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CIÊNCIA DO

BASQUETEBOL
Pedagogia e Metodologia
da Iniciação à Especialização
TEORIA E METODOLOGIA DO TREINAMENTO DESPORTIVO

CIÊNCIA DO
BASQUETEBOL
Pedagogia e Metodologia
da Iniciação à Especialização
e-book

Valdomiro de Oliveira
Roberto Rodrigues Paes

Londrina - 2015
© Sport Training Ltda, 2015.

Autores
Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira
Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes

Revisão de texto
Marisa S. Andrade

Capa, Projeto Gráfico e Diagramação


Claudia Albuquerque

Imagens de Capa
VIPDesignUSA/shutterstock

Oliveira, Valdomiro de, Paes, Roberto Rodrigues.


Ciência do Basquetebol, e-book.
Londrina: Sport Training Ltda, 2015.
(Coleção Teoria e Metodologia do Treinamento Desportivo)
ISBN 978-85-63794-11-6

Copyright © 2004 para Valdomiro de Oliveira e Roberto Rodrigues


Paes. Todos os direitos reservados. Proibida a duplicação ou reprodução
desta obra, sejam quais forem os meios empregados (eletrônico,
mecânico, gravação, fotocópia ou outros).

É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, no todo ou em


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Os originais da presente obra foram submetidos à comissão consul-
tiva editorial, tendo sido aprovados pelos consultores ad hoc responsá-
veis, e recomendada a sua publicação na forma atual.

Comissão Editorial
Prof. Dr. Abdallah Achour Junior (UEL)
Prof. Dr. Antonio Carlos da Silva (UNIFESP)
Prof. Me. Clovis Alberto Franciscon (Traffic Futebol)
Prof. Dr. Edson M. G. Palomares (UNCFR)
Prof. Dr. João Paulo Borin (UNICAMP)
Prof. Dr. Sérgio Gregório da Silva (UFPR)
Prof. Dr. Tácito Pessoa de Souza Júnior (UFPR)
Prof. Dr. Paulo Roberto de Oliveira (UNICAMP)
Prof. Me. Pedro Lanaro Filho (UEL)
Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira (UFPR)
Prof. Dr. Wagner de Campos (UFPR)
Autores

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira


• Doutor em Ciências do Desporto – UNICAMP, Campinas-SP
• Mestre em Ciências do Desporto – UNICAMP, Campinas-SP
• Especialista em Ciências do Desporto de Alto Rendimento – Rússia,
Moscou
• Especialista em Treinamento Desportivo – UNOPAR, Londrina-PR
• Professor de Educação Física – UEM, Maringá-PR.
• Prof. Adjunto na cadeira de Pedagogia do Esporte e Basquetebol –
Universidade Federal do Paraná, Curitiba-PR

Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes


• Doutor em Educação – UNICAMP, Campinas-SP
• Prof. livre docente na cadeira de pedagogia do esporte e basquetebol
– UNICAMP, Campinas, SP
• Mestre em Educação – UNIMEP, Piracicaba, SP
• Professor de Educação Física – PUC, Campinas, SP
Agradecimentos

A todos os técnicos que convivi no país. A todos os professores espe-


cialistas, mestres e doutores na vida acadêmica. A todos os campeonatos
dos quais participei como atleta e em muitos deles com representação
nacional e internacional; ficam aqui eternos agradecimentos;
A UFPR (Curitiba), UEL (Londrina), FAFIPA (Paranavaí), PUC-PR
(Curitiba), a UEM (Maringá) e aos professores amigos desses Departa-
mentos de Educação Física pela convivência e amizade.
Ao professor Enio Vecchi e a todos os atletas que contribuíram com as
fotos para ilustrarmos esta obra.
A Pós-Graduação da Faculdade de Educação Física da Unicamp –
Campinas -SP.
Aos amigos da K2, Lúcio Flávio Canteiro, Alexandre Akio Suzuki,
Andrei Teixeira Salvático e Annie Rose Santos que colaboraram de forma
decisiva para o término deste trabalho.
Aos professores Paulo Roberto de Oliveira, Antonio Carlos Gomes,
Hermes Balbino, Paulo César Montagner e Wagner Bergamo, por arre-
messarmos juntos muitas vezes em jogos difíceis.

P rof. Dr. Valdom i ro de Olivei ra

A todos os amigos, que direta e indiretamente, contribuíram para


a realização desta obra.

P rof. Dr. Rob erto Rodrigues Paes


Dedicatória

Dedico este livro à minha família... Paulo e Celeste in-memorium


e João, Nilza e Nilson a minha esposa Gislaine e a meus amados filhos
queridos Caio e Giovana.

Valdom i ro de Olivei ra

Dedico este livro à minha esposa Alice e a minhas filhas Sophia e


Júlia.

Rob erto Rodrigues Paes


Phill Jackson, técnico do Chicago Bulls, várias
vezes campeão da NBA, desenvolveu uma
filosofia durante sua trajetória como técnico
para o basquetebol, aproximando ao máximo
as relações de princípios e valores entre os
atletas, e entre elas as questões filosóficas,
psicológicas e espirituais, que transcenderam o
treinamento físico e técnico–tático.
“Princípios que regem não só o atleta, mas a
vida do homem como cidadão social”

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira


Sumário
Apresentação 11
Prefácio 13
Capítulo I 14
Introdução e evolução do basquetebol no decorrer da história 15
Evolução científica e o estado da arte no basquetebol 19

Capítulo II 24
Pedagogia da iniciação ao jogo de basquetebol 25

Capítulo III 40
Metodologia do ensino do basquetebol em diferentes
fases da iniciação desportiva 41
Fase de conhecer o jogo de basquetebol 43
Fase de aprender os fundamentos e sistemas táticos básicos 45
Fase de automatização, refinamento e aprendizagem de novos conteúdos 50

Capítulo IV 56
Sugestões de atividades para a etapa de iniciação
em basquetebol e suas fases de desenvolvimento 57
A fase de conhecer o jogo de basquetebol 58
Conteúdos de ensino em ordem pedagógica 59
Métodos de ensino em ordem pedagógica 60
Prática dos conteúdos de ensino do basquetebol 60
Fase de aprendizagem dos fundamentos e sistemas
táticos básicos do basquetebol 63
Indicações pedagógicas para o ensino na fase de aprendizagem inicial 63
Métodos de ensino 64
Conteúdos de ensino 64
A fase de automatização da aprendizagem 68
Métodos de ensino 69
Conteúdos de ensino 69
Sistemas ofensivos e defensivos nas fases de iniciação em basquetebol 71
O Sistema ofensivo 71
O ataque contra sistemas de defesas individuais 72
A defensiva nas fases de iniciação 74
Os sistemas de defesa individual 75
Sistemas de defesa por zona 77
Capítulo V 80
Pedagogia do treinamento especializado no basquetebol 81

Capítulo VI 88
Metodologia do treinamento no basquetebol em diferentes
fases da especialização desportiva 89
Fases de treinamento em nível de aperfeiçoamento no basquetebol 90
Fase de treinamento em nível de aprofundamento no basquetebol 95
Fase de treinamento em nível de alto rendimento desportivo no basquetebolA100

Capítulo VII 108


Sugestões de atividades para a etapa de treinamento especializado
em basquetebol 109
Sugestões de atividades para a preparação técnica do jogador de
basquetebol na etapa de treinamento especializado 112
Métodos de treinamento da técnica do jogador de basquetebol nas
fases de treinamento especializado 118
A preparação tática ofensiva e defensiva dos jogadores de basquetebol
nas fases de treinamento especializado 119
A tática defensiva 119
O treinamento defensivo por zona 119
O treinamento defensivo individual 121
Características que devem ser desenvolvidas nos jogadores de
basquetebol em relação à defesa individual 124
A defesa combinada 125
A defesa pressionada 126
A defesa individual pressionada 126
A defesa pressionada por zona 126
A preparação tática ofensiva do jogador de basquetebol na fase
treinamento especializado 127
A preparação tática ofensiva contra individual 127
A preparação tática ofensiva contra defesa por zona 129
A preparação tática para as situações especiais de jogo 130
O treinamento do contra-ataque nas fases de treinamento especializado 133
Formas de realização do contra-ataque 133

Considerações Finais 138


Referências Bibliográficas 139
O Basquetebol na Internet 144
Apresentação

Foi com imensa satisfação que aceitei o convite para fazer a apre-
sentação da presente publicação, na qual o Professor Dr. Valdomiro
de Oliveira sob orientação do Professor Dr. Roberto Rodrigues
Paes, demonstrou claramente sua intenção, determinação e competên-
cia para participar ativamente na busca de soluções definitivas para o
crescimento do carente basquetebol brasileiro; fora das olimpíadas e,
das grandes disputas e conquistas internacionais nas últimas três edi-
ções. Esses autores elaboraram um modelo de preparação de muitos
anos que possibilita a esse esporte, em longo prazo, reconquistar o
lugar de destaque que já ocupou no cenário internacional; atletas ex-
traordinários como Vlamir, Amauri, Rosa Branca, Almir, Mair, An-
gelin, Algodão, Marquinhos, Bira e tantos outros, deram sua contri-
buição para as conquistas inesquecíveis de outrora. Infelizmente, uma
análise nas competições dos últimos anos evidencia a necessidade de
soluções objetivas e competentes; basta verificar a não participação
em Jogos Olímpicos há mais de 4 edições. Os jogos Pan-americanos
devem ser utilizados para oportunizar novas gerações de jogadores
e permitir a formação de uma base para a renovação e não a princi-
pal competição a qual temos vencido com certa frequência, enquanto
outros países como EUA, Argentina e etc. utilizam essa competi-
ção como preparatória. Da forma que está, sem planejamento, em
longo prazo não evidenciamos novos e verdadeiros ídolos e, assim
cria-se um círculo vicioso; poucos ídolos, poucos resultados, poucas
pessoas interessadas na prática do basquetebol; lamentavelmente, os
insucessos são extensivos às categorias de base. No entanto, acredi-
tamos que o modelo de outras modalidades como o voleibol deve ser
seguido buscando-se soluções mais definitivas em longo prazo; daí a
importância da presente publicação; não se trata de tentativa e erro,
senão de pressupostos já experimentados em outros países organizados

11
desportivamente e que, sem dúvida, pode representar um passo à
frente; iniciando pela pedagogia do jogo de basquetebol, transitando
pelas etapas de iniciação, sugerindo conteúdos distribuídos de forma
racional e, em sequência, sugerindo também a etapa de especializa-
ção que visa o aperfeiçoamento dos diferentes fundamentos, além de
propor diferentes métodos de treinamento ajustados às diferentes fai-
xas etárias, buscando o mais alto nível de desenvolvimento das ações
motoras. Preocupa-se também, nessa obra, com a formação teórica
dos praticantes, requisito indispensável para o sucesso em longo pra-
zo. Recomendo esta leitura e sinto que esta publicação dará início a
um novo momento; ou seja, a tentativa de sistematização da apren-
dizagem desde a iniciação até as etapas de especialização, no qual,
passo a passo, escrito por profissionais que além de terem praticado o
basquetebol competitivamente atuaram como professores e técnicos
e atualmente têm buscado a reflexão acadêmica, sobre novas e mais
eficientes formas de ensinar o esporte.

Paulo Rob erto de Olivei ra, PhD

12
Prefácio

Este trabalho inédito e único em sua elaboração, proporcionará


aos professores de educação física, técnicos, doutores, especialistas
e simpatizantes do basquetebol a possibilidade de discutir, não só os
conceitos modernos da iniciação e da especialização do jogador de
basquetebol, mas também a sua aplicação prática, baseada em dife-
rentes estudos científicos. Compreender a combinação dos elemen-
tos: biótipo e idade, correlacionando-os às cargas de trabalho como:
intensidade do treinamento, ensino da mecânica dos movimentos nas
repetições dos exercícios técnicos e dos sistemas táticos, torna-se cada
vez mais um grande desafio para estudiosos, professores e técnicos de
basquetebol. Com isso, este livro será um instrumento muito impor-
tante; na verdade, uma referência dentro da literatura do basquete-
bol brasileiro. Baseado em minhas próprias experiências, afirmo que
fazer com que as crianças sintam empatia pelo jogo e pelo profes-
sor/técnico, torna-se também outro grande desafio aos profissionais.
Detectar talentos, projetar atletas melhores fundamentados e, con-
sequentemente, mais completos e mais competitivos, são estímulos
difíceis de serem conduzidos em sua totalidade. Porém, acredito que
este livro vai contribuir para os profissionais da área de basquetebol,
principalmente no que diz respeito aos conhecimentos dos processos
pedagógicos e organizacionais do treinamento. Bem, esperamos que
este livro seja um dos caminhos para a abertura de novas discussões
a respeito da teoria e da prática do basquetebol no Brasil, através
de conceitos modernos e dados científicos mais fidedignos. Temos
certeza que este livro fornecerá informações importantes tanto aos
técnicos do dia-a-dia, como aos pesquisadores e estudiosos da área.
Enio A ngelo Vecchi ,
Técnico do Londrina Basquete
Técnico da Seleção Brasileira Feminina de Basquetebol

13
Philipp Mamat/ Stock.XCHNG

Capítulo I
Capítulo I

Do início da prática do basquetebol até uma medalha de relevância na-


cional ou internacional, existe um longo caminho a percorrer. Os fracos
desistem, os fortes persistem e os valentes triunfam.
Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira

Introdução e evolução do basquetebol


no decorrer da história
Com a evolução tecnológica, o basquetebol sofreu mudanças
significativas no decorrer das últimas décadas. Nos dias atuais, o jogo
de basquetebol está mais dinâmico, necessitando, com mais premência,
de decisões rápidas diante das ações dos adversários, exigindo novas
metodologias para o treinamento físico e inovações para o treinamento
técnico-tático, além de outros fatores pertinentes ao treinamento como
aspectos psicológicos – preparação para as competições e complemen-
tares – o apoio de outras áreas como da fisioterapia, da medicina des-
portiva, entre outras. No processo de ensino-aprendizagem do basque-
tebol pretende-se desenvolver as capacidades físicas e a aprendizagem
das técnicas e estratégias táticas, gerais, especiais e competitivas para
os alunos/atletas das fases de iniciação e aperfeiçoamento. Deve-se
considerar a organização pedagógica dos conteúdos de forma planeja-
da para a aplicação prática, os quais podem ser embasados nos estudos
sobre o ensino dos jogos desportivos coletivos, especialmente sobre
o basquetebol, almejando a educação e a formação dos alunos nos
aspectos individuais e coletivos. Para tal proposta nos embasamos em
Daiuto (1974), Hercher (1983), Bosc e Grosgerg (1983), Ferreira e
De Rose (1987), Cardoso (1988), Vidal (1991), Jackson (1997), Al-
meida (1998), Oliveira e Graça (1998), Greco (1998), Ugrinowitsch
(2000), Carvalho (2001), Paes (1999, 2001), Vendramini (2002) e
Oliveira e Paes (2002, 2004, 2007, 2010).

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 15


Torna-se relevante, antes de abordarmos o ensino dos conte-
údos específicos, tanto para a iniciação quanto para o treinamento
especializado em basquetebol, discorrer sobre a função educacional
do professor/técnico de basquetebol.
O professor/técnico deve planejar, organizar e conceber o en-
sino do basquetebol como uma prática pluralista, desenvolvendo-a de
acordo com suas manifestações, seus significados, seus ambientes, e
em conformidade com os comportamentos dos personagens que o
praticam, independentemente da faixa etária destes. Sendo assim,
vários são os motivos que devem corroborar para tornar o ambiente
de prática motivador e que, no caso específico do basquetebol, as
crianças e os adolescentes aprendam, gostem e continuem a praticá-lo
frequentemente, independentemente de se tornarem talentos.
A prática do basquetebol nas ruas, nas quadras poli-desportivas,
nos morros ou em outros locais onde acontece a aprendizagem (pe-
dagogia da rua), entre os próprios praticantes sem a presença do téc-
nico ou professor, tal como no futebol, torna o desenvolvimento das
habilidades básicas importantes para a especialização no basquetebol.
A especialização é, por sua vez, uma função árdua para o agente pe-
dagógico ensinar os princípios do jogo de basquetebol, como demons-
tramos com clareza nos itens da figura 1.
Heitor Marcon

Figura 1: A função do técnico de basquetebol.

16 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
Podemos ressaltar na figura 2, pelo método comparativo, um
exemplo para o ensino formal, cuja estrutura relaciona o cenário
com a escola, os objetivos com a iniciação desportiva, os personagens
com os alunos e a modalidade com o basquetebol. Outro exemplo
pode ser atribuído para o ensino não-formal, no qual a estrutura
relaciona o cenário com o clube desportivo, os objetivos com a espe-
cialização desportiva, os personagens com os atletas e a modalidade
sendo o basquetebol.

CENÁRIO
Local da prática
e suas condições
físico-materiais.

MODALIDADE OBJETIVOS
Basquetebol • O que?
• Para que?
• Para quem?
• Quando e
como ensinar?

PERSONAGENS
• Crianças,
adolescentes
e adultos
• atletas e não
atletas
• mulheres e
homens

Figura 2: Cenário, objetivos e personagens na prática do basquetebol.


Fonte: OLIVEIRA e PAES (2002, 2004).

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 17


Nesse pensamento, estaremos direcionando, de forma pedagó-
gica, o processo de ensino de acordo com cada cultura. No ensino do
basquetebol, seja para iniciantes, atletas se especializando ou para atle-
tas profissionais, o técnico necessita compreender em qual cenário ele
atua, quais são as condições físico-materiais, entre outras, para visua-
lizar nitidamente suas responsabilidades e funções e traçar os objetivos
de seu trabalho. No entanto, deve-se observar o quê, para quê, para
quem, quando e como ensinar algum princípio, evitando contradições
entre seus objetivos e metas com a realidade específica de cada cenário.
O técnico precisa, portanto, ser professor, devendo, sobretudo,
preocupar-se com as questões educacionais utilizando o basquetebol
como alternativa educacional. Segundo Paes (1999), ensinar somente a
técnica e a tática pode não ser suficiente; cada técnico se diferencia pela
visão abrangente que tem do seu trabalho e, mesmo possuindo sua pró-
pria filosofia deve, contudo, adquirir os conhecimentos básicos da vida
biológica e cultural de seus aprendizes. Com a somatória desses conhe-
cimentos aliada às suas experiências práticas, o técnico pode se tornar
um agente pedagógico e um técnico vencedor. Acreditamos que para
tornar possível esse fato, é de fundamental importância que o técnico e
os demais envolvidos no processo de ensino compreendam a relevância
das relações que ocorrem no ambiente de iniciação e especialização do
basquetebol, como demonstrados na figura 3.

Pais dos Atletas


de sua Imprensa
atletas
equipe

Torcida TÉCNICO Árbitros

Atletas, pais Quadro


e técnicos de fatores
Dirigentes de outras comple -
equipes mentares

Figura 3: O técnico e os demais envolvidos no ambiente de trabalho.


Fonte: PAES apud OLIVEIRA (2002, 2004)

18 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
As inter-relações estabelecidas pelos técnicos com o ambiente
no qual interagem poderão ser favoráveis se estes promoverem inter-
venções positivas no processo ensino-aprendizagem, conscientizando
seus atletas a entenderem a complexidade do ambiente desportivo e
a buscarem o diálogo constante com todos os que fazem parte desse
ambiente; compreendendo as reações positivas e negativas dos seres
humanos criando, aos poucos, um ambiente favorável independente-
mente de seu nível de atuação.

Evolução científica e
o estado da arte no basquetebol

Aumentam significativamente as discussões sobre as metodo-


logias de ensino do basquetebol; inúmeros são os assuntos a serem
debatidos. Objetivamos neste livro, abranger os assuntos pertinentes
ao ensino de habilidades e competências de estratégias táticas do bas-
quetebol, por intermédio dos estudos já realizados em basquetebol,
treinamento desportivo e pedagogia do desporto. Estes estudos, por
sua vez, podem ser compreendidos em duas etapas: uma abrange a
iniciação e a outra o treinamento especializado em basquetebol.
Os jovens para alcançarem suas metas desportivas, sofrem in-
fluência de inúmeros fatores, entre eles os genéticos e os ambien-
tais, oriundos do contexto social e cultural nos quais estão inseridos.
Defendemos a importância da iniciação precoce, pois entendemos
que os jovens devem ter acesso ao basquetebol o mais cedo possível.
Entretanto, somos críticos quanto ao procedimento de especializa-
ção da criança em uma prática apenas antes dos doze anos e, além
disso, acreditamos que se deve estabelecer no ensino do basquetebol
a função educacional, ou seja, o basquetebol é um dos importantes
aliados da vivência infantil, considerando suas múltiplas dimensões,
haja vista que o mesmo pode se tornar um facilitador no processo de
educação do cidadão. Para tanto, a prática do basquetebol deve ser
balizada pelas seguintes instâncias: respeitar os períodos sensíveis de
desenvolvimento, crescimento e maturação; respeito à idade bioló-
gica; à situação social, cultural, psicológica e fisiológica da criança.

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 19


Heriberto Herrera/ Stock.XCHNG

Nesse aspecto, concordamos com Gomes (1999, p. 10), o qual


afirma que: o técnico inteligente deve fundamentar seu trabalho por
todos os princípios gerais do ensino e da educação, procurando, de
maneira criadora, adaptá-la à realidade do treino desportivo. Dessa
forma, o trabalho inicial a ser desenvolvido pelo treinador não difere
de outro professor em qualquer das mais diversas áreas de ensino.
Entendemos que se deve proporcionar às crianças e adolescen-
tes o desenvolvimento multilateral na iniciação, para que internalizem
uma base sólida antes da especialização. Bento (1989, p. 25) aponta que
o princípio fundamental do ensino deve vigorar da seguinte maneira:
o desenvolvimento presente e futuro das crianças não pode ser sa-
crificado e hipotecado a sucessos de curto prazo de duração. Não é a
obtenção eficaz de rendimento que as crianças buscam na iniciação.
São inúmeros os exemplos que confirmam essa tese. As crianças,
sobretudo, devem ser progressivamente introduzidas em rendimen-
tos, que se realizarão plenamente da juventude até a fase adulta.
Seguindo esse raciocínio, acreditamos que o sucesso dos jovens
no basquetebol dependerá amplamente da relação ensino-aprendizagem,
de boas escolas de treinamento, de bons técnicos, de apoio familiar,
entre outros. De qualquer forma o potencial genético, o treinamento
pedagogicamente sistematizado e a diversificação de atividades
são fatores que podem influenciar diretamente na manutenção das
crianças e adolescentes na prática do basquetebol, possibilitando-
lhes melhores resultados. Em relação ao fator diversificação –

20 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
aprendizagem em várias modalidades desportivas – fica evidente,
em pesquisas realizadas por estudiosos, a relevância da participação
das crianças e adolescentes nas mais diversas práticas desportivas
antes da especialização em basquetebol.
O basquetebol deve estar presente na educação formal que tem
na escola seu principal ambiente e, também, na educação não formal,
em que os clubes e as chamadas ‘escolinhas’ ocupam espaços de maior
relevância. Os dois ambientes, formal e informal, são cenários impor-
tantes para a prática do basquetebol. A escola deve tratar o basquetebol
como um de seus conteúdos pedagógicos nas aulas de educação física,
pois a prática do desporto escolar é fundamental, tendo em vista que
há, hoje, no Brasil, 168 mil escolas públicas que atendem aproxima-
damente 36 milhões de alunos, tornando-se um grande foco de estu-
dos. Não obstante, atender o clube desportivo e outras agências, como
as escolinhas, também se faz necessário; mesmo atingindo um menor
número de crianças, essas instituições também devem possuir um tra-
tamento pedagógico, o que implica ter clareza nos objetivos e, sobre-
tudo, organização e planejamento. O sucesso em nível internacional,
segundo a literatura especializada do treinamento desportivo, depende
de muitos fatores presentes em cada cultura. No Brasil, na maioria das
situações, procura-se o resultado no basquetebol em curto prazo. Esse
procedimento tem ocorrido com frequência em todas as categorias. Na
categoria adulta masculina, e mais atualmente também na categoria
feminina tem-se observado que nos últimos campeonatos mundiais e
jogos olímpicos, os resultados são indesejáveis, o que demonstra a fra-
gilidade do basquetebol brasileiro ante o cenário internacional quando
se trata de medalhas. Diante desse quadro pergunta-se o que acontece
com o basquete brasileiro que tem encontrado muitas dificuldades para
conseguir resultados em nível internacional? Várias são as razões dos
resultados pouco expressivo em nível internacional entretanto, uma
delas, sem dúvida, é a busca da plenitude atlética em curto prazo: essa,
todavia, torna-se cada vez mais preocupante. Outra situação é a não
organização e aplicação dos conteúdos de forma permanente, ocasio-
nando a estabilização da performance. Faz-se necessário, portanto,
buscar mais embasamento científico nas propostas metodológicas para
a iniciação e para o treinamento em basquetebol.

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 21


Desta forma, nossa proposta diz respeito às fases de iniciação
e especialização em basquetebol, referente aos conteúdos de ensino
técnico-tático.
O principal problema que pretendemos abordar nesse livro se
relaciona à carência de planejamento no oferecimento da prática do
basquetebol em níveis de iniciação e de treinamento. A ausência de pla-
nejamento tem causado uma série de outros problemas, os quais tam-
bém, direta ou indiretamente, serão abordados, como, por exemplo,
o não respeito às fases sensíveis da aprendizagem segundo as teorias
desenvolvimentistas; a especialização desportiva precoce; a ausência de
resultados em nível internacional do basquetebol masculino; o ensino
tecnicista proposto de forma fragmentada; o treinamento tático reali-
zado somente por jogadas, não valorizando as capacidades cognitivas;
ou seja, a tomada de decisão frente às ações dos adversários, fazendo a
leitura do jogo e agindo de acordo com a imprevisibilidade.
Paes (1989) apresenta em seus estudos que os jogadores da seleção
brasileira adulta iniciaram a prática dos treinamentos em basquetebol
após os 12 anos de idade, continuando a vida esportiva até a fase adulta,
demonstrando, assim, que não houve excessos de cargas específicas antes
dessa idade. Nessa perspectiva, acreditamos que somente se pode propor
um ambiente de ensino-aprendizagem e treinamento especializado para
o basquetebol à medida que forem considerados elementos indissociáveis
e inerentes aos conteúdos de ensino no treinamento dos atletas.
O principal objetivo desse livro é formular uma proposta pe-
dagógica e metodológica que oriente o processo de iniciação e espe-
cialização ao basquetebol. Tencionamos definir com clareza, em cada
fase, a participação das crianças, adolescentes e adultos nas atividades
do basquetebol, a fim de fundamentar teoricamente, com as bases
pedagógicas do desporto, o processo de iniciação e especialização,
limitando-nos aos conteúdos dos treinamentos técnico-táticos.
Com o intuito de organizar a proposta sobre o ensino do basque-
tebol na iniciação e na especialização, optamos por dividir este livro
em três capítulos, nos quais apresentamos uma proposta para o desen-
volvimento, aprendizagem e treinamento dos aspectos técnico-táticos.
Serão abordados, no primeiro capítulo, os procedimentos pedagógicos
de ensino para a iniciação e a especialização em basquetebol. No se-

22 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
gundo capítulo, abordaremos aspectos referentes às etapas e fases de
desenvolvimento dos atletas e suas formas de organização em vários
anos de treinamento; e, na etapa de iniciação em basquetebol apresen-
tamos três fases de desenvolvimento: iniciação I, na qual a participação
em atividades variadas demonstra o envolvimento das crianças e a im-
portância das atividades multifacetadas com acentuado caráter lúdico
facilmente verificadas nos jogos e brincadeiras adaptados ao basquete-
bol, pertencentes ao mundo infantil. Em seguida, estudamos a fase de
iniciação que visa à aprendizagem dos fundamentos e sistemas táticos
que marca a importância da aprendizagem diversificada de atividades
dentro do basquetebol, ressaltando o valor da escola e do clube no pro-
cesso ensino-aprendizagem, caracterizando a vivência através dos fun-
damentos específicos do jogo. Na sequência, abrangeremos a fase de
iniciação que busca a automatização, enfatizando o refinamento do que
foi aprendido anteriormente, oportunizando aos pré-adolescentes reve-
rem os conteúdos e aprenderem novas realidades, tais como: situações
de jogo, exercícios sincronizados, transição (contra-ataque), sistemas
ofensivos e defensivos. Dando continuidade, caracterizaremos a fase de
treinamento especializado ao nível de aperfeiçoamento desportivo que
é o período de especialização no basquetebol, em que os adolescentes
buscam o aperfeiçoamento dos fundamentos técnicos e táticos através
dos treinamentos e competições no basquetebol. O penúltimo item se
relaciona à fase de treinamento especializado ao nível de aprofunda-
mento desportivo, que corresponde ao aprofundamento e aproximação
ao treinamento adulto, cujos resultados em competições são determi-
nantes para a continuidade do processo. E, para finalizar, verificaremos
a fase de treinamento especializado ao nível de alto rendimento despor-
tivo, apontando o período de manutenção dos resultados adquiridos, os
quais concretizam o treinamento na fase adulta. No terceiro e último
capítulo, apresentaremos uma proposta para o ensino dos conteúdos
técnicos e táticos do basquetebol na etapa de iniciação e na etapa de
treinamento especializado.

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 23


Elvis Santana/ Stock.XCHNG

Capítulo II
Capítulo II

Não devemos exigir que nossas crianças sejam campeãs para apenas
satisfazer nossas necessidades.
Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira

Pedagogia da iniciação ao jogo de basquetebol

O basquetebol, desde sua origem, tem sido praticado pelas crian-


ças e adolescentes dos mais diferentes povos e nações. Sua evolução é
constante, ficando cada vez mais evidente seu caráter competitivo, regido
por regras e regulamentos (TEODORESCU, 1984). Os autores da pe-
dagogia do desporto também têm constatado a importância da prática do
basquetebol para a educação de crianças e adolescentes de todos os seg-
mentos da sociedade brasileira, uma vez que sua prática pode promover
intervenções quanto à cooperação, convivência, participação, inclusão,
entre outros. A pedagogia do desporto vem estudando esse processo e as
ciências do desporto, em suas diferentes dimensões, identificaram vários
problemas, os quais serão balizadores deste livro: busca de resultados em
Vlad Kol/shutterstock

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 25


curto prazo; especialização precoce; carência de planejamento; fragmen-
tação do ensino dos conteúdos e aspectos relevantes que tratam da com-
preensão do fenômeno na sua função social. Para discutir o desporto em
sua abrangência, esses aspectos relevantes se fazem necessários.
Assim sendo, o ensino do basquetebol deve ser concebido como
um processo na busca da aprendizagem. Esse pensamento nos faz re-
fletir acerca da procura por pedagogias que possam transcender as me-
todologias já existentes, a fim de inserir no processo de iniciação em
basquetebol, métodos científicos pouco experimentados. Dessa forma,
é de fundamental importância discutir a pedagogia da iniciação em bas-
quetebol com o respaldo teórico de estudiosos do assunto.
Vários autores apresentam propostas visando discutir a inicia-
ção em basquetebol, entendendo-o como um jogo coletivo. Verifica-
mos aumento crescente no diálogo almejando a busca de novos proce-
dimentos pedagógicos, com vistas a facilitar o aprendizado.
Bayer (1994) afirma coexistir duas correntes pedagógicas de
ensino para os jogos desportivos coletivos: uma utiliza os métodos
tradicionais ou didáticos, decompondo os elementos (fragmentação),
na qual a memorização e a repetição permitem moldar a criança e o
adolescente ao modelo adulto. A outra corrente destaca os métodos
de jogos situacionais, que levam em conta os interesses dos jovens e
que, a partir de situações vivenciadas, iniciativa, imaginação e reflexão,
Nicholas Moore/shutterstock

26 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
possam favorecer a aquisição de um saber adaptado às situações causa-
das pela imprevisibilidade. Essa abordagem pedagógica, chamada de
pedagogia das situações, deve promover nos indivíduos a cooperação
com seus companheiros, a integração ao coletivo, opondo-se aos ad-
versários, mostrando ao aprendiz, as possibilidades de percepção das
“situações de jogo”, interferindo na tomada de decisão, elaborando
uma “solução mental”, buscando resolver os problemas que surgem
com respostas motoras mais rápidas, principalmente nas intercepta-
ções e antecipações frente às atividades dos adversários.
Mertens e Musch (1990) apresentam uma proposta na mesma
direção para o ensino dos jogos coletivos, tomando como referência
a idéia do jogo no qual as situações de exercícios da técnica aparecem
claramente nas situações táticas, simplificando o jogo formal para jo-
gos reduzidos e relacionando situações de jogo com o jogo propria-
mente dito. Essa forma de jogo deve preservar a autenticidade e a au-
tonomia dos praticantes, respeitando-se o jogo formal. Sendo assim,
devem-se manter as estruturas específicas do basquetebol: a finaliza-
ção, a criação de oportunidades para o drible, passe, e lançamentos
nas ações ofensivas. O posicionamento tático defensivo é generalizado
e se almeja dificultar a organização ofensiva dos adversários, princi-
palmente nas interceptações dos passes, estabelecendo uma dinâmica
entre as fases de defesa-transição-ataque.
Braun Robert/Stock.XCHNG

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 27


Bill Grove/iStockphoto

Ainda nesse raciocínio, Gallahue e Osmum (1995) apregoam


uma abordagem desenvolvimentista que, ao ensinar as habilidades mo-
toras (técnicas) para a faixa etária de 7 - 10 anos, a aprendizagem deve
ser totalmente aberta; ou seja, os conteúdos do ensino são aplicados
pelo professor e praticados pelos alunos sem interferência e correções
dos gestos motores. Para a faixa etária de 11 - 12 anos, o ensino é par-
cialmente aberto; isto é, há breves correções na técnica dos movimen-
tos. Na faixa de 13 - 14 anos o ensino é parcialmente fechado, pois se
inicia o processo de especificidade dos gestos do basquetebol e, somen-
te após os 14 anos de idade, deve acontecer o ensino totalmente fechado
e também o aperfeiçoamento das capacidades motoras físicas e sistemas
táticos que o basquetebol necessita. Entendemos que nessa forma de en-
sino–aprendizagem, a técnica (habilidade motora) estará sendo desen-
volvida em situações que acontecem na maior parte do tempo. Isso nos
faz crer que a assimilação por parte dos alunos/atletas seja beneficiada,
e, posteriormente, a prática constante poderá predispor a especializa-
ção dos gestos motores específicos do basquetebol que permanecerão
para o resto da vida.
Nesse contexto, Greco (1998) sugere o ensino através do méto-
do situacional, em situações de 1x0 – 1x1 – 2x1, em que as situações
isoladas do jogo são aprendidas com números reduzidos de praticantes.
Este autor também defende que a técnica é praticada na iniciação aos

28 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
conceitos da tática; ou seja, aliando o “como fazer” à “razão de fazer”.
Não se trata de trabalhar os conteúdos da técnica apenas pelo método
situacional, mas sim de os utilizar como importantes recursos, evitan-
do o ensino somente pelos exercícios analíticos, os quais, como vimos
anteriormente, podem não garantir sucesso nas tomadas de decisão
frente às situações de antecipação, que ocorrem de forma imprevisível
no basquetebol.
Garganta (1998), nos estudos sobre pedagogia do desporto, enu-
mera duas abordagens pedagógicas de ensino: a primeira é mecanicista,
centrada na técnica, na qual o jogo é decomposto em elementos técnicos:
domínio do corpo,

passe,

drible,

recepção,

arremesso,

rebote.

Os gestos são aprimorados especializados e suas consequências mos-


tram o jogo pouco criativo, com comportamentos estereotipados e
problemas na compreensão do jogo, com leituras deficientes do ponto
de vista tático. As situações-problema ocasionadas pelas reais situações
de jogo, são pobres e podem provocar desvios na evolução do aluno/
atleta.
A segunda abordagem de Garganta (1998) é a das combinações
de jogo contidas na tática por intermédio dos jogos condicionados,
voltados para o todo, nos quais as relações das partes são fundamen-
tais para a compreensão do jogo, facilitando o processo de aprendi-
zagem da técnica. O jogo é decomposto em unidades funcionais sis-
temáticas de complexidade crescente, nas quais os princípios do jogo
regulam a aprendizagem. As ações técnicas são desenvolvidas com
base nas ações táticas, de forma orientada e provocada.
Em relação à pedagogia da iniciação em basquetebol, Paes (2001)
arrola experiências práticas em situações de jogo, também em 1x1 –
2x2 – 3x3 e, ainda, o “jogo possível” como uma possibilidade para o

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 29


ensino, pois o mesmo pode propiciar aos alunos o conhecimento e a
aprendizagem dos fundamentos básicos do basquetebol, considerando
seus valores relativos e absolutos, e também aprenderem de acordo
com suas possibilidades materiais (locais de aprendizagem). Almeja-
se, nesse procedimento, a motivação por parte dos alunos ou prati-
cantes, para que os mesmos tomem gosto e possam usufruir da práti-
ca como benefício para melhor qualidade de vida, caso seus talentos
pessoais não despertem o sucesso atlético.
Ferreira e De Rose (1987) apresentam, para o início do ensino
do basquetebol, a prática dividida em três momentos:
a) fase de aprendizagem;
b) fase de fixação; e,
c) fase de aperfeiçoamento.
Sobre a fase de aprendizagem os autores afirmam que essa fase
é considerada ideal para o ensino das habilidades motoras. Aqui os
métodos se diferem, mas, a literatura apresenta metodologias con-
traditórias. Para o autor, nessa fase deve ocorrer a aprendizagem dos
fundamentos simples; controle do corpo, manejo da bola, drible, pas-
ses e fundamentos individuais de defesa, arremessos de bandeja, jump
em movimento, rebote (FERREIRA e DE ROSE, 1987).
Em relação à fase de fixação, os autores ponderam que essa fase
consolida o período em que o aluno/jogador deve possuir uma baga-
gem motora necessária para a realização dos gestos específicos do bas-
Christopher Futcher/iStockphoto

Christopher Futcher/iStockphoto

30 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
quetebol de forma mais dinâmica e fluente. O aprendizado se desenvolve
através dos exercícios, nos quais o gesto é global, consolidando mais
uma evolução na aprendizagem (FERREIRA e DE ROSE, 1987).
No que tange à fase de aperfeiçoamento os autores enfatizam
que, nessa fase, o objetivo principal consiste em dar ao aluno/jogador
a oportunidade de praticar os fundamentos aprendidos e automatiza-
dos em situações que se aproximam do jogo/competição propriamen-
te dito. Em função disso, os exercícios são apresentados em maior
grau de dificuldade no desenvolvimento dos fundamentos e acontece
o aperfeiçoamento das capacidades físicas do basquetebol; resistência,
força, velocidade, flexibilidade, coordenação, equilíbrio dinâmico e
recuperado, agilidade e ritmo (FERREIRA; DE ROSE, 1987).
Outro autor que trata da iniciação em basquetebol e apresenta
como cenário de proposta à escola é Almeida (1998), para quem o
ensino do basquetebol deve passar por três fases distintas:
a) desenvolvimento da coordenação grossa;
b) desenvolvimento da coordenação fina; e,
c) estabilização da coordenação fina.
Para o autor não há divisão distinta entre as fases, elas representam a
estrutura básica do processo de aprendizagem motora, independente-
mente da idade e do nível motor inicial.
Almeida (1998) define a coordenação grossa como caracteriza-
da pelo seguinte quadro de manifestação na execução do movimento:
força excessiva; paradas que interrompem o movimento; insatisfação;
e, movimento afoito, desarmônico e oscilante (ALMEIDA, 1998).
A fase de coordenação fina é definida pelo autor quando o pra-
ticante executa o movimento aprendido com poucos erros, manifes-
tando-se da seguinte forma: movimento harmônico satisfatório, movi-
mento fechado e, quando, o equilíbrio desejado ainda não é contínuo
há a necessidade de motivação para o progresso (ALMEIDA, 1998).
A fase de estabilização da coordenação fina é conceituada
pelo autor quando o aluno aplica com sucesso o movimento apren-
dido mesmo sob condições dificultadas. A execução do movimento
aprendido apresenta, em todas as características, o aperfeiçoamento
da técnica com acompanhamento dos acontecimentos táticos, e se
prevenindo das dificuldades causadas pela imprevisibilidade do jogo
(ALMEIDA, 1998).
Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 31
Oliveira e Graça (1998) apresentam uma proposta para o ensino
do basquetebol objetivando o desenvolvimento de três domínios, a saber:
a) social: no qual os alunos devem apreciar o jogo;
b) estratégico: desenvolvimento das capacidades de tomada de
decisões; e
c) técnico: a técnica deve ser utilizada no contexto do jogo com
grau de dificuldade crescente e integridade física e psicológica na exe-
cução das habilidades.
De acordo com Oliveira e Graça (1998) devem-se observar quais
os pré-requisitos básicos dos alunos, tendo como referência a capaci-
dade de receber, passar, driblar, lançar a bola e desmarcar. Em relação
ao jogo de 5 contra 5, os pré-requisitos devem ser: capacidade de não
centrar a bola, não aglomerar nos espaços, procurar a melhor linha de
passe, driblar e fugir para espaços livres, passar a bola com facilidade,
utilizar-se da comunicação verbal.
Sendo assim, o ensino, na iniciação, é dividido em duas fases:
a) nível 1: nessa fase, o aprendizado visa a estabelecer ótima relação
com o jogo em seu sentido amplo; isto é, visa a dominar os espaços
da quadra de basquetebol evitando aglomerações sem nenhum tipo
de organização tática. Os alunos/jogadores jogam na frente da linha
da bola, buscando interceptar o passe; quando ocorrer violações, o
jogo deve continuar. Deve-se driblar, após
a leitura das situações do jogo, passar a
bola antes e depois do drible. O esquema
defensivo deve ser individual; e
b) nível 2: nessa fase do ensino do basque-
tebol, o aprendizado busca ocupar racional-
mente o espaço com dispositivo de ataque
organizado, procurando manter a integri-
dade coletiva. O jogo passa a ser estrutu-
Tom Pickering/Stock.XCHNG

rado tendo a defesa-transição-ataque um


mesmo objetivo organizacional. Acontece,
nessa fase, o equilíbrio entre as ações táticas
individuais 1x1, grupo 2x2, 3x3 e de equi-
pe 5x5. Melhora-se, consequentemente, o
desenvolvimento dos sinais de comunicação

32 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
corporal ou verbal, nos quais o aspecto defensivo é controlado pelo
domínio da bola, jogador, adversário e cesta.
Podemos constatar que as propostas são divergentes em sua pe-
dagogia: a primeira está centrada na fragmentação do gesto técnico,
conforme pondera Garganta (1998). Nesse procedimento de ensino,
a capacidade de jogo se torna pobre e mecanizada, reproduzindo os
gestos dos adultos. A segunda proposta metodológica, que tem a coor-
denação do movimento como principal objetivo, também está centrada
nas ações técnicas motoras, tornando o jogo previsível, com grandes
possibilidades de leitura das ações táticas por parte dos adversários. A
terceira proposta transcende as pedagogias tradicionais e possibilita aos
praticantes aprenderem as técnicas na iniciação em basquetebol aliadas
às ações táticas. A cada nível de aprendizado os alunos se desenvolvem,
tendo uma melhor compreensão da leitura do jogo e reagindo de forma
imprevisível (TEODORESCU, 1984).
Uma nova possibilidade metodológica de ensino que tem feito
parte das discussões acerca da pedagogia do desporto é o desenvolvi-
mento das inteligências múltiplas. Essa temática, amplamente estudada
no campo da educação, é apresentada por Gardner (1994, 1995), esse
assunto, obviamente, estará cada vez mais presente nos debates nos
quais o desporto é foco, pois o desenvolvimento das inteligências pode
ser uma das variáveis explicativas do sucesso de inúmeros atletas que
não se destacaram por outras competências do treinamento, como as-
pecto físico, técnico e tático. Nesse contexto, fortemente embasado
Microsoft Office/clipart

Microsoft Office/clipart

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 33


nos estudos de Gardner (1994, 1995) e Balbino (2001), apresenta uma
proposta que pode contribuir para estruturar positivamente o processo
de ensino-aprendizagem e que pode ser ampliada e utilizada para facili-
tar intervenções pedagógicas no ensino do basquetebol.
Dentre as inteligências supracitadas, a intrapessoal enfatiza a
capacidade da pessoa se conhecer, ter de si o próprio modelo indi-
vidual, o autoconhecimento, a compreensão, o equilíbrio, a imagi-
nação e o planejamento para resolver problemas. No basquetebol, a
inteligência intrapessoal torna-se determinante, pois, no momento
da aprendizagem, na iniciação, na especialização ou até mesmo no
treinamento profissional, o indivíduo terá condições de se autoavaliar
e de fazer uso dessa inteligência para minimizar conflitos internos
gerados pela incerteza e imprevisibilidade das situações ocorridas no
ambiente de treinamento e jogos.
Milos Markovic/iStockphoto

A inteligência interpessoal compreende a capacidade de en-


tender as intenções, motivações e os desejos do próximo. No basque-
tebol, a relação positiva entre os integrantes do grupo pode facilitar o
desenvolvimento do trabalho de forma geral. Essa inteligência inter-
pessoal deve, então, promover na prática, a interação com os compa-
nheiros da equipe, a manutenção dos relacionamentos em equipe e a
formação de novos relacionamentos em diferentes vias de acesso dos
companheiros da equipe, a participação nas ações coletivas, toman-
do o espírito coletivo como conceito de jogo, a influência nas ações

34 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
dos companheiros de equipe, de forma construtiva, a compreensão
e a comunicação das múltiplas formas em diferentes vias de acesso
durante um jogo, de modo a se fazer entender; e as habilidades na
mediação de conflitos entre os companheiros de equipe.
Microsoft Office/clipart

A inteligência cinestésica corporal é a capacidade de o indiví-


duo utilizar o corpo ou parte dele para resolver problemas. Nas pos-
síveis manifestações no basquetebol, principalmente nas fases iniciais
de aprendizagem, o atleta pode explorar o ambiente com o corpo
para aprender a melhorar a execução, ensinando o próprio compa-
nheiro a se motivar para participar de jogos; demonstrar equilíbrio,
graça, destreza e precisão nas tarefas físicas; integrar corpo e mente
no trabalho corporal; buscar sempre novos movimentos, visando me-
lhorar suas habilidades.
Carlo San/ Stock.XCHNG

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 35


A inteligência espacial enfatiza o reconhecimento e domínio
dos espaços os quais no basquetebol, devem ser bem desenvolvidos,
pois os deslocamentos são frequentes e as ações técnicas, combinadas
com a tática, dependem totalmente da busca do espaço livre para a
finalização ou a finta. Esta última, tanto ofensiva como defensiva,
torna possível desenvolver a inteligência espacial através da visualiza-
ção mental, por meio de imagens, das orientações técnicas e táticas;
interpretação de gráficos, tabelas e esquemas táticos em prancheta e/
ou em vídeo; percepção de padrões sutis e desvios na formação táti-
ca; compreensão dos espaços a serem disputados com os adversários,
antecipando as ações de forma imprevisível.
Carlo San/ Stock.XCHNG

A inteligência verbal-linguística envolve a capacidade de co-


municação para atingir os objetivos. No basquetebol, as manifestações
podem ocorrer no recebimento de ordens verbais, nas instruções de
aprendizagem de técnica e tática, codificando-as e recordando-se do
que foi feito. Deve-se aprender a interpretar as instruções e orientações
do técnico ou professor; compreender a utilização da fala construtiva
com os companheiros da equipe nos momentos adequados, evitando
constrangimentos e agressões verbais; aprender a utilizar a escuta e a
fala para refletir sobre as orientações verbalizadas pelo técnico.
A inteligência lógico-matemática é a capacidade de analisar
os problemas em operações matemáticas. No basquetebol, torna-se
possível reconhecer e quantificar objetos e equipamentos no ambien-
te de treinamento e competição. Visa também a assimilação com os

36 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
conceitos de tempo de jogo, regras e regulamentos; a compreensão
da contagem diversificada nas finalizações; o pensar lógico antes do
tempo ou do placar no momento da decisão; e a interpretação da es-
tatística e gráficos dos jogos.
Benjamin Earwicker/ Stock.XCHNG

A inteligência musical é a habilidade na atuação, composição


e apreciação de padrões musicais. Para o basquetebol, destacam-se
como respostas variadas aos sons dirigidos do ambiente, como os pro-
vocados pela plateia, de forma favorável ou não, cabendo ao técnico
trabalhar essa questão com outros tipos de sons positivos ou negativos
nos treinamentos. Enfatiza ainda a percepção, reação corporal e emo-
cional na presença da música nos locais de treinamento, relaxamento
e competição, as quais, nos treinamentos, podem ser utilizadas para
diagnosticar a reação positiva ou negativa individualmente e, assim,
estabelecer um ambiente agradável e estimulante à equipe.
Jeramey Jannene/ Stock.XCHNG

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 37


A inteligência naturalista se refere ao conhecimento sobre o
mundo vivo, identificando e classificando os grupos. No basquete-
bol, percebe-se o interesse pelo ciclo de transformação que os exer-
cícios dos jogos podem provocar no organismo, a questão fisiológica
e morfológica. Constata-se também, a observação do ambiente com
interesse e curiosidade, visando ao entendimento de si próprio e dos
companheiros sobre o cansaço dos treinos e dos jogos, bem como a
percepção da interdependência entre os participantes do sistema to-
mado nos jogos.
Philipp Mamat/ Stock.XCHNG

A utilização dos estímulos das inteligências múltiplas, na


aprendizagem e prática do basquetebol, visam a otimização do
ambiente, ampliando, assim, os limites da participação de quem
aprende e pratica frequentemente. Cabe-nos ressaltar que, desde
que as crianças e adolescentes iniciam a prática sistematizada no
treinamento de basquetebol na escola ou no clube, não é garantida
sua formação atlética simplesmente por seus domínios técnicos ou
físicos. Deve-se levar em consideração sua totalidade, sua vida so-
cial, mental e espiritual. Caso as crianças e adolescentes optem pela
especialização em basquetebol, podem utilizar tais conhecimen-
tos, fortalecendo o direcionamento na busca do profissionalismo.
Torna-se valioso, também, o cuidado do técnico em diagnosticar,

38 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
durante a prática, quais crianças e adolescentes necessitam mais de
um ou outro estímulo, a fim de promover um melhor ambiente de
aprendizagem.
Vimos até aqui, aspectos que relacionam formas de ensinar bas-
quetebol referentes aos períodos da iniciação e alguns métodos pedagó-
gicos diferenciados para o ensino. Em seguida, abordaremos assuntos
pertinentes ao ensino, para a especialização em basquetebol, o qual de-
lineia o treinamento específico das capacidades e habilidades.

MÚLTIPLAS INTELIGÊNCIAS

Fonte: Adaptação por Oliveira e Paes (2012) do conceito de múltipla inteligências de


Howard Gardner (1995, Universidade de Harvard, EUA)

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 39


Capítulo III

Vlad Kol/shutterstock
Capítulo III

Exibem que ensinar é uma arte... Para nós, esse pensamento é verda-
deiro quando ensinamos com amor e paciência.
OLIVEIRA e PAES

Metodologia do ensino do basquetebol em


diferentes fases da iniciação desportiva

Nos dias atuais, para atingir resultados desportivos superiores na


modalidade de basquetebol, os atletas dedicam-se aos treinamentos e
competições durante muitos anos de suas vidas. Por isso, tornou-se ne-
cessária uma subdivisão metodológica rigorosa em longo prazo, relacio-
nada à preparação dos atletas, na qual as etapas e fases não têm prazos
definidos de início e finalização, pois dependem não só da idade, mas
também de outros fatores como: potencial genético, ambiente no qual
ele está inserido, das particularidades de seu crescimento, maturação,
desenvolvimento, da qualidade dos técnicos, entre outros, e também
das características do jogo moderno. Os pais e demais envolvidos com
o contexto no qual os atletas estão inseridos podem contribuir para
que os atletas possam incorporar alguns princípios, haja vista que serão
submetidos a um processo de treinamentos específicos.
Toda proposta que visa ao planejamento da prática do basquete-
bol em seus diferentes significados deve priorizar o desenvolvimento
dos seus praticantes em etapas e fases que percorreram da iniciação
até o profissionalismo. Destacamos alguns autores que demonstra-
ram essa preocupação: Carl (1988), Hahn (1989), Krebs (1992),
Zakharov e Gomes (1992), Gallahue e Osmun (1995), Bompa (1995,
2001, 2002), Filin (1996), Matveev (1997), Greco (1998), Weineck
(1999), Schimidt (2001) e Paes (2001).

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 41


A etapa de iniciação em basquetebol é um período que abran-
ge desde o momento em que as crianças iniciam-se na prática, até a
decisão pela especialização. Desta maneira, no início do treinamento
especializado com os jovens, sugerimos propostas para o ensino dos
conteúdos do basquetebol com bases pedagógicas de forma orientada,
desde as fases iniciais até o treinamento especializado. Os conteúdos
devem ser ensinados respeitando-se cada fase do desenvolvimento das
crianças e dos pré-adolescentes.
Optamos assim, por dividir a etapa de iniciação em três fases de
desenvolvimento: a) fase de iniciação I; b) fase de iniciação II; e c) fase
de iniciação III, sendo que cada fase possui objetivos específicos para
o ensino formal e está de acordo com as idades biológica, escolar, cro-
nológica e com as categorias disputadas nos campeonatos municipais e
estaduais, diferenciando-se seus conteúdos. No quadro 1, visualizamos
essas características, com um exemplo para as disputas nos campeona-
tos de basquetebol no ensino formal e não-formal.

Quadro 1: Periodização do processo de ensino do basquetebol na etapa


de iniciação, e suas fases de desenvolvimento.

Fases de desen- Categorias


Idade Idade Idade
volvimento disput. no
biológica escolar cronológica
do basquetebol basquetebol

Sétima e Automatização e
Mirim e
Pubescência oitava aprendizagem de 13-14- anos
infantil
séries novos conteúdos

Primeira Quinta Aprender os funda-


Pré-mini
Idade e sexta mentos e sistemas 11-12- anos
e mini
Puberal séries táticos básicos

Primeira,
Primeira e
segunda, Conhecer o jogo de Atividades
Segunda terceira 7-10 anos
e quarta basquetebol recreativas
Infância
séries

42 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
FASE DE CONHECER O JOGO DE BASQUETEBOL

A fase de conhecer o jogo de basquetebol corresponde da


1ª à 4ª séries do ensino fundamental, atendendo crianças da primeira
e segunda infância, com idades entre 7 e 10 anos. O envolvimento das
crianças nas atividades do basquetebol deve ter caráter lúdico, partici-
pativo e alegre, a fim de oportunizar o ensino das técnicas, estimulan-
do o pensamento tático. Todas as crianças devem ter a possibilidade de
acesso aos princípios educativos através dos jogos e brincadeiras, in-
fluenciando positivamente o processo ensino-aprendizagem. Compre-
endemos que deve-se evitar, no basquetebol, as competições antes dos
12 anos, as quais exigem a perfeição dos movimentos ou gestos motores
e também grandes soluções táticas.
Heriberto Herrera/ Stock.XCHNG

Christopher Futcher/iStockphoto
Figura 4: Participação em atividades variadas com caráter recreativo.

Paes (1989) pontua que, no processo evolutivo, essa fase –


participação em atividades variadas com caráter recreativo – visa à
educação do movimento, buscando-se o aprimoramento dos padrões
motores e do ritmo geral, que podem ser realizadas por meio das
atividades lúdicas ou recreativas. Hahn (1989) propõe, com base nos
estudos de Grosser (1989), o desenvolvimento das capacidades de co-
ordenação, velocidade e flexibilidade, pois esse é o período propício
para o início de desenvolvimento. As crianças encontram-se favoreci-
das aproximadamente entre 7 a 11 anos, em função da plasticidade do
sistema nervoso central, e as atividades devem ser desenvolvidas sob
diversos ângulos: complexidade, variabilidade e continuidade duran-
te todo o seu processo de desenvolvimento.

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 43


Weineck (1991) assinala que as crianças dessa faixa etária - 7 a
10 anos - demonstram grande determinação para as brincadeiras com
variação de movimentos e ocupam-se de um percentual significativo
de jogos, que formam de maneira múltipla. Esse fato nos faz acreditar
que deve-se proporcionar, então, um ambiente agradável, para que o
desenvolvimento ocorra sem maiores prejuízos, ou seja, as crianças
devem aprimorar o padrão de movimento cuja execução objetiva ape-
nas a estimulação para que, assim, a criança construa o seu próprio
repertório motor, sem sobrecarga excessiva.
Nesse contexto, Greco (1999) e Paes (2001) afirmam que a
função primordial nessa fase é assegurar a prática no processo ensino-
aprendizagem, com valores e princípios voltados para uma atividade
gratificante, motivadora e permanente, reforçada pelos conteúdos
desenvolvidos pedagogicamente, respeitando-se as fases sensíveis do
desenvolvimento, com carga horária suficiente para não prejudicar
as demais atividades como o descanso, a escola, a diversão, dentre
outras; caso contrário, será muito difícil atingir os objetivos em cada
fase do período de desenvolvimento infantil.
Oliveira (1997) corrobora com essa tese ao afirmar que, nessa
fase, as principais tarefas são os gestos motores necessários à vida, e
deve-se procurar assegurar o desenvolvimento harmonioso do orga-
nismo por meio de atividades como escalonamento, saltos, corridas,
lançamentos, não devendo, nesse período, apressar a especialização
do jogo de basquetebol. Os iniciantes praticam aproximadamente 150
a 300 horas anuais, sendo que o trabalho geral deve predominar em
relação às cargas específicas. Isso significa que a especialização preco-
ce, nesse momento, pode não ser adequada.
Os conteúdos do basquetebol desenvolvidos nessa fase, em confor-
midade com Paes (2001), devem ser o domínio do corpo, a manipulação
da bola, o drible, a recepção e os passes, sempre aliados às leituras do que
acontece no jogo, podendo utilizar-se do jogo como principal método
para a aprendizagem. Os espaços podem ser reduzidos, para adequar as
capacidades físicas das crianças; e os alvos podem ser menores, os aros
podem ser baixados. Essas modificações também podem ser feitas em
outros jogos e brincadeiras. Acreditamos que, com isso, as crianças po-
derão motivar-se para a prática em função do aumento de possibilidades.

44 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
As atividades lúdicas em forma de brincadeiras e pequenos jo-
gos podem contribuir para desenvolver, nas crianças; as capacidades
físicas como: a coordenação, a velocidade e a flexibilidade – propícias
nessa fase – e também habilidades básicas para futuros trabalhos espe-
cíficos, como agilidade, mobilidade, equilíbrio e ritmo.
O basquetebol escolar tem função primordial nessa fase, au-
mentando a quantidade e a qualidade das atividades, visando a ampliar
a capacidade motora das crianças, a qual poderá facilitar o processo
de ensino-aprendizagem nas demais fases. De qualquer modo, seja na
escola ou no clube, a efetividade da preparação e da formação geral
que constituirão a educação motora dos atletas no futuro só poderá
ser maximizada na interação professor/técnico, escola, aluno/atleta e
demais indivíduos que têm influência no desenvolvimento dos jovens.
Sendo assim, o sucesso da educação das crianças e adolescen-
tes depende muito da capacidade do professor/treinador e de cada
cenário onde o trabalho é desenvolvido. A literatura especializada do
basquetebol infantil demonstra que, nessa fase, devem-se observar as
condições favoráveis para o desenvolvimento de todas as capacidades
e qualidades na aplicação dos conteúdos do ensino por meio de uma
ação pedagógica sistemática.
A seguir, abrangeremos os conteúdos do ensino do basquetebol
e as considerações gerais sobre a fase de iniciação II.

FASE DE APRENDER OS FUNDAMENTOS E


SISTEMAS TÁTICOS BÁSICOS

A fase de aprender os fundamentos e sistemas táticos


básicos é marcada por oportunizar os jovens à aprendizagem do bas-
quetebol e atende crianças e adolescentes da 5ª à 6ª séries do ensino fun-
damental, com idades aproximadas de 11 a 12 anos, correspondentes
à primeira idade puberal. No caso do basquetebol, essa fase, nos cam-
peonatos do ensino não-formal, corresponde às categorias pré-mini e
mini. Partindo do princípio de que a fase de iniciação que as crianças
tem os primeiros contatos e visa à estimulação e à ampliação do voca-
bulário motor por intermédio das atividades variadas específicas, mas
não especializadas, a fase de iniciação seguinte dá início à aprendizagem

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 45


diversificada dos conteúdos do basquetebol dentro de suas particulari-
dades, acumulando o que foi vivido anteriormente (experiências).
Abordaremos nessa fase, a importância da diversificação, ou
seja, a prática diversificada dos conteúdos, evitando, todavia, a repe-
tição dos mesmos, repetição essa que leva à estabilização da aprendi-
zagem, empobrecendo o repertório motor dos praticantes.
Em relação à diversificação da aprendizagem, a prática de ou-
tras modalidades não devem ser proibidas, pelo contrário; devem ser
utilizadas para o enriquecimento motor dos praticantes. Bayer (1994)
entende que, em nível de aprendizagem, o “transfer” nessa fase é ad-
mitido, ou seja, a transferência encontra-se facilitada logo que um
aluno/jogador a perceba na estrutura dos jogos desportivos coletivos.
Assim, os praticantes transferem a aprendizagem de um gesto como
o arremessar ao gol no handebol, a cortada do voleibol ao arremesso
a cesta no basquetebol. Trata-se, então, de isolar estruturas seme-
lhantes que existem em todos os jogos coletivos desportivos para que
o aprendiz reproduza, compreenda e delas aproprie-se. Entretanto,
o autor adverte: “ter a experiência de uma estrutura não é recebê-
la passivamente, é vivê-la, retomá-la e assumí-la, reencontrando seu
sentido constantemente.” (BAYER, 1994, p. 629).
Heitor Marcon

Figura 5: Aprendizagem diversificada dos conteúdos do basquetebol.

46 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
De acordo com a literatura, os iniciantes devem participar de
jogos e exercícios advindos dos desportos específicos e de outros, que
auxiliem a melhorar sua base multilateral e tê-la como base diversi-
ficada para o basquetebol. As competições devem ter caráter parti-
cipativo e podem ser estruturadas para reforçar o desenvolvimento
das capacidades coordenativas e das destrezas, melhorando a técnica
do movimento competitivo, vivenciando formações táticas simples, e
ainda não se deve objetivar o produto final (resultado) nesse momen-
to (Ver proposta no Capítulo III).
Deve-se buscar, na fase de iniciação da aprendizagem dos fun-
damentos do jogo, a aprendizagem diversificada dos conteúdos do bas-
quetebol visando ao desenvolvimento geral. Essa fase caracteriza a pas-
sagem da fase da aprendizagem inicial, para a fase de automatização,
na qual se confere muita importância à auto-imagem, socialização e
valorização por intermédio dos princípios educativos na aprendizagem
dos jogos (KREBS, 1992; GRECO, 1998; PAES, 2001).
Nesse período, consolida-se o sistema de preparação em longo
prazo, pois é importante não se perder tempo para evitar a estabilidade
da aprendizagem, utilizando-se dos períodos sensíveis do crescimen-
to, maturação e do desenvolvimento do organismo na elaboração das
cargas de treinamento. Para Weineck (1991), além da ótima fase para
aprender, na qual as diferenças em relação à fase anterior são graduais e
as transições são contínuas, as capacidades coordenativas dão base para
futuros desempenhos. Por outro lado, deve se evitar a especialização
precoce, como afirma Oliveira (2007), haja vista que pode levar ao
abandono do esporte.
Em se tratando de evitar a especialização precoce, concorda-
mos com Paes (1989), o qual assinala essa fase como generalizada, na
qual pretende-se a aquisição das condições básicas de jogo de basque-
tebol ao lado de um desenvolvimento psicomotor integral, possibili-
tando a execução de tarefas mais complexas. Essa fase, porém, não
deverá ser utilizada para a firmação obrigatória da especialização dos
atletas. Neste sentido, Gallahue (1995) pondera que esse momento é
importante para os aprendizes passarem do estágio de transição para
o de aplicação, ou seja, aprender com relativa instrução do professor
a liberdade dos gestos técnicos. Oliveira (2007) corrobora com essa

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 47


idéia, afirmando que, nessa fase, a atenção está direcionada para a
prática bem como para as condições de promover o refinamento da
destreza, planejando situações práticas progressivamente mais com-
plexas, ressaltando que o sistema de ensino dos conteúdos é parcial-
mente aberto, no qual as atividades são também parcialmente defini-
das pelo professor/ técnico.
Segundo Paes (2001), os conteúdos de ensino do basquetebol a
serem ministrados nessa fase são os conceitos técnicos e táticos do bas-
quetebol, nos quais devem ser contemplados, além desses conteúdos,
finalizações e fundamentos específicos. Em nosso ponto de vista, deve-
se, ainda, trabalhar os exercícios sincronizados e o “jogo”, que ainda
deve tomar a maior parte do tempo nos treinamentos. Como o tempo
maior de trabalho é dedicado a enfatizar o jogo, o ensino-aprendiza-
gem contempla as regras; estas, portanto, devem ser simplificadas, nas
quais a tática “razão de fazer” contribui para a aprendizagem da técnica
“modo de fazer” e vice-versa.
Em relação ao desenvolvimento das capacidades físicas, Teo-
dorescu (1984) afirma que os aspectos físicos do desenvolvimento
morfofisiológico e funcional podem ser desenvolvidos com as in-
fluências positivas do jogo de basquetebol no processo de apren-
dizagem e prática. Deve-se, então, apropriar-se do aumento da in-
tensidade nas aulas e nos treinamento em relação aos espaços dos
jogos, visando ao desenvolvimento da capacidade aeróbia, base para
outras capacidades. A velocidade de reação, mudança de direção
e parada brusca, já desde a fase anterior, devem ser aprimoradas,
melhorando o controle do corpo. A flexibilidade deve ser desenvol-
vida de forma agradável, sempre antes das sessões de treinamento,
pois alcançam-se, nessa fase, períodos ótimos de sensibilidade de
desenvolvimento. O tempo dedicado ao treinamento, segundo Go-
mes (1997), gira em torno de 300 a 600 horas anuais, das quais
apenas 25% do tempo é dedicado a conteúdos específicos e 75% aos
conteúdos da preparação geral.
Nos conteúdos de ensino, a ênfase deve se dar no desenvol-
vimento da destreza e habilidades motoras, sem muita preocupação
para as performances de vitórias, haja vista que a capacidade de su-
portar as experiências nos jogos na infância e início da adolescência

48 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
é facilitada pela compreensão simplificada das regras e pelo valor
relativo dos resultados das ações e não simplesmente pelos títulos a
serem alcançados.
No processo de formação do jogador de basquetebol, além
dos dirigentes, pais e árbitros, o técnico é o responsável pela estru-
turação do treinamento. Ele deve conhecer os fatores que envolvem
a iniciação e a especialização dos jovens praticantes, contribuindo
decisivamente na existência de um ambiente formativo-educativo
na prática (MESQUITA, 1997). Dessa forma, o basquetebol como
conteúdo pedagógico na educação formal e não formal deve ter ca-
ráter educativo (PAES, 2001). O apoio familiar, as necessidades
básicas, as capacidades de motivação, as competições, as possibili-
dades de novos amigos e as viagens são motivos pelos quais muitos
adolescentes continuam na prática do basquetebol após a fase de
iniciação dos fundamentos.
Deste modo, a fase de iniciação ao jogo requer uma instrução
com base no modelo referente aos gestos culturalmente determina-
dos do basquetebol. Neste sentido, torna-se imprescindível, para a
prática, uma sistematização dos conteúdos periodizados pedagogica-
mente, na qual o professor/técnico desempenha papel fundamental
no processo de aprendizagem e na busca do aperfeiçoamento.
Nessa fase, a escola é o melhor local para a aprendizagem, pois
são inúmeros os motivos pelos quais crianças e adolescentes procuram
a aprendizagem do basquetebol; entre eles destacam-se: encontrar e
jogar com outros garotos, diversão, aprender a jogar; e, ainda na es-
cola, o professor terá controle da frequência e da idade dos alunos,
facilitando as intervenções pedagógicas. No âmbito informal, como
no clube desportivo, isso pode não ocorrer, mas a função do profes-
sor/técnico do clube deve propiciar à criança o mesmo tratamento
pedagógico que esta recebe na escola, para facilitar a aprendizagem e
o desenvolvimento dos alunos/atletas.
Abordaremos, a seguir, a última fase da etapa de iniciação na
qual destacaremos a preparação final para a especialização em bas-
quetebol, a qual denominamos fase de iniciação em ritmo de automa-
tização da aprendizagem inicial e refinamento do que foi aprendido e
ainda a aprendizagem de novos conteúdos.

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 49


FASE DE AUTOMATIZAÇÃO REFINAMENTO E APRENDIZAGEM DE
NOVOS CONTEÚDOS

Entendemos que, nesse momento do processo, a Fase de


automatização e aprendizagem de novos conteúdos é a fase
que corresponde à faixa etária aproximada de 13 a 14 anos, às 7ª
e 8ª séries do ensino fundamental e ao primeiro colegial do ensino
médio, passando os atletas pela pubescência. No caso específico do
basquetebol, essa fase corresponde, nos campeonatos do ensino não-
formal - como nos clubes - à categoria mirim e infantil. Enfatizamos
no desenvolvimento dessa fase, a automatização e o refinamento dos
conteúdos aprendidos anteriormente, nas fases de iniciação anterior,
e a aprendizagem de novos conteúdos fundamentais nesse momento
do desenvolvimento.
Nessa fase do processo, o jovem procura, por si só, a prática
do basquetebol por gosto, prazer, aplicação voluntária e pelo suces-
so obtido nas fases anteriores. Neste sentido, os atributos pessoais
parecem ser fundamentais para o aperfeiçoamento das capacidades
individuais. A idade, o biótipo, além da motivação são características
determinantes para a opção por uma ou outra modalidade na busca
da automatização e refinamento da aprendizagem dos conteúdos das
fases anteriores, buscando a fixação em uma só modalidade.
Heitor Marcon

Figura 6: Automatização e refinamento da aprendizagem anterior.

50 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
Weineck (1991) reconhece que a seleção dos atletas adolescen-
tes é feita com base nas dimensões corporais e na qualificação téc-
nica, além dos parâmetros fisiológicos e morfológicos. As condições
antropométricas, além dos fatores afetivos e sociais, exercem uma
influência significativa na detecção de futuros talentos. Desta for-
ma, a preparação das capacidades técnico-táticas recebe uma parte
relevante do treinamento: contudo, consideramos o desenvolvimento
dos atletas aliado a outros fatores, como o desenvolvimento das capa-
cidades físicas e a compreensão do que faz bem como fatores motiva-
cionais. O objetivo é desenvolver, de forma harmônica, todas as ca-
pacidades, preparando os adolescentes para a vida e para posteriores
práticas especializadas.
Gallahue (1995) pontua que, nessa fase, acontece a passagem
do estágio de aplicação para a estabilização, a qual fica para o resto
da vida. Nesse contexto, Vieira (1999) afirma que ocorre, um ensino
por sistema parcialmente fechado (prática). Assim, o plano motor
que caracteriza o movimento a ser executado, bem como as demais
condições da tarefa, já estão prioritariamente definidos, e almeja-se
o aperfeiçoamento. Isso significa que, a partir da aprendizagem de
múltiplas modalidades, a prática motora é uma atividade específica.
O basquetebol requer dos indivíduos alguns requisitos relacionados à
demanda das tarefas solicitadas por essa modalidade.
O fenômeno é a automatização do movi-
mento, isto é, todas as aquisições que aconte-
ceram de forma consciente e com muito gasto
de energia podem, agora, ser executadas no
subconsciente, com menor gasto energético,
ou seja, de forma automatizada.
Em relação aos conteúdos de ensino do
Kriss Szkurlatowski/ Stock.XCHNG

basquetebol, Paes (2001), em sua abordagem


escolar, propõe que além das experiências
anteriores, sejam aprendidas pelos atletas as
situações de jogo, transição e sistemas ofen-
sivos como também os exercícios sincroniza-
dos, cujo principal objetivo é proporcionar
aos alunos a execução e a automatização de

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 51


todos os fundamentos aprendidos, isolando
algumas situações de jogo. Com base nesse
pensamento, deve-se iniciar as organizações
Kriss Szkurlatowski/ Stock.XCHNG

táticas, ofensivas e defensivas sem muitos de-


talhes. As “situações de jogo” devem ser traba-
lhadas em 2x1, 2x2, 3x3 e 4x3, possibilitando
aos alunos/atletas a oportunidade de praticar
os fundamentos aprendidos em situações reais
de jogo, com vantagem e desvantagem numéri-
ca (ver capítulo III).
Outro conteúdo específico nessa fase é a “transição”, entendi-
da como contra-ataque no qual Paes (2001) define essa fase “como a
passagem da ação defensiva para a ação ofensiva.” (PAES, 2001, p.
113). Constatamos que a evolução técnica e tática e as mudanças na
regras do jogo transformaram a transição ou contra-ataque no jogo de
basquetebol em objeto de estudo de várias escolas esportivas em todo
o mundo. Assim, deve-se dar atenção especial aos aspectos funda-
mentais que envolvem o treinamento da transição ao ensinar esportes
para adolescentes, pois esses aspectos, desenvolvidos com vantagem e
desvantagem numérica, podem aperfeiçoar em reais situações de jogo
a técnica, a tática, o físico, e o fator psicológico dos alunos/atletas na
busca da maestria, ou seja, da autonomia e do conhecimento teórico
e prático sobre o contexto dos jogos.
Em relação às habilidades motoras, a fase de automatização e
refinamento enfatiza a prática do que foi aprendido e acrescenta as
situações de jogo, transição (contra-ataque) e sistemas táticos de de-
fesa e ataque, os quais, aliados à técnica, visam ao aperfeiçoamento
das condições gerais da formação do atleta, na qual os conteúdos de
ensino equilibram-se entre exercícios e jogos com o objetivo de ensi-
nar habilidades “técnicas específicas”, que são o modo de fazer aliado
à “tática específica”, a razão de fazer.
Para uma melhor compreensão sobre a tática para o basque-
tebol, Konzag (1983) a divide em individual e de grupo, tanto no
ataque quanto na defesa. Bota e Colibaba-Evulet (2001) acrescentam
que a tática de equipe são ações coletivas, indicando os princípios de
ações ofensivas que estão nas bases dos sistemas ofensivos; posicio-

52 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
namento rápido, contra-ataque, ataque e defesa. As ações táticas em
grupos entre dois e três atacantes ou defensores com e sem bola são
subordinações dos princípios do jogo. As ações individuais com e sem
bola são utilizadas somente por jogadas de um só jogador.
O desenvolvimento harmonioso através do basquetebol deve
acontecer logo que a criança inicia as atividades em forma de brinca-
deiras nas ruas ou jogos recreativos na pré-escola e na 1ª à 4ª séries do
ensino fundamental, e também a partir do momento que entra na 5ª
e 6ª séries. O próprio jogo coletivo, por meio de seus conteúdos, tem
a finalidade de aperfeiçoar a velocidade de reação, a coordenação,
a flexibilidade e a capacidade aeróbia dos pré-adolescentes. Isso se
torna necessário para uma preparação física generalizada através de
exercícios e jogos.
Na fase de automatização e refinamento dos fundamentos –
exercícios sincronizados e sistemas aprendidos – e o desenvolvimento
das capacidades físicas, volta-se para o aperfeiçoamento do que já foi
conseguido anteriormente, fortalecendo a estrutura física, destacan-
do as capacidades físicas específicas, como exemplo, a resistência de
velocidade, muito utilizada no basquetebol.
De qualquer forma, torna-se necessá-
rio dividir a preparação dos atletas em geral
e especial: a geral corresponde às necessida-
des básicas generalizadas através dos exer-
cícios e jogos ou também em várias outras
modalidades e a preparação especial visa ao
desenvolvimento, aproximando ao máximo
das situações específicas. Deve-se progra-
mar o treinamento de forma periodizada
e planejada, a fim de se conseguir ganhos,
Kriss Szkurlatowski/ Stock.XCHNG

potencializando o desenvolvimento de to-


das as capacidades dos atletas. O quadro 2
demonstra as sugestões da relação entre os
percentuais de carga que podem ser aplica-
dos nas diferentes fases do processo de ini-
ciação: no desenvolvimento da preparação
geral e especial.

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 53


Quadro 2: Correlação da preparação dos conteúdos geral e especial entre
as fases de iniciação.

preparação geral especial

Conhecer o jogo
90% 10%
de basquetebol

Aprendizagem inicial
FA S E S

dos fundamentos 80% 20%


e sistemas táticos

Automatização da
60% 40%
aprendizagem anterior

Fonte: OLIVEIRA (2007)

A preparação física geral pode ser desenvolvida tomando parte


dos treinamentos, visando, principalmente, à robustez dos adolescen-
tes, utilizando os próprios atletas para o desenvolvimento, além das
bolas de medicinibol e outros pesos adicionais. A preparação física
especial, por sua vez, pode ser desenvolvida juntamente com os exer-
cícios e jogos situacionais, nos quais são treinadas as capacidades em
conjunto com a técnica-tática, reforçando a motivação, aumentando
o interesse dos praticantes.
No próprio jogo como o basquetebol, manifestam-se as capa-
cidades físicas em curtos intervalos de tempo, em regimes máximos
e submáximos, com predominância de velocidade e força (KIRKOV,
1984). A competição também é utilizada para desenvolver as capa-
cidades gerais e específicas, oportunizando aos atletas o aperfeiçoa-
mento das capacidades físicas em real situação competitiva.
No caso das habilidades (técnicas), como exposto anterior-
mente, os jogos e as brincadeiras, nas fases de iniciação: conhecer
o jogo e aprendizagem dos fundamentos, objetivam a aprendizagem
da manipulação de bola, passe-recepção, entre outras, e no domínio

54 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
corporal, a agilidade, mobilidade, ritmo e equilíbrio; dando início à
formação tática e ao aperfeiçoamento das capacidades físicas – coor-
denação, flexibilidade e velocidade – que constituem as bases para
a fase de iniciação em nível de automatizaçao, a qual possui, como
conteúdos, a automatização e o refinamento da aprendizagem, prepa-
rando os alunos/atletas para a especialização.
A fase de iniciação da automatização e o refinamento da apren-
dizagem inicial possibilitam ao praticante optar por uma outra mo-
dalidade após as experiências vividas e depois da aprendizagem de
várias modalidades. Acreditamos que os movimentos desorganizados
aos poucos vão se coordenando, e os jovens, por sua própria natureza
e interesse, vão decidindo em qual modalidade se especializarão, nes-
se caso o basquetebol.
Tomas M/ Stock.XCHNG

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 55


Heitor Marcon

Capítulo IV
Capítulo IV

Sugestões de atividades para a etapa de iniciação em


basquetebol e suas fases de desenvolvimento

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 57


Heitor Marcon

58 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
Domínio
do corpo

Manipulação
da bola

Passe

Drible

Recepção

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Heitor Marcon

60 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
Heitor Marcon

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 61


62
Heitor Marcon Heitor Marcon

CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
Heitor Marcon

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Fundamentos Corta-luz
Finalização Rebote
sincronizados parado
Heitor Marcon

64 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
Heitor Marcon

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 65


66
Heitor Marcon Heitor Marcon

CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
Heitor Marcon
Heitor Marcon

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Heitor Marcon

Sistemas Transição e Sistemas


defensivos corta-luz em ofensivos
movimento

68 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
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70
Heitor Marcon Heitor Marcon

CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
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Heitor Marcon

72 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
Heitor Marcon

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 73


74 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
Heitor Marcon

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 75


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Heitor Marcon
Heitor Marcon

CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
Heitor Marcon

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 77


Heitor Marcon

78 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 79
Carlo San/ Stock.XCHNG

Capítulo V
Capítulo V

O adolescente não é especialista durante a adolescência, mas poderá


tornar-se especialista em basquetebol na fase adulta.
Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira

Pedagogia do treinamento especializado


no basquetebol

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 81


Rena Schild/shutterstock

82 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
Hidde de Vries/Stock.XCHNG

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84 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
Heitor Marcon

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 85


86 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 87
Elvis Santana/ Stock.XCHNG

Capítulo VI
Capítulo VI

Metodologia do treinamento no basquetebol


em diferentes fases da especialização desportiva

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 89


90 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
Heitor Marcon

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 91


92 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
Heitor Marcon

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 93


94 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
Heitor Marcon

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 95


96 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
Heitor Marcon

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 97


Sport Training

98 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
A
B S K/ Stock.XCHNG

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 99


Heitor Marcon

100 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL


Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 101
102
Elvis Santana/ Stock.XCHNG

CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
Carlo San/ Stock.XCHNG

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 103
104
Jeramey Jannene/ Stock.XCHNG

CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 105
106 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
K C/ Stock.XCHNG

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 107
Hidde de Vries/Stock.XCHNG

Capítulo VII
Capítulo VII

Sugestões de atividades para a etapa de


treinamento especializado em basquetebol

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 109
110
Microsoft Office/clipart

CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
Tom Pickering/Stock.XCHNG
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112 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 113
114 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
Heitor Marcon

Figura 35: Manipulação de bola de forma complexa.


Heitor Marcon

Figura 36: Os passes em situações complexas.


Heitor Marcon

Figura 37: O drible em situações complexas.

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 115
116
Heitor Marcon Heitor Marcon

CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
Heitor Marcon
Heitor Marcon

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 117
118 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
Heitor Marcon

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 119
120
Heitor Marcon Heitor Marcon

CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
Heitor Marcon

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 121
Heitor Marcon

Figura 46: O jogo de grupo 3x3.


Heitor Marcon

Figura 47: O jogo de grupo 4x4.


Heitor Marcon

Figura 48: O jogo coletivo 5x5.

122 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL


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124 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 125
126 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 127
Heitor Marcon

128 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL


Heitor Marcon

Figura 50: O jogo livre em busca das infiltrações e dos arremessos.

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 129
130 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
Heitor Marcon

Prof. Dr. Valdomiro de Oliveira e Prof. Dr. Roberto Rodrigues Paes 131
132
Heitor Marcon Heitor Marcon

CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
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Heitor Marcon

134 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL


Heitor Marcon

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136 CIÊNCIA DO BASQUETEBOL
B S K/ Stock.XCHNG

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Considerações Finais

138
Referências Bibliográficas

139
140
141
142
143
O basquetebol na internet

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prefeito@unicamp.br

144
Prof. Valdomiro de Oliveira
Doutor em Ciências do Desporto
UNICAMP - SP

Nascido em 27/02/1969, formou-se em Educação Física na


Universidade Estadual de Maringá – UEM – PR em 1996, tornou-se
especialista em Treinamento Desportivo – UNOPAR – Londrina –
PR, 1997. Concluiu o curso de mestrado em Ciências do Desporto
em 2002 na Unicamp – Campinas – SP defendendo a tese: “O pro-
cesso de ensino dos jogos desportivos coletivos: um estudo acerca do
basquetebol”. Atualmente é Doutor em Ciências Pedagógicas do Des-
porto – Unicamp – Campinas – SP, com a tese “O Ensino da técnica e
da tática no basquetebol de elite do País”. É Especialista em Desporto
de Alto Rendimento Rússia – Moscou. Atuou como atleta na infân-
cia, na adolescência e na fase adulta, conquistando títulos estaduais,
nacionais e participação em torneios internacionais. Atuou como téc-
nico de jovens atletas durante muitos anos. Atuou como professor no
ensino fundamental, médio e superior, na Universidade Estadual de
Londrina – UEL e Universidade Estadual do Paraná – UNESPAR/
FAFIPA, campus Paranavaí, PUC-PR. Atualmente é Professor Ad-
junto da UFPR, ministrando as disciplinas de Pedagogia do esporte
e Basquetebol. Possui publicações em Pedagogia do Esporte, jogos
desportivos coletivos e basquetebol em nível nacional e internacional.
Prof. Roberto Rodrigues Paes
Doutor em Educação e Professor de Basquetebol –
Faculdade de Educação Física da Unicamp - SP

Nascido em 22/01/1956, formou-se em Educação Física na


Universidade Católica do Campinas – PUC – Campinas–SP. Cur-
sou mestrado em Educação na Universidade Metodista de Piracicaba
– Unimep – SP, concluindo-o em 1989, defendendo a tese “Apren-
dizagem e competição precoce; o caso do basquetebol”. Cursou o
doutorado em Educação na Universidade Estadual de Campinas–Uni-
camp–SP, defendendo a tese “O esporte como conteúdo do ensino
fundamental”. É professor livre-docente da Faculdade de Educação
Física da Unicamp–Campinas–SP. Atualmente é Diretor da Facul-
dade de Educação Física da Unicamp–SP. Foi atleta, conquistando
títulos nacionais e internacionais. Foi professor em todos os níveis
de ensino e técnico de basquetebol de relevância nacional. Publicou
vários livros e capítulos de livros, tendo sua principal obra “Apren-
dizagem e competição precoce: o caso do basquetebol” em 1996 e
“O esporte como conteúdo pedagógico do ensino fundamental” em
2001. Na atualidade é prefeito do campus da UNICAMP – SP.