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I.

TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA


O Novo Código de Processo Civil, em seus artigos 294 e seguintes,
disciplina a chamada tutela provisória, destinada a acautelar ou antecipar provimentos
jurisdicionais. Segundo o novo regramento, a tutela provisória poderá ser de urgência ou
de evidência, cabendo o seu deferimento tanto em caráter antecedente, quanto em
caráter incidental.
No que concerne à tutela provisória de urgência, vale a transcrição do
artigo 300 do NCPC, in litteris:
Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver
elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de
dano ou o risco ao resultado útil do processo.
Nota-se, pois, a manutenção de requisitos semelhantes àqueles do artigo
273 do antigo CPC, que tratava do fumus boni iuris e do periculum in mora.
No caso em apreço, o autor faz jus à concessão da tutela provisória de
urgência satisfativa, com o fito de que seja concedido o Benefício Assistencial de
Prestação Continuada.
Com efeito, o requerente instruiu a inicial com a provas suficientes à
caracterização da probabilidade do direito, haja vista que demonstrou, por meio de
documentos médicos, a existência de incapacidade para a vida independente, bem como
da miserabilidade em concreto, haja vista a baixa renda do seu núcleo familiar.
No que concerne ao perigo de dano, há de se lembrar que o benefício em
questão consiste em verba de natureza alimentar, de sorte que o indeferimento da
tutela causará danos irreparáveis à parte demandante, que se encontra indevidamente
desprovida do mínimo a garantir sua subsistência digna. Não se olvide que a gravidade
da enfermidade apresentada pelo Autor faz que a espera até o final do processo se torne
um fardo que pode tornar inútil o provimento jurisdicional.
Ad argumentandum tantum, não há de se invocar, uma suposta
irreversibilidade do provimento jurisdicional, haja vista que, adotado o juízo de
proporcionalidade, deve-se prestigiar o direito à saúde, à vida e à dignidade da pessoa
humana em detrimento de danos patrimoniais ínfimos ao erário público.
Nesse particular, a Segunda Turma do Egrégio Superior Tribunal de
Justiça, no REsp 144656, já decidiu que “a exigência de irreversibilidade inserta no § 2º
do art. 273 do CPC não pode ser levada ao extremo, sob pena de o instituto da tutela
antecipatória não cumprir a relevante missão a que se destina” 1. Não obstante a
referência ao antigo diploma processual, a intenção do intérprete pode ser estendida ao
novo regramento sem qualquer dificuldade, haja vista tratar da mesma hipótese jurídica.
Restam atendidos de forma integral, portanto, os requisitos para a
concessão da tutela provisória de urgência, razão pela qual deve ser determinada ao
INSS a imediata concessão do benefício almejado pela parte Demandante.