Você está na página 1de 22

1

SISTEMA DE CAPTAÇÃO E APROVEITAMENTO DE ÁGUA


PLUVIAL PARA FINS NÃO POTÁVEIS: ESTUDO DE CASO
EM UMA INDÚSTRIA DE GRANITOS (1)
Isabella Nogueira Santos
Ronaldo Darwich Camilo
Ronaldo Simão

RESUMO
Atualmente os recursos hídricos estão ameaçados pela poluição ambiental, alterações
climáticas e pelo consumo exagerado, contribuindo para escassez deste recurso. O uso de
fontes alternativas de reaproveitamento das águas é uma forma de reduzir o problema de
escassez da água, além de preservar este recurso essencial para a vida humana. Uma destas
alternativas é o aproveitamento da água da chuva, por se tratar de uma das soluções mais
simples e baratas para preservar a água potável, proporciona ainda a redução do escoamento
superficial, com isso, minimizando os problemas com enchentes. Este trabalho teve como
objetivo estudar o sistema de captação e aproveitamento de água pluvial da empresa Marcão
Granitos, no município de Sete Lagoas, para a verificação se o dimensionamento do sistema
está de acordo com o que é recomendado. Além disso, indicar sugestões para o
aperfeiçoamento do sistema implantado, como alternativa para reduzir custos com água
tratada e contribuir com o meio ambiente. Após os estudos realizados, identificou-se que das
partes integrantes deste sistema apenas o reservatório foi mal dimensionado. Este não
armazena o volume de água de chuva que é possível captar na área de contribuição.

Palavras - chave: Sustentabilidade. Aproveitamento de Chuva. Reservatórios trécnicos.

ABSTRACT
Currently water resources are threatened by pollution, climate change and over-consumption,
contributing to scarcity of this resource. The use of water reuse of alternative sources is a way
to reduce the problem of water scarcity, and preserve this essential resource for human life.
One of these alternatives is the use of rain water, because it is one of the simplest and
cheapest solutions to preserve drinking water, yet provides the reduction of runoff, thereby
minimizing the problems with flooding. This work aimed to study the collection system and
rain water capture, the company Marcao Granite in the city of Sete Lagoas, to check if the
system design is in line with what is recommended. Also, indicate suggestions for the
improvement of the implanted system, as an alternative to reduce treated water costs and help
the environment. After the studies, we found that the integral parts of this system only the
shell was badly scaled. This does not store the volume of rainwater that can be shot in the
catchment area.

Key - words: Sustainability. Rain. Reservoir.

(1) Artigo de defesa - MBA em Gestão Estratégica da Qualidade – Universidade FUMEC, abril/ 2015
(2) Especialista em Gestão estratégica da qualidade pela universidade Fumec
(3) Dr. Universidade Fumec
(4) Especialista Superintendente do Prêmio Mineiro de Gestão Ambiental
2

1 INTRODUÇÃO

Contextualizando o tema, tem-se que, atualmente vários problemas relacionados à


disponibilidade dos recursos hídricos no mundo tem se tornado assunto de estudos e propostas
de ação. May (2004), Giacchini (2010), Cardoso (2009) e Mancuso e Santos (2003)
apresentam discussões sobre estudos para o reaproveitamento das águas. O planeta Terra tem
a maior parte da sua área ocupada com água, porém grande parte desta água é salgada e uma
mínima parcela é de água doce. Dos 2,5% de água doce da Terra, 68,9% formam as calotas
polares e geleiras, as quais são inacessíveis; 29,9% constituem as reservas de águas
subterrâneas; em torno de 1% são, de fato, aproveitáveis. Além de viabilizar a sobrevivência
humana, a água proporciona dignidade à vida dos indivíduos através do atendimento das
necessidades mais básicas como higiene e saneamento (AMBIENTE BRASIL, 2015).

Segundo Telles e Costa (2007), a água é essencial para o consumo humano e para o
desenvolvimento de atividades industriais e agropecuárias. Por isso possui uma elevada
relevância global, e no Brasil tem influência forte na geração de energia elétrica, sendo
responsável por aspectos e impactos ambientais, financeiros, econômicos, sociais mais
intensos. Ao se problematizar o tema, tem-se que, a poluição hídrica, o consumo exagerado e
o contínuo desperdício deste recurso são fatores que causam a sua redução. A escassez da
água está relacionada principalmente com a má distribuição deste recurso natural, a sua
degradação, o grande crescimento populacional e o desperdício contínuo. O equilíbrio entre a
oferta e o consumo/demanda de água deve ser estabelecido para garantir a sustentabilidade do
desenvolvimento econômico, social e ambiental.

A pesquisa foi realizada na Empresa Marcão Granitos, especializada no segmento de pedras


(mármores, granitos e mármoglass), trabalhando com materiais de alta qualidade, desde a
escolha de blocos até a lapidação final das peças. O sistema de captação da água pluvial para
aproveitamento foi criado pelo proprietário da empresa. A motivação para a criação do
sistema, além da economia financeira decorrente do aproveitamento, foi a preocupação com o
meio ambiente. A água captada é utilizada por duas máquinas para o corte de pedras, além de
limpeza do pátio da empresa duas vezes por semana.
3

Assim, diante da importância da água para o consumo humano e desenvolvimento de


atividades industriais e agropecuária, aliada à sua escassez, o presente estudo se justifica para
analisar o aproveitamento da água pluvial, na empresa objeto do presente estudo.

Para a solução do problema verificado, ou seja, a escassez de água, hipoteticamente, pode-se


pensar que a empresa, objeto de estudo, está se utilizando de pesquisas para desenvolver
novas tecnologias alternativas para o reaproveitamento das águas com objetivo de preservar
os recursos hídricos. Há, também, a possibilidade de captação da água fluvial como
alternativa para o reaproveitamento de água nas áreas urbanas, para fins menos nobres sendo
que, esta alternativa consiste em captar a água da chuva através de uma superfície, que
geralmente é o telhado das edificações (residências ou empresas) ou um piso calçado
impermeável próximo à edificação. Com o uso de uma calha e de uma tubulação, a água é
transportada até o local de armazenamento (reservatório), de onde é controlada e reusada.

Como objetivo geral, o presente trabalho pretende: avaliar o sistema de captação de água
fluvial para aproveitamento na empresa Marcão Granitos. Já como objetivos específicos,
apresenta os seguintes: analisar o atual sistema de captação e aproveitamento de agua pluvial
existente; pesquisar alternativas para reduzir custos com agua tratada; identificar alternativas
para o sistema de aproveitamento de água pluvial na empresa estudada;

Para tanto, a metodologia escolhida para este estudo foi o levantamento bibliográfico,
alinhados aos tipos de pesquisa: qualitativa e descritiva. Tendo como técnica de coleta de
dados a análise bibliográfica e como técnica de tratamento dos dados a análise de conteúdo.
Fazem parte da estrutura desse artigo o capítulo um referente à introdução, o capítulo dois
que apresenta o referencial teórico, o capítulo três como metodologia de pesquisa, seguidos
do capítulo quatro onde constam as análises e resultado, e, por último, as considerações finais.
Especificamente o referencial teórico foi dividido em quatro subcapítulos para melhor
compreensão desse estudo.
Por fim, este estudo buscou-se a responder o seguinte questionamento: Em que medida o atual
sistema de captação de água fluvial para aproveitamento na empresa Marcão Granitos pode
ser aprimorado?
4

2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 Disponibilidade da Água na Terra

Atualmente a quantidade total de água na Terra é de aproximadamente 1.386 milhões de km3,


sendo que 97,5% do volume total formam os oceanos e mares e apenas 2,5% constituem-se de
água doce. Entretanto, as quantidades estocadas nos diferentes reservatórios individuais da
Terra variam substancialmente ao longo desse período. Embora a Terra tenha grande parte de
sua área predominantemente constituída de água, a maior parte desse volume é de água
salgada e uma parcela mínima é de água doce. Desta parcela de água doce (68,9%) encontra-
se nas calotas polares e geleiras, (29,9%) nas águas subterrâneas, (0,3%) nos rios e lagos e
(0,9%) em outros reservatórios (TELLES e COSTA, 2007).

O Brasil apresenta 11,6% da água doce superficial do mundo, 70% desta água, que é
disponível para uso, estão localizados na região da Amazônia, e o restante de 30% está
distribuído de forma irregular pelo país para atender a 93% da população. Portanto o Brasil
sofre com a escassez da água devido a má distribuição da densidade populacional, que a cada
dia cresce desordenadamente concentrando-se principalmente em áreas de pouca
disponibilidade hídrica (UNIÁGUA, 2015).

2.2 Ciclo hidrológico

Segundo Villiers1 apud May (2004), o ciclo hidrológico é um sistema físico quase estável e
auto-regulável, que transfere a água de um “reservatório” para outro em ciclos complexos.

Sperling (2005) apresenta o ciclo hidrológico de forma simplificada, distinguindo os seguintes


mecanismos de transferência da água: precipitação, escoamento superficial, infiltração,
evaporação e transpiração.

O conceito de ciclo hidrológico está ligado ao movimento e à troca de água nos seus
diferentes estados físicos, que ocorre na Hidrosfera, entre os oceanos, as calotas de
gelo, as águas superficiais, as águas subterrâneas e a atmosfera. Este movimento
permanente deve-se ao Sol, que fornece a energia para elevar a água da superfície
terrestre para a atmosfera (evaporação), e à gravidade, que faz com que a água
condensada se caia (precipitação. (CARVALHO e SILVA, 2006, p. 11).

1
VILLIERS, M. Água: como o uso deste precioso recurso natural poderá acarretar a mais séria crise do século
XXI. Rio de Janeiro: Ediouro, 2002.
5

2.3 Uso e Consumo de Água

Setti et al.2 apud Cardoso (2009), no ano 2025, cerca de 5,5 bilhões de pessoas em todo o
mundo estarão vivendo em áreas com moderada ou séria falta de água. Entretanto, existe água
suficiente para atendimento de toda a população, o que acontece é que a distribuição dos
recursos hídricos no planeta não é uniforme, o que causa cenários adversos em determinadas
regiões.
Do total da água consumida nas residências, pode-se dizer que mais da metade dela destina-se
aos usos menos nobres, como a descarga do vaso sanitário. Nessa descarga, utilizamos uma
água potável que tem qualidade muito superior à necessária para este uso. O que mostra a
insustentabilidade do manejo da água, sob o ponto de vista ambiental e econômico (HELLER,
2008).
O consumo de água, com base na atividade, pode ser classificado em três áreas, a agricultura,
considerada a mais dispendiosa, seguida pela indústria e finalizando com as atividades
urbano-domésticas (TELLES e COSTA, 2007).

2.4 Aproveitamento da Água Pluvial

A água da chuva de captação direta pode ser considerada um recurso hídrico com
qualidade e quantidade que podem atender a diversas demandas, principalmente não
potáveis. Em algumas situações ela pode ser a fonte mais viável a ser utilizada ou
mesmo a única fonte de água disponível (ou de melhor qualidade entre as
acessíveis). (LAMBERTS, 2010, p. 37)

Em locais onde a incidência de chuva é elevada pode-se ter muitos transtornos como
enchentes, trânsito lento, entre outros. O aproveitamento da água de chuva pode ser uma
maneira de diminuir esses incômodos além de contribuir para a sustentabilidade (UNIÁGUA,
2015).

“O aproveitamento da água pluvial tem importante destaque para usos não potáveis nas áreas
urbanas, tais como rega de jardins públicos, lavagem de passeios, descarga de vasos
sanitários, além das aplicações industriais” (TELLES e COSTA, 2007, p. 135).

2
SETTI, A. A. et al. Introdução ao gerenciamento de recursos hídricos. 2. ed. Brasília: Agência Nacional de
Energia Elétrica, Superintendência de Estudos e Informações Hidrológicas, 2001.
6

Segundo Tomaz3 apud Cardoso (2009), em países desenvolvidos como Canadá, Japão e
Alemanha, são oferecidos financiamentos ou doações em dinheiro para as pessoas que se
interessam em aproveitar a água de chuva.

2.4.1 Sistema de aproveitamento de água pluvial

Segundo Telles e Costa (2007), a coleta pode ser feita através dos telhados, coberturas e
marquises, e a água coletada será armazenada em reservatórios. É necessário drenar o excesso
da água da chuva provocado por chuvas intensas e eliminação da água da chuva inicial que
lava os telhados.

De acordo com Azevedo Netto (1991), o aproveitamento da água de chuva para


abastecimento aplica-se para sistemas individuais e coletivos. Os sistemas individuais
caracterizam-se pela coleta da água que precipita nos telhados e os coletivos aplicam-se a
pequenas comunidades, de até cinco mil habitantes. Estes sistemas compreendem uma área de
coleta, impermeabilizada com canaletas específicas para captar e conduzir a água de chuva
para reservatórios.
A composição de um sistema de aproveitamento da água de chuva consiste
basicamente na área de captação, em geral a cobertura da edificação, nos
equipamentos de transporte representados pelas calhas e condutores verticais e no
reservatório para armazenamento das águas pluviais (GIACCHINI, 2010, p 35).

2.4.2 Área de captação

De acordo com May (2004), a área utilizada para coleta da água de chuva são superfícies
impermeabilizadas, geralmente são os telhados ou lajes da edificação. O telhado para coleta
da água pode ser feito de: cerâmica, fibrocimento, de zinco, ferro galvanizado, concreto
armado, plástico, vidro, acrílico e outros.

Os materiais das áreas de captação não devem apresentar toxicidade e substâncias


que comprometam a qualidade da água. Por exemplo, devem ser evitados telhados
de amianto, com pintura a base de metais pesados. (LAMBERTS, 2010, p. 39).

Pode ser observado na figura 1, um exemplo de telhado e pátio dentre áreas de coleta:
telhados, lajes e pátios.

3
TOMAZ, P. Conservação da água. São Paulo: Parma, 1998.
7

Figura 1 - Área de coleta: telhado e pátio: armazenamento em reservatório enterrado


Fonte: WATERFALL4 apud MAY, 2004.

Para coletar as águas pluviais, basta direcionar o condutor vertical das calhas para o
reservatório de armazenamento. Os telhados de abrigos e garagens podem ser utilizados,
assim como das marquises, sacadas, e toldos, aumentando a área de coleta. Quanto maior a
área de coleta, maiores os benefícios que ela poderá proporcionar (FENDRICH e OLIYNIK5,
apud FELTEN, 2008).

2.4.3 Calhas e condutores

Para a coleta da água da chuva é necessária à instalação de condutores verticais e horizontais,


que são tubulações e calhas do sistema que conduzem a água pluvial até o reservatório. As
calhas podem ser de chapas galvanizadas, liga de alumínio e plásticos e PVC, devem ser
analisadas algumas características quanto ao material de fabricação das calhas. Elas devem ser
de materiais que sejam resistentes à corrosão e que não sejam afetadas por mudanças de
temperatura, devem ser lisas, leves e rígidas, e ter longa durabilidade (MAY, 2004).
As calhas e condutores devem atender a ABNT NBR 10844 (1989), de acordo com a ABNT
NBR 15527 (2007).

2.4.4 Remoção de materiais grosseiros

Para reter folhas, sujeira e areia que ficam nas calhas, são utilizados grades e telas para manter
a água mais limpa e não obstruir a passagem de água nos condutores. Os produtos de
filtragem devem ser de materiais que não enferrujam. É possível a instalação de grelha ou tela

4
WATERFALL, P. H..Harvesting Rainwater for Landscape Use. University of Arizona Cooperative. 2002.
5
FENDRICH, R., OLIYNIK, R. Manual de utilização de águas pluviais: 100 maneiras práticas. Curitiba:
Livraria do Chain Editora, 2002.
8

à saída da tubulação antes de chegar ao reservatório (FENDRICH e OLIYNIK6, apud


FELTEN, 2008).

2.4.5 Dispositivos de descarte

De acordo com a ABNT NBR 15527 (2007) para a remoção ou desvio da primeira água de
chuva é utilizado um dispositivo de descarte que pode ser manual ou automático. O mais
indicado é que o dispositivo seja automático, e recomenda-se o descarte de 2 x 10-3 m da
precipitação inicial. Portanto, é necessário que a chuva inicial seja descartada, principalmente
após longo período de estiagem, para garantir a melhor qualidade da água de chuva coletada.
É importante que a água da chuva, no momento da sua captação, esteja mais limpa possível,
de modo que seja seguro para seu uso posterior e livre de odores (TELLES e COSTA, 2007).

Texas Water Development Board7 apud Hagemann (2009) apresenta dois exemplos de
dispositivos de descarte de água da primeira chuva.

O primeiro deles consiste de um tubo de PVC, que coleta a primeira parte do volume
precipitado. Quando o tubo está cheio, a água é desviada para o conduto principal
que a leva ao reservatório de armazenamento. O tubo pode ser drenado
continuamente por um orifício ou uma válvula próxima à base. O outro dispositivo,
mais sofisticado, consiste de um tubo com uma válvula esférica flutuante em seu
interior. Quando o volume correspondente ao descarte enche o tubo, a elevação do
nível da água faz com que a esfera obstrua a entrada do tubo e o fluxo é conduzido
para o reservatório de armazenamento. Estes dispositivos geralmente têm uma
abertura para limpeza e devem ser esvaziados e limpos após cada evento de chuva
(HAGEMANN, 2009, p. 32).

2.4.6 Reservatórios

Os reservatórios de água de chuva para fins não potáveis na área urbana devem atender a
situação econômica, a estética e o uso racional de espaço (ALT, 2009). Os reservatórios de
águas pluviais podem ser classificados quanto à localização no terreno, quanto à forma e o
material de construção.

2.4.6.1 Localização dos reservatórios no terreno

6
FENDRICH, R., OLIYNIK, R. Manual de utilização de águas pluviais: 100 maneiras práticas. Curitiba:
Livraria do Chain Editora, 2002.
7
TEXAS WATER DEVELOPMENT BOARD. The Texas Manual on Rainwater Harvesting. 3ed. Austin, 2005.
9

De acordo com Heller e Pádua (2010), os reservatórios podem ser apoiados ou enterrados.
- Reservatórios enterrados: são constituídos abaixo da cota do terreno e podem ser
construídos com diversos materiais como concreto, plástico ou aço. Possuem bom equilíbrio
da temperatura da água, mas a dinâmica das condições, reservatórios cheios e vazios, geram
diferentes esforços em suas paredes, necessitando de cálculos específicos (HELLER;
PÁDUA, 2010; ALT, 2009). Na utilização de reservatórios enterrados é necessária a
utilização de bombas para utilizar a água captada, assim como é preciso de bombas para se
efetuar a limpeza desses reservatórios. Geralmente é utilizado em conjunto com reservatórios
apoiados possibilitando o uso da água por gravidade.
- Reservatórios apoiados: possuem menos de um terço da altura abaixo do nível do solo.
Este tipo de reservatório necessita de estrutura de apoio. Esses reservatórios aumentam a área
de ocupação do terreno; quando expostos requerem boa aparência e ainda é necessário que a
altura máxima da parte superior do conjunto reservatório, esteja abaixo da menor cota de
captação (HELLER; PÁDUA, 2010; ALT, 2009).
Os reservatórios feitos de concreto possuem a vantagem de neutralizar a acidez da água. E os
reservatórios enterrados são considerados mais eficientes que os reservatórios apoiados, pois
sem luz e calor, retarda-se a ação das bactérias (GONÇALVEZ, 2001).
Como o uso da água captada será apenas externo, para tratamento dessa água, de acordo com
Heller (2008), o uso de cloração é suficiente para fazer a desinfecção da água coletada.

2.5 Qualidade da Água de Chuva

A qualidade da água é definida pela quantidade de diversas impurezas que a água devido às
suas propriedades de solvente e à sua capacidade de transportar partículas, incorpora a si
(SPERLING, 2005). “A composição da água de chuva pode variar de acordo com vários
fatores: a localização geográfica, condições meteorológicas, intensidade e duração da
precipitação, regime dos ventos, estação do ano, proximidade de vegetação e cargas
poluentes” (ALT, 2009, p. 16).

2.6 Necessidade de Tratamento

A água de chuva, dependendo do tipo de uso, pode necessitar de tratamento de acordo com a
Tabela 1.
10

Tabela1 - Necessidade de tratamento


UTILIZAÇÃO DAS ÁGUAS PLUVIAIS TRATAMENTO DA ÁGUA
Regar plantas Não é necessário

Aspersores de irrigação; combate a Tratamento é necessário para manter o


incêndios; ar condicionado armazenamento e o equipamento em boas
condições

Lago/fonte; descarga de vaso sanitário; lavar Tratamento higiênico é necessário devido ao


roupas/lavar carros contato humano com a água

Piscina/banho; beber/ cozinhar Desinfecção é necessária porque a água é


ingerida direta ou indiretamente
8
Fonte: FENDRICH e OLIYNIK apud FELTEN, 2008.

De acordo com May (2004), o tratamento da água da chuva depende da sua qualidade e do
seu destino final. Para usos simples pode ser feito sedimentação natural, filtração simples e
cloração. Também podem ser feitos tratamentos mais complexos como desinfecção por
ultravioleta ou osmose reversa.

A cloração é feita através pela adição de cloro a água através de um dosador que libera o cloro
a uma velocidade homogênea (HELLER; PÁDUA, 2010).

2.7 Projeto e Dimensionamento de um Sistema de Aproveitamento da Água Pluvial

Para o dimensionamento de um projeto de um sistema de aproveitamento da água de chuva


estão descritas na norma ABNT NBR 15527 - Água da Chuva: Aproveitamento de coberturas
em áreas urbanas para fins não potáveis, de 2007. Quanto à concepção do projeto do sistema
de coleta da água de chuva, este deve atender as normas técnicas, ABNT NBR 10844 (1989).
Ainda deve constar o alcance do projeto, a população ser atendida, a determinação da
demanda, bem como os estudos das séries históricas e sintéticas das precipitações da região.
Ainda devem ser instalados dispositivos para remoção de detritos e um dispositivo de descarte
inicial da água de chuva. A ABNT NBR 15527 (2007) apresenta métodos de cálculos para o
dimensionamento dos reservatórios, entretanto fica a critério do projetista a opção pelo
método a ser utilizado.

8
FENDRICH, R., OLIYNIK, R. Manual de utilização de águas pluviais: 100 maneiras práticas. Curitiba:
Livraria do Chain Editora, 2002.
11

3 METODOLOGIA

A Empresa Marcão Granitos, especializada no segmento de pedras (mármores, granitos e


mármoglass), trabalha com materiais de alta qualidade, desde a escolha de blocos até a
lapidação final das peças. Os produtos finais oferecidos pela empresa são pisos, pias,
lavatórios, soleiras, bancadas, mesas, escadas, ladrilhos, balcões, etc.

O trabalho foi desenvolvido na empresa pois ela utiliza o ano todo o sistema de captação de
água pluvial para limpeza do pátio da empresa e no corte das pedras.
Com a finalidade de ampliar as informações sobre o assunto abordado, foi realizada uma
revisão bibliográfica em artigos de revistas, revistas eletrônicas, livros, sites específicos,
trabalhos de conclusão de cursos entre outros materiais do gênero.

Os dados foram coletados por meio de visitas técnicas ao local. Para obtenção destes foram
feitas entrevistas com os proprietários da empresa, os quais disponibilizaram todas as
informações necessárias para o desenvolvimento do presente trabalho, além de medidas
realizadas nos sistema já instalado. A empresa tem um consumo mensal, do volume
armazenado da água da chuva no reservatório já existente, em entorno de 5 m3 (5.000 L). Em
média o consumo de água mensal fornecida pela rede pública de abastecimento (sem o uso da
água da chuva) na Marcão Granitos para o uso nos banheiros, na cozinha e na limpeza de
algumas áreas da empresa (escritório e outros) é de aproximadamente 40 m3 (40.000 L). Este
valor aumenta nas épocas de pouca chuva, quando a água do reservatório de armazenamento
acaba e há necessidade de utilizar a água fornecida pela rede pública. Os índices
pluviométricos utilizados são os resultados de pesquisas que foram realizadas na Estação
Climatológica Principal de Sete Lagoas apresentando a precipitação média na região.

4 DESENVOLVIMENTO

4.1 Do sistema de captação de água

O sistema de captação está assim estruturado: possui uma área de 270 m² localizada em parte
do telhado da área com 540 m2 para captação da água; a altura do solo até o telhado onde
ocorre a captação (pé direito) é de 6,19 m; a água captada é utilizada por 2 máquinas elétricas
para corte de pedras; a extensão linear (comprimento) da calha utilizada para captação da
12

água de chuva é de 18 m; o diâmetro dos tubos que direcionam a água para o reservatório é de
0,1 m cada (num total de três tubos); o volume total do reservatório de água é de 17,5 m3
(17.500 litros); a quantidade média de peças cortadas por mês é de cerca de 600 m². Com a
utilização do sistema de captação de água pluvial, a empresa tem economizado muito o
volume de água tratada (SAAE) utilizada pela empresa. Além de utilizar a água das chuvas
para o corte das pedras, existe um segundo sistema que faz com que a água circule novamente
nas máquinas, otimizando ainda mais o sistema de captação.
O atual sistema foi implantado sem um dimensionamento adequado dentro das normas
vigentes e da supervisão de um Engenheiro responsável. As partes integrantes do sistema de
captação da Marcão Granitos podem ser visualizadas de maneira sucinta na FIG. 2.

Figura 2 - Partes do sistema de aproveitamento de água de chuva


Fonte: Os autores, 2015.

O material do telhado de captação da água é de telha metálica, possui altura de 7,16 m e pé


direito de 6,19 m. A área total do telhado é de 540 m2, mas apenas 270 m2 deste que capta a
água (18 m x 15 m).

As calhas são de aço galvanizado retangular e possui uma seção de 0,20 m de largura, 0,12 m
de altura, e 18 m de comprimento (extensão linear), não possuindo projeto de
dimensionamento embasado em normas da ABNT. Os condutores verticais da água
proveniente das calhas são constituídos por três tubos de PVC com diâmetros de 0,1 m cada
um, instalados paralelamente a parede. Os condutores horizontais também são três tubos de
PVC com diâmetros de 0,1 m cada um, interligados com os condutores verticais, direcionando
a água captada até o reservatório de armazenamento.

A função do reservatório construído é apenas para o armazenamento da água de chuva e, não


para o atendimento ao consumo. Este é de alvenaria revestida de concreto usinado, é
enterrado e não possui nenhum sistema de impermeabilização, está situado no pátio da
empresa possuindo 1,75 m de profundidade, 2,50 m de largura e 4,00 m de comprimento,
totalizando um volume de armazenamento de 17.500 litros. Possui um extravasor construído
com 4 tubos de PVC de 0,1 m de diâmetro cada. O reservatório possui uma tampa de ferro de
13

0,075m x 0,075 m. Não são feitas limpezas neste reservatório e nem manutenções
preventivas.

A água do reservatório é realçada através de uma bomba de ½ cv para um reservatório


superior, sendo este uma caixa d’água de fibra de vidro com capacidade para 1 m3 (1000 L).
O reservatório superior e a bomba de ½ cv podem ser visualizados nas FIG. 15 e 16
respectivamente. A água deste reservatório é utilizada nos cortes das pedras e na limpeza do
pátio. A limpeza do pátio é feita em média 2 vezes por semana. A empresa possui duas
máquinas elétricas de corte. Durante o corte, a água que foi utilizada nas máquinas cai em um
canal e é direcionada até uma caixa de sedimentação.
As dimensões do canal são: 13,10 m de comprimento, 0,40 m de largura. A profundidade
deste no início é de 0,11 m e no final de 0,27m. A caixa de sedimentação possui 1,70 m de
comprimento, 1,00 m de largura e 1,20 m de profundidade.
Os sedimentos provenientes das pedras decantam no fundo da caixa e a água sobrenadante é
bombeada para a mesma caixa d’água de 1 m3 para ser utilizada novamente nas máquinas de
corte. Os sedimentos são descartados, e tem como destino final um aterro de resíduos da
construção civil.
É realizado o processo de recirculação da água do corte durante 1 mês, só após este período
que a água utilizada é descartada na rede pública e uma nova quantidade de água do
reservatório (17,5 m3) é bombeada para a caixa d’água (1 m3).

O volume de água de chuva, aproximadamente, que é utilizado mensalmente na empresa


somando a água utilizada na limpeza do pátio e no corte das máquinas (canal, caixa de
sedimentação e caixa d’água) é entorno de 5 m3 (5.000 L). Este consumo poderia ser maior se
não houvesse a recirculação da água do corte das pedras. Com isso, o reservatório da empresa
não consegue armazenar água o bastante para a grande demanda ao longo do ano, fazendo
com que seja necessário o uso da água da rede pública de abastecimento para complementar.

4.2 Dimensionamento do Sistema de Captação

No desenvolvimento deste trabalho, utilizou-se os dados coletados no local de estudo para


verificação do dimensionamento do atual sistema de captação de água pluvial. Tanto na
verificação do dimensionamento quanto nos cálculos do reservatório utilizou-se como
referência o método descrito por Azevedo Netto (1998) que tem como base a norma ABNT
14

NBR 10844 (1989). No cálculo do reservatório foi empregado o método Azevedo Neto
exposto na norma ABNT NBR 15527 (2007).

O Método de Azevedo Netto, também é chamado de Método prático Brasileiro e


sugere o aproveitamento máximo de 50% da precipitação anual, em função do
escoamento superficial assim como de perdas inerentes ao sistema. Portanto, o
coeficiente de segurança corresponde à fração mensal referente ao aproveitamento
de 50% da precipitação anual, ou seja: 50% x P anual / 12 meses = 0, 042 P anual
(GIACCHINI, 2010, p. 51).

4.2.1 Calha

Segundo Azevedo Netto (1998), para estimar a vazão de projeto das calhas e condutores deve-
se utilizar a equação racional, considerando o coeficiente de escoamento superficial C=1.
Veja Equação (1):

Q = i · S / 60 (1)
onde:
Q = vazão em L min-1
i = intensidade pluviométrica em mm h-1
S = área de contribuição em m2.

A área de contribuição foi calculada considerando o efeito da ação do vento, adotando uma
inclinação da chuva igual a 1:2 em relação à vertical mostrada na figura 3. Utilizou-se a
Equação (2) nos cálculos.

Figura 3 - Área de contribuição. Fonte: AZEVEDO NETTO, 1998.

S = (a + h/2) · b (2)
De acordo com Azevedo Netto (1998), “a intensidade deve ser determinada em função da
duração e da recorrência da precipitação. A recorrência T = 5 anos para coberturas, telhados e
terraços. A duração pode ser fixada em 5 minutos”. Ainda de acordo com Azevedo Netto
(1998), a intensidade pluviométrica deve ser em mm h-1 em um período de retorno de 5 anos.
Para Sete Lagoas a intensidade pluviométrica é de 182 mm h-1.

O dimensionamento das calhas foi feito utilizando a equação de Manning (AZEVEDO


NETTO, 1998). Veja Equação (3):
15

Q = 60.000/n · A · RH2/3 · I1/2 (3)


onde:
Q = vazão (L min-1)
A = seção molhada (m2)
RH = raio Hidráulico (m)
I = declividade (m m-1)
n = coeficiente de rugosidade (De acordo com o Quadro 2)
Quadro 2 - Coeficiente de rugosidade (n)

MATERIAL n

Plástico, fibrocimento, aço, metais não ferrosos 0,011


Ferro fundido, concreto alisado, alvenaria revestida 0,012
Cerâmica, concreto não-alisado 0,013
Alvenaria de tijolos não revestida 0,015
Fonte: AZEVEDO NETTO, 1998.

O telhado da empresa é de telhas metálicas, portanto, o coeficiente de rugosidade (n) adotado


foi o 0,011.

4.2.2 Cálculo do volume do reservatório

O volume do reservatório foi calculado a partir da norma ABNT NBR 15527:2007, usando o
método Azevedo Netto. Este método foi escolhido por ser de fácil aplicação e por requerer os
dados que estavam disponíveis neste trabalho. O volume da chuva foi calculado utilizando a
Equação (4):
V = 0,042 · P ·A · T (4)
onde:
P = é o valor numérico da precipitação media anual, (mm);
T = é o valor numérico de meses de pouca chuva ou seca;
A = é o valor numérico da área de coleta em projeção, (m2);
V = é o valor numérico do volume de água aproveitável e o volume de água do reservatório,
(L).
16

5 ANÁLISE DE DADOS E RESULTADOS

Os dados foram analisados com base nas informações obtidas no local de estudo, e embasado
na bibliografia para verificação do dimensionamento do sistema de captação. Detectou-se os
pontos positivos e negativos do sistema de captação de água existente na empresa e realizou-
se uma avaliação para verificar se o sistema de captação de água pluvial atende as
necessidades da empresa e se foi corretamente dimensionado, segundo as normas vigentes.

5.1 Índices Pluviométricos de Sete Lagoas

São apresentadas na TAB. 1 as normais climatológicas e os limites extremos de variações de


acordo com a estação meteorológica de Sete Lagoas. Em 19 de novembro de 1938 foi
registrada a máxima temperatura (38,8 °C) e menor temperatura (0,6 °C) ocorreu em 22 de
junho de 1963. A chuva de maior magnitude foi registrada em 17 de dezembro de 1950 com o
volume de 156,8 mm em 24 horas. Janeiro de 1961 foi o mês em que ocorreu o maior índice
pluviométrico: 711,2 mm. Através de cálculos estatísticos realizados nos últimos 75 anos e
apresentados na TAB. 1, observou-se que a média anual de precipitação foi de 1361 mm ano-
1
. Ainda de acordo com a TAB. 2, é possível verificar que o período chuvoso no município de
Sete Lagoas ocorre entre os meses de outubro e março.

TABELA 21 - Normais climatológicas e os limites extremos das variáveis coletadas pela


Estação Climatológica Principal de Sete Lagoas
Pressão Max

Pressão Min
Precip Max

Vento-Máx
Tmax Abs

UR-Média
Tmin Abs

Pressão
Tmedia

UR-Min

Precip

Vento
Tmax

Tmin

Evap
Insol

Mês
janeiro 29 18.2 22.8 37.5 12.4 77.7 18 266.6 152.9 6.4 2.3 1.5 19.4 927.4 932.7 919.2
fevereiro 29.6 18.1 22.9 35.5 12.9 76.7 26 173.6 143.4 7.1 2.5 1.5 10 928.1 933.2 921.5
março 29.3 17.7 22.5 34.6 10 77 27 148.8 127.2 7.1 2.4 1.5 8 928.3 933.6 921.9
abril 28.2 15.9 21.1 35.8 6.8 75.8 28 57 78 8 2.4 1.4 8.4 929.4 935.6 923.4
maio 26.8 13.3 18.9 36.7 3.9 74 18 21.7 77 8.3 2.5 1.4 21 930.8 937.8 924.8
junho 26.1 11.4 17.5 31.2 0.6 71.6 15 9 40.6 8.7 2.7 1.4 14.2 932.4 938.7 924.1
julho 25.9 11 17.3 37.2 2 67.9 16 9.3 43.9 8.8 3.1 1.7 10 933.1 942.1 925.7
agosto 27.7 12.3 18.9 34.8 3.3 61.6 15 9.3 36.1 9.1 4.1 1.9 16.6 932.1 942.2 924.4
setembro 28.8 14.8 20.9 37.4 4.1 62.1 14 36 75.3 7.4 4.4 2.1 19.4 930.4 938.6 923.1
outubro 29 16.7 22.1 38.6 8.4 67.7 15 99.2 88.2 6.6 3.8 2 11 928.6 936.6 921.5
novembro 28.4 17.6 22.2 38.8 8.9 74.8 20 210 130.3 5.9 2.8 1.8 32 927.3 934.4 920.9
dezembro 28.1 18.1 22.3 37.2 11.3 79 23 297.6 156.8 5.4 2.2 1.7 11.1 927.1 933.6 920.1
Fonte: AVELLAR, 2006
17

5.2 Verificação do Dimensionamento

No dimensionamento da calha, adotou-se a intensidade pluviométrica (i) de 182 mm h-1 (valor


encontrado em tabela da ABNT para uma chuva intensa de 5 minutos de duração e um
período de retorno de 5 anos para o município de Sete Lagoas). A área de contribuição
calculada pela Equação (2) foi de 278,73 m2. Desse modo, a vazão de projeto (Q) encontrada
foi de 845,48 L min-1 utilizando a Equação 1.

Considerando as dimensões da calha retangular (0,2 m de largura e 0,12 m de altura) e


utilizando a fórmula de Manning (Equação 3), foi possível verificar que a vazão suportada
pela calha é suficiente para atender a vazão de projeto, sendo esta menor que a vazão
suportada pela calha. A vazão suportada pela calha é de 1870,24 L mim-1. Os dados utilizados
para o cálculo foram os seguintes:
A = 0,024 m2
RH = Área molhada/Perímetro molhado = 0,024/0,44 = 0,054 m
I = 1% ou 0,01 m m-1
n = 0,011 (Quadro 2)

O dimensionamento do reservatório foi calculado com base no método de Azevedo Netto


descrito na norma ABNT NBR 15527(2007). Através da Equação (4) calculou-se o volume
do reservatório e este foi de 47,79 m3. Os dados utilizados no cálculo do dimensionamento do
reservatório foram: valor numérico da precipitação média anual (P) de 1361 mm ano-1; valor
numérico de meses de pouca chuva ou seca (T) de 3 meses e o valor numérico da área de
coleta em projeção (A) de 278,73 m2.

O valor numérico de meses de pouca chuva ou seca (T) foi obtido com base nos resultados do
balanço hídrico de Sete Lagoas estabelecido pelo método de Thornthwaite, de uma série
histórica de 30 anos, expostos na TAB. 3 (AVELLAR, 2006).
TABELA 3 - Balanço hídrico segundo Thornthwaite para a região de Sete Lagoas, MG
Data Precipitação Exc Def
mm mm mm
Jan 267 188,2 0
Fev 174 90,7 0
Mar 149 50 0
18

Abr 57 0 5,8
Mai 22 0 33,6
Jun 9 0 54,6
Jul 9 0 62,8
Ago 9 0 73,4
Set 36 0 51,4
Out 49 0 38,4
Nov 210 12,7 0
Dez 298 225,6 0
Fonte: Adaptado de AVELLAR, 2006.
Legenda: Precipitação: Precipitação média mensal, expressa em milímetros;
ETP: Evapotranspiração potencial, expressa em milímetros; Arm:
Armazenamento no solo, expresso em milímetros; Exc: Excedente hídrico,
expresso em milímetros; Def.: Déficit hídrico, expresso em milímetros.

Na TAB. 3, a região de Sete Lagoas apresenta um grande déficit hídrico, ou seja, somente no
período de novembro a março ocorre excesso de água. O período de pouca chuva ocorre nos
meses de junho a agosto.
O atual reservatório da empresa possui capacidade de armazenamento para 17,5 m3 (17.500
L), e de acordo com o cálculo realizado utilizando a Equação (4) (47,79 m3) não é suficiente
para armazenar a quantidade de água que pode ser coletada com a referida área de
contribuição. Para armazenar esse volume de água no período de maior precipitação e poder
aproveitar essa água atendendo o consumo da empresa, o ideal é implantar outros
reservatórios para armazenar a quantidade de água que a área de contribuição capta. O
reservatório indicado é o do tipo apoiado de fibra de vidro com capacidade de 25 m3 e outro
de 10 m3. Para a instalação dos reservatórios deve-se colocar os condutores verticais e
horizontais para o direcionamento da água de armazenamento e realizar as adequações que
forem precisas.
Uma outra opção, que é possível nesta empresa, seria captar água da chuva da outra metade
deste telhado, com uma área de telhado de 270 m2, e do outro telhado da parte em que a
empresa ampliou recentemente, que é de 300 m2. Utilizando as Equações 1, 2, 3 e 4.

Fazendo os cálculos pra essa nova área do telhado encontrou-se os seguintes resultados:
• Para o telhado com área de 270 m2 dimensões essa que são iguais as do
telhado que possui o atual sistema. Por isso, os resultados dos cálculos são os mesmos. A área
de contribuição é de 278,73 m2, a vazão do projeto (Q) é de 845,48 L min-1, a vazão suportada
pela calha é de 1870,24 L min-1 e o volume do reservatório é de 47,79 m3.
19

• Para o telhado com área de 300 m2, do galpão ao lado que foi ampliado
recentemente (novo telhado) O material desse telhado também é de telha metálica, possui
altura de 7,16 m e pé direito de 6,19 m. A área total do telhado é de 300 m2 (10 m x 30 m). A
calha é de aço galvanizado retangular e possui uma seção de 0,2 m de largura, 0,12 m de
altura, e 10 m de comprimento (extensão linear). A área de contribuição é de 304,85 m2, a
vazão do projeto (Q) é de 924,71 L min-1, a vazão suportada pela calha é de 1870,24 L min-1 e
o volume do reservatório é de 52,27 m3.

Nestes sistemas de captação de água pluvial novos, os reservatórios indicados, levando em


consideração o espaço disponível que a empresa possui para a instalação, de caixas de fibra de
vidro com sistema apoiado. O modelo apoiado é o mais fácil para verificação de rachaduras e
manutenções. Com a implantação destes novos sistemas de captação e armazenamento, a água
coletada poderá ser utilizada também na descarga dos vasos sanitários. Para isso, é necessário
um estudo mais detalhado para o desenvolvimento de um projeto adequado e ambientalmente
sustentável e viável.
É necessário realizar limpezas no reservatório enterrado e nos novos reservatórios apoiados,
pelo menos uma vez ao ano. Durante a limpeza é possível verificar as condições físicas desses
reservatórios e as necessidades de realizar manutenções – se há presença de rachaduras.

Outro aspecto importante na manutenção e na qualidade da água de chuva armazenada é


instalar grades ou telas na calha, nos condutores verticais (tubos) e um filtro antes da entrada
da água no reservatório para impedir o acúmulo de folhas e sedimentos carreados com as
chuvas evitando entupimentos e decomposição desse material no reservatório. O filtro
sugerido para ser instalado é o modelo VF6, prevenções essas que não existem no atual
sistema da empresa. Para instalação deste modelo de filtro é necessário a instalação de
redutores do diâmetro de 0,25m para 0,1m nos condutores verticais e os horizontais (entrada e
saída do filtro). No atual sistema da empresa não há um dispositivo de descarte das primeiras
águas da chuva, para remoção dos sedimentos acumulados no telhado, o que é recomendado
pela literatura de acordo com a ABNT NBR 15527 (2007). O modelo que pode ser aplicado é
o dispositivo que consiste de um tubo com uma válvula esférica flutuante em seu interior.
Quando o volume correspondente ao descarte enche o tubo, a elevação do nível da água faz
com que a esfera obstrua a entrada do tubo e o fluxo é conduzido para o reservatório de
armazenamento. A utilização da água de chuva viabiliza a economia de água potável, diminui
20

os riscos de enchentes e favorece a preservação do meio ambiente, reduzindo a escassez deste


recurso.

6 CONCLUSÃO

O atual sistema de captação de água pluvial da empresa foi implantado no ano de 2004 sem
utilizar, como referência, as normas de dimensionamento para o desenvolvimento do seu
projeto. No ano de 2011, a empresa expandiu seu espaço – que antes era de apenas uma área
com 540 m² – com a construção de mais uma área com 300 m² (novo telhado). Após
verificação do atual sistema, foi constatado que apenas o reservatório foi mal dimensionado.
Este não armazena o volume de água da chuva que é possível captar na área de contribuição
(telhado).
Conclui-se que para um melhor aproveitamento da água pluvial é necessário a instalação de
novos sistemas de captação nos outros telhados disponíveis na empresa.
O uso da água de chuva nos cortes das pedras e para a limpeza do pátio é bastante viável.
Além disso, o volume de água necessário para ser utilizado nos cortes das pedras (nas
máquinas) é elevado e com o uso da água de chuva é possível ter uma economia financeira,
pois reduz o consumo de água tratada. Com isso, será possível reduzir os custos financeiros,
valorizar ainda mais a imagem da empresa com os clientes adotando ações sustentáveis e
contribuir para a preservação dos recursos hídricos.

REFERÊNCIAS

ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10844 Instalações


Prediais de Águas Pluviais. 1989.
ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15527 Água de
chuva – Aproveitamento de coberturas em áreas urbanas para fins não potáveis - Requisitos.
2007.
ALT, R. Aproveitamento de Água de Chuva para Áreas Urbanas e Fins não Potáveis.
2009. Disponível em: <http://www.trt24.jus.br/arq/download/comissoes/publicacoes/COM86
_Aproveitamento_de_agua_da_chuva.pdf> Acesso em: 05 mar. 2015.
AMBIENTE BRASIL. Água no Brasil. Disponível em: <http://ambientes.ambiente
brasil.com.br/agua/recursos_hidricos/agua_no_brasil.html>. Acesso em: 05 mar. 2015.
AMBIENTE BRASIL. A solução está sob a terra. Disponível em: <
http://ambientes.ambientebrasil.com.br/agua/artigos_agua_doce/a_solucao_esta_sob_a_terra.
html?query=quantidade+de+%C3%A1gua+>. Acesso em: 05 mar. 2015.
AVELLAR, G. Análise geoecossistêmica da bacia do Ribeirão São João com uso de GIS.
2006. Dissertação (Mestrado) Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Belo
Horizonte.
21

AZEVEDO NETTO, J. M. Aproveitamento de águas de chuvas para abastecimento. Rio


de Janeiro: 1991. Revista Brasileira de Saneamento e Meio Ambiente – Revista Bio. Rio de
Janeiro, ano III, número 2, abr/jun.
AZEVEDO NETTO, J. M. de. Manual de hidráulica. 8 ed. São Paulo: Edgard Blucher.
1998.
CARDOSO, M. P. Viabilidade do aproveitamento de água de chuva em zonas urbanas:
estudo de caso no município de Belo Horizonte/MG. 2009. Dissertação (Mestre em
Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos), Universidade Federal de Minas Gerais.
Belo Horizonte, 2009. Disponível em:
<http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/1843/ENGD-7Y7PQX/1/298m.pdf>.
Acesso em: 03 mar. 2015.
CARVALHO, D. F. de; SILVA, L. D. B. da. Hidrologia. Rio de Janeiro: UFRRJ, Agosto,
2006. Disponível em: <http://www.ufrrj.br/institutos/it/deng/leonardo/downloads/APOSTILA
/HIDRO-Cap2-CH.pdf>. Acesso em: 21 mar. 2015.
FELTEN, C. K. Análise Quantitativa e Qualitativa de Água Pluvial Armazenada em
Cisternas para uso não Potável. Trabalho de Conclusão de Curso. União Dinâmica
Faculdade Cataratas, 2008. Disponível em:
<http://www.udu.edu.br/monografia/monoamb28.pdf>. Acesso em: 21 mar. 2015.
GIACCHINI, M. Estudo quali-quantitativo do aproveitamento da água de chuva no
contexto da sustentabilidade dos recursos hídricos. Dissertação apresentada ao curso de
Pós Graduação em Engenharia de Recursos Hídricos e Ambiental da Universidade Federal do
Paraná. Curitiba, 2010. Disponível em: < http://dspace.c3sl.ufpr.br/dspace/bitstream/handle/1
884/24004/Dissertacao%20Margolaine%20Giacchini.%20Versao%20Final.pdf;jsessionid=5F
CDCE184FAE57D90E45BEF4CB0F9E84?sequence=1>. Acesso em: 05 mar. 2015.
GIACCHINI, M.; FILHO, A. G. de A. Utilização da água de chuva nas edificações
industriais. Paraná: 2º Encontro de Engenharia e Tecnologia dos Campos Gerais, 2008.
GOMES, M. A. F. Água: sem ela seremos o planeta Marte de amanhã. Março de 2011.
Disponível em: <http://www.cnpma.embrapa.br/down_hp/464.pdf>. Acesso em: 03 abr. 2015.
GONÇALVEZ, V. B. Sistemas de captação de água de chuva. In: CAPTAÇÃO E
APROVEITAMENTO DE ÁGUA DE CHUVA – SISTEMAS RESIDENCIAIS, 2001,
Florianópolis. Anais... Florianópolis, 2001.
HAGEMANN, S. E. Avaliação da qualidade da água da chuva e da viabilidade de sua
captação e uso. Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado do Programa de Pós-
Graduação em Engenharia Civil, Área de Concentração em Recursos Hídricos e Saneamento
Ambiental, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM, RS), como requisito parcial para
obtenção do grau de Mestre em Engenharia Civil. 2009. Santa Maria.
HELLER, L.. Qual será o futuro do uso da água nas cidades? 2008. Disponível em:
<http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_11/2008/01/08/em_noticia_interna,id_sessao=11&i
d_noticia=45155/em_noticia_interna.shtml> Acesso em: 20 mar. 2015.
HELLER, L.; PÁDUA, V. L. de. Abastecimento de água para consumo humano. 2ed. Vol.
1. Belo Horizonte: UFMG, 2010.
IBGE, 2010. Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística, Censo 2010. Disponível em:
<http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2010/populacao_por_municipio.sht
m> Acesso em 10 mar. 2015.
LAMBERTS, R. (coord.). Casa eficiente: uso racional da água. Florianopólis: UFSC/
LabEEE, 2010. v. 3.
MAY, S. Estudo da viabilidade do aproveitamento de água de chuva para consumo não
potável em edificações. Dissertação de Mestrado apresentado à Escola Politécnica da USP,
2004. Disponível em: <http://biblioteca.universia.net/html_bura/ficha/params/id/3269100.htm
l>. Acesso em: 29 mar. 2015.
22

MANCUSO, P. C. S.; SANTOS, H. F. dos. Reuso de água. Barueri/SP: Manole, 2003.


SPERLING, M. V. Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de esgotos. 3. ed.
Belo Horizonte: UFMG, 2005.
TELLES, D. D.; COSTA, R. H. P. G. (coord.). Reuso da água: conceitos, teorias e práticas.
São Paulo: Blucher, 2007.
TOMAZ, P. Aproveitamento de Água de Chuva para Áreas Urbanas e Fins não Potáveis.
2007. Disponível em: <http://www.abcmac.org.br/files/simposio/6simp_plinio_agua.pdf>
Acesso em: 05 mar. 2015.
UNIÁGUA, 2015. Universidade da Água. Água no Planeta. Disponível em:
<http://www.uniagua.org.br/> Acesso em: 11 mar. 2015.