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Estado Novo

Portugal: a ditadura salazarista

1. A Edificação do Estado Novo


Em 1926, uma revolta militar, encetada pelo Marechal Gomes da Costa, pôs fim à 1ª República e instaurou uma
Ditadura Militar.
Em 1928, o presidente da República, Óscar Carmona, convidou Salazar para titular da pasta das Finanças. O
sucesso de Salazar cedo se fez sentir, pois através de uma política de controlo orçamental sobre alguns ministérios e o
aumento de impostos, as finanças portuguesas cresceram significativamente.
O sucesso de Salazar à frente do Ministério das Finanças granjeou-lhe o prestígio necessário para vencer a luta
pelo poder até chegar à chefia do Governo, como Presidente do Conselho, em 1932.
Nesse ano o Governo aprovou os estatutos daquele que seria o único partido político autorizado no país – a
União Nacional – partido do regime e tendo como líder político o próprio Salazar.
Em Abril de 1933, entrou em vigor a Constituição que pôs fim à Ditadura Militar e serviu de alicerce ao Estado
Novo. A nova Constituição consagrava os direitos e liberdades dos cidadãos e a separação dos poderes, além de eleições
directas para os cargos de Chefe de Estado e de deputados à Assembleia Nacional. No entanto, a realidade seria bem
diferente:
As eleições além de não serem livres, devido à formação de partidos de oposição, eram acompanhadas algumas
ilegalidades (eleições e votos manipulados pelo regime);
As liberdades e os direitos dos cidadãos podiam ser suspensos por “leis especiais” ou seja, estabeleceu-se a
censura prévia, com a finalidade de controlar os meios informativos e a cortar a opinião pública de
contestatários do regime;
A Assembleia Nacional que deveria ser o órgão legislativo, dispunha de um poder muito limitado e meramente
consultivo, pois era o Presidente do Conselho, que tomava a iniciativa de propor as leis;
O Presidente da República era quem nomeava e podia demitir o Presidente do Conselho mas, na prática, este
último teve sempre maior influência política, do que o primeiro, pois controlou violentamente toda as acções
políticas, económicas, sociais e culturais.

2. As características do regime
a) Tradição e propaganda
O Estado Novo deu grande importância à preservação dos valores e virtudes tradicionais, assentes na trilogia
“Deus, Pátria e Família”, que procurava difundir através de uma forte propaganda e dos manuais escolares nas escolas.
Neste âmbito, foi criado em 1933 o Secretariado de Propaganda Nacional (SPN), organismo estatal, inspirado no
fascismo Italiano, responsável pela defesa e promoção dos princípios ideológicos do regime.
A SPN exercia a sua acção e influência nas escolas e em outras organizações da sociedade portuguesa, como os
sindicatos nacionais e as casas do povo, distribuindo boletins, organizando comícios, paradas, acampamentos, etc.
Em 1936, o Ministério da Educação Nacional, criou a Mocidade Portuguesa, da qual faziam parte,
obrigatoriamente, todos os estudantes do ensino primário e secundário, onde se pretendia incutir a ideia de grandeza da
Pátria, ordem, disciplina, os valores do Estado Novo e a obediência ao chefe, Salazar.

b) Acção repressiva do Estado Novo


Tal como em Itália e na Alemanha, também o Governo limitou os direitos e as liberdades individuais,
subordinando-os a superiores interesses do Estado. É neste contexto que o regime salazarista não hesitou a criar
mecanismos de repressão:
- Manteve a “Censura Prévia” à imprensa e a largou-os a outros meios de comunicação; rádio, cinema, teatro e livros;
- Criou a polícia política, inicialmente designada de PVDE (Polícia de Vigilância e Defesa do Estado, posteriormente
substituída pela PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado) e, a partir de 1969 por DGS (Direcção Geral de
Segurança. Organização que perseguia e reprimia os opositores do regime e controlava a vida dos portugueses,
mantendo informadores em todo o país prontos a denunciar os “suspeitos” da prática de actividades subversivas;
- Construiu prisões e colónias penais, para onde foram enviados muitos dos opositores ao regime (sobretudo
comunistas). Caxias, Peniche e Tarrafal, em Cabo Verde, ficaram tristemente célebres por isso;
- Instituiu o Legião Portuguesa, organização paramilitar, para defender o regime e combater o comunismo.

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3. Corporativismo
Seguindo mais uma vez, o exemplo da Itália fascista, em Setembro de 1933 foi publicado o “Estatuto do Trabalho
Nacional”, que criou as corporações. As Corporações eram organismos que uniam trabalhadores e patrões, sujeitando os
seus interesses ao interesse do nacional. Abrangiam todas as actividades económicas (grémios, sindicatos nacionais,
casas do povo e de pescadores), sociais e morais (hospitais e misericórdias) e culturais (universidades, agremiações
científicas e técnicas).
Com esta organização, o Estado, que proibiu os sindicatos livres e as greves, intervinha na economia e controlava
praticamente toda a actividade profissional, mantendo entre patrões e assalariados uma harmonia no trabalho nacional.

4. Colonialismo
Salazar considerava que dos princípios para a reconstrução económica deveria levar a que as economias da
metrópole e das colónias se complementassem. O interesse da Nação pelas colónias assentava na riqueza que estas
tinham para Portugal, ricas em matérias naturais importantíssimas para as pretensões económicas nacionais.
Deste modo, em 1930, foi publicado o “Acto Colonial”, considerado a lei-padrão da colonização portuguesa, até
aos anos 50. Aos territórios ultramarinos passava a chamar-se “Império Colonial”.
Com a finalidade de reforçar esta realidade do “além mar”, Salazar organizou a Exposição do Mundo Português
em 1940, onde para além de vincar a importância do “império” na populaça, queria igualmente festejar e celebrar as
antigas glórias e feitos, desde a época da Fundação da nação com D. Afonso Henriques, os Descobrimentos Marítimos e a
Restauração com D. João IV. Além disso, mostrar ao mundo que Portugal, com as suas possessões ultramarinas era um
país grandioso enorme e valioso.

5. Proteccionismo e dirigismo

À semelhança dos regimes fascista e nazi, o Estado Novo exerceu uma forte intervenção na economia:
- regulou a actividade das indústrias através do condicionamento industrial e estabeleceu barreiras alfandegárias
a produtos estrangeiros;
- promoveu a auto-suficiência do país no domínio agrícola, através de campanhas de aumento da produção
(“Campanha do Trigo”) para diminuir as importações e a dependência económica, face ao exterior;
- Desenvolveu uma política de construção de obras públicas, que conduziu ao aumento da rede rodoviária, à
remodelação dos portos e à construção de escolas, hospitais, faróis, barragens e outras infra-estruturas. Esta foi uma
forma de reduzir o desemprego.

A intervenção do estado na economia (proteccionismo e dirigismo) visava atingir auto-suficiência económica –


a AUTARCIA. Por outras palavras, Salazar usou-se da política económica do “orgulhosamente só”.

Concluindo:
O Estado Novo, à semelhança do regime fascista italiano, foi um regime autoritário, corporativo e com um forte
espírito nacionalista; criou organizações paramilitares (Legião Portuguesa e Mocidade Portuguesa) e uma polícia política
(PIDE); soube utilizar a propaganda e a censura para a sua protecção e para “educar” a sociedade portuguesa, nos valores
cristãos, nacionalistas e tradicionalista; a nível político, teve uma posição radical do que toca à contestação e oposição
política, proibindo os partidos políticos, prevalecendo o modelo do partido único; limitou os poderes dos órgãos
respeitantes na Constituição, manipulou as eleições e votos, criou prisões e colónias penais para os seus opositores e
informadores por todos o país, mantendo o controlo de toda a defesa e protecção dos ideais do regime.
Em suma, entre 1933 e 1974, Portugal viveu com Salazar uma ditadura política, social, económica e cultural.

JARV | Abril 2008

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