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Minicurso de Fundações – COBRAMSEG 2014

Título: Praticando a análise de risco em obras de fundações

INTRODUÇÃO À ANÁLISE DE RISCO EM FUNDAÇÕES

1. Cenário de análise de risco


A probabilidade de sinistro ou ruína da fundação de uma obra de Engenharia Civil depende
do risco geotécnico que a sociedade está disposta a assumir avaliado pela fórmula:
Risco geotécnico = pf x C x V
Onde pf = probabilidade de ruína;
C = custo de reparação do dano causado pela ruína da fundação;
V = vulnerabilidade
A avaliação do risco depende da previsibilidade dos eventos que conduzem a esta situação
adversa.
Os eventos que levam à ruína podem ser classificados em previsíveis e imprevisíveis.
No Brasil, os eventos adversos imprevisíveis encontram-se codificados no CODAR -
Codificação de desastres, ameaças e riscos publicados pela Secretaria Nacional de Defesa Civil e, os
eventos previsíveis encontram-se prescritos nas Normas ABNT: NBR8681/NBR6122.
Nosso cenário de análise limita-se à análise de risco da fundação de uma obra de Engenharia
Civil que visa atender determinada necessidade humana de abrigo, transporte, etc.
A estrutura de uma obra de engenharia civil é formada pela superestrutura, parte acima do
nível do terreno e, pela fundação que é a parte enterrada no maciço geotécnico que suporta o
conjunto.
Neste cenário de análise, define-se fundação como o subsistema constituído pelo maciço
geológico-geotécnico do local da obra e os elementos estruturais de fundação nele imersos.
A estrutura da obra submetida à ação das cargas ambientais e funcionais se deforma e
acumula energia interna e apresenta uma reação denominada solicitação ou efeito das cargas.
Assim, em uma fundação, entende-se por solicitação ao tensor de tensão ou deformação
que surge em pontos dos elementos contínuos de solos e rochas, que compõem o maciço geológico
geotécnico e/ou, aos deslocamentos, rotações e esforços solicitantes, na direção dos diversos graus
de liberdade de movimento de pontos e seções transversais dos elementos estruturais que
compõem a fundação.
As ações das cargas podem crescer indefinidamente, mas a reação é finita uma vez que não
pode ser maior que:
a) a resistência dos materiais que constituem o sistema ou,
b) aos valores limites de deslocamentos e rotações que impedem o uso da obra.
No caso de uma fundação por estacas esta resistência é denominada capacidade de carga
última (ou carga de ruptura da estaca) ou tensão de ruptura do solo no caso de uma fundação
direta.

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Para ambos os tipos de fundação existem valores limites de movimentos indesejados


(recalque absoluto, recalque diferencial e rotações), derivados da experiência, que impedem o uso
ou funcionalidade dos diferentes tipos de obras.
As variabilidades de cargas, geometria e propriedades dos materiais da superestrutura são
normalmente analisadas pela projetista da superestrutura considerando a interação solo-estrutura
(Aoki, 1997) e não serão abordadas na presente análise.
Por modelo mental (Aoki, 2009) entende-se o modelo geométrico adotado na análise do
conjunto de perfis de solos reais inferido nas sondagens e em outros ensaios disponíveis, mais o
conjunto de perfis de solos extrapolados entre sondagens vizinhas.
O objeto de estudo da fundação analisada é a superfície resistente tridimensional,
representada pelo lugar geométrico das superfícies das bases dos elementos estruturais de
fundação, localizada no maciço de geológico-geotécnico idealizado (Aoki e Cintra, 1996).
No Brasil, até a década de 2010, o projeto e execução de fundações eram considerados
atividades da área das ciências exatas por serem fundamentados em conceitos da matemática e no
determinismo da física clássica Newtoniana.
Entretanto, esta situação mudou com a publicação da Norma Brasileira NBR 6122:2010 de
Projeto e Execução de Fundações. De fato, em seu escopo a atual Norma declara que:
“NOTA 1. Reconhecendo que a engenharia de fundações não é uma ciência exata e que
riscos são inerentes a toda e qualquer atividade que envolva fenômenos ou materiais da natureza,
os critérios e procedimentos constantes nesta Norma procuram traduzir o equilíbrio entre
condicionantes técnicos, econômicos e de segurança usualmente aceitos pela sociedade na data da
sua aplicação.”
Por outro lado, o Código de Defesa do Consumidor declara que o consumidor de produtos e
serviços tem direito básico de conhecer:
“... a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com
especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade e preço, bem como
sobre os riscos que apresentem;...”.
Portanto, além da tradicional especificação de quantidade, características, composição,
qualidade e preço dos produtos e serviços geotécnicos torna-se obrigatório determinar os riscos
que a fundação apresenta. Este Código define ainda que:
“... § 1º - Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial.”
Assim, para fins de aplicação deste código é preciso entender que a fundação é parte de um
bem imóvel sujeito ao risco de ruir conforme prescrito na NBR 6122:2010.
Pode-se traçar um paralelo com a atividade de médicos e advogados, profissionais liberais
que se preocupam com os riscos de perda dos bens imateriais saúde e liberdade, enquanto
engenheiros civis preocupam-se com a ruína de bens materiais e imóveis.
O valor do bem imóvel é medido por um determinado valor monetário e, portanto, para fins
de tomada de decisão, o risco deve ser expresso em termos econômico-financeiro. Por ser leigo, o
consumidor tem o direito de saber o risco financeiro de seu empreendimento.
Neste contexto, o engenheiro geotécnico pode e deve determinar e informar ao consumidor
o risco que o produto ou serviço de fundação apresenta, e não tentar apenas provar que ela é

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segura e não vai ruir porque atende aos aspectos legais de fatores de segurança prescritos em
normas.
Na prática, o valor do risco geotécnico deve ser adicionado ao custo de material e mão de
obra e o valor total vai permitir a comparação entre duas soluções de fundações igualmente
satisfatórias do ponto de vista de segurança.
O risco no estado limite geotécnico último é determinado a partir das solicitações devidas ás
cargas ambientais e funcionais e das resistências geotécnicas, comandadas pelo cenário geológico-
geotécnico local, determinadas nas provas de carga estáticas e dinâmicas.
Para cada tipo e profundidade da fundação, ou seja, para cada superfície resistente de
assentamento das bases da fundação adotada corresponde um fator de segurança global e uma
probabilidade de ruína que condicionam o risco geotécnico do estaqueamento analisado.
Assim, o risco geotécnico de uma dada fundação é condicionado por:
(a) Diferentes geometrias dos modelos estrutural e geotécnico e variadas propriedades dos
materiais componentes;
(b) Diversas combinações e tempos de recorrência das cargas atuantes;
(c) Diferentes modelos de interação solo-estrutura que permitem determinar a solicitação
decorrente da ação das cargas atuantes na fase de execução e durante a vida útil da obra;
(d) Diferentes equipamentos, procedimentos de instalação e controle da execução.
Sob a ação de cargas crescentes as solicitações crescem, mas são limitadas pela resistência
e/ou rigidez limite dos materiais que compõem o sistema, e conduzem ás verificações do estado
limite último (ELU) e do estado limite de serviço (ELS).
Denomina-se solicitação limite ao valor da resistência última ou da deformação limite e, a
probabilidade de ocorrência desta solicitação denomina-se probabilidade de ruína.
O risco de ocorrência evento é então determinado pelo produto da probabilidade de ruína
vezes a vulnerabilidade vezes o custo de reparação dos danos materiais e pessoais ocasionados
pela ruína.
A presente análise de risco não contempla a ocorrência imprevisível de erro humano que
deve ser mitigado e tratado no âmbito legal jurídico como evento decorrente de negligência,
imperícia ou imprudência do profissional liberal.
Note-se que a verificação da segurança aos estados limites que consta das normas é
mandatória e seu não atendimento constitui imperícia profissional.
Desta forma, para cada superfície resistente escolhida no projeto ou executada na realidade
corresponde um risco que deve ser determinado pelo engenheiro e informado ao proprietário da
obra que pode, então, decidir se aceita ou não o risco inerente ao seu investimento mesmo que
não possua conhecimento técnico aprofundado de engenharia.
Conclui-se que a probabilidade de ruína depende do risco geotécnico que a sociedade
representada pelo proprietário da obra está disposta a assumir.

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2. Curvas reais de solicitação e resistência


A atual Norma Brasileira ABNT-NBR 6122:2010 de Projeto e Execução de Fundações exige
que a segurança do projeto seja feito pelo método do valor admissível verificada por um fator de
segurança global e/ou, pelo método do valor de projeto onde a verificação é feita por fatores de
segurança parciais de minoração da resistência e majoração da solicitação.
Para facilitar a exposição do assunto, considera-se neste relatório que as funções
estatísticas de densidades de probabilidade das funções sejam normais ou gaussianas.
A Fig. 1 apresenta as definições básicas das curvas de densidade de probabilidade
correspondentes á solicitação S e á resistência R do estaqueamento a ser analisado.
Densidade probabilidade

(FS -1) S

f
S S f
S(s) (Fk-1)Sk RR
R(r)
B C
S 5% 5% R

0 S Sk Rk R s, r

Fig. 1 – Definição das curvas de solicitação e resistência


Para a curva de distribuição normal a densidade de probabilidade de cada variável em
estudo é definida por três pontos notáveis: a média () que é o valor mais provável da variável e
dois pontos de inflexão da curva caracterizados por ± () que é o desvio padrão.
Mede-se a dispersão ou abertura da curva pelo coeficiente de variação (v) que é a relação
entre o desvio padrão e o valor médio.
Assim, a curva de resistência fica determinada por:
R = resistência média (valor esperado mais provável de resistência);
R = desvio padrão da resistência;

vR = coeficiente de variação da resistência =  R


R

A curva de solicitação fica determinada por:


S = solicitação média (valor esperado mais provável de solicitação);
S = desvio padrão da solicitação;

vS = coeficiente de variação da solicitação = S


S

Os valores característicos são definidos pela área hachurada na Fig. 1 e valem:


Sk = solicitação característica = S + αS.S
Rk = resistência característica = R - αR.R
Onde, αS = número que caracteriza a solicitação em termos de desvios padrão;

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αR = número que caracteriza a resistência em termos de desvios padrão.


Em termos de coeficiente de variação os valores característicos valem:
Sk = S (1 + S vS)
Rk = R (1 – R vR)
Quando a área hachurada da Fig. 1 que define o valor característico é de p % resulta:
INV.NORM ( p ; 0 ; 1 ). Para p=5% resulta o conhecido valor αS = αR = 1,645.
Define-se margem de segurança a distância que separa as curvas de probabilidade R e S:
M = R – S = margem de segurança
A Fig. 2 mostra o valor médio da função margem de segurança que vale:
M = R - S = margem de segurança média

FS = (S .R). (f . m)


Densidade probabilidade

(FS -1). S



S d  Rd fR(r)
fS(s)

0 S = R /FS S Sk S d = Rd Rk R s, r
S S (S-1) Sk.(f –1) Rk.(1-1/m) R (1-1/R)

Fig. 2 – Dimensionamento no método do valor de projeto e valor admissível


O desvio padrão da função margem de segurança M vale:
M = (R + S )
2 2 0,5

De acordo com a Norma Brasileira NBR 6122:2010 no método do valor de projeto deve-se
comprovar que a solicitação de cálculo (S d) seja menor ou igual à resistência de cálculo (Rd), ou seja:
Sd  Rd
Onde Sd = solicitação máxima de cálculo = Sk.f
Rd = resistência mínima de cálculo = Rk /m
f = fator parcial de majoração da solicitação, legalmente fixado em norma;
m = fator parcial de minoração da resistência, legalmente fixado em norma .
Os valores mínimos de fatores de segurança tradicionais fixados na Norma Brasileira de
Projeto e Execução de Fundação ABNT NBR 6122:2010 encontram-se na Tabela 1:

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Tabela 1. Fatores de segurança tradicionais da Norma ABNT NBR 6122:2010


Fator segurança tradicional mínimo Fator de majoração carga admissível
NORMA ABNT
ITEM Método semi empírico Provas de carga Sem ação vento Com ação vento
NBR 6122:2010 6.2.1.2 2,00 1,60 ...... ......
NBR 6122:2010 6.3.1 ....... ........ 1,00 1,30

No método do valor admissível tradicional deve-se comprovar que a solicitação


característica não ultrapasse o valor esperado de carga admissível Padm, ou seja:
Padm ≥ Sk = R / 
Onde  = fator de segurança global fixado em norma.
As curvas da Fig. 2 mostram que existem mais dois fatores parciais que dependem apenas
da forma das curvas de solicitação e de resistência e que são definidos por:
S = S k /  S
R = R / Rk
Neste caso a margem de segurança média pode ser expressa por:
M = M = (FS -1 ).S
As demais margens parciais de segurança que separam os valores médios e característicos
indicados na Fig. 2 valem respectivamente:
MS S (S – 1)
Mf Sk (f – 1)
Mm Rk (1 – 1/m)
MR R (1- 1/R)
M S (S – 1) = MS Mf  Mm  MR
Pode-se comprovar que existe seguinte relação entre o fator de segurança global e os
demais fatores de segurança parciais:
FS = (S . R) . (f . m)
Denominando Fk de fator de segurança característico por ser imposto pela norma:
Fk = (f . m)
Comprova-se que a relação entre o fator de segurança característico e o fator de segurança
global pode ser expressa por:
 1 R vR 
Fk  FS  
 1  S vS 
Estas são as fórmulas necessárias para a comprovação da segurança da obra em termos de
fatores de segurança global e parciais.

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3. Probabilidade de ruína
A confiabilidade da obra é medida pela probabilidade de ruína pf que é igual à área
hachurada sob a curva de densidade de probabilidade indicada na Fig. 3:
Densidade probabilidade

Área = pf fR(r)
fS(s)

0 S R s, r

Fig. 3 – Curvas de solicitação, resistência e probabilidade de ruína


Se as curvas de densidade de probabilidade da solicitação e da resistência forem
especificadas em termos das funções fR(r) e fS(s) indicadas na Fig. 3 então a probabilidade de ruína
(pf) , ou seja, a probabilidade da resistência ser menor que solicitação (R ≤ S) se escreve:

s 
p f  P(ruína )  P(R  S)   f S s    f R r  dr  ds
   

p f   f S s  FR s  ds  Ver definição das funções na fig. 4.


A Fig. 4 apresenta as funções que determinam a probabilidade de ruína.


Densidade probabilidade

área = FR (s)

fS (s) fR (r)

fS (s)
0 s s, r
Fig. 4 – Funções que definição a probabilidade de ruína
A Fig. 5 define a probabilidade de ruína a partir do fator de confiabilidade :
fronteira ruína M = 0
M ≤ 0 ruína M > 0 sucesso, sobrevivência

M = .M
probabilidadede

M = (R - S )
Densidade

R = resistência
S = solicitação

pf

0 M = (R - S)
Figura 5. Método do fator de confiabilidade 

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Denomina-se fator de confiabilidade à relação entre o valor médio e o desvio padrão da


margem de segurança:
 = M / M
A probabilidade de ruina vale
pf = 1- 
Na prática usa-se a expressão EXCEL:
pf = 1-DIST.NORM(;0;1;VERDADEIRO)
 = - INV.NORM( pf; 0; 1 )
Quando se à análise estatística muitas vezes ocorrem valores espúrios de resistência
(outliers) que pode ser devido a erros de medição, população fortemente assimétrica ou defeitos
estruturais.
Nesse caso o valor deve ser analisado antes de ser excluido do conjunto de dados. Uma
causa frequente de valores espúrios é a mistura de duas distribuições, que podem ser duas sub-
populações distintas, ou podem indicar "julgamento correto" versus "erro de medição".

4. Relação entre fator de segurança global e probabilidade de ruína


No caso de distribuição normal prova-se que existe a seguinte relação entre as variáveis v S,
vR, FS e :
FS2 (2vR2 – 1) + 2.FS + 2 vS2 -1 = 0
Extraindo-se a raiz positiva desta equação resulta:
FS = [1+ (vS2 + vR2 - 2 vS2 vR2) 0,5] / [1-2 vR2]
A relação inversa vale:
  = [1- 1/FS] / [vR2 + (1/FS)2 vS2]0,5
Estas fórmulas demonstram que o simples fato de se atender aos fatores de segurança FS ,
f, e m da norma não garante que a obra não entre em ruína, ou seja, que a probabilidade de ruína
seja igual a zero.

5. Determinação do risco geotécnico


O valor do risco geotécnico pode ser calculado pela fórmula:
Risco = pf x C x V
Onde pf = probabilidade de ruína;
C= custo de reparação do dano causado pela ruína;
V = vulnerabilidade.
Normalmente o projeto preocupa-se em atender ao aspecto legal de comprovar que os
fatores de segurança exigidos pela norma estão sendo atendidos.

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Entretanto, o simples atendimento aos valores mínimos prescritos na norma pode levar a
probabilidade de ruína inaceitável na prática ou a um valor de risco que o proprietário da obra não
tem condições de julgar por não entender o exato significado técnico do termo fator de segurança.
O valor do risco geotécnico deve ser determinado:
a) na fase de projeto, a partir da análise dos dados de investigação geotécnicas disponíveis;
b) na fase de verificação de desempenho das fundações executadas, a partir da análise das
provas de carga estáticas e dinâmicas executadas na obra.

6. Procedimento de cálculo
A Figura 6 é igual à Figura 1 e apresenta os diferentes fatores de segurança que relacionam a
curva real de distribuição estatística da solicitação que denominamos E ao invés de S por se tratar
do Efeito da carga atuante conforme notação do Eurocode 7 e a curva real de resistência R que se
aplicam à realidade de uma obra da Engenharia de Fundações:

FATORES SEGURANÇA MODELO REALIDADE


y FS =  S .  f .  m .  R

S f m R

vE = (S - 1) /1,645
Solicitação vR = (1-1/R)/1,645 Resistência
E R
x

0 E Ek Sd = Rd Rk R
Figura 6. Fatores de segurança modelo da realidade
O cenário de análise da Fig. 6 se aplica a uma população de n elementos estruturais em
contato com o solo que compõem a fundação de uma obra, com profundidades de assentamento
(Li) definidas por uma superfície resistente que caracteriza a obra analisada.
Uma vez conhecidas as cargas nos pilares, a planta baixa do tipo de fundação adotada, as
especificações de execução, a metodologia de controle, os equipamentos e as equipes, define-se a
superfície resistente a partir dos dados de sondagens e ensaios disponíveis, das provas de carga
disponíveis e de critérios que dependem da experiência de cada projetista.
No caso de projeto, a superfície resistente pode ser obtida, entre diversas outras
possibilidades, por três metodologias (Cintra e Aoki, 2002):

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6.1. Metodologias para determinação da superfície resistente

6.1.1 - 1ª Metodologia: fixa-se a carga admissível (Padm) igual à carga nominal de catálogo,
por exemplo, e com os dados das sondagens, calculam-se os comprimentos das estacas de modo
que, para cada furo de sondagem se tenha a capacidade de carga (R) dada por:
R ≥  . Padm
Onde: Padm =carga admissível;
  = fator de segurança tradicional.
Como as sondagens retratam a variabilidade geotécnica, de furo para furo, as diversas
estacas de uma obra terão diferentes comprimentos previstos.
Nesta metodologia, todos os valores de capacidade de carga e, consequentemente, o valor
médio (R) são iguais ao valor da capacidade de carga (R) adotado no projeto de forma
determinística:
R = R
A análise estatística se restringe aos comprimento (Li) encontrado para as estacas.
Às vezes há necessidade de adotar a carga admissível inferior à carga nominal, por
limitações executivas de equipamento. Por exemplo, estacas pré-moldadas de concreto não
atravessam terrenos com índices de resistência à penetração do SPT maior do que 15 a 35 golpes,
dependendo do diâmetro.
Então, limitações desse tipo podem impor na fase de projeto, comprimentos inferiores aos
necessários para que a carga admissível se iguale à carga nominal, resultando na adoção de carga
admissível menor do que a carga nominal.
Este raciocínio só é válido no caso de existência de uma sondagem de comprimento
adequado no local de cada estaca. Como isso não ocorre na prática torna-se necessário estimar a
variabilidade da resistência (R) ao longo da vertical de uma estaca situada entre duas sondagens
vizinhas quaisquer da obra.
A curva de variabilidade de resistência da obra pode ser estimada admitindo-se que ela seja
igual à variabilidade de resistências ao longo da superfície resistente analisada e de duas superfícies
paralelas situadas a ± d metros acima e abaixo da superfície analisada.

6.1.2 - 2ª Metodologia: fixa-se uma profundidade de assentamento para todos os


elementos estruturais de fundação (o que é típico em projetos de fundações por tubulões e
também pode ocorrer para estacas moldadas in situ, em geral, por limitações da profundidade
máxima executável pelo equipamento disponível) e, com os dados de cada furo de sondagem.
A curva de variabilidade de resistência da obra pode ser estimada admitindo-se que ela seja
igual à variabilidade de resistências ao longo da superfície resistente plana analisada e de duas
superfícies paralelas situadas a ± d metros acima e abaixo da superfície analisada.
Calculando-se os diferentes valores de capacidade de carga (Ri) ao longo dos três planos
determina-se a carga admissível pela expressão:
Padm = R/

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6.1.3 - 3ª Metodologia: adota-se um critério prévio para o limite de profundidade de


execução do elemento estrutural de fundação (por exemplo, o índice de resistência à penetração
do SPT adequado para a ponta da estaca ou base do tubulão) e, para cada furo de sondagem,
calculam-se a profundidade e a capacidade de cargas (Li e Ri) resultantes para essa condição.
A análise estatística se restringe aos valores de comprimento (Li) e (Ri) encontrado para as
estacas ao longo da superfície analisada e de duas superfícies paralelas situadas a ± d metros acima
e abaixo da superfície analisada e a carga admissível também dada por:
Padm = R/

6.2. Fatores de segurança do modelo Eurocode 7.


A Figura 7 apresenta os diferentes fatores de segurança que relacionam a curva real de
distribuição estatística da solicitação E, ou seja, do Efeito da carga atuante e, a curva real de
resistência R que se aplicam à realidade de uma obra de Engenharia de Fundações:

FATORES SEGURANÇA MODELO EUROCODE 7


Solicitação E Resistência R
y mSF = E P
E  P
E G, Q) t x P
= fator segurança tradicional = Rcalc / Ek
mSF = fator segurança médio= R / E
Método cálculo

Método cálculo

0 E Ek Sd = Rd Rk Rcalc R

Figura 7. Fatores de segurança conforme Eurocode 7.


O modelo do Eurocode 7 adota as mesmas curvas de resistências e solicitações reais
definidos pelos valores mais prováveis R e E conforme foi explicitado no item 2.
Adicionalmente, considera a existência de vários métodos de cálculo da resistência,
baseados em diferentes tipos de ensaios e diferentes autores, cada método levando a um valor
médio mais provável denominado Rcalc. O viés entre valores reais e valores calculados de
resistência é definido pelo fator parcial:
p = R /Rcalc
Este valor é igual a 1 quando o valor real coincide com o valor calculado.
O método de dimensionamento é similar ao nosso método do valor de projeto onde se deve
comprovar que:
Sd  Rd

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Onde Sd = Ek . (G,Q)
Rd = Rk /t
Ek = E . E
Rk = Rcalc / xR / P / x
Do mesmo modo, esta norma adota o fator de segurança tradicional :
  = Rcalc / Ek =xt . (G,Q)
 O fator de segurança global médio real é dado pela expressão:
mSF =  .E . P = R / E

6.3 Comparação entre o modelo da realidade e o Eurocode 7.


A Figura 8 apresenta os diferentes fatores de segurança que relacionam as curvas reais e de
cálculo, onde se incluiu a curva de cálculo da solicitação e o fator de viés  em relação à solicitação
real, de modo similar à curva de cálculo
MODELO da resistência:
EUROCODE 7 x MODELO REALIDADE
y FS = S . f . m . R
S f m R
E  P
mSF = E  G ,Q). t . xP
E E  G, Q) t x P
Método cálculo

vE = (E - 1)/1,645
Método cálculo

vR = [1-1/(xP)]/1,645

Solicitação E Resistência R x

0 E Ecalc Ek Sd = Rd Rk Rcalc R
Figura 8. Fatores de segurança realidade e Eurocode 7
Atualmente, o valor característico da solicitação é determinado por fatores das normas que
consideram a forma de combinação de carregamentos, sem levar em conta a real variabilidade das
cargas permanentes, acidentais e de vento, que compõem a solicitação real variável ao longo da
vida útil da obra.
Com as atuais possibilidades de se conhecer a estatística de variação dos carregamentos,
inclusive do vento, já é possível calcular a forma da curva de solicitação de projeto conforme
mostrado na Figura 8.
Neste modelo é possível comparar a inter-relação entre os diferentes fatores de segurança
envolvidos na análise de segurança em particular a relação entre o fator de segurança real e o fator
de segurança tradicional. Finalmente, a Figura 8 mostra que as formas das curvas de solicitação e
de resistência reais podem ser determinadas pelas expressões:
vE = (. E – 1) / 1,645
vR = [1-1/(.xP)]/ 1,645

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6.4 Interpretação do valor da probabilidade de ruína


De acordo com Vick (2002) existem três tipos de interpretações do valor da probabilidade de
ruína: a freqüencista, a subjetiva (ou bayesiana) e a motivacional.
A interpretação freqüencista é determinista e considera que se a probabilidade de ruína é pf então
1/pf estacas da população analisada estão sujeitas a entrar em ruína.
A interpretação subjetiva leva em conta experiência anterior do julgador com o evento que está
sendo analisado. Neste caso aplica-se o teorema de Bayes que permite determinar a probabilidade a
posteriori P(A/B) de ocorrência de um evento, a partir da probabilidade a priori P(A) de ocorrência
do evento, condicionado à probabilidade P(B/A) de esta ser verdadeira:

No exemplo clássico do problema da cor de um táxi de uma cidade em que a cor dos táxis é
azul ou verde sabe-se a priori que a probabilidade da cor ser azul vale:
P(A) = Probabilidade de um táxi ser azul – probabilidade a priori (0,15)
Portanto, a probabilidade da cor ser verde será o complemento para 100%:
P(NãoA) = Probabilidade de um táxi ser verde (0,85)
Conhecida a probabilidade de ser verdadeira a informação adicional de uma testemunha
que viu a cor do táxi vale:
P(B|A) = Probabilidade da testemunha dizer que o táxi é azul, dado que o táxi é de fato azul
(Likelihood) (0,80)
Portanto, a probabilidade do táxi ser verde apesar da testemunha dizer que ele é azul vale:
P(B|NãoA) = Probabilidade de um táxi ser verde (0,85) x Probabilidade da testemunha dizer
que o táxi é azul, dado que o táxi é de fato verde (0,20)
Portanto, a probabilidade do táxi ser azul, dado que a testemunha disse que ele é azul vale:
P(A|B) = Probabilidade do táxi ser azul, dado que a testemunha disse que ele é azul –
probabilidade a posteriori.
Neste exemplo tem-se:

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Portanto, a probabilidade do táxi ser azul dado que a testemunha disse que ele é azul é de:
P(A/B) = 41%
Note-se que, inicialmente, sem a informação da testemunha a probabilidade de ser azul era:
P(A) = 15%
A principal dificuldade de se aplicar esta metodologia subjetiva ou bayesiana é a
determinação do valor a priori da probabilidade de ocorrência do evento analisado. Uma vez
determinado o valor desta probabilidade pode-se aplicar o teorema de Bayes.
No exemplo que se segue o cenário de análise pressupõe que:
- Solicitação média S = 1000;
- Fator de segurança médio F = 2,00;
- Coeficiente variação da solicitação vS = 0,10;
- Coeficiente de variação da resistência vR = 0,10;
- Grau de certeza desejada no valor de probabilidade de ruína → P(B/A) = 95%.
A Tabela 2 apresenta os resultados obtidos aplicando-se o método FOSM:
Tabela 2. Determinação direta (FOSM) da probabilidade de ruína
CURVAS S F R M DETERMINISTA
 1000 2,00 2000 1000  1,72
 100 0,28 200 224  4,47
v 0,10 0,14 0,10 0,22 pf 3,87211E-06
Característico k 1165 1,53 1671 1368 1/pf 258.257
Verifica-se que no cenário de análise pelo FOSM tem-se:
- Fator de segurança médio F = 2,00;
- Fator de confiabilidade = 4,47;
- Inverso da probabilidade de ruína 1/pf = 258.257;
- Fator de segurança tradicional  = 1,72.
Se quem julga o valor de probabilidade de ruína não se contenta com a certeza P(B/A)=50%
implícito no cálculo pelo método direto do FOSM pode aplicar o teorema de Bayes que permite
estabelecer valores de fator de segurança e probabilidade de ruína para qualquer grau de
(in)certeza P(B/A) que se deseje adotar.
A Tabela 3 apresenta a análise de probabilidade de ruína considerando certo grau P(B/A) de
(in)certeza subjetiva nos cálculos.
Por exemplo, a última coluna da Tabela 3 apresenta os resultados para P(B/A) = 95%:
- Fator de segurança médio F = 1,77;
- Fator de confiabilidade = 3,80;
- Inverso da probabilidade de ruína 1/pf = 13.593;

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Tabela 3. Probabilidade de ruína considerando certo grau de (in)certeza subjetiva no cálculo.


TEOREMA DE BAYES NO CÁLCULO DA PROBABILIDADE DE RUÍNA (considerando o grau de confiança no cálculo)

VALORES ESTATÍSTICOS CORRESPONDENTES À ANÁLISE DETERMINISTA P(B/A) = 50%


FATOR SEGURANÇA OBJETIVO PARA P(B/A) = 50% 2,00 2,00 2,00 2,00 2,00 2,00 2,00 2,00 2,00
FATOR CONFIABILIDADE FREQUENCISTA 4,47 4,47 4,47 4,47 4,47 4,47 4,47 4,47 4,47
PROBABILIDADE RUINA OBJETIVA (1/...) 258.257 258.257 258.257 258.257 258.257 258.257 258.257 258.257 258.257

P(A) = Probabilidade de ruina calculada 0,000004 0,000004 0,000004 0,000004 0,000004 0,000004 0,000004 0,000004 0,000004
P(AC) = Probabilidade de sucesso calculado 0,999996 0,999996 0,999996 0,999996 0,999996 0,999996 0,999996 0,999996 0,999996

P(B/A) = Probabilidade de certeza (% ou mais) 5% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 95%

P(B/AC) = Probabilidade de incerteza 95% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 5%
P(B/A) = Probabilidade de certeza 0,0000002 0,0000010 0,0000017 0,0000026 0,0000039 0,0000058 0,0000090 0,0000155 0,0000736

VALORES ESTATÍSTICOS CORRESPONDENTES À PROBABILIDADE P(B/A) DE CERTEZA DESEJADA


FATOR SEGURANÇA SUBJETIVO PARA P(B/A) 2,24 2,11 2,07 2,03 2,00 1,97 1,93 1,89 1,77
 FATOR CONFIABILIDADE BAYESIANO 5,07 4,76 4,65 4,56 4,47 4,38 4,29 4,17 3,80
PROBABILIDADE RUINA SUBJETIVA (1/....) 4.906.870 1.033.026 602.599 387.385 258.257 172.172 110.682 64.565 13.593

Conclui-se que graus de certeza maiores que 50% no cálculo implicam em menores valores
de fator de confiabilidade e de segurança e de maiores riscos.
A interpretação motivacional leva em conta as conveniências pessoais do julgador ao julgar
a probabilidade de ruína calculada convencionalmente.
A Tabela 8-1 (Vick,2002) apresenta as probabilidades que devem ser atribuídas as descrições
verbais indicadas na coluna 01:

A Tabela 8-2 da Reclamation apresenta as probabilidades que devem ser atribuídas as


descrições verbais indicadas na coluna 01:

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As definições que se seguem descrevem diversos aspectos dos vieses (bias) que envolvem
as interpretações subjetivas:

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7. Conclusão
Conclui-se que a análise de risco de uma fundação exige a descrição precisa do cenário
correspondente as:
- geometrias das estruturas e maciço geotécnico, as propriedades dos materiais
componentes, as combinações e tempos de recorrência das cargas atuantes, os modelos de
interação solo-estrutura, os equipamentos, procedimentos de instalação e controle da execução;
- procedimento de determinação da superfície resistente que está sendo analisada;
- comprovação de adequação dos fatores de segurança tradicional, global e parciais;
- procedimento de interpretação da probabilidade de ruína e do risco inerente.
O risco decorrente da ocorrência deste evento deve ser estabelecido pelo proprietário da
obra em função dos custos de reparação dos possíveis danos causados pela ruína da fundação.

Nelson Aoki
Goiânia, 9 a 13/09/2014

REFERÊNCIAS
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