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Grupo I

Compreensão do oral

Para responderes aos itens que se seguem, vais


ouvir um documentário da “RTP Ensina” (até ao
minuto 2:19), sobre a ação da água no litoral.
http://ensina.rtp.pt/artigo/a-accao-da-agua-no-
litoral/

1. Assinala se as afirmações são verdadeiras (V) ou falsas (F), de acordo com o


documentário que acabaste de ouvir.

A. A água teve um papel essencial na origem da vida.


B. Terá sido em praias e charcos que moléculas orgânicas simples
se transformaram em proteínas e ácidos nucleicos das primeiras células.
C. O relevo do litoral está em constante mudança de relevo.
D. Uma duna é formada por sedimentos transportados pelos ventos.
E. As restingas devem-se ao avanço do mar, sendo altamente dinâmicas na costa.
F. As lagunas apresentam cortes de água profundos, separados do mar.
G. Em milhões de anos, a força da água gerou fenómenos admiráveis.
H. As falésias têm origem na erosão das rochas provocada pelas ondas.
I. Durante muito tempo, o soerguimento dos continentes ou o abaixamento
das águas fez emergir novos mares.
J. O abatimento dos continentes e a subida do nível do mar geraram a elevação de
solos e a criação de vales fluviais.

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Leitura e Educação Literária

Grupo II – Texto A

Lê, com atenção, o texto.


É de noite, quando a casa dorme, que os
personagens ganham vida nas palavras escritas de Mia
Couto. Tomam-no de assalto e conduzem a história. [...]
Entrevista por Fátima de Sousa

Consegue descrever a sensação de colocar o último ponto final num livro e


entregá-lo ao mundo?

Há coisas contraditórias que sinto. Por um lado, algum alívio por chegar ao fim. Mas, na maior
parte dos casos, um vazio enorme. Aquela gente viveu de maneira obsessiva dentro de mim e,
de repente, desvanece-se. Tenho mesmo de fazer uma morte simbólica porque senão os
personagens nunca mais saem de dentro de mim e fico sempre a contar a mesma história.
Neste caso, não. Como é uma trilogia, há personagens que vão prevalecer.

Obsessivas como? Escreve de maneira obsessiva?


Só sei escrever dessa maneira. Acordo com os personagens, almoço com eles, durmo com
eles, tomam conta de mim, não despegam.

E o início, como costuma ser?


É muito caótico. Como se fosse um caldeirão. Há coisas que emergem, coisas que deixo que
despontem. Não conduzo a história através de uma lógica, de uma arquitetura. Os
personagens é que têm poder de sedução e eu apaixono-me. Vou com eles, são eles que me
revelam a história.

É um processo solitário ou partilhado?


Há momentos de grande solidão, em que só posso estar eu com os meus fantasmas.
É um tempo em que sou dono exclusivo, proprietário. Mas depois há outro tempo, que é um
tempo mais criativo, em que estou junto com os outros, em que tenho de ler muito, de escutar
muita música. É um processo mais aprazível, a parte mais gostosa.

Há muito de improviso ou mais rotina nessa criação?

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A primeira parte, mais oficinal, tem rotina. Tenho insónias e percebi que tinha de ser amigo da
insónia, que não valia a pena contrariar porque preciso que a casa durma para poder trabalhar.
Mas depois há outro momento que não tem disciplina, que é mais caótico, em que tenho de
deixar que as vozes tomem posse de mim. Abandono-me. Já não estou com as rédeas do
cavalo na mão…[...]

Volta atrás para ler o que já escreveu à medida que vai avançando na história?
Sou mais um reescritor do que um escritor. Num conto é mais fácil. E um poema, quando sai, é
de uma forma quase definitiva, porque foi trabalhado ao nível inconsciente. Mas, na prosa
ficcional, é muito difícil que saia bem. E acho que cada vez é mais complicado. Admiravam-me
as confissões de alguns colegas, que já estão há mais tempo neste exercício, que diziam que
um dia em que escrevessem cinco páginas era um grande dia – e são escritores a tempo
inteiro, coisa que eu não sou. Eu achava extraordinário, porque escrevo mais. Mas, à medida
que vou ganhando idade, que vou tendo mais experiencia neste trabalho, cada vez escrevo
menos páginas por dia. Há uma contenção. A grande virtude de se fazer uma coisa há mais
tempo pode ser resumida nessa capacidade de contenção. No princípio é meio adolescente, a
gente quer dizer tudo e quer que tudo seja bonito. Depois, percebemos que o exercício não é
esse. [...]

Voltando a Mulheres de Cinza. É diferente também na linguagem, já não há aquela


invenção de palavras…
A certa altura constroem-se clichés à volta de um autor. Aquilo que eu fazia na recriação
vocabular tinha uma intenção poética que me parecia que estava a ser mal interpretada. Por
erro meu. Havia, provavelmente – e volto à palavra adolescente –, uma forma excessiva, não
contida, de trabalhar sobre a própria linguagem. Agora, apetece-me trabalhar mais sobre a
história, a linguagem está ao serviço da história. E também não queria – como a coisa correu
bem desse ponto de vista do inventor de palavras – ficar preso nesse estereótipo. Apetece-me
fazer outras coisas, embora possa voltar à recriação. Tenho, aliás, pequenos textos, mas
contenho-me mais. A marca principal que quero ter nos meus livros é uma relação poética com
o mundo. Não consigo escrever doutra maneira, sem essa aproximação pela poesia.

As palavras recriadas permitiam isso mesmo…


Sim, mas sempre como consequência da poesia. Fazia-o porque era poeta. Brincriar, para
mim, não é só uma palavra engraçada, é uma coisa que faz sentido no nosso olhar sobre o
mundo. Quem brinca cria, quem cria brinca. É como se a língua já oferecesse essas
potencialidades.

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Alguém que gosta de brincriar com a língua como olha para a tentativa de uniformização
através do acordo ortográfico?
Não dou importância nenhuma, não faço guerra. Não mexe com a língua portuguesa. Mexe
apenas com o que está à superfície, que é a grafia. Às vezes, nem sei se estou a escrever de
acordo com o acordo ou à velha maneira. Não me atrapalha nada.

Assume-se como um poeta mesmo quando escreve prosa?


A poesia não é um género literário, está ligada a um certo tipo de pensamento que foi
desvalorizado, que é o pensamento metafórico. Mesmo como cientista, se não fossem essas
contribuições de uma certa forma de pensar que não passa pelo rigor da prova que a Ciência
exige, não conseguiria nunca perceber o que há para perceber. Para mim, que sou ecologista,
uma árvore não é só uma entidade botânica: nunca entenderia uma árvore se não percebesse
que é muito mais do que isso, é uma maneira de o tempo se revelar, é residência de espíritos,
é uma igreja… A poesia começa aqui.

A poesia é a essência?
A poesia é mais enigmática, vulcânica, surge de mim mesmo, sou tomado por esta, sem querer
já está lá, como se me estivesse a fazer a mim e não fosse eu que quisesse fazer poesia.
Quando quero avançar para um romance, um livro novo de ficção, aparece-me poesia. E, de
repente, tenho um novo livro de poesia sem querer…. É uma espécie de iluminação, uma luz
que me está a conduzir. Digo sempre que estou escritor, mas sou poeta. Sou filho de poeta,
sou filho da poesia. É quase genético.

Há poetas que o acompanham sempre?


Sem dúvida. Os meus mestres são da poesia. Fernando Pessoa. Drummond de Andrade.
João Cabral de Melo Neto. José Craveirinha. O meu pai [Fernando Couto]. Luandino Vieira.
João Guimarães Rosa. E Sophia de Mello Breyner Andresen, que foi uma descoberta
fantástica. Sou de um país que tem uma sensação de espaço e de luz… e encontrei tudo isso
na Sophia.[...]
http://www.revistaestante.fnac.pt/mia-couto/

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1. Seleciona, em cada item (1.1. a 1.4.), a opção correta relativamente ao sentido do texto.
1.1. Quando Mia Couto termina um livro, a personagens
A. permanecem nele para sempre.
B. ganham uma nova vida no livro.
C. na generalidade, sofrem uma morte simbólica.
D. vivem dentro dele obsessivamente.

1.2. Para o escritor, o processo de escrita


A. conjuga momentos solitários com criativos.
B. afasta-o das personagens.
C. é uma rotina que acontece durante a noite.
D. permite unicamente libertar a sua veia poética.

1.3. Com a idade, o escritor


A. começou a escrever com mais facilidade.
B. percebeu que o processo de escrita é complicado e contido.
C. à semelhança dos jovens escritores, escreve de forma impulsiva.
D. gosta de escrever sem obedecer a regras.

1.4. Com o novo livro Mulheres de Cinza, Mia Couto


A. manteve o estilo de escrita que o caracteriza.
B. privilegiou a sua relação poética com o mundo.
C. tentou manter os clichés habituais na sua escrita.
D. destacou a recriação vocabular em detrimento da história.

2. Seleciona a opção que corresponde à única afirmação falsa, de acordo com o sentido do
texto.
A. A língua oferece potencialidades de brincriar.
B. A poesia é a essência da criação em Mia Couto.
C. Em Mia Couto, a genética não interfere com a sua arte.
D. Os mestres do escritor são poetas.

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2. Identifica o antecedente do pronome «que» na expressão “A poesia não é um género

literário, está ligada a um certo tipo de pensamento que foi desvalorizado”

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Grupo II – Texto B
Lê o conto “A menina sem palavra”.
A menina não palavreava. Nenhuma vogal lhe
saía, seus lábios se ocupavam só em sons que não
somavam dois nem quatro. Era uma língua só dela, um
dialeto pessoal e intransmissível? Por muito que se
aplicassem, os pais não conseguiam perceção da menina.
Quando lembrava as palavras ela esquecia o pensamento.
Quando construía o raciocínio perdia o idioma. Não é que
fosse muda. Falava em língua que nem há nesta atual
humanidade. Havia quem pensasse que ela cantasse.
Que se diga, sua voz era bela de encantar. Mesmo sem
entender nada as pessoas ficavam presas na entonação. E
era tão tocante que havia sempre quem chorasse.
Seu pai muito lhe dedicava afeição e aflição. Uma noite lhe apertou as mãozinhas e
implorou, certo que falava sozinho:
— Fala comigo, filha!”
Os olhos dele deslizaram. A menina beijou a lágrima. Gostoseou aquela água salgada e
disse:
— Mar...
O pai espantou-se de boca e orelha. Ela falara? Deu um pulo e sacudiu os ombros da
filha. “Vês, tu falas, ela fala, ela fala!” Gritava para que se ouvisse. Disse mar, ela disse mar,
repetia o pai pelos aposentos. Acorreram os familiares e se debruçaram sobre ela. Mas mais
nenhum som entendível se anunciou.
O pai não se conformou. Pensou e repensou e elaborou um plano. Levou a filha para
onde havia mar e mar depois do mar. Se havia sido a única palavra que ela articulara em toda
a sua vida seria, então, no mar que se descortinaria a razão da inabilidade.
A menina chegou àquela azulação e seu peito se definhou. Sentou-se na areia, joelhos
interferindo na paisagem. E lágrimas interferindo nos joelhos. O mundo que ela pretendera

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infinito era, afinal, pequeno? Ali ficou simulando pedra, sem som nem tom. O pai pedia que ela
voltasse, era preciso regressarem, o mar subia em ameaça.
— Venha, minha filha!”
Mas a miúda estava tão imóvel que nem se dizia parada. Parecia a águia que nem sobe
nem desce: simplesmente, se perde do chão. Toda a terra entra no olho da águia. E a retina da
ave se converte no mais vasto céu. O pai se admirava, feito tonto: por que razão minha filha
me faz recordar a águia?
— Vamos filha! Caso senão as ondas nos vão engolir.
O pai rodopiava em seu redor, se culpando do estado da menina. Dançou, cantou,
pulou. Tudo para a distrair. Depois, decidiu as vias do facto: meteu mãos nas axilas dela e
puxou-a. Mas peso tão toneloso jamais se viu. A miúda ganhara raiz, afloração de rocha?
Desistido e cansado, se sentou ao lado dela. Quem sabe cala, quem não sabe fica
calado? O mar enchia a noite de silêncios, as ondas pareciam já se enrolar no peito assustado
do homem. Foi quando lhe ocorreu: sua filha só podia ser salva por uma história! E logo ali lhe
inventou uma, assim:
Era uma vez uma menina que pediu ao pai que fosse apanhar a lua para ela. O pai
meteu--se num barco e remou para longe. Quando chegou à dobra do horizonte pôs-se em
bicos de sonhos para alcançar as alturas. Segurou o astro com as duas mãos, com mil
cuidados. O planeta era leve como um balão.
Quando ele puxou para arrancar aquele fruto do céu se escutou um rebentamundo. A
lua se cintilhaçou em mil estrelinhações. O mar se encrispou, o barco se afundou, engolido
num abismo. A praia se cobriu de prata, flocos de luar cobriram o areal. A menina se pôs a
andar ao contrário de todas as direções, para lá e para além, recolhendo os pedaços lunares.
Olhou o horizonte e chamou:
— Pai!”
Então, se abriu uma fenda funda, a ferida de nascença da própria terra. Dos lábios
dessa cicatriz se derramava sangue. A água sangrava? O sangue se aguava? E foi assim.
Essa foi uma vez.
Chegado a este ponto, o pai perdeu voz e se calou. A história tinha perdido fio e meada
dentro da sua cabeça. Ou seria o frio da água já cobrindo os pés dele, as pernas de sua filha?
E ele, em desespero:
— Agora, é que nunca.
A menina, nesse repente, se ergueu e avançou por dentro das ondas. O pai a seguiu,
temedroso. Viu a filha apontar o mar. Então ele vislumbrou, em toda extensão do oceano, uma
fenda profunda. O pai se espantou com aquela inesperada fratura, espelho fantástico da
história que ele acabara de inventar. Um medo fundo lhe estranhou as entranhas. Seria
naquele abismo que eles ambos se escoariam?
— Filha, venha para trás. Se atrase, filha, por favor...

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Ao invés de recuar a menina se adentrou mais no mar. Depois, parou e passou a mão
pela água. A ferida líquida se fechou, instantânea. E o mar se refez, um. A menina voltou atrás,
pegou na mão do pai e o conduziu de rumo a casa. No cimo, a lua se recompunha.
— Viu, pai? Eu acabei a sua história!”
E os dois, iluaminados, se extinguiram no quarto de onde nunca haviam saído.

Mia Couto, Contos do Nascer da Terra, 1998, Caminho

1. A partir do 1.º parágrafo do texto, caracteriza a “menina sem palavra”.


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2. O pai da menina ouve, pela primeira vez, uma palavra da boca da menina, no entanto,
ela não a repete mais.
2.1. Explica qual foi a solução encontrada pelo pai para resolver o problema da filha.
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3. Na frase “Parecia a águia que nem sobe nem desce: simplesmente, se perde do chão.”
está presente uma
A. hipérbole
B. comparação
C. metáfora
D. perífrase

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4. Na expressão “Um medo fundo lhe estranhou as entranhas.”, (parágrafo 20), o pronome
refere-se
A. a medo
B. ao oceano
C. à história.
D. ao pai

5. Explicite a importância da história contada pelo pai à menina.


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Grupo III
Gramática

1. Observa as orações sublinhadas nas frases seguintes.


A. O pai descobriu a cura que há muito procurava.
B. O fenómeno era tão estranho que todos comentavam o caso.
C. A menina não dizia palavra, ainda que tentasse.
D. Vou admirar a lua, que o céu está limpo.
E. O pai desejava que a filha falasse.
F. O pai ficou temeroso logo que presenciou as águas avançarem.

De entre as orações sublinhadas, identifica aquela que


1.1. é iniciada por um pronome.
1.2. desempenha a função sintática de complemento direto.
1.3. é iniciada por uma conjunção equivalente a «porque».
1.4. introduz uma ideia de consequência.

2. Reescreve as frases seguintes, usando pronomes pessoais que te permitam substituir as


expressões sublinhadas. Faz apenas as alterações necessárias.
2.1. – Filha, por favor, diz uma palavra – disse o pai.

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_____________________________________________________________________.
2.2. Ele pediu à filha que falasse.
_____________________________________________________________________.
2.3. O pai contará uma história à filha.
_____________________________________________________________________.

3. Completa cada uma das frases seguintes com a forma adequada do verbo entre parênteses.
3.1. Caso a menina ________________ (falar), o pai dançaria de felicidade.
3.2. Foram os habitantes da terra quem _________ (ajudar) o pai na viagem.

4. Identifica a classe e subclasse dos verbos presentes nas frases.


4.1. A menina vivia num mundo fantástico. _________________________________________.
4.2. O pai permaneceu junto à filha. ______________________________________________.
4.3. A menina pôs as mãos na água cristalina. ______________________________________.
4.4. A menina sorriu para todos__________________________________________________.

Grupo IV – Escrita

“Pais e filhos não foram feitos para ser amigos. Foram feitos para ser pais e filhos.”

MILLÔR FERNANDES

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Escreve um texto de opinião bem estruturado, com um mínimo de 150 e um máximo de 240
palavras, em que apresentes e defendas o teu ponto de vista sobre a relação entre os pais e
os filhos.
O teu texto deve integrar:
– a tua posição sobre a questão colocada;
– a apresentação de, pelo menos, duas razões que te permitam justificar essa mesma posição;
– uma breve conclusão.

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Bom trabalho! 😊

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