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UNICE – ENSINO SUPERIOR

IESF – INSTITUTO DE ENSINO SUPERIOR DE FORTALEZA


GRADUAÇÃO EM FARMÁCIA

ATENÇÃO FARMACÊUTICA A PACIENTES COM DIABETES TIPO 2


E O USO DE METFORMINA

JOSINETO NOGUEIRA FEIJÓ

Fortaleza - Ceará
2016.2
JOSINETO NOGUEIRA FEIJÓ

ATENÇÃO FARMACÊUTICA A PACIENTES COM DIABETES TIPO 2


E O USO DE METFORMINA

Trabalho Acadêmico apresentado à UNICE -


Ensino Superior / IESF – Instituto de Ensino
Superior de Fortaleza, como requisito para
obtenção do título de Bacharel em Farmácia, sob
orientação do Prof. Me. Fábio Luiz Tartuce Filho e
Profa. Dra. Terezinha de Jesus Afonso Tartuce.

Fortaleza – Ceará
2016.2
Trabalho acadêmico apresentado à UNICE – Ensino Superior / IESF – Instituto de
Ensino Superior de Fortaleza, como requisito necessário para conclusão do grau de
Bacharel em Farmácia. A citação de qualquer trecho deste trabalho é permitida
desde que em conformidade com a ética científica.

____________________________________________
Josineto Nogueira Feijó

Apresentação em:___________/___________/___________

___________________________________________________________________
Orientador: Prof. Me. Fábio Luiz Tartuce Filho

___________________________________________________________________
1ª Examinadora: Profa. Dra. Terezinha de Jesus Afonso Tartuce

___________________________________________________________________
2ª Examinadora: Profa. Bel Elisa Maria Duarte

___________________________________________________________________
Coordenador do Curso: Prof. Me. Fábio Luiz Tartuce Filho
Dedico

A Deus, pois sem ele nada estaria dando certo na minha vida
e por me permitir alcançar essa vitória.

Aos meus pais, José Feijó Rocha e Maria Noélia Nogueira que
com muito esforço veem me acompanhando nessa jornada.

À minha esposa, aos meus primos e tias, que tanto me


incentivaram a não desistir do meu sonho de ser Farmacêutico.
Agradeço

À minha família, pelo incentivo e colaboração, principalmente


nos momentos de dificuldade.

A todos os professores, pela dedicação demonstrada ao longo


curso.

Aos colegas, pelo companheirismo e o incentivo no dia-a-dia.

A todos os meus amigos, em especial: André, Leandro, Kelly e


Geyne que contribuíram muito para conclusão desse trabalho.

Aos orientadores, à Professora Elisa Duarte e à Professora


Dra. Terezinha Tartuce, pelo incentivo e colaboração no auxilio
as atividades e discussões sobre o andamento desse trabalho
acadêmico, em especial ao meu orientador Prof. Me. Fábio
Luiz Tartuce Filho.

E a todos que direta ou indiretamente contribuíram para o


término do Curso de Farmácia e elaboração deste Trabalho
Acadêmico.

Obrigado!
“Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé.”

2 Timóteo 4:7
RESUMO

O Diabetes Mellitus 2 – DM2 é uma doença que necessita de mudanças na rotina


dos pacientes. O Diabetes Mellitus é uma doença cuja principal característica é o
aumento de açúcar no sangue. Ela altera o metabolismo do açúcar, da gordura e
das proteínas que duram para toda a vida, torna-se necessária uma ação educativa
conjunta para instruir e conscientizar o diabético da importância do uso racional de
medicamentos e o conhecimento sobre a doença como parte integral do cuidado. O
objetivo dessa pesquisa e avaliar os conhecimentos dos pacientes com Diabetes
Mellitus tipo 2 – DM2 com enfoque na intervenção farmacêutica a pacientes – DM2
em uma farmácia comunitária de Fortaleza - CE. Com o objetivo de realizar uma
abordagem direcionada a Atenção Farmacêutica e o uso racional de Metformina
com o intuito de valorizar o paciente, fornecendo-lhe informações de qualidade,
efetiva e segura, compromissos e corresponsabilidades na prevenção de doenças,
sobre o medicamento e à farmacoterapia. Com esse estudo, pretende-se chamar a
atenção dos profissionais farmacêuticos da sua importância prestando informações
ao paciente quanto ao uso correto da prescrição médica, mostrando de modo
simples e seguro as consequências se o medicamento não for utilizado de maneira
correta.

Palavras - chave: Diabetes Mellitus Tipo 2; Atenção Farmacêutica; Uso Racional de


Metformina.
SUMÁRIO

LISTA DE GRÁFICOS .............................................................................................. 08

LISTA DE SIGLAS .................................................................................................... 09

INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 10

CAPITULO I. DIABETES MELLITUS – DM2............................................................ 12


1.2 A Prevenção e o controle do Diabetes Mellitus – DM2 ....................................... 20

CAPÍTULO II. ATENÇÃO FARMACÊUTICA E A PROMOÇÃO DO USO


RACIONAL DE METFORMINA ................................................................................ 24
2.1 Metformina .......................................................................................................... 27

CAPÍTULO III. PESQUISA DE CAMPO ................................................................... 30


3.1 Método da Pesquisa ............................................................................................ 30
3.2 Universo da Pesquisa ......................................................................................... 31
3.3 Perfil do Sujeito ................................................................................................... 32
3.4 Apresentação dos Dados do Formulário ............................................................. 32
3.5 Análise de Resultados ......................................................................................... 39

CONCLUSÃO ........................................................................................................... 41

BIBLIOGRAFIA ........................................................................................................ 42

FONTES ONLINE ..................................................................................................... 43

APÊNDICES ............................................................................................................. 44
LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1. Quanto tempo sabe que tem diabetes ..................................................... 32

Gráfico 2. Parentes em 1º grau (pai, mãe ou filhos) são diabéticos ......................... 33

Gráfico 3. Orientação sobre a importância da boa dieta, atividade física e

utilização da medicação da forma correta ................................................................. 33

Gráfico 4. Toma os medicamentos nos horários indicados ...................................... 34

Gráfico 5. Qual profissional de saúde já alertou sobre as consequências da não

adesão ao tratamento ............................................................................................... 34

Gráfico 6. Relacionado a importância do teste de glicemia capilar .......................... 35

Gráfico 7. Procurou informações sobre o diabetes mellitus com o farmacêutico ..... 35

Gráfico 8. Acha que o farmacêutico é importante para orientar sobre diabetes

mellitus tipo 2 ............................................................................................................ 36

Gráfico 9. Faz atividade física .................................................................................. 36

Gráfico 10. Qual profissional tem mais contato para tirar duvidas e

esclarecimentos sobre a sua patologia ..................................................................... 37

Gráfico 11. Conhecimento sobre diabetes mellitus .................................................. 37

Gráfico 12. Conhecimento sobre as complicações provocadas ............................... 38

Gráfico 13. Faz dieta de acordo com a orientação ................................................... 38


LISTA DE SIGLAS

ADA - American Diabete Association

AVE - Acidente Vascular Encefálico

DCV - Doença Cardiovascular

DM - Diabetes Mellitus

DM1 - Diabetes Mellitus Tipo 1

DM2 - Diabetes Mellitus Tipo 2

DSBD - Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes

HDL - Lipoproteínas de Alta Intensidade

IAM - Infarto Agudo do Miocárdio

IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

LDL - Lipoproteínas de Baixa Densidade

OMS - Organização Mundial de Saúde

PRM - Problemas Relacionados a Medicamentos

RAM’s - Reações Adversas a Medicamentos

TTGO - Teste de Tolerância Oral à Glicose


INTRODUÇÃO

A Diabetes Mellitus – DM2 é uma doença caracterizada pela


elevação da glicose no sangue (hiperglicemia). Pode ocorrer devido a defeitos na
secreção ou na ação do hormônio insulina, que é produzido no pâncreas, pelas
chamadas células beta. A função principal da insulina é promover a entrada de
glicose para as células do organismo de forma que ela possa ser aproveitada para
as diversas atividades celulares. A falta da insulina ou um defeito na sua ação
resulta, portanto em acúmulo de glicose no sangue, o que chamamos de
hiperglicemia.

Os pacientes com DM2 enfrentam grandes mudanças em seu


estilo de vida, tais como mudança de hábitos alimentares e adesão a esquemas de
tratamentos terapêuticos que devem ser seguidos com acompanhamento de um
profissional para que o mesmo venha ser eficaz na manutenção da sua saúde.

Dessa maneira apresenta-se a seguinte problemática: Por que


pessoas no dias de hoje utilizam a Metformina indiscriminadamente, principalmente
para emagrecimento?

O trabalho acadêmico tem por objetivo avaliar a qualidade de


vida de portadores de Diabetes Mellitus – DM2, quanto a utilização do tratamento
farmacológico correto, e investigar pessoas que utilizam da droga para fins de
emagrecimento.

O trabalho acadêmico apresenta-se estruturado em três


capítulos:

No primeiro capitulo apresentam-se as definições e


classificação do Diabetes Mellitus Tipo 2 e epidemiologia da doença.

O segundo capitulo estuda a prevenção e o controle do


11

Diabetes Mellitus – DM2 as principais complicações e algumas situações especiais


provocadas pelo DM e os diferentes fármacos utilizados durante o tratamento e a
importância do acompanhamento pelo profissional farmacêutico.

O terceiro capitulo desenvolve a pesquisa de campo, realizada


com pacientes diabéticos assistidos pelo Programa Farmácia Popular do Brasil, em
uma Farmácia comunitária do Município de Fortaleza - CE. A pesquisa apresenta o
perfil do paciente diabético, as complicações crônicas apresentadas no decorrer da
vida; avalia o tratamento farmacológico e quais os métodos utilizados para manter o
controle da glicemia do DM2.

O procedimento metodológico utilizado é uma pesquisa de


caráter quantitativo, obtido por intermédio de formulários aos portadores de Diabetes
Mellitus – DM2, que são atendidos em uma Farmácia comunitária.

Desse modo, o estudo explorativo procura analisar o perfil dos


portadores de DM, em relação a convivência com a doença, a fim de buscar mais
informações a respeito dessa interação, como também estratégias usadas por esse
paciente para controlar a glicemia.
12

CAPÍTULO I. DIABETES MELLITUS – DM2

O Diabetes Mellitus - DM ou simplesmente diabetes, é uma


doença metabólica em que se verificam níveis elevados de glicose no sangue
durante um longo intervalo de tempo que envolve diferentes mecanismos
patogênicos. De acordo com a SBEM - Sociedade Brasileira de Endocrinologia e
Metabologia,

A história do Diabetes Mellitus – DM é repleta de fatos


importantes, relatos sobre a doença foram observados há
vários séculos, descritos em um papiro egípcio de Erbens, em
torno de 1500 a.C.. Este foi o primeiro documento conhecido a
fazer referência à doença que se caracterizava por emissão
frequente e abundante de urina. 1

Nesse sentido, a DM é uma epidemia global emergente


caracterizada por um distúrbio do metabolismo da glicose. Sua principal
característica é a hiperglicemia causada por um defeito hormonal, que é a falta
absoluta ou relativa de insulina no organismo. Desse modo, quando a insulina
produzida pelo pâncreas torna-se insuficiente, a glicose não é absorvida pelas
células, o que provoca uma elevação dos níveis de glicose no sangue. Segundo
RAMALHO e LIMA

O diabetes é uma doença tão antiga quanto a própria


humanidade. O termo diabete foi criado por um médico
romano, discípulo de Hipócrates, chamado Araeteus, que
significa passar através de, pelo fato de a poliúria, um dos
sintomas mais típicos da doença, assemelhar-se à drenagem
de água através de um sifão. 2

A SBEM - Sociedade Brasileira de Endocrinologia e


metabologia disserta que,

O pesquisador Cullen, em meados do século XVIII, foi quem

1SBEM - Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. História do Diabetes. Disponível em:


http://www.endocrino.org.br/historia-do-diabetes/ Acesso em: 08/ago/2016.
2 Idem. Ibidem. Disponível em: http://www.endocrino.org.br/historia-do-diabetes/ Acesso em:

08/ago/2016.
13

sugeriu o termo Mellitus, que significa mel em latim. Um pouco


depois destes fatos ocorridos na história do DM, os médicos
indianos teriam sidos os primeiros a detectar a provável doçura
da urina de pacientes diabéticos, por consequência da
observação de que havia maior concentração de formigas e
moscas em volta da urina de pessoas com diabetes. Na
Inglaterra, Wills, no século XVII, provou e constatou que era
doce como um mel, seguido de Dobson que, no século XVIII,
aqueceu a urina até o ressecamento, e observou que formou-
se um resíduo açucarado, fornecendo as evidências
experimentais de que pessoas com diabetes eliminavam de
fato, açúcar pela urina. 3

Ainda conforme a SBEM, 4 a dificuldade que os pacientes com


diabetes têm em seguir dietas sempre foi e ainda é o maior problema encontrado
pelos médicos no tratamento dessa doença. Cantoni, um importante médico italiano
do século XIX, trancava seus pacientes a chave. Um discípulo desse método, o
médico alemão Bernard Naunyn, trancava os pacientes em seus quartos por até 5
meses, a fim de obter urina livre de açúcar.

Como se acreditava, a SBEM explica que o diabetes envolvia


apenas a falha no metabolismo dos carboidratos, as dietas continham um mínimo de
carboidratos e uma grande proporção de gorduras, para tentar substituir as calorias
perdidas. Entretanto, essas dietas pobres em carboidratos eram de pouca aceitação,
e assim pareceu uma quebra de paradigma quando o médico alemão, Von Noorden,
anunciou a sua cura pela aveia do diabetes.

Nesse contexto, a partir da metade do século XIX começou a


haver um acúmulo de evidências, a partir de autópsias em pessoas com diabetes,
de que a doença algumas vezes se acompanhava de dano ao pâncreas do paciente
e, ainda mais importante, que pacientes com pâncreas muito danificado quase
sempre tinham diabetes.

Vale ressaltar que o Diabetes Mellitus - DM2 não é uma única


doença, mas um grupo heterogêneo de distúrbios metabólicos que apresenta em

3 SBEM - Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Op. Cit. Disponível em:


http://www.endocrino.org.br/historia-do-diabetes/ Acesso em: 08/ago/2016.
4 Idem. Ibidem. Disponível em: http://www.endocrino.org.br/historia-do-diabetes/ Acesso em:

08/ago/2016.
14

comum a hiperglicemia, resultante de defeitos na ação da insulina, na secreção de


insulina ou em ambas. O Diabetes Mellitus é uma doença crônica e autoimune,
caracterizada pela deficiência da produção de insulina pelo organismo. O problema
envolve o metabolismo da glicose no sangue, podendo ser apresentado de várias
maneiras.

A classificação etiológica, atualmente aceita internacionalmente


pela Associação Americana de Diabetes – ADA, 5 apresenta-se da seguinte forma:

QUADRO 1. CLASSIFICACAO DO DIABETES MELLITUS


DIABETES TIPO 1 OUTROS TIPOS

Imunomediado Defeitos genéticos da função da célula beta

Idiopático Defeito genético na ação da insulina

Diabetes tipo 2 Doenças do pâncreas exócrino

Diabetes gestacional Associados a endocrinopatias


Induzido por fármacos ou substância
química
Decorrente de infecções

Formas incomuns de diabetes


imunomediada

Associados a algumas síndromes genéticas


Fonte: ADA - American Diabetes Association. Statistics About Diabetes. Disponível em:
http://www.diabetes.org/diabetes-basics/statistics/ Acesso em: 25/ago/2016. (adaptado)

O Diabetes Mellitus configura-se hoje em dia como uma


epidemia mundial, ao passar do tempo vem se tornando um grande desafio para a
saúde publica essa doença. O envelhecimento da população e um estilo de vida
nada saudável é um dos principais fatores para o aumento da incidência e
prevalência do Diabetes.

Os tipos de Diabetes mais conhecidos são o 1 e 2. A correta


classificação do Diabetes Mellitus permite um tratamento mais adequado e eficiente.

5 ADA - American Diabetes Association. Statistics About Diabetes. Disponível em: http://www.diabe
tes.org/diabetes-basics/statistics/ Acesso em: 25/ago/2016.
15

A falência das células beta no pâncreas caracteriza o primeiro que acomete, com
mais frequência crianças e adolescentes. O diabetes tipo 2, cuja carga genética é
bem maior, ocorre por resistência à ação da insulina, tendo a obesidade como um
dos principais fatores desencadeantes, de acordo com ADA - American Diabetes
Association. 6

Nesse sentido, as demais formas de diabetes podem


manifestar-se por lesões anatômicas no pâncreas, decorrentes de diversas
agressões tóxicas, seja por infecções, compostos químicos, entre outros.

Importante assinalar que o Diabetes Mellitus Tipo 2 se


manifesta com mais frequência em adultos por volta dos 40 anos de idade. Vários
fatores de risco estão relacionados ao desenvolvimento da doença, como o histórico
familiar, sedentarismo, hipertensão arterial e hábitos alimentares. A maioria dos
indivíduos com esse tipo de diabetes apresenta sobrepeso ou obesidade, apontando
maior porcentagem de gordura corporal na região abdominal. DAVIDSON define o
Diabetes Mellitus como:

Síndrome, com componentes metabólicos, vasculares e


neuropáticos inter-relacionados. A síndrome metabólica é
caracterizada por alterações no metabolismo dos carboidratos,
das gorduras e das proteínas que são secundárias a uma
ausente ou acentuadamente diminuída secreção de insulina
e/ou a ação ineficiente desta. 7

Segundo o Ministério da Saúde - Secretaria de Atenção à


Saúde - Departamento de Atenção Básica, 8 o DM tipo 2 abrange cerca de 90% dos
casos de diabetes na população, sendo seguido com frequência pelo DM tipo 1, que
responde por aproximadamente 8%. Além desses tipos, o diabetes gestacional
também merece destaque, devido a seu impacto na saúde da gestante e do feto.

Observa-se nos dias atuais que uma epidemia de Diabetes


Mellitus – DM2 está em curso. Estima-se que a população mundial com diabetes
6 ADA - American Diabetes Association. Op. Cit. Disponível em: http://www.diabetes.org/diabetes-
basics/statistics/ Acesso em: 25/ago/2016.
7 Mayer Davidson. Diabetes Mellitus: diagnostico e tratamento. 2001, p. 1.
8 Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção a Saúde. Departamento de Atenção Básica.

Estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica: diabetes mellitus. 2013, p. 28. (b)
16

seja da ordem de 387 milhões e que alcance 471 milhões em 2035. Cerca de 80%
desses indivíduos vivem em países em desenvolvimento, onde a epidemia tem
maior intensidade e há crescente proporção de pessoas acometidas em grupos
etários mais jovens, as quais coexistem com o problema que as doenças infecciosas
ainda representam. 9

Nessa perspectiva, verifica-se que o número de diabéticos está


aumentando em virtude do crescimento e do envelhecimento populacional, da maior
urbanização, da progressiva prevalência de obesidade e sedentarismo, bem como
da maior sobrevida de pacientes com DM. Quantificar o predomínio atual de DM e
estimar o número de pessoas com diabetes no futuro é importante, pois possibilita
planejar e alocar recursos de maneira racional.

ZOLK 10 destaca que no Brasil, no final da década de 1980,


estimou-se a prevalência de DM na população adulta em 7,6%;dados de 2010
apontam taxas mais elevadas, em torno de 15% em Ribeirão Preto, no estado de
São Paulo, por exemplo. Estudo recente, realizado em seis capitais brasileiras, com
servidores de universidades públicas, na faixa etária de 35 a 74 anos, porém com
medidas laboratoriais mais abrangentes, encontrou uma prevalência de cerca de
20%, aproximadamente metade dos casos sem diagnóstico prévio. Em 2014,
estimou-se que existiriam 11,9 milhões de pessoas, na faixa etária de 20 a 79 anos,
com diabetes no Brasil, podendo alcançar 19,2 milhões em 2035. Acomete pessoas
das mais variadas faixas etárias, independente de sexo, cor ou condição
socioeconômica.

Segundo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística,

Em 2013, estima que no Brasil 6,2% da população com 18


anos ou mais de idade referiram diagnóstico médico de
diabetes, sendo de 7,0% nas mulheres e de 5,4% nos homens.
Em relação à escolaridade, observou-se maior taxa de
diagnóstico de diabetes (9,6%) entre os indivíduos sem
instrução ou com ensino fundamental incompleto. Em relação à
idade, as taxas variaram de 0,6% para a faixa etária de 18 a 29

9 O. Zolk. Current understanding of the pharmacogenomics of metformin. Clinical Pharmacology &


Therapeutics. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1038/clpt.2009.144 Acesso em: 01/set/2016.
10 Idem. Ibidem. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1038/clpt.2009.144 Acesso em: 01/set/2016.
17

anos a 19,9% para a de 65 a 74 anos. 11

Não foram verificados resultados estatisticamente distintos


entre brancos, pretos e pardos. É difícil conhecer a incidência de DM2 em grandes
populações, pois requer seguimento durante alguns anos, com medições periódicas
de glicemia. Os estudos de incidência são geralmente restritos ao DM1, pois suas
manifestações iniciais tendem a ser bem características.

O século passado presenciou um acelerado processo de


urbanização e distribuição de seus habitantes no país. Segundo OLIVEIRA, 12

muitos desses habitantes viviam no campo, mas, em busca de oportunidades,


muitos migraram para os centros urbanos.

O autor ainda relata que, nas ultimas décadas, foram


acumuladas evidencias de que numerosos mecanismos etiológicos diferentes, como
os genéticos, ambientais e imunológicos, podem ter importante papel na
patogênese, no curso clinico e no aparecimento de complicações do estado
diabético.

De acordo com o autor, no contexto atual o Diabetes Mellitus


Tipo 2 é considerado uma das principais síndromes de evolução crônica que
acomete o homem moderno em qualquer idade, condição social e localização
geográfica, provocando alterações metabólicas que podem comprometer
significativamente a qualidade de vida desse individuo.

De acordo com FRANCO, 13 atualmente, a classificação


proposta para o DM, baseia-se na provável etiologia da hiperglicemia, que reflete o
atual conhecimento na área e pode sofrer algumas alterações com o progresso

11 Brasil. IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional de Saúde 2013:
percepção do estado de saúde, estilos de vida e doenças crônicas. Disponível em: http://www.ibge.
gov.br/home/estatistica/populacao/pns/2013/default_xls.shtm Acesso em: 02/set/2016. (a)
12 Jose Egidio Paulo de Oliveira. Conceito, Classificação e Diagnostico do Diabetes Mellitus. In: Jose

Egidio Paulo de Oliveira; Adolpho Milech. Diabetes Mellitus: Clinica, Diagnostico e Tratamento
Multidisciplinar. 2006, p. 7.
13 Laercio J. Franco. Epidemiologia e Classificacao do Diabetes Mellitus In: Bernardo Leo

Wajchember; Antonio Carlos Lerario; Roberto Tadel Barcelos Betti. Tratado de Endocrinologia
Clínica. 2014, p. 362.
18

científico.

As complicações do diabetes são doenças que podem surgir


do controle inadequado da glicemia, principalmente, quando altas taxas de glicose
sanguínea permanecem por longos períodos.

Segundo o Ministério da Saúde - Secretaria de Atenção a


Saúde - Departamento de Atenção Básica, 14 as complicações do Diabetes Mellitus
podem ser classificadas em complicações agudas (hipoglicemia, cetoacidose e
coma hiperosmolar) e crônicas, como a retinopatia diabética, a neuropatia diabética
e a neuropatia diabética.

De acordo com DAVIDSON, 15 as complicações do diabetes


são mais bem consideradas em três categorias distintas:

a) Doença macrovascular (grandes vasos ou aterosclerótica), cujas manifestações


clinicas são a angina e os infartos miocárdicos; os acidentes cerebrovasculares e as
doenças vasculares periféricas.

b) Doença microvascular (pequenos vasos, cujas manifestações são a retinopatia


diabética e a nefropatia diabética).

c) Neuropatia (envolvimento dos sistemas nervosos periféricos e do autônomo) cujas


manifestações clinicas podem induzir a vários problemas.

Para ZOLK, 16 o aumento da incidência do Diabetes Mellitus


Tipo 2 - DM2 entre crianças e adolescentes vem sendo observado em várias regiões
do mundo. Ainda não são conhecidos os motivos responsáveis pela eclosão da
doença nessa faixa etária. Inicialmente, há duas décadas, esses relatos referiam-se
a grupos homogêneos com maior suscetibilidade à doença – índios americanos e
canadenses –, e há dez anos envolvendo minorias étnicas, sobretudo os americanos

14 Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção a Saúde. Departamento de Atenção Básica. Op.
Cit. p. 67. (b)
15 Mayer B. Davidson. Op. Cit. p. 240.
16 O. Zolk. Op. Cit. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1038/clpt.2009.144 Acesso em: 01/set/2016.
19

de origem hispânica e os afro-americanos, além da descrição do aumento em 20


vezes na incidência do DM2 na população de adolescentes japoneses. No Japão, o
DM2 em jovens já é mais comum que o DM1.

O Quadro 2. mostra as principais recomendações aos


portadores de Diabetis Mellitus

QUADRO 2. RECOMENDAÇÕES E CONCLUSÕES


GRAU DE
RECOMENDAÇÕES E CONCLUSÕES
RECOMENDAÇÕES
A frequência do Diabetes Mellitus está assumindo
proporções epidêmicas na maioria dos países. A
Na maioria dos países em desenvolvimento, o
aumento da incidência do Diabetes Mellitus ocorre
com maior intensidade nos grupos etários mais B
jovens.
Incidência do diabetes tipo 1 está aumentando,
particularmente na população infantil com menos
B
de 5 anos de idade.
As estatísticas de mortalidade e de hospitalizações
por diabetes subestimam sua real contribuição. B
As doenças cardiovasculares e celebrovasculares
são as principais causas de óbito de portadores de
B
Diabetes.
A parcela importante de óbitos em indivíduos com
diabetes é prematura, ocorrendo quando ainda
D
contribuem economicamente para sociedade.
Na atualidade, a prevenção primaria do diabetes
tipo 1 não tem uma base racional que se possa
B
aplicar à população geral.
Intervenções no estilo de vida, com ênfase em
alimentação saudável e pratica regular de
atividades físicas, reduzem a incidência de A
Diabetes Tipo 2.
Intervenções no controle da obesidade,
hipertenção arterial, dislipidemia e sedentarismo,
além de prevenir o surgimento do diabetes, A
também evitam doenças cardiovasculares.
O bom controle metabólico do Diabetes prevenir o
surgimento ou retarda a progressão de suas
complicações crônicas, particularmente as A
microangiopáticas.
Medidas de combate ao tabagismo auxiliam no
controle do diabetes e na prevenção da
B
hipertenção arterial e de doença cardiovascular
(A) Estudos experimentais e observacionais de melhor consistência; (B) Estudos experimentais e
observacionais de menor consistência; (C) Relatos de casos – estudos não controlados; (D) Opinião
desprovida de avaliação crítica, baseada em consenso, estudos fisiológicos ou modelos animais.
Fonte: José Egidio Paulo de Oliveira; Sérgio Vencio. Diretrizes da Sociedade Brasileira de
Diabetes (2015-2016) - DSBD. 2016, p. 5.
20

1.2 A PREVENÇÃO E O CONTROLE DO DIABETES MELLITUS – DM2

Diabetes Mellitus é a principal causa de cegueira em adultos,


amputações não traumáticas e doença renal crônica, além de ocasionar um risco
duas a quatro vezes maior de doenças cardiovasculares. 17 Dessa forma, gera
grandes custos ao sistema de saúde e uma perda importante na qualidade de vida
dos portadores da doença.

O desenvolvimento de estratégias para prevenir ou retardar o


início do DM2 é uma ideia atrativa, pois torna possível evitar ou limitar as múltiplas
complicações resultantes da hiperglicemia na maioria dos pacientes.

A prevenção primária protege indivíduos suscetíveis de


desenvolver DM, tendo impacto por reduzir ou retardar tanto a necessidade de
atenção à saúde como a de tratar as complicações da doença.

Prevenção efetiva também significa mais atenção à saúde de


modo eficaz. Isso pode ocorrer mediante prevenção do início do DM (prevenção
primária) ou de suas complicações agudas ou crônicas (prevenção secundária).

DAMASCENO 18 relata que o tratamento do Diabete Mellitus


tem o objetivo de manter a glicose sanguínea em valores normais (60 a 110mg/dl)
ou próximos do normal. Para tanto, os diabéticos do tipo 1 necessitam de uma ou
mais injeções subcutâneas diárias de insulina exógena, enquanto os do tipo 2
requerem uma terapêutica à base de hipoglicemiantes orais e, até mesmo, de
insulina, quando não conseguem normalizar os níveis glicêmicos apenas com a
dieta.

Para a autora, uma dieta balanceada é indispensável para o


controle metabólico da doença, a manutenção do peso normal e a prevenção de

17 ADA - American Diabetes Association. Op. Cit. Disponível em: http://www.diabetes.org/diabetes-


basics/statistics/ Acesso em: 25/ago/2016.
18 Marta Maria Coelho Damasceno apud Zenilda Nogueira Sales. Representações Sociais do Cuidado

no Diabetes Mellitus. Fortaleza. 2003, 161 f. Tese. (Doutorado em Enfermagem). UFC – Universidade
Federal do Ceará. Faculdade de Farmácia, Odontologia e Enfermagem. Disponível em:
http://www.repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/2155/1/2003_tese_znsales.pdf Acesso em: 01/set/2016.
21

complicações. O diabético insulinodependente deve fazer suas refeições de modo


que coincidam com o horário do pico de ação da insulina. Além disso, é preciso
haver um equilíbrio entre a quantidade de carboidratos ingeridos em cada refeição
não tem tanta importância quando comparado com a quantidade e a composição da
dieta.

Nesse sentido, faz-se necessário que o paciente tenha uma


alimentação mais saudável e equilibrada: evitar as gorduras e opte antes pelas
carnes magras. Consumir mais fruta, vegetais e fibra. Importante também para o
controle do Diabetes Mellitus é a rotina de exercícios físicos. Facilita a queima da
glicose, reduzindo, portanto, as necessidades diárias de insulina, ajuda a controlar
os níveis de glicose no sangue e o peso corporal e, ainda, reduz o risco de
problemas cardiovasculares.

Importante que os diabéticos insulinodependentes equilibrem a


dose de insulina, o horário das refeições e a quantidade de alimentos ingeridos, com
a quantidade e horário de exercícios físicos realizados, de modo que evitem as
complicações agudas da doença, ou seja, valores muito elevados ou muito baixos
de glicose no sangue.

PINHAS-HAMEL e ZEITLER 19 explicam que uma medida que


contribui para manter o diabetes controlado é a realização de glicemias e glicosúrias.
Atualmente existem no mercado fitas-teste que possibilitam a automonitorização
diária da glicose no sangue capilar e na urina, cujos resultados podem ser
interpretados pelo próprio diabético, tornando-o capaz de normalizar, por si, seus
níveis de glicose. O paciente deve estar orientado quanto ao uso adequado e aos
benefícios proporcionados pela correta prática do automonitoramento.

Para tanto, o tratamento do diabetes exige uma expertise que


envolve desde o conhecimento da fisiopatologia da doença, as possíveis
complicações, os tratamentos mais atualizados disponíveis, assim como as

19Orit Pinhas-Hamel; Philip Zeitler. The global spread of type 2 diabetes mellitus in children and
adolescents. Journal of Pediatrics. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1016/j.jpeds.2004.12.042
Acesso em: 01/set/2016.
22

mudanças na propedêutica. Isso tudo, aliado a um conhecimento detalhado do


paciente, é a única maneira de se tentar obter um excelente controle glicêmico,
evitando-se as complicações que podem ser causadas pela tentativa de se
aperfeiçoar o tratamento.

FIGURA 1. DIABETES: FIM DA PICADA

Fonte: Karolina Bergamo. Novo aparelho mede a glicose sem picada no dedo. Disponível
em: http://saude.abril.com.br/bem-estar/novo-aparelho-mede-a-glicose-sem-picada-no-
dedo/. Acesso em 09/out/2016

Os principais sintomas do diabetes são a diurese abundante,


sede e fome excessiva. Ainda são sintomas comuns: fraqueza, perda de peso,
nervosismo, mudanças de humor, infecções frequentes, dificuldade na cicatrização
de feridas, formigamento nos pés, além de alterações visuais. 20

É preciso aprender a reconhecer os sintomas deste quadro


(nervosismo e irritabilidade, sudorese, tremores nas mãos, cefaleia, visão dupla ou
turva, fala arrastada, fome, palidez, sonolência, taquicardia, sensação de
formigamento nos lábios e na língua) e agir o mais depressa possível ingerindo
carboidratos de absorção rápida. 21

20 ADA - American Diabetes Association. Op. Cit. Disponível em: http://www.diabetes.org/diabetes-


basics/statistics/ Acesso em: 25/ago/2016.
21 Idem. Ibidem. Disponível em: http://www.diabetes.org/diabetes-basics/statistics/ Acesso em:

25/ago/2016.
23

Ambos os tipos de diabéticos estão susceptíveis à crise de


hipoglicemia (baixo nível de glicose no sangue) se utilizaram doses excessivas de
insulina, comerem quantidade insuficiente para as suas necessidades ou praticarem
exercícios físicos em demasia.

No diabetes, a adesão ao regime terapêutico é extremamente


importante, uma vez que os resultados desta doença são determinados pela eficácia
do tratamento medicamentoso prescrito pelos médicos que acompanham o paciente
e também pelo nível de adesão do doente às mudanças de estilo de vida.

QUADRO 3. RESUMO DAS RECOMENDAÇÕES DA ACADEMIA AMERICANA DE


PEDIATRIA PARA TRATAMENTO E ACOMPANHAMENTO DE JOVENS
PORTADORES DE DM2
Insulina: a introdução de tratamento com Metformina: a metformina deve ser o
insulina deve ser assegurada em crianças e medicamento de primeira escolha para
adolescentes com DM2 que tenham cetose jovens e adolescentes e, em todas as
ou cetoacidose diabética, em pacientes nos outras situações, no momento do
quais a distinção entre DM1 e DM2 não for diagnóstico e durante o tratamento, sendo
evidente e sempre que o paciente sempre associada a programa de
apresente, em coleta aleatória de glicose modificação de estilo de vida, incluindo
plasmática ou venosa, valor ≥ 250 mg/dl ou orientação nutricional e de atividade física
HbA1c > 9%
Hemoglobina glicada: o monitoramento Glicemia capilar: a realização de glicemia
com coleta de HbA1c deve ser realizado a capilar deve ser aconselhada em pacientes
cada 3 meses. Caso as metas de glicemia que utilizem insulina ou outras medicações
capilar e concentração de HbA1c (< 7%) não com risco de hipoglicemia; estejam iniciando
sejam obtidas, recomenda-se a ou modificando o regime de tratamento; não
intensificação do tratamento, por meio do tenham alcançado as metas ou apresentem
aumento do número de controles de intercorrência de saúde (doenças febris ou
glicemia capilar e ajuste de dose e tipo de que afastem o paciente da rotina normal
medicação, no intuito de normalizar as diária)
concentrações de glicose sanguínea
Orientação nutricional: sugerir, na Atividade física: crianças e adolescentes
orientação da dieta e nutrição de crianças portadores de DM2 devem ser incentivados
com DM2, seja no momento do diagnóstico pelo médico a realizar atividade física
ou durante o tratamento, que se utilizem as de moderada a intensa, durante no mínimo
recomendações do consenso da Academia 60 min diariamente. É recomendado
de Nutrição e Dietética Pediatric Weight também que o tempo de “tela não
Management Evidence-Based Nutrition acadêmica” (televisão, videogame etc.) seja
Practice Guidelines limitado a, no máximo, 2 h/dia
Fonte: Laercio J. Franco. Epidemiologia e Classificacao do Diabetes Mellitus. In: Bernardo
Leo Wajchember; Antonio Carlos Lerario; Roberto Tadel Barcelos Betti. Tratado de
Endocrinologia Clínica. 2014, p. 355. (adaptado).
24

CAPÍTULO II. ATENÇÃO FARMACÊUTICA E A PROMOÇÃO DO USO


RACIONAL DE METFORMINA

Após o diagnóstico, o portador do Diabetes Mellitus – DM2


passa por diversas mudanças no estilo de vida, além de iniciar a busca por cuidado
e tratamento. É essencial a integração do profissional, do paciente e da família para
alcançar um tratamento adequado e satisfatório.

O objetivo do tratamento farmacológico do DM2 é atingir o


controle glicêmico satisfatório em pacientes que não o conseguiram por meio de
medidas não farmacológicas, como perda de peso, mudanças de hábitos
alimentares e aumento da atividade física, como também o acompanhamento de
especialistas e ajuda da família do DM2.

Com relação ao exposto OLIVEIRA et al. 22 esclarecem que,


para melhores resultados no controle glicêmico em diferentes estágios evolutivos do
DM2, existe a necessidade de uma combinação de dois ou mais compostos
farmacológicos, associados às mudanças de vida.

Contudo, o hábito de monitorar a glicemia deve sempre


persistir durante o tratamento, tendo em vista que a hiperglicemia é considerada um
fator de risco para desenvolver as complicações do DM2. A Atenção Farmacêutica
possui por finalidade, aumentar a efetividade do tratamento medicamentoso. Esta,
segundo a Organização Mundial da Saúde, conceitua-se como a prática profissional
na qual o paciente é o principal beneficiário das ações do Farmacêutico.

De acordo com OLIVEIRA et al. 23 a atuação profissional


Farmacêutico inclui uma somatória de atitudes, comportamentos,
corresponsabilidades e habilidades na prestação da Farmacoterapia, com o objetivo
22 Andrezza Beatriz Oliveira et al. Obstáculos da atenção farmacêutica no Brasil. Revista Brasileira de
Ciências Farmacêuticas. Disponível em: http://www.ceatenf.ufc.br/Artigos/Obstaculos%20da%20ATE
NFAR%20no%20Brasil.pdf Acesso em: 01/set/2016
23 Idem. Ibidem. Disponível em: http://www.ceatenf.ufc.br/Artigos/Obstaculos%20da%20ATENFAR%

20no%20Brasil.pdf Acesso em: 04/set/2016.


25

de alcançar resultados terapêuticos eficientes e seguros para prevenir, informar e


resolver um Problema Relacionado a Medicamentos - PRM, privilegiando a saúde e
a qualidade de vida do paciente.

Partindo desse contexto, o Farmacêutico pode contribuir para


melhorar a qualidade da terapia medicamentosa, por meio de avaliações regulares
que garantam o acompanhamento do uso do medicamento, com foco voltado no
paciente e mudando a visão de cliente para paciente, colocando como centro do seu
trabalho o paciente. BISSON afirma que,

Atenção Farmacêutica é um modelo de prática desenvolvida no


contexto da Assistência Farmacêutica. Compreende atitudes,
valores éticos, comportamentos, habilidades, compromissos e
co-responsabilidades na prevenção de doenças e na promoção
e recuperação da saúde, de forma integrada à equipe de
saúde. É a interação direta do farmacêutico com o usuário,
visando a uma farmacoterapia racional e à obtenção de
resultados definitivos e mensuráveis, voltados para a melhoria
da qualidade de vida. Esta interação também deve envolver as
concepções dos seus sujeitos, respeitadas as suas
especificidades biopsicossociais, sob a ótica da integralidade
das ações de saúde. 24

Nesse contexto, o Farmacêutico faz parte de uma equipe


multidisciplinar que tem o papel fundamental de orientar o paciente e todos que com
ele convivem para que o indivíduo mesmo com alguma patologia possa ter
qualidade de vida. O profissional Farmacêutico é qualificado para esclarecer dúvidas
sobre a ação do fármaco no organismo, sua forma correta e consciente de
utilização.

Diante do exposto, tornam-se necessárias, medidas


preventivas de modo a contribuir para a diminuição dos riscos causados por essa
patologia, a utilização de outras informações muito relevantes como a importância
de uma dieta específica e a prática de exercícios físicos, principalmente quando se
trata de DM2, pois é fundamental o paciente e toda sua família saber que a função
da dieta no tratamento do paciente diabetes se faz tão necessário quanto à
utilização do fármaco. Visto que, é por meio do controle da ingestão calórica que se

24 Marcelo Polacow Bisson. Farmácia Clinica & Atenção farmacêutica. 2007, p. 07 - 08.
26

podem administrar os níveis de glicose no sangue e com isso evitar suas


complicações.

De acordo com SILVIA e PRANDO, 25 vários estudos foram


realizados para demonstrar que a prática da Atenção Farmacêutica e da
Farmacovigilância, tanto no Brasil, quanto nos países europeus, principalmente na
Espanha (onde a prática é mais desenvolvida), puderam trazer resultados
satisfatórios em relação aos custos, qualidade e adesão ao tratamento proposto.

No que se diz respeito à dispensação de medicamentos, a


participação do Farmacêutico se torna essencial, vendo que outro problema
observado na população que utiliza Metformina é a não adesão ao tratamento
prescrito, como não tomar o medicamento nos horários certos, esquecer-se de tomá-
los ou ainda utilizar o medicamento pra fiz de emagrecimento que não seja para
tratamento de DM2. Além disso, o ato de prescrever medicamentos faz parte da
cultura Brasileira e, muitas vezes, são indicados medicamentos sem que se conheça
a real condição clínica do paciente ou os efeitos que o medicamento poderá causar
em seu organismo, daí a grande importância da presença do profissional com
formação e habilidade capaz de praticar a Atenção Farmacêutica.

Percebe-se, no contexto geral, que o tratamento direcionado ao


paciente com Diabetes Mellitus tipo 2 necessita de acompanhamento periódico, no
entanto, o acesso ao profissional Farmacêutico ainda não é possível em muitas
situações. Muitas vezes o doente se utiliza de tratamento empírico, sendo essa
atitude prejudicial à saúde. Segundo TARTUCE,

É o conhecimento do dia a dia, que se obtém pela experiência


cotidiana. Também chamado de popular ou vulgar. É
espontâneo, focalista, sendo por isso considerado incompleto,
carente de objetividade. Ocorre por meio do relacionamento
diário do homem com as coisas. Não há a intenção e a
preocupação de atingir o que o objeto contém além das
aparências. 26

25 Silvia; Prando apud Viviane Butara de Plácido; Leonardo Parr dos Santos Fernandes; Cristiane
Fátima Guarido. Contribuição da Atenção Farmacêutica para pacientes portadores de diabetes
atendidos no ambulatório de endocrinologia da UNIMAR. Revista Brasileira de Farmácia. Disponível
em: http://www.ceatenf.ufc.br/Artigos/23.pdf Acesso em: 01/set/2016.
26 Terezinha de Jesus Afonso Tartuce. Normas e técnicas para trabalhos acadêmicos. 2008, p. 5.
27

Portanto, de forma geral, as intervenções Farmacêuticas têm


mostrado resultados positivos: melhorando as prescrições, controlando a
possibilidade de reações adversas e promovendo maior adesão do paciente ao
tratamento.

2.1 METFORMINA

Como descrito por TAMBACIA, PIRES e LAGUNA NETO, 27

por volta da década de 1920, o extrato da planta Galega offcinalis apresentava na


época um efeito terapêutico, sendo utilizado para reduzir manifestações clínicas do
DM descompensado. Portanto, após a substância encontrada em estudos
complementares, observou-se a presença de guanidina, um composto altamente
tóxico para uso clínico.

A Metformina pertence à classe das biguanidas, agindo


perifericamente aumentando a sensibilidade à insulina; é a medicação mais utilizada
nos Diabéticos Tipo 2, sendo a primeira opção. Um terço é metabolizado no fígado e
2/3 são excretados pela urina. Como os metabólitos são inativos e a excreção renal
é rápida, a ação hipoglicemiante é menos intensa que a das sulfonilureias de curta
duração, e não costuma alterar a glicemia de maneira significativa nas fases iniciais
da doença renal. 28

Portanto, no decorrer das experiências foram sintetizados dois


compostos químicos: o decametileno biguanida, chamado de sintalina A e o
dodecametimetileno biguanidas, conhecido como sintalina B, que demonstraram
eficácia e boa tolerância como opções terapêuticas para o DM.

Conforme TAMBACIA, PIRES e LAGUNA NETO, 29 um fato


importante ocorreu na Alemanha, alguns anos depois: a síntese da dimetil
biguanida, denominada Metformina. Na década de 1950, as ações farmacológicas

27 Marcos Tambascia; Antonio Carlos Pires; Daniela Laguna Neto. Diagnóstico e Tratamento do
Diabetes Mellitus Tipo 2. In: Bernardo Leo Wajchenberg; Antônio Carlos Lerario; Roberto Tadel
Barcellos Betti. Op. Cit. p. 446.
28 José Egidio Paulo de Oliveira; Sérgio Vencio. Diretrizes SBD 2015 - 2016. 2016, p. 35.
29 Marcos Tambascia; Antonio Carlos Pires; Daniela Laguna Neto. Loc. Cit. In: Bernardo Leo

Wajchenberg; Antonio Carlos Lerario; Roberto Tadel Barcellos Betti. Loc. Cit. p. 446 – 448.
28

da substância foram estudadas ainda mais, tornando-se disponível no mercado em


diversos países europeus. O uso da Metformina no Brasil foi liberado na década de
1980. No tempo vigente, e considerada a base para o tratamento do DM Tipo 2 em
diferentes fases evolutivas da doença, desde a fase de pré-diabetes até a de
falência total de síntese de insulina pela células beta pancreáticas. Então,
RAMALHO e LIMA 30 colocam que, os mecanismos de ação propostos pela
Metformina são:

a) Suspensão da glicogênese, aproximadamente 75% de sua ação.


b) Diminuição da produção hepática de glicose.
c) Redução da absorção gastrointestinal de glicose.
d) Estimulação anaeróbia nos tecidos periféricos.
e) Aumento da remoção da glicose sanguínea e a redução do nível plasmático de
glucagon.
f) Aumento do transporte de glicose.

Conforme RAMALHO e LIMA, 31 as biguanidas geralmente são


indicadas para portadores de Diabetes Mellitus Tipo 2, com índice de massa
corpórea aumentados ou obesos, já que a resistência a insulina e o principal fator na
fisiologia do diabetes. De acordo com TAMBASCIA, PIRES e LAGUNA NETO,

Em monoterapia, a Metformina e neutra em relação ao peso e


não causa hipoglicemia, mas exerce alguns benefícios na
síndrome de resistência a insulina (p. ex., redução dos níveis
séricos de triglicerídeos, de colesterol de lipoproteínas de baixa
densidade [LDL], do inibidor do ativador do fibrinogênio [PAI] e
da insulina). Na pratica e indicada como monoterapia ou em
combinação com todos os agentes orais e injetáveis, e também
com a insulina na fase de insulinização plena. 32

Todavia, a Metformina não sofre metabolização e é excretada


inalterada pelos rins e sua a absorção é incompleta, pois aproximadamente 30% da
dose oral é eliminada diretamente nas fezes. A ação periférica da Metformina sobre

30 Ana Claudia Reboucas Ramalho; Maria de Lourdes Lima apud Penildon Silva. Farmacologia. 2010,
p. 447.
31 Idem apud Idem. Ibidem. p. 447.
32 Marcos Tambascia; Antonio Carlos Pires; Daniel Laguna Neto. Op. Cit. In: Bernardo Leo

Wajchenberg; Antonio Carlos Lerario; Roberto Tadel Barcellos Betti. Op. Cit. p. 447.
29

a resistência à insulina está associada com possível ação pós-receptora,


independente da melhora na ligação da insulina com os receptores insulínicos. Além
de sua ação antidiabética, a Metformina tem no homem, efeito protetor sobre os
fatores de risco de angiopatia, diretamente ou através de sua ação sobre a
resistência à insulina.

Importante salientar que sobre o metabolismo lipoproteico, a


Metformina reduz o colesterol e os triglicerídeos, assim como as frações de
lipoproteínas VLDL e LDL e a apolipoproteína B; aumenta a fração HDL e a
apolipoproteína A. Nesse caso, melhora, portanto, a relação HDL/colesterol total,
mas não tem nada comprovado que a Metformina ajude no emagrecimento.

Os fármacos hipoglicemiantes orais podem ser utilizados como


monoterapia, ou combinados entres si; englobam diversas classes de substâncias.
Entender o mecanismo de ação, conhecer os efeitos farmacológicos positivos e
negativos, como também a indicação na terapia do diabetes é essencial para o
sucesso do tratamento.

Nessa linha de raciocínio RAMALHO e LIMA 33 sugerem que é


importante a implantação de um conjunto de medidas para manter um controle do
DM, além da dieta e exercício físico, a introdução da farmacoterapia com
antidiabético oral, como também a administração de insulina.

De acordo com RAMALHO e LIMA 34 a escolha dos fármacos


depende da fase fisiopatológica da doença, portanto a indicação de cada
medicamento depende da causa da doença que é definido muitas vezes pelo tipo de
Diabetes.

É importante ressaltar que o tratamento do Diabetes Mellitus


Tipo 2 não se resume somente ao médico, o medicamento e o paciente. A dieta e a
prática regular de exercícios físicos contribuem de forma expressiva para alcançar
sucesso no tratamento.

33 Ana Claudia Rebouças Ramalho; Maria de Loudes Lima apud Penildon Silva. Op. Cit. p. 715.
34 Idem apud Idem. Ibidem. p. 815.
30

CAPÍTULO III. PESQUISA DE CAMPO

Pesquisa são ações destinadas a busca de novos


conhecimentos. No meio Acadêmico é caracterizado como uma estratégia
fundamental que consiste na realização de uma investigação planejada, cuja
finalidade e buscar respostas a problemas, indagações teóricas e práticas do nosso
cotidiano. Para TARTUCE,

Pesquisa é o processo de desenvolvimento do método


científico, seu objetivo é descobrir respostas mediante o uso de
procedimentos científicos. De maneira bem simples, significa
procurar respostas para indignação proposta (...) é um conjunto
de ações propostas para encontrar a solução de um problema,
que tem por base procedimentos racionais e sistemáticos. 35

A pesquisa de campo trata da observação de fatos e


fenômenos exatamente como ocorrem na realidade; a coleta de dados referentes
aos mesmos e, finalmente, da análise e interpretação desses dados, com base
numa fundamentação teórica consistente, objetivando compreender e explicar o
problema pesquisado.

Segundo TARTUCE, 36 a pesquisa de campo e a captura de


dados a serem investigados no campo do acontecimento, considerando assim
parâmetros do que se esta investigando, como por exemplo onde aconteceu, como
e quando ocorreu.

3.1 MÉTODO DA PESQUISA

A metodologia escolhida deve ser a mais adequada ao seu


objeto em estudo e a abordagem aplicada. A pesquisa de campo envolveu a
utilização do método quantitativo, utilizando a técnica do formulário para coleta de
dados de forma clara e estruturada para a realização de pesquisa.

35 Terezinha de Jesus Afonso Tartuce. Op. Cit. p. 41.


36 Idem. Ibidem. p. 51.
31

Segundo TARTUCE, 37 os métodos utilizados para a realização


da pesquisa de campo são: Quantitativo, que é o uso de instrumental estatístico, de
dados numéricos; e, Qualitativo, que se caracteriza pela qualificação dos dados
coletados, durante análise do problema.

Este trabalho científico adotou o método quantitativo. Nesse


tipo de estudo se apresentam variáveis distintas e relevantes para a pesquisa que,
em analise, usualmente e apresentado por tabelas e gráficos. Utilizou-se o
formulário como técnica de coleta de dados.

TARTUCE 38 considera que o formulário consiste em uma


técnica de pesquisa de campo de natureza quantitativa, quando se devem formular
perguntas esclarecedoras quanto ao propósito da aplicação, ressaltar a importância
da colaboração do participante, bem como também facilitar o preenchimento.

Nesse contexto, a autora relata que a comunicação entre o


pesquisador e o respondente é estabelecida de forma direta. As questões são
perguntadas e preenchidas pelo pesquisador. Desta forma, permite ao pesquisador
no momento de aplicação do formulário conhecer e registrar impressões sobre
reações manifestadas pelos seus pesquisados.

3.2 UNIVERSO DA PESQUISA

Seguindo as orientações metodológicas, foi elaborado um


formulário, contendo 13 questões, as quais abordaram todos os itens expostos pelo
presente trabalho. O formulário foi aplicado em uma Farmácia Comercial – Conjunto
José Walter em Fortaleza – CE.

A pesquisa foi realizada na Farmácia Drogaria Cearense,


Fortaleza-CE, onde foram abordados 60 clientes atendidos na empresa com um
formulário elaborado. Os dados foram lançados no programa Microsoft Office Excel,
com as informações necessárias registradas em planilhas e armazenadas em banco

37 Terezinha de Jesus Afonso Tartuce. Op. Cit. p. 51.


38 Idem. Idem. p. 51.
32

de dados criado especialmente para este estudo.

A coleta de dados foi realizada no período de 05 de Agosto a


07 de Outubro de 2016, no estabelecimento comercial citado.

Para a coleta de dados, foi utilizado como critério de inclusão,


ser diabético em tratamento. A população pesquisada é composta por 60 portadores
do Diabetes Mellitus Tipo 2 em tratamento.

3.3 PERFIL DO SUJEITO

Vale destacar que dos 60 portadores de Diabetes Mellitus Tipo


2, que participaram da pesquisa, 60% estão entre 50 a 70 anos, 25% tem entre 16 a
50 e 15% de pessoas 70 a 90 anos.

Diante do âmbito dos respondentes pesquisados, 80% são


mulheres e 20% homens.

Sobre a formação educacional 45% dos respondentes tem


ensino fundamental, 33% tem ensino médio, 15% são analfabetos e 7% tem ensino
superior, desse modo verifica-se que a maioria dos respondentes possui pouca
escolaridade.

3.4 APRESENTAÇÃO DOS DADOS DO FORMULÁRIO

GRÁFICO 1. QUANTO TEMPO SABE QUE TEM DIABETES

5%
20% 30%
Até 1 ano
2 a 5 anos
6 a 10 anos
45%
Mais de 10 anos
33

O Gráfico 1. mostra que, 45% sabem que tem Diabetes


Mellitus tipo 2 entre 2 a 5 anos, 30% das pessoas sabem há 1 ano, 20% de 6 a 10
anos e apenas 5% sabem há mais de 10 anos da sua patologia.

GRÁFICO 2. PARENTES EM 1º GRAU (PAI, MÃE OU FILHOS) SÃO DIABÉTICOS

35%
SIM
NÃO

65%

Observa-se no Gráfico 2. que 65% dos contatados tinham


parentes de 1º grau diabéticos e 35% não tinham nenhum parente com a patologia.

GRÁFICO 3. ORIENTAÇÃO SOBRE A IMPORTÂNCIA DA BOA DIETA,


ATIVIDADE FÍSICA E UTILIZAÇÃO DA MEDICAÇÃO DA FORMA CORRETA

16%

SIM
NÃO

84%

De acordo com o Gráfico 3., das 60 pessoas questionados a


maioria em 84% teve uma orientação a respeito da dieta e atividade física e 16%
não foram orientados.
34

GRÁFICO 4. TOMA OS MEDICAMENTOS NOS HORÁRIOS INDICADOS

15%

SIM
NÃO

85%

Observa-se no Gráfico 4., que 85% dos pesquisados tomam


os medicamentos de acordo com o horário indicado, 15% dos contatos não tomam
os medicamentos nos horários certos.

GRÁFICO 5. QUAL PROFISSIONAL DE SAÚDE JÁ ALERTOU SOBRE AS


CONSEQUÊNCIAS DA NÃO ADESÃO AO TRATAMENTO

4% 6%
15%

Farmacêutico
Médico
Enfermeiro
Outros
75%

O Gráfico 5., mostra que 75% foram informados pelo


médicos,15% foram informados por enfermeiros, 6% tiveram orientação de um
farmacêutico, 4% foram orientados por outros profissionais da saúde.
35

GRÁFICO 6. RELACIONADO A IMPORTÂNCIA DO TESTE DE GLICEMIA


CAPILAR

23%

SIM
NÃO

77%

O Gráfico 6., ressalta que um total de 77% dos pesquisados


realizam o teste de glicemia com frequência e 23% não realizam

GRÁFICO 7. PROCUROU INFORMAÇÕES SOBRE O DIABETES MELLITUS COM


O FARMACÊUTICO

13%

SIM
NÃO

87%

De acordo com o Gráfico 7., 86% nunca procuraram


informação com nenhum farmacêutico a respeito da patologia e apenas 14%
procuraram o farmacêutico.
36

GRÁFICO 8. ACHA QUE O FARMACÊUTICO É IMPORTANTE PARA ORIENTAR


SOBRE DIABETES MELLITUS TIPO 2

13%

SIM
NÃO

87%

O Gráfico 8., mostra que 87% dos pesquisados acham


importante à orientação farmacêutica e 13% acham que o farmacêutico não é
importante para a orientação sobre a patologia.

GRÁFICO 9. FAZ ATIVIDADE FÍSICA

30%
38%
NUNCA
ÀS VEZES
REGULARMENTE

32%

De acordo com o Gráfico 9., 34% dos respondentes nunca fez


atividades físicas,e 32% só às vezes fazem atividade física e 38% fazem atividades
físicas regularmente.
37

GRÁFICO 10. QUAL PROFISSIONAL TEM MAIS CONTATO PARA TIRAR


DUVIDAS E ESCLARECIMENTOS SOBRE A SUA PATOLOGIA

2%
9%
5%

Médicos
Farmacêuticos
Enfermeiros

84% Outros

O Gráfico 10., mostra que 84% tem mais contato com médico
para tirar dúvidas e esclarecimentos a respeito de sua patologia, 9% com
enfermeiros, 5% com farmacêutico e 2% com outros profissionais da saúde.

GRÁFICO 11. CONHECIMENTO SOBRE DIABETES MELLITUS

43%
SIM
NÃO
57%

De acordo com o Gráfico 11., quando perguntados sobre


conhecer a doença, 57% responderam que não conhecem com profundidade, apena
43% disseram que tem conhecimento.
38

GRÁFICO 12. CONHECIMENTO SOBRE AS COMPLICAÇÕES PROVOCADAS

11%

SIM
NÃO

89%

Avaliando o Gráfico 12., observou-se que a maioria dos


pesquisados (89%) tem conhecimento das complicações provocadas pelo Diabetes
Mellitus Tipo 2; apenas 11% não sabem que a doença pode contribuir de maneira
expressiva para manifestações de diversas complicações.

GRÁFICO 13. FAZ DIETA DE ACORDO COM A ORIENTACÃO

5%
20%

SIM
NÃO
75% ÁS VEZES

Observa-se no Gráfico 13., que 20% da população em estudo


afirma fazer dieta; em contrapartida, obteve-se um número bastante elevado de
pacientes que não se privam de alimentos em quantidades inadequadas para
39

portadores de Diabetes Mellitus Tipo 2, em torno de 75%.

3.5 ANÁLISE DE RESULTADOS

Após a coleta de dados, a fase seguinte da pesquisa é a de


análise e interpretação. A análise dos dados é um processo de formação do sentido
além dos dados, consolidando o que as pessoas disseram e o que o pesquisador
percebeu durante a fase da pesquisa de campo, que leva a constatação do estudo.

A partir da análise das informações da pesquisa de campo


desenvolvida por meio do método quantitativo, verificou-se que a maioria das
pessoas atendidas na Farmácia Drogaria Cearense é do sexo feminino. Analisando
o perfil dos participantes da pesquisa, observa-se que a maioria não tem
conhecimento da doença.

A participação do Farmacêutico é de suma importância. A


atuação desse profissional é apontada como condição essencial para garantir o
sucesso do tratamento do paciente com Diabetes Mellitus Tipo 2.

O Farmacêutico pode contribuir para melhorar a qualidade de


vida do paciente diabético, pois ele é o profissional que em virtude da continuidade
da farmacoterapia, tem maior contato com o paciente entre as consultas médicas,
possibilitando o monitoramento do progresso do tratamento e a orientação dos
pacientes em vários aspectos da doença e do uso racional dos medicamentos.

As informações obtidas mostram-se de vital importância para o


profissional Farmacêutico, por facilitar a elaboração de estratégias de prevenção
primária, no sentido de aperfeiçoar a assistência prestada aos usuários na farmácia
comercial. Um dos parâmetros em destaque apontado na realização da pesquisa: a
falta de conhecimento da doença.

Com base nos resultados apresentados, pode-se enfatizar que


a prática da Atenção Farmacêutica em farmácias comerciais se faz necessário. As
intervenções Farmacêuticas têm mostrado resultados positivos: melhorando as
40

prescrições, controlando a possibilidade de reações adversas e promovendo maior


adesão do paciente diabético ao tratamento.

A pesquisa apontou o médico como o profissional mais


procurado para esclarecer dúvida referente aos medicamentos. Cabe ao profissional
farmacêutico verificar problemas relacionados com a patologia e com os
medicamentos, além de procurar resolver e orientar para prevenir possíveis
complicações no tratamento dos diabéticos.
41

CONCLUSÃO

O diabetes exige alguns cuidados que devem ser seguidos


para o resto da vida, tanto para o paciente quanto para a família. Os indivíduos
acometidos pelo Diabetes Mellitus Tipo 2 podem ter uma vida normal, desde que
promovam o controle da doença, com inserção de hábitos de vida saudáveis,
seguindo com o tratamento adequado; seja farmacoterapêutico, quando necessário,
ou não farmacológico no que se refere a dieta e realização de atividade física.

O tratamento farmacoterapêutico e a dieta com a realização de


atividade física regularmente são indispensáveis para os diabéticos tipo 2
conviverem melhor com a doença. Desta forma, percebe-se que a grande maioria
dos respondentes nem sempre tem seguido este tratamento, muita vezes não
aderem à dieta orientada, menos ainda a prática regular de uma atividade física.

Seguir o tratamento conforme orientação médica é de suma


importância bem como a Assistência Farmacêutica para o acompanhamento
farmacoterapêutico do diabético. Dessa forma, conclui-se que a Atenção
Farmacêutica é eficaz e se faz necessária no acompanhamento do tratamento
terapêutico para pacientes portadores de Diabete Mellitus Tipo 2.

A pesquisa comprovou a necessidade de se oferecer serviços


de acompanhamento terapêutico aos usuários de Metformina, especialmente aos
portadores de patologias crônicas, em destaque o DM2, demonstrando com o
mesmo que é possível melhorar a qualidade de vida dos pacientes diabéticos com o
acompanhamento farmacoterapêutico que visa reduzir os riscos de complicações da
doença, que pode ser alcançado por meio do tratamento farmacológico efetivo.
42

BIBLIOGRAFIA

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144 Acesso em: 01/set/2016.
44

APÊNDICE I. TERMO DE CONSENTIMENTO DA EMPRESA

Eu, ALEXANDRE SILVA FREITAS, Proprietário da Drogaria


Cearense, Razão social FARMÁCIA E DROGARIA CEARENSE, CNPJ
16.578.984/0001-22, autorizo o senhor JOSINETO NOGUEIRA FEIJÓ, estudante de
Farmácia do Município de Fortaleza a realizar sua pesquisa de campo com
pacientes atendidos no estabelecimento, através do preenchimento de formulários,
compreendendo o período de 05 de Agosto a 07 de Outubro de 2016, para fins de
levantamento de dados para realização de estudo científico intitulado “ATENÇÃO
FARMACÊUTICA A PACIENTES COM DIABETES TIPO 2 E O USO DE
METFORMINA”

_______________________________________
Alexandre Silva Freitas
Proprietário da Farmácia
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APÊNDICE I. FORMULÁRIO

PERFIL DO SUJEITO
Idade:_____
Sexo: ( ) M ( ) F
Escolaridade____________________________________________

FORMULÁRIO
1. Há quanto tempo sabe que tem diabetes?
( ) Até 1 ano ( ) 2 a 5 anos
( ) 6 a 10 anos ( ) Mais de 10 anos

2. Tem parentes em 1º grau (pai, mãe ou filhos) diabéticos?


( ) Sim ( ) Não

3. Na primeira consulta foi orientado sobre a real importância de uma boa dieta,
atividade física e utilização da medicação da forma correta?
( ) Sim ( ) Não

4. O senhor (a) toma os medicamentos nos horários indicados?


( ) Sim ( ) Não

5. Qual profissional de saúde já alertou o senhor (a) sobre as consequências da não


adesão ao tratamento?
( ) Farmacêutico ( ) Médico ( ) Enfermeira ( ) Outros

6. Sabe a importância do teste de glicemia capilar e tem realizado com frequência?


( ) Sim ( ) Não

7. Em algum momento procurou informações sobre o Diabetes Mellitus tipo 2 com o


farmacêutico?
( ) Sim ( ) Não
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8. Em relação à orientação, o senhor (a) acha que o profissional farmacêutico é


importante para orientar sobre a patologia Diabetes Mellitus tipo 2?
( ) Sim ( ) Não

9. Realiza atividade física regulamente?


( ) Sim ( ) Não ( ) Às vezes

10. Com qual profissional o senhor (a) tem mais contato para tirar dúvidas e
esclarecimentos sobre a sua patologia?
( ) Farmacêutico ( ) Médico ( ) Enfermeira ( ) Outros profissionais

11. O Senhor (a) tem conhecimento sobre o Diabetes Mellitus tipo 2?


( ) Sim ( ) Não

12. O senhor (a) conhece as complicações provocadas pelo Diabetes Mellitus tipo
2?
( ) Sim ( ) Não

13. Faz dieta de acordo como é orientado, com restrições alimentares?


( ) Sim ( ) Não ( ) Às vezes
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