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PERICARDITE

AGUDA

Thiago Barcia.
DEFINIÇÃO
• E uma inflamação aguda da cavidade
pericárdica caracterizada clinicamente
por precordialgia e atrito pericárdico
ETIOLOGIA

• INFECCIOSA INFECÇÃO VIRAL

• NÃO INFECCIOSA
PERICARDITE INFECCIOSA

Viral (coxsackie A e B, caxumba, adenovirus,


ecovirus, influenza, HIV)
Bacteriana (pneumococo, Streptococcus,
Staphylococcus, Leigionella)
Mycobacterium tuberculosis
Fungos (blastomicose, histoplasmose,
coccidioidomicosis, candiíase)
Protozoários (amebiase, toxoplasmose)
PERICARDITE NÃO-
INFECCIOSA
Idiopática Irradiação
Traumática Dissecção aórtica
Neo primaria do pericárdio Colagenoses (LES, artrite
reumatóide, esclerodermia,
febre reumática aguda)
Insuficiência renal Medicamentos (hidralazina,
(urêmica) procainamida,
anticoagulantes, penicilina,
isoniazida)
Pós pericardiotomia Neo metastática
Relacionada ao IAM Hipotireoidismo
ETIOLOGIA

Na pericardite aguda, qual a


indicação de isolamento do
agente etiologico?
MANIFESTAÇÃO CLÍNICA
• Dor torácica continua que piora com a
inspiração profunda, tosse ou espirro e
melhora com a flexão do tórax
• Dispnéia
• Atrito pericárdico
PERICARDITE RELACIONADA
AO IAM

• SÍNDROME DE DRESSLER
(pericardite tardia)

• PERICARDITE EPISTENOCARDICA
(pericardite precoce)
SÍNDROME DE DRESSLER
• A partir do décimo dia pos infarto
• Provável etiologia auto-imune
• Apresenta alterações
eletrocardiográficas especificas de
pericardite
• Febre, pericardite e pleurite
PERICARDITE
EPISTENOCÁRDICA
• Ocorre nos primeiros 10 dias após o
infarto
• Relacionada ao infarto transmural
• Ocorre com maior frequência no IAM de
parede anterior
• Geralmente não apresenta alterações
eletrocardiográficas
DIAGNÓSTICO
COMPLEMENTAR - ECG
• Supradesnivelamento do seguimento ST
na maioria das derivações poupando
habitualmente V1 e AVR
• Depressão do segmento PR
• Inversão da onda T
• ECO – derrame pericárdico
Mulher de 35 anos dá entrada em hospital com dor
torácica retroesternal em pontada de forte intensidade,
agravada com a inspiração profunda, não associada a
palidez ou sudorese; refere febre baixa e prostração nos
dois dias precedentes. Não há história de doenças
prévias, tabagismo ou cardiopatias na família. ECG mostra
supradesnivelamento do segmento ST em D1, D2, D3 ,
aVL, aVFe V1 a V5 com infradesnivelamento do segmento
PR. O exame complementar mais indicado é:

a) ecocardiograma
b) cineangiocoronariografia
c) angiotomografia de tórax
d) dosagem sérica de potássio
Observe o traçado eletrocardiográfico:
Esse traçado é condizente com o diagnóstico de:

A) infarto agudo do miocárdio de parede anterior


B) infarto agudo do miocárdio de parede inferior
C) síndrome de Brugada
D) pericardite aguda
TRATAMENTO
• Internação hospitalar
• Repouso no leito
• AINE (AAS 3 a 6 g/dia ou indometacina
100 a 200 mg/dia)
• Caso a dor não melhore em 48h,
prednisona 1 mg/kg/dia
• Esta proscrito o uso de anticoagulantes
PONTOS CHAVES

• Principal etiologia: viral e lembrar da


pericardite pós IAM
• Clínica: dor totácica + atrito pericárdico
• ECG: supra ST na maioria das
derivações, lembrar que pode poupar V1
e AVR
• ECO: derrame pericárdico
TAMPONAMENTO
CARDÍACO
DEFINIÇÃO
• Acúmulo de líquido no saco pericárdico
levando ao aumento da pressão
intrapericárdica, que prejudica o
enchimento ventricular com diminuição
do débito cardíaco
FISIOPATOLOGIA

• Equalização das pressões intracavitária


com a pressão intrapericárdica
• Durante a diástole todas as pressões
das câmeras cardíacas estão iguais a
pressão intrapericárdica
FISIOPATOLOGIA
• PRESSÃO AUMENTADA NO CORAÇÃO DIREITO
- Retorno venoso diminuido
- Congestão sistêmica (turgência jugular patológica e
hepatomegalia congestiva)

• PRESSÃO AUMENTADA NO CORAÇÃO ESQUERDO


- Retorno venoso diminuído da pequena circulação
- Aumento da pressão hidrostática nos capilares
pulmonares
- Fazes avançadas IC
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
• Dispnéia aos esforços
• Ortopnéia
• Turgência jugular patológica
• Taquicardia sinusal com hipotensão
arterial
• Abafamento das bulhas cardíacas
• Pulso arterial paradoxal
PULSO PARADOXAL
• Tamponamento cardíaco
• Choque hipovolêmico
• DPOC
• Pneumotórax hipertensivo
• Broncoespasmo grave
TRIADE DE BECK

HIPOTENSÃO

TURGÊNCIA JUGULAR PATOLÓGICA

HIPOFONESE DE BULHAS
Hipotensão, turgência jugular e
abafamento de bulhas são sinais
encontrados no choque ocasionado por:

A) sepse
B) anemia aguda
C) trauma raquimedular
D) tamponamento cardíaco
DIAGNÓSTICO
• Ecocardiograma – exame padrão ouro
• ECG – alternância elétrica, baixa
voltagem
TRATAMENTO
PONTOS CHAVES
• Clínica: dispnéia, ortopneia, pulso
arterial paradoxal, turgência jugular
patológica, taquicardia sinusal,
hipotensão arterial e abafamento de
bulhas
• Padrão ouro para o diagnóstico: ECO
• Tratamento: descompressão pericárdica
DISSECÇÃO DA
AORTA
DEFINIÇÃO
Laceração circunferêncial, ou menos
frequentemente, transversa da camada íntima,
havendo uma dissecção das camadas pelo fluxo
pulsátil e formação de uma falsa luz.
ETIOLOGIA
CLASSIFICAÇÃO
SUSEME EMER - 2006

A dissecção aórtica que se inicia após a emergência


da subclávia esquerda e progride até a o segmento
aórtico abdominal é classificada como:

A) tipo B de Stanford
B) tipo A de Stanford
C) tipo I de DeBakey
D) tipo II de DeBakey
SUSEME EMERG - 2003
DeBakey e colaboradores inicialmente classificaram
a dissecção da aorta em tipo I (iniciando pela aorta ascendente
e comprometendo a aorta descendente), tipo
II (envolvendo apenas a aorta proximal) e tipo III (limitada
a aorta descendente). Entretanto, do ponto de vista do
tratamento, a classificação de Standford é considerada
mais útil, em virtude do manuseio semelhante dos tipos I
e II de DeBakey. Segundo a classificação de Standford, a
dissecção aórtica divide-se em:

A) tipo A ( dissecção proximal) e tipo B (dissecção distal)


B) tipo A ( dissecção proximal e distal) e tipo B (dissecção
distal)
C) tipo A (dissecção proximal), tipo B (dissecção proximal e distal)
D) tipo A (dissecção proximal), tipo B (dissecção distal) e
tipo C (dissecção proximal e distal)
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
DIAGÓSTICO COMPLEMENTAR
• Radiografia simples do tórax
• Eletrocardiograma
• Ecocardiograma
- Transtorácico – sensibilidade geral 60 a 85%.
Aneurismas proximais > 80%
- Transesofágico – sensibilidade 98% e
especificidade 90%. Não avalia bem arco aórtico
• TC
• RNM
• aortografia
EMERGÊNCIA SUSEME 2011
Um paciente de 56 anos foi atendido com queixa de dor torácica
intensa, com irradiação para região interescapular. Ao exame físico, o
paciente encontrava-se com pressão arterial de 210/120mmHg, a
ausculta cardíaca revelava um sopro diastólico em 2º espaço intercostal
direito e havia assimetria de pulsos. O eletrocardiograma realizado
demonstrou sobrecarga ventricular esquerda. Diante desse quadro, o
plantonista solicitou uma angiotomografia torácica, que confirmou sua
principal suspeita diagnóstica.

a) dissecção aguda de aorta


b) embolia pulmonar maciça
c) infarto agudo do miocárdio
d) pneumotórax hipertensivo
FESP - 2008
Havendo forte suspeita do diagnóstico de dissecção
aórtica aguda o exame complementar capaz de mais
rapidamente oferecer detalhes suficientes para
orientação segura do cirurgião é:

a) Ecocardiograma transesofágico.
b) TC com contraste.
c) Ressonância Nuclear Magnética.
d) Cintilografia com hemácias marcadas.
e) Aortografia.
SUSEME CTI - 2003
Mulher de 22 anos queixa-se de dor no peito,
sem qualquer outro sintoma. O exame clínico é
normal. Na radiografia simples, observa-se um
alargamento de mediastino. A conduta
adequada é:

A) solicitar uma broncoscopia flexível


B) administrar analgésicos e observar
C) internar imediatamente em unidade
coronariana
D) proceder à tomografia computadorizada de
tórax
TRATAMENTO
TRATAMENTO CLÍNICO

1. Internação em unidade de tratamento intensivo


2. Redução da contratilidade cardíaca e da pressão arterial
- β-bloqueadores IV (metoprolol e esmolol). Manter FC 60bpm.
- Nitroprussiato de sódio. Objetivo PAS < 120mmHg

CONTRA INDICAÇÃO AOS β-BLOQUEADORES ?

VASODILATADORES DIRETOS (HIDRALAZINA/MINOXIDIL) ?

TRATAMENTO CIRÚRGICO

Tipo A e tipo B complicada (em propagação, com comprometimento de


ramos importantes, ruptura iminente ou dor persistente)
SUSEME CTI - 2007

O tratamento inicial da dissecção aguda da


aorta é:

a) redução da pressão arterial + antiarrítmicos


b) elevação da pressão arterial +
antiarrítimicos
c) redução da pressão arterial + beta
bloqueadores
d) elevação da pressão arterial + beta
bloqueadores
SUSEME CTI 2011
Quanto ao tratamento da dissecção aórtica aguda,
pode-se afirmar que:

a) o uso de beta-bloqueadores está contraindicado nas


dissecções aórticas pelo risco de choque cardiogênico
b) o tratamento de escolha dos aneurismas de aorta
ascendente (tipo A) é a correção cirúrgica
c) a hidralazina é um anti-hipertensivo que pode ser
utilizado para melhorar a pós-carga e o débito cardíaco
d) a terapia trombolítica está indicada nos casos de
discecção coronariana e infarto agudo do miocárdio
PONTOS CHAVES

• Principal etiologia: HAS


• Classificação
• Clínica: principalmente carcaterística da dor
precordial
• Diagnóstico complementar
• Tratamento clínico: betabloqueador +
hipotensor
• Tratamento cirúrgico: dissecção proximal
HAS
NO PRONTO-SOCORRO

Thiago Barcia
DEFININDO TERMOS
• Emergências hipertensivas – situações
com lesões agudas de órgão-alvo e risco
iminente de morte.
• Urgência hipertensiva – situações em
que existe o risco potencial de lesão
aguda de órgão alvo.
• PA acentuadamente elevada – PA muito
elevada mas que não apresenta risco
cardiovascular
ETIOLOGIA
EMERGÊNCIAS HIPERTENSIVAS
NEUROLÓGICAS

Encefalopatia hipertensiva
Hemorragia intraparenquimatosa
Hemorragia subaracnoidéia
CARDIOVASCULARES

Dissecção aguda da aorta


Edema agudo de pulmão
Síndromes coronarianas agudas
CRISES ADRENÉRGICAS GRAVES

Crises de feocromocitoma
Ingestão de cocaíana e catecolaminérgicos
ASSOCIADAS A GESTAÇÃO

eclâmpsia
ETIOLOGIA
URGÊNCIAS HIPERTENSIVAS
Insuficiência coronariana crônica

Insuficiência cardíaca

Aneurisma da aorta

Glomerulonefrites agudas

Pré-eclâmpsia

AVCi

Hipertensão acelerada maligna*


HIPERTENSÃO
ACELERADA MALIGNA
DEFINIÇÃO

HAS e graves alterações no fundo de olho,


sem papiledema (acelerada).

HAS grave + papiledema (maligna).

PODENDO OU NÃO COEXISTIR LESÕES DE VÁRIOS ÓRGÃOS


GRAU III
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
• HAS
• Alterações no fundo de olho
(retinopatias graus III e IV de Keith-
Wagener)
• Cefaléia (85%)
• Borramento visual (55%)
• Fraqueza (30%)
BUSCAR NO EXAME
FÍSICO...
DOR TORÁCICA Isquemia miocárdica
DORSALGIA OU LOMBALGIA Dissecção da aorta
DISPNÉIA Insuficiência cardíaca
SINTOMAS NEUROLÓGICOS Cefaléia, convulsões, alterações do
nível de consciência
SINAIS DE ICC Dispnéia, estase jugular, crepitações
pulmonares, B3, ictus desviado,
hepatomegalia, edema dos membros
inferiores
TRATAMENTO
• HAM não complicada (sem perda da função renal,
sintomas cardiovasculares ou neurológicos
importantes)

URGÊNCIA HIPERTENSIVA

REDUÇÃO DA PA MAIS LENTAMENTE EM 24 A 48H


COM ANTI-HIPERTENSIVO ORAL
TRATAMENTO
EMERGÊNCIA HIPERTENSIVA

MEDICAÇÃO PARENTERAL
(nitroprussiato de sódio)

REDUÇÃO DA PA EM MINUTOS A HORAS


(não ultrapassar 20 a 25% da PA inicial)