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ATOS 5.

17-28
17 Então o Grande Sacerdote e todos os seus companheiros, que eram do partido
dos saduceus, ficaram com inveja dos apóstolos e resolveram fazer alguma coisa.
18-19 Prenderam os apóstolos e os puseram na cadeia. Mas naquela noite um anjo
do Senhor abriu os portões da cadeia, levou os apóstolos para fora e disse:
20 — Vão para o Templo e anunciem ao povo tudo a respeito desta nova vida.
21 Os apóstolos obedeceram e no dia seguinte, bem cedo, entraram no pátio do
Templo e começaram a ensinar. Então o Grande Sacerdote e os seus
companheiros chamaram os líderes do povo para uma reunião do Conselho
Superior. Depois mandaram que alguns guardas do Templo fossem buscar os
apóstolos na cadeia.
22-23 Porém, quando os guardas chegaram lá, não encontraram os apóstolos.
Então voltaram para o lugar onde o Conselho estava reunido e disseram:
— Nós fomos até lá e encontramos a cadeia bem-fechada, e os guardas vigiando
os portões; mas, quando os abrimos, não achamos ninguém lá dentro.
24 Quando os chefes dos sacerdotes e o chefe da guarda do Templo ouviram isso,
ficaram sem saber o que pensar sobre o que havia acontecido com os apóstolos.
25 Nesse momento chegou alguém, dizendo:
— Escutem! Os homens que vocês prenderam estão lá no pátio do Templo
ensinando o povo!
26 Então o chefe da guarda do Templo e os seus homens saíram e trouxeram os
apóstolos. Mas não os maltrataram porque tinham medo de serem apedrejados pelo
povo.
27 Depois puseram os apóstolos em frente do Conselho. E o Grande Sacerdote
disse:
28 — Nós ordenamos que vocês não ensinassem nada a respeito daquele homem.
E o que foi que vocês fizeram? Espalharam esse ensinamento por toda a cidade de
Jerusalém e ainda querem nos culpar pela morte dele!

EXPLICAÇÃO

O CONSELHO: A VERDADE É ATACADA O sumo sacerdote e seus colegas


tinham três motivos para prender os apóstolos (dessa vez, detiveram todos os
apóstolos) e interrogá-los.
Em primeiro lugar, Pedro e João não haviam obedecido às ordens oficiais de parar
de pregar em nome de Jesus Cristo. Eram culpados de transgredir a lei nacional.
Em segundo lugar, o testemunho da igreja mostrava os erros das doutrinas
defendidas pelos saduceus, apresentando diversas provas de que Jesus Cristo
estava vivo.
Ao contrário dos fariseus, os saduceus, que eram um importante e poderoso grupo
político e religioso da época, não acreditava na ressurreição dos mortos, afirmando que
a ação de Deus se resume à vida das pessoas. Segundo eles, morreu, acabou!
Em terceiro lugar, os líderes religiosos estavam cheios de inveja do grande sucesso
desses homens sem qualquer preparo ou autoridade oficial. As tradições dos
patriarcas não haviam atraído tanta atenção nem conseguido tantos seguidores em
tão pouco tempo.
É impressionante como a inveja pode ser escondida sob o manto da "defesa da fé".
Os apóstolos não resistiram à prisão nem organizaram um protesto público.
Seguiram calmamente a guarda do templo e passaram algumas horas na cadeia
pública. Mas, durante a noite, um anjo os libertou e lhes disse para voltar a
testemunhar no templo (é evidente que os saduceus não acreditavam em anjos; ver
At 23.8).
Que contraste enorme entre os apóstolos e os membros do conselho! O conselho
era instruído, ordenado e aprovado, no entanto não possuía qualquer ministério de
poder. Os apóstolos eram leigos comuns, no entanto, o poder de Deus estava
presente em sua vida.
O conselho tentava, desesperadamente, proteger a si mesmo e suas tradições
mortas, enquanto os apóstolos arriscavam a vida para compartilhar a Palavra viva
de Deus. A igreja dinâmica desfrutava o que havia de novo, enquanto o conselho
defendia o que havia se tornado ultrapassado.
Podemos observar diversas emoções se manifestando nessa seção: inveja (At
5.17), perplexidade (At 5.24) e medo (At 5.26). No entanto, quando os apóstolos
entraram, o sumo sacerdote os acusou com todo atrevimento de estarem
desafiando a lei e causando tumulto.
Sequer usou o nome de Jesus, referindo-se antes a "esse nome" e ao "sangue
desse homem", como que temendo pronunciar o nome de Jesus e contaminar seus
lábios ou atrair sobre si a ira de Deus.
Mas até mesmo essa acusação desprezível foi um reconhecimento de que a igreja
crescia e cumpria sua missão! A raiva dos homens louvava ao Senhor. O sumo
sacerdote percebeu que, se os apóstolos estavam certos, então os líderes judeus
haviam errado ao condenar Jesus Cristo.
De fato, se os apóstolos tinham razão, então o conselho era culpado de derramar
seu sangue. No desenrolar do "julgamento", os apóstolos tornaram-se os juízes, e
os membros do conselho, os acusados