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JUSTIÇA ELEITORAL

PRESTAÇÃO DE CONTAS - ELEIÇÕES 2016

PROCESSO Nº: 571-45.2016.6.19.0107 PROTOCOLO Nº 264.275/2016


ASSUNTO: PRESTAÇÃO DE CONTAS RELATIVA À ARRECADAÇÃO E APLICAÇÃO DE RECURSOS
FINANCEIROS NA CAMPANHA ELEITORAL DE 2016.
PRESTADOR : DIREÇÃO MUNICIPAL/COMISSÃO PROVISÓRIA - PR - ITAPERUNA
CNPJ : 03.832.370/0001-83 Nº CONTROLE: P22000458432RJ2932390
DATA ENTREGA: 04/09/2017 às 16:56:46 DATA GERAÇÃO: 21/09/2017 às 16:33:13

PARECER TÉCNICO CONCLUSIVO

Submete-se à apreciação superior o relatório dos exames efetuados sobre a prestação de contas
em epígrafe, abrangendo a arrecadação e aplicação de recursos utilizados na campanha, relativas às
eleições de 2016, à luz das regras estabelecidas pela Lei n.º 9.504, de 30 de setembro de 1997, e pela
Resolução TSE n.º 23.463/2015.

Do exame, após realizadas as diligências necessárias à complementação das informações, à


obtenção de esclarecimentos e/ou ao saneamento de falhas, constantes do relatório de fls. 82-84, restaram
caracterizadas as seguintes inconsistências:

1. FORMALIZAÇÃO DA PRESTAÇÃO DE CONTAS

1.1. Relatórios financeiros de campanha:

Houve descumprimento quanto à entrega dos relatórios financeiros de campanha no prazo


estabelecido pela legislação eleitoral, em relação às seguintes doações (art. 43, §§ 2º e 7°, da Resolução
TSE nº 23.463/2015):
RECURSOS ARRECADADOS SEM ENVIO À JUSTIÇA ELEITORAL DOS RELATÓRIOS FINANCEIROS DE CAMPANHA
Nº CONTROLE DATA CNPJ / CPF NOME RECIBO ¹ VALOR R$ ²%
ELEITORAL
01/09/2016 017.513.137-60 CARLOS ALESSANDRE VIEIRA P22000458432 880,00 00,0277
P22000458432 SERODIO RJ000001E
RJ4851956
01/09/2016 125.533.307-31 DANIELLY DINIZ MACEDO PACHECO P22000458432 880,00 00,0277
P22000458432 RJ000002E
RJ2263598
26/09/2016 02.338.898/000 Direção Estadual/Distrital P22000458432 15.000,00 00,4723
P22000458432 1-38 RJ000004E
RJ3874016
06/09/2016 02.338.898/000 Direção Estadual/Distrital P22000458432 15.000,00 00,4723
P22000458432 1-38 RJ000003E
RJ3874016
¹ Valor total das doações recebidas
² Representatividade das doações em relação ao valor total

Em manifestação (fls. 97), alegou o partido que foi observado o prazo legal e que teria apresentado
na oportunidade os documentos comprobatórios, entretanto, estes não foram localizados anexos à
manifestação de fls. 97-133.

Assim, permanece a impropriedade.

1.2. Prestação de contas parcial

1.2.1. A prestação de contas parcial foi entregue em 30/09/2016. fora do prazo fixado pelo §4º, do art. 43
da Res. TSE 23.463/2015 (9 a 13/09/2016).

1
Em manifestação (fls. 98), reconheceu o partido que a entrega da parcial foi realizada fora do prazo
fixado no citado artigo, mas alega que, embora com atraso, foi apresentada em tempo hábil para qualquer
contestação, demonstrando assim sua boa-fé; contudo, não esclareceu o porquê da não apresentação da
parcial no prazo estipulado na citada resolução.

1.2.2. Foram detectados gastos eleitorais realizados em data anterior à data inicial de entrega da
prestação de contas parcial, mas não informados à época (art. 43, § 6°, da Resolução TSE n. 23.463/2015):
DIVERGÊNCIAS ENTRE A PRESTAÇÃO DE CONTAS FINAL E A PRESTAÇÃO DE CONTAS PARCIAL
DATA Nº DOC. FORNECEDOR RECIBO ELEITORAL VALOR (R$) %¹
FISCAL
01/01/2016 003 EDSON WANDER BRAGA BRANCO 3.000,00 20,00
01/09/2016 002 EDSON WANDER BRAGA BRANCO 1.500,00 10,00
01/09/2016 004 HELIO RICARDO BARROS ROSSI 3.000,00 20,00
01/09/2016 001 JOSILEY DA COSTA FERREIRA 1.500,00 10,00
¹ Representatividade da variação encontrada

1.3. Prestação de contas final

A prestação de contas final foi entregue em 02/11/2016, fora do prazo fixado pelo art. 45, caput e
§1º, da Resolução TSE nº 23.463/2015.

Em manifestação (fls. 98), discordou o partido, alegando que apresentou as contas em 01/11/2016,
entendendo ter cumprido o prazo legal, entretanto, conforme se verifica a fls. 04, a prestação de contas final
foi protocolada em Cartório na data de 02/11/2016, data em que as referidas contas foram recepcionadas
pela Justiça Eleitoral, conforme recibo de fls. 35, logo, após o prazo fixado no citado artigo.

2. PEÇAS INTEGRANTES:

Extratos Bancários:

Conforme apontado no parecer conclusivo de fls. 82-84, em sua manifestação de fls. 56/80, o
prestador de Contas apresenta extrato bancário da Conta n.º 8666-9, então cadastrada como conta
destinada ao “Fundo Partidário”, a fim de comprovar que a sobra de campanha decorrente de fundo
partidário recebido pelo Diretório Estadual do PHS foi lá depositado (fls. 58/59).

Com sua manifestação de fls. 97-133, apresentou o partido os extratos da conta 851-0 (fls. 130-131),
com a movimentação do período de 11/08/2016 a 10/11/2016; e o extrato da conta 852-9 (fls. 132) com a
movimentação do período de 11/08/2016 a 10/10/2016, objetivando atender ao disposto no art, 48, II da Res.
TSE 23.463/2015, referente às outras duas contas cadastradas no SPCE como “Outros Recursos”, quais
sejam: Conta n.º 3000851-0 e 3000852-9.

Ressalta-se que, foi realizada pela equipe técnica, consulta ao Sistema de Prestação de Contas
Eleitorais (SPCE) e Sistema de Prestação de Contas Anuais (SPCA), constatando-se após isso que as
contas declaradas no SPCE como contas abertas para fins de movimentação de campanha, na verdade são
as mesmas contas cadastradas no SPCA como contas anuais do respectivo Diretório Municipal (Contas n.º
3000851-0 e 3000852-9), conforme se verifica em documentos anexados ao parecer conclusivo de fls. 82-
84.

Assim, conclui-se que, apesar de expressamente exigido pela legislação, o Diretório do Partido da
República, não abriu as contas específicas para realização de movimentações de campanha, realizando
esta nas contas anuais do respectivo Diretório, violando expressamente o disposto no art. 8º da Res. TSE
23.463/2015, que dispõe:
“Art. 7º É obrigatória para os partidos políticos e os candidatos a abertura de conta bancária específica, na Caixa
Econômica Federal, no Banco do Brasil ou em outra instituição financeira com carteira comercial reconhecida pelo
Banco Central do Brasil.”

Soma-se a tal impropriedade, o fato do Diretório ter recebido recursos oriundos do Fundo Partidário
por parte do Diretório Estadual do PHS em conta anual registrada como “Outros Recursos”, quais sejam:

2
Contas n.º 3000851-0 e 3000852-9 e não em conta destinada especificamente para Fundo Partidário (Conta
n.º 866-9).

Nesse sentido, importa mencionar que o Partido, em sua manifestação não comprovou que os
valores de 15.000,00 (quinze mil reais), percebidos em duplicidade no dia 26/09/2016 não correspondem a
Recursos do Fundo Partidário, chegando-se a tal constatação a partir de consulta às contas declaradas pelo
Diretório Estadual do PHS no SPCE, na medida em que é possível aferir que as contas identificadas no
extrato eletrônico do diretório municipal (contas 3143-3 e 3144-1) foram registradas como contas de “Fundo
Partidário” e em “doações a terceiros” verifica-se o registro dos valores para o respectivo CNPJ do PR de
Itaperuna.

A irregularidade acerca da conta utilizada para transferência dos recursos perdurou durante toda a
campanha, vez que o Partido permaneceu com o dinheiro recebido nas contas “Outros Recursos” (contas
3000851-0 e 3000852-9) e lá realizou todas as movimentações financeiras durante o período eleitoral,
violando o determinado em art. 8º da Res. 23.463/2015, que dispõe:
“Art. 8º Os partidos políticos e os candidatos devem abrir conta bancária distinta e específica para o recebimento e a
utilização de recursos oriundos do Fundo de Assistência Financeira aos Partidos Políticos (Fundo Partidário), na
hipótese de repasse de recursos dessa espécie.
Parágrafo único. O partido político que aplicar recursos do Fundo Partidário na campanha eleitoral deve fazer a
movimentação financeira diretamente na conta bancária estabelecida no art. 43 da Lei nº 9.096/1995, vedada a
transferência desses recursos para a conta “Doações para Campanha”. (grifou-se)

Ressalta-se que o art. 13 da Res. 23.463/2015 é claro ao dispor que tal irregularidade enseja a
desaprovação das contas:
“Art. 13. O uso de recursos financeiros para pagamentos de gastos eleitorais que não provenham das contas
específicas de que tratam os arts. 8º e 9º implicará a desaprovação da prestação de contas do partido ou do
candidato.” (grifou-se)

Por fim, vale mencionar que em consulta ao SPCE foram acostados aos autos os extratos
eletrônicos emitidos pelo Sistema SPCE-web, financeiras, referentes às contas “Outros recursos” n.º
3000851-0 e 3000852-9, viabilizando a análise da presente prestação.

Há que se ressaltar que o partido em retificadora de fls. 103, não mais relacionou a conta 8666-9
referente a fundo partidário, em suas contas, conforme relatório emitido pelo sistema SPCE-web de fls. 138,
e relatórios emitidos pelos Sistema SPCA e SPCE-web que acompanham o presente.

3. RECEITAS

3.1 Foram detectadas receitas sem a identificação do CPF/CNPJ nos extratos eletrônicos,
impossibilitando a aferição da identidade dos doadores declarados nas contas e o cruzamento de
informações com o sistema financeiro nacional, obstando a aferição da exata origem do recurso recebido,
podendo caracterizar o recurso como de origem não identificada (arts. 18, I, 11, § 3º e 26, § 1º, I, da
Resolução TSE nº 23.463/2015):
DATA HISTÓRICO OPERAÇÃO VALOR (R$)
104 - CAIXA ECONOMICA FEDERAL - 4373 - 3000008510
28/10/2016 DEP CH 48H 205 - LANÇAMENTO AVISADO 49,00

Em retificadora, o partido informou tratar-se de sobras financeiras de campanha do candidato Valdeci Moura,
porém, não esclareceu a ausência do CPF/CNPJ , conforme exigência do artigo 18 da Resolução TSE Nº
23.463/2015.

3.2 Foram declaradas transferências diretas efetuadas a outros prestadores de contas, mas não
registradas na prestação de contas em exame, revelando indícios de omissão de receitas, infringindo o
disposto no art. 48, I, c, da Resolução TSE n. 23.463/2015:
BENEFICIÁRIO Nº RECIBO DATA FONTE ESPÉCIE VALOR (R$)¹ %²
JOÃO BATISTA DA SILVA 220221358432RJ0 29/09/2016 OR Estimado 3.000,00 20,00
00005E
¹ Valor total das despesas registradas

3
4. DESPESAS

4.1. Dos serviços estimáveis em dinheiro

O prestador de contas, em sua manifestação de fls. 56/80 comprova que os serviços contábeis e
advocatícios de natureza estimáveis recebidos constituem produto do próprio serviço do doador (fls. 65 e
67), contudo não se manifestou acerca da exigência do art. 53 da Res. 23.463/2015, deixando de apresentar
as avaliações de mercado utilizadas para embasar os valores lançados para tais serviços, qual seja: R$
880,00 (oitocentos e oitenta reais) para serviços contábeis e R$ 880,00 (oitocentos e oitenta) para serviços
advocatícios.

A despeito da avaliação de preços de mercado importa mencionar que, apesar dos serviços
advocatícios e contábeis terem sido recebidos de modo estimável pelo Partido, da análise dos autos
constata-se que houve contratação direta de outros profissionais para prestação de serviços desta mesma
natureza (contador e advogado), através do regime de RPA (recibo de pagamento autônomo), sendo certo
que lá, os valores pagos correspondem à R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) para contador; R$ 1.500,00
(hum mil e quinhentos reais) e R$ 3.000,00 (três mil reais) para advogado.

Desta forma, não foi possível identificar a razão da contratação dos mesmos serviços por duas
maneiras diferentes por parte do Partido (estimável e direta), bem como o motivo da diferença quanto aos
valores estimáveis declarados como “preços habituais de mercado” e aqueles efetivamente pagos aos
serviços da mesma natureza.

4.2. Dos recursos do Fundo Partidário

Da análise dos autos verifica-se que o prestador de contas recebeu transferência bancária do
Diretório Estadual do PHS no valor de R$ 30.000,00 (trinta mil) oriundo do Fundo Partidário, gastando, na
campanha eleitoral, o valor de R$ 15.000,00 (quinze mil).

Ressalta-se que, muito embora apontado em relatório preliminar que o doador não procedeu ao
registro desse valor, em consulta à Prestação de Contas do Diretório Estadual do PHS é possível se aferir o
registro de ambas doações à respectiva agremiação municipal do PR.

Desta forma, de acordo com as regras quanto à aplicação de recursos do Fundo Partidário, não
houve esclarecimento quanto à observância da exigência legal que determina a destinação de recursos do
fundo partidário em, no mínimo 5% e no máximo de 15% do total utilizado na campanha eleitoral (R$
15.000,00), para a aplicação nas campanhas de suas candidatas, conforme dispõe o art. 17, §4º, da
resolução TSE nº 23.463/2015 c/c art. 44, §7º da Lei 9.096/95, não tendo sido acostado aos autos, pelo
partido, qualquer nota explicativa ou documento sobre a impropriedade ora relatada.

4.3. Despesas com combustível

Verifica-se que a NF 968 (fls. 21) elenca o valor de R$ 3.000.00,00 (três mil reais) de gastos com
combustível, sem que houvesse o correspondente registro de locações de veículos, cessões, publicidade
com carro de som ou doações a candidatos.

A respeito desse tema, o prestador de contas, em sua manifestação, alega no item 4.5 (fls. 100) que
foram realizadas doações para candidatos da legenda, que utilizaram em seus veículos (próprios ou de
terceiros).

De fato, analisando-se a nota fiscal nº 968 (fls. 21) verifica-se que no campo informações
complementares consta “(...) doação de combustíveis aos candidatos (22580) LINO VIEIRA PACHECO,
(22022) JOÃO BATISTA DA SILVA, (22021) JOAQUIM PEREIRA GUALANDI E (22123) IVANETE RIBEIRO
DE CNOP”. Entretanto, não registrou o partido as doações em sua prestação de contas, contrariando o que
estipula a Resolução TSE nº 23.463/2015.

Dessa forma, a doação realizada aos candidatos é considerada como recurso destinado à
campanha eleitoral, e tal omissão afeta a regularidade das contas, vez que contraria o artigo 23, § 2º da
Resolução supra, que estabelece:

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“ [...]
§ 2º Os valores transferidos pelos partidos políticos oriundos de doações serão registrados na prestação de contas dos
candidatos como transferência dos partidos e, na prestação de contas dos partidos, como transferência aos candidatos
(Lei nº 9.504/1997, art. 28, § 12; STF ADI nº 5394).”

O artigo 23, caput da Resolução 23.463/2015, preceitua o que segue:

“Art. 23. As doações de recursos captados para campanha eleitoral realizadas entre partidos políticos, entre partido
político e candidato e entre candidatos estão sujeitas à emissão de recibo eleitoral na forma do art. 6º.”

4.4. Despesa com publicidade por materiais impressos

Verifica-se que a NF 358 (fls. 23) elenca o valor de R$ 3.000.00,00 (três mil reais) de gastos com
confecção de materiais de propaganda, contendo o CNPJ de alguns candidatos que integram a respectiva
Coligação, contudo, não há no Sistema o registro de tal doação por parte do doador, ficando incoerente a
realização de gasto tão vultuoso com material de propaganda por parte do Partido Politico, que, ao menos
possuiu contratação de cabos eleitorais, por exemplo.

A respeito desse tema, o prestador de contas restou omisso em sua manifestação de fls. 56/80 e 97-
133, não esclarecendo assim a situação.

5. RECIBOS ELEITORAIS

Em relação à duplicidade dos Recibos Eleitorais 01 e 02, o prestador de contas em manifestação de


fls. 56/80 apresentou retificadora, regularizando a numeração, mediante emissão dos recibos 03 e 04 para
as receitas de 15.000,00 (quinze mil reais) percebidas pelo Diretório Estadual do PHS. Contudo, vale
ressaltar que o recibo eleitoral nº 03 foi acostado a fls. 19, porém sem assinatura do doador e do
responsável por sua emissão e o recibo eleitoral 04 não foi apresentado pelo partido.

Além disso, verificou-se que o prestador de contas apresentou fisicamente o recibo eleitoral n.º 05
(fls. 68) porém sem assinatura do doador e do responsável por sua emissão, referente à doação recebida do
candidato Valdeci Moura no valor de R$ 49,00 (quarenta e nove reais) em 11/11/2016, mas no SPCE o
mesmo recibo encontra-se como “Não utilizado”. No mais, não consta a referida doação na relação de
“receitas” registradas pelo partido, e tão pouco os débitos correspondentes ao referido valor, concluindo-se
pela ausência de seus registro em extrato retificador.

Ressalta-se que, não obstante a apresentação física do recibo eleitoral, a doação acima referida
consta em extrato eletrônico bancário sem a devida identificação do doador, por meio de CPF ou CNPJ.

O documento de fls. 69 não é suficiente para sanar a omissão, uma vez que indica como depositante
o próprio partido e não, Valdeci Moura, divergindo quanto ao declarado pelo prestador de contas.

Tal fato adequa-se ao que a legislação prevê como Recurso de Origem não identificada (art. 26 da
Res. 23.463/2015), ensejando a necessária devolução ao doador ou, quando não for possível a sua
identificação, ao Tesouro Nacional.
“Art. 26. O recurso de origem não identificada não pode ser utilizado por partidos políticos e candidatos e deve ser
transferidos ao Tesouro Nacional, por meio de Guia de Recolhimento da União (GRU).
§ 1º Caracterizam o recurso como de origem não identificada:
I - a falta ou a identificação incorreta do doador; e/ou
II- a falta de identificação do doador originário nas doações financeiras; e/ou
III - a informação de número de inscrição inválida no CPF do doador pessoa física ou no CNPJ quando o doador for
candidato ou partido político.” (grifou-se)

Em manifestação (fls. 100) limitou-se o partido a informar tratar-se de sobras de campanha de


Valdeci Moura, não regularizando assim a impropriedade retromencionada.

6. ANÁLISE DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA

5
Em relatório preliminar de diligências, apontou-se para a existência de saque realizado na conta
“outros Recursos” n.º 852-9, no valor de R$ 15.000,00 (quinze mil reais), sem que fosse registrado algum
pagamento em espécie (fundo de caixa).

Porém, em análise conjunta da declaração do prestador de contas às fls. 56/80 com os autos (fls. 11
e 58/59) e SPCE, constata-se que foi realizado saque com posterior depósito do valor na conta do Diretório
Municipal do PR destinada a recursos do Fundo Partidário (conta 866-9; agência 4373), vez que tal valor
corresponde a sobras de campanha decorrente de fundo partidário recebido, conforme determina o art. 46,
§3º da Res. TSE 23.463/2015:
“Art. 46 § 3º As sobras financeiras de recursos oriundos do Fundo Partidário devem ser transferidas para a conta bancária do
partido político destinada à movimentação de recursos dessa natureza.”

7. Foram detectadas pelo sistema SPCE-web, divergências entre as informações da conta bancária
informada na prestação de contas em exame e aquelas constantes dos extratos eletrônicos encaminhados à
Justiça Eleitoral, caracterizando omissão na prestação de informações à Justiça Eleitoral relativas ao registro
integral da movimentação financeira de campanha, infringindo o art. 48, II, a, da Resolução TSE n.
23.463/2015:
CONTA BANCÁRIA DECLARADA NA PRESTAÇÃO DE CONTAS
DIVERGÊNCIA CNPJ BANCO AGÊNCIA CONTA
Na conta 03.832.370/0001-83 104 4373 000000008669
Na conta 03.832.370/0001-83 104 4373 000030005810
Na conta 03.832.370/0001-83 104 4373 000030008529

CONTA BANCÁRIA IDENTIFICADA NOS EXTRATOS ELETRÔNICOS


DIVERGÊNCIA CNPJ BANCO AGÊNCIA CONTA
Na conta 03.832.370/0001-83 104 4373 003000008510
Na conta 03.832.370/0001-83 104 4373 003000008529

Conforme apontado no item 2 retro, há que se ressaltar que o partido em retificadora de fls. 103, não
mais relacionou a conta 8666-9 referente a fundo partidário, em suas contas, conforme relatório emitido pelo
sistema SPCE-web de fls. 138, gerando assim a impropriedade relatada.

8. Em relação ao indício de irregularidade relatado no item 6.1 do relatório preliminar de diligências de fls.
49-51, observa-se que os indícios de irregularidade em nome do Partido foram protocolados sob nº
352.182/2016 e encaminhados ao MPE para apuração nos termos da IN TSE nº 18/2016, encontrando-se
atualmente em trâmite neste Cartório. Assim, o citado indício não foi objeto de análise nestes autos, mas
sim em procedimento específico, conforme determina a legislação.

9. Ao final, considerando o resultado dos exames técnicos empreendidos na prestação de contas,


manifesta-se este analista:

9.1. pela sua desaprovação.

9.2. em seguida, pelo encaminhamento dos autos ao Ministério Público Eleitoral para manifestação segundo
dispõe o art. 59, § 4º da Resolução TSE nº 23.463/2015, e

9.3 pela conclusão dos autos à autoridade judicial, nos termos do art. 62 da Resolução TSE n. 23.463/2015,
para julgamento ou conversão, sendo o caso, das contas para o rito ordinário, determinando a apresentação
de prestação de contas retificadora, no prazo de setenta e duas horas, acompanhada de todos os
documentos previstos no art. 48 da mesma Resolução.

É o Parecer. À consideração superior.

Itaperuna, 05 de outubro de 2017.

Luís Carlos da Silva


Analista Judiciário – matr. 00715029
Portaria 18/2016