Você está na página 1de 2

O Código Civil brasileiro busca proteger juridicamente os indivíduos desde antes de seu

nascimento, nesse sentido o artigo 2° do Código Civil preleciona que: “A personalidade civil
da pessoa começa no nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os
direitos do nascituro”. Desse modo, podemos dizer que há certa proteção jurídica concedida
àquele que ainda não nasceu. E como o Direito trata quem morre que é juridicamente
chamado de “de cujus” e, a priori, deixa de ser sujeito de direitos e obrigações perante a
sociedade? Como fica o patrimônio e os sucessores do morto? Quem fica responsável pelas
dívidas e bens? São questões como essas que se busca esclarecer aqui, utilizando de um
campo jurídico do Direito Civil denominado de Direito das Sucessões.

Quando se trata de sucessão, vem enraizada a ideia de que esse instituto só se opera em razão
da morte de alguém. Esse é um entendimento incompleto e limitado, uma vez que a doutrina
aponta exemplos de sucessão “inter vivos”, que acontece entre aqueles que ainda convivem
em sociedade, é o caso da cessão de crédito e transferência de bens de um indivíduo vivo para
outro. A sucessão que ocorre no caso do encerramento da pessoa natural, da morte, do
falecimento é chamado de sucessão “causa mortis” e gera consequências procedimentais a
serem tomadas pelos herdeiros e sucessores do “de cujus”, surgindo a figura do inventariante.

O inventariante é a pessoa que tem por função administrar os bens do espólio, como seu
representante legal (arts. 618 e 619 NCPC). Só podem exercer essa atribuição pessoas
capazes, e que não tenham interesses contrários aos do espólio.

Deverão ser nomeadas as pessoas elencadas no art. 617 NCPC. Compete ao juiz a nomeação
do inventariante, tendo em vista a ordem que consta no Código. O herdeiro só é nomeado
caso não haja cônjuge ou companheiro sobrevivente, ou se este não aceitar a nomeação, ou,
ainda, se houver algum outro impedimento.

Uma vez nomeado, o inventariante deverá firmar compromisso de desempenhar o cargo. O


prazo de intimação é de 05 dias, nos termos do art. 617 NCPC.

Após isso, o inventariante deverá cumprir com suas obrigações. As suas atribuições, sem a
necessidade de autorização do juiz, estão dispostas no art. 618 NCPC. Já as que precisam de
autorização constam no art. 619 do mesmo Código.

Ele deverá representar o espólio, e é encarregado de administrar os bens da herança, atuando


em nome do espólio, ativa e passivamente, em juízo ou fora dele. Na função de
administrador, o inventariante deverá cuidar dos bens do espólio com toda diligência como se
seus fossem.

Além dessas atribuições, também compete ao inventariante: prestar as primeiras e últimas


declarações, pessoalmente ou por procurador com poderes especiais; exibir em cartório, a
qualquer tempo, para exame das partes, os documentos relativos ao espólio; juntar aos autos
certidão do testamento, se houver; trazer à colação os bens recebidos pelo herdeiro ausente,
renunciante ou excluído; prestar contas de sua gestão ao deixar cargo ou sempre que o juiz lhe
determinar; requerer declaração de insolvência.

Ao apresentar a declaração de bens e de herdeiros, responde o inventariante por todos os seus


termos, tanto civil quanto criminalmente, em caso de falsidade ou dolo. Incumbe-lhe, ainda, o
ônus processual das exibições que trata o artigo 618, inciso IV, do NCPC, devido ao seu
encargo o dever de informar e o de documentar. Os interessados tem o direito de ver e
examinar documentos relativos ao espólio. Nada impede que essa exibição seja amigável.

Já as atribuições com autorização judicial, o inventariante pode alienar bens de qualquer


espécie, transigir em juízo ou fora dele, pagar dívidas do espólio e fazer despesas necessárias
com a conservação e o melhoramento dos bens do espólio (Art. 619).

Os créditos do de cujus constituem como bens da herança. Como tais, sujeitam-se a


declaração regular para fins de inventário e partilha. Incumbe ao inventariante promover a
cobrança dos créditos declarados. Também devem ser declaradas as dívidas do espólio para
abatimento posterior.

Ademais, há obrigações tributárias como, por exemplo, o imposto causa mortis, que possui
essa denominação por incidir sobre a transmissão do domínio e da posse dos bens “em razão
da morte”, ou seja, pela abertura da sucessão aos herdeiros legítimos e testamentários. Dá-se,
pois, com o óbito do autor da herança, aplicando-se o imposto pela alíquota vigente e
conforme o valor atribuído aos bens nessa ocasião.

No inventário extrajudicial,