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1 Introdução

Em uma viga biapoiada submetida à flexão quando carregada, são geradas


tensões de tração na fibra inferior do concreto e tensões de compressão na
fibra superior. Como o concreto simples tem baixa resistência à tração e alta
resistência a compressão, é necessário o uso do aço na região tracionada para
resistir a estas tensões, pois este possui ótima resistência à tração. Estas são
chamadas estruturas em concreto armado.

Figura 1 – Viga de concreto armado

Fonte: Arquivo pessoal

O aço também possui boa resistência a compressão, sendo assim o mesmo


pode colaborar com o concreto em regiões comprimidas.

Em estruturas de concreto armado adotam-se armaduras em forma de barras


com seção circular, chamadas armaduras passivas.

Os projetos de estruturas em concreto armado tem como base a norma


regulamentadora ABNT NBR 6118 Projeto de estruturas de concreto —
Procedimento.

Segundo a NBR 6118 (2014, pág 04):

3.1.5 armadura passiva: Qualquer armadura que não seja usada para
produzir forças de protensão, isto é, que não seja previamente alongada.

O aço será solicitado apenas quando as cargas externas começarem a atuar


na estrutura, e isso ocorre principalmente devido a aderência entre o concreto
e o aço.

A NBR 6118 (2014, pág 04) define elementos de concreto armado como:

3.1.3 elementos de concreto armado: Aqueles cujo comportamento estrutural


depende da aderência entre concreto e armadura, e nos quais não se aplicam
alongamentos iniciais das armaduras antes da materialização dessa aderência.

O bom desempenho das estruturas de concreto armado deve-se a três fatores:

 Aderência entre o concreto e o aço;


 Valores próximos dos coeficientes de dilatação térmica;
 Proteção do aço contra corrosão feita pelo concreto envolvente.

Vantagens do concreto armado

 Apresenta boa resistência à maioria das solicitações;


 Tem boa trabalhabilidade, e por isso se adapta a várias formas,
podendo, assim, ser escolhida a mais conveniente do ponto de vista
estrutural, dando maior liberdade ao projetista.
 Permite obter estruturas monolíticas, onde existe aderência entre o
concreto já endurecido e o concreto lançado posteriormente, facilitando
a transmissão de esforços;
 As técnicas de execução são razoavelmente dominadas em todo o país;
 É um material durável, desde que bem executado.

Desvantagens do concreto armado

 Resulta em elementos com grandes dimensões, o que acarreta em um


peso próprio elevado, limitando seu uso em determinadas situações ou
aumentado seu custo;
 As reformas e adaptações são de difícil execução;
 É necessário um sistema de fôrmas e escoramentos que geralmente
precisam permanecer no local até que o concreto alcance resistência
adequada.

2 Concreto Estrutural
A NBR 6118 (2014) nos fornece as propriedades do concreto para estruturas
de concreto armado no item 8.2.

8.2.1 Classes

Esta Norma se aplica aos concretos compreendidos nas classes de resistência


dos grupos I e II, da ABNT NBR 8953, até a classe C90.

Tabela 1 – Classes de resistência do grupo 1


Resistência característica à
Grupo I de resistência
compressão (MPa)
C20 20 MPa
C25 25 MPa
C30 30 MPa
C35 35 MPa
C40 40 MPa
C45 45 MPa
C50 50 MPa
Fonte: NBR 8953 (1992)
Tabela 2 – Classes de resistência do grupo 2
Resistência característica à
Grupo I de resistência
compressão (MPa)
C55 55 MPa
C60 60 MPa
C70 70 MPa
C80 80 MPa
C90 90 MPa
Fonte: NBR 8953 (1992)

A classe C20, ou superior, se aplica ao concreto com armadura passiva e a


classe C25, ou superior, ao concreto com armadura ativa. A classe C15 pode
ser usada apenas em obras provisórias ou concreto sem fins estruturais,
conforme a ABNT NBR 8953.

O concreto estrutural deve ter resistência característica à compressão aos 28


dias (fck) mínimo de 20 MPa para estruturas em concreto armado podendo
chegar até 90 MPa. A norma ainda nos fornece definições importantes a
respeito do concreto estrutural:

3.1.2 elementos de concreto simples estrutural: Elementos estruturais


elaborados com concreto que não possui qualquer tipo de armadura, ou que a
possui em quantidade inferior ao mínimo exigido para o concreto armado (ver
17.3.5.3.1 e tabela 17.3).

Se ao dimensionar uma estrutura em concreto armado, o aço calculado for


menor do que a quantidade mínima estabelecida pela norma não podemos
usar o aço calculado, pois a estrutura será considerada uma estrutura de
concreto simples estrutural. Devemos sempre atender a quantidade de aço
mínima exigida pela NBR 6118 para que tenhamos uma estrutura em concreto
armado.

8.2.2 Massa Específica

Esta Norma se aplica aos concretos de massa específica normal, que são
aqueles que, depois de secos em estufa, têm massa específica (ρc)
compreendida entre 2 000 kg/m3 e 2 800 kg/m3.

Se a massa específica real não for conhecida, para efeito de cálculo, pode-se
adotar para o concreto simples o valor 2 400 kg/m3 e para o concreto armado,
2 500 kg/m3.

Quando se conhecer a massa específica do concreto utilizado, pode-se


considerar para valor da massa específica do concreto armado aquela do
concreto simples acrescida de 100 kg/m3 a 150 kg/m3.
Não é usual a realização de ensaios para determinação da massa específica
do concreto, então como prática recorrente utilizamos como massa específica
do concreto armado 2500 kg/m3.

8.2.3 Coeficiente de dilatação térmica

Para efeito de análise estrutural, o coeficiente de dilatação térmica pode ser


admitido como sendo igual a 10-5/°C.

O coeficiente dilatação térmica é utilizado para o cálculo do alongamento e


encurtamento devido à variação de temperatura no dimensionamento de juntas
de dilatação.

8.2.4 Resistência à compressão

As prescrições desta Norma referem-se à resistência à compressão obtida em


ensaios de corpos de prova cilíndricos, moldados segundo a ABNT NBR 5738
e rompidos como estabelece a ABNT NBR 5739.

Quando não for indicada a idade, as resistências referem-se à idade de 28


dias. A estimativa da resistência à compressão média, fcmj, correspondente a
uma resistência fckj especificada, deve ser feita conforme indicado na ABNT
NBR 12655.

A evolução da resistência à compressão com a idade deve ser obtida por


ensaios especialmente executados para tal. Na ausência desses resultados
experimentais, pode-se adotar, em caráter orientativo, os valores indicados em
12.3.3.

O parâmetro mais importante para a execução de um projeto estrutural é a


resistência característica à compressão do concreto aos 28 dias (fck). É ela que
irá determinar a classe do concreto, portanto devemos sempre realizar ensaios
para que o concreto usado na obra seja correspondente ao concreto definido
em projeto.

8.2.4 Resistência à tração

A resistência à tração indireta fct,sp e a resistência à tração na flexão fct,f


devem ser obtidas em ensaios realizados segundo as ABNT NBR 7222 e
ABNT NBR 12142, respectivamente.

A NBR 7222 (2011) determina a resistência à tração por compressão diametral


de corpos de prova cilíndrico. O ensaio de compressão diametral ou ensaio de
tração indireta, também conhecido como splitting test criado pelo Prof.
Fernando Luiz Lobo Carneiro se tornou referência mundial. Para conhecer
como foi criado este ensaio acesse o link abaixo:
http://aquarius.ime.eb.br/~webde2/prof/ethomaz/lobocarneiro/comp_diametral.pdf
Figura 2 – Ensaio de resistência à tração por compressão diametral

Fonte:

2 𝐹𝑐
𝑓𝑐𝑡, 𝑠𝑝 = ∗
𝜋 𝑑∗ℎ

A NBR 12142 (2010) determina a resistência à tração na flexão de corpos de


prova prismáticos.

Figura 3 – Ensaio de resistência à tração na flexão

Fonte:

𝐿
6∗3∗𝐹
𝑓𝑐𝑡, 𝑓 =
𝑏 ∗ ℎ²
Figura 4 – Ensaio de resistência à tração direta

Fonte:

𝐹𝑡
𝑓𝑐𝑡 =
𝐴

A resistência à tração direta fct pode ser considerada igual a 0,9 fct,sp ou 0,7
fct,f, ou, na falta de ensaios para obtenção de fct,sp e fct,f, pode ser avaliado o
seu valor médio ou característico por meio das seguintes equações:

— para concretos de classes até C50:


3
𝑓𝑐𝑡, 𝑚 = 0,3 ∗ 𝑓𝑐𝑘²

— para concretos de classes C55 até C90:

𝑓𝑐𝑡, 𝑚 = 2,12 ∗ ln⁡


(1 + 0,11 ∗ 𝑓𝑐𝑘)

onde:
fct,m e fck são expressos em megapascal (MPa).
sendo
fckj ≥ 7 MPa, estas expressões podem também ser usadas para idades
diferentes de 28 dias.

A NBR 6118 (2014 estabelece um limite mínimo e máximo para a resistência à


tração o fctk,inf e o fctk,sup respectivamente limite inferior e limite superior. O
fctk,inf é utilizado nas análises estruturais e o fctk,sup é utilizado para
determinação das armaduras mínimas.
onde:
𝑓𝑐𝑡𝑘, 𝑖𝑛𝑓 = 0,7 ∗ 𝑓𝑐𝑡, 𝑚
𝑓𝑐𝑡𝑘, 𝑠𝑢𝑝 = 1,3 ∗ 𝑓𝑐𝑡, 𝑚