Você está na página 1de 32
Flcna Tecnica Revista ‘laia: Estudos Arqueatdgics, Hstéricos Etmoldgicos, 2¢ sie, N 4 (2008/2010) Editor (mara Municipal de Barcelos Diceetor ‘Acmandina Saleco Coordenadoras Maca Clues hazes Isabel Maria Fernandes. ‘Assistentes de Cooudenagso Carina Reina Patricia Moscoso Conselho Redactaiat Alexandta Cerveic P. Lina ‘Anténio Manuel SP Silva Isabel Maria Fernandes. axia Cuda Mihazes Paulo Décdio Ricardo Te Design dco Cunha -undergraph, Lda Fotoptatia: sé Cacls Garcia (IEP) Pedco Cunha Museu de Olasia ua Cénego Joaquin Gaiolas 4780-306 Barcelos Telefone: 253874741 Fox 253005661, Tiagem: 1000 exemplares IS5W 0972-198 Execugdo: maca-agcom Depésito Legal: 219 07106 ‘Agradecimento ‘ego da Revista contou com a colabaragio do Instituto de Emprego e Fornagae Profssional para a fotografia que iusta alguns dos textos aqui publicados: (Olacia Mafcense: a sua expres- sividade e sobrevvéncia na presente centica; “Apontamentas sabe faianga de Esteem), U DEOLARIA LOUCA PRETA MODERNA E | CONTEMPORANEA DE CONTEXTOS ARQUEOLOGICOS DA CIDADE DO PORTO Manuela C. S. Ribeiro* Anténio Manuel S. P. Silva** Resumo: Analisa-se um conjunto de perto de quatro dezenas de pegas de cerdmica preta achadas em diver- sas intervengdes arqueoligicas realizadas nos tiltimos, anos na cidade do Porto e datadas globalmente de mea- dos do século XVII a inic.os do século XX. Com base em parimetros morfotipolégicos e observa- 80 macroscépica das pastas ensaiam-se algumas pro- postas de atribuigdo dos respectivos fabricos aos cen- ‘ros produtores activos naquela época, hipéteses que foram também testadas através de andlises quimicas das argilas * Arquedloga / Gabinete de Arqueslogia Urbana da Cimara Muniipal do Porto (manuelarbeiro@em-portapt) “* Arqueélogo / Gabinete de Arq.eologia Urbana da Cémara Municipal do Porto lantoniomanuelsva@em-porto pt) Modern and Contemporary black cera- mics from Oporto archaeological contexts Abstract: We analyse a set of nearly forty pieces of black ceramics found during dif ferent archaeological interventions that took place in these last years in the city of Oporto and globally dated from mid 18" to beginnings of the 20 century. Based on the morfo-typological parameters and on the macroscopic observation of the type of clay, we give some suggestions of the respective production to the productive centres working at the time, hypotheses that have also been tested through the chemical analysis of the clays. 175 LOUgA PRETA MODERN E CONTEMPORANEA DE CONTEKTOS ‘ARQUEOLOGICOS OA CIDADE DO PORTO "Na base da torre {dos Clérigas]e & sua sombra, havia anigamente uma velha rua de louceiros. Ali se verdiars, com a louga de Sacavém e 0s vidros da Marinha Grande, esas figurinhas de barro pintado que representam costumes nacionais do Nortee que na minha infncia eram o mew encanto, Pois i estd tudo: a rua sombria, aolhendo-se a torre, os touceiros, ‘sua louga eas suas figuras de barro. J" Joo Chagas, "0 Porto de ontem ede hoje”, in Vida Litteraria, 1906 0 contributo da arqueologia para 0 estudo da cerdmica de tempos idos no proporcio- na, certamente, descrigdes coloridas e pito- rescas quanto a da passagem em epigrafe. Todavia, como é da sua natureza, a informa- glo arqueol6gica constitui um recurso sin- gular € privilegiado para podermos aceder 0s objectos das populagdes do passado, as suas formas ¢ aos seus possiveis significa~ dos, nos respectivos eontextos de producio, comércio e uso. Precisando o tema do presente trabalho em termos espaciais, pretende-se dar a conhe- cer um conjunto de pegas de cerdimica preta achadas em diversas intervengoes arqueols- gicas realizadas nos iitimos anos na cidade do Porto. O correspondente ambito cronolé- gico abrange essencialmente os séculos XVIII XIX, sendo provavel que nos inicios do sé- culo XX, época a que se reporta a citada not cia, este tipo de olaria com tratligées secula~ res fosse jé residual nas casas dos portuenses. Oabastecimento de cerimicaa cidade nas épocas moderna e contemporanea primeiro ensaio sobre a evolugao do abas- tecimento de ceramica & cidade do Porto de- corte do estudo dos materiais recolhidos na intervengZo arqueol6gica da Casa do Infante, ‘onde foi identificada uma longa e bem preser- vada sequéncia estratigrifica, desde a época romana aos nossos dias (REAL et al, 1995). Os responsdveis por esta pesquisa adopta- ram uma metodologia inovadora que privi- legiou a abordagem de grandes conjuntos cerimicos, inseridos em quatro depésitos datados entre os séculos XVI e XVIII. Para 0 efeito, cruzaram a caracterizagao macroscépica € quimica de pastas relativas a grupos tecnolégicos definidos (ceré- mica preta, ceramica vermelha, ceramica com vidrado de chumbo, faianga, grés e porcelana), no sentido de individualizar fabricos que, em associagio com as for~ mas ¢ os acabamentos das pecas, pudessem atribuir-se a centros oleitos especificos (BARREIRA; DORDIO; TEI XEIRA, 1998; TEIXEIRA; DORDIO, 1998; DORDIO, 1999; CASTRO; DORDIO; TEIXEIRA, 2003). Outros trabalhos publicados na titima década sobre ce~ rramica arqueolégica, encontrada nao s6 na Casa do In- fante mas em diversas areas da cidade, deram também ‘um precioso contributo para a investigagio das produ- ‘Ges de entre os finais da Idade Média e 0 século XIX, designadamente lougas vidradas a chumbo ¢ faiancas, tanto de fabrico nacional como importadas (OSORIO; SILVA, 1998; DORDIO; TEIXEIRA; SA, 2001; GOMES et al, 2004). A conjugagao de elementos etnograticos ¢ histéricos com informagao arqueol6gica tem permitido identifi- car os principais centros produtores regionais de ce- ramica que abasteciam o Porto nas épocas moderna € contemporanea. A Norte sittavam-se as olarias de Prado (actuais concethos de Barcelos e Vila Verde), de onde procedia louga preta, vermelha e vidrada, a Sul ‘0s micleos de Aveiro e Ovar, locais de origem de louga vermelha, ¢ a montante no Douto as olarias de Barro, S. Martinho de Mouros ¢ Paus (concelho de Resende), ‘que se dedicavam & louca preta (REAL et al, 1995: 179- 81; BARREIRA; DORDIO; TEIXEIRA, 1997: 91-3; Idem, 1998: 180-2). ‘Todavia, no préprio interior do espaco urbano ou na sua periferia existiam oficinas especializadas em deter- ‘minados fabricos, Na cidade estdo referenciados varios pontos onde se produzia olaria e material de constru- 176 fo, destacando-se uma concentragao de artesios nas, reas de Santo André e Sao Lizaro, enquanto na mar- gem sul do Douro encontram-se documentados, tanto anivel arquivistico como através da arqueologia, os ni- leos de Vila Nova, que laborava sobretudo na faianga, e Coimbrdes, que se distinguia na louca preta (DORDIO: ‘TEIXEIRA; SA, 2001: 146-7150; ALMEIDA; NEVES; CA- ‘VACO, 2001: 144-5; RIBEIRO, 2003a)'. Ainda convivendo com algumas destas oficinas, ins- talar-se~io na paisagem ribeitinha de Porto ¢ Gaia, a partir da segunda metade do século XVIII, as primeiras fabricas de faianga, que ne centiria seguinte sero em maior niimero e terdo umaimplantagio diversificada*, Os estudos sobre ceramica preta no Porto A cerimica preta, também designada na bibliografia como cinzenta ott negra, caractetiza-se por ser produ- zida através de um processo de cozedura em atmosfe- ra redutora rica em carbono!, quer se trate de soenga, quer de forno estruturado, A coloracdo das superficies € das pastas deste tipo de olaria, todavia, nem sempre se apresenta uniforme, dezendendo a configuracao fi- nal da louga de varios factores, como a composicao das, argilas empregues, o seu grau de depuracao, a uniformi- dade da atmosfera de cozedura, os acabamentos confe- tidos &s pecas, ou simplesmente as formas que Ihes si0 atribuidas e as fungdes a que se destinam. Naturalmen- te, estes aspectos esto, por sua vez, ligados as condi- Ges tecnolégicas, bem como aos gostos ¢ as tradigoes de determinadas épocas, lugares ou segmentos sociais, (TEIXEIRA, 1997:20). Assim considerada, a cerdmica preta tem vindo a ser objecto de pesquisa em recentes trabalhos de etnogra~ fia, histéria e arqueologia, sobretudo pés-medieval, 0 que tem permitido retratar a generalidade dos centros produtores conhecidos em Portugal, nomeadamente a 1 Os esd ane os materi a Caso Ifa, clados no tet, orneem a> ote ince ogres mas em deta relatvamente 0 abasteciente de ‘ceric 20 Porta Acre das lars ptuenses, paaaldn ds abalboscisicos {de Fedo VITORINO (490) Anni CRUZ (1942; 1949) ¢ um aio publcado ‘no prez ndmero da revista Oloria REAL; REINA, 1996) fl aborda rece tentnte una compilagdoerausiva de erento arutisins, da respensabildade de Manvel L240 20073395) 20t,por exept, SOETRO et al 195. 13 Acerca do process ie-quimicosdeseenes da ozeduradeceriica peta, ‘ef CASTRO, 097 otsna {OUGA PRETA MODERNA E CONTENPORANER DE CONTEXTOS ARQUEOLEGICOS DA CIDADE DO PORTO partir dos séculos XVII e XVIII, embora al- ‘guns deles remontem pelo menos aos finais da Idade Média. A sua expressio geogrifica € dominante nas tegides Norte e Centro‘ Remetendo-nos a esfera dos contextos de uso, a informagao dispontvel sobre a olaria preta de época moderna no Porto deve-se as propostas resultantes do estudo do esp5~ lio arqueolégico da Casa do Infante, como enunciémos, Os investigadores ligados a este projecto se~ leccionaram uma amostragem significativa de fragmentos de louca preta pertencentes a quatro depésitos - atribudos ao século XVI (Depésito 1}, 1.° tergo do século XVII (D2), 3.° quartel do século XVII (D3) e meados/3.° quartel do século XVIII (Da) ~ que foram subdivididos em dois conjuntos principais, tendo por base as caracteristicas das pastas. Assim, foi individualizado um primeiro € maioritério grupo de pastas porosas, muito fridveis, com simples alisamento da super- ficie externa e por vezes com aplicagées de cordées no colo e pangas das panelas, de- signado como PREo1; e distinguiu-se um segundo grupo pela dureza das pastas, de cerne cinzento ou castanho com elementos cor de ferrugem, com acabamentos alisados © por vezes decoragies estampilhadas, bru- nidas ou com aplicagdes de mica, que foi de- nominado como PREO2 (BARREIRA; DOR DIO; TEIXEIRA, 1997: 89; Idem, 1998: 173). Para cada um destes grupos foi analisada a distribuigdo das formas e dos respectivos ti- os ao longo da sequéncia deposicional em estudo, Enquanto no grupo PREO: apenas se identificaram pegas utilizadas na confecgio de alimentos ao lume, como panelas, cagoi- las e testos, no grupo PREO2 diferenciaram- ~se duas categorias de louga, uma de uso mais comum, cortespondendo a panelas e cagoilas, ¢ outra mais fina, com maior de- “Gtr por exemo a obra de sntese A fou preva em Portugal: ‘harerazados FERNANDES; TEIEIRA, 1997 177 puragdo das pastas e extrema riqueza deco- rativa, onde predominavam as bilhas (Idem, 1997: 89-91; 1998: 173-8) Em termos de tendéncias gerais, verificou-se que a percentagem de louga preta diminuiu progressivamente entre 0 século XVIe oter- ceiro quartel do século XVII (D1 a D3), ape- nas voltando a subir no século XVIII (D4), sem no entanto atingir os valores iniciais. Esta evolugio negativa da louca preta, que a partir do século XVI também afectou a louga vermelha, teve como contrapartida 0 crescimento das percentagens da louga vi- drada, primeiro da vidrada a chumbo e de- pois da vidrada « estanho ou faianca, Espe- cificamente no conjunto da cerdmica preta, constatou-se para os dois grupos de pastas identificados um claro processo de concor- réncia e substituigdo do PREO2 pelo PREO1. Assim, 0 decréscimo global da louca preta durante a sequéncia cronolégica em apre- ciagao 86 nao foi tio acentuado dado que 0 gradual desaparzcimento da louga PREo2 foi em parte compensado pelo aumento da Jouga PREO1 (Idem, 1997: 91; 1998: 178-9). No que respeite & proveniéncia da louga preta, 08 responsiiveis pelo estudo dos ma- teriais da Casa do Infante consideraram trés potenciais centros, jd atrés citados. Por um lado, as semelhangas em termos de pastas, acabamentos, decoracdes e formas entre a louga PREo2 e determinadas ceramicas de conjuntos arqueolégicos, identificadas atra~ vés de anélises quimicas como provaveis produgées pretas de Prado, permitiram pro- visoriamente atribuir idéntica origem aque- le conjunto. Por outro, as analogias estabe- lecidas a partir da observago macroscépica de pastas e forrias entre a louga PREOt ¢ cerémicas quer de procedéncia arqueologi- ca do centro oleito de Coimbrdes ~ sendo as similitudes notérias ao nivel do depésito do século XVIII (D4) ~, quer resultantes de recolha etnogréfica em Fazamdes (éltimo reduto das olarias de Barré, S. Martinho {LOUGH PRETA MOCERNA E CONTEMPORENER OE CONTEXTOS ‘ARQUEOLOGICOS CA CIDADE DO PORTO de Mouros e Paus), levaram a associar genericamente a proveniéncia daquele grupo aos centros durienses (dem, 1997: 91-2; 1998: 180-1) As anélises quimicas de fragmentos de cerdmica preta de época moderna desta intervencio, que entretanto foram realizadas, revelaram uma origem provavel da re~ sido de Prado para a louga PREO2* e uma dispersio das amostras para 0 grupo macroscépico PREOY*, ja de si a partida demasiado abrangente, o que mostrou, segundo 05 Autores dos trabalhos, a necessidade de reavaliar os critérios visuais que presidiram & sua individualizagio (TEIXEIRA; DORDIO, 1998: 122-3; CASTRO; DORDIO; ‘TEIXEIRA, 2003: 224, 226-7). Ainda em relagio aqueles centros produtores, note-se ‘que apesar das mais antigas referéncias a oleiros de louga preta em Coimbrdes remontarem aos comegos da segun- da metade do século XVII (RIBEIRO, 2003a: 27), para esta cenviria apenas so conhecidas noticias da chegada a0 Porto de louga de Prado e de Barr6/S. Martinho de Mou- ros, entre outros géneros de ceramica’. De facto, é s6 a partir do titimo quartel de Setecentos que se encontra registada a comercializacdo da olaria de Coimbrdes na cidade e dea envolvente, se bem que as fontes sugiram, uma tradigao bastante enraizada, Em documentos data~ dos de 1780 a 180s e relativos a uma contenda entre olei- ros de Coimbrdes ¢ outros particulares que pretendiam emprazar alguns terrenos baldios em Vila Nova de Gaia, onde se extrafam 0 barro ¢ 0 torrao indispensiveis a acti- vidade cerémica, as autoridades portuenses, que & época administravam a regio, pronunciam-se a favor dos direi- tos dos oleitos, reconhecendo a necessidade de assegu- rar o sustento das suas familias e a grande popularidade das suas lougas, dado que nao existiam “outras Fabricas desta qualidade em todo o destrito desta cidade”. 5 asrespectivasamosrasintegraran os gros quimins Infante enfant 6am bosatrbuids no Pade, 6 apenas dia aot fram sola no grape Tne 1, mass rgem fo ‘onigerada deacon Ct. 0 foramen das Sas das Merdads de a1 (CRU, 19996; SILVA, Toba, cle por HEAL eva, 19:79. Sobre a ends de lou no Pot, ‘amb REIMAO, 972 ‘Arquivo Hides Municip! do oro, ora 46 122onode ts Muna ‘aria passage outro document, e740, refers que a povoagte de ol bron ompoemse quasi toa de pneleyes, qe fazcm panes de powc Pe, ores nears public (-)-Com etm de ada serantem mits a Tas daqule aga muito mayor auaro se sever otras da reer lou, dese que sendohuma fabric isighitcant pelo pouco que vale humadesas anes, he de muta considera pelo muito que o public ea des" (Aruio Distal do Posto 4 324 1.1320) Ce RIBEIRO, 30038 90.0, 178 LoUgé PRETA MODERNA E CONTEMPORANEA UE CONTEXTOS AROUEOLOGICNS DA CIDADE 00 PORTO Figue 1 Localizagdo na cidade do Paco das intecvengesarquecligicas de onde & provenients a cecimice estudada, 1 Rua do Outeco, 25 | 2-Aemarém do Cais Novo | 3 - Rua do Rosi, 314 -Requaliicacdo da Baka Porwense/ote 6 (Largo do 1! de Detembio) |S - Palacio do Freie / 6 Rua de Tomas Gonzaga, 3/7 - Escola do Forno Velho /# - Cadela da Relardo(sondagem no Campo os Maries da Pécia) 9 -Requalicacdo da Batra Potuensejtte I (Campo dos Mantes da Pata) 10- Rua de'S. Miguel 11/1 Casa io Infante 112 - Rua de Santana, 25/13 ~ Largo do Colégo. 12 | 14 Largo da Penaventosa, 25/15 - Rua da Penaventesa, 21 16 - Rua 63 Pnaventss, 5/17 - Casa da Camara Estes elementos vém ao encontro da perspectiva do predominio da olatia de Coimbrdes” no mercado por- tuense naquela época, a sugerida pelos investigadores da Casa do Infante a partr da quantificagao da cer mica preta no depésito de meados/terceiro quartel do século XVII (BARREIRA; DORDIO; TEIXEIRA, 1997: ‘93; Idem, 1998: 182), tendéncia que supomos ter-se ‘9 Rejste-se que o fabrico de lougs pres em Vila Nova de Gala nhs ma expres ‘io claramente dominant em Combes rguesla Santa Marina). stm ‘bem se encontta documenta cn agus locas de eguesisprixinas (RIBEIRO, 2008.25. 39-42 mantido durante a centiiria de Oitocentos. ‘Todavia, se 08 estudos sobre louga preta de época moderna aparecida em escavagies da cidade alargaram significativamente os co- nhecimentos até entdo existentes sobre este tipo de olaria, permitindo problematizar ti- pologias, proveniéncias de fabrico ¢ fluxos de circulagio em relagao a outros grupos cerdimi- cos, tal trabalho encontra-se ainda por fazer para o século XIX e mesmo para o século XX. 179 O conjunto analisado e os contextos arqueoldgicos Estudam-se neste artigo trinta e oito objec- tos de louga preta exumados em diversas intervengdes arqueol6gicas, adiante elenca- das, e cuja cronologia global esta compreen- dida entre meados do século XVII ¢ inicios do século XX. Oconjunto, composto por pecas com distin- tos estados de conservacio e integridade, se bem que permitindo sempre uma caracte- rizagao formal minima, inclui os principais morfotipos que tém vindo a ser identifica- dos neste género de louga, designadamente, por ordem de representacao, fogareiros (9), cagoilas (6), sertas (6), panelas (4), testos (4, piicaros (2), vasos de plantas (2), assadores (4) e ainda qua:ro recipientes cuja forma se considerou indeterminada (Figuras 8 a 45). © catélogo descritivo da pequena colecgio agora reunida encontra-se em anexo final do artigo. Para além da classificagio tipolégica eda pro- posta de datagao, ensaiamos a atribuiigao dos respectivos fabricos aos centros produtores activos naquela época, a partir de aspectos morfol6gicos ¢ das propriedades macrosc6- picas das pastas. A determinagao da origem das pecas foi também testada, para uma parte do conjunto, através de andlises quimicas de pastas, como adiante explicitaremos. Os objectos sio provenientes de perto de duas dezenas de intervengdes arqueoligicas feitas na cidade do Porto entre os anos de 1984 € 2005" (Fig. 1). A descriminagio dos respectivos contextos, necessariamente su cinta, é apresentada de seguida, por ordem cronolégica desses trabalhos, remetendo-se outros detalhes para os relatérios cientificos € a bibliografia especifica das intervengdes. Importa ainda fazer algumas observagdes 10 Agraecemos 2s espensives ds intervenes mencionadas to text a permsio pra riage de daos ainda no public dose claorago pred para este, {OUGA PRETA MODERNA E CONTEMPORENEA DE CONTEXTOS /ARQUEOLEGICOS 04 CIDADE DO PORTO acerca da amostra em estudo, cuja selecgio foi relativa- mente aleatéria e nao pretende sequer ser representa- tiva do abastecimento de louca preta a cidade na época considerada”. Na realidade, a colecgao reunida teve por base, numa fase inicial, um conjunto de pegas escolhidas para ensaios de andlise quémica, no Ambito do projecto PROCEN', a que fornos juntando outros objectos, relati- vamente completos, de cuja existéncia nos apercebemos pela classificagao dos materiais de diversas intervenes arqueotdgicas de que fomos co-responsiveis no Gabine- te de Arqueologia Urbana ou pela consulta de relatérios de outras escavagées. Naturalmente, estando pratica- mente inédito 0 espélio da larga maioria das centenas de trabalhos arqueolégicos feitos no Porto nos iiltimos 25 anos, existem significativos conjuntos de louga preta, como de outros géneros de cerdimica, que aguardam es- ‘tudo quantitativo e tipol6gico. Nao obstante, as perto de ‘quatro dezenas de pecas que trazemos a piiblico poderac traduzir algumas tendéncias da produgao e do consume desta lougana cidade. Casa da Camara A escavagao arqueolégica realizada em 1984 nos pri mitivos pacos do concelho da cidade, uma torre cons- truida na segunda metade do século XIV, forneceu niveis tardo-medievais e da época moderna. 0 piicaro recenseado para este trabalho (P183)" foi exumado en- tre estes tiltimos depésitos (REAL et al, 1985-86: 13). Cadeia da Relagio/Campo dos Martires da Pétria No Ambito de trabalhos arqueolégicos realizados ne Cadeia da Relagio em 1991 foi feita uma sondagem no espaco pliblico fronteiro daquele imével, 0 Campo dos Martires da Pétria, num ponto coincidente com o tragado da muralha fernandina. A escavagio revelou um potente depésito de nivelamento, na altura relacionado com os 1 Als, ease un acevo maior de pega 6 Toua pret, dsas ede outst ‘eg, que teria este abl Tl deve por um ado, neesidade elimar a eceasio ds arose por ovo. ceeunstnia de no apresenarem slementos forms mais completes ou potclarmeteinovaderes et Fag 9 ‘nant seins, 12 PROCEN/A proud cenimice do Norte, XITXX) estudio {ogi elaborate project de investiga count proposto pela Valves dade do Minho, cimeras Municipals de Borcelos edo Pate ePargue Nacional de Peneds Gers, nancado pela NICT (996-1999) Cle CAPELA e296. 13 Anumeragioremete para oN de Pa" do Gabinete de Arqueslgia Urbana CAN. Toto como se encontrao clog anexe, Pigura 2. Testo (2178) entulhos de demoligéo do casario adossado & muralha, ocorrida entre finais do século XVIII e meados do XIX (LIMA; GOMES, 1991: 20-21, se bem que posteriormente a datagao do importante corjunto cerémico dai exumado tenha sido afinada, precisando-se o intervalo entre 1850 € 1870 (DORDIO; TEIXEIRA; SA, 2001: 157). Desse con- junto seleccionémos para analise o fogareiro P196, aserta 205 € duas outras formas indeterminadas (P209 e P211). Casa do Infante Nesta importante intervensio arqueolégica, localizada ‘num espago emblemitico da cidade onde a tradicao situa ‘obergo do Navegador, puseram-se a descoberto as ruinas, da Alfandega Régia e da Casa da Moeda, que ali tiveram, instalagdes desde o século XIV. A cronologia do sitio éto- davia muito mais ampla, estendendo-se desde os niveis arqueolégicos de época romana até aos tempos contem- pordneos (TEIXEIRA; DORDIO, 2000). Dos trabalhos arqueologices que tiveram lugar na Casa {OUGA PRETA MODERNA € CONTEMPORANEA De CoHTEXTOS ‘AROUEDLOGICOS DA CIDADE 00 PORTO do Infante, desde 1991 ¢ durante quase uma década, io provenientes duas das pecas aqui estudadas, uma panela (Pi81) e um pticaro (P184). Ambas foram recolhidasno designado “Depésito 4°, um conjunto de contextos da- tados pelos responsiiveis da escavacao, a par- tir de fontes histéricas e elementos arqueol6- gicos, de meados/terceiro quartel do século XVIII (BARREIRA; DORDIO; TEIXEIRA, 1998: 146). De notar que do recipiente que classifi- cmos como piicaro (P184) foi publicado pe~ los mesmos AA. um desenho identificando-o como panela (Idem: 176, Fig. 54), divergéncia de opinido que se explica pela similitude de amas as formas. Escola do Forno Velho ‘Uma intervengio de emergéncia iniciada em 1993, na seouéncia das obras de reabilitagao Figura. Paicaro (P83) arquitectonica de um imével para a ser insta~ lada uma escola de ensino basico, proporcio- nouoachacdlode diferentes estruturas eaiden- tiffcago de um cemitério eventual do século XIX, que utilizou um espago entao situado no interior da cerca do convento seiscentista de S Joo Novo, podendo fixar-se os enterramen- tos, segundo noticias da época, entre os anos de 1834 € 1840 (OSORIO; SILVA; PINTO, 1994; 1995; OSORIO; SILVA, 1994; 1995). Um dos fogareiros estudados (P195) provém do enchimento de uma das sepulturas, rela- cionando-se outro (P94) com o que aparenta ser um depésito de remeximento de um nivel sepulcral. Nao pade set aferido com preciséo ‘© contexto estratigréfico da cagoila P185, pu- blicada como fabrico do século XVIII (FER- NANDES; TEIXEIRA, 1997:171,n.°71),crono- logia revista no presente artigo. LOUGK PRETE MODERNA € CONTEMPORANER DE CONTEKTOS ‘AROVEOLOGICDS DA CIDADE 00 PORTO Rua de Santana, 25 Da escavagio da cave deste imével do centro histérico do Porto, feita em 1997, resultou, entre outros elemen- tos, a recolha de um importante conjunto de cerdmica oitocemtista e de inicios do século XX (SILVA; RIBEIRO; BARBOSA, 2006) as lougas estudadas neste trabalho, a panela P179 € os fogareiros P197 e P198 sdo provenientes de um con- texto correspondente a uma lixeira doméstica, onde se encontraram também pegas em faianga e vidradas a chumbo que permitiram afinar a sua datacao, situa da em fais do século XIX/inicios da centiria seguinte (Idem: 23, Figs. 100-1, 128-9). O fogareiro P199, por sua vez, foi exumado num nivel de aterro de cronologia si- ilar (Ibid: Fig. 100). Largo do Colégio, 12 Acescavagao da parcela n.° 12 do Largo do Colégio,em 1998, proporcionou a identificagio de importantes Figura 4 Calla (P185) uinas e objectos arqueoligicos, que recuam a Idade do Ferro. O contexto de onde é proveniente a cagoila ue analisimos (P189) cortesponde a um depésito he- terogéneo imediatamente subjacente a um pavimento actual, nfo datado especificamente pelos responsiveis pela intervengio (VARELA; CLETO, 2001: 15). Rua da Penaventosa, 51 0 projecto de reabilitagio deste imével do Bairro da Sé Tevou & realizagao de sondagens de avaliagao prévia em. 1998, dirigidas pelo Gabinete de Arqueologia Urbana, que forneceram vestigios arqueolégicos dataveis de en- tte a Idade do Ferro e a época contemporanea. 0 con- texto onde foi recolhido o testo P178 inclui materiais ce- ramicos que permitem situar a sua cronologia em finais, do século XVIII/primeiro tergo do século XIX. Ruade S. Miguel, 11 A recuperacao arquitecténica da parcela n.° 11 da Rua {OUGA PRETA MODERNA & CONTEMPORANEA OE CONTEXTOS ARQUEDLOGICDS DA CIDADE 00 PORTO de S, Miguel, em plena drea da antiga judia~ ria medieval, foi precedida de sondagens arqueol6gicas, realizadas em 2000, que for- neceram vestigios de diferentes épocas. A panela P180¢ procedente de um depésito de aterro com materiais heterogéneos (SILVA, 2002). Palacio do Freixo 0s trabalhos de acompanhamento arqueol6- ‘gico, iniciados em 2000, das obras de reabili- taco do Palicio do Freixo ~ imével de traca nasoniana datado de meados do século XVIII ‘mas que teve diversos usos e remodelages a0 longo da centiria seguinte ~ proporcio- naram a recotha de um conjunto cerami- co das épocas moderna e contemporinea (BARBOSA, 2007). O vaso de plantas que elencémos (P208) foi exumado no enchi- 183 Figura 5. Assador (P206) ‘mento de um vio de parede, relacionado provavelmente com as referidas obras de Oitocentos (Idem: 35, 89, Fig. 175), devendo correspondera um fabrico da segunda me- tade deste século. Campo dos Martires da Patria (Requalifi- cago da Baixa Portuense~Lote 1) © acompanhamento arqueol6gico dos tra- balhos de requalificagao urbana promovidos pela Sociedade Porto 2001 neste arruamento possibilitou a identificagdo de um depésito onde se encontrava um interessante conjunto cerdmico (SILVA; ARGUELLO MENENDEZ, 2008), alids similar e bem préximo do de- tectado numa sondagem arqueolégica feita uma década antes no quadro da reabilita- io da Cadeia da Relagéo (LIMA; GOMES, 1991). Desse achado seleccionémos para 0 Lougs PRETA MODERN & coNTEMPar ‘AROVEDLOGICNS DA CIDADE 00 Po NEA DE conTExTOS catdlogo 2 cagoila P188, 0 fogareiro P192, a sertd P202 € a forma indeterminada P210, cuja cronologia pode considerar-se de meados/terceiro quartel do século XIX (DORDIO; TEIXEIRA; SA, 2001: 157). Largo do 1.° de Dezembro (Requalificacdo da Baixa Portuense ~ Lote 6) Noutro dos projectos de requalificagao urbanistica da Sociedade Porto 2001, 0 acompanhamento arqueolé~ sico da empreitada de obras permitiu identificar, ro Largo do 1.° de Dezembro, um nivel de aterro com ma- teriais cerimicos heterogéneos dataveis globalmer da segunda metade do século XIX/inicios do século XX, entre os quais se inclui o assador P206 (SILVA; LOPES, 2008). Armazém do Cais Novo Este imével, cuja construcdo remonta aos finais do sé- culo XVIII, foi utilizado ao longo da centiria seguinte 184 para varios propésitos, incluindo os de alfandega es- pecializada em mercedorias do Brasil e armazém de géneros diversos. Nele foram realizadas, entre 1999 ¢ 2001, duas intervengdes arqueolégicas (ARGUELLO; SILVA, 2000; BARBOSA, 2001), no quadro da adapta- ‘gio do piso térreo para instalagao do actual Museu do Vino do Porto. As pecas analisadas no presente artigo (a cagoila P187 € as sertis P200, 201, 203 e 204) pro- cedem do mesmo contexto arqueolégico, um pequeno tangue descoberto na segunda fase de trabalhos, onde se haviam acumulado detritos de louga doméstica oito- centista que podem détar-se, globalmente, de meados/ terceiro quartel do século XIX. Rua do Outeiro, 25, Nesta parcela foi feita em 2001 uma sondagem numa zona de jardim, que forneceu diversos niveis de aterro, ‘modernos e contemperdneos, de onde é proveniente 0 vaso de plantas P207, datado do século XIX pelos res- ponsiveis da intervengio (ARGUELLO; COSME, 2001: Fig. 15) e que entendemos dever ter sido produzido na segunda metade desta centiiria. Largo da Penaventosa, 25, Da escavagio deste imével, feta em 2002 ¢ onde apare- ceram vestigios arqueclégicos de diversas épocas, entre © periodo castrejo-romano e a actualidade, seleccion’- ‘mos duas pecas para anélise. A cagoila P190 proceden- te de uma camada de aterro e a forma indeterminada Pai2 provém do enchimento de um aqueduto contem- porineo, contextos situados numa fase estratigréfica datada pelos AA. de finais do século XIX/século XX (SILVA et al., 2003: 198s,), se bem que nas ilustragdes do ‘mesmo relatério as duas pecas sejam atribuidas apenas Rua da Penaventosa, 27 Sondagens realizadas na parcela n.° 27 da Rua da Pe- naventosa, no ano de 2003, evidenciaram depésitos arqueologicos ¢ ruinas dataveis de entre os primeiros séculos da nossa era e 0 século XX (SILVA et al., 2008). Das pecas de louga preta que integram este trabalho, a cagoila P186 provém de um nivel de aterro com mate heterogéneos dos séculos XVIII a XX, enquanto o ‘LOUGA PRETA MODERNA E CONTEMPORANEA DE CoNTEXTOS AROUEOLOGICOS 04 cIOADE DO PORTO testo P176 foi exumado no enchimento de ‘uma vela de fundagio de uma parede com espélio da mesma época que o depésito an- terior. Nao obstante a imprecisio cronolégi- ca dos respectivos contextos estratigraticos, a datagio que atribuimos a ambas as pecas (segunda metade do século XVIII/primeira metade do XIX) é consistente com a propos ta pelos responséveis da intervengao arque- olégica (Idem: Figs. 54-5). Rua de Tomis Gonzaga, 3 A escavagio de uma pequena sondagem, realizada em 2004, na area da antiga fabri- ca de certimica de Miragaia, cuja laboragio terminou na década de 1850, permitiu iden- tificar varios depésitos de aterro posteriores ao seu encerramento ¢ & subsequente demo- ligio do edificio situado na plataforma su- perior do complexo fabril (RIBEIRO; SILVA, 2008). 0 fogareiro (P193) que aqui analismos provémde um desses estratos arqueol6gicos. Rua doRosirio, 73 Durante 0 acompanhamento arqueolégico da construcdo de um imével neste arrua- ‘mento, em 2005, foi identificada uma fos- sa aberta no saibro natural cujo contetido correspondia a uma lixeira doméstica e que integrava cerdmica de variada tipologia, al- gumas moedas ¢ outros materi A cronclogia deste depésito foi inicialmente apresentada pelo responsével pela interven- Gio arqueolégica como correspondendo & primeira metade do século XIX (ARGUELLO MENENDEZ, 2005), Em publicagao poste- rior, enchimento da fossa foi datado quer da primeira metade de Oitocentos (AR- GUELLO MENENDEZ, 2007: 14), quer de meados da mesma centiria (Idem: 9, 24) ou ‘mesmo pés-1832, considerando a data da moeda mais recente do depésito (Ibid: 25) Assim, apesar de no respectivo catélogo de materiais as pegas deste contexto que selec- 185 ciondmos para a nossa amostragem (os tes~ tos P75 e P177, a panela P182 ¢ o fogareiro Prot) aparecerem genericamente datadas da primeira metade do século XIX (Ibid: 72° 5,82-5), optdmos antes por consideri-las de meados desta centiiia. A anilise quimica das pastas ¢ a tipologia doconjunto © conjunto de olaria preta estudado é constituido, na sua maior parte, por pe- gas de cozinha, usadas para confeccionar alimentos ao lume, 0 que alidés é um trago distintivo geral destas cerdmicas, embora se registe também alguma louca decorativa ‘ow eventualmente com outra fungio, como 0 caso dos dois vasos de flores e de um provaivel pratel. Note-se ainda, até porque constituiu crité- rio de referéncia, pelo menos numa primei- ra fase da selec¢do da amostra, que todas as pecas integram-se no grupo de pastas designado como PREO1 nas pesquisas da Casa do Infante atras citadas, ou seja, cor- respondem a lougas de pastas porosas & muito fridveis, cuja producdo foi global- mente atribuida pelos Autores as oficinas de Coimbrées, em Vila Nova de Gaia, ou da regidio do mécio Douro, Todavia, em trabalhos que fomos desen- volvendo com recurso a materiais de ou- tras intervencdes arqueoldgicas da cidade do Porto € 0 contributo das escavages entretanto concluidas no centro oleiro de Coimbrées (RIBEIRO, 2003a), procurémos aprofundar a observacio desse grupo ma- croscépico PREOI, que entendemos poder dividir-se em dois subconjuntos. Com efei- to, a pasta das pecas gaienses apresenta com frequéncia pequenos elementos de coloragio esbranquicada, provavelmente grdos de quartzo, ocorrendo também mi- niisculas pathetas de mica branca (Idem: por sua vez, as lougas que consider: {OUGA PRETA MODERNA E CONTEMPORANER DE CONTEXTOS ‘ARQVEOLOGICDS OA CIDADE DO PORTO Figura. Fogareizo (198) mos durienses, da area de Barr, 8. Martinho de Mou- ros e Paus, se bem que em termos visuais exibam uma pasta com caracteristicas préximas das de Coimbrdes, destacam-se por evidenciar notérias palhetas de mica preta, muitas vezes aflorando a superficie das peges por efeito mecinico do alisamento. Estas propostas de base empirica foram acompanhades por um programa de anélises quimicas de pastas por espectrometria de fluorescéncia de raios X (FRX), reali- zadas no Laboratério da TecMinho, em Guimaraes, com vista a determinar, por comparacao com a vasta base ¢e dados analitica desta instituicdo, a regio de origem ce diversas pegas de louga preta. Os respectivos resultados encontram-se publicados neste mesmo niimero da Ola- ria, Das 38 peyas estudadas no presente artigo, 21 fizeram 14 CASTRO, Femando “Andie qimica de crimes rgucogs da ide do Forum conc deloug peta das oc modern econtrporine”. AL emo a0 Astro sora devoid a revisio das anlissatempo dosresla~ Atospoderem normar estat. Figura7. Vaso de plantas (P207) parte desse conjunto de andlises quimicas (Tabela 1). Os dados obtidos indicam que a quase totalidade des- ta louca integrou-se no grupo quimico designado como “Porto 1”, muito semethante a um outro constituido por cerdmicas arqueol6gicas de Coimbrdes; tendo uma 86 amostra, a da panela Pi79, sido inclufda no gru- po “Porto 2”, por apresentar similitude com lougas de Fazamées/S. Martinho de Mouros. Em ambos 0s casos, as atribuigdes decorrentes da observacio macroscépi- ca foram efectivamente confirmadas, com excepgio do fogareiro P198 que nao ficou agrupado quimicamente, No que respeita & morfotipologia do conjunto cerémi- co, devemos sublinhar o importante auxilio dado a este estudo pelos resultados dos 4 referidos trabalhos de arqueologia feitos em Coimbrdes (RIBEIRO, 2003a: 99- 117)°. Na verdade, a intervencao arqueol6gica realizada numa area de soengas deste lugar gaiense, a primeira 4 Sobre ete cero cleo os trabalho anqucoligios aqulrealizados v. também RIBEIRO 396,997, 2000, 20008, 2008. {OUCA PRETA MODERNA E CONTEMPORINEA OE CONTEYTOS /AROUEOLOGICOS DA CIDRDE DO PORTO feita num local produtor de louga preta e que permitiu uma razodvel caracterizagio do respectivo fabrico, designadamente para o periodo entre a segunda metade do século XVIII eos comegos do século XX, constituiu © pano de fundo essencial da nossa classi- ficacao tipolégica, tendo em conta 0 impor- tante papel deste centro oleiro no abasteci- ‘mento & cidade do Porto naquela época. Passando agora em revista o elenco formal da colecgio, pela ordem em que é apresen- tada no catilogo, podemos deter-nos um pouco em cada um dos subconjuntos. Os quatro testos seleccionados (P175 a 178), de morfologia elementar — um simples disco cermico com uma pega ou botdo no centro da face superior ~representam um dos tipos mais correntes nos centros produtores de louga preta, servindo para a cobertura de di ferentes recipientes, como panelas, pticaros, cagoilas e outros (Figuras 2 € 8 a 12). Se bem que no tenham sido feitas anélises ‘quimicas destas pecas, parece-nos segura a sua atribuigio ao fabrico de Coimbrées, tan- to pelo aspecto das pastas a nivel macroscé- pico, como pela tipologia, em tudo afim das produces gaienses, seja na variante lisa, seja no tipo comum da decoragio com péta- las de flor irradiantes da pega, mais ou me- nos esquematicas. Os tragos incisos ou os puncionamentos que exibem os testos P176 e P177 podem constituir matcas dos oleiros, como também se documenta em Coim- bres. A cronologia desta forma é longa, po- dendo datar-se os exemplares aqui estuda- dos entre a segunda metade do século XVIII a primeira metade do XIX (P176 e P178) ou ‘os meados desta tiltima centtiria (P175.€ P177}. ‘A panela parece quase constituir, por exce- léncia, a forma privilegiada dos oleiros de ouga preta, a ponto dos artifices se designa- rem, popularmente, como paneleiros, como se apenas fosse esse 0 produto das suas r0- das, 0 que naturalmente nao acontecia. Sé0 187 pecas de cozinhar ao lume, bojudas e mais altas que largas, com estreitamento no colo € bordo esvasado onde podia assentar um testo, no tendo qualquer asa ou possuindo dupla asa de fita vertical, para facilitar 0 seu manuseamento. muito comum a decora- go das pangas pela técnica do encrespado, que produz um efeito de ondulagao obliqua bastante caracteristico (P179 a 181), podendo também ocorrer a ornamentagio com cor does plasticos, como se observa na P1s2 (Fi- guras 12415), Das quatro panelas eleitas para este artigo (179 a 182) atribuimos a0 fabrico de Coim- brdes a P80, que poderd datar da segunda metade do século XVIM/primeira metade do XIX, ¢ a Pi82, de um contexto mais seguro de meadios do século XIX. As restantes pegas poderio proceder de centros oleiros do mé- dio Douro, sendo mais antiga a P181, datavel de meados/terceiro quartel do século XVIII, segundo a escratigrafia, enquanto a P179, se- guramente de finais do século XIX/inicios do XX, €a nica deste subgrupo morfotipolégico que foi sujeita a analise quimica, confirman- do-se na realidade essa origem. Os piicaros, que tanto serviam para conter Liquidos como podiam it ao lume, so pegas com bastantes semelhangas com as panelas, aponto de por vezes se confundirem em con- textos arqueclégicos. Na verdade, distingue~ -08 as dimensdes, usualmente mais modes- tas que as das panelas, e a circunstancia de possuirem correntemente apenas uma ansa (Figuras 3, 16¢ 17) Mesmosem terem sido objecto deanilise qui- mica, consideramos produto de Coimbrées os dois pricaros aqui recenseados (P183 ¢ P184), datando um de meados/terceiro quartel do século XVIII (P184), enquanto o outro (P183) no permite uma cronologia tio estreita, po- dendo situar-se entre a segunda metade do século XVI/inicios do século XIX. A cagoila & cutta das pegas recorrentes nos LOUGA PRETA MODERN € CONTETPORANEA DE CONTEKTOS ‘ARQUEDLOSICOS OA CIDADE 00 PORTO centros produtores de louga preta desta época. Forma de tendéncia troncocénica invertida, com bordo reentrante € boca relativamente larga ~ que um testo poderia cobcit pontualmente ~ era usada na confecgao de alimentos 20 lume. A panga pode surgi lisa ou, com frequéncia, exibin~ do decore¢io encrespada, enquanto os bordos apresen- tam varidveis mais complexas, sendo comum a presenga de uma aba digitada, aparentemente em contextos mais antigos. As asas, por fim, elemento caracteristico destes recipientes, tanto surgem com seccio em fita, aplicadas verticalmente, como podem ser de rolo, aparecendo tam- ém muitas vezes como simples pegas curtas ¢ horizon- tais Figuras 4 ¢ 18 a23). Sio seis as cagoilas seleccionadas para este estudo, ore~ nadas no catélogo da P1858 190. Parecem resultar todas de fabrico de Coimbroes, 0 que ali foi confirmado pelas anilises quimicas de quatro delas (P185, 187, 188 e 189). No plano cronolégico, as mais antigas, com datagio provavel centre a segunda metade do século XVII ea primeira e~ tade do XIX, so as cagoilas de aba digitada P185 e P186, além da peca 189. As cagoilas P187 e P:88, caracteriza~ das por bordo terminado em labio amendoado, datem de meados/terceiro quartel do século XIX, sendo ain- da mais recente a cagoila P190, de paredes brunidas e esa soerguida, de finais do século XIX ow infcios do seguinte, (0s fogareiros constituem significativa parte desta amos- ta, estando ilustrados por nove exemplares (P191 a 199). ‘Trata-se de pecas compésitas, formadas por um depésito inferior, usualmente subcilindrico, que setvia de cins ro, separado por uma grelha vazada do braseiro superior, ‘em formade taca, que suportava panelas, pticaros ou, por exemplo, assadores de castanhas (Figuras 6 ¢ 24 a 32) A atribuigio da otigem destes fogareiros a Coimbroes, através das pastas e morfologia, foi globalmente valida~ da pelas anélises quimicas de seis deles (P192, 194 a 197 € 199), nao tendo podido determinar-se a origem do ‘o- gareiro P198 (que, contudo, continuamos a conside-ar produto de Coimbrdes pelas suas caracteristicas gerais). ‘Todas as pecas que elencimos sto dataveis dentro do sé- culo XIX, sendo duas mais antigas, da primeira metade (P194 ¢ Pi95), mas podendo a cronologia de quatro delas estender-se até aos comegos do século XX (P193 e P97 4199). Seis sertis (P200 a 205), duas delas reduzidas na pratica 188 20 cabo de preensio, representam outra das formas co- nhecidas entre as produgdes de louga preta. Trata-se de recipientes que serviam para frigit alimentos ao lume, baixos e abertos, com as superficies brunidas e que ori- ginalmente estariam providos de uma pega alongada soerguida (Figuras 34 a 39). A sua atribuigao as olarias deCoimbrées foi plenamente comprovada pela andlise quimica das quatro pegas mais, completas (P202 a 205), sendo também homogénea a sua cronologia, aferida pelos contextos arqueol6gicos, situada em meados/terceiro quartel do século XIX. ‘Um tinico assador (P206) foi seleccionado para este tra- balho. & uma pega pequena, com a morfologia de uma panela ou um piicaro, caracterizado pelas perfuragoes, Tabela | Resultados das andlises quimicas das pastas (adapt. de Fecnando Castro, nesta publicagdo) {LOUGA PRETA MODERMA E CONTEMPORANER DE CONTEXTOS ‘ARQUEOLOGICOS 08 CIDADE 00 PORTO que Ihe vazam a panga e o fundo, e desti- nar-se-ia por certo a assar castanhas, néo obstante as suas dimensdes (Figuras 5 € 33). Atribuimo-lo a Coimbrdes pela observacio da pasta, apesar de nao ter sido objecto de anélise quimica, devendo datar da segunda metade do século XIX/inicios do XX. Os vasos para plantas, de corpo troncocé~ nico invertido ¢ perfuragdes na base para escoamento da égua de rega, sio uma for- ma registada em diversos centros oleiros de louga preta em épocas mais tardias (Figuras 7,40 € 41). Os exemplares P207 € P208, que exibem no bojo uma singela linha incisa es te fs 9 Pol : ri Poe end quae an Wea eam Pee Fes ort rt copia ends quel ase me we tego Fs nk a fein ents ft Foie nk gone Fann me nes Piss Fogo Yme xk es teen P PSs ogee ene a feonio fs des Coimbeies Coimbeies Coimbebes Coimbrbes Coimbrdes Coinbeoes Coinbeaes Coinbeoes Porta 1 Coinbeoes Coimbedes Coints Coimbrdes Coinbises Coinbes Poa -1 coinbes ono -1 ____Coinbiées Ponto -1 “Coimbcoes Ponto -1 189 LOUGé PRETA MODERN € CONTEMPORANEA DE CONTEXTOS ARGUEOLOGICDS DA CIDADE 00 PORTO “Nipesa_foma_xanologia = Proveninciay __crupo quinico™™ PIs Fogo Finals XXnc95 9 coimbces io agrupada 7199 ——_Fogareico Finals xine XK oma ort) Pron Sex eados3}quartl xx coinbcbes Pro Ser eadosa) quart! xX coinbcbes pm Sex ado. quail 0X coinbcies Powa 1 pu setb Meadosa*quartel 4X coindcies Ponto 1 Pam Sek Neados3®quarel MX Coimbdes Ponto 1 Pas Seth Meade" quatel MX ceimbedes Pow 1 Pan ——_—Asadoe 2 met. xine Coinbcoes Pao vaso de plantas 2 me, x Coinbraes oxo -1 Pa0e Vaso de plantas 2 met, xX Coinbdes Powo-1 Pr Fema inde rogareno?) Meadesi3*quatl 1X Coimbcses oxo Pao Seaman. (cater) ead quactl XX coimbcdes Powo 1 Pm Soma nde ado quacl ix Coinbcdes oqo 1 fm ——_‘Fama nde. Finals Xxnicis x Coinbrdes * Proposta de provenincia com base na observagao macroscopica das pastas * Porto 1: Pro provavel de Coimbrdes, Vila Nova de Gaia Porto~2: Producio provivel de Fazamdes/S. Martinho de Mouros, Resende ondulada como iinico ormamento, parecem corresponder a fabrico de Coimbrdes, 0 que foi confirmaco pela anélise das pastas, sen- do muito provavel a stia datacao dentro da segunda metade de Oitocentos. Um tiltimo conjunto (P209 a 212) reiine di- versas formas de caracterizacao mais indefi- nida, devendo todos os exemplates ser pro- venientes de Coimbrdes, o que apenas nao pode verificar-se através de anilise quimica para a pega 212 (Figuras 42 a 45). A peca 209, de corpo subcilindrico e bordo de aba bifida digitada, com asa de fita ver tical, apresenta caracteristicas similares aos braseiros de alguns fogareiros, como a superficie externamente estriada e a larga moldura sobo bordo. Assim, este recipiente, que data de meados/terceiro quartel do sé- culo XIX, poder na verdade corresponder um fogareito, neste caso de tipologia mais incomur. A pega 210, que no catélogo con- siderdmos ura eventual pratel, constitui uma pequena forma aberta de corpo troncocénico invertido, cuja funcionalidade desconhecemos por enquanto. A sua cronologia também se situa em meados/terceiro quarrel do século XIX. Por fim, ignoramos igualmente 0 tipo ea funcdo dos pequenos recipientes Pait ¢ Para, de corpo subcilindrico, que se acham incompletos. 0 pri- meiro tem datagio afim da das titimas pecas, enquanto o segundo é umm pouco mais tardio, Se bem que o conjunto de pegas que foi possivel reunit para este trabalho nao pretenda ter representatividade A escala dos achados deste tipo de ceramica nas inter- vengaes arqueolégicas realizadas na cidade, como atrés salientamos, importa fazer uma breve apreciagio da co- leceao seguindo um fio cronolégico (Tabela D). Na verdade, apenas dois exemplares ~ a panela P18: ¢ © plicaro P184 ~ so dataveis com seguranga do sécu- lo XVIII, se bem que este rximero possa ser alargado a nove pecas se incluirmos aquelas com cronologia com preendida entre o século XVIII ¢ a primeira metade do XIX. Neste conjunto encontramos o elenco formal ti ‘co das produgdes mais antigas de louga preta, que inc\ui 190 no essencial panelas/pticaros, cacoilas e testos, precisa- mente as formas identificadas no grupo mactoscépico PREo1 da Casa do Infante, dominante nos contextos de Setecentos. ‘Uma expressiva maioria dos objectos recenseados (29) corresponde a produces do século XIX, podendo oito deles datar mesmo de comecos do século XX. Este facto no tem especial significado, dado o carécter aleatério da amostra, mas coincide com a maior diversidade for- mal observada, jé que pegas como os fogareiros pare- cem ter maior popularidade precisamente a partir de Oitocentos, sobretudo numa fase avancada deste sécu- lo no que a producio de Coimbrées diz respeito, sendo 0 fabrico de vasos de plantas completamente desconhe- cido neste centro oleiro até entdo. Também a presen~ a, em contextos tardios, de formas diversas de dificil determinagdo e de certos recipientes com a superfic brunida, como as sertas oua cacoila P190, é consistente com os dados das escavagdes nas soengas de Coimbrées, relativos as tiltimas fases de producdo". Apesar de na presente colecgdo poderem estar sub-re~ 16 A versieago formal do prod observada em Colmbrides nesta Epo, Tevande inclusive needa de esas care decorative, poder terconstituide uma resposta aos desafios do meread, ane or cert concorei ta wens ‘gm, celica. oun, melhor aaptadaa nots todos de ceria cu rena ‘oshibtos de consume, proceso que ma verdade asecede a decane 0 des precimento desc ent oe (RIBEIRO, 208) BIBLIOGRAFIA ALMEIDA; NEVES; CAVACO, 2001 Miguel Almeida; Maria Joio Neves Sandra Cavaco~"Uma oficina de pro- ‘gio defaianga em Gaia nos sées XVI € XVI, Intervengio arqueold- ica de emergncia na «Casa Ramos Pinto" In Mineritio da Faianga do Po Gaia, Porto: Museu Nacional de Soares dos Reis, 2001.P. 144-16. ARGUBLLO MENENDEZ, 2005 José J. Argello Ménende = Rua de Rosin, 3-25. Blatiro rstiminar do acompanhamentoarqucligio Porte Menéndet Uni. Léa, 2005, Dacog. ARGOELLO MENENDEZ, 2007 José. Argo Ménender ~ Conjusto cerimico da Rua do Rosirio 73-25, ‘a cidade do Port, Porto/Calvi Vssants Arqueologia i Cultura, 2007, ARGUELLO MENENDEZ; COSME, 2001 José .Argello Ménender: Susana 8, Cosme ~ Rua do Outeiro. 25. Mas: sarelos/Pore, Rela das sondagns de avaliagio argueologia. Port: ced.A, 2001, Dactlog, ARGUELLO MENENDEZ; SILVA, 2000 José}. Angello Ménendez; AnténioMane ..ilva~ armazém so Cais OUgA PRETA MODERN E CONTEMPORANEA DE CONTEKTOS ARQVEOLOSICOS OA CIDADE OO PORTO presentados outros nticleos coevos de louga preta que apresentam afinidades tecnolégi- cas e estéticas com o fabrico gaiense, como 108 dos concelhios de Resende ou até de Ama- rante¢ Baido”, o certo é que a cronologia das pecas, datadas de meados do século XVIII a inicios do século XX, corresponde a um pe- iodo de significativa actividade ceramica em Coimbries, atestado a nivel documental earqueol6gico. Atendendo & vantagem da proximidade geo- gréfica com 0 centro urbano do Porto, niio surpreende que a maior parte dos objectos seja oriunda das oficinas da margem fron- teira do Douro, oque aferimos pelas caracte- risticas das formas e pastas e foi confirmado expressivamente pelas anélises quimicas. Resta-nos aguardar que futuros estudos sobre louga preta na cidade e na regio, ba- seados em contextos arqueolégicos bem datatlos, possam testar e enriquecer estas propostas de trabalho", Woo 18 Agaecemos a claboragoprestada na labors deste = Inoa Maia fost anos (esenhoe carta), Fernand org Noronha fora) ePala Est Sant xaogaco). denis docavinete de amuelaga Urban, Novo. Alfindega de Massarcios~ Porto. RelatGrio das son: sdagens de avalisco arqueokigica. Porto: Cimara Munici- pal[GAU], 2000, Dactilog, ‘BARBOSA, 2001, ‘Sandra. P.Barvosa~Armazémn.do Cas Nove, Massatelos = Prto,Relatriopreliminardas sondagens arqucolyicas deavaliagio noesterior do ima. Porto: Ciara Muniei- pal GAU], 2001 Dacilog. BARBOSA, 2007 Sandra, P, Barbosa ~Palicio do Frei ie envolvente ‘elatrio final dos sabalhos de acompanhamento arawe= ‘kisi. Port: Gimara Municipal {GAU], 2007 Dactilog. [BARREIRA; DORDIO; TEIXEIRA, 1997 Paula Bareeca: Paulo Dosdio: Ricardo Teixeira ~°A pre= sena de louga preta no mercado do Porto (sécs. XVI a XVII), Uma amostragem a partir do estudo das cerimi- as arqueoldgias da Casa do Infante™ In A louga preca ‘mn Portugl;ohates cuzados. Porto: CRAT, 1997. P. 87= 9%. 191 BARREIRA; DORDIO; TEIXEIRA, 1998, Paula Barcita; Paulo Dordio; Ricardo Teaeira~"200 anos te cernica na Casa do Infante: dosée. XVI a meados do sc XVII, In Actas das 2 Jornadas de Gerdmica Medic: ‘ale Ris-Medieval Tondela:Cimara Municipal, 1998. P as84 CGAPELA era, 1995 Jos€ Viriato Capela tal =A produgo cerdmica do Nore (sées. XI-XX): esto histric,tipoldicoe aboratora" Olaria.studlos Arqueolixicos, HisiGricos © Ftnoligicos. Barcelos: Gémara Municipal, Museu de Olas, 1 (1996) 10, CASTRO, 1997 Fernando Castro ~Caractri2agio fisico-quimicaeestudo Ishoratoril da lous peta em Portugal’. In A lousa peta ‘em Portugal:olbare:cruzados Porte: CRAT, 197.324 ‘CASTRO; DORDIO;TEIXEIRA, 2003, Fernando Castro; Paulo Dordio; Ricardo Teixeira ~ "200 anos de ceramica ra Casa do Infante ~ Porto (séeulo XVI a meados do século XVID identifieago visual e quimics dos fabricos. In Actas das'3* Jomadas de Cerémica Me= dieval¢ Pos-Mesicra. Tondela: Camara Municipal, 2003. 225-30 CRUZ, 1942 ‘Anténio Cruz ~ “Cleiros do Porto ¢ Vila Nova" Bolin Cultural da Cimari Municipal €o Pou Porto 1942). 5-44 CRUZ, 1968 ‘Antbnio Cruz ~"O ceos do Porto e d’Alén-Rio".Boletim, (Cultural da Cimars Municipal do Porto, Porto, 6 (1943) 6-n8. CRUZ, 1959 Antinio Cruz ~“Assisas do Porto seiscentista™, Bibliothe= caPortucalensis. Prt. 3(1956). 5-22 ORDIO, 1999, Paulo Dordio "Lous de cozinna de Epoca Moderna des- coberta em escavagies arqueolgicas no Port”. In Actas do.a® Encontro de DiariaTraicional de Matosinhos. Ma- tosinos: Cimara Municipal 1999. P. 6-51 DORDIO; TEIKEIRA;S4, 2001 aul Doro; Rieado Teixeira; Anabela Si ~"Folangas do Porto e Gaia: reoste contribute da arqueologia” In ic nrisio da Faiangao Porto Guia. Port: Museu Nacional {e Soares dos Res, 2001. P. 19-264. FERNANDES; TELKEIRA, 1997 Isabel M. Femandes; Ricardo Tescra (coord) ~ A louga preter Portugl:alhares cruzados. Porto: RAT, 1997. GOMES et a., 2004 Paulo Dordio Gomes et al. -*Corimicas tardo-mediev ‘e moderaas de importagio na cidade do Porto: primei- 1 noticia”, Olaria Estudos Argucogicos, Historica ¢ LOU PRETE MODERNA € CONTEMPORANER DE CONT ‘AROVEDLOGICOS DA CIDADE 00 PORTO Etmoliicos.ferelos: Camara Municipal, Museu de Olara. (2004). 89-96, LEAO,2007 ‘Manuel Leo ~ Cerdmicasaida da Barra da Douro nose. XIX. Vil Nove de Gala: Fund Manu! Leto, 2007 Lima; GOMES, 1991 ‘Alexandra. PLima; Paulo Dordio Gomes Incervenco rau ns Causi. ca Religie e Convento de, Bento da Vt6ria. Porto ed. 3991 Da Maria Isel .Osbrio; Ant6nio Manuel SP. Silva ~ Intervene araue: ‘lGgica.munisipal no Porte, Resultados. problemas « potenciliats 3 Gimare Municipal, 1994. Sep. de “Bracara Augusta. 45.n° 97 ‘OSORIO; SILVA, 1995 Maria tsabelP.Osério: Antonio Manuel S.P Silva ~ "Escola do Forno Velho. intervengio do Gabinete de Arqueologia Urbana”. O Trips Porto, 1995.7 Série XIV (6-7. P 164-5. (OSORIO; SILNA; 1998 ‘Maria isabel P Oso; Antnio Mani! Silva ~ “Cerdmcas vdradas «dalpoca Moderna no Porto”. In Actas das 2 Jomnadas le Cerdmica Me: sieval Ps-medieval, Tondela: Camara Municipal, 1998 P. 283-514 ‘OSORIO; SILNA; PINTO, 1994, Maria Isabel P Os6ri; Antonio Manuel SP Sila; José MM. Pinto ~ Ine ‘ervengio arqueogica na Escola do Forno Velho, Relacio 1983. Por Cimara Municipal [GAUL 1994. Dactilog. INTO, 1995 Maria Isabel P.Os6rio; AntGnio Manuel SP. Si; fos M, M, Pinto ~ Interven arqucolégica na Escola do Forno Velho. $. Nicolas, Port, Rela. dos trabalhos de 1994. Porto: Cimara Municipal (GAU}, 195, Dactilog. REALet a, 1985-86 “Manuel Luts Real eta. ~Fscavacdes arquealégicas no morro a $é. Por to: Cimara Municipal do Port, 1985-86, Sep. de “Boletim Cultural dt ‘CAmara Municipal do Porto" 2. sie (5-4) REALet al, 1995, “Manuel Luis Ral et a. ~"Conjuntos certmicos da inervengio arquec= légca na Cas do Infante ~Porto: elementos para uma sequéneia long ~ séculos IVXIX". In Actas das 4," Jomnadas de Cerémica Medieval és-medievalTondela: Cimara Municipal, 1995 REAL; REIMAO, 1096 “Manuel Luis Fal; Rute Reimio ~"As origens da produc de Faianga ra cidade do Porto’. Olaria, Estudos Arquealdgicos, Mstiricos e nok sicos Barcelos:Cimara Municipal, Museu de Olaria. (1996). P. 79-8. REIMAO, 1997 ute Reimdo ~"A venda de louga no Port: elementos documenta. in ‘lou pretaem Poctuga: hares ceuzados Porto: CRAT, 1997. 94-96 RIBEIRO, 1995 Manwela C5 Ribeiro ~"0s finaisda actvidade do centro oleiro de Cair= 192 ‘ries (VN. Gaia} tradigio oral e documentagio". In Actas 1° Enon ‘ode OlariaTradicional. Matosinhes: Cimara Municipal, 1996. P.57-68. RIBEIRO, 1997 ‘Manuela CS Ribeiro~"A olariade Coimbries (Vila Nova de Gaia). Docu ‘mentagio, meméria earqueologa"-In louca peta. em Rortugal:qlhares ‘ruzados. Porto: CRAT, 1997. 59-62, RIBEIRO, 2000 Manuela C. S. Ribeiro ~ A intervengdo arqueotdgica nas soengas de CCoimbrdes", Al-Madan. Almada: Gentro de Arqueologia de Almada. 2. Série. 9(2000)-P.166. RIBEIRO, 20038 ‘Manuela CS. Ribeiro ~ A Olaia peta de Colmes (Vila Nova de Gaia), Escudo arqucogico de un censo de producto cerimica de foc. Mo: sdema ¢ Contemporinea. Porto. Dissetagio de Mestrado em Arqueologia presentada Fac Letras Unit Posto, 2003, Dactlog, RIBEIRO, 2003 ‘Manuela CS. Ribeio ~ “As soengat de Coimbrdes (Vila Nova de Gaia) ‘Arqueologia de um centro oleic. In Actas das 3." Jommadas de Cerdmica “Medica s-Medieva.Tondela:Cimara Municipal, 2003. 321-332, RIBEIRO, 2008, “Manuela. S.A cozedura de olariapreta em Colimbedes segundo os d dos da intervencio arqueologica na ua da Soenga (Vila Nova de Gaia). InActasdas4. Jornadas de Cerimica Medieval ePos-Medisval. Tondel: (Camara Municipal, 2008.P 367-380. RIBEIRO; SILVA, 2008, Manuela GS. Ribeiro; Antnio Manuel S Silva -"Uma sondagem at- ‘queoligicana Fibrica de Cerimica de Miagat’. In Ribica de Louca de ‘Miragala. Lisboa: IMC, 2008, P. 85-85, SILVA, 1988 Francisco Ribeiro da Silva~ 0 Porto ¢ os terme (1580-1640), 0 ho= ‘mens. instituigdes-©0 poder. Poo: Cimara Municipal, 1988, SILVA, 2002, $i Bros Rela ia Borel steropdicn,400,Declog SILVA; ARGUELLO MENENDEZ, 2008 ‘Anténio Manuel. .Siva;José J Angello Ménendex~ Acompanhamen: oarqueoldgicn das chras de equalicacio urbana da Baa Porsvense, Lote. Relatéri final. Porto: Cimare Municipal [GAUJ, 2008, Dactlog SILVA; LOPES, 2008 Anténlo Manvel SP Silva; Lidia N.S. Lopes Acompanhameato at= ‘da-Baixa Fortuense. Lote 6. Relate final. Porto: Camara Municipal [GAU}, 2008. Dacilog. LOUGA PRETA MODERNA € CONTEHPORANES DE CONTEXTOS ‘AROUEDLOGICOS OA CIAADE 00 PORTO SILVA; RIBEIRO; BARBOSA, 2006 ‘AntGnio Manue' .P. Silva; Manuela. . Ribeiro; San- ddraC. P. Barbosa ~ Rua de Santana, 2, Porto Relatério dias sondagens de avalagio arqucoldgica. Porto: Cimara ‘Municipal GAU', 2006. Dac SILVA et a, 2003, ‘Ant6nio Manuel S.P Siva etal, ~ Largo de Penavento= 1.25, Porto. Retro final das sondagens de avaliagio arqucolégica. Porto: Cémara Municipal [GAU], 2003. Dactitog. SILVA eral, 2008 ‘Ant6nio Mane! .P. Silva eral. ~ Rua de Renaventosa, 2 Rorto. Relatéio final da sondagem de avaliago at: ‘qucoldsica Porto: GAmara Municipal (GAUL, 2008, Dac- ‘log SOBIRO eral, 1995 Teresa Sociro et al. ~ A Cerdmica Porwuense: evolucio smpresasalcessruturasedficadas. Sep. de“Portugala" Nova Série, 16 (1995), ‘TEIXEIRA, 1997 Ricardo Teixeira —"Cerimics preta‘osolharsdoargueslo~ sp"-In A louga peta em Portugal alaes cauzados. Porto RAT, 1997. 723 ‘TRPKEIRA; DORDIO, 1998 Ricardo Tebsera; Paulo Dordio ~ "Como pr ordem em 500 000 fragmentos de cerdmica? Ou discussio da me- todologia de estudo da cerimica na Imervengie Argue ‘ol6gica da Casa do infante (Porto). Olaria. Estudos A= ‘queolGgicos. Hist6rcos.¢ Emolbgicos.Barceos: Cimara Municipal, Museu de lara. 2 (198). .335-124 ‘TEIXEIRA; DORDIO, 2000 Ricardo Teixeir; Paulo Dordio (2000) ~ “Invervencio arqueol6gica na Casa do Infante: dezassete séculos de ria na zona ibeirinha do Porto" Alemadan. Alma~ dda: Centro de Arqueologia de Almada. 2* Série. 9 (2000). Paasa-isa. VARELA; CLETO, 2001 José M, Varela; Jeet Cleto~ Intervengio argusoliyica ne thos efectuados. Porto: ed. A200) Datg, VITORINO, 1930 Pedro Vitorino ~Ceriica portuense. Vila Nova de Goi Edigdes Apolina 1990, (Estudos Nacionats, 193 ANEXO CATALOGO, {As pecas recenseadas no presente trabalho, ordenadas sequencialmente da P1754 Pa12, com uma excepgao pontual por razdes de arranjo grifico, constam do catélogo, onde se descriminam para cada uma delas 08 se- guintes elementos: (1) Referéncia (N.° de Poca na base de dados propria do Gabine- te de Arqueologia Urbana da C. M. Porto € N° de Inventitio dentro do espélio de cada intervengio arqueologica, quando existe); (2) Forma ou designacio mais corrente da pega; (3) Intervencio arqueolégica de onde 0 objecto é proveniente (e respectivo acré- LOUGH PRETA MODERNA € CONTENPORANER OE CONTEXTOS ‘ARQUEOLOSICDS DA CIDADE DO PORTO rnimo, isto 6, 0 cbdigo pelo qual a intervencio ¢ designa- da na base de dados do GAU); (4) Cronologia proposta, seja em fungo do contexto arqueologico da peca, seja em relacdo & sua morfotipologia a partir de paralelos datados; (5) Descrigo geral da forma, decoragdo e ou- tos atributos distintivos da pega; (6) Dimensdes ge- rais (mm); (7) Local de fabrico, proposto em fungio da observagéo macroso6pica e aferido também, para uma parte das pecas, pelos resultados de andlises quimicas por FRX; (8) Bibliografia; (9) Observagées gerais (p9- dendo incluir, por exemplo, a referéncia do Laboratério da TecMinho para as anélises quimicas ¢ outros dados de interesse); (10) Outras ilustragdes no presente artigo. 194 |DUGA PRETA MODERNA € CONTENPORANEA O€ CONTEXTOS ‘aROUEOLEGICOS Da cinaDE GO PoRTO POS IN Testo fee us do Rosi, 73 (S735) eados do steal XX Testo com bas plana ccula pea cereal renatad pr pequeno ‘ede no apreseniando qualuet decorate, Dian, bende 13K At: 30 Proven Colmes, ila Now de aia AGDEUO MENENDEZ 200.745 ‘Sana smee ‘ua do Rosi. 7 (ROST05) estos do stevlo x Testo com base lan cculaepeg cent cenatada pr pequtro eleva, ecard mo base cam lint ican fomando tales de flr dsposas acaineme. ets peqwenespuncionsmants ne (as peas poem consti posses fabio. Did. bode 26 A 42 Provavelnenta Coinbres, Via ave de Gia ARGDELLD MENENDEZ 200 72-2 Hove @ 9 1 TEsT05 76, Testo usd Penavntss, 2 210) Froravelnente 2 mete do stu Xn! meade do sul x0 ‘Testo com base pans cela © pega cena cenatada por pequeno elev. Deora na tase cam Ln nia Fcmanco petals de Het dspostas raialnente Osis tages incss prpeciculares as pals prem consivc posses maceas de faba, hin ocd: eA: Prororelnente Contes, Via Nora de Ga ‘SMe a 208: Fg us da Penavenoe, t PUVELIE) Finis do sea ia tego do stele Wk Pequen testo con base plana eure pega centalrenatada por equen elev, Deconado na base com its nia formando pt Tes de ar dsposias aimee, dlinkadoe poe pequenospunlo- ‘metas, econ digingdes em ode» conan do Bsa Did ordain 36 ‘Provaremente Coinbies, Via Neva de Gia ‘nate ig? Finis do sul kins do séelo Pela decarpo Inj e clo esuangulads, com bord esvasad de aha bia dpa de ita vil ligandae meio Boje 2 bra, (Con decoracze evespada nz parte superior 2 parca ld. bord 18 funda 65; le: Provavelnentecaes ees do médo Doo ‘Sl RIB, BARGOSA 206 2, igs 1120-2 de borat Yeo: 607. Pegs restaurede e expasta no Miclee useoligico d as go inane, Pat. LOUGA PRETA MODERNA E CONTENPORENEA OE CONTEXTOS [ARQUCOLESICDS DA CIDADE DO PORTO ‘ade Mgvel SHON) Prowuelnente 2 meade do séclo WAU metade do século 9 Parela de compo bode exo estangulado, com bao esrasato de bahia asa de ta vercal prvaveimene ula alge sabceer- {ul iano boa a0 boro. Com decors anecespats na parte super panga. Din boc: Al miss? ProwvelerteCoimbedes, ila Noe de Gia ‘SML202: Fea de Acad 108 Faisal Fig PARLE Panela asa de infarc (18) ado Rosi, 73 (057305) eades"qured do séulo xt Menos do sécle Panela de eneo ojo e colo estranguade, con boda esasa- ode abo bia Com decoraso enerespata na pate super pang Dib, bord 26 Ame 6 Provavelnente emus ees d mt Dou0 neds AGURAS 1 1S - PNAS Panda de cop bojudo e colo esrangldo, com bord esvesade ‘de ha bid saleste com decorayio pista ma pace super ‘parca. one fi apcaéo un crs vera. Din, onda WBA nad 55 Prowvenarte Coie, ila Noa de aia ARGIELO MENENDEZ 200 #23 196 LD, UN yj Ce ud, Pca Fig (asada canara cc) Provavelnane 2! metde o s¢clo Melos 6 seul 2k Paquane pico de carpo jee elo estangulac, com bard es vaado teminade pc abo rentane eauanque de asa de ita ver- ‘ical Com decoragieeneespada ocvando a mai parted pangs idm bord 86; Dim fund: At: 13 Provavelment Coimbces Va Nova Gia RedLe ot 1905-06. Fe? sola da orn eho (3) Provavelnente iss do secu ' merae do culo XK Capea de cope subtoncaciic inarid e bord rena, ter- tinad par aba dgtaes,dpresera pegs hxzortal(provvelnente supa na pate spec ca paca, ue no exe qualqeréeeareo. ‘i. bodo: 12 Di, nde 95,123 rovavelnent Coins, ia Nova de Gla ERNINOES EEA 85717, 97 We labora TecMinhs 140, Fes Hout 6 1 POcaROs; FRURAS 1818 - CaS olacia 4 {OUGA PRETA MODERNA E CONTENPORANEA 0€ CONTEXTOS |AROUEOLOGICOS D4 CIDADE DO PORTO asa do infant (235) Meados/" quae do silo Xt Plea de corpo tudo colo esuangunds, com bio esvasade de aa bid e aa de fa vertical Com decerao eetespads a parte upeic de pana. ‘ide, borde lk mi: 70 Proravelnene Coin, ia Nova 6e ala ARR, DORDD TEER 138-175, Fg 77977 nda Penavetosa, 2 002103) Provavelmene 2? meade do século Xl matade do séulo x Cagaila de Botte rere, eminado por 2b digitada Con deca sda eneespad na parte superne da pang Di ord oe mi Provavelnene Coins, Vila Noe de ala ‘te of 2000 Fig 54 197 ema do Cas aro ENOVOL) ‘Meados/ quate do stulo x aga boda, de caro suboncocénico inv « boro reen- teat, slide pac um pequno eae trina po bio amendodo.tpeesna pega heonal (oavlmene dul) m0 pe- te supe pana, que exbe decaragioencrespaa idm ord: 18 idm. fondo: 19; 14 Provavelnente Coinbebes, Vi Noa ined de iaboratrio eine: 15 Pec exesta mo Muse do Vnho Pot, Pot, aege do cog 12s) Prvaelnente 2 metade do stulo | mtae d sca XX Capa bout, 62 campo subuoreacénico inert e bea een- ‘tame eminaa por bio espesato, Aree sade fia vertical {proavelmerte dil} na panga que na pare supe ete deeo- facto enced, Di oud: 1B mi 95 Povarelment Cabs, il Nova de Gaia Ire 1 de aboratii Teva. FHeuexs 20323 - aps LougA PRETA MODERNA € CONTEMPORANER DE CONTEXTOS ARQUEOLOGICDS OA CADE 00 PORT Requicapio de Baia Prterseflte 1 (Campo dos Matis a PS tia) Bo) eats quatl do stulo 0% ‘Cagolo de boc reenvant,sublinade oc um pequeno clans © tezninado pa iio mend9do. Ageesanta pga htzntal2queeda (Gronvelnente dl) a pat super d2 pane, que ebe deco acdc encrespad, (i ocd: 65; At se 65 Proarelmente Caines, Via Nova de Gia ‘nea NY de abocathi Teen: 1542. ‘is wes = capa laup a Penaverosa 25 2502) Finn do steal HKinie95 6 seelo Cag ce bord ceensare, einad por aba aplanods presen ta aa de clo blqu (provaveiente cups) na parte supe do ana, que no exe qualuer corte (endo a specie cena bia (i bord: 8a mn 50 Proavelnente Goines, ila Now de Gia ‘SI ea 200: ig 63 198 tae ua do Rosi. 7 (057305) Neades do skola 9 Fogaceo consid par una tara subrneaciica inertia (h- se), cam Borda terminade em abs alongads, sobepasta a una base subolindica com ler esetanene medial (cao incompeta com vestigas de una abertra Possutdupla a5 de ita vercl ra tga e atranqu degra ra pred interna. Apeseta 0 corpo ‘stuido extrnamentee a molura aga £00 o Bee Dis, bone 260 lt e177 Provaveloent Coinxtes, Vila Wor de ia ARGUELLO MENENDEZ 200 04 LOUgE PRETA MODERNA € CONTEMPORANEA DE CONTEXTOS, ‘AROUEDLOGICOS OA CIDADE DO PORTO Serpe eter equaliapo da Baia Portuese 1 [Canpo dos Mies da Pia). ertan) Heads! qucel do dul x Fogati constuto por una ta subuorcocérica inva (asc), om boro terminado an aba alread, stbepasta a a base sili. aca (ze), mits inconpleta Possu asa de fa vical (proavel- ent pana toa eaanuede grea na pacede intra Aeesera © ape etiad eeranene tuna nlc ngs 0 0 bac. Dn bode 7 108 Provaveinent ont, ia Nora de la inldte We bra Tekin 86. Fun de Tones Goma, 3. 0H) 2 metade do etal xmas de teu Foqateisconsituld pc ua ta sunroncoctnica ive (ba ‘Se) co oti terminate en ala pouco prerancada, sabrepesta ‘una bate selina com lw elemento media (cine), Incomplra cam vests de una aberura Pessul asa de ft2 ‘vertal(rovavelenta ops) ra tage e grea na pared in a dpresenta 0 corpo estado ecemamente e una moliua sot bos Di bree: 13a me 5 Provavelnente Combes, Via Nor de Gia ined FHaueas 2» 2 -Focaneos Escola d fovea Veo (F483) ietae do seul Fogateic constudepar una taga sutrncaciiea inet (2- ‘io, com boro tinado en aba pouce prenuniae, Hoesen ‘elds larga sob a bad e uma ina incisa ondlaéa na paede Di. Borde: 20 emia Provavelment Cimtde, ila Nov de Gla ines WN de Laborato Teen: TL 0 feagent ceinice oi deste ‘guage ratotlidade paca ees de anise quien