remissão pela de pena e culpa, mesmo sem carta Indulgências, mesmo que o comissário ou até mesmo o
de indulgência. próprio papa desse sua alma como garantia pelas mesmas,
3 7 Quaíquer cristão verdadeiro, seja vivo, seja morto, 5 3 São inimigos de Cristo e do papa aqueles que, por
tem participação em todos os bens de Cristo e da Igreja, causa da pregação de indulgências, fazem calar por inteiro
por dádiva de Deus, mesmo sem carta de indulgência. a palavra de Deus nas demais igrejas.
3 8 Mesmo assim, a remissão e participação do papa 5 4 Ofende-se a palavra de Deus quando, em um mes­
de forma alguma devem ser desprezadas, porque (como mo sermão, se dedica tanto ou mais tempo às indulgên­
disse) constituem declaração do perdão divino. cias do que a ela.
3 9 Até mesmo para os mais doutos teólogos é dificílimo 5 5 A atitude do papa é necessariamente esta: se as in­
exaltar perante o povo ao mesmo tempo, a liberdade das dulgências (que são o menos importante) são celebradas
indulgências e a verdadeira contrição. com um toque de sino, uma procissão e uma cerimônia, o
4 0 A verdadeira contrição procura e ama as penas, ao Evangelho (que é o mais importante) deve ser anunciado
passo que a abundância das indulgências as afrouxa e faz com uma centena de sinos, procissões e cerimônias,
odiá-las, pelo menos dando ocasião para tanto. 5 6 Os tesouros da Igreja, dos quais o papa concede as
4 1 Deve-se pregar com muita cautela sobre as indul­ indulgências, não são suficientemente mencionados nem
gências apostólicas, para que o povo não as julgue erro­ conhecidos entre o povo de Cristo.
neamente como preferíveis às demais boas obras do amgc 5 ? ~ í> w id e n te q u e eles, certamente, não são de natureza
4 2 Deve-se ensinar aos cristãos que não é^ensamenro temporal, visto que muitos pregadores não os distribuem
do papa que a compra de indulgências possa,''tíe afguma tão facilmente, mas apenas os ajuntam.
forma, ser comparada com as obras de misericórdia. 5 8 Eles tampoucosão os méritos de Cristo e dos santos, pois
4 3 Deve-se ensinar aos cristãos que, dando ao pobre ou estes sempre operam, sem o papa, a graça do ser humano
emprestando ao necessitado, procedem m elhor do que se Nníerior e a cruz, a morte e o inferno do ser humano exterior.
comprassem indulgências. 5 9 S. Lourenço disse que os pobres da Igreja são os
4 4 Ocorre que a t r a í d a obra^tle am or "cresce o tesouros da mesma, empregando, no entanto, a palavra
am or e a pessoa se to rn a ffiS lh o r,a o passo que com como era usada em sua época.
as indulgências ela não se torna oaglhor.Tws apenas 6 0 £ sem temeridade que dizemos que as chaves da
mais livre da pena, Igreja, que lhe foram proporcionadas pelo mérito de Cris­
4 5 Deve-se ensinar aos cristãos que quem vê um caren­ to, ranstituem este tesouro.
te e o negligencia para gastar com indulgências obtém 6 V Pois está claro que, para a remissão das penas e dos
casos, o poder do papa por si só é suficiente, nidade do papa contra calúnias ou perguntas, sem dúvida
62 0 verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evan­ argutas, dos leigos.
gelho da glória e da graça de Deus. 82 Por exemplo: por que o papa não evacua o purgató­
63 Este tesouro, entretanto, é o mais odiado, e com ra­ rio por causa do santíssimo amor e da extrema necessida­
zão, porque faz com que os primeiros sejam os últimos. de das almas - o que seria a mais justa de todas as causas
64 Em contrapartida, o tesouro das indulgências é o mais se redime um número infinito de almas por causa do
benquisto, e com razão, pois faz dos últimos os primeiros. funestíssimo dinheiro para a construção da basílica - que
65 Por esta razão, os tesouros do Evangelho são as re­ é uma causa tão insignificante?
des com que outrora se pescavam homens possuidores 83 Do mesmo modo: por que se mantêm as exéquias e
de riquezas. os aniversários dos falecidos e por que ele não restitui ou
6 6 Os tesouros das indulgências, por sua vez, são as re­ permite que se recebam de volta as doações efetuadas em
des com que hoje se pesca a riqueza dos homens. favor deles, visto que já não é justo orar pelos redimidos?
67 As indulgências apregoadas pelos seus vendedores 84 Do mesmo modo: que nova piedade de Deus e do
como as maiores graças realmente podem ser entendidas papa é essa: por causa do dinheiro, permitem ao ímpio e
como tal, na medida em que dão boa renda. inimigo redimir uma alma piedosa e amiga de Deus, po­
6 8 Entretanto, na verdade, elas são as graças mais ínfi­ rém não a redimem por causa da necessidade da mesma
mas em comparação com a graça de Deus e a piedade na alma piedosa edileta, por amor gratuito?
cruz. 85 Do mesmo modo: por que os cânones penitenciais -
69 Os bispos e curas têm a obrigação de admitir com toda de feto e por desuso já há muito revogados e mortos - ain­
a reverência os comissários de indulgências apostólicas, .. da assim são redimidos com dinheiro, pela concessão de
70 Têm, porém, a obrigação aínda maior de oféervar indulgências, como se ainda estivessem em pleno vigor?
com os dois olhos e atentar com ambos os ouvidos para 8 6 Do mesmemodo: por que o papa, cuja fortuna hoje
que esses comissários não preguem os seus próprios so­ é maior do que a dos mais ricos Crassos, não constrói com
nhos em lugar do que lhes foi incumbido pelo papa. seu próprio dinheiro ao menos esta uma basílica de São
71 Seja excomungado e maldito quem falar contra a Pedro, ao invés de fazê-lo com o dinheiro dos pobres fiéis?
verdade das indulgências apostólicas. 87 Do mesmo modo: o que é que o papa perdoa e con­
72 Seja bendito, porém, quem ficar alerta contra a de­ cede àqueles que, pela contrição perfeita, têm direito à
vassidão e licenciosidade das palavras de um pregador de remissão e participação plenária?
indulgências. 8 8 Do mesmo modo: que benefício maior se poderia
73 Assim como o papa, com razão, falmina aqueles que, proporcionar à igreja do que se o papa, assim como agora
de qualquer forma, procuram defraudar o comércio de o f o uma vez, da mesma forma concedesse essas remis­
indulgências, sões e participações 100 vezes ao dia a qualquer dos fiéis?
7 4 muito mais deseja fulm inar aqueles que, a pretex­ 89 iá que, com as indulgências, o papa procura mais
to das indulgências, procuram defraudar a santa carida­ a salvação das almas do o dinheiro, por que suspende as
de e verdade. cartas e indulgências outrora já concedidas, se são igual­
75 A opinião de que as indulgências papais são tão e fi­ mente eficazes?
cazes ao ponto de poderem absolver um homem mesmo 90 Reprimir esses argumentos muito perspicazes dos
que tivesse violentado a mãe de Deus, caso isso fosse pos­ leigos somente pela força, sem refutá-los apresentando
sível, é loucura. razões, significa expor a Igreja e o papa à zombaria dos
76 Afirmamos, pelo contrário, que as indulgências inimigos e desgraçar os cristãos.
papais não podem anular sequer o menor dos pecados 91 Se, portanto, as indulgências fossem pregadas em
veniais no que se refere à sua culpa. conformidade com o espírito e a opinião do papa, todas
77 A afirmação de que nem mesmo S. Pedro, caso fosse tssas objeções poderiam ser facilmente respondidas e nem
o papa atualmente, poderia conceder maiores graças é mesmo teriam surgido.
blasfêmia contra São Pedro e o papa. 92 Fora, pois, com todos esses profetas que dizem ao
78 Afirmamos, ao contrário, que tam bém este, assim povo de Cristo: "Paz, paz!" sem que haja paz!
como qualquer papa, tem graças maiores, quais sejam, 9 3 Que prosperem todos os profetas que dizem ao povo
Evangelho, os poderes, os dons de curar, etc, como está de Cristo: "Cruz! Cruz!" sem que haja cruz!
escrito em 1 Co 12. 94 -BevenTse exòrjtar o s c r is to a que se esforcem por
7 9 É blasfêmia dizer que a cruz com a í armas do papa, seguir a Cristo, seu cabeÇãTStravés das penas, da morte e
insignemente erguida, equivale à cruz de Cristo. do in fe r n o ^
80 Terão que prestar contas os bispos, curas e teólogos 9 5 ef assim, a que confiem que entrarão no céu antes
que permitem que semelhantes conversas sejam dffàritlidas através de muitas tribulações do que pela segurança da paz.
entre o povo.
81 Essa licenciosa pregação de indulgências fez com que
não seja fácil, nem para os homens doutos, defender a dig­ 1517
—. A
M.D.
CENTENÁRIO
ASSEMBLEI A DE DEUS
NO AMAZONAS

boas
VManj&M r>ova$

I %nbuula Guinea! j C O N F E R E N C I A G E R A L D E

l l u m e k e l

Ale 'jria A b u n d a n te

Participação especial assembleia de


Sio k n * doí Cjírfxn SP
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