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Princípios da Lubrificação –

Tribologia, Reologia, Aditivos e


Ensaios de Caracterização de
Lubrificantes

Luiz Fernando M. Lastres


PETROBRAS/CENPES/PDAB/LPE
lastres@petrobras.com.br
Julho de 2012
SUMÁRIO
• 1º Dia
• Princípios da Lubrificação, Tribologia - Luiz
• Princípios da Lubrificação, Reologia - Luiz
• Óleos Básicos Minerais - André
• Óleos Básicos Sintéticos - André
• Aditivos - Luiz
• Ensaios de Caracterização - Luiz

• 2º Dia
• Óleos de Transmissão - André
• Óleos de Motor – Luiz

• 3°Dia
• Ensaios em Motores - Luiz
• Mitos da Lubrificação - Luiz
Princípios da Lubrificação, Tribologia
O que é Tribologia?
Ciência que estuda a interação entre
superfícies com movimento relativo
• Existem vários tipos de sistemas tribológicos envolvendo sólidos com
movimento relativo e sob carregamentos distintos.

Deslizamento Rolamento Engrenamento

• Tais movimentos resultam sempre em perdas por atrito e desgaste


das superfícies
• A Tribologia é o entendimento, análise, controle e a previsão
desses fenômenos entre as superfícies
FUNÇÃO DO LUBRIFICANTE

A principal função de um lubrificante é a formação de uma película que impede o


contato direto entre duas superfícies que se movem relativamente entre si.
Com isso, o atrito entre as partes é reduzido a níveis mínimos quando comparado ao
contato direto, exigindo uma menor força e evitando o desgaste dos corpos.
Com a evolução dos lubrificantes, estes passaram a acumular novas funções como
proteção contra a corrosão, auxílio à vedação, transferência de calor e retirada de
produtos indesejáveis do sistema, entre outras.
Definição Básica do Atrito

Na figura abaixo é mostrado o exemplo básico que gerou a


definição do atrito. FAC = µc . N

Onde, FAC é a força de atrito cinético, µc o coeficiente de atrito


cinético e N a força normal que comprime as superfícies. O
coeficiente de atrito que acontece entre um par de materiais em
diferentes situações é relativamente bastante variável.
Relação entre o tipo de movimento, o
coeficiente de atrito e o desgaste

Movimento Coeficiente de atrito Desgaste


Atrito seco -Deslisamento 0,300 Alto
Atrito seco -Rolamento 0,005 Muito baixo
Atrito misto 0,005 a 0,300 Significativo
Atrito Fluido 0.005–0.100 Praticamente Nulo
Tipos de Contato entre Superfícies

Contato Conforme

Trata-se do contato entre superfícies com área nominal extensa e não


dependente da deformação elástica dos materiais.
Normalmente, nesses casos as pressões máximas nominais são bem
mais baixas, do que as que acontecem em contatos curvos.

Exemplo de componentes de máquinas que apresentam contatos


conforme:
 guias planas,
 guias circulares,
 mancais de deslizamento (radiais e axiais),
selos mecânicos,
 freios, etc.
Tipos de Contato entre Superfícies
Contato Não-Conforme
Trata-se do contato entre superfícies com diferentes raios de curvatura .
Casos clássicos são os contatos entre duas esferas e entre dois cilindros

Nesses dois casos haveria teoricamente uma área nula de contato, porém
o modelo de Hertz , que é o mais utilizado, prevê a deformação elástica das
superfícies.
Tipos de Contato entre Superfícies
Contato Não-Conforme
No caso do contato entre duas esferas, é criada uma área circular devido à
deformação elástica e é denominada ponto-contato.

No contato entre dois cilindros, é criada uma área retangular, que é


denominada linha-contato.

A pressão máxima desta


distribuição é a Pressão
de Hertz
REGIMES DE LUBRIFICAÇÃO

• Hidrodinâmico;

• Elastohidrodinâmico - Misto ;

• Limítrofe;

Obs: Muitas vezes se verifica mais de um tipo de


lubrificação em uma mesma máquina
Lubrificação Hidrodinâmica

Duas superfícies conformes estando uma parada e outra em


movimento. Quando o deslizamento ocorre o lubrificante é bombeado
para as folgas formando um filme hidrodinâmico.

lubricant supply

sleeve

fluid film
(a) pressure shaft

lubricant
supply

(b)
fluid film
pressure

Espessura do filme de óleo ~ 1 to 100 µm


Lubricação Elastohidrodinâmica
Duas superfícies não conformes rolando / deslizando contra a outra. São
desenvolvidas elevadas pressões de contato acarretando em deformação
elástica das superfícies e elevação exponencial da pressão do lubrificante.
Como consequência um filme fino de lubrificante é formado apesar da
elevada pressão.

Espessura do filme de óleo ~0.1 to 1 µm


Lubrificação Limítrofe
O sistema é lubrificado, mas o filme de óleo é muito fino para manter
as superficies separadas. Nesses casos os aditivos do óleo lubrificante
são absorvidos ou reagem com as superfícies de modo a formar uma
fina camada protetora para reduzir/evitar o desgaste.

Espessura do filme de óleo ~ 1 to 100 nm


Curva de Stribeck

Friction coefficient
Tribologia Reologia

fluid-film
boundary mixed

(speed*viscosity) ∝ film thickness


Princípios da Lubrificação, Tribologia
O que é Reologia?
Ciência que estuda o escoamento de fluidos devido à
ação de uma tensão de cisalhamento
Escoamento Newtoniano

É definido para os escoamentos nos quais a viscosidade é constante


e independente da taxa de cisalhamento.
Nesse caso, se o escoamento é laminar há, no campo de
velocidades, um gradiente da velocidade escalar proporcional à
tensão de cisalhamento.
Escoamento Não-Newtoniano
Ocorre quando a viscosidade varia com a taxa de cisalhamento. Em geral a
viscosidade de óleos lubrificantes aditivados com polímeros é reduzida com o
aumento da taxa de cisalhamento.
VISCOSIDADE CINEMÁTICA - ASTM D 445

Propriedade mais importante dos óleos lubrificantes pois está


relacionada diretamente à formação da película que irá se
interpor entre duas superfícies.

A viscosidade de um fluido é a medida da resistência ao fluxo,


que é função da força necessária para haver deslizamento
entre suas moléculas.

Volume fixo de amostra em um tubo calibrado em um banho


com temperatura controlada. Mede-se o tempo para que o
volume escoe sob gravidade através do capilar do viscosímetro
e calcula-se a viscosidade com a constante de calibração do
viscosímetro
VISCOSIMETROS CANNON-FENSKE
Tipos de Viscosímetros Capilares
ÍNDICE DE VISCOSIDADE - ASTM D 2270

variação da viscosidade do lubrificante com a temperatura


Viscosidade

IV alto – visc. OK

IV baixo – alta visc.

IV baixo – baixa visc.


0°C 10°C 100°C
Instrumentos de Medição de Viscosidade Dinâmica

A viscosidade é medida pela velocidade angular de uma parte


móvel separada de uma parte fixa pelo líquido. Nos viscosímetros
de cilindros concêntricos, a parte fixa é, em geral, a parede do
próprio recipiente cilíndrico onde está o líquido. A parte móvel pode
ser no formato de palhetas ou um cilindro. Nos viscosímetros
de cone-placa, um cone é girado sobre o líquido colocado entre o
cone e uma placa fixa
VISCOSIDADE APARENTE NO CCS
(Cold Cranking Simulator) – ASTM D 5293

 Simulação da partida a frio nos motores de combustão interna


(crankability). Quanto mais alta a viscosidade do óleo, maior a
resistência que este oferecerá ao conjunto. Como o sistema de
partida dos motores, bateria, motor de arranque, etc, está
dimensionado para um determinado esforço, se a resistência para
mover o motor for maior, a partida não ocorrerá.

 Este ensaio mede viscosidades entre 500 e 10.000 cP em


temperaturas entre -5 e -30 oC sob tensões de cisalhamento de
aproximadamente 50.000 a 100.000 Pa e taxas de
cisalhamento entre 104 e 105 s-1 (altas).
 Amostra é colocada em um conjunto cuba / rotor e resfriada até a
temperatura de teste. Aciona-se o rotor, mede-se sua velocidade
e calcula-se a viscosidade aparente do óleo com base em uma
calibração realizada previamente com óleos de referência.
VISCOSIDADE APARENTE NO MRV
(Mini Rotary Viscometer) – ASTM D 4684

 Problemas no bombeamento de óleo com histórico na América


do Norte, onde turistas iam acampar nos fins de semana em
regiões bastante frias, Chegavam ao local com seus carros
aquecidos, os quais eram desligados e assim permaneciam até
o retorno para casa, o que acontecia 48 h após. As parafinas
presentes nos óleos lubrificantes cristalizavam e, ao ligar o
motor, estes cristais não permitiam fluxo adequado no sistema
de lubrificação, gerando problemas de bombeamento
(pumpability).
Amostra colocada em um conjunto cuba / rotor é inicialmente aquecida a 80 ºC,
sendo então resfriada a uma taxa de resfriamento programada até a temperatura
final de teste. Um torque baixo é aplicado ao eixo do rotor para medir a tensão de
escoamento e um torque mais elevado é aplicado para determinar a viscosidade
aparente da amostra. As medidas de viscosidade são feitas a uma tensão de
cisalhamento de 525 Pa sob uma taxa de cisalhamento de 0,4 a 15 s-1 (baixa).
VISCOSIDADE APARENTE NO HTHS
(High Shear High Temperature) – ASTM D 4624

 Ensaio simula uma condição de alta taxa de cisalhamento e de


elevada temperatura como a que se verifica no contato do eixo de
comando com os cames e na região dos anéis, em condições
severas de serviço (altas cargas e rotações).

 Nos fluidos Newtonianos, a viscosidade não se altera com a


variação da taxa de cisalhamento. Todavia, os fluidos não
Newtonianos (ex.óleos multiviscosos) apresentam uma
viscosidade baixa quando submetidos ao alto cisalhamento devido
a alterações sofridas nas estruturas poliméricas dos aditivos
empregados como MIV`s.
Neste ensaio determina-se a
viscosidade do óleo a 150ºC,
sob uma taxa de cisalhamento
de 106 s-1, forçando o fluxo da
amostra por um capilar através
da pressurização da amostra com
nitrogênio. O resultado
representa a perda temporária de
viscosidade que é função da
concentração do MIV, do
tamanho e da estrutura do
polímero e da distribuição de
peso molecular.
Classificação de Visc. SAE J300

Grau Viscosidade Viscosidade (Alta Temperatura)


SAE (Baixa Temperatura) Cinemática (100°C)
HTHS, cP (150°C)
J300 CCS MRV Min. Max.

0W 6200 cP a - 35°C 60.000 cP a - 40°C 3.8 cSt - -

5W 6600 cP a - 30°C 60.000 cP a - 35°C 3.8 cSt - -


10W 7000 cP a - 25°C 60.000 cP a - 30°C 4.1 cSt - -
15W 7000 cP a - 20°C 60.000 cP a - 25°C 5.6 cSt - -
20W 9500 cP a - 15°C 60.000 cP a - 20°C 5.6 cSt - -
25W 13.000 cP a - 10°C 60.000 cP a - 15°C 9.3 cSt - -
20 5.6 cSt < 9.3 cSt 2.6
30 9.3 cSt < 12.5 cSt 2.9
40 12.5 cSt < 16.3 cSt 3.5 (0W-40, 5W-40 e 10W-40)
40 12.5 cSt < 16.3 cSt 3.7(15W-40, 20W-40, 25W-40 e 40)
50 16.3 cSt < 21.9 cSt 3.7
60 21.9 cSt < 26.1cSt 3.7
Aditivos
ADITIVOS - Substâncias adicionadas para melhorar ou
conferir propriedades aos óleos básicos

Mecanismos de ação:
1. Modificando as propriedades do óleo básico;
2. Protegendo as superfícies do equipamento;
3. Protegendo os óleos básicos.

Aditivos mais comuns para os óleos de motor:


1. Melhoradores de índice de viscosidade (MIV),
Abaixadores de Ponto de Fluidez;
2. Antidesgaste, Anticorrosivos, Detergentes /
Dispersantes, inibidores de corrosão;
3. Antioxidantes e Antiespumantes

Em geral trabalha-se com pacotes contendo 2 e 3


ADITIVOS

Requisitos básicos para um bom desempenho:

• Boa solubilidade nos óleos básicos;

• Estabilidade química;

• Compatibilidade entre si e com os básicos;

• Toxicidade baixa;

• Baixa volatilidade;

• Outras propriedades como cor e odor que não são


fundamentais mais são também importantes.
Evolução dos aditivos
Estrutura dos Aditivos
Em geral possuem uma parte polar que é a parte ativa
(contém oxigênio, enxofre, nitrogênio, fósforo) e uma
parte apolar (oleofílica) composta por uma cadeia de
carbono e hidrogênio
ANTIOXIDANTES

• Processo de Oxidação: Reação dos HC’s com O2 formando


peróxidos e hidroperóxidos e posteriormente álcoois, cetonas,
aldeídos, ácidos carboxílicos e outros compostos com oxigênio.

• Efeitos da oxidação: aumento da acidez do óleo, elevação da


viscosidade e finalmente a formação de vernizes e borras.

• Ação dos inibidores de oxidação: captura de radicais peróxido ou


decomposição dos hidroperóxidos.

• Composto mais empregado: Ditiofosfato de Zinco (ZnDTP)

Atenção: O fósforo está sendo limitado


devido a apassivação de catalisadores
ANTIOXIDANTES
 Comparação de Resultados
 Neutro Pesado REDUC

Concentração de Antioxidante, %p Bomba Rotatória ,


minutos

0 38
0,1 Fenólico 65
0,2 Fenólico 135
0,2 Amínico 187
0,4 Amínico 363
0,2 Fenólico + 0,4 Amínico 776
ANTIDESGASTE

Desgaste:
• Corrosivo – Neutralização de ácidos (detergentes);
• Abrasivo - Filtração do óleo e do ar de admissão;
• Contato metal-metal – Filme protetivo.

Obs: Como ambos o ZnDTP e os detergentes têm uma atração muito


forte por metais, esses devem ser bem balanceados nos pacotes

Tipo mais comum de aditivo antidesgaste - ZnDTP


ANTIDESGASTE – Absorção física ou química
EFEITO DO ANTIDESGASTE

Quanto maior o teor de antidesgaste menor é o


diâmetro da cicatriz do ensaio Quatro Esferas
Desgaste

Teor de Antidesgaste, %p Resultado Quatro Esferas


Desgaste, mm
0,80 0,42
0,90 0,40
1,0 0,36
DETERGENTES

• Usualmente os detergentes contêm:


• Uma cabeça polar;
• Cauda responsável pela solubilização nos óleos básicos.

• Mecanismo de ação: Desprendem os depósitos das superfícies


metálicas onde eles aderiram.

• Compostos mais empregados: Sulfonatos e fenatos de Cálcio e de


Magnésio;

• IMPORTANTE: São compostos alcalinos que agem neutralizando os


ácidos decorrentes da oxidação do óleo e da queima dos
combustíveis.

Os detergentes agem como dispersantes metálicos


DISPERSANTES SEM CINZAS

Compostos não metálicos desenvolvidos para dispersar a água e


evitar a formação de “Cold Sludge” em motores OTTO

• Usualmente contêm:
• Grupamento polar em geral nitrogenado;
• Cadeia de HC de alto PM para solubilização nos óleos básicos.

• Mecanismo de ação: Envolve as partículas de sujeira evitando sua


aglutinação.

• Compostos mais empregados: Succinimidas e copolímeros de


metacrilatos

Dispersantes de alto PM agem como MIV’s


AÇÃO DOS DETERGENTES / DISPERSANTES
AÇÃO DOS DETERGENTES / DISPERSANTES

Aditivos detergentes / dispersantes agem prevenindo:

• A formação de depósitos nas superfícies metálicas;


• A aglutinação de resinas e de compostos de oxidação;
• A formação / deposição de borras nos motores;
• A formação de produtos ácidos devido à sua natureza básica.

Teor %p IBT, mg KOH/g


0,30 Detergente 1,10
0,50 Dispersante 0,43
MELHORADORES DO ÍNDICE DE
VISCOSIDADE
• O que são: Polímeros de alto peso molecular (50.000 a 100.000)
solúveis em óleo
• Mecanismo de ação: Em função da solubilidade, assumem uma
forma circular e compacta quando submetidos a baixas temperaturas e
uma forma ampla e estendida em alta temperatura
•Compostos mais empregados: Polimetacrilatos, Copolímeros de
etileno/propileno/butadieno (OCP).
MELHORADORES DO ÍNDICE DE VISCOSIDADE

Os MIV`s sofrem alterações ao serem submetidos a altas taxas de


cisalhamento que podem ser de dois tipos:
• Esmagamento do novelo do polímero causando uma perda de
viscosidade temporária;
• Rompimento da cadeia polimérica devido à elevada energia do
cisalhamento causando uma perda definitiva da viscosidade.
ABAIXADORES DO PONTO DE FLUIDEZ

• Cristalização: Os HC’s têm a tendência natural em formar cristais de


parafina em baixas temperaturas dificultando o escoamento nos
sistemas de lubrificação e até causando o “congelamento” do óleo.

• Mecanismo de ação: compostos orgânicos que cristalizam-se


juntamente com a parafina e um dos seus constituintes, como o
naftaleno, interrompe o crescimento do cristal. Assim o óleo se
mantém com pequenos cristais precipitados que não chegam a formar
uma rede e o produto continua fluindo em baixa temperatura. Os APF’s
não interferem na precipitação (ponto de névoa) e na quantidade dos
cristais formados mas somente no ponto de fluidez.

• Compostos mais empregados: Polimetacrilatos

IMPORTANTE: ação é efetiva somente nos óleos básicos


parafínicos, ou seja, nos óleos que contêm um
Efeito dos aditivos MIV e APF

Abaixador Ponto de Fluidez

MIV

40 100
Temperatura
PROTEÇÃO CONTRA CORROSÃO E FERRUGEM

• Ataque corrosivo: Alguns componentes, em especial os casquilhos


fabricados por uma liga cobre-chumbo são atacados quando em
contato com, ácidos, peróxidos e outros produtos oxigenados.

• Mecanismo de ação: Formação de um filme que protege as partes


metálicas do ataque causado por produtos de oxidação presentes no
óleo lubrificante. O filme aderido possui uma forte ligação com os
metais de modo a evitar o seu desprendimento por ação dos
detergentes dispersantes.

OBS: Os aditivos detergentes, que neutralizam os ácidos, e os


dispersantes, que mantêm a água em suspensão, são muito
importantes nesse processo, porém o auxílio de um aditivo que
protege a superfície metálica é fundamental
INIBIDORES DE CORROSÃO E FERRUGEM

Os inibidores mais encontrados são os seguintes:


- Ditiofosfatos / Ditiocarbonatos Metálicos
- Sulfonatos
- Terpenos/ Olefinas Sulfurizadas
MODIFICADORES DE ATRITO
• Aumentam a resistência do filme lubrificante, evitando o seu
rompimento em condições mais severas.
• Acarretam em menor coeficiente de atrito, resultando em
conservação de energia e são bastante empregados em óleos
“fuel economy” e de competição (Ganhos de 3 a 4%)
• Atuação mais significativa em temperaturas mais altas, pois, em
temperatura baixa, a viscosidade é maior e a película de óleo
mais espessa tornando secundária a atuação do aditivo.
MODIFICADORES DE ATRITO

A efetividade dos óleos com aditivos modificadores de atrito depende


fundamentalmente da espessura do filme que é função de:

• Polaridade dos componentes. Quanto mais forte, maior a espessura


e a tenacidade do filme absorvido;
• Tamanho da cadeia – Quanto maior, mais espesso o filme;
• Configuração: Moléculas mais esbeltas, melhor compactação;
• Óleo básico – Ambos o tamanho e a polaridade das moléculas dos
óleos básicos influenciam na formação do filme
• Concentração – Quanto maior a concentração, maior o efeito até um
determinado limite;
• Metalurgia – Quanto maior a energia de adsorção do metal, mais
forte o filme;
• Temperatura – Quando muito alta pode gerar energia suficiente para
desadsorver o filme.
MODIFICADORES DE ATRITO

Componentes geralmente empregados:


compostos de cadeias longas como os ácidos graxos,
ésteres graxos, aminas e amidas graxas, compostos enxofre-
molibdênio solúveis em óleos, bissulfeto de molibdênio e
grafite.

Bons exemplos de aditivos que combinam as funções


antidesgaste e modificadora de atrito são os compostos
enxofre-molibdênio solúveis em óleos como os ditiofosfatos
de molibdênio e os ditiocarbamatos de molibdênio. Estes
também possuem a função antioxidante e se constituem em
uma ótima opção de formulação.
ANTIESPUMANTE

• Formação de Espuma: Afeta negativamente o desempenho dos


óleos pelos seguintes fatos:
• Aumenta a área em contato com o ar elevando a tendência à
oxidação;
• Interfere na formação do filme lubrificante devido às bolhas de ar.

• Mecanismo de ação: Ficam finamente dispersos no óleo e reduzem


a tensão interfacial entre as bolhas de ar e o óleo, formando bolhas
maiores que terminam por flutuar até a superfície, dispersando-se.

• Compostos mais empregados: Silicones líquidos


COMPOSIÇÃO DE ÓLEOS LUBRIFICANTES
ADITIVOS E PROPRIEDADES DOS
LUBRIFICANTES POR APLICAÇÃO
ESTIMATIVA DO MERCADO DE ADITIVOS POR FUNÇÃO
Ensaios de Caracterização
ESTABILIDADE AO CISALHAMENTO NA BOMBA
BOSCH – CEC-L-14-A-88
 Ensaio tem como objetivo avaliar a perda permanente de viscosidade,
que decorre da ruptura de cadeias poliméricas. Para tal, submete-se o
óleo a condições de alto cisalhamento através da circulação contínua da
amostra em uma bomba injetora por um tempo determinado após o que
verifica-se a queda percentual da viscosidade a 100 °C, através de
medições feitas antes e após o ensaio.
 Os resultados desse ensaio dependem da capacidade do aditivo
MIV (melhorador de índice de viscosidade) de resistir às forças de
cisalhamento que por sua vez, depende da concentração, da
distribuição de peso molecular e estrutura de toda a química
polimérica da formulação.
Resultados (30 ou 90 ciclos)
- Visc. a 100°C após Cisalhamento;
- % Perda de viscosidade
- Parâmetro SSI de MIV´s

 O ensaio em motor L-38 pode também ser utilizado para avaliar a


estabilidade ao cisalhamento dos óleos lubrificantes automotivos.

η − ηc
SSI é o índice de estabilidade de cisalhamento;
η é a visc. do óleo aditivado antes do cisalhamento;
SSI = x100 ηc é a visc. do óleo aditivado após o cisalhamento;
η − ηb e ηb é a viscosidade do óleo básico.

Quanto menor SSI maior estabilidade ao cisalhamento


INSOLÚVEIS EM PENTANO E EM TOLUENO – ASTM D 1298

 Ensaio exclusivamente empregado nas avaliações de óleos usados para


se estimar o teor de partículas e de produtos de oxidação solúveis no
óleo lubrificante. Este ensaio avalia a capacidade do aditivo
detergente/dispersante em manter o motor limpo

 Coloca-se uma massa conhecida de óleo em um tubo centrífugo e


fazem-se três lavagens consecutivas com o solvente do teste,
separando-o por centrifugação. Ao final evapora-se o solvente e pesa-se
o resíduo, calculando-se o percentual de peso em relação à amostra
inicial. Pode-se utilizar um coagulante para neutralizar o efeito do
dispersante.

 A diferença entre os resultados de insolúveis em pentano e em tolueno


se refere às resinas de oxidação presentes no óleo.
ÍNDICE DE ACIDEZ TOTAL (IAT) – ASTM D 664

 Tem como objetivo medir a acidez do óleo lubrificante em geral


decorrente dos processos de oxidação, da queima dos
combustíveis e de alguns aditivos.

 Amostra com massa conhecida é e titulada em KOH em meio


alcoólico. Determina-se a massa de KOH por massa de amostra
para a titulação.

 O resultado é bastante utilizado para indicar o estado dos óleos


lubrificantes usados e para definir os períodos de troca de óleo.
ÍNDICE DE BASICIDADE (IB) - ASTM D 2896

Determinação da reserva alcalina dos óleos novos e usados


com o mesmo princípio do anterior, diferindo-se apenas na
titulação que é feita com ácido perclórico. Nos óleos novos o
resultado é bastante utilizado para indicar o teor de aditivos
detergentes/dispersantes no lubrificante e a capacidade deste
em neutralizar os produtos ácidos da combustão.
Nos óleos usados é empregado para definir os períodos de
troca de óleo sendo um valor de referência a interseção do
IAT em elevação e do IBT em queda. Ao se passar deste
ponto os processos de oxidação são muito acelerados,
conforme mostrado na figura abaixo

Curvas de IAT x IBT


IAT / IBT

IBT
IAT

Tempo de Operação
TEOR DE CINZAS SULFATADAS – ASTM D 874

 Os metais empregados nos aditivos deixam resíduos de cinzas ao


serem queimados na câmara dos motores de combustão interna.
Estes resíduos podem causar: pré-ignição; depósitos nos pistões e
anéis; aumento nas emissões de partículas.

 Neste ensaio incinera-se uma massa conhecida de amostra e


mistura-se o resíduo dessa queima com ácido sulfúrico,
evaporando-o posteriormente. Leva-se o resíduo sulfatado a peso
constante em uma estufa a 800 °C e calcula-se o per centual de
cinzas.

 Uma estimativa dos resultados do teor de cinzas pode ser feita


pela equação: Teor de Cinzas (%p) = (%Ba*1,7 + %Ca*3,4 +
%Mg*4,5 + %Na*3,1 + %Zn*1,25)
ANÁLISE DOS ELEMENTOS

• Objetivos:
 Produção de óleos – Controle da quantidade de aditivos
 Investigações diversas – Identificação de aditivos presentes
 Análise de óleos usados – Acompanhamento dos metais de
desgaste

• Principais técnicas: Raio X, Plasma, Absorção Atômica e


Espectroscopia por emissões.

• Em relação aos óleos usados, cada metal se correlaciona a um


determinado componente do motor e os fabricantes recomendam
limites máximos de cada componente para a troca de óleo.
ANÁLISE DOS ELEMENTOS

Limites e origens gerais para os elementos


ANÁLISE POR INFRAVERMELHO

• Técnica utilizada na investigação de produtos quando se deseja


identificar os componentes que foram empregados na formulação;

• Utilizada também para registro de produtos pois é gerado um


espectro particular que é próprio da formulação empregada como
se fosse uma “impressão digital”.

• É também utilizado quando se deseja avaliar o nível de oxidação


e de nitração dos óleos usados e no acompanhamento laboratorial
de ensaios de oxidação.
ANÁLISE POR INFRAVERMELHO

 acompanhar ensaios laboratoriais de oxidação.


 acompanhar a presença de contaminantes orgânicos, como glicol
e água, de sulfatos e de fuligem;
 avaliar o nível de oxidação e de nitração dos óleos usados.
RESULTADOS - INFRAVERMELHO

Espectro Médio -
Óleo Novo

Espectro Médio - Óleo


com 15.000 km
Comentários Gerais

Links Úteis:
http://www.knovel.com/web/portal/browse/display?_EXT_KNOVEL_DISPLAY_bookid=3456

http://books.google.com.br/books?hl=pt-
BR&lr=&id=NPnM6sX8vcgC&oi=fnd&pg=PA1&dq=engineering+tribology+elsevier&ots=WiYHI1N-
Bo&sig=iqxm6p4jPoyhb4lowHg5UZEf6Ig#v=onepage&q=engineering%20tribology%20elsevier&f=fal
se

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