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A Intimidade Espiritual do Casal

Por Eli J. Reis

Gn 2.23 E disse o homem: Esta, afinal, é osso dos meus ossos


e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do
varão foi tomada.
24 Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher,
tornando-se os dois uma só carne.
25 Ora, um e outro, o homem e sua mulher, estavam nus e
não se envergonhavam.

INTRODUÇÃO

Para entendermos o que deveremos tratar a seguir é necessário, primeiro, estabelecer o


significado do tema em apreço: A Intimidade Espiritual do Casal.

Intimidade significa a qualidade de íntimo; amizade íntima, familiaridade.

Íntimo, por sua vez, significa: ‘que está muito dentro’; ‘que atua no interior’; o que é ‘da alma,
do coração’; o que é ‘doméstico, familiar’; ‘muito cordial ou afetuoso’; ‘entranhável’; o
‘âmago’; e ainda, ‘algo estreitamente ligado por afeição e confiança’.

A Intimidade Espiritual no casamento poderia ser definida como ‘a profunda ligação entre o
marido e a mulher’ e essa ‘profunda ligação’ em ‘profunda ligação’ com Espírito Santo. Eu
uso o termo ligação por causa do seu significado:

ligação

1. Ato ou efeito de ligar-se; ligamento, ligadura, liga.


2. Junção, união.
3. Aquilo que liga; ligamento.
4. Relação, vinculação; conexão:
5. Afinidade de sentimentos; vínculo, amizade,
ligamento.
6. Relação amorosa e sensual.

Dessa forma quero que fique claro que não entendo por Intimidade espiritual apenas o que
se passa entre o relacionamento religioso do casal, mas muito mais que isto: Tudo o que tem
a ver com o relacionamento do casal é e deve ser uma intimidade espiritual. Evidentemente
que não pretendo tecer comentários sobre tudo e, por isso, me aterei ao assunto mais
religioso ou espiritual como alguns preferem.

A intimidade espiritual deve existir na vida de cada casal, mas a mais proveitosa e concreta é
aquela que se completa com a presença do Espírito Santo, que é a presença de Cristo e de
Deus.
A Intimidade Espiritual do Casal – Por Pr. Eli J. Reis 2

I – O SER HUMANO É O ÚNICO CONSTITUIDO DE DUAS PARTES: MATERIAL (corpo) E


ESPIRITUAL (Alma ou Espírito)

1. Quando Deus criou os outros seres viventes sobre a terra ele disse:
Gn 1.20 “ ... Povoem-se as águas de enxames de seres viventes; e
voem as aves sobre a terra, sob o firmamento dos céus.

21. Criou, pois, Deus os grandes animais marinhos e todos os seres


viventes que rastejam, os quais povoavam as águas, segundo as suas
espécies; e todas as aves, segundo as suas espécies. E viu Deus que
isso era bom”

2. Mas quando Deus criou o homem ele disse:


Gn 1.26 ’... Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa
semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves
dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos
os répteis que rastejam pela terra.
27 Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o
criou; homem e mulher os criou.
Gn 2.7 Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe
soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma
vivente”.

3. Então a diferença fundamental é que o homem foi criado à imagem e semelhança de


Deus e tem o ‘fôlego da vida’ o a essência espiritual dada por Deus. Os demais seres
foram criados por Deus, mas não foi dado a eles o espírito. São almas viventes, mas
não possuem espíritos, como o homem.

4. Isto é muito importante porque é a junção do material com o espiritual que dá ao


homem o equilíbrio que faz a sua diferença dos demais animais. O homem tem razão;
é um ser moral; preocupa-se com a sua origem e o seu destino. Preocupa-se em
procurar o seu Criador.

II – O CASAMENTO FOI INSTITUÍDO POR DEUS NÃO APENAS PARA A PROCRIAÇÃO,


MAS PARA PROMOVER A INTIMIDADE ESPIRITUAL.

Primeiro Deus viu que não era bom que o homem estivesse só. ( Não é bom que o homem
esteja só. Gn 2.18a)
Depois prometeu lhe fazer uma auxiliadora idônea. ( far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja
idônea. Gn 2.18b)
Após isto Ele a fez ( Então, o SENHOR Deus fez cair pesado sono sobre o homem, e este
adormeceu);
tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne.
E a costela que o SENHOR Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher... Gn 2. 21
e 22

Depois a levou a Adão (ao homem). (e lha trouxe. Gn 2.22,final)


A Intimidade Espiritual do Casal – Por Pr. Eli J. Reis 3
Adão estava só, apesar dos animais que Deus criara. Ele não tinha intimidade espiritual com
nada e com ninguém, a não ser com o próprio Deus. Mas Deus viu a sua necessidade. Ele
precisava de alguém que tivesse, como ele, corpo e alma.

III – A INTIMIDADE ESPIRITUAL EM SUA ABRANGÊNCIA.

1º) O casamento nos torna uma só carne


Gênesis 2:24 Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher,
tornando-se os dois uma só carne.
Mateus 19:5 e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se
unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne?
Mateus 19:6 De modo que já não são mais dois, porém uma só carne.
Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.
Marcos 10:8 e, com sua mulher, serão os dois uma só carne. De modo que já
não são dois, mas uma só carne.
1 Coríntios 6:16 Ou não sabeis que o homem que se une à prostituta forma
um só corpo com ela? Porque, como se diz, serão os dois uma só carne.
Efésios 5:31 Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à
sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne.

Evidentemente que esse tornar “uma só carne” é uma figura que significa “unidos em corpo e
alma” (BEP)

Esse assunto é tão sério que o apóstolo Paulo aproveita para fazer uma analogia entre o
casamento e a união da igreja com Cristo. Em Efésios, capítulo 5, ele fala dentre outras
coisas:
a) v 23 – O marido é o cabeça da mulher – assim como Cristo é o cabeça da Igreja.
b) V 24 – Assim como a igreja está sujeita a Cristo – Assim a mulher deve estar sujeita a
marido
c) V 25 – Os maridos devem amar suas mulheres – Assim como Cristo amou a Igreja
d) V 29 – Ninguém jamais odeia a sua própria carne (esposa), antes a alimenta e dela
cuida – Assim é Cristo com a sua Igreja.
e) V 30 – O homem deixará o seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher e serão
ambos uma só carne – Este é um grande mistério, mas eu me refiro a Cristo e ã
igreja.

IV – QUATRO PASSOS PARA A INTIMIDADE ESPIRITUAL

1º - Deixar – o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher. Deixar é a
primeira coisa que tem que acontecer no casamento. Quando o homem ou a mulher se casa,
mas continuam com o cordão umbilical preso à sua família, esse casamento tem tudo para
não dar certo. A intimidade espiritual fica comprometida.

2º - Unir-se – Unir é colar, ligar


1. Tornar em um só; unificar:
2. Juntar, atar, ligar:
3. Estabelecer comunicação entre; ligar, comunicar:
4. Tornar unido, ligar (pessoas):
5. Ligar afetivamente:
6. Conciliar, harmonizar, reunir:
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7. Ligar pelo matrimônio; matrimoniar, casar:
8. Fazer aderir; juntar:
O casamento é como duas folhas que você cola uma à outra. Para você rasgar uma
tem que rasgar a outra. Esse é o sentido que Deus deu ao casamento.

3º - Pertencer ao outro – Isso já nos faz entender que o ‘deixar’ e o ‘unir-se’ não é algo que
acontece automaticamente. Tem que ser alimentado. Tem que haver a razão. O seu humano
é livre para agir.

I Co 7.4 A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim o marido; e também,
semelhantemente, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim a mulher.

4º - Dever – No casamento ambos tem uma dívida ativa


3 O marido conceda à esposa o que lhe é devido, e também, semelhantemente, a esposa,
ao seu marido.
5 Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo,
para vos dedicardes à oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não vos
tente por causa da incontinência.
Paulo está falando sobre o problema sexual, mas esta dívida é mais abrangente. O marido e
a mulher devem um ao outro: relacionamento sexual; fidelidade, respeito, compreensão;
amor.

V – ELEMENTOS A SEREM OBERSEVADOS PARA TERMOS BOA INTIMIDADE


ESPIRITUAL

1. Equilíbrio (Moderação, prudência, comedimento; autocontrole, autodomínio, controle)


uma pessoa equilibrada não pensa de si mesmo, além do que convém – Rm 12.3; Fp
4.5; II Tm 1.7

Rm 12.3 - Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não
pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a
medida da fé que Deus repartiu a cada um.

Fp 4.5 – Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens. Perto está o


Senhor.

II Tm 1.7 - Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de
amor e de moderação.

2. Comunicação – Ninguém adivinha o que se passa com o outro. Com o tempo


conhecemos muito sobre o outro, mas a comunicação não pode ser cortada.

3. Companheirismo – O companheirismo é demonstrado através do que somos o do que


fazemos juntos. No caso de pessoas convertidas ao Senhor Jesus Cristo, o
companheirismo os leva a viver uma estreita intimidade um com o outro.
a) Compartilhar a mesma fé – A mesma fé envolve também o mesmo ministério.
Se o marido é um diácono, a esposa acaba por ser uma diaconisa. Se ele é
pastor ela acaba sendo uma pastora. E vice-versa. É necessário o
envolvimento no ministério do outro cônjuge.
b) Levar os filhos na mesma direção da fé que o casal possui. Somos os
responsáveis diante de Deus por levar nossos filhos a Ele.
A Intimidade Espiritual do Casal – Por Pr. Eli J. Reis 5
4. Procurar o ponto de equilíbrio entre duas pessoas diferentes
Se cada um de nós permanece sendo uma pessoa distinta é necessário encontrar o
equilíbrio. Apesar de sermos uma só carne, continuamos a ser pessoas diferentes.
Temos necessidades diferentes. O grau de fé que possuímos é diferente. Nossa
saúde é diferente. E. E. Cumings disse: “Um não é a metade de dois. Os dois é que
são a metade de um”. O nosso relacionamento não esmaga nem anula a
personalidade do outro. Devemos estar prontos para ceder, na mesma proporção, um
ao outro. Assim precisamos ceder muitas vezes para equilibrarmos nosso
relacionamento
5. Quebrar as barreiras – Para sermos uma só carne precisamos de uma reeducação e
de uma reavaliação das nossas atitudes. Nossas atitudes podem ser tornar barreiras
no nosso relacionamento. Para quebrar as barreiras precisamos aprender a:
a) Fazer as coisas com amor e não por obrigação
b) Dar tempo ao tempo em algumas atitudes não compreendidas em relação ao
outro cônjuge.
c) Saber confessar os nossos pecados a Deus e ao cônjuge quando isto implica
no relacionamento.
d) Perdoar-se mutuamente.
e) Amar incondicionalmente
f) Orar para que o Espírito Santo que em nós habita nos ajude a quebrar todas as
barreiras.

CONCLUSÃO

À medida que o tempo passa, o homem e a mulher aprendem muito. As intimidades se


tornam mais reais. Eles se tornam muito semelhantes no falar, no agir e até na aparência
física.
Mas é verdade também que essa semelhança pode afasta-los tornando-os como irmãos, e é
ai que está o grande perigo.
Por isso o casamento é uma planta que continua sempre dependente de ser regrada com a
água do amor, para continuar a ser uma árvore frondosa e frutífera.
Que o Senhor nos ajude a termos uma grande INTIMIDADE ESPIRITUAL para que nosso lar
seja o ideal de Deus.