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Suzy Alberto Afonso Modequela

RESPONSABILIDADE SOCIAL DAS EMPRESAS E O SEU IMPACTO NO


DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DAS COMUNIDADES: CASO DA
PORTOS DO NORTE (2014-2016)

(Licenciatura em Gestão de Empresas)

Universidade Pedagógica
Nacala
2017
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Suzy Alberto Afonso Modequela

RESPONSABILIDADE SOCIAL DAS EMPRESAS E O SEU IMPACTO NO


DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DAS COMUNIDADES: CASO DA
PORTOS DO NORTE (2014-2016)

Monografia a ser apresentada ao Departamento de


Contabilidade e Gestão, Delegação de Nampula,
Centro de Recursos de Nacala para aquisição do
título de Licenciatura em Gestão de Empresas:

Supervisor:

Dr. Vasco da Gama

Universidade Pedagógica
Nacala
2017
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ÍNDICE

DECLARAÇÃO ................................................................................................................. viii


DEDICATÓRIA ................................................................................................................... ix
AGRADECIMENTOS .......................................................................................................... x
LISTA DE SIGLAS, ABREVIATURAS E ACRÓNIMOS ................................................ xi
RESUMO ............................................................................................................................ xii
INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 13
1.1 Problema……………………………………………………………………………….15
1.2 Justificativa .................................................................................................................... 16
1.3 Hipóteses ....................................................................................................................... 17
1.3.1 Objectivos ................................................................................................................... 17
1.4 Metodologia ................................................................................................................... 18
CAPITULO I: RESPONSABILIDADE SOCIAL EM MOÇAMBIQUE .......................... 20
3.1 A responsabilidade Social nas empresas Moçambicanas .............................................. 20
3.1.1 Factores de Responsabilidade Social em Moçambique .............................................. 21
3.1.2 A responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável em Moçambique .......... 23
3.1.3 As Normas e Políticas Nacionais na Materialização da RSE em Moçambique ......... 23
CAPITULO II: ENQUADRAMENTO TEÓRICO............................................................. 25
2.1 Origem e evolução da responsabilidade social .............................................................. 25
2.1.1 Responsabilidade Social ............................................................................................. 26
2.1.2 Objectivos da Responsabilidade Social ...................................................................... 30
2.2 Características da Responsabilidade Social ................................................................... 31
2.2.1 Principais Acções de Responsabilidade Social .......................................................... 33
2.3 Vantagens de acção socialmente responsável ............................................................... 34
2.4 Desenvolvimento sustentável ........................................................................................ 36
2.4.1 Os três componentes do desenvolvimento sustentável ............................................... 38
2.4.2 O papel das empresas no desenvolvimento sustentável ............................................. 39
2.5 Desenvolvimento Sustentável em Países em Desenvolvimento.................................... 40
2.6 Desenvolvimento Comunitário ...................................................................................... 41
CAPITULO III: ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS (ESTUDO DE CASO DO
PORTOS DO NORTE) ....................................................................................................... 42
3.1 Breve caracterização da Portos do Norte ....................................................................... 42
3.2 Localização do Porto de Nacala .................................................................................... 43
iv
4

3.3 Resultados dos questionários efectuados ....................................................................... 43


3.4 Áreas de actuação e as principais realizações sociais.................................................... 45
3.4.1 Educação ..................................................................................................................... 46
3.4.2 Saúde .......................................................................................................................... 47
3.4.3 Comunidade ................................................................................................................ 48
3.4.3 Ambiente .................................................................................................................... 49
3.5 Níveis de conhecimento dos colaboradores e gestores da RSE e DS na PN ................. 50
Conclusão ............................................................................................................................ 57
Sugestões ............................................................................................................................. 58
Bibliografia .......................................................................................................................... 59
Apêndice………………………………………………………………………...…………62
v5

ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 1: Forças que exercem pressão sobre as empresas em relação à Responsabilidade


Social………………………………………………………………………………………28

Figura 2: Os três componentes do desenvolvimento social................................................. 39


6vi

ÍNDICE DE TABELAS

Tabela 1: Características de uma empresa socialmente responsável ................................... 31


Tabela 2: Modalidades de exercício de responsabilidade social corporativa ...................... 33
vii
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ÍNDICE DE GRÁFICOS

Gráfico 1: Conceito da Responsabilidade Social ................................................................ 51


Gráfico 2: Classificação da empresa como Socialmente Responsável ou não .................... 51
Gráfico 3: Acções sociais direccionados aos colaboradores interno ................................... 52
Gráfico 4: Conceito de Desenvolvimento Sustentável ........................................................ 53
Gráfico 5: Classificação da empresa quanto à Sustentabilidade ......................................... 54
Gráfico 6: Iniciativa para Consciência Ecológica ............................................................... 55
viii
8

DECLARAÇÃO

Declaro que esta monografia científica foi resultado da minha investigação pessoal e das
orientações do meu supervisor, o seu conteúdo é original e todas as fontes consultadas
estão devidamente mencionadas no texto, nas notas e bibliografia final.

Declaro ainda que esta monografia não foi apresentada em nenhuma outra instituição para
obtenção de qualquer grau académico.

Nome do Autor

_________________________________________________

(Suzy Alberto Afonso Modequela)

Nampula, aos_______ de _________________2017


9ix

DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho aos meus pais: Alberto Afonso Modequela e Laurinda Félix Linha.

Ao meu filho, Lerson e a Fidência.


x
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AGRADECIMENTOS

Ao meu Supervisor MA. Vasco da Gama que desde o primeiro momento acolheu o pedido
de orientação do trabalho. Pelo acompanhamento, paciência e sabedoria com que me guiou
ao longo do processo.

Aos meus professores do primeiro ao último ano pela ajuda prestada e total disponibilidade
sempre que necessitei. Por compreenderem as diferenças e contribuírem para o meu
crescimento académico.

Um especial agradecimento vai para os meus amigos e colegas de carteira, pelo apoio
incondicional nos momentos difíceis durante os 4 anos de formação são eles o Sr. Filipe
que me apoio nos primeiros dois anos do curso, Edrisse Mussafir Sabino, João Afonso,
Natal Jordão, e a todos amigos que não foram mencionados.

Quero ainda agradecer aos meus familiares que foram o meu suporte, na medida em que
contribuíram bastante com o seu carinho, amor e dedicação, aos meus irmãos: Isaac,
Ezequiel, Nilza e Wilson. A baba do meu filho que foi mais do que uma simples baba,
tendo cuidado do meu filho nos momentos em que me encontrava na faculdade.

A todos o meu muito obrigado!


xi
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LISTA DE SIGLAS, ABREVIATURAS E ACRÓNIMOS

CDN Corredor de Desenvolvimento Norte

CMMAD Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento

DDS Direcção Distrital de Saúde

DS Desenvolvimento Sustentável

FMI Fundo Monetário de Investimento

MICOA Ministério Para a Coordenação da Acção Ambiental

ONG Organização Não-Governamental

ONU Organizações da Nações Unidas

PN Portos do Norte

PNUD Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento

RS Responsabilidade Social

RSC Responsabilidade Social Corporativa

RSE Responsabilidade Social Empresarial

UNEP United Nations Environmental Programme

UNEP United Nations Environmental Programme

WCED World Commission Environment and Development


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RESUMO

A presente monografia científica versa sobre o tema: Responsabilidade social das empresas
e o seu impacto no desenvolvimento sustentável das comunidades: caso da Portos do Norte
(2014-2016). A motivação do estudo deve-se ao facto da necessidade de mostrar as
praticas da responsabilidade social empresarial, que a PN tem proporcionado para os seus
colaboradores, e a comunidade em geral no que diz respeito as praticas socialmente
responsáveis olhando para o desenvolvimento sustentável das comunidades. A motivação
da escolha da Portos do Norte, SA., para o estudo devesse pela necessidade de que a
empresa tem desenvolvido vários projectos de responsabilidade social com vista ao
desenvolvimento das comunidades locais do Distrito de Nacala-Porto, e sendo uma
empresa que deve velar pela preservação do meio ambiente devido a sua natureza de
exercício coloca-se como uma empresa capaz de satisfazer os objectivos traçados para a
elaboração do presente trabalho. Assim apontasse como pergunta de partida para a
pesquisa a seguinte: Qual é o papel da Portos do Norte na responsabilidade social e no
desenvolvimento sustentável das comunidades? De modo a sustentar a questão levantada
aponta-se como hipótese: A portos do norte contribui através de projectos ambientais e
sociais para o desenvolvimento sustentável das comunidades protegendo o ecossistema por
forma a evitar as poluições e melhorando a vida das comunidades locais. O trabalho tem
como objectivo geral: Analisar o papel da responsabilidade social empresarial no
desenvolvimento sustentável das comunidades de Nacala-Porto. No respeita a metodologia
empregue esta foi do tipo exploratória com abordagens qualitativa-quantitativa sob a
técnica de estatísticas e procedimentos de estudo de caso e bibliográfica, usando as
técnicas de entrevista e inquérito. O universo da pesquisa foi composto por todos os
colaboradores da PN e toda a comunidade, clientes e fornecedores, onde foi extraída uma
amostra de 30 pessoas. As análises feitas mostraram que os resultados vão de acordo com a
hipótese levantada pois, de uma forma geral os colaboradores internos, o publico externo
(Clientes, Fornecedores e a Comunidade) concordam que as práticas sociais da PN
contribuem para o desenvolvimento sustentável na melhoria de qualidade de vida das
pessoas e da sociedade em geral de Nacala-Porto, tendo um papel muito importante no
desenvolvimento sustentável da comunidade local.

Palavras-Chaves: Desenvolvimento sustentável, Responsabilidade social, Comunidade.


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INTRODUÇÃO

A presente monografia cientifica versa sobre a temática da: Responsabilidade Social das
Empresas e o seu Impacto no Desenvolvimento Sustentável das Comunidades: Caso da
Portos do Norte (2014-2016).

Neste âmbito, a responsabilidade social das empresas virada para o desenvolvimento


sustentável das comunidades, tem sido muito abordada nos últimos tempos, devido a sua
extrema importância social e economica para as empresas assim para as comunidades
envolvidas.

Observa-se ao longo das últimas décadas uma extrema pressão sobre as empresas por parte
da sociedade, clamando por melhorias nas condições de vida das pessoas e na preservação
ambiental. Em muitos casos, tem sido o reflexo de que o Estado sente-se impossibilitado
de atender as demandas geradas pelo processo de globalização. Diante dessas dificuldades
apresentadas pelo Estado em vários aspectos da vida quotidiana das comunidades,
incentiva a busca de novos agentes que se proponham a preenche-lo.

A principal função de uma empresa consiste em criar valor através da produção de bens e
serviços, gerando assim lucros para os seus proprietários e accionistas e bem-estar para a
sociedade, em especial através de um processo contínuo de criação de emprego. Devido a
globalização no mundo surge uma interligação das políticas económicas, culturais e sociais
tendo assim cada vez mais impacto sobre as empresas assim como a comunidade em todas
as esferas.

Desse modo, emergem questões sobre a sustentabilidade comunitária voltada a


responsabilidade social das empresas, sob ponto de partida básica e fundamental para a
sustentabilidade perpassa pela correcta e responsável utilização dos recursos existentes e a
produção de bens e serviços.

Nesse sentido, a temática da Responsabilidade Social surgiu da necessidade de existir um


espirito social responsável, ao encontro do conceito de Desenvolvimento Sustentável.

O objectivo deste estudo é analisar o desenvolvimento sustentável e a participacao da


empresa através de acções de responsabilidade social, com especial foco na empresa
Postos do Norte, no Distrito de Nacala-Porto, Província de Nampula. E para isso o estudo
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contou com uma pesquisa com abordagem qualitativa, baseada em uma pesquisa
bibliográfica com o levantamento de informações e dados secundários no Portos do Norte
e nas comunidades do Distrito de Nacala-Porto.

Assim, o impacto que a responsabilidade social tem vindo a demostrar através do


desenvolvimento sustentável das comunidades, níveis de crescimento bastante notáveis a
nível das sociedade em geral, uma vez que, tem sido uma aposta da empresa PN. Assim, a
responsabilidade social das empresas, emerge como uma serie de medidas que ultrapassam
e vão alem das metas meramente produtivas.

O trabalho está estruturado da seguinte forma: três capítulos, que contêm os respectivos
subcapítulos. O Capítulo I é referente a: Responsabilidade Social em Moçambique, onde
serão abordados assuntos relacionados com os factores da responsabilidade social das
empresas moçambicanas, as normas e políticas de materialização da responsabilidade
social em Moçambique, a responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável em
Moçambique; o Capítulo II é composto por: revisão da literatura; o Capítulo III: apresenta
a Análise e interpretação dos dados, e discussão de resultados da pesquisa; e ao terminar no
faz-se as conclusões e sugestões, e a bibliografia usada para a elaboração da presente
monografia cientifica.
15

1.1 Problema

A Responsabilidade Social é actualmente condicionada pela pressão de regulamento e pela


busca de melhor reputação perante a sociedade. Investir na Gestão Ambiental e na
Responsabilidade Social pelas empresas são também aspectos que fortalecem a imagem
das organizações diante dos mercados em que actuam, perante as comunidades onde estão
inseridas, os colaboradores, concorrentes e fornecedores, para além de contribuir para
melhoria de qualidade de vida das pessoas.

O Desenvolvimento Sustentável passou a ser incorporado nas estratégias de gestão das


empresas, que preocupam com a qualidade de vida dos seus stakeholders, o meio ambiente
e com as gerações futuras. A sustentabilidade das acções empresariais transformou num
desafio para os dirigentes que apostam na qualidade de vida das pessoas e que têm a
consciência de que hoje o lucro tornou-se insuficiente para a sobrevivência das
organizações principalmente para as empresas privadas.

O desenvolvimento das sociedades, as preocupações éticas e sociais na gestão das


empresas e de negócio, a grande concorrência no mercado, e a vigilância das sociedades
em relação às actividades sociais das empresas fazem com que as mesmas adoptem um
novo posicionamento em relação aos temas sociais.

Infelizmente, ainda existem empresas que exercem suas actividades na sociedade, sem se
preocuparam com as consequências dos seus actos, ou a qualidade de vida das pessoas que
directas ou indirectamente serão afectadas. Isto porque não existe uma cultura ética na
empresa ou porque a preocupação principal é o retorno pretendido, acabando por
enfraquecer a sua própria sobrevivência.

Neste âmbito, dados aos contornos em relação ao tema apresenta-se a seguinte pergunta de
partida: Qual é o papel da Portos do Norte na responsabilidade social e no
desenvolvimento sustentável das comunidades?
16

1.2 Justificativa

As preocupações sociais são da responsabilidade de todos, as empresas devem evoluir


junto com os seus colaboradores, bem como com a sociedade em geral, a razão da escolha
deste tema para a elaboração deste trabalho é primeiramente académica, mas também teve
outras motivações que incentivaram na escolha.

A escolha do tema deveu-se a necessidade de mostrar as praticas da responsabilidade


social empresarial, que a PN tem proporcionado para os seus colaboradores, clientes,
fornecedores e a comunidade em geral no que diz respeito as praticas socialmente
responsáveis olhando para o desenvolvimento sustentável das comunidades.

A motivação da escolha da Portos do Norte, SA., para o estudo devesse pela necessidade
de que a empresa tem desenvolvido vários projectos de responsabilidade social com vista
ao desenvolvimento das comunidades locais do Distrito de Nacala-Porto, e sendo uma
empresa que deve velar pela preservação do meio ambiente devido a sua natureza de
exercício coloca-se como uma empresa capaz de satisfazer os objectivos traçados para a
elaboração do presente trabalho.

A Portos do Norte por ser uma empresa que lida directamente com as questões
manuseamento de máquinas que emitem gases nocivos as águas do mar torna-se
importante fazer um estudo que respeita ao seu manuseamento destas máquinas por forma
a não poluir as águas do mar. Dai que o tema é de extrema importância tanto para a
comunidade local assim como para a empresa em estudo, sem deixar de lado a toda uma
sociedade interessada pelo conhecimento da responsabilidade social da empresa perante a
desenvolvimento sustentável das comunidades.
17

1.3 Hipóteses

Hipótese Variável Dependente Variável Indicadores


Independente

H: A portos do norte contribui Projectos ambientais A Portos do Qualidade de


através de projectos ambientais e e sociais param o Norte. vida;
sociais para o desenvolvimento desenvolvimento
Desenvolviment
sustentável das comunidades sustentável
o social;
protegendo o ecossistema por
forma a evitar as poluições e Protecção do
melhorando a vida das ecossistema.
comunidades locais.

Fonte: Adaptado da Autora, 2017

1.3.1 Objectivos

Com vista a realização de qualquer trabalho científico, há que definir os objectivos na qual
o trabalho pretende atingir.

1.3.2 Objectivo geral


 Analisar o papel da responsabilidade social empresarial no desenvolvimento
sustentável das comunidades de Nacala-Porto.

1.3.3 Objectivos específicos


 Descrever a evolução da responsabilidade social das empresas em Moçambique;
 Caracterizar a prática da responsabilidade social empresarial de modo geral de
acordo com o ponto de vista de vários autores;
 Discutir o impacto da responsabilidade social dos Portos do Norte no
desenvolvimento sustentável da comunidade.
18

1.4 Metodologia
1.4.1 Tipo de Pesquisa

No que respeita a realização de qualquer trabalho científico, é necessária a previsão de


estratégias a utilizar, caminhos que viabilizem o alcance dos objectivos, procedimentos e
regras a serem utilizados por determinados métodos a fim de alcançar as metas desejadas.

Para atingir os objectivos, a pesquisa é exploratória porque tem como objectivo


proporcionar maior familiaridade com o problema, com vista a tornar mais explícito ou a
constituir hipóteses.

Quanto a sua abordagem a pesquisa é qualitativa-quantitativa, nessa ordem de ideias pois


se requer uso de métodos e técnicas estatísticas.

Quanto aos procedimentos, a pesquisa cinge-se num estudo de caso, porque é feita a volta
de um objecto, com fim de investigar um fenómeno dentro de um contexto real.

E foi suportada pela pesquisa bibliográfica como forma de dar uma abrangência nos
cruzamentos de conceitos e teorias sobre a responsabilidade social empresarial e
desenvolvimento sustentável.

1.4.2 Técnica de Colecta de Dados

Por entrevista entende-se como "uma técnica de colecta de dados que envolve duas pessoas
numa situação face a face e em que uma delas formula questões e outra responde" (GIL,
2002, p.115).

Esta para além de ser cara a cara, ela permite a colecta de dados fiáveis. A entrevista será
estruturada porque não permitira partir da resposta dada a uma determinada questão,
colocar outra de forma a perceber melhor a situação. Os dados colectados serão de
natureza primária (obtidos a partir do site da empresa) e secundários (obtidos a partir da
analise documental e entrevista na Portos do Norte). A entrevista será direccionada a
director dos Recursos Humanos sendo esta indicada pela empresa para o efeito de recolha
de dados. E posteriormente aos demais funcionários da empresa PN.

Foi igualmente usado a técnica de inquérito por forma a colecta de maior informação
possível dos colaboradores, clientes, fornecedores e a comunidade em geral.
19

1.4.3 Método de abordagem

O método de abordagem desta pesquisa é o dedutivo, pois a mesma parte de teorias e leis
mais gerais para a ocorrência de fenómenos particulares, no caso em estudo do papel da
PN no que respeita a responsabilidade social e desenvolvimento sustentável das
comunidades.

1.5 Universo e Amostra


1.5.1 Universo

O grupo alvo da pesquisa é a empresa Portos do Norte, envolvendo as comunidades locais


e os seus clientes e colaboradores.

3.4.2. Amostra

O estudo teve como amostra o departamento dos Recursos Humanos, abrangendo todos os
trabalhadores da empresa.

Usando o critério de amostragem não probabilístico para a selecção a amostra foi,


especificamente por tipicidade ou intencional. Assim foram seleccionados 20 funcionários,
e 4 clientes e fornecedores sendo 2 para cada grupo, e uma mostra populacional
(comunidade) de 6 pessoas designadamente os chefes de alguma comunidades que usam o
mar como local de produção de rendimentos.
20

CAPITULO I: RESPONSABILIDADE SOCIAL EM MOÇAMBIQUE

Neste capitulo vai-se abordar sobre a responsabilidade social em Moçambique, onde


pretende-se apresentar os marcos da adopção desta pratica empresarial, nas empresas
moçambicanas destacando as suas áreas de actuação e sem deixar de lado a apresentação
das empresas que mais se destacam nas praticais socialmente responsáveis.

3.1 A responsabilidade Social nas empresas Moçambicanas

A responsabilidade social em Moçambique é um conceito emergente que capta a atenção


de muitas empresas, órgãos governamentais, académicos, bem como outros sectores
relevantes. Para (SACHS, 2004, p.3), o tema tem sido discutido em vários encontros,
discussões de Mídias, em artigos de imprensa, bem como iniciativas em pesquisas que
começam a ocorrer em grande medida. No entanto, existe uma disparidade que prevalece
entre os diferentes intervenientes no que diz respeito à percepção e à definição do conceito,
bem como a prática da RSE.

O tema responsabilidade social empresarial ganhou visibilidade e forte apelo na sociedade


diante das expectativas quanto forma de actuação das empresas em relação aos direitos
humanos, relações trabalhistas e ao meio ambiente (SACHS, 2004, p.2), e em Moçambique
não é excepção.

Os resultados de linha de base apontam para diferentes percepções entre as empresas


pesquisadoras. No que diz respeito ao conceito de RSE: 49% associam o conceito, como
um mecanismo de ajuda ao governo em prestação de serviços básicos à comunidade e
protecção ao meio ambiente; cerca de 26% associam o compromisso da empresa para com
os seus funcionários e familiares através de subsídios, direitos, tratamento medico,
socorros, direitos humanos e normas de trabalho; cerca de 21% assumem como o
compromisso com os seus trabalhadores e para com as comunidades e 4% das empresas,
associam o conceito a um grupo de atitudes e práticas de organização, com vista a
aumentar a rentabilidade do seu negócio e obter uma melhor posição no mercado (SACHS,
2004, p.6).
21

As actividades de RSE em Moçambique estão numa fase de iniciação. Nos últimos anos,
houve uma visão up-and-coming de RSE em Moçambique. Alem da actual consciência
internacional promovida pela UN Global Compact. O que se pode concluir, este cenário
pode estar a ser influenciado principalmente pela presença de multinacionais com
investimentos no país com uma grande RSE.

Segundo SACHS (2004, p.6) nota-se que o nível de percepção sobre RSE agora está a
tornar-se progressivamente elevado entre Empresas Moçambicanas. As evidências vêm de
resultados de estudos de linha de base feitos por vários pesquisadores, que revelou mais de
cerca de 92% das empresas nacionais já estão comprometidos com a actividade de RS.
Alem disso, quase de 68% das empresas planeiam seus compromissos de RSE. Em geral,
83% das empresas têm a percepção de que as actividades de responsabilidade social de
empresas se tornaram progressivamente importante no futuro muito próximo.

Do ponto de vista do Governo, a responsabilidade da cidadania é colocada dentro do


Ministério da Mulher, Criança e Acção Social, o papel do ministério é de promover a
cidadania corporativa, a liderança política sobre as questões relevantes, garantindo que a
abordagem do Governo com a cidadania seja levada em conta, bem como, a coordenação
das actividades de cidadania em todas as agências governamentais a nível central e os
níveis descentralizados. E as acções ambientais estão ao cargo da MICOA com o objectivo
dirigir a execução da política do ambiente, coordenar, assessorar, controlar e incentivar
uma correcta planificação e utilização dos recursos naturais.

Nestes moldes torna-se imperioso analisar os principais factores da actividade de


Responsabilidade Social em Moçambique.

3.1.1 Factores de Responsabilidade Social em Moçambique

3.1.1.1 Factor Politico

Segundo KRAUSE e KAUFMANN, (2011), no período em que vigorou o colonialismo, a


política economica era dominada pelos Portuguese com poucos interesses em
investimentos em infra-estruturas e na educação. Depois da independência em 1975, o
Governo moçambicano opta por um planeamento central com poucos incentivos do sector
22

privado e empreendedorismo. Durante o período da guerra civil entre o partido no poder


(FRELIMO) e a (RENAMO), a economia do país estava em ruina. A desastrosa situação
economica, pobreza e escassez de crédito internacional com o ocidente, ou seja, com o
FMI concordando em uma transição para a democracia e reformas económicas estruturais
(sistema multipartidário, a liberalização, a propriedade privada, facilitação de
investimentos, o livre comercio entre outros).

3.1.1.2 Factores Sociais

As condições e prestação de serviços públicos eram exactamente fracos apos a longa


guerra civil até 1992. Nos últimos 20 anos, os indicadores de desenvolvimento humano,
tais como o acesso à educação, bem como como saúde, particularmente nas zonas rurais.

Segundo KRAUSE e KAUFMANN (2011) Moçambique continua a ser um país com as


desigualdades significativas entre os ricos e os pobres, entre as regiões urbanas e rurais e
com uma sociedade civil muito fraca. O HIV-SIDA, as crianças que sofrem de desnutrição
cronica e elevada taxa de mortalidade infantil são dois dos desafios mais pertinentes daa
saúde. A educação continua também a ser um dos obstáculos no combate à pobreza e
crescimento económico com taxas de analfabetismo de aproximadamente 60% em
particular nas mulheres.

3.1.1.3 Factores económicos

A economia do país é considerada de enorme potencial, baseada principalmente na


agricultura e na mineração, mas outras indústrias e serviços (transportes), em especial o
turismo que também esta em grande crescimento segundo afirma KRAUSE e
KAUFMANN (2011). No entanto, estas potencialidades ainda não estão a ser devidamente
usadas, no que tange ao combate à pobreza, isto, por várias razoes nomeadamente:

a) A produção de alumínio (MOZAL) responsável por cerca de um terço das


exportações e marcas. O mesmo acontece para o Gás (SASOL). Há alguns grandes
investimentos (chamados megaprojectos) o país, que trabalham principalmente com
23

o capital estrangeiro como é o caso da VALE, KENMARE e outros ainda a serem


implantados.

3.1.2 A responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável em Moçambique

Moçambique ate a presente data não dispõe de nenhum documento oficial sobre a
Responsabilidade Social, como é o caso de vários outros países entre os quais Cabo Verde
e Angola. Em nossa lei mãe, nos códigos das empresas comerciais ou boletins oficiais não
existem assuntos relacionados ao tema da responsabilidade social empresarial (SEN, 2000,
p.108).

No entanto, para (KRAUSE e KAUFMANN, 2011) importa salientar que apesar de não
existir um documento oficial sobre o tema, as empresas são consideradas socialmente
responsáveis de uma forma generalizada, pois não se preocupam apenas com o lucro, há
uma cultura social praticada pelas mesmas. Muitas empresas privadas já colocam as
responsabilidades sociais no seu plano estratégico, trabalhando de forma cuidadosa e
detalhada com o objectivo de trazer alguma satisfação à sociedade, nomeadamente crianças,
jovens artistas, idosos, deficientes, entre outros.

Em contrapartida segundo SEN (2000, p.109) a problemática ambiental começou a ser


abordado logo apos a independência com a tomada de consciência por parte da população,
dos riscos associados aos problemas ambientais globais. A partir dos anos 1990
Moçambique via-se reforçada a essas acções e a “integração do meio ambiente nas
políticas nacionais tornou-se realidade da integração dos princípios do desenvolvimento
sustentável e ao fazer-se da integração de um nível elevado de protecção ambiental, uma
das prioridades. Para tal foi criada uma lei ambiental (Lei n° 20/97 criada a 7 de Outubro
de 1997) e os seus respectivos organismos marcando assim o início do processo na
protecção ambiental em Moçambique.

3.1.3 As Normas e Políticas Nacionais na Materialização da RSE em Moçambique

Devido a influência externa em Moçambique que contribuiu de forma histórica, teve muita
importância. O colonialismo português, a lógica da Guerra Fria e a alta dependência dos
24

fundos de ajuda oficial da cooperação internacional são reflexo do peso dos actores
externos nas estratégias de desenvolvimento do país nas últimas décadas.

Recentemente a influência exterior chega pela mão do repentino auge da economia


vinculada à exploração dos recursos naturais e da consequente entrada de capital privado
estrangeiro das grandes empresas multinacionais (SACHS, 2004, p.6).

Para MOSCA (2013, p.19) Moçambique é um país dotado de recursos naturais


inexplorados que representam uma oportunidade para o desenvolvimento. O desafio é
desenvolver um enquadramento político que seja atraente para os investidores e que ao
mesmo tempo garanta benefícios para as comunidades locais, bem como para o país como
um todo e dentro de um contexto de políticas governamentais e estratégias de
desenvolvimento mais alargadas.

O debate acerca da responsabilidade social centra-se em saber, ou definir (legislar), em


cada caso, os limites do papel das empresas, do Estado e das comunidades, sabendo que as
primeiras têm a responsabilidades de restituir as condições ambientais e ecológicas (caso a
exploração produza externalidades ambientais negativas), assegurar a continuidade dos
processos produtivos económicos e sociais encontrados, indemnizar pelos danos causados
e perdas de condição económica e social presente e futura, estabelecer relações com o
tecido económico e social que assegure estabilidade para o exercício das suas funções.
(MOSCA, 2013, p.19).

As empresas actualmente abraçam e implementam uma estratégia voltada à RSC


incorporada nas suas actividades principais, embora de forma esporádica e pontual. As
actividades de RSC são reportadas semestralmente ou anualmente, variando de empresa a
empresa.
25

CAPITULO II: ENQUADRAMENTO TEÓRICO

Neste presente capitulo, descreve-se sobre as diferentes abordagens em torno da temática


em alusão, ou seja, estão apresentadas a revisão da literatura relativa as responsabilidade
social das empresas e o desenvolvimento comunitário.

2.1 Origem e evolução da responsabilidade social

A responsabilidade social incorporada aos negócios é relativamente recente,


principalmente quando se fala de países em vias de desenvolvimento, um dos traços de
maior impacto da recente evolução da economia mundial tem sido a integração dos
mercados e a queda das barreiras comerciais. Com estas transformações, todas as
organizações viram-se voltadas a uma nova realidade, que significou a inserção numa
escala de competição nunca antes vista. “A rápida e radical transformação no
relacionamento entre empresas e a sociedade está a gerar um profundo impacto no modo
como as empresas fazem e mantem os seus lucros”1.

Ainda na mesma temática segundo PAGLIANO et al (1999), as empresas viram-se em um


curto espaço de tempo compelidas a mudar radicalmente as suas estratégias de negócio e
padrões de gerência para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades decorrentes da
ampliação dos seus mercados potenciais, do surgimento de novos concorrentes e novas
demandas da sociedade.

De forma paralela, tiveram que passar a acompanhar a acelerada evolução tecnológica e o


aumento do fluxo de informações, que se tornou exponencial com o avanço da internet,
mudando deste modo a forma de organização das sociedades. Portanto, o sistema
comunicativo exerce um papel fundamental nesse processo a que pode-se mesmo chamar
uma revolução cívica. “Actualmente, os cidadãos, cada vez mais informados e conscientes
esperam que as empresas tenham não só direitos, mas também responsabilidades para com
as sociedades onde e com quem actuam2.

PAGLIANO (1999), ainda esclarece que alteram-se assim os papéis das empresas e das
pessoas e redefinem-se a noção de cidadania constituindo-se modalidades inovadoras de

1
Pagliano, Adriano G. Antunes et al. 1999, p. 21.
2
Idem
26

direitos colectivos. Como resposta, as empresas passaram a investir em qualidade, num


aprendizado dinâmico que se volta inicialmente para os produtos, evolui para a abordagem
dos processos, até chegar ao tratamento abrangente das relacoes compreendidas na
actividade empresarial, com os empregados, os fornecedores, os consumidores e clientes, a
comunidade, a sociedade e o meio ambiente.

Ainda de acordo com os autores é neste contexto que as empresas passam a ter como
principal desafio a conquista de níveis cada vez maiores de competitividade, introduzindo
a preocupação crescente com a legitimidade social da sua actuação, como pode ser
observado na seguinte afirmação: “as empresas começam a descobrir que ser socialmente
responsável pode se tornar uma vantagem competitiva no seio desta mesma esclarecida e
exigente sociedade”. (Idem)

Contudo, de modo à que estas possam seguir uma postura socialmente responsável, torna-
se necessário esclarecer o conceito. Actualmente tem-se verificado vários conceitos de
Responsabilidade Social; para alguns autores esta representa a ideia de uma obrigação
legal, para outros ainda significa um comportamento responsável no sentido ético, e para
outros significa uma contribuição caridosa ou até mesmo uma consciência social.

Mas qual é a posição da ciência em torno do conceito da Responsabilidade Social?

2.1.1 Responsabilidade Social

Segundo BARBOSA e RABAÇA (2001, p.640), a responsabilidade social passa a existir a


partir de um comprometimento da empresa com a sociedade, na qual a sua
operacionalização vai além das suas funções básica como gerar impostos, lucros e
empregos. O papel social das organizações está relacionado na sua actuação ética com o
desenvolvimento ecológico, económico e social. Ainda para os autores na actualidade as
empresas adoptam esse postura com o propósito de corresponder esses aspectos sendo
premissas básicas para o actual contexto da sociedade.

FREI BETTO (2001) apud TENORIO (2006, p.30) esclarece que uma organização
consciente da sua responsabilidade social para com a comunidade, não pode limitar-se em
atender somente as demandas organizacionais e muito menos achar que o seu conceito só
27

abrange a satisfação das necessidades dos seus funcionários, mas sim indo mais além,
incluindo a sua família e a comunidade a seu redor.

A responsabilidade social deve ainda atender aos quesitos organizacionais e dos


funcionários como directrizes fundamentais da empresa, algumas organizações tem-se
conscientizado da importância e comprometimento da inclusão da família entendendo que
assim o rendimento e contributo do funcionário tende a ser mais completo. (TENÓRIO,
2006, p.30).

Em outra abordagem DIAS (2012) afirma que a concepção de que a responsabilidade


social deve ultrapassar as necessidades da empresa é errónea. Pois o autor afirma que essa
iniciativa foge da característica social da mesma, que tem como único objectivo social e
responsável à utilização dos seus recursos e da sua mão-de-obra para maximização dos
lucros. No mercado há empresas que associam essa política de benefício social, como uma
responsabilidade apenas do governo, pois, elas existem como finalidade de captar lucros
para fins pessoais e favorecer apenas os envolvidos directamente com o negócio.

Para MELO NETO e BRENNAND (2004, p.13) afirmam que a responsabilidade social
esta inerente a uma acção compromissada diariamente, associada a um objectivo de
transformação social aplicada por um modelo de gestão inovador. Para um resultado
positivo e que atenda as expectativas do comprometimento constante e mudanças sociais,
essas operações nas empresas são utilizadas como estratégias que colaboram para o
resultado de suas actividades e contribuições sociais, gerando oportunidades e novos
conceitos de coordenação das empresas.

A responsabilidade social é vista também como um modelo de gestão revitalizado pela


necessidade da sociedade, a interacção dos objectivos da empresa junto ao
comprometimento do benefício colectivo é usada para equilibrar o propósito dos
envolvidos. “A responsabilidade Social é um conjunto de ideias e práticas da organização
que fazem parte da sua estratégia e que tem como objectivo evitar prejuízos e/ou gerar
benefícios para todas as partes interessadas (stakeholders) na actividade da empresa
(consumidores, empregados, accionistas, comunidade local, meio ambiente etc.) adoptando
métodos racionais para atingir esses fins e que devem resultar em benéficos tanto para a
organização como para a sociedade”. (DIAS, 2012, p.20).
28

Contudo, a responsabilidade social é um dos pré-requisitos básicos para a existência de


uma empresa. A esta temática não se parte apenas de questões de conscientização da
própria organização, e sim do que é imposto civilmente partindo da necessidade de cobrar
o aperfeiçoamento e melhor desenvolvimento da empresa visando o bem-estar social e
ambiental, e também das cobranças e exigências dos (stakeholders).

Figura 1: Forças que exercem pressão sobre as empresas em relação à


Responsabilidade Social.

Fonte: Adaptado de DIAS (2012, p.82)

O conceito de responsabilidade social é muito mais amplo do que um simples investimento


em uma área aleatória, sendo que o conceito “responsabilidade social” deve ser entendido
como resultado de acções que envolvem todos os colaboradores e integrantes da empresa,
resultando em melhorias para eles próprios, para as pessoas envolvidas directa ou
indirectamente com a empresa e para a sociedade como um todo, em seus mais diversos
níveis.
29

De acordo com o instituto ETHOS3 de responsabilidade social, criada em 1997, no Brasil


define a responsabilidade social:

“A forma de traduzir os negócios da empresa de tal maneira que a torna parceira e


co-responsável pelo desenvolvimento social. A empresa socialmente responsável é
aquela que possui a capacidade de ouvir interesses das diferentes partes
(accionistas, funcionários, prestadores de serviços, fornecedores, consumidores,
comunidade, governo e meio ambiente) e conseguir incorpora-los no planeamento
de suas actividades, buscando às demandas de todos e não apenas dos accionistas
ou proprietários”.

No entanto, torna-se necessário ter-se em conta que, para que uma empresa tenha uma
postura de empresa socialmente responsável, seja necessário mais do que o apoio ao
desenvolvimento da comunidade e na preservação do meio ambiente. Esta deve ainda
investir no bem-estar dos seus funcionários e dependes e num ambiente de trabalho
saudável, além de investir na promoção da comunicação transparente, dar retorno aos
accionistas, assegurar sinergia com os seus parceiros e garantir a satisfação dos seus
clientes e consumidores.

Nesta perspectiva, há sete principais vectores da responsabilidade social de uma empresa


que se devem tomar em conta segundo o Instituto ETHOS (2000):

 A preservação do meio ambiente;


 Investimento no bem-estar dos funcionários e seus dependentes e num ambiente de
trabalho agradável;
 Apoio ao desenvolvimento da comunidade onde actua;
 Comunicações transparentes;
 Satisfação dos clientes e/ou consumidores;
 Retorno aos accionistas;
 Sinergia com os parceiros.

Todo este conjunto de vectores dão a empresa um maior fortalecimento no que diz respeito
à dimensão social da empresa e não só.

3
Entidade criada em 1997 pelo empresario brasileiro Oded Grajew, que deixou a preseidencia da fabrica de
brinquedos Grow para dedicar-se à gestao de causas sociais, e foi assessor especial da Preseidencia da
Republica.
30

2.1.2 Objectivos da Responsabilidade Social

Considerando a definição da Comissão Europeia: “é cada vez maior o número de empresas


europeias que promovem estratégias de responsabilidade social como reacção a diversas
pressões de natureza social, ambiental e economica. Pretendendo deste modo, dar um sinal
às partes interessadas com as quais integram: trabalhadores, accionistas, consumidores,
poderes públicos e ONG” (COMISSÃO EUROPEIA, 2001, p.3).

Na actualidade, a responsabilidade social tem-se tornado num tema com maior importância
devido às novas exigências sociais e ambientais. É vista pela maior parte das empresas
como um meio para alcançar o êxito a longo prazo (e até mesmo para a sua própria
sobrevivência) e não como um custo ou uma mera preocupação sem aplicação prática. “A
sociedade exige que as empresas prestem contas da forma como estão a contribuir para
ajudarem na solução dos problemas sociais e ambientais” (MOTA, 2005 p.315).

Os stakeholders (accionistas, trabalhadores, consumidores, fornecedores, prestadores de


serviços, investidores, comunidade, governo e meio ambiente) devem exigir às empresas
transparência sobre o seu desempenho social e ambiental, através da publicação de
relatórios de informação e ao mesmo tempo incentivar as empresas a adoptar posturas
responsáveis nesses domínios.

De acordo com o “Livro Verde” uma empresa deve conciliar três factores fundamentais:
sociais, ambientais, e económicos. O peso de cada um desses factores deve ser semelhante,
pois da mesma forma que o desenvolvimento económico não se sustenta sem uma
contrapartida ambiental e social, o desenvolvimento económico e social também não se
sustentam sem a contrapartida de desenvolvimento económico da empresa. Esta
tridimensionalidade, também designada pela expressão anglo-saxónica de Triple Bottom
Line, retrata a nova mentalidade dos empresários com uma visão de responsabilidade a
longo prazo, que é cada vez mais importante no sentido de desenvolver, cada vez mais uma
sociedade justa e igualitária, (MOTA, 2005 p.315).
31

2.2 Características da Responsabilidade Social

Uma empresa que se caracteriza como socialmente responsável segundo as abordagens de


revista PLUG 2000 (2000, p.36), deve tomar em conta alguns aspectos que dizem respeito
ao seu relacionamento com os diferentes públicos. Assim sendo. Segundo o artigo “Tudo
Pelo Social” publicado pela mesma revista, uma empresa socialmente responsável é aquela
em a relação aos vários elementos como mostra a Tabela 1 deve se apresentar.

Tabela 1: Características de uma empresa socialmente responsável

CARACTERÍSTICAS DE UMA EMPRESA SOCIALMENTE RESPONSÁVEL

 Recruta funcionários em comunidades carentes


 Estimula o trabalho voluntario
Comunidade
 Apoio acções sociais
 Usa serviços de organizações comunitárias

 Contrata pessoas com experiencia e perspectivas diferentes


 Evita dimensões
Funcionários  Cria programas de participacao nos lucros e resultados
 Apoia a por os filhos dos trabalhadores na escola
 É flexível e oferece ajuda para a solução de problemas

 Cria um código de reciclagem


Meio
 Usa iluminação inteligente e instala acessórios para a economia
Ambiente de água
 Promove o uso de transporte alternativo

 Respeita a privacidade dos clientes


 Utiliza anúncios que transmitem modelos positivos e hábitos
Consumidores saudáveis
 Disponibiliza o maior número de informações possíveis para o
consumidor

Fornecedores  Evita negociar com empresas que não são éticas


 Estimula os seus parceiros a contribuírem em causas sociais

Fonte: Adaptado pela Autora, com base no artigo da revista “Tudo Pelo Social”. PLUG
(2000, p.36).

Entretanto, ao se buscar elementos de identidade para uma empresa “socialmente


responsável” há um certo consenso em ressaltar as que adoptam processos que incorporam
32

escuta e negociação com aos seus parceiros de negociação sejam estes internos ou externos
de moda a fortalecer a cultura institucional voltada à democratização das relações de
trabalho.

Relevantes a este sentido, as características essenciais são as seguintes:

 Ser Distributiva: A responsabilidade social nos negócios conceitua-se com a


aplicação a toda a cadeia produtiva, não apenas pelo produto final que deve ser
avaliado por factores ambientais ou sociais, mas o conceito é de interesse comum e,
portanto, deve ser difundido ao longo de todo e qualquer processo produtivo. Assim
como os consumidores, as empresas também são responsáveis por seus
fornecedores e devem fazer valer seus códigos de ética aos produtos e serviços
usados ao longo dos seus processos produtivos4.
 Ser Sustentável: Responsabilidade social anda de mãos dadas com o conceito de
desenvolvimento sustentável. Uma atitude responsável em relação ao ambiente e a
sociedade, não apenas garante a não escassez dos recursos, mas também amplia o
conceito a uma escala mais ampla5.
 Ser Transparente: A globalização traz consigo demandas por transparência. As
empresas devido as novas exigências globais, veem-se gradualmente obrigadas a
divulgar a sua performance social e ambiental, os impactos das suas actividades e
as medidas tomadas para prevenção ou compensação de acidentes6.

Em uma outra óptica apontam MELO NETO e FROES (2001, p.35) principais
características de uma empresa socialmente responsável:

 Alto comprometimento com a comunidade;


 Actua em parceria com o governo, demais empresas e entidades em programas e
projectos sociais;
 Realizam acções sociais, cujo principal objectivo não é o marketing, mas um
comprometimento efectivo com a comunidade;
 Apresenta progressão de investimentos nas áreas sociais;
 Viabiliza projectos sociais independentes dos benefícios fiscais existentes;

4
Melo Neto, F. e Froes, C. (2001, p.35)
5
Idem
6
Idem
33

 Seus funcionários, conscientes da responsabilidade social da empresa, actuam


como voluntários em campanha e projectos sociais;
 Os valores e princípios empresariais, além da sua missão e visão estratégica,
incorporam responsabilidades diversas envolvendo o seu relacionamento com o
governo, clientes, fornecedores, comunidade, sociedade, accionistas e demais
parceiros.

Portanto, pode-se dizer que a responsabilidade social empresarial é caracterizada por uma
atenção especial a todos os intervenientes da sociedade e que estejam ligados de forma
directa ou indirecta a empresa, sejas os trabalhadores, os clientes, os fornecedores, o meio
ambiente e a comunidade no seu todo.

2.2.1 Principais Acções de Responsabilidade Social

Segundo as abordagens de MOLO NETO e FROES (2001, p.29), o exercício da


responsabilidade tem dois focos distintos: os projectos sociais e as acções comunitárias.

Os projectos sociais são empreendimentos voltados para a busca de soluções de problemas


sociais que afligem populações e grupos sociais numerosos ou em situações de alto risco.
As acções comunitárias correspondem à participacao da empresa em programas sociais
realizadas pelo governo, entidades filantrópicas e comunitárias ou por ambas.

Tabela 2: Modalidades de exercício de responsabilidade social corporativa

ACÇÕES COMUNITÁRIAS PROJECTOS SOCIAIS PRÓPRIOS

Acção indirecta sobre a comunidade Acção directa sobre a comunidade

Transparência/repasse de recursos para


entidades Aplicação directa dos recursos

A gestão é feita por terceiros A gestão é feita pela própria empresa

São acções de doação e apoio São acções de fomento ao


desenvolvimento social

Não demandam acções de marketing social Demandam acções de marketing social


34

Geram retorno tributário, social e Geram retorno social e de mídia


institucional institucional

Fonte: MELO NETO e FROES (2001, p.29)

Ainda segundo MELO NETO e FROES (2001, p.31) em termos específicos as acções
sociais das empresas respeitam as seguintes áreas:

 Educação, saúde e meio ambiente;


 Alimentação e abastecimento;
 Desporto, cultura, recreação e laser;
 Desenvolvimento e defesa dos direitos;
 Infra-estrutura e saneamento;
 Segurança e higiene no trabalho.

2.3 Vantagens de acção socialmente responsável

Para MELO NETO e BERNNAND (2001, p.11), a empresa deve financiar projectos
sociais porque é um mecanismo de compensação das “perdas da sociedade” em termos de
concessão de recursos para serem utilizados pela empresa. Na visão destes autores, a RS é
vista como um compromisso da empresa com relação à sociedade e à humanidade em geral,
e uma forma de prestação de contas do seu desempenho, baseada na participacao e uso dos
recursos que originalmente não lhe pertencem. O seu raciocínio é de que, se a empresa
obtém recursos da sociedade, é seu dever restitui-los não apenas sob a forma de produtos e
serviços prestados, mas, principalmente, através de acções voltadas para solução dos
problemas sociais que afligem esta sociedade.

De forma adicional, pensa-se que no actual ambiente de mercado cada vez mais
competitivo, as acções de responsabilidade social podem representar fontes de vantagens
competitivas para as empresas. Entre outros aspectos, podemos citar de acordo com
(MELO NETO e BERNNAND, 2001):

 Maior valor agregado a imagem da empresa, à marca e os produtos e serviços. A


empresa passa a ser mais admirada pelos consumidores actuais e potenciais e pela
35

comunidade que desenvolvem atitudes favoráveis em relação aos seus produtos e


serviços;
 Maior motivação de seus funcionários. Os funcionários percebem que trabalham
para uma empresa que se preocupa realmente com o bem-estar social e onde podem
ampliar a sua cidadania. E possuir funcionários motivados e que vistam e usem a
camisa da empresa é uma importante fonte de vantagens competitiva, visto que
estes tornam-se mais motivados e demostram maior desempenho;
 Maior capacidade de obter recursos necessários e conhecimento. As empresas que
investem em acções sociais são mais admiradas também pelos empregados em
potencial. As pessoas desejam trabalhar em organizações deste tipo.
Consequentemente, essas empresas são mais capazes de atrair melhores
funcionários. Além disso, ao se aproximarem da comunidade, as empresas tornam-
se mais aptas a obter informações e conhecimentos sobre os clientes e o mercado e
sobre si própria.

Na mesma perspectiva usando caminhos distintos, é imperioso acreditar que a organização


pode vir a tornar-se mais responsável somente pelo alcance das aspirações de diversos
públicos de interesse e que, em contra partida, estes sentir-se-ão também responsáveis pelo
alcance das aspirações da empresa. Assim, chega-se a ideia de que vale a pena investir em
responsabilidade social.

Ainda segundo MELO NETO e FROES (2001, p.29) os principais benefícios decorrentes
das acções sociais das empresas são:

 Ganhos de imagem corporativa;


 Popularidade dos seus dirigentes, que se sobressaem como verdadeiros líderes
empresariais com elevado senso de responsabilidade social;
 Maior apoio, motivação, lealdade, confiança, e melhor desempenho dos seus
funcionários e parceiros;
 Melhor relacionamento com o governo;
 Maior disposição dos fornecedores, distribuidores, representantes em realizar
parcerias com a empresa;
 Maiores vantagens competitivas (marca mais forte e mais conhecida, produtos
mais conhecidos e serviços mais aderidos);
36

 Maior fidelidade dos clientes actuais e possibilidade de conquista de novos clientes.

Ao fim ao cabo, depois de enunciarmos as vantagens de uma empresa pautar por atitudes
socialmente responsáveis, tornou-se imperioso ainda trazer uma analise dos benefícios que
estas praticas de responsabilidade social acarretam para o processo de desenvolvimento
económico e social tanto para a empresa assim como para a comunidade onde esta actua.

2.4 Desenvolvimento sustentável

Resumidamente apresenta-se a evolução do conceito de sustentabilidade em 3 fazes


destintas a seguir:

 1ª Fase: Do ambiente a economia ecológica

Segundo FURTADO (2001) o conceito de economia ecológica pode ser encontrado no


seculo XVII, mas com os seus primeiros marcos nos anos 60 com as contribuições de
BOULDING (1966) e HERMAN (1966).

Nos anos 70 passou da sede de economia ambiental para uma economia ecológica, em que
os economistas ligados à teoria neoclássica desenvolveram varias investigações acerca da
sobreposição dos recursos naturais pelo Homem. Destaca-se neste período a publicação
“Os limites do crescimento” desenvolvido por FURTADO (2001) a qual foi fortemente
debatida na conferência das Nações Unidas sobre o Homem e o Ambiente que decorreu em
Estocolmo no ano de 1972. A grande contribuição do Relatório do Limites de Crescimento
foi mostrar que os recursos eram extinguíveis e que, em nossa civilização, não cria valor
económico sem haver, como contrapartida a degradação do ambiente. ABDALA e
OLIVEIRA (2009) afirmam que os “limites do crescimento” foi um dos primeiros e mais
influentes análise ao ambiente e da sua enterração com o Homem global e com a economia.
37

Foi neste moldes que a questão ambiental passa a ser tema de vários encontros realizados
pela Organização da Nações Unidas (ONU) de onde saiu a Agenda 217, o protocolo de
Quioto8 e outras resoluções mundiais (ABDALA e OLIVEIRA, 2009).

 2ª Fase: Da economia ecológica ao Desenvolvimento Sustentável

A partir da conferência de Estocolmo ainda resultaria a Declaração de Estocolmo assinada


pelos países industrializados. A referida Declaração continha um conjunto de princípios
para a protecção ambiental e desenvolvimento. Foi ainda criada o programa Ambiental da
Nações Unidas (UNEP, United Nations Environmental Programme) a primeira instituição
mundial a ter como missão a melhoria da qualidade de vida da população mundial sem
comprometer a satisfação das necessidades das sociedades vindouras, encorajando o
desenvolvimento de parcerias em prol do ambiente.

Segundo ABDALA e OLIVEIRA, (2009) seguidamente nos anos 80 houve uma forte
pressão de grupos ambientais em prol do ambiente. Esta pressão levou à criação de uma
comissão especial, que veio a adoptar o nome de World Commission Environment and
Development (WCED), que tinha como objectivo criar uma publicação com a tal visão
sobre os aspectos ambientais para o seculo XXI. A referida publicação lancada em 1987,
ficou conhecida como (Our Common Good) 9 ou (Brundtland Report) Relatório de
Brundtland. Este relatório afirma que os problemas ambientais críticos resultam em
primeiro lugar da pobreza existente nos países do sul, e dos padrões não sustentáveis de
consumo existente no norte. Nesta publicação pode-se identificar os três componentes
fundamentais do desenvolvimento sustentável, que são: Ambiente, Economia e Sociedade.
O Relatório ainda apela a implementação de uma estratégia que una os objectivos do
desenvolvimento e do ambiente.

 3ª Fase: Do Desenvolvimento Sustentável à responsabilidade empresarial

Como uma forma de alcançar o desenvolvimento sustentável definido pelo Relatório


Brundtland é necessário encontrar um equilíbrio entre os aspectos económicos, ambientais

7
Plano de accao à escala global, nacional e local a ser implementado pelos governos no sentido de promover
o desenvolvimento sustentavel.
8
Tratado internacional com compromissos para a reducao de emissao dos gases que provocam o efeito
estufa.
9
Tradução: o nosso bem comum.
38

e sociais de qualquer actividade. Segundo BRUNDTLAND (1987) os anos 20, 60 finais de


90 e princípios do seculo XXI foram períodos em que a Responsabilidade Social
Corporativa teve um enfoque especial. Na última década as investigações académicas
intelectuais têm crescido significativamente, quer ao nível de artigos académicos, quer com
a publicação de livros especializados, como com o desenvolvimento de estudos por parte
de várias empresas de consultoria.

Desenvolvimento sustentável é um desenvolvimento que assegura a satisfação das


necessidades do presente, sem comprometer a habilidade das futuras gerações de
satisfazerem as suas próprias necessidades necessárias.

Segundo ROBINSON (2004), muitas das definições usadas actualmente emergem de


tentativas de implantação de desenvolvimento sustentável o que faz com que não tenha um
grande rigor enquanto conceito. Ainda segundo o autor, considera que se por um lado os
conceitos de desenvolvimento sustentável são cientificamente frustrante, a necessidade de
uma definição precisa deste pode representar uma importante oportunidade política num
mundo cheio de políticas confusas acerca do desenvolvimento sustentável.

2.4.1 Os três componentes do desenvolvimento sustentável

De acordo com o Relatório de BRUNDTLAND (1987) o desenvolvimento sustentável é


“ o desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a
capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades”.

Segundo o Prof. José Eli da Viega 10 , no seu livro “Desenvolvimento sustentável – O


desafio do seculo XXI”, expõe de que a consciência gerada nos anos 70 em relação a
problemática ambiental fez com que só desenvolvimento não fosse mais satisfatório. Daí
era preciso que o desenvolvimento passasse a ser também sustentável. A expressão
“Desenvolvimento Sustentável” vinha sendo usada publicamente desde 1979, mas só se
afirmou em 1987, quando Gró Herlem Brundtland, presidente da Comissão Mundial sobre
Meio Ambiente e desenvolvimento, explicou durante a Assembleia Geral Sobre ONU que
se tratava de um conceito politico. Tal como identificado pelo Relatório de Brundtland, os

10
Professor titular da Faculdade de Economia, Administracao e Contabilidade de São Paulo.
39

três componentes do Desenvolvimento Sustentável são: Ambiente, Economia e Sociedade,


como ilustra a figura abaixo, (BRUNDTLAND, 1987).

Figura 2: Os três componentes do desenvolvimento social.

Fonte: Adaptado de ROBINSON (2004).

2.4.2 O papel das empresas no desenvolvimento sustentável

Segundo CAVALCANTI et. all (2008) enfatiza os pontos de vista ecológico sobre a
organização, ratificam sua relevância no contexto de busca pelo Desenvolvimento
Sustentável. Segundo esses autores, os ecologistas acreditam que as organizações devem
agir dentro do modelo de sustentabilidade para ajudar a alcançar algum balanco entre os
sistemas ecológicos e social.

As organizações têm um papel muito importante para a sustentabilidade da ecossistema,


isto devido a posição que ocupam na sociedade e pelo facto de muita delas estarem
directamente ligados ao meio ambiente. Tratando-se de relação entre a sustentabilidade e
as actividades económicas, CAVALCANTI et. all (2008), aponta que a sustentabilidade só
40

será alcançada quando as actividades económicas forem reestruturadas de um modelo que


seja mais harmoniosa com o ecossistema.

Assim o autor defende políticas que promovam tecnologias que sejam socialmente e
ambientalmente mais amigáveis e que usem recursos naturais mais frugalmente e
eficientemente, reduzindo a emissão de poluentes e facilitando a participacao publica do
processo decisório.

No entanto, a sustentabilidade também deve estar integrada no ambiente interno da


organização cada acção praticado pelos colaboradores interno terá que ser consciente e
responsável.

2.5 Desenvolvimento Sustentável em Países em Desenvolvimento

A pobreza é um dos maiores flagelos no mundo, carrega consigo para além da baixa renda,
a consolidação das desigualdades sociais, ambientais e económicas uma vez que impõe
obstáculos à criação de oportunidades. De acordo com SEN (2000, p.109) a pobreza de ser
vista como a privação das capacidades básicas em vez de meramente como baixa renda,
que é o critério tradicional de identificação da pobreza.

A pobreza pode ser classificada em: pobreza humana e pobreza de renda. Enquanto uma é
caracterizada pela insuficiência de rendimentos monetários, a outra decorre da falta de
acesso ou acesso inadequado a bens, infra-estruturas e serviços públicos como agua
potável, saneamento, saúde, educação, energia e comunicação, necessários para o sustento
das capacidades humanas básicas, (PNUD, 2005).

A questão da pobreza é factor chave nos países em desenvolvimento, para a elaboração de


uma agenda que busque soluções de modo a implantação de um novo tipo de
desenvolvimento. Segundo SACHS (2004), a economia mundial é caracterizada pelo alto
grau de desperdício e dentre todas as formas de desperdício, a pior é aquela que destrói as
vidas humanas por meio de défice de oportunidades de trabalho decente. Logo, o autor
propõe que o conceito de desenvolvimento sustentável deveria ser extrapolado para o
conceito de um desenvolvimento socialmente influente, ambientalmente sustentável e
economicamente sustentado no tempo.
41

De acordo com a Agenda 21, uma estratégia voltada especificamente para o


combate à pobreza, portanto, é requisito básico para a existência de
desenvolvimento sustentável. A fim de que uma estratégia possa fazer frente
simultaneamente aos problemas da pobreza, do desenvolvimento e do meio
ambiente, é necessário que se comece por considerar os recursos, a produção e as
pessoas, bem como, simultaneamente, questões demográficas, o aperfeiçoamento
dos cuidados com a saúde e a educação, os direitos da mulher, o papel dos jovens,
dos indígenas e das comunidades locais, e ao mesmo tempo um processo
democratico de participação, associado a um aperfeiçoamento de sua gestão,
(CMMAD, 1992, p.12).

Contudo, é de suma importância ressaltar que outras medidas são necessárias à promoção
do Desenvolvimento Sustentável em países pobres, a democracia, o combate a corrupção e
a garantia do verdadeiro exercício dos direitos civis, cívicos e políticos são fundamentais
para o atingimento deste tipo de desenvolvimento, assim como a possibilidade de
utilização de tecnologias limpas para promoção de uma melhor qualidade de vida com
respeito ao meio ambiente.

2.6 Desenvolvimento Comunitário

Para AMMANN (1981), desenvolvimento comunitário é uma estratégia metodológica de


apoio à construção de um senso de identidade dos atores locais, inicialmente a respeito do
seu território e, em continuidade, de seu projecto de desenvolvimento, buscando
desenvolver no sujeito colectivo a força utópica necessária ao seu processo de
transformação social.

O desenvolvimento comunitário configura-se inteiramente distinto das estratégias


governamentais do passado, pois não se trata apenas de possibilitar às comunidades na
participação de planificação e da realização de programas ou de colaboração com o
governo. Estas acções podem e devem acontecer, mas a principal finalidade é facilitar o
processo de significação e de transformação da comunidade, através do qual esta concebe
cenários de vida futura e de gestão social do seu desenvolvimento (AMMANN, 1981).
42

CAPITULO III: ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DE DADOS (ESTUDO DE CASO


DO PORTOS DO NORTE)

Para a análise dos dados e a sua interpretação, o estudo de caso que se segue refere-se a
empresa Portos do Norte – Nacala-Porto. Assim, como é de praxe antes de mergulharmos
na análise referente a responsabilidade social como tal, pretende-se em primeira instancia
fazer uma pequena caracterização desta empresa com a finalidade de obter uma maior
familiaridade para com a empresa em estudo.

3.1 Breve caracterização da Portos do Norte

A Portos do Norte, SA é uma empresa privada de capitais moçambicanos, cujos objectivos


principais são a gestão e a operação do Porto de Nacala, elemento central do Corredor de
Nacala.

Compete a portos do norte:

a) Opera, manter e gerir as instalações portuárias;


b) Receber, manusear e armazenar todo o tipo de cargas;
c) Comercializar serviços.

Missão da Portos do Norte

 Gerir um porto concebido para servir todo o norte de Moçambique e, como apoio
da ferrovia também o Malawi e a Zâmbia, sendo o catalisador das principais
cadeias logísticas de exportação e importação, através do desenvolvimento das
competências necessárias que permitem o uso sistemático das melhores praticas,
promovendo a excelência dos nossos profissionais e o respeito pelo meio ambiente.

Visão da Portos do Norte:

 Ser o porto de referência para as cadeias logísticas da costa leste de áfrica;


43

Valores da Portos do Norte:

a) Um porto eficiente: que valoriza os serviços aos armadores através da redução do


tempo de escala, de introdução de mudanças no planeamento, da organização da
operação e da gestão dos fluxos documentais;
b) Um porto seguro: com tolerância zero para acidentes, responsável pela
movimentação segura de cargas;
c) Um porto moderno: que investe na renovação das suas infra-estruturas,
equipamentos, procedimentos e sistemas de controlo de gestão, para se tornar mais
eficaz e competitivo num futuro próximo;
d) Um porto empenhado: e focado nos seus clientes e parceiros e no do
desenvolvimento de toda a região.

3.2 Localização do Porto de Nacala

O porto de Nacala está localizado na zona sul da Baía de Bengo, uma baía ampla e
abrigada, com um canal de entrada de 60m de profundidade e 800m de largura. É o único
porto de águas profundas em Moçambique e o maior em toda a Costa Oriental de Africa.
Dada a sua posição privilegiada, Nacala pode receber navios 24 horas por dia, sem
quaisquer limitações de calado.

3.3 Resultados dos questionários efectuados

Conforme os questionários efectuados a nível interno e externo (empresa Portos do Norte e


as Comunidades Abrangidas) foi possível obter as seguintes considerações referentes à
questão da Responsabilidade social e o Desenvolvimento Sustentável das Comunidades
locais de Nacala-Porto:
44

No que respeita a questão inerente a RSE e ao desenvolvimento sustentável das


Comunidades:

 Segundo a directora RH, esta mostrou que a empresa e os seus colaboradores têm
noção em torno da prática da responsabilidade social empresarial. E olha o
desenvolvimento sustentável da comunidade como um elemento de grande
impotência para a empresa assim para as comunidades uma vez que, a empresa ao
desenvolver acções socialmente responsáveis contribui de forma positiva para a
protecção do meio ambiente, melhorando assim a vida das comunidades e dos
colaboradores da empresa em especial.

No quesito da adopção da RSE:

 As práticas de responsabilidade social desenvolvidas por aquela empresa, não são


novas uma vez que a empresa antes de ser passada a sua gestão para a Portos do
Norte, estava sob gestão da CDN que no plano da sua actuação desempenhou varias
práticas de RSE. A quando da tomada da substituição da gestão em 2014 a Portos
do Norte, S.A, passou a incluir no plano de exercício acções socialmente
responsáveis com vista a garantir uma boa imagem da empresa a todos os níveis.
No entanto, a preocupação de agir de forma correcta na sociedade, respeitando as
leis, normas e princípios estabelecidos está sempre presente no exercício das
funções da empresa.

No que diz respeito a questões referentes ao problema social e segurança no trabalho:

 Pelo que se pôde constatar, de acordo com o responsável da higiene e segurança no


trabalho, a empresa cumpre com todos os requisitos de uma empresa socialmente
responsável uma vez que, para alem de apoiar as acções sociais e estimular o
voluntariado através de interacção entre os trabalhadores e a comunidade, como
forma de sensibilização das comunidades na preservação dos recursos existentes,
isto na dimensão externa da responsabilidade social, ainda proporciona aos
funcionários um ambiente de trabalho propício as actividades, oferece apoio
medico a estes e a suas famílias, alem de apoiar por meio de salários acima do
estabelecido como forma de possibilitar que estes tenham uma vida condigna,
45

permitindo que estes (Famílias e Filhos dos colaboradores), possam frequentar a


escola, isto na dimensão interna de RS.

No que respeita a problemática ambiental:

 A esta questão ambiental a empresa considera que é um problema de toda a


humanidade. Nos dias de hoje é notória a grande preocupação no sentido de
preservar o ambiente, por isso, as outras empresas também deviam estar
comprometidas com este propósito. A Portos do Norte, dá o sua contribuição na
medida em que todos os resíduos sólidos e líquidos produzidos são manipulados de
acordo com procedimentos próprios com vista a não poluir o ambiente.

No que respeita aos consumidores e parceiros:

 No que diz respeito aos consumidores, neste caso os clientes e aos parceiros, a
empresa optou por adoptar uma política baseada na ética e responsabilidade para
com a sociedade, pelo uso de plataformas de publicidade como forma de promover
hábitos saudáveis e disponibilizando sempre o maior numero de informação sobre a
rede e serviços, permitindo que estes estejam sempre informados sobre quaisquer
alteração de serviços por esta oferecida ou pretendendo adquirir.

Os outros aspectos inerentes as entrevistas feitas no campo de estudo (Portos do Norte),


serão tratados a seguir de forma mais detalhada.

3.4 Áreas de actuação e as principais realizações sociais

Moçambique é um país pobre que enfrenta várias dificuldades, no que tange a alocação de
serviços básicos para a satisfação das necessidades das comunidades em geral. As áreas de
maior destaque são as áreas da educação e saúde. A esta questão a responsabilidade social
assume nestas duas áreas uma espacial atenção. Neste âmbito, nos anos de 2014 – 2016
foram realizadas as seguintes acções nessas áreas.
46

3.4.1 Educação

No que tange a educação, uns dos principais focos de desenvolvimento sustentável das
comunidades, a Portos do Norte (PN) vê-se comprometida com acções que visão a redução
do nível de analfabetismo e contribuir para o aumento do numero de pessoas alfabetizadas.
Foi neste âmbito, que no período compreendido entre 2014 à 2016 foram realizadas as
seguintes acções nesta área:

a) Construção de duas salas de aulas na Escola Primaria 25 de Setembro


(Ntupaia)

A portos do Norte interveio numa das áreas da educação, ao construir duas salas de aulas
na escola primária 25 de Setembro no bairro de Ntupaia, salas estas apetrechadas e com
material de boa qualidade como forma de minimizar o défice de salas de aulas naquela
escola. Com este apoio, pretende-se apoiar na criação de melhores condições de abrigo
(salas de aulas) como forma da promoção da qualidade de ensino e melhorias do
aproveitamento escolar, bem como a massificação de aderência aos serviços educacionais.

b) Material escolar às crianças de algumas escolas fora da Cidade de Nacala-


Porto

Varias são as escolas que se beneficiaram de ajuda em material escolar para os seus alunos,
a nível dos postos administrativos, localidades fora da cidade de Nacala-Porto. Os matérias
doados pela Portos do Norte, faz parte de um leque de ajuda que a organização vem
desenvolvendo no seu quadro da responsabilidade social sustentável e foram alocados as
crianças e professores: cadernos, pastas, lápis e canetas, borrachas, lápis de cores, livros
didácticos, gramaticas e dicionários.

A ideia com esta ajuda é de não só melhorar a qualidade de ensino mas também permitir
que os alunos possam cultivar o gosto pela leitura, ao mesmo tempo que facilitar a
apropriação e consolidação dos conteúdos programáticos.

c) Ainda no plano educacional, no âmbito do programa um aluno uma árvore

A Portos do Norte, é uma empresa que vê a questão do problema ambiental como um


desafios de toda a sociedade, e como uma forma de preservar o ambiente, no âmbito do
47

programa um aluno uma árvore a empresa apoiou a iniciativa com mais de 1500 mudas de
varias espécies de plantas alocadas em varias escolas a nível da cidade e não só.

A organização olha para este projecto como uma forma sustentável de promover a cultura
pela preservação do meio ambiente, olhando pela preservação das árvores e o combate ao
desflorestamento desenfreado, a queimadas descontroladas e varias outras formas de
protecção do meio ambiente.

Contudo, fica aqui claro de que a empresa (PN), ciente dos desafios que o governo distrital
da Cidade de Nacala-Porto tem ultrapassado no que respeita a educação, esta de acordo
com o seu plano de responsabilidade social tem alocado diversos equipamentos escolares,
apoiando na construção de salas e melhoria das condições de acomodação fornecendo
carteiras para que as crianças se sintam em um ambiente escolar digno e confortável,
dando a estas um incentivo a adesão a escola, e proporcionando ainda uma cultura de
preservação do meio ambiente com o plantio e preservação das árvores.

3.4.2 Saúde

No que diz respeito à questão da suade das comunidades do Distrito de Nacala-Porto e não
só, a Portos do Norte tem empreendido vários projectos de apoio aos hospitais tentando de
certa forma diminuir o número de doentes que perdem a vida por falta de equipamentos
por parte dos hospitais e ainda pela falta de estoques de sangue. Com vista a minimização
destas carências, de certa forma vai contribuir para um melhor atendimento e maior
satisfação dos doentes.

a) Hospital distrital da cidade de Nacala-Porto

Com vista a minimizar o crescente índice de mortes por falta de equipamentos básicos, a
Portos do Norte apoiou a Hospital Distrital em material médico-cirúrgico. Este apoio foi de
grande importância para o hospital uma vez que fazia tempo que tal equipamento fazia-se
sentir necessário.

Com esse apoio pretende-se que os serviços de saúde possam passar a prestar um
atendimento melhor aos pacientes, e a reduzir os níveis altos de mortes por falta de
48

condições medicas e em outra perspectiva proporcionar melhores condições de trabalho


para os profissionais de saúde.

b) Centro de Saúde Urbano de Nacala-Porto

O centro de saúde urbano de Nacala-Porto foi beneficiado com a construção de um


alpendre para acomodar os doentes que aguardam pelo atendimento medico-hospitalar.

Com vista a melhorar o cenário de acomodação dos doentes que procuram os serviços
hospitalares naquele centro urbano de saúde, a Portos do Norte em um Projecto conjunto
com a Direcção Distrital de Saúde (DDS), apoiou na construção de um alpendre que
propicia sobre e uma acomodação mais confortável para os utentes daquela unidade
hospitalar.

c) Doação de sangue

No que respeita a doação de sangue a empresa apoio no que respeita a uma disseminação
da campanha interna e externa (colaboradores e suas famílias, clientes, fornecedores e o
publico em geral), os trabalhadores de forma voluntaria através do posto de saúde local da
PN, contribuem doando sangue.

As unidades de sangue colhidas no posto de saúde instalada na PN são encaminhadas para


o hospital distrital de Nacala-Porto, com o intuito de salvar vidas que necessitam de sangue.

3.4.3 Comunidade

a) Centro Nutricional das Irmãs Espiritanas de Ituculo

O Centro Nutricional das irmãs Espiritanas em Ituculo abriu em Junho de 2009 com o
intuito de apoiar as crianças com necessidades nutricionais. A PN iniciou a sua actividade
de responsabilidade social para com o Centro em Outubro de 2013 através de apoio
monetário, ajudando o Centro a alcançar o seu objectivo. Esta parceria com a PN permitiu
a aquisição de leite em maior quantidade, melhorou a qualidade de assistência e permitiu a
compra de farinha de soja para enriquecer a mistura (soja, amendoim pilado, feijão pilado,
49

folhas de mandioca e banana seca pilada, farinha de milho ou de trigo) que se dá às


crianças.

O Centro dispõe, também, de uma casa de acolhimento para crianças de alto risco, dá apoio
às famílias que não têm capacidade de gerir os produtos oferecidos pelo Centro e apoia
crianças debilitadas, que precisam de assistência permanente ao nível de saúde e
nutricional. Nestes casos, o centro não só fornece leite e a multi-mistura, como também
carne, ovos, peixe e outros alimentos, até que a criança recupere e deixe de ser considerada
alto risco.

3.4.3 Ambiente

A degradação do meio ambiente é um problema global, esta questão tem vindo a suscitar
uma crescente preocupação em toda a sociedade. Neste sentido, em bom desempenho
ambiental é, sem dúvida, vantajoso do ponto de vista financeiro. A eficiência energética, a
preservação da poluição e a minimização e reciclagem dos resíduos podem levar a
significativas reduções de custos na empresa, além de proporcionarem grandes vantagens,
como garantir o respeito pela legislação ambiental, melhorar o relacionamento com a
comunidade local, motivar os trabalhadores e promover uma maior fidelização dos clientes.
Todas as vantagens contribuem claramente para a sustentabilidade e sucesso a longo prazo
da empresa e, melhora o grau de relacionamento entre a comunidade e a empresa.

É nesse contexto que a PN, com vista a criação de uma forma viável e sustentável de
manuseamento dos resíduos sólidos e líquidos de modo a que não contamine as aguas do
mar. Para a efectivação deste projecto a PN assinou um acordo com o Conselho Municipal
da Cidade de Nacala-Porto que preconiza a alocação de veículos e contentores para a
recolha e depósito dos resíduos. Assumindo que a limpeza das águas tem de ser
acompanhada pela consciencialização e educação cívica dos seus colaboradores, parceiros
e clientes assim como da sociedade em geral, o projecto é suportado por acções de
educação ambiental, a vários níveis.

Portanto, através da descrição da dimensão de responsabilidade social empresarial


efectuada, pode-se concluir que a empresa em causa tem em mente tanto a nível interno e
50

externo de responsabilidade, ou seja, existe na PN um comportamento de


comprometimento para com os trabalhadores e seus dependentes, fazendo valer todos os
seus direitos. Por sua vez, também existe um comprometimento para com a sociedade no
seu todo, destacando a responsabilidade para com os clientes, fornecedores e a comunidade
como um todo.

Os investimentos realizados nas áreas da educação, saúde e ambiente são de uma


importância primordial para o desenvolvimento das comunidades do Distrito de Nacala-
Porto, estas práticas de responsabilidade social estão inseridas na sua dinâmica de gestão a
componente ética que faz com que todas as actividades por esta desenvolvida tenham em
consideração o respeito e preocupação para com os diferentes intervenientes nas
comunidades.

Sem dúvida que uma vez expandida a pratica a outras empresas, e reflectindo na
necessidade de não só o Estado ter a obrigação de suprir todas necessidades da população,
caminhar-se-ia assim a um sentido de redução da pobreza absoluta e melhoria do padrão de
vida da população de uma forma geral.

3.5 Níveis de conhecimento dos colaboradores e gestores da RSE e DS na PN

Um dos aspectos mais destacados nas informações recolhidas da entrevista com a


Directora dos Recursos Humanos, foi a homogeneidade das respostas, uma vez que
questionados sobre as questões da Responsabilidade Social e da Sustentabilidade da
empresa PN, esta respondeu positivamente a todos, isto é, as respostas foram sempre sim,
tendo justificado a maioria delas.

A maioria dos colaboradores interno da empresa tem noção do conceito da


Responsabilidade Social Empresarial (89%) e apenas 11% não sabem o seu significado
(gráfico nº 1), o que indica que os colaboradores estão familiarizados com o tema.
51

Gráfico 1: Conceito da Responsabilidade Social

11%

Sim
Não
89%

Fonte: Adaptado da Autora, 2017

Fica claro que 85% dos inquiridos classificam a empresa PN, como sendo socialmente
responsável, sendo que 10% afirma que não e os restantes 5% não têm opinião formada
(conforme o gráfico nº 2), a opinião da Directora dos RH é idêntica ao da maioria dos
inqueridos, pois ela afirma que a PN é uma empresa socialmente responsável e que os
resultados são visíveis nas sociedades. A Directora afirma ainda que a empresa preocupa
com o bem-estar das pessoas ao seu redor, com o ambiente e com o bem-estar dos seus
stakeholders em geral.

Segundo a mesma a PN é uma empresa que mais pratica varias acções sociais no nosso
Distrito de Nacala-Porto, a empresa é muito activa que procurando sempre ajudar os mais
necessitados, tem participado nos assuntos sociais e desta forma contribuindo para o
desenvolvimento das comunidades desta parte da Provincia.

Gráfico 2: Classificação da empresa como Socialmente Responsável ou não

5%
10%

Sim
Não
85% Não Sabe

Fonte: Adaptado da Autora, 2017


52

Para que uma empresa possa ser considerada socialmente responsável terá que atingir as
quatro dimensões económico, ética, legal e filantrópica, esta última representa a face mais
visível das acções da empresa (CARROLL, 1979-1999 p.63). Recorda-se que as
responsabilidades filantrópicas consistem nos apoios da empresa à comunidade e a
sociedade em geral. Com base nas espectativas da sociedade em relação ao desempenho
empresarial, os colaboradores internos da PN se posicionam mais por essa dimensão por
estar relacionada com as acções sociais que conduz ao bem-estar da sociedade em geral.

Os resultados da entrevista com a Directora dos RH veio confirmar a versão dos


colaboradores internos de que a PN é uma empresa responsável, em todas as suas
dimensões. Segundo o Director dos RH, para além da responsabilidade filantrópica, a PN é
uma empresa eticamente correcta com os seus colaboradores, tanto internos como
externos, respeitando os seus direitos, tentando ser o mais transparente passível.

Neste sentido CARROLL (1979-1999 p.63) afirma ainda que a responsabilidades éticas
consiste na adopção de uma conduta sintonizada com os códigos morais e os valores
implícitos da sociedade, para além do exclusivo cumprimento da lei. Das acções socias
praticadas pela empresa, assim, 65% dos colaboradores internos afirmam que essas acções
são direccionadas para eles (gráfico 3), 15% não sabem responder e 10% afirmam que não
existem acções sociais direccionadas a eles o que se leva a concluir, que apesar de
considerarem a empresa PN, como sendo responsável, ainda há um número considerável
de colaboradores que acham não serem beneficiados dessas acções.

Gráfico 3: Acções sociais direccionados aos colaboradores interno

17%

11%
Sim
Não
72%
Não Sabe

Fonte: Adaptado da Autora, 2017


53

Já, na entrevista com a Directora dos Recursos Humanos da empresa, ela afirmou que
existem várias acções direccionadas aos públicos interno, entre elas estão as consultas
médicas para os colaboradores e seus familiares próximos, todos os meses os funcionários
beneficiam de uma gratificação não muito significativa com os produtos da empresa, água,
refrigerantes, transporte grátis para facilitar o deslocamento.

Como se pode constatar, a maioria dos colaboradores interno da empresa tem noção do
conceito da Responsabilidade Social Empresarial (89%). O mesmo pode-se dizer em
relação ao conceito de Desenvolvimento Sustentável (94%).

Gráfico 4: Conceito de Desenvolvimento Sustentável

4% 2%

Sim
Não
Não Sabe
94%

Fonte: Adaptado da Autora, 2017

A PN sendo uma empresa socialmente responsável, é também considerada na opinião de


seus colaboradores (85%), uma empresa sustentável (gráfico nº 7), contribuindo desta
forma para a sustentabilidade do ecossistema do Distrito de Nacala-Porto, protegendo
assim a poluição das águas do mar, dado as actividades que esta tem desempenhado.

O resultado mostra-nos que, nenhum dos inqueridos afirma que a empresa não é
sustentável, e sendo somente 15% não soube responder, resultado este que mostra-nos que
os colaboradores da PN, também estão familiarizados com o conceito da sustentabilidade
apesar de este ser um tema recente.
54

Gráfico 5: Classificação da empresa quanto à Sustentabilidade

85%
100%
80%
60%
40% 15%
20% 0%

0%
Sim Não Não Sabe

Fonte: Adaptado da Autora, 2017

Em relação as características de uma empresa sustentável, pode-se constatar que a PN


dispõe das mesmas. Para FURTADO (2003) a empresa sustentável é aquela que íntegra na
sua gestão os impactos económicos, sociais e ambientais de suas operações. Estes
resultados vão de encontro com as opiniões da Directora do RH, que confirmou que a
empresa tem praticado acções, pensando no Desenvolvimento Sustentável da mesma e das
comunidades. A empresa faz o manuseamento dos resíduos sólidos e líquidos de forma
adequada por forma a evitar que estes materiais nocivos não poluam as aguas do mar,
perigando sob medida o ecossistema e a vida das populações que beneficiam-se dos
produtos do mar para o seu auto-sustento e a sociedade me geral.

Um outro projecto nesse âmbito da sustentabilidade e limpeza do ecossistema é a recolha


selectiva de materiais para reciclagem que a empresa, dentre eles plástico, metal e vidro e
também a empresa faz a reutilização de alguns produtos. Os usos das máquinas são feitos
de maneira consciente de modo a que ao libertarem os gases poluentes não tenham
impactos negativos muito visíveis. Em relação à recolha de materiais para reciclagem, a
informação foi comprovada na observação directa durante a visita a PN, constatou-se a
presença dos depósitos para cada um dos materiais recicláveis, devidamente identificados
em algumas áreas estratégicas da empresa.

Em relação às iniciativas da empresa para promover a consciência ecológica as opiniões se


divergem. Conforme o (gráfico nº 8), 54% dos inquiridos afirmam que a PN promove essas
iniciativas e os restantes 46% afirmam que não há ou não souberam responder. Ainda a
55

esse respeito a comunidade e os demais fornecedores e clientes divergem na ideia estando


em 43% da população confirmando a promoção da empresa em consciência ecológica e os
clientes e colaboradores em 58% em um universo de 100%. Resultados estes demostram
que uma empresa deste sector deveria fazer mais acções de sensibilização, tendo em conta
os efeitos ambientais causados pelas suas acções.

Gráfico 6: Iniciativa para Consciência Ecológica

58%
60% 54%
46%
50% 43%

40%

30%

20%

10%

0%
Sim (Interno) Nãa ou Não Comunidade Clientes e
Sabe (Interno) Fornecedores

Fonte: Adaptado da Autora, 2017

Para a Directora dos RH, muito já se tentou fazer para consciencializar os colaboradores
interno, mas considera uma luta difícil visto que, alguns dos colaboradores já se
acomodaram, não preocupam com as consequências dos seus actos ou ainda insistem em
manter alguns comportamentos inadequados. A este propósito, (MUNASINGHE, 2002)
aponta que a sustentabilidade só será alcançada quando as actividades económicas forem
reestruturadas de um modo que seja mais harmoniosa com o ecossistema.

Contudo, de forma geral os resultados aqui apresentados demonstram que existem uma
grande relação entre a Responsabilidade Social e o Desenvolvimento Sustentável da PN,
tornando-se grandes aliados para a preservações dos valores dentro da organização, o bem-
estar dos seus stakeholders interno como externo, para a melhoria da qualidade de vida das
comunidades. A Responsabilidade Social preserva vários pontos que podem contribuir
para a sustentabilidade de qualquer empresa. As empresas precisam ter o entendimento da
importância da sustentabilidade na sua gestão para que possam transmiti-la nas práticas das
suas acções.
56

Um dos pontos comuns nesses dois aspectos é a melhoria da qualidade de vida, que
reflecte em diversos indicadores como: O abrigo, habitação, alimentação, meio ambiente,
coesão social, educação, direitos humanos, emprego e oportunidade de trabalho, saúde
bem-estar pessoal e comunitária, entre outros.
57

Conclusão

A Responsabilidade Social transformou num grande factor para o alcance da


competitividade, actualmente é através da sua prática que muitas empresas atingem o
patamar desejado, ela ocupa um lugar de destaque. A gestão empresarial está utilizar a
Responsabilidade Social como uma ferramenta de gestão para atracção dos seus públicos-
alvo.

As preocupações com desenvolvimento sustentável proporcionaram um maior equilíbrio


entre o Homem e o meio ambiente, a PN preocupa-se cada vez mais com os seus actos,
suas acções bem como a preservação dos recursos naturais, sendo que esta situa-se em uma
área de risco de poluições e degradação do ecossistema, perigando a continuidade das suas
actividades.

Este trabalho tem como objectivo principal analisar o papel da responsabilidade social
empresarial no desenvolvimento sustentável das comunidades de Nacala-Porto. Durante o
trabalho teve-se a oportunidade de conhecer as opiniões dos colaboradores da empresa em
estudo, fazer as análises e tirar os possíveis resultados, e assim como também conhecer as
opiniões dos clientes, fornecedores e a comunidade local sobre a temática em estudo.

Na perspectiva dos colaboradores internos a PN, é uma empresa socialmente responsável,


sendo as crianças de Nacala (sobretudo as do ensino primário) e os hospitais são os
principais beneficiárias. Os colaboradores internos também são beneficiados dessas acções
socias. A empresa é também sustentável basicamente nos seus pilares económico, social e
o ambiental.

Conclui-se que os resultados vão de acordo com a hipótese levantada pois, de uma forma
geral os colaboradores internos, o publico externo (Clientes, Fornecedores e a
Comunidade) concordam que as práticas sociais da PN contribuem para o desenvolvimento
sustentável na melhoria de qualidade de vida das pessoas e da sociedade em geral de
Nacala-Porto.
58

Sugestões

Em jeito de sugestões, a empresa precisa focalizar mais as acções sociais ao público


interno, promover acções de sensibilizações, palestras a fim de informar os mesmos sobre
as estratégias da empresas, fazer como que os seus colaboradores fazem parte das decisões
principalmente de caracter sociais.

A PN deve fazer maior divulgação das suas acções como uma estratégia de promoção da
sua imagem e, almejando os ganhos com reputação e valorização da imagem da empresa
junto da sociedade deve também começar a atribuir uma maior atenção às questões
ambientais tendo em conta o setor em que opera.
59

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Apêndice

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