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Direito Constitucional Positivo I

Prof: Guilherme Peña

Aula 5

 Art. 36 CF: Processo de decretação da intervenção federal.

Na aula passada abordamos as causas da intervenção federal, artigo 34. Essa aula é sobre o
processo, artigo 36.

Esse artigo, porem, é mal organizado. Dessa forma, havendo uma questão sobre intervenção
federal para ser respondida, a dica é construir um quadro sinóptico, que ajudará nesse
processo.

O objetivo é entender como ele é feito.

Quadro:

Intervenção federal: Espontânea: - art. 34,I;

- art. 34,II;

- art. 34, III;

- art. 34, V;

Provocada: solicitação:

- Poder legislativo: art. 34, IV c/c art. 36,I, inito.

- Poder executivo: art: 34 IV c/c art. 36, I, inito.

Requisição:

- STF: art. 34, IV c/c art. 36, I, in fine.

- STF/ STJ/ TSE/: art. 34, VI, infine c/c art. 36, II.

- STF: art. 34, VII c/c art. 36, III, inito.

- STF: art. 34, VI, initio c/c art. 36, III, in fine.

Quando se fala em intervenção federal, ela se subdivide em intervenção federal espontânea


e intervenção federal provocada.

A intervenção federal espontânea não exige provocação. Basta o presidente ver se há na


realidade os elementos causadores da intervenção e decretá-la de ofício.

A intervenção federal provocada é o contrário. O presidente precisa ser provocado, não


podendo atuar de oficio.

Para entender este gráfico há 3 ideias principais:


1. O artigo 36 regula as formas de provocações. Assim, ele não se volta a todos os casos
do artigo 34. Dessa forma, todas as hipóteses do artigo 34 que estiverem no artigo 36
são de intervenção provocada. E, o que estiver no artigo 34 que não estiver no
artigo36, é intervenção espontânea.
Há 4 hipóteses que estão no artigo 34 e que não é repetido pelo artigo 36, logo, são as
hipóteses de intervenção espontânea:
 Art. 34, I: “manter a integridade nacional”.
 Art. 34, II: “repelir invasão estrangeira ou de uma unidade da Federação em outra”.
 Art. 34, III: “pôr termo a grave comprometimento da ordem pública”.
 Art. 34, V: “reorganizar as finanças da unidade da federação”.

Nesses casos, o presidente identifica a causa e pode decretar a intervenção sem precisar de
provocação, apenas por ofício.

O art. 34, III é o caso que o Rio de Janeiro esta vivendo hoje em dia, calamidade pública. Assim,
teria o presidente a capacidade de decretar de ofício a intervenção federal.

A provocação, pela constituição, se dá de 2 formas: através da solicitação (pedido) e


da requisição (ordem).

Assim, o atendimento da solicitação é um ato discricionário uma vez que, por ser
pedido, o destinatário irá atender se para ele for conveniente e oportuno. Já a
requisição é ordem, sendo o ato que atende a ela um ato vinculado, estando o
destinatário obrigado a cumpri-lo.

Detalhando o art. 36.

2. “no caso do art. 34, IV, de solicitação do Poder Legislativo ou do Poder Executivo
coacto ou impedido,/ ou de requisição do Supremo Tribunal Federal, se a coação for
exercida contra o Poder Judiciário.”

Só existe solicitação no art. 36, I, primeira parte (até a barra). O final do inciso primeiro
e os demais incisos são os casos de requisição.

Assim, na primeira parte do inciso primeiro há dois casos de solicitação. Um é pelo


poder legislativo (art. 34 IV c/c art. 36, I, initio.) e outro pelo poder executivo (art. 34 IV
c/c art. 36, I, initio).

Se o legislativo sofrer coação de algum outro poder de forma a limitar seu livre
exercício, poderá ser solicitada a intervenção. Mas, se essa coação ocorrer em cima do
poder executivo, ele solicitará essa intervenção.

Daqui em diante são só os casos de requisição:

1° caso: Requisição do STF: parte final do artigo 36, I c/c art. 34, IV.
Assim, o poder coagido (legislativo e executivo) vai solicitar ao presidente intervenção
federal. Porem, se essa coação ocorrer contra o judiciário, ele irá comunicar ao STF
que irá requisitar a intervenção federal. A questão chegará, então, ao presidente como
uma ordem e não como um pedido.

 Art. 36, II: “no caso de desobediência a ordem ou decisão judiciária, de requisição do
Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça ou do Tribunal Superior
Eleitoral;”

Há, aqui, outra hipótese de requisição. Essa requisição de dá pelo STF, TSE e STJ. Art.
34, VI infinite c/c art. 36, II

O artigo 34, inciso VI, afirma que será causa da intervenção federal a necessidade de
prover a execução da lei federal, ordem ou decisão judicial.

Assim, quando se descumprir decisões judiciais (ex: precatória), tanto o STF, quanto o TSE,
quanto o STJ poderão requerer a intervenção. Nota-se que cada tribunal irá requerer os casos
competentes a sua matéria. Se a matéria for condicional (constituição), quem requisita é o STF,
se a matéria for legal ou eleitoral (legislação eleitoral), quem requisita é o TSE e,
residualmente, se a matéria for nem legal, nem eleitoral, ou seja, as matérias residuais, quem
requisitará é o STJ (matérias não eleitorais, exemplo: precatória).

Art. 36, III: “de provimento, pelo Supremo Tribunal Federal, de representação do
Procurador-Geral da República, na hipótese do art. 34, VII, e no caso de recusa à execução de
lei federal”.

3. A redação dada a esse inciso é diferente das outras, pois ele fala de representação, ou
seja, uma ação promovida pelo procurador geral da república que, caso seja julgada
procedente, o presidente terá que decretar intervenção. Assim, foi proposta uma ação
pelo STF que se chama ação direta de inconstitucionalidade interventiva.

Princípios sensíveis: art. 34, VII c/c art 36, III.

Art 34,VII: assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais:

a) forma republicana, sistema representativo e regime democrático;

b) direitos da pessoa humana;

c) autonomia municipal;

d) prestação de contas da administração pública, direta e indireta.

e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais,


compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino e
nas ações e serviços públicos de saúde.

Assim, se houver ameaça ou lesão a um dos princípios constitucionais sensíveis, cabe


ao procurador geral da república propor ação no STF para proteção desses.
A ação interventiva é parecida com as demais ações diretas de inconstitucionalidade. Ela
tem por objetivo prevenir ameaça ou reparar danos a princípios sensíveis. Porem, elas
possuem 3 características próprias:

- Hipótese única: Essa ação só é cabível em 1 caso: Ato, estadual ou distrital, que
ameace ou lese os princípios constitucionais sensíveis. Isso ocorre, pois só cabe intervenção
federal sobre estado ou DF. A ação ela pode ter um fim repressivo (paralisar uma lesão em
curso) ou preventivo (prevenir que não ocorra violação aos princípios).

- Legitimação exclusiva: Ações diretas costumam ter nove intimados, pessoas que
podem propor, que esta no art 103. Já, a ação interventiva, só uma pessoa pode propor, o
procurador geral da república.

- Finalidade dúplice: Na adim normal há uma finalidade: o fim jurídico. Já, nas ações
interventivas, há 2 fins: o fim político e o fim jurídico. Assim, nas ações normais o fim jurídico é
a validação (ação de constitucionalidade) ou invalidação (ação de inconstitucionalização) de
um ato. Porem, aqui, como mexeu com princípios sensíveis, assunto muito caro à constituição,
a lei não se satisfaz só com a invalidação do ato, querendo mais. Assim, há um fim político,
que é a decretação de uma intervenção federal.

 Art. 34 VI, initio c/c art. 36, III, in fine: É a outra ação proposta pelo STF para permitir
que a lei seja cumprida.

Nessa hipótese, ultima parte do art. 36, III, havendo descumprimento de uma lei federal,
o STF irá requisitar a intervenção.

Vamos começar a estudar os poderes:

O estudo se dará em 3 partes: estrutura do poder, funcionamento e garantias para os


seus membros.

 Poder legislativo: art. 44 ao art.75.

 Estrutura;
 Funcionamento;
 Garantias para os seus membros;

 Estrutura: ela é dividida em 2 partes: estrutura interna e estrutura externa.

Estrutura externa: como o poder se apresenta perante os outros.

Ela já foi vista quando falamos de bicameralismo.

Câmara dos deputados Senado Federal

 É o órgão de representação popular.  É o órgão de representação


federativa – estados e DF.
 Sistema eleitoral proporcional.  Sistema eleitoral majoritário.

 513 membros com o mandato de 4  81 membros de 8 anos com


anos, sendo possível renovação total. renovação parcial (1/3 ou 2/3).

Faz parte da federação a ideia de bicameralismo, onde o poder legislativo federal pode ser
decomposto em 2 casas que, no Brasil, ganha o nome de câmara dos deputados e senado. Os
poderes legislativos fora da união são unicameral. Os estados têm as assembleias legislativas,
o DF as câmaras legislativas e os municípios as câmaras municipais.

Logo, rever bicameralismo!

Estrutura interna: como a casa esta internamente dividida.

A câmara e o senado têm órgãos parecidos.

Há um gênero chamado casa legislativa, seja senado ou câmara, que se decompõe em 4


partes:

1. Mesa.
2. Comissões:

a. Permanentes.
b. Temporárias: - especial;

– externa;

- inquérito;

3. Serviços auxiliares;
4. Polícia ou guarda;

Plenário não é um órgão, é a reunião de membros da casa ou o espaço físico.

1. Mesa: é órgão diretivo onde administra os trabalhos da casa. Por isso são chamadas
de mesa diretora ou mesa diretiva. Existem as mesas diretivas do senado, da câmara e
do congresso.

2. A casa de fato atua através das comissões, que irão promover as atividades dentro da
casa. Nota-se que elas podem ser permanentes (não esta sujeita a prazo) ou
temporárias (sujeita a prazo).
Comissão permanente = comissão temática; pois o regimento interno elege um tema. Ex:
Comissão de constituição e justiça.

Na câmara e no senado há 16 comissões em cada casa. Elas não são as mesmas, porem
existem em mesmo número.

As comissões temporárias podem ser de 3 tipos:

 Especial: será criada em 2 casos legislativos:

- proposta de emenda à constituição, qualquer que seja a matéria. Logo, ela passará
por todas as comissões já existentes além dessa especial. Isso se deve a importância
da PEC.

- projetos de lei que forem afetos a mais de 3 comissões permanentes. Assim, deve se
verificar a matéria desse projeto de lei. Se ele for afeto à 3 comissões permanentes,
não se cria a comissão especial. No entanto, se ele for afeto à 4 ou mais comissões
permanentes, cria-se a comissão especial.

 Externa: criada em apenas 1 caso: dirigência externa. (investigação feita fora da casa).

Assim, para investigar algo fora da casa cria-se a comissão externa. Ou seja, é criada
para uma investigação pontual.

 Inquérito: A comissão parlamentar de inquérito é criada para inquéritos parlamentares.

Assim, o fato gerador de uma CPI é investigar e concluir um inquérito parlamentar.

3. Serviço auxiliar: é qualquer órgão que desempenha atividades meio da casa.

As atividades fim são feitas pelas mesas e comissões. Já as atividades meios, faxina,
secretária, assessor, secretário... Assim, são serviços auxiliares ou administrativos.

4. Polícia ou guarda: é o órgão que responde pela segurança interna do ressinto. Há a


polícia da câmara, a polícia do senado e a polícia do congresso. A princípio ela não
investiga nada, uma vez que investigação cabe à polícia federal.

A única questão que pode ser feita aqui é: se existe mesa da câmara, do senado e do
congresso e que cada uma dirige seus respectivos trabalhos, a única questão que aqui pode ser
feita é: como é composta a mesa do congresso? E, segundo, caso haja licença de um dos seus
membros, quem substitui?
Mesa do congresso

Presidente 1° vice

2° vice

Mesa da câmara mesa do senado

Assim, a mesa do congresso é composta a partir da presidência do senado em cargos


equivalentes e alternativos.

Assim, o presidente do congresso é o presidente do senado. O primeiro vice, cargo abaixo ao


do presidente, portanto, deverá ser da câmara. O segundo vice, do senado e assim
sucessivamente.

Caso barbárie: o presidente do senado estava de licença. Com isso, dentro do senado, quem
ocupou a presidência foi o primeiro vice. O problema se deu com quem iria ocupar a
presidência da mesa do congresso uma vez que o presidente da câmara se achou no direito, de
forma a propor uma ação, ao passo que o 1° vice do senado também se achou no direito. A
solução dada é que nenhum dos dois ocuparia a presidência já que nem o presidente da
câmara nem o primeiro vice do senado tem espaço na mesa do congresso. Quem ocupou a
presidência foi o primeiro vice da câmara, cargo abaixo do presidente do congresso.

 Funcionamento:

Como funciona a casa. Quando se fala em funcionamento é necessário esclarecer que o poder
legislativo tem 3 grandes funções:

- atribuição representativa: é a atribuição de representar o estado.

A grande matéria vinculada a isso é a incorporação de tratados internacionais na ordem


jurídica brasileira.

- atribuição investigatória: atribuição de investigar.

O grande tema aqui é a comissão parlamentar de inquérito.

- atribuição legislativa: principal atribuição;

O grande tema é como se faz o processo legislativo.

Assim, ele não tem só a função de legislar, pois todo e qualquer poder não tem só funções
típicas mas também funções atípicas.

Vamos decompor esses temas:


 Atribuição representativa: uma das atribuições do legislativo brasileiro é quanto a
representação dos estados.
Ele representa o Brasil nas organizações internacionais.
A partir de 2004, com a emenda 45, passamos a ter uma distinção entre tratados que
versa sobre os direitos humanos ou não. Assim, a partir dai, passou a existir 2 modos
de incorporação de tratados na ordem jurídica brasileira.

Para tratados que não versam sobre direitos humanos, tratados comercial, tributário e
etc, existe um tratamento diferenciado do que aqueles que versam.

Assim, é necessário decidir qual é o seu rito e o seu status.


O rito é para tratados que não versam sobre direitos humanos esta no artigo 49, I, CF e
art. 84, XVIII.

O art. 84 diz as atribuições do presidente, competindo a ele celebrar tratados,


convenções e atos internacionais. Assim, ele irá celebrar o tratado.
Já o art. 49 afirma que compete ao congresso referendar tratados.

Assim, o presidente celebra o tratado e este irá para o congresso, de forma que ele
poderá referendar, ou não, o tratado. Assim, o congresso ao referendar o tratado ele
irá seguir um rito composto de 3 características:

1. Sessão conjunta: assim, não há sessões isoladas, de forma que tanto o senado
quanto a câmara dos deputados farão parte da mesma sessão, a sessão do
congresso.
2. Um turno só: só vota 1 vez.
3. Basta maioria de voto simples para aprovar o tratado.

O rito é simples, igual a uma lei. Assim, quando o tratado não versar sobre os direitos
humanos, o seu status é legal, equivalente a uma lei, já que seus ritos são iguais.

E se a matéria for direitos humanos, qual o rito desse tratado e seu status?