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Exame de Ordem

Direitos Humanos
Prof. Bruno Pontes

APOSTILA DE DIREITOS HUMANOS


PROF. BRUNO PONTES

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Direitos Humanos
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Sumário
1. Conceito e considerações preliminares. ................................................................
....................................................................3
2. Concepções ................................................................................................................................
................................ ................................................4
3. Características ................................................................................................................................
................................ ............................................4
4. Natureza e classificação ................................................................................................
................................ .............................................................8
5. Evolução dos direitos humanos................................................................................................
humanos ................................................11
6. Princípio da máxima efetividade (eficiência ou interpretação efetiva) ...................................................
................................ 16
7. Teorias monista e dualista................................................................................................
................................ ........................................................16
8. Sistemas normativos
ivos global, regional, geral e específico de proteção dos direitos humanos ............19
9. O sistema interamericano de proteção dos direitos
direit humanos ................................................................
................................ 23
10. Direitos Humanos das minorias ................................................................................................
...........................................35
11. A Constituição de 1988 e os direitos humanos ................................................................
....................................................39
12. Principais documentos históricos sobre direitos humanos: ................................................................
................................ 53
Questões de concursos ................................................................................................
................................ ..........................................................116
12) DPE/BA 2010 - CESPE - Defensor Público - Classe inicial .................................................................
................................ 116
13. Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH) ................................................................
.............................................164
14. Comissão Nacional da Verdade ................................................................................................
..........................................178
15. Tribunal Penal Internacional ................................................................................................
..............................................180

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Proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo da apostila, sem autorização do autor


Lei 9610/98.

DIREITOS HUMANOS

1. Conceito e considerações
consideraç preliminares.
Apesar de direitos humanos ainda estar em formação1, existem
xistem basicamente dois conceitos
de direitos humanos, um amplo e outro estrito. O amplo está relacionado com a figura humana e
que tem conexão com o direito natural (vida, liberdade e justiça – dar a cada um o que é seu). O
sentido estrito vai além, porque não basta se correlacionar com o direito natural, havendo
necessidade de estar positivado em tratados e convenções internacionais. Por outro lado, se
forem incorporados no ordenamento
ordenamento jurídico interno de determinado país, passam a ser
chamados de direitos fundamentais2.
Assim, direitos humanos são aqueles que surgem em função da figura humana, conexos
aos direitos naturais e positivados em tratados ou convenções internacionais,
internacionais que visam efetivar a
dignidade da pessoa humana3.
O núcleo do conceito de Direitos Humanos está na dignidade da pessoa humana, que
expressa um sistema de valores e orienta toda a ordem jurídica. A expressão “direitos humanos” é
moderna, mas o princípio invocado é antigo como a própria humanidade, porque são
fundamentais na medida em que, sem eles, a pessoa humana não consegue existir, se desenvolver
e participar da vida em sociedade.

1
É comum a afirmação que o conceito de direitos humanos é, a um só tempo, polissêmico (porque não há um sentido
único, mesmo diante do consenso estabelecido na Convenção
Conven de Viena), controverso (porque sempre gera debates
polêmicos sobre a extensão, até em face da mutação constante do direito internacional e do desenvolvimento do
tema) e estruturante (porque avança sobre as bases lógicas, naturais e fundamentais do ser humano enquanto tal).
2
Veja que a Constituição de 1988 fala em Direitos e Garantias Fundamentais no Título II, referentes àqueles
reconhecidos na CF/88, e como princípio das relações internacionais, coloca a prevalência dos “direitos humanos”,
justamente em referência àqueles universalmente aceitos, indicando a necessidade da nossa República incorporá-los.
incorporá
3
É comum diferenciar direitos fundamentais, direitos humanos e direitos de personalidade/naturais. Os direitos
naturais decorreriam da razão e seriam válidos
válidos em todos os momentos e locais; os direitos humanos seriam válidos
em toda parte a partir de determinado momento; os direitos fundamentais valeriam em um determinado momento,
porém em determinados locais.

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2. Concepções
Para a concepção jusnaturalista,
jusnaturalista os direitos fundamentais do homem
omem são imperativos do
direito natural, e existem antes mesmo da estruturação estatal. Não haveria, então, nem mesmo
necessidade de previsão positiva, porque os direitos não podem ser negados, já que são inerentes
à natureza humana. Esta concepção, como se
se vê, está presente no Direito e na Filosofia, e serviu
para combater o Estado absolutista e fundamentar revoluções, em especial para modificar o
“status quo”.
A concepção positivista,
positivista, pelo contrário, entende que os direitos do homem são faculdades
concedidas
das pela lei, e não pela natureza das coisas. Não havendo previsão no direito positivo, ter-
ter
se-áá expectativa de direito, e não direito em si.
A concepção idealista,
idealista, por seu turno, entende que os direitos do homem são ideias
abstratas, que nascem do imaginário
imaginário e que vão sendo absorvidas pela realidade ao longo do
tempo.
Já para a concepção realista,
realista, os direitos do homem não nascem do imaginário e nem são
absorvidos com o tempo de maneira natural. Muito ao contrário, os direitos fundamentais do
homem são resultados
ultados reais das lutas sociais e políticas travadas na história. Para se chegar a eles,
quase sempre há um rasto de sangue e muita luta por trás.
A concepção liberal,, que trata os direitos humanos como liberdades fundamentais, porque
a liberdade é que dá força e possibilita modificar, inclusive, a natureza das coisas, porque os seres
humanos podem, então, se associar, se reunir e lutar. Os direitos humanos estariam vocacionados
para preservar
ar a autonomia da vida do homem.
A concepção histórico--crítica vincula
cula fortemente os direitos humanos à sua característica
de historicidade, porque estes seriam construções históricas marcadas por contradições,
condições e nuanças da realidade social, política, econômica e cultural.

3. Características
3.1. Imprescritibilidade.
Os direitos humanos não prescrevem. Interessante lembrar que na CF/88 a
imprescritibilidade é a regra, sendo imprescritíveis o racismo e a ação de grupos armados, civis ou

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militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático (art. 5º, XLII,


X XLIV). Existe
discussão para saber se este rol constitucional de imprescritibilidade é taxativo ou exemplificativo:
a doutrina majoritária entende que é exemplificativo, possibilitando inclusão de outros crimes
imprescritíveis, desde que para proteção da pessoa humana, como ocorre no Estatuto de Roma
(criação do TPI), uma vez que seus arts. 5º e 29 preveem a imprescritibilidade dos crimes de
genocídio, contra a humanidade, de guerra e agressão – este ainda não regulamentado.
3.2. Efetividade.
nhecimento não basta. Somente a positivação não significa que os direitos humanos
O reconhecimento
estão sendo respeitados, daí porque se exige a real aplicação na prática no território nacional.
Caso o Estado partícipe não conseguir efetivar os direitos humanos (no caso, fundamentais),
existem garantias como o “habeas corpus”. A efetividade realça a dimensão objetiva dos direitos
fundamentais, porque é uma garantia de estabilidade dos mesmos no ordenamento jurídico e
ainda impõe ao Estado a criação de planejamentos e procedimentos
procedimentos para sua efetivação para toda
a sociedade.
3.3. Irrenunciabilidade.
Não podem ser abdicados ou negociados, porque fazem parte da própria existência do ser
humano. Pode deixar de ser exercido, mas seu titular não pode dispor dos mesmos de forma
definitiva
efinitiva (não se pode exigir que um doente em estado terminal aceite a eutanásia). É costume
dizer que a irrenunciabilidade não é absoluta, porque em alguns casos é possível renunciar algum
direito fundamental, como é o caso de renunciar à integridade física,
física, para fazer doação de rim
para parente (vide Lei 9434/97, que trata da doação de órgãos, tecidos e partes do corpo
humano), ou de fixar cláusula contratual para limitar a liberdade de expressão, para que o
funcionário não divulgue segredo industrial da empresa em que trabalhou. A irrenunciabilidade,
diferentemente da inviolabilidade, visa a proteção do próprio titular do direito fundamental, e não
está previsto explicitamente na Constituição; a inviolabilidade, por seu turno, está prevista na
Constituição
ão e protege o indivíduo contra terceiros.
3.4. Inalienabilidade.
A alienação também está vedada (não são disponíveis como se fosse um patrimônio
qualquer).
3.5. Historicidade.

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Se por trás de cada direito há um rastro, senão de sangue, pelo menos de luta,
lu é evidente
que o direito fundamental é um direito histórico;
3.6. Relatividade.
Nada
ada na vida é absoluto. O direito, mesmo o fundamental, também não é e nem pode ser
absoluto, porque é preciso, em vários casos, limitá-lo,
limitá lo, mesmo em se tratando de um direito
di
fundamental. O direito fundamental da liberdade, por exemplo, pode ser limitado, a bem da
sociedade. Alguns entendem que o direito de não ser torturado e de não sofrer penas cruéis, e o
direito de não ser reduzido à condição análoga de escravo, seriam
seriam direitos fundamentais
absolutos.
3.7. Proibição do retrocesso.
See o direito fundamental foi conquistado, não pode mais ser extirpado4. Por exemplo: se o
direito fundamental contido em uma norma constitucional de eficácia limitada foi regulamentado,
não pode uma regulamentação posterior acabar com o direito concretizado pela norma anterior.
Para quem leva esta proibição do retrocesso às últimas consequências, entende que nem mesmo
uma nova Constituição poderá acabar com os direitos fundamentais, porque os
o direitos naturais
seriam limites ao poder constituinte originário (neste caso, o poder constituinte teria natureza
jurídica jusnaturalista, e não normativista, como entende a maioria).
3.8. Interdependência.
Não
ão há choque irremediável entre os direitos fundamentais, porque eles devem se
relacionar permanentemente para atingirem suas finalidades.
finalidades
3.9. Complementaridade.
A interpretação de um direito fundamental deve levar em conta os outros direitos
fundamentais. Não se interpreta um direito fundamental
fundamenta isoladamente.
3.10. Inviolabilidade.
Não pode ser tolerada violação dos direitos humanos, seja pela lei, pela autoridade ou pelo
poder, órgão ou entidade pública, sob pena de responsabilização civil, administrativa e criminal.

4
O art. 4º da Convenção Americana de Direitos
Direitos Humanos (Pacto São José da Costa Rica, de 22.11.1969, aprovado pelo
Congresso pelo Decreto-Legislativo
Legislativo 27, de 25.09.1992 e promulgado pelo Decreto 678, de 06.11.1992), no art. 4º, item
3, diz que: “Não
Não se pode restabelecer a pena de morte nos Estados que a hajam abolido”.
abolido Consta, portanto, no Brasil,
como norma supralegal, esta expressa disposição a respeito da proibição do retrocesso, em matéria de pena de
morte.

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Inviolabilidade, como se viu, existe para proteção contra terceiros, e irrenunciabilidade para
proteção contra o próprio titular.
3.11. Universalidade e indivisibilidade.
indivisibilidade
Os direitos humanos/fundamentais nascem para todos os homens, independentemente
de raça, nacionalidade, sexo,
o, credo ou convicção político ou filosófica.
filosófica. A Declaração de Direitos
Humanos de Viena, de 1993, no item 5, diz que “Todos
“Todos os direitos humanos são universais,
indivisíveis interdependentes e inter-relacionados.
inter relacionados. A comunidade internacional deve tratar os
direitos
reitos humanos de forma global, justa e equitativa, em pé de igualdade e com a mesma ênfase.
Embora particularidades nacionais e regionais devam ser levadas em consideração, assim como
diversos contextos históricos, culturais e religiosos, é dever dos Estados
Estados promover e proteger todos
os direitos humanos e liberdades fundamentais, sejam quais forem seus sistemas políticos,
econômicos e culturais.”
Ainda se fala em exigibilidade e justiciabilidade.. A exigibilidade seria o reconhecimento de
que cada cidadão tem
em a possibilidade de demandar a satisfação de seus direitos humanos,
cabendo ao Estado e à própria sociedade, oferecer condições para sua efetivação. A
justiciabilidade, por sua vez, imporia o reconhecimento de que os direitos humanos, por serem
justiciáveis,
eis, podem ser demandados judicialmente caso não sejam realizados, especialmente nos
dias atuais em que, em face do neoconstitucionalismo e do pós-positivismo,
pós positivismo, o Direito se aproxima
da Ética, há aumento da jurisdição constitucional e o Judiciário é cada dia
dia mais proativo.

Questões de concursos
01) Prova: NUCEPE - 2012 - PM-PI
PM - Agente de Polícia - Sargento
Em relação ao conceito
eito dos Direitos Humanos, identifique com V as alternativas VERDADEIRAS e F,
as FALSAS e marque, em seguida, a sequência CORRETA.

( ) O núcleo do conceito de Direitos Humanos se encontra no reconhecimento da dignidade da


pessoa humana. Essa dignidade expressa
expressa num sistema de valores, exerce uma função orientadora
sobre a ordem jurídica porquanto estabelece “o bom e o justo” para o homem.

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( ) Direitos Humanos é uma expressão moderna, mas o princípio que invoca é tão antigo quanto a
própria humanidade. É que determinados direitos e liberdades são fundamentais para a existência
humana.

( ) Os Direitos Humanos surgiram a partir do século XX, e devem ser utilizados apenas nos países
democráticos.

( ) Os Direitos Humanos são considerados fundamentais porque


porque sem eles a pessoa humana não
consegue existir ou não é capaz de se desenvolver e de participar plenamente da vida.

( ) Os Direitos Humanos devem privilegiar apenas a parcela da população mais carente, fato que
justifica sua própria existência.

a) V, V, F, V, F;
b) V, V, V, V, V;
c) V, V, F, F, V;
d) F, F, V, F, V;
e) V, V, F, F, F

4. Natureza e classificação
Existe uma classificação positiva pela CF/88,
CF/88, em relação aos direitos fundamentais, e várias
classificações doutrinárias. No Título II (Dos Direitos
Direitos e Garantias Fundamentais), a Constituição de
1988 classifica os direitos fundamentais em 05 capítulos:
a) Capítulo I – dos direitos e deveres individuais e coletivos;
b) Capítulo II – dos direitos sociais;
c) Capítulo III – da nacionalidade;
d) Capítulo IV – dos direitos políticos;
e) Capítulo V – dos partidos políticos.

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Cada doutrinador, entretanto, costuma fazer sua própria classificação, daí a dificuldade em
se adotar esta ou aquela, até porque nenhuma ganhou, ao longo do tempo, um destaque maior.
maior
Por isso, a seguir serão destacadas aquelas mais importantes e didáticas.
Classificação de José Carlos Vieira de Andrade:
Andrad
01) Direitos fundamentais de defesa:
defesa: caráter negativo, porque exige uma abstenção do
Estado (Constituição-garantia),
garantia), para que ele não
não se intrometa arbitrária e despropositadamente
na autonomia do homem, respeitando, assim, as liberdades públicas;
02) Direitos fundamentais de prestação:
prestação: caráter positivo, porque exige uma prestação do
Estado para o homem atingir a felicidade (Constituição-dirigente).
( dirigente). O Estado tem o dever de agir
para interferir na sociedade, quando isto for necessário para proteger os bens jurídicos, seja pela
intervenção indireta ou jurídica, como na expedição de normas, seja pela intervenção direta ou
material, pela intervenção
ntervenção policial ou pela prestação direta das necessidades básicas de saúde,
educação e segurança;
03) Direitos fundamentais de participação – direito do cidadão de participar na governança
da coisa pública.
Outra classificação bastante difundida é aquela
aquela que os classifica em gerações (a doutrina
está evoluindo para abandonar a expressão “gerações”, substituindo por “dimensões”, justamente
para evitar a falsa impressão de que uma geração substui a outra, quando na verdade a completa).
De toda forma, seriam
iam 04 gerações/dimensões:
01 - Direitos fundamentais de 1ª geração (liberdade) - Surgidos influenciados pelas
revoluções burguesas do final do século XVIII, especialmente aquelas ocorridas nos Estados Unidos
e na França, são conhecidos como direitos civis e políticos. Ligados à liberdade, surgiram em
oposição ao Estado para limitar seus poderes absolutos. Exigia do Estado uma abstenção, daí o
caráter negativo, próprio das constituições garantia (ou constituições quadro). Seu titular é o
indivíduo, e são conhecidos
nhecidos como direitos negativos, ou direitos de defesa.
defesa Exemplos: liberdades
físicas, liberdades de expressão, liberdades de consciência, direitos de propriedade privada,
direitos da pessoa acusada e as garantias de direitos (“habeas corpus”, mandado de segurança,
s
mandado de injunção, “habeas data”);
data”)
02 - Direitos fundamentais de 2ª geração (igualdade). Surgidos no século XX, estão ligados
à igualdade,, já que se referem aos direitos sociais, econômicos e culturais conquistados pela luta
do proletariado (saúde,
aúde, educação, segurança, habitação, cultura, esporte etc.). Visam a igualdade

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material (na lei). Têm caráter positivo, porque exigem uma prestação do Estado, e não só uma
abstenção, para que sejam reduzidas as desigualdades, próprios das constituições dirigentes.
di Seu
titular é a coletividade.. São conhecidos como direitos positivos ou direitos de prestação.
Exemplos: art. 6º da Constituição de 1988:
1988: “São direitos sociais a educação, a saúde, a
alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência
previdência social, a proteção à
maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. O Título
VIII da Constituição de 1988 (Da Ordem Social), prevê as seguintes categorias de direitos:
Seguridade Social (Saúde, Previdência Social
Social e Assistência Social), Educação, Cultura, Desporto,
Ciência e Tecnologia, Comunicação Social, Meio Ambiente, Família, Criança, Adolescente, Jovem,
Idoso, Índios. Entretanto, os direitos relacionados à Comunicação Social e ao Meio Ambiente se
inserem nos direitos fundamentais de 3ª geração;
geração
03 - Direitos fundamentais de 3º geração (fraternidade). A consciência de que o mundo,
cada vez mais, estava se dividindo até perigosamente entre nações desenvolvidas e nações
subdesenvolvidas, surge a consciência de
de que o mundo precisa de solidariedade, de fraternidade.
Daí porque os principais direitos de 3ª geração são os direitos ao desenvolvimento, a paz, o meio
ambiente, a autodeterminação dos povos, à comunicação, ao patrimônio comum e histórico da
humanidade. Seu titular é o gênero humano.
humano. Exemplos: Direito ao desenvolvimento, à paz, ao
meio ambiente, à autodeterminação dos povos, à comunicação e ao patrimônio comum da
humanidade.
04 - Direitos fundamentais de 4ª geração.
geração São direitos relacionados ao futuro da
d sociedade,
com o futuro da própria cidadania, como é o caso do direito à democracia, à informação e ao
pluralismo, além das questões éticas relacionadas com a biotecnologia (engenharia genética),
ainda um campo sem fronteiras seguras. Referem-se
Referem à possibilidade
ilidade de regulamentação jurídica
da globalização política. Se a sociedade, um dia, ter como um grande problema o lixo ou a
espionagem espacial, ou ainda com a clonagem humana, que interferirá no conteúdo das
informações, na restrição da utilização da Internet
Internet e na característica básica do ser humano?
Neste sentido, o julgamento da ADI sobre células tronco embrionárias seria um caso em que esta
dimensão foi analisada pelo STF. Paulo Bonavides prefere incluir na quarta dimensão a
democracia, pluralismo, informação.
ormação. Coloca a paz como quarta dimensão, para outros, seria
incluída na terceira dimensão.
Paulo Bonavidades considera o Direito à Paz como um direito fundamental de 5ª geração.

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Questões de concurso
02)Prova: CESPE - 2012 - PM-AL
AL - Oficial Combatente da Polícia Militar

Com relação ao conceito, à evolução e à abrangência dos direitos humanos, assinale a opção
correta.
a) Os chamados direitos de solidariedade correspondem, no plano dos direitos fundamentais, aos
direitos de segunda geração, que se identificam com as liberdades concretas, acentuando o
princípio da igualdade;
b) No século XX, inaugurou-se
se uma nova fase no sistema de proteção dos direitos fundamentais,
na medida em que foi nele que os Estados passaram a acolher as declarações de direitos em suas
Constituições;
c) A individualidade é uma das características dos direitos
direitos humanos fundamentais, e, nesse
sentido, eles são dirigidos a cada ser humano isoladamente considerado, o que se justifica em
razão das diferenças de nacionalidade, sexo, raça, credo ou convicção político-filosófica;
político
d) Os direitos fundamentais são os direitos humanos reconhecidos como tais pelas autoridades às
quais se atribui o poder político de editar normas, tanto no interior dos Estados quanto no plano
internacional; são, assim, os direitos humanos positivados nas Constituições, nas leis, nos tratados
trat
internacionais;
e) Com o fim da Primeira Guerra Mundial, a estrutura do direito internacional dos direitos
humanos começou a se consolidar. A essa época, os direitos humanos tornaram-se
tornaram uma legítima
preocupação internacional e, então, foram criados mecanismos
mecanismos institucionais e de instrumentos
que levaram tais direitos a ocupar um espaço central na agenda das organizações internacionais.
internacionais

5. Evolução dos direitos humanos


A doutrina costuma dividir a evolução dos direitos humanos de duas formas. A primeira,
primeir
em períodos axial, do cristianismo, do iluminismo e do período do pós-guerra,
pós guerra, além de referência
aos documentos históricos. A segunda segue a divisão clássica da história, em Idade Antiga, Média,
Moderna e Contemporânea, que é a divisão mais seguida.
Assim,
ssim, temos a primeira divisão:
Período axial (600 a 480 a.C).

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Grandes princípios e diretrizes fundamentais da vida (Buda, Confúcio, Pitágoras, Isaías),


quando então surge a filosofia, com grande importância para o saber racional em
detrimento do saber mitológico.
mitológico. Isto propiciou um grande salto para a igualdade;
Período do Cristianismo.
Cristianismo
Este período trouxe grande conquista aos direitos humanos porque propagou a igualdade
entre os seres humanos no plano divino (todos são filhos de Deus). Não se pode esquecer,
esquec
porém, que houve continuidade da escravidão e da inferioridade da mulher, dentre outros
tantos problemas, como foi o caso da Inquisição. Como o cristianismo valorizou o homem,
acabou ajudando, em alguma medida, para as políticas de conteúdo econômico e social;
Período do Iluminismo.
Iluminismo
A fé na ciência e na razão foi um salto na humanidade, propagadas pelo Iluminismo,
inclusive incentivando decisivamente os direitos naturais e a Revolução Francesa
(igualdade, liberdade, fraternidade).
Período Pós-2ª
2ª Guerra.
Guerra
Depois dos horrores da 2ª Guerra Mundial é que a sociedade definitivamente acordou para
a necessidade de proteção dos direitos humanos. Houve, então, criação da ONU, a
Declaração dos Direitos do Homem de 1948 e outros tantos documentos internacionais,
que
ue acabaram significando outro período.

→ Documentos remotos e históricos.


Importante citar, nesta evolução, os principais documentos de força e entusiasmo
internacional, que protegeram, em boa medida, os direitos humanos: Magna Carta de
1215; Petition of Rights de 1628; Habeas Corpus Act de 1679; Bill of Rights de 1689;
Declaração de Direitos do Estado da Virgínia de 1776; Declaração de Independência dos
EUA e Constituição de 1787; Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão da França de
1789; Constituição
ção do México de 1917; Constituição de Weimar de 1919; Declaração
Universal dos Direitos Humanos de 1948. No Brasil, a Constituição de 1988 e os chamados
Planos Nacionais de Direitos Humanos: PNDH1 (1996); PNDH2 (2002); PNDH3 (2009)
Na segunda divisão, maiss aceita, temos:
Idade Antiga (4000 a.C até
a 476 d.C, quando da tomada do Império Romano pelos povos
bárbaros).

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Neste período, não havia previsões normativas, e a regulação se baseava praticamente na


justiça privada, com desproporção e injustiça. Poucas normas
normas surgiram neste período,
podendo ser citados o Código de Manu, o Código de Hamurabi e a Lei das 12 Tábuas. O
Código de Hamurabi5 se notabilizou pela lei do talião (“olho por olho e dente por dente”6),
mas tratava as pessoas com desproporcionalidade e ainda
ainda considerando três classes sociais
de pessoas: 1ª classe mais alta (“awelum”): punição com patrimônio e sem sanções cruéis;
2ª classe intermediária (“mushkenum”): as vezes com penas cruéis, mas também punição
com retirada do patrimônio; 3ª classe (“wardum”,
(“wardum”, ou bárbaros”: tinham direito à
propriedade, mas a regra eram penas cruéis, difamantes e de morte7. Leis das 12 Tábuas8:
regulava a vida do povo romano e tinha por base o princípio da igualdade, para tratamento
igual de todos, ao contrário do Código de Hamurabi.
Idade Média (iniciada com a queda do Império Romano, 476 d.C, e termina com a transição
para a Idade Moderna,
Moderna por volta de 1453 d.C).
Apesar do período obscuro, com Inquisição, houve significativa evolução na proteção dos
direitos humanos, com
m o surgimento da Magna Carta de 1215, do Rei João Sem Terra.

5
O Código de Hamurabi, de aproximadamente 1700 a.C., foi uma necessidade para a sociedade da d época, porque
unificou os reinos sumérios e consagrando o primeiro imperador mesopotâmico (Rei Dhammu-rabi).
Dhammu Assim, eram
necessárias regras de condutas unificadas para o império, o que acabou por ratificar a figura estatal conhecida na
época e ainda trazer er a noção de segurança e prévia definição de condutas. Estas regras de conduta estavam inseridas
na pedra (estela em diorito), com 21 colunas e 282 cláusulas.
6
A lei do talião estava espalhada por todo o Código de Hamurabi, mas especialmente nos artigos 196 (“Se um homem
arrancar o olho de outro homem, o olho do primeiro deverá ser arrancado - Olho por olho”) olho e 200 (“Se um homem
quebrar o dente de um seu igual, o dente deste homem também deverá ser quebrado - Dente por dente”. A parte
criminal (“lex talionis”)
nis”) atingia inclusive os filhos dos causadores dos danos. No entanto, o Código também regulava o
comércio (com importância especial para o caixeiro viajante), a família (inclusive prevendo divórcio, pátrio poder,
adoção, adultério e o incesto), o trabalho
trabalho (indicativo de salário mínimo, categorias profissionais e leis trabalhistas
básicas) e a propriedade (inclusive o escravo tinha direito à propriedade).
7
O tratamento punitivo diferenciado entre as classes ficava bem evidente nas seguintes passagens: “198. “ Se ele
arrancar o olho de um homem livre, ou quebrar o osso de um homem livre, ele deverá pagar uma mina em ouro”; ouro
“199.
199. Se ele arrancar o olho do escravo de outrem, ou quebrar o osso do escravo de outrem, ele deve pagar metade do
valor do escravo.” “201.01. Se ele quebrar o dente de um homem livre, ele deverá pagar 1/3 de uma mina em ouro. 202.
Se alguém bater no corpo de um homem de posição superior, então este alguém deve receber 60 chicotadas em
público”.
8
A Lei das Doze Tábuas, ou “Leis das Doze Tábuas” Tábuas” (Lex Duodecim Tabularum), deu origem ao Direito Romano, e
organizava o procedimento judicial, estipulava normas conta os inadimplentes, pátrio poder, sucessões e tutela,
propriedade, servidões e previa os delitos, e ainda tratava de normas atinentes ao ao Direito Público e Sagrado. Isto
serviu para evitar a surpresa para os plebeus, que costumavam ser punidos sem saber o motivo, daí porque fixadas
em 12 tabletes de madeira e colocados à frente do Fórum Romano, para todos lerem. Assim, foi formado um grupo de
dez grandes homens (“decenvirato”), para redigir o projeto do Código, realizado o trabalho no período de 451 a 450
a.C., com promulgação em 452 a.C. Posteriormente, no Século VI, o imperador Justiniano, ao assumir o poder, quis
salvaguardar a herança do o Direito Romano e organizar a legislação, e assim determinou a compilação e a codificação
das principais leis, perfazendo então o chamado Corpus Juris Civilis.

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Neste documento, o Rei começava a ser restringido, algo inusitado para a época, inclusive
com previsão de “habeas corpus”, do direito de propriedade, do devido processo legal, da
proporcionalidade,
de, da proibição dos tributos com efeito de confisco.

Idade Moderna (período que vai de 1453, com a tomada de Constantinopla pelos Turco
Otomanos, até 1789, com a Revolução Francesa).
Surgiu o chamado “TTratado de Vestfália” (ou Paz de Vestfália ou ainda
aind Tratados de
Münster e Osnabrück),
Osnabrück) conjunto de acordos internacionais celebrados em 1648 para
encerrar a Guerra dos Trinta Anos, série de guerras entre nações na primeira metade do
Século XV, especialmente motivadas por rivalidades religiosas e territoriais.
territoria O Tratado,
então, fez surgir a concepção do Estado moderno, com elementos objetivos (povo,
território e governo soberano) e subjetivos (reconhecimento
(reconhecimento da sua existência) e,
consequentemente, um sistema internacional à vista das soberanias estatais. A soberania,
neste tratado, surge como algo novo, capaz de propiciar a paz entre os povos,
povos porque a
hierarquia religiosa foi afastada, gerando aquietação territorial nas regiões, respeito e
desenvolvimento dos povos. Também nesta Idade Moderna é que surgiram na Inglaterra a
Petition of Rights, de 1628, que requeria direitos e liberdades para os súditos
s do Rei e
ainda estabelecia, expressamente, que os impostos só poderiam ser cobrados com o
consentimento do Parlamento, que não poderia haver prisão sem justa causa
ca apresentada
e que a lei marcial (restrição dos direitos) não poderia ser utilizada em tempo de paz; o Bill
of Rights, de 1689,, que repetia os direitos
tos protegidos pela Magna Carta de 1215 e previa
previ
independência do Parlamento e, assim, a divisão dos poderes;
pode ; o “Habeas Corpus Act”, de
1679,, lei do Parlamento criada durante o reinado de Rei Charles II, e reforçava o já
existente “habeas corpus” como garantia da liberdade individual contra prisão ilegal,
abusiva ou arbitrária;; o “Act of Settlement”, de 1701, que estabeleceu procedimentos e
garantias para sucessão protestante do trono inglês e o poder do Parlamento, e ainda
reafirmou que os governantes se submetiam ao princípio da legalidade, independência e
autonomia dos órgãos jurisdicionais, inclusive acima da vontade da Coroa, além da
responsabilidade política dos agentes políticos e possibilidade de “impeachment”.
“impeachment” Nos
EUA, digno de nota foi o surgimento da Declaração de Direitos do Bom Povo de Virgínia, de

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16 de junho de 1776 (antes mesmo da Declaração da Independência dos EUA, de 04 de


julho de 1776,, e da sua Constituição, de 17 de setembro de 1787),
1787 , estabelecendo que todo
poder emana do povo, que em seu nome deve ser exercido, reconhecendo que todo ser
humano tem direitos fundamentais,
fundamentais como a igualdade, a liberdade, os direitos inatos, a
previsão e a separação dos poderes executivo, legislativo e judiciário etc.
Idade Contemporânea9 (período iniciado com a Declaração dos Direitos do Homem e do
Cidadão, surgido na França em 1789, influenciado pela Revolução
Revoluçã Francesa e pela
Declaração dos Direitos do Povo da Virgínea, de 1776, até o presente momento).
Esta Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão foi baseada no direito natural, e
estabelece o Estado laico, o princípio da legalidade, da anterioridade e da presunção da
inocência. Insere-se
se neste período contemporâneo, as Emendas à Constituição dos EUA, de
1791, que constituíram as 10 primeiras emendas como “Bill of Rights” norte-americana,
norte
com ratificação por três quartos dos estados, prevendo vários direitos
dire fundamentais, como
liberdade religiosa e proibição de estabelecimento oficial de religião, direito à vida, devido
processo legal, imparcialidade dos julgamentos,.
julgamentos, Logo depois das Revoluções Americana
(1776-1783)) e Francesa (1789-1799),
(1789 inúmeras constituições,, além da Americana de 1789 e
da Francesa de 1791, consagraram o constitucionalismo, com tentativas de limitar e
separar os poderes e ainda prever direitos fundamentais, como foi o caso da Constituição
da Espanha de 1812, de Portugal de 1822, do Brasil
Brasil de 1824, da Bélgica de 1831. Depois, já
no Século XX, merece destaque a Constituição Mexicana de 1917 e a Alemã, de 1919
(Constituição de Weimar), que, em meio à 1ª Guerra Mundial e logo depois do Tratado de
Versalhes10, elegeram os direitos trabalhistas
trabalhistas e previdenciários à condição de direitos
fundamentais11. Foi neste Século, logo depois da 2ª Guerra Mundial, que surgiu a ONU, em
1945, além de inúmeros tratados internacionais e a Declaração Universal dos Direitos
Humanos, em 1948, com três dimensões: liberdades
liberdades públicas, direitos econômicos e sociais

9
Entretanto, a concepção contemporânea de direitos humanos surgiu após a 2ª Guerra Mundial.
10
O Tratado de Versalhes, assinado pelas potências europeias em 1919, pôs fim à 1ª Guerra Mundial, com imposição,
à Alemanha, a responsabilidade por ter causado a guerra, com reparações às nações da Tríplice Entente (Reino Unido,
França e Império Russo), o que ue acabou por impulsionar o surgimento do movimento ultranacionalista na Alemanha,
liderado por Hitler (nazismo).
11
Também pode ser citada a Declaração dos Direitos do Povo Trabalhador e Explorado, de 12.01.1918, da União
Soviética, e logo depois a Lei Fundamental
damental Soviética, de 10.07.1918. Tida por muitos como autoritária por acabar com
o direito de propriedade, proclamou o princípio da igualdade, independentemente de raça ou nacionalidade e o
direito ao asilo contra perseguições políticas e religiosas, dentre
den outros.

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e fraternidade/solidariedade, porém apenas como recomendação, sem força normativa de


tratado; o Pacto Internacional de Direitos Internacional de Civis e Políticos, de 1966, e o
Pacto Internacional de Direitos
Direitos Econômicos, Culturais e Sociais, também de 1966.

6. Princípio da máxima efetividade (eficiência ou interpretação efetiva)


A Constituição de 1988 diz, claramente, que “as
“as normas definidoras dos direitos e garantias
fundamentais têm aplicação imediata”
imediata (§1º
1º do art. 5º). Isto não quer dizer que a dignidade
humana será sempre respeitada, que o detento não sofrerá nas prisões e que ninguém passará
fome. Sendo isto inconteste, a doutrina adotou o princípio da máxime efetividade, ao entender
que o § 1º deve ser entendido como uma norma principiológica, influenciando o intérprete a
atribuir aos direitos fundamentais um sentido que, em cada caso,
caso, tenha a maior efetividade
possível.. Este §1º não pode servir para a incorreta conclusão de que todos os direitos
fundamentais
entais têm eficácia plena, porque aplicabilidade imediata não se confunde com os graus de
eficácia, vistos oportunamente. Daí porque este princípio da máxima efetividade, para os direitos
fundamentais, significa que o intérprete e o aplicador deverá expandir
expandir o máximo possível estes
direitos, sempre que for possível.

7. Teorias monista e dualista


Estas duas teorias analisam a relação de ordenamentos jurídicos existentes no mundo.
Monismo é, segundo nossos dicionários, o “sistema
“sistema filosófico que, por oposição ao dualismo ou ao
pluralismo, admite que tudo, no Universo, é redutível a uma única realidade ou substância.”
substância. Esta
concepção, quando levada para o campo jurídico, entende que todos os ordenamentos jurídicos
do mundo são redutíveis a um só. A teoria monista,
monista, então, defende que tanto o Direito
Internacional quanto o Direito Interno de cada país constituem um só ordenamento jurídico, que é
a origem tanto das normas internacionais quanto das nacionais, daí porque os tratados
internacionais sobre direitos humanos
humanos não precisariam ser incorporados ao sistema jurídico
nacional, até porque “as
as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação
imediata”” (art. 5º, §1º). É o entendimento de Hans Kelsen, conforme se depreende do seguinte
trecho da “Teoria
Teoria Pura do Direito”: "Se esta norma, que fundamenta os ordenamentos jurídicos de
cada um dos Estados, é considerada como norma jurídica positiva - e é o caso, quando se concebe
o direito internacional como superior a ordenamentos jurídicos estatais únicos,
úni abrangendo esses

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ordenamentos de delegação - então a norma fundamental- no sentido específico aqui


desenvolvido, de norma não estabelecida, mas apenas pressuposta-
pressuposta não mais se pode falar em
ordenamentos jurídicos estatais únicos, mas apenas como base do direito internacional".
internacional"
O monismo ainda dá margem para uma cisão interna, quando envolve a questão da
hierarquia das normas: se há origem comum das normas nacionais e internacionais, como se dá
seu escalonamento? A primeira corrente entende que o Direito
Direito Interno tem supremacia, sendo o
Direito Internacional desdobramento lógico; a segunda corrente entende que o Direito
Internacional tem supremacia, daí porque o Direito Interno estará limitado pelas normas
internacionais, não podendo contrapô-las;
contrapô a terceira
ira corrente, moderada, entende ambos se
equivalem, e o eventual conflito deverá ser solucionado por critérios próprios, como o da
revogação da lei mais antiga pela mais recente. Daí porque o monismo não defende que é
impossível o conflito entre as normas nacionais (internas) e internacionais (externas).
A teoria dualista, por sua vez, separa claramente o ordenamento jurídico internacional do
nacional. O internacional (externo) seria a reunião dos tratados e das demais normas e critérios
que regulam o relacionamento
cionamento entre os países, e o nacional (interno) seria a reunião da
Constituição e das demais leis do país (os dois ordenamentos regulam realidades próprias e
distintas). Deste modo, a norma internacional só teria vigência no ordenamento nacional se este a
recepcionasse, por compatibilidade, e a ratificasse, não podendo valer sem tal ratificação. E se o
país descumprisse a norma internacional, não teria qualquer consequência interna, pois só
poderia sofrer consequências em nível internacional.
Portanto, independentemente do novo parágrafo 3º do art. 5º, a CF/88 adota a teoria
dualista,, até porque o acatamento dos tratados internacionais é ato jurídico complexo, já que
precisam de referendum do Congresso Nacional e promulgação pelo Presidente da República,
como vimos e como, aliás, entende o STF.
O que ocorre, nos dias atuais, é cada vez mais uma aproximação com o monismo, no
sentido de valorizar as normas internacionais, seja pelo estímulo para que os países adotem as
regras internacionais, seja pela elevação
elevação de status das normas internacionais, quando elas
entrarem no ordenamento nacional, como ocorreu com o §3º do art. 5º da nossa Constituição.
Inclua-se
se também os fenômenos da Internet, da Globalização, dos Blocos Econômicos, da
submissão ao Tribunal Penal
Penal Internacional, assim como a transformação da Europa por
mecanismos uníssonos de relacionamento jurídico, político e social, como ocorre com a União

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Europeia, ganhando força, neste ponto, a interpretação do art. 5º, §2º, da CF/88, no sentido de
que ali estaria
staria uma mensagem clara de recepção automática de outros direitos e garantias
decorrentes de tratados internacionais em que a República brasileira seja parte.
Outro ponto importante é que algumas normas internacionais são absorvidas
automaticamente pelo ordenamento jurídico interno dos países, inclusive no Brasil, como ocorre
com os costumes e princípios gerais, que não precisam da internalização por meio de aprovação
do Congresso, via Decreto-Legislativo,
Legislativo, e posteriormente o ato final do Presidente da República,
Re via
Decreto Presidencial. É que este procedimento de internalização é destinado para os tratados
internacionais, e não para as demais normas, como os costumes e os princípios gerais de direito,
que são tratados como fontes do Direito Internacional,
Internacional, da mesma forma que os tratados (esta
posição, inclusive, foi adotada pelo STF no RE 94.084, julgado em 12/03/1986). Lembre-se que o
Estatuto da Corte Internacional de Justiça diz, no seu art. 38, que são fontes do direito
internacional os tratados, os costumes
costumes e os princípios gerais de direito, e ainda faz referência à
jurisprudência e à doutrina como meios auxiliares na determinação das regras jurídicas, inclusive
com possibilidade de utilização da equidade.
Assim, via de regra, a norma internacional não tem autoridade para, imediatamente, ser
exigida no âmbito interno, mas os costumes e os princípios gerais seriam exceções, situação que
ratificaria a adoção, neste ponto, da teoria monista no Brasil.

Questões de concurso
03) Prova: FUMARC - 2011 - BDMG - Advogado
Leia as assertivas abaixo e coloque à frente de cada um dos parênteses (F) se FALSA e (V) se for
VERDADEIRA:
( ) Dois ordenamentos jurídicos distintos e totalmente independentes entre si – Dualismo.
( ) Uma ordem jurídica internacional e uma ordem jurídica interna – Monismo.
Monismo
( ) Impossibilidade de conflito entre Direito Internacional e o Interno – Monismo.
( ) O Direito Internacional
nal é que dirige a convivência entre os Estados, ao passo que o Direito
interno disciplina as relações entre os indivíduos e entre estes e o ente estatal – Dualismo.
Marque a alternativa CORRETA,
CORRETA na ordem de cima para baixo:
a) V – F – V – V.
b) V – F – F – V

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c) F – V – F – F.
d) F – V – V – F.

04) Prova: CESPE - 2012 - ANAC - Analista Administrativo - Área 3


No que concerne ao direito internacional público, julgue os itens a seguir.
De acordo com o dualismo, as normas de direito internacional e de direito interno existem
separadamente e não afetam umas às outras. No Brasil, a teoria adotada é o monismo, de acordo
com a qual há unidade do ordenamento jurídico, ora prevalecendo as normas de direito
internacional sobre as de direito interno, ora prevalecendo estas sobre aquelas.

8. Sistemas normativos global, regional, geral e específico de proteção dos direitos


humanos
Desde a aprovação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948, foram
desenvolvidos sistemas de proteção a tais direitos, especialmente internacionais. Por isso, já em
2010, o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais contava com 160 Estados-
Estados
artes; o Pacto
o Internacional dos Direitos Civis e Políticos contava com 165 Estados-partes;
Estados a
Convenção sobre a Eliminação da Discriminação Racial, com 173 Estados-partes;
Estados a Convenção
sobre a Eliminação da Discriminação contra a Mulher, com 186; e a Convenção sobre os Direitos
da Criança, com 193. “Formou
Formou-se,
se, então, um sistema global de proteção dos direitos humanos, no
âmbito das Nações Unidas. Esse sistema normativo, por sua vez, é integrado por instrumentos de
alcance geral (como os Pactos Internacionais de Direitos Civis e Políticos e de Direitos Econômicos,
Sociais e Culturais de 1966) e por instrumentos de alcance específico, como as Convenções
Internacionais que buscam responder a determinadas violações de direitos humanos, como a
tortura, a discriminação racial, a discriminação contra as mulheres, a violação dos direitos das
crianças, dentre outras formas de violação”
violação” (Flávia Piovesan, Temas de Direitos Humanos, pp.
48/49).
Portanto, o sistema global ora é geral (com abstração e generalidade, isto é, para todos
sem
m distinção), ora é especial (relacionado ao sujeito do direito e especificidade e concreticidade,
como criança, mulheres etc.), ambos complementares entre si, para integração, sempre na
perspectiva de maior proteção possível dos direitos humanos.

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O sistema
ma normativo regional de proteção “busca
“busca internacionalizar os direitos humanos no
plano regional, em especial na Europa, América e África. Consolida-se,
Consolida se, assim, a convivência do
sistema global – integrado pelos instrumentos das Nações Unidas como a Declaração
Declaraç Universal de
Direitos Humanos, o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, o Pacto Internacional dos
Direitos Econômicos, Sociais e Culturais e as demais Convenções internacionais – com instrumentos
do sistema regional, por sua vez integrados elos sistemas interamericano, europeu e africano de
proteção aos direitos humanos”
humanos (Piovesan, op. Cit., p. 49).
Veja, então, que os sistemas mundiais de proteção aos direitos humanos são: global
(considerando a universalidade territorial); regional (para determinadas regiões, em especial
Europa, América e África); geral (considerando que atinge todos os seres humanos,
indistintamente); especial (destinados para determinadas categorias de pessoas, normalmente
minoritárias, como deficientes, mulheres, crianças).
crianç
Como lembra Piovesan, o Brasil começou a ser relacionar efetivamente com tais sistemas
após o início da redemocratização, em 1985. O marco inicial deste processo de relacionamento se
deu com a ratificação, em 1989, da Convenção contra Tortura e outros Tratamentos Cruéis,
Desumanos ou Degradantes, iniciando inúmeros instrumentos internacionais,
internaciona de que são
exemplos:
a) Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura, de 20.07.1989 (aprovada
pelo CN via Decreto Legislativo 05, de 31.05.1989 e promulgado
promulgado pelo Presidente pelo
Decreto 98.386, de 09.12.1989);
b) Convenção contra a Tortura e Outros Tratamentos Cruéis, Desumanos ou Degradantes,
de 24.09.1989;
c) Convenção sobre os Direitos da Criança, de 24.09.1990;
d) pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, de 24.01.1992;
e) pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, de 24.01.1992;
f) Convenção Americana de Direitos Humanos, em 25.09.1992;
g) Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra
cont a Mulher,
em 27.11.1995;
h) Protocolo à Convenção Americana referente à Abolição da Pena de Mote, em
13.08.1996;

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i) Protocolo à Convenção Americana referente aos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais


(Protocolo de San Salvador), em 21 de agosto de 1996;
1
j) Convenção Interamericana para Eliminação de todas as formas de Discriminação contra
Pessoas Portadoras de Deficiência, em 15.08.2001;
k) Estatuto de Roma (TPI), de 20.06.2002;
l) Protocolo Facultativo à Convenção sobre eliminação de todas as formas
for de Discriminação
contra a Mulher, em 29.06.2002;
m) Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos da Criança sobre o Envolvimento
de Crianças em Conflitos Armados, de 27.01.2004;
n) Protocolo Facultativo à Convenção contra a Tortura, de 11.01.2007;
11.01.20
p) Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, de
01.08.2008;
q) Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos e segundo
Protocolo visando Abolição da penal de Morte, em 25.09.2009.
25.09.2009
Em 2009, como visto, a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência foi aprovada, inclusive na forma do art. 5º, §3º, da CF (aprovado pelo Congresso pelo
Decreto Legislativo 186, de 09.07.2008 e promulgado pelo Presidente pelo Decreto
De 6.949, de
25.08.2009).
A mesma Piovesan elenca inúmeros direitos que, embora não previstos no âmbito
nacional, encontram-se
se enunciados em tratados internacionais:
a) direito de toda pessoa a um nível de vida adequado para si próprio e sua família,
inclusive
clusive à alimentação, vestimenta e moradia, nos termos do art. 11 do Pacto Internacional dos
Direitos Econômicos, Sociais e Culturais;
b) proibição de qualquer propaganda em favor da guerra e proibição de qualquer apologia
ao ódio nacional, racial ou religioso,
religioso, que constitua incitamento à discriminação, á hostilidade ou á
violê4ncia, em conformidade com o art. 20 do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos e
art. 13 (5) da Convenção Americana;
c) direito das minorias étnicas, religiosas ou linguísticas de ter sua própria vida cultural,
professar e praticar sua própria religião e usar sua própria língua, nos termos do art. 27 do Pacto
Internacional dos Direitos Civis e Políticos e art. 30 da Convenção sobre os Direitos da Criança;

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d) proibição do restabelecimento da pena de morte nos Estados que a hajam abolido, de


acordo com o art. 4º (3) a Convenção Americana;
e) Possibilidade de adoção pelos Estados de medidas, no âmbito social, econômico e
cultural, que assegurem a adequada proteção de certos grupos raciais, no sentido de que a eles
seja garantido o pleno exercício dos direitos humanos e liberdades fundamentais, em
conformidade com o art. 1º (4) da Convenção sobre Eliminação de todas as formas de
Discriminação Racial;
f) possibilidade de adoção
adoção pelos Estados de medias temporárias e especiais que objetivem
acelerar a igualdade de fato entre homens e mulheres, nos termos do art. 4º da Convenção sobre
a Eliminação de todas as formas de Discriminação contra a mulher;
g) vedação da utilização de meios
meios destinados a obstar a comunicação e a circulação de
ideias e opiniões, nos termos do art. 13 da Convenção Americana;
h) direito ao duplo grau de jurisdição como garantia judicial mínima, nos termo dos arts. 8,
h, e 25, §1º, da Convenção Americana;
i)) direito de o acusado ser ouvido, nos temo do art. 8º, §1º, da Convenção Americana12;
j) direito de toda pessoa detida ou retida de ser julgada em prazo razoável ou ser posta em
liberdade, sem prejuízo de que prossiga o processo, nos termos do art. 7 (5) da Convenção
Americana;13
k) proibição da extradição ou expulsão de pessoa a outro Estado quando houver fundadas
razoes que poderá ser submetida à tortura ou a outro tratamento cruel, desumano ou
degradante, nos termos do art. 3º da Convenção contra a Tortura
Tortura e do art. 22, VIII, da Convenção
Americana.
Outro aspecto destacado pela autora citada, diz respeito ao preenchimento de lacunas
internas pelos tratados internacionais, cuja transcrição segue:
“O Direito Internacional dos Direitos Humanos ainda permite,
permite, em determinadas hipóteses,
o preenchimento de lacunas apresentadas pelo Direito brasileiro. A título de exemplo,
merece destaque decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal acerca da existência
jurídica do crime de tortura contra criança e adolescente,
adolescente, no HC 70.389-5
70.389 (São Paulo,

12
Atualmente, o art. 400 do CPP, com redação dada pela Lei 11719/08, obriga a ouvida do acusado ao final da
instrução.
13
A duração razoável do processo, como se sabe, foi incorporada na CF/88 pela EC 45/04 (art. 5º, LXXVIII). Antes desta
EC 45/04,
/04, como se vê, já existia esta garantia em norma supralegal.

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Tribunal Pleno, 23-6-1994,


1994, rel. Min. Disney Sanches, relator para o acórdão Min. Celso de
Mello),. Neste caso, o Supremo Tribunal Federal enfocou a norma constante do Estatuto da
Criança e do Adolescente que estabelece como crime
crime a prática de tortura contra criança e
adolescente (art. 233 do Estatuto). A polêmica se instaurou dado o fato de essa norma
consagra um ‘tipo penal aberto’, passível de complementação no que se refere à definição
dos diversos meios de execução do delito
delito de tortura. Nesse sentido, entendeu o Supremo
Tribunal Federal que os instrumentos internacionais de direitos humanos – em particular, a
Convenção de Nova York sobre os Direitos da Criança (1990), a Convenção contra a Tortura
adotada pela Assembleia Geral
Geral da ONU (1984), a Convenção Interamericana contra a
Tortura, concluída em Cartagena (1985), e a Convenção Americana sobre Direitos Humanos
(Pacto de São José da Costa Rica), formada no âmbito do OEA (1969) – permitem a
integração da norma penal em aberto, a partir do reforço do universo conceitual relativo ao
termo ‘tortura’. Note--se
se que apenas em 07 de abril de 1997 foi editada a Lei 9.455, que
define o crime de tortura.
Com esta decisão claramente demonstra, os instrumentos internacionais de direitos
humanos
anos podem integrar e complementar dispositivos normativos do Direito brasileiro,
permitindo o reforço de direitos nacionalmente previstos – no caso, o direito de não ser
submetido à tortura.”

9. O sistema interamericano de proteção dos direitos humanos


Compreender este sistema regional é importante para compreensão do próprio
ordenamento jurídico internacional, neste tema, e das possibilidades reais de proteção dos
direitos humanos.
A existência deste sistema regional14 parte do reconhecimento de que há uma
desigualdade social de consolidação da própria democracia nos Estados da região, em especial
pelas várias ditaduras que se instalaram na América do Sul nas décadas de 70 e 80 nestes países15,
com execuções, desaparecimentos, perseguições, prisões sem fundamento
fundamento e torturas.

14
Na verdade, existe no continente americano tanto o subsistema da OEA, baseado no Pacto Internacional dos
Direitos Civis e Políticos de 1966, quanto o subsistema que agora se trata, baseado na Convenção Americana de 1969.
Por isso, um país pode fazer parte do subsistema da OEA, como os EUA, mas não fazer parte do segundo, mas todo
Estado-parte
parte do subsistema criado pela Convenção Americana necessariamente integra o primeiro.
15
O próprio “neoconstitucionalismo”
titucionalismo” iniciou-se
iniciou se mais intensamente na Europa depois da 2ª Guerra Mundial e só
tardiamente chegou ao Brasil e na América Latina. Por isso, é comum a afirmação de que, enquanto o

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Neste contexto, a Convenção Americana de Direitos Humanos, de 1969 (Pacto


( de São José
da Costa Rica),
), trouxe grandes conquistas para a região, na defesa dos direitos humanos, entrando
em vigor em 1978,, após alcançar o mínimo de 11 ratificações.
ra Como se verá á frente, assegura
direitos civis e políticos, mesmo priorizando os chamados direitos fundamentais de 1ª geração
(vida, não escravidão, personalidade etc.), tanto é verdade que somente em 1988 houve
aprovação do protocolo adicional,
adicional, de San Salvador, para incluir os direitos sociais, culturais e
econômicos, omitidos originariamente.
Além de prever os direitos humanos, a Convenção Americana estabeleceu um aparado de
monitoramento, como é o caso da Comissão Interamericana de Direitos Humanos16, que fiscaliza
seus signatários, composta por 07 membros,
membros eleitos pela Assembleia Geral depois de
encaminhamento de listas pelos Estados,
Estados para mandatos de 04 anos, com apenas uma reeleição,
mas precisam ser nacionais de qualquer Estado da OEA e ainda
nda possuírem alta idoneidade moral e
reconhecido saber em matéria de direitos humanos (cada Estado pode propor até 03 nomes, e se
assim o fizer, deve constar na lista pelo menos um nome que não seja seu nacional).
nacional)
A principal missão é fazer recomendações aos governos, a respeito da proteção de direitos
humanos, mas também divulga estudos e relatórios, busca informações aos Estados mediante
solicitação e submete, anualmente, um relatório à Assembleia Geral da OEA,
OEA já que deve estimular
a consciência dos direitos
reitos humanos nos povos da América.
América Importante atribuição da Comissão
está no recebimento de denúncias encaminhadas por indivíduos, grupos de indivíduos ou

neoconstitucionalismo sempre valorizou a dimensão jurídica da Constituição


Constituição Federal, o novo constitucionalismo
democrático latino americano se preocupou mais com a legitimidade democrática e, assim, com mais mecanismos de
participação popular, inclusive em face de ditaduras e regimes militares ao longo da história recente: no n Brasil, de
1964 a 1985; na Argentina, de 1966 a 1973; no Peru, de 1968 a 1980; no Chile, de 1973 a 1990; no Uruguai, de 1973 a
1985; na Bolívia, de 1964 a 1982 etc.). Não foi por outro motivo que, em Viena, em 1993, após a Conferência Mundial
sobre Direitos
itos Humanos, ficou clara a relação entre democracia e direitos humanos: constou no item 8 da “Declaração
de Viena e Programa de Ação”, o seguinte: “A “A democracia, o desenvolvimento e o respeito aos direitos humanos e
liberdades fundamentais são conceitos interdependentes
interdependentes que se reforçam mutuamente. A democracia se baseia na
vontade livremente expressa pelo povo de determinar seus próprios sistemas políticos, econômicos, sociais e culturais
e em sua plena participação em todos os aspectos de suas vidas. NesseNesse contexto, a promoção e proteção dos direitos
humanos e liberdades fundamentais, em níveis nacional e internacional, devem ser universais e incondicionais. A
comunidade internacional deve apoiar o fortalecimento e a promoção de democracia e o desenvolvimento
desenvolvime e respeito
aos direitos humanos e liberdades fundamentais no mundo inteiro.”
inteiro
16
A Convenção Americana prevê, no art. 33, dois órgãos competentes para conhecer de assuntos relacionados ao
cumprimento dos compromissos assumidos pelos Estados-partes:
Estados a Comissão
issão Interamericana de Direitos Humanos
(com sede em San José da Costa Rica) e a Corte Interamericana de Direitos Humanos (com sede em Washington). A
Comissão Interamericana já existia desde 1959, com a função de receber e examinar as reclamações de indivíduos
indiv
contra violação de direitos humanos, mas foi ratificada somente com a Convenção, em 1969, depois que foram
superados os debates sobre a conveniência política ou não de ser criado um arcabouço institucional de supervisão no
continente. O modelo, portanto,
nto, é bifásico perante estes dois órgãos, que não são permanentes, na medida em que se
reúnem em períodos pré-determinados
determinados de sessões ao longo do ano.

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organizações não governamentais,


governamentais, mas a Comissão exige que, antes da denúncia ser conhecida,
tenha see esgotado no âmbito interno todas as possibilidades de recurso ou, pelo menos, que haja
uma infundada demora no andamento do processo, sem esquecer que a denúncia não terá
andamento se houver uma litispendência internacional (isto é, quando o mesmo caso esteja
e sendo
analisado por alguma instância internacional de proteção dos direitos humanos17). A Comissão
tem autoridade na medida em que os Estados, ao assinarem a Convenção, reconhecem
reconhece as
competências da Comissão e se compromete em auxiliá-la.
auxiliá
Importante regulação da Convenção se dá no âmbito da Corte Interamericana. É que, se o
caso não for resolvido no âmbito administrativo, depois da atuação da Comissão, haverá uma
litigiosidade naquela Corte. Não havendo possibilidade de acordo entre o requerente e o Estado,
E
no âmbito da Comissão, esta dará o prazo de 03 meses para solução do caso, de modo que,
diferentemente das Cortes Europeias de Direitos Humanos, o indivíduo não tem o direito de
acessar diretamente a Corte Interamericana, porque necessariamente deve passar pela Comissão,
que tem a missão de iniciar o processo (início do processo na Corte pela Comissão ou pelo Estado-
Estado
parte envolvido)18.
A Corte, então, é o órgão jurisdicional do sistema regional, composta por 7 (sete) juízes
eleitos pelos Estados partes
es da Convenção, pelo período de 6 (seis)) anos, com uma única
reeleição, nacionais de países membros da OEA19, com quórum sempre constituído no mínimo por
5 (cinco) juízes e participação da Comissão em todos os casos.
casos Tanto
anto os juízes da Corte quanto os
17
O art. 46 da Convenção diz que a petição ou comunicação será admitida se: a) forem i interpostos e esgotados
esg os
recursos da jurisdição interna, de acordo com os princípios de Direito Internacional geralmente reconhecidos, além da
apresentação no prazo de seis meses, a partir da data em que o presumido prejudicado tenha sido notificado da
decisão definitiva (salvo se na legislação interna do Estado não existir o devido processo legal para proteção, ou não
tiver oportunidade de exercer direito aos recursos ou ficar impedido de esgotá-los
esgotá los ou, ainda, houver demora
injustificada na decisão dos recursos); b) a matéria
matéria da petição ou comunicação não esteja pendente de outro processo
de solução internacional; e c) a petição contiver o nome, a nacionalidade, a profissão, o domicílio e a assinatura da
pessoa ou pessoas ou do representante legal da entidade que submeter a petição. A petição também precisa expor os
fatos que caracterizam violação à Convenção e não repetir outra petição ou comunicação anterior à Comissão ou a
outro organismo internacional. O processo e seu andamento, perante a Comissão, estão previstos nos arts. 48/51 da
Convenção.
18
O art. 51-1,
1, da Convenção Americana, diz que, se no prazo de 03 meses o assunto não for solucionado ou ainda não
tiver sido submetido à Corte (submissão que se dá tanto pela Comissão quanto pelo Estado envolvido), a Comissão
poderá
derá emitir, pelo voto da maioria absoluta dos seus membros, sua opinião e conclusões sobre a questão. O art. 61-61
1, por sua vez, diz que “Somente
Somente os Estados-partes
Estados partes e a Comissão têm direito de submeter um caso à decisão da Corte”.
Corte
19
Se o Juiz for originário de um Estado que esteja envolvido em uma lide na Corte, não estará impedido ou suspeito,
continuando com o direito de conhecer o caso. Porém, se houver mais de um Estado-parte
Estado parte envolvido na demanda, e
apenas um deles tiver um juiz de sua origem, o outro Estado
Estado que não tem juiz poderá designar outra pessoa de sua
escolha para fazer parte da Corte na condição de juiz “ad hoc”. Por outro lado, se a demanda envolver Estados-partes
Estados
que não tenham juízes de suas nacionalidades, cada um poderá designar juízes “ad hoc”, sempre com os requisitos
pertinentes aos demais (art. 55, 1, 2 e 3, da Convenção).

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membros
ros da Comissão terão imunidades reconhecidas aos agentes diplomáticos desde o
momento da eleição e enquanto durar o mandato,
mandato, além de possuírem ampla proteção quanto aos
votos e opiniões emitidos no exercício de suas funções (não pode haver responsabilidade
responsabilidad dos
mesmos), e perceberão honorários e despesas de viagem na forma e nas condições que
determinarem os seus estatutos, “levando
“levando em conta a importância e a independência de suas
funções”” (art. 72 da Convenção).
Convenção). Os membros da Comissão poderão ser punidos,
punidos conforme o caso,
pela Assembleia Geral da Organização,
Organização, nos casos previstos nos respectivos estatutos, via resolução
decidida por dois terços dos votos dos Estados membros da Organização, e os juízes da Corte
também poderão ser punidos, mas por dois terços dos votos dos Estados Pares na Convenção (art.
73).
em competência consultiva e contenciosa: a consultiva
A Corte tem onsultiva diz respeito à
interpretação das disposições da Convenção Americana e contenciosa diz respeito à solução de
conflitos acerca da interpretação da Convenção. Interessante anotar que qualquer membro da
OEA, mesmo não sendo signatário da Convenção Americana, pode pedir à Corte pareceres
consultivos em relação à proteção dos direitos humanos nos Estados americanos e, neste caso,
pode emitir opiniões sobre a compatibilidade entre a legislação interna do Estado com os
instrumentos internacionais,, nos termos do art. 64-2
64 ( “controle
controle de convencionalidade das leis”).
leis
No entanto, a função contenciosa da Corte Interamericana não recai sobre países que não
fazem parte da Convenção: sua competência contenciosa, então, se limita aos Estados-partes
Estados que
reconheçam a sua jurisdição. Esta competência contenciosa é iniciada pela Comissão, que faz um
papel importante de filtragem e ainda impedindo, como se viu, que o indivíduo tenha acesso
direto à Corte20. A Corte não substitui os tribunais interno dos países, e nem serve de instância
recursal: sua missão é conferir conformidade das obrigações internacionais dos Estados
signatários, em matéria de direitos humanos, muito
muito embora sua decisão tenha caráter vinculante
e de cumprimento imediato por todos eles.

20
Uma das principais críticas à Corte Interamericana é justamente este impedimento para o indivíduo iniciar sua
jurisdição, ao contrário do que ocorre nas Corte Europeias.
Europeias. Por isso mesmo, a partir de 1996, houve inovação trazida
pelo III Regulamento da Corte Interamericana de Direitos Humanos, porque ampliou a possibilidade de participação
do indivíduo no processo: é que agora a vítima passou a ser autorizada, por meio de representantes e familiares, a
fazer alegações de forma autônoma, inclusive apresentar provas, durante a etapa de discussão sobre as reparações
devidas. Também com as alterações produzidas pelo IV Regulamento, é possível que as vítimas, seus representantes
representan e
familiares não só ofereçam suas próprias peças de argumentação e provas em todas as etapas do procedimento,
como também podem fazer uso da palavra durante as audiências públicas celebradas, acabando por ratificar a
condição de parte no desenvolvimento
desenvolviment do processo, mesmo sem poder para iniciá-lo.

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O Brasil passou a ter atuação efetiva no sistema interamericano de direitos humanos a


partir de 10 de dezembro 1998, ano do cinquentenário da Declaração Universal dos
do Direitos
Humanos, quando reconheceu a jurisdição obrigatória da Corte Interamericana. Lembre-se
Lembre que,
naa década de 80, com o fim do governo militar e especialmente com o arrefecimento da Guerra
Fria, o Brasil intensificou seu comprometimento com a proteção
proteção dos direitos humanos. Porém, a
ratificação da Convenção Americana só ocorreu em 1992, depois da Constituição de 1988 e a
elevação da prevalência dos direitos humanos como princípio da relação internacional (Art. 4º da
CF/88). A defesa do Estado brasileiro,
brasileiro, então, passou a ser uma grande necessidade, em especial
diante do aumento significativo de casos perante a Comissão e da maior estruturação das
organizações não-governamentais
governamentais,, ficando a cargo, tal tarefa, à Advocacia-Geral
Advocacia da União, junto
com o Ministério
ério das Relações Exteriores e a Secretaria Especial dos Direitos Humanos.
Humanos
A República Federativa do Brasil já se envolveu em alguns casos perante a Corte
Interamericana, dos quais21 merecem destaques os seguintes:
seguintes
a) Irene Ximenes Lopes Miranda vs. Brasil.
Brasil
Neste caso, a Corte condenou o Estado brasileiro em 2006, em U$ 130.000,00, por violação
do direito à integridade pessoal, à vida, à proteção judicial e às garantias judiciais, por conta do
tratamento desumano e degradante a Damião Ximenes Lopes, doente mental, que veio a óbito em
1999 na Casa de Repouso Guararapes de Sobral/CE, instituição privada integrante do SUS,
atualmente desativada pelo Governo estadual (ficou comprovado que, depois de 4 dias da
internação, o mesmo havia falecido com várias marcas de tortura). A irmã de Damião Ximenes,
Irene Ximenes, junto com a ONG Justiça Global, acionaram a Comissão de Direitos Humanos da
Assembleia Legislativa do Ceará,
Ceará, ocasião em que foi encaminhada para a Comissão
Interamericana. O Estado brasileiro reconheceu o pedido quanto à violação do direito à vida e à
integridade pessoal, assim como os fatos relacionados à morte de Damião Ximenes, os maus

21
De 1998 até 2009 foram mais de 507 demandas apresentadas na Comissão Interamericana, envolvendo o Brasil, das
quais 29 foram admitidas, inclusive com várias recomendações ao Brasil pela Comissão (O Estado de São Paulo, de
10.08.09, p. A6). Vide GOMES, Luiz Flávio. Aumenta procura por corte internacional: 507 demandas.
demandas Jus Navigandi,
Teresina, ano 14, n. 2262, 10 set. 2009.
2009 Disponível em: http://jus.com.br/artigos/13476.. Acesso em: 2 fev. 2014. Veja,
por exemplo, a medida cautelar 383/2010 (MC-382-10)
(MC 10) emitida pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos,
depois de acatar pedido do Movimento
Movimento Xingu Vivo Para Sempre, solicitando ao governo brasileiro que suspendesse as
obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, para que não se efetivasse risco de dano irreparável às comunidades
atingidas. O governo brasileiro emitiu a Nota 142/2011, pelo Ministério
Ministério das Relações Exteriores, argumentando que a
medida cautelar era injustificável e precipitada. Esta Comissão acabou acatando pedido do Brasil e revogou a medida
cautelar, passando apenas a recomendar proteção da vida, saúde, cultura e integridade dos membros das
comunidades indígenas, se resguardando para análise do mérito final.

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tratos e a falta de prevenção, mas não reconheceu os pedidos específicos de reparação,


reparação até
porque tentara conciliação oferecendo pensão vitalícia à mãe da vítima, proposta recusada.
recusada Ficou
comprovado que estava em trâmite, por mais de seis anos, ação civil de reparação de danos
promovida pelos familiares da vítima, além da ação penal contra os acusados da sua morte (na
condenação
ndenação do Estado brasileiro, em 2006, as ações ainda não haviam sido julgadas, mesmo com
a morte em 1999). Este caso foi paradigmático, especialmente para ratificar a proteção
internacional dos direitos humanos, em particular dos pacientes psiquiátricos (a Corte nunca tinha
julgado violação de direitos humanos de deficiente mental). Em 14 de agosto de 2007, decreto do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi publicado, com autorização para que a Secretaria Especial
dos Direitos Humanos da Presidência (SEDH)
(SEDH) pagasse a indenização em torno de R$ 250.000,00
aos familiares da vítima.

b) Nogueira de Carvalh
ho e outro vs. Brasil.
Em 13.01.2005, a Comissão Interamericana submeteu à Corte Interamericana a demanda
contra a República Federativa do Brasil, depois de quase 08 anos da denúncia, datada de
11.12.1997. O advogado Gilson Nogueira de Carvalho havia sido assassinado em 20.10.1996, e era
defensor dos direitos humanos (fazia denúncia contra grupo de extermínio no Rio Grande do
Norte supostamente integrado por policiais,, e recebia constantes ameaças de morte, tendo por
isso recebido proteção policial do Ministério da Justiça por mais de um ano).
ano Assim, a Comissão
solicitou à Corte pronunciamento sobre o episódio, em especial violações ocorridas após
10.12.1998 (data
data em que o Brasil reconheceu a jurisdição obrigatória da Corte),
Corte) no sentido de
ausência de diligências na investigação do crime e punição dos responsáveis,
responsáveis e também para
adoção de determinadas medidas e reparação. O Inquérito Policial havia sido arquivado
arquiva por
decisão da 1ª Vara da Comarca de Macaíba/RN, e chegou a ser reaberto em 1998 em face de
investigação particular realizada por particular, quando então houve indiciamento de policial civil
aposentado, porém sem condenação criminal. Assim, depois de esgotar
e os recursos no
ordenamento jurídico interno, os pais da vítima, por meio da ONG Justiça Global, levaram o caso à
Comissão Interamericana. Porém, a Corte, suscitada pela Comissão, absolveu o Brasil e
determinou, à unanimidade, arquivar o expediente em
em virtude do “limitado suporte fático”
(questão que incrementou a ausência de provas foi o fato de que a Corte julgou apenas eventuais
violações do Brasil para com os pais da vítima, ocorridas depois de 10.12.1998). Importante

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observar que, neste


este caso, o Brasil
Brasil havia apresentado exceção de incompetência da Corte para
conhecer o caso, porque havia ocorrido antes do reconhecimento da sua jurisdição obrigatória
pelo Brasil, e também porque não teriam sido esgotados os recursos internos. A Corte, nestes
pontos, reconheceu sua competência para conhecer de violações que teriam ocorrido
posteriormente, por serem contínuas ou permanentes, mesmo sobre fato ocorrido antes de
10.12.1998 e, em relação ao esgotamento dos recursos, enfatizou que não procede porque
caberia ao Brasil demonstrar quais recursos deveriam ter sido esgotados e que os mesmos seriam
adequados e eficazes, o que não ocorreu.
ocorreu

c) Escher e outros vs. Brasil.


Brasil
Em 20.12.2007, a Comissão Interamericana submeteu à Corte Interamericana uma
demanda originada em 26.12.2000 pelas organizações Rede nacional de Advogados Populares e
Justiça Global em nome dos membros das organizações Cooperativa Agrícola de Conciliação
Avante Ltda. e Associação Comunitária de Trabalhadores Rurais, porque teriam ocorrido
interceptações
ações telefônicas e monitoramento ilegais no ano de 1999 pela Polícia Militar do Paraná,
divulgação das conversas telefônicas e ausência de justiça e reparação adequadas, o que violaria
as garantias judiciais, a proteção à honra, a liberdade de associação e a proteção judicial previstas
na Convenção Americana.. Neste caso, o Brasil alegou preliminarmente:
preliminarmente: a) o descumprimento dos
prazos pelos representantes (rejeitado, por não constituir tema de exceção);
exceção) b) a impossibilidade
de alegar violações no decorrer do
d procedimento (rejeitado,
rejeitado, por não ser a conduta contrária às
disposições da Convenção Americana, além de verificar que o Brasil teve oportunidade de se
manifestar e se defender);; c) a falta de esgotamento dos recursos judiciais (o Brasil alegou que os
representantes
resentantes impetraram mandado de segurança, quando deveria ter impetrado “habeas
corpus”, sendo ainda possível ação ordinária para declarar a ilegalidade da prova e destruição,
mas não o fizeram, e ainda que a ação penal, com as gravações telefônicas, tramitou
tra dentro do
devido processo legal, inclusive com declaração de legalidade das condutas policias e das
interceptações à vista das autorizações judiciais, mas houve rejeição porque os recursos internos
não seriam efetivos porque a interceptação e a divulgação
divulgação da conversa já haviam ocorrido);
ocorrido) d)
inexistência de prévia ação penal devidamente julgada e processada (o TJ/PR havia determinado
arquivamento da representação contra os policiais militares e contra a juíza que autorizou a
interceptação, e determinou o recebimento e processamento contra o Secretário de Segurança

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Pública, que havia divulgado, mas o Secretário foi absolvido, de modo que a Corte Interamericana
estava sendo usada como uma “quarta instância”, o que foi rejeitado porque a Corte não faz papel
pape
de quarta instância, mas apenas analisa se os procedimentos e casos internos se adequam ou não
à Convenção Americana,, daí porque a preliminar foi rejeitada porque não seria exceção
preliminar, para ser julgada no mérito). Existiram outras preliminares, mas
m o importante deste
caso é que a Corte Interamericana deixou claro que não é uma “quarta instância”, e condenou o
Brasil por ter violado o direito à vida privada, à honra e à reputação (previstos no art.11 da
Convenção), em prejuízo a Arlei José Escher, Dalton Luciano de Vargas, Delfino José Becker, Pedro
Alves Cabral e Celso Aghinoni, pela interceptação, gravação e divulgação das suas conversas
telefônicas, além da violação da liberdade de associação e das garantias judiciais e proteção
judicial, muito embora
mbora não tenha condenado pela violação de proteções judiciais (condenou o
Brasil em reparação por danos imateriais, estimados em US$ 20.000,00 para cada vítima, a ser
paga no prazo de um ano,, além de publicação no Diário Oficial, em jornal de ampla circulação
circul
nacional e em jornal de circulação no Paraná, de determinadas partes da sentença, investigação
dos fatos e restituição de aproximadamente US$ 10.000,00 pelas custas e gastos).
gastos)

d) Garibaldi vs. Brasil.


Neste caso, a Comissão submeteu à Corte a demanda
demanda contra o Brasil, originada de petição
de 06.05.2003 apresentada pelas organizações Justiça Global, Rede nacional de Advogados e
Advogadas Populares (RENAP) e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em nome
de Sétimo Garibaldi e seus familiares.
familiares. A demanda envolvia responsabilidade do Estado brasileiro
pelo descumprimento da obrigação de investigar e punir o homicídio de Sétimo Garibaldi, ocorrido
em 27.11.1998 durante uma operação extrajudicial de despejo das famílias de trabalhadores sem
terra, que ocupavam uma fazenda no Município de Querência do Norte/PR, violando as garantias
judiciais do art.8º, as proteções judiciais do art. 25,
25, com relação à obrigação geral de respeito e
garantia dos direitos humanos e ao dever de adotar medidas legislativas
legislativas e de outro caráter no
âmbito interno (arts. 1.1 e 2 da Convenção) e outros. O crime ocorreu em 1998, quando vinte
pistoleiros entraram em um acampamento do MST na Fazenda São Francisco, afirmando serem
policiais, para fins de despejo de todos, quando Garibaldi
Garibaldi foi ferido na perna e, sem atendimento,
veio a óbito. Um ano depois, o caso foi arquivado perante o Judiciário brasileiro. A Corte declarou
a violação, pelo Estado brasileiro, dos direitos às garantias judiciais e à proteção judicial

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reconhecidos nos
os artigos 8.1 e 25.1 da Convenção Americana, em relação com o artigo 1.1 da
mesma, em prejuízo de Iracema Garibaldi, Darsônia Garibaldi, Vanderlei Garibaldi, Fernando
Garibaldi, Itamar Garibaldi, Itacir Garibaldi e Alexandre Garibaldi,
Garibaldi, além do descumprimento
descumprime da
cláusula federal do art. 2822 da Convenção, e por isso determinou: a) reparação, visando
publicação no Diário Oficial, em jornal de ampla circulação nacional e em jornal de ampla
circulação no Estado do Paraná, a página de rosto, a parte resolutiva da
da sentença, e sua íntegra,
por no mínimo um ano, em página web oficial da União e do Estado do Paraná; b) obrigação do
Estado em conduzir eficazmente e dentro de um prazo razoável o Inquérito e qualquer processo
que for aberto,, para identificar, julgar e eventualmente
eventualmente sancionar os autores da morte de
Garibaldi, além de faltas funcionais de funcionários públicos; e) pagar,
pagar, no prazo de um ano, o valor
de US$23 1.000,00 para Iracema Garibaldi, a título de reposição de gastos de transporte e gestões
pessoais em virtude do tema, mais US$ 8.000,00 a título de reposição de gastos e custas, além de
US$ 50.000,00 em favor de Iracema Garibaldi e US$ 20.000,00 em favor de cada uma das
seguintes vítimas: Darsônia Garibaldi, Vanderlei Garibaldi, Fernando Garibaldi, Itamar Garibaldi,
Itacir Garibaldi e Alexandre Garibaldi, a título de indenização.
indenização O Decreto Presidencial 7.307, de 22
de setembro de 2010, autorizou a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência a dar
cumprimento à referida sentença, inclusive
inc para fins de indenização;

e) Gomes Lund e outros vs. Brasi (“Caso Guerrilha do Araguaia”).


A Corte Interamericana, neste caso, apresentado pela Comissão em 26.03.2009, condenou
o Brasil a fazer a investigação penal da operação empreendida pelo Exército brasileiro entre 1972
e 1975 para erradicar
radicar a Guerrilha do Araguaia, inclusive para esclarecer, determinar as
responsabilidades penais e aplicar as sanções previstas em lei pela detenção arbitrária, tortura e
desaparecimento forçado de 70 pessoas, especialmente membros do Partido Comunista do Brasil

22
“Artigo 28. Cláusula federal. 1. Quando se tratar de um Estado Parte constituído como Estado federal, o governo
nacional do aludido Estado Parte cumprirá todas as disposições
disposições da presente Convenção, relacionadas com as matérias
sobre as quais exerce competência legislativa e judicial. 2. No tocante às disposições relativas às matérias que
correspondem à competência das entidades componentes da federação, o governo nacional deve de tomar
imediatamente as medidas pertinente, em conformidade com sua constituição e suas leis, a fim de que as autoridades
competentes das referidas entidades possam adotar as disposições cabíveis para o cumprimento desta Convenção. 3.
Quando dois ou mais Estados Partes decidirem constituir entre eles uma federação ou outro tipo de associação,
diligenciarão no sentido de que o pacto comunitário respectivo contenha as disposições necessárias para que
continuem sendo efetivas no novo Estado assim organizado as normas da presente Convenção.”
Convenção
23
Apesar da condenação em dólares, a Lei 10.192/2001 determina que os valores devam ser convertidos em real,
calculados com o câmbio vigente na bolsa de Nova Iorque no dia anterior ao pagamento.

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e camponeses da região (declarou também o Estado brasileiro como responsável pelo


desaparecimento forçado e pela violação dos direitos ao reconhecimento da personalidade
jurídica, à vida, à integridade pessoal e à liberdade pessoal,
pessoal, além de descumprimento da obrigação
de adequar seu direito interno à Convenção etc.).. A demanda havia sido apresentada na Comissão
Interamericana em agosto de 1995 pelo Centro pela Justiça e o Direito Internacional (CEJIL) e pela
ONG Human Rights Watch/Americas,
ch/Americas, em nome das pessoas desaparecidas e seus familiares. Este
caso foi emblemático porque a Corte considerou que as disposições daa Lei de Anistia brasileira (Lei
6.683, de 28 de agosto de 197924), que impedem a investigação e sanção das violações de
d direitos
humanos no período,, são incompatíveis com a Convenção Americana, não têm validade jurídica e
não podem representar obstáculo para investigação dos fatos, identificação e punição dos
responsáveis.. Acontece, porém, que o STF,
STF em 28.04.2010, julgou improcedente a ADPF 153,
proposta pela OAB contra a Lei da Anistia25, e considerou que esta Lei não foi revogada pela
Constituição de 1988, porque o Judiciário não poderia rever acordo político que, na transição do
regime militar para a democracia, resultou
resultou na anistia de todos aqueles que cometeram crimes
políticos e conexos a eles, entre 02 de setembro de 1961 a 15 de agosto de 197926. Permanece,
então, a dúvida sobre a necessidade ou não de cumprimento da decisão da Corte Interamericana,
até porque foi proferida
ferida em data posterior ao julgamento da ADPF, sem esquecer que um dos
argumentos de defesa do Estado brasileiro foi justamente o julgamento da ADPF pelo STF27. Por
isso, o cumprimento da decisão da Corte Interamericana pode significar desrespeito ao STF, mas o

24
Art. 1º da Lei de Anistia: “ÉÉ concedida anistia a todos quantos, no período compreendido entre 02 de setembro de
1961 e 15 de agosto de 1979, cometeram crimes políticos ou conexo com estes, crimes eleitorais, aos que tiveram seus
direitos políticos suspensos e aos servidores da Administração
Administração Direta e Indireta, de fundações vinculadas ao poder
público, aos Servidores dos Poderes Legislativo e Judiciário, aos Militares e aos dirigentes e representantes sindicais,
punidos com fundamento em Atos Institucionais e Complementares. § 1º - Consideram--se conexos, para efeito deste
artigo, os crimes de qualquer natureza relacionados com crimes políticos ou praticados por motivação política. § 2º -
Excetuam-se se dos benefícios da anistia os que foram condenados pela prática de crimes de terrorismo,
terrorism assalto,
sequestro e atentado pessoal.”
25
A OAB pedia ao STF, entre outros, uma interpretação conforme, para que a anistia concedida pela lei não se
estenderia aos crimes comuns praticados pelos agentes da repressão contra opositores políticos, durante o regime
militar.
26
O Ministro Cezar Peluzo, na presidência do STF, afirmou na sessão de julgamento da ADPF 153 que: “Só “ o homem
perdoa, só uma sociedade superior qualificada pela consciência dos mais elevados sentimentos de humanidade é
capaz de perdoar. Porque só uma sociedade que, por ter grandeza, é maior do que os seus inimigos é capaz de
sobreviver.”
27
O julgamento da ADPF foi em abril de 2010, e o julgamento do Caso Ximenes pela Corte Interamericana foi em maio
de 2010.

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descumprimento pode trazer prejuízos diplomáticos e políticos ao Brasil, inclusive exclusão do


sistema interamericano de proteção de direitos humanos28.

Questões de concursos
05)DPU 2010 - CESPE - Defensor Público da União
No que concerne ao sistema interamericano de direitos humanos, julgue os itens que se seguem.
Embora sem competência contenciosa, de caráter jurisdicional, a Corte Interamericana de Direitos
Humanos tem competência consultiva, relativa à interpretação das disposições da Convenção
Americana
mericana e das disposições de tratados concernentes à proteção dos direitos humanos.
Errado
MPT - Procurador do Trabalho - 2007) Quanto ao sistema interamericano de proteção dos direitos
humanos, analise as assertivas abaixo:
I. - No âmbito da Organização dos Estados Americanos, ao contrário do que ocorre no da ONU, só
há um Pacto de Direitos Humanos, que trata dos Direitos Civis e Políticos, o Pacto de São José da
Costa Rica, não havendo um pacto de direitos sociais, econômicos e culturais.
II. - O Pacto dee São José da Costa Rica restringe a prisão civil por dívidas ao devedor de alimentos.
III. - O Pacto de São José da Costa Rica proíbe todo tipo de trabalho forçado ou obrigatório,
inclusive ao presidiário.
IV. - O Pacto de São José da Costa Rica consagra o duplo grau de jurisdição ao garantir o direito de
recorrer de sentença a juiz ou tribunal.
Assinale a alternativa CORRETA

a) apenas os itens III. e IV. são corretos;


b) apenas os itens I e II são corretos;
c) apenas os itens I e IV são corretos;
d) apenas
as os itens II e IV são corretos;

28
Várias possibilidades estão sendo consideradas, inclusive para aumentar o diálogo do STF com a Corte
Interamericana, para compatibilizar as decisões, regulamentação legal do cumprimento das decisões desta,
manutenção em separado e sem comunicação dos dois sistemas (interno e internacional),
internac com autonomia das
decisões etc. O fato é que a divergência ainda permanece, mas na prática é a decisão do STF que vem prevalecendo.
De toda forma, o STF ainda não julgou embargos declaratórios interpostos pela OAB, na ADPF 153, ainda não julgados.

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e) NRA.

06) SEAD-AP, FMZ - Agente Penitenciário - 2010) A Declaração Americana dos Direitos e Deveres
do Homem, também conhecido como Pacto de San Jose da Costa Rica, estabelece que
a) os direitos essenciais do homem derivam
derivam do fato de ele ser nacional de um determinado Estado
e, por isso, merecem proteção no âmbito interno de cada país respectivamente
b) os Estados-Partes,
Partes, signatários da Convenção, obrigam-se
obrigam se a respeitar os direitos e liberdades
nela reconhecidos e a garantir
antir seu livre e pleno exercício, sem discriminação alguma, aos seus
cidadãos nacionais.
c) os países que ainda não aboliram a pena de morte somente poderão impô-la
impô aos delitos mais
graves, tais como os crimes políticos, em cumprimento de sentença final de
d tribunal competente
d) toda pessoa tem direito a ser indenizada por erro judiciário, no caso de haver sido condenada
em sentença passada em julgado, conforme a lei estabelecer.
e) toda pessoa que for acusada de um delito tem direito a que se presuma sua inocência enquanto
não se comprove legalmente sua culpa, mas, quando o delito em questão disser respeito à
segurança nacional, a acusação formulada permanecerá sob sigilo, tendo acesso a ela apenas o
Ministério Público

07) PC-RN, Cespe - Delegado - 2009)) De acordo com a Convenção Americana sobre Direitos
Humanos, assinale a opção incorreta
a) Os processados devem ficar separados dos condenados, salvo em circunstâncias excepcionais, e
submetem-se
se a tratamento adequado à sua condição de pessoas não-condena
não condenadas
b) Toda pessoa detida ou retida deve ser conduzida, sem demora, à presença de um juiz ou de
outra autoridade autorizada pela lei a exercer funções judiciais e tem direito a ser julgada dentro
de prazo razoável ou a ser posta em liberdade, sem prejuízo de que prossiga o processo. A sua
liberdade pode ser condicionada a garantias que asseverem o seu comparecimento em juízo
c) A liberdade de manifestar a própria religião e as próprias crenças está sujeita tão-somente
tão às
limitações prescritas pela lei, e que
que sejam necessárias para proteger a segurança, a ordem, a saúde
ou a moral públicas ou os direitos ou as liberdades das demais pessoas

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Direitos Humanos
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d) Toda pessoa atingida por informações inexatas ou ofensivas emitidas em seu prejuízo por meios
de difusão legalmente regulamentados
gulamentados e que se dirijam ao público em geral tem direito a fazer,
pelo mesmo órgão de difusão, sua retificação ou sua resposta, nas condições estabelecidas pela
lei.
e) Constituem trabalhos forçados os trabalhos ou os serviços normalmente exigidos de pessoa
reclusa para cumprimento de sentença

10. Direitos Humanos


umanos das minorias
O termo minoria refere-se
refere se aos grupos humanos ou sociais que estejam em inferioridade
numérica, ou ainda estejam subordinados política, social, cultural ou economicamente em relação
rel
a outro grupo, que é majoritário ou dominante em determinadas sociedades. A minoria, então,
pode ser étnica, física ou psíquica,
síquica, religiosa, linguística, de gênero ou de idade.
A história da humanidade revela que as minorias foram as principais vítimas de
perseguições, desrespeito aos direitos básicos e, portanto, com grande perigo de que os direitos
humanos sofram atentados significativos em relação a tais grupos.
grupos. Como se vê dos tratados
internacionais, há uma preocupação maior com as mulheres, idosos, deficientes, presos, crianças
que, ora são mais vulneráveis, ora são minorias. O próprio conceito de Democracia, hoje em dia,
está envolvido na proteção das minorias
minorias (se antes Democracia significava apenas a
preponderânciaa da vontade da maioria, hoje não se pode aceitar que um regime político é
democrático se não põe a salvo o direito das minorias, justamente porque a história produziu a
preocupação mundial de massacre
mass de minorias pelas maiorias).
Este o motivo dos tratados internacionais citados, que tentam manter direitos básicos para
as minorias dos Estados,, de proteção à mulher, à criança, ao deficiente, em especial a Convenção
Internacional sobre a Eliminação de
de Todas as Formas de Discriminação Racial, de 1966,
196 aprovado
pelo Decreto Legislativo 23, de 21.06.1967, e promulgado internamente pelo Decreto 65.810, de
08 de dezembro de 1969.
Internamente, também os Estados se preocupam com as minorias, e isto é um respeito
re ao
espírito dos direitos humanos. O Brasil, por exemplo, é pródigo na proteção das minorias,

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especialmente no âmbito normativo. Veja algumas leis que, de forma direta ou indireta, acabam
tentando proteger minorias ou têm um viés protetivo dos direitos
direitos humanos:
a) Lei 10.048,, de 08 de novembro de 2000: prioridade
p de atendimento
a às pessoas
portadoras de deficiência, idosos (com idade igual ou superior a 60 anos), gestantes, lactantes e
acompanhadas com crianças de colo;
colo
b) Lei 9.455, de 07 de abril de 1997: define os crimes de tortura e dá outras providências;
c) Lei 4.898, de 09 de dezembro de 1965: regula o direito de representação e o processo de
responsabilidade administrativa, civil e penal, nos casos de abuso de autoridade;
d) Lei 9.807, dee 13 de Julho de 1999: estabelece normas para
p a organização e a
manutenção de programas especiais
speciais de proteção a vítimas e a testemunhas
estemunhas ameaçadas;
e) Lei 10.741, de 1º de outubro de 2003: dispõe sobre o Estatuto do Idoso e dá outras
providências;
f) Lei 11.340, de 07 de agosto de 2006: Lei Maria da Penha, que cria mecanismos para
coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher29;
g) Lei 8.069, de 13 de julho de 1990: dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e
dá outras providências;
h) Lei 12.852, de 05 de agosto de 2013: institui o Estatuto da Juventude;
i) Lei 12.711, de 29 de agosto de 2012: dispõe sobre cotas nas universidades federais e nas
instituições federais de ensino técnico de nível médio,
médio, regulamentado pelo Decreto 7.824, de 11
de outubro de 2012;
j) Lei 7.853, de 24 de outubro de 1989: dispõe sobre o apoio às pessoas portadoras de
deficiência e sua integração social, e dá outras providências,
providências, regulamentada, esta parte, pelo
Decreto 3.298/99;
l) Lei 9.504,
504, de 20 de setembro de 1997: estabelece
estabelece normas para as eleições, e no ar. 10,
§3º, com redação dada pela Lei 12.034/09, impõe que cada partido ou coligação preencha o
mínimo de 30% para candidatas do sexo feminino;
feminino

29
Esta Lei foi declarada constitucional pelo STF na ADI 4424, inclusive para declarar a possibilidade do “Parquet” dar
início a ação penal sem necessidade de representação da vítima. Neste caso, declarou inconstitucional o art. 16 da Lei,
ao dispor que as ações penais estavam condicionadas à representação da ofendida, justamente porque esvaziava a
proteção constitucional assegurada às mulheres (assentou a natureza incondicionada da ação penal em caso de lesão
corporal, pouco importando a extensão desta, se praticado contra mulher no ambiente doméstico).

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m)) Lei 8.112, de 1990:


1990: dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos
públ civis da
União, suas autarquias e fundações, e no art. 5º, §2º,
§2º, assegura às pessoas portadoras de
deficiência o direito de se inscrever em concurso público para provimento de cargo cujas
atribuições sejam compatíveis com a deficiência, reservando-se
reservando àss mesmas até 20% das vagas
oferecidas no concurso30;
n) Lei 8.213, de 24 de julho de 1991:
1991: dispõe sobre os planos de benefícios da Previdência
Social, e em seu art. 93 diz que empresa com 100 ou mais funcionários está obrigada a preencher
de 2% a 5% dos seuss cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência,
na seguinte proporção: até 200 funcionários, 2%; de 201 a 500 funcionários, 3%; de 501 a 1000
funcionários, 4%; de 1001 funcionários em diante, 5%;
5%
o) Lei 12.288, de 20 de julho de 2010: instituo o Estatuto da Igualdade Racial;
p)) Lei 4.319, de 16 de março de 1964: cria o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa
Humana31.

30
A CF/88, no art. 37, VIII, diz que lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras
de deficiência e definirá os critérios de sua admissão.
31
Esta Lei 4.319, de 16.03.1964 (publicada poucos dias antes do Golpe Militar de 31.03.1964), ainda permanece em
vigor, com as alterações promovidas pela Lei 5.763/71 e pela Lei 10.683/03, que organiza a Presidência da República e
Ministérios. Este Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa
Pessoa Humana (CDDPH) foi criado junto ao Ministério da Justiça,
mas hoje faz parte da estrutura da Secretaria de Direitos Humanos, que tem status de Ministério. É composto pelos
seguintes membros: Presidente, que é a Ministra de Estado da Secretaria de Direitos Direitos Humanos; representante do
Ministério Público Federal; representante do Ministério das Relações Exteriores; representante da Associação
Brasileira de Educação; representante da Associação Brasileira de Imprensa; representante do Conselho Federal da
OAB; representante da minoria e da maioria da Câmara dos Deputados e do Senado, professor de Direito
Constitucional e professor de Direito Penal. Realiza reuniões ordinárias por seis vezes ao ano e extraordinariamente
sempre que convocado pelo Presidente, por iniciativa
iniciativa própria e por solicitação de 2/3 de seus membros, com sessões
secretas, salvo decisão da maioria absoluta. As principais competências do Conselho referem-sereferem à promoção de: a)
inquéritos, investigações e estudos sobre a eficácia das normas asseguradoras
asseguradoras dos direitos da pessoa humana,
inscritos na Constituição Federal e nos atos internacionais, em especial Declaração Universal dos Direitos Humanos
(1948); b) divulgação do conteúdo e da significação de cada um dos direitos da pessoa humana mediante conferências
c
e debates em universidades, escolas, clubes, associações de classe e sindicatos e por meio da imprensa, do rádio, da
televisão, do teatro, de livros e folhetos; c) nas áreas que apresentem maiores índices de violação dos direitos
humanos: realização
zação de inquéritos para investigar as suas causas e sugerir medidas tendentes a assegurar a plenitude
do gozo daqueles direitos; campanha de esclarecimento e divulgação; d) inquéritos e investigações nas áreas onde
tenham ocorrido fraudes eleitorais de maiores
maiores proporções, para o fim de sugerir as medidas capazes de escoimar de
vícios os pleitos futuros; e) cursos diretos ou por correspondência que concorram, para o aperfeiçoamento dos
serviços policiais, no que concerne ao respeito dos direitos da pessoa humana;
humana; f) entendimentos com os governos dos
Estados cujas autoridades administrativas ou policiais se revelem, no todo ou em parte, incapazes de assegurar a
proteção dos direitos da pessoa humana para o fim de cooperar com os mesmos na reforma dos respectivos respecti serviços
e na melhor preparação profissional e cívica dos elementos que os compõem; g) entendimentos com os governos
estaduais e municipais e com a direção de entidades autárquicas e de serviços autônomos, que estejam por motivos
políticos, coagindo ou perseguindo seus servidores, por qualquer meio, inclusive transferências, remoções e
demissões, a fim de que tais abusos de poder não se consumem ou sejam, afinal, anulados; h) recomendação ao
Governo Federal e aos dos Estados a eliminação, do quadro dos seus serviços civis e militares, de todos os seus
agentes que se revelem reincidentes na prática de atos violadores dos diretos da pessoa humana; i) aperfeiçoamento

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Neste sentido, a própria Constituição de 1988 previu a assistência para os mais carentes, o
que é uma forma dee preservar os direitos humanos e o mínimo necessário para que a dignidade
não seja atingida:
a) art. 5º, LXXIV: prevê a necessidade do Estado prestar assistência jurídica integral e
gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos;
b) art. 6º: consta
ta como direito social a “assistência aos desamparados”;
c) art. 7º, XXV: assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 5
(cinco) anos de idade em creches e pré-escolas;
pré
d) art. 23, II, prevê a assistência pública como competência comum da União, Estados, DF e
Municípios (além da necessidade de cuidar da saúde e da proteção e garantia das pessoas
portadoras de deficiência);
e) art. 150, VI, “c”, prevê a imunidade de impostos sobre patrimônio, renda ou serviços das
instituições de assistência
ssistência social, sem fins lucrativos;
lucrativos
f) art. 194, §7º, complementa a isenção de contribuições para a seguridade social das
entidades beneficentes de assistência social;
g) art. 194, “caput”: consta a institucionalização da assistência social incorporada
incorporad à
seguridade social, junto com a saúde e a previdência;
previdência
h) art. 203: ratifica a institucionalização constitucional da assistência social, traçando regras
e detalhamentos e obrigando a assistência social para quem necessitar, independentemente de
contribuição
uição para a seguridade social, com objetivo de proteger a família, a maternidade, a
infância, a adolescência e a velhice, dar amparo às crianças e adolescentes carentes, promover a
integração ao mercado de trabalho, habilitar e reabilitar as pessoas portadoras
porta de deficiência e
promover sua integração à vida comunitária e ainda garantir um salário mínimo de benefício
mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovarem não possuir meios de
prover à própria manutenção ou de tê-la
tê provida por sua família;

dos serviços de polícia técnica dos Estados e Territórios de modo a possibilitar a comprovação
comprova da autoria dos delitos
por meio de provas indiciárias; i) recomendação ao Governo Federal de prestação de ajuda financeira aos Estados que
não disponham de recursos para a reorganização de seus serviços policiais, civis e militares, no que concerne à
preparação
reparação profissional e cívica dos seus integrantes, tendo em vista a conciliação entre o exercício daquelas funções
e o respeito aos direitos da pessoa humana; j) estudos de aperfeiçoamento da legislação administrativa, penal, civil,
processual e trabalhista,
ista, de modo a permitir a eficaz repressão das violações dos direitos da pessoa humana por parte
de particulares ou de servidores públicos; além de receber representações que contenham denúncias de violações dos
direitos da pessoa humana, apurar sua procedência
procedência e tomar providências capazes de fazer cessar os abusos dos
particulares ou das autoridades por eles responsáveis.

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i) art. 227, “caput”: prevê absoluta prioridade, à criança, ao adolescente e ao jovem, do


direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à
dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar
familiar e comunitária, além de colocá-los
colocá a
salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, e
ainda estabelece proteção especial à criança e ao adolescente órfão ou abandonado, mediante
estímulo do Poder Público
o através de assistência jurídica, incentivos fiscais e subsídios ao seu
acolhimento, sob a forma de guarda (art. 227, §3º, VI);
j) art. 231: reconhece aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e
tradições, e os direitos originários sobre
sobre as terras que tradicionalmente ocupam;
ocupam
l) art. 68 do ADCT: reconhece a propriedade definitiva para os remanescentes das
comunidades dos quilombos, sobre as terras que estejam ocupando, com obrigação do Estado em
emitir os títulos respectivos.
Não por outro motivo que a Constituição permite a ampliação legislativa de proteção das
minorias, das comunidades e grupos carentes e da expansão da assistência social32.

11. A Constituição de 1988 e os direitos humanos


Além da proteção das minorias e da promoção da assistência social, que a
Constituição foi pródiga, com se viu, existem fatores específicos, inseridos na Lei Maior, que se
relacionam diretamente com os direitos humanos, daí o destaque a seguir.
11.1. Direitos fundamentais e direitos humanos
Como vimos,
os, a CF/88 traça implicitamente os conceitos de direitos fundamentais e direitos
humanos, ao considerar aqueles dos arts. 5º ao 17, para considerá-los
considerá los como direitos e garantias
fundamentais,, e no art. 4º, II, considera como princípio da relação internacional
internacio a prevalência dos
direitos humanos.. De forma sistemática, começa o texto constitucional a tratar do tema direitos
humanos, completado por outras normas, como se vê à frente.
11.2. Princípio da dignidade da pessoa humana

32
No âmbito federal, por exemplo, existem os programas Bolsa Família (Lei 10.836/04 e Decreto 5.209/04), Brasil
Carinhoso, Brasil Sem Fronteiras, PRONATEC – Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Lei
12.513/11), Programa Fome Zero e sua ação denominada Programa de Aquisição de Alimentos – PAA (Lei 10.696/03,
art. 19), Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – PRONAF (Lei
Lei 8.427/92, art. 5-A,
5 com redação
dada pela Lei 12.058/09; Lei 11.326/06; Lei 10.177/01, art. 6º-A),
6º Programa Nacional
al de Assistência Técnica e Extensão
Rural na Agricultura Familiar e na Reforma Agrária – PRONATER (Lei 12.188/10) e outros.

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Não há como considerar os direitos


direitos humanos sem inserir a dignidade do ser humano, até
porque, como se viu, o núcleo do seu conceito.
A Constituição de 1988, atenta a esta situação, logo no art. 1º inseriu a dignidade da
pessoa humana como um dos fundamentos da República Federativa do Brasil,
Br junto com a
soberania, a cidadania, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político.
Passou a ser, então, a viga mestra que orienta todo o sistema constitucional, verdadeiro postulado
moral e espiritual inerente ao ser humano
humano (é o núcleo axiológico da Constituição). Daí porque não
é propriamente um direito, mas sim um atributo da pessoa humana, considerado até como
postulado (pode servir de interpretação dos próprios princípios constitucionais). Garante, perante
o Estado, a existência de um mínimo existencial invulnerável que as políticas públicas e o
ordenamento jurídico devem resguardar, independentemente da capacidade financeira e
administrativa dos órgãos e entidades públicas. Assim, independentemente da norma
constitucional
ional ser de eficácia limitada, se a mesma tratar de um direito fundamental envolvendo a
dignidade da pessoa humana, deve ser aplicada no caso concreto para que, pelo menos, o mínimo
existencial seja resguardado.
O princípio da dignidade da pessoa humana produz duas exigências para o Estado e para a
sociedade: exige ação e abstenção, porque devem agir para proteger o mínimo existencial do ser
humano e devem se abster de condutas que retiram a dignidade da pessoa humana. Tem
fundamento na tradição cristã e na filosofia kantiana. Ao se afirmar que tal princípio também
exige ação e abstenção para a sociedade, é porque o mesmo, assim como os direitos
fundamentais, não tem apenas eficácia vertical contra o Estado, mas também eficácia horizontal
contra os particulares.
lares. Não se pode negar que há constante tensão entre a eficácia horizontal dos
direitos fundamentais e do princípio da dignidade da pessoa humana com a livre iniciativa e
autonomia da vontade, de modo que esta colisão requer ponderação das circunstâncias do caso
concreto, mas qualquer intérprete ou aplicador da norma deve deixar a salvo a dignidade do ser
humano.
O princípio da dignidade da pessoa humana já foi utilizado como fundamentação
importante pelo STF, como, por exemplo, para permitir o aborto de anencéfalo, de modo que
grávidas de fetos sem cérebro poderão optar pela interrupção da gestão com assistência médica,
sem que o caso represente crime (ADPF 54); a união civil homoafetiva (ADPF 132/RJ); a prisão

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enfermidades graves (HC 98675/ES)33. Existem


preventiva domiciliar para doentes com enfermidades
precedentes, com base neste princípio, permitindo o registro civil do novo nome, em caso de
mudança de sexo por cirurgia (TJ/RS, Apelação 596.103.135/Porto Alegre).
O princípio da dignidade da pessoa humana tem especial
especial importância no caso da
inconstitucionalidade casual (a inconstitucionalidade ocorreria apenas para determinadas
situações fáticas que a Constituição aceitou para a prática de determinados atos ou condutas, mas
que não se verificam),
), ou no duplo controle de proporcionalidade (em nível abstrato, a lei seria
proporcional porque não estaria ferindo o princípio da proporcionalidade em nenhuma das suas
vertentes – adequação, necessidade e proporcionalidade em sentido estrito -, mas na prática,
quando aplicada, criaria uma situação desproporcional, que autorizaria o juiz a afastar sua
incidência), ou ainda na chamada análise da prognose legislativa (previsão que o legislador faz da
realidade e das situações futuras, para aprovar determinada lei, mas que o juiz acaba
a verificando
que não ocorreram no caso concreto, daí porque é possível, atualmente, fazer análise de questões
fáticas no controle concentrado de constitucionalidade – arts. 9º, §1º e 20, §1º, da Lei 9.868/99).
Isto porque o princípio autoriza o juiz analisar,
analisar, no caso concreto, se determinada lei ou norma está
provocando prejuízo ao mínimo existencial de determinado ser humano, afetando sua dignidade,
para afastar sua incidência, mesmo que tenha sido declarada sua constitucionalidade, no caso do
duplo controle
ntrole de proporcionalidade.
proporcionalidade. Como se vê, o princípio da dignidade da pessoa humana dá
liberdade para o juiz analisar as circunstâncias do caso concreto para verificar se a aplicação de
determinada lei, de determinada pena ou de determinado comportamento, irá
i afetar a dignidade
da pessoa humana, e isto é respeito aos direitos humanos.
Apesar de não haver direitos fundamentais absolutos, é comum a citação de que a
dignidade da pessoa humana não poderia ser relativizada (daí porque não poderia haver
relativização
ção do direito a não ser torturado e de não ser reduzido à condição de escravo ou em
condição análoga)
11.3. Incorporação dos tratados internacionais e suas consequências

33
Também com m base na dignidade da pessoa humana, O STF havia declarado a não recepção, pela EC 26/2010 (que
inseriu o direito à moradia como direitos sociais no art. 6º da CF/88), da hipótese legal de penhorabilidade do bem de
família do fiador dos contratos de locação
locação (art. 3º, Lei 8.009/1990, com redação dada pela Lei 8.245/1991) (RE
352940/SP e RE 449.657). No entanto, posteriormente, no RE 4.07688-9/SP,
4.07688 9/SP, o STF entendeu que não havia
inconstitucionalidade da previsão legal da penhorabilidade do bem de família do fiador fia do contrato de locação,
votando neste sentido os Ministros Cezar Peluso, Joaquim Barbosa, Ellen Gracie, Marco Aurélio, Nelson Jobim, Gilmar
Mendes e Sepúlveda Pertence, vencidos apenas os Ministros Carlos Brito, Eros Grau e Celso Melo. No RE
612360/RG/SP,SP, foi declarada a repercussão geral, aguardando definição.

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O procedimento para incorporação dos tratados internacionais (ou internalização ou


internação)
ternação) no ordenamento jurídico nacional segue as seguintes etapas:
1ª etapa:: assinatura pelo representante legitimado. Neste caso, dá-se
dá a negociação pelo
Ministério das Relações Exteriores e assinatura do Presidente, na condição de Chefe de Estado, ou
pelo chamado plenipotenciário (aquele que representa o país na missão diplomática, para assinar
o acordo internacional).
2ª etapa:: submissão do ato internacional ao Congresso Nacional, para aprovação por
Decreto Legislativo, promulgado pelo Presidente do Senado,
Senado, após discussão na Câmara e depois
no Senado. Se não for aprovado na Câmara, o Presidente da República é comunicado da
impossibilidade de ratificação. Se aprovado, é encaminhado ao Senado;
3º etapa:: promulgação do ato internacional pelo Presidente da República. Esta
promulgação se dá por Decreto. O Presidente tem discricionariedade na promulgação ou não. Não
há prazo definido para tal aprovação por promulgação. Se aprovado e publicado no Diário Oficial,
o ato internacional é internalizado, tendo executoriedade
executoriedade interna, ocasião em que este vigor
interno é comunicado aos demais Estados partícipes (a comunicação possibilita que o Brasil pode
exigir o cumprimento pelos demais, assim como sofrer sanção caso não cumpra o tratado).
Como o §3º do art. 5º, como
como se vê à frente, adotou e até incentivou outro procedimento
para os tratados internacionais sobre direitos humanos, correto dizer que o Brasil adotou um
sistema misto:: um sistema para tratados internacionais tradicionais e outro para os tratados
humanos que
ue tratam de direitos humanos. É possível, inclusive, auferir que o sistema
constitucional brasileiro permite força normativa de três graus para os tratados internacionais:
força normativa constitucional,
constitucional, para tratados internacionais sobre direitos humanos aprovados da
mesma forma que as emendas constitucionais; força normativa supralegal,
supralegal para tratados sobre
direitos humanos não aprovados da mesma forma que as emendas constitucionais; força
normativa legal,, para tratados tradicionais incorporados na forma acima. É a posição do STF.
O §3º do art. 5º, com redação dada pela EC 45/04, diz que: “Os
“Os tratados e convenções
internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional,
em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos
respectivos membros, serão equivalentes às
emendas constitucionais.”
O único ato internacional aprovado na forma do §3º do art. 5º, foi a Convenção
Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (aprovada pelo Congresso pelo

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Decreto Legislativo 186, de 09.07.2008 e promulgado pelo Presidente pelo Decreto 6.949, de
25.08.2009).
Em função deste novo dispositivo constitucional, o STF teve a oportunidade de dizer,
quando do julgamento do RE 466.343 e do “HC” 87585, que o ordenamento jurídico brasileiro
brasilei
agora pode ser formado por três níveis distintos: normas constitucionais, normas supralegais e
normas legais. Temos, então, a seguinte pirâmide jurídica brasileira:
1 – NORMAS CONSTITUCIONAIS (Constituição, Tratados Internacionais sobre Direitos
Humanos aprovados na forma de emendas constitucionais e as próprias emendas constitucionais);
2 – NORMAS SUPRALEGAIS (Tratados Internacionais sobre Direitos Humanos, porém sem
aprovação na mesma forma que as emendas constitucionais, como o Pacto de São José da Costa
Co
Rica)34;
3 – NORMAS LEGAIS (leis ordinárias e complementares, além de medidas provisórias, leis
legislativos e resoluções do Congresso)35.
delegadas, decretos-legislativos
Em função desta situação, a doutrina começa a ventilar algumas questões que podem ser
exigidas em concurso público:
As normas supralegais tornam inaplicáveis as leis brasileiras que a contrariarem, sejam
estas aprovas antes ou depois daquelas, porque há uma relação de hierarquia que não se resolve
pelo critério cronológico do “lei posterior revoga o anterior”.
Leis ordinárias brasileiras incompatíveis com os tratados internacionais sobre direitos
humanos não aprovados na formalidade das emendas constitucionais, não são revogadas, porque
continuam em vigor. São, na verdade, “derrogadas”, porque perdem a validade;
A validade das leis ordinárias brasileiras depende de dupla análise de compatibilidade:
análise perante os tratados internacionais sobre direitos humanos (TIDH´s) e também perante a
Constituição Federal. Por isso, para terem validade, é preciso
preciso que as leis brasileiras tenham “dupla

compatibilidade vertical”;

34
A consideração jurídica, pelo Brasil, de que tratados internacionais sobre direitos humanos, não aprovados como
emendas constitucionais, têm status de supralegalidade, respeita o princípio da boa- b -fé do direito internacional: a
Convenção de Viena, em seu art. 27, diz que o Estado não pode invocar disposições de seu direito interno como
justificativa para o não cumprimento de tratado. Daí porque a supralegalidade fortifica a ideia de que, internamente,
internam
devem ser efetivados, jamais descumpridos.
35
Inclua-se,
se, ainda, na referida pirâmide, as normas secundárias,, que seriam os atos do Executivo para regulamentar a
lei, como Decretos, Atos Regimentais, Portarias, Provimentos etc.. “Secundárias” porque se originam da lei, e não
diretamente da Constituição.

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Há possibilidade, a partir da reforma da pirâmide de Kelsen, não só do controle de


constitucionalidade, mas também do controle de convencionalidade,, quando o parâmetro de
controle é algum TIDH
IDH aprovado sem as formalidades da aprovação de EC. É que, além de analisar
se uma lei está de acordo com a Constituição, é preciso analisar se ela está de acordo com os
TIDH´s. Entretanto, o controle de convencionalidade só poderia ocorrer pela via difusa/concreta,
difus
uma vez que o controle de constitucionalidade pressupõe um parâmetro de controle que tenha
status constitucional, e os TIDH´s, aprovados sem as formalidades de aprovação de ED, têm, como
se viu do posicionamento do STF, status supralegal, sem esquecer
squecer que as normas constitucionais
que tratam do controle concentrado/abstrato de constitucionalidade, falam em
“inconstitucionalidade” (art. 102, I, “a”, §2º, art. 103, §§1º, 2º, 3º), e não em
“inconvencionalidade”. Da mesma forma, não seria possível propor
propor arguição de descumprimento
de preceito fundamental – ADPF de uma lei em face de um TIDH, porque a Constituição fala em
ADPF no caso de preceito fundamental “decorrente
“decorrente desta Constituição”
Constituição (art. 102, §1º), e não
“decorrente
nte de Tratados Internacionais”.
Internacionais”. O controle abstrato de compatibilidade com o Tratado
Internacional cabe ao tribunal internacional (no caso do Pacto São José da Costa Rica, cabe à Corte
Interamericana
A Constituição de 1988, ao dar “status” de norma constitucional aos tratados
internacionais
onais sobre direitos humanos aprovados da mesma forma que as emendas
constitucionais, e o STF, ao dar “status” supralegal àqueles tratados sobre direitos humanos não
aprovados como as emendas constitucionais, acabam fortificando a existência de uma “quinta
instância” aos jurisdicionados, na medida em que fortalece, também, os Tribunais Internacionais,
em especial a Corte Interamericana de Direitos Humanos, sediada em San José, na Costa Rica, que
tem por objetivo maior aplicar e interpretar a Convenção Americana
Americana sobre Direitos Humanos
(Pacto São José da Costa Rica, adotada em 22.11.1969 no âmbito da Organização dos Estados
Americanos, em vigor internacionalmente em 18.07.1978, ratificada no Brasil pelo Decreto
Legislativo 27/1992 e promulgada pelo Decreto 678,
678, de 06.11.1992). Assim, não é difícil que a
referida Corte acabe analisando situações efetivadas em processos judiciais no âmbito do
Judiciário brasileiro, que apresentem violação das regras e princípios estabelecidos na Convenção,
amento do Supremo Tribunal Federal36.
inclusive após pronunciamento

36
Vide, anteriormente, os casos julgados pela Corte.

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O instrumento utilizado pelo Congresso Nacional para aprovar conjuntamente, com


equivalência de emenda constitucional, nos termos do art. 5º, §3º, é o Decreto Legislativo, como
ocorreu com a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo
Facultativo, assinados em Nova York, em 30 de março de 2007.
O controle de convencionalidade, pela via abstrata, não pode ser exercido no Brasil, mas
apenas na Corte Interamericana de Direitos Humanos. No Brasil,
Brasil, é possível o controle concreto,
perante os órgãos do Poder Judiciário.
Apesar de não ser cabível a ação direta de inconstitucionalidade ou a arguição de
descumprimento de preceito fundamental contra leis estaduais e federais que contrariarem as
normas supralegais (tratados internacionais sobre direitos humanos não aprovados como
emendas constitucionais), não há dúvida que podem ser propostas no STF se tiverem por
parâmetro de controle os tratados internacionais aprovados como emendas constitucionais, vez
ve
que estes se inserem no bloco de constitucionalidade. Por isso, um novo tratado internacional
sobre direitos humanos aprovados na forma do art. 5º, §3º, da CF/88, pode reformar a
Constituição de 1988 se não atingir suas cláusulas pétreas.
Ainda importantee lembrar que, se o STF declara uma lei estadual ou federal constitucional,
nada impede que esta mesma lei venha a ser declarada incompatível com uma norma supralegal
surgida posteriormente.
Existe uma diferença importante sobre os tratados internacionais sobre direitos humanos
aprovados na forma de emenda constitucional e os que não são assim aprovados. Trata-se
Trata do
instituto da denúncia:: em direitos humanos, a denúncia ocorre quando um dos participantes do
tratado internacional sobre direitos humanos comunica
comunica que o tratado não vale mais para si, mas
apenas para os outros Estados que assinaram e ratificaram. Esta possibilidade de denúncia pode
ser feita aos tratados internacionais incorporados na forma do art. 5º, §2º, da CF/88. Já os
tratados internacionais sobre direitos humanos que forem incorporados na forma do art. 5º, §3º
(na mesma forma que as emendas constitucionais – quórum de 3/5 e aprovação em dois turnos
em cada Casa do Congresso Nacional), a denúncia não será possível. Assim, se o Brasil incorporar
incorpor
tratados internacionais sobre direitos humanos, na forma das emendas constitucionais37, não
poderá denunciá-lo,
lo, ficando vinculado ao mesmo até que assine e ratifique outro tratado
37
Como ocorreu com a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, primeiro tratado
internacional aprovado no rito previsto no
no art. 5º, §3º, da CF (aprovado pelo Congresso pelo Decreto Legislativo 186,
de 09.07.2008 e promulgado pelo Presidente pelo Decreto 6.949, de 25.08.2009).

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internacional de direitos humanos mais benéfico, aplicando-se


aplicando se o princípio do “pro omini” (na
colisão de interesses fundamentais, prevalece a norma mais benéfica ao ser humano). Outra
forma de desvinculação a tal tratado, será pela manifestação do poder constituinte originário,
quando uma nova Constituição é promulgada.
11.3. A submissão
ubmissão ao Tribunal Penal Internacional
Em 1988, quando a Constituição foi promulgada, constou no art. 7º do ADCT que “O
“ Brasil
propugnará pela formação de um tribunal internacional dos direitos humanos”. Em 2004, por
meio da EC 45, foi inserido o §4º ao art. 5º da CF/88, com a seguinte redação: “O Brasil se
submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão”.
Veja, então, que diferentemente do que ocorreu com o poder constituinte originário, de
1988, o poder constituinte
stituinte reformador deixou bem claro que o Brasil estava se submetendo ao
TPI, aceitando, portanto, todas as suas regras, afastando dúvidas sobre a possibilidade de entrega
de brasileiro nato e outros assuntos então polêmicos,
polêmicos, como se verá adiante.
adiante
11.4. A federalização dos crimes contra direitos humanos
Art. 109: Aos juízes federais compete processar e julgar: V-A
V - as causas relativas a direitos
humanos a que se refere o § 5º deste artigo;
§5º Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador-Geral
Procur da República,
com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados
internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o
Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase do inquérito
inquérito ou processo, incidente de
deslocamento de competência para a Justiça Federal.
V 38, como se vê acima, com preocupação especial para
A EC 45/04 introduziu o art. 109, V-A
os crimes com violação dos direitos humanos, possibilitando o repasse da questão para a Justiça
Federal. Existe, como se vê, um conceito jurídico indeterminado do que venha a ser as hipóteses
de grave violação de direitos humanos, deixando, a Constituição, à livre e exclusiva cognição do
Procurador-Geral
Geral da República, para o fim de pedir, e à livre e exclusiva cognição do Superior
Tribunal de Justiça, para decidir se haverá ou não deslocamento de competência.
Até o presente momento, dois IDC´s – Incidentes de Deslocamento de Competência foram
suscitados pelo PGR no STJ: IDC 01/2005 (“Caso Dorothy
Dorothy Stang”) e IDC 02/2010 (“Caso Manoel

38
Tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei n. 6647/2006, para disciplinar o incidente de deslocamento
deslo de
competência para a Justiça Federal regulamentando o § 5º do art. 109 da Constituição Federal

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Bezerra). No primeiro caso, tratou-se


tratou do assassinato de Dorothy
thy Stang, no Pará, em 12.02.2005,
missionária que participava da Comissão Pastoral da Terra e da Conferência Nacional dos Bispos
do Brasil, e acompanhava a luta dos trabalhadores do campo na região da Transamazônica, no
Pará.. A federalização foi negada por falta de comprovação da inércia ou incapacidade das
autoridades responsáveis de responder ao caso específico, aplicando-se
aplicando o princípio da
subsidiariedade. O IDC 02/2010, por sua vez, foi aceito pelo STJ, uma vez que se tratava de
homicídio, em 24.01.2009, do
o advogado e vereador Manoel Bezerra, notório defensor dos direitos
humanos e autor de diversas denúncias contra atuação de grupos de extermínio na fronteira
fro da
Paraíba e de Pernambuco, e havia ficado claro o risco de responsabilização internacional e a
notória incapacidade das instâncias e autoridades locais em oferecer respostas efetivas.
O incidente de deslocamento de competência, portanto, é mais um instrumento inserido
na Constituição Federal de 1988 que visa punir as violações de direitos humanos e, de alguma
forma, servir de prevenção, disponibilizando a maior estrutura e capacidade dos órgãos públicos
federais de persecução penal.
11.5. Asilo, refúgio, extradição, expulsão, deportação e entrega
O asilo é um direito universal, que está previsto
previ na DUDH-1948
1948 em seu art. 14: “1.Toda
pessoa, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países”;
países “2.
Este direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente motivada por crimes de
direito comum ou por atos contrários aos propósitos e princípios das Nações Unidas”.
Unidas” A CF/88, por
sua vez, coloca a concessão de asilo político como um dos princípios das relações internacionais
int da
República Federativa do Brasil,
Brasil e ainda prevê no art. 5º, LII: “não será concedida extradição de
estrangeiro por crime político ou de opinião”.
Como diz Piovesan (Temas de Direitos Humanos, p. 198), “Quando pessoas têm que
abandonar seus lares
res para escapar de uma perseguição, toda uma série de direitos humanos são
violados, inclusive o direito à vida, liberdade e segurança pessoal, o direito de não ser submetido a
tortura, o direito à privacidade e à vida familiar, o direito à liberdade de movimento
m e residência e
o direito de não ser submetido a exílio arbitrário. Os refugiados abandonam tudo em troca de um
futuro incerto em uma terra desconhecida. É assim necessário que as pessoas sofram esta grave
violação aos direitos humanos possam ser acolhidas
acolhidas em um lugar seguro, recebendo proteção

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efetiva contra a devolução forçosa39 ao país em que a perseguição ocorre e tenham garantido ao
menos um nível mínimo de dignidade”.
dignidade”
A Convenção sobre o Estatuto dos Refugiados, de 1951, em seu art. 1º considera
consider refugiado
toda pessoa que, em virtude dos eventos ocorridos antes de 1º de janeiro de 1951 e devido a
fundado temor de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, participação em
determinado grupo social ou opiniões políticas, está fora do país de sua nacionalidade, e não
pode, ou, em razão de tais temores, não queira valer-se
valer se da proteção desse país; ou que, por
carecer de nacionalidade e estar fora do país onde antes possuía sua residência habitual, não
possa, ou por causa de tais temores ou
ou de razões que não sejam de mera conveniência pessoal,
não queria regressar a ele. Em 1967, o Protocolo sobre o Estatuto dos Refugiados retirou as
limitações temporais. Refugiado, em suma, “é
“é a pessoa que não só não é respeitada pelo Estado
ao qual pertence,
ce, como também é esse Estado quem a persegue ou não pode protegê-la
protegê quando
ela estiver sendo perseguida”” (Piovesan). “Ainda
“Ainda a respeito do conceito de refugiado, acrescente-se
acrescente
que para o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, ‘alguém que foge de uma
discriminação severa ou tratamento desumano – que vem a ser perseguição – por não concordar
com códigos sociais severos, tem razões para ser considerada refugiada. Violência sexual e estupro
podem constituir perseguição. Em 1984, o Parlamento Europeu
Europeu determinou que mulheres
enfrentando tratamento cruel ou desumano porque pareciam estar transgredindo morais sociais
devem ser consideradas um grupo social particular para o propósito de determinação da condição
de refugiadas. Na França, no Canadá e nos EUA foi oficialmente reconhecido que a mutilação
genital representa uma forma de perseguição e que mulheres que temem a mutilação genital nos
seus países têm uma real reivindicação ao status de refugiada (...) Homossexuais40 podem ser
elegíveis para status de refugiado com base na perseguição em virtude de sua associação com um
grupo social em particular.”
.” (Piovesan, op. Cit., p. 202).. Originariamente, o refugiado seria aquele

39
O princípio da não devolução do refugiado (“non-refoulement”)
(“non refoulement”) está consagrado no art. 33 da Convenção de 1951:
“nenhum dos Estados-contratantes
contratantes expulsará
expulsará ou repelirá um refugiado, seja de que maneira for, para as fronteiras dos
territórios onde a sua vida ou a sua liberdade sejam ameaçadas em virtude de sua raça, religião, nacionalidade,
filiação em certo grupo social ou opiniões políticas”.
políticas
40
Na Nigériaa foram presas dezenas de pessoas, no início de 2014, depois da lei que criminalizou a homossexualidade,
votada no Parlamento e sancionada pelo Presidente Goodlukc Jonathan, com amplo apoio popular, A lei prevê:
“Qualquer
Qualquer pessoa que se associe, opere ou participe
participe de clubes gays, sociedades ou organizações e demonstre
publicamente, directa ou indirectamente, um relacionamento amoroso ocom outra pessoa do mesmo sexo na Nigéria
comete uma violação e estará sujeita à condenação a dez anos de prisão”.
prisão Assim, aqueles
eles que saírem da Nigéria por
conta desta perseguição, podem ser considerados refugiados, pelo menos no Brasil, em face do que dispõe o art. 1º,
III, da Lei 9.474/97.

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que estava em fuga de determinado país em guerra civil ou quando uma maioria política
polít ou
religiosa vitoriosa iniciava perseguições claras e quase sempre fatais contra determinadas
minorias. Depois, a ampliação do conceito foi necessária para englobar inúmeras formas de
perseguição, quase sempre pelo Estado, mas também pela própria sociedade.
sociedade.
A Lei 9.474, de 22.07.1997, define mecanismos para implementação do Estatuto dos
Refugiados de 1951, e no art. 1º diz que “Será
“Será reconhecido como refugiado todo indivíduo que: I -
devido a fundados temores de perseguição por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo
social ou opiniões políticas encontre-se
encontre se fora de seu país de nacionalidade e não possa ou não
queira acolher-se
se à proteção de tal país; II - não tendo nacionalidade e estando fora do país onde
antes teve sua residência habitual, não possa
possa ou não queira regressar a ele, em função das
circunstâncias descritas no inciso anterior; III - devido a grave e generalizada violação de direitos
humanos, é obrigado a deixar seu país de nacionalidade para buscar refúgio em outro país.”
país
Importante descrever
screver as diferenças entre asilado e refugiado, muito embora ligados e
próximos pelo contexto social e político. Novamente Piovesan ensina que originariamente,
o o
refúgio sempre foi um instituto de direito internacional universal, e o asilo se restringia
regionalmente
egionalmente (era um instituto jurídico regional, especialmente para a América Latina). Enquanto
o refúgio é uma medida humanitária, abarcando motivos religiosos, raciais, de nacionalidade, de
grupo social e opiniões políticas, o asilo é medida política, que
que abarca os crimes de natureza
política ou ideológica. Por isso é que, para o refúgio, não precisa a efetiva perseguição, mas
apenas a ameaça, justamente porque tem o objetivo de proteger a vida da pessoa, e para o asilo,
é preciso a efetiva perseguição.
perseguição O refúgio faz surgir uma proteção fora do país de origem do
refugiado, e no asilo a proteção pode ocorrer inclusive no próprio país do asilado ou na embaixada
do país de destino (asilo diplomático).
diplomático) No
o refúgio existem as chamadas cláusulas de cessação,
cessação
perda
da e exclusão, inseridas na Convenção sobre o Estatuto dos Refugiados de 1951, e no asilo
estas cláusulas não existem. Finalmente, a natureza do ato de concessão do refúgio é declaratória,
enquanto a natureza do ato de concessão doe asilo é constitutiva, porque
p depende
exclusivamente da decisão do país.
Com se vê, o asilado e o refugiado entram na perspectiva única dos direitos humanos,
porque a proteção aos mesmos é, na verdade, a proteção da dignidade da pessoa humana.41

41
Piovesan (Temas de Direitos Humanos, p. 197): “É sob essa perspectiva que se há de enfocar
enf o Direito Internacional
dos Refugiados e o Direito Internacional Humanitário. A visão compartimentalizada, que afirma a existência de três

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Por sua vez, extradição


xtradição é a entrega de um indivíduo a outro Estado em razão da prática de
um delito ocorrido no Estado requerente (extraditando pratica crime nos EUA e se encontra no
Brasil e EUA pede extradição). Por isso, é tida como um instrumento de cooperação judiciária
entre Estados em matéria penal, para que um indivíduo seja entregue pelo Estado solicitado para
responder a processo penal ou cumprir pena no Estado solicitante. Ocorre entre dois países com
soberania, e funciona para evitar impunidade e efetivar a universalização do direito
d de punir. A
análise do STF se restringe à legalidade do pedido, mediante juízo de prelibação sem entrar no
mérito da condenação ao estrangeiro. Por isso, no caso da extradição, adota-se,
adota no Brasil, o
sistema de contenciosidade limitada.
limitada Isto não impede,
ede, entretanto, que o STF, como destacado na
Extradição 1074/Alemanha analise aspectos materiais concernentes à própria substância da
imputação penal, se tal análise se mostrar indispensável à solução da controvérsia pertinente: a) à
ocorrência de prescrição
ção penal; b) à observância do princípio da dupla tipicidade; ou c) à
configuração eventualmente política tanto do delito atribuído ao extraditando quanto das razões
que levaram o Estado estrangeiro a requerer a extradição de determinada pessoa ao Governo
brasileiro. Também é possível ao STF analisar as condições materiais e políticas do país requerente
e de suas instituições, que porventura pode demonstrar a inviabilidade de se assegurar ao súdito
os postulados básicos do devido processo legal (contraditório,
(contraditório, ampla defesa, igualdade das partes,
imparcialidade, juiz natural). A extradição pode ser ativa,, quando o Estado requer a extradição, ou
passiva,, quando o Estado recebe o pedido de extradição. O STF só atua na extradição passiva,
passiva
isto é, quando o Brasil recebe o pedido, já que não cabe ao Excelso Pretório requerer extradição,
tarefa do Poder Executivo da União. Só haverá extradição no caso de dupla tipicidade:
tipicidade a conduta
deve ser tida como crime tanto no Brasil como no outro Estado requerente. O STF entende
enten que
não há dupla tipicidade quando o pedido de extradição envolve súdito que tenha praticado o
crime no país solicitante quando era menor de idade,, visto que menor de idade, no Brasil, não
comete crime, mas apenas atos infracionais (Extradição 1135/Alemanha).
1135/Alemanha). Destaca-se
Destaca que o STF
tem posição firme no sentido de que atos terroristas não podem ser tidos como criminalidade
política,, especialmente para impedir a extradição (Extradição 855/Chile). Brasileiro nato não pode

vertentes da proteção internacional dos direitos da pessoa (Direitos Humanos, Direito Humanitário e Direito dos
Refugiados) encontra-se
se definitivamente superada, considerando a identidade de propósito de proteção dos direitos
humanos, bem como a aproximação dessas vertentes nos plano conceitual, normativo, hermenêutico e operacional.
Há que se ter uma visão necessariamente
iamente integral dos direitos da pessoa humana, como endossa a conferência de
Viena de 1993”.

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ser extraditado, mas o brasileiro naturalizado


naturalizado poderá ser em caso de cometimento de crime
comum, antes da naturalização,
naturalização e envolvimento com tráfico ilícito de entorpecentes e drogas
afins, antes ou depois da naturalização (vide, abaixo, possibilidade de entrega de brasileiro nato).
Os seguintes
es princípios se aplicam na extradição:
Princípio da comutação da pena.
pena. Este princípio decorre do art. 91 do Estatuto do Estrangeiro
(Lei 6.815/80), e ocorre quando, no deferimento da extradição pelo Supremo Tribunal Federal,
percebe-se que no país solicitante,
tante, há punição prevista incompatível com o ordenamento jurídico
brasileiro.. Neste caso, a extradição só ocorre se forem seguidas as condições impostas;
Princípio da especialidade:
especialidade: o extraditando somente poderá ser processado e julgado pelo
Estado requerente
ente pelo delito objeto do pedido de extradição. O STF tem posição aceitando,
porém, o “pedido
pedido de extensão”:
extensão”: o Estado que já requereu a extradição e a obteve, pode,
posteriormente, pedir permissão para processar o extraditado por outro delito praticado antes
ant da
extradição e diverso daquele que a motivou;
Princípio da reciprocidade.
reciprocidade. Este princípio permite que a extradição seja concedida, desde que
um Estado se comprometa com o nosso país. Geralmente, a extradição só ocorre se já existe,
entre o Brasil e o país
aís solicitante, um tratado internacional, mas mesmo quando não existe, a
extradição pode ser concedida se houver promessa de reciprocidade, caso o Brasil solicite,
posteriormente, a extradição de alguém que aqui tenha cometido um crime e se encontre naquele
naque
país. Porém, se o país não tem condições de fazer a promessa de reciprocidade, a extradição não
pode ser concedida.
Expulsão é a retirada à força do território nacional de um estrangeiro que pratica, neste
território, atos criminosos que demonstra sua periculosidade
periculosidade ou risco de permanência. O art. 65,
Lei 6815/80, especificam os atos criminosos do estrangeiro que o torna passível de expulsão: a)
atentado contra a segurança nacional, a ordem política ou social, a tranquilidade ou moralidade
pública e a economia
onomia popular, ou tome procedimento que o torne nocivo à conveniência e aos
interesses nacionais; b) praticado fraude a fim de obter a sua entrada ou permanência no Brasil; c)
entrado no Brasil com infração à lei e dele não se retirar no prazo que lhe for determinado, não
sendo aconselhável a deportação; d) se entregado à vadiagem ou à mendicância; ou e)
desrespeitado proibição especialmente prevista para estrangeiro.
Deportação é a devolução compulsória ao país de origem, de procedência ou mesmo para
qualquer
lquer outro que consinta em recebê-lo,
recebê do estrangeiro que tenha entrado ou permaneça de

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forma irregular no território nacional (arts. 57, 58, Lei 6815/80). A deportação, então, pressupõe
irregularidades, e não crimes,, daí porque há deportação quando o estrangeiro
angeiro adentra em um país
sem seguir as regras deste país (sem comprovante de endereço no país de origem; sem
comprovante de reserva em hotel; sem quantidade de dólares no bolso etc.). Se as irregularidades
cometidas pelo estrangeiro forem mais graves, e acabar demonstrando que, mais que
irregularidades, são verdadeiros crimes ou atos mais graves que dão ensejo à expulsão, a
deportação poderá se transformar em expulsão.
expulsão
Ainda é preciso dizer que, atualmente, a doutrina trata diferentemente a extradição da
entrega.. Extradição ocorre quando há um relacionamento entre dois países soberanos (se dá entre
o “Direito das Gentes”). Entrega, por sua vez, ocorre quando há um relacionamento entre um país
soberano e um órgão internacional.
internacional Na verdade, esta distinção está sendo utilizada para que seja
possível a entrega de nacional, mesmo nato, de determinado país para o Tribunal Penal
Internacional,, criado pelo Estatuto de Roma e promulgado no Brasil pelo Decreto 4.388, de 25 de
setembro de 2002. É que o Estatuto de Roma,
Roma, no art. 59, permite a entrega de qualquer nacional
para o Tribunal Penal Internacional, e esta entrega estaria impossibilitada, por exemplo, por
algumas constituições de países que adotaram o Estatuto, como é o caso da Constituição
brasileira, que não permite a extradição de brasileiro nato e nem naturalizado (salvo, do
naturalizado, nos casos já apontados). Por isso, para que seja possível o encaminhamento de
brasileiro nato ou naturalizado, para o Tribunal Penal Internacional, a doutrina vem diferenciando
diferenc
extradição de entrega. Assim, é impossível a extradição de brasileiro nato, mas é possível a sua
entrega.

Questões de concursos
08) TRT 4ª 2012 - FCC - Juiz do Trabalho Substituto
Em matéria de Tratados e Convenções sobre direitos humanos é correto afirmar:
a) Os Tratados e Convenções só se incorporarão ao Direito Interno com o status de norma
constitucional formal, independente de outros atos, pelos Decretos Legislativos aprovados com as
mesmas exigências estabelecidas para as Emendas Constitucionais
Constitucionais pelo Congresso Nacional.
b) Os Tratados e Convenções só se incorporarão ao Direito Interno com o status de norma
constitucional material, independente de outros atos, pelos Decretos Legislativos aprovados com
as mesmas exigências estabelecidas para as Emendas
Emendas Constitucionais pelo Congresso Nacional.

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c) Basta a assinatura do representante brasileiro na negociação que aprova o Tratado ou


Convenção para incorporar formalmente no Direito Interno.
d) Os Tratados e Convenções de Direitos Humanos só se incorporarão
incorporarão ao Direito Interno com o
status de norma constitucional material e formal, se votados em ambas as Casas do Congresso
Nacional, em dois turnos, com aprovação por três quintos dos votos de seus membros.
e) Basta a Carta de Ratificação do Presidente da
da República, ainda que não passe pela aprovação do
Congresso Nacional, desde que sejam promulgados por intermédio do Decreto Legislativo.

12. Principais
rincipais documentos históricos sobre direitos humanos:
12.1. MAGNA CARTA DA INGLATERRA DE 1215
Trata‑se de um documento de 1215 que limitou o poder dos monarcas da Inglaterra,
inclusive o do Rei João, que o assinou, impedindo o absolutismo reinante e se sujeitando à
vontade da lei. Daí considerar que a Magna Carta foi o primeiro texto do processo histórico que
levaria ao surgimento do constitucionalismo (poder emanado por um representante do povo).
O texto de 63 artigos garantia liberdades políticas e trazia disposições que tornavam a
Igreja livre e independente da monarquia, reformando o direito e a justiça e regulando
r o
funcionalismo real.
O art. 39 foi um dos dispositivos de maior relevância, trazia noções de legalidade, do
devido processo legal e assim rezava:
Nenhum homem livre será preso, aprisionado ou privado de uma propriedade, ou
tornado fora da lei, ou exilado, ou de maneira alguma destruído, nem agiremos contra ele
ou mandaremos alguém contra ele, a não ser por julgamento legal dos seus pares, ou
pela lei da terra.
Nesse sentido também apresentou o art. 40: “A ninguém venderemos, a ninguém
recusaremos ou atrasaremos, direito ou justiça”.
Veja seus artigos de maior relevância:
Preâmbulo: John, pela graça de Deus, rei da Inglaterra, senhor da Irlanda, duque da
Normandia e Aquitânia, e conde de Anjou, aos seus arcebispos, bispos, abades, condes,

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barões, juízes,
ízes, guardas florestais, sheriffs, prebostes, ministros e a todos os seus bailios e
súbditos fiéis, saudações. Saibam que nós, por respeito a Deus e à salvação da nossa
alma, e a de todos os nossos ancestrais e herdeiros, para a honra de Deus e exaltação da
santa igreja, e para o aperfeiçoamento do nosso reinado, com o conselho dos nossos
venerandos padres, Stephen, arcebispo de Canterbury, primaz de toda a Inglaterra, e
cardeal da Santa Igreja Romana, Henry, arcebispo de Dublin, William de Londres, Peter de
Winchester, Jocelin de Bath e Glastonbury, Hugh de Lincoln, Walter de Worcester, William
de Conventry e Benedict de Rochester, bispos; mestre Pandulph, o subdiácono do Papa e
mordomo oficial; irmão Aymeric, mestre dos Cavaleiros do Templo na Inglaterra; e dos
nobres, William Marshal, conde de Pembroke, William, conde de Salisbury, William, conde
de Warenne, William, conde de Arundel; Alan de Galloway, condestável da Escócia, Warin
FitzGerald, Peter Fitz‑Herbert, Hubert de Burgh, senescal de Poitou, Hugh de NevilIe,
Mathew Fitz‑Herbert, Thomas Basset, Alan Basset, Philip d’Aubigny, Robert de Roppelay,
John Marshal, John Fitz‑Hugh e outros dos nossos servidores fiéis:
1. Prometemos diante de Deus, em primeiro lugar, e por esta nossa presente carta
confirmamos
os por nós e por nossos herdeiros, para sempre, que a igreja da Inglaterra será
livre e gozará dos seus direitos na sua integridade e da inviolabilidade das suas liberdades;
e é nossa vontade que assim se cumpra; e isto está patenteado pelo fato de que nós,
nós de
nossa plena e espontânea vontade, antes que surgisse a discórdia entre nós e os nossos
barões, concedemos, e por nossa carta confirmamos e solicitamos a sua confirmação pelo
Papa Inocêncio III, a liberdade de eleições, que é da maior importância e essencial
ess para a
igreja da Inglaterra; e a isto observaremos e queremos que seja observado em boa‑fé
pelos nossos herdeiros para sempre. Nós também concedemos a todos os homens livres
do nosso reino, por nós e por nossos herdeiros perpetuamente, todas as liberdades
libe abaixo
escritas, para que as tenham e as conservem para si e para os seus herdeiros, de nós e dos
nossos herdeiros.
(...)
5. Mas o curador, enquanto estiver com a custódia da terra, conservará as casas, os
parques, os tanques de peixe, os lagos, os moinhos e outros pertences com os ganhos da
terra; e ele devolverá ao herdeiro, quando este tiver idade, todos os seus haveres providos
com arados e cultura, tal como a estação possa exigir e os ganhos da terra possam

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razoavelmente sustentar.
os casar‑se‑ão com mulheres de igual condição, além do que, antes que o
6. Os herdeiros
casamento tenha lugar, aqueles que estão ligados pelo sangue ao herdeiro deverão ser
informados.
7. Uma viúva, após a morte do seu marido, receberá imediatamente e sem obstáculo o
seu dote e a sua herança, e nada pagará por sua parte, dote ou herança do que ela e seu
marido possuírem no dia da morte deste, e ela pode permanecer na casa de seu marido
por quarenta dias após a morte deste, período em que a sua parte lhe deve ser designada.
8. Nenhuma viúva será obrigada a casar‑se enquanto desejar viver sem um marido, desde
que dê garantia de que não se casará sem nosso consentimento, se estiver sob a nossa
dependência, ou sem a do senhor de quem ela depende, se estiver sob dependência de
outrem.
(...)
10. Se alguém tomou emprestado
emprestado dos judeus qualquer soma, grande ou pequena, e
morrer antes que a dívida tenha sido paga, o débito não terá juros enquanto o herdeiro
for de menoridade, de quem quer que seja seu curador; e se a dívida vier às nossas mãos,
apenas assumiremos a soma principal
principal mencionada no ato escrito.
11. E se alguém morrer e tiver dívidas para com os judeus, a sua esposa terá a sua parte, e
nada pagará daquele débito; e se os filhos do falecido forem de menoridade, as suas
necessidades serão salvaguardadas conforme os haveres do falecido, e do remanescente a
dívida será paga, excetuando‑se o que é devido aos senhores; do mesmo modo se
procederá para os débitos com outros que não judeus.
12. Nenhuma scutage ou ajuda será imposta no nosso reinado, exceto pelo conselho
comum
mum do nosso reino, a menos para o resgate da nossa pessoa, a cavalaria do nosso
filho mais velho e uma vez para o casamento da nossa filha mais velha, e para tais casos
apenas uma ajuda razoável será paga; proceder‑se‑á igualmente a respeito das ajudas
da cidade de Londres.
13. E a cidade de Londres terá todas as suas antigas liberdades e todos os seus direitos
alfandegários livres, tanto por terra como por mar. E mais, queremos e concedemos que
todas as outras cidades, burgos, vilas e portos tenham todas as suas liberdades e direitos
alfandegários livres.

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14. E para consultar o conselho comum do reino a respeito do estabelecimento de outros


tributos que não os três casos acima mencionados, ou para o estabelecimento da scutage,
faremos notificar os arcebispos,
arcebispos, os bispos, os abades, os condes, e maiores barões,
individualmente, por carta nossa; e, além disso, faremos notificar em geral, por meio dos
nossos sheriffs e bailios, todos aqueles que, como chefes, de nós receberam benefícios
para um dia fixado, a saber,
saber, quarenta dias pelo menos após a notificação, e num lugar
fixado. E em todas as cartas de tais notificações explicaremos as suas causas. Sendo feitas
as notificações, proceder‑se‑á no dia indicado conforme o conselho daqueles que
estiverem presentes, mesmo que nem todos os que foram notificados compareçam.
15. No futuro não concederemos a ninguém permissão para exigir uma ajuda dos seus
homens livres, exceto para o resgate da sua
sua pessoa, a cavalaria do seu filho mais velho ou,
uma vez apenas, para o casamento da sua filha mais velha, casos em que apenas uma
ajuda razoável será cobrada.
16. Ninguém será forçado a prestar mais serviços por um feudo de cavaleiro, ou outra
tenência livre, além dos que deve em consequência disso.
17. As demandas dos comuns não transcorrerão mais na nossa corte, mas noutro local
indicado.
(...)
19. E em caso de que as referidas sessões não possam ocorrer no período da corte do
condado, tantos cavaleiros
cavaleiros e possuidores livres de tenências permanecerão, entre aqueles
presentes àquela corte, quantos possam ser necessários para a administração da justiça,
conforme seja maior ou menor o volume das questões.
20. Um homem livre será punido por um pequeno crime apenas, conforme a sua medida;
para um grande crime ele será punido conforme a sua magnitude, conservando a sua
posição; um mercador igualmente conservando o seu comércio, e um vilão conservando a
sua cultura, se obtiverem a nossa mercê; e nenhuma das referidas
referidas punições será imposta
exceto pelo julgamento de homens honestos do distrito.
(...)
38. Nenhum bailio levará, de hoje em diante, alguém a julgamento, com base apenas na
sua palavra, sem testemunhas dignas de crédito para apoiá‑lo.
39. Nenhum homem livre
livre será capturado ou aprisionado, ou desapropriado dos seus bens,

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ou declarado fora da lei, ou exilado, ou de algum modo lesado, nem nós iremos contra ele,
nem enviaremos ninguém contra ele, exceto pelo julgamento legítimo dos seus pares ou
pela lei do país.
40. A ninguém venderemos, a ninguém negaremos ou retardaremos direito ou justiça.
41. Todos os mercadores terão liberdade e segurança para sair, entrar, permanecer e
viajar através da Inglaterra, tanto por terra como por mar, para comprar e vender, livres
livr
de todos os direitos de pedágio iníquos, segundo as antigas e justas taxas, exceto em
tempo de guerra, caso sejam do país que está lutando contra nós. E se tais forem
encontrados no nosso país no início da guerra serão capturados sem prejuízo dos seus
corpos
orpos e mercadorias, até que seja sabido por nós, ou pelo nosso chefe de justiça, como os
mercadores do nosso país são tratados, se foram encontrados no país em guerra contra
nós; e se os nossos estiverem a salvo lá, estes estarão a salvo no nosso país.
(...)
46. Todos os barões que fundaram abadias, das quais possuem cartas dos reis de
Inglaterra, ou das quais dispõem de uma possessão antiga, terão a custódia delas quando
desabitadas como devem tê‑la.
47. Todas as florestas criadas no nosso tempo de reinado
reinado serão imediatamente liberadas
o mesmo se fará com todas as represas fluviais que no nosso tempo de governo foram
feitas nas reservas.
48. Todas as taxas exageradas concernentes a florestas e pastagens, e os foresters,
guardiães de pastagens, sheriffs e seus
seus auxiliares, represas fluviais e os seus guardiães
deverão imediatamente ser examinados em cada condado por doze cavaleiros ordenados
do mesmo condado, os quais serão eleitos pelos homens honestos do mesmo lugar, e
dentro de quarenta dias após a realização
realização do exame tais taxas serão completa e
irrevogavelmente eliminadas por eles, previsto que nós, ou o nosso chefe de justiça, se
não estivermos na Inglaterra, previamente tenhamos conhecimento disso.
49. Nós devolveremos imediatamente todos os reféns e cartas
cartas entregues a nós por
ingleses como garantia de paz ou de serviço leal.
(...)
52. Se alguém foi desalojado ou desapropriado por nós, sem o julgamento legítimo dos
seus pares, das suas terras, haveres, liberdades ou direitos, imediatamente os

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devolveremos a ele; e se surgir uma discórdia a este respeito, então será esclarecida pelo
veredicto dos vinte e cinco barões, cuja menção é feita abaixo na cláusula para a garantia
da paz. Mas, com respeito a todas aquelas coisas das quais alguém foi desapropriado ou
privado sem o legítimo julgamento dos seus pares, pelo rei Henry nosso pai, ou rei
Richard, nosso irmão, e as quais temos na nossa mão, ou que outros dispõem, e aos quais
estamos obrigados a garanti‑las, teremos uma prorrogação até o termo usual dos
cruzados, exceção feita àquelas a respeito das quais uma demanda foi iniciada ou uma
inquisição feita por nossa ordem, antes da nossa assunção da cruz; e quando retornarmos
da nossa peregrinação, ou se por
por acaso permanecermos, imediatamente faremos plena
justiça.
(...)
54. Ninguém será capturado ou aprisionado a pedido de uma mulher pela morte de uma
pessoa que não o seu marido.
55. Todas as multas lançadas por nós injustamente e contra a lei do país, e todas
to as penas
prescritas injustamente e contra a lei do país, serão inteiramente perdoadas, ou então
será dado um veredicto pelos vinte e cinco barões, dos quais se faz menção abaixo na
cláusula para a garantia da paz, ou pelo veredicto da maior parte deles,
deles juntamente com
o referido Stephen, arcebispo de Canterbury, se puder estar presente, e outros que ele
possa desejar indicar para esta finalidade; e se ele não puder estar presente, o processo
far‑se‑á sem ele, desde que, se um ou mais de um dos referidos vinte e cinco barões
estiver implicado numa demanda deste tipo, ele ou eles serão afastados nessa ocasião, e
um outro ou outros, eleitos e juramentados pelo restante dos vinte e cinco, para esta vez
somente, completarão o número.
56. Se desabrigamos ou desapropriamos
desapropriamos galeses de terras, ou liberdades ou outras coisas,
sem o legítimo julgamento dos seus pares, na Inglaterra ou em Gales, estas serão
imediatamente devolvidas a eles; e se surgir uma disputa a este respeito, então será
esclarecida na fronteira pelo
pelo julgamento segundo a lei de Gales para as possessões
galesas, e segundo a lei da fronteira para as possessões da fronteira. Os Galeses farão o
mesmo para nós e os nossos.
(...)
58. Devolveremos imediatamente o filho de Llewelyn, e todos os reféns de Gales,
Ga e as

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cartas que a nós foram entregues como garantia da paz.


59. Nós agiremos em relação a Alexander, rei dos Escoceses, com respeito às suas irmãs, e
a devolução dos reféns, e as suas liberdades e o seu direito, da maneira como agiremos
com os nossos outros barões da Inglaterra, a menos que deva ser diferentemente,
conforme as cartas que recebemos de William, seu pai, anteriormente rei dos Escoceses; e
isto se fará por intermédio do julgamento dos seus pares na nossa corte.
60. E mais, todos os referidos
referidos costumes e liberdades que concedemos para serem
observados no nosso reino, na medida em que nos concerne em relação aos nossos
homens, clérigos ou leigos, estes deverão observar em relação aos seus próprios homens.
(...)
63. Razão por que desejamos e firmemente
firmemente ordenamos que a igreja inglesa seja livre e
que os homens do nosso reino tenham e conservem todas as liberdades, direitos e
concessões acima, sólidos e em paz, livre e serenamente, plena e completamente, para si
e para os seus herdeiros, em todas as coisas e lugares, perpetuamente como será dito.
Isto foi jurado por nós e por nossos barões, que tudo o acima referido será mantido em
boa‑fé e sem malícia.

12.2. A DECLARAÇÃO INGLESA DE DIREITOS DE 1689 (BILL


( OF RIGHTS)
Noções gerais
A declaração dos direitos dos cidadãos é uma relação de considerandos de grande valia
para as pessoas. De posse desses direitos o povo alcançaria a liberdade política, religiosa e de
expressão.
Então surgiu no Reino Unido, aprovada pelo Parlamento da época em 1689, uma lista de
declaração de direitos dos cidadãos, denominada “Bill
“ of Rights”,
”, que se tratava de uma proposta
de lei. O art. 9o definiu que a liberdade
liberdade de expressão, e os debates ou procedimentos no
Parlamento não deveriam ser impedidos ou questionados por qualquer tribunal ou local fora do
Parlamento. A predominância burguesa neste parlamento gerou as condições esperadas para o
desenvolvimento da indústria
ústria e do capitalismo (sécs. XVIII e XIX).
Segundo Micheline R. Ishay,42 o Rei Jaime II empenhou‑se
se em destruir e extirpar a religião
protestante e as leis e liberdades deste reino:
42
ISHAY, Micheline R. (org.). Direitos humanos: uma antologia. São Paulo: Edusp, 2006, p. 171-173.
171

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1. Assumindo e exercendo o poder de revogar e suspender leis, e a execução


execuç das leis,
sem o consentimento do Parlamento.
2. Prendendo e processando diversos prelados dignos, por solicitarem humildemente a
dispensa de cooperar com o dito poder assumido.
3. Criando e fazendo executar uma comissão sob o grande selo para erigir um tribunal
chamado Tribunal de comissários de causas eclesiásticas.
4. Fazendo arrecadação de dinheiro para uso da Coroa, sob pretexto de prerrogativa,
em momento e de maneira diferentes daqueles feitos pelo Parlamento.
5. Criando e mantendo um exército permanente
permanente dentro deste reino em tempo de paz,
sem o consentimento do Parlamento, e aquartelando soldados contrariamente à lei.
6. Fazendo que vários bons súditos, por serem protestantes, fossem desarmados, ao
mesmo tempo que os papistas eram armados e empregados,
empregados, contrariamente à lei.
7. Violando a liberdade de escolha de membros para servir no Parlamento.
8. Por acusações no tribunal do Rei, por questões e causas que apenas o Parlamento
podia conhecer; e por diversas outras ações arbitrárias e ilegais.
9. E considerando
onsiderando que em anos anteriores pessoas parciais, corruptas e desqualificadas
foram eleitas e serviram como jurados em julgamentos, e particularmente em diversos
júris em julgamentos por alta traição, e que não eram donas de propriedades livres e
alodiais.
10. E uma fiança excessiva tem sido exigida de pessoas presas em casos criminais, para
eludir o benefício das leis feitas para a liberdade dos súditos.
11. E multas excessivas têm sido impostas; e punições cruéis e ilegais infligidas.
12. E diversas concessões
ncessões e promessas feitas de multas e confiscos, antes de qualquer
condenação ou julgamento das pessoas a quem seriam impostas.
Tudo o que é contrário expressa e diretamente às leis e estatutos conhecidos, e à
liberdade deste reino.
E considerando que, tendo
tendo o dito falecido Rei Jaime abdicado do governo e estando vago,
portanto, o trono, sua Alteza o príncipe de Orange (que aprouve a Deus Todo‑Poderoso
ser o instrumento glorioso de libertação deste reino do papismo e do poder arbitrário)
ordenou (a conselho dos lordes espirituais e temporais, e de diversas pessoas principais
dos Comuns) que fossem escritas cartas aos lordes espirituais e temporais,
tempor que fossem

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protestantes; e outras cartas para vários condados, cidades, universidades, burgos, e aos
cinco portos, para que escolhessem essas pessoas para representá‑los, com direito a
serem enviadas ao Parlamento, para reunirem‑se e sentarem em Westminster
Westm no
segundo e vigésimo dia de janeiro, neste ano de mil, seiscentos e sessenta e oito, a fim de
que, com tal procedimento, suas religiões, leis e liberdades não estivessem ameaçadas de
subversão; e com base em tais cartas, eleições foram devidamente realizadas.
E, portanto, os ditos lordes espirituais e temporais, e os comuns, respeitando suas
respectivas cartas e eleições, estando agora reunidos como plenos e livres representantes
desta nação, considerando mui seriamente os melhores meios de atingir os fins acima
ditos, declaram, em primeiro lugar (como seus antepassados fizeram comumente em caso
semelhante), para reivindicar e garantir seus antigos direitos e liberdades:
1. Que é ilegal o pretendido poder de suspender leis, ou a execução de leis, pela
pel
autoridade real, sem o consentimento do Parlamento.
2. Que é ilegal o pretendido poder de revogar leis, ou a execução de leis, por
autoridade real, como foi assumido e praticado em tempos passados.
3. Que a comissão para criar o recente Tribunal de comissários
comis para as causas
eclesiásticas, e todas as outras comissões e tribunais de igual natureza, são ilegais e
perniciosos.
4. Que é ilegal a arrecadação de dinheiro para uso da Coroa, sob pretexto de
prerrogativa, sem autorização do Parlamento, por um período
período de tempo maior, ou de
maneira diferente daquela como é feita ou outorgada.
5. Que constitui um direito dos súditos apresentarem petições ao Rei, sendo ilegais
todas as prisões ou acusações por motivo de tais petições.
6. Que levantar e manter um exército
exército permanente dentro do reino em tempo de paz é
contra a lei, salvo com permissão do Parlamento.
7. Que os súditos que são protestantes possam ter armas para sua defesa adequadas a
suas condições, e permitidas por lei.
8. Que devem ser livres as eleições dos
dos membros do Parlamento.
9. Que a liberdade de expressão, e debates ou procedimentos no Parlamento, não
devem ser impedidos ou questionados por qualquer tribunal ou local fora do Parlamento.
10. Que não deve ser exigida fiança excessiva, nem impostas multas
mult excessivas;

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tampouco infligidas punições cruéis e incomuns.


11. Que os jurados devem ser devidamente convocados e nomeados, e devem ser donos
de propriedade livre e alodial os jurados que decidem sobre as pessoas em julgamentos de
alta traição.
12. Que são ilegais e nulas todas as concessões e promessas de multas e confiscos de
pessoas particulares antes de condenação.
13. E que os Parlamentos devem reunir‑se com frequência para reparar todos os
agravos, e para corrigir, reforçar e preservar as leis.
E reclamam, pedem e insistem que todas essas premissas constituem seus direitos e
liberdades inquestionáveis; e que nenhumas declarações, julgamentos, atos ou
procedimentos, para prejuízo do povo em alguma das ditas premissas, devem ser, de
alguma maneira, tomadas no futuro como precedente ou exemplo.
A essa demanda de seus direitos são particularmente encorajados pela declaração de sua
Alteza o príncipe de Orange,
Orange, como sendo o único meio de obter plena reparação e
correção nessa questão.

12.3. DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DA VIRGÍNIA, DE 12 DE JUNHO DE 1776


Noções introdutórias
É uma declaração de direitos, com inspirações iluministas, que se reveste do contexto
histórico
tórico da independência dos Estados Unidos. Seu texto foi de autoria de George Naron.
Nota‑se
se nos dois primeiros parágrafos o interesse por um Estado Democrático. Os primeiros
reconhecimentos normativos da igualdade essencial da condução humana remonta justamente
jus a
esta Declaração de 1776, junto com a Declaração dos Direitos do Homem de 1789, da França, uma
vez que proclamam as liberdades individuais e igualdade perante a lei.
Já nesta época se preocupava com os privilégios e a hereditariedade dos cargos públicos.

Artigos de maior relevância
Art. 1o – Trata do direito de igualdade, quando aponta que todos os homens nascem
igualmente livres e independentes, têm direitos certos, essenciais e naturais dos quais não
podem, por nenhum contrato, privar nem despojar
despojar sua posteridade: tais são o direito de
gozar a vida e a liberdade com os meios de adquirir e possuir propriedades, de procurar
obter a felicidade e a segurança.

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Art. 2o – Relata o constitucionalismo, quando aponta o povo como titular do poder.


Art. 3o – Dispõe que o governo é ou deve ser instituído para o bem comum, para a
proteção e segurança do povo, da nação ou da comunidade. Dos métodos ou formas, o
melhor será que se possa garantir, no mais alto grau, a felicidade e a segurança e o que
mais realmente resguarde contra o perigo de má administração.
Art. 4o – Versa que nenhum homem e nenhum colégio ou associação de homens pode ter
outros títulos para obter vantagens ou prestígios, particulares, exclusivos e distintos dos
da comunidade, a não ser em consideração
consideração de serviços prestados ao público, e, a este
título, não serão nem transmissíveis aos descendentes nem hereditários, a ideia de que
um homem nasça magistrado, legislador, ou juiz, é absurda e contrária à natureza.
Art. 5o – Traz o equilíbrio e a separação
separação dos poderes como ato norteador de segurança
nas relações democráticas.
Art. 6o – Apresenta as eleições livres o direito ao sufrágio.
Art. 7o – Prestigia o direito da propriedade; e sua restrição por lei.
Art. 8o – Relata que todo o poder de deferir as leis ou de embaraçar a sua execução,
qualquer que seja a autoridade, sem o seu consentimento dos representantes do povo, é
um atentado aos seus direitos e não tem cabimento.
Art. 9o – Revela o princípio da anterioridade e da reserva legal.
Art. 10o – Contempla
ntempla que em todos os processos por crimes todo o acusado tem o direito
de questionar a causa e a natureza da acusação que lhe é intentada; de apresentar ou
requerer a apresentação de testemunhas e de tudo que for a seu favor, de exigir processo
rápido por
or um júri imparcial e de sua circunvizinhança, sem o consentimento unânime do
qual ele não poderá ser declarado culpado. Não pode ser forçado a produzir provas contra
si próprio; e nenhum indivíduo pode ser privado de sua liberdade, a não ser por um
julgamento
mento dos seus pares, em virtude da lei do país.
Art. 11o – Revela que não devem ser exigidas cauções excessivas, nem impostas multas
demasiadamente fortes, nem aplicadas penas cruéis e desusadas.
Art. 12o – Afirma que todas as ordens de prisão são vexatórias
vexatórias e opressivas se forem
expedidas sem provas suficientes e se a ordem ou requisição nelas transmitidas a um
oficial ou a um mensageiro do Estado, para efetuar buscas em lugares suspeitos, deter
uma ou várias pessoas, ou tomar seus bens, não contiver uma indicação e uma descrição

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especiais dos lugares, das pessoas ou das coisas que dela forem objeto; semelhantes
ordens jamais devem ser concedidas.
Art. 13o – Relata que nas causas que interessem à propriedade ou os negócios pessoais, a
antiga forma de processo
processo por jurados é preferível a qualquer outra, e deve ser
considerada como sagrada.
Art. 14o – Traz que a liberdade de imprensa é um dos mais fortes baluartes da liberdade
do Estado e só pode ser restringida pelos governos despóticos.
(...)
Art. 16o – Dispõe
õe que o povo tem direito a um governo uniforme; deste modo não deve
legitimamente ser instituído nem organizado nenhum governo separado, nem
independente do da Virgínia, nos limites do Estado.
Art. 17o – Versa que um povo não pode conservar um governo livre
liv e a felicidade da
liberdade, a não ser pela adesão firme e constante às regras da justiça, da moderação, da
temperança, de economia e da virtude e pelo apelo frequente aos seus princípios
fundamentais.
Art. 18o – Contempla o direito de credo por convicção,
convicção, e jamais pela força e pela violência.
É dever recíproco de todos os cidadãos praticar a tolerância cristã, o amor à caridade uns
com os outros.

12.4. DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DO HOMEM E DO CIDADÃO DE 1789


Noções gerais
A Assembleia Nacional Constituinte
Constituinte da França, seguindo nortes idealizadores do
iluminismo, da Revolução Francesa e da Revolução Americana de 1776, apresentou a Declaração
dos Direitos do Homem e do Cidadão, codificada em um preâmbulo e 17 artigos contendo seus
ideais de liberdade.
Inspirou
ou as Constituições Francesas da mesma forma que baseou‑se
baseou em instrumentos
revolucionários.
Foi premissa fundamental da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1789:
Artigos de maior relevância
Os representantes do povo francês, constituídos em Assembleia
Assembleia Nacional, considerando
que a ignorância, o esquecimento ou o desprezo dos direitos do homem são as únicas

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causas das desgraças públicas e da corrupção dos Governos, resolveram expor em


declaração solene os Direitos naturais, inalienáveis e sagrados do Homem, a fim de que
esta declaração, constantemente presente em todos os membros do corpo social, lhes
lembre sem cessar os seus direitos e os seus deveres; a fim de que os atos do Poder
legislativo e do Poder executivo, a instituição política, sejam por isso mais respeitados; a
fim de que as reclamações dos cidadãos, doravante fundadas em princípios simples e
incontestáveis, se dirijam sempre à conservação da Constituição e à felicidade geral.
Por consequência, a Assembleia Nacional reconhece e declara, na
n presença e sob os
auspícios do Ser Supremo, os seguintes direitos do Homem e do Cidadão:
Art. 1o Os homens nascem e são livres e iguais em direitos. As distinções sociais só podem
fundar‑se na utilidade comum.
Art. 2o O fim de toda a associação política é a conservação dos direitos naturais e
imprescritíveis do homem. Esses direitos são a liberdade, a propriedade, a segurança e a
resistência à opressão.
Art. 3o O princípio de toda a soberania
soberania reside essencialmente na Nação. Nenhuma
corporação, nenhum indivíduo pode exercer autoridade que aquela não emane
expressamente.
Art. 4o A liberdade consiste em poder fazer tudo aquilo que não prejudique outrem: assim,
o exercício dos direitos naturais
naturais de cada homem não tem por limites senão os que
asseguram aos outros membros da sociedade o gozo dos mesmos direitos. Estes limites
apenas podem ser determinados pela Lei.
Art. 5o A lei não proíbe senão as ações nocivas à sociedade. Tudo que não é vedado pela
lei não pode ser obstado e ninguém pode ser constrangido a fazer o que ela não ordene.
Art. 6o A Lei é a expressão da vontade geral. Todos os cidadãos têm o direito de concorrer,
pessoalmente ou através dos seus representantes, para a sua formação. Ela
El deve ser a
mesma para todos, quer se destine a proteger quer a punir. Todos os cidadãos são iguais
a seus olhos, são igualmente admissíveis a todas as dignidades, lugares e empregos
públicos, segundo a sua capacidade, e sem outra distinção que não seja a das suas
virtudes e dos seus talentos.
Art. 7o Ninguém pode ser acusado, preso ou detido senão nos casos determinados pela Lei
e de acordo com as formas por esta prescritas. Os que solicitam, expedem, executam ou

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mandam executar ordens arbitrárias devem ser


ser castigados; mas qualquer cidadão
convocado ou detido em virtude da Lei deve obedecer imediatamente, senão torna‑se
culpado de resistência.
Art. 8o A Lei apenas deve estabelecer penas estrita e evidentemente necessárias, e
ninguém pode ser punido senão em virtude de uma lei estabelecida e promulgada antes
do delito e legalmente aplicada.
Art. 9o Todo o acusado se presume
presume inocente até ser declarado culpado e, se se julgar
indispensável prendê‑lo, todo o rigor não necessário à guarda da sua pessoa, deverá ser
severamente reprimido pela Lei.
Art. 10o Ninguém pode ser inquietado pelas suas opiniões, incluindo opiniões religiosas,
re
contanto que a manifestação delas não perturbe a ordem pública estabelecida pela Lei.
Art. 11o A livre comunicação dos pensamentos e das opiniões é um dos mais preciosos
direitos do Homem; todo o cidadão pode, portanto, falar, escrever, imprimir livremente,
respondendo, todavia, pelos abusos desta liberdade nos termos previstos na Lei.
Art. 12o A garantia dos direitos do Homem e do Cidadão carece de uma força pública;
esta força é, pois, instituída para vantagem de todos, e não para utilidade particular
part
daqueles a quem é confiada.
Art. 13o Para a manutenção da força pública e para as despesas de administração é
indispensável uma contribuição comum, que deve ser repartida entre os cidadãos de
acordo com as suas possibilidades.
Art. 14o Todos os cidadãos
cidadãos têm o direito de verificar, por si ou pelos seus representantes,
a necessidade da contribuição pública, de consenti‑la livremente, de observar o seu
emprego e de lhe fixar a repartição, a coleta, a cobrança e a duração.
Art. 15o A sociedade tem o direito de pedir contas a todo o agente público pela sua
administração.
Art. 16o Qualquer sociedade em que não esteja assegurada
assegurada a garantia dos direitos, nem
estabelecida a separação dos poderes não tem Constituição.
Art. 17o Como a propriedade é um direito inviolável e sagrado, ninguém dela pode ser
privado, a não ser quando a necessidade pública legalmente comprovada o exigir
evidentemente e sob condição de justa e prévia indenização.

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12.5. A CONSTITUIÇÃO MEXICANA DE 1917


Venustiano Carranza (Primeiro‑Chefe
Chefe do Exército, encarregado do poder executivo
mexicano) convocou a Assembleia Constituinte, cumprindo o estipulado no plano de Guadalupe;
vindo a substituir a Constituição Mexicana de 1857.
1857
Esta nova Contituição (a de 5 de fevereiro de 1917), oficialmente
oficialm conhecida como
Constitución Politica de los Estados Unidos Mexicanos que reforma la del 5 de febrero de 1857,
1857 é
conhecida carta de representação popular, até porque promulgada. Ainda em termos de
democracia, teve várias reformas após sua vigência.
Em termos de concurso público, é importante o candidato saber que a Constituição
Mexicana foi a primeira constituição da História a contemplar os direitos sociais, antes mesmo da
Constituição de Weimar (em 1919).
1919
Tem características liberais, agrárias, nacionalista,
nacionalista, de proteção do trabalhador e de senso
social (direito à greve,, jornada de oito horas, direito de associação em sindicatos,
sindicatos salário mínimo,
limitação do trabalho infantil e feminino). Foi considerada inovadora porque anticlerical, por
restringir a posse de explorações mineiras e de terras por estrangeiros. Foi alvo de diversas
alterações desde a sua promulgação.
Com a finalidade de melhor se localizar o leitor sobre as informações lançadas no capítulo II
da Constituição Mexicana, são afirmadas algumass declarações de direitos:
1º – A fim de se realizar a socialização da terra, é abolida a propriedade privada da terra;
todas as terras passam a ser propriedade nacional e são entregues aos trabalhadores sem
qualquer espécie de resgate, na base de uma repartição
repartição igualitária em usufruto.
As florestas, o subsolo e as águas que tenham importância nacional, todo o gado e todas
as alfaias, assim como todos os domínios e todas as empresas agrícolas‑modelos passam
a ser propriedade nacional.
2º – Como primeiro passo para a transferência completa das fábricas, das usinas, das
minas, das ferrovias e de outros meios de produção e de transporte para a propriedade da
República operária e camponesa dos Sovietes,
Sovietes, o Congresso ratifica a lei soviética sobre a
administração operária e sobre o Conselho Superior da Economia Nacional, com o objetivo
de assegurar o poder dos trabalhadores sobre os exploradores.
3º – O Congresso ratifica a transferência de todos os bancos para o Estado operário e
camponês como uma das condições de libertação das massas laboriosas do jugo do

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capital.
4º – Tendo em vista suprimir os elementos parasitas da sociedade e organizar a
economia, é estabelecido o serviço do trabalho obrigatório
obrigatório para todos.
5º – A fim de assegurar a plenitude dos poderes das massas laboriosas e de afastar
qualquer possibilidade de restauração do poder dos exploradores, o Congresso decreta o
armamento dos trabalhadores, a formação de um exército vermelho socialista
socialis dos
operários e camponeses e o desarmamento total das classes possuidoras.

12.6. CONSTITUIÇÃO ALEMÃ DE 1919


Noções gerais
A Constituição do Império Alemão “Weimarer Verfassung”,, ou simplesmente Weimar, foi
o texto legal que governou a república de Weimar
W (1919-1933).
1933). Esta normatização instituiu a
primeira república alemã, produto da guerra de 1914-1918.
1914 1918. Apesar das boas intenções
democráticas, ainda estava recalcada em detrimento do fato pós‑guerra,
pós guerra, quando contou, além da
derrota, com mais de dois milhões
milhões de homens mortos e uma multidão de mutilados.
A Constituição de Weimar foi o marco do movimento constitucionalista que contemplava
os direitos sociais, em plena ascensão do Estado Social, tais como educação, cultura, previdência,
produção, trabalho etc.
Redirecionou o Estado em prol da sociedade. Nota‑se
Nota se este fato quando se verifica no texto
a substituição do imperador pelo pesidente eleito democraticamente. Este nomeava o Chanceler
do império que respondia ao parlamento (Reichstag).
(
Esta Constituição não acabou com o histórico Império Alemão, entretanto
entretan lhe revestiu de
democracia e perfil liberal. Observe que o nome do Estado Alemão ficou como Deutsches Reich
até a derrota da Alemanha Nazista no final da Segunda Guerra Mundial.
Hugo Preuss redigiu o projeto da Constituição, a qual foi considerada uma carta
c
contraditória por confundir necessidades e momentos históricos distintos, pois tratava de ideias
pré‑medievais
medievais com ideais socialistas e políticos.
A assembleia ratificou o tratado de Versalhes, impondo à Alemanha indenizações
decorrentes da guerra em montante insuportável causando um inevitável impacto financeiro.

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Uma década depois, com a queda da Bolsa de Nova York, não ocorreu outra coisa senão a
destruição da República de Weimar (1933).
Em que pese as contradições assinaladas e sua breve vigência, sua influência histórica
exerceu decisiva importância sobre a evolução política no Ocidente. A implementação
implementaç do Estado
democrático social, juntamente com o já traçado dois anos antes pela Constituição do México de
1917, reestruturou uma nova Alemanha de 1919.
A Constituição de Weimar tem estrutura dualista. Organiza o Estado em uma parte e
declara direitos e deveres
everes fundamentais em outra. Ademais, acrescentou as liberdades individuais
e os direitos sociais.

12.7. DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS, de 1948


Noções gerais
A Declaração Universal dos Direitos Humanos – DUDH, foi adotada pela ONU em 1948,
quando proclamada pela Resolução no 217 A (III). Notabilizada pelo Canadá, Estados Unidos,
França, China, Líbano entre, outros, traçou os direitos humanos básicos.
Com o intuito de reconstruir o mundo, os dirigentes das nações emergentes do pós‑guerra
pós
definiram, na Conferência de Yalta, as bases de um futuro com paz bem como estabeleceram
áreas de influência das potências e a criação de uma Organização que incentivasse a negociação
nos conflitos internacionais, evitando guerras, promovendo a pacificação
pacificação e a democracia e o
engrandecimento dos Direitos Humanos.
Pela leitura do seu preâmbulo, a DUDH foi influenciada decisivamente pelas atrocidades
cometidas durante a 2ª Guerra Mundial. Nem todos os membros das Nações Unidas, à época,
ratificaram a Declaração,
eclaração, porque os países comunistas da época (União Soviética, Ucrânia e Rússia
Branca, Tchecoslováquia, Polônia e Iugoslávia), a Arábia Saudita e a África do Sul se abstiverem de
votar.
Trata-se
se de um documento com 30 artigos, típico direito de 3ª dimensão/geração.
dime Porém,
não tem força normativa internacional e nem executividade (não é um tratado internacional e não
conduz à obrigatoriedade legal aos Estados). É uma recomendação principiológica, daí porque
eventual descumprimento do mesmo só pode ser punido
punido com base em costumes. No entanto,
existem jusnaturalistas que entendem pela força jurídica da DUDH porque ela na verdade apenas

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declara direitos naturais que são obrigatórios mesmo sem reconhecimento estatal, muito embora
não seja maioria.
Por conta desta ausência de normatividade, os Estados resolveram criar dois importantes
tratados internacionais, justamente para dar força normativa-executiva
normativa executiva à Declaração Universal de
1948: Pacto de Direitos Internacional de Civis e Políticos, de 1966, destinados aos
a indivíduos, com
aplicação imediata, e Direitos Econômicos Culturais e Sociais, de 1966, destinados aos Estados,
com aplicação progressiva. Convenção Internacional de sobre a Erradicação de todas as formas de
Discriminação Racial, de 1965, também é ato internacional
internacional que ajudou a executividade de direitos
humanos, ante a inexistência de tal da Declaração Universal de 1948.
Assim, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Pacto Internacional de Direitos Civis
e Políticos e o Pacto Internacional dos Direitos
Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, formam a Carta
Internacional dos Direitos Humanos, documento básico do sistema global de Proteção
Internacional dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, aos quais se somam os
tratados internacionais de direitos humanos, como a Convenção para Prevenção e Repressão do
Crime de Genocídio, a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de
Discriminação Racial a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra
as Mulheres, dentre outros.
Objetivo proclamado
A Assembleia Geral proclamou a Declaração Universal dos Direitos Humanos com os
mesmos preceitos em comum a serem alcançados por todas as nações, objetivando que cada
indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, por
meio da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de
medidas progressivas de caráter nacional e internacional, PREÂMBULO
Com o interesse em vários pontos sociais, os dirigentes enfatizaram diversas
considerações, que ora entendi prudente destacar:

Preâmbulo
Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família
humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e
da paz no mundo,
Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos

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bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em


que os homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade
libe de viverem a
salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do homem
comum,
Considerando essencial que os direitos humanos sejam protegidos pelo Estado de Direito,
para que o homem não seja compelido, como último recurso,
recurso, à rebelião contra tirania e a
opressão,
Considerando essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as
nações,
Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua fé nos direitos
humanos fundamentais, na dignidade
dignidade e no valor da pessoa humana e na igualdade de
direitos dos homens e das mulheres, e que decidiram promover o progresso social e
melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla,
Considerando que os Estados-Membros
Estados Membros se comprometeram a desenvolver,
desenvo em
cooperação com as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos humanos e liberdades
fundamentais e a observância desses direitos e liberdades,
Considerando que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mis alta
importância para
ra o pleno cumprimento desse compromisso,
A Assembleia Geral proclama
A presente Declaração Universal dos Diretos Humanos como o ideal comum a ser atingido
por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão
da sociedade,
edade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da
educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de
medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu
reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos
próprios Estados-Membros,
Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.
Artigo I
Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e
consciência
iência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.
Artigo II
Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta

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Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião,
opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou
qualquer outra condição.
Artigo III
Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Artigo IV
Ninguém será mantido em escravidão ou servidão,
servidão, a escravidão e o tráfico de escravos
serão proibidos em todas as suas formas.
Artigo V
Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou
degradante.
Artigo VI
Toda pessoa tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecida
reconhecida como pessoa perante
a lei.
Artigo VII
Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da
lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente
Declaração e contra qualquer
qualq incitamento a tal discriminação.
Artigo VIII
Toda pessoa tem direito a receber dos tributos nacionais competentes remédio efetivo
para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela
constituição ou pela lei.
Artigo IX
Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.
Artigo X
Toda pessoa tem direito, em plena igualdade, a uma audiência justa e pública por parte
de um tribunal independente e imparcial, para decidir de seus direitos e deveres ou do
fundamento de qualquer acusação criminal contra ele.
Artigo XI
1. Toda pessoa acusada de um ato delituoso tem o direito de ser presumida inocente até
que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público

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no qual lhe tenham sido asseguradas


asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.
2. Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não
constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. Tampouco será imposta
pena mais forte do que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato
delituoso.
Artigo XII
Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na
sua correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação. Toda pessoa tem direito à
proteção da lei contra tais interferências ou ataques.
Artigo XIII
1. Toda pessoa tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de
cada Estado.
2. Toda pessoa tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este
regressar.
Artigo XIV
1.Toda pessoa, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em
outros países.
2. Este direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente motivada por
crimes de direito comum ou por atos contrários aos propósitos
propósitos e princípios das Nações
Unidas.
Artigo XV
1. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade.
2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar
de nacionalidade.
Artigo XVI
1. Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer restrição
trição de raça, nacionalidade
ou religião, têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais
direitos em relação ao casamento, sua duração e sua dissolução.
2. O casamento não será válido senão com o livre e pleno
pleno consentimento dos nubentes.
Artigo XVII
1. Toda pessoa tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.

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2.Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.


Artigo XVIII
Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito
inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião
ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou
coletivamente, em público ou em particular.
Artigo XIX
Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade
de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias
por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.
Artigo XX
1. Toda pessoa
soa tem direito à liberdade de reunião e associação pacíficas.
2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.
Artigo XXI
1. Toda pessoa tem o direito de tomar parte no governo de seu país, diretamente ou por
intermédio de representantes livremente escolhidos.
2. Toda pessoa tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país.
3. A vontade do povo será a base da autoridade do governo; esta vontade será expressa
em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto
s ou processo
equivalente que assegure a liberdade de voto.
Artigo XXII
Toda pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social e à realização,
pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e
recursoss de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua
dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade.
Artigo XXIII
1.Toda pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e
favoráveis dee trabalho e à proteção contra o desemprego.
2. Toda pessoa, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual
trabalho.
3. Toda pessoa que trabalhe tem direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe

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assegure, assim como à sua


sua família, uma existência compatível com a dignidade humana,
e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social.
4. Toda pessoa tem direito a organizar sindicatos e neles ingressar para proteção de seus
interesses.
Artigo XXIV
Toda pessoa
ssoa tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de
trabalho e férias periódicas remuneradas.
Artigo XXV
1. Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família
saúde e bem estar, inclusive alimentação,
alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os
serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença,
invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu
controle.
2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. Todas as
crianças nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social.
Artigo XXVI
1. Toda pessoa tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos
graus elementaress e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução
técnico-profissional
profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada
no mérito.
2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade
humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades
fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre
todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações
Unidas em prol da manutenção da paz.
3. Os pais têm prioridade de direito à escolha do gênero de instrução que será ministrada
a seus filhos.
Artigo XXVII
1. Toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de
fruir as artes e de participar do processo científico e de seus benefícios.
2. Toda pessoa tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de

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qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor.


Artigo XVIII
Toda pessoa tem direito
ireito a uma ordem social e internacional em que os direitos e
liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados.
Artigo XXIV
1. Toda pessoa tem deveres para com a comunidade, em que o livre e pleno
desenvolvimento de sua personalidade
pe é possível.
2. No exercício de seus direitos e liberdades, toda pessoa estará sujeita apenas às
limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido
reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer às justas
exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar
bem estar de uma sociedade democrática.
3. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos
contrariamente aos propósitos e princípios das Nações Unidas.
Artigo XXX
Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o
reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer
atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer dos direitos e
liberdades aqui estabelecidos.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos – DUDH costuma ser bastante comum a
comparação com os direitos nela previstos e aqueles constante do rol do art. 5º da CF/88. Por
exemplo, a DUDH prevê o princípio da tipicidade penal, ao enfatizar
enfatizar que ninguém pode ser
culpado por ação ou omissão que, no momento da sua prática, não constituía delito perante o
direito nacional ou internacional, assim como direito à liberdade de opinião e expressão, a
gratuidade da educação fundamental, o direito
direito ao casamento, à organização de sindicato (muito
embora não preveja unicidade sindical, como na CF-88),
CF 88), presunção de inocência, legalidade, vida
privada, proteção do lar, ao trabalho, associação e reunião, direitos autorais,
autorais asilo, soberania
popular etc. Não prevê, entretanto, vários direitos previstos no art. 5º da CF-88,
CF como, por
exemplo: a) o direito de resposta (prevê no art. XII direito à proteção da lei contra ofensas à vida
privada, família, lar, correspondência e à honra e reputação, mas não diz expressamente
e sobre o
direito de resposta); b) o direito à imagem; c) o direito do preso à assistência religiosa (prevê

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direito à liberdade religiosa, mas não cita esta assistência);


assistência) d) desapropriação (prevê
indiretamente quando garante que ninguém será privado
privado arbitrariamente da sua propriedade);
propriedade) e)
o direito à herança; f) a inafastabilidade da jurisdição (o art. X prevê direito a audiência justa e
pública em um tribunal independente e imparcial, para decidir sobre seus direitos e deveres ou
sobre os fundamentos
entos da acusação criminal, mas não coloca tal tribunal no âmbito do Judiciário,
daí porque o país que criar o sistema do contencioso administrativo, como na França, não estará
violando a DUDH); g) o direito de petição; h) o direito à gratuidade de certidões
certidõ (prevê apenas
gratuidade para instrução fundamental,
fundamental no art. XXVI);; i) o direito ao “habeas corpus” e outros
remédios heroicos etc.

Questões de concursos
09) (SEJUS-ES, Cespe - Agente Penitenciário - 2009) Segundo a Declaração Universal dos Direitos
Humanos,
manos, proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, julgue os itens que se seguem
em (C) CERTO ou (E) ERRADO.
a) Ninguém pode ser arbitrariamente detido, preso ou exilado.
b) O direito à educação e o direito de participação na vida cultural da comunidade
comun são
expressamente consagrados, assim como o direito à igual proteção da lei e à liberdade de
locomoção.
c) O suspeito da prática de crime não é considerado inocente, ainda que não tenha havido
pronunciamento judicial acerca do fato por ele praticado.
a) C, C, C
b) C, C, E
c) C, E, C
d) E, C, C

10) SEAD-AP, FMZ - Agente Penitenciário - 2010) Com base na Declaração Universal dos Direitos
Humanos é CORRETO afirmar que
a) tal Declaração constitui um ideal comum a ser atingido por todos os povos e nações ocidentais
b) muito embora todas as pessoas nasçam livres e iguais em dignidade e direitos, nem todas são
dotadas de razão e consciência;

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c) toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de,
sem interferência,, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por
quaisquer meios e independentemente de fronteiras;
d) a proteção aos direitos assegurados através da Declaração não impede que a pessoa sofra
interferências na sua vida privada ou em seu lar, sempre que tais interferências se mostrarem
adequadas para resguardar os interesses do Estado;
e) toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos na Declaração,
salvo aquelas pessoas que ostentem condição especial,
especial, tal como os portadores de deficiência

Questão
11. A Declaração Universal dos Direitos do Homem (1948) constitui,
constitui, do ponto de vista técnico-
técnico
jurídico brasileiro,
a) Uma recomendação;
b) Um acordo internacional.
c) Um decreto;
d) Um pacto internacional;
e) Um tratado internacional.

12.8. PACTO INTERNACIONAL SOBRE DIREITOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E CULTURAIS


Introdução
Assembleia Geral das Nações Unidas, em 19-12-1966
19 1966 adotou o Pacto Internacional sobre
Direitos Econômicos, Sociais e Culturais pela XXI Sessão.
Sessão. O Brasil, pelo Decreto Legislativo
no 226/1991, o aprovou e, ato seguinte, em 6-7-1992,
6 1992, o promulgou pelo Decreto no 591/1992.
O Pacto Internacional subdivide‑se
subdivide em cinco partes, a saber:
1) à autodeterminação dos povos e à livre disposição de seus recursos naturais e riquezas;
2) ao compromisso dos Estados de implementar os direitos previstos;
3) aos direitos propriamente ditos;
4) ao mecanismo de supervisão por
por meio da apresentação de relatórios ao Conselho
Econômico e Social – ECOSOC; e
5) às normas referentes à sua ratificação e entrada em vigor.
Para garantir judicialmente os direitos aqui elencados, os direitos econômicos, sociais e

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culturais possuem eficácia


cia dúbia, ou seja, contemplação dos direitos civis e políticos e, segundo a
doutrina processual, a migração para os interesses jurídicos transindividuais, abordando
instrumentalidade de dedução das contendas.
O seu preâmbulo se apresenta por considerandos e acordam:
(...) Considerando que, em conformidade com os princípios proclamados na Carta das
Nações Unidas, o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família
humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis constitui o fundamento da liberdade,
li da
justiça e da paz no mundo,
Reconhecendo que esses direitos decorrem da dignidade inerente à pessoa humana,
Reconhecendo que, em conformidade com a Declaração Universal dos Direitos do
Homem. O ideal do ser humano livre, liberto do temor e da miséria.
mi Não pode ser
realizado a menos que se criem condições que permitam a cada um gozar de seus direitos
econômicos, sociais e culturais, assim como de seus direitos civis e políticos,
Considerando que a Carta das Nações Unidas impõe aos Estados a obrigação
obriga de promover
o respeito universal e efetivo dos direitos e das liberdades do homem,
Compreendendo que o indivíduo, por ter deveres para com seus semelhantes e para com a
coletividade a que pertence, tem a obrigação de lutar pela promoção e observância dos
d
direitos reconhecidos no presente Pacto,
O Pacto procura estabelecer, por meio de dispositivos legais, as condições sociais,
econômicas e culturais para uma vida digna. E assim estabelece:
São direitos econômicos aqueles relacionados à produção, distribuição
distrib e consumo da
riqueza, disciplinando as relações trabalhistas, condições justas e favoráveis
(remuneração), sem diferença entre os sexos, higiene e segurança, lazer e descanso e
promoção por tempo de serviço e capacidade, fundar ou se associar a sindicato
sindi (direito
civil) e fazer greve, segurança social, proteção da família, das mães e das gestantes,
proibição do trabalho infantil e restrição do trabalho de crianças e adolescentes (art. 10).
Já os direitos sociais e culturais dizem respeito ao estabelecimento
estabelecimento de um padrão de vida
adequado, incluindo a instrução e a participação na vida cultural da comunidade, como preveem
os arts. 11 a 15, destacando‑‑se
se a proteção contra a fome, o direito à alimentação, vestimenta,
moradia, educação, participação na vida cultural e desfrutar do progresso científico etc.

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Artigos de maior relevância


Após este breve comentário a respeito do Pacto, trataremos de verificar o que acordaram
no instrumento, dentre outras, as seguintes normas de maior relevância:
Artigo 1o
1. Todos os povos têm direito a autodeterminação. Em virtude desse direito, determinam
livremente seu estatuto político e asseguram livremente seu desenvolvimento
desenvolvi econômico,
social e cultural.
2. Para a consecução de seus objetivos, todos os povos podem dispor livremente de suas
riquezas e de seus recursos naturais, sem prejuízo das obrigações decorrentes da
cooperação econômica internacional, baseada no princípio
princípio do proveito mútuo, e do
Direito Internacional. Em caso algum, poderá um povo ser privado de seus próprios meios
de subsistência.
3. Os Estados‑Partes do Presente Pacto, inclusive aqueles que tenham a responsabilidade
de administrar territórios não autônomos
autônomos e territórios sob tutela, deverão promover o
exercício do direito à autodeterminação e respeitar esse direito, em conformidade com as
disposições da Carta das Nações Unidas.
Artigo 2o
1. Cada Estado‑Parte do presente Pacto compromete‑se a adotar medidas,
med tanto por
esforço próprio como pela assistência e cooperação internacionais, principalmente nos
planos econômico e técnico, até o máximo de seus recursos disponíveis, que visem a
assegurar, progressivamente, por todos os meios apropriados, o pleno exercício
ex dos
direitos reconhecidos no presente Pacto, incluindo, em particular, a adoção de medidas
legislativas.
2. Os Estados‑Partes do presente Pacto comprometem‑se a garantir que os direitos nele
enunciados se exercerão sem discriminação alguma por motivo de raça, cor, sexo, língua,
religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, situação
econômica, nascimento ou qualquer outra situação.
3. Os países em desenvolvimento, levando devidamente em consideração os direitos
humanos e a situação econômica nacional, poderão determinar em que garantirão os
direitos econômicos reconhecidos no presente Pacto àqueles
àqueles que não sejam seus
nacionais.

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Artigo 3o
Os Estados‑Partes do presente Pacto comprometem‑se a assegurar a homens e mulheres
igualdade no gozo de todos os direitos econômicos, sociais e culturais enumerados no
presente Pacto.
Artigo 4o
Os Estados‑Partes do presente Pacto reconhecem que, no exercício dos direitos
dir
assegurados em conformidade com o presente Pacto pelo Estado, este poderá submeter
tais direitos unicamente às limitações estabelecidas em lei, somente na medida
compatível com a natureza desses direitos e exclusivamente com o objetivo de favorecer o
bem‑estar geral em uma sociedade democrática.
Artigo 5o
1. Nenhuma das disposições do presente Pacto poderá ser interpretada no sentido de
reconhecer a um Estado, grupo ou indivíduo qualquer direito de dedicar‑se a quaisquer
atividades ou de praticar quaisquer
quaisquer atos que tenham por objetivo destruir os direitos ou
liberdades reconhecidos no presente Pacto ou impor‑lhe limitações mais amplas do que
aquelas nele previstas.
2. Não se admitirá qualquer restrição ou suspensão dos direitos humanos fundamentais
reconhecidos
cidos ou vigentes em qualquer país em virtude de leis, convenções, regulamentos
ou costumes, sob pretexto de que o presente Pacto não os reconheça ou os reconheça em
menor grau.
Artigo 6o
1. Os Estados‑Partes do presente Pacto reconhecem o direito ao trabalho,
traba que
compreende o direito de toda pessoa de ter a possibilidade de ganhar a vida mediante um
trabalho livremente escolhido ou aceito, e tomarão medidas apropriadas para
salvaguardar esse direito.
2. As medidas que cada Estado‑Parte do presente Pacto tomará
mará a fim de assegurar o
pleno exercício desse direito deverão incluir a orientação e a formação técnica e
profissional, a elaboração de programas, normas e técnicas apropriadas para assegurar
um desenvolvimento econômico, social e cultural constante e o pleno emprego produtivo
em condições que salvaguardem aos indivíduos o gozo das liberdades políticas e

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econômicas fundamentais.
Artigo 7o
Os Estados‑Partes do presente Pacto reconhecem o direito de toda pessoa de gozar de
condições de trabalho justas e favoráveis, que assegurem especialmente:
a) uma remuneração que proporcione, no mínimo, a todos os trabalhadores:
i) um salário equitativo e uma remuneração
remuneração igual por um trabalho de igual valor, sem
qualquer distinção; em particular, as mulheres deverão ter a garantia de condições de
trabalho não inferiores às dos homens e perceber a mesma remuneração que eles por
trabalho igual;
ii) uma existência decente
decente para eles e suas famílias, em conformidade com as disposições
do presente Pacto;
b) a segurança e a higiene no trabalho;
c) igual oportunidade para todos de serem promovidos, em seu trabalho, à categoria
superior que lhes corresponda, sem outras considerações
considerações que as de tempo de trabalho e
capacidade;
d) o descanso, o lazer, a limitação razoável das horas de trabalho e férias periódicas
remuneradas, assim como a remuneração dos feridos.
Artigo 8o
1. Os Estados‑Partes do presente Pacto comprometem‑se a garantir:
antir:
a) o direito de toda pessoa de fundar com outras, sindicatos e de filiar‑se ao sindicato de
escolha, sujeitando‑se unicamente aos estatutos da organização interessada, com o
objetivo de promover e de proteger seus interesses econômicos e sociais. O exercício desse
direito só poderá ser objeto das restrições previstas em lei e que sejam necessárias, em
uma sociedade democrática, no interesse da segurança nacional ou da ordem pública, ou
para proteger os direitos e as liberdades alheias;
b) o direito dos
os sindicatos de formar federações ou confederações nacionais e o direito
destas de formar organizações sindicais internacionais ou de filiar‑se às mesmas;
c) o direito dos sindicatos de exercer livremente suas atividades, sem quaisquer limitações
além daquelas previstas em lei e que sejam necessárias, em uma sociedade democrática,
no interesse da segurança nacional ou da ordem pública, ou para proteger os direitos e as
liberdades das demais pessoas;

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d) o direito de greve, exercido de conformidade com as leis de cada país.


2. O presente artigo não impedirá que se submeta a restrições legais o exercício desses
direitos pelos membros das forças armadas,
armadas, da política ou da administração pública.
3. Nenhuma das disposições do presente artigo permitirá que os Estados‑Partes da
Convenção de 1948 da Organização Internacional do Trabalho, relativa à liberdade
sindical e à proteção do direito sindical, venham a adotar medidas legislativas que
restrinjam – ou a aplicar a lei de maneira a restringir as garantias previstas na
n referida
Convenção.
Artigo 9o
Os Estados‑Partes do presente Pacto reconhecem o direito de toda pessoa à previdência
social, inclusive ao seguro social.
Artigo 10
Os Estados‑Partes do presente Pacto reconhecem que:
(...)
3. Devem‑se adotar medidas especiais
especiais de proteção e de assistência em prol de todas as
crianças e adolescentes, sem distinção alguma por motivo de filiação ou qualquer outra
condição. Devem‑se proteger as crianças e adolescentes contra a exploração econômica e
social. O emprego de crianças e adolescentes em trabalhos que lhes sejam nocivos à
moral e à saúde ou que lhes façam correr perigo de vida, ou ainda que lhes venham a
prejudicar o desenvolvimento norma, será punido por lei.
Os Estados devem também estabelecer limites de idade sob os quais
qu fique proibido e
punido por lei o emprego assalariado da mão de obra infantil.
Artigo 11
(...)
2. Os Estados‑Partes do presente Pacto, reconhecendo o direito fundamental de toda
pessoa de estar protegida contra a fome, adotarão, individualmente e mediante
cooperação internacional, as medidas, inclusive programas concretos, que se façam
necessárias para:
a) melhorar
rar os métodos de produção, conservação e distribuição de gêneros alimentícios
pela plena utilização dos conhecimentos técnicos e científicos, pela difusão de princípios

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de educação nutricional e pelo aperfeiçoamento ou reforma dos regimes agrários, de


maneira
eira que se assegurem a exploração e a utilização mais eficazes dos recursos naturais;
b) assegurar uma repartição equitativa dos recursos alimentícios mundiais em relação às
necessidades, levando‑se em conta os problemas tanto dos países importadores quanto
dos exportadores de gêneros alimentícios.
(...)
Artigo 13
(...)
2. Os Estados‑Partes do presente Pacto reconhecem que, com o objetivo de assegurar o
pleno exercício desse direito:
a) a educação primária deverá ser obrigatória e acessível gratuitamente a todos;
b) a educação secundária em suas diferentes formas, inclusive a educação secundária
técnica e profissional, deverá ser generalizada e torna‑se acessível a todos, por todos os
meios apropriados
ados e, principalmente, pela implementação progressiva do ensino gratuito;
c) a educação de nível superior deverá igualmente tornar‑se acessível a todos, com base
na capacidade de cada um, por todos os meios apropriados e, principalmente, pela
implementação
o progressiva do ensino gratuito;
d) dever‑se‑á fomentar e intensificar, na medida do possível, a educação de base para
aquelas pessoas que não receberam educação primária ou não concluíram o ciclo
completo de educação primária;
e) será preciso prosseguir ativamente o desenvolvimento de uma rede escolar em todos os
níveis de ensino, implementar‑se um sistema adequado de bolsas de estudo e melhorar
continuamente as condições materiais do corpo docente.
(...)
Artigo 15
1. Os Estados‑Partes do presente Pacto reconhecem
reconhecem a cada indivíduo o direito de:
a) participar da vida cultural;
b) desfrutar o processo científico e suas aplicações;
c) beneficiar‑se da proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de toda a
produção científica, literária ou artística de que seja autor.

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12.9. PACTO INTERNACIONAL SOBRE DIREITOS CIVIS E POLÍTICOS


A XXI Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas adotou o texto do Pacto internacional
sobre Direitos Civis e Políticos em 16-12-1966,
16 1966, entretanto, o Brasil só depositou a Carta
Car de Adesão
em 24-1-1992,
1992, o que vigorou somente em 24-4-1992.
24 1992. Foi aprovado por meio do Decreto
Legislativo no 226, de 12-12--1991,
1991, e consequentemente promulgado pelo Dec. no 592, de 6-7-
1992.
Preâmbulo e seus fundamentos
Os Estados‑Partes do presente Pacto,
Considerando que, em conformidade com os princípios proclamados na Carta das Nações
Unidas, o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana
e de seus direitos iguais e inalienáveis constitui o fundamento
fundamento da liberdade, da justiça e da
paz no mundo,
Reconhecendo que esses direitos decorrem da dignidade inerente à pessoa humana,
Reconhecendo que, em conformidade com a Declaração Universal dos Direitos do
Homem, o ideal do ser humano livre, no gozo das liberdades
liberdades civis e políticas e liberto do
temor e da miséria, não pode ser realizado a menos que se criem condições que permitam
a cada um gozar de seus direitos civis e políticos, assim como de seus direitos econômicos,
sociais e culturais,
Considerando que a Carta das Nações Unidas impõe aos Estados a obrigação de promover
o respeito universal e efetivo dos direitos e das liberdades do homem,
Compreendendo que o indivíduo por ter deveres para com seus semelhantes e para com a
coletividade a que pertence, tem a obrigação de lutar pela promoção e observância dos
direitos reconhecidos no presente Pacto.
Da divisão do Pacto
Apesar de não possuir títulos, pode‑se
pode dividi‑lo
lo por meio de seus temas, a saber:
1. Parte I (art. 1o): direito à autodeterminação;
2. Parte II (do art. 2o ao 5o): garantias dos direitos fundamentais;
3. Parte III (do art. 6o ao 27): direito à vida; à dignidade humana; à liberdade de
locomoção;
ção; às liberdades de pensamento, consciência e religião; às liberdades de livre
reunião e associação; proteção à família e à criança; à liberdade política; à igualdade; e das

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minorias étnicas;
4. Parte IV (do art. 28 ao 45): do Comitê e Comissão de Direitos
os Humanos;
5. Parte V (do art. 46 ao 47): interpretações do Pacto; e
6. Parte VI (do art. 48 ao 53): considerações finais.
9.3 Após o Preâmbulo, acordaram os seguintes direitos e garantias do Pacto
Analisando o corpo do texto, percebe‑se
percebe se que apresenta, dentre outros, os seguintes
direitos e garantias, elencados em ordem de aparição:
a) Direito de autodeterminação dos povos e de estes disporem “livremente de suas riquezas
e recursos naturais” (art. 1o);
b) Proibição de qualquer tipo de discriminação (art. 2o);
c) Proibida restrição ou suspensão dos direitos humanos fundamentais (art. 5o);
d) Direito à vida (art. 6o);
e) Proibição de pena de morte (art. 6o, 2);
f) Proibição de tortura e/ou tratamentos cruéis/desumanos (art. 7o);
ção de escravidão, servidão, trabalho forçado e tráfico de escravos (art. 8o);
g) Proibição
h) Direito à liberdade e à segurança pessoais (art. 9o);
i) Direito do encarcerado à dignidade da pessoa humana (art. 10);
j) Não haverá prisão civil do depositário infiel (art. 11);
k) Direito de permanecer em território nacional ou estrangeiro (art. 12);
l) Proibida expulsão de estrangeiro (art. 13) – Com ressalvas;
m) Todos são iguais perante tribunais e cortes de justiça (art. 14);
n) Princípio nullum crimen sine lege (art. 15);
o) Direito à privacidade, ao sigilo da correspondência e à honra (art. 17);
p) Proibição de propaganda em favor da guerra (art. 20);
q) Direito de reunião pacífica (art. 21), associação e sindicato (art. 22);
r) Direito de proteção à família (art. 23) e às crianças (art. 24);
s) Direitos políticos (art. 25);
t) Sobre o Comitê de Direitos Humanos (do art. 28 ao 41);
u) Sobre a Comissão de Direitos Humanos (do art. 42 ao 45);
v) Disposições gerais (do art. 46 ao 53) “Nenhuma disposição do presente Pacto poderá ser
interpretada em detrimento das disposições da Carta das Nações unidas”
unidas (sic).

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12.10. CONVENÇÃO INTERNACIONAL SOBRE A ELIMINAÇÃO DE TODAS AS FORMAS DE


DISCRIMINAÇÃO RACIAL

A convenção foi adotada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 21 de


d dezembro de
1965, entrando em vigor em 4 de janeiro de 1969 e é considerado um dos principais tratados
internacionais em matéria de Direitos Humanos dado ao seu conteúdo exaustivo.
Texto do Preâmbulo
Preâmbulo
Os Estados‑Partes na presente Convenção,
siderando que a Carta das Nações Unidas baseia‑se em princípios de dignidade e
Considerando
igualdade inerentes a todos os seres humanos, e que todos os Estados‑Membros
comprometeram‑se a tomar medidas separadas e conjuntas, em cooperação com a
Organização, para a consecução
consecução de um dos propósitos das Nações Unidas que é promover
e encorajar o respeito universal e observância dos direitos humanos e liberdades
fundamentais para todos, sem discriminação de raça, sexo, idioma ou religião;
Considerando que a Declaração Universal
Universal dos Direitos do Homem proclama que todos os
homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos e que cada indivíduo pode valer‑se
de todos os direitos nela estabelecidos, sem distinção de qualquer espécie e
principalmente de raça, cor ou origem nacional;
Considerando que todos os homens são iguais perante a lei e têm o direito à igual
proteção contra qualquer discriminação e contra
contra todo incitamento à discriminação;
Considerando que as Nações Unidas têm condenado o colonialismo e todas as práticas de
segregação e discriminação a ele associadas, em qualquer forma e onde quer que
existam, e que a Declaração sobre a Outorga de Independência,
Independência, a Partes e Povos
Coloniais, de 14 de dezembro de 1960
1960 (Resolução 1.514 (XV), da Assembleia Geral)
firmou e proclamou solenemente a necessidade de levá‑las a um fim rápido e
afirmou
incondicional;
Considerando que a Declaração das Nações Unidas sobre eliminação de todas as formas
de Discriminação Racial, de 20 de novembro
novembro de 1963 (Resolu-ção
(Resolu no 1.904 (XVIII) da

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Assembleia Geral), afirma


afirma solenemente a necessidade de eliminar rapidamente a
discriminação racial existente no mundo em todas as suas formas e manifestações e de
assegurar a compreensão e o respeito à dignidade
dignidade da pessoa humana;
Convencidos de que qualquer doutrina de superioridade baseada em diferen-ças
diferen raciais é
cientificamente
ficamente falsa, moralmente condenável, socialmente injusta e perigosa, e que não
n
existe justificativa
ficativa para a discriminação
discriminaç racial, em teoria ou na prática, em lugar algum;
Reafirmando
firmando que a discriminação
discriminação entre os homens por motivos de raça, cor ou origem
étnica é um obstáculo às relações amigáveis e pacíficas
pacíficas entre as nações
naç e é capaz de
perturbar a paz e a segurança entre povos, bem como a harmonia de pessoas vivendo
lado a lado, dentro de um mesmo Estado;
Convencidos de que a existência de barreiras raciais é incompatível com os ideais de
qualquer sociedade humana;
Alarmados por manifestações de discriminação racial ainda em evidência em algumas
áreas
eas do mundo e por políticas governamentais baseadas em superioridade ou ódio racial,
como as políticas de apartheid,
apartheid segregação ou separação;
Resolvidos a adotar todas as medidas necessárias para eliminar rapidamente a
discriminação racial em todas as suas
suas formas e manifestações, e a prevenir e combater
doutrinas e práticas raciais com o objetivo de promover o entendimento entre as raças e
construir uma comunidade internacional livre de todas as formas de separação ou
discriminação racial.
Levando em conta a Convenção sobre Discriminação no Emprego e Ocupa-ção
Ocupa adotada
pela Organização Internacional do Trabalho em 1958, e a Convenção contra discriminação
no Ensino adotada pela Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a
Cultura em 1960;
Com o desejo de completar os princípios estabelecidos na Declaração das Nações Unidas
sobre a eliminação de todas as formas de discriminação racial e assegurar o mais cedo
possível a adoção de medidas práticas para esse fim.

Como visto, o preâmbulo confirma a intenção


intenção das Nações Unidas em promover a
observância universal aos Direitos Humanos, sem discriminação de raça, idioma, sexo, ou
religião, evidenciando os princípios norteadores da Declaração Universal dos Direitos Humanos

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(1948). Lembra que todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos, sem
distinção de raça, cor ou origem. Por fim, dispõe que qualquer doutrina de superioridade
baseada em diferenças raciais será falsa, condenável, injusta e perigosa.
Influências históricas para convenção
Infelizmente,
felizmente, os maiores clamores da humanidade foi o desentendimento entre os povos
das mais variadas nações em busca de um falso equilíbrio étinico. Com influências históricas, o
interesse na erradicação do racismo tomou espaço, com: a) Ingresso de 17 países
país africanos na
ONU, em 1960; b) Primeira Conferência dos Países Não Alinhados, em Belgrado, em 1961; c)
atividades nazistas e fascistas na Europa tomando a atenção do mundo.
Análise dos artigos de maior incidência relacionados ao tema
Artigo 1o
1. Nesta Convenção,
onvenção, a expressão “discriminação racial” significará
significará qualquer distinção,
distinç
exclusão, restrição ou preferência fundadas em raça, cor, descendência ou origem
nacional ou étnica que tenha por objetivo ou efeito anular ou restringir o reconhecimento,
gozo ou exercício num mesmo plano (em igualdade de condição) de direitos humanos e
liberdades fundamentais no domínio político econômico, social, cultural ou em qualquer
outro domínio de vida pública.
2. Esta Convenção não se aplicará às distinções, exclusões, restrições
restrições e preferências feitas
por um Estado‑Parte nesta Convenção entre cidadãos e não cidadãos.
3. Nada nesta Convenção poderá ser interpretado como atentado as disposições legais
dos Estados‑Partes, relativas à nacionalidade, cidadania e naturalização, desde que tais
disposições não discriminem contra
contra qualquer nacionalidade particular.
4. Não serão consideradas discriminação racial as medidas especiais tomadas com o único
objetivo de assegurar progresso adequado a certos grupos raciais ou étnicos ou de
indivíduos que necessitem de proteção para igual
igual gozo ou exercício de direitos humanos e
liberdades fundamentais, desde que tais medidas não conduzam, em consequência, à
manutenção de direitos separados para diferentes grupos raciais e não prossigam após
terem sidos alcançados os seus objetivos.
Este dispositivo esclarece a expressão “Discriminação Racial” como qualquer distinção,
exclusão, restrição ou preferência, baseadas em raça, cor, descendência ou origem nacional ou
étnica, que tenha por objetivo ou efeito anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício

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em um mesmo plano (em igualdade de condição) de Direitos Humanos e liberdades fundamentais


no domínio político, econômico, social, cultural ou em qualquer outro domínio de vida pública.
Desta forma, podemos assegurar que a expressão protegida
protegida tem por finalidade a anulação ou
restrição do exercício dos Direitos Humanos e das suas liberdades fundamentais.
Artigo 4o
Os Estados‑Partes condenam toda propaganda e todas as organizações que se inspirem
em ideias ou teorias que tenham como alicerce
alicerce a superioridade de uma raça ou de um
grupo de pessoas de uma certa cor ou de uma certa origem étnica ou que pretendam
justificar
ficar ou encorajar qualquer forma de ódio e discriminação
discriminaç raciais e
comprometem‑se a adotar imediatamente medidas positivas destinadas
destinad a eliminar
qualquer incitação a discriminação, ou quaisquer atos de discriminação, e para este fim,
tendo em vista os princípios formulados na Declaração Universal dos Direitos do Homem
e os direitos expressamente enunciados no artigo V da presente convenção,
conve eles se
comprometem principalmente:
a)) a declarar delitos puníveis por lei, qualquer difusão de ideias que estejam
fundamentadas na superioridade ou ódio raciais, quaisquer incitamentos à dis-criminação
dis
racial, assim como atos de violência ou provocação
provocação dirigidos contra qualquer raça ou
qualquer grupo de pessoas de outra cor ou de outra origem étnica, bem como qualquer
assistência prestada a atividades racistas, inclusive seu financiamento;
b)) a declarar ilegais e a proibir as organizações, assim como as atividades de propaganda
organizada e qualquer outro tipo de atividade de propaganda que incitar a discriminação
racial e que a encorajar e a declarar delito punível por lei a participação nestas
organizações ou nestas atividades;
c)) a não permitir às autoridades
autoridades públicas nem às instituições públicas, nacionais ou locais,
o incitamento ou encorajamento à discriminação racial.
Impõe aos Estados‑Partes
Partes a condenação de toda organização ou propaganda que se
inspirem, justifiquem ou incentivem a discriminação, baseada na ideia ou teorias de supremacia
racial. Se comprometem a adotar medidas positivas para as incitações e para que sejam essas
condutass tipificadas penalmente. Os Estados Unidos da América rejeitaram esse artigo sob o
pretexto de ferir a liberdade de expressão, garantida por sua Constituição costumeira.
Artigo 5º

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De conformidade com as obrigações fundamentais enunciadas no artigo 2, os Estados


Partes comprometem-se
comprometem se a proibir e a eliminar a discriminação racial em todas suas
formas e a garantir o direito de cada um à igualdade perante a lei sem distinção de raça,
de cor ou de origem nacional ou étnica, principalmente no gozo dos seguintes direitos:
a) direito a um tratamento igual perante os tribunais ou qualquer outro órgão que
administre justiça;
b) direito à segurança da pessoa ou á proteção do Estado contra violência ou lesão
corporal cometida, quer por funcionários de Governo, que por
por qualquer indivíduo, grupo
ou instituição;
c) direitos políticos principalmente direito de participar às eleições - de votar e ser votado -
conforme o sistema de sufrágio universal e igual, direito de tomar parte no Governo,
assim como na direção dos assuntos
assuntos públicos, em qualquer grau e o direito de acesso, em
igualdade de condições, às condições, às funções públicas;
d) outros direitos civis, principalmente, i) direito de circular livremente e de escolher
residência dentro das fronteiras do Estado; ii) direito de deixar qualquer país, inclusive o
seu, e de voltar a seu país; iii) direito a uma nacionalidade; iv) direito de casar-se
casar e
escolher o cônjuge; v) direito de qualquer pessoa, tanto individualmente como em
conjunto, à propriedade; vi) direito de herdar;
herdar; vii) direito à liberdade de pensamento, de
consciência e de religião; viii) direito à liberdade de opinião e de expressão; ix) direito à
liberdade de reunião e de associação pacífica;
e) direitos econômicos, sociais e culturais, principalmente: i) direitos ao trabalho, a livre
escolha de seu trabalho, a condições equitativas e satisfatórias de trabalho, à proteção
contra o desemprego, a um salário igual para um trabalho igual, a uma remuneração
equitativa e satisfatória; ii) direito de fundar sindicatos
sindicatos e a eles se afiliar; iii) direito à
habitação;
iv) direito à saúde pública, a tratamento médico, à previdência social e aos serviços
sociais; v) direito à educação e à formação profissional; vi) direito a igual participação das
atividades culturais.
f) direito de acesso a todos os lugares e serviços destinados ao uso do público, tais como,
meios de transportes, hotéis, restaurantes, cafés, espetáculos e parques.

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Artigo 7o
Os Estados‑Partes comprometem‑se a tomar as medidas imediatas e eficazes,
e
principalmente no campo de ensino, educação, da cultura e da informação, para lutar
contra os preconceitos que levem à discriminação racial e para promover o entendimento,
a tolerância e a amizade
amizade entre nações e grupos raciais e étnicos, assim como para
propagar o objetivo e princípios da Carta das Nações Unidas da Declaração Universal dos
Direitos Humanos, da Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as
Formas de Discriminação Racial
Ra e da presente Convenção.
A norma procura estabelecer aos Estados signatários desta Convenção o dever de tomar as
medidas imediatas e eficazes nos campos do ensino, educação, cultura e informação, contra os
preconceitos que levem à discriminação racial.
racial
A Convenção ressalva, dentre outras observações, a importância da educação, fundada no
respeito à diversidade e dignidade humana.
Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial
A Convenção previu a criação do “Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial”
composto por 18 peritos, eleitos para um período de quatro anos, para desempenhar o
monitoramento dos direitos por ela reconhecidos.
Os relatórios do Comitê sugerem medidas políticas, jurídicas e legislativas para os países
que aderiram à Convenção.. Depois da adesão, o primeiro relatório tem que ocorrer após um ano,
os demais são devidos bianualmente.
Direitos
ireitos civis e políticos
Artigo 3º - Direito ao reconhecimento da personalidade jurídica
Toda pessoa tem direito ao reconhecimento de sua personalidade
personalidade jurídica.
Artigo 4º - Direito à vida
1. Toda pessoa tem o direito de que se respeite sua vida. Esse direito deve ser protegido
pela lei e, em geral, desde o momento da concepção. Ninguém pode ser privado da vida
arbitrariamente.
2. Nos países que não houverem
houverem abolido a pena de morte, esta só poderá ser imposta pelos
delitos mais graves, em cumprimento de sentença final de tribunal competente e em conformidade
com a lei que estabeleça tal pena, promulgada antes de haver o delito sido cometido. Tampouco se
s
estenderá sua aplicação a delitos aos quais não se aplique atualmente.

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3. Não se pode restabelecer a pena de morte nos Estados que a hajam abolido.
4. Em nenhum caso pode a pena de morte ser aplicada a delitos políticos, nem a delitos
comuns conexos com delitos políticos.
5. Não se deve impor a pena de morte a pessoa que, no momento da perpetração do delito,
for menor de dezoito anos, ou maior de setenta, nem aplicá-la
aplicá la a mulher em estado de gravidez.
6. Toda pessoa condenada à morte tem direito a solicitar
solicitar anistia, indulto ou comutação da
pena, os quais podem ser concedidos em todos os casos. Não se pode executar a pena de morte
enquanto o pedido estiver pendente de decisão ante a autoridade competente.
Artigo 5º - Direito à integridade pessoal
1. Toda pessoa
soa tem direito a que se respeite sua integridade física, psíquica e moral.
2. Ninguém deve ser submetido a torturas, nem a penas ou tratos cruéis, desumanos ou
degradantes. Toda pessoa privada de liberdade deve ser tratada com o respeito devido à
dignidadee inerente ao ser humano.
3. A pena não pode passar da pessoa do delinquente.
4. Os processados devem ficar separados dos condenados, salvo em circunstâncias
excepcionais, e devem ser submetidos a tratamento adequado à sua condição de pessoas não
condenadas.
5. Os menores, quando puderem ser processados, devem ser separados dos adultos e
conduzidos a tribunal especializado, com a maior rapidez possível, para seu tratamento.
6. As penas privativas de liberdade devem ter por finalidade essencial a reforma e a
readaptação social dos condenados.
Artigo 6º - Proibição da escravidão e da servidão
1. Ninguém poderá ser submetido a escravidão ou servidão e tanto estas como o tráfico de
escravos e o tráfico de mulheres são proibidos em todas as suas formas.
2. Ninguém
m deve ser constrangido a executar trabalho forçado ou obrigatório. Nos países
em que se prescreve, para certos delitos, pena privativa de liberdade acompanhada de trabalhos
forçados, esta disposição não pode ser interpretada no sentido de proibir o cumprimento
cumpri da dita
pena, imposta por um juiz ou tribunal competente. O trabalho forçado não deve afetar a
dignidade, nem a capacidade física e intelectual do recluso.
3. Não constituem trabalhos forçados ou obrigatórios para os efeitos deste artigo:
a) os trabalhos
lhos ou serviços normalmente exigidos de pessoa reclusa em cumprimento de

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sentença ou resolução formal expedida pela autoridade judiciária competente. Tais trabalhos ou
serviços devem ser executados sob a vigilância e controle das autoridades públicas, e os
o indivíduos
que os executarem não devem ser postos à disposição de particulares, companhias ou pessoas
jurídicas de caráter privado;
b) serviço militar e, nos países em que se admite a isenção por motivo de consciência,
qualquer serviço nacional que a lei estabelecer em lugar daquele;
c) o serviço exigido em casos de perigo ou de calamidade que ameacem a existência ou o
bem-estar da comunidade;
d) o trabalho ou serviço que faça parte das obrigações cívicas normais.
Artigo 7º - Direito à liberdade pessoal
1.. Toda pessoa tem direito à liberdade e à segurança pessoais.
2. Ninguém pode ser privado de sua liberdade física, salvo pelas causas e nas condições
previamente fixadas pelas Constituições políticas dos Estados-partes
Estados partes ou pelas leis de acordo com
elas promulgadas.
3. Ninguém pode ser submetido a detenção ou encarceramento arbitrários.
4. Toda pessoa detida ou retida deve ser informada das razões da detenção e notificada,
sem demora, da acusação ou das acusações formuladas contra ela.
5. Toda pessoa presa, detida
detida ou retida deve ser conduzida, sem demora, à presença de um
juiz ou outra autoridade autorizada por lei a exercer funções judiciais e tem o direito de ser julgada
em prazo razoável ou de ser posta em liberdade, sem prejuízo de que prossiga o processo. Sua
liberdade pode ser condicionada a garantias que assegurem o seu comparecimento em juízo.
6. Toda pessoa privada da liberdade tem direito a recorrer a um juiz ou tribunal
competente, a fim de que este decida, sem demora, sobre a legalidade de sua prisão
prisã ou detenção e
ordene sua soltura, se a prisão ou a detenção forem ilegais. Nos Estados-partes
Estados partes cujas leis prevêem
que toda pessoa que se vir ameaçada de ser privada de sua liberdade tem direito a recorrer a um
juiz ou tribunal competente, a fim de que este
este decida sobre a legalidade de tal ameaça, tal recurso
não pode ser restringido nem abolido. O recurso pode ser interposto pela própria pessoa ou por
outra pessoa.
7. Ninguém deve ser detido por dívidas. Este princípio não limita os mandados de
autoridade judiciária competente expedidos em virtude de inadimplemento de obrigação
alimentar.

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Artigo 8º - Garantias judiciais


1. Toda pessoa terá o direito de ser ouvida, com as devidas garantias e dentro de um prazo
razoável, por um juiz ou Tribunal competente, independente
independente e imparcial, estabelecido
anteriormente por lei, na apuração de qualquer acusação penal formulada contra ela, ou na
determinação de seus direitos e obrigações de caráter civil, trabalhista, fiscal ou de qualquer outra
natureza.
2. Toda pessoa acusada
usada de um delito tem direito a que se presuma sua inocência, enquanto
não for legalmente comprovada sua culpa. Durante o processo, toda pessoa tem direito, em plena
igualdade, às seguintes garantias mínimas:
a) direito do acusado de ser assistido gratuitamente
gratuitamente por um tradutor ou intérprete, caso
não compreenda ou não fale a língua do juízo ou tribunal;
b) comunicação prévia e pormenorizada ao acusado da acusação formulada;
c) concessão ao acusado do tempo e dos meios necessários à preparação de sua defesa;
defesa
d) direito do acusado de defender-se
defender se pessoalmente ou de ser assistido por um defensor de
sua escolha e de comunicar-se,
se, livremente e em particular, com seu defensor;
e) direito irrenunciável de ser assistido por um defensor proporcionado pelo Estado,
remunerado
munerado ou não, segundo a legislação interna, se o acusado não se defender ele próprio, nem
nomear defensor dentro do prazo estabelecido pela lei;
f) direito da defesa de inquirir as testemunhas presentes no Tribunal e de obter o
comparecimento, como testemunhas
emunhas ou peritos, de outras pessoas que possam lançar luz sobre os
fatos;
g) direito de não ser obrigada a depor contra si mesma, nem a confessar-se
confessar culpada; e
h) direito de recorrer da sentença a juiz ou tribunal superior.
3. A confissão do acusado só é válida se feita sem coação de nenhuma natureza.
4. O acusado absolvido por sentença transitada em julgado não poderá ser submetido a
novo processo pelos mesmos fatos.
5. O processo penal deve ser público, salvo no que for necessário para preservar os
interesses da justiça.
Artigo 9º - Princípio da legalidade e da retroatividade
Ninguém poderá ser condenado por atos ou omissões que, no momento em que foram
cometidos, não constituam delito, de acordo com o direito aplicável. Tampouco poder-se-á
poder impor

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pena mais
is grave do que a aplicável no momento da ocorrência do delito. Se, depois de perpetrado
o delito, a lei estipular a imposição de pena mais leve, o deliquente deverá dela beneficiar-se.
beneficiar
Artigo 10 - Direito à indenização
Toda pessoa tem direito de ser indenizada
indenizada conforme a lei, no caso de haver sido condenada
em sentença transitada em julgado, por erro judiciário.
Artigo 11 - Proteção da honra e da dignidade
1. Toda pessoa tem direito ao respeito da sua honra e ao reconhecimento de sua dignidade.
2. Ninguém pode ser objeto de ingerências arbitrárias ou abusivas em sua vida privada, em
sua família, em seu domicílio ou em sua correspondência, nem de ofensas ilegais à sua honra ou
reputação.
3. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais ingerências ou
o tais ofensas.
Artigo 12 - Liberdade de consciência e de religião
1. Toda pessoa tem direito à liberdade de consciência e de religião. Esse direito implica a
liberdade de conservar sua religião ou suas crenças, ou de mudar de religião ou de crenças, bem
como
omo a liberdade de professar e divulgar sua religião ou suas crenças, individual ou coletivamente,
tanto em público como em privado.
2. Ninguém pode ser submetido a medidas restritivas que possam limitar sua liberdade de
conservar sua religião ou suas crenças,
crenças, ou de mudar de religião ou de crenças.
3. A liberdade de manifestar a própria religião e as próprias crenças está sujeita apenas às
limitações previstas em lei e que se façam necessárias para proteger a segurança, a ordem, a
saúde ou a moral públicas ou os direitos e as liberdades das demais pessoas.
4. Os pais e, quando for o caso, os tutores, têm direito a que seus filhos e pupilos recebam a
educação religiosa e moral que esteja de acordo com suas próprias convicções.
Artigo 13 - Liberdade de pensamento
pensame e de expressão
1. Toda pessoa tem o direito à liberdade de pensamento e de expressão. Esse direito inclui a
liberdade de procurar, receber e difundir informações e idéias de qualquer natureza, sem
considerações de fronteiras, verbalmente ou por escrito,
escrito, ou em forma impressa ou artística, ou por
qualquer meio de sua escolha.
2. O exercício do direito previsto no inciso precedente não pode estar sujeito à censura
prévia, mas a responsabilidades ulteriores, que devem ser expressamente previstas em lei e que
qu se
façam necessárias para assegurar:

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a) o respeito dos direitos e da reputação das demais pessoas;


b) a proteção da segurança nacional, da ordem pública, ou da saúde ou da moral públicas.
3. Não se pode restringir o direito de expressão por vias e meios indiretos, tais como o
abuso de controles oficiais ou particulares de papel de imprensa, de frequências radioelétricas ou
de equipamentos e aparelhos usados na difusão de informação, nem por quaisquer outros meios
destinados a obstar a comunicação e a circulação
circ de idéias e opiniões.
4. A lei pode submeter os espetáculos públicos a censura prévia, com o objetivo exclusivo de
regular o acesso a eles, para proteção moral da infância e da adolescência, sem prejuízo do
disposto no inciso 2.
5. A lei deve proibirr toda propaganda a favor da guerra, bem como toda apologia ao ódio
nacional, racial ou religioso que constitua incitamento à discriminação, à hostilidade, ao crime ou à
violência.
Artigo 14 - Direito de retificação ou resposta
1. Toda pessoa, atingida por informações inexatas ou ofensivas emitidas em seu prejuízo
por meios de difusão legalmente regulamentados e que se dirijam ao público em geral, tem direito
a fazer, pelo mesmo órgão de difusão, sua retificação ou resposta, nas condições que estabeleça a
lei.
2. Em nenhum caso a retificação ou a resposta eximirão das outras responsabilidades legais
em que se houver incorrido.
3. Para a efetiva proteção da honra e da reputação, toda publicação ou empresa
jornalística, cinematográfica, de rádio ou televisão, deve ter uma pessoa responsável, que não seja
protegida por imunidades, nem goze de foro especial.
Artigo 15 - Direito de reunião
É reconhecido o direito de reunião pacífica e sem armas. O exercício desse direito só pode
estar sujeito às restrições previstas
previstas em lei e que se façam necessárias, em uma sociedade
democrática, ao interesse da segurança nacional, da segurança ou ordem públicas, ou para
proteger a saúde ou a moral públicas ou os direitos e as liberdades das demais pessoas.
Artigo 16 - Liberdade de associação
1. Todas as pessoas têm o direito de associar-se
associar se livremente com fins ideológicos, religiosos,
políticos, econômicos, trabalhistas, sociais, culturais, desportivos ou de qualquer outra natureza.
2. O exercício desse direito só pode estar sujeito às restrições previstas em lei e que se

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façam necessárias, em uma sociedade democrática, ao interesse da segurança nacional, da


segurança e da ordem públicas, ou para proteger a saúde ou a moral públicas ou os direitos e as
liberdades das demais pessoas.
3. O presente artigo não impede a imposição de restrições legais, e mesmo a privação do
exercício do direito de associação, aos membros das forças armadas e da polícia.
Artigo 17 - Proteção da família
1. A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade
sociedade e deve ser protegida pela
sociedade e pelo Estado.
2. É reconhecido o direito do homem e da mulher de contraírem casamento e de
constituírem uma família, se tiverem a idade e as condições para isso exigidas pelas leis internas,
na medida em que não afetem
af estas o princípio da não-discriminação
discriminação estabelecido nesta
Convenção.
3. O casamento não pode ser celebrado sem o consentimento livre e pleno dos contraentes.
4. Os Estados-partes
partes devem adotar as medidas apropriadas para assegurar a igualdade de
direitos
os e a adequada equivalência de responsabilidades dos cônjuges quanto ao casamento,
durante o mesmo e por ocasião de sua dissolução. Em caso de dissolução, serão adotadas as
disposições que assegurem a proteção necessária aos filhos, com base unicamente no interesse e
conveniência dos mesmos.
5. A lei deve reconhecer iguais direitos tanto aos filhos nascidos fora do casamento, como
aos nascidos dentro do casamento.
Artigo 18 - Direito ao nome
Toda pessoa tem direito a um prenome e aos nomes de seus pais ou ao de um destes. A lei
deve regular a forma de assegurar a todos esse direito, mediante nomes fictícios, se for necessário.
Artigo 19 - Direitos da criança
Toda criança terá direito às medidas de proteção que a sua condição de menor requer, por
parte da sua
a família, da sociedade e do Estado.
Artigo 20 - Direito à nacionalidade
1. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade.
2. Toda pessoa tem direito à nacionalidade do Estado em cujo território houver nascido, se
não tiver direito a outra.
eve privar arbitrariamente de sua nacionalidade, nem do direito de mudá-
3. A ninguém se deve mudá

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la.
Artigo 21 - Direito à propriedade privada
1. Toda pessoa tem direito ao uso e gozo de seus bens. A lei pode subordinar esse uso e
gozo ao interesse social.
2. Nenhuma pessoa pode ser
ser privada de seus bens, salvo mediante o pagamento de
indenização justa, por motivo de utilidade pública ou de interesse social e nos casos e na forma
estabelecidos pela lei.
3. Tanto a usura, como qualquer outra forma de exploração do homem pelo homem,
devem
evem ser reprimidas pela lei.
Artigo 22 - Direito de circulação e de residência
1. Toda pessoa que se encontre legalmente no território de um Estado tem o direito de nele
livremente circular e de nele residir, em conformidade com as disposições legais.
2. Toda pessoa terá o direito de sair livremente de qualquer país, inclusive de seu próprio
país.
3. O exercício dos direitos supracitados não pode ser restringido, senão em virtude de lei, na
medida indispensável, em uma sociedade democrática, para prevenir infrações penais ou para
proteger a segurança nacional, a segurança ou a ordem públicas, a moral ou a saúde públicas, ou
os direitos e liberdades das demais pessoas.
4. O exercício dos direitos reconhecidos no inciso 1 pode também ser restringido pela lei, em
zonas determinadas, por motivo de interesse público.
5. Ninguém pode ser expulso do território do Estado do qual for nacional e nem ser privado
do direito de nele entrar.
6. O estrangeiro que se encontre legalmente no território de um Estado-parte
Estado na presente
Convenção só poderá dele ser expulso em decorrência de decisão adotada em conformidade com a
lei.
7. Toda pessoa tem o direito de buscar e receber asilo em território estrangeiro, em caso de
perseguição por delitos políticos ou comuns conexos com delitos
delitos políticos, de acordo com a
legislação de cada Estado e com as Convenções internacionais.
8. Em nenhum caso o estrangeiro pode ser expulso ou entregue a outro país, seja ou não de
origem, onde seu direito à vida ou à liberdade pessoal esteja em risco de violação em virtude de
sua raça, nacionalidade, religião, condição social ou de suas opiniões políticas.

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9. É proibida a expulsão coletiva de estrangeiros.


Artigo 23 - Direitos políticos
1. Todos os cidadãos devem gozar dos seguintes direitos e oportunidades:
oportunidades:
a) de participar da condução dos assuntos públicos, diretamente ou por meio de
representantes livremente eleitos;
b) de votar e ser eleito em eleições periódicas, autênticas, realizadas por sufrágio universal
e igualitário e por voto secreto, que garantam
garantam a livre expressão da vontade dos eleitores; e
c) de ter acesso, em condições gerais de igualdade, às funções públicas de seu país.
2. A lei pode regular o exercício dos direitos e oportunidades, a que se refere o inciso
anterior, exclusivamente por motivo de idade, nacionalidade, residência, idioma, instrução,
capacidade civil ou mental, ou condenação, por juiz competente, em processo penal.
Artigo 24 - Igualdade perante a lei
Todas as pessoas são iguais perante a lei. Por conseguinte, têm direito, sem discriminação
alguma, à igual proteção da lei.
Artigo 25 - Proteção judicial
1. Toda pessoa tem direito a um recurso simples e rápido ou a qualquer outro recurso
efetivo, perante os juízes ou tribunais competentes, que a proteja contra atos que violem seus
direitos fundamentais reconhecidos pela Constituição, pela lei ou pela presente Convenção, mesmo
quando tal violação seja cometida por pessoas que estejam atuando no exercício de suas funções
oficiais.
2. Os Estados-partes
partes comprometem-se:
comprometem
a) a assegurar
ar que a autoridade competente prevista pelo sistema legal do Estado decida
sobre os direitos de toda pessoa que interpuser tal recurso;
b) a desenvolver as possibilidades de recurso judicial; e
c) a assegurar o cumprimento, pelas autoridades competentes, de toda decisão em que se
tenha considerado procedente o recurso.
Capítulo III - DIREITOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E CULTURAIS
Artigo 26 - Desenvolvimento progressivo
Os Estados-partes
partes comprometem-se
comprometem se a adotar as providências, tanto no âmbito interno,
como mediante
nte cooperação internacional, especialmente econômica e técnica, a fim de conseguir
progressivamente a plena efetividade dos direitos que decorrem das normas econômicas, sociais e

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sobre educação, ciência e cultura, constantes da Carta da Organização dos Estados


Es Americanos,
reformada pelo Protocolo de Buenos Aires, na medida dos recursos disponíveis, por via legislativa
ou por outros meios apropriados.
Capítulo IV - SUSPENSÃO DE GARANTIAS, INTERPRETAÇÃO E APLICAÇÃO
Artigo 27 - Suspensão de garantias
1. Em caso
so de guerra, de perigo público, ou de outra emergência que ameace a
independência ou segurança do Estado-parte,
Estado parte, este poderá adotar as disposições que, na medida e
pelo tempo estritamente limitados às exigências da situação, suspendam as obrigações contraídas
contraí
em virtude desta Convenção, desde que tais disposições não sejam incompatíveis com as demais
obrigações que lhe impõe o Direito Internacional e não encerrem discriminação alguma fundada
em motivos de raça, cor, sexo, idioma, religião ou origem social.
2. A disposição precedente não autoriza a suspensão dos direitos determinados nos
seguintes artigos: 3 (direito ao reconhecimento da personalidade jurídica), 4 (direito à vida), 5
(direito à integridade pessoal), 6 (proibição da escravidão e da servidão), 9 (princípio da legalidade
e da retroatividade), 12 (liberdade de consciência e religião), 17 (proteção da família), 18 (direito
ao nome), 19 (direitos da criança), 20 (direito à nacionalidade) e 23 (direitos políticos), nem das
garantias indispensáveis para
ra a proteção de tais direitos.
3. Todo Estado-parte
parte no presente Pacto que fizer uso do direito de suspensão deverá
comunicar imediatamente aos outros Estados-partes
Estados partes na presente Convenção, por intermédio do
Secretário Geral da Organização dos Estados Americanos,
Americanos, as disposições cuja aplicação haja
suspendido, os motivos determinantes da suspensão e a data em que haja dado por terminada tal
suspensão.
Artigo 28 - Cláusula federal
1. Quando se tratar de um Estado-parte
Estado parte constituído como Estado federal, o governo
gover
nacional do aludido Estado-parte
Estado parte cumprirá todas as disposições da presente Convenção,
relacionadas com as matérias sobre as quais exerce competência legislativa e judicial.
2. No tocante às disposições relativas às matérias que correspondem à competência
competênci das
entidades componentes da federação, o governo nacional deve tomar imediatamente as medidas
pertinentes, em conformidade com sua Constituição e com suas leis, a fim de que as autoridades
competentes das referidas entidades possam adotar as disposições cabíveis para o cumprimento
desta Convenção.

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3. Quando dois ou mais Estados-partes


Estados partes decidirem constituir entre eles uma federação ou
outro tipo de associação, diligenciarão no sentido de que o pacto comunitário respectivo contenha
as disposições necessáriass para que continuem sendo efetivas no novo Estado, assim organizado,
as normas da presente Convenção.
Artigo 29 - Normas de interpretação
Nenhuma disposição da presente Convenção pode ser interpretada no sentido de:
a) permitir a qualquer dos Estados-partes,
Estados es, grupo ou indivíduo, suprimir o gozo e o exercício
dos direitos e liberdades reconhecidos na Convenção ou limitá-los
limitá los em maior medida do que a nela
prevista;
b) limitar o gozo e exercício de qualquer direito ou liberdade que possam ser reconhecidos
em virtude
rtude de leis de qualquer dos Estados-partes
Estados partes ou em virtude de Convenções em que seja parte
um dos referidos Estados;
c) excluir outros direitos e garantias que são inerentes ao ser humano ou que decorrem da
forma democrática representativa de governo;
d) excluir
xcluir ou limitar o efeito que possam produzir a Declaração Americana dos Direitos e
Deveres do Homem e outros atos internacionais da mesma natureza.
Artigo 30 - Alcance das restrições
As restrições permitidas, de acordo com esta Convenção, ao gozo e exercício
exerc dos direitos e
liberdades nela reconhecidos, não podem ser aplicadas senão de acordo com leis que forem
promulgadas por motivo de interesse geral e com o propósito para o qual houverem sido
estabelecidas.
Artigo 31 - Reconhecimento de outros direitos
Poderão ser incluídos, no regime de proteção desta Convenção, outros direitos e liberdades
que forem reconhecidos de acordo com os processos estabelecidos nos artigo 69 e 70
(...)
Capítulo VII - COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS
Seção 1 - Organização
Artigo 34 - A Comissão Interamericana de Direitos Humanos compor-se-á
compor de sete membros,
que deverão ser pessoas de alta autoridade moral e de reconhecido saber em matéria de direitos
humanos.

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Artigo 35 - A Comissão representa todos os Membros da Organização


Organi dos Estados
Americanos.
Artigo 36 - 1. Os membros da Comissão serão eleitos a título pessoal, pela Assembléia Geral
da Organização, a partir de uma lista de candidatos propostos pelos governos dos Estados-
Estados
membros.
2. Cada um dos referidos governos pode
pode propor até três candidatos, nacionais do Estado
que os propuser ou de qualquer outro Estado-membro
Estado membro da Organização dos Estados Americanos.
Quando for proposta uma lista de três candidatos, pelo menos um deles deverá ser nacional de
Estado diferente do proponente.
oponente.
Artigo 37 - 1. Os membros da Comissão serão eleitos por quatro anos e só poderão ser
reeleitos um vez, porém o mandato de três dos membros designados na primeira eleição expirará
ao cabo de dois anos. Logo depois da referida eleição, serão determinados
determ por sorteio, na
Assembléia Geral, os nomes desses três membros.
2. Não pode fazer parte da Comissão mais de um nacional de um mesmo país.
Artigo 38 - As vagas que ocorrerem na Comissão, que não se devam à expiração normal do
mandato, serão preenchidas
as pelo Conselho Permanente da Organização, de acordo com o que
dispuser o Estatuto da Comissão.
Artigo 39 - A Comissão elaborará seu estatuto e submetê-lo-á
submetê á à aprovação da Assembléia
Geral e expedirá seu próprio Regulamento.
Artigo 40 - Os serviços da Secretaria
Secretaria da Comissão devem ser desempenhados pela unidade
funcional especializada que faz parte da Secretaria Geral da Organização e deve dispor dos
recursos necessários para cumprir as tarefas que lhe forem confiadas pela Comissão.
Seção 2 - Funções

Artigo 41 - A Comissão tem a função principal de promover a observância e a defesa dos


direitos humanos e, no exercício de seu mandato, tem as seguintes funções e atribuições:
a) estimular a consciência dos direitos humanos nos povos da América;
b) formular recomendações
comendações aos governos dos Estados-membros,
Estados membros, quando considerar
conveniente, no sentido de que adotem medidas progressivas em prol dos direitos humanos no
âmbito de suas leis internas e seus preceitos constitucionais, bem como disposições apropriadas
para promover o devido respeito a esses direitos;

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c) preparar estudos ou relatórios que considerar convenientes para o desempenho de suas


funções;
d) solicitar aos governos dos Estados-membros
Estados membros que lhe proporcionem informações sobre as
medidas que adotarem em matéria
ma de direitos humanos;
e) atender às consultas que, por meio da Secretaria Geral da Organização dos Estados
Americanos, lhe formularem os Estados-membros
Estados membros sobre questões relacionadas com os direitos
humanos e, dentro de suas possibilidades, prestar-lhes
prestar o assessoramento que lhes solicitarem;
f) atuar com respeito às petições e outras comunicações, no exercício de sua autoridade, de
conformidade com o disposto nos artigos 44 a 51 desta Convenção; e
g) apresentar um relatório anual à Assembléia Geral da Organização
Organização dos Estados
Americanos.
Artigo 42 - Os Estados-partes
Estados partes devem submeter à Comissão cópia dos relatórios e estudos
que, em seus respectivos campos, submetem anualmente às Comissões Executivas do Conselho
Interamericano Econômico e Social e do Conselho
Conselho Interamericano de Educação, Ciência e Cultura, a
fim de que aquela zele para que se promovam os direitos decorrentes das normas econômicas,
sociais e sobre educação, ciência e cultura, constantes da Carta da Organização dos Estados
Americanos, reformada pelo Protocolo de Buenos Aires.
Artigo 43 - Os Estados-partes
Estados obrigam-se
se a proporcionar à Comissão as informações que
esta lhes solicitar sobre a maneira pela qual seu direito interno assegura a aplicação efetiva de
quaisquer disposições desta Convenção.
Seção 3 - Competência

Artigo 44 - Qualquer pessoa ou grupo de pessoas, ou entidade não-governamental


não
legalmente reconhecida em um ou mais Estados-membros
Estados membros da Organização, pode apresentar à
Comissão petições que contenham denúncias ou queixas de violação desta
d Convenção por um
Estado-parte.
Artigo 45 - 1. Todo Estado-parte
Estado parte pode, no momento do depósito do seu instrumento de
ratificação desta Convenção, ou de adesão a ela, ou em qualquer momento posterior, declarar que
reconhece a competência da Comissão para receber e examinar as comunicações em que um
Estado-parte
parte alegue haver outro Estado-parte
Estado parte incorrido em violações dos direitos humanos
estabelecidos nesta Convenção.

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2. As comunicações feitas em virtude deste artigo só podem ser admitidas e examinadas se


forem
orem apresentadas por um Estado-parte
Estado parte que haja feito uma declaração pela qual reconheça a
referida competência da Comissão. A Comissão não admitirá nenhuma comunicação contra um
Estado-parte
parte que não haja feito tal declaração.
3. As declarações sobre reconhecimento
reconhecimento de competência podem ser feitas para que esta
vigore por tempo indefinido, por período determinado ou para casos específicos.
4. As declarações serão depositadas na Secretaria Geral da Organização dos Estados
Americanos, a qual encaminhará cópia das
das mesmas aos Estados-membros
Estados da referida
Organização.
Artigo 46 - Para que uma petição ou comunicação apresentada de acordo com os artigos
44 ou 45 seja admitida pela Comissão, será necessário:
a) que hajam sido interpostos e esgotados os recursos da jurisdição
jurisdição interna, de acordo com
os princípios de Direito Internacional geralmente reconhecidos;
b) que seja apresentada dentro do prazo de seis meses, a partir da data em que o
presumido prejudicado em seus direitos tenha sido notificado da decisão definitiva;
definitiv
c) que a matéria da petição ou comunicação não esteja pendente de outro processo de
solução internacional; e
d) que, no caso do artigo 44, a petição contenha o nome, a nacionalidade, a profissão, o
domicílio e a assinatura da pessoa ou pessoas ou do representante
representante legal da entidade que submeter
a petição.
2. As disposições das alíneas "a" e "b" do inciso 1 deste artigo não se aplicarão quando:
a) não existir, na legislação interna do Estado de que se tratar, o devido processo legal para
a proteção do direito
ito ou direitos que se alegue tenham sido violados;
b) não se houver permitido ao presumido prejudicado em seus direitos o acesso aos
recursos da jurisdição interna, ou houver sido ele impedido de esgotá-los;
esgotá los; e
c) houver demora injustificada na decisão sobre
sobre os mencionados recursos.
Artigo 47 - A Comissão declarará inadmissível toda petição ou comunicação apresentada de
acordo com os artigos 44 ou 45 quando:
a) não preencher algum dos requisitos estabelecidos no artigo 46;
b) não expuser fatos que caracterizem
caracterizem violação dos direitos garantidos por esta Convenção;

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c) pela exposição do próprio peticionário ou do Estado, for manifestamente infundada a


petição ou comunicação ou for evidente sua total improcedência; ou
d) for substancialmente reprodução de petição ou comunicação anterior, já examinada pela
Comissão ou por outro organismo internacional.
Seção 4 - Processo
Artigo 48 - 1. A Comissão, ao receber uma petição ou comunicação na qual se alegue a
violação de qualquer dos direitos consagrados nesta Convenção,
Convenção, procederá da seguinte maneira:
a) se reconhecer a admissibilidade da petição ou comunicação, solicitará informações ao
Governo do Estado ao qual pertença a autoridade apontada como responsável pela violação
alegada e transcreverá as partes pertinentes da petição ou comunicação. As referidas informações
devem ser enviadas dentro de um prazo razoável, fixado pela Comissão ao considerar as
circunstâncias de cada caso;
b) recebidas as informações, ou transcorrido o prazo fixado sem que sejam elas recebidas,
verificará
erificará se existem ou subsistem os motivos da petição ou comunicação. No caso de não
existirem ou não subsistirem, mandará arquivar o expediente;
c) poderá também declarar a inadmissibilidade ou a improcedência da petição ou
comunicação, com base em informação
info ou prova supervenientes;
d) se o expediente não houver sido arquivado, e com o fim de comprovar os fatos, a
Comissão procederá, com conhecimento das partes, a um exame do assunto exposto na petição ou
comunicação. Se for necessário e conveniente, a Comissão procederá a uma investigação para cuja
eficaz realização solicitará, e os Estados interessados lhe proporcionarão, todas as facilidades
necessárias;
e) poderá pedir aos Estados interessados qualquer informação pertinente e receberá, se
isso for solicitado,
licitado, as exposições verbais ou escritas que apresentarem os interessados; e
f) pôr-se-á
á à disposição das partes interessadas, a fim de chegar a uma solução amistosa do
assunto, fundada no respeito aos direitos reconhecidos nesta Convenção.
2. Entretanto,
o, em casos graves e urgentes, pode ser realizada uma investigação, mediante
prévio consentimento do Estado em cujo território se alegue houver sido cometida a violação, tão
somente com a apresentação de uma petição ou comunicação que reúna todos os requisitos
requis
formais de admissibilidade.

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Artigo 49 - Se se houver chegado a uma solução amistosa de acordo com as disposições do


inciso 1, "f", do artigo 48, a Comissão redigirá um relatório que será encaminhado ao peticionário
e aos Estados-partes
partes nesta Convenção e posteriormente transmitido, para sua publicação, ao
Secretário Geral da Organização dos Estados Americanos. O referido relatório conterá uma breve
exposição dos fatos e da solução alcançada. Se qualquer das partes no caso o solicitar, ser-lhe-á
ser
proporcionada
onada a mais ampla informação possível.
Artigo 50 - 1. Se não se chegar a uma solução, e dentro do prazo que for fixado pelo
Estatuto da Comissão, esta redigirá um relatório no qual exporá os fatos e suas conclusões. Se o
relatório não representar, no todo ou em parte, o acordo unânime dos membros da Comissão,
qualquer deles poderá agregar ao referido relatório seu voto em separado. Também se agregarão
ao relatório as exposições verbais ou escritas que houverem sido feitas pelos interessados em
virtude do inciso
nciso 1, "e", do artigo 48.
2. O relatório será encaminhado aos Estados interessados, aos quais não será facultado
publicá-lo.
3. Ao encaminhar o relatório, a Comissão pode formular as proposições e recomendações
que julgar adequadas.
Artigo 51 - 1. Se no prazo de três meses, a partir da remessa aos Estados interessados do
relatório da Comissão, o assunto não houver sido solucionado ou submetido à decisão da Corte
pela Comissão ou pelo Estado interessado, aceitando sua competência, a Comissão poderá emitir,
pelo voto da maioria absoluta dos seus membros, sua opinião e conclusões sobre a questão
submetida à sua consideração.
2. A Comissão fará as recomendações pertinentes e fixará um prazo dentro do qual o
Estado deve tomar as medidas que lhe competir para remediar
remediar a situação examinada.
3. Transcorrido o prazo fixado, a Comissão decidirá, pelo voto da maioria absoluta dos seus
membros, se o Estado tomou ou não as medidas adequadas e se publica ou não seu relatório.
Capítulo VIII - CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS
DIREI HUMANOS
Seção 1 - Organização

Artigo 52 - 1. A Corte compor-se-á


compor á de sete juízes, nacionais dos Estados-membros
Estados da
Organização, eleitos a título pessoal dentre juristas da mais alta autoridade moral, de reconhecida
competência em matéria de direitos humanos,
humanos, que reúnam as condições requeridas para o

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exercício das mais elevadas funções judiciais, de acordo com a lei do Estado do qual sejam
nacionais, ou do Estado que os propuser como candidatos.
2. Não deve haver dois juízes da mesma nacionalidade.
Artigo 53 - 1. Os juízes da Corte serão eleitos, em votação secreta e pelo voto da maioria
absoluta dos Estados-partes
partes na Convenção, na Assembléia Geral da Organização, a partir de uma
lista de candidatos propostos pelos mesmos Estados.
2. Cada um dos Estados-partes
Estados partes pode propor até três candidatos, nacionais do Estado que os
propuser ou de qualquer outro Estado-membro
Estado membro da Organização dos Estados Americanos. Quando
se propuser um lista de três candidatos, pelo menos um deles deverá ser nacional do Estado
diferente do proponente.
Artigo 54 - 1. Os juízes da Corte serão eleitos por um período de seis anos e só poderão ser
reeleitos uma vez. O mandato de três dos juízes designados na primeira eleição expirará ao cabo
de três anos. Imediatamente depois da referida eleição,
eleição, determinar-se-ão
determinar por sorteio, na
Assembléia Geral, os nomes desse três juízes.
2. O juiz eleito para substituir outro, cujo mandato não haja expirado, completará o período
deste.
3. Os juízes permanecerão em suas funções até o término dos seus mandatos.
mandat Entretanto,
continuarão funcionando nos casos de que já houverem tomado conhecimento e que se encontrem
em fase de sentença e, para tais efeitos, não serão substituídos pelos novos juízes eleitos.
Artigo 55 - 1. O juiz, que for nacional de algum dos Estados-partes
Es partes em caso submetido à
Corte, conservará o seu direito de conhecer do mesmo.
2. Se um dos juízes chamados a conhecer do caso for de nacionalidade de um dos Estados-
Estados
partes, outro Estado-parte
parte no caso poderá designar uma pessoa de sua escolha para integrar a
Corte, na qualidade de juiz ad hoc.
hoc
3. Se, dentre os juízes chamados a conhecer do caso, nenhum for da nacionalidade dos
Estados-partes,
partes, cada um destes poderá designar um juiz ad hoc.
4. O juiz ad hoc deve reunir os requisitos indicados no artigo
artig 52.
5. Se vários Estados--partes
partes na Convenção tiverem o mesmo interesse no caso, serão
considerados como uma só parte, para os fins das disposições anteriores. Em caso de dúvida, a
Corte decidirá.
Artigo 56 - O quorum para as deliberações da Corte é constituído
constituído por cinco juízes.

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Artigo 57 - A Comissão comparecerá em todos os casos perante a Corte.


Artigo 58 - 1. A Corte terá sua sede no lugar que for determinado, na Assembléia Geral da
Organização, pelos Estados-partes
partes na Convenção, mas poderá realizar reuniões
reu no território de
qualquer Estado-membro
membro da Organização dos Estados Americanos em que considerar conveniente,
pela maioria dos seus membros e mediante prévia aquiescência do Estado respectivo. Os Estados-
Estados
partes na Convenção podem, na Assembléia Geral, por dois terços dos seus votos, mudar a sede da
Corte.
2. A Corte designará seu Secretário.
3. O Secretário residirá na sede da Corte e deverá assistir às reuniões que ela realizar fora
da mesma.
Artigo 59 - A Secretaria da Corte será por esta estabelecida
estabelecida e funcionará sob a direção do
Secretário Geral da Organização em tudo o que não for incompatível com a independência da
Corte. Seus funcionários serão nomeados pelo Secretário Geral da Organização, em consulta com o
Secretário da Corte.
Artigo 60 - A Corte
te elaborará seu Estatuto e submetê-lo-á
submetê á à aprovação da Assembléia Geral
e expedirá seu Regimento.

Seção 2 - Competência e funções


Artigo 61 - 1. Somente os Estados-partes
Estados partes e a Comissão têm direito de submeter um caso à
decisão da Corte.
2. Para que a Corte
te possa conhecer de qualquer caso, é necessário que sejam esgotados os
processos previstos nos artigos 48 a 50.
Artigo 62 - 1. Todo Estado-parte
Estado parte pode, no momento do depósito do seu instrumento de
ratificação desta Convenção ou de adesão a ela, ou em qualquer
qualquer momento posterior, declarar que
reconhece como obrigatória, de pleno direito e sem convenção especial, a competência da Corte
em todos os casos relativos à interpretação ou aplicação desta Convenção.
2. A declaração pode ser feita incondicionalmente, ou
ou sob condição de reciprocidade, por
prazo determinado ou para casos específicos. Deverá ser apresentada ao Secretário Geral da
Organização, que encaminhará cópias da mesma a outros Estados-membros
Estados membros da Organização e ao
Secretário da Corte.

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3. A Corte tem competência


mpetência para conhecer de qualquer caso, relativo à interpretação e
aplicação das disposições desta Convenção, que lhe seja submetido, desde que os Estados-partes
Estados
no caso tenham reconhecido ou reconheçam a referida competência, seja por declaração especial,
especia
como prevêem os incisos anteriores, seja por convenção especial.
Artigo 63 - 1. Quando decidir que houve violação de um direito ou liberdade protegidos
nesta Convenção, a Corte determinará que se assegure ao prejudicado o gozo do seu direito ou
liberdadee violados. Determinará também, se isso for procedente, que sejam reparadas as
consequências da medida ou situação que haja configurado a violação desses direitos, bem como o
pagamento de indenização justa à parte lesada.
2. Em casos de extrema gravidade e urgência, e quando se fizer necessário evitar danos
irreparáveis às pessoas, a Corte, nos assuntos de que estiver conhecendo, poderá tomar as
medidas provisórias que considerar pertinentes. Se se tratar de assuntos que ainda não estiverem
submetidos ao seu
u conhecimento, poderá atuar a pedido da Comissão.
Artigo 64 - 1. Os Estados-membros
Estados membros da Organização poderão consultar a Corte sobre a
interpretação desta Convenção ou de outros tratados concernentes à proteção dos direitos
humanos nos Estados americanos. Também
T poderão consultá-la,
la, no que lhes compete, os órgãos
enumerados no capítulo X da Carta da Organização dos Estados Americanos, reformada pelo
Protocolo de Buenos Aires.
2. A Corte, a pedido de um Estado-membro
Estado membro da Organização, poderá emitir pareceres sobre
so
a compatibilidade entre qualquer de suas leis internas e os mencionados instrumentos
internacionais.
Artigo 65 - A Corte submeterá à consideração da Assembléia Geral da Organização, em
cada período ordinário de sessões, um relatório sobre as suas atividades
atividades no ano anterior. De
maneira especial, e com as recomendações pertinentes, indicará os casos em que um Estado não
tenha dado cumprimento a suas sentenças.

Seção 3 - Processo

Artigo 66 - 1. A sentença da Corte deve ser fundamentada.


2. Se a sentença
a não expressar no todo ou em parte a opinião unânime dos juízes, qualquer
deles terá direito a que se agregue à sentença o seu voto dissidente ou individual.

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Artigo 67 - A sentença da Corte será definitiva e inapelável. Em caso de divergência sobre o


sentido
ido ou alcance da sentença, a Corte interpretá-la-á,
interpretá á, a pedido de qualquer das partes, desde
que o pedido seja apresentado dentro de noventa dias a partir da data da notificação da sentença.
Artigo 68 - 1. Os Estados-partes
Estados na Convenção comprometem-se
se a cumprir
cum a decisão da
Corte em todo caso em que forem partes.
2. A parte da sentença que determinar indenização compensatória poderá ser executada no
país respectivo pelo processo interno vigente para a execução de sentenças contra o Estado.
Artigo 69 - A sentença
ença da Corte deve ser notificada às partes no caso e transmitida aos
Estados-partes
partes na Convenção.

12.11. CONVENÇÃO INTERAMERICANA PARA PREVENIR, PUNIR E ERRADICAR A VIOLÊNCIA


CONTRA A MULHER – “CONVENÇÃO DE BELÉM DO PARÁ” (1994)

Adotada pela Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) no dia 6-6-
6
1994, a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher,
Convenção de Belém do Pará, formalizou‑se
formalizou se em importante instrumento de proteção das
mulheres. Foi ratificada
atificada pelo Brasil em 27-11-1995,
27 1995, vista como um marco visionário referente ao
tema, dispondo sobre a definição de violência contra as mulheres, medidas protetivas,
assecuratórias e repressivas. Foi um grande avanço no reconhecimento de direitos, culminando
culmina no
fortalecimento da cidadania. A Convenção de Belém do Pará exerce significativo exemplo de
proteção.
Motivação da adoção da Convenção
A Assembleia Geral, motivada pelas preocupações abaixo, adotaram a convenção:
Considerando que o reconhecimento e o respeito irrestrito de todos os direitos da mulher
são condições indispensáveis para seu desenvolvimento individual e para a criação de
uma sociedade mais justa, solidária e pacífica;
Preocupada porque a violência em que vivem muitas mulheres da América, sem
s distinção
de raça, classe, religião, idade ou qualquer outra condição, é uma situação generalizada;
Persuadida de sua responsabilidade histórica de fazer frente a esta situação para procurar
soluções positivas;

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Convencida da necessidade de dotar o sistema


sistema interamericano de um instrumento
internacional que contribua para solucionar o problema da violência contra a mulher;
Recordando as conclusões e recomendações da Consulta Interamericana sobre a Mulher e
a Violência, celebrada em 1990, e a Declaração sobre
sobre a Erradicação da Violência contra a
Mulher, nesse mesmo ano, adotada pela Vigésima Quinta Assembleia de Delegadas;
Recordando também a Resolução AG/RES.1128(XXI-0/91)
AG/RES.1128(XXI 0/91) “Proteção da Mulher Contra a
Violência”, aprovada pela Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos;
Levando em consideração o amplo processo de consulta realizado pela Comissão
Interamericana de Mulheres desde 1990 para o estudo e a elaboração de um projeto de
convenção sobre a mulher e a violência.
Preâmbulo
Os Estados‑Partes nesta
sta Convenção, convieram motivados pelas seguintes assertivas:
Reconhecendo que o respeito irrestrito aos Direitos Humanos foi consagrado na
Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem e na Declaração Universal dos Direitos
Humanos e reafirmado em outros instrumentos internacionais e regionais;
Afirmando que a violência contra a mulher constitui uma violação dos direitos humanos e
liberdades fundamentais e limita total ou parcialmente a observância, gozo e exercício de tais
direitos e liberdades;
Preocupados
reocupados porque a violência contra a mulher constitui ofensa contra a dignidade
humana e é manifestação de relações de poder historicamente desiguais entre mulheres e
homens;
Recordando a Declaração para a Erradicação da Violência contra a Mulher, aprovada
aprova pela
Vigésima Quinta Assembleia de Delegadas da Comissão Interamericana de Mulheres, e afirmando
que a violência contra a mulher permeia todos os setores da sociedade, independentemente de
classe, raça ou grupo étnico, renda, cultura, idade ou religião, e afeta negativamente suas próprias
bases;
Convencidos de que a eliminação da violência contra a mulher é condição indispensável
para seu desenvolvimento individual e social e sua plena igualitária participação em todas as
esferas da vida; e
Convencidos dee que a adoção de uma convenção para prevenir e erradicar todas as formas
de violência contra a mulher, no âmbito da Organização dos Estados Americanos, constitui positiva

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contribuição no sentido de proteger os direitos da mulher e eliminar as situações de violência


contra ela.
Definição
Para os efeitos desta Convenção, entender‑se‑á
entender á por violência contra a mulher qualquer
ato ou conduta, baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou
psicológico à mulher, tanto na esfera pública como
co na esfera privada.
Âmbito de aplicação
Entender‑se‑áá que a violência contra a mulher abrange a violência física, sexual e
psicológica:
a) ocorrida no âmbito da família ou unidade doméstica ou em qualquer relação
interpessoal, quer o agressor compartilhe,
compartilhe, tenha compartilhado ou não a sua residência,
incluindo‑se, entre outras formas, o estupro, maus‑tratos e abuso sexual;
b) ocorrida na comunidade e cometida por qualquer pessoa, incluindo, entre outras
formas, o estupro, abuso sexual, tortura, tráfico de mulheres, prostituição forçada,
sequestro e assédio sexual no local de trabalho, bem como em instituições educacionais,
serviços de saúde ou qualquer outro lugar; e
c) perpetrada ou tolerada pelo Estado ou seus agentes, onde quer que ocorra.
Direitos protegidos
Toda mulher tem direito a uma vida livre de violência, tanto na esfera pública quanto na
esfera privada.
Toda mulher tem direito ao reconhecimento, desfrute, exercício e proteção de todos os
direitos humanos e às liberdades consagradas em todos os instrumentos
in regionais e
internacionais relativos aos direitos humanos. Estes direitos abrangem, entre outros:
a) direito a que se respeite sua vida;
b) direito a que se respeite sua integridade física, mental e moral;
c) direito à liberdade e segurança pessoais;
pes
d) direito a não ser submetida a tortura;
e) direito a que se respeite a dignidade inerente à sua pessoa e a que se proteja sua
família;
f) direito à igualdade de proteção perante a lei e da lei;
g) direito a recurso simples e rápido perante tribunal
tribunal competente que a proteja contra

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atos que violem seus direitos;


h) direito de livre associação;
i) direito à liberdade de professar a religião e as próprias crenças, de acordo com a lei;
j) direito a ter igualdade de acesso às funções públicas de seu país e a participar nos
assuntos públicos, inclusive na tomada de decisões.
Toda mulher poderá exercer livre e plenamente seus direitos civis, políticos, econômicos,
sociais e culturais e contará com a total proteção desses direitos consagrados nos instrumentos
instrumento
regionais e internacionais sobre direitos humanos. Os Estados‑Partes
Estados Partes reconhecem que a violência
contra a mulher impede e anula o exercício desses direitos.
O direito de toda mulher a ser livre de violência abrange, entre outros:
a) o direito da mulher ser
ser livre de todas as formas de discriminação; e
b) o direito da mulher a ser valorizada e educada livre de padrões estereotipados de
comportamento e costumes sociais e culturais baseados em conceitos de inferioridade ou
subordinação.
Deveres dos Estados
Os Estados‑Partes
Partes condenam todas as formas de violência contra a mulher e convêm em
adotar, por todos os meios apropriados e sem demora, políticas destinadas a prevenir, punir e
erradicar tal violência e empenhar‑se
empenhar em:
a) abster‑se de qualquer ato ou prática de violência
violência contra a mulher e velar para que as
autoridades, seus funcionários e pessoal, bem como agentes e instituições públicos ajam de
conformidade com essa obrigação;
b) agir com o devido zelo para prevenir, investigar e punir a violência contra a mulher;
c) incorporar na sua legislação interna normas penais, civis, administrativas e de outra
natureza, que sejam necessárias para prevenir, punir e erradicar a violência contra a
mulher, bem como adotar as medidas administrativas adequadas que forem aplicáveis;
aplicáveis
d) adotar medidas jurídicas que exijam do agressor que se abstenha de fustigar, perseguir,
intimidar e ameaçar a mulher ou de fazer uso de qualquer método que prejudique ou ponha
em perigo a sua vida ou integridade ou danifique sua propriedade;
e) tomar todas as medidas adequadas, inclusive legislativas, para modificar ou abolir leis e
regulamentos vigentes ou modificar práticas jurídicas ou consuetudinárias que respaldem a
persistência e a tolerância da violência contra a mulher;

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f) estabelecer procedimentos
procedimentos jurídicos justos e eficazes para a mulher sujeita a violência,
inclusive, entre outros, medidas de proteção, um juízo oportuno e efetivo acesso a tais
processos;
g) estabelecer mecanismos judiciais e administrativos necessários para assegurar que a
mulher
lher sujeita a violência tenha efetivo acesso a restituição, reparação do dano e outros
meios de compensação justos e eficazes; e
h) adotar as medidas legislativas ou de natureza necessárias à vigência desta Convenção.
Os Estados‑Partes
Partes convêm em adotar, progressivamente, medidas específicas, inclusive
programas destinados a:
a) promover o conhecimento e a observância do direito da mulher a uma vida livre de
violência e o direito da mulher a que se respeitem e protejam seus direitos
direit humanos;
b) modificar os padrões sociais e culturais de conduta de homens e mulheres, inclusive a
formulação de programas formais e não formais adequados a todos os níveis do processo
educacional, a fim de combater preconceitos e costumes e todas as outras
out práticas
baseadas na premissa da inferioridade ou superioridade de qualquer dos gêneros ou nos
papéis estereotipados para o homem e a mulher, que legitimem ou exacerbem a violência
contra a mulher;
c) promover a educação e treinamento de todo pessoal judiciário
judiciário e policial e demais
funcionários responsáveis pela aplicação da lei, bem como do pessoal encarregado da
implementação de políticas de prevenção, punição e erradicação da violência contra a
mulher;
d) prestar serviços especializados apropriados a mulher sujeita a violência, por intermédio
de entidades dos setores público e privado, inclusive abrigos, serviços de orientação
familiar, quando for o caso, e atendimento e custódia dos menores afetados;
e) promover e apoiar programas de educação governamentais
governamentais e privados destinados a
conscientizar o público para os problemas da violência contra a mulher, recursos jurídicos e
reparação relacionados com essa violência;
f) proporcionar à mulher sujeita a violência acesso a programas eficazes de recuperação e
treinamento que lhe permitam participar plenamente na vida pública, privada e social;
g) incentivar os meios de comunicação a que formulem diretrizes adequadas, de divulgação
que contribuam para a erradicação da violência contra a mulher em todas as suas formas e

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enalteçam o respeito pela dignidade da mulher;


h) assegurar pesquisa e coleta de estatísticas e de outras informações relevantes
concernentes às causas, consequências e frequência da violência contra a mulher, a fim de
avaliar a eficiência das medidas
medidas tomadas para prevenir, punir e erradicar a violência contra
a mulher, bem como formular e implementar as mudanças necessárias; e
i) promover a cooperação internacional para o intercâmbio de ideias e experiências, bem
como a execução de programas destinados
destinados à proteção da mulher sujeita a violência.
Para adoção das medidas a que se refere este capítulo, os Estados‑Partes
Estados levarão
especialmente em conta a situação da mulher vulnerável a violência por sua raça, origem étnica
ou condição de migrante, de refugiada
refugiada ou de deslocada, entre outros motivos. Também será
considerada violência a mulher gestante, deficiente, menor, idosa ou em situação socioeconômica
desfavorável, afetada por situações de conflito armado ou de privação de liberdade (art. 9o).
Mecanismoss interamericanos de proteção
A fim de proteger o direito de toda mulher a uma vida livre de violência, os Estados‑Partes
Estados
deverão incluir nos relatórios nacionais à Comissão Interamericana de Mulheres informações
sobre as medidas adotadas para prevenir e erradicar a violência contra a mulher, para prestar
assistência à mulher afetada pela violência, bem como sobre as dificuldades que observarem na
aplicação das medidas e os fatores que contribuam para a violência contra a mulher.
Os Estados‑Partes
Partes nesta Convenção e a Comissão Interamericana de Mulheres poderão
solicitar à Corte Interamericana de Direitos Humanos parecer
parecer sobre a interpretação desta
Convenção.
Qualquer pessoa ou grupo de pessoas, ou qualquer entidade não governamental
juridicamente reconhecida em um ou mais Estados‑membros
Estados membros da Organização, poderá apresentar
à Comissão Interamericana de Direitos Humanos petições
petições referentes a denúncias ou queixas de
violação do artigo 7o desta Convenção por um Estado‑Parte,
Estado Parte, devendo a Comissão considerar tais
petições de acordo com as normas e procedimentos estabelecidos na Convenção Americana sobre
Direitos Humanos e no Estatuto
uto e Regulamento da Comissão Interamericana de Direitos Humanos,
para a apresentação e consideração de petições.

Questões de concursos
12) DPE/BA 2010 - CESPE - Defensor Público - Classe inicial

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Acerca dos mecanismos de proteção internacional de direitos humanos, julgue os itens


subsequentes.

A violação grave e sistemática dos direitos humanos das mulheres em um Estado pode ser
investigada pelo Comitê sobre a Eliminação da Discriminação contra a Mulher, que recebe
petições com denúncias de violação a esses
ess direitos.

12.12. CONVENÇÃO CONTRA A TORTURA E OUTROS TRATAMENTOS OU PENAS CRUÉIS,


DESUMANOS OU DEGRADANTES
Foi adotada pela Res. no 39/1946 da Assembleia Geral das Nações Unidas em 10-12-1984,
10
na Sessão XL, realizada em Nova York, sendo aprovada no Brasil
Brasil pelo Congresso Nacional por meio
do Decreto Legislativo no 4, de 23-5-1989.
23 Foi promulgada pelo Dec. no 40, de 15-2-1991.
15
Considerações da Convenção
Com o desejo de tornar mais eficaz a luta contra a tortura e outros tratamentos ou penas
cruéis, desumanos
nos ou degradantes em todo o mundo, surgem os considerandos seguidos de 33
artigos, como seguem:
de acordo com os princípios proclamados pela Carta das Nações Unidas, o reconhecimento
dos direitos iguais e inalienáveis de todos os membros da família humana é o fundamento
da liberdade, da justiça e da paz no mundo.
reconhecimento dos direitos que emanam da dignidade inerente à pessoa humana.
obrigação que incumbe aos Estados, em virtude da Carta, em particular do art. 55, de
promover o respeito universal e a observância dos direitos humanos e das liberdades
fundamentais.
ninguém será sujeito a tortura ou a pena ou tratamento cruel, desumano ou degradante.
Termo tortura do art. 1o
Para fins da presente Convenção, o termo “tortura” designa qualquer ato pelo qual
qua dores
ou sofrimentos agudos, físicos ou mentais, são infligidos intencionalmente a uma pessoa a fim de
obter, dela ou de terceira pessoa, informações ou confissões; de castigá‑la
castigá por ato que ela ou
terceira pessoa tenha cometido ou seja suspeita de ter cometido; de intimidar ou coagir esta
pessoa ou outras pessoas; ou por qualquer motivo baseado em discriminação de qualquer
natureza; quando tais dores ou sofrimentos são infligidos
infligidos por um funcionário público ou outra

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pessoa no exercício de funções públicas, ou por sua instigação, ou com o seu consentimento ou
aquiescência. Não se considerará como tortura as dores ou sofrimentos que sejam consequência
unicamente de sanções legítimas,
legítimas, ou que sejam inerentes a tais sanções ou delas decorram.
O presente artigo não será interpretado de maneira a restringir qualquer instrumento
internacional ou legislação nacional que contenha ou possa conter dispositivos de alcance mais
amplo.
Medidas de cada signatário – art. 2o
Cada Estado tomará medidas eficazes de caráter legislativo, administrativo, judicial ou de
outra natureza, a fim de impedir a prática de atos de tortura em qualquer território sob sua
jurisdição.
Em nenhum caso poderão invocar‑se
invocar se circunstâncias excepcionais, como ameaça ou estado
de guerra, instabilidade política interna ou qualquer outra emergência pública, como
justificação para a tortura.
A ordem de um funcionário superior ou de uma autoridade pública não poderá ser
invocada como justificação para a tortura.
Medidas protetivas – arts. 3o e 4o
Nenhum Estado‑Parte
Parte procederá à expulsão, devolução ou extradição de uma pessoa para
outro Estado, quando houver razões substanciais para crer que ela corre perigo de ali ser
submetida a tortura.
A fim de determinar a existência de tais razões, as autoridades competentes
competent levarão em
conta todas as considerações pertinentes, inclusive, se for o caso, a existência, no Estado em
questão, de um quadro de violações sistemáticas, graves e maciças de direitos humanos.
Cada Estado‑Parte
Parte assegurará que todos os atos de tortura sejam
sejam considerados crimes
segundo a sua legislação penal. O mesmo aplicar‑se‑á
aplicar á à tentativa de tortura e a todo ato de
qualquer pessoa que constitua cumplicidade ou participação na tortura.
Cada Estado‑Parte
Parte punirá esses crimes com penas adequadas que levem em
e conta a sua
gravidade.
Competência – art. 5o
Cada Estado‑Parte
Parte tomará as medidas necessárias para estabelecer sua jurisdição sobre os
crimes previstos no art. 4o, nos seguintes casos:
a) quando os crimes tenham sido cometidos em qualquer território sob sua
s jurisdição ou a

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bordo de navio ou aeronave registrada no Estado em questão;


b)) quando o suposto autor for nacional do Estado em questão;
c) quando a vítima for nacional do Estado em questão e este o considerar apropriado.
Cada Estado‑Parte
Parte tomará também as medidas necessárias para estabelecer sua jurisdição
sobre tais crimes, nos casos em que o suposto autor se encontre em qualquer território sob sua
jurisdição e o Estado não o extradite, de acordo com o art. 8o, para qualquer dos Estados
mencionados no § 1o do presente artigo.
Esta Convenção não exclui qualquer jurisdição criminal exercida de acordo com o direito
interno.
Medidas repressivas – arts. 6o e 7o
Todo Estado‑Parte
Parte em cujo território se encontre uma pessoa suspeita de ter cometido
qualquer dos crimes mencionados no art. 4o, se considerar, após o exame das informações de
que dispõe, que as circunstâncias o justificam, procederá à detenção de tal pessoa ou tomará
tomar
outras medidas legais para assegurar sua presença. A detenção e outras medidas legais serão
tomadas de acordo com a lei do Estado, mas vigorarão apenas pelo tempo necessário ao início
do processo penal ou de extradição.
O Estado em questão procederá imediatamente
imediatamente a uma investigação preliminar dos fatos.
Qualquer pessoa detida de acordo com o § 1o terá asseguradas facilidades para
comunicar‑se
se imediatamente com o representante mais próximo do Estado de que é nacional
ou, se for apátrida, com o representante de sua residência habitual.
Quando o Estado, em virtude deste artigo, houver detido uma pessoa, notificará
imediatamente os Estados mencionados
menc no art. 5o, § 1o, sobre tal detenção e sobre as
circunstâncias que a justificam. O Estado que proceder à investigação preliminar, a que se
refere o § 2o do presente artigo, comunicará sem demora os resultados aos Estados antes
mencionados e indicaráá se pretende exercer sua jurisdição.
O Estado‑Parte
Parte no território sob a jurisdição do qual o suposto autor de qualquer dos
crimes mencionados no art. 4o for encontrado, se não o extraditar, obrigar‑se‑á,
obrigar nos casos
contemplados no art. 5o, a submeter o caso às suas autoridades competentes para o fim de
d
este ser processado.
As referidas autoridades tomarão sua decisão de acordo com as mesmas normas aplicáveis
a qualquer crime de natureza grave, conforme a legislação do referido Estado. Nos casos

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previstos no § 2o do art. 5o, as regras sobre prova para fins


ins de processo e condenação não
poderão de modo algum ser menos rigorosas do que as que se aplicarem aos casos previstos no
§ 1o do art. 5o.
Qualquer pessoa processada por qualquer dos crimes previstos no art. 4o receberá
garantias de tratamento justo em todas as fases do processo.
Extradição – art. 8o
Os crimes a que se refere o art. 4o serão considerados extraditáveis em qualquer tratado
de extradição existente entre os Estados‑Partes.
Estados Os Estados‑Partes
Partes obrigar‑se‑ão
obrigar a incluir tais
crimes como extraditáveis
eis em todo tratado de extradição que vierem a concluir entre si.
Se um Estado‑Parte
Parte que condiciona a extradição à existência do tratado receber um
pedido de extradição por parte de outro Estado‑Parte
Estado Parte com o qual não mantém tratado de
extradição, poderá considerar
siderar a presente Convenção como base legal para a extradição com
respeito a tais crimes. A extradição sujeitar‑se‑á
sujeitar á às outras condições estabelecidas pela lei do
Estado que receber a solicitação.
Os Estados‑Partes
Partes que não condicionam a extradição à existência
exist de um tratado
reconhecerão, entre si, tais crimes como extraditáveis, dentro das condições estabelecidas pela
lei do Estado que receber a solicitação.
O crime será considerado, para o fim de extradição entre os Estados‑Partes,
Estados como se
tivesse ocorrido
o não apenas no lugar em que ocorreu, mas também nos territórios dos Estados
chamados a estabelecerem sua jurisdição de acordo com o § 1o do art. 5o.
Característica assistencial – art. 9o
Os Estados‑Partes
Partes prestarão entre si a maior assistência possível, em
e relação aos
procedimentos criminais instaurados relativamente a qualquer dos delitos mencionados no
art. 4o, inclusive no que diz respeito ao fornecimento de todos os elementos de prova
necessários para o processo que estejam em seu poder.
tes cumprirão as obrigações decorrentes do § 1o do presente artigo,
Os Estados‑Partes
conforme quaisquer tratados de assistência judiciária recíproca existentes entre si.
Orientação das Forças Armadas – art. 10
Cada Estado‑Parte
Parte assegurará que o ensino e a informação sobre a proibição da tortura
sejam plenamente incorporados no treinamento do pessoal civil ou militar encarregado da
aplicação da lei, do pessoal médico, dos funcionários públicos e de quaisquer outras pessoas

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que possam participar da custódia, interrogatório ou tratamento de qualquer pessoa


submetida a qualquer forma de prisão, detenção ou reclusão.
Cada Estado‑Parte
Parte incluirá a referida proibição nas normas ou instruções relativas aos
deveres e funções de tais pessoas.
Interrogatório – art. 11
Cada Estado‑Parte
Parte manterá sistematicamente sob exame as normas, instruções, métodos
e práticas de interrogatório, bem como
como as disposições sobre a custódia e o tratamento das
pessoas submetidas, em qualquer território sob a sua jurisdição, a qualquer forma de prisão,
detenção ou reclusão, com vistas a evitar qualquer caso de tortura.
Reparação – art. 14
Parte assegurará
Cada Estado‑Parte assegurará em seu sistema jurídico, à vítima de um ato de tortura, o
direito à reparação e a à indenização justa e adequada, incluídos os meios necessários para a
mais completa reabilitação possível. Em caso de morte da vítima como resultado de um ato de
tortura,
ura, seus dependentes terão direito à indenização.
O disposto no presente artigo não afetará qualquer direito a indenização que a vítima ou
outra pessoa possam ter em decorrência das leis nacionais.
Criação do Comitê – art. 17 e ss.
Será constituído um Comitê.
Comitê. Ele será composto por dez peritos de elevada reputação moral
e reconhecida competência em matéria de direitos humanos, os quais exercerão suas funções a
título pessoal. Os peritos serão eleitos pelos Estados‑Partes,
Estados Partes, levando em conta uma
distribuição geográfica
eográfica equitativa e a utilidade da participação de algumas pessoas com
experiência jurídica.
Os membros do Comitê serão eleitos em votação secreta, dentre uma lista de pessoas
indicadas pelos Estados‑Partes.
Partes. Cada Estado‑Parte
Estado Parte pode indicar uma pessoa dentre
den os seus
nacionais. Os Estados‑Partes
Partes terão presente a utilidade da indicação de pessoas que sejam
também membros do Comitê de Direitos Humanos, estabelecido de acordo com o Pacto
Internacional dos Direitos Civis e Políticos, e que estejam dispostas a servir
s no Comitê contra a
Tortura.
Os membros do Comitê serão eleitos em reuniões bienais dos Estados‑Partes
Estados convocadas
pelo Secretário‑Geral
Geral das Nações Unidas. Nestas reuniões, nas quais o quorum será
estabelecido por dois terços dos Estados‑Partes,
Estados serão eleitos membros do Comitê os

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candidatos que obtiverem o maior número de votos e a maioria absoluta dos votos
representantes dos Estados‑Partes
Estados presentes e votantes.
A primeira eleição se realizará no máximo seis meses após a data da entrada em vigor da
presente
sente Convenção. Ao menos quatro meses antes da data de cada eleição o Secretário‑Geral
Secretário
da Organização das Nações Unidas enviará uma carta aos Estados‑Partes,
Estados Partes, para convidá‑los
convidá a
apresentar suas candidaturas, no prazo de três meses. O Secretário‑Geral
Secretário Geral da Organização
Or das
Nações Unidas organizará uma lista por ordem alfabética de todos os candidatos assim
designados, com indicações dos Estados‑Partes
Estados Partes que os tiverem designado, e a comunicará aos
Estados‑Partes.
Os membros do Comitê serão eleitos para um mandato de quatro anos. Poderão, caso suas
candidaturas sejam apresentadas novamente, ser reeleitos. Entretanto, o mandato de cinco
dos membros eleitos na primeira eleição expirará ao final de dois anos; imediatamente após a
reun a que se refere o § 3o do presente artigo indicará, por
primeira eleição, o presidente da reunião
sorteio, os nomes desses cinco membros.
Se um membro do Comitê vier a falecer, a demitir‑se
demitir se de suas funções ou, por outro motivo
qualquer, não puder cumprir com suas obrigações no Comitê, o Estado‑Parte
Estado que apresentou
sua candidatura indicará, entre seus nacionais, outro perito para cumprir o restante de seu
mandato, sendo que a referida indicação
indicação estará sujeita à aprovação da maioria dos
Estados‑Partes.
Partes. Considerar‑se‑á
Considerar á como concedida a referida aprovação, a menos que a metade
ou mais dos Estados‑Partes
Partes venham a responder negativamente dentro de um prazo de seis
semanas, a contar do momento em que o Secretário‑Geral
Geral das Nações Unidas lhes houver
comunicado a candidatura proposta.
Correrão por conta dos Estados‑Partes
Estados Partes as despesas em que vierem a incorrer os membros
do Comitê no desempenho de suas funções no referido órgão.
O Comitê elegerá sua Mesa
Mesa para um período de dois anos. Os membros da Mesa poderão
ser reeleitos.
Os Estados‑Partes
Partes submeterão ao Comitê, por intermédio do Secretário‑Geral
Secretário das Nações
Unidas, relatórios sobre as medidas por eles adotadas no cumprimento das obrigações
assumidas, em virtude da presente Convenção, no Estado‑Parte
Estado Parte interessado. A partir de então,
os Estados‑Partes
Partes deverão apresentar relatórios suplementares a cada quatro anos, sobre
todas as novas disposições que houverem adotado, bem como outros relatórios que o Comitê
Com

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vier a solicitar.
O Secretário‑Geral
Geral das Nações Unidas transmitirá os relatórios a todos os Estados‑Partes.
Estados
Cada relatório será examinado pelo Comitê, que poderá fazer os comentários gerais que
julgar oportunos e os transmitirá ao Estado‑Parte
Estado interessado.
ado. Este poderá, em resposta ao
Comitê, comunicar‑lhe
lhe todas as observações que deseje formular.
O Comitê poderá, a seu critério, tomar a decisão de incluir qualquer comentário que
houver feito, de acordo com o que estipula o § 3o do presente artigo, junto com as observações
conexas recebidas do Estado‑Parte
Estado Parte interessado, em seu relatório anual que apresentará, em
conformidade com o art. 24. Se assim o cogitar o Estado‑Parte
Estado Parte interessado, o Comitê poderá
virtu do § 1o do presente artigo.
também incluir cópia do relatório apresentado, em virtude
O Comitê, no caso de vir a receber informações fidedignas que lhe pareçam indicar, de
forma fundamentada, que a tortura é praticada sistematicamente no território de um
Estado‑Parte,
Parte, convidará o Estado‑Parte
Estado em questão a cooperar
erar no exame das informações e,
nesse sentido, a transmitir ao Comitê as observações que julgar pertinentes.
Levando em consideração todas as observações que houver apresentado o Estado‑Parte
Estado
interessado, bem como quaisquer outras informações pertinentes de que dispuser, o Comitê
poderá, se lhe parecer justificável, designar um ou vários de seus membros para que procedam
a uma investigação confidencial e informem urgentemente o Comitê.
se uma investigação nos termos do § 2o do presente artigo, o Comitê
No caso de realizar‑se
procurará obter a colaboração do Estado‑Parte
Estado Parte interessado. Com a concordância do
Estado‑Parte
Parte em questão, a investigação poderá incluir uma visita ao seu território.
Depois de haver examinado as conclusões apresentadas por um ou vários de seus
membros, nos termos do § 2o do presente artigo, o Comitê as transmitirá ao Estado‑Parte
Estado
interessado, junto com as observações ou sugestões que considerar pertinentes, em vista da
situação.
Todos os trabalhos do Comitê a que se faz referência nos §§ 1o ao 4o do presente artigo
serão confidenciais e, em todas as etapas dos referidos trabalhos, procurar‑se‑á
procurar obter a
cooperação do Estado‑Parte.
Parte. Quando estiverem concluídos os trabalhos relacionados com uma
investigação realizada de acordo com o § 2o, o Comitê
tê poderá, após celebrar consultas com o
Estado‑Parte
Parte interessado, tomar a decisão de incluir um resumo dos resultados da investigação
em seu relatório anual, que apresentará em conformidade com o art. 24.

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Todo Estado‑Parte
Parte na presente Convenção poderá declarar,
declarar, em virtude do presente artigo,
a qualquer momento, que reconhece a competência do Comitê para receber e examinar as
comunicações enviadas por pessoas sob sua jurisdição, ou em nome delas, que aleguem ser
vítimas de violação, por um Estado‑Parte,
Estado das disposições da Convenção. O Comitê não
receberá comunicação alguma relativa a um Estado‑Parte
Estado Parte que não houver feito declaração
dessa natureza.
O Comitê considerará inadmissível qualquer comunicação recebida em conformidade com
o presente artigo que seja anônima
anônima ou que, a seu juízo, constitua abuso do direito de
apresentar as referidas comunicações, ou que seja incompatível com as disposições da
presente Convenção.
O Comitê apresentará, em virtude da presente Convenção, um relatório anual sobre as
suas atividades
dades aos Estados‑Partes
Estados Partes e à Assembleia Geral das Nações Unidas.
Arbitragem – art. 30
As controvérsias entre dois ou mais Estados‑Partes,
Estados Partes, com relação à interpretação ou
aplicação da presente Convenção, que não puderem ser dirimidas por meio de negociação,
serão, a pedido dee um deles, submetidas à arbitragem. Se, durante os seis meses seguintes à
data do pedido de arbitragem, as partes não lograrem pôr‑se
pôr se de acordo quanto aos termos do
compromisso de arbitragem, qualquer das partes poderá submeter a controvérsia à Corte
Internacional
rnacional de Justiça, mediante solicitação feita em conformidade com o Estatuto da Corte.
Cada Estado‑Parte
Parte poderá declarar, por ocasião da assinatura ou ratificação da presente
Convenção, que não se considera obrigado pelo § 1o deste artigo. Os demais Estados‑Partes
Est
não estarão obrigados pelo referido parágrafo, com relação a qualquer Estado‑Parte
Estado que
houver formulado reserva dessa natureza.
Parte que houver formulado reserva, em conformidade com o § 2o do
Todo Estado‑Parte
presente artigo, poderá, a qualquer momento,
momento, tornar sem efeito essa reserva, mediante
notificação endereçada ao Secretário‑Geral
Secretário das Nações Unidas.
Forma de representação – art. 31
Todo Estado‑Parte
Parte poderá denunciar a presente Convenção mediante notificação por
escrito endereçada ao Secretário‑Geral
Secretário Geral das Nações Unidas. A denúncia produzirá efeitos um
ano depois da data do recebimento da notificação pelo Secretário‑Geral.
Secretário Geral.
A referida denúncia não eximirá o Estado‑Parte
Estado Parte das obrigações que lhe impõe a presente

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Convenção relativamente a qualquer ação ou omissão ocorrida antes da data em que a


denúncia venha a produzir efeitos; a denúncia não acarretará, tampouco, a suspensão do
exame de quaisquer questões que o Comitê já começara a examinar antes da data em que a
denúncia veio a produzir efeitos.
A partir
rtir da data em que vier a produzir efeitos a denúncia de um Estado‑Parte,
Estado o Comitê
não dará início ao exame de qualquer nova questão referente ao Estado em apreço.

12.13. PROTOCOLO ADICIONAL À CONVENÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS CONTRA O CRIME


ORGANIZADO TRANSNACIONAL RELATIVO À PREVENÇÃO, REPRESSÃO E PUNIÇÃO DO TRÁFICO DE
PESSOAS,
OAS, EM ESPECIAL MULHERES E CRIANÇAS
Ratificado pelo Decreto no 5.017/2004 que promulga por meio do Decreto Legislativo
no 231, de 29-5-2003,
2003, o texto do Protocolo Adicional à Convenção das Nações Unidas contra o
Crime Organizado Transnacional Relativo à Prevenção,
Prevenção, Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas,
em Especial Mulheres e Crianças. Foi adotado em Nova York em 15-11-2000.
15 2000. O Governo brasileiro
depositou o instrumento de ratificação junto à Secretaria‑Geral
Secretaria Geral da ONU em 29-1-2004
29 e só entrou
em vigor no Brasil em 28-2-2004.
2004.
Informações históricas
A partir de 1814 a preocupação legislativa, com o Tratado de Paris entre Inglaterra e
França, se cerceou ao tráfico negreiro, para fins de escravidão. O desempenho
desempen desta diplomacia
culminou, em 1926, com a Convenção firmada pela Sociedade das Nações, reafirmada, em 1953,
pela ONU.
No Brasil, o tráfico de pessoas tem uma expressiva atuação presente em todos os Estados.
As regiões norte e nordeste são exemplos significativos
significativos deste crime, principalmente para fins de
exploração sexual.
Preâmbulo
Declara que uma ação eficaz para prevenir e combater o tráfico de pessoas, em especial
mulheres e crianças, exige por parte dos países de origem, de trânsito e de destino uma
abordagem
bordagem global e internacional, que inclua medidas destinadas a prevenir esse tráfico, punir os
traficantes e proteger as vítimas desse tráfico, designadamente protegendo os seus direitos
fundamentais, internacionalmente reconhecidos.
Tendo em conta que, apesar da existência de uma variedade de instrumentos

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internacionais que contêm normas e medidas práticas para combater a exploração de pessoas,
especialmente mulheres e crianças, não existe nenhum instrumento universal que trate de todos
os aspectos relativos
ivos ao tráfico de pessoas.
Preocupados com o fato de na ausência desse instrumento, as pessoas vulneráveis ao
tráfico não estarem suficientemente protegidas.
Recordando a Res. no 53/111 da Assembleia Geral, de 9-12-1998,
1998, na qual a Assembleia
decidiu criar um comitê intergovernamental especial, de composição aberta, para elaborar uma
convenção internacional global contra o crime organizado transnacional e examinar a
possibilidade de elaborar, designadamente, um instrumento internacional de luta contra o tráfico
trá
de mulheres e de crianças.
Convencidos de que para prevenir e combater esse tipo de criminalidade será útil
completar a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional com um
instrumento internacional destinado a prevenir, reprimir e punir o tráfico de pessoas, em especial
mulheres e crianças, acordaram por este protocolo que assim segue:
Crime organizado transnacional
O presente Protocolo completa a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado
Transnacional e será interpretado
tado em conjunto com a Convenção.
As disposições da Convenção aplicar‑se‑ão
aplicar mutatis mutandis ao presente Protocolo, salvo
se no mesmo se dispuser o contrário.
As infrações estabelecidas em conformidade com o Artigo 5 do presente Protocolo serão
consideradass como infrações estabelecidas em conformidade com a Convenção.
Objetivo
Este instrumento tem por finalidade a confecção de um estudo sistematizado, codificado,
com profundidade e base científica, possibilitando e auxiliando no combate à erradicação do crime
cri
organizado, iniciando por projetos preventivos.
Os objetivos do presente Protocolo são os seguintes:
a)) Prevenir e combater o tráfico de pessoas, prestando uma atenção especial às mulheres e
às crianças;
b)) Proteger e ajudar as vítimas desse tráfico, respeitando
respeitando plenamente os seus direitos
humanos; e
c)) Promover a cooperação entre os Estados‑Partes
Estados Partes de forma a atingir esses objetivos.

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Definição da expressão “tráfico de pessoas”


Significa o recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou o acolhimento
aco de
pessoas, recorrendo à ameaça ou uso da força ou a outras formas de coação, ao rapto, à fraude,
ao engano, ao abuso de autoridade ou à situação de vulnerabilidade ou à entrega ou aceitação de
pagamentos ou benefícios para obter o consentimento de
de uma pessoa que tenha autoridade
sobre outra para fins de exploração. A exploração incluirá, no mínimo, a exploração da
prostituição de outrem ou outras formas de exploração sexual, o trabalho ou serviços forçados,
escravatura ou práticas similares à escravatura,
escravatura, à servidão ou à remoção de órgãos.
O consentimento dado pela vítima de tráfico de pessoas será considerado irrelevante se
tiver sido utilizado qualquer um dos meios referidos.
O termo “criança” significa qualquer pessoa com idade inferior a dezoito
dezoit anos.
Aplicabilidade
O presente Protocolo aplicar‑se‑á,
aplicar á, salvo disposição em contrário, à prevenção,
investigação e repressão das infrações estabelecidas em conformidade com o Artigo 5 do presente
Protocolo, quando essas infrações forem de natureza transnacional e envolverem grupo criminoso
organizado, bem
m como à proteção das vítimas dessas infrações.
Medidas preventivas
Cada Estado‑Parte
Parte adotará as medidas legislativas e outras que considere necessárias de
forma a estabelecer como infrações penais os atos descritos no Artigo 3 do presente Protocolo,
quando
o tenham sido praticados intencionalmente. Adotará igualmente as medidas legislativas e
outras que considere necessárias para estabelecer como infrações penais.
Medidas de proteção às vítimas
Nos casos em que se considere apropriado e na medida em que seja permitido pelo seu
direito interno, cada Estado‑Parte
Parte protegerá a privacidade e a identidade das vítimas de tráfico de
pessoas, incluindo, entre outras (ou inter alia),
), a confidencialidade dos procedimentos judiciais
relativos a esse tráfico. Assegurará também que o seu sistema jurídico ou administrativo
administrati contenha
medidas que forneçam às vítimas de tráfico de pessoas, quando necessário:
Cada Estado‑Parte
Parte terá em consideração a aplicação de medidas que permitam a
recuperação física, psicológica e social das vítimas de tráfico de pessoas, incluindo, se for caso
disso, em cooperação com organizações não governamentais, outras organizações competentes e
outros elementos de sociedade civil e, em especial, o fornecimento de criação de alojamento

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adequado; aconselhamento e informação, especialmente quanto aos direitos


di que a lei lhes
reconhece, numa língua que compreendam; assistência médica, psicológica e material; e
oportunidades de emprego, educação e formação.
Deverá ter em conta a idade, o sexo e as necessidades específicas das vítimas de tráfico de
pessoas, designadamente as necessidades específicas das crianças, incluindo o alojamento, a
educação.
Repatriamento das vítimas
O Estado‑Parte
Parte do qual a vítima de tráfico de pessoas é nacional ou no qual a pessoa tinha
direito de residência permanente, no momento de
de entrada no território do Estado‑Parte
Estado de
acolhimento, facilitará e aceitará, sem demora indevida ou injustificada, o regresso dessa pessoa,
tendo devidamente em conta a segurança da mesma. Esse regresso levará devidamente em conta
a segurança da pessoa bem
em como a situação de qualquer processo judicial relacionado ao fato de
tal pessoa ser uma vítima de tráfico, preferencialmente de forma voluntária.
Cláusula de salvaguarda
Nenhuma disposição do presente Protocolo prejudicará os direitos, obrigações e
responsabilidades
onsabilidades dos Estados e das pessoas por força do direito internacional, incluindo o direito
internacional humanitário e o direito internacional relativo aos direitos humanos e,
especificamente, na medida em que sejam aplicáveis, a Convenção de 1951 e o Protocolo de 1967
relativos ao Estatuto dos Refugiados e ao princípio do non‑refoulement neles enunciado.
As medidas constantes do presente Protocolo serão interpretadas e aplicadas de forma a
que as pessoas que foram vítimas de tráfico não sejam discriminadas.
discriminadas. A interpretação e aplicação
das referidas medidas estarão em conformidade com os princípios de não discriminação
internacionalmente reconhecidos.
Conflito entre Estados a respeito de controvérsias
Envidarão esforços para resolver as controvérsias relativas
relativas à interpretação ou aplicação do
presente Protocolo por negociação direta.
As controvérsias entre dois ou mais Estados‑Partes
Estados Partes com respeito à aplicação ou à
interpretação do presente Protocolo que não possam ser resolvidas por negociação, dentro de um
prazo razoável, serão submetidas, a pedido de um desses Estados‑Partes,
Estados Partes, a arbitragem.
Critério de competência
Se, no prazo de seis meses após a data do pedido de arbitragem, esses Estados‑Partes
Estados não

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chegarem a um acordo sobre a organização da arbitragem, qualquer desses Estados‑Partes


Estados
poderá submeter o diferendo ao Tribunal Internacional de Justiça mediante requerimento, em
conformidade
nformidade com o Estatuto do Tribunal.
Retratabilidade
Qualquer Estado‑Parte
Parte que tenha feito uma reserva pode, a qualquer momento, retirar
essa reserva por meio de notificação ao Secretário‑Geral
Secretário Geral das Nações Unidas.

12.14. CONVENÇÃO AMERICANA SOBRE DIREITOS


DIREITOS HUMANOS (PACTO DE SÃO JOSÉ DA COSTA
RICA)
Adotada no âmbito da Organização dos Estados Americanos, em São José da Costa Rica, em
22-11-1969,
1969, entrou em vigor internacional em 18-7-1978,
18 1978, na forma do segundo parágrafo de seu
art. 74. O Governo brasileiro depositou
depositou a Carta de Adesão a essa Convenção em 25-9-1992.
25
Aprovada pelo Decreto Legislativo no 27, de 25-9-1992,
1992, e promulgada pelo Dec. no 678, de 6-11-
1992.
A Convenção Americana de Direitos Humanos, conhecida como Pacto de San José da Costa
ou pela sigla CADH, é, apesar do termo (Pacto, Convenção), um tratado internacional entre os
países‑membros
membros da Organização dos Estados Americanos. É considerada uma das bases do
sistema interamericano de proteção dos Direitos Humanos. Foi subscrita na cidade de San José da
Costa Rica em 22 de novembro de 1969 na Conferência Especializada Interamericana de Direitos
Humanos
Breve conteúdo normativo
O art. 1o da Convenção, visando maior proteção, fez com que os Estados signatários se
comprometessem a respeitar os direitos e liberdades nela reconhecidos e a garantir seu livre e
pleno exercício a toda pessoa que está sujeita à sua jurisdição, sem qualquer discriminação.
Neste sentido, estes Estados Signatários estão obrigados a legislar sobre medidas eficazes
no combate aos preceitos
eceitos aqui defendidos, ainda que tais direitos e liberdades não estiverem
assegurados em seus ordenamentos.
Impõe aos Estados, na medida de seus recursos e condições, o desenvolvimento
progressivo dos direitos econômicos, sociais e culturais contidos na Carta da OEA, legislando a
respeito e utilizando de outros expedientes para atingir o resultado almejado.
Estabelece dois organismos internacionais para fazer valer os dispositivos de direitos e

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liberdades acolhidos na Convenção: a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e a Corte


Interamericana de Direitos Humanos.
Ao depositar a Carta de Adesão à Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de
São José da Costa Rica), em 25 de setembro de 1992, o Governo brasileiro fez a seguinte
declaração interpretativa
pretativa sobre os arts. 43 e 48, alínea d:
O Governo do Brasil entende que os arts. 43 e 48, alínea d,
d não incluem o direito
automático de visitas e inspeções in loco da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, as
quais dependerão da anuência expressa do Estado.
O Pacto de São José da Costa Rica busca proteger direitos civis e políticos, codificados na
seguinte ordem: direito ao reconhecimento da personalidade jurídica, à vida, à integridade
pessoal, à liberdade pessoal e garantias judiciais, à proteção
proteção da honra e reconhecimento à
dignidade, à liberdade religiosa e de consciência, à liberdade de pensamento e de expressão, e o
direito de livre associação, entre outros.
Direitos civis e políticos
Direito ao Reconhecimento da Personalidade Jurídica; Direito
Direito à Vida; Direito à Integridade
Pessoal; Proibição da Escravidão e da Servidão; Direito à Liberdade Pessoal; Princípio da
Legalidade e da Retroatividade; Direito a Indenização; Proteção da Honra e da Dignidade;
Liberdade de Consciência e de Religião; Liberdade
Liberdade de Pensamento e de Expressão; Direito de
Retificação ou Resposta; Direito de Reunião; Liberdade de Associação; Proteção da Família; Direito
ao Nome; Direitos da Criança; Direito à Nacionalidade; Direito à Propriedade Privada; Direito de
Circulação e dee Residência; Direitos Políticos; Igualdade Perante a Lei e Proteção Judicial.
Suspensão de garantias
Em caso de guerra, de perigo público, ou de outra emergência que ameace a
independência ou segurança do Estado‑Parte,
Estado Parte, este poderá adotar disposições que, na medida e
pelo tempo estritamente limitados às exigências da situação, suspendam as obrigações contraídas
em virtude desta Convenção, desde que tais disposições não sejam incompatíveis com as demais
obrigações que lhe impõe o Direito Internacional e não encerrem discriminação alguma fundada
em motivos de raça, cor, sexo, idioma, religião ou origem social (item 1 do art. 27).
A disposição precedente não autoriza a suspensão dos direitos determinados nos seguintes
artigos: 3 (Direito ao Reconhecimento da Personalidade
Personalidade Jurídica), 4 (Direito à Vida), 5 (Direito à
Integridade Pessoal), 6 (Proibição da Escravidão e Servidão), 9 (Princípio da Legalidade e da

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Retroatividade), 12 (Liberdade de Consciência e de Religião), 17 (Proteção da Família), 18 (Direito


ao Nome),
e), 19 (Direitos da Criança), 20 (Direito à Nacionalidade) e 23 (Direitos Políticos), nem das
garantias indispensáveis para a proteção de tais direitos (item 2 do art. 27).
Todo Estado‑Parte
Parte que fizer uso do direito de suspensão deverá informar imediatamente
os outros Estados‑Partes
Partes na presente Convenção, por intermédio do Secretário‑Geral
Secretário da
Organização dos Estados Americanos, das disposições cuja aplicação haja suspendido, dos motivos
determinantes da suspensão e da data em que haja dado por terminada tal suspensão (item 3 do
art. 27).
Normas de interpretação
Nenhuma disposição desta Convenção pode ser interpretada no sentido de:
a) permitir a qualquer dos Estados‑Partes,
Estados Partes, grupo ou pessoa,
pess suprimir o gozo e
exercício dos direitos e liberdades reconhecidos na Convenção ou limitá‑los
limitá em maior
medida do que a nela prevista;
b) limitar o gozo e exercício de qualquer direito ou liberdade que possam ser
reconhecidos de acordo com as leis de qualquer
qu dos Estados‑Partes
Partes ou de acordo com
outra convenção em que seja parte um dos referidos Estados;
c) excluir outros direitos e garantias que são inerentes ao ser humano ou que decorrem
da forma democrática representativa de governo; e
d) excluir ou limitar
mitar o efeito que possam produzir a Declaração Americana dos Direitos
e Deveres do Homem e outros atos internacionais da mesma natureza (art. 29).
Alcance das restrições
As restrições permitidas, de acordo com esta Convenção, ao gozo e exercício dos direitos
direi e
liberdades nela reconhecidos, não podem ser aplicadas senão de acordo com leis que forem
promulgadas por motivo de interesse geral e com o propósito para o qual houverem sido
estabelecidas (art. 30).
Transcrição
Em função da sua importância, a Convenção
Convenção Americana deve ser conhecida na sua
totalidade:

PREÂMBULO
Os Estados Americanos signatários da presente Convenção,

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Reafirmando seu propósito de consolidar neste Continente, dentro do quadro das instituições
democráticas, um regime de liberdade pessoal
pessoal e de justiça social, fundado no respeito dos direitos
humanos essenciais;
Reconhecendo que os direitos essenciais da pessoa humana não derivam do fato de ser ela
nacional de determinado Estado, mas sim do fato de ter como fundamento os atributos da pessoa
pesso
humana, razão por que justificam uma proteção internacional, de natureza convencional,
coadjuvante ou complementar da que oferece o direito interno dos Estados americanos;
Considerando que esses princípios foram consagrados na Carta da Organização dos Estados
Es
Americanos, na Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem e na Declaração
Universal dos Direitos do Homem, e que foram reafirmados e desenvolvidos em outros
instrumentos internacionais, tanto de âmbito mundial como regional;
Reiterando que, de acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, só pode ser
realizado o ideal do ser humano livre, isento do temor e da miséria, se forem criadas condições que
permitam a cada pessoa gozar dos seus direitos econômicos, sociais e culturais, bem como dos
seus direitos civis e políticos; e
Considerando que a Terceira Conferência Interamericana Extraordinária (Buenos Aires, 1967)
aprovou a incorporação à própria Carta da Organização de normas mais amplas sobre os direitos
econômicos, sociais e educacionais
acionais e resolveu que uma Convenção Interamericana sobre Direitos
Humanos determinasse a estrutura, competência e processo dos órgãos encarregados dessa
matéria;
Convieram no seguinte:

PARTE I - DEVERES DOS ESTADOS E DIREITOS PROTEGIDOS


Capítulo I - ENUMERAÇÃO
UMERAÇÃO DOS DEVERES
Artigo 1º - Obrigação de respeitar os direitos
1. Os Estados-partes
partes nesta Convenção comprometem-se
comprometem se a respeitar os direitos e liberdades nela
reconhecidos e a garantir seu livre e pleno exercício a toda pessoa que esteja sujeita à sua
jurisdição,
urisdição, sem discriminação alguma, por motivo de raça, cor, sexo, idioma, religião, opiniões
políticas ou de qualquer outra natureza, origem nacional ou social, posição econômica, nascimento
ou qualquer outra condição social.
2. Para efeitos desta Convenção,
ção, pessoa é todo ser humano.

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Artigo 2º - Dever de adotar disposições de direito interno


Se o exercício dos direitos e liberdades mencionados no artigo 1 ainda não estiver garantido por
disposições legislativas ou de outra natureza, os Estados-partes
Estados comprometem
rometem-se a adotar, de
acordo com as suas normas constitucionais e com as disposições desta Convenção, as medidas
legislativas ou de outra natureza que forem necessárias para tornar efetivos tais direitos e
liberdades.
Capítulo II - DIREITOS CIVIS E POLÍTICOS
POLÍT
Artigo 3º - Direito ao reconhecimento da personalidade jurídica
Toda pessoa tem direito ao reconhecimento de sua personalidade jurídica.
Artigo 4º - Direito à vida
1. Toda pessoa tem o direito de que se respeite sua vida. Esse direito deve ser protegido
protegi pela lei e,
em geral, desde o momento da concepção. Ninguém pode ser privado da vida arbitrariamente.
2. Nos países que não houverem abolido a pena de morte, esta só poderá ser imposta pelos delitos
mais graves, em cumprimento de sentença final de tribunal
tribunal competente e em conformidade com a
lei que estabeleça tal pena, promulgada antes de haver o delito sido cometido. Tampouco se
estenderá sua aplicação a delitos aos quais não se aplique atualmente.
3. Não se pode restabelecer a pena de morte nos Estados que a hajam abolido.
4. Em nenhum caso pode a pena de morte ser aplicada a delitos políticos, nem a delitos comuns
conexos com delitos políticos.
5. Não se deve impor a pena de morte a pessoa que, no momento da perpetração do delito, for
menor de dezoito anos, ou maior de setenta, nem aplicá-la
aplicá la a mulher em estado de gravidez.
6. Toda pessoa condenada à morte tem direito a solicitar anistia, indulto ou comutação da pena,
os quais podem ser concedidos em todos os casos. Não se pode executar a pena de morte
enquanto
nquanto o pedido estiver pendente de decisão ante a autoridade competente.
Artigo 5º - Direito à integridade pessoal
1. Toda pessoa tem direito a que se respeite sua integridade física, psíquica e moral.
2. Ninguém deve ser submetido a torturas, nem a penas
penas ou tratos cruéis, desumanos ou
degradantes. Toda pessoa privada de liberdade deve ser tratada com o respeito devido à
dignidade inerente ao ser humano.
3. A pena não pode passar da pessoa do delinquente.

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4. Os processados devem ficar separados dos condenados,


condenados, salvo em circunstâncias excepcionais, e
devem ser submetidos a tratamento adequado à sua condição de pessoas não condenadas.
5. Os menores, quando puderem ser processados, devem ser separados dos adultos e conduzidos a
tribunal especializado, com a maior
maior rapidez possível, para seu tratamento.
6. As penas privativas de liberdade devem ter por finalidade essencial a reforma e a readaptação
social dos condenados.
Artigo 6º - Proibição da escravidão e da servidão
1. Ninguém poderá ser submetido a escravidão
escravidão ou servidão e tanto estas como o tráfico de
escravos e o tráfico de mulheres são proibidos em todas as suas formas.
2. Ninguém deve ser constrangido a executar trabalho forçado ou obrigatório. Nos países em que
se prescreve, para certos delitos, pena privativa
privativa de liberdade acompanhada de trabalhos forçados,
esta disposição não pode ser interpretada no sentido de proibir o cumprimento da dita pena,
imposta por um juiz ou tribunal competente. O trabalho forçado não deve afetar a dignidade, nem
a capacidade física e intelectual do recluso.
3. Não constituem trabalhos forçados ou obrigatórios para os efeitos deste artigo:
a) os trabalhos ou serviços normalmente exigidos de pessoa reclusa em cumprimento de sentença
ou resolução formal expedida pela autoridade judiciária competente. Tais trabalhos ou serviços
devem ser executados sob a vigilância e controle das autoridades públicas, e os indivíduos que os
executarem não devem ser postos à disposição de particulares, companhias ou pessoas jurídicas de
caráter privado;
b) serviço militar e, nos países em que se admite a isenção por motivo de consciência, qualquer
serviço nacional que a lei estabelecer em lugar daquele;
c) o serviço exigido em casos de perigo ou de calamidade que ameacem a existência ou o bem-
bem
estar da comunidade;
d) o trabalho ou serviço que faça parte das obrigações cívicas normais.
Artigo 7º - Direito à liberdade pessoal
1. Toda pessoa tem direito à liberdade e à segurança pessoais.
2. Ninguém pode ser privado de sua liberdade física, salvo pelas causas
c e nas condições
previamente fixadas pelas Constituições políticas dos Estados-partes
Estados partes ou pelas leis de acordo com
elas promulgadas.
3. Ninguém pode ser submetido a detenção ou encarceramento arbitrários.

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4. Toda pessoa detida ou retida deve ser informada


informada das razões da detenção e notificada, sem
demora, da acusação ou das acusações formuladas contra ela.
5. Toda pessoa presa, detida ou retida deve ser conduzida, sem demora, à presença de um juiz ou
outra autoridade autorizada por lei a exercer funções judiciais
judiciais e tem o direito de ser julgada em
prazo razoável ou de ser posta em liberdade, sem prejuízo de que prossiga o processo. Sua
liberdade pode ser condicionada a garantias que assegurem o seu comparecimento em juízo.
6. Toda pessoa privada da liberdade
liberdade tem direito a recorrer a um juiz ou tribunal competente, a fim
de que este decida, sem demora, sobre a legalidade de sua prisão ou detenção e ordene sua
soltura, se a prisão ou a detenção forem ilegais. Nos Estados-partes
Estados partes cujas leis prevêem que toda
pessoa
oa que se vir ameaçada de ser privada de sua liberdade tem direito a recorrer a um juiz ou
tribunal competente, a fim de que este decida sobre a legalidade de tal ameaça, tal recurso não
pode ser restringido nem abolido. O recurso pode ser interposto pela própria pessoa ou por outra
pessoa.
7. Ninguém deve ser detido por dívidas. Este princípio não limita os mandados de autoridade
judiciária competente expedidos em virtude de inadimplemento de obrigação alimentar.
Artigo 8º - Garantias judiciais
1. Toda pessoa
soa terá o direito de ser ouvida, com as devidas garantias e dentro de um prazo
razoável, por um juiz ou Tribunal competente, independente e imparcial, estabelecido
anteriormente por lei, na apuração de qualquer acusação penal formulada contra ela, ou na
determinação
eterminação de seus direitos e obrigações de caráter civil, trabalhista, fiscal ou de qualquer outra
natureza.
2. Toda pessoa acusada de um delito tem direito a que se presuma sua inocência, enquanto não
for legalmente comprovada sua culpa. Durante o processo,
processo, toda pessoa tem direito, em plena
igualdade, às seguintes garantias mínimas:
a) direito do acusado de ser assistido gratuitamente por um tradutor ou intérprete, caso não
compreenda ou não fale a língua do juízo ou tribunal;
b) comunicação prévia e pormenorizada
menorizada ao acusado da acusação formulada;
c) concessão ao acusado do tempo e dos meios necessários à preparação de sua defesa;
d) direito do acusado de defender-se
defender se pessoalmente ou de ser assistido por um defensor de sua
escolha e de comunicar-se,
se, livremente
livrem e em particular, com seu defensor;

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e) direito irrenunciável de ser assistido por um defensor proporcionado pelo Estado, remunerado
ou não, segundo a legislação interna, se o acusado não se defender ele próprio, nem nomear
defensor dentro do prazo estabelecido
abelecido pela lei;
f) direito da defesa de inquirir as testemunhas presentes no Tribunal e de obter o comparecimento,
como testemunhas ou peritos, de outras pessoas que possam lançar luz sobre os fatos;
g) direito de não ser obrigada a depor contra si mesma,
mes nem a confessar-se
se culpada; e
h) direito de recorrer da sentença a juiz ou tribunal superior.
3. A confissão do acusado só é válida se feita sem coação de nenhuma natureza.
4. O acusado absolvido por sentença transitada em julgado não poderá ser submetido
submet a novo
processo pelos mesmos fatos.
5. O processo penal deve ser público, salvo no que for necessário para preservar os interesses da
justiça.
Artigo 9º - Princípio da legalidade e da retroatividade
Ninguém poderá ser condenado por atos ou omissões que,
que, no momento em que foram cometidos,
não constituam delito, de acordo com o direito aplicável. Tampouco poder-se-á
poder impor pena mais
grave do que a aplicável no momento da ocorrência do delito. Se, depois de perpetrado o delito, a
lei estipular a imposição dee pena mais leve, o deliquente deverá dela beneficiar-se.
beneficiar
Artigo 10 - Direito à indenização
Toda pessoa tem direito de ser indenizada conforme a lei, no caso de haver sido condenada em
sentença transitada em julgado, por erro judiciário.
Artigo 11 - Proteção
ão da honra e da dignidade
1. Toda pessoa tem direito ao respeito da sua honra e ao reconhecimento de sua dignidade.
2. Ninguém pode ser objeto de ingerências arbitrárias ou abusivas em sua vida privada, em sua
família, em seu domicílio ou em sua correspondência,
correspondência, nem de ofensas ilegais à sua honra ou
reputação.
3. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais ingerências ou tais ofensas.
Artigo 12 - Liberdade de consciência e de religião
1. Toda pessoa tem direito à liberdade de consciência e de religião.
religião. Esse direito implica a liberdade
de conservar sua religião ou suas crenças, ou de mudar de religião ou de crenças, bem como a
liberdade de professar e divulgar sua religião ou suas crenças, individual ou coletivamente, tanto
em público como em privado.

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2. Ninguém pode ser submetido a medidas restritivas que possam limitar sua liberdade de
conservar sua religião ou suas crenças, ou de mudar de religião ou de crenças.
3. A liberdade de manifestar a própria religião e as próprias crenças está sujeita apenas
a às
limitações previstas em lei e que se façam necessárias para proteger a segurança, a ordem, a
saúde ou a moral públicas ou os direitos e as liberdades das demais pessoas.
4. Os pais e, quando for o caso, os tutores, têm direito a que seus filhos e pupilos recebam a
educação religiosa e moral que esteja de acordo com suas próprias convicções.
Artigo 13 - Liberdade de pensamento e de expressão
1. Toda pessoa tem o direito à liberdade de pensamento e de expressão. Esse direito inclui a
liberdade de procurar,
curar, receber e difundir informações e idéias de qualquer natureza, sem
considerações de fronteiras, verbalmente ou por escrito, ou em forma impressa ou artística, ou por
qualquer meio de sua escolha.
2. O exercício do direito previsto no inciso precedente
precedente não pode estar sujeito à censura prévia, mas
a responsabilidades ulteriores, que devem ser expressamente previstas em lei e que se façam
necessárias para assegurar:
a) o respeito dos direitos e da reputação das demais pessoas;
b) a proteção da segurança nacional, da ordem pública, ou da saúde ou da moral públicas.
3. Não se pode restringir o direito de expressão por vias e meios indiretos, tais como o abuso de
controles oficiais ou particulares de papel de imprensa, de frequências radioelétricas ou de
equipamentos
ipamentos e aparelhos usados na difusão de informação, nem por quaisquer outros meios
destinados a obstar a comunicação e a circulação de idéias e opiniões.
4. A lei pode submeter os espetáculos públicos a censura prévia, com o objetivo exclusivo de
regularr o acesso a eles, para proteção moral da infância e da adolescência, sem prejuízo do
disposto no inciso 2.
5. A lei deve proibir toda propaganda a favor da guerra, bem como toda apologia ao ódio nacional,
racial ou religioso que constitua incitamento à discriminação,
discriminação, à hostilidade, ao crime ou à
violência.
Artigo 14 - Direito de retificação ou resposta
1. Toda pessoa, atingida por informações inexatas ou ofensivas emitidas em seu prejuízo por meios
de difusão legalmente regulamentados e que se dirijam ao público
público em geral, tem direito a fazer,
pelo mesmo órgão de difusão, sua retificação ou resposta, nas condições que estabeleça a lei.

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2. Em nenhum caso a retificação ou a resposta eximirão das outras responsabilidades legais em


que se houver incorrido.
ra a efetiva proteção da honra e da reputação, toda publicação ou empresa jornalística,
3. Para
cinematográfica, de rádio ou televisão, deve ter uma pessoa responsável, que não seja protegida
por imunidades, nem goze de foro especial.
Artigo 15 - Direito de reunião
É reconhecido o direito de reunião pacífica e sem armas. O exercício desse direito só pode estar
sujeito às restrições previstas em lei e que se façam necessárias, em uma sociedade democrática,
ao interesse da segurança nacional, da segurança ou ordem públicas,
públicas, ou para proteger a saúde ou
a moral públicas ou os direitos e as liberdades das demais pessoas.
Artigo 16 - Liberdade de associação
1. Todas as pessoas têm o direito de associar-se
associar se livremente com fins ideológicos, religiosos,
políticos, econômicos, trabalhistas, sociais, culturais, desportivos ou de qualquer outra natureza.
2. O exercício desse direito só pode estar sujeito às restrições previstas em lei e que se façam
necessárias, em uma sociedade democrática, ao interesse da segurança nacional, da segurança e
da ordem públicas, ou para proteger a saúde ou a moral públicas ou os direitos e as liberdades das
demais pessoas.
3. O presente artigo não impede a imposição de restrições legais, e mesmo a privação do exercício
do direito de associação, aos membros das forças armadas e da polícia.
Artigo 17 - Proteção da família
1. A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e deve ser protegida pela sociedade e
pelo Estado.
2. É reconhecido o direito do homem e da mulher de contraírem casamento e de constituírem uma
família, se tiverem a idade e as condições para isso exigidas pelas leis internas, na medida em que
não afetem estas o princípio da não-discriminação
não discriminação estabelecido nesta Convenção.
3. O casamento não pode ser celebrado sem o consentimento
consentimento livre e pleno dos contraentes.
4. Os Estados-partes
partes devem adotar as medidas apropriadas para assegurar a igualdade de direitos
e a adequada equivalência de responsabilidades dos cônjuges quanto ao casamento, durante o
mesmo e por ocasião de sua dissolução.
dissolução. Em caso de dissolução, serão adotadas as disposições que
assegurem a proteção necessária aos filhos, com base unicamente no interesse e conveniência dos
mesmos.

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5. A lei deve reconhecer iguais direitos tanto aos filhos nascidos fora do casamento, como aos
nascidos dentro do casamento.
Artigo 18 - Direito ao nome
Toda pessoa tem direito a um prenome e aos nomes de seus pais ou ao de um destes. A lei deve
regular a forma de assegurar a todos esse direito, mediante nomes fictícios, se for necessário.
Artigo 19 - Direitos da criança
Toda criança terá direito às medidas de proteção que a sua condição de menor requer, por parte
da sua família, da sociedade e do Estado.
Artigo 20 - Direito à nacionalidade
1. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade.
2. Toda pessoa tem direito à nacionalidade do Estado em cujo território houver nascido, se não
tiver direito a outra.
3. A ninguém se deve privar arbitrariamente de sua nacionalidade, nem do direito de mudá-la.
mudá
Artigo 21 - Direito à propriedade privada
1. Toda pessoa
ssoa tem direito ao uso e gozo de seus bens. A lei pode subordinar esse uso e gozo ao
interesse social.
2. Nenhuma pessoa pode ser privada de seus bens, salvo mediante o pagamento de indenização
justa, por motivo de utilidade pública ou de interesse social e nos casos e na forma estabelecidos
pela lei.
3. Tanto a usura, como qualquer outra forma de exploração do homem pelo homem, devem ser
reprimidas pela lei.
Artigo 22 - Direito de circulação e de residência
1. Toda pessoa que se encontre legalmente no território
território de um Estado tem o direito de nele
livremente circular e de nele residir, em conformidade com as disposições legais.
2. Toda pessoa terá o direito de sair livremente de qualquer país, inclusive de seu próprio país.
3. O exercício dos direitos supracitados
supracitados não pode ser restringido, senão em virtude de lei, na
medida indispensável, em uma sociedade democrática, para prevenir infrações penais ou para
proteger a segurança nacional, a segurança ou a ordem públicas, a moral ou a saúde públicas, ou
os direitos
itos e liberdades das demais pessoas.
4. O exercício dos direitos reconhecidos no inciso 1 pode também ser restringido pela lei, em zonas
determinadas, por motivo de interesse público.

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5. Ninguém pode ser expulso do território do Estado do qual for nacional


naciona e nem ser privado do
direito de nele entrar.
6. O estrangeiro que se encontre legalmente no território de um Estado-parte
Estado na presente
Convenção só poderá dele ser expulso em decorrência de decisão adotada em conformidade com a
lei.
7. Toda pessoa tem o direito
ireito de buscar e receber asilo em território estrangeiro, em caso de
perseguição por delitos políticos ou comuns conexos com delitos políticos, de acordo com a
legislação de cada Estado e com as Convenções internacionais.
8. Em nenhum caso o estrangeiro pode ser expulso ou entregue a outro país, seja ou não de
origem, onde seu direito à vida ou à liberdade pessoal esteja em risco de violação em virtude de
sua raça, nacionalidade, religião, condição social ou de suas opiniões políticas.
9. É proibida a expulsão
ulsão coletiva de estrangeiros.
Artigo 23 - Direitos políticos
1. Todos os cidadãos devem gozar dos seguintes direitos e oportunidades:
a) de participar da condução dos assuntos públicos, diretamente ou por meio de representantes
livremente eleitos;
b) de votar e ser eleito em eleições periódicas, autênticas, realizadas por sufrágio universal e
igualitário e por voto secreto, que garantam a livre expressão da vontade dos eleitores; e
c) de ter acesso, em condições gerais de igualdade, às funções públicas de seu país.
2. A lei pode regular o exercício dos direitos e oportunidades, a que se refere o inciso anterior,
exclusivamente por motivo de idade, nacionalidade, residência, idioma, instrução, capacidade civil
ou mental, ou condenação, por juiz competente, em processo penal.
Artigo 24 - Igualdade perante a lei
Todas as pessoas são iguais perante a lei. Por conseguinte, têm direito, sem discriminação alguma,
à igual proteção da lei.
Artigo 25 - Proteção judicial
1. Toda pessoa tem direito a um recurso simples e rápido ou a qualquer outro recurso efetivo,
perante os juízes ou tribunais competentes, que a proteja contra atos que violem seus direitos
fundamentais reconhecidos pela Constituição, pela lei ou pela presente Convenção, mesmo quando
tal violação seja cometida
ometida por pessoas que estejam atuando no exercício de suas funções oficiais.
2. Os Estados-partes
partes comprometem-se:
comprometem

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a) a assegurar que a autoridade competente prevista pelo sistema legal do Estado decida sobre os
direitos de toda pessoa que interpuser tal recurso;
b) a desenvolver as possibilidades de recurso judicial; e
c) a assegurar o cumprimento, pelas autoridades competentes, de toda decisão em que se tenha
considerado procedente o recurso.
Capítulo III - DIREITOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E CULTURAIS
Artigo 26 - Desenvolvimento progressivo
Os Estados-partes
partes comprometem-se
comprometem se a adotar as providências, tanto no âmbito interno, como
mediante cooperação internacional, especialmente econômica e técnica, a fim de conseguir
progressivamente a plena efetividade dos direitos
direitos que decorrem das normas econômicas, sociais e
sobre educação, ciência e cultura, constantes da Carta da Organização dos Estados Americanos,
reformada pelo Protocolo de Buenos Aires, na medida dos recursos disponíveis, por via legislativa
ou por outross meios apropriados.
Capítulo IV - SUSPENSÃO DE GARANTIAS, INTERPRETAÇÃO E APLICAÇÃO
Artigo 27 - Suspensão de garantias
1. Em caso de guerra, de perigo público, ou de outra emergência que ameace a independência ou
segurança do Estado-parte,
parte, este poderá adotar
adotar as disposições que, na medida e pelo tempo
estritamente limitados às exigências da situação, suspendam as obrigações contraídas em virtude
desta Convenção, desde que tais disposições não sejam incompatíveis com as demais obrigações
que lhe impõe o Direito
ito Internacional e não encerrem discriminação alguma fundada em motivos
de raça, cor, sexo, idioma, religião ou origem social.
2. A disposição precedente não autoriza a suspensão dos direitos determinados nos seguintes
artigos: 3 (direito ao reconhecimento
reconhecimento da personalidade jurídica), 4 (direito à vida), 5 (direito à
integridade pessoal), 6 (proibição da escravidão e da servidão), 9 (princípio da legalidade e da
retroatividade), 12 (liberdade de consciência e religião), 17 (proteção da família), 18 (direito ao
nome), 19 (direitos da criança), 20 (direito à nacionalidade) e 23 (direitos políticos), nem das
garantias indispensáveis para a proteção de tais direitos.
3. Todo Estado-parte
parte no presente Pacto que fizer uso do direito de suspensão deverá comunicar
imediatamente
ediatamente aos outros Estados-partes
Estados partes na presente Convenção, por intermédio do Secretário
Geral da Organização dos Estados Americanos, as disposições cuja aplicação haja suspendido, os
motivos determinantes da suspensão e a data em que haja dado por terminada
termin tal suspensão.

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Artigo 28 - Cláusula federal


1. Quando se tratar de um Estado-parte
Estado parte constituído como Estado federal, o governo nacional do
aludido Estado-parte
parte cumprirá todas as disposições da presente Convenção, relacionadas com as
matérias sobre as quais
uais exerce competência legislativa e judicial.
2. No tocante às disposições relativas às matérias que correspondem à competência das entidades
componentes da federação, o governo nacional deve tomar imediatamente as medidas
pertinentes, em conformidade com
com sua Constituição e com suas leis, a fim de que as autoridades
competentes das referidas entidades possam adotar as disposições cabíveis para o cumprimento
desta Convenção.
3. Quando dois ou mais Estados-partes
Estados partes decidirem constituir entre eles uma federação
federaçã ou outro tipo
de associação, diligenciarão no sentido de que o pacto comunitário respectivo contenha as
disposições necessárias para que continuem sendo efetivas no novo Estado, assim organizado, as
normas da presente Convenção.
Artigo 29 - Normas de interpretação
erpretação
Nenhuma disposição da presente Convenção pode ser interpretada no sentido de:
a) permitir a qualquer dos Estados-partes,
Estados partes, grupo ou indivíduo, suprimir o gozo e o exercício dos
direitos e liberdades reconhecidos na Convenção ou limitá-los
limitá los em maior medida do que a nela
prevista;
b) limitar o gozo e exercício de qualquer direito ou liberdade que possam ser reconhecidos em
virtude de leis de qualquer dos Estados-partes
Estados partes ou em virtude de Convenções em que seja parte um
dos referidos Estados;
c) excluir outros direitos e garantias que são inerentes ao ser humano ou que decorrem da forma
democrática representativa de governo;
d) excluir ou limitar o efeito que possam produzir a Declaração Americana dos Direitos e Deveres
do Homem e outros atos internacionais
internaciona da mesma natureza.
Artigo 30 - Alcance das restrições
As restrições permitidas, de acordo com esta Convenção, ao gozo e exercício dos direitos e
liberdades nela reconhecidos, não podem ser aplicadas senão de acordo com leis que forem
promulgadas por motivo
ivo de interesse geral e com o propósito para o qual houverem sido
estabelecidas.
Artigo 31 - Reconhecimento de outros direitos

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Poderão ser incluídos, no regime de proteção desta Convenção, outros direitos e liberdades que
forem reconhecidos de acordo com os processos estabelecidos nos artigo 69 e 70.
Capítulo V - DEVERES DAS PESSOAS
Artigo 32 - Correlação entre deveres e direitos
1. Toda pessoa tem deveres para com a família, a comunidade e a humanidade.
2. Os direitos de cada pessoa são limitados pelos direitos
direitos dos demais, pela segurança de todos e
pelas justas exigências do bem comum, em uma sociedade democrática.
PARTE II - MEIOS DE PROTEÇÃO

Capítulo VI - ÓRGÃOS COMPETENTES


Artigo 33 - São competentes para conhecer de assuntos relacionados com o cumprimento
cumpri dos
compromissos assumidos pelos Estados-partes
Estados nesta Convenção:
a) a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, doravante denominada a Comissão; e
b) a Corte Interamericana de Direitos Humanos, doravante denominada a Corte.
Capítulo VII - COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS
Seção 1 - Organização
Artigo 34 - A Comissão Interamericana de Direitos Humanos compor-se-
compor -á de sete membros, que
deverão ser pessoas de alta autoridade moral e de reconhecido saber em matéria de direitos
humanos.
Artigo 35 - A Comissão representa todos os Membros da Organização dos Estados Americanos.
Artigo 36 - 1. Os membros da Comissão serão eleitos a título pessoal, pela Assembléia Geral da
Organização, a partir de uma lista de candidatos propostos pelos governos dos Estados-membros.
2. Cada um dos referidos governos pode propor até três candidatos, nacionais do Estado que os
propuser ou de qualquer outro Estado-membro
Estado membro da Organização dos Estados Americanos. Quando
for proposta uma lista de três candidatos, pelo menos um
um deles deverá ser nacional de Estado
diferente do proponente.
Artigo 37 - 1. Os membros da Comissão serão eleitos por quatro anos e só poderão ser reeleitos um
vez, porém o mandato de três dos membros designados na primeira eleição expirará ao cabo de
doiss anos. Logo depois da referida eleição, serão determinados por sorteio, na Assembléia Geral,
os nomes desses três membros.
2. Não pode fazer parte da Comissão mais de um nacional de um mesmo país.

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Artigo 38 - As vagas que ocorrerem na Comissão, que não se devam à expiração normal do
mandato, serão preenchidas pelo Conselho Permanente da Organização, de acordo com o que
dispuser o Estatuto da Comissão.
Artigo 39 - A Comissão elaborará seu estatuto e submetê-lo-á
submetê á à aprovação da Assembléia Geral e
expedirá seu
u próprio Regulamento.
Artigo 40 - Os serviços da Secretaria da Comissão devem ser desempenhados pela unidade
funcional especializada que faz parte da Secretaria Geral da Organização e deve dispor dos
recursos necessários para cumprir as tarefas que lhe forem
forem confiadas pela Comissão.
Seção 2 - Funções

Artigo 41 - A Comissão tem a função principal de promover a observância e a defesa dos direitos
humanos e, no exercício de seu mandato, tem as seguintes funções e atribuições:
a) estimular a consciência dos direitos humanos nos povos da América;
b) formular recomendações aos governos dos Estados-membros,
Estados membros, quando considerar conveniente,
no sentido de que adotem medidas progressivas em prol dos direitos humanos no âmbito de suas
leis internas e seus preceitos constitucionais,
constitucionais, bem como disposições apropriadas para promover o
devido respeito a esses direitos;
c) preparar estudos ou relatórios que considerar convenientes para o desempenho de suas funções;
d) solicitar aos governos dos Estados-membros
Estados que lhe proporcionem
ionem informações sobre as
medidas que adotarem em matéria de direitos humanos;
e) atender às consultas que, por meio da Secretaria Geral da Organização dos Estados Americanos,
lhe formularem os Estados-membros
membros sobre questões relacionadas com os direitos humanos
h e,
dentro de suas possibilidades, prestar-lhes
prestar lhes o assessoramento que lhes solicitarem;
f) atuar com respeito às petições e outras comunicações, no exercício de sua autoridade, de
conformidade com o disposto nos artigos 44 a 51 desta Convenção; e
g) apresentar um relatório anual à Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos.
Artigo 42 - Os Estados-partes
partes devem submeter à Comissão cópia dos relatórios e estudos que, em
seus respectivos campos, submetem anualmente às Comissões Executivas do Conselho
C
Interamericano Econômico e Social e do Conselho Interamericano de Educação, Ciência e Cultura, a
fim de que aquela zele para que se promovam os direitos decorrentes das normas econômicas,

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sociais e sobre educação, ciência e cultura, constantes da Carta


Carta da Organização dos Estados
Americanos, reformada pelo Protocolo de Buenos Aires.
Artigo 43 - Os Estados-partes
partes obrigam-se
obrigam se a proporcionar à Comissão as informações que esta lhes
solicitar sobre a maneira pela qual seu direito interno assegura a aplicação
aplicaç efetiva de quaisquer
disposições desta Convenção.
Seção 3 - Competência

Artigo 44 - Qualquer pessoa ou grupo de pessoas, ou entidade não-governamental


não governamental legalmente
reconhecida em um ou mais Estados-membros
Estados membros da Organização, pode apresentar à Comissão
petições
ções que contenham denúncias ou queixas de violação desta Convenção por um Estado-parte.
Estado
Artigo 45 - 1. Todo Estado-parte
parte pode, no momento do depósito do seu instrumento de ratificação
desta Convenção, ou de adesão a ela, ou em qualquer momento posterior, declarar que reconhece
a competência da Comissão para receber e examinar as comunicações em que um Estado-parte
Estado
alegue haver outro Estado-parte
parte incorrido em violações dos direitos humanos estabelecidos nesta
Convenção.
2. As comunicações feitas em virtude deste artigo só podem ser admitidas e examinadas se forem
apresentadas por um Estado--parte
parte que haja feito uma declaração pela qual reconheça a referida
competência da Comissão. A Comissão não admitirá nenhuma comunicação contra um Estado-
Estado
parte que não haja feito tal declaração.
3. As declarações sobre reconhecimento de competência podem ser feitas para que esta vigore por
tempo indefinido, por período determinado ou para casos específicos.
4. As declarações serão depositadas na Secretaria Geral da Organização
Organização dos Estados Americanos,
a qual encaminhará cópia das mesmas aos Estados-membros
Estados membros da referida Organização.
Artigo 46 - Para que uma petição ou comunicação apresentada de acordo com os artigos 44 ou 45
seja admitida pela Comissão, será necessário:
a) que hajam
ajam sido interpostos e esgotados os recursos da jurisdição interna, de acordo com os
princípios de Direito Internacional geralmente reconhecidos;
b) que seja apresentada dentro do prazo de seis meses, a partir da data em que o presumido
prejudicado em seuss direitos tenha sido notificado da decisão definitiva;
c) que a matéria da petição ou comunicação não esteja pendente de outro processo de solução
internacional; e

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d) que, no caso do artigo 44, a petição contenha o nome, a nacionalidade, a profissão, o domicílio
do
e a assinatura da pessoa ou pessoas ou do representante legal da entidade que submeter a
petição.
2. As disposições das alíneas "a" e "b" do inciso 1 deste artigo não se aplicarão quando:
a) não existir, na legislação interna do Estado de que se tratar,
tratar, o devido processo legal para a
proteção do direito ou direitos que se alegue tenham sido violados;
b) não se houver permitido ao presumido prejudicado em seus direitos o acesso aos recursos da
jurisdição interna, ou houver sido ele impedido de esgotá-los;
esgotá e
c) houver demora injustificada na decisão sobre os mencionados recursos.
Artigo 47 - A Comissão declarará inadmissível toda petição ou comunicação apresentada de
acordo com os artigos 44 ou 45 quando:
a) não preencher algum dos requisitos estabelecidos
estabelec no artigo 46;
b) não expuser fatos que caracterizem violação dos direitos garantidos por esta Convenção;
c) pela exposição do próprio peticionário ou do Estado, for manifestamente infundada a petição ou
comunicação ou for evidente sua total improcedência;
improcedên ou
d) for substancialmente reprodução de petição ou comunicação anterior, já examinada pela
Comissão ou por outro organismo internacional.
Seção 4 - Processo
Artigo 48 - 1. A Comissão, ao receber uma petição ou comunicação na qual se alegue a violação de
qualquer dos direitos consagrados nesta Convenção, procederá da seguinte maneira:
a) se reconhecer a admissibilidade da petição ou comunicação, solicitará informações ao Governo
do Estado ao qual pertença a autoridade apontada como responsável pela violação
vio alegada e
transcreverá as partes pertinentes da petição ou comunicação. As referidas informações devem ser
enviadas dentro de um prazo razoável, fixado pela Comissão ao considerar as circunstâncias de
cada caso;
b) recebidas as informações, ou transcorrido
transcorrido o prazo fixado sem que sejam elas recebidas,
verificará se existem ou subsistem os motivos da petição ou comunicação. No caso de não
existirem ou não subsistirem, mandará arquivar o expediente;
c) poderá também declarar a inadmissibilidade ou a improcedência
improcedência da petição ou comunicação,
com base em informação ou prova supervenientes;

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d) se o expediente não houver sido arquivado, e com o fim de comprovar os fatos, a Comissão
procederá, com conhecimento das partes, a um exame do assunto exposto na petição
petiçã ou
comunicação. Se for necessário e conveniente, a Comissão procederá a uma investigação para cuja
eficaz realização solicitará, e os Estados interessados lhe proporcionarão, todas as facilidades
necessárias;
e) poderá pedir aos Estados interessados qualquer
qualquer informação pertinente e receberá, se isso for
solicitado, as exposições verbais ou escritas que apresentarem os interessados; e
f) pôr-se-á
á à disposição das partes interessadas, a fim de chegar a uma solução amistosa do
assunto, fundada no respeito aos
ao direitos reconhecidos nesta Convenção.
2. Entretanto, em casos graves e urgentes, pode ser realizada uma investigação, mediante prévio
consentimento do Estado em cujo território se alegue houver sido cometida a violação, tão
somente com a apresentação de uma petição ou comunicação que reúna todos os requisitos
formais de admissibilidade.
Artigo 49 - Se se houver chegado a uma solução amistosa de acordo com as disposições do inciso 1,
"f", do artigo 48, a Comissão redigirá um relatório que será encaminhado ao peticionário e aos
Estados-partes
partes nesta Convenção e posteriormente transmitido, para sua publicação, ao Secretário
Geral da Organização dos Estados Americanos. O referido relatório conterá uma breve exposição
dos fatos e da solução alcançada. Se qualquer
qualquer das partes no caso o solicitar, ser-lhe-á
ser
proporcionada a mais ampla informação possível.
Artigo 50 - 1. Se não se chegar a uma solução, e dentro do prazo que for fixado pelo Estatuto da
Comissão, esta redigirá um relatório no qual exporá os fatos e suas
suas conclusões. Se o relatório não
representar, no todo ou em parte, o acordo unânime dos membros da Comissão, qualquer deles
poderá agregar ao referido relatório seu voto em separado. Também se agregarão ao relatório as
exposições verbais ou escritas que houverem
houverem sido feitas pelos interessados em virtude do inciso 1,
"e", do artigo 48.
2. O relatório será encaminhado aos Estados interessados, aos quais não será facultado publicá-lo.
publicá
3. Ao encaminhar o relatório, a Comissão pode formular as proposições e recomendações
reco que
julgar adequadas.
Artigo 51 - 1. Se no prazo de três meses, a partir da remessa aos Estados interessados do relatório
da Comissão, o assunto não houver sido solucionado ou submetido à decisão da Corte pela
Comissão ou pelo Estado interessado, aceitando sua competência, a Comissão poderá emitir, pelo

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voto da maioria absoluta dos seus membros, sua opinião e conclusões sobre a questão submetida
à sua consideração.
2. A Comissão fará as recomendações pertinentes e fixará um prazo dentro do qual o Estado deve
tomar as medidas que lhe competir para remediar a situação examinada.
3. Transcorrido o prazo fixado, a Comissão decidirá, pelo voto da maioria absoluta dos seus
membros, se o Estado tomou ou não as medidas adequadas e se publica ou não seu relatório.
rel
Capítulo VIII - CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS
Seção 1 - Organização

Artigo 52 - 1. A Corte compor-se-á


compor- de sete juízes, nacionais dos Estados-membros
membros da Organização,
eleitos a título pessoal dentre juristas da mais alta autoridade moral,
moral, de reconhecida competência
em matéria de direitos humanos, que reúnam as condições requeridas para o exercício das mais
elevadas funções judiciais, de acordo com a lei do Estado do qual sejam nacionais, ou do Estado
que os propuser como candidatos.
2. Não
o deve haver dois juízes da mesma nacionalidade.
Artigo 53 - 1. Os juízes da Corte serão eleitos, em votação secreta e pelo voto da maioria absoluta
dos Estados-partes
partes na Convenção, na Assembléia Geral da Organização, a partir de uma lista de
candidatos propostos
opostos pelos mesmos Estados.
2. Cada um dos Estados-partes
partes pode propor até três candidatos, nacionais do Estado que os
propuser ou de qualquer outro Estado-membro
Estado membro da Organização dos Estados Americanos. Quando
se propuser um lista de três candidatos, pelo menos um deles deverá ser nacional do Estado
diferente do proponente.
Artigo 54 - 1. Os juízes da Corte serão eleitos por um período de seis anos e só poderão ser reeleitos
uma vez. O mandato de três dos juízes designados na primeira eleição expirará ao cabo
ca de três
anos. Imediatamente depois da referida eleição, determinar-se-ão
determinar ão por sorteio, na Assembléia
Geral, os nomes desse três juízes.
2. O juiz eleito para substituir outro, cujo mandato não haja expirado, completará o período deste.
3. Os juízes permanecerão
necerão em suas funções até o término dos seus mandatos. Entretanto,
continuarão funcionando nos casos de que já houverem tomado conhecimento e que se encontrem
em fase de sentença e, para tais efeitos, não serão substituídos pelos novos juízes eleitos.

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Artigo 55 - 1. O juiz, que for nacional de algum dos Estados-partes


Estados partes em caso submetido à Corte,
conservará o seu direito de conhecer do mesmo.
2. Se um dos juízes chamados a conhecer do caso for de nacionalidade de um dos Estados-partes,
Estados
outro Estado-parte no caso poderá designar uma pessoa de sua escolha para integrar a Corte, na
qualidade de juiz ad hoc.
3. Se, dentre os juízes chamados a conhecer do caso, nenhum for da nacionalidade dos Estados-
Estados
partes, cada um destes poderá designar um juiz ad hoc.
4. O juiz ad hoc deve reunir os requisitos indicados no artigo 52.
5. Se vários Estados-partes
partes na Convenção tiverem o mesmo interesse no caso, serão considerados
como uma só parte, para os fins das disposições anteriores. Em caso de dúvida, a Corte decidirá.
Artigo 56 - O quorum para as deliberações da Corte é constituído por cinco juízes.
Artigo 57 - A Comissão comparecerá em todos os casos perante a Corte.
Artigo 58 - 1. A Corte terá sua sede no lugar que for determinado, na Assembléia Geral da
Organização, pelos Estados-partes
partes na Convenção, mas poderá realizar reuniões no território de
qualquer Estado-membro
membro da Organização dos Estados Americanos em que considerar conveniente,
pela maioria dos seus membros e mediante prévia aquiescência do Estado respectivo. Os Estados-
Es
partes na Convenção podem, na Assembléia Geral, por dois terços dos seus votos, mudar a sede da
Corte.
2. A Corte designará seu Secretário.
3. O Secretário residirá na sede da Corte e deverá assistir às reuniões que ela realizar fora da
mesma.
Artigo 59 - A Secretaria da Corte será por esta estabelecida e funcionará sob a direção do
Secretário Geral da Organização em tudo o que não for incompatível com a independência da
Corte. Seus funcionários serão nomeados pelo Secretário Geral da Organização, em consulta com o
Secretário da Corte.
Artigo 60 - A Corte elaborará seu Estatuto e submetê-lo-á
submetê á à aprovação da Assembléia Geral e
expedirá seu Regimento.

Seção 2 - Competência e funções


Artigo 61 - 1. Somente os Estados-partes
Estados e a Comissão têm direito de submeter
ubmeter um caso à decisão
da Corte.

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2. Para que a Corte possa conhecer de qualquer caso, é necessário que sejam esgotados os
processos previstos nos artigos 48 a 50.
Artigo 62 - 1. Todo Estado-parte
parte pode, no momento do depósito do seu instrumento de ratificação
ratifi
desta Convenção ou de adesão a ela, ou em qualquer momento posterior, declarar que reconhece
como obrigatória, de pleno direito e sem convenção especial, a competência da Corte em todos os
casos relativos à interpretação ou aplicação desta Convenção.
2. A declaração pode ser feita incondicionalmente, ou sob condição de reciprocidade, por prazo
determinado ou para casos específicos. Deverá ser apresentada ao Secretário Geral da
Organização, que encaminhará cópias da mesma a outros Estados-membros
Estados membros da Organização
Or e ao
Secretário da Corte.
3. A Corte tem competência para conhecer de qualquer caso, relativo à interpretação e aplicação
das disposições desta Convenção, que lhe seja submetido, desde que os Estados-partes
Estados no caso
tenham reconhecido ou reconheçam
reconheçam a referida competência, seja por declaração especial, como
prevêem os incisos anteriores, seja por convenção especial.
Artigo 63 - 1. Quando decidir que houve violação de um direito ou liberdade protegidos nesta
Convenção, a Corte determinará que se assegure
assegure ao prejudicado o gozo do seu direito ou liberdade
violados. Determinará também, se isso for procedente, que sejam reparadas as consequências da
medida ou situação que haja configurado a violação desses direitos, bem como o pagamento de
indenização justa
ta à parte lesada.
2. Em casos de extrema gravidade e urgência, e quando se fizer necessário evitar danos
irreparáveis às pessoas, a Corte, nos assuntos de que estiver conhecendo, poderá tomar as
medidas provisórias que considerar pertinentes. Se se tratar de assuntos que ainda não estiverem
submetidos ao seu conhecimento, poderá atuar a pedido da Comissão.
Artigo 64 - 1. Os Estados-membros
Estados membros da Organização poderão consultar a Corte sobre a
interpretação desta Convenção ou de outros tratados concernentes à proteção
pr dos direitos
humanos nos Estados americanos. Também poderão consultá-la,
consultá la, no que lhes compete, os órgãos
enumerados no capítulo X da Carta da Organização dos Estados Americanos, reformada pelo
Protocolo de Buenos Aires.
2. A Corte, a pedido de um Estado-membro
Est membro da Organização, poderá emitir pareceres sobre a
compatibilidade entre qualquer de suas leis internas e os mencionados instrumentos
internacionais.

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Artigo 65 - A Corte submeterá à consideração da Assembléia Geral da Organização, em cada


período ordinário
rdinário de sessões, um relatório sobre as suas atividades no ano anterior. De maneira
especial, e com as recomendações pertinentes, indicará os casos em que um Estado não tenha
dado cumprimento a suas sentenças.

Seção 3 - Processo
Artigo 66 - 1. A sentença
tença da Corte deve ser fundamentada.
2. Se a sentença não expressar no todo ou em parte a opinião unânime dos juízes, qualquer deles
terá direito a que se agregue à sentença o seu voto dissidente ou individual.
Artigo 67 - A sentença da Corte será definitiva
definitiva e inapelável. Em caso de divergência sobre o sentido
ou alcance da sentença, a Corte interpretá-la-á,
interpretá á, a pedido de qualquer das partes, desde que o
pedido seja apresentado dentro de noventa dias a partir da data da notificação da sentença.
Artigo 68 - 1. Os Estados-partes
partes na Convenção comprometem-se
comprometem se a cumprir a decisão da Corte em
todo caso em que forem partes.
2. A parte da sentença que determinar indenização compensatória poderá ser executada no país
respectivo pelo processo interno vigente para a execução
execução de sentenças contra o Estado.
Artigo 69 - A sentença da Corte deve ser notificada às partes no caso e transmitida aos Estados-
Estados
partes na Convenção.
Capítulo IX - DISPOSIÇÕES COMUNS
Artigo 70 - 1. Os juízes da Corte e os membros da Comissão gozam, desde o momento da eleição e
enquanto durar o seu mandato, das imunidades reconhecidas aos agentes diplomáticos pelo
Direito Internacional. Durante o exercício dos seus cargos gozam, além disso, dos privilégios
diplomáticos necessários para o desempenho de suas funções.
2. Não se poderá exigir responsabilidade em tempo algum dos juízes da Corte, nem dos membros
da Comissão, por votos e opiniões emitidos no exercício de suas funções.
Artigo 71 - Os cargos de juiz da Corte ou de membro da Comissão são incompatíveis
incompatívei com outras
atividades que possam afetar sua independência ou imparcialidade, conforme o que for
determinado nos respectivos Estatutos.
Artigo 72 - Os juízes da Corte e os membros da Comissão perceberão honorários e despesas de
viagem na forma e nas condições
condições que determinarem os seus Estatutos, levando em conta a
importância e independência de suas funções. Tais honorários e despesas de viagem serão fixados

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no orçamento-programa
programa da Organização dos Estados Americanos, no qual devem ser incluídas,
além disso,, as despesas da Corte e da sua Secretaria. Para tais efeitos, a Corte elaborará o seu
próprio projeto de orçamento e submetê-lo-á
submetê á à aprovação da Assembléia Geral, por intermédio da
Secretaria Geral. Esta última não poderá nele introduzir modificações.
Artigo 73 - Somente por solicitação da Comissão ou da Corte, conforme o caso, cabe à Assembléia
Geral da Organização resolver sobre as sanções aplicáveis aos membros da Comissão ou aos juízes
da Corte que incorrerem nos casos previstos nos respectivos Estatutos.
Estatut Para expedir uma
resolução, será necessária maioria de dois terços dos votos dos Estados-membros
Estados membros da Organização,
no caso dos membros da Comissão; e, além disso, de dois terços dos votos dos Estados-partes
Estados na
Convenção, se se tratar dos juízes da Corte.
PARTE III - DISPOSIÇÕES GERAIS E TRANSITÓRIAS
Capítulo X - ASSINATURA, RATIFICAÇÃO, RESERVA, EMENDA, PROTOCOLO E DENÚNCIA
Artigo 74 - 1. Esta Convenção está aberta à assinatura e à ratificação de todos os Estados-
Estados
membros da Organização dos Estados Americanos.
Ameri
2. A ratificação desta Convenção ou a adesão a ela efetuar-se-á
efetuar á mediante depósito de um
instrumento de ratificação ou adesão na Secretaria Geral da Organização dos Estados Americanos.
Esta Convenção entrará em vigor logo que onze Estados houverem depositado
depositado os seus respectivos
instrumentos de ratificação ou de adesão. Com referência a qualquer outro Estado que a ratificar
ou que a ela aderir ulteriormente, a Convenção entrará em vigor na data do depósito do seu
instrumento de ratificação ou adesão.
3.. O Secretário Geral comunicará todos os Estados-membros
Estados membros da Organização sobre a entrada em
vigor da Convenção.
Artigo 75 - Esta Convenção só pode ser objeto de reservas em conformidade com as disposições da
Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados, assinada em 23 de maio de 1969.
Artigo 76 - 1. Qualquer Estado-parte,
Estado parte, diretamente, e a Comissão e a Corte, por intermédio do
Secretário Geral, podem submeter à Assembléia Geral, para o que julgarem conveniente, proposta
de emendas a esta Convenção.
2. Tais emendas entrarão em vigor para os Estados que as ratificarem, na data em que houver sido
depositado o respectivo instrumento de ratificação, por dois terços dos Estados-partes
Estados nesta
Convenção. Quanto aos outros Estados-partes,
Estados partes, entrarão em vigor na data em que eles
depositarem os seus respectivos instrumentos de ratificação.

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Artigo 77 - 1. De acordo com a faculdade estabelecida no artigo 31, qualquer Estado-parte


Estado ea
Comissão podem submeter à consideração dos Estados-partes
Estados partes reunidos por ocasião da Assembléia
Assembléi
Geral projetos de Protocolos adicionais a esta Convenção, com a finalidade de incluir
progressivamente, no regime de proteção da mesma, outros direitos e liberdades.
2. Cada Protocolo deve estabelecer as modalidades de sua entrada em vigor e será aplicado
aplicad
somente entre os Estados-partes
partes no mesmo.
Artigo 78 - 1. Os Estados-partes
partes poderão denunciar esta Convenção depois de expirado o prazo de
cinco anos, a partir da data em vigor da mesma e mediante aviso prévio de um ano, notificando o
Secretário Geral da Organização, o qual deve informar as outras partes.
2. Tal denúncia não terá o efeito de desligar o Estado-parte
Estado parte interessado das obrigações contidas
nesta Convenção, no que diz respeito a qualquer ato que, podendo constituir violação dessas
obrigações, houver
ver sido cometido por ele anteriormente à data na qual a denúncia produzir efeito.

Capítulo XI -
DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS
Seção 1 - Comissão Interamericana de Direitos Humanos
Artigo 79 - Ao entrar em vigor esta Convenção, o Secretário Geral pedirá por
po escrito a cada Estado-
membro da Organização que apresente, dentro de um prazo de noventa dias, seus candidatos a
membro da Comissão Interamericana de Direitos Humanos. O Secretário Geral preparará uma lista
por ordem alfabética dos candidatos apresentados
apresentados e a encaminhará aos Estados-membros
Estados da
Organização, pelo menos trinta dias antes da Assembléia Geral seguinte.
Artigo 80 - A eleição dos membros da Comissão far-se-á
far á dentre os candidatos que figurem na lista
a que se refere o artigo 79, por votação secreta
secreta da Assembléia Geral, e serão declarados eleitos os
candidatos que obtiverem maior número de votos e a maioria absoluta dos votos dos
representantes dos Estados--membros.
membros. Se, para eleger todos os membros da Comissão, for
necessário realizar várias votações,
votações, serão eliminados sucessivamente, na forma que for
determinada pela Assembléia Geral, os candidatos que receberem maior número de votos.

Seção 2 - Corte Interamericana de Direitos Humanos


Artigo 81 - Ao entrar em vigor esta Convenção, o Secretário Geral
Geral pedirá a cada Estado-parte
Estado que
apresente, dentro de um prazo de noventa dias, seus candidatos a juiz da Corte Interamericana de

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Direitos Humanos. O Secretário Geral preparará uma lista por ordem alfabética dos candidatos
apresentados e a encaminhará aos Estados-partes
partes pelo menos trinta dias antes da Assembléia
Geral seguinte.
Artigo 82 - A eleição dos juízes da Corte far-se-á
far á dentre os candidatos que figurem na lista a que se
refere o artigo 81, por votação secreta dos Estados-partes,
Estados partes, na Assembléia Geral, e serão
declarados eleitos os candidatos que obtiverem o maior número de votos e a maioria absoluta dos
votos dos representantes dos Estados-partes.
Estados partes. Se, para eleger todos os juízes da Corte, for
necessário realizar várias votações, serão eliminados sucessivamente,
sucessivamente, na forma que for
determinada pelos Estados-partes,
partes, os candidatos que receberem menor número de votos.
____________
Adotada e aberta à assinatura na Conferência Especializada Interamericana sobre Direitos
Humanos, em San José de Costa Rica, em 22.11.1969
22. - ratificada pelo Brasil em 25.09.1992

12.15. CONVENÇÃO INTERAMERICANA PARA PREVENIR E PUNIR A TORTURA


Informações básicas sobre a Convenção
Adotada e aberta à assinatura no XV Período Ordinário de Sessões da Assembleia Geral da
Organização dos Estados
stados Americanos, em Cartagena das Índias (Colômbia), em 9 de dezembro de
1985 e, promulgada pelo Dec. no 98.386, de 9-11-1989. A Lei no 9.455, de 7-4-1997
7 (conhecida
como Lei dos Crimes de Tortura) codificou sistematicamente o estudo no Brasil.
Nos termoss desta Convenção, os Estados signatários obrigaram‑se
obrigaram se a prevenir e a punir a
tortura. Conceitua tortura, impõe responsabilidades aos autores dos delitos; cria medidas
protetivas e preventivas, inclusive no âmbito legislativo; comenta sobre a extradição; estabelece
critérios de jurisdição, da adesão e reserva.
rese
Preâmbulo
Os Estados Americanos signatários da presente Convenção, convindo sobre o teor deste
texto, são conscientes do disposto na Convenção Americana sobre Direitos Humanos, no
sentido de que ninguém deve ser submetido a torturas, nem a penas ou tratamentos
tr cruéis,
desumanos ou degradantes.
Reafirma que todo ato de tortura ou outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou
degradantes constituem uma ofensa à dignidade humana e uma negação dos princípios
consagrados na Carta da Organização dos Estados
Estados Americanos e na Carta das Nações

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Unidas, e são violatórios dos direitos humanos e liberdades fundamentais proclamados na


Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem e na Declaração Universal dos
Direitos do Homem.
Assinalam que, para tornar efetivas
efetivas as normas pertinentes contidas nos instrumentos
universais e regionais aludidos, é necessário elaborar uma convenção interamericana que
previna e puna a tortura.
Reiteram seu propósito de consolidar neste Continente as condições que permitam o
reconhecimento
ecimento e o respeito da dignidade inerente à pessoa humana e assegurem o
exercício pleno das suas liberdades e direitos fundamentais.
Conceito de tortura
Para os efeitos desta Convenção, entender‑se‑á
entender á por tortura todo ato pelo qual são
infligidos intencionalmente
nalmente a uma pessoa penas ou sofrimentos físicos ou mentais, com fins de
investigação criminal, como meio de intimidação, como castigo pessoal, como medida preventiva,
como pena ou com qualquer outro fim. Entender‑se‑á
Entender á também como tortura a aplicação, sobre
so
uma pessoa, de métodos tendentes a anular a personalidade da vítima, ou a diminuir sua
capacidade física ou mental, embora não causem dor física ou angústia psíquica.
Não estarão compreendidos no conceito de tortura as penas ou sofrimentos físicos ou
mentais
entais que sejam unicamente consequência de medidas legais ou inerentes a elas, contanto que
não incluam a realização dos atos ou a aplicação dos métodos a que se refere este artigo.
Segundo o mestre Damásio de Jesus,
físic ou moral. A Lei no 9.455, de 7-4-1997,
a tortura é meio cruel. Pode ser física 7 ao definir o
crime de tortura, comina a pena de 8 a 16 anos de reclusão na hipótese de resultar morte
(art. 1o, § 3o, 2a parte). Trata‑se
Trata se de crime qualificado pelo resultado e preterdoloso, em
que o primum delictum (tortura) é punido a título de dolo e o evento qualificador (morte),
a título de culpa. Aplica‑se
Aplica se no caso de haver nexo de causalidade entre a tortura, seja
física ou moral, e o resultado agravador. Ocorrendo dolo quanto à morte, seja direto ou
eventual, o sujeito só responde por homicídio qualificado pela tortura (art. 121, § 2o, iii, 5a
fig.), afastada a incidência da lei especial. Se, entretanto, durante a tortura o agente
resolve matar a vítima, p. ex., a tiros de revólver, há dois crimes em concurso material:
ma
tortura (art. 1o da Lei no 9.455/1997) e homicídio, que pode ser qualificado por motivo
torpe, recurso que impediu a defesa da vítima etc.
etc

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Responsabilidade
Serão responsáveis pelo delito de tortura:
a)) os empregados ou funcionários públicos que, atuando
atuando nesse caráter, ordenem sua
execução ou instiguem ou induzam a ela, cometam‑no
cometam no diretamente ou, podendo
impedi‑lo,
lo, não o façam;
b)) as pessoas que, por instigação dos funcionários ou empregados públicos a que se refere
a alínea a,, ordenem sua execução, instiguem ou induzam a ela, cometam‑no
cometam diretamente
ou nele sejam cúmplices.
O fato de haver agido por ordens superiores não eximirá a responsabilidade penal
correspondente.
Não se invocará nem se admitirá como justificativa do delito de tortura a existência
existênci de
circunstâncias tais como o estado de guerra, a ameaça de guerra, o estado de sítio ou de
emergência, a comoção ou conflito interno, a suspensão das garantias constitucionais, a
instabilidade política interna, ou outras emergências ou calamidades públicas.
públi Nem a
periculosidade do detido ou condenado, nem a insegurança do estabelecimento carcerário ou
penitenciário podem justificar a tortura.
Os Estados‑Partes
Partes assegurar‑se‑ão
assegurar ão de que todos os atos de tortura e as tentativas de
praticar atos dessa natureza sejam considerados delitos em seu direito penal, estabelecendo
penas severas para sua punição, que levem em conta sua gravidade.
Medidas protetivas preventivas
prev
Os Estados‑Partes
Partes tomarão medidas para que, no treinamento de agentes de polícia e de
outros funcionários públicos responsáveis pela custódia de pessoas privadas de liberdade,
provisória ou definitivamente, e nos interrogatórios, detenções ou prisões,
prisões, se ressalte de maneira
especial a proibição do emprego da tortura. Tomarão também medidas semelhantes para evitar
outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes.
Os Estados‑Partes
Partes assegurarão a qualquer pessoa que denunciar haver sido submetida
sub a
tortura, no âmbito de sua jurisdição, o direito de que o caso seja examinado de maneira imparcial.
Quando houver denúncia ou razão fundada para supor que haja sido cometido ato de
tortura no âmbito de sua jurisdição, os Estados‑Partes
Estados Partes garantirão que
q suas autoridades
procederão de ofício e imediatamente à realização de uma investigação sobre o caso e iniciarão,
se for cabível, o respectivo processo penal.

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Uma vez esgotado o procedimento jurídico interno do Estado e os recursos que este prevê,
o caso poderá ser submetido a instâncias internacionais, cuja competência tenha sido aceita por
esse Estado.
Os Estados‑Partes
Partes comprometem‑se
comprometem se a estabelecer, em suas legislações nacionais, normas
que garantam compensação adequada para as vítimas do delito de tortura.
Nada do disposto neste artigo afetará o direito de que possa ter a vítima ou outras pessoas
de receber compensação
nsação em virtude da legislação nacional existente.
Nenhuma declaração que se comprove haver sido obtida mediante tortura poderá ser
admitida como prova em um processo, salvo em processo instaurado contra a pessoa ou pessoas
acusadas de havê‑la
la obtido mediante
mediante atos de tortura e unicamente como prova de que, por esse
meio, o acusado obteve tal declaração.
Extradição
Os Estados‑Partes
Partes tomarão as medidas necessárias para conceder a extradição de toda
pessoa acusada de delito de tortura ou condenada por esse delito,
delito, de conformidade com suas
legislações nacionais sobre extradição e suas obrigações internacionais nessa matéria.
Competência e jurisdição
Todo Estado‑Parte
Parte tomará as medidas necessárias para estabelecer sua jurisdição sobre o
delito descrito nesta Convenção,
venção, nos seguintes casos:
a) quando a tortura houver sido cometida no âmbito de sua jurisdição;
b)) quando o suspeito for nacional do Estado‑Parte
Estado de que se trate;
c)) quando a vítima for nacional do Estado‑Parte
Estado Parte de que se trate e este o considerar
apropriado.
Todo Estado‑Parte
Parte tomará também as medidas necessárias para estabelecer sua jurisdição
sobre o delito descrito nesta Convenção, quando o suspeito se encontrar no âmbito de sua
jurisdição e o Estado não o extraditar, de conformidade com o art. 11.
Estaa Convenção não exclui a jurisdição penal exercida de conformidade com o direito
interno.
O delito a que se refere o art. 2o será considerado incluído entre os delitos que são motivo
de extradição em todo tratado de extradição celebrado entre Estados‑Parte
Estados Partes. Os Estados‑Partes
comprometem‑se
se a incluir o delito de tortura como caso de extradição em todo tratado de
extradição que celebrarem entre si no futuro.

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Todo Estado‑Parte
Parte que sujeitar a extradição à existência de um tratado poderá, se receber
de outro Estado‑Parte,
Parte, com o qual não tiver tratado, uma solicitação de extradição, considerar
esta Convenção como a base jurídica necessária para a extradição referente ao delito de tortura. A
extradição estará sujeita às demais condições exigíveis pelo direito do Estado
Estado requerido.
Os Estados‑Partes
Partes que não sujeitarem a extradição à existência de um tratado
reconhecerão esses delitos como casos de extradição entre eles, respeitando as condições
exigidas pelo direito do Estado requerido.
Não se concederá a extradição nem se procederá à devolução da pessoa requerida quando
houver suspeita fundada de que corre perigo sua vida, de que será submetida à tortura,
tratamento cruel, desumano ou degradante, ou de que será julgada por tribunais de exceção ou
ad hoc, no Estado requerente.
querente.
Adesão e reserva
Esta Convenção ficará aberta à adesão de qualquer outro Estado Americano. Os
instrumentos de adesão serão depositados na Secretaria‑Geral
Secretaria Geral da Organização dos Estados
Americanos.
Os Estados‑Partes
Partes poderão formular reservas a esta Convenção no momento de aprová‑la,
aprová
assiná‑la, ratificá‑la
la ou de a ela aderir, contanto que não sejam incompatíveis com o objeto e o
fim da Convenção e versem sobre
obre uma ou mais disposições específicas.
Esta Convenção entrará em vigor no trigésimo dia a partir da data em que tenha sido
depositado o segundo instrumento de ratificação. Para cada Estado que ratificar a Convenção ou a
ela aderir depois de haver sido depositado
depositado o segundo instrumento de ratificação, a Convenção
entrará em vigor no trigésimo dia a partir da data em que esse Estado tenha depositado seu
instrumento de ratificação ou de adesão.

RE A ELIMINAÇÃO DE TODAS
12.16. CONVENÇÃO SOBRE T AS FORMAS DE DISCR
SCRIMINAÇÃO CONTRA A
MULHER
Foi aprovada pela Organização das Nações Unidas em 1979, entretanto, entrou em vigor
somente em 1981. Hoje está presente em 179 países. A Convenção foi aprovada pelo Decreto
Legislativo no 26, de 22-6-1994,
1994, e promulgada pelo Dec. no 4.377, de 13-9--2002.
O art. 372 e segs. da CLT contemplaram tais direitos.

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Considerandos aos Estados‑Partes


Estados na presente Convenção
Na intenção de salvaguardar os interesses contemplados nesta Convenção, surgem vários
considerandos para garantir a aplicação dos princípios enunciados, adotando as medidas
necessárias a fim de suprimir essa discriminação em todas
todas as suas formas e manifestações:
Considerando que a Carta das Nações Unidas reafirma a fé nos direitos fundamentais do
homem, na dignidade e no valor da pessoa humana e na igualdade de direitos do homem e
da mulher,
Considerando que a Declaração Universal
Universal dos Direitos Humanos reafirma o princípio da não
discriminação e proclama que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade
e direitos e que toda pessoa pode invocar todos os direitos e liberdades proclamados nessa
Declaração, sem distinção
distinçã alguma, inclusive de sexo,
Considerando que os Estados‑Partes
Estados nas Convenções
ões Internacionais sobre Direitos
Humanos têm a obrigação de garantir ao homem e à mulher a igualdade de gozo de todos
os direitos econômicos, sociais, culturais, civis e políticos,
Observando as convenções internacionais concluídas sob os auspícios das Nações Unidas e
dos organismos especializados em favor da igualdade de direitos entre o homem e a
mulher,
Observando, ainda, as resoluções, declarações e recomendações aprovadas pelas Nações
Unidas e pelas Agências Especializadas para favorecer a igualdade de direitos entre o
homem e a mulher,
Preocupados, contudo, com o fato de que, apesar destes diversos instrumentos, a mulher
continue sendo objeto de grandes discriminações,
Relembrando
ndo que a discriminação contra a mulher viola os princípios da igualdade de
direitos e do respeito da dignidade humana, dificulta a participação da mulher, nas mesmas
condições que o homem, na vida política, social, econômica e cultural de seu país, constitui
consti
um obstáculo ao aumento do bem‑estar
bem estar da sociedade e da família e dificulta o pleno
desenvolvimento das potencialidades da mulher para prestar serviço a seu país e à
humanidade,
Preocupados com o fato de que, em situações de pobreza, a mulher tem um acesso mínimo
à alimentação, à saúde, à educação, à capacitação e às oportunidades de emprego, assim
como à satisfação de outras necessidades,

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Convencidos de que o estabelecimento da nova ordem econômica internacional baseada na


equidade e na justiça contribuirá significativamente para a promoção
promoção da igualdade entre o
homem e a mulher,
Salientando que a eliminação do apartheid, de todas as formas de racismo, discriminação
racial, colonialismo, neocolonialismo, agressão, ocupação estrangeira e dominação e
interferência nos assuntos internos dos Estados é essencial para o pleno exercício dos
direitos do homem e da mulher,
Afirmando que o fortalecimento da paz e da segurança internacionais, o alívio da tensão
internacional, a cooperação mútua entre todos os Estados, independentemente de seus
sistemas
as econômicos e sociais, o desarmamento geral e completo, e em particular o
desarmamento nuclear sob um estrito e efetivo controle internacional, a afirmação dos
princípios de justiça, igualdade e proveito mútuo nas relações entre países e a realização do
direito dos povos submetidos a dominação colonial e estrangeira e a ocupação estrangeira,
à autodeterminação e independência, bem como o respeito da soberania nacional e da
integridade territorial, promoverão o progresso e o desenvolvimento sociais, e, em
consequência, contribuirão para a realização da plena igualdade entre o homem e a
mulher,
Convencidos de que a participação máxima da mulher, em igualdade de condições com o
homem, em todos os campos, é indispensável para o desenvolvimento pleno e completo de
um país, o bem‑estar
‑estar do mundo e a causa da paz,
Tendo presente a grande contribuição da mulher ao bem‑estar
bem‑estar da família e ao
desenvolvimento da sociedade, até agora não plenamente reconhecida, a importância
social da maternidade e a função dos pais na família
família e na educação dos filhos, e
conscientes de que o papel da mulher na procriação não deve ser causa de discriminação,
mas sim que a educação dos filhos exige a responsabilidade compartilhada entre homens e
mulheres e a sociedade como um conjunto,
Reconhecendo
nhecendo que para alcançar a plena igualdade entre o homem e a mulher é necessário
modificar o papel tradicional tanto do homem como da mulher na sociedade e na família,
Resolvidos a aplicar os princípios enunciados na Declaração sobre a Eliminação da
Discriminação
riminação contra a Mulher e, para isto, a adotar as medidas necessárias a fim de
suprimir essa discriminação em todas as suas formas e manifestações.

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12.17. CONVENÇÃO INTERAMERICANA PARA A ELIMINAÇÃO DE TODAS AS FORMAS DE


DISCRIMINAÇÃO CONTRA AS PESSOAS PORTADORAS
P DE DEFICIÊNCIA
O Congresso Nacional aprovou o texto da Convenção Interamericana para a Eliminação de
Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência por meio do
Decreto Legislativo no 198, de 13-6-2001.
13 No Brasil, a Convenção
onvenção entrou em vigor em 14-9-2001.
14
No Decreto foi determinado o cumprimento integral dos termos elencados. Foi ratificado pelo
Decreto no 3.956/2001.
Ableísmo
Ableísmo vem do inglês able, que significa hábil. É expressão inglesa que reporta a
habilidade,
e, menosprezando as pessoas portadoras de deficiência. Um concurso público não pode
fazer distinção se, para exercício do cargo ou função, não importar o grau de deficiência.
Os Estados signatários nesta Convenção convieram sob os seguintes argumentos:
reafirmaram
firmaram que as pessoas portadoras de deficiência têm os mesmos direitos humanos e
liberdades fundamentais que outras pessoas e que estes direitos, inclusive o direito de não
serem submetidas a discriminação com base na deficiência, emanam da dignidade e da
d
igualdade que são inerentes a todo ser humano;
consideraram que a Carta da Organização dos Estados Americanos, em seu art. 3, j,
estabelece como princípio que “a justiça e a segurança sociais são bases de uma paz
duradoura”;
declararam que preocupados com
com a discriminação de que são objeto as pessoas em razão
de suas deficiências estão comprometidos a eliminar a discriminação, em todas suas
formas e manifestações, contra as pessoas portadoras de deficiência.
Conceito de deficiência
Para os efeitos desta Convenção,
C entende‑se
se por “deficiência” a restrição física, mental ou
sensorial, de natureza permanente ou transitória, que limita a capacidade de exercer uma ou mais
atividades essenciais da vida diária, causada ou agravada pelo ambiente econômico e social.
Conceito de discriminação
criminação
O termo “discriminação contra as pessoas portadoras de deficiência” significa toda
diferenciação, exclusão ou restrição baseada em deficiência, antecedente de deficiência,
consequência de deficiência anterior ou percepção de deficiência presente ou passada, que tenha

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o efeito ou propósito de impedir ou anular o reconhecimento, gozo ou exercício por parte das
pessoas portadoras de deficiência de seus direitos humanos e suas liberdades fundamentais.
Não constitui discriminação a diferenciação ou preferência
preferência adotada pelo Estado‑Parte
Estado para
promover a integração social ou o desenvolvimento pessoal dos portadores de deficiência, desde
que a diferenciação ou preferência não limite em si mesma o direito à igualdade dessas pessoas e
que elas não sejam obrigadas
gadas a aceitar tal diferenciação ou preferência. Nos casos em que a
legislação interna preveja a declaração de interdição, quando for necessária e apropriada para o
seu bem‑estar,
estar, esta não constituirá discriminação.
Objetivo
Esta Convenção tem por objetivo
objetivo prevenir e eliminar todas as formas de discriminação
contra as pessoas portadoras de deficiência e propiciar a sua plena integração à sociedade.
Para alcançar os objetivos desta Convenção, os Estados‑Partes
Estados Partes comprometem‑se
comprometem a:
1. Tomar as medidas de caráter
caráter legislativo, social, educacional, trabalhista, ou de
qualquer outra natureza, que sejam necessárias para eliminar a discriminação contra as
pessoas portadoras de deficiência e proporcionar a sua plena integração à sociedade, entre
as quais as medidas abaixo
abaixo enumeradas, que não devem ser consideradas exclusivas:
a) medidas das autoridades governamentais e/ou entidades privadas para eliminar
progressivamente a discriminação e promover a integração na prestação ou fornecimento
de bens, serviços, instalações, programas e atividades, tais como o emprego, o transporte,
as comunicações, a habitação, o lazer, a educação, o esporte, o acesso à justiça e aos
serviços policiais e as atividades políticas e de administração;
b) medidas para que os edifícios, os veículos
veículos e as instalações que venham a ser
construídos ou fabricados em seus respectivos territórios facilitem o transporte, a
comunicação e o acesso das pessoas portadoras de deficiência;
c) medidas para eliminar, na medida do possível, os obstáculos arquitetônicos,
arquitetôni de
transporte e comunicações que existam, com a finalidade de facilitar o acesso e uso por
parte das pessoas portadoras de deficiência; e
d) medidas para assegurar que as pessoas encarregadas de aplicar esta Convenção e a
legislação interna sobre esta matéria estejam capacitadas a fazê‑lo.
lo.
2. Trabalhar prioritariamente nas seguintes áreas:
a) prevenção de todas as formas de deficiência preveníveis;

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b) detecção e intervenção precoce, tratamento, reabilitação, educação, formação


ocupacional e prestação de serviços completos para garantir o melhor nível de
independência e qualidade de vida para as pessoas portadoras de deficiência; e
c) sensibilização da população, por meio de campanhas de educação, destinadas a
eliminar preconceitos, estereótipos e outras atitudes que atentam contra o direito
dire das
pessoas a serem iguais, permitindo desta forma o respeito e a convivência com as pessoas
portadoras de deficiência.
Para alcançar os objetivos desta Convenção, os Estados‑Partes
Estados Partes comprometem‑se
comprometem a:
1. Cooperar entre si a fim de contribuir para a prevenção e eliminação da
discriminação contra as pessoas portadoras de deficiência.
2. Colaborar de forma efetiva no seguinte:
a) pesquisa científica e tecnológica relacionada com a prevenção das deficiências, o
tratamento, a reabilitação e a integração na sociedade de pessoas portadoras de
deficiência; e
b) desenvolvimento de meios e recursos destinados a facilitar ou promover a vida
independente, a autossuficiência e a integração total,
total, em condições de igualdade, à
sociedade das pessoas portadoras de deficiência.
17.5 Termos de cooperação
Os Estados‑Partes
Partes promoverão, na medida em que isto for coerente com as suas
respectivas legislações nacionais, a participação de representantes de organizações de
pessoas portadoras de deficiência, de organizações não governamentais que trabalham
nessa área ou, se essas organizações não existirem, de pessoas portadoras de deficiência,
na elaboração, execução e avaliação de medidas e políticas para aplicar esta Convenção.
Os Estados‑Partes
‑Partes criarão
criarão canais de comunicação eficazes que permitam difundir entre as
organizações
ções públicas e privadas que trabalham com pessoas portadoras de deficiência os
avanços normativos e jurídicos ocorridos para a eliminação da discriminação contra as
pessoas portadoras de deficiência.
Para dar acompanhamento aos compromissos assumidos nesta
nest Convenção, será
estabelecida uma Comissão para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra
as Pessoas Portadoras de Deficiência, constituída por um representante designado por cada
Estado‑Parte.

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13. Programa
rograma Nacional de Direitos Humanos (PNDH)
Atualmente, estamos na terceira fase deste programa (PNDH I, PNDH II, PNDH III), cabendo
comentários sobre cada um deles.

13.1. Programa Nacional de Direitos Humanos I (PNDH I)


Considerações
Seja a curto, médio e longo prazo, o Programa Nacional de Direitos Humanos, além do
prefácio do Presidente e uma introdução motivadora, contempla:
1. Propostas de Ações Governamentais;
2. Políticas públicas para proteção e promoção dos direitos humanos no Brasil
Bras
(Proteção do Direito à Vida e à Liberdade);
3. Proteção do direito a tratamento igualitário perante a lei (Direitos Humanos,
Direitos de Todos);
4. Educação e cidadania. Bases para uma cultura de direitos humanos (Produção e
Distribuição de Informações e Conhecimento; Conscientização e Mobilização pelos Direitos
Humanos);
5. Ações internacionais para proteção e promoção dos direitos humanos:
Ratificação de Atos Internacionais;
Implementação e Divulgação de Atos Internacionais;
Apoio a Organizações e Operações
Operações de Defesa dos Direitos Humanos;
Implementação e Monitoramento do Programa Nacional de Direitos Humanos.
Prefácio do Presidente
Não há como conciliar democracia com as sérias injustiças sociais, as formas variadas de
exclusão e as violações reiteradas aos direitos humanos que ocorrem em nosso país.
A sociedade brasileira está empenhada em promover uma democracia verdadeira. O
Governo tem um compromisso real com a promoção dos direitos humanos.
No dia 7 de setembro, fiz um apelo a todos os brasileiros para
para uma mobilização ampla em
favor dos direitos humanos. Criamos um Prêmio dos Direitos Humanos. E prometemos
preparar um Programa Nacional dos Direitos Humanos, tal como recomendava a

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Conferência Mundial de Direitos Humanos, realizada em Viena em 1993, cujo


cu Comitê de
Redação foi presidido pelo Brasil.
Iniciamos juntos, o Governo e a sociedade, uma caminhada para pregar os direitos
humanos como um direito de todos, para proteger os excluídos e os desamparados.
Realizamos uma campanha contra a violência sexual
sexual e convidamos para um debate em
Brasília as mais altas autoridades de segurança e do Judiciário dos Estados.
Participei pessoalmente das comemorações relativas ao terceiro centenário da morte de
Zumbi. Naquela ocasião criei um Grupo de Trabalho Interministerial
Interministerial para a Valorização da
População Negra.
O Ministério do Trabalho tem exercido fiscalização sem trégua sobre o trabalho forçado,
sobretudo o de crianças. Em junho de 1995, determinei a criação do Grupo Executivo de
Repressão ao Trabalho Forçado – GERTRAF
TRAF para permitir a coordenação dos esforços com
vistas a banir o trabalho forçado.
Em benefício das mulheres, o Governo assinou, em 8 de março de 1996, protocolos
específicos na área de saúde, educação, trabalho e justiça.
Em dezembro, fiz a entrega da primeira
primeira parte dos Prêmios Direitos Humanos, em um valor
de 75 mil reais.
Não obstante este conjunto expressivo de iniciativas, o passo de maior consequência
certamente será o da adoção do Programa Nacional de Direitos Humanos. Este será, estou
seguro, um marco
arco de referência claro e inequívoco do compromisso do País com a proteção
de mulheres e homens, crianças e idosos, das minorias e dos excluídos.
Todos nós sabemos que não é possível extirpar, de um dia para o outro, com um passe de
mágica, a injustiça, o arbítrio e a impunidade. Estamos conscientes de que o único caminho
está na conjugação de uma ação obstinada do conjunto do Governo com a mobilização da
sociedade civil. Este caminho, nós estamos decididos a trilhar, com determinação.
O Programa Nacional dos Direitos Humanos foi elaborado a partir de ampla consulta à
sociedade. Algumas dezenas de entidades e centenas de pessoas formularam sugestões e
críticas, participaram de debates e seminários.
A maior parte das ações propostas neste importante documento
documento tem por objetivo estancar
a banalização da morte, seja ela no trânsito, na fila do pronto‑socorro,
pronto socorro, dentro de presídios,
em decorrência do uso indevido de armas ou das chacinas de crianças e trabalhadores

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rurais. Outras recomendações visam a obstar a perseguição


perseguição e a discriminação contra os
cidadãos. Por fim, o Programa sugere medidas para tornar a Justiça mais eficiente, de
modo a assegurar mais efetivo acesso da população ao Judiciário e o combate à
impunidade.
Estou convencido de que o Programa Nacional dos Direitos Humanos será o guia a pautar
as nossas ações, do Governo e da sociedade, para construir o que é a aspiração maior de
todos nós: um Brasil mais justo.
Fernando Henrique Cardoso
Introdução
Os Direitos Humanos são os direitos de todos e devem ser protegidos em todos os Estados
e nações.
Os assassinatos, as chacinas, o extermínio, os sequestros, o crime organizado, o tráfico de
drogas e as mortes no trânsito não podem ser considerados normais, especialmente em um
Estado e em uma sociedade que se desejam
de modernos e democráticos.
É preciso dizer não à banalização da violência e proteger a existência humana. É neste
contexto que o Governo brasileiro, sob a presidência de Fernando Henrique Cardoso, decidiu
elaborar o Programa Nacional de Direitos Humanos.
Humano
Direitos humanos são os direitos fundamentais de todas as pessoas, sejam elas mulheres,
negros, homossexuais, índios, idosos, portadores de deficiências, populações de fronteiras,
estrangeiros e migrantes, refugiados, portadores de HIV, crianças e adolescentes,
adolescentes, policiais, presos,
despossuídos e os que têm acesso à riqueza. Todos, enquanto pessoas, devem ser respeitados, e
sua integridade física protegida e assegurada.
Direitos humanos referem‑se
referem a um sem‑número
número de campos da atividade humana: o
direito de ir e vir sem ser molestado; o direito de ser tratado pelos agentes do Estado com
respeito e dignidade, mesmo tendo cometido uma infração; o direito de ser acusado dentro de um
processo legal e legítimo, onde as provas sejam conseguidas dentro da boa técnica e do bom
direito, sem estar sujeito a torturas ou maus‑tratos;
maus tratos; o direito de exigir o cumprimento da lei e,
ainda, de ter acesso a um Judiciário e a um Ministério Público que, ciosos de sua importância
i para
o Estado democrático, não descansem enquanto graves violações de direitos humanos estejam
impunes, e seus responsáveis soltos e sem punição, como se estivessem acima das normas legais;
o direito de dirigir seu carro dentro da velocidade permitida
permitida e com respeito aos sinais de trânsito e

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às faixas de pedestres, para não matar um ser humano ou lhe causar acidente; o direito de ser,
pensar, crer, de manifestar‑se
se ou de amar sem tornar‑se
tornar se alvo de humilhação, discriminação ou
perseguição. São aqueles direitos que garantem existência digna a qualquer pessoa.
O entendimento deste princípio é indispensável para que haja uma mutação cultural e, em
consequência, uma mudança
udança nas práticas dos Governos, dos Poderes da República nas suas várias
esferas e, principalmente, da própria sociedade. É justamente quando a sociedade se conscientiza
dos seus direitos e exige que estes sejam respeitados e que se fortalecem a Democracia
Democrac e o Estado
de Direito.
O esforço dos Governos federal, estaduais, municipais, das autoridades judiciárias,
legislativas e da própria sociedade como um todo ainda não foram capazes de diminuir o
desrespeito diário aos direitos humanos no Brasil.
A falta de segurança das pessoas, o aumento da escalada da violência, que a cada dia se
revela mais múltipla e perversa, exigem dos diversos atores sociais e governamentais uma atitude
firme, segura e perseverante no caminho do respeito aos direitos humanos.
O Programa
grama Nacional de Direitos Humanos aponta nessa direção, e está dirigido para o
conjunto dos cidadãos brasileiros. O Programa é uma clara afirmação do Governo Federal com os
compromissos assumidos, pelo Brasil, externamente e com a população na luta contra a violência
em geral.
O Governo Federal, com a iniciativa do Programa Nacional de Direitos Humanos, quer ir
além de um quadro profundamente preocupante, marcado no passado por um Poder Público
deficiente e indiferente ao desrespeito à tranquilidade e segurança
segurança do cidadão comum. A
inconformidade da sociedade brasileira com esta situação é essencial para que este estado
inaceitável de coisas seja afinal superado.
O objetivo do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH), elaborado pelo Ministério
da Justiça em conjunto com diversas organizações da sociedade civil, é, identificando os principais
obstáculos à promoção e proteção dos direitos humanos no Brasil, eleger prioridades e apresentar
propostas concretas de caráter administrativo, legislativo e político‑cultural
político que busquem
equacionar os mais graves problemas que hoje impossibilitam ou dificultam a sua plena realização.
O PNDH é resultante de um longo e, muitas vezes, penoso processo de democratização da
sociedade e do Estado brasileiro.
A Constituição dee 1988 estabelece a mais precisa e pormenorizada carta de direitos de

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nossa história, que inclui uma vasta identificação de direitos civis, políticos, econômicos, sociais,
culturais, além de um conjunto preciso de garantias constitucionais. A Constituição também impõe
ao Estado brasileiro reger‑se,
se, em suas relações internacionais, pelo princípio da “prevalência dos
Direitos Humanos” (art. 4o, II). Resultado desta nova diretiva constitucional foi a adesão do Brasil,
no início dos anos noventa, aos Pactos Internacionais de Direitos Civis e Políticos,
Polític e de Direitos
Econômicos, Sociais e Culturais, às Convenções Americana de Direitos Humanos e contra a Tortura
e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, que se encontram entre os
mais importantes instrumentos internacionais de proteção
proteção aos direitos humanos. Paralelamente a
esta mudança no quadro normativo, o Governo Federal vem tomando várias iniciativas nas esferas
internacional e interna que visam a promover e proteger os direitos humanos.
Por iniciativa do então Chanceler Fernando
Fernando Henrique Cardoso reuniram‑se,
reuniram no Ministério
das Relações Exteriores, em maio de 1993, representantes do Ministério da Justiça, da
Procuradoria‑Geral
Geral da República, além de parlamentares, e as mais importantes organizações não
governamentais de direitos humanos,
humanos, com a finalidade de elaborar um relatório com diagnóstico
das principais dificuldades do país, de modo a definir a agenda do Brasil para a Conferência
Mundial de Direitos Humanos realizada em Viena em junho de 1993. Após esta conferência,
setores do Estado e diversas entidades de Direitos Humanos foram convocados pelo então
Ministro da Justiça, Maurício Corrêa, com a finalidade de elaborar uma Agenda Nacional de
Direitos Humanos.
Em 7 de setembro último, o Presidente Fernando Henrique Cardoso reiterou
reitero que os
direitos humanos são parte essencial de seu programa de Governo. Para o Presidente, no limiar do
século XXI, a “luta pela liberdade e pela democracia tem um nome específico: chama‑se
chama Direitos
Humanos”. Determinou, então, ao Ministério da Justiça a elaboração de um Programa Nacional de
Direitos Humanos, conforme previsto na Declaração e Programa de Ação de Viena, adotada
consensualmente na Conferência Mundial dos Direitos Humanos, em 25 de junho de 1993, na qual
o Brasil teve uma destacada participação.
participa
O Governo brasileiro, embora considere que a normatização constitucional e a adesão a
tratados internacionais de direitos humanos sejam passos essenciais e decisivos na promoção
destes direitos, está consciente de que a sua efetivação, no dia a dia de cada um, depende da
atuação constante do Estado e da Sociedade. Com este objetivo se elaborou o Programa Nacional
de Direitos Humanos que ora se submete a toda a Nação.

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Atualidade dos Direitos Humanos


A adoção pela Assembleia Geral das Nações Unidas da Declaração
Declaração Universal de Direitos
Humanos, em 1948, constitui o principal marco no desenvolvimento da ideia contemporânea de
direitos humanos. Os direitos inscritos nesta Declaração constituem um conjunto indissociável e
interdependente de direitos individuais
individuais e coletivos, civis, políticos, econômicos, sociais e culturais,
sem os quais a dignidade da pessoa humana não se realiza por completo. A Declaração
transformou‑se,
se, nesta última metade de século, em uma fonte de inspiração para a elaboração de
diversas cartas
rtas constitucionais e tratados internacionais voltados à proteção dos direitos
humanos. Este documento, chave do nosso tempo, tornou‑se
tornou se um autêntico paradigma ético a
partir do qual se pode medir e contestar a legitimidade de regimes e Governos. Os direitos
direit ali
inscritos constituem hoje um dos mais importantes instrumentos de nossa civilização visando a
assegurar um convívio social digno, justo e pacífico.
Os direitos humanos não são, porém, apenas um conjunto de princípios morais que devem
informar a organização
nização da sociedade e a criação do direito. Enumerados em diversos tratados
internacionais e constituições, asseguram direitos aos indivíduos e coletividades e estabelecem
obrigações jurídicas concretas aos Estados. Compõem‑se
Compõem se de uma série de normas jurídicas claras
e precisas, voltadas a proteger os interesses mais fundamentais da pessoa humana. São normas
cogentes ou programáticas que obrigam os Estados nos planos interno e externo.
Com o estabelecimento das Nações Unidas, em 1945, e a adoção de diversos tratados
internacionais voltados à proteção da pessoa humana, os direitos humanos deixaram de ser uma
questão afeta exclusivamente aos Estados nacionais, passando a ser matéria de interesse de toda
a comunidade internacional.l. A criação de mecanismos judiciais internacionais de proteção dos
direitos humanos, como a Corte Interamericana e a Corte Europeia de Direitos Humanos, ou
quase‑judiciais,
judiciais, como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos ou o Comitê de Direitos
Humanos das Nações Unidas, deixa claro esta mudança na antiga formulação do conceito de
soberania. É certo, porém, que a obrigação primária de assegurar os direitos humanos
huma continua a
ser responsabilidade interna dos Estados.
A natureza do Programa Nacional de Direitos Humanos
O Programa Nacional de Direitos Humanos, como qualquer plano de ação que se pretenda
exequível, deve explicitar objetivos definidos e precisos. Assim,
Assim, sem abdicar de uma compreensão
integral e indissociável dos direitos humanos, o Programa atribui maior ênfase aos direitos civis,

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ou seja, os que ferem mais diretamente a integridade física e o espaço de cidadania de cada um.
O fato de os direitos humanos
humanos em todas as suas três gerações – a dos direitos civis e
políticos, a dos direitos sociais, econômicos e culturais, e a dos direitos coletivos – serem
indivisíveis não implica que, na definição de políticas específicas – dos direitos civis –, o Governo
deixe de contemplar de forma específica cada uma dessas outras dimensões. O Programa, apesar
de inserir‑se
se dentro dos princípios definidos pelo Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos,
contempla um largo elenco de medidas na área de direitos civis que terão consequências decisivas
para a efetiva proteção dos direitos sociais, econômicos e culturais,
culturais, como, por exemplo, a
implementação das convenções internacionais dos direitos das crianças, das mulheres e dos
trabalhadores.
Numa sociedade ainda injusta como é a do Brasil, com graves desigualdades de renda,
promover os direitos humanos tornar‑se‑á
tornar mais
is factível se o equacionamento dos problemas
estruturais – como aqueles provocados pelo desemprego, fome, dificuldades do acesso à terra, à
saúde, à educação, concentração de renda – for objeto de políticas governamentais. Para que a
população, porém, possa
sa assumir que os direitos humanos são direitos de todos, e as entidades da
sociedade civil possam lutar por esses direitos e organizar‑se
organizar se para atuar em parceria com o
Estado, é fundamental que seus direitos civis elementares sejam garantidos e, especialmente, que
a Justiça seja uma instituição garantidora e acessível para qualquer um.
Serão abordados, no Programa, os entraves à cidadania plena, que levam à violação
sistemática dos direitos, visando a proteger o direito à vida e à integridade física; o direito à
liberdade; o direito à igualdade perante à lei.
O Programa contempla, igualmente, iniciativas que fortalecem a atuação das organizações
organi
da sociedade civil, para a criação e consolidação de uma cultura de direitos humanos. Nada
melhor para atingir esse objetivo do que atribuir a essas organizações uma responsabilidade clara
na promoção dos direitos humanos, especialmente nas iniciativas
iniciativas voltadas para a educação e a
formação da cidadania.
Na elaboração do Programa foram realizados, entre novembro de 1995 e março de 1996,
seis seminários regionais – São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Belém, Porto Alegre e Natal, com 334
participantes, pertencentes
ertencentes a 210 entidades. Foram realizadas consultas, por telefone e fax, a um
largo espectro de centros de direitos humanos e personalidades. Foi realizada uma exposição no
Encontro do Movimento Nacional dos Direitos Humanos, em Brasília, no mês de fevereiro
fev de

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1996. Finalmente, o projeto do Programa foi apresentado e debatido na I Conferência Nacional de


Direitos Humanos, promovida pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, com
o apoio do Fórum das Comissões Legislativas de Direitos Humanos,
Humanos, Comissão de Direitos Humanos
da OAB Federal, Movimento Nacional de Direitos Humanos, CNBB, FENAJ, INESC, SERPAJ e CIMI. O
Programa foi encaminhado, ainda, a várias entidades internacionais. Neste processo de
elaboração, foi colocada em prática a parceria
parceria entre o Estado e as organizações da sociedade civil.
Na execução concreta do Programa, a mesma parceria será intensificada. Além das organizações
de direitos humanos, universidades, centros de pesquisa, empresas, sindicatos, associações
empresariais, fundações, enfim, toda a sociedade brasileira deverá ter um papel ativo para que o
Programa se efetive como realidade.
O Programa Nacional de Direitos Humanos abre uma nova dinâmica. Governo e sociedade
civil respeitam a mesma gramática e articulam esforços
esforços comuns. O Programa passa, desta forma, a
ser um marco referencial para as ações governamentais e para a construção, por toda a sociedade,
da convivência sem violência que a democracia exige.
Propostas de ações governamentais
1. Políticas públicas para proteção
proteção e promoção dos direitos humanos no Brasil
Proteção do direito à vida.
Proteção do direito à liberdade.
Apoiar a formulação e implementação de políticas públicas e privadas e de ações sociais
para redução das grandes desigualdades econômicas, sociais e culturais ainda existentes no
país, visando à plena realização do direito ao desenvolvimento.
Criar um Cadastro Federal de Inadimplentes Sociais, que relacione os estados e municípios
que não cumpram obrigações mínimas de proteção e promoção dos direitos
direito humanos, com
vistas a evitar o repasse de recursos, subsídios ou favorecimento a esses inadimplentes.
2. Proteção do direito a tratamento igualitário perante a lei
Direitos Humanos, Direitos de Todos
3. Educação e cidadania. Bases para uma cultura de direitos
direitos humanos
Produção e Distribuição de Informações e Conhecimento; Conscientização e
Mobilização pelos Direitos Humanos.
4. Ações internacionais para proteção e promoção dos direitos humanos
Ratificação de Atos Internacionais

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Implementação e Divulgação de Atos Internacionais


Apoio a Organizações e Operações de Defesa dos Direitos Humanos
Implementação e Monitoramento do Programa Nacional de Direitos Humanos

13.2. Programa Nacional de Direitos Humanos – PNDH II


Introdução
Decorridos quase seis anos do lançamento
lançamento do Programa Nacional de Direitos Humanos – PNDH,
pode‑se
se afirmar com segurança que o Brasil avançou significativamente na questão da promoção
e proteção dos direitos humanos. Graças ao PNDH, foi possível sistematizar demandas de toda a
sociedade brasileira com relação aos direitos humanos e identificar alternativas para a solução de
problemas estruturais, subsidiando a formulação e implementação de políticas públicas e
fomentando a criação de programas e órgãos estaduais concebidos sob a ótica da promoção e
garantia dos direitos humanos.
A criação da Secretaria de Estado dos Direitos Humanos, no âmbito do Ministério da Justiça,
possibilitou o engajamento efetivo do Governo Federal em ações voltadas para a proteção e
promoção de direitos humanos. As metas do PNDH foram, em sua maioria, sendo incorporadas
aos instrumentos de planejamento e orçamento do Governo Federal, convertendo‑se
convertendo em
programas e ações específicas com recursos financeiros assegurados nas Leis Orçamentárias
Anuais, conforme determina o Plano Plurianual (PPA).
Entre as principais medidas legislativas que resultaram de proposições do PNDH figuram o
reconhecimento das mortes de pessoas desaparecidas em razão de participação política (Lei
no 9.140/1995), pela qual o Estado brasileiro reconheceu
reconheceu a responsabilidade por essas mortes e
concedeu indenização aos familiares das vítimas; a transferência da justiça militar para a justiça
comum dos crimes dolosos contra a vida praticados por policiais militares (Lei no 9.299/1996), que
permitiu o indiciamento
diciamento e julgamento de policiais militares em casos de múltiplas e graves
violações, como os do Carandiru, Corumbiara e Eldorado dos Carajás; a tipificação do crime de
tortura (Lei no 9.455/1997), que constituiu marco referencial para o combate a essa prática
criminosa no Brasil; e a construção da proposta de reforma do Poder Judiciário, na qual se inclui,
entre outras medidas destinadas a agilizar o processamento dos responsáveis por violações, a
chamada “federalização” dos crimes de direitos humanos.
O PNDH contribuiu ainda para ampliar a participação do Brasil nos sistemas global (da

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Organização das Nações Unidas – ONU) e regional (da Organização dos Estados Americanos – OEA)
de promoção e proteção dos direitos humanos, por meio da continuidade da política
pol de adesão a
pactos e convenções internacionais de direitos humanos e de plena inserção do País no sistema
interamericano. O aumento da cooperação com órgãos internacionais de salvaguarda se
evidenciou no número de relatores especiais das Nações Unidas
Unidas que realizaram visitas ao Brasil
nos últimos anos. Essas visitas resultaram na elaboração de relatórios contendo conclusões e
recomendações de grande utilidade para o aprimoramento de diagnósticos e a identificação de
medidas concretas para a superação de
de problemas relacionados aos direitos humanos no Brasil. Já
visitaram o País os relatores da ONU sobre os temas da venda de crianças, prostituição e
pornografia infantis; da violência contra a mulher; do racismo, discriminação racial, xenofobia e
intolerância
cia correlata; dos direitos humanos e resíduos tóxicos; tortura e, mais recentemente,
sobre o direito à alimentação. No dia 19 de dezembro de 2001, o Presidente da República
anunciou um convite aberto aos relatores temáticos da Comissão de Direitos Humanos das Nações
Unidas para que visitem o Brasil sempre que assim o desejarem. Dando seguimento à cooperação
com os mecanismos temáticos das Nações Unidas, a relatora especial sobre execuções
extrajudiciais, sumárias e arbitrárias estará visitando o País no segundo
segundo semestre de 2002.
Da mesma forma, a cooperação com os órgãos de supervisão da OEA tem ensejado a busca de
soluções amistosas para casos de violação em exame pela Comissão Interamericana de Direitos
Humanos, possibilitando a concessão de reparações e indenizações às vítimas dessas violações ou
a seus familiares, bem como a adoção de medidas administrativas e legislativas para prevenir a
ocorrência de novas violações. A aceitação da jurisdição compulsória da Corte Interamericana de
Direitos Humanos representa,
esenta, ademais, garantia adicional a todos os brasileiros de proteção dos
direitos consagrados na Convenção Americana sobre Direitos Humanos, quando as instâncias
nacionais se mostrarem incapazes de assegurar a realização da justiça. No plano interno, os
resultados da elaboração e implementação do PNDH podem ser medidos pela ampliação do
espaço público de debate sobre questões afetas à proteção e promoção dos direitos humanos, tais
como o combate à exploração sexual de crianças e adolescentes, a reforma dos
do mecanismos de
reinserção social do adolescente em conflito com a lei, a manutenção da idade de imputabilidade
penal, o combate a todas formas de discriminação, a adoção de políticas de ação afirmativa e de
promoção da igualdade e o combate à prática da tortura.
tortura. Os esforços empreendidos no campo da
promoção e proteção dos direitos humanos se pautaram na importância estratégica da

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coordenação entre os três níveis de governo e os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, assim
como da parceria entre órgãos
órgãos governamentais e entidades da sociedade civil.
Ao adotar, em 13 de maio de 1996, o Programa Nacional de Direitos Humanos, o Brasil se
tornou um dos primeiros países do mundo a cumprir recomendação específica da Conferência
Mundial de Direitos Humanos (Viena,
(Viena, 1993), atribuindo ineditamente aos direitos humanos o
status de política pública governamental. Sem abdicar de uma compreensão integral e
indissociável dos direitos humanos, o programa original conferiu maior ênfase à garantia de
proteção dos direitos civis. O processo de revisão do PNDH constitui um novo marco na promoção
e proteção dos direitos humanos no País, ao elevar os direitos econômicos, sociais e culturais ao
mesmo patamar de importância dos direitos civis e políticos, atendendo a reivindicação
reivindicaç formulada
pela sociedade civil por ocasião da IV Conferência Nacional de Direitos Humanos, realizada em 13
e 14 de maio de 1999 na Câmara dos Deputados, em Brasília.
A atualização do Programa Nacional oferece ao governo e à sociedade brasileira a
oportunidade
nidade de fazer um balanço dos progressos alcançados desde 1996, das propostas de ação
que se tornaram programas governamentais e dos problemas identificados na implementação do
PNDH. A inclusão dos direitos econômicos, sociais e culturais, de forma consentânea
consen com a noção
de indivisibilidade e interdependência de todos os direitos humanos expressa na Declaração e
Programa de Ação de Viena (1993), orientou‑se
orientou se pelos parâmetros definidos na Constituição
Federal de 1988, inspirando‑se
se também no Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais
e Culturais de 1966 e no Protocolo de São Salvador em Matéria de Direitos Econômicos, Sociais e
Culturais, ratificados
cados pelo Brasil em 1992 e 1996, respectivamente.
O PNDH II incorpora ações específicas no campo da garantia do direito à educação, à saúde, à
previdência e assistência social, ao trabalho, à moradia, a um meio ambiente saudável, à
alimentação, à cultura e ao lazer, assim como propostas voltadas para a educação e sensibilização
de toda a sociedade brasileira com vistas à construção e consolidação de uma cultura de respeito
aos direitos humanos. Atendendo a anseios da sociedade civil, foram estabelecidas novas
no formas
de acompanhamento e monitoramento das ações contempladas no Programa Nacional, baseadas
na relação estratégica entre a implementação do programa e a elaboração dos orçamentos em
nível federal, estadual e municipal. O PNDH II deixa de circunscrever
circunscrever as ações propostas a
objetivos de curto, médio e longo prazo, e passa a ser implementado por meio de planos de ação
anuais, os quais definirão as medidas a serem adotadas, os recursos orçamentários destinados a

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financiá‑las
las e os órgãos responsáveis por sua execução.
O PNDH II será implementado, a partir de 2002, com os recursos orçamentários previstos no
atual Plano Plurianual (PPA 2000-2003)
2000 2003) e na lei orçamentária anual. Embora a revisão do
Programa Nacional esteja sendo apresentada à sociedade brasileira a pouco mais de um ano da
posse do novo governo, os compromissos expressos no texto quanto à promoção e proteção dos
direitos humanos transcendem a atual administração e se projetam no tempo,
independentemente da orientação
orientação política das futuras gestões. Nesse sentido, o PNDH II deverá
influenciar a discussão, no transcurso de 2003, do Plano Plurianual 2004-2007.
2004 O Programa
Nacional servirá também de parâmetro e orientação para a definição dos programas sociais a
serem desenvolvidos
envolvidos no País até 2007, ano em que se procederia a nova revisão do PNDH.
As propostas de atualização foram discutidas em seminários regionais, com ampla participação
de órgãos governamentais e de entidades da sociedade civil e, posteriormente, registradas
registr e
consolidadas pelo Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo – NEV/USP. Após
esforço de sistematização, aglutinação e consulta aos Ministérios e órgãos da área social, sob a
coordenação da Casa Civil da Presidência da República, chegou‑se
che se a texto com 500 propostas,
consideradas todas as categorias de direitos. A Secretaria de Estado dos Direitos Humanos realizou
ainda, no período de 19 de dezembro de 2001 a 15 de março de 2002, consulta pública através da
internet, dela resultando, após
pós correções e ajustes finais, o texto do PNDH II com 518 propostas de
ações governamentais, que ora se encaminha à publicação no Diário Oficial da União.
Prefácio do Presidente
A implementação das diretrizes do Programa Nacional de Direitos Humanos, ao longo
l dos
últimos seis anos, abriu novas perspectivas de transformação no modo como a sociedade brasileira
enfrenta o seu cotidiano, em sua busca constante por justiça e por melhores condições de vida.
Fortaleceram‑se
se as garantias de que dispõem os brasileiros contra o arbítrio do Estado, a prática da
violência, o desrespeito dos direitos fundamentais.
Sabemos que a promoção e a proteção dos direitos humanos é tarefa que cabe a todos nós:
cidadãos e autoridades. Temos
os aprofundado nossa participação nos instrumentos internacionais
de proteção dos direitos humanos, inclusive mediante o reconhecimento da competência de
órgãos dos sistemas internacionais de proteção, que proporcionam uma garantia adicional de
respeito aoss direitos humanos.
Reconhecemos que o racismo ainda é um problema a ser enfrentado e que, nessa matéria,

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assim como em tudo que diz respeito à garantia de direitos humanos, é fundamental o
engajamento de toda a sociedade brasileira, dos empresários e de todos
todos aqueles que têm a
possibilidade de estimular a diversidade nos ambientes de trabalho, de promover políticas de
promoção de igualdade e inclusão, procurando assegurar oportunidades mais equitativas aos que,
historicamente, são vítimas de discriminação.
Inserimos, na pauta das políticas públicas, questões que até pouco tempo atrás eram
consideradas tabus ou não recebiam a devida atenção, como a dos direitos dos homossexuais, a
situação dos ciganos, a prática da tortura, a questão da violência intrafamiliar,
intrafamili a necessidade de
fortalecermos o combate ao trabalho infantil e ao trabalho forçado e a luta pela inclusão das
pessoas portadoras de deficiência.
Inauguramos uma nova era no campo das políticas sociais. Deixamos para trás as políticas de
cunho assistencialista.
cialista. Estamos construindo uma autêntica rede de proteção social,
implementando programas que possibilitam a transferência direta de renda aos mais pobres,
garantindo‑lhes
lhes as condições de acesso aos bens e serviços. A atualização do Programa Nacional
de Direitos Humanos traz avanços importantes relativos ao direito à educação, à saúde, ao
trabalho, à moradia, à cultura e ao lazer.
Ao mesmo tempo em que se realiza um balanço
balanço sobre os resultados já obtidos, sobre as
dificuldades que têm impedido avanços ainda maiores, incorpora‑se
incorpora se no programa a questão dos
direitos econômicos, sociais e culturais, em conformidade com a concepção moderna de direitos
humanos, segundo a qual esses são direitos universais, indivisíveis e interdependentes.
Essa atualização nos permite, além disso, lançar as bases daquelas que serão as próximas
conquistas, as próximas transformações, definidas em conjunto pelo Governo e pela sociedade, no
mesmo espírito que marcou a elaboração do Programa em 1996.
O novo Programa Nacional dos Direitos Humanos oferece um mapa das rotas que deveremos
trilhar, nos próximos anos – mediante
nte ações do Governo e da sociedade –, para avançar, com
impulso ainda maior, no projeto de construção de um Brasil mais justo.
Propostas de ações governamentais
1. Propostas Gerais
2. Garantia do Direito à Vida
3. Garantia do Direito à Justiça
4. Garantia do Direito à Liberdade

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5. Garantia do Direito à Igualdade


6. Garantia do Direito à Educação
7. Garantia do Direito à Saúde, à Previdência e à Assistência Social
8. Garantia do Direito ao Trabalho
9. Garantia do Direito à Moradia
10. Garantia do Direto a um
u Meio Ambiente Saudável
11. Garantia do Direito à Alimentação
12. Garantia do Direito à Cultura e ao Lazer
13. Educação, Conscientização e Mobilização
14. Inserção nos Sistemas Internacionais de Proteção
15. Implementação e Monitoramento

13.3. Programa Nacional


acional de Direitos Humanos III
Foi instituído pelo Decreto 7.037, de 21 de dezembro de 2009, atualizado pelo Decreto
7.177, de 12 de maio de 2010.
Seus eixos orientadores e diretrizes são estes:

Eixo Orientador 01: Interação democrática entre Estado e sociedade


sociedade civil
Eixo Orientador 02: Desenvolvimento e Direitos Humanos
Eixo Orientador III: Universalizar direitos em um contexto de desigualdades
Eixo Orientador IV: Segurança Pública, Acesso à Justiça e Combate à Violência
Eixo Orientador V: Educação e Cultura
Cul em Direitos Humanos
Eixo Orientador VI: Direito à Memória e à Verdade

se o Comitê de Acompanhamento e Monitoramento do PNDH-3


Criou-se PNDH 3
Atualmente, existem algumas polêmicas envolvendo o PDNH3, já que:

Institui a Prévia mediação para o caso de invasões de terras, o que acabou tentando limitar
o acesso ao Judiciário
Proibiu a divulgação de símbolos religiosos
Criou o marco legal para regulamentar os meios de comunicação

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Iniciou estudo para criação de imposto sobre grandes fortunas (afastaria investidores)
Tratou do aborto como preocupação de saúde pública

14. Comissão
omissão Nacional da Verdade

Criação da Lei 12.528, de 18 de novembro de 2011 (o Decreto 7.919, de 14 de fevereiro de


2013, para fortalecer a Comissão, remanejou cargos em comissão para a mesma). Abaixo, um
resumo geral sobre a CNV:
Finalidade geral: “Examinar
Examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos
praticadas no período
o fixado no art. 8º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias
(18.09.1946 a 05.10.1988), a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e
promover a reconciliação nacional”.
nacional

Composição: “A
A Comissão Nacional da Verdade, composta de forma pluralista, será
integrada por 7 (sete) membros, designados pelo Presidente da República, dentre
brasileiros, de reconhecida idoneidade e conduta ética, identificados
identificados com a defesa da
democracia e da institucionalidade constitucional, bem como com o respeito aos direitos
humanos”.

Proibição de participação para aqueles que:


- exerçam cargos executivos em agremiação partidária, com exceção daqueles de natureza
naturez
honorária;
- não tenham condições de atuar com imparcialidade no exercício das competências da
Comissão;
- estejam no exercício de cargo em comissão ou função de confiança em quaisquer esferas
do poder público.

Objetivos específicos:
I - esclarecer os fatos e as circunstâncias dos casos de graves violações de direitos humanos
mencionados no caput do art. 1o;

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II - promover o esclarecimento circunstanciado dos casos de torturas, mortes,


desaparecimentos forçados, ocultação de cadáveres e sua autoria, ainda
ai que ocorridos no
exterior;
III - identificar e tornar públicos as estruturas, os locais, as instituições e as circunstâncias
relacionados à prática de violações de direitos humanos mencionadas no caput do art. 1o e
suas eventuais ramificações nos diversos
diversos aparelhos estatais e na sociedade;
IV - encaminhar aos órgãos públicos competentes toda e qualquer informação obtida que
possa auxiliar na localização e identificação de corpos e restos mortais de desaparecidos
políticos, nos termos do art. 1o da Lei no 9.140, de 4 de dezembro de 1995;
V - colaborar com todas as instâncias do poder público para apuração de violação de
direitos humanos;
VI - recomendar a adoção de medidas e políticas
políticas públicas para prevenir violação de direitos
humanos, assegurar sua não repetição e promover a efetiva reconciliação nacional; e
VII - promover, com base nos informes obtidos, a reconstrução da história dos casos de
graves violações de direitos humanos,
humanos, bem como colaborar para que seja prestada
assistência às vítimas de tais violações.

Poderes
I - receber testemunhos, informações, dados e documentos que lhe forem encaminhados
voluntariamente, assegurada a não identificação do detentor ou depoente, quando
solicitada;
II - requisitar informações, dados e documentos de órgãos e entidades do poder público,
ainda que classificados em qualquer grau de sigilo;
III - convocar, para entrevistas ou testemunho, pessoas que possam guardar qualquer
relação com os fatos e circunstâncias examinados;
IV - determinar a realização de perícias e diligências para coleta ou recuperação de
informações, documentos e dados;
V - promover audiências públicas;
VI - requisitar proteção aos órgãos públicos para qualquer pessoa
pessoa que se encontre em
situação de ameaça em razão de sua colaboração com a Comissão Nacional da Verdade;

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VII - promover parcerias com órgãos e entidades, públicos ou privados, nacionais ou


internacionais, para o intercâmbio de informações, dados e documentos;
docume e
VIII - requisitar o auxílio de entidades e órgãos públicos.

Os dados, documentos e informações sigilosos fornecidos à Comissão Nacional da


Sigilo:“Os
Verdade não poderão ser divulgados ou disponibilizados a terceiros, cabendo a seus
membros resguardar
ar seu sigilo”.
sigilo

Comissão “As
Natureza da Comissão: As atividades da Comissão Nacional da Verdade não terão caráter
jurisdicional ou persecutório”.
persecutório

Dever de colaboração e dispensa: “ÉÉ dever dos servidores públicos e dos militares
colaborar com a Comissão Nacional da Verdade”; “A
A designação de servidor público federal
da administração direta ou indireta ou de militar das Forças Armadas implicará a dispensa
das suas atribuições do cargo”.
cargo

15. Tribunal Penal Internacional


É velha a utilização da soberania para a proteção
proteção de crimes. Santo Agostinho (“De civitate
Dei, de 1426), já perguntava: “Qual
“Qual é o elemento que distingue o Reino de um bando de
criminosos?” Ambos tinham poder de emitir ordens, poderia constranger para que as mesmas
fossem cumpridas, por meio de ameaça ou violência, e poderia adotar regras de organização,
disciplina e hierarquia e ainda aplicar sanções em caso de desobediência. A única diferença é que
o Estado tem o poder de fazer valer a justiça e não impor a vontade do mais forte. Esta situação
sempre deixou claro que o Estado, após seu conceito moderno e reconhecimento da soberania,
soberania foi
o principal fator de destruição, morte, perseguição, e toda uma série de atos horrendos contra o
ser humano. O próprio desenvolvimento do conceito de soberania, ao longo
lon dos anos, levou à sua
utilização para proteção total dos governantes, independentemente dos crimes que viessem a
cometer. Nicolau Maquiavel (1469-1527),
(1469 1527), em O Príncipe, de 1513, publicado em 1532, dizia que
era necessária a manutenção do príncipe no poder,
pode para tomar atitudes diferentes dos homens
comuns e manter a unidade da Itália,
Itália daí porque “os fins justificavam
m os meios”.
meios Jean Bodin (1530-
1596), em “Os Seis Livros da República”,
República” de 1576, dizia que soberania é o poder absoluto e

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perpétuo do Estado, nass mãos do Rei,


Rei daí porque “o Rei não está submetido a condições postas
pelo povo”. Tomas Hobbes (1588-1679),
(1588 em “Leviatã”, de 1651,, enfatizava a necessidade de
concentração do poder no Estado, representando pelo soberano, para segurança de todos (“O
Estado deve ser absolutista””). Jacques-Bénigne Bossuet (1627-1704),, em “A Política tirada da
Sagrada Escritura”,, deixava claro o direito divino dos reis,, porque os governantes são
representantes de Deuss na Terra ( “Governantes só devem satisfação a Deus”).
Deus” Otto von Bismark
(1815-1898),, por sua vez, justificava suas atitudes com base em “razões do Estado” (“os superiores
interesses do Estado justificam os atos dos governantes”.
governantes
Por isso, a ideia de um Tribunal
T Penal Internacional é antiga43, fazendo a humanidade
perceber,, ao longo dos anos, a formação de verdadeiras organizações criminosas com base na
soberania e naa estrutura do Estado.
Na 1ª Guerra Mundial,, mais de 10 milhões de mortos e 20 milhões de feridos.
f O Estado foi
o fator decisivo para o desencadeamento do Holocausto, com perseguição e morte de judeus,
militantes comunistas, homossexuais, ciganos, eslavos, deficientes motores e mentais, prisioneiros
de guerra soviéticos. Na 2ª Guerra Mundial: morte
morte de mais de 50 milhões de pessoas:
bombardeiros, massacres, doenças, fome, genocídio.
genocídio As ditaduras militares, incontáveis, foram
responsáveis por perseguição, tortura, restrição a direitos fundamentais,
fundamentais desaparecimentos
forçados e toda uma série de ferimentos
ferimentos a direitos humanos. Atualmente, ainda se vê Campos de

43
Como antecedente longínquo, é citado primeiro tribunal internacional
internacional de 1474, para julgar, na Alemanha, Peter von
Hagenbach, por permitir o estupro, o assassinato e o saque das propriedades civis. Como antecedente direto do
Tribunal Penal Internacional, é bastante citada a proposta formal apresentada por Gustavo Moynier, Moy um dos
fundadores da Cruz Vermelha, na Conferência de 1872, para julgar crimes de guerra, cuja repercussão foi pequena,
vindo mesmo a ser difundida apenas no Século XX. Por isso, foi mesmo depois da 1ª Guerra Mundial é que surgiram
iniciativas de levar
ar indivíduos à justiça internacional, incluindo altos funcionários dos Estados, uma vez que, após o
Tratado de Versalhes, que pôs fim à 1ª Guerra Mundial, houve intensa pressão social para punição dos responsáveis
pelas inúmeras violações de direitos humanos
humanos no período. Neste Tratado, assinado em Versalhes em 28.06.1919, foi
previsto, em seu art. 227, a criação de um tribunal penal internacional “ad hoc” para julgar Kaiser Wilhelm II por ter
iniciado a guerra e ferir a Convenção de Genebra de 1864, mas não se efetivou por conta da fuga deste para a
Holanda, que se negou a entregá-lo. lo. O mesmo ocorreu com o Tratado de Sèvres, cuja Comissão, em 1919, defendeu a
criação de um tribunal superior, em especial diante do massacre de 600.000 armênios na Turquia, mas os EUA se
opuseram, devido a inexistência de lei internacional prevendo os crimes e a violação da soberania, não sendo
ratificado, inclusive, pela Turquia, fracassando finalmente com o Tratado de Lausanne, de 1927, que concedeu anistia
geral aos oficiais turcos.
urcos. Neste período pós 1ª Guerra Mundial, foi criada a Convenção contra o Terrorismo pela Liga
das Nações, em 1937, com previsão, em seu Estatuto, de criação de um Tribunal Criminal Internacional, que
novamente naufragou porque apenas a Índia ratificou a Convenção (Flávia Piovesan, Temas de Direitos Humanos, 5ª
edição, Saraiva, 2012, pp. 221/222; Pablo R. Alflen da Silva, Tribunal Penal Internacional: Aspectos fundamentais e o
novo Código Penal Internacional alemão. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor, Editor, 2004. cap. I. p.17-18;
p.17 Antônio
Cassese, “De Nuremberg a Roma: dos Tribunais Militares Internacionais ao Tribunal Penal Internacional”; em O Direito
Penal no Estatuto de Roma: Leituras sobre os Fundamentos e a Aplicabilidade do Tribunal Penal Internacional,
Internaci de Salo
de Carvalho (organizador), RJ, Ed. Lumen Juris, 2005. cap. I. p. 03).

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Refugiados espalhados pelo mundo: na Jordânia: 280 mil refugiados (10 campos),
campos) na Síria: 112 mil
refugiados (10 campos,, atualmente em Guerra Civil);
Civil no Líbano:
íbano: 210 mil refugiados (12 campos);
campos)
na Cisjordânia: 181 mil refugiados (19 campos),
campos) na Faixa de Gaza: 417 mil refugiados (8 campos,
campos
sendo que somente em Campo de Camp Beach,
Beach com 1 Km2,, são mais de 80 mil refugiados. Na
África, ainda campeia guerras, genocídios e ditadores locais, todos protegidos
protegid pela soberania.
A criação do Tribunal Penal Internacional, portanto, foi impulsionada por dois motivos
básicos:
a) evitar julgamentos realizados por tribunais de exceção (sem imparcialidade, que se
transformavam em verdadeiras “vinganças dos vencedores”),
vencedores”), como ocorrido pelo Tribunal de
Nuremberg em 1945, Tribunal de Tóquio, de 194644, e os Tribunais da Ex-Iugoslávia, de 1993 e de
Ruanda, de 199445;
b) necessidade de se fazer justiça diante de crimes bárbaros contra a humanidade,
cometidos sob os auspícioss da soberania e com impunidade, em especial pelos horrores cometidos
na 2ª Guerra Mundial.

44
Com o término da 2ª Guerra Mundial, a opinião pública tomou ciência das atrocidades cometidas pelo Japão, na
China, e pela Alemanha, contra judeus, ciganos, negros e outras
outras minorias, criando, assim, um clima favorável ao
julgamento dos responsáveis. Por isso houve criação dos Tribunais Militares Internacionais de Nuremberg e Tóquio. O
Tribunal de Nuremberg julgou o destino dos principais dirigentes do partido nazista, e foi fo subscrito pelas grandes
potências mundiais da época (Aliados e mais a França), além de outros 19 Estados. O Estatuto do Tribunal de
Nuremberg, aprovado em 06.08.1945, previu uma Corte quadripartite, uma vez que cada país aliado deveria enviar
um juiz titular
ular e um suplente, com presidência rotativa entre eles. a Acusação foi feita pelo Ministério Público e a
defesa se deu por algumas personalidades do Direito na Alemanha. O Tribunal de Tóquio foi previsto já na Declaração
do Cairo, em 1º de janeiro de 1943,, no decorrer da Guerra, pelos representantes dos EUA, Grã-Bretanha
Grã e China, com
intenção de revidar as agressões japonesas e punir os criminosos, em especial contra as crueldades contra os
prisioneiros. Com a rendição do Japão em 02.09.1945, foram estipulados
estipulados procedimentos, o tratamento e a detenção
de suspeitos, com recomendação da ONU para criação do Tribunal, que ocorreu em 19.01.1946, com estatuto
semelhante ao Tribunal de Nuremberg, com julgamentos que duraram mais de 03 anos, envoltos em grandes
polêmicas
micas no sentido de sua parcialidade, vingança dos vencedores e retaliação ao ataque japonês em Pearl Harbor (o
Tribunal de Nuremberg não condenou soltados americanos e ingleses por crimes de guerra, mesmo diante de provas
semelhantes contra os alemães, além ém de desconsiderar o bombardeio atômico dos EUA em Hiroshima e Nagasaki).
Apesar de todas as polêmicas, estes Tribunais abandonaram a doutrina da imunidade dos atos estatais e a doutrina da
“responsabilidade superior (“respondeat superior”), no sentido de que não poderia haver responsabilidade porque as
ordens superiores deveriam ser seguidas rigidamente, encerrando-se,
encerrando se, assim, a fase de total impunidade de
governantes criminosos. Nesse sentido: José Cretella Neto, Curso de Direito Internacional Penal. RS, Ed. Unijuí, 2008.
p. 114-115.
45
No início da década de 1990, o Conselho de Segurança da ONU deliberou, com voto favorável do Brasil, pela criação
de outros dois Tribunais Internacionais: da Ex-Iugoslávia
Ex Iugoslávia (Resolução da ONU n. 827, de 25.05.1993), instalado na
Holanda, para julgar as atrocidades praticadas em seu território, e de Ruanda (Resolução da ONU n. 955, de
09.11.1994), instalado na Tanzânia, para julgar os graves crimes cometido naquele país e países vizinhos.
Diferentemente dos Tribunais de Nuremberg
Nuremberg e Tóquio, nitidamente criados sob forte influência dos “vencedores” da
Guerra, os Tribunais da Ex-Iugoslávia
Iugoslávia e Ruanda não tiveram esta marca, porque criados no âmbito da ONU em período
bastante longe da 2ª Guerra Mundial e ainda houve criação de uma Câmara
Câmara de Apelação, em um processo mais justo
e imparcial, muito embora com ferimento ao princípio do juiz natural porque criados após os fatos.

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Sua criação surgiu após aprovação do Estatuto de Roma, em 17 de julho de 1998, por 120
votos favoráveis, 07 votos contrários (China, EUA, Filipinas, Índia, Israel,
Israel, Sri Lanka e Turquia) e 21
abstenções, entrando em vigor em 1º de julho de 2001,
2001, com participação do Brasil nas
negociações46. O Estatuto foi aprovado no Brasil pelo Decreto Legislativo 112, de 06 de junho de
2002, e promulgado pelo Decreto Presidencial 4.388,
4.388, de 25 de setembro de 2002. Como foi visto,
a intenção do poder constituinte brasileiro é claro em sua aceitação, tanto do originário, porque
no art. 7º do ADCT enfatizou que o Brasil deveria propugnar pela formação de um tribunal
internacional dos direitos
eitos humanos, quanto o reformador, porque a EC 45/04 incluiu o §4º ao art.
5º, submetendo o Brasil à jurisdição do TPI.
TPI
Tem sede em Haia, Holanda, mas poderá funcionar em outro local sempre que entender
conveniente. Seus
eus principais pontos podem assim ser resumidos:

Órgãos internos:
internos
O TPI tem em sua composição 04 órgãos internos:
→ Presidência,, integrada por três juízes,
juízes, que faz a administração e gestão do TPI;
TPI
→ Câmaras,, dividas em Câmara de Questões Preliminares (admissibilidade dos
processos), Câmara de 1ª Instância (julgamento) e Câmara de 2ª Instância
(apreciação dos recursos)
→ Promotoria,, órgão autônomo, competente para receber as denúncias, examiná-las,
examiná
investigá-las
las e propor ação penal junto ao Tribunal;
→ Secretaria,, para questões administrativas internas.
inter

Juízes:
Tem
em 18 juízes, escolhidos pela Assembleia Geral da ONU, para representação dos
principais sistemas judiciais do mundo. Eles devem possuir os seguintes requisitos: a) Pessoas com
elevada consideração moral, imparcialidade e integridade;
integridade b) Domínio
ínio de uma das línguas oficiais
da Corte (inglês, francês, espanhol, russo e árabe);
árabe) c) Reconhecida competência em Direito Penal e

46
O Brasil foi visto como um like minded country,
country, porque atuou, junto com os demais países propensos a aceitar o
Tribunal,
ribunal, aceitando a jurisdição automática do TPI sobre crimes de genocídio, crimes de guerra e contra a
humanidade, a eliminação do veto do Conselho de Segurança e ainda a presença de um promotor independente e
afastamento das reservas. Como se verá, o TPI
TPI não foi criado com competência para julgar os fatos passados.

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Processual Penal; d) Experiência como juiz, promotor ou advogado (ou competência em direito
internacional humanitário).47 O mandato é de 09 anos

Promotoria
É de escolha da Assembleia Geral, para mandato de 09 anos, devendo possuir alta
idoneidade, experiência na persecução penal e domínio de uma das línguas citadas.
citadas O início do
processo se dá por representação à Promotoria, por meio dos Estados-partes
partes ou do Conselho de
Segurança da ONU, ou ainda de ofício pela própria Promotoria, após analisar denúncias e colher
provas.

Jurisdição
A jurisdição do TPI se dá sobre nacionais
nacionais que se encontrem no território dos países
que ratificaram
m o Estatuto de Roma (ou nos navios e aviões das bandeiras dos respectivos países),
países)
desde que maiores de 18 anos.
anos O julgamento não pode ser à revelia e restringe
estringe-se ao julgamento
dos chamados “crimes de lesa humanidade”:
a) Genocídio48: intenção de destruir
destruir grupo nacional, étnico, racial ou religioso;
religioso
b) Contra a Humanidade:
Humanidade: ataque generalizado ou sistemático contra população
civil,, como homicídios, extermínios, escravidão, tortura, agressão sexual, prostituição e gravidez
forçadas, desaparecimento forçado de pessoas, apartheid;
c) Crimes de Guerra:
Guerra: violação da Convenção de Genebra de 1949,
1949 em especial
quando cometidos como parte integrante de um planto ou de uma política ou como parte de uma
prática em larga escala desse tipo de crimes (guerra sem quartel;; morte
m ou ferimento dos
adversários rendidos; uso
so de armas ou métodos que causem danos supérfluos ou sofrimentos
desnecessários; uso
so de gases asfixiantes ou armas tóxicas;
tóxicas emprego
mprego de escudos humanos;
humanos morte
47
Entre 2003 e 2010, juíza brasileira Sylvia Steiner atuou no TPI.
48
“No que toca ao crime de genocídio, o Estatuto acolheu a mesma definição estipulada pelo artigo 2º da Convenção
para a Prevenção
enção e Repressão do Genocídio adotada pelas Nações Unidas em 09 de dezembro de 1948, e ratificada
pelo Brasil em 4 de setembro de 1951. Costumava-se
Costumava se diferenciar o crime de genocídio dos crimes contra a
humanidade, pois estes últimos estavam restritos aos períodos de guerra. Com a ampliação do conceito de crimes
contra a humanidade também para períodos de paz, o crime de genocídio passou a ser considerado a mais grave
espécie de crime contra a humanidade. O fator distintivo do crie de genocídio perante outros
outr crimes é encontrado em
seu dolo específico, concernente ao ‘intuito de destruir, total ou parcialmente, um grupo nacional, étnico, racial ou
religioso. A destruição pode ser física ou cultural” (Piovesan, cit., p. 227). Perceba, por exemplo, que se determinada
dete
pessoa cometer assassinato contra todos os índios restantes de determinada etnia, para extinção da mesma, estará
cometendo o genocídio (neste sentido, lembre-se
lembre se que em Goiás, no Município de Minaçu, seis remanescentes índios
da etnia Avá-Canoeiro persistem
ersistem reunidos em determinado local).

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de civis por inanição; organização


rganização de tribunais de
d exceção; recrutamento
ecrutamento de crianças menores de
15 anos; tortura
ortura e tratamentos desumanos;
desumanos; deportação ou transferências
transferência ilegais, homicídio,
tortura, tomada de reféns e outros relacionados no art. 8º do ER);
d) Crime de Agressão (em relação ao crime de agressão,
são, o Estatuto
Estat de Roma não o
definiu, e previu que isto ocorreria após 07 anos de sua entrada em vigor, mas até o presente
momento isto não ocorreu). A previsão apenas destes crimes demonstra a adoção do direito penal
mínimo, em especial quanto ao TPI, que
que só pode interferir nos bens jurídicos penais mais
importantes que afetam toda a humanidade.

Penas aplicáveis
As penas aplicáveis são de reclusão, de até 30 anos, prisão perpétua e confisco de
bens

Princípios fundamentais
a) Princípio da complementariedade:
complementarie : o TPI atua quando o Estado-Parte
Estado não inicia o
processo ou não tem condições de julgar e investigar com isenção,, ou ainda quando a pessoa já foi
julgada49 (neste caso, pode ser feita comparação com a subsidiariedade para fins de deslocamento
de competência
ncia para a Justiça Federal dos crimes com violação de direitos humanos, do art.109,
V-A e seu §5º, da CF/88).. Por isso, existe a regra da publicidade, porque o TPI deve notificar o
Estado-Parte
arte que tem jurisdição sobre o acusado, sempre que iniciar as investigações,
inv para que se
manifeste sobre o exercício da sua jurisdição,
jurisdição, podendo este Estado impugnar, por uma única vez e
na primeira oportunidade que tiver, a jurisdição do TPI;
TPI
b) Princípio da universalidade:
universalidade Estados-partes
partes não podem subtrair a jurisdição do
TPI, ou parte dela;
c) Princípio da responsabilidade penal individual:
individual Indivíduos é que respondem (a
responsabilização dos Estados pode ocorrer no Tribunal Internacional de Justiça);
d) Princípio da irrelevância da função oficial:
oficial possibilidade
ossibilidade de punição
puni a Chefes de
Estado ou de Governo, Ministro, Parlamentares e qualquer autoridade;
autoridade

49
Como se viu, para o julgamento pela Corte Interamericana, dos Estados-Partes
Estados Partes da Convenção Americana, é preciso
o exaurimento dos recursos internos. Para o julgamento do TPI, não há esta exigência, não podendo o princípio
pr da
complementaridade ser confundido com esta situação.

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e) Princípio da responsabilidade dos comandantes e outros superiores:


superiores chefes
militares respondem, mesmo não estando presentes (devem envidar esforços para evitar os
crimes);
f) Princípio da imprescritibilidade:
imprescritibilidade não
ão há extinção da punibilidade pela prescrição.
prescrição
Porém, a jurisdição do TPI só para delitos posteriores à sua vigência (2002);
(2002)
g) Princípio da anterioridade:
anterioridade: o TPI não julga os crimes ocorridos antes da sua
entrada em
m vigor. No entanto, o Estatuto de Roma permitiu que os países o ratificassem sem
aceitar sua jurisdição por um período de 07 anos depois de entrar em vigor, quanto aos eventuais
crimes de guerra cometidos por seus nacionais ou em seu território (a França, por exemplo, se
utilizou desta possibilidade);
h) Princípio da territorialidade:
territorialidade: o TPI só pode julgar crimes cometidos nos
territórios dos Estados que ratificaram o Estatuto. Assim, se determinado nacional é de Estado que
não ratificou o Estatuto e nem tenha
tenha aceitado a jurisdição do TPI, ainda assim poderá ser julgado
pelo mesmo, já que o crime praticado foi no território dos países signatários;
i) Princípio da cooperação:
cooperação: o TPI não tem poder de polícia para fazer buscas e
prisões, dependendo da cooperação dos Estados-partes envolvidos. Assim, estes devem cooperar
totalmente para a investigação e o processamento, inclusive entrega de pessoas, prisões
preventivas, produção de provas, execução de buscas e apreensões e proteção de testemunhas

Principais polêmicas
micas
As principais polêmicas jurídicas do TPI envolvem a incompatibilidade de algumas
normas com a Constituição de 1988:
1988

a) prisão perpétua.
perpétua O art. 77, 1, “b” do Estatuto de Roma, prevê que: “Sem
“ prejuízo
do disposto no artigo 110, o Tribunal pode impor à pessoa condenada por um dos crimes previstos
no artigo 5o do presente Estatuto uma das seguintes penas: b) Pena de prisão perpétua, se o
elevado grau de ilicitude do fato e as condições pessoais do condenado o justificarem”.
justificarem” A
Constituição brasileira de 1988, no art. 5º, XLVII, “b”, prevê que “não
não haverá penas: de caráter
perpétuo”.. Desta forma, a primeira incongruência contra o Estatuto de Roma seria esta
incompatibilidade com a Lei Fundamental brasileira;

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b) imprescritibilidade.
imprescritibilidade O artigo 29 do Estatuto
o de Roma diz que “Os crimes da
competência do Tribunal não prescrevem”.
prescrevem”. O art. 5º, XLII e XLIV diz que: “a prática do racismo
constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei”;
“constitui crime inafiançável e imprescritível
imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a
ordem constitucional e o Estado Democrático”.
Democrático . Portanto, não haveria como o Estatuto de Roma
impor a imprescritibilidade;

c) tipicidade. O art. 5º, XXXIX, da CF/88, diz que “não


não há crime sem
s lei anterior que o
defina,, nem pena sem prévia cominação legal”,
legal , instituindo o princípio da tipicidade, mas o
Estatuto prevê de forma vazia os crimes de lesa humanidade, sem definição dos seus elementos, o
que seria impossível por não transbordar nenhuma
nenhuma garantia mínima ao acusado;

d) entrega.. O art.
a 58, 5, do Estatuto, prevê que “Com
Com base no mandado de
detenção, o Tribunal poderá solicitar a prisão preventiva ou a detenção e entrega da pessoa em
conformidade com o disposto na Parte IX do presente Estatuto”.
Estat O art. 59, 1,
1 ratifica: “O Estado
Parte que receber um pedido de prisão preventiva ou de detenção e entrega, adotará
imediatamente as medidas necessárias para proceder à detenção, em conformidade com o
respectivo direito interno e com o disposto na Parte
P IX”.. Finalmente, o art.
a 89, 1: “O Tribunal
poderá dirigir um pedido de detenção e entrega de uma pessoa, instruído com os documentos
comprovativos referidos no artigo 91, a qualquer Estado em cujo território essa pessoa se possa
encontrar, e solicitar a cooperação desse Estado na detenção e entrega da pessoa em causa. Os
Estados Partes darão satisfação aos pedidos de detenção e de entrega em conformidade com o
presente Capítulo e com os procedimentos previstos nos respectivos direitos internos”.
internos No entanto,
a CF/88, no art. 5º, LI, diz que “nenhum
nenhum brasileiro será extraditado, salvo o naturalizado, em caso
de crime comum, praticado antes da naturalização, ou de comprovado envolvimento em tráfico
ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei”.
lei Assim, como um brasileiro poderia ser
entregue ao TPI, se há proibição de extradição?

e) imunidades.. O art. 27 do ER prevê a total irrelevância da qualidade oficial do


suposto acusado, mesmo sendo Chefe de Estado ou de Governo, não podendo se eximir da
responsabilidade
esponsabilidade criminal e nem pode ser motivo de redução da pena. Porém, a CF/88, com base

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na soberania, cria um regime de imunidades, em especial aquelas referentes às imunidades


formais e materiais dos parlamentares (art. 53 e parágrafos) e a imunidade especial do Presidente
(art. 86 e parágrafos). Como poderia um parlamentar brasileiro ser processado e julgado, por
exemplo, com violação da inviolabilidade material ou ainda desconsiderando as fórmulas
processuais constitucionais?50

Estas polêmicas são alimentadas pelos seguintes argumentos favoráveis e


contrários à constitucionalidade do Estatuto de Roma.
Roma

rgumentos favoráveis à constitucionalidade:


Argumentos
a) O Estatuto de Roma adota regras já incluídas em outros Tratados já ratificados
pelo Brasil, como as Convenções de Genebra e seus protocolos de 1977, Pacto Internacional de
Direitos Civis e Políticos, Convenção contra Tortura e outros tratamentos ou Penas Cruéis,
Desumanos ou Degradantes, Convenção de Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio,
Convenção pela Eliminação de Todas as formas de Discriminação Racial, Convenção pela
Eliminação de Todas as formas de Discriminação contra a Mulher, Convenção Americana de
Direitos Humanos, Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura e a Convenção
Interamericana
eramericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher;
b) Extradição é diferente de Entrega,
Entrega, porque esta se dá entre país soberano e
organismo internacional,, e aquele se dá entre países soberanos, de modo que não há proibição de
entrega na CF/88.. Ademais, a Lei 6.815/80 (Estatuto do Estrangeiro) prevê a comutação da pena
para privativa de liberdade, para fins de extradição, apenas quando há previsão de morte ou de
castigo corporal, nada se referindo à prisão perpétua, e o STF permite a extradição
ex mesmo quando
no país de origem há prisão perpétua, mesmo sem comutação;
comutação
c) a EC 45/04 ratificou os termos do Decreto 4.388/02,
4.388/02, submetendo o Brasil ao TPI,
deixando clara sua intenção, até porque já conhecia seus termos;
d)) é preciso utilizar a mutação
m constitucional para adaptar os termos constitucionais
aos novos temos, à nova realidade, e não seria crível que uma interpretação afastada do que
50
Apenas a título de exemplo, imagine-se
imagine se o TPI iniciar investigação contra um parlamentar brasileiro, porque ele teria
participação, mediante incitação após emitir opinião na tribuna do Senado ou da Câmara, em algum genocídio ou em
algum crime, dentre tantos, previstos no Estatuto de Roma ou na Convenção de Genebra?

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acontece no mundo pudesse ser aceita, especialmente para fins de proteção dos direitos
humanos;
F/88 expressamente protege a dignidade humana (art.1º, III), e esta vontade
e) a CF/88
constitucional vem ao encontro das previsões do Estatuto de Roma, todo ele construído com base
na proteção e prevenção de riscos à dignidade humana;
f)) necessário fazer uma interpretação
in retação sistemática do art. 5º,
5º que prevê regras sobre
prescrição,, extradição, tipicidade e prisão perpétua, com o art. 5º, §4º e com art. 7º, ADCT,
ponderando-se
se os valores em jogo;
jogo
g) o Estatuto de Roma não impõe aos Estados-Partes
Estados Partes que adotem, internamente,
internamen a
prisão perpétua, a imprescritibilidade dos crimes ou outro tema de direito material incompatível
com as constituições respectivas;
respectivas
h) o ER prevê os princípios do nullum crimen sine lege, nulla poena sine lege e da
e seus arts. 22-151 e 2352, razão porque não cabe alegar que há
não retroatividade personae,, em
ferimento ao princípio constitucional brasileiro da tipicidade penal, ou da reserva legal,
legal e ainda
prevê os chamados “elementos constitutivos dos crimes”,, circunstâncias que auxiliam na
interpretação e aplicação dos crimes;
crimes

Por outro lado, existem argumentos contrários à constitucionalidade, que podem


assim ser resumidos:
a) o Decreto 4.388/02,
4.388/02 que promulgou o Estatuto, é anterior à EC 45/04,
45/04 de modo
que somente poderia ser aceita tal promulgação, e, com se sabe, a constitucionalidade se analisa
com base no texto constitucional vigente à época da norma atacada, quando não havia previsão
de submissão ao TPI;
b) o Estatuto de Roma não foi ratificado como as emendas constitucionais,
constitucionais de modo
que tem, no máximo, natureza supralegal, não se contrapondo às normas constitucionais
originárias do Brasil;

51
Art. 22-1: “Nullum
Nullum crimen sine lege:
lege: Nenhuma pessoa será considerada criminalmente responsável, nos termos do
presente Estatuto, a menos que a sua conduta constitua, no momento em que tiver lugar, um crime da competência
do Tribunal.”
52
Artigo 23: “Nulla poena sine lege:: Qualquer pessoa condenada pelo Tribunal só poderá ser punida em conformidade
com as disposições do presente Estatuto”.
Estat

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c) a interpretação
nterpretação deve ser favorável aos direitos individuais,
individuais e a submissão de
nacionais ao TPI é francamente desfavorável;
d) ass proibições do art. 5º faz parte dos “limites dos limites”,
limites” de modo que são
núcleos essenciais que não podem ser feridos nem mesmo por tratados internacionais;
e) o art. 5º, da CF/88, se insere nas cláusulas pétreas, imune até mesmo ao poder
constituinte reformador, quanto mais ao legislador supralegal;
f) na França e na Bélgica, houve declaração de inconstitucionalidade de estatutos
internacionais aprovados antes das reformas constitucionais, daí porque ocorreram reformas
constitucionais na França, na Alemanha, em Portugal e em Luxemburgo
Luxemburgo justamente para se
adaptar ao TPI, o que não ocorreu no Brasil;
É possível afirmar que, a par dos argumentos contrários, a maioria doutrinária
entende constitucional e legítimo os termos do Estatuto de Roma, não só pelos argumentos
acima, mas especialmente
ecialmente porque ele representou e representa um fator primordial para o
desenvolvimento da justiça penal universal. Está claro que, depois da sua criação, a preocupação
com os direitos humanos aumentou e os próprios ditadores, antes totalmente imunes à
responsabilidade
esponsabilidade penal, já se incomodam com a presença do Tribunal Penal Internacional.
Ademais, o ritmo de sua implantação não pode sofrer solução de continuidade, porque em todas
as constituições modernas, há uma preocupação com os direitos fundamentais das
d pessoas,
controle do poder estatal, adaptação à justiça penal universal e mecanismos de punição de crimes
contra a humanidade.

Em abril de 2015, a Palestina assinou sua adesão ao Tribunal Penal Internacional.


Assim, o TPI poderá julgar os dirigentes israelenses
israelenses por crime de guerra ou por ações ligadas à
ocupação dos territórios palestinos. Como se sabe, 135 países reconhecem a Palestina como
Estado, entre eles Brasil, China e Rússia (EUA e Israel não reconhecem). A ONU reconhece como
Estado observador não
ão membro.
membro

Questões de concurso
13) Prova: TRF - 4ª REGIÃO - 2010 - TRF - 4ª REGIÃO - Juiz Federal
Dadas as assertivas abaixo,
baixo, assinale a alternativa correta.

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I. O Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia, criado pelo Estatuto de Roma, tem
competência para os crimes mais graves que afetam a comunidade internacional no seu conjunto
e abrange os crimes de genocídio, os
os crimes contra a humanidade, os crimes de guerra, os crimes
de agressão e os crimes de tráfico internacional de drogas que afetem mais de 2 (dois) países.
II. Para a competência do Tribunal Penal Internacional, é considerado como crime de “genocídio”,
qualquer
alquer ato praticado com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo religioso
enquanto tal, por meio de transferência à força de crianças do grupo para outro grupo.
III. São consideradas línguas oficiais do Tribunal Penal Internacional somente o inglês e o francês.
IV. São consideradas como línguas de trabalho do Tribunal Penal Internacional o árabe, o chinês, o
espanhol e o russo, sendo que o regulamento processual pode também definir os casos em que
outras línguas oficiais podem ser usadas como
co língua de trabalho.
V. O Tribunal Penal Internacional poderá funcionar em outro local sempre que entender
conveniente.

a) Estão corretas apenas as assertivas I e II


b) Estão corretas apenas as assertivas I e III.
c) Estão corretas apenas as assertivas
assertiva II e V
d) Estão corretas apenas as assertivas III e IV
e) Estão corretas apenas as assertivas III e V.

14) Prova: MPT - 2013 - MPT - Procurador


Considerando-se o Sistema
istema Internacional de Proteção aos Direitos Humanos e o Estatuto do
Tribunal Penal Internacional, é CORRETO afirmar que:
a) O indivíduo singularmente considerado não é sujeito internacional de direitos humanos, uma
vez que não é destinatário direto de direitos,
direitos, obrigações e deveres na esfera internacional.
b) O Tribunal Penal Internacional é uma instituição permanente, com jurisdição universal sobre
Estados, nações, pessoas, coletividades, organizações estatais e não-
não estatais e demais autores ou
vítimas de atentados contra os direitos humanos em relação aos crimes graves que prescreve o
seu respectivo estatuto.
c) A escravidão, a agressão sexual, a escravatura sexual, a prostituição forçada e o crime de
apartheid são expressamente previstos como crimes contra
contra a humanidade no referido Estatuto.

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d) O Tribunal Penal Internacional possui ampla competência ratione materiae (em razão da
matéria) para os crimes que afetam a comunidade internacional em seu conjunto
e) Não respondida

Gabarito das questões: 01-A; 02-D;


02 03-B; 04-“ERRADO”;05-D;06-D; 07-E;08
E;08-D; 09-B; 10-C; 11-B; 12-
“CERTO”; 13-C; 14-C

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