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PRÉ-HISTÓRIA

Pré-História História (relacionada com o surgimento da escrita → 3000 a.C.)


4.000.000 a.C.

As subdivisões da Pré História

PALEOLÍTICO NEOLÍTICO

Inferior Médio Superior

4.000.000 a.C. 100000 a.C. 40000 a.C. 10000 a.C.

Idade dos Metais

Cobre Bronze Ferro

5000 a.C. 3000 a.C. 1500 a.C.

As Subdivisões da História

Período Ínicio Final do Período

Idade Antiga Descoberta da Escrita 476 d.C. (Queda do Império Romano do Ocidente)

Idade Média 476 d.C. 1453 (Conquista de Constantinopla pelos Turcos, queda do
Império Romano do Oriente

Idade Moderna 1453 1789 (Reunião dos Estados Gerais → Revolução Francesa

Idade Contemporânea 1789 Actualidade

Temas:
-Evolução humana:
-impulsão do Homem enquanto ser vivo (1ºs hominídeos até ao Homem Moderno)
-elementos da cultura material da pré-história para conotar esta evolução humana

Existem sociedades complexas desde à 4000 anos.


Há cerca de 20000 anos, as calotes polares chegavam ao mediterrâneo. Diversos
animais seguiram esse percurso, alguns deles extinguindo-se devido aos recuos dos gelos para
norte.
As fases de evolução climática estão ligadas à pré-história.
A última ocorreu há 10000 anos, dando-se uma melhoria da temperatura, que está
intimamente ligada com o surgimento da agricultura (solos férteis).
Na Historiografia → 99% do tempo de existência humana, o Homem foi recolector-caçador
(ou tentava sobreviver).
→ 1% é o Homem é produtor.

A arqueologia tem uma grande evolução nos anos 60. Até aí havia uma primitividade em
datar objectos (e outras descobertas), datação, essa baseada na profundidade do artefacto no
subsolo. A arqueologia baseava-se em descrições dos objectos que eram encontrados (a sua
forma a sua cor) → Arqueologia do objecto
Em relação ao Homem, era considerado Homem-Macaco, ou seja uma descrição muito
primitiva. O grande objectivo dos arqueólogos era localizar achados e datar estes.
A partir dos anos 60 há uma maior preocupação pela pré-história. O Homem chegou aos
EUA tardiamente. Só chegou lá, com segurança, há 11 mil anos. Realizavam-se estudos
antropólogos e achavam-se artefactos. Vários antropólogos encontravam-se com índios que
relatavam situações históricas.
A New Archeology → Os EUA vão impulsionar a “revolução arqueológica” na Europa,
estando o seu estudo centrado na História do Homem e na História dos objectos, ou seja, dá
origem ao nascimento de novas “arqueologias”: paleoambiental, geoarqueologia, zooarqueologia.
Esse discurso da Pré-História está ligado a trabalhos elaborados, artigos...
Como já referi o seu Berço está nos EUA, porque a pré-história é mais recente, está
intacta. Há uma ligação arqueo-antropologa.
Um dos mentores foi L. Binford (Criador da New Archeology, anos 60). Nos anos 60, ele
escreve um célebre artigo intitulado “a arqueologia como uma forma de antropologia”, mostrando
que os americanos têm uma visão diferente. Pretende conhecer o homem na sua totalidade
(enquanto ser que vive em comunidade, artefactos descobertos...), sendo que está New
Archeology vai contrapor a uma outra corrente, denominada a Arqueologia Histórico-Cultural.
Arqueologia histórico cultural → procura organizar historicamente as várias culturas da
humanidade. O objectivo do artefacto histórico cultural era a unidade para podermos deduzir todo
o passado histórico social de uma comunidade pré-histórica. p.ex.:
Acheulense → conjunto de artefactos, que surgiram no séc XIX (O nome provêm da
localidade onde foram localizados Saint-Acheuse). Período de tempo que provém do nome de um
artefacto histórico encontrado.
Ancorense → Serpa Pinto baptizou as pedras talhadas, aparecidas em V.N.P de Âncora.

Os arqueólogos antigamente, tendo por base um objecto, descrevem o enquadramento


histórico do mesmo. Hoje procura-se saber o passado de forma abrangente, ou seja da forma
mais específica possível.
Saber a pré-história apenas era classificar os artefactos, expondo a idade dos mesmos e a
região, não havendo estudo sobre o homem, enquanto ser histórico.

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Archaeology as Antropology → Artigo que é um marco no estudo do Homem (ser histórico)

O conhecimento mais alargado do histórico humano, vai trazer novos conhecimentos,


tornar a ciência mais aberta. Vão trabalhar com outras áreas do saber, no campo ou no
laboratório. Relativamente às escavações, antigamente usava-se a pá, pica e dinamite, hoje
utilizam-se pincéis, espátulas etc. Há recurso a máquinas (mas quando haja estudo prévio,
através de recurso a sondas para identificar a profundidade a que se encontram os artefactos).
A metodologia de escavação difere de caso para caso. A actividade no solo/subsolo
poderá originar alterações na localização de objectos no solo.
É importante que os arqueólogos trabalhem com outras áreas do saber (por ex. Geólogos,
interdisciplinaridade).
É possível saber, em certa parte, a alimentação humana, sendo possível localizar
alimentos enterrados, alimentos queimados (por origem do fogo) e pelo facto de ter sido
queimado conservou-se até hoje → o alimento queimado origina conhecimentos diversos, como a
identificação de espécies, identificação de churrascos → É relevante, pois dá-nos informações
relevantes da forma como este vivia.

Homem recolector-caçador: 10000 anos


Homem recolector-caçador: 5000 anos na Península Ibérica

A presença de um objecto não significa que este tenha sido produzido numa determinada
região.

O Mar Negro era um lago e o Mediterrâneo galgou o Estreito e o esse Mar esteve a encher
durante 30 anos.

Todos os povos passados tinham preocupações históricas. Uns com maior incidência na
mitologia, outros na realidade histórica.
O conhecimento do passado é fulcral para nós.
Caixa Pandora, relacionada com a inversão das idades.

O calendários está intimamente ligado à arqueologia. Ao longo dos tempos, os objectos


descoberto eram datados e atribuídos (por exemplo a Zeus).

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A História da Pré-História

Antropólogos → se estudarmos as sociedades primitivas actuais, estas não correspondem


às sociedades primitivas passadas.
Há sociedades que percorrem caminhos diferentes. Se uns passaram de
recolectores/caçadores → agricultores, outros fizeram o desenvolvimento inverso. Fazer a pré-
história não é apenas falar nos artefactos, mas também nas pessoas que habitaram nos mais
diversos sentidos.

História da Pré-História → questão fundamental → construção do tempo e do individuo →


(barra cronológica com vários eventos (p.ex situar um acontecimento em relação aos outros).

O Homo Neandertal é o primeiro a enterrar os seus mortos.

Datação dos artefactos através de critérios relativos (isto anterior à década de 50, com a
descoberta do método do carbono 14, é possível datar, com alguma precisão)
Relativamente às civilizações antigas, por exemplo a Babilónica, Egípcia, Grega ou
Romana, há um discurso histórico-mitológico. Os Romanos compravam objectos históricos (que
tinham ligações mitológicas). Determinados objectos por eles encontrados, por exemplo num
campo, poderiam ser considerados enviados por Zeus e eram colocados em nichos. Os Romanos
colocavam em casa, espadas, capacetes expostos (de origem Etrusca).Também machados de
pedra polida (pedras de raio= eram encontrados e eram atribuídos aos Deuses, pois acreditava-
se que quando havia chuvas, trovoadas etc, os Deuses “atiravam-nas” e por isso podem ser
encontrados em santuários romanos.

Existência de monumentos megalíticos 5500/6000 a.C. → foram escavados e revistados.


Realizados com uma tampa e pedras que serviam como contrafortes e tapados por terra.
Posteriormente seriam escavados e revistados.
Há uma posterior reutilização das antas e dólmens para enterrar os mortos. Na idade
media sabia-se que que haviam vestígios de um passado remoto, mas eram impossíveis datar.
Na Idade Média, com o saber bíblico, muitas das cronologias atribuídas estavam erradas,
havia uma mistura religião e ciência, sendo que a primeira dava muitas das respostas sobre
fenómenos que aparentemente não tinha resposta.
É nesse âmbito que:
-Clemente VIII chegou à conclusão de que a Terra tinha 5000 anos, datação essa
baseada na soma das idades das personagens bíblicas mais importantes;
-James Ussher (no sec. XVII) chegou à conclusão que a Terra nasceu há 4004
anos (especificando o dia e a hora a que esta fora criada).

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Até séc.XIX continuaram a usar a bíblia como um instrumento. Um marco importante,
retratado nesta foi o Dilúvio, que “supostamente” divide a História. Para os Diluvialistas, tudo o
que estava para trás deste era a Pré-História (uns diziam que o ser Humano era um ser primitivo,
outros diziam que era um ser, tecnologicamente avançado).
O Dilúvio, para os seus defensores terá sido um retrocesso tecnológico (supostamente
teráse voltado à idade da pedra partida, para vários autores). Esse marco poderia corresponder à
passagem do Paleolítico para o Neolítico.
Os cientistas antigos consideravam o Dilúvio (referido na Bíblia, que era uma fonte de
conhecimento inquestionável) como um verdadeiro marco no progresso da Humanidade. A
questão do Diluvio, relacionada com a Arca de Noé, manteve-se durante muito tempo.
Certos objectos passariam a ser realizados no período pós Diluvio. O Homem teria
começado do 0, esquecendo-se de todos os progressos por ele atingido até então (caçar,
trabalhar o ferro...)
Os Diluvialistas (Naturalistas) eram pré cientistas, o seu conhecimento tinha por base as
explicações bíblicas. Definem a existência de um/vários Dilúvios que permitiram a selecção de
espécies. Os fosseis encontrados, eram resultado do desaparecimento das espécies, pois nem
todos os seres conseguiram entrar na Arca de Noé.
No séc XVI há um conjunto de circunstâncias que irão originar um conceito de pré-história,
impulsionados pelos descobrimentos. Há alguns trabalhos pré-antropológicos dessa época,
realizados por clérigos.
Jussieu, um missionário, em 1723 vai escrever um trabalho “Acerca de origens das pedras
de raio” → em que identifica semelhanças entre os machados de pedra polida encontrados na
Europa e aqueles encontrados na América do Sul.

Em 1724, Lafitau elabora um trabalho “os costumes dos selvagens americanos


comparados com os costumes dos primeiros tempos”. Segundo este a humanidade não é estável,
porque tem noção de que há uns tempos atrás a humanidade vivia de maneira diferente dos seus
antepassados no séc XVIII.

Do séc XVI ao séc XIX há uma introdução ao conhecimento do outro, do diferente. É deste
intervalo que se descobrem as ruínas de Pompeia, em Roma → mostrando uma arqueologia
embrionária. Estes séculos são extremamente importantes, pois nesta altura surgem homens que
se interessam pelo estudo das civilizações passadas (aquisição de antiguidades, artefactos em 1º
lugar e depois o verdadeiro interesse pelas mesmas). São implementadas as 1ªs metodologias
arqueológicas de escavação. Como já referi é nesta altura que se dão as primeiras escavações e
começam a haver os primeiros comentários das comparações entre Homens e Macacos.
Em 1453 → Queda do Império Romano do Oriente e vêm para o Ocidente influências

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clássicas e há uma espécie de abertura ao interesse pelo passado; também Da Vinci com o
antropocentrismo é propenso a verificar semelhanças do Homem e dos Símios. (?)

Stukely, na primeira metade do séc XVII estava impressionado pela arquitectura do


monumento de Stonehange (cintura de pedras). Ele vai implementar uma metodologia de
escavação para compreender, e tem noção que a construção era anterior ao período Romano.
Pela 1ª vez alguém afirma, com base em estudos fundados, que a Inglaterra era ocupada antes
da ocupação Romana. Até então haviam apenas indícios, de que o tipo de objectos encontrados
era anterior ao periodo romano, mas não havia nenhum estudo.
Nos meados do séc XVIII, Robien (um dos fundadores da arqueologia francesa), vai
estudar o alinhamento de carnac, em França. São pedras, que se encontram dispostas (com
cerca de 1.80 metros de altura), alinhadas ao longo de cerca de 3 km. Rotien concluiu que o
monumento era anterior ao período Romano e Gaulês.
Mo séc XVIII não se sabia ao certo o tempo das coisas. As referências, para classificar os
objectos eram por exemplo anterior e posterior.
Caylus (séc XVIII), implementa um método (método da tipologia), ou seja classifica
objectos/monumentos conforme a sua forma e ordena-os cronologicamente. Cada morfologia
corresponde a uma época, assim quando via, por exemplo uma cerâmica de características
semelhantes a uma já conhecida, atribuiu a mesma cronologia (Cada morfologia corresponde a
um tempo relativo, porque era comparado e apresentava semelhanças com o objecto comparado
→ comparação por analogia). É o pai da tipologia em arqueologia.
Thomas Jefferson, nos finais do séc XVIII conhecia uma espécie de sepulturas, e este
consultando a sua população, esta explicava-as como sendo algo mitológico. Ele tentou
comprovar se aquelas eram de origem humana ou divina, e então escavou (na Florida) e concluiu
que eram sepulturas de Índios.

Estamos assim num contexto pré-científico (sec XVIII)

O tempo pré-histórico era por vezes associado a um tempo mítico. No entanto na


antiguidade datava-se os monumentos, no entanto sem precisão, não havia uma atribuição
cronológica exacta.
Alguns mitos pagãos, devido à religiosidade da população, eram convertidos em capelas e
cruzeiros, nesses locais que estavam conotados com lendas e mitos.

Toponímia → inspirada em achados arqueológicos, alguns são pré-medievais.

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A História europeia progrediu, permitindo o estudo da pré-história.
Na Idade Média, os descobrimentos permitiram o contacto com populações diferentes
(coloca em contacto as ditas “populações civilizadas” e outro povos tecnologicamente menos
evoluídos. Começa a haver noção de que existia um conjunto de povos que usavam objectos
semelhantes tanto na América do Sul, como na Europa. Observa-se que também existiam povos
selvagens).
Mais tarde, no séc XIX, a partir da Conferência de Berlim, a corrida a colónias Africanas
implicava o investimento nestas. Nessa altura as potências ultramarinas enviam exploradores
para solo Africano e entram em contacto com aqueles povos, verificando diferenças e
semelhanças.
Outros povos usavam artefactos iguais aqueles encontrados no subsolo, permitindo
observar que houve um desenvolvimento tecnológico. O contacto com algumas sociedades
primitivas, permitiu observar em certa parte o processo evolutivo do Homem.
A colonização americana, permitiu a descoberta/conhecimento de novas culturas (com
uma realidade diferente da conhecida).

Até então as possibilidades de datar, por exemplo a data da formação da Terra eram
efectuados com base ao recurso à bíblia (explicação falseada), e com os progressos a vários
níveis, no séc XIX, vão alterar essa visão.
Com o Iluminismo, no séc XVIII, há a promoção de outras disciplinas. Os grandes
estudiosos acumulavam inúmeros saberes, o que permitiu o progresso do saber.
A partir do séc XIX a geologia tem um progresso assinalável, e vai explicar (ou negar) a
criação da Terra e a cronologia do nascimento desta, não sendo uma resposta objectiva. É
sobretudo neste séc XIX que se dá a revolução científica, em que várias áreas do saber vão
conduzir ao conhecimento real da pré-história (através da interdisciplinaridade).

Os ditos “Dilúvios” teriam origem devido aos avanços e recuos das calotes polares. Há 20
mil anos poder-se-ia ir a pé da Galiza até à Gronelândia. Alguns dos glaciares mais importantes
estavam onde hoje estão os Montes Cantábricos, Pirenéus ou a Serra da Estrela.
O degelo desses glaciares provocou o avanço de 40 km e a subida de 120 metros das
águas.

A Arca de Noé “terá ocorrido” entre 7000 a 6000 a.C.


Os Diluvialistas põe a hipótese da existência de vários dilúvios, devido à localização de
vestígios no subsolo. Os Diluvialistas (naturalistas) → pré cientistas que se baseiam em dados da
bíblia e que após a criação da Terra existiram vários Dilúvios que tinham um papel de
seleccionadores de especies. Os fosseis que eram encontrados, eram explicados como fossem
daqueles animais que não tinham entrado na arca de Noé.

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G.Cuvier é um cientista religioso (finais do sec. XVIII, ínicio do séc XIX), que tem uma
visão diferente dos Diluvios. Defende que após cada Dilúvido (o que pressopõe a existência de
vários Diluvios) havia uma regeneração das civilizações. Devido a esse processo, ele chega à
conclusão de que a Terra tem cerca de 70000 anos.
Está ligado ao conceito de catastrofismo → defende que a História da Terra implica uma
certa noção de gradualismo: Regeneração → Catástrofe → Regeneração → Catástrofe →
Regeneração.

Actualmente as rochas mais antigas existentes na Terra, datam de 4500000000 anos

Charles Lyell (fundador da Geologia na Inglaterra, establece entre 1830-33 os principios da


geologia), em 1833, tem um pensamento diferente de Cuvier. Dizia que os
montes/montanhas/vales tinham uma relação com processos erosivos. Para Lyell a Terra tinha
que ter muito mais de 70000 anos, pois a superficie terrestre seria moldada pela água, e para
chegar à forma actual, teria de ter muito mais de 70000 anos. Ele é o primeiro a colocar a
hipótese de a Terra ter milhões de anos → Teoria fluvialista.

James Hutton → Deu um enorme contributo. Desenvolveu o uniformitarismo (todos os


fenómenos ocorridos na Terra, são fenómenos que foram sempre iguais ao longo do tempo). A
capacidade de erosão da água é sempre a mesma. As acções da água sobre a Terra demoram
tanto tempo hoje como há x anos atrás. (Por ex. Formação de um vale)

A origem da humanidade está relacionada om o tempo geológico (milhões de anos)

Síntese séc XIX → Noção de tempo para pré-história;


Tempo geológico;
Alargamento do tempo pré-histórico.

Séc. XVIII e XIX → começa-se a atribuir aos fósseis o seu verdadeiro significado.

Buffon → fundador da paleontoliga estatigráfica. Olhando para os fosseis conseguia


distinguir o periodo em qual viveram os seus aos fosseis associados. Fosseis pela sua morfologia
podiam ser indicadores de certos momentos da história da Terra (mais ou menos antigos).
Buffon dividiu a história da Terra em 7 idades geológicas (na ordem dos milhões de anos)
→ Discurso científico.

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Darwin → materializou uma das teorias da evolução (embora a teoria de evolução das
espécies não seja só dele). Essa Teoria é diferente daquela defendida pelo Fixionismo, em que
tudo está físico, nada evolui. Defende a selecção Natural das espécies e cria a noção de
gradualismo → diversidade de individuos dentro das espécies vai ser preponderante no processo
adaptativo (por ex.: uns são imunes a certas doenças e outros não → selecção natural).
Subjacente ao principio da evolução das espécies → evolução lenta e gradual
(gradualismo)
O modelo de evoluçaõ das espécices, corresponde a um longo periodo de tempo

Jean Baptist Lamark → defende uma ideia de transformismo. Os Seres vivos pela
necessidade adaptativa, iam conseguir aquisições para se adaptar a várias situações que iriam
transmitir aos seus descendentes, ou seja, as transformações anatómicas (entre outras) pelo ser
adquirida irão transmitir à sua descendência.

8/10/2009

A arqueologia/pré-história resulta da convergência de vários saberes: geologia,


paleontologia, biologia...

O gradualismo, subjacente a esta expressão há a ligação a um tempo muito longo. A partir


do séc XIX são reunidas as condições para a explosão da arqueologia enquanto ciência.
Falta saber posicionar no tempo os vestigios temporais do homem no passado. A
existência do Homem delimita a existência da Pré-História.
A Geologia, paleontologia e a biologia ajudam a construir o espaço temporal.

Os achados arqueológicos num tempo longo – pré história → tanto mais vasta consoante a
origem do Homem. Para trás do tempo pré-histórico, já são outras as ciências encarregues do
estudo.
Também importante saber, no séc XIX, como era o Homem de há tanto tempo atrás.
Nesse século, principios do séc XX, a ideia defendida por Darwin, relativamente à evolução das
especies, houve uma certa indigestção, no que toca à aceitação por parte das pessoas pela
evolução humana.
Era um risco social (nesta época) defender as próprias ideais, diferentes das restantes e
que entram em ruptura com as que até então vigoram e muitos fizeram-no sobre a ameaça de
irem para a fogueira.
No”The Ascendent of Man” de Charles Darwin, em que defende o processo, segundo o
qual, a diversidade das espécies é uma condicionada pela selecção natural, Darwin fala do
Homem, como um ser evolutivo.

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Desde o séc XVIII até à 1ª metade do séc XIX as explicações da evolução do Homem
eram fantasiosas. A verdadeira evolução deu-se em França e Inglaterra.
Em 1847, no Norte de França, Boncher de Perttes, um arqueólogo amador, publica um
livro “Anquités Celtiques et Antédiluviennes” → utiliza o conceito anti-diluvialista para identificar
artefactos encontrados nos rios Somme, perto de Abbeville (vai dar origem ao nome do conjuunto
de achados encontrados nessa localidade .> artefactos abevilenses) e Saint Acheul
(Acheulenses).
Boncher de Pettres encontra por exemplo fragmentos de mamutes (animal à época da
descoberta já extinto), nas suas escavações, juntamente com restos humanos ou artefactos
realizados pelo Homem. Encontra fauna fossilizada.
Os caudais dos rios não se encontram na mesma posição. As cotas dos caudais dos reios
encontram-se hoje mais baixas (o caudal do rio baixa ao longo do tempo).
No ano seguinte, 1848, o Jornal Times publica a sua descoberta, relativa a fosseis de
fauna antiga.

John Evans. John Prestrich e Charles Lyell foram ao rio Somme e confirmaram a
associação de Perthes.

Nos meados do sec. XIX, começava-se a suspeitar da existência real de um Home


Primitivo. Nesse âmbito, Gandry publica em 1859 uma obra muito importante: “A
contemporaniedade de especies humanas e de especies já extintas”.

Depois da impulsão dada por estes autores/investigadores, faltavam encontrar achados


que permitiriam afirmar a história longa do Homem, o que vai suceder na 2ª metade do séc XIX.
Relativamente a essa questão, um dos marcos mais importantes ocorreu em 1856,
enquanto se realizavam trabalhos e pedra, junto ao rio, nma localidade alemã, encontraram-se
vestigios humanos, que foram estudados e interpretados (vestigios de Homo Neandertal, com
uma cronologia de vida de 200000 a 27000 a.C. → Paleolitico Médio. Embora fosse parecido
copm homem da época, tinha algumas regularidades anatómicas visiveis (nomeadamente, o
crânio prolongado), assim na altura classificaram-no como um homem anormal.
Diziam que era um soldado morto na guerra franco-prussiana, outros diziam que se tratava
de um idoso.
Após a descoberta dos vestigios dessa espécie, sucederam-se outras descobertas.
Em 100 anos (1860-1960) as únicas referências ao Homem Primitivo correspondiam
apenas ao Homem Neandertal. Na Europa de 1859 até aos inicios dos anos 60, o que nos
permitia afirmar a existência de antecedentes humanos eram apenas vestigios do Homem
Neandertal. Após essa descoberta, seguiram-se outras, nomeadamente em Gibraltar, onde se
descobriram ossos de Homem Neandertal, em 1848.

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Eugéne Dubois em 1891 viajou para a Indonésia (na altura uma colónia Holandesa), sendo
o 1º estudioso da evolução humana (antropologia). Foi o 1º a dizer que podeiamos encontrar
raízes humanas na ilha de Java e não na Europa. Obeservou orangotangos, na ilha de Sumatra e
verificou traços humanos nestes primatas. Isso levou a pensar que as origens humanas estariam
localizadas naquela ilha da Indonésia.
Dubois vai para essa região e faz inúmeras descobertas. Descobre Humanos com 2
milhões de anos, pouco relevantes para a sua época, mas muito relevantes para a nossa época,
ou seja, antepassados humanos mais antigos que o Homem Neandertal.

Apesar de tudo, hoje sabemos que as origens humanas localizam-se em África, graças às
contribuições da familia Leackey (sobretudo).
A corrida às colónias africanas, apartir dos finais do séc XIX está associada à descoberta
de vestigios nessa região, antecedentes à éspecie acutal.

Nos finais do séc XIX começa-se a suspeitar que as origens humanas não é Europeia →
assim teriamos passado por estados evolutivos relativos às raças inferiores – no séc. XIX, as
comunidades Asiáticas e Africanas (associadas a um modo de vida primitivo) estiveram na origem
dessas espécices (facto que chocou as comunidades ocidentais, nomeadamente os Ingleses).
Então os Ocidentais tinham de provar que as origens primitvas do Homem se localizavam
na Europa e não nesses continentes e este teria de ser cor branca, um crânio volumoso e
desenvolvido. Então criaram um crânio falso, que fora enterrado e “encontrado” em Piltdown
(Inglaterra) → Mais tarde constata-se que se tratou de uma fraude.
Essa situação ilustra bem a negação levada a cabo pelos Ingleses.

Na Europa descobrem-se outros possiveis vestigios humanos mais antigos que o


Neandertal, nomeadamente:
– 1907 → Mauer (Alemanha): foi descoberta uma mandibula que sabemos que era atribuida
a o Homo Heilderbergensis.
– 1921 → Gruta de Chu Ku Tien, Pequim (China): descoberta importante, numa gruta em
Pequim, onde se encontraram restos humanos que pertenciam ao Sinanthropus Pekinuenses
(Homem de Pequim)
– 1924 → Raimond Dart → fundador da paleontologia moderna, descobriu um crânio muito
completo, que a areia conservou a sua morfologia interna. Criou o termo Australopithecus
Africannes (Homem do Sul), para designar uma espécie localiza, na altura a mais antiga.
Estas descobertas aliciaram inúmeros investigadores norte americanos e franceses.

Na gruta de Pequim há vestigios de fogo na caverna (associado ao Homo Erectus), onde

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se localiza uma importante jazida, bem conservada.
Apartir dos anos 20, foram encontrados inúmeros crânios e artefactos. Por sua vez, nos
anos 30 dá-se o estudo desses crânios, mas que se perderam numa viagem com destino aos
EUA. Por isso a colecção de fosseis de Homo Erectus perdeu-se (uma grande parte).
Na China estão localizados inúmeros vestigios culturais.

Louis e Marie Leakey → encontram o 1º fossil do 1º género Homo → Homo Habilis, na


Tanzânia, 1960, onde a partir desse ano se sucedem as descobertas.

9/10/2009

A revolução das ciências permitiu elaborar o calendário pré-histórico.


É nos milhões de anos que podemos colocar as etapas da pré-história. Certos objectos
que aparecem numa determinada arqueologia podem determinar a época do artefacto. Esta
calendarização é feita pela posição dos objectos nas camadas no sub-solo.
Apartir dos naos 50 é possivel datar de forma absoluta o objecto (através do método do
carbono 14). O Carbono 14 já não ermite datar objectos com grande precisão (aqueles que têm
uma cronologia superior a 40000 anos).

O Espaço e o Tempo da Pré-História.

A pré-história, ligada à história do Homem, recua muito no tempo:

Era Paleozoica (Paleo=Antigo; Zoica=Vida): Era mais antiga, inicio da existência de vida
(existência de células arcaicas → cenobacterias). A cronologia dessa época compreende os 600
milhões de anos até aos 280 milhões de Anos.
Neste periodo, existia apenas um continente, na zona da actual Austrália.
Formaram-se grandes lagos (que permitiram a existência de vida), a atmosfera da Terra
nessa altura não permitia a existência de vida animal. Nesta época existe muita madeira e jazidas
de carvão. Começam a existir animais adptados a este tipo de climas, mas na ultima fase da
época Paleozoica, presume-se que houve uma catástrofe que levou à extinção em massa da vida
terrena.

Era Mesózoica → 280 Milhões de anos – 60 Milhões de anos. Florestas densas,


temperadas; mares quentes; abundância de monstros marinhos. É um periodo quente, apesar de
no final desta era refrescar abruptamente, conduzindo a uma catrástrofe responsavel pela
extinção de vida (dinossauros). Caíu um metiorito, originando uma actividade vulcânica, que
então enviadou inúmeros gazes para atmosfera, que fez com que a temperatura aumentasse.

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Era Cenozoica → 60 Milhões de Anos – Actualidade. Encontra-se divida em três periodos:
-Paleogénico (60 MA-25 MA)
-Neogénico (25 MA – 1.8 MA) → 1ºs Hominideos
-Quaternário (1.8 MA – Actualidade), que por sua vez encontra-se dividido em 2
divisões geológicas:
-Plistocénico (1.8 MA – 10000 anos) → todo o periodo da evolução da
humanidade; fase mais antiga da pré-história, que por sua vez encontra-se dividido:
-Paleolítico (pode remontar a 3 MA até 10 mil), encontra-se divido:
-Inferior (pode remontar a 3 MA até 150 mil)
-Médio (150 mil até 40 mil (27 Mil peninsula Ibérica))
-Superior (40 mil até 10 mil (Peninsula Ibérica)
-Holocénico (10000 – actualidade)
-Epipaleotítico (10000 – 7500)
-Mesolítico (7500 – 5500)
-Neolítico (5500 – 3200)
-Idade do Cobre (Calcolítico 3200 – 1800)
-Idade do Bronze (1800 – 800 a.C)

O Holocénico e as suas sub-épocas correspondem à pré-história recente.


O Paleolítico corresponde à pré-história antiga.
Por ex. O fim do paleolítico médio, está associado à extinção do Homem Neandertal.
Apartir do Bronze final é estudada pela proto-história.
Não existe uma verdadeira divisão entre por ex o Mesolítico e Paleolítico. A História é
continua, o Homem não passa da “noite para o dia”, ou seja de um ser primitivo para um ser
civilizado de um dia para o outro.

15/10/2009

O arqueólogo trabalha num espaço de tempo diminuto, relativamente à formação terreste


(datada actualmente de 4 mil milhões de anos).
O Espaço Paleo-Ambiental relaciona-se com paisagens que ao longo da pré-história
podemos encontrar. → Consoante o espaço e o tempo, o clima e os ambientes variam.
Paleolítico (2 MA - 10000) → periodo que corresponde à pré-história antiga. Marcado pela
sucessão de climas frios e moderados. Ao Paleolítico corresponde uma fase glaciar (associada ao
frio). Não é a única idade fria; intercalação de fases frias e fases amenas (mas genericamente
fases frias). Há fases do Plistocénico que a temperatura ambiental ultrapassou a temperatua
actual.

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No Plistocénico → Idade do Gelo (Embora não fosse totalmente identificada, é conhecida
desde o séc XIX pelos geólogos. Eles no séc XIX realizaram uma escala temporal dos climas pré-
históricos, centrada num monte dos Alpes, onde existem neves prepétuas, mesmo há 2MA.
Durante o Plistocénico, nos Alpes, foram acumuladas neves/gelos prepétuos, que origiram rios de
gelo, dando por sua vez, origem a vales glaciares. Essas neves/gelos prepetuos levam os
sedimentos à sua frente. Irão derreter e formar um lado. A Moreia é o fenómeno que permite a
formação de lagos → formação rochosa, que funciona como um glaciar. Paralelamente a estes
estudos nos Alpes, a Dinamarca formou-se devido à deslocação de sedimentos oriundos do Norte
→ Suécia). Neste periodo a uma fase glaciar (associada ao frio)sucede uma fase interglaciar (fase
quente → pode ser temperada, temperada quente).

Há cerca de 1.2 MA houve um glaciar (Gunz), sucedeu-se um outro (Mindel, 700000 anos).
Estes glaciares não apareceram do nada. Entre o glaciar Gunz e o Mindel, surgiu o interglaciar
Gunz-Mindel, com mais protões. Datado de 800000 anos)

Plistocénico → Fase Glaciar sucede uma Fase Interglaciar (ciclo)

1200000 anos (Glaciar Gunz) → Gunz-Mindel (Interglaciar) 800000 anos


700000 anos (Glaciar Mindel) → Mindel Riss (Interglaciar) 320000 anos
250000 anos (Glaciar Riss) → Riss-Wurm (Interglaciar) 120000 anos
100000 anos (Glaciar Wurm) → Holocénico/Pós-Glaciar 10000 anos

Vivemos numa fase interglaciar.

Os factores que podem justificar essas sucessões são:

Vários cientistas afirmam que ao longo da história da Terra podem ter ocorrido inclinações
do eixo da terra;
A radiação solar varia e então a distribuição dos climas também variavam e alternavam;
O movimento de translação da Terra também poderia ser alterado por variados motivos
que levam a oscilações climatéricas e de temperatura que explicavam o ciclo de glaciares e
interglaciares.

Os climas da Terra estão relacionados com os Oceanos (corrente do Golfo → Faz circlucar
toda a água dos oceanos). O Golfo do México aquece as águas. No entanto essa corrente
establece uma corrente ar frio/ar quente capazes de fazer suportar vida, assegurando dessa
forma um equilibrio nos climas).

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Esta corrente provavelmente parou nalguns momentos da história da Terra, originando
dessa forma alterações climáticas (Esta corrente relaciona-se com a salinidade e temperatura. Se
a corrente para ou altera-se deixa de haver equilibrios de força, o que pode oscilar a temperatura
e colocar me causa a existência de vida terrena).
Por ex → Evento de 8200, ocorreu uma situação que originou muito frio.
No fim do Plistocénico → Periodo Tardiglaciar, o gelo começou a retirar-se para norte e
grandes massas de gelo começaram a fundir-se e tornaram-se em mega icebergs e ouve uma
grande descarga que vai para os oceanos e o nivel das águas destes subiu abruptamente. Este
degelo foi tão rápido que a água do mar perdeu salinidade e a corrente do golfo parou, originando
uma descida vertiginosa da temperatura. Esse fenómeno estará na origem do enchimento do Mar
Negro. Uma barreira física que impedia o enchimento, não resistiu e acabou por ceder,
descarregando água doce, sendo que esse mar, que era apenas um lago, esteve 30 anos em
constante enchimento. A água desse mar adoçou e influênciou a corrente, levando à descida
brusca da temperatura.
Nesse periodo (8200) → dá-se uma alteração da fauna, indicador paleo-ambiental que nos
mostra as alterações climáticas e suas consequências.
Nos ínicios do Quaternário → Faunda de tipo quente, mas mais tarde desaparece com o
arrefecimento e dá lugar a uma fauna fria (mamutes, rinocerontes lanudos, renas...), animais com
caracteristicas próprias, adaptados a climas frios, nomeadamente uma protecção adiposa.
Na Europa → Mosaico de Climas, no geral os climas eram iguais aos actuais.

Apartir de 10000 anos, o gelo desaparece em grande parte da Europa, os glaciares


recuam para norte, começam a aparecer animais e vegetação adaptados ao clima temperado que
vigorava e também registo de maior humidade, permitindo dessa força condições favoráveis ao
desenvolvimento das árvores e de outros animais, nomeadamente javali, veado, lobo, raposa...

Holocénico → Periodo a seguir à época glaciar


Apresenta etapas/periodos consoante o clima:
10000 – 9000 anos → Pré-Boreal (clima frio; com mais humidade)
9000 – 7000 anos → Boreal (Aumento da humidade; desenvolvimento da paisagem
arbórea)
7000 – 5000 anos → Atlântico (Optimum Climático – momento intermédio –
Neolílitco na Europa – apogeu do ambiente quente e humido; a paisagem arbórea atinge o auge)

Apartir do Atlântico assiste-se a uma deteorização.


5000 – 3000 anos → Suboreal (Arrefecimento, deteriozação da paisagem arbórea
→ devido à intervenção humana; picos de temperaturas altas/baixas)
3000 – Acutalidade → Subatlântico

15
16/10/2009

Evolução Humana

Hominização → evolução dos seres vivos culmina no Homo Sapiens Sapiens;


despromoção da evolução humana – na história dos primatas, nós (HSS) somos mais uns seres
resultantes da evolução da espécie. O Homem não é um ser superior, é apenas mais um primata
e partilhamos a história por ex com os macacos. No entanto a ideia do Homem ser derivado do
macaco é feita no sentido metafórico. Todos os seres vivos têm a sua própria história, embora
possam ter antepassados comuns.
Hominização → Evolução Humana → Há duas prespectivas da evolução humana:
– Continuístas → investigadores do dominio da biologia/ciências da natureza defendem a
continuidade da evolução da história da humanidade tal como outros animais. Defendem o
Homem como um animal e tal como os outros teve a sua própria evolução.
– Na prespectiva das ciências sociais → investigadores da valorização da humanidade
mostram que o Homem “Homo” definiu a própria humanidade, com a linguagem, pensamento
abstracto, ou seja, o Homem tornou-se um ser com caracteristicas próprias, destacando-se dos
demais seres. O Homem deu um salto, destacando-se.

Do ponto de vista mais geral, pertencemos ao grupo dos animais, vertebrados, classe dos
mamiferos, infra ordem dos catarrinos, especie sapiens, sub-especie sapiens sapiens (Separação
Homem – Chimpanzé → 8MA). Pertencemos à familia dos Hominóides (tal como o Gibão,
Orangotango, Gorila ou Chimpanzé), pertencendo (todos) à familia dos hominideos.

O ser humano apresenta algumas caracteristicas fundamentais:


– Somos o primata com o crânio mais desenvolvido (e cerbero, sendo que diversas zonas
deste encontram-se mais desenvolvidas dos que os outros animais, embora outras estamos em
desvantagem, nomeadamente no olfacto Homem vs Cão.
– O nosso crânio é bastante pesado, mas desenvolvido (volume 1250 cm3);
– O ser humano pela sua fisonomia e posição erecta tem maior dificuldade nos partos.
Um elefante tem um periodo de gestação de 2 anos, que permite o desenvolvimento das
diferentes caracteristicas. Quando um bébé nasce (periodo de gestação de 9 meses +/-) só chora
e tem adquiradas poucas faculdades (por ex não anda) e a sua estrutura ossea é pouco
desenvolvida.
– Bipedismo Erecto → Elemento positivio e negativo. Por ex num parto, devido à posição
erecta, há maior dificuldade para sair do ventre materno. O bipedismo faz com que a posição do
parto seja diferente. O facto de nascermos “prematuramente”, relativamente a outros animais,
essa situação tem repercussões a nivel social;

16
– Associado ao Bipedismo Erecto, está o facto de termos as maos livres, o que pode ser
encarado em diversas situações como um aspecto positivo, até porque este factor determinou o
desenvolvimento de determinadas faculdade humanas. A libertaçção da mão vai levar à
estimulação de acções causa-efeito (processo de aprendizagem, por ex projectar uma pedra em
determinada posição). A coexão social adquiriu maior proponderência social.
– Produção de Artefactos
– Sociabilidade
– Visão Apurada: antecipação humana → visão completa, frequência de luz, o ângulo
alargado da visão (visão periférica superior a 180º graus), visão esteoroscopica.
– O Homem tem face plana (não tem “focinho”), tem testa alta, temos um queixo (ao passo
que nos outros animais é mais curto), caracteristicas peculiares dos dentes, que não
especializados, o que mostra que mantemos a mesma alimentação ao longo dos tempos (a nossa
dentição é próxima aquela dos chimpanzés)

Na nossa História, enquanto seres humanos, passamos por vários estados, mas toda a
nossa história se centra nas conquistas com a posição bipede. O Homem atingiu o patamar
evolutivo onde está, porque se tornou bipede (o que de facto não está associado à dimensão do
cérbero).
O Homem a nivel bipede era desenvolvido (o bipedismo permitiu adquirir competências
que o levou ao desenvolvimento cerebral. Não foi o facto de possuir um cerebro de maior
dimensão que levou a este processo evoluito).
Por outras palavras, a Evolução Humana era vista como o desenvolvimento do Homem,
mas é precisamente o contrário. O bipedismo é que vai acentuar o patamar evoluito → o processo
de evolução do cérebro é inferior ao de locomoção.

22/10/2009

Evolução Humana

Abordagem das linhagens (homem, chimpanzé, gorila) que conduzem ao aparecimento do


género homo → 10 – 8 MA (surgimento da espécie Homem → 2.5 MA)

Nos hominideos somos os únicos sobreviventes, mas durante milhões de anos,


partilhamos a vida humana com outros.
A nós interessa-nos a evolução da linhagem que conduz à nossa forma actua, ou seja o
conjunto de hominideos que estariam na sua linhagem até a nossa forma acutal.
O intervalo temporal que nos importa, retomemos a 10/8 MA → encontramos uma espécie
que está na origem do género Homo (muito longe de serem Homens)

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Entre 8 MA e 5 MA a informação existente é muito rara. Na década de 90 encontram-se
alguns fosseis de primatas que se poderiam localizar neste espaço temporal, mas não são
informações precisas. Este intervalo é chave, pois vão se formar 3 linhagens (orangotangos,
gorlias e chimpanzés), que poderão ser apontados como antecedentes humanos. Chega-se a
esta informação graças a contribuições do dominio da genética. Existiam antepassados comuns e
foram surgindo novos conjuntos de animais (evoluindo do orangotango, chimpanzé, gorilla e mais
tarde apartir do género Homo).
Hoje em dia a genética precisa que os antropólogos encontrem fosseis desse periodo
pouco conhecido para empreender investigações e possam confirmar a descendência.
A separação entre do chimpanzé e género homo demorou cerca de 2 MA (entre 8 a 6
Milhões de anos).

O intervalo 10-8 MA → 5 MA é um intervalo chave, pois é quando se origina a separação


de especies (Todo o conjunto de primatas, potencialmente bipedes, com maos livres e cerebros
desenvolvidos). Se conseguirmos encontrar fosseis relativos a este periodo (8 - 5 MA), podemos
precisar mais concretamente a separação de especies (Chimpanzé, Homem...)
1) A nossa familia biológica (ou seja, todo o cojunto de primatas diferentes, mas que
partilhem traços comuns) – Hominideos, parecem surgir neste espaço (primatas com
caracteristias bipedes, cerebros desenvolvidos)
2) Este intervalo (10MA – 5MA) serve para saber a origem do bipedismo nos primatas;
3) Assistimos à sepração (divergência) entre os diferentes primatas, neste periodo de
tempo. A nossa linhagem define-se aqui (a par de outras linhagens), pois até aí a evolução era
comun (gorilas, chimpanzés e homens eram a mesma espécie)
Conclusão → É o momento chave para discodificar as nossas origens como
Homens.

O Bipedismo
A origem do bipedismo e dos hominideos

- O Bipedismo não é uma caracteristica exclusiva do ser humano


– Não é uma caracteristica recente (as origens do bipedismo estão associadas aos primatas
(que ainda não são homidieos) e podem remontar a 10 MA) → Andar em 2 pernas foi uma
adopção.

O Bipedismo é uma caracteristica identificada pela primeira vez há 9.5 MA, encontrado
numa espécie “Samburupitheacus Kiptalani”, foram encontrados fragmentos deste primatas nos
anos 80.

18
Esta espécie tinha um aspecto arcaico (parecido com o chimpanzé), mas aparentemente
já tinha adquirido caracteristicas de bipedismo, aguentando mais tempo de pé, do que por ex o
chimpanzé. É uma espécie de “macaco”. Ou seja a sua postura bipede é mais prolongada que no
chimpanzé e no gorila e poderá ser apontado como um antepassado comun ao gorila, chimpanzé
e Homem.
A importância desta espécie; levanta a possibilidade desta espécie, com quase 10 MA,
onde podemos observar caracteristicas bipedes, podendo ser apontado como um antepassado da
familia hominidea, mais distante e das espécies acima apresentadas.

No Chade foi encontrado “Tormai” (nome cientifico: Sahelanthropos Tchadensas), que


poderá representar um dos mais antigos representantes dos hominideos, com 7 MA. Tem uma
aparência bastante arcaica, bipedismo sub erecto, postura bipede, embora esta não fosse
permanente.

Nos anos 90, foi descoberto “Onorin Targenensis”, um hominideo, com cerca de 6 MA,
descoberto no Quénia, apresentando uma morfolofia ossea parecida com os humanos e
chimpanzés, tinha facilidade em trepar e adoptar uma postura bipede no chão. Provavelmente
teria os braços mais compridos do que as pernas → braqueação → importantissimo para o
desenvolvimento do bipedismo, uso dos braços compridos, impulsionando o corpo.

Apartir de 4.4 MA, os dados relativos já são mais consistentes. Em 1994, uma equipa
liderada por Tim White, descobriu vestigios (entre eles uma mandibula), que pertenciam a uma
nova especie revalada → “Ardipithecus Ramidus”, espécie essa que apresentava caracteristicas
bipedes, apesar de ser um bipedismo bastante arcaico.
Poderá constituir um antepassado dos australophitecus ou de outros antepassados numa
linhagem não humana, são hipoteses apresentadas.
Este “Ardipithecus Ramidus”:
- Confirma a eventualidade de um bipedismo antigo;
– Vivia numa região florestada e alimentava-se de folhas e frutos;
– Linhagem humana (?) → não se sabe se está relacionado ou não.

Outros fragmentos encontrados, identificam uma espécie com origens em 5 MA,


Austrolophitecus, que se estendem do Quénia à África do Sul.
5 MA → Quénia → Tambarim, Lothaman, com 5 MA → Australopithecus (?)
4 MA → Quénia → Kanapri e Champon
4 MA → Etiópia → Maka e Belohdélé
Entre 4.2 e 3.9 MA → É a cronologia para os Austrolopithecus. No entanto há a hipotese
de remontarem aos 5 MA, mas os fragmentos mais antigos não permitem essa datação exacta.

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Em 1995 foram encontrados restos de Australophitecus, que foram comparados com
Audipithedus e classificaram nos como Australophitecus mas com diferenças. Essa descoberta foi
realizada por Meave Leakey, no Lago Turkana → “Australophitecus Anamensis”(Homem do Sul do
Lago) → Vestigios muito fragmentados, e embora fossem peças avulsas, foi uma descoberta
muito importante. Apresentaria o maxiliar em U/V, próxima à fisionomia do maxilar humano e a
sua dentição também (consumiria frutas e folhas). Essa dentição aponta a existência/a sua
vivência numa Savana e tendo em conta o clima (e existência de pouca água) consumiria plantas
e frutos duros. Tinha um aparelho locumotor robusto, uma postura proxima ao bipedismo,
podendo assim constituir um antepassado de Lucy ou do Homem.

Em 1995 uma equipa liderada por Michael Brunet, foi para a Africa Central, Chade, e num
lago que secou e toda a vida que aí existia permitiu adaptar a sua vida a uma vida fora de água
(por ex peixes passaram a viver na terra) e num processo de fossilização aí ficam despojos de
outros animais (camadadas de morte) e os geologos e paleontologos encontram aí vestigios de
fauna e flora. Brunet “caiu” no lago de amplitude cronológia 3.5 – 3 MA e entre todos os vestigios
encontrados, destaque para vestigios de austrolopithecus (possivelmente predados por
corcodilos) → “Austroloputhecus Bahrelghazali” = Abel (Em homenagem a um membro da
equipa). Era um ser bipede (bipedismo sub erecto → deslocava-se no chão com alguma facildade
e trepava com alguma facilidade), que trepava às arvores; tinha um cerbero com um volume de
400 cm3 (semelhante ao de um chimpanzé), tinha uma dentição omnivora (dentes versateis, tipo
os nossos)
Estudos paleoambientais aí realizados concluíram que era uma zona com muita
vegetação.
Uma questão fundamental é coloca → A adopção da postura bipede está interligada com
uma região não florestada (ex Savana)?
→ Pelas constatações não. As proteinas da carne (restos deixados pelos
predarores) eram normais na sua alimentação e então eles como que “caçavam” ou melhor,
roubavam a carne e en tão isto implica uma “comida” que poderá explicar este bipedismo pelo
processo de selecção natural (conseguiam escapar aos predadores).
Os austrolopithecus/hominideos arcaicos tinham uma estrutura que não lhe permitia ser
predador, mas com outras estratégias, nomeadamente roubando alimentos, o grupo poderia
sobreviver.
O movimento (gritos, agitar de galhos) permitia a comunicação emtre eles, dessa forma
planeando o acesso à “comida” → estratégias sociais para obter alimento, o que implicava uma
posição bipede, para roubar a carne.
Aquilo que vários autores dizem, é que o bipedismo pode ser estimulado por paisagens
abertas. O processo de selecção natural valoriza aqueles que podiam ser rápidos e bipedes.

20
23/10/2009

Aparecimento da familia dos hominideos: 10 – 5 MA:


– aparecimento dos primeiros hominideos
– primeiros primatas bipedes

O Austrolopithecus poderá constituir um antecedente do género Paranthropus. Têm uma


morfologia que indica uma locução bipede e que vivia numa zona florestada. Com o bipedismo
consegue capacidade que permite, em simultaneo, deslocações e transporte do alimento
roubado.
O Austrolopithecus Bahrelghazali extingui-se e provavelmente não será um antecedente
humano. Tinha um dentição próxima à humana. Esta espécie:
– Extingue-se sem deixar descendência;
– Pode estar directamente ligado à linhagem humana;
– Pode estar na linhagem do Paranthropus (que não tem a ver com o Homem).
Coppens relativamente ao bipedismo do Austrolopitheco, desenvolve um projecto
denominado “East Side Story” → Defende a evolução geomorfológica do continente Africano, que
tinha conduzido a diferenças e evoluções distintas → Bloco Oriental (marcado pela
desflorestação) e o Bloco Ocidental. Há uma separação Futzvalle, ou seja, uma separação
tectónica, um acidente físico enorme que permitiu a sub evolução da zona Oriental que levou à
desertificação, originado uma paisagem do tipo Savana, que poderia conduzir ao bipedismo.
Nessa falha há a existência de lagos ao longo dessas. O Bloco Central de Àfrica subiu graças a
um choque tectónico originando a desflorestação → surgindo assim Savanas.
No entanto esta teoria foi ultrapassada quando se concluiu que o bipedismo não é
condicionado pelo meio envolvente (Savana)

3.9 MA – 2.8 MA → Australopithecus Afarensis → O 1º fossil a ser conhecido desta


espécie foi aquele que recebeu o nome de “Lucy”, descoberta em 1974 na Etiópia, pela equipa de
Donald Johansson, embora hoje em dia existem vários exemplares desta espécie.
– Tinha o maxilar em V. “Lucy” deu informação sobre a parte inferior do corpo, mas não
muita sobre o crânio (os vestigios desta)
– Lucy era bipede, mas não era um bipedismo totalmente erecto. Os braços não
eram tão curtos como se pensava.
– Encontrados outros crânios de A. Afarensis. Estudos de Richard Leakey permitiram
reconstituir o aparelho auditivo. Apartir da parede do crânio é permitido reconstituir o ouvido,
sendo possivel que a posição deste permitiu identificar em que posição caminhava (posição
inclinada). Assim Lucy foi “despromovida” pelos antropólogos de ser bipede, apesar de conseguir
manter-se em pé.

21
– O seu bipedismo não era erecto.
– Seria uma fêmea, teria cerca de 1.50 metros e pesaria entre 25 e 50 kg. A
morfologia do crânio (450 cm3 de volume) é próxima à de um chimpanzé; dentição adaptada tipo
savana; vivia nas proximidades de um lago.

Em 1976 → Achado em África, por Mary Leakey, que estava a trabalhar na


Tanzânia, uma série de pegadas (um trilho de 27 metros), semelhantes às humanas e que se
encontravam fossilizadas. Significa que há 3.7 MA existiam homonideos com uns pés de
dimensão semelhante à humana:
– As pegadas podem ser de austrolopithecus afarensis;
– As pegadas podem ser de outros hominideos, que estarão na origem da especie
humana.
De qualquer das formas a morfologia dos seus pés é semelhante à humana.

Provavelmente a nossa espécie e a dos Austrolopithecus, partilharam os mesmos


antepassados, mas actualmente (caso existissem) seriamos seres diferentes. Basta haver o
isolamento de espécies, ou seja, não haver cruzamente entre elas, para que resulte um ser
diferente.
A nossa espécie terá sucedido de uma anterior, em paralelo com os austrolophitecus, ou seja,
não são estes que estão na origem da nossa espécie.

30/10/2009
O Bipedismo confirma-se por:
– morfologia dos hominideos
– pegadas parecidas com as dos humanos
– posição do ouvido interno

Austrolopithecus Africanus → Em 1924, na África do Sul, por R. Dart (Anatomista) foi


encontrado um crânio pequeno que tinha um molde fossilizado do cerbero que pertencia a essa
especie.
Esse cerbero tinha:
-Volume que ultrapassado o dos chimpanzés, mas não muito;
-Tinha áreas mais desenvolvidas (mostra que não relação directa entre volume do
cérbero com o desenvolvimento das áreas deste);
-ainda era uma cria (tinha 4 anos)
-poderia estar ligado à evolução humana mas depressa essa ideia é posta de parte
pois chega-se à conclusão de que mais tarde esta cria iria adquirir caracteristias diferentes das
humanas.

22
Nos anos 70, o A. Africanus começou a ser exluído da nossa linhagem.

Austrolophitecus Africanus caracteristicas:


-Individuo com 1/1.5 metors de altura;
-Dentição Omnivora, esmalte espesso
-Ligado à savana
-Bipedismo não totalmente vertical
-Desviado da linhagem humana devido à sua robustez.
Australopitecos Robustos (não é o nome ciêntifico)
→ podem ter como antepassado o Australopithecus Africanus;
→ contemporâneos do Homem/patamar evolutivo paraleleo ao do Homem;

Dá origem ao Parantrhopus (2.6 – 1 MA) “Espécie quase homens”


→ paranthropus aethiopios 2.6 – 2.3 MA
→ paranthropus robustos 2 – 1-5 MA
→ paranthropus boises 1.8 – 1 MA
→ paranthropus crassidens 1.7 – 1 MA

5/11/2009

A capacidade de produção de artefactos não é exclusiva do género Homo.


O aparecimento do Paranthropus (que não está na origem do Homem) surge
paralelamente ao Homem (os 1ºs há 2.6 MA), conhecem-se em África certos fosseis, cujas
caracteristicas permitem classifica-los como pertencentes ao género Homo (Homo surge há 2.5
MA).
Os Paranthropus são hominideos com grande robustez física, crânio diferente do humano.
Na zona final do pariental há uma saliência em torno do crânio (um pouco à imagem do gorila).
Apresenta semelhanças humanas, que parecem antecedentes ao Homem. Há uma espécie de
retrocesso evolutivo nestes individuos, devido ao ambiente em que viviam (meio aberto, poucas
árvores) e aí diferenciam-se do Homem.
Louis Leckey encontrou vestigios humanos, em 1964 no Vale do Omo. Eram crânios
(acima citados) e alguns ossos, alem de artefactos talhados.
Na região do Quénia de Koobi Fora, em 1972, Richard Leakey encntra um crânio bastante
completo de outro hominideo associado ao género Homo e também artefactos em pedra lascada.
Associando esses dados (dos Leakey), nos anos consequentes temos um conjunto de
informação que nos permite classificar o género a que pertencem (Homo Habilis → Associados a
indústrias líticas (artefactos em pedra lascada), na garganta do Olduvai, na Tânzania, industria
essa designado de Olduvaienses.

23
Nos ínicios dos anos 70, do ponto de vista paleoantropologo o género Homo estava
identificado. O Homo Habilis, encontrado por R. Leakey apresenta caracteristicas como:
– Crânio maior que o dos australopithecus (cerca de 600 a 800 cm3 de volume);
– Face aplanada, sem focinho;
– Crânio arredondado e o buraco na base deste estava posicionado no centro, o que denota
um bipedismo mais erecto que os australopithecus;
– Mandibula estreita;
– Dentição robusta associado ao ambiente da Savana;
– Ossos inferiores acentuavam a posição bipede;
– reconstituição do cérebro denotou que a área da articulação dos sons estava bastante
desenvolvida o que a leva a pensar que já teriam uma capacidade de controlar alguns sons que
podiam ser emitidos em certas ocasiões → pré-linguagem (associado a modo de vida em
comunidade, modo de vida social).

Na Etiópia, Melka Konturé, nos anos 70 → encontra-se uma acumulação de pedras e entre
estas, pedra lascada associados a um resto de grande elefante. Poderia ser uma espécie de
cabana arcaica, realizada com pele, paus e pedras. As pedras encontravam-se dispostas em
circulo e encontrou-se restos de fauna associados a industrias líticas.
Pensa-se que o elefante terá morrido neste sitio e os hominideos vieram a esquartejá-lo →
existia uma carcaça havia animais predadores muito maiores que o Homem e portanto não será
viável a existência da tal cabana naquele lugar.

A um leito de um rei vai parar muita coisa. Alguém deixa cair uma pedra e a 700 metros
desse local caíu um corpo. Houve uma cheia e os vestigios foram se acumulando. O rio acabou
por secar e milhões de anos depois tornar-se-ão locais apeteciveis para pesquisa arqueologica.

Apartir dos anos 90, o nº de descobertas aumentrou. Destaque para o Homo Rudulfensis
(datado de 2.4 MA), onde vestigios deste, foram encontrados no Malawi → um crânio e uma
mandibula.
Em 1994 D. Johansson descobre em Hadar, Etiópia, um hominideo ao qual atribuíu o
nome técnico de AL 666 (Fossil de Homo Habilis, associado a industrias liticas → seixo talhado).
Há uma grande dificuldade na linhagem humana, para definir as origens (ou seja
antecedentes). A diversidade de espécies, dificulta por isso a definição da espécie humana. Por
ex o Homo Rudulfensis é apontado como um antecessor, mas não dados que o provem
verdadeiramente.
No entanto há 2.5 MA, encontraríamos muitas espécies do género Homo, que coexistiram
entre si. Não se sabe qual o género Homo, que está na origem do Homo actual, embora muitos
autores defendam que é o Homo Rudulfensis.

24
Os paleontologos debatem a questão do morfismo sexual (diferença entre sexos:
caracteristias de machos e fêmeas → não se sabe em que momento da história humana as
diferenças sexuais se tornaram acentuadas)

Nos finais dos anos 50, na India, foi encontrado vestigios de um hominideo datado de
1.2/1.5 MA chamado Ramapithecus. Esta espécie tinha algumas caracteristicas modernas. Na
mesma estação arqueológica, descobriu-se uma nova espécie → Chivapithecus (descoberto um
fossil, mas robusto em relação ao anterior mencionado). Mais tarde chegou-se à conclusão que
eram da mesma espécie, pois um era macho (Chivapithecus) e outro era fêmea (Ramapithecus),
sendo as diferenças entre os dois bem explicitas.

Os instrumentos das industrias líticas


chopper → seixo talhado unifacial
chopping-tool → seixo talhado nas duas faces → Associado ao Homo Habilis
biface → gume talhado que ocupa quase toda a totalidade da pedra; era mais sofisticado
e mostrava um planeamento prévio para a sua elaboração.
As lascas funcionavam como lâminas.
Biface → o hominideo responsável pela sua elaboração, exige uma projecção prévia (nem
todas as rochas serviam para a “confecção”. O biface não resulta de pancadas aleatórias (há
uma forma padrão encontrada em vários artefactos), ao contrário do chopper. O Biface encontra-
se associado ao acheulense → Vale do Rio Somme, Saint Acheul, França; posterior ao
olduvaiense. O acheulense encontra-se associado ao machado de mão.

6/11/2009

Homo Rodulphensis é o 1º ser do género Homo → Conduz à nossa espécie

Há 2.5 MA, na África, existiam hominideos que fabricavam instrumentos, embora outras
espécies possam ter produzido artefactos.
Quanto aos hominideos antecedentes ao género Homo, a humanidade há 2.5 MA
apresentava diferentes espécies.

Em 1985 uma equipa liderada por Richard Leakey, descobriu um fossil com 1.5/1.6 MA,
muito completo. É um esqueleto quase completo, que mostrou ser um rapaz com 11 anos de
idade, e com uma altura assinalável. Este fossil foi classificado como Homo Ergaster (Homem
que trabalha ou WT15000 ou Turkana Boy), apresentado como caracteristicas relevantes:
– Fossil mais completo que se encontrou com crânio e parte inferior quase toda completa;

25
– Volume craniâno entre 800 – 950 cm3
– Hominideo associado a industrias liticas em que o biface está presente → acheulense
– Bastante alto → 160 cm, para a idade que possuia, cerca de 11 anos
– Tinha um torso supra orbitral saliente
– Hominideo moderno pois denota-se possuidor de um bipedismo totalmente vertical
– Usava o fogo

Ao contrário do Homo Erectus, o bipedismo do Ergaster tem uma verdadeira postura


bipede.
A descoberta do esqueleto do Homo Ergaster, mostra que o desenvolvimento fisico é
anterior ao desenvolvimento encefálico. Só com o Homem Neandertal e o Sapiens Sapiens é que
há um equilibrio entre o desenvolvimento fisico e encefálico (isto por volta de 200000 anos).
Na base tecnológica, o seixo talhado e biface são realizados da mesma forma.
A essa espécie (Ergaster) está associado o dominio do fogo. O uso do fogo, a ideia de
utilização do fogo, até há 20 anos atrás, está associada ao Homo Erectus, quando em Pequim,
junto dos vestigios deste, foram encontrados vestifios de madeira queimada (amplitude
cronologica → 500 a 700 mil anos). No entanto junto aos vestigios do Turkana Boy encontraram-
se vestigios de carvão e pensou-se assim que o aparecimento do fogo tem cerca de 1.5 MA.
A utilização/dominio do fogo, foi talvez dos factores que mais influenciaram o
comportamento humano, pois:
– O fogo origina a luz (assim o Homem deixa de estar sujeito às oscilações de luminosidade
dia/noite, e quase todos os primatas têm uma visão, em que só conseguem tirar partido dela de
dia (condições de luminosidade);
– Origina calor → Assim o Homem pode ocupar locais mais frios;
– Fomentador da convivência social → Várias actividades eam realizadas à volta do fogo,
permitindo a interacção dos elementos;
– Na alimentação → os alimentos cozidos tornam-se mais tenros, nutritivos e facilita o
processo de digestão, provocou mudanças na dentição e nos musculos de mastigação;
– Na caça/progresso tecnológico → Aquecimento de pedras, para mais facilmente molda-las;
lanças eram postas na fogueira para dar uma forma mais arredondada e endurecida à ponta;
– Como protecção → Para caçar ou assustar eventuais predadores.

A espécie humana hoje está espalhada por todo o mundo, mas há 1.5 MA encontrava-se
apenas em África. Estes hominideos (o Homo Ergaster) será o 1º a sair de África, provavelmente
devido a alterações climatéricas.
Migração até Java:
– Fosseis de Java → Modjakento, Sangiran e Trimil (1.6 – 1.8 MA);
– Industrias liticas no Paquistão e na India (1.5 – 2 MA);

26
– Dente incisivo do Homem de Longuppo na China (1.8 MA).
Há 1.5 MA o Homem saíu de forma decisiva de África.

Teoria da evolução humana

Chris Stringer desenvolveu o modelo de colonização do mundo chamado “Out of Africa”.


Este modelo pressupõe dois modelos, em duas época diferentes para a saída de África:
– Num 1º momento: Out of Africa I (saída do Homo Erectus) → Momento mais antigo ligado
à saida de África;
– Num 2º Momento: Out of Africa II (saída do Homo Sapiens Sapiens)

No Out of Africa I → O Homo Ergaster, que domina o fogo, atinge a Africa toda, Médio
Oriente e Ásia (a Europa não tem evidências seguras da sua presença). Essa população Africana
que chega à Ásia, desenvolve-se e parecendo ser no sentido do Homo Erectus.
Apartir daqui, falamos dos genero Homo em Africa e Asia. Anteriormente, este encontrava-
se numa 1ª fase numa faixa de Africa (Da Etiópia à Africa do Sul).

Apartir de 1.6 MA, terá havido uma evolução do Homem de Java para o Homo Erectus.

Java (1.6 MA) – – – – – – – – – >>> Homo Erectus (1 MA)

Homens de Java vai evoluir no sentido do Homem de Pequim (Sinanthropus Pekinenses)


– Homo Erectus

(Sinanthropus Pekinenses) → 1.6 M.A. Tem como descendente o Homo Erectus (1 M.A.);
– Encontrado numa gruta de Chukutien (fragmentos datados de 500-700 mil anos), China,
Pequim;
– Descoberto crânios deste hominideos;
– Robustez física;
– Volume do crânio entre 900-1200 cm3
– Postura bipede vertical;
– Arcadas supra orbitrais muito porminentes;
– 1.60 m de altura;
– Habituado a ambientes do Norte;
– Usava o Fogo;
– Não se conheciam bifaces, embora segundo a cronologia deveriam existir.

27
Homo Florensis → Encontrado na Ilha das Flores, Indonésia;
– Pequena estatura;
– Não se sabe quando aparecem, mas sabe-se que se extinguiram há 18 mil anos;
– Poderá ser resultado de certos grupos colonizadores vindos de África que permaneceram
ali e se adaptaram, sendo que a mutação mantém-se num longo periodo de tempo

12/11/2009

Saída de África > 1ª Colonização Asiática > Fósseis de Java (1.8 MA)
O Homo Erectus, na Ásia, é contemporâneo do H. Sapiens Sapiens.

Desde os anos 70, são conhecidas algumas industrias líticas, mas os materiais
identificados são impossiveis de datar (seixos talhados) → industrias liticas do olduvaiense.

Os 1ºs vestigios da presença Homo na Europa apartir de 2/1.5 MA → Homo Ergaster.

Uma descoberta nos anos 90, em Dmanisi, Geórgia:


– Descobrem-se um conjunto de seixos talhadosdo olduvaiense e uma mandibula de um
hominideo semelhante ao H. Ergaster datada de cerca de 1.4 – 1.5 MA
– Essa mandibula identifica a presença de uma espécie, atribuida o nome de Homo
Georgiani
– Houve duas saídas: uma para leste, a outra atravessando o Caúcaso

Uma outra descoberta nos anos 90, em Cepramo, Itália:


– Descobrem-se vestigios de ossos humanos que remontam a 1 MA – 900 mil aos
Peninsula Ibérica, Murcia, Gruta de Cueva Victória:
– Descobertos vestigios de uma industria lítica e um fraguemento de uma falange que não
se sabe se é humana (com cerca de 1 MA)

Espanha, Fuente Nueva:


– Vestigios de industria litica (seixos talhados e lascas) com 1 MA

Espanha, Serra de Atapuerca, anos 70:


– Região calcária onde existem um nº muito significativo de vestigios hominideos
Anos 80:
– Descobre-se uma gruta com imensos vestigios de Hominideos: Gruta de Sima de los
Huescos

28
Anos 90:
– Na Gruta de Grande Dolina encontram-se vestigios de industria litica com lascas e
seixos talhados, restos de faunas e vestigios Humanos. → Relativamente aos vestigios humanos
encontrados presume-se que pertencem a um jovem com 10/11 anos, que provavelmente terá
caído num poço natural. Do ponto de vista geologico, está bem datado (através do método
paleomagnetismo → minerais que se organizam numa determinada forma). Esses vestigios datam
de 780 mil anos, mas têm de ser anterior, devido à inversão do magnetismo.
Esse jovem poderá ser indicado como sendo uma espécie Homo Antecesor:
– Antecessor da evolução Humana na Europa;
– Pequena Estatura, mas massa muscular muito desenvolvida;
– Face muito moderna: plana e praticamente sem arcadas supraorbitrais salientes;
– Raízes em África (Aparenta ser um hominideo com origens Africanas);
– Não tem caracteristicas ósseas robustas;
– Antece o Homo Heidelbergensis (600 mil anos) que por sua vez antecede o
Homem Neandertal (200 mil anos);
– Ainda se encontra num processo adaptativo a novas mudanças ambientais e de
latitude (não tem caracteristicas de especialização europeia) que se reflectem numa progressiva
maior robustez → processo de neandertalização → culminará com o processo do Homem
Neandertal.

Homo Antecessor (1 Homo Heidelbergensis (200 Homo de Neandertal


MA) mil anos) (Extingue-se 27 mil anos)

– Está num lento processo de – Associado ao processo de – Adaptado ao clima da sua


adaptação ao clima Europeu. Neandertalização localização Europeia
Não se encontra muito afastadi
do seu antecessor, originário de
África

Os processos adaptativos em África conduzem ao aparecimento do H. Sapiens Sapiens.


Os processos adaptativos na Ásia conduzem ao aparecimento do H. Erectus.
Os processos adaptativos na Europa conduzem ao aparecimento do H. Neandertal.

Em África terá existido um hominideo menos robusto, anterior ao Homem Sapiens


Sapiens. Uma espécie de Homo Antecesso em África, que dá origem ao H. Sapiens Sapiens, mas
não se identificou até aos dias de hoje.

29
13/11/2009

Há um periodo entre 1 MA e 500 mil anos que é pouco conhecido. Daí para cá há um aumento
significativo relativamente ao conhecimento das especies, em território Europeu.

Alemanha, Mauer, Heidelberg, 1905 → Homo Heidelbergensis


– Em 1905, aparece uma mandibula em Mauer, perto de Heidelberg, que tinha
caracteristicas diferentes daquelas do Homo Neandertal, constituindo dessa forma uma espécie
isolado;
– Era, no entanto, comparavel a outros fosseis humanos, nomeadamente do Homo Erectus
(termo atribuido por Dubois, pois o “Homem-Macaco” era incapaz de comunicar, e algumas
espécies por ele descobertas tinha caracteristicas de um bipedismo erecto).

O Homo Heidelbergensis – 600000 anos


– Bipedismo Moderno
– Volume craniano próximo ao homem moderno (1200/1250 cm3), embora desproporcional
à sua estatura → Capacidades cerebrais (dimensões) desproporcionais às caracteristicas
anatómicas (músculos etc)
– Aspecto robusto do esqueleto;
– Arcadas supraciliares muito salientes, mandibula robusta, tendência para o
desaparecimento do queixo;
– Tem maior afinidade com o Homem de Neandertal do que o com o Homem Antecesor;
– É o elo de ligação entre a personagem tipicamente africana (H. Antecesor) e outra
tipicamente europeia (H. Neandertal).

Industrias líticas: Numa primeira fase não se conhecessem bifaces (acheulense),


mas sim seixos talhados (olduvaiense). Enquanto o H. Heidelbergensis surge na Europa há
600000 anos, o acheulense surge neste continente há 400000 anos. Ou seja, quando na Europa,
há 600 mil anos, aparece o Homo Heidelbergensis, não se conhece a biface. Isto significa que o
acheulense é posterior e tinha então, uma industria olduvaiense (Homo antecesor → industria
olduvaiense)
Em igual periodo, mas na África, já existem acheulenses. Há uma diferença de 1 MA entre
o acheulense Africano e o Acheulense Europeu → quem saía de Africa apenas produzia seixos
talhados (associados ao olduvaiense).
Provavelmente há 500000 anos houve uma forte influência Africana (sobretudo na
Peninsula Ibérica) e passaram a dominar a industria com bifaces. O Acheulense aparece assim na
Europa há 500000 anos → Influência africana, através de Gibraltar.

30
Várias descobertaas datadas de 250000 anos em Ehringrdorf, Bianche-Saint-Vaast e La
Chaise, que não são conclusivas e não se sabe se não Homo Heidelbergensis ou Homo de
Neandertal pois existe uma grande semelhança entre os dois.
Apartir dessa data encontramos vestigios que anunciam a chegada de uma nova espécie
Homo. Em 200 mil anos conhecem-se vestigios de Homo Neandertal. → Vestigios conhecidos
desde o séc XIX (Alemanha) → O Homem Neandertal (200000 – 27000 anos) está bem
documentado. É uma espécie originária da Europa, apesar de haver vestigios na Sibéria e no
Médio Oriente. Terá convidido com o Homo Sapiens Sapiens durante um periodo de cerca 10000
anos.

Iraque, gruta de Shanidar


– Encontrados vários fósseis datados de 70000 – 50000 anos;
– Era um local de enterramento (foram encontrados no tumulo indicios de práticas rituais,
provavelmente fariam ofrendas, alguns autores apontam para a existência de um culto de
renascimento após a morte);
– Junto ao tumulo existe uma grande concentração de flora. Em certos casos os corpos
encontram-se em posição fetal ou estão na posição de dormir → Mostram laços sociais (“perda da
animalidade”) entre estes seres.
Comparando os vestigios do Homem Neandertal europeu e os do Médio Oriente,
constatamos que os primeiros são mais robustos, o que leva a colocar a hipótese de que quanto
mais afastados da Europa e à medida que as condições climáticas se alteram (Nota: Estamos na
glaciação Wurm), também se alteram as caracteristicas fisicas destes hominideos. Outra hipótese
é que estes homens do Médio Oriente sejam fruto de uma espécie de hibridação entre os
neanderthais e os sapiens, com origem Africana → ou seja, o Homem nessas regiões tem um
processo evoluito que conduziu a mutações fisicas, no entanto a genética contradiz essa
hipótese.

O Homem de Neandertal:
– 1.70 metros de altura (quando adulto)
– Fisicamente robusto
– Ausência de queixo;
– Crânio alongado (fugidio);
– Testa curta;
– Dentes desgastados – eram usados para tudo (A Boca/dentes era usado como um 3º
braço);
– Aparece no Paleolítico Médio;
– Associado a uma nova industria litica – Mousteirense – produzia a partir de lascas, ou seja
as lascas é que são usadas como utensilio.

31
– Capacidade crâniana igual ou superior à do Homem moderno: podia atingir um volume de
cm3 (embora não quisesse dizer que o cerbero tivesse esse volume);
– Vivia em vales de rios e zonas protegidas dos ventos glaciares (Nota: as temperaturas
médias são inferiores 2ºC/3ºC às actuais.

A extinção do Homem Neandertalensis está ligada ao aparecimento do Homem Moderno.


À medida que o tempo avança. Assistimos ao recuo do Homem Neandertal de leste para oeste
(até chegar às extremidades do continente europeu, Peninsula Ibérica e Ilhas Britanicas), entre
40000 e 50000 até à chegada à Peninsula Ibérica há 35000 anos. A extinção da fauna pode levar-
nos a pensar também que esta esteja associada à sua extinção, que também pode ter sido
provocada pela intensa actividade vulcânica que causaria efeito de estufa e osciliações na
temperatura, ou seja, catastrofes climática.
O Homem de Neandertal e o Homo Sapiens convivem cerca de 10000 anos, o que leva a
supor duas coisas:
– Quando se encontrara, miscegenaram-se e deram origem ao Homem Moderno (H.
Sapiens Sapiens) ou como o seu afastamento era assinalável não dariam descendência fértil.

19/11/2009

– Aparecimento do Homem Moderno;


– Contacto do Homem Moderno com o Homem de Neandertal;
– Extinção do Homem Neandertal.

Chris Stringer → Out of Africa II:

– Em África não se conhece uma espécie mais antiga, com traços humanos como o homem
Ergaster.

Africa, 1.6 MA, Homo Ergaster:


– Inicio da história da humanidade → evolução posterior poderá ser responsável pelo
aparecimento do Homem moderno

Entre 1.5 MA e 600 mil anos não há grandes informações sobre a evolução do Homo
Ergaster.

32
600000 a 200000 anos → Vários fósseis de H. Ergaster mostram uma evolução no sentido
de um hominideo muito semelhante aos da Europa e da Ásia → H. Heidelbergensis/ H. Erectus →
Chris Stringer para diferenciar os hominideos de África destes, ou seja Heidelbergensis e Erectus,
que são menos robustos que o seu homónimo Africano. Os fósseis deste periodo estão a definir
um processo evoluito que vai culminar no Homo Sapiens Sapiens → Sapientalização (Um
processo semelhante aquele que aconteceu por ex na Europa → Neandertalização). Chirs
Stringer denomina-os “modernos fronteiriços” (para explicar que estes Homo Ergaster fazem
fronteira com o Sapiens Sapiens), defendendo dessa forma um processo evolutivo que culmina
com o Sapiens Sapiens.
Estão na fronteira entre os hominideos arcaicos (H. Ergaster) e os modernos (H. Sapiens
Sapiens).

Alguns exemplos desses “modernos fronteiriços” foram encontrados em África:


– Homem de Bodo, Etiópia;
– Homem de Ndutu, Tanzânia;
– Homem de Salé, Marrocos;
– Homem de Broken Hill, Zâmbia

Por volta de 120 mil anos, restos humanos, que do ponto de vista anatómico são
equiparáveis ao Homem Moderno
– Klasies River Mouth, África do Sul;
– Gruta de Border Cave, África do Sul;
– Omo Kibish (cerca de 100000 anos), Etiópia
– Das-es-Soltan, Marrocos

Conjugando estes dados anatómicos com os dados genéticos, a “nossa origem” poderá
remontar a 200 – 120 mil anos (entre). O ADN que é passado de mães para filhos e verifica-se
que a origem humana é localizada no Este Africano (Tanzânia) → Berço da Humanidade (Homem
Moderno) → Entre o Quénia e a Tanzânia.

Este momento 200 – 120 mil anos motvia a 2ª fase do Out of Africa (Out of Africa II), ou
seja a colonização do Homem Moderno para diferentes continentes
– Sai de África, há dados do Homem Moderno no Médio Oriente (em El Zuttiyeh e Qafzeh,
por volta de 100 mil anos → Israel)
– Vestigios do Homem Moderno nas Antigas Republicas Soviéticas e India → 80 mil anos;
– Vestigios do Homem Moderno na Austália, com 50 mil anos (Terão cheagado aí, pela
Indonésia e devido a essa localização geografica terão uma evolução particular);
– Na Europa há vestigios, sobretufo no Vale do Danúbio, apresentando cronologias mais

33
proximas no fim do seu curso. Os ultimos locais de ocupação foram a Peninsula Ibérica e Grã-
Bretanha (Apresentam cronologias mais recentes).

Na Ásia terão coexistido com descendentes do Homo Erectus.


Na Europa a existência de industrias liticas de Homem Moderno, datam de 36 mil anos,
em Gibraltar. Na Peninsula Ibérica a convivência de espécices (Neandertal e Sapiens Sapiens),
terá sido de cerca 10000-8000 anos. A chegada do Homo Sapiens Sapiens terá ocorrido cerca de
36000 anos, e como sabemos, o Homo Neandertal extingue-se há 27000 anos. Essa época de
coexistência terá sido marcada pela glaciação, embora menos sentida da Peninsula Ibérica.
Convivência mais prolongada → Itália, Balcãs e Peninsula Ibérica → Cerca de 10000
anos.
A coexistência de espécies, terminará em 27000 anos, devido à extinção do Homo
Neandertal, sendo apontados dois modelos para a sua extinção:

1. Modelo Multiregiona l → Defendido por Milford Wolpoff


– Defendem a evolução do Homem como resultado do cruzamento de H. Modernos
e as populações autóctones, ou seja, as linhagens humanas nunca variam, estando longos
periodos de tempo afastadasa, por isso não havia impedimentos à sua miscigenação. Ou seja, o
Homem Neandertal se diluiu nas populações modernas → Mistura Homem Moderna e
“populações mais antigas” (Neandertal).

2. Modelo Unirregional → Defendido por Chris Stringer


– Baseado no Out of Africa II, mostra que cada grupo humano teve uma evolução
independente, através do isolamento geográfico e o desenvolvimento das espécices permitiu a
estas desenvolverem caracteristicas próprias e é provável que passado algum tempo é impossivel
existir cruzamento de espécies, embora possam ter um antepassado comum. É o modelo com
mais força pois é apoado por dados genéticos e antropológicos, no entanto não explica a extinção
do Homem do Neandertal.

Zilhão (Português) e Erick Trinkaus (Inglês)


– Arqueólogos defensores do modelo multiregional; defendem a mistura cultural das
espécies.
Lapedo, perto de Leiria, Portugal
– Maciço calcário;
– Abrigos sobre rocha usados na pré-história
– Encontrada num dos abrigos uma criança (4-5 anos), depositada numa “cama” forrada a
ocre vermelho, com uma pedra a segurar a cabeça e contas de colar → apontado com elementos
que faziam parte de um ritual funerário;

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– Datação: 25000 anos → Teria que ter muita componente moderna, mas também
neandertal (que deveria ter se extinto há 27000 anos);
– A criança ainda conservava algumas caracteristicas Neandertais, por ex apenas duas
raízes nos dentes, no entanto é facil encontrar caracteriscas neandertalensis em homens
modernos, portanto não era uma pista segura para defender a miscigenação.

Possiveis causas da extinção do Homo Neandertal:


– Doenças;
– Alterações climáticas do clima (nomeadamente uma época fria, que poderá ter conduzido
à sua extinção);
– Perseguição pelo Homo Sapiens Sapiens

A mais provável terá sido a sua extinção natural provocada pelas alterações climáticas que
provocaram também a extinção de mais fauna.

20/11/2009

A evolução das indústrias liticas e da sua tecnologia vai evoluindo consoante


a evolução humana.

Uma industria litica, localizada no tempo, é marcada por uma determinada tecnologia. As
industrias liticas são influenciadas pela capacidade dos hominideos em produzir artefactos, e o
resultado obtido estará dependente dos conhecimentos por ele (humano) adquiridos.
Sabe-se hoje que existiam espécies, que não pertenciam ao género Homo, por ex
australopithecus, que produziam artefactos-industrias liticas. Anteriormente pensava-se que a esta
capacidade estava apenas inerente ao género homo.
Através da análise dos artefactos é possivel identificar, em certa parte, o modo de vida da
espécie.
Parte-se do principio de que o Homem é produtor. Há 2.5 MA surge um individuo capaz de
produzir um artefacto → Logo associa-se ao Homem. Mais tarde seria comprovado, que os
hominoides, como o gorila, chimpanzé também têm capacidade para produzir pequenos
artefactos, por isso, em 2.5MA a faculdade de produzir artefactos não é exclusivamente humana.
Na altura que existiu o Homo Habilis, coexistiram outros seres do género Homo, bipedes e
que também poderiam produzir artefactos.

Olduvaiense → Garganta do Olduvai, Tanzânia, 2.5 MA

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Associada a um acidente tectónico (Ao longo de um eixo, no continente africano, há um
grande nº de lagos, que revela uma falha tectónica → originada pela pressão sobre uma placa
tecntónica que partiu, sendo que uma das partes cedeu, e entre as partes encontram-se esses
lagos. É uma região onde há um grande nº de descobertas.

A esse periodo (2.5 MA), na garganta do Olduvai, estão associados utensilios, designados
choppers (talhados numa só face) e chopping tools (talhados nas 2 faces, originando uma aresta)
No olduvaiense, o Homo Habilies e outros que coexistiram tinham capacidade para
produzir artefactos tecnológicamente muito simples. Associada a esta industria:
– Os nuleos → serviam para a extracção de lascas, que neste momento não eram
empregues;
– As lascas → de sílex ou quartzo → muito cortantes, resultantes do talhe do nucleo

Os materiais mais usados no fabrico de artefactos: quartzo, quartzito, obsidiana, sílex...


Os choppers e os choppins tools tinham inúmeras funções:
– Cortar
– Usavam-no, batendo pedra com pedra;
– Esmagar o osso, desarticular uma espéice...

A arqueologia exprimental realizou experiências com as lâminas, provando que uma


lâmina cortara cereais, outra carne, pois se uma lâmina corta sempre o mesmo vai se modelar,
devido à actividade constante, sempre na mesma superficies.
No entanto este método de identificação, não se aplica em periodos mais remotos, pois as
lâminas extraídas das pedras, assumiam multiplas funções.

O Olduvaiense:
– Produzido na África, Europa e Ásia;
– Surge há 2.5 MA;
– Produzido durante um longo periodo de tempo (Até 1.5 MA em África; 600/500 mil na
Europa e Ásia;
– Tecnologia básica e simples (As industrias do olduvaiense são simplistas, predurando esta
técnica até ao séc XIX (por ex aplicada nas redes de pesca, embora se, o carácter de instrumento
fundamental).

O Acheulense
– Surge na África há 1.5 MA. É responsável pela produção de dois artefactos relevantes: o
biface e o machado de pedra
– Associado ao H. Ergaster, H. Heidelbergensis e H. Erectus.

36
O Biface:
– Talhado nas duas faces mas com uma maior amplitude de talhe do que os chopping tools;
– A superficie desprovida de cortex é muito mais ampla;
– Não é um grande passo em frente, do ponto de vista tecnológico e não vem alterar os
hábitos das populações que já usavam os seixos talhados (Embora sejam diferentes seixo talhado
e biface)
– Embora sendo muito simples, a simetria inerente ao biface mostra a capacidade em
projectar mentalmente a forma e reproduzi-lo ao realizar o artefacto
– Há necessidade de o Homem procurar um material favorável, ou seja há a selecção da
matéria prima, uma rocha que seja favorável, para realizar o artefacto pretendido. Há uma espécie
de projecção do objecto que ele quer construir, antes da realização do mesmo. Há casos que o
Homem do Acheulense utilizava blocos partidos, para poupar o esforço. Há uma altura que o
Homem que produz o biface, encontra uma pedra de 1 metro de diâmetro, bate nela, obtendo
uma lasca, que apresenta uma face de estalamento lisa e só precisa, assim, de trabalhar na outra
face → Isto prova uma capacidade de planificação prévia.

O machado de mão:
– Tecnológicamente não tem grandes exigências na sua elaboração, apesar de ser
necessário seleccionar a matéria prima;
– É necessário escolher e abordar a matéria prima → há uma selecção criteriosa da escolha
do bloco. → Mostra que o hominideo tinha capacidade de abstracção, de planeamento.

Acheulense:
– Forma como é produzido o artefacto não é muito inovadora em relação ao olduvaiense;
– Forma como se aborda a matéria prima é que é diferente.

Nos finais do acheulense, por volta de 200 mil anos):


– Aparece por todo o lado um método de talhe que reflecte um salto qualitativo significativo,
usado pelo H. Heilderbergensis/Erectus → Método de Levallois (França), sendo que alguns
autores pretendem ver aqui as origens do Homem Neandertal;
– Está associado à produção de lascas
– Encontramos agora esquemas de exploração dos nucleos (aí é que está relacionado com
o método acima referido)
– Há um método mais antigo, que é o método da lasca preferêncial, um método que permite
extrair 1 ou 2 lascas
– O método mais recente, é o método de recorrente, que implica a preparação da rocha,
para retirar lascas preferências do nucleo, que surge com o H. Neandertal

37
Este Hominideo vai ter 3 cuidados presentes, na extração de lascas:
– Escolha criteriosa da matéria prima;
– Escolha do suporte (ex blocos com uma forma especifica)
– Aplicação do método

Quando o bloco de pedra é recolhido vai ser preparado. Isto, para além de implicar uma
selecção da matéria prima vai exigir aos Homens uma planificaçao que advém do pensamento
abstracto.

As industrias liticas do paleolítico superior estão em articulação com as actividades


daquela época, por ex a caça (Periodo cronologico 2MA – 900 mil anos)
Do ponto de vista dos objectos, não há grandes vestigios de terem sido utilizados como
um artefacto essencial para a caça. Não havia uma técnica de caça para animais de grande porte.
Havia a necessidade de os conduzir por ex até um pantâno e um grupo de homens ficaria
encarregue de o matar.

Por volta de 150/200 mil começa a existir uma técnica de trabalho da pedra, associado às
lascas (muitas vezes empregues como utensilio).
No paleolítico Médio, fruto do desenvolvimento de técnica de lasca, surge uma nova
industria, mosteirense (associada sobretudo às lascas), transformando essas lascas em
verdadeiros utensilios. Nesse mesmo periodo, o nº de bifaces diminui, mas estas têm maior
qualidade neste periodo.
Podemos concluir que a actividade do esquartejamento animal continuou no paleolitico
médio. Os bifaces utilizados são ainda importantes no desenvolvimento de tarefas, apesar da sua
importância diminuir. Por sua vez as lascas ganham uma importância relevante, empregando-se
como raspadores ou ponta levallois (este artefacto mostra que estamos na presença de
verdadeiros caçadores.
Sendo o clima frio, essas comunidades usavam as peles dos animais para se protegerem,
nomeadamente o Homem Neandertal

O método de levallois → processo para preparar os nucleos → método preferêncial →


apartir do núcleo extraem-se lascas:
1º Procura-se dar uma morfolofia convexa do nucleo;
2º Prepara-se o Núcleo;
3º Os negativos feitos vão criar pontos de fragilidade e ao bater desloca-se
4º Extraí-se a lasca

38
O Homem Neandertal vai desenvolver esse metodo, extraíndo lascas, até o nucleo ficar
totalmente esgotado.
A grande vantagem é que o Homem Neandertal vai extrair muita matéria, com o mesmo
objecto, conseguindo dessa forma a produção de mais objectos essenciais.
Esta espécie, conjugando-se com os artefactos por ele produzidos, a possibilidade de com
eles realizar setas, tornou-o num verdadeiro caçador. Sepultava as pessoas, estamos assim na
presença de um Homem com espirito de humanidade, constituem um grupo coeso, bem adaptado
ao clima frio e com grande disponibilidade de objectos.
Neste periodo, os solos estavam quase todo o ano gelados e por isso a água não drenava,
originando dessa forma pantanos (ou seja, há retrocesso da paisagem florestal, as sementes,
raízes estão indisponiveis, pois não germinam ou estão congeladas, logo sentem a necessidade
de caçar para satisfazer as suas necessidades alimentares.
Foram encontrados vestigios de mamutes/poléns congelados na sibéria que chegaram até
aos nossos dias, permitindo dessa forma reconstituir o ambiente em que estavam inseridos,

O mosteirense é uma industria macrolítica. Comparando o acheulense com o mosteirense


observam se uma microlitização dos artefactos do acheulense. Os objectos deste são mais
pequenos, existem lascas pequenas; entalhe (especie de utensilio) está adaptado à forma em que
está inserido.
Este tipo de utensilios mais pequeno está associado a um modo de vida onde se realizam
actividades mais complexas.
Quem domina este tipo de objectos são seres que promovem um desenvolvimento
biológico, neurológico, motor, que por ex o Homo Habilies não tinha. O Homem Neandertal é um
Homem que se encontra com um Sistema Nervoso Moderno.

Nos finais do paleolitico médio (a seguir ao mosteirense), por volta de 40000 anos, surge
uma nova industria lítica, chamada chatelperronense.
Esta industria é misteriosa. O Homem Neandertal desde sempre produziu a sua industria
→ lasca e biface (martelo associado). Há 40000 anos aparecem novos objectos, que apresentam
uma certa evolução. Tratam-se de lâminas. As do paleolitico superior têm um contorno regular,
muito delgadas, ½ milimetro de espessura e uma forma rectângular.
Nesta época surgem uma lâminas mal feitas, toras...Um estudo concluiu que tinham sido
feitas, segundo um outra técnica, associadas a uma variante do método de levallois, que é
caracterizado por lâminas pouco precisas, mas definidas.
No paleolitico superior aparecem adereços corporais.

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Autores admitiram que através de um processo de coexistência entre duas espécies, o
Homem Neandertal resolve inovar por imitação, embora conseguindo uma reprodução mais tosca.
→ É uma prespectiva defendida. Os que a defendem são aqueles que defendem a miscigenação
de espécies, que daria descedência fértil, que absorvia o conhecimento cultural e as
caracteristicas biológicas.
É apartir de 40000 anos que se dá o surgimento dessa industria lítica. Esta forma que
explicava o chatelperronense (relacionado também com o aparecimento de adornos associados
ao enterramento) através a miscigenação das espécies Sapiens e Neandertal.
Outra prespectiva defende que há 40000 anos uma tendência do paleolítico médio sofre
uma alteração e dá origem a novos objectos e técnias (chatelperronense)

Há 40000 anos o Homo Neandertal produz novos artefactos, diferentes dos


anteriores, mas dificilmente saberemos que circunstâncias o levaram à produção de novos
objectos.

27/11/2009

O Paleolítico superior → corresponde a um momento de coexistência entre o Homem


Neandertal e o Sapiens Sapiens. Muitos autores defendem que a miscigenação das industrias
liticas (chatelperronense) associadas (além da miscigenação das espécies).
Um modelo está relacionado com o movimento multi-regional (relacionado com o
chatelperronense) e o outro modelo, associado ao Out of Africa II, não acredita na hipótese de
miscigenação.

O Homem Sapiens Sapiens no Médio Oriente chega por volta de 80000 a.C. Aparece
associado a uma industria lítica (próxima ao mosteirense). Este Homem marca o ínicio do
paleolítico superior e trás consigo uma industria lítica, que é microlítica e de base laminar.
Da mesma forma que o H. Neandertal utilizava os blocos para extrair lascas (era o
principal objectivo. Usava as lascas em grupo ou aplicavam-nas) → Mosteirense, o Homem S.S.
Utiliza matérias primas de boa qualidade, fragmentando o bloco em inúmeras lascas.
Enquanto o Homem Neandertal fracturava o nucleo para retirar as lascas, o Homem S.S
prepara o núcleo, e a partir daí dá origem a uma lâmina (com comprimento superior ao dobro da
largura) → Para ser lâmina tem de ser produzida através de um metodo especifico.

Método de produção laminar → maior rentabilidade da matéria prima.

40
No Paleolítico médio, com o mesmo volume de matéria conseguimos extrair mais material
(gume activo). Com o avanço do tempo (sucessão de épocas) a capacidade exploratória de
matéria é maior.
A capacidade de produzir suportes perfeitamente modelados e standarizados, ou seja são
muitmo mais homogeneios. O leque de instrumentos produzidos é maior (mais diverso) e a
qualidade também.

Uma lâmina de pequenas dimensões degina-se por lamela. Uma lâmina torna-se um
artefacto que poderá sofrer mutações → As lâminas constituem a base artefactual a um grande nº
de utensilios realizados no Paleolitico Superior.
Ao longo do Paleolítico Superior (Na Europa 40000 a 10000 anos, quando termina o
periodo plistocénico e inicia-se o holocénico. O plistocénico corresponde ao neolítico e pré-história
geral).
De 40000 a 10000 a.C a pré história está dividida em diversas fases, associadas a
industrias líticas distintas.
A industria mais antiga do Paleolitico Superior, na Europa é o aurignacense (36000-25000
BP) → Caracterizado pela produção laminar, nesta altura o Homo Sapiens Sapiens retocou as
lâminas. Nesta altura produzia-se um objecto muito comun (objecto retocado na extremidade tipo
formão)
Um 2º periodo do paleolítico Superior (bem explicito no Vale do Coa) designado
Gravetense (La Gravette: 25000 – 22000 BP) → Esta fase é conhecida pelo aparecimento de um
objecto designado “Ponta de la Gravette” → Tem cerca de 4 cm, embora haja mais pequenas.
Essa ponta implicava o trabalho numa das arestas.
No gravetense surge um outro objecto, o buril. A presença de buril permite identificar o
modo de vida de uma população.
São também tipicos os utensilios realizados em osso.

Síntese:
→ Diversidade de utensílios, mostram prática de actividades diferentes. O
Homem do Paleolítico Superior utiliza um grande nº de matérias primas para elaborar os
artefactos, associado a um modo de vida mais desenvolvido.
A caça é uma actividade real, os animais são esquartejados e queimados pelo fogo.

Ao gravetense sucede uma nova industria, o Solutrense (Le Solutré), com uma fisionomia igual a
folhas de loureiro ou de salgueiro, são peças que o trabalho realizado nelas, deixam nas tão finas,
como uma folha referida. É uma lasca delgada (21000 – 17000 BP).
- Coberta por um talhe que vai de um lado ao outro;
- Retoque cobridor (toda a superficie da seta); - Retoque aplanado.

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Estas peças (e outras partes de seta anteriores) estão relacionados com a utilização de
lanças, com a ponta lítica e o propulsor (um cabo que permite lançar uma seta).
É um instrumento que permite caçar grandes animais. Provavelmente há grupos de
homens equipados com este equipamento, aliado a armadilhas e ao fogo, conseguem matar o
animal.

A arte será o culminar do desenvolvimento técnico-neurológico.

A ultima industria do Paleolitico superior aparece em La Maadalaine, industria Madrelense


(17000 – 10000 BP). Em alguns aspectos há um retrocesso relativamente ao Solutrense.
Nesta industria lítica é muito comun a produção de lamelas.
Apesar de tudo, dão um salto qualitativo nas industrias em ossos (grandes perfeições).
Surgem arpoes, que são aplicados na pesca. Esta industria encontra-se ligada à caça,
nomeadamente de mamutes, rena, bisontes, além de caçarem coelhos com armadilhas.
Há todo um leque de objectos em osso e a prática da caça é muito importante.

4/12/2009

Evolução do Homem, no Paleolitico, relaciona-se com as industrias líticas e no Paleolitico


Superior é introduzido elementos artisticos.
Descartes → introduz uma dictomia do corpo e da alma.

Pela antropologia, entre outras, as sociedades primitivas não distinguem aquilo que é
simbólico e funcional. Por exemplo, as comunidades rurais actuais, uma ferradura não assume
apenas uma simbologia simbolical. Para eles, uma porta sem fechadura não está completa. Ao
elemento funcional → Porta, é adicionado o elemento simbolico → ferradura, que para eles é
indispensável. Ou seja, não há uma separação do lógico, do funcional.
Nas sociedades primitivas essa separação não acontece. Uma pintura rupreste não
constituia apenas um elemento estético.
A arte do Paleolítico Superior, está recheada de simbolos, remete para o metafísico, mas é
funcional. Essa arte, fazia parte do mesmo sistema, ou seja, se essa pintura representativa não
estiver representada, não está completa.
As manifestações que conhecemos sob a forma de gravura ou pintura, fariam parte de um
cojunto de suporte, no entanto o que até chegou aos nossos dias é apenas uma parte. Essa arte,
estava intimamente ligada ao Homem Primitivo.

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Quando falamos do domino estético → Um arpão pode ser integrado, quer no dominio
estético, quer no dominio funcional. Um arpão decorado, provavelmente para o Homem Primitivo
teria melhores caracteristicas para desempenhar as suas funções. Actualmente, um arpão seria
considerado um elemento meramente no dominio estético, o que está errado.
O Homo Sapiens Sapiens distingue-se no quotidiano das diferentes espécies, anteriores.

A arte do Paleolítico Superior → A geografia da arte

Até há alguns anos pensava-se que se concentrava no Sudoeste Francês e Norte de


Espanha. Hoje em dia sabe-se que está presente em todo o mundo (No continente Americano por
exemplo há manifestações artisticas).
Desde os inicios do séc XX, assumia-se que França, Espanha era o verdadeiro epicentro
da cultura do paleolítico Superior. Isso deve-se à exploração tardia.
Em África, os animais representados são diferentes (relativamente aos condicionalismos
da existência animal. Por exemplo é impossivel imaginar uma girafa no Vale do Coa.
O alargamento da geografia da arte tem a ver com a evolução da arqueologia.

Os documentos artisitcos do Palelolítico Superior, dividem-se em dois grandes grupos. 1)


Arte móvel → Pode ser movida: Ponta de uma lança, arpão (figuras de centimetros), matérias
orgânicas trabalhadas, como por exemplo uma casca de árvore trabalhada, peles de animais
secas, utilizadas como adornos, esculturas em ossos, marfim, argila; 2) Arte rupreste → Figuras e
gravuras (representações) ao ar livre ou em grutas.

Portugal, Espanha, França, regiões da Europa Central e Sibéria são os principais locais de
riqueza cultural do Paleolitico Superior.
A arte rupreste localizada, com maior expressão, na Europa Ocidental; a arte móvel
sobretudo na Austria, Alemanha, Itália. No entanto,de acordo com as ultimas escavações, a 1ª
região é também ela rica em arte móvel.
No vale do Coa, há cerca de ¾ anos, recolheu-se cerca de 60 elementos de arte móvel →
eram pequenas placas de xisto, com gravuras idênticas às encontradas nas grutas.
Uma das justificaçõe atribuídas para a maior concentração de arte rupreste no Norte de
Espanha e Sudoeste Francês tem a ver com o nº de grutas existentes.

A história da arte do paleolítico

E. Larter → Séc XIX

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Desde os meados do séc XIX surgiram várias correntes. Uns defendiam que o Homem Pré
Histórico tinha capacidade de representação de figuras (pintar e gravar) outros não acreditavam
nessa hipótese.
O Homem do Paleolitico Superior (Já não tinha tanto trabalho, visto que simplificara as
tarefas e conquistou tempo de lazer), conseguia filtrar a informação recolhida. Ao longo da sua
vida, terá comido mais pequenos roedores, no entanto este, representava mamutes, que
provavelmente só o comeria ocasionalmente, se é que alguns o teriam mesmo visto. O Homem
do Paleolítico Superior nunca representava o ambiente envolvente (ervas, linhas do solo), apenas
fazia representações do animal, por exemplo.
Os 1ºs investigadores da arqueologia (séc XIX) tinham dificuldades em intrepretar e datar
essas representações artisticas.
Em 1879, Marcelino Saretuola, estava a fazer escavações num sitio, com a filha, e a certa
altura, esta meteu-se num buraco e foi ter junto da “Capela Sistina dos Bisontes”. A porta de
acesso estava tapada, logo, as pinturas tinham de ser realizadas à representação daquelas
imagens (?).
E. Cartailha → Estudou o paleolítico e publica um artigo, em 1902, reconhecendo a
verdadeira antiguidade da arte.

Há indicios de que o Homem Neandertal no fim do seu periodo, teve uma proto-arte.
A arte do paleolítico superior só poderia ser feita por caçadores recolectores, alguém que
conhece verdadeiramente a anatomia, o comportamento, o habitat da espécie representada.
A sociedade dos caçadores recolectores brincavam. Apanhavam o animal e partilhavam
durante alguns dias a carne fornecida pelo animal.
A representação artistica é comum, a nível dos motivos representados, contexto... → a
arte é uma linguagem “universal” nestas comunidades.

10/12/2009
A partir dos ínicios do séc XX, o reconhecimento da arte (da historicidade da mesma),
através da calendarização desta, de forma a perceber se esta evoluiu ou não e de que forma
evoluiu.
Um 1º estudo foi levado a cabo neste periodo, por Henri Breuil (que faz parte de um grupo
dos 1ºs arqueologos modernos), que confirmou a historicidade da arte. Admite que a arte evoluiu,
a par das indústrias litícas (das formas menos figurativas, mais simples, para formas mais
complexas). Estudou sobretudo em Alta Mira (Espanha → estudos empreendidos nas grutas),
Font-deGaume, Les Combarelles. Era possivel dividi-la em 2 fases:
- A mais antiga → auricmacense → gravetense
- A mais moderna → solentrense → Magdalesense (cuidado representativo, o animal apresenta
uma representação mais real)

44
Na arte do paleolítico superior há a representação de alguns animais. Henri Breuil
contempla a pintura, gravura e arte móvel. No entanto era limitado, porque só observou/realizou
estudos em poucas grutas.

André Leroi-Gourharey → trabalho desenvolvido nos anos 50/60. A arqueologia tinha


conhecido um progresso assinaçável, como a do carbono 14, que ainda se encontrava numa fase
embrionária.
A arqueológia pré-histórica verificou que havia uma ssequência cronológica da arte →
auricmacense...Em relação a Henri Breuil, procura (investiga) em mais grutas. Este autor tinha
alguns indicadores, de que era uma arte muito antiga. Quando se descobre arte, é importante
encontrar elementos que permitam identificar a antiguidade da arte.
Juntamente com geologos, verifica que algumas pinturas, estão protegidas por uma
película (mas que resulta de uma acção físia), que demora vários milénios a formar-se.

Noutras escavações, encontram-se vestigios de arte, cobertos por sedimentos. Assim


quando os arqueólogos nas escavações encontravam gravuras com sedimentos de cultura
auricmacense, que permitiu establecer, decerta forma, uma localização cronológica.

Proposta de Gourharey → Certos animais, independentemente das representações,


cabia em categorias de género (feminino e masculino):
Estilo pré-figurativo → marcas/riscos do paleolítico médio
Estilo I → auricmacense (representações esquemáticas elementares)
Estilo II → gravetense, inicios de soletrense
Estilo III → finais do soletrense, ínicios do magdalesense
Estilo IV → magdalesense até ao fim do Paleolítico Superior (representações esquemáticas
complexas).

A qualidade representativa vai evoluindo, mas também assistimos a representações que


sugerem movimento/dinamismo. São utilizadas manchas escuras, que sugerem volumetria (3D).
As imagens mais antigas, apresentam-se como uma figura 2D.
(Os temas representativos na Europa e Ásia são comuns, há uma espécie de linguagem
comum).

Gouharey → é dos 1ºs que refere que a temática da arte do Paleolítico Superior é um
tema complexo. Defende que por mais grutas verificadas, as representações animais (os
modelos) são sempre os mesmos.

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No Côa, descobriram-se vestigios de fauna, que provam que o homem consumia esquilo,
viado, no entanto estas espécies, simplesmente não eram representadas.
Esta arte não era uma fotografia da realidade. O Homem, apesar de observar e conviver
com inúmeros animais, selecciona apenas alguns para a representação. No interior de uma gruta,
as representações estão dispostas, como se estivessem numa caixa → não há grande relação
entre as representações, há como uma espécie de manipulação da realidade.

Um dos aspectos desta arte, é o seu carácter assexuado, pois de um modo geral, os
animais quase nunca têm representados os orgãos genitais. No entanto, estão representados
simbolos que permitem identificar o sexo dos animais (hastes, representações de animais em
afrontamento, o dorso típico do macho...) → Tem informação subtil, mas toda ela tem enorme
riqueza dos seus significados. Representação animal → Proximidade: cabeça maior; Afastamento:
cabeça menor; Uso das cores de forma a realçar proximidade/afastamento.

Representação de signos:
→ quase só conhecidos em grutas
Gourfraey apresenta 3 categorias de signos:
→ Signos alongados, do tipo masculino;
→ Signos fechados, do tipo feminino (fechados)
→ Signos pontilhados, do tipo abstracto (não se conhece o seu significado).
Em todo o caso, estes signos surgem associados aos animais

Além do mais, há representações raras de figuras humanas. Apesar do domínio técnico,


nas representações de figuras humanas, estas parecem deformadas. Há figuras hibridas (meio
homem, meio animal → antropormóficas).
O Homem do Paleolítico Superior selecciona o elemento representado. A representação
deformada do Homem, é uma realidade. Não se sabe porquê, mas têm interesse em deformar
assim a sua figura. Não há representação da actividade da caça.
Pensa-se que o Vale do Côa terá sido um ponto de convergência de diferentes
populações, como demonstra o sílex.
De uma maneira geral, a arte era realizada para ser vista, embora em alguns locais o seu
acesso seja complicado. No entanto há figuras que não são realizadas para serem vistas por
todos.
Esta arte, dentro do seu contexto, trata-se de uma sociedade caçadora-recoletora.

Em síntese: a arte do Paleolítico Superior representa animais, acrescenta signos


abstractos, que torna esta arte complex, sendo que as representações humanas não são
realistas.

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Alguns autores, dizem que a gruta é um espaço, que o homem consegue ver os animais lá
representados, com significados específicos. Esse espaço já lá tem o cosmos do bisonte, por
exemplo. O Homem limita-se a contornar o traço humano.
Encontramos representações de cavalos com as suas pernas para o ar. A representação
do animal é secundária perante a morfologia da gruta. O Homem posiciona os animais conforme a
imagem mental que tem, trazendo para o aspecto simbólico (o animal nasce da parede →
manipulação do desenho).
Há animais que são representados de forma incompleta (por ex. Ausência de cabeça). Um
animal sem cabeça terá um significado diferente, do que o mesmo com cabeça.

A representação das Vénus → representações em esculturas, ou baixos-releos em parede.


Os caracteres sexuais secundários da mulher (seios, ancas, ventre) estão muito salientes → há
apenas alguns aspectos que estão salientes e outros que estão mal explícitos ou mesmo não
representados.
Vénus → representa a fertilidade. Encontra-se prestes a dar a luz, sendo que socialmente
tem um papel relevante.
As imagens das Vénus, pela volumetria de alguns orgãos, sugerem gravidez. A
representação das Vénus é uma manifestação da manipulação da realidade. A Vénus de
Wilderhorf, tem a sua cara mal representada, no entanto o seu toucado/touca em contas estão
muito bem representado.

As representações do Paleolítico Superior são complexas. Remetem para um domínio


socio-cultural complexo. Não era apenas no sentido estético, mas também simbólico. Fazia
sentido, representar determinados animais, numa determinada posição.
A arte do Paleolítico Superior, desde os 30000 até aos 10000 anos evoluiu, mas não no
sentido lineaar. Foi encontrada uma gruta com 35/36 mil anos, com representações superiores,
que podiam ser enquadradas no magdalesense.

12/12/2009

Durante o paleolítico Superior assistmos ao aparecimento da arte, associada ao Homem


Sapiens Sapiens. Ultrapassa o domínio estético, assumindo função de linguagem (simbolos,
signos).
O Homo Sapiens Sapiens de entre os animais que observa, selecciona alguns e
representa-os com determinado significado.
A figura humada, quando representada, é sempre deeformada, apesar de a técnica dos
artistas primitivos não ser colocada em causa.

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Certos animais ficam localizados em locais de boa visibilidade (alguns na entrada das
grutas, estando bem iluminados), outros estão em zonas escuras, pouco iluminadas → há uma
espécie de codificação de certos animais, que são determinados no seu local (poscionamento).

A arte evolui → do mais simples para o mais complexo, segundo teoria de Gourharey. No
entanto sabemos que não evolui do mais simples para o mais complexto. Um dos exemplos, ou
excepções é o que encontramos na Gruta de Chauvet (os arqueólogos datam aquelas
representações de 36000 anos, mas que são bastante complexas → altamente talhados,
cuidadas...A arte apresenta qualidade semelhante àquela datada de 10000 a.C, podendo a 1ª ser
enquadrada no Magdalesense.

O Epipaleolítico → é o periodo de transição entre o fim do Paleolítico (Pré Hist. Antiga) e o


Holocénico (Pré-Hist. Recente), sucedeu-lhe depois o Mesolítico.
No Epipaleolítico (Tardio?) não terminam os caçadores recolectores. Apesar de sabermos
que nos finais do Plistocénico, há 20000 anos atingirmos o Máximo Glaciar (a calote polar
chegava à Galiza. Para chegarmos ao mar, tinhamos de andar 40 km).
Desde 20000 anos, o mar subiu (120 metros), ou seja há depositos que se encontram
debaixo de água.
Desde 15000 anos → Tardiglaciar → o glaciar vai recuando, a temperatura sobre e surgem
espécies de flora e fauna mais próximas das actuais.
Apartir de 10000 a.C, as alterações promovem o aparecimento da chuva mais regular, que
permite o desenvolvimento da flora. Espécies de grande porte, começam a recuar para Norte (por
ex. Sibéria). Os rinocerontes laúdos adaptaram-se às características (mudanças) e este
sobreviveu até 3000 a.C, apesar do seu esforço evolutivo.
Na Europa desenvolve-se uma paisagem árborea (como temos no Gerês → carvalhos,
pinheiros (bravos e mansos), medrenheiro...). Em qualquer região da Europa há 5000 anos, os
recursos asseguravam a existêcia de vida → frutos, raízes, ervácias.

No epipaleolítico, os caçadores-recolectores mantêm a sua actividade e os artefactos.


Continuam nómadas (usam os territórios dos seus antecessores). Têm um modo de vida
particular. O Epipaleolítico varia de espaço para espaço, a nível cronologico (Próximo Oriente
10000 a.C; Europa 8000 a.C).
Nesta fase, a partir de 7000 a.C, apesar das oscilações climáticas, assistimos a uma
melhoria das condições climatéricas. Entramos no periodo Atlântico (sub-Optimum Climático) → a
floresta está recuperada, em virtude dos problemas associados no Plistocénico.
A cobertura arbórea era tão densa, que algumas regiões tinham uma densidade arbórea
tão relevante, que as populações não se conseguiam aí fixar.

48
Estas procuram regiões continentais, onde há grande oferta de recursos → como por
exemplo no interior de uma floresta, mas também em regiões litorais (marinho) e fluviais.

Colocar aqui a figura dos circulos

Estas populações do Mesolítico, mantendo um comportamento semi-nómada, devido a


factores relevantes, favorecem a implantação da população num determinado espaço
(sedentarização).
Apartir de 3000 a.C é que se começa a haver uma permanência importante do homem,
como nos compravam os monumentos construídos. O Homem nómada é caracterizado pelas
estruturas frágeis.
O embrião da sedentarização → acampamentos satélites e acampamentos principais →
ligados à recolha de recursos → amplo espectro

Mesolítico (idade da pedra do meio) – Homem-recolector


(8000-6000 a.C → na Europa) – Modo de Vida Aldeão

Ao Mesolítico, sucede-se o Neolítico (marcado pela sedentarização, homem produtor


caçador), mas continuam a ser caçadores recolectores.
Com a melhoria do clima, há um melhor aproveitamento dos recursos, permitindo
permanecer mais tempo num local. Isto levou ao aumento demográfico.
O Neolítico (6000 – 4000 a.C na Europa) encontra-se associado à hierarquização e
quando há abundância de recursos, é possivel armazena-los, no entanto esse armazenamento
pode não estar disponivel em igual quantidade (relacionamento com o poder social → regras de
convivência social).
Há rituais funerários. O cão é domesticado, que é útil na caça. Num enterramento,
observa-se um ser humano, enterrado com um cão, que provavelmente terá sido sacrificado a
quando da morte do 1º → quem foi enterrado nestas circunstâncias terá sido alguém que
provavelmente pertencera a um estatuto superior e de riqueza → associado a mais recursos
armazenados.
Há caçadores recolectores, que não são nómadas, devido à abundância de recursos e
estão hierarquicamente dispostos (têm um chefe por exemplo).

As sociedades agricolas são sociedades egoistas e de risco (depende do acaso para


conseguirem boas/más colheitas). Há um aproveitamento intenso dos recursos disponiveis, há um
aproveitamento lógico e equilibrado dos recursos.

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O Neolítico:
. – Prespectiva clássica (nova idade da pedra). Pedra polida associada à cerâmica. Este
neolítico foi depois estudado. Gordon Childe publicou nos anos 40, um texto apelidando as
mudanças que acontecem nesse periodo de “revolução neolítica”. Segundo ele, representava
uma rotura entre as sociedades paleolítica e neolítica (um pensamento que está ultrapassado).
As mudanças occoridas neste periodo, na realidade foram graduais:
→ Introdução gradual da cerâmica;
→ Fixação gradual da população;
→ Adopção gradual de actividades agricolas.

Não é pelo facto de aparecer cerâmica que se infere que é um ser com características
agricolas, associado à sedentarização.
São introduzidos objectos de pedra polida → machado de mão, enxó. Sendo que esses
machados já eram encavados.
Neste periodo há um aumento demográfico, a pop adopta gradualmente um modo de vida
sedentário, pratica-se a agricultura e a domesticação de animais, o agricultor desenvolve o
sentimento de posse.

17/12/2009

Médio Oriente → Tigre e Eufrates (entre) → Região com prática agricola, mais antiga

No Sudeste Asiático, há 10000 anos, iniciaram-se as actividades agricolas (Região da


Anatólia). As Civilizações junto ao rio Amarelo (China), Meso americana → difusão da prática
agricola por toda a Europa.
Porque é que o Homem a partir de um determinado momento começou a produzir?
→ É uma consequência (etapa) da sua evolução. É o grande passo: caçador recolector →
actividade agricola. O homem deixa de estar num estado parasita de recolher aquilo que lhe serve
de alimentação. Deram um passo em frente na sua evolução.
Após o Plistocénico (cerca de 10000 anos), assistimos a uma organização, uma grande
evolução. No entanto, a actividade agricola primitiva é uma prática de risco.
Porque é que o Homem evoluiu no sentido da agricultura.
→ Gordon Childe, nos anos 50, desenvolveu a teoria dos Oásis. Ele sabia que as
condições no Médio Oriente eram favoráveis desde o Plistocénico. No ínicio do Holocénio, com o
aumento da temperatura global, que promoveu a desertificação, levando à concentração de fauna
e flora em oásis. A agricultura e a domesticação de animais, as relações do homem com os
animais seriam decisivas.

50
→ Segundo outra prespectiva, defendida por R. Breidwood, desenolveu a teoria das zonas
nucleares: As condições ambientais que G.Childe defende nem sequer ocorreram, contudo, no
Crescente Fértil, que era constituído por várias regiões nucleares, que eram extramamente ricas
em biodiversidade, e desse contacto saíria a domesticação animal → os recursos naturais
estavam à mão do Homem, que só precisava de domestica-las.
O Homem encontrara recursos para cultivar. O que há de comum é que ambos defendem
a evolução do Homem, tal como este tivesse noção que a produção agricola era um passo em
frente.

Há outras explicações que referem que a actividade agricola não é um verdadeiro passo
em frente. No final do Plistocénico, quando se observaram algumas melhorias climáticas, os
recursos tornaram-se mais abundantes, assistindo-se a um aumento demográfico, que teria
conduzido a um desiquilibrio de produtos e homens.
Há medida que vai havendo um aumento demográfico e a diminuição de recursos, levou à
necessidade de um processo evolutivo que culminaria com a actividade agricola → teoria anos
60.

Binford desenvolve a teoria das zonas marginais.


Mesolítico → economia do espeto alargado (3 zonas → continental, maritima e fluvial) →
as populações no Mesolítio teriam aí se concentrado e existido um aumento demográfico. A certa
altura grupos de caçadores recolectores vão sair daí e vão para zonas menos favoráveis e por
isso têm de adoptar a prática agricola → regra geral → a prática agricola surge sempre como uma
solução.

Os estudos que há, defendem que era necessário um crescimento radical da população
para que houvesse um verdadeiro desiquilibrio entre oferta de recursos e nº de população. →
Esta teoria não tem fundamento, porque se isso fosse verdade havia locais densamente
povoados. Na Antiguidade era regular provocar o infanticidio para controlar a demografia.
Binford diz que vivem num meio Mesolítico e quando não têm recursos, logo esses grupos
migram para os encontrar. Lá, com os mesmos recursos teriam de adoptar uma prática agricola
para resolver as suas necessidades → é preciso constatar que nesse periodo, a pratica agricola
não deveria ser muito produtiva.
Nesse periodo, há laços estabelecidos entre comunidades, sendo que essas comunidades
fazem mostrar a sua riqueza, através do nº de animais que possuem (ovelhas, cabras → animais
introduzidos por caracter social, cultural, de prestigio-
Uma sociedade produtora, deixa vestifios e em escavações arqueológicas são
encontrados poucos vestigios (associados ao neolítico), apesar de vestigios com menos de 2500
anos serem encontrados com facilidade.

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Assim sendo, a prática agricola e a domesticação seriam apenas elementos de prestigio,
cultural → poderão servir como moeda de troca entre comunidades e mais tarde seriam
introduzidas na alimentação do Homem.

No próximo Oriente, a agricultura não pode ser praticada sem sementes, sem condições
favoráveis a esta prática, os animais têm de estar disponiveis para a domesticação, assim no
próximo Oriente existiam condições favoráveis a essas práticas, mas não será por isso que se
tornem obrigatoriamente agricultores → tem de gaver articulação entre humanos, necessidade de
cultivar e conjugação de condições climáticas para essas práticas serem uma realidade.
No Paleolítico Superior (40000 anos) já se conheciam utensílios de pedra, ligados aos
cereais. Assim sendo, a relação entre Homens e cereais é muito antiga.

No Epipaleolítco Europeu (industria lítica Kebarense – 12500 a.C) vamos encontrar


artefactos líticos relacionados com o fabrico de foices, instrumentos de moagem e ao
aparecimento de cabanas (semi-enterradas no solo, com a altura do Homem). Estamos perante
uma sociedade, que vive da recolha de cereais e caça, mas que investe na construção de casas
→ demonstrando que têm intenção de ficar naquele local → começa-se a esboçar desde muito
cedo a sedentarização → que cria condições favoráveis ao aparecimento e manutenção da
prática agricola.

Nanufense (= ao Mesolítico Europeu → 12500 – 10000 a.C.) Pela 1ª vez na pré-história


falamos em aldeias, com hectares e com construções fixas, uso da argila (para fortalecer),
almoxarifes, moínhos de vai-vem, no interior das casas há locais para armazenar os recursos
(implica a ideia de sedentarização).
Há indicadores que demonstram a sua sedentarização. No entanto continuam a caçar (são
conhecidas pontas de seta). O enterramento (de alguma pessoa importante) é feito dentro de
casa, k que demonstra uma relação forte entre a comunidade e o contexto doméstico.
As comunidades que enterram em casa, implicam que se mantenham nesta.
As relações do Homem com os cereais (proto-agricola) associada ao Natufense
(sedentarização, artefactos) demonstram uma pré-agricultura. Assim durante algum tempo, o
Natufense demonstra que é um periodo pré-neolitico.
Nesta região há material em chifre e foices que sugerem dominio agricola. Com a
interdisciplinidade, os tufos de cereais encontrados, verificam-se que estão em estado selvagem,
ora, presume-se que não há prática agricola.
A revolução neolítica não é um periodo de mudanças agricolas. O Natufense é uma parte
que culima com o Neolítico. Nestas fases iniciais a agricultura é um complemento e é um
elemento muito importante sobretudo a nivel cultural (muito mais do que a nivel alimentar).

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Segundo a prespectiva J. Couvin, as manifestações artisticas são do tipo naturalista →
retratam animais, realistas, com muito detalhe. Esta arte mantém-se idêntica até ao Natufense.
No entanto com o Khianiense 10000 – 9000 a.C, mostra de uma forma abrupta uma
mudança nas temáticas da arte. Se até ao Natufense há uma arte naturalista. A partir daí, é como
se houvesse uma revolução, sendo representado a mulher e o touro (mudança da temática da
arte).
O aparecimento da agricultura é posterior à revolução artisticas. Paralelamente ao
processo da prática agricola, há alterações ao nivel da mentalidade. O ínicio da prática agricola
não é de um dia para o outro, resulta de uma evolução mental.
No neolítico há a representação da mulher e animal (touro). Há agora animais que não
serão mais representados.
A arte do paleolítico superior parece mais democrática → No Paleolítico superior a mulher
aparece nas paredes ou esculpidas, mas encontram-se representadas da mesma forma que
aparecem bisontes pintados. Agora a representação da mulher encontra-se numa posição
superior à representação animal. Se a temática é a mesma, há uma estruturação da
hierarquização.
Esta alteração ao nível da arte, pode ser um reflexo da forma como o homem se relaciona
com o mundo.
Um dos principais problemas dos antropólogos é perceber como é que populaões
avançadas, que guardam alimentos, mas não se contentam e têm iniciativa própria para interferir
no ciclo da flora e no ciclo animal (deixam de caçar apenas para comer, e adoptam-no,
relacionando-se com ele). Os caçadores-recolectores não conseguem o cultivo e o
relacionamento com os animais.
Hoje em dia que a adopção da agricultura deve-se mais ao carácter social, do que uma
necessidade.
No Médio Oriente, os cereais eram uma flora pandemica que cresciam sem controlo. A 1ª
agricultura feita, terá sido de intensificação daquilo que a Natureza fornecia (pegara nos seus
cereais guardados e lança-os à terra e juntamente com sementes selvagens, dão origem ao
florescimento da cultura).
O processo de selecção de sementes terá começado quando o homem ainda era caçador
recolector. O homem fez uma evolução de espécie flora, que durou 1000 anos é quando iniciou a
prática agricola já o trigo, cevada, estão genéticamente alteradas.
As casas (no periodo de revolução simbolica) têm silo (guardam cereais), sendo que a
reprodução animal está associada.
As comunidades neolíticas preocupam-se com o futuro (ideia do armazenamento. É por
isso que existe a prática de guardar os excedentes (armazenamento, poupança...Os caçadores
recolectores não vivem uma verdadeira crise. Há qualquer coisa (“acontecimento”), que levou
caçadores recolectores a iniciar a prática agricola; Apartir do momento que a agricultura se impõe,

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a população sobrevive graças a ela, establecem-se comunidades e aí o abandonamento da
prática torna-se impossivel), ao passo que as comunidades paleolíticas preocupam-se com o
passado.

O casamento do proximento Oriente → 9500 1ºs vestigios de práticas agricolas → 7000


surgem aldeias, existiam lideres (cultos deusa-mãe, animais) (Çatal Huyuk → 1ªs grandes
civilizações no médio oriente, com base agricola muito importante.
Após o Neolítico no Médio Oriente, assistimos à adopção da prática agricola, que se
estende depois Balcãs, Danúbio, Norte da Europa (alemanha, Austria, França) e só depois faixa
mediterrânica → vários Neolíticos na Europa (só a partir de 6000 a.C.). Existem grande
varieadade de vestigios arqueologicos.

O neolítico processou-se:
→ Natureza difisuionista (grupo de agricultores que se movem, difundem e levam a
agricultura e domesticação)
ou
→ Mais que o movimento dessas populaçõe, encontram caçadores-recolectores
(Mesolítico; estão adaptados aos territórios e mosaicos europeus) na Europa. É aceite que os
contactos inter-grupais (trocas, casamentos), em pouco tempo produtos e conhecimentos se
difundem rapidamento. (modelo capilar ou perculativo).

Na Península Ibérica não havia cerâmica, caprinos e agricultura até há 5500 a.C. Segundo
autores terão chegado de Itália, em barcos.
O homem começou a ser sedentário a partir de quando constroi monumentos (de
enterramento → antas e dolméns)

Calcolítico → aparecimento dos 1ºs vestigios de metais (cobre) → Península Ibérica →


3000 a.C. Estão associadas cabanas embora não sejam espaços amplas.

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