Você está na página 1de 6

Aula 6 - Sociologia

Profª Ms. Cecilia Santos


CONTROLE SOCIAL
Émile Durkheim, um dos principais fundadores da Sociologia, dizia que a construção
do ser social, feita em boa parte pela educação, é a assimilação pelo indivíduo de
uma série de normas e princípios — sejam morais, religiosos, éticos ou de
comportamento — que balizam a conduta do indivíduo num grupo.
É qualquer meio de levar as pessoas a se comportarem de forma socialmente aprovada. É o controle que um grupo social exerce
sobre seus membros, para que não desviem das normas aceitas, muitas vezes é imperceptível, e nós mesmos exercemos certo
controle sobre nossos atos, aflorando um sentimento de culpa quando nos desviamos do que é considerado correto.
O conceito de controle social nasce junto com a Sociologia como ciência. Trata-se de mecanismos de
intervenção de uma sociedade ou grupo social, utilizados para que os indivíduos se comportem de
maneira desejável, de acordo com as regras sociais. Por meio de recursos materiais e simbólicos
aqueles que governam sobre o grupo controlado influenciam o modo de pensar, de ser, valores e
crenças dos indivíduos, com o objetivo de manter determinado ordenamento social.
Toda sociedade ou grupo social necessita de normas e regulamentos que são seguidos pelos indivíduos. Essas normas e
regulamentos são baseados nos valores aceitos na estrutura social.
Foucault estudou as formas de controle social e segundo sua teoria a construção de um indivíduo
dócil, útil e submisso se dá por meio de processos e instituições disciplinadoras, como a escola e o
quartel. Os indivíduos moldados por estas formas de controle social seriam aqueles dóceis e úteis ao
meio social.
As pessoas vivem em organizações sociais, ocupam posições em sua estrutura, internalizam crenças e valores e compartilham
crenças acerca da maneira como as pessoas devem agir. Das ações desenvolvidas em conformidade com essas crenças é que
deriva a ordem social.
A ordem social é necessária para a continuidade da organização social, mas não significa que seja necessariamente boa. "A
organização da sociedade sul-africana durante muitos anos fundamentou-se no apartheid, ou seja, numa política racial
implantada onde a minoria branca, os únicos com direito a voto, detinha todo poder político e econômico no país, enquanto à
imensa maioria negra restava a obrigação de obedecer rigorosamente à legislação separatista. Mas isto não significa que se
deveria concordar com aquele regime".
A ordem social é mantida pelo controle social, ou seja, por todos os meios e processos mediante os quais uma sociedade garante
a conformidade de seus membros às suas normas. Essa conformidade é obtida de várias formas, das quais destacamos três
processos de controle: socialização, pressão grupal e uso da força.
Socialização
Constitui a principal forma de controle social. Ela molda os costumes, hábitos e desejos. À medida que são socializadas, as
pessoas dispõem-se mais facilmente a desempenhar seus papeis da maneira esperada. Passam também a ter o desejo de fazer o
que é necessário que façam e, por consequência, submetem-se mais espontaneamente as normas sociais. Graças à socialização,
os membros da sociedade tendem a apresentar os mesmos costumes e a desenvolver o mesmo conjunto de habitos.
Pressão grupal
O controle social também é obtido pela pressão que os grupos exercem sobre seus membros para se ajustarem as suas
expectativas. Os individuos que ocupam posições num grupo sentem necessidade de aceitação dentro desse grupo. Nos grupos
primários o controle costuma ser informal e espontâneo, por exemplo: quando um aborrece ou irrita os outros, estes
demonstram seu desagrado através de risos, de criticas e mesmo do afastamento. Já quando o comportamento de um membro é
reconhecido como adequado, os demais tendem a recompensá-lo com a demonstração de sua aceitação pelo grupo. Nos grupos
secundários os controles costumam ser mais formais e menos coercitivos. “Nenhuma pessoa deseja parecer ridícula num
banquete ou num culto religioso”. Nessas situações, as pessoas procuram se conformar às normas, pois poderão ser vitimas de
sorrisos irônicos, murmúrios ou mesmo de "esfriamento". Esses grupos proporcionam um controle social efetivo, sendo eles
mais eficazes quando reforçados pelos grupos primários.
Controle pela força
As sociedades mais simples conseguem controlar o comportamento de seus membros por meio dos costumes e normas
reforçadas por controles informais. As populações maiores e culturalmente mais complexas requerem a existência de governos e
punições formais. Quando existe a possiblidade de seus membros se tornarem excessivamente anônimos, os controles informais
tornam-se inadequados e passa-se a requerer controles formais. Nas sociedades maiores e mais complexas existe a possiblidade
de se formarem subculturas que colidem com a cultura da maioria. Por essa razão, as sociedades tendem a usar a força – sob
forma de leis e punições formais – para compelir seus membros à conformidade exigida. Nem sempre o uso da força leva ao
êxito, mas é um fenômeno que tende a ocorrer nas sociedades complexas.

1
Aula 6 - Sociologia
Profª Ms. Cecilia Santos
O controle social é eficiente na medida em que os indivíduos não apenas baseiam suas ações no cálculo das recompensas e
punições socialmente previstas, mas também acreditam na legitimidade das regras socialmente impostas. Isto é possível com a
interiorização dos valores e das crenças que fundamentam as normas.
O controle social é baseado em valores relacionados a cada sociedade em particular. Com o rápido processo de globalização,
estão sendo estabelecidos valores universais, como o respeito à vida, aos direitos humanos, a preservação do meio ambiente, o
repúdio à escravidão e à exploração de crianças, etc., no entanto várias regiões do planeta ainda se matam seres humanos pelos
motivos mais fúteis, ocorre tortura sistemática nas prisões, destrói-se a natureza visando unicamente o lucro fácil, persiste a
escravidão, inclusive de crianças.
Os Valores Sociais
São características que a sociedade elege como desejáveis e variam conforme a sociedade.
Valores universais: Respeito à vida; Direitos humanos; Preservação do meio ambiente; Repúdio à escravidão; Repúdio à
exploração de crianças.
Os valores variam com as civilizações e, no interior de uma mesma civilização com os grupos, as camadas e as classes sociais.
Do mesmo modo, os valores variam com o tempo, em uma mesma civilização e nos grupos sociais. Os valores determinam, em
uma civilização, aquilo para o qual vale a pena viver e, eventualmente, morrer. Os valores, quando estão fortemente
interiorizados, fazendo parte da vida cotidiana dos indivíduos, de tal forma que os consideram normais, podem justificar atos que
em outras sociedades seriam julgados como absurdos. Os brasileiros, de um modo geral, consideram que os muçulmanos que se
transformam em homens-bomba são malucos suicidas; no entanto, em suas sociedades, tais homens são considerados heróis,
mártires que morreram em nome de uma boa causa, e suas famílias ascendem na hierarquia social por um dos seus ter atingido
esse estágio de abnegação.
O QUE É HERÓICO NUMA SOCIEDADE É CONSIDERADO INSANO EM OUTRA.
Punições e Recompensas
Atuam sobre o comportamento do indivíduo na medida em que são dotados de um significado subjetivo para ele. Somente
possuem um sentido quando partem de grupos com os quais eles se identifiquem e dos quais dependam para satisfazer a
necessidade de aceitação social. As sanções positivas (recompensas) ou negativas (punições) são os instrumentos universais de
controle social, ao lado da socialização.
Os Símbolos e o Processo de Socialização
Os símbolos constituem-se em instrumentos que a sociedade ou os grupos sociais utilizam para promover a conformidade da
maioria de seus membros os seus padrões de valor e comportamento. Podem ser fenômenos, pessoas ou atos, pelos quais os
membros de uma sociedade identificam valores e padrões sociais que os orientam em seu cotidiano. Por exemplo, pode-se
interpretar como uma manifestação divina que exige um sacrifício humano a ocorrência de uma erupção vulcânica. Os hinos
patrióticos e gestos como a saudação fascista ou o beija-mão representam valores de determinadas sociedades. A mesa de um
diretor de empresa simboliza sua posição hierárquica superior.
Normas: Alcance e Aplicação
Todo sistema social compreende necessariamente um sistema de símbolos, valores e normas que dá sentido e orienta as ações
dos indivíduos na satisfação de suas necessidades. Algumas normas aplicam-se a todos os indivíduos, indiscriminadamente
(padrões universais da cultura), um grande número de normas vale apenas para alguns indivíduos de acordo com a sua posição
no sistema social de acordo com as posições sociais.
Quando os valores se transformam em “normas e costumes”, asseguram a regulamentação da vida dos indivíduos e dos grupos
de uma sociedade.
VALORES  NORMAS E COSTUMES  REGULAMENTAM A VIDA DOS INDIVÍDUOS E GRUPOS
Uma norma válida em determinada situação pode não ser aplicável a outra. A obrigação de respeitar a vida do próximo na
maioria das sociedades é válida para situações de paz, não é válida na guerra, nessa situação tem o dever de eliminar o outro em
decorrência da defesa da pátria. Nas sociedades patriarcais, onde são atribuídos maior prestígio, poder e autoridade aos homens
em relação às mulheres, o adultério feminino dá ao homem, mais que o direito, o dever de punir a mulher com a morte.
Os hábitos e costumes são as maneiras normais e frequentes de um grupo fazer as coisas e que, de um modo geral, não fazem
parte da nossa herança genética. Exemplo: levantar o polegar direito em nosso país quer dizer que está tudo bem, é sinal de
positivo, mas em outros países tal gesto poderá ser considerado uma grave agressão à outra pessoa ou um convite para um
relacionamento gay, como na Turquia.
Há hábitos e costumes que são considerados tão importantes para o funcionamento das sociedades que são procedimentos
institucionalizados para garantir que sejam seguidos.
Uma norma deve ser entendida como “uma obrigação social” à qual o individuo está submetido. Quando em um grupo existe
uma norma, seus membros estão prontos a aplicar sanções e a intervir quando ela é infringida.
Podemos dizer que as normas são idéias muito fortes do que é certo e do que é errado, as quais exigem dos indivíduos certos
atos e proíbem outros.
2
Aula 6 - Sociologia
Profª Ms. Cecilia Santos
De modo geral, os membros de uma sociedade partilham da convicção de que a violação de suas normas lhes causará algum tipo
de problema. Ao mesmo tempo, para os membros de outra sociedade, essas normas poderão parecer sem sentido.
Normas Explícitas e Implícitas
Alguns princípios são formulados por meio de normas explicitas (verbalmente expressas); outros correspondem a normas
implícitas (não formuladas através da palavra).
O poder de coerção de uma norma pode muito bem ser medido pelos sentimentos de culpa que a sua violação desencadeia no
transgressor.
Normas não expressas verbalmente podem ter um alto poder de controle por exercerem alto poder de coerção. Pela pressão sobre
os indivíduos através de sentimentos de obrigatoriedade.
Muitas vezes agimos de determinada maneira não em cumprimento de alguma norma claramente formulada em termos verbais
na nossa consciência, mas impelidos por sentimentos coercitivos de que devemos agir de certo modo e não de outro.
O poder das normas implícitas tende a ser muito alto precisamente pelo fato de exercerem sua força através de sentimentos de
obrigatoriedade muito arraigados na personalidade e dos quais, em geral, os indivíduos não têm consciência muito clara.
As normas explícitas de maior poder de coerção são exatamente aquelas que, além de serem registradas a nível consciente na
mente dos indivíduos, através de formulações verbais, atuam sobre as pessoas em nível não consciente, por meio de sentimentos
de obrigatoriedade.
As normas explícitas são transmitidas por meio da linguagem verbal, as normas implícitas são passadas de uma geração a outra
pelo comportamento padronizado. Percebendo que os adultos à sua volta agem sempre de determinado modo em determinadas
situações, a criança termina por desenvolver a idéia e o sentimento correspondentes de que é daquele modo que as pessoas, em
situações análogas, devem agir. Desse modo, são registradas, sem a mediação dos símbolos verbais, as normas implícitas na
mente dos indivíduos.
O Sagrado e o Secular: Mores e Folkways
Podemos observar que nas sociedades as normas sociais não possuem o mesmo grau de importância para os indivíduos. Se
algumas normas são tidas como invioláveis, já outras são vistas como de menos importância e sua transgressão chega mesmo a
ser tolerada.
Nenhuma norma social é por si mesma mais importante ou mais severa do que outra. Uma norma é mais importante do que
outra, em uma sociedade, na medida em que é percebida como tal. Mas por serem percebidas como mais importantes é que elas,
de fato, se tornam mais importante na sociedade, pois o modo como as pessoas percebem e julgam coletivamente as coisas tende
a se refletir na prática das relações sociais.
Achar que uma norma é inviolável significa acreditar que a sua transgressão põe em risco a integração da própria sociedade.
Essas normas são denominadas sagradas, também conhecidas como Mores.
A diferença entre Folkways e Mores está no grau de importância.
As mores são também denominadas de Sagradas representam as normas mais importantes ou severas numa sociedade. Sua
transgressão significa por em risco a integração da própria sociedade, acarretando então punições muito severas. Exemplo- um
judeu ortodoxo que viole o tabu que proíbe todos os indivíduos pertencentes a essa categoria social comer carne de porco. O
católico praticante que resolva comer carne na sexta-feira da Paixão. A violação dessas normas tende a ser punida de modo
severo e danoso aos sentimentos de autoestima dos transgressores.
Já as normas seculares (folkways) são tidas como menor importância pelos indivíduos e não acarretam, portanto, punições
danosas ou severas. As normas de alimentação, principalmente as religiosas, pertencem ao domínio dos folkways. Se uma pessoa
decide adotar um regime alimentar contrario as normas culturais de alimentação da sua sociedade, o da macrobiótica, por
exemplo, provavelmente não será alvo de punições muito danosas à sua autoestima.
Normas, Padrões e Expectativas de Comportamento
A norma é um princípio ideal de obrigatoriedade e do qual os indivíduos podem estar ou não conscientes.
Os padrões de comportamento são regularidades observáveis de ação associadas a determinadas situações.
As normas sociais tendem a se concretizar no comportamento através de ações regulares previsíveis.
A norma é um princípio ideal de obrigatoriedade e do qual os indivíduos podem estar ou não conscientes.
Os padrões de comportamento são regularidades observáveis de ação associadas a determinadas situações.
As normas sociais tendem a se concretizar no comportamento através de ações regulares previsíveis.
As normas implícitas são transmitidas através das regularidades percebidas pelos indivíduos no comportamento dos outros. Nem
todo padrão de comportamento resulta na interiorização de normas. As normas dão origem a expectativas de comportamento em
virtude da interiorização de regularidades de ação associadas a determinadas situações, exemplo: saber que o outro nos
cumprimentará de determinada maneira ao nos encontrar é uma expectativa de comportamento.
Expectativas prescritivas ou morais: são as derivadas das normas, explícitas ou implícitas;
Expectativas preditivas ou fatuais: dizem respeito ao que os indivíduos devem fazer, ao modo como eles devem agir, estão
associadas a sentimentos de dever-ser decorrentes da interiorização de normas coletivamente partilhadas.
3
Aula 6 - Sociologia
Profª Ms. Cecilia Santos
Controle Social, Anomia, Mudança e Contato Cultural
Anomia- ausência de normas sociais, que conduz à desorganização social. “A anomia é um estado de espírito no qual o senso de
coesão social – mola principal da moral – está quebrado ou fatalmente enfraquecido”.
Situações anômicas: são as que os indivíduos são privados de orientações normativas consistentes para a sua ação, o senso de
identidade grupal decresce, a coesão social é enfraquecida e o controle social se torna pouco eficiente.
As sociedades submetidas a rápidas transformações e as expostas a contatos intensos com a cultura de outras sociedades são
mais suscetíveis à anomia. As normas, os valores, as crenças e as atitudes importadas podem ser inconciliáveis às condições
intersubjetivas nas quais os indivíduos foram socializados. Neste contexto, se torna difícil para o indivíduo orientar suas ações
por alguma norma e se sentir como um membro do grupo. Em uma sociedade em estado de anomia, as pessoas estão
predispostas a seguir uma liderança carismática que lhes indique novos valores e que, de um modo geral, o líder personifica.
Aqui, a anomia possui uma dimensão que pode ter um resultado positivo ou negativo. A sociedade alemã, no inicio da década de
1930, em profundo estado de anomia, com a economia desorganizada, as instituições políticas enfraquecidas e a disputa radical
entre os valores da esquerda e da direita, tornou-se receptiva aos valores defendidos pelo Partido Nazista personificados no seu
líder Adolf Hitler.
Quando os indivíduos vivem uma situação de anomia, perdem o sentido de pertencer ao grupo. As normas do grupo não dirigem
seu comportamento e, por algum tempo, não encontram nenhuma norma que as substitua. Não abandoam totalmente as normas
da sociedade, mas afastam-se, e não se identificam com as demais normas.
Anomia, Metas Culturais e Meios Institucionalizados.
Segundo Durkheim, anomia é o enfraquecimento das normas em uma dada sociedade, e é uma desorganização tal de uma
sociedade, ou de um grupo social, que enfraquece a integração dos indivíduos que não sabem quais normas deverão ser seguidas.
Anomia: “Quando há uma disjunção aguda entre as normas e metas culturais e as capacidades socialmente estruturadas dos
membros do grupo em agir de acordo com as primeiras”.
Condutas anômicas são aquelas que o indivíduo adota quando se vê privado das referências e dos controles que organizam e
limitam seus desejos e aspirações - são condutas marginais e, de um modo geral, ligadas à violência.
Dois elementos são de imediata importância no condicionamento humano: as metas culturais e os meios institucionalizados.
Metas culturais: consistem em objetivos culturalmente definidos, de propósitos e interesses, mantidos como objetivos legítimos
para todos, ou para membros diversamente localizados da sociedade. São aqueles objetivos, que mesmo parecendo ao próprio
individuo como se fossem derivados de objetivos absolutamente pessoais, na realidade são culturais e foram transmitidos aos
seus portadores pela socialização, ex: “O sucesso na vida” expresso através de bens materiais. A busca e a realização dessas
metas são socialmente reguladas pelos meios institucionalizados. Para cada meta cultural existem procedimentos permissíveis
para a sua busca.
Desvio
Pode-se definir desvio como uma ação que viola uma norma social. Assim, qualquer comportamento considerado ilegal, imoral
ou excêntrico pode ser considerado desvio. O comportamento desviante não é necessariamente bom nem mau. Tantos os santos
quanto os pecadores são pessoas que violaram normas em cada sociedade que viveram. Comportamentos desviantes são todos
aqueles que não são convencionais, que vão desde entrar descalço numa loja de luxo ou jogar dados enquanto se assiste a uma
missa, até consumir drogas ilegais ou cometer homicídios.
Nenhum comportamento é intrinsecamente desviante. Cada grupo tem a sua própria maneira de definir o que é normal e,
encontra razões para justificar sua posição. Há algumas formas de comportamento que podem parecer extremas ou exóticas e
que não são consideradas desviantes em algumas culturas, por exemplo: canibalismo, infanticídio, poligamia, comida elaborada
com carne de cachorro.
Não se pode considerar o desvio como simples questão de ponto de vista, ele se constitui numa reconhecida violação de normas
culturais é o comportamento que viola padrões de conduta ou expectativas de um grupo ou sociedade.
Causas do desvio
Uma das grandes preocupações dos pesquisadores tem sido a de identificação das causas do desvio. Ao longo dos últimos anos
surgiram muitas teorias desenvolvidas por psiquiatras, psicólogos, sociólogos e antropólogos com vistas a esclarecer não
somente por que algumas pessoas violam as normas, mas também por que muitas se conformam com elas.
Crime
É a violação da lei criminal que enseja a aplicação de penalidades formais por autoridades governamentais. Representa um
desvio das normas sociais formais administradas pelo Estado. As leis classificam os crimes em diversas categorias, de acordo
com a gravidade da ofensa, da idade do criminoso, a extensão da pena e a instancia de julgamento. Os sociólogos classificam os
crimes de acordo com as razoes que determinam sua ocorrência e como a sociedade os avalia.
Crime profissional: O criminoso profissional é quem pratica crimes como ocupação diária, desenvolvendo habilidades e
granjeando certo status entre outros criminosos.

4
Aula 6 - Sociologia
Profª Ms. Cecilia Santos
Crime organizado: É o trabalho realizado por organizações que têm por finalidade obter poder e lucro transgredindo as leis
das sociedades, por exemplo: tráfico de drogas, contrabando, jogos de azar, corrupção pública e privada, venda de proteção
e outras atividades ilegais.
Crime do colarinho branco: É cometido por pessoas que ocupam altas posições no âmbito de suas ocupações
profissionais. Dentre as principais modalidades de crime desta natureza estão: sonegação de impostos, manipulação de
estoques, fraude contra o consumidor, suborno, desfalque e publicidade enganosa.
Crime corporativo: É a ação ilegal cometida por uma corporação ou por pessoas agindo em seu nome, por exemplo: a
comercialização consciente de produtos com defeitos ou perigosos para a saúde, a manipulação de mercados, o uso indevido
de informação privilegiada e a poluição do ambiente.
Crime sem vitima: É aquele que não se identifica uma pessoa que tenha sofrido danos em virtude de sua ocorrência.
Incluem-se entre esses crimes: violação às leis de decência pública, embriaguez em público, prostituição, consumo de
drogas ilícitas, jogo e pornografia. A definição dessa modalidade de crime é assunto controverso porque, na maioria dos
casos, as partes envolvidas consentem no ato.
Referência
• DIAS, Reinaldo. Introdução á sociologia. São Paulo: Pearson, 2009. Capitulo 7 .
• GIL, Antônio Carlos. Sociologia Geral. São Paulo: Atlas, 2011. Capitulo 9.
• VILA NOVA, Sebastião. Introdução à sociologia. São Paulo: Atlas, 2009 Capítulo 4.
Para refletir

5
Aula 6 - Sociologia
Profª Ms. Cecilia Santos

A polícia matou o estudante. Falou que era bandido,


Até Quando?
chamou de traficante. A justiça prendeu o pé-rapado
Gabriel Pensador Soltou o deputado e absolveu os PM’s de Vigário
Composição: Gabriel o Pensador; Itaal Shur; Tiago (Refrão x2)
A polícia só existe pra manter você na lei
Mocotó
Lei do silêncio, lei do mais fraco:
Ou aceita ser um saco de pancada ou vai pro saco
Não adianta olhar pro céu com muita fé e pouca luta
A programação existe pra manter você na frente
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e
Na frente da TV, que é pra te entreter.
muita greve
Que pra você não ver que programado é você
Você pode e você deve, pode crer
Acordo num tenho trabalho, procuro trabalho, quero
Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver
trabalhar. O cara me pede diploma, num tenho
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus
diploma, num pude estudar. E querem que eu seja
sofreu Num quer dizer que você tenha que sofrer
educado, que eu ande arrumado que eu saiba falar.
Até quando você vai ficar usando rédea
Aquilo que o mundo me pede não é o que o mundo
Rindo da própria tragédia?
me dá
Até quando você vai ficar usando rédea
Consigo emprego, começo o emprego, me mato de
Pobre, rico ou classe média?
tanto ralar. Acordo bem cedo, não tenho sossego nem
Até quando você vai levar cascudo mudo?
tempo pra raciocinar. Não peço arrego mas na hora
Muda, muda essa postura
que chego só fico no mesmo lugar. Brinquedo que o
Até quando você vai ficando mudo?
filho me pede num tenho dinheiro pra dar
Muda que o medo é um modo de fazer censura
Escola, esmola, Favela, cadeia
(Refrão)
Sem terra, enterra
Até quando você vai levando porrada, porrada?
Sem renda, se renda.
Até quando vai ficar sem fazer nada?
Não, não
Até quando você vai levando porrada, porrada?
(Refrão x2)
Até quando vai ser saco de pancada?
Muda, que quando a gente muda o mundo muda com
(Repete refrão)
a gente. A gente muda o mundo na mudança da
Você tenta ser feliz, não vê que é deprimente
mente
Seu filho sem escola, seu velho tá sem dente
E quando a mente muda a gente anda pra frente.
Você tenta ser contente, não vê que é revoltante
E quando a gente manda ninguém manda na gente.
Você tá sem emprego e sua filha tá gestante
Na mudança de atitude não há mal que não se mude
Você se faz de surdo, não vê que é absurdo
nem doença sem cura
Você que é inocente foi preso em flagrante
Na mudança de postura a gente fica mais seguro. Na
É tudo flagrante
mudança do presente a gente molda o futuro
É tudo flagrante
(Refrão x2)