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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ABC

CENTRO DE ENGENHARIA, MODELAGEM E


CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS (CECS)

ALETAS

Ana Cristina R. de Carvalho 11073914

Lucas Suzuki 21075713

Mariana Rosa F. dos Santos 11058914

Raul Lima Guimarães 11047314

Dra. Juliana T. C. L. Toneli

SANTO ANDRÉ, NOVEMBRO/2017


RESUMO
As aletas são superfícies estendidas a partir de uma superfície de um objeto, de modo a
aumentar sua taxa de transferência de calor para o ambiente (ou vice-versa) por meio do
aumento da convecção. Existem inúmeras aplicações para elas na engenharia, como:
transformadores, motores de combustão interna, compressores, motores elétricos, trocadores
de calor, etc. Neste experimento, foi observado como ocorre o processo de transferência de
calor na aleta ao longo do seu comprimento, isto é, observando a temperatura em diferentes
pontos, bem como a diferença que há na troca de calor, para diferentes tipos de materiais (Aço
e Latão).

1 INTRODUÇÃO

Aletas, ou superfícies estendidas, são comumente utilizadas para aumentar a taxa de


transferência de calor entre um sólido e um fluido, ou entre dois fluidos. A intensificação da
troca de calor ocorre quando um número considerável de aletas são inseridas em alguma
superfície, com o objetivo de aumentar a área onde ocorrerá a troca térmica. Como tem-se que
a taxa de transferência de calor é proporcional a área, ocorrerá um aumento nessa taxa.
Como exemplo, pode-se citar um fluido quente escoando por um duto que passa em
uma sala a uma temperatura menor que a do fluido. A inserção de várias aletas na superfície
desse duto irá aumentar a troca de calor, pois em uma área onde haveria apenas convecção,
pode agora contar com a condução na aleta e a convecção na superfície da aleta, que é maior
que a superfície do duto sem a aleta.
As aletas podem ser divididas em dois grupos, com área de seção transversal uniforme,
ou área de seção transversal não uniforme. Dentro desses dois grupos, existem várias
geometrias de aletas, sendo as mais comuns, aletas planas, anulares, piniformes e circulares,
com perfis retangulares, parabólicos e triangulares. O tipo de aleta a ser utilizada depende do
tipo de aplicação.
Pode-se citar várias aplicações para as aletas no ramo da engenharia, como o processo
de resfriamento que ocorre em motores a combustão, o uso em transformadores elétricos de
alta tensão, ou em trocadores de calor com tubos aletados.
O estudo do desempenho de uma aleta no laboratório é importante, pois através da
análise dos parâmetros, como eficiência, eficácia e temperatura, podem ser feitas
comparações e ver se os resultados estão de acordo com a literatura disponível. Além disso, a
análise dos dados obtidos, possibilita um melhor entendimento nos efeitos de variação do
material e na variação das condições de contorno, sendo que esses parâmetros são
fundamentais quando um projeto for desenvolvido, a fim de se escolher o melhor tipo de aleta
para uma determinada aplicação.

2 OBJETIVOS

2.1 Objetivo geral

2.3 Objetivos específicos

3 MATERIAIS E MÉTODOS

3.1 Materiais e equipamentos

Os materiais utilizados para realizar as medidas foram:


➔ Módulo de Transferência de Calor em Superfície Estendida (TXC/SEB)

➔ Console eletrônico: Série de transferência de calor (TSTCB)


➔ Aleta de latão com seção circular:

➔ Régua e Paquímetro.

3.2 Procedimento experimental

Inicialmente, foram tomadas medidas em todos os pontos marcados da aleta, utilizando


um paquímetro, para as medidas de diâmetro da área de seção transversal. Também foram
medidas as distâncias entre os pontos que receberam os sensores com auxílio da régua.
Após essas medidas, a aleta foi encaixada no módulo em superfície estendida, com
diferentes sensores, ao longo do seu comprimento.
Em um dos controladores do módulo principal, havia a seleção para qual a temperatura
de qual sensor seria indicada no painel. E seguindo a sequência de ST-0 até ST-9, as medidas
de temperatura para cada ponto foram realizadas (para que não houvesse problemas em
relação à grandes mudanças de temperatura no equipamento, as medidas ocorreram
sequencialmente sem tempo de espera.)
Para a primeira sequência de medidas, foi utilizada uma ponta isolante, gerando-se uma
aleta adiabática, e para a segunda sequência de medidas, temos uma aleta com a ponta exposta
ao ambiente.

3.3 Formulário

Considerando-se seção transversal constante, o equacionamento utilizado para análise do


experimento foi:

Equação geral de energia para uma aleta

𝑑2𝜃
− 𝑚2 = 0 (1)
𝑑𝑥
em que,

ℎ ⋅𝑃
𝑚 = √𝑘 ⋅𝐴 e 𝜃(𝑥) = 𝑇(𝑥) − 𝑇∞ (2),(3)
𝑐

Sendo que

h = coeficiente de transferência de calor por convecção


k = Coeficiente de transferência de calor por condução;

Perímetro

P = 𝜋 ⋅d (4)

Área da seção transversal da aleta.

𝐴𝑐 = 𝜋 ⋅ 𝑟 2 (5)

Efetividade para aleta com extremidade longa

𝑘𝑃
𝜀 = √ℎ𝐴𝑐, sendo válida quando mLc≥2,65 (6)

Distribuição de temperatura (Aleta adiabática)

𝑇(𝑥) − 𝑇∞ 𝑐𝑜𝑠ℎ 𝑚 (𝐿 − 𝑥)
= (7)
𝑇𝑏 − 𝑇∞ 𝑐𝑜𝑠ℎ (𝑚𝐿)

Transferência de calor (Aleta adiabática)

𝑞𝑎,𝑎𝑑𝑖𝑎𝑏 = 𝜃𝑏 √ℎ𝑃𝑘𝐴 𝑡𝑎𝑛ℎ (𝑚𝐿) (8)

Distribuição de temperatura (Temperatura especificada na ponta da aleta)


𝑇(𝑥) − 𝑇∞ [(𝑇𝐿 − 𝑇∞ )/(𝑇𝑏 − 𝑇∞ )] 𝑠𝑖𝑛(𝑚𝑥) + 𝑠𝑖𝑛ℎ 𝑚(𝐿 − 𝑥)
= (9)
𝑇𝑏 − 𝑇∞ 𝑠𝑖𝑛ℎ (𝑚𝐿)

Transferência de calor Temperatura especificada na ponta da aleta)

𝑐𝑜𝑠ℎ(𝑚𝐿) − [(𝑇𝐿 − 𝑇∞ )/(𝑇𝑏 − 𝑇∞ )]


𝑞𝑎,𝑡𝑒𝑚𝑝−𝑒𝑠𝑝 = 𝜃𝑏 √ℎ𝑃𝑘𝐴
𝑠𝑖𝑛ℎ(𝑚𝐿)
(10)
onde 𝜃𝑏 = 𝑇𝑏 − 𝑇∞

Eficiência aleta

𝜂𝑎𝑙𝑒𝑡𝑎 = 𝑡𝑎𝑛ℎ(𝑚𝐿𝑐 )/𝑚𝐿𝑐 (11)

Número de Nusselt

0,387𝑅𝑎1/6
𝑁𝑢 = {0,6 + }2 (12)
0,559 9/16 8/27
[1 + ( 𝑃𝑟 ) ]

𝑔𝛽(𝑇𝑠 −𝑇𝑎𝑚𝑏)𝐷 3
Sendo 𝑅𝑎 = 𝑃𝑟𝐺𝑟, e 𝐺𝑟 = , sendo 𝛽 = 1/𝑇𝑚 [1/K]
𝜈2

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

4.1Aleta de latão com seção circular

As medidas obtidas na parte A do experimento estão disponíveis na tabela 1.

Tabela 1 - Dados experimentais coletados para aleta com e sem isolamento na ponta.

Temperatura [°C]
Sensores
Aleta adiabática Aleta sem ponta isolada
ST-0 71,6 71,8
ST-1 54,6 54,4
ST-2 53,1 53,7
ST-3 39,1 46,2
ST-4 36,2 39,8
ST-5 36,9 39,6
ST-6 32,4 34,1
ST-7 31,4 32,3
ST-8 30,6 31,9
ST-9 29,2 29,2
ST-10 27,2 27,1
ST-0 / ST-9: Sensores de temperatura do tipo T ao longo da ST-10 estão próximas da fonte de calor, ST-1.
ST-10: Sensor de temperatura para monitorar a temperatura ambiente.

4.1.1 Aleta com extremidade adiabática

A medição do diâmetro da aleta foi realizada em diferentes pontos e em todos obteve-se


o diâmetro de 0,11m. Na tabela 2 pode-se encontrar os valores calculados do adimensional de
temperatura, m e coeficiente de convecção local.
𝑇(𝑥)−𝑇∞
Para determinar o termo m local utilizou-se da expressão = 𝑒 −𝑚𝑥 , assim 𝑚 =
𝑇𝑏 −𝑇∞
𝑇(𝑥)−𝑇∞
−𝑙𝑛( )/𝑥 e empregando este na equação 2 determinou-se o coeficiente convectivo
𝑇𝑏 −𝑇∞

local.
Tabela 2 - Parâmetros locais - Aleta extremidade adiabática
[T(x)-Tamb]/[Tb-
Sensores Distância [m] m local [m-1] h local [W/m2K]
Tamb]
ST-0 0,018 0,9910714286 0,498 0,074
ST-1 0,048 0,6116071429 10,243 31,450
ST-2 0,076 0,578125 7,210 15,583
ST-3 0,106 0,265625 12,506 46,883
ST-4 0,138 0,2008928571 11,630 40,545
ST-5 0,168 0,2165178571 9,108 24,864
ST-6 0,198 0,1160714286 10,877 35,460
ST-7 0,227 0,09375 10,428 32,595
ST-8 0,259 0,07589285714 9,955 29,708
ST-9 0,289 0,04464285714 10,758 34,691

Cada ponto foi plotado em função de ln[T(x)-Tamb] pela distância, como segue no
gráfico 1, a opção de linha de tendência linear foi empregada e a partir da reta obtida foi
encontrado o mexp que equivale ao negativo do coeficiente angular da reta. E utilizando esse m
experimental foi encontrado o hexp. Através do coeficiente convectivo local experimental foi
determinada a transferência de calor na aleta considerando a ponta adiabática e o q
considerando a extremidade à temperatura ambiente. Estes dados podem ser vistos na tabela
3.
Gráfico 1 - Determinação do coeficiente convectivo global experimental - extremidade
adiabática

Tabela 3 - Parâmetros experimentais - extremidade adiabática

mexp[m-1] hexp [W/m2K] qadiabática[W] qTL[W] erro q [%]


10,85 35,29 5,03 5,04 0,2

Pode-se ver que a diferença entre as trocas de calor foi muito pequena, o que representa
que trata-se de uma boa aproximação para as duas condições.
Outro gráfico foi plotado mostrando a variação da temperatura ao longo do
comprimento da aleta. Através do gráfico 2 pode-se observar que trata-se de uma curva
semelhante a uma exponencial.

Gráfico 2 - Distribuição da temperatura ao longo do comprimento da aleta com


extremidade adiabática.
Conhecendo o mexp pode-se determinar a eficiência e eficácia da aleta por meio das
equações 6 e 11. Ainda pode-se determinar o coeficiente convectivo teórico através da
correlação de Nusselt da equação 12. Esses dados estão disponíveis na tabela 4.

Tabela 4 - Parâmetros experimentais e coeficiente convectivo teórico - extremidade


adiabática

𝜂𝑎𝑙𝑒𝑡𝑎 mLc 𝜀𝑎𝑙𝑒𝑡𝑎 hteórico [W/m2K]


0,29 3,55 33,51 7,65

Ainda foi plotado o gráfico 3 que mostra o coeficiente convectivo local em função da
temperatura.
Gráfico 3 - Coeficiente convectivo local em função da temperatura

4.1.2 Extremidade com convecção

4.2 Aleta de aço inoxidável com seção circular

Tabela 2 - Dados experimentais coletados do outro grupo com e sem isolamento na


ponta.

Temperatura [°C]
Sensores Aleta adiabática Aleta sem ponta isolada
ST-0 72,5 74,3
ST-1 47,3 54,4
ST-2 40,9 51,4
ST-3 33,5 42
ST-4 29,9 35,1
ST-5 28,6 33,2
ST-6 27,4 30
ST-7 27,4 28,4
ST-8 27,3 28,1
ST-9 27 27
ST-10 26,7 26,8

A hipótese utilizada para o desenvolvimento das medições é a de que há troca de calor


por convecção na ponta da aleta e esta troca tem a mesma transferência de calor por
condução.

4.2.1 Extremidade adiabática

4.2.2 Extremidade com convecção

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

INCROPERA, F. P; DeWitt, D. ; [et al.]. Fundamentos de Transferência de Calor e


Massa.7°ed. Rio de Janeiro / LTC, 2014. 671p.

ÇENGEL, Y.A; Ghajar, A. J. Transferência de Calor e Massa: uma abordagem prática.4°ed.


Porto Alegre / McGraw Hill, 2012. 903p.

http://www.ufrgs.br/medterm/trabalhos/trabalhos-2007/lusa.pdf
http://www.usp.br/sisea/wp-content/uploads/2016/08/Aula-7-Aletas-efici%C3%AAncia-e-
efetividade.pdf
http://fep.if.usp.br/~profis/experimentando/diurno/downloads/Tabela%20de%20Condutividad
e%20Termica%20de%20Varias%20Substancias.pdf