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2016

Cerâmicas
Odontológicas
Guilherme Schmitt de Andrade
SUMÁRIO
Introdução ..................................................................................................................................................... 1
Estrutura das cerâmicas ............................................................................................................................... 1
Modificadores vítreos ............................................................................................................................... 2
Universo atômico das cerâmicas .............................................................................................................. 3
Cerâmicas Cristalinas e Amorfas ............................................................................................................. 4
Transições cristalinas:.......................................................................................................................... 5
Transições vítreas: ............................................................................................................................... 5
A formação de um vidro ....................................................................................................................... 6
O que acontece à Tm que determina se a rota de formação do cristal ou do vidro é seguida? .......... 6
Características .............................................................................................................................................. 7
Propriedades ................................................................................................................................................ 7
Métodos de processamento.......................................................................................................................... 7
Sinterização:........................................................................................................................................... 17
Cerâmicas prensadas isostaticamente a quente: ................................................................................... 18
Coroas Injetadas: ................................................................................................................................... 18
Slip-cast.................................................................................................................................................. 18
CAD-CAM ............................................................................................................................................... 19
Uso das cerâmicas em restaurações ............................................................ Error! Bookmark not defined.
Metalocerâmicas: ..................................................................................... Error! Bookmark not defined.
Classificações das cerâmicas ..................................................................................................................... 19
Quanto ao seu uso: ................................................................................................................................ 19
Classificação das cerâmicas Segundo Kelly e Benetti ........................................................................... 20
Predominantly glassy materials / cerâmicas predominantemente vítreas: ......................................... 20
Particle-filled glasses / vidros preenchidos por partículas: ................................................................. 20
Polycrystalline ceramics (no glass) / cerâmicas policristalinas: ......................................................... 21
Classificação segundo segundo Gracis et al. 2015: ............................................................................... 23
Glass-matrix ceramics / cerâmicas de matriz vítrea: .............................................................................. 23
Naturally occuring feldsphatic ceramics / cerâmicas com feldspato natural: ..................................... 23
Sinthetic / sintéticas: .......................................................................................................................... 23
Infiltradas por vidro ................................................................................................................................. 25
Cerâmicas policristalinas ........................................................................................................................ 26
Alumina .............................................................................................................................................. 26
Zircônia Estabilizada .......................................................................................................................... 26
Zircônia reforçada por alumina e Alumina reforçada por zircônia ...................................................... 29
Cerâmicas de Matriz Resinosa:.............................................................................................................. 29
Nanoceramicas de resina .................................................................................................................. 30
Cerâmica vítrea interpenetrada por polímeros ................................................................................... 30
Métodos para aumentar a resistência de cerâmicas: ................................................................................. 31
Minimizando o efeito da concentração de tensões:................................................................................ 31
Glossário:.................................................................................................................................................... 33
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Cerâmicas Odontológicas
Recursos pedagógicos:
 Termo explicado no glossário
 Comentário

INTRODUÇÃO
Durante os últimos anos acompanhamos o desenvolvimento e melhoria dos materiais dentários cerâmicos
e suas técnicas, principalmente a usinagem das restaurações (CAD/CAM) e a alta resistência a tenacidade
das infra-estruturas cerâmicas baseadas em zircônia.
Contudo, o progresso das cerâmicas na odontologia tem sido limitado por problemas inerentes a três
diferentes áreas:
1) Clínica odontológica:
A altura insuficiente da coroa para um adequado preparo dentário, consequentemente, inadequada
espessura de cerâmica;
Grandes forças oclusais associadas com bruxismo
Desgaste dentário do dente ou restauração antagonista
Ajustes de tonalidades
Controle das propriedades ópticas
2) Laboratório dentário
Tecnologia utilizada para fabricação de restaurações
Método de aplicação da cerâmica e o número de queima
Harmonização de cor e textura
Precisão do ajuste da restauração final
3) Limitações apresentadas pelo seu próprio comportamento mecânico e propriedades físicas
Baixa resistência às tensões de tração
Baixa tenacidade de fratura quando comparadas com infra-estruturas metálicas
Diferenças na expansão térmica entre diversos tamanhos de partículas (fases) e entre as camadas da
estrutura, porosidades e impurezas do material
Defeitos de superfície que são considerados pontos de concentração de estresse e potencial
iniciadores de fraturas catastróficas
(D E L L A B O N A , 2009)

ESTRUTURA DAS CERÂMICAS


São composições de elementos metálicos (Alúminio, cálcio, lítio, magnésio, potássio, sódio, lantânio,
estanho, titânio e zircônio) e de substâncias não metálicas como óxidos, nitritos e silicatos. Elas podem
aparecer como sólidos cristalinos e como sólidos amorfos (vidros).
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Seus átomos são unidos por ligações iônicas, que podem existir na forma cristalina e amorfa (vidros).
(V A N N O O R T , 2010).
É caracterizada por duas fases: uma fase cristalina circundada por uma fase vítrea.
Fase vítrea é composta por uma cadeia básica de óxido de silício sendo que a proporção Si/O está
relacionada com a viscosidade e expansão térmica da porcelana.
(D E L L A B O N A , 2009).
A sílica (SiO2 – dióxido de silício) forma a base de muitos materiais cerâmicos, ela pode existir em várias
formas como material cristalino: quartzo, cristobalita, tridimita ou como um vidro (sílica fundida).
A sílica é usada como base de formatação para cerâmicas, como por exemplo os vidros de feldspato (óxido
de alumínio e silício em combinação com o potássio, o sódio ou o cálcio).
(V A N N O O R T , 2010).
A quantidade e a natureza da fase cristalina ditam as propriedades mecânicas e ópticas.
(C R A I G , 2002).
As fases cristalinas mais comuns são leucita, dissilicato de lítio, alumina, combinações de alumina e
zircônia, zircônia e hidroxiapatita.
Cristais de leucita são incluídos em porcelanas de recobrimento para metalocerâmicas para aumentar a
opacidade e a resistência desses materiais de matriz vítrea e controlar seus coeficientes de expansão e
contração térmica.
Cristais de leucita também tem papéis similares na formulação de cerâmicas de infraestrutura, para
próteses totalmente cerâmica.
Cerâmicas vítreas de dissilicato de lítio, alumina/zircônia e zircônia são usadas exclusivamente
para fabricação de infraestruturas em aplicações totalmente cerâmicas. Restaurações totalmente
cerâmicas de dentes posteriores (coroas e pontes monolíticas), produzidas utilizando cerâmicas de
infraestrutura, têm sido usadas para eliminar o lascamento da cerâmica de recobrimento, ou a fratura total
da cerâmica de recobrimento e para maximizar o tamanho dos conectores em próteses fixas. Uma das
maiores preocupações em se utilizar cerâmicas de infraestrutura para restaurações monolíticas é o seu
potencial para aumentar o desgaste do esmalte do dente antagonista e adjacente. Embora a superfície
dessas próteses possa ser glazeada para minimizar o desgaste do esmalte, a durabilidade a longo prazo
das camadas de glaze continua a ser avaliada.
(A N U S A V I C E E T A L ., 2012)
 Para o autor o Coeficiente de Contração Térmica das cerâmicas de recobrimento é mais relevante para a
análise das tensões que se desenvolvem na cerâmica de recobrimento durante o resfriamento.

Modificadores vítreos
Cátions básicos, como o potássio, sódio ou cálcio, tendem a perturbar as cadeias de silicato e
aumentam a expansão térmica desses vidros, e fazem com que a temperatura de sinterização se torne
mais baixa, esses componentes são denominados modificadores vítreos, e são utilizados pois a
temperatura sinterização da sílica é muito alta para que seja usada em ligas metálicas odontológicas, em
tais temperaturas as ligas derreteriam.
Moléculas que contém 3 átomos de oxigênio para cada dois outros átomos (assim como Al 2O3)
são usadas como estabilizadores. Ou também podem ser adicionadas como bloqueadores de trincas ou
cristais de tenacificação.
Alguns óxidos metálicos podem ser adicionados para diminuir a viscosidade, a temperatura de
amolecimento e para formar sua própria rede vítrea, como por exemplo, óxido bórico.
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O papel da alumina na formação do vidro é complexo, pois não ela não é uma formadora de vidro
verdadeira, mas pode fazer parte da matriz vítrea e serve para alterar a temperatura de fusão e a
viscosidade.
Óxidos de pigmentação são adicionados para obtenção das diversas cores necessárias para
simular o dente natural. Esses pigmentos são produzidos pela fusão de óxidos metálicos com partículas
finas de vidro e feldspato. Exemplos de óxidos metálicos e suas respectivas contribuições para a cor das
cerâmicas incluem óxidos de ferro ou níquel (marrom), óxido de cobre (verde), óxido de titânio (marrom
amarelado), óxido de manganês (lilás) e óxido de cobalto (azul). A opacidade pode ser controlada pela
adição de óxido de cério, óxido de zircônia, óxido de titânio ou óxido de estanho.
(A N U S A V I C E E T A L ., 2012)
Universo atômico das cerâmicas
As três principais fases da matéria podem ser distinguidas pelo movimento interatômico e
intermolecular. No estado gasoso existe pouca ou nenhuma resistência ao movimento relativo dos átomos
ou moléculas, enquanto que no estado líquido a resistência ao movimento é consideravelmente maior,
porém as moléculas ainda podem passar umas pelas outras com grande facilidade. Nos sólidos o
movimento dos átomos e das moléculas é restrito a uma vibração localizada, embora algum movimento
interatômico seja possível por meio da difusão. Considerando essa informação, associada ao
conhecimento de que ânions e cátions nos materiais cerâmicos são significativamente diferentes em
tamanho, pode-se explicar o sucesso relativo do processo de troca iônica para aumentar a resistência das
cerâmicas. Este método introduz estresses compressivos residuais na superfície da cerâmica, dificultando
a propagação das trincas. Tal efeito, entretanto, não é mais profundo do que 100µm, portanto, se a
superfície da cerâmica for submetida à abrasão ou desgaste, o efeito do aumento de resistência pode ser
perdido.

Silício Representação esquemática do processo de troca iônica. Frequentemente envolve a troca de


sódio (Na), um íon de diâmetro relativamente pequeno e componente comum dos vidros,
Oxigênio por potássio (K) que é aproximadamente 35% maior do que o íon de Na. Este processo é
geralmente realizando aplicando-se uma suspensão rica em potássio sobre a superfície de
Sódio cerâmica que é aquecida por alguma tempo (por exemplo, 450°C por 30 minutos)

Potássio

Figura adaptada do livro Della Bona A. Entendendo o universo atômico das cerâmicas odontológicas. In: Della Bona A. Adesão às cerâmicas: evidências
para o uso clínico. São Paulo: Artes Médicas, 2009; 17-43
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Energia também é necessária para transformação de sólido um líquido. A atração entre átomos
no estado sólido deve ser maior do que no estado líquido ou no estado gasoso. Se isso não fosse verdade,
os átomos se separariam facilmente nos metais, deformando-se prontamente e poderiam existir também
na fase de vapor em baixas temperaturas. A temperatura, entretanto, também tem efeito no comportamento
dos materiais. Um metal, falha tipicamente por um processo de falha dúctil, porém pode sofrer uma fratura
friável sob baixas temperaturas. Esse aspecto não lembra a fratura do Titanic?
As cerâmicas são compostos de elementos metálicos e substâncias não-metálicas, tais como
óxidos, nitretos e silicatos. Esses materiais são muito estáveis por sua alta resistência de união interatômica
primária (iônicas e covalentes) e alta eficiência de empacotamento atômico. As cerâmicas podem se
apresentar como sólidos cristalinos ou amorfos.
Os átomos nos materiais cristalinos estão posicionados em um padrão periódico (repetitivo),
formando um arranjo tridimensional conhecido como organização atômica. O arranjo dos átomos em uma
organização atômica repetida denomina-se estrutura cristalina. É necessária uma força externa para
aproximar os átomos ou separá-los. Esse espaçamento interatômico é a configuração de energia mínima
(Em) e para ser alcançada há uma tendência para que os átomos adotem um arranjo regular com
empacotamento atômico (sem espaços). O empacotamento atômico mais denso é obtido quando os
átomos estão organizados de maneira simétrica regular, formado uma estrutura cristalina. Uma importante
característica de tal estrutura é que, a partir de qualquer átomo, o arranjo dos átomos adjacentes é idêntico.
Metais e sólidos iônicos, como a maioria das cerâmicas, são geralmente cristalinos à temperatura ambiente.
Qualquer sólido que não tenha simetria dos átomos é chamado de amorfo.

Representações esquemáticas da sílica. A arranjo espacial dos átomos de oxigênio em relação aos de silício. B Anel de sílica
(Si3O9)6- C Representação bidimensional da estrutura cristalina de sílica D vidro amorfo. A quarta ligação do Si não está visível,
pois aponta para dentro do plano da página
Figura adaptada do livro Della Bona A. Entendendo o universo atômico das cerâmicas odontológicas. In: Della Bona A. Adesão às cerâmicas: evidências
para o uso clínico. São Paulo: Artes Médicas, 2009; 17-43

Cerâmicas Cristalinas e Amorfas


A sílica (SiO2) é a base para muitas formulações cerâmicas, apesar da sua fórmula química
simples, a sílica pode existir em muitas formas diferentes (polimorfismo), como os vidros de alumino-silicato
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utilizados nos cimentos de ionômero de vidro, ou é combinada com potássio, sódio ou cálcio, nas cerâmicas
feldspática.
A sílica cristalina (quartzo, tridimita e cristobalita) tem ligações iônicas e covalentes na forma
tetraédrica. Nas sílicas amorfas (vidro, sílica fundida ou sílica vítrea), a ligação Si-O é em sua maioria
covalente, significando que a união é forte e direcional. A adição de elementos modificadores, tais como o
sódio, enfraquece essas fortes ligações e torna o material maleável em temperaturas mais baixas (695°C
par ao vidro de soda-cal-sílica comparado a 1580°C para a sílica fundida). A soda (Na2O) e o cal (CaO)
reduzem consideravelmente a viscosidade e, portanto, a temperatura de transição vítrea (Tg) , pois
causam um extenso rompimento da rede de sílica.
Transições cristalinas:
Quando um sólido é aquecido, ele pode sofrer uma série de transformações, a mais facilmente
reconhecida é quando um sólido derrete. A mudança de um cristal sólido para líquido é conhecida como
transição de fusão cristalina e é acompanhada por um aumento de volume do material. Isso ocorre por
que quando em estado sólido suas moléculas se encontram densamente compactadas e organizadas,
quando torna-se um liquido (fusão) essas moléculas se tornam desorganizadas.
A sílica encontra-se na forma de quartzo em temperatura ambiente, se aquecida até 870°C se
transforma em tridimita (sólido/sólido), a 1471°C em cristobalita (sólido/sólido), em 1713°C ela se funde
(sólido/líquido).

Transições sólido-sólido da sílica


Gráfico do livro Van Noort R. Estrutura das Cerâmicas. In: Van Noort
R. Introdução aos Materiais Dentários. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010;
21-25
Transições vítreas:
Quando um sólido amorfo como o vidro é aquecido, ele não demonstra transição sólido/líquido
evidente, já que o material não é cristalino. Em vez disso o que acontece é que em algum ponto há um
aumento na taxa de mudança de volume específico. A temperatura na qual essa mudança de inclinação
ocorre é conhecida como temperatura de transição vítrea.
A consequência disso é que não haverá nenhum aumento súbito no volume, ocorrendo um
aumento gradual no volume, com a taxa de aumento se tornando mais rápida acima da temperatura de
transição vítrea.

Variação do volume específico de um sólido amorfo em


função da temperatura
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Gráfico do livro Van Noort R. Estrutura das Cerâmicas. In: Van Noort
R. Introdução aos Materiais Dentários. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010;
21-25
A formação de um vidro
A sílica pode formar tanto o vidro como sólidos cristalinos. Quando a cristalização ocorre no
resfriamento (curva a), há uma redução discreta do volume especifico, essa contração é devido à
“contração de configuração”, já que há um grande aumento na fração de compactação quando se
modifica um líquido desordenado para um sólido cristalino organizado. Uma vez que essa nítida contração
esteja completa, o material continua a se contrair pela contração térmica normal. Se a cristalização não
ocorresse, o material seguiria a (curva b) e o líquido continuaria a se contrair, parcialmente por contração
térmica normal e parcialmente pela contração de configuração. O liquido adquire uma estrutura menos
frouxa, mas não há nenhum discreto salto no volume específico.
(D E L L A B O N A , 2009)
Abaixo da Tm, (Temperatura de transformação cristalina) forma-se um liquido super-resfriado
instável, contraindo conforme a temperatura decresce até Tg (temperatura de transformação vítrea), nesse
ponto a taxa de contração diminui gradualmente. Quando o liquido super-resfriado é resfriado abaixo da
temperatura de transição vítrea, ele é descrito como vidro.
(V A N N O O R T , 2010)
Essa expansão durante o aquecimento e a contração no resfriamento produz modificações no
volume e, consequentemente, no comprimento de um sólido. Desse modo, a alteração de comprimento
dividida pela mudança de temperatura é denominada coeficiente de expansão térmica (linear). Portanto a
Tg pode ser definida como a temperatura na qual ocorre um rápido aumento do CET, indicando aumento
da mobilidade molecular.
(D E L L A B O N A , 2009)

Curvas de resfriamento de um material que pode


formar um sólido cristalino (a) ou um vidro (b)
Gráfico do livro Van Noort R. Estrutura das Cerâmicas. In: Van
Noort R. Introdução aos Materiais Dentários. Rio de Janeiro:
Elsevier, 2010; 21-25
O que acontece à Tm que determina se a rota de formação do cristal ou do vidro é seguida?
Quando a sílica derrete, ela produz um liquido muito viscoso, que significa que as moléculas
podem apenas mover umas sobre as outras muito lentamente. Isso não é favorável a formação de um
sólido cristalino já que a cristalização requer um rearranjo rápido e substancial das moléculas. Quando
qualquer núcleo cristalino presente tenderá, tenderá, portanto, a crescer muito lentamente, em especial
devido à estrutura complexa da sílica cristalina, que é similar à de um diamante. Então, se o líquido for
resfriado com rapidez, o sólido formado provavelmente será um vidro.
Quando a sílica derretida é resfriada rapidamente a estrutura cristalina não tem tempo de ser
formar, de modo que a sílica solidifica como um vidro que é chamado de quartzo fundido com alta
temperatura de fusão (1713°C), quando misturada com certos óxidos metálicos a temperatura de fusão
reduz drasticamente (vitrificação).
V A N N O O R T , 2010
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Contudo, é possível que uma pequena quantidade de cristalização ocorra na produção do vidro,
embora a taxa de crescimento dos cristais seja muito baixa. Este processe é conhecido como
desvitrificação e pode ocorrer quando o vidro é mantido em uma temperatura elevada por um longo
tempo, permitindo alguma reorganização das moléculas. O vidro tenderá a possuir uma aparência
translúcida, devido à dispersão de luz nas superfícies dos pequenos cristais. Esta é a base da formação
das cerâmicas vítreas.
Assim como na desvitrificação, vidros e cerâmicas que contém uma fase vítrea podem ser
annealed (temperados) para permitir o rearranjo molecular ou atômico. O annealing point (ponto de
têmpera) é a temperatura na qual os estresses residuais em um vidro são eliminados dentro de
aproximadamente 15 minutos, e corresponde à viscosidade do vidro de cerca de 10¹² Pa-s. Este processo
de annealing  deve ser utilizado após desgaste ou polimento de vidros ou cerâmicas que contenham
pelo menos uma fase vítrea, em preparação a qualquer protocolo de pesquisa que envolva edentação de
amostras, como medidas de dureza e técnicas de tenacidade à fratura como fratura por edentação (IF-
indentation fracture) e resistência à endentação (IS-indentation strenght). Para esse propósito, o vidro ou
cerâmica contendo vidro pode ser temperada em uma temperatura de 50°c acima de sua Tg.
(D E L L A B O N A , 2009)

CARACTERÍSTICAS
 Estética (...)
 Biocompatibilidade
 Inertes
 Friáveis
 Baixa resistência à tração

 Novos materiais visam aumentar a resistência a fratura desses materiais (união com o
metal/metalocerâmicas, inclusão de alumina ou zircônia, e a própria adesão direta a estrutura dentária)

(G O M E S E T A L . 2008)

PROPRIEDADES
As formulações das cerâmicas devem ser feitas de modo a apresentar propriedades como:

 Fundibilidade
 Moldabilidade
 Injetabilidade
 Usinabilidade
 Cor
 Opacidade
 Translucidez
 Resistência à abrasão
 Resistência e tenacidade  a fratura
(D E L L A B O N A , 2004 A P U D G O M E S E T A L . 2008).

ENTENDO A MICROESTRURA, COMPOSIÇÃO E AS PROPRIEDADES BÁSICAS DAS CERÂMICAS


Análises microestruturais quantitativas e qualitativas oferecem uma associação entre: a
constituição, propriedades físicas e características estruturais dos materiais. Além disso, a caracterização
da microestrutura é necessária para calcular as propriedades mecânicas relevantes e embasar o
conhecimento sobre a fratura e fenômenos de adesão.
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O exame microscópico é muito importante para esse fim, nos auxilia a investigar características
como natureza, tamanho, forma, quantidade e distribuição dos elementos estruturais ou fases.
O volume (V) e densidade (ρ) estão relacionados com a quantidade de cada fase presente na
cerâmica. O volume dos materiais cristalinos e suas modificações de volume com a temperatura estão
intimamente relacionados às estruturas dos cristais. O volume de um vidro é basicamente determinado pela
natureza da matriz vítrea. A densidade é diretamente determinada pela estrutura dos cristais, que depende
do número de átomos por centímetro cúbico e do peso atômico dos constituintes. Para as cerâmicas, a
densidade apresenta um valor mínimo para a matriz vítrea pura e aumenta conforme íons modificadores
são adicionados.
O tamanho dos grãos é altamente relacionado com o desgaste, sendo que quanto maiores as
partículas, maior o desgaste. Além disso, está relaciona-se também com a resistência à propagação de
trinca, independentemente do tipo de processamento ou da composição. Grãos maiores que os do que os
defeitos (trincas) resultam em uma diminuição da tenacidade de fratura e da resistência à fratura.
O modo dominante de fratura em qualquer material é ditado pela microestrutura:
1. Microestruturas refinadas com mínima fragilidade interna tendem a exibir trincas macroscópicas
2. Microestruturas grosseiras com fragilidade interna aumentada, tendem a exibir micro-trincas ou
zona de quase-plasticidade (micro-dano abaixo do ponto de contato provocado por estresse de
cisalhamento)
Os dois modos são interativos: a quase-plasticidade pode aumentar ou inibir fraturas pela redistribuição
dos estresses de tração.
A estrutura de cada fase nas cerâmicas odontológicas depende muito das condições de queima,
tais como: a temperatura de pré-aquecimento, a velocidade do aquecimento, a temperatura final de queima,
o tempo de manutenção da temperatura final, a atmosfera no forno de queima, e a velocidade do
resfriamento. O coeficiente de expansão térmica, os valores de resistência (σ), a solubilidade química
do material, a transparência e a aparência, são algumas das propriedades que mostram alguma
dependência no grau e na maneira pela qual a estrutura é queimada.
O mineral de alta expansão leucita, está frequentemente associado a micro-fendas espontâneas
que resultam de uma diferença de expansão térmica entre a leucita e a matriz vítrea circundante. Este tipo
de micro-fenda pode ser minimizado com a redução do tamanho da partícula de leucita e com obtenção de
uma distribuição homogênea dessas partículas por toda cerâmica. Essas micro-fendas são raramente
observadas em cerâmicas com alto conteúdo cristalino e nas cerâmicas infiltradas por vidro ou cerâmicas
prensadas em altas temperatura.
(D E L L A B O N A , 2009)

Fotomicrografia em MEV da superfície das amostras preparadas sem polimento. As trincas são
decorrência de tensões por diferenças do coeficiente de expansão térmica entre fases.
Bragança SR, Bergmann CP. Microestrutura e propriedades de porcelanas. Cerâmica, 50(316);2004, 291-299
 O comportamento das cerâmicas, em âmbito clínico, depende das suas propriedades físicas e mecânicas.
Essas propriedades são determinadas pelas suas características microestruturais e pela sua composição.
Baseando-se nelas é possível investigar o módulo de elasticidade, razão de Poisson, dureza (H), resistência
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à fratura (σ), tenacidade de fratura (K) e parâmetros de fadiga dos materiais. Entender esses parâmetros
torna a escolha do material a ser utilizado em uma restauração mais racional, não se baseando somente
em indicações do fabricante ou tendências mercadológicas.

Outra caracterização importante, relacionada a microestrutura das cerâmicas é o módulo de


elasticidade ou de Young (E) é uma medida de rigidez, ou de resistência do material à transformação
elástica. Quanto maior o módulo, mais rígido o material, ou menor a deformação elástica (ε) que resulta
da aplicação de um dado estresse (σ).

O módulo de elasticidade de um material pode ser diretamente relacionado com as forças de


união interatômica e é um importante parâmetro de planejamento utilizado para calcular as deflexões
elásticas.

A razão de Poisson (ѵ) é a relação da deformação lateral pela axial. Teoricamente, um valor típico
da ѵ para materiais isotrópicos é de 0,25, porém o máximo pode chegar tão alto quanto 0,50. A ѵ está
relacionada ao módulo de cisalhamento (G) e ao módulo de elasticidade.

𝐸 = 2𝐺(1 + ѵ)

A dureza (H) é uma medida da resistência do material à deformação plástica. Ela possibilita
estimar propriedades como a resistência à tração, resistência ao desgaste devido ao atrito e a resistência
à fadiga.

Como as cerâmicas não são capazes de se deformar plasticamente, a causa prevalente de falha
clínica é a fratura catastrófica. Uma falha mecânica ocorre quando o estresse aplicado se torna maior
do que a resistência do material que é dependente do tamanho da trinca original presente na amostra ou
estrutura. Em outras palavras, quando a trinca é submetida à carga ou estresse em modo I (tração),
acumulando energia suficiente, a trinca propaga-se catastroficamente criando duas novas superfícies: as
superfícies de fratura, o grande número de defeitos pré-existentes nas cerâmicas, associado com uma
baixa tenacidade de fratura, limita a resistência das cerâmicas e causa uma grande variabilidade na
resistência e na longevidade. A variabilidade na resistência é consequência da distribuição do tamanho
dos defeitos, e a dependência do tempo na resistência é resultante do crescimento lento desses defeitos
até dimensões críticas provocando a falha catastrófica (crescimento subcrítico ou lento de trincas).

Os três modos de deslocamento das superfícies da trinca. O modo I é o modo de abertura ou de tração, que geralmente governa
a fratura friável. O modo II é o modo de deslizamento e o modo III de rasgamento.
Figura adaptada do livro Della Bona A. Caracterizando a microestrutura, a composição e propriedades básicas das cerâmicas. In: Della Bona A. Adesão às
cerâmicas: evidências para o uso clínico. São Paulo: Artes Médicas, 2009; 43-90

A confiabilidade estrutural das cerâmicas é o principal fator para o sucesso clínico das
restaurações, e distribuições complexas de estresse estão presentes na maioria das condições práticas,
desse modo, os resultados de resistência do material, isoladamente, não podem ser diretamente
extrapolados para predizer o comportamento estrutural das cerâmicas. Para prever as falhas desse
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material parâmetros experimentais devem calcular a distribuição da resistência e da longevidade das


estruturas. Esses parâmetros podem ser determinados calculando-se a resistência em função da taxa de
estresse em ambiente que simule o trabalho. Dessa maneira experimentos bem projetados com análise
de confiabilidade podem otimizar as decisões sobre o tipo de material e desenho estrutural, assegurando
a utilização bem-sucedida das cerâmicas em situações clínicas.

As cerâmicas são incapazes de se deformar plasticamente, e a resistência refere-se ao estresse


necessário para causar a fratura, com frequência associada a presença de defeitos dentro da região de
estresse de tração. Por isso, a resistência das cerâmicas é comumente medida utilizando os testes
de flexão.

A resistência a flexão é considerada geralmente, como uma propriedade mecânica significativa


para materiais friáveis, os quais são muito mais fracos sob tração do que sob compressão. Diversos
métodos de teste de flexão têm sido utilizados para avaliar essa propriedade, incluindo os testes de flexão
biaxial, de três e de quatro pontos (ISO 6872:2008). Esses métodos podem ser usados para avaliar
materiais monolíticos e estruturas em múltiplas camadas, como infraestruturas de cerâmicas policristalinas
cobertas por vidros e estruturas metalocerâmicas. Os resultados de resistência a flexão variam de acordo
com o tipo de testes, presença de água e temperatura do ambiente.

Representação esquemática dos métodos de testes de flexão mais populares na norma ISO6872. A flexão em três pontos; B
flexão em quatro pontos; C teste de flexão biaxial. Um ambiente de teste que simula o meio de função (água destilada a 37°C)
também é mostrado no alto da imagem. A água é mantida a 37°C (isotemp immersion circulator, Fisher Scientific) e circula até a
câmara de teste posicionada na máquina de ensaio universal, onde qualquer método de teste pode ser realizado (a imagem
mostra um teste de flexão em quatro pontos).
Figura adaptada do livro Della Bona A. Caracterizando a microestrutura, a composição e propriedades básicas das cerâmicas. In: Della Bona A. Adesão às
cerâmicas: evidências para o uso clínico. São Paulo: Artes Médicas, 2009; 43-90

As falhas clínicas em restaurações em cerâmica pura mostram que a origem da fratura está
localizada, geralmente, na superfície de tração (interna) das coroas, portanto, em testes de flexão de
cerâmicas de multicamadas, a superfície correspondente a infraestrutura deve ser colocada no lado
sob estresse de tração, simulando a situação clínica.
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Representação da distribuição das forças em um ensaio de flexão


uniaxial de três pontos.
ROSA LI, CHAIN MC. Materiais dentários: histórico, classificação e propriedades. In:
Léo Kriger; Samuel Jorge Moysés; Simone Tetu Moysés. (Org.). Materiais Dentários.
1ed.São Paulo: Artes Médicas 2013, p. 11-26.

Poucas fraturas clinicas resultam de uma única aplicação de carga, e que a maioria dos testes in
vitro não considera o ambiente de trabalho, como os efeitos deletérios da água e do estresse clínico.
Então os valores médios de resistência da maioria dos testes, oferecem informações clinicas limitadas
e devem ser analisados com cuidado, porém eles fazem parte do processo de caracterização dos materiais
e, associados com outras propriedades relevantes, podem indicar a aplicação do material. Contudo, a
maioria das cerâmicas disponíveis comercialmente são anunciadas apenas com base nos valores de “alta
resistência”.

A probabilidade de falha de um material friável está estatisticamente distribuída em função do


trabalho e distribuição espacial dos defeitos no material. As falhas das restaurações cerâmicas originam-
se, comumente, dos maiores defeitos orientados dentro da área de maior estresse de tração,
frequentemente localizados na superfície e, tipicamente, induzidos por usinagem ou pelo acabamento.
A distribuição do número e o tamanho dos defeitos justificam a necessidade de um enfoque
estatístico para análise de fraturas. Assim, a confiabilidade das cerâmicas sob estresse pode se basear na
análise de Weibull, na qual os maiores valores do módulo (m) correspondem a um maior nível de
integridade estrutural do material. A maioria das cerâmicas apresenta valores de m na faixa de 5 a 15,
enquanto os metais, que podem deformar-se plasticamente durante falhas dúcteis, possuem valores de m
entre 30 e 100. Esse método analítico baseado em conceitos estatísticos é facilmente aplicado quando um
número razoável de amostras é examinado (>30), e permite que a probabilidade de fratura seja calculada
como uma função do estresse aplicado. No entanto, a análise de Weibull é possui algumas limitações que
desafiam sua capacidade de predizer falhas de componentes com geometria complexa, especialmente
quando estão sujeitos a um estado de estresse multiaxial, o que é o caso das restaurações dentárias. Ainda
assim, a probabilidade de falhas das estruturas monolíticas e laminadas pode ser calculada utilizando a
estatística de Weibull.
Fatores que influenciam a tenacidade de restaurações cerâmicas:

 Razão entre cerâmica de cobertura e de infraestrutura (razão da espessura da cerâmica de


cobertura e infraestrutura, quanto maior essa razão, maior a resistência do conector)
 Geometria dos conectores (o raio da curvatura das ameias oclusal e gengival não deve ser
pequeno. Quanto menor for o raio de curvatura da ameia, maior a concentração de estresse)
 Adesão entre os substratos (cerâmica de cobertura/cerâmica de infraestrutura;
cerâmica/substrato)
 Utilizando teste de contato Hertziano (aplicador de força de formato arredondado), em sistemas
de cerâmicas de duas camadas, em que o módulo de elasticidade é semelhante e apresentam
forte união na interface (p.ex. vidro/cerâmica vítrea) a trinca tende a ocorrer a partir da superfície
de contato; enquanto em sistemas com grande diferença de E (zircônia/cerâmica de cobertura;
cerâmica/dentina), o início da trinca tende a ocorrer na interface entre os materiais (trincas radiais
subsuperficiais).
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Alguns fatores que influenciam, e dificultam a previsão do modo de falha de restaurações


cerâmicas:
1) Geometria complexa das restaurações
2) Estresses heterogêneos e complexos produzidos durante a função
3) Desafios do ambiente intra-bucal
Como a maioria das restaurações cerâmicas falham por fratura, a fractografia (análise da
superfície da fratura) deve ser empregada para se compreender integralmente o processo de fratura. A
propagação de uma trinca pré-existente é frequentemente a origem da fratura das cerâmicas odontológicas.
Essas trincas podem ser induzidas por meios mecânicos (ex. polimento ou desgaste), pelo processamento
ou por defeitos intrínsecos (ex. imperfeições dentro da estrutura). A maioria das evidências mostra que a
propagação da trinca é determinada por vários níveis de intensidade de estresse ou energia e, por causa
dessas relações, muita informação está contida na superfície da fratura.
A maioria das observações de superfícies de fratura oferecem informações substanciais sobre o
processo de fratura e permitem o cálculo da tenacidade de fratura do material. Além disso, a rugosidade
da superfície da fratura oferece informação qualitativa sobre a extensão da deflexão da trinca ou outros
mecanismos de aumento da tenacidade. É difícil medir diretamente o local do defeito inicial, especialmente
em cerâmicas vítreas de granulação fina e alta resistência, e em casos onde a falha foi causada por práticas
precárias de usinagem. Sempre que o defeito inicial não possa ser medido, a região a partir da qual a falha
ocorreu pode ser determinada pela observação de marcas características na superfície da fratura, como o
Wake hackle, coarse hackle e twist hackle.
A tenacidade de fratura ou fator de intensidade de estresse crítico (KIC) em cerâmicas é
controlada, usualmente, pelo Modo I de fratura. Ela pode ser calculada através da análise de fractografia,
utilizando a equação de Grittith-Irwin.
1⁄
𝐾𝐼𝐶 = 𝑌𝜎𝑓 𝑐 2

1⁄
𝑐 = (𝑎𝑏) 2

 Onde Y é o fator geométrico que leva em consideração a localização e a geometria da trinca e a


carga.
 σf é o estresse de fratura (também chamado de estresse aplicado)
 c é o raio de um defeito semi-circular de eixo menor (a) e eixo maior (b).

KIC = Mpa.m1/2
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Diagrama das regiões típicas da superfície de fratura friável (defeito crítico, mirror, mist e hackleI)
Figura adaptada do livro Della Bona A. Caracterizando a microestrutura, a composição e propriedades básicas das cerâmicas. In: Della Bona A.
Adesão às cerâmicas: evidências para o uso clínico. São Paulo: Artes Médicas, 2009; 43-90

 Origem da fratura: é a falha (trinca, defeito, fissura, descontinuidade) da qual a fratura se inicia. Ao
propagar-se a falha origina uma nova superfície que é perpendicular ao eixo de tensão principal da sua
extremidade. Quanto mais alto o estresse na extremidade da trinca, mais rápido é a sua propagação. A
região de espelho (mirror) é a porção lisa da superfície da trinca seguida por mist hackle, que são
marcações na superfície de uma trinca em aceleração perto da sua velocidade terminal efetiva, observável
primeiramente como uma aparência nebulosa e com velocidade crescente, revela uma textura fibrosa,
alongada na direção da propagação da trinca, e aumentado a aspereza até a fase na qual a trinca começa a
bifurcar.

Clinicamente, todas as restaurações de cerâmica pura são susceptíveis à corrosão química e


mecanismos de fadiga, que podem reduzir consideravelmente a resistência do material com o passar do
tempo e, assim, reduzir sua longevidade. As restaurações de cerâmica pura precisam suportar as
condições desfavoráveis da cavidade bucal, com forças de mastigação que variam de 100 a 700 N
aplicadas em um ambiente úmido a 37°C em mais de 107 ciclos por meio de cúspides de 4 a 8 mm de
diâmetro, resultado em uma média total de área de contato de 50 mm², e gerando estresses de 3,5 a 890
Mpa. Essas condições provocam a fadiga do material e reduzem a sua resistência mecânica, pois provocam
um dano estrutural, progressivo causado pelas cargas cíclicas.

 O comportamento da fadiga pode ser determinado colocando o material cerâmico sob carga cíclica de
valor máximo conhecido, e determinando o número de ciclos necessários até a fratura.
 A rugosidade da superfície influencia a quantidade de ciclos necessários para fratura, para determinar a
longevidade da restauração é crucial o acabamento e polimento.
 A presença de água, reduz significativamente a quantidade de ciclos (corrosão por estresse)
Para que os testes de resistência reflitam a variabilidade e dependência do tempo de um componente
cerâmico em função, o ambiente de testes deve ser semelhante àqueles do meio bucal, e a população de
defeitos que controlam a resistência deve ser semelhante a responsável pela falha dúctil do material
durante a função. Esses fatores devem ser a base da seleção de um protocolo de pesquisa.
(D E L L A B O N A , 2009)
Informações para pesquisas
Os pesquisadores usualmente examinam as propriedades acima mencionadas preparando amostras de
cerâmica de acordo com as instruções do fabricante e seguinte uma norma internacional apropriada, como a ISO
6872. Após a fabricação das amostras cerâmicas, é necessário deixa-las com o mesmo grau de polimento
superficial, o que pode ser conseguido com a utilização de uma sequência de papéis metalográficos a base de SiC
e pastas abrasivas de diamante ou alumina. Além disso, as amostras devem ser limpas em banho sônico com água
destilada, completando o processo de preparação inicial das amostras.
Um microscópio eletrônico de varredura (MEV), com capacidade de realizar as técnicas de
imagem por elétrons retroespelhados (BSI), e por elétrons secundários (SEI), seguido de
espectroscopia de onda (wavelength dispersive spectoscopy – WDS), espectroscopia fotoeletrônica de
raios-X (x-ray photolectron spectroscopy – XPS), difração de raios-X (X-ray diffraction – XRD) e
espectroscopia no infravermelho por transformada de Fourier (Fourier-transform infrared reflection
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spectroscopy – FTIR), são os instrumentos analíticos mais utilizados para análises quantitativas e qualitativas da
microestrutura e composição das cerâmicas.
WDS e EDS, podem coletar informação de até 1µm da superfície da cerâmica, para estimar a composição do
material como um todo.
Sempre que as análises de composição (MEV-EDS) fazem parte do protocolo de pesquisa, os espécimes
de cerâmica deverão ser montados em suportes de alumínio (aluminium stabs) utilizando fita ou pasta de carbono
para melhor condutividade. A superfície cerâmica polida e/ou condicionada levemente deve ser coberta com
carbono para evitar quaisquer interferências de sinal e/ou mascaramento dos picos dos elementos causados pelo
ouro e paládio presente nos procedimentos de cobertura com ouro.
Para melhorar a observação das características microestruturais (cristais e seus limites), as amostras de cerâmicas
ácido-sensíveis podem ser discretamente condicionadas com ácido hidrofluorídrico (HF) a 2% por alguns segundos
(10-15s), seguido por lavagem em água corrente por 30s e secagem com ar. O método BSE é escolhido com
frequência para analise por MEV. A composição geral da superfície ou de cada fase pode ser determinadas por EDS
ou por WDS, utilizando um analisador de raios-X com uma microssonda eletrônica conectada ao MEV. Os
métodos de correção da composição, tal como ZAF e PRZ, são frequentemente utilizados. PRZ é um tipo de
esquema de correção da matriz que utiliza um conjunto de equações para corrigir a absorção de raios-X, o efeito
do número atômico, e a fluorescência de diferentes elementos na amostra. Para analise topográfica (MEV), as
amostras de cerâmicas devem ser cobertas com ouro-paládio e examinadas utilizando o modo SEI.
A XRD é frequentemente utilizada para determinar ou confirmar a presença de uma fase cristalina.
Muitos dos equipamentos de XRD utilizam amostras na forma de pó. Nesse caso, as amostras cerâmicas devem
ser moídas, e o pó misturado com um adesivo (por exemplo, 1:7 de acetato de amila coloidal), e posicionados em
uma lâmina de vidro. Consequentemente, esse método não mostra nenhuma fase cristalina em um
vidro amorfo. A FTIR também pode ser utilizada para identificar qualquer fase cristalina de
cerâmicas.
As características microestruturas de materiais cristalinos, como a fração de volume (Vv) e área média
dos cristais (Ā) são parâmetros importantes para a caracterização dos materiais e podem ser estimados utilizando
princípios de estereologia e um método que é conhecido como contagem de pontos (point counting), como
recomendado pela norma ASTM E562. Esse método utiliza grades plásticas transparentes com um número de
pontos sistematicamente espaçados. Essa grade é colocada sobre uma fotomicrografia e o número de pontos que
sobrepõem aos cristais (Pα) é contato e dividido pelo número total dos pontos da grade (PT). Um ponto
posicionado sobre o limite do cristal é contato como metade. Este método é repetido em diversos campos, a
partir de diferentes cortes selecionados sem viés. A fração ponto (PP) é obtida por: 𝑃𝑃 = 𝑃𝛼⁄𝑃𝑇 . As pesquisas
têm demonstrado que PP é igual à fração de AA e fração de volume 𝑃𝑃 = 𝐴𝐴 = 𝑉𝑉 . Além disso, a área média dos
cristais (Ā) pode ser calculada dividindo VV cristalina pelo número de cristais dentro de cada área de medida (NA)
[ Ā = 𝑉𝑉 /𝑁𝐴 ].
Como para qualquer compósito odontológico, o tamanho das partículas (cristais) é altamente
relacionado com o desgaste. Quanto maior o cristal, maior o desgaste. Recentemente, a VV tem sido
estimada utilizando uma função de auto-medição de área baseada nos histogramas de intensidade gerados por um
programa de computador (ex. programa Link ISIS) que é conectado ao MEV operando em BSI.
A densidade (g/cm³) de uma amostra pode ser efetivamente determinada utilizando um picnômetro de
hélio, após o cálculo de volume da amostra. Para as cerâmicas, a densidade apresenta um valor mínimo para a
matriz vítrea pura e aumenta conforme íons modificadores são adicionados.
Também, quanto maior a organização cristalina em nível atômico, mais difícil a propagação de trincas. Os
parâmetros microestruturais, como VV e tamanho do cristal, são importantes para interpretação dos
processos de fratura (fractografia).
O módulo de elasticidade é um importante parâmetro de planejamento utilizado para calcular as
deflexões elásticas, junto ao cálculo da razão de Poisson. O módulo de elasticidade (E) e a razão de Poisson
(v) podem ser determinados por meio de ondas ultra-sônicas e um programa de computador baseado em um
grupo de equações (1 e 2) que utiliza o tempo de passagem da onda (TOF), a densidade (ρ) e a espessura (t) da
amostra.

𝑇𝑂𝐹𝑆2 −2𝑇𝑂𝐹𝐿2
(1) ѵ =
2(𝑇𝑂𝐹𝑆2 −𝑇𝑂𝐹𝐿2 )
𝜌𝑡
(2) 𝐸 = (1 + ѵ)(1 − 2ѵ)(1 − ѵ)
𝑇𝑂𝐹𝐿2

As letras subescritas correspondem a longitutinal (L) e transversal (S, shear).

O procedimento envolve transdutores pizoelétricos e um aparelho de pulso ultra-sônico para determinar


o TOF através das amostras de cerâmica. Os valores longitudinais e transversais de TOF são obtidos e utilizados
para calcular a ѵ e o E dos materiais, os quais também são necessários para qualquer análise de elementos
finitos (AEF). AEF é frequentemente utilizada para simular e avaliar estruturas sob estresse, determinando o tipo
e a direção dos estresses e deslocamentos em objetos e sistemas mecânicos.
A dureza (H) é uma medida da resistência do material à deformação plástica, em um teste de dureza,
uma carga é aplicada por um penetrador que é introduzido na superfície da amostra. O grau em que um penetrador
(Vickers) deforma a amostra é a medida da capacidade do material de resistir à deformação plástica. Os valores
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de H podem ser apresentados como número de dureza Vickers (HV), que não tem unidade de medida, em Kg/mm²
ou e Mpa (pois ser facilmente relacionado a outras propriedades é o mais utilizado).
Um estudo piloto pode ser realizado para calcular a carga (P) apropriada para teste de H. Com esse
objetivo, uma amostra do material é testada aplicando cargas progressivas. Mede-se a extensão da trinca (c, em
m) e produz-se um gráfico P/c3/2 versus P (a carga aplicada, em N) para cada edentação. A região na qual a carga
mostrar-se constante é o nível apropriado para o material testado.

Para descobrir a carga apropriada (P) para usar no teste de H de um material, realize um
estudo piloto aplicando cargas progressivas, e então, crie um gráfico de P/c3/2 versus P (a
carga aplicada) para cada edentação. Uma vez que a P apropriada seja selecionada, a dureza
(H) pode ser determinada seguindo as instruções da norma ASTM C1327-03
Figura adaptada do livro Della Bona A. Caracterizando a microestrutura, a composição e propriedades básicas das
cerâmicas. In: Della Bona A. Adesão às cerâmicas: evidências para o uso clínico. São Paulo: Artes Médicas, 2009;
43-90

(D E L L A B O N A , 2009)

Fundamentos sobre adesão às cerâmicas


A microestrutura e a composição das cerâmicas também são fatores controladores no
desenvolvimento da retenção micromecânica produzida por primers como ácidos, métodos de abrasão por
jateamento de partículas e tecnologia de eletrodeposição, dessa maneira afetando os mecanismos de união
com cimentos resinosos.
(D E L L A B O N A , 2009)

A união química e micromecânica ao substrato cerâmico depende fundamentalmente da composição


química e microestrutura da cerâmica e de suas propriedades físicas, ou seja, seus elementos químicos
constituintes definem o método de tratamento mais eficiente do ponto de vista adesivo.
(B O T T I N O , 2009)
Cerâmicas ácido-sensíveis:
O ácido fluorídrico degrada a superfície cerâmica viabilizando a união micromecânica com cimentos
resinosos e a união química pelo emprego do agente silano.
Fazem parte desse grupo: cerâmicas feldspáticas, feldpsáticas reforçadas por leucita e cerâmicas a
base de dissilicato de lítio.
A adesão a esse tipo de cerâmica baseia-se na compatibilidade química entre a sílica e o silano (união
química e micromecânica). Neste sentido
Adicione um título ao seu documento 16

Cerâmicas acidorresistentes:
São aquelas que sofrem pouca ou nenhuma degradação superficial pela ação do ácido fluorídrico,
possibilitando limitada união micromecânica. Esses materiais são submetidos ao jateamento com partículas
de óxido de alumínio ou de sílica.
Fazem parte desse grupo: cerâmicas aluminadas infiltradas por vidro, cerâmica de alumina/zircônia
infiltrada por vidro, cerâmicas aluminizadas densamente sinterizadas (Procera Allceram), cerâmicas de
zircônia (Y-tzp).
A adesão a esse tipo de cerâmica depende da deposição de uma camada de sílica, através do jateamento
com óxido de sílica. Além da utilização de cimentos resinosos contendo monômeros-fosfatados (MDPs)
Jateamento com partículas de sílica:
Os sistemas Rocatec (3M ESPE) e CoJet (3M ESPE) são dois métodos para jateamento com óxido de
sílica (deposição de sílica ou silicatização)
Os mecanismos de união atribuídos a esses sistemas são idênticos, visto que se emprega a deposição de
sílica e silanização. No entanto, o sistema CoJet é um método mais versátil, para uso clínico. Ambos podem
ser utilizados par ao tratamento da superfície pré-cimentação.
Os sistemas de silicatização criam uma camada de óxido de sílica na superfície da cerâmica pela alta
velocidade de impacto das partículas na superfície. Essa superfície silicatizada promove melhor capacidade
de união entre essas cerâmicas e os cimentos resinosos, aumentando a resistência de união adesiva em
cerâmicas acidorresistêntes.
Sistema Rocatec:
Esse tipo de jateamento é utilizado em laboratórios de prótese.
1° jateamento com partículas de óxido de alumínio (Al2O3) 110 µm (Rocatec-Pre); 2° jateamento com
partículas de Al2O3 110 µm contendo partículas especiais de sílica (Rocatec-Plus); 3° Silanização com o
Rocatec-Sil.
Etapas Procedimento
1° Rocatec-Pre Jateamento com Al2O3
Protocolo: distância de 10 mm e perpendicular à
superfície, durante 20 s com pressão de 2,8 bars
2° Rocatec-Plus Jateamento com partículas de Al2O3
modificadas por óxido de silício
Protocolo: igual ao anterior
3° Rocatec-Sil Aplicação do agente silano
Protocolo: aplicar e aguardar 5 minutos

Sistema CoJet:
Esse sistema portátil de consultório foi idealizado para viabilizar a silicatização intra-oral de cerâmica e
metal, a fim de propiciar reparos diretos de coroas metalocerâmicas e metal-free fraturadas, assim como o
tratamento de superfícies internas de restaurações pré-cimentação.
1° jateamento com partículas de Al2O3 modificadas por óxido de silício; 2°aplicaçao do silano ESPE-sil
Etapas Procedimento
1° Jateamento com Al2O3
Protocolo: distância de 10 mm e perpendicular à
superfície, durante 20 s com pressão de 2,8 bars
2° CoJet-Sand Jateamento com partículas de Al2O3 30 µm
modificadas por óxido de silício
Adicione um título ao seu documento 17

Protocolo: igual ao anterior


3° ESPE-Sil Aplicação do agente silano
Protocolo: aplicar e aguardar 5 minutos
Monômeros fosfatados:
A utilização de cimentos que possuam monômeros fosfatados aumenta ainda mais a resistência de união
adesiva em cerâmicas acidorresistêntes. A associação da silicatização com o uso desses cimentos, oferece
boas condições de adesão e maior estabilidade.
Estudos demonstraram que a silicatização e a utilização de cimentos sem MDP não é suficiente para gerar
uma união confiável.
Os benefícios da associação da silicatização e o uso de MDPs:
1) Ligação química do componente adesivo 10-methacryloyloxydecyl-dihydrogen-phosphate) de
alguns cimentos resinosos aos óxidos da superfície de cerâmica
2) Ligação química entre a sílica depositada pelos sistemas de silicatização e o agente silano e o
cimento
3) Padrão micromorfologico gerado pelo jateamento permite união micromecânica do cimento
resinoso.
Produto Fabricante Tipo de Resina MDP Polimerização Sistemas adesivos
All Bond 2, One
Bis-GMA N Foto Step, One Step
Plus, Tyrian
Bis-GMA, All Bond 2, One
TEGDMA, N Dual Step, One Step
UDMA Plus, Tyrian
Bis-GMA, All Bond 2, One
TEGDMA, N Quim Step, One Step
UDMA Plus, Tyrian
Excite DSC,
Variolink®II Bis-GMA N Dual
Syntac
Excite DSC,
Variolink® Veneer Bis-GMA N Foto
Syntac
Bis-GMA,
TEGDMA, Multilink N
Multilink® N N Quim/Foto
UDMA, Primer A/B
HEMA
BPEDMA,D
S Dual ED Primer
MA,MDP
Dual Autoadesivo
Single Bond 2,
Bis-GMA, Scotchbond
N Dual
TEGDMA Multi-porpuse
Plus
Dual Autoadesivo
Foto Single Bond 2

MÉTODOS DE PROCESSAMENTO
Sinterização: (ler mais para a prova)
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Porcelanas feldspáticas usadas para fabricar restaurações metalocerâmicas tradicionais, algumas


porcelanas aluminizadas ( VITAdur-n, VITAdur ALPHA, VITA Hi-Ceram ), e cerâmicas de alumina pura
( Procera All-Ceram ) são condensadas por vibração e sinterizadas sob altas temperaturas.

Cerâmicas prensadas isostaticamente a quente:


São aquecidas, injetadas sobre pressão em um molde e, sem seguida, são recobertas com
cerâmicas de recobrimento.
( , , FINESSE ALL-CERAMIC e )
Coroas Injetadas:
Tais como Dicor, eram fabricadas usando a técnica da cera perdida. O vidro era injetado em um
molde, passava por tratamento térmico para formar uma cerâmica vítrea e depois era caracterizado com
porcelanas de recobrimento.
Slip-cast
Cerâmicas produzidas pela fundição por suspensão (In-Ceram® ALUMINA, In-Ceram® SPINELL, In-
Ceram® ZIRCONIA), uma suspensão de líquido e partículas de alumina, silicato de magnésio-alumina, ou
zircônia e alumina é colocada em um troquel refratário seco que absorve a água da suspensão. O deposito
de partículas é sinterizado sobre esse troquel e então coberto com uma suspensão da fase vítrea. Durante
a cocção, o vidro se funde e infiltra a infraestrutura porosa. Porcelanas de recobrimento translucidas são
então coccionadas sobre a infraestrutura para satisfazer os requisitos estéticos da restauração.
Passo a passo para confecção de coroas totais cerâmicas, através da técnica de slip-cast:
Delimitação do preparo e alívio do preparo, para obtenção de um troquel refratário:

Obtenção do troquel refratário, e delimitação do término do preparo no troquel:

Condensação do pó cristalino (alumina/espinélio/alumina-zirconia) sob o troquel refratário e sinterização


desse pó:
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Ajuste da peça e aplicação da matriz vítrea sobre os copings de pó cristalino previamente sinterizados:

Após aplicação da matriz vítrea, o coping é queimado novamente, e aplicada a cerâmica de cobertura
sobre o coping.

http://www.barratt.cl/

CAD-CAM
Computer Aided Design / Computer Aided Manufacture ou Computer Assisted Machining
A utilização de computadores para o planejamento, desenho e/ou confecção de alguma coisa, incluindo
medicamentos, procedimentos cirúrgicos, ortodônticos e protéticos.
Os procedimentos de CAD/CAM para fabricação de restaurações ou próteses dentárias normalmente inclui
as seguintes etapas:
1. Procedimento de escaneamento digital do modelo ou enceramento para produzir um conjunto de
dados em 3D.
2. Manipulação em software do conjunto de dados em 3D para planejar a prótese;
3. O computador guia as ferramentas da máquina para desempenhar o processo de fabricação.
(D E L L A B O N A , 2009)

CLASSIFICAÇÕES DAS CERÂMICAS


Quanto ao seu uso:
Existem quatro categorias de cerâmicas odontológicas para os sistemas metalocerâmicos:
1) Porcelana feldspáticas de recobrimento condensadas manualmente
2) Cerâmicas de recobrimento prensadas isostaticamente a quente
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3) Pigmentos cerâmicos
4) Grazes
Há seis categorias de cerâmicas odontológicas para sistemas totalmente cerâmicos:
1) Cerâmicas de infraestrutura HIP ou CAD-CAM
2) Cerâmicas de recobrimento condensadas manualmente
3) Cerâmicas de recobrimento prensadas a quente
4) Camadas intermediárias
5) Pigmentos cerâmicos
6) Glazes
As composições dessas cerâmicas são geralmente classificadas de acordo com a fase cristalina
principal que controla suas propriedades. As fases cristalinas mais comuns são: leucita, dissilicato de lítio,
alumina, combinações de alumina e zircônia, zircônia e hidroxiapatita.
(A N U S A V I C E E T A L ., 2012)

Classificação das cerâmicas Segundo Kelly e Benetti


Cerâmicas predominantemente vítreas
São as cerâmicas dentárias que melhor mimetizam as propriedades ópticas do esmalte e da
dentina, os vidros são uma rede com um padrão irregular entre os átomos (distância e ângulos), ou seja, é
um material amorfo. Os vidros utilizados nas cerâmicas odontológicas derivam geralmente de um grupo de
mineral chamado de feldspato que são baseados na sílica e no oxido de alumínio (alumina),
Os vidros de feldspato são resistentes à cristalização durante a queima e são extremamente
biocompatíveis.
Cátions modificadores são utilizados na sua composição com intuito de alterar sua temperatura de
queima, ou melhorar sua expansão térmica/comportamento de contração.
Vidros preenchidos por partículas
Partículas de preenchimento são adicionadas em uma base de vidro, com intuito de melhorar suas
características mecânica e controlar os efeitos ópticos como a opalescência, cor e opacidade. Essas
partículas de preenchimento normalmente são cristalinas, mas podem ser vidros com alto ponto de fusão.
Cerâmicas reforçadas por cristais de leucita:
As primeiras partículas a serem utilizadas foram os cristais de leucita, elas possuem um coeficiente
de expansão térmica que permite compatibilidade com as ligas metálicas dentais, o que permite seu uso
em restaurações metalocerâmicas.
Além de alterar o comportamento expansão/contração térmica, o seu índice de refração é
semelhante ao dos vidros feldspaticos, o que faz com que tenham translucidez semelhantes, e também, a
leucita pode ser condicionada com ácido fosfórico o que permite sua cimentação com cimentos resinosos.
Fazem parte desse grupo:

FINESSE ALL-CERAMIC
Cerâmicas vítreas:
Partículas podem ser podem ser adicionadas mecanicamente sobre o vidro (mistura contendo pó
cristalino e pó de vidro previamente a queima), ou os cristais podem ser criados no interior da matriz vítrea
após a formação do objeto. Após a formação do objeto (prótese) um tratamento de calor é realizado, que
Adicione um título ao seu documento 21

faz com que se precipitem e cresçam cristais no interior do vidro, já que esses cristais derivam
quimicamente dos átomos de vidro.
Fazem parte desse grupo:

 Dicor ( ) com 55% do seu volume de cristais de mica


, , com 70% e volume de cristais de dissilicato de
lítio
Cerâmicas policristalinas
Esse tipo de cerâmica não possui fase vítrea, todos os seus átomos são densamente empacotados
em um arranjo regular que é muito mais difícil de serem provocadas fendas.
Geralmente as cerâmicas cristalinas são muito mais duras e resistentes do que as cerâmicas vítreas.
As restaurações com esse tipo de cerâmicas são obtidas através de CAD/CAM.
As cerâmicas policristalinas tendem a serem relativamente opacas, comparadas com as cerâmicas
vítreas, o que muitas vezes às contraindicam para restaurações estéticas, sendo melhores empregadas
em infraestruturas na qual cerâmicas vítreas mais estéticas são aplicadas em sua superfície externa.
(K E L L Y E B E N E T T I , 2011)

Três classificações básicas das cerâmicas odontológicas baseadas em sua


microestrutura: (1) predominantemente vidro (2) vidros preenchidos com
partículas (3) cerâmicas policristalinas.
Figura do artigo Kelly JR, Benetti P. Ceramic materials in dentistry: historical evolution and
current practice, Aus Dent J, 2011

A maioria das cerâmicas cristalinas, exceto por cristal único são realmente policristalinas porque
são constituídas por um grande número de pequenos cristais, ou grãos, separados entre si por seus limites
ou contornos. Os átomos estão ligados de maneira menos regular ao longo do limite do grão e,
consequentemente existe uma energia interfacial, ou energia limítrofe, semelhante à energia de
superfície. Portanto, a região limítrofe dos grãos é mais reativa quimicamente do que os próprios grãos.
(D E L L A B O N A , 2009)
O autor (K E L L Y E B E N E T T I , 2011) considera dois conceitos para essa classificação:
1) As cerâmicas com melhores propriedades estéticas são em geral as cerâmicas predominantemente
vítreas, e as cerâmicas de infraestrutura com maior resistência são em geral as cerâmicas
policristalinas.
2) Historicamente o desenvolvimento das cerâmicas de infraestrutura, baseou-se no aumento do
conteúdo cristalino até as policristalinas.
Tabela mostrando a composição das cerâmicas dentais de cobertura, baseadas nos componentes da matriz e das partículas
de preenchimento
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Matriz Partícula de Preenchimento Processo Nome Comercial

Cerâmicas estéticas
(cobertura em cerâmica) Colorantes e opacificadores
Pó/líquido VITA VM7
Vidro de Aluminosilicato (4-5%)
(feldspáticas ou sintéticas)

Vita VM9
Pó/liquido
IPS e.max Ceram
Cerâmicas de zircônia
Quantidade moderada de cristais de
(cobertura em zircônia)
leucita e modificadores químicos
vidro de aluminosilicato
(5-10%)
(feldspático ou sintético)
Sob pressão IPS e.max ZirPress

VITA VM 13,15
Pó/liquido
IPS InLine
Sistemas metalocerâmicos
(cobertura em ligas metálicas) Cristais de Leucita
Vidro de Aluminosilicato (17-25%)
(feldspáticas ou sintéticas)
IPS InLine POM
Sob pressão
VITA PM9

Tabela mostrando a composição das cerâmicas dentais de infraestrutura e CAD/CAM, baseadas nos componentes da matriz
e das partículas de preenchimento
Nome
Matriz Partícula de Preenchimento Processo
Comercial
Vidro com alto ponto de fusão,
nefelínio, albita CEREC 3 Mark II
(40%)
Cerâmicas estéticas
(Alto conteúdo de vidro) CEREC 3 ProCAD
Vidro de Aluminosilicato
(feldspáticas ou sintéticas)
Leucita Empress Esthetic
Sob pressão
(40-50%) OPC

Optec
Pó/liquido Cerinate
Mirage

InLab IPS e.max CAD


Dissilicato de Lítio
(70%)
Cerâmicas de infraestrutura Sob pressão IPS e.max Press
Baixo conteúdo de vidro
Vidro de Silicato especial
(alto teor de lítio ou lantânio) InLab ou no In-Ceram Alumina
Alumina, espinélio, alumina/zircônia
laboratório In-Ceram Spinel
(70%)
dentário In-Ceram Zircônia

InLab VITA AL-Cubes


Sem conteúdo de vidro
Mg (3%)
Policristalina de alumina
CAD/CAM Procera

Vita YZ-Cubes
InLab
IPS e.max ZirCAD
Policristalina de zircônia Y (3-5%)
Lava
CAD/CAM Cercom
Procera
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Classificação segundo segundo Gracis et al. 2015

Feldspáticas À base de leucita

Sintéticas Dissilicato de Lítio e derivados


Glass-matrix ceramics À base de fluorapatita
cerâmicas de matriz vítrea
Alumina
Infiltradas por
vidro Alumina e Magnésio

Alumina e Zircônia
Cerâmicas
dentais e Alumina
materiais
semelhantes Estabilizada por Zircônia
Polycrystalline ceramics
a cerâmicas Cerâmicas policristalinas
Alumina reforçada por Zircônia

Zircônia reforçada por Alumina

Resin nanoceramic
Resin-matrix ceramics
Cerâmicas com matriz Glass-ceramic in a resin interpenetrating matrix
resinosa
Zirconia-silica ceramic in a resin interpenetrating
matrix

Glass-matrix ceramics / cerâmicas de matriz vítrea


Cerâmicas não metálicas, inorgânicas, que contêm uma fase vítrea.
Cerâmicas de feldspato natural:

, ,

VITAdur-n, VITAVMK®68, VITABLOCS

Compostas de argila/caulin (silicato de alumínio hidratado), quartzo (sílica), e feldspato natural (mistura
de potássio e aluminossilicato de sódio).
O feldspato de potássio (K2Al2S2O16) (fase vítrea), forma cristais de leucita (fase cristalina), que dependendo
da quantidade, além de aumentar a resistência intrínseca da restauração, torna-a a cerâmica possível de
revestir infraestruturas metálicas.
(G R A C I S E T A L . 2015 A P U D O’B R I E N , 2008; A N U S A V I C E , 2012; C R A I G , 2012)
Esse tipo de cerâmica ainda é utilizado para revestimento de restaurações metalocerâmicas, para
restaurações estéticas adesivas, e para estratificação.

Sintéticas:
Para tornarem-se menos dependentes de recursos naturais, os fabricantes começaram a utilizar materiais
sintéticos.
A composição pode variar, mas normalmente inclui o dióxido de silício (SiO2), óxido de potássio (K2O),
óxido de sódio (Na2O) e óxido de alumínio (Al2O3).
A sua fase vítrea pode ser combinada com cristais de apatita junto a leucita, para obter expansão térmica
compatível aos metais e para melhorar sua resistência.
Quando usada como recobrimento de infraestruturas em restaurações totais cerâmicas esses materiais
são modificados de modo a combinar com o coeficiente de expansão térmica de suas respectivas
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cerâmicas de infraestrutura (p.ex.: VITAVM®7 e CERABIEN para cerâmicas policristalinas de alumina, e


cerâmicas infiltradas por vidro, e VITAVM®9, CERABIEN ZR, para cerâmicas
policristalinas de zircônia.
Quando utilizadas como materiais de infraestrutura, a sua fase cristalina é reforçada para melhorar suas
propriedades mecânicas:
Elas são compostas:
Reforçada por cristais de

leucita (33-55%)

70% de dissilicato de lítio 

Dissilicato de lítio + dióxido



de zircônio

Os sistemas tem demonstrado melhoras nas qualidades mecânicas, tendo seu uso recomendado
para inlays, onlays, coroas, e próteses fixas de 3 elementos na região anterior.
Com a quebra da patente da , outras cerâmicas de silicato de lítio reforçadas com zircônia têm
sido introduzidas no mercado ( SUPRINITY - ; - )

As cerâmicas vítreas sintéticas podem ser classificadas em:


A base de Leucita

VITAVM®7, VITAVM®9, VITAVM®13

, CERABIEN

Dissilicato de Lítio e derivados

SUPRINITY®

A base de Fluorapatita

Sistema Resistência Flexural


Estética Indicação Observação
Cerâmico (Mpa)
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Coroas unitárias posteriores


97-180 MPa ✔ e anteriores, inlays, onlays,
facetas
Coroas unitárias posteriores
Dimensão mínima
e anteriores, inlays, onlays,
para o conector 4-5
300-400 MPa ✔ facetas, PPF de 3 elementos
mm (OG) e 3-4 mm
dente anterior até segundo
(VL)
pré-molar
Coroas unitárias posteriores
Dimensão mínima
e anteriores, inlays, onlays,
para o conector 4-5
360-400 MPa ✔ facetas, PPF de 3 elementos
/ mm (OG) e 3-4 mm
dente anterior até segundo
(VL)
pré-molar
Coroas unitárias posteriores
Dimensão mínima
e anteriores, inlays, onlays,
para o conector 4-5
SUPRINITY® 207-230 MPa ✔ facetas, PPF de 3 elementos
mm (OG) e 3-4 mm
dente anterior até segundo
(VL)
pré-molar

SUPRINITY®

Fonte: digital-dental-cadcam.com Fonte: ivoclarvivadentacademy.com Fonte: vita-zahnfabrik.com

Infiltradas por vidro


In-Ceram® ALUMINA

In-Ceram® SPINELL

In-Ceram® ZIRCONIA

A primeira cerâmica infiltrada por vidro, foi a In-Ceram Alumina, introduzida em 1989.
(G R A C I S E T A L . , 2015)
Sua composição consiste em 2 fases tridimensionais interpenetradas: uma fase cristalina de (85%)
alumina (Al2O3) e uma fase vítrea (à base de óxido de lantânio).
(G O M E S E T A L . , 2008)
Sua confecção é baseada na sinterização da pasta de alumina sobre um refratário, que forma um
esqueleto poroso, que posteriormente é infiltrada com a fase vítrea em uma segunda queima.
(G R A C I S E T A L . , 2015)
O sistema In-Ceram Spinell, introduzido em 1994, é processado de uma maneira similar, mas a
fase cristalina contém espinélio de magnésio (MgAl2O4), com melhorada translucidez, no entanto, com
menor resistência a flexão que a Alumina.
O sistema In-Ceram Zircônia, é composto a de cerâmica de alumina (62%) infiltrada por vidro
(18%), reforçada por (20%) óxido de zircônio (ZrO2), proporcionando maior resistência flexural e resistência
a fratura. No entanto sua opacidade é semelhante às ligas metálicas.
Sistema Resistência Flexural
Estética Indicação Observação
In-Ceram (Mpa)
Adicione um título ao seu documento 26

Dimensão dos
Coroas Unitárias anteriores
In-Ceram® conectores deve ser
236-600 Mpa ✔ e posteriores, PPR de 3
ALUMINA de 4 mm (OG) e 3
elementos até canino
mm (VL)
In-Ceram® ✔ Coroas unitárias anteriores e
280-380 Mpa
SPINELL (melhor) inlays/onlays
Dimensões dos
Coroa unitária posterior
In-Ceram® ✘ conectores deve ser
421-800 Mpa (estética), PPR posterior de
ZIRCONIA (opaca) de 4-5 mm (OG) e
3 elementos
3-4 mm (VL)
(G O M E S E T A L . , 2008)
Cerâmicas policristalinas
Cerâmicas policristalinas não possuem matriz vítrea, todos os seus átomos são densamente
arranjados em matrizes regulares, o que torna muito mais difícil de conduzir uma fenda através de átomos,
como ocorre na rede menos densa e irregular encontrada nos vidros.
(K E L L Y E B E N E T T I , 2011)
Sua resistência a fratura e flexão é aumentada, no entanto, sua translucidez é limitada. A ausencia
de uma fase vítrea, dificulta o condicionamento com ácido fluorídrico, necessitando maior tempo de
exposição ou temperaturas mais elevadas.
(G R A C I S E T A L ., 2015)
Alumina (densamente sinterizada)

Também conhecido como alumina densamente sinterizada. É indicado para confecções de


infraestruturas para coroas unitárias anterior e posterior, PPF de 3 elementos com retentor distal até
1°molar, com dimensão mínima do conector de 3 mm de altura e 2 mm de largura. Pode ser utilizada
também para confecção de coroas monolíticas sobre implantes unitários.

- Possui resistência flexural de 487-699 Mpa.


(G O M E S E T A L . , 2008)
Esse material consiste em Al2O3 em alta pureza (99,5%). Foi introduzido inicialmente pela Nobel
Biocare em meados dos anos 90, como núcleo para fabricação em CAD/CAM. Tem grande dureza (17 a
20 GPa) e uma relativa alta resistência.
O módulo de elasticidade (300 GPa), a maior de todas as cerâmicas dentárias, tem levado a
vulnerabilidade a fraturas em massa. Esta tendência para fratura do núcleo e a introdução de materiais com
propriedades mecânicas melhoradas, tais como as transformações que capacitaram o aumento de
resistência da zircônia estabilizada, levou a uma diminuição uso de alumina.
(G R A C I S E T A L ., 2015)
Adesão:
Por não possuir conteúdo vítreo, a obtenção de resistência de união adesiva confiável é limitada quando
tratada com ácido fluorídrico ou jateamento com Al2O. no entanto o uso de cimentos com MDP, associado
a silicatização tem resultados confiáveis.
Os primers cerâmicos contendo MDP apresentam a capacidade de união química (Ceramic Primer,
Kuraray) e podem ser utilizados após a silicatização.
B O T T I N O , 2009
Zircônia Estabilizada
Procera Zirconia®

,
Adicione um título ao seu documento 27

In-Ceram YZ®

Prettau®

A zircônia pura pode ser encontrada em três formas alotrópicas: monocíclica, que é estável acima
de 1170°C, quando toma forma tetragonal, e cúbica quando a temperatura ultrapassa 2370°C.
Uma deformação relativamente grande de volume acompanha a transformação da fase tetragonal
para monocíclica (4%), o que pode resultar em formação de trincas na cerâmica.
Para que essas formas mais duras sejam utilizadas na prática, é necessário que as fases
tetragonais ou cúbicas devam estar estabilizadas à temperatura ambiente, para que isso seja permitido a
zircônia pura pode ser estabilizada parcialmente ou totalmente com óxidos tais como de ítio, de magnésio,
de cálcio e de cério.
(G R A C I S E T A L . , 2015)
Outra maneira de estabilizar a fase tetragonal em temperatura ambiente é diminuir o tamanho do
cristal. Este efeito tem sido atribuído à diferença de energia de superfície.
As zircônias utilizadas com propósitos biomédicos apresentam-se tipicamente, em temperatura
ambiente, na forma de zircônia tetragonal metaestável parcialmente estabilizada. Metastável significa que
ainda existe uma energia acumulada no material para conduzi-lo de volta ao estado monocíclico.
A zircônia é uma cerâmica policristalina, que tem propriedades mecânicas interessantes, que são
devidas principalmente, à transformação da fase tetragonal para monocíclica. Esta transformação pode ser
induzida pela: taxa de resfriamento e/ou estresses externos (impacto, desgaste e polimento), resultando
em aumento de volume de aproximadamente 4%, que produz estresses de compressão na região da
extremidade da trinca, interrompendo a sua propagação. Assim, a trinca precisa superar esse obstáculo
para se propagar, aumentando a tenacidade de fratura da zircônia quando comparada com outras
cerâmicas.
O aumento da tenacidade por transformação depende:
1) Da composição, do tamanho e da forma das partículas de zircônia
2) Do tipo e da quantidade de óxidos estabilizadores
3) Da interação da zircônia com outras fases
4) Processo de fabricação
Os possíveis problemas com as zircônias podem envolver a instabilidade em longo prazo na presença
de água (degradação em baixas temperaturas), problemas de compatibilidade com a cerâmica de
cobertura, e algumas limitações na seleção de casos devidas à opacidade.
(D E L L A B O N A , 2009)
Todas as cerâmicas dentais são suscetíveis ao desenvolvimento de trincas e corrosão causada
pela água, mas somente a cerâmica parcialmente estabilizada é susceptível a transformação catalítica de
seus cristais da forma tetragonal para forma monocíclica em temperaturas relativamente baixas.
(K E L L Y E B E N E T T I , 2011)
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Uma classificação das cerâmicas de zircônia tem sido proposta de acordo com a sua
microestrutura como: zircônia totalmente estabilizado (FSZ), zircônia parcialmente estabilizada (PSZ)
e zircônia tetragonal policristalina (TZP).
Em (FSZ), dióxido de zircónio está na sua forma cúbica e contém mais de óxido de ítrio 8mols
(Y2O3). A PSZ é formada por partículas manométricas tetragonais ou monocíclicas em uma matriz cúbica,
e TZPs são materiais monolíticos principalmente de fase tetragonal estabilizadas mais comumente
com itrio ou céria.
As Zircônias dentários são todas do tipo TZP, mais comumente Y-TZP, dado que esta forma tem
a maior tenacidade a fratura e dureza depois da usinagem e sinterização.
As cerâmicas de zircônia foram historicamente utilizadas como um material de infraestrutura de
prótese a ser revestida com cerâmica de revestimento mais estética, mas ela também pode ser utilizada
para fabricar restaurações monolíticos. São disponíveis como um material uniforme monocromático, que,
se necessário, pode ser maquiado por infiltração. Atualmente existe uma tendência crescente para usar
blocos ou discos de CAD/CAM policromáticos (ou combinadas) para imitar a variação na cor da dentina ao
esmalte ( Zirconia ML / ). Além disso, estes materiais estão sendo fabricados com
o aumento da translucência ( ; ; T; ; ).
(G R A C I S E T A L ., 2015)
Características da zircônia:

 Altos valores de resistência (σ)


 Tenacidade de fratura (kIC)
 Dureza (H)
 Resistência ao desgaste
 Bom comportamento à fricção
 Isolamento elétrico
 Baixa condutividade térmica (k)
 Resistência à corrosão (na maioria dos ácidos alcaloides)
 Módulo de elasticidade (E) semelhante ao aço
 Coeficiente de expansão térmica (α) semelhante ao ferro
 Tamanho pequeno dos cristais possibilita um excelente acabamento de superfície
 Capacidade de manter uma borda (término) em ângulo agudo
(D E L L A B O N A , 2009)

Propriedades Y-TZP ZTA

Densidade (g/cm³) 6,0 4,2


H (GPa) 11 12
σ à flexão (Mpa) 800 – 1400 450 – 650
σ à compressão (Mpa) 2000 -
E (GPa) 205 380
Razão de Poisson  0,3 -
KIC (MPA.m1/2) 5-9 4-5
α (ppm/°C) 10 8
k (W/M.°C) 2 23
Marcas comerciais Cercon (Dentsply In-Ceram Zirconia
Prosthetics), Lava (Vita Zahnfabrik)
(3M ESPE), In-Ceram
YZ (Vita Zahnfabrik)
(D E L L A B O N A , 2009)
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Zircônia reforçada por alumina e Alumina reforçada por zircônia


Devido ao fato de que a zircônia geralmente permanece parcialmente estabilizada na sua fase
tetragonal, e alumina apresenta uma moderada dureza, existe uma tendência em se desenvolver materiais
que utilizem alumina-zircônia (ZTA) e zircônia-alumina (ATZ) com estruturas em micro ou nano escala.
A percentagem de zircônia ou de alumina no compósito pode ser adaptado e pode ser alterado de
acordo com a procura do fabricante ou do mercado.
Para efeitos de classificação, os autores sugerem que a ZTA deve ter mais do que 50%, em peso
de alumina, enquanto que ATZ deve apresentar mais do que 50% em peso de dióxido de zircônio.
A tecnologia mais recente está associando métodos para aplicar nanopartículas de zircônia a
micropartículas de alumina antes da sinterização. As vantagens destes materiais, em comparação com Y-
TZP são a maior resistência à degradação em baixa temperatura, maior dureza, e resistência à fratura.
Está sendo desenvolvido um novo material, que até agora não foi disponibilizado para o uso, é a
alumina graduada e a zircônia graduada. Eles são uma variação dos materiais restauradores policristalinos
na qual o vidro é infiltrado na superfície de ambos os substratos de alumina ou zircônia. Esta infiltração cria
um sistema mais tolerante ao dano e mais estética para melhorar o desempenho clínico.
Uma estrutura graduada consiste de uma composição de material (vidro de baixa rigidez e um de
núcleo de alta rigidez) que muda gradualmente através de uma interface (entre o núcleo e a lâmina e/ou
da lâmina com superfície do núcleo). Em um conjunto de estudos, a zircônia foi infiltrada com um vidro de
silicato combinados, com um coeficiente de expansão térmica compatível. A percentagem de vidro de 100%
a 0% numa interface de 120 micrometros. Os módulos resultantes variaram de 125 GPa na superfície
infiltrada a 250 GPa em profundidade. Embora tenha havido pouca mudança na resistência entre os
espécimes infiltrados e não infiltrados, as cargas de contato necessária para quebrar barras infiltradas em
ambas as superfícies superior e inferior eram quase o dobro de bares não infiltradas com as mesmas
dimensões.
Vale ressaltar que o impacto relativo das estruturas, foi maior para os espécimes finos. Ao reduzir
o módulo nas regiões próximas à superfície, grande parte do estresse incide sobre a superfície do material.
A estrutura graduada elimina a interface nítida, resultante do método de fabricação
coping/supraestrutura, reduzindo a possível delaminação entre as camadas. Além disso, as superfícies do
vidro infiltrado encapsulam a zircônia, impossibilitando a eminente absorção de água e limitando assim a
degradação hidrotérmica. Esta abordagem abre novas possibilidades promissoras para a criação de mais
finas restaurações dentárias com propriedades biomecânicas robustas e estética.
Independentemente das diferentes formulações de compósitos de cerâmicos policristalinos,
materiais, que serão incluídos nesta categoria provavelmente irão seguir a premissa da ausência da fase
vítrea
Cerâmicas de Matriz Resinosa:
Essa classificação inclui materiais com uma camada orgânica densamente preenchida com
partículas cerâmicas.
A presença de uma matriz orgânica, teoricamente exclui as cerâmicas de matriz de resina dos
materiais cerâmicos a partir da proposta de classificação de muitos autores se a definição tradicional de
cerâmica for considerada: "materiais inorgânicos não metálicos normalmente processados por queima a
uma temperatura elevada para alcançar propriedades desejáveis”. No entanto, as cerâmicas de matriz de
resina estão sendo incluídas porque a versão de 2013 do Código da Associação Americana de Odontologia
de Procedimentos Odontológicos e Nomenclatura define a o termo porcelana/cerâmica como "material
obtido sobre, queima, polidos ou usingem, contendo compostos refratários predominantemente inorgânicos
- incluindo porcelanas, vidros, cerâmica e vidro-cerâmica". Portanto, os materiais apresentados nesta
Adicione um título ao seu documento 30

secção que se enquadram nesta categoria, porque eles são compostos predominantemente (mais de 50%
em peso) de compostos inorgânicos refratários, independentemente da presença de uma fase orgânica
menos predominante (polímeros).
Os fabricantes sugerem uma ampla gama de indicações para estes materiais de “semelhantes à
cerâmica” na odontologia restauradora.
Esta é uma grande mudança no que diz respeito à primeira versão do código que se refere (2012),
em que é definida porcelana/cerâmica como "não metálica, não-resinosa, compostas de compostos
refratários inorgânicos processados a temperaturas elevadas (600 ° C e acima), que podem ser
processados sob pressão, polidos, ou usinado, incluindo porcelanas vidros e vitrocerâmicas ".
No entanto, apesar das controvérsias associadas com a definição, os fabricantes tem a intenção
de desenvolver materiais cerâmicos de matriz de resina para: 1) obter um material que simula mais
intimamente os módulos de elasticidade da dentina quando comparado com cerâmicas tradicionais, 2)
desenvolver um material de mais fácil corte e ajuste do que a cerâmicas vítreas sintéticas da família
dissilicato de lítio ou cerâmicas policristalinas, e 3) facilitar a reparação ou modificação utilizando resina
composta.
As composições das cerâmicas de matriz de resina variam substancialmente, mas elas são
especificamente formuladas para CAD / CAM. Atualmente, os materiais cerâmicos de matriz resinosa,
podem ser divididos em várias subfamílias, de acordo com a sua composição inorgânica, como segue:
Nanoceramicas de resina

creodental.com

Consiste em uma matriz altamente polimerizada reforçada em cerca de 80% do seu peso por
nanopartículas de cerâmica.
A discreta combinação de nanopartículas de sílica (diâmetro de 20 nm), nanopartículas (de
zircônia de 4 a 11 nm de diâmetro), e nanoaglomerados zircônia-sílica (agregados ligados de
nanopartículas) reduz o espaço intersticial das partículas de preenchimento, o que permite este elevado
teor de nanocerâmica.
Cerâmica vítrea interpenetrada por polímeros

vita-zahnfabrik.com
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ENAMIC®

É tipicamente composta por uma dupla fase: uma fase de cerâmica feldspática (86% em peso /
75% em volume) e uma rede de polímero (14%, em peso / 25% em volume). A composição específica da
peça de cerâmica é 58-63% de SiO2, 20-23% de Al2O3, 9-11% de Na2O, 4-6% de K2O, 0,5-2% de B2O3,
menos do que 1% de Zr2O e CaO. A rede de polímero é constituída por dimetacrilato de uretano (UDMA)
e dimetacrilato trietilenoglicol (TEGDMA). O fabricante refere-se a isso como uma cerâmica híbrida.
Classificação de todas as cerâmicas e materiais restauradores semelhantes à cerâmica, contendo: método de fabricação, tipo de uso, possibilidade de se realizar cimentação
adesiva e indicação clínica segundo os fabricantes.
Indicações Clínicas
Infraestruturas Ⓘ Coroas Totais
Ⓒ Anterior Ⓐ Prótese Fixas
Cobertura
Método de Condicionamento Restaurações de + de 1 Intermediário de
fabricação Monolíticas Ⓜ Ácido Facetas Indiretas Parciais Posterior Ⓟ elemento Implantes
1.1) Cerâmicas Refratário,
feldspáticas lâmina de
plátina,
Ⓜ/Ⓒ SIM 
pressão
1.2) Sintéticas
1) CERÂMICAS DE MATRIZ VÍTREA

a. À base de Leucita Prensada ou


CAD/CAM
Ⓘ/Ⓜ SIM   Ⓐ
b. À base de Dissilicato de 3 elementos até
lítio
Ⓘ/Ⓜ SIM    Ⓐ/Ⓟ 2° PM 
c. À base de Fluorapatita Prensada ou
por Aplicação Ⓒ SIM - - - - -
em camadas
1.3) Cerâmicas
infiltradas por vidro
a. Alumina CAD/CAM ou 3 elementos
Slip-casting
Ⓘ SIM  Ⓐ/Ⓟ anterior
b. Alumina e magnésio CAD/CAM ou
Slip-casting
Ⓘ SIM  Ⓐ/Ⓟ
c. Alumina e zircônia CAD/CAM ou 3 elementos
Slip-casting
Ⓘ SIM  Ⓐ/Ⓟ posterior
2.1) Alumina CAD/CAM Ⓘ NÃO   Ⓐ/Ⓟ 
POLICRISTALIN
2) CERÂMICAS

2.2) Zircônia estabilizada CAD/CAM Ⓘ/Ⓜ NÃO   Ⓐ/Ⓟ  


AS

2.3) Zircônia reforçada


por alumina e Alumina CAD/CAM Ⓘ/Ⓜ NÃO   Ⓐ/Ⓟ  
reforçada por Zircônia
3.1) Nanocerâmicas
resinosas
CAD/CAM Ⓜ NÃO    Ⓐ/Ⓟ
MATRIZ RESINOSA
3) CERÂMICAS DE

3.2) Cerâmica vítrea


interpenetrada em uma CAD/CAM Ⓜ SIM    Ⓐ/Ⓟ
rede de polímeros
3.3) Zirconia-silica
interpenetrada em uma CAD/CAM Ⓜ NÃO    Ⓐ/Ⓟ
rede de polímeros

MÉTODOS PARA AUMENTAR A RESISTÊNCIA DE CERÂMICAS:


Minimizando o efeito da concentração de tensões:
Por que próteses cerâmicas não são capazes de exibir os valores de resistência que seriam
esperados baseados na grande força de adesão interatômica?
A resposta é que numerosos riscos pequenos e outros defeitos estão presentes na superfície
desses materiais. Esses defeitos de superfície se comportam como cortes afiados cujas pontas podem ser
extremamente estreitas, a ponto de serem comparáveis ao espaçamento de apenas alguns átomos no
material.
Sob o carregamento de forças intraorais, tensões de tração que se desenvolvem na estrutura
cerâmica sofrem aumento e contração significantes nas pontas desses defeitos. Essa concentração de
tensões existe ao longo de todo o corpo da estrutura. Quando a tensão de tração induzida excede a
resistência nominal da estrutura do material, as ligações atômicas na ponta do entalhe se rompem,
formando uma trinca.
Esse fenômeno de concentração de tensões explica porque os materiais falham sob tensões muito
menores do que sua resistência teórica. Entretanto, existem outras variáveis que afetam a magnitude
dessas tensões:
Adicione um título ao seu documento 32

1) O desenho da prótese;

 Para Kelly e Brunetti et al., 2012 esse fator não tem tanta relevância
A N U S A V I C E E T A L ., 2012
2) Orientação da carga
A N U S A V I C E E T A L ., 2012
3) A taxa de carregamento
A N U S A V I C E E T A L ., 2012
4) A microestrutura da cerâmica
A N U S A V I C E E T A L . , 2012
5) Tensões residuais de processamento
A N U S A V I C E E T A L . , 2012; K E L L Y E B R U N E T T I , 2012
6) Coeficiente de expansão/contração térmica que não combinam

 Para o autor não tem tanta relevância


K E L L Y E T A L ., 2012
7) Pobre “adesão” entre as cerâmicas de cobertura e as cerâmicas de infraestrutura de zircônia

 Para o autor não tem tanta relevância


K E L L Y E T A L ., 2012
8) Resfriamento rápido da cerâmica

 Para o autor esse fator também é relevante


K E L L Y E T A L ., 2012
9) Transformações autocatalíticas durante a queima da porcelana

 Para o autor esse fator também é relevante


K E L L Y E T A L ., 2012
10) Transformações autocatalíticas da zircônia (Y-TZP) devido a temperatura oral e água

 Para o autor esse fator também é relevante


K E L L Y E T A L ., 2012
Ao contrário dos metais, as cerâmicas não têm mecanismos de acomodação a tensões aplicadas
sem sofrer fratura, trincas podem se propagar por um material cerâmico sob tensões muito baixas. Como
resultado elas apresentam valores de resistência à tração muito mais baixos do que os valores
apresentados e resistência a compressão.
Na cavidade oral, tensões de tração são geralmente criadas por forças de flexão, e a tensão de
tração máxima criada pelas forças de flexão ocorre na superfície de uma restauração ou prótese. É por
essa razão que defeitos de superfície são de particular importância na determinação da resistência das
cerâmicas.
Adicione um título ao seu documento 33

As falhas sob estresse das cerâmicas estão diretamente relacionadas aos


módulos de elasticidade dos substratos (cerâmica – substrato) e a espessura
da cerâmica
Figura do artigo Kelly JR, Benetti P. Ceramic materials in dentistry: historical evolution and
current practice, Aus Dent J, 2011

Conforme a trinca se propaga pelo material, a concentração de tensão é mantida na ponta da


trinca, a menos que a trinca se mova completamente através do material ou até que ela encontre outra
trinca, um poro ou partícula cristalina, o que pode reduzir a tensão localizada. A remoção dos defeitos de
superfície em cerâmicas é uma das razões pelas quais o polimento e o glazeamento da porcelana
odontológica são tão importantes.
A resistência a fratura de próteses pode ser aumentada através de uma ou mais das seguintes
opções:
1) Selecionar materiais cerâmicos de maior resistência e tenacidade
2) Desenvolver tensões de compressão residuais na superfície do material através de têmpera
térmica
3) Desenvolver tensões de compressão residuais nas regiões de interface entre as camadas mais
frágeis, menos tenazes de cerâmica através do uso de materiais com coeficientes de expansão
e contração térmica compatíveis
4) Reduzir as tensões de tração na cerâmica através da seleção apropriada de materiais de suporte
mais rígidos (maior módulo de elasticidade)
p.ex. núcleos metálicos ou cerâmicos versus núcleos em resina/fibra ou dente natural
A N U S A V I C E E T A L . , 2012; K E L L Y E B E N E T T I , 2012
5) Minimizar o número de ciclos de cocção para porcelanas feldspáticas
6) Desenhar a prótese de cerâmica com maior volume de corpo e maior radio de curvatura para
conectores em áreas de potencial desenvolvimento de tensões de tração para minimizar a
concentração de tensões e a magnitude de tensões de tração que podem se desenvolver durante
a função na boca

 Para Kelly e Brunetti, 2012 é importante que a cobertura oclusal deva ser a mais espessa possível.
7) Desenvolver contatos oclusais amplos não localizados
K E L L Y E B E N E T T I , 2012

8) Resfriar lentamente a cerâmica após sua queima


K E L L Y E B E N E T T I , 2012
9) Cimentar coroas cerâmicas ao dente com materiais adesivos
A N U S A V I C E E T A L . , 2012; K E L L Y E B E N E T T I , 2012

GLOSSÁRIO:
Cristal: sólidos cristalinos são aqueles que suas partículas constituintes estão agregadas regularmente,
criando uma estrutura cristalina que se manifesta macroscopicamente por assumir a forma externa de um
sólido de faces planas regularmente arranjadas, em geral com elevado grau de simetria tridimensional.
Adicione um título ao seu documento 34

(W I K I P E D I A )
Substância amorfa: é a designação dada à estrutura que não têm ordenação espacial a longa distância
(em termos atómicos), como os sólidos regulares. É geralmente aceito como o oposto de estrutura
cristalina. As substâncias amorfas não possuem estrutura atômica definida.
(W I K I P E D I A )
Vibração atômica: a vibração de um átomo sobre sua posição normal na substância.
(D E L L A B O N A , 2009)
Difusão: transporte de massa por movimento atômico.
(D E L L A B O N A , 2009)
Coeficiente de difusão: constante de proporcionalidade que representa a quantidade de uma substância
que se difunde através de uma unidade de área e uma unidade de gradiente de concentração em uma
determinada temperatura.
(D E L L A B O N A , 2009)
Fração de empacotamento: (fator de empacotamento atômico) a fração de volume em uma célula unitária
ou estrutura cristalina que é ocupada por átomos ou íons. Não possui unidade de valor e é sempre menor
que uma unidade. Para propósitos práticos, a APF de uma estrutura cristalina é assumindo-se que átomos
são esferas rígidas.
(D E L L A B O N A , 2009)
Temperatura de transição vítrea (Tg): temperatura na qual ocorre um aumento significativo no coeficiente
de expansão térmico, que indica um aumento da mobilidade molecular. Temperatura na qual, durante o
resfriamento, uma cerâmica não-cristalina ou polímero transforma-se de um líquido super-resfriado em um
vidro rígido.
(D E L L A B O N A , 2009)
Líquido super-frio: um líquido que foi resfriado a uma taxa suficientemente rápida até um ponto abaixo da
temperatura na qual uma modificação da fase de equilíbrio pode ocorrer.
(D E L L A B O N A , 2009)
Vitrificação: Durante a sinterização de um corpo cerâmico ocorre a formação de uma fase líquida que,
durante o resfriamento torna-se uma matriz de união vítrea.
(D E L L A B O N A , 2009)
Desvitrificação: processo no qual um vidro (não cristalino ou sólido vítreo) transforma-se em um sólido
cristalino.
(D E L L A B O N A , 2009)
Cerâmicas vítreas: uma cerâmica cristalina de granulação fina que é formada como um vidro e
subsequentemente devitrificada (ou cristalizada), ou seja, uma cerâmica consistindo de uma fase de matriz
vítrea e pelo menos uma fase cristalina produzida por cristalização controlada do vidro.
(D E L L A B O N A , 2009)
Tenacidade: quantidade de energia que um material pode absorver antes de fraturar. Os materiais
cerâmicos, por exemplo, têm uma baixa tenacidade.
(W I K I P E D I A )
Annealing (Têmpera): processo de resfriamento lento do vidro para liberar estresse interno depois de sua
formação. O vidro que não é temperado está sujeito a formação de trincas ou fratura quando submetido a
modificação pequena de temperatura ou choque mecânico. O processo de annealing de vidro é crítico para
sua durabilidade. Se o vidro não é temperado, reterá muitos estresses térmicos causados pelo resfriamento
rápido, diminuindo significativamente a resistência total do vidro. O vidro é aquecido até a temperatura de
annealing numa viscosidade, η, de 10¹³ Poise (10¹³ Pa-s), na qual o vidro é ainda muito duro para deformar,
porém é macio o suficiente para relaxamento de estresse. A peça, então, é deixada para absorver calor até
que a sua temperatura se torne homogênea. O tempo necessário para essa etapa varia de acordo com o
tipo de vidro e sua espessura máxima. O vidro é então resfriado lentamente seguindo uma taxa
Adicione um título ao seu documento 35

predeterminada até que sua temperatura esteja abaixo do ponto de deformação (η=1014.5 Poise). Em
seguida, a temperatura pode ser reduzida com segurança até a temperatura ambiente, seguindo uma taxa
limitada pela capacidade de aquecimento espessura, condutividade térmica (k) e CET do vidro.
(D E L L A B O N A , 2009)
Limite entre os grãos: contorno do grão: a interface que separa dois grãos adjacentes (cristais) de
diferentes orientações cristalográficas.
(D E L L A B O N A , 2009)
Energia de superfície: Quantifica o rompimento de uniões moleculares que ocorrem quando uma
superfície é criada. Na física dos sólidos, as superfícies precisam ser energicamente menos favoráveis que
o corpo do material; caso contrário haveria uma força indutora para formação de novas superfícies e a
superfície é tudo que existiria. Portanto, a energia de superfície de um material comparado com seu interior
(corpo).
(D E L L A B O N A , 2009)
Solubilidade: é uma propriedade física referente à capacidade de uma determinada substância, o soluto,
dissolver em um solvente. Interações químicas entre as cerâmicas e o ambiente, na extremidade da trinca
podem ter um efeito significativo na taxa de crescimento da trinca (fadiga estática).
(D E L L A B O N A , 2009)

Microscopia eletrônica de varredura (MEV): obtém imagens da superfície da amostra por varredura, ou
seja, escaneando-a com um feixe de elétrons de alta energia. Os elétrons interagem com os átomos na ou
perto da superfície da amostra produzindo sinais que contém informações sobre a topografia de superfície
da amostra, composição e outras propriedades como a condutividade elétrica. Os tipos de sinais produzidos
pelo MEV incluem elétrons secundários, elétrons retrospelhados (backcattered electons – BSE), raios-X
característicos, e elétrons transmitidos. Esses tipos de sinais requerem detectores especializados para
avaliação e podem não estar presentes em um único aparelho. No modo mais comum ou padrão de
detecção. Imagens de elétrons secundários (SEI), o MEV pode produzir imagens de alta-resolução de
uma superfície de amostra, revelando detalhes de 1 a 5nm de tamanho. Elétrons retroespelhados (BSE)
são feixes de elétrons que são refletidos da superfície da amostra por dispersão elástica. O método BSE é
utilizado frequentemente no MEV junto com os espectros feitos a partir de raios-X característicos. Como a
intensidade dos sinais BSE é altamente relacionada com o número atômico (Z), as imagens de BSE podem
fornecer informações sobre a distribuição de diferentes elementos presentes na amostra. Raios-X
característicos são emitidos quando um feixe de elétrons remove um elétron da estrutura interna de uma
amostra, provocando que um elétron de mais alta energia preencha a órbita e, então, libere energia. Esses
raios-X característicos são utilizados para identificar a composição e medir a quantidade dos elementos na
amostra. Comprimentos de onda específicos de raios-X são selecionados e contados, tanto por
espectroscopia dispersiva por comprimento de onda (WDS) quanto por espectroscopia por energia
dispersiva (EDS). O WDS utiliza a difração de Bragg dos cristais para selecionar os comprimentos de onda
de raios-X de interesse e direcioná-los a detectores proporcionais de fluxo de gás ou selados. Ao contrário,
o EDS utiliza um detector semi-condutor para acumular raios-X de todos os comprimentos de onda
produzidas pela amostra. A composição química é determinada pela comparação das intensidades de
raios-X de todos os comprimentos de onda produzidas pela amostra com intensidades de composições
(padrões) conhecidas. Normalmente, a composição química aferida em uma amostra precisa ser corrigida
para efeitos da matriz. As informações químicas resultantes são apresentadas em forma de texto. As
variações da composição química dentro das fases de um material, como grãos minerais ou metal pode
ser rapidamente determinada.
(D E L L A B O N A , 2009)

Espectroscopia por transformada de Fourier (FTIR): é uma técnica de medida de espectros que são
coletados com base em medidas de coerência temporal de uma fonte radioativa, usando medidas da
Adicione um título ao seu documento 36

radiação eletromagnética ou outro tipo de radiação. Pode ser aplicada a uma variedade de tipos de
espetroscopia como a ótica e infravermelho.
(D E L L A B O N A , 2009)
Estereologia: descreve as relações entre as medidas feitas em plano bidimensional de superfícies polidas
e as características tridimensionais do material.
(D E L L A B O N A , 2009)
Limite entre os grãos: contorno do grão: a interface que separa dois grãos adjacentes (cristais) de
diferentes orientações cristalográficas.
(D E L L A B O N A , 2009)
Energia de superfície: Quantifica o rompimento de uniões moleculares que ocorrem quando uma
superfície é criada. Na física dos sólidos, as superfícies precisam ser energicamente menos favoráveis que
o corpo do material; caso contrário haveria uma força indutora para formação de novas superfícies e a
superfície é tudo que existiria. Portanto, a energia de superfície de um material comparado com seu interior
(corpo).
(D E L L A B O N A , 2009)

Degradação em baixas temperaturas (LTD): é uma transformação lenta da fase metaestável da zircônia
tetragonal para uma fase monocíclica mais estável que ocorre na superfície dos grãos em ambiente úmido
e temperaturas relativamente baixas (150-400°C). classicamente, a LTD inicia na superfície de uma
zircônia policristalina e propagando-se, em direção ao corpo do material. A transformação de um grão é
acompanhada pelo aumento de volume que causa estresse ao redor dos grãos e mictrotrincas. A
penetração de água exacerba o processo de degradação de superfície e a transformação progride de um
grão para outro. O crescimento da zona de transformação resulta em severa formação de micro-trincas,
desprendimento de grãos e aumento da rugosidade superficial, que leva, por fim, a degradação da
resistência. Alguns dos fatores que promove a LTD são: o tamanho dos grãos, a quantidade de agente
estabilizador e a presença de estresses residuais.
(D E L L A B O N A , 2009)
Módulo de elasticidade ou módulo de Young (E): a rigidez ou flexibilidade de um material dentro da faixa
elástica. Nessa faixa, o material deforma em proporção direta ao estresse aplicado como representado pela
lei de Hooke, que é a relação do estresse (σ) e deformação (ε).
σ
𝐸=
ε
(D E L L A B O N A , 2009)
Dureza (H): A medida da resistência de um material à deformação plástica localizada (ex. penetração de
uma superfície ou abrasão). A H dos materiais cerâmicos é geralmente medida com a utilização de um
penetrador de Vickers, que é um diamante em forma de pirâmide de base quadrada com faces em ângulo
de 136°. O número de dureza Vickers (HV) é uma expressão da dureza obtida pela divisão da força aplicada
pelo penetrador Vickers pela área de superfície da impressão permanente feita pelo penetrador (norma
ASTM C 1327 – 03).
(D E L L A B O N A , 2009)
Densidade (ρ): a densidade de um material é definida como a sua massa (m) por unidade de volume (V).
Reflete a massa do material e o diâmetro dos átomos e a eficiência com que os átomos são empacotados
para preencher espaços.
𝑚
ρ=
𝑉
(D E L L A B O N A , 2009)
Condutividade térmica (k): um parâmetro que caracteriza a capacidade de um material para conduzir
calor.
Adicione um título ao seu documento 37

Resistência: estresse máximo que uma estrutura pode suportar sem apresentar uma quantidade
específica de deformação plástica (resistência ao escoamento ou tensão limite de escoamento) ou
estresse no ponto da fratura (resistência máxima). Na verdade, a resistência máxima a tração ou
simplesmente resistência à tração é o estresse de tração (em um espécime para teste de tração) no ponto
de fratura.
Estresse: força por unidade de área em uma estrutura sujeita a uma pressão ou força externa
Estresse de compressão: é a razão da força compressiva pela área da secção transversal perpendicular
à direção da força aplicada. Estresse de cisalhamento é a razão da força pela área da secção transversal
paralela à direção da força aplicada em um espécime.
Deformação (ε): mudança em comprimento por unidade de comprimento inicial. Deformação elástica é
a deformação que é recuperada após a remoção da força ou pressão externa aplicada. Taxa de
deformação é a mudança em deformação por unidade de tempo durante a aplicação de carga em uma
estrutura.
Tenacidade de fratura: parâmetro convencional de mecânica de fratura que indica a resistência de um
material a extensão (propagação) de trincas. O fator de intensidade de estresse crítica (Kc) no início de uma
propagação rápida de trinca em um sólido que apresenta um defeito de forma e tamanho conhecidos.
Fator de intensidade de estresse ou tensão: é a medida da quantidade relativa de estresse aumentado
na extremidade da trinca. Fator utilizado na mecânica de fratura para especificar a intensidade de estresse
(tensão) na extremidade da trinca (fissura).
Analise de Weibull: a distribuição de Weibull (chamada assim por causa do engenheiro e matemático
sueco Ernst H. Waloddi Weibull) é a distribuição de probabilidade contínua frequentemente utilizada em
análises de sobrevivência, engenharia de confiabilidade e análise de falha. A resistência característica
ou parâmetro de escala (σ0) representa 63,21% da distribuição da resistência. O módulo de Weibull (m) é
o parâmetro de forma e descreve a distribuição assimétrica da resistência. Os parâmetros de escala (σ0) e
de forma (m) relacionam-se, respectivamente, com o valor médio e o desvio padrão de um material com
distribuição de Gauss.
Fractografia: A fractografia está bem estabelecida como um meio de análise de falha no campo dos vidros
e das cerâmicas, e tem sido reconhecida como um poderoso instrumento analítico na odontologia. A
aplicação da fractografia baseia-se no princípio de que toda história do processo de fratura está codificada
na superfície da fratura dos materiais friáveis. Ela tem sido utilizada para relacionar quantitativamente o
estresse no momento da falha, a natureza do estado de estresse e a quantidade de estresse residual
relativos aos tamanhos da trinca inicial e a topografia ao redor dele.
Hackle: uma linha na superfície de fratura que avança na direção da trinca, separando as porções
paralelas, mas não coplanares, da superfície da fratura.
Twist hackle: hackle que separa porções da superfície de fratura, sendo que cada uma delas rotaram a
partir do plano original do crack em resposta a rotação lateral ou torção no eixo da tensão principal.
Wake hackle: marca de hackle que se estende de uma singularidade (ex pequeno defeito) na frente da
trinca e avança na direção da propagação da trinca.

(D E L L A B O N A , 2009)
Coeficiente de expansão térmica (CET) (α): Quando a temperatura de uma substância muda, a energia
que é armazenada na união intermolecular entre os átomos muda. Quando a energia armazenada aumenta,
a distância das uniões moleculares também aumenta. Como resultado, os sólidos normalmente se
expandem em resposta ao aquecimento e contraem no resfriamento; essa resposta dimensional à mudança
Adicione um título ao seu documento 38

de temperatura é expressa pelo seu CET. CET diferentes podem ser definidos para uma substância
dependendo se a expansão térmica: linear, de área ou volumétrica. Essas características são intimamente
relacionadas. O CET volumétrico pode ser definido tanto nos líquidos quanto nos sólidos. O CET linear
pode ser somente definido para sólidos (ex., cerâmicas), e é comum em aplicações de engenharia. Algumas
substâncias expandem quando são resfriadas, como a água gelada, portanto elas têm CTE negativo.
(D E L L A B O N A , 2009)
Coeficiente
Módulo de
Densidade Condutividade de expansão Dureza
elasticidade Marca
(ρ) térmica (k) térmica (H)
(E) Comercial
g/cm³ W/m.°K (CET) (α) (GPa)
GPa
ppm/°C
Esmalte
2,9-3,0 80-100 0,9-1,0 11-12 3-4 -
dentário
Dentina
2,1-2,2 15-20 0,5-0,6 8-9 0,5-0,6 -
dentária
Ivoclar IPS
Empress
(cerâmica
Cerâmica
2,3-2,6 45-90 0,9-1,0 6-16 5,5-7 feldspática);
Feldspática
VITA VM13
(reforçada por
leucita)
Cerâmica Vita In-Ceram
3,7-3,8 260-380 8-35 7-8 7,5-13
aluminizada Alumina;
¹cerâmicas
reforçadas por
zircônia (Vita
Cerâmica In-Ceram
reforçada 4,2¹-6,0² 210²-260¹ 1,8²-23¹ 7-11 9-12 Zircônia);
por zircônia ²cerâmicas a
base de
zircônia (Vita
YZ)
Cerâmica
de
2,4-2,6 90-105 - 10-11 6-6,5 IPS e-max press
Dissilicato
de lítio
Resina
1,6-2,4 5-25 2,5-2,6 14-50 14-50
Composta
(D E L L A B O N A , 2009)

FALAR DO KELLY, 2012


(Anusavice et al., 2012)
GOMES, EA, ASSUNÇÃO, WG, ROCHA, EP, et al. Cerâmicas odontológicas: o estado atual. Cerâmica.
2008;54:319-25

Leituras recomendadas: