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TEMA 1

Controle dos instintos humanos


"A distinção entre o homem e o animal se dá pelo trabalho e pela linguagem, por
meio dos quais o homem se realiza como ser cultural, superando o mundo da pura
natureza. Para que a civilização pudesse existir, foi necessário o controle da
instintividade humana, e a passagem para o mundo humano se deu com a instauração
da lei e, consequentemente, com o advento da interdição." (em Filosofando —
Introdução à Filosofia, Maria Lúcia de Arruda Aranha e Maria Helena Pires
Martins)

Dê continuidade a essa introdução, selecionando argumentos convincentes para a defesa


do tema.
Instruções para a proposta
 Escreva, no máximo, 30 linhas;
 Use caneta azul escuro ou preta;

 Use o padrão culto da linguagem;

 Fundamente, se possível, com elementos concretos seu texto. Isso valoriza-o.

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TEMA 2

Os limites da liberdade

Não creio, no sentido filosófico do termo, na liberdade do homem. Todos agem não
apenas sob um constrangimento exterior mas também de acordo com uma
necessidade interior.” Albert Einstein
Nos últimos dias, notícias acerca do confronto entre a Polícia Militar e estudantes da
USP tomaram conta dos noticiários. O caso teve início quando a Polícia Militar
deteve 3 estudantes que estavam em posse de maconha dentro do Campus.
O Uol noticiou que estudantes contrários à presença da Polícia Militar no campus da
USP continuam no prédio da administração da FFLCH (Faculdade de Filosofia,
Letras e Ciências Humanas). Encapuzados, eles defendem a saída da PM do campus
Butantã (zona oeste de São Paulo), mas não querem falar com a imprensa.
Vejam o que mais a reportagem dizia:
“Um representante do movimento disse apenas que ‘a ocupação vai até a gente
conseguir as nossas demandas’.
Além da saída da PM, os estudantes pedem a saída do reitor João Grandino Rodas.
Os manifestantes estão trancados no prédio e, às vezes, aparecem no portão, sempre
encapuzados. Há relatos de que alguns deles chegaram a atacar um veículo da TV
Record.

Do lado de fora do prédio, estudantes que defendem a permanência da PM no


campus falam normalmente com a imprensa.
Rodrigo Souza Neves, aluno do curso de políticas públicas e ex-aluno de história,
afirma que os manifestantes que ocupam o prédio da FFLCH não representam a
maioria dos estudantes da universidade.
‘Nós fizemos um plebiscito com cerca de 1.100 alunos, e 60% são a favor da
presença da PM no campus.’
Lucas Sorrillo, colaborador no grêmio da Poli (Escola Politécnica da USP), diz que,
antes da presença da PM, não havia segurança na universidade.
“Antes daquele trágico acontecimento [o assassinato do estudante Felipe Ramos de
Paiva, em maio deste ano], era comum haver tráfico de drogas e assaltos no
campus.”
A reitoria da USP não se posicionou oficialmente sobre a ocupação, mas informou
que a decisão do convênio com a PM foi tomada pelo Conselho Gestor do Campus,
que reúne representantes de todas as unidades da universidade.” [fonte da
reportagem]

Sobre este mesmo assunto, em 2009 foi publicada a charge que retrato abaixo. Na
época, o governador do Estado de São Paulo era José Serra.
PROPOSTA DE REDAÇÃO

Nesta semana vamos discutir a legitimidade desse tipo de manifestação. Você


concorda com a ação da Polícia? Os estudantes presos com maconha dentro do
Campus foram discriminados. O que desejam realmente os manifestantes?

Instruções para a proposta


 escreva no máximo 30 linhas;
 use caneta azul escuro ou preta;

 use o padrão culto da linguagem;

 fundamente concretamente sua argumentação;

 deixe clara a delimitação do assunto.

Proposta 1
Desenvolva um texto dissertativo discutindo os limites da liberdade na sociedade
moderna. Em seu texto, outras delimitações podem ser dadas desde que o assunto
seja este e a fundamentação seja concreta.
 escreva no máximo 30 linhas;
 use caneta azul escuro ou preta;

 use o padrão culto da linguagem;

 fundamente concretamente sua argumentação;

 deixa a delimitação do tema.


Proposta 2
Produza uma resposta argumentativa, em até 15 linhas, à pergunta: “Os estudantes
presos com maconha dentro do Campus foram discriminados”.

TEMA 3

Passada a febre provocada pelo ENEM e a certeza de que até aqui caminhamos a passos

firmes para a aprovação no vestibular, nesta semana voltaremos a um ponto importante

nas discussões que envolvem o futuro da humanidade. Muitos usam uma frase que já é

chavão: “A água é o tesouro do futuro”.

Distante de repetir sem critérios esta frase, pensaremos de forma crítica nas implicações

do mau uso da água e os problemas que podemos enfrentar num futuro não muito

distante.

Abaixo você encontrará uma coletânea de textos de apoio para o desenvolvimento da

proposta de redação da semana.

Os textos foram tirados de fontes diversas e apresentam fatos, dados, opiniões e

argumentos relacionados com o tema. Eles não representam minha opinião: são textos

como aqueles a que você está exposto na sua vida diária de leitor de jornais, revistas
ou livros, e que você deve saber ler e comentar. Consulte a coletânea e utilize-a

segundo as instruções específicas dadas para cada tema. Não a copie.

Ao elaborar sua redação, você poderá utilizar-se também de outras informações que

julgar relevantes para o desenvolvimento do tema escolhido.

PROPOSTA DE REDAÇÃO SOBRE A ÁGUA

Ao longo da história, por muitas razões, a água — este elemento aparentemente

comum — tem levado filósofos, poetas, cientistas, técnicos, políticos, etc, a reflexões

que frequentemente se cruzam.

Tendo em mente este cruzamento de reflexões e considerando a coletânea a seguir,

escreva uma dissertação sobre o tema.

Água, cultura e civilização

Texto 1

Misteriosa, santificada, purificadora, essencial. Através dos tempos, a água foi


perdendo o caráter divino ressaltado na mitologia e na religiosidade dos povos

primitivos e assumindo uma face utilitarista na civilização moderna. Cada vez mais

desprezada, desperdiçada e poluída, atingiu um nível perigoso para a saúde pública.

Divina ou profana, ninguém nega sua importância para a sobrevivência do homem, seu

maior predador. Como se ensaiasse um suicídio, a humanidade está matando e

extinguindo o elemento responsável pelo fim do mundo da tradição bíblica. E não

haverá arca de Noé capaz de salvar aqueles que lutam ou se omitem na defesa do meio

ambiente. Escolha a catástrofe: novo dilúvio universal com o derretimento da calota

polar; envenenamento da humanidade com as substâncias tóxicas nos mananciais;

chuva ácida; ou simplesmente a sede internacional pelo desaparecimento de água

potável.
(João Marcos Rainho, "Planeta água", in: Educação, ano 26, nº 221, setembro de 1999,

p. 48.)

Texto 2

A água tem sido vital para o desenvolvimento e a sobrevivência da civilização. As

primeiras grandes civilizações surgiram nos vales dos grandes rios — vale do Nilo no

Egito, vale do Tigre-Eufrates na Mesopotâmia, vale do Indo no Paquistão, vale do rio

Amarelo na China. Todas essas civilizações construíram grandes sistemas de irrigação,

tomaram o solo produtivo e prosperaram. (Enciclopédia Delta Universal, vol. 1, p.

186.)

Texto 3

Após 229 anos, o mesmo rio que inspirou o povoamento e deu nome à cidade torna-se

o principal vetor de desenvolvimento, passando a integrar a Hidro-via Tietê-Paraná,

interligando-se ao porto de Santos, por via férrea, e ao polo Petroquímico de Paulínia.

Como marco zero da hidrovia, o porto de Artemis será o portal do Mercosul. (...) Logo

após a Segunda Guerra Mundial, o Estado de São Paulo iniciou a construção de

barragens no rio Tietê, para gerar energia elétrica, porém dotadas de eclusas, um
investimento a longo prazo. (www.piracicaba.gov.br/portugues/hidrovia)

Texto 4

No que concerne à concepção mesma de salubridade, é possível notar que se, na

primeira metade do século XIX, os médicos continuam a ter um papel importante no

desenvolvimento de uma nova sensibilidade em relação ao urbano e às habitações em

particular, são os engenheiros, contudo, aqueles que são responsáveis por trazer uma

resposta prática aos problemas desencadeados pela falta de higiene. Por isso, é do

saber deles que depende essencialmente o novo modo de gestão urbana que se esboça

nesta época: “As grandes medidas de prevenção — a drenagem, a viabilização das


ruas e das casas graças à água e à melhoria do sistema de esgotos, a adoção de um

sistema mais eficaz de coleta do lixo — são operações que recorrem à ciência do

engenheiro e não do médico, que tinha cumprido sua tarefa quando assinalou quais as

doenças que resultaram de carências neste domínio e quando aliviou o sofrimento das

vítimas".

(François Beguin, "As maquinarias inglesas do conforto", in: Políticas do habitat,

1800-1850.)

Texto 5

Os progressos da higiene íntima efetivamente revolucionaram a vida privada.

Múltiplos fatores contribuem, desde os primórdios do século [XVIII], para acentuar as

antigas exigências de limpeza, que germinaram no interior do espaço dos conventos.

Tanto as descobertas dos mecanismos da transpiração como o grande sucesso da teoria

infeccionista levam a se acentuar os perigos da obstrução dos poros pela sujeira,

portadora de miasmas. (...) A reconhecida influência do físico sobre o moral valoriza e

recomenda o limpo. Novas exigências sensíveis rejuvenescem a civilidade; a

acentuada delicadeza das elites, o desejo de manter à distância o dejeto orgânico, que

lembra a animalidade, o pecado, a morte, em resumo, os cuidados de purificação


aceleram o progresso. Este é estimulado igualmente pela vontade de distinguir-se do

imundo zé-povinho. (...) Em contrapartida, muitas crenças incitam à prudência. A

água, cujos efeitos sobre o físico e o moral são superestimados, reclama precauções.

Normas extremamente estritas regulam a prática do banho conforme o sexo, a idade, o

temperamento e a profissão. A preocupação de evitar a languidez, a complacência, o

olhar para si (...) limita a extensão de tais práticas. A relação na época firmemente

estabelecida entre água e esterilidade dificulta o avanço da higiene íntima da mulher.

Entretanto, o progresso esgueira-se aos poucos, das classes superiores para a pequena

burguesia. Os empregados domésticos contribuem inclusive para a iniciação de uma

pequena parcela do povo; mas ainda não se trata de nada mais que uma higiene

fragmentada. Lavam-se com frequência as mãos; todos os dias o rosto e os dentes, ou


pelo menos os dentes da frente; os pés uma ou duas vezes por mês; a cabeça, jamais. O

ritmo menstrual continua a regular o calendário do banho.

(Alain Corbain, "O segredo do indivíduo", in: História da vida privada (voL 4: Da

Revolução Francesa à Primeira Guerra) [1987]. São Paulo, Companhia das letras, p.

443-4.)

Texto 6

A filosofia grega parece começar com uma ideia absurda, com a proposição: a água é a

origem e a matriz de todas as coisas. Será mesmo necessário deter-nos nela e levá-la a

sério? Sim, e por três razões: em primeiro lugar, porque essa proposição enuncia algo

sobre a origem das coisas; em segundo lugar, porque o faz sem imagem e fabulação; e

enfim, em terceiro lugar, porque nela, embora apenas em estado de crisálida, está

contido o pensamento: "Tudo é um”.

(Friedrich Nietzsche, "Os filósofos trágicos", in: Os pré-socráticos, Col. Os

pensadores. São Paulo, Abril Cultural, p. 16.)

Instruções para a proposta

Ao delimitar Água, cultura e civilização como o tema dissertativo, a proposta cita em

seu texto introdutório um "cruzamento de reflexões", o ponto de partida para que

vocês escrevam suas redações. Dentre concepções filosóficas, poéticas, científicas ou

técnicas sobre o elemento água e sua importância para a vida na Terra, cabe a você

selecionar algumas das que foram ressaltadas pela coletânea e, evidentemente,

acrescentar à discussão as suas ideias.

Além dessas instruções, lembre-se de:

 usar caneta azul escuro ou preta;


 fazer letra legível;
 usar o padrão culto da língua;

 escreva, no máximo, 30 linhas.

Proposta 2

Faça um resumo do texto 5, em até 15 linhas.

TEMA 4

Proposta de redação - Carta do leitor

Alunos terão aulas de felicidade. Dois mil alunos de uma escola pública britânica
terão aulas sobre felicidade a partir do início do próximo ano letivo, graças a um
programa piloto que poderá ser implementado ao currículo escolar do país, informou o
jornal “The Independent”. Estas técnicas buscam proteger as crianças de males atuais,
como a depressão e a falta de auto-estima. O projeto foi lançado devido ao aumento de
depressões e enfermidades mentais registradas entre as crianças britânicas. Pelo menos
10% das crianças em idade escolar sofrem de depressão severa, segundo as estatísticas
oficiais.

 Folha Online, 10 de julho.


Com base no texto acima, redija uma Carta do leitor à redação da Folha Online,
em até 15 linhas, desenvolvendo o tema “O que estamos fazendo com as nossas
crianças?”. Assine como leitor.

TEMA 5

Nesta proposta de redação vamos discutir um pouco a respeito das doenças


modernas. Engana-se quem pensa que as doenças são causadas apenas por vírus e
bactérias. Há outras que se instalam de forma sutil e, quando percebemos, pode ser
tarde demais. Para refletirmos sobre isso, coloco abaixo a proposta de redação e
depois sugiro algumas ideias que serão usadas na sua redação.
O contato com a natureza é um santo remédio!!

Instruções para a proposta:


Procure atender às seguintes sugestões:
 assuma com convicção um posicionamento;
 assumido o posicionamento, selecione os argumentos favoráveis a ele;

 não descarte os argumentos desfavoráveis, pois eles podem servir para urna
possível contra-argumentação;

 elabore uma relação de argumentos e hierarquize-os se possível; isto é,


disponha-os na ordem do mais forte para o mais fraco;

 procure manter as relações lógicas estabelecidas pelos próprios argumentos;

 evite a repetição de um mesmo tipo de argumento, assim como as


generalizações sem provas concretas ou particularizações indevidas.

 dê um título a seu texto;

 escreva, no máximo, 30 linhas;

 use caneta azul escuro ou preta e faça letra legível para o corretor.

Tema da redação:
"Ação à distância, velocidade, comunicação, linha de montagem, triunfo das massas,
Holocausto: através das metáforas e das realidades que marcaram esses 100 últimos
anos, aparece a verdadeira doença do século…” (extraído de "Rápida Utopia",
Umberto Eco, em Veja — 25 ANOS: Reflexões para o futuro)
Dê continuidade a esse texto, desenvolvendo o tema destacado. Selecione, da
enumeração abaixo e de seu universo de informações, os argumentos necessários para
a defesa de sua tese.

1. Qual seria a verdadeira doença do século? Existe realmente a doença a que se refere
o autor ou se trata de uma figura de linguagem?
2. Há apenas uma doença ou um conjunto de doenças? Quais os sintomas? Quais as
causas?
3. O século XX traz consigo a soma das conquistas humanas e das contradições
seculares não resolvidas.
4. Século das massas - inúmeros direitos conquistados; outros por conquistar. Isso
seria uma doença?
5. Século da vertiginosa corrida tecnológica e científica: deixamos para trás o barco a
remo, a energia eólica e viajamos no foguete interplanetário ou pela Internet. Daí a
hiperespecialização (outra doença?). A ciência e a tecnologia, definitivamente,
tornarão o homem um escravo (3ª doença?) ou garantirão a sua sobrevivência no
planeta? (A tecnologia que destrói a camada de ozônio será capaz de reparar os danos
causados à natureza? Os homens da ciência nos salvarão do câncer e da Aids, ainda
que continuem poluindo os rios, contaminando-nos com produtos tóxicos?).
6. Século da comunicação rápida: já trocamos o carro de boi por cartas e celulares. Um
tornado nos Estados Unidos, uma bomba no Oriente Médio, um recorde quebrado na
maratona de Sidney, um vírus ebola na África, tudo isso pode ser dividido conosco, em
frações de segundo, sem que precisemos sair de casa. A velocidade desse século fez
com que a comunicação transformasse a informação em espetáculo (4ª doença?).
Assistiremos, confortavelmente no sofá de nossa sala, à descida do homem em Marte e
às guerras da fome? Veremos e ouviremos a (in)feliz notícia de que o homem foi
finalmente clonado ou apertou o tão temido botão que a tudo e a todos elimina à
distância?
7. Século da montagem em série: o precioso tempo que se gasta para fazer uma
carroça já é coisa do passado. Hoje carros "pingam" por minuto; bicicletas, remédios,
roupas, também. Bens materiais e espirituais se equivalem na linha de montagem. A
palavra também é coisa (5ª doença?).
8. Século dos limites: estresse, depressão, fragilidade, neurose, enfarte; apogeu da
inteligência e da burrice humanas expressas em paradoxos abundantes; exacerbação do
poder, do estrelismo realçados pela egolatria e pela busca insana de um brilho fugaz;
sucateamento das emoções e aniquilamento das paixões; poderio do medo e da
desordem, da conspiração; consagração do golpe, do roubo, do assassinato mesquinho
e "politicamente correto" (6ª doença?).

Proposta 2

Produza um artigo de opinião, em até 15 linhas, ao tema: “O século XX traz consigo a


soma das conquistas humanas e das contradições seculares não resolvidas.”

TEMA 6
É cedo pra falarmos sobre as eleições de 2012? Talvez, mas os que já estão na política
estão planejando suas campanhas e, quem não é ainda, está anunciando que sairá como
candidato. Vocês conhecem, por exemplo, Everson Silva? Em nossa proposta de
redação dissertativa desta semana, falaremos sobre ele e sobre muitos outros
exemplos de pessoas que se aventuraram na política sem ter experiência no assunto.

Kiko do KLB, Marcelinho Carioca, Mulher Melão, Mulher Pêra, Reginaldo Rossi, Tati
Quebra-Barraco. A lista de candidatos folclóricos não para por aí. Alguns deles
conseguiram se eleger nas últimas eleições. Outros, voltaram à carreira artística e,
provavelmente, voltarão no ano que vem. Mas isso tudo é apenas para apresentar mais
um exemplo de candidato que tem tudo para aparecer nos programas de televisão:
Everson Silva. Antes disso, vejam o vídeo abaixo:

O texto sobre este jovem é adaptado da reportagem da revista Veja. Everson Silva é
filho do deputado federal Tiririca (PR-SP) e pode ser o mais novo humorista a integrar
os quadros políticos. Aos 26 anos, o chamado palhaço Tirulipa filiou-se ao PSB e será
candidato a vereador em Fortaleza nas eleições de 2012.
Abaixo você encontrará a entrevista que o filho do Tiririca concedeu ao site de VEJA
durante o intervalo da gravação do programa "Show do Tom", da TV Record. O
palhaço disse que levará o humor “a sério” e que pretende “revolucionar” a política.

Caso o senhor seja eleito, quais projetos pretende apresentar? Vou brigar pela
cultura. Tenho o circo do Tirulipa e faço trabalhos culturais e sociais há três anos em
Fortaleza. Estou aí para brigar, sou de família circense, nasci e fui criado dentro de
uma barraca de circo. Estou entrando nessa briga para revolucionar.

Acha que será um fenômeno de votos, como seu pai? Não estou pensando nesse
sentido, quero poder brigar pela cultura e pelo humor. Quero levar o humor a sério, no
bom sentido, entreter as crianças com teatro, com dança. Quero levar a juventude para
um caminho legal. Mas vou começar devagarinho.

O que o Tiririca achou da sua decisão? Meu pai falou: “A decisão é sua, você faz o
que achar melhor. Quero deixá-lo à vontade para escolher o que achar melhor. Se você
quer, beleza, estou aqui e boa sorte. Vou te apoiar independentemente do partido que
você escolheu. Vá em frente”.

Por que decidiu se filiar ao PSB, que é oposição do PR, legenda de seu pai, no
Ceará? Me identifiquei muito com o partido, com o trabalho do governador Cid
Gomes. Recebi proposta de outros partidos, como o PR, mas me identifiquei mais com
o PSB.

O Tiririca já lhe passou alguma dica de como se portar como político? Não
conversei com ele ainda, porque foi tudo muito rápido. A gente esperou até a última
hora para se filiar, porque era para ser uma surpresa.
PROPOSTA DE REDAÇÃO

Nesta proposta de redação pensaremos nos critérios que levam alguém a se


candidatar mesmo sem ter nenhuma experiência política. Mais que isso, pensaremos
no que leva alguém a votar nesses candidatos. Quais critérios utilizam? O que esperam
deles? Estaria a política passando por uma fase sem credibilidade?
Instruções para a proposta
 Escreva, no máximo, 30 linhas;
 Use caneta azul escuro ou preta;

 Fundamente sua discussão de forma concreta.

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Proposta 2

Produza um artigo de opinião, em até 15 linhas, sobre a temática: “A população vota


consciente?”.

TEMA 7

QUALIDADE DE VIDA

Fala-se tanto de qualidade de vida no mundo atual que médicos e profissionais


de outras áreas são convidados a indicar os comportamentos adequados para se ter
uma vida mais saudável. Sabemos, entretanto, que ter qualidade de vida implica um
conjunto de procedimentos a serem incorporados ao nosso dia-a-dia.
Para auxiliar sua reflexão, leia os trechos a seguir selecionados da reportagem
da revista "Superinteressante" e, a seguir, escreva um artigo de opinião, em cerca de
20 linhas, a ser publicado num jornal de circulação interna da Universidade,
argumentando sobre o que é ter qualidade de vida para você. Não se esqueça de dar
um título adequado ao seu texto.

A CIÊNCIA DO BEM VIVER


Pequenas mudanças de atitude podem melhorar sua saúde física, mental e material.
Conheça 7 hábitos comprovados cientificamente que você deve adotar para ganhar
qualidade de vida.

1. OUÇA MÚSICA
Não se culpe se você é daqueles que passam o dia todo com um fone de ouvido
cantarolando por aí. A música tem efeitos muito benéficos para a saúde física e mental.
Já não é de hoje que os cientistas vêm estudando o fenômeno. Entre outras coisas, a
música pode acalmar, estimular a criatividade e a concentração, além de ajudar na cura
de uma porção de doenças.

2. PREPARE-SE PARA ENVELHECER


Ninguém gosta muito da idéia de vir a ser velho, mas isso é a melhor coisa que pode
acontecer (pense na outra possibilidade). É bom reservar um tempo desde já para
planejar como você pretende que seja sua velhice. Inclusive porque é bem possível que
essa fase da sua vida dure bastante tempo. Graças aos avanços no saneamento básico,
à descoberta de novas drogas e a fatores ambientais e de prevenção, estamos vivendo
cada vez mais. Em 1900, a expectativa de vida média no Brasil ao nascer era de 33
anos. Hoje, já estamos na marca dos 67. Estudos demográficos apontam que, em 2025,
o brasileiro viverá em média 75,3 anos e, por volta do ano 2050, 2 bilhões de pessoas
no mundo terão mais de 60 anos. E, graças a esses mesmos motivos, os velhos estão
ficando cada vez mais velhos.

3. TENHA FÉ
Costuma ser mais feliz quem consegue encontrar um significado para a vida. Esse
significado pode estar em qualquer coisa - da filatelia à filantropia. Mas é na
religiosidade que a maior parte da população vai buscar essa razão de viver. E
encontra. Pesquisas mostram que as pessoas religiosas consideram-se, em média, mais
felizes do que as não religiosas. Elas também têm menos depressão, menos ansiedade
e índices menores de suicídio.

4. ANDE MAIS A PÉ
Gastar sola de sapato é um dos melhores exercícios que existem, seja para a saúde
física, mental, do meio ambiente ou do bolso mesmo. Sim, porque para fazer
caminhadas você não precisa gastar rios de dinheiro com academias elaboradas, muito
menos com personal trainer. Um par de tênis basta, quando falamos de caminhada, não
estamos nos referindo a nada profissional, que exija pista adequada e treinamento.
Pode ser no seu bairro, no quarteirão da sua casa, ou até mesmo na escadaria do
prédio, na pior das hipóteses.

5. TENHA (PELO MENOS) UM AMIGO


Todo mundo quer ser feliz, isso é tão verdadeiro quanto óbvio. O psicólogo Martin
Seligman, da Universidade da Pensilvânia (EUA), passou anos pesquisando o assunto
e concluiu que, para chegar a tal felicidade, precisamos ter amigos. Os amigos,
segundo ele, resumem a soma de 3 coisas que resultam na alegria: prazer, engajamento
e significado. Explicando: conversar com um amigo, por exemplo, nos dá prazer.

6. COMA DEVAGAR
Parece até falatório de mãe, mas os benefícios de diminuir o ritmo das garfadas são
incríveis. Para começar, ninguém ganha tempo comendo um sanduíche na frente de
um computador - o máximo que você ganha são quilos a mais, uma vez que, quanto
mais rápido come, mais sente fome. Isso quer dizer que, se você comer mais devagar,
provavelmente vai comer menos sem ter que fazer nenhuma dieta. O que será um
ganho danado à sua saúde. Fora a redução do peso e do risco de doenças aliadas à
obesidade, há diversas pesquisas que apontam que devemos diminuir a quantidade de
comida se quisermos viver mais.

7. DESLIGUE A TV
Ninguém está dizendo aqui para você nunca assistir à televisão. Mas que você poderia
diminuir o tempo em frente ao aparelho, isso você poderia. Até porque televisão em
excesso não faz bem. Sim, o hábito de se largar no sofá e assistir a qualquer porcaria
que esteja no ar pode deixar as pessoas viciadas no relaxamento que a TV produz. O
problema é que essa sensação gostosa vai embora assim que o aparelho é desligado - é
igualzinho ao vício em substâncias químicas. O estado de passividade e a diminuição
no grau de atenção, no entanto, continuam. Quando vista por mais de 20 horas por
semana, a televisão pode danificar as funções do lado esquerdo do cérebro, reduzindo
o desenvolvimento lógico-verbal.
(Adaptado da Revista "Superinteressante", Editora Abril, janeiro de 2006, 49-
57)

TEMA 8
Leia o texto a seguir e produza um texto dissertativo, em até 30 linhas, comentando o
problema da pirataria de produtos no Brasil.

AO GOSTO DO FREGUÊS

Veja a que nível de requinte chegou a falsificação de produtos industrializados


no Brasil. O badalado tênis Nike Shox, que faz sucesso entre a garotada mais abonada,
só é fabricado no original a partir da numeração 34, e, nos tamanhos menores, a
maioria das cores se adapta mais ao público feminino, com preço em torno de 400
reais. Já os piratas - que são vendidos até por um quarto desse valor - podem ser
encontrados em qualquer tamanho e cor.

Analise atentamente os dados a seguir. A partir das informações, redija um texto a


respeito da relação entre a população brasileira e o acesso à leitura.

OS NÚMEROS DAS LETRAS


Na população brasileira: *
- 8% são analfabetos.
- 30% localizam informações simples em uma frase;
- 37% localizam informações em texto curto;
- 25% estabelecem relações entre textos longos.

No Brasil:
- 16% da população detém 73% dos livros;
- de 1995 a 2003, a venda de livros caiu 50%, e o número de títulos lançados, 13%.
* Entre 16 e 64 anos;
Fontes: CBI, IBL, BNDES, MEC e I Inaf.:

Quantos livros cada pessoa lê por ano:


- 7 na França;
- 5,1 nos EUA;
- 5 na Itália;
- 4,9 na Inglaterra;
- 1,8 no Brasil.

Da população adulta alfabetizada do país:


- um terço aprecia a leitura de livros;
- 61% tem muito pouco ou nenhum contato com livro;
- 47% possui no máximo dez livros em casa.
"Folha de São Paulo", (Sinapse), terça-feira, 28 de setembro de 2004.

TEMA 9
A seguir encontram-se trechos de uma entrevista concedida pelo sociólogo americano
Rich Ling. A partir das considerações levantadas pelo entrevistado, produza um texto a
respeito da relação dos jovens com o celular.

ENTREVISTA
A INDEPENDÊNCIA JUVENIL

ÉPOCA - CELULARES FORAM CRIADOS PARA HOMENS DE NEGÓCIOS,


MAS HOJE SÃO MAL USADOS POR ADOLESCENTES. POR QUÊ?
Rich Ling - Esse foi um dos aspectos mais inesperados da tecnologia. Mas, olhando
agora, parece algo bastante lógico. Os adolescentes estão num período nômade da
vida, quando estão muito interessados em interação social. Na Noruega, 100% dos
adolescentes entre 15 e 20 anos têm celular. Aos 10 anos, 60% já têm um aparelho.
Uma das causas é o divórcio. É comum pais separados darem celular aos filhos para
poder entrar em contato com eles sem ter de lidar com o ex-companheiro. Atualmente,
o celular é o elemento que mais auxilia na emancipação dos jovens em relação aos
pais.

ÉPOCA - POR QUÊ?


Rich Ling - O aparelho dá a eles acesso fácil a seu grupo de amigos. A emancipação
nada mais é que sair de uma esfera em que seus pais decidem tudo por você para uma
esfera em que você é parte do grupo que toma as decisões. O adolescente passa a ter o
próprio número de telefone e sua caixa postal. (...)

ÉPOCA - O CELULAR AUMENTA O CÍRCULO DE AMIZADES?


Rich Ling - Talvez o telefone móvel esteja fazendo com que as pessoas tenham menos
amizades, mas muito mais intensas e integradas. (...)
("Época", 1¡ ago. 2005, adaptado)

TEMA 10

O costume de assistir a jogos de futebol em estádios começou na Inglaterra, no


final do século XIX, primeiro país a praticar esse esporte de forma amadora e também
profissional. O crescimento do número de espectadores foi concomitante ao aumento
da violência nos estádios e imediações.
Elabore um texto dissertativo procurando responder às questões formuladas
pelo Secretário da Justiça e da defesa da Cidadania do Estado de São Paulo, Belisário
Souza Santos: "Novas leis. Será necessário? (sic) Mais ousadia? Mais criatividade? O
que se quer da polícia? O que se espera da família? Da mídia? Dos clubes? Da
federação? Da própria sociedade?" - disponível na internet em www.dhnet.org.br.
Apóie-se nos fragmentos aqui disponibilizados para fazer seu texto, mas não
copie ou parafraseie trechos deles. Crie um título para seu texto.

"Para evitar a presença dos chamados "hooligans", já foram proibidas de entrar


na Alemanha, durante esta Copa, 2400 pessoas, mas outras 7000 estão sendo
investigadas sobre possível participação em atos de violência. A Inglaterra mantém um
cadastro organizado de "hooligans". Como eles são velhos conhecidos da polícia a
maior preocupação são torcedores poloneses, ucranianos e croatas".
("Veja, 19/04/06") (fig. 1)

"(fig. 2) Quebradeira no fim do jogo Corinthians e River Plate terminou com


26 feridos. (Época, 08/05/06) Uma pilha foi a primeira coisa que acertou a cabeça do
Major Walter Mota na noite do último dia 4, durante o jogo entre Corinthians e River
Plate, no Estádio do Pacaembu. Logo depois vieram um radinho de plástico, cadeiras
arrancadas da arquibancada, pedras, banquetas, pias que pertenciam aos banheiros e
até pedaços das catracas eletrônicas. "Na hora não pensava em mais nada, apenas em
evitar uma tragédia maior no Pacaembu", afirma o major."

"Os "hinchas" espanhóis não tiveram uma trajetória distinta dos torcedores
organizados brasileiros, porém a reação das autoridades européias foi mais rápida, e o
empenho em resolver o problema da violência relacionada a eventos esportivos passou
a ser prioritário em termos de segurança social, isso principalmente na Espanha".
Reis, HHB, Revista Paulista de Educação Física, n¡17 (2), 2003.

TEMA 11

Segundo pesquisa realizada com 403 entrevistados de 16 a 23 anos pelo Laboratório


Unicarioca de Pesquisas Aplicadas, a pedido da "Megazine" e publicada no jornal "O
Globo", em 12/7/2005, "boa parte dos jovens (...) não parece levar ética a sério nos
assuntos do dia-a-dia".

Dos jovens entrevistados, "34% admitem ter tirado dinheiro da carteira de pais,
parentes ou amigos sem avisar, 8,92% nunca fizeram isso, mas não acham nada
demais, e outros 22% nunca cometeram esse delito, mas conhecem pessoas que já o
fizeram (...) 38% das pessoas ouvidas falsificaram a assinatura dos pais em algum
documento ou correspondência da escola (...) e 21% já usaram a internet para difamar
alguém".

Na opinião da psicóloga Teresa Creusa Negreiro, "Ao menos metade das pessoas que
responderam que nunca agiram de tal maneira, mas conhecem gente que já, na
verdade, fez aquilo ou está disposta a fazer".

De acordo com uma pesquisa do Pró - Saber (21/5/2001 a 8/6/2001), realizada a partir
de entrevistas com 1002 alunos de escolas públicas e particulares do Rio de Janeiro, da
7 série do fundamental à 3 série do Ensino Médio, pode-se chegar "à visão de um
adolescente que não trabalha (90,3%), que navega na internet se for da escola
particular (50,5%), que tem amigos (94,4%) e que valoriza neles principalmente a
solidariedade, a sinceridade, a lealdade, a cumplicidade, independentemente da classe
social a que pertence".

Na fala da pesquisadora Rosiska Darcy de Oliveira, o adolescente "pousa na amizade


como no mais sólido chão e faz dela o terreno onde brota o melhor de si: lealdade na
adversidade, atenção à felicidade do outro, incondicionalidade em face de terceiros,
franqueza na intimidade".

Nos trechos selecionados, adultos procuram conhecer o jovem com que convivem hoje
em dia. Considerando todas essas visões sem, no entanto, copiar nenhuma,
desenvolva, de forma objetiva e bem fundamentada, em um texto escrito em prosa, a
sua concepção sobre os valores que orientam a conduta de pessoas jovens. O texto a
ser produzido deve ser um artigo de opinião a ser veiculado em um jornal da
universidade e deve ter, aproximadamente, 25 linhas. Dê um título criativo ao seu
texto.

TEMA 12

"A Amazônia é considerada a área de maior extensão de floresta tropical do mundo,


representando 40% do total ainda existente do planeta.
Com a maior floresta tropical úmida do mundo, a mais extensa rede fluvial do planeta
e com o maior volume de água doce disponível na Terra, a Amazônia presta valiosos
serviços ambientais ao regular a quantidade de gás carbônico na atmosfera e orquestrar
a distribuição de chuvas em quase metade da América Latina.(...) A biodiversidade da
região é tamanha que não há outro lugar com variedade tão grande de espécies, com
características próprias bem marcadas".
(Disponível em <http://portalamazonia.globo.br>).

Informações como esta trazem, de tempos em tempos, o temor diante da possibilidade


de que essa área seja dominada por estrangeiros.

Proposta:
A internacionalização da Amazônia ou, em outras palavras, as eventuais ameaças à
soberania brasileira em relação à Amazônia é o tema desta redação.
Leia com atenção os textos e observe as imagens disponibilizadas.
Construa um texto dissertativo-argumentativo, posicionando-se sobre este assunto tão
polêmico.
Relacione as idéias entre os textos, mas não os copie.
Crie um título para o seu texto, adequado ao desenvolvimento que você der ao tema.

1. "Em 1982, durante a sua expedição pela Amazônia, o oceanógrafo Jacques


Cousteau fez uma declaração com ares de premonição: Hoje, o mundo está
preocupado com a guerra nuclear, mas essa ameaça vai desaparecer.
A guerra do futuro será entre os que defendem a natureza e os que a destroem. A
Amazônia vai ficar no olho do furacão. Cientistas, políticos e artistas desembarcarão
aqui para ver o que está sendo feito com a floresta".
(Bernardino, F.R; Principe, Leonide. "Emoções Amazônicas". Manaus:
Photoamazonica. 1998.)

2. "Para aqueles que imaginam a internacionalização a partir da perspectiva do


território, a invasão e a tomada da Amazônia por outras nações, com a criação de um
governo específico para sua gerência, são factíveis e, embora ainda não tenham
acontecido, se constituem em perigos iminentes com os quais o Estado brasileiro deve
se preocupar. Os defensores dessa hipótese, principalmente os militares brasileiros,
argumentam que as reservas de energia e água do planeta estão próximas do
esgotamento e que o potencial da floresta amazônica resultará, inevitavelmente, em
futuras investidas das grandes potências mundiais sobre o território brasileiro".
Dias, Susana. "A internacionalização imaginada da Amazônia". Disponível em
<http://www.comciencia.br>

3. "Já os que analisam sob o ponto de vista do capital denunciam que a


internacionalização da Amazônia já está acontecendo, não pela tomada de território
físico, que é considerada hipótese remota, mas por mecanismos mais atuais e refinados
ligados à exploração econômica: a aposta cada vez mais forte na mercantilização da
natureza; a abertura ao mercado externo; o estímulo à participação do capital
estrangeiro no país; e a flexibilização das políticas de exploração das florestas. Nessa
perspectiva, os inimigos - os interesses transnacionais - já estariam em território
amazônico representados pelas indústrias madeireiras, mineradoras, farmacêuticas e de
sementes."
Dias, Susana. "A internacionalização imaginada da Amazônia". Disponível em
<http://www.comciencia.br>

4. Segundo Stuart Pimm e Clinton Jenkins todos os países com biodiversidade têm
poucas pessoas para cuidar dos problemas que vão desde a perda de espécies, passam
por grandes variações na economia local, no sistema político, além de uma variedade
de crenças religiosas e culturais. "Não se pode esperar que as áreas naturais
permaneçam intocadas a menos que profissionais de conservação locais qualificados
estejam a postos para resolver com criatividade as inevitáveis disputas sobre como
usar os recursos do país. [...] Para sustentar a biodiversidade, o mundo precisa
primeiro identificar, e então imediatamente proteger esses lugares especiais.[...]
Decididas quais áreas proteger, como o mundo deve cumprir a tarefa? E quem pagará
pela proteção?"
("Scientific American". Edição especial Brasil, nŽ 41, out 2005.p.54)

TEMA 13

TRABALHO INFANTIL

Leia com atenção os seguintes textos:


"A crueldade do trabalho infantil é um pecado social grave em nosso País. A dignidade
de milhões de crianças brasileiras está sendo roubada diante do desrespeito aos direitos
humanos fundamentais que não lhes são reconhecidos: por culpa do poder público,
quando não atua de forma prioritária e efetiva, e por culpa da família e da sociedade,
quando se omitem diante do problema ou quando simplesmente o ignoram em
decorrência da postura individualista que caracteriza os regimes sociais e políticos do
capitalismo contemporâneo, sem pátria e sem conteúdo ético."
(Xisto T. de Medeiros Neto. A crueldade do trabalho infantil. "DIÁRIO DE
NATAL". 21/10/2000.)

"Submetidas aos constrangimentos da miséria e da falta de alternativas de integração


social, as famílias optam por preservar a integridade moral dos filhos, incutindo-lhes
valores, tais como a dignidade, a honestidade e a honra do trabalhador. Há um
investimento no caráter moralizador e disciplinador do trabalho, como tentativa de
evitar que os filhos se incorporem aos grupos de jovens marginais e delinqüentes,
ameaça que parece estar cada vez mais próxima das portas das casas."
(Joel B. Marin. "O trabalho infantil na agricultura moderna".
www.proec.ufg.br.)

"Art. 4Ž - É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder


Público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida,
à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura,
à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária."
("Estatuto da Criança e do Adolescente". Lei nŽ 8.069, de 13 de julho de
1990)

Com base nas idéias presentes nos textos anteriores, redija uma dissertação sobre o
tema:
O TRABALHO INFANTIL NA REALIDADE BRASILEIRA.

TEMA 14
OPÇÃO I – Leia o texto transcrito abaixo.

VOLTA AO MUNDO SOCIAL

DUAS JOVENS CORREM O PLANETA EM BUSCA DE PROJETOS BEM SUCEDIDOS DE COMBATE À


POBREZA

Uma mochila de 30 quilos nas costas, um laptop, uma filmadora e consciência social. No país
da juventude perdida em sinais de trânsito, em unidades de menores superlotadas e nas
favelas, duas jovens de 24 anos, a capixaba Renata Brandão e a carioca Alice Freitas,
decidiram botar o pé na estrada à caça de idéias e iniciativas de combate à pobreza.
Integrantes de um programa de inclusão social criado por elas mesmas há cinco anos, o
Realice (fusão dos nomes das duas), Renata e Alice vão percorrer, a partir de agosto, 73
países, do Quênia à Finlândia. Durante 900 dias, vão conhecer e catalogar o que há de melhor
– e de pior – em cada nação. "Queremos descobrir projetos de sucesso e ver quais podem ser
adaptados à realidade brasileira", diz Renata, estudante de jornalismo e praticante de ioga e
trekking. Ela anda afiando o inglês, o alemão e o francês. "Todas essas idéias servirão como
um cardápio para empresas que queiram investir no social", explica Alice, estudante de
direito e relações internacionais, que adora jogar tênis e velejar. Ela fala inglês, espanhol e –
pasmem – tailandês. "Não somos as garotas superpoderosas do terceiro setor. Só queremos
fazer a nossa parte", diz Renata.

Com a iniciativa, querem incentivar o engajamento social dos brasileiros. Apenas 7% dos
jovens do Brasil estão envolvidos com ações voluntárias, contra, por exemplo, 62% dos jovens
americanos. "O único fenômeno que choca tanto quanto a pobreza é a passividade diante
dela", recita Alice. (...)

A empreitada custará R$ 476 mil, financiados por empresas. A viagem conta com a chancela
do Fundo das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e com o apoio de
instituições brasileiras e internacionais de combate à pobreza, como a Care Brasil, o Portal do
Voluntário e o American Field Service (AFS), um programa de intercâmbio de jovens. Esta
última irá hospedá-las em 44 casas de família nos países onde atua. Nos outros, elas ficarão
hospedadas em albergues ou acampamentos.

De tudo de ruim que pode cruzar seus caminhos – perda de equipamento, assalto, xenofobia,
guerras –, o maior medo, dizem elas, é do forte impacto do que vão testemunhar. "Vamos
acordar na Naníbia, comer em Botsuana, dormir no Haiti e na Bósnia. É um mundo
maravilhoso, mas muito pobre", antecipa Renata. Outro problema será a inevitável saudade
da família, que elas só voltarão a ver em outubro de 2005. Quem fica terá de se contentar
com os relatos e as imagens disponibilizadas diariamente por Renata e Alice no site
www.realice.com.br. É esperar para ver.

(Artigo de Ricardo Miranda para a revista ISTOÉ, edição de 7/5/2003)

Supondo que as jovens Renata e Alice estejam oferecendo uma vaga para um brasileiro
participar desta aventura, escreva uma carta a elas buscando convencê-las de que você
possui qualidades necessárias para as acompanhar.
Não coloque o seu nome ao final da carta! Assine-a, simplesmente, como João da Silva ou
Maria da Silva.

TEMA 15

Desenvolva uma resposta argumentativa, em até 15 linhas, a fim de responder à seguinte


questão:

Você acha que as escolas públicas devem incorporar o teatro como um instrumento de
melhoria da qualidade do ensino, como já ocorre em alguns colégios particulares?
As idéias presentes na coletânea poderão ser questionadas ou confirmadas.

Texto 01

Minha experiência, que vem demais de sete anos lecionando Interpretação e Prática de
Montagem na Fafi, no Centro Educacional Leonardo Da Vinci, na Escola de Atores Art Studio,
no Senac, em turmas particulares, trabalhos em diversas faculdades e empresas, me dão a
certeza de que é possível repensar o indivíduo pelo próprio indivíduo e, confrontando e
ativando suas potencialidades corporais e emocionais em grupo, têm-se a visão crítica
necessária para corrigir rumos e melhorar pessoas.

O teatro é um conhecimento e não apenas atividade mecânica ou de recreação. Teatro é


integrador de diferentes saberes. Nessa perspectiva, surgem múltiplas possibilidades de
estruturação de um trabalho, dentro da escola, voltado para o teatro. Se a escola dispuser de
recursos materiais adequados, profissionais capacitados e um reconhecimento do teatro
como integrante do currículo escolar com espaço e tempo devidamente estipulados, a
expressão teatral se desenvolverá de maneira efetiva.
José Luiz Gobbi - Diretor de Teatro com prática de projetos interdisciplinares em escolas

Texto 02

Com certeza todos os alunos deveriam ter a oportunidade de participar de uma atividade que
comprovadamente ajuda o processo educacional. As escolas particulares já utilizam o teatro
como fonte de motivação para estimular os alunos a se envolverem no processo pedagógico.

As prefeituras já estão participando de projetos teatrais em suas escolas. A de Cariacica


desenvolve o projeto Semeart, que visa a levar arte, entre elas o teatro, às escolas municipais.
O teatro é uma ferramenta que, quando bem utilizada, ajuda o aluno a desinibir-se, a
melhorar a sua concentração, a socialização e, principalmente, estimula a leitura.

Sou organizador do Festival de Teatro Infantil do ES, realizado de agosto a outubro, e durante
o primeiro semestre fazemos a Mostra Alfa de Teatro Infantil, levando teatro às escolas ou a
escola ao teatro. O envolvimento das escolas particulares é quase 100%, o das escolas
municipais, 60%.

Sentimos falta das escolas estaduais, que participam de forma tímida.

Agripino Franklin Mendes - Professor, organiza, dirige e atua no projeto Teatro nas Escolas,
pela Alfa Produções e Eventos

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TEMA 16

Produza um texto com a finalidade de ANALISAR a temática abordada no texto abaixo.

muros e grades

Nas grandes cidades do pequeno dia-a-dia

o medo nos leva a tudo, sobretudo a fantasia

então erguemos muros que nos dão a garantia

de que morreremos cheios de uma vida tão vazia

nas grandes cidades de um país tão violento

os muros e as grades nos protegem de quase tudo

mas o quase tudo quase sempre é quase nada

e nada nos protege de uma vida sem sentido

um dia super

uma noite super

uma vida superficial

entre as sombras

entre as sobras

da nossa escassez um dia super

uma noite super

uma vida superficial

entre as cobras

entre escombros
da nossa solidez

nas grandes cidades de um país tão irreal

os muros e as grades

nos protegem de nosso próprio mal

levamos uma vida que não nos leva a nada

levamos muito tempo prá descobrir

que não é por aí...não é por nada não

não, não pode ser...é claro que não é

?SERÁ?

meninos de rua, delírios de ruína

violência nua e crua, verdade clandestina

delírios de ruína, delitos & delícias

a violência travestida faz seu trottoir

em armas de brinquedo, medo de brincar

em anúncios luminosos, lâminas de barbear

um dia super

uma noite super

uma vida superficial

entre as sombras

entre as sobras

da nossa escassez um dia super

uma noite super


uma vida superficial

entre as cobras

entre escombros

da nossa solidez

viver assim é um absurdo, (como outro qualquer)

como tentar o suicídio (ou amar uma mulher)

viver assim é um absurdo (como outro qualquer)

como lutar pelo poder (lutar como puder)

disponível em: http://www2.uol.com.br/

TEMA 17 UFPR

A literatura, entre muitas coisas, é também uma maneira de se pensar o mundo. Nos
poemas acima, encontramos visões diferentes que mantêm relações intertextuais. Em um
texto de até 10 (dez) linhas, interprete, referindo-se a elementos dos dois textos, a
Pasárgada de Millôr Fernandes.
TEMA 18
UFPR

Fazendo referência aos resultados da pesquisa apresentada na Questão 2, escreva um


parágrafo, de 4 a 6 linhas, queapresente uma conclusão coerente para o texto abaixo. Ao
redigir o parágrafo, dê continuidade à frase que o inicia.

Segundo dados da Anistia Internacional, a cada ano três países, em média, têm abolido a
pena de morte. E o ritmo parece estar aumentando. Só em 2004 foram cinco os países a tirar
a pena capital de seus códigos penais. Entre eles, estão dois europeus: Grécia e Turquia – fato
emblemático, que reforça as campanhas internacionais contra a punição.

Essa tendência, na verdade, vem se confirmando desde o final da década de 1980. Nos
últimos 15 anos, nada menos que 40 nações deixaram oficialmente de condenar pessoas à
execução. Eram 116 em 1990, e hoje são 76. Ou seja, um terço do total de países adeptos da
pena de morte desistiu de aplicá-la nesse período de menos de duas décadas, conforme os
dados daAnistia.

A China – com mais de 3 mil execuções em 2004 – é uma exceção no contexto político
internacional. As puniçõeschinesas, somadas às penas de morte levadas a cabo no Irã, no
Vietnã e nos Estados Unidos, representam 97% do total mundial.

(Terra no 158, jun. 2005.)

Se o Brasil viesse a adotar a pena de morte,

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TEMA 19 UFPR
A IRRELEVÂNCIA DA MÍDIA

A indústria da informação, sobretudo a impressa, está numa encruzilhada. Com a circulação


estagnada, os jornais lutam para seduzir novos leitores. O público, porém, emite sinais de que
considera o conteúdo dos jornais cada vez mais irrelevante. Na época em que o país estava
submetido a três poderes efetivos – Exército, Marinha e Aeronáutica – costumava-se atribuir
à imprensa importância capital na cruzada da resistência. Ao ecoar as ruas na campanha das
Diretas-já, os jornais ajudaram a empurrar a farda de volta para os quartéis.

Restabelecida a democracia, o Collorgate tonificou a musculatura dos meios de comunicação.


Teve-se a impressão de que a imprensa exercia, de fato, o quarto poder. Sob FHC, a imprensa
tardou a acordar. Só depois de uma fase de namoro se deu conta de que estava diante de um
presidente afeito à maleabilidade ética. A caída em si não foi generalizada. Alcançou apenas
parte da mídia. Ainda assim, sobrevieram os escândalos da compra de votos da reeleição, as
privatizações trançadas “no limite da irresponsabilidade”, as malversações da Sudam e outras
cositas. Graças à exposição negativa, FHC é hoje um dos PSDB cuida de escondê-lo na
campanha.

Escalando essa aversão, Lula chegou à presidência em 2002. E com ele veio a má notícia para
a imprensa: o brasileiro deu as costas para o noticiário, eis a novidade.

Poucos governos mereceram da mídia exposição tão negativa quanto a administração petista.
As perversões atribuídas ao PT e a Lula foram alardeadas à saciedade. A despeito disso, o
eleitorado atribui ao presidente um volume de intenções de voto que, por ora, humilha os
concorrentes.Humilha também a mídia.

Poder-se-ia argumentar que o eleitor pobre de Lula não lê jornal. Bobagem. A crise ética
ganhou espaço também nos meios de comunicação eletrônicos. E não há casebre brasileiro
que não disponha de um aparelho de rádio ou de televisão. No segundo semestre de 2005, os
analistas políticos tiraram do noticiário que produziram as suas próprias confusões. Onze em
cada dez comentaristas difundiu a idéia de que a reeleição de Lula estava ameaçada.

Vítima de si mesma, a mídia está na bica de virar, ela própria, notícia. Sua “desimportância”
reclama estudos e análises aprofundadas. Seu propalado poder de influência, seu festejado
papel de formador de opinião está em xeque. Como que exausto da reiteração dos escândalos,
o (e)leitor emite sinais de que já não vê diferença entre os políticos. Considera-os,
indistintamente, corruptos. Priorizam os seus interesses pessoais em detrimento de valores
coletivos como a ética.

Se os meios de comunicação fossem levados a sério, Lula deveria estar debatendo agora com
os tribunais, não com os eleitores. Acomodados num dos pratos da balança, em contraposição
aos escândalos, os feitos de seu governo até poderiam conferir-lhe certa competitividade
eleitoral. Mas o favoritismo que ostenta, por ora acachapante, é o sinal mais eloqüente de que
os meios de comunicação tornaram-se irrelevantes aos olhos da maioria da sociedade.

(Josias de Souza, Folhaonline, acessado em 23 ago. 2006.)

Produza uma resenha, utilizando 10 linhas no máximo.

TEMA 20 UFPR
AS ETERNAS DÚVIDAS DOS ADOLESCENTES

– Você fica se perguntando o que vai ser quando crescer?

– Se liga, mano! Não raciocino sobre hipóteses!

(ANGELI, www.charges.uol.com.br, acessado em 3 ago. 2006.)

Em um relato de até 15 linhas, apresente sua interpretação da charge, explicitando os elementos verbais e não-verbais que
fundamentam as relações que você estabeleceu.

TEMA 21
1. Confira o número do(a) candidato(a), o local, o setor, o grupo e a ordem indicados na folha
oficial de redação, a qual NÃO deverá ser assinada.

2. Leia e observe atentamente as Propostas 1, 2 e 3.

3. Escolha a Proposta que apresenta o tema sobre o qual você se sente mais bem preparado(a)
para discorrer.

4. Evite copiar trechos dos textos apresentados.


5. Não escreva em versos, use linguagem clara e utilize a norma culta da língua portuguesa.

6. Não se esqueça de dar um título à sua redação.

7. Use caneta com tinta preta ou azul para transcrever seu texto do rascunho para a folha
oficial de redação.

8. Redija um texto que tenha no mínimo 25 (vinte e cinco) e no máximo 30 (trinta) linhas.

9. Escreva com letra legível e ocupe todo o espaço das linhas, respeitando os parágrafos.

10. Não serão corrigidas redações escritas a lápis, nem redações na folha de rascunho.

Um terremoto em nossas consciências! É disso que precisamos, e é isso que, em última


instância, o terremoto do Haiti e as outras tragédias recentes acabaram por desencadear.

O filósofo cristão C.S. Lewis chama a dor de Megafone de Deus. Segundo ele, “Deus sussurra
em nossos prazeres, fala em nossa consciência, mas brada em nosso sofrimento. A dor é o
megafone de Deus para despertar um mundo surdo” [1].

Que triste é constatar que só após um acontecimento hediondo como este os homens
puderam dar as mãos. Foi necessário um terremoto de gigantescas proporções para despertar
o mundo do seu sono. Contudo, ao menos deram-se as mãos! E enquanto as destras se
estenderem em solidariedade e amor ao próximo, restará alguma esperança para a
humanidade. Arnaldo Jabor

PROPOSTA I

A partir da leitura da crônica, escreva uma notícia de jornal.

PROPOSTA II

A partir da leitura da crônica acima, escreva uma carta. O remetente deve ser um sobrevivente.

TEMA 22
Produza um texto instrucional, em até 15 linhas, ensine como confeccionar marcadores de
livros. Para a efetivação da atividade, serão necessários os seguintes materiais:

Cartolina encarnada

Cartolina de outras cores (branco, preto, azul, castanho, cor-de-rosa…)

Folha com corações

Tesoura (usa-a com cuidado!)

Cola

Uma régua
Lápis e marcadores

Papel autocolante transparente

Fita-cola

Modo de preparar:

TEMA 23
Leia, cuidadosamente, os argumentos e os fatos apresentados na “carta da mamãe”.

Carta da mamãe (adaptado)


Marcelina, minha filha, quantas vezes eu já te falei que eu não quero mais ver casa
zoneada, com tudo fora do lugar? Vai tirar aquelas calcinhas de dentro daquele box,
senão vou tacar tudo pela janela. Por que você pendura essas calcinhas no banheiro?
Aquilo molha e seca a semana toda que eu não sei como é que não te dá uma bicheira
naquele lugar!
Outra coisa é seu irmão, que toma Nescau e é incapaz de passar uma agüinha no copo,
depois eu quase perco os dedos pra descolar o açúcar do fundo, porque a vaca da Valdéa
só chega às 10h. Ô raça de empregada, viu? Ela calcula o horário do movimento da
cozinha e só chega depois! Tava só esperando sua tia ligar pra dizer que o almoço das
mães não vai ser aqui em casa este ano. Eu já tô velha e tô enjoada dessa confusão.
Todo ano sua tia Iesa entra aqui no almoço das mães, dá meia hora, já tá um dando na
cara do outro. Acho um desaforo ela vir falar mal de Brizola aqui dentro da minha casa.
Vai falar mal de Brizola na casa dela! Iesa com Brizola e Conceição com espiritismo:
“Allan Kardec é isso... Allan Kardec é aquilo.” Eu não quero saber o que que Allan
Kardec quer!
Seu pai já ligou hoje cedinho pra me infernizar. Perguntou por que Juliano anda
malcriado demais, como se a culpa fosse minha! Seu pai devia levar o Juliano com ele
mais vezes, porque de 15 em 15 dias é mole. Quero ver criar que nem eu criei. Quando
eu falo, eu sou chata, sou cricri.
É comida, é escola, é empregada, que isso vocês não contam! E sua vó ainda vinha dizer
pra mim que eu era nervosa, que eu agia por impulso,sem pensar. Ela que tinha um
gênio do cão! Fechava uma cara que ninguém chegava perto. Ganhava rios de dinheiro,
aposentada do INSS, e eu nunca vi a cor daquele dinheiro.
É por isso que quando eu morrer não quero ninguém no meu enterro. Me inferniza a
vida toda, depois vem chorar na boca do caixão. Se chorar, eu levanto só de raiva!
Eu ando muito nervosa e tô cansada de ser maltratada, de ser esquecida. Vocês só vêm
falar comigo quando estão precisando. Eu vou começar a cortar tudo agora. Telefone eu
já tranquei, não sei se vocês perceberam. Se quiser telefone, vai trabalhar. Trabalhei a
vida toda pro Estado, agora eu quero é curtir. São vocês que vão trabalhar pra me
bancar. Você já sabe da lei, né? Que filho tem que sustentar pai e mãe! É lei!
Pode ir tratando de estudar e começar a correr atrás. Vai vender limão no sinal, mas vai
trabalhar. Não quer estudar? Vai trabalhar!
Enfim, nem sei por que eu tô falando isso. Vocês me deixam doida! Se a sua tia ligar,
pode dizer pra ela que este ano o Dia das Mães não vai ser aqui em casa. É isso. Fui na
padaria e já volto.
Beijos, mamãe ama vocês.
Paulo Gustavo, ator, está em cartaz no teatro com “Minha mãe é uma peça”. Revista O
Globo, 11/05/2008.
Redija uma carta-resposta à que foi apresentada na seção da revista O Globo
“Colunista convidado”, sob o ponto de vista do filho Juliano ou da filha Marcelina.
Características do gênero “carta”:
É uma situação comunicativa em que os parceiros não estão face a face, mas mantêm
suas identidades psicológicas e sociais.
A carta tem, geralmente, por finalidade dirigir-se a um interlocutor (ou vários, se
pensarmos nos leitores do jornal), para:
• expor pontos de vista;
• criticar fatos, argumentos, opiniões;
• agir sobre os interlocutores, em favor de determinada argumentação;
• realizar vários atos de fala, como criticar, solicitar, parabenizar, agradecer, demonstrar
desagrado, concordar, discordar, justificar-se etc.
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-------------------------TEMA 24

PROPOSTA I

O texto a seguir apresenta a opinião de um especialista em políticas públicas de


transportes sobre problemas de trânsito. Leia-o, com atenção, e elabore um texto,
registrando seu ponto de vista sobre as ideias defendidas pelo autor.

Cidades fazem obras que pioram os problemas de trânsito, afirma especialista


Agência Brasil

Obras como o alargamento de pistas ou a construção de viadutos, estacionamentos e


estradas podem dar uma falsa ilusão de que são as melhores soluções para resolver os
problemas de trânsito nas cidades. Para o especialista em políticas públicas de
transportes e pesquisador da Universidade de Brasília (UnB), Artur Morais, essas
medidas acabam piorando a situação, já que estimulam ainda mais o uso de carros. O
Brasil ainda paga o preço de um pensamento errôneo do século 20, quando políticos
ganhavam votos fazendo estradas e viadutos. Houve casos em que até presidentes
falavam que governar é fazer estradas. Em vez de calçadas, cidades foram construídas a
partir de pistas. Com o tempo, as ruas ficaram entupidas de automóveis e as pessoas
passaram a ter a falsa impressão de que o alargamento de pistas, a construção de
viadutos e de estacionamentos seria a solução. Segundo ele, essa é uma premissa falsa
porque não leva em consideração que tais obras acabam servindo como um convite para
as pessoas usarem cada vez mais os carros. Como solução, Morais aponta a adoção de
medidas que dificultem a vida de quem anda de carro. Mas enfatiza que essas medidas
precisam vir acompanhadas de alternativas, como a melhoria do sistema de transporte
público, com corredores exclusivos para os ônibus coletivos. Imagina um motorista
parado no trânsito e vendo os ônibus passarem livremente por essas pistas exclusivas.
No dia seguinte ele certamente cogitará deixar o carro na garagem e ir de ônibus para o
trabalho. Sou da opinião de que carro é para deslocamentos excepcionais ou para o
lazer.
(Adaptado de: http://www.diariodoscampos.com.br/cidades/noticias/42310/?
noticia=cidades-fazem-obras-que-pioram-os-problemas-de-transito-afirma-especialista,
acesso em maio/2011)

PROPOSTA II
São apresentadas, a seguir, três manchetes veiculadas em jornais e sites nacionais.

Escolha apenas uma delas para ser o título de seu texto, relatando, com criatividade,
como tudo aconteceu.

Ladrão é assaltado enquanto roubava carro em Porto Alegre


(Adaptado de: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2011/04/18/ladrao-e-assaltado-
enquanto-roubava-carro-em-porto-alegre.jhtm, acesso em maio/2011)

Bêbado dirige carro sem uma das rodas e não percebe


(Adaptado de: http://www.noticiasbizarras.com.br/2011/04/bebado-dirige-carro-sem-
uma-das-rodas-e-nao-percebe, acesso em maio/2011)

Homem liga para o 190 e pede para ser preso


(Adaptado de: http://www.noticiasbizarras.com.br/2011/04/homem-liga-para-o-190-e-
pede-para-ser-preso, acesso em maio/2011) 2
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TEMA 26

PROPOSTA
Após a leitura atenta do fragmento abaixo, produza um texto de opinião,
dissertativo argumentativo, sobre o fato de os brasileiros buscarem um modelo de
retidão e ética – um norte moral – na ficção, por falta de exemplos de conduta na
vida real.

O NORTE MORAL DE GRISELDA


"Griselda, ou Pereirão, interpretada com muito talento pela atriz Lilia Cabral, é chefe de
família, como ocorre em 36% dos lares brasileiros. Boa parte dos demais personagens
pertence ao que se pode chamar de nova classe média brasileira – um grupamento que,
desde 2003, graças à estabilidade econômica e aos bem-sucedidos planos sociais,
incorporou 30 milhões de pessoas, e, atualmente, compõe mais da metade da população
do país.
Fina Estampa se ancora na popularidade de Griselda, cuja retidão e ética inabaláveis
dão voz aos brasileiros que, na falta de exemplos de padrão de conduta na vida real, em
especial na esfera pública, foram buscar um modelo na ficção.
O sucesso de Griselda é mais uma evidência de que milhões de brasileiros que
trabalham, estudam e progridem querem um norte moral, querem um país em que a
meritocracia seja a base do êxito pessoal, mesmo quando bafejam os ares da sorte."
Adaptado de: Carta ao leitor. Revista Veja, Ed. 2243, p.12, Nov/2011

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TEMA 27
PROPOSTA 1

LEIA OS FRAGMENTOS ABAIXO. EM AMBOS HA OPINIOES EXPRESSAS


SOBRE O STRESS NO
VESTIBULAR.
Coitadinho, tão estressado
[...] o stress não vem com o numero de horas de estudo ou com a dificuldade do assunto
ou sua chatice
– mas com a falta de preparação para lidar com isso. Um coreano pode passar 12 horas
estudando, todos os dias, sem stress, pois e seu habito. Um brasileiro que estuda 10
minutos por dia fica estressado se tiver de estudar meia hora. [...] Sofrer com o stress
não e uma fatalidade. A solução e aprender a lidar com ele [...]. Achar que os alunos
estão estressados porque estudam demais e parte do cacoete que explica nossos
péssimos resultados nos testes internacionais. [...] Mesmo as vésperas do vestibular, as
horas de preparação são poucas, ate no ensino privado. Os números mostram: nossa
educação combina uma jornada escolar curta com míseros minutos estudando em casa.
E o pior dos mundos. [...] Coitadinho dos nossos alunos, tão estressados! Mas está
errado, se ha stress, não e por excesso de dedicação, por horas demais diante dos livros,
mas por falta de habito de estudar. Estressado e quem nunca estudou direito e, de
repente, ouve dizer que para passar no vestibular e preciso mudar de vida. A solução não
deve ser estudar pouco ou buscar um curso fácil, mas aprender a estudar e aprender a
lidar produtivamente com o stress.
Fragmentos do artigo de opinião de Claudio de Moura Castro
Revista Veja, 24 de agosto, 2011.

A escola, com todas as suas expectativas e exigências, pode ser também uma grande
fonte de estressores. Para Langston e Cantor (1989), deve-se considerar que a transição
na vida acadêmica dos estudantes no inicio de seus estudos universitários pode gerar um
aumento de responsabilidade, ansiedade e competitividade, o que facilitaria o stress.
Alem das mudanças próprias de ensino, os alunos se deparam com as incertezas naturais
da escolha profissional. Fisher (1994), em seus estudos com universitários, também
verificou a ocorrência de stress na época de transição para a universidade, decorrente da
mudança de planos (novas etapas), tarefas acadêmicas, dificuldades financeiras e,
sobretudo, sociais que marcam a vida dos universitários. [...]
Sandra Leal Calais; Livia Marcia Batista de Andrade; Marilda Emmanuel Novaes Lipp.
Diferenças de sexo escolaridade na manifestação de stress em adultos jovens. Psicol.
Reflex. Crit. Vol.16, n.2, Porto Alegre, 2003.

O vestibular e considerado a fase mais difícil encontrada pelos adolescentes, pois


sofrem pressões de todos os lados: família, professores, amigos, sociedade… e de si
mesmo. Alem disso, esse e um dos ritos de passagem da adolescência para a fase adulta.
“Não e o vestibular que provoca ansiedade, mas sim o que ele significa”. Pesquisas
apontam que 92% dos jovens enfrentavam problemas de estresse cognitivo (os famosos
“brancos”) e somático (dor de cabeça, dor de estomago, depressão) diante dos estudos
para as provas.
“Qualidade de vida e equilíbrio são as palavras de ordem nessa etapa da vida dos
jovens. Pense nisso!”
http://www.blog.sosprofissoes.com/estresse-x-vestibular.html.

Tomando como base as informações e os argumentos apresentados nos fragmentos de


textos, escreva um ARTIGO DE OPINIÃO para ser publicado no JORNAL DE SUA
ESCOLA e lido também pelos CORRETORES DE REDAÇÃO DO VESTIBULAR,
expondo argumentos que sustentem seu posicionamento sobre o tema: STRESS NO
VESTIBULAR.

TEMA 28
PROPOSTA 1

PROPOSTA 2
A presidente Dilma Rousseff vetou, em 18/05/2012, a medida provisória que autorizaria
a venda de produtos de saúde que dispensam prescrição medica, em supermercados.

Tomando como base os fragmentos dos artigos de opinião abaixo, escreva uma CARTA
DO LEITOR, aos editores da Folha de São Paulo, expondo argumentos que
sustentem seu posicionamento em relação à temática:

DEVE SER PERMITIDA, OU NÃO, A VENDA DE REMÉDIOS EM


SUPERMERCADOS?

Estado-babá e paternalismo de aspirinas


Não ha sólidos argumentos para sustentar essa reserva de mercado das drogarias. Afinal,
será que o governo sabe melhor que os indivíduos como cuidar de si próprios? Será que
ha algum problema em comprar junto com os alimentos aquele analgésico para aliviar a
dor de cabeça?
Nos Estados Unidos, e perfeitamente normal encontrar remédios nos supermercados,
assim como alguns alimentos em farmácias. No Brasil, o governo representa um entrave
a esse beneficio, punindo justamente o consumidor que supostamente quer proteger.
Como o brasileiro pode se sentir um adulto responsável, quando o governo o encara
como um mentecapto incapaz de escolher um simples medicamento para problemas do
cotidiano? Quem outorgou tal direito aos burocratas de Brasília?
A tutela estatal e o caminho da servidão. O governo existe para nos proteger de
terceiros, não de nos mesmos. Só ha liberdade quando podemos assumir riscos.
Adaptado do artigo de opinião de Rodrigo Constantino, Folha de São Paulo,
15/05/2012.

Automedicação e risco, mesmo de aspirinas


Ao pensar sobre a possibilidade de um cidadão comprar remédios em supermercados,
armazéns, empórios, lojas de conveniências e correlatos, vejo que não ha porque ser
favorável.
Claro que seria bom, em tempos de rotina corrida, a família abastecer sua casa com todo
tipo de mercadorias em um só lugar. Mas entendo que isso não compensa o risco para a
saúde e a vida das pessoas. A preocupação e que a presença do remédio nas prateleiras
das lojas, ao alcance das mãos inclusive de crianças, incentive a automedicação,
estimule as pessoas a praticarem, sem orientação, por conta própria, o consumo desses
produtos.
Os medicamentos, indiscriminadamente, são a segunda maior causa de óbitos causados
por intoxicação humana, segundo dados mais recentes do Sistema Nacional de
Informações Tóxico- Farmacológicas (SINITOX), da Fundação Oswaldo Cruz
(FIOCRUZ).
Permitir que estabelecimentos comerciais, alheios ao serviço farmacêutico, vendam
medicamentos, sem se submeterem a exigências técnicas, e desconsiderar os avanços, já
alcançados, pela regulamentação sanitária brasileira.
Adaptado do artigo de opinião de Humberto Costa, Folha de São Paulo, 15/05/2012.
ATENÇÃO
Sua carta deve ter, no mínimo, 20 linhas escritas.
Assine sua carta com João ou Maria.

TEMA 29
PROPOSTA 1
Texto 1
A ciência mais imperativa e predominante sobre tudo é a ciência política, pois esta
determina quais são as demais ciências que devem ser estudadas na pólis. Nessa
medida, a ciência política inclui a finalidade das demais, e, então, essa finalidade deve
ser o bem do homem.
Aristóteles. Adaptado.

Texto 2
O termo “idiota” aparece em comentários indignados, cada vez mais frequentes no
Brasil, como “política é coisa de idiota”. O que podemos constatar é que acabou se
invertendo o conceito original de idiota, pois a palavra idiótes, em grego, significa
aquele que só vive a vida privada, que recusa a política, que diz não à política.
Talvez devêssemos retomar esse conceito de idiota como aquele que vive fechado dentro
de si e só se interessa pela vida no âmbito pessoal. Sua expressão generalizada é: “Não
me meto em política”.
M. S. Cortella e R. J. Ribeiro,
Política – para não ser idiota. Adaptado.

Texto 3

FILHOS DA ÉPOCA
Somos filhos da época
e a época é política.

Todas as tuas, nossas, vossas coisas


diurnas e noturnas,
são coisas políticas.

Querendo ou não querendo,


teus genes têm um passado político,
tua pele, um matiz político,
teus olhos, um aspecto político.

O que você diz tem ressonância,


o que silencia tem um eco
de um jeito ou de outro, político.
(...)
Wislawa Szymborska, Poemas.
Texto 4
As instituições políticas vigentes (por exemplo, partidos políticos, parlamentos,
governos) vivem hoje um processo de abandono ou diminuição do seu papel de
criadoras de agenda de questões e opções relevantes e, também, do seu papel de
propositoras de doutrinas. O que não significa que se amplia a liberdade de opção
individual. Significa apenas que essas funções estão sendo decididamente transferidas
das instituições políticas (isto é, eleitas e, em princípio, controladas) para forças
essencialmente não políticas _ primordialmente as do mercado financeiro e do
consumo. A agenda de opções mais importantes dificilmente pode ser construída
politicamente nas atuais condições. Assim esvaziada, a política perde interesse.
Zygmunt Bauman. Em busca da política. Adaptado.

Texto 5

Os textos aqui reproduzidos falam de política, seja para enfatizar sua necessidade, seja
para indicar suas limitações e impasses no mundo atual. Reflita sobre esses textos e
redija uma dissertação em prosa, na qual você discuta as ideias neles apresentadas,
argumentando de modo a deixar claro o seu ponto de vista sobre o tema Participação
política: indispensável ou superada?
Instruções:
_ A redação deve obedecer à norma padrão da língua portuguesa.
_ Escreva, no mínimo, 20 e, no máximo, 30 linhas, com letra legível.
_ Dê um título a sua redação.Leia os textos:

TEMA 30

Texto I
A cidade como ambiente construído, como necessidade histórica, é resultado da imaginação e
do trabalho coletivo do homem que desafia a natureza. Além de continente das experiências
humanas, com as quais está em permanente tensão, “a cidade é também um registro, uma
escrita, materialização de sua própria história”*. O seu livro de registro preenche-se do que ela
produz e contém: documentos, ordens, inventários, mapas, diagramas, plantas baixas, fotos,
caricaturas, crônicas, literatura... que fixam a sua memória.
* ROLNIK, 1988, p.9
GOMES, Renato Cordeiro. Todas as cidades, a cidade. Rio de Janeiro: Rocco, 1994. p.23.

Texto II
De uma cidade, não aproveitamos as suas sete ou setenta e sete maravilhas, mas a resposta que
dá às nossas perguntas.
CALVINO, Italo. As cidades invisíveis. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. p.44.

Texto III
A CIDADE COMO LOGOMARCA
Embalada pelos projetos bilionários da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos
de 2016, o Rio de Janeiro reinventa sua imagem à feição dos sonhos de espectadores,
consumidores, turistas. No competitivo mercado global de metrópoles, a cidade anuncia
suas vantagens e mascara contradições. (...)

OS PONTOS CEGOS DA IDEALIZAÇÃO


Antigos conflitos em jogo na construção de um novo imaginário sobre o Rio Os
projetos bilionários vinculados ao par Copa-Jogos Olímpicos, amplamente divulgados,
reconstroem nesta cidade acostumada à crise o imaginário de um futuro melhor. (...)
– Se queremos discutir um novo imaginário sobre o Rio, primeiro temos que nos perguntar
quem tem se apropriado do direito de imaginar a cidade – diz o sociólogo Marcelo Burgos,
professor da PUC-Rio. – As populações de favelas, bairros populares, loteamentos não têm
participado desse debate. O volume de investimentos mobilizados exigiria uma discussão mais
ampla.
O Globo, Prosa & Verso, 06 ago 2011, p.1-2.

Texto IV
Viver em comunidade é realidade no interior de São Paulo
TATIANA ACHCAR
Porangaba (169 km a oeste de São Paulo) possui um grupo especial de habitantes: 18 adultos e
uma criança vivem em uma comunidade autossustentável batizada de Parque Ecológico Visão
Futuro, que ocupa uma área de 70 hectares. Eles fazem as refeições juntos, compartilham as
salas de meditação e de TV, moram em casas comunitárias e trabalham na própria comunidade.
O Visão Futuro é uma ecovila, cujo formato é uma herança das comunidades alternativas dos
anos 60. O conceito, porém, é diferente daqueles usados pelos hippies*.
“As ecovilas respondem mais ao que as pessoas de hoje querem e precisam, pois inovam
constantemente em tecnologia e em forma de governança”, diz a socióloga paulistana May East,
que mora há 11 anos em Findhorn, no Reino Unido, a primeira ecovila do mundo. East é
consultora da GEN (Global Ecovillages Network ou Rede Global de Ecovilas) e representa o
movimento na ONU. “Para as Nações Unidas, as ecovilas são a revolução do habitat”, diz ela.
“A autossustentabilidade vai ao encontro das necessidades do presente sem comprometer a
sobrevivência das gerações futuras.” De acordo com dados da GEN, há cerca de 15 mil ecovilas
espalhadas pelo mundo, somando perto de 1 milhão de moradores. No Brasil, existem cerca de
30 comunidades, assessoradas pela Rede de Ecovilas das Américas, que dá suporte e integra as
comunidades do continente. Cada ecovila reúne até 2.000 pessoas dispostas a criar estratégias
para viver melhor, baseando-se em valores como o respeito à natureza, a importância das
relações interpessoais e a diversidade.
*O movimento hippie caracterizava-se por reunir jovens que contestavam a ordem social vigente em comunidades
que, sob o lema “Paz e amor”, buscavam modos alternativos de vida, marcados pela comunhão com a natureza, o
antimilitarismo e a liberdade de comportamento.
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u2237.shtml Acessado em 05 ago 2011.

Redação
Cidades em que vivemos, cidades com que sonhamos: como misturar os dados concretos da
vida cotidiana com os sonhos dos habitantes de uma cidade?
Os textos apresentados procuram responder a essa questão. A partir deles e de sua vivência da
cidade, constituída não só de sua experiência de cidadão, mas também de leituras,
conhecimentos, sonhos e imaginação, escreva um texto dissertativo sobre o tema:

CIDADES: COMO HABITÁ-LAS


Desenvolva argumentação consistente e busque coerência na organização e articulação entre as
partes, deixando clara a progressão das ideias. Se considerar adequado, sirva-se de exemplos e
casos concretos, mas não deixe de lado a argumentação em torno da proposta do tema, inspirada
nos textos apresentados. Use adequadamente os recursos de seleção vocabular e confira ao texto
estruturação sintático-semântica bem articulada pelos recursos coesivos.

INSTRUÇÕES

O texto será escrito em prosa, na modalidade culta da língua portuguesa, e terá entre 20
e 25 linhas. Desenvolva argumentação consistente e busque coerência na organização e
articulação entre as partes, deixando clara a progressão das ideias. Se considerar
adequado, sirva-se de exemplos e casos concretos, mas não deixe de lado a
argumentação em torno da proposta do tema, inspirada nos textos apresentados. Use
adequadamente os recursos de seleção vocabular e confira ao texto estruturação
sintático-semântica bem articulada pelos recursos coesivos.
Notícia x Reportagem

Os gêneros jornalísticos são classificados de acordo com características únicas que os distingam
dos outros. Acontece que determinados gêneros, quando comparados, possuem diferenças tão
pequenas que acabam sendo confundidos e, é exatamente isso que acontece com a notícia e a
reportagem.

Começando com a notícia, que usufrui de imparcialidade, fatos verdadeiros e isentos (tanto
quanto a reportagem) e deve publicar informações sem distorções porque nomes e datas
veiculados podem ser comprovados pelo público até mesmo comparando com outros jornais
que tragam mais ou menos a mesma informação. A notícia é produzida segundo técnicas
especificas, como à apuração e seleção dos fatos, escolha do vocabulário, ordenação de
informações… De forma simplista, define-se notícia como o anúncio da novidade.

Para Nilson Lage – jornalista e professor titular da Universidade Federal de Santa Catarina
desde 1992, doutor em linguística e mestre em comunicação e bacharel em letras -, o que
diferencia a notícia dos outros formatos de texto é a forma em que ela é redigida. Notícia,
segundo ele, é o fato redigido a partir do dado mais importante ou capaz de gerar maior
interesse, seguindo-se as demais informações em ordem decrescente de importância. A notícia
deve apresentar ao leitor um relato objetivo e distante dos fatos, isento de avaliações pessoais
ou julgamentos tanto explícitos quanto implícitos.

Agora a reportagem – onde se contam e narram as peripécias da atualidade –, um gênero


jornalístico privilegiado, é criada a partir de um fato programado, tem maior liberdade no
vocabulário, trata de assuntos que não precisam ser novos. Seu objetivo é contar uma história
verdadeira, expor uma situação ou interpretar fatos. Preocupa-se em ser atual e mais
abrangente, oferecendo maior detalhamento e contextualização àquilo que já foi anunciado.
Diferente da notícia que é imediatista e tem como fator determinante o tempo dependente
sempre de um fato novo, a reportagem é produzida a qualquer momento oportuno. Eis aqui
um dos principais elementos de distinção entre notícia e reportagem: a questão da atualidade.
Outra diferença é quanto à motivação do veículo ao produzir cada gênero. A notícia tem que
ser publicada, se não for, implicará na perda de credibilidade do jornal, enquanto a decisão de
produzir ou não uma reportagem depende da avaliação dos profissionais de determinado
veículo à respeito da pertinência do assunto, levando em conta, inclusive, o relacionamento
com o anunciante.

Para nós estudantes, as aulas técnicas da sala de aula facilitam na identificação de diferenças
no lead e nas técnicas de utilização da pirâmide invertida, que estão ausentes na reportagem
onde o primeiro parágrafo do texto é descritivo ou parte de um aspecto secundário como
“gancho” para o assunto principal, características que não são totalmente opostas do gênero
notícia.

Ainda tem dúvidas? Confira o exemplo publicado no texto Notícia e Reportagem: Sutis
Diferenças de Felipe Franceschini.

No caso da notícia, essas técnicas são identificadas sem dificuldade, como demonstra o texto
de O Globo:

PF caça guerrilheiro colombiano em favela


Na primeira ação conjunta entre as forças de segurança dos
governos federal e estadual, 40 agentes da Polícia Federal, com
o auxílio de homens da Coordenadoria de Recursos Especiais
(Core) e de dois helicópteros da Coordenadoria Geral de Operações
Aéreas (Cegoa) da Polícia Civil, ocuparam ontem o
Morro da Fazendinha, no Complexo do Alemão, em Inhaúma.
O objetivo era tentar localizar um integrante das Forças Armadas
Revolucionárias da Colômbia (Farc), que estaria escondido
na região, treinando traficantes para o emprego de táticas
de guerrilha. Houve uma rápida troca de tiros com os bandidos
e um agende da Core foi baleado em um dos pés. No
fim da operação, o homem não foi localizado. (…)
(A matéria segue com mais sete parágrafos.)

O lead esclarece, em ordem de importância, que se trata da ocupação de um morro, quem são
as pessoas envolvidas – caçadores e caça –, as circunstâncias de tempo e lugar, o modo como
se deu a ocupação e o motivo pelo qual o homem era procurado. As informações que constam
do lead são as mais importantes e serão detalhadas ao longo do texto.

Já no texto seguinte, do Jornal do Brasil, o primeiro parágrafo também responde às seis


perguntas essenciais, mas, como estratégia, elege um personagem de importância secundária
no texto, para a partir desse personagem chegar ao assunto principal:
UBERLÂNDIA – Adnan Jobran usa roupas brancas para presenciar
o abate de frangos na processadora de alimentos Sadia,
garantindo que eles morram de acordo com as diretrizes
aceitas pelos muçulmanos, com os pescoços cortados em um
movimento de meia-lua. Na unidade próxima de Uberlândia,
a 550 km de São Paulo, cerca de 10% dos 140 mil frangos e 10
mil perus produzidos diariamente são mortos segundo os rituais
islâmicos e enviados a países como Arábia Saudita e Dubai, afirmou Jobran, que possui um
exemplar do Alcorão sobre a mesa e decora o escritório com cartazes de santuários
muçulmanos. (…)

Caso desconheça que a segunda matéria não é uma notícia, e sim uma reportagem, ficará à
procura da pirâmide invertida, perguntará a si mesmo se a presença de um livro sobre a mesa e
a decoração de um escritório são dados importantes ao ponto de constarem do lead. Ou
sentirá a incômoda sensação de que existe um descompasso entre as técnicas apresentadas no
curso e aquilo que sai publicado nas páginas

Programa de prova da UEM – 2012

A prova de Redação exige do candidato a produção de dois a quatro textos em determinados


gêneros textuais. A lista dos gêneros textuais é divulgada com antecedência e,
periodicamente, sofre mudança, mantendo parte dos gêneros textuais solicitados. A prova
de redação é o principal instrumento de avaliação da capacidade de pensar, compreender e
de expressar-se por escrito sobre um determinado assunto, além de avaliar o domínio e o
conhecimento dos mecanismos da língua culta.

A seguir, apresentamos a lista dos gêneros textuais que poderão ser solicitados para a
produção da redação neste vestibular.

1. Artigo de opinião.

2. Carta de reclamação.

3. Carta do leitor

4. Notícia.

5. Relato.

6. Reportagem.

7. Resposta argumentativa.

8. Resposta interpretativa.

9. Resumo.

10. Texto instrucional.


GÊNERO TEXTUAL E TIPOLOGIA TEXTUAL: COLOCAÇÕES SOB DOIS ENFOQUES
TEÓRICOS

Sílvio Ribeiro da Silva

A diferença entre Gênero Textual e Tipologia Textual é, no meu entender, importante para
direcionar o trabalho do professor de língua na leitura, compreensão e produção de textos [1].
O que pretendemos neste pequeno ensaio é apresentar algumas considerações sobre Gênero
Textual e Tipologia Textual, usando, para isso, as considerações feitas por Marcuschi (2002) e
Travaglia (2002), que faz apontamentos questionáveis para o termo Tipologia Textual. No final,
apresento minhas considerações a respeito de minha escolha pelo gênero ou pela tipologia.

Convém afirmar que acredito que o trabalho com a leitura, compreensão e a produção escrita
em Língua Materna deve ter como meta primordial o desenvolvimento no aluno de
habilidades que façam com que ele tenha capacidade de usar um número sempre maior de
recursos da língua para produzir efeitos de sentido de forma adequada a cada situação
específica de interação humana.

Luiz Antônio Marcuschi (UFPE) defende o trabalho com textos na escola a partir da abordagem
do Gênero Textual [2] . Marcuschi não demonstra favorabilidade ao trabalho com a Tipologia
Textual, uma vez que, para ele, o trabalho fica limitado, trazendo para o ensino alguns
problemas, uma vez que não é possível, por exemplo, ensinar narrativa em geral, porque,
embora possamos classificar vários textos como sendo narrativos, eles se concretizam em
formas diferentes – gêneros – que possuem diferenças específicas.

Por outro lado, autores como Luiz Carlos Travaglia (UFUberlândia/MG) defendem o trabalho
com a Tipologia Textual. Para o autor, sendo os textos de diferentes tipos, eles se instauram
devido à existência de diferentes modos de interação ou interlocução. O trabalho com o texto
e com os diferentes tipos de texto é fundamental para o desenvolvimento da competência
comunicativa. De acordo com as idéias do autor, cada tipo de texto é apropriado para um tipo
de interação específica. Deixar o aluno restrito a apenas alguns tipos de texto é fazer com que
ele só tenha recursos para atuar comunicativamente em alguns casos, tornando-se incapaz, ou
pouco capaz, em outros. Certamente, o professor teria que fazer uma espécie de levantamento
de quais tipos seriam mais necessários para os alunos, para, a partir daí, iniciar o trabalho com
esses tipos mais necessários.
Marcuschi afirma que os livros didáticos trazem, de maneira equivocada, o termo tipo de texto.
Na verdade, para ele, não se trata de tipo de texto, mas de gênero de texto. O autor diz que
não é correto afirmar que a carta pessoal, por exemplo, é um tipo de texto como fazem os
livros. Ele atesta que a carta pessoal é um Gênero Textual.

O autor diz que em todos os gêneros os tipos se realizam, ocorrendo, muitas das vezes, o
mesmo gênero sendo realizado em dois ou mais tipos. Ele apresenta uma carta pessoal [3]
como exemplo, e comenta que ela pode apresentar as tipologias descrição, injunção,
exposição, narração e argumentação. Ele chama essa miscelânea de tipos presentes em um
gênero de heterogeneidade tipológica.

Travaglia (2002) fala em conjugação tipológica. Para ele, dificilmente são encontrados
tipos puros. Realmente é raro um tipo puro. Num texto como a bula de remédio, por exemplo,
que para Fávero & Koch (1987) é um texto injuntivo, tem-se a presença de várias tipologias,
como a descrição, a injunção e a predição [4] . Travaglia afirma que um texto se define como de
um tipo por uma questão de dominância, em função do tipo de interlocução que se pretende
estabelecer e que se estabelece, e não em função do espaço ocupado por um tipo na
constituição desse texto.

Quando acontece o fenômeno de um texto ter aspecto de um gênero mas ter sido
construído em outro, Marcuschi dá o nome de intertextualidade intergêneros. Ele explica
dizendo que isso acontece porque ocorreu no texto a configuração de uma estrutura
intergêneros de natureza altamente híbrida, sendo que um gênero assume a função de outro.

Travaglia não fala de intertextualidade intergêneros, mas fala de um intercâmbio de


tipos. Explicando, ele afirma que um tipo pode ser usado no lugar de outro tipo, criando
determinados efeitos de sentido impossíveis, na opinião do autor, com outro dado tipo. Para
exemplificar, ele fala de descrições e comentários dissertativos feitos por meio da narração.

Resumindo esse ponto, Marcuschi traz a seguinte configuração teórica:

a) intertextualidade intergêneros = um gênero com a função de outro

b) heterogeneidade tipológica = um gênero com a presença de vários tipos

Travaglia mostra o seguinte:

a) conjugação tipológica = um texto apresenta vários tipos

b) intercâmbio de tipos = um tipo usado no lugar de outro


Aspecto interessante a se observar é que Marcuschi afirma que os gêneros não são
entidades naturais, mas artefatos culturais construídos historicamente pelo ser humano. Um
gênero, para ele, pode não ter uma determinada propriedade e ainda continuar sendo aquele
gênero. Para exemplificar, o autor fala, mais uma vez, da carta pessoal. Mesmo que o autor da
carta não tenha assinado o nome no final, ela continuará sendo carta, graças as suas
propriedades necessárias e suficientes [5] . Ele diz, ainda, que uma publicidade pode ter o
formato de um poema ou de uma lista de produtos em oferta. O que importa é que esteja
fazendo divulgação de produtos, estimulando a compra por parte de clientes ou usuários
daquele produto.

Para Marcuschi, Tipologia Textual é um termo que deve ser usado para designar uma
espécie de seqüência teoricamente definida pela natureza lingüística de sua composição. Em
geral, os tipos textuais abrangem as categorias narração, argumentação, exposição, descrição e
injunção (Swales, 1990; Adam, 1990; Bronckart, 1999). Segundo ele, o termo Tipologia Textual
é usado para designar uma espécie de seqüência teoricamente definida pela natureza
lingüística de sua composição (aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas) (p.
22).

Gênero Textual é definido pelo autor como uma noção vaga para os textos
materializados encontrados no dia-a-dia e que apresentam características sócio-comunicativas
definidas pelos conteúdos, propriedades funcionais, estilo e composição característica.

Travaglia define Tipologia Textual como aquilo que pode instaurar um modo de
interação, uma maneira de interlocução, segundo perspectivas que podem variar. Essas
perspectivas podem, segundo o autor, estar ligadas ao produtor do texto em relação ao objeto
do dizer quanto ao fazer/acontecer, ou conhecer/saber, e quanto à inserção destes no tempo
e/ou no espaço. Pode ser possível a perspectiva do produtor do texto dada pela imagem que o
mesmo faz do receptor como alguém que concorda ou não com o que ele diz. Surge, assim, o
discurso da transformação, quando o produtor vê o receptor como alguém que não concorda
com ele. Se o produtor vir o receptor como alguém que concorda com ele, surge o discurso da
cumplicidade. Tem-se ainda, na opinião de Travaglia, uma perspectiva em que o produtor do
texto faz uma antecipação no dizer. Da mesma forma, é possível encontrar a perspectiva dada
pela atitude comunicativa de comprometimento ou não. Resumindo, cada uma das
perspectivas apresentadas pelo autor gerará um tipo de texto. Assim, a primeira perspectiva
faz surgir os tipos descrição, dissertação, injunção e narração. A segunda perspectiva faz com
que surja o tipo argumentativo stricto sensu [6] e não argumentativo stricto sensu. A
perspectiva da antecipação faz surgir o tipo preditivo. A do comprometimento dá origem a
textos do mundo comentado (comprometimento) e do mundo narrado (não
comprometimento) (Weirinch, 1968). Os textos do mundo narrado seriam enquadrados, de
maneira geral, no tipo narração. Já os do mundo comentado ficariam no tipo dissertação.

Travaglia diz que o Gênero Textual se caracteriza por exercer uma função social
específica. Para ele, estas funções sociais são pressentidas e vivenciadas pelos usuários. Isso
equivale dizer que, intuitivamente, sabemos que gênero usar em momentos específicos de
interação, de acordo com a função social dele. Quando vamos escrever um e-mail, sabemos
que ele pode apresentar características que farão com que ele “funcione” de maneira
diferente. Assim, escrever um e-mail para um amigo não é o mesmo que escrever um e-mail
para uma universidade, pedindo informações sobre um concurso público, por exemplo.

Observamos que Travaglia dá ao gênero uma função social. Parece que ele diferencia
Tipologia Textual de Gênero Textual a partir dessa “qualidade” que o gênero possui. Mas todo
texto, independente de seu gênero ou tipo, não exerce uma função social qualquer?

Marcuschi apresenta alguns exemplos de gêneros, mas não ressalta sua função social. Os
exemplos que ele traz são telefonema, sermão, romance, bilhete, aula expositiva, reunião de
condomínio, etc.

Já Travaglia, não só traz alguns exemplos de gêneros como mostra o que, na sua opinião,
seria a função social básica comum a cada um: aviso, comunicado, edital, informação, informe,
citação (todos com a função social de dar conhecimento de algo a alguém). Certamente a carta
e o e-mail entrariam nessa lista, levando em consideração que o aviso pode ser dado sob a
forma de uma carta, e-mail ou ofício. Ele continua exemplificando apresentando a petição, o
memorial, o requerimento, o abaixo assinado (com a função social de pedir, solicitar). Continuo
colocando a carta, o e-mail e o ofício aqui. Nota promissória, termo de compromisso e voto
são exemplos com a função de prometer. Para mim o voto não teria essa função de prometer.
Mas a função de confirmar a promessa de dar o voto a alguém. Quando alguém vota, não
promete nada, confirma a promessa de votar que pode ter sido feita a um candidato.

Ele apresenta outros exemplos, mas por questão de espaço não colocarei todos. É bom
notar que os exemplos dados por ele, mesmo os que não foram mostrados aqui, apresentam
função social formal, rígida. Ele não apresenta exemplos de gêneros que tenham uma função
social menos rígida, como o bilhete.

Uma discussão vista em Travaglia e não encontrada em Marcuschi [7] é a de Espécie.


Para ele, Espécie se define e se caracteriza por aspectos formais de estrutura e de superfície
lingüística e/ou aspectos de conteúdo. Ele exemplifica Espécie dizendo que existem duas
pertencentes ao tipo narrativo: a história e a não-história. Ainda do tipo narrativo, ele
apresenta as Espécies narrativa em prosa e narrativa em verso. No tipo descritivo ele mostra as
Espécies distintas objetiva x subjetiva, estática x dinâmica e comentadora x narradora.
Mudando para gênero, ele apresenta a correspondência com as Espécies carta, telegrama,
bilhete, ofício, etc. No gênero romance, ele mostra as Espécies romance histórico, regionalista,
fantástico, de ficção científica, policial, erótico, etc. Não sei até que ponto a Espécie daria conta
de todos os Gêneros Textuais existentes. Será que é possível especificar todas elas? Talvez seja
difícil até mesmo porque não é fácil dizer quantos e quais são os gêneros textuais existentes.

Se em Travaglia nota-se uma discussão teórica não percebida em Marcuschi, o oposto


também acontece. Este autor discute o conceito de Domínio Discursivo. Ele diz que os
domínios discursivos são as grandes esferas da atividade humana em que os textos circulam
(p. 24). Segundo informa, esses domínios não seriam nem textos nem discursos, mas dariam
origem a discursos muito específicos. Constituiriam práticas discursivas dentro das quais seria
possível a identificação de um conjunto de gêneros que às vezes lhes são próprios como
práticas ou rotinas comunicativas institucionalizadas. Como exemplo, ele fala do discurso
jornalístico, discurso jurídico e discurso religioso. Cada uma dessas atividades, jornalística,
jurídica e religiosa, não abrange gêneros em particular, mas origina vários deles.

Travaglia até fala do discurso jurídico e religioso, mas não como Marcuschi. Ele cita esses
discursos quando discute o que é para ele tipologia de discurso. Assim, ele fala dos discursos
citados mostrando que as tipologias de discurso usarão critérios ligados às condições de
produção dos discursos e às diversas formações discursivas em que podem estar inseridos
(Koch & Fávero, 1987, p. 3). Citando Koch & Fávero, o autor fala que uma tipologia de discurso
usaria critérios ligados à referência (institucional (discurso político, religioso, jurídico),
ideológica (discurso petista, de direita, de esquerda, cristão, etc), a domínios de saber (discurso
médico, lingüístico, filosófico, etc), à inter-relação entre elementos da exterioridade (discurso
autoritário, polêmico, lúdico)). Marcuschi não faz alusão a uma tipologia do discurso.

Semelhante opinião entre os dois autores citados é notada quando falam que texto e
discurso não devem ser encarados como iguais. Marcuschi considera o texto como uma
entidade concreta realizada materialmente e corporificada em algum Gênero Textual [grifo
meu] (p. 24). Discurso para ele é aquilo que um texto produz ao se manifestar em alguma
instância discursiva. O discurso se realiza nos textos (p. 24). Travaglia considera o discurso
como a própria atividade comunicativa, a própria atividade produtora de sentidos para a
interação comunicativa, regulada por uma exterioridade sócio-histórica-ideológica (p. 03).
Texto é o resultado dessa atividade comunicativa. O texto, para ele, é visto como

uma unidade lingüística concreta que é tomada pelos usuários da língua em uma situação de
interação comunicativa específica, como uma unidade de sentido e como preenchendo uma
função comunicativa reconhecível e reconhecida, independentemente de sua extensão (p. 03).

Travaglia afirma que distingue texto de discurso levando em conta que sua preocupação
é com a tipologia de textos, e não de discursos. Marcuschi afirma que a definição que traz de
texto e discurso é muito mais operacional do que formal.

Travaglia faz uma “tipologização” dos termos Gênero Textual, Tipologia Textual e
Espécie. Ele chama esses elementos de Tipelementos. Justifica a escolha pelo termo por
considerar que os elementos tipológicos (Gênero Textual, Tipologia Textual e Espécie) são
básicos na construção das tipologias e talvez dos textos, numa espécie de analogia com os
elementos químicos que compõem as substâncias encontradas na natureza.
Para concluir, acredito que vale a pena considerar que as discussões feitas por
Marcuschi, em defesa da abordagem textual a partir dos Gêneros Textuais, estão diretamente
ligadas ao ensino. Ele afirma que o trabalho com o gênero é uma grande oportunidade de se
lidar com a língua em seus mais diversos usos autênticos no dia-a-dia. Cita o PCN, dizendo que
ele apresenta a idéia básica de que um maior conhecimento do funcionamento dos Gêneros
Textuais é importante para a produção e para a compreensão de textos. Travaglia não faz
abordagens específicas ligadas à questão do ensino no seu tratamento à Tipologia Textual.

O que Travaglia mostra é uma extrema preferência pelo uso da Tipologia Textual,
independente de estar ligada ao ensino. Sua abordagem parece ser mais taxionômica. Ele
chega a afirmar que são os tipos que entram na composição da grande maioria dos textos. Para
ele, a questão dos elementos tipológicos e suas implicações com o ensino/aprendizagem
merece maiores discussões.

Marcuschi diz que não acredita na existência de Gêneros Textuais ideais para o ensino
de língua. Ele afirma que é possível a identificação de gêneros com dificuldades progressivas,
do nível menos formal ao mais formal, do mais privado ao mais público e assim por diante. Os
gêneros devem passar por um processo de progressão, conforme sugerem Schneuwly & Dolz
(2004).

Travaglia, como afirmei, não faz considerações sobre o trabalho com a Tipologia Textual
e o ensino. Acredito que um trabalho com a tipologia teria que, no mínimo, levar em conta a
questão de com quais tipos de texto deve-se trabalhar na escola, a quais será dada maior
atenção e com quais será feito um trabalho mais detido. Acho que a escolha pelo tipo, caso
seja considerada a idéia de Travaglia, deve levar em conta uma série de fatores, porém dois são
mais pertinentes:

a) O trabalho com os tipos deveria preparar o aluno para a composição de quaisquer outros
textos (não sei ao certo se isso é possível. Pode ser que o trabalho apenas com o tipo narrativo
não dê ao aluno o preparo ideal para lidar com o tipo dissertativo, e vice-versa. Um aluno que
pára de estudar na 5ª série e não volta mais à escola teria convivido muito mais com o tipo
narrativo, sendo esse o mais trabalhado nessa série. Será que ele estaria preparado para
produzir, quando necessário, outros tipos textuais? Ao lidar somente com o tipo narrativo, por
exemplo, o aluno, de certa forma, não deixa de trabalhar com os outros tipos?);

b) A utilização prática que o aluno fará de cada tipo em sua vida.

Acho que vale a pena dizer que sou favorável ao trabalho com o Gênero Textual na
escola, embora saiba que todo gênero realiza necessariamente uma ou mais seqüências
tipológicas e que todos os tipos inserem-se em algum gênero textual.

Até recentemente, o ensino de produção de textos (ou de redação) era feito como um
procedimento único e global, como se todos os tipos de texto fossem iguais e não
apresentassem determinadas dificuldades e, por isso, não exigissem aprendizagens específicas.
A fórmula de ensino de redação, ainda hoje muito praticada nas escolas brasileiras – que
consiste fundamentalmente na trilogia narração, descrição e dissertação – tem por base uma
concepção voltada essencialmente para duas finalidades: a formação de escritores literários
(caso o aluno se aprimore nas duas primeiras modalidades textuais) ou a formação de
cientistas (caso da terceira modalidade) (Antunes, 2004). Além disso, essa concepção guarda
em si uma visão equivocada de que narrar e descrever seriam ações mais “fáceis” do que
dissertar, ou mais adequadas à faixa etária, razão pela qual esta última tenha sido reservada às
séries terminais - tanto no ensino fundamental quanto no ensino médio.

O ensino-aprendizagem de leitura, compreensão e produção de texto pela perspectiva


dos gêneros reposiciona o verdadeiro papel do professor de Língua Materna hoje, não mais
visto aqui como um especialista em textos literários ou científicos, distantes da realidade e da
prática textual do aluno, mas como um especialista nas diferentes modalidades textuais, orais
e escritas, de uso social. Assim, o espaço da sala de aula é transformado numa verdadeira
oficina de textos de ação social, o que é viabilizado e concretizado pela adoção de algumas
estratégias, como enviar uma carta para um aluno de outra classe, fazer um cartão e ofertar a
alguém, enviar uma carta de solicitação a um secretário da prefeitura, realizar uma entrevista,
etc. Essas atividades, além de diversificar e concretizar os leitores das produções (que agora
deixam de ser apenas “leitores visuais”), permitem também a participação direta de todos os
alunos e eventualmente de pessoas que fazem parte de suas relações familiares e sociais. A
avaliação dessas produções abandona os critérios quase que exclusivamente literários ou
gramaticais e desloca seu foco para outro ponto: o bom texto não é aquele que apresenta, ou
só apresenta, características literárias, mas aquele que é adequado à situação comunicacional
para a qual foi produzido, ou seja, se a escolha do gênero, se a estrutura, o conteúdo, o estilo e
o nível de língua estão adequados ao interlocutor e podem cumprir a finalidade do texto.

Acredito que abordando os gêneros a escola estaria dando ao aluno a oportunidade de


se apropriar devidamente de diferentes Gêneros Textuais socialmente utilizados, sabendo
movimentar-se no dia-a-dia da interação humana, percebendo que o exercício da linguagem
será o lugar da sua constituição como sujeito. A atividade com a língua, assim, favoreceria o
exercício da interação humana, da participação social dentro de uma sociedade letrada.

Definições sobre alguns gêneros:

1- Artigo de opinião

“É comum encontrarmos circulando no rádio, na TV, nas revistas, nos jornais, temas polêmicos
que exigem uma posição por parte dos ouvintes, espectadores e leitores, por isso o autor
geralmente apresenta seu ponto de vista sobre o tema em questão através do artigo de
opinião.”

* Permite o uso da primeira pessoa do singular e das vivências e experiências lingüísticas,


literárias e filosóficas do articulista;
* Possibilita o uso de emoções e sensações do autor para atingir as sensações e emoções do
leitor;

* Costuma conter descrições detalhadas, apelo emotivo, acusações, humor satírico, ironia e
fontes de informações precisas;

* Exige título.

2- Carta do leitor

* É um instrumento de divulgação de conceitos, ideias e concepções do leitor sobre


determinados assuntos;

* É um gênero textual, em que o autor da carta expressa opiniões (favoráveis ou não) a


respeito de assuntos publicados em revistas, jornais, ou sobre o tratamento dado a esses
assuntos;

* Apresenta formato semelhante ao da carta pessoal, apresentando data, vocativo, corpo do


texto, expressão cordial de despedida, assinatura);

* É escrito em linguagem mais pessoal (empregando pronomes e verbos em 1ª pessoa) ou


mais impessoal (empregando pronomes e verbos na 3ª pessoa) ou ainda a possibilidade de
utilizar os dois tipos de linguagem ao mesmo tempo;

*Contém menor ou maior impessoalidade, de acordo com a intenção do autor (protestar,


brincar ou impressionar os leitores, por exemplo).

3- Carta de reclamação

- indicação do objeto alvo de reclamação (ex: “os buracos existentes nas ruas”; “atraso na
entrega do imóvel”);

- indicação das causas do objeto alvo da reclamação (Provável causa para o desgaste do
calçamento - “(ele) suporta diariamente o peso dos ônibus e carros”);

-justificativa para convencimento de que o objeto pode ser (merece ser) alvo de reclamação;
-indicação de vozes que não consideram que o objeto pode ser alvo de reclamação;
-resposta ao contra-argumento relativo à pertinência da reclamação (Mala que sofreu avarias -
“Os objetos que sofreram estragos são relativamente fáceis de serem substituídos” – “Porém o
fato que desapontou foi a maneira relapsa com que o diretor foi tratado quando reclamou
verbalmente no balcão de informações da companhia”);
-indicação de sugestões de providências a serem tomadas (“Reparar ou substituir o frigorífico
no prazo de 10 dias”);

-justificativa para convencimento de que a sugestão é adequada;

-levantamento de vozes que não consideram que as sugestões são boas;

-resposta ao contra-argumento quanto à pertinência da sugestão de providências (Ex:sugestão


dada na carta - “Devolver o pagamento da roupa”; contra-argumentação: “A Empresa está em
fase de recuperação do software de gestão financeira”; Refutação:“Mesmo com dificuldades, a
empresa tem o dever de cumprir com as obrigações legais”);
-saudação (“Esperamos, sinceramente, que nossas reclamações sejam ouvidas com mais
atenção desta vez” e “Esperando que esse órgão cumpra com seu papel...”); outras, com
agradecimentos à atenção dada (“Desejo, na oportunidade, mostrar minha satisfação com a
gentileza e seriedade com que meus apelos e reclamações são recebidos”) e aquelas em que o
escritor apenas cumprimentava o destinatário (“Com os melhores cumprimentos”).
-apresenta formato semelhante ao da carta pessoal, apresentando data, vocativo, corpo do
texto, expressão cordial de despedida, assinatura - só a inicial do sobrenome);

-apresenta formato semelhante ao da carta pessoal, apresentando data, vocativo, corpo do


texto, expressão cordial de despedida, assinatura - só a inicial do sobrenome);

Modelos
1 - Indica e argumenta a respeito do objeto da reclamação;

2 - Indica e argumenta a respeito do objeto da reclamação, indica sugestões;

3 - Indica e argumenta sobre o objeto de reclamação, indica e argumenta sobre as sugestões.

4-Relato
-exposição escrita ou oral sobre um acontecimento;

-tipo de narrativa em que alguém conta um episódio importante de sua vida;

-apresenta os elementos essenciais do texto narrativo (personagens, fatos, tempo e espaço);

-tem como narrador o protagonista, isto é, a personagem mais importante da história.

-convém colocar título (Relato de .......).

5 e 6-Reportagem e notícia

-a reportagem é sempre um gênero informativo acrescido de interpretação e opinião;


-embora ela geralmente se inicie como a notícia - com um lead (o lead é o primeiro parágrafo
da notícia; nele o leitor deverá encontrar resposta a seis questões fundamentais: O Quê,
Quem, Quando, Onde, Por quê e Como; sendo que as duas últimas questões – Por quê e Como
– podem as mais das vezes omitir-se do lead, guardando-se para o parágrafo subseqüente) -, a
reportagem amplia o fato principal, acrescentando opiniões e diferentes versões.

-a reportagem não tem uma estrutura rígida. De modo geral, depois do lead, desenvolve-se a
narrativa do fato principal, ampliando-a e compondo-a por meio de entrevistas, depoimentos,
boxes com estatísticas, pequenos resumos, textos de opinião.

-como todo texto jornalístico, a reportagem é sempre encabeçada por um título, que anuncia o
fato em si, podendo ou não apresentar subtítulo ou título auxiliar, que explana o título.

-na reportagem, emprega-se uma linguagem clara, dinâmica e objetiva, de acordo com o
padrão culto da língua. Embora a linguagem seja impessoal, quase sempre é possível perceber
a opinião do repórter sobre os fatos ou sua interpretação. Às vezes, o jornal ou a revista
emprega uma linguagem mais informal, dependendo do público a que se destina.

Características da reportagem

1. informa de modo mais aprofundado sobre fatos que interessam ao público a que se destina
o jornal ou revista, acrescentando opiniões e diferentes versões, de preferência comprovadas;

2. costuma estabelecer conexões entre o fato central, normalmente enunciado no lead, e fatos
paralelos, por meio de citações, trechos de entrevistas, boxes informativos, dados estatísticos,
fotografias, etc.;

3. pode ter um caráter opinativo, questionando as causas e os efeitos dos fatos, interpretando-
os, orientando os leitores;

4. predomínio da função referencial da linguagem;

5. linguagem impessoal, objetiva, direta, de acordo com o padrão culto da língua.

Diferenças entre reportagem e notícia

Enquanto a notícia nos diz no mesmo dia ou no seguinte se o acontecimento entrou para a
história, a reportagem nos mostra como é que isso se deu. Tomada como método de registro, a
notícia se esgota no anúncio; a reportagem, porém, só se esgota no desdobramento, na
pormenorização, no amplo relato dos fatos.

O salto da notícia para a reportagem se dá no momento em que é preciso ir além da


notificação - em que a notícia deixa de ser sinônimo de nota - e se situa no detalhamento, no
questionamento de causa e efeito, na interpretação e no impacto, adquirindo uma nova
dimensão narrativa e ética. Porque com essa ampliação de âmbito a reportagem atribui à
notícia um conteúdo que privilegia a versão. Se a nota é geralmente a história de uma só
versão, a reportagem é por dever e método a soma das diferentes versões de um mesmo
acontecimento. (http://salinhas.blogspot.com/)
-Segundo Clovis Rossi "reportagem é uma coisa paradoxal, por se tratar, ao mesmo tempo, da
mais fácil e da mais difícil maneira de viver a vida. Fácil porque, no fundo, reportagem é apenas
a técnica de contar boas histórias. Todos sabem contar histórias. Se bem alfabetizado, pode-se
até contá-las em português correto e pronto: está-se fazendo uma reportagem, até sem o
saber. Difícil porque o repórter persegue esse ser chamado verdade, quase sempre inatingível
ou inexistente ou tão repleto de rostos diferentes que se corre permanentemente o risco de
não conseguir captá-los todos e passá-los todos para o leitor".
Rossi cita um exemplo prático para ilustrar sua abordagem: suponha que você está numa ponte
sobre uma rodovia qualquer. De repente, um carro passa para a pista contrária e bate de frente
num caminhão. Morre o motorista do carro. Qual é a verdade? O motorista atravessou a pista
e, logo, foi o culpado. Mas a função do repórter é ir atrás das causas, e estas não ficam visíveis
nem mesmo no exemplo simples usado. O motorista pode ter perdido a direção porque
dormiu, porque estava bêbado, porque sofreu um colapso e morreu no ato, porque quebrou a
barra de direção. Ou seja, mesmo que você seja testemunha ocular de um fato, nem por isso
fica seguro de que sabe tudo a respeito dele. Ora, jornalistas quase nunca são testemunhas
oculares de fatos menos corriqueiros. Em geral, eles se passam nas sombras dos gabinetes, no
escurinho dos palácios, nos fundos dos morros e favelas e assim por diante. Logo, resgatar a
'melhor versão possível da verdade' - como definiu em uma palestra em São Paulo o repórter
do "Washington Post", Carl Bernstein, que, com Bob Woodward, desvendou o caso Watergate -
é uma tarefa ingrata. Para executá-la, sejamos francos, exige-se muito mais transpiração que
inspiração. Mais esforço físico que intelectual. Exige que se gaste a ponta do dedo telefonando
para todas as pessoas que possam dar ao menos um fragmento de informação. Exige que se
gaste a bunda nos sofás das ante-salas de autoridades ou 'ôtoridades', na espera de que elas
atendam o repórter e lhes dêem mais um pedacinho da informação. Exige que se gastem as
pernas e as solas dos sapatos andando atrás de passeatas, comícios ou fugindo da polícia.
Exige, ainda, gastar a vista lendo livros, revistas, jornais, documentos, relatórios, certidões, o
diabo, atrás de detalhes ou confirmações ou, no mínimo, como ponto de partida para se iniciar
um trabalho com um mínimo de informações prévias. Gasta-se a vista também no simples
exercício de olhar com olhos de ver. Tem muita gente que olha e não vê detalhes que acabam
compondo pedaços por vezes vitais de uma reportagem.
7 e 8 - Resposta de questão interpretativa/argumentativa

- os gêneros têm como foco central responder uma pergunta marcada ou não marcada.

Na resposta argumentativa, o candidato deve trazer argumentos extratextuais. Já na resposta


interpretativa pode ser exigido o uso de comprovações, ou apenas uma interpretação do texto
+ o acréscimo de argumentação - como no vestibular de 2010..

9- Resumo

-resumir é identificar as ideias centrais e secundárias de um texto; é apresentar uma síntese


(um “enxugamento”) do texto que corresponda à compreensão do que foi lido
-no resumo: interessa apenas o que está no texto lido; é proibido fazer comentários pessoais;
não se copia sentenças avulsas do texto original.

-para resumir, deve-se ler o texto, extrair as informações e os argumentos básicos apre-
sentados e os apresentar com suas próprias palavras, limitando-se às informações essenciais;

-deve-se apresentar o nome do autor do texto original (Segundo "fulano de tal".... "Fulano de
tal" acredita.... "Fulano de tal" finaliza....). Em algumas situações.;;;;;;;;

10- Texto instrucional

-os textos instrucionais são aqueles cuja função é instruir, ensinar, mostrar como algo deve ser
feito.

-eles descrevem etapas que devem ser seguidas. Dentro desta categoria, encontramos desde
as mais simples receitas culinárias até os complexos manuais de instrução para montar o motor
de um avião.

-existem numerosas variedades de textos instrucionais: além de receitas e manuais, estão os


regulamentos, estatutos, contratos, instruções de jogos etc.

-referindo-nos especialmente às receitas culinárias e aos textos que trazem instruções para
organizar um jogo, realizar um experimento, construir um artefato e concertar um objeto,
entre outros, distinguimos duas partes, uma, contém listas de elementos a serem utilizados, a
outra, desenvolve as instruções.

-as instruções configuram-se, habitualmente, com orações bimembres, com verbos no modo
imperativo (misture a farinha com o fermento), ou orações unimembres formadas por
construções com o verbo no infinitivo (misturar a farinha com o açúcar).

-o estudo de textos normativos também pode ser associado ao estudo de sinalizações


normalmente utilizadas com a mesma função, por exemplo, os sinais de trânsito e outras
placas indicativas como: “proibido fumar”, “reservado a deficientes físicos”, etc.

-todos eles, independente de sua complexidade, compartilham da função apelativa da


linguagem, à medida que prescrevem ações e empregam a trama descritiva para representar o
processo a ser seguido na tarefa empreendida.
-em nosso cotidiano, deparamo-nos constantemente com textos instrucionais, que nos ajudam
a usar corretamente um processador de alimentos ou um computador; a fazer uma comida
saborosa ou a seguir uma dieta para emagrecer.

-é necessário atribuir um título como por ex. "Bolo de cenoura".