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Mandado de segurança

Direito Subjetivo à Nomeação do Candidato em Aprovado Cadastro Reserva


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Publicado por Letícia Rodrigues

há 2 anos

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EXELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA


________ (verificar competência de acordo com a autoridade
coatora) COMARCA DE __________ DO ESTADO DO
____________.

Qualificação: nome do autor (a)____________ brasileiro (a), (profissão),


(Estado civil), portador da Carteira de Identidade ____________, inscrito
no CPF sob o nº ________________, residente e domiciliado na
_______________________, nº _________, Bairro ____________,
Cidade _____________, CEP. _____________, no Estado do
__________, por seu advogado abaixo assinado, fundado nos
artigos 5º, LXIX da Constituição Federal e 1º da Lei nº 12.016/2009, vem à
presença de V. Exa. Impetrar o presente
MANDADO DE SEGURANÇA PREVENTIVO (ou MANDADO DE
SEGURANÇA REPRESSIVO se houver violação - prazo decadencial
de 120 dias a partir da ilicitude cometida pela autoridade)
Em face do_______________(órgão), pessoa jurídica de direito público,
com sede na cidade de Brasília (inserir endereço válido para citação, CNPJ e
demais dados da qualificação da unidade coatora) representada pelo (colocar o
representante do órgão. Ex: Ministro da Fazenda representa o Ministério da
Fazenda, Prefeito Fulano de tal representa determinada prefeitura,
Governador Cicrano representa determinado Estado) pelos motivos e
fundamentos jurídicos que a seguir serão expostos.

1. PRELIMINARMENTE:
1.1) Da Justiça Gratuita
Requer os benefícios da Justiça Gratuita, conforme determina o art. 4º da Lei
nº 1.060/50, tendo em vista que o autor (a) não pode arcar com as custas
processuais e honorários advocatícios.
1.2) Da Tempestividade (dentro dos 120 dias)
A via mandamental é totalmente tempestiva, devendo, portanto ser acolhida
nos termos que serão expostos a seguir. Frise-se que, o disposto no
art. 282 do CPC estabelece os requisitos da via eleita, requisitos estes fielmente
cumpridos.
1.3. Do Fumus Boni Iuris e do Periculum in Mora
Do Fumus Boni Iuris
No tocante a essa medida autorizadora da liminar, verifica-se que a autoridade
coatora não atentou para os requisitos legais. Sobre esse entendimento o art.
5º, inciso LXIX, diz “conceder-se-á mandado de segurança para proteger
direito líquido e certo, não amparado por "habeas-corpus" ou "habeas-data",
quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade
pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder
Público”. (grifo nosso)

Ainda, nos termos do atual entendimento do Superior Tribunal de Justiça-


STJ, devidamente consolidado:

ADMINISTRATIVO - RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE


SEGURANÇA - CONCURSO PÚBLICO - NECESSIDADE DO
PREENCHIMENTO DE VAGAS, AINDA QUE EXCEDENTES ÀS PREVISTAS
NO EDITAL, CARACTERIZADA POR ATO INEQUÍVOCO DA
ADMINISTRAÇÃO - DIREITO SUBJETIVO À NOMEAÇÃO - PRECEDENTES.
1. A aprovação do candidato, ainda que fora do número de vagas disponíveis
no edital do concurso, lhe confere direito subjetivo à nomeação para o
respectivo cargo, se a Administração Pública manifesta, por ato inequívoco, a
necessidade do preenchimento de novas vagas. 2. A desistência dos candidatos
convocados, ou mesmo a sua desclassificação em razão do não preenchimento
de determinados requisitos, gera para os seguintes na ordem de classificação
direito subjetivo à nomeação, observada a quantidade das novas vagas
disponibilizadas. 3. Hipótese em que o Governador do Distrito Federal,
mediante decreto, convocou os candidatos do cadastro de reserva para o
preenchimento de 37 novas vagas do cargo de Analista de Administração
Pública - Arquivista, gerando para os candidatos subsequentes, direito
subjetivo à nomeação para as vagas não ocupadas por motivo de desistência. 4.
Recurso ordinário em mandado de segurança provido. (STJ, Relator: Ministra
ELIANA CALMON, Data de Julgamento: 19/08/2010, T2 - SEGUNDA
TURMA).

Ou seja, nos termos do julgado colacionado, o candidato que antes não detinha
direito algum a nomeação, passou a ter direito líquido e certo à nomeação,
além de nas hipóteses excepcionais, quando ele é aprovado dentro das vagas
ofertadas em edital ou quando ele é aprovado fora das vagas, porém, com as
desistências, a sua classificação é atingida com as vagas abertas, o que garante,
desta forma, a manutenção da segurança jurídica.
Não deve persistir, no portanto, razão à autoridade coatora, tendo em vista
que não foram respeitados inclusive os princípios da legalidade e do interesse
público da administração pública, no tocante ao necessário preenchimento das
vagas ofertadas. Entrementes, já quase inspirando (ou: já inspirado, no caso
de MS repressivo) o prazo ainda não foram chamados os aprovados em
cadastro reserva e que passaram a ter direito líquido à nomeação dentro das
vagas liberadas pelos candidatos mais bem colocados e que não foram
ocupadas no prazo de validade editalício.

(Para a argumentação jurídica ainda temos a opção do Informativo 489 do STJ


que é bem direto: A mera expectativa de nomeação dos candidatos aprovados
em concurso público (fora do número de vagas) convola-se em direito líquido e
certo quando, dentro do prazo de validade do certame, há contratação de
pessoal de forma precária para o preenchimento de vagas existentes, com
preterição daqueles que, aprovados, estariam aptos a ocupar o mesmo cargo
ou função (RMS 34.3 1 9-MA, 2."T, j. Em 1 3. 1 2.20 1 1, lnfo. 489)".

Do Periculum In Mora
No caso em questão, se a decisão da administração for pena não prorrogação
do concurso, em razão da falta de transparência e eficiência em relação às
nomeações neste certame, o (a) candidato (a) poderá perder definitivamente o
seu direito líquido à nomeação e ingresso no órgão, mesmo estando na
qualidade de aprovado.

Uma vez que, ao expirar o prazo de _________ano (s), perde o Direito do (a)
Autor (a) de requerer sua convocação e nomeação ao cargo, se faz necessário a
impetração do presente remédio a fim de garantir a tutela do seu direito.

2. DOS FATOS:
O (a) autor (a) prestou Concurso Público para o órgão
_________________, conforme publicação em Diário Oficial
nº___________, na data de ___________________, tendo sido
aprovado (a) na ______________(inserir colocação, número e por extenso)
colocação, para a região de ____________ (quando o concurso for com
vagas regionais, que poderão ser divididas por Estado ou cidades), com lotação
em _____________.

Por seu turno, o resultado do referido concurso foi publicado na data de


__________, houve a sua republicação (se houver) na data
de____________ e homologação no mesmo dia da segunda publicação.
Conforme o edital de abertura do certame, item __________, a validade do
concurso seria de ____ano (s), prorrogável pelo mesmo período, a critério da
Administração, nos termos da Lei, estando encerrado o prazo no dia
_________, em razão da prorrogação (se houver).
Com base na publicação do Edital Nº (dados completos do Título do edital), do
Concurso Público _______, o item _______ determina que: o Concurso
Público destina-se ao provimento de __________ (número de vagas também
por extenso) vagas nos cargos, regidos pelo Regime Jurídico Único dos
servidores Públicos Civis da União nos termos da Lei _________(incluir as
leis cabíveis ao certame, gerias e específicas, como Lei 8.112/90, CF, art. 37e
seguintes e outras que diretamente forem ligadas ao cargo), conforme
especificações no quadro a seguir (incluir quadro de vagas se houver), ficando
a nomeação condicionada à disponibilidade orçamentária, até o prazo de
validade do Concurso Público. (esse item acerca das vagas deve ser copiado na
íntegra do edital).
As vagas ofertadas para o cargo que o (a) Autor (a) fora aprovado
ESPECIFICADAS NO QUADRO DO (colocar o nome do órgão e detalhe da
vaga pretendida) que exigia formação CURSO DE NIVEL MÉDIO
COMPLETO/EM CURSO SUPERIOR COMPLETO COM GRADUAÇÃO NA
ÁREA DE, com provimento para ______ (Nº DE VAGAS POR EXTENSO -
AGORA DEVE SER COLOCADA A VAGA PARA A SUA REGIÃO), vagas.

Ocorre que logo no primeiro ano da data da publicação dos aprovados, os


_____________primeiros candidatos foram chamados pela Secretaria do
(inserir o órgão) para serem nomeados em seus respectivos cargos.

Contudo, dentro do prazo de validade do referido concurso, muitos dos


candidatos aprovados enviaram seus termos de desistência, foram exonerados
ou não tomaram posse dentro das referidas vagas previstas neste certame.

Na região em que o autor (a) concorreu, foram liberadas as seguintes vagas:

____________(especificar de acordo com as exonerações, desistências


publicadas no DOU, etc..)

Por várias vezes, o (a) Autor (a) procurou pessoalmente a (Colocar todos estes
órgãos que estão sendo questionados por meio de email, telefone ou
pessoalmente) pedindo informações a respeito de futuras convocações para
nomeações e teve como resposta que: (transcrever as respostas por email
enviadas para os candidatos e anexar o email na ação).

Passaram-se já ______________ meses da data da publicação do edital e


como este tem sua validade para expirar em __________________. Logo,
preocupado (a) que este prazo expire (se for repressivo: considerando-se que o
prazo expirou sem a prorrogação ou considerando que, inclusive, o prazo da
prorrogação expirou sem que fossem realizadas as devidas convocações dentro
das vagas surgidas no decorrer do certame) e com o fim da validade, que
também seja perdido o direito à assunção do cargo em questão conquistado
pelo (a) Impetrante, o (a) mesmo (a) vem de forma preventiva/repressiva
garantir seu direito líquido e certo, conforme previsão editalícia e
posicionamento consolidado dos Tribunais Superiores acerca do Direito
subjetivo à nomeação do candidato aprovado em concurso público dentro do
número das vacâncias surgidas durante o certame.

3. DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS


O (a) Impetrante adquiriu o direito líquido e certo no momento em que foi
aprovado e classificado no referido certame dentro do número de vagas
ofertadas no Edital Nº _______________ de (colocar a data de publicação
do edital), quando da publicação do resultado dos aprovados no Diário Oficial
Nº________________, na data de _______________.

Deve-se levar em consideração que o _______________(inserir o órgão


impetrado), ao declarar o número de vagas no Edital Nº ____, na data de
__________, conforme seu item _____ determinou que:
____________(incluir os itens que preveem as vagas gerais e colacionar o
quadro que distribui as vagas por região).

Observamos que a Administração Pública declarou expressamente sua real


necessidade, qual seja a de suprir as x (número por extenso) vagas que
precisam ser preenchidas e que, conforme à Lei e a jurisprudência, o candidato
aprovado no cadastro reserva passará a ter direito subjetivo à nomeação das
vagas previstas dentro do concurso e referentes à exoneração dos candidatos
aprovados no certame e que não permaneceram em exercício, dos candidatos
que não tomaram posse ou formalizaram a sua desistência dentro do prazo de
validade, sendo este _________ ano (s) sem a prorrogação e até a data de
__________, considerando-se a prorrogação.

Uma vez que o (a) Autor (a) fez a sua inscrição, prestou o concurso, foi
aprovado em _________lugar, considerando-se as vacâncias acima citadas,
está dentro do quantitativo de vagas inicialmente ofertadas
pelo_________(inserir órgão), houve inquestionável desrespeito ao seu
direito o que precisa imediatamente ser remediado sob pena de lesão
irreparável.

A Constituição da República de 1988, em seu art. 37 e seus incisos, determina


que a regra para o acesso a cargo ou emprego público será por meio de prévia
aprovação em concurso público de provas ou de provas e títulos. Vejamos o
dispositivo constitucional:
Art. 37 (...)

I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que


preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na
forma da lei

II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia


em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a
natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei,
ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre
nomeação e exoneração; Nos incisos seguintes do mesmo artigo 37 a traz a
regra de que o candidato aprovado em concurso público tem direito subjetivo
de ser nomeado de acordo com a ordem de classificação.

III - o prazo de validade do concurso público será de até dois anos, prorrogável
uma vez, por igual período

IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação, aquele


aprovado em concurso público de provas ou de provas e títulos serão
convocados com prioridade sobre novos concursados para assumir cargo ou
emprego, na carreira

Ainda, de acordo com o posicionamento da Suprema Corte:

L. É posição pacífica desta Suprema Corte que, havendo vaga e candidatos


aprovados em concurso público vigente, o exercício precário, por comissão ou
terceirização, de atribuições próprias de servidor de cargo efetivo faz nascer
para o concursados o direito à nomeação, por imposição do art. 37, inciso IV,
da Constituição Federal.
2. O direito subjetivo à nomeação de candidato aprovado em concurso vigente
somente surge quando, além de constatada a contratação em comissão ou a
terceirização das respectiva atribuições, restar comprovada a existência de
cargo efetivovago. Precedentes. RMS-AgR 29.91 5/0F, rei. Min. Dias Toffoli,
04.09.2012.

No mesmo sentido, dentre muito outros: Al-AgR 820.065/GO, rei. Mín. Rosa
Weber, 2 1.08.2012;

ARE-AgR 659.921/MA, rei. Min. Dias Toffoli, 28.05.2D13; RE-AgR


733.596/MA, rei. Mín. Luiz Fux. 11.02.2014

Com base nos dispositivos retro colacionados, durante o prazo de validade do


concurso (nos termos do item ____ do edital), não há dúvidas de que o
candidato aprovado tem direito subjetivo de ser nomeado segundo a ordem
classificatória (ítem ____ do edital de resultado final) mediante o surgimento
de novas vagas referentes ao mesmo concurso.

Oportuno observar que se o Poder Público realizou concurso público e


divulgou um determinado número de vagas é porque precisa que essas vagas
sejam preenchidas pelos candidatos aprovados, tendo os candidatos aprovados
e classificados o direito à nomeação.
Passa-se a expor alguns questionamentos a respeito a matéria:

“O Pleno do Tribunal de Justiça de Rondônia julgou, na segunda-feira


(30/11/09), 45 mandados de segurança de dezenas de candidatos aprovados
no concurso público realizado pelo Ministério Público Estadual, homologado
em 2005, e determinou ao MP a nomeação imediata dos impetrantes. O
concurso possuía prazo de validade de dois anos, e, após ser prorrogado por
dois anos, o vencimento ocorreu em maio de 2009. Os impetrantes alegaram
que têm direito subjetivo à nomeação, pois foram aprovados mas não foram
chamados para ocupar os cargos.”“Ao defender a nomeação dos candidatos, o
relator da maioria dos processos, desembargador Walter Waltenberg
sustentou que o "orçamento é administrável... Certamente, é possível suprimir
cargos de nomeação voluntária para suprir àqueles de nomeação obrigatória...
O cidadão, convocado para concurso público e aprovado dentro do número de
vagas, não pode ser feito de instrumento da Administração, por mais relevante
e conspícua que seja essa Administração, como, efetivamente, o é a Instituição
do Ministério Público".

Quando a Administração Pública divulga um Edital, este torna-se a lei do


certame, devendo ser respeitado em sua integralidade, em respeito aos
princípios que norteiam a Administração Pública que são: Legalidade,
Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência, expressamente
previstos na Magna Carta de 88 e que de forma alguma devem ser ignorados.

Também deve ser levado em conta pela Administração o Principio da


economicidade, vinculação, autotutela e celeridade a fim de que a
Administração possa corrigir os atos eivados de ilegalidade.

Ora, se há provimento de vagas já expresso em Edital com concurso vigendo


em que os candidatos foram aprovados, nada mais correto que a
Administração convoque estes candidatos dentro do prazo, atendendo assim
as necessidade expressas em Edital.

Ainda, nos termos do posicionamento do STF e demais Tribunais acerca da


matéria:

"DIREITOS CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. NOMEAÇÃO DE


APROVADOS EM CONCURSO PÚBLICO. EXISTÊNCIA DE VAGAS PARA
CARGO PÚBLICO COM LISTA DE APROVADOS EM CONCURSO VIGENTE:
DIREITO ADQUIRIDO E EXPECTATIVA DE DIREITO. DIREITO
SUBJETIVO À NOMEAÇÃO. RECUSA DA ADMINISTRAÇÃO EM PROVER
CARGOS VAGOS: NECESSIDADE DE MOTIVAÇÃO. ARTIGOS 37,
INCISOS II E IV, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. RECURSO
EXTRAORDINÁRIO AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. 1. Os candidatos
aprovados em concurso público têm direito subjetivo à nomeação para a posse
que vier a ser dada nos cargos vagos existentes ou nos que vierem a vagar no
prazo de validade do concurso. 2. A recusa da Administração Pública em
prover cargos vagos quando existentes candidatos aprovados em concurso
público deve ser motivada, e esta motivação é suscetível de apreciação pelo
Poder Judiciário. 3. Recurso extraordinário ao qual se nega provimento"(RE
227.480/RJ, Rel. Min. Cármen Lúcia).

¨EMENTA: AÇAO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 77,


INCISO VII, DA CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. TEXTO
NORMATIVO QUE ASSEGURA O DIREITO DE NOMEAÇAO, DENTRO DO
PRAZO DE CENTO E OITENTA DIAS, PARA TODO CANDIDATO QUE
LOGRAR APROVAÇAO EM CONCURSO PÚBLICO DE PROVAS, OU DE
PROVAS DE TÍTULOS, DENTRO DO NÚMERO DE VAGAS OFERTADAS
PELA ADMINISTRAÇAO PÚBLICA ESTADUAL E MUNICIPAL. O direito do
candidato aprovado em concurso público de provas, ou de provas e títulos,
ostenta duas dimensões: 1) o implícito direito de ser recrutado segundo a
ordem descendente de classificação de todos os aprovados (concurso é sistema
de mérito pessoal) e durante o prazo de validade do respectivo edital de
convocação (que é de 2 anos, prorrogável, apenas uma vez, por igual período);
2) o explícito direito de precedência que os candidatos aprovados em concurso
anterior têm sobre os candidatos aprovados em concurso imediatamente
posterior, contanto que não-escoado o prazo daquele primeiro certame; ou
seja, desde que ainda vigente o prazo inicial ou o prazo de prorrogação da
primeira competição pública de provas, ou de provas e títulos. Mas ambos os
direitos, acrescente-se, de existência condicionada ao querer discricionário da
administração estatal quanto à conveniência e oportunidade do chamamento
daqueles candidatos tidos por aprovados. O dispositivo estadual adversado,
embora resultante de indiscutível atributo moralizador dos concursos
públicos, vulnera os artigos 2º, 37, inciso IV, e 61, 1º, inciso II, c,
da Constituição Federal de 1988. Precedente: RE 229.450, Rel. Min. Maurício
Corrêa. Ação direta julgada procedente para declarar a inconstitucionalidade
do inciso VII do artigo 77 da Constituição do Estado do Rio de Janeiro. ADI
2931/RJ - Rio de Janeiro - Relator: Min. CARLOS BRITTO - Julgamento:
24/02/2005. (grifos nossos)
E nestes Mandados de Segurança:

ADMINISTRATIVO. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE


SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO. APROVAÇÃO DENTRO DO
CADASTRO DE RESERVA PREVISTO EM EDITAL. ABERTURA DE NOVAS
VAGAS NO PRAZO DE VALIDADE DO CERTAME. (…) 4. A aprovação do
candidato dentro do cadastro de reservas, ainda que fora do número de vagas
inicialmente previstas no edital do concurso público, confere-lhe o direito
subjetivo à nomeação para o respectivo cargo, se, durante o prazo de validade
do concurso, houver o surgimento de novas vagas, seja em razão da criação de
novos cargos mediante lei, seja em virtude de vacância decorrente de
exoneração, demissão, aposentadoria, posse em outro cargo inacumulável ou
falecimento. (…) 6. Os Tribunais Superiores têm reconhecido direito à
nomeação de candidatos aprovados em cadastro de reserva nos casos de
surgimento de novas vagas. Precedentes: RE 581.113/SC, 1ª Turma, Rel. Min.
Dias Toffoli, DJe 31.5.2011; MS 18.570/DF, 1ª Seção, Rel. Min. Napoleão
Nunes Maia Filho, DJe 21/08/2012; DJe 29/05/2012; RMS 32105/DF, 2ª
Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJe 30/08/2010.) (…) (STJ, 2ª Turma, RMS
37882-AC, Rel. Min. Mauro Campbell).

RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO.


CONVOCAÇÃO DOS CANDIDATOS PARA APRESENTAR DOCUMENTOS
PARA NOMEAÇÃO. COMPROVADA A EXISTÊNCIA DE VAGAS. ATO
ADMINISTRATIVO VINCULADO. INVESTIDURA NO CARGO. DIREITO
LÍQUIDO E CERTO CARACTERIZADO. 1. A publicação de edital convocando
os recorrentes para: "(...) tratarem de assunto relacionado ao processo de
nomeação nos respectivos cargos efetivos", determinando, inclusive, a
apresentação de diversos documentos a esse propósito, faz crer que há cargos
vagos, o que, aliás, restou comprovado nos autos, e que a Administração
necessita supri-los. Em outras palavras, a Administração obriga-se a investir
os recorrentes no serviço público a partir da publicação desse instrumento
convocatório, pois vinculada ao motivo do ato. 2. Seguindo a mesma linha de
raciocínio, decidiu a eg. Quinta Turma deste Superior Tribunal de Justiça que:
"A vinculação da Administração Pública aos atos que emite combinada com a
existência de vagas impõe a nomeação, posse e exercício dos recorrentes nos
cargos de Inspetor de Polícia Civil de 1.ª Classe do Estado do Ceará” (RMS
30.110/CE, Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, De 5.4.10). 3. Direito
líquido e certo dos impetrantes à investidura nos cargos de Inspetor de Polícia
Civil de 1.ª Classe do Estado do Ceará. 4. Recurso ordinário a que se dá
provimento. (RMS 30.881/CE, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEXTA
TURMA, julgado em 20/04/2010).

O STF e o STJ, conforme caso em análise, tem firmado o posicionamento


unânime no sentido de que o candidato classificado dentro do número de
vagas previstas em edital, tem o direito líquido e certo à nomeação, pois o ato
de convocação que era discricionário passa a ser vinculado às regras do edital.
(grifo nosso)

Em decisão acerca da matéria"a ministra relatora, Laurita Vaz, explicou em


seu voto que a jurisprudência do STJ firmou-se no sentido de que não se
caracteriza falta de interesse a ação impetrada quando já expirado o prazo de
validade do concurso. Explicou que a Administração publicou o edital para o
provimento de 115 vagas e os concorrentes estavam cientes que as
disputariam. Assim, os aprovados dentro do número de vagas possuem direito
subjetivos à nomeação para os cargos que concorreram. A ministra entendeu
que existe o direito líquido e certo à posse. Também determinou que os
candidatos fossem nomeados no prazo de 15 dias. O voto foi seguido pelos
demais ministros da Quinta Turma ¨.(Fonte: www.stj.jus.br)
Pelo princípio da eficiência expresso no dispositivo constitucional, art. 37,
caput,

“A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União,


dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência...” (grifo
nosso), refina-se a importância da celeridade no Poder Público a qual o
legislador se alvitrou.

Quando é quebrado um princípio jurídico, o ato viola não só direito do


ofendido ou da pessoa prejudicada, mas ao sistema como um todo, pois, como
bem leciona Celso Antônio Bandeira de Mello, Curso de Direito
Administrativo, 12a edição, Malheiros, 2000, p.748:

"Violar um princípio é muito mais grave que transgredir uma norma qualquer.
A desatenção ao princípio implica ofensa não apenas a um específico
mandamento obrigatório, mas a todo o sistema de comandos. É a forma mais
grave de ilegalidade ou inconstitucionalidade, conforme o escalão do princípio
atingido, porque representa insurgência contra todo o sistema, subversão de
seus valores fundamentais, (...) irremissível a seu arcabouço lógico e corrosão
de sua estrutura mestra".

Verifica-se, portanto, a morosidade, o descaso e a inércia da autoridade


coatora, tendo em vista que no edital nº _________, com publicação de
_____________, oferece ________vagas (colocar a vaga nacional,
estadual/ regional ou municipal, conforme o caso) para o cargo em que o (a)
autor (a) prestou concurso.

Frise-se que foram oferecidas no total _______ vagas, dentre elas _____
para portadores de deficiência, e que o (a) ator (a), como já ressaltado
concorreu às vagas referentes ao cargo de ______________(detalhar
novamente as vagas concorridas).

Portanto, há um Direito Líquido e Certo adquirido pelo (a) Autor (a), quando
este foi aprovado em _______ colocação atendendo a todas as exigências
expressas no Edital publicado pelo __________(inserir o órgão), sendo que
deve ser cumprido com a sua parte que é a CONVOCAÇÃO e NOMEAÇÃO do
(a) Autor (a) para exercício do Cargo.

6. Dos pedidos:
Face ao exposto, e tendo em vista a morosidade por conta da Administração
Pública usando de forma excessiva seu Poder Discricionário, para assegurar o
seu direito líquido e certo do (a) Autor (a), requer desde logo:
a. Se digne V. Exa., em conceder, o Mandado requerido, procedendo, a
CONVOCAÇÃO e NOMEAÇÃO do (a) AUTOR (a) dentro do prazo legal de
validade do concurso em que o (a) Autor (a) foi classificado (a).

b. A notificação da autoridade coatora para, querendo, prestar as informações


que julgar necessárias, respeitando, assim o disposto no art. 285 do CPC.
c. Requer, ao final, a concessão da segurança e consequentemente o
pagamento das custas processuais e honorários de sucumbência.

d. A notificação da autoridade coatora para, querendo, prestar as informações


que julgar necessárias, importando, consequentemente, no disposto no
art. 330, II do Código de Processo Civil.
Dá-se a presente causa o valor de _________(colocar aqui o salário pago
pelo cargo conforme o edital)

Termos em que pede e aguarda deferimento.

Cidade__________, Data_________________.

Advogado

OAB/XX...

Mais Jurisprudências que eventualmente poderão ser utilizadas na


petição:
APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. CONCURSO PÚBLICO.
NOMEAÇÃO DE CANDITADOS INTEGRANTES DA RESERVA TÉCNICA DO
CONCURSO NO CARGO DE SOLDADO COMBATENTE. RECONHECIDA A
INCONSTITUCIONALIDADE DA OMISSÃO DO PODER PÚBLICO.
OBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS DA SEGURANÇA PÚBLICA, DIGNIDADE
DA PESSOA HUMANA E DA EFICIÊNCIA DO SERVIÇO PÚBLICO.
CONFIGURADA A EFETIVA NECESSIDADE DE MANUTENÇÃO DE
EFETIVO CAPAZ DE ATENDER A DEMANDA DA SEGURANÇA PÚBLICA.
CONTROLE JURISDICIONAL DO ATO ADMINISTRATIVO
DISCRICIONÁRIO. PREJUDICIALIDADE DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE
NOVO CERTAME. REFORMA PARCIAL DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU.
RECURSO CONHECIDO EM PARTE E PROVIDO. “Diante do exposto,
reconheço, no caso em apreço, inconstitucionalidade da omissão do Estado de
Alagoas em nomear os integrantes da reserva técnica do concurso público
regido pelo edital n. 003/2006/ SEARHP/PM, por ofensa aos princípios da
dignidade da pessoa humana, da eficiência do serviço público e da segurança
pública. Assim, determino a nomeação imediata desses candidatos aprovados
no cargo de Soldado Combatente do quadro da Polícia Militar do Estado de
Alagoas, que se encontram na reserva técnica desse certame.” Voto Des.
Elizabeth Carvalho do Nascimento (AC 0030199-88.2011.8.02.0001.2011).
a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do RMS 34319-
MA, entendeu devida a nomeação. Conforme firmado no acórdão da lavra do
Min. Mauro Campbell, “…O STJ adota o entendimento de que a mera
expectativa de nomeação dos candidatos aprovados em concurso público (fora
do número de vagas) convola-se em direito líquido e certo quando, dentro do
prazo de validade do certame, há contratação de pessoal de forma precária
para o preenchimento de vagas existentes, com preterição daqueles que,
aprovados, estariam aptos a ocupar o mesmo cargo ou função…”.

Para consulta de outros assuntos polêmicos acerca da nomeação de canditatos


em concursos público: