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Técnicas de tradução 
Danilo Nogueira 
 

1ª edição, fevereiro de 2018 

© 2018 Reprodução permitida – desde que integral e gratuita. 

   
 

ESTE LIVRINHO está no forno há anos. Pronto, nunca vai estar, mas estou publicando agora, 
antes que seja tarde demais. Não vou falar dele: ele que fale por si próprio. Leia, consulte à 
vontade e forme sua própria opinião. Espero que você goste. Se gostar, recomende a seus 
amigos, que eu fico grato. Se não gostar, recomende a seus inimigos, que fico grato do mesmo 
jeito. Se quiser fazer algum comentário, positivo ou negativo, escreva para 
danilo.tradutor@gmail.com. que fico mais grato ainda. 

Boa parte do que está aqui foi discutido com a Kelli Semolini, durante os longos anos que 
trabalhamos juntos. Atendendo ao pedido dela própria, a única referência a seu nome é esta. 
Os erros, que espero não sejam tantos assim, são de inteira responsabilidade minha. 

Este livrinho: 

…bem como tudo o que eu escrevi e fiz de bom profissionalmente na vida é fruto da 
influência de Gilberto Rizzo, meu professor de inglês durante anos no “Ascendino 
Reis”, uma escola pública no Tatuapé, bairro de São Paulo ao qual ele se referia, 
jocosa e afetuosamente, como Armadillo on Foot. 

… é, e sempre será, distribuído gratuitamente. Como é grátis, eu próprio diagramei, 
formatei e revisei. Pelo desculpas pela diagramação tosca e pelos erros de revisão. A 
próxima edição será melhor. Espero. 

…pode ser copiado e distribuído por qualquer um, desde que mantenha o texto como 
está aqui e que não cobre nada por ele. O arquivo não tem vírus nem nenhum 
programa escondido nem é anzol para vender coisa nenhuma.  

A próxima edição será melhor – assim espero. 

Danilo 
Santo André, fevereiro de 2018 

   
Sugestões para uma leitura mais proveitosa 
COMECE ONDE QUISER, o livro não tem princípio nem fim. Passeie pelos diversos verbetes a seu 
bel‐prazer. Os verbetes têm indicações de outros correlatos, onde o assunto recebe maior 
desenvolvimento, indicados por uma cabeça de seta, assim: 

 Verbete correlato 

Para buscar alguma informação, use Ctrl Shift F, assim, você vai descobrir todas as vezes que a 
palavra ou frase aparece no texto. 

O que está entre parênteses, é opcional: 

(Ele) chegou tarde 

…significa que tanto Ele chegou tarde como só Chegou tarde são válidos. 

O tachado indica que a construção não é recomendável: 

Irei fazer amanhã 

Se quiser fazer um comentário, escreva para mim. 

Só. 
Técnicas de Tradução    1 

ACLIMATAÇÃO 
A aclimatação não faz parte dos procedimentos fundamentais de tradução 
descritos por Vinay e Darbelnet. É uma variante do empréstimo em que a 
ortografia é ajustada para se adequar às regras da língua de chegada. 

Por exemplo, futebol é a aclimatação de football; Ótava é a aclimatação de 
Ottawa. Algumas aclimatações pegam; outras, não pegam. Futebol pegou; 
Ótava não pegou. Por que umas pegam e as outras não, é assunto para muito 
papo de mesa de bar, mas não existe explicação 

Quando se trata de uma aclimatação ao português, às vezes falamos em 
aportuguesamento – mas aportuguesamento pode se referir também a 
outros processos. 

A aclimatação pode ser proposital, obra de alguém irritado com os 
anglicismos do texto, como lay‐out, que alguns aportuguesam como leiaute. 

Também pode ser acidental: quem não sabe inglês, tem dificuldade para 
escrever LAN house e, depois de mil vacilações, acaba escrevendo lã rause, 
como já se vê por aí. Quem conhece a grafia original, ri do disparate, lamenta 
a ignorância geral do nosso povo, fala mal do ensino e, depois, liga a TV para 
assistir a um joguinho de futebol. 

Procedimentos fundamentais de tradução 
Empréstimo 

ADAPTAÇÃO 
A aclimatação faz pare do elenco dos procedimentos fundamentais de 
tradução descritos por Vinay e Darbelnet. Por ficar num dos extremos da 
gama (o outro extremo é o empréstimo), está escarranchado em cima do 
muro, com uma perna na tradução propriamente dita e outra na criação de 
uma obra nova. Nem sempre é fácil saber em que lado estamos nós. 

Na prática, adaptação se refere a uma gama enorme de procedimentos, que 
inclui, num extremo, decisões quase inocentes, como traduzir: 

They stopped at a drugstore for a soda. 
Deram uma parada numa lanchonete, para tomar um refrigerante. 

…em vez de 

They stopped by a drugstore for a soda. 
Deram uma parada num(a) drugstore, para tomar um refrigerante. 

…onde drugstore vira lanchonete, porque não há nada na cultura brasileira 
que se compare com uma drugstore americana da primeira metade do século 
vinte e, no caso, presume‐se que a diferença não tinha relevância. 
Técnicas de Tradução    2 

… até o outro extremo, encontram‐se tarefas mais heroicas, como a 
adaptação de Lady Chatterley’s Lover para o público infantil, que ficam fora de 
nosso escopo. Aqui, vamos nos limitar a falar de adaptação do lado de cá do 
muro. 

Prós e contras 

Os partidários da adaptação afirmam, não sem razão, que, com esse 
procedimento, substituímos informações irrelevantes, que só prejudicam o 
entendimento, por informações que, por serem mais conhecidas do leitor, 
não desviam sua atenção do foco do texto. 

Os adversários da adaptação afirmam, não sem razão, que essa exclusão 
impede o leitor de se aproximar da cultura do original, que consideram uma 
das funções principais da tradução e que, lá pelas tantas, o texto do autor vira 
o texto do adaptador. 

Em outras palavras, o que quer que você faça, vai haver quem critique. Faz 
parte. 

A gente sabe onde começa, não sabe aonde vai parar 

Num texto bem urdido, as palavras se enlaçam e entrelaçam em uma teia 
infinita e de imensa complexidade. Como resultado, quando mexemos em 
alguma coisa, afetamos o equilíbrio dessa delicada trama e colocamos em 
risco o texto todo, criando a necessidade de mexer em mais mil coisas, 
correndo o risco de ficar perdidos. Esse é o maior perigo da adaptação. 

Além disso, a gente sabe onde começa, mas não sabe onde termina. Você 
começa com alguma coisa simples – como trocar New York por São Paulo – e 
aos poucos se vê em palpos de aranha, porque as adaptações se tornam cada 
vez mais difíceis, trabalhosas e indispensáveis. 

Lá pelas tantas, Chicago virou Rio de Janeiro, mas a Mary, que tinha virado 
Maria, continua reclamando do frio, da neve e da ventania. 

O pior 

E, ainda por cima o cliente geralmente quer pagar o trabalho ao preço normal 
de tradução, a despeito do trabalhão que dá. 

 Procedimentos fundamentais de tradução   
 Empréstimo 

ADIÇÕES DO TRADUTOR 
O leitor está interessado no que o autor disse, não no que o tradutor pensa. 
Por isso, limite as adições ao essencial para ajudar o leitor entender o texto. 
Há três níveis de adição: expansão, explicitação e nota do tradutor. 
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 Expansão 
 Explicitação 
 Nota do tradutor 

As adições devem ser tão discretas e objetivas quanto possível, para não 
desviar a atenção do leitor do seu foco principal. Por isso, não se faz uma nota 
quando a explicitação basta, não se explicita quando expandir é suficiente. 

ADJETIVOS EM SEQUÊNCIA 
A tradução fica mais natural se as sequências de dois adjetivos em inglês 
forem traduzidas por dois adjetivos separados (ou unidos, sei lá) pela 
conjunção “e”: 

He was riding his shiny new motorbike. 
Estava pilotando sua moto nova e brilhante. 

ADJUNTOS ADVERBIAIS INTRODUTÓRIOS 
Estes são os introductory adverbials, que costumam exigir, além da 
transposição do advérbio, a criação de um entorno adequado: 

 Transposição 
 Transposição do advérbio para substantivo 

Perhaps most importantly, the consumer sector is doing considerably 
better… 
Talvez o mais importante seja lembrar que o setor de consumo está se 
saindo consideravelmente melhor. 

 Substantivo  

Oddly enough, he hasnt said anything about it. 
Por (mais) estranho que pareça/possa parecer, (ele) não disse nada a 
esse respeito. 

Note que o pronome é opcional em português e, no mais das vezes, 
desnecessário. Sempre pense duas vezes antes de reproduzir no português os 
pronomes de terceira pessoa ingleses 

 Termo vicário 

Luckily for Herbert, the gun wasn’t loaded. 
Para a sorte de Herbert, a arma não estava carregada. 

Gun pode ser qualquer arma de fogo, não só um revólver. O contexto pode 
deixar claro se é um revólver, uma pistola ou uma arma longa. Mesmo que o 
contexto explique ser um revólver, arma pode ser usada aqui ou lá para dar 
variedade, porque o inglês weapon, é bem menos usual. 
Técnicas de Tradução    4 

Annoyingly for Jack, his brother was late arriving. 
O que irritou Jack foi o atraso do irmão. 

 Advérbios terminados em ‐ly 
 Transposição 

ADVÉRBIOS TERMINADOS EM –LY 
O problema dos advérbios em ‐ly é que temos uma certa birra dos advérbios 
portugueses homólogos terminados em ‐mente. Essa aversão, entretanto, é 
um problema de estilo: não há regra de gramática proibindo o uso de 
advérbios em ‐mente, nem sequer de três ou mais advérbios terminados em ‐
mente em sequência. 

 Estilo 
 Gramática 
 Homólogo 

Muitas vezes, a repetição desses advérbios é até proposital e um recurso de 
retórica: 

Falou claramente, lentamente, pausadamente, como se estivesse 
tentando deixar uma marca indelével em nossas mentes. 

Costumamos evitar esses advérbios, entretanto, mesmo quando não vêm aos 
magotes, porque mesmo dois ou três espalhados num parágrafo podem 
causar um eco desagradável, e tornar o texto pesado e arrastado. O ‐ly parece 
mais aceitável que o ‐mente, talvez por ser monossilábico. Qualquer que seja 
a razão, é mais frequente do que o ‐mente seria desejável em português. 

 Vício de frequência 

Como não há regras aplicáveis a problemas de estilo, cada um resolve 
conforme lhe dá na veneta e nem sempre a solução dada por um vai agradar 
ao seguinte. Aqui, apresento alguns métodos para você escolher o que mais 
se adapta a seu contexto e seu gosto particular. Seu revisor e seu leitor 
podem discordar, mas isso faz parte da vida. 

Começo com os dois mais comuns, mas apresento outros que me parecem 
muito úteis e produtivos. Todas as soluções aqui propostas são casos de 
transposição. 

 Transposição 

Fatoramento/fatoração 

O método mais simples e trivial – que todos nós aprendemos no colégio – 
para reduzir o número de advérbios terminados em ‐mente é transformar 
todos os membros de uma série, menos o último, no seu adjetivo feminino 
homólogo, procedimento às vezes chamado fatoramento ou fatoração. 
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 Homólogo 

Answer the following questions clearly, concisely, and completely. 
Responda as perguntas abaixo clara, concisa e completamente. 

Funciona, sem dúvida, e é muito recomendável, quase uma praxe. Tem a 
limitação de que só funciona em séries e não nos ajuda em nada quando se 
trata de um advérbio isolado. Mesmo quando funciona, nem sempre melhora 
as coisas: 

Sometimes, instead of showing an object clearly, try deliberately 
photographing it vaguely, obscurely, or unclearly. 
Algumas vezes, em vez de mostrar um objeto claramente, tente 
fotografá‐lo vaga, obscura ou não claramente. 

O exemplo em inglês é canhestro, não há como negar. Mas é autêntico: tirei 
da Internet. Lembre‐se de que traduzimos textos mal escritos a toda hora, 
mesmo nos melhores autores, e temos de aprender a lidar com eles. 

Neste caso, o método do fatoramento deixa de funcionar, porque repetir o 
não torna a frase ainda mais pesada. Felizmente, há outras soluções. 

Desdobramento em  
“de forma”, “de modo”, “de maneira” + adjetivo. 

É muito comum, também, substituir o advérbio por de + [substantivo muleta] 
+ adjetivo. Assim: em vez de falou claramente, falou com clareza. Chamo a 
esse substantivo de "muleta" porque só serve de apoio ao adjetivo, o qual, 
sem ser o núcleo sintático da expressão, é seu núcleo semântico. Trata‐se de 
um caso de transposição. 

 Muleta 
 Transposição 

Answer the following questions clearly, concisely, and completely. 
Responda as perguntas abaixo de modo claro, conciso e completo. 

É um método muito querido, mas tem um inconveniente: poucos substantivos 
podem servir de muleta. Quantos você conhece? De modo, de forma, de 
maneira… quantos mais? Aí, então, a tradução salta da frigideira para o fogo: 
sai dos istomente, issomente, aquilomente, para cair nos de modo isto, de 
forma isso, de maneira aquilo… Não resolve muito. 

Troca do advérbio pôr em adjetivo. 

Em vez do advérbio, use um adjetivo. Assim: 

The teacher spoke very clearly 
O professor falou muito claro 
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Se alguém reclamar, convide para tomar aquela cerveja que desce redondo. 

Troca do verbo por substantivo 

Também podemos fazer a transposição do verbo em substantivo. Essa é uma 
das operações mais frequentes e úteis para quem traduz do inglês para o 
português. Funciona assim: procure o um substantivo português que seja 
homólogo do verbo inglês. 

Por exemplo: 

With my glasses on, I can see perfectly. 
Com os óculos, tenho visão perfeita. 

… onde o verbo see é substituído por seu substantivo homólogo visão. Essa 
troca tem duas consequências. Em primeiro lugar, como os substantivos são 
modificados por adjetivos, não por advérbios, o perfectly vai ser traduzido por 
perfeita. A segunda é que ficamos sem verbo na frase, o que nos obriga a 
achar um verbo muleta, o que pode ser fácil ou não. 

 Colocação 
 Homólogo 
 Muleta 
 Substantivo 
 Transposição 

Podemos dar um passo adiante e formar locuções adverbiais com as 
preposições com ou sem somadas a um substantivo homólogo do advérbio, 
num processo de transposição: 

 Homólogo 
 Substantivo 
 Transposição 

He speaks very clearly. 
Ele fala com grande clareza. 

The importance of clearly and precisely defining biblical truth. 
A importância de definir a verdade bíblica com clareza e precisão. 

Elocution is the art of speaking clearly and precisely. 
Elocução é a arte de falar com clareza e precisão. 

He folded the letter carefully.  
(Ele) dobrou a carta com cuidado. 

She drove extremely slowly. 
(Ela) dirigia com extrema lentidão. 

Nos dois últimos exemplos, omiti o pronome da terceira pessoa na tradução. 
O inglês precisa muito de pronomes, dada a pobreza de sua morfologia 
Técnicas de Tradução    7 

verbal. Em português, entretanto, elipse de pronome é sempre algo a 
considerar, 

My intent is to sleep carelessly with a smile on my lips and nothing on 
my mind. 
Minha intenção é dormir sem preocupações, com um sorriso nos lábios 
e nada na cabeça. 

…bem melhor que de modo despreocupado, concorda? Além disso, é uma 
solução especialmente útil quando temos um advérbio modificando outro, 
porque, ao transpormos um advérbio para substantivo, o anterior tem que ser 
transposto para um adjetivo: 

He folded the letter very carefully. 
(Ele) dobrou a carta com muito cuidado. 

He talks exceptionally loudly. 
Ele fala numa altura excepcional. 

The Chinese vase was packed more carefully. 
O vaso chinês foi embalado com mais cuidado. 

The Chinese vase was packed a little more carefully. 
O vaso chinês foi embalado com um pouco mais de cuidado. 

A solução com em é menos comum, mas igualmente útil: 

They had breakfast silently. 
Tomaram café em silêncio. 

On the Reeperbahnstrasse of Hamburg, Germans drink excessively and 
act incredibly stupidly. 
Na Reeperbahnstrasse de Hamburgo, os alemães bebem em excesso e 
se comportam com incrível estupidez. 

Outro exemplo, talvez um tanto mais difícil: 

They acted strongly.  
Tomaram medidas enérgicas. 

Johnson & Johnson is uniquely positioned… 
A Johnson & Johnson ocupa uma posição ímpar… 

ARTIGOS 
“Meu filho é um médico”, disse a mãe orgulhosa de seu rebentinho. Até aí, 
nada de especial: muita gente tem filhos médicos. De especial seria se o filho 
fosse dois médicos, em vez de um só. De interessante há o fato de muitas 
vezes usarmos na tradução artigos que são desnecessários ou não existem em 
Técnicas de Tradução    8 

português, ou deixarmos de adicionar artigos quando não existem em inglês, 
mas são necessários ou talvez recomendáveis em português. 

O português não usa artigos: 

…entre o verbo e o nome de profissões: 

Her other son is a doctor. 
O outro filho dela é médico. 

…credos, religiões, ideologias, posturas filosóficas: 

She’s become a vegetarian. 
Ela virou vegetariana. 

…instrumentos musicais: 

Jane played the piano just for herself. 
Jane tocava piano só para si própria 

…doenças: 

On and off she suffers from a stomachache. 
Volta e meia ela tem dor de estômago. 

 Equivalência 

She has the flu. 
Ela está com gripe. 

I have a fever, so I’m staying in bed today. 
Estou com febre, então vou ficar de cama hoje. 

O português exige artigos 

Antes de tarefas ou papéis únicos: 

Maureen is captain of the team.  
Maureen é a capitã do time. 

FBI chief J. Edgar Hoover… 
O chefe do FBI, Edgar Hoover… 

Chelsea centre‐forward Milton Smith… 
O centroavante Milton Smith, do Chelsea … 

…e em lugar do possessivo com órgãos e partes do corpo: 

Close your eyes. 
Feche os olhos. 
Técnicas de Tradução    9 

Have you broken your arm? 
Você quebrou o braço? 

Ever since my teeth were pulled out I can’t eat anything solid. 
Desde que arranquei/extraí os dentes, não consigo comer nada sólido. 

 Possessivos 
 Modulação 

She’s become a vegetarian. 
(Ela) virou vegetariana. 

 He/she 

O pronome da terceira pessoa, como tantas vezes, pode ser omitido sem 
perda. 

Although his father was an Anglican Bishop, he is a Roman Catholic. 
Embora seu pai tenha sido bispo da igreja anglicana, ele é católico. 

…com nacionalidades 

Germans are good musicians. 
Os alemães são bons músicos. 

…e antes de adjetivos 

Her other son is a great doctor.  
O outro filho dela é um grande médico. 

He is a good auto mechanic. 
(Ele) é um bom mecânico (de automóveis) 

He is a very good auto mechanic. 
Ele é um mecânico de automóveis muito bom. 

She has a bad flu. 
Ela está com uma gripe forte. 

O artigo pode ser opcional em português, mas inexistente em inglês. 

Está se tornando cada vez mais comum em português usar artigos antes de 
nomes próprios. 

Mary wanted more coffee. 
(A) Maria queria mais café. 

O uso do artigo, nestes casos, varia conforme a região, embora mesmo quem 
use artigo, como eu, considere as construções sem artigo mais formais. 
Técnicas de Tradução    10 

ATENUAÇÃO 
A atenuação, também chamada de adoçamento e mitigação, é a prática de 
traduzir palavras ou expressões consideradas ofensivas ou duras demais por 
termos mais amenos – ou mesmo omitir o que possa ser considerado ofensivo 

Muitas vezes, o tradutor recebe ordem para atenuar, e faz coisas como 
traduzir 

Fuck you! 
Vá para o inferno! 

... para que o filme escape das restrições da censura por faixa etária. Acho 
lamentável e gostaria de viver num mundo em que o tradutor traduzisse o 
que encontrava no original e pronto. 

Outras vezes, ninguém manda, mas o profissional sabe o que é bom para seu 
couro: não faz muito tempo, um intérprete adoçou umas frases que 
criticavam sua pátria, não por alguém ter mandado, mas por amor ao 
pescoço, seu e da família já que nunca falta quem queira decapitar o 
mensageiro. Atacado ferozmente pela imprensa, alegou que não podia 
traduzir mentiras. Que outra mentira podia dizer em sua defesa? 

Há, principalmente na interpretação, quem ache que deva adoçar para evitar 
brigas: 

If you don’t deliver this fucking order before the end of the month we 
will find a better provider. 
Seria muito importante se sua empresa pudesse fazer a entrega antes 
do fim do mês. 

Não gosto da prática. Acho que cada um deve assumir a responsabilidade pelo 
seus atos e que o receptor tem o direito de saber o que foi dito para dar 
resposta à altura. 

Numa das raríssimas vezes em que servi de intérprete, um dos participantes 
estava insultando seu interlocutor o tempo todo, e eu seguindo a orientação 
que tinha lido alhures, atenuando. Lá pelas tantas, me cansei e traduzi os 
insultos com casca e tudo. O ouvinte, que me conhecia havia anos, me olhou 
furioso e eu esclareci que era só o tradutor. Ele entendeu e deu uma resposta 
boa ao mal‐educado, que enfiou o digníssimo rabinho no meio das pernas e 
parou de se exibir. Acho que agi bem. 

BÍBLIA 
Como os originais da Bíblia estão em hebraico, aramaico e grego, toda citação 
bíblica em inglês é uma tradução – mas aquele caso interessante em que a 
tradução se torna um novo original. Porém, tanto em inglês como em 
Técnicas de Tradução    11 

português, há várias traduções da Bíblia e as divergências entre elas – 
queiramos ou não – são muito significativas. 

Por isso, se topar com uma citação bíblica no seu texto, não adianta tentar 
procurar uma “boa tradução” da Bíblia em português, para copiar o que diz lá, 
porque a “boa tradução” pode dizer alguma coisa bem diferente do que disse 
o autor do original. O que você precisa é de uma tradução bem próxima da 
tradução usada no seu texto inglês. Isto significa que a melhor solução pode 
ser você traduzir o texto, preservando os atributos relevantes que o autor 
achou relevantes, sem se preocupar com qualquer tradução existente em 
português. 

Se for leitor da Bíblia, não se deixe levar pela sua tradução predileta: a do 
texto que você está traduzindo pode dizer algo bem diferente. Se não 
acredita, veja estes exemplos, todos de Juízes, 3:24: 

Primeiro em inglês: 

King James:   
Surely he covereth his feet in his summer chamber. 

Douay‐Rheims: 
Perhaps he is easing nature in his summer parlour. 

God’s Word: 
“He must be using the toilet,” they said. 

New King James Version: 
He is probably attending to his needs in the cool chamber. 

Bible in Basic English: 
It may be that he is in his summer‐house for a private purpose. 

… e agora em português: 

João Ferreira de Almeida:   
Sem dúvida está cobrindo seus pés na recâmara da sala de verão. 

J. F. Almeida atualizada 
Sem dúvida ele está aliviando o ventre na privada do seu quarto. 

A Bíblia na linguagem de hoje   
Então pensaram que o rei tinha ido ao banheiro. 

Bíblia de Jerusalém   
Sem dúvida, ele cobre os pés no retiro da sala arejada. 

Por mais que se aceite que covereth his feet seja um eufemismo para 
evacuando e por mais que a fé do tradutor leve a preferir “A Bíblia na 
linguagem de hoje”, se o original disser Surely he covereth his feet in his 
Técnicas de Tradução    12 

summer chamber, não cabe traduzir a citação dele por Então pensaram que o 
rei tinha ido ao banheiro. 

 Original 
 Fidelidade 
 Relevância 
 Voz do tradutor 

BIBLIOGRAFIA 
Este tópico fala sobre como tratar das bibliografias incluídas em uma 
tradução. Para saber quais livros consultamos para escrever este texto, veja 
Obras consultadas. 

Bibliografia é uma lista padronizada dos livros consultados pelo autor. Por 
isso, os nomes dos livros não devem ser traduzidos. Se o autor diz que 
consultou 

Karl Popper: The Logic of Scientific Discovery (Routledge Classics) 2nd Edition. 

…não é correto dizer que ele tenha consultado 

A lógica da pesquisa científica. Karl A. Popper. Tradução de Leonidas 
Hegenberg e Octanny Silveira da Mota. Editora Cultrix. São Paulo 
1985. 

…em primeiro lugar, porque não é esse o livro que ele consultou. Em segundo, 
porque a tradução em português talvez difira do original e, sabendo você 
como sabe, que Murphy reina, é bem possível que a diferença esteja 
exatamente naquele ponto que o autor está elaborando, como, aliás, se vê 
pelo título da obra de Popper citada. 

Se houver tradução portuguesa – e se o cliente pedir e pagar – acho válido 
adicionar: 

Publicado no Brasil como: A lógica da pesquisa científica. Karl A. 
Popper. Tradução de Leonidas Hegenberg e Octanny Silveira da Mota. 
Editora Cultrix. São Paulo 1985. 

Mesmo que o livro seja originalmente brasileiro, se a edição consultada 
estava em inglês (ou qualquer outra língua), é essa a que deve ser constar da 
tradução brasileira: 

Chapters of Brazil’s Colonial History 1500‐1800 (Library of Latin 
America), by João Capistrano de Abreu (Author), Arthur Brakel 
(Translator), Stuart Schwartz (Introduction), Fernando A. Novais 
(Contributor) 

… a sua tradução em não pode dizer que ele leu os 
Técnicas de Tradução    13 

Capítulos de história colonial. Abreu, João Capistrano de. Itatiaia. 

…embora possa adicionar esse dado à informação bibliográfica. 

Caçar traduções brasileiras de livros estrangeiros, mas sim de bibliotecário. 
Caso o tradutor se julgar capacitado para a tarefa e resolver aceitar, deve 
contratar separadamente, com preço superior ao da tradução, porque, lauda 
por lauda, ficar atrás de traduções brasileiras de livros estrangeiros demora 
bem mais do que traduzir. 

 Obras consultadas 

CAN/COULD 
Can é um verbo auxiliar modal. 

Verbos auxiliares 

Sua tradução canônica é poder: 

Can we start? 
Podemos começar? 

You can’t go swimming. 
Você não pode ir nadar. 

Entretanto, temos também conseguir e ser capaz, que refletem melhor a 
ideia de que é preciso fazer algum esforço, de que talvez seja impossível: 

Can you lift this table? 
Você consegue levantar esta mesa? 
Você é capaz de levantar esta mesa? 

Ser capaz e conseguir não são sempre intercambiáveis: 

Can’t find the specific download you want? 
Não é capaz de encontrar o programa que quer baixar? 
Não está conseguindo encontrar o programa que quer baixar? 

… têm sentidos diferentes. A primeira é quase uma acusação de 
incompetência, ao passo que a segunda é mais genérica e inclui a 
possibilidade de que a pessoa não esteja conseguindo encontrar o programa 
por problema ou deficiência do sistema. 

Observe também o uso do presente contínuo no português, na segunda 
sugestão, algo que seria impensável em inglês. 

Num texto mais coloquial, dar pode ser a melhor tradução: 
Técnicas de Tradução    14 

You can't swim in that beach. 
Não dá para nadar naquela praia. 

Can you lift this table? 
Dá para você levantar esta mesa? 

Saber normalmente é a tradução mais correta quando se trata de habilidade 
ou capacidade intelectual, como, por exemplo, falar uma língua ou tocar um 
instrumento musical: 

Few of the tourists could speak English. 
Poucos dos turistas sabiam falar inglês. 

Magda could speak three languages by the age of six.  
(A) Magda sabia falar três línguas aos seis anos de idade. 

She can play the piano very well. 
Ela sabe tocar piano muito bem. 

Entretanto, nesses casos, muitas vezes é mais idiomático simplesmente não 
traduzir o can: 

Few of the tourists could speak English. 
Poucos dos turistas falavam inglês. 

Magda could speak three languages by the age of six.  
Magda falava três línguas aos seis anos de idade. 

She can play the piano very well. 
Ela toca piano muito bem. 

É só o contexto que pode nos dizer quando can é poder e quando significa 
saber: 

She can play the piano very well.  
Ela sabe tocar piano muito bem. 

Mas: 

She can play the piano, but she will not be allowed to dance. 
Ela pode tocar piano mas não vai poder dançar. 

Note a diversidade de traduções no português: 
Técnicas de Tradução    15 

He can’t ride a bike.  
Ele não pode andar de bicicleta.  
(Tem um problema físico que impede.) 
Ele não sabe andar de bicicleta.  
(Não aprendeu.) 
Ele não pode andar de bicicleta.  
(Não é permitido, não deixam.) 
Ele não consegue andar de bicicleta  
(Até se esforça, mas tem um problema físico que impede.) 

É só uma leitura cuidadosa do contexto que pode dizer qual a alternativa 
correta e cabe a nós a escolha da tradução correta. 

Numa pergunta, é bem idiomático usar frases auxiliares, do tipo de será que, 
principalmente num registro informal: 

Can he ride that bike? Seems too big for him. 
Será que ele consegue andar naquela bicicleta? Acho que é grande 
demais para ele. 

Quando o verbo principal exprime uma sensação, tal como ver ou ouvir, é o 
verbo estar que traduz melhor: 

Can you see the small boat?  
Está vendo o barquinho? 

Can you hear me clearly? 
Está me ouvindo bem? 

Can com verbo principal na passiva muitas vezes pode ser melhor traduzido 
por possível (ou sua negação) como parte de um predicado nominal: 

That guard cannot be bribed. 
Não é possível subornar aquele guarda. 
É impossível subornar aquele guarda. 
Não dá para subornar esse guarda. 

CHAVÕES 
Um chavão, também chamado “clichê”, é uma expressão, batida, fossilizada. 
Clichês devem ser traduzidos por clichês, até para manter o estilo. Às vezes é 
fácil: 

He was drunk as a skunk. 
Estava bêbedo como um gambá 

Neste caso, a tradução é literal e até tenho uma leve impressão de que o 
português é um decalque do inglês, já enraizado na nossa fraseologia. 

Nem sempre é tão fácil: 
Técnicas de Tradução    16 

She avoided him like the plague. 
Ela fugia dele como o diabo foge da cruz. 

…, que é uma equivalência, exige um pouco de memória e um repertório um 
pouco maior do português. 

Às vezes, as diferenças de sentido podem parecer significativas, mas não são: 

His bark is worse than his bite. 
Cão que ladra não morde. 

Quando o autor usa muitos chavões, mesmo que não consigamos traduzir 
todos eles por chavões portugueses, é um sinal de que a compensação pode 
se fazer necessária. 

 Compensação 
 Decalque 
 Equivalência 

COLOCAÇÃO 
Embora a Nomenclatura Gramatical Brasileira reserve colocação para a ordem 
das palavras na frase, o termo é cada vez mais usado como referência para o 
que se chama em inglês collocation, quer dizer, combinações vocabulares 
convencionais. 

Casaco, a gente veste; sapato, a gente calça. Ficaria muito estranho dizer 
“calça o casaco, veste o sapato”. São chamadas convencionais por serem fruto 
da convenção, nada mais. A gente calça (e não veste) sapato porque sapato se 
calça, não se veste. Ou seja, não há uma explicação mais lógica do que a 
famosa explicação da mamãe: porque é assim que se diz e pronto. 

No entanto, é comum ver jogar um papel em vez de desempenhar um papel, 
ou fazer uma decisão em vez de tomar uma decisão. 

 Contaminação 

Muitos erros bisonhos podem ser evitados lembrando destas três regras: 

O objeto condiciona o verbo 

Make a box of tools. 
Fazer uma caixa de ferramentas. 

…mas… 

Make a decision. 
Tomar uma decisão. 

O verbo determina a preposição: 
Técnicas de Tradução    17 

Dream of… 
Sonhar com 

…mas… 

Think of… 
Pensar em… 

…mas… 

Like 
Gostar de 

O substantivo determina o adjetivo: 

Grey suit 
Terno cinza 

…mas… 

Grey hair 
Cabelo grisalho 

…mas… 

Brown suit 
Terno marrom 

…mas… 

Brown eyes 
Olhos castanhos 

COMPENSAÇÃO 
A compensação não faz parte dos procedimentos fundamentais de tradução 
descritos por Vinay e Darbelnet. Seu objetivo é restaurar num ponto da 
tradução uma perda inevitável sofrida em outro. É uma espécie de revanche: 
a gente é derrotado lá, mas se vinga aqui. 

 Procedimentos fundamentais de tradução 

Um exemplo: 

She ain’t no good! 
Ela não vale nada. 

O original, com sua dupla negativa e ain’t mostra uma violação da norma 
culta, que marca o locutor como pessoa pouco culta, uma característica que 
não é fácil reproduzir em português nesta frase. Há quem, nesses casos, use 
Técnicas de Tradução    18 

num em vez de não, o que, a meu ver, não resolve o problema. Frustrante. 
Mas, aí a gente se vinga na outra frase, onde diz: 

Last week we went to the movies… 

…que é gramaticalmente correto e estilisticamente mais neutro em inglês, e 
ataca de 

Semana passada nós foi no cimena… 

…provando que um dia é do caçador, mas o outro é da caça. 

CONTAMINAÇÃO 
Contaminação a é absorção indevida de características da língua de partida no 
texto de chegada. É o escrever português com “sotaque” inglês, embora o 
português seja nossa língua nativa. Um mal que aflige a maioria de nós e do 
qual muitos não se dão conta. 

 Estilo 
 Gramática 

Nossos tempos de escola 

Lembra do seu tempo de escola? Como era difícil entender que: 

– Entendeu a pergunta? 
– Entendi! Entendi muito bem! 

…em inglês deveria ser… 

“Did you understand the question?” 
“Yes I did! I understood it very well.” 

… quando a nós parecia muito mais natural dizer… 

“Understood the question?” 
“Understood! Understood it very well.” 

Por que a professora sofria tanto (e nós com ela) para aprendermos a dizer 
essas coisas? 

Ensinar a todos nós que os pronomes do caso reto eram indispensáveis, 
quando, na aula anterior, o professor de português tinha puxado nossas 
orelhas pelo excesso de pronomes em nossas redações, deve ter custado 
muito aos professores, como também deve ter custado ensinar o uso 
apropriado dos auxiliares como termo vicário. 
Técnicas de Tradução    19 

Na ânsia de aprender inglês, muitas vezes nos esquecemos do nosso 
português e deixamos nosso texto ser contaminado pela montoeira de 
pronomes e outros termos vicários que no inglês são essenciais, por torneios 
e colocações que em são diferentes nas duas línguas. 

 Termos vicários 
 Colocações 

Para traduzir bem do inglês para o português, é bom lembrar das aulas de 
inglês do colégio e fazer tudo ao contrário, assim, a gente escreve português 
direito. 

Além disso, é necessário ler em português furiosamente para internalizar 
coisas a que muitos de nós deixaram na fúria de aprender inglês. 

A contaminação cria o tradutorês. 

 Tradutorês 

CONTEXTO 
Mais importante do que qualquer dicionário ou glossário, é o contexto, ou 
seja, o texto que está à volta da palavra ou expressão que você está 
traduzindo. Por isso, pedir ajuda a alguém para traduzir um termo sem dar 
contexto é errado. Também é errado, em vez de contexto, dizer o assunto de 
que trata o texto ou dar a definição do termo. Contexto é uma ou mais frases 
do texto. 

O contexto nos ajuda, também a identifica erros no original. É só o contexto 
que permite saber que 

Principle parts of the Greek verb 

…são os 

Tempos primitivos do verbo grego 

e não 

Partes do princípio do verbo grego 

 Erros no original 

Também é o contexto que nos ajuda a acertar o estilo da tradução quando é 
necessário usar o recurso de compensação. 

 Compensação 
Técnicas de Tradução    20 

CORREÇÃO POLÍTICA 
As escolhas do autor refletem seus próprios vieses políticos e filosóficos, que 
fazem parte integrante da mensagem e, por isso, devem ser respeitadas, 
mesmo que não estejamos de acordo com elas. 

A stinking jew 
Um judeu fedido 
Um judeuzinho fedido 

Outras vezes, o termo politicamente incorreto reflete a idade do texto: 

A cripple 
Um aleijado 

…pode indicar um texto anterior ao momento em que a palavra cripple se 
tornou socialmente inaceitável e traduzir 

A poor cripple, unable to walk beyond the limits of her own garden. 
Uma senhora com necessidades especiais, incapaz de caminhar além 
dos limites de seu próprio jardim. 

...é uma traição a Trollope, o autor da frase. Melhor traduzir por: 

A poor cripple, unable to walk beyond the limits of her own garden. 
Uma pobre aleijada, incapaz de caminhar (/ir/passar) além dos limites 
de seu próprio jardim. 

Se Trollope tivesse escrito nos tempos de hoje, talvez não tivesse usado a 
palavra cripple, mas sucede que ele não escreveu nos tempos de hoje e não 
usar o termo aleijado, seria uma adaptação, não uma tradução. 

 Adaptação 

Claro que, pelo andar da carruagem, vai chegar um tempo em que pouca 
gente ainda saiba o que é um aleijado e então, as novas traduções vão ter 
que fazer opções diferentes, mas toda tradução é passageira. 

Muitas vezes, o texto chega a ser revoltante: 

A dirty nigger. 
Um negrinho sujo. 

Se não tiver estômago para traduzir, recuse o encargo. Mas se aceitar, traduza 
direito. 
Técnicas de Tradução    21 

CORTES 
Eliminar partes do texto sob a alegação de que não interessariam ao leitor 
brasileiro ou ao leitor moderno é crime de lesa‐original, salvo se ficar 
claramente indicado que se trata de um resumo ou adaptação. Se o cliente 
mandar, bom, paciência, mas, nesses casos, não gostaria de ver meu nome 
associado à tradução. 

 Adaptação 

DECALQUE 
Este é o segundo dos sete procedimentos fundamentais de tradução descritos 
por Vinay e Darbelnet. No decalque, os elementos constitutivos de um 
sintagma ão traduzidos literalmente. 

All he wanted was a Coke and a hot dog. 
Tudo o que (ele) queria era uma Coca e um cachorro‐quente. 

Neste caso, em que cachorro‐quente se refere ao sanduíche e não ao animal 
propriamente dito, temos um decalque. Podíamos ter dito hot‐dog, mas isso 
seria um empréstimo. Muitas vezes, o decalque compete com o empréstimo: 
há quem diga cachorro‐quente, mas há quem diga hot dog – e há quem diga 
ora um, ora outro. Parece que, neste caso, o empréstimo está vencendo. 

 Empréstimo 

Por outro lado, outras vezes vence o decalque. Os nomes das posições no jogo 
de futebol, que antigamente eram todos em inglês, hoje são todos em 
português e, em vários casos, são decalques, como center‐forward que virou 
centroavante. 

Os mais velhos vão se lembrar do tempo em que: 

Give me a ring! 
Telefona para mim! 

 Transposição 

… era a frase normal, até que surgiu 

Give me a ring! 
Me dá um toque! 

…um decalque hoje plenamente aceito. 

Alguns torneios de frase são tão bem‐sucedidos que deixam de ser percebidos 
como decalque e se integram à língua de chegada. Por isso, nem sempre é 
fácil determinar o que seja decalque. O termo, em si, reflete um momento 
Técnicas de Tradução    22 

histórico, uma transição. Já ninguém precisa explicar o que é um cachorro‐
quente. Por outro lado, já ouvi mais de uma pessoa dizendo um sanduíche 
(ou: um lanche) de cachorro‐quente, o que indica que até os decalques 
podem mudar de sentido com o tempo. 

Os decalques costumam ser mal recebidos e tachados de anglicismo, nefastas 
ameaças à sobrevivência da língua. Se vão ser absorvidos na estrutura geral 
do português, só o tempo pode dizer. 

DICIONÁRIOS 
Por bons que sejam, todos os dicionários e glossários são incompletos e 
contêm erros. Por isso, devem ser usados sempre com uma pitada bom senso. 
Este livrinho tem cerca de cem verbetes, nenhum deles sobre “bom senso”. 

Além disso, nunca se esqueça que a tradução começa depois de você fechar o 
dicionário. 

DINHEIRO 
De modo geral, valores monetários não devem ser convertidos em moeda 
brasileira, principalmente na tradução de literária e mesmo na tradução 
editorial em geral. Num livro, 

…a fifty‐dollar bill 
…uma nota de cem cruzados 

…é o tipo da tradução que eu não recomendo. Em primeiro lugar, não se 
tratava de uma nota de cem cruzados. Em segundo lugar, converter valores 
monetários abrevia a vida do texto: a taxa de câmbio muda, muda até o nome 
da moeda e a tradução envelhece com maior rapidez. Quem sabe hoje o que 
eram cem cruzados? Depois, porque muda, sem necessidade, o ambiente dos 
EUA para o Brasil e, ainda por cima, fixa um período (1986‐1989) durante o 
qual essa moeda foi usada. 

Vários países usam dólar como moeda e às vezes, o original marca de que tipo 
de dólar estamos falando: 

She found a Canadian Dollar in her purse. 
Encontrou um dólar canadense na bolsa. 

Note, também a omissão do pronome e do possessivo, que são indispensáveis 
em inglês, mas peso morto em português. 

 Relevância 

Em textos mais formais, como contratos ou tratados internacionais, prefiro 
dólares dos Estados Unidos da América a simplesmente dólares. 
Técnicas de Tradução    23 

Dólar é palavra aclimatada e dicionarizada, portanto se escreve de acordo 
com as regras ortográficas e morfológicas do português: acento agudo na 
primeira vogal, plural em ‐es e maiúscula só quando as regras de ortografia 
exigirem, o que significa, na maioria das vezes, só quando iniciar período. Em 
outras palavras, escrever dollar em português é simples erro de ortografia. 

 Aclimatação 

Em trabalho de ficção, é preferível escrever os nomes das moedas 
estrangeiras por extenso. Quando tiver de usar símbolos use US$ como 
símbolo do dólar dos EUA, em vez de só o cifrão, como fazem nos EUA. Se o 
original usar USD, use o USD também na tradução. 

Reserve o cifrão simples para símbolo de “qualquer moeda”, como, por 
exemplo, se usa em textos de economia, contabilidade ou matemática 
financeira, onde… 

Consider the hypothetical returns on $100 invested in Stock A and 
Stock B. 
Considere o retorno hipotético de $ 100 investidos na Ação A e na 
Ação B. 

…não significa um investimento de 100 dólares dos EUA. Trata‐se do 
enunciado de um problema de matemática financeira e não faz diferença 
usarmos dólares, dracmas, dinares da Baixa Eslobóvia ou qualquer outra 
moeda. 

Deixe um espaço entre o cifrão e o primeiro algarismo (sim, sei que em inglês 
vai tudo junto). Para impedir que o cifrão fique numa linha e o algarismo em 
outra, use o espaço inseparável (Ctrl Shift Espaço no Windows, Option‐Space 
no Mac). 

Exceções 

Em textos jornalísticos, ou outros textos para os quais se espere vida breve, 
pode‐se agregar um valor aproximado em moeda nacional, entre parênteses 
ou como aposto. Nesse caso, arredonde o valor em moeda nacional: 

Lunch for two cost us less than $50. 
Um almoço para dois custou menos de US$ 50 (cerca de R$ 200,00, 
pelo câmbio de hoje). 

 Explicitação 

Arredondamento 

Mesmo que pelo câmbio do dia US$ 50,00 correspondam mais exatamente a 
R$ 198,57, não faz sentido chegar a esse nível de precisão, não só porque as 
taxas variam de um dia para o outro, mas também porque o próprio less than 
indica que mesmo o inglês é uma aproximação. 
Técnicas de Tradução    24 

Moeda britânica antiga 

Até 1971, a libra esterlina se dividia em 20 shillings e o shilling em 12 pence, 
que era o plural de penny, abreviados £, s, d. Em 1971, foram abolidos os 
schillings, mas ficaram os pence, com valor diferente, primeiro como new 
pence, mas o new foi abandonado em 1981. 

Em português, há quem prefira grafar pêni, como está no Houaiss, por ser a 
forma "correta". O Houaiss também diz que o plural de pêni é pênis, mas não 
pegou e, para evitar o pênis, havia até quem pudicamente escrevesse 
peniques, o que etimologicamente está até que bom, mas também não 
pegou. Também se recomendava escrever xelim, o que também não pegou. 
O uso é, realmente, manter os nomes originais. 

 Empréstimo 

Os ingleses tinham outras moedas, como a crown, que valia 5 shillings e 
normalmente se traduz por coroa e a half‐crown, que se traduz por meia 
coroa. O guinea, normalmente traduzido como guinéu valia 21 shillings. 
Hoje, embora oficialmente não exista, entende‐se que valha £ 1,05. Esses 
nomes ainda são usados eventualmente, mas as moedas não são mais 
cunhadas. Na tradução literária e em textos antigos, aparecem o tempo todo. 
O sovereign é uma moeda de uma libra e, muitas vezes, se traduz por 
soberano. 

Como nem todos os leitores sabem dessas coisas, pode ser útil traduzir por 
uma moeda de... 

A box containing a shiny half‐crown and three handkerchiefs…. 
Uma caixa com uma moeda brilhante de meia coroa e três lenços… 

 Explicitação 

Em todos esses casos, é desnecessário apor notas de tradutor longas e 
eruditas. Quanto menos, melhor. 

DISTORÇÃO 
Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma – ou ao menos 
era o que dizia Lavoisier. Em tradução, sempre alguma coisa se cria e sempre 
se perde alguma coisa, o que talvez prove que tradução não é uma atividade 
natural. O que ganha e o que se perde é o que chamo distorção. Quanto 
menor a distorção, melhor a tradução. 

Mesmo numa frase simples como 

They had breakfast silently. 
Tomaram café em silêncio. 
Técnicas de Tradução    25 

…estamos agregando um café, que os personagens talvez não tenham 
tomado. Seria mais preciso dizer: 

They had breakfast silently. 
Tomaram o dejejum em silêncio. 

…mas é uma palavra bem mais rara, que levaria a tradução a um registro que 
ela não tem em inglês. 

Para minimizar a distorção, é essencial preservar o que é mais relevante. No 
caso, tomaram o café em silêncio, indica que, ao ver do tradutor, é mais 
relevante referir‐se à refeição matinal pelo nome que ela normalmente traz 
em português do que não se referir à uma bebida que pode ter sido 
consumida ou não. 

 Vício de frequência 
 Relevância 

DO/DID 
Verbo vicário 

Do/did são usados como verbos vicários para responder a perguntas feitas 
com o próprio do. Nestes casos, prefiro dar a resposta com o próprio verbo 
principal: 

Did you read the book? 
Yes, I did. 
Você leu o livro? 
Sim, eu o fiz! 
 Sim, li. 

Essa construção me parece mais idiomática (ainda lembro quanto me custou 
para aprender a responder yes, I did em vez de yes, I read). Além disso, evita 
um pronome oblíquo, algo que, no meu entender, é sempre uma vantagem. 
Pronomes oblíquos trazem consigo os problemas de colocação que costumam 
ser complicados: aquilo que a gramática e o revisor exigem, nem sempre é o 
que a língua acha natural. Melhor evitar. 

 Contaminação 
 Termo vicário 

She said she would write John, but she didn’t. 
Disse que ia escrever para o John, mas não escreveu. 

Will she come? She may do. 
Será que ela vem? É (bem) capaz de vir. 
Será que ela vem? Talvez venha. 

Muitas vezes, o melhor é omitir: 
Técnicas de Tradução    26 

You know as much as I do. 
Você sabe tanto quanto eu. 

 Economia vocabular 

Também são usados como vicários nas tag guestions: 

She spoke Germana t home, didn’t she? 
Ela falava alemão em casa, não falava? 

Nesses casos, sempre prefiro, reutulizar o verbo principal do que traduzir o do 
literalmente 

Enfatizador 

Do aparece muito em afirmativas no presente, só para dar ênfase: 

Should you come to London, do come have lunch with me. 
Se vier a Londres, não deixe de vir almoçar comigo. 
Se vier a Londres não se esqueça de vir almoçar comigo. 

Além do uso especial de should, temos o tratamento da ênfase como, 
digamos, a “negativa de privação”, o que é um caso de modulação. 

 Should 
 Modulação 

ECONOMIA VOCABULAR 
O princípio da economia vocabular diz que, em igualdade de condições, 
devemos preferir a tradução mais breve. 

A charming image of a peasant woman. 
Uma imagem encantadora de uma mulher camponesa. 
Uma imagem encantadora de uma camponesa. 

A black man 
Um homem negro 
Um negro 

To many people, the arguments presented… 
Para muitas pessoas, os argumentos apresentados… 
Para muitos, os argumentos apresentados… 

Uma das principais ofensas a esta lei está no hábito de traduzir todos os 
pronomes e possessivos ingleses pelos seus homólogos portugueses: 

I sold my house last year. 
Eu vendi minha casa no ano passado. 
Técnicas de Tradução    27 

…que podia ser facilmente substituído por 

I sold my house last year. 
Vendi minha casa no ano passado. 

…aliás, em muitos contextos, 

I sold my house last year. 
Vendi a casa no ano passado. 

…daria conta do recado, já que, em português, a explicação de qual casa foi 
vendida geralmente é necessária só quando não se trata da residência do 
locutor. 

Também temos os casos dos aumentativos e diminutivos, tão comuns em 
português e tão raros nas traduções 

Can you see the small boat?  
Está vendo o pequeno barco 
Está vendo o barquinho? 

 Pronomes 
 Possessivos 
 Vício de frequência 

EMPRÉSTIMO 
Este é o primeiro dos sete procedimentos fundamentais de tradução descritos 
por Vinay e Darbelnet. Por estar num dos extremos da gama (o outro extremo 
é a adaptação), é um procedimento limítrofe entre a tradução propriamente 
dita e a não tradução. Consiste em usar, no texto de chegada, o termo 
encontrado no texto de partida. 

The images provide a fascinating insight into the prejudices (…) 
As imagens dão um insight fascinante sobre os preconceitos (…) 

A justificativa alegada para o empréstimo costuma ser a inexistência de 
tradução apropriada. Um insight, pode‐se dizer, é diferente de uma ideia, de 
compreensão ou entendimento ou de qualquer outra palavra portuguesa. 

Conforme a situação pode ser e pode não ser, porque, em tradução, as coisas 
costumam ser mais complicadas do que parecem. Também há um elemento 
subjetivo, porque 

Há, certamente, ocasiões em que ideia ou alguma outra palavra portuguesa 
pode traduzir o sentido de insight. Mas também há aquelas situações em que 
não é só uma ideia, não é a compreensão, não é exatamente o entendimento, 
é um algo a mais e, nessas horas, o termo em português pode faltar. O que 
deve nortear essas escolhas é a relevância da diferença. Quer dizer, para a 
história toda, esse algo a mais faz alguma diferença? 
Técnicas de Tradução    28 

Em boa parte dos casos, 

The images provide a fascinating insight into the prejudices (…) 
As imagens dão uma ideia/visão fascinante dos preconceitos (…) 

…é mais do que suficiente. 

Muitas vezes, entretanto, o termo inglês não tem realmente uma tradução 
aceitável e a saída é o empréstimo: 

Does your area have a higher or lower percentage of subprime loans 
than the national average? 
Sua região tem uma porcentagem de empréstimos subprime maior ou 
menor que a média nacional? 
A porcentagem de empréstimos subprime na sua região é maior ou 
menor que a média nacional? 

All downloads are provided under the terms and conditions… 
Todos os downloads são fornecidos sob os termos e condições… 

Com o tempo, se a palavra ou expressão se tornarem comuns, a língua muitas 
vezes acaba por adotar uma solução mais portuguesa, talvez um decalque, ou 
ao menos, uma simples aclimatação. 

All downloads are provided under the terms and conditions… 
Todos os programas que você baixar estão sujeitos aos termos e 
condições… 

Football is the most popular sport in Brazil. 
O futebol é o exporte mais popular no Brasil. 

Outras vezes, a importação se dá só por exotismo ou para manter o prestígio: 
usar palavras estrangeiras é e sempre foi considerado chique e isso não é de 
hoje nem vai mudar nunca. 

Tratamento dos empréstimos 

Teoricamente, todos os empréstimos deveriam ser grafados em itálico. 
Entretanto, em certas áreas, são tantos que, esse tratamento se torna 
impossível. Aqui, além das preferências do cliente, importa o bom senso. Este 
livrinho tem cerca de cem verbetes, nenhum deles sobre “bom senso”. 

Quanto o empréstimo é um verbo, vai automaticamente para a primeira 
conjugação, mas quando tomamos emprestado um substantivo, é necessário 
determinar seu gênero morfológico. O problema é que não existem regras 
infalíveis para determinar o gênero gramatical em português. 

Temos diversos exemplos de palavras que ainda da causam confusão, nesse 
sentido: algumas pessoas dizem o cheesecake (pensando em cake, bolo, faz 
sentido), outras dizem a cheesecake (pensando que é muito mais uma torta 
que um bolo, o que também faz muito sentido). Em informática, é comum 
Técnicas de Tradução    29 

dizermos a URL, apesar de ser um localizador. No mesmo caminho, pen drive, 
HD e outros termos também são usados como masculino por uns e feminino 
por outros. 

Qualquer escolha é um risco, neste e em outros casos. Havendo tempo, é 
bom perguntar a duas ou três pessoas que gênero acham que cabe bem – 
mas nunca há tempo. Ouvir a opinião do cliente, aqui, é importante. Manter a 
uniformidade, quer dizer, usar sempre o masculino ou o feminino para um 
determinado termo emprestado é essencial. 

O empréstimo é uma das portas de entrada lógicas para novidades na língua 
(ou outro é o decalque). Por isso seu uso é muito comum nas traduções, 
principalmente nos gêneros menos literários. Saber quando usar um 
empréstimo ou uma aclimatação, quando cunhar um neologismo ou usar uma 
palavra já existente na língua é uma questão de bom senso. Este livrinho tem 
cerca de cem verbetes, nenhum deles sobre “bom senso”. 

EQUIVALÊNCIA 
Este é o sexto dos sete procedimentos fundamentais de tradução descritos 
por Vinay e Darbelnet. A equivalência reflete a mesma situação do original 
usando meios linguísticos e estilísticos totalmente distintos, como mostram os 
exemplos abaixo. 

 Procedimentos fundamentais de tradução 

Where there is a will, there is a way. 
Querer é poder. 

Birds of a feather flock together. 
Diz‐me com quem andas e dir‐te‐ei quem és. 

Yours truly, 
Atenciosamente, 

He charged an arm and a leg. 
Enfiou a faca até o cabo. 

Nem sempre é fácil encontrar equivalências em dicionários.  
Às vezes, é possível traduzir mais literalmente, às vezes até com resultados 
interessantes: 

Where there is a will, there is a way. 
Onde houver a vontade, haverá um caminho. 

Ou, com modulação: 

Where there is a will, there is a way. 
Quem tem vontade, acha o caminho. 
Técnicas de Tradução    30 

 Modulação 

Entretanto, não é uma boa tradução, porque o original é uma forma 
fossilizada na língua inglesa, ao passo que a tradução não é uma forma usual 
no português. Em outras palavras, transformamos um chavão numa inovação, 
algo que não deixa de ser uma distorção. 

 Distorção 

ERROS NO ORIGINAL 
Uma tradução exige uma leitura tão atenta do texto de partida que muitas 
vezes notamos erros que o autor e os revisores deixaram passar. 

Poucas coisas alegram mais um tradutor do que encontrar um desses erros. 
Dá uma enorme vontade de pavonear‐se numa nota, explicando 
detalhadamente que, onde o autor deveria ter escrito X, escreveu Y. Esse 
costuma ser o pior modo de lidar com o erro. Muitos deles carecem de 
relevância e é melhor traduzir o texto como se o erro nem existisse. 

Por outro lado, em alguns casos, manter o erro pode ser importante quando o 
ele for um elemento relevante do texto. Já traduzi um texto que tinha dado 
origem a uma reclamação judicial e, nesse caso, preservar os erros na 
tradução era essencial, para que o leitor percebesse em que encrenca sua 
empresa tinha se metido 

 Relevância 

Os erros podem ser formais e materiais. 

Erros formais 

A maioria dos erros encontrados são meramente formais, quer dizer, 
atentados contra a gramática e ortografia. Por exemplo, 

The principle parts of a Greek verb are… 
Os tempos primitivos de um verbo grego são… 

…encontrado em uma gramática grega publicada pelo MIT, deveria ser: 

The principal parts of a Greek verb are… 
Os tempos primitivos de um verbo grego são… 

Salvo se o objetivo da tradução for demonstrar que o livro continha erros de 
ortografia, o melhor é traduzir direito e deixar o erro para lá, algo que, vamos 
e venhamos, é bem mais fácil. 
Técnicas de Tradução    31 

Erros materiais 

Os erros materiais, ou seja, os de conteúdo, são mais problemáticos. A gente 
encontra até nos melhores autores. Horácio, na Arte Poética, já dizia 
Quandoque bonus dormitat Homerus, o que significa “de vez em quando, o 
bom Homero cochila”, porque, aparentemente, na Ilíada, há uma que outra 
incoerência. O sujeito que morre numa luta qualquer e depois vence alguém 
mais em outra, ou coisa parelha. 

Aqui, o problema é mais complexo e envolve inclusive questões de ética. As 
soluções vão desde consultar o cliente ou o autor até adicionar uma nota de 
tradutor ou, em casos extremos, recusar a tradução, uma decisão heroica que 
nem sempre nosso bolso permite. 

Pontos com que você não concorda 

Nem sempre o tradutor concorda com o autor e é muito difícil resistir à 
tentação de “corrigir” certos “erros” do original, principalmente quando o 
tradutor tem formação técnica na área. Nunca se esqueça que o leitor quer 
saber o que o autor disse, não o que tradutor acha que o autor deveria ter 
dito. 

Nos meus tempos de editora, um revisor técnico alterou totalmente o sentido 
de um parágrafo de um livro de economia que eu tinha traduzido. Quando fui 
perguntar o que havia de errado com a minha tradução, ele respondeu 
“Nada! É que o autor é um imbecil e eu não posso permitir que um de nossos 
livros contenha uma besteira dessas.” Sim, o autor talvez fosse um imbecil, 
mas era prêmio Nobel e professor na Universidade de Chicago e quem 
comprava o livro era para saber o que o homem tinha dito, não para saber o 
que um mestrando achava que devia ser dito. 

 Adições do tradutor 

Em casos extremos, cabe ao tradutor o direito de exigir que a tradução seja 
assinada com pseudônimo, o até, quando o bolso permite, recusar o trabalho. 

 Ética 

Responsabilidade do tradutor 

O tradutor não tem obrigação nem de notar nem muito menos de corrigir 
erros do original. Quando notar, quiser e puder corrigir, é melhor que faça 
correções discretas, para não irritar egos inflados. Alguns autores são muito 
abertos a discussão e sabem que raramente o tradutor reclama sem alguma 
razão, outros, entretanto, consideram qualquer reparo ao seu trabalho um 
insulto. Outros, simplesmente, estão mortos e não podem ser consultados. 

Com os editores, a situação é semelhante: há quem aceite sugestões do 
tradutor, há quem rejeite. 
Técnicas de Tradução    32 

Entre uns e outros, todo tipo de gente. Cautela e canja de galinha nunca 
fizeram mal a ninguém. 

De qualquer forma, o tradutor jamais deve assumir perante o cliente a 
responsabilidade de identificar os erros no original. Na maioria dos casos, não 
temos os conhecimentos nem o material de consulta necessários para esse 
tipo de serviço. Se o autor faz uma citação, não cabe a você verificar se ele 
citou direito ou se – como de vez em quando acontece – usa um tantichinho 
de imaginação criativa. 

Quando temos conhecimento e material, não temos tempo, porque o serviço 
é urgente. E quando temos o conhecimento e o tempo, não querem nos 
remunerar pelo tempo gasto – porque é só uma olhadinha. Uma olhadinha, 
sei. 

A remuneração é um problema crucial. Sempre. 

ESPECIFICAÇÕES 
Tradução é um serviço e para todo serviço há especificações. Boa parte das 
especificações é implícita. Por exemplo, salvo ordem em contrário, quem 
recebe um arquivo .docx para traduzir devolve um arquivo .docx traduzido. 
Outras vezes, as especificações são explícitas e transmitidas ao tradutor de 
maneira mais ou menos formal, em forma de mensagem ou num guia de 
estilo. Para alguns serviços, as especificações incluem um glossário. 

Muitos tradutores chegam a se ofender com essas especificações, sentidas 
como uma limitação à nossa liberdade profissional – o que não deixam de ser. 
Mas o cliente tem todo o direito de impor especificações, assim como nós nos 
damos o direito de impor especificações a quem nos prestar serviços e, por 
exemplo, ficaríamos indignados se o pintor exercesse sua liberdade 
profissional pintando nosso escritório de cor de burro quando foge o que 
mandamos pintar de azul‐neve, como queríamos. E, vamos e venhamos, é 
bem melhor o cliente nos dar especificações, por mais odientas que nos 
pareçam, do que reclamar que nosso serviço não está da cor que ele queria. 

Essas especificações variam do perfeitamente aceitável, por exemplo, traduzir 
instruções sempre no infinito ou sempre no imperativo: 

Check  
Confira 
Conferir 

Até coisas indescritivelmente horríveis como traduzir 

Public‐address system 
Sistema de endereçamento ao publico 

Como apareceu num glossário que recebi de um cliente há anos. 
Técnicas de Tradução    33 

As especificações evitam uma grande quantidade de problemas de revisão e, 
quando se trabalha em grupo, como é cada vez mais comum atualmente, 
permitem oferecer ao leitor um texto mais homogêneo. 

Muitas vezes, principalmente em trabalhos mais longos, as especificações vão 
se desenvolvendo ao longo do trabalho, para enfrentar problemas que não 
tinham sido previstos e cabe ao revisor ou ao coordenador de equipe voltar a 
arquivos já traduzidos, para fazer um ajuste às novas especificações. 

Cabe ao tradutor o direito – quando não o dever – de propor melhoras ao 
guia de estilo, apontando os eventuais desacertos ou pontos dúbios, mas cabe 
ao cliente a decisão final, quando o cliente é do tipo que aceita sugestões. 
Surge, então, um problema quando as especificações são absolutamente 
inaceitáveis. O ideal, nesses casos, seria recusar o serviço. Mais fácil dizer do 
que fazer, porque quando a barriga ronca de fome, a boca não sabe dizer não. 
Nesses casos, se o serviço for anônimo, como são os serviços para agências, o 
sapo fica mais fácil de engolir 

ESTILO 
O estilo é a fisionomia do texto. Alguns estilos são facilmente reconhecíveis; 
outros são menos característicos. Você pode não gostar do estilo do autor, 
mas, como tradutor, tem de respeitar suas opções estilísticas. 

O problema é decidir que construção portuguesa melhor reflete o estilo do 
texto inglês. 

Algumas editoras têm um estilo da casa, que reduz as peculiaridades 
estilísticas de todos os autores a um texto claro e correto, porém muitas vezes 
chocho e insosso. Esse tipo de aplainamento estilístico pode ser aceitável – e 
até desejável – em certas obras coletivas, não autorais, principalmente em 
livros de consulta. Nesses casos, normalmente, o estilo já chega aplainado às 
nossas mãos e não há nada que tenhamos a fazer salvo respeitar o que o 
original diz. Mas corre muito sangue quando o tradutor faz um baita dum 
esforço para reproduzir o estilo enviesado do autor e alguém na editora 
simplifica, para “ficar melhor”. 

Por outro lado, há os tradutores que se julgam ourives da língua e optam por 
escrever num estilo barroco com agravantes em rococó “porque esse é o bom 
português”. Se você estiver traduzindo um texto barroco, é a solução, mas, 
salvo isso, não tem motivo. Uma vez um tradutor argumentou que fazia parte 
de nossa missão ressuscitar belos recursos da língua como a mesóclise, por 
exemplo. Em primeiro lugar, acho que não é. Em segundo, mesóclise num 
daqueles romances de ler em aeroporto é besteira, salvo se o personagem for 
empolado pela própria natureza. 

 Registro 
Técnicas de Tradução    34 

ÉTICA 
Tradutores traduzem, essa é a verdade. E leitores leem traduções porque 
querem saber o que o autor disse, não o que o tradutor acha que o autor 
deveria ter dito. Então, exima‐se de tentar “melhorar” o texto. Traduza bem o 
que o autor disse, que já é o suficiente. Cada minuto que você emprega 
tentando melhorar a forma ou o conteúdo do original, é um minuto que 
poderia ser mais bem usado melhorando sua tradução. 

Nunca mude um texto para se adequar aos seus próprios conceitos e 
ideologias. Se achar que, por motivos éticos, não consegue fazer uma boa 
tradução, recuse o serviço. Se for obrigado a aceitar, engula o sapo e traduza 
direito, sabendo que este mundo não é justo. 

Lembre, também, que o problema ético está mais ligado ao uso que se vai 
fazer da tradução do que realmente ao que a tradução diz. Por exemplo, 
traduzir um texto sobre pedofilia para um site pedófilo é um horror, mas 
traduzir o mesmo texto (por nojo que nos possa dar) para uso em uma ação 
judicial já não é. 

Estilo 
Correção política 

EXOTISMO 
Algumas escolhas tradutórias são motivadas pelo desejo de manter o 
exotismo do original. Não estou me referindo, aqui, aos caso em que o 
original, em si, contém vocabulário exótico, como, por exemplo, um romance 
ambientado na Mongólia cheio de palavras que tinham até correspondentes 
decentes em inglês mas são mantidas em mongol para dar “cor local” ao 
texto. Estou falando de palavras simples, do dia a dia inglês, como breakfast. 
Se você está traduzindo um guia turístico, talvez valha a pena manter 
breakfast para descrever a refeição matinal em um hotelzinho poético da 
Nova Inglaterra, em vez de traduzir por café da manhã. 

EXPANSÃO 
Quando o autor usa uma abreviatura inglesa que talvez o leitor brasileiro não 
conheça, é melhor expandir a abreviação, com os ajustes necessários. 

He used to work at a gas station in Tampa, Fla. 
(Ele) trabalhava em um posto de gasolina em Tampa, na Flórida. 

…mas essas intervenções devem ser reduzidas ao mínimo. 

Intervenção do tradutor 
Técnicas de Tradução    35 

EXPLICAÇÃO APOSTA 
Muitas vezes, em vez de uma nota do tradutor, é melhor usar uma explicação 
aposta, entre vírgulas, parênteses ou travessões. 

The humor of Laurel and Hardy, like that of many great comics, …  
O humor de Laurel e Hardy, – ou “Gordo” e o “Magro” como são 
conhecidos no Brasil – como o de muitos outros cômicos… 

A Knesset committee recently approved a draft law… 
Um comitê do Knesset, o parlamento de Israel, aprovou um projeto de 
lei… 

…sem necessidade de informar que se trata de adição do tradutor. 

 Adições do tradutor 

EXPLICITAÇÃO 
Explicitar é deixar evidente na tradução o que não estava evidente no original. 
Muitas vezes, o autor deixa de explicitar algo que – no seu entender, ao 
menos – não precisa ser dito por ser óbvio para seus leitores. 

Along CR 27 about 2.5 miles south of Stoneville the trees… 
Ao longo da estrada CR‐27, a uns 4 quilômetros de Stoneville, as 
árvores… 

O autor achou desnecessário esclarecer que a CR 27 era uma estrada, mas o 
tradutor achou o esclarecimento indispensável para seu público. Veja outros 
exemplos: 

The mighty Federal Reserve is being stretched to its limits... 
O poderoso Federal Reserve, o banco central norte‐americano, está 
sendo levado a seus limites... 

David Wright believes in self‐evaluation. 
David Wright, um dos jogadores do Mets, acredita em autoavaliação... 

Tiger Woods has now confirmed on his website that he is out for the 
year to have additional knee surgery. 
Tiger Woods, considerado o melhor jogador de golfe do mundo, 
confirmou em seu website que está fora da temporada para mais uma 
cirurgia no joelho. 

A box containing a shiny half‐crown and three handkerchiefs…. 
Uma caixa com uma moeda brilhante de meia coroa e três lenços… 

 Dinheiro 
Técnicas de Tradução    36 

FALSOS COGNATOS 
A maioria dos tradutores morre de medo dos falsos cognatos, como se fossem 
eles o bicho papão e o homem do saco juntos. A tal ponto se apavoraram, que 
não usam cognato nenhum, falso ou não, por medo de cair em pecado 
mortal. 

Vamos primeiro entender o que são os tais “falsos cognatos”. 

Palavras cognatas são as que têm a mesma etimologia. Por exemplo, semear, 
semente, seminário, disseminar são palavras cognatas, todas elas derivadas 
do latim semen. Muitas dessas palavras encontram cognatas em outras 
línguas: disseminate em inglês, por exemplo, ou seminario em espanhol e 
italiano, ou séminaire em francês, pertencem todas à mesma família do 
semear, semente, seminário, disseminar e, por isso, são todas cognatas. 

Para saber se duas palavras são cognatas, é necessário saber um bocado de 
linguística diacrônica ou, ao menos, consultar dicionários etimológicos. Ser 
parecida não basta. Por exemplo, haver e have são parecidíssimas, mas não 
são cognatas, porque, a despeito da semelhança, têm origens totalmente 
diferentes. O mesmo se aplica a ética e estética. Jamais se arrisque a dizer 
que duas palavras são cognatas sem uma boa pesquisa em dicionários. 

Muitos dos pares de cognatos em inglês‐português mantiveram o mesmo 
sentido ao menos na maioria das acepções: semen‐ sêmen. Mas outras foram 
divergindo de sentido. O exemplo clássico é o actual inglês, que não pode 
mais ser traduzido automaticamente pelo português atual, embora ambos 
tenham a mesma origem, o latim actualis. 

…the actual number of victims may be a lot higher. 
…o número real de vítimas pode ser muito mais alto. 

Geralmente, esses casos são chamados “falsos cognatos“. É um nome 
perigoso porque muitos entendem que esses casos não são cognatos de 
verdade: são, sim. Então, por que “falsos”? Porque nos enganam, porque sua 
similaridade formal nos dá a falsa impressão de terem o mesmo sentido. Por 
isso, há que os chame de “falsos amigos”, um nome menos comum, porém 
ao, que me pareça, mais adequado. 

Geralmente, entretanto, a falsidade é parcial: por exemplo, actual, como 
termo técnico de filosofia aristotélica, é atual mesmo. 

…because it is related to matter as actuality to potentiality… 
…por ter com a matéria a mesma relação que a atualidade tem com a 
potencialidade…. 

Dada a forte presença da cultura anglo‐americana no Brasil, acoplada com o 
descuido de quem fala e escreve, muitos desses falsos cognatos vão aos 
poucos assumindo em português o mesmo sentido que têm em inglês. Nesses 
casos, temos três fases: na primeira, quem escreve com cuidado vê com 
Técnicas de Tradução    37 

horror o uso alienígena; na segunda, há longas e estéreis discussões sobre o 
assunto; na terceira, poucos ainda usam o termo no sentido mais antigo. 

Por exemplo, quando meu pai me chamava de relaxado, estava me 
repreendendo, dizendo que era um desmazelado, negligente, relapso, sentido 
que está rapidamente caindo no esquecimento: hoje, chamar alguém de 
relaxado pode ser até um elogio: calmo, sereno, descontraído. 

De modo geral, o tradutor deve ser conservador e só usar termos em sentidos 
plenamente aceitos. Quer dizer, usar relaxado, hoje, como tradução para 
relaxed é perfeitamente aceitável. A situação do tradutor literário, 
entretanto, pode ser mais complicada. O OED mostra relax com o sentido de 
tornar‐se menos formal já em Dickens, mas seria anacrônico fazer um 
personagem de Dickens usar relaxado nesse sentido. Em um caso assim, 
descontraído cai bem melhor: 

He gradually relaxed… 
Foi se descontraindo aos poucos… 

Entretanto, daqui a dez anos, o uso de relaxado pode ter se tornado tão 
comum que descontraído tenha se tornado obsoleto e confira ao texto um 
tom indesejável. 

FIDELIDADE 
Uma tradução é como um retrato. Você chega à casa de alguém, vê um belo 
quadro e o dono da casa pergunta o que você acha. “Sim, é lindo, belíssima 
mulher”, você responde. O dono explica que a mulher era um horror de feia: 
o pintor é quem fez dela uma mulher bonita. O retrato é lindo – mas não é 
fiel. 

Particularmente, dou muito valor à fidelidade, a repetir para ao leitor o que o 
autor disse no seu texto. Creio que, ao aceitar o encargo de traduzir um texto, 
o tradutor faz um pacto com o autor e o leitor, prometendo a ambos levar a 
palavra de um ao outro, e esse pacto tem de ser levado a sério. O tradutor é 
um mensageiro. 

Resta a pergunta: fiel a quê? Ao que o autor escreveu, ao que pretendeu 
escrever, ao que teria escrito se tivesse escrito em português? Ou – como 
dizem nos exames – nenhuma das respostas acima? Tradução não tem regras 
fixas e a decisão sobre a que ser fiel é uma das primeiras, talvez a primeira, 
decisão do tradutor. De modo geral, a fidelidade deve ser ao que o autor 
escreveu, mas há que considerar que o original pode ter erros, ou o autor 
pode ter se expressado mal. 

Por fim, fidelidade e literalidade são coisas distintas. 

 Adaptação 
 Erros no original 
 Especificações 
Técnicas de Tradução    38 

 Localização 
 Tradução literal 

FORMAS CONSAGRADAS 
Consagradas são as formas que a maioria usa e a maioria usa porque são 
consagradas. Só isso. 

Londres é uma forma consagrada, então, chame a capital do Reino Unido de 
Londres, embora em inglês se diga London. Não tem nem precisa de outra 
justificação. É consagrada porque é consagrada e está acabado. 

 Aclimatação 

Há um número infinito de nomes próprios ingleses sem forma consagrada em 
português: Schenectady, Stoke‐on‐Trent, Leslie, Fern e não vale a pena ficar 
procurando aclimatar essas coisas. A tendência mundial é mesmo manter 
todos os nomes próprios no original e mesmo os ingleses, que durante anos 
falavam em Leghorn, agora estão começando a falar em Livorno, embora 
Leghorn ainda persista para a raça de galinhas. 

Não adianta procurar uma lista oficial, porque não existe. E, se houvesse, a 
maioria de nós, de nossos revisores, críticos ou leitores não ia concordar com 
ela. É necessário usar o bom senso. Lamentavelmente, o que pode parecer 
uma demonstração de bom senso para uns, pode parecer pura idiotice para 
outros. Este livrinho tem cerca de cem verbetes, nenhum deles sobre “bom 
senso”. 

 Nomes de pessoas 
 Nomes geográficos 

HE/SHE 
Os pronomes são termos vicários por excelência. O inglês faz mais uso de 
termos vicários que o português, e, por isso, traduzir todos os pronomes de 
um texto inglês por pronomes portugueses, embora possível, é vício de 
frequência. 

 Contaminação 
 Pronomes 
 Termo vicário 
 Vício de frequência 

Traduzir literalmente 

A tradução literal é sempre possível, mesmo quando não recomendável: 

He is our French teacher. 
Ele é o nosso professor de francês. 
Técnicas de Tradução    39 

Omitir 

Entretanto, omitir o pronome de terceira pessoa geralmente melhora o fluxo 
de texto sem causar prejuízo algum: 

John Smith is our training coordinator. He studied law and 
engineering… 
John Smith é nosso coordenador de treinamento. Ele estudou direito e 
engenharia… 
John Smith é nosso coordenador de treinamento. Estudou direito e 
engenharia… 

Fundir duas ou mais frases 

Estamos sempre reclamando do picadinho estilístico do inglês e aqui há uma 
boa oportunidade para fundir duas frases em uma, sem grandes problemas. 
Neste primeiro exemplo, o complemento predicativo é traduzido como 
aposto: 

John Smith is our training coordinator. He studied law and 
engineering… 
John Smith é nosso coordenador de treinamento. Ele estudou direito e 
engenharia… 
John Smith, nosso coordenador de treinamento, estudou direito e 
engenharia… 

Também é possível fundir mais de duas frases, usando o mesmo recurso: 

John Smith is our training coordinator. He studied law and engineering 
in Brazil. He also worked as a researcher in… 
John Smith é nosso coordenador de treinamento. Ele estudou direito e 
engenharia. Ele também trabalho como pesquisador em… 
John Smith, nosso coordenador de treinamento, estudou direito e 
engenharia no Brasil e também trabalhou como pesquisador em… 

Poderíamos também ter transformado o aposto em uma orção adjetiva: 

John Smith is our training coordinator. He studied law and engineering 
in Brazil. He also worked as a researcher in… 
!!! John Smith é nosso coordenador de treinamento. Ele estudou 
direito e engenharia. Ele também trabalho como pesquisador em… 
John Smith, que é nosso coordenador de treinamento, estudou direito 
e engenharia no Brasil e também trabalhou como pesquisador em… 

...mas essa construção deve ser evitada, porque obriga o uso de um que e as 
traduções do inglês tendem a usar um excesso de ques. 
Técnicas de Tradução    40 

HOMÓLOGO 
Chamo homólogos aos termos que carregam a mesma carga semântica 
fundamental, mesmo que sejam morfologicamente diferentes (substituir, 
substituto, substituição) ou estejam em línguas diferentes (bread, pão). O uso 
de termos homólogos é fundamental para a transposição. 

 Transposição 

Por exemplo: 

Kiss me! 
Dá um beijo! 

Kiss é verbo, beijo é substantivo, mas os dois carregam a mesma carga 
semântica e são, portanto, homólogos. 


Como todos os pronomes, I é um termo vicário e, portanto, exige tratamento 
especial. 

Traduzir literalmente 

A tradução literal é sempre possível, porém pouco recomendável: 

I dont like war films. 
Eu não gosto de filmes de guerra. 

Entretanto, é recomendada quando o pronome for usado como recurso de 
ênfase, ou quando se opuser a outro: 

I give the orders here. You just have to do what I say! 
Eu dou as ordens aqui. Você só tem que fazer o que mando! 

Embora nos pareça mais idiomático dizer: 

I give the orders here. You just have to do what I say! 
Sou eu quem dá as ordens aqui. Você só tem que fazer o que mando! 

Omitir 

Na maioria das vezes, entretanto, a melhor saída é omitir na tradução: 

I don’t like war films. 
Não gosto de filmes de guerra. 
Técnicas de Tradução    41 

“When will you edit the text”? “I can edit it now.” 
– Quando você vai revisar o texto? – Posso revisar agora. 
– Quando você vai fazer a revisão do texto? – Posso fazer agora. 

Note que a omissão do I só parece vir naturalmente na segunda frase. Pelo 
menos para nós, uma frase como 

“When will you edit the text”? “I can edit it now.” 
– Quando vai revisar o texto? – Posso revisá‐lo agora.… 

… pareceria pouco idiomática. Esse tipo de construção às vezes aparece 
quando o locutor não sabe se deve tratar se interlocutor por você ou o 
senhor. 

IMPERATIVO 
Um imperativo deveria ser um imperativo, mas na tradução, nem sempre é. 
Primeiro que em inglês é costume amenizar os imperativos com um please, 
costume que nos falta em português: 

Please, answer the following questions: 
Por favor, responda as perguntas abaixo: 
Responda as perguntas abaixo: 

Em texto mais formais, o please pode ser traduzido por queira: 

Please, answer the following questions: 
Queira responder as perguntas abaixo: 

Muitas vezes, a melhor tradução para uma ordem em inglês é uma ordem 
negativa em português: 

Keep away from me. 
Não chegue perto de mim. 

Ten videos you have to watch. 
Dez vídeos que você não pode perder. 

 Modulação 

LOCALIZAÇÃO 
A localização não está entre os procedimentos de tradução descritos por 
Vinay e Darbelnet, mas não deixa de ser uma forma especial e controlada de 
adaptação. Trata‐se de uma série de procedimentos necessários para que o 
texto traduzido convenha ao local onde se fala a língua de chegada. 

Esses procedimentos variam desde tarefas que a maioria dos tradutores 
levam a cabo normalmente, como converter unidades de medida: 
Técnicas de Tradução    42 

He was about six feet tall. 
Tinha mais ou menos um metro e oitenta de altura. 

 Medidas 

…até a criação de módulos especiais sobre impostos brasileiros para inclusão 
em um programa de informatização de uma grande empresa, tarefa que, 
certamente, não faz parte das atribuições do profissional da tradução. 

Em alguns casos, localização e tradução propriamente dita chegam a se opor: 

What is your Social Security number? 

…pode ser traduzido como 

Qual é seu número de registro na Previdência Social? 

…o que seria perfeitamente correto quando o texto em português se destinar 
ao uso de brasileiros residentes nos EUA, os quais terão esse número de 
registro. Por outro lado, quando se tratar de um formulário a ser usado no 
Brasil por brasileiros que não disponham daquele documento, muito 
provavelmente deveria ser localizado como 

What is your Social Security number? 
Qual é seu CPF? 

Pode parecer estranho, porque o CPF identifica os contribuintes do imposto 
de renda das pessoas físicas no Brasil, ao passo que o SSN identifica os 
inscritos no sistema previdenciário dos EUA. Entretanto, ambos os números 
são normalmente usados como forma de identificação o que os torna 
homólogos em muitos casos de localização. 

 Adaptação 
 Procedimentos de tradução 

MANUAL DE ESTILO 
Um manual de estilo nada mais é que uma formalização das preferências de 
determinada empresa, instituição ou mesmo pessoa. Nenhum deles deve ser 
tomado como algo de sagrado. 

É obrigatório obedecer um manual de estilo só quando trabalhamos para 
quem o produziu, ou quando o cliente exige. De resto, aprecie com 
moderação: manual de estilo não é autoridade para nada. 

 Especificações 
 Norma culta 
 Preferências do cliente 
Técnicas de Tradução    43 

MAY/MIGHT 
May e seu passado might costumam ser traduzidos por poder, o que 
normalmente funciona: 

We may have some rain tomorrow. 
Pode chover um pouco amanhã. 

…mas há outras soluções igualmente corretas e até mais frequentes no 
português: 

We may have some rain tomorrow. 
Talvez chova um pouco amanhã. 
É capaz de chover um pouco amanhã. 

 Vício de frequência 

MODULAÇÃO 
Este é o quinto dos sete procedimentos fundamentais de tradução descritos 
por Vinay e Darbelnet e o segundo procedimento de tradução oblíqua. É a 
técnica de traduzir o mesmo sentido de um ponto de vista diferente: 

The keyhole. 
O buraco da fechadura. 

Ambos se referem à mesma coisa, mas enquanto o inglês fala da função do 
orifício, o português fala do local onde o orifício se encontra. Ou 

Walk‐up building 
Prédio sem elevador 

…onde o inglês fala da necessidade de subir escadas, ao passo que o 
português fala da falta de elevador. 

Um exemplo mais elaborado é 

It takes two to tango. 
Quando um não quer, dois não brigam. 

…onde o inglês fala da necessidade de dois para dançar, enquanto o 
português fala da impossibilidade de um só brigar. 

Outros exemplos: 

Be sure to 
Não se esqueça de 
Técnicas de Tradução    44 

Um truque muito bom, mas pouco usado: usar a negativa do oposto. O inglês, 
diz o que você tem de fazer, o português diz o que você não pode deixar de 
fazer. Muito útil quando a frase é enfática. 

MULETA 
Chamo muleta àquela palavra cuja única função sintática e semântica é dar 
apoio a outra. Trocado em miúdo: 

Kiss me! 
Dá um beijo! 

O verbo dá está aí só para servir de muleta para a frase não ficar sem verbo. 
Sua única função é servir de muleta para o substantivo beijo. 

A muleta tem muito uso nos procedimentos de transposição, que, a meu ver, 
são os mais importantes para o tradutor. 

 Transposição 

Francisco da Silva Borba, no seu “Dicionário Gramatical de Verbos (UNESP, 
1991) se refere a essas palavras como “verbalizadores”. Nem vi o termo em 
outro lugar nem gostei dele. Vou continuar usando muleta até encontrar 
razão para mudar. 

MUST 
Must é um verbo auxiliar modal. A tradução, no piloto automático, é dever: 

You must oil this machine at least once a week. 
Você deve lubrificar esta máquina ao menos uma vez por semana. 

O problema, aqui, é que o deve, é ambíguo e pode ser interpretado como 
obrigação ou como conselho e dar conselhos é função de should. 

 Should 

Nesses casos, prefiro aquelas construções tão clássicas do português, com um 
predicado nominal: 

You must oil this machine once a week. 
É obrigatório lubrificar esta máquina uma vez por semana. 

…com o que, de quebra, ainda nos livramos de um you. É certo que a 
construção homóloga em inglês existe, porém é igualmente certa de que é 
bem menos usada. 

 Vício de frequência 
 You 
Técnicas de Tradução    45 

NOMES DE EMPRESAS 
Nomes de empresas, de modo geral, não se traduzem: 

Johnson & Johnson is uniquely positioned… 
A Johnson & Johnson ocupa uma posição ímpar… 

 Advérbios terminados em –mente. 

Quando o nome da empresa inclui uma descrição de seu objeto social, pode 
ser útil usar uma explicitação, já que o leitor brasileiro talvez não entenda o 
inglês: 

Explicitação 

Bethune’s business activities were confined to the Central Life 
Insurance Company of Tampa, Fla.  
As atividades comerciais da Bethune se restringiam à Central Life 
Insurance Company, uma seguradora de Tampa, no estado da Flórida. 

A explicitação é só necessária na primeira vez que o termo aparece. Repetir 
uma seguradora, a cada vez que a Central Life Insurance Company aparece é 
desnecessário e cansativo. 

Além disso, a explicitação é desnecessária quando o contexto for 
suficientemente esclarecedor. 

Anyone who bought an insurance policy from Acme Insurance Co. or 
has a policy from East Dakota Insurance…  
Quem tiver feito seguro com a Acme Insurance Co. ou tiver uma 
apólice da East Dakota Insurance… 

Também é necessário reprimir a tendência de agregar à explicitação mais 
informações do que o necessário, 

Bethune’s business activities were confined to the Central Life 
Insurance Company of Tampa, Fla.  
As atividades comerciais da Bethune se restringiam à Central Life 
Insurance Company, uma pequena seguradora de Tampa, no estado 
sulista da Flórida. 

Adições do tradutor 

NOMES DE INSTITUIÇÕES 
Nomes de instituições públicas ou privadas podem ser traduzidos ou mantidos 
no original, com ou sem explicitação, conforme a audiência. Por exemplo, se a 
tradução for dirigida a gente da área de finanças, traduzir Fed, ou Federal 
Técnicas de Tradução    46 

Reserve Board é desnecessário e até desagradável. Entretanto, para um 
público leigo, é importante apor uma tradução: 

The U.S Federal Reserve Board took urgent action… 
O Federal Reserve Board, que opera como banco central dos EUA, 
tomou medidas urgentes… 

 Adições do tradutor 
 Empréstimo 
 Explicitação 

Nesse caso, o original fica como âncora semântica para o leitor, inclusive para 
a o caso de encontrar o mesmo termo sem explicitação ou com explicitação 
diferente. Esses apostos, como todas as adições do tradutor, devem ser tão 
breves e concisos quanto possível: só o estritamente necessário para que o 
leitor entenda do que se está falando. 

Convém, nesses casos, usar termos genéricos em vez de o nome específico da 
instituição mais semelhante no Brasil: 

The IRS has $53 million for Illinois residents. 
O IRS, o Serviço de Rendas Internas dos EUA, tem US$ 53 milhões para 
residentes no Estado Illinois. 

Resista à tentação de traduzir Internal Revenue Service por Secretaria da 
Receita Federal, que é o nome de um órgão especificamente brasileiro com 
funções distintas do IRS. Por exemplo a SRF brasileira controla a alfândega, 
que não está sob o controle do IRS americano. 

O mesmo processo se aplica a escolas, por exemplo: 

At the Harvard Law School we have the benefit of having a group of 
international students. 
Na Harvard Law School, a faculdade de direito da Universidade de 
Harvard, temos a vantagem de um grupo internacional de alunos. 

A explicitação somente se usa na primeira vez que o termo aparece. Repetir a 
faculdade de direito da Universidade de Harvard a cada vez que Harvard Law 
School aparece, é cansativo. Além disso, é desnecessário quando o contexto 
for suficientemente esclarecedor: 

She received her law degree from Harvard Law School.  
Ela se formou em direito na Harvard Law School. 
Ela se formou em direito em Harvard. 

Dificilmente uma dessas traduções vai precisar de aposição e a segunda 
opção, além de mais breve, flui melhor. 
Técnicas de Tradução    47 

Termos que não se referem ao mundo anglófono 

Termos em inglês que não se referem ao mundo anglófono devem ser 
traduzidos. 

As a crown Prince, Hirohito attended the boy's department of the 
Peers School…  
Na qualidade de príncipe real, Hirohito frequentou o departamento 
masculino da Peers School… 
Na qualidade de príncipe real, Hirohito frequentou o departamento 
masculino da Escola para os Pares do Reino… 

Se mantivermos o inglês do original, o leitor pode ser levado a pensar que 
Hirohito, posteriormente imperador do Japão foi estudar em uma escola num 
país anglófono, o que não é verdade. O então príncipe Hirohito estudou em 
uma escola japonesa de elite que, em inglês, é conhecida como Peers School. 

The German Foreign Office 
O Ministério das Relações exteriores da Alemanha 

…é outro exemplo em que o uso do nome inglês causaria um nível de 
distorção desnecessário. Por outro lado, acho desnecessário ir caçar o nome 
oficial em alemão: se o autor achou o nome em inglês suficiente, para nós o 
nome em português há de servir. 

NOMES DE OBRAS DE ARTE 
Nomes de obras de arte, incluindo literatura, muitas vezes têm formas 
consagradas em português. 

Shakespeare’s “Romeo and Juliet” 
O “Romeu e Julieta”, de Shakespeare 

Não vale a pena deixar no original nem vale a pena inventar um outro nome 
para a “Romeu e Julieta” ou para qualquer outra obra com nome consagrado 
em português, salvo se o original ou o contexto exigirem. Com a Internet, 
descobrir se existe uma forma consagrada deixou de ser tarefa árdua. 

 Contexto 
 Formas consagradas 

Ao contrário do recomendado para os nomes geográficos e de pessoas se a 
obra não tiver nome consagrado, acho correto traduzir, principalmente em 
um texto jornalístico ou literário: 

Turner painted “The Shipwreck of the Minotaur”…  
Turner pintou “O naufrágio do Minotauro”… 

Num texto acadêmico, na falta de nome consagrado é preferível manter o 
nome original, com uma tradução proposta entre colchetes: 
Técnicas de Tradução    48 

Turner painted “The Shipwreck of the Minotaur”…  
Turner pintou “The Shipwreck of the Minotaur [“O naufrágio do 
Minotauro”]… 

Termos que não se referem ao mundo anglófono 

É necessário prestar atenção especial aos nomes que, em inglês, já são 
traduzidos de outra língua: 

Johannes Brahms’s “Lullaby” 
A “Canção de ninar” de Brahms 
O “Acalanto” de Brahms 

Brahms escreveu uma peça, que recebeu o nome de Wiegenlied em alemão 
corretamente traduzido como Lullaby, em inglês. Em português, se diz 
Canção de ninar ou Acalanto. O gênero musical “canção de ninar” pode ser 
chamado “berceuse” em português. Chamar uma peça musical alemã em 
português por seu nome inglês é absurdo. 

NOMES DE PESSOAS 
De modo geral, não se traduzem nomes personativos. 

Michael looked at his watch… 
Michael olhou o relógio… 

Entretanto, não há regras estritas. O Reino Unido tem o príncipe William, que 
é filho do príncipe Charles, que é filho da rainha … Elizabete! Por que é 
costume chamar a rainha de Elizabete, em vez de Elizabeth, mas o filho é 
Charles, em vez de Carlos e o neto é William, em vez de Guilherme, 
sinceramente não sei. 

O fato de que, em Portugal, é conhecida como rainha Isabel é clara 
demonstração de que não podemos mais nos ater cegamente aos padrões 
lusos: no Brasil, chamar a rainha de Isabel, causaria, no mínimo, surpresa. 

Livros para crianças de até cinco anos 

Há quem diga que os nomes personativos devem ser adaptados ao português 
no caso de livros para crianças muito pequenas, que poderiam ter 
dificuldades com os nomes estrangeiros. 

Acho que essa recomendação deixou de ter importância no Brasil, dada a 
quantidade de nomes complicados e difíceis hoje comuns entre nós. 

 Adaptação 
Técnicas de Tradução    49 

Personagens históricos 

Os nomes de muitos personagens históricos têm formas consagradas. 

Henry VIII 
Henrique VIII 

William the Conqueror 
Guilherme, o Conquistador  

Como sempre, o problema é que aquilo que é forma consagrada para um 
pode não ser para outro e as discussões sobre o assunto não têm fim. Minha 
fonte, para essas coisas, costuma ser a Wikipedia. Mas, acima dela, está meu 
bom senso. Este livrinho tem cerca de cem verbetes, nenhum deles sobre 
“bom senso”. 

Em trabalho acadêmico, pode valer a pena apor o original entre colchetes, 
talvez com uma breve explicação: 

William the Conqueror invaded England in 1066. 
Guilherme, o Conquistador, [William the Conqueror] invadiu a 
Inglaterra em 1066.  

Quando não houver forma consagrada, use o original sem aclimatar. 

 Aclimatação 

Winston Churchill was a great statesman, orator and strategist. 
Winston Churchill foi um grande estadista, orador e estrategista. 

Muitos nomes ingleses simplesmente não têm correspondentes em português 
e não vale a pena tentar encontrar. 

Nomes não ingleses 

Quando o nome se refere a algo externo ao mundo anglófono, usa‐se a forma 
consagrada em português: 

Peter the Great was born in 1672 and he died in 1725. 
Pedro, o Grande, nasceu em 1673 e morreu em 1725. 

A brief discussion of the life and works of Aristotle. 
Uma breve análise da vida e obras de Aristóteles. 

Papas 

Os nomes de papas aparecem em suas formas portuguesas – nunca se 
esquecendo que a forma oficial é em latim. 
Técnicas de Tradução    50 

Pope Paul 
O papa Paulo 

NOMES GEOGRÁFICOS 
Muitos nomes geográficos têm formas consagradas em português: 

…effect upon the growth and development of London. 
…efeito sobre o crescimento e desenvolvimento de Londres. 

…que devem ser usadas nas traduções. Outros carecem dessas formas: 

Winchester is a historic city in southern England. 
Winchester é uma cidade histórica no sul da Inglaterra. 

A tendência atual, tanto no Brasil como em vários outros países, é manter os 
nomes originais. Por isso, formas como Oxônia ou Brema foram 
desaparecendo em favor de Oxford e Bremen. 

Nomes herdados 

Quando o topônimo se refere a um local que herdou o nome de outro mais 
importante, nem sempre é fácil decidir se devemos manter o original ou usar 
o topônimo consagrada português: 

The City of London is located in the heart of southwestern Ontario. 
A cidade de Londres fica no coração do sudoeste de Ontário. 
A cidade de London fica no coração do sudoeste de Ontário. 

Aqui, nos referimos a uma cidade canadense, não à capital da Inglaterra. 
Parece que Londres é exclusivamente o nome da capital da Inglaterra, mas 
não de todas as cidades chamadas London em inglês. Não creio que haja 
consenso, aqui. 

Se o topônimo fizer parte integrante de um nome próprio, deve ser deixado 
no original: 

London Online is a concise guide to the capital… 
O “London Online” é um guia conciso da capital… 

Casos controversos 

Caso mais complexo é o de New York, que, para alguns, deve ser Nova Iorque 
e, para outros, Nova York. Não há acordo. Há quem reclame que Nova York é 
um híbrido a ser evitado, há quem contradiga que o New aqui é um adjetivo 
comum que deve ser traduzido. Para eles, Nova Iorque não é a cidade dos 
EUA, mas sim um município no estado do Maranhão, o que não deixa de ter 
seu lado de verdade. 
Técnicas de Tradução    51 

Por outro lado, o estado americano de New Hampshire aparece sempre com 
seu nome original em inglês o que indica que coerência não é o ponto forte, 
aqui. 

Nomes geográficos com viés político 

Alguns nomes geográficos têm forte viés político: Falkland/Malvinas, por 
exemplo. Dizer que um é inglês e outro é português é menos correto do que 
parece: uma busca na Internet vai mostrar que Malvinas aparece mais de 
400.000 vezes em textos escritos em língua inglesa. Geralmente (o que 
significa “mas há exceções” (sempre há exceções e o demônio mora nas 
exceções), o uso de Falklands reflete a opinião de que o arquipélago, por 
direito, é britânico; o uso de Malvinas reflete a opinião de que o arquipélago, 
por direito, é argentino. O uso de Falklands/Malvinas reflete o desejo de não 
entrar no mérito da questão – mas dificilmente funciona, porque sempre vai 
haver quem ache que Malvinas/Falklands seria mais apropriado. 

É um posicionamento político e filosófico que faz parte integrante da 
mensagem e deve ser respeitado na tradução. Não cabe ao tradutor de impor 
ao texto suas próprias convicções políticas. 

 Voz do tradutor 

…what happened in the “Falklands” war when the Argentineans got all 
fired up about reclaiming the “Malvinas”… 
… o que sucedeu durante a guerra das Falklands, quando os 
argentinos ficaram todos nevosinhos com a exigência da devolução 
das “Malvinas”… 

Note que o Malvinas vem entre aspas no original, para indicar que, na opinião 
do autor, o nome correto” é Falklands e o próprio fired up, algo pejorativo, 
indica que o autor não era grande partidário das pretensões argentinas. Por 
mais que o tradutor tenha o seu coração com a Argentina, há que respeitar o 
original e manter os nomes. 

 Ética 

Termos que não se referem ao mundo anglófono 

Quando o topônimo se refere a um local fora do mundo anglófono, use a 
forma consagrada em português ou, na falta desta, a forma original: 

Copenhagen 
Copenhague 

O nome da cidade em dinamarquês é København, que iria parecer muito 
estranho em português. Copenhagen é o nome tradicional inglês. 

Catalonia 
Catalunha 
Técnicas de Tradução    52 

Nomes próprios transformados em substantivos comuns 

Os topônimos podem se tornar substantivos comuns. Nesse caso o 
substantivo próprio e o comum podem ter tratamentos distintos: 

The city of Leghorn 
A cidade de Livorno 

…quando nos referimos à cidade italiana, mas 

Leghorn chickens 
Galinhas legorne 

…quando nos referimos à raça de galinhas poedeiras. 

River Plate beat Cerro Largo 2‐0 
O River Plate ganhou do Cerro Largo por 2 a 0. 

… embora 

The Battle of the River Plate took place on December 13th, 1939. 
A batalha do Rio da Prata ocorreu em 13 de dezembro de 1939. 

 Preferências do cliente 

Mudanças de nome 

Muitas vezes, o local muda de nome. Istambul já foi Bizâncio e Constantinopla 
e já teve vários outros nomes, cada um representando uma fase da história da 
cidade. Essas mudanças se tornaram mais frequentes nos últimos anos, por 
vários motivos políticos. Por exemplo, a cidade que os ingleses chamavam 
Bombay, e em português ganhou o nome de Bombaim bem antes de os 
ingleses chegarem lá, os indianos, agora, chamam Mumbai. Chamar a cidade, 
em português, de Mumbai, não é anglicismo, é acompanhar uma mudança 
feita pelo governo do país onde a cidade está situada. Anglicismo é chamar de 
Bombay. 

A escolha do nome a usar na tradução é condicionada pelo original. Se o 
original usa Bombay, a tradução deve usar Bombaim, se o original usa 
Mumbai, a tradução deve usar Mumbai, da mesma forma que 
Constantinople é Constantinopla, Byzantium é Bizâncio, mas Istanbul é 
Istambul – mas note a troca de n por m na grafia. 

Para entender a recomendação, é importante analisar a razão de haver 
Bombay ou Mumbai no original. Bombay vai ser encontrado em textos mais 
antigos, textos atuais ambientados em épocas antigas ou quando o autor 
simplesmente se recusa a usar o nome moderno por razões políticas ou 
filosóficas. Mumbai, por outro lado, se encontra em textos mais modernos e 
politicamente corretos. Quer dizer, a escolha do nome não é aleatória nem 
Técnicas de Tradução    53 

depende de gosto mas reflete fatores que devem ter sua contrapartida na 
nossa tradução. 

Aos poucos, esses nomes, que nos pareciam exóticos se tornam comuns e não 
vai demorar até encontramos algo como: 

… Mumbai (antigamente conhecida como Bombaim)… 

NORMA CULTA 
A maioria das traduções deve estar de acordo com a norma culta. A exceção é 
um ou outro trecho de uma tradução literária escrita em algum dialeto. 

Resta, agora, definir o que possa ser “norma culta”. Norma culta é a norma 
que rege a fala e escrita das pessoas cultas. E quem são as pessoas cultas? São 
as que falam de acordo com a norma culta. Durma‐se com um barulho desses. 

A norma culta, entretanto, não é monolítica: se há acordo geral de que “nós 
vamos” é norma culta e “nós vai” não é, há inúmeros casos de desacordo e 
divergência, e cabe a nós, na ausência de manifestação por parte do cliente, 
resolver de acordo com o nosso bom senso. Este livrinho tem cerca de cem 
verbetes, nenhum deles sobre “bom senso”. 

NORMAS DA ABNT 
Seguir as normas da ABNT é uma opção, não uma obrigação. Siga se o cliente 
quiser. Ou se não tiver opção melhor. Aqui, não são seguidas. 

 Manual de estilo 
 Preferências do cliente 

NOTA DO TRADUTOR 
Nota de tradutor, é melhor não pôr. Interrompe o fluxo do texto, congestiona 
a página e distrai a atenção. Ler um livro com muitas notas é como ser 
interrompido pelo telefone a todo o momento. São mais aceitáveis em 
traduções “para estudo”, acadêmicas. Em muitos tipos de tradução, como a 
legendagem, são proibidas ou impossíveis. 

They watched a Laurel & Hardy short. 
Assistiram um curta metragem de Laurel & Hardy (Nota do Tradutor: 
“Laurel & Hardy aqui se refere à dupla de comediantes mais conhecida 
no Brasil como “o Gordo e o Magro”). 

… embora, a rigor esteja correto, é um horror. É bem melhor usar os nomes 
normais no Brasil: 
Técnicas de Tradução    54 

They watched a Laurel & Hardy short. 
Assistiram a um curta‐metragem do Gordo e o Magro. 

Às vezes, cabe uma explicação aposta, que, numa publicação muito formal, 
para uso acadêmico, por exemplo, deve vir entre colchetes. Num jornal ou 
outra publicação menos formal, pode vir entre travessões ou mesmo vírgulas: 

The humor of Laurel and Hardy, like that of many great comics, …  
O humor de Laurel e Hardy, – ou “Gordo” e o “Magro” como são 
conhecidos no Brasil – como o de muitos outros cômicos… 
O humor de Laurel e Hardy, [o “Gordo” e o “Magro”] como o de muitos 
outros cômicos… 

Mesmo em literatura de arte ou filosofia, as notas são bem mais dispensáveis 
do que pensam muitos tradutores. Quem se põe ou propõe a ler essas coisas 
costuma já ter a formação intelectual necessária. 

 Adições do tradutor 
 Expansão 
 Explicação aposta 
 Explicitação 

Notas de rodapé e de fim de capítulo ou de livro devem ser reservadas para 
casos extremos, como obras de entendimento difícil por seu estilo ou por seu 
conteúdo. 

NÚMEROS 
A grafia dos números, no Brasil, é regulada pela Resolução nº 12, de 12 de 
outubro de 1988 do INMETRO, leitura amena e agradável, texto que resumo 
abaixo. 

Os números, sejam quantidades, dados demográficos, ou valores em dinheiro, 
em qualquer moeda, devem ser escritos no formato 1.000.000,00, quer dizer, 
milhares separados por pontos e decimais separados por vírgulas. 

The Statistical Institute of the Republic of Cyprus shows a population of 
749,200. 
O Instituto de Estatística da República de Chipre informa uma 
população de 749.200 habitantes. 

 Nomes de instituições 

Quando usar números por extenso e em algarismos, primeiro coloque os 
números em algarismos e, depois, entre parênteses, por extenso. 

This agreement is executed in two (2) counterparts… 
O presente contrato foi assinado em 2 (duas) vias… 

Não comece número por vírgula: 
Técnicas de Tradução    55 

A .4% increase… 
Um aumento de 0,4%… 

Transforme números mistos em decimais: 

An increase of 1 3/4 percent… 
Um aumento de 1,75%… 

Depois de algarismos, mesmo em texto literário, use o símbolo de 
porcentagem (%) em vez de escrever por cento: 

Mary received only 30 percent of the inheritance, a lot less than she 
expected. 
Mary recebeu só 30 por cento da herança, muito menos do que 
esperava. 
Mary recebeu só 30% da herança, muito menos do que esperava. 

... ou escreva o número por extenso, se o texto for mais formal: 

Mary received only 30 percent of the inheritance, a lot less than she 
expected. 
Mary recebeu trinta por cento da herança, muito menos do que 
esperava. 

Todos os valores monetários, pesos e medidas, nacionais e estrangeiro, 
seguem as regras gerais para números apresentadas acima. 

 Dinheiro 
 Pesos e medidas 

Algumas pessoas têm o hábito de jamais escrever números com um só 
algarismo e dizem, por exemplo, que têm “02 filhos”. Esse uso não tem base 
gramatical ou jurídica absolutamente alguma e só se justifica em tabelas, para 
manter a estrutura gráfica. 

Numeração de séries 

A numeração de séries, por exemplo, dos tópicos de um trabalho científico, 
(1.1, 1.1.2…) deve ser preservada sem alterações. 

OBRAS CONSULTADAS 
Este livrinho não é uma obra acadêmica e, portanto, reflete muito mais as 
minhas impressões, idiossincrasias e opiniões do que as obras consultadas. 
Entretanto, em cima de minha mesa de trabalho há umas quantas obras que 
muito me ajudaram a organizar (?!) meu pensamento, o que quer que isto 
signifique. 

A primeira delas é um livro pequeno, mas utilíssimo, pelo poder de concisão e 
organização da autora: Procedimentos Técnicos de Tradução, de Heloisa 
Técnicas de Tradução    56 

Gonçalves Barbosa. Vale a pena ler e reler mil vezes. Se você não fez 
bacharelado em tradução, é uma excelente introdução a uma visão mais 
estruturada do que constitui uma tradução. Se fez, funciona como aquele 
resuminho maneiro que te ajuda a recordar as coisas que vão se perdendo 
pela memória. 

A segunda é o Stylistique comparée du français e de l’angalais de J.P Vinay e 
J Darbelnet, provavelmente o mais citado entre todos os livros sobre 
tradução. Há uma tradução inglesa, que nunca tive em mãos. O livro trata de 
tradução do inglês para o francês, mas é de uma utilidade única. 

A terceira é a Introduction a lá Traductología de Gerardo Vázquez‐Ayora. Meu 
exemplar, legítimo e comprado da Amazon, é um fotolito de um texto 
datilografado, o que mostra a pobreza do orçamento. Tem o defeito adicional 
de que, sendo inglês > espanhol, tem muitos exemplos que não nos servem. 
Mesmo assim, vale muito a pena. 

Muitos exemplos foram tirados de textos traduzidos por mim próprio, caso 
em que foram mascarados para ocultar a origem. As traduções são todas 
minhas. 

ORIGINAL 
Hoje, está fora de moda chamar o texto que serve de base para a nosso 
trabalho de original. Fala‐se em T1, Protexto, Texto de Partida e Deus sabe 
quantos outros nomes bizarros e horríveis. 

Tenho uma leve impressão de que pessoas que usam esses termos, quando 
acham que ninguém está ouvindo (ou quando estão falando sozinhas, porque 
são pessoas normais e portanto também falam sozinhas), também dizem 
original, que é mais simples e todos entendem. Aqui, normalmente chamo o 
original de original e acabou‐se a história. Se você quiser chamar por outro 
nome, esteja à vontade. Nós estamos numa democracia. 

PASSIVA 
Vários livros sobre boa redação publicados nos EUA contém proibições contra 
a voz passiva, o que não impede que a voz passiva seja usada a torto e a 
direito. O preconceito contra a voz passiva expresso nesses livros foi 
macaqueado por alguns brasileiros e tem gente que morre de medo dessas 
formas verbais. Agora, releia este parágrafo e veja quantos verbos na passiva 
ele tem e me diga se seria ficaria melhor se fosse reescrito todo na ativa.  

Porém, nem toda voz passiva inglesa precisa ser traduzida literalmente em 
português. 

Verbos que não admitem passiva analítica em português 

Nem todos os verbos portugueses admitem passiva analítica: 
Técnicas de Tradução    57 

You are offered a diverse array of U.S. dollar denominated 
investments. 
Você é oferecido uma ampla variedade de investimentos denominados 
em dólares. 

A formulação acima reflete o hábito de muitos redatores anglo‐americanos de 
colocar o leitor em primeiro lugar na frase. Se quisermos seguir esse método 
de redação, podemos dizer: 

You are offered a diverse array of U.S. dollar denominated 
investments. 
Você tem (à sua disposição) uma ampla variedade de escolhas de 
investimentos denominados em dólares dos EUA. 

…em que combinamos transposição e modulação para obter uma frase que 
tenha o mesmo sentido e ordem original. Mas não acho grande vantagem, 
porque o excesso de vocês iniciais nos parece cansativo. 

 Transposição 
 Modulação 

Uma opção melhor é  

You are offered a diverse array of U.S. dollar denominated 
investments. 
Oferecemos (a você) uma ampla variedade de escolhas de 
investimentos denominados em dólares dos EUA. 

Em outros casos, a passiva sintética cai como uma luva: 

Yields are expected to rise  
Espera‐se que os rendimentos aumentem. 

This is not done! 
Isso não se faz! 

…um caso em que usamos em português uma construção rara de encontrar 
em traduções, porque não existe em inglês. 

 Vício de frequência 

Temos também o caso em que o verbo na passiva é traduzido por um 
substantivo abstrato: 

However, the drop in prices since the financial crisis in 2008 had 
resulted in some of these projects being cancelled or delayed. 
Entretando, a queda nos preços desde a crise financeira de 2008 tinha 
resultado no cancelamento ou adiamento de alguns desses projetos. 

 Transposição 
Técnicas de Tradução    58 

PESOS E MEDIDAS 
Em textos ambientados na atualidade, pesos e medidas devem ser 
convertidos ao sistema métrico decimal (oficialmente, "SI"), descrito na 
Resolução CONMETRO nº 12, de 12 de outubro de 1988. É bom ler 
detidamente a resolução, porque mesmo tradutores experientes cometem 
grandes erros quando usam pesos e medidas. Como são problemas de 
português, não de tradução, não vamos nos deter neles. 

Precisão e arredondamento 

Em textos técnicos, é importante discutir o grau de precisão necessária com o 
cliente antecipadamente. 

De modo geral, entretanto, a medida convertida deve ter no máximo uma 
casa decimal a mais que a medida original. A definição mais precisa de pound 
pode ser 453,5924 gramas, mas 

She gained 15 pounds after she quit smoking. 
Ela engordou 6,803886 quilos depois de parar de fumar. 
Engordou {quase/cerca de/uns} sete quilos depois de parar de fumar. 

O quase/cerca de/uns reforça a ideia de que estamos falando em uma 
aproximação. Por outro lado, é evidente que mesmo o original é aproximado. 

I drove 7000+ miles for my job in 2007 
Rodei mais de 12.000 km a serviço em 2007 

Along CR 27 about 2.5 miles south of Stoneville the trees… 
Ao longo da Estrada CR‐27, a uns 4,02336 quilômetros de Stoneville, 
as árvores… 
Ao longo da Estrada CR‐27, a uns 4 quilômetros de Stoneville, as 
árvores… 

 Explicitação 

Pesos e medidas antigos 

Se o autor usou uma medida antiga, não converta para SI: 

The king of Assyria exacted three hundred talents of silver and thirty 
talents of gold from Hezekiah, king of Judah. 
O rei da Assíria exigiu de Ezequias, rei de Judá, o pagamento de 
trezentos talentos de prata e trinta talentos de ouro. 

Não sabemos quanto valia um talento na época de Ezequias e se o autor do 
original resolveu deixar sem converter, vamos respeitar. 
Técnicas de Tradução    59 

Se a medida usada não tiver um nome tradicional português, o que pode 
acontecer quando o texto se referir a uma cultura menos ligada à tradição 
ocidental, simplesmente use o mesmo nome que o autor. 

Escolha da unidade correta 

Nem sempre o mundo anglófono usa unidades da mesma categoria que o SI. 
Por exemplo, 

Por exemplo, americanos medem sua colheita de milho em bushels, que é 
uma unidade de capacidade; no Brasil a medida é em toneladas, que são 
medidas de peso. Certo que um bushel é equivalente a 35,23907016688 
litros. O problema é que não vendemos milho por litro, mas sim por quilo e, 
por isso, a informação vai ajudar muito pouco o leitor brasileiro. Então, é 
necessário saber que um bushel de milho padrão pesa 56 libras ou 
25,40117272 kg e fazer a conta, para saber que X bushels de milho são Y 
toneladas. Para complicar a definição de bushel e de pound é a mesma em 
todos os estados dos EUA, mas a definição de peso de bushel de milho pode 
mudar de um lugar para o outro. 

A situação atinge o máximo de complicação quando se diz que the yield was 
40 bushels per acre. 

Por isso, em tradução técnica é preferível deixar o cálculo para o cliente ou 
revisor técnico. Em tradução literária, a questão pode ser irrelevante, caso em 
que é perfeitamente possível preservar o bushel. 

 Relevância 

Entretanto, se for necessário fazer a conversão, procure a ajuda de quem 
realmente conheça esses problemas, porque já avançamos muito no reino da 
localização. 

 Localização. 
 Nomes geográficos, 
 Nomes de pessoas 

Textos ambientados no passado 

Mesmo que o texto seja moderno, se for ambientado no passado, é melhor 
não converter. Veja, por exemplo, este trecho: 

Shylock demands the pound of flesh … 
Shylock exige a libra de carne… 

Trata‐se de uma alusão ao Mercador de Veneza, de Shakespeare, e seria 
ridículo ter um personagem de Shakespeare exigindo de seu devedor meio 
quilo (ou, pior ainda, 456 gramas) de carne. Então, é melhor traduzir por libra 
mesmo. Se nosso leitor não souber quanto pesa uma libra, pouco se perde: o 
peso exato é irrelevante e é desnecessário explicar. 
Técnicas de Tradução    60 

 Relevância 
 Adições do tradutor 

Um bom português talvez dissesse que a tradução correta para pound é 
arrátel, no que estaria totalmente certo. Cabe perguntar se o leitor médio do 
texto saberia o que é um arrátel e se o uso do termo antiquado é relevante. 

Textos ambientados no presente 

O texto pode ser atual, mas às vezes, o valor exato é irrelevante: 

…an old woman who held a few acres of land… 
…uma velha, dona de uns poucos alqueires… 

Aqui, o que o autor quer dizer é que a velha tinha uma pequena propriedade 
rural. Ninguém se deu ao trabalho de medir a propriedade. 

Usar hectares seria correto, porque, alqueire, além de não fazer parte do SI, 
tem valor variável mas daria ao texto um tom muito mais técnico e, creio eu, 
esteticamente mais pobre. Além disso, o próprio original é impreciso. 

Unidades externas ao mundo anglófono 

Se o autor usou um termo que não pertence à língua inglesa, preserve a 
escolha dele na sua tradução. 

Only ten scheffels of turnips…    
Somente dez scheffels de nabos… 

Nesse caso, o autor preferiu deixar scheffel no alemão e devemos respeitar 
sua preferência. O termo não é mais estranho para os leitores anglófonos do 
que para nós. 

PONTUAÇÃO E MAIÚSCULAS 
Sempre aplique as regras de pontuação da língua portuguesa. Não 
acompanhe servilmente a pontuação e as maiúsculas do original. 

PREFERÊNCIAS DO CLIENTE 
O cliente pode ter suas preferências, às vezes apresentadas no que, por 
imitação do inglês, hoje se chama Manual de Estilo. Ao aceitar a o encargo de 
traduzir, juntamente com condições tais como preço e prazo, estamos 
aceitando também o encargo de obedecer a essas preferências. 

Se não concordar com o Manual de Estilo, o tradutor tem todo o direito, e até 
o dever, de levar sua discordância ao conhecimento do cliente, mas não tem o 
direito de tomar a questão em suas próprias mãos e fazer do seu jeito, 
Técnicas de Tradução    61 

principalmente quando se trata de trabalho de equipe, como é tão comum 
hoje em dia. 

 Manual de estilo 

PREPOSIÇÃO TRADUZIDA POR VERBO 
Principalmente quando o verbo principal é de movimento, muitas vezes é 
melhor traduzir preposições como verbos: 

He drove his new car up main street. 
Ele subiu a rua principal em seu carro novo. 

Note que drive é o que chamo verbo rico: significa “deslocar‐se dirigindo um 
veículo”, e o nosso subir pode ser tanto de carro quanto a pé ou a cavalo. Essa 
riqueza, entretanto, não tem relevância neste caso, já que o contexto deixa 
claro que foi de carro. 

 Relevância 

Muitas vezes, entretanto, a solução não é tão simples: 

He was shouted out of the room. 

Ele foi gritado para fora da sala, simplesmente não funciona. Não é por ser 
“muito literal”, mas sim porque não significa nada em português. 

He was shouted out of the room. 
Foi expulso da sala aos gritos. 

É muito melhor. 

He was scared into silence. 
Ficou em silêncio de medo. 
Ficou calado por medo. 
Ficou com tanto medo, que se calou. 

Note que, nesses casos, o verbo principal inglês se transmuta em advérbio ou 
locução adverbial. 

 Transposição 
 Procedimentos fundamentais de tradução 

PROCEDIMENTOS FUNDAMENTAIS DE TRADUÇÃO 
Jean‐Paul Vinay e Jeal Darbelnet, em seu Stylistique comparée du français et 
de l’anglais – Méthode de traduction (Paris 1958, Montréal 1960), 
estabeleceram um elenco de sete procedimentos fundamentais de tradução, 
Técnicas de Tradução    62 

incorporado à terminologia de todos os trabalhos posteriores, embora quase 
sempre com adaptações. 

Os primeiros três procedimentos são chamados tradução direta e os restantes 
são chamados tradução indireta. 

Os procedimentos de tradução direta são empréstimo, decalque e tradução 
literal. Os procedimentos de tradução indireta são transposição, modulação, 
equivalência e adaptação 

Mesmo na obra de Vinay e Darbelnet, aparecem outros procedimentos e cada 
autor posterior sugeriu a sua própria lista. Mas a lista deles é fundamental 
para orientar nosso trabalho e esses sete procedimentos fundamentais vão 
aparecer inúmeras vezes neste livrinho. 

 Adaptação 
 Decalque 
 Empréstimo 
 Equivalência 
 Modulação 
 Tradução literal 
 Transposição 

PRONOMES 
O pronome é o termo vicário por excelência. O inglês usa uma quantidade 
enorme de pronomes, porque quase sempre exige explicitação de sujeitos e 
objetos, ao passo que o português considera elegante a elipse de sujeito ou 
objeto. 

 Contaminação 
 Termos vicários 
 Tradutorês 
 Vício de frequência 

Pronomes retos 

Preservar todos os pronomes retos do inglês cria um texto muito infantil, do 
tipo Eu tenho um gatinho. Eu gosto muito dele. Eu só não gosto quando ele 
me arranha o braço. Embora muitas vezes a solução mais simples seja 
simplesmente omitir o pronome, principalmente no caso de I, há muitas 
outras opções, analisadas em verbetes separados para cada pronome. 

 He/she 
 I/we 
 You 
Técnicas de Tradução    63 

Pronomes oblíquos 

Mas não é tudo: temos também os do caso oblíquo, que são um caso sério, 
por dois motivos: primeiro que, muitas vezes são desnecessários e 
atravancam a frase sem proveito nem finalidade; segundo que nossa 
gramática (e nossos revisores e clientes) querem que coloquemos os 
pronomes de acordo com um grupo de regras ultrapassado e que poucos 
conhecem direito. Por isso, sempre que posso, corto pronomes oblíquos. 

Veja o exemplo abaixo: 

When I bought them, the salesman said they were eight days old. 
Quando eu os comprei, o vendedor disse que eles tinham oito dias de 
idade. 
Quando comprei, o vendedor disse que tinham oito dias. 

As duas traduções estão certas, do ponto de vista da gramática, mas a 
segunda é mais breve e flui melhor. 

 Economia vocabular 

PROVÉRBIOS 
Nem todos os provérbios ingleses têm correspondentes portugueses (e vice‐
versa). É melhor arranjar uma tradução mais literal e mais fiel ao sentido do 
original do que usar um provérbio português que tenha um sentido 
totalmente diferente. 

PÚBLICO 
Toda tradução é dirigida a um determinado público e as escolhas tradutórias 
têm que se adequar a esse grupo. Por exemplo, numa tradução voltada para o 
público acadêmico, as notas do tradutor são muito mais aceitáveis do que na 
literatura de massa, aqueles romances enormes que a gente lê na sala de 
embarque do aeroporto. 

 Registro 
 Nota do tradutor 

REGISTRO 
Registro, numa definição grosseira, é o grau de formalidade do texto. Muitas 
vezes, na ânsia de escrever corretamente, adotamos um registro 
excessivamente formal. 

 Estilo 
 Gramática 
 Público 
Técnicas de Tradução    64 

Antes de fazer qualquer escolha, é bom verificar se estilo e registro estão de 
acordo com o original. 

Há tempos, fiz a revisão do texto de um comercial em que uma mãe dizia à 
filha de meia dúzia de aninhos Sim, querida, compra‐lo‐ei amanhã. 
Gramaticalmente, está certo, mas o registro está mais que errado. 

Embora o inglês ainda seja menos formal que o português do Brasil, aos 
poucos estamos ficando menos formais, o que torna o problema do registro 
menos grave do que já foi. Por exemplo, embora muitos ainda terminem 
cartas com fechos formais do tipo sem mais para o momento, subscrevemo‐
nos, atenciosamente, o yours truly pode tranquilamente ser traduzido por 
um simples atenciosamente. 

SHOULD 
A regra de que should e would trocam de significado na primeira pessoa está 
caindo em desuso. O contexto vai dizer se deve ser levada em conta no texto 
que você está traduzindo. 

Tradução canônica 

A tradução canônica de should é deveria: 

You should go home now 
Você deveria ir para casa, agora. 

You should see a doctor. 
Você deveria consultar um médico. 

You shouldn’t be so jealous! 
Você não deveria ser tão ciumento! 

… mas, às vezes, é melhor usar um torneio do tipo 

You should see a doctor. 
Acho que seria bom você consultar um médico. 
No seu caso, é recomendável consultar um médico 

SINTAGMAS NOMINAIS 
Os sintagmas compostos de um substantivo modificado por adjetivo 
costumam ficar mais idiomáticos quando fazemos uma transposição cruzada, 
como resultado da qual o que era adjetivo se torna substantivo e o 
substantivo se torna transposição cruzada 

Increased efficiency 
Aumento na eficiência 
Técnicas de Tradução    65 

Unprecedented growth 
Crescimento sem precedentes 

TERMO VICÁRIO 
Chamo vicário um termo usado como substituto de outro, para evitar a 
repetição. O exemplo clássico é o dos pronomes usados para substituir 
substantivos. Por exemplo, em João é muito inteligente, mas ele é também 
muito arrogante, o pronome ele se usa para não repetir João. Há também 
verbos vicários, geralmente fazer, como em: Detesto ler jornal. Faço‐o por 
necessidade, onde faço‐o representa ler jornal. 

 Vício de frequência 
 Pronomes 
 Do/did 

O português usa menos termos vicários que o inglês – um dos motivos porque 
é tão difícil aprender a usar os auxiliares inglês como vicários – e, por isso, 
usar sempre um vicário em português quando há um em inglês constitui vício 
de frequência. 

 Contaminação 

THIS/THAT 
This e that podem ser tanto pronomes quanto adjetivos. Por exemplo, em 

 vício de frequência 
 termo vicário 
 tradutorês 
 pronomes 

That book is too long. That is its main defect. 

O primeiro that é adjetivo, porque modifica book, mas o segundo é pronome, 
porque substitui book. 

O inglês tende a usar mais pronomes demonstrativos do que o português. 
Usar pronomes demonstrativos em português não é errado, mas, se 
traduzirmos para o português todos os pronomes demonstrativos 
encontrados no original, nossa tradução vai parecer pesada, artificial, pouco 
idiomática. 

TRADUÇÃO LITERAL 
A tradução literal é o terceiro dos sete procedimentos fundamentais descritos 
por Vinay e Darbelnet. Trata‐se do caso em que o original é traduzido palavra 
Técnicas de Tradução    66 

por palavra, com as alterações morfossintáticas indispensáveis para se 
adequar à língua de chegada. Por exemplo: 

The boy ate a piece of cake. 
O menino comeu um pedaço de bolo. 

No caso acima, a cada palavra do original corresponde uma da tradução. 
Porém aqui, 

She dreamed of a new life. 
Ela sonhava com uma vida nova. 

…of, não recebeu sua tradução canônica, que é de, porque a regência do 
verbo sonhar exigia com, ou seja, foi feita uma alteração para atender a uma 
exigência morfossintática. No mais, a cada palavra inglesa corresponde a 
palavra portuguesa homóloga. Para mim, a tradução continua sendo literal. 

Literal não significa errado: 

The boy ate a piece of cake. 
O menino comeu um pedaço de bolo. 

… é literal e perfeitamente correto. Quem, para evitar a literalidade, fizer uma 
alteração simples, do tipo 

The boy ate a piece of cake. 
O menino comeu uma fatia de bolo. 

…está se desviando do original e perdendo a precisão sem necessidade. O 
pedaço de bolo pode ser uma fatia, mas também pode ser um cubo. Muita 
sorte se não acontecer de o texto dizer mais adiante que a mãe do menino 
sempre cortava bolo em cubos. 

Rejeite a tradução literal quando trair o sentido do inglês, ou as normas de 
gramática ou de estilo do português. Por exemplo: 

He drove his new car up main street. 
Ele dirigiu seu carro novo para cima da principal rua. 

…é inaceitável porque, além de não ser português que se preze, ainda trai o 
sentido do original. 

TRADUTORÊS 
Uns chamam tradutorês, outros chamam tradutês, mas não encontrei 
nenhuma das formas dicionarizadas. São palavras e expressões em português 
que achamos quase que exclusivamente em traduções, embora tenham 
correspondentes perfeitos na língua usual. 
Técnicas de Tradução    67 

Em alguns casos, desaparecem com o tempo como o zinha, encontrada como 
tradução de chick em legendas antigas. Em outros casos, vão aos poucos se 
agregando ao repertório padrão da língua. Um exemplo é como se não 
houvesse amanhã, que é uma tradução literal if there was no tomorrow, que 
hoje é comum em português. Antigamente, se dizia como se o mundo fosse 
acabar hoje. 

 Modulação 

TRANSPOSIÇÃO 
A transposição é o quarto dos sete procedimentos fundamentais descritos por 
Vinay e Darbelnet. Trata‐se de substituir ao menos um termo da língua de 
partida por um termo da língua de chegada que tenha o mesmo sentido, mas 
uma classificação morfossintática diferente. 

Muitas vezes, a transposição é obrigatória. Por exemplo, em 

The volcano erupted in May 
O vulcão entrou em erupção em maio 

…não há verbo português que traduza erupt, então temos que apelar para a 
transposição, usando um torneio de frase que envolve um substantivo 
português e um verbo muleta português. 

 Muleta 

Mas nem sempre a transposição é obrigatória, embora Neste caso: 

You must report this to the authorities. 
Você deve comunicar o fato às autoridades. 
É obrigatório comunicar o fato às autoridades. 

Embora a primeira sugestão, uma tradução literal, esteja perfeitamente 
correta, a segunda sugestão, com transposição, flui melhor sobre nos livrar de 
um pronome de segunda pessoa, do tipo que costuma infestar 
impiedosamente as traduções do inglês. 

 Must 
 You 

Aqui também: 

They kissed goodnight. 
Deram um beijo de boa noite. 

…parece ser a única solução viável. 

Keagan scored 37 times during the season. 
Keagan marcou 37 gols durante a temporada. 
Técnicas de Tradução    68 

This irritates me 
Isso me deixa irritado 

Knit 
Fazer tricô 

Transposição cruzada 

Na transposição cruzada, dois componentes de um sintagma trocam de lugar, 
fazendo o que os enxadristas chamam um roque: 

Increased efficiency 
Aumento na eficiência 

Esse tipo de transposição é muito comum em sintagmas nominais onde o 
adjunto inglês se transformar no núcleo português. 

VERBO 
Não posso provar, mas minha experiência é que inglês fala com verbos, o 
português com substantivos. Acredite se quiser. Os verbos ingleses costumam 
ser mais específicos que seus congêneres portugueses, o que nos obriga a 
usar algum tipo de complementação: 

I usually fly to Chicago, but decided to drive this time. 
Geralmente, vou para Chicago de avião, mas decidi ir de carro desta 
vez. 

Tem gente que diria “geralmente voo para Chicago”, mas eu acho que quem 
voa são o Superman e quejandos. 

Esse é um dos motivos porque as traduções do inglês costumam ser mais 
longas que seus originais ingleses. O português precisa de 72 caracteres, onde 
o inglês se satisfez com 58 somente. Uma diferença de 24% – o que não é 
pouco. 

Note estes outros casos em que o verbo inglês ou não tem um bom 
correspondente em português, ou tem um correspondente raro, o que nos 
leva a usar um predicado mais amplo: 

The corporal saluted the sergeant. 
O cabo prestou continência ao sargento. 

The volcano erupted on Tuesday. 
O vulcão entrou em erupção na terça‐feira 

The general reviewed the troops 
O general passou as tropas em revista. 
Técnicas de Tradução    69 

Em outros casos, é mais fácil expressar os matizes dos verbos ingleses usando 
abstratos em português. Por exemplo a oposição entre 

I hope she will come. 

I expct she will come. 

…só fica clara se dissermos 

Tenho esperança de que ela venha. 

Tenho a expectativa de que ela venha; 

O problema, nesses casos, é que precisamos encontrar um verbo para a frase, 
algo complicado, porque nossos dicionários não costumam dar esse tipo de 
informação. 

Por outro lado, a morfologia do verbo inglês é paupérrima, o que obriga a 
usar pronomes onde são dispensáveis em português. Por isso, é sempre 
recomendável questionar todos os pronomes numa tradução, para ver se eles 
estão lá porque o português precisa ou porque eram necessários em inglês. 

 Muleta 
 Colocação 

VÍCIO DE FREQUÊNCIA 
Vício de frequência é o uso de construções perfeitamente corretas, porém 
com frequência diferente nas línguas de partida e de chegada. Por exemplo: 

I like chocolate. 
Eu gosto de chocolate. 

A frase portuguesa está correta, mas o eu é dispensável em português, ao 
passo que o I é indispensável em inglês. 

Embora seja perfeitamente correto, traduzir todos os pronomes encontrados 
num texto inglês por pronomes em português constitui vício de frequência, 
porque as frases sem sujeito explícito, raríssimas em inglês, são comuns em 
português. O extremo oposto, que é jamais usar pronomes, constitui 
igualmente vício de frequência, porque nós usamos pronomes em português. 

Não há uma fórmula para lidar com vícios de frequência: diferentes 
tradutores e revisores vão preservar ou omitir os pronomes em diferentes 
situações, muitas vezes de acordo com critérios puramente subjetivos. 
Técnicas de Tradução    70 

 Estilo 
 Contaminação 

VIÉS 
Todo texto tem seu viés, que geralmente só notamos quando discordamos 
dele. O viés do texto faz parte integrante da mensagem e deve ser preservado 
na tradução. Uma tradução do Mein Kampf sem o viés antijudaico 
simplesmente seria uma má tradução. A tradução deve transmitir a 
mensagem contida no original, não a mensagem que o tradutor acha que o 
original deveria transmitir. A eliminação de vieses, por menos que 
concordemos com eles, não se coaduna com a missão do tradutor, que é 
retransmitir mensagens, não censurar a obra alheia, por mais censurável que 
nos pareça. 

VOZ DO TRADUTOR 
É impossível calar a voz do tradutor: por mais cuidado que você tome, sua 
visão da vida vai matizar sua tradução. Mas, por favor, procure falar baixo e 
nunca mais alto que o autor. Tenha sempre em mente que o leitor está lendo 
para saber o que o autor disse, não o que você acha que deveria ter sido dito. 

Além de um certo limite, o que seria uma tradução salta o muro da adaptação 
e vira obra nova. 

 Adaptação 
 Intervenção do tradutor 

WE 
Como todos os pronomes, we é um termo vicário e, por isso, exige cuidados 
especiais.  

 Termo vicário 

Traduzir literalmente ou omitir 

Muitas vezes, simplesmente pode – e deve – ser eliminado da tradução, por 
ser desnecessário em português: 

We travelled to London together 
Fomos para Londres juntos 

 Economia vocabular 
 Vício de frequência 
Técnicas de Tradução    71 

Traduzir por “a gente” 

Em linguagem informal, a tradução pode ser “a gente”: 

We always have dinneer together on Saturdays. 
A gente sempre janta junto nos sábados. 

WILL 
A velha regra que requer a troca de shall por will nas primeiras pessoas está 
em plena obsolescência, entretanto, é válida para os textos mais antigos. 
Como não posso aqui apresentar uma visão diacrônica do inglês, tenho de 
deixar a seu cargo decidir se, para o texto que está à sua frente, ela ainda é 
válida. 

Futuro 

O uso mais comum de will é para formar o futuro,(I’ll buy), tendo como opção 
be going to (I am going to buy). Existem numerosas explicações sobre as 
diferenças entre uma e outra forma. Entretanto, salvo pelo fato de que as 
formas com going to não se usam no registro mais formal, as diferenças são 
difíceis de definir e variam muito de pessoa para pessoa. 

O português brasileiro atual tem três futuros, que considero legítimos numa 
tradução. O primeiro é o futuro do presente simples: comprarei; o segundo é 
o futuro perifrástico vou comprar, o terceiro, é o próprio presente do 
indicativo: compro. O futuro simples deve ser reservado exclusivamente para 
os registros formais; os outros dois devem ficar para os registros informais. Há 
quem use irei comprar, que me parece uma hipercorreção pedante que, por 
isso, jamais uso. 

Outras acepções 

Mas é perigoso traduzir will sempre pelo futuro, porque é uma palavrinha 
matreira, com inúmeras outras acepções. 

Por exemplo 

Doctor Jones will see you now. 

… dita por uma recepcionista num consultório médico, não é 

O dr. Jones verá a senhora agora. 

mas fica bem traduzido por: 

Pode entrar! 

 Equivalência 
Técnicas de Tradução    72 

Também pode expressar uma recusa em fazer alguma coisa: 

Fern won’t eat meat. 
Fern não comerá carne. 
Fern se nega a comer carne. 

Ou um acontecimento inevitável: 

Oil will float above water. 
O óleo flutua na água. 

…onde não caberia usar o futuro português. ou 

Men will be men. 
Homem é assim mesmo. 

 Equivalência. 

…e olha, nem de longe consegui tratar de todas as possibilidades. 

WOULD 
Em alguns lugares (e em textos mais antigos), ainda se respeita a regra de que 
should e would trocam de funçãoquando se trata de primeira pessoa. Essa 
distinção está desaparecendo rapidamente e, aqui, não vai ser respeitada. O 
contexto dirá se, no texto que você tem pela frente, essa oposição ainda é 
válida. 

Futuro do pretérito 

O uso mais comum de would é na formação do futuro do pretérito: 

She said she would come. 
Ela disse que viria. 

De quebra, na tradução, cortamos um pronome desnecessário. 

Negativas e impossibildiades 

Quando usado para expressar uma negativa ou uma impossibilidade: 

He wouldn’t sign the statement. 
Ele se negava a assinar a declaração. 

Hábitos passados 

Quando would é usado para refletir um hábito passado, não se traduz pelo 
futuro do pretérito: 
Técnicas de Tradução    73 

We would often go to schoo together. 
A gente muitas vezes ia para a escola juntos. 

Note, aqui, o uso de a gente para traduzir we. 

Pedidos 

Nos pedidos, não se usa o futuro do pretérito, em português: 

Would you please tell me at what time they open? 
Você pode me dizer a que horas eles abrem? 

YOU  
Este verbete trata exclusivamente de you como pronome do caso reto. 

 Pronomes oblíquos 

Como todo pronome, you é um termo vicário.  

 Termo vicário 
 Vício de frequência 

Manter ou omitir? 

Não é errado manter o you. Entretanto, traduzir todos os casos de you de um 
texto por seus homólogos em português – ou não traduzir nenhum – é vício 
de frequência. Muito depende do contexto e mesmo de escolhas pessoais. 
Por isso, num texto com dez ocorrências de you, entregue a cinco tradutores, 
podemos ter certeza de que não haverá dois com as mesmas soluções. 

 Vício de frequência 

Quando aparecem vários casos de you no mesmo período, geralmente vale a 
pena manter o primeiro: 

You don’t have to go to the movies, you can go to the theater, and you 
can even stay at home. 
Você não precisa ir ao cinema, pode ir ao teatro, pode até mesmo ficar 
em casa. 

Entretanto, uma boa parte das vezes, na linguagem escrita, vale a pena omitir 
o you: 

Do you like Italian food? 
Gosta de comida italiana? 
Técnicas de Tradução    74 

Você, o senhor, tu, vós? 

Se resolver traduzir o you, vai ter de escolher entre pelo menos quatro 
pronomes portugueses: tu, vós, o senhor e você, para não falar em casos 
especiais onde podemos usar se, nós ou até a gente – por incrível que possa 
parecer. E sem contar os casos onde o português exige formas de tratamento 
especiais, como no caso dos juízes e autoridades. 

Tu é cada vez mais regional. Juntamente com vós, é também muito útil para 
textos de época, quer dizer textos escritos há muito tempo ou textos 
modernos ambientados em tempos passados. 

O uso de você avança rapidamente em todo o Brasil. Você tem a vantagem de 
não ser sexista. Se optarmos por senhor, ou excluímos as mulheres de vez, ou 
usamos coisas como o(a) senhor(a), uma construção pesada e cansativa que 
acaba por colocar as mulheres em segundo lugar, como apêndices dos 
homens, uma construção que só se recomenda para textos extremamente 
formais. 

Uma vez feita a escolha, deve ser mantida. Poucas coisas piores do que um 
texto onde a mesma pessoa trata alguém alternadamente por você e o 
senhor. Uma boa regra para é usar senhor/senhora quando o inglês usa 
Mr./Mrs/Miss. Nos outros casos, use você. 

Aliciamento 

É muito comum usar you para convencer o leitor a se tornar nosso aliado 
nosso numa causa: 

You don’t do this to children. 

Caso em que o melhor é usar a passiva sintética em português: 

You don’t do this to children. 
Isso não se faz com uma criança. 

You don’t wear red to a funeral 
Não se usa vermelho em funeral. 

Em situações muito informais, a gente é uma boa solução para aliciar o leitor: 

You don’t wear red to a funeral 
A gente não usa vermelho em funeral. 

Atenção 

Muitos livros anglo‐americanos sobre redação recomendam usar you para 
conquistar a atenção do leitor. Em 

You should oil this machine once a week. 
Técnicas de Tradução    75 

…o autor não quer dizer que o leitor tenha de pessoalmente lubrificar a 
máquina, mas só procurando obter a atenção de quem lê. Nesses casos, 

You should oil this machine once a week. 
É recomendável lubrificar esta máquina uma vez por semana. 
Esta máquina deve ser lubrificada uma vez por semana. 
Lubrifique esta máquina uma vez por semana. 

…é uma ótima solução para evitar o uso excessivo de you. 

 Imperativo 
 Should 
 Vício de frequência 

…oooOOOooo…