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EXCELENTÍSSIMO DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA___VARA CÍVEL DA

COMARCA DO RIO DE JANEIRO.

JUSTIÇA GRATUITA

MÁRIO (...),nacionalidade (...), estado civil (...), profissão (...),


nascido em (../../....), , inscrito no CPF/MF sob o no (...), e-mail: (...),  ,
residente e domiciliada no endereço (...), cidade Z, Estado (...), CEP
(...), por intermédio de seu procurador, conforme procuração anexa1,
com escritório profissional localizado no endereço (...) onde recebe
citações, notificações e intimações, vem à presença de Vossa
Excelência propor AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO COM
PEDIDO DE TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA, o que faz com
fundamento nos arts. 539 e seguintes do Código de Processo Civil, em
face de HENRIQUE (...),nacionalidade (...), estado civil (...), profissão
(...),nascido em (../../....), portador do CPF/MF sob o no (...), e-mail: (...),
residente e domiciliado no endereço (...), cidade (...), Estado (...), CEP
(...),

pelos motivos de fato e de direito a seguir aduzidos.

DOS FATOS
O autor é DEVEDOR da quantia de R$ 1.000,00 (hum mil reais) a
Henrique CREDOR, o qual tem por objeto no contrato de compra e venda,
(anexo2), uma máquina de cortar grama ajustado no valor de R$ 1.000,00.

No contrato de compra e venda deste objeto, ficou ajustado que o


pagamento do objeto seria feito por um cheque, (anexo3), pós-datado para
ser depositado em 30 dias.

Ocorre que, no desfecho dos dias, o DEVEDOR ficou desempregado,


conforme carteira de trabalho em anexo, (anexo4), motivo este que não pôde
cumprir com a obrigação de pagar.

Henrique, com o passar dos 30 dias ajustado no contrato, efetuou o


depósito do cheque e o mesmo foi devolvido por insuficiência de fundos,
Henrique então, representou o cheque, acarretando a inclusão do nome do
DEVEDOR nos cadastros de inadimplentes.

Passado algum tempo, o DEVEDOR conseguiu um emprego e agora quer


findar sua dívida, Henrique por sua vez não o procurou mais, cessando todo
tipo de contato. O autor, agora com o poder de quitar a dívida, o procurou
mas sem sucesso, pois o réu mudou-se de seu antigo endereço não
deixando quaisquer informações sobre seu paradeiro.

DOS FUNDAMENTOS

O art. 335 do Código Civil preceitua, no seu inciso III, que é caso de
consignação se o credor estiver em lugar incerto.

Assim sendo, não restou alternativa ao autor, senão aforar a presente


ação consignatória.

O art. 334 do Código Civil prevê que extingue a obrigação do DEVEDOR


por meio do depósito judicial sobre a quantia devida.

Art. 334 CC. “Considera-se pagamento, e extingue a obrigação, o depósito


judicial ou em estabelecimento bancário da coisa devida, nos casos e forma
legais.”

Nesta jurisprudência é possível identificar o direito do DEVEDOR em


quitar seu débito ante a inércia do CREDOR e lugar incerto e não sabido.
Processo APC 20150610039207
Orgão Julgador
1ª Turma Cível
Publicação
Publicado no DJE : 23/11/2015 . Pág.: 213
Julgamento
21 de Outubro de 2015
Relator
ROMULO DE ARAUJO MENDES

Ementa

DIREITO CIVIL E DIREITO PROCESSUAL CIVIL.


CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO. CREDOR EM LUGAR
INCERTO E NÃO SABIDO. ADMISSIBILIDADE DO
PROCESSO. POSSIBILIDADE DE CITAÇÃO POR EDITAL.
RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. SENTENÇA CASSADA.

1. É possível o ajuizamento de ação de consignação em


pagamento para o devedor se liberar de obrigação, uma vez que
credor se encontra em lugar incerto e não sabido,
impossibilitando o pagamento do título de crédito, a teor do que
dispõe o art. 335, III, do Código Civil.

2. Não pode o devedor, cujo credor não se consegue localizar, e


que de forma espontânea se dispõe a pagar uma dívida, ficar
eternamente vinculado a ela, se a própria lei prevê a possibilidade
de se valer da ação de consignação em pagamento, a qual tem
efeito liberatório.

3. Uma das hipóteses de citação válida é aquela realizada por


edital, a qual poderá ser deferida nos casos do réu ser
desconhecido ou incerto, ou se encontrar em local ignorado,
incerto ou inacessível, nos exatos termos do art. 231, inciso II, do
CPC.

4. Apelo conhecido e provido. Sentença cassada.


DA TUTELA DE URGÊNCIA

Como exposto, o devedor teve seu nome incluído nos cadastros de


proteção ao crédito, (anexo5), desta maneira ele pretende saldar sua
dívida e posteriormente ter seu nome positivo e retornar seu crédito
perante as instituições financeiras, para isso, é, imprescindível a
antecipação dos efeitos da tutela pretendida, uma vez existentes o
perigo de dano e a probabilidade do direito:

Art. 300 do CPC: A tutela de urgência será concedida quando


houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo
de dano ou o risco ao resultado útil do processo.

A probabilidade do direito está devidamente comprovada pelo


pagamento em juízo que este pretende fazer, demonstrando que quer
extinguir a obrigação que fez com o credor.

Quanto ao perigo de dano, está o mesmo demonstrado pelos


prejuízos que podem ser causados, uma vez que o nome de uma
pessoa é direito constitucional, sendo assim, o devedor precisa que
seu nome não esteja negativado para que possa efetuar seu crédito
perante as instituições financeiras e ter seu poder de compra
restabelecido.

Assim, configurados estão os requisitos do art. 300 do Código de


Processo Civil, para a concessão da tutela provisória de urgência,
inaudita altera pars, com a concessão imediata, retirando seu nome
dos cadastros de inadimplentes, até deliberação final, o que se requer
desde já.

DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA

Como deduzidos nos fatos, o devedor possui uma divida e quer salda-la,
para extinguir a sua obrigação, porém o mesmo acabou de conseguir um
emprego e não tem renda suficiente para arcar com as custas processuais,
situação que justifica o pleito para a concessão dos benefícios da justiça
gratuita, assegurado pelo art. 98 do CPC, tendo em vista não poder o
devedor arcar com as despesas processuais, sem prejuízo do sustento
próprio ou de sua família.

“Art. 98: A pessoa natural ou jurídica, brasileira ou


estrangeira, com insuficiência de recursos para pagar as
custas, as despesas processuais e os honorários advocatícios
tem direito à gratuidade da justiça, na forma da lei.”

PEDIDOS E REQUERIMENTOS

A fim de libertar-se da obrigação , requer o autor a consignação do


valor de R$ (...), referente ao último aluguel, mediante sua intimação,
nos termos do artigo 542, I, do Código de Processo Civil, para que
providencie o depósito judicial da importância indicada.

Feito o depósito, requer a procedência da consignação,


declarando Vossa Excelência efetuado o depósito e extinta a
obrigação e, nos termos do art. 548 do Código de Processo Civil:

a) comparecendo ambos os réus, que apenas entre eles continue


o processo a correr unicamente entre os presuntivos credores, pelo
procedimento comum, condenando-os no pagamento das custas e
honorários de advogado do autor;

b) comparecendo apenas um dos réus, a decisão de plano, com a


procedência da consignação e o levantamento do depósito em favor
do comparecente, que deverá ser condenado no pagamento de
custas e honorários do autor;

c) não comparecendo nenhum dos réus, a procedência da


consignação, convertendo-se o depósito em arrecadação de coisas
vagas.
Requer, ainda, a consignação dos aluguéis vincendos, até o
trânsito em julgado da sentença que declarar o credor.

Citação

Requer o autor digne-se Vossa Excelência de determinar a citação


dos réus, na forma do artigo 246, inciso II, com os benefícios do
artigo 212, § 2º, ambos do Código do Processo Civil, para que
provem o seu direito, nos termos do art. 547 do Código de Processo
Civil.

Provas

Requer provar o alegado por todos os meios de prova em direito

admitidos, especialmente pelo depoimento pessoal do réu sob pena


de confissão, oitiva de testemunhas, perícias, vistorias e demais
provas que se fizerem necessárias.

Valor da causa

Dá à causa o valor de R$ (...) (doze vezes o aluguel vigente).


Termos em que,
pede deferimento.
Data
Advogado (OAB)