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Sobre a gestão da Escola Dominical

Sex, 14/02/2014 por Claudionor de Andrade

O superintendente não é um mero dirigente da Escola Dominical: é o


gestor do departamento mais importante da igreja. Seu trabalho não se
restringe aos domingos, mas se estende de segunda a sábado. Ele
sabe que, se não for eficiente durante a semana, será ineficaz no
domingo.

Como gestores da Escola Dominical, temos de levá-la a atuar


plenamente como educandário bíblico-teológico, agência evangelístico-
missionária, departamento de integração do novo crente e suporte
didático-pedagógico da igreja local.

Henrieta C. Mears (1891 – 1963), educadora norte-americana, afirmou


mui acertadamente: “A Escola Dominical perpetua-se pelos seus
próprios produtos”. Cabe-nos, pois, fazer com que esses produtos não
venham a perecer.

I. ROBERT RAKES, SUPERINTENDENTE, GESTOR E


ADMINISTRADOR POR EXCELÊNCIA

Quando Robert Rakes ajuntou aqueles meninos de rua na cidade de


Gloucester, em 1783, com certeza não tinha em mente a Escola
Dominical. Mas o seu trabalho estendia-se de segunda a domingo.
Como este dia era santificado, na tradição cristã, à adoração, passou o
domingo a marcar as reuniões de Rakes.

A escola era dominical, mas o seu amor era semanal e não morria no
domingo; na segunda, renascia.

Com o seu trabalho, Rakes arrancou muitos daqueles garotos à


delinqüência. A eficácia da Escola Dominical seria comprovada pelo
diretor do FBI J. Edgard Hoover (1895-1972): “Em cerca de oito mil
adolescentes delinqüentes, apenas 42 deles haviam freqüentado com
regularidade a Escola Dominical”.

Qual o segredo da excelência da missão de Robert Rakes? Ele atuou


em sua escola como superintendente, gestor e administrador. Era um
dirigente completo.
II. SUPERINTENDENTE, O GESTOR DA ESCOLA DOMINICAL

O superintendente da Escola Dominical não deve se contentar a não


ser com a excelência de seu trabalho. Mas, como alcançá-la? O filósofo
grego Aristóteles (384-322 a.C) deixa-nos esta reflexão: “Somos o que
repetidamente fazemos, portanto a excelência não é um feito, mas um
hábito”. O superintendente que busca a excelência destacar-se-á
também como gestor e administrador.

1. Superintendente. Aquele que supervisiona uma obra ou um


departamento. Sua missão é controlar, manter e conduzir sua equipe à
excelência. Nas Sagradas Escrituras, várias menções são feitas aos
superintendentes (Nm 11.16; 2 Cr 31.13; 34.13).

Frente à Escola Dominical, o superintendente envidará todos os


esforços e recursos, a fim de mantê-la funcionando com a demanda que
ela requer.

2. Gestor. Via de regra, o gestor é visto como um sinônimo de


administrador ou gerente. Todavia, sua missão vai muito além. Sua
tarefa principal é estimular, motivar, valorizar e reconhecer o trabalho
da equipe, para que esta alcance a excelência almejada pela
organização.

Alvin Toffler é categórico: “Gerenciar não é mais a direção da coisa,


mas o aperfeiçoamento das pessoas”. Neemias foi um exemplo de
gestor. Ele soube como manter a unidade e a motivação de sua equipe.

3. Administrador. Etimologicamente, administrador significa: aquele


que sustenta com as mãos. Eis porque o superintendente da Escola
Dominical é também um administrador: sua missão é fazer com que
todas as coisas na ED funcionem a contento. Além de lidar com
pessoas, ele trata também com recursos materiais. Por isso, que ele
seja detalhista e esteja a par de tudo. O escritor norte-americano Zig
Ziglar aconselha: “Confira os dados. Nunca houve um campeão
indisciplinado. Qualquer que seja o campo de atividade, você vai
descobrir que isso é a pura verdade”.

III. A ESCOLA DOMINICAL COMO EDUCANDÁRIO BÍBLICO-


TEOLÓGICO

Como gestor da Escola Dominical, o superintendente tem como


obrigação levá-la a funcionar como um perfeito educandário bíblico-
teológico:
1. Escola Bíblica. É a primeira vocação da Escola Dominical. Através
desta, alunos de todas as idades inteiram-se do conteúdo das Sagradas
Escrituras. Quando ensinamos a Bíblia às nossas crianças, preparamo-
las a uma vida plena de realizações em todas as áreas de sua
existência. Cabe muito bem aqui o pensamento do filósofo John Dewey:
“A escola não é a preparação para a vida; a escola é a vida”.

2. Escola Teológica. Ainda na Escola Dominical, entramos em contato


com os artigos de fé de nossa igreja. É o primeiro seminário que um
teólogo freqüenta. O Dr. C. H. Benson apresenta estes dados que
comprovam a eficácia deste tão importante educandário: “Um cálculo
muito modesto assina que 75% dos membros de todas as
denominações, 85% dos obreiros e 95% dos pastores e missionários
foram, em qualquer tempo, alunos da Escola Dominical”.

IV. A ESCOLA DOMINICAL COMO AGÊNCIA EVANGELÍSTICO-


MISSIONÁRIA

É na Escola Dominical que somos envolvidos no serviço cristão. O


superintendente precisa manter a ED como essa agência ganhadora de
almas. É justamente aí que aprendemos a evangelizar e a fazer
missões:

1. Agência evangelizadora. Como os alunos da Escola Dominical não


precisam ser membros da igreja local, levemos nossos amigos, vizinhos
e parentes a frequentá-la. Nesse campo tão vital, é mister que
relembremos a advertência de A.S. London: “Extinga a Escola Bíblica
Dominical, e dentro de quinze anos a sua igreja terá apenas a metade
dos seus membros”.

2. Agência missionária. Não são poucos os alunos de Escola


Dominical chamados à obra missionária. Como freqüentá-la e não sentir
o ardor pela evangelização transcultural? Conforme pesquisa realizada
pelo Dr. Benson, noventa e cinco por cento dos missionários
freqüentaram assiduamente a Escola Dominical.

V. A ESCOLA DOMINICAL COMO DEPARTAMENTO DE


INTEGRAÇÃO SOCIAL DO NOVO CRENTE

Através da Escola Dominical, deve o superintendente, como seu


principal gestor, levá-la a agir como o departamento encarregado de
integrar o novo convertido à comunidade dos fiéis. Embora o crente
novel seja de imediato integrado espiritualmente no corpo de Cristo,
socialmente não encontra a mesma facilidade. Por isso, cabe ao gestor
da Escola Dominical:
1. Integrar socialmente o novo crente. Este não poderá jamais sentir-
se um estranho no ninho. Se somos uma irmandade, deve ele ser
recebido e amado como um irmão em Cristo. O escritor francês Michel
Quoist (1921-1997) discorre sobre a importância de se estabelecer e
lutar pela comunhão: “O homem é solitário porque é singular, mas é
convidado à comunhão. Ora, o pecado nos divide e nos isola.
Precisamos procurar-nos, alcançar-nos, reunir-nos uns aos outros”.

Recomendo o excelente Manual de Integração do Novo


Convertido lançado pela CPAD. Escrito por Marli Doreto, dá-nos
importantes conselhos acerca desse tão imprescindível ministério para
o crescimento da igreja.

2. Integrar eclesiasticamente o novo crente. Deve este, através da


Escola Dominical, sentir-se parte da igreja local. Não é suficiente
pertencer à Igreja Invisível e Universal; a necessidade de se congregar
é básica no filho de Deus.

VI. A ESCOLA DOMINICAL COMO SUPORTE DIDÁTICO-


PEDAGÓGICO DA IGREJA LOCAL

Que o superintendente da Escola Dominical saiba que, como seu


gestor, tem de aparelhá-la, a fim de que ela dê à igreja todo o suporte
didático-pedagógico de que esta reclama.

Através da Escola Dominical, a igreja local será reconhecida também


como uma agência educadora. Mas, para que isto ocorra, é
imprescindível a ação de seu superintendente como gestor e agente
educacional.

Em nossos livros Manual da Escola Dominical e a Teologia da


Educação Cristã damos mais informações acerca da gestão da ED e de
como lidar com a Educação Cristã relevante.

CONCLUSÃO

Por conseguinte, o superintendente não deve limitar-se a supervisionar


a Escola Dominical. Sua função é fazer com que ela funcione
perfeitamente. Busque a excelência, persiga o aperfeiçoamento
contínuo.

O professor japonês Masaaki Imai é claro e irretorquível. Sua lição


deveria ser apreendida por todo superintendente de Escola Dominical
que busca realizar-se como gestor: “Se você aprender apenas uma
palavra em japonês que seja kaizen. A estratégia kaizen é um conceito
simples e o mais importante em administração japonesa – a chave para
o êxito competitivo japonês. Kaizen significa aperfeiçoamento. Kaizen
significa aperfeiçoamento contínuo envolvendo todos: a administração
de cúpula, gerentes e operários”.

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