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O guerreiro cansado

Romanos 7:24-25

Aqui o apostolo Paulo está falando de si mesmo, porém, algumas pessoas acreditam que ele
estaria descrevendo sua vida antes da conversão. Contudo, aqui não é Paulo falando sobre sua
vida antes da conversão, mas sim Paulo, o maior apostolo de todos, um príncipe em israel,
simplesmente Paulo, que reconhece o quão miserável que ele é.

O erro de muitos cristãos é olhar para sua liderança e acreditar que eles não passam por
problemas ou dificuldades, não entendendo que, quanto mais perto estamos de Deus, mais
lamentamos sobre o nosso coração, e quanto mais honrado pelo seu serviço, mas a carne o
tenta. Aqui, nessa passagem, pode ficar mais claro essa relação

De alguma forma, olhamos para os apóstolos e os consideramos livres de qualquer tipo de


dúvidas ou pecados, e cometemos o erro de olhar para eles como se fossem algo acima de nós
e não apenas como meros mortais. A bíblia nos diz que Jesus foi tentados em todos os pontos
da mesma maneira que nós, e ainda assim, insistimos em cair no erro de achar que os
apóstolos não são parecidos como nós.

Se pudéssemos conversar com Paulo, talvez constaríamos que ele era tentando nas mesmas
coisas que nós ou até maior, mas continuamos olhando para os apóstolos como pessoas
isentos de pecados ou enfermidades, levando a quase uma idolatria, mas a santidade deles é
atingível, mesmo para nós. Deveríamos nós forçar a tentar atingi-los!

Vamos traze-los para nossa ‘realidade’, eram homens como a gente, sofriam como a gente,
mas o mesmo espirito que neles habitavam, habita em nós.

As duas Naturezas

Homens carnais, não renovados, tem apenas uma natureza. Uma natureza que foi herdada dos
seus pais, e seria a natureza de adão, ou seja, apenas o mal, o pecado. A natureza humana, aos
olhos humanos, pode ser boa, humilde, ser cheia de atitudes honradas, mas aos olhos de Deus,
espirituais, nada disso importa e a natureza humana não pode fazer nada, e tudo que
chamamos de bondade, é apenas horizontal. A natureza humana está caída e em inimizade
com Deus.

Quando um homem se torna cristão, ele se torna um novo homem por infusão de uma nova
natureza, uma nova vida. Essa vida é um princípio elevado, sobrenatural, santo. É na verdade a
natureza divina, e o espirito de deus passa a habitar nesse novo homem.

Como podemos ver, o homem cristão passa a ser um homem que possui duas naturezas, um
homem ‘dobrado’. A velha natureza não sai do cristão, ela permanece inalterada, cada vez
mais pecadora, mas agora existe também a natureza divina, pura e celeste. Daí surge o conflito
entre as duas naturezas.

Paulo fala sobre as duas naturezas no texto lido:

Primeiro ele fala sobre a velha natureza. Alguns supõe que ele está falando do nosso
organismo mortal, pois ele chama de ‘corpo dessa morte’, mas se não fosse o pecado, nossos
corpos não teriam nada de errado, na verdade eles são mais uma bela obra Deus. Adão sentiu
seu corpo na sua plenitude, e se não fosse o pecado não teria nada de errado. A fonte do mal
não está no nosso corpo físico.
Então do que Paulo está falando? Ele diz que a natureza pecaminosa que habita em nós é um
corpo. Existem pessoas que acreditam que após a conversão, apenas relíquias, pedaços do
velho homem, com seus pecados e delitos habita no homem, mas Paulo mostra que não são
apenas ossos, ou alguns membros, mas sim, um corpo inteiro que ainda está presente. A graça
não acaba com esse corpo

Em segundo lugar, ele chama de corpo por ser algo tangível, é fácil de detectar, todos nós
sabemos que temos um corpo. A nova natureza é um espirito, sutil e não é fácil de detectar, as
vezes chegamos até a nos questionar se ela está lá. Enquanto que a velha natureza é um
corpo, nós nunca duvidamos da sua existência, ela sempre vai estar lá, você nunca vai duvidar
se tem carne e osso, da mesma forma que nunca podemos duvidar se temos pecado. Vamos
sempre sentir e saber que ele vai estar ali.

No nosso corpo, como Calvino falou, existe uma massa de corrupção, não apenas um pedaço,
mas uma massa, que claro, está esmagada pela graça, mas ainda está ali presente. Um corpo
de morte.

Mas porque Paulo chama de um corpo de morte? Simplesmente para expressar o quão
horrível é o pecado que ainda habita no coração do homem regenerado. Nos tempos antigos,
existia um castigo como que era amarrar um corpo morto a alguém que havia cometido algum
delito, então sempre, junto da pessoa havia um corpo podre, que era arrastado com ele a
aonde quer que fosse. Assim é o cristão, sabemos da nossa nova natureza, que é divina, mas a
cada dia sentimos que temos que arrastar um corpo morto. A morte é algo aterrorizante.

Não devemos temer a morte, pois voltamos nossos olhos para a imortalidade santa, mas o
pecado em si, é algo podre e ruim. O homem regenerado, mesmo com sua natureza divina,
ainda tem que pisar os tons da morte. É preciso lutar uma batalha diária contra todos os
poderes do pecado, que são tão horríveis quanto a morte e do inferno.

Após isso, Paulo se refere ao capítulo anterior, encontra-se o princípio do mal, chamado de ‘o
velho’, o velho homem. A palavra velho, tem muito significado, mas analisar uma pessoa de 60
anos, que se converteu apenas a 2 anos atrás, agora vamos pensar que, o homem natural,
carnal, tem 60 anos, enquanto que o ‘homem’ espiritual apenas 2. É a luta de uma criança
contra um adulto, de um menino contra um gigante. Pode a criança divina, tirar o velho
homem? Este é o trabalho. Desde o seu nascimento a nova natureza começa a luta, e não
pode parar até a vitória está perfeitamente alcançada. Mas é como mover uma montanha, ou
secar um oceano, e quem é capaz de fazer tudo isso? A nova natureza recebe ajuda do seu
autor, ou então ela se renderia na luta.

Observe que, mais uma vez, a velha natureza é má, e não pode ser mudada. Você não pode
transformar a escuridão em luz. A nova natureza é totalmente boa, ela não sabe nada sobre o
pecado.