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DIRETRIZ DO COMANDANTE DO EXÉRCITO | 2017-2018

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DIRETRIZ DO COMANDANTE DO EXÉRCITO
2017-2018

Gen Ex Eduardo Dias da Costa Villas Bôas

O Exército Brasileiro experimentou orçamentos oscilantes a


partir do ano 2000. O planejamento de longo prazo, os programas
estratégicos e os investimentos em geral foram enfatizados.
Entretanto, nos últimos anos, a situação econômica brasileira
confirmou uma tendência desfavorável, o que nos faz antever
uma curva orçamentária decrescente, quiçá estável, em médio
prazo. Em função disto, o Exército como um todo deverá tomar
medidas adequadas e oportunas para, prioritariamente, manter a
efetividade e a prontidão da Força Terrestre, foco de sua atuação
e o seu verdadeiro coração, além do eficaz apoio à família militar.
Há necessidade de reavaliação do planejamento estratégico
do Exército fruto do cenário econômico não-favorável aos
investimentos. No imperioso intento de transformar o Exército
para o futuro, é prudente conjugar o desejável com o possível em
curto e médio prazo. A finalidade desta ação é entregar uma efetiva
Força Terrestre às novas gerações de brasileiros, porém adequada
às nossas possibilidades.
A contenção orçamentária impõe judiciosa e imediata
racionalização no emprego de recursos humanos, materiais e
financeiros. Cada centavo do orçamento federal deverá ter seu
uso otimizado em prol do aumento do poder de combate da Força
Terrestre.
No cumprimento de sua missão constitucional e frente
à limitação orçamentária, o Exército proporá uma agenda
militar terrestre que contemple os interesses da Instituição
em consonância com o cumprimento da Política e da Estratégia
Nacional de Defesa.
Esta diretriz é complementar ao “Pensamento e Intenção do
Comandante do Exército Brasileiro”, documento expedido em 26
de fevereiro de 2015.

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PREMISSAS

CONCILIAÇÃO DAS ESTRATÉGIAS DA


DISSUASÃO E DA PRESENÇA
O Exército deverá continuar presente em todo o território
nacional, em especial naqueles rincões onde se constitui o principal
esteio organizado do Estado brasileiro. Assim, deverá manter sua
conexão estreita com a sociedade brasileira, conhecendo suas
necessidades e seus anseios.
No cumprimento da missão de Defender a Pátria, o Exército
manterá parcela da Força Terrestre em estado de prontidão
permanente, com a capacidade de neutralizar concentrações de
forças hostis junto à fronteira terrestre, de cooperar com a defesa
do litoral e do espaço aéreo sobrejacente ao território nacional.
Contribuirá, em caráter eventual, em missões de Garantia da Lei e
da Ordem, conforme sua destinação constitucional.

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PRIORIZAR O MILITAR E SUA FAMÍLIA

O militar e sua família constituem os bens mais preciosos do


Exército.
A valorização da carreira militar e a educação continuada
dos recursos humanos deverão ser incrementadas e otimizadas,
com a finalidade de atração e manutenção da juventude brasileira
no seio do Exército. Considerar que a educação fundamentada
no sistema de ensino militar dos quadros tem se mostrado um
instrumento muito importante no preparo e na manutenção do
elevado profissionalismo da Força Terrestre.
A proteção social da família militar constitui um objetivo
institucional permanente.

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RACIONALIZAÇÃO EM TODOS OS NÍVEIS

A racionalização deverá ser aplicada de forma austera e


imediata em todos os níveis organizacionais do Exército. A
finalidade desta ação é priorizar a alocação de recursos humanos
e materiais para a atividade-fim do Exército, a Força Terrestre.
O orçamento disponível deverá ser o primeiro fator a ser
considerado nos planejamentos estratégicos e setoriais. O Plano
Estratégico do Exército (PEEx) e a Lei Orçamentária devem ser os
balizadores permanentes.

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DIRETRIZES

1. Não criar Organizações Militares (OM) e/ou novas


estruturas. Qualquer necessidade nesse sentido deve ser atendida
por transformação de OM e/ou de estruturas já existentes.
2. A Sistemática de Planejamento do Exército (SIPLEX)
deverá contemplar um número consideravelmente menor de
ações estratégicas para implementação em curto e médio prazos.
Estas ações deverão estar perfeitamente ajustadas ao orçamento.
3. Elaborar uma agenda militar terrestre para ser
apresentada ao Governo Federal a fim de compor o Plano
Plurianual (PPA) 2020-2023.
4. Manter a excelência da educação dos quadros de carreira.
5. Reduzir o efetivo do Exército em, no mínimo 10%,

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devendo manter preservada, tanto quanto possível, a Força
Terrestre.
6. Reduzir o número de militares de carreira, substituindo-
os por militares temporários.
7. Reavaliar rigorosamente a necessidade e os participantes
de cursos e estágios, dentro da Força, em órgãos civis e no exterior.
8. Priorizar os exercícios de simulação e de Postos de
Comando. Nos exercícios no terreno, enfatizar o adestramento
de pequenas frações, visando à solidificação do conhecimento
profissional e o desenvolvimento da liderança, em especial, de
oficiais subalternos e terceiros sargentos.
9. Considerar o ciclo completo de vida dos Sistemas e
Materiais de Emprego Militar (SMEM) no processo de aquisição,

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tendo em conta os impactos que os custeios decorrentes terão nos
orçamentos futuros.
10. Reduzir o número de Unidades Gestoras (UG) do
Exército.
11. Diminuir sensivelmente os gastos com viagens nacio-
nais e internacionais, com a prioridade para o atendimento de
compromissos assumidos anteriormente. Reduzir, também, a rea-
lização de seminários, eventos e simpósios que envolvam a parti-
cipação de grandes efetivos. Priorizar a realização de videoconfe-
rências. A finalidade é economizar diárias e passagens.

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12. Reorganizar os Programas Estratégicos do Exército
(PEE), no seguinte sentido:
a) Estabelecer prioridade entre os programas;
b) Definir que cada entrega dos programas deva
contribuir diretamente para agregar novas capacidades à Força
Terrestre; e
c) Considerar os impactos que novos materiais
trarão no custeio do Exército durante seu ciclo de vida.
13. Priorizar, na implantação do Sistema Defesa-Indústria-
-Academia de Inovação (SIS-DIA), a busca por tecnologias de
acesso negado e que venham agregar efetivo poder de combate.
14. Estabelecer um Plano de Comunicação Social com três
objetivos principais:
a) Informar, com exatidão e oportunidade, ao público
interno sobre a racionalização em andamento no Exército;
b) Alertar a sociedade, os formadores de opinião e
os decisores político-estratégicos dos riscos inerentes à redução e
à limitação do orçamento do Exército; e
c) Valorizar a profissão militar.
15. Atuar proativamente, a fim de que a racionalização
seja executada dentro dos parâmetros previstos pela legislação
vigente.
16. O Estado-Maior do Exército (EME) deverá estabelecer,
até dezembro de 2017, um planejamento específico com
cronogramas e metas, a fim de que essas diretrizes sejam
executadas integralmente. As ações estudadas e planejadas pelo
EME neste intento deverão ser apreciadas pelo Conselho Superior
de Racionalização e Transformação (CONSURT) para decisão do
Comandante do Exército.

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CONCLUSÃO

A missão de cada um de nós, desde o Comandante do Exército


até o mais jovem soldado, é manter, apoiar e aprimorar o Exército
Brasileiro, em especial a sua Força Terrestre.
A nossa principal tarefa como soldados é contribuir
efetivamente para um Exército bem treinado, com prontidão
elevada, espírito de corpo, forte poder de combate reconhecido
internacionalmente e com a confiança da sociedade brasileira.
Devemos, entretanto, ser capazes de superar as adversidades
econômicas e conjunturais, bem cumprindo as nossas missões de
defender a Pátria e os seus valores democráticos.
Ao avaliar os dias atuais e respeitando a nossa História, devemos
lançar um olhar continuado ao futuro, buscando racionalizar para
manter a transformação do Exército, sendo capazes de entregar
uma Força Terrestre renovada e financeiramente sustentável para
as novas gerações de brasileiros.

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