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Março

2018
CURSO PROFISSIONAL – 1.º Ano – Disciplina: GOSCS- Modulo-Atividade profissional do
Técnico Auxiliar de Saúde : Moral e princípios de ética e sigilo profissional

Texto de Apoio 2
ÉTICA E DEONTOLOGIA PROFISSIONAL DO TÉCNICO
AUXILIAR DE SAÚDE
Atividade profissional do/a Técnico/a Auxiliar de Saúde
Formador: Carla Ribeiro

Adaptado de: IPOPFG - EPE – Código de Ética do IPO-PORTO. “Boletim Normativo 00/2009”.
Porto: Conselho de Administração do IPOPFG – EPE, 2010, 12p.
http://www.ipv.pt/millenium/Millenium30/2.pdf
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CURSO PROFISSIONAL – 1.º Ano – Disciplina: GOSCS- Modulo-Atividade profissional do
Técnico Auxiliar de Saúde : Moral e princípios de ética e sigilo profissional

1 – Conceito de Ética e Deontologia Profissional


A palavra ética tem raízes na civilização grega. É uma palavra proveniente de “ethos” que em
grego significa “modo de ser”.

 ÉTICA - Elabora os princípios morais, subjacentes a todo o comportamento


humano em sociedade.

Quando aceitamos a ética como sendo um conjunto de regras a orientar o relacionamento


humano no seio de uma determinada comunidade social, podemos admitir a conceptualização
de uma ética deontológica, uma ética voltada para a orientação de uma atividade profissional.

A ética requer a implementação de um processo reflexivo acerca dos princípios, valores,


direitos e deveres que regem as práticas dos profissionais de saúde, inserindo-se assim o
conceito de cuidado humanizado. Está presente uma ética personalista que considera a pessoa
humana como o primeiro e o mais elevado de todos os valores, prevalecendo sobre os
interesses da ciência e da sociedade.

A deontologia é um termo que aparece da aglutinação de duas palavras gregas: “déon” e


“logos”. Para os gregos “déon” significa dever, enquanto “logos” se traduzia por discurso ou
tratado.

 Deontologia – dimensão ética de uma profissão ou de uma atividade


profissional, ou seja, o tratado do dever, ou o conjunto de deveres, princípios
ou normas adaptadas com um fim determinado, no sentido de regular ou
orientar determinado grupo de indivíduos no âmbito de uma atividade
laboral, para o exercício de uma profissão.
 A Bioética é uma nova abordagem de carácter pluridisciplinar que procura
tomar decisões à luz dos valores éticos para uma gestão responsável da
pessoa Humana, da sua vida e da sua morte no mundo em que os progressos
técnicos permitem uma intervenção cada vez
maior no biológico. Assim, a Bioética surge
como uma nova expressão do Humanismo,
isto é, como uma nova modalidade de
valorização e proteção do Humano.
Simultaneamente estuda também os
problemas que esse progresso suscita quer
ao nível micro-social quer ao nível da sociedade global e as repercussões que
esse progresso tem sobre a sociedade e seu sistema de valores.
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2 - Legislação e Ética

Todos os TAS comprometem-se a garantir em todas as suas atividades, a total


conformidade com as legislações internas (das instituições em que desempenhem
funções), nacionais e internacionais vigentes. Nunca deverá ocorrer qualquer ação que
viole as legislações e regulamentos aplicáveis à sua atividade. A infração dos deveres
previstos é punida nos termos da lei.

3 - Valores fundamentais de conduta

Parece evidente que todas as profissões implicam uma ética e deontologia profissional,
pois todas se relacionam direta ou indiretamente com outros seres humanos. Assim,
no desenvolvimento da sua atividade o TAS deverá ter presente os seguintes quatro
princípios básicos de ética médica:  Princípio do respeito pela dignidade e autonomia
do utente, que deve ser encarado como uma pessoa responsável, mesmo quando se
denota o enfraquecimento das suas capacidades;

 Princípio do benefício ou beneficência, segundo a qual o prestador de


cuidados deve servir o melhor possível os interesses do utente;

 Princípio de não prejudicar, isto é, de não empreender nada que seja


contrário ao bem do paciente.

 Princípio da justiça, que torna obrigatório que se reconheçam as


necessidades de outrem sem distinção de idade, raça, classe ou religião

PERANTE ESTES PRINCÍPIOS O TAS TEM O DEVER DE:


1. Respeitar os direitos e dignidade da pessoa:
 Reconhecer que os direitos humanos devem ser considerados
fundamentais e universais, pautando a sua conduta pelo seu rigoroso
respeito.
 Evidenciar elevado profissionalismo, respeito e delicadeza no trato com os
utentes, atuando sistematicamente de modo a proporcionar-lhes um
serviço de atendimento e apoio eficaz e eficiente.
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 Identificar as necessidades dos utentes, prestando um serviço adequado,


com respeito pelos valores de transparência, integridade e imparcialidade.
 Proporcionar as melhores condições de atendimento aos seus utentes,
oferecendo um ambiente agradável e acolhedor. Deste modo, o TAS deve
conferir especial atenção aos utentes e respetivos acompanhantes,
tratando-os com humanismo, dedicação, gentileza e compreensão,
respondendo de forma oportuna e esclarecedora às suas solicitações, de
modo a atingir as suas expectativas.
 Tratar de forma justa e imparcial todos os cidadãos, respeitando os
princípios da privacidade, neutralidade e da igualdade (não discriminação).
 Atuar de uma forma rigorosa, objetiva e imparcial.

2. Respeitar o Sigilo Profissional:


 Cumprir com o máximo rigor as normas legais e as orientações das
entidades competentes em matéria de proteção de dados pessoais,
nomeadamente no respeito pelos mais elevados padrões de sigilo
profissional no acesso, gestão e processamento da informação clínica.
 Não utilizar a sua função ou cargo, nem as informações obtidas no
desempenho da sua função, para influenciar decisões que favoreçam
interesses pessoais ou de terceiros
 Não revelar ou utilizar informações sobre factos e pessoas, a não ser
mediante autorização expressa ou nos casos previstos na lei.
 Estar adstritos à máxima discrição e particular cautela, tanto na forma e
conteúdo, como nos meios utilizados para a transmissão das informações.
O dever do sigilo profissional não cessa com o termo das funções ou dos
serviços prestados, numa instituição

3. Integridade, competência, responsabilidade social e profissional


 Cumprir as suas obrigações de forma responsável e zelosa, procurando a
excelência do desempenho.
 Adotar em todas as circunstâncias um comportamento competente,
correto e de elevado profissionalismo.
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 Ajustar-se à mudança e a novos desafios profissionais, bem como


empenhar-se no desenvolvimento e atualização técnica.
 Procurar desenvolver e atualizar de forma contínua os seus
conhecimentos e competências.
 Pautar a sua atividade segundo critérios de honestidade pessoal e
integridade de carácter, abstendo-se de, por quaisquer formas, criar ou
manter situações de favor ou irregulares (corrupção ativa e passiva).
 Respeitar a interdição de utilização de máquinas, equipamentos,
ferramentas, instalações ou outros bens das instituições onde
desempenhem funções, para benefício próprio ou de terceiros. 
 Rejeitar, pelo exercício das suas funções, quaisquer dádivas, presentes ou
futuras, de qualquer natureza, devendo ao inverso esforçar-se por ganhar
a confiança e consideração da comunidade em geral. 
 Informar os seus responsáveis de qualquer situação irregular que beneficie
alguém em prejuízo de outrem ou da própria instituição onde desempenhe
funções.
 Conhecer e cumprir as normas de higiene e segurança no trabalho, bem
como reportar quaisquer não conformidades verificadas.
 Usar de cortesia no seu relacionamento com os fornecedores e restantes
partes interessadas e estabelecer com eles uma relação de boa-fé, pelos
mais elevados padrões de integridade, honestidade e transparência.
 Contribuir para a criação e manutenção de um bom ambiente de trabalho,
nomeadamente, através da colaboração e cooperação mútua.
 Proteger e preservar o património, utilizando-o ainda e apenas na
execução da sua atividade e no exercício das suas funções, procurando
sempre fazer o uso mais eficiente do mesmo.
 Promover uma utilização racional dos meios que são colocados à sua
disposição de forma a evitar desperdícios e danos ambientais,
promovendo a reutilização e reciclagem sempre que tal seja possível e
aplicável.

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